Hoje Macau 19 AGOSTO 2022 #5075

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GCS

OBRAS PÚBLICAS

AL AO RUBRO PÁGINAS 2-3

HOJE MACAU

HOJE MACAU

SEXTA-FEIRA 19-8-2022

TRABALHO

INJUSTA CAUSA PÁGINA 4

MOP$10

Nº 5076

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

As horas

OLGA SANTOS

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GALAXY

MEIO ANO PERDIDO PUB.

PÁGINA 5

No primeiro dia de implementação das medidas para reduzir a espera para entrar no hotel de quarentena, houve quem tenha aguardado mais de 10 horas para chegar ao quarto. O Governo afirmou estar ainda a “acertar procedimentos”. CENTRAIS


GCS

2 assembleia legislativa

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19.8.2022 sexta-feira

O hemiciclo aqueceu

O secretário recusou críticas aos seus subordinados, após ouvir que os problemas com a queda de azulejos só começaram a ser resolvidos após intervenção do OBRAS PÚBLICAS aCCAC. Raimundo RAIMUNDO ROSÁRIO do Rosário foi RECONHECE mais longe e PROBLEMAS, MAS assumiu “todas as PEDE RESPEITO responsabilidades” da sua tutela, excepto pela corrupção

O

problema da queda de azulejos nos Edifícios do Lago e Ip Heng deixou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas irritado, com o que considerou um ataque injustificado dos deputados aos quadros da sua tutela. Após alguns membros da Assembleia Legislativa, como Ella Lei ou José Pereira Coutinho, terem indicado que as Obras Públicas só começaram a resolver a situação após um relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), Raimundo do Rosário chamou a si todas as responsabilidades. “O deputado [José Pereira Coutinho] diz que só actuámos depois do relatório. Não é assim, intervimos logo depois de ter sido feita a vistoria. Não é nada como diz”, afirmou o secretário, depois de ter pedido para falar sem máscara. “E se quer utilizar o ETAPM [Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau] para apurar responsabilidades, respondo-lhe como respondi quando debatemos o Metro Ligeiro. Se quer efectivar responsabilidades, já lhe disse que nos últimos sete ou oito anos do meu mandato, e vou dizer o mesmo quando forem dez anos, a responsabilidade é minha. Não é por haver responsabilidades sobre coisas que correram mal que vou fugir ou atirá-las para os meus subordinados”, acrescentou. O secretário admitiu ainda a humanos falta de recursos: “Quando peço ao director que está aqui sentado ao meu lado


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assembleia legislativa 3

RÓMULO SANTOS

RÓMULO SANTOS

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Habitação Lei da Classe Sanduíche na AL em Outubro

A proposta de lei para a habitação da classe intermédia, também conhecida como classe sanduíche, deverá entrar na Assembleia Legislativa em Outubro, a tempo da futura sessão legislativa. O calendário foi indicado ontem pelo secretário Raimundo do Rosário, quando respondia a uma questão do deputado Leong Sun Iok sobre os critérios de escolha para o número de assoalhadas das habitações públicas que vão ser construídas. “Em Outubro vamos apresentar a proposta da lei para a classe sanduíche. A elaboração da lei está na fase final e na nova sessão legislativa, vamos apresentar a nova proposta”, afirmou Raimundo do Rosário. A classe intermédia é composta por pessoas com rendimentos superiores aos que permitem adquirir uma habitação económica, mas que não conseguem comprar uma casa no mercado privado.

[Lam Wai Hou, director das Obras Públicas], que só tem 100 pessoas para fazer o trabalho para 300 pessoas, a responsabilidade não é dele. É minha. Sou eu que peço que faça um trabalho que excede a sua capacidade”, justificou. “Espero que não perguntem mais por responsabilidades, são minhas”, frisou. Raimundo do Rosário não deixou de reconhecer problemas com algumas obras, mas recusou a descrição feita no hemiciclo. “Se eu não conhecesse nada do assunto, e ouvisse os deputados, pensava que as obras de Macau não têm nenhuma qualidade”, começou por dizer, sobre este aspecto. “É claro que existem problemas, mas não é por um ou dois problemas que se pode dizer que as Obras Públicas têm muitos problemas. Não é assim”, contestou. “Eu assumo que há dois projectos com problemas, mas não devem colocar sempre as mesmas perguntas. Eu tenho uma visão muito diferente, porque os meus colegas trabalham arduamente”, atirou.

Afirmações da discórdia

As declarações que desencadearam o mal-estar inicial pertenceram a

“O secretário já foi deputado, claro que era nomeado, não era eleito pela população. Eu estou aqui a representar a população. Não tem o direito de me repreender.” PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

Ella Lei, deputada ligada aos Operários, que indicou que as Obras Públicas parecem não ter feito nada para resolver o problema da queda de azulejos nas habitações públicas. No polo oposto, a legisladora indicou que o CCAC foi mais pró-activo com a elaboração de um relatório. Uma intervenção semelhante foi feita por José Pereira Coutinho, que admitiu estar muito desagradado com toda a situação. “Porque estou aqui zangado? Porque estou a representar os residentes, se não formos assim as nossas palavras são inúteis”, reconheceu. Coutinho recordou ainda que em 2021 alguns deputados en-

“Não estou a dizer que não têm o poder de me responsabilizar, mas sobre os trabalhos realizados, à excepção da corrupção, eu sou o responsável.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO PARA OS TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS

viaram cartas ao Executivo sobre o assunto, mas que não surtiram efeitos. “Só depois do relatório do CCAC é que o Governo lançou novas acusações”, frisou.

Das palavras aos actos

Face à contestação do secretário, a deputada Ella Lei, quando voltou a intervir, deixou elogios ao trabalho realizado e justificou as críticas: “Nós quando colocamos questões, não estamos a fazer críticas aos seus colegas. Nós continuamos com estas opiniões porque estamos sempre a tentar melhorar”, explicou. Por sua vez, José Pereira Coutinho recusou ser reprendido. “O secretário já foi deputado, claro

“Se eu não conhecesse nada do assunto, e ouvisse os deputados, pensava que as obras de Macau não têm nenhuma qualidade.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO

que era nomeado, não era eleito pela população. Eu estou aqui a representar a população. Não tem o direito de me repreender”, atirou. O legislador ligado à ATFPM ainda questionou Raimundo do Rosário sobre as consequências de assumir responsabilidades: “Na sua tutela diz que assume sempre a responsabilidade. Mas o que é que vai fazer? Não é só falar. Vai demitir-se? Vai reduzir o seu ordenado?”, questionou. Nesta altura, Raimundo do Rosário colocou água na fervura. “No passado, também estive desse lado [dos deputados]. Mas, temos de compreender que há serviços muito carregados, têm muita pressão e eu não consigo responsabilizá-los. Desde 2019 que as Obras Públicas concluíram 34 projectos, e estão a fazer mais 50 projectos, avaliados em cerca de 47 mil milhões patacas”, argumentou. O secretário fez também questão de recusar responsabilidades sobre eventuais actos de corrupção ocorridos no início do seu mandato. Sem que tenha havido qualquer referência directa, Raimundo Rosário parece ter-se lembrado do ex-director das Obras Pública, Li Canfeng, que está detido a aguardar julgamento. “Com excepção da corrupção, os problemas decorrentes dos trabalhos são da minha responsabilidade (...) Não estou a dizer que não têm o poder de me responsabilizar, mas sobre os trabalhos realizados, à excepção da corrupção, eu sou o responsável”, clarificou. João Santos Filipe

