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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEXTA-FEIRA 2 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3986

CASO SULU SOU

TSI mantém suspensão PÁGINAS 6-7

CHINA-VATICANO

JUÍZES

Chan fala AS TROPELIAS Sónia de patriotismo DO CARDEAL ZEN PÁGINA 14

PÁGINA 5

GRANDE PLANO

hojemacau MEDIDAS DO GOVERNO PREOCUPAM DEPUTADOS

FU TAK IAM

O primeiro Rei do Jogo MAS QUE CÃO É ESTE?

h JOSÉ SIMÕES MORAIS PUB

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HABITAÇÃO

O Governo apresentou duas medidas, na sequência das juras de Chui Sai On em Pequim. Mas os deputados não gostaram e dizem que não resolvem nada. PÁGINA 8


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Antes de Stanley Ho deter o monopólio do jogo em Macau Fu Tak Iam foi o primeiro magnata dos casinos. Também conhecido como “capitalista chinês”, o homem que nasceu pobre em Foshan, financiou a construção do Cais 16, no Porto Interior, tendo sido dono do Hotel Central, para onde trouxe o famoso jogo Bacará. A sua família acaba de criar uma fundação em Macau

2.2.2018 sexta-feira

CASINOS

FAMÍLIA DE FU TAK IAM, PRIMEIRO MAGNATA DO JOGO, CRIA FUNDAÇÃO

A

família de Fu Tak Iam, também conhecido como Fu Tak Yung ou Fu Laorong, acaba de criar em Macau uma fundação com o nome daquele que foi o primeiro magnata do jogo no território, até ter perdido o monopólio para Stanley Ho, no início da década de 60. Esta quarta-feira foi publicado o despacho em Boletim Oficial que determina a criação da fundação. Esta tem como finalidade “o desenvolvimento de acções na área da educação, cultura, saúde e investigação tecnológica”, podendo ainda “desenvolver outras actividades de natureza social e de beneficência”. A fundação arranca com um capital inicial, em numerário, de dez milhões de patacas, podendo vir a ter, em seu nome, três imóveis que a família detém em Macau, localizados na avenida da República e na Colina da Penha. Tal acontecerá se a Direcção dos Serviços de Finanças autorizar “a isenção do pagamento de imposto de selo devido pela sua eventual transmissão”. A família de Fu Tak Iam segue assim o exemplo de muitos outros magnatas ao criar uma fundação. O próprio Stanley Ho tem uma entidade em seu nome, tal como Henry Fok, o empresário de Hong Kong que, em 1961, ajudou a fundar a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), em parceria com o próprio Stanley Ho, Ip Hon (ou Yip Hon) e Terry Ip Tak Lei.

O MENINO QUE VENDIA AMENDOINS

Fu Tak Iam, nascido em 1894 em Nanhai, Foshan, na província de Guangdong, tem uma história semelhante à de tantos empresários ricos: nasceu pobre. “Conta-se que, ainda novo, já mostrava ser empreendedor, tendo começado a cozinhar amendoins na sua aldeia que depois ia vender à cidade”, disse ao HM o jornalista João Botas, autor de vários livros sobre a história de Macau. Numa altura de maiores dificuldades financeiras, Fu Tak Iam partiu com o pai para Hong Kong, onde trabalhou na indústria naval. “Ainda jovem meteu-se numa briga o que o levou à prisão durante dez meses. Depois de cumprida a sentença regressou a Guangdong. Foi aqui que deu início ao primeiro negócio na área dos penhores.

A HISTÓRIA DO


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sexta-feira 2.2.2018

“CAPITALISTA CHINÊS” Estava-se no final da década de 1920”, apontou João Botas. A luta pela concessão do jogo em Macau começou no ano de 1930, tendo perdido a aposta para Hou Heng, cujo consórcio incluía vários sócios. Segundo João Botas, “pagavam 1.4 milhões de patacas por ano em troca do exclusivo do jogo” no hotel que, na altura, se chamava President, e que mais tarde viria a chamar-se Hotel Central, localizado na Avenida Almeida Ribeiro. Hee Cheong detinha o hotel President, que abriu portas em 1928. O seu sócio, Huo Zhi-ting, era amigo de Fu Tak Iam. “Os dois começaram a explorar o jogo em Cantão e Shenzen, em 1935.” Quando o contrato de concessão de jogo atribuído a Hou Heng chegou ao fim, Fu Tak Iam voltou a lançar-se nessa aposta. Para isso, “juntou-se a um dos homens de negócios mais ricos de Macau, Kou Ho-ning, nascido em 1878, com um longo historial na indústria do jogo, nomeadamente do fantan, desde o início do século XX e ainda na área das casas de penhor”. Os dois amigos decidem então estabelecer a empresa Tai Heng (Tai Hing) que ficaria com o monopólio do jogo, a partir de Janeiro de 1937, mediante o pagamento de 1.8 milhões de patacas. A empresa adquiriu também o hotel President, que em 1937 passar-se-ia a chamar Hotel Central, tendo “acrescentado alguns andares”. “Conta-se que Kou Hou Neng entrou apenas com o dinheiro, deixando a parte operacional do negócio a Fu Tak Iam”, lembrou João Botas. Segundo informações da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), a empresa instalou no Hotel Central um casino, onde foi introduzido o Bacará, jogo que ainda hoje é bastante popular. Ainda de acordo com a DICJ, “a companhia Hou Heng foi considerada inovadora dado as suas introduções a benefício dos serviços fornecidos pela indústria do jogo e pelas respectivas instalações complementares”. Esta “remodelou e decorou, de forma sumptuosa, os seus casinos oferecendo, complementarmente, espectáculos de ópera chinesa bem como comes e bebes gratuitos incluindo frutas, cigarros e aperitivos, e adquirindo a favor de clientes bilhetes de barco”.

PROSPERIDADE NA II GUERRA

O início da II Guerra Mundial e a invasão da China pelos japoneses

CONDECORAÇÃO PORTUGUESA

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“capitalista chinês” chegou a ser condecorado pelo Governo português com o grau de Oficial da Ordem Militar de Cristo “aquando da visita a Macau do Ministro do Ultramar no verão de 1952”, disse João Botas. A condecoração foi atribuída pelo comandante Manuel Maria Sarmento Rodrigues.

acabaria por trazer muitas oportunidades ao negócio de Fu Tak Iam, pois Macau era administrado por portugueses e serviu de porto

seguro a muitos refugiados chineses. “O Japão invadiu a China e começam a chegar cada vez mais chineses a Macau, aumentando o número de clientes. Estavam criadas as condições para o negócio prosperar”, disse João Botas, que lembrou também o apoio que o magnata do jogo deu nesta fase, com parcerias estabelecidas com a Associação Tong Si Tong e o hospital Kiang Wu. Também o historiador Camões Tam recorda estes tempos de prosperidade para o empresário, por contraste à miséria e à fome que se viviam nas ruas da pequena Macau. “Quando a maior parte do território chinês estava ocupado pelo exército japonês, muitas pessoas ricas vieram para Macau e acabavam por ir para o casino jogar nos tempos livres, porque não havia muito mais para fazer.” João Botas lembra, contudo, que há um outro lado da história. “Existem relatos de Fu Tak Iam ter colaborado com os japoneses, tendo sido condenado à morte, no pós-guerra, pelas autoridades da China continental. Uma outra

sentença veio a declará-lo inocente. Aspectos típicos dos tempos difíceis vividos em Macau durante a guerra”, referiu o jornalista.

O RAPTO DEPOIS DO ÓPIO

Estamos em 1945 e a II Guerra Mundial chega ao fim. A 10 de Fevereiro, Fu Tak Iam estaria a fumar ópio “como passatempo” junto ao templo de Kun Iam quando foi raptado, tendo sido exigidos nove milhões de patacas pelo resgate. João Botas conta que há várias versões desta estória, sendo que o resgate acabaria por custar 500 mil patacas. Além disso, Fu Tak Iam perdeu parte da orelha direita. De acordo com Camões Tam, o

Governo português interveio no caso, tendo enviado Ho Yin, pai do ex-Chefe do Executivo, Edmund Ho, para lidar como o caso na qualidade de intermediário. “Aí Fu Tak Iam foi libertado, mas claro que perdeu imenso dinheiro”, ironizou Camões Tam. Na fotobiografia da autoria de Celina Veiga de Oliveira sobre Carlos D’Assumpção, intitulada “Carlos D’Assumpção – Um homem de valor”, há uma referência a este rapto, uma vez que o advogado macaense estava em início de carreira quando apresentou um recurso em 1954 no Tribunal da Relação de Goa contra a condenação de Lei Peng Su, antigo soldado do partido Kuomitang, acusado de raptar Fu Tak Iam. De acordo com um texto de Celina Veiga de Oliveira, publicado no jornal Ponto Final, “depois de pago um resgate avultado e libertado o empresário, a polícia [de Macau] acabou por deter um antigo soldado do Kuomintang, Lei Peng Su, Continua na página seguinte


4 grande plano

O INVESTIMENTO NO CAIS 16

UNIVERSIDADE DE HONG KONG

acusando-o de liderar a quadrilha de sequestradores”. Este foi condenado a 18 anos de prisão, mas Carlos D’Assumpção, com apenas 25 anos, recorreu desta decisão.

2.2.2018 sexta-feira

Não foi apenas em roletas e fichas de jogo que investiu Fu Tak Iam. Refeito do episódio do rapto, o empresário investiu numa companhia de navegação marítima, a Tak Kee Shipping & Trading Co. Ltd. O seu dinheiro financiou na totalidade o Cais 16, uma estrutura de cor amarela que ainda hoje se situa ao lado do empreendimento Ponte 16, da Sociedade de Jogos de Macau. Em 1948 o Cais 16 passou a atracar o barco Tai Loy, que à época era “a mais moderna embarcação nas ligações marítimas entre Hong Kong e Macau”, recordou João Botas. O período áureo de Fu Tak Iam estava, contudo, prestes a chegar ao fim. Em 1950 o empresário mandou alguns dos seus filhos para tomar conta dos seus negócios em Hong Kong, tendo-se mudado para a região vizinha nessa altura, bem como o seu sócio, que morreria em 1955.

O FIM DO JOGO

Apesar da mudança para Hong Kong, Fu Tak Iam perderia a concessão de jogo para Stanley Ho apenas em 1961, quando a STDM se chegou à frente com o pagamento de 3.16 milhões de patacas anuais. Segundo o historiador Camões Tam, Stanley Ho oferecia condições mais vantajosas à Administração portuguesa e era, além disso, casado com uma portuguesa, Clementina Leitão Ho. “Um assistente demitiu-se da empresa de Fu Tak Iam e convenceu Stanley Ho a cooperar com ele e a concorrer para a obtenção da licença de jogo. E conseguiram.” Clementina Leitão Ho terá tido um papel importante neste processo, tendo sido discutidas previamente algumas condições para a concessão do monopólio de jogo. “Foram-lhe dados alguns avisos e foram criadas condições, como o estabelecimento de uma rota entre Macau e Hong Kong, a criação de infra-estruturas e a concessão de subsídios para acções de caridade. Stanley Ho oferecia condições mais vantajosas [para a obtenção da licença]”, explicou Camões Tam.

O historiador João Guedes tem outra versão: não só Stanley Ho dispunha de outras garantias como a Administração portuguesa estaria descontente com as contrapartidas dadas por Fu Tak Iam. “Ele não vivia cá, vivia em Hong Kong, e por isso é que lhe é retirado o monopólio do jogo, porque ele investia o dinheiro que ganhava aqui em Hong Kong. O Governo português decidiu retirar a concessão e entregá-la a Stanley Ho. Este era casado com uma portuguesa e tinha garantias.” Segundo a DICJ, a concessão atribuída à companhia Tai Heng chegava ao fim a 31 de Dezembro de 1961, tendo o governador Silvério Marques. Este decidiu aprovar uma lei nesse ano que acabaria por regular a concessão pela via do concurso público. A STDM “acabou por sair vencedora, ficando permitida a explorar, em regime de exclusivo, casinos e a venda das lotarias Pou, Shan e Pacapio”. Em 1960, um ano antes de ver

a concessão de jogo ir por água abaixo, Fu Tak Iam morre em Hong Kong com 66 anos de idade, tendo deixado 16 filhos.

O REGRESSO A HONG KONG

Na antiga colónia britânica, a empresa fundada por Fu Tak Iam continuou a prosperar, tendo investido na banca e na hotelaria. O seu filho mais velho estabeleceu, em 1973, o hotel Furama, que tinha 33 andares e que ficou conhecido pelo seu restaurante panorâmico, chamado La Ronda, e que foi demolido em 2001, contou João Botas. João Guedes recorda-se deste espaço. “Lembro-me de ter ido almoçar muitas vezes ao hotel, um dos melhores em Hong Kong, que tinha um dos melhores restaurantes.” O jornalista, autor de vários livros sobre a história de Macau, lembra que a família de Fu Tak Iam “nunca foi de Macau”, à semelhança dos magnatas que sempre investiram no território. “Os investimentos em Macau são feitos por gente de Hong Kong. O

Stanley Ho nunca viveu aqui, no período da II Guerra entre 1939 e 1945 viveu aqui, mas depois mudou-se logo para Hong Kong. Eles devem continuar a ser muito ricos em Hong Kong, e de certeza que continuarão a ter coisas em Macau.” Hoje em dia a família continua a ter os imóveis já referidos, além de uma antiga casa, localizada junto à residência do cônsul de Portugal em Macau, que foi vendida a um cidadão de Hong Kong. Aí existiram “duas pedras gravadas em 1952 em memória dos seus pais”, apontou João Botas. O ano passado o neto de Fu Tak Iam, Adrian Fu, criou uma fundação com objectivos semelhantes em Hong Kong.

O PRIMEIRO REI

Stanley Ho é amplamente conhecido por ser o grande impulsionador da economia de Macau, mas pouco se sabe sobre aquele que terá sido o primeiro grande empresários dos casinos no território.

“Só agora é que se começam a fazer alguns estudos sobre isso, de resto não existe nada sobre essa época do sector do jogo. Em português não se escreveu nada sobre Fu Tak Iam, de certeza absoluta”, disse João Guedes. O historiador Camões Tam considera que “há quatro reis dos casinos em Macau”, tendo Fu Tak Iam sido o primeiro. E a sua importância mede-se não apenas pelas patacas que investiu na luta pela concessão. “Não sabiam apenas como gerir os casinos mas tinham conhecimentos de como desenvolver a economia e a cidade. Antes de ter os primeiros casinos, nos anos 30, Macau era uma cidade muito pequena, mas depois da gestão [destes empresários], Macau tornou-se uma verdadeira cidade do jogo, com uma indústria propriamente dita, e tornou-se mais próspera. Foi uma verdadeira reviravolta na história de Macau.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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sexta-feira 2.2.2018

SÓNIA CHAN SECRETÁRIA NÃO DUVIDA DE JUÍZES ESTRANGEIROS MAS...

Só para clientes habituais pio cardinal que ninguém pode esconder, esquecer, ou eximir-se que é o Estado de Direito. Se os magistrados estrangeiros são escolhidos é porque preenchem todos estes requisitos”, referiu o ex-deputado. Leonel Alves entende que “se acham que o magistrado em questão de segurança nacional poderá não ser parcial”, então não reúne condições para ser contratado.

GCS

A revisão da Lei de Bases da Organização Judiciária define que, tratandose de assuntos de segurança nacional, apenas os juízes chineses podem tratar dos casos. A medida não é consensual mas Sónia Chan esclarece que não se trata de falta de confiança nos juízes estrangeiros mas antes de uma atenção para casos delicados

Sónia Chan explicou que “estas medidas têm como principal consideração os interesses nacionais, tais como os segredos de Estado e a defesa nacional”

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ÃO está em causa qualquer dúvida acerca da competência profissional no que toca a juízes estrangeiros, revelou ontem a secretária para a administração e justiça, Sónia Chan. A afirmação surge depois de se saber que o diploma prevê o julgamento de casos relativos à segurança nacional exclusivamente por juízes chineses e da medida ter causado alguma polémica entre deputados e profissionais ligados ao direito. Para a secretária, trata-se de uma premissa compreensível. Sónia Chan explicou que “estas medidas têm como principal consideração os interesses nacionais, tais como os segredos de Estado e a defesa nacional”, lê-se em comunicado oficial. A responsável fez ainda questão de sublinhar que nada tem que ver com competência, referindo “não haver dúvidas sobre as qualificações profissionais dos juízes estrangeiros” e garantindo que irá continuar a respeitar o princípio do juiz natural”.

A revisão da Lei de Bases da Organização Judiciária envolve também a questão da ausência de recurso judicial para os titulares dos principais cargos. A proposta sugere que os processos que envolvem titulares dos cargos principais passarão a ser julgados no Tribunal de Segunda Instância, em vez de serem julgados no Tribunal de Última Instância, mas excluiu o Chefe do Executivo. De acordo com a secretária, a revisão do diploma tem como objectivo melhorar o funcionamento dos órgãos judiciais, acelerar o ritmo de

julgamento dos processos e avaliar as insuficiências na vigente Lei.

PROBLEMA DE FUNDO

A questão relativa aos juízes não é consensual e na semana passada foram várias

as vozes ligadas ao direito que se insurgiram. “Se fosse magistrado estrangeiro sentir-me-ia extremamente embaraçado e colocaria o meu lugar à disposição”, comentava o ex-legislador Leonel Alves ao HM.

