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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUARTA-FEIRA 19 DE ABRIL DE 2017 • ANO XVI • Nº 3795

ALEX BRANDON

hojemacau CONSELHO EXECUTIVO PRESENÇA DE DEPUTADOS POSTA EM CAUSA

Ho Iat Seng levantou a questão. Para o presidente da Assembleia Legislativa o número de deputados presentes no Conselho Executivo é excessivo. Mas há quem

REFERENDO CONTESTADO GRANDE PLANO

CCAC | ELEIÇÕES

Cuidado com os aumentos

vá mais longe e defenda uma separação de poderes mais clara com a exclusão total de tribunos do órgão auxiliar do Chefe do Executivo.

PÁGINA 5

OPINIÃO

Populismo JORGE RODRIGUES SIMÃO

PÁGINA 4 SOFIA MARGARIDA MOTA

CARLOS MIGUEL BOTÃO ALVES

Sabedoria oriental

NOVA ROTA DA SEDA

MANOBRAS DE MAIO PÁGINA 11

EVENTOS

AMBIENTE

O cerco do lixo PÁGINA 9

Pessoas privadas

JOÃO PAULO COTRIM

Irmãs tórridas

JULIE O’YANG

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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Separar águas

TURQUIA

h


2 GRANDE PLANO

O Partido Republicano do Povo, o principal partido da oposição turca, não se conforma com o resultado – nem com os métodos – do referendo que reforça os poderes de Recep Tayyip Erdoğan. O Presidente do país passa a ser um homem com força em demasia. Se as autoridades turcas não resolverem o problema, a solução poderá passar pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem

TURQUIA OPOSIÇÃO CONTESTA RESULTADO DE REFERENDO

IRA ATE AO FIM ´

principal força da oposição da Turquia, o Partido Republicano do Povo (CHP), deu ontem início a uma batalha para anular o referendo que prevê novos poderes para o Presidente Recep Tayyip Erdoğan. Também a união das associações de advogados e os observadores internacionais duvidam da legalidade do processo, colocando em causa o modo como foram obtidos os votos favoráveis às intenções do Chefe de Estado. Os turcos votaram no fim-de-semana passado uma alteração da Constituição que prevê a atribuição de mais poderes ao Presidente. Com a vitória do “sim” — com 51,37 por cento dos votos –, Erdogan passará a poder nomear e afastar ministros, membros do Tribunal Constitucional e a poder emitir ordens executivas. Até aqui, estas funções eram da competência do Parlamento que, a partir de agora, terá um papel meramente secundário. Apesar da fraca margem com que venceu o referendo, Recep Erdoğan entende que o resultado termina com todo o debate em torno do poder que a presidência passará a ter. E fez questão de desvalorizar as críticas dos observadores internacionais, que concluíram que o processo não foi verdadeiramente democrático, uma vez que as duas partes não tiveram oportunidades iguais. Através de um comunicado, o Conselho da Europa e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa considerou também que a cobertura dos meios de comunicação social foi parcial e que houve limitações às liberdades fundamentais. Erdogan não esteve com meias medidas: aconselhou os observadores a “manterem-se no seu lugar”. O primeiro-ministro Binali Yildirim – que deixará de ter emprego mal as alterações constitucionais entrem em vigor, uma vez que o cargo vai ser extinto – anunciou que Erdogan vai ser convidado a voltar ao AKP mal os resultados oficiais sejam anunciados, um sinal de que o Governo não tem qualquer intenção de esperar pelo resultado

do apelo da desagradada oposição. Ao abrigo do actual diploma fundamental, ao Presidente é exigida imparcialidade e que renuncie a ligações a partidos políticos. Pouco após o anúncio do CHP em relação à contestação do referendo, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, declarou que “toda a gente, a começar pelo principal partido da oposição, deve respeitar (…) a palavra da nação”. “Os que se esforçam por lançar uma sombra sobre o resultado do referendo propagando alegações [de irregularidades] agem em vão. A vontade da nação foi expressa livremente nas urnas, este caso está terminado”, atirou.

RECURSO PARA NADA

À hora de fecho desta edição, o CHP ainda não tinha apresentado junto do Alto Conselho Eleitoral (YSK) o pedido de anulação do referendo de domingo sobre o reforço dos poderes do Presidente, algo que deverá ter acontecido ainda ontem. Um responsável do Partido Republicano do Povo deveria reunir-se com o presidente do YSK duas horas antes da entrega do recurso.

“Os que se esforçam por lançar uma sombra sobre o resultado do referendo propagando alegações [de irregularidades] agem em vão. A vontade da nação foi expressa livremente nas urnas, este caso está terminado.” BINALI YILDIRIM PRIMEIRO-MINISTRO Também o HDP, partido da oposição pró-curdo, denunciou “manipulações” no escrutínio. Em causa está a decisão de última hora do YSK de considerar como

válidos os boletins não marcados com o selo oficial das autoridades eleitorais. A oposição vê nessa decisão uma manobra que permite a fraude. São poucos aqueles que, na Turquia, acreditam que o recurso legal interposto pela oposição em

relação ao referendo leve a uma recontagem dos votos e muito menos a uma nova realização da consulta popular. Mas se a polémica em torno do referendo não se resolver, permanecerão dúvidas profundas acerca da legitimidade de um acto que partiu o eleitorado


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A AMÉRICA DÁ OS PARABÉNS

O

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou a Erdogan para o congratular pela vitória do “sim” no referendo de domingo passado na Turquia. De acordo com um comunicado da Casa Branca, durante a conversa telefónica, os dois governantes terão também discutido as acções levadas a cabo pelas forças norte-americanas contra a Síria no início deste mês. “O Presidente Trump agradece ao Presidente Erdogan por apoiar esta acção dos Estados Unidos e os líderes concordaram com a importância de responsabilizar o Presidente sírio Bashar al-Assad”, lia-se no mesmo comunicado. “O Presidente Trump e o Presidente Erdogan também discutiram a campanha contra o ISIS e a necessidade de cooperar contra os grupos que usam o terrorismo para atingir os seus fins.”

ao meio, depois de uma campanha que polarizou a população turca e que deixou a Europa em alerta. Também a organização que representa a advocacia no país entende que a decisão do YSK em relação aos boletins de voto viola claramente a lei, tendo evitado que

os registos oficiais sejam devidamente guardados, o que poderá ter tido impacto no resultado. “Com esta decisão ilegal, os conselheiros nas mesas de voto [os membros oficiais] foram levados a acreditar que a utilização de boletins sem o selo oficial

das autoridades era apropriado”, afirmou a União das Associações de Advogados da Turquia (TBB) num comunicado, citado pelas agências de notícias internacionais. “Não lamentamos o que sai deste referendo, mas sim as violações claras e brutais da lei que têm um potencial impacto nos resultados.” O principal partido da oposição – que já anunciou também que levará o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, se tal for necessário – recordou que a decisão de última hora em relação aos boletins de voto não foi inédita, uma vez que o Governo tinha já autorizado um acto semelhante. Não se sabe, para já, quantos boletins de voto sem selo foram considerados válidos pelo Alto Conselho Eleitoral. O presidente

“Não lamentamos o que sai deste referendo, mas sim as violações claras e brutais da lei que têm um potencial impacto nos resultados.” UNIÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE ADVOGADOS DA TURQUIA do organismo explicou que recebeu muitas queixas das mesas de voto porque não tinham selos para carimbar os boletins. A decisão de permitir documentos não oficiais foi tomada neste contexto, depois de recebido um apelo nesse sentido por parte de um político ligado ao AKP, o partido no poder. Um membro austríaco da missão de observadores do Conselho Europeu, citado pela Reuters, indicou que 2,5 milhões de votos poderão ter sido manipulados, o que é quase o dobro da margem de vitória de Erdogan. Também este observador não compreende como podem ser autorizados boletins de voto sem o selo oficial. “Estas queixas são para ser levadas muito a sério e são, de qualquer modo, de tal dimensão que vão surtir efeitos contrários ao do resultado do referendo”, afirmou Alev Korun à rádio ORF.

EM NOME DO BEM

As autoridades responsáveis pelos processos eleitorais na Turquia ainda não tinham, ontem à noite, resultados oficiais – os provisórios apontam para uma vitória do “sim” com quase 51,4 por cento dos votos. Se Recep Tayyip Erdoğan levar a melhor, acontecerá na Turquia a maior reviravolta constitucional desde a fundação da república

Um membro austríaco da missão de observadores do Conselho Europeu, citado pela Reuters, indicou que 2,5 milhões de votos poderão ter sido manipulados, o que é quase o dobro da margem de vitória de Erdogan

moderna. É um desejo que o Chefe de Estado alimenta há muito. Os argumentos de Erdogan têm que ver com as características políticas e sociais da Turquia. Diz o político que a concentração do poder na presidência é necessária para evitar a instabilidade. Como é óbvio, a oposição tem um entendimento muito diferente da situação: a pretensão de Erdogan é criar um sistema em que o poder é controlado por um só homem. Esta monopolização de poderes acontecerá num país membro da NATO, que tem fronteiras com o Irão, o Iraque a Síria, e cuja estabilidade é de uma importância vital para a União Europeia e para os Estados Unidos. Logo no domingo, o Partido Republicano do Povo escreveu no seu site que tinha recebido “queixas consideráveis” de eleitores a quem foram dados boletins de voto e envelopes sem o selo oficial.

São poucos aqueles que, na Turquia, acreditam que o recurso interposto pela oposição leve a uma recontagem dos votos e muito menos a uma nova realização da consulta popular Quanto à união de advogados, o presidente da TBB, Metin Feyzioglu, contou que recebeu telefonemas de várias províncias sobre votos em documentos não oficiais. Metin Feyzioglu, que é visto como potencial futuro líder do partido da oposição CHP, explicou ainda que os advogados que acompanharam o processo de perto recomendaram às autoridades nas mesas que os votos deveriam ser cuidadosamente guardados após terminada a contagem. Mas tal não terá acontecido, pelo que a prova das irregularidades não foi devidamente preservada. Em Abril de 2014, o YSK decidiu anular o resultado de eleições locais em dois distritos do sudeste da Turquia, precisamente por causa do recurso a boletins de voto informais. O acto acabou por se repetir dois meses mais tarde – mas em causa estavam, na altura, diferentes ganhos políticos para o homem que manda na Turquia. E que quer mandar muito mais.


4 POLÍTICA O presidente da Assembleia Legislativa defende uma redução do número de deputados na composição do Conselho Executivo, mas há quem defenda a sua total eliminação. Leonel Alves, membro do órgão há 15 anos, diz que não há conflito de interesses nas duas funções

Q

U AT R O , d o i s , três ou nenhum? A questão do número de deputados que são nomeados pelo Chefe do Executivo para fazerem parte do Conselho Executivo foi levantada esta semana por Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa (AL). Actualmente, há quatro deputados no Conselho Executivo (Leonel Alves, Chan Chak Mo, Cheang Chi Keong e Chan Meng Kam, num total de 11 membros), mas Ho Iat Seng disse à Agência Lusa que deveriam ser escolhidos apenas dois ou três. Em declarações ao HM, o analista político Éric Sau-

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Conselho Executivo PEDIDA REDUÇÃO OU ELIMINAÇÃO DE DEPUTADOS

Um aqui, outro ali

tedé defende que nenhum deputado deveria pertencer ao órgão que presta aconselhamento às políticas do Governo e que também analisa as leis antes da sua entrega à Assembleia Legislativa (AL) para votação. “Trata-se de um órgão sob alçada do Executivo e os deputados não deveriam fazer parte dele. Em Macau, o patronato sempre prevaleceu em relação a uma compreensão precisa do que é uma verdadeira separação de poderes. Se Ho Iat Seng se tornar no próximo Chefe do Executivo, poderia colocar as coisas mais de acordo com o espírito da Lei Básica”, defendeu o académico.

