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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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MOP$10

SEXTA-FEIRA 19 DE JULHO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4334

DAMA DO CHÁ FERNANDO SOBRAL

SANTA MADONNA JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE

UMWELT IV

HONG KONG

AMIGOS NA EUROPA

ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

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hojemacau

GRANDE PLANO

Planos tremidos

A vinda de Xi Jinping a Macau para a celebração do 20.º aniversário da transição pode estar em risco. O South China Morning Post adianta que a turbulência política que se vive em Hong

AUDIÇÃO A MI JIAN

Sem data marcada PÁGINA 6

ILHA VERDE

OCUPAS DO CONVENTO

Kong pode justificar um eventual cancelamento. Larry So acha que Pequim divulgou deliberadamente a mensagem para pressionar Carrie Lam a resolver a instabilidade até Dezembro.

PÁGINA 9

CRIME

Tragédia em Quioto

SOFIA MARGARIDA MOTA

PÁGINA 5

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ÚLTIMA

ELEIÇÕES CE | UMA MANHÃ COM HO PÁGINA 4


2 grande plano

19.7.2019 sexta-feira

HONG KONG

SOLIDARIEDADE EM ESTRASBURGO PARLAMENTO EUROPEU APROVOU RESOLUÇÃO CONTRA LEI DA EXTRADIÇÃO

Mais de uma dezena de eurodeputados, nenhum deles português, usou ontem da palavra para, no Parlamento Europeu, demonstrar apoio aos manifestantes em Hong Kong e condenar as detenções. A China já reagiu e fala em hipocrisia da União Europeia, argumento também usado pelo eurodeputado Miguel Urban Crespo, do partido espanhol Podemos. A ex-eurodeputada Ana Gomes apelou à votação da resolução

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Parlamento Europeu (PE) iniciou uma nova legislatura no passado dia 2 deste mês e iniciou a agenda com a votação de uma resolução contra a lei da extradição em Hong Kong e a detenção de manifestantes, sem esquecer o caso dos livreiros desaparecidos, ocorrido em 2015. O debate sobre a resolução aconteceu na manhã de ontem, hora de Estrasburgo (cerca das 18h em Macau), e contou com a participação de 15 deputados, nenhum deles português. A eurodeputada polaca Anna Fotyga foi uma das primeiras a

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M declarações ao HM, a ex-eurodeputada Ana Gomes comentou a resolução ontem aprovada pelo PE, tendo ela própria apelado aos antigos colegas uma votação favorável do documento. “Abordei alguns colegas do PE para os encorajar a levar por diante o debate e a adoptarem uma tomada de posição em solidariedade para com os manifestantes e contra a lei da extradição.” A ex-eurodeputada defende a retirada imediata da proposta de lei do Conselho Legislativo, pois “está em

intervir na sessão, presidida pela eurodeputada Dita Charanzová, vice-presidente do PE. “As pessoas de Hong Kong estão com medo e esse medo é facilmente detectável, uma vez que os protestos continuam. A razão do medo é a imposição de uma lei da extradição. Acredito que estes protestos irão continuar, a não ser que a solução se resolva politicamente, algo a que apelamos.” Antony Hook, eurodeputado britânico, destacou a mobilização dos membros do PE. “Deveríamos ter orgulho no facto de esta resolução ter obtido o apoio dos cinco

maiores grupos que compõem este parlamento. E isto é importante, porque os 28 Estados-membros são fortes quando estão juntos. Temos um inquebrável compromisso com a democracia e os direitos humanos, não apenas para nós próprios, mas para todas as

Para Pequim, o documento do PE “está cheio de ignorância, orgulho e é duplamente hipócrita.”

pessoas no planeta. Cerca de dois milhões de pessoas protestaram nas ruas contra a lei da extradição imposta pelo Governo de Hong Kong que não é eleito pela sua população.” Hook fez referência aos inúmeros relatórios internacionais sobre a situação dos direitos humanos na China. “Sabemos por vários relatórios o que acontece na China, tal como condenações injustas e prisões forçadas. A polícia usou força e violência que não eram necessárias e é claro que apoiamos os manifestantes de Hong Kong. Pedimos eleições

Chefe telecomandada Ana Gomes, ex-eurodeputada: “Carrie Lam não é mestre de si própria”

violação da Lei Básica e (a retirada) estaria em linha com os sentimentos da população de Hong Kong.” Ana Gomes defende que “a senhora Carrie Lam não é a mestre de si própria, é telecomandada por Pequim”, uma vez que “a sua actuação demonstra que ela não tem controlo sobre si própria”. Os protestos em Hong Kong foram um dos assuntos

abordados na última reunião anual do World Movement Democracy, de cuja direcção Ana Gomes faz parte, e que decorreu em Kuala Lumpur, Malásia, a 7 e 8 de Julho. “As manifestações de protesto em Hong Kong, com a amplitude e a ressonância que têm tido, em particular na população jovem, são muito significativas de que este é um combate que

vale a pena e que tem de ser feito”, disse. Na reunião interna dos dirigentes do World Movement for Democracy, Ana Gomes chegou mesmo a questionar o presidente da Federação dos Sindicatos de Hong Kong sobre eventuais impactos destes protestos para Macau. “Questionei que articulação é que havia com Macau e com outras partes

livres e justas e queremos dizer que, nós, europeus, estamos com as pessoas de Hong Kong”, acrescentou. Neena Gill, eurodeputada ligada ao Partido Trabalhista britânico, lembrou a importância deste assunto tendo em conta o papel que a China ocupa hoje como um dos principais actores na diplomacia mundial. “A União Europeia (UE) deve dar um passo claro e apoiar a liberdade em Hong Kong. Isso é muito importante porque a China está a ter grande foco internacional neste momento, a sua economia está a abrandar e há que ter em conta o que se passa em Xinjiang. É muito

da China e foi interessante ouvi-lo sobre essa matéria. É evidente que seria desejável muito mais articulação entre o que se passa em Hong Kong e Macau, tanto mais que os sistemas jurídicos vigentes têm semelhanças, designadamente pela marca deixada pelas administrações portuguesa e britânica, de respeito pelos direitos humanos e em particular pela inadmissibilidade da pena de morte”, rematou. Durante dois dias, o encontro anual do World Movement for Democracy serviu também para “discutir a estra-


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sexta-feira 19.7.2019

EUROPEAN PARLIAMENT

importante frisar a questão dos direitos humanos.” Para a eurodeputada, está em causa a manutenção do princípio “Um País, Dois Sistemas”. “Os protestos

tégia de promoção da democracia e da defesa dos direitos humanos em todo o mundo”. “Como estávamos na Malásia houve uma particular atenção ao país e à questão do combate à corrupção e da defesa dos direitos humanos, bem como a situações em Hong Kong”, entre outras zonas do mundo, explicou a ex-eurodeputada portuguesa. O panorama da repressão política do Governo Central na província de Xinjiang também não foi esquecido. A.S.S.

que temos visto nos últimos dias são um sinal claro de que a população de Hong Kong não vai deixar que os seus direitos sejam diminuídos. Se os protestos continuarem isto será uma grande vitória para a democracia. Contudo, se Pequim ganhar, será um fim prematuro da ‘Política um País, Dois Sistemas’”, frisou.

A CRÍTICA DO PODEMOS

Apesar de apoiar a resolução, o eurodeputado espanhol Miguel Urban Crespo, do partido de extrema-esquerda Podemos, lançou críticas à própria UE. “Apoiamos o direito à manifestação em todo o mundo, pois trata-se de um direito fundamental e também o é em Hong Kong. Mas estamos a falar de violação de direitos humanos fora das fronteiras da Europa e isso é uma hipocrisia, uma vez que também ocorrem violações de direitos humanos dentro da Europa.” Nesse sentido, Miguel Urban Crespo defendeu o diálogo “com

todas as instituições e com Pequim para garantir os direitos da população em Hong Kong”, e também para “encontrar uma relação apropriada com a China”.

“Sabemos por vários relatórios o que acontece na China, tal como condenações injustas e prisões forçadas.” ANTONY HOOK EURODEPUTADO

O mesmo argumento foi usado pelo país, uma vez que, de acordo com o South China Morning Post, o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês em Hong Kong se referiu aos parlamentares europeus como hipócritas. Em comunicado, é referido que a resolução ontem apro-

vada “ignora os factos e confunde o que é certo com o errado”. Para Pequim, o documento do PE “está cheio de ignorância, orgulho e é duplamente hipócrita. Aponta o dedo e dá ordens ao nível das políticas adoptadas pela Região Administrativa Especial de Hong Kong e pelo Governo Central. A sua ignorância e atitude deixaram as pessoas sem palavras com espanto e horror”. No pedido de resolução apresentado pelos eurodeputados, é referido o facto de a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, não ter retirado por completo a proposta de lei da extradição, a qual “poderia facilitar a extradição de pessoas para a China por razões políticas e a sujeição a um sistema judicial com deficiências graves em matéria de direitos humanos”. Nesse contexto, “o tribunal de Hong Kong não teria competência clara e explícita e a obrigação jurídica para examinar os diversos direitos

humanos envolvidos em casos apreciados pelos tribunais na China continental ou noutros países”. Os eurodeputados alertam ainda para o facto de o “sistema judicial da China continental carecer de independência do Governo e do Partido Comunista Chinês e ser caracterizado por detenções arbitrárias, tortura e outros maus tratos, graves violações do direito a um julgamento justo, desaparecimentos forçados e vários sistemas de detenção em regime de incomunicabilidade sem julgamento”. Os eurodeputados alertam ainda para o facto de a polícia de Hong Kong ter usado “actos de violência de um pequeno número de manifestantes como pretexto para a utilização desnecessária e excessiva de força contra os manifestantes”. O documento faz também referência ao caso dos quatro livreiros desaparecidos em Hong Kong no final de 2015. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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CHEFE DO EXECUTIVO HO IAT SENG DEFENDE QUE GOVERNO DEVE SERVIR O POVO

Uma manhã nos jornais

O Executivo deve servir a população, para isso é fundamental comunicar bem. A ideia foi defendida ontem pelo candidato a Chefe do Executivo, Ho Iat Seng. A imprensa é fundamental no processo de auscultação da sociedade, acrescentou o favorito na sucessão a Chui Sai On SOFIA MARGARIDA MOTA

mais importante é que o Governo não tenha medo dos problemas e que os enfrente”. Estas foram as palavras deixadas ontem pelo candidato ao mais alto cargo do Governo, Ho Iat Seng, durante a visita ao HM no âmbito do périplo que fez pelos órgãos de comunicação social em língua portuguesa. Posta esta premissa, Ho defendeu que para enfrentar os problemas é necessária, acima de tudo, boa comunicação. “Se nos explicarmos bem evitamos a existência de problemas”, disse, sublinhando a necessidade de maior comunicação com os órgãos de comunicação. “Esperamos poder comunicar mais no futuro e ouvir mais opiniões também por parte da comunicação social”, disse. Numa apologia à “transparência governativa”, o ex-presidente da Assembleia Legislativa deixou explícita a necessidade de o Governo estar atento às opiniões da população, pois é a ela que serve. “A liderança é importante, mas ouvir o que a população tem a dizer também”. Por outro lado, acrescentou, “há políticas que o povo pode não aceitar num primeiro momento, mas é necessária comunicação para as explicar devidamente. Isto porque o Governo tem sempre um plano a curto, médio e longo prazo”. “O Governo é um líder, mas deve servir o povo”, sublinhou. Na auscultação da população, a imprensa tem um papel fundamental, porque “os jornais encontram os problemas e pedidos das pessoas em primeira mão”, disse.

ENCONTRO POSITIVO

A visita de Ho Iat Seng foi interpretada como um sinal positivo pelos directores dos órgãos de comunicação social. A abertura facilidade de comunicação demonstrada pelo candidato foi salientada pelo director do HM, Carlos Morais José. “Quando vem alguém novo há sempre um aumento das nossas expectativas e pelo discurso do candidato percebemos que ele entende a necessidade de transparência e de comunicação com a população”, apontou. “A postura do candidato mostrou que é um homem que

entende o segundo sistema, o que é garante para o exercício futuro da nossa profissão”, acrescentou. Ricardo Pinto, director do Ponto Final, sublinhou que “foi uma visita simpática, de cortesia e obviamente que foi bem-vinda”, apontou ao HM. O responsável que tem acompanhado os 20 anos de RAEM e assistiu à liderança de dois chefes do executivo, recordou as posturas que marcaram os antecessores de Ho. “Tivemos

O deputado Ho Ion Sang recusou ontem comentar a possibilidade de ser eleito o 1.º secretário da Mesa da Assembleia Legislativa (AL). O cargo encontra-se desocupado desde quarta-feira, depois de Kou Hoi In ter sido eleito presidente do hemiciclo. Ho foi abordado no final da reunião de ontem da Primeira Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que preside, mas recusou fazer qualquer comentário sobre o

assunto. Caso seja escolhido para ocupar o cargo, Ho Ion Sang tornase no primeiro deputado da RAEM eleito pela via directa a fazer parte da Mesa da Assembleia Legislativa, que é constituída por presidente da AL, vicepresidente, Chui Sai Cheong, e 1.º e 2.º secretários. A deputada Chan Hong é, actualmente, a segunda secretária. A escolha do secretário é feita através de votação dos deputados.

TIAGO ALCÂNTARA

AL Ho Ion Sang não comenta se será 1º secretário da Mesa

dois chefes do executivo até agora com perfis bastante diferentes”, começou por dizer. De Edmundo Ho recorda a abertura aos jornalistas, que “era, de facto, uma pessoa de contacto fácil e que conhecia uma boa parte dos jornalistas de Macau há longos anos”. Apesar de não ser “uma pessoa de dar entrevistas”, “procurava-o nomeadamente através dos vários almoços em que, off record, punha a imprensa a par do

que se ia passando da vida política de Macau”. Com esta postura, acabava por “dar a sua visão de alguns problemas e de soluções que tinham sido encontradas”, ajudando à melhor compreensão das opções do Governo. Já Chui Sai On, que deixa o cargo no próximo mês de Dezembro, “tinha claramente um relacionamento com a imprensa mais difícil”. Para Ricardo Pinto, este distanciamento teria mais que ver com questões de personalidade, “por não ser uma pessoa propriamente muito expansiva” Ho Iat Seng, por seu lado, “procura com este gesto uma aproximação e, sobretudo, conhecer um pouco o mundo da comunicação social em língua portuguesa e inglesa”. Da visita e do conhecimento que veio com este encontro, fica a esperança de “outras acções que possam estar relacionadas com o desenvolvimento do sector”, rematou. Já Rocha Diniz, administrador do Jornal Tribuna de Macau, foi

O ex-presidente da Assembleia Legislativa deixou explícita a necessidade de o Governo estar atento às opiniões da população, pois é a ela que serve mais contido nas palavras, apontando apenas que é uma atitude positiva e expectável por parte do candidato que já conhece há muito. “Conheço-o [a Ho Iat Seng] há muito tempo e acho muito positivo que ouça as opiniões dos media que, naturalmente, estão em contacto com a população”, referiu. Por outro lado, as visitas aos meios de comunicação social acontecem na sequência de outros encontros que Ho tem feito a vários representantes de diferentes sectores da sociedade. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau@gmail.com


política 5

sexta-feira 19.7.2019

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S tumultos em Hong Kong e as manifestações contra a Lei de Extradição para o Interior da China estão a levar o Governo Central a reequacionar os riscos da deslocação de Xi Jinping a Macau, para as celebrações do 20.º aniversário do estabelecimento da RAEM. A informação foi avançada ontem pelo South China Morning Post (SCMP). Segundo explicações avançadas por fontes anónimas citadas pelo jornal de Hong Kong, o Governo Central está a definir um plano a curto e longo prazo para acalmar os protestos, que deverá ser apresentado a Carrie Lam, líder do Governo da região vizinha. Por um lado, a estratégia exclui por completo a intervenção do Exército Popular de Libertação na RAEHK, uma decisão que deverá ter como intuito “acalmar” os mercados e o investimento internacional. Por outro, para evitar a continuação dos tumultos, as autoridades do Governo Central estão a medir os riscos da visita oficial de Xi Jinping a Macau, não se afastando o cenário de cancelamento. Neste momento, não há qualquer decisão tomada e o plano ainda não foi apresentado ao Executivo de Hong Kong, que, segundo o artigo, tem a última palavra sobre a forma como lidar com os problemas recentes. Para o analista político Larry So, este artigo tem como objectivo passar ao Governo de Hong Kong a mensagem que a data da transição de Macau é o limite para “arrumar a casa”. “O facto de o plano para Hong Kong envolver a avaliação dos riscos de deslocação a Macau é uma forma de pressionar o Governo de Hong Kong para resolver a questão criada pela Lei da Extradição”, afirmou Larry So, ao HM. “Estão a dizer-lhes [aos Governantes de Hong Kong] que têm até Dezembro para limpar a casa, para que a deslocação a Macau não fique manchada

20 ANOS SITUAÇÃO DE HONG KONG PODE LEVAR XI JINPING A RECONSIDERAR VISITA A MACAU

Pressão alta

O plano do Governo Central para lidar com as manifestações de Hong Kong implica a avaliação dos riscos da vinda de Xi Jinping a Macau para o 20.º aniversário da transição. O analista Larry So acredita que o possível cancelamento da visita tem como objectivo dar um prazo ao Executivo de Carrie Lam para resolver a instabilidade

O Governo Central está a definir um plano a curto e longo prazo para acalmar os protestos, que deverá ser apresentado a Carrie Lam, líder do Governo da região vizinha

por outros eventos”, acrescentou.