“Os juízes têm a mesma idoneidade, capacidade, o mesmo sentido de imparcialidade, são insensíveis a pressões e actuam de acordo com os comandos de um Estado de Direito. Além disso, há o princí-

Para o jurista António Katchi, esta proposta viola a Lei Básica. “Já que o Partido Comunista Chinês dá tanta importância ao ritual dos juramentos de fidelidade, convém recordar que o único juiz a quem a Lei Básica impõe obrigação de jurar fidelidade à República Popular da China é o Presidente do Tribunal de Última Instância”, lembrou. O jurista acrescentou que todos os restantes magistrados, independentemente da proveniência, apenas prestam juramento de fidelidade à RAEM e, “dentro dos limites das competências desse tribunal, podem intervir nas mesmas matérias e exercer os mesmos poderes”. Sofia Margarida Mota (com J.L.) info@hojemacau.com.mo

IC Alexis Tam diz que Mok Ian Ian é a escolha adequada

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura considera que a vasta experiência na função pública de Mok Ian Ian fazem da nova presidente do Instituto Cultural (IC) a pessoa adequada para a função. Alexis Tam acrescenta que a nova presidente do IC foi membro do Conselho de Administração do Fundo das Indústrias Culturais entre 2015 e 2017, o que faz com que “domine bem a situação do desenvolvimento cultural e artístico de Macau”, lê-se no comunicado do gabinete de Alexis Tam. O secretário salientou ainda que o IC encontra-se a funcionar normalmente, apesar das alterações na presidência.


6 política

TIAGO ALCÂNTARA

2.2.2018 sexta-feira

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Tribunal de Segunda Instância decidiu a favor da Assembleia Legislativa no processo em que a defesa de Sulu Sou pedia a interrupção da suspensão do mandato. A decisão foi anunciada ontem, no portal dos tribunais da RAEM, mas os fundamentos ainda não são conhecidos. Em declarações ao HM, Sulu Sou apontou “não ter sentimentos” em relação à decisão do TSI e diz que uma decisão sobre um eventual recurso para o Tribunal de Última Instância só será ser tomada, após analisados os fundamentos. Só hoje, os advogados do deputado e da AL deverão ter acesso ao acórdão assinado por José Cândido de Pinto, Tong Hio Fong e Lai Kin Hong. “Não tenho sentimentos em relação a esta decisão. O meu advogado ainda não recebeu os documentos, por isso não sabemos os detalhes. Até essa altura não podemos fazer um comentário a esta situação”, começou por dizer Sulu Sou.

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PÓS 12 dias, e numa altura em que já é conhecida a decisão do pedido de suspensão de eficácia no caso de Sulu Sou, José Pereira Coutinho teve acesso à defesa apresentada pela Assembleia Legislativa. O deputado admite estar confuso sobre quem manda no hemiciclo. Conhecida a decisão dos tribunais sobre o pedido de suspensão de eficácia de Sulu Sou, a presidência da Assem-

Suspensão reafirmada CASO SULU SOU TRIBUNAL RECUSA PROVIDÊNCIA CAUTELAR DO DEPUTADO

Os juízes José Cândido de Pinto, Tong Hio Fong e Lai Kin Hong rejeitaram providência cautelar interposta por Sulu Sou. Fundamentos ainda não conhecidos, mas defesa do deputado vai ponderar recurso

Ficheiros deixam de ser secretos Presidência da AL segue opinião de Vong Hin Fai e libera os documentos

bleia Legislativa entregou os documentos sobre o processo a José Pereira Coutinho. Numa decisão assinada pelo vice-presidente, Chui Sai Cheong, em nome de Ho Iat Seng, a presidência da AL seguiu a opinião de Vong Hin Fai, que tinha defendido que os deputados só deveriam ter

acesso aos documentos após os casos estarem decididos. “Enviam-se os documentos requeridos por V.ª Ex.ª, solicitando-se a atenção para o facto de os mesmos serem relativos a processo judiciais pendentes em Tribunal, sendo, por isso, adequado oque os mesmos sejam mantidos

sobre reserva”, pode ler-se no documento assinado por Chui Sai Cheong, em nome de Ho Iat Seng. José Pereira Coutinho estava desde 17 de Janeiro à espera do documentos, não tendo obtido qualquer resposta anteriormente da parte de Ho Iat Seng. Por essa razão, o

deputado já tinha ameaçado recorrer aos tribunais. Ontem, mostrou-se desagradado pelo facto da resposta não ter sido assinada pelo próprio presidente da Assembleia Legislativa. “Dirigi uma carta ao presidente do AL. Mas depois venho a saber através dos jornais que a resposta foi dada por

outro colega [Vong Hin Fai], que não tem legitimidade. Devia ser o presidente [a responder], não sei quem manda e não manda na Assembleia Legislativa”, afirmou José Pereira Coutinho, ontem, em declarações ao HM. Por outro lado, o legislador apoiado pela Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) considerou que Ho Iat Seng já tem a cabeça na corrida ao lugar de Chefe de Executivo.


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sexta-feira 2.2.2018

ADVOGADOS SEM COMENTÁRIOS

Ontem, tanto Jorge Menezes, advogado de Sulu Sou, como Lei Wun Kong, advogado que representa a AL, ainda não tinham sido notificados pelos tribunais. Por essa razão não quiseram comentar a decisão. “Sabemos da decisão através do portal dos tribunais mas ainda não fui notificado oficialmente, por isso não quero fazer qualquer comentário. Sei que a Assembleia Legislativa foi absolvida no pedido de suspensão de eficácia”, disse Lei Wun Kong, advogado que representa a AL, em declarações, ao HM. A mesma postura foi adoptada por Jorge Menezes, defensor do deputado, que não quis prestar

Deputados estão preocupados

Governo vai ser chamado à AL para esclarecer dúvidas sobre lei das agências de emprego

“Ainda não podemos dizer se vamos recorrer. Por um lado compreendemos que é muito importante que o processo judicial fique resolvido depressa, por outro lado, queremos que os tribunais esclareçam bem todas as questões ligadas a este assunto.” SULU SOU DEPUTADO SUSPENSO

comentários face à decisão, sem ter tido acesso à mesma, o que só deve acontecer durante o dia de hoje. Segundo uma fonte conhecedora do Direito local, que preferiu não ser identificada, a decisão do TSI poderá ter tido na origem duas hipóteses: ou os juízes decidiram não julgar a questão, por considerarem ser um acto político, ou simplesmente consideraram que os argumentos apresentados por Sulu Sou não são suficientes para darem-lhe razão. Esta decisão não afecta o outro processo em que o TSI está a analisar se os direitos de Sulu Sou foram respeitados durante procedimentos que resultaram na suspensão do legislador, para que pudesse ser julgado no Tribunal Judicial de Base. Só depois dos casos do TSI chegarem ao fim é que o TJB vai decidir se Sulu Sou é culpado da prática do crime de desobediência qualificada, devido à manifestação contra a doação de 100 milhões de renminbi por parte da Fundação Macau à Universidade de Jinan. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

O

S deputados querem que o Governo esclareça se os escritórios de advogados e as empresas de consultadoria vão poder continuar a fornecer os serviços de tratamento das formalidades para a contratação de trabalhadores não-residentes, após a aprovação da nova lei de actividade de agência de emprego. A dúvida foi revelada, ontem, pelo presidente da terceira comissão permanente, Vong Hin Fai, que está a analisar na especialidade o documento. “A lei vigente elenca cinco alíneas sobre os serviços das agências de emprego, mas não abrange o agenciamento de formalidades para a contratação de trabalhadores não-residentes. Mas a proposta que estamos analisar abrange as formalidades. Assim só as agências não-gratuitas é que podem prestar os serviços de agenciamento”, explicou Vong Hin Fai, que também é detentor de um escritório de advogados, em conferência de imprensa. Actualmente algumas empresas de consultadoria e alguns escritórios de advogados prestam os serviços de registo de trabalhadores não-residentes, preenchimento dos documentos para a obtenção de

“A comissão está muito preocupada, não são só as agências que prestam o serviço, também as empresas de consultadoria e os escritórios de advogados. Com esta nova lei só as agências de emprego não-gratuitas é que vão poder prestar este serviço?” VONG HIN FAI

SOFIA MARGARIDA MOTA

“Mas devemos respeitar a independência dos tribunais. Ele não aceitaram o nosso pedido de suspensão, que é diferente do recurso. É uma decisão e temos de respeitá-la, mas claro que vamos analisar os fundamentos”, acrescentou. Nesta altura, o deputado tem dois cenários em cima da mesa: recorre e arrisca atrasar ainda mais o processo judicial que decorre no Tribunal Judicial de Base, em que é acusado de um crime de desobediência qualificada, ou aceita a decisão, fazendo com que este processo chegue ao fim. Em relação a esta escolha, Sulu Sou sublinhou que é muito importante que o processo criminal arranque rapidamente, para que possa voltar ao seu lugar na AL, mas que considera ser igualmente fundamental que os tribunais analisem bem toda a questão, para que não haja dúvidas semelhantes no futuro. “Ainda não podemos dizer se vamos recorrer. Por um lado compreendemos que é muito importante que o processo judicial fique resolvido depressa, por outro lado, queremos que os tribunais esclareçam bem todas as questões ligadas a este assunto”, frisou. O prazo para o deputado recorrer para o Tribunal de Última Instância são 10 dias a contar do prazo de notificação, que deverá ter como limite dia 15 deste mês.

Vong Hin Fai

licença, renovações etc.. Os deputados estão preocupados que essa seja a intenção do Governo. “A comissão está muito preocupada, não são só as agências que prestam o serviço, também as empresas de consultadoria e os escritórios de advogados. Com esta nova lei só as agências de emprego não-gratuitas é que vão poder prestar este serviço?”, questionou. Os deputados entendem que não é claro se as formalidades são apenas destinadas ao primeiro pedido de importação de trabalhador não-residente, ou também a pedidos de renovação. Por outro lado, a comissão liderada por Vong Hin Fai está empenhada em saber se caso as formalidades sejam apenas para as agências não-gratuitas, se os escritórios de advogados podem pedir licenças de agências de emprego para continuarem a prestar este serviço.

CONTRATAÇÃO NO EXTERIOR

Mais uma das dúvidas que assombra a comissão prende-se

TIAGO ALCÂNTARA

“Isto [carta assinada por Chui Sai Cheong, significa que politicamente o presidente da Assembleia Legislativa não se quer envolver em trapalhadas, que podem afectar a eventual candidatura ao lugar do Chefe do Executivo”, considerou.

OPORTUNIDADE DE REDENÇÃO José Pereira Coutinho, deputado “Dirigi uma carta ao presidente do AL. Mas depois venho a saber através dos jornais que a resposta foi dada por outro colega [Vong Hin Fai], que não tem legitimidade. Não sei quem manda e não manda na Assembleia Legislativa”

com a possibilidade de contratar trabalhadores não-residentes fora da RAEM, nomeadamente no âmbito da Grande Baía. Segundo Vong Hin Fai, com a maior integração poderá ocorrer um aumento das contratações de pessoas do Interior da China para Macau e vice-versa. Por essa razão, defende que é necessário saber quem é que vai ter autorização para poder contratar pessoas no exterior para trazer para Macau e se esse acto é legal. Outra questão passa pela contratação de trabalhadores não-residentes através da Internet, o que a lei não esclarecer se é permitido. A comissão vai continuar a discutir o diploma e só depois de chegar ao fim, o que deve acontecer dentro de duas semanas, é que vai reunir-se com os representantes do Governo para obter respostas. J.S.F.

José Pereira Coutinho considerou ainda que era importante que a resposta da

AL ao recurso, que defende que os direitos de Sulu Sou não foram respeitados no processo de suspensão, fosse distribuída atempadamente. Por outro lado, criticou o facto do representante da AL ter sido escolhido através de ajuste directo, em vez de concurso público. “Vamos esperar pelo recurso. Espero que os deputados sejam informados atempadamente da forma como se responde ao TSI.

Devia ter sido feita a defesa por concurso público e não ajuste directo, a um escritório que foi no passado conotado com o Dr. Vong Hin Fai”, atirou José Pereira Coutinho. A defesa da AL está a cargo de Lei Wun Kong, advogado do escritório Rato, Ling Lei & Cortés. Entre 1997 e 2015, Vong fez parte do escritório em causa, antes de sair para se lançar o seu próprio escritório. J.S.F.


8 sociedade

2.2.2018 sexta-feira

Diplomas sem dentes

HABITAÇÃO MEDIDAS PARA MELHORAR MERCADO NÃO SÃO SUFICIENTES

Fomento Predial de Macau, Paulo Tse também se pronunciou. De acordo com o responsável ligado ao sector, na proposta apresentada, ”além de estarem separados os mercados de investimento e de residência, os residentes que pretendem adquirir propriedade pela primeira vez não vão sofrer benefícios”, refere. O Governo argumenta que o objectivo “é combater a especulação a curto prazo e restringir a procura resultante dos investimentos por parte de não residentes” ao mesmo tempo que afirma, poder desta forma ajudar os residentes que pretendem comprar a primeira casa. O principal aspecto do diploma tem que ver com o aumento do imposto e selo na aquisição de mais do que uma habitação. Neste sentido, quem compra o segundo imóvel no território pagará um imposto correspondente a 5 por cento enquanto quem compra o terceiro ou mais, terá de pagar 10 por cento.

HOJE MACAU

São duas as propostas de lei que deram entrada na Assembleia Legislativa e visam melhorar a situação do mercado imobiliário local. A implementação de um imposto de selo na compra de mais do que uma habitação e a criação de uma contribuição para as casas que estão desocupadas são as medidas em causa. Deputados e responsáveis ligados ao sector não estão convencidos

A

proposta de lei relativa ao imposto de selo sobre a aquisição de mais do que um bem imóvel destinado à habitação não é credível. Em causa está e efectividade da medida no que concerne aos objectivos a que se propõe: a melhoria do mercado imobiliário local e o combate à especulação. A ideia é deixada pelo deputado Ho Ion Sang. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado considera mesmo que mais vale o Governo “não fazer nada”. Ho Ion Sang explica que se trata da implementação de uma só política para um assunto complexo. A solução, aponta, passaria por “medidas diversificadas porque só assim se consegue melhorar o contexto do mercado imobiliário local”, referiu. Por outro lado é necessário que o Governo tenha coragem para avançar com as políticas que prometeu quando o Chefe do Executivo, Chui Sai On, foi a Pequim. “Para que o mercado seja

promovido de forma saudável, é preciso que Chui Sai On cumpra com a promessa que deixou na sua apresentação de trabalho em Pequim e avance com medidas que limitem mais o rácio dos valores dos empréstimos hipotecários”, diz o deputado.

TUDO PELA POPULAÇÃO

A discordar de Ho Ion Sang está o deputado Mak Soi Kun. O tribuno considera que as propostas que foram admitidas para votação na generalidade são “melhor que nada”. No entanto, Mak Soi Kun não deixa de apontar algumas falhas aos diplomas. No que respeita

“Para que o mercado seja promovido de forma saudável, é preciso que Chui Sai On cumpra com a promessa que deixou em Pequim e avance com medidas que limitem mais o rácio dos valores dos empréstimos hipotecários.” HO ION SANG DEPUTADO

De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, na madrugada do dia 1 de Fevereiro deflagrou um incêndio num escritório construído temporariamente

dentro de um estaleiro do metro ligeiro, sito na Taipa na Avenida do Aeroporto, perto do Wynn Palace. Do incêndio não resultou em nenhum ferido que terá

sido originado, alegadamente, por um curto-circuito num fio de uma máquina de impressão. O recheio do escritório ficou completamente danificado.

O PROBLEMA DA DEFINIÇÃO

Já no que respeita à proposta relativa ao regulamento da contribuição predial que também deu entrada na AL e que irá ser votada na generalidade em breve, as críticas de Ho Ion Sang não ficam mais moderadas. O problema, afirma não tem que ver directamente com a medida em si, mas com as justificações para a sua aplicação. De acordo com o Governo, “deve ser cobrado um imposto às chamadas casas vazias que não estão a ser utilizadas nem para fins habitacionais próprios nem para arrendamento porque desta forma pode ser possível combater a acumulação de fracções

Sónia Chan contrata advogado para caso do apartamento De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a secretária para a Administração e Justiça declarou que o caso do apartamento arrendado a um casal português é um assunto pessoal. Porém, Sónia Chan confirmou que ambas as partes têm advogados contratados para dar seguimento ao caso.

