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MOP$10

SEXTA-FEIRA 2 DE DEZEMBRO DE 2016 • ANO XVI • Nº 3709 PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

SÉRGIO AIRES

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

RUI REININHO

Toca a afinar

JOGO

Bons velhos tempos

EVENTOS

PÁGINA 7

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Perguntar

hojemacau

ALFÂNDEGA

Irmãos na massa PÁGINA 7

LAG 2017 ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA

PROPOSITOS DE ALEXIS ´

Ontem foi a vez do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura subir ao palco do hemiciclo. Tabaco, revisão das carreiras do ensino privado e a

defesa da língua portuguesa, foram temas centrais em mais um dia de discussão das Linhas de Acção Governativa para 2017, na AL.

PÁGINAS 4-5 PUB

Objecto discreto ANABELA CANAS

EFEMÉRIDE

AS LEIS DO CAOS

GRANDE PLANO E PUB

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PAULO JOSÉ MIRANDA

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2 GRANDE PLANO

EFEMÉRIDE MOTIM 123 ACONTECEU HÁ 50 ANOS

OS DIAS DO CAOS O projecto de construção de uma escola na longínqua ilha da Taipa mais os dias quentes da Revolução Cultural levaram a que parte da comunidade chinesa se tenha revoltado contra a Administração portuguesa no ano de 1966. Jorge Fão começava a carreira como funcionário público; António Cambeta tinha acabado de chegar. Hoje recordam dias difíceis que já não voltam

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Á 50 anos aconteceu no centro histórico de Macau o que hoje seria impensável: pessoas foram mortas a tiro, foram arrancadas pedras do chão para servirem de armas e estátuas de personalidades portuguesas foram derrubadas. Tudo começou no dia 3 de Dezembro de 1966, com um motim desencadeado pela comunidade chinesa que demoraria cerca de dois meses a ser sanado e que só seria totalmente resolvido com a chegada ao território do Governador Nobre de Carvalho. Viviam-se na China os tempos da Revolução Cultural, imposta por Mao Zedong, e em Macau sopravam ventos comunistas. O longo embargo à construção de escola, na Taipa, ligada ao Partido Comunista Chinês, levou a que um grupo de

pessoas tenha despoletado um motim contra a Administração portuguesa. Jorge Fão, ex-deputado e actual dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), tinha na época pouco mais do que 18 anos. Com uma maioridade atingida à força, pois precisava de trabalhar, Jorge Fão tinha acabado de ingressar na Função Pública e trabalhava nas instalações do antigo tribunal. Recorda um motim que começou com um episódio aparentemente sem importância. “Queriam construir uma escola na Taipa e o administrador das Ilhas na altura, de apelido Andrade, mandou embargar a obra. Dizia que não tinha licenças e claro que as pessoas fizeram barulho. Mas isso alastrou porque demos

oportunidade. Nós, portugueses, não tivemos sensibilidade para perceber a situação política da China”, recorda Jorge Fão ao HM. António Cambeta chegou como militar a Macau em 1963. Quando o motim explodiu nas ruas, já trabalhava numa empresa de navegação na Avenida Almeida Ribeiro e tinha uma namorada chinesa, hoje sua mulher. Recorda os momentos negros em que os acontecimentos da Revolução Cultural se fizeram sentir em Macau. “Os chineses andavam muito saturados da Administração portuguesa e da forma como eram tratados. Eram rebaixados em tudo e para tratarem de qualquer assunto junto da Administração tinham de pagar por baixo. Até então estavam calados, mas o episódio da escola e o início da Revolução Cultu-

ral fizeram com que tudo desse uma volta”, contextualiza. “Os comunistas reuniram-se perto do hospital Kiang Wu, na véspera do dia 1 de Dezembro, e nessa noite saíram para o centro da cidade. Morava nessa altura na Rua Coelho do Amaral e à hora de jantar ouvi um grande barulho. As pessoas começaram a mandar vir contra os portugueses. Fui à janela e vi que era esse grupo de comunistas a fazerem barulho. Estava a jantar em casa da minha namorada, chinesa, e fiquei ali.” Começou então a perceber que viriam tempos difíceis para os portugueses. “Apanhei o autocarro e o condutor disse-me: ‘Hoje ainda entra, mas amanhã já não pode apanhar o autocarro, porque temos ordens superiores para não vendermos nada aos portugueses’. Aí


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O significado da luta

já havia a separação entre as duas comunidades. Fui para casa almoçar e já não voltei para o serviço.”

Palestra sobre o motim amanhã na Livraria Portuguesa

MORTES NA RUA CENTRAL

Numa altura em que Macau não tinha governador, Mota Cerveira, comandante militar em funções, não soube travar o avanço da revolta. “Os chineses aproveitaram e fizeram uma série de manifestações em Macau e na Taipa, e exigiram a demissão do administrador das Ilhas e do comandante da PSP. Começaram a disparar, mataram-se umas pessoas, uma triste memória”, frisou Jorge Fão. Fão recorda o momento em que lhe passaram uma arma para as mãos, para se defender de eventuais perigos. “Aquilo foi um barulho infernal durante vários dias. Aquilo foi piorando, de tal maneira que gerou tumultos por todo o lado. Armaram os funcionários públicos e deram-me uma espingarda daquelas antigas, com cinco munições, para nos protegermos. Quiseram invadir a esquadra da polícia, na Rua Central, com camionetas a subir a rua. Houve disparos de metralhadora e fizeram recuar as pessoas. Depois invadiram o Leal Senado e derrubaram uma estátua do Coronel Mesquita.” As mortes que ocorreram na Rua Central (oito mortos e algumas centenas de feridos), causadas por disparos de polícias portugueses que tentaram evitar a confusão, geraram ainda mais revolta. “Com a morte dos chineses, a maioria da população comunista em Macau ficou revoltada. Nas Portas do Cerco havia muitas pessoas ligadas à Revolução Cultural que queriam invadir Macau. Isso poderia ter sido evitado se o administrador das Ilhas não tivesse prolongado por tantos anos a construção da escola chinesa”, diz António Cambeta. No Leal Senado e na Avenida da Praia Grande derrubaram-se estátuas. “Muitos deles eram chineses ultramarinos e foram para o Leal Senado, mandaram a estátua do Coronel Mesquita abaixo, mandaram livros para o chão, e foram para a conservatória, onde é hoje a

H “Com a morte dos chineses, a maioria da população comunista em Macau ficou revoltada. Nas Portas do Cerco havia muitas pessoas ligadas à Revolução Cultural que queriam invadir Macau.” ANTÓNIO CAMBETA EX-MILITAR

“Armaram os funcionários públicos e deram-me uma espingarda daquelas antigas, com cinco munições, para nos protegermos.” JORGE FÃO ANTIGO DEPUTADO À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA Santa Casa da Misericórdia. Queimaram tudo. Depois partiram um braço à estátua do Jorge Álvares. Depois a polícia, como não tinha qualquer preparação, começou a largar gás lacrimogéneo. A partir daí todos os restaurantes e lojas não vendiam nada aos portugueses, foi um período com muita tensão. Muitos portugueses pediram para levar as suas coisas para Lisboa”, recorda o antigo militar.

A SOLUÇÃO DO GOVERNADOR

Nomeado Governador, Nobre de Carvalho chegou ao território sem saber o que, de facto, se estava a passar. “Apanhou o motim sem saber como nem porquê e conseguiu resolver o assunto com a ajuda de Carlos Assumpção [antigo presidente da Assembleia Legislativa]. Admiro que uma pessoa com um posto militar elevado tenha conseguido salvar o território. Ele aceitou as condições impostas pelos chineses, indemnizou as famílias dos membros que foram mortos

com os disparos. Assinaram uma declaração de arrependimento. Constava que o exército chinês estava aqui ao lado, pronto a entrar no território”, afirmou Jorge Fão. Também João Botas, jornalista e autor de vários livros publicados sobre a história de Macau, destaca o papel que Nobre de Carvalho teve neste período. “Só soube do que se estava a passar pelo Governador de Hong Kong e foi difícil tentar inteirar-se de tudo. Foi tudo uma bola de neve que era impossível controlar de outra forma. Poderiam ter sido evitadas algumas mortes”, nota ao HM. “Nunca teve o apoio oficial do Governo português e aí não foi fácil para Nobre de Carvalho. Fala-se da humilhação pela forma como ele resolveu o assunto, mas não vejo assim. Bem ou mal, com a ajuda de elementos da comunidade chinesa, resolveu um assunto que foi dramático e que poderia ter tido consequências”.

Á cerca de três anos que o jovem activista Sou Ka Hou começou, por sua iniciativa, a estudar o que aconteceu há 50 anos no dia 3 de Dezembro de 1966. O antigo presidente da Associação Novo Macau decidiu pegar em meses de pesquisa e escrita, e realizar uma palestra para lembrar à população que um dia os chineses saíram à rua para lutar por algo em que acreditavam. “A história que os residentes de Macau devem conhecer: meio século sobre o turbulento motim 123” é o nome da palestra que irá decorrer na Livraria Portuguesa no domingo, entre as 15h e as 18h, e que contará com vários historiadores e académicos que se debruçam sobre o tema. Ao HM, Sou Ka Hou lamenta que as escolas não ensinem o motim 123 aos mais novos. “As pessoas de Macau conhecem pouco a história local e este motim é considerado um dos acontecimentos mais representativos da história de Macau. Quero aproveitar este momento para atrair o interesse das pessoas, sobretudo dos mais jovens, deixando-os conhecer a história a partir deste assunto, para que depois tenham interesse sobre outros assuntos importantes”, diz. “Parece-me que a sociedade não é mais pacífica e que ainda existem algumas confusões, e

este acontecimento pode levar as pessoas a pensar, para que a sociedade avance. É uma pena que os manuais da história de Macau não falem disto, além de não registarem outros episódios da história”, defende ainda o actual membro da Juventude Dinâmica de Macau. Sou Ka Hou recorda que a maior parte das associações tradicionais de cariz político, como a União Geral das Associações de Moradores (Kaifong), surgiu após o 123. “O 123 demorou cerca de dois meses e aconteceu num lugar pelo qual muitas pessoas passam todos os dias. Mas poucos sabem que lá aconteceu este motim. Quando estava a investigar sobre isto percebi que este assunto estava muito próximo de nós, pois todos os dias passamos no Leal Senado. É uma grande inspiração pessoal e também para a sociedade, pois no passado reunimo-nos em conjunto para lutar por alguma coisa. Todas as associações foram fundadas após esse episódio. Há a ideia de que as pessoas de Macau muitas vezes não falam e não reagem a questões injustas, achamos que os locais são sempre indiferentes, mas segundo a história não foi sempre assim. Mas as escolas agora não nos ensinam isso. As pessoas de facto lutaram por algumas coisas”, rematou o activista. A.S.S. /A.K.

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

ACONTECIMENTO TROUXE “MAIOR VISIBILIDADE ÀS ASSOCIAÇÕES”

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ARA o investigador Fernando Sales Lopes, o motim 123 serviu sobretudo para dar mais poder às associações de matriz chinesa que já existiam, como a Associação Comercial de Macau e os Kaifong (associação de moradores). “O pós-123 acaba por trazer outra estabilidade,

Macau foi-se preparando a pouco e pouco para a transição de poder, apesar de faltarem ainda três décadas. Sempre houve um poder chinês e um poder português, e havia sempre uma negociação diária”, afirma. “Depois do 123 houve um reforço do poder das entidades chinesas. Ho Yin, entre ou-

tros, teve um papel relevante neste período. As relações diplomáticas entre a China e Portugal só voltaram a ser restabelecidas após o 25 de Abril de 1974 e só estes capitalistas patriotas desempenhavam o papel de intermediários. Este papel de intermediários entre o poder português e a China acaba por vir a ganhar

mais força, acabam por ser embaixadores e tornam-se líderes da comunidade chinesa. As associações chinesas, em vez de estarem fechadas numa comunidade, passaram a intervir no cenário público com mais poder.” Apesar da importância do motim, o investigador afirma que o 123 foi “um

acontecimento ligado ao contexto da altura. “Em Macau sempre fomos um porto de abrigo e fomo-lo para os chineses. Revoluções políticas na China sempre houve.” Para o jornalista João Botas, autor de livros sobre a história do território, “é de facto um dos períodos significativos e marcantes

da história de Macau”. “Foi naturalmente fruto do contexto, a história não se repete. Estamos a falar de um período, a consequência do que se passava politicamente na China, da Revolução Cultural, e que mais cedo ou mais tarde acabaria por chegar a Macau e a Hong Kong”, conclui. A.S.S.


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PORTUGUÊS UMA LÍNGUA DE HORIZONTES

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Tabaco GOVERNO PROMETE CONTINUAR A SER EXIGENTE

Cigarros da discórdia As salas de fumo dos casinos, se vierem a ser autorizadas, terão de cumprir exigências restritas. Para Alexis Tam, é necessário tomar uma decisão sobre o assunto o mais rapidamente possível, sendo que, neste momento, o Executivo está a ouvir a opinião dos trabalhadores do sector

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O secretário entende que a instalação de salas para o efeito “é um projecto de alta qualidade e alta tecnicidade para evitar que o fumo saia desses locais”. Alexis Tam referiu ainda que o Governo pretende ser exigente neste assunto. “Vamos acelerar os estudos para ver se o padrão mais exigente de salas de fumadores pode ser aceite por nós”, disse. A prioridade de Alexis Tam é a auscultação da

A prioridade de Alexis Tam é a auscultação da opinião dos trabalhadores das salas de jogo

opinião dos trabalhadores das salas de jogo. “Antes de aprovarmos, ainda temos de ouvir os trabalhadores dos casinos para ver se conseguimos, ou não, ter uma concordância. O objectivo é que a revisão da nova lei não perca a sua validade e iremos apressar os trabalhos para que seja aprovada o mais depressa possível.”

