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TUFÕES TESTE AO SISTEMA

RÓMULO SANTOS

PÁGINA 6

POLUICÃO ´ 2017 IRRESPIRÁVEL PÁGINA 7

TIAGO ALCÂNTARA

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Apesar das leis de Macau preverem a igualdade entre a língua portuguesa e o cantonense, é frequente os tribunais ignorarem as disposições legais e a opção de quem escolhe ser notificado na língua de Camões. A Associação dos Advogados de Macau entende mesmo que nos tribunais há uma língua de primeira e outra de segunda.

hojemacau

Língua morta GRANDE PLANO

MOP$10

QUINTA-FEIRA 19 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4034

FUTEBOL REGRESSO DE PELÉ ÚLTIMA

POBRE ATMOSFERA h

ANTÓNIO CABRITA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

19.4.2018 quinta-feira

JUSTIÇA

TRIBUNAIS NOTIFICAM PORTUGUESES EM CHINÊS E SEM TRADUÇÃO

A 10 de Dezembro de 1999 entrou em vigor um decreto-lei que colocou as línguas portuguesa e chinesa ao mesmo nível. Contudo, e apesar de haver o direito de escolha da língua em que se recebem notificações dos tribunais, na prática a lei é ignorada com regularidade. O sentimento é comum ao sector e a Associação dos Advogados de Macau considera que há uma língua de primeira e outra de segunda

S

EGUNDO o artigo 9 do Decreto-Lei n.º 101/ 1999/M, que consagra as línguas portuguesa e chinesa como oficiais e com a mesma dignidade, os cidadãos têm o direito de ser notificados pelos tribunais na língua que dominam. No entanto, no dia-a-dia, o decreto-lei é frequentemente ignorado pelos próprios tribunais, que têm a obrigação de aplicar as leis. Os prejudicados são os cidadãos. É por esta razão que são frequentes os casos em que quem apenas domina o português acaba notificado em chinês, sem terem hipótese de compreender o que consta nos documentos. O contrário também acontece, com pessoas que só dominam o chinês a serem notificados em português. Porém, segundo os advogados ouvidos pelo HM, é mais frequente as notificações em português virem acompanhadas de tradução para o chinês. O caso mais recente, conhecido pelo HM, envolve o residente João Tiago Martins, que perdeu o recurso do processo em que foi condenado pela prática de dois crimes de assédio sexual de criança. “Não quero discutir o mérito da decisão, porque não é disso que se trata. Mas há dias fui notificado de um Acórdão de 62 páginas todo ele escrito em língua chinesa, quando eu tinha requerido, desde o primeiro momento, que pretendia que nas comunicações fosse utilizada a língua portuguesa, prorrogativa que é conferida pelo Decreto-Lei 101/99/M e que é garantida pelo art. 9º da Lei da Básica”, contou João Miguel Barros, advogado de defesa, ao HM. “Neste caso concreto, de tanta seriedade, o que me escandaliza é que o tribunal desconsidere esse facto e não notifique o arguido com o texto do acórdão acompanhado de uma tradução. É bom ter presente que a notificação da sentença ao arguido é um acto obrigatório, que não admite qualquer tipo de intermediação”, sublinhou. “O tribunal tem de comunicar com o arguido numa língua que ele entenda! Ou seja, não é aceitável que condene um português e lhe mande a decisão toda escrita em língua chinesa”, acrescentou.

LÍNGUA DE

“O que tenho vindo a verificar é que há uma tensão permanente entre o uso do chinês e do português nos tribunais e nas notificações das peças escritas. E verifico que há, nestas matérias, situações de um total desrespeito e desconsideração pelos direitos dos arguidos.” JOÃO MIGUEL BARROS ADVOGADO

Uma experiência semelhante foi também partilhada pelo advogado Sérgio de Almeida Correia: “Sei de um processo em que as partes são residentes de Macau, falam português, os advogados são portugueses e o despacho foi enviado em chinês. No entanto, o magistrado que fez o despacho também sabe português. Só vejo isso como um forma de dificultar a vida às pessoas”, considerou.

LEI CLARA

Para o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Jorge Neto Valente, o Decreto-Lei n.º 101/1999/M é claro na defesa do direito das pessoas de serem notificadas na língua que dominam. “Temos o direito de escolher a língua nos tri-

bunais”, começou por realçar Jorge Neto Valente. “Essa lei foi acolhida no sistema jurídico de Macau, pela Lei da Reunificação e, portanto, continua sempre em vigor. Acontece que há uns senhores que se estão nas tintas para isso”, aponta. “A conclusão que se tira é que há cidadãos de primeira e outros de segunda. Embora esse mesmo diploma diga que as línguas têm a mesma dignidade e são tratadas como línguas oficiais, a verdade é que há uma de primeira e outra de segunda”, rematou o presidente da AAM. Também o advogado Sérgio de Almeida Correia concorda com esta interpretação e frisa que o direito de utilização das línguas não se resume aos tribunais. “Esta realidade é incompreensível porque o próprio


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quinta-feira 19.4.2018

E SEGUNDA

Código de Procedimento Administrativo diz que as pessoas têm o direito a serem notificadas na língua que dominam e podem fazer exposições em português e em chinês”, explica. “As exposições podem ser feitas nos termos da Lei Básica ao Chefe do Executivo, àAssembleia Legislativa. As pessoas que as fazem têm o direito de receber a resposta nessa mesma língua”, acrescentou. Por sua vez, João Miguel Barros acredita mesmo na existência de um confronto latente entre o que consta na lei e as práticas dos tribunais, com os arguidos a serem os verdadeiros prejudicados. “Há um confronto latente entre o que diz a lei e o que deviam ser as práticas mais correctas do relacionamento dos tribunais com

os advogados e com a sociedade”, começou por indicar o causídico. “O que tenho vindo a verificar é que há uma tensão permanente entre o uso

“Raramente, quando são processos mais mediáticos, eles fazem a tradução. Se foi escrito em chinês, a tradução para o português é feita. Mas não são todos os processos que têm essa cortesia e satisfação da obrigação legal.” JORGE NETO VALENTE PRESIDENTE DA AAM

do chinês e do português nos tribunais e nas notificações das peças escritas. E verifico que há, nestas matérias, situações de um total desrespeito e desconsideração pelos direitos dos arguidos”, defendeu. É com o objectivo de proteger os direitos dos cidadãos e o respeito pelas leis do território, que a associação liderada por Neto Valente apela para que a legislação que regula esta matéria seja cumprida. “A Associação dos Advogados de Macau mantem que a Lei n.º 101/1999/M está em vigor e exige que sejam cumprida. Não posso conceder que haja juízes que não cumpram a lei”, vincou.

ESCRITÓRIOS PREPARADOS

O facto das comunicações nem sempre serem feitas nas línguas

NETO VALENTE “TENHO MEDO É DOS JUÍZES QUE NÃO CUMPREM AS LEIS”

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o HM, o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Jorge Neto Valente, admite que o facto dos juízes não cumprirem as leis em vigor é mais preocupante do que o medo que de que os juízes estrangeiros não apliquem a lei da segurança nacional. “Faz-me lembrar o medo de que os juízes [portugueses] não cumpram a lei da segurança. Eu tenho medo é dos juízes que não cumprem as leis em vigor. Isso é que me causa medo”, afirmou. “Eles têm medo que os estrangeiros não cumpram a lei da segurança. Eu tenho medo que eles não cumpram as leis que estão em vigor. Agora. Já”, indicou. “Eles deviam ser avaliados é pelo cumprimento que fazem das leis”, acrescentou. O Governo de Macau está a preparar a revisão da Lei de Bases da Organização Judiciária e quer impedir os juízes com nacionalidade portuguesa de julgarem casos em que estejam em causa as infracções à lei sobre a segurança nacional.

pretendidas pelos diferentes advogados forçou os escritórios a adaptarem-se. Ao HM, Pedro Redinha admitiu mesmo que não vê uma solução para esta questão. “Com o tempo tenho entendido que temos de procurar e aceitar esta situação [das notificações serem feitas apenas em chinês]. É uma das línguas oficiais, e o tribunal opta por utilizar uma”, afirmou Pedro Redinha, ao HM. “A experiência diz-me que não vale a pena [exigir notificações em português] Temos de ser nós, escritórios de advogados, a traduzir as peças processuais do chinês para o português. Já não considero isso uma preocupação no desempenho da profissão. Tive de me adaptar à situação, quando tive a percepção de que não há como contrariar esta tendência”, explicou, Porém, o advogado reconhece que a situação é muito mais complicada quando se trata da notificação de pessoas, que não têm uma estrutura com tradutores por trás. “Nesses casos, torna-se claro que é um problema mais complexo”, disse. Por outro lado, as os advogados ouvidos pelo HM defendem que não está em causa o direito dos juízes escrevem as decisões ou notificações na língua que desejam. O problema, explicam, é não haver capacidade nos tribunais para criarem uma equipa de tradução. “Raramente, quando são processos mais mediáticos, eles fazem a tradução. Se foi escrito em chinês, a tradução para o português é feita. Mas não são todos os processos que têm essa cortesia e satisfação da obrigação legal”, considera Jorge Neto Valente. “Quando pedimos aos tribunais para fazerem a tradução, eles dizem que não têm tradutores. Eles dizem que não têm pessoas, e os outros que se desenrasquem”, apontou.

FALTA DE VONTADE

Quase 20 anos depois da transferência da soberania, o problema é encarado como o resultado de falta de vontade política. Isto porque os juízes quando são contratados têm de demonstrar competências nas duas línguas oficiais.

“Já há vários anos que ando a lutar para que o português seja respeitado dentro dos tribunais. Fiz uma exposição à entidade competente, que tem poder e disciplina sobre os magistrados, e ainda hoje não tenho resposta. Participei o assunto, apresentei à Associação dos Advogados de Macau, mais do que uma vez, até dei o conhecimento sobre o facto ao Cônsul-Geral de Portugal em Macau e a situação continua a ser a mesma”, admite Sérgio de Almeida Correia. “É recorrente e julgo que há pouca vontade política para resolver o problema”, indicou.