Muralhas da Cidade Reparadas casas destruídas

O Governo garantiu ontem que estão totalmente reparadas as casas de três famílias danificadas pela derrocada de uma parte do troço das Antigas Muralhas da Cidade. A revelação foi feita pelo secretário, que reconheceu que o surto mais recente atrasou os trabalhos. “Houve três famílias afectadas pela derrocada. Os trabalhos foram afectados pelo surto, mas agora já arranjámos tudo. Foi uma prioridade depois do surto”, contou Raimundo do Rosário aos deputados. “Queria agradecer às três famílias a cooperação e compreensão. Foi lamentável, mas felizmente foi resolvido. As famílias ficaram satisfeitas com a situação e queria agradecer-lhes a sua postura”, acrescentou.


4 política

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Terra à vista

Primeiros moradores da zona A podem chegar em 2025

S Yolly Behuco, trabalhadora despedida “Como é que esperam que consigamos sobreviver depois de três meses sem receber salários?”

TNR TRABALHADORES DESPEDIDOS APÓS RECLAMAREM SALÁRIOS EM ATRASO

Entregues à sua sorte

A empresa de limpeza Tai Koo despediu 18 trabalhadores que recusaram receber apenas um de três salários em atraso. A proposta rejeitada e a subsequente onda de despedimentos, levou os trabalhadores a pedir ajuda ao Governo

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PÓS terem apresentado queixa aos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), por estarem há mais de três meses sem salários, 18 trabalhadores não-residentes foram despedidos. A informação foi avançada ontem pelo jornal Macau Daily Times, depois de o grupo ter comparecido na Sede do Executivo para entregar uma carta a pedir ajuda. Um grupo com cerca de 30 trabalhadores da empresa Serviços de Limpeza Tai Koo dirigiu-se à DSAL, há algumas semanas, para apresentar queixa por não receber salários há mais de três meses, apesar de todos continuarem a trabalhar. Do grupo de trabalhadores que reclamou a falta de pagamento de vencimentos, 18

foram despedidos pela empresa. O despedimento chegou depois de uma proposta da entidade patronal, supervisionada pela DSAL, para que o litígio ficasse resolvido apenas com o pagamento de um dos três salários devidos. Alguns trabalhadores recusaram e foram despedidos. “Os contratos de 18 de nós foram rescindidos, depois de termos apresentado queixa na DSAL. Despediram-nos sem qualquer tipo de notificação formal. Apenas nos enviaram uma mensagem”, afirmou Yolly Behuco, uma das trabalhadoras afectadas, ao Macau Daily Times. “Nem sabíamos que já tinham cancelado os nossos blue cards, só fomos avisados quando estávamos a trabalhar”, acrescentou. Sem contrato de trabalho, as 18 pessoas foram autorizadas a

permanecer no território, com uma autorização especial, que não lhes permite trabalhar nem obter rendimentos. A entidade patronal também não se ofereceu para assumir os custos de repatriamento.

Condições difíceis

Com salários em atraso, e sem poderem exercer qualquer actividade remunerada, ao mesmo tempo que não há voos regulares para os países de origem, Yolly Behuco e os outros 17 despedidos foram à Sede do Executivo pedir ajuda. Na carta queixam-se de abusos e situações ilegais praticadas pela empresa, que alegadamente não terá pago pelo trabalho exercido, e que terá praticado um nível salarial de 2.703 patacas por mês, abaixo do salário mínimo actual, de 6.656 patacas mensais.

“Só estamos a lutar por aquilo que merecemos. Como é que esperam que consigamos sobreviver depois de três meses sem receber salários?”, questionou. “Acabámos de atravessar um período de confinamento parcial quase sem nada e sem sermos capazes de pagar rendas nos últimos três meses”, justificou. Sobre os ordenados em atraso, a empresa terá justificado aos trabalhadores que o único gestor que pode assinar os cheques se encontra no Interior. Com o despedimento sem justa causa, os trabalhadores têm direito a receber uma indemnização, no entanto, nas condições actuais, e quando ainda têm salários por receber, poucos acreditam que vão ser tratados de acordo com as leis em vigor em Macau. João Santos Filipe

MUST Académico defende lei de quadros qualificados Zhu Shihai, académico da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa), disse ao jornal Ou Mun que é necessária legislação sobre a contratação ao exterior de quadros qualificados, já falada pelas autoridades. Zhu Shihai, que preside também à Associação para a Promoção da Integração e Desenvolvimento da Grande Baía, disse que não basta a melhoria do mecanismo de atribuição de residência para técnicos especializados, sob alçada do Instituto de Promoção do

Comércio e Investimento de Macau (IPIM). O responsável entende serem necessários apoios complementares para os profissionais vindos do estrangeiro, ao nível da habitação, redução de impostos ou atribuição de escolas e creches para os filhos. Cabe, assim, ao Governo, na visão de Zhu Shihai, medidas de contratação de quadros qualificados e consciencialização da sociedade sobre este tipo de trabalhadores, para que haja uma postura mais inclusiva em relação a quem vem de fora.

ÃO elevadas as expectativas de alguns dos deputados que visitaram na terça-feira as habitações e espaços comunitários em construção na zona A dos novos aterros. Segundo o jornal Ou Mun, a visita foi feita em parceria com o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. Wu Chou Kit, deputado nomeado e engenheiro civil, disse que o processo de construção de habitação pública no local está a decorrer conforme o calendário e que os primeiros moradores podem começar a habitar nas casas em 2025 ou 2026. Wu Chou Kit acrescentou que, por essa altura, já haverá escolas, mercados e instalações complementares de saúde e transportes para servir a comunidade. No entanto, o deputado diz que a oferta de serviços comunitários poderá ser ainda insuficiente numa primeira fase, pelo que espera a compreensão da população. Em declarações à mesma fonte, Ella Lei partilhou da opinião de Wu Chou Kit em relação ao atraso na construção da quarta ponte entre a península de Macau e a Taipa, esperando que os futuros moradores da zona A possam utilizar a infra-estrutura através de autocarros. Uma vez que muitos materiais de construção vêm de Xangai, a obra da quarta ponte sofreu atrasos devido à pandemia, mas os deputados estimam que a infra-estrutura esteja concluída em 2024.