GCS

Incêndio num estaleiro do metro ligeiro na Avenida do Aeroporto

ao imposto de selo, o aumento não vai afectar quem tem mais do que uma habitação, considera. A razão tem que ver com o facto de quem tem possibilidades de ter várias habitações no território é detentor de elevados fundos de investimento pelo que não será este imposto que irá afectar os proprietários, justifica. O importante para o deputado é ter em conta o equilíbrio entre a oferta e a procura. O deputado avança que, “vai votar na proposta desde que seja benéfica para a população”. O presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de


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sexta-feira 2.2.2018

“Não são aceitáveis as justificações no documento do Governo, que apontam a dificuldade em definir o conceito de habitação vazia.” HOJE MACAU

HO ION SANG DEPUTADO

O diploma pretende evitar que as casas que não estão a ser aproveitadas para habitação ou arrendamento passem a pagar contribuições. No entanto, as dificuldades em definir o que é uma casa vazia têm sido apontadas pelo Executivo. O Governo avança com uma alternativa: “Os prédios arrendados que ainda estejam disponibilizados para arrendamento e não sejam utilizados vão ser considerados como prédios não arrendados”, explica o diploma. Para o Governo, a contribuição a pagar por estas fracções vai incitar os proprietários ao arrendamento das casas, sendo que, como consequência, vai “contribuir para o aumento do número de prédios disponibilizados no mercado de arrendamento, reduzir as situações de desocupação e açambarcamento de prédios em resultado da especulação e criar um ambiente mais salutar nas transacções do mercado imobiliário”, lê-se na nota justificativa da proposta. Sofia Margarida Mota com Vitor Ng sofia.mota@hojemacau.com.mo

O

Tribunal de Última Instância (TUI) considerou que o Governo violou as normas relativas à avaliação das propostas no concurso público para a “prestação do serviço de manutenção das instalações do terminal marítimo de passageiros da Taipa”, realizado em Agosto de 2016. Segundo o acórdão, havia três empresas concorrentes para a prestação deste serviço, sendo que duas delas era a Focus – Gestão, Operação e Manutenção de Instalações, ligada à CESL-Ásia, e a CCCC Terceiro Macau Limitada, uma empresa estatal chinesa com inúmeros contratos no território. O contrato foi adjudicado à Focus, tendo a CCCC pedido, junto do Tribunal de Segunda Instância (TSI), a anulação da adjudicação, tendo os juízes decidido a favor desta empresa. A CCCC argumentou que, na avaliação da proposta da Focus, que obteve dez valores na classificação (o limite máximo era 16 valores), foi analisada a experiência de empresas subsidiárias (Fo-

Novo terminal às avessas Governo acusado de violar normas de concurso público

SOFIA MARGARIDA MOTA

habitacionais e a especulação”. No entanto, “não são aceitáveis as justificações no documento do Governo, que apontam a dificuldade em definir o conceito de habitação vazia”. Para Ho Ion Sang esta definição tem de ser dada. O tribuno tem ainda um receio: “o facto da proposta já ter sido admitida na AL pode resultar em transações apressadas por parte de compradores de modo a evitarem a tributação acrescida”, aponta.

cus Technical and Energy Services, Limited, Dafoo Facilities Management Limited e Dafoo Facility Management Limited”. O Chefe do Executivo, Chui Sai On, e a própria Focus decidiram recorrer

da decisão, alegando que “em relação à experiência da empresa, a experiência de empresas subsidiárias dos concorrentes também pode ser valorada”. Contudo, o TUI não entendeu assim, uma vez que

ANIMA PAN ENVIA CARTA A CHUI SAI ON A PEDIR RESOLUÇÃO PARA CASO DOS GALGOS

A

associação ANIMA tem um novo aliado político em Portugal que se junta à luta pelo salvamento dos 650 galgos do Canídromo de Macau: o PAN, partido que tem na sua plataforma política a defesa dos direitos das pessoas, animais e natureza. O apoio do partido fez-se na forma de uma carta enviada ao Chefe do Executivo assinada pelo deputado da Assembleia da República, André Silva. O legislador português menciona a mensagem de Ano Novo de Chui Sai On, onde foi referido o “espírito de tolerância e entreajuda” da população que permitiu vencer as “profundas provações” após a passagem pelo território do tufão Hato. André Silva aproveita o raciocínio do Chefe do Executivo para apelar à “tolerância e entreajuda do Governo de Macau para apoiar o salvamento

dos 650 galgos do Canídromo de Macau”. O deputado espera que seja evitado o desfecho mais negro, ou seja, que “em Julho de 2018 todos estes animais sejam mortos desnecessariamente visto que existirem pessoas interessadas em adoptar e cuidar de forma humana e responsável” dos galgos. André Silva garante que está a acompanhar o caso de perto e que, inclusive, entrou em contacto com o Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, na esperança que seja “encontrada uma solução de compromisso entre os dois países”. Dessa forma, o deputado português apela ao Executivo de Macau para que permita que os animais sejam entregues a quem lhe possa assegurar as melhores condições de vida. J.L.

as cartas apresentadas pela Focus no concurso público “referem-se a outras entidades”. “De acordo com o programa do concurso, o que relevava era a experiência do concorrente, não de empresas que par-

ticipassem no capital de concorrente ou de empresas em cujo capital social a concorrente participasse, nem de empresas subsidiárias, nem de empresas que pertencessem ao mesmo grupo”, pode ler-se. O TUI considerou, portanto, que “a Comissão de Avaliação das Propostas violou o Programa do Concurso ao valorizar experiência de empresas com personalidade jurídica diversa de concorrente ao concurso, a quem é imputada a mencionada experiência”. Desta forma, o TUI mantém a decisão do TSI, que “anulou o acto de adjudicação” à Focus, tendo absolvido a empresa da “instância quanto ao pedido de determinação da prática do acto administrativo formulado pela Companhia de CCCC Terceiro Macau Limitada, para a qual a forma processual não era a indicada”. Ao HM, António Trindade, CEO da CESL-Ásia, garantiu que o contrato foi assinado e já está a ser executado. A.S.S.

DSAT MENOS 14 POR CENTO DE ESTACIONAMENTOS ABUSIVOS

A

Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) emitiu ontem um comunicado onde afirma que, no ano passado, foram detectados um total de 230 veículos estacionados de forma abusiva nos parques de estacionamento públicos sob responsabilidade da DSAT, o que representa uma quebra de 14 por cento, ou seja, menos 40 casos

de estacionamento ilegal. A DSAT aponta ainda que seis casos correspondiam a motos, enquanto que os restantes dizem respeito a automóveis. Entretanto a DSAT iniciou o processo do tratamento dos casos de estacionamento ilegal, o que deu origem a 113 casos de remoção de veículos pela DSAT, polícia ou empresas de gestão do parque de depósito de veículos. Foram canceladas ou revertidas para o Governo 23 matrículas, sendo que, em 93 casos, os proprietários pagaram as respectivas despesas. Há apenas um caso por concluir, aponta o comunicado.


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2.2.2018 sexta-feira

AVISO

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.

1.

Localização dos terrenos:

2.

COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n. 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

3.

- -

Estrada da Ponta da Cabrita, n.ºs 1166A a 1166E e Rampa do Hotel, n.ºs 3 a 7, na ilha da Taipa, (Edifício Hotel China (Macau)); Rua de Hac Sá Long Chao Kok, n.ºs 72 a 720, na Ilha de Coloane (A Península – Moradia I, III a XI e XIII a XVII).

Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.

Localização dos terrenos: - -

Aos, 8 de Janeiro de 2018.

- - - - - -

O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong

- - -

COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS

Aviso

Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da segunda prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2017 nos termos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 8 de Fevereiro, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995342, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 17 de Janeiro de 2018 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

2.

3.

- -

Rua do Dr. Lourenço Pereira Marques, n.º 55, em Macau; Rua do Visconde Paço de Arcos, n.ºs 356 a 362 e Avenida de Demétrio Cinatti, n.ºs 51 a 52, em Macau, (Edifício Veng Heng); Travessa do Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 5 a 11, em Macau; Avenida da Praia Grande, n.º 976 e 998, em Macau; Estrada dos Parses, n.º 2, em Macau, (Edifício Tak Lei); Estrada de S. Francisco, n.º 7, em Macau, (Edifício Chong Un); Avenida da Amizade, n.ºs 956 a 1110, em Macau, (Edifício Hotel Grand Lapa); Rua de Kumming, n.ºs 80 a 102, Rua de Goa, n.ºs 9 a 39 e Rua de Luís Gonzaga Gomes, n.ºs 79A a 103, em Macau, (Edifício Fong Vong Toi); Rua Gago Coutinho, n.ºs 2 a 4, em Macau; Avenida do Coronel Mesquita, n.º 49 a 53, em Macau, (Edifício Pou Kei); Avenida do Coronel Mesquita, n.ºs 53A a 53D e Rua da Madre Terezina, n.ºs 2 a 2AA, em Macau, (Edifício Hap Seng); Rua de Coelho do Amaral, n.ºs 49 a 51, em Macau, (Edifício Veng Fung); Rua das Hortas, n.ºs 2 a 4 e Travessa das Hortas, n.ºs 1 a 3, em Macau, (Edifício Iao Seng, Bloco I).

Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 8 de Janeiro de 2018.

O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong


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sexta-feira 2.2.2018

CASINOS FITCH PREVÊ UMA SÉTIMA CONCESSIONÁRIA DE JOGO

Profecia conservadora

Economia Receitas dos casinos de Macau sobem 36,4 por cento em Janeiro

A agência de rating Fitch prevê uma quebra de oito por cento no crescimento do segmento de apostas VIP, uma forte descida face aos 21 por cento registados o ano passado. A Fitch prevê ainda que haja uma sétima concessionária a obter uma licença de jogo

C

RECEITAS CRESCEM 11 POR CENTO

Ao nível das receitas, a Fitch espera um crescimento de 11 por cento no mercado de massas, o que representa um cenário de desaceleração face aos 19 por cento de crescimento do ano passado. “O mercado vai continuar a beneficiar da boa economia chinesa, da abertura de novos resorts e do desenvolvimento de infra-estruturas. O MGM Cotai vai abrir no primeiro trimestre de 2018 sem operações VIP, mas pode eventualmente vir a incorporar este segmento. Algumas estruturas podem crescer com o reposicionamento de alguns activos, como a conversão de quartos em suites no The Parisian, para melhor ca-

Os casinos de Macau fecharam Janeiro com receitas de 26,26 mil milhões de patacas, mais 36,4 por cento comparativamente a igual período de 2017, indicam dados oficiais. De acordo com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), em Janeiro de 2017 as receitas dos casinos tinham sido de 19,25 mil milhões de patacas. Nos 12 meses de 2017, a receita do jogo em Macau cresceu 19,1 por cento, para 265,7 mil milhões de patacas, invertendo uma tendência de queda registada nos três anos anteriores. Janeiro passado marcou o 18.º mês consecutivo de subida das receitas da indústria do jogo. A indústria de jogo começou a recuperar em agosto de 2016, altura em que terminou um ciclo de 26 meses consecutivos de quedas anuais homólogas das receitas. As receitas dos casinos de Macau vinham a cair há três anos consecutivos: -3,3 por cento, em 2016, -34,3 por cento em 2015 e -2,6 por cento em 2014.

Turismo Cecilia Tse será apenas técnica superior

pitalizar uma procura acelerada no segmento de massas.” Sobre o MGM, a Fitch acredita que vai ser a concessionária “mais largamente beneficiada”, uma vez que “a abertura da propriedade do Cotai vai ajudar [a empresa] a recuperar os ganhos no segmento de massas”. No futuro, o mercado do jogo vai tornar-se, segundo as previsões, mais orientado para as apostas de massas, sendo que a Las Vegas Sands “com a exposição no Cotai, será a mais bem posicionada para um crescimento a longo prazo”.

FITCHPREVÊSÉTIMACONCESSIONÁRIA

Alertando para o facto as concessões não se fazerem sem riscos, a Fitch aponta que “os potenciais riscos incluem a introdução de uma sétima concessionária ou um grande pagamento pela renovação da concessão”. A agência de rating diz ainda que “outro potencial risco é o au-

mento dos impostos do jogo, apesar de não acreditarmos que isto fará Macau ser menos competitiva no contexto de uma crescente competição na zona da Ásia-Pacífico”. Ainda no que diz respeito à renovação das licenças, a Fitch “acredita que os reguladores em Macau não vão interromper o ambiente de operações”. “Todas as operadoras tiveram um bom desempenho tendo em conta o relatório do Governo lançado em

“Os potenciais riscos incluem a introdução de uma sétima concessionária ou um grande pagamento pela renovação da concessão.” FITCH

2016, investiram capital significativo e estão a apoiar o crescimento dos sectores não jogo.Além disso, Pequim tem um grande interesse em ver a RAEM ser bem sucedida.” O Governo deverá estender o período de concessão do MGM e da Sociedade de Jogos de Macau até 2022, frisa a agência de rating. Neste sentido, a agência garante que os empreendimentos de jogo que têm vindo a ser anunciados para vários países asiáticos, muitos dos quais da responsabilidade de concessionárias com presença em Macau, não trarão impactos negativos ao território. “Os resorts integrados no Japão vão ter um maior impacto negativo na Coreia ou em Vladivostok [Rússia], enquanto as expansões nas Filipinas e Malásia parecem ter um maior impacto em Singapura do que em Macau.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo, disse, citada pelo jornal Cheng Pou, que Cecilia Tse não irá ocupar o cargo de sub-directora, que ocupava em regime de comissão de serviço e que acumulava com o de técnica superior. Helena de Senna Fernandes adiantou que Cecilia Tse, que se demitiu do lugar de presidente do Instituto Cultural, será apenas técnica superior. Os candidatos para a sub-direcção dos Serviços de Turismo ainda estão a ser avaliados pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. GCS

AUTELA é a palavra de ordem nas previsões da agência de rating Fitch para o sector do jogo este ano. Segundo as informações ontem divulgadas, a Fitch espera um crescimento de oito por cento no segmento das apostas VIP, algo que contrasta com o crescimento de 21 por cento registado em 2017. A Fitch faz uma previsão “conservadora”, uma vez que as receitas do sector VIP no terceiro trimestre de 2017 mantiveram-se “38 por cento abaixo dos níveis mais elevados”, mantendo-se uma “ampla necessidade de liquidez por parte dos junkets”. “A posição de cautela da Fitch reflecte uma inerente volatilidade e um potencial abrandamento económico na China”, apontam ainda os analistas, que recordam que, apesar do segmento VIP ter registado um crescimento nos primeiros meses de 2017, acabou por entrar num processo de desaceleração no último trimestre do ano. Em relação ao mercado de massas, a Fitch espera um aumento do crescimento na ordem dos 14 por cento, apontando para uma maior estabilidade e menor dependência do crédito. A Fitch lembra que infra-estruturas como a ponte Hong-Kong-Zhuhai-Macau, a abertura do terminal marítimo da Taipa, o comboio para o aeroporto de Zhuhai e o metro ligeiro “vão tornar Macau mais acessível”.


12 eventos

2.2.2018 sexta-feira

ICM

O pintor belga Michaël Borremans estreia-se a solo em Hong Kong, numa exposição que marca a inauguração da galeria de David Zwiner na região vizinha. A exposição intitulada “Fire from the Sun” segue a linha sombria do artista europeu e estará patente no edifício H Queen’s, em Central, até 10 de Março ESPECTÁCULO BILHETES À VENDA PARA O BAILADO “GUERREIROS DE ÓPERA”

O

bailado dramático “Guerreiros da Ópera” sobe ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau no dia 3 de Março, às 20h. Os bilhetes para o espectáculo, inserido na série “Feliz Ano Novo Lunar”, já se encontram à venda e custam entre 100 e 200 patacas. O espectáculo, da autoria da célebre escritora de Hong Kong Lillian Lee, conta com a produção do Grupo de Teatro e Dança de Shanxi Huajin. O enredo envolve a história de vida de três actores de um grupo de ópera e sentimentos que se geram entre mentores e aprendizes, entre pais, filhos e irmãos. Com uma pesada carga dramática, o espectáculo centra-se nos sentimentos amorosos, ressentimentos, na virtude da perseverança, da diligência e da inovação, que estão no cerne da cultura chinesa.

Ainda no capítulo da ópera chinesa, o projecto de cooperação cultural do Grande Delta do Rio das Pérolas de 2018, oferece ao público das três regiões uma série de espectáculos ao abrigo do programa “Apresentação de Novas Estrelas da Ópera Cantonense de Guangdong, Hong Kong e Macau”. O projecto envolve a colaboração entre jovens estrelas em ascensão da ópera cantonense das três regiões. O resultado é a interpretação do espectáculo “A Lenda da Cobra Branca” sucessivamente em Guangdong, Hong Kong e Macau. A actuação em Macau terá lugar no dia 11 de Fevereiro, pelas 19h30, no Cinema Alegria. Os bilhetes para encontram-se à venda desde ontem nas bilheteiras do Cinema Alegria e custam 30 patacas. J.L.

Concerto Orquestra de Macau amanhã na Igreja de S. Domingos

Amanhã, às 20h, a Orquestra de Macau apresenta o concerto “Grandes Poemas Sinfónicos” na Igreja de S. Domingos. Sob a batuta do maestro principal, Lu Jia, a orquestra apresenta a obra “Minha Pátria”, que faz parte de um ciclo de seis poemas sinfónicos do compositor checo do século XIX, Bedrich Smetana. O seu ciclo de poemas sinfónicos retrata e celebra a história gloriosa, as paisagens e os personagens heróicos da antiga República Checa. Devido à sua longa duração e elevada exigência técnica, raramente se assiste à sua interpretação completa em concerto. No entanto, desta vez, a Orquestra de Macau interpretará, em toda a extensão, o ciclo sinfónico. A entrada é livre.

