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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

HOJE MACAU

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

TAÇA DO MUNDO GT

Guia sim, amadores não

SUBCONCESSÕES

Deputado contra hipocrisia instalada

MOP$10

hojemacau CENTRO HISTÓRICO INFESTADO DE APARELHOS

Lei pelos ares Os aparelhos de ar condicionado mostram-se sem vergonha por todo o Centro Histórico, apesar de proibidos pela lei.

PÁGINA 6 ANTÓNIO FALCÃO

PÁGINA 8

ACTIVISMO POLÍTICO NA RAEM O ESTADO DO SÍTIO GRANDE PLANO

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ÚLTIMA

QUARTA-FEIRA 19 DE JULHO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3857


2 grande plano

ACTIVISMO POLÍTICO CONSTRANGIMENTOS E SILÊNCIO NA RAEM DESDE 2014

Juventude Dinâmica “Há um retrocesso no ambiente político”

C

hegou a ser liderada pela jovem Winkie Kuan, mas esta decidiu sair da presidência da Juventude Dinâmica de Macau para dar mais atenção à família. Esse papel cabe a Lei Kuok Keong, também ligado à ANM. Esta associação que, em 2014, participou na realização do referendo civil, mantém um papel activo nas redes sociais, mas o seu líder não ousa afirmar que há “um retrocesso no ambiente político de Macau”. “Não vemos futuro quanto à possibilidade de implementar um sistema mais democrático, com a eleição por sufrágio universal do Chefe do Executivo e dos deputados.” Há pressões, constrangimentos, receios do que poderá advir de uma acção de rua. “Qualquer tipo de actividade é hoje mais difícil de se realizar, devido ao ambiente político que se vive. Há ainda a falta de atenção e consciência por parte dos jovens”, apontou Lei Kuok Keong. A ausência da Juventude Dinâmica dos protestos do 1.º de Maio deveu-se não apenas à tentativa de não politizar a iniciativa, mas também pela falta de apoios. “A maioria dos nossos membros não estava em Macau e tivemos muitas dificuldades de mobilizar e organizar pessoas”, explicou. Todos os activistas de Macau “sofrem diferentes pressões” neste momento. “Há uns que têm medo e noutros casos a própria família tem medo. Macau é muito pequeno e quem participa em acções políticas sofre consequências”, acrescentou. O presidente da Juventude Dinâmica chama ainda a atenção para o facto de poucas associações do campo pró-democrata terem, de facto, capacidade para eleger deputados. “Muitos deputados mais velhos vão sair este ano, mas isso não significa que os mais jovens consigam ser eleitos, apenas quem pertence a um pequeno circulo”, remata.

SOFIA MARGARIDA MOTA

19.7.2017 quarta-feira

REDEA CURTA ´

É hoje mais difícil ser activista político em Macau do que era há quatro anos, quando o novo Executivo de Chui Sai On assumiu funções. Há menos associações no activo e nem os protestos do 1.º de Maio tiveram a expressão de outros tempos. Académicos e activistas falam de uma sensação de medo, da existência de avisos directos e do esforço para controlar um contágio vindo de Hong Kong

E

M 2014 Macau teve o maior protesto de que há memória. Milhares de pessoas invadiram as ruas e o jardim perto da Assembleia Legislativa (AL) para lutar contra a proposta de lei do regime de garantias. Nesse mesmo ano, três associações do campo pró-democrata juntaram-se para organizar um referendo civil sobre a eleição do Chefe do Executivo. Quatro anos depois, o activismo político, que nunca teve em Macau a mesma dimensão que tem em Hong Kong, registou

uma quebra. Há muito que não se conhece qualquer iniciativa da associação Tri-Decade Action Union e é sabido que quase todos os membros da Juventude Dinâmica de Macau pertencem também à Associação Novo Macau (ANM), cuja liderança só ficará definida depois das eleições, quando Scott Chiang decidir, ou não, permanecer como presidente. Bill Chou, antigo docente da Universidade de Macau (UM), envolvido num polémico caso de suspensão, chegou a ser activista ao lado da ANM. Hoje garante


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quarta-feira 19.7.2017

Jason Chao “Eleger um deputado será decisivo para a ANM”

F

que é mais difícil defender causas políticas na RAEM. “O activismo político em Macau não está tão activo como estava há quatro anos. As autoridades estão mais preparadas para recorrer ao litígio para capturar os activistas”, disse ao HM. “Alguns activistas podem ter medo, enquanto outros podem ser apenas mais tácticos”, acrescentou. Questionado sobre as actividades das poucas associações de cariz político, Bill Chou afirma que a “Tri-Decade Action Union já não é considerada pelos seus apoiantes para ter um papel efectivo na

mobilização ao voto”. Quanto à Juventude Dinâmica, “foi absorvida pela ANM”, defende. Eric Sautedé, académico na área da ciência política e ex-docente da Universidade de São José, considera que “os movimentos sociais e políticos independentes, oriundos das associações tradicionais, de alguma forma enfraqueceram ou falharam no recrutamento de sangue novo nos últimos dois anos”. As mudanças que a ANM sofreu desde as eleições de 2013 – a separação face aos deputados Ng

Kuok Cheong e Au Kam San e a liderança indefinida são alguns exemplos – explicam, para Eric Sautedé, as alterações nos restantes grupos. “As tensões com a ANM podem explicar, parcialmente, o estado das coisas, porque todos estes movimentos estão interligados.” “Houve uma verdadeira renovação e as eleições legislativas de 2013 foram traumatizantes para a ANM, tendo gerado uma crise de orientação e de sucessão. A Tri-Decade Action Union sempre foi um truque e uma ferramenta útil para dividir o campo pró-democrata. A maioria dos membros da Juventude

Dinâmica de Macau pertence à ANM”, adiantou Sautedé. Além disso, o académico defende que “as associações mais tradicionais ou patrióticas, sobretudo as que têm camadas jovens, têm sido muito activas no recrutamento, e os subsídios que têm recebido do Governo ajudou-as a desenvolver esse trabalho de inscrição”.

SOU KA HOU E POUCO MAIS

Bill Chou dá outra razão para a diminuição das acções do campo pró-democrata: a maior atenção Continua na página seguinte

oi presidente da ANM e chegou a atirar aviões de papel dentro da Assembleia Legislativa como forma de protesto. Hoje, Jason Chao coordena o website “Project Just Macau” e não tem dúvidas de que tudo está mais difícil. “Na última década as pessoas começaram a falar. Mas é do conhecimento geral que as pessoas de Macau, no geral, são apáticas em relação à política”, começa por dizer. Jason Chao diz preocupar-se com uma “ausência de valores” face ao bom desempenho da economia. Nada mais parece interessar. “A luta por uma democracia genuína está cada vez mais difícil, tanto em Hong Kong, como em Macau. No passado olhávamos para Hong Kong como um modelo de progresso do desenvolvimento político. O que está a acontecer é que Hong Kong está a seguir os passos de Macau no que diz respeito ao autoritarismo. À medida que a China vai diminuindo as liberdades em Hong Kong, vejo menos possibilidades de existir liberdade em Macau num curto espaço de tempo”, explicou. Quatro anos depois há um maior “constrangimento do espaço individual e da liberdade política em Macau”. As diversas detenções de activistas e uma “baixa tolerância do Governo em relação ao discurso dissidente” contribuíram para que haja “um ambiente mais severo ao nível do desenvolvimento da sociedade civil”. Jason Chao nota diferenças até na cobertura que os media locais têm dado às actividades do campo pró-democrata. “A cobertura dos media das actividades de associações como aANM tem diminuído desde 2014.” O ex-presidente da ANM considera que a Tri-Decade Union tinha apenas como objectivo eleger um deputado e terá perdido o rumo. Quanto ao futuro da ANM, as eleições legislativas de Setembro serão decisivas. “Apesar de Ng Kuok Cheong afirmar que continua a ser membro da ANM, ele transferiu todas as suas responsabilidades políticas para a nova associação. Obter pelo menos um assento na AL será decisivo para a sobrevivência da ANM”, defendeu.


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TIAGO ALCÂNTARA

19.7.2017 quarta-feira

bretudo desde que tem sido dada maior atenção às questões sociais.” Ainda assim, o ex-docente da USJ não tem dúvidas: “Há cada vez menos espaço para movimentos autónomos e independentes em Macau”. “Infelizmente, sem surpresa, Macau está a seguir uma tendência restritiva que se tem verificado na China nos últimos cinco anos. Há

“Os activistas têm medo e têm sofrido pressões. Macau é uma comunidade pequena e todos se conhecem, e a confrontação, que era vista como algo ‘impróprio’, é agora vista como pressão política.” ERIC SAUTEDÉ ACADÉMICO

GONÇALO LOBO PINHEIRO

GONÇALO LOBO PINHEIRO

que o Governo tem dado às questões sociais depois da polémica com o regime de garantias. Igual ideia tem Eric Sautedé. “Com a mudança de Governo em 2014, o crescimento do descontentamento da população, que culminou com o protesto de Maio de 2014, gerou alguma atenção e houve alguma estabilidade, so-

esperança em figuras como Sou Ka Hou (candidato às eleições ao lado de Paul Chan Wai Chi), mas há muita responsabilidade a recair nos ombros de poucas individualidades”, disse ainda.

A INFLUÊNCIA DE HONG KONG

Numa altura em que quatro deputados do campo pró-democrata

“Os movimentos políticos estão, na sua maioria, dependentes das iniciativas das pessoas. As pessoas de Macau têm medo de agir.” BILL CHOU ACADÉMICO

de Hong Kong acabam de ser suspensos do Conselho Legislativo (LegCo) por não terem respeitado o juramento no arranque da legislatura, o hemiciclo local discute a possibilidade de proibir os deputados de levarem cartazes para os plenários. Há, de facto, uma ligação entre o que está a acontecer na região vizinha e o apaziguamento do activismo político em Macau? Bill Chou não soma directamente os dois factores. “Há uma ligação muito limitada. Os movimentos políticos estão, na sua maioria, dependentes das iniciativas das pessoas. As pessoas de Macau têm medo de agir”, considerou o docente. Eric Sautedé lembra o caso denunciado pelo professor Hao Zhidong, da UM, para afirmar que, além de Hong Kong, a situação de Taiwan representa um exemplo de influência ou tentativa de castração do contágio dos movimentos pró-democracia. Ainda assim, o docente chama a atenção para o marasmo da sociedade civil. “As bases destes movimentos são apenas uma parte da equação: onde estão os jornalistas, os professores universitários e os advogados a apoiar estes movimentos? Para onde foram? Dentro das fileiras dos profissionais dos sectores liberais, mesmo os ‘suspeitos habituais’, os mesmos de há 15 anos, têm-se tornado menos desafiantes e argumentativos.” “Acredito que os activistas têm medo e têm sofrido pressões. Macau é uma comunidade pequena e todos se conhecem, e a confrontação, que era vista como algo ‘impróprio’, é agora vista como pressão política. As pessoas têm vindo a receber avisos directos com potenciais consequências”, conclui Eric Sautedé. Do lado dos activistas, Jason Chao, ex-presidente da ANM, considera que as duas regiões “têm um destino semelhante”. “Além da diferença em termos de maturidade da sociedade civil, as populações dos dois territórios vivem com o mesmo sistema e ambiente político”, acrescentou. Lei Kuok Keong, presidente da Juventude Dinâmica de Macau, considera que Macau pode retirar “mensagens importantes” dos movimentos ocorridos ali ao lado. Já Isaac Tong, fundador da Tri-Decade Action Union, acredita que a relação é quase nula ou “fraca”. “A maior parte das pessoas de Macau não gosta dos activistas de Hong Kong e dos seus movimentos.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Tri-Decade Action Union “Não está activa, mas ainda existe”

I

saac Tong ajudou a fundar a associação Tri-Decade Action Union, que “não está no activo, mas ainda existe”. Desde 2014 que não realiza qualquer actividade, uma vez que muitos dos seus membros saíram. Questionado sobre o actual panorama do activismo político, Isaac Tong considera-o “fragmentado e individualizado”. “Ainda temos liberdade de expressão, de apresentar petições, uma oportunidade para chamarmos a atenção. Mas a maioria dos activistas não consegue obter financiamento suficiente. É fácil ser-se activista mas é difícil movermo-nos e sermos bem-sucedidos.” O fundador da associação acredita que os activistas “não têm medo e são corajosos”, mas são poucos. Isaac explica que muitos dos membros desta associação “estão focados nas suas carreiras”. “Ainda nos preocupamos com questões públicas e ainda temos como ideal transformar Macau num lugar melhor. Mas neste momento não temos tempo para organizar actividades.” A realidade é dura e ser activista em Macau do campo pró-democrata não é fácil. “Para mantermos a nossa família temos de trabalhar. Se és um funcionário público, é melhor cortar a relação com uma associação política, a não ser que seja do campo pró-China. Se começares um negócio, tens de lidar com o Governo. Mesmo numa PME o teu patrão não vai gostar se tiveres uma actividade política. A realidade é cruel e se é difícil manter um equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, é ainda mais difícil obter um equilíbrio disso tudo com a política, no campo pró-democrata”, considera Isaac Tong.