Galeria atrasada

Wu Chou Kit referiu também que, tendo em conta as explicações do Governo, a galeria técnica na zona A, destinada ao fornecimento de electricidade, água, gás, e com uma rede de drenagem, não deverá estar pronta aquando da ida dos moradores para as habitações. Desta forma, deverá ser usada uma rede suplementar, para garantir todo o abastecimento aos moradores. Ella Lei espera que a construção da galeria técnica possa reduzir a repetição de obras viárias. Por sua vez, o deputado Ma Io Fong afirmou que o Instituto para os Assuntos Municipais será instalado no edifício dos serviços públicos no lote B6 da zona A, conforme planeado pelo Governo. O deputado pediu, no entanto, mais esclarecimentos ao Executivo sobre o projecto e processos de construção das habitações económicas no local, exigindo maior supervisão na concretização das obras. N. W. com A. S. S.


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UM ANO LECTIVO COMEÇA COM 3.900 NOVOS ALUNOS

IMOBILIÁRIO MAIS 2 MIL HABITAÇÕES PRIVADAS EM CONSTRUÇÃO

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URANTE o segundo trimestre estavam em construção em Macau 2.146 habitações privadas, num total de 57 prédios, de acordo com as estatísticas divulgadas ontem pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). Estes empreendimentos contam ainda com 926 estacionamentos para automóveis e 338 para motociclos. Apesar dos vários prédios em construção, apenas foi emitida uma licença de utilização para um empreendimento, que corresponde a seis fracções habitacionais. Além disso, foram concluídos, mas em fase de vistoria, 11 prédios, num total de 100 casas, 61 parques de

estacionamento para automóveis e 8 para motociclos. A estatística revela também que se encontram em fase de projecto 104 empreendimentos habitacionais, num total de 7.620 casas, 4.919 lugares de estacionamentos para automóveis e 1.577 para motos. Em termos de hotéis, estavam em construção no segundo trimestre do ano 12 unidades, que correspondem a 4.737 quartos, com 2.106 lugares de estacionamento para automóveis ligeiros e 677 motociclos. Além disso, havia 16 empreendimentos em fase de projecto que vão acrescentar à cidade mais 1.723 quartos, 278 estacionamentos de automóveis e 125 de motos. J. S. F.

O número de visitantes em Macau caiu, em Julho, 98,8 por cento em termos anuais, devido ao recente surto de covid-19 que atingiu o território, foi ontem anunciado. Em comparação com o mês anterior, a queda foi de 97,4 por cento, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Já o período médio de permanência dos turistas foi de 25,4 dias, crescendo 22 dias

em termos anuais, uma vez que os turistas que procurassem entrar na China continental teriam de se submeter a quarentena, o que explica que tenham prolongado a permanência em Macau porque ficaram “bloqueados”, explicou a DSEC. A DSEC indicou também que a despesa total dos visitantes desceu para quase metade no segundo trimestre, face ao mesmo período do ano passado.

JOGO GALAXY COM PERDAS DE 850 MILHÕES DE DÓLARES DE HONG KONG

Não há estrelas no céu

A Galaxy anunciou ontem perdas superiores a 850 milhões de dólares de Hong Kong na primeira metade de 2022, registo que contrasta com os 947 milhões apurados nos primeiros seis meses de 2021. Os resultados reflectem-se nos impostos, com a RAEM a amealhar perto de metade dos impostos pagos pela concessionária no mesmo período do ano passado OLGA SANTOS

Universidade de Macau deu ontem início ao novo ano lectivo com o ingresso de 3.900 novos alunos. A informação foi divulgada num comunicado que indica que até 17 de Setembro as aulas vão decorrer no formato online. Entre as novas inscrições contam-se estudantes vindos de 35 países estrangeiros e, no cômputo geral, mais de 1.900 inscreverem-se em licenciaturas. No ano passado, os estudantes vindos do exterior estiveram impedidos de entrar no

Turismo Número de visitantes caiu 98,8% em Julho

OLGA SANTOS

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território, devido às medidas do Governo que restringiu entradas, pelo que tiveram de frequentar todo o ano lectivo em formato online. Além disso, a instituição diz ter recebido mais de 2.000 alunos nos cursos de pós-graduação, mestrados e doutoramentos. No discurso de recepção aos caloiros, o reitor da universidade, Song Yonghua, pediu aos alunos que encarem de forma positiva todos os obstáculos criados pela pandemia e respectivas medidas de prevenção. “Apesar de a epidemia ir de forma inevitável afectar as nossas vidas e os estudos, temos de nos adaptar e ultrapassas as dificuldades com uma atitude positiva”, apelou.

sociedade 5

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Lui Chee Woo, presidente da Galaxy “Em muitas cidades chinesas foram impostas restrições de viagem durante uma parte significante da primeira metade de 2022. Estas restrições entre províncias tiveram impacto no número de visitantes em Macau.”

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concessionária Galaxy, que gere o casino com o mesmo nome, registou perdas de 850,5 milhões de dólares de Hong Kong na primeira metade do ano. Os resultados negativos, anunciados ontem, contrastam com os ganhos de 947,1 milhões de dólares de Hong Kong, do período homólogo. Entre Janeiro e Junho deste ano, a operadora de Lui Chee

Woo, teve receitas de 6,52 mil milhões de dólares de Hong Kong. O impacto foi sentido, ainda antes de o Executivo ter imposto o confinamento parcial no território, que forçou o encerramento dos casinos. Por contraste, nos primeiros seis meses do ano passado, as receitas tinham sido de 10,7 mil milhões de dólares de Hong Kong, o que significa uma redução de 38,9 por cento. Os números apresentados mostram que também o

Governo da RAEM ficou a perder. Segundo a operadora, nos primeiros seis meses do ano passado as contribuições fiscais atingiram valores na ordem dos 3,79 mil milhões de dólares de Hong Kong, quantia que caiu para 1,91 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Crise pandémica

Os resultados foram anunciados ontem num comunicado em que é destacada a situação

da empresa que, principalmente em Macau, continua a sofrer o impacto da covid-19 e das restrições de viagem. “Em muitas cidades chinesas foram impostas restrições de viagem durante uma parte significante da primeira metade de 2022. Estas restrições entre províncias tiveram impacto no número de visitantes em Macau, o que contribuiu para que as nossas receitas e os lucros fossem afectados”, justificou Lui Chee Woo, presidente da Galaxy. “Além disso, Macau passou por um surto de covid-19 que levou o Governo a pedir a suspensão de todas as actividades comerciais entre 11 e 22 de Julho, que resultou num impacto ainda maior no turismo, receitas e lucros”, foi acrescentado. Em relação ao futuro da concessionária, Lui mostrou-se confiante que a concessionária está em boa posição para garantir uma nova licença no concurso que está em curso. No mesmo sentido, o presidente afirma que a Galaxy promete colaborar para a estratégia de diversificação da economia e trazer para o território “vários elementos inovadores não-jogo”. João Santos Filipe


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SAMUELBROWNNG/GETTY IMAGES

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PANDEMIA RESIDENTES CONTINUAM A ESPERAR MUITAS HORAS À CHEGADA

Dia de treino

Mesmo realizando o teste logo à saída do avião, quem chega a Macau vindo do estrangeiro continua a ter de esperar mais de dez horas até ser levado para o hotel de quarentena. Testemunhos ouvidos pelo HM dizem que as novas medidas em nada aceleraram o processo. Permanecem as más condições para quem espera, assim como a falta de comunicação

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UEM chega ao aeroporto de Macau vindo do estrangeiro continua a ter de esperar muitas horas até ver concluído o processo de testagem e a ida para o hotel para cumprir a quarentena obrigatória. Na quarta-feira, no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, Lam Chong, responsável do Centro de Prevenção e Controlo da Doença, anunciou a

entrada em vigor de novas medidas para reduzir o tempo de espera dos que chegam, tal como a criação de um posto móvel num autocarro para fazer os testes à saída do avião. Foi também dito que as pessoas iriam para os hotéis à medida que os resultados fossem ficando concluídos, ao contrário do que acontecia antes, com os passageiros a terem de esperar por todos os resultados.