A

última década artística asiática foi marcada por um êxodo de galerias internacionais para Hong Kong, iniciada com a abertura em 2009 da Ben Brown Fine Arts e que se foi intensificando com a aquisição da Art HK Fair pela Art Basel em 2011. Esta semana abriu uma nova galeria internacional de renome, a Galeria de David Zwiner, que ficará no H Queen’s, o espaço

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A FILHA DO PAPA • Luís Miguel Rocha

Será o anti-semitismo a verdadeira razão para o Papa Pio XII não ter sido beatificado? Quando Niklas, um jovem padre, é raptado, ninguém imagina que esse acontecimento é apenas o início de uma grande conspiração que tem como objectivo acabar com um dos segredos mais bem guardados do Vaticano - a filha do Papa Pio XII. Rafael, um agente da Santa Sé fiel à sua Igreja e à sua fé, tem como missão descobrir quem se esconde por detrás de todos os crimes que se sucedem e evitar a todo o custo que algo aconteça à filha do Papa. Conseguirá Rafael ser uma vez mais bem-sucedido? Ou desta vez a Igreja Católica não será poupada?

em Central dedicado às belas artes. A inauguração contará com a exposição de estreia em Hong Kong do pintor Michaël Borremans.Amostra, intitulada

Fog

EXPOSIÇÃO MICHAËL BOR

“Fire from the Sun”, é composta por trabalhos de larga e reduzida escala onde figuram bebés em poses de brincadeira, mas com uma atmosfera visual que invoca mistério, perigo e insinuações de violência. As crianças são apresentadas sozinhas, ou em grupo, num ambiente semelhante a um estúdio que elimina tempo e espaço, mas que apela a uma atmosfera teatral e artificial que têm condimentado o trabalho do artista belga.

As peças presentes nesta mostra são reminiscentes dos querubins presentes na pintura renascentista e podem ser vistos como alegorias da condição humana onde os pólos da inocência e da perfídia se cruzam. “Fire from the Sun” não vive só da representação de bebés. Existem outros quadros na mostra que retratam elementos de maquinaria pintada de forma sinistra. Estas peças fazem um contraste que

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RENDIDA • Sylvia Day

Gideon Cross apareceu na minha vida como uma luz na escuridão. Um homem lindo, fascinante, um pouco louco e muito sedutor. A atração que sentia por ele era diferente de tudo o que tinha experimentado na minha vida até então. Eu desejava-o como a uma droga que me enfraquecia dia após dia. Gideon encontrou-me fragilizada e carente e entrou facilmente na minha vida. Descobri que também ele tinha os seus próprios demónios. Tornámo-nos o espelho um do outro; éramos o reflexo das nossas mais profundas cicatrizes e... desejos. Este amor transformou-me, mesmo que ainda hoje continue a rezar para que os pesadelos do passado não voltem para nos atormentar.


eventos 13

sexta-feira 2.2.2018

go do sol

RREMANS EM HONG KONG ATÉ 10 DE MARÇO

parece acrescentar um elemento científico à exposição.

CENTRO ARTÍSTICO

Não é novidade que as grandes casas de venda de arte se fixam, historicamente onde existe dinheiro, em redor dos grandes centros financeiros. Porém, Hong Kong tem um defeito estrutural que complica a aliança entre finança e arte: o imobiliário. Além de ser uma cidade com uma das mais altas densidades populacionais do mundo, os tectos baixos, as assolhadas minúsculas e as rendas altíssimas foram um dos entraves endémicos que impediram galeristas internacionais de se fixarem em Hong Kong. Uma realidade que se tem alterado significativamente nos últimos anos, transformando a

região vizinha num dos grandes centros artísticos internacionais da Ásia. É neste contexto que acontece a estreia de Michaël Bor-

As peças presentes nesta mostra são reminiscentes dos querubins presentes na pintura renascentista e podem ser vistos como alegorias da condição humana onde os pólos da inocência e da perfídia se cruzam

remans nas galerias da Queen’s Road. O artista belga tornou-se conhecido mundialmente devido à mestria técnica e à forma como apresenta temas que desafiam a interpretação com fortes cargas de complexidade psicológica que não foram feitas para ser descodificadas. Situado algures entre o classicismo e a contemporaneidade, o pintor belga é um dos grandes valores das artes plásticas do início deste século. “Fire from the Sun” está patente na H Queen’s, em Central até 10 de Março, afigurando-se como uma excelente aperitivo para a Art Basel 2018.

A

requalificação do claustro real, a criação de uma nova loja e bilheteira e a instalação de um elevador no claustro D. Afonso V são projectos a concretizar nos próximos três anos no Mosteiro da Batalha, anunciou o director do monumento. Reconduzido no cargo para mais três anos à frente do terceiro monumento nacional mais visitado, Joaquim Ruivo adiantou à agência Lusa que os melhoramentos visam “não só a conservação, como também um melhor circuito de visita”. “Os projectos estão bem encaminhados com os serviços técnicos da Direcção Geral do Património Cultural. Temos dois anos, no máximo três, para os concretizar”. No caso do claustro real, está prevista a limpeza e tratamento, para conservação do espaço. Este ano, vão também entrar em funcionamento as bilheteiras automáticas, que serão deslocalizadas posteriormente, tal como a loja do Mosteiro da Batalha, que passará para o claustro D. Afonso V, onde já funcionaram os bombeiros. Precisamente para esse claustro está a ser pensado um elevador que, nota o director do monumento, “tornará o monumento 100 por cento acessível”. Em 2017, o Mosteiro da Batalha recebeu mais de 492 mil visitantes, um crescimento

João Luz

info@hojemacau.com.mo

Batalha 2.0

Mosteiro requalifica claustro real

de 24 por cento, “acima de qualquer valor médio nacional”, salienta Joaquim Ruivo. “Não andamos a competir por turistas. Mas os números espantam”, reconhece, admitindo que a vinda do papa Francisco a Fátima contribuiu para a maior afluência. Contudo, “já em 2016, sem celebrações em Fátima, subiu 20 por cento. Foi igualmente significativo”. Joaquim Ruivo considera que a promoção feita pela Agência Regional de Promoção Turística, a aposta em visitas encenadas nos serviços educativos, a dinâmica do corredor Fátima-Óbidos e a projecção internacional do Mosteiro da Batalha como “obra-prima do gótico” têm contribuído para a crescente procura. À beira de atingir o meio milhão de visitas por ano, o director considera que é possível ir ainda mais longe. “Não há ainda um estudo muito profundo feito, mas o mosteiro aguenta até um milhão de visitantes”. Para alimentar o crescimento é vital conquistar os portugueses, porque, dos 492 mil visitantes, cerca de 80 por cento são estrangeiros. “É essencial projectarmos e motivarmos os visitantes portugueses. Muitos ainda não conhecem este monumento. Alguns vieram cá uma vez na vida e nem se lembram como é. Outros pensam que D. Pedro e D. Inês estão aqui, outros que o Soldado Desconhecido está em Alcobaça. Há uma relação com o seu património de défice de fruição cultural”, considera Joaquim Ruivo.

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M01 M02 M03 M04 M05 M06 M07 M08 M09 M10 M11 M12 M13 M14 M15 M16 M17 M18 M19 M20 M21 M22 M23 M24 M25 M26 M27 M28 M29 M30 M31 M32 M33 M34 M35 M36 M37 M38 M39 M40 M41 M42 M43 M44

Local de recolha de lixo de grandes dimensões antes do Ano Novo Chinês 【02/02/2018 - 15/02/2018, 20H00 - 23H00】

Depósito de lixo na Rua do Canal das Hortas n°47 Depósito de lixo na Rua Norte do Canal das Hortas n°235 Depósito de lixo na Alameda da Tranquilidade n°103 Contentor de compressão de lixo, Rua Seis do Bairro Iao Hon nº 18 Depósito de lixo na Av. de Artur Tamagnini Barbosa (perto do auto-silo do edf. Tamagnini Barbosa) Contentor de compressão de lixo, sito na Rua Seis do Bairro Iao Hon (ao lado das zonas de vendilhões) Contentor de compressão de lixo, na Rua Central de T’oi Sán nº 200 Depósito de lixo fechado da Zona de Lazer da Rua Quatro do Bairro Iao Hon Depósito de lixo na Rua Nova de Toi San n°12 Depósito de lixo na Estrada Marginal do Hipódromo Depósito de lixo na Travessa Norte do Patane n°16 Depósito de lixo na Estrada Marginal da Ilha Verde (lado oposto do Matadouro) Depósito de lixo na Rua da Ilha Verde n°51 Depósito de lixo na Rua do General Castelo Branco n°67 Depósito de lixo na Rua do Templo Lin-Fong n°89 Depósito de lixo na Rua Sul do Patane (ao lado do Edf. Fai Tat) Depósito de lixo na Rua Sul do Patane n°181 Depósito de lixo na Rua dos Estaleiros Contentor de compressão de lixo, na Avenida de Horta e Costa Depósito de lixo na Rua de Kun Iam Tong n°63 Depósito de lixo no Beco do Pagode do Patane, n.º 11 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Francisco Xavier Pereira n.º 131 Depósito de lixo na Rua do Coronel Mesquita, n.º 5 Depósito de lixo na Rua de Entre-Campos Depósito de lixo da Rua de Silva Mendes nº1 (Próximo da Casa Memorial do Dr. Sun Yat-Sen) Depósito de lixo na Rua de Tomás Vieira n°80 Contentor de compressão de lixo, na Rua da Alegria n°11B Depósito de lixo no Beco dos Faitiões n°21 Depósito de lixo na Rua da Esperança Depósito de lixo na Calçada de S. Francisco Xavier n°1 Depósito de lixo na Travessa do Armazém Velho n°1 Depósito de lixo no Largo do Pagode do Bazar Depósito de Lixo na Av. do Coronel Mesquita n°85 Depósito de lixo na Rua de Luís João Baptista n°13 Depósito de lixo na Rua de Henrique de Macedo n° 2 Depósito de lixo na Rua do Pato n°12 Depósito de lixo no Pátio de S. Domingos nº 2 Depósito de lixo no Pátio de Hó Chin Sin Tong n°1 Contentor de compressão de lixo, Rua do Almirante Sérgio n.º 13B Depósito de lixo na Zona de Lazer do Largo do Aquino Contentor de compressão de lixo, na Rua Nova à Guia nº. 276 Contentor de compressão de lixo, Rua do Dr. Lourenço Pereira Marques n.º 49 Depósito de lixo no Miradouro de Henry Dunant Contentor de compressão de lixo, Rua das Alabardas, em frente ao nº 10 D

M45 Depósito de lixo fechado na Avenida da Praia Grande nº 291 (Cruzamento com o Pátio do Pagode) M46 Depósito de lixo fechado na Praceta de 1 de Outubro M47 Depósito de lixo fechado na Rua do Almirante Sérgio nº 209 M48 Depósito de lixo na Calçada da Paz n°4 M49 Travessa do Bom Jesus n°16 M50 Depósito de lixo na Travessa da Prosperidade n°26 M51 Depósito de lixo na Av. da República n°2A M52 Depósito de lixo na Rua de S. Tiago da Barra n°15 M53 Depósito de lixo na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.º 745 (ao lado do Jardim Comendador Ho Yin) M54 Contentor de compressão de lixo, no Mercado Provisório do Patane M55 Depósito de lixo na Rua Seis do Bairro da Areia Preta n°152 M56 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Francisco Xavier Pereira n.º 61 M57 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Francisco Xavier Pereira n.º 149 M58 Contentor de compressão de lixo, no exterior do Templo Chok Lam M59 Contentor de compressão de lixo, na Saída do Auto-Silo de Automóveis Pesados da Avenida 1º de Maio M60 Contentor de compressão de lixo, na Estrada Marginal da Areia Preta n.º 87 M61 Contentor de compressão de lixo, na Rua Cidade de Braga M62 Alameda Dr. Carlos d’Assumpção 403 - 439 (Centro Unesco de Macau) M63 Depósito de lixo na Travessa de S. Domingos, n.º 16B M64 Contentor de compressão de lixo, Rua das Estalagens nº. 110A M65 Depósito de lixo na Avenida do Comendador Ho Yin M66 Contentor de compressão de lixo, Estrada de Adolfo Loureiro nº 12J M67 Contentor de compressão de lixo,Rua de Martinho Montenegro nº 13 M68 Depósito de lixo na Rua da Harmonia n°129 M69 Depósito de lixo na Rua do Matapau, n.º 83 M70 Depósito de lixo na Rua das Lorchas n°357 M71 Depósito de lixo na Travessa das Hortas n°3 M72 Contentor de compressão de lixo, no local de encontro da Avenida do Ouvidor Arriaga n.º 4 com a Rua de Silva Mendes M73 Contentor de compressão de lixo, no local de encontro da Avenida do Ouvidor Arriaga n.º 41 com a Rua do Almirante Costa Cabral M74 Contentor de compressão de lixo, no local de encontro da Avenida do Ouvidor Arriaga n.º 99 com a Rua da Madre Terezina M75 Contentor de compressão de lixo, na Avenida da Longevidade nº. 49 M76 Contentor de compressão de lixo, na Rua Nova à Guia nº. 119 M77 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Francisco Xavier Pereira, em frente ao nº 19 C M78 Contentor de compressão de lixo, na Rua da Madre Terezina, em frente ao nº 4 A M79 Contentor de compressão de lixo, na Rua do Lu Cao, n.º 68 M80 Contentor de compressão de lixo, Rua do Bispo Medeiros nº. 24 M81 Contentor de compressão de lixo, Estrada Marginal da Ilha Verde nº. 1162 M82 Depósito de lixo na Praça de Luís de Camões M83 Depósito de lixo na Rua de Luís Gonzaga Gomes (Jardim da Rua de Malaca) M84 Contentor de compressão de lixo, Avenida do Almirante Lacerda nº 72 M85 No local de encontro da Rua Central da Areia Preta com a Rua da Pérola Oriental M86 No local de encontro da Rua Rua Central da Areia Preta com a Rua 1º de Maio

M87 Contentor de compressão de lixo, Rua do Padre João Clímaco n.º 23 M88 Contentor de compressão de lixo, na Estrada da Vitória, em frente ao n.º18 M89 Contentor de compressão de lixo, na Rua de S. Lourenço nº. 8 M90 Contentor de compressão de lixo, na Rua do Almirante Sérgio n.º 165 M91 Contentor de compressão de lixo, na Travessa dos Bombeiros n.º 3ª M92 Contentor de compressão de lixo, na Rua da Ribeira do Patane n.º 159 M93 Contentor de compressão de lixo, na Rua do Infante, em frente ao nº 11 M94 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Coelho do Amaral nº 3 M95 Contentor de compressão de lixo, na Rua de Tomás Vieira nº 68B M96 Contentor de compressão de lixo na Rua de João de Araújo nº 68 (Travessa dos Cules) M97 Em frente da Avenida do Nordeste nº 244 (Edf. TONG WA SAN CHUN, bloco X) M98 Em frente da Rua Nova da Areia Preta nº 213 (Edf. U WA, bloco II) M99 Depósito de lixo na, Rua do General Ivens Ferraz M100 Contentor de compressão de lixo, na Avenida do General Castelo Branco(à frente do Edf. Cheng) M101 Contentor de compressão de lixo, na Avenida do Governador Jaime Silvério Marques nº 203 M102 Contentor de compressão de lixo, no lado oposto do Estrada de Coelho do Amaral nº 40 M103 Contentor de compressão de lixo, Travessa dos Calafates M104 Contentor de compressão de lixo, na Rua do Almirante Costa Cabral nº 88 M105 Contentor de compressão de lixo, na Avenida Marginal do Lam Mau (Avenida Marginal do Patane) M106 Contentor de compressão de lixo, na Rua dos Currais T01 T02 T03 T04 T05 T06 T07 T08 T09 T10 T11 T12 T13

Contentor de compressão de lixo, no Largo dos Bombeiros, Taipa Depósito de lixo fechado na Rua de Évora, Taipa (Jardim da Cidade das Flores) Contentor de compressão de lixo, na Avenida de Kwong Tung, Taipa Depósito de lixo fechado na Rua de Lagos nº 90, Taipa Depósito de lixo fechado na Avenida dos Jardins do Oceano nº 147, Taipa (Ao lado do Centro de Saúde) Avenida Dr. Sun Yat Sen, Taipa (Próximo da estação de autocarros do Edifício Chun Leong) Depósito de lixo na Travessa da Rebeca, Taipa Depósito de lixo fechado na Rotunda do Estádio, Taipa Depósito de lixo fechado no Caminho das Hortas, Taipa Depósito de lixo na Estrada Lou Lim Ieok, Taipa Contentor de compressão de lixo, na Rua de Pequim, Taipa (Edf. Do Lago bloco IV) Depósito de lixo, no Largo da Ponte, Taipa Depósito de lixo na Rua de Viseu, Taipa (ao lado do Edf. De Servicos Socials de Pou Tai)

C01 C02 C03 C04 C05 C06 C07 C08 C09

Depósito de lixo na Rua dos Navegantes, Coloane Depósito de lixo fechado no Largo da Cordoaria, Coloane Depósito de lixo na Avenida da República, Coloane Depósito de lixo na Estrada do Campo, Coloane Depósito de lixo na Estrada de Hac Sá, Coloane Depósito de lixo no Caminho da Povoação de Ká Hó, Coloane Contentor de compressão de lixo, na Alameda da Harmonia, Coloane (Edf. Ip Heng bloco IX) Contentor de compressão de lixo, na Alameda da Harmonia, Coloane (Edf. Lok Kuan bloco III) Contentor de compressão de lixo, na Rua Um de Koi Nga, Coloane (Edf. Koi Nga, entre os blocos III e V)