BLOQUEIOS À ENTRADA

Ao mesmo tempo, Larry So não afasta a hipótese de vários manifestantes de Hong Kong tentarem vir a Macau protestar nessa data. Contudo, o analista político acredita que o secretário para Segurança, Wong Sio Chak, tem mecanismos para impedir as entradas indesejadas. “O Governo já tem a chamada lista negra de pessoas que não são autorizadas a entrar em Macau. Se o Presidente Xi Jinping vier a Macau, uns dias antes muitas pessoas de Hong Kong já não vão ser autorizadas a entrar. Tenho a certeza que isso vai acontecer”, previu. “Hoje em dia, com as câmaras com reconhecimento facial e toda a tecnologia disponível, não é muito difícil impedir as entradas. O secretário Wong vai ter dias muito preenchidos nessa altura, mas não vai ser um trabalho propriamente difícil”, sustentou. Outro factor que pode contribuir para a decisão de Xi é a promessa do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, de estar em Macau para a comemoração do 20.º aniversário da transição. “O protocolo internacional quase que obriga a que no caso do Presidente de Portugal vir à China, que um representante do mesmo nível chinês esteja presente. Portanto, se o Presidente português vier é mesmo muito provável que o Presidente chinês também esteja presente”, defendeu Larry So. O HM questionou o gabinete do secretário Wong Sio Chak sobre as garantias de segurança no caso de uma eventual deslocação do Presidente Xi Jinping a Macau. O gabinete do secretário para a Segurança recusou fazer comentários por considerar o cenário da visita hipotético, uma vez que não existem referências nos órgãos de comunicação oficiais do Governo Central sobre a vinda a Macau. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Ameaça legislativa

Jason Chao acha que crime contra rumores vai abranger manifestações

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activista Jason Chan considera que a criminalização dos rumores, presente no artigo 25 da Lei de Bases da Protecção Civil, pode abranger manifestações no território, com base nos alertas levantados por “incidentes de segurança na sociedade”. O aviso foi deixado ontem através de um comunicado. Segundo a proposta de lei, o estado de alerta que permite a criminalização dos rumores pode ser declarado em quatro situações: catástrofes naturais, acidentes, incidentes de saúde pública e incidentes de segurança na sociedade. No entanto, para Jason Chao a definição de incidentes de segurança na sociedade que consta na proposta de lei é demasiado ampla: “Os incidentes de segurança na sociedade são definidos como ‘incidentes de segurança interna e económica’ e incidentes ‘provenientes de factores externos ou com eles relacionados’”, começou por apontar. “Mas o âmbito da ‘segurança interna’ é uma questão manhosa em Macau. No passado, o Governo de Macau ficou com má-fama por recusar entrada no território a jornalistas, trabalhadores sociais, deputados e académicos, justificando constituírem ‘ameaça à segurança interna. O Governo de Macau tem um historial de utilizar a ‘segurança interna’ como justificação em condições altamente questionáveis”, alertou.

PROBABILIDADE BAIXA

É devido a esta ambiguidade que o activista considera que o artigo 25 tem o potencial para “ser aplicado a manifestações”, como poderia acontecer agora no caso de Hong Kong, mesmo que considere a probabilidade de protestos violentos na RAEM é baixa. Ainda de acordo com Jason Chao, a proposta de Lei da Protecção Civil garante ao Governo um poder “discricionário” que permite a criminalização dos rumores possa ser aplicada quando se prevê uma ameaça, mesmo que esta não se concretize. “O artigo 25 tem potencial para causar efeito desincentivador na cobertura das reacção públicas durante controvérsias políticas”, acusa. “Se tivermos em conta o passado, os residentes de Macau não devem subestimar o impacto do artigo 25 em conjunto com a definição de ‘incidentes de segurança na sociedade’”, sublinha. O Governo apresentou uma nova versão do artigo 25 sobre os rumores. A versão mais recente define que o crime é praticado quando, “quem, enquanto se mantiver o estado de prevenção imediata ou superior, […] com intenção de causar pânico público, produzir e disseminar informações falsas relacionadas com o conteúdo ou situações de incidentes súbitos com natureza pública e as respectivas operações de respostas, objectivamente suficientes para causar o pânico público, é punido com pena de prisão até 2 anos ou multa até 240 dias”. J.S.F.


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RÓMULO SANTOS

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Depois da queixa ao CCAC relativa a alegadas irregularidades na política de contratações nos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, Pereira Coutinho e Sulu Sou entregaram um pedido de audição ao director, Mi Jian, para prestar esclarecimentos perante o hemiciclo Trabalho ilegal Lei Chan U pede combate na área da construção civil

Lei Chan U quer saber se as “Regras de gestão do pessoal nas obras de empreitada em estaleiros de construção civil”, que está em processo legislativo, resolvem eficazmente o problema de contratações ilegais no sector. Em causa está a evolução deste tipo de recrutamento ilegal para uma escala que considera de “crime organizado”, aponta o deputado em interpelação escrita. Como tal, Lei Chan U urge o Executivo para a necessidade de medidas urgentes de forma acabar com este tipo de prática ilegal.

AL SULU SOU E PEREIRA COUTINHO PEDEM AUDIÇÃO DE MI JIAN

À espera de calendário

O

S deputados Sulu Sou e José Pereira Coutinho entregaram na Assembleia Legislativa (AL) um pedido de audição sobre as contratações na Função Pública, nomeadamente no que toca aos métodos de recrutamento que, na visão dos deputados, podem estar à margem da lei. O foco do pedido de audição é a Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR), dirigida por Mi Jian, que terá “recrutado trabalhadores à margem do sistema de recrutamento central com o objectivo de beneficiar estudantes de doutoramento e familiares, ou seja, recrutamento de trabalhadores dentro de 'um pequeno círculo', incluindo o recrutamento de trabalhadores não residentes”. 

Os deputados alertam ainda para o facto de esta direcção de serviços ter, alegadamente, usado de forma indevida “fundos públicos em benefício privado”, além de ter encomendado “estudos a 'amigos' do interior do continente que nada percebem da RAEM”. Os deputados querem também esclarecer “viagens de duvidosa necessidade à França e Dubai”.

“NÃO É FÁCIL”

O pedido de audição iria obrigar Mi Jian a deslocar-se à AL e, na opinião de Pereira Coutinho, é algo inovador no meio legislativo. “Não é fácil convencer os outros deputados a realizar esta iniciativa”, disse ao HM. Apresentado no dia em que Ho Iat Seng renunciou ao cargo de presidente do hemiciclo,

o pedido de audição ainda não está agendado para votação. Nesse aspecto, Pereira Coutinho queixa-se do silêncio da presidência.

O pedido de audição iria obrigar Mi Jian a deslocar-se à AL e, na opinião de Pereira Coutinho, é algo inovador no meio legislativo. “Não é fácil convencer os outros deputados a realizar esta iniciativa”, disse ao HM

“Só esta quarta-feira tomou posse o novo presidente da AL (Kou Hoi In), e compreende-se esta situação de interregno. Não vou dar mais passos porque não posso, estou à espera”, referiu o deputado. Além do caso protagonizado por Mi Jian, Pereira Coutinho exige também explicações sobre a recente contratação de tradutores-intérpretes pelo Fórum Macau. “Ocorreram uma série de casos recentemente, tal como a contratação de cinco intérpretes pelo Fórum Macau sem qualquer transparência. Uma das intérpretes é recém-licenciada, então qual a sua experiência? Está-se a criar um regime à margem do regime geral de recrutamento da Função Pública?”, questionou ao HM. A.S.S./S.M.M.

LEI DOS TNR DEPUTADOS QUEREM CONTRADIÇÕES LEGAIS ESCLARECIDAS

A

3ª Comissão Permanente vai elaborar uma lista de questões para colocar ao Governo, referentes à proposta de alteração da lei sobre a contratação de TNR. A avaliação do novo texto coloca diversas dúvidas e os deputados consideram que pode haver contradições entre diplomas legais, nomeadamente quanto à imigração no território. Os deputados reuniram ontem à tarde com

a assessoria jurídica da Assembleia Legislativa para a primeira reunião na especialidade da “Alteração à Lei da contratação de trabalhadores não residentes”, depois de ter sido aprovada na generalidade no passado dia 5 Julho pelo plenário. O presidente da 3ª Comissão afirmou no final do encontro que a assessoria deu o alerta para situações que carecem de definição,

nomeadamente quanto à autorização de permanência dos TNR. Não fica claro se a obrigatoriedade de contratação de TNR no exterior diz respeito ao país de origem ou a outro qualquer. A questão visa evitar entradas com visto de turista, que mais tarde se transformam em pedidos de visto de trabalho. Outras dúvidas dos deputados é se o tipo de do-

cumentação actualmente exigido se mantém, a partir de quando é que um contrato se inicia, de facto, (se na assinatura com o empregador ou com a agência em caso de intermediação). “A matéria é bastante complexa, apesar de dizer respeito apenas ao artigo 4º, mas envolve outros regulamentos em vigor. Será que o Governo vai primeiro aprovar esta

proposta e depois resolver as restantes que dizem respeito à imigração? Será que também vai ter que rever o regulamento administrativo nº 8/2010 [Regulamentação da Lei da contratação de trabalhadores não residentes], para ficar tudo em conformidade?”, é uma das perguntas que Vong Hin Fai e os deputados vão colocar na próxima reunião com o Executivo. R.M.


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sexta-feira 19.7.2019

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S promitentes-compradores de fracções do Pearl Horizon querem um “frente a frente com o Governo”. A informação foi dada ontem pelo presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, Kou Meng Pok, após a divulgação, na passada quinta feira, da decisão judicial que deu razão ao Executivo. “Queremos mesmo é que o Governo fale connosco, sem outros mediadores”, disse ao HM. “Pedimos muitas vezes ajuda a deputados da Assembleia Legislativa, não queremos comunicar através de associações ou de deputados. Acredito que servir de porta-voz de outros seja desagradável”, justificou o responsável. Kou continua a lamentar a atitude do Governo que, considera, “nunca teve em conta os interesses dos compradores de fracções”, “nem a intenção de evitar problemas aos possíveis lesados. Se o Governo quisesse prevenir, em 2013 poderia ter tido em conta o lançamento do Regime Jurídico da Promessa de Transmissão de Edifícios em Construção, e evitar todos os casos que envolveram a venda de fracções autónomas em construção do Pearl Horizon”, referiu. Por outro lado, o Governo, já sabia que iria declarar a devolução do terreno, pelo que os lesados não entendem que, ainda assim, tenha permitido o negócio ao promotor.

PEARL HORIZON LESADOS NÃO VÃO RECORRER DE DECISÃO DE TA

Olhos nos olhos

Os lesados do Pearl Horizon não vão recorrer da decisão do Tribunal Administrativo, mas querem falar directamente com o Governo para resolver a situação. De acordo com Kou Meng Pok, as acções de luta por indeminizações vão continuar Droga Dois indivíduos de Hong Kong detidos

As autoridades interceptaram um homem e uma mulher, ambos de Hong Kong num hotel da zona central, por suspeita de venda de estupefacientes em Macau. No momento da detenção, os agentes encontraram 43,52 gramas de cocaína e 159 gramas de metanfetamina (ice), no valor de 150 mil patacas. Os suspeitos foram levados ao Ministério Público acusados de tráfico, e consumo ilícito de estupefacientes.

Crime Dois detidos por envolvimento em rede de prostituição

SEM RECURSO

Entretanto, um possível recurso à decisão tomada pelo Tribunal Administrativo (TA) não se coloca porque, neste momento, “já está tudo muito confuso”. “Houve muitas acções contra o promotor do empreendimento Pearl Horizon e outras dirigidas ao Executivo, o que fez com que se criasse uma total confusão já que cada um tem a sua opinião”, esclarece. O sentimento agora é de “total desconfiança” em relação ao Governo, advogados e Bancos. Quanto à solução apontada pelo Executivo, que passa pela possibilidade de candidatura dos lesados a habitação para troca, Kou considera que está a ser tratada injustamente deixando pessoas de fora. “Alguns

lesados não fizeram o registo predial, e há mais de 40 pessoas que não conseguem candidatar-se a este método de compensação”, acrescentou. Apesar das dificuldades, a União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon vai continuar a lutar. “Vou entregar mais cartas e

“Queremos mesmo é que o Governo fale connosco, sem outros mediadores. Acredito que servir de porta-voz de outros seja desagradável.” KOU MENG POK UNIÃO GERAL DOS PROPRIETÁRIOS DO PEARL HORIZON

promover protestos para chamar a atenção, e espero que sejam tomadas medidas para resolver todos os casos”, afirmou. Recorde-se que o TA decidiu que o Governo não tem de pagar indemnizações a centenas de promitentes-compradores das fracções do edifício Pearl Horizon, tendo rejeitado uma acção de efectivação de responsabilidade civil extracontratual colocada pelos lesados contra o Executivo. No acórdão revelado quinta-feira, é referido o número de processos semelhantes que, este ano, deram

entrada no TA. Houve um total de 66 processos, envolvendo 370 promitentes compradores. Foram julgados, com sentenças proferidas, 60 processos, respeitantes a 349 alegados lesados. Todos os processos foram julgados improcedentes e a RAEM foi absolvida dos pedidos formulados pelos autores. Sofia Margarida Mota com Juana Ng Cen info@hojemacau.com.mo

O Corpo de Polícia de Segurança Pública desmantelou uma rede de prostituição numa operação em que deteve três mulheres e dois homens. Uma das mulheres afirmou que os dois homens angariavam clientes para os serviços de massagem que elas prestavam, em que cada uma recebia 100 dólares de Hong Kong por serviço. Os dois suspeitos têm entre 20 e 35 anos de idade e documentos de identificação do continente. As três mulheres são de origem russa e da Tanzânia e tinham entre 20 a 30 anos.


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Imprensa Oficial Chan Iat Hong tomou posse como administador Chan Iat Hong tomou ontem posse como administrador da Imprensa Oficial, na sala polivalente da Sede do Governo, diante a secretária para Administração e Justiça, Sónia Chan. O novo administrador comentou a mudança para o novo

edifício da Imprensa Oficial na Taipa, que ficou completa a 9 de Maio, e elogiou as novas instalações, devido ao espaço disponível, que é cinco vezes superior ao anterior. O responsável pelo departamento que publica o Boletim Oficial (BO)

revelou ainda que foram gastos 150 milhões de patacas para o novo espaço no edifício, entre os quais 50 milhões foram para a compra de equipamentos e máquinas, que permitem reduzir o impacto das impressões no ambiente.

Educação 650 milhões de patacas no desenvolvimento contínuo O chefe do Departamento de Ensino da Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Kong Ngai, disse que o montante gasto com subsídios no âmbito da 3.ª fase do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo é superior a 650 milhões de patacas. Ainda de acordo com

o chefe de departamento, entre Abril de 2017, quando começou o programa, e este mês mais de 153 mil pessoas participaram no programa. Contando todas as fases, a iniciativa do Governo foi lançada há quase nove anos e entrará na 4.ª fase no início do próximo ano.

Kong Ngai afirmou ainda que as autoridades estão a recolher opiniões das instituições que participaram no programa, a rever os dados da avaliação intercalar, para preparar a próxima fase, e que a DSEJ espera a transição entre as fases aconteça sem problemas.

ILHA VERDE PROPRIETÁRIO FALA DE DIFICULDADES PARA CONSERVAR CONVENTO JESUÍTA

Os malditos ocupantes

A investigação do CCAC concluiu que Jack Fu, da Companhia de Desenvolvimento Wui San, é o legítimo concessionário do terreno da Colina da Ilha Verde onde está localizado um histórico convento jesuíta. Contudo, explicou que tem sido impedido de entrar no local pelos ocupantes, o que dificultou a preservação do edifício

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legítimo proprietário do terreno situado na Colina da Ilha Verde, Jack Fu, deu ontem uma conferência de imprensa para justificar porque nunca foi feita a devida preservação do antigo convento jesuíta. O caso foi alvo de investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que declarou a empresa de Jack Fu, Companhia de Desenvolvimento Wui San Limitada, a verdadeira concessionária do terreno. Jack Fu prometeu cooperar estreitamente com o Governo nos futuros planos que o Instituto Cultural (IC) proponha para o espaço, que está sujeito às regras da lei da salvaguarda do património cultural. O objectivo do proprietário é que o convento faça parte dos planos de Macau como centro mundial de turismo e lazer, tendo em conta as “circunstancias razoáveis” e sempre em cumprimento da lei de Macau.  Jack Fu adiantou que ainda não recebeu a carta do IC, mas prometeu ouvir as opiniões de todos os departamentos do Governo ligados a este processo.  Desde 2012 que o referido terreno tem estado envolvido

numa disputa judicial por questões de propriedade, litígio que chegou ao ponto da Empresa de Fomento e Investimento Kong Cheong, de Fong Lap, que se dizia proprietária do terreno, impedir Jack Fu de entrar no terreno nos últimos anos. Jack Fu adiantou ontem que essa postura o impediu de avançar com os planos de requalificação do convento, ainda que, em 2017, tenham sido investidos “muitos recursos humanos, materiais e financeiros” para remover máquinas de construção e outros materiais que estavam no terreno de forma ilegal. 

Jack Fu prometeu cooperar estreitamente com o Governo nos futuros planos que o Instituto Cultural (IC) proponha para o espaço, que está sujeito às regras da lei da salvaguarda do património cultural

Além disso, Jack Fu explicou que paga contribuição predial, num total de mais de 600 mil patacas desde 2013.

