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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEXTA-FEIRA 2 DE MARÇO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4003

hojemacau

TAIWAN | EUA COM PEQUIM À ESPREITA

TSI anula a adjudicação de uma infraestrutura essencial para o projecto do Metro Ligeiro. Governo terá de voltar a adjudicar a empreitada, colocando-se mais um entrave numa obra que teima em se arrastar

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

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EXPOSIÇÃO MOLDAR SONHOS PUB

EVENTOS

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Um metro atrás

NG LAP SENG DENTRO LÁ FORA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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REUTERS

GRANDE PLANO


2 grande plano

O Senado norte-americano aprovou ontem, por unanimidade, o Taiwan Travel Act, que só terá figura de lei quando Donald Trump a aprovar. O acto representa não só a oficialização de viagens entre Estados Unidos e a Ilha Formosa, mas encoraja o estabelecimento de negócios em solo americano. Como seria de esperar, a acção não agradou à China

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TAIWAN APROVADO ACORDO QUE FACILITA VIAGENS COM OS EUA

É

certo que os Estados Unidos nunca disseram, preto no branco, estarem contra a noção de “uma só China”. É também certo que o país não tem relações diplomáticas com Taiwan desde 1979, mas sempre houve uma aproximação entre os dois territórios, que ganhou relevo desde a eleição de Donald Trump. Primeiro foi o telefonema entre o presidente norte-americano, com Tsai ing-wen, presidente da Ilha Formosa, em Dezembro, que não agradou à República Popular da China. Agora, chegou outro sinal que pode cair mal junto do Governo de Xi Jinping. Esta Quarta-feira, o Senado norte-americano aprovou, por unanimidade, o Taiwan Travel Act. De acordo com a agência Reuters, trata-se da oficialização de um acordo que vai permitir uma maior facilidade nas viagens entre os dois países, sobretudo as que forem realizadas por altos dirigentes com os seus homónimos. O Taiwan Travel Act encoraja também a que figuras dos meios cultural e económico de Taiwan possam estabelecer-se com uma maior facilidade nos Estados Unidos. Esta proposta de lei terá agora de ser aprovada pelo presidente Donald Trump, sendo que, de acordo com a Reuters, é pouco provável que o diploma seja chumbado, pois não é comum à presidência norte-americana chumbar algo que foi

VOOS EM aprovado por unanimidade. Além disso, essa unanimidade já tinha sido verificada numa primeira aprovação câmara baixa do Congresso norte-americano. De acordo com a edição online do Taipei Times, jornal da capital de Taiwan, Ed Royce, presidente do House Foreign Affairs Committee, disse que “os Estados Unidos e Taiwan partilham o compromisso para com a democracia, o Estado de Direito e os direitos humanos”.

“Deveríamos apoiar os países que buscam a democracia e que servem de inspiração para estes valores em toda a região da Ásia-Pacífico”, disse Ed Royce durante o acto de votação da proposta de lei. O diploma aponta ainda para o facto das relações entre os dois territórios terem sofrido com a falta de contactos de alto nível desde 1979, devido às restrições impostas pelos Estados Unidos nas visitas oficiais realizadas a Taiwan, escreve o Taipei Times. A China não gostou e já reagiu. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, revelou que a RPC ficou “fortemente insatisfeita” com esta aprovação, uma vez que “viola seriamente”

“Deveríamos apoiar os países que buscam a democracia e que servem de inspiração para estes valores em toda a região da Ásia-Pacífico” ED ROYCE PRESIDENTE DO HOUSE FOREIGN AFFAIRS COMMITTEE

o princípio de Uma Só China, ou seja, a ideia de que a RPC e Taiwan (República da China) são um só país. A China apresentou mesmo um protesto diplomático relativamente a este acto.

UM MAU LOBBY

Todd Lyle Sandel, docente especialista em estudos de Taiwan da


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EXECUTIVA Universidade de Macau (UM), classifica a aprovação por parte do Senado norte-americano como um sinal de que algo vai muito mal no Governo liderado por Donald Trump. “Isso demonstra a fraqueza dos Estados Unidos, porque se o país tivesse um presidente normal, como Obama ou Bush, haveria um maior retrocesso [quanto à aprovação]. Isso pode potencialmente ferir as relações com a China, o que num contexto global é muito pior do que ter relações com Taiwan.” Numa altura em que os olhos do mundo estão postos na China, que sustenta a sua posição no quadro diplomático através do estabelecimento de fortes relações bilaterais com muitos países, o académico acredita que o Taiwan Travel Act pode trazer problemas na relação com os Estados Unidos. Porém, o académico considera que Xi Jinping tem capacidade para ir além disso. “Donald Trump tem uma série de problemas. A minha opinião pessoal é que Pequim tem muito mais influência nas suas relações diplomáticas do que os Estados Unidos, além disso, a economia chinesa tem vindo a crescer. A China tem, neste momento, um estatuto mais internacional.” Para o académico, estamos também perante um acto de lobbying por parte do Governo da Ilha Formosa. “É lobby do Governo taiwanês para aumentar a sua influência, tendo em conta as ligações com o partido Republicano nos Estados Unidos. Isto é apenas parte do caos desta Administração Trump. Presidentes como Obama ou Clinton estariam mais conscientes [das consequências desta aprovação]. É um pequeno passo que pode trazer mais problemas do que coisas boas. É algo que fica mal à Administração Trump”, defendeu ao HM.

Apesar do Taiwan Travel Act encorajar o estabelecimento de novas empresas taiwanesas nos Estados Unidos, a verdade é que pouco ou nada vai mudar em termos económicos, defende o professor da UM, uma vez que Taiwan e os norte-americanos sempre tiveram laços firmados.

Trata-se da oficialização de um acordo que vai permitir uma maior facilidade nas viagens entre os dois países, sobretudo as realizadas por altos dirigentes “Não sei muito sobre o lado económico que esta aprovação pode ter, penso que nunca houve grandes problemas do ponto de vista dos negócios, uma vez que a economia de Taiwan sempre esteve muito ligada aos Estados

Unidos. Pelo que li, este acordo está relacionado com a permissão de entrada nos Estados Unidos de altos oficiais taiwaneses. Os Estados Unidos sempre realizaram visitas não oficiais. Penso que não terá grande impacto em termos de criação de novos negócios.”

UMA AJUDINHA NA OMS

Os altos dirigentes de Taiwan têm vindo a ser barrados por Washington nas suas tentativas de estabelecerem ligações diplomáticas, sendo que os governantes norte-americanos não visitam Taiwan desde 1979. O presidente do US-Taiwan Business Council, Rupert Hammond-Chambers, disse que esta entidade apoia a proposta de lei. “Acreditamos que vai melhorar as comunicações entre Taiwan e os Estados Unidos, especificamente ao nível da compreensão da situação de Taiwan junto dos decisores de Washington”, lê-se no Taipei Times. Mais do que facilitar contactos oficiais, este diploma poderá fazer com que Taiwan tenha o estatuto

de território observador junto da Organização Mundial de Saúde (OMS). O escritório económico e cultural de Taiwan em Washington já expressou o “agradecimento” em relação ao Congresso norte-americano pelo elevado apoio que mostrou em relação à Ilha Formosa durante este processo legislativo, aponta o Taipei Times. Apesar do significado diplomático que a aprovação do Taiwan Travel Act contém, Todd Lyle Sandel afirma que os taiwaneses estão bem mais preocupados com os baixos salários e as fracas oportunidades de emprego. “Estive em Taiwan recentemente e penso que a maioria das pessoas não se preocupa com isso. A maior questão são as grandes diferenças salariais, há muita insatisfação quanto a isso. Isso está mais ligado à estrutura económica e à ligação de Taiwan com a China, e há muita gente a mudar-se para a China para terem mais oportunidades de trabalho. A maioria dos taiwaneses não se preocupa com este tipo de acordos e políticas”, rematou. Antes do telefonema feito à actual presidente Tsai ing-wen (que é a favor da independência do território), os Estados Unidos aprovaram a venda de armas a Taiwan no valor de 1,4 mil milhões de dólares. Nauert disse que a aprovação da venda não viola a lei que define os contactos dos Estados Unidos com a ilha. “Acreditamos que mostra o nosso apoio à habilidade

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“É lobby do Governo taiwanês para aumentar a sua influência, tendo em conta as ligações com o partido Republicano. Isto é apenas parte do caos desta Administração Trump.” TODD LYLE SANDEL, DOCENTE DA UNIVERSIDADE DE MACAU

de Taiwan de manter uma política de autodefesa capaz”, acrescentou. O Ministério da Defesa de Taiwan agradeceu aos Estados Unidos: “A venda de armas vai ajudar a reforçar a nossa capacidade de autodefesa e a manter a paz no Estreito de Taiwan”. A China opõe-se firmemente à venda de armamento a Taiwan. Em Março de 2017, e na sequência de informações de que Washington preparava um negócio com a Ilha Formosa, Pequim veio contestar publicamente, renovando os apelos para que Washington respeite o princípio “uma só China”. No óptica de Pequim, esta é uma questão fundamental para preservar as relações bilaterais com os Estados Unidos e manter a estabilidade no Estreito de Taiwan. Andreia Sofia Silva

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Imobiliário Preciso tempo para avaliar impacto das medidas O Secretário para a Economia e Finanças afirmou ontem ser preciso tempo para avaliar o impacto das medidas para controlar o imobiliário: “Temos que dar algum tempo para observar o mercado e para o mercado as digerir”. “O Governo vai tentar sempre observar a flutuação do mercado, ver quais os efeitos dessas políticas que foram lançadas para

depois vermos no seu todo”, disse Lionel Leong, aos jornalistas à margem de uma reunião da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa. Essas medidas, que entraram em vigor em meados de Fevereiro, compreendem um imposto de selo adicional para quem adquirir uma segunda ou terceira habitação

GCS

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e o fim das isenções para casas desocupadas por via da alteração ao Regulamento da Construção Predial Urbana. Em paralelo, foram definidos novos limites ao rácio dos empréstimos bancários para a compra de habitação, especialmente pensados para os jovens – entre 21 e 44 anos – que pretendam adquirir a primeira casa.

RESERVA FINANCEIRA 2017 COM RENTABILIDADE MAIS ELEVADA DE SEMPRE

5,7% JOGO RECEITAS DOS CASINOS SUBIRAM EM FEVEREIRO

O

S casinos fecharam o mês de Fevereiro com receitas de 24.300 milhões de patacas. Apesar do aumento de 5,7 por cento em termos anuais homólogos, o valor fica aquém das expectativas normalmente geradas em torno da “semana dourada” do Ano Novo Chinês. Além disso, ficou abaixo do valor arrecadado em Janeiro (26.260 milhões de patacas), mês em que se registou um crescimento a dois dígitos. Em termos acumulados, as receitas dos casinos ascenderam assim a 50.560 milhões de patacas – mais 19,7 por cento face aos primeiros dois meses de 2017 –, segundo os dados divulgados ontem pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). O Secretário para a Economia e Finanças relativizou o aparente fraco efeito da semana dourada – que trouxe a Macau 963.265 visitantes entre 15 e 21 de Fevereiro – nas receitas da indústria de jogo. “Temos que ter o trimestre todo”, porque, “às vezes, o Ano Novo Chinês reflecte-se em Janeiro ou antes ou durante ou depois”. Dado que “essa flutuação pode variar”, “é mais científico ver trimestralmente do que mensalmente”, comentou Lionel Leong, aos jornalistas, à margem de uma reunião da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa (AL). D.M.

