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HO IAT SENG

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INFRACTORES EM FUGA

JUNTAS CONTRA KWAN E CHOU A ORDEM SEM PALAVRAS

WIPHA

BAGUNÇA NOS TRANSPORTES PÁGINAS 10-11

hojemacau

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SEXTA-FEIRA 2 DE AGOSTO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4343

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

A ordem das causas O bastonário da Ordem dos Advogados, Guilherme Figueiredo, acha que o acordo para entrega de infractores em fuga foi negociado com “secretismo” e motivado politicamente. Apesar da sintonia entre os governos de Portugal e da RAEM, Guilherme Figueiredo revela ter recebido comentários apreensivos de advogados de Macau relativamente ao acordo que considera inconstitucional. ENTREVISTA

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DAMA DO CHÁ FERNANDO SOBRAL

OS 70 ESTÃO DE VOLTA ! JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE

O CHEIRO A ESTEVAS VALÉRIO ROMÃO


2 ENTREVISTA

GUILHERME FIGUEIREDO BASTONÁRIO DA ORDEM DOS ADVOGADOS

Um dia antes de conversar com o HM, o bastonário da Ordem dos Advogados de Portugal, Guilherme Figueiredo, reuniu com Jorge Neto Valente, que lhe revelou preocupações quanto ao acordo sobre entrega de infractores em fuga assinado entre o território e Portugal. O bastonário diz que o acordo tem destinatários específicos e fala de possíveis “pedidos concorrentes” por parte de Macau e China. Quanto ao protocolo com Macau é para retomar

“Acordo foi celebrado O acordo de entrega de infractores em fuga entre Portugal e Macau foi assinado em Maio. A Ordem dos Advogados (OA) foi consultada pelo Governo português? O Governo não nos questionou sobre isso. Mas, para nós, a questão central é o acordo em si mesmo pelas razões que colocamos publicamente. Há matéria de natureza constitucional que nos parece que não deveria ter sido subscrita pelo Governo português, mas que por ventura terá acontecido por razões que a razão desconhece (risos).  Razões políticas? Com certeza. Sabe que os corredores da acção política têm uma parte iluminada e uma parte obscura, de bastidores. E, portanto, é provável que tenha sido isso, mas não temos informação suficiente sobre o contexto. Este acordo foi celebrado com todo o secretismo entre a RAEM e Portugal e é o primeiro acordo de entrega de infractores em fuga que a RAEM conseguiu celebrar, de entre os três acordos que há anos anda a negociar entre a própria China e Hong Kong. Ele não é genérico nem abstracto, tem destinatários certos e a sua falta de definições e amplas possibilidades de interpretação prendem-se com a necessidade que a RAEM tem de formular rapidamente alguns pedidos de entrega. Além disso, podem ocorrer pedidos concorrentes, pois a China celebrou um acordo com Portugal sobre extradição. A RPC pode formular um pedido de extradição concorrente com o pedido de entrega da RAEM para a mesma pessoa, e que o pedido da RPC seja recusado, mas seja aceite o da RAEM. Mas, para a OA, seja qual for a relação de natureza política (para o estabelecimento deste acordo) há limites a isso, que são de natureza constitucional e que se prendem com os direitos, liberdades e garantias de cada cidadão. Foi nesse sentido que tomamos uma posição, porque estávamos a tomar conhecimento (do acordo) através de colegas que trabalham em Macau e que nos foram dando conhecimento do que se estava a passar.  AOAtambém se pronunciou sobre a possibilidade de entrega à China de cidadãos portugueses com recurso a um “processo de cooperação especial em duas fases”.  Sim. Há essa possibilidade sem que haja garantia de análise conjunta dos seus pressupostos. Isto significa que algum deles pode falhar numa das fases. O que isto pode determinar é

que os pressupostos fundamentais para que possa ser entregue uma pessoa com a confiança absoluta do cumprimento das regras que se impõem a Portugal, do ponto de vista constitucional e dos direitos e garantias, possam não ocorrer em nenhuma das fases. Parece-nos que isto deveria estar muito bem concretizado e delimitado. Neste momento, do ponto de vista de advocacia de Macau, há uma preocupação generalizada relativamente a este acordo e por isso acho que pode ter havido aqui alguma precipitação ou a confiança de que as coisas não correrão da pior forma. A verdade é que a possibilidade de um facto, que antes não era considerado crime, mas que à data do pedido de entrega já o é, poder fundamentar um pedido de entrega da pessoa reclamada, já é violadora da nossa Constituição. Até diria mais: esta questão, que está na Constituição portuguesa, relativa ao princípio de proibição da aplicação da retroactividade da lei penal, menos favorável, é um princípio fundamental de todos os Estados de Direito. Se um acordo não acautela um princípio fundamental que é congénito aos próprios Estados de Direito, como é possível existir esta falha? Temos muita dificuldade em compreender isto. Há falhas que são muito, muito graves do ponto de vista dos direitos que assistem aos cidadãos. E acho que abre uma porta que pode criar problemas graves para os direitos das pessoas. Não conseguimos encontrar nada que pudesse justificar isto, bem pelo contrário.

“Este acordo foi celebrado com todo o secretismo entre a RAEM e Portugal e é o primeiro acordo de entrega de infractores em fuga que a RAEM conseguiu celebrar.” Não há, então, uma explicação por parte da OA para que o Ministério da Justiça português tenha aceite estas condições. O que pode justificar isto é exactamente o contrário. Isto é: as circunstâncias especiais que podem haver nas relações institucionais, políticas e diplomáticas entre ambos os lados é que deveriam justificar uma maior cautela.


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com secretismo” Quando se fala da possibilidade de serem levadas a cabo detenções provisórias, isso surpreende-nos pela maneira como está escrito. O que aqui é colocado dá-nos uma apreensão muito grande. Há a ideia de que pode, inclusive, haver outra questão, e essa já não está no nosso comunicado.

Que é... A possibilidade de existir uma entrega de infractores que chegam a Macau e, a seguir, serem levados para a RPC. Parece-nos que isso não pode acontecer, pois as legislações são muito diferenciadas e todos sabemos que é preciso que um Estado tenha o mínimo possível de convergência com o Estado para onde manda as pessoas, e não podemos de forma nenhuma aligeirar esta matéria. O que se passa em Hong Kong é conhecido, mas vale a pena ter presente que o âmbito de aplicação da lei chinesa é inacreditavelmente amplo e aplica-se a actos praticados fora do território chinês por um não chinês. No limite, um português que, em Portugal, tenha usado de forma criativa a bandeira chinesa numa obra de arte, em termos considerados ofensivos ou desrespeitosos pela hierarquia chinesa, pode vir a ser acusado pela RPC de ter cometido um crime contra os símbolos nacionais. Coloca-se também a questão de este acordo não ter de ser aprovado pela Assembleia da República e ratificado pelo Presidente da República portuguesa. Há também a falta de definição rigorosa de certos termos e expressões para efeitos da aplicação do acordo. Já poderíamos ter tomado posição sobre isto, porque analisamos isto há muito tempo. O que sucedeu é que fomos recebendo informação dos colegas, e começámos a perceber que a situação estava a agravar-se. Recebeu avisos de colegas ou do próprio presidente da Associação dosAdvogados de Macau (AAM)? De colegas. Da AAM apenas falei com o colega ontem (Jorge Neto Valente, presidente), porque ele veio cá falar comigo e mostrou-se também muito apreensivo sobre esta matéria. Congratulou-se com o comunicado da OA. Percebi que na sociedade de Macau há uma apreensão muito grande e que estavam à espera que sucedesse alguma coisa, que uma entidade tomasse uma posição sobre isto, na

ausência de comunicado de outra entidade. Foi muito bem recebida a nossa comunicação. Que diligências estão a ser feitas para alterar ou suspender o acordo? No comunicado dizem que estão a contactar as autoridades.  A OA não tem capacidade para mudar um acordo. Deveríamos ter, em algumas matérias, a possibilidade de levantar o problema da inconstitucionalidade, mas isso é algo que está a ser tratado por nós. O que está em causa é como podemos pressionar o Governo para que venha a rever isto, mas não sabemos quais são as possibilidades que o Governo tem para que isso aconteça.  Este acordo tem diferenças face à proposta de lei da extradição de Hong Kong. Que comentário faz ao que se está a passar em Hong Kong? Teme consequências para Macau, a curto prazo?  Aí entramos noutra área. É evidente que dentro do nosso enquadramento constitucional e do que entendemos que deve ser uma sociedade de Direito democrático não é complicado perceber o que o nosso entendimento determinaria. Claro que vemos com muita apreensão o que se está a passar, não só por causa de Macau, mas por causa de toda aquela região. Isto pode ter um efeito de dominó, mas, acima de tudo, preocupa-nos a acção que pode vir a ser feita contra aquilo que sucede, e aí preocupa-nos acções contra a liberdade de expressão, as garantias dos cidadãos. Estaremos atentos ao que se vai passando e tomaremos uma posição se for caso disso.  O advogado Jorge Menezes publicou um artigo de opinião no Jornal Público onde defende que Portugal, através das suas entidades governamentais e não só, deveria dar mais atenção a Macau. Concorda?  Claro que sim. Temos de estar mais atentos face a Macau e retomar uma ligação entre a OA e a AAM.  Fala do protocolo na área da advocacia.  Sim. Neste momento, há uma proposta daAAM dirigida a mim já há algum tempo, que visa adoptarmos um princípio de reciprocidade atípico. Em que sentido? O novo protocolo colocaria várias restrições, não seria aberto para

“Tenho uma convicção: vamos fazer o protocolo (com a AAM).” ambos os lados, teria de haver aqui um princípio de proporcionalidade entre o número de advogados cá e lá. Para nós, isso não pode ser tratado isoladamente, terá de ser repensado ao nível dos países de língua portuguesa. As mesmas preocupações que Macau vem agora pedir para nós vermos justifica-se se, por ventura, se aplicassem num acordo entre Portugal e o Brasil, que é aberto e que nos tem trazido alguns problemas. Não podemos olhar apenas para Macau, mas sim num sentido mais vasto, dos países de língua portuguesa. Relativamente a Macau, há patamares que têm de ser bem pensados. Será que vamos andando assim, depois deixa de haver interesse e corta-se o protocolo? A OA quer, então, um acordo de longo prazo. Um acordo de longo prazo e o ideal seria que fosse homogéneo, pensado tendo em conta os países de língua portuguesa. No mundo haverá cinco milhões e meio de advogados, dos quais 1,5 milhões são portugueses. Não podemos esquecer a importância que isto tem e temos de reforçar os laços dos países de língua portuguesa no âmbito da advocacia.  Macau tem hoje mais cursos de Direito, formam-se mais advogados bilingues. Continua a justificar-se a ida de advogados portugueses para o território? Há mercado para eles? Poderá haver um risco de saturação, não faço ideia, mas isso também existe em Portugal. Houve uma altura em que a AAM denunciou,

“Um português que, em Portugal, tenha usado de forma criativa a bandeira chinesa numa obra de arte, em termos considerados ofensivos ou desrespeitosos pela hierarquia chinesa, pode vir a ser acusado pela RPC.”

unilateralmente, com efeitos imediatos, os protocolos sobre o direito de estabelecimento e os estágios, a inscrição e a transferência de advogados estagiários pela OA. Como é evidente, nessa altura havia vários advogados que estavam a ir para Macau. As circunstâncias do ponto de vista da história vão-se alterando, e este movimento agora parece ser ao contrário, em que os advogados querem vir para Portugal, e a AAM quer estabelecer outro acordo no sentido de abertura. Temos de ter cuidado com isto. Tenho uma convicção: vamos fazer o protocolo. Ainda dentro do seu mandato? Espero que seja dentro do meu mandato seguinte, se for eleito (as eleições são em Novembro). Mas o que espero mesmo é estabelecer um projecto de regulação do princípio da reciprocidade relativamente a todos os países de língua portuguesa. Temos de regular os estágios, o acesso à profissão, os advogados que já o são no seu país de origem e que depois vêm para cá. Vamos ver se faz sentido, por exemplo, chegarem e começar logo a advogar. A ideia não é exactamente essa, pois a experiência que temos com o Brasil não é boa. Temos de encontrar um grande consenso em vários níveis temporais. Portugal não deve ser encarado como uma porta aberta para a Europa, tem de haver reciprocidade.  A Comissão Europeia lançou no passado dia 24 um relatório sobre branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, e é referido o facto de alguns escritórios de advogados poderem, de certa forma, participar nestas actividades.AOAestá preocupada com isto? Sim, e estamos tão preocupados que foi preparado um documento, que esteve para ir a votação na última assembleia-geral mas que só será votado na próxima, em Setembro. É um regulamento que prevê os pressupostos de trabalhos sobre a matéria dos procedimentos a adoptar quando os advogados participam (em processos) ao abrigo da directiva, sobre o branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. Temos acompanhado isso, fizemos negociações com várias entidades.   Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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2.8.2019 sexta-feira

INFRACTORES EM FUGA GOVERNO PORTUGUÊS REJEITA ACUSAÇÕES DA ORDEM DOS ADVOGADOS

Meter os pontos nos is

O Ministério da Justiça em Portugal, liderado por Francisca Van Dunem, rejeita as acusações feitas pela Ordem dos Advogados portuguesa sobre a alegada inconstitucionalidade do acordo de entrega de infractores em fuga assinado com a RAEM em Maio. O Ministério baseia-se em acordos anteriormente assinados com China e Macau e outros tratados internacionais

ACORDO DSAJ TAMBÉM REJEITA ACUSAÇÕES DA ORDEM DOS ADVOGADOS

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braço-de-ferro entre a Ordem dos Advogados (OA) e o Ministério da Justiça em Portugal sobre o acordo de entrega de infractores em fuga, assinado entre o país e a RAEM em Maio, ganha um novo capítulo. Em resposta ao HM, o Governo português garantiu que não está em causa uma violação da Constituição portuguesa, ao contrário do que acusa o bastonário da OA, Guilherme Figueiredo (ver entrevista). “O Ministério da Justiça considera que tais acordos estão em perfeita conformidade com a Constituição da República Portuguesa e demais instrumentos internacionais aplicáveis”, aponta a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem. A governante baseia-se em acordos anteriormente assinados com Macau e a China para justificar que o acordo assinado aquando da visita

Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) também rejeita as acusações de inconstitucionalidade do acordo de entrega de infractores em fuga vindas de Portugal. Num comunicado ontem divulgado, a tutela de Sónia Chan esclarece que o aquilo que foi assinado entre os dois territórios “satisfaz plenamente os padrões internacionais no respectivo domínio, nomeadamente o Acordo-Modelo das Nações Unidas sobre a Extradição, bem como está em conformidade com a lei interna das duas jurisdições”. Além disso, o acordo “tem em plena consideração o facto de as duas jurisdições partilharem o mesmo sistema jurídico-penal e uma série de princípios fundamentais no âmbito da legislação, nomeadamente o princípio da dupla-incriminação, o princípio da reciprocidade, o princípio da recusa de entrega dos infractores com vista à protecção dos seus direitos e garantias, entre outros”. O Governo da RAEM dá também conta do facto da redacção das disposições do acordo “corresponder a um modelo-tipo geralmente adoptado a nível internacional”, além de estar “patente semelhante ideia numa série de convenções ou tratados análogos celebrados entre Portugal e outros países ou regiões (por exemplo com a China, Índia, Argélia)”.  Também a DSAJ, à semelhança do Ministério da Justiça, se baseia no acordo já assinado entre China e Portugal em matéria de extradição, “pelo que o pedido de entrega pode ser feito directamente entre a China e Portugal”.

assinado com a RAEM, determinando também que “a extradição é negada quando contrária ao direito nacional interno, incluindo, como é evidente, a Constituição da República da República Portuguesa”.