FUMO CLANDESTINO

A deputada Ella Lei levantou a questão do incumprimento do diploma em vigor. A representante dos Operários considera que “os casinos, neste momento, estão a violar a lei ao utilizarem outras salas, não destinadas a fumadores”. Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), considera que a lei tem sido aplicada, sendo que o ideal é a pre-

venção. “Temos aplicado a lei mas o melhor é prevenir. Temos os nossos inspectores que trabalham diariamente e temos uma taxa de multas atribuídas que é muito mais elevada do que nas regiões vizinhas”, explicou. O director dos SSM sublinhou ainda que, “na reunião da comissão especializada, há pessoas do hemiciclo que entendem que devem existir salas de fumadores nos hospitais”. No que respeita à proibição de tabaco nas paragens de autocarros, Lei Chin Ion referiu que o assunto ainda está em estudo e que será apresentado á comissão “em momento oportuno”. Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

MAIS ESCOLAS GRATUITAS

A educação foi um dos temas centrais do debate de ontem, em que o Governo anunciou o alargamento da rede de escolaridade gratuita nos próximos dois anos. O número de escolas integradas na rede vai atingir 101, o que equivale a

uma taxa de cobertura de 94 por cento, em vez da actual 89 por cento. O secretário falou ainda do projecto ‘Céu Azul’, com que pretende transferir 15 escolas que actualmente funcionam em andares de prédios – e cujos alunos não gozam de instalações ao ar livre. Além de reduzir o prazo para as mudanças de 20 para 15 anos, Alexis Tam reiterou ainda que as escolas serão colocadas nos terrenos não aproveitados que o Governo tem tentado recuperar. “Depois do despejo da ocupação ilegal desses terrenos, mais de uma dezena de escolas poderão funcionar ali. Mas temos de ser realistas: neste momento não temos terrenos suficientes para a construção das escolas. O Governo já começou a recuperar os terrenos não aproveitados e espero que muito em breve possamos dar início às obras e assim concretizar todo o projecto da obra ‘Céu Azul’”, disse. Em 2011, o Governo identificou 48 terrenos para reversão para o domínio público por não estarem a ser aproveitados de acordo com os seus contratos de concessão. Em Novembro, o Chefe do Executivo afirmou que, até Setembro, “foram proferidos 38 despachos de declaração de caducidade das concessões de terrenos, que envolvem uma área que ultrapassa 400 mil metros quadrados”, apesar de vários casos estarem ainda em tribunal. Em Agosto, a prioridade definida para estes terrenos foi o pagamento de 88.806 metros quadrados de dívida de terras, e em Setembro a habitação pública foi dada como essencial para esse fim. GCS

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura está empenhado na implementação de regras mais apertadas no que respeita ao tabaco. A ideia foi deixada ontem na Assembleia Legislativa (AL), quando vários deputados solicitaram mais esclarecimentos acerca da proposta de revisão da Lei de Prevenção e Controlo do Tabagismo, que se encontra em análise na especialidade na segunda comissão permanente. Para muitos dos deputados que analisam o diploma, é necessário que sejam instaladas salas de fumo nos casinos. Até agora, o secretário tinha-se mostrado intransigente, defendendo o fim do tabaco em todos os espaços públicos fechados, mas agora admite ceder.

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau defendeu ontem a posição privilegiada da cidade para o ensino do português e lembrou que, “dominando o português, facilmente se aprendem outras línguas” e se “alargam horizontes”. “Temos todas as vantagens e condições para isso [ensino do português], conseguimos ver o valor da língua. O português é uma língua latina, dominando o português consegue-se facilmente aprender outras línguas estrangeiras, mesmo para aprender o inglês é facílimo. Dominando o português alargam-se os horizontes”, disse Alexis Tam, durante o debate sectorial das Linhas de Acção Governativa, na Assembleia Legislativa. O governante recordou a visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, ao território, em Outubro, que “deu ordens à equipa governante de Macau para melhorar o ensino do português”. O inglês, disse, “é muito promovido na China”, mas no português Macau tem vantagem, já que conta com um “legado histórico e uma ligação muito estreita com a língua”. “Temos uma comunidade portuguesa em Macau, comunicação social em língua portuguesa, português como língua oficial. Nenhuma cidade da China tem as vantagens de Macau”, frisou.


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hoje macau sexta-feira 2.12.2016

Ensino privado REVISÃO DO REGIME DE CARREIRAS ESTÁ A SER ELABORADA

Todos professores, todos iguais A revisão do regime de carreiras do ensino privado está já em andamento. A informação foi dada ontem por Alexis Tam, em resposta aos deputados que consideram injustas as condições de trabalho e a remuneração dos professores destas escolas

O

regime de carreiras dos professores do ensino não superior privado pode vir a ser revisto. A ideia foi deixada nas Linhas de Acção Governativa de ontem por Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, em resposta aos deputados que consideram injustas as condições destes profissionais. Segundo o governante, “a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) está a ponderar a revisão do diploma que abrange o ensino privado e a elaborar o projecto de alteração da lei para apresentar à Assembleia Legislativa”. A questão das condições precárias dos professores do ensino privado partiu da deputada Chan Hong, que considera “existir ainda uma diferença de um terço na remuneração, comparando com os ordenados das escolas públicas”.

A

disciplina dedicada ao ensino especial, até agora prevista enquanto opcional nos cursos de educação locais, poderá vir a ser obrigatória. A medida pretende ajudar a colmatar a falta de profissionais habilitados nas escolas de Macau. “Estamos a pensar alterar a cadeira dedicada ao ensino especial. O objectivo é que deixe de ser uma disciplina de opção para passar a ser obrigatória no curso superior de Educação”, disse ontem Alexis Tam.

Além dos salários, quando chega a altura da aposentação, os professores do ensino particular não têm os seus direitos bem definidos. “O fundo de previdência ainda é muito reduzido e os professores mais velhos que estão prestes a ir para a reforma não vão fazer face às despesas depois de aposentados com o que vão receber”, afirmou. Chan Hong sugere a criação de um mecanismo de contribuição para o fundo de previdência com uma contribuição tripartida que conte com a participação do Governo, da escola e do próprio professor.

A IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES

As contratações de professores com contrato a termo certo também é um aspecto a ser revisto. “Os

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura respondeu assim às preocupações dos deputados com a necessidade em ter pessoas preparadas para trabalhar com as crianças com necessidades especiais. A falta de pessoal habilitado é admitida pelo próprio secretário: “Ainda não temos formação suficiente e adequada”.

LÁ POR FORA

O Governo já está a tomar medidas no apoio à formação de profissionais no estran-

A questão das condições precárias dos professores do ensino privado partiu de Chan Hong, que considera “existir ainda uma diferença de um terço na remuneração, comparando com os ordenados das escolas públicas.”

professores têm um contrato com condições muito precárias e, na maioria das vezes, não conseguem passar para contrato sem termo, o que transmite insegurança”, explicou a deputada. Na resposta,Alexis Tam recordou que em 2010 foi revisto o regime de carreiras de professores do ensino não superior público de modo a “melhor salvaguardar os seus direitos e definir os seus deveres”. No que respeita ao sector privado, o Secretário adiantou que está a ser elaborada já uma revisão do regime para apresentação à Assembleia Legislativa. Alexis Tam disse que “a profissão de professor é muito especial, sendo uma questão de interesse público e que conta com o apoio do Governo”. O Secretário manifestou

ainda que “o ensino é muito importante para formar a nova geração e os professores merecem dignidade, e devem ter uma regulamentação especial”. Por outro lado, e além dos docentes, “há um problema de garantias para os outros trabalhadores das escolas, como técnicos de laboratório ou gestores de equipamentos informáticos”, apontou Chan Hong. Estes funcionários são, para a deputada, de extrema importância para o bom funcionamento e desenvolvimento dos estabelecimentos de ensino e “não têm uma boa remuneração nem planeamento de evolução profissional”.

Formar para cuidar

Educação especial pode ser obrigatória nos cursos de professores

geiro. “Temos um plano de formação contínua para as pessoas prosseguirem os seus estudos neste ramo e conseguirem fazer os seus cursos no exterior. O objectivo é que estes alunos regressem a Macau e, desta forma, conseguirmos criar um quadro de profissionais”, afirmou. Segundo o secretário, a iniciativa já fez com que

“18 pessoas que aderiram regressassem ao território no programa que está a ser levado a cabo pela Direcção dos Assuntos da Educação e Juventude (DSEJ)”. Ao nível local, já há professores que, antes de iniciarem a carreira profissional, podem frequentar cursos na área do ensino especial.

O secretário sublinha ainda que foi criada “uma equipa de trabalho para o tratamento precoce das necessidades das crianças com a integração de vários serviços”, e foram criados cursos para terapeutas, nomeadamente da fala, com início no próximo ano lectivo. No debate das Linhas de Acção Governativa de

Sofia Mota

sofiamota.hojemacau.com.mo

ontem, a deputada Chan Hong manifestou-se especialmente preocupada com esta área. O problema, diz, agrava-se com o desenvolvimento do ensino pré-primário em que urge a detecção de problemas de desenvolvimento tão cedo quanto possível, de forma a que as crianças tenham um acompanhamento mais adequado às suas necessidades. S.M.


6 POLÍTICA

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Conselho Executivo DINHEIRO NAS FRONTEIRAS E ALTERAÇÕES NA FUNÇÃO PÚBLICA

Com o dinheiro contado

Em breve, quem entrar e sair de Macau vai ter de declarar o valor que transporta, se andar com mais de 120 mil patacas no bolso. A Assembleia Legislativa também vai receber em breve alterações ao Regime das Carreiras dos Funcionários Públicos

A

fim de cumprir recomendações internacionais, o Governo de Macau decidiu avançar com uma proposta de lei que obriga à declaração nas fronteiras do transporte de dinheiro no valor igual ou superior ao equivalente a 120 mil patacas. Os principais pontos do diploma sobre o controlo do transporte transfronteiriço de numerário e instrumentos negociáveis ao portador, que segue agora para a Assembleia Legislativa, foram apresentados ontem pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng. “Qualquer pessoa singular que, ao entrar na RAEM, transporte NINP [Numerário e Instrumentos Negociáveis ao Portador] de valor igual ou superior ao montante de referência [120.000 patacas] deve declarar esse facto aos

agentes dos Serviços de Alfândega”, explicou, indicando que situação idêntica sucede à saída do território no caso de as pessoas serem interpeladas pelos agentes alfandegários. Quem não cumprir o dever de declaração incorre em infracção administrativa, punível com multa de um a cinco por cento do valor que exceda o montante de referência, mas nunca inferior a mil patacas, nem superior a 500 mil. Leong Heng Teng referiu que foi instalado um sistema de duplo circuito na zona de entrada dos postos fronteiriços: quem entrar com uma verba igual ou superior ao montante definido deve passar pelo circuito vermelho e efectuar a declaração; enquanto quem não tiver nada a declarar atravessa o verde. “Esta declaração é feita pelas próprias pessoas

por escrito e limita-se às informações pessoais necessárias e aos montantes transportados”, referiu o

porta-voz do Conselho Executivo, indicando que as informações, a serem inseridas numa base de dados,

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Notificação edital (02/FGCL/2016)

Notificação edital (03/FGCL/2016)

N.o de pedido: 2016000253、2016000254、2016000263、201600028、2016000284、2016000293

N.o de pedido: 2016000261、2016000265、2016000266、2016000269、2016000302

Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “Companhia de Desenvolvimento de Biotecnologia Glory Sky Limitada”, com sede na Estrada dos Cavaleiros, No.63-69,“678 Parque Creativo de Cultural”7 andar, Macau, o seguinte: Relativamente aos 6 antigos trabalhadores do devedor (Lam Weng I, Lam Hio Leng, Choi Hoi In, Chau Ka I, He MinYi e Lou Wing Lam), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo do pagamento de créditos emergentes das relações de trabalho, este Fundo, em 17 de Outubro de 2016, tomou a deliberação, nos termos do artigo 7.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), de efectuar o pagamento do adiantamento para os 6 antigos trabalhadores acima referidos, no valor total de cento e quatro mil, cento e trinta e cinco patacas e sessenta avos (MOP 104 135,60). Mais se informa ao devedor que este Fundo vai efectuar o pagamento do adiantamento para aqueles 6 requerentes, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica subrogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se na sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 29 de Novembro de 2016. O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais Wong Chi Hong

Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “Glory Sky Consultadoria e Gestao de Empresas Limitada”, com sede na Estrada dos Cavaleiros, No.63-69,“678 Parque Creativo de Cultural”7 andar, Macau, o seguinte: Relativamente aos 5 antigos trabalhadores do devedor (Lei Kun Cheong, Zhou Beier, Lei Po, Che Un U e Leung Sin Man), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo do pagamento de créditos emergentes das relações de trabalho, este Fundo, em 17 de Outubro de 2016, tomou a deliberação, nos termos do artigo 7.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), de efectuar o pagamento do adiantamento para os 5 antigos trabalhadores acima referidos, no valor total de cento e vinte e oito mil, novecentas e quarenta e seis patacas e setenta avos (MOP 128 946,70). Mais se informa ao devedor que este Fundo vai efectuar o pagamento do adiantamento para aqueles 5 requerentes, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica subrogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se na sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 29 de Novembro de 2016. O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais Wong Chi Hong

que “serve para a detecção e prevenção de actos de branqueamento de capitais e financiamento de terrorismo”, vão ser destruídas ao fim de cinco anos. A proposta de lei visa responder a uma das 40 recomendações no âmbito do combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo emitidas pelo Grupo de Acção Financeira (GAFI). “A RAEM, como membro do Grupo Ásia-Pacífico contra o branqueamento de capitais, necessita, portanto, de cumprir as aludidas recomendações do GAFI”, justificou Leong Heng Teng, enfatizando que esse modelo de funcionamento existe noutros países e territórios.

AVANÇAM CARREIRAS DA FUNÇÃO PÚBLICA

O Conselho Executivo apreciou ainda uma outra proposta de lei que prevê uma alteração ao Regime das Carreiras dos Funcionários Públicos, a qual constitui a “primeira” de duas fases de uma reforma geral, dado que “um dos trabalhos prioritários do Governo recai no

aperfeiçoamento constante do regime da Função Pública”. Numa primeira fase, serão objecto de revisão as matérias “que se afiguram relativamente autónomas e que mais preocupam os trabalhadores, de modo a serem eliminadas as deficiências constatadas, nomeadamente o facto de na redefinição e fusão de carreiras não ter havido lugar a uma ponderação suficiente da relação entre as mesmas, o que deu origem a uma concepção inadequada de algumas carreiras especiais”. Além disso, a revisão surge por “a regulamentação dos requisitos de ingresso não satisfazer as necessidades de recrutamento do pessoal e [por] a eficácia dos procedimentos de acesso das carreiras não ser notória e revelar-se injusta”, indicou Leong Heng Teng.