OCUPAÇÃO ANTIGA

A empresa de Jack Fu recebeu o terreno a 16 de Março de 2007, que foi ocupado de forma ilegal por Wu Tak Nang, que procedeu ao arrendamento ilegal de quartos a trabalhadores da construção civil oriundos da China. Jack Fu acredita que esses quartos foram arrendados a “pessoas desconhecidas ou até trabalhadores não residentes para a obtenção de lucros ilícitos”. Em

2015, o Tribunal Judicial de Base (TJB) decidiu que os ocupantes ilegais teriam de sair do local, mas, devido a recursos apresentados pelos mesmos, o processo tem-se atrasado, não existindo sequer data para o julgamento no Tribunal de Segunda Instância (TSI), disse Jack Fu. Este acredita que os ocupantes estão a prolongar ao máximo a sua presença no terreno para obter mais benefícios. De frisar que, em 2012, a Empresa de Fomento e Investimento Kong Cheong, de Fong Lap, iniciou um braço-de-ferro pela propriedade do terreno, mas, aquando

do julgamento no TJB, foi Wu Tak Nang o arguido. Para Jack Fu, o terreno foi ocupado ilegalmente por várias empresas, no entanto, o empresário não conseguiu apontar o nome de todas elas. Para Jack Fu, os ocupantes do terreno têm uma atitude semelhante aos dos protestantes em Hong Kong. Na sua visão, os ocupantes estão a levar a cabo “procedimentos agressivos para obterem dinheiro”, mas não quer ofender aqueles que, na região vizinha, lutam pela democracia.  Andreia Sofia Silva e Juana Ng Cen info@hojemacau.com.mo


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A onda de protestos em Hong Kong está a afectar o turismo na antiga colónia britânica, com especialistas a destacarem sobretudo o impacto no tráfego aéreo e nas receitas hoteleiras, noticiou ontem a imprensa local

HONG KONG ONDA DE PROTESTOS COM IMPACTO NO TURISMO

Sentido prioritário

protestos pacíficos todos os anos. Foram os conflitos e o derramamento de sangue que deixaram os turistas inseguros e preocupados em viajar para a cidade”, frisou.

EFEITOS COLATERAIS

O sector hoteleiro, por sua vez, informou que a taxa média de ocupação desceu entre 3 por cento e 5 por cento em Junho, comparativamente a igual período de 2018, enquanto as receitas globais desceram 10 por cento. A Chefe do Executivo, Carrie Lam, afirmou já que a proposta de emendas à lei, que permitiriam a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições com as quais não existem acordos prévios, como é o caso da China, "estava morta".

O Governo da Nova Zelândia exortou os cidadãos a seguirem com atenção as notícias sobre futuros protestos na região administrativa especial chinesa, dando conta de “confrontos violentos”

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E acordo com o jornal South China Morning Post (SCMP), o número de reservas de viagens provenientes de países asiáticos para o território caiu 5,4 por cento no último mês, quando Hong Kong foi palco de manifestações maciças contra emendas à lei da extradição. O SCMP baseou-se em dados recolhidos entre 16 de Junho e 13 de Julho pela organização ForwardKeys, que analisa diariamente 14 milhões de transacções de reservas de viagens. Na quarta-feira, o Governo da Nova Zelândia exortou os cidadãos a seguirem com atenção as notícias sobre futuros protestos na região administrativa especial chinesa, dando conta de "confrontos violentos", escreveu o diário de Hong Kong. Para o deputado de Hong Kong Yiu Si-wing, citado pelo diário de Hong Kong, o impacto dos protestos na indústria do turismo "é evidente", justificando com números esta afirmação. Segundo Yiu, que é também director da agência de turismo chinesa China Travel Service, o crescimento médio de turistas

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M novo mercado para emissão de títulos de tecnológicas chinesas começa a negociar na próxima semana, sinalizando as ambições de Pequim em competir nos sectores de alto valor agregado, apesar dos atritos comerciais com Washington. Os reguladores chineses aprovaram já 25 empresas que operam em áreas vistas pela liderança comunista como chave para a prosperidade e elevação do estatuto global do país, para nego-

nos primeiros seis meses do ano foi de 13 por cento, mas em Junho desceu para 8 por cento e nos primeiros dias de Julho caiu 4 por cento. “Se os conflitos con-

tinuarem, a taxa de crescimento continuará a baixar no segundo semestre do ano”, disse o membro do Conselho Legislativo [LegCo, parlamento local].

No entanto, o parlamentar atribuiu a desaceleração aos confrontos violentos entre os manifestantes e a polícia e não aos protestos em si: “Hong Kong tem centenas de

Estrelas do mercado

Lançada praça financeira para emitir títulos de alta tecnologia

ciarem no STAR Market, da Bolsa de Xangai. Inspirado no norte-americano NASDAQ, o STAR Market reflecte o desejo do Partido Comunista Chinês de canalizar capital privado para os seus planos de desenvolvimento, dando aos pequenos investidores chineses uma oportunidade de comprar títulos em indús-

trias de tecnologia que até agora se voltaram para Wall Street."O papel importante do novo mercado é fornecer um canal de captação de recursos para a inovação científica e tecnológica da China", considerou o economista Lu Zhengwei, do Industrial Bank, em Xangai. As bolsas de valores da China, em Xangai e

Shenzhen, foram criadas no início dos anos 90 para arrecadar dinheiro para a indústria estatal, e passaram mais tarde a incluir empresas privadas, mas continuam a ser dominadas por empresas sob tutela do governo, como a PetroChina Ltd. e a China Mobile Ltd. Privadas como os gigantes do comércio electrónico

No entanto, uma nova grande manifestação contra esta lei e a violência policial está agendada para domingo, disse à Lusa a porta-voz do movimento que tem liderado os maciços protestos no território, Bonnie Leung. Os líderes dos protestos exigem que o Governo responda a cinco reivindicações: retirada definitiva da proposta de alteração à lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que os protestos de 12 de Junho e 1 de Julho não sejam identificados como motins, um inquérito independente à violência policial e a demissão de Lam.

Alibaba e JD.com, ou o motor de busca Baidu, emitiram milhares de milhões de dólares em títulos em Wall Street, numa operação inconveniente e cara para empresas mais pequenas. As empresas que ainda não registaram lucros podem negociar no novo mercado se gastarem pelo menos 15 por cento das suas receitas em pesquisa e desenvolvimento ou se tiverem drogas ou outras tecnologias num estágio avançado de desenvolvimento.

Permitir que as empresas vendam acções antes de se tornarem lucrativas encorajará o desenvolvimento do capital de risco chinês, considerou Lu. O valor das acções no novo mercado pode oscilar até 30 por cento, antes de os reguladores imporem uma suspensão de 10 minutos. Nas principais praças financeiras chinesas, os títulos deixam de ser negociados durante o resto da sessão, caso subam ou desçam 10 por cento.


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director-geral do departamento de Cooperação Internacional da Comissão Central de Inspecção e Disciplina - órgão máximo anticorrupção do Partido Comunista da China (PCC) - considerou ser "impossível" realizar inspecções em "todos os milhares de projectos" incluídos no gigante plano de infra-estruturas internacional lançado por Pequim. "É do seu interesse e do interesse do país que sejam íntegros e respeitem a lei", disse La Yifan aos jornalistas, em Pequim. "Devem respeitar as regras dos países onde operam", acrescentou. Em Dezembro de 2017, o órgão anticorrupção arrancou com um programa piloto na ligação ferroviária China-Laos, um dos projectos mais importante da iniciativa, "para se certificar de que decorria de forma limpa". Em cooperação com as autoridades anticorrupção do Laos, realizam-se duas inspecções anuais, passando por "todos os detalhes", para assegurar transparência, o que permitiu "pôr fim às más práticas", assegurou o responsável. La considerou aquele programa um "guia para outros megaprojetos" e expressou confiança no seu efeito "dissuasivo". No entanto, admite que há muito trabalho a fazer: "Não se pode excluir que continuará a haver práticas contrárias à lei noutros projectos. Isso tem a ver com a natureza humana", justificou. "Mas a nossa mensagem é

‘UMA FAIXA, UMA ROTA’ DECRETADA TOLERÂNCIA ZERO À CORRUPÇÃO

Manifesto de intenções

As autoridades chinesas decretaram ontem “tolerância zero” para casos de corrupção envolvendo empresas nacionais nas infra-estruturas construídas no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, mas não avançaram com os resultados da sua fiscalização

La Yifan, Comissão Central de Inspecção e Disciplina “Mas a nossa mensagem é um aviso: não importa quão alta é a sua posição ou as suas relações. Iremos atrás dos responsáveis. Vamos ter tolerância zero.”

um aviso: não importa quão alta é a sua posição ou as suas relações. Iremos atrás dos responsáveis. Vamos ter tolerância zero", disse.

EM CEARA ALHEIA

Como a jurisdição da China não ultrapassa as suas

empresas e cidadãos, La sonha com "uma rede global de órgãos que garantam o cumprimento da lei e da luta contra a corrupção nos países que participam" na iniciativa. O director do Banco Mundial para a China,

Martin Reiser, disse que a maioria das empresas chinesas com quem a agência tem trabalhado "têm feito um excelente trabalho", enquanto o vice-presidente do Conselho Nacional de Supervisão, - órgão anticorrupção estatal -, Li Shu-

lei, disse que a campanha anticorrupção produziu resultados "notáveis". Bancos e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito daquele gigantesco plano de infra-estruturas,

que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias ao longo da Europa, Ásia Central, África e sudeste Asiático.

Região

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Governo filipino anunciou ontem que mais de 2.000 polícias foram demitidos e milhares castigados no âmbito de investigações sobre a morte de suspeitos de tráfico de droga, criticando os media por não se focarem nas coisas positivas. De acordo com a responsável pelas comunicações da presidência das Filipinas, 14.724 polícias foram investigados pelo possível envolvimento na morte de suspeitos durante operações contra o tráfico de droga realizadas entre Julho de 2016 e Abril do ano passado. Mais de metade dos polícias investigados, ou seja, 7.867 agentes, receberam punições administrativas, enquanto 2.367 foram demitidos, afirmou Marie

Uma espécie de guerra civil Filipinas castiga polícias por morte de suspeitos em operações antidroga

Rafael Banaag numa conferência de imprensa ontem realizada em Manila. O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, declarou guerra ao tráfico de narcóticos quando foi eleito em 2016, tendo sido realizadas muitas operações policiais desde então, nas quais morreram milhares de suspeitos. Criticando os meios de comunicação social e os grupos activistas dos direitos humanos por se focarem apenas nas mortes de suspeitos, o subsecretário do Comité Presidencial para os Direitos Humanos, Severo Caturra, adiantou, na conferência de

imprensa, que a guerra contra as drogas levou a que quase meio milhão de viciados (421.724) que se entregaram às autoridades se tenham reabilitado. “Em vez de se concentrarem nas coisas positivas que estamos a fazer, focam-se nos detalhes sangrentos”, afirmou. Caturra defendeu que a brutal guerra contra as drogas – que provocou uma investigação do Conselho de Direitos Humanos da ONU e um exame preliminar do Tribunal Internacional de Justiça – é um “mecanismo de direitos humanos para proteger as vidas das vítimas das drogas e, em especial, as das

crianças. “Concentram-se nos assassinatos de criminosos, mas não no número de vítimas desses criminosos”, sublinhou. Cartura também negou que o número de mortos nas operações policiais seja superior a 27.000, número apontado pela ONU e por organizações de defesa dos direitos humanos, a quem acusou de manipular os números e incluir na contabilização os “homicídios ainda sob investigação” não associados a drogas. Os números ontem divulgados pelo Governo referem que, entre 1 de Julho de 2016 e 30 de Abril de 2019, morreram 5.435 pessoas em

operações antidroga. No entanto, a Polícia Nacional filipina admitiu ontem que o número ultrapassa as 6.700 pessoas. O subsecretário do Comité Presidencial considerou ainda que a resolução aprovada na semana passada pelo Conselho de Direitos Humanos de investigar as Filipinas é um documento “politicamente motivado” e apoiado por países europeus que “não entendem que o problema com drogas nas Filipinas é totalmente diferente do deles”. Nos últimos dias, diferentes vozes da administração de Rodrigo Duterte - incluindo o próprio Presidente - sugeriram a possibilidade de abandonar o Conselho de Direitos Humanos ou mesmo cortar relações diplomáticas com a Islândia, país que propôs a resolução.


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A 8ª edição do Festival Literário de Macau – Rota das Letras arrancou, com o lançamento do Concurso de Contos nas línguas portuguesa, chinesa e inglesa. Os interessados deverão submeter as suas histórias até às 20h do dia 30 de Novembro de 2019, na redacção do jornal Ponto Final ou através do email shortstories. thescriptroad@gmail.com. As regras do concurso são idênticas às de 2018, com a entrega de prémios (um para cada idioma) no valor de 10 mil patacas e a publicação em livro – nas três línguas – dos textos seleccionados. Os contos serão seleccionados por escritores que passaram pela Rota das Letras, depois de uma pré-selecção a cargo de um painel composto por representantes da organização e de outras entidades.

Dança “Under Siege” vai ter espectáculo extra a 6 de Setembro

O Centro Cultural de Macau (CCM) anunciou ontem uma apresentação extra do espectáculo “Under Siege – Yang Liping Contemporary Dance Company”, a 6 de Setembro (sexta-feira), motivada pela grande afluência do público às bilheteiras para assistir à “obra-prima da dança moderna, trazida pela reconhecida coreógrafa e bailarina Yang Liping”. O espectáculo inicial estava agendado para dia 7 de Setembro (sábado), incluído na primeira edição do “Arte Macau” lançada este ano pelo Instituto Cultural. “Considerada uma força maior da dança chinesa, Yang Liping inspirou-se no conto de época “Adeus Minha Concubina”, celebrizado pela ópera e tradição chinesas, reinventando-o numa intensa história de ambição, traição e amor eterno”, pode ler-se na nota de imprensa. Os bilhetes para esta nova sessão vão estar disponíveis a partir de domingo, nas bilheteiras do CCM e na Rede Bilheteira de Macau.

EDUARDO MARTINS

Literatura 8ª edição do Rota das Letras lança Concurso de Contos

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“O nosso é o esqu

LITERATURA BRUNO VIEIRA AMARAL TRAZ JO

Bruno Vieira Amaral integr no II Fórum Literário Chin na calha, o autor, um dos contemporânea, está a escr Além disso, assume que M de autores portugueses e c

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M 2017 o escritor Bruno Vieira Amaral conheceu um pedaço da China ao visitar Macau, no âmbito do festival literário Rota das Letras. Contudo, faltava-lhe conhecer o país de que todos falam. A experiência aconteceu este ano, ao integrar a comitiva da ministra da Cultura em Portugal, Graça Fonseca, juntamente com os escritores Isabela Figueiredo e José Luís Peixoto. Em entrevista ao HM, Bruno Vieira Amaral assegura que ficou a conhecer muito pouco de Pequim, cidade onde esteve apenas quatro dias. “Não tenho muito para dizer de uma experiência que consistiu na presença num painel em que falamos sobre visão e imaginação. Creio que correu bem. Teve, se calhar, uma maior participação do público do que aquilo que estaríamos à espera, porque na verdade era um encontro mais formal para potenciar o intercâmbio entre os dois países na área da literatura. Talvez tenha sido essa a surpresa, a da participação do público.” No encontro “houve alguma dose de formalidade” e, ao contrário de Isabela Figueiredo, o autor não notou a presença da auto-censura.

“Acho que isso terá mais a ver com a forma como nos posicionamos à partida e às ideias que temos formadas em relação ao país. Não posso dizer que os escritores fugiram ao tema, pois era muito abrangente. Nem todas as pessoas tem intervenções políticas, e diria que uma minoria de escritores tem uma intervenção marcadamente política. Teria ficado surpreendido se alguém falasse abertamente de política, mas não sei se houve auto-censura.” Nesse sentido, Bruno Vieira Amaral, que também escreve crónicas em jornais, assegura que ninguém, nem mesmo os escritores, são obrigados a ter posições políticas. “A mundividência de um escritor espelha-se em tudo aquilo que ele escreve. Tudo o que escrevemos tem uma leitura política e representa, acima de tudo, uma mundividência que vai além dos aspectos estritamente políticos. Um escritor não tem de assumir uma posição, nem um canalizador. Tudo o que escrevemos acaba por representar a forma como vemos o mundo.”

LEVAR HISTÓRIAS AOS OUTROS

Sem projectos para ser traduzido e publicado na China,


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A dança dos dragões

so destino A uecimento”

OSÉ CARDOSO PIRES À MEMÓRIA

“Guerra dos Tronos” com recorde de nomeações para os Emmys 2019

rou a comitiva portuguesa que participou na-Portugal, em Pequim. Sem romances s novos nomes da literatura portuguesa rever a biografia de José Cardoso Pires. Macau poderia ser um lugar de difusão chineses Bruno Vieira Amaral assegura, contudo, que publicar na China seria um teste à abrangência da sua obra. “Ficaria muito contente se os meus livros fossem lá publicados. Quando publiquei o meu primeiro livro, ‘As primeiras coisas’, diziam-me que era sobre uma realidade muito específica e havia uma série de referências particulares que poderiam nem chegar a muitos leitores em Portugal. Nunca me preocupei com isso, e sempre me preocupei com o funcionamento interno do romance. Penso que como leitores temos de tentar ultrapassar os nossos próprios limites e ir à procura do universo que nos está a ser apresentado.” As experiências de tradução em países como a Macedónia ou a Sérvia mostraram ao escritor que “As primeiras coisas” tinha “uma série de referências que, afinal, são universais e mais abrangentes”. “Se os livros fossem publicados na China e aí encontrasse leitores, seria, uma vez mais, uma forma de testar a universalidade do livro”, acrescentou. 

A VIDA DE CARDOSO PIRES

Bruno Vieira Amaral é um dos nomes mais sonantes da nova vaga de escritores por-

tugueses e ficou conhecido do grande público em 2013, quando publicou “As Primeiras Coisas”. O ano passado foi lançado “Manobras de Guerrilha” e, actualmente, o autor não tem ideias para outros romances, uma vez que está a trabalhar na biografia do escritor José Cardoso Pires.