Retorno ao cofre A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) levou ontem uma boa notícia à Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa: a taxa de rentabilidade da Reserva Financeira foi de 4,8 por cento no ano passado – a mais elevada de sempre

A

taxa de rentabilidade dos investimentos da Reserva Financeira foi de 4,8 por cento no ano passado, reflectindo “o desempenho bastante satisfatório dos mercados a nível mundial”, afirmou ontem o presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia

Legislativa (AL), após a reunião com representantes do Governo. Apesar de observar que “os resultados pretendidos foram conseguidos”, Mak Soi Kun não destacou, porém, que esta foi a taxa de retorno mais elevada de sempre. Isto é, desde que a Reserva Financeira foi constituída, em 2012, com a missão de gerir os excedentes financeiros acumulados.

Segundo os números facultados aos deputados pela AMCM, os rendimentos ascenderam a 22,07 mil milhões de patacas no ano passado. A grande fatia procedeu de investimentos no mercado bolsista (15,1 mil milhões) e em títulos de dívida (4,5 mil milhões), aos quais se somaram os proveitos derivados dos juros de depósitos (4,1 mil milhões). Já o investimento em divisas voltou a ser a única rubrica a registar prejuízos (1,6 mil milhões), de acordo com os dados ainda não auditados. Até finais de Dezembro, a Reserva Financeira foi estimada em 490 mil milhões de patacas – mais 11,7 por cento comparativamente ao ano anterior.AReserva Financeira, criada em Fevereiro de 2012, é constituída por uma reserva básica, equivalente a 150 por cento da totalidade das dotações da despesa dos serviços centrais, constante do último orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa. Mas também compreende uma reserva extraordinária, equivalente aos saldos remanescentes após a satisfação da reserva básica. A primeira correspondia a 127,9 mil milhões; enquanto a segunda a 362,1 mil milhões, segundo as estimativas preliminares da AMCM. As baixas taxas de retorno das aplicações da Reserva Financeira foram, por diversas vezes, alvo de repetidas críticas dos deputados, até porque desde que foi criada nunca superou a barreira dos 3 por cento. Em 2016, por exemplo, correspondeu apenas a 0,8 por cento. Mak Soi Kun também transmitiu os dados da AMCM sobre a reserva cambial, com uma rentabilidade na ordem dos 3,5 mil milhões de patacas em 2017 - mais 2,3 por cento.

SEM DADOS

A fiscalização das empresas de capitais públicos foi outro dos pontos abordados pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da AL na reunião de ontem. “Procuramos saber, por exemplo, quantas são as empresas de capitais públicos, a sua composição, participação no capital social e quantas filiais foram constituídas”.

No entanto, “o Governo não conseguiu responder” ontem, afirmou Mak Soi Kun, apontando que os deputados também tentaram perceber se os delegados do Executivo que integram os conselhos de administração dessas empresas têm desempenhado bem o seu papel. “Precisamos saber como é que o erário público está a ser utilizado”, insistiu, apontando que “há uma certa dificuldade e falta de informações para fazer essa fiscalização” e que o secretário da tutela “reconheceu que há necessidade de [a] reforçar”.

“Procuramos saber, por exemplo, quantas são as empresas de capitais públicos, a sua composição, participação no capital social e quantas filiais foram constituídas.” MAK SOI KUN

“Neste momento, cada secretaria do Governo pode por si constituir empresa com participação de capitais públicos”, disse, defendendo que tem de “haver uma coordenação entre as diferentes secretarias e serviços para se saber qual a situação de cada uma delas”, nomeadamente no que toca à distribuição de lucros. Isto para “estar em linha com a nova Lei do Enquadramento Orçamental”, em vigor desde 1 de Janeiro, sublinhou o presidente da comissão. Com efeito, o parecer sobre essa lei notava um desvio relativamente à prática internacional, apontando que, em Macau, não há, por exemplo, uma “definição da percentagem de acções necessária para uma empresa ser considerada pública nem regulamentação sobre as diversas matérias relacionadas”, como “a quota de lucros e o valor que deve ser entregue ao Governo”. Além de abordar a fiscalização às empresas de capitais públicos, a Comissão deAcompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas também se debruçou sobre a baixa taxa de execução do Orçamento e do Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA) em 2016. Diana do Mar

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adjudicação da empreitada de construção da superstrutura do parque de materiais e oficina do sistema de metro ligeiro foi anulada. Segundo o Tribunal de Segunda Instância (TSI), a Comissão de Avaliação violou a lei, porque falhou em apreciar as propostas à luz dos critérios previamente definidos. Assim, a obra tem de voltar a ser adjudicada após novo cálculo da pontuação das empresas consultadas A decisão do TSI, divulgada ontem, dá razão à China Road and Bridge Corporation que, depois de ter ficado em segundo lugar, interpôs recurso, alegando que a Administração não observou os critérios de avaliação formulados no anúncio e no programa de consulta. A obra foi adjudicada em Julho de 2016 à Companhia de Engenharia e de Construção da China, por mais de mil milhões de patacas. O tribunal entendeu que a Comissão deAvaliação de Propostas violou “os critérios previamente definidos” ao apreciar a experiência em obra e a do quadro técnico que, no caso da empresa que recorreu, terão sido subavaliadas na pontuação. À luz das regras, cada obra dava direito a dois pontos até um limite de dez, sendo que, em caso de consórcio, o cálculo seria feito com base na participação da empresa no mesmo. Ora, a China Road and Bridge Corporation apresentou exemplos de duas empreitadas, obtendo zero pontos por uma e 0,2 por outra, isto quando deveria ter tido 1,4 por cada, segundo o tribunal. Em contraste, aplicando-se o mesmo raciocínio, a adjudicatária só deveria ter recebido 0,4 pontos por cada uma das empreitadas. “O acto recorrido incorreu, obviamente, no vício da violação da lei”, diz o TSI. A China Road and Bridge Corporation também teve zero na modalidade de experiência do quadro técnico quando poderia ter obtido 2,5 pontos, dado que, tanto o adjunto de director de obra, como o adjunto de encarregado geral trabalhavam há mais de 15 anos ao serviço da empresa. A Comissão de Avaliação de Propostas considerou que “não exerceram a sua profissão na representação permanente” da empresa em Macau, mas apenas na de Guangdong, violando “mais uma vez” os critérios previamente definidos.

METRO ANULADA ADJUDICAÇÃO DA EMPREITADA DO PARQUE DE MATERIAIS E OFICINA

Pedras nos carris

O Tribunal de Segunda Instância anulou a adjudicação de uma empreitada fundamental para o metro ligeiro, validada pelo Chefe do Executivo em 2016. Segundo a decisão judicial, a Comissão de Avaliação das Propostas violou critérios previamente definidos e a obra vai ter de voltar a ser atribuída Dado que os requisitos não previam “qualquer distinção entre trabalhadores que exercem profissão na sociedade-mãe e nas representações permanentes”, a experiência de ambos “deve ser valorada em conformidade com os critérios” previamente definidos. “Não tendo a Comissão de Avaliação apreciado as propostas das consultadas em conformidade com os critérios de avaliação anunciados há violação de lei”, sintetizou o TSI,

que anulou, por conseguinte, a adjudicação. O colectivo determinou ainda que se deve “proceder a novo cálculo da pontuação final obtida pelos concorrentes em conformidade com o decidido” no acórdão e “apurar qual a proposta que obtém pontuação mais elevada para adjudicar a respectiva empreitada à proposta vencedora”. De acordo com a nota atribuída pela Comissão de Avaliação de Propostas, a primeira e a segunda

classificadas ficaram separadas por 1,92 pontos: a Companhia de Engenharia e de Construção da China conquistou 86,14 pontos – contra os 84,22 da China Road and Bridge Corporation. O Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) fez consulta escrita a sete empresas, depois de o Chefe do Executivo ter autorizado a dispensa de realização de concurso público. Esta decisão judicial inflige mais um golpe numa obra que parece

amaldiçoada. O parque de materiais e oficina, que desempenha “um papel fundamental no funcionamento do sistema de metro ligeiro de Macau, como descreve o GIT, esteve paralisado durante anos. Em 2016, o Governo rescindiu o contrato com o então empreiteiro, o consórcio Top Builders/Mei Cheong, pagando 85 milhões de patacas como compensação. Diana do Mar

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TSI “Não tendo a Comissão de Avaliação apreciado as propostas das consultadas em conformidade com os critérios de avaliação anunciados há violação de lei.”

Legislação Governo vai alterar lei de reunião e manifestação

O Governo vai apresentar hoje, através do Conselho do Executivo, uma proposta de alteração à Lei que regula o Direito de Reunião e de Manifestação. O conteúdo das modificações só vai ser conhecido amanhã, pelas 15h00, na Sede do Governo. A proposta de alteração à lei chega numa altura em que está pendente nos tribunais da RAEM o julgamento de Sulu Sou. O deputado pró-democrata é acusado de ter cometido o crime de desobediência qualificada no âmbito de uma manifestação contra o donativo da Fundação Macau à Universidade de Jinan e um eventual conflito de interesses do Chefe do Executivo. Além desta proposta, vai ser apresentado igualmente o documento para a criação do Instituto para os Assuntos Municipais.

Lei sindical CPCS continua sem data para discussão do diploma O Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS) continua sem ter uma data concreta para a discussão da Lei Sindical. De acordo com a Rádio Macau, a secretária-geral do organismo, Ng Wai Han, referiu que, para este ano, apenas está prevista a discussão do estudo que já está a ser elaborado e que visa explicar

as condições para iniciar o processo legislativo. A Associação de Estudo de Economia Política, presidida pelo empresário Kevin Ho, está a realizar esse trabalho, sendo que tem 240 dias para entregar o documento, adiantou a responsável. Sobre a implementação do salário mínimo universal, a proposta deve ser integrada no plano de 2019,

estando agora em fase de análise. Para este ano, o CPCS vai ainda debruçar-se sobre as sete alterações que têm de ser feitas à lei laboral, sem esquecer a apresentação de opiniões sobre o aumento do subsídio de nascimento do Fundo de Segurança Social e a discussão sobre o estudo da situação do sector de condutores profissionais.


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TURISMO NÚMERO DE EXCURSIONISTAS SOBE 49,8 POR CENTO

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do ano as excursões trouxeram a Macau 755 mil turistas, o que representa um aumento de 41,4 por cento. Em relação aos turistas do outro lado da fronteira, o aumento foi de 49,8 por cento contribuindo para um total de 603 mil indivíduos. No entanto, o Interior da China não foi o único

mercado a apresentar uma melhoria. Também houve um aumento de 41 por cento no número de excursionistas de Taiwan, que atingiu os 47 mil. Uma tendência acompanhada pela Coreia do Sul, com 50 mil indivíduos, um aumento de 13,5 por cento. No entanto, no que diz respeito a viagens por excur-

são por parte de residentes de Macau, houve uma quebra de 4,7 por cento em Janeiro deste ano. Mesmo assim, 44 mil residentes viajaram em excursão, com 26 mil a ter como destino a China Continental. Ao mesmo tempo, foi lançada pela DSEC a informação sobre a ocupação das

unidades hoteleiras locais. Em Janeiro pernoitaram nos hotéis e pensões locais cerca de 1,17 milhões de pessoas. Este número representa uma subida de 12,9 por cento.

A taxa de ocupação média dos hotéis e pensões atingiu 90,3 por cento, ou seja um crescimento de 8,7 pontos percentuais, em termos anuais, com os hotéis de 5 estrelas a ter uma ocupação de 93,5 por cento e os de 4 estrelas de 91,9 por cento. O período médio de permanência dos hóspedes ficou-se em 1,4 noites.