A proposta de lei visa responder a uma das 40 recomendações no âmbito do combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo As mexidas incluem a alteração dos índices das carreiras de controlador de tráfego marítimo, de topógrafo e hidrógrafo para que se tornem iguais aos de outras carreiras com os mesmos requisitos de ingresso; ou pela criação de concursos de avaliação de competências profissionais ou funcionais e clarificação dos graus de habilitações necessários ao exercício de funções de técnico superior. Contemplam ainda a eliminação da necessidade de concurso para efeitos de acesso em relação às carreiras de dotação global e às especiais que não contenham regras ou dotações próprias de acesso, a fim de tornar a mudança de categoria mais célere e eficaz.


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SOCIEDADE

Contas RECEITAS DOS CASINOS SUBIRAM EM NOVEMBRO

O preço de 15 por cento Detido chefe de divisão dos Serviços de Alfândega

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Polícia Judiciária (PJ) deteve esta semana um funcionário dos Serviços de Alfândega por suspeita de envolvimento numa rede de falsificação de cartões de crédito. O homem, de 47 anos, era chefe de divisão. “Os Serviços de Alfândega ficaram muito descontentes”, afirmou Alex Vong, o director dos serviços em questão, em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência de imprensa do Conselho Executivo. Vong prometeu tratar o caso “de forma rigorosa”, “de acordo com a lei” e “sem tolerância”. “Vamos instaurar um processo disciplinar contra esta pessoa e colaborar com a Polícia Judiciária na investigação”, acrescentou. A mesma ideia foi deixada num comunicado à imprensa dos Serviços de Alfândega. A PJ indicou que o suspeito foi detido na quarta-feira, no local de trabalho, e transferido para o Ministério Público sob a acusação de passagem de moeda falsa. A detenção surgiu na sequência de uma investigação posterior ao desmantelamento, no início de Abril, de uma rede de falsificação de cartões de crédito da China, que terá colaborado com um restaurante e duas lojas, numa operação que resultou em oito detidos, incluindo os responsáveis por esses estabelecimentos. O funcionário dos Serviços de Alfândega é irmão mais novo de um dos detidos, uma mulher encarregada de uma loja de roupa. Segundo a investigação da PJ, os dois irmãos fizeram cinco transferências na loja com cartões falsos em Março: duas foram bem-sucedidas, totalizando 12 mil patacas, tendo recebido 15 por cento do valor como recompensa. Na nota enviada à imprensa, em língua chinesa, explica-se que, de acordo com os dados até agora disponíveis, o suspeito não terá cometido o crime no exercício de funções. Ainda assim, como “o caso é grave e tem impacto social”, os Serviços de Alfândega desencadearam de imediato uma investigação interna. Também o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, lamentou o ocorrido, através da página do seu gabinete. O governante garantiu estar a prestar muita atenção ao assunto.

Jogo volta aos dois dígitos Pelo quarto mês consecutivo, a principal indústria do território apresentou em Novembro resultados encorajadores. As receitas dos casinos cresceram 14,4 por cento no mês passado

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S receitas dos casinos de Macau subiram no mês passado pelo quarto mês consecutivo, alcançando 18,788 mil milhões de patacas. Segundo dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, divulgados ontem, as receitas dos casinos subiram 14,4 por cento em Novembro, na comparação anual homóloga. Trata-se do primeiro crescimento a dois dígitos, depois das subidas registadas em Outubro (8,8 por cento), Setembro (7,4 por cento) e Agosto (1,1 por cento), após 26 meses consecutivos de quedas anuais homólogas da indústria do jogo, o motor da economia de Macau. Em termos acumulados, ou seja, nos primeiros 11 meses do ano, os casinos tiveram receitas de 203,395 mil milhões de patacas, menos 4,3 por cento em comparação com igual período do ano passado. O valor ultrapassa o previsto para todo o ano pelo Governo –

que, regra geral, é conservador nas estimativas – de que o sector do jogo iria fechar 2016 com receitas de 200 mil milhões de patacas. Arrastada pelo desempenho do sector do jogo, a economia de Macau entrou em queda no terceiro trimestre de 2014, ano em que, pela primeira vez desde a transferência de soberania, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu (-1,2 por cento, segundo dados oficiais revistos publicados no mês passado). Em 2015, o PIB caiu 21,5 por cento e nos primeiro e segundo

Nos primeiros 11 meses do ano, os casinos tiveram receitas de 203,395 mil milhões de patacas

trimestres deste ano voltou a contrair-se 12,4 por cento e sete por cento, respectivamente, na comparação homóloga com 2015, segundo os dados revistos. Ao fim de dois anos de contracção, a economia de Macau voltou a crescer no terceiro trimestre, terminado em Setembro, com o PIB a aumentar quatro por face ao mesmo período de 2015.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou em Outubro que o PIB de Macau irá cair 4,7 por cento este ano, uma contracção menor do que os 7,2 por cento estimados em Abril. Já no próximo ano espera que a capital mundial do jogo regresse ao crescimento (0,2 por cento).

CANÍDROMO SJM JÁ PENSA EM NOVOS NEGÓCIOS

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NGELA Leong, a administradora-delegada da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), afirmou ontem que o conselho de administração da operadora de jogo já esteve a analisar as possibilidades de exploração futura do Canídromo. Em Agosto último, o Governo deu um prazo de dois anos para a Companhia de Corridas de Galgos, do universo SJM, decidir sobre o futuro do Canídromo. A empresa não pode continuar a operar o negócio no local, mas poderá fazê-lo noutro espaço do território. Para Angela Leong, o Canídromo deverá manter o nome e a empresa deverá

manter-se – posição que, diz, é consensual no conselho de administração. Há já uma ideia para o espaço: desenvolver “projectos criativos”, como “concursos de animais domésticos”. A empresária falava à margem de uma sessão de contactos entre a SJM e Pequenas e Média Empresas (PME) locais, uma iniciativa que a concessionária organiza já pela segunda vez. A ideia é permitir a entrada de empresários de Macau, com pequenos negócios, no universo do jogo e dos resorts, sendo que, ontem foi dado destaque às microempresas e aos jovens empreendedores. Em termos globais, em

cima da mesa estiveram negócios no valor de 200 milhões de patacas. Aos jornalistas, Angela Leong falou ainda do parque temático da Hello Kitty proposto em 2009 pela também deputada à Assembleia Legislativa: neste momento, a proposta continua a ser analisada pelo Governo, mas “foram registados alguns progressos”. O projecto apresentado, especificou, inclui a construção de uma unidade hoteleira no complexo. Noutro domínio, a empresária foi também questionada sobre a implementação plena do salário mínimo: Angela Leong defende “diferentes normas de acordo com diferentes tipos de trabalho”. A.K.


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hoje macau sexta-feira 2.12.2016

Notificação n.o 00026/NOEP/GJN/2016 Considerando que não se revela possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, para o efeito do regime procedimental nos respectivos processos administrativos sancionatórios, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, do artigo 68.º e do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, no uso das competências conferidas pelo Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e constantes da Proposta de Deliberação n.º 04/PDCA/2016, de 22 de Fevereiro, publicada na Série II do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 9, de 2 de Março de 2016 e nos termos das competências definidas no n.o 1 do artigo 14.º e na alínea 5) do artigo 16.º do Regulamento Administrativo n.o 32/2001, os infractores, constantes das tabelas desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Nos termos do n.º 4 do artigo 36.º, n.º 1 do artigo 37.º, artigo 38.º e artigo 39.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2004 e em conjugação com o n.º 2 do artigo 5.º do Código do Procedimento Administrativo, o Presidente do Conselho de Administração, ou seus substitutos, exararam despachos nas respectivas informações, tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas e a existência de culpa confirmada. Assim: 1.

Foram aplicadas aos infractores, constantes das Tabelas I até V, as multas previstas no n.º 2 do artigo 45.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e no artigo 2.º do Catálogo das Infracções, no valor de MOP600,00 (cada infracção): Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no n.º 1 do artigo 13.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 7 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “nos espaços públicos, abandonar resíduos sólidos fora dos locais e recipientes especificamente destinados à sua deposição”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela I) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 2.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 13 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “cuspir escarro ou lançar muco nasal para qualquer superfície do espaço público, de instalações públicas ou de equipamento público”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela II) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 14.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 3 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “despejar, derramar ou deixar correr líquidos poluentes, nomeadamente águas poluídas, tintas ou óleos em espaços públicos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela III) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto no n.º 1 do artigo 4.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 23 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “colocar ou abandonar no espaço público quaisquer materiais ou objectos”, tendo sido a infractora notificada do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela IV) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 14.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 6 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “não cumprir as recomendações técnicas para evitar a queda de pingos de água provenientes de aparelho de ar condicionado, após o decurso do prazo fixado pelo IACM para o efeito de acordo com as circunstâncias do caso concreto”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela V)

2.

Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios ao autor do acto, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo diploma, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto.

3.

Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau.

4.

Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos do disposto no n.º 4 do artigo 55.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, os infractores deverão efectuar a liquidação de todo o valor das multas aplicadas, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a partir da data da publicação da presente notificação, no Gabinete Jurídico e Notariado do IACM (Núcleo Operativo do IACM para a Execução do Regulamento Geral dos Espaços Públicos), sito na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edf. China Plaza, 5.º andar, Macau, Centro de Actividades de S. Domingos, sito na Travessa do Soriano, Complexo Municipal do Mercado de S. Domingos, 4.º andar, Macau ou através do acesso ao endereço electrónico http://www.iacm.gov.mo/rgep. Caso contrário, o IACM submeterá os processos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para a cobrança coerciva, nos termos do artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, mas sem prejuízo da aplicação do disposto no n.o 4 do artigo 18.º do mesmo DecretoLei. Os infractores, antes da liquidação das multas, não poderão entrar de novo, na RAEM.

5.

Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes das tabelas anexas tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 8295 6868 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Núcleo Operativo deste Instituto. Aos 14 de Novembro de 2016 O Presidente do Conselho de Administração José Tavares

Tabela I

Nome 胡相華 HU XIANGHUA 冼敏程 王亮 吴沛超 WU PEICHAO 赵安 ZHAO AN 刘海新 LIU HAIXIN 朱清明 ZHU QINGMING 李孔山 LI KONGSHAM 馮石敢 FENG SHIGAN 賴金棠 LAI KAM TONG 李沛荣 LI PEIRONG 钟锐 闭薇薇 BI, WEIWEI 刘邦灼 LIU, BANGZHUO 王惠新 WANG, HUIXIN 陈铿 CHEN,NKENG 曾青 ZENG QING 詹日明 ZHAN, RIMING 杨阳 YANG YANG 蔡高娃 CAI GAOWA 何良 HE LIANG 李钦林 LI QINLIN 杨仲涛 YANG ZHONGTAO 廖云珠 LIAO YUNZHU 叶根良 YE GENLIANG 熊军 XIONG JUN 赵汝林 ZHAO RULIN 刘建民 LIU JIANMIN 杨石德 YANG SHIDE 甄福其 ZHEN FUQI 金家进 JIN JIAJIN 林旺盛 LIN WANGSHENG 吴國英 WU GUOYING 張秉臣 ZHANG BINHCHEN 陳世平 CHEN SHIPING 馬淑杰 MA SHUJIE 张峰 ZHANG FENG 刘洋 LIU YANG 陈运优 CHEN YUNYOU 赵強 陈润胜 CHEN RUNSHENG 易松波 YI SONGBO 阮家順 RUAN JIASHUN 林喜旺 呂浩 王文旭 WANG WENXU 叶青輝 YE QINGHUI

WWW. IACM.GOV.MO

Sexo

Tipo e N.º do documento de identificação

N.º da acusação

Data da infracção

Data em que foi exarado o despacho de aplicação da multa

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C0665****

A089613/2016

2016-10-10

2016-10-26

F M

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445381199********* 360111198*********

2-000297SS/2016 2-000860RE/2016

2016-10-09 2016-10-09

2016-10-26 2016-10-26

M

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C3241****

2-000759SD/2016

2016-10-07

2016-10-26

M

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C1767****

A088825/2016

2016-10-06

2016-10-26

M

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G3980****

A088824/2016

2016-10-06

2016-10-26

M

(*3)

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A089148/2016

2016-10-06

2016-10-26

M

(*2)

C4611****

2-000645SM/2016

2016-10-06

2016-10-26

M

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C4508****

2-000286SS/2016

2016-10-06

2016-10-26

M

(*13)

E736****

2-000141ST/2016

2016-10-06

2016-10-26

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c2774****

2-000465SP/2016

2016-10-06

2016-10-26

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(*1)

430682198*********

2-000717RX/2016

2016-10-05

2016-10-26

F

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C4249****

2-000766RH/2016

2016-10-05

2016-10-26

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C0664****

2-000765RH/2016

2016-10-05

2016-10-26

M

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C3718****

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2016-10-05

2016-10-26

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C2718****

2-000762RH/2016

2016-10-05

2016-10-26

M

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W6647****

2-000069SI/2016

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2016-10-26

M

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C4924****

2-000761RH/2016

2016-10-05

2016-10-26

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C3147****

2-000639SM/2016

2016-10-05

2016-10-26

F

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G3126****

2-000068SI/2016

2016-10-05

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C3790****

A096174/2016

2016-10-05

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e7725****

2-000747SO/2016

2016-10-05

2016-10-26

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c4466****

2-000746SO/2016

2016-10-05

2016-10-26

F

(*2)

C2348****

2-000223SU/2016

2016-10-05

2016-10-26

M

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C3593****

2-000638SM/2016

2016-10-05

2016-10-26

M

(*3)

E8594****

A092358/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*3)

E7712****

2-000630SM/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*2)

C0689****

2-000628SM/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*2)

C3337****

2-000627SM/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*2)

W7981****

A089475/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*2)

C1877****

2-000743SO/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*2)

C4719****

2-000963RZ/2016

2016-10-04

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M

(*2)

w7179****

2-000280SS/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*3)

E5052****

2-000141SL/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*2)

C4440****

2-000462RY/2016

2016-10-04

2016-10-26

F

(*3)

E6684****

2-000461RY/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*2)

C2822****

2-000593SA/2016

2016-10-04

2016-10-26

M

(*3)

E1601****

2-000048SX/2016

2016-10-03

2016-10-26

M

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c0149****

2-000739SO/2016

2016-10-03

2016-10-26

M

(*1)

150302198*********

2-000738SO/2016

2016-10-03

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M

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A093308/2016

2016-10-03

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M

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A093306/2016

2016-10-03

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M

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2-000768RQ/2016

2016-10-03

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M M

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2-000767RQ/2016 2-000766RQ/2016

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2016-10-26 2016-10-26

M

(*2)

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2-000220SU/2016

2016-10-03

2016-10-26

F

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W9532****

2-000764RQ/2016

2016-10-03

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9 hoje macau sexta-feira 2.12.2016