Também o deputado José Pereira Coutinho acredita que a eliminação dos deputados do órgão que coadjuva Chui Sai On na tomada de decisões seria a melhor opção. “O Conselho Executivo deve ter pessoas que, independentemente da sua relação de amizade pessoal com o Chefe do Executivo, possam ter opiniões diferentes e com diferentes relações de amizade. Isso iria permitir ao Chefe do Executivo sentir o pulso da sociedade, recebendo informações de diferentes extractos sociais”, defendeu. Coutinho fala de uma situação em que os deputados “têm um pé em cada barcaça”. “Há que separar o trigo do joio. PUB

AVISO Faz-se saber que, em relação ao concurso público para « Empreitada de Construção de Habitação Pública na Rua Central de Tói San », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 13, II Série, de 29 de Março de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, Macau. Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 10 de Abril de 2017. O Coordenador, Substituto Tomás Hoi

Não estou a ver como se pode exercer com honestidade o cargo de deputado, com uma acção fiscalizadora [em relação às políticas do Executivo], quando meses antes, no Conselho Executivo, se deu o aval ao mesmo diploma ou assunto que é objecto de discussão na AL”, argumentou. O analista político Larry So defende a permanência de deputados neste organismo, mas acredita que as escolhas do Chefe do Executivo deveriam incidir sobre pessoas vindas de vários sectores. “Precisamos de, pelo menos, dois deputados, porque tem de existir um trabalho em conjunto”, frisou. Contudo, “espero que não sejam apontados tantos deputados pelo Chefe do Executivo, mas sim mais figuras da sociedade que sejam representantes de diferentes sectores, como o jogo, o turismo, a cultura. Áreas que não estejam tão representadas na AL”, explicou.

SEM CONFLITOS

O deputado Leonel Alves é membro do Conselho Executivo há 15 anos e garante que não há qualquer conflito de interesses nas duas posições que ele e os seus colegas da AL ocupam. “Não há conflito de interesses, há sim uma harmonização dos interesses”, disse ao HM. “Há muitos assuntos debatidos que não

“A utilidade de um deputado no Conselho Executivo não é tanto pelo seu estatuto ou conhecimentos enquanto membro da Assembleia Legislativa, mas sim pela pessoa em si, que tem o seu contributo próprio no aconselhamento das questões importantes da RAEM ao Chefe do Executivo.” LEONEL ALVES MEMBRO DO CONSELHO EXECUTIVO

têm nada que ver com a AL. Se calhar mais de metade dos assuntos não têm que ver com o dia-a-dia da AL. São coisas bastante distintas”, disse Leonel Alves sobre as reuniões do Conselho Executivo, que são à porta fechada e cujas discussões nunca são tornadas públicas. “A utilidade de um deputado no Conselho Executivo não é tanto pelo seu estatuto ou conhecimentos enquanto deputado, mas sim pela pessoa em si, que tem o seu contributo próprio no aconselhamento das questões importantes da RAEM ao Chefe do Executivo”, explicou. “No meu caso, represento a comunidade macaense, outros representam a banca, outros representam as pequenas e médias empresas. É mais nessa perspectiva de experiência e posição na sociedade [que são escolhidos], para transmitirem os conhecimentos que têm ao Chefe do Executivo”, acrescentou. Leonel Alves lembrou ainda que os seus colegas até presidem a comissões no seio da AL. Cheang Chi Keong e Chan Chak Mo lideram comissões permanentes, enquanto Chan Meng Kam preside à Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública. “Não vejo que seja em função da sua presidência que exerçam as posições no Conselho Executivo. Pode ser uma mais-valia, mas não é exclusivamente por causa desse facto”, acrescentou Leonel Alves. O também advogado recorda o período da transição para explicar que, afinal de contas, a Lei Básica prevê que deputados possam ser membros do Conselho Executivo. “A Lei Básica prevê isso porque, se calhar, houve necessidade de frisar que um deputado e um membro do órgão municipal também poderiam ser membros do Conselho Executivo. Na Administração portuguesa, o membro de um conselho consultivo ou do órgão municipal não podia ser deputado, e houve necessidade de clarificar que, depois de 1999, o deputado de uma hipotética assembleia municipal poderia fazer parte do Conselho”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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Separar o trigo do joio CCAC desaconselha aumentos salariais antes da campanha eleitoral

não pode ser feito. O trabalhador também não pode aceitar votar em determinada pessoa a troco de salário mais alto”, respondeu o comissário.

TIAGO ALCÂNTARA

A

NDRÉ Cheong, responsável máximo pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), disse ontem que não é aconselhável que as empresas atribuam aumentos salariais aos trabalhadores antes do arranque da campanha eleitoral. “Como [as eleições] estão próximas, e [tendo em conta] o período de véspera da campanha eleitoral, há que ter mais cautela e há coisas que não devem ser feitas. Se poderem evitar realizar [essas acções] nessa altura [é o mais indicado]”, explicou André Cheong numa sessão pública de esclarecimento sobre as eleições, promovida pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). O comissário disse ainda que “até pode ser [numa situação] em que se celebra o aniversário da empresa, mas tem de se ter muita cautela, esses almoços e prémios não podem ter qualquer ligação com os votos”. André Cheong foi confrontado com questões sobre a possibilidade de, com esses aumentos, as concessionárias de jogo ou outras empresas estarem a incentivar os trabalhadores ao voto. “Cada empresa tem o direito de aumentar os salários mas, se a contrapartida é o voto num candidato, isso já

CASINOS SEM PANFLETOS

O deputado José Pereira Coutinho esteve presente na sessão e alertou para a existência de cartazes sobre eleições e candidaturas dentro dos casinos. “Há material informativo e de propaganda eleitoral, e está a ser feita propaganda antecipada dentro dos casinos”, acusou. “É possível lançar medidas para que essas informações não entrem nos casinos e não incomodem os trabalhadores? Muitas vezes estas informações são deixadas nos cacifos”, acrescentou Coutinho. Tong Hio Fong, presidente da CAEAL, referiu que a lei eleitoral prevê que “os serviços públicos têm de manter a neutralidade e a imparcialidade em relação às candidaturas, mas as empresas e concessionárias também têm de se manter imparciais”. “Os casinos não podem afixar cartazes ou material informativo em

• André Cheong, comissário contra a Corrupção “Cada empresa tem o direito de aumentar os salários mas, se a contrapartida é o voto num candidato, isso já não pode ser feito.”

prol de determinado candidato. Este tem de se sujeitar à aprovação por parte da nossa comissão”, indicou. Durante a sessão, vários participantes levantaram questões

sobre a cobertura noticiosa das eleições por parte dos órgãos de comunicação social. A CAEAL foi inquirida sobre a possível criação de um padrão para a pro-

POLÍTICA

dução de notícias, mas Tong Hio Fong voltou a deixar claro que o objectivo é garantir a liberdade de imprensa. “Os jornalistas têm sempre [direito] à liberdade de imprensa, não vamos intrometer-nos nas actividades dos jornalistas. Mas se algum órgão violar a lei não vamos ficar de braços cruzados. A comissão já falou com os órgãos de comunicação social para que tratem de forma justa todos os candidatos”, apontou o presidente da CAEAL. Um dos intervenientes fez ainda uma referência ao caso Pearl Horizon, tendo questionado se poderiam ser entregues panfletos informativos junto dos investidores. André Cheong advertiu apenas sobre a elaboração de falsas promessas políticas sobre o caso. “Tem de haver um sentido de análise. Quando uma pessoa promete fazer algo, essa promessa deve ser legal. Uma promessa [com vista a adquirir] vantagens também incorre no crime de corrupção eleitoral. Temos de saber qual é a linha que possibilita ou impossibilita a acção”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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hoje macau quarta-feira 19.4.2017

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética

Considerando que não é possível notificar pessoalmente o interessado, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, fica, pela presente, notificada, ao abrigo do artigo 68.° e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, a empresa comercial abaixo mencionada, que obteve o financiamento do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética:

Considerando que não é possível notificar pessoalmente o interessado, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, fica, pela presente, notificada, ao abrigo do artigo 68.° e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, a empresa comercial abaixo mencionada, que pediu o financiamento do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética:

Notificação n.° 001/2017

Nome do beneficiário Companhia Superplus Limitada Associação de Estudos da Cultura e Educação Great Luck LAI IOK CHU

N.º de registo de entrada FP1001796 FP1001859 FP1001881

Nome do beneficiário Companhia Vida Admirada, Limitada IQ博士幼兒早教用品專 賣店有限公司

N.º de registo de entrada FP1006437 FP1006552

Companhia de Investimento Predial Merittee Limitada

FP1002776

FG Macau Co. Ltd.

FP1003847

Wong Sai Cheong

FP1003850

Fong U Kuan 610 Comidas e Bebidas Limitada Chi Seng Limitada Associação de Conterrâneos de Long Un de Fok Kin de Hong Kong e Macau

FP1004124

Choi Wai Kei Avenve Concept Moda Macau Sociedade Unipessoal Limitada Charmoso Optico Limitada Importação e Exportação Man Son Companhia Limitada Leong Weng Lon E.I.

FP1004485

He Gan Chu

FP1006793

FP1004560

An Yi Limitada

FP1006870

FP1004709

歐志常

FP1006914

美安居物業有限公司

FP1004937

Wong Im Leng Au Si Tong

FP1005563 FP1005577

Agência de Automóveis Si Toi, Limitada

FP1005602

Criação Tecnologias Limitada

FP1005740

家和(澳門)地產有限公司 Associação Internacional de Dança Oriental de Macau Liang Gui Fang Equipamento Electrico Guang Ri (Macau) Limitada 英林中學澳門校友會

FP1005825

Grupo de Ginseng e Marisco Seco Kwong Tai Limitada Qiu Tian Billy Luk Lda. Companhia de Investimento Loyal Champ, Limitada Sociedade de Comercio e Investmento Tong Seng Lam (Macau), Limitada 盧盛光

FP1005882

杜耀滿

FP1007386

FP1006060

蕭鴻偉

FP1007468

FP1006119

最高餐飲管理有限公司

FP1007472

FP1006128

FP1007583

Chong Sio Man

FP1006206

澳門全能青年協會 Grupo de Restauração Foodleader companhia Limitada Companhia de Administração de propriedade de Pasadena Lda.

Companhia de Diversões Wind, Limitada

FP1006209

Sobra Sociedade Unipessoal Lda.