SEM OLHAR O PASSADO

Um dos receios apontados pela OA prende-se com a possibilidade de extraditar pessoas por práticas que antes não eram consideradas crime, mas que à data do pedido de entrega já o eram. Contudo, o Ministério da Justiça defende o contrário. “O desenho da norma visa tão só esclarecer que, caso a conduta não seja punível à data do pedido, a extradição não pode ser concedida.”  Isto porque “no caso de ter existido uma descriminalização de uma determinada conduta – esta norma consagra o princípio da dupla incriminação, sendo certo que não é admissível a extradição, caso a conduta

não constitua, à data, ilícito criminal face ao ordenamento jurídico-penal português”. Nesse sentido, “não é possível a extradição para Macau ou para Portugal de pessoas que tenham praticado factos que não constituíam crime à data da sua prática, por exemplo, no caso de entrar em vigor legislação que criminalize posteriormente essa conduta”. O Ministério dá ainda conta do respeito pelo princípio da especialidade no acordo assinado com a RAEM, “à semelhança do que consta do artigo 14.º do Tratado entre a República Portuguesa e a República Popular da China sobre Extradição”. Esta norma “consagra que a pessoa extraditada não pode ser perseguida por crime praticado anteriormente à extradição, nem reextraditada para país terceiro, sem autorização da República Portuguesa”, à luz da lei em vigor.   Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

SERGIO SANTROVITSCH DORNELES

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do Chefe do Executivo a Lisboa cumpre os parâmetros legais. “O acordo sobre entrega de infractores entre Portugal e Macau tem fundamento e enquadramento nos termos do artigo 4.º do Acordo de Cooperação Jurídica e Judiciária entre a RAEM da República Popular da China e a República Portuguesa, assinado em Lisboa, em 17 de Janeiro de 2001.” Além disso, em Janeiro de 2007, foi assinado um “Tratado entre a República Portuguesa e a República Popular da China sobre Extradição”, documento que consagra “garantias que asseguram sempre o respeito pelos direitos, liberdades de garantias dos visados pela extradição”. À luz do tratado, “neste momento é possível a extradição de pessoas para a República Popular da China e da República Popular da China para Portugal”.  O Ministério recorda que o tratado está previsto no acordo

Ministério da Justiça “Não é possível a extradição para Macau ou para Portugal de pessoas que tenham praticado factos que não constituíam crime à data da sua prática”


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sexta-feira 2.8.2019

TRABALHO TNR SEM NECESSIDADE DE REGISTO CRIMINAL

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OM as alterações da lei da contratação de trabalhadores não-residentes, a importação de mão-de-obra vai continuar dispensada de apresentação de registo criminal. A explicação foi avançada, ontem, por Vong Hin Fai, presidente da 3.ª reunião da Comissão Permanente da Assembleia Legislativa que está a debater na especialidade este assunto. “Não é preciso apresentar registo criminal devido a dois factores. O primeiro passa por não haver no sector um consenso sobre este aspecto, há divergências sobre esta obrigação”, começou por dizer. “O segundo é justificado com a grande complexidade que estes documentos exigem para ser reconhecidos, devido aos procedimentos administrativos. Tudo isto é uma inconveniência para os trabalhadores e para os empregadores locais”, acrescentou. De acordo com as indicações actualmente em vigor, apenas os trabalhadores vietnamitas têm de apresentar registo criminal. Outro dos pontos em discussão prende-se com a possibilidade de um trabalhador vir para Macau como turista, arranjar um contrato e sair para outros destinos que o não o de origem. Depois só precisa de voltar a entrar com a autorização de permanência e fica contratado. Alguns deputados questionaram o Governo sobre a possibilidade de obrigar trabalhadores a virem da região de origem para terem autorização de permanência. Segundo Vong, esta sugestão foi recusada, uma vez que há trabalhadores que já não estão a trabalhar nos países originais. O deputado deu como exemplo o caso de um trabalhador filipino que tenha a vida profissional em Hong Kong ou Zhuhai e que se queira mudar para Macau. Neste caso, segundo a explicação do Governo, não faz sentido que se peça a essa trabalhadora que volte às Filipinas para poder ter licença de trabalho na RAEM.

Tong Hio Fong, presidente da CAEAL “Tentámos cortar as nossas despesas [...]. Mas há situações e trabalhos que temos sempre de fazer.”

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA ELEIÇÃO DE SUBSTITUTO DE HO IAT SENG VAI CUSTAR 3,3 MILHÕES

O preço de um deputado

O orçamento para a eleição “indirecta” do legislador representa 5 por cento do custo total das eleições de 2017. A CAEAL vai tentar fazer com que as listas que tenham lucros com os donativos da campanha entreguem o dinheiro a instituições de caridade

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Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) tem um orçamento de 3,28 milhões de patacas para as eleições de Novembro, que vão escolher um substituto para o candidato a Chefe do Executivo Ho Iat Seng. A informação foi divulgada na manhã de quarta-feira pelo presidente da CAEAL, o juiz Tong Hio Fong. “O nosso orçamento é mais ou menos de 3,3 milhões de

patacas. Em comparação com 2017 [quando houve as últimas legislativas], representa mais ou menos do total das despesas, que foram de 55 milhões de patacas”, disse Tong. Este montante vai ser utilizado para despesas como a instalação das assembleias de voto, acções de propaganda, reserva de espaços para actividades de campanha eleitoral e outras obrigações definidas pela lei. “Tentámos cortar as nossas despesas [...]. Mas há situações e tra-

balhos que temos sempre de fazer. Por exemplo, de acordo com a lei temos de fornecer plataformas aos candidatos para fazerem as acções de campanha”, explicou.

DINHEIRO PARA CARIDADE

Também na mesma reunião foi debatida a situação das listas candidatas conseguirem gerar lucros. Segundo o presidente da CAEAL, vão feitos estudos e instruções para que as listas enviem os lucros a instruções de caridade.

“Mais tarde vamos ponderar elaborar algumas regras ou instruções para tentar tratar do assunto dos lucros das listas. Vamos estudar se através das instruções podemos pedir às listas que enviem o lucro a instituições de assistência social. Mas ainda temos de discutir este assunto”, reconheceu Tong. O facto de a obrigação não constar na lei poderá fazer com que as listas apenas tenham de cumprir as instruções se o desejarem.

Os interessados em participar na eleição indirecta têm até 28 de Agosto para apresentar o pedido de reconhecimento de formação da comissão de candidatura. A eleição está agenda para Novembro e tem como objectivo encontrar o substituto de Ho Iat Seng, deputado e presidente da AL que deixou o hemiciclo para concorrer ao cargo do Chefe do Executivo. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

EFEMÉRIDE CHUI SAI ON ELOGIA EXÉRCITO DE LIBERTAÇÃO DO POVO CHINÊS

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Chefe do Executivo visitou ontem a Guarnição em Macau do Exército como parte das comemorações do 92.º aniversário do Exército de Libertação do Povo Chinês. Chui Sai On elogiou a importância na protecção do país e a forma

como tem contribuído para o sucesso do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’: “O Exército de Libertação do Povo Chinês é o exército do povo, é o herói que assume plenamente a missão sagrada da protecção da Pátria e do Povo, pois contribui

para a salvaguarda da conjuntura estável da reforma e desenvolvimento do País”, afirmou. “A Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês [...] têm-se empenhado na promoção dos valores tradicionais [...]e desempenhou

de forma distinta diversas missões em cumprimento das suas atribuições de defesa, sendo o reflexo de um exército poderoso e civilizado, o que lhe granjeou o grande reconhecimento dos compatriotas de Macau”, acrescentou.

Ainda de acordo com o Chefe do Executivo até os membros da Guarnição já se sentem em casa, devido à ligação com os residentes. “Ao longo destes anos, a Guarnição e a RAEM têm comungado dos mesmos objectivos,

trabalhando em união de esforços. A Guarnição, que considera Macau como a sua terra natal e os seus residentes como família, tem prestado todo o apoio ao Governo da RAEM na sua governação segundo a lei”, sublinhou.


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2.8.2019 sexta-feira


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HO IAT SENG SUSANA CHOU ESTAVA “FORA” E KWAN NEM QUER FALAR DO ASSUNTO

As viajantes

ANTÓNIO FALCÃO

sexta-feira 2.8.2019

HABITAÇÃO SOCIAL HO ION SANG DESAPONTADO COM IDADE MÍNIMA DE CANDIDATURA

O único candidato a Chefe do Executivo conseguiu o apoio de 379 dos 399 membros do Colégio Eleitoral, mas de fora da quase unanimidade ficaram a antiga presidente da Assembleia Legislativa e Kwan Tsui Hang, histórica deputada ligada aos Operários

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único candidato a Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, entregou uma lista de apoiantes com 379 membros, entre os 399 que constituem o Colégio Eleitoral para a eleição do 5.º líder do Governo da RAEM. No entanto, entre os que ficaram de fora constam alguns nomes pesados, Edmund Ho, ex-Chefe do Executivo, Susana Chou, antiga presidente da Assembleia Legislativa e Kwan Tsui Hang, histórica deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau. Contudo, e tal como Ho Iat Seng já tinha afirmado, alguns apoiantes ficaram de fora por não se encontrarem em Macau, na altura em que o candidato recolheu apoios. Foi esta a justificação avançada por Susana Chou ao HM, sobre o facto de o seu nome não constar na lista publicada oficialmente. “Em relação à ausência do nome de Susana Chou da lista de apoiantes de Ho Iat Seng, tal ficou a dever-se ao facto de nessa altura ela se encontrar numa viagem de negócios pela Europa”, respondeu uma secretária da ex-presidente da AL, ao HM, na passada terça-feira. Também Kwan Tsui Hang foi questionada por este jornal sobre o facto de não estar entre as apoiantes. Esta ausência ganha especial relevo porque o também membro dos Operários e ex-colega de bancada de Kwan, Lam Heong Sang é um dos membros da equipa de candidatura de Ho Iat Seng e já foi apontado pelo deputado José Pereira Coutinho como uma for-

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te possibilidade para o cargo de porta-voz do Conselho Executivo. Contudo, a ex-deputada afirmou não estar em Macau, razão pela qual não responde a qualquer pergunta relacionada com o candidato a Chefe do Executivo. “Não estou em Macau e por isso não estou disposta a responder a questões sobre Ho Iat Seng”, afirmou, na terça-feira, quando contactada pelo HM.

HISTÓRICOS DE FORA

O futuro Chefe do Executivo da RAEM é um conhecido empresário, esse aspecto parece influenciar quem o apoia. É no subsector do trabalho que há mais membros do colégio eleitoral a não apoiar Ho Iat Seng, nomeadamente 11 em 59. Além de Kwan, também Kong Ioi Fai, outro membro histórico dos Operários, está fora da lista de apoiantes. Ainda no subsector do trabalho do colégio eleitoral Fong Kin Kuan, Lam Pek Sang, Cheong Man Sio, Leong Iek Wa, Chang Wa Nga, Ip Iam Teng, Choi Man Lan, Lo Soi I e Kuong Chi Fong são os outros nomes que não apoiam Ho. O segundo subsector mais penalizador para Ho é o dos Serviços Sociais. Neste aspecto, há seis ausências da lista em 50 membros. Lam Man Chi, Mok Wai Seng, Chan Choi Kun, Cheng Son Meng, Fong Ka Kin e Che Mei Leng são as ausências. Finalmente, a última ausência além dos nomes já mencionados, é no subsector cultural, a única entre os 29 membros do colégio por este subsector, que pertence a Wong Weng Hei. João Santos Filipe | Juana Ng Cen info@hojemacau.com.mo

Kwan Tsui Hang, ex-deputada “Não estou em Macau e por isso não estou disposta a responder a questões sobre Ho Iat Seng.”

presidente da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, Ho Ion Sang, sente-se desiludido com o facto de não ter conseguido levar o Executivo a definir os 18 anos como idade mínima para as candidaturas a habitação social. Na proposta da alteração da lei da habitação social, o Governo aumentou a idade de candidatura dos 18 para os 23 anos. Mas a comissão não queria que esta alteração fosse em frente. “Estamos desapontados. Queríamos que a idade mínima se mantivesse nos 18 anos e até propusemos um esquema de 18 anos com pontuação extra, ou seja em que as pessoas ganhavam mais pontos e prioridade caso fossem mais velhas”, admitiu o presidente da comissão. “Também há pessoas que aos 18 anos acabam os estudos e estão numa situação complicada em que precisam de ajuda”, acrescentou. O Governo fez algumas cedências, como o facto de órfãos poderem candidatar-se a este tipo de apoio social logo aos 18 anos e também por uma medida extra, em que é o Chefe do Executivo fica com poderes, desde que com uma justificação adequada, para garantir que qualquer pessoa pode concorrer, mesmo que tenha menos de 23 anos. O Executivo também cedeu no fim da proibição de atribuir habitação social a candidatos individuais com menos de 18 anos, se ainda forem estudantes. Estas cedências não foram ignoradas por Ho Ion Sang, que disse ter ficado “satisfeito” com a postura de abertura do Executivo. A lei da habitação económica foi aprovada em Novembro de 2017 e foi discutida na especialidade até ontem. Sobre os quase dois anos de discussão, o presidente da comissão afirmou que geraram resultados positivos: “Passou muito tempo desde a aprovação, mas posso dizer que usámos este tempo bem. Acho que valeu a pena”, considerou.


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2.8.2019 sexta-feira

PLÁSTICO SACOS NO SUPERMERCADO VÃO CUSTAR UMA PATACA CADA

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Hoi Weng Chong “Ho Iat Seng apresentou um total de 378 assinaturas dos membros do Colégio Eleitoral. Isto não é o jogo de uma elite que deixa sem oportunidades os outros candidatos?”