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quarta-feira 19.7.2017

HSBC LIFE (INTERNATIONAL) LIMITED MACAU BRANCH - BALANÇO EM 31/12/2016 ACTIVO - IMOBILIZAÇÕES INCORPÓREAS (LÍQUIDAS) - IMOBILIZAÇÕES CORPÓREAS (LÍQUIDAS) . Computadores . (Reintegrações acumuladas) - IMOBILIZAÇÕES FINANCEIRAS . De valores livres - Obrigações - Flutuação de títulos de crédito . Valores afectos às provisões técnicas - próprios - Depósitos a prazo - Titulos - Outros - Flutuação de títulos de crédito - PARTICIPAÇÃO DOS RESSEGURADORES NAS PROVISÕES MATEMÁTICAS . De seguro directo - DEVEDORES GERAIS . Resseguradores . Segurados . Outros - PRÉMIOS EM COBRANÇA -ACRÉSCIMOS E DIFERIMENTOS . Juros a receber - DEPÓSITOS EM INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO . Em moeda local - Depósitos à ordem . Em moeda externa - Depósitos à ordem PASSIVO E SITUAÇÃO LÍQUIDA - PASSIVO - PROVISÕES MATEMÁTICAS . De seguro directo - PROVISÕES PARA SINISTROS A PAGAR . De seguro directo - CREDORES GERAIS . Subsidiarias colegas . Resseguradores . Segurados . Outros - COMISSÕES A PAGAR - FUNDOS DOS SEGURADOS DEPOSITADOS - RECEITAS ANTECIPADAS

Patacas Totais

Sub-totais

618,817 (618,817)

CONTA DE EXPLORAÇÃO (RAMODO VIDA) DO EXERCÍCIO - CONTA- DE EXPLORAÇÃO (RAMO VIDA) EXERCÍCIO DE 2016 DE - 2016 -

19,232,901 330,692 161,831,143 916,758,814

1,154,566,151

9,157,570

9,157,570

32,340 7,328,652 670,695 1,650,043

8,031,687 1,650,043

Despesas gerais - Despesas -gerais

5,899,617

5,899,617

Encargos diversos - Encargos -diversos

15,471,923 13,497,136

28,969,059 1,208,274,127 Totais

- Total do Activo Sub-totais

27,415

1,011,590,396

122,433 189,978 3,200 925,369

- Total do Passivo

5,075,805 7,500,000 230,733,009

- Total do Passivo e da Situação Líquida

Totais

CRÉDITOCRÉDITO - Prémios brutos - Prémios brutos De seguro directo . De seguro. directo decedido resseguro cedido - Proveitos -deProveitos resseguro De seguro directo . De seguro. directo . Comissões. Comissões

Vida e Rendas

1,240,980 62,410 88,552,877 1,444,552 1,102,891,215

5,075,805 238,233,009 (99,436,970) (38,488,932) 105,382,912 1,208,274,127

Vida e Rendas

Contas gerais

Contas gerais

Sub-totais Sub-totais

28,394,57728,394,577

Patacas

Totais

Totais

28,394,57728,394,577 -

814,016 204,360 139,266

814,016 204,360 139,266

1,157,642 1,157,642

1,157,642 1,157,642

1,402,033 1,402,033 11,088,15411,088,154 10,845,74410,845,744 38,010,89738,010,897

61,346,82861,346,828

61,346,82861,346,828

8,025,137 8,025,137

8,025,137 8,025,137

464,963

464,963 464,963 100,222,589100,222,589

29,407,61229,407,612

29,407,61229,407,612

-

833,442

7,902,083 7,902,083

123,054

123,054

Totais 99,634,57299,634,572

464,963 588,017

464,963 588,017

28,068 162,347

28,068 162,347

992,408

992,408

464,963

833,442

28,394,57728,394,577

833,442

29,407,61229,407,612

servicos prestados - Proveitos -deProveitos servicosde prestados De fundos gestão dos fundos . De gestão.dos privados deprivados pensões de pensões Proveitos inorgânicos - Proveitos -inorgânicos . Financeiros . Financeiros - Prejuízo de exploração - Prejuízo de exploração Totais

Patacas

833,442

. Indemnizações . Indemnizações Redução das provisões para sinistros - Redução- das provisões para sinistros . De seguro directo . De seguro directo

1,011,562,981

- Total da Situação Líquida

Provisões matemáticas - Provisões-matemáticas De seguro directo . De seguro. directo - Comissões- Comissões . De seguro directo . De seguro directo decedido resseguro cedido - Encargos -deEncargos resseguro De seguro directo . De seguro. directo .Prémios cedidos .Prémios cedidos .Redução dasmatemáticas provisões matemáticas (r.c.) .Redução das provisões (r.c.) .Reduções daspara provisões para sinistros (r.c.) .Reduções das provisões sinistros (r.c.) - Indemnizações brutas - Indemnizações brutas De seguro directo . De seguro. directo .Morte do segurado .Morte do segurado .Resgate de.Resgate apólicesde apólices .Dividendos.Dividendos a seguradosa segurados .Vencimento .Vencimento de apólicesde apólices

51,667,488 4,745,113

- SITUAÇÃO LÍQUIDA - FLUTUAÇÃO DE VALORES . De títulos - SEDE . Fundo de estabelecimento . Conta-geral - RESULTADOS TRANSITADOS - RESULTADOS LÍQUIDOS (depois de impostos)

DÉBITO DÉBITO

25,056 25,056 (2,482,557)(2,482,557) 588,017 588,017

190,415

190,415

190,415

992,408

992,408

992,408

992,408

3,045,518 3,045,518 28,097,70428,097,704 38,488,93238,488,932

28,097,70428,097,704 38,488,93238,488,932 100,222,589100,222,589

- CONTA DE GANHOS PERDAS DO EXERCÍCIO - CONTA DE GANHOS E PERDASEDO EXERCÍCIO DE 2016 - DE 2016 ResultadosResultados líquidos líquidos - Prejuízo - Prejuízo - Lucro - Lucro - De exploração - De exploração - De exploração 38,488,93238,488,932 - De exploração - Provisãocomplementar p/imposto complementar de rendimentos - Provisão p/imposto de rendimentos Resultados líquidos (lucro final) Resultados líquidosfinal) (prejuízo final) - Resultados líquidos (lucro final) - Resultados líquidos (prejuízo Totais 38,488,93238,488,932 Totais Totais

ContabilistaContabilista

Gerente

Patacas

Patacas -

Totais

Gerente

HSBC Life (International) Limited - Sucursal de Macau RESTRICTED Extracto de relatório da actividade ano 2016 A Sucursal de Macau iniciou as suas operações em 1 de Janeiro de 2003 e proporciona serviços respeitantes aos seguros de vida. Os prémios brutos de 2016 da Sucursal foram de MOP29.407.612 e, nesse ano, a Sucursal registou um prejuízo de MOP38.488.932.

PARA A GERÊNCIA DA HSBC LIFE (INTERNATIONAL) LIMITED – SUCURSAL DE MACAU As demonstrações financeiras resumidas anexas da HSBC Life (International) Limited – Sucursal de Macau (a “Sucursal”) referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2016 resultam das demonstrações financeiras auditadas e dos registos contabilísticos da Sucursal referentes ao exercício findo naquela data. Estas demonstrações financeiras resumidas, as quais compreendem o balanço em 31 de Dezembro de 2016 e a demonstração dos resultados do exercício findo naquela data, são da responsabilidade da Gerência da Sucursal. A nossa responsabilidade consiste em expressar uma opinião, unicamente endereçada a V. Exas, enquanto Gerência, sobre se as demonstrações financeiras resumidas são consistentes,

em todos os aspetos materiais, com as demonstrações finanRESTRICTED RESTRICTED ceiras auditadas e sem qualquer outra finalidade. Não assumimos responsabilidade nem aceitamos obrigações perante terceiros pelo conteúdo deste relatório.

Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspetos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sucursal.

Auditámos as demonstrações financeiras da Sucursal referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2016 de acordo com as Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria emitidas pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau e expressámos a nossa opinião sem reservas sobre estas demonstrações financeiras, em relatório datado de 31 de Março de 2017.

Para uma melhor compreensão da posição financeira da Sucursal e dos resultados das suas operações, e do âmbito da nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas em conjunto com as demonstrações financeiras auditadas e com o respetivo relatório do auditor independente.

As demonstrações financeiras auditadas compreendem o balanço em 31 de Dezembro de 2016, a demonstração dos resultados, a demonstração do resultado integral, a demonstração das alterações no capital próprio e a demonstração dos fluxos de caixa do exercício findo naquela data, e um resumo das principais políticas contabilísticas e outras notas explicativas.

Cheung Pui Peng Grace Auditor de Contas PricewaterhouseCoopers Macau, 27 de Junho de 2017

-

38,488,93238,488,932 38,488,93238,488,932

Nora Chio Nora Chio

Lal Manglani Lal Manglani

RELATÓRIO DO AUDITOR INDEPENDENTE SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDAS

833,442

190,415

3,045,518 3,045,518 28,072,64828,072,648 40,971,48940,971,489 Totais 99,634,57299,634,572

833,442


6 política

19.7.2017 quarta-feira

SEGURANÇA WONG SIO CHAK NÃO COMENTA PAUSA DA UBER

O

secretário para a Segurança prefere não comentar a decisão da Uber, que esta semana anunciou uma suspensão das operações em Macau. Questionado sobre a posição adoptada pela empresa norte-americana, Wong Sio Chak não deu uma resposta directa. “A minha satisfação é quando toda a gente cumpre as leis. Essa é a minha atitude”, respondeu, citado pelo canal chinês da Rádio Macau. O governante também não fez considerações sobre o eventual sucesso das forças policiais, que poderá ter estado na origem da marcha atrás feita pela Uber, atendendo ao elevado volume de multas que terão sido aplicadas aos condutores ao serviço da empresa. “Qualquer indivíduo que não cumpra a lei tem de sair”, limitou-se a dizer. Nas declarações aos jornalistas, Wong Sio Chak anunciou que vai rever os mecanismos para a obtenção de vídeos captados pelos sistemas de vigilância dos edifícios privados. O objectivo é ajudar a polícia nas investigações, com benefícios para a população em geral, defendeu o secretário. O governante admite que existem problemas nesta matéria e promete que vai estudar medidas para evitar incómodos aos residentes. O presidente da Associação de Administração de Propriedades de Macau, Paulo Tse, recordou que os vídeos em questão pertencem aos condomínios, pelo que a polícia só pode obter as gravações quando reunida a autorização dos proprietários das fracções em causa. Paulo Tse diz que os proprietários esperam que haja um mecanismo claro para a obtenção destes vídeos. O secretário para a Segurança admite que já aconteceram situações em que foram detectadas dificuldades na recolha das gravações, garantindo então que vai analisar o problema. Wong Sio Chak não deixou, contudo, de pedir aos residentes que apoiem os trabalhos da polícia, uma vez que se pretende apenas resolver os casos em questão.

CASINOS NG KUOK CHEONG DEFENDE FIM DAS SUBCONCESSÕES

Jogo às claras

São três mas, em termos práticos, são seis. Ng Kuok Cheong defende que o Governo não deve, no futuro, autorizar a existência de subconcessões na principal indústria do território. O deputado quer que o Executivo comece já a explicar o que tem em mente. Não está sozinho no pedido que faz

U

M planeamento rigoroso e atempado. É esta a exigência de Ng Kuok Cheong em relação aos concursos que aí vêm para o sector do jogo.As actuais concessões terminam em 2020 e em 2022. O deputado entende que se trata de uma excelente oportunidade para corrigir o que está mal e deixa algumas ideias numa interpelação escrita enviada ao Executivo. Um dos aspectos que, para o pró-democrata, merece reflexão é o número de concessões. À semelhança do que tem vindo a ser defendido por vários especialistas na matéria, também Ng pensa que é necessário acabar com situações híbridas. Na missiva enviada ao Governo, o deputado recorda que

o número de licenças de jogo é de apenas três, mas a figura das subconcessões deu origem a que outras tantas operadoras tivessem entrado no mercado. Atendendo ao actual contexto, Ng Kuok Cheong defende o fim das subconcessões e pergunta se o Executivo equaciona alterar a legislação. O pró-democrata gostaria também que a população pudesse ter um papel mais activo na definição do futuro do jogo. Assim sendo, sugere a participação dos residentes através de uma consulta pública sobre as contrapartidas que devem ser exigidas às futuras operadoras, para que o Governo possa reflectir e incluir ideias nos cadernos de encargos das concessionárias.

Para Ng, deve aproveitar-se todo este processo para garantir que vai ser dado um novo impulso à diversificação do tecido económico de Macau. É ainda defensor de que os residentes devem ser os primeiros nas listas de contratações, e mostra preocupações em relação à protecção ambiental e à responsabilidade social.

OS LOCAIS PRIMEIRO

Também a Associação de Estudos Sintético Social de Macau (AESSM) tem estado a pensar no futuro do motor económico do território. Os membros deste movimento consideram que os futuros concursos para a concessão de licenças de jogo são um momento que deve ser apro-

veitado para resolver problemas existentes no sector, sendo que é igualmente uma oportunidade para “não deixar, de novo, os cidadãos desiludidos”. Kot Man Kam, presidente da AESSM, refere num texto publicado no Jornal do Cidadão que, aquando do processo de liberalização da indústria do jogo, em 2002, os residentes ficaram sem perceber por que razão foram atribuídas três concessões e se abriu a porta a outras três subconcessões. Tendo em conta o que acontece na prática neste momento, Kot Man Lam é do entendimento de que devem ser criadas pelo menos seis concessões, mantendo-se assim o número de operadoras. O presidente da associação afasta uma diminuição do número de actores no sector, alertando para consequências ao nível económico e do mercado laboral, que poderiam ter repercussões em termos de estabilidade social. A AESSM não repudia a possibilidade de se ir além das seis operadoras, mas aconselha prudência neste aspecto, propondo que se tome como referência as soluções adoptadas noutras jurisdições. O Governo deve analisar as propostas que receber a pensar no desenvolvimento de Macau a longo prazo, aconselha, e deve também ponderar a possibilidade de dar primazia às empresas locais.