DAVID STEFANATTO

crescimento de 49,8 por cento no número de excursionistas do Interior da China fez disparar, em Janeiro, o número de visitantes que se deslocaram ao território. Os dados foram anunciados ontem pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Segundo as informações oficiais, no primeiro mês

CASO BANGSIL ACUSAÇÃO DIZ QUE WYNN CAUSOU Ex-funcionário ISOLAMENTO DO EX-REGULADOR FILIPINO do regulador das filipinas, Rogelio Yusi Bangsil Jr, exige o pagamento de uma indemnização Rogelio Yusi Bangsil Jr, exige uma tivesse respeitado as regras da de 10 milhões de RAEM”, acrescentou. à Wynn Macau, por indemnização patacas à concessionária Wynn por Em 2012, Steve Wynn e o danos materiais e não-materiais. parceiro japonês Kazuo Okada considerar que foi No relatório, publicado em estavam numa luta interna. A prejudicado com uma 2012 nos Estados Unidos, consta publicação do relatório, que foi que um dos accionistas da Wynn elaborado pelo ex-investigador do fuga de informação à altura, Kazuo Okada, teria feito FBI, Louis Freeh, obrigou Okada ofertas suspeitas a reguladores a vender a sua participação de 30 filipinos. Entre os nomeados está por cento na operadora de jogo. da operadora

Lepra Social

“L

EPRA social” foi a expressão usada para descrever o que aconteceu a um ex-regulador de jogo das Filipinas após a transmissão de informações pessoais recolhidos em Macau. Em causa está um relatório sobre práticas suspeitas na indústria levado a cabo pela operadora Wynn. A tese foi sustentada, ontem, durante as alegações finais do julgamento em que o ex-regulador filipino,

Bangsil, assim como a esposa e a filha. O queixoso diz que o documento forçou a sua saída da Pagcor, regulador do jogo das Filipinas. “O autor [do pedido de indemnização] ficou quase remetido a uma lepra social, que teve como fonte a Ré [Wynn], que usou dados que não eram seus. Permitir que uma empresa privada forneça dados pessoais para o fim que quer é um sinal perigosíssimo”, defendeu o advogado de Bangsil, José Leitão. “O relatório não teria sido elaborado se os dados não tivessem sido facultados pela Ré e se esta

Por essa razão, o advogado considerou que Bangsil e a família “foram os danos colaterais” de um disputa entre accionistas. “O autor e a família foram peões em guerras societárias. Houve uma erosão significativa das suas vidas pessoais”, destacou. O advogado de Bangsil mandou ainda uma farpa à Wynn devido ao escândalo sexual em que o anterior CEO do grupo, Steve Wynn, está envolvido e que forçou a sua demissão: “Os danos causados ao autor deviam ser fáceis de reconhecer por parte da Wynn porque o C.E.O.

da empresa [Steve Wynn] teve de se demitir devido a alegações, que não foram provadas”, apontou José Leitão.

ANEL CARTIER

Por sua vez, a defesa da operadora de jogo, a cargo do advogado Rui Simões, questionou os depoimentos das testemunhas e os danos reclamados. Durante o julgamento, a mulher de Bangsil afirmou que devido ao despedimento do marido teve de deixar os cuidados intensivos de um hospital em que se encontrava. Rui Simões apontou o facto da esposa do filipino reclamar que não tinham dinheiro para as despesas, mas, três meses depois, ter oferecido um anel da marca Cartier à filha. “Aesposa estava internada numa clínica e diz que teve de sair porque o marido deixou de ter dinheiro para pagar. Também lhe foi perguntado se ela tinha um anel da Cartier. Ela respondeu que se tivesse um anel dessa marca, que não o oferecia por ser de valor elevado”, começou por dizer o advogado da Wynn. “Mas quando a filha testemunhou disse que a mãe, três meses depois de ter saído do hospital, lhe ofereceu o anel da Cartier. São prioridades, uns preferem a saúde, outros os anéis. Não julgo”, apontou. Por outro lado, a defesa de Wynn negou as consequências para

“Os danos causados ao autor deviam ser fáceis de reconhecer por parte da Wynn porque o C.E.O. da empresa [Steve Wynn] teve de se demitir devido a alegações, que não foram provadas.” JOSÉ LEITÃO ADVOGADO

a reputação de Bangsil, recordando que o ex-regulador já tinha tido outros problemas e investigações internas por ligações suspeitas a uma operadora coreana. A defesa da Wynn questionou ainda como é que o ex-funcionário do regulador teria capacidade para ter um consumo de 500 mil patacas durante quatros dias passados no hotel da Wynn em Macau, que representava 44 vezes o seu salário mensal. Em relação a este caso, a Wynn Macau foi multada em 20 mil patacas, em Março de 2012, pelo Gabinete de Protecção de Dados Pessoais, devido a duas violações da Lei de Protecção de Dados Pessoais. João Santos Filipe

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Saúde Registados dois casos de gastroenterite em escolas

Os Serviços de Saúde foram chamados, ontem, para investigar dois casos de gastroenterite colectiva nas escolas Pui Va, na Taipa, e Escola Xin Hua, na Avenida do Conselheiro Borja. No primeiro caso, foram envolvidos oito alunos, cinco do sexo masculino e três do sexo feminino com idades entre os cinco e seis anos. O segundo caso afectou um grupo de cinco crianças, quatro meninos e uma menina, todos com quatro anos idades. Os sintomas de todos os alunos mencionados foram verificados logo na Quarta-feira, incluindo vómitos e dores abdominais.

Acidente Colisão de embarcações nas águas de Macau Um navio cargueiro e uma embarcação de transporte de areia colidiram, ontem, por volta das nove da manhã, na zona Este das águas do território, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. Segundo a informação revelada, da colisão não resultaram feridos, nem chegou a haver risco de naufrágio. Apesar de dois contentores do cargueiro terem caído à água, a navegação na zona também não foi

afectada. Segundo um comunicado da Direcção de Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, apenas disponível em chinês, a própria DSAMA em conjunto com os Serviços de Alfândega vão realizar as operações de recuperação dos contentores. No entanto, as autoridades emitiram uma circular a alertar as embarcações locais para terem cautela quando naveguem perto do local da colisão.

NG LAP SENG ASSISTENTE CONDENADO A SETE MESES DE PRISÃO POR EVASÃO FISCAL

se esta fosse inferior a dois anos e meio. Em relação ao facto de nunca ter questionado o seu patrão sobre a forma como recebia o salário, Yin defendeu-se dizendo foi “em parte, porque nasceu numa família sino-americana muito tradicional”.

Acordo com a justiça norte-americana permitiu a Jeff Yin, ex-assistente de Ng Lap Seng, evitar ser condenado por corrupção de altos dirigentes da Organização das Nações Unidas. O empresário de Macau vai conhecer a pena a 23 de Março

MENOS DOIS ANOS

REUTERS

Educado para o crime

Na altura de explicar as razões para os actos praticados, o norte-americano, de 32 anos e de etnia chinesa, justificou em parte o crime pelo facto de ter crescido com uma educação tradicional chinesa.

O

assistente de Ng Lap Seng, Jeff Yin, foi condenado com uma pena de sete meses de prisão pela prática de um crime de evasão fiscal. O julgamento teve lugar na madrugada de ontem, em Nova Iorque. De acordo com a Reuters, na altura de explicar as razões para os actos pra-

ticados, o norte-americano, de 32 anos e de etnia chinesa, justificou em parte o crime pelo facto de ter crescido com uma educação tradicional chinesa. “Não paguei os meus impostos e honestamente quero pedir desculpa”, afirmou Yin, momentos antes de ver lida a sentença. Em tribunal, Jeff Yin admitiu que os salários que recebeu da

organização ligada a Ng Lap Seng, empresário de Macau, eram pagos em cheque e transformados em numerário. O objectivo, clarificou, passava por evitar o pagamento de impostos. Contudo, recusou ter estado envolvido em qualquer esquema de corrupção. Após ter sido conhecida a sentença, a advogada de defesa,

Sabrina Shroff, disse que pretendia que o seu cliente cumprisse a pena numa instituição de reabilitação social. O juiz admitir considerar o pedido feito pela Defesa. Como parte do acordo feito com a justiça norte-americana pela cooperação na investigação, Yin assumiu o compromisso de não recorrer da pena de prisão,

A pena fica aquém do pretendido pelo Ministério Público norte-americano, que queria que Yin fosse condenado a dois anos de prisão. Durante o julgamento, o procurador público, Daniel Richenthak, fez questão de sublinhar que Yin fez parte do esquema que permitiu a Ng corromper John Ashe e outros altos funcionários das Nações Unidas. No entanto, Yin conseguiu evitar ser condenado pela prática de corrupção, apesar do MP norte-americano considerar queYin, em conjunto com Ng Lap Seng, foram responsáveis pela corrupção de responsáveis das Nações Unidas. O objectivo passava por conseguir os apoios políticos para a construção de um centro de conferências da ONU, em Macau. Segundo a investigação, os principais corrompidos foram Francis Lorenzo, representante da República Dominicana na ONU, e John Ashe, presidente da Assembleia Geral do organismo. Ng pretendia “ganhar mais fama e aumentar a sua fortuna”, ao transformar Macau na Genebra da Ásia. Lorenzo chegou a um acordo com a justiça americana para testemunhar contra Ng Lap Seng e admitiu a prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O outro alegado corrompido, Ashe, morreu acidentalmente em casa, segundo os relatórios oficiais, quando deixou uma barra de pesos cair em cima do pescoço. Ng Lap Seng foi considerado culpado por ter pago subornos que ultrapassaram os 1,7 milhões de dólares. O residente de Macau, que está em prisão domiciliária, vai conhecer a sentença no próximo dia 23 de Março. João Santos Filipe

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sociedade 9

sexta-feira 2.3.2018

Beleza sem género Ellie Cheng vai ser a primeira representante de Macau num concurso de beleza transexual

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OS 24 anos, Ellie Cheng vai ser a primeira participante de Macau no concurso para transexuais Miss International Queen, que se realiza a 9 de Março, em Pattaya. Apesar de ter nascido homem, aos 15 anos Ellie começou a ser acompanhada por uma equipa médica e, quando já frequentava o ensino universitário, deslocou-se à Tailândia, para efectuar a operação de mudança de sexo. Agora, depois de ter deixado para trás mais de 1000 candidatas, de outros países, Ellie vai representar o território na fase final da competição. “Estou muito feliz por ter a oportunidade de representar Macau na competição Miss International Queen 2018”, afirmou Ellie Cheng, em declarações aos organizadores do evento. PUB

“Muitas pessoas talvez se questionem como é que eu tenho a ousadia de participar neste evento e assumir aquilo que sou. Mas, para dizer a verdade, sinto-me muito orgulhosa por poder fazer parte deste grupo LGBT [sigla que em inglês significa Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros]eporpoderparticipar na competição que distingue as mulheres transexuais mais bonitas do mundo”, explicou.

28 CONCORRENTES

Na final vão participar 28 concorrentes, vindas de destinos como Japão, Tailândia, Brasil, Austrália, Argentina ou França. Em entrevista à revista Newsweek de Hong Kong, Ellie Cheng afirmou que a parte do corpo em que tem mais confiança são as pernas. No entanto, admitiu que a cintura ainda não está com as

dimensões desejáveis e que vai seguir uma dieta rigorosa até ao dia da competição. Em relação à sua infância, a residente comentou que nunca se sentiu um rapaz normal, uma vez que preferia assistir aos desenhamos animados Navegante da Lua e com três anos já queria utilizar os sapatos de saltos altos da mãe. Sobre a operação de mudança de sexo, Ellie reconheceu que no início não contou com o apoio da família, mas que com o passar do tempo acabou por ter a compreensão e o apoio dos familiares mais próximos. A representante de Macau contou ainda que não tem tido problemas em ter namorados, mas que actualmente está solteira. A última relação acabou, segundo Ellie, por motivos de desgaste, comuns a todas as relações ditas convencionais. J.S.F.