CE MANIFESTANTE DE AMARELO FEZ GREVE DE FOME DE DOIS DIAS

Jejum eleitoral

Hoi Weng Chong fez nos últimos dois dias greve de fome por considerar que as eleições para Chefe do Executivo são “um jogo de bastidores” entre uma elite, que impede qualquer outro candidato de participar

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O I Weng Chong, conhecido como o manifestante de amarelo, fez nos últimos dois dias uma greve de fome por considerar que as eleições para o cargo de Chefe do Executivo são “jogos de bastidores”. Hoi tentou participar na eleição, mas como Ho Iat Seng conseguiu 379 dos 399 apoios do Colégio Eleitoral eliminou à partida qualquer possibilidade de concorrência. Cada candidato precisa de 66 apoios de membros do colégio eleitoral para poder candidatar-se. A intenção de Hoi foi deixada numa carta entregue ao HM, na quarta-feira de manhã, quando por volta das 10h30 se encontrava à frente do Edifício

da Administração Pública. “Hoje vou iniciar uma manifestação de fome que dura dois dias”, podia ler-se no documento entregue ao HM. Na origem da manifestação está o que Hoi Weng Chong considera um jogo de bastidores: “Ho Iat Seng apresentou um total de 378 assinaturas dos membros do Colégio Eleitoral. Isto não é o jogo de uma elite que deixa sem oportunidades os outros candidatos?”, questiona. Num primeiro momento, Ho Iat Seng apresentou o apoio de 378 membros do colégio, mas no dia seguinte apresentou mais um apoio. Porém, todo este apoio faz com que Hoi Weng Chong defenda que os candidatos tiveram hipóteses diferentes. “Dado que

o Chefe do Executivo é eleito a cada cinco anos, este é um evento extraordinariamente grande para Macau. Mas os outros candidatos não iniciaram campanha, nem começaram o debate sobre programas políticos. Esta é um aspecto que faz com que estejam em desvantagem para serem apoiados”, considerou.

CRÍTICAS A JUÍZA

No mesmo documento, o manifestante de amarelo critica a constituição da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE), que diz ser constituída por delegados do procurador e juízes “que não cumprem a lei”. Hoi não elabora a forma como os juízes Song Mang Lei, Tong

Hio Fong, o assistente do Procurador Chan Tsz King e os membros do Governo Victor Chan e Kou Peng Kuan não cumprem a legislação local. Contudo, questiona: “Se não cumprem a lei, como é que vão conseguir manter a equidade e justiça da eleição?”. Hoi diz ainda ter apresentado uma queixa no Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) contra o único candidato admitido a Chefe do Executivo devido à questão da nacionalidade portuguesa. “Eu, Hoi Weng Chong, fui ao CCAC este 16 de Julho, para pedir que investiguem em breve Ho Iat Seng, por ter oculto a sua nacionalidade Portuguesa, enquanto era presidente da Assembleia Legislativa, delegado de Macau à Assembleia Popular Nacional e membro do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês”, pode ler-se no documento escrito à mão. Hoi tentou ser candidato, mas agora diz que se ele não fosse admitido, que pelo menos o empresário Steve Siu, que é igualmente cônsul da Papua Nova Guiné, devia ter sido apoiado e admitido. De acordo com o manifestante, a carta foi entregue a todos os departamentos do Governo. João Santos Filipe (com J.N.C.) info@hojemacau.com.mo

ADA saco de plástico fornecido por estabelecimentos comerciais a clientes vai custar uma pataca. A informação foi dada ontem pelo presidente da 3ª Comissão Permanente, Vong Hin Fai, após a reunião de assinatura do parecer sobre a proposta de lei de restrição ao fornecimento de sacos de plástico. “Se os lojistas forneceram sacos de plástico têm de cobrar o valor do despacho que é de uma pataca”, disse. Se este valor não for cobrado o estabelecimento tem de pagar uma multa de 1000 patacas por saco, acrescentou. Do parecer assinado ontem também consta a alteração legislativa relativamente à versão inicial, que agora isenta os estabelecimentos de uma multa de 600 patacas, caso não tenham “em local bem visível, os materiais de divulgação sobre o fornecimento de sacos de plástico. “Na opinião de alguns membros da comissão, os materiais de divulgação em si já não são amigos do ambiente e a sua fixação em todos os lados também não é estética, pelo que não devia ser necessário obrigar a esta afixação”, aponta o parecer para justificar a alteração. O diploma prevê ainda que apenas sacos de plástico que tenham contacto directo com os produtos “frescos e crus ou produtos alimentares “estejam isentos de cobrança, sendo que para garantir uma maior protecção ambiental o Governo exclui as situações que envolvem a venda de “produtos alimentares ou medicamentos não hermeticamente embalados e os que devam ser mantidos em estado frio ou quente”. “Estas duas situações passaram a estar isentas de cobrança, para reduzir ainda mais o uso de sacos de plástico, destacando-se a intenção legislativa de redução de resíduos a partir da fonte”, aponta o parecer.

Metro Ligeiro Rosário defende sistema de pagamento

O secretário para os Transportes e Obras Públicas defendeu ontem o mecanismo de pagamento dos bilhetes de metro, que exigem a compra de um cartão. Este sistema foi alvo de críticas por não ter uma câmara incorporada que permite o pagamento através de QR code ou com as carteiras electrónicas. Ontem, quando questionado sobre o assunto, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau, Raimundo do Rosário afirmou que houve um contrato assinado em 2010 para o fornecimento dos meios de pagamento e que esse vínculo tem de ser respeitado. O secretário não afastou a hipótese de posteriormente a empresa responsável pela gestão do metro adoptar um novo sistema, mas só depois de tudo já estar em funcionamento. Ainda sobre o metro, Rosário frisou que a prioridade passa por abrir ao público a linha da Taipa.


sociedade 9

sexta-feira 2.8.2019

MASTV FUNCIONÁRIOS NÃO RECEBEM, ELLA LEI EXIGE ACÇÃO DO GOVERNO

Crise em directo

Banca BNU contribui com 33 milhões de euros para lucros da CGD

Continua por resolver o caso do atraso nos pagamentos aos funcionários da estação MASTV. Ella Lei exige a intervenção da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais no caso. Para a deputada, a lei laboral em vigor é demasiado permissiva face a atrasos nos salários RÓMULO SANTOS

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou lucros de 282,5 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, o que corresponde a um aumento de 46 por cento face ao período homólogo do ano passado em que totalizou 194 milhões de euros. O contributo para os lucros da actividade consolidada veio também do BNU Macau (com 33 milhões de euros), do BCI de Moçambique (com 19 milhões de euros) e ainda da sucursal de França (10 milhões de euros), tendo outros contributos totalizado 24 milhões de euros. De acordo com o comunicado do banco, a actividade em Portugal gerou um lucro de 196,5 milhões de euros no primeiro semestre, o que compara com 118,7 milhões no mesmo período de 2018. “Estes são resultados positivos, são resultados expressivos, mas numa conjuntura como todos sabem bastante difícil”, disse Paulo Macedo.

Jogo Receitas dos casinos descem 3,5% em Julho

Os casinos de Macau terminaram Julho com receitas brutas de 24,45 mil milhões de patacas, menos 3,5 por cento do que em igual período do ano passado, foi ontem anunciado. Este é o quarto mês em que os casinos do território registam uma queda das receitas face ao período homólogo de 2018, indicou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Ao mesmo tempo, as receitas brutas acumuladas nos primeiros sete meses do ano registaram um decréscimo de 0,9 por cento, em relação a 2018. Entre Janeiro e Julho, as receitas brutas foram de 173,96 mil milhões de patacas, segundo os dados publicados na página da DICJ.

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LLA Lei, deputada à Assembleia Legislativa (AL), deu ontem uma conferência de imprensa sobre o caso da falta de pagamentos aos funcionários da estação televisiva MASTV. A responsável deseja que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) continue a acompanhar o caso que ainda não está resolvido e apelou ainda a que empresa regularize as dívidas o mais depressa possível. Cerca de uma centena de funcionários estão sem receber ordenado há quase meio ano, o que dificulta muito a situação económica dos lesados, alertou Ella Lei. A depu-

tada reuniu com a DSAL e disse ao HM que esta não é a primeira vez que a MASTV não paga aos seus colaboradores. O problema nunca foi denunciado porque, após o pagamento dos salários, os funcionários optavam por não apresentar queixa. Contudo, “desta vez a situação é mais grave, dado que os funcio-

nários não recebem salário desde Fevereiro, incluindo o bónus salarial do ano passado. Muitos só receberam até Abril e começam a ter dificuldades”, referiu Ella Lei. A MASTV pagou primeiro os salários aos funcionários da linha da frente, continuando por regularizar os ordenados dos trabalhadores

“Desta vez a situação é mais grave, dado que os funcionários não recebem salário desde Fevereiro, incluindo o bónus salarial do ano passado. Muitos só receberam até Abril e começam a ter dificuldades.” ELLA LEI DEPUTADA

técnicos e de apoio logístico. Um grande número de trabalhadores não residentes também está a ser afectado, estando numa situação bem mais frágil no que diz respeito à reivindicação.

LEI NÃO BASTA

Ella Lei lembrou que, embora a DSAL já tenha intervindo no caso, a verdade é que os salários ainda não foram pagos na totalidade. A deputada defende que a lei laboral em vigor é muito tolerante, além de implicar muita burocracia. Em média a MASTV deve a cada empregado entre 20 a 50 mil patacas. Depois de receber a acusação dos trabalhadores, a DSAL deve elaborar um auto de notícia para acompanhar o caso, pedir documentação a responsáveis, para que o processo prossiga. Contudo, caso o patrão pague os salários neste período, não é punido.  “A lei faz com que os patrões possam devolver os salários devagar, mas é importante lembrar que os funcionários continuam numa situação precária e à espera do dinheiro para poderem comer”, disse Ella Lei, que exige uma revisão da lei neste aspecto.  “Mesmo que o término do contrato seja por justa causa, a maioria dos funcionários são trabalhadores não residentes, o que faz com que o valor da indemnização não seja elevado. Mas, neste momento, os lesados estão mais preocupados com a recuperação do salário integral e de como a DSAL os pode ajudar no processo”, disse ainda Ella Lei. A deputada esclareceu ainda que já não é possível aos trabalhadores recorrem ao Fundo de Garantia de Créditos Laborais, pois foi ultrapassado o prazo de 45 dias que dá direito ao reembolso. Nesse sentido, Ella Lei pede que seja revisto o regime de garantia de créditos laborais, para que o erário público seja usado de forma razoável.  A Federação das Associações dos Operários de Macau recebeu também várias queixas de salário em dívida de uma empresa de construção civil que está em processo de falência, mas que envolve um menor número de trabalhadores.   Juana Ng Cen (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

COMÉRCIO MACAU REGISTA CRESCIMENTO DE IMPORTAÇÕES DO BLOCO LUSÓFONO

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ACAU importou dos países lusófonos, no primeiro semestre de 2019, bens avaliados em 432 milhões de patacas, mais 9,8 por cento do que em igual período do ano passado, anunciaram as autoridades do território. Em sentido inverso, Macau exportou para os países de língua portuguesa, entre Janeiro e Junho, mercadorias no valor de 969 mil

patacas, indicou a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No total, Macau importou no primeiro semestre de 2019 mercadorias no valor de 42,42 mil milhões de patacas, menos 1,7 por cento do que no primeiro semestre do ano passado, e exportou bens no valor de 6,40 mil milhões de patacas, mais 3,3 por cento em termos anuais homólogos. Por

conseguinte, o défice da balança comercial atingiu, no primeiro semestre, 36,02 mil milhões de patacas, indicou a DSEC. Na primeira metade do ano, a DSEC destacou o valor importado de vestuário e calçado (4,10 mil milhões de patacas) e de produtos de beleza, de maquilhagem e de cuidados da pele (3,02 mil milhões de patacas), que cresceram,

respectivamente, 19,4 por cento e 35,1 por cento. As importações do interior da China desceram 5,8 por cento entre Janeiro e Junho, mas continuam a representar um terço do valor total das importações: 14,06 mil milhões de patacas. Em sentido crescente estão as importações da União Europeia e dos países ao longo da iniciativa

“Uma Faixa, uma Rota”: mais 5 por cento e 85,9 por cento, respectivamente, segundo a DSEC. Do lado das exportações, saíram de Macau para o interior da China, no primeiro semestre, bens no valor de mais de 780 milhões de patacas, sendo que cerca de 96 por cento teve como destino as nove províncias da região do delta do rio das Pérolas.


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RÓMULO SANTOS

Tudo a monte WIPHA PASSAGEM DE TUFÃO PROVOCOU CAOS NOS TRANSPORTES PÚBLICOS

2.8.2019 sexta-feira

Apesar dos danos reduzidos, o tufão Wipha provocou transtornos nos transportes com milhares de pessoas retidas no Aeroporto Internacional de Macau, cenário que também se verificou nos terminais marítimos. O caos também se estendeu aos autocarros e táxis

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anúncio foi feito na manhã de quarta-feira pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau: o sinal 8 de tempestade tropical iria ser içado às 14h. Com o içar do primeiro sinal 8 deste ano e a iminência da falta de transportes, residentes e turistas começaram a amontoar-se para apanhar autocarros e táxis dando origem ao caos. APraça de Ferreira doAmaral foi uma das zonas mais afectadas dado o elevado número de carreiras que ali têm paragem. Por volta das 14h, altura em que o sinal nº 8 entrou em vigor, a área encheu-se com uma

multidão que aguardava autocarro, havendo passageiros em espera há mais de uma hora para se deslocarem às Portas do Cerco, aponta o Jornal do Cidadão. Huang, uma turista que tencionava passar a noite em Macau, mas que acabou por regressar ao continente devido ao mau tempo, criticou a insuficiência de informações sobre os serviços de transportes públicos, queixando-se que “não havia autocarros, nem táxis”. “Esta situação afecta muito a imagem do território como capital de turismo” acrescentou à mesma fonte. Na sequência do sinal 8 de tempestade tropical, os últimos autocarros na península deixaram de circular

às 15h, com a última partida com destino às ilhas da Taipa e Coloane marcada para as 13h40, apontou a Direcção dos Serviços de Assuntos de Tráfego (DSAT). Entretanto, os 19 parques de estacionamento públicos situados no centro de Macau fecharam também às 15h.

Muitos turistas procuraram táxis ilegais para chegar à Taipa ou Coloane, oferecendo 500 patacas pelo serviço

ALÍVIO NO TRÂNSITO

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secretário para a Segurança, Wong Sio Chak manifestou ontem o seu agrado relativamente ao desempenho da Protecção Civil, alertando para a necessidade de resolução dos problemas ligados ao trânsito. “Os serviços competentes têm de desempenhar bem os trabalhos de alívio do fluxo de trânsito e também de pessoas nos postos fronteiriços, assim como de divulgação oportuna de informações para o público permanecer actualizado”, aponta em comunicado. Relativamente aos problemas relacionados com a entrada de turistas no território durante quarta-feira, o secretário aponta que é uma situação “habitual”, admitindo

que “gerou alguma confusão devido à suspensão dos serviços de transporte público”. Na opinião de Wong, “o próximo passo é haver um mecanismo de coordenação governamental, a fim de resolver estas questões entre as diversas tutelas, com o objectivo de um trabalho de coordenação bem feito”. Apesar de existir margem para melhorias, o governante considera que “os membros da estrutura de Protecção Civil “demonstram uma atitude responsável perante os trabalhos de prevenção”, facto a que atribui à “experiência com a passagem do tufão Mangkhut”, que passou por Macau a 19 de Setembro do ano passado.