DAR E RECEBER

No processo de revisão das concessões do jogo, as operadoras do sector devem ter um papel mais activo na satisfação das necessidades decorrentes do desenvolvimento de Macau, observa também a associação de Kot Man Lam. A AESSM propõe ainda que os casinos tenham funções sociais de maior relevo em relação ao seu universo de funcionários. Devem ser as empresas a garantir habitações, devem criar sistemas de formação e de ascensão profissional para os residentes, disponibilizar serviços de creches para os filhos dos trabalhadores e centros de serviços para idosos. O objectivo é ajudar a resolver as dificuldades com que se deparam os funcionários. Kot Man Lam manifesta ainda algumas preocupações em relação à segurança, sugerindo ao Governo um reforço do sistema de vigilância nos casinos para que se evitem crimes e irregularidades. O Executivo deve reforçar a execução da legislação aplicável aos promotores do jogo, para evitar infracções nos casinos. Vítor Ng (com Isabel Castro) info@hojemacau.com.mo


política 7

quarta-feira 19.7.2017

GOVERNO DIZ DEFENDER TRABALHADORES LOCAIS DE MEIA-IDADE

Contra a discriminação laboral

A

Relações de Trabalho confere a igualdade no acesso ao emprego, “em condições não discriminatórias”. Aliás, a réplica assinada por Wong Chi Hong, responsável máximo pela DSAL, especifica as punições legais para os empregadores que incorrerem em tratamento discriminatório de forma

injustificada. A legislação prevê a aplicação de multas entre as 20 mil e as 50 mil patacas por cada trabalhador vítima de discriminação laboral. Outro dos cavalos de batalha de Ella Lei prende-se com o recurso dos empregadores a trabalhadores não residentes. Nesse aspecto,

Wong Chi Hong refere que este tipo de mão-de-obra visa “somente suprir a falta, ou insuficiência, de recursos humanos locais”. O director assegura que dentro desta prioridade na contratação de recursos locais estão incluídos indivíduos de meia-idade. Os não residentes são contratados num contexto

SOFIA MARGARIDA MOTA

deputada Ella Lei interpelou o Executivo no sentido suscitar maior protecção para os trabalhadores locais, em particular para as pessoas de meia-idade. A resposta da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) refere que a Lei das

de necessidade específica, quando são observados requisitos como a oferta e procura de mão-de-obra no mercado.

LOCAIS FORMADOS

No que diz respeito à formação profissional, a DSAL responde que esta acompanha o desenvolvimento económico e a situação real do mercado de trabalho em colaboração estreita com parceiros sociais e o tecido empresarial. Na resposta a Ella Lei, o Executivo refere a aposta que tem feito em cursos de formação destinados a residentes de diversas classes, idades e sectores, tendo a competitividade económica como objectivo. O comunicado assinado por Wong Chi Hong refere que existem algumas profissões que estabelecem limite de idade, tais como o caso

dos seguranças dos casinos. Ainda assim, o representante do Governo explica que “há uma grande variedade de cursos de formação ao dispor dos indivíduos de meia-idade”. Cuidador infantil, acompanhamento pós-parto, electricista, carpinteiro, soldador, motorista de pesados e cozinheiro são algumas das profissões para a qual a DSAL faculta formação e que podem ser saídas viáveis para formandos mais velhos. Wong Chi Hong refere ainda que a DSAL oferece um serviço de colocação profissional que ajuda as pessoas de meia-idade a navegar pelo mercado de trabalho. Os interessados são aconselhados na área dos recursos humanos, nomeadamente através de simulação de entrevistas. João Luz

info@hojemacau.com.mo

PUB HM • 1ª VEZ • 19-7-17

ANÚNCIO Execução de Sentença sob a CV1-14-0046-CAO-C 1º Juízo Cível forma Sumária

Torcer o nariz aos de fora Kwan Tsui Hang indignada com utilização do Centro de Sinistrados

A

deputada Kwan Tsui Hang escreveu ao Governo para mostrar o desagrado que sente em relação ao modo com tem estado a ser utilizado o Centro de Sinistrados da Ilha Verde, estrutura dependente do Instituto de Acção Social (IAS). Numa interpelação escrita ao Executivo, Kwan mostra ter dúvidas sobre as verdadeiras funções do espaço, admitindo, porém, que foi útil no passado em situações de emergência em que residentes de Macau tiveram de abandonar as suas casas, por causa de incêndios ou outras situações de risco. Apesar da ressalva que faz, a deputada conta que vários cidadãos se queixaram das instalações do Centro

de Sinistrados. “Não há cozinha, nem casas de banho independentes. Também não há ar condicionado”, relata. “Pessoas de várias nacionalidades acabam por residir no centro.” A falta de condições do espaço e a proveniência dos utentes da estrutura fazem com que “os residentes não queiram entrar”, prossegue Kwan Tsui Hang. Esta recusa tem obrigado o IAS a ter de, nalguns casos, alugar quartos em hotéis para poder prestar apoio aos residentes afectados em acidentes e outras situações de emergência. Para a deputada, além de o centro não desempenhar as funções que estiveram

na sua criação, representa também um aumento das despesas públicas. “Além disso, gera dúvidas sobre a forma como o Governo trata os cidadãos.” Kwan Tsui Hang salienta que é uma obrigação do Executivo proteger os residentes envolvidos em casos urgentes, de modo a que não fiquem sem um tecto. Por isso, sustenta, os centros de apoio e abrigos devem ter condições adequadas para que as pessoas possam viver lá temporariamente. Recordando que o Governo chegou a colocar a possibilidade de fazer obras no Centro de Sinistrados da Ilha Verde, a deputada pergunta se foi tomada al-

guma decisão neste âmbito e se existe um calendário para que possam ser feitos trabalhos de renovação. Citando as queixas que ouviu, pretende ainda que a Administração indique se é possível melhorar as instalações básicas, criar cozinhas e quartos de banho independentes nas várias fracções, e garantir que há ar condicionado no local. Por último, Kwan sugere que as pessoas sejam alojadas conforme a nacionalidade e origem. A deputada oriunda dos Operários, que está quase de saída da Assembleia Legislativa, alega que existem preocupações sobre conflitos causados por “diferentes costumes e crenças”, pelo que gostaria que o Governo estudasse a possibilidade de “separar residentes locais e estrangeiros”. V.N./ I.C.

EXEQUENTE: MA CHI PIO, solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, titular do BIRM e residente em Macau.-----------------------------------------------------------------EXECUTADOS: -------------------------------------------------------------------------------1.- LEI CHING, casada, titular do BIR da R.P. China n.º5201021978xxxxxxxx; e-2.- CHEONG LINYIN ou ZHANG LINGYAN, casado, titular do BIR da R.P. China n.º5201031964xxxxxxxx;------------------------------------------------------------------ambos casados entre si no regime comunhão de adquiridos, com última residência conhecida na China Guizhou Sheng Guiyang Shi Xiao Shizi Fu Shui Huayuan Bloco C 21º andar n.º 5, ora ausentes em parte incerta; ----------------------*** -----Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados OS CREDORES DESCONHECIDOS dos executados para, no prazo de QUINZE DIAS, finda que seja a dilação de VINTE DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto dos bens penhorados, sobre que tenham garantia real, e que é o seguinte: ------------------------BEM PENHORADO -----DIREITO DE AQUISIÇÃO que a executada LEI CHING tem na fracção autónoma “O20”, do 20.º andar O, para habitação, do bloco IV, do prédio sito em Macau na Estrada Governador Nobre de Carvalho, S/N, Taipa, denominado One Grantai, Deluxe Royalton, descrito na Conservatória do registo Predial sob o n.º 19819-IV do Livro B. -------------------------------------------------------------------------* -----Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., aos 3 de Julho de 2017.--------------------


8 sociedade

N

EM todos os edifícios estão a cumprir o Plano da Almeida Ribeiro no que diz respeito à instalação de aparelhos de ar condicionado. As directivas, há muito implementadas, determinam que estes não devem ser visíveis nas fachadas, mas a prática tem sido bem diferente. Numa das plantas existentes no website da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSOOPT), referentes a uma construção na zona do centro histórico, lê-se: “Deverá prever soluções para a instalação de aparelhos de ar condicionado, de forma a evitar a projecção directa na via pública de água resultante do seu funcionamento”. O documento aponta ainda que os aparelhos “deverão, casos estejam instalados nas fachadas de edifício, ser cobertos com elementos decorativos”. Ao cimo da página, o carimbo vermelho é claro: “Este terreno insere-se na zona sujeita ao Plano da Almeida Ribeiro”. Para a arquitecta Maria José de Freitas, a instalação de aparelhos de ar condicionado nas fachadas de edifícios nesta zona não deveria sequer ser autorizada. Falar de elementos decorativos é o mesmo que dizer que “não há critério”, aponta ainda a arquitecta, que tem trabalho feito na área do património.  Na visão de Maria José de Freitas, bastava a DSSOPT dizer que “não se admite aparelhos de ar condicionado na fachada e mais nada”, sendo que o que existe actualmente é apenas uma forma de “tapar o sol com a peneira”. 

19.7.2017 quarta-feira

PATRIMÓNIO CENTRO HISTÓRICO NÃO CUMPRE REGRAS

Pesadelo em forma de ar condicionado Estão regulamentados. Os aparelhos de ar condicionado, no centro histórico, não devem ser visíveis nas fachadas que dão acesso à via pública. A medida é para ser aplicada na zona sujeita ao Plano da Almeida Ribeiro, mas a realidade é outra

SOLUÇÃO POUCO À VISTA

DESCULPAS NÃO VALEM

Para o arquitecto Mário Duque, estando em causa edifícios históricos, “estes equipamentos têm de estar dentro do regulamento que define a sua instalação e, de acordo com o Plano da Almeida Ribeiro, não se podem exibir ares condicionados nas fachadas a não ser que estas tenham dispositivos próprios para os acomodar”, sublinha. O facto de se tratarem de edifícios antigos – que compõem, na sua maioria, a zona histórica – não pode ser usado como desculpa para que não sejam implementadas as medidas devidas.

unidades”, diz Maria José de Freitas, sendo que, a utilização dos terraços para este fim é uma solução a ter em conta. “É necessário criar uma regra que defina onde devem ser colocados os ares condicionados”, refere Mário Duque. “A questão pode ser estética, mas é essencialmente construtiva, até porque não se estragam fachadas que duram várias décadas com aparelhos que só duram cinco anos.” O arquitecto sublinha ainda que os principais agentes de degradação das fachadas dos edifícios são as estruturas ilegais e estes equipamentos. Para Maria José de Freitas, a ocultação destes aparelhos “pode dar mais ou menos trabalho, mas é sempre possível”, diz. “Se isso não acontece, penso que é uma falta de cuidado”, remata.

Mário Duque aponta que não faz sentido a DSSOPT afirmar que esta é uma regra a ser implementada em construções novas, tratando-se de uma zona histórica. “Dizer que o Plano da Almeida Ribeiro só se aplica nos edifícios novos não serve ao lugar”, sublinha o arquitecto, a

“A solução passaria pela criação de um grupo interdepartamental que tivesse a preocupação de cuidar da boa aparência e das boas condições de imagem e de habitabilidade daquilo que Macau quer mostrar.” MARIA JOSÉ DE FREITAS ARQUITECTA

quem foi transmitida esta informação.

DIFICULDADES ANTIGAS

Quando se trata de velhos edifícios, as soluções têm de ser ponderadas e criativas. “No entanto, é necessário arranjar um espaço que não seja tão visível e que tenha condições para proteger estas

A fiscalização do cumprimento legal destas regras está a cargo do departamento de urbanização da DSSOPT. Para Mário Duque, o que está em causa é a incompetência dos próprios serviços. Também Maria José de Freitas aponta o dedo à fiscalização, sendo que considera que é a entidade que “deve ter um papel mais activo”. A arquitecta coloca ainda a possibilidade desta fiscalização ser uma competência do Instituto Cultural e avança com uma sugestão: “A solução passaria pela criação de um grupo interdepartamental que tivesse a preocupação de cuidar da boa aparência e das boas condições de imagem e de habitabilidade daquilo que Macau quer mostrar”, frisa. Dadas as características muitas vezes particulares de cada edifício, Maria José de Freitas considera também que cada caso deveria ser estudado individualmente. “As regras deveriam ser implementadas nos edifícios existentes no centro histórico e nos edifícios que incluem a zona classificada, onde se pretende que existam características visuais e de imagem que transmitam uma impressão de qualidade e que não venham disfarçadas com decorações”, diz a arquitecta. Contactada com a questão, a DSOOPT não deu qualquer indicação no que respeita ao cumprimento das regras relativas à instalação de equipamentos de ar condicionado na zona do Plano da Almeida Ribeiro e do Centro Histórico. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


sociedade 9

quarta-feira 19.7.2017

GONÇALO LOBO PINHEIRO

TRABALHO EXPOSIÇÃO OFERECE 4700 VAGAS PARA JOVENS

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O próximo fim-de-semana, 22 e 23 de Julho, realiza-se no Centro de Convenções e Exposições da Doca dos Pescadores a “Exposição de empregos para jovens 2017”. Participam no evento cerca de 70 empresas que disponibilizam à juventude de Macau 4700 ofertas de emprego. O evento também fornece informações relativas a formação profissional, planeamento de carreiras, serviço de avaliação de capacidade profissional e ajuda para compreender as leis que regulam as relações laborais. As empresas participantes na exposição são de áreas tão diversas como a aviação, telecomunicações, jogo, hotelaria, tecnologia, restauração, comércio, seguros e imobiliário. Os recrutamentos incidem sobre mais de 30 tipos diferentes de trabalho

UM CONGRATULA-SE COM ADMISSÃO DE ALUNOS LOCAIS

Os melhores vão para a Montanha

E

STÁ concluído o processo de admissão da Universidade de Macau (UM) para o próximo ano lectivo. Em 2017/2018, o estabelecimento de ensino superior da Ilha da Montanha deverá receber 1535 alunos locais, contabilizou a UM. Numa nota à imprensa, a instituição salienta que, enquanto universidade do território, pretende atrair e contribuir para a educação dos melhores estudantes de Macau. Do total de alunos, 394 foram admitidos através do

esquema de recomendação das escolas secundárias, sendo que 59 deles eram os melhores das turmas que integravam. Todos estes jovens vão receber bolsas de estudo. Quase 1200 estudantes que participaram no teste de admissão conjunto levado a cabo por várias instituições de ensino superior confirmaram já que vão frequentar a UM, explica ainda o comunicado. Destes, 52 vão receber também bolsas da universidade. “A Universidade de Macau está empenhada em atrair os melhores estudantes

locais e não tem poupado esforços para comunicar com as escolas secundárias e reunir ideias de como formar profissionais, para que cada vez mais alunos possam fazer o ensino superior na UM”, explica a instituição. A UM destaca ainda que os “significativos progressos feitos no ensino e na pesquisa nos últimos anos têm atraído a atenção dos melhores alunos”, o que faz com muitos deles tenham a universidade como primeira opção. Os estudantes agora admitidos não só conseguiram

bons resultados em termos académicos, como mostraram ter capacidades noutras áreas, como o desporto, a música e a ciência. “Alguns deles ganharam prémios em competições internacionais”, congratula-se a UM. “Alguns representaram Macau em competições desportivas”, acrescenta, dando também exemplos de eventos internacionais em áreas das ciências em que os futuros estudantes foram distinguidos. “Além disso, muitos deles estão activamente envolvidos em serviços comunitários.”

para trabalhadores a tempo inteiro e a tempo parcial. Os candidatos vão ter oportunidade de se encontrarem directamente com pessoal das secções de recursos humanos dos empregadores e submeterem o seu pedido de emprego. No capítulo das palestras, a exposição deste ano tem seminários sobre técnicas para entrevistas e planeamento de carreira. Além disso, os candidatos podem contar com os conhecimentos de convidados que darão conselhos especializados em técnicas de comunicação em locais de trabalho, aumento de competitividade e gestão de pressão e tempo. O evento pretende apetrechar os jovens de Macau de conhecimentos para melhor navegarem o mercado de trabalho e desenvolverem a sua carreira profissional.