“Se os livros fossem publicados na China e aí encontrasse leitores, seria, uma vez mais, uma forma de testar a universalidade do livro.” BRUNO VIEIRA AMARAL ESCRITOR

“Não era um dos escritores de eleição, mas tenho uma enorme admiração pelos livros. Tem estado relativamente esquecido, mas tem sido reeditado pela Relógio D’Água. Mas sabe que o

destino da maior parte dos escritores é mesmo o esquecimento. Os artistas, as pessoas. O nosso destino é o esquecimento. Se pensarmos nos escritores contemporâneos do Cardoso Pires, serão poucos os que não estão mais esquecidos do que ele.” Com este trabalho, Bruno Vieira Amaral espera “trazer leitores novos para a obra do Cardoso Pires”. Sobre o esquecimento de si como escritor por parte do público, Bruno Vieira Amaral assegura que nada pode fazer. “O que podemos fazer? (Risos). Eu realizo-me a escrever, gosto daquilo que faço. Se for esquecido, ou se os livros não tiverem a atenção que os anteriores tiveram, não posso fazer nada em relação a isso. Não vou inverter o rumo da escrita porque isso são coisas posteriores ao processo da escrita. A única preocupação que tenho quando me sento a escrever é fazê-lo o melhor que sei.” O autor orgulha-se de sentir os livros como seus por inteiro. “Os romances que publiquei até agora eram aqueles que queria escrever, esses livros são meus, de uma ponta à outra. Não há nada que retirasse, mesmo os defeitos.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

corrida aos Emmy Awards 2019 – troféus que premeiam o melhor de cada ano na indústria televisiva norte-americana – foi anunciada na passada terça-feira, 15 de Julho, com a série “Guerra dos Tronos” (Game of Thrones) a arrebatar um recorde de nomeações: 32 nomeações em 26 categorias. A série de culto da HBO, que este ano emitiu a sua 9ª e derradeira temporada, conseguiu estar representada nas principais categorias, incluindo a melhor série de drama, onde enfrentará as rivais “Bodyguard”, “Ozark”, “Pose”, “Succession”, “This is Us”, “Better Call Saul” e “Killing Eve”. O elenco de “Guerra dos Tronos” está igualmente contemplado nas categorias de melhores actor e actriz

numa série de drama, com Kit Harington e Emilia Clarke, melhor actriz convidada numa série de drama para Carice van Houten, três nomeações na categoria de melhor actor secundário para Alfie Allen, Nikolaj Coster-Waldau e Peter Dinklage, e quatro lugares na categoria de melhor actriz secundária para Lena Headey, Sophie Turner, Maisie Williams e Gwendoline Christie. Apesar do coro de críticas dos milhões de fãs, que exigiram um novo final para a série, a história criada por George R.R. Martin vê assim o reconhecimento do trabalho nesta última temporada, que já em 2018 arrecadou o principal galardão de melhor série dramática. O anterior recorde de nomeações, numa só temporada, pertencia à série “NYPD Blue”, da ABC (American Broadcasting

Company), que foi exibida entre 1993 e 2005.

E A SRA. MAISEL

A segunda série a reunir mais nomeações foi a comédia da Amazon “The Marvelous Mrs. Maisel”, com 19 hipóteses de prémio, logo seguida pelo recente sucesso da mini-série “Chernobyl”, que recebeu 18 nomeações, e pela comédia “Barry”, com 17 nomeações, ambas produzidas pela HBO. O canal de televisão por assinatura é assim o grande vencedor, com um total de 137 nomeações nesta 71ª edição dos EmmyAwards, batendo as posições da Netflix com 117, da NBC com 58 e da Amazon com 47 nomeações. A 71ª edição dos EmmyAwards está marcada para o dia 22 de Setembro, no Microsoft Theater de Los Angeles, manhã de 23 de Setembro, segunda-feira, aqui em Macau. R.M.

FIMM Festival arranca em Outubro com ópera e jazz O Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) arranca em outubro com a ópera “Flauta Mágica” de Mozart, interpretada pela companhia alemã Komische Oper Berlin e a companhia britânica de teatro 1927, foi ontem anunciado. Para o Instituto Cultural (IC), que organiza o certame, trata-se de uma “produção inovadora que combina (...) a arte da animação cinematográfica e o canto ao vivo”, indicou a entidade, em comunicado. Na área do jazz, o festival traz este ano o pianista norte-americano Billy Childs, vencedor de cinco prémios Grammy,

que vem acompanhado de outros três músicos. Dos Estados Unidos também voa para Macau o quinteto de sopros ‘Dorian Wind Quintet’. De regresso à região está a Orquestra Filarmónica de Viena, com a orientação do maestro colombiano-austríaco Andrés Orozco-Estrada. Já a Orquestra de Macau irá juntar-se à Orquestra e o Coro do NCPA da China para apresentar a obra Cantata do Rio Amarelo. Os bilhetes para o XXXIII Festival Internacional de Música de Macau encontram-se à venda a partir de 4 de Agosto.


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Notificação n.o 00088/NOEP/DJN/2019 Considerando que não se revela possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, para o efeito do regime procedimental nos respectivos processos administrativos sancionatórios, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, e do artigo 68.º e n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, ao abrigo do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, no uso das competências conferidas pelo Conselho de Administração para os Assuntos Municipais e constantes da Deliberação n.º 01/CA/2019, de 1 de Janeiro, publicada na Série II do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 2, de 9 de Janeiro de 2019, e ainda nos termos das competências definidas no n.o 4 do artigo 4.º e na alínea 6) do n.º 1 do artigo 5.º do Regulamento Administrativo n.o 25/2018, os infractores, constantes das tabelas desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Nos termos do n.º 4 do artigo 36.º, n.º 1 do artigo 37.º, artigo 38.º e artigo 39.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2004, e em conjugação com o n.o 2 do artigo 5.º do Código do Procedimento Administrativo, o Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais ou seus substitutos exararam despachos nas respectivas informações, tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas e a existência de culpa confirmada. Assim: 1. Foram aplicadas aos infractores constantes das Tabelas I a VI as multas previstas no n.º 2 do artigo 45.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e no artigo 2.º do Catálogo das Infracções, no valor de MOP 600,00 (cada infracção); Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no n.º 1 do artigo 13.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 7 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “nos espaços públicos, abandonar resíduos sólidos fora dos locais e recipientes especificamente destinados à sua deposição”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela I) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 2.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 13 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “cuspir escarro ou lançar muco nasal para qualquer superfície do espaço público, de instalações públicas ou de equipamento público”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela II) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto no n.º 1 do artigo 11.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 9 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “utilizar contentores ou outros recipientes destinados aos resíduos sólidos domésticos ou aos públicos para colocação de resíduos de outro tipo, nomeadamente resíduos sólidos industriais, comerciais ou especiais”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela III) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 14.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 6 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “não cumprir as recomendações técnicas para evitar a queda de pingos de água provenientes de aparelho de ar condicionado, após o decurso do prazo fixado pelo Instituto para o efeito de acordo com as circunstâncias do caso concreto”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela IV) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no n.º 5 do artigo 12.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 16 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “manter no passeio ou na via pública contentores ou outros recipientes de resíduos sólidos que devem ser diariamente recolhidos”, tendo sido as infractoras notificadas do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela V) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 14.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 3 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “despejar, derramar ou deixar correr líquidos poluentes, nomeadamente águas poluídas, tintas ou óleos em espaços públicos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela VI) 2. Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios para o autor do acto, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo diploma, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto. 3. Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau. 4. Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos do disposto no n.º 4 do artigo 55.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, os infractores deverão efectuar a liquidação de todo o valor das multas aplicadas, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a partir da data da publicação da presente notificação, na Divisão Jurídica e de Notariado do IAM (Núcleo Operativo do IAM para a Execução do Regulamento Geral dos Espaços Públicos), sito na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edf. China Plaza, 5.º andar, Macau, ou no Centro de Actividades de S. Domingos, sito na Travessa do Soriano, Complexo Municipal do Mercado de S. Domingos, 4.º andar, Macau, ou através do acesso ao endereço electrónico https://app.iam.gov.mo/rgepwebpay. Caso contrário, o IAM submeterá os processos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças, para a cobrança coerciva, nos termos do artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, mas sem prejuízo da aplicação do disposto no n.º 4 do artigo 18.º do mesmo Decreto-Lei. Os infractores, antes da liquidação das multas, não poderão entrar de novo, na RAEM. 5. Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes das tabelas anexas tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 8295 6868 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Núcleo Operativo deste Instituto. Aos 09 de Julho de 2019. O Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais José Tavares Tabela I Tipo e N.º do documento de identificação

N.º da acusação

Data da infracção

Data em que foi exarado o despacho de aplicação da multa

G3828****

2-000344TZ/2018

2018-10-02

2018-10-30

(*2)

C8114****

2-000343TZ/2018

2018-10-02

2018-10-23

(*2)

C9467****

A100970/2018

2018-10-02

2018-10-23

(*3)

E3320****

A082683/2018

2018-10-02

2018-10-23

Nome

Sexo

刘锦全 LIU JINQUAN 廖方徐 LIAO FANGXU 杨社念 姚凯 YAO KAI 朱德兴 ZHU DEXING 曾献明 柯子明 KEZIMING 于岩 翕广驹 CHEN JINSHAN 余平 YU PING 杨润 朱德麟 梅卫宁 MEI WEINING 张占岗 ZHANG ZHANGANG 梁文聪 李建超 LI JIANCHAO 周杰臻 ZHOU JIEZHEN 李建民 LI JIANMIN 徐炳能 XU BINGNENG 梁泽辉 LIANG ZEHUI 刘厚益 LIU HOUYI 梁应强 LIANG YINGQIANG 毛德彰 MAO, DEZHANG

M

(*3)

M M M M

(*2)

C1858****

A082684/2018

2018-10-02

2018-10-23

M

(*2)

C5757****

A100973/2018

2018-10-02

2018-10-23

M

(*2)

C9160****

A104496/2018

2018-10-02

2018-10-23

M M M

(*2) (*2) (*2)

C9488**** C7396**** C8272****

A100972/2018 A100971/2018 A100969/2018

2018-10-02 2018-10-02 2018-10-02

2018-10-23 2018-10-23 2018-10-23

M

(*2)

C7777****

2-000213TE/2018

2018-10-01

2018-10-23

M M

(*1) 500227199********* (*1) 440111197*********

2-000212TE/2018 2-000279UD/2018

2018-10-01 2018-10-01

2018-10-23 2018-10-23

F

(*3)

E9225****

2-000763TP/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C3635****

2-000394TL/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*1) 440883198*********

2-000762TP/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C0121****

2-000761TP/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C1553****

2-000758TP/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C4708****

2-000756TP/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C1698****

2-000755TP/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C5331****

2-000754TP/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C7838****

2-000480TK/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C7732****

2-000479TK/2018

2018-10-01

2018-11-21

M

(*2)

C4430****

2-000546SA/2018

2018-10-01

2019-01-18

植耀輝 ZHI, YAOHUI 張彬 ZHANG, BIN 万青菊 WAN QINGJU 张建光 ZHANG JIANGUANG 倪玉林 徐建民 XU JIANMIN 李志君 周锐成 张建光 ZHANG JIANGUANG 韦剑云 WEI JIANYUN 李伟华 卢建国 LU JIANGUO 梁耀华 LIANG YAOHUA 熊周婷 XIONG ZHOUTING 吴伟文 WU WEIWEN 简伟建 JIAN WEIJIAN 赵小珂 ZHAO XIAOKE 何家伟 冯婉婷 FENG WANTING 张笔锋 ZHANG BIFENG 梁计成 昊远球 潘劲松 PAN JINGSONG 壬恩胜 WANG ENSHENG 谢石沙 XIE SHISHA 程刚 CHENG GANG LEE JUNAM 黃永艳 HUANG YONGYAN 刘海花 LIU HAIHUA 杨凡 YANG FAN 杨冬明 YANG DONGMING 陈远锋 CHEN YUANFENG FELMIATY BUDIMAN NGO THI HUONG 林褔强 LIN FUQIANG 林荣基 王兴臣 WANG XINGCHEN VILLA RUBYLYN RINA HANDAYANI KASAGGA ISAAC 王秀成 WANG XIUCHENG 姚伟 YAO WEI 刘洪波 苗华鸿 WIN WIN KHAING PALICACAD, FELOMINA BIAG 李冬林 LI DONGLIN MUKHTYAR SINGH 张海波 ZHANG HAIBO 李振生 LI ZHENSHENG 黄文飞 HUANG WENFEI 谢檐飞 XIE YANFEI 谭醒途 TAN XINGTU 錢福生 余刚 何东合 HE DONGHE 王小安 WANG XIAOAN 刘立朋 LIU LIPENG TERRY ABIGAIL ELARCOSA 米久潭 莫會 MO HUI 邓龙虎 DENG LONGHU

www. iam.gov.mo

M

(*2)

C0086****

2-000542SA/2018

2018-10-01

2018-12-05

M

(*3)

E4349****

2-000541SA/2018

2018-10-01

2018-12-05

F

(*12)

L0177****

2-000377SJ/2018

2018-10-01

2018-12-05

M

(*2)

C5530****

2-000341TZ/2018

2018-10-01

2018-10-23

M

(*1) 211282197*********

2-000340TZ/2018

2018-10-01

2018-10-23

M

(*2)

C4807****

2-000372TO/2018

2018-10-01

2018-10-23

M M

(*2) (*3)

C9496**** G4127****

A100965/2018 A100966/2018

2018-10-01 2018-10-01

2019-01-18 2019-01-18

M

(*2)

C5530****

A082290/2018

2018-10-01

2018-10-23

M

(*2)

C4801****

A082289/2018

2018-10-01

2019-01-18

M

(*2)

C9624****

A100967/2018

2018-10-01

2019-01-18

M

(*2)

C0790****

2-000418TU/2018

2018-09-30

2018-10-23

M

(*2)

C9615****

2-000473TK/2018

2018-09-30

2018-10-30

F

(*2)

C0532****

2-000472TK/2018

2018-09-30

2018-11-29

M

(*8)

T1692****

2-000640TV/2018

2018-09-30

2018-11-08

M

(*2)

C4924****

A109452/2018

2018-09-29

2018-10-23

M

(*3)

G4814*****

2-000469TK/2018

2018-09-29

2018-10-30

M

(*1) 441284199*********

2-000638TV/2018

2018-09-29

2018-10-23

F

(*2)

C2421****

2-000467TK/2018

2018-09-29

2018-10-23

M

(*2)

C9323****

2-000466TK/2018

2018-09-29

2018-10-23

M M

(*1) 4417011968********* (*1) 441881198*********

2-000343TX/2018 2-000539SA/2018

2018-09-29 2018-09-29

2018-10-23 2018-10-23

M

(*2)

C7843****

2-000417TU/2018

2018-09-29

2018-10-23

M

(*3)

E8763****

2-000415TU/2018

2018-09-29

2018-10-23

M

(*2)

C5734****

2-000414TU/2018

2018-09-29

2018-10-23

M

(*2)

C3511****

2-000540SA/2018

2018-09-29

2018-10-23

M

(*7)

m8556****

2-000309TM/2018

2018-09-28

2018-10-23

F

(*2)

C0581****

2-000463TK/2018

2018-09-28

2018-12-05

F

(*3)

EC645****

2-000462TK/2018

2018-09-28

2018-12-05

M

(*2)

C9265****

2-000461TK/2018

2018-09-28

2018-12-05

M

(*3)

E4714****

2-000338TX/2018

2018-09-27

2018-10-23

M

(*2)

C4925****

A100911/2018

2018-09-27

2019-01-18

F

(*4)

1425****

2-000373UC/2018

2018-09-26

2019-01-18

F

(*10)

C020****

2-000630TV/2018

2018-09-26

2018-10-23

M

(*2)

C3165****

2-000533SA/2018

2018-09-26

2018-10-23

M

(*1) 440822197*********

2-000305TM/2018

2018-09-26

2018-11-08

M

(*2)

C8962****

2-000244UA/2018

2018-09-26

2018-12-05

F F M

(*5) (*9) (*14)

EC327**** B358**** B125****

2-000198TE/2018 2-000197TE/2018 2-000372UC/2018

2018-09-26 2018-09-26 2018-09-26

2018-12-05 2018-12-05 2018-10-23

M

(*2)

C8766****

A106007/2018

2018-09-25

2018-10-23

M

(*2)

C2831****

A094262/2018

2018-09-25

2018-10-23

M F F

(*1) 220602196********* (*1) 220521198********* (*4) 2392****

2-000196TE/2018 2-000195TE/2018 2-000368TO/2018

2018-09-25 2018-09-25 2018-09-24

2018-11-08 2018-11-08 2019-01-18

F

(*4)

2038****

2-000624TV/2018

2018-09-23

2019-01-18

M

(*3)

G6136****

2-000194TE/2018

2018-09-22

2018-11-08

M

(*9)

P069****

2-000407TU/2018

2018-09-22

2018-12-05

M

(*2)

C7658****

A100810/2018

2018-09-22

2018-10-23

M

(*2)

C7465****

A100807/2018

2018-09-22

2018-10-23

M

(*2)

C9605****

A100809/2018

2018-09-22

2018-10-23

M

(*2)

C9265****

A100808/2018

2018-09-22

2018-10-23

M

(*2)

C3450****

2-000212UA/2018

2018-09-21

2018-12-05

M M

(*1) 332603196********* (*1) 440301197*********

2-000046TS/2018 2-000044TS/2018

2018-09-21 2018-09-21

2018-12-05 2018-12-05

M

(*2)

C3475****

A094261/2018

2018-09-21

2018-12-05

M

(*3)

EC225****

2-000328TZ/2018

2018-09-20

2018-11-08

M

(*2)

C4704****

A094112/2018

2018-09-20

2018-12-05

2380****

F

(*4)

2-000189TE/2018

2018-09-20

2019-01-18

M

(*1) 430524197*********

2-000422SE/2018

2018-09-19

2018-10-05

M

(*2)

C8934****

2-000525SA/2018

2018-09-19

2018-12-05

M

(*2)