Importados cinco casos assintomáticos As autoridades de saúde detectaram na quarta-feira cinco casos importados de covid-19 sem sintomas, relativos a três homens

e duas mulheres, com idades compreendidas entre os três e os 47 anos. As cinco pessoas viajaram para Macau a partir de França,

Singapura, Tailândia e Taiwan. Todos negaram histórico de infecção anterior e foram encaminhados para isolamento médico.

No entanto, testemunhos ouvidos pelo HM de pessoas que chegaram a Macau na quarta-feira, revelam que as mudanças foram, na prática, muito poucas. Rui Barbosa viajou com a filha e teve de esperar mais de dez horas após a aterragem até entrar no quarto onde vão cumprir isolamento. “Fui dos mais rápidos, pois o meu autocarro foi dos primeiros a sair do Pac On,

mas cheguei ao hotel pouco mais de dez horas depois de termos aterrado. Tenho um colega que chegou na semana passada e passadas sete horas estava no hotel, por isso não sei em que medida é que o tempo de espera foi reduzido ou se não terá ficado exactamente tudo na mesma.” O residente descreve ainda as parcas condições em que são feitos os testes. “Fomos encaminhados para um au-

tocarro que estava à saída do avião consoante o lugar em que estávamos sentados no voo. Fizemos o teste no autocarro, do género dos autocarros públicos, com péssimas condições. Era semelhante a um autocarro público, o veículo parecia ter 30 anos, e não nos podíamos sequer sentar.” Também Isabel Silva esperou mais de dez horas até ver concluído todo o processo. “No avião anunciaram que

Prevenção Macau volta a não ter zonas vermelhas O território deixou de ter ontem zonas vermelhas, restando apenas duas zonas amarelas, uma delas no edifício Mayfair Court, na Rua de Francisco António, cujos moradores ficaram em

isolamento no passado dia 10, podendo sair seis dias depois. A segunda zona amarela ainda em vigor é referente ao edifício Apollo, na Rua Ribeira do Patane, cujos moradores estiveram

iam fazer as coisas de forma diferente, e à saída estavam dois autocarros para fazer a testagem. Começaram a chamar 16 pessoas de cada vez. O teste foi feito dentro do autocarro, e todos pensaram que seria mais rápido, mas esperámos bastante tempo. Fizemos o percurso praticamente igual ao que tem sido feito, a única diferença foi fazer o teste logo à saída do avião”, contou. A residente fala de um cenário de espera no Pac On onde “a comunicação é difícil”. “É difícil perceber o que se passa, os funcionários tentam despachar. Têm de seguir as regras e é assim”, acrescentou.

Tudo ao molho

Rui Barbosa diz que é “desumana” a situação em que colocam as pessoas no terminal do Pac On. “Parece que é para nos darem as boas-vindas pelo facto de termos decidido viajar”, ironiza. “Ficámos sentados com a distância entre bancos, mas depois as pessoas andam por ali durante seis e sete horas e contactam umas com as outras.”

em isolamento entre os dias 12 e 18 deste mês. Foi ontem anunciado que outros quatro edifícios ou locais deixaram de ser classificados como zonas amarelas.


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Sem qualquer falha Trabalhador do Hotel Tesouro pode ter sido infectado por caso importado

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O residente realça também as dificuldades de comunicação e muita desorganização ao longo da penosa espera após uma viagem longa. “Depois de oito horas de espera, apareceu um senhor com um papel escrito à mão, que presumimos ter o número de pessoas que estavam negativas. As pessoas foram depois encaminhadas para outro sítio. Ficámos por ali e fomos chamados, uma hora depois, para o autocarro. Só aí presumimos que estávamos negativos, pois íamos para o hotel. Os funcionários fazem o trabalho com a maior das vontades, mas não há ninguém a gerir a situação”, confessou. Esta é a segunda vez que Isabel Silva faz quarentena com os dois filhos e diz não ter notado melhorias no processo. “No

“No ano passado, chegámos ao hotel às 2h30. Desta vez o processo seria mais rápido, mas cheguei às 4h. É exigido o preenchimento de muita papelada, que poderia ser feito online, com confirmação no local.” ISABEL SILVA

ano passado, chegámos ao hotel às 2h30. Desta vez o processo seria mais rápido, mas cheguei às 4h. É exigido o preenchimento de muita papelada, que poderia ser feito online, com confirmação no local.” Para quem tem crianças, o local de espera está longe de ser ideal. “As instalações onde esperamos pelos resultados nem sequer têm uma casa de banho limpa, ou com condições para mudar as fraldas dos bebés. As pessoas têm contacto entre si e as crianças acabam por brincar umas com as outras, pois não há espaço e o tempo de espera é longo”, rematou. Na conferência de imprensa de ontem do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, foi referido que os procedimentos precisam de ser melhorados. “Na verdade o processo implica vários serviços públicos, como os Serviços de Saúde e Corpo de Polícia de Segurança Pública. Fizemos várias reuniões conjuntas para melhorar os procedimentos. Foi o primeiro dia, era uma novidade e ainda estamos a tentar acertar os procedimentos com todos os colaboradores. Haverá uma optimização para reduzir ainda mais o tempo de espera”, disse Leong Iek Hou, médica coordenadora do centro. Andreia Sofia Silva

S autoridades de saúde consideram que o caso de covid-19 detectado num trabalhador do Hotel Tesouro, e que obrigou várias pessoas a prolongar a quarentena por mais cinco dias, terá tido origem num caso importado e que não foram encontradas falhas ou problemas na gestão do circuito-fechado. “Estamos ainda a investigar o caso. O hotel em causa recebe pessoas que regressam do estrangeiro ou de Taiwan, e verificámos que nas últimas semanas há uma elevada taxa de casos positivos. Por isso, não excluímos a possibilidade de esta infecção ter origem num caso importado”, disse Leong Iek Hou, coordenadora do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. O trabalhador, cujo caso foi detectado na segunda-feira, é responsável pela entrega de objectos, refeições e pela recolha do lixo num piso do hotel. No entanto, todos os residentes que estavam a fazer quarentena tiveram de adiar a saída, tendo sido informados da alteração minutos antes da hora prevista para o check-out. “Não verificamos qualquer falha ou problema e iremos acompanhar o caso”, adiantou a responsável, alertando para a ocorrência de vários casos positivos importados tendo em conta o período de férias de verão e o aumento das viagens para o exterior. “Os trabalhadores dos hotéis têm de se testar a cada dois dias, mas desde segunda-feira os Serviços de Saúde comunicaram aos trabalhadores para reforçar a frequência dos testes. Há cada vez mais pessoas a voltar a Macau, muito deles apresentam um período de incubação mais longo, e há cada vez mais casos importados. Os trabalhadores devem usar a máscara KN95 ou até usar mais uma máscara para sua protecção”, foi referido.