陈新亞 CHEN XINYA 杜辉 DU, HUI 龙湘 LONG XIANG ONG SEE HOONG 吴恩赐 WU,ENCI 劳志良 LSO ZHILIANG 麦世常 杜群芳 蔡有清 程新杰 CHENG XINJIE 夏志坚 XIA,ZHI JIAN 聂家辉 NIE JIAHUI 李艺东 LI YIDONG 孙相洗 朱良柱 姜江 JIANG JIANG 满俊孝 MAN JUNXIAO 沈继谋 SHEN JIMOU 沈继世 SHEN JISHI 沈国芳 SHEN GUOFANG 冯杰強 FENG JIEQIANG 冯启雄 FENG QIXIONG 何杰流 HE JIELIU 肖竹 韩琬会 鄔拉 WU LA 崔貴同 BORNILLA PURIFICACION 关相 GUAN XIANG 陈日存 CHEN RICUN 罗福松 LUO FUSONG 郭鵬 GUO PENG 黎少君 LI SHAOJUN 亓恩波 QI ENBO 杨国平 YANG GUOPING ZENG QING CHONG 康小涛 KANG XIAOTAO 郭洪进 GUO HONGJIN 刘洁兵 LIU JIEBING 陈乃區 CHEN NAIQU 谢平杰 XIE PINGJIE 王浩 WANG HAO 潘加滨 PAN JIABIN 练继忠 LIAN JIZHONG 黎长福 杨练 YANG LIAN 王建云 WANG JIANYUN 张小强 ZHANG XIAOQING KIM YEA JIN 许国慰 XU,GUOWEI 邓华安 DENG,HUAAN 许松委 周咏 ZHOU YONG 莫周敏

M

(*3)

E5652****

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2016-10-03

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2016-10-02 2016-10-02 2016-10-02

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洪詩文 HONG,SHIH WEN 何志堅 HE ZHIJIAN 錢澎勇 QIAN PENGYONG 卢仲娴 LU ZHONGXIAN P IDN CHOIRUL 李義緯 LEE YI WEI 邢賢凱 XING XIANKAI 张嘉奇 ZHANG JIAQI 陈囯祥 CHEN GUOXIANG 郑广爵 梁志文 LIANG ZHIWEN 丁才喜 DING CAIXI 陈苏虾 CHEN SUXIA 刘建华 LIU JIANHUA 聂小紅 NIE XIAOHONG 王三磊 WANG SANLEI 陈佩华 刘嘉霖 LIU JIALIN 苏文清 SU WENQING 崔璐 CUI LU 李秋君 LEE CHIU-CHUN 蔡清文 TSAI CHING-WEN 张玉龙 ZHANG YULONG 吴伟 WU WEI 金中 JIN ZHONG 李唐霖 LI KANGLIN 何文基 HE WENJI 林漢榮 LAM HON WING 胡啸 HU XIAO 马純 MA CHUN 依鑫 陈孟宏 沈迪飞 应力胜 YING LISHENG 蔣飞 JIANG FEI 林雄偉 LIN XIONG-WEI 庞宝华 PANG BAOHUA 张建輝 ZHANG JIANHUI 何俊杰 HE JUNJIE 黃洪基 VONG HONG KEI

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YU ZHONGLIN

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劉欣怡 LIU HSIN I

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黃俊龍 HUANG CHUN LUNG

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丘穗卿 QIU SUIQING 陈伯强 CHEN,BOQIANG

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溫志軍 WEN ZHIJUN 吉庆鸿 JI QINGHONG

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戴大尧 DAI DAYAO 林源達 LAM YUAN TAT 何振明 HE ZHENMING 林玉森 梁祖兒 LEUNG CHO YI JOEY 歐阳健 OUYANG JIAN 张凱胜 吴信荣 WU XINRONG 朱明敏 ZHU MINGMIN 钟仕強 藍天津 孙攀江 SUN PANJIANG NANA SEPTIANA 叶自健 YE ZIJIAN GAGELONIA TESSIEN EGIPTO 庄宏江 梁校甫 董青松 庄偉智 楊永平 史少敏 SHI SHAOMIN 鄭海龍 ZHENG HAILONG 宋泽虎 閔龍雪 張珂 刘龙德 楊德忠 YANG DEZHONG 任艳军 REN YANJUN 陈小毛 CHEN XIAOMAO 丘一洋 QIU YIYAMG

hoje macau sexta-feira 2.12.2016

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Tabela II 邓海庆 DENG HAIQING 徐义林 XU,YILIN LEE DUHYEOK WAGINIK NUR AINI

Tabela III 区振习 OU ZHENXI 楊偉賡 YANG WEIGENG 韋寧 WEI NING 吳明麗 WU MINGLI

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G1132****

2-00275WB/2015

2015-05-09

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NGUYEN THI QUYEN

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Tabela IV B505****

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2016-09-18

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2-01230WB/2015

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Tabela V 楊偉賡 YANG WEI GENG

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(*3)

G2101****

Nota: (*1) Bilhete de Identidade da República Popular da China (*2) Salvo-conduto da República Popular da China para deslocação a Hong Kong e Macau (*3) Passaporte da República Popular da China (*4) Passaporte da República das Filipinas (*5) Documento de viagem da região de Taiwan (*6) Passaporte da República da Indonésia (*7) Passaporte da República da Coreia (*8) Passaporte da Austrália (*9) Passaporte da República Socialista do Vietname (*10) Passaporte da República da China (*11) Salvo-conduto de residente da República Popular da China para deslocação a Taiwan (*12) Bilhete de Identidade da Malásia (*13) Bilhete de identidade de Hong Kong

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11 CHINA

hoje macau sexta-feira 2.12.2016

FAMÍLIAS DE TRABALHADORES MORTOS EM OBRA RECEBEM INDEMNIZAÇÕES

O preço da vida PEQUIM PROPÕE QUE DESEMPREGADOS URBANOS VÃO PARA ZONAS RURAIS

O

Conselho de Estado (Executivo) chinês propôs que os desempregados das cidades se mudem para as zonas rurais para ganharem a vida, escreve ontem o diário South China Morning Post publicado em Hong Kong. As autoridades das áreas rurais receberam ordens para financiar, treinar e oferecer apoio tecnológico a esses possíveis migrantes, cujos trabalhos abarcariam o cultivo dos campos, produção de alimentos e o turismo rural. Esta medida centra-se naqueles que não conseguiram bons postos de trabalho nas grandes cidades ou não conseguem adaptar-se ao estilo de vida urbano, segundo as directrizes publicadas na terça-feira passada pelo Conselho de Estado. Entre estas pessoas encontram-se os migrantes do campo para a cidade que perderam os seus trabalhos com o encerramento de fábricas, licenciados que não conseguiram entrar no mercado de trabalho ou veteranos do exército

que não conseguem fixar-se num ambiente urbano, segundo o diário. Estes grupos sociais são protagonistas de protestos derivados da situação económica do país, que vive um momento de desaceleração. Segundo as estatísticas oficiais, o desemprego nas zonas urbanas da China mantém-se em cerca de 4%. Um professor do Instituto Chinês de Relações Industriais, Wang Jiangsong, explicou que estas directrizes provavelmente “ficarão no papel e não serão levadas a cabo na vida real”. Na época da Revolução Cultural, entre 1966 e 1976, sob a liderança de Mao Zedong, até 17 milhões de jovens das cidades foram enviados para áreas rurais para “aprender com os camponeses”. No entanto, a dinâmica migratória nas últimas décadas é substancialmente unidirecional e o número de chineses a viver nas cidades atingiu no ano passado 56%.

IMPOSTO ADICIONAL DE 10% PARA CARROS DE LUXO A China criou uma taxa adicional de 10% sobre a compra de viaturas de luxo, a mais recente medida para desencorajar a ostentação das elites políticas e económicas, instadas a adoptarem um estilo de vida menos extravagante. O novo imposto, que visa veículos cujo preço de venda ultrapassa 1,3 milhões de yuans, entrou ontem em vigor. Este imposto tem como objectivo “orientar o consumo racional” e promover os carros com consumo energético mais eficiente, explicou na quarta-feira um comunicado do Ministério das Finanças. O Presidente Xi Jinping, que lançou nos últimos anos uma campanha anti-corrupção destinada a limpar as fileiras do Partido Comunista, virou-se recentemente para o modo de vida das personalidades políticas e empresários. Pequim já tinha instituído uma taxa de 25% sobre todos os veículos estrangeiros importados. A nova medida vai penalizar as marcas automóveis de luxo como a Ferrari, Rolls-Royce ou Lamborghini, bastante apreciadas na China. Mercedes e BMW também serão visadas.

A queda de um andaime numa central eléctrica provocou na semana passada 74 mortos. A empresa responsável pela obra propõese agora pagar indemnizações de 175.000 dólares por cada uma das vítimas

A

empresa de engenharia responsável pela construção de uma torre numa central eléctrica na China onde 74 trabalhadores morreram disponibilizou-se a pagar 175.000 dólares por cada vítima às famílias, segundo a imprensa. A agência oficial Xinhua disse que as famílias dos trabalhadores concordaram aceitar a compensação, embora não tenha sido possível verificar a informação de forma independente. O acidente, devido à queda de um andaime, ocorreu na quinta-feira da semana passada, na cidade de Fengcheng, província de Jiangxi, e deixou ainda dois feridos, depois de tubos de ferro, barras de aço e pranchas de madeira terem caído sobre os trabalhadores. Cerca de 500 bombeiros, polícias e paramilitares participaram nas operações de resgate, segundo a televisão estatal CCTV, que exibiu imagens de destroços amontoados junto a uma torre de cimento de 165 metros.

EXPLOSÕES HÁ MUITAS

Uma explosão no ano passado num armazém em Tianjin matou 165 pessoas, menos de um ano depois da explosão numa fábrica na cidade de Kunshan (no leste) ter causado a morte de 146 pessoas.

Segundo dados oficiais, em 2015, a China registou 281.000 acidentes laborais, que causaram a morte de 66.182 pessoas. Organizações não governamentais dizem que o número é maior, atendendo aos casos que permanecem encobertos. Segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados

Unidos da América, a China é o país que regista mais acidentes industriais fatais. AOrganização Internacional do Trabalho estima que 20% das mortes causadas por acidentes laborais em todo o mundo ocorreram no país asiático. Um responsável por uma empresa de logística foi recentemente punido com pena de morte suspensa devi-

Segundo dados oficiais, em 2015, a China registou 281.000 acidentes laborais, que causaram a morte de 66.182 pessoas

do à explosão num armazém no porto de Tianjin, no norte do país, por causa da armazenagem ilegal de químicos, que provocou 173 mortos. Um deslizamento de terras, em dezembro passado, causado pela excessiva acumulação ilegal de resíduos de construção, enterrou 33 edifícios num parque industrial em Shenzhen (Sul) e causou 81 mortos. Nas últimas três décadas, a economia chinesa cresceu em média quase 10% ao ano, mas as sucessivas tragédias são cada vez mais fonte de descontentamento popular.

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Governo da Região Administrativa Especial de Macau

Anúncio Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2013 1. O prazo limite para a apresentação do pedido de atribuição do Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2013 é fixado em 30 de Dezembro do corrente ano. 2. Os indivíduos que satisfaçam os requisitos de atribuição, mas não tenham ainda formulado o pedido, devem dirigir-se até ao termo do prazo supracitado ao Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sito na Avenida da Praia Grande, n.ºs 762-804, Edifício “China Plaza”, 2.º andar, Macau, para efeitos de tratamento das respectivas formalidades. 3. Por último, solicita-se que os cheques ainda não sacados sejam apresentados, com a maior brevidade, junto de qualquer instituição bancária de Macau.

Macau, aos 10 de Novembro de 2016.


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SOU MU “ PELA M

Entrevista ARMANDO TEIXEIRA, VOCA

EVENTOS PUB

Já os Balla existiam há seis anos quando Armando Teixeira percebeu a paixão de tocar ao vivo. Músico e produtor em vários projectos, o vocalista dos Balla actua hoje no Largo do Pagode do Bazar ao lado de Rui Reininho, no âmbito do festival This is My City. Armando Teixeira fala da liberdade criativa que a banda lhe traz e da inspiração que Macau lhe dá

O que é que os Balla vêm mostrar a Macau? No último disco [Arqueologia] já tínhamos participações de músicos de Hong Kong, Japão e Filipinas. Esta aproximação ao Oriente já vem do último disco e era algo que queríamos muito, perceber como é a cultura de Macau e a ligação de Portugal à China, conhecer o ambiente. Depois desta participação de músicos do Oriente, fazia todo o sentido vir cá tocar. Tenho pena que eles não possam estar presentes também [músicos de Hong Kong]. Temos essa vontade de mostrar o nosso trabalho a um

sítio que nos deu tanto no último trabalho e que nos inspirou bastante. Queríamos perceber também porque é que Macau inspira tanto os músicos portugueses. Os Heróis do Mar têm um disco chamado Macau, os GNR fizeram 35 anos e nas memórias está presente a vinda deles a Macau, em 1990. Há sempre um grande fascínio pelo Oriente: desde Camilo Pessanha até agora, tem vindo a inspirar os artistas portugueses. É isso que queremos perceber, o que é que muda nos músicos portugueses quando vêm cá e porque é que se inspiram em Macau.