ACORDO DE PARIS GOVERNO QUER HOTÉIS ENVOLVIDOS

O

S Serviços de Meteorologia e Geofísica (SMG) organizaram ontem uma palestra sobre as alterações climáticas destinada ao sector hoteleiro da cidade. Com a iniciativa, pretende-se sensibilizar a indústria para a necessidade de trabalhos que vão ao encontro da protecção do ambiente. Em comunicado, os SMG explicam que Macau vai ter de apresentar às Nações Unidas um relatório a ser incluído no primeiro balanço global do Acordo de Paris. Em 2023, todos as jurisdições signatárias da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas e do Acordo de Paris irão prestar contas sobre os trabalhos desenvolvidos. “Tendo em conta que o sector hoteleiro é uma das indústrias que mais emite

gases de efeito de estufa no território e, ao mesmo tempo, é também o foco principal no desenvolvimento de baixo carbono, o Governo da RAEM está empenhado em sensibilizar e promover uma auditoria de carbono no sector hoteleiro, a fim de assegurar trabalhos para as alterações climáticas e reunir os requisitos do Acordo de Paris”, explicam os SMG. A palestra “Hotel Verde, Gestão e Auditoria de Carbono” foi feita com o objectivo de estabelecer e implementar melhor planos individuais de redução de carbono no sector hoteleiro. Contou com a presença de uma delegação de especialistas de Guangdong, convidada para partilhar as suas experiências e fornecer directrizes específicas nesta matéria.


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19.7.2017 quarta-feira

Direcção dos Serviços de Finanças Anúncio -Concurso Público nº 6/CP/DSF-DGP/2017-

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS Anúncio -Concurso Público nº 7/CP/DSF-DGP/2017-

Objectivo: Fornecimento de combustíveis aos Serviços da Administração Pública da RAEM durante o ano de 2018.

Objectivo: Fornecimento de material de construção aos Serviços da Administração Pública da RAEM durante o ano de 2018.

Entidade adjudicante: Chefe do Executivo

Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças

Entidade onde decorre o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças

Entidade onde decorre o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças

Prazo e local de entrega das propostas: Dia 4 de Agosto de 2017, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810

Prazo e local de entrega das propostas: Dia 8 de Agosto de 2017, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810

Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 7 de Agosto de 2017, às 15:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave

Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 9 de Agosto de 2017, às 15:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave

Caução Provisória: Valor: Dez mil patacas (MOP$10.000,00) Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do programa do concurso; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado.

Data, hora e local de Entrega das amostras: Dia 5 de Setembro de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave

Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso são definidos no programa do concurso, e a adjudicação de cada fornecimento é feita segundo os seguintes parâmetros e percentagens: 1) Gasolina e Gasóleo Leve: a) Preço - 55% b) Acessibilidade dos postos abastecedores – 35% c) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 10%

Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. “Finanças”. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: Cinquenta patacas (MOP$50,00); ou por - Descarregamento gratuito na página electrónica da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo)

Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. “Finanças”. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: Cinquenta patacas (MOP$50,00); ou por - Descarregamento gratuito na página electrónica da DSF (website: http://dsf.gov.mo)

2) Gás butano: a) Preço – 70% b) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 30% Tempestade: Em caso de encerramento destes Serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas, inicialmente estabelecidos, serão alterados de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do programa do concurso.

Caução Provisória: Valor: Dez mil patacas (MOP$10.000,00) Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do programa do concurso; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado.

Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso são definidos no programa do concurso, e a adjudicação de cada fornecimento é feita segundo os seguintes parâmetros e percentagens: a) Preço – 40% b) Qualidade do produto a fornecer – 45% c) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 15%

Tempestade: Em caso de encerramento destes Serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas, inicialmente estabelecidos, serão alterados de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do programa do concurso. O Director dos Serviços Iong Kong Leong

O Director dos Serviços Iong Kong Leong

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS Anúncio -Concurso Público nº 8/CP/DSF-DGP/2017Objectivo: Fornecimento de artigos ecológicos aos Serviços da Administração Pública da RAEM durante o ano de 2018. Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças

ANÚNCIO

VENDA EM HASTA PÚBLICA Faz-se público que se vai realizar uma venda em hasta pública de sucata resultante de veículos, de bens e de sucata de bens que reverteram a favor da Região Administrativa Especial de Macau nos termos da lei ou que foram abatidos à carga pelos serviços públicos. Os locais, dias e horas marcadas para visualização dos bens agora colocados à venda, para efeitos de prestação da caução e da hasta pública propriamente dita, são os seguintes: Visualização dos bens 1. Sucata resultante de veículos, bens e sucata de bens Na tabela abaixo indicada encontram-se discriminados os lotes de sucata resultante de veículos, os lotes de bens e os lotes de sucata de bens, colocados à venda, bem como, a respectiva data, hora e local para visualização dos mesmos na presença de trabalhadores da Direcção dos Serviços de Finanças:

Entidade onde decorre o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças Prazo e local de entrega das propostas: Dia 10 de Agosto de 2017, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810 Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 11 de Agosto de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave

No. de lote

Caução Provisória: Valor: Dez mil patacas (MOP$10.000,00) Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do programa do concurso; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado.

Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. “Finanças”. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: Cinquenta patacas (MOP$50,00); ou por - Descarregamento gratuito na página electrónica da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo)

Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso são definidos no programa do concurso, e a adjudicação de cada fornecimento é feita segundo os seguintes parâmetros e percentagens: a) Preço – 40% b) Qualidade do produto a fornecer – 45% c) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 15%

Tempestade: Em caso de encerramento destes Serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas, inicialmente estabelecidos, serão alterados de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do programa do concurso. O Director dos Serviços Iong Kong Leong

Data de identificação

Horário (1)

VS01 (parte), MS01, IS01

Macau

24/07/2017

10:00am

VS01 (parte), VS02 MS02, MS03, MS04 L01 (parte)

Coloane

24/07/2017

3:00pm

L01 (parte), B01, BL01

Macau

25/07/2017

10:00am

Nota (1)

Data, hora e local de Entrega das amostras: Dia 22 de Setembro de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave

Local de armazenamento

(2)

Local (2) Edifício Veng Fu Shan Chuen (Rua da Penha, n.º 3 – 3C, Macau) Parque de estacionamento provisório para veículos abandonados (Estrada de Flor de Lotus, Coloane) Edf. Industrial Cheong Long (Ramal dos Mouros, n.º 11 – 21, Macau)

A visualização de sucata resultante de veículos, de bens e de sucata de bens inicia-se, impreterivelmente, quinze minutos após a hora marcada, não sendo disponibilizada uma outra oportunidade para o efeito. Os interessados devem providenciar meio de transporte para se deslocarem ao local de armazenamento de cada lote. Para se dirigirem aos locais de armazenamento de sucata resultante de veículos, de bens e de sucata de bens, devem os interessados concentrar-se nos locais acima indicados.

Não há lugar à visualização de sucata resultante de veículos, de bens e de sucata de bens no dia da realização da hasta pública, mas são projectadas fotografias dos mesmos através de computador. 2. As listas de bens podem ser consultadas na sobreloja do Edifício “Finanças”, ou na página electrónica desta Direcção dos Serviços (website: http:// www.dsf.gov.mo). As listas dos bens com descrição pormenorizada podem ser consultadas no 8.º andar do Edifício “Finanças”, sala 803. Prestação de caução Período: Montante: Modo de prestação da caução: Realização da Hasta Pública Data: Horário: Local:

Desde a data do anúncio até ao dia 26 de Julho de 2017 $5,000.00 (cinco mil patacas) - Por depósito em numerário ou cheque, o qual será efectuado mediante a respectiva guia de depósito e paga em instituição bancária nela indicada. A referida guia de depósito será obtida na sala 803 do 8.º andar do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585; ou, - Por garantia bancária, de acordo com o modelo constante do anexo I das Condições de Venda. 27 de Julho de 2017 (quinta-feira) às 09:00 horas - registo de presenças às 10:00 horas - início da hasta pública Auditório, na Cave do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585.

Consulta das Condições de Venda As Condições de Venda podem ser: - obtidas na sala 803 do 8.º andar do Edifício “Finanças”, sito em Macau na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585; - consultadas na sobreloja do Edifício “Finanças”, ou na página electrónica da Direcção dos Serviços de Finanças (website: http://www.dsf.gov.mo). O Director dos Serviços Iong Kong Leong


sociedade 11

quarta-feira 19.7.2017

PUB

Do outro lado da linha Segurança diz que burlas telefónicas diminuíram

O número de burlas feitas pelo telefone está em queda. A garantia é dada pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, que destaca o sucesso da colaboração com as operadoras de telecomunicações e com as autoridades das regiões vizinhas

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ÃO são fornecidos números, mas fica a certeza: o número de burlas telefónicas desceu significativamente. É assim que o Gabinete do Secretário para a Segurança responde às dúvidas da deputada Kwan Tsui Hang, que interpelou o Governo sobre a matéria. Na réplica, explica-se que foram levadas a cabo várias actividades de promoção e de sensibilização como forma de prevenir este tipo de crime, pelo que o número de casos caiu. Numa resposta assinada pela chefe do gabinete de Wong Sio Chak, Cheong

Ioc Ieng, lê-se que, com vista a ajudar os cidadãos a distinguir os telefonemas que são feitos do exterior, a Polícia Judiciária (PJ), os departamentos responsáveis pela fiscalização de telecomunicações e as operadoras do sector decidiram passar a mostrar a informação completa do número do autor da chamada. Kwan Tsui Hang pretendia saber se era possível evitar que as potenciais vítimas recebessem chamadas telefónicas feitas por burlões. Cheong Ioc Ieng não afasta completamente essa hipótese, mas diz que é necessário estudá-la, uma vez que pode ter consequências para os utentes dos serviços de telecomunicações. Já no que diz respeito ao congelamento de dinheiro transferido durante as investigações policiais, o problema é mais complicado, com o Governo a explicar que, mal recebem os montantes enviados pelas vítimas, os autores das burlas retiram o dinheiro das contas e transferem-no para outro locais. Não obstante, a PJ tem reforçado a comunicação com as autoridades das regiões vizinhas, indica a chefe de gabinete. “Foram criados, em parceria com a polícia da Província de Guangdong, mecanismos de denúncia rápida, de investigação e de paragem urgente de circulação de depósitos”, salienta Cheong Ioc Ieng. Além disso, a polícia de Zhuhai notificou os bancos locais acerca das

transferências feitas por residentes de Macau, para que estejam alerta. De acordo com os dados oficiais, no primeiro trimestre deste ano, houve um aumento de 28,8 por cento nos crimes de burla. Às autoridades chegaram queixas sobre 22 casos de burlas feitas pelo telefone.