Para “aliviar o fluxo de pessoas nas Portas do Cerco e no Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a DSAT prolongou o serviço especial de transporte até à uma da manhã”, apontaram os serviços. Na sequência da larga demanda desde o início da tarde, o Governo aumentou as carreiras 101X e 102X durante um período limitado de tempo.

SEM TÁXIS

Do início da tarde até de quarta-feira não havia oferta de táxis suficiente para a procura, existindo filas de espera de cerca de três horas na zona das Portas do Cerco às primeiras horas de sinal 8. Para esta zona foram

destacados cerca de 10 agentes para monitorizar a situação, aponta o Jornal do Cidadão, acrescentando que muitos turistas procuraram táxis ilegais para chegarem à Taipa ou Coloane, oferecendo 500 patacas pelo serviço. De acordo com a informação revelada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública, foram detectadas 14 infracções, entre as 14h e 18h. Destas, quatro foram por cobrança excessiva de tarifa, um caso de recusa de transporte e nove casos relacionados com outras infracções.

ESPERAS NO AEROPORTO

Ao final da noite, ainda se encontravam mais de 1000 passageiros

WE DON’T CHAT

DUAS DÚZIAS NOS ABRIGOS

urante o período em que esteve içado o sinal 8 de tempestade tropical o serviço de transmissão de informações na conta Wechat “Informações de Protecção Civil de Macau” foi suspenso. Em comunicado os Serviços de Polícia Unitários apontam devido às restrições de política imposta pela operadora, o volume de informações para transmissão através da conta oficial no Wechat “Informações de Protecção Civil de Macau” tinha atingido o limite máximo diário.

4 residentes recorreram aos centros de Abrigo de Tempestade Tropical da Ilha Verde e ao Centro de Acção Social da Taipa e Coloane, durante a passagem do tufão Wipha. “Alguns utentes ficaram nos centros até às 8 da manhã de ontem, havendo um idoso que foi encaminhado para o serviço de acolhimento temporário num lar de idosos”, acrescenta o IAS em comunicado. Os Serviços de Educação e Juventude suspenderam, na passada quarta-feira as aulas dos ensinos infantil, primário e especial durante todo o dia.

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Morre de velho

Lançado Seguro de Grandes Desastres para apoiar PMEs

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no Aeroporto Internacional de Macau, enquanto 150 pessoas aguardavam um táxi. Até às 18h30, 12 voos foram atrasados, dois reajustados e 118 cancelados. Até ao meio-dia, foram afectados 2549 passageiros, de acordo com as informações divulgadas pelo Aeroporto Internacional de Macau. Por volta das 19h, estavam cerca de 300 passageiros na estação de táxi e autocarro junto ao aeroporto, tendo este sido, possivelmente, o período mais complicado de espera. Apesar de estar em vigor o sinal 8, os espaços comerciais da estrutura mantiveram-se em

Ao final da noite, ainda se encontravam mais de 1000 passageiros no Aeroporto de Macau, enquanto 150 pessoas aguardavam um táxi funcionamento de modo a atender às necessidades dos passageiros ali retidos. Já no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior, até às 22h de quarta-feira, fi-

caram retidos 230 passageiros, enquanto no Terminal da Taipa 70 passageiros aguardaram o restabelecimento das ligações marítimas. De acordo com a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), 170 embarcações de pesca foram ancoradas e outros 65 barcos atracados no Porto Interior. Relativamente às medidas de protecção do Porto Interior, foram instaladas comportas e instalações de retenção de água, que não evitaram, contudo, algumas inundações. Sofia Margarida Mota (com Juana Ng Cen) info@hojemacau.com.mo

CHUI SAI ON NO COPC

HOMEM NA PONTE

hui Sai On visitou o Centro de Operações de Protecção Civil (COPC), na passada quarta-feira, assim que foi içado no território o sinal de tufão nº 8. O Chefe do Executivo convocou uma reunião para se inteirar dos trabalhos de prevenção em curso e reforçar as instruções junto dos agentes de intervenção, apelando aos esforços das equipas para garantirem a segurança da vida e dos bens da população.

s autoridades levaram um homem para a esquadra depois de ter sido identificado a atravessar a Ponte da Amizade através do sistema de videovigilância. De acordo com a Protecção Civil, a atitude coloca em causa a segurança pessoal e constitui uma infracção, principalmente num momento em que estava içado o sinal 8 de tempestade tropical e em que as autoridades apelavam “aos residentes e turistas para permanecerem em local seguro”.

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Governo anunciou ontem a criação de um Seguro de Bens Patrimoniais Contra Grandes Desastres para as pequenas e médias empresas (PME), que conta com um plano de apoio financeiro que vai ajudar os negócios de menor dimensão a subscreverem esta garantia de cobertura contra grandes tufões e inundações, em particular nas zonas baixas da cidade. A notícia foi ontem avançada em conferência de imprensa pela Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) e pela Direcção dos Serviços de Economia (DSE), os dois organismos que têm vindo a negociar e a preparar esta proposta desde a ocorrência do tufão Hato em Agosto de 2017. A iniciativa está, aliás, inscrita nas Linhas de Acção Governativa de 2019. A consulta de uma solução de cobertura de bem patrimoniais, para empresas comerciais de pequena dimensão, demorou por não haver quem assumisse a nível local os elevados riscos de indemnização dos prejuízos, ocorridos a partir da emissão do sinal de tufão nº 8 ou superior, ou do aviso de “storm surge” nível 4 (vermelho) ou superior, pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos. Foi só após o aval do China Taiping Insurance Group, um conglomerado chinês de seguros de propriedade estatal, sediado em Hong Kong, que o projecto pôde avançar, com a garantia do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização de Macau. Esta é a entidade a disponibilizar a subscrição do seguro, tendo cinco seguradoras locais concordado em integrar então o projecto, como prestadoras do

serviço de aceitação de apólices e de indemnização.

QUEM PODE BENEFICIAR

Os destinatários deste seguro são empresas comerciais com registo fiscal na Direcção dos Serviços de Finanças, em situação de funcionamento regular e com menos de 100 trabalhadores. A subscrição do seguro pode ser feita desde ontem, 1 de Agosto, até ao dia 31 de Dezembro de 2019. A cobertura do seguro inclui danos ao património, além de mobiliário, equipamento electrónico, maquinaria destinada à produção e perdas de mercadoria. Estão excluídas situações de danos causados por furto, zonas exteriores ao prédio segurado, outros danos indirectos e indemnizações a terceiros. Existem três opções para os valores seguros, de 100, 200 ou 300 mil patacas. Os prémios a pagar correspondem a 25 por cento dos totais acima referidos – 25 mil, 50 mil e 75 mil patacas anuais, mas o Governo vai comparticipar metade deste valor (50 por cento ou até 30 mil patacas). A franquia para cada sinistro será de 10 por cento do valor segurado. Esta foi a forma encontrada para apoiar os pequenos negócios, com maiores dificuldades para suportar este encargo adicional, mas que se encontram expostas a situações de risco frequente, como acontece nas zonas sujeitas a inundações do território e ilhas. O modelo encontrado é uma experiência-piloto das autoridades, que irão analisar a sustentabilidade do programa, em função das operações e pedidos de indemnização efectuados durante um ano. A continuidade do mesmo fica condicionada aos resultados e às alterações que se verifiquem necessárias. R.M.


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Bailado a luz d `

FESTIVAL LUNAR “NOITE DE LUAR DE HAOJIANG” TRAZ DANÇA TIBETANA AO CCM

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As celebrações do Festival Lunar 2019 trazem a dança e a cultura Thangka ao Pequeno Auditório do Centro Cultural de Macau a 13 de Setembro. Os bilhetes começaram ontem a ser vendidos

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“Noite de Luar de Haojiang” é o título da peça de dança tibetana escolhida para celebrar o Festival Lunar no próximo mês, integrada no evento “Arte Macau”, que sobe ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Macau no dia 13 de Setembro às 20h. Apresentada pelo Grupo Teatral e Artístico de Qinghai, esta dança da lua é um projecto dramático que apresenta a arte religiosa Thangka à população local, numa festa de simbolismo único que “transmite um apelo artístico forte e rico”, reafirmando “a cultura tradicional chinesa com personagens vivas e vocabulário de palco inovador”, segundo o Instituto Cultural. O bailado original “retrata artistas Thangka descrevendo

as suas vidas”, inspirados nos temas da “verdade, bondade e beleza” presentes na pintura budista de influência tibetana.

A importância religiosa da arte Thangka sobrepõe-se ao seu valor artístico e estético. São obras criadas para meditação pessoal ou para a aprendizagem do budismo tibetano, consideradas Património da UNESCO desde 2009

“A paixão e o amor do herói e da heroína por Thangka e a cultura tibetana estão presentes em todo o drama”. O espectáculo que vem a Macau conta uma história de três épocas da vida – Vida Anterior, Outra Vida e Esta Vida – coreografadas de forma a transmitir sentimentos históricos e humanísticos, através da integração dos costumes folclóricos autóctones, na música, na dança, na arquitectura e na pintura tradicional da província de Qinghai, no noroeste da China. As pinturas religiosas Thangka foram seleccionadas para o projecto de arte do Fundo Nacional para as Artes, que contou com exposições e espectáculos criativos da Província de Qinghai nas celebrações do 22º Aniversário do Retorno de Hong Kong à Pátria, que decorreram durante o mês de Julho no vizinho território.

BUDISMO EM QINGHAI

Qinghai é uma grande província chinesa, de população dispersa, situada ao longo do planalto tibetano acima dos seis mil metros de altitude. É um lugar de fortes tradições culturais tibetanas e mongóis, onde se situam as montanhas Kunlun, um local sagrado para os peregrinos budistas.


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da Lua Existem mais de vinte mosteiros e templos budistas em Qinghai. Os principais são os Mosteiros Wutong e Longwu, cujos monges são conhecidos produtores de Thangka, pinturas religiosas em algodão ou seda, geralmente retratando divindades, cenas ou mandalas budistas. Estas peças de arte estão reconhecidas como Património Cultural Intangível da Humanidade, na lista da UNESCO, desde 2009.

A arte sacra do Thangka remonta ao século VII e tem origem no Tibete. A maioria das obras são criadas para meditação pessoal ou para a aprendizagem de estudantes monásticos. A sua importância religiosa sobrepõe-se ao valor artístico e estético. Os praticantes desenvolvem estes trabalhos como auxílio às práticas de concentração e visualização das deidades com quem pretendem fortalecer vínculos espirituais.

Há muitas representações das visões dos grandes mestres, nos momentos de realização, que foram gravados e incorporados na escritura budista. Os bilhetes para o espectáculo estão à venda desde ontem, 1 de Agosto. Os preços variam entre 100 e 300 patacas e têm desconto de 50 por cento para portadores de BIR, Cartão de Professor e de Estudante de Macau, válidos. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com

Exposição SJM apresenta “Art in Motion - Video art from Portugal”

Vídeos produzidos por artistas portugueses estão em exibição, desde ontem, em diferentes espaços da Sociedade de Jogos de Macau (SJM). A exposição “Art in Motion - Video art from Portugal” integra-se numa série de sete mostras públicas que a SJM está a promover até Outubro, no âmbito de um festival de arte internacional lançado este ano pelo Governo. Com curadoria de Paulo Corte-Real, a mostra reúne 17 peças de artistas portugueses com "diferentes formações e percursos", mas com o traço comum de terem adoptado o vídeo "como meio de expressão" artística. Durante o mês de Agosto, João Pombeiro, Rui Calçada Bastos e Rodrigo Oliveira vão ter vídeos da sua autorias exibidos em diferentes locais da SJM: hotel Grand Lisboa, hotel Lisboa, casino Jai Alai Oceanus e Ponte 16 (Sofitel). Com o apoio das concessionárias e subconcessionárias de jogo, o festival Arte Macau prolonga-se até Outubro e quer afirmar-se como uma nova marca cultural internacional.

Convite para a Coreia Plataforma 1220 pede participação de cineastas para Festival de Busan

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1 2 2 0 – Produção de Filmes pretende levar para o Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul, cineastas de Macau para que mostrem o seu trabalho num dos mais importantes festivais de cinema. De acordo com um comunicado, há quatro vagas disponíveis para cineastas independentes e outros profissionais ligados ao marketing, financiamento e distribuição. São também convidados a submeter candidaturas profissionais que tenham participado em produção de curtas-metragens. Os projectos devem ser submetidos em inglês e chinês, sendo também pedida carta de referência caso o candidato esteja empregado numa empresa.  Com esta iniciativa, a plataforma 1220 possibilita aos “profissionais de Macau uma oportunidade única de interagir com outros ciPUB

neastas de todo o mundo”, além de poderem partilhar “as suas experiências em termos de filmagens e procurar por oportunidades de negócio com produtoras estrangeiras”.

APOIOS DO FIC

O mesmo comunicado dá conta do optimismo da plataforma 1220 para o Festival Internacional de Cinema de Busan, uma vez que, no passado, “obteve uma resposta positiva no que diz respeito ao recrutamento de trabalhadores locais da área do cinema para aderirem aos mercados estrangeiros”.

“A 1220 pretende descobrir mais produções locais de cinema que promovam a competitividade do sector em Macau, para que a indústria do cinema do território siga em frente”, lê-se ainda. A empresa foi uma das beneficiárias do Fundo das Indústrias Culturais no segundo trimestre deste ano, recebendo duas tranches no valor total aproximado de duas milhões de patacas. O valor de 1,780 milhões de patacas diz respeito à “atribuição da primeira prestação de apoio financeiro ao projecto “Plano de Apoio Financeiro Específico da Plataforma de Serviço Integrada de Cinema e Televisão 1220”, enquanto as 54 mil patacas constituem a “última prestação de apoio financeiro ao projecto 'Plataforma de Serviços de Emissão, Venda Internacional e Pós-Produção Cinematográfica e Acesso a Feira de Exposição Internacional'”.