“Esta realidade é incompreensível porque o próprio Código de Procedimento Administrativo diz que as pessoas têm o direito a serem notificadas na língua que dominam e podem fazer exposições em português e em chinês.” SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA ADVOGADO

Já João Miguel Barros vê na questão “um certo fundamentalismo patriótico”. “Há um certo fundamentalismo patriótico na utilização da língua chinesa no sistema judiciário de Macau que não é saudável. Não adianta haver direitos garantidos pelas leis básicas ou o que seja, quando a prática e o sentimento é o da exclusão do português. E o que eu pressinto é que tudo isto se irá agravando, sem apelo nem agravo”, opinou. O HM contactou os tribunais, através do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância, mas, apesar da insistência, não houve qualquer posição sobre o assunto. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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19.4.2018 quinta-feira

RÓMULO SANTOS

IMPOSTOS TRIBUTAÇÃO A CASAS DEVOLUTAS VAI SER ESTUDADA

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HATO PROPOSTA PARA COMPENSAR QUEM PERDEU CARROS NÃO AGRADA A LESADOS

Uma solução tardia

É hoje votada na generalidade a proposta que prevê a isenção do imposto na compra de um carro novo para quem perdeu os veículos na sequência da passagem do tufão Hato. Os lesados não concordam com as medidas apresentadas pelo Governo e pedem o reembolso da tributação referente ao carro perdido

O

S residentes que viram os seus carros danificados com a passagem do tufão Hato pelo território estão descontentes com a proposta de apoio avançada pelo Governo. Como tal, ontem a aliança constituída por mais de duas centenas de proprietários juntou-se para manifestar a sua posição em conferência de imprensa. Em causa estão os benefícios fiscais na aquisição de novos veículos motorizados, que é hoje votada na generalidade na Assembleia Legislativa (AL). De acordo com os lesados, o apoio dado aos proprietários que se viram sem carro no passado dia 23 de Agosto, não deve ser apenas dirigido a quem vai comprar uma nova viatura, mas sim a todos. O representante dos lesados, de apelido Chan, exige novamente que o Governo assuma a responsabilidade que lhe cabe. No entender do responsável, o Executivo deve avançar com o

reembolso do imposto já pago e a medida deve ser aplicada a todos os proprietários. Chan adiantou ainda que “os proprietários se sentem desiludidos com a proposta do Governo, contrária à opinião da generalidade dos lesados”.

PREJUÍZOS COLATERAIS

O representante apontou ainda outras razões que levam os

Já sem matrícula registada e sem carro, “os proprietários vêm-se na obrigação de aceitar o que vier”, referiu Sulu Sou. Por outro lado, o deputado alerta o Governo para o perigo da construção de auto-silos nas zonas baixas do território

proprietários a não estarem a favor da proposta que vai hoje a votação na AL. Nomeadamente no que diz respeito ao facto do reembolso só acontecer em caso de compra de novo carro. Ou seja, os lesados sentem que ficam sempre a perder, porque o reembolso será sempre menor do que aquele a que teriam direito se a referência fosse o imposto já pago. A razão tem que ver com as novas exigências ambientais que preveem impostos maiores para quem quiser carros menos amigos do ambiente. Por outro lado, os carros inutilizados já foram vendidos em hasta pública e o dinheiro arrecadado pelo Executivo já deveria ter sido devolvido aos proprietários dos veículos. No entanto, até agora, não o foi. Chan pede ainda que os auto-silos que representam perigo continuem fechados até que as suas instalações sejam melhoradas de modo a poderem aguentar

com a passagem de um tufão forte pelo território.

COM O APOIO DE SULU

A conferência de imprensa de ontem contou com a presença do deputado suspenso Sulu Sou que está ao lado dos queixosos. “O objectivo da proposta deve ser alterado para apoiar a pressão económica dos proprietários dos carros danificados”, disse. O pró-democrata critica ainda o Governo por ter divulgado a proposta há muito pouco tempo quando tinha exigido aos proprietários a anulação da matrícula ainda no ano passado. Já sem matrícula registada e sem carro, “os proprietários vêm-se na obrigação de aceitar o que vier”, referiu. Por outro lado, Sulu Sou alerta o Governo para o perigo da construção de auto-silos nas zonas baixas do território. Vitor Ng (com S.M.M) info@hojemacau.com.mo

Governo vai fazer um estudo pormenorizado sobre a criação de um imposto sobre prédios abandonados que se encontrem vazios. A informação foi deixada pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF) em resposta a uma interpelação do deputado Lam Lon Wai. “No que toca ao estudo sobre a criação e a cobrança do imposto sobre prédios devolutos (…) o Governo da RAEM precisa de, em primeiro lugar, fazer um estudo mais pormenorizado”, refere o documento oficial do Executivo. O problema nesta matéria, considera a DSF, tem que ver com as questões que o assunto levanta e o desentendimento entre as opiniões dos residentes. “Dado que a sua execução implica vários problemas técnicos, têm existido na sociedade opiniões divergentes”, refere a resposta do Governo. Apesar de admitir a necessidade em tratar da tributação de prédios desocupados, o Executivo não tem ainda qualquer data apontada para começar a trabalhar nesse sentido. “Não foi fixado um calendário para os estudos do imposto sobre prédios devolutos”, lê-se. Lam Lon Wai, à semelhança de outros deputados, tinha pedido ao Governo medidas no sentido de tributar os edifícios vazios do território. Na mesma interpelação, o deputado queixava-se da falta de informação relativamente à alteração ao regulamento da contribuição predial. Em resposta, o Executivo apenas avança que vai ter mais informações disponíveis na internet. “A DSF vai publicar brevemente diversos cenários e as respectivas disposições sobre a cobrança do imposto respeitante à aquisição de bem imóvel na página electrónica da DSF, através da forma de perguntas e respostas frequentes para facilitar, a todo o tempo, a consulta pelos contribuintes”. S.M.M.

Função Pública Wong Kit Cheng exige melhorias no recrutamento

A deputada Wong Kit Cheng entende que o novo regime de gestão uniformizada dos concursos para recrutamento de funcionários públicos não vai resolver os problemas do passado, ou seja, não vai garantir procedimentos mais justos, nem um maior conhecimento público das situações. Em interpelação escrita, Wong Kit Cheng questiona o Executivo acerca do que pretende fazer para garantir a transparência nos concursos públicos e exigir a presença dos candidatos. Por outro lado, considera, há que ter em conta as despesas que este tipo de procedimentos acarretam e questionar se são as mais adequadas.


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quinta-feira 19.4.2018

CARTAS DE CONDUÇÃO PSP E DSAT INSISTEM QUE O RECONHECIMENTO MÚTUO VAI SER CONVENIENTE

Diapasão bem afinado

ao acordo que ainda não tem uma data de implementação definida.

TIAGO ALCÂNTARA

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e a PSP insistem que o acordo de reconhecimento mútuo das cartas de condução com a China vai ser “conveniente” para os residentes de Macau

SEM RISCOS

E

MBORA não haja (pelo menos teoricamente) volta a dar, tendo sido já publicado um despacho que autoriza o secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, a assinar o acordo para o reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e a China, a medida continua a gerar celeuma. Depois de o tema ter estado em foco, na terça-feira, na ida do Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, à Assembleia Legislativa, foi a vez da DSAT e da PSP emitirem comunicados a garantir que a medida não vai ter impacto – nem no trânsito, nem no emprego, nem na segurança em Macau – e a defender as vantagens da controversa política. Apesar de ter colhido consenso no seio do Conselho Consultivo do Trânsito, o acordo tem desencadeado uma série de críticas que têm tido eco, nomeadamente na Assembleia Legislativa, como sucedeu no plenário de terça-feira, em que os deputados pró-democratas pediram uma consulta pública relativamente

O TIAGO ALCÂNTARA

deputado Pereira Coutinho que maior fiscalização da higiene sanitária nas piscinas de Macau. A época balnear está prestes a começar e na impossibilidade de utilização das águas das praias de Macau, por serem “impróprias”, os residentes vão dirigir-se às piscinas, refere Pereira Coutinho. Por isso, “as autoridades competentes, nomeadamente os Servi-

“Mais de dez mil residentes candidataram-se, nos últimos dois anos, à carta de condução da China. Dados que, segundo a DSAT, atestam que o reconhecimento mútuo vai ser conveniente para os residentes.”

Mergulhos em águas turvas José Pereira Coutinho quer fiscalização apertada às águas das piscinas

ços de Saúde e o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, têm a responsabilidade acrescida na fiscalização, principalmente no arranque das piscinas”, diz o deputado em interpelação escrita. Para Coutinho o facto das águas em início de época

ainda serem “claras e transparentes” não elimina a probabilidade de conterem bactérias e vírus transmissores de doenças. Como tal, é fundamental que, antes de abrirem estes espaços ao público, o Governo se certifique que os equipamentos – filtros bombas, equipamentos de sucção de objectos externos, etc – funcionam correctamente e sem problemas”. A fiscalização e a certificação do bom funcionamento tem de ser mantida ao longo de toda a época balnear até porque se trata

de uma questão de saúde pública, alerta o deputado.

COMBATE AOS PARASITAS

Com a utilização, as águas das piscinas vão acumulando bactérias trazidas pelas pessoas que as frequentam e que têm de ser combatidas. O problema maior está, considera Coutinho, nas fezes. “Está confirmado que a água das piscinas normalmente concentra uma grande quantidade de fezes”, aponta. O deputado está documentado e “de acordo com os estudos recentes, sobre esta matéria, cada pessoa adulta leva para

a água 0,14 gramas de fezes, suor, urina e mil milhões de micróbios”, refere. O cloro consegue proteger os utilizadores de uma grande quantidade de bactérias presentes na água, no entanto é ineficaz quando se trata de parasitas responsáveis por problemas como gastroenterites e diarreias, alerta José Pereira Coutinho. É “em defesa da saúde pública” que o deputado exige uma uniformização e padronização dos procedimentos relativos à vigilância sanitária das piscinas do território, bem como uma divulgação dos dados recolhidos pelas autoridades nas suas actividades de fiscalização. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

A DSAT reiterou que, aquando das conversações com a China, a ideia foi proporcionar uma “conveniência” recíproca, sustentando que a medida vai facilitar a vida dos residentes de Macau que se desloquem à China de visita, em trabalho ou em negócios. Mais de dez mil residentes candidataram-se nos últimos dois anos à carta de condução da China. Dados que, segundo a DSAT, atestam que o reconhecimento mútuo vai ser conveniente para os residentes. Em paralelo, o organismo afirmou que não se espera uma grande procura por parte dos visitantes da China para conduzir em Macau, nem tão pouco que estejam em risco empregos. Isto porque, ressalvou a DSAT, o reconhecimento das cartas de condução não significa que os motoristas da China possam vir a trabalhar nos transportes em Macau, pelo que apela à população para não estar preocupada. Já a PSP indicou que vai elevar a consciência dos cidadãos sobre a segurança rodoviária através de actividades de divulgação. A PSP argumentou ainda que, com base nas experiências das regiões vizinhas, não há indícios que apontem que essa política vai trazer grave pressão ao trânsito de Macau. Ainda assim, garante que vai distribuir mais agentes pelas principais zonas do território durante as horas de ponta e melhorar as instalações para manter a circulação sem obstáculo nas estradas.