“Foram criados, em parceria com a polícia da Província de Guangdong, mecanismos de denúncia rápida, de investigação e de paragem urgente de circulação de depósitos.” GABINETE DO SECRETÁRIO PARA A SEGURANÇA

Nalgumas destas ocorrências, os autores dos crimes telefonaram para residentes e fizeram-se passar por pessoal do Departamento de Migração da PSP ou de serviços do Governo da China Continental. Na resposta agora dada a Kwan Tsui Hang, o Gabinete do Secretário para a Segurança indica que, mal teve conhecimento destas situações, a PJ desencadeou trabalhos intensivos de sensibilização dos cidadãos. Vítor Ng (com Isabel Castro) info@hojemacau.com.mo


SOFIA MARGARIDA MOTA

12 eventos

19.7.2017 quarta-feira

Estudou na Academia de Xangai, já trabalhou no Continente e mesmo em Berlim. Como é que se passou este regresso a Macau? Vim para Macau por opção. Depois de dez anos fora do território, gostaria de me reencontrar aqui. Como é que apareceu o Teatro Experimental de Macau? A companhia existe desde 2008. O nosso nome inicial era “Teatro Horizonte”. Na altura resolvemos atribuir esse nome por se tratar também do título de uma peça de teatro clássica do dramaturgo americano Eugene O’Neill. Foi também a primeira peça que encenámos. Até 2011, o objectivo da companhia foi apresentar peças de teatro clássicas ao público de Macau. A ideia era trazer ao território os grandes nomes do teatro clássico, desde Shakespeare a Becket e Tchékhov. Em 2011 começámos a ter outros objectivos. Construímos um teatro blackbox com 60 lugares. Tínhamos um espaço para ensaiar e em que podíamos tentar implementar alguns projectos e mesmo conceitos. Foi quando começámos a ter peças originais e mais contemporâneas. Desde essa altura até agora, temos tentado fazer uma coisa diferente daquilo a que podemos chamar “o nosso período clássico”. Foi quando mudaram de nome para Teatro Experimental de Macau? Sim. Precisávamos agora de um nome que tivesse mais que ver com o tipo de trabalho que estávamos e estamos a fazer. Podemos dizer que, desde essa altura, temos desenvolvido trabalho em dois sentidos. Uma das vertentes diz respeito ao trabalho de interpretação individual. É um trabalho de actor. É um trabalho de equipa mas que se foca na interpretação contemporânea. Com a peça “Lungs”, de Duncan Macmillan, usámos técnicas muito ligadas ao teatro físico com uso do corpo em espaços vazios. A ideia era trabalhar o actor no seu isolamento em que só estão presentes o corpo e as emoções. A outra vertente tem que ver com o teatro musical em que começámos um trabalho sério a este respeito. No ano passado fizemos, nesta vertente, o “Sonho de um Aroma” de Wong Teng Chi. Esta foi também a primeira vez em que foi produzida uma ópera por uma companhia local. O facto de estarmos a integrar o teatro musical tem que ver ainda com a minha formação. Quando era pequeno estudei música e penso que trago esse gosto comigo até hoje.  Um companhia de teatro experimental depara-se com que tipo de dificuldades no território? Enquanto grupo de teatro, e para subsistirmos, estabelecemo-nos como uma organização sem fins lucrativos, pelo que grande parte do nosso sustento provém de apoios do Governo. No entanto, o nosso


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quarta-feira 19.7.2017

TAM CHI CHUN

continuar a explorar o conceito de teatro em blackbox.

“Precisamos de actores diversificados” DIRECTOR E ENCENADOR DO TEATRO EXPERIMENTAL DE MACAU

Fez a sua formação em Xangai. Regressou ao território para ter a sua companhia, e é o director e cenógrafo do Teatro Experimental de Macau. Tam Chi Chun dedica-se a trabalhar em projectos que dão relevo à interpretação pessoal e ao teatro musical conceito de desenvolvimento vai no sentido de nos tornarmos uma companhia de teatro independente, o que é muito difícil. Somos por agora uma organização não-governamental que se dedica ao teatro. A ideia é que, um dia, possamos ter uma equipa de direcção e mesmo de actores que possam trabalhar a tempo inteiro no Teatro Experimental de Macau e, neste momento, não temos ainda condições para isso. Trabalhamos com freelancers.

é praticamente nula. Dos 40 aos 50 anos não consigo encontrar ninguém. Se queremos um personagem que seja um pai ou um avô, não temos.

Não é complicado ter uma equipa tão volátil? Por vezes é. Seria melhor conseguir uma forma de conseguir colaborações a longo prazo com os nossos actores, cenógrafos, etc. Quando estamos a trabalhar numa peça nova, por vezes só conhecemos a nossa equipa uma ou duas semanas antes do início dos ensaios e não podemos trabalhar em profundidade. Cada encenador tem a sua metodologia de trabalho e é mais fácil trabalhar com pessoas que já a conhecem e em que a comunicação se torna toda mais simples.

“A ideia é que, um dia, possamos ter uma equipa de direcção e mesmo uma de actores que possam trabalhar a tempo inteiro no Teatro Experimental de Macau.”

RICHARD SCHUSTER

Onde vai buscar os seus actores? É difícil encontrar actores em Macau. Apesar de cada vez termos mais jovens a trabalhar na área, não temos actores com maturidade. Os jovens têm muito potencial mas por vezes precisamos de diversidade, mesmo física. Precisamos de actores diversificados, com idades diferentes e constituições físicas também diferentes, e aqui a escolha

Como tem sido a evolução da resposta do público ao vosso trabalho? Penso que, no período entre 2011 e 2015, altura em que tínhamos a blackbox, muito do trabalho que fazíamos era apresentado ali e foi

um período em que tínhamos pouco público. Tratava-se de um prédio industrial e quem vinha ter connosco eram, essencialmente, pessoas que já conhecíamos. No entanto, foi um período em que pudemos experimentar muita coisa no que respeita ao trabalho que queríamos fazer. Depois de 2015 e da apresentação de “Lungs”, tivemos acesso ao espaço do edifício do antigo tribunal. Foi uma mudança importante porque nos permitiu entrar em contacto com uma audiência mais alargada. É um local central e muita gente que passava naquela zona acabava por ver os anúncios das nossas peças e por ir. Reparámos que muita gente, que normalmente trabalha em escritórios e que pertence à chamada classe média, começou a aparecer para ver os nossos espectáculos. Penso mesmo que, para muitos, era a primeira vez que iam ao teatro. É também um espaço que nos permite

O edifício do antigo tribunal está destinado a ser a biblioteca central de Macau. Estamos a falar de um espaço que também está a ser “vosso”. O que acham da ideia? Já sublinhámos várias vezes ao Governo a importância que este espaço tem na dinamização cultural e artística do território. Já é um lugar que as pessoas conhecem por ter espectáculos e eventos na área das artes, sendo importante no seu desenvolvimento local. Não é apenas um teatro, as pessoas já sabem que no edifício do antigo tribunal conseguem ver coisas de qualidade na área da cultura. Foi uma conquista muito valiosa e que vai acabar. Não entendo também o que é que o Governo que dizer por espaço multiusos quando diz que a biblioteca será um espaço desses. O antigo tribunal, na área do teatro, transformou-se naturalmente num espaço dedicado a este sector e as pessoas sabem disso. Acho que construímos alguma coisa nesse sentido, não só em termos de audiência, mas também de atmosfera e, uma vez fechado e transformado numa biblioteca, vamos ter de recomeçar outra vez. Com o encerramento do antigo tribunal, muita gente deixará de saber para onde ir. Trabalha essencialmente no teatro. Numa sociedade multicultural como a de Macau, a linguagem pode ser um problema? Temos cada vez mais informação disponibilizada em inglês e temos visto que há cada vez mais turistas a tentarem assistir a peças nossas que entram, por exemplo, no edifício do antigo tribunal e acabam por ficar. No festival BOK, em que participámos, optámos por levar peças em que a linguagem verbal era muito reduzida. Já anunciamos as nossas peças também em inglês e temos ainda o teatro musical. A música é uma linguagem universal. Mas quando utilizamos a nossa língua mãe, o cantonês, torna-se realmente difícil para o público que não a entenda perceber algumas das nossas peças. Vamos cada vez mais tentando ter legendas. Também nos tentamos associar, por exemplo, a associações portuguesas. Há dois anos, através

do festival BOK, tivemos como parceira a Casa de Portugal em Macau. Queremos mostrar o nosso trabalho às diferentes comunidades do território. Talvez no ano que vem consigamos convidar artistas portugueses. Quando queremos fazer um espectáculo local, precisamos de artistas locais. Por que não portugueses? O problema é que ainda não nos conhecemos bem, mas tentamos abrir portas para que nos possamos encontrar. Para já, temos as legendas e o teatro musical para chegar a diferentes comunidades.

“As pessoas já sabem que no edifício do antigo tribunal conseguem ver coisas de qualidade na área da cultura. Foi uma conquista muito valiosa e que vai acabar.” Vão agora entrar numa pausa de Verão. O que vamos ter no próximo ano? Vou a Taiwan encenar mais uma peça de Wong Teng Chi. Gostaria de trazer actores de lá para fazermos um trabalho em Macau. Além das nossas produções, colaboramos ainda com um projecto comunitário que trabalha com a comunidade indonésia. É um projecto que já vai no terceiro ano e queremos que vá ao Festival das Artes. O primeiro ano foi focado na sua história antes de virem para Macau, este ano o foco foi no trabalho corporal em que exploramos as transformações que o corpo sofreu depois de virem para o território e, no próximo ano, queremos juntar estes dois aspectos num trabalho só.

FIMM Filarmónica de Viena vem a Macau

Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

O Instituto Cultural (IC) avançou ontem alguns dos nomes que vão fazer parte do XXXI Festival Internacional de Música de Macau (FIMM). O evento acontece apenas em Outubro e o programa completo só será divulgado mais tarde, mas já se sabe que será assinalado o 150.º aniversário do nascimento de Umberto Giordano, com a apresentação da ópera “Andrea Chénier”. A produção ficará a cargo do Teatro Regio Torino de Itália. Destaque também para a Filarmónica de Viena, que vem a Macau para dois concertos de “obras clássicas e românticas de grandes compositores”, indica o IC. A organização do FIMM revela ainda que a edição deste ano do festival conta com novas estrelas da música: o agrupamento de câmara da Coreia do Sul Quarteto de Cordas Novus, o jovem pianista russo Lukas Geniušas e a cantora de jazz norte-americana Jazzmeia Horn.


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XI JINPING PEDE MAIS ABERTURA E MELHORIA DO AMBIENTE DE NEGÓCIOS

A reforma permanente AP

O presidente não se cansa de incentivar os líderes sectoriais e exige medidas concretas para melhorar o ambiente de negócios

19.7.2017 quarta-feira

A

China deve melhorar o seu ambiente de investimento e de mercado, acelerar a abertura ao mundo e reduzir os custos de operação, declarou na segunda-feira o presidente chinês, Xi Jinping. O país deve “criar um ambiente de negócios estável, justo, transparente e previsível, bem como acelerar os esforços para construir uma economia aberta com o fim de promover o desenvolvimento sustentável e saudável da economia chinesa”, disse Xi numa reunião do Grupo de Liderança Central para Assuntos Financeiros e Económicos, revelou a Xinhua. Uma meta importante da construção de uma economia aberta é estimular a melhoria das instituições e leis nacionais para obter uma eficiência e uma força competitiva maiores no mercado global, indicou o presidente. “O investimento estrangeiro desempenhou um papel significativo no desenvolvimento económico da China ao promover uma distribuição razoável dos recursos e impulsionar as reformas orientadas ao mercado”, disse Xi. “A China deve continuar a aproveitar melhor o investimento estrangeiro para avançar com reformas estruturais do lado da oferta, actualizar a economia e atingir o nível do desenvolvimento tecnológico global”, acrescentou. Xi pediu ainda a aceleração dos esforços para eliminar as restrições ao acesso e à propriedade de estrangeiros em sectores como os cuidados infantis, cuidado de idosos, projectos arquitectónicos, contabilidade, auditoria, comércio, logística, comércio electrónico, manufacturas e serviços.

A abordagem de “lista negra” da gestão do investimento estrangeiro, que foi adoptada em zonas de livre comércio piloto no país, deve ser expandida a toda a nação o mais cedo possível, mencionou

Vistos China pede aos EUA protecção da privacidade

A China pediu na segunda-feira que os Estados Unidos protejam a privacidade de quem pede vistos e lhes ofereçam a facilitação devida de acordo com a lei. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang, fez o comentário em resposta à nova política de vistos dos Estados Unidos. Segundo informações dos meios de comunicação, o Departamento de Estado norte-americano pedirá que todas as nações proporcionem dados extensivos para ajudar a rever a história dos solicitantes de vistos e determinar se um viajante representa uma ameaça terrorista. Os países que não aplicarem o novo protocolo podem enfrentar restrições de viagem.

Xi. A lista negra identifica os sectores e negócios que estão fora dos limites ou restringidos para o investimento. Xi também pediu mais rapidez na unificação das leis e regulamentos sobre negócios nacionais e estrangeiros e na criação de novas leis fundamentais sobre o investimento estrangeiro. “Leis, normas e políticas que não correspondam à direcção geral e ao princípio de abertura devem ser abolidas ou revistas num prazo determinado, e deve-se dar tratamento nacional a leis e políticas relativas a companhias com fundos estrangeiros depois de entrarem no mercado”, disse o presidente. Xi pediu às megacidades, como Pequim, Xangai, Cantão e

Para manter-se ao ritmo da abertura financeira, a China precisa ter uma forte capacidade reguladora, indicou o presidente Shenzhen, que liderem a melhoria do ambiente de negócios e pediu acções para reduzir as inspecções e multas a companhias e proibir cobranças ilegais. O presidente sublinhou a importância de proteger os direitos de propriedade intelectual (DPI), e pediu às autoridades para melhorarem as leis e regulamentos, elevarem a qualidade e eficiência

das revisões de propriedade intelectual, e acelerarem a actualização institucional para a proteção dos DPIs relacionados aos sectores emergentes e novos tipos de negócios. “As más condutas devem ser punidas mais severamente para que os infractores dos DPIs paguem um alto preço”, disse. Ao falar sobre o sector financeiro, Xi indicou que as áreas que ajudam a proteger os direitos e interesses dos consumidores, promovem a competência ordenada e previnem os riscos financeiros, devem ser abertas com prontidão. Xi pediu esforços para avançar na abertura da conta de capital de maneira ordenada e impulsionar com firmeza o yuan para que se torne uma moeda internacional. O mecanismo de formação da taxa de câmbio do yuan deve ser melhorado e o valor da moeda deve manter-se basicamente estável e num nível razoável e equilibrado, disse Xi. Para manter-se ao ritmo da abertura financeira, a China precisa ter uma forte capacidade reguladora, indicou o presidente. O mandatário pediu que os reguladores financeiros aprendam com as experiências internacionais, abordem os laços fracos e melhorem a forma de regulamentação. Sobre o comércio exterior, Xi sublinhou a expansão de importações ao manter a estabilização de exportações, para promover a balança de pagamentos sob a conta corrente. O presidente também exigiu medidas para que o comércio exterior se liberalize mais e seja mais conveniente e assinalou que os custos institucionais das importações devem diminuir, que a autorização de quarentena e alfândegas devem ser racionalizados, e que as queixas das companhias devem ser melhor atendidas. “As autoridades devem estudar a redução de tarifas a certos artigos de consumo e incentivar a importação de produtos especializados”, indicou Xi. É necessário desenvolver no país um ambiente de mercado caracterizado por condições de igualdade que dê aos negócios o mesmo trato em cobrança de taxas, quarentena de importação e comercialização para dar capacidade à voz dos consumidores e do mercado, assinalou o presidente.