C9053****

A099756/2018

2018-09-19

2018-10-05


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sexta-feira 19.7.2019

朱良浪 ZHU LINGLANG 许祚虎 XU ZHOHU 吴奋 WU FEN 陈步存 CHEN BUCUN 王斌 WANG BIN 谢秋梅 XIE QIUMEI 孙世安 SUN SHIAN 冯广军 FENG, GUANGJUN 鍾鎮幫 袁仁伟 YUAN RENWEI XU XINBAO GE LI ZHANG TAO CHEN WEI 黄国华 张波 谢树有 XIE SHUYOU 吴少凯 WU, SHAOKAI 陈晓伦 CHEN XIAOLUN 刘德芳 邢偉 鐘志康 陳春香 CHEN CHUNXIANG 李雪賢 LI XUEXIAN 郝源根 HAO YUANGEN 麦钜发 MAI JUFA 方倩如 FONG SIN YU 庾嘉亮 YU JIALIANG 余曦 YU, XI 金斯文 JIN, SIWEN 金国帅 JIN, GUOSHUAI 何褔明 HE, FUMING 柳鹤军 LIU HEJUN LAILI PRIMAYANTI 魯双 LU SHUANG 田澤文 TIAN ZEWEN 趙玉忠 徐浩 XU HAO 汪堂輝 WANG TANGHUI 邵凱伦 SHAOKAILUN 隋春波 SUI, CHUNBO 龚江华 GONG, JIANGHUA HABON CHRISTOPHER LIBAO 張馳 ZHANG CHI 董胜昌 DONG SHENGCHANG 罗宁佳 LUO NINGJIA PM SHIM JIN 楊迪 YANG,DI EKA KURNIASIH 高慶秋 KO HING CHAU 黎俊 LI JUN 伍沃杰 WU WOJIE 吴春林 WU CHUNLIN 吴河明 WU, HEMING 侯智杰 HOU, ZHIJIE 赵根柱 ZHAO, GENZHU 崔绕軍

M

(*1) 429006198*********

A094110/2018

2018-09-19

2018-10-05

M

(*2)

C9116****

A094109/2018

2018-09-19

2018-10-05

M

(*2)

C7434****

A099755/2018

2018-09-19

2018-10-05

吴伟博 WU, WEIBO

M

(*2)

C9122****

A099754/2018

2018-09-19

2018-10-05

M

(*2)

C9242****

A094108/2018

2018-09-19

2018-10-05

F

(*2)

C0670****

A103463/2018

2018-09-15

2018-11-08

M

(*2)

C0049****

A108202/2018

2018-09-15

2018-10-23

M

(*2)

C5738****

2-000387TL/2018

2018-09-14

2018-10-30

M

(*1) 440182198*********

2-000414SE/2018

2018-09-13

2018-10-05

M

(*2)

C9123****

2-000041TS/2018

2018-09-12

2018-10-23

M M M M M M

(*2) (*3) (*2) (*2) (*2) (*2)

C5433**** EC587**** L0871**** C7072**** C7004**** C8467****

A100959/2018 A100960/2018 A100961/2018 A100958/2018 A100955/2018 A100957/2018

2018-09-12 2018-09-12 2018-09-12 2018-09-12 2018-09-12 2018-09-12

2018-12-05 2018-12-05 2018-12-14 2018-12-05 2018-12-05 2018-12-05

M

(*2)

C5969****

2-000311TY/2018

2018-09-11

2018-10-05

M

(*2)

C1495****

2-000391TU/2018

2018-09-11

2018-11-05

M

(*2)

C0186****

2-000299TM/2018

2018-09-11

2018-11-05

M M M

(*1) 350583195********* (*1) 230107196********* (*1) 310102195*********

2-000315TF/2018 2-000516SA/2018 2-000514SA/2018

2018-09-10 2018-09-10 2018-09-10

2018-11-05 2018-11-05 2018-11-05

F

(*2)

C2873****

2-000513SA/2018

2018-09-10

2018-11-05

F

(*2)

C5936****

2-000512SA/2018

2018-09-10

2018-11-05

M

(*2)

C0004****

2-000332UC/2018

2018-09-09

2018-10-30

M

(*2)

C5936****

2-000413RY/2018

2018-09-09

2018-10-30

F

(*13)

Z778***(*)

2-000352TO/2018

2018-09-09

2018-10-30

M

(*2)

C0961****

2-000351TO/2018

2018-09-09

2018-10-30

M

(*2)

C9180****

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2018-09-08

2018-10-30

M

(*2)

C9529****

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2018-09-08

2018-10-30

M

(*2)

C2531****

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2018-09-08

2018-10-30

M

(*2)

C4589****

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2018-09-08

2018-10-30

M

(*2)

C3549****

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2018-09-08

2018-09-24

F

(*6)

B637****

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2018-09-08

2018-09-24

M

(*2)

c8871****

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2018-09-08

2018-09-24

M

(*2)

C5858****

2-000409SE/2018

2018-09-07

2018-09-24

M

(*1) 211022197*********

2-000408SE/2018

2018-09-07

2018-09-24

M

(*3)

ED291****

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2018-09-07

2018-09-24

M

(*2)

C9176****

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2018-09-07

2018-09-24

M

(*2)

c8704****

2-000179TE/2018

2018-09-07

2018-09-24

M

(*2)

C8960****

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2018-09-07

2018-09-24

M

(*2)

C2934****

2-000450TK/2018

2018-09-07

2018-09-24

M

(*5)

EC434****

2-000398SL/2018

2018-09-06

2018-09-24

M

(*2)

C8081****

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2018-09-06

2018-09-24

M

(*2)

c7072****

2-000484TD/2018

2018-09-06

2018-12-05

M

(*2)

C4085****

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2018-09-06

2018-11-08

F

(*7)

M0483****

2-000284TM/2018

2018-09-06

2018-11-08

M

(*2)

C6347****

2-000298TF/2018

2018-09-05

2018-11-08

李兆濤 LI SIU TO 杨永革 YANG YONGGE 李建堅 LI JIANJIAN 謝振達 易华存 YI, HUACUN 王亚平 壬森 WANG, SEN 万伟中 WAN, WEIZHONG 刘春华 LIU CHUNHUA 袁根紅 YUAN GENHONG 李超 LI CHAO 郭德全 GUO, DEQUAN 华风林 张仁峻 ZHANG RENJUN 滕景华 TENG JINGHUA 朱斌 ZHU BIN 陈家明 CHEN JIAMING 周永增 ZHOU YONGZENG 任波 REN BO 赵虎 ZHAO HU LIM CHON LIANG 陳湘沅 蔡永德 郭美雄 GUO MEIXIONG 黃立军 HUANG LIJUN 罗应彬 LUO YINGBIN 张广胜 ZHANG GUANGSHENG 仲寅 陈波 CHEN BO 陈瑞植 CHEN RUIZHI 袁斯朋 YUAN SIPENG 张春萍 ZHANG CHUNPING 潘海波 PAN HAIBO 刘仕培 LIU SHIPEI 闾广鹏 LYU GUANGPENG 梁玉林 LIANG YULIN 闾浩 LYU HAO 李福林 石武福 周耀華 ZHOU YAOHUA 范強猛 王衛庭 邝永杰 羅亮 李华 LI HUA 何伟 畢萍 张国宾 ZHANG GUOBIN 袁度 高博海 GAO BOHAI 肖石林 XIAO SHILIN 涂繁华 TU FANHUA 段文胜 DUAN WENSHENG 韩军 HAN JUN 俞开峰 YU KAIFENG 容伟政 袁丽汉 丘志 QIU ZHI

M

(*13)

E486***(*)

2-000300TY/2018

2018-09-04

2018-12-05

M

(*2)

c6442****

2-000046UB/2018

2018-09-03

2018-10-23

M

(*2)

w8918****

2-000045UB/2018

2018-09-03

2018-10-23

M

(*1) 440782198*********

2-000395SE/2018

2018-09-03

2018-12-05

M

(*2)

2-000585TV/2018

2018-09-03

2018-12-05

M

(*1) 330521197*********

2-000584TV/2018

2018-09-03

2018-12-05

M

(*2)

C3884****

2-000384SL/2018

2018-09-03

2018-11-07

M

(*3)

E3777****

2-000583TV/2018

2018-09-03

2018-11-07

M

(*2)

C5118****

2-000489SA/2018

2018-09-03

2018-11-07

M

(*2)

E9963****

2-000488SA/2018

2018-09-03

2018-10-23

M

(*2)

c9113****

2-000044UB/2018

2018-09-03

2018-10-23

M

(*3)

E7005****

2-000582TV/2018

2018-09-03

2018-10-23

M

(*1) 330721198*********

2-000043UB/2018

2018-09-03

2018-10-23

M

(*3)

G4099****

2-000581TV/2018

2018-09-03

2018-10-15

F

(*2)

C8283****

A109105/2018

2018-09-03

2018-10-30

M

(*2)

C6844****

2-000486SA/2018

2018-09-03

2018-10-15

M

(*2)

c3107****

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2018-09-03

2018-11-08

M

(*2)

C6847****

2-000485SA/2018

2018-09-03

2018-11-08

M

(*3)

ED731****

2-000484SA/2018

2018-09-03

2018-11-08

M

(*8)

L0662****

2-000040UB/2018

2018-09-03

2018-11-08

M F M

(*11) A3852**** (*1) 430981198********* (*1) 442000198*********

2-000403RY/2018 2-000390SE/2018 2-000391SE/2018

2018-09-03 2018-09-03 2018-09-03

2018-11-08 2018-11-07 2018-12-05

M

(*3)

EB416****

2-000393SE/2018

2018-09-03

2018-12-05

M

(*2)

C8225****

2-000695TP/2018

2018-09-02

2018-11-08

M

(*3)

E7569****

2-000578TV/2018

2018-09-02

2018-11-08

M

(*2)

C4707****

2-000693TP/2018

2018-09-02

2018-11-08

M

(*1) 310102198*********

2-000363SJ/2018

2018-09-02

2018-11-08

M

(*2)

W9476****

2-000692TP/2018

2018-09-02

2018-11-08

M

(*2)

C1408****

2-000362SJ/2018

2018-09-02

2018-10-15

M

(*2)

C5835****

2-000361SJ/2018

2018-09-02

2018-10-15

M

(*2)

C9159****

2-000577TV/2018

2018-09-02

2018-10-15

M

(*3)

G5355****

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2018-09-02

2018-10-15

M

(*2)

C6058****

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2018-09-02

2018-10-15

M

(*2)

C9424****

A100804/2018

2018-09-02

2018-10-05

M

(*2)

C0046****

A100802/2018

2018-09-02

2018-10-05

M

(*2)

C9424****

A100805/2018

2018-09-02

2018-10-05

M M

(*1) 510129195********* (*1) 452127198*********

2-000389SE/2018 2-000385SE/2018

2018-09-01 2018-09-01

2018-11-08 2018-10-15

M

(*2)

C1556****

2-000383SE/2018

2018-09-01

2018-10-15

M M M M

(*1) (*1) (*1) (*1)

360121198********* 441827197********* 440783198********* 362322198*********

2-000381SE/2018 2-000380SE/2018 2-000689TP/2018 2-000379SE/2018

2018-09-01 2018-09-01 2018-09-01 2018-09-01

2018-11-05 2018-11-05 2018-10-15 2018-11-08

M

(*3)

E9635****

2-000320UC/2018

2018-09-01

2018-11-08

M F

(*1) 340104198********* (*13) P135***(*)

2-000314TX/2018 A097457/2018

2018-09-01 2018-09-01

2018-10-30 2018-12-05

M

(*2)

2-000321TZ/2018

2018-08-31

2018-11-08

M

(*1) 430821199*********

2-000480SA/2018

2018-08-31

2018-11-08

M

(*2)

C8801****

2-000479SA/2018

2018-08-31

2018-11-08

M

(*2)

c1781****

2-000444TK/2018

2018-08-31

2018-10-30

M

(*3)

E4248*****

2-000286TF/2018

2018-08-31

2018-10-30

M

(*2)

C0155****

2-000316UC/2018

2018-08-31

2018-10-05

M

(*3)

E1094****

2-000293TY/2018

2018-08-30

2018-09-24

M

(*2)

C4684****

2-000245UD/2018

2018-08-30

2018-10-05

M M

(*1) 440781198********* (*1) 441721198*********

2-000356SJ/2018 2-000355SJ/2018

2018-08-28 2018-08-28

2018-10-05 2018-10-05

M

(*2)

C8152****

2-000153UA/2018

2018-08-28

2018-11-01

F

(*2)

C4341****

2-000240UD/2018

2018-08-28

2018-11-01

M

(*2)

C7341****

A109451/2018

2018-08-28

2018-10-30

F

(*6)

B756****

2-000698TP/2018

2018-09-05

2018-11-08

M

(*13)

P524***(*)

2-000395SL/2018

2018-09-05

2018-11-08

M

(*2)

C8921****

2-000393SL/2018

2018-09-05

2018-11-08

M

(*2)

C7370****

2-000408RY/2018

2018-09-05

2018-10-30

M

(*2)

C9459****

2-000301TY/2018

2018-09-05

2018-12-05

M

(*2)

C1742****

2-000297TF/2018

2018-09-04

2018-12-05

M

(*2)

C7481****

2-000296TF/2018

2018-09-04

2018-12-05

M

(*2)

C6017****

2-000295TF/2018

2018-09-04

2018-12-05

M

(*1) 140113198*********

2-000294TF/2018

2018-09-04

2018-12-05

陈瑞华 CHEN , RUIHUA

M

(*2)

2-000292TF/2018

2018-09-04

2018-11-08

李财源 LI CAIYUAN

C8428****

www. iam.gov.mo

C0945****

C8677****


16 publicidade

19.7.2019 sexta-feira

M

(*1) 230704197*********

2-000442TK/2018

2018-08-28

M

(*2)

2-000381SL/2018

2018-08-28

2018-11-01

M M

(*1) 370829198********* (*1) 440722197*********

2-000380SL/2018 2-000379SL/2018

2018-08-27 2018-08-27

2018-10-05 2018-10-05

M

(*2)

2-000377SL/2018

2018-08-27

2018-10-05

M M

(*1) 440702199********* (*1) 445381199*********

2-000376SL/2018 2-000375SL/2018

2018-08-27 2018-08-27

2018-10-05 2018-10-05

M

(*2)

2-000374SL/2018

2018-08-27

2018-10-10

M

(*1) 440725196*********

2-000373SL/2018

2018-08-27

2018-10-10

M

(*2)

2-000372SL/2018

2018-08-27

2018-11-05

M M

(*1) 440723197********* (*1) 440701194*********

2-000369SL/2018 2-000368SL/2018

2018-08-27 2018-08-27

2018-10-10 2018-10-10

M

(*3)

2-000440TK/2018

2018-08-27

2018-10-30

F M M

(*7) M6314**** (*1) 320105198********* (*1) 441481198*********

2-000284TF/2018 2-000460TD/2018 2-000283TF/2018

2018-08-27 2018-08-26 2018-08-26

2018-10-30 2018-10-10 2018-10-05

M

(*2)

C7823****

2-000151UA/2018

2018-08-25

2018-10-05

M

(*7)

M5003****

2-000308TZ/2018

2018-08-25

2018-10-10

M

(*13)

K128***(*)

2-000307TZ/2018

2018-08-25

2018-10-10

M

(*13)

Z841***(*)

2-000341TL/2018

2018-08-25

2018-10-10

M

(*2)

C6168****

2-000339TL/2018

2018-08-25

2018-10-10

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 325/AI/2019

M

(*2)

C5853****

2-000338TL/2018

2018-08-25

2018-10-09

M

(*2)

C7536****

2-000474SA/2018

2018-08-25

2018-10-05

M

(*2)

C7128****

2-000473SA/2018

2018-08-25

2018-10-05

F

(*2)

C2524****

2-01390WB/2018 Tabela II

2017-11-20

2019-05-28

李钖坚 LI XIJIAN 伍彥霖 鄢祖松 YAN, ZUSONG 张建光 ZHANG JIANGUANG 杜修明 梁计成 吴美华 WU MEIHUA 伍志强 WU ZHIQIANG 鍾鎮幫 叶廣明 YE GUANGMING 周麗英 ZHOU LIYING 张凯凯 ZHANG KAIKAI 叶晋良 區德威 OU DEWEI

M

(*2)

C3592****

A104205/2018

2018-10-02

2018-10-23

M

(*1) 445321199*********

2-000276UD/2018

2018-10-01

2018-12-06

M

(*2)

C0937****

2-000543SA/2018

2018-10-01

2018-12-05

M

(*2)

C5530****

A082291/2018

2018-10-01

2018-10-23

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor WU NAN, portador do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C52421xxx , que na sequência do Auto de Notícia n.° 246/DI-AI/2017, levantado pela DST a 28.10.2017, e por despacho da signatária de 27.06.2019, exarado no Relatório n.° 235/DI/2019, de 27.05.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Pequim n.° 36, Edf. I Chan Kok, 10 .° andar A, Macau onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

M M

(*2) C5735**** (*1) 441701196*********

A100968/2018 2-000342TX/2018

2018-10-01 2018-09-29

2019-01-18 2018-10-23

F

(*2)

C2193****

A101196/2018

2018-09-29

2019-01-18

M

(*2)

C7229****

A107955/2018

2018-09-15

2018-10-05

M

(*1) 440182198*********

2-000413SE/2018

2018-09-13

2019-01-04

M

(*3)

E6436****

2-000397SL/2018

2018-09-05

2018-11-08

F

(*2)

C3567****

2-000392SL/2018

2018-09-05

2018-11-08

M

(*2)

C7164****

2-000302TY/2018

2018-09-05

2018-12-05

M

(*1) 450902198*********

2-000293TF/2018

2018-09-04

2018-12-05

M

(*2)

2-000378SL/2018

2018-08-27

2018-10-05

2018-09-23

2018-12-05

C6617****

C7030****

C0661**** C4838****

e7268****

C7030****

2018-11-01

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 246/AI/2019

吴彥东 王伟东 WANG WEIDONG 房茂垒 甄泽洪 區德威 OU DEWEI 陳鈺華 梁火榮 陳志維 CHEN ZHIWEI 彭偉長 梁志敏 LIANG ZHIMIN 馮小謀 馮啟明 丁天強 DING TIANQIANG LEE HAYUN 杨呜 蓝彬 徐昊 XU HAO LIM HYINJAE 張錦耀 CHEUNG KAM YIU 李煒康 LEE WAI HONG 赵哲 ZHAO ZHE 廖天久 LIAO TIANJIU 沈元忠 SHEN YUANZHONG 胡有康 HU YOUKANG 李桂英

Tabela III 楊时滿 YANG SHIMAN

M

(*2)

TAM KEUNGCHUEN 李維月 洪海波 HONG HAI BO 李洪發 LI HONG FA

M F

(*13) A17**** (*1) 350321197*********

2-01575WB/2018 2-01551WB/2018

2018-09-03 2018-07-10

2018-11-21 2018-11-05

M

(*3)

G4531****

2-01523WB/2018

2018-08-23

2018-11-08

M

(*3)

G0707****

2-01532WB/2018

2018-08-22

2018-11-08

C1098****

2-000528SA/2018 Tabela IV

Tabela V 吴乾树 WU QIANSHU

M

(*2)

C6068****

2-000479TD/2018

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora SHEN YOUZHEN, portadora do Passaporte da RPC n.° E19257xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 260/DI-AI/2017, levantado pela DST a 12.11.2017, e por despacho da signatária de 27.06.2019, exarado no Relatório n.° 192/DI/2019, de 10.06.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.os 297-303, LÁrc Macau, 42.° andar J onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 27 de Junho de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 27 de Junho de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 329/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor GUO SHAOFEI, portador do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C19493xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 216/DI-AI/2017, levantado pela DST a 12.09.2017, e por despacho da signatária de 27.06.2019, exarado no Relatório n.° 237/DI/2019, de 27.05.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade de Sintra n.° 422, Praça Wong Chio, 13.° andar V, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 27 de Junho de 2019.