Saúde Presidente dos “Kaifong” quer vales de saúde na China

A presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (“Kaifong”), Ng Siu Lai, afirmou esperar que, com o aumento do intercâmbio com Guangdong e do número de idosos de Macau que vão para a China, o Executivo estude a viabilidade do uso dos vales de saúde do outro lado da fronteira. Em declarações ao jornal Ou Mun, Ng Siu Lai sublinhou que se pode tentar aplicar a medida a título experimental em Zhuhai, ou nos hospitais de grande dimensão que ficam no perímetro da Grande Baía.


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19.4.2018 quinta-feira

TUFÕES ENSAIO DE SISTEMA DE RESPOSTA TESTADO A 28 DE ABRIL

Dia de treino GCS

O secretário para a segurança, Wong Sio Chak já afirmou que Macau está preparado para um tufão da magnitude do Hato, mas só na próxima semana será feito o primeiro teste ao novo sistema de resposta a emergências. O mecanismo conta, pela primeira vez, com a colaboração de associações comunitárias

Ma Io Kun, Comandante Geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU) “No dia 28 de Abril vamos testar o novo plano de resposta a emergências que, pela primeira vez, contou com a participação das associações civis na sua concepção.”

A

previsão da passagem de cinco a sete tufões por Macau este ano é o contexto meteorológico para o aparato que as autoridades têm preparado para responder à força da natureza. Como tal, vai ser testado no próximo dia 28 o novo plano de resposta de emergência a catástrofes da Protecção Civil. A informação foi avançada ontem pelo Comandante Geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Ma

Io Kun, numa reunião da estrutura de protecção civil. O responsável salientou ainda o facto de se tratar de um plano inovador na medida em que contou, na sua concepção, com a ajuda da comunidade. “No dia 28 de Abril vamos testar o novo plano de resposta a emergências que pela primeira vez contou com a participação das associações civis na sua concepção”, apontou. Lau Kuok Pou, representante dos SPU, referiu na mesma reunião, que o ensaio marcado para a

próxima semana tem ainda como objectivo “aumentar o conhecimento da população” acerca do que fazer em caso de catástrofe.

TEMPO EXTRA

Entretanto, e tendo em conta os dados dos últimos anos, a próxima época de tufões vai ter uma maior duração relativamente aos últimos anos. “Prevemos que o primeiro tufão acorra a meados de Junho e o último na primeira quinzena de Outubro”, referiu ontem o represen-

tante dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, Wong Chan Seng. “Será um período mais longo do que o habitual”, acrescentou. Há semelhança de anos anteriores, são esperados entre cinco a sete tufões este ano, disse ainda Wong. O responsável alertou especialmente para as consequências que os ventos e as chuvas têm no que respeita às inundações e no papel que o acaso desempenha nas mesmas. De acordo com Wong Chan Seng “os tufões têm uma velocidade média de deslocação de cerca de 20 km por hora, se o Hato tivesse chegado mais cedo teria apanhado outra fase da maré e não seria tão grave”, disse. Por outro lado “se a sua rota tivesse desviado cerca de 40 quilómetros para Este, Macau também não tinha sofrido as consequências que sofreu”, referiu. O representante dos SMG recordou ainda os novos parâmetros de sinalização de tufões. Depois da passagem do Hato, a sinalização passou a ter três patamares: 1, 3, 8 e 10, sendo que para que seja içado o sinal 1, o tufão tem de se encontrar a mais de 200 quilómetros de distância. Já o sinal 3 aparece quando a velocidade dos ventos é de 41 a 62 quilómetros por hora, o sinal oito tem lugar com velocidades de 63 a 117 quilómetros por hora e o sinal 10 quando os ventos ultrapassam os 118 quilómetros horários. Além disso há ainda as classificações acrescidas de tufão severo e de super tufão. Entretanto, o Instituto de Acção Social vai abrir mais 16 centros de abrigo com capacidade para acolher 23.873 pessoas. Além disso, o Governo elaborou um plano de evacuação das zonas baixas da cidade, com quatro locais de evacuação de emergência. Sofia Margarida Mota

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ECONOMIA FMI PREVÊ CRESCIMENTO DE 7 POR CENTO EM MACAU

O

Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipou que o crescimento da economia de Macau será de 7 por cento este ano e 6,1 por cento em 2019, numa redução do ritmo de crescimento relativamente aos 9,3 por cento em 2017. De acordo com o relatório Previsões Económicas Mundiais ('World Economic Outlook', em

inglês), divulgado na sede da instituição, em Washington, a estimativa para o crescimento da economia de Macau em 2023 é de 4,3 por cento. O FMI previu ainda uma subida dos preços de 2,2 por cento em 2018 e 2,4 por cento no ano seguinte. Em 2017, o índice dos preços no consumidor teve uma variação de 1,2 por cento.

Já a taxa de desemprego não deverá sofrer qualquer alteração em relação aos 2 por cento registados no ano passado. No relatório Previsões Económicas Mundiais, a instituição internacional antecipou que o crescimento do Produto Interno Bruto da região asiática será de 5,6 por cento este ano e no próximo, face aos 5,7 por cento

em 2017. O FMI espera que a economia mundial cresça 3,9 por cento este ano, melhorando uma décima face ao crescimento de 2017, ano que registou o maior crescimento desde 2011. "O crescimento mundial fortaleceu-se em 2017 para 3,8 por cento, com uma recuperação notável do comércio mundial, e foi liderado pela recuperação do

investimento nas economias avançadas, pela manutenção do crescimento forte na Ásia, uma notável aceleração na Europa emergente, e sinais de recuperação em vários exportadores de matérias-primas", de acordo com as Previsões divulgadas na terça-feira. LUSA

VISTOS HAINÃO DÁ ISENÇÃO POR UM MÊS A PORTUGUESES

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ilha de Hainão vai autorizar estadas turísticas até um mês sem necessidade de visto para cidadãos oriundos de 59 países, incluindo Portugal e Brasil, informaram ontem as autoridades chinesas. A medida entra em vigor no próximo mês e converte Hainão na província chinesa mais aberta ao turismo estrangeiro, a par das regiões especiais administrativas de Macau e de Hong Kong. Até agora, Hainão dava isenção de visto, para estadas de entre 15 e 21 dias, a turistas oriundos de 26 países, mas apenas para viagens em grupo. Os novos regulamentos excluem a última regra. Cidadãos de Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, França ou Rússia são também beneficiados pela normativa. O anúncio surge uma semana depois de o Presidente chinês, Xi Jinping, visitar Hainão, onde participou no Fórum Económico Boao. O Governo chinês anunciou ainda planos para converter a ilha numa ampla zona de livre comércio, que acolherá sedes de grandes empresas estrangeiras. Hainão, que até há poucas décadas vivia da pesca e agricultura, converteu-se nos últimos anos num dos principais destinos turísticos do país. Pequim e Xangai têm já políticas de isenção de visto, mas por um período máximo de 72 horas.


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quinta-feira 19.4.2018

A

AGOSTO MAIS QUENTE DESDE 1930

GCS

No que diz respeito ao clima, em 2017 verificou-se uma temperatura

AMBIENTE NÚMERO DE DIAS COM QUALIDADE DO AR INSALUBRE SUBIU EM 2017

O ar que respiramos

Dados oficiais divulgados ontem indicam que, no ano passado, houve um aumento do número de dias com qualidade do ar considerada “insalubre” RÓMULO SANTOS

S estações de monitorização de Macau registaram, ao longo do ano passado, aumentos do número de dias com qualidade do ar considerada “insalubre”, face a 2016. A Taipa foi a mais atingida: registando 28 dias “insalubres”, a somar a um “muito insalubre”, ocorrido no mês de Setembro, revelam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O índice da qualidade do ar baseia-se na concentração de poluentes do ar (como partículas inaláveis em suspensão, dióxido de enxofre, dióxido de azoto, monóxido de carbono e ozono), medindo-se através dos valores observados durante 24 horas nas estações de observação (actualmente existem seis, das quais uma funciona apenas desde Agosto). Este indicador é composto por um total de seis níveis – do bom (0-50) ao muito perigoso (401-500), sendo que, quanto mais elevado for, maior é a poluição atmosférica. Em contrapartida, na Rua do Campo – um dos ‘pontos negros’ da cidade devido ao intenso tráfego e falta de circulação de ar – houve mais sete dias com qualidade do ar “bom” e mais 28 na estação de alta densidade da zona norte, de acordo com as Estatísticas do Ambiente referentes ao ano passado. Durante dois dias foi detectado excesso de partículas inaláveis em suspensão (PM10) em Ká-Hó, contra zero em 2016. Já as estações da Rua do Campo, a da alta densidade habitacional da zona norte e da Taipa registaram um dia cada, à semelhança do ano anterior. No caso das partículas finas em suspensão (PM2.5) houve uma diminuição em toda a linha. A estação de Coloane (no parque industrial da Concórdia) sinalizou o maior número de dias com níveis acima dos valores normais (foram cinco, contra sete no ano anterior). Já o fenómeno da chuva ácida verificou-se durante 66 dias, um número idêntico a 2016. A fechar o capítulo do ar, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) recebeu 562 reclamações relativas à poluição atmosférica – mais 73 em termos anuais. Quatro em cada dez denúncias estavam relacionadas com o fumo e os cheiros provenientes de espaços de restauração.

média de 23 graus centígrados, o que representou um ligeiro aumento de 0,4 ºC. Com efeito, em Agosto, mês em que Macau foi atingido

No que diz respeito ao clima, em 2017 verificou-se uma temperatura média de 23 graus centígrados, o que representou um ligeiro aumento de 0,4 ºC. Com efeito, em Agosto, mês em que Macau foi atingido pelo Hato, o termómetro chegou a marcar 38 ºC, a temperatura mais elevada registada naquele mês desde 1930

pelo Hato, o termómetro chegou a marcar 38 ºC – a temperatura mais elevada registada naquele mês desde 1930. Já Dezembro registou a temperatura mínima (7,1 ºC ou mais 5,5 ºC, em termos anuais). Segundo os mesmos dados, choveu menos do que no ano anterior – foram 142 dias ou menos 19 do que em 2016 –, com Setembro a figurar como o mês com maiores níveis de precipitação. Em sentido inverso, aumentaram as horas de insolação, com Agosto a assinalar o período mais longo (217,7 horas). O ano que volveu ficou ainda marcado por oito tempestades tropicais, incluindo o Hato, que obrigou ao içar do sinal número 10, o que não sucedia desde 1999.