Macau é hoje mais chinês do que português. É uma inspiração que continua, mesmo para os músicos portugueses contemporâneos, os novos grupos? Falo por mim. Sou muito inspirado pela música oriental e um sítio onde a cultura portuguesa coexiste com a cultura chinesa vai sempre necessariamente inspirar-me para fazermos música. Quando se chega a Macau ainda se sente a presença de Portugal, ainda que de maneira discreta. Ficamos com uma ideia de como terá sido a presença portuguesa e fica-se com a vontade de se conhecer mais.Acho que vai inspirar sempre porque é o Oriente que nos faz sentido, que nos diz respeito. Os Balla começaram em 2000. Que balanço faz destes 16 anos, depois da participação em diferentes projectos? Os Balla nunca foi uma coisa que levasse a sério, pelo menos com a periodicidade que eu queria. Sempre tive muitas produções, muitos outros projectos, as coisas nunca foram tão rápidas como aquilo que gostaria. Os Balla têm seis álbuns em 16 anos, não é uma média extraordinária. Poderiam ter mais. Sim, fiz muitas coisas pelo meio. Lembro-me que desde 2006 só consegui fazer um disco em 2010, tive muitas coisas para fazer e não consegui fazer um disco. Agora tenho dado mais atenção à banda e as coisas


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CALISTA DOS BALLA

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UITO INSPIRADO ´ MUSICA ORIENTAL PAULO ROMÃO BRÁS

importante na altura e daí para cá já fizemos dois discos. Produzi e compus alguns temas para um disco dele a solo. Somos amigos e vamos continuar a fazer sempre coisas em conjunto. O que é que os Balla trouxeram de novo à música portuguesa? Os Balla trazem à música portuguesa a liberdade de fazer canções e o modo diferente de fazer canções. Se, no início, eram canções feitas com samples, uma coisa que não existia, quis criar canções com estruturas clássicas. Isso foi mudando, o sample perdeu algum interesse para mim como compositor, comecei a fazer o que sempre fiz, ligado à electrónica, e procurei incorporar cada vez mais elementos de música electrónica. Foi isso que me motivou no meu último disco e que me motiva para fazer canções.

são mais periódicas. Tive muitos projectos, os Bizarra Locomotiva e os Da Waesel, os mais visíveis, mas procurava um projecto com o qual pudesse evoluir, mudar e envelhecer também. E os Balla foram isso: é o projecto que procurei e que quis sempre que pudesse evoluir conforme me apetecia. Poderia ir mudando, para mais electrónico ou mais acústico. Os Balla não têm limites, nem eu sei como será o próximo álbum, e é uma coisa que me agrada bastante.

Não me imaginava com os Da Weasel com 50 anos. Não dava para mudar, para ser outra coisa que não aquilo. Com os Bizarra Locomotiva também não podia crescer. Os Balla são uma banda que posso ir alterando e mesmo os músicos vão mudando.

Não é um grupo que se encaixe apenas na electrónica ou na pop. A pop tem canções e quero que os Balla continuem a fazer canções. Vai sempre situar-se na pop por ter uma estrutura de canção. Há muita experimentação também e quero que continue a existir. É nos Balla que desenvolvo mais a minha veia de composição de canções. Nos outros projectos que tenho são coisas mais experimentais, com mais electrónica, que continuo a gostar bastante.

Apesar do começo em 2000, o arranque a sério fez-se em 2006, com o lançamento de um single na Antena 3.

É um projecto que lhe dá flexibilidade enquanto músico. Completamente. É um projecto onde faço o que quero e que vai evoluindo como quero.

“Macau vai inspirar sempre porque é o Oriente que nos faz sentido, que nos diz respeito.”

Aí foi o terceiro álbum. Em seis anos foi o terceiro álbum que fiz. Nessa altura lançava dois a três álbuns por ano, com as outras coisas que fazia. De facto, em 2006 é que tivemos mais visibilidade e foi na altura em que tive mais vontade de cantar ao vivo. Até aí não tínhamos feito muitos concertos e eu não fazia questão de tocar ao vivo. Porquê? Gostava mais da parte do estúdio. Nessa altura foi quando descobri o prazer de tocar ao vivo, uma coisa que ainda não tinha percebido. Já gravaram com Rui Reininho. Como foi essa experiência? A primeira vez que gravei com ele foi há 12 anos e também participei num espectáculo que fez, quando fez 50 anos, chamado “Ecoponto”. Cruzámo-nos mas sempre tive uma admiração muito grande pelo trabalho do Rui, e ele também teve pelo meu trabalho. Foi uma coisa

Não faz mesmo ideia do que vai gravar a seguir? A seguir vou fazer um disco da filarmónica do sítio onde vivo, os Olivais. Existe uma colectividade que tem uma banda filarmónica muito completa e sempre gostei muito dos metais. Dá para perceber pela música que faço. É uma ideia, mas acho que as coisas vão acontecer. Fará mais sentido ir buscar as minhas canções e que se enquadram mais nesse tipo de linguagem. As sonoridades da música chinesa clássica poderiam inspirá-lo? Inspiram-me bastante, talvez para um projecto que tenho com um contrabaixista, onde temos alguma liberdade. Tanto da minha parte, como da dele há a influência da música oriental, da ópera chinesa, que inspira bastante a música experimental. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

EVENTOS

MISCHA MAISKY E LILY MAISKY EM CONCERTO

O

violoncelista Mischa Maisky e a filha, a pianista Lily Maisky, estão esta noite no grande auditório do Centro Cultural de Macau para um recital único. Mischa Maisky “ostenta a distinção de ser o único violoncelista do mundo a ter estudado com Mstislav Rostropovich e Gregor Piatigorsky”, lê-se no comunicado que anuncia o espectáculo. Rostropovich terá elogiado o músico como sendo “um dos maiores talentos da nova geração de violoncelistas, as suas interpretações combinam poesia e requintada delicadeza com um grande temperamento e brilhantismo técnico”. Nascido na Letónia, educado na Rússia, depois da sua repatriação para Israel, Mischa Maisky foi recebido em Londres, Paris, Berlim, Viena, Nova Iorque e Tóquio. Maisky considera-se um cidadão do mundo: “Eu toco num violoncelo italiano, com arcos franceses e alemães, cordas austríacas e alemãs, a minha filha nasceu em França, o meu filho mais velho na Bélgica, o do meio em Itália e o mais novo na Suíça, conduzo um carro japonês, uso um relógio suíço, um colar indiano e sinto-me em casa em qualquer lugar onde as pessoas apreciem e desfrutem da música clássica”, refere a mesma nota. Enquanto artista exclusivo da Deutsche Grammophon, já gravou mais de 60 discos com orquestras como as filarmónicas de Viena e Berlim, a Sinfónica de Londres, Filarmónica de Israel, Orquestra de Paris, a Orquestra de Câmara Orpheus e a Orquestra de Câmara da Europa. O violoncelista vem acompanhado pela filha Lily Maisky. Pianista, nasceu em Paris, tendo-se mudado pouco depois para Bruxelas. Começou a tocar piano com quatro anos, com Lyl Tiempo, tendo também estudado com Hagit Kerbel, Ilana Davids e Alan Weiss. Lily foi aluna da Escola de Música Purcell, de 2001 a 2005, onde também estudou piano para jazz. Teve masterclasses e aconselhamento musical de artistas de renome incluindo Martha Argerich, Dmitri Bashkirov, Joseph Kalichstein, Pavel Gililov e Vaitalij Margulis. Do programa para o espectáculo constam obras de Camille Saint-Saëns, Claude Debussy, Francis Poulenc, Gabriel Fauré, César Franck e Astor Piazzolla.


14 EVENTOS

RUI REININHO MÚSICO

Há muitos anos, desde a última vez que cá esteve, o território deu-lhe uma música para construir. Agora, a convite dos Balla, regressa para um concerto no Bazar, ao final da tarde de hoje. Espera levar daqui outras perspectivas, porque o Oriente lhe faz bem. Rui Reininho está aqui A última vez que o Rui esteve em Macau para um concerto foi em 1990. Eu tenho isso bem fresco porque temos uma página na biografia dos GNR, a que chamamos as impressões orientais, onde estão as fotos de Macau, indesmentível. Estava escrito no palco “Rock Macau – 90”, e encontrei uma t-shirt que levei de recuerdo que diz,

precisamente, GNR Rock Macau 90. Portanto, 26 anos depois regresso a convite do “homem Balla”. Vim numa bala. 

SÉRGIO AIRES

“Vim para Macau afinar o m Qual é a sensação de regressar a Macau passado tanto tempo? É preciso coragem, especialmente na circunstância em que estava. A viagem é longa, custa um bocadinho, mas vale a pena quando se chega e se vêem aqui coisas tão interessantes. Há indícios de Portugal em todo o lado, os autocarros dizem “seja cordial”, é muito interessante ver o registo linguístico de Portugal. Depois começam as estórias todas, parece que estão a querer limpar todos os símbolos do colonialismo português, mas depois esquecem-se de outras coisas como a esfera armilar que ainda está ali. É bonito, de uma certa maneira, há uma certa violência num sítio que foi ganho aqui ao mar. Em 1990 não havia sequer aeroporto. Mas há coisas que são impressionantes. Nós ontem viemos no jetfoil e passámos sob aquela ponte enorme. Pronto, são cidades que apostam muito na engenharia, na construção. Isto devia ser um paraíso para a Mota Engil e para a Soares da Costa. Para mim, é só um espanto.  Qual a sensação de estar prestes a voltar pisar o palco em Macau? Macau é daqueles sítios que nos ficam, sem prejuízo para o Bombarral e Trancoso, terras que eu guardo com saudade. Mas, de facto, os espectáculos aqui foram tão marcantes quanto aqueles que as pessoas nos atribuem como emblemáticos, por exemplo o do Estádio de Alvalade.  Há uma história de cumplicidade com o Armando Teixeira. Tornou-se numa grande amizade. Contactamos há muitos anos, a partir de um projecto pequenino a convite da Fnac para fazer uma versão do “Once in a lifetime” dos Talking Heads. Depois surgiu o convite da Sony para fazer um disco a solo, e

eu convidei o Armando para produtor. Para mim, ele é o produtor mais brilhante da música pop nacional, mas ecléctico, sem comparação com mais ninguém. O Armando é completo. Além de dar muito atenção ao som, corta e cose muito bem, é um mestre em editing. Tem uma visão muito global e específica. Ainda por cima, trabalhar com um amigo

“É interessante este toque colonial, gosto muito da decadência dos impérios e de os visitar”

é extraordinário, e tem ascendência sobre mim, sim. É aquela pessoa que me ralha. Mesmo em termos de comportamento, ele é muito mais disciplinado. Eu tenho aquele lado infantilópide que mantive e o Armando disciplina e diz “não, tens de fazer outro take”, é daquelas pessoas que vai buscar o melhor de mim e conhece-me bem. 

Vocês fizeram uma colaboração num livro com música, o “Chá, café e etc”... Sim, nós vamos começar o espectáculo com um intro de quatro chás seguidos. É um início difícil, espero que as pessoas não pensem que o espectáculo é só isso. Depois temos os Balla. Aí vem a minha parte como artista convidado, vamos


15 EVENTOS

hoje macau sexta-feira 2.12.2016

eu diapasão a Oriente” tocar também o “Vídeo Maria” dos GNR.

que nos próximos anos vamos ter ali surpresas. 

Como é ver outros artistas pegarem nos temas dos GNR? Nós, os grandes, como a dona Amália, não gostamos muito de ver os outros a fazer interpretações dos nossos temas. Estou a brincar (risos). Por acaso, não é coisa que me agrade muito, aquelas versões televisivas ou em concursos. Não é pensar que tenho mais mérito, mas acho estranho, esquisito. Espero que me poupem nas exéquias, porque eu, como na música “Valsa dos detectives”, dou uma volta no caixão. Não darei porque uma das minhas vontades é ser “cromado” (risos) ali na Rua da Torrinha numa cromagem de pára-choques (risos). Curiosamente, gostei da chamada homenagem no disco “Revistados” porque era outra geração com gente ligada ao R&B e Hip Hop, e acho que tem ali versões muito engraçadas.

Os GNR celebraram agora 35 anos... Estamos sempre a celebrar porque nunca parámos. Foi um ano cheio de espectáculos e vamos fazer um prolongamento. Para o ano sou eu a fazer 35 anos de GNR – como entrei um ano a seguir, temos mais uma desculpa. Vamos também fazer um espectáculo no Porto. O Porto fica sempre assim com aquela pedra no sapato, “foram a Guimarães e não vieram aqui?”, parece o Porto a rosnar. Começamos por Coimbra, na passagem de ano.

O que é que o público de Macau pode esperar hoje? Será surpreendente e acho muito interessante que este festival aconteça numa zona da cidade que é de grande incidência da cultura chinesa. Recordando o concerto de 1990, a reacção foi um bocado fria, até porque as pessoas não conheciam as músicas. Também havia os sorridentes mas eles, na altura, estavam mais interessados numa banda pop rock de Hong Kong. 

“A música em Portugal, infelizmente, não é uma indústria, o que tem para oferecer agora é pouquinho, exige mais do que dá”

Chegou há pouco tempo a Macau, como têm sido estes primeiros tempos? Ainda não aterrámos, mas estamos num sítio maravilhoso, a Casa Garden, a cinco minutos do Jardim Camões. É uma casa colonial, tropical, com bambus. Acredito muito nas vibrações dos sítios, portanto, é um sítio com uma portugalidade muito intensa e antiga, mercantil. É interessante este toque colonial, gosto muito da decadência dos impérios e de os visitar. Aliás, um dos próximos países que hei-de visitar são os Estados Unidos da América do Norte. Acho

Voltar a estúdio está nos vossos planos?  O estúdio é nosso, o selo é nosso. Mesmo agora, quando fizemos a biografia, eu e o Toli juntámo-nos e acabou por nascer o “Arranca coração”, que é o chocolatinho no café. Há sempre a necessidade e o prazer de estar a funcionar e a trabalhar, porque temos de investir em nós próprios. A música em Portugal, infelizmente,

não é uma indústria, o que tem para oferecer agora é pouquinho, exige mais do que dá.

“Apesar da pretensão de ser um liricista, ou poeta, vou ficar mais conhecido na minha pequena história como o homem que inventou o ‘paptchiuariauá’” Voltanto ao DVD... Quando já não se usam DVDs vamos fazer um objecto obsoleto, vintage, porque temos aqueles fãs teimosos que perguntavam, sem parar, “para quando um DVD dos GNR”. Foi um problema que tivemos com as editoras, nunca nos

fizeram um DVD. Agora é o máximo de liberdade. Este DVD foi baseado no concerto do Campo Pequeno, está agora a ser editado e deve sair em Fevereiro. Fez anotações numa edição do “Alice no país das maravilhas” do Lewis Carrol, e as letras dos GNR sempre tiveram algo de poético e surreal. Alguma vez pensou em experimentar a literatura? Não posso disparar em todas as direcções, se não mandam-me internar (risos). As “Dunas” deixo para o povo. Às vezes digo, por graça, que apesar da pretensão de ser um liricista, ou poeta, vou ficar mais conhecido na minha pequena história como o homem que inventou o “paptchiuariauá”. É quase o meu “obladiobladá” dos Beatles. Tenho um esboço de romance, e alguns convites, mas acho que já vou um bocado tarde. Mas da última vez que estive em Macau surgiu-me a “Ana Lee”, e ali ao lado saiu o “Tóquio Joe”. 