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Caem que nem tordos

Ex-presidente do Banco de Desenvolvimento da China investigado por corrupção

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órgão máximo anticorrupção da China anunciou que está a investigar o ex-chefe do Banco de Desenvolvimento da China, um dos principais financiadores de infra-estruturas além-fronteiras, no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. Hu Huaibang, que fez carreira no sector financeiro, ocupou cargos em reguladores, trabalhou em empresas estatais e liderou o Bank of Communications, um dos maiores bancos do país. Em 2013, foi escolhido para dirigir o Banco de Desenvolvimento da China, cargo que ocupou até Setembro do ano passado. A instituição é um dos três bancos especializados em financiar infra-estruturas e apoiar empresas chinesas no exterior, ocupando um papel central na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping. Críticos afirmam que os países ade-

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rentes tornar-se-ão Estados vassalos, reféns do crédito chinês, permitindo à China exportar o seu excesso de capacidade industrial ou poluição. Até ao final de 2018, o banco tinha activos estimados em 2,3 biliões de dólares, tornando-se um dos principais credores do mundo. Hu Huaibang terá sido detido pelas ligações ao magnata da energia chinesa Ye Jianming, antigo presidente da CEFC China Energy, que no ano passado esteve perto de comprar a Partex e os seguros do Montepio. Hu terá aproveitado a sua posição para ajudá-lo a obter milhares de milhões de dólares em linhas de crédito para operações no exterior da CEFC. Este conglomerado privado é uma excepção na China, onde o sector da energia continua a ser dominado pelos gigantes estatais Sinopec e CNPC. A mais ampla e persistente campanha anticorrupção na história da China comunista, lançada por Xi Jinping após ascender ao poder, em 2013, puniu já mais de um milhão e meio de funcionários do Partido Comunista. Os dois casos mais mediáticos envolveram a prisão do antigo chefe da Segurança Zhou Yongkang e do ex-director do Comité Central do PCC e adjunto do antigo Presidente Hu Jintao, Ling Jihua.

GUERRA COMERCIAL NEGOCIAÇÕES COM EUA TERMINAM SEM ACORDO

Sem paz até às eleições A reunião entre as delegações da China e dos Estados Unidos para pôr fim a disputas comercias que duram há um ano terminou sem acordo, cerca de 40 minutos antes do previsto e sem declarações aos jornalistas

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representante do Comércio e o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Lighthizer e Steven Mnuchin, partiram para o aeroporto de Xangai logo após o fim do primeiro frente-a-frente com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, desde que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping acordaram um segundo período de tréguas, no mês passado. Analistas consideraram improvável um avanço célere nas negociações, face às divergências profundas entre os dois governos sobre a política industrial e o superavit comercial da China. O primeiro período de tréguas colapsou após Trump PUB

ter subido as taxas alfandegárias sobre o equivalente a 200 mil milhões de dólares de bens importados da China, acusando Pequim de recuar em compromissos feitos anteriormente. Nenhum dos dois líderes deu, entretanto, sinais de que poderá ceder. Os negociadores norte-americanos recusam ceder às exigências chinesas de que as taxas alfandegárias impostas pelos EUA sejam imediatamente suspensas. Trump quer manter as taxas em vigor, para garantir que Pequim cumprirá com um eventual acordo. A Casa Branca avançou ainda que Pequim comprometeu-se a comprar mais produtos agrícolas norte-americanos. “A parte chinesa confirmou o seu compromisso em aumentar as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos (EUA)”, referiu um comunicado dos serviços de comunicação da Presidência norte-americana (Casa Branca), descrevendo as conversações mantidas em Xangai como “construtivas”. Na nota informativa, a Casa Branca referiu que os negociadores dos dois países abordaram questões complexas, como os direitos de propriedade intelectual, a transferência forçada de tecnologia e as barreiras não-tarifárias, acrescentando ainda que aguarda

a realização de uma nova ronda de negociações em Setembro, prevista desta vez para Washington.

À ESPERA DE ELEIÇÕES

Acusações mútuas sinalizam também persistentes tensões entre Pequim e Washington, com a retórica a endurecer nas últimas semanas. Trump alertou esta semana que pode não haver acordo antes das próximas eleições presidenciais dos EUA, marcadas para Novembro de 2020. E avisou que, se for reeleito, será “muito mais duro” com Pequim. “Eles vão rezar para que Trump perca, para então fazerem um acordo com alguém que não sabe o que está a fazer”, afirmou. Após os comentários de Trump, a bolsa de Xangai, principal praça financeira da China, caiu 0,7 por cento, enquanto a bolsa de Hong Kong caiu 1,3 por cento. As observações “agressivas” de Trump são um «lembrete para os investidores de que EUA e China não estão

“Eles vão rezar para que Trump perca, para então fazerem um acordo com alguém que não sabe o que está a fazer.” DONALD TRUMP mais perto de um acordo e, na verdade, podem estar a afastar-se», disse Stephen Innes, da consultora VM Markets, em comunicado. As delegações deverão também ter abordado o futuro do grupo chinês das telecomunicações Huawei. Washington colocou a empresa numa lista de entidades do Departamento de Comércio, após as negociações falharem em Maio passado, o que implica que as empresas norte-americanas tenham de solicitar licença para vender tecnologia à empresa.


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sexta-feira 2.8.2019

Uma vida de dor China detém em local incerto activista pelos direitos humanos

A

Amnistia Internacional (AI) denunciou na quarta-feira que as autoridades chinesas mantêm a activista pelos Direitos Humanos Chen Jianfang em confinamento solitário, desde a sua detenção em 20 de Março. A polícia não esclareceu até à data o motivo ou onde está detida, mas Chen deverá ser acusada de “subversão do poder do Estado”, acusação frequentemente usada no país contra activistas e dissidentes. A lei chinesa estabelece que a polícia pode manter suspeitos de crimes contra a segurança nacional, ou acusados de terrorismo e subornos, num local secreto, até um período máximo de seis meses, um regulamento que em muitos casos se aplica a dissidentes ou activistas. AAI escreve que Chen não foi autorizada a contratar um advogado da sua escolha ou receber visita de familiares, o que sugere que «corre sérios riscos de ser torturada e sofrer outros maus-tratos». A sua prisão pode dever-se a um artigo que publicou seis dias antes de ser detida, em comemoração do quinto aniversário desde a morte da sua amiga, a advogada

e activista Cao Shunli. A AI relata que Chen e o seu marido foram presos na manhã de 20 de Março, sem serem formalmente acusados. O homem foi libertado sob fiança em 3 de Abril, mas desde então as forças de segurança mantiveram a sua casa sob vigilância e pressionaram familiares e vizinhos a não comentarem a situação de Chen, segundo a AI. Em Junho passado, o advogado de Chen questionou as autoridades sobre o caso, mas eles recusaram fornecer informações, alegando que ele não era um representante legal válido. A organização exige que as autoridades chinesas libertem Chen imediata e incondicionalmente, considerando que é uma “prisioneira de consciência que foi privada da sua liberdade apenas por exercer os seus direitos humanos de maneira pacífica”. A activista sofre perseguição policial desde o início do ano 2000, quando começou a reivindicar indemnização das autoridades, depois de áreas para cultivo fora de Xangai, onde morava, terem sido expropriadas, para construção de empreendimentos imobiliários.

Joseph Wu “Deveria ser-lhes permitido juntarem-se a mais viajantes de todo o mundo para vivenciarem um país onde há liberdade, abertura e tolerância. O que há a temer?”

TAIWAN CRITICA PROIBIÇÃO DE VISITAS INDIVIDUAIS À ILHA

Rédea curta

O Governo de Taiwan criticou ontem a decisão da China de proibir viagens individuais à ilha, considerando que Pequim está a impedir o seu povo de visitar um país “livre e tolerante”

D

EVERIA ser-lhes permitido juntarem-se a mais e mais viajantes de todo o mundo para vivenciarem um país onde a liberdade, a abertura e a tolerância estão na ordem do dia. O que há a temer?”, questionou o ministro dos Negócios Estrangeiros taiwanês. Joseph Wu deixou a mensagem na rede social Twitter, apelidando de “triste” a restrição que entrou ontem em vigor.

A China anunciou na quarta-feira que vai proibir viagens individuais a Taiwan, alegando o deteriorar das relações com a ilha democraticamente governada, em mais uma medida para aumentar a pressão financeira e diplomática sobre Taipé. Os chineses estão agora limitados a visitarem Taiwan como participantes de excursões de grupo, que diminuíram drasticamente depois de Pequim ter ordenado que as agências de viagens

diminuíssem o número de visitas à ilha. Em comunicado, o ministério chinês da Cultura e do Turismo anunciou a suspensão das viagens a partir de quinta-feira, “face às actuais relações entre os dois lados”. O comunicado não detalha se também as viagens em grupo serão suspensas. A China só permite aos residentes das suas 47 maiores cidades que visitem Taiwan. Todos os outros têm de pedir

permissão, através de agências de viagens selecionadas, e de viajar em excursões em grupo. Não é claro o impacto da medida na indústria do turismo de Taiwan, que também recebe visitantes da Coreia do Sul, Japão e Sudeste da Ásia, atraídos pelas praias, regiões montanhosas e comida de rua.

AMIZADES COMPLICADAS

A China está também alarmada com os sinais de aumento do apoio militar pelos EUA a Taiwan. Embora Washington não tenha laços diplomáticos formais com Taipé, a lei norte-americana determina que forneça a Taiwan equipamentos e serviços de defesa suficientes para autodefesa. No início deste mês, os EUA aprovaram provisoriamente a venda de 2,2 mil milhões de dólares de armamento a Taiwan, incluindo tanques e mísseis de defesa antiaérea.

EXÉRCITO DIFUNDIDO VÍDEO DE TROPAS EM HONG KONG EM ENSAIO ANTI-MOTIM

O

exército chinês difundiu ontem um vídeo das suas tropas em Hong Kong num exercício, numa altura de incerteza na região, que há dois meses é palco de protestos por reformas democráticas,

desafiando o Governo central. Na véspera do aniversário da fundação do Exército de Libertação Popular, a guarnição de Hong Kong das forças armadas da China publicou nas redes sociais

um vídeo de três minutos que mostra soldados a saltar de helicópteros, fazer tiro ao alvo e a lançar gás lacrimogéneo contra uma multidão vestida à civil. O vídeo, designado “ensaio antimotim”, mostra

ainda soldados com equipamento de choque a disparar canhões de água, em cenas que se assemelham aos confrontos que têm ocorrido entre os manifestantes e a polícia de Hong Kong. Alguns dos civis retratados

no vídeo usam capacetes e máscaras, também semelhantes aos usados pelos manifestantes que tomaram as ruas de Hong Kong nos últimos dois meses. Os soldados seguram um aviso em vermelho onde se

lê “parem de avançar ou usamos a força”. O mesmo aviso foi usado, nas últimas semanas, pela polícia de Hong Kong. No final do exercício, os soldados levam alguns civis algemados.


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2.8.2019 sexta-feira

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 33/P/19

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 35/P/19

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 10 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e instalação de um sistema de suporte ventricular e respectivos quatro conjuntos de materiais de consumo nos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 31 de Julho de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP38,00 (trinta e oito patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 27 de Agosto de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 28 de Agosto de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP54.336,00 (cinquenta e quatro mil, trezentas e trinta e seis patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 17 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento e Instalação de Dois Sistemas de Equipamentos de Ultrassonografia para o Serviço de Imagiologia dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 31 de Julho de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP54,00 (cinquenta e quatro patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 30 de Agosto de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 2 de Setembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP80.000,00 (oitenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente.

Serviços de Saúde, aos 25 de Julho de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

Serviços de Saúde, aos 25 de Julho de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

O Governo da Região Administrativa Especial de Macau, através da Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 17 de Julho de 2019, se encontra aberto concurso público para adjudicação de “Prestação de serviço de emissão de convite aos convidados e acolhimento na área de relações públicas no âmbito do 4.º Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios • Macau”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de MOP200,00 (duzentas patacas); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo: http://industry.macaotourism.gov.mo, e fazer “download” do mesmo. Para quaisquer esclarecimentos, os interessados podem, até às 13:00 horas do dia 16 de Agosto de 2019, apresentar o pedido de esclarecimento por escrito, nos Avisos Públicos da Página Electrónica da Indústria Turística de Macau (http://industry. macaotourism.gov.mo) da Direcção dos Serviços de Turismo, sendo as respostas, também, dadas na mesma. O limite máximo do valor global da prestação do serviço é de MOP1.500.000,00 (um milhão e quinhentas mil patacas). Critérios de adjudicação e factores de ponderação: Critérios de adjudicação Experiência do concorrente Preço Introdução da Empresa e currículo da equipa que encarrega o presente projecto Fornecimento de soluções optimizadas para os serviços de acolhimento na área de relações públicas, estipulados no ponto 3.2 do “Mapa de Caracterização” Capacidade para acompanhamento e reação às situações do local dos eventos

Factores de ponderação 30% 30% 30% 5% 5%

Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, no balcão de atendimento, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 13:00 horas do dia 23 de Agosto de 2019, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM ou, alternativamente, em inglês, prestar a caução provisória de MOP30.000,00 (trinta mil patacas), mediante: 1) depósito em numerário à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau, 2) garantia bancária, 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo, ou 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau (n.o 8003911119). O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 26 de Agosto de 2019. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público do concurso para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa da tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora do acto público do concurso serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 31 de Julho de 2019.

A Director dos Serviços, Subst.o Cheng Wai Tong


sexta-feira 2.8.2019

O vento derrubou ontem à noite o Amor

Folhetim Fernando Sobral

A grande dama do chá

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ARINA Kaplan e Cândido Vilaça estavam a olhar um para o outro como se estivessem hipnotizados. Entre eles intrometeu-se o fumo que trazia odores de ópio e tabaco. O Bambu Vermelho estava repleto e, por isso mesmo, mais quente do que o habitual. Nem as ventoinhas que iam rodando lentamente no tecto conseguiam dissipar aquela temperatura que fazia surgir gotas de suor na testa dos jogadores e das raparigas que circulavam entre eles. Aquela hora tardia Cândido gostava de estar ali a tentar imaginar o que era a vida de cada um daqueles homens, antes de devotarem o seu futuro ao jogo. Imaginava cenários que tanto pareciam reais como irreais. Marina agarrou no seu copo de vodka e levou-o aos belos lábios. Na mesa, perto dela, estava uma máscara da ópera, que tinha trazido de Xangai e que lhe servia, de vez em quando, para recordar esses tempos que nunca mais regressariam. Tinha a certeza disso, apesar do que lhe dizia Cândido. - És um sonhador, Cat. A velha Xangai morreu. Não ressuscitará. Vai-nos ser servida, ao longo dos anos, em capítulos cheios de memórias. Como um livro que iremos escrever, devagarinho. Agarrou na máscara e passou os dedos pela face. - Trouxe-a para nunca me esquecer dos anos que lá vivi. As máscaras dizem-nos muito sobre a vida. Todos as usamos, mesmo que não sejam estas. Por detrás da máscara da firmeza alguns ocultam as suas debilidades. Outros, por detrás da máscara da debilidade, escondem a sua força. Acho que tu és o segundo caso. Sempre foi assim e sempre assim será. Mas, às vezes pergunto-me, porque é que a máscara da força triunfa muitas vezes sobre a da debilidade? Repara nesta. Sabes porque a escolhi? - Não. - Gosto das misturas de cores. Tem vermelho, a cor da lealdade e da coragem. E púrpura, da bravura e da esperança. Tem o branco, da crueldade e da traição. E o ouro e a prata porque são usados nas cores dos deuses, porque o seu brilho produz efeitos sobrenaturais. - Pensava que as tradições russas eram mais importantes para ti do que as chinesas. - Agora ambas são importantes. O meu pai era cossaco, tal como o meu avô e o meu bisavô. Ia à igreja, aspirava o aroma balsâmico e a luz das velas. Foi aí que aprendi a dominar o fogo interior. Isso salvou-me a vida muitas vezes em Xangai. Quando fugi da Rússia não sabia o que ia encontrar. Julguei chegar ao paraíso. Mas era um paraíso negro.