10 eventos

2.3.2018 sexta-feira

Sonhos em imagens CLUBE MILITAR EXPOSIÇÃO “SHAPING DREAM” INAUGURADA HOJE

FOTOS GONÇALO LOBO PINHEIRO

A dias de arrancar a primeira edição da Photo Macau Fair, o Clube Militar acolhe uma exposição que é quase uma experiência daquilo que poderá ser visto no Venetian. “Shaping Dream” é o nome da exposição que é hoje inaugurada e que estará patente apenas até domingo

O CONCRETE LOTUS

fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro é dos participantes na exposição “Shaping Dream”, que é hoje inaugurada no Clube Militar e que dura apenas três dias. A exposição tem como resultado uma competição de imagens artísticas, cujo prazo terminou no passado dia 31 de Janeiro, e que antecede a primeira edição da Photo Macau Fair, organizada, entre outras figuras e entidades, pela artista Cecília Ho. Gonçalo Lobo Pinheiro, radicado em Macau há alguns anos, trabalha sobretudo nas áreas do fotojornalismo e documentário, mas resolveu arriscar com três trabalhos. “Enviei cinco imagens, três foram seleccionadas. São três retratos, e penso

que um deles já foi exposto. Com um dos retratos recebi uma menção honrosa numa exposição”, contou ao HM. Apesar de não trabalhar com a fotografia artística, Gonçalo Lobo Pinheiro tentou fazer com que o seu

Festival Banda Concrete Lotus presente no Iris: Your Escape

A banda de Macau Concrete Lotus, composta por Kelsey Wilhelm e Joana Freitas, vão representar o território no festival de música e bem-estar “Iris: Your Escape”, que decorre este fim-de-semana em Hong Kong. O concerto terá lugar entre as 17h45 e 18h30, no palco do Talent Theatre. Os bilhetes custam 250 dólares de Hong Kong para os dois dias e apenas 200 dólares de Hong Kong para um só dia de festival, que mistura música com artes e educação em prol do bem-estar e saúde. Os Concrete Lotus oferecem 20 por cento de desconto nos bilhetes mediante visita da página da banda no Facebook.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA SER JORNALISTA EM PORTUGAL (PERFIS PSICOLÓGICOS) Com José Rebelo e Alexandre Manuel

O jornalista não existe: existem jornalistas – na sua diversidade, com as suas contradições, os seus conflitos, as suas aspirações, as suas desilusões. Ser Jornalista em Portugal restitui-nos essa realidade multifacetada de uma profissão tão admirada quanto zurzida.

trabalho se adequasse ao que era pedido nesta competição. O sonho e a imaginação foram o mote para a escolha das imagens. “Duas fotos são com crianças e, logo aí, há sempre um sonho implí-

cito. Uma delas é de Macau, outra foi tirada no Myanmar. A curadoria procura uma abordagem mais artística da foto, que é uma coisa que eu não faço, mas dentro daquilo que é o meu trabalho procurei imagens

que fizessem esse compromisso artístico”, acrescentou o fotógrafo. “Penso que a feira é mais virada para a fotografia enquanto arte. As vertentes de fotojornalismo, documentário ou reportagem, que são as

SOVEREIGN ASIAN ART PRIZE ARTISTA DE MACAU NOS FINALISTAS

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AY Zhang é a única artista de Macau incluída no grupo de 30 finalistas do prémio Sovereign Asian Art Prize, criado pela The SovereignArt Foundation de Hong Kong. O prémio, criado há 14 anos, reúne artistas de toda a Ásia e é tido como o “mais prestigiante para artistas contemporâneos”. Kay Zhang conseguiu a distinção com a obra “Love and Ardor”, sendo a única representante de Macau presente num grupo que contém artistas da China, Hong Kong, Cazaquistão e Índia, por exemplo.

De acordo com um comunicado, “mais de 70 artistas independentes da Ásia-Pacífico escolheram 328 artistas para este prémio, o que resultou num total de 530 trabalhos, de um total de 28 regiões”. Os trabalhos estão expostos na Hart Hall, em Queen’s Road Central. De 8 a 10 de Maio as obras serão leiloadas e será atribuído um prémio final, no valor de 30 mil dólares, e também um prémio do público, no valor de mil dólares. Os resultados e jantar de gala terão lugar no dia 11 de Maio.

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COCA-COLA KILLER • António Victorino d’Almeida Marcelino Bandeira, o Coca-Cola Killer, o filho do “Monstro do Dafundo” é o exemplo perfeito da inutilidade. Imbecil por natureza, possui, no entanto, a arte para se aproveitar do meio em que se movimenta e, acima de tudo, sabe transformar as derrotas em vitórias para, tal como tantos ilustres do Portugal de ontem e de hoje, se elevar nos píncaros da glória e da fama. Coca-Cola Killer é uma sátira divertida e inteligente sobre a hipocrisia e o cinismo, personificados num personagem fascisóide, que se aproveita do 25 de Abril para ascender na sua prezada carreira de Diplomata.


eventos 11

sexta-feira 2.3.2018

vertentes com as quais trabalho mais, talvez não sejam bem o público-alvo da feira em si. Dentro do tema, decidi ir para a categoria do retrato, que também mostrassem alguma ilusão e sonho das pessoas que estão a ser retratadas”, referiu Gonçalo Lobo Pinheiro. De acordo com um comunicado, a exposição é organizada pela Art Beyond Walls Association e visa “descobrir os trabalhos dos talentosos fotógrafos de Macau”. “Além de promovermos a fotografia enquanto meio queremos, ao mesmo tempo, mostrar o trabalho dos fotógrafos vencedores”, reforça o comunicado.

UM JÚRI DE FORA

A competição estava aberta a profissionais e amadores e desafiava os participantes a serem inovadores e criativos. O júri que vai seleccionar as melhores obras é composto por Alvin Yip, curador independente e que esteve ligado à organização do pavilhão de Hong Kong presente na Bienal de Veneza, em 2006, entre outros projectos. Joerg Bader é outro nome presente no júri, tendo no currículo o cargo de director do Geneva Center for Photography desde 2001. Johann PUB

“A curadoria procura uma abordagem mais artística da foto, que é uma coisa que eu não faço, mas dentro daquilo que é o meu trabalho procurei imagens que fizessem esse compromisso artístico.” GONÇALO LOBO PINHEIRO FOTÓGRAFO E UM DOS PARTICIPANTES

Nowak, curador independente e fundador de uma galeria, é outro dos nomes presentes no painel de júris. Cecilia Ho, artista de Macau e curadora, completa o painel dos júris. Cecilia foi a primeira artista chinesa a marcar presença na Real Academia de Artes de Londres, tendo participado em múltiplas exposições de Verão nos anos de 1996, 1997, 1998 e 1999). Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Películas para saborear

Cinemateca Paixão celebra aniversário com ciclo sobre comida

“B

EBER-BEBER, Comer-Comer!” é um ciclo de filmes totalmente dedicado à gastronomia. O evento, que começa no dia 16, serve de mote à celebração do primeiro aniversário da Cinemateca Paixão. Quem estiver interessado pode adquirir os bilhetes que vão estar disponíveis para venda já a partir de amanhã. De acordo com um comunicado, o ciclo “Beber-Beber, Comer-Comer” é composto por seis filmes “dedicados à gastronomia”, estando também prevista a realização de seis “workshops de sabores”. O objectivo é “expandir a inspiração [dos espectadores] do sabor do cinema para o sabor do mundo lá fora”. O programa contém três documentários e três longas-metragens, tais como “Kampai! Pelo Amor do Sakê”, que revela “o declínio e o renascimento da indústria japonesa do sakê”. Um outro documentário que poderá ser visionado na Cinemateca Paixão chama-se “Cidade

do Ouro”, que conta a história do crítico Jonathan Gold, vencedor de um prémio Pulitzer. O terceiro documentário inserido neste ciclo de cinema intitula-se “Formigas num Camarão”, a obra mostra os bastidores “do processo de mudança do melhor restaurante nórdico do mundo, o NOMA, para Tóquio”. No capítulo das longas-metragens, destaque para “Tampopo”, “uma obra prima japonesa clássica” que foi considerada o primeiro “Ramen Western”. Outro dos filmes a ter em atenção é “A Marmita”, uma obra premiada “que inverte a percepção geral do cinema indiano” e ainda “Tostas”, uma adaptação de um filme televisivo baseado na autobiografia do premiado escritor culinário inglês, Nigel Slater. Para acompanhar o cinema estão também programados seis “workshops de sabores”, pensados “para levar o público para fora do cinema, numa exploração de diversos restaurantes únicos da cidade”.

“O crítico gastronómico local, OB, levar-nos-á a um restaurante nepalês, onde provaremos os exóticos momos. Chakra Space, um fantástico café vegan, que enfatiza uma cozinha minimalista, preparará um menu especial para nós.” Outros estabelecimentos participam também neste evento, como é o caso da Old House Bakery, que “criará toda a espécie de pastelaria para um delicado chá da tarde”. Já o restaurante de ramen Furu Furu e o restaurante indiano Taste of Índia prometem servir “pratos únicos”. No dia da abertura do ciclo de cinema que celebra o primeiro aniversário da Cinemateca Paixão, haverá uma festa, onde Eric Leong, “amante e perito de sakê” irá “partilhar o seu profundo conhecimento e paixão por aquela bebida”. A Cinemateca Paixão, no seu primeiro ano de existência, “tem oferecido uma selecção única de cinema não comercial ao público de Macau”, assim como uma “séries de palestras, festivais de cinema e workshops”. “Temo-nos empenhado em promover continuamente o cinema, os documentários e os filmes de animação locais”, referiu a organização da Cinemateca Paixão.


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2.3.2018 sexta-feira

O grupo chinês HNA, accionista indirecto da TAP, quer-se desfazer de quase 5.000 milhões de euros em activos imobiliários em todo o mundo, numa altura em que enfrenta problemas de liquidez, informou a imprensa chinesa

Alguns bancos chineses denunciaram já as dificuldades de subsidiárias do grupo em saldar as suas dívidas, depois de nos últimos anos o HNA ter investido um total de 33 mil milhões de euros além-fronteiras

ACCIONISTA DA TAP QUER VENDER IMOBILIÁRIO PARA ENFRENTAR DÍVIDA

Ficam os dedos

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EGUNDO o portal de notícias The Paper, uma subsidiária do grupo vendeu já um edifício de escritórios em Manhattan, Nova Iorque, por 246 milhões de euros. Outra subsidiária do HNA vendeu também recentemente um edifício de escritórios em Sydney, por 130 milhões de euros, e um arranha-céus detido pelo grupo na West Madison Street, em Chicago, está também à venda. As vendas fazem parte do plano do grupo de venda de activos próprios e das suas subsidiárias, visando enfrentar uma grave crise de liquidez. Alguns bancos chineses denunciaram já as dificuldades de subsidiárias do grupo em saldar as suas dívidas, depois de nos últimos anos o HNA ter investido um total

de 33 mil milhões de euros além-fronteiras. Em Portugal, a empresa detém indirectamente cerca de 20 por cento do capital da TAP, através de uma participação de 13 por cento na Azul (companhia do brasileiro Da-

vid Neelman que integra a Atlantic Gateway) e uma participação de 7 por cento na Atlantic Gateway.

INVESTIMENTOS IRRACIONAIS

Uma das suas subsidiárias, a Capital Airlines, inaugurou em Julho

passado o primeiro voo direto entre a China e Portugal. O grupo tem ainda importantes participações em firmas como Hilton Hotels, Swissport ou Deutsche Bank. Em Janeiro passado, anunciou que contratou os bancos de

investimento nova-iorquinos JP Morgan y Benedetto Gartland para venderem a sua participação de 29,3 por cento no grupo hoteleiro espanhol NH. O HNA é um dos principais visados das advertências das autoridades chinesas sobre “investimentos irracionais” no estrangeiro, que podem “acarretar riscos” para o sistema financeiro chinês. No final de Novembro de 2017, as dívidas do grupo ascendiam a 637.500 milhões de yuan (81.900 milhões de euros). No mesmo mês, o grupo emitiu títulos a 363 dias, no mercado de dívida, com uma elevada taxa, de 8,87 por cento. No final de Janeiro passado, a agência de ‘rating’ Standard & Poor’s baixou a nota da dívida do grupo de B+ para B, no nível “lixo”. A HNA foi fundada em 1993 e tem sede em Haikou, capital da província de Hainan.