LIXO A AUMENTAR

Os dados revelados ontem dão ainda conta de que a Central de Incineração de Resíduos Sólidos tratou 510702 toneladas de lixo, ou seja, mais 1,6 por cento em termos anuais. O volume de resí-

duos especiais e perigosos também cresceu 11,5 por cento para 3751 toneladas. Em contrapartida, foram transportados para aterro 2933.000 metros cúbicos de resíduos de materiais de construção – menos 7,3 por cento face a 2016. Ao longo do ano passado, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e a DSPA recolheram 278,9 toneladas de resíduos de materiais plásticos – mais 12,1 por cento em termos anuais. Em sentido inverso, diminuiu a quantidade recolhida de papel (2571 toneladas ou menos 11,1 por cento) e metal (153,4 toneladas ou menos 18,6 por cento). Queda maior verificou-se na quantidade de vidro recolhida, que caiu 25,6 por cento para 491,5 toneladas. O decréscimo pode ser explicado, pelo menos parcialmente, com o facto de ter sido suspenso, em Outubro, o plano de reciclagem de garrafas de vidro. Em paralelo, no primeiro ano completo de implementação do plano de recolha

de baterias e pilhas, lançado pela DSPA em Dezembro de 2016, foram recolhidas 6,5 toneladas. Em alta esteve também o consumo de água que atingiu 88436.000 metros cúbicos, ou seja, mais dois por cento face a 2016, com aumentos em todas as frentes, ou seja, desde o consumo doméstico, ao comercial e industrial, até ao dos organismos públicos. Já os resíduos líquidos processados nas cinco Estações de Tratamento de Águas Residenciais diminuíram 8,1 por cento, de acordo com os mesmos dados. A área de solos de Macau era de 30,8 quilómetros quadrados em 2017, mais 0,3 do que em 2016. A densidade populacional também diminuiu em termos anuais, passando de 21400 para 21300 pessoas por quilómetro quadrado.

Ensino Marcelo Rebelo de Sousa destaca papel da Escola Portuguesa de Macau Numa mensagem enviada à Escola Portuguesa de Macau (EPM), o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, felicita a instituição de ensino pelo vigésimo aniversário de “uma vida dedicada à educação e ao ensino”. Na missiva, o Presidente da República destaca que, ao longo dos 20 anos, o

espaço de ensino tem “contribuído decisivamente para a difusão da língua e cultura portuguesas, sublinhando a importância dos valores do humanismo, em particular o respeito pela diferença e pelo próximo”, de acordo com informação veiculada pela Rádio Macau. Sublinhando que a EPM “é

Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

hoje uma das instituições mais respeitadas pelas comunidades residentes de Macau”, o Marcelo Rebelo de Sousa realça o contributo da instituição de ensino para o papel pioneiro de Portugal “no estabelecimento de pontes e plataformas de comunicação entre o ocidente e o oriente”.


8 eventos

19.4.2018 quinta-feira

O reservatório de Ká-Hó, em Coloane, vai acolher, no próximo dia 12 de Maio, o “Connections”. Apresentado como o primeiro festival ao ar livre a juntar ioga, música e dança em Macau, o evento promete um arranque “épico”

A

ideia surgiu de uma conversa espontânea entre amigas. “Estávamos a falar sobre a necessidade de haver eventos ao ar livre, fora do contexto urbano, que é uma tendência dos últimos anos, mas algo invulgar em Macau”, começa por explicar Rita Gonçalves, uma das mentoras da iniciativa. Das palavras passaram aos actos e, com ajuda de parceiros, nasceu o “Connections”, um festival ao ar livre que vai combinar uma série de actividades, como ioga, música e dança. Os interessados devem reservar o dia 12 de Maio na agenda, uma vez que o evento promete ser “épico” e conquistar um lugar regular no calendário de Macau. “Este tipo de eventos e festivais ao ar livre tem-se desenvolvido cada vez mais”, aponta, dando o exemplo do “Boom” ou do “Andanças” em Portugal e, na Ásia, do “Wonderfruit” (Tailândia) ou do “Bali Spirit” (Indonésia). “Estes eventos são muito giros e especiais, de contacto com a natureza e também com o nosso interior, em que se quebram barreiras, como os papéis sociais, e todas essas coisas que nos restringem no dia-a-dia”, enfatiza Rita Gonçalves ao HM. “Todo o contexto criado permite, depois dos primeiros dez minutos da vergonha, que as pessoas se soltem”, constituindo “uma grande fonte de alegria e liberdade”, complementa a presidente da Associação Yoga Loft.

Celebrar o que nos liga

FESTIVAL “CONNECTIONS” IOGA, MÚSICA E DANÇA AO AR LIVRE A 12 DE MAIO

O “Connections”, a ter lugar no reservatório de Ká-Hó, vai realizar-se a 12 de Maio. O festival, que decorre das 11h às 22h, vai ter música o dia inteiro, estando previsto um concerto ao vivo da banda “Concrete Lotus” e a actuação de DJs. A ideia da organização é proporcionar “um ambiente descontraído, com som ambiente”. Neste cenário, “vai também haver ioga – um mais fácil e calmo

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O LEITOR DE CADÁVERES • Antonio Garrido

Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro. Inspirado numa personagem real, “O Leitor de Cadáveres” conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial. Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.

e outro mais mexido e puxado”, explica Rita Gonçalves. “Há muito tempo que amigos alunos me pedem para eu fazer aulas com música. Só que, para mim, o ioga é um trabalho mais sério”, mas com “um ambiente festivo e ao ar livre vai ser engraçado explorar o contexto da música”, sublinha a também instrutora. O programa do festival inclui ainda dança, com ‘workshops’ orientados por pessoas de Macau e

do estrangeiro. “Vai ser uma dança muito exploratória, em que a ideia é brincar com um tema lançado pelo facilitador”. Em paralelo, há também actividades para crianças, como jogos, pinturas de rosto ou espectáculos de marionetas. Dado que o “Connections” vai decorrer durante todo o dia, o serviço de ‘catering’ da “Blissful Carrot” disponibilizará refeições no local, devendo o menu ser divulgado em breve.

Na preparação do “Connections” encontram-se envolvidas entre 50 a 60 pessoas, estando a organização à procura de mais voluntários para o evento. O ingresso custa 120 patacas para ajudar nos gastos, sendo que quem reservar com antecedência paga menos 20 patacas. Aliás, a organização recomenda-o para evitar que muita gente acabe por se concentrar à entrada. “É pedido um donativo porque vamos ter custos

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

CARTAS DE CASANOVA • António Mega Ferreira

No verão de 1757, o aventureiro Giacomo Casanova, que se evadira pouco antes da prisão dos Piombi, em Veneza, desembarca em Lisboa. O espectáculo das ruínas provocadas pelo terramoto ultrapassa tudo aquilo que ele podia imaginar. Durante seis semanas, Casanova faz os possíveis por entender os portugueses: como é possível que a vida dos habitantes da cidade se tenha acomodado a uma tal desorganização? Conhece o comerciante Ratton e o conde de S. Lourenço, o livreiro Reycend e o marquês de Alegrete, o poeta Correia Garção e a condessa de Pombeiro. E até se encontra com o misterioso marquês de X. Chega finalmente à fala com Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda não Oeiras, ainda não Pombal, a quem tenta vender o projeto de uma lotaria real. Exaspera-se e diverte-se, seduz e perde ao jogo, e encontra tempo para escrever seis cartas a cinco personagens importantes da sua vida. «Rien ne pourra faire que je ne me sois amusé» é a divisa que o guia. Mesmo em Lisboa. Mesmo depois do Grande Terramoto.


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quinta-feira 19.4.2018

O exemplo português “A Batalha do Côa – Uma lição portuguesa” vai ser apresentado em Paris

O

documentário "La Bataille du Côa - Une Leçon portugaise" ["A Batalha do Côa - Uma lição portuguesa"], do realizador francês Jean-Luc Bouvret, vai estrear-se a 9 de Maio, no cinema Saint-André des Arts, em Paris. A longa-metragem documental, que vai ser projectada até 5 de Junho nesta sala parisiense, descreve a luta pela salvaguarda das gravuras rupestres do Vale do Côa que, em 1994/1995, estavam ameaçadas pela barragem do Baixo Côa e que foram classificadas, em 1998, como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO. Uma "lição para outros países", no entender de Jean-Luc Bouvret, que já tinha realizado o documentário "Coa, la rivière aux mille gravures" ["Coa, o rio com mil gravuras"], em 2006, e "Bagarre au Barrage" ["Luta na barragem"], em 2013.

UMA LIÇÃO AOS DEMAIS

"É uma história tão singular que dá lições a muitos outros países ou civilizações na Europa e fora dela. Esta história é portuguesa. Foi Portugal que suspendeu a barragem para salvar as gravuras e é uma lição para todos nós", disse à Lusa o realizador. Jean-Luc Bouvret destacou "o valor de exemplo" desta "luta científica e política" que resultou

no abandono da barragem e na criação do Museu do Côa e do Parque Arqueológico do Vale do Côa, apontando que, numa das últimas frases do filme, um historiador francês se mostra "muito mais pessimista" sobre o que teria acontecido "se o Côa tivesse sido encontrado em França". "Privilegiar a suspensão da barragem para salvar um tesouro cultural é um gesto forte porque mostra que esta cultura é mais importante do que as necessidades económicas e as necessidades do momento", descreveu o cineasta, recordando que o Vale do Côa é o maior complexo de arte rupestre paleolítica ao ar livre. O filme defende que "esta luta é um exemplo a seguir" e também mostra "as dificuldades e o preço a pagar" pelo abandono da barragem, com entrevistas a "todos os atores desta história, desde o Presidente da República, ao primeiro-ministro, a responsáveis pelo património, arqueólogos, agricultores e produtores de vinho".