O libretto que estou a fazer, maior que estes edifícios em termos de gigantismo, será o meu Godzilla.Tenho o sítio, referências e as pessoas indicadas para o projecto. Neste domínio é muito bom viajar, ter recuo. Para mim, a maior felicidade era que me despoletasse assim uma coisa, um livro de sonetos por aí fora, à Byron.  Que música é que o Rui ouve em casa? Muito pouca, tenho ouvido o “Substance” dos Joy Division, mas também posso ir ao “Out of the blue”, do Miles Davis, ou a um Mahlerzinho. Infelizmente, já não tenho aquelas incidências vínicas que me permitam beber uma taça de espumoso.  (ouve-se, em plano de fundo, um piano a ser afinado) Ele toca o “tim tim tim”, o afinar de um piano, é um momento perturbante. Digamos que vim aqui a Macau afinar pelo diapasão oriental. Vai ser bom para perspectivar, e de certeza que esta semaninha vai trazer mudança na minha vida. Vou afinar as minhas frequências com o Oriente, há aqui outro comprimento de onda.   João Luz

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O que é que o Rui gostava de fazer no futuro?

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Notificação edital (06/FGCL/2016)

Notificação edital (11/FGCL/2016)

N.o de pedido: 2016000262、2016000264、2016000267、2016000270、201600294

N.o de pedido: 2016000203、2016000205、2016000206、2016000207、2016000208、2016000210

Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “Estabelecimento de Comidas Zan Kei de Taiwan”, com sede na Rua Alegre No.97 Edf. Hong Lok Sun Chuen Block 4 LJ AL 1/FL RC, Macau, o seguinte: Relativamente aos 5 antigos trabalhadores do devedor (Tsai Mao Tei, Leong Wai Lan, Kuok Wai Meng, Chen Yong Liang e Chan Iok Sam), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo do pagamento de créditos emergentes das relações de trabalho, este Fundo, em 17 de Outubro de 2016, tomou a deliberação, nos termos do artigo 7.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), de efectuar o pagamento do adiantamento para os 5 antigos trabalhadores acima referidos, no valor total de setenta e oito mil, oitocentas e oitenta e quatro patacas e sessenta avos (MOP 78 884,60). Mais se informa ao devedor que este Fundo vai efectuar o pagamento do adiantamento para aqueles 5 requerentes, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se na sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 29 de Novembro de 2016. O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais Wong Chi Hong

Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “AP Procurement Comercial Offshore De Macau Limitada”, com sede na Rua de Pequim nos 230-246, Macau Finance Centre, 13 andar H, Macau, o seguinte: Relativamente aos 6 antigos trabalhadores do devedor (Lei Man Chon, Ao Weng Sok, Chan Mei San, Chan Sut Ian, Vong On Kam, Sou Lai Kam), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo do pagamento de créditos emergentes das relações de trabalho, este Fundo, em 28 de Novembro de 2016, tomou a deliberação, nos termos do artigo 6.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), de efectuar o pagamento de créditos para os 6 antigos trabalhadores acima referidos, no valor total de seiscentas e noventa e seis mil, quinhentas e quarenta e oito patacas (MOP696 548,00). Mais se informa ao devedor que este Fundo vai efectuar o pagamento de créditos para aqueles 6 requerentes, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento de créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se na sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 29 de Novembro de 2016. O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais Wong Chi Hong


16 DESPORTO

O

Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA) confirmou no final de quarta-feira aquilo que a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau foi incapaz de fazer durante a 63ª edição. O Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC) está de regresso ao evento automobilístico da RAEM, ocupando o lugar do TCR International Series na Corrida da Guia. O calendário do WTCC foi aprovado em Viena, na Áustria, e a prova do território está pendente apenas da aprovação da associação desportiva nacional da RAEM, neste caso, a Associação Geral-Automóvel de Macau-China (AAMC). Depois de dois anos ausência, os organizadores do WTCC estão bastante satisfeitos em voltar ao território no próximo ano. “Nós sempre mantivemos a porta aberta a Macau e estamos muito felizes por regressar a um dos mais icónicos circuitos citadinos do mundo”, disse PUB

hoje macau sexta-feira 2.12.2016

Como esperado... Conselho Mundial confirma corrida do WTCC em Macau

sinergia com outras categorias da FIA que fazem parte do fim-de-semana do Grande Prémio de Macau”. De 2005 a 2014, o Grande Prémio de Macau foi a prova final do WTCC, no entanto, em 2017,  a prova do Circuito da Guia será a penúltima, pois será Losail, no Catar, quem encerrará a temporada. Em 2017 o Grande Prémio de Macau deverá ter três corridas sob a égide da FIA:WTCC, Mundial de F3 e Mundial de GT.

ESPAÇO PARA OS LOCAIS

François Ribeiro, o responsável máximo pela Eurosport Events, a empresa que tem os direitos de promoção do campeonato.

“Macau é muito especial, provavelmente a mais forte corrida na Ásia. Discussões com a nova gestão local voltaram no início deste ano e

foram harmoniosas e simples com uma grande vontade de ambos os lados para criar um evento extremamente bem sucedido. Obviamente há uma

Com o abandono da Citroen e da LADA, e confirmada apenas a continuidade das equipas de fábrica da Volvo e Honda, o WTCC encontrou uma solução de recurso para o seu parque automóvel ultrapasse a dúzia e meia de viaturas em 2017.  A competição mundial vai introduzir no próximo ano uma segunda categoria, a chamar-se “WTCC 2”. Esta categoria será aberta a carros que cumpram o regulamento FIA TCN2 e que assim poderão correr lado a lado com os actuais e extremamente caros Super 2000 TC1 nas provas do mundial.

“Macau é muito especial, provavelmente a mais forte corrida na Ásia.” FRANÇOIS RIBEIRO EUROSPORT EVENTS A categoria TCN2 é a categoria mais significativa da Taça Europeia FIA de Carros de Turismo (ETCC). Basicamente usa os carros do conceito TCR com alguns requerimentos para os fazer legais à luz do regulamento TCN2, como componentes de segurança e um depósito de gasolina especial da FIA. Esta abertura no regulamento irá permitir aos pilotos da região participar na Corrida da Guia com os mesmos carros que utilizaram este ano na mesma corrida. Sérgio Fonseca

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em modo de perguntar

És professor de filosofia na Universidade Nova de Lisboa, tradutor de Aristóteles e de Píndaro, e recentemente editaste um livro entre a filosofia e a poesia, chamado Um Dia Não São Dias, que tive a honra de apresentar. Como entendes tu esse livro? O livro é uma tentativa de escrever fenomenologia do tempo fora de um estilo e âmbito estritamente académicos. Usei como embrião um texto escrito na USF (University of South Florida) de 2004 sobre os dias da semana. Cada dia tem o seu tom, a sua vibração específicas. A temporalização que organiza e estrutura o dia tem também diferenças. Assim também a semana, as semanas de um mês, os meses de um ano, os anos. A possibilidade teórica está dada desde a antiguidade. Em Homero e Píndaro, mas também em Tácito, os dias ou o ano são o “sujeito” que serve de plano de fundo estrutural ao ser de tudo o que acontece, ao desenrolar do tempo, ao começar e ao expirar dos prazos. Quis redigir todos os dias um pequeno texto e foi o que fiz, quando tive um Blog no Expresso online. Escrevi todos os dias durante nove meses aproximadamente. Foi esse conjunto de apontamentos que serviu de base para aquilo que depois tu (PJM) editaste.

Paulo José Miranda

António de Castro Caeiro

“A poesia arcaica, a epopeia, a lírica e a tragédia sempre me interessaram”

Quais os próximos projectos de tradução, tanto os que já tenhas terminado quanto os que ainda irás começar? Estão para sair as constituições perdidas de Aristóteles num conjunto de fragmentos dos livros perdidos de Aristóteles: os Historika. Estão a ser preparados para sair também na Abysmo dois outros volumes de traduções de fragmentos: um volume sobre o que contemporaneamente se pode chamar Estética e um outro dedicado a textos de teor científico. Sairá também pela Abysmo uma tradução das odes Olímpicas de Píndaro. Ainda por fazer está uma tradução dos fragmentos éticos dos velhos estóicos em colaboração com um colega meu, desta feita para o IFIL Nova, unidade de investigação a que pertenço. A tua relação com a poesia vem de longe, e foi concretizada em livro numa primeira vez na tradução das Píticas, de Píndaro, em 2005, pela Prime Books e depois, mais tarde, reeditado pela Quetzal, em 2010. Recentemente aceitaste participar num projecto de leitura de poesia ao vivo com música (o contrabaixo de Carlos Barretto), chamado No Precipício Era O Verbo, juntamente com o poeta José Anjos e o actor André Gago. Já fizeram vários espectáculos pelo país e gravaram um disco. O que te levou a este projecto?

Sim, a edição das Odes de Píndaro pela Quetzal com ensaios em 2010 é já uma reformulação da tradução das Odes Píticas, editadas em 2005 pela Prime Books. A poesia arcaica, a epopeia, a lírica e a tragédia sempre me interessaram, porque aprendi que para se ler Platão não basta saber o grego em que ele escreveu, mas os princípios genéticos do Ático. A sabedoria popular ou o folclore são formas de manifestação

h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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das inquietações do espírito dos tempos e não podem ser ignoradas. No Precipício Era o Verbo não existiria sem vários factores humanos na base do seu nascimento. O João Paulo Cotrim da Abysmo apresentou-me ao José Anjos, este ao Carlos Barretto, e eles ao André Gago. Numa sessão de apresentação de Um Dia Não São Dias, na Barraca, organizada pelo poeta Miguel Martins, o Carlos Barretto propôs que tentássemos

fazer leituras com Contrabaixo. O João Paulo Cotrim associou-se ao projecto e, assim, aos poucos, demos corpo a um reportório com poesia ou textos poéticos do José dos Anjos, André Gago e meus, com versões de poesia estrangeira (dórico e alemão) lida no original. A experiência do palco ressuscita a minha juventude quando actuei como baixista nos Mata-Ratos. Tem sido gratificante a partilha e fazer parte de um projecto em que acredito pela sua consistência e originalidade. Aproveito para dizer que o nosso percurso será coroado pela primeira vez com a actuação no CCB, no dia 20 de Dezembro. Pensas em escrever acerca de poesia, de modo a produzir um livro? Por defeito, tudo o que leio tem vista poder falar sobre o assunto nas aulas, assim também tudo o que escrevo visa a possibilidade de uma publicação, no sentido lato do termo. Tenho feito várias apresentações de livros de poesia de autores contemporâneos portugueses. Sempre produzi texto para o efeito, porque nunca consigo falar “de cor” nestas circunstâncias. Gostaria, contudo, de fazer despistagens de maior fôlego sobre o modo como a poesia exprime e se posiciona relativamente a problemas mais intimamente ligados à metafísica: a vivência da temporalidade humana, crónica e finita, definição de orientações e direcções em encruzilhadas, indecisões, destino, contra tempos, atrasos de vida, perda de sentido, crises afectivas, impactos emocionais, disposições, etc., etc.. A economia da formulação poética sempre me impressionou muito mais do que o encadeamento argumentativo. Talvez sejam duas formas indispensáveis para “dizer o humano”, complementares, indissociáveis. E para quando um novo livro teu de filosofia? Tenho estado a estudar a melancolia como manifestação do espírito desde os Hipocráticos, passando por Platão e, claro, Aristóteles que tem, este último, uma referência explícita ao fenómeno, nos Problemata. Depois, tenho estudado o fenómeno do ponto de vista da psicopatologia e da fenomenologia. O conjunto de estudos que sairá de um semestre que farei sobre melancolia, depressão, mania e euforia, constituirá um conjunto de anotações e de textos. O que sair desse curso permitirá a redacção de um texto. Não sei ainda qual o seu formato, mas pretendia que pudesse ser lido sem os tiques do ensaio académico e que se aproximasse mais do modelo encontrado para Um Dia Não São Dias.


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Á dias que são o diabo. Esse cão. Um fim de tarde quase quente a disfarçar a perspectiva de declínio desse Outono de um ano qualquer esquecido de si. As folhas no chão, que, mesmo se não houve uma ventania forte e desarrumada a vencê-las, se deixaram calmamente cair da idade própria. Talvez num voluteio dançante sem pressa. Ou talvez a pique e com um ruído seco quase inaudível. Que não deixa dúvidas de estação. De cor, de dia seguinte. Mas a temperatura da tarde, sim. Não que estivesse calor, não me expliquei bem. Era só que não estava um milímetro de uma sensação de frescura, que fosse, nem um segundo de arrepio ou a vontade de compor melhor o bolero de lã fina. Tão fina como seda. Tarde a querer esquecer o tempo e a poder esquecer a temperatura, lá bem no meio da conversa, só um constatar ligeiro de como estava bom. Ali. Num final de semana de uma liberdade desusual. Horas de conversa mansa e fácil. Numa mesa no coração do jardim, da cidade. Uma estação que como quase todas tem dias que anunciam o seu fim e dias que são como uma quinta estação. Dias sem estação. Aqueles, em que a vida não dá, não tira, nem pesa. É. Simplesmente e com alívio. Mas circulares, estes. Depois o voltar a casa lento e um pouco triste de voltar. De um esquecimento de toda uma camada do tudo. Que volta a mim, na volta a casa. Por entre as árvores no perímetro máximo do jardim, enquanto possível. O dia baixo. A luz, a já pouca réstia do dia, a esvair-se rápida. Sem frescura de maior. A mesma mansidão de toda a tarde. Foi talvez ao fim dessa linha traçada pelo caminho mais longo e antes de deixar as árvores pelas pestanas dos outdoors publicitários, que comecei a ouvir um som inquietante como uma respiração fantasmagórica a acompanhar-me os passos como um cão. O cão. Porque há dias assim. Como sempre não acredito facilmente em sensações insólitas. Há uma desconfiança atemorizada de entrar nessa porta como a não haver retrocesso possível. Uma hesitação. Uma atenção redobrada e olhar em torno. De mim, dos pés que pararam e com eles a respiração. Uma coisa de outro mundo. Mas eu não acredito. Nem no mal e nem em outro mundo. Em nada, mais. Nem em significados nem em sentidos. Mas nos órgãos