FP1006407

FP1006631 FP1006650 FP1006751 FP1006764 FP1006775

Notificação n.° 002/2017

Nome do beneficiário 蘇遠苹 大鳳一人有限公司

N.º de registo de entrada FP1005777 FP1007491

Considerando que foi tomada a deliberação de indeferimento pelo Conselho Administrativo do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética (FPACE) relativamente ao pedido apresentado pelo requerente acima referido, o mesmo pode apresentar uma reclamação junto do Conselho Administrativo do FPACE, nos termos dos artigos 145.°, 148.° e 149.° do Código do Procedimento Administrativo, no prazo de 15 dias, contado a partir da data de publicação da presente notificação, e/ou recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau no prazo de 30 dias, contado a partir da data da publicação da presente notificação, de acordo com o disposto no artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso. O requerente pode telefonar para o n.° 28725134 para marcar uma consulta na DSPA, deslocando-se, durante as horas de expediente, à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita na Estrada de D. Maria II, n.°s 11 a 11-D, Edf. dos Correios, r/c, em Macau, para efeitos de aceder ao respectivo processo. 19 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man

FP1007110 FP1007157 FP1007186 FP1007336 FP1007369 FP1007378

FP1007623

FP1007675

A DSPA enviou ao requerente uma notificação por e-mail, para a pessoa de contacto designado pelo requerente, para entregar as informações em falta. A DSPA tem aguardado a entrega dos documentos ou informações necessários para a candidatura ou a respectiva resposta por escrito, de acordo com o que foi exigido na notificação. Nos termos da alínea n.° 2 do artigo 11.° do Regulamento Administrativo n.° 22/2011“Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, “a paragem do processo de candidatura por período superior a 30 dias, por motivo imputável à requerente, equivale à desistência do pedido.” Mais se relembra ao requerente que deve entregar, o mais rapidamente possível, os documentos ou informações necessários para a candidatura ou a respectiva resposta por escrito, de acordo com o que foi exigido na notificação, a partir da data de publicação da presente Notificação, indicando o nome da actual pessoa a contactar, o número de telefone e e-mail. Caso contrário, é considerado como desistência do pedido. 19 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE Tam Vai Man

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 003/2017

Considerando a impossibilidade de notificar pessoalmente os interessados, de acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, as seguintes empresas comerciais que apresentaram pedidos de apoio financeiro ao Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética, são notificadas por edital, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do mesmo Código: Nome do requerente 澳門牡丹江國際飯店有限公司

N.º de registo de entrada

Montante do apoio financeiro concedido (patacas)

FP1003204

31,432.00

C H Construção Civil, Limitada 澳門新中華農業名優產品展覽交易中心有限公司

FP1005210

41,024.00

FP1007413

96,844.00

Deferidos pelo Conselho Administrativo do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética os pedidos de concessão de apoio financeiro formulados pelas empresas comerciais acima referidas, estas devem, para efeitos de concessão do mesmo e no prazo de 30 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, proceder à entrega da Declaração (modelo 14) e da factura relativas aos produtos e equipamentos adquiridos ou substituídos, das fotografias com as características definidas no “Regulamento para a entrega de fotografias dos produtos e equipamentos adquiridos e instalados” e dos outros documentos considerados necessários, sob pena de o respectivo apoio financeiro concedido ser cancelado nos termos da alínea 4) do n.º 1 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2011 (Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética). Quer durante a instalação quer durante a utilização dos produtos e equipamentos aprovados para a concessão do apoio financeiro, as empresas comerciais devem observar e cumprir a legislação local e as instruções emitidas para o efeito, disponíveis no sítio da Internet da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. As empresas comerciais devem instalar e utilizar os produtos e equipamentos aprovados para a concessão do apoio financeiro nos locais indicados no despacho de concessão. Em caso da não instalação e não utilização dos produtos e equipamentos nos respectivos locais ou da ocorrência de grandes alterações, nomeadamente a transferência de estabelecimento, a cessação da actividade do estabelecimento, entre outras circunstâncias, devem apresentar um pedido fundamentado, por escrito, ao FPACE no prazo de 30 dias após a ocorrência da mudança, para fazer a verificação do respectivo pedido. Caso esse pedido seja apresentado fora do prazo, ou os produtos e equipamentos aprovados para a concessão do apoio financeiro não sejam instalados e utilizados de acordo com o despacho de concessão, pode ser cancelada a concessão do apoio financeiro, nos termos do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2011 (Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética), sendo exigido aos beneficiários a restituição do montante do apoio financeiro concedido. Sobre a decisão de indeferimento tomada pelo Conselho Administrativo da FPACE, pode ser apresentada reclamação para o mesmo Conselho Administrativo, no prazo de 15 dias, contados a partir da data da publicação da presente notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo e/ou pode ser interposto recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, no prazo de 30 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, de acordo com o disposto no artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso. 19 de Abril de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE Tam Vai Man


7 hoje macau quarta-feira 19.4.2017

Ferreira do Amaral DEPUTADA PEDE MELHOR GESTÃO DO ESTACIONAMENTO

Problemas no subsolo

Ella Lei entende que deve ser feita uma maior fiscalização à empresa responsável pela gestão do parque de estacionamento situado na praça Ferreira do Amaral. A deputada propõe um novo aproveitamento do espaço a segurança dos utilizadores e dos veículos, além de não estar garantida a higiene do local. Tal prejudica a imagem de Macau e do turismo, aponta a responsável.

SOFIA MARGARIDA MOTA

N

ÃO está satisfeita com o aproveitamento dado ao parque de estacionamento situado na Praça Ferreira do Amaral e fez chegar a ideia ao Governo, através de uma interpelação escrita em que questiona também o modo como o local tem estado a ser gerido. Ella Lei, deputada à Assembleia Legislativa com ligações à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), recorda o incêndio ocorrido recentemente numa das caves do parque, algo que, aponta, demonstra a existência de problemas de gestão. Por isso, defende que é necessária uma maior fiscalização à empresa que gere o parque de estacionamento, para que melhore as condições do local. Na missiva, Ella Lei recorda ainda que, em 2015, outros sectores sociais denunciaram as más condições do auto-silo, tais como a existência de estruturas partidas, e a falta de higiene e de iluminação em muitos locais. Embora tenham sido registadas melhorias depois dos pedidos feitos ao Governo, Ella Lei considera que muitos dos

NOVA PROPOSTA PRECISA-SE

problemas não estão totalmente solucionados. A deputada explica que fez uma visita ao local e descobriu várias insuficiências que continuam por resolver. A título de exemplo, é referido o cheiro a urina em vários

locais, bem como a existência de poças de água estagnada. Há ainda elevadores que não funcionam e equipamento partido. Por isso, a deputada acha que as actuais estruturas do parque de estacionamento põem em causa

Esta não é a primeira vez que Ella Lei aborda este assunto. Já em Janeiro do ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego tinha dado uma resposta sobre o parque de estacionamento. No entanto, para a deputada, o Governo tem demorado muito tempo para resolver o assunto, não existindo ainda consenso sobre a questão. Desde que recebeu a resposta, a responsável acredita que ainda não foram encontradas soluções satisfatórias. Por esse motivo, a representante da FAOM deseja saber se o Executivo vai criar uma nova proposta para a reutilização de um espaço na cave do parque de estacionamento que actualmente serve de estacionamento a motociclos. Para Ella Lei, este local deveria ter equipamentos para fins desportivos e de lazer. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

ENSINO REITORA DA CATÓLICA QUER REFORÇO DA COOPERAÇÃO

E

STÁ desde ontem em Macau a reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Isabel Capeloa Gil fica no território até ao próximo dia 27, para uma visita que tem como objectivo contactos com as autoridades civis e eclesiásticas locais, segundo explica a instituição de ensino superior em nota enviada à imprensa. A responsável pela UCP veio ainda fazer um acompanha-

mento das iniciativas desenvolvidas pela Universidade de São José em articulação com a entidade portuguesa que dirige. Trata-se da primeira visita de Isabel Capeloa Gil à RAEM após ter tomado posse como reitora, em Outubro do ano passado. Mas o território é um local que conhece muito bem: a académica cresceu em Macau e “possui uma forte e antiga

ligação” à cidade. Nesta deslocação, está acompanhada por membros da direcção da Faculdade de Direito da UCP e da Global School of Law. Também o presidente do Centro Regional de Braga da UCP se encontra por cá. No comunicado, destaca-se que “a relação com universidades chinesas constitui parte integral do plano de internacionalização da Universidade Cató-

lica Portuguesa, que conta com um número muito relevante de estudantes de Macau nas áreas de Direito, Tradução, Estudos Portugueses e Ensino de Português Língua Estrangeira”. Com a visita ao território, pretende-se discutir novas possibilidades de cooperação com as universidades da região. Considerada uma das mais prestigiadas universidades europeias, a UCP

tem sido sistematicamente destacada pelo Financial Times como líder nacional nas áreas de Gestão, Economia e Direito, estando entre as melhores escolas de negócios da Europa. Comemora este ano meio século de existência.

SOCIEDADE

5,6%

PÁSCOA VISITANTES AUMENTARAM

A Polícia de Segurança Pública registou a entrada de 427 mil visitantes durante os quatro dias de feriados da Páscoa. O número representa um aumento de 5,6 por cento em comparação com os feriados da Páscoa do ano passado. Os dados oficiais, referentes ao período entre 14 e 17 deste mês, deixam de fora trabalhadores não residentes e estudantes. Do mercado da Grande China chegaram 384 mil visitantes, o que representa uma subida de 5,1 por cento na comparação anual. Os mercados da China Continental e Hong Kong registaram um crescimento de 6,5 e 4,1 por cento de turistas, respectivamente. O número de visitantes de Taiwan teve uma descida de 10,3 por cento, sendo que os restantes mercados tiveram durante o mesmo período um aumento na ordem dos dois dígitos, com 10,9 de crescimento.

ESTACIONAMENTO AUMENTO SIM, MAS LUGARES PARA TODOS

Cheang Chong Fai, director da Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública de Macau quer, antes de mais, a garantia de estacionamento para os residentes com a existência de lugares suficientes. O responsável, em declarações ao Jornal do Cidadão, afirmou que não é contra o ajustamento das taxas de estacionamento, mas a prioridade deve ser garantir que os lugares são suficientes para satisfazer as necessidades. As declarações surgem em resposta à intenção da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego de ajustar as taxas dos parquímetros de modo a que se assemelhem aos valores cobrados nos auto-silos. O director da associação acrescentou ainda que a acção mais correcta seria permitir preços diferentes nos auto-silos, uma vez que apresentam características particulares pelo que, com esta medida, não seria necessário aumentar os parquímetros na mesma proporção.


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hoje macau quarta-feira 19.4.2017

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.º 004/2017

Considerando a impossibilidade de notificar pessoalmente os interessados, de acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, as seguintes empresas comerciais, que apresentaram pedidos de apoio financeiro ao Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética, são notificadas por edital, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do mesmo Código: Nome do beneficiário Loja Especializada de Ictiocolas Tai O Lda. Tam Vai Kun Nie Yue Ming 小城實驗劇團 洪霞 Hong Kong Sun Yick (Macau) Limitada Che Chin Chi Chao Sio Fo Gratify Sociedade Unipessoal Lda.

N.º de registo de entrada

Nome do beneficiário

N.º de registo de entrada

FP1001946

Wan Hio Ian

FP1006157

FP1003677 FP1004446 FP1004696 FP1005081

Fong Ka Ian Ng Ka Man Chan Ka Ian Leong Pak Chon

FP1006242 FP1006477 FP1006683 FP1006685

FP1005098

Cheong Lai Chao

FP1006711

FP1005819 FP1005951

Mok Kai Hang 景美好環保有限公司

FP1006717 FP1006913

FP1006139

Mak Koi Chio

FP1007196

Devido à não entrega, decorrido o prazo de 30 dias após a recepção da notificação sobre o resultado do pedido, pelas empresas comerciais acima referidas, da Declaração (modelo 14) e da factura relativas aos produtos e equipamentos adquiridos ou substituídos, das fotografias com as características definidas no “Regulamento para a entrega de fotografias dos produtos e equipamentos adquiridos e instalados” e de outros documentos considerados necessários, proceder-se-á ao respectivo cancelamento da concessão de apoio financeiro, nos termos da alínea 4) do n.º 1 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2011 (Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética). De acordo com o disposto nos artigos 93.º e 94.° do Código do Procedimento Administrativo, as empresas comerciais acima referidas podem, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, apresentar justificação escrita, podendo as mesmas dirigir-se para o efeito, durante o horário de expediente, à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, situada na Estrada de D. Maria II, n.os 11 a 11-D, Edf. dos Correios, Macau, para consultarem os respectivos processos.

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 005/2017

Considerando que não é possível notificar pessoalmente o interessado, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, fica, pela presente, notificada, ao abrigo do artigo 68.° e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, a empresa comercial abaixo mencionada que obteve o financiamento do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética: Nome do beneficiário

N.º de registo de entrada

Data de vistoria

Cheang Chong E.I. Hotel Grand Waldo Limitada Wang’s Yang (Macau) Limitada Chan Man Sou Weng Su Ieong Im Chi

FP0000014 FP0000040 FP1000955 FP1001409 FP1001596 FP1003066

Ho Ka Man

FP1003277

Companhia de Um Ponto Limitada Companhia Wu Lei Limitada Opto-Plus Optico Limitada Companhia de Vinho Vins Gallery Macau Lda.