TODOS CONSULTADOS

Jean-Luc Bouvret entrevistou, por exemplo, o antigo Presidente da República Mário Soares que defendeu, no filme, que "o dinheiro que se ganha é importante, mas não é um valor supremo": "O valor

supremo são valores de natureza moral, isto é, os que tenham em vista os superiores interesses da humanidade porque a humanidade somos todos nós, pobres e ricos". Há também entrevistas a produtores de vinho, estudantes, antigos autarcas, ao antigo ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho, ao antigo presidente da REN José Penedos, ao antigo secretário de Estado Nuno Ribeiro da Silva, e a peritos que participaram na campanha nacional e internacional de apoio às gravuras, como João Zilhão, Paul Bahn, Michel Lorblanchet, Dominique Sacchi. O documentário recorre, ainda, a arquivos de jornais que relataram o caso em Portugal e no estrangeiro, assim como a reportagens televisivas que mostraram os defensores das gravuras (desde estudantes à comunidade científica), os defensores da barragem (desde habitantes a empresários), os políticos a favor e contra, e o próprio choque de gerações em Foz Côa, num caso que provocou "fissuras em toda a sociedade portuguesa" e que entrou na campanha para as legislativas que levou António Guterres à chefia do Governo, em 1995, e à salvaguarda das gravuras rupestres. Jean-Luc Bouvret deverá apresentar o filme num colóquio em Foz Côa, em Dezembro. LUSA

EXPOSIÇÃO MAM EXIBE NOVA COLECÇÃO DE PINTURA

O associados ao processo logístico, nomeadamente da montagem das sombras”, indica Rita Gonçalves. As crianças têm entrada gratuita.

FESTA AMIGA DO AMBIENTE

A pensar no ambiente, a organização do “Connections” também pretende que haja o menor lixo possível. “Aconselhamos as pessoas a trazerem copos ou cantis para as suas próprias bebidas, por exemplo, e a reservarem a refeição de modo a que ‘Blissful Carrot’ saiba de antemão os pedidos para que também não haja desperdícios alimentares”, realça. “Este é um evento que quero que as pessoas venham porque se sentem naturalmente atraídas pela experiência, portanto, a informação há de ir parar a elas. Vou deixar decorrer de uma forma orgânica. Embora pareça um pouco arrogante, a ideia é que as pessoas ouçam falar pelos interesses que já têm”, sublinha Rita Gonçalves que, até ao momento, lançou apenas o evento no Facebook.

“Estes eventos são muito giros e especiais, de contacto com a natureza e também com o nosso interior, em que se quebram barreiras, como os papéis sociais, e todas essas coisas que nos restringem no dia-a-dia.” RITA GONÇALVES ORGANIZADORA

Embora o festival ainda não tenha estreado, Rita Gonçalves não esconde o desejo de ver o “Connections” conquistar um lugar anual no calendário cultural de Macau. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Museu de Arte de Macau (MAM) apresenta, a partir de amanhã, a “Exposição de Obras Novas na Colecção MAM”, que reúne oito pinturas verticais em rolo de flores, plantas e frutas da autoria de Zhao Mingshan, herdeiro de terceira geração da Escola Lingnan de Pintura em Macau. “Encanto Rústico”, “Charme Elegante”, “Hortênsia”, “Flor”, “Rosa da China”, “Lichia”, “Narciso” e “Espírito de Outono” vão estar patentes até 26 de Outubro na Galeria de Exposições Especiais, no terceiro piso do MAM. A mostra tem entrada livre. Zhao Mingshan, um dos pintores mais representativos da Escola Lingnan de Pintura em Macau e discípulo de

Situ Qi, é particularmente conhecido pelas suas pinturas de plantas e flores, em especial rosas. Contudo, Zhao Mingshan deixou apenas alguns trabalhos notáveis em colecções públicas e muito poucos em colecções privadas, indicou o Instituto Cultural (IC) em comunicado. Em 2015, Zhao Guoxiang e a sua mulher, que vivem no estrangeiro, doaram essas oito pinturas, do autoria do seu familiar, ao MAM. Após uma análise das obras, o Museu de Arte de Macau entendeu que revelam o distinto estilo da escola Lingnan e possuem inequívoco valor artístico, pelo que foram integradas na sua colecção permanente do Museu, enriquecendo o o espólio de pintura chinesa do

MAM, segundo explica o IC na mesma nota. O acervo original do MAM resultou da transferência do espólio do Museu Luís de Camões, constituído pelas colecções de cerâmica de Shiwan, caligrafia e pintura de Lingnan em Guangdong, bem como por pinturas históricas e obras de arte moderna e contemporânea de Macau. Ao longo de quase 20 anos de actividade, o MAM o seu acervo tem crescido com encomendas, aquisições e doações, diversificando géneros artísticos e valorizando sobretudo a colecção, a classificação, a exibição e a publicação de obras dos artistas pioneiros, modernos e contemporâneos de Macau.


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19.4.2018 quinta-feira

ESTUDO NOVA ROTA DA SEDA CHINESA EXPANDE INFLUÊNCIA DE PEQUIM

Expansionismo Soft Uma organização não-governamental afirmou ontem que o projecto chinês de infraes -truturas “uma Faixa, uma Rota” visa expandir a influência política e a presença militar de Pequim, apesar de a China garantir que o objectivo é a cooperação económica

O

relatório, da organização não-governamental C4ADS, com sede nos Estados Unidos, concluiu que os projectos da iniciativa chinesa “uma Faixa, uma Rota” não visam beneficiar os países receptores, como anunciado pela China, mas antes expandir a influência de Pequim além-fronteiras. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês rejeita já as conclusões do relatório e reiterou que a iniciativa visa “sobretudo a cooperação económica” e a promoção do desenvolvimento comum através de

infraestruturas. “A China não está a jogar jogos de geopolítica”, sublinhou, em comunicado. Anunciado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a “Faixa económica da rota da seda e a Rota da seda marítima do século XXI”, mais conhecido como “uma Faixa, uma Rota”, está avaliada em 900 mil milhões de dólares, e visa reactivar as antigas vias comerciais entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático. Redes ferroviárias intercontinentais, portos, aeroportos, centrais eléctricas e zonas de comércio livre

estão a ser construídos em mais de 60 países, abrangendo 65 por cento da população mundial. “Os investimentos parecem gerar influência política, expandir dissimuladamente a presença militar da China e criar um ambiente estratégico vantajoso na região”, afirmou a C4ADS, que analisa 15 portos financiados pela China no Bangladesh, no Sri Lanka, no Camboja, na Austrália, em Omã, na Malásia, na Indonésia e no Djibuti.

ROTA BÉLICA

A organização, especializada na análise de dados

e questões de segurança, examinou documentos oficiais da China e relatórios de analistas chineses sobre a iniciativa, também conhecida como “Nova Rota da Seda”. Apesar de não existir nenhum documento oficial que relacione a “Nova Rota da Seda” a interesses de segurança da China, analistas chineses escreveram já que ambos estão “intimamente ligados”, afirmou o relatório. “Muitos destes observadores reconheceram que uma rede de centros logísticos marítimos, através da região do Indo-Pacífico, tem potencial para mudar

o cenário estratégico da região, e muitos descreveram explicitamente o papel do investimento em infraestruturas na estratégia chinesa”, indicou. Os projectos portuários incluem uso duplo, para fins militares e civis, aumentam a influência do Partido Comunista Chinês, através do envolvimento de firmas es-

tatais chinesas ou o controlo através de participações ou empréstimos a longo prazo, de acordo com o documento. Lisboa tem insistido na inclusão de uma rota atlântica no projecto chinês, o que permitiria a Sines ligar as rotas do Extremo Oriente ao Oceano Atlântico, beneficiando do alargamento do canal do Panamá.

PUB HM • 1ª VEZ • 19-4-18

ANÚNCIO Declaração de Herança Vaga n.º CV1-17-0012-CPE 1.º Juízo Cível REQUERENTE: O MINISTÉRIO PÚBLICO. ----------------------------REQUERIDO: TAM POU TENG OU TAM BO TING, do sexo feminina, faleceu em Macau no dia 16 de Novembro de 2015, titular do B.I.R.M. e B.I.R.H.K. com a última residência em Macau, Asilo de Santa Maria. -------------------------------------------------------------------------------------O 1.º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.:---------------------------------------------------------------------------------FAZ-SE SABER, por esta Secção, que são citados quaisquer CREDORES DESCONHECIDOS da requerida para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de TRINTA DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos nos termos do n.º 1 do artigo 1033.º do C.P.C.------------------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., ao 9 de Abril de 2018.---------***

TAIWAN ADVERTÊNCIA DE PEQUIM COM EXERCÍCIO MILITAR COM FOGO REAL

TECNOLOGIA HUAWEI OBTÉM CERTIFICADO PARA VENDER PRODUTOS 5G NA EUROPA

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A

marinha chinesa está a realizar exercícios militares com fogo real no Estreito de Taiwan, num período de renovadas tensões entre Pequim e Taipé devido ao apoio dos Estados Unidos ao governo da ilha. O Governo chinês difundiu poucos detalhes sobre os exercícios. Atelevisão estatal CCTV, no entanto, informou que estes são dirigidos às forças independentistas de Taiwan, com a seguinte manchete no seu portal: “Não digam que não foram avisados!”. Os exercícios foram anunciados, na semana passada, pelas autoridades da província de Fujian encarregues da segurança marítima. O anúncio surgiu depois de, na quinta-feira passada, o Presidente chinês, Xi Jinping, ter supervisionado a maior revista militar de sempre da marinha chinesa. A China realizou já missões no espaço aéreo em torno de Taiwan e tem repetida-

mente navegado o seu único porta-aviões, o Liaoning, em águas próximas do território. Os exercícios navais ilustram também as crescentes capacidades da China em defender os seus interesses marítimos e reclamações territoriais, sobretudo no Mar do Sul da China. Nesse sentido, Pequim está a construir novos navios para equipar a sua marinha, guarda costeira e agência de aplicação da lei marítima, incluindo um porta-aviões de fabrico inteiramente doméstico. A China reivindica quase todo o Mar do Sul da China, apesar das reivindicações do Vietname, Filipinas, Malásia e Brunei. Nos últimos anos, construiu várias ilhas artificiais, capazes de receber instalações militares em recifes disputados pelos países vizinhos. Este mar estratégico, por onde passam anualmente cerca de 4,2 biliões de euros em mercadorias, terá vastas reservas de gás e petróleo.