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director da Sala de Imprensa do Vaticano, Greg Burke, divulgou na terça-feira, 30 de Janeiro, uma declaração na qual afirma que o Papa Francisco está bem informado sobre a situação da Igreja Católica na China e que é “lamentável” que algumas “pessoas da Igreja” afirmem o contrário, causando “confusões e polémicas”. A declaração afirma que “o Papa está em constante contacto com os seus colaboradores, em particular da Secretaria de Estado, sobre as questões chinesas, e é informado por eles de forma fiel e pormenorizada sobre a situação da Igreja Católica na China e sobre os passos do diálogo em andamento entre a Santa Sé e a República Popular da Chinesa, que ele acompanha com especial solicitude”. “Por isso é um surpresa e lamentável que se afirme o contrário por parte de pessoas de Igreja e se alimentem assim confusões e polémicas”, concluiu. Embora não tenha mencionado, a declaração ocorreu um dia depois que o Bispo Emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, publicou no seu portal uma carta na qual explica e analisa a difícil situação da Igreja Católica na China, em particular os bispos, ante as pressões e a perseguição do governo. Na carta publicada no seu portal, o Cardeal recordou que nos últimos dias a imprensa informou que o Vaticano pediu a um bispo para que renuncie e a outro bispo para que aceite a sua renúncia a fim de permitir que os bispos relacionados ao governo assumam os seus cargos. A carta é bem crítica em relação às negociações do Vaticano com o governo chinês, na qual também denuncia vários problemas sofri-

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2.2.2018 sexta-feira

VATICANO PAPA RESPONDE AO CARDEAL ZEN SOBRE A IGREJA CATÓLICA NA CHINA

Lamentável surpresa dos pelos prelados católicos no país: “Vi directamente a escravidão e a humilhação à qual os nossos irmãos bispos estão submetidos”, assinala. O Bispo Emérito pergunta: “Acreditaria que o Vaticano está a vender a Igreja Católica na China? Sim, definitivamente, se estão a ir na direcção na qual estão segundo o que eles estão a fazer nos últimos anos e meses”. As relações diplomáticas entre a China e o Vaticano foram cortadas em 1951, dois anos depois da chegada ao poder dos comunistas que expulsaram os clérigos estrangeiros. Desde então, a China permite o culto católico unicamente à Associação Patriótica Católica Chinesa, subordinada ao Partido Comunista da China, e recusa a

S governos de China e do Irão foram alvos do presidente americano, Donald Trump, no seu primeiro discurso sobre o Estado da União, no qual o chefe de Estado faz um balanço do ano no governo e indica prioridades legislativas ao Congresso. No entanto, os dois países responderam com críticas ao republicano. A China pediu aos Estados Unidos para abandonar sua “mentalidade de Guerra

autoridade do Vaticano para nomear bispos ou governá-los. Há alguns anos, a Santa Sé trabalha num acordo para o restabelecimento das relações diplomáticas com a China, uma aproximação incentivada pelo Papa Francisco. Entretanto, o Papa Francisco prometeu analisar o caso dos dois bispos chineses reconhecidos a quem a Santa Sé havia pedido para se afastar e abrir caminho a prelados ordenados ‘ilicitamente’. A Santa Sé pediu que Dom Zhuang Jianjian, da Diocese de Shantou, de 88 anos e que vive na província de Guangdong, e Dom Vincent Guo Xijin, da Diecese de Mindong, de 59 anos, morador da província de Fujian, se aposentassem das suas funções eclesiásti-

cas. Ambos são reconhecidos por Roma. Zhuang recebeu o pedido para dar espaço a Dom Huang Bingzhang, da Diocese de Shantou, de 51 anos, ilicitamente ordenado e que está excomungado. Guo recebeu o pedido para se afastar a fim de dar lugar ao bispo sancionado pelo governo, Dom Zhan Silu, da Diocese de Mindong, de 57 anos, que também fora ordenado ilicitamente. O Cardeal Zen foi a Roma após uma solicitação de Zhuang para “levar ao Santo Padre a sua resposta à mensagem que recebeu da Santa Sé por uma delegação vaticana em Pequim”. O cardeal disse ter tido sucesso em transmitir ao “Santo Padre as inquietações dos seus filhos fiéis na China” e

Acto à Pequim

A China não gostou das críticas de Donald e “assou-o”, acusando-o de ter “mentalidade da Guerra Fria”

Fria”, depois de Trump classificar Pequim como um rival que ameaça os interesses americanos. “Esperamos que os Estados Unidos abandonem sua mentalidade de Guerra Fria, que é um conceito superado”, reagiu Hua

Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “A China espera trabalhar com os americanos a fim de reduzir diferenças de posição, com base no respeito mútuo, e concentrando-se na cooperação e na gestão

pediu-lhe que considerasse o assunto. “A Sua Santidade disse: ‘Sim, eu disse a eles (Cúria Romana) para não criarem um outro caso Mindszenty’”, escreveu Zen. “Penso que foi muitíssimo significativo e apropriado o Santo Padre  fazer esta referência histórica ao Cardeal Jozsef Mindszenty, um dos heróis da nossa fé”. Mindszenty era o cardeal primaz da  Hungria  sob os anos de perseguição comunista. Após ser condenado à prisão perpétua em 1949, foi libertado na Revolução Húngara de 1956 e recebeu asilo na embaixada americana de Budapeste, onde viveu por 15 anos. Sob pressão do governo, a Santa Sé ordenou-lhe deixar a Hungria em 1971 e,

das diferenças”, enfatizou numa conferência de imprensa. Já autoridades iranianas afirmaram que os comentários de Trump demonstram a “ignorância” do presidente americano. O republicano indicou que é “hora de mudança” no Irão, fazendo referência à onda de protestos no início deste ano. “Trump novamente confirma sua ignorância sobre o Irã e a região. Todos sabemos como ele se posiciona,

imediatamente, nomeou-lhe um sucessor segundo o gosto do governo húngaro. Em Outubro passado, a Santa Sé contactou Zhuang, quando este procurou a ajuda de Zen. O cardeal enviou a carta do bispo ao prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, anexando uma cópia ao Santo Padre. Na época, Dom Savio Hon Tai Fai ainda estava em Roma e levou os dois casos – de Shantou e Mindong – ao conhecimento do papa, quem ficou surpreso e prometeu olhar o assunto com atenção. De acordo com a imprensa católica, Zhuang foi forçado a ir para Pequim em Dezembro de 2017 para se reunir com uma delegação vaticana liderada por um “prelado estrangeiro do alto escalão”. Pediram-lhe que renunciasse e passasse o seu episcopado a Huang. Guo  ficou detido pelo governo por um mês na época da Semana Santa do ano passado, quando lhe solicitaram para assinar um documento afirmando que se “voluntariava” para sair como condição para o reconhecimento do governo. Zen destacou que “o problema não é a renúncia dos bispos legítimos, mas o pedido para abrir caminho a bispos ilegítimos e mesmo excomungados”. Para ele, “com base em informações recentes, não há motivos para mudar de opinião”, já que o governo está a criar regulamentos mais severos que limitam a liberdade religiosa e que “a partir de 1 de Fevereiro, frequentar a missa clandestina [missa não autorizada pelo Estado chinês] não será mais tolerado”. “Será que pode haver algo realmente ‘mútuo’ com um regime totalitário?”, perguntou Zen. “Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?”

e certamente não é do lado dos iranianos”, disse o ministro do Exterior, Javad Zarif, em mensagem no Twitter. “Os seus ‘virtuosos’ clientes ‘democraticamente eleitos’ na nossa região podem comemorar, mas não aqueles que estão na ponta que recebe tirania e armas, incluindo crianças iemenitas”, disse, numa referência à Arábia Saudita, rival regional do Irão, que desde 2015 intervém na guerra civil no Iémen.


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sexta-feira 2.2.2018

CONSUMO JOVENS RICOS VICIADOS EM PRODUTOS E MARCAS DE LUXO

China constrói estação de comboio em 9 horas

Numa amostra de impressionante organização e planeamento, a China construiu uma estação de comboio de alta velocidade em apenas nove horas. O projecto foi iniciado e finalizado neste fim de semana e contou com a mão de obra de 1500 trabalhadores. A obra foi feita na cidade de Longyan, na província de Fujian, no sul da China. Os milhares de trabalhadores foram divididos em sete unidades que simultaneamente trabalharam na construção da estação. Além deles, foram necessários sete comboios e 23 escavadoras para completar a estação Nanlong Railway Station, segundo informações da Xinhua. Com 245 quilómetros de comprimento, a linha de trem Nanlong providenciará transporte entre o sudeste do país e o centro da China, suportando comboios que podem atingir até 200 km/h. A linha segue em construção e deve ser completada até o fim de 2018.

Homem multado por conduzir tanque

Um cidadão chinês foi detido pela polícia, multado e ficou sem carta de condução, depois de conduzir pelas ruas da sua cidade um tanque construído por ele próprio. Segundo o South China Morning Post, o condutor, apelidado de Huang, confessou que queria ficar famoso nas redes sociais, após ter construído um tanque, tendo, para tal, colocado imagens na Internet do seu passeio pelas ruas de Laibin, cidade da província de Guangxi, sudoeste do país. Huang passou dois meses a renovar uma carrinha antiga, à qual acrescentou camuflagem e um canhão, antes de sair para passear, disfarçado de soldado. Na segundafeira passada a polícia interceptou-o ao volante daquele veículo, e levou-o para a esquadra, argumentando que o veículo carecia de matrícula, portas ou pára-brisas. Huang foi multado em 1.750 yuan, por conduzir um veículo não matriculado e não levar consigo a sua carta de condução, que entretanto lhe foi também retirada.

Nove mortos em fuga de gás em fábrica chinesa

Nove pessoas morreram envenenadas por uma fuga de gás nas instalações de uma siderurgia na cidade de Liupanshui, na província chinesa de Guizhou,revelou hoje a agência oficial Xinhua. A fuga de gás foi detetada quando vários trabalhadores levavam a cabo um revisão do gerador da caldeira da empresa Shougang Shuicheng. O acidente, cujas causas ainda estão a ser investigadas, provocou ainda dois feridos ligeiros. Os acidentes industriais são frequentes na China, devido em alguns casos a uma aplicação pouco rigorosa das normas de segurança no trabalho.

Capitalismo de alguns

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UO Jiaxi é uma jovem típica de uma nova geração que está a surgir na China e que aposta no luxo: é jovem, é mulher e não tem medo de gastar. A contabilista de 24 anos, gosta de marcas como Coach e Louis Vuitton e já comprou, para oferecer, um lenço da Acne Studios, um relógio Daniel Wellington ou um cinto Mont Blanc. Com um salário anual de 50 mil yuans, cerca de 6400 euros, a jovem gasta um quinto do seu rendimento em artigos de luxo. “O luxo não é uma necessidade total para mim, mas sempre que tenho dinheiro suficiente, compro”, confessa. Não é a única. O ano passado, de acordo com a consultora Bain & Co, deu-se um aumento “dramático” em compras de luxo na China. E há empresas como a LVMH, que congrega marcas como a Gucci, Kering e Hermès, que olham para os jovens chineses como os principais consumidores de artigos de luxo. A vontade que esta geração tem de gastar – muitas vezes mais do que pode pagar – tem alguns senãos porque se trata de consumidores que não são tão leais às marcas tradicionais, e são influenciados por mudanças de tendências online. “Alguns destes jovens, mesmo quando não têm dinheiro suficiente, continuam a comprar produtos de luxo”, informa Huang Yue, 27 anos, que dirige a secção de moda no portal chinês Loving Luxury. Yue acrescenta que a mudança com os millenials, aqueles com idades entre os 20 e os 34 anos, foi dramática pois estimulou o surgimento de novas áreas, como o streetwear de luxo e o vestuário desportivo, o que a consultora Bain & Co. confirma que é essa a mudança que está por trás do rápido crescimento.

Impulsionados pelo optimismo geral, atraídos pela facilidade das compras online e ajudados por pais que também beneficiaram do rápido crescimento do país, os millenials não só contribuem para o mercado de luxo interno como para o externo.. Esta geração de consumidores deram um impulso de 18 mil milhões de euros às vendas no ano passado, cerca de 20% mais do que no ano anterior. É, de longe, o salto mais alto em mais de meia década de crescimento lento, segunda a Bain & Co.. Os bens de luxo comprados na China representam 8% do total global, enquanto os compradores chineses, que fazem três quartos das suas compras de luxo no exterior, representam 32% das vendas em todo o mundo. O presidente-executivo da LVMH, Bernard Arnault, declara que a China é um mercado “muito dinâmico”, no qual a marca Louis Vuitton é sólida. “A China deu-nos um bom retorno”, disse

à comunicação social há uma semana. A Gucci e a marca de conhaque Remy Cointreau estão entre outras bem conhecidas que registam um crescimento forte no mercado chinês. No entanto, analistas e insiders da indústria, confirmam que os consumidores estão a alargar a gama de marcas que compram, o que coloca um desafio às mais tradicionais. Por exemplo, a Coach e a Burberry revelam que, o ano passado, os seus resultados foram mais fracos, assim como a Prada também sentiu uma quebra nas vendas na China. Por isso, estas marcas têm vindo a estabelecer parcerias com personalidades que são influencers, assim como, no caso da Prada, lançou uma loja online em Dezembro. Revendedores online como a Alibaba e JD.com decidiram lançar as suas próprias plataformas de luxo e vender marcas como Yves Saint Laurent, Stella McCartney e Alexander McQueen. “Os con-

sumidores chineses estão a passar por várias mudanças”, declara Liao Jianwen, director estratégico da JD.com, durante o Fórum de Mercados Globais da Reuters no World Economic Forum, em Davos, acrescentando que estes querem produtos de alta qualidade a “preços competitivos”. Mesmo que os consumidores gastem mais, estão a tornar-se mais exigentes. Veja-se o caso de Zhang Xia, 24 anos, uma jovem que trabalha na área financeira, e que já comprou malas Dior, Louis Vuitton, jóias Bulgari e até já pagou 19 mil euros por um relógio Piaget; mas que agora tornou-se mais difícil conquistá-la. “Cada vez mais, o que eu quero são padrões e objectos originais”, justifica, acrescentando que, tal como Guo, às vezes os pais ajudam-na a pagar as suas compras. Esta mudança teve como consequência o surgimento de áreas que não eram vistas no mesmo espaço do luxo tradicional, como o casualwear, a streetwear e até roupas de desporto premium. Os consumidores também estão mais disponíveis para comprar bens usados, o que significa que as pessoas que fazem compras em primeira mão podem, mais tarde, vender esses artigos, reavendo parte do que gastaram. “Porque sabem que podem vender em segunda mão, as pessoas não são tão rigorosas com os seus orçamentos para artigos de luxo”, justifica Deng Yun, 33 anos, director de operações da plataforma Luxusj, que vende bens de luxo usados. Segundo este responsável, os artigos mais populares no site são as malas Louis Vuitton, Chanel, Gucci e Fendi. Chloe, da casa Richemont, é popular entre compradores mais jovens, enquanto Hermès ainda tem um bom cachet, acrescenta. REUTERS 

HRW DENUNCIA INTIMIDAÇÃO DE FAMILIARES DE FUGITIVOS

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organização de defesa dos Direitos Humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou ontem as intimidações e detenções impostas pelas autoridades chinesas a familiares de suspeitos de corrupção que vivem além-fronteiras, visando pressioná-los a voltarem à China. Uma investigação da organização

revelou que a China está a utilizar os alertas vermelhos da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), cuja presidência pertence ao chinês Meng Hongwei, enquanto persegue e detém familiares de suspeitos de corrupção. Agentes da polícia visitaram familiares sem qualquer documento legal e

ameaçaram com detenção, caso não conseguissem convencer o fugitivo a regressar à China. “As autoridades chinesas exerceram todo o tipo de pressões ilegais sobre os familiares dos suspeitos de corrupção para que regressem à China”, denunciou um comunicado da directora do HRW no país asiático, Sophie Richard-

son. “Não há base legal para estas tácticas traumáticas de culpabilidade por associação”, acrescentou. Segundo a HRW, as autoridades congelaram os bens ou despediram dos seus empregos em empresas estatais cinco dos suspeitos que a China quer extraditar. A polícia proibiu também os seus

cônjuges, pais ou irmãos de viajar para fora do país. Para além da HRW, também a Amnistia Internacional denunciou por várias vezes que a China está a utilizar estes alertas de detenção e extradição contra dissidentes e activistas, para que regressem ao país asiático, onde enfrentam o risco de tortura.