FP1003638 FP1005986 FP1006739

2016-10-20 2016-08-16 2016-03-15 2015-07-08 2016-11-01 2015-07-14 2015-09-10 2015-09-16 2015-07-08 2016-07-28 2016-12-07

FP1006801

2016-10-24

Por motivo de ter sido verificada, durante a fiscalização feita pelo pessoal da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental à empresa comercial acima referida, a não instalação dos equipamentos financiados ou o apoio financeiro concedido não é utilizado conforme o objectivo indicado no despacho de concessão, neste contexto, nos termos da alínea 2) do n.° 1 do artigo 17.° do Regulamento Administrativo n.° 22/2011“Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, notifica-se que está a ser planeado o cancelamento da concessão de apoio financeiro aos equipamentos ainda não instalados. Nos termos dos artigos 93.° e 94.° do Código do Procedimento Administrativo, a empresa comercial acima referida pode apresentar uma justificação escrita no prazo de 15 dias a contar da data de publicação da presente notificação, podendo também dirigir-se, durante as horas de expediente, à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental sita na Estrada de D. Maria II, n.os 11 a 11-D, Edf. dos Correios, r/c, em Macau, para efeitos de aceder ao respectivo processo. 19 de Abril de 2017.

19 de Abril de 2017.

O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man

O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE Tam Vai Man

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 006/2017

Considerando que não é possível notificar pessoalmente o interessado, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, fica, pela presente, notificada, ao abrigo do artigo 68.° e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, o beneficiário abaixo mencionado, que obteve o financiamento do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética: Nome do beneficiário

N.º de registo de entrada

Necessita de devolver o apoio financeiro concedido no montante de (MOP)

Centro de Explicação Wan Tat Lda. So Wing Foon Lio Kun Fai Sam Ion Keong Che Im Ha Wong Wai Hong Companhia de Internacional Noboriryu, Limitada Sou Kuong Tak

FP1000723 FP1000782 FP1001074 FP1001587 FP1002068 FP1003022

150,848.00 203,044.80 45,251.20 242,223.20 4,080.00 35,360.00

FP1003757

117,298.40

FP1004502

41,968.80

Por ter sido verificado que não foram instalados os produtos e equipamentos subsidiados, conclui-se que “o montante do apoio financeiro concedido foi utilizado para fins diferentes dos fixados no despacho de concessão”. Assim, devido à não aceitação das justificações escritas apresentadas pelos requerentes, ou por serem consideradas irrazoáveis ou por não admissibilidade das mesmas, por ter sido ultrapassado o respectivo prazo para o efeito, e nos termos da alínea 2) do n.° 1 do artigo 17.° do Regulamento Administrativo n.° 22/2011 “Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, determina-se o cancelamento da concessão do apoio financeiro aos equipamentos ainda não instalados, exigindo-se ainda a devolução do respectivo montante, acima referido. Como o beneficiário já tinha recebido o montante do apoio financeiro concedido terá de o restituir, no prazo de 30 dias a contar da data de notificação, nos termos do n.° 2 do artigo 17.° do Regulamento Administrativo n.° 22/2011 “Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, e dos artigos 32.º e 34.º do Regulamento Administrativo n.º 6/2006 , na redacção que lhe foi conferida pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2009. De acordo com o n.° 2 do artigo 17.° do Regulamento Administrativo n.° 22/2011 “Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, “há lugar a cobrança coerciva pela Repartição das Execuções Fiscais da DSF quando se verifique o incumprimento por parte da beneficiária da restituição do montante do apoio financeiro concedido dentro do prazo estipulado.” Face à deliberação de indeferimento tomada pelo Conselho Administrativo do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética (FPACE), o beneficiário acima referido pode apresentar uma reclamação junto do Conselho Administrativo do FPACE, nos termos dos artigos 145.°, 148.° e 149.° do Código do Procedimento Administrativo, no prazo de 15 dias, contado a partir da data de publicação da presente notificação, e/ou recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau no prazo de 30 dias, contado a partir da data da publicação da presente notificação, de acordo com o disposto no artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso. O beneficiário pode telefonar para o n.° 28725134 para marcar uma consulta na DSPA, deslocando-se, durante as horas de expediente, à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita na Estrada de D. Maria II, n.°s 11 a 11-D, Edf. dos Correios, r/c, em Macau, para efeitos de aceder ao respectivo processo. 19 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man

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Concurso Público No 012/SZVJ/2017 “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação dos dois parques e jardins e zonas verdes adjacentes da Zona Central de Macau” Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 31 de Março de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação dos dois parques e jardins e zonas verdes adjacentes da Zona Central de Macau”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12h00 horas do dia 9 de Maio de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP 50,000.00 (cinquenta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no résdo-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM (sita na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 10h00 horas do dia 10 de Maio de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10h00 horas do dia 26 de Abril de 2017 na Divisão de Formação e Documentação do IACM. Macau, aos 10 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO


9 hoje macau quarta-feira 19.4.2017

Os resíduos domésticos aumentaram, os detritos produzidos pelas lojas e pelo sector da construção também. O ar que respiramos não melhorou. Macau é uma cidade com cada vez menos espaço para quem cá vive

C

ADA habitante de Macau produziu 372 quilogramas de lixo doméstico ao longo do ano passado, indicam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em 2016 foram recolhidas 239.993 toneladas de resíduos domésticos – mais cinco por cento em relação ao ano anterior – e 137.949 toneladas de resíduos comerciais e industriais, traduzindo um aumento homólogo de 10,8 por cento. PUB

Muito lixo fazemos nós

Divulgadas estatísticas do ambiente de 2016

Já no que toca aos materiais recicláveis, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e a DSEC recolheram 188,4 toneladas de metal e 660,2 de vidro, respectivamente, mais 23,4 por cento e 16 por cento do que no ano passado. Em contrapartida, foram recolhidas 248,7 toneladas de plástico – menos 15,1 por cento – e 2891 de papel, isto é, menos 0,5 por cento em comparação com 2015. Ao longo do ano passado, a Central de Incineração tratou 503.867 toneladas de resíduos sólidos – mais 1,7 por cento em termos anuais –, indica a DSEC, destacando que foram transportadas para os aterros 3269 toneladas de resíduos de materiais de construção, menos um terço (32,4 por cento) do que em 2015. Em alta esteve também o volume de resíduos líquidos tratados nas cinco Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), que atingiram uma média diária de

229.521 metros cúbicos, reflectindo uma subida anual de 18,9 por cento. As estatísticas do ambiente mostram ainda que, em 2016, o consumo total de água aumentou 2,1 por cento, ascendendo a 86.703.000 metros cúbicos. O consumo comercial e industrial de água (44.173.000 metros cúbicos) aumentou 2,4 por cento, o doméstico (36.976.000 metros cúbicos) subiu 1,8 por cento e o dos departamentos públicos (5.553.000 metros cúbicos) 1,5 por cento.

MODERADO, MENOS BOM

A densidade populacional de Macau, uma das mais elevadas do mundo, acompanhou a tendência, aumentando para 21.400 pessoas por quilómetro quadrado, mais 300 do que em 2015. A densidade de veículos motorizados também subiu ligeiramente, de 583 para 586 por quilómetro, em 2016, em Macau, cuja extensão

total das rodovias é de 427,4 quilómetros. No que toca à qualidade do ar, a DSEC indica que, em 2016, as cinco estações de monitorização registaram um aumento anual do número de dias com qualidade do ar considerado

As estações de monitorização registaram um aumento anual do número de dias com qualidade do ar “moderado”, mas uma diminuição dos dias com ar “bom” em duas estações na península

SOCIEDADE

“moderado”, mas uma diminuição do número de dias com ar “bom” em duas estações na península (menos de 20 e menos de 25 dias). Ao todo, registaram-se menos dias do ano com ar “insalubre”, com o maior número (19) a ser verificado na estação da zona norte (de elevada densidade habitacional), seguindo-se Taipa e ainda Coloane, cada uma com 17 dias nessa condição. As partículas finas PM2,5 também foram superiores ao valor padrão em Coloane, em sentido contrário ao das restantes quatro estações que registaram melhorias. Já idêntico a 2015 foi o número de dias – 66 – em que Macau registou chuvas ácidas, segundo a DSEC. Ao nível do clima, a temperatura média, ao longo do ano passado, foi de 22,6 °C – reflectindo uma ligeira diminuição de 0,6 °C. Julho registou a temperatura máxima, de 36°C, e Janeiro a mínima, de 1,6°C, o valor mais baixo desde Janeiro de 1948. De acordo com a DSEC, o ano passado registou pela primeira vez precipitação com grãos de gelo. No ano passado foram registados mais 35 dias de precipitação, com a chuva a marcar presença durante 161 dias. Em 2016 ocorreram oito tempestades tropicais, indicam os dados ambientais da DSEC.


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hoje macau quarta-feira 19.4.2017

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Concurso Público No 013/SZVJ/2017 “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação dos três parques e jardins da Zona Central de Macau”

Concurso Público No 014/SZVJ/2017 “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação do Jardim Comendador Ho Yin e do Parque Dr. Carlos d’ Assumpção”

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 31 de Março de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação dos três parques e jardins da Zona Central de Macau”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12h00 horas do dia 9 de Maio de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP 50,000.00 (cinquenta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no résdo-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM (sita na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 15h00 horas do dia 10 de Maio de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10h00 horas do dia 26 de Abril de 2017 na Divisão de Formação e Documentação do IACM.

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 31 de Março de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação do Jardim Comendador Ho Yin e do Parque Dr. Carlos d’ Assumpção”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12h00 horas do dia 4 de Maio de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP 45,000.00 (quarenta e cinco mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no résdo-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM (sita na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 10h00 horas do dia 5 de Maio de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10h00 horas do dia 26 de Abril de 2017 na Divisão de Formação e Documentação do IACM.

Macau, aos 10 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO

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Macau, aos 10 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO

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Concurso Público No 015/SZVJ/2017 “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação do Jardim do Chunambeiro e do Jardim da Penha e zonas verdes adjacentes”

Concurso Público No 016/SZVJ/2017 “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação do Jardim das Artes”

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 31 de Março de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação do Jardim do Chunambeiro e do Jardim da Penha e zonas verdes adjacentes”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12h00 horas do dia 5 de Maio de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP 35,000.00 (trinta e cinco mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no résdo-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM (sita na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 10h00 horas do dia 8 de Maio de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10h00 horas do dia 26 de Abril de 2017 na Divisão de Formação e Documentação do IACM.

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 31 de Março de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação do Jardim das Artes”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12h00 horas do dia 4 de Maio de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP 40,000.00 (quarenta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no résdo-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM (sita na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 15h00 horas do dia 5 de Maio de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10h00 horas do dia 26 de Abril de 2017 na Divisão de Formação e Documentação do IACM.

Macau, aos 10 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO

Macau, aos 10 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO


11 hoje macau quarta-feira 19.4.2017

Economia LÍDERES DE 28 PAÍSES

PREÇO DA HABITAÇÃO SOBE CERCA DE 20% NAS PRINCIPAIS CIDADES

O

preço da habitação nas três principais cidades chinesas subiu cerca de 20 por cento em Março, face ao mesmo mês do ano passado, anunciou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês (GNE). Em Pequim, os preços aumentaram 20,6%, em termos homólogos, enquanto em Xangai a subida foi de 19,8%. Em Cantão, o preço do imobiliário avançou 22,9%. Em comparação com Fevereiro, no entanto, os preços da habitação em Pequim e Cantão cresceram apenas 0,4% e 2,5%, respectivamente. Em Xangai, o valor das casas recuou 0,1%, face ao mês anterior. O GNE, que estuda as variações dos preços nas 70 principais cidades chinesas, assinalou ainda que 24 cidades registaram subidas

NO FÓRUM NOVA ROTA DA SEDA

homólogas, mas a um ritmo mais moderado do que o registado em Fevereiro. Em 18 cidades os preços caíram face a Fevereiro. Em Outubro passado, Pequim aprovou medidas para controlar a ‘bolha’ no imobiliário das grandes cidades chinesas, entre as quais o aumento do pagamento inicial na compra de casa. O Governo chinês dificultou também o acesso ao crédito. Em 2016, o sector imobiliário da China registou uma forte expansão, com subidas em praticamente todas as 70 principais cidades do país. As autoridades chinesas não revelam os preços médios da habitação no conjunto do país, nem a percentagem global das suas oscilações, mas divulgam as variações homólogas e mensais dos preços nas 70 maiores cidades.