gigante chinesa de telecomunicações Huawei tornou-se a primeira firma a obter o certificado CE - autoriza a comercialização dentro da União Europeia - para produtos que utilizam rede 5G, anunciou ontem em comunicado. “Este certificado representa um passo significativo para a implementação comercial do 5G em grande escala”, afirmou, na mesma nota, a empresa. A Huawei disse que “cumpriu rigorosamente” a regulação, em todas as fases de desenvolvimento

dos seus produtos 5G, que “superaram várias fases de avaliação e inspecções meticulosas” e conseguiram o certificado “à primeira tentativa”. Aquele documento é indispensável para a venda ou importação de qualquer produto na União Europeia, constituindo um certificado de qualidade e segurança. Com sede na cidade de Shenzhen, centro da indústria tecnológica chinesa, a Huawei começou em 2009 a investigar o uso de redes 5G em todo o mundo e, só em 2017, investiu quatro mil milhões de yuan no sector. A Huawei tem escritórios em Lisboa, onde conta também com um centro de inovação e experimentação. Segundo a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), a firma chinesa investiu 40 milhões de euros em Portugal, desde 2004.


região 11

quinta-feira 19.4.2018

INTERNET RELATÓRIO DA KASPERSKY O mais recente MOSTRA ÁSIA NA MIRA DE HACKERS relatório de inteligência de ameaças da Kaspersky Lab, empresa russa de antivírus e segurança online, revela no Oriente Médio, ataque Olympic Destroyer que a Ásia foi o servado nomeadamente, através do nos Jogos Olímpicos de técnicas. Pyeongchang. principal alvo de usoOsde novas pesquisadores conOs destaques do primeiro pirataria na web tinuaram a detectar activi- trimestre de 2018 incluem

Alvo oriental

M

AIS de 30 por cento das ameaças no primeiro trimestre de 2018 foram registadas na região. Além da Ásia, outro dos pico de actividade de piratas informáticos foi ob-

dades de grupos de ameaças persistentes avançadas (APTs) em russo, chinês, inglês e coreano. E, embora alguns agentes conhecidos não tenham agido de maneira expressiva, um número crescente de APTs e de novos agentes foi detectado na região asiática. A alta é explicada, em parte, pelo

um crescimento contínuo de actividades em chinês, que mira entidades governamentais (Taiwan e Malásia), registos de actividades de APTs no sul da Ásia (entidades militares paquistanesas), a APT IronHusky deixou de atacar agentes militares russos e transferiu todo seu empenho para a Mongólia, a

península coreana permanece na mira da APT Kimsuky (espionagem de pensadores e políticos sul-coreanos) e um subconjunto do grupo Lazarus, o Bluenoroff, voltou-se para novos alvos, que incluem empresas de criptomoeda e pontos de vendas.

HOMEM DO MEIO

A Kaspersky Lab também detectou um pico de actividade no Oriente Médio: a APT StrongPity lançou vários ataques “man-in-the-middle” sobre redes de provedores de serviços de Internet (ISPs). Outro grupo de criminosos virtuais muito habilidoso, o Desert Falcons, voltou a atacar dispositivos Android com um malware usado em 2014. No primeiro trimestre, os pesquisadores da Kaspersky Lab também descobriram vários grupos que miram suas campanhas em routers e hardware de rede, uma abordagem adoptada anos atrás por Regin e CloudAtlas. Segundo os especialistas, os routers continuarão sendo um alvo dos invasores de infraestrutura contra as vítimas. “Durante os três primeiros meses do ano, observamos vários grupos de ameaças novos com níveis de sofisticação diferentes. Mas, no geral, eles usavam as ferramentas de malware mais comuns disponíveis. Ao mesmo tempo, não vimos qualquer actividade significativa de alguns agentes conhecidos. Isso nos faz acreditar que estejam repensando suas estratégias e reorganizando as suas equipas para ataques futuros”, disse Vicente Diaz, pesquisador-chefe de segurança da Kaspersky Lab.

TRANSPORTES HERTZ LANÇA NOVO SERVIÇO ONLINE DE MOTORISTAS NA ÁSIA

A

Hertz Asia anunciou o lançamento de um novo serviço online inovador, a Hertz Chauffeur, que vai oferecer aos clientes, incluindo agentes de viagens, a reserva de serviços de chauffeurs. As reservas podem ser feitas a qualquer hora e dia da semana, e permite escolher ter o serviço durante um dia inteiro, para meio dia, e também para transfers de e para o aeroporto. A Hertz Chauffeur está disponível no site oficial da empresa e pode ser utilizado, por enquanto, em países como o Brunei, China, Hong Kong, Malásia, Filipinas, Coreia do Sul, Singapura, Sri Lanka e Tailândia. Como

forma de celebrar o lançamento deste novo serviço, os clientes que fizerem a reserva online até ao dia 30 de Junho terão direito a um desconto que incidirá sobre o preçário do serviço, bastando para isso escrever PC# 204306 no espaço PC Code. O novo serviço permite reservar um veículo com motorista em apenas quatro passos, receber informações da reserva no email, além de permitir criar, gerir e editar os percursos que o cliente pretende realizar. O Hertz Chauffeur conta ainda com um vasto catálogo de veículos disponíveis, incluindo limusinas, e condutores profissionais.

BRASIL MICHEL TEMER PLANEIA PÉRIPLO ASIÁTICO EM MAIO

O

Presidente do Brasil, Michel Temer, desloca-se em Maio a vários países do Sudeste Asiático, mas não a Timor-Leste, etapa prevista na viagem inicialmente marcada para Janeiro, noticiou a imprensa brasileira. De acordo com o gabinete de comunicação da Presidência, citado pela imprensa brasileira, a visita de Temer decorre entre 7 e 14 de Maio e inclui deslocações a Singapura, Tailândia, Indonésia e Vietname. Segundo a agenda prevista, Temer deverá estar em Singapura entre 7 e 9 de Maio, para encontros com investidores, seguindo depois para Banguecoque, onde fica até

10 de Maio, e depois para a Indonésia, numa visita de dois dias. A visita termina na capital vietnamita, Hanói, a 14 de Maio. A agenda de Temer inclui encontros com chefes de Estado e Governo, reuniões com investidores na Tailândia e em Singapura, e a assinatura de acordos comerciais bilaterais. A visita do chefe de Estado brasileiro à região chegou a estar planeada para Janeiro, incluindo nessa altura uma deslocação a Díli, mas a viagem foi adiada por motivos de doença. Timor-Leste, onde se realizam eleições legislativas antecipadas a 12 de Maio, foi agora excluído da visita.

RAMON CÓRDOVA Falecimento

(Ex-Comandante Secção da PSP)

A alta actividade de ataques informáticos é explicada, em parte, pelo ataque Olympic Destroyer durante os Jogos Olímpicos de Pyeongchang

A família enlutada de RAMON CÓRDOVA, vem comunicar o falecimento do seu ente querido no dia 17 de Abril de 2018. No dia 20 de Abril de 2018 (Sexta-feira), pelas 20:00 horas, será rezada uma Missa na Casa da Mortuária Diocesana. No dia seguinte, a 21 de Abril de 2018 (Sábado), pelas 11:00 horas, será realizado o funeral e uma Missa na Casa Mortuária Diocesana, a que se seguirá a cerimónia de cremação na China Continental. Antecipadamente se agradece a todos quantos queiram participar no piedoso acto.


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19.4.2018 quinta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 21/P/18 – EMPREITADA DE CONCEPÇÃO E DE REMODELAÇÃO DO CENTRO ENDOSCÓPICO 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11.

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Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. Objecto da Empreitada: Empreitada de Concepção e de Remodelação do Centro Endoscópico do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Prazo máximo de execução: Trezentos e sessenta (360) dias. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa (90) dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: Por preço global. Caução provisória: Quinhentas mil patacas (MOP500.000,00), a prestar mediante depósito em numerário, garantia bancária ou seguro-caução nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: Não há. Condições de admissão: Os concorrentes ou seus parceiros colaboradores necessitam de ser entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido ou renovado a sua inscrição; neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação. Uma parte dos concorrentes ou seus parceiros colaboradores devem, obrigatoriamente, possuir conhecimentos profissionais e ter experiência em trabalhos de instalação, reparação e manutenção de instalações e equipamentos do sistema de rede de gases medicinais. O pessoal de execução da obra e de orientação, deve ser qualificado e ter pelo menos cinco (5) anos de gestão de execução de obras de sistema de condutas de gases medicinais até à data de apresentação da Proposta. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 24 de Maio de 2018 (quinta-feira), até às 17:45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do acto público: Local: Estrada de S. Francisco, n.º 5, r/c - «Sala Multifuncional» Dia e hora: Dia 25 de Maio de 2018 (sexta-feira), às 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Reunião de esclarecimentos e Visita às instalações: A reunião de esclarecimentos com os concorrentes para efeitos dos “Documentos” que instruem a proposta, especialmente sobre a qualificação, terá lugar no dia 23 de Abril de 2018, pelas 15,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, seguida duma visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar do n.º 5 da Estrada de S. Francisco. Hora: Horário de expediente (das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: MOP99,00 (noventa e nove patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: A B C D E

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Valor total da empreitada Programa de concepção e execução das obras Plano de trabalho e prazo global para a execução da obra Experiência em trabalhos semelhantes Integridade e honestidade

40% 30% 15% 10% 5%

Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar do n.º 5 da Estrada de S. Francisco, a partir de 18 de Abril de 2018 (quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, a fim de tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 12 de Abril de 2018 O Director Lei Chin Ion


quinta-feira 19.4.2018

cansei-me de tentar o teu segredo diários de próspero António Cabrita

Pobre Atmosfera

h

13

15/04/18

PIERO MANZONI, MERDA D’ARTISTA

John Berger comparou uma vez o espaço do atelier com um estômago, ainda que o processo da arte seja o inverso daquilo que se passa com o sistema digestivo - o que entra é merda, o que sai é uma oferenda. Agrada-me muito a ideia que isto nos sugere: a arte é a inversão do processo digestivo. Corolariamente, creio que aonde se produz a oferenda advém o acontecimento. Aquele que importa e que amplia o âmbito das relações e, melhor, fideliza. Situamo-nos aqui no oposto do espírito que se retractou nas latas de Piero Manzoni, com os dizeres: Merda de Artista. Manzoni expôs esta sua “invenção” em 1961, um ano antes de Warhol nos propor as suas latas de sopa Campbell. Nessa altura os laços sociais já não assentavam em “imperativos categóricos” mas antes em “imperativos atmosféricos”. As ideias andam no ar, não obstante é difícil não suspeitar que o americano, informadíssimo, não haja afinal reagido à provocação do italiano: para haver muita Merda de Artista haverá combustível melhor que o feijão? Disto não nos falou Arthur Danto. Posteriormente, muitas das 90 latas em que Manzoni defecou explodiram, resultado de corrosão e de gases em expansão. O que teve lugar uns anos antes da lataria que se tem feito rebentar nos céus e nas cidades da Síria reduzindo um país a uma mortalha - embora vivamos manifestamente sob influência. Diverte-me imaginar que o Manzoni chega às fronteiras do Paraíso com as suas latas e tenta enrolar São Pedro, que controla as mercadorias: São Pedro, posso entrar? Que traz consigo? Merda de artista. A própria? Precisamente. Não creio que precisemos dessa merda… Foi o que me deu fama e notoriedade! Quantas latas são? Noventa. Cagou pouco. Quantas teria de fazer? Pelo menos o seu peso em biomassa, essa quantidade ao menos definia-o… Com tão baixa produção mostra-se um homem hesitante e sem capacidade de auto-crítica… E o Manzoni voltava a nascer, afocinhado num curral de porcos. Depois de Manzoni é fácil intuir que se hoje fizéssemos uma exposição de 90 latas com a efígie dos actuais líderes mundiais nos rótulos toda a gente adivinharia o que conteriam as latas. O design das latas é que mudou entretanto: é fusiforme.