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Sorriu tristemente. Os seus olhos azuis claros, por momentos, pareceram escurecer até se tornarem negros. - Todas cidades são cruéis. E Xangai foi a mais cruel de todas. Havia prazer e sexo em todo o lado. Dinheiro fácil e sem fim. Os gangsters guiavam o destino da cidade. E, para termos o filme perfeito, o jazz dava-lhe mistério e sedução. E tu, Cat, fazias parte dessa mentira muito bonita. Mas, como sabes, o jazz é uma música muito decadente. Xangai não era uma cidade de pesadelos, apesar das mortes, da droga. Era de sonhos, de fantasia. Lembras-te das pistas de dança cheias de pessoas com roupa de noite? Todos podiam esquecer o passado e os seus pecados. Que eram os pecados de cada um ao pé dos de Xangai? Era um porto aberto. A todos. Também o foi para mim. Salvou-me. - Porque fugiste da Rússia, Marina? - Tinha 20 anos. Era uma jovem louca. Idealista. Acreditava na revolução, mas juntei-me aos socialistas-revolucionários. Andei a colocar bombas. Foi um erro que paguei caro. Para não ser morta, tive de fugir. E foi assim que cheguei a Xangai. - E porque é que vieste para aqui, Marina? Só para fugires ao que se adivinhava em Xangai? - Os chineses não têm ninguém a quem rezar. Onde é que eu me coloco? Não acredito na culpa, mas penso que há algo que nos é superior. Cândido escutava-a. Deu uma pequena gargalhada antes de dizer: -Sabes, a má sorte, sendo habitual, é suficientemente má. Mas, pior, é não ter sorte nenhuma.

- Tu és um homem curioso, Cat. Não admira que tenha estado apaixonada por ti. Mas não iria dar. Tu és o protagonista da paz quando não há paz. Só Jin poderia agora apaixonar-se por ti. Fez uma pausa e aproximou a sua face da de Cândido. - Porquê, Marina? - Porque tu lhe dás essa sensação de paz. Algo que ela nunca conheceu. Marina levantou-se, saiu do pequeno reservado onde estavam protegidos por uma cortina de linho e voltou, pouco depois, com um crucifixo que parecia russo, ortodoxo. E uma foto. - Perguntaste-me se tinha trazido algo do passado. Trouxe. Esta foto de quando era uma jovem revolucionária. Cândido olhou. Ali estava ela, rodeada de muitos jovens, rapazes e raparigas. - Quase todos foram mortos. Alguns de forma horrível, em prisões onde nunca se vê a luz. Depois passou a mão pelo crucifixo. Fixou-o, como se estivesse a ter uma visão. - Tudo o que vem dos homens é tão efémero quanto a vida dos próprios homens. Antigamente as pessoas iam às igrejas para falar com Deus, que reinava no absoluto. Nesse infinito muito reconfortante vivia na luz, na sombra e no silêncio, e nos seus jogos. Tenho saudades de igrejas como as que conheci na Rússia. - Acho que tudo é irreparável, Marina. Mas é isso que faz a grandeza e a miséria de um homem ou de uma mulher. Porque nunca sabemos em que partes da vida nos equivocamos.

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- E é por isso que agora queres ser o que um herói nunca foste? Cândido ia responder, mas, de repente, por entre as cortinas, surgiu a face de José Prazeres da Costa. Tinha os olhos vermelhos e um ar cansado. Marina levantou-se. Percebeu que ele queria falar com Cândido. Disse que ia ver como estava o Bambu Vermelho. E afastou-se sem ruído. Prazeres da Costa sentou-se defronte de Cândido. Trazia, na mão, um copo de uísque. Parecia já ligeiramente tocado pelo excesso de bebida. - O que se passa, José? - É a Amélia. Quer que eu me decida. Não quer esperar mais. Quer deixar o marido e vir viver comigo. Diz que tenho dois dias para me decidir. Depois sai de casa. Cândido esperou um pouco antes de responder. - Acho que não tens fuga. Vais ter de te decidires. Ela está decidida. E tu, queres viver com ela? - Quero. Mas queria ter tudo controlado. Ter dinheiro. E que ela não saísse de casa desta forma. Tenho receio da forma como o marido reagirá. - Terás de conviver com isso. Prazeres da Costa suspirou. Depois bebeu o resto do uísque que tinha no copo. - Eu sei. Mas era uma coisa com que não me queria preocupar. - A vida é assim, José. Não a controlamos. Prazeres da Costa parecia estranhamente envelhecido e descrente. Cândido já tinha visto homens assim, que procuravam consolo. A qualquer preço, mesmo que fossem jogadores. Ser lúcido, às vezes, é mais doloroso do que perceber que ninguém consegue controlar a sua vida. A nossa imaginação inventa inimigos para ficar reconfortada. Mas isso não chega. Esse é o grande medo dos homens. Procuramos sempre o Céu. Descobrimos, depois, que é a antecâmara do Inferno. Voltou a encarar Prazeres da Costa. Disse: - Tenho uma mensagem para o teu amigo japonês. - Diz. - É melhor escrever. É mais seguro. Escreveu num papel: “Daqui a dois dias, à noite, no cais 16, descarga de encomendas vindas da China. Muito importante.” Prazeres da Costa agarrou no papel, meteu-o no bolso, e levantou-se. Deparou com Marina, a quem agradeceu por lhe ter apresentado o homem que lhe tinha emprestado o dinheiro para pagar as dívidas de jogo. Assim poderia criar novas dívidas. Saiu, cambaleante. Marina sentou-se e disse: - Só os sonhos são grátis.


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PLANO DE CORTE

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Os 70 estão de volta!

JOHN LUKE EASTMAN THREE HEAD RAINBOW

José Navarro de Andrade

2.8.2019 sexta-feira

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CUMULAM-SE os sinais. É verdade que todos os anos aumenta o número de pessoas insurgidas e alarmadas com o calor estival em termos análogos com que recrimina os frios de inverno, sintoma da progressiva, quem sabe se irreversível, deterioração da sensatez; mas repara que não se têm verificado quartos minguante fora de calendário, notícias de elevadores que continuam a subir depois do último andar, epidemia de gatos albinos, vulcões que recomeçam a respirar, aborígenes vistos de novo a dançar à volta de lume. Todos os indícios tradicionais e convencionais de algo iminente. Não alimentes, contudo, ilusões – está a acontecer, agora mesmo, diante de ti, escapando-se da vista como uma barata por detrás do frigorífico. As provas são elementares e preciosas, só uma superior perspicácia saberá conciliá-las. Ouviste estes álbuns “The Tour – vol 1 & 2” de Woody Shaw e Louis Hayes resgatados de uma gaveta qualquer? O registo da digressão na Alemanha em 1976– não te parece um prenúncio eloquente? …Na Alemanha…? Já te esque-

LIGHT ON BUSHES, PAUL CIENIUCH

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ceste ou alguma vez ouviste o “I Offer You” de Lucky Thompson ou “Musique du bois” de Phill Woods? Percebes o que quer isto dizer? Sim, era oblíquo, subterrâneo, pouco mais do que uma silhueta, mas havia jazz a correr e a fazer-se nos anos 70 à margem do cânone desbaratador do free que de rebelde, rebelde continuou a auto-denominar-se depois de conquistar o centro. O augúrio consubstanciou-se um pouco mais todavia assim de repente num programa, quem diria de Anthony Bourdain – um dos últimos que depois viu-se serem crepusculares – em en-

trevista a Lydia Lunch quando ela diz: “ninguém procurava a felicidade mas a satisfação.” Saudades nenhumas, portanto, da juventude, dessa fase ruinosa do qual ninguém sabe muito bem como escapou, atraente como nenhuma outra, incluindo a menopausa, aos negócios da publicidade e da psicologia. Ainda menos saudades, prossegue Lydia Lunch, das provações passadas nesses tempos que outros, não as tendo sofrido, acham gloriosos. Ao menos entre escombros cintila a lucidez de perceber a perigosa e platónica fantasia românica da “felicidade” – os burguesitos dos românicos

Ao menos entre escombros cintila a lucidez de perceber a perigosa e platónica fantasia românica da “felicidade” – os burguesitos dos românicos tardo-setecentista a namoriscarem impávidas meninas da baixa aristocracia, claro que havia de correr mal, e ainda hoje há tantos que não percebem.

tardo-setecentista a namoriscarem impávidas meninas da baixa aristocracia, claro que havia de correr mal, e ainda hoje há tantos que não percebem. Mais orgulhosa se mostrava pois Lydia Lunch por ter sobrevivido àquilo, do que pela obra artística subsistente – a arte é para os eternos, não tem estômago. Ninguém, se puder, quer ser Basquiat ou Haring ou Jaco Pastorious, todos oitentistas está bem, mas cadáveres prematuros à moda dos 70s. Está então definitivamente a suceder qualquer coisa de estranho. Por onde baforavam hálitos de enxofre surte uma estranha hipótese de se apreciar a década de 70 sem ser à força. Mas como, senhores, como depurar os anos 70 dos ABBA e outros maus-cheiros – só os tolos creram em tal profecia – de tantas imposturas nele geradas: das calças à boca-de-sino e dos filósofos franceses, dos penteados medonhos e dos filmes de Bertolluci ou de Ken Russell, dos psicotrópicos, dos alucinogénios, do psicadelismo e – socorro! – do rock sinfónico ou dos poemas de Ary dos Santos, do Ary. Aviso e precauções afinal contribuem para o seu contrário e se os anúncios atrás revelados pareciam indicativos, o presságio tangível ou incontornável se fores estruturalista, arrebentou no santo nome de “Africa Speaks.” Sim baby, desentope essas orelhas da cera acumulada por playlists de rádios-bem, pelo bom-gosto lux lisbon, pelo género Y suplementar às sextas, de camisa estampada e óculos de massa e barbas, de muitas e espessas barbas tão hip como bejecas artesanais, cortes de cabelo e tatuagens de futebolista ora gentrificados. Prometo que daqui a já não muito tempo tamanha cangalhada te envergonhará como a mim me envergonharam os anos 70. Desentope-as para receberes a Boa Nova de – rufam tambores... – Carlos Santana!, esse mesmo em que estás a pensar e nenhum outro, o Carlos Santana “está alguém em casa?” do “Samba pa ti” Cuf Téxteis (se tiveres menos de 55 anos esquece, não percebes…), o Santana que após disco e meio de génio, o sísmico “Abraxas” com sequelas em “Caravanserai”, e nisto só transitaríamos de 1970 a 72, se remeteu a 4 décadas de inutilidade, ei-lo inesperadamente e de repente desmumificado, exumado da cápsula de criogénico onde o haviam escondido, a derramar potência como só um ancião é capaz, livre da flatulência de um nobel que o prenda ao pedestal. Os anos 70 estão de volta e haverá quem diga bem deles, podes estar certo. Se isto não é um milagre o que é um milagre?


ARTES, LETRAS E IDEIAS 19

sexta-feira 2.8.2019

OFício dos ossos

Valério Romão

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S férias são muita coisa ao longo do tempo de uma vida. Na minha infância – passada em França – significavam o regresso a Portugal, bagageira atulhada de brinquedos, parafernália electrónica e queijos brie do tamanho de uma pizza familiar, dois dias de estrada aborrecidamente atrás de camiões ou perigosamente a ultrapassá-los, dois dias a ver o meu pai a fumar cigarros e a beber café em quantidades suficientes para causar um ataque de asma e de ansiedade a um elefante adolescente, dois dias a ouvir a minha mãe, num tom entre o desesperado e o resignado, reclamar a medo com o meu pai: “cuidado, Zé”, “mais devagar, Zé”, “não temos pressa, Zé”, e o meu pai a chutar a bola para canto apontando para o que se via da estrada: um laranjal, uma bomba de gasolina, um moinho de vento, para desconsolo exausto da minha mãe: “olha para a estrada, Zé!” Quando finalmente chegávamos e após as duas horas do ritual beijos-prendas-que-saudades-de-vos-ver-estás-tão-grande, a minha esperança era a de irmos logo nesse dia para a praia, nem que fossem oito da noite, para que

O cheiro a estevas eu pudesse dar aquele mergulho com que tinha sonhado o ano todo e assim ficar surdo de um ouvido, até que a meio da noite escorresse de lá um pingo de mar e daí adviesse aquele estranho prazer da normalidade retomada. O meu pai não era grande fã da praia: “tem muita areia”, “faz demasiado calor”, “cheio de gente”, e eu não percebia o que é que dessa equação podia ser menos que perfeito. Quando finalmente conseguia que alguém me levasse à praia – normalmente os meus cunhados ou as minhas irmãs, desejosos de transferir o barulho que eu e o meu sobrinho (praticamente da minha idade) fazíamos dentro de casa para um sítio mais amplo – entrava na água para de

lá sair apenas quando me perguntavam “não achas que já estás aí há demasiado tempo? Não tens frio?”, e eu, arroxeado e tiritando, metro e meio de gente aquém dos quarenta quilos, respondia “n-n-n-ão, est-t-t-ou b-b-bem”. O meu pai preferia o campo à praia. Não o campo-campo que se nos ocorre à imaginação, aquele dos arbustos verdejantes, dos laguinhos coaxando entardeceres, das ovelhas roendo um pasto viçoso. O campo árido do interior algarvio, a terra amarela e seca, polvilhada de lamelas de xisto, o campo das veredas ladeadas de estevas pegajosas, arriba acima e abaixo, serpenteando entre courelas minúsculas nas quais, na proximidade de um poço ou de um furo artesiano,

As férias nunca mais foram o mesmo desde a infância – nada nunca mais o é, poderá contrapor-se. O meu pai, entretanto, morreu, tinha eu dezasseis anos. Eu sei que o céu dele está cheio de codornizes e de coelhos e que cheira a esteva e que faz sempre calor no ponto certo

pontificavam umas linhas de vinha ou uma sementeira de batatas. Para além do meu pai sentir por tudo aquilo a exacta proporção inversa daquilo que eu sentia, havia ainda a questão da caça; a única questão, aliás, onde coincidíamos rigorosamente no gosto. Foi com ele que aprendi o que era uma perdiz, foi com ele que aprendi a distinguir coelho de lebre (pré-caçarola, evidentemente), foi com ele que vi os cães mais obedientes e felizes do mundo. Apesar do meu amor pela praia – entretanto oscilando entre indiferença e repulsa – as minhas melhores memórias das férias em Portugal são da caça. Não tanto pelo que se – ou pelo que não se – caçava, mas sobretudo pelo prazer que via no rosto do meu pai quando me explicava as tocas e os ninhos como o pai dele lhe tinha explicado, décadas atrás. As férias nunca mais foram o mesmo desde a infância – nada nunca mais o é, poderá contrapor-se. O meu pai, entretanto, morreu, tinha eu dezasseis anos. Eu sei que o céu dele está cheio de codornizes e de coelhos e que cheira a esteva e que faz sempre calor no ponto certo.