2018-09-02

2018-10-15

2018-08-02

2018-11-01

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

Tabela VI 黃健偉 WONG KIN WAI Nota:

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(*13)

K195****

2-01539WB/2018

(*1)

Bilhete de Identidade da República Popular da China

(*2)

Salvo-conduto da República Popular da China para deslocação a Hong Kong e Macau

(*3)

Passaporte da República Popular da China

(*4)

Bilhete de Identidade de Trabalhador Não-Residente

(*5)

Passaporte da República das Filipinas

(*6)

Passaporte da República da Indonésia

(*7)

Passaporte da República da Coreia

(*8)

Salvo-conduto de residente de Taiwan para deslocação à China continental

(*9)

Passaporte da República da Índia

(*10)

Passaporte da República Socialista do Vietname

(*11)

Passaporte da Malásia

(*12)

Salvo-conduto para deslocação a Taiwan (era conhecido antes por Salvo-conduto de residente da República Popular da China

para deslocação a Taiwan)

(*13)

Bilhete de Identidade de Hong Kong

(*14)

Passaporte da República do Uganda

www. iam.gov.mo

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 373/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor HUANG QINGSHENG, portador do passaporte da RPC n.° E79999xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 236/DI-AI/2017, levantado pela DST a 13.10.2017, e por despacho da signatária de 27.06.2019, exarado no Relatório n.° 276/DI/2019, de 11.06.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida Olímpica n.° 635, Kings Ville, 7.° andar E, Taipa onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 27 de Junho de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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sexta-feira 19.7.2019

Que rosas fugitivas foste ali!

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Uma aldeia ocupada pelo cinema

Cidade ecrã Rui Filipe Torres*

O 23º Avanca Film Festival está a começar

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EVE lugar a 16 de Julho, no Cine Teatro de Estarreja a conferência de imprensa que deu a conhecer a 23ª edição do AVANCA FILM FESTIVAL, que acontece de 24 a 28 deste mês. Avanca é uma aldeia onde os milenares costumes do trabalho da terra; lavrar, semear, colher, se misturam com a contemporaneidade do cinema do mundo que aqui chega com regularidade anual há 23 anos, afirmando desta forma o cinema enquanto lugar de encontro e mudança, capaz de promover dinâmicas sociais e culturais nos territórios, anular velhas centralidades e periferias, à velocidade dos filmes projetados nos ecrãs do auditório da igreja paroquial de Avanca, do Cine Teatro de Estarreja e nas salas do Cinema Dolce Vita - Ovar. Organizado pelo Cine-Clube de Avanca, com apoio do Município de Estarreja, do ICA - Ministério da Cultura, o Festival tem na relação com o território local, a freguesia de Avanca com 21,5 km2 e 7.000 habitantes, a 6 km de Estarreja, sede do concelho, uma das suas forças identitárias e diferenciadoras.

O festival tem uma abertura inédita, popular e festiva. Inicia-se com banquete recepção aberto aos convidados, imprensa, e organização, a que se segue um percurso nas ruas da aldeia com as centenas de participantes em desfile encabeçado pela banda filarmónica e aplaudido pela população nas janelas, uma procissão cinematográfica, em direção ao auditório da igreja da paróquia onde a cerimónia de abertura tem lugar. Durante aproximadamente uma semana, em Avanca, pensa-se e vive-se o cinema que é feito no mundo. Na edição deste ano estão 84 filmes em competição, produzidos em países dos 5 continentes, dos quais 36 são filmes em estreia mundial. Na apresentação da edição a organização destacou: 1. A primeira competição internacional de cinema VR 360º (Realidade Virtual), num festival de cinema em Portugal

• ALGUMAS DAS OBRAS PRESENTES NA SELEÇÃO OFICIAL “Elvis Walks Home”

Fatmir Koci - Albânia

“Eternal Winter”

Attila Szász - Hungria

“The Bra”

Veit Helmer - Alemanha

“Puppet Master”

Hanna Bergholm - Finlândia

“Taniel”

Garo Berberian - Reino Unido

“Simon Cries”

Sergio Guataquira Sarmiento - Bélgica

“Carnaval sujo”

José Miguel Moreira - Portugal

“Elephantbird”

Masoud Soheili - Afeganistão

“Aquarela”

Al Danuzio - Brasil

“Flutuar”

Artur Serra Araujo - Portugal

“Retiro”

Alejandro Sorin, Miguel Dianda e/and Nicolás Ferrando - Argentina

“Tweet”

Zhanna Bekmambetova - Rússia

“Lola the Living Potato”

Leonid Shmelkov - Rússia

“Tangle”

Malihe Ghloamzadeh - Irão

“Two Ballons”

Mark C. Smith - EUA

“Land”

Alexandra Oliveira - Portugal

“A Tua Vez”

Cláudio Jordão, David Rebordão - Portugal

“Boca do Inferno”

Luís Porto - Portugal

“Magister”

Gustavo dos Santos - Portugal

“A cor em Júlio Resende”

Casimiro Alves - Portugal

“Ciclo”

Tiago Margaça -Portugal

“A menor resistência”

Rafael António Silva Marques - Portugal

“(in)UTILIDADES”

Joaquim Pavão - Portugal

territórios próximos, e os campos de recreio transformados em parque de campismo improvisado. É uma identidade que antecede o festival expressa nas palavras do diretor e fundador do AVANCA FILM FESTIVAL António Costa Valente:

2. O primeiro festival a apoiar a rodagem de novos filmes. Nesta edição arranca pela primeira vez o AVANCA FILM FUND . Trata-se de um fundo financeiro para a produção de cinema no Concelho de Estarreja. 3. O primeiro festival de cinema em Portugal com workshops onde nascem novos filmes (os filmes rodados no festival receberam 57 prémios em festivais de vários países do mundo) 4. O único festival de cinema multigeracional a premiar cineastas com menos de 30 e mais de 60 anos; O único festival de cinema em Portugal com uma regional onde os novos filmes são a expressão de uma dinâmica de produção cinematográfica crescente. O cinema Português tem 7 filmes na competição Internacional, 10 filmes rodados na região, e 32 filmes portugueses nas diversas seções do Festival. Nesta edição, pela segunda vez a FICC - Federação Internacional de Cineclubes incluiu o AVANCA 2019 na lista de festivais de todo o mundo onde é atribuído o Prémio D. Quixote. Um dos pontos fortes do Festival são as Conferências Internacionais Cinema, Arte, Tecnologia, Comunicação que reúne investigadores que apresentam trabalhos sobre cinema na contaminada relação com outras artes, comunicação e tecnologia. Nesta 10ª edição da conferência vão estar investigadores de 16 países, de diversas universidades e centros de investigação, e apresentadas 126 comunicações. Festival de cinema no meio do milho e de vacas leiteiras, com uma identidade que o diferencia resultado não só do lugar onde acontece, a escola secundaria Egas Moniz com as salas de aula transformadas em Oficinas Criativas e workshops, em explosão criativa com equipas a rodar na aldeia e

“Cremos que um projetor e um ecrã não fazem um festival. Tão pouco uma passadeira vermelha, caras conhecidas, filmes em exibição, uns prémios, notícias e fotos. Cremos que copiar é feio e pouco proveito trará. Cremos, portanto, que os festivais não se podem fazer como se de um carimbo se tratasse. Acreditamos que um festival só vale a pena se tiver carácter, profundidade e for motor para algo novo. Acreditamos que vale a pena juntar o gosto e o desejo a um espaço sedutor, onde os mimos e os beijos possam andar no ar. Afinal, trata-se de cinema. Trata-se de uma indústria à sombra das ilusões, do espreitar realidades que nos furam os olhos, de pensamentos transformistas, trespassantes, impudicos. Se o cinema passa por aqui, então um cine festival terá de lhes dar o braço e ser capaz de lhes falar em silêncio. O AVANCA acredita na voragem inconclusiva das fronteiras e as temáticas passam-lhe ao lado. Por isso, todos os filmes podem passar neste festival, desde que se goste... mesmo que magros, gordos, brancos, pretos, coxos, cegos, todos... AVANCA é um espaço livre de olhos nos 360º da vida e da vida fílmica.” AVANCA é assim um festival de cinema que vive a informalidade e o conhecimento, a experimentação e vontade de novo, num trabalho de construção de novos públicos, assente na centralidade do cinema enquanto dispositivo técnico expressivo capaz de pensar e olhar o mundo que a todo momento se reconstrói com o sonhos e cimento do real. Um festival que procura pensar os filmes e com eles, ou através deles, pensar melhor o mundo. * - Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrado em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. O texto não segue o novo acordo ortográfico.


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Folhetim Fernando Sobral

19.7.2019 sexta-feira

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A grande dama do chá

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ÃO era um acaso encontrarem-se ali. Quase todas as tardes, quando o calor começava a acalmar, Ezequiel de Campos ia até junto da Igreja de São Lourenço. Sentava-se defronte da porta e ficava a olhar para os crentes que entravam em busca da salvação e saiam aliviados dos seus pecados. Ao longo dos séculos aquela igreja mudara de estrutura, a madeira transformara-se em pedra, mas a sua missão mantivera-se. Ali esperavam-se, entre rezas, os marinheiros, os que saíam e não sabiam se voltavam. Por alguma razão, também era conhecida pela Igreja dos Ventos de Navegação Calma. Cândido sentou-se ao lado de Ezequiel e ficaram os dois em silêncio, durante largos minutos, a observar a igreja, até que decidiram ir em busca de um local mais aprazível para conversar. Apanharam um riquexó, que os levou até ao Hotel Central. Entraram numa sala ampla, cheia de cadeiras e mesas, onde, num palco, actuava uma orquestra filipina. Tocava tangos e rumbas, algo que parecia agradar à clientela, feita de chineses e ocidentais. Entre os corpos, o fumo esvoaçava como se fosse uma nuvem em movimento constante. Ali discutiam-se negócios, alguns deles não muito claros. Por esses dias o dinheiro circulava em Macau de forma abundante. Ninguém queria saber de onde vinha, nem para onde ia. Muitos daqueles homens dedicavam-se a vender produtos para a China que não estava sob ameaça das tropas japonesas. Outros já pensavam nos negócios que poderiam fazer com os soldados do Sol Nascente. Ezequiel e Cândido sentaram numa mesa recatada, junto a uma parede, de onde podiam observar toda a sala. Alguns casais mais jovens dançavam, mas a maioria dos homens que ali estavam acompanhados por raparigas chinesas e russas, estavam mais interessados em estabelecer contactos e fazer negócios. Pediram gin fresco. Ezequiel olhou à volta e cumprimentou um chinês, muito elegante no seu fato cinzento claro. Este fez uma vénia. - É um conhecimento de há pouco tempo. No comércio temos de obedecer mais a interesses do que a princípios. Cândido respondeu: - Não duvido. Mas os princípios, às vezes, são uma boa defesa para nos defendermos do que não conhecemos. Ezequiel fez um esgar. - A minha mulher, às vezes, diz-me o mesmo. Por causa dos nossos filhos. - Tens filhos? - Sim. Fez um ar espantado, antes de dizer: - Ah, julgavas que a Marina Kaplan era a minha mulher. Não. Sou casado. A Marina é, digamos, o meu lado lunar. O que está escondido da Macau que vemos de

dia e que só existe na penumbra. Quase todos aqui têm máscaras. Não te espantes comigo. Só assim se mantêm as aparências. Toda a cidade funciona desta forma, mesmo para quem não o quer. Isso é muito português, não é? E também é muito chinês. Ezequiel voltou a dar um gole no gin. - Era o que estava a precisar! Meu caro Cândido, és a pessoa que eu conheço que mais deseja estar sempre noutro lugar. Como se cada lugar te sufoque. Se calhar é por isso que o saxofone e o jazz sirvam para te libertares. Para praticares a arte da fuga constante. Continua a ser um saltimbanco que se consegue divertir neste mundo. Fazes bem. Procura o que é a vida. Eu já não tenho muitas ilusões. Fez uma pausa, antes de continuar: - Nunca foste às corridas de cavalos, no Jockey Club? - Nunca. - Deverias ir. Para veres que o jogo e as apostas ainda são a forma de algumas pessoas conseguirem libertar-se um pouco desta vida. A esperança nunca foi uma boa conselheira. Apenas disfarça o medo. Repara, quer a esperança, quer o medo,

levam-nos quase sempre a colocarmos o nosso presente e o nosso futuro nas mãos de outros. Viste isso na Igreja de São Lourenço. Por isso gosto de lá ir. É por isso que muitos apostam nos japoneses. Outros nos ingleses. E, os mais sensatos, nos cavalos. Cândido moveu-se na cadeira. - O que é que te preocupa, meu caro músico? O que é que os portugueses vão fazer se a guerra chegar aqui? O que sempre fazem. Adaptam-se e procuram sobreviver. A maioria será neutral, à espera que os outros tomem decisões. - Estamos cansados, Ezequiel. - Há muito que o estamos. Já leste alguma vez “Os Lusíadas” do Luís da Camões? - Um pouco. Não todo. - Fazes mal. Está lá tudo. Houve um tempo em que alguns deuses se tornaram homens e estes se transformaram em deuses. Isto porque os portugueses avançaram pelos mares que os deuses tinham reservado para seu deleite. Puseram em causa as regras até aí existentes. Na Ilha dos Amores, um lugar imaginado por Camões, os marinheiros portugueses encontram as ninfas e o amor e o sexo quebram o muro

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entre os dois mundos. Os portugueses conseguem algo nunca alcançado e tornam-se, de alguma maneira, deuses. - Foi um sonho. - Foi a realidade. Mas, ao tornarem-se deuses, amoleceram. Outros vieram bater à porta do paraíso depois de, também eles, caminharem pelos mares. Holandeses, franceses, ingleses. E nós perdemo-nos nos nossos sonhos. Vê o que resta do nosso império material. Vai naufragando devagarinho. Isso enquanto Portugal fica cada vez mais pequenino. Vamos saindo de lá às carradas. Porque somos estrangeiros dentro dele. E somos tratados como pessoas que não pertencemos aquela faixa estreita de terra. Desde a Ilha dos Amores que andamos a tentar perceber o que somos. - Que visão catastrofista, meu caro Ezequiel. Merece mais dois copos de gin. Fez sinal a um dos empregados para trazer mais duas bebidas. Depois voltou a ouvir Ezequiel dizer: - A realidade é uma invenção do Diabo. Mas agora temos também de nos defrontarmos com a realidade. Não podemos ficar indiferentes face ao que se passa na China. Afinal, a vida é um lugar de constantes provas. Onde nos salvamos ou perecemos. Ficamos esperançados porque, no fim, todos sabemos que não há futuro. Cândido suspirou. E depois disse: - E tu? Que pensas fazer? - Eu? Sempre me achei um capitão de um veleiro. Navego consoante as marés e as ondas, o bom tempo e as tempestades. Não me posso queixar. - E a Marina? - Sabe a minha vida. Não é algo que a preocupe. É um pouco como eu. No fim recordamos sempre o que amamos e o que odiamos. Sabes, Cândido, deixei de acreditar no inferno quando tinha 15 anos. O meu pai deixou a minha mãe e desapareceu. Nunca mais o vi. Depois, passados uns meses, a minha mãe deixou-me em casa de uma tia e disse-me “até logo”. Nunca mais a vi. O que é o inferno? Eu vivi-o. Assim, porque é que eu não posso dizer mentiras, se para mim já não há inferno? As mentiras são necessárias, porque as pessoas são seres simples. Na pista, muitos casais continuavam a dançar ao som da música da orquestra filipina. Não era pior do que a Benny Spade Orchestra. Muito provavelmente nunca tinham tocado no Ciro’s de Xangai. Talvez não levasse as coisas tão a sério, tal como as pessoas que ali estavam. Eram formas diferentes de ver e de viver a vida. E, às vezes, ficava com dúvidas sobre quem tinha razão. Ezequiel de Campos tinha os olhos fixos nele. Talvez estivesse a perceber o que ele estava a pensar. Porque esse fora um assunto que o preocupara há muitos anos. Mas que agora era irrelevante.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 19