JAPÃO GREENPEACE DENUNCIA RADIOACTIVIDADE EXCESSIVA PERTO DE FUKUSHIMA

MILITAR CHINA DESENVOLVE O PRIMEIRO PORTA-AVIÕES DE PROPULSÃO NUCLEAR

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organização ecologista Greenpeace denunciou a presença de níveis excessivos de radioactividade em áreas que foram reabertas à população, nas imediações da central nuclear japonesa de Fukushima, que sofreu um acidente em 2011. Num relatório publicado esta Quarta-feira, baseado em mediações realizadas pela própria organização, a Greenpeace assinala que muitas das áreas se encontram em situação de “emergência radiológica”, apesar de o Governo nipónico ter levantado as restrições de acesso a estes locais, após anos de limpeza e descontaminação radioactiva. Este panorama contrasta com a versão das autoridades

do Japão, que falam de uma progressiva volta à normalidade nestas zonas afectadas pela catástrofe nuclear causada pelo terramoto e tsunami de 11 de Março de 2011. O documento detalha, por exemplo, que nas localidades de Namie e Iitate, situadas entre 10 a 40 quilómetros da central e onde se levantaram parcialmente as ordens de evacuação há um ano, a radiação continua em níveis “muito acima dos padrões internacionais”. A organização assinalou a “escassa eficácia” dos trabalhos de descontaminação nas zonas afectadas, e criticou que Tóquio tenha decidido “demasiado depressa” a reabertura do acesso a algumas áreas, apesar

do “alto risco” que isso representa para os seus habitantes. Por sua parte, o Executivo japonês mantém que a radioactividade nas áreas reabertas não representa riscos para a saúde humana, e aponta dados corroborados por especialistas médicos do arquipélago e organismos como o Comité Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos da Radiação. O acidente nuclear de Fukushima é considerado o pior da história, depois do ocorrido em Chernobyl (Ucrânia) em 1986, e mantém ainda deslocadas dezenas de milhares de pessoas, além de provocar graves prejuízos à economia local, significando um custo total para o erário público estimado em 152 milhões de euros.

China está a desenvolver o seu primeiro porta-aviões de propulsão nuclear, que deverá estar pronto em 2025, informou ontem a imprensa, num novo marco histórico na ambição de Pequim de aumentar a sua capacidade militar. O CSIC, a principal empresa chinesa de construção naval militar, afirmou esta semana num comunicado que um navio de propulsão atómica poderá estar pronto a navegar dentro de sete anos, segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post. A marinha chinesa tem já dois porta-aviões, ambos de propulsão clássica. O primeiro foi comprado à Ucrânia e restaurado na China; o outro, inaugurado em 2017, foi inteiramente desenhado e construído no país asiático. O CSIC encarregou-se do restauro do primeiro e da construção do segun-

do, pelo que analistas afirmam que o navio de propulsão nuclear anunciado é um porta-aviões. No entanto, a empresa modificou o seu comunicado na Quarta-feira, e eliminou referências a uma navio nuclear, referindo antes que trabalha em “tecnologias-chave”. “O panorama da segurança da China está a experimentar profundas alterações, e as ameaças à sua segurança marítima estão a aumentar”, referiu a empresa. Nos últimos anos, a China tem adoptado uma política assertiva no Mar do Sul da China, que reclama quase na totalidade, apesar dos protestos dos países vizinhos. Os Estados Unidos, que têm onze porta-aviões nucleares, e a França, que tem um, são os únicos países do mundo com porta-aviões propulsionados por reactores atómicos.


desporto 13

sexta-feira 2.3.2018

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LIGA DE ELITE TREINADOR DO BENFICA DE MACAU PEDE CONCENTRAÇÃO À EQUIPA

A espera do autocarro `

Bernardo Tavares diz que o encontro com os Serviços de Alfândega vai ser muito importante porque permite à equipa treinar em condições de jogo, em vésperas da Taça AFC para treinar”, defendeu. “Mas não podemos facilitar e temos de ganhar porque no final de contas, se jogarmos bem e não ganharmos, as pessoas só se vão lembrar da derrota. Também se jogarmos mal e ganharmos, as pessoas só se vão recordar do resultado”, considerou. A partida pode igualmente marcar o regresso de Carlos Lionel à titularidade. O avançado está a regressar de uma lesão e no último do jogo actuou 20 minutos, depois de começar o jogo no banco de suplentes. Porém neste encontro pode mesmo fazer parte do onze inicial, dependendo da sua evolução física. Em relação às restantes partidas da jornada, no Sábado, pelas 18h30, defrontam-se C.P.K. e Monte Carlo. Depois, às 20h30, é a vez e Hang Sai e Ching Fung jogarem. No Domingo, às 18h30, defrontam-se Lai Chi e Polícia e, às 20h30, Ka I e Sporting.

FACEBOOK

Benfica de Macau e a formação dos Serviços de Alfândega entram em acção esta noite, às 21h, no Estádio de Macau. A partida que coloca frente-a-frente o líder e a formação que ocupa a 9.ª posição da Liga de Elite, dá início à sexta jornada do campeonato. Em declarações ao HM, Bernardo Tavares, treinador das águias anteviu um encontro em que a formação vai ter muito espaço para jogar, com o adversário mais focado em defender. “Estou à espera que assumam uma postura defensiva, que nos vai criar muito espaço, mesmo no meio-campo ofensivo. Vão fechar-se mais à defesa”, afirmou o técnico. “Estou à espera que joguem em 5-4-1 ou 4-5-1, como fizeram frente ao C.P.K.”, acrescentou. Bernardo Tavares apontou que como a diferença entre as duas equipas é demasiado grande, os Serviços de Alfândega não se podem dar ao luxo de ter uma estratégia mais ambiciosa. “As equipas têm de se adaptar às armas que têm e é o que eles fazem. Acho que devemos enaltecer os esforços que têm feito e o rendimento que colocam em campo”, apontou. No entanto, o técnico sublinhou que é importante que os seus jogadores abordem a partida de forma responsável: “É fundamental que estejam muito focamos. É quando se tem uma postura displicente que se complicam os jogos e se permite que as coisas corram mal”, apontou.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

TAÇA AFC EM CAUSA

OPORTUNIDADE DE TREINO

Por outro lado, o treinador do Benfica de Macau considerou que o jogo com os Serviços de Alfândega são uma boa oportunidade para a equipa realizar um treino. Isto porque, à excepção dos encontros para a Liga de Elite, os encarnados não tem tempo de treino em campos relvados com as dimensões oficiais. “Mais importante do que andarmos a questionar por quanto é que vamos ganhar é pensarmos em aproveitar o jogo de forma séria e ter uma boa oportunidade

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Bernardo Tavares, treinador do Benfica de Macau “Não podemos facilitar e temos de ganhar porque no final de contas, se jogarmos bem e não ganharmos, as pessoas só se vão lembrar da derrota. Também se jogarmos mal e ganharmos, as pessoas só se vão recordar do resultado.”

FUTEBOL NEYMAR VAI ESTAR AUSENTE ENTRE DOIS MESES E MEIO E TRÊS MESES

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futebolista brasileiro do Paris Saint-Germain Neymar vai estar ausente “entre dois meses e meio e três meses”, para recuperar da operação a que vai ser submetido no Sábado, disse ontem o médico da selecção brasileira, Rodrigo Lasmar. “Não é uma simples fissura (como revelou o

Paris Saint-Germain), é uma fractura de um osso importante do pé”, explicou Rodrigo Lasmar, que acompanhou o avançado do Paris Saint-Germain na viagem de Paris para o Rio de Janeiro, antes de rumar, num avião particular, para um destino desconhecido. Neymar vai ser operado a uma fractura do met

atarso no pé direito, em Belo Horizonte, segundo o assessor de comunicação da selecção ‘canarinha’, acrescentando ter “99 por cento de certeza” que será no Sábado. O avançado, contratado pelos franceses ao FC Barcelona por 222 milhões de euros, vai falhar a parte final da tem-

porada, que culmina com o Mundial, a disputar na Rússia, entre 14 de Junho e 15 de Julho, incluindo o jogo da segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões frente ao Real Madrid, na Terça-feira, quando os parisienses tentam recuperar em casa de uma desvantagem de 3-1.

“Obstáculos não te devem impedir. Se você encontrar uma parede, não desista. Descubra como escalá-la”, escreveu Neymar, na sua página oficial no Instagram, poucas horas depois de o seu pai ter admitido que a recuperação demoraria pelo menos seis semanas.

o HM, Bernardo Tavares admitiu estar preocupado com a participação da equipa na Taça AFC. Em causa está o facto dos atletas do clube ainda não terem recebido as cartas do governo, que os autoriza a serem dispensados do trabalho, para participarem na competição. Segundo o técnico, quando a selecção de Macau joga, as cartas são entregues com quase um mês de antecedência. No entanto, quando falta cerca de uma semana para o Benfica de Macau enfrentar o Hang Yuen, as cartas não foram entregues. O treinador das águias diz que a participação na competição pode ficar mesmo em causa.


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2.3.2018 sexta-feira

Feliz a união que perdura

José Simões Morais

Funeral de Camilo Pessanha

À

S 8 horas da manhã do dia 1 de Março de 1926, o Dr. Camilo de Almeida Pessanha, solteiro com 58 anos, faleceu de tuberculose pulmonar em sua casa, na Rua da Praia Grande 75, freguesia da Sé. A morte do poeta do Simbolismo, autor da Clepsidra, ocorreu no terceiro e último dia em que os relógios eléctricos de Macau estavam parados para limpeza dos instrumentos. No dia seguinte, 2 de Março, já com os relógios a funcionar, seguiu o funeral do que fora professor do quarto grupo do Liceu Central de Macau para o Cemitério de São Miguel, situado no meio da cidade, com entrada na Estrada do Repouso. O enterro, “singelo e civil, por sua vontade, como singela decorrera a sua vida, foi enormemente concorrido por pessoas de todas as condições sociais que à última jazida o acompanharam, sempre descobertos, num significativo e compungido silêncio, vendo-se aí do Governador da Colónia, [Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães (19251926)] ao mais humilde e obscuro cidadão. A pedido de Pessanha foi transportado num armão militar, o qual, coberto pela bandeira nacional, foi conduzido por sargentos, cabos e soldados e ladeado pelos estudantes do Liceu onde era professor e por alunos de outras escolas”, segundo palavras do jornal O Combate. Refere ainda que, à beira da sepultura o Reitor do Liceu, Sr. Carlos Borges Delgado pronunciou algumas palavras, dizendo, “A tua vida foi o tablado erguido no meio de esperanças perdidas!... Morreste como vivestes... sonhando... idealizando! Nesse mundo do Além o teu sonho continuará. Serás, ali, o mesmo idealista! E tu, saudoso colega, o confessaste claramente quando, para os teus rapazes disseste: <Colocando-se fronteiros dois espelhos, duas imagens se formam; qual delas mais vazia? Dissolvendo-se água límpida em água límpida, ficam ambas duma mesma limpidez>. Adeus!”.

Era uma sepultura rasa com uma laje e o brasão da família, onde, muito mais tarde, em 1971 os netos colocaram a seguinte inscrição em chinês: <Aqui jaz o advogado Pessanha, o pai Yeong Pak San e a mãe Lei Ngoi Iong>. Isto é, Camilo Pessanha (cujo nome em chinês fora Pui-Sane-Ngá), o Pessanha filho (chamado em português João Manuel de Almeida Pessanha) e a sua esposa, nora de Camilo.