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quarta-feira 19.7.2017

Uma bolha dolorosa

O Ursinho Pooh censurado

O desenho infantil ursinho Pooh foi censurado na China, segundo a agência France Presse. O motivo? Memes comparando o presidente Xi Jinping com o personagem amado por tantas crianças. O ursinho tem aparecido no lugar do governante chinês na internet desde 2013, principalmente na rede social Weibo. Em entrevista ao Financial Times, Qiao Mu, professor assistente de comunicação na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, afirmou: “Historicamente, duas coisas não são permitidas: organização política e ação política.

Mas este ano um terceiro foi adicionado à lista: falar sobre o presidente.” A primeira brincadeira envolvendo Xi Jinping com Pooh foi uma comparação de uma imagem do governante com o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A publicação colocava lado a lado a imagem de Pooh e seu colega Tigre numa posição semelhante à dos dois presidentes. A outra brincadeira veio tempos depois, quando os internautas compararam Xi Jinping e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe aos personagens momento Pooh e outro amigo.

investimento no desenvolvimento imobiliário continuou a desacelerar na primeira metade do ano. O mercado mostrou sinais de arrefecimento, de acordo com dados divulgados na segunda-feira. O investimento em desenvolvimento de imóveis cresceu 8,5% anualmente no período Janeiro-Junho, menos do que o registo de 8,8% nos primeiros cinco meses, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas (DNE). As vendas de casas medidas pela área subiram 16,1% no primeiro semestre, com crescimento acima de 14,3% no período Janeiro-Maio. O crescimento do valor das vendas de casas também acelerou para 21,5% no primeiro semestre em comparação com 18,6% registado nos primeiros cinco meses. Houve um progresso contínuo da desvalorização no mercado imobiliário, com áreas das moradias não vendidas abaixo de 9,6% no

REUTERS

Investimento em imobiliário desacelerou

final de Junho em comparação com um ano antes, disse o porta-voz do DNE, Xing Zhihong. Os dados aumentam a evidência de que o boom do mercado imobiliário da China está a perder força enquanto o governo continua com medidas de arrefecimento para reprimir possíveis bolhas. Os preços astronómicos das casas, especialmente nas principais cidades, alimentaram as preocupações de que exista uma bolha no mercado imobiliário.

Desde o final de 2016, dezenas de governos locais expandiram as suas restrições sobre compras de casas e aumentaram o pagamento de entrada para uma hipoteca. O conjunto de dados foram lançados como parte de uma série de informações económicas reveladas pelo DNE incluindo o PIB, a produção industrial e o investimento em activos fixos, que mostraram que a segunda maior economia do mundo continuou a manter um crescimento estável.

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ANÚNCIO “Fornecimento de materiais para oficinas e arruamentos ao IACM” Concurso Público n° 2/SFI/2017

ANÚNCIO “Fornecimento de artigos eléctricos e informáticos ao IACM” Concurso Público n° 4/SFI/2017

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão, de 7 de Julho de 2017, se acha aberto concurso público para a “Fornecimento de materiais para oficinas e arruamentos ao IACM”.

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão, de 7 de Julho de 2017, se acha aberto concurso público para a “Fornecimento de artigos eléctricos e informáticos ao IACM”.

O programa do concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau.

O programa do concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau.

O prazo para a entrega das propostas termina ao meio dia do dia 7 de Agosto de 2017. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP1.000,00 (Mil patacas). A caução provisória pode ser entregue na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”.

O prazo para a entrega das propostas termina ao meio dia do dia 3 de Agosto de 2017. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP1.000,00 (Mil patacas). A caução provisória pode ser entregue na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”.

O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, nº 804, Edf. China Plaza 6º andar, pelas 10:00 horas do dia 8 de Agosto de 2017.

O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, nº 804, Edf. China Plaza 6º andar, pelas 10:00 horas do dia 4 de Agosto de 2017.

Macau, aos 13 de Julho de 2017. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO

Macau, aos 13 de Julho de 2017. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO


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19.7.2017 quarta-feira

Direcção dos Serviços de Finanças Anúncio - Concurso Público nº 1/CP/DSF-DGP/2017 –

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS Anúncio - Concurso Público nº 3/CP/DSF-DGP/2017 -

Objectivo: Fornecimento de artigos e componentes para veículos aos Serviços de Administração Pública da RAEM durante o ano de 2018.

Objectivo: Fornecimento de água engarrafada para beber aos Serviços da Administração Pública da RAEM durante o ano de 2018.

Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças

Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças

Entidade onde decorre o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças

Entidade onde decorre o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças

Prazo e local de entrega das propostas: Dia 4 de Agosto de 2017, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810

Prazo e local de entrega das propostas: Dia 8 de Agosto de 2017, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande , nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810

Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 7 de Agosto de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave

Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 9 de Agosto de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave

Data, hora e local de Entrega das amostras: Dia 28 de Agosto de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave Caução Provisória: Valor: Dez mil patacas (MOP$10.000,00) Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária, deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do programa do concurso; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado.

Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. “Finanças”. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: Cinquenta patacas (MOP$50,00); ou por - Descarregamento gratuito na página electrónica da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo)

Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso são definidos no programa do concurso, e a adjudicação de cada fornecimento é feita segundo os seguintes parâmetros e percentagens: a) Preço – 40% b) Qualidade do produto a fornecer – 45% c) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 15%

Tempestade: Em caso de encerramento destes Serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o tempo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas, inicialmente estabelecidos, serão alterados de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do programa do concurso.

Caução Provisória: Valor: Dez mil patacas (MOP$10.000,00) Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária, deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do programa do concurso; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado.

Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. “Finanças”. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: Cinquenta patacas (MOP$50,00); ou por - Descarregamento gratuito na página electrónica da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo)

Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso são definidos no programa do concurso, e a adjudicação de cada fornecimento é feita segundo os seguintes parâmetros e percentagens: a) Preço – 40% b) Certificação de qualidade – 20% c) Condições de armazenagem e transporte do produto a fornecer – 25% d) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 15% Tempestade: Em caso de encerramento destes Serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas, inicialmente estabelecidos, serão alterados de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do programa do concurso. O Director dos Serviços Iong Kong Leong

O Director dos Serviços Iong Kong Leong

Direcção dos Serviços de Finanças Anúncio - Concurso Público nº 4/CP/DSF-DGP/2017 -

Direcção dos Serviços de Finanças Anúncio - Concurso Público nº 5/CP/DSF-DGP/2017 –

Objectivo: Fornecimento de artigos de limpeza aos Serviços da Administração Pública da RAEM durante o ano de 2018.

Objectivo: Fornecimento de artigos de escritório e de filmes aos Serviços da Administração Pública da RAEM durante o ano de 2018.

Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças

Entidade adjudicante: Chefe do Executivo

Entidade onde decorre o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças

Entidade onde decorre o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Finanças

Prazo e local de entrega das propostas: Dia 7 de Agosto de 2017, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810 Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 8 de Agosto de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave Data, hora e local de Entrega das amostras: Dia 28 de Agosto de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave Caução Provisória: Valor: Dez mil patacas (MOP$10.000,00) Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária, deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do programa do concurso; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado.

Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. “Finanças”. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: Cinquenta patacas (MOP$50,00) ; ou por Descarregamento gratuito na página electrónica da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo) Critérios de adjudicação O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso são definidos no programa do concurso, e a adjudicação de cada fornecimento é feita segundo os seguintes parâmetros e percentagens: a) Preço – 40% b) Qualidade do produto a fornecer – 45% c) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 15%

Tempestade: Em caso de encerramento destes Serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas, inicialmente estabelecidos, serão alterados de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do programa do concurso. O Director dos Serviços Iong Kong Leong

Prazo e local de entrega das propostas: Dia 9 de Agosto de 2017, às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810 Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 10 de Agosto de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave Data, hora e local de Entrega das amostras: Dia 11 de Setembro de 2017, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave Caução Provisória: Valor: Quinze mil patacas (MOP$15.000,00) Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO V do programa do concurso; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado.

Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. “Finanças”. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: Cinquenta patacas (MOP$50,00) ; ou por - Descarregamento gratuito na página electrónica da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo)

Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso são definidos no programa do concurso, e a adjudicação de cada fornecimento é feita segundo os seguintes parâmetros e percentagens: a) Preço – 40% b) Qualidade do produto a fornecer – 45% c) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 15%

Tempestade: Em caso de encerramento destes Serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas, inicialmente estabelecidos, serão alterados de acordo com os pontos nºs 5.6.3 e 7.1 do programa do concurso. O Director dos Serviços Iong Kong Leong


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19.7.2017 quarta-feira

visto ao longe, o que é o império do meio? Nove pontos na bruma diário de um editor João Paulo Cotrim

HORTA SECA, LISBOA, 11 JULHO Abre anunciando-se sem nome ou corpo, mas não encontro na poesia contemporânea outra boca que diga assim corpo, uma forma de o ser inteiro pela palavra com que desenha e rasga. «Sou esta fenda extasiada que pensa/ e estou longe como uma ruína alta/ guiando palavras à minha vontade.» «1025 mg» (ed. Douda Correria), o livro mais recente de Cláudia R. Sampaio, é um torrencial monólogo em XVII poemas que vieram para pôr cores berrantes na raiva e novos sabores na lucidez. O discorrer dos versos faz no branco que sobra as sombras da carne. Subo-os como degraus de casa devoluta e digo-os em voz alta. Sobrevoam agora os telhados até encontrarem a carne onde se tatuar. Imagens encadeadas e incandescentes que vão e vêm, para marcarem com nódoas negras a nossa leitura, mariposas contra a lâmpada. A medicina que o título anuncia não atenua a dor, não se faz unguento, não acalma nem a ferida da vontade, não cura a doença de sermos para aqui assim. «Quem sabe se não é agora que/ possuo toda a loucura/ e me faço mulher// Eu que da cintura para cima sou triste/e daí para baixo uma praia/ a quem explodiram o mar/ para depois o transformarem em/ homem e em assombro também/ Eu que desfolhada em abismo/regressei à ânsia e aos mortos/ por lá se encontrarem os vivos». Depois, a casa da voz da boca de um corpo sem nome ou substância está tão bem mobilada pela delicadeza da Mimi Tavares! Os nossos móveis possuem secretas e ingénuas convivências. (Descobri no «Carlos Bica + Matéria Prima» (ed. Clean Feed) banda sonora inesperadamente apropriada). MYMOSA, LISBOA, 12 JULHO Pode um desencontro frutificar? Vou apostar (um almoço) que sim. Há uns meses, cansada do silêncio que irradio, a Joana Bernardo entregou-me maqueta que, de tão impressionante, era logo ali um livro. Sem tirar nem pôr. A ideia de «30 anos | 8 Dias» continha a mesma simplicidade elegante do desenho gráfico, abundante de brancos, sem nada gritar, desenrolando coisas e nomes e entradas de diário com suave delicadeza: «13 pessoas que vivem em Lisboa chegam agora aos 30 anos e descrevem, nestas páginas, 8 dias das suas vidas.» Quando lhe assinalei o meu interesse já estava em marcha o processo da autoedição, que achámos melhor não travar. Está feito, ainda que sem o logotipo abysmo. Acontece. De igual modo, acontecerá sequência. Tem qualquer coisa de solar esta preciosa cápsula do tempo. O futuro parece menos sombrio

JOÃO FAZENDA

Desenhar com lâmina

se contarmos com o presente desta geração, afinal, desenrascada, que insiste no que vai fazendo em neurociência, em design ou música, engenharia ou bailado. Difícil, precário e tal, mas haverá outro modo de se vestir o mundo? Ainda que «sem ambições literárias», descobrem-se textos brilhantes, por exemplo os de Catarina Vasconcelos, e o conjunto explode em variedade de tons e vozes e maneiras e temas sem perder equilíbrio. Espreitamos fragmentos de vidas, em momento algum banais, ainda que comuns. E que revolucionário pode ser o facto destes quotidianos serem usuais! Joana desenhou mais do que as páginas, escolheu

notícias, sublinhou locais na pele de Lisboa, pediu e fotografou objectos, enfim compôs algo que rola como círculo virtuoso, LP em prato de gira-discos. Ou seja: livro, singelo e luminoso. Os 30 põem fim à juventude, diz ela. Talvez não, se depender deles. (Pareceu-me boa companhia o som «único e delicado» dos Durutti Column, apresentado pela própria Joana, no seu «Álbum de Família», na Radar (https:// radarpodcasts.podbean.com/)) HORTA SECA, LISBOA, 13 JULHO Por mais que olhe nas múltiplas direcções, os dias continuam a atropelar-me

Convergiram amigos que há muito não via. Difícil reconhecermo-nos no âmbar daquele olhar. Nenhum de nós é ainda aquele. Ou ainda algum fio nos prende aos gestos de um puto, de um jovem?