MADONNA PAINTING BY HECTOR MONROY

sexta-feira 19.7.2019

plano de corte José Navarro de Andrade

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AIS uma dessas atiçadas excitações microcósmicas varre alguns quadrantes das redes sociais ao dar conta que uma agência disponibilizava um bilhete para o concerto da Sra. D. Madonna Ciccone (nenhum parentesco com Maria de Nazaré, a suposta detentora original do título “Madonna”) pelo estratosférico preço de €8.999. O sarau da famosa cançonetista decorrerá em Janeiro no Coliseu dos Recreios onde dantes se iam ver palhaços e funâmbulos e os ingressos postos inicialmente à venda importavam no intervalo entre €75 (suficiente para um jantar 2 pax no belíssimo “Ruvida” ou no estimulante “Izcalli Antojeria”, ali ao fundo da rua) e €400 (equivalente ao pacote de 3 dias em Istambul segundo o site da Agência Abreu) pelo que “se evaporaram” em meia-hora, no pitoresco dizer de um repórter excitado com a fortuna da freguesa das Janelas Verdes como se ela também lhe tocasse. Seja dado conta que €8.999 chegam e sobram para um vôo ida-e-volta Lisboa - Nova Iorque em classe Executiva, 2 lugares na “Orchestra Central” para a “La Boheme” no Met, 3 noites num quarto decente no Plaza e ceia no selecto “La Grenouille”, sendo que nestes dois últimos casos o problema são as reservas. Ainda vão nos primórdios as manifestações de escrúpulo devidas às 9 mil mocas, mas se tudo correr como costuma é de prever que lá para o fim da manhã, por volta do 60º comentário, a indignidade deste custo seja ilustrada pelo cotejo com o ordenado de um cirurgião que salva vidas e alguém virá recordar dilaceradamente que neste mundo há crianças com fome ou cães abandonados, para alargar a compaixão à esfera mais ecuménica dos sencientes. Isto é prado fértil para delíquios morais e lugares-comuns que pouco trazem senão a sensação de bem-aventurança a quem os verte. É consensual que as coisas devem ter um preço justo. O problema é que a ideia de “justo” espatifa-se logo à primeira tentativa de lhe dar um valor, tema muito debatido e não tanto resolvido entre os arúspices das várias superstições e credos da economia. Justo para quem? Para o que se acha no direito de usufruir de um bem-posto fora do seu alcance? Para aquele que investiu trabalho e capital e espera um retorno na medida que lhe pareça correcta? O que é um preço especulativo? A que bens e concomitantes preços se podem aplicar as punições ao “dumping” ou ao abuso de posição dominante? Em boa verdade isto vai tudo da maneira como se quer gastar o dinheiro que se tem ou que se gostaria de ter para gastar. Está, pois, dependente dessa noção terrível que é o “gosto”.

Santa Madonna do gosto Terrível porque o gosto é imperturbável e discricionário. Não sendo inteligente, nem estando certo, nem por isso deixa de ter alguma prudência o provérbio “gostos não se discutem.” Ora um módico de razão permite entender que nada é mais discutível do que o gosto. Mas quem se encanta com as músicas de Tony Carreira, ou de André Rieu, ou ainda e mudando de praticamente de planeta, de Thomas Adès à melhor lamentará quem lhe conteste a preferência como vítima do “mau gosto”, ou desdenhá-lo-á enquanto “rasca” ou “snob” consoante a inclinação.

O gosto funciona, portanto, como uma mónada que do exterior só aceita alimento. De modo que uma discussão em torno dele ele ou é instantaneamente consensual ou redunda num círculo vicioso que estrebucha e se abespinha na dependência de vários factores retóricos, nenhum deles a argumentação. O caso desta Madonna é bastante ilustrativo. Aparentemente as suas efusões são levadas a sério não só pelos cultos que todos dizem ser, mas também por um bom punhado dos que têm reputação pública de cultos. Ou seja entre admiradores que noutros âmbitos recipro-

O caso desta Madonna é bastante ilustrativo. Aparentemente as suas efusões são levadas a sério não só pelos cultos que todos dizem ser, mas também por um bom punhado dos que têm reputação pública de cultos

camente se tratam de “pirosos” há uma convergência na apreciação. Uns usam-na para dar ao pé ou para testar alto e bom som a estereofonia instalada no automóvel. Mas outros, os circunspectos, dão-lhe a atenção devida a um “fenómeno cultural.” E assim é que na pose e nos trejeitos espampanantes da vedeta vêm um estilo disruptivo, nos seus dizeres pedestres entendem substância política, na batida quadrada das suas canções de 4 acordes ouvem um pulsar orgânico e a exuberância de meios dos espectáculos dela espanta-os pela grandeza estética. Não faltam, portanto, argumentos para atribuir génio a Madonna. Ou melhor, podem-se convocar os argumentos que apetecer porque só uma coisa os valida: a autoridade de quem os profere. E esta reside na anuência dos pares desse locutor e no concomitante desagrado dos seus bons inimigos. É tudo uma questão de gosto, sem outra razão que seja.


DENIS SARAZHIN

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tonalidades António de Castro Caeiro

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nossa relação com o corpo é uma relação também com o nosso ambiente, com a humidade, a temperatura, a alimentação sólida e líquida, a nossa exposição às águas que nos banham ou que bebemos, o ar que respiramos e que nos envolve, os sítios que habitamos e que nos são familiares e nos acolhem. Também temos biorritmos diferentes ao longo do dia. As horas do dia (ao romper da aurora e ao nascer do dia, de manhã, à hora do almoço, à tarde, à tardinha, ao pôr do sol e ao crepúsculo, de noite) projectam sobre o nosso corpo, alma e vida tonalidades diferentes, modos de estar físico e somático diferentes, sujeitam-nos a estados de espírito também diferentes. As horas do dia, como as estações do ano, as idades da vida influenciam o meio ambiente, influenciam-nos a

19.7.2019 sexta-feira

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Umwelt nós, influenciam a relação que temos com o meio ambiente. Somos no meio ambiente diferentes ao longo das horas do dia. Do mesmo modo que nos sentimos diferentes num dia cinzento e num dia de sol, também somos diferentes ao longo das horas do dia, de dia e de noite. Há assim uma relação complexa entre os humores, bílis negra, amarela, fleuma e sangue e as disposições do Thumos. Há um nexo psicofisiológico e uma relação

4 psicossomática no interior do próprio corpo que só é possível havendo uma psicologização do soma e uma somatização da psychê. É possível indagar deste facto não apenas em episódios e de forma avulsa, mas também diacronicamente. Há uma interacção complexa entre o grande ano da vida e as idades da vida, o ano meteorológico e as estações do ano, cada dia e as horas do dia. As idades da vida, as estações do ano, estão ligadas a curto, médio e longo prazos.

Somos no meio ambiente diferentes ao longo das horas do dia. Do mesmo modo que nos sentimos diferentes num dia cinzento e num dia de sol, também somos diferentes ao longo das horas do dia, de dia e de noite

Mas como se dá a ligação entre as horas do dia e o meio ambiente e as horas do dia e nós? Como se dá a ligação entre as estações do ano e o meio ambiente? Como se dá a ligação entre as estações do ano e nós? Como se dá a ligação entre a passagem dos anos e as estações do ano e o meio ambiente e a ligação entre a passagem dos anos e cada um de nós ao longo de uma vida? Há uma correlação complexa tal que o humano é o meio ambiente, o humano é a idade da vida. É do interior ou do plano de fundo do ano que se estabelecem fronteiras entre as estações do ano, as horas do dia e as idades da vida e que é isso que influencia o meio e o humano, a relação complexa saudável e nociva implica uma exposição do humano ao ano que finda. O humano está distendido no espaço, à escala universal e encontra-se distribuído num tempo que é o ano da vida.


desporto 21

sexta-feira 19.7.2019

O

AUTOMOBILISMO RISCOS DE VELOCIDADES MÁXIMAS DA F3 DIVIDEM OPINIÕES

Velocidade furiosa

A confirmação do uso da última geração de monolugares na Taça do Mundo FIA de Fórmula 3 do 66º Grande Prémio de Macau, a que se seguiu o anúncio que a Federação Internacional do Automóvel (FIA) se prepara para mexer em alguns pontos estratégicos do Circuito da Guia a nível da segurança, atiçou novamente a conversa sobre as velocidades que estes pequenos carros de corrida irão atingir

Euro2020 Estádio Algarve recebe jogo de qualificação Portugal-Lituânia

O Estádio Algarve vai receber o encontro entre as selecções de Portugal e Lituânia, em Novembro, relativo ao grupo B de apuramento para o Euro2020, anunciou ontem a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no seu site oficial. A partida diante dos lituanos, a sétima e penúltima da selecção nacional na fase de qualificação, está agendada para dia 14 de Novembro. Este será o 10.º jogo que a ‘equipa das quinas’ vai disputar no Estádio Algarve, onde somou seis vitórias e três empates nos nove encontros que ali realizou, sendo que o último ocorreu em Setembro de 2018, num particular frente à Croácia (1-1).

MAX FEWTRELL

S novos carros têm um sistema DRS, a sigla inglesa para o sistema de redução de arrasto. Este sistema é visto na Fórmula 1 desde 2011 e existe com o propósito de facilitar ultrapassagens, através da redução do arrasto aerodinâmico durante um curto espaço de tempo e numa zona particular da pista. Pela primeira vez este ano, o regulamento do Grande Prémio de Macau de F3 abre a porta para o uso deste equipamento que tornará os carros ainda mais rápidos, em velocidade de ponta, apesar da FIA não ter ainda comunicado como e se este sistema será mesmo utilizado. O vencedor do ano passado, Dan Ticktum, sem beneficiar do cone de aspiração, foi cronometrado a 267km/h antes da travagem para a Curva do Lisboa. Os F3 actuais atingem velocidades de cerca de 280km/h nos circuitos convencionais, tendo superado a barreira dos 300km/h em Monza. O anterior monolugar pesava cerca de 580kg, menos cento e dez quilogramas que o actual, o que, para quem entender as leis da física, dá um momento linear superior em 33,7 por cento. O brutal acidente de Sophia Flörsch o ano passado continua bem presente em todos intervenientes. Frits van Amersfoort, o chefe da equipa por quem Flörsch conduziu em 2018, lembrou, em entrevista à revista inglesa Autosport, que “Barry Bland [ex-co-coordenador do Grande Prémio de Macau de F3] introduziu os carros de F3 em Macau em 1983. Na altura, era uma excelente ideia, mas não nos podemos esquecer que esses primeiros carros de F3 tinham restritores de ar de 24 milímetros e 190 cavalos de potência.Agora vão correr com mais de 300 cavalos. Será sensato fazê-lo?” Trevor Carlin, co-proprietário da equipa Carlin, a equipa por quem o português António Félix da Costa venceu o Grande Prémio, partilha o mesmo desassossego, como revelou à publicação britânica. “Estou ligeiramente preocupado com as velocidades, porque a velocidade máxima irá ser imensa”, afirmou o inglês, que acrescentou que “pelo que ouvi, eles (a FIA) fizeram simulações e

Benfica Venda de bilhetes de época fecha com recorde de 45 mil lugares

dizem que está tudo bem. Mas claro, eles obviamente nunca estiveram ao pé do Mandarim ou do Lisboa.”

PILOTOS TRANQUILOS

Curiosamente, ao contrário da chefe de equipa, os pilotos estão mais tranquilos. Questionado sobre a perigosidade do Circuito da Guia numa sessão de perguntas e respostas com os fãs que antecedeu a ronda britânica do Campeonato FIA de Fórmula 3, no passado fim-de-semana, Jack Hughes, piloto que terminou em quarto lugar na pretérita edição da corrida,

garantiu que “pessoalmente não acho que seja mais perigoso. Macau é perigoso, ponto final. É e sempre há-de ser. Eu não penso que a FIA vá tirar esse factor.” Para o piloto inglês, conhecedor como poucos das diferenças entre as duas gerações de carros, “as velo-

cidades não serão assim tão mais elevadas com o novo chassis Dallara. Com o carro anterior já eram de 270km/h. Não será uma diferença enorme, apenas na primeira curva. Na montanha as velocidades atingidas não serão muito diferentes.” O jovem piloto de Macau Leong Hon Chio,

Pela primeira vez este ano, o regulamento do Grande Prémio de Macau de F3 abre a porta para o uso do sistema DRS que tornará os carros ainda mais rápidos, em velocidade de ponta

que continua a trabalhar para fazer parte do lote restrito de 30 pilotos que correrão na edição deste ano da prova e que se estreou na categoria o ano transacto, em declarações ao HM, diz que “não acredita” que haja uma escalada dos riscos e reconhece que, em princípio, “estará tudo bem”. Para o piloto da RAEM, se os “Fórmula 1 correm no Mónaco, os novos F3 devem ser bons em Macau.” Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

O Benfica encerrou a venda de bilhetes de época antes do início da mesma, com um recorde de vendas e renovações que atingiu os 45.000 lugares, revelou ontem o clube. “Pela primeira vez as vendas e renovações fecharam antes do começo de 2019/20, visto que foram garantidos mais de 45 mil ‘red pass’ [a designação dos ‘encarnados’ para os bilhetes de época] para a nova temporada”, assinala o Benfica, lembrando os 43 mil da anterior época. O clube lembra que, e tendo em conta a lotação do Estádio da Luz, um pouco acima dos 65 mil lugares, que durante a época futebolística será dada “prioridade aos sócios do Benfica” na aquisição de bilhetes. Nesta época que se inicia, de 2019/20, o ‘red pass’ inclui não só os jogos da I Liga, mas também da Taça de Portugal e Taça da Liga, além do jogo de apresentação, diante do Anderlecht, que já se realizou.


22 (f)utilidades

19.7.2019 sexta-feira

?

Diariamente

EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” Casas Museu da Taipa | Até 22/09

VIDA DE CÃO

43

EXPOSIÇÃO | “CABEÇAS FELIZES” Praça Jorge Álvares | Até 15/08

5 7

EXPOSIÇÃO | “DE HOLLYWOOD AO MÓNACO”” Galaxy Macau | Até 28/08

EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM

1 2

ESPECTÁCULO | FUERZA BRUTA WAYRA MGM Theatre | Até 4 de Agosto

6 5 7 0 4 3 8 1 2 9

9 2 4 1 8 7 5 0 6 3

3 8 0 2 9 6 7 4 1 5

Cineteatro 45 9 7 8 2 3 6 0 4 5 1

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1 7 9 4 0 5 3 2 8 6

SALA 2

Michael Miu 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

4 3 8 6 2 1 9 5 0 7

2 1 5 9 7 0 4 6 3 8

7 9 6 5 3 2 1 8 4 0

0 4 3 8 6 9 2 7 5 1

8 0 1 7 5 4 6 3 9 2

C I N E M A

1 9 5 6 8 4 2 0 7 3

1 2 5 8 3 0 7 6 6 4 3 7 9 8 4 5 5 9 6 0 TOY STORY 4 [A] FALADO 2EM CANTONENSE 3 1 4 Um filme de: Josh Cooley 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 4 7 2 3 9 2 THE8 WHITE6 STORM 2 DRUG LORDS [C] FALADO EM CANTONENSE 0 1 8 9 LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Herman Yau 0 1 Com: 7 Andy Lau,5 Louis Koo, SALA 1

5 6 2 3 1 8 0 9 7 4 7 0 2 3 6 8 5 1 9 4 0 1 9 2 8 5 6 7 4 3

6 1 9 7 0 3 8 5 4 2

5 2 0 9 4 1 6 3 8 7

8 4 7 5 9 2 1 6 3 0

3 8 1 4 7 0 9 2 6 5

2 6 3 0 5 7 4 8 1 9

7 4 3 6 9 5 8 9 4 2 0 2 1 5 8 1 0 6 7TOY STORY 3 4 3 7 2 1 4 SCHINCHAN 2019 [B] 8CRAYON 0 9 7 FALADO 6 EM CANTONENSE Um filme de: Herman Yau 9Com: Masakazu 5 Hashimoto 8 0 1 14.30, 19.15 4SPIDER-MAN: 1 5FAR FROM 3 HOME 0 [B] Um filme de: Jon Watts 6Com: Tom3Holland,7 2 5 L. Jackson, 2 Samuel 9Gyllenhaal, 4 8 6 Jake SALA 3

Zandaya 16.30, 21.15

9 3 0

4 8 3 7

EXPOSIÇÃO | “ENCONTRO INESPERADOS” City of Dreams | Até 31/08

43

SIM, SOMOS PARTE DA CHINA

AGORA SOU EU 44 6 2 5 0 1 7 9 3 4 8

1 9 4 3 0 8 5 6 7 2

8 3 9 6 2 4 0 1 5 7

3 0 1 5 8 0

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6 2 7 1 0 9

7 0 4 7

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6

0 1

6 5 9 4 8 0 1

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Em Manila, nas Filipinas, sabe sempre bem um mergulho, principalmente depois de uma chuvada. Ainda para mais quando escolas estão fechadas devido à passagem da tempestade tropical Danas