QUEDA DE EDIFÍCIO NO NORTE DO PAÍS FAZ PELO MENOS TRÊS MORTOS

Caminhos da recuperação

O

S líderes de 28 países participam entre 14 e 15 de Maio, em Pequim, no Fórum Nova Rota da Seda, uma iniciativa do Governo chinês, anunciou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi. Entre os países cujos presidentes acorrem ao Fórum constam a Rússia, Turquia, Cazaquistão, Bielorrússia, Filipinas, Argentina ou Chile. Espanha, Itália, Polónia, Malásia ou Mongólia enviarão os respectivos primeiros-ministros. A abertura do fórum caberá ao Presidente chinês, Xi Jinping, que participará de seguida numa mesa de redonda com os restantes lideres presentes. O evento contará também com seis fóruns temáticos paralelos, em que participarão mais de 1.200 altos funcionários, oriundos de cem países e organizações internacionais, assim como executivos e académicos.

O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, também participarão no evento. A maioria dos países ocidentais, nomeadamente Estados Unidos da América, Canadá, Reino Unido, Alemanha ou França, não terão, no entanto, representantes ao mais alto nível. Wang afirmou que Berlim e Paris manifestaram interesse em enviar os respectivos líderes, mas que não o farão devido ao processo eleitoral que ocorre em ambos os países. “Não queremos politizar esta iniciativa”, afirmou ainda Wang Yi sobre as ausências.

PLANO EM MOVIMENTO

A Nova Rota da Seda, divulgada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi

Pelo menos três pessoas morreram e outras três estão desaparecidas desde a passada madrugada na China, após a queda de um edifício na cidade de Maoping, noroeste do país, provocada por um deslizamento de terras. Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, os serviços de emergência confirmaram ontem a morte de uma mulher e duas crianças, cujos corpos foram encontrados entre os escombros do edifício. A equipa de resgate continua à procura dos outros três inquilinos desaparecidos, enquanto a outra vizinha, com cerca de setenta anos, foi transportada para um hospital e permanece estável. Os restantes residentes - mais de trinta - não se encontravam dentro do edifício quando este se desmoronou. Segundo as autoridades locais, o deslizamento de terras deveu-se às fortes chuvas que atingiram a zona durante o fim de semana.

CHINA

Jinping, constitui um plano de infra-estruturas que pretende reactivar a antiga Rota da Seda entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático. Este plano, que inclui a construção de uma malha ferroviária de alta velocidade entre a China e a Europa, vai abranger 65 países e 4,4 mil milhões de pessoas - cerca de 60% da população mundial, segundo Pequim. Portugal tem afirmado a sua intenção de integrar aquela iniciativa, particularmente com a inclusão do porto de Sines. Os projectos, que são financiados pelo Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas (BAII), de que Portugal é membro fundador, são comparados ao norte-americano ‘Plano Marshall’, lançado a seguir à Segunda Guerra Mundial.

O secretário-geral daONU, o português António Guterres, a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, também participarão no evento O objectivo do Fórum é promover o diálogo e a cooperação no âmbito internacional, frisou o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês. Wang Yi disse ainda que a iniciativa visa dinamizar o crescimento económico global, perante a “débil recuperação” da crise financeira internacional de 2008. “Não faltaram recursos económicos para promover a recuperação”, afirmou, acrescentando que existe, no entanto, uma fragmentação desses meios e que chegou a hora de “consolidar os recursos”.

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Aviso

AVISO Informa-se que se encontra publicada no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 16, II série, de 19 de Abril de 2017, e afixada na sede da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), sita na Estrada de D. Maria II, n.os 11 a 11-D, Edf. dos Correios, r/c, Macau, a lista classificativa final para o preenchimento de 3 lugares do quadro de pessoal e 6 lugares em regime de contrato administrativo de provimento, de fiscal técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, área de actividade de obras públicas, da carreira de fiscal técnico desta Direcção de Serviços, podendo a mesma ser consultada na página electrónica da DSPA http://www.dspa.gov.mo.

O Director, Tam Vai Man Aos 11 de Abril de 2017

Venho por este meio informar a V. Exa. que a Direcção dos Serviços de Finanças irá realizar no dia 28 de Abril de 2017 um seminário de esclarecimento sobre “NORMA COMUM DE COMUNICAÇÃO E PROCEDIMENTOS DE DILIGÊNCIA DEVIDA PARA INFORMAÇÕES SOBRE CONTAS FINANCEIRAS”. No seminário, dar-se-ão a conhecer o enquadramento, o objectivo e as questões-chaves da consulta, esperandose recolher comentários e sugestões de todos os sectores que possam auxiliar no aperfeiçoamento da “NORMA COMUM DE COMUNICAÇÃO E PROCEDIMENTOS DE DILIGÊNCIA DEVIDA PARA INFORMAÇÕES SOBRE CONTAS FINANCEIRAS”. O seminário será realizado pelas 15h00-17h00, na Sala Flor de Lótus, localizada no 5.º andar do Centro de Comércio Mundial de Macau. O seminário será ministrado em Cantonês e Inglês, sendo disponibilizada, tradução simultânea para Português. Gostaríamos de convidar representantes das instituições financeiras e outros interessados inscrever-se e a estar presente. Poderá inscrever-se através dos telefones número 8599 0686 ou 8599 0424 até 27 de Abril de 2017 (por ordem cronológica). Em conformidade com a política de protecção ambiental, os documentos de consulta “NORMA COMUM DE COMUNICAÇÃO E PROCEDIMENTOS DE DILIGÊNCIA DEVIDA PARA INFORMAÇÕES SOBRE CONTAS FINANCEIRAS” encontram-se já disponíveis no sítio da internet da Direcção dos Serviços de Finanças (www.dsf.gov.mo). Desde já se informa que os mencionados documentos não serão facultados em suporte de papel no seminário. Obrigado pela atenção! Aos 7 de Abril de 2017.

O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong


12 EVENTOS

CARLOS MIGUEL BOTÃO ALVES PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

“O Oriente na Literatura Portuguesa – Antero de Quental e Manuel da Silva Mendes” é o mais recente trabalho de Carlos Miguel Botão Alves, professor e investigador no Instituto Politécnico de Macau. É uma análise de textos dos autores portugueses com vidas e reconhecimentos diferentes mas, que em comum, têm uma forte influência da cultura oriental, e dos princípios budistas e taoistas

Como é que escolheu a temática deste livro? Vem na linha de várias discussões que tive com professores de Portugal que me alertaram, desde a minha formação inicial na Universidade Católica, para a necessidade de explorar não tanto a filosofia, porque não é um saber racional autónomo no Oriente, mas antes a sabedoria oriental que tem vindo a ser aperfeiçoada. Depois, em Paris, quando fiz a minha formação específica em Tradução, o estudo foi melhorado com o diálogo muito próximo com a professora Helena Carvalhão Buesco. Apareceu uma área de estudo de Antero de Quental que teria que ver com o Budismo. Eram pesquisas do final de séc. XIX e tinham uma perspectiva assumidamente eurocêntrica. Quando fui leitor de português em Deli, de 1993 a 1995, tive ocasião de apurar ainda mais o campo de estudo da influência budista e pude delimitar mais concretamente o âmbito da minha análise. Foi um trabalho que esteve a marinar e a ser desenvolvido desde 2001/02 até 2014/15, quando acaba por ser redigido. E porquê o paralelismo com Manuel da Silva Mendes, autor que viveu em Macau? Tive contacto com os textos de Manuel da Silva Mendes já em Macau em 1990. Apercebi-me que o que se tinha escrito até à data sobre ele tinha muito que ver com a vertente da reflexão política e, sobretudo, com a análise que fazia pelo empenhamento que tinha na política portuguesa. Era republicano, do Norte, e com génese num proletariado que poderia existir na época. Explorava-se muito os seus escritos no sentido da análise de um socialismo utópico e mesmo anárquico. Mas muito pouca coisa, ou mesmo quase nada, apareceu relativamente aos textos que fez e a que chamo de ensaios. São artigos que publicava dedicados à exploração que fazia das temáticas da filosofia oriental. Quando comecei a colocar a par os textos de Antero de Quental e os de Manuel da Silva Mendes pensei que faria todo o sentido aproximá-los no sentido de criar linhas de leitura que pudessem ser exploradas por quem quisesse estar interessado pela sabedoria do Oriente. Esta parceria entre os autores pode parecer um pouco desequilibrada porque Antero de Quental tem um lugar mais que estabelecido no panorama literário português e Manuel da Silva Mendes nem tanto. Mas a literatura comparada tem também este objectivo, o de trazer para o palco autores não tão conhecidos por via de outros já reconhecidos. Pensei ainda que seria interessante fazer este paralelismo porque desenvolvi a minha vida em

SOFIA MARGARIDA MOTA

“Uma cultura procura na out

França e Portugal, e depois em Macau e na índia. Aqui tenho os dois mundos. Tive sorte por ter dedicado mais de dez anos a leituras para poder escrever o livro. Tive uma mulher que tomava conta de mim e das crianças, o que é muito importante. Pude analisar os textos em profundidade e dar uma visão cultural da segunda metade do

“Há uma urgência em voltar a encontrar a origem e o sentido de determinadas culturas num mundo que pode vir a perder sentido quando demasiadamente globalizado.”

séc. XIX e da primeira do séc. XX. O virar do século é fundamental na formação de consciências tanto a Oriente, como a Ocidente. São dois autores empenhados politicamente, ou seja, o que fazem não é uma mera reflexão filosófica, não é uma satisfação individual, quase egoísta. São autores que procuram precisamente, no aliar da tradição ocidental com a oriental, instrumentos de análise para poderem ter uma praxis. São homens extremamente activos, homens que escrevem, que insultam, que vão para os jornais. Mas, ao mesmo tempo, eram pessoas que percebiam que esta prática intensa só faria sentido se fosse bem grudada na realidade, e a realidade é reflexiva. Não se trata de uma mera erupção intelectual e é isso que está pouco estudado na literatura portuguesa. Em Portugal não temos muitos exemplos de autores que estejam no entrecruzamento dos registos literário e filosófico. Literariamente

somos riquíssimos mas, do ponto de vista de uma reflexão metafísica e ético-moral, será bastante difícil encontrar nomes. O virar do século proporcionou alguns enquanto excepção: o Feijó, o Quental, o Silva Mendes em Macau e, mais tarde, o Luís Gonzaga Gomes. Os textos em que me baseei foram precisamente os da compilação de Luís Gonzaga Gomes. Era o principal discípulo de Manuel da Silva Mendes, no sentido de que é filho da terra e tinha a riqueza de poder ler e escrever a “outra língua”. O livro começa precisamente com uma frase do Umberto Eco acerca da tradução de conceitos. Como é que estes autores, do final do séc. XIX, desenvolviam estes conceitos que, muitas vezes, não existiam na sua própria cultura? O despertar dos estudos orientais acabou por ser um conceito abusado no sentido mais negativo de uma im-


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EVENTOS

tra o que lhe falta” e pelo positivismo que também teve o despontar da procura do novo homem com Feuerbach e Nietzsche. Antero de Quental e Silva Mendes procuravam, aqui, um novo sopro de espiritualidade que a Europa não teria de forma tão vibrante. É essa confluência que quero mostrar quando falo de tradução cultural. Não é propriamente uma tradução de termos, mas sim a procura que uma cultura faz de elementos na outra cultura por deficiência e a capacidade que determinados autores têm de se apropriarem desses conhecimentos que observam na outra cultura, e de os trazerem e tornarem palavras na própria para que façam sentido. É o que me parece que estes dois autores fizeram: uma leitura do mundo e do percurso humano. São homens muito empenhados na renovação do ser humano com ideias de igualdade.