na passadeira. Será por estar sentado quando devia correr? Receber peças do calibre de «Mutations», do mano João [Fazenda], significa, portanto, salvo-conduto para o máximo recolhimento. Na dedicatória vem um monociclista a fugir do traço encimado pela afirmação de que escrevo desenhos e invento livros. Comovo-me e travo a fundo enquanto o olhar se perde nas linhas impuras do prazer e da inteligência. Estes desenhos são lições de bem ver: uma pedra, uma paisagem, um corpo podem esconder inúmeros. Traços simples que despertam as formas adormecidas no branco, que as movimentam, que as misturam: pétalas são lascas de granito, cabelos soltos fazem nuvens, paisagens que crescem no vestido, um mineiro surge-nos da barriga, árvores viram tejadilho e locomovem-se. Podem ser apenas pensamentos pedindo a encenação do lápis ou corpos juntos pelo puro gozo do desenho. Na maior parte dos casos, vejo ideias, isto é, poemas. Riscos e pequenas nuvens de cinza a desdobrarem-se nas infinitas possibilidades do mundo que se vislumbram para lá destas portas-páginas. Bendito demiurgo, que até nas mais negras ideias, colocas o incêndio de um sorriso! Podia pegar em cada um destes poemas e lambê-lo com palavras, carimbá-lo com a desnecessária metáfora das sombras que ardem (como a que ilustra algures a página). Sabes bem que descrever as imagens são afagos no artista. Devia chamar-te ruy-belo-da-ilustração, e por aí fora, desde que poetas do mar e do vento e das inocências perdidas, até te irritares. Melhor ficar por aqui à procura da tristeza que há-de andar algures. Preciso de a alimentar. (Eu reconheci o Tom Waits, mas puxei do «Espaces Baroques», do Frederic Galliano, e deixei-o desdobrar os recantos enquanto via). HORTA SECA, LISBOA, 14 JULHO Como no desenho do João [Fazenda] em que um gato faz de papagaio no meio dos pássaros com avião ao fundo, assim me senti eu hoje. Convergiram amigos que há muito não via. Difícil reconhecermo-nos no âmbar daquele olhar. Nenhum de nós é ainda aquele. Ou ainda algum fio nos prende aos gestos de um puto, de um jovem? BAIXA CHIADO, LISBOA, 15 JULHO No metropolitano, pela primeira vez em muitos meses, mas mesmo muitos, todos os lances de escadas rolantes que ligam a Baixa ao Chiado estão funcionamento. As carruagens, essas, pelo menos na linha verde, continuam à pinha em qualquer hora do dia. Para memória futura.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 19

quarta-feira 19.7.2017

na ordem do dia Julie O’Yang

热风

A Cidade dos Amendoins e a classificação etária na China Dahufa, um filme de animação chinês, estreado a 13 de Julho de 2017.

C

OM um argumento surreal e violento, Dahufa conta-nos a história de um atraente assassino que viaja até uma cidade estranha e opressiva, habitada por humanoides com cabeça de amendoim, em busca de um príncipe desaparecido. O governador da Cidade dos Amendoins é Anji o Velho, personificado por um dente de ouro. Todas as paredes da cidade estão cobertas com cartazes propagandísticos, que anunciam “O povo apoia o seu Grande Líder”. O governador tem um exército muito forte e bem treinado, que se dedica a executar todos os cidadãos-amendoim em cujos corpos crescem “cogumelos fantasma”. Neste país a vida vale o mesmo que nada. Anji o Velho trata os cidadãos como se fossem gado. Deixa que o venerem, mas, quando lhe dá na gana, manda executá-

-los. No entanto, o povo amendoim tem ideias curtas e aceita o seu destino, vivendo submisso sob a constante ameaça de vir a ser executado pelos odiosos “guardas”. Ou, pelo menos, assim parece. Sob uma aparência de ordem, percebe-se que se conspira e que a revolução está prestes a acontecer. O povo amendoim não se atrevia a abrir a boca e a expressar as suas opiniões. Nem se atreviam a pensar por si próprios. Mas, no final, devido à tomada de consciência de alguns “amendoins”, são conduzidos até à estrada que desemboca num novo amanhã. Este é um conto de fadas negro, destinado a adultos e que apresenta alguns temas de forma séria e brutalmente explícita. Os produtores de Dahufa tomaram a decisão de classificar o filme para M/13 anos, um aviso aos pais de que o filme poderia conter cenas impróprias para crianças com menos de 13 anos. Esta atitude sublinha o facto de na China não existir um sistema de classificação etária

Veja o trailer aqui: bit.ly/2u0nEB3

para os espectáculos. Por este motivo, aos produtores cinematográficos resta apenas uma opção: fazer filmes que sejam adequados para crianças. Os filmes que não encaixem nesse critério de universalidade ficam sujeitos aos cortes da entidade reguladora governamental. A classificação etária pode funcionar como uma jogada de marketing, mas também deriva de uma noção de responsabilidade social. Apesar do aviso, alguns pais vieram queixar-se do filme na comunicação social, depois de terem levado os filhos a ver o que tinham pensado ser um filme de desenhos animados inofensivo. O filme tem uma animação altamente estilizada, conteúdos contemporâneos e relevantes, e denota influências que vão de Van Gogh à pintura chinesa tradicional. Tem cenas de luta, aventuras fantásticas e uma animação fenomenal. As temáticas mais sensíveis não subestimam a inteligência do espectador.

O povo amendoim não se atrevia a abrir a boca e a expressar as suas opiniões. Nem se atreviam a pensar por si próprios


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19.7.2017 quarta-feira

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A Poesia Completa de Li He

七夕 別浦今朝暗,羅帷午夜愁。   鵲辭穿線月,花入曝衣樓。   天上分金鏡,人間望玉鉤。   錢塘蘇小小,更值一年秋。

Sétima Noite As Margens da Partida estão escuras nesta manhã,1 À meia-noite as cortinas de seda do dossel enlutadas.2 As pegas deixam a lua de seda tecida, Flores enchem as torres onde arejam roupas.3 No alto do céu, meio espelho de ouro,4 Em baixo, entre os homens, miramos o anzol de jade. Na cidade de Qian-tang, Su Xiao-xiao Aguenta o outono de ainda mais um ano.5

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Na sétima noite do sétimo mês lunar (correspondente, grosso modo, ao mês de Agosto) celebrava-se o festival do Pastor e da Tecedeira. Estes dois amantes, exilados para os céus sob a forma de estrelas e apartados pelo rio da Via Láctea, eram autorizados a encontrarem-se nesta noite. Atravessavam o rio numa ponte construída por pegas, mas, chegada a aurora, tinham de se separar de novo. “As Margens da Partida”, ou seja, a Via Láctea. [Propriamente, 天河, tian hé, “Rio Celeste”]. Provavelmente uma referência à Tecedeira, de novo abandonada e desolada, ou mesmo uma referencia ao próprio Li He. Era costume, nesta noite, as mulheres deixarem ao luar sete agulhas com fios de seda enfiados e rezarem por maior habilidade na costura. Também era costume pôr livros e roupas ao sol durante esse dia. A lua crescente. “Meio espelho” é uma referencia a uma história de amantes separados que guardaram cada um metade de um espelho como lembrança. Su Xiao-xiao era uma donzela cantora de Qian-tang (a actual Hangzhou) que viveu durante a Dinastia Qin do Sul (479-502). O seu túmulo, no distrito de Jian-xing, no norte do Zhejiang, foi destruído por fanáticos Guardas Vermelhos durante a Revolução Cultural.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


(f)utilidades 21

quarta-feira 19.7.2017

TEMPO

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

MIN

24

MAX

29

HUM

75-98%

EURO

9.30

BAHT

Quinta-feira CINEMA | DOCUMENTÁRIO “TARACHIME + AMAMI” De Naomi Kawase | 19h30 CINEMA | DOCUMENTÁRIO “RIO CORGO”, DE MAYA KOSA & SERGIO DA COSTA Cinemateca Paixão | 21h30

O CARTOON STEPH

Diariamente EXPOSIÇÃO “PARA BAIXO E PARA CIMA” DE DENIS MURELL Até 26/7 EXPOSIÇÃO “NEW ART PEOPLE PROJECT 2017: BOUNDLESS 4” Armazém do Boi | Até 13/8 EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 80

EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

Cineteatro

C I N E M A

WAR FOR THE PLANET OF THE APES SALA 1

CARS 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Brian Free 14.00, 16.00, 18.00, 20.00

DISPICABLE ME 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 22.00 SALA 2

WAR FOR THE PLANET OF THE APES [B] Fime de: Matt Reeves

Com: Woody Harrelson, Sara Canning, Judy Greer 14.15, 16.45, 21.45

PROBLEMA 81

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8

1.18

PARAGEM LÍQUIDA

CINEMA | IV CICLO DE CINEMA CRED-DM – SISTEMA PRISIONAL “PRISON ON FIRE” Casa Garden | 19h30

CINEMA | “PLASTIC CHINA”, DE JIU-LIANG WANG Cinemateca Paixão | 21h30

YUAN

PÊLO DO CÃO

CINEMA | DOCUMENTÁRIO “CAMERAPERSON”, DE KIRSTEN JOHNSON Cinemateca Paixão | 21h30

Sexta-feira

0.23

Antes do ponto de solidificação a fluidez deveria ser uma garantia absoluta, uma infalibilidade tão certa como o nascer do sol. A excepção às fases de transição dos estados físicos são as ruas de Macau que congelam quando transitam para o estado líquido. Chove e as artérias da cidade transitam para um estado glacial, Macau torna-se um icebergue rodoviário. Se, um dia destes, avistar um urso polar ou um bando de pinguins no meio de San Ma Lo a visão terá a sua lógica. Estes dias de dilúvio têm transformado a cidade numa intrincada rede fluvial, cheia de troncos a atravancar a corrente natural do trânsito. Autocarros como árvores derrubadas, motociclos como detritos que vão escoando a custo, automóveis que se entalam em cruzamentos. Também nos passeios o trânsito corre com dificuldade, espesso, como uma polpa grossa que entope das calçadas. Tudo congela com a chuva, quando as moléculas de Macau se deveriam adaptar a qualquer forma, sem prejuízo do seu volume. Tudo se deveria solver e correr no seu curso natural. Em vez disso, ficam as pessoas a desesperar dentro de carros, pedestres a pedir licença a multidões nos passeios, passageiros a ver vida andar para trás nos autocarros. Ficam os dias molhados, as roupas coladas ao corpo, as meias encharcadas a flirtar com resfriados vários, fica a vida congelada, enquanto se sua profusamente num desespero que exige movimento. João Luz

“THE ROAD: PART I” | UNKLE

Unkle, o projecto do genial James Lavelle, está de volta aos discos depois de sete anos de silêncio. “The Road: Part I” será lançado no próximo dia 18 de Agosto, mas já circula pela Internet. A mais recente música publicada é “Looking For The Rain”, que conta com a potente voz de Mark Lanegan, o ex-vocalista dos Screaming Trees. Como sempre, Lavelle congrega um conjunto de talentos em torno do projecto Unkle. Neste disco, o britânico tem a colaboração de Andrew Innes dos Primal Scream, Liela Moss de The Duke Spirit e Mark Lanegan, que começa a ser um colaborador recorrente do britânico ao leme de Unkle. O disco que se aguarda com impaciência. João Luz

WAR FOR THE PLANET OF THE APES [3D] [B] Fime de: Matt Reeves Com: Woody Harrelson, Sara Canning, Judy Greer 19.15 SALA 3

SPIDER MAN: HOMECOMING [B] Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Sofia Margarida Mota Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


22 opinião

19.7.2017 quarta-feira

a outra face

O desatino

inútil. Bem podemos ter a ilusão de marchar a direito, de ninguém afrontar, de nos desviarmos de caminhos obscuros, de respeitar escrupulosamente a lei, de tratar os outros como gostaríamos de ser tratados, de deixar cada um na sua vida e apenas intervir para ajudar se for o caso: é inútil. Na nossa via, no nosso humilde carreiro, imiscui-se sempre, ergue-se por hábito, apresenta-se triunfante, o desatino. Ninguém desatina por acaso, à excepção do mundo inteiro à nossa volta, cuja propensão para o desatino parece ser uma espécie de vício. Quando tudo se emproa ares de correr bem, é quando qualquer coisa desagradável lá tem de acontecer. Para nos estragar o humor, arruinar o dia e fazer descrer dos projectos. Ele está em todo o lado, o desatino. O desatino é rei. Precisamente. É quando mais nos julgamos em controlo das nossas vidas – ganhando distância dos humores do chefe no emprego, fazendo das queixas sucessivas do cônjuge uma espécie de missa e das derrotas do nosso clube favorito algo de superficial –, ou seja, quando tudo finalmente corre bem, que novamente irrompe todo-poderoso, invasivo, inesperado, o desatino. Ele há desatinos de todos os tipos, mas uns desatinos são mais desatinados que os outros. Pouparei o amável leitor a uma lista, uma hierarquia, uma descrição de desatinos. Cada um terás os seus e o que é um desatino para um, não o é forçosamente para outro. Mas, idiossincrasias desatinadas à parte, a verdade é que a vida de todos se encontra extremamente bem recheada de desatinos. Ninguém se pode queixar de uma distribuição injusta. Há desatinos para todos e para todos os gostos. Parecem nascer debaixo das pedras, viajar nos cabos e concentrarem-se à nossa porta, à medida de cada um.