Testes para um novo ano

Na mesma conferência, o subdirector da Direcção dos Serviços de Educação

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e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) Wong Ka Ki explicou que os alunos das instituições de ensino superior e não superior devem apresentar um teste de ácido nucleico negativo com prazo de validade de 72 horas para o regresso às aulas. Os alunos transfronteiriços podem, a partir do dia 29, registar-se nos seis hospitais disponíveis para o efeito através dos dados do cartão de estudante. O resultado deste teste não serve para passar a fronteira mas apenas para o regresso às aulas. Relativamente ao facto de já não ser exigido certificado de vacinação para entrar em Macau, as autoridades explicaram que tal se deve ao facto de a maioria das pessoas já estar vacinada contra a covid-19. “Estas pessoas precisam ainda de apresentar um teste negativo e tal não significa que não damos importância à vacinação. Hoje em dia, a maior parte das pessoas tem duas doses da vacina e queremos facilitar o seu regresso”, disse Leong Iek Hou. A. S. S.


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A China está a METEOROLOGIA SUBSTÂNCIAS DE CONDENSAÇÃO USADAS PARA PROVOCAR CHUVAS intensificar o uso de chuva artificial para lidar com uma seca sem no final de Julho, com a tem“Não é assim tão precedentes, que peratura mais alta a atingir fácil aumentar os 41 graus. está a afectar Nas últimas duas seartificialmente manas, a precipitação acua chuva, mas várias áreas do mulada no concelho foi de estávamos prontos, 3,3 mm, um decréscimo país e a causar homólogo de 82,6 mm. desde 19 de Julho, interrupções no para ‘disparar o Solo com sede fornecimento canhão’, assim que O ministério dos Recursos Hídricos disse em comunichegasse a hora. de energia, cado, na quarta-feira, que a A melhor chuva seca em toda a bacia do rio informou ontem artificial requer Yangtzé está a “afectar negativamente a segurança da a imprensa local nuvens adequadas CHINA DAILY

Tempestades sintéticas

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ACE a uma seca sem precedentes no centro do país, que resultou em cortes no fornecimento de energia, as autoridades chinesas estão a apostar no uso de chuva artificial. Os departamentos meteorológicos nas

províncias de Hubei e Hunan, no centro do país, estão a lançar foguetes que libertam substâncias de condensação, como iodeto de prata, nas nuvens, acelerando a precipitação. Na quarta-feira, a chuva abundante que caiu numa

cidade de Hubei, devido à utilização daquela técnica, aliviou as altas temperaturas e a seca que assolaram aquela área, desde meados do Verão. “Não é assim tão fácil aumentar artificialmente a chuva, mas estávamos prontos, desde 19 de Julho, para PUB.

‘disparar o canhão’, assim que chegasse a hora”, disse Yu Xiaoyao, chefe do departamento meteorológico da cidade de Taoyuan, citado pelo jornal HunanDaily. “A melhor chuva artificial requer nuvens adequadas no céu, com camadas de 2 a 3 quilómetros de espessura”, explicou Yu. O condado de Taoyuan começou a registar altas temperaturas e pouca chuva

água potável da população rural e do gado e o crescimento das plantações”. A seca prolongada no sudoeste da China resultou também em escassez de energia, já que a região é altamente dependente da produção hidroeléctrica. Isto obrigou ao encerramento temporário de fábricas, segundo a imprensa local. Empresas na província de Sichuan, incluindo fabricantes de painéis solares e cimento,

QINGHAI INUNDAÇÃO FAZ 16 MORTOS E 36 DESAPARECIDOS

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EZASSEIS pessoas morreram e outras 36 estão desaparecidas, após uma inundação repentina na província de Qinghai, no oeste da China. Uma tempestade súbita provocou um deslizamento de terra, que desviou o caudal de um rio, na noite de quarta-feira, informou a televisão estatal CCTV. A enchente afectou uma área com mais de 6.000 pessoas e mais de 1.500 casas, na vila de Datong, de acordo com a mesma fonte. Mais de 600 bombeiros e equipas de resgate foram mobilizados para procurar sobreviventes, segundo as autoridades locais. A China sofreu várias inundações este Verão e ondas de calor extremo e seca. A imprensa estatal descreveu a onda de calor e a seca como as

mais graves desde que há registos, há 60 anos. A escassez de energia no sudoeste da China, provocada por uma seca prolongada numa região altamente dependente da produção hidroeléctrica, está também a obrigar ao encerramento temporário de fábricas. Empresas na província de Sichuan, incluindo fabricantes de painéis solares e cimento, tiveram que fechar ou reduzir a produção, depois de receberem ordens para racionar energia, durante um período de cinco dias, de acordo com informações difundidas pela imprensa local. Isto ocorreu depois de os níveis de água nos reservatórios terem caído e o consumo de energia ter disparado, face ao maior uso de ar condicionado, devido a uma onda de calor extremo.

no céu, com camadas de 2 a 3 quilómetros de espessura.”

YU XIAOYAO DEPARTAMENTO METEOROLÓGICO DE TAOYUAN

tiveram que fechar ou reduzir a produção, depois de receberem ordens para racionar energia, durante um período de cinco dias.

Covid-19 Registados 614 casos positivos na quarta-feira

A Comissão Nacional de Saúde informou ontem que na quarta-feira foram registados no Interior da China 614 casos positivos de covid-19, dos quais 496 foram detectados na província de Hainan. Entre o total de casos, 2.810 dizem respeito a infecções assintomáticas, 1.522 destas em Hainan, 870 na Região Autónoma do Tibete e 224 na Região Autónoma de Xinjiang, disse a comissão em seu relatório diário. Ontem foi também avançado que um total de 114 pacientes com covid-19 recebeu alta hospitalar na quarta-feira após recuperação. Desde o início da pandemia, as autoridades chinesas contabilizaram um total de 224.942 casos positivos. Além disso, na quarta-feira não foram registadas novas mortes por covid-19, com o número total de óbitos desde o início da pandemia a manter-se em 5.226.