“A língua portuguesa tem um papel fundamental no diálogo entre Oriente e Ocidente. Foi a primeira a chegar e a última a ir embora.”

posição europeia face ao outro, para o minimizar. Os estudos orientais eram uma tentativa de tornar o Oriente manejável e dominável aos olhos de um Ocidente que imperava. Muito além disso, os estudos orientais começam precisamente pela análise filológica, primeiro em França e depois nas universidades alemãs, no final do séc. XVIII, início do séc. XIX. Na viragem do séc. XIX para o séc. XX temos um retorno à filologia. Temos uma tentativa de procurar nos textos uma verdade, ou aspectos dessa verdade, percebida como o entendimento que o Homem pode ter de si na realidade, baseando-se na compreensão dos textos orientais por defeito da filosofia e do pensamento europeu. Digamos que é por deficiência, mas os contactos culturais são sempre assim, uma cultura procura na outra o que lhe falta. Institucional e politicamente, os impérios estendiam-se pelo Oriente mas, culturalmente, estes homens não

tinham uma pretensão de domínio. Silva Mendes sentava-se nos templos de Macau a falar com os monges. Estes homens estavam numa tentativa de procurar, na cultura oriental, o que não era visível e podia colmatar deficiências que, naquele momento, a cultura europeia tinha – uma cultura muito marcada pela industrialização

“São autores que fazem um reflexão própria e a tradução cultural que operam não só de termos budistas e taoistas para análise metafísica, mas sobretudo para orientações ético-morais.”

Um pensamento ainda muito actual? Deveríamos voltar às línguas clássicas. A gritaria que se passou em França pela tentativa de tornar opcionais as línguas clássicas europeias, como o grego e o latim, é um exemplo dessa necessidade. Há uma urgência em voltar a encontrar a origem e o sentido de determinadas culturas num mundo que pode vir a perder sentido quando demasiadamente globalizado. Quando a ênfase da globalização reside na mera globalização – e a globalização não é propriamente uma troca ou um encontro, mas antes o esbater de características –, podemos correr um risco e, daí, a actualidade dos estudos deste tipo. Há a necessidade de procurar num mundo globalizado, não só as nossas raízes, mas também aquelas que temos através do confronto, do contraste e do diálogo com a alteridade. Para o fazer, é necessário estarmos conscientes daquilo que somos. Só há diálogo quando há troca e só há troca quando temos alguma coisa para dar. São autores que fazem uma reflexão própria e a tradução cultural que operam não é só de termos budistas e taoistas para análise metafísica mas, sobretudo, para orientações ético-morais. São autores de charneira e formativos da

nossa cultura. O texto da não-acção, por exemplo, tem uma ressonância extremamente oriental, mas se lermos os textos pré-socráticos o conceito já lá está. Claro que os franceses vão de imediato dizer: “Pois, mas os textos pré-socráticos são da Ásia Menor”. A não-acção não tem a ênfase no não, mas sim na acção. Não é não fazer nada mas é, sobretudo, a promoção máxima do ser humano em reflexão. É isso que é o Oriente. A procura que o sujeito faz dentro de si e da sua própria natureza. Quando isso acontece, a acção exterior, a do fazer, deixa de ter sentido porque passa a ficar orientada por esse autoconhecimento. O “conhece-te a ti mesmo do Sócrates”, não é se não isto. Os autores de Macau são muito pouco conhecidos internacionalmente e este é um livro que tenta promover um deles. Porque é que a literatura feita cá não chega a Portugal? Macau tem autores diferentes. Tem pessoas que pensam sobre determinadas questões e fazem-no de uma forma diferente. Na Índia é a mesma coisa, existem vários autores que não são conhecidos de todo em Portugal, no Brasil, etc., porque as edições portuguesas não são feitas para serem publicadas nos lugares onde se fale o português. Se olharmos para a Oxford University Press e para a Cambridge University Press, promovem um mesmo título e uma edição aparece ao mesmo tempo nos vários centros do mundo anglófono. Nós não temos essa tradição, não temos a divulgação feita e agilizada de tal forma que permita que o mundo de língua portuguesa lhe aceda. É um mundo muito vasto, o que é bom, mas muito disperso geograficamente e sem essa ligação de editoras, de crítica textual e de academias. Outra questão é a da tradução. Os meus colegas, por exemplo da Universidade de Hong Kong, não conhecem as obras de autores portugueses porque não estão traduzidas. Se nos quisermos dar a conhecer, temos de dar o texto preparado com outras linguagens e não podemos fugir à tradução para as línguas principais: o inglês e o francês. A língua portuguesa tem um papel fundamental no diálogo entre Oriente e Ocidente. Foi a primeira a chegar e a última a ir embora, mas tem de saber traduzir-se para outras línguas. A língua, quando comunica, comunica também a cultura. A língua é sobretudo cultura, é uma visão do mundo. Ao se conhecer uma língua percebemos o mundo de uma forma diferente, mais rica. Sofia Margarida Mota

sofiamora.hojemacau@gmail.com

AZEITONAS BANDA PORTUGUESA ESTREIA-SE HOJE EM CONCERTO

A banda portuguesa Os Azeitonas estreia-se ao vivo em Macau esta noite num espectáculo que integra as comemorações do 25 de Abril. Numa organização da Casa de Portugal em Macau, o concerto de hoje faz ainda parte da digressão que a banda portuense iniciou em Fevereiro. O agrupamento está agora a trabalhar num novo álbum, depois de quase quatro anos sem novidades discográficas, sendo o seu último trabalho, o “AZ”, de 2013. Do novo disco já existe um single, “Fundo da Garrafa”, lançado no início do ano, e o segundo está previsto para o próximo mês. O evento tem lugar às 20h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau.

LIVROS SEMANA DA BIBLIOTECA COMEÇA NO SÁBADO

A Semana da Biblioteca de Macau 2017 vai ser inaugurada no próximo sábado, pelas 10h30. A edição deste ano é dedicada ao tema “Leitura e Imagem”. O objectivo, refere a organização, é expandir as perspectivas relativamente à leitura, através da exploração da inter-relação entre a imagem e a leitura. O evento tem lugar no Edifício do Antigo Tribunal e durante o período promocional, de 22 a 25 deste mês, a organização destaca a organização de diversas actividades. Da agenda constam a venda de revistas arquivadas para fins de caridade, a troca de livros, espectáculos de marionetas, workshops de acessórios de leitura tais como “marcadores de livros marmorizados” e “blocos de notas em tecido”, bem como exposições de banda desenhada alemã e stands de jogos. As inscrições para as actividades já se encontram abertas.


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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WANG CHONG

王充

OS DISCURSOS PONDERADOS DE WANG CHONG

Nos nossos dias, os erros são incontáveis, os absurdos são múltiplos. Fragmentos de “Autobiografia” – 18

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S discursos bem fundamentados nunca são demasiado longos, mas ninguém lamentaria a brevidade de um texto afectado. Cem livros úteis não fazem mal, um parágrafo inútil é demasiado. Quando uma coisa é útil, mais vale ter dela muito do que pouco. Quem será mais rico, aquele que possui mil peças de ouro, ou aquele que só tem cem? Os discursos longos ganham aos discursos demasiado breves – é melhor ser rico do que pobre...Não serei eu mais hábil, com os meus cem capítulos e dez mil frases, do que aqueles que não deixaram o mínimo parágrafo, a mínima palavra? Hoje em dia não me reprovam pelos erros dos Discursos Ponderados, mas pela sua extensão; não dizem que as pessoas não os querem, mas que não os compreendem. Para uma grande casa, é preciso muito terreno; para uma grande população são precisos muitos registos. Nos nossos dias, os erros são incontáveis, os absurdos são múltiplos. Como ser conciso quando se quer mostrar a realidade, discutir o verdadeiro e o falso? Nos livros de Han Fei só encontramos uma ideia central, mas os seus capítulos são às dezenas e as suas palavras às dezenas de milhar. Para cobrir um grande corpo é necessária uma grande indumentária; para cobrir temas vastos, um livro não pode ser curto. É necessária muita água para uma grande quantidade de peixes e, quando a capital se enche de cereais, os seus mercados se enchem de gente. Certos livros são, de facto, muito longos, pois tratam de um grande número de problemas. Taigong Wang e, mais recentemente, Dong Zhongshu compuseram centenas de capítulos. Se não conseguem impedir-se de criticar o número dos meus capítulos é, sem dúvida, por eu não ter o mesmo estatuto daqueles dois personagens. Todavia, o que impressiona mais: o Rio Amarelo, com suas águas poderosas, ou os pequenos ribeiros? E não são os casulos mais pesados aqueles que dão mais seda? Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng (論衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.


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diário de um editor

João Paulo Cotrim

Pessoas privadas FACEBOOK, 2 ABRIL O meu querido exilado de si, Alex Gozblau, anima nas etéreas paragens uma rádio íntima, The Unborn Radio (https:// www.facebook.com/The-Unborn-Radio-881810651873520/). Hoje ofereceu-me uma lágrima. A voz de Kevin Rowland diz cantando que «It’s okay to be a private person, John... It’s okay - I don’t show much of myself in life, but in my music... I reveal all. (…) I’m learning to operate in this world; I’m just learning, and so can you. // I’m learning about how to be true to an idea, it’s a beautiful thing. I’m gonna do it, Johanna, I’m gonna it. I’m gonna spread beauty to the best of my ability.» Isto de ser pessoa privada e ter que custosamente arranjar maneira de nos mantermos fiéis a uma ideia, uma ideia de nós, é terreno comum. Quantas figuras da criação, além da canção, contêm esta potência explosiva de nos unir (uns aos outros) e de nos partir (em pedaços)? Tantas ramificações, entre terra e céu, podiam ancorar nesta pérola perdida dos Dexy’s Midnight Runners, sempiternos parceiros de adolescência, essoutro nome para aventura. Acresce que esta demo esquecida de It’s Ok Johanna vem de par com o screen test de Andy Warhol para Ann, the Girl Who Cried a Tear. Ele há dias assim, que nos escorrem pelo rosto. MYMOSA, LISBOA, 7 ABRIL Sendo a agenda slightly promiscuous girl, difícil foi fugir dos seus avanços a tarde toda. Quantos dias de conversa em torno de música surfei com o mano surfista Rui Garrido? Conversa? Quantos discos, concertos, bandas, projectos, histórias ou vozes o Rui me apresentou? Pois. A minha perspectiva foi sempre a do usuário-otário. No meu dicionário íntimo, música define fascínio: limito-me a arder no encantamento. Não toco instrumento algum, não canto nem uma nota, raramente reconheço melodias, esqueço as canções de que sou feito, às vezes grito, há quem diga que me viu dançar. Sinto muito... Não foi surpresa sabê-lo de corpo inteiro, depois de anos à volta dos rostos, a desenhar linhas de baixo em banda: Democrash. Claro, a capa do primeiro álbum homónimo (na ilustração) leva a sua assinatura, com aviso de que apenas uma cassete foi ferida e um martelo usado. O martelo está bem, dizem. A fita da tarde embrulhou-se ainda no abrasivo meio editorial. O Rui dirige o depar-

tamento gráfico de um grande grupo e na bateria bate o Francisco Camacho, outro distinto editor da praça. Maduros também os outros três, que foram de fazer agora banda de garagem onde celebrar a energia bruta da adolescência. Sem merdas. Com riffs. A cassete congelada não podia ser melhor metáfora. O espírito conserva-se. Com a batida, o sax e o verso I’m better writer when I’me down enquadrando explicações sacadas a livro de psicologia, Writer’s block diverte-me de modo agudamente festivo. Devo passá-lo doravante aos meus autores? Mas o tema, como se diz, que não me abandona chama-se delete me: «delete me when I’m over/ delete me when I’m over/burn all these words and more/ forget all the jokes I made» (https://youtu. be/GKVc__3Lcbw). E o gozo continua, apesar das vidas e não sei quê. De qualquer modo, ao vivo tendem a ser mais o contrário de estar morto. HORTA SECA, LISBOA, 12 ABRIL Talvez fosse ideia de antologia (que cabeça a do editor, que transforma qualquer coisa em livro-projéctil!), a selec-