dos sentidos, no momento puro de uma sensação. Nítida. Olfativa. Mesmo até presa de matérias da memória. Às vezes o cheiro nítido. Como aquele meio adocicado do alcatrão pastoso em verões de outro tempo. Porque acredito em outro tempo quando regressa em forma de sensações nítidas. Quase tão real ou mais do que o de hoje. Em que não troquei palavra com ninguém, nenhum cheiro me mobilizou a atenção e nenhuma dor a mais me prendeu a uma cadeira. Mas ali, como sempre a ensaiar o andar leve, porque quando os passos são leves, a vida flui. Pensar o contrário é um perigo. Como nas palavras. Parei relutante comigo própria por o fazer a partir de uma sensação tão insólita e estranha. Nada. Recomecei os passos com a mesma desenvoltura de sempre. Há que tornar os passos leves e com eles o corpo. E tudo parece perto do voo. E comigo recomeçou à altura dos passos aquela respiração desdenhosa e pesada. Inconfundível. Era. Uma respiração. Bem, uma espécie de respiração, entendi. Sentei-me no banco do final do jardim a fazer contas ao acontecido e mais ainda a toda uma história em potência que imperceptivelmente se insinuara na minha mente receosa de se ter alienado. Era mais isso que me ocupava naquele momento. Rever as sensações, as extensões a partir da perplexidade num primeiro instante, distraída. E que talvez eu tivesse, apesar de tudo a capacidade de acreditar em quase tudo, mas a sorte de pouco me acontecer, na escala do muito estranho. Fico ali mais um pouco na preguiça de voltar a tudo. Quase noite, entretanto. As luzes a tomar lugar. As sombras no jardim. Olho finalmente com atenção, feitas contas ao sobrenatural, os sapatos suspeitos. Eles. Afinal. A origem do mal, aquele. E recuei uma vida a partir daí. Os meus sapatos azuis de verão. Com bem mais de quinze anos e rosto sonso de novinhos em folha. De camurça escura e sola compensada. Completamente fora de moda esse ano e outros. Como costumo gostar. Mas como é meu costume, poupados anos a fio no temor de os gastar e na perspectiva de nunca voltar a encontrar uns iguais para sempre. Acontece-me isso com as coisas de que gosto muito. Ficam num museu imaginário de porvir perfeito. Bandidos. Por detrás da sua face impecável, de quem dormiu anos numa caixa, envoltos em

papel de seda, escovados e com bolas do mesmo papel a resguardar-lhes os interiores não fossem esmorecer, ganhar dores incómodas, torcicolos. Ali, depois de horas de pouco esforço a ouvir-me a conversa à mesa de uma esplanada no meio de um jardim, no meio da cidade, e sem outros sinais de depressão que aqueles suspiros. Porque eram eles. Mal me levantei a voltar à vida, abateram-se-lhes os interiores da sola espessa e compensada de uma matéria invisível e desconhecida forrada a camurça escura em azul. Qualquer coisa neles, no interior daquelas solas altas, abateu discretamente um centímetro ou dois. E ao sabor dos passos aquele suspiro duplo, emitido por cada um dos sapatos de verão em camurça azul, de que tanto gostava e que ao olhar nada diziam do desastre que lhes comia as entranhas de cada vez que poisavam no chão. Ora um, ora outro. Aquela respiração pesada e desesperada como um suspiro. Alto, audível e sem dúvidas de realidade. Guardo-os, anos, pelas formas anacrónicas. Pelo puro prazer das formas, pelas épocas que evocam, pelos momentos colados a eles como um nome, um dia de um ano. Personagens. Luzes especiais. Como colecionadora que não sou. Odeio colecções mas gosto de formas e de sapatos como registo de vida. Poupo-os demais. E mesmo assim, aparentemente na sua vida própria e resguardada, envelhecem e adoecem. Deprimem. Talvez de falta de luz e existência. Mais tarde levantei-me com pouca vontade do banco do jardim da cidade, e segui o meu curto caminho para casa, acompanhada agora de dois seres deprimidos, envergonhada daqueles suspiros a acompanhar-me como se torturasse alguém por debaixo dos meus pés. Mas antes, num olhar desprevenido para o lado, ainda a apreciar essa temperatura como ausente, ali mesmo ao meu lado no banco de jardim, como se sempre ali tivesse estado, o objecto. Pequeno, o cano curto e luzidio. A menos de um palmo da minha saia. Jurava pela minha saúde que não estivera ali desde o início. O início da minha pausa para pensar na respiração estoica ou sofrida dos sapatos velhos com ar sonso de novinhos em folha. Como disse. Reconheci-o sem nunca o ter retirado da bolsa de seda preta, comprada num mercado de rua num outro lugar do mundo, em outro ano. Mas na reali-

ANABELA CANAS

Objecto discreto dade nunca o tinha visto para além de uma forma imprecisa a avolumar discretamente, por entre o drapeado da seda preta com flores brancas, bordadas. Da bolsa de seda, comprada num mercado de rua. Uma coisa de um contrabando tão implícito que nem o preço negociado o insinuou por instantes que fosse. Mas a bolsa jaz também ela envolta em papel de seda numa gaveta de coisas preciosas e secretas. Algumas. É uma coisa insólita. Esta. Até porque é uma estética de outros tempos também mas que em nada condiz com a dos sapatos. Nessas coisas sou rigorosa. Por isso não a levei comigo. Nem o revólver. Que nunca retirei da bolsa de seda do papel de seda e da gaveta secreta. Olho o revólver pequenino e perigoso e em volta a ver se outros olhos o reconhecem com é. Ou o veem, no mínimo. O que seria, no mínimo, tão embaraçoso como os suspiros a acompanhar-me a casa, pesados e persistentes. A hipótese do invisível, não é melhor. Colho-o nas pontas dos dedos, e no olhar de suspeita, a medo e aninho-o no interior do bolero de lã fininha, como a um pequeno bicho friorento. Sem saber o que lhe fazer. Nem ter nada a ver com ele. Nunca uma palavra o levou ao interior daquela bolsa de seda. À gaveta do roupeiro. Ao caminho. Ao banco de jardim. Caminho pela rua e sem querer algo em mim suspira inadvertidamente como se alguma coisa algures acima dos sapatos num ponto indeterminado, se tivesse abatido aí também Em mim. Para além de um centímetro ou dois de cada vez que poisava um pé no chão. E depois o outro. E sempre o mesmo centímetro ou dois. Talvez a pequena mancha distraída, de um vermelho escuro mesmo por baixo do revólver, no banco de jardim. Inocente. Silenciosa. No caminho, algo em mim vai esquecendo tudo senão aqueles persistentes suspiros que não param. Afrouxo uma das mãos do peito e do bolero de lã fininha a esconder o insólito e vejo-a colorida de um calor vivo escuro e viscoso. Escondo-a junto ao bicho clandestino e sei de onde, dentro, se verte a cor. De que ponto preciso do meu desconhecimento anatómico desculpado pela pele. Previdência natural mas não infalível. Algo se rompeu dela ali. Não ouvi o som. Não senti a dor. Talvez distraída pela temperatura confortável e ausente. Chego a casa e a chave escapa-


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de tudo e de nada

-me da mão de cansaço. Com o ruído estridente do prédio silencioso por fundo. Percebo que não morri. Pelo ruído. Talvez. Há o som das chaves. De casa. E a casa. Lambo dois dedos para não sujar a chave e o sabor doce, o aroma inconfundível do chocolate. Desconfiava que me corria nas veias. Antes assim, qualquer coisa comestível a partir de um coração de bolacha – ou de suspiro - do que imaginar-me sempre a carregar uma quantidade repugnante de vísceras semi-desconhecidas. Antes um corpo

abstrato. A verter chocolate quente. E não houve crime. Mas qualquer coisa. Se fosse, era passional. O estrondo do estampido do impacto do tiro e o calor de um abraço. Mas a temperatura era ausente. Como disse. Portanto não houve crime. Nem história para contar. Mas houve qualquer coisa. E num dia qualquer começou a doer. E depois, ela, ali, baixinho, a outra, ela ali baixinho, de frente, em confidência, em desespero, que a morte não pode nunca ser metáfora de nenhum abandono,

abandono de si, de nenhuma indiferença, de si, de nenhum outro, de nenhum outro em si ou vice-versa. Que a vida tem um preço maior. Em abismos e seres da natureza deles, em mergulhos e tempos que os relógios param para observar, em perdas e ausências mútuas, ou em trocas de territórios como roupas emprestadas. Existir mental fora de si e existência sentida como habitada em si. E tudo dali, excepto a morte, tem um preço de vida sensível, visível ou invisível de aceitação tácita. Não há morte. Senão a que tem

Anabela Canas

que ser. A única e não amada mas familiar a achegar-se mansa de falas porque o seu dia, ninguém lho tira. Sentada à mesa da cozinha com aquele caderninho anacrónico das receitas, repensa quantidades e proporções. Um pouco mais de chocolate, mas experimentar com pimenta. Que quantidade arriscar, coisa a pensar muito bem. Talvez por tentativa e erro. Como chegara à receita daquele bolo cremoso, de comer morno, saído do forno. A verter chocolate ao primeiro toque.


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José Simões Morais

Os incidentes de 3 do 12 de 1966 A

3 de Dezembro de 1966 ocorreram confrontos entre a comunidade chinesa de Macau e as forças do Governo português, episódio conhecido pelo “1,2,3” e que se prolongou até 29 de Janeiro de 1967. Era o extravasar de tensões, trazidas como herança do não reconhecimento por parte do Governo de Lisboa da República Popular da China, proclamada a 1 de Outubro de 1949, assim como em Macau, a resistência feita pelo governo português às forças comunistas da cidade e as ajudas que aqui tinham as organizações nacionalistas, partidárias de Chiang Kai-Skek e derrotadas em 1949 pelo Partido Comunista numa longa guerra, levando-os a fugir para Taiwan. Os que para aí não seguiram refugiaram-se em Hong Kong e Macau e daí faziam constantes provocações aos governantes da República Popular da China. O brigadeiro Nobre de Carvalho aceitara o cargo de Governador, quando Macau era um lugar tranquilo, sem os problemas que enfrentavam os restantes territórios portugueses do Ultramar. Vinha substituir Lopes dos Santos que, devido à doença da sua esposa foi obrigado a ficar por Portugal e apesar de novamente nomeado para um segundo mandato, teve de o recusar. O novo Governador Nobre de Carvalho, só quando chegou a Hong Kong, a 25 de Novembro de 1966, soube pelo seu homólogo da colónia vizinha, Sir David Trench, o problema que o esperava. No barco para Macau, o chefe de gabinete Mesquita Borges e o ajudante de campo, Mendes Liz, explicaram-lhe o problema ocorrido a 15 de Novembro. Tudo começara com a construção de uma escola na Taipa, para a qual a Associação de Moradores da Taipa tinha há longo tempo pedido uma licença às Obras Públicas, mas vendo o tempo a passar e sem resposta, os residentes resolveram começar a construir o edifício. Logo interveio a polícia, havendo feridos, o que revoltou a população chinesa. Acabado de chegar, “Nobre de Carvalho foi apanhado completamente de surpresa e viu-se no meio de algo que não entendia, apesar de ter ficado com o caso para resolver”, segundo Manuel Maria Variz, com quem a partir daqui seguimos o seu relato. A 3 de Dezembro avançou uma manifestação de chineses até ao Leal Senado e perante

a fraqueza da polícia, que não recebia ordens do seu comandante, “os amotinados espatifaram o Leal Senado e a Secretaria Notarial e não fizeram mais porque não quiseram...”

DOCUMENTO SECRETO

O documento, que passamos a reproduzir, foi considerado «secreto». Resposta do Governo de Macau ao protesto que lhe foi apresentado pelos representantes dos habitantes chineses de Macau: “O Governo de Macau solenemente declara. Que decidiu assumir a inteira responsabilidade do incidente sangrento de «15 de Novembro», ocorrido na ilha da Taipa. E dos trágicos acontecimentos de «3 de Dezembro», ocorridos em Macau. A fim de impedir que habitantes chineses da Taipa reconstruíssem a sede da sua Escola, o Governo de Macau, em 15 de Novembro de 1966, destacou polícias para reprimir aqueles habitantes de que resultaram feridos e detidos, o que provocou indignação nos habitantes chineses de Macau.

No dia 3 de Dezembro, quando professores e alunos chineses de Macau se dirigiram ao Palácio do Governo para apresentarem o seu protesto, o Governo de Macau novamente destacou polícia para os reprimir e, em seguida, impôs a lei marcial, reforçou tropas para disparar tiros, dos quais resultaram mortos e feridos entre habitantes chineses. Nestes incidentes, infortunadamente, ao todo, foram mortas 8 pessoas, ficaram feridos 212 e detidas 62, admitindo o Governo de Macau representarem estes factos sérios crimes dos seus principais causadores. Por isso, o Governo de Macau dirige-se agora, respeitosamente às famílias dos mortos e aos feridos, aos que estiveram presos e a todos aqueles que porventura tiverem sofrido quaisquer prejuízos durante estes incidentes, bem como a todos os habitantes chineses de Macau, para admitir as culpas havidas, significar as respectivas escusas e manifestar o seu profundo pesar. Tendo decidido aceitar, na totalidade, os seis pedidos apresentados pelos representantes dos habitantes chineses de Macau e executá-los imediatamente, o Governo de Macau já exonerou sucessivamente das suas funções, por os admitir como causadores destes incidentes e para apuramento das suas responsabilidades, o Comandante Militar Mota Cerveira, o Comandante da Polícia Galvão de Figueiredo, o Segundo Comandante da Polícia Vaz Antunes e o Administrador interino do Conselho da Ilhas Rui de Andrade, ao quais foi ordenada a sua imediata saída de Macau, para regressarem à Metrópole, para aguardar julgamento das instâncias competentes e correspondente punição. Igualmente decidiu o Governo de Macau chama a si a responsabilidade pelo pagamento de todas as despesas do enterro e da cerimónias fúnebres,

No dia 3 de Dezembro, quando professores e alunos chineses de Macau se dirigiram ao Palácio do Governo para apresentarem o seu protesto, o Governo de Macau novamente destacou polícia para os reprimir e, em seguida, impôs a lei marcial, reforçou tropas para disparar tiros, dos quais resultaram mortos e feridos entre habitantes chineses

bem como das compensações às famílias dos mortos, pelo pagamento de todas as despesas de hospitalização e tratamento dos feridos e também dos prejuízos inerentes, responsabilizando-se, ainda, pelo pagamento de todos os prejuízos resultantes da invalidez dos feridos, pelo pagamento das indemnizações às demais vítimas, por todos os prejuízos derivados destes incidentes. O governo de Macau pagará em dinheiro todas as indemnizações acima referidas, cujo montante é de $2.058.424,00 (patacas) e solicita aos representantes de todos os sectores sociais dos habitantes chineses de Macau a indicação de um organismo para se encarregar da sua distribuição. Aboliu-se já a lei marcial, foram postos em liberdade todos os indivíduos detidos durante estes incidentes e cancelados os processos que respeitam aos seus registos, devendo também considerar-se anulada, por infundada, a sentença proferida contra um dos habitantes chineses presos durante os incidentes da Taipa e cancelado o seu processo. O governo de Macau já reconheceu a legitimidade da pretensão dos habitantes chineses da Taipa para reconstruir a sede da sua Escola, podendo esta obra ser efectuada imediatamente. Acrescente-se ainda que foi atendido o protesto do diário «Ou Mun», referente ao caso da sua reportagem o incidente da Taipa, pelo que se assegura que, de futuro, não se repetirá semelhante ocorrência. O governo de Macau reitera o seu pesar a todos os habitantes chineses de Macau e dar efectivas garantias de segurança das suas vidas e dos seus haveres e de protecção dos seus justos direitos e interesses, para o que, além do mais, reafirma e assevera que, de futuro, não permitirá decididamente que os agentes secretos do grupo do Tchiang Kai-Chek pratiquem quaisquer actividades em Macau. O Governador de Macau – José Manuel Nobre de Carvalho”. A assinatura do acordo de capitulação, com um texto imposto pela parte chinesa, teve lugar na sede da Associação Comercial a 29 de Janeiro de 1967 e a ordem pública durante todo esse ano foi mantida com o auxílio de milícias das kaifong, como refere José Pedro Castanheira.