sexta-feira 19.8.2022

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O tuofei

antropofobias

A belíssima Montanha da Ovelha Negra — cujo nome ignoramos a origem ou se, de algum modo, assume as características negativas da denominação ocidental —, além do xiao, alberga nas suas encostas esmeralda uma estranha ave, a que chamam tuofei. Tendo o corpo semelhante a uma grande coruja, o tuofei distinguese por apresentar uma face humana e ser capaz de se equilibrar na sua única perna. Além do seu fantástico aspecto, este bizarro pássaro parece apostado em tudo fazer ao contrário do que é apanágio na Natureza. Assim, mal os frutos começam a exalar o perfume da sua madurez, anunciando a chegada do Verão, os tuofeis recolhem-se nas grutas da parte mais alta da montanha e aí hibernam durante toda a estação quente. Só quando as temperaturas descem, as folhas se desprendem das árvores e os campos se preparam para vestir os mantos da geada invernal, é que os tuofeis se dignam abandonar as grutas e encher o ambiente com os seus alaridos. Dizem as crónicas ser um espectáculo extraordinário observar os tuofeis quando estes resolvem, já depois das primeiras luzes outonais terem enrubescido os céus, voltar de novo à vida. Durante os primeiros dias, assiste-se a um certo caos no bando, pois as antigas relações são desfeitas ou esquecidas durante a hibernação e aquela sociedade de pássaros com face humana parte novamente da estaca zero. Formamse novos casais e estabelecem-se novas solidariedades. Contudo, estes processos não são simples e implicam animadas, por vezes violentas, discussões entre as aves, o que propala nos ares um som obsessivo, parecido com os que emitem as cagarras. Finalmente, quando de novo alguma ordem é restabelecida, o bando esboroase em grupos mais restritos, de dois ou três casais, e cada um segue a sua vida, aproveitando a abundância e segurança proporcionada por aquele magnífico ambiente. Os machos que se quedam sem companheira, por alguma razão difícil de discernir, abandonam

ANA JACINTO NUNES

CARLOS MORAIS JOSÉ

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9

“ALÉM DO SEU FANTÁSTICO ASPECTO, ESTE BIZARRO PÁSSARO PARECE APOSTADO EM TUDO FAZER AO CONTRÁRIO DO QUE É APANÁGIO NA NATUREZA. ASSIM, MAL OS FRUTOS COMEÇAM A EXALAR O PERFUME DA SUA MADUREZ, ANUNCIANDO A CHEGADA DO VERÃO, OS TUOFEIS RECOLHEM-SE NAS GRUTAS DA PARTE MAIS ALTA DA MONTANHA E AÍ HIBERNAM DURANTE TODA A ESTAÇÃO QUENTE.”

tristonhos a Montanha da Ovelha Negra e acabam vítimas de caçadores, que vendem as suas penas a altíssimo preço. É que, segundo os especialistas, quem as usar junto ao corpo, não terá receio de tempestades, de raios, de trovões e de outras calamidades. Já as fêmeas solitárias, geralmente mais velhas, erram pelos bosques, sozinhas ou em grupo, anunciando ao mundo em inexcedivelmente belos trinados a sua profunda desdita, o que parece comover os outros tuofeis. Como paga, o resto do bando vai-lhes deixando comida e oferecendo protecção.


7 2 3 4 1 6 5 3 4 3 1 6 7 2 5 4 2 1 1 5]utilidades 4 2 3 7 5 3 6 1 5 101 [f6 4 6 7 5 3 4 2 1 6 2 6 7 2 3 1 5 6 5 4 4 3 7 5 4 5 2 1 6 7 3 5 7 TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 1 4 6 7 5 3 1 2 7 6 33

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UM FILME HOJE S3 U D O K U 7 2 1 4 6 5 2 3 6 7 4 1 5 5 3 7 2 6 1

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CINETEATRO

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FESTA EM GION | KENJI MIZOGUCHI | 1953

No bairro de Gion no Quioto do pós-guerra, Miyoharu, uma gueixa, aceita tornar-se mentora de uma menina de 16 anos Eiko, cuja mãe, recentemente falecida, fora também gueixa. “Festa em Gion” é um bom filme para conhecer melhor o misterioso mundo das gueixas e, simultaneamente, da cultura japonesa. Andreia Sofia Silva

SALA 1

C I N E M A

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S LITTLE STAR WARS 2021 [A] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Yamaguchi Susumu 14.00, 17.45

MINIONS: THE RISE OF GRU [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Kyle Balda, Brad Ableson, Jonathan del Val 16.00, 19.45

CHILLI LAUGH STORY [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Coba Cheng Com: Ronald Cheng, Gigi Leung, Edan Lui, Sandra Ng 21.30 SALA 2

NOPE [C]

Um filme de: Jordan Peele Com: Daniel Kaluuya, Keke Palmer, Steven Yeun, Michael Wincott 14.15, 19.00, 21.30

CRAYON SHINCHAN THE MOVIE: THE TORNADO LEGEND OF NINJA MONONOKE [B]

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Masakazu Hashimoto 16.45 SALA 3

BUTT DETECTIVE THE MOVIE: SHIRIARLY + [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Yuriko Kado 14.30, 17.45

SUMIKKOGURASHI: THE LITTLE WIZARD IN THE BLUE MOONLIGHT [A] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Takahiro Omori 16.30

MAMA’S AFFAIR [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kearen Pang Com: Teresa Mo, Keung To, Jer Lau 19.15

THOR: LOVE AND THUNDER [B]

Um filme de: Taika Waititi Com: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tessa Thompson, Christian Bale 21.30

4 3 7 5 2 1 6 5 2 1 4 3 6 7 BUTT DETECTIVE THE MOVIE: SHIRIARLY + 3 7 6 2 5 4 1 6 4 3 1 7 2 5 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, 2 5 4 Nunu 6Wu Colaboradores 1 7 3 Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; Julie Oyang; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; www. 7 1 2 Paul3Chan 6 5 4 Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua hojemacau. Secretária com.mo 1 6 5 Morada 7 Pátio 4de redacção 3 e Publicidade 2 Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo

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EDITAL Edital n.º : 43/E-BC/2022 Processo n.º :593/BC/2017/F e 381/BC/2021/F Assunto :Demolição de obras não autorizadas pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local : Avenida do Hipódromo n.º 86, Edf. Nam Fai, Bloco 1, partes do terraço sobrejacentes às fracções 21.º andar H e 21.º andar I, Macau Mak Tat Io, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 05/DIR/2022, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 15, II série, de 13 de Abril de 2022, faz saber que ficam notificados os donos das obras ou proprietários, bem como os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1.