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2.2.2018 sexta-feira

Mesmo alojados numa torre majestosa, ´ continuarão a levar vida de escravos José Simões Morais

Ano Cão

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O próximo Domingo, 4 de Fevereiro, celebra-se a Festa da Primavera (Li Chun, 立 春, Princípio da Primavera), que para os geomantes do Feng Shui é o dia da mudança na regência do signo do ano, quando termina o do Galo Solitário e se dá início ao do Cão na Montanha. Em 2018, pelo calendário lunar, na China o primeiro dia da primeira Lua do ano será a 16 de Fevereiro e assim começará o ano do Cão na Montanha ainda sem ter ocorrido a celebração do Ano Novo Chinês. No último dia da décima segunda Lua, a 15 de Fevereiro, dar-se-á um eclipse solar. No ciclo de 60 anos (60 Jia Zi, 六十 甲子), encontro do Céu com a Terra, este ano Cão na Montanha terá o número 35 e o nome Wu Xi (戊戌), pois corresponde ao Caule Celeste Wu (戊, associado ao elemento yang da terra) conjugado com o Ramo Terrestre Xu (戌 representado no carácter do animal Cão). Sendo Xu (戌) sempre terra e o Caule Celeste corresponde este ano a Wu, elemento Terra yang, teremos para 2018 terra sobre Terra, o que levará a ampliar os dois elementos a si associados: o fogo que cria a terra e a água que é cortada pela terra (pelos elementos água e fogo se criou a Terra). O fogo do Verão, alimentado pela madeira na Primavera, sem água para o cortar, amplia a terra e coloca-nos num dos extremos previstos para ocorrer este ano. Nesse período haverá tremores de terra e os vulcões expelirão magma, terra fortalecida que corta a água e, com esta seca, facilmente se dá a ignição, originando grandes incêndios. Com o fogo a criar mais terra, irá esta ocupar o lugar da água, mas com o metal no Outono a sulcar a terra, a água no Inverno provocará grandes inundações. Calamitosas condições a originar também doenças, epidemias e distúrbios na mente humana, que a poderão levar

a enlouquecer. Organizada no caos, já sem compreender as imagens mentais que controlam a intervenção humana, está a mente predisposta a insanos extremismos, com apologia à descriminação e à guerra. Quando pelo semelhante, o desequilíbrio é levado a atitudes trazidas por fundamentalistas razões criadas pelas individuais verdades. Devido à liberdade de escolher que temos dentro da forma do pensar, cremos serem essas verdades produto do nosso pensamento. Alia-se a isso uma ciência positivista que, enquanto Religião, escolheu como modelo a máquina e assim realiza-se no Deus do Imperfeito. A conjugação de todos estes elementos torna-se um vulcão pronto a expelir a terra que tem dentro de si e serão os efeitos dessas catástrofes a dar folga à mente para vislumbrar de novo o Espírito da Terra. Desde esse Espaço, que dá os significados à matéria, consegue-se reflectir o subconsciente com que materialmente formatamos as realidades, podendo conseguir assim limpar as poeiras projectadas no espelho. Individual ou do Universo.

TERRA SOBRE TERRA

Ano que vai ser de extremos: ocorrerão grandes mudanças com variações entre boas e más situações, consoante a Visão de cada um. É pelas bordas da História que consciencializamos e reconhecemos o lugar por nós ocupado. Por isso, quem olha as realidades, sem necessidade de nelas se impor, e pelo envolvente espaço se coloca como meio, vê-se a ganhar consciência das imagens mentais com que criamos o Universo e o ano servirá de grande aprendizagem e agudeza sobre o que viemos ao mundo fazer.

embrenhado numa montanha de problemas Para quem parte já com verdades, pois ao entrar na realidade logo pela memória se projecta nas materiais formas que alimentam o seu observar subconsciente, não dá espaço ao que fora de si está e o envolve num todo e, por isso, apenas se irá encontrar pelo individual pensar, mantendo-se assim num ano embrulhado em caos e ruído. Prevê-se com um grande segurança, e todos inconscientemente sentimos, que não será um ano fácil, pois não haverá meio-termo. Tudo acontecerá de repente e, descontrolando a mente, valerão essas calamidades para acalmar a loucura propícia ao brotar do vulcão que é a mente humana. Esta, educada no cartesiano sistema de projecção, com o Erro de Perspectiva a empurrá-la para o caos, sem a consciência na Geometria Sagrada da Natureza, só vinga formalmente pela autoridade estatutária. Estruturada num caminho rectilíneo e uniforme, tudo começa e acaba no Eu individual, que é o fim, sem espelho no ondulatório criar ciclos, para alimentar as imagens mentais. Caótico labirinto, sem enredo para levar à saída do subconsciente e, nesse estado Superior de adulto, por que julgamos ser, somos juízes das verdades adquiridas no ouvir dizer e nas narrativas relatadas até à exaustão como notícias, acompanhadas por imagens de televisão que, qual S. Tomé, se tornam verdades. Do vazio, as fontes de informação e educação estruturam o espaço das nossas imagens mentais, transfigurando-as em formais Verdades, pelas quais cegamente lutamos. Veja-se o valor para as nossas vidas que as máquinas têm e lhes damos. A luz da máquina de encontro aos nossos olhos, poderosamente coloca na mente as verdades do ter visto. Com o suporte a

receber a luz do meio ambiente, permite reflectir o que os nossos olhos vêem: espaço entre os objectos e a mente. É perante esta balança que o ano vai oscilar, sendo por isso diferente consoante o espaço dado. Em reflexão pelo nosso interior ou no continuar a esquecer o Erro da Perspectiva, crendo conseguir viver sem estar e a projectar, observa-se de fora revertido ao ponto de fuga. Por que se julga, com o estatutário poder do ser, fazemos o julgamento. Sabe-se pela História, a existência de personagens que, pela autoridade natural e do saber, conseguiram resolver difíceis problemas surgidos e evitaram guerras. São milénios a usarmos a Natureza, sem lhe dar o respeito ao que dela retiramos pois, se somos nós a finalidade, é pelas nossas verdades que a tomamos. Vale ser o cão um animal fiel e emocionalmente sentir o tratamento ético que lhe é dado por quem com ele coabita, entregando-lhe com amor a sua fidelidade. Terá sido o primeiro animal que se deixou domesticar pelos humanos, o que ocorreu há 17 mil anos. Só a partir do vazio se volta a criar ordem, para conseguir sair desse fosso onde já há dois milénios estamos atulhados, sem a ancestralidade proveniente do inconsciente Céu. O fogo controla a terra e esta, aumentando, será inundada pela água; catástrofes poderosas, provocadas pela Natureza que, descontrolando a mente, poderão levar alguns dirigentes a entrar na loucura, valendo a grande neve ou os enormes incêndios para os acalmar. Assim, o poder é entregue naturalmente à solidariedade das pessoas para juntas enfrentem as adversidades. O que temos a esperar para este ano, positivo ou negativo, está na vontade ou desejos colocados por cada um. No Próprio do Todo Um onde nos encontramos inseridos ou, individualmente, no cada um por si.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

sexta-feira 2.2.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

TAPIÈS, MEMBRES

O lugar das coisas

O

S sistemas de rotina nem semestá o pão e o seu cesto. Um sítio onde estão pre coincidem de pessoas para os talheres. As gavetas dos talheres têm divipessoas. Basta perceber que há sórias para garfos, facas e colheres, e até para pessoas arrumadas e pessoas colheres de várias dimensões. Estes “artigos” desarrumadas. Há quem ache que um terceiro viajam até à mesa. São colocados sobre a toavive no caos, quando esse terceiro se dá perfeilha posta. Têm um sítio apropriado, cada lugar tamente com o ambiente que criou. O ponto está reservado para cada pessoa específica da fundamental parece ser este. Um objecto pode família e sem grandes cerimónias. Podemos ser identificado num “topos” que não é a sua alargar a consideração. Olhemos para a nossa “chora”, o seu território, por assim dizer. Cada mesa de trabalho. Pode ser a secretária onde objecto tem o seu território e o território idenuma miúda ou um miúdo estão a fazer os seus tifica também outros objectos com os quais trabalhos de casa. Pode ser a secretária de um está relacionado. Sem esarquitecto, engenheiro, ses outros objectos, um médico, filólogo. A seobjecto pode estar isolacretária é estruturalmenOrganizamos a nossa do. Há um sistema, uma te diferente para cada rede de forças, que idenprofissão e cada profisvida de acordo com os tifica logo uma coisa no sional tem a sua maneiseu sítio com uma relara de arrumar as coisas. sítios pelos quais a nossa ção intrínseca com outra Por exemplo, a sua posicoisa que pode não estar ção relativamente à luz. vida está distribuída no seu sítio. Imaginemos Um dextro recebê-la-á as loiças da casa de bapela esquerda. Será posnho e as da cozinha. Um ta junto à janela ou afasbidé não fica na cozinha por razões óbvias e o tada dela, para não haver distracções. Há livros lava-loiças não fica bem na casa de banho. Mas que eu tenho à esquerda e outros à direita. A o lava-loiças implica uma zona para ter tachos, posição do computador tem de ser confortável pratos e talheres sujos e uma outra zona onde para escrever, para prevenir até a fadiga física. eles são colocados para serem enxugados. O Se pensarmos nos sítios das nossas vidas, perarmário onde serão arrumados está próximo, cebemos que ginásios, hospitais, cafés, sítios etc., etc.. A própria relação do território de públicos e privados têm os seus sítios estrucada objecto pode ser alargado. Pensemos na turalmente determinados para as suas coisas. relação que há entre pôr a mesa ou equipar a A nossa vida lida com sítios inteiros, espaços mesa e levantar a mesa para lavar a loiça. Há públicos, locais e localidades precisamente uma relação entre os sítios próprios onde se como lida com o açucareiro, leite e café. Orgaarrumam copos e pratos, os armários da loiça, nizamos a nossa vida de acordo com os sítios e os sítios próprios onde estão tachos, panelas pelos quais a nossa vida está distribuída. Essa e fervedores, por exemplo. Há um sítio onde organização é temporal.


18 desporto

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MOTOGP ESTUDA PROVAS EM CIRCUITOS CITADINOS

Em Macau? Pouco provável...

O

pequeno mundo do MotoGP, a categoria rainha do motociclismo mundial, recebeu com surpresa a possibilidade do campeonato ter provas em circuitos citadinos num futuro próximo. Todavia, a possibilidade que certamente deixaria muitos fãs locais em estado de êxtase, de Valentino Rossi, Marc Márquez ou Jorge Lorenzo visitarem o Circuito da Guia, é, no mínimo, muito pequena. Numa entrevista ao diário espanhol Expansión, o CEO da Dorna Sports, Carmelo Ezpeleta, revelou que existem planos para uma primeira prova “numa cidade quente”, sendo este, segundo o promotor do campeonato, “um projecto sólido”. No sábado passado, à margem da conferência de

imprensa de apresentação da equipa oficial da Yamaha, o promotor do MotoGP revelou ao site oficial do campeonato mais informações sobre o projecto. “É uma ideia que começámos a falar. Estamos a trabalhar com um governo asiático para tentar fazer um circuito semi-permanente com todas as medidas de segurança de um traçado permanente mas com características interessantes. Não penso que o projecto esteja pronto, no mínimo, até dentro de dois anos.” Ezpeleta explicou que este traçado citadino “tem como característica principal, além de ser um circuito com toda a segurança dentro de uma cidade, um paddock que ficará totalmente coberto, integrado num centro de exposições. Assim, durante o Grande Prémio utiliza-se para apoio à corrida, e

durante o resto do ano pode ser usado para muitas outras coisas. Isso permitiria ter um paddock climatizado numa zona de muito calor.” Apesar das provas de estrada de motociclismo utilizarem estradas públicas, a única prova de motociclismo a nível mundial num circuito citadino continua a ser o Grande Prémio de Motos de

Macau que este ano vai para a sua 52ª edição.

PROBABILIDADES BAIXAS

Apesar das insistências do HM, a Dorna Sport não respondeu às questões colocadas pelo HM sobre e eventualidade do Circuito da Guia acolher um evento do MotoGP no futuro. Contudo, várias fontes ligadas ao

PUB HM • 2ª VEZ • 2-2-18

HM • 2ª VEZ • 2-2-18

ANÚNCIO

ANÚNCIO

Proc. Declaração de herança vaga n.º CV2-17-0059-CPE 2º Juízo Cível Requerente: Ministério Público Requerido: Law Tin Sic (羅天錫), masculino, solteiro, nascido a 13/04/1926, filho do Law Su Wah e da Lei Siu Fong, com última residência conhecida em Macau, na Av. Leste do Hipódromo nº 336, 4º a 7º andares, Lar de Cuidados “Sol Nascente”, falecido no dia 07/06/2017 em Macau. FAZ-SE SABER, que nos autos de Declaração de Herança Vaga, deixado pelo requerido Law Tin Sic (羅天錫), masculino, solteiro, nascido a 13/04/1926, filho do Law Su Wah e da Lei Siu Fong, com última residência conhecida em Macau, na Av. Leste do Hipódromo nº 336, 4º a 7º andares, Lar de Cuidados “Sol Nascente”, falecido no dia 07/06/2017em Macau, são citados por éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, quaisquer interessados incertos para deduzirem a sua habilitação como sucessores daquele falecido no prazo de 30 (trinta) dias, bem como a citação dos credores desconhecidos, para reclamarem os seus créditos no prazo de 15 (quinze) dias, nos termos do disposto nos artºs. 197º nº 1 e nº 2 com referência aos artigos 194º a 196º do C.P.C.M. e bem ainda do artº. 1031º, nº 1 e 1033º nº1, ambos do C.P.C.M. Macau, 16 de Janeiro de 2018 *****

Acção de Interdição n.º

CV2-18-0002-CPE

2º Juízo Cível

Requerente: Ministério Público (檢察院). Requerido: Ng Chun Chi (吳銓枝). *** O MERITÍSSIMO JUIZ DO 2º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: FAZ SABER que foi distribuída ao 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, contra a requerida Ng Chun Chi (吳銓枝), solteiro, nascida em 30 de Junho de 1974, residente em Macau, na Rua de Tin Chon, Tiapa, Lar São Luís Gonzaga, para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, ao 22 de Janeiro de 2018. *****

campeonato consultadas pelo HM acham pouco possível, a começar “pela dimensão reduzida do paddock, passando pelo facto do fim-de-semana Grande Prémio acolher actualmente três competições da Federação Internacional do Automóvel”. O circuito citadino da RAEM tem as suas particularidades, por ser “talvez o único evento nos tempos que correm que conjuga automóveis e motociclos no mesmo programa, sendo este basicamente um circuito montado para automóveis”, explicou ao HM, no passado mês de Novembro, Carlos Barreto, o Director de Corrida do Grande Prémio de Motos. Embora o circuito respeite todas as medidas de segurança impostas pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM), nos últimos anos as alterações feitas ao circuito a pensar na segurança dos concorrentes têm sido na sua maioria pensadas para os automóveis. Há também uma série de medidas suplementares que anualmente são implementadas pela Comissão Organizadora para manter uma articulação saudável com a rotina diária da cidade. Tornar isto tudo possível não é tarefa fácil, visto que a prova de motos de Macau, ao contrário das principais corridas de “Road Racing”, como a Ilha de Man TT ou a NW200, obriga a um entendimento com as entidades responsáveis pelas corridas de automóveis. “É necessário muito diálogo interno para se procurar conciliar as propostas da FIA e, por vezes, esse compromisso pode demorar um nadinha mais”, acentuou

na altura Carlos Barreto, que deu como exemplo “a passadeira para peões no início da Estrada de São Francisco que foi recolocada uns metros adiante e essa alteração, efectuada a título permanente em 2016, contribuiu para melhorar em termos de segurança esta zona do circuito para os pilotos de motociclos.” Mesmo cumprindo todas as rigorosas normas de segurança, fatalidades, como aquela que manchou a edição de 2017, são impossíveis de evitar e estão intrinsecamente apegadas à natureza da competição.

OUTRAS PARAGENS

Na mesma entrevista Ezpeleta admitiu que muitos países têm mostrado interesse em receber provas do MotoGP, admitindo que mais de 20 provas por ano é neste momento difícil, apesar de 22 eventos ser o número ideal do ponto de vista do empresário espanhol. No que respeita ao continente asiático, este ano a popular competição das duas rodas passará pela Tailândia, que se estreia no calendário, pela Malásia, que abdicou do Grande Prémio de Fórmula 1, mas não da sua prova de motociclismo, e pelo Japão, um país que é paragem obrigatória dada a fortíssima presença dos construtores nipónicos. Por muito incrível que pareça, a China continua fora do calendário. O MotoGP visitou o circuito de Xangai de 2005 e 2008, mas para além do evento nunca ter sido financeiramente viável para o promotor local, vários problemas com as alfandegas chinesas saturaram a Dorna. Indonésia deverá ser a próxima paragem asiática do MotoGP já em 2019, caso o novo circuito de Palembang, no sul da ilha de Sumatra, esteja pronto atempadamente. A acontecer, este será um regresso do campeonato à Indonésia que até 1997 organizava o seu Grande Prémio de Motociclismo no Circuito de Sentul. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo


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De vez em quando…

P

O “segundo sistema”

OR acreditar firmemente no legado que representa o pensamento de Deng Xiao Ping, génio ímpar da China do nosso tempo, de que faz parte o princípio “Um País, dois sistemas”; Por sentir que Macau atravessa um momento difícil que pode comprometer a viabilidade do Sistema Político estabelecido na Lei Básica, por deficiência de conhecimento do funcionamento do Estado de Direito, trave mestra em que assenta a edificação do “segundo sistema”; Por entender que as comunidades que formam o tecido social da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China devem entender plenamente a via por que circula o seu destino colectivo e a construção da sua felicidade colectiva, unidas entre si e no respeito individual e colectivo pelos símbolos e autoridades nacionais da República Popular da China; A propósito do almoço oferecido recentemente, a alguns macaenses, por Sua Excelência o Chefe do Executivo, pareceu-me oportuno lembrar um artigo escrito em 28 de de Janeiro de 2005 no jornal “Ponto Final” sob o mesmo título:

KONSTANTIN BESSMERTNY, ART ODISSEY

JORGE MORBEY

O “SEGUNDO SISTEMA”

Ouve-se de vez em quando o lamento de macaenses, com alguma notoriedade em Macau, alegando que o “segundo” sistema os tem discriminado, não lhes dá as oportunidades que merecem, nem reconhece o seu papel legitimador desse mesmo “segundo” sistema. O princípio “um país, dois sistemas” foi a fórmula criada por Deng Xiao Ping para superar o antagonismo ideológico capitalismo/socialismo e abrir caminho à reunificação da China. O objectivo de tal princípio visa harmonizar sob a bandeira da República Popular da China, o sistema e as políticas socialistas do Interior com o sistema capitalista em que assentam as economias de Macau, Hong Kong e Taiwan. Dele não se extrai um mícro de propósito discriminatório. Étnico ou rácico. Nem se vê que o relativo menor sucesso do Sr. Tung Chee-Hwa na RAHEK possa ser atribuído ao déficit de gente lusa em Hong Kong para legitimar o “segundo” sistema. A Lei Básica da RAEM, com generosidade e pragmatismo, confere o estatuto de cidadania aos residentes de Macau, independentemente da sua nacionalidade, ascendência, raça, sexo, língua, religião, convicções políticas e ideológicas, instrução e situação económica ou condição social (art. 25.º).