Porque é este o maior orgulhoso do homem, EU DEFECO, LOGO SOU!

16/04/18

Na longuíssima conversa entre Tobie Nathan e Catherine Clément que se fixa em Le Divan el le Grigi, livro que recomendo vivamente, refere-se esta ao enterro de um actor na Índia «especializado nos papéis de Deus». Aí está um ofício que me convinha. Enquanto tal sorte não me chega eis-me embaçado com as notícias do mundo, alheio e próximo, em estado de torresmo mental. O ataque da Síria, houve. Dois presidentes da coligação precisavam absolutamente de reavivarem um inimigo externo que desvie a atenção das borradas internas, o terceiro, coitado, julga-se De Gaulle. Nem se trata da legitimidade de defender as populações contra ataques de armas químicas, mas de tudo ser pretexto para brincar aos vídeo games. Como é fácil pôr a mão no gatilho quando conhecemos os mapas mas o nosso corpo desconhece o território. Os pretextos da guerra são sempre hipócritas dado que denunciam o tanto que não se fez no devido tempo, são sempre respostas ao fundo da escada, passada já a ocasião. Um ditador é a víbora que não se matou no ovo. O resultado é a inescapável hecatombe das cidades e a derrocada dos mitos. Que Deus sobreviverá às ruínas da Síria, que não se assemelhe a um caudaloso e freático rio de caca? Seria para isso que servia a cultura: para nos alegrar com a criatividade dos vivos e fazer respeitar os mortos. Voltámos a

um tempo sombrio em que queremos sepultar a própria memória, reduzi-la a pó. Cobrimos o respeito devido aos mortos com a infâmia. Karen Blixen, num texto anómalo ao seu percurso de narradora, “A Verdade e a Política”, sustentava que uma das características da condição humana é a nossa capacidade para suportar praticamente tudo; podemos afocinhar nas abjecções mais tortuosas sem perder a alma, desde que tenhamos uma perspectiva de futuro e uma narrativa integradora do que está a acontecer. Agora o que não suportamos é o absurdo. O absurdo instalou-se no mundo. Vou-vos dar dois exemplos. Um universal, outro local. Uma das coisas que o presidente Reagan fez, mal chegou à Casa Branca, foi

Os pretextos da guerra são sempre hipócritas dado que denunciam o tanto que não se fez no devido tempo, são sempre respostas ao fundo da escada, passada já a ocasião. Um ditador é a víbora que não se matou no ovo

mandar retirar os painéis solares que lá estavam pois considerava que a energia solar não traduzia “o espírito americano”, que o petróleo e o carvão representariam melhor. Não impressiona que em 2018 o novo presidente americano considere igualmente o petróleo e o carvão moedas irrenunciáveis do “espírito americano”, sem atender às vitais necessidades de mudança para fontes de energia menos poluentes e sem demonstrar a menor capacidade de aprendizagem? Eis um sinal de “identidade doentia” que chega a uma absurdez montanhosa e, para além de cretina, estúpida. O outro mau exemplo foi-me contado hoje. Um médico do Hospital Central de Maputo evita estar fora nos fins-de-semana. Porque quando passa dois, três dias fora do serviço as enfermeiras, se as famílias dos doentes não lhes “pagam por fora” (o que é de regra por causa da pobreza), deixam imediatamente de substituir o soro do doente e de seguir as prescrições, farejando a comissão que as funerárias lhes pagarão. As autoridades não desconhecem - os rumores sobre esta monstruosidade corriam na cidade mas só agora o vi confirmado por um clínico de dentro – mas mais um pobre morto é menos uma parcela na estatística da pobreza e além disso arredonda as contas de uma classe insatisfeita, sem haver necessidade de lhe aumentar os ordenados. Se conhecerem algo mais cínico e perverso que isto, contem-me, um escritor encontra sempre um viés. Ou calem, porque a parte humana do escritor não quer ouvir.


14 (f)utilidades MUITO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente 50

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RAMPAGE [C] Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

COLOR ME TRUE [B] FALADO EM JAPONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Takeuchi Hideki Com: Ayase Haruka, Sakaguchi Kentarou 14.30, 16.30, 21.45

SECRET SUPERSTAR [B] FALADO EM HINDI

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O CARTOON STEPH 57

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 57

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UM LIVRO 3 4 7 1 5 6HOJE 2 4 59 4 5 2dia 5acordou 4 e nunca 1 3mais 7 Um comeu carne. Yeong-hye 6 6 3 34 1teve 2 6 7 um5sonho, mudou de alimentação, mudou de referências e de 1 23 5 4 mundo. 6 7A personagem 2 3 central 5 1 da obra de Han Kang ultrapassa 5 7 2 6 7da ordem 4 3 o1 limite 2 do aceitável, social viver coreano. 33 5e 4do sóbem1 4 voltar 2 6 7 7a ser 6 Yeong-hye queria5 natureza pura e transformar-se 7 43 Esta7é a história 5 1 2 6que 5 em4árvore. nos traz “A Vegetariana” de Han 4 7 Kang. Um livro narrado pela voz de três personagens 5 e que fala do limiar do tabu, do respeito social

COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Advait Chandan Com: Aamir Khan, Zaira Wasim 19.00

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ISLE OF DOGS SALA 1

70-90%

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VIDA DE CÃO

7 6 7 2 1 5 3 4 16 4 3 1 35 2 EXPOSIÇÃO 3 1“PINACOTROCA” 5 2DE RODRIGO 7 6DE MATOS4 65 7 2 21 Creative Macau | Até 21/04 1 4 6 3 2 5 7 EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” 71 4 6 5 Galeria Tap Seac | Até 17/06 6 7 4 1 5 3 62 7 3 4 56 EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” 5 3 7 6 4 2 1 Estudio City Macau 1 4 55 3 7 4 5 2 7 6 1 3 6 2 7 3 2 6 3 4 1 7 5 2 6 1 4

4 2 5 7 5 3 1 2 1 7 6 4 7 5 3 6 3 4 7 1 Cineteatro C I 2 6 4 5 6 1 2 3

HUM

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MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM | Até 13/5

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26

e da loucura. Vencedor do Man Booker International Prize, este romance pequeno em tamanho e grande em possibilidades pode ser uma boa companhia de fim de semana. Sofia Margarida Mota

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S U D O K U

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19.4.2018 quinta-feira

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Quando andava nas escola não me eram permitidas cábulas. Em alturas de menos preparação, a criatividade para dar uma olhadela na ajuda vinda de casa tinha que ser alguma. Penso que a ideia partiria da premissa: não sabes, não passas. Era essa também a ideia que tinha de um governante: Não sabe o que acontece no seu território, não governa; Não sabe responder às questões dos seus súbditos, vai para casa. Mas em Macau é tudo surpreendentemente diferente. O responsável máximo pelo território não consegue responder a ninguém. Pior, quando o faz, exige as questões com antecedência para que possa preparar as respectivas respostas. Depois, numa espécie de teatro político, os deputados perguntam e o chefe lê. É a cábula aceite e o atestado de desrespeito. Não seria sequer difícil decorar os chavões que preenchem todos os discursos que ouvimos. Bastaria memorizar um pequeno glossário onde constassem as expressões capital de qualquer coisa, bem dos cidadãos, estamos a preparar um estudo, e as palavras colaboração, cooperação, amor a qualquer coisa e plataforma. Pelo menos existiria um exercício de memória, visto não existir criatividade. Pelo menos existiria um teatro, no verdadeiro sentido do termo. Entretanto, parece que aprendi tudo mal lá nas escolas por onde passei. Sofia Margarida Mota

“A VEGETARIANA” | HAN KANG

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SALA 3

ISLE OF DOGS [B] Filme de: Wes Anderson 14.30, 16.30, 21.30

TOMORROW IS ANOTHER DAY [C] FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Rau Liu, Bonnie Xian 19.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

quinta-feira 19.4.2018

bairro do oriente

A

Aqui ao lado, mas tão longe

SSISTI no serão do último Sábado na TDM ao programa “Portugueses no estrangeiro”, que desta vez foi dedicado à comunidade portuguesa residente em Hong Kong. Veio mesmo a calhar, uma vez que nesse mesmo dia eu próprio tinha voltado do território vizinho, e fiquei com curioso em saber o que pensavam os meus compatriotas ali residentes daquela cidade tão fantástica, cosmopolita e multicultural. Não posso dizer que fiquei desiludido; a palavra adequada seria “perplexo”. Aqueles portugueses em Hong Kong são muito diferentes de nós daqui, deste lado do Rio das Pérolas. Não quero generalizar, uma vez que o programa incidiu apenas sobre o dia a dia de meia dúzia de entrevistados, mas que em comum tinham todos assim uma espécie de desprendimento ao local para onde foram residir. Pode-se mesmo dizer que estão em Hong Kong, sim, mas não com os dois pés. Não ao sei ao certo quantos portugueses vivem em Hong Kong, mas os últimos dados a que tive acesso davam conta de “cerca de cinco mil” – mais do que em Macau, mas é preciso ter em conta que Hong Kong tem 7 milhões de habitantes. Estes portugueses são sobretudo pessoas que trabalham para empresas multinacionais, e foram colocados a trabalhar no sul da China, e é possível que existam outros que foram para ali à aventura, mas devem ser poucos, pois na apreciação que estes camaradas lusitanos fazem de Hong Kong, nota-se que é um lugar “longe demais” para o seu gosto. Dois deles foram bem claros nesse aspecto. Uma senhora diz que “gosta de Hong Kong”, mas “gostaria de ser colocada em Portugal, ou pelo menos na Europa, perto de Portugal”, terminando contudo por recordar “está bem em Hong Kong”. E melhor estaria, não fosse a enorme vontade que tem de desopilar dali para fora. Em relação à questão da adaptação à cidade, à cultura e tudo mais, houve um testemunho em particular que me deixou siderado. Uma senhora que trabalha para uma empresa de estampagens (coisa que segundo ela tem imensa saída, pois os jovens de Hong Kong “são muito infantis”) descreve os honconguenses de uma forma que não estando de todo errada, é certamente bastante redutora. Em termos de aparência, “preferem o branco”, e as mulheres “colocam pó branco no rosto, nas sobrancelhas, e há um cosmético que serve para prender as pestanas e fazer os olhos parecem maiores”. Quanto ao vestuário “muito diversificado”, e em Hong Kong “podem andar na rua de pijama, se quiserem, que as pessoas aqui