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A Poesia Completa de Li He

答 贈 本是張公子,曾名萼綠華。    沉香燻小像,楊柳伴啼鴉。    露重金泥冷,杯闌玉樹斜。    琴堂沽酒客,新買後園花。 

Uma Réplica Vós sois o próprio Zhang Gong-zi, E, há muito, esta dama chamava-se “Verde Flor”.1 Espesso fumo de incenso em pequenos elefantes, Pares de corvos gritando nos salgueiros. Espesso orvalho em vestidos dourados, Uma árvore de jade espalha-se entre os cálices vazios. O homem que vende vinho no seu Pavilhão do Alaúde Acaba de trazer uma flor para o seu jardim das traseiras.2

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Zhang Fang, Marquês de Fu-ping, costumava acompanhar o Imperador Cheng de Han (regnet 33-37 a.C.), quando este passeava disfarçado. No ano de 359 diz-se que a Fada chamada Lu-hua (“Verde Flor”) visitou a casa de um tal Yang Quan e lhe ofereceu um poema. A certa altura, Si-ma Xiang vendeu vinho para viver. Diz a tradição que mais tarde fez construir a Torre de Alaúde. Este poema celebra a aquisição de uma nova concubina por um amigo de He, que se embriagou (a torre de jade caída entre os cálices) durante o respectivo banquete.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


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3 1 0 8 0 2 69 6 4 75 7 0 81 48 94 59 75 27 2 5 9 7 9 8 0 1 23 2 64 6 2 7 5 80 68 6 9 1 4 2 4 6 79 87 8 0 31 3 5 6 6 3 2 57 45 4 0 9 6 6 5 1 2 3 7 9 0 48 4 9 9 6 1 2 3 8 5 0 TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS 4 4 03 0 5 MIN 96 9 29 HUM 3 43 80-98% 74 7 16 21• 2EURO 58 95 1 2 725 8 7MAX 7 87 48 4 3 6 5 91 09 20 2 5 95 49 4 03 70 7 61 86 69 76 7 54 05 0 32 13 1 8 1 1 0 9 8 6 3 2 4 1 91 9 65 6 4 73 7 28 02 0 8 8 5 6 49 04 0 3 7 O QUE FAZER 20 2 73 87 48 54 5 96 9 1 4 2 3 75 17 1 6 8 ESTA SEMANA 8 0 2 1 9 6 4 5 7 3 7 08 10 21 92 49 34 3

Diariamente

EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” Casas Museu da Taipa | Até 22/09

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EXPOSIÇÃO | “CABEÇAS FELIZES” Praça Jorge Álvares | Até 15/08 EXPOSIÇÃO | “DE HOLLYWOOD AO MÓNACO”” Galaxy Macau | Até 28/08 EXPOSIÇÃO | “ENCONTRO INESPERADOS” City of Dreams | Até 31/08 EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM ESPECTÁCULO | FUERZA BRUTA WAYRA MGM Theatre | Até 4 de Agosto

Cineteatro

C I N E M A

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CHEIAS POLÍTICAS 53

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FAST & FURIOUS: HOBBS & SHAW THE LION KING [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Jon Favreau 14.30, 21.30

TOY STORY 4 [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Josh Cooley 16.45, 19.30 SALA 2

FAST & FURIOUS: HOBBS & SHAW [C] Um filme de: David Leitch Com: Dwayne Johnson, Jason Statham, Idris Elba, Vanessa Kirby 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3

CRAYON SCHINCHAN 2019 [B]

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Masakazu Hashimoto 14.30, 19.30

THE CONFIDENCEMAN JP - THE MOVIE- [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊSE INGLÊS Um filme de: Ryo Tanaka Com: Masami Nagasawa, Masahiro Higashide, Fumiyo Kohinata 21.30

CHILDREN OF THE SEA [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Ayumu Watanabe 16.30

3 6 4 3 0 1 4 3 7 8 6 9 81 8 3 7 9 2 5 4 0 1 47 4 5 6 1 0 3 2 9 7 8.91 BAHT 09 0 40.26 5 6 YUAN 8 9 01.16 3 2 28 2 8 4 2 7 1 6 5 0 75 7 7 CÃO 9 5 4 8 3 1 6 VIDA DE 12 1 1 0 3 5 4 9 2 8 0 9 2 8 0 9 6 7 4 5 32 DO 6 5 6 3INFERNO 7 1 2 5 8 4

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7 3 7 4 3 4 6 1 8 05 20 92 9 8 50 75 47 24 92 69 6 1 3 2 2 0 5 0 48 94 9 73 7 16 1 9 6 1 30 53 5 7 4 8 2 9 8 9 8 76 7 2 14 1 35 03 0 2 42 4 7 8 1 0 3 95 69 6 3 23 2 9 64 86 8 0 57 15 1 1 52 35 3 7 06 40 4 9 8 0 0 9 1 4 5 2 8 3 67 6 1 51 5 3 9 2 6 4 70 87 8 63 96 9 0 8 7 24 12 1 5 6 76 7 2 5 0 1 8 39 43 4 5 5 0 92 9 3 61 6 8 74 7 5 85 8 6 93 49 4 2 01 70 7 8 8 1 3 2 6 5 7 9 40 4 0 90 9 8 1 7 3 6 42 54 5 4 4 87 18 1 9 20 62 6 35 3 4 1 0 82 78 7 5 3 6 9 6 6 4 7 5 0 3É um9fenómeno 1 2antigo 8 e2quase uma tradição. Com 7 4 3 64 56 95 19 81 8 2 0 as cheias que atingem anualmente o Porto Interior vêm também os deputados, e por vezes governantes. Ontem foi a vez de Wong Kit Cheng, ligada à Associação Geral das Mulheres, de ouvir os comerciantes afectados pela subida do nível da água.

6 5 6 4 5 3 4 3 97 9 81 8 20 2 1 8 0 1 0 6 34 3 7 59 0 0 9 43 4 5 2 6 81 78 1 7 1 29 2 0 45 64 36 83 5 5 2 6 8 9 7 0 4 1 8 4 7 5 1 3 9 2 06 1 31 23 72 7 8 50 5 49 4 9 09 0 8 1 3 76 7 5 42 3 3 6 95 9 4 28 02 0 7 4 4 0 7 0 26 2 81 38 53 95 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 53

2 5 7 8 3 0 6 4 1 9

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1 41 64 7 27 02 5 9 08 40 6 8 9 3 12 1 0 60 6 4 74 7 3 53 5

PROBLEMA 54

UM DOCUMENTÁRIO HOJE

SALA 1

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(f)utilidades 21 9 2 8 6 0 1 7 3

6 10 3 94 7 08 85 71 62 9

3 1 2 69 5 0 8 7 6 4

7 5 4 6 9 2 03 8 0 1

8 34 71 12 43 7 90 5 89 6

5 3 7 1 4 6 79 2 18 80

09 86 60 75 2 4 47 3 31 28

20 98 86 7 1 5 4 9 53 72

S U D O K U

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2 9 8 3 0 1 6 4 5 7

Apanhar transportes públicos na passada quarta-feira foi o maior desastre 57 natural que o tufão “Wipha” trouxe ao território. Tudo o resto correu bem, 2 conjuntas 8 6 9da protecção 5 7 3 com as4forças civil todas de parabéns. Mas a 0 9 7 1 8 2chegada 4 6 em força do grau 8, em plena hora do 5 e7o deus-nos-livre0 9 8 4 almoço,1foi3o caos -que-venha-aí-um-tão-cedo. 5 4 2 3 6 1Se temi 9 0 pelo número de vítimas à passagem do ciclone, 3 0eram 4 certamente 5 2 7as 6que 9 correram o risco de acabar esmagadas 6 dentro 7 9dos0autocarros. 1 8 Com 5 2 e entaladas o trânsito 8 parado 1 6em todas 4 5as vias, 3 a0po- 7 pulação nas paragens começou a forçar 2 8e saídas 3 9dos7transportes, 4 1 5 as entradas em fúria cega para chegar a tempo do 9 5 das 0 fronteiras 8 3 6 2 1 encerramento ou antes que a 7 circulação fosse cortada. Não 6 1 2 4 0 3 8 foi bonito. Foi também o período em que a chuva e o vendaval estiveram mais fortes. 59 Se tudo isto são situações incontornáveis, algumas há que podiam ser evitadas. 4 7Como 8 no9caso 1 do5excesso 2 3 de carreiras com paragem na Praça de 0 5Algumas 6 8até9são 4 Ferreira1do2 Amaral. obrigadas a fazer uma circunferência 6 3 4 2 7 0 1 8 completa àquela-espécie-de-rotunda, só para5encaixar 0 9na faixa 3 8certa7da6res- 2 pectiva paragem. Que não faz sentido 3em8dias6normais, 1 2menos 4 ainda 5 7 nenhum nos excepcionais. A título de exemplo 7 9 5 0 4 1 3 6 dou o autocarro 32 com destino ao 3 9esteve 8 a0 Fai Chi2Kei.4No7dia6 do tufão tentar dar a habitual voltinha durante 0 5Só 3 8 9 ainda 2 mais 7 1 40 minutos. atrapalhou o trânsito. 9 E1de 2seguida 7 foi 0 parar 6 cem 4 5 metros adiante no Hotel Lisboa. Há 8 6da paragem 1 4 na 5 Ferreira 3 0do 9 necessidade Infernal? Não. Raquel Moz

THE GREAT HACK | KARIM AMER E JEHANE NOUJAIM (2019)

Acabado de estrear nos EUA e na Netflix, a 24 de Julho, “The Great Hack” documenta o escândalo norte-americano da Cambridge Analytica, a empresa que roubou os dados pessoais de milhões de utilizadores do Facebook, para criar campanhas de manipulação e propaganda nas eleições de Donald Trump ou no referendo do Brexit. Tudo aquilo que os principais jornais internacionais reportaram, aqui é explicado pelos intervenientes que denunciaram o processo. A pergunta que moveu toda a investigação foi simples: “Quem nos está a alimentar com medo? E como?”. O mundo está a ficar um lugar perigoso. Para ver e reflectir. Raquel Moz

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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“Communities are helpful to join or create because they provide support to the individuals who are impacted by the daily stress, struggles and chaos of modern life.” Harper Spero

A

humanidade nunca foi tão rica, graças à melhoria constante das tecnologias de produção ao longo dos últimos duzentos e cinquenta anos. Estamos rodeados de abundância. Não são apenas os países desenvolvidos que fizeram fortuna, pois no espaço de uma geração, milhares de milhões de pessoas em todo o mundo desenvolvido passaram da pobreza “stressante” à vida confortável da classe média. O rendimento é distribuído mais uniformemente do que em qualquer outro período da nossa existência e pela primeira vez na história, temos o poder de erradicar a fome e as mortes em todos os lugares do mundo. No entanto, apesar do sucesso económico, inimaginável do mundo há apenas algumas décadas, alguns trabalhadores aparentemente privilegiados nos países desenvolvidos viviam literalmente preocupados até a morte. Assim, segundo um estudo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, publicado a 2 de Novembro de 2015, de 2009 a 2013, meio milhão de cidadãos americanos não-hispânicos, de cor branca e meia-idade morreram mais do que teriam morrido se a sua taxa de mortalidade tivesse seguido a mesma tendência de outros grupos étnicos. As mortes adicionais concentraram-se entre aqueles que, obtiveram um diploma de ensino superior e foram em grande parte devidas a drogas, álcool e suicídio. É como se dez guerras do Vietname tivessem sido travadas simultaneamente, não em alguma terra distante, mas nos lares da América rural e provincial, para dar uma ideia das proporções. Em uma era de aparente abundância, um grupo demográfico que simbolizava o sonho americano parece ter perdido toda a esperança. As ansiedades do cidadão americano de meia-idade, de cor branca e educação moderada, também se manifestam em outros países ricos do Ocidente, embora talvez com efeitos menos trágicos. A principal fonte de preocupação parece ser o facto de que os trabalhadores com um nível moderado de educação estão a perder rapidamente, ou em risco de perder, o seu bom emprego de "classe média", com efeitos prejudiciais sobre si, as suas famílias e as comunidades em que vivem. Acredita-se amplamente que a destruição de empregos vem tanto do comércio global como da automatização tecnológica das antigas profissões. Quanto menor a conscientização, mais importante a causa que é o progresso tecnológico. No entanto, à medida que a ansiedade da

população se transforma em raiva, uma política mais radical considera mais eficaz atacar as importações e os imigrantes que propõe proteger os postos de trabalho na indústria transformadora subvertendo a ordem económica liberal do pós-guerra, o sistema que facilitou o fluxo de bens, capitais e pessoas através das fronteiras nacionais. O nosso futuro parece promissor e perigoso. O aspecto promissor decorre das novas tecnologias que nos podem ajudar a resolver os problemas mais alarmantes, como a pobreza e as alterações climáticas. Para resolver estes problemas, teremos de manter as nossas fronteiras abertas, de modo a podermos levar estas inovações às regiões menos desenvolvidas do mundo e atrair pessoas do exterior que possam apoiar as populações mais idosas dos países mais ricos. O perigo reside não só na possibilidade de as comunidades influentes poderem não ser capazes de se adaptar ao progresso, na verdade, impedi-lo, mas também no tipo de sociedade que pode surgir se os nossos valores e instituições não mudarem à medida que a tecnologia dá a algumas pessoas poder e riqueza desproporcionados. Toda a revolução tecnológica do passado foi disruptiva e impulsionada por uma reacção social e, eventualmente, levou a mudanças sociais que nos ajudaram a tirar o máximo proveito da sua tecnologia e desde a década de 1970, temos vivido a revolução das “Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)” e este processo, ainda em curso, foi levado a cabo com base na difusão da computação em massa, possibilitada pelo microprocessador e pelo computador pessoal, e inclui tecnologias que vão da inteligência artificial à computação quântica, envolvendo e melhorando vários domínios, como o comércio internacional e a terapia genética. Os efeitos da revolução das TIC espalharam-se pelo mundo graças a mercados cada vez mais integrados para a troca de bens, serviços, capitais e pessoas e cada país sofreu uma ruptura, repleta de episódios dramáticos como a grande crise financeira de 2007- 2008 e a consequente recessão. Assiste-se actualmente, à reacção dos movimentos populistas de extrema-direita e de esquerda. O que ainda não aconteceu é a necessária mudança social, e é por isso que tantas pessoas não têm esperança no futuro e estamos em um momento crítico da história da humanidade e quaisquer escolhas erradas podem fazer descarrilar o progresso económico humano. É de considerar a existência de os três pilares que governam uma sociedade e a forma de alcançar o equilíbrio certo entre ambos é crucial para que a sociedade prospere. Os dois pilares são "os suspeitos habituais", o Estado e os mercados. O equivalente a muitas florestas que tem sido usadas para imprimir textos sobre a relação entre os dois, em que alguns deram prioridade ao Estado, outros aos mercados. O que é necessário reintroduzir no debate mundial é o terceiro pilar esquecido, a comunidade e os aspectos sociais da sociedade. Quando um dos três pilares sofre um enfraquecimento ou reforço significativo, tipicamente devido ao rápido progresso tecnológico ou a dificuldades econó-