Passando dos enunciados teóricos à prática, volvidos mais de cinco anos de vida da RAEM, encontram-se deputados portugueses no seu órgão legislativo, assessores portugueses nos gabinetes dos membros do Governo, directores de serviços, coordenadores de equipas de projecto e quadros superiores portugueses por toda a Administração Pública e magistrados portugueses nos órgão judiciais. Na actividade privada é visível a prosperidade de advogados, médicos, engenheiros, arqui-

Discriminação era antes. E não há muito tempo. Quando os chineses, por mais habilitações que tivessem, fora do sistema de ensino português, na Função Pública, por exemplo, apenas podiam ser motoristas ou serventes

tectos, industriais de restauração e outros profissionais portugueses. Nascidos em Macau ou em outras paragens. Sem discriminação. Discriminação era antes. E não há muito tempo. Quando os chineses, por mais habilitações que tivessem, fora do sistema de ensino português, na Função Pública, por exemplo, apenas podiam ser motoristas ou serventes. Macau é cada vez mais um espaço admirável e cheio de oportunidades para todos. A questão é ter unhas, como se costuma dizer em português. Uma bioquímica macaense, preterida em concurso de admissão aos Serviços de Saúde, será a excepção que confirma a regra? Haverá outros casos? Nesta como em outras matérias, a cultura chinesa que enforma o Poder Político na RAEM é muito pragmática. Na linha, aliás, do que dizia também Deng Xiao Ping: “Não importa que o gato seja branco ou preto. O importante é que apanhe os ratos”.


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“There can be little doubt that tourist areas are dynamic, that they evolve and change over time. This evolution is brought about by a variety of factors including changes in the preferences and needs of visitors, the gradual deterioration and possible replacement of physical plant and facilities, and the change (or even disappearance) of the original natural and cultural attractions which were responsible for the initial popularity of the area.” The Tourism Area Life Cycle, Vol. 1: Applications And Modifications Richard Butler

O

turismo está a passar por mudanças fundamentais em relação ao mercado, à estrutura da indústria e ao produto em si, sendo transformações impulsionadas por uma fundamental transição para padrões pós-modernos de consumo, tornando o turismo, uma das marcas de referência dos modos de produção e consumo na economia do conhecimento. Os modelos tradicionais de gestão do turismo e planeamento estão a adaptar-se rapidamente a uma nova realidade em que o turismo joga, quantitativa e qualitativamente, um papel sem precedentes na formação do desenvolvimento económico. Tendo em consideração as interconexões entre o turismo e a cidade do ponto de vista da pesquisa orientada para as políticas, o turismo penetra e influencia cada vez mais as decisões políticas em todas as áreas do desenvolvimento da cidade, tais como o uso da terra, desenvolvimento de locais, regulamentos de construção, infra-estruturas, inovação, qualidade ambiental, inclusão social, empreendedorismo e governança urbana, o que torna urgente incluir perspectivas de turismo nos modelos implementados para enfrentar questões e desafios urbanos. O turismo pode apoiar as cidades na construção da sua reputação, promoção do seu capital relacional na arena global, ao propor e apoiar um modelo de qualidade do desenvolvimento urbano. Além disso, o turismo urbano é, por si, um fenómeno multifacetado. Os diversos tipos de viajantes chegam a uma cidade com propósitos muito diferentes, e as suas múltiplas interacções com os moradores e com as atracções e infra-estruturas da cidade, dão origem a uma variedade de tipos de turismo, daí a existência de uma ampla gama de modelos de turismo sobreposto (e modelos de negócios) que coexistem. O turismo é uma função essencial de contextos urbanos contemporâneos. O potencial e as limitações da integração do turismo nas políticas urbanas são realizados por meio de uma variedade multifacetada e

multidisciplinar de contribuições. A partir de diferente perspectivas, pode ser analisada a forma como a procura do desempenho do turismo pode contribuir para qualidade da vida urbana e para o bem-estar das comunidades locais (qualidade dos espaços, emprego, acessibilidade, inovação e aprendizagem), mas também pode criar riscos, tensões e conflitos, como é atestado pelo aumento de acções anti-turismo em reacção à mercantilização cultural e ao turismo de gentrificação induzida. A esse respeito, a integração do turismo na agenda urbana é condição (tanto intelectual e política), por abordar de forma crítica e positiva as assimetrias produzidas pelo fenómeno do turismo urbano. Tais assimetrias levam a uma (manejável) troca entre os interesses dos residentes e os dos turistas ou desencadeiam um jogo positivo, para o bem-estar dos residentes permanentes e temporários. É de considerar que um ressurgimento do interesse no fenómeno do turismo urbano deve ser conectado com uma variedade de factores de natureza contingente e estrutural. O turismo tem vindo a crescer e a diversificar-se na última década, e num contexto global em rápida mudança, a indústria de viagens tem-se vindo a transformar. As previsões da “Organização Mundial de Turismo (OMT) ”, apontam que o número de chegadas internacionais de turistas no mundo aumentará 3,3 por cento anualmente, em média, até 2030, enquanto, o “Fórum Económico Mundial”, que se realiza anualmente em Davos, prevê que o sector de viagens e turismo crescerá 4 por cento anualmente, a uma velocidade maior do que outros sectores económicos, como a produção, transportes e serviços financeiros. Além das tendências crescentes, a diversificação e a transformação global do fenómeno do turismo tem estado a ser observado e questionado. Os tipos de inovação devem ser analisados, como resumindo os campos em que a novidade e as trajectórias emergentes podem ser procuradas; a inovação a novos nichos de mercado, concentrando-se na abertura de novas oportunidades de mercado através do uso de tecnologias; a inovação regular que segue padrões históricos de acréscimo de mudança; a inovação revolucionária, que deriva do uso intensivo de tecnologias em produtos ou serviços específicos, ainda não envolvendo toda a indústria do turismo; e, finalmente, a inovação arquitectónica que afecta a indústria do turismo como um todo. É importante considerar que um dos desafios actuais no domínio da pesquisa do turismo consiste na identificação de inovações turísticas e na análise dos seus aspectos sociais, efeitos económicos e culturais, bem como da sua capacidade de mudar profundamente a forma como os viajantes, por um lado, e os operadores turísticos se envolvem com desenvolvimento do turismo. O turismo é um fenómeno situado e ao longo da sua evolução na sociedade global, não

JACEK YERKA

O turismo

foi um insignificante factor nas trajectórias evolutivas das cidades. E, no entanto, o turismo urbano parece persistir à margem do debate sobre as cidades, pois raramente é estudado como parte de uma economia, sendo principalmente confinado como um agente de gentrificação e como resultado directo (e quase aceite) da regeneração liderada por processos de cultura. Quais são os motivos da marginalização do turismo em estudos urbanos? A resposta tem em parte a ver com uma história intelectual de que o turismo é relegado a desempenhar o papel de alternativa fácil por atraso das regiões periféricas que permaneceram fora dos processos de industrialização. Têm sido propostos dois tipos ideais, como sejam o turismo de urbanização e a urbanização do turismo, sendo ambos destinados a sinalizar a incorporação do turismo em processos de urbanização. O

último (urbanização do turismo), identifica o turismo como o principal motor de moldagem física, social e económica da cidade. O turismo urbano e o lazer desempenham um papel predominante na produção local. O turismo de urbanização não prevalece na economia urbana, e é uma das muitas dimensões para explicar a trajectória evolutiva das cidades. Existe consciência do crescimento no discurso global do turismo, sobre a necessidade de convergir em um caminho do turismo sustentável que parece coincidir com o turismo de urbanização racional, onde o turismo não assume a liderança na economia local, mas contribui para a diversidade urbana, lazer e cultura atmosférica de consumo. A conceitualização sustentável do turismo urbano é a principal resposta aos efeitos negativos que o seu rápido crescimento tem provocado. Todavia, esforços significativos de pesquisa devem abordar o turismo de


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perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

e a cidade

urbanização, as suas formas, políticas e práticas que o caracterizam e os seus efeitos e limites. O papel do turismo na formação do desenvolvimento social, económico e tecido físico das cidades, faz pressupor a necessidade da existência de aprofundamento de muitas formas intermediárias que o turismo carrega em contextos urbanos. O desenvolvimento do turismo global está intimamente interligado com a trajectória de transformação urbana e urbanização. A população residente deve ser articulada com uma população temporária e oscilante de visitantes, com impacto no tecido físico e socioeconómico urbano. O crescimento desproporcionado em números, aumento de receitas e expansão da presença de turistas em várias áreas urbanas analisados por estudos de vizinhança, instam ao tratamento do turismo como facto urbano significativo. As cidades não são

apenas os principais destinos ou pontos de atenção dos itinerários dos viajantes, mas também são a origem da maioria dos viajantes, dado que 80 por cento dos turistas são provenientes das cidades, e esta é uma das razões fundamentais para a reconsideração do turismo como um factor crucial no desenvolvimento da cidade, como afirma a “Declaração de Istambul de 2012”, promovida pelo OMT, que é a agência da ONU encarregada da promoção turística sustentável e universalmente acessível. Muitos são os países que aceitam que o turismo é um recurso fundamental para as cidades e seus residentes, porque pode contribuir para o rendimento local, bem como para a manutenção de infra-estruturas e prestação de serviços públicos. A “Declaração de Istambul” descreveu o turismo como a maior indústria do mundo, criadora de benefícios económicos e pro-

moção da cultura e bem-estar, bem como da coesão e preservação do património. A OMT enfatizou a importância das políticas públicas que impulsionam os impactos positivos do turismo urbano, enquanto evitam ou mitigam os efeitos negativos, ou seja, se a maioria das políticas de turismo forem concebidas como estratégias autónomas de mercadologia e promoção, em tempo, realizarão uma reflexão estruturada sobre as políticas urbanas integradas. A questão crucial é a de saber em que medida as instituições de ensino superior podem ajudar a comprovar estas afirmações e orientar o debate para a definição de base teórica e acção empírica, responsável, sustentável e acessível ao turismo. Os impactos das viagens nas cidades de destino que recebem visitantes são significativos das perspectivas comerciais, sociais e culturais do turismo. Os gastos dos visitantes constituem uma fonte de negócios cada vez mais importante, constituindo receitas para as cidades de destino, abrangendo a hospitalidade, vendas a retalho, transportes, desporto e indústrias culturais. É um importante motor económico para o emprego e fonte de rendimento para as cidades, e conjuntamente com o fluxo de visitantes, agrega o conjunto de novas ideias e experiências que beneficiam os visitantes e as cidades de destino. Se, por um lado, o turismo é representado como uma panaceia panglossiana para muitos (em alguns casos, até para todos), os problemas de desenvolvimento (como fonte de receita, ideias, emprego, conexão e dinamismo), por outro lado, a consciência dos muitos efeitos negativos do turismo tem alimentado interpretações cada vez mais críticas dos seus impactos e papel nas áreas urbanas, marcando o fim da lua-de-mel das cidades com o turismo urbano, com o surgimento de movimentos anti-turismo pela reivindicação dos moradores ao seu direito à cidade. É de considerar os argumentos esgrimidos na descrição dos efeitos desiguais de aumento de rendimento e deslocamento induzido pela dinâmica urbana associada ao turismo, lazer e consumo, com as consequentes implicações sociais, económicas e exclusão política. O turismo urbano continua a ser um campo imaturo de pesquisa simplista e as descrições sobre o fenómeno turístico da cidade são o resultado, e não se entende como é possível a feitura de legislação sem suporte científico. A falta de estudos científicos sobre o turismo abundam, e desde logo ressaltam os estudos de negligência do turismo nas cidades e das cidades que negligenciam o turismo. É evidente que tem havido uma espécie de consenso implícito sobre a negligência do turismo no processo de urbanização e desenvolvimento económico. A imaturidade do turismo urbano como domínio analítico tem raízes históricas, pois até à década de 1980, a literatura académica sobre o turismo urbano era muito limitada para não dizer quase inexistente, poste-

riormente, o turismo urbano começou a tornar-se parte integrante dos estudos de turismo, embora como um fenómeno bastante distinto e consequente área de pesquisa, pois uma profunda visão rural continuou a caracterizar o turismo por longo tempo. O preconceito anti-urbano caracterizou especialmente o contexto anglo-americano, onde o turismo estava principalmente ligado à ideia de recreação ao ar livre, no campo, onde o contacto directo com a natureza podia ser experimentado, e por contraste, na visão industrial, as cidades foram concebidas como lugares para o trabalho árduo, para as tarefas sérias dos serviços, comércio e governo. Desde a década de 1980, o interesse no turismo urbano cresceu rapidamente, em paralelo com a crescente atenção dada à necessidade de regular e contrariar as externalidades negativas do turismo em cidades históricas. O modelo de férias marinhas ao sol que surgiu na década de 1960 começou a diminuir, enquanto o turismo urbano cresceu. Esta tendência foi impulsionada pelo surgimento e fortalecimento do transporte aéreo de baixo custo, conjuntamente com a melhoria da conectividade das cidades europeias. A liberalização do transporte aéreo na União Europeia significou uma revolução no turismo, uma vez que afecta fortemente os fluxos de viajantes, tanto quantitativamente quanto qualitativamente. As “Transportadoras de Baixo Custo (LCCs na sigla na língua inglesa)” estão a deslocar viajantes para fora das rotas tradicionais, criando novos destinos. Os destinos emergentes são muitas vezes cidades pequenas, geralmente não famosas, onde as companhias aéreas de baixo custo pagam tarifas e taxas aeroportuárias mais baixas. O entusiasmo por um cenário turístico radicalmente dinâmico levou à concepção das LCCs como uma oportunidade não só para expandir a geografia do turismo, mas também para reposicionar destinos bem estabelecidos. O governo de Malta, por exemplo, em 2006, ofereceu incentivos às companhias aéreas de voos baratos em uma tentativa de favorecer curtas férias urbanas e expandir o turismo cultural/patrimonial na despesa do modelo sol e praia. O resultado foi um aumento no número de chegadas, mesmo que não tenham ocorrido mudanças estruturais na procura turística. Ao mesmo tempo, as LCCs desencadearam uma nova onda de discussão sobre a contribuição do turismo para o desenvolvimento local. Tem sido defendido que o facto de o maior número de turistas fluírem, como os permitidos pelas LCCs, nem sempre significam desenvolvimento do turismo local e que nos negócios do destino turístico, sendo necessários modelos que maximizem os benefícios e mitiguem as externalidades negativas.


22 (f)utilidades MUITO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA

7

2Hoje “WINE & MUSIC” – EVENTO DE PROVA DE VINHOS

MIN

Cinemateca Paixão | 17h30

9 4 Diariamente 2 5 6 3 7 4 1 EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES

3 IN7 2010 FROM 4 2 6 3 MACAO/PEQUIM” 4 5 2 1 6 Casa Garden | Até 28/02 2 5 6 1 4 3 2 7 EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION 7 PAINTING 5 BY2DENIS6MURRELL3AND HIS4 OF1 ABSTRACT STUDENTS” CAFÉ IFT 3 2 7 1 4 6 5 1 espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03 6 4 3 7 1 5 2 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” 4 de1Macau2| Até 25/02 6 5 7 3 Museu A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING

6Museu de Arte de Macau | Até 4/03

2 7 1 3 3 5 6 2 Cineteatro C I 5 1 4 7 6 3 5 4 7 2 3 6 4 6 2 1 1 4 7 5

6 7 N 2 1 4 5 3

Com: TomHanks, Meryl Streep 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 14.15, 16.45, 21.45

SALA 3

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 19.15 SALA 2

THE POST [B] Filme de: Steven Spielberg

HUM

45-80%

EURO

10.0

BAHT

0.25

YUAN

1.27

4

3 6 15 1 7 64 3 2

1 3 2 6 7 5 4

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9O CARTOON STEPH

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DE

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SOBRE O ASSÉDIO

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 9

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UM 5 4 2 5FILME 3 4HOJE 7 6 4 111 6 filme, 7 do 4 2 francês 5 1 Este realizador E M A Guillaume Canet, consegue levar 3 o 7espectador 6aos dos extremos 3 6 3 1 6 2 5 emocionais, do riso à emotivi6 7 dade dramática. O argumento de 2 7 3 Petits6Mouchoirs”, 5 1 de 2010, 4 2 “Les centra-se em torno de um grupo de 65 que amigos 1 5 2 se5reúne 7 4todos 3 os1anos 4 casa de férias de um deles. O 5 em filme começa 7 3 1 4 com 2 um7acidente 6 de 3 mota de um dos pilares do grupo social, que assombrará 46 a deterioração 6 2 2 4 assim 1 como 5as férias 3 de 7 todos, de relações amorosas longas. 4 “Les Petits Mouchoirs” tem um elenco de luxo, de onde se destaca François 3Cluzet, Marion 2 Cotillard, Jean Dujardin e Gilles Lellouche.