ELOGIO AO ADVOGADO DOS ADVOGADOS

HOMENAGEM DOS ALUNOS

Seguiram-se as palavras de Cassiano Fonseca, representante dos alunos do Liceu: <Diante do cadáver dos que baixam ao túmulo com a consagração do seu talento ou dum relevante serviço que prestaram à causa da humanidade, proclama-se sempre que a morte pouco pode, porque, precisamente esse dia é o dia da sua glorificação. É que os grandes homens não morrem nunca porque vivem cristalizadas nas suas obras. Porque morrer não é apagar-se; transpor os umbrais da eternidade não é extinguir-se para sempre porque há espíritos de eleição que refulgem, numa visão mais

nítida nas sombras do mesmo túmulo que nem tudo consome... (...) Mas, mais do que isto e acima de tudo, foste nosso professor como poucos, como raros, um artista distinto na arte de modelar o barro humano... Um educador perfeito, um obreiro mais devoto porque, espírito clarividente, inteligência rutila, conheceis com aquele vosso sentido especial, que foi o vosso apanágio, o mal dos nossos tempos, o mal que nos espera surpreender além das brumas do futuro; (...) E nós, para quem ele não morreu, faremos com que o nosso professor não morra

também para o nosso país que serviu e tanto amou, porque o seu nome representa-nos o facho da luz e a lição moral da sua vida pública é para nós o farol que há-se iluminar a vereda que nos há-de conduzir para a nossa finalidade>. Ditas estas palavras, baixou o Dr. Camilo de Almeida Pessanha à terra no Cemitério de São Miguel, na sepultura de primeira classe número 918, segundo certifica José Francisco de Sales da Silva, Secretário-Geral do Governo interino e Encarregado do Registo Civil da Província de Macau, no registo de óbito.

Na secção de 3 de Março de 1926 do Leal Senado da Câmara de Macau o seu Presidente Dr. Luiz Gonzaga Nolasco da Silva, que fora aluno de Camilo Pessanha, propôs um voto de profundo pesar pelo passamento de tão ilustre cidadão e que fosse dado o seu nome a uma das vias públicas de Macau. E como não podia deixar, <em breves e sentidas palavras>, fez uma sentida homenagem ao seu professor de Filosofia. Camilo Pessanha dedicava-se <ao culto da poesia, tão delicados e subtis eram os seus pensamentos, expressos em versos modelarmente burilados com aquele inspirado estro e paciência técnica que só raros conseguem pôr em prática. Lembro-me muito bem do sucesso que tiveram uns sonetos de Pessanha publicados no Jornal Único, de Macau, em 1898... (...) Nesse mesmo ano parti eu para Portugal a cursar Direito na Universidade de Coimbra (a mesma que Pessanha se formara), onde tive ocasião de conhecer e conviver com um seu irmão, Manuel Luís de Almeida Pessanha, tão inteligente e tão sentimental como Camilo. Ao regressar a Macau, findo o meu curso, vim encontrar Camilo Pessanha feito Conservador do Registo Predial desta Comarca. Ele que tinha sido meu professor no Liceu, foi depois meu mestre na advocacia, pois foi Pessanha quem me ensinou a fazer a primeira petição inicial>. Na advocacia, <Pessanha foi um modelo de saber profissional, dedicação, honradez e lealdade para com os adversários. Eram vastos os seus conhecimentos gerais, mas na cultura jurídica era um especialista, mormente em direito penal e processo criminal. Apaixonava-se pelas causas que defendia, e na defesa não distinguia entre ricos e pobres, da mesma maneira e com o mesmo afã dedicando-se às causas de uns ou de outros. Era já certo: questão defendida por Pessanha era questão ganha; tal a força da sua argumentação e a perspicácia do seu engenho! Foi grande a lacuna aberta por sua morte nas fileiras dos advogados da Comarca. Pessanha era, com justo orgulho, um grande mestre na advocacia, e muitas vezes foi o advogado dos advogados”.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 2.3.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

AQUILES TRATA PATRÓCOLO

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E Prisca Medicina (Sobre a antiga arte médica) é um dos textos mais importantes para se compreender a raiz e o desenvolvimento do pensamento humano. Nem vou fazer a distinção entre pensamento ocidental e oriental, nem vou aceitar que há pensamento oriental mas não há filosofia oriental, porque a explicação até pode basear-se em ideologia. O ponto não me interessa aqui. O decisivo é que o pensamento clássico de Platão e Aristóteles, mas também o dos chamados filósofos Pré-socráticos (Anaximandro, Parménides, Heraclito, etc., etc..) e, ainda o de Tucídides se baseia num texto médico ou sobre medicina, tenha sido produzido por Hipócrates ou por alguém da sua escola. E isto é espantoso à primeira vista mas é compreensível, se formos suficientemente secundários. Uma nota sobre o título: medicina traduz a palavra grega “arkhê”. Embora também no singular no original grego, medicina quer dizer o conjunto plural de saberes, gerais e especiais, ao serviço da identificação das doenças, das curas, dos tratamentos, que estão na base da possibilidade de obtenção da saúde. Ou seja, não há uma única perícia ou saber específico, mas todo o saber reúne um conjunto de disciplinas que colabora para a compreensão do seu objecto específico. Formalmente, podemos compreender que é assim que os compêndios científicos estão organizados. Em primeiro lugar, expõem-se os princípios elementares de uma ciência. O alfabeto de cada ciência, por assim dizer. As letras no caso da gramática, os números, na aritmética, os elementos da geometria: o ponto, a linha, o plano, as figuras simples, os elementos da química, etc.. Assim, também a medicina tem os seus elementos na antiguidade: quente e frio, líquido e sólido. Tal como nas restantes ciências, também a medicina tem operações elementares. A adição e a subtracção, na aritmética e a formação de sílabas e de palavras estudada pela gramática tem fenómenos paralelos que são estudados pela medicina: aquecimento e arrefecimento, assimilação de sólidos e de líquidos, excreção de elementos não nutrientes e assimilação de nutrientes, o meio específico em que ocorrem: condições climáticas, hora do dia, época do ano, região do globo, etc., etc.. O ser humano não é estudado na sua anatomia nem no interior delimitado pelas fronteiras epidérmicas do corpo humano. O ser humano é estudado em relação intrínseca com o seu habitat, a familiaridade ou não com o nicho ecológico que é o horizonte estrutural onde vive a sua vida, a exposição e vulnerabilidade aos elementos não apenas meteorológicos, mas que se encontram no seu meio ambiente: a sua dieta, regime alimentar, circuito vital, actividade física e actividade profissional, não só hora a hora, dia a dia, mas em cada estação do ano e nas diversas idades da vida. Ou seja, a medicina identifica os elementos complexos

Da Medicina Antiga da relação do ser humano com outros seres humanos num meio ambiente que é estruturante da sua própria vida. Uma vida humana não é dissociável do meio em que vive e esta relação tem de ser compreendida já ao pé da letra. Assim: o romper da aurora, a manhã, o princípio da tarde e a tarde, anoitecer e noite, mas também, as estações do ano, as idades da vida: infância, adolescência, idade adulta e velhice, fogo, ar, água e terra, os fluídos: bílis amarela e negra, fleuma e sangue, são elementos, “letras”, de um alfabeto complexo que requerem a formação de compostos agregados resultantes de operações elementares para produzirem um corpo humano bem formado que sobre-

viva e se conserve a si mesmo homeostaticamente. Palavras simples como “ideia”, “forma”, por exemplo, que perpassam o pensamento antigo não querem dizer apenas “manifestação” (idea) e “aspecto” (eidos). São palavras usadas no diagnóstico de sintomas, no esboço da etologia, na reacção programática ao problema que a doença põe: o tratamento, as fases do tratamento, a obtenção da cura. A curva clínica pressupõe não apenas uma relação múltipla e complexa com a dieta alimentar, mas também com a temperatura do quarto, descanso ou actividade, sono e insónia. A curva clínica pressupõe uma relação simbiótica com o tempo. Não é

Um dos outros pontos fundamentais da medicina antiga e que faz luz sobre o projecto de constituição de uma filosofia é que não é meramente teórica, o que quer que isso queira dizer, mas eminentemente prática. Fazer é saber. Quem não faz não sabe.

Iª Parte

unilinear nem homogénea, pode admitir recidivas, recuos, como obviamente pode ter sucesso. Uma ideia ou uma forma são sempre plurais. Podem querer dizer o aspecto do rosto de alguém, como quando dizemos de uma criança que “está murchinha”, pode ter que ver com o palpar da temperatura através dos lábios que tocam a testa de uma criança. Mas há também elementos “reflexivos” de apuramento do estado clínico em que de cada vez cada um de nós se encontra. Temos uma apercepção contínua do estado em que nos encontramos, depois de comer uma refeição pesado ou se não comermos nada, se bebemos água a mais ou de menos, se estamos “a chocar” uma gripe ou se apanhamos “uma carraspana”. A “autopsia” é um olhar-se a si a partir do interior mas que não requer uma abertura reflexiva. Acontece sempre de cada vez. O perigo existe sem dúvida quando não temos percepção de fenómenos que são subliminares aparentemente. Podemos estar a desenvolver doenças que nos passam despercebidas e é por isso que o diagnóstico deve ser feito através de exames regulares, porque há doenças assintomáticas.


16 opinião

2.3.2018 sexta-feira

“The BRI launched by President Xi Jinping in 2013, which is intended to promote economic development and exchanges between China and more than 60 countries, is gaining momentum. The revival of the ancient Silk Road economic “belt,” combined with the 21st Century sea lanes of communication known as the “road,” is intended to enhance global connectivity and increase commercial activity”. China’s Private Army: Protecting the New Silk Road Alessandro Arduino

O

comércio internacional pode realizar-se sem a multinacionalização, e muitos são os que acreditam ser a vaga do futuro. A revista “The Economist” prevê uma diminuição crescente de pequenas empresas que usam o comércio electrónico para comprar e vender, em uma escala global. O comércio “online”, ainda é significativamente menos internacionalizado, que o comércio “off-line”. É à luz das mudanças que se fazem no ambiente político, que parece ser o momento particularmente inoportuno, para pensar que se pode ser global, apenas criando um “site” ou juntando-se a uma plataforma “online”. Os que pensam que a sua empresa deve continuar a fazer negócios em uma diversidade de mercados, precisa de descobrir se deve mudar o tipo de estratégias que usa, em resposta às pressões proteccionistas. As empresas usam a adaptação quando desejam ajustar-se às diferenças entre países para serem responsáveis localmente, e usam a associação de empresas para alcançar economias de escala e capacidade que se estende através das fronteiras nacionais, sendo que as estratégias de arbitragem são utilizadas para explorar as diferenças, como os baixos custos laborais em um país ou melhores incentivos fiscais em outro. As empresas devem usar essas estratégias, pelo que terão de mudar algo, mesmo que seja pouco, em um mundo proteccionista, mas talvez menos do que se pensa. O presidente da “General Electric (GE)”, Jeffrey Immelt, não está só quando fala do suporte arrojado da sua empresa distanciado da associação e dá importância à localização no ambiente actual. As empresas devem procurar oportunidades para ampliar os seus esforços de adaptação, porque tornarem-se mais sensíveis às diferenças pode ajudar a reduzir o impacto do proteccionismo. A forma mais óbvia para uma empresa se adaptar é a multiplicidade de produtos, políticas e posicionamento no mercado para se adequarem aos mercados locais. No entanto, cada mudança aumenta os custos e a complexidade. Logo, a adaptação inteligente, geralmente, envolve a limitação da quantidade ou variedade de produtos,