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TEMPO

POUCO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO “MEMÓRIAS DO TEMPO – MACAU E A LUSOFONIA” Arquivo de Macau (Até 4/12)

MIN

15

MAX

23

HUM

60-85%

EURO

8.49

BAHT

EXPOSIÇÃO “BELIEVE IN ART” IFT Café (Até 5/12) EXPOSIÇÃO “UM AMANHÃ MELHOR” Edifício do Antigo Tribunal (Até 7/12) EXPOSIÇÃO CONJUNTA DE PINTURA DE WANG LAN E GU YUE

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “TRINTA E TRÊS ANOS NA RÁDIO – DO LOCUTOR LEONG SONG FONG Academia Jao Tsung-I (até 02/2017)

PROBLEMA 133

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 132

C I N E M A

THE LIGHT BETWEEN OCEANS SALA 1

CRAYON SHINCHAN MOVIE 2016 [B] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Wataru Takahashi 14.15, 18.00, 21.45

YOUR NAME [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Makoto Shinkai 16.00, 19.45 SALA 2

FANTASTIC BEASTS & WHERE TO FIND THEM [B] Filme de: David Yates Com: Katherine Waterston,

Dan Fogler, Alison Sudol, Ezra Miller 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

UM LIVRO HOJE

SUDOKU

DE

Museu de Arte de Macau (até 01/2017)

Cineteatro

YUAN

1.16

OUTROS TEMPOS

Armazém do Boi (Até 4/12)

ESCULTURA “LIGAÇÃO COM ÁGUA” DE YANG XIAOHUA

0.22

AQUI HÁ GATO

EXPOSIÇÃO “URBAN HIKES”

Fundação Rui Cunha (Até 8/12)

(F)UTILIDADES

Ontem estava à conversa com outras gentes de cá que me falaram no passado. Ouvi uma Macau que desconhecia. Apesar das minhas sete vidas ainda vou na segunda, pelo que o tempo além de 20 anos atrás me é desconhecido. Mas voltemos ao assunto. Encontrei um companheiro que no alto da sua sétima vida me passeou por aquilo que antigamente era uma baía. A Baía do Sul que agora mantém o nome, mas é um lago. Falou-me de uma calma que agora não se sente e de uma Taipa cujo único acesso era de barco. Cabisbaixo, recordou uma altura em que, perante o descontentamento, as pessoas se revoltavam. Recordou a chegada do Sr. Ho à terra e dos negócios de ouro e ópio. Parecia que estava em frente de um postal mental de uma terra que nunca conheci. Às vezes, questiono-me se foi só a passagem do tempo que transformou o espaço e as gentes. Não sei se para melhor ou pior mas às vezes sinto que, com tanta transformação, Macau não pertence a lado algum. Pu Yi

“VER NO ESCURO” | CLÁUDIA R. SAMPAIO

A poesia portuguesa vive um período de renascença. Cláudia R. Sampaio é uma das estrelas que desponta numa constelação de novos poetas. Em 2014 publica o primeiro livro, “Os dias da corja”, pela editora Do Lado Esquerdo. Um ano depois chegava “A primeira urina da manhã” às livrarias. Este ano Cláudia lançou “Ver no escuro”, editado pela Tinta da China, no mesmo tom desconcertante e confessional a que a habituou o leitor, de onde se destaca o poema “Saudação à Segurança Social”. A pena de Cláudia é dura, pesada e corta até ao osso. Muito recomendável e um nome a seguir. HM

SALA 3

THE LIGHT BETWEEN OCEANS [B] Filme de: Derek Cianfrance Com: Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz 14.30, 16.45, 19.15

SHUT IN [C] Filme de: Farren Blackburn Com: Charlie Heaton, Naomi Watts, Jacob Tremblay 21.30

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22 OPINIÃO

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TOM HOOPER, LES MISÉRABLES

Uma Lei Sindical, um Governo, um referendo

O

a canhota

FA SEONG 花想

Governo de Macau vai, afinal, encarregar uma instituição académica de realizar um estudo sobre a viabilidade de implementação de uma lei sindical. Segundo o que disse Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, a ideia é analisar os desafios que outros países já enfrentaram na implementação da lei. Este panorama mantém-se apesar de diferentes deputados já terem apresentado projectos de lei sindical na Assembleia Legislativa (AL), oito vezes chumbados. A decisão do Governo é uma novidade e um passo em frente, mas não espero um resultado além da habitual ideia de que “a lei não é adequada à actual situação da sociedade de Macau”, ou ainda ao facto de ser “necessário um consenso no seio da sociedade para a implementação da lei”. Aí o referido estudo não será mais do que um desperdício de dinheiros públicos, apesar do Governo já ter gasto tantos recursos financeiros desta forma. Macau precisa da lei sindical. Esta pode simbolizar um anjo para os trabalhadores mas um diabo para quem emprega. Ao fim de oito chumbos, que não é um número pequeno, é fácil compreender as razões que estão por detrás disso, pois a maior parte dos deputados são patrões e não representam a defesa dos direitos dos trabalhadores. Existe algum patrão que concorde com o aumento dos salários ou o pagamento de regalias aos seus trabalhadores? Haverá algum gestor que aceite de bom grado uma greve ou algumas queixas feitas pelos seus empregados quanto às condições de trabalho?

“Uma possível solução seria realizar um referendo sobre o assunto, algo que deixaria verdadeiramente os residentes escolherem ou não a implementação da lei sindical.” PUB

Notificação edital (04/FGCL/2016) N.o de pedido: 2016000288、2016000298、2016000299、2016000300

Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “Glory Sky Gestao de Consultoria Medica Limitada”, com sede na Rua de Londres, No.216 Edf. de Centro Gloden Dragon RC Moradia AF, Macau, o seguinte: Relativamente aos 4 antigos trabalhadores do devedor (Chao Fai Hong, Leong Sut Kio, Lei Ka Meng e Leong Fong Cheng), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo do pagamento de créditos emergentes das relações de trabalho, este Fundo, em 17 de Outubro de 2016, tomou a deliberação, nos termos do artigo 7.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), de efectuar o pagamento do adiantamento para os 4 antigos trabalhadores acima referidos, no valor total de sessenta e quatro mil, quatrocentas patacas e dez avos (MOP 64 400,10). Mais se informa ao devedor que este Fundo vai efectuar o pagamento do adiantamento para aqueles 4 requerentes, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se na sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 29 de Novembro de 2016. O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais Wong Chi Hong

Notificação edital (05/FGCL/2016) N.o de pedido: 2016000282、2016000290、2016000301、2016000312

Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “Companhia Criativo Cultutal Fligrnt Limitada”, com sede na Rua de S.Paulo, No.54-58B Mei Tai Grand Garden RC A, Macau, o seguinte: Relativamente aos 4 antigos trabalhadores do devedor (Wong Ut Wa, Zhang Man Ying, Ng I Weng e Lam Ka Kei), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo do pagamento de créditos emergentes das relações de trabalho, este Fundo, em 17 de Outubro de 2016, tomou a deliberação, nos termos do artigo 7.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), de efectuar o pagamento do adiantamento para os 4 antigos trabalhadores acima referidos, no valor total de trinta e sete mil, duzentas e vinte e cinco patacas e vinte avos (MOP 37 225,20). Mais se informa ao devedor que este Fundo vai efectuar o pagamento do adiantamento para aqueles 4 requerentes, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se na sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 29 de Novembro de 2016. O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais Wong Chi Hong

Se fosse dona de uma empresa também não gostaria que os meus empregados fizessem coisas contra mim ou pusessem em causa as condições que estaria a oferecer. No actual estado do hemiciclo, em que todos os outros deputados representam o sector laboral e votam a favor de uma lei deste género, a verdade é que ainda ninguém conseguiu alterar o rumo que esta proposta tem tomado. Nunca entendi porque é que o Governo nunca deu garantias de implementação da lei, quando há grupos dentro da AL que lutam por ela há muitos anos. Talvez seja essa a cultura do funcionalismo público; a de deixar a situação correr até chegar ao ponto de exaustão. Uma possível solução seria realizar um referendo sobre o assunto, algo que deixaria verdadeiramente os residentes escolherem ou não a implementação da lei sindical. O mecanismo da consulta pública funciona para tudo, inclusivamente para escolher os nomes dos pandas. É uma escolha da população da qual ninguém suspeita da sua racionalidade. Crê-se que, com esse mecanismo, não existem acções governativas à porta fechada. Já que se fez uma consulta pública para os traçados do metro ligeiro, também poderia realizar-se mais uma para saber se na península vai, afinal, haver uma linha de metro a sério ou se teremos apenas um monocarril junto à orla costeira. Dessa forma o Governo não terá como não estudar a ideia feita por três deputados nomeados, até porque o metro ligeiro está a ser construído para servir as suas populações e não os governantes, que conduzem luxuosos carros privados. Este território que habitamos não é tão democrático como o Reino Unido, que realizou um referendo para decidir a saída ou permanência do país na União Europeia (UE). Os resultados fazem-nos aguardar com expectativa o que daí virá. O Governo gosta de fazer consultas públicas para depois tomar decisões em relação a determinadas políticas. Com este modelo ganha sempre mais críticas ou queixas da população que afirma não ser verdadeiramente ouvida, mas a acção do Governo não muda. Aguardo por um dia em que tenhamos um modelo mais democrático.


23 hoje macau sexta-feira 2.12.2016

PERFIL

LEUNG CHON KEI, ESTUDANTE DE DIREITO

É

o único aluno de Macau a estudar Direito na Universidade de Coimbra, enverga a tradicional capa e batina que todos os estudantes da cidade usam, mas apesar da experiência singular os desafios são muitos. Leung Chon Kei, aluno do terceiro ano, confessa que o primeiro sentimento que teve quando entrou na faculdade foi de abandono, sendo que ainda não conseguiu acostumar-se à sensação de solidão. Leung é um dos bolseiros do projecto de continuação dos estudos em Portugal, lançado em 2004 pelo Governo, que tem o objectivo de formar profissionais bilingues na área jurídica. Saído de Macau após a conclusão do ensino secundário, Leung Chon Kei começou a vida de estudante universitário em Lisboa onde, com outros bolseiros, fez um semestre no curso de língua portuguesa, sendo que o segundo semestre o ensino passou a estar focado em conteúdos jurídicos. “Quando cheguei a Portugal não tinha muitas expectativas, porque já tinha no país estado uma vez. Não estava animado, nem nervoso”, recordou. Após um mês de

Coimbra é uma lição frequência de um curso de Verão, a alegria sentida durante o processo de aprendizagem da língua não diminuiu, algo que o fazia não parar de aprender coisas novas da língua de Camões. “A minha paixão sobre o idioma continuou e decidi começar a fazer o curso de Português no Instituto Português do Oriente (IPOR)”, contou. As primeiras noites gastas a estudar a língua mostraram-lhe os desafios quando ainda andava no ensino secundário. “Depois isso vai-se tornando um hábito.” O suporte que já tinha da língua inglesa acabou por ajudá-lo na aprendizagem. “É impossível associarmos o português com o chinês porque não há qualquer semelhança. Se pensarmos em chinês, a gramática vai ficar toda errada.” Chegado a Lisboa, e já com um nível elevado de português na bagagem, Leung Chon Kei ainda frequentou cursos nocturnos na Delegação de Macau em Lisboa para a preparação aos exames nacionais portugueses.

LOST IN TRANSLATION

A primeira aula em Coimbra trouxe ainda mais desafios ao jovem estudante, que des-

creve o momento como sendo uma “aula de ditado”. Leung Chon Kei só queria anotar tudo o que o professor estava a dizer. “No primeiro ano andei nervoso, e tive sorte que apanhei alguns alunos de Macau do quarto ano que me explicaram algumas dúvidas. Mas depois de dois a três meses comecei a perceber tudo o que os professores diziam nas aulas.” Apesar de ter enveredado pelo Direito, esta área não foi amor à primeira vista. Depois, tudo mudou: “Há muitos raciocínios lógicos e posso aprender coisas sobre diferentes áreas sociais”. A um ano de terminar a licenciatura na cidade dos estudantes, Leung Chon Kei diz que a maior desvantagem de estudar Direito em Portugal é o grande desconhecimento que continua a existir entre Portugal e Macau. Apesar de o Direito de Macau ser de matriz portuguesa, o jovem estudante fala das crescentes diferenças em ambas as jurisdições e teme dificuldades quando chegar ao território, onde terá de frequentar o curso de introdução ao Direito de Macau. Ainda assim, está

confiante na carreira que o espera e pretende fixar-se em Macau, onde continua a existir carência de profissionais bilingues na área do Direito. A existência de muitas vagas são um chamariz para que regresse à terra que o viu nascer. Em Coimbra, há tempo para estar com os colegas de curso, apesar da exigência do curso e da língua. Ao fim de três anos em Portugal, Leung Chon Kei já percebeu as diferenças em relação ao pequeno território do sul da China. “Macau é para trabalhar e Portugal é para passar férias, porque em Macau há poucos espaços onde podemos estar e tem uma elevada densidade populacional, o que faz com que pensemos em trabalhar, em ter uma vida mais ocupada. Em Portugal temos mais espaço, ar livre, praias e ambientes que são bons para descansar.” Angela Ka (revisto por A.S.S.) info@hojemacau.com.mo


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Hoje Macau 2 DEZ 2016 #3709