ção de textos capazes de definir as paisagens apocalípticas que atravessamos. Do martelo e da navalha, portanto. Ainda que nesse contexto, Tresmalhado, de Jorge Roque (ed. Averno), não deixaria de o ser. São inclassificáveis estes textos notáveis, contos breves de atenção ao quotidiano, à linguagem, invectivas políticas, invocações de memória, contabilidade do falhanço, avaliação de rumos e ponto da situação, tendo por fundo, em baixo contínuo autobiográfico, a voz, o olhar e a dor do narrador. «O que sinto não é uma ideia, um pensamento, uma filosofia. Grito. Irreprimível grito. Lâmina desarvorada. Corta, fere, rasga, ceifa. Nada vê, nada mede. Galga, salta, escoiceia. Silêncio. Imóvel, ressoante.» Um despojamento singular da escrita faz dela lâmina: corta, fere, rasga, ceifa. E se marca o seu corpo, não pode deixar de ferir outros, sargentos deste estar vivo que basta. Mais. Trabalhando na área cultural do Estado lida a cada dia com a falência ética da literatura. «A literatura, à escala da vida, é coisa de nada. A literatura portuguesa, à escala da literatura todos

os dias praticada em cada recanto da terra, pelos milhões de bichos esquisitos que a povoam, um nada desse nada. Cada escritor dessa dita literatura, génio da língua, da oportunidade ou do bairro, da sua crença, da crítica ou do mercado, compreendidos, incompreendidos e errantes, amados, mal amados e ainda os que nem uma coisa nem outra, a quem coube uma verdade mais estreita, talvez mesmo verdade nenhuma para lá do tempo a esgotar-se, um nada desse nada desse nada.» Mandaria a prudência que não dissesse o quanto me revejo nesta solidão sem rebanho. Outro capítulo, relembrado há dias no Obra Aberta (http://www.abysmo. pt/obra-aberta/), pelo mano Valério [Romão], seria o poema-carta de veias abertas do Vasco [Gato]: Fera Oculta (ed. Douda Correria). Por ali sangra, além do lirismo de combate, photomaton do inferno doméstico, «este logro quotidiano/em que um homem e uma mulher/se esfalfam para manter à tona/a ampulheta instável dos seus nomes/quando esse punhado de areia/subtraído à erosão dos deuses/mereceria o sopro pleno/de um dia sem rodeios/um baptismo mais vasto e súbito/que não prendesse cada coisa/aos seus próprios pés». O puto, entretanto, nasceu e semeia desassossegos, apesar de. «Que se foda a época/digo-te já/que se foda a sépia dos futuros/eu quero aparecer no dia/dia do teu nascimento/desarmado como uma árvore/sem outra missão que não amparar-te o susto/e dizer-te baixinho/bem-vindo ao continente dos frágeis/podes parar de nadar» SANTA BÁRBARA, LISBOA, 15 ABRIL Provavelmente não será verdade, pouco importa. O Teatro Amazonas, em Manaus, tem uma equipa a funcionar 24 sobre 24 horas para impedir a selva de engolir cada detalhe, das escamas de cerâmica da cúpula ao mármore das estátuas, dos lustres em vidro de Murano às paredes de aço de Glasgow, da boca de cena ao fosso da orquestra. A natureza reclama o seu, pouco importa que seja cultura. Alberto Carneiro (1937-2017) fez o mesmo, sem estrago, acrescentando na vez, com o alcance de uma sequoia e a elegância do bambu. Depois de lhe entrar obra adentro nunca mais vi da mesma maneira a cerejeira e o museu.


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na ordem do dia 热风

N

Irmãs tórridas 说有这么一回事 PAN YUE

A tarde de 21 de Fevereiro de 1932, Xu Qinwen saiu para acompanhar um convidado. Quando voltou a casa, encontrou o criado à porta. O homem vinha informá-lo que ninguém o ia deixar entrar. Aborrecido, tirou do bolso a sua chave, mas verificou que não abria a porta. Tocou várias vezes à campainha. Ninguém atendia. Xu ficou furioso. Deu a volta até à porta das traseiras, partiu o gancho de ferro e entrou no pátio. O silêncio era total. A seguir apanhou um choque, na relva jaziam duas jovens mulheres cobertas de sangue. Uma delas estava desmaiada. Era Tao Sijin, amiga da sua filha. A outra era a sua melhor amiga, Liu Mengyin, e estava morta. O crime aconteceu no Lago Oriental, em Hangzhou, um dos locais mais românticos da China. Este episódio tornou-se rapidamente um escândalo nacional e apareceu em todos os jornais do país. Tao e Liu estudavam na Escola de Artes de Zhejiang. Eram companheiras de quarto e envolveram-se numa relação romântica. Ambas tinham combinado que nunca se casariam. Mas Liu veio a apaixonar-se por outra mulher, uma nova professora. Tao jurou que mataria uma delas. Entretanto as férias de Verão começaram e Tao e Liu ficaram em casa de Xu. Um dia Liu queria tomar banho e mandou o criado comprar-lhe um produto para a pele. Nessa altura, Tao trancou as portas e desencadeou uma discussão. Exigia que Liu terminasse a relação com a professora. A discussão descontrolou-se rapidamente e Tao foi buscar uma faca à cozinha. Matou a amante e a seguir desmaiou. Tao foi condenada a prisão perpétua. Entretanto a II Guerra Mundial deflagrou e os japoneses tomaram Hangzhou. Tao acabou por ser libertada, e veio a casar com o juiz que tinha presidido ao julgamento, dando assim um epílogo bastante sumarento à história. Na China, durante as décadas de 20 e 30, a homossexualidade era um fenómeno muito comum entre os estudantes, tanto do sexo feminino como masculino. No entanto, para as “novas mulheres” estava na moda ter uma relação lésbica. “Tórridas, irmãs homossexuais” era uma expressão que circulava entre as elites sociais.

Julie O’yang

Depois do escândalo Tao-Liu ter chocado o país, a influente revista feminina Linglong(《玲珑》Requintada) apelou ao “fim” da homossexualidade, afirmando: “ […] a homossexualidade é ilegal, imoral e fisiologicamente errada. É um acto criminoso. Esta forma perversa de pornografia é por vezes perigosa. As raparigas devem ter relações heterossexuais e almejar uma vida feliz e brilhante.” O assunto foi inevitavelmente abordado na literatura da época, fortemente influenciada pelas tendências ocidentais. Escritoras dissertaram longamente sobre as tórridas irmãs homossexuais. Por exemplo, no romance de Ling Shuhua’s (凌叔华 1900–1990) Romeu era uma rapariga (《说有这么一回 事》), a escritora encoraja as mulheres a “livrarem-se das sombras impostas pelo passado e a embarcar em experiências fora do alcance da percepção e dos valores masculinos.” Provavelmente Ling Shuhua será recordada pelo seu caso amoroso com Julian Bell, um jovem poeta pertencente ao Bloomsbury Group, e que escreveu sobre ela numa carta a um amigo: “… embora não seja bonita, sinto-me muito atraído por ela.” Perante isto, deixo uma questão aos meus caros leitores: expliquem-me como é que isto funciona? Por favor respondam-me por email.

Na China, durante as décadas de 20 e 30, a homossexualidade era um fenómeno muito comum entre os estudantes, tanto do sexo feminino como masculino. No entanto, para as “novas mulheres” estava na moda ter uma relação lésbica. “Tórridas, irmãs homossexuais” era uma expressão que circulava entre as elites sociais


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categórica vitória de Lewis Hamilton no Grande Prémio da China atirou para segundo plano aquela que talvez tenha sido a melhor notícia do fim-de-semana do evento, a mais que provável continuidade da prova. O Grande Prémio da China expirou o seu contrato, mas existem fortes indicações que dão conta da manutenção da corrida de Xangai no calendário nos próximos anos. “Nós não falamos de detalhes ainda, o nosso encontro foi mais sobre o desporto em si e como melhor promovê-lo aqui”, disse Jiang Lan, o responsável máximo da Juss Event, a empresa promotora do evento, citado pelo Shanghai Daily. Jiang mostrou-se optimista para a renovação do contrato, agora que a Fórmula 1 está nas mãos da empresa norte-americana Liberty Media. Após anos a fio a negociar com Bernie Ecclestone, é com Chase Carey, o novo homem forte da Fórmula 1, que a Juss Event terá que encontrar um entendimento para a tão esperada renovação de contrato. “A Fórmula 1 tem assistido a uma queda no número de espectadores em todo o mundo. Mas eu achei o Chase, que tem experiência dos media, mais tolerante e mais aberto de espírito. Ele está disposto a dar mais poder aos organizadores PUB

Xangai não vai deixar cair a F1 Grande Prémio da China deverá prolongar o contrato

locais da Fórmula 1”, afirmou o responsável chinês. “Existe um pouco de expectativa se nós iremos continuar a acolher a corrida”, disse ainda Jiang. “Para além de trabalharmos para fazer a Fórmula 1 uma actividade desportiva importante para a cidade, iremos explorar mais aspectos a seguir, incluindo como usar a Fómula 1 para ajudar ao desenvolvimento da indústria automóvel da China e altas tecnologias relacionadas”. A prova que se disputa no Circuito Internacional de Xangai, cuja

construção custou cerca de 2,600 milhões de patacas, decorreu pela primeira vez em 2004, permitindo às equipas, construtores e patrocinadores aceder ao maior mercado potencial do mundo, mas a corrida nem sempre foi um sucesso comercial para os chineses, o que causou algumas dúvidas quanto à sua continuidade para lá do actual acordo. Isto, para além da organização chinesa ser das que mais pagava anualmente para acolher um Grande Prémio. Depois da euforia inicial, o evento caiu em desleixo, perdendo espectadores e protagonismo, algo que a Juss Event tem vindo com sucesso a recuperar nos últimos cinco anos, tornando-o novamente atractivo para os fãs, entusiastas ou meros curiosos. A China vem a um pouco a contrariar a tendência do que está a acontecer no continente asiático que começou com o abandono dos Grande Prémios da Coreia do Sul e Índia. Ainda há cerca de duas semanas a Malásia confirmou que

o seu Grande Prémio deste ano será o último, pois o governo local diz que o evento já não justifica os 540 milhões de patacas de investimento anual. Singapura está também a negociar os termos do seu contrato, sendo que existe pouca vontade da Cidade de Estado em continuar a desembolsar avultadas somas na organização do evento. Contudo, na China, o Grande Prémio de Fórmula 1 faz parte do Programa de Desenvolvimento da Indústria dos Desportos de Xangai 2016 – 2020. De acordo com o documento, o Grande Prémio, a par com o Torneio de Ténis ATP Masters, a Maratona Internacional e a Liga Diamante da Associação Internacional de Federações de Atletismo, “tornou-se num evento muito importante para a cidade”.

MACAU EM PROMOÇÃO

Como é tradição, o Grande Prémio de Macau promoveu-se em Xangai, durante o Grande durante a etapa chinesa da categoria máxima, o Instituto do Desporto participou neste evento, através de uma exposição que incluiu o carro do vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2011, conduzido pelo piloto espanhol Daniel Juncadella. Também presente no local esteve o simulador do Grande Prémio para os visitantes experimentarem

DESPORTO

a emoção em conduzir no Circuito da Guia. A área de promoção da prova esteve sempre animada, com vários fãs do desporto motorizado visitaram a exposição, tendo a oportunidade de ver pela primeira vez ao vivo um Fórmula 3 e sentir uma emoção aproximada das corridas através do simulador.