7 5 8 1 6 3 2 0 9 4

2 4 0 7 5 9 6 8 3 1

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 44

4 7 6 9 3 5 1 2 8 0

3 1 2 4 8 0 7 5 6 9

0 8 7 2 4 6 3 9 1 5

5 6 1 8 9 2 4 7 0 3

9 0 3 5 7 1 8 4 2 6

46

5 4 PODCAST 3 7 8 2 1 HOJE 9 0 6 UM 9 0 8 5 2 6 7 3 6 2 9 3 1 4 8 0 Em versão de crónica quase diária, os1jornalistas 7 6 Virginia 0 4 Heffernan, 5 9 2 León Krauze e Yascha Mounk 4 1 2 8 0 3 5 6 criaram um podcast onde falam sobre 0 6o fenómeno 5 9 7da 8ascensão 4 1 de Donald Trump à presidência 7 Estados 9 1 Unidos 6 3 e0sobre 2 a4 dos sua administração. Os pivots 3 5 4 1 6 7 0 de8 Trumpcast – programa radiofónico 8 web 3 – 7conversam 2 9 com 1 repór6 5 via teres, 2 8historiadores, 0 4 5 psiquiatras 9 3 7

e outros especialistas para tentar explicar quem é este homem e o que está a acontecer ao seu país. São já perto de 500 “episódios” 5 ouvir 7 9por8temas 2 na 0 página 3 1 para da2Slate, onde estão já os últimos 4 1 6 3 9 7 5 escândalos da amizade de Trump 6 Jeffrey 0 4 Epstein. 7 5 Raquel 8 2Moz3 com

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3 1 0 9 4 7 8

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5 4 6 3

8 5 2 9 7 3 1 8 4 6 0 1 5 2 9 3 6 0 2www. 3 5

hojemacau. com.mo

1 7 8 9 3 5 2 4 6

4 5 3 7 2 8 9 0 1

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PROBLEMA 45

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6 5 2 8

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3 8 9 0 1 5 7 2 0 0 4 5 3 3 7 2 4

S U D O K U

O QUE FAZER ESTA SEMANA

AARON FAVILA AP

TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 27 MAX 33 HUM 70-95% • EURO 9.03 BAHT 0.26 YUAN 1.17

Ai44Weiwei esteve num conhecido festival1de música em2Portugal, 4 o NOS 5 Alive. Andou por lá na zona VIP, viu 2 9 publicou4fotografias 7 concertos, no 6 Instagram e9 falou à RTP sobre a actual 7 situação que se vive em Hong Kong. 7 9 4chinês Contudo, talvez1o dissidente se 1 tenha0equivocado algumas 6 5em 3 8 das 9 suas palavras, talvez devido às boas 7 8 que3 por 9 lá5passavam. 0 2 sonoridades Macau e Hong Kong sempre fizeram 2 6 1 7 parte da China, mas tinham as suas 1 próprias administrações. Depois9da transição 4 7 destes territórios, 3 8continuam 0 a fazer parte da China, mas supostamente2 mantém a1sua0autonomia 3 financeira e política até às datas que foram decididas pelos governantes na46 altura, ou seja, 2049 para Macau, 2047 para Hong Kong. Portanto, caro 3 8 2 9 Ai Weiwei, Macau e Hong Kong 5 2 um 6 território 7 1 nunca 0 serão Taiwan, que nasceu independente e que hoje 6 3 8 vive diplomaticamente isolado, ainda 7 6 deseje que Taiwan seja 2 8 que Xi Jinping como Macau e Hong Kong. A génese é 4 1 9 diferente e sim, Macau e Hong Kong já 0 são 6 parte da China. A essência é 3 outra: é saber de que forma é que são 9 1 4 5 parte da China. Será que são parte da 3 respeitando 1 o que foi acordado 0 China nos anos 80? Ou será que são 3 2 9 1 6parte da 4 China unicamente como o Governo 0que sejam? 5 9É nisto 7 Central quer que vale a pena reflectir. Andreia Sofia Silva

0 7 1 2

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8 ONLINE 2 0 MAGAZINE 3 TRUMPCAST | SLATE 8 4 7 0

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9 8 3 0 4 1 3 5 4 9

6 4 8 0 9 1 0 4 1 6 7 9 6 2 5 0 4 8 9 7 6 2 3 5 7 5 8 4 2 3 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota 8 Colaboradores 3 0 7Amélia1Vieira;6António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 4 Fonseca; 1 9Valério8Romão 5 Colunistas 2 António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista 1 6 4 9 0 7Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária

de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 23

sexta-feira 19.7.2019

um grito no deserto

N

A crise em Hong Kong

O dia 1 deste mês, fiquei no Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau a acompanhar um familiar e, por isso, não pude ir a Hong Kong assistir à manifestação de 1 de Julho, como costumo fazer. Só consegui testemunhar as dramáticas mudanças que estão a acontecer na cidade através da televisão. Fiquei esgotado, fisíca e psicologicamente, ao ponto de não ter conseguido escrever o artigo dessa semana, pelo que apresento as minhas desculpas. Os confrontos entre os manifestantes e a polícia que então se verificaram não diminuiram de intensidade, antes pelo contrário aumentaram nos dias seguintes. Os distúrbios irromperam em vários distritos e a animosidade entre manifestantes e a polícia foi subindo de tom. Quando as questões políticas não se resolvem nos locais próprios, o divisionismo no seio da sociedade de Hong Kong aumenta de dia para dia. Se o princípio da responsabilização dos funcionários superiores fosse observado, a Chefe do Executivo, Carrie Lam, assumiria a culpa e demitir-se-ia, porque ela é a responsável pela crise social que se vive na cidade. As suas afirmações sobre a “morte” da revisão da lei, não significam que a revisão seja definitivamente “abolida”. Por outro lado, sem a criação de uma comissão de inquérito independente ao comportamento da polícia os conflitos sociais não irão diminuir. No entanto, o Governo de Hong Kong não deu qualquer resposta positiva a esta questão tão clara com a qual poderia ter aliviado as tensões sociais. Se Carrie Lam tivesse anunciado oficialmente a abolição da revisão da Lei de Extradição, tivesse criado uma “comissão de inquérito independente” e tivesse designado o antigo Secretário da Justiça Andrew Kwok-nang Li, do Supremo Tribunal, para chefe da comissão, acredito que a tensão começaria imediatamente a diminuir e haveria boas hipóteses de cura das feridas causadas por toda esta divisão social. Até agora, quem é que mostrou não ter vontade de resolver a crise de Hong Kong? Quem é que está a transformar Hong Kong num palco de luta de gladiadores? Quem é que está a arrastar Hong Kong para uma crise política, pondo em causa o conceito “um país, dois sistemas”? A política é uma arte, embora não seja uma arte marcial e, como tal, não se determina quem perde e quem ganha através do uso da violência. Os chineses têm um ditado que

CARNIVAL AT HUEJOTZINGO, JOSÉ CHÁVEZ MORADO

PAUL CHAN WAI CHI

diz “é possível chegar ao poder através da violência, mas não se pode usar a violência para governar um país”. Não se pode negar a competência a a eficácia administrativa de Carrie Lam, mas ela deixa-se muitas vezes cegar pela "arrogância e pelo preconceito" ao ponto de não conseguir aceitar as opiniões das outras pessoas. Sempre que discursa, ou faz declarações públicas, as suas palavras produzem o efeito oposto do esperado. Este facto demonstra que ela se encontra num estado de confusão e que deixa transparecer as suas emoções secretas por entre as frases que pronuncia. Não serve de nada continuar a pedir-lhe que resolva os problemas que foram criados. Os rumores recentes

Se a crise de Hong Kong se continuar a agravar, os habitantes de Hong Kong e o conceito “um país, dois sistemas” vão sofrer sérios danos. Lucrarão com esta crise serão aqueles que por ela foram responsáveis

sobre a possibilidade da declaração da “lei marcial” em certos distritos de Hong Kong não são infundamentados. Se a situação se deteriorar, sera possível vir a declara a lei marcial na cidade inteira, que é a última coisa que as pessoas esperam. A questão que se coloca é porque é que não foi avançada até agora nenhuma solução para resolver a crise? As acções do Governo e da polícia dão frequentemente a sensação de que não sabem como sair deste dilema. A forma de sair da crise deveria ter sido pensada a partir da identificação atempada dos seus sinais, lidando com as questões e resolvendo-as, ao invés de ter permitido a criação de uma bola de neve impossível de ser travada. A análise das medidas de contigência tomadas pela polícia na manifestação de 1 de Julho, quando os manifestantes irromperam pelo edifício do Conselho Legislativo, e das acções da polícia no New Town Plaza Mall, em Sha Tin, a 14 de Julho, levou algumas pessoas a suspeitar de que há quem pretenda colocar os manifestantes e os agentes numa posição difícil, de forma a deixar tudo fora de controle. Deng Xiaoping propôs o conceito de "um país, dois sistemas" aquando da transferância de soberania de Hong Kong

Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

e Macau, para também vir a ser aplicado em Taiwan, com o objectivo de conseguir uma reunificação pacifíca da China. Em Macau, a aplicação deste conceito trouxe prosperidade económica através da liberalização dos direitos do jogo e da política de “turismo de visto individual”. O "Plano de Comparticipação Pecuniária no Desenvolvimento Económico” de Macau pode silenciar temporariamente a insatisfação, mas esta “gaiola dourada” não é uma opção para os habitantes de Hong Kong. Quando as reformas constitucionais falharam em Hong Kong, em 2014, as autoridades competentes não se aproveitaram do rescaldo do “Movimento dos Chapéus de Chuva” para apresentarem uma nova proposta reformista. A arrogância daqueles que detêm o poder e a ineficácia de quem os rodeia são responsáveis pela actual situação de Hong Kong. Se a aplicação do conceito "um país, dois sistemas” falhar completamente em Hong Kong", vai ser muito difícil a sua implementação em Taiwan. Se a crise de Hong Kong se continuar a agravar, os habitantes de Hong Kong e o conceito "um país, dois sistemas" vão sofrer sérios danos. Lucrarão com esta crise serão aqueles que por ela foram responsáveis.


“Demasiado estranho para viver, demasiado raro para morrer.” Hunter S. Thompson

FOTOGRAFIA UM SÉCULO DE MACAU INSPIRA EXPOSIÇÃO NA CASA GARDEN

M

PUB

ACAU acolhe, na próxima quarta-feira, uma exposição com mais de 150 imagens que ilustram um século da história do antigo enclave português, entre 1844 e a década de 1940. Depois de passar pelo Museu do Oriente, em Lisboa, a exposição “Macau: 100 Anos de Fotografia” chega à Casa Garden para abordar a história social e política daquele território que esteve sob administração portuguesa durante 450 anos. “Trata-se de uma mostra documental sobre a evolução da cidade, os seus costumes e tradições, a vivência das comunidades e alguns acontecimentos marcantes na história de Macau”, refere a Fundação Oriente, em comunicado. Comissariada por Rogério Beltrão Coelho, jornalista que trabalhou em Macau, a exposição reúne imagens do acervo do Museu do Oriente, mas conta com contributos do Museu Francês de Fotografia, do Museu Militar do Porto e de particulares. Além das imagens colhidas pelo fotógrafo amador francês Jules Itier em 1844 - que são as mais antigas conhecidas imagens da região - a mostra presta homenagem a Man Fok, “que pode ser considerado, em Macau, o maior fotógrafo chinês do final do século XIX”, indicou a organização. Outra figura em destaque é José Neves Catela (19021951), que foi, durante 25 anos, a partir de 1925, ano em que chegou ao território, “o fotógrafo português de Macau”, segundo a Fundação Oriente. Neste sentido, estarão em destaque alguns dos “mais importantes fotógrafos chineses, portugueses e de outras nacionalidades” que, ao longo daquele período, “fizeram de Macau tema das suas fotografias, incluindo profissionais sedeados em Hong Kong”. “Macau: 100 Anos de Fotografia” inaugura na quarta-feira, às 18h30 e estará patente até 21 de Setembro.

Horror em Quioto Suspeito de incêndio que matou 33 pessoas gritou “vocês vão morrer”

O

suspeito do incêndio que devastou um estúdio de animação em Quioto e matou pelo menos 33 pessoas gritou “vocês vão morrer” e derramou um líquido inflamável, estando agora sob vigilância policial. De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), o oficial do departamento de bombeiros de Quioto, Kazuhiro Hayashi, confirmou as 33 mortes e acrescentou que outras 36 pessoas ficaram feridas, 10 das quais estão em estado grave. Hayashi disse que os bombeiros encontraram o maior número de vítimas no último andar do prédio de três andares, incluindo alguns que estavam nas escadas que levavam

ao telhado. Dois dos mortos foram encontrados no primeiro andar, 11 no segundo andar e 20 no terceiro andar. De acordo com a imprensa japonesa, o suposto incendiário é um homem de 41 anos, que também ficou ferido no incêndio e hospitalizado. Os meios de comunicação japoneses relataram que o suspeito teria ateado fogo na porta da frente, forçando as pessoas a encontrarem outras saídas e retardando a sua fuga. Este incêndio foi o mais mortífero desde 2001, quando um outro incêndio matou 44 pessoas no distrito de entretenimento de Kabukicho, em Tóquio. Segundo a agência de notícias Efe, fontes policiais disseram que o suspeito já admitiu a culpa nos acontecimentos.

"Testemunhas disseram que ouviram explosões no primeiro andar da Kyoto Animation e viram fumo", segundo os bombeiros. "Ouvi duas explosões altas", disse um homem no canal público japonês NHK. "Ele (o suspeito de atear o incêndio) disse: vocês vão morrer”, de acordo com outro testemunho. O incêndio aparentemente começou por volta das 9h30 da manhã de Macau, neste edifício, onde são produzidas séries de animação de televisão de sucesso. Cerca de 35 camiões de bombeiros e outros veículos foram enviados para o local. A Kyoto Animation é uma empresa que produz desenhos animados, cria personagens, projecta e vende produtos derivados de sua série de ‘manga’(um tipo de banda desenhada com origem no Japão), incluindo Munto, Lucky Star, Melancolia de Haruhi Suzumiya e K-On! A empresa, que também inclui uma escola de animação, tem dois prédios de estúdios (incluindo um que foi incendiado) e está sediada em Quioto, no centro-sul do Japão. A companhia tem cerca de 160 funcionários. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, lamentou ontem as vítimas do incêndio em Quioto. "Eu expresso minhas condolências (…) e rezo pela mais rápida recuperação possível daqueles que ficaram feridos", escreveu Abe numa mensagem publicada no Twitter

Notre Dame Segurança demorou 30 minutos a chamar bombeiros

U

M alegado erro do pessoal responsável pela segurança atrasou a chamada dos bombeiros em 30 minutos para o incêndio que ocorreu na catedral de Notre Dame, em Paris, divulgou ontem o jornal The New York Times. Segundo o jornal, que garante ter efectuado várias entrevistas e que analisou centenas de documentos, o primeiro alerta de “fogo” surgiu no painel de controlo do monumento às 18h18 locais, no dia 15 de Abril. O alerta levou o funcionário da segurança a entrar em contacto, através de um intercomunicador, com um guarda para verificar a situação, mas este foi para um local errado e, em vez de verificar o estado da cobertura da

catedral, como deveria, foi verificar a cobertura de um edifício adjacente, a sacristia. Este erro, que o jornal diz não se saber se foi o resultado de confusão na interpretação do painel de controlo, ou se o guarda não percebeu bem o local para onde ir, levou a pensar inicialmente que se tratava de um falso alarme. Finalmente, 25 minutos depois de ter sido descartado o incêndio, uma das pessoas encarregadas das instalações deu a ordem para se ir investigar o estado da cobertura da catedral, “uma margem de tempo durante a qual o fogo havia avançado muito rapidamente”, numa zona com muita madeira antiga. O New York Times também aponta que

sexta-feira 19.7.2019

PALAVRA DO DIA

Notre Dame "esteve mais perto do colapso do que as pessoas sabem", e apontou a bravura e dedicação dos bombeiros como decisivas para que o monumento, de 850 anos de idade, pudesse ser salvo. "O facto de Notre Dame ainda estar em pé deve-se apenas aos enormes riscos que os bombeiros correram na terceira e quarta hora do incêndio”, disse o jornal. Quando os bombeiros chegaram, perto das 19h, em Paris, a catedral já estava tomada pelas chamas. "É como começar uma corrida de 400 metros várias dezenas de metros atrás", disse o vice-director do Corpo de Bombeiros de Paris, Jean-Marie Gontier, ao Times.

IÉMEN “PRINCÍPIO DE ACORDO” PARA RESTABELECER AJUDA ALIMENTAR

O

chefe do Programa Alimentar Mundial (PAM) afirmou ontem ter chegado a um “princípio de acordo” para restabelecer a ajuda total a partes do Iémen controladas por rebeldes, depois da suspensão no mês passado. O director-executivo da agência alimentar das Nações Unidas (ONU), David Beasley, disse ontem ao Conselho de Segurança ter um acordo ainda não assinado, garantindo que “muitos progressos têm sido feitos”, mas não revelando detalhes acerca do pacto. Quando assinado, este acordo vai permitir ao PAM levar, dentro de dias, comida para a capital do Iémen, Sanaa, controlada pelos Huthis desde 2014.Asuspensão parcial da ajuda começou no fim do mês passado, depois de acusações de que os rebeldes estariam a desviar comida do povo faminto, num país à beira da inanição. Dois terços dos 30 milhões de pessoas que vivem no país “estão em situação de insegurança alimentar”, apontou David Beasley. O comissário da ONU enviado ao Iémen, Martin Griffiths, falou de uma “situação humanitária catastrófica que está a piorar”. A suspensão da ajuda alimentar afecta 850 mil pessoas em Sanaa, onde o PAM diz que é onde a maior parte dos saques ocorrem, apesar dos rebeldes Huthis negarem a acusação. “Não passa um dia que não pense no impacto que a suspensão alimentar possa ter”, admitiu David Beasley, pedindo desculpa às pessoas de Sanaa e de todo o Iémen pela situação. Apesar da suspensão, Beasley relatou ao concelho que o PAM aumentou, no último mês, o número de iemenitas apoiados, de 10,6 milhões para 11,3 milhões.

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Hoje Macau 19 JUL 2019 # 4334  

N.º 4334 de 19 de JUL de 2019

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