ANNA SOLENKO

LEOCARDO

não olham uma para as outras”. E é isto. Repito, nada do que está ali é mentira, mas já li relatórios da Pide onde detectei mais calor humano. Não se pedia que fosse demonstrado entusiasmo, ou deslumbramento (e por um lado ainda bem que assim foi), mas um pouco mais de sensibilidade, quiçá? Tentar entender melhor as pessoas e o meio

que as rodeia? Digo eu, e se calhar estou completamente equivocado. Finalmente, aprendi ainda que há portugueses em Hong Kong que “recebem amigos de Macau” ao fim-de-semana, e num dos casos descritos, recebem-nos “semana sim, semana sim”. Sem dúvida, e aqui não há nada a apontar. Pudesse eu fazer o mesmo, e me

Aqueles portugueses em Hong Kong são muito diferentes de nós daqui, deste lado do Rio das Pérolas. Não quero generalizar, uma vez que o programa incidiu apenas sobre o dia a dia de meia dúzia de entrevistados, mas que em comum tinham todos assim uma espécie de desprendimento ao local para onde foram residir

desse vontade, também passava todos os fins-de-semana e feriados aqui ao lado. Em Hong Kong há aquele bichinho das grandes cidades que atrai as pessoas que, como eu, são apreciadores desse estilo de vida. Macau foi assim um bocadinho, em tempos, com as devidas distâncias, lógico. Cheguei a ficar com a sensação que podia ter continuado a ser, durante um instante, pouco depois da transferência de soberania. Entretanto fez-se uma limpeza, chegaram os casineiros do oeste, e passamos a ter uma cidade onde o entretenimento é pasteurizado, empacotado e esterilizado. Não trocaria Macau por Hong Kong para viver, nada disso, mas é bom saber que existe aqui este gigante ao lado. Para as pequenas grandes coisas.


O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê. Platão

PALAVRA DO DIA

quinta-feira 19.4.2018

Fim do calvário

Visita oficial Chefe do Executivo vai ao Camboja e à Tailândia no próximo mês

O

Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, vai deslocar-se, de 7 a 11 de Maio, ao Camboja e à Tailândia, foi ontem anunciado. Segundo um comunicado do Gabinete do Porta-voz, a visita tem como objectivo o aprofundamento da cooperação com os países, envolvidos na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. Além dos encontros oficiais, Fernando Chui Sai On vai marcar presença nas actividades promocionais realizadas pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). O Chefe do Executivo tem ainda na agenda a participação em sessões de intercâmbio entre os jovens de Macau e dos dois países, bem como num fórum subordinado ao desenvolvimento da medicina tradicional chinesa. Além da delegação do governo, os membros do Conselho Executivo, representantes da comunidade ultramarina de Macau e uma delegação composta por representantes de jovens locais também acompanham o Chefe do Executivo.

Índia Presidente classificou de "vergonhosa" violação de rapariga de 8 anos

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PUB

presidente da Índia, Ram Nath Kovind, classificou ontem de “vergonhosa” a violação, tortura e assassínio de uma rapariga de oito anos em Janeiro, na primeira alusão institucional directa ao caso uma semana depois de ter sido divulgado. “Que tal incidente ocorra em qualquer parte do país é vergonhoso, temos que pensar sobre que tipo de sociedade estamos a desenvolver e para onde caminhamos”, declarou Kovind durante um discurso numa universidade de Katra (norte). Em Janeiro, uma rapariga muçulmana de oito anos de uma tribo nómada foi violada, torturada e assassinada no estado de Jammu e Cachemira (norte). O caso foi conhecido pelo país a semana passada, depois de advogados hindus extremistas terem tentado impedir que a polícia acusasse oito pessoas pelo crime, no qual as autoridades veem indícios de violência religiosa. Os oito homens, entre os quais se encontram um guarda de um templo hindu e quatro polícias, declararam-se inocentes e pediram para serem submetidos a um detector de mentira na segunda-feira, quando compareceram pela primeira vez num tribunal na pequena cidade de Kathua.

D

EPOIS de seis anos, Pelé, o treinador da Casa de Portugal, vai voltar a sentar-se no banco para orientar a equipa. A confirmação sobre o fim do castigo, que foi aplicado na sequência da agressão a um árbitro, foi dada ontem pela Associação de Futebol de Macau (AFM), ao HM. Por sua vez, o técnico admite estar contente com a possibilidade de regressar ao banco. “Estou satisfeito porque foram seis anos de calvário, por não poder estar mais perto dos meus atletas. Foi uma fase em que não pude dar-lhes de perto o apoio necessário durante os jogos”, disse, ontem, Pelé ao HM. “Agradeço muito à direcção da grande instituição que é a Casa de Portugal, liderada pela grande presidente Amélia António, por me ter segurado durante estes anos todos no emprego”, acrescentou. O vice-presidente da AFM, Daniel Sousa, confirmou ao HM o fim da suspensão: “O castigo do treinador Pelé terminou no dia 18 de Abril, ou seja hoje [ontem]. A partir de hoje [ontem] ele poderá regressar aos banco para orientar a equipa”, disse o dirigente. Em Maio de 2012, Pelé foi irradiado, após ter sido acusado de agredir um árbitro, na sequência de um encontro entre a Casa de Portugal e o Kei Lun, que terminou empatado 2-2. O resultado afastou a equipa orientada então pelo treinador-jogador da promoção. Mais tarde, a decisão acabaria por ser revista, com Pelé

TIAGO ALCÂNTARA

FUTEBOL PASSADOS SEIS ANOS PELÉ VAI VOLTAR A SENTAR-SE NO BANCO

Pelé, treinador “Estou satisfeito porque foram seis anos de calvário, por não poder estar mais perto dos meus atletas. Foi uma fase em que não pude dar-lhes de perto o apoio necessário durante os jogos.”

a levar um castigo de seis anos de suspensão. “Foi um castigo com a duração de seis anos. O regulamento previa que ele fosse irradiado, mas a comissão que analisou os acontecimentos e acabou por ter em conta o contributo de Pelé para o futebol local. É bom que se perceba a situação”, disse Daniel Sousa, que prometeu tolerância zero: “A nossa tolerância face ao ataques aos árbitros é zero. Temos o dever de proteger os árbitros e vamos fazê-lo”, vincou o dirigente. As agressões em causa levaram mesmo a um processo em tribunal, que, segundo Pelé, acabou por ser encerrado. Isto

porque o árbitro, o queixoso, regressou às Filipinas, ainda antes do julgamento terminar. O próximo jogo da Casa de Portugal está agendado para 27 de Abril diante da formação dos Artilheiros, no Estádio Lin Fong.

ASSOCIAÇÃO PEDIU DESCULPAS

Em relação ao atleta Barakat, da Casa de Portugal, que se lesionou na passada quinta-feira, no encontro entre os Sub-23 e a Casa de Portugal, a situação tem evoluído de forma favorável e os nove pontos na cara do jogador vão ser retirados amanhã. O atleta sofreu uma entrada quando tentava jogar a bola com a cabeça, que o obrigou a deslocar-se ao hospital,

ainda durante o decorrer do jogo. De acordo com Pelé, após a análise do corte, o médico considerou uma grande sorte o jogador não ter perdido a visão. Ontem, Daniel Sousa confirmou que o treinador dos Sub-23 contactou a Casa de Portugal no sentido de pedir desculpas pelo sucedido: “Sempre que houve conflitos físicos com os jogadores dos sub-23 e outras equipas, as nossas indicações é para que o treinador e o jogador envolvido peçam desculpa imediatamente. Mesmo nos lances acidentais, são essas as nossas indicações”, disse o dirigente. “O nosso treinador garantiu-nos que no dia seguinte fez uma chamada para a Casa de Portugal para enviar os pedidos de desculpa e explicar a situação”, acrescentou. Também Pelé confirmou o pedido de desculpas, já depois da informação sobre o acidente ter sido colocada numa rede social, no dia seguinte ao acontecimento. Nesse mesmo comentário, o treinador da Casa de Portugal apresentava queixas sobre a arbitragem e análise ao lance por parte do árbitro Grant. Porém, Daniel Sousa explicou que o árbitro considerou o lance acidental, com o jogador dos sub-23 a levantar o pé em demasia para jogar a bola. O vice-presidente da AFM sublinhou também que os clubes são livres para apresentar queixas sobre a arbitragem e que o devem fazer, quando se sentem injustiçados. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com

Turquia Erdogan anuncia eleições antecipadas para 24 de Junho O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou ontem a antecipação das eleições legislativas e presidenciais para 24 de Junho, um ano e meio antes da data prevista inicialmente. “Decidimos que as eleições vão decorrer no domingo, 24 de Junho de 2018”, declarou Erdogan

em conferência de imprensa após um encontro com Devlet Bahçeli, o chefe do ultranacionalista Partido de Acção Nacionalista (MHP). Na terça-feira, o partido no poder na Turquia já tinha admitido antecipar as eleições para o próximo Verão após um apelo do seu aliado ultranacionalista. “O Alto comité

eleitoral vai imediatamente começar os preparativos para estas eleições”, declarou Erdogan, que se referiu à “aceleração dos desenvolvimentos na Síria” e a necessidade de tomar rapidamente “decisões importantes” sobre a economia para justificar a antecipação do calendário eleitoral.

Hoje Macau 19 ABR 2018 #4034  

N.º 4034 de 19 de ABR de 2018

Hoje Macau 19 ABR 2018 #4034  

N.º 4034 de 19 de ABR de 2018

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