SHELBY MCQUILKIN SOCIAL NETWORKING

A comunidade pilar

micas terríveis como a depressão, o equilíbrio é perturbado e a sociedade tem de encontrar um novo equilíbrio. O período de transição pode ser traumático, mas a história ensina que a sociedade o completou com sucesso várias vezes.Aquestão fundamental é como restaurar o equilíbrio entre os pilares em face da mudança tecnológica e social disruptiva em curso. É de argumentar que muitas preocupações económicas e políticas no mundo, incluindo a ascensão do nacionalismo populista e dos movimentos radicais de esquerda, podem ser atribuídas ao enfraquecimento da comunidade. O Estado e os mercados expandiram o seu poder e alcance em paralelo, e deixaram a comunidade relativamente impotente para lidar com o impacto profundo e desigual da mudança tecnológica e um ponto importante a este respeito é também que só conseguiremos encontrar soluções para muitos dos nossos

problemas se restituirmos a saúde às nossas comunidades disfuncionais, não sujeitando os mercados a uma repressão. É desta forma que reequilibraremos os pilares para um nível que beneficie mais a sociedade e que preserve as democracias de mercado liberais em vivemos. Para evitar confusões mais tarde, deve ser resolvida rapidamente a tediosa mas indispensável questão das definições. Em sentido lato, é importante considerar o Estado com referência à estrutura política do governo de um país e o termo refere-se ao governo nacional. Além do poder executivo, a palavra Estado incluirá também o poder legislativo e judicial. O termo mercados inclui todas as estruturas económicas privadas que facilitam a produção e o comércio dentro da economia e que contêm toda a variedade de mercados, abarcando os de bens e serviços, trabalho e crédito, acções e obrigações (mercado financeiro ou de capi-


opinião 23

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perspectivas

fundamental da sociedade

tais). A definição também inclui os principais actores do sector privado, tais como mulheres, empresários e empresas e a definição de uma comunidade deve ser a de "um grupo social de qualquer tamanho cujos membros residem em um lugar específico, compartilham os mesmos órgãos de governo e muitas vezes têm uma tradição cultural e histórica comum". Tal definição deve ser seguida, segundo a qual na era moderna a comunidade arquetípica é representada pelo bairro (ou vila, município ou cidade), como era representada pela rixa na era medieval e pela tribo na antiga. É importante sublinhar que se deve centrar nas comunidades cujos membros vivem nas proximidades, ao contrário das comunidades virtuais ou das confissões religiosas nacionais. É de considerar os órgãos directivos locais, tais como o conselho executivo, o conselho de bairro ou o conselho municipal.

Um país grande tem vários níveis de gestão localizados entre o governo central (que faz parte do Estado) e o governo local (que faz parte da comunidade) e são de pensar esses níveis como parte do Estado e deve usar-se os termos sociedade e país de forma intercambiáveis para indicar o complexo que inclui o Estado, os mercados, comunidades, pessoas, território e muitas outras realidades que compõem entidades políticas como a China ou os Estados Unidos. Ao ultrapassar a questão das definições, chega-se à substância e para os homens primitivos a tribo representava a sociedade, Estado, mercados e comunidades juntas. Foi o quadro em que se desenvolveram todas as actividades, incluindo a educação e o cuidado das crianças, a produção e o intercâmbio de bens e alimentos, o cuidado dos doentes e dos idosos. O chefe ou os anciãos ditaram as leis

e as aplicaram, assim como comandaram os guerreiros para defender o território e com o passar do tempo, os mercados e o Estado separaram-se da comunidade. O comércio com as comunidades mais distantes através dos mercados permitiu que todos se especializassem na actividade que foi particularmente bem sucedida, colocando todos em posição de ter uma vida mais próspera. O Estado, agregando em si o poder e os recursos das numerosas comunidades, não se limitou a regular os mercados, mas também aplicou as leis dentro das suas fronteiras, ao mesmo tempo em que defendeu o território dos agressores. Mais recentemente, os mercados e o Estado não só se separaram da comunidade, como também se expandiram continuamente para actividades que até então fortaleceram os laços dentro da comunidade tradicional. Pense-se em algumas funções que as comunidades já não desempenham e vê-se que em comunidades isoladas, as vizinhas ajudaram as mulheres durante o parto; hoje, a maioria das mulheres que deram à luz recentemente são admitidas no hospital quando sentem que o parto está próximo. As mulheres obviamente valorizam muito mais a perícia de um especialista do que se associam com a ajuda amigável, mas não profissional, de um vizinho. Na vida quotidiana, se no passado nos oferecemos para acompanhar o vizinho idoso que não tinha carro para fazer as compras, hoje as compras são feitas “online” e da mesma forma, se uma casa de família foi destruída por um incêndio, a comunidade participou da sua reconstrução; hoje as pessoas recebem um reembolso da companhia de seguros e contratam um profissional para dela cuidar. É de acreditar, que dadas as regras de construção em vigor na maioria dos países desenvolvidos, é improvável que uma casa reconstruída pelos seus vizinhos obtenha a aprovação das autoridades. A comunidade ainda desempenha vários papéis importantes na sociedade, pois mantém o indivíduo ancorado em uma série de redes humanas reais e dá-lhe um sentido de identidade; a nossa presença no mundo é confirmada pelo impacto que temos sobre as pessoas ao nosso redor. Ao permitir-nos participar nas estruturas de gestão local, tais como associações que medeiam a relação entre pais e professores, conselhos de escola, conselhos de biblioteca e comissões de supervisão de bairro que existem em muitos países, bem como nas eleições locais para nomear o conselho municipal ou distrital, o município pode dar um contributo significativo para o desenvolvimento da comunidade local. Os professores de economia da Universidade de Harvard Raj Chetty e Nathaniel Hendren tentaram quantificar o impacto económico associado ao crescimento em uma comunidade melhor e para isso, analisaram o rendimento dos indivíduos cujos pais, quando eram crianças, mudaram de bairro nos Estados Unidos. Por exemplo, imagine-se dois bairros que são chamados de "Melhor" e "Pior". Se forem ponderados os dados por

JORGE RODRIGUES SIMÃO

rendimento parental, os indivíduos que vivem no mesmo bairro há muito tempo, depara-se que as crianças fazem parte de um percentual mais elevado em termos de rendimento adulto se viveram no “Melhor” em vez de no “Pior” bairro. Os economistas americanos descobriram que uma criança cujos pais se mudam do “Pior” para o “Melhor” bairro terá, como adulto, em média, uma renda 0,04 pontos percentuais maiores para cada ano adicional vivido no “Melhor” bairro. Em outras palavras, se os pais mudam de casa quando os filhos nascem e ficam no mesmo local até completarem 20 anos, o seu rendimento quando adulto corresponderá a 80 por cento da diferença entre o rendimento médio registado nos dois bairros. O estudo dos dois economistas leva-nos a pensar que uma criança obtém enormes benefícios ao mudar-se para uma comunidade onde as crianças são mais bem sucedidas (pelo menos em termos de rendimento futuro).

As comunidades importam! A comunidade em que crescemos afecta as nossas perspectivas económicas, talvez mais do que qualquer outra influência externa As comunidades importam! A comunidade em que crescemos afecta as nossas perspectivas económicas, talvez mais do que qualquer outra influência externa, para além dos nossos pais e um ponto importante que os economistas descobriram aplica-se à transferência de uma única criança, pois o desenvolvimento de toda uma comunidade pobre não pode ser garantido pela sua transferência para outro lugar. Pelo contrário, tem de encontrar uma forma de se desenvolver no local, mantendo os seus expoentes mais competentes e brilhantes. Uma comunidade saudável tem outras virtudes. O governo local de base comunitária funciona como um escudo contra as políticas do governo central, protegendo assim as minorias de uma possível tirania da maioria e agindo como um mecanismo de controlo do poder estatal. Vários santuários nos Estados Unidos e na Europa recusaram-se a cooperar com as agências nacionais de imigração na identificação e deportação de imigrantes ilegais. Enquanto o ex-presidente dos Estados Unidos estava no poder, algumas comunidades no Estado do Arizona resistiram na direcção oposta, ignorando o governo federal e introduzindo penas severas contra a imigração ilegal. Embora nenhum país possa funcionar se cada comunidade escolher livremente quais as leis respeitar, uma certa descentralização dos poderes legislativos em favor da comunidade pode produzir resultados positivos, especialmente se houver grandes diferenças de opinião entre as comunidades.


“As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade.” Victor Hugo

PALAVRA DO DIA

sexta-feira 2.8.2019

Eles querem acreditar EUA DOIS MILHÕES PREPARAM-SE PARA LIBERTAR EXTRATERRESTRES DA ÁREA 51

Casa Amarela Chan Chak Mo arrenda a novo inquilino por oito anos

O deputado Chan Chak Mo, director da Future Bright Holdings, acaba de assinar um novo contrato de arrendamento com uma empresa desconhecida, que vai ocupar a Casa Amarela, junto às Ruínas de São Paulo, pelo período de oito anos. No comunicado à bolsa de valores de Hong Kong não consta o nome do novo arrendatário nem o montante da renda, referindo-se apenas a data da celebração do contrato, que foi esta quinta-feira. A Future Bright Holdings relembra que “a propriedade se mantém há algum tempo sem qualquer arrendatário”, pelo que “não tem dado qualquer contributo ao grupo em termos de renda”. Espera-se que o novo arrendatário ocupe o edifício a partir de 1 de Setembro deste ano. A Casa Amarela foi durante anos ocupada pela Direcção dos Serviços de Turismo, que deu apoio ao projecto Lusitanus, um restaurante da Casa de Portugal em Macau. Contudo, Chan Chak Mo decidiu terminar o contrato de arrendamento que tinha com o Governo.

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OIS milhões de pessoas prometeram juntar-se no dia 20 de Setembro para invadirem uma base da Força Aérea dos Estados Unidos, de modo a conhecerem e libertarem os extraterrestres que alegadamente estão naquele lugar. Segundo noticia ontem a agência Efe, a ideia começou como uma brincadeira no Facebook, mas os militares já avisaram que não será permitida a entrada a civis na Área de Teste 51, localizada perto do Aeroporto de Homey e do lago Groom, no estado do Nevada. Durante várias décadas, os aficcionados de objectos voadores não identificados e de supostas visitas de extraterrestres alimentaram especulações em torno das operações militares secretas na Área 51.

Uma das teorias sobre o local é que estão ali depositados os restos de uma suposta nave extraterrestre que teria caído em Roswell, no Novo México, em Julho de 1947. A base em questão não está classificada como uma área secreta, mas todas as investigações e operações ali realizadas são consideradas como de máximo segredo e a Agência Central de Inteligência (CIA) reconheceu publicamente a existência dessa instalação pela primeira vez em 2013. Em Junho, um utilizador do Facebook lançou a ideia de uma mobilização em massa de civis para libertar os extraterrestres, com o título de “Vamos invadir a Área 51: Não nos podem parar a todos”. “Vamos encontrar-nos na atracção do Alien Tourist Center e coordenar a nossa entrada. Se corrermos juntos,

podemos mover-nos mais depressa do que as balas”, é possível ler-se na convocatória que é concluída com uma mensagem contundente: “Vamos ver os alienígenas”. As reacções à ideia são várias, desde o entusiasmo daqueles que acreditam realmente na presença de extraterrestres na base militar até à partilha de ‘memes’com imagens de figuras verdes e vários símbolos da cultura “freak”, como o personagem Sheldon Cooper, da série televisiva “Big Bang Theory”. Por outro lado, a convocatória deixou os 54 habitantes de Rachel, a localidade mais próxima da Área 51, preocupados. Rachel tem apenas quatro negócios e uma pousada e a última bomba de gasolina encerrou no ano de 2006, pelo que quem quiser ali chegar deve abastecer os seus veículos

em Alamo, a 80 quilómetros de distância. Na pousada de Rachel já não há quartos disponíveis, assim como em Alamo, onde todos hotéis já estão com lotação esgotada. O chefe da polícia do Condado Lincoln, Kerry Lee, admitiu à estação de televisão norte-americana CNN que as autoridades terão várias dificuldades em controlar o grupo enorme de pessoas que tenciona deslocar-se à Área 51. “Poderíamos lidar com cerca de mil pessoas, mas com grandes dificuldades. Que o céu nos proteja se 5.000 pessoas vierem. Isso duplicaria a população de todo o condado”, declarou o chefe da polícia. Outra preocupação de Lee é o perigo intrínseco na área desértica, em pleno Verão e com recursos de resgate limitados.

China EUA pedem libertação de activista

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Os Estados Unidos apelaram ontem à libertação imediata do activista chinês Huang Qi, condenado a doze anos de prisão por “divulgar segredos de Estado”, parte da campanha lançada por Pequim contra dissidentes. “Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a condenação do activista Huang Qi”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Morgan Ortagus, em comunicado. Ortagus pediu a Pequim que liberte Huang “imediatamente”. “A prisão de Huang Qi ilustra a repressão contínua da China contra os Direitos Humanos e liberdades fundamentais, incluindo a liberdade de expressão”, lê-se no comunicado. “Exortamos o Governo chinês a cumprir com os seus compromissos internacionais que garantem um julgamento justo e o Estado de direito”, acrescentou. Huang Qi, que dirigia uma plataforma distinguida pela organização Repórteres Sem Fronteiras com o prémio de liberdade de imprensa, foi detido em várias ocasiões por denunciar abusos do poder político, incluindo em 2008, depois de advogar por pais cujos filhos morreram num terremoto na província de Sichuan, sudoeste do país.

COREIA DO NORTE POMPEO DIZ ESTAR PRONTO A REINICIAR CONVERSAÇÕES

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secretário de Estado norte-americano referiu ontem que a administração da Casa Branca está preparada para reiniciar conversações com a Coreia do Norte, mas considerou improvável um encontro entre as duas partes numa conferência a decorrer em Banguecoque.

Mike Pompeo disse que ele e o chefe da equipa negocial, Stephen Biegun, esperavam encontrar-se com um responsável norte-coreano em Banguecoque no âmbito do fórum anual da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). O encontro ainda não foi agendado e o

ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano não é aguardado na reunião de três dias que decorre na capital tailandesa, pelo que Pompeo admite que não se realize qualquer encontro. “Estamos prontos a prosseguir as conversações diplomáticas com os norte-coreanos”,

disse Pompeo em declarações ao media durante uma conferência de imprensa conjunta com o homólogo tailandês. “Lamento, parece que não terei essa oportunidade enquanto permaneço em Banguecoque, mas estamos prontos a prosseguir”, acrescentou.

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Hoje Macau 2 AGO 2019 # 4343  

N.º 4343 de 2 de AGO de 2019

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