LIU ESTREOU-SE NA TAÇA PORSCHE

Liu Lic Ka, uma cara familiar das corridas de carros de turismo do território, estreou-se na Taça Porsche Carrera Ásia, a prova de apoio do programa do Campeonato do Mundo de Fórmula 1. Em Xangai, Liu Lic Ka, que este ano está a participar no TCR Asia Series, e que nunca tinha competido com um Porsche 911 GT3 Cup, foi vigésimo segundo na primeira corrida e décimo oitavo classificado no segundo confronto. Liu tornou-se o terceiro piloto de Macau a correr no troféu monomarca da Porsche no continente asiático, depois de Rodolfo Ávila ter estado presente em 46 eventos entre 2009 e 2016 e Kevin Tse ter alinhado na prova extra-campeonato disputada no Circuito da Guia em 2013. Sérgio Fonseca

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18 PUBLICIDADE

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA “EMPREITADA DE CONCEPÇÃO E CONSTRUÇÃO DA INTERCEPÇÃO DE ÁGUAS RESIDUAIS NAS SAÍDAS DE COLECTORES PLUVIAIS JUNTO À COSTA DA AREIA PRETA” 1. 2. 3.

Entidade que põe a obra a concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Avenida Norte do Hipódromo, Avenida Leste do Hipódromo e Avenida 1°. de Maio. 4. Objecto da Empreitada: Interceptar as águas residuais provenientes das bocas de saída de águas pluviais junto à costa da Areia Preta para à ETAR de Macau. 5. Prazo máximo de execução da obra: 440 dias de trabalho. O prazo de execução da obra apresentado pelo concorrente deve obedecer às disposições do n.º 7 do preâmbulo do Programa de Concurso e dos n.os 5.1.2 e 5.2.2 das cláusulas gerais do Caderno de Encargos. 6. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. 7. Tipo de empreitada: Preço Global. 8. Caução provisória: $850 000,00 (oitocentas e cinquenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. 9. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço Base: não há. 11. Condições de admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição ou renovação. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação.

ANÚNCIO

Concurso Público No 017/SZVJ/2017 “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação do Jardim de S. Francisco” Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 31 de Março de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação do Jardim de S. Francisco”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12h00 horas do dia 5 de Maio de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP 30,000.00 (trinta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no rés-do-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM (sita na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 15h00 horas do dia 8 de Maio de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10h00 horas do dia 26 de Abril de 2017 na Divisão de Formação e Documentação do IACM. Macau, aos 10 de Abril de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO

12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, R/C, Macau; Dia e hora limite: dia 31 de Maio de 2017 (quarta -feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora limite para a entrega das propostas acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Sala de reunião da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 5º andar, Macau; Dia e hora: dia 1 de Junho de 2017 (quinta-feira), pelas 9:30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o número 12 ou em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora estabelecida para o acto público do concurso acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Línguas a utilizar na redacção da proposta: Os documentos que instruem a proposta (com excepção dos catálogos de produtos) devem estar redigidos numa das línguas oficiais da RAEM, quando noutra língua, devem ser acompanhados de tradução reconhecida notarialmente, a qual prevalece para todos e quaisquer efeitos. 15. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: Departamento de Infraestruturas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 16º andar, Macau; Hora: horário de expediente (das 9:00 às 12:45 horas e das 14:30 às 17:00 horas) Na Secção de Contabilidade da DSSOPT, poderão ser solicitadas cópias do processo de concurso mediante o pagamento de $460,00 (quatrocentas e sessenta patacas). 16. Critérios de avaliação de propostas e proporções:

Parte relativa ao preço Parte técnica

Critérios de avaliação Preço da obra Concepção do Projecto Prazo de exeução Plano de trabalhos

Proporção 10 2 2 2

Experiência e qualidade em obras semelhantes

2.6

Integridade e honestidade

1.4

Pontuação final = Pontuação da parte relativa ao preço x Pontuação da parte técnica. 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Infraestruturas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 16º andar, em Macau, a partir de 7 de Maio de 2017 (inclusivé) e até à data limite para a entrega das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, aos 13 de Abril de 2017. O Director dos Serviços Li Canfeng


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macau visto de hong kong DAVID CHAN

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É favor sair

O passado dia 12 o website“http://people.com/human-interest/united-airlines-apology-forcably-removing-passenger-twitter-reacts/” divulgava uma notícia que começava assim:  “... Acaba de ser publicado um vídeo assustador onde se vê um passageiro ensanguentado a ser arrastado para fora de um dos aviões da United Airlines...” A notícia reporta-se a um caso ocorrido nos EUA dia 9 deste mês, no avião nº. UA3411 da companhia aérea United Express Airlines. O que aconteceu naquele avião foi algo de terrível. O passageiro David Dao foi expulso violentamente do avião na sequência de se ter recusado a ceder o lugar que ocupava.   A companhia ofereceu uma indemnização até 1.000 dólares e estadia paga num hotel, aos passageiros que libertassem os lugares de que precisava. E isto porque quatro funcionários da companhia precisavam de viajar com urgência naquele avião que já estava lotado. Mas como ninguém se voluntariou para sair, a companhia escolheu ao acaso quatro passageiros. Um deles era David Dao que se recusou a abandonar o lugar, alegando que tinha pacientes à espera em Louisville. Nessa altura a polícia de Chicago foi chamada para o obrigar a sair do avião.  Na segunda-feira, Oscar Munoz, Director Executivo da United, publicou a sua versão da situação no Twitter da companhia.  “Peço desculpa por termos tido de reacomodar estes passageiros. A nossa equipa está a colaborar com as autoridades e a preparar um relatório detalhado sobre a nossa perspectiva dos acontecimentos. Estamos também a estabelecer contacto com este passageiro para vermos com ele a melhor forma de resolver a situação.” No entanto a história tem outra faceta. No email que a companhia dirigiu aos funcionários, nesse mesmo dia, podia ler-se: “Dao criou problemas e teve uma atitude agressiva.”  Na sequência da divulgação mediática deste acontecimento, o preço das acções da United Express caiu 5%. Na terça-feira Oscar Munoz veio declarar:  “Os terríveis acontecimentos que tiveram lugar a bordo do nosso avião desencadearam em todos nós reacções de raiva, ira e frustração.”  “Pessoalmente partilho todos estes sentimentos e, acima de tudo: lamento profundamente o sucedido.” “Como todos vocês, continuo a sentir-me perturbado pelo que se passou no avião e apresento as minhas mais sinceras desculpas ao passageiro que foi forçado a sair e a todos os que estavam a bordo.” “Ninguém deve ser tratado daquela maneira.”

“Quero que saibam que vamos assumir todas as responsabilidades e corrigir o mal que foi feito.” Este pedido de desculpas foi alvo de duras críticas. Foi considerado por muitos como “desculpas de mau pagador”. A companhia aérea Royal Jordanian aproveitou a situação inteligentemente e publicou no Twitter:  “Gostaríamos de vos recordar que nos nossos voos é estritamente proibido arrastar pessoas para fora do avião.” Mas toda esta situação tem vários aspectos obscuros. Em primeiro lugar, nos EUA, o limite máximo das indemnizações em casos semelhantes é de 1.350 dólares. Neste caso a United Express só ofereceu um máximo de 1.000 dólares. Porque é que não ofereceram o valor máximo previsto? Em segundo lugar, os quatro funcionários da companhia precisavam dos lugares com urgência porque

Se virmos o vídeo que foi feito por um dos passageiros, podemos verificar que quando David foi agarrado pelos polícias estava aos gritos. Mas quando foi arrastado para fora do lugar deixou de gritar. Este comportamento não parece normal. A conclusão lógica é que deve ter desmaiado. Será que os polícias lhe bateram na cabeça ou terá sido atingido acidentalmente? 

tinham de se apresentar ao serviço no dia seguinte. Nesse caso porque é que a companhia não lhes alugou um carro que os levasse ao seu destino? Porque é que fizeram questão que fossem naquele voo? Ficámos a saber pelos media que a viagem de carro duraria apenas cinco horas. Em terceiro lugar o avião esteve três horas parado na pista. Sem dúvida que as taxas que a companhia teve de pagar ao aeroporto aumentaram imenso. Porque é que a United suportou este custo e não quis reembolsar os passageiros com a indemnização máxima? Se virmos o vídeo que foi feito por um dos passageiros, podemos verificar que quando David foi agarrado pelos polícias estava aos gritos. Mas quando foi arrastado para fora do lugar deixou de gritar. Este comportamento não parece normal. A conclusão lógica é que deve ter desmaiado. Será que os polícias lhe bateram na cabeça ou terá sido atingido acidentalmente? Porque é que tinha o nariz a sangrar? Cerca de dez minutos depois David voltou ao avião. Não parava de repetir:  “Tenho de ir para casa.”  O que é que lhe aconteceu depois de ter sido arrastado para fora do avião? E porque é que voltou? Porque é que os polícias não o acompanharam quando regressou a bordo? O vídeo não responde a estas perguntas.  David contratou dois advogados para processar a United Express Airline e a Polícia de Chicago. A resposta a estas perguntas será fundamental para o processo. É provável que a companhia e a Polícia de Chicago tenham de vir a arcar com a maior parte da responsabilidade. A possibilidade de David ganhar este processo é bastante elevada. Para salvaguardar as aparências a United pode vir a subir o valor da indemnização e tentar desta forma encerrar o assunto. Professor Associado do IPM Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Jazz legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog

OPINIÃO


20 OPINIÃO

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“Populist leaders like Donald Trump, Marine Le Pen, Norbert Hoffer, Nigel Farage, and Geert Wilders are prominent today in many countries, altering established patterns of party competition in contemporary Western societies. Cas Mudde argues that the impact of populist parties has been exaggerated. But these parties have gained votes and seats in many countries, and entered government coalitions in eleven Western democracies, including in Austria, Italy and Switzerland. Across Europe, their average share of the vote in national and European parliamentary elections has more than doubled since the 1960s, from around 5.1% to 13.2%, at the expense of center parties. During the same era, their share of seats has tripled, from 3.8% to 12.8%. Even in countries without many elected populist representatives, these parties can still exert tremendous ‘blackmail’ pressure on mainstream parties, public discourse, and the policy agenda, as is illustrated by the UKIP’s role in catalyzing the British exit from the European Union, with massive consequences.” Trump, Brexit, and the Rise of Populism: Economic Have-Nots and Cultural Backlash Harvard Kennedy School Ronald F. Inglehart and Pippa Norris

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voto britânico para abandonar a União Europeia (UE) e a eleição do presidente Donald Trump nos Estados Unidos deixou muitos surpreendidos no passado ano. O economista e comentarista irlandês, David McWilliams, denominou 2016, como “o ano do outsider”. As previsões apontam que 2017 não será diferente, com eleições importantes que irão ocorrer por toda a Europa e muitos viram as eleições holandesas de 15 de Março de 2017, como “o primeiro grande teste” do que está por vir. O líder do Partido para a Liberdade (PVV, na sigla em língua holandesa) de extrema-direita Geert Wilders tinha proclamado uma “primavera patriótica” que podia aumentar as pressões sobre uma sitiada UE. O político holandês islamofóbico viveu sempre rodeado por fortes medidas de segurança, tendo por mais de uma década, passado a maior parte do tempo num refúgio desconhecido, ou em uma ala do Parlamento fortemente guardada. Este esquema de segurança, durante vinte e quatro horas, que raramente permitia a saída à rua, e para assistir a alguns eventos da campanha eleitoral, teve de deslocar-se em uma caravana de veículos blindados, devidos às constantes ameaças de morte, que recebe de extremistas enfurecidos pelas suas declarações contra o Islão, comparando o “Alcorão” ao livro “A Minha Luta” de Adolfo Hitler. O grande tema é de questionar a ideia de que as eleições holandesas marcaram o início de uma “primavera patriótica”, ou seja, a de que o povo retomará o controlo da elite a nível nacional e europeu. Até agora, a

Europa dificilmente desempenhou qualquer papel na campanha eleitoral holandesa. Mesmo Geert Wilders pareceu afastar-se da questão. O co-investigador Stijn van Kessel no “projecto 28+perspectivas sobre o Brexit: um