bem como encontrar formas de melhorar a eficácia e a eficiência de qualquer alteração introduzida. As empresas, por exemplo, podem projectar plataformas comuns sobre as quais as alterações locais são oferecidas, ou podem externalizar alguns dos custos da adaptação, através de franquias, empreendimentos conjuntos ou outros tipos de parcerias. Mas, enquanto uma maior adaptação pode ter sentido, as multinacionais não devem colocá-la automaticamente como prioridade, o que só prejudicaria as suas fontes de vantagem competitiva em relação aos concorrentes locais. As empresas globais, especialmente as de economias avançadas, normalmente justificam as suas estratégias transfronteiriças principalmente com base na associação. Os casos mais clássicos, revelam investimentos em activos tecnológicos ou de “marketing” intangíveis que podem escalar através das fronteiras nacionais. Tais vantagens normalmente devem ser bastante grandes, para superar a vantagem do juízo doméstico dos concorrentes locais. A lógica económica para a associação não se evaporará para multinacionais que tenham construído um negócio saudável e lucrativo em mercados estrangeiros, mesmo que alguns países tornem mais caro operar dentro das suas fronteiras. Quanto à arbitragem, as oportunidades para que as multinacionais verticais se globalizem no lado da oferta, em vez do lado da procura, reduziram um pouco nos últimos anos, mas ainda permanecem imensas. Mesmo com o aumento da prosperidade nos grandes mercados emergentes, o PIB “per capita” dos Estados Unidos ainda é sete vezes maior que o da China e trinta e três vezes o da Índia. As diferenças nos regimes fiscais entre países, também não vão desaparecer e continuarão a proporcionar oportunidades de arbitragem. Assim, e de acordo com a “Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)”, a dispersão das taxas de imposto sobre as empresas entre os países pouco mudou desde 2007, e o progresso na contenção dos paraísos fiscais tem sido lento. Além disso, as diferenças entre países em termos de segurança, saúde e ambiente continuam a persistir também, embora a exploração dessas diferenças suscite preocupações éticas. As multinacionais que saem dos mercados emergentes tendem a começar as suas vantagens com as primazias arraigadas em arbitragem, concorrentes no exterior com base em baixos custos domésticos. Tal estratégia continua a ser o motor que impulsiona o crescimento e a lucratividade e rentabilidade da indústria “offshore” de serviços de “Tecnologia de Informação (TI)” da Índia, que inspirou o “The World Is Flat: A Brief History of the Twenty-first Century” de Thomas L. Friedman, iniciando uma onda de interesse em estratégias de avaliação. Após mais de uma década, os salários dos programadores na Índia, ainda são apenas uma fracção dos praticados nos Estados Uni-

GEOPOLITICUS CHILD WATCHING THE BIRTH OF THE NEW MAN, 1943, SALVADOR DALI

As leis da

dos, e a redução de custos contínua sendo a principal razão pela qual as empresas optam por terciarizar. Os maiores fornecedores centrados na Índia, ultrapassaram os concorrentes ocidentais em termos de crescimento e rentabilidade e, a partir de Junho de 2016, os quatro principais vendedores concentrados na Índia, desfrutaram de arbitragens de mercado superiores a 50 por cento maiores, do que os seus quatro principais concorrentes ocidentais. À medida que as empresas de

países avançados e emergentes se dedicam à liderança global, cada um deve reforçar a sua fraqueza tradicional, para os operadores históricos, a arbitragem e para os insurgentes, a associação. Os donos do mundo desenvolvido em serviços de TI, como a Accenture e a IBM, expandiram os seus esforços na Índia, enquanto as empresas indianas estão a tentar fortalecer as suas marcas e capacidades tecnológicas. O alicerce de Immelt para a localização implica


opinião 17

sexta-feira 2.3.2018

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

globalização (II)

um impulso à sua estratégia de adaptação. A GE, como a maioria das outras multinacionais, não pode desistir da associação ou da arbitragem. As vantagens baseadas em associação da GE são o que sustentam a sua capacidade de competir em cento e setenta países. A sua máquina de “Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)” ou “Investigação e Desenvolvimento (I&D)” de quase seis mil milhões de dólares de investimentos anuais, produz inovações tecnológicas de destaque

mundial, o valor da marca de trinta e quatro mil milhões de dólares abre as portas em todos os locais, os seus famosos programas de formação de gestão atraem e cultivam talentos, e o seu alcance em produtos, serviços e geografias contribui para o imenso potencial de intercâmbios de associação de fronteira, e enquanto as observações de Immelt minimizam a arbitragem salarial, tal como o fez na década de 1980, em contraste com a direcção focada, actualmente, na venda de mais

produtos ao exterior, a arbitragem tornou-se suficientemente enraizada na empresa nas últimas décadas, que provavelmente não vai desaparecer e continuará a ser parte da sua estratégia de globalização. É de entender que a estratégia de localização da GE é melhor entendida, como a que mantém uma força central na associação enquanto atenua a prioridade da empresa na arbitragem e torna-se mais adaptável. Quanto ao ajustamento com a sociedade, associar-se com, onde e como

competir, são as questões principais, salientando como fundamental, o modo de como se deve envolver com a sociedade, que está a tornar-se cada vez mais proeminentes nas agendas dos líderes empresariais, excepto em indústrias altamente regulamentadas, as empresas historicamente tratam as interacções com os governos, a média e o público, como uma reflexão posterior na definição das estratégias. Mas, em muitos casos, as empresas estão a ter maiores impactos de factores políticos e macroeconómicos do que de considerações competitivas. Tais factores, incluem movimentos de taxas de câmbio impulsionados pelo “Brexit”, compartilham flutuações de preços em resposta às alterações de políticas e ao custo de mudança de planos de investimento à luz das modificações antecipadas na política comercial. É de acrescentar à lista o aumento das ONGs, a proliferação das médias sociais e o aumento do sentimento anti-globalização. As empresas são constrangidas nas suas respostas a esses desenvolvimentos por uma série de factores. Em primeiro lugar, a reacção contra a globalização também é, em parte, uma reacção contra os grandes negócios. A reputação geral dos negócios está em um mínimo histórico. O “Pew Research Center”, em uma pesquisa recente, perguntou aos entrevistados nos Estados Unidos, o quanto as pessoas em dez profissões contribuíram para o bem-estar da sociedade. Os executivos de empresas classificaram o futuro, com excepção dos advogados, e apenas 24 por cento dos entrevistados disseram ter pensado que os líderes empresariais contribuíram muito. O “Barómetro de Confiança Edelman” de 2017, também relata um mínimo histórico para a credibilidade dos executivos empresariais e das decisões das empresas sobre como implantar o capital de reputação que possuem e que são dificultadas pelas tensões entre os cidadãos de um país e o seu governo. O presidente executivo da Uber, Travis Kalanick enfrentou problemas com a percepção pública de se ter juntado ao conselho consultivo de negócios de Trump, pelas incertezas acerca de como evoluiria a situação económica e social nos Estados Unidos, acabando por renunciar ao cargo a 21 de Junho de 2017, depois de um conjunto de acusações, desde assédio sexual a sexismo na empresa, passando pelo uso de um programa de computador para enganar autoridades reguladoras de várias cidades no mundo, até suspeitas de roubo de propriedade intelectual para o fabrico de carros auto guiados. Assim e nesse contexto, é necessário falar mais sobre questões sociais e entender porque os líderes empresariais são muitas vezes instruídos a ter certos comportamentos, para não ser considerado como uma panaceia. Ainda que seja difícil oferecer instruções simples sobre como lidar com essas complexidades, a lei da semi-globalização sugere uma liminar e uma visão. Em primeiro lugar, a injunção é estar em consonância com o facto de os governos pensarem sempre que uma empresa que opera é uma actividade incerta, e que tal seja uma estratégia sustentável. (continua)


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EXPOSIÇÃO | POPARCADE BY LOUISE LEONG Fundação Rui Cunha | 19h00 CONCERTO PUNK | SMEGMA RIOT LIVE MUSIC ASSOCIATION | 21H00

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PARADA DE OURO

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MONSTER HUNT 2 [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Raman Hui Com: Tony Leung Chiu-Wai, Bai Baihe, Jing Boran, Yo Yang 14.30, 19.30

AGENT MR. CHAN [C]

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Cheung Ka Kit Com: Dayo Wong, Tze Wah, Charmaine Sheh, Sze Man 16.30, 21.30 SALA 2

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BLACK PANTHER [B]

Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

CONCERTO OF THE BULLY [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Fung Chih-Chiang Com: Ronald Cheng, Cherry Ngan 14.15, 16.00, 21.30 SALA 3

IS THE ORDER A RABBIT?? DEAR MY SISTER [A] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroyuki Hashimoto 17.45, 19.00, 21.15

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Editado em 2007, pela Random House, “The Castle in the Forest” foi o último romance do autor norte-americano que viria a falecer nesse mesmo ano. A narrativa centra-se no crescimento deAdolf Hitler e na formação da psique do homem que viria a mudar a face da História mundial. A obra segue a teoria romanceada de que Hitler terá sido produto de incesto, abrindo a possibilidade de ter descendência judaica. O narrador de “The Castle in the Forest” é 30demónio que acompanha o um crescimento de Adi e o percurso histórico da Europa que culmina na Segunda Grande Guerra Mundial e no Holocausto. Uma obra imperdível de um dos grandes autores do século XX. João Luz

7 3 1 2 4 5 5 1 6 6 2 4 3 7 2 1 5 7 www. 4hojemacau. 6 3 com.mo

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5THE CASTLE IN THE FOREST 2 3| NORMAN 6 7MAILER5 30 2 5 7 4 3 2 4 7 6 3 1 4 23 6 3 5 4 2 1 36 1 4 5 2 7 5 1 3 6 6 1 5 4 2 4 7 1 4 3 6 7

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4 3 7 6 1 2 5 7 6 1 4 3 5 2 PARTNER YOGA – SESSÃO 3 2 5 1 7 6 4 Pousada de Coloane Boutique Hotel | 11h30 às 12h30 2 7 4 5 6 3 1 DIARIAMENTE 6 4 3 2 5 1 7 11ª BIENAL DE DESIGN DE MACAU Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3 1 5 6 7 2 4 3 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING 5 1 2 3 4 7 6 MAM | Até 4/3 MAM | Até 11/3

O CARTOON STEPH 26

Na cidade dos inesgotáveis milhões, das luzes brilhantes, das lojas de luxos e dos Lamborghinis, há quem sobreviva dos depojos que o excesso cria com os olhos postos na Lua.Vemo-los todos os dias, personificarções da resiliência do espírito humano, empurrando carrinhos com montanhas de cartão empilhadas, confrontando a solidez dos ossos. Têm olhos plenos de generosidade, pupilas dilatadas pelo ouro interior que não brilha nas montras das ourivesarias. São pais, avós, náufragos no oceano da abundância. Vivem na sombra, nas margens do tempo regido pelos cifrões, reinam acima destes dias de corja em que o humanismo é um veículo movido a fuel-ego. O mundo inteiro é deles, 28donos despojados, 32 são reis andrajosos das ruas, nos seus bolsos tilitam vazios preenchidos por meia dose de esperança e outra meia de desespero. Fazem as suas camas na obscuridade e persistem, muito mais fortes do que todos os aparatos militares, mais altos que os arranha-céus que emprestam chão ao azul, amaldiçoados por uma fome que vai além do estômago. A vida de cão é a verdadeira existência dos príncipes das sarjetas. Todos os dias recordam-nos o que é ser humano e partilhar desta coisa indefinível que nos une. O seu tecto é a abóbada estrelada, a sua terra é o mundo inteiro . João Luz

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EXPOSIÇÃO | LYRICS EXHIBITION AND MINI CONCERT MACAU DESIGN CENTER | DAS 15H00 ÀS 21H00