SALA 1

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C][3D]

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THE POST MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C]

MAX

PÊLO DO CÃO

5 3 7 Sofitel Macau At Ponte 16 | 19:00 - 22:00 7 1 3 6 4 2 5 2 37 Amanhã 6 2 4 1 7 5 3 24 WORKSHOP FILM MARKETING IN THE INFORMATION AGE 4 3Paixão5| 17h307 1 6 2 6 Cinemateca 1 O EXORCISMO PERFORMANCE, DE JOSÉ DRUMMOND 5 6 2 4 3 7 1 5 Livraria Portuguesa 18:30 - 20:30 1 7 6 5 2 3 4 3 4 1 MÚSICA: BE-ATS FEAT PATRICK ZIGON Live 3Music4Association 7 | 22h00 2 5 1 6 2 2 5 1 3 6 4 7 3 Domingo WORKSHOP FILM MARKETING IN THE INFORMATION AGE

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Com momentos que oscilam entre o hilariante e o profundamente dramática, o filme de Canet é daqueles que não cai no esquecimento com facilidade. João Luz

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PROBLEMA 10

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Polarização de tudo, guerras por nada, palavras que são granadas e que não buscam o esclarecimento, este é o mundo em que vivemos. O assédio sexual é um dos temas que não merecem ponderação no planeta das caixas de comentários das redes sociais, onde a norma é a anormalidade. Ou as vítimas merecerem todas as sevícias, faltas de respeito e invasões molestadoras por usarem saia, ou pintarem os lábios de vermelho, ou cortejar é o equivalente a uma violação em grupo num autocarro indiano. Nem tudo ao mar, nem tudo à terra. Aproveito para me dirigir aos dois pólos. Primeiro aquele que acho mais fácil por não estar sedimentado na cultura desde a origem da espécie. O amor não pode ser um acordo de partes, frio como a celebração de um contrato. Já estamos demasiado robóticos nas nossas rotinas, não matem uma das poucas características que marcam a nossa humanidade e que se consegue manter o mais pura possível. O cortejo não é agressão, é um elogio à beleza do outro, mesmo que seja puramente física. Agora o lado do espectro onde o domínio de um dos lados tem ramificações pré-sapiens. As vítimas não falaram mais cedo, ou só agora apresentaram queixas, porque mesmo só falando agora vocês dizem que são oportunistas, ou putéfias merecedoras do castigo que tiveram, ou provocadoras capazes de desalinhar qualquer tesão pouco disciplinada. Molestar uma mulher há um par de décadas era normal, não merecia particular censura da sociedade, além de despoletar uma reacção forte contra a vítima. É por isso que só agora que a tampa se abriu que cheira a esturro. Encontramo-nos no meio? João Luz

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4LES PETITS MOUCHOIRS | GUILLAUME CANET 3 1 7 2 5 6

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STAYCATION [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Johnson Lee 14.30, 19.30

FATE/STAY NIGHT HEAVEN’S FEEL I. PRESAGE FLOWER [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Tomonori Sudo Com: Johnson Lee, Louisa So, Ti Lung, Chin Siu-Ho 17:00, 21:30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


retrato 23

sexta-feira 2.2.2018

VIRU BADWAL, PROFESSOR DE YOGA

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Fazer yoga é estar mais vivo

ÃO é difícil entrar no Macao Fitness e, dentro de uma sala envidraçada, deparar com um professor que faz parecer simples, autênticos contorcionismos. Trata-se de Viru Badwal, o professor de yoga que veio da Índia e está encantado com Macau. A modalidade que agora está na moda, sempre foi uma constante na vida deste mestre, mesmo sem o saber. “Sou da Índia, de uma região situada no norte do país, Rishikesh. É uma região espiritual, onde não há indústrias e é conhecida por ser o berço do yoga”. Não admira que a modalidade tenha constado desde sempre da vida de Viru Badwal, mesmo que não tivesse dado por isso durante muitos anos. “O yoga estava em todo o lado diariamente e não era necessário dar-lhe nome. É uma forma de estar na vida, não precisa de ser falada ou ensinada”, começa por contar ao HM.  «Desde criança que quando acordava começava o dia com a minha mãe a fazer orações e meditação e à noite fazíamos o mesmo”, ilustra. Depois do 12º ano e com a entrada na universidade é que percebeu que existia um curso especial desta modalidade, ou “forma de estar na vida”, como prefere chamar. Mas ainda não foi nessa altura que assumiu o yoga para a vida.

Escolheu o curso de comércio e negócios. “A opção por uma área comercial foi simples, existiam muitos empregos no sector”. Mas quando começou o curso e logo no primeiro ano, havia uma disciplina de desporto e uma das modalidades era o yoga. “Optei por esta modalidade e os professores gostaram da minha prestação, achavam que fazia as coisas bem e escolheram-me para avançar para níveis superiores”, conta. “Acabei por participar três vezes em campeonatos nacionais”, recorda. Se em pequeno o yoga não tinha nome e era integrante dos actos do dia a dia, na faculdade passou a ser um desporto e só depois é que veio o resto, “o mais importante, a filosofia”. Acabou a licenciatura na área comercial e não hesitou em tirar o curso especial de yoga. De aluno exemplar a professor da modalidade não foi um trajecto evidente nem fácil. “Uma coisa é praticar, outra é ensinar”, diz. Foi depois de todo este processo que a modalidade teve um verdadeiro sentido para Viru. “Yoga significa mudança com o tempo”, diz. “Aprendi que o yoga é uma coisa interna que começa pelo corpo com o exercício físico. Trabalhar o nosso corpo reflecte-se no nosso estar e para mim o yoga é isso mesmo, mudar com o tempo, mudar por

dentro através do exterior. É estar consciente destas mudanças”, explica o professor.

VIVER MAIS

É esta consciência que permite aquilo a que Viru chama de “viver mais”. A razão é simples: “porque temos mais noção do que se passa tanto dentro de nós como à nossa volta. Vivemos mais portanto”. Para o mestre é importante que as pessoas saibam estar “aqui e agora”. Com isso, aponta, conseguem estar mais atentas e perceber melhor o mundo que as rodeia. “Por exemplo, aqui no trabalho, pode não parecer, mas acabo por perceber, à entrada de cada aula, a forma como cada um dos meus alunos coloca as sapatilhas à porta e as meias lá dentro ou ao lado, depois, como olham e falam e entendo como estão. Dá-me uma percepção muito mais rica, é como se estivesse mais vivo”, refere. Mais, diz, o yoga também ensina a gentileza do trato, facto de quem é a personalização. Viru Badwal é o mestre do sorriso e das palavras ditas de forma doce.

MACAU, UMA CIDADE MARAVILHOSA

Em 2007 saiu da Índia e foi para a Malásia. Daí, veio para Macau. Para descrever o território Viru não usa muitos adjectivos. Apenas um: “espetacular”.

“Quando cá cheguei, a primeira vez em 2008, vinha com medo principalmente por causa da língua. Naquela altura ainda não havia muita gente a falar inglês. Mas com o tempo isso foi mudando e o que sinto agora é que as pessoas aqui são bastantes felizes. Talvez seja pelo facto da cidade ser pequena e com uma situação económica muito boa”, explica. Por outro lado e para justificar esta sua percepção do território, Viru Badwal recorre à situação da terra natal. “Onde nasci, não há muitas oportunidades de emprego e há muita pobreza. Mesmo comparado com Malásia, Macau é muito melhor. As pessoas são mais simpáticas e há muito mais segurança”, aponta. Para o professor de yoga, o facto de cada vez mais pessoas se interessarem pela prática desta modalidade nos últimos anos não é surpresa. “Fazem-no porque é bom, porque se sentem bem. É simples”, refere. Por outro lado, o yoga “é um espaço onde as pessoas têm oportunidade de relaxar e de colocar a mente em paz por momentos”. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


Quem descansa entre nuvens brancas não precisa de possuir a montanha. Han Shan

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Rússia advertiu ontem os Estados Unidos de que a Crimeia é território russo e que os aviões de reconhecimento norte-americanos que sobrevoarem aquela península no mar Negro serão recebidos por caças russos e não por aparelhos ucranianos. “Gostaríamos de recordar ao comandante do grupo operativo 67 da sexta frota [dos Estados Unidos] de que a Crimeia é um território inalienável da Rússia. Ao enviar os seus pilotos em missões de reconhecimento para a área do mar Negro, deve levar em conta que serão recebidos por caças russos, e não pelos seus parceiros ucranianos”, disse o Ministério da Defesa russo, num comunicado. A outra opção será, segundo acrescentou a nota informativa num tom qualificado pelas agências internacionais como irónico, “distribuir por todas as tripulações novos mapas com o tracejado correto das (novas) fronteiras do espaço aéreo da Rússia”. Moscovo respondeu desta forma ao Departamento

RÚSSIA REAFIRMA TUTELA DA CRIMEIA

Urso bravo de Estado norte-americano que acusou, na segunda-feira, a Rússia de ter efetuado uma manobra militar perigosa no espaço aéreo internacional sobre o mar Negro. Segundo Washington, um caça SU-27 russo voou a cerca de cinco pés (1,52 metros) de um avião patrulha EP-3 da armada norte-americana, “violando flagrantemente as leis e os acordos internacionais”. O Ministério da Defesa russo indicou que o EP-3 aproximou-se da fronteira do espaço aéreo da Crimeia com o ‘transponder’ (dispositivo de comunicação eletrónico) desligado, e como tal os caças russos descolaram para monitorizar o aparelho norte-americano. “As manobras do caça russo foram regulares, absolutamente legais e não representaram nenhum perigo para o aparelho de patrulha dos Estados

CIENTISTAS CRIAM ORELHAS COM IMPRESSORA 3D

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ELA primeira vez na China, cientistas conseguiram reconstruir orelhas humanas a partir de tecnologia de impressão 3D e células humanas, de acordo com um artigo publicado na revista “EBio Medicine” nesta terça-feira. A reconstrução foi feita em pacientes que sofrem de microtia - uma deformidade congénita em que a orelha não é desenvolvida até os primeiros meses de gestação.Afecta a audição, mas também pode acarretar outros problemas de carácter fisiológico e psicológico. Os cinco pacientes tinham entre 6 e 9 anos de idade. Para a reconstrução do órgão, os cientistas ‘scanaram’ as orelhas e trans-

feriram os dados para uma impressora 3D, criando um molde novo. A cartilagem do órgão foi desenvolvida in vitro, ou seja, fora do organismo vivo. Para tal, foram utilizados condrócitos - células presentes no tecido cartilaginoso - que foram colocados em um suporte biodegradável e desenvolvido em tubo de ensaio. Além disso, a cartilagem foi utilizada para a reconstrução auricular dos pacientes e alcançou resultados satisfatórios ao longo da maturação do tecido, que levou aproximadamente 2 anos e 5 meses. De acordo com a revista “EBio Medicine”, a microtia atinge 1 em cada 5 mil pessoas mundo. Mas, em países latino-americanos e asiáticos, esse índice aumenta. Como o corpo humano possui diversas reacções ao processo, a cirurgia ainda não pode ser feita para fins estéticos.

Unidos”, salientou o comunicado da Defesa russa. As forças russas “vão continuar a garantir a vigilância das fronteiras do espaço aéreo da

Rússia”. “Se isto provoca depressões ou fobias aos pilotos norte-americanos, recomendamos ao lado norte-americano que desista destes voos perto das fronteiras russas ou que volte à mesa das negociações para acordar regras”, concluiu a nota informativa de Moscovo. A 16 de Março de 2014, a península ucraniana da Crimeia realizou um referendo não reconhecido por Kiev (Ucrânia) nem pela comunidade internacional, no qual quase 97% dos votantes disse sim à reunificação com a Rússia. Dois dias depois, a 18 de março, Moscovo consumou a anexação do território ucraniano, criando dois novos sujeitos membros da Federação da Rússia: a República da Crimeia e a cidade de Sebastopol. O Presidente russo, Vladimir Putin, sempre defendeu que a Crimeia é um território historicamente russo que foi injustamente integrado na Ucrânia em 1954, quando ambos os países faziam parte da União Soviética. Na sequência da anexação, a Rússia é alvo de sanções por parte dos Estados Unidos e da União Europeia.

PONTE HZM MACAU PAGA 3,3 MIL MILHÕES

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ACAU pagou cerca de 2,6 mil milhões de yuans (mais de 3,3 mil milhões de patacas) para a construção da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, noticiou a Teledifusão de Macau (TDM). A televisão indicou na quarta-feira à noite que o aumento dos preços com materiais e trabalhadores, devido a reajustamentos da concepção e do programa de execução, obrigou o Governo de Macau a pagar mais 590 milhões de yuans. No ano passado, os custos do projecto aumentaram cerca de 4,7 mil milhões de yuans a dividir pelos Governos das três regiões, que participam na construção e administração conjunta da nova ponte. A construção da ponte foi orçamentada em 38,118 mil milhões yuans, quando foi assinado, em 2010, o acordo tripartido que permitiu avançar com o empreendimento. O

encargo de 15,73 mil milhões de yuans foi suportado por Hong Kong, Zhuhai e Macau. Em Novembro passado, as autoridades tinham estimado o aumento dos custos podia ser de 11 mil milhões de yuans, de acordo com o Gabinete de Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI). A comparticipação de Macau nos custos de construção é 12,59%, inicialmente orçados em 1,98 mil milhões de yuans, acrescentou. Iniciado em Dezembro de 2009, o projecto, com uma extensão total de 55 quilómetros, inclui uma ponte principal de 22,9 quilómetros e um túnel subaquático de 6,7 quilómetros, sendo uma infra-estrutura importante na estratégia de integração da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, que pretende criar uma região metropolitana de nível mundial. A 8 de janeiro, o jornal China Daily tinha noticiado que a nova ponte podia abrir em Maio ou Junho próximos, dependendo dos trabalhos de construção dos postos fronteiriços em Zhuhai e Hong Kong. Sem precisar uma data para a abertura da ponte, o diário, que citou fontes não identificadas, acrescentou que o posto fronteiriço em Macau deverá ser o primeiro a ficar pronto, dado o ritmo dos trabalhos.

PALAVRA DO DIA

sexta-feira 2.2.2018

Hong Kong Bairro evacuado por causa de bomba da II Guerra Mundial

Milhares de pessoas foram ontem retiradas do bairro de Wanchai, em Hong Kong, devido ao perigo de rebentamento de uma bomba de 450 quilos dos tempos da Segunda Guerra Mundial, encontrada numa zona de construção. Segundo relatos das autoridades locais, dezenas de especialistas estão a tentar desactivar o engenho explosivo, o que levou à retirada forçada de mais de quatro mil pessoas no distrito comercial e financeiro de Wanchai, um dos mais movimentados da cidade. No espaço de quatro dias é a segunda bomba dos tempos da Segunda Guerra Mundial que é encontrada naquela área urbana, onde decorrem escavações no subsolo. Uma primeira bomba de 450 quilos dos tempos da Segunda Guerra Mundial provocou na quarta-feira o encerramento de várias ruas importantes e a suspensão de serviço de balsas no bairro. “A bomba está numa situação perigosa. O mecanismo do fusível está gravemente danificado e a sua posição impede que a nossa equipa trabalhe de uma maneira eficiente”, disse ao jornal South China Morning Post o especialista em desativação de engenhos explosivos Alick McWhirte. Segundo as autoridades locais, ambos os engenhos explosivos foram lançados pela aviação militar americana durante a Segunda Guerra Mundial, ficando “incrustados no solo” sem explodir até agora.

Esquis em silêncio

A delegação norte-coreana, composta por esquiadores e patinadores que vão competir nos Jogos PyeongChang2018, chegou ontem à Coreia do Sul, juntando-se ao grupo de jogadoras de hóquei no gelo integrantes de uma histórica equipa conjunta dos dois países. A delegação, composta por 32 membros, 10 dos quais atletas, liderada pelo vice-ministro dos Desportos da Coreia do Norte, chegou em silêncio, ignorando as perguntas do batalhão de jornalistas, escoltada por um forte dispositivo de segurança. Um primeiro grupo, constituído por 12 jogadoras de hóquei no gelo nortecoreanas e três técnicos, tinha chegado à Coreia do Sul em 25 de janeiro, com vista à participação nos Jogos Olímpicos de Inverno, entre 9 e 25 de Fevereiro. Esta será a primeira equipa conjunta apresentada pelas duas Coreias - que tecnicamente se mantêm em guerra desde a década de 1950 - num evento desportivo desde 1991, estando previsto que os dois países desfilem sob a chamada bandeira unificada, na cerimónia de abertura. A formação da equipa conjunta fez parte dos históricos acordos alcançados em Janeiro entre as duas Coreias, após anos de tensão crescente devido ao avanço nuclear do regime de Pyongyang, que permitiram a participação do Norte nos Jogos de PyeongChang2018.

Hoje Macau 2 FEV 2018 #3986  

N.º 3986 de 2 de FEV de 2018

Hoje Macau 2 FEV 2018 #3986  

N.º 3986 de 2 de FEV de 2018

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