19.8.2022 sexta-feira

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Obra 1.1 Construção de um compartimento com cobertura metálica, paredes em alvenaria de tijolo, janelas de vidro, suporte metálico, mesa de betão e cadeiras em alvenaria de tijolo na parte do terraço sobrejacente à fracção 21.º andar H. 1.2 Construção de um compartimento com cobertura, chapas e portão metálicos na parte do terraço sobrejacente à fracção 21.º andar I.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º e n.º 3 do artigo 29.º, obstrução do caminho de evacuação e ocupação do piso de refúgio. Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º e n.º 3 do artigo 29.º, obstrução do caminho de evacuação e ocupação do piso de refúgio. 2. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 18 de Novembro de 2021, foi realizada a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. O terraço é considerado como piso de refúgio em caso de incêndio, não sendo permitida a sua ocupação ilícita com elementos construtivos, de acordo com o disposto no n.º 3 do artigo 29.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 4) do n.º 1 do Despacho n.º 05/DIR/2022, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 15, II série, de 13 de Abril de 2022 e por despacho do signatário de 5 de Agosto de 2022 exarado sobre a informação n.º3390/05626/DUR/2022, ordena aos donos das obras ou seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à respectiva demolição e à reposição dos locais afectados, bem como à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSCU o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSCU para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSCU, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Uma vez iniciados os trabalhos, os infractores não poderão solicitar o seu cancelamento. Os materiais e equipamentos deixados nos locais acima indicados ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas e nos termos do n.º 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no n.º 3 do artigo 29.º é sancionável com multa de 2 000,00 a 20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e do n.º 16 do Despacho n.º 05/DIR/2022, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 15, II série, de 13 de Abril de 2022, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 5 de Agosto de 2022 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Mak Tat Io


sexta-feira 19.8.2022

opinião 11

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um grito no deserto

Paul Chan Wai Chi

OS QUATRO MAIORES NEGÓCIOS QUANDO NÃO existe esperança, não existe desilusão. Por mais notáveis que os esforços de propaganda tenham sido, a realidade impõe-se mesmo que as vozes dissidentes tenham sido silenciadas. Aqueles que estão a dormir acabarão por acordar um destes dias. Quando o anestésico deixar de fazer efeito, os pacientes que jazem nas camas dos hospitais voltam a ter dores. A primeira atribuição de dez mil milhões de patacas pelo Governo da RAE, no âmbito das medidas de apoio ao combate à epidemia, é capaz de ter trazido alívio a curto prazo a alguns residentes de Macau atingidos pela epidemia. Por enquanto, ainda não se sabe quem vai ser beneficiado com a segunda tranche de dez mil milhões, essa tarefa compete aos funcionários do Governo encarregados da supervisão da atribuição. As qualificações académicas podem ser obtidas através de aprendizagem e educação contínuas, no entanto a posse de um diploma não confere ao seu detentor sabedoria e inteligência. Uma boa conduta política não está necessariamente associada às capacidades de trabalho. Da mesma forma que a cor de um gato não está associada à sua habilidade para caçar ratos. Macau está a começar a recuperar do surto epidémico e, pessoalmente, espero que a recuperação total não aconteça depois de 2029. É sempre melhor viver com esperança do que sem ela. Se olharmos para os indicadores da economia de Macau no website da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos ou no website da Autoridade Monetária e Cambial de Macau, vamos perceber que em Macau o Inverno mais rigoroso ainda está para vir. Os motivos para o forte declínio da economia residem nas conjunturas macro-económica e micro-económica, sendo que esta última desempenha um papel crucial. Segundo os dados estatísticos de 2020, o VAB (valor acrescentado bruto) do sector terciário de Macau registou uma descida real de 55,7%, em termos anuais, devido principalmente à queda real de 81,2% do VAB das “lotarias, outros jogos de aposta e actividade de promoção de jogos”. Quando vemos os números do VAB das “lotarias, outros jogos de aposta e actividade de promoção de jogos”, referentes a 2021 e ao primeiro semestre de 2022, reparamos que existe muita margem para crescimento depois deste valor ter sofrido um decréscimo abrupto. Com o declínio do sector do jogo durante a pandemia, as outrora florescentes indústrias do turismo, da restauração, da construção civil e as indústrias transformadoras entraram em estado de inactividade umas após as outras. A taxa de desemprego dos residentes, de Abril a Junho de 2022, atingiu os 4.8%. Com as indústrias e vários sectores locais a entrarem em recessão, os internautas de Macau, em tom de brincadeira, descobriram “as quatro novas grandes indústrias ou sectores” de Macau durante a pandemia.

Com as indústrias e vários sectores locais a entrarem em recessão, os internautas de Macau, em tom de brincadeira, descobriram “as quatro novas grandes indústrias ou sectores” de Macau durante a pandemia

Aprimeira refere-se aos serviços de entrega de comida em regime de takeaway. Durante o surto pandémico local, especialmente quando Macau estava em “estado relativamente estático”, as pessoas que se via andar na rua, a pé ou de bicicleta, eram os estafetas que entregam comida, ostentando o logotipo das suas empresas. Podem ganhar bastante dinheiro se fizerem horas extraordinárias, porque existe muita procura deste serviço. Muitos destes estafetas são ex-trabalhadores do sector do jogo. O segundo sector em crescimento é o “comércio paralelo entre Macau e Zhuhai, que requer esforço físico e muito tempo disponível. Quando inicialmente a China implementou a “política de reformas e de abertura”, muitas pessoas em Macau compravam pacotes de cigarros (que normalmente tinham 10 maços cada) nas lojas duty-free antes de entrarem na China, onde depois os vendiam com lucro para compensar os custos da viagem. Naquela época, os mercados em torno de Gongbei e de Zhuhai estavam repletos de lojas que compravam às claras estes pacotes de tabaco. Hoje em dia, muitos trabalhadores não residentes em Macau que vivem em Zhuhai, ou residentes que vivem em Zhuhai e cidadãos do continente que visitam familiares em Macau, levam com eles vários artigos comprados nas lojas duty-free, que fazem circular entre Zhuhai e Macau, para depois os revenderem criando assim uma fonte de rendimento alternativa. Estas actividades de “comércio paralelo” cresceram francamente durante a pandemia. Por exemplo, um licor famoso produzido na China continental para exportação, tornou-se o produto mais popular

Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

de consumo doméstico, graças às actividades de “comércio paralelo”. Os outros dois sectores em franco desenvolvimento são os “laboratórios de análise ao ácido nucleico” e as “obras rodoviárias”. Acredito que os nossos leitores tenham realizado numerosos “testes do ácido nucleico” e outros tantos testes rápidos de antigénio. O Governo da RAEM investiu muito dinheiro e muita mão de obra para fornecer testes gratuitos de ácido nucleico a toda a população, bem como na distribuição de máscaras KN95 e de kits de testes rápidos. A quantidade de dinheiro gasto nestes testes e materiais conexos criou um novo sector de negócio. No que diz respeito às obras rodoviárias encomendadas pelo Governo, estão em curso actualmente “projectos de reparação/modificação rodoviária” em cada bairro da cidade. Torna-se evidente que os esforços do Grupo de Coordenação de Obras Viárias do Conselho Superior de Viação são obviamente ineficazes. Hoje em dia, o tráfego de Macau entrou na sua “idade das trevas”, tal como certos deputados da Assembleia Legislativa tinham previsto. Se não fosse pelo diligente empenho da polícia de trânsito, este problema tornar-se-ia mais “primitivo” do que nunca. Os prósperos “projectos de reparação/modificação rodoviária” deram origem a um novo sector empresarial. Portanto, a questão que se coloca é a seguinte: haverá a possibilidade de “renascimento” do sector do jogo, como indústria líder de Macau e principal fonte de receitas do Governo da RAEM?