J. LOUIS DAVID, MORTE DE MARAT

É

CARLOS MORAIS JOSÉ

Há desatinos para todos e para todos os gostos. Parecem nascer debaixo das pedras, viajar nos cabos e concentrarem-se à nossa porta, à medida de cada um

Dizem que o desatino começou no Paraíso. Isso só prova que até nesse espaço de beatitude, onde Deus e os animais falavam com o Homem, já havia desatinos. Crenças e livros sacros de lado, ensina-nos hoje a ciência que o princípio foi um big desatino. O desatino acompanha-nos desde o alvorecer até à morte, até porque ela é, na maior parte dos casos, um grande desatino. Já a vida é diferente. Ou será que não é? Para viver, em geral, a vida tem que consumir vida e isso é, no mínimo, estranho e pouco solidário. Quando o leão come o carneiro, não estará a comer também um pouco de si mesmo? Ou seja, os seres vivos deviam sobreviver à conta de coisas inanimadas para não serem predadores no seu próprio reino. Mas não, a coisa não foi assim construída. Pelo contrário, foi feita para as hienas fossarem nos desvalidos, as aranhas paparem as moscas e os gatos comerem os ratos que, por sua vez, não raro chamam um doce a outros elementos da sua própria espécie. Enfim, um desatino... um acumular sucessivo de desatinos. Onde pára a harmonia, meus amigos? Onde se esconderam a temperança, o equilíbrio, o bom senso? Por onde andam a benevolência, a piedade, a contrição? Olhamos à volta e damos por nós rodeados de desatinos, próprios e alheios; alguns provocados por nós, a maior parte pelo mundo, como se eles fossem os pontos e as vírgulas do texto plasmado no Livro do Destino. Viver tornou-se numa descida de um rio cheio de escolhos, de remoinhos, de troncos flutuantes, quando não de dissimulados hipopótamos e pétreos crocodilos. Bem nos tentamos desviar mas bem sabemos ser uma missão impossível. Quantas vezes não chocamos – e de frente – e se desfaz a frágil canoa onde vagueia a nossa existência? Quantas vezes não suamos no desespero de torcer o leme do destino, enquanto a corrente trocista nos empurra para o desatino seguinte? Os leitores sabem do que estou a falar. E, por isso mesmo, ficará por aqui mais este ténue, simplório, beduíno, desatino.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 25/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 30 de Junho de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de um Analisador Digital de Densitometria Óssea (DEXA) aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 19 de Julho de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP42,00 (quarenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). Os concorrentes devem estar presentes no Centro de Saúde de Fai Chi Kei, no dia 24 de Julho de 2017, às 10,00 horas para visita de estudo ao local da instalação do equipamento a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 18 de Agosto de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 21 de Agosto de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP40.000,00 (quarenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 13 de Julho de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS

Aviso Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da primeira prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2017 nos termos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 28 de Julho, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995342, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 12 de Julho de 2017 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong


ócios/negócios 23

quarta-feira 19.7.2017

ART HABITAT, AULAS DE BALLET ANNA KIZLYUK ACCONCI, FUNDADORA

Dançar por amor à arte Tudo começou com o espectáculo Zaia, mas depressa se estendeu a todo o território. Anna Kizlyuk Acconci é professora de ballet e dança desde que se lembra de ser gente. Hoje ensina crianças, adolescentes e adultos, e só lamenta que não haja um ensino mais profissional desta forma de expressão artística

um mês, até que o nome final estivesse confirmado”, contou Anna ao HM. Hoje dá aulas a bebés, a crianças e a adolescentes até aos 18 anos de idade. Há também aulas para adultos que começam agora a interessar-se pelo ballet. Até agora, o negócio parece estar a correr de feição. “Tenho alguns pais que comentam e dão-me um feedback positivo, no sentido que preferirem o meu método em relação a outros. Isto porque nas minhas aulas não temos só brincadeira e jogos o tempo todo. As crianças aprendem e não estão apenas a brincar toda a aula.” Anna explica que tenta misturar o melhor de dois mundos, ou seja, a brincadeira e o lado sério de uma forma de dança exigente, que pede disciplina e concentração. “Tento combinar o divertimento com a dança, numa prática saudável que mistura o lado clássico da escola russa, chamado método vaganova, e que é mais apropriado para os pequenos alunos. Para as crianças mais velhas há uma maior estrutura e as aulas são dadas num ambiente mais restrito e com mais disciplina, onde há a ideia de que nunca se pode desistir. Este é um dos objectivos mais importantes para qualquer arte, sobretudo o ballet”, adiantou a mentora da Art Habitat.

UMA PAIXÃO DESDE CRIANÇA

A

NNA Kizlyuk Acconci criou a Art Habitat em 2011, quando o espectáculo Zaia, da companhia canadiana Cirque du Soleil, estava no território. Bailarina profissional desde criança, Anna dava aulas aos bailarinos da companhia. Quando o espectáculo fechou portas, a responsável pelo Art Habitat virou-se para a cidade e para aqueles que também queriam aprender, de forma profissional, a forma mais clássica de dança. Sem um espaço físico, a Art Habitat funciona com aulas particulares e também em escolas e jardins-de-infância. Tudo depende dos interessados e das marcações que são feitas. “Acredite ou não, recorri à numerologia e astrologia, através de uma amiga da minha mãe, para ver qual seria o nome mais bem-sucedido para a minha empresa. Troquei emails com ela durante quase

Anna Kizlyuk Acconci tinha um ano de idade quando começou, de forma espontânea, a querer dançar como as bailarinas profissionais. “A minha paixão pelo ballet começou muito cedo. Segundo a minha mãe, começou quando tinha um ano de idade. Estava a ver um espectáculo de ballet na televisão e de repente comecei a imitar as bailarinas. Partia os meus chinelos ao meio, porque só queria andar em bicos dos pés.” Com cinco anos, Anna começava a ter as primeiras lições de ballet para começar a praticar como uma bailarina profissional a partir dos nove anos. Começou então uma carreira que dura até aos dias de hoje. Em Macau, a criadora da Art Habitat lamenta que a dança clássica não seja levada a sério. “Os pais não consideram o ballet ou estilos de dança mais contemporâneos como uma verdadeira carreira que os seus filhos podem seguir. Não surpreende que as únicas aulas existentes sejam dadas por associações de dança, mas que são apenas como hobbie e divertimento, e não para aprender a dançar como uma profissional. Há uma mentalidade pequena.”

O LADO SÉRIO DA DANÇA

No futuro, Anna “gostaria de ver mais interesse em aprender dança da forma

correcta”. “Foi aí que comecei e fui obtendo mais experiência e conhecimento para transmitir aos meus alunos, após ter passado por várias escolas de ballet”, lembra.

“O maior desafio é ter as portas abertas num local permanente ou numa escola. Financeiramente é um grande peso e as rendas em Macau são um grande problema.”

Ainda assim, a professora considera que os pais dos seus alunos têm consciência da importância da sua prática. “O facto de os pais inscreverem os seus filhos nas aulas só significa que sabem o quão importante são para o seu desenvolvimento, e não apenas físico.” Apesar de a Art Habitat estar cheia de alunos de todas as idades, Anna defende que é muito difícil abrir um espaço físico. “O maior desafio é ter as portas abertas num local permanente ou numa escola. Financeiramente é um grande peso e as rendas em Macau são um grande problema. Sem o apoio do Governo é verdadeiramente difícil operar um negócio na área das artes”, conclui. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


A

PESAR da polémica em torno da última edição, a Taça do Mundo FIA de GT irá continuar a ser disputada no Circuito da Guia em 2017 por decisão da Federação Internacional do Automóvel (FIA). Contudo, desta vez, os pilotos amadores serão impedidos de tomar parte na prova, o que era uma das condições de alguns construtores envolvidos nesta corrida para continuarem a visitar a RAEM. Para além de ter confirmado a continuidade da prova nas ruas de Macau, a FIAanunciou que esta só estará aberta a pilotos profissionais. Isto é, apenas pilotos classificados pela FIA como “Ouro” ou “Platina”, segundo a classificação oficial de pilotos da entidade federativa, serão autorizados a estar à partida. Esta medida irá afastar vários pilotos asiáticos que habitualmente competem nas diversas competições de GT e que tinham como momento alto da temporada a participação no Grande Prémio de Macau. Curiosamente, nenhuma das interrupções da corrida de má memória do ano passado foi causada por pilotos amadores ou menos experientes. Esta resolução limita também a participação de pilotos do território na corrida. Presentemente apenas André Couto, que nos dois

Obras Públicas Dois interessados no túnel para a Montanha

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Foram admitidas as propostas das duas empresas que concorreram ao concurso público para prestação dos serviços de gestão, manutenção e conservação do túnel que liga o novo campus da Universidade de Macau (UM) à ilha da Montanha. O acto público de abertura das propostas realizouse ontem. Foram admitidas as duas propostas que se candidataram a prestar o serviço, sendo que os valores das ofertas se situaram nos 56 milhões e 71,8 milhões de patacas. A prestação deste serviço tem o prazo de dois anos.

Meu coração sempre em revolta. / Coração, quietinho... quietinho... / Porque te insurges e blasfemas? / Pschiu... Não batas... Devagarinho... / Olha os soldados, as algemas!’’ Camilo Pessanha

quarta-feira 19.7.2017

GRANDE PRÉMIO DE MACAU FIA SÓ ACEITA PROFISSIONAIS PARA A TAÇA DO MUNDO DE GRAN TURISMO

Isto não é para amadores últimos anos escolheu a Taça do Mundo FIA de GT para estar à partida do Grande Prémio de Macau, cumpre actualmente os critérios mínimos para alinhar na corrida. Com o intuito de aumentar o prestígio da prova, apenas viaturas de fábrica ou apoiadas pelos construtores serão aceites à partida, sendo que os construtores não terão que pagar inscrição, ao contrário dos anos anteriores. A FIA aponta para uma grelha de partida de 18 a 25 (número máximo) carros. Como período de inscrições só agora abriu, nenhum construtor apresentou

D

os seus planos para a prova. Todavia, é esperada a presença de equipas da Audi, BMW, Mercedes-Benz e Porsche.

OUTRAS MEDIDAS

Para combater as interrupções e tentar diminuir ao máximo o tempo de recuperação das viaturas acidentadas, serão instituídas medidas no regulamento técnico da prova, assim como haverá à disposição novo equipamento para esse propósito. O procedimento de recomeço, após eventuais interrupções nas duas corridas da taça mundial, passará de 10 para 5 minutos. Outras

UAS associações entregaram ontem às autoridades uma queixa sobre um alegado caso de corrupção eleitoral. A iniciativa partiu da Associação Sonho Macau e da Associação Activismo para a Democracia, ambas dirigidas por candidatos às eleições legislativas de Setembro próximo. Representantes destes dois movimentos foram ontem ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) denunciar um caso de alegada corrupção eleitoral, que envolve sorteios e prémios na recolha de assinaturas para a constituição das comissões. Carl Ching, líder da Sonho Macau, contou que a denúncia foi feita por um residente e diz respeito a um evento que decorreu em Maio passado. Segundo o queixoso, o caso ocorreu durante o período de recolha de assinaturas para a constituição das comis-

medidas de segurança serão igualmente implementadas no circuito, como modificações nos correctores e melhor uso das barreiras de segurança Tecpro. A prova patrocinada novamente este ano pela Sociedade de Jogos de Macau será composta por duas sessões de treinos-livres, uma qualificação de 30 minutos e uma corrida de qualificação de 12 voltas (ou 60 minutos) no sábado. A Corrida Principal, no domingo, será constituída por 18 voltas (ou 75 minutos). A primeira edição da Taça do Mundo FIA de GT, rea-

lizada em 2015, foi ganha pelo alemão Maro Engel em Mercedes-Benz. O ano passado foi o belga Laurens Vanthoor quem triunfou, apesar do seu Audi R8 LMS ter terminado com as quatro rodas para o ar.

SRO CONTINUA AO LEME

Também já é sabido que a reputada empresa francesa SRO Organization, que entre outros campeonatos, organiza as Blancpain GT Series na Europa e Ásia, vai continuar, pelo terceiro ano consecutivo, a assistir a Associação Geral Automóvel

Acusador e inocente Associações de activistas denunciam alegado caso de corrupção eleitoral

sões de candidatura. O candidato às eleições explicou que uma destas comissões convidou eleitores para encontros em que, à porta, foram verificadas as informações dos bilhetes de identidade de residente. Cada um dos participantes recebeu um bilhete para um sorteio. Durante a reunião, prossegue Carl Ching, “foram feitos apelos aos participantes para apoiarem determinados candidatos às legislativas”. De acordo com as informações que ontem foram transmitidas ao CCAC, as pessoas que não tiveram sorte no sorteio saíram do encontro com três cupões de 100 patacas

para compras num supermercado. Desconhece-se o valor dos prémios sorteados. Ching não jura a pés juntos que este episódio se tenha efectivamente verificado, mas achou por bem denunciar as suspeitas junto das autoridades competentes. O líder da Sonho Macau não quis divulgar o nome da comissão de candidatura alegadamente envolvida, dizendo que não pretende ser acusado de difamação.

SÓ COLABORAÇÃO

Nas declarações aos jornalistas, Carl Ching admitiu que se encontra

de Macau-China (AAMC) no que respeita à coordenação da participação de equipas e pilotos estrangeiros. Mantendo a tradição de anos anteriores, a Praça do Tap Seac acolherá, no fim-de-semana que antecede o evento, a exposição de supercarros, com a presença das viaturas que vão estar à partida da Taça do Mundo FIA de GT. As inscrições para esta corrida terminam no dia 31 de Agosto, mas os concorrentes só serão oficialmente dados a conhecer mais tarde no ano. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

envolvido numa investigação da Polícia de Segurança Pública (PSP) por causa de um caso de alegada falsificação de uma assinatura. O director da Sonho Macau explicou que a PSP pediu a sua cooperação por ter sido descoberta uma assinatura da comissão da sua candidatura cujo autor não se encontrava em Macau durante o período de recolha. Foi o filho da pessoa em causa que descobriu o caso e decidiu acusar Carl Ching, explicou o cabeça-de-lista da Nova Ideais de Macau. O candidato garante que não está a ser acusado pelas autoridades e afiança que é inocente. Vítor Ng (com Isabel Castro) info@hojemacau.com.mo

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Hoje Macau 19 JUL 2017 #3856  

N.º 3856 de 19 de JUL de 2017

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