HOLI FESTIVAL 2018 Pousada de Coloane Boutique Hotel | Das 14h00 às 17h00

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IRISH FESTIVAL - CRAFT & DESIGN YARD Macau Design Center | Das 14h00 às 20h00

OCEAN GARDENS | DAS 7H00 ÀS 08H30

YUAN

VIDA DE CÃO

CONCERTO | TERTÚLIA À PORTUGUESA Pousada de Coloane Boutique Hotel | Das 19h00 às 22h00

Domingo MACAU COMMUNITY RUN – MANA VIDA 25

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JULIEN JACOB, CHEFE DE PASTELARIA NO RESTAURANTE TASTING ROOM

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O doce sabor da criatividade

AS suas mãos saem verdadeiras obras de arte de várias cores e formatos, que podem ser vistas na sua conta do Instagram. A elegância existe em cada bolo ou sobremesa que confecciona e este é o elemento mais importante para Julien Jacob no seu trabalho. Julien é francês e chefe de pastelaria no restaurante The Tasting Room, no City of Dreams, e adora o que faz. A sua ligação ao mundo do açúcar começou ainda em jovem, quando fazia bolachas e bolos com a mãe e as irmãs. Nunca tinha estado na Ásia, até que foi convidado para integrar a equipa do restaurante localizado no Cotai, num dos muitos casinos que existem no território. “Decidi vir para Macau porque nos últimos anos temos visto que o sector hoteleiro e turístico tem-se tornado um dos mais conhecidos em todo o mundo, com grandes hotéis e restaurantes de cinco estrelas. O meu objectivo era ser chefe de pastelaria aqui e fui contactado por um dos melhores restaurantes em toda a Ásia. Convidaram-me para fazer parte de um projecto muito aliciante e foi aí que decidi vir”, contou.

Com a mente focada nos objectivos que cria para si próprio, e sempre a desejar testar receitas, Julien Jacob não tem dúvidas de que este é um bom lugar para trabalhar na pastelaria e experimentar coisas novas. “Macau é um dos melhores lugares que mistura o mundo ocidental com o asiático, é um lugar bonito que nos deixa trabalhar.” Antes de vir para a Ásia trabalhar, Julien passou por vários restaurantes no seu país de origem. Aqui pretende introduzir os seus conhecimentos de pastelaria francesa ao público chinês, mas sem os assustar com os sabores demasiado doces. O equilíbrio, garante, é o segredo. “Cada país tem os seus próprios sabores no que diz respeito à pastelaria. Normalmente, buscamos o sabor doce e procuramos um equilíbrio entre a acidez e o sabor do açúcar. Como adaptamos isso ao mercado chinês? Estou a descobrir isso agora, porque na Europa incorporamos muitos sabores asiáticos na comida, trabalhamos com temperos japoneses, que podem ser picantes. Estou a lembrar-me do açafrão, por exemplo.” Adaptar e ajustar são palavras que estão sempre presentes no vocabulário de Julien

Jacob. “Quando faço a clássica pastelaria francesa tento sempre ajustar as minhas receitas ao mercado e às pessoas. Qualquer pessoa pode descobrir novos elementos, novas formas de cozinhar. Às vezes incorporamos outros ingredientes. Queremos trazer um equilíbrio em termos de sabores e manter sempre um toque asiático também,” conta. Um dos grandes desafios que o chefe de pastelaria sentiu em Macau foi o clima, que torna mais difícil o seu trabalho. “O grande desafio que enfrentamos aqui é o clima, pois o tempo é muito húmido e isso influencia a forma como confeccionamos e mantemos as sobremesas. Quando vim para a Ásia todas as minhas receitas tiveram de ser ajustadas por causa disso. Macau , na verdade, é um mercado muito aberto e podemos ter acesso a ingredientes de todo o mundo, e o grande desafio é mesmo a humidade. Mas na verdade aprendi com isso”, frisou.

ALGO “ESPECIAL”

Julien Jacob poderia ter optado por ser um chefe de cozinha, mas a pastelaria seduziu-o desde cedo. “A pastelaria é especial porque existe em todo o tipo de gastronomias do

mundo. Se formos à cozinha chinesa, temos pastelaria chinesa. Se formos à cozinha italiana, também encontramos sobremesas italianas. É um dos poucos segmentos da culinária que cobre todas as áreas.” Em Macau já criou novas receitas com ingredientes famosos, como o matcha, um pó verde japonês muito em voga e que é usado em vários pratos e bebidas. “Já criámos imensas receitas. Podemos ser criativos em todo o lado.” A adorar a sua experiência no território, Julien Jacob pretende ficar deste lado do mundo por mais um tempo. “Traço os meus próprios objectivos, e posso mudar-me de acordo com o meu próximo objectivo. Para já, quero ficar aqui, neste restaurante, este ano. É a minha meta pessoal e estou a trabalhar para ela. Normalmente, fico três a quatro anos num sítio, gosto da minha vida aqui e da rede social que tenho. Não sei o que vai ser daqui a dois ou três anos, mas, por enquanto, quero ficar. Adoro Macau.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


A vida é a perda lenta de tudo o que amamos. Maurice Maeterlinck

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E Jianming, fundador e presidente do CEFC China Energy, que no ano passado adquiriu as seguradoras da Associação Mutualista Montepio, está “sob investigação” das autoridades na China, informou ontem a revista chinesa de informação económica Caixin. Com sede em Xangai, o CEFC está no processo de compra das seguradoras do Montepio e a negociar a compra da Partex, petrolífera detida em 100 por cento pela Fundação Calouste Gulbenkian. Na China, onde o sector da energia é monopólio do Estado, o grupo privado CEFC constitui uma excepção: fundado em 2002, figura na 222.ª posição na lista das 500 maiores empresas do mundo da Global Fortune. A firma tornou-se mundialmente famosa no ano passado, quando acordou pagar 7,4 mil milhões de euros por 14,16 por cento da petrolífera russa Rosneft. O negócio pode estar agora ameaçado, segundo a Caixin, que cita fontes não identificadas e aponta

Com pés de barro

INVESTIGADO PRESIDENTE DO GRUPO CHINÊS QUE COMPROU MONTEPIO SEGUROS

relutância dos bancos em financiar aquela operação. A Caixin, que é a principal publicação chinesa de informação económica, descreve o CEFC como uma “empresa que se des-

BOLSA REAGE

“A direcção é altamente dividida e a informação

raramente circula entre diferentes segmentos do grupo”, acrescenta a revista, que cita fonte próxima da empresa. No ano passado, uma proposta de 92 milhões de euros do CEFC pela empresa

financeira norte-americana Cowen Group foi travada pelo Governo dos Estados Unidos por motivos de segurança nacional. Também nos EUA, uma investigação anticorrupção

chamou a atenção para o grupo, após Chi Ping Patrick Ho, que geria uma organização não-governamental em Hong Kong financiada pelo CEFC, ter sido acusado por um tribunal de Nova Iorque de corrupção e lavagem de dinheiro. O Departamento de Justiça norte-americano acusa Ho de ter subornado funcionários do Chade e do Uganda em troca de contratos para uma empresa de energia chinesa. Registos públicos indicam que Ho representava a CEFC China’s China Energy Fund, em 2011. Após as notícias de que Ye está sob investigação, as acções de várias subsidiárias do grupo afundaram. Na bolsa de Hong Kong, as ações do CEFC Hong Kong Financial Investment recuavam 22,8 por cento a meio da sessão de hoje. O gigante chinês anunciou no final do ano passado a compra dos seguros do grupo Montepio e a transferência para Portugal da sede dos seus negócios financeiros. O CEFC está ainda em negociações para adquirir a Partex, petrolífera detida pela Fundação Gulbenkian com negócios no Médio Oriente, Angola e Brasil.

GRAVIDEZ SS DIZEM QUE AUMENTOS COBREM APENAS PARTE DAS DESPESAS

ECONOMIA COMÉRCIO EXTERNO DE MACAU SOBE 31 POR CENTO EM JANEIRO

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S Serviços de Saúde (SS) emitiram um comunicado a esclarecer o aumento das taxas moderadoras para partos realizados no hospital público, destinados às trabalhadoras não residentes (TNR) que não sejam casadas com residentes. No comunicado, os SS afirmam que “as taxas dos serviços de parto das TNR apenas representam metade do preço de custo”. “Para as parturientes TNR, com marido também não residente, e que são um grupo específico de pessoas, as taxas propostas são apenas metade do preço do custo do parto. Além de que os itens de serviços das taxas propostas incluem, apenas, parte da intervenção cirúrgica e operação durante o parto das parturientes.” Os SS frisam ainda que “as taxas de alguns itens clínicos não foram ajustadas, como por exemplo: mantém-se as taxas relativas às despesas de análises, de imagem, de internamento e de material de consumo clínico”. É ainda referido que as taxas moderadoras “não sofrem ajustamentos há quase

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taca tanto pelo seu sucesso, como pela opacidade da sua estrutura”.

sexta-feira 2.3.2018

PALAVRA DO DIA

20 anos”, sendo que, entre 2015 e 2017, 28 por cento das mulheres que deram à luz no São Januário eram TNR. “Tem havido uma tendência de aumento da procura dos serviços de parto em Macau por parte de parturientes não residentes, o que constitui uma enorme pressão sobre os recursos de serviços médicos, tal como uma pressão sobre os recursos humanos”, pode ler-se. Além disso, é referido que as grávidas não-residentes “nunca efectuaram exames pré-natal antes de virem para Macau”, o que “aumenta significativamente o risco durante o parto realizado no São Januário e afecta, ainda, os indicadores de saúde como a taxa de mortalidade neonatal e a taxa de mortalidade materna”. Desta forma, “os SS esperam, através deste aumento de taxas, reduzir o número de parturientes não residentes de Macau que utilizam os serviços de parto do hospital público, com vista a poder centralizar os recursos na prestação de serviços às grávidas e parturientes locais, assegurando a saúde materno-infantil”.

valor total do comércio externo de mercadorias de Macau subiu, em Janeiro passado, 31 por cento para 9,65 mil milhões de patacas em relação ao mesmo mês de 2017. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em Janeiro exportaram-se 1,23 mil milhões de patacas em mercadorias, ou mais 26 por cento do que no período homólogo. No mês em análise, o valor da reexportação cresceu 34,8 por cento para 1,08 mil milhões de patacas, tendo sido registado também um aumento nas importações de 31,9 por cento (8,43 mil milhões de patacas) em termos anuais. As exportações para a China continental atingiram,

em Janeiro passado, 214 milhões de patacas, mais 92,4 por cento em termos anuais. O valor das exportações para as nove províncias do Delta do Rio das Pérolas, vizinhas de Macau, no sul do país, representou 99 por cento das exportações para o interior da China e cresceu 112,1 por cento em termos anuais. Também as vendas para Hong Kong (810 milhões de patacas) registaram, no primeiro mês do ano, uma subida de 26 por cento, ao passo que os valores exportados para os Estados Unidos (15 milhões de patacas) e para a UE (13 milhões de patacas) desceram 30,8 por cento e 39,7 por cento, respetivamente, em termos anuais. Em Janeiro passado, as importações da China con-

tinental (3,07 mil milhões de patacas) e da UE subiram 34,8 por cento e 16,7 por cento, respetivamente, em relação ao mês homólogo de 2017. Para os países de língua portuguesa, o valor importado de mercadorias cresceu, em Janeiro último, 17,4 por cento para 72 milhões de patacas. O défice da balança comercial de Janeiro alcançou 7,20 mil milhões de patacas, de acordo com a DSEC.

Hoje Macau 2 MAR 2018 #4003  

N.º 4003 de 2 de MAR de 2018

Hoje Macau 2 MAR 2018 #4003  

N.º 4003 de 2 de MAR de 2018

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