“Se não te atrasares demais, posso esperar toda a minha vida.’’ PALAVRA DO DIA

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem, que interceptou três mulheres residentes de Macau que se preparavam para deixar o território para trabalhar no Laos e Camboja alegamente aliciadas por uma rede de tráfico humano. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, foi ainda identificado um residente que estava no Laos há um mês, mas que se encontra a salvo. As autoridades suspeitam que estes casos estão relacionados com tráfico humano, devido a redes que operam no território e publicam falsos anúncios de emprego para trabalhos no sudeste asiático destinados a trabalhadores de casinos, adolescentes e desempregados locais. O residente que já deixou o Laos respondeu a um anúncio para trabalhar num casino como relações públicas com um salário de cinco mil dólares americanos. Duas das mulheres interceptadas pelas autoridades são irmãs e também planeavam ir ontem para o Camboja, mas os agentes da PJ conseguiram convencê-las a ficar.

Contrabando Apanhados 81 casos em seis dias

Os Serviços de Alfândega informaram ontem que detectaram um total de 81 casos de contrabando entre o dia 10 e segunda-feira nas fronteiras das Portas do Cerco e Qingmao. Entre os delitos contam-se três ocorrências de produtos transportados no corpo dos infractores. Na operação de seis dias foram apanhados 1322 produtos de beleza, 234 placas de CPU para computadores, 56 discos rígidos, 700 gramas de tabaco, 945 gramas de charutos, 167 caixas de medicamentos, 219 telemóveis antigos, nove computadores antigos, embalagens de marisco seco, vinho e testes de gravidez, entre outros produtos. Os 81 casos dizem respeito a 81 pessoas, onde se incluem residentes de Macau, Hong Kong e Interior da China, com idades compreendidas entre os 18 e 63 anos.

Extremismo Agressor de Rushdie acusa-o de atacar Islão

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O homem que tentou assassinar o escritor Salman Rushdie em Nova Iorque declarou ter-lhe aversão por “atacar o Islão” no seu romance “Os Versículos Satânicos”, que admitiu não ter lido, mas negou qualquer contacto com o Irão. O jovem libanês de 24 anos Hadi Matar, nascido nos Estados Unidos e considerado por especialistas em radicalismo islâmico um simpatizante do Irão e da Guarda Revolucionária iraniana, emitiu estas declarações numa entrevista ao jornal The New York Post publicada ontem. O acusado, que está detido num estabelecimento prisional em Chautauqua, expressou surpresa por Rushdie ter sobrevivido ao ataque e evitou, a conselho do advogado, revelar se se inspirou na ‘fatwa’ do ayatollah que dirigiu o Irão desde a Revolução Islâmica, em 1979, embora tenha deixado clara a sua simpatia pelo antigo líder supremo iraniano.

19.8.2022

COVID-19 CIDADES NA CHINA TESTAM PEIXES, CARANGUEJOS E CAMARÕES

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Tráfico Humano Interceptadas antes de irem para Laos e Camboja

Oscar Wilde

sexta-feira

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Turismo, ensino e novas tecnologias são algumas das apostas empresariais que a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra ajudará a promover, salientou Y Ping Chow

Do Mondego às Pérolas Câmara de Comércio Portugal-China quer aproximar empresários em Macau

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Câmara de Comércio de Pequenas e Médias Empresas Portugal-China (CCPC-PME) promete incrementar as relações empresariais entre os dois países a partir de uma representação em Macau, anunciou ontem o presidente da organização. O líder da CCPC-PME, Y Ping Chow, disse aos jornalistas, em Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra, que a entidade a que preside vai solicitar apoio ao governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) para criar no território um espaço de promoção dos produtos e serviços a pensar nos empresários portugueses que queiram exportar para a China. A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra “vai ajudar nessa relação” com a República Popular da China (RPC), afirmou o dirigente, enumerando áreas de actividade que o futuro polo da CCPC-PME, em Macau, deverá divulgar aos empresários chineses.

“Turismo, ensino e novas tecnologias” são algumas das apostas empresariais que a CIM ajudará a promover, salientou Y Ping Chow, no final de uma cerimónia, na qual que a Câmara de Comércio assinou um protocolo de cooperação com a Comunidade Intermunicipal liderada pelo autarca Emílio Torrão. O presidente do conselho executivo da Câmara de Comércio de Pequenas e Médias Empresas disse que, além das diligências para a criação de uma representação na RAEM, a organização vai investir, já este ano, na aproximação dos empresários portugueses aos congéneres chineses em duas províncias da RPC: Zheijiang e Hebei.

Visitas em Março

Esse programa de internacionalização passa, num primeiro momento, por sessões de informação e debate por via digital, a que se seguirão, em Março de 2023, a deslocação de delegações portuguesas àquelas províncias, devendo os empresários

locais visitar depois a Região de Coimbra e Portugal em datas ainda por agendar. A CIM, segundo Y Ping Chow, assume-se como “um parceiro válido a trabalhar” neste processo. A CCPC-PME, com sede em Condeixa-a-Nova, vai trabalhar para “tornar a China aberta ao mercado europeu”, fomentando as exportações portuguesas e chinesas. “Sendo Portugal um país muito pequenino [comparado com a China], temos de criar uma força conjunta”, que inclui um pedido de envolvimento do Governo de Macau. O presidente da CIM da Região de Coimbra, por seu turno, elogiou a decisão da Câmara de Comércio Portugal-China de instalar um “programa piloto” em Macau. “A China representa um mercado de exportação e importação muito importante”, sublinhou Emílio Torrão, defendendo a necessidade de “parceiros credíveis” que facilitem o acesso aos agentes da economia chinesa.

IDADES costeiras da China estão a testar peixes e marisco vivos como parte dos esforços mais recentes para impedir a propagação da variante altamente contagiosa do novo coronavírus Ómicron, no âmbito da estratégia ‘zero casos’ de covid-19. Acidade de Xiamen, na província costeira de Fujian, no sudeste da China, encomendou testes de PCR para os pescadores e os peixes capturados, de acordo com o supervisor de pescas da cidade. “Nós testamos ao mesmo tempo humanos e aquilo que eles capturaram”, disse um membro do Departamento Municipal de Desenvolvimento Oceânico de Xiamen, citado pela imprensa local. “Não somos o único lugar a fazer isto. Aprendemos a lição com [a província de] Hainan, que está a testemunhar um grave surto. Dizem que pode ter sido desencadeado pelo comércio de produtos marinhos entre pescadores locais e os seus colegas estrangeiros”, afirmou. No fim-de-semana, o Hainan Daily, o jornal oficial da província insular de Hainan informou que trabalhadores médicos da cidade de Danzhou testaram peixes em barcos de pesca, depois de a cidade ter entrado em confinamento, para combater um surto que se alastrou a toda a província. Hainan registou cerca de 14.000 casos desde o início de Agosto, incluindo cerca de 8.000 que são assintomáticos. O surto foi impulsionado por uma subvariante da Ómicron descoberta pela primeira vez na China e que “muito provavelmente” foi importada por meio de transações de produtos entre pescadores locais e estrangeiros, disse o Governo provincial, na semana passada, em conferência de imprensa. Além de animais aquáticos, testes de PCR foram realizados numa variedade de animais, incluindo galinhas e gatos, nos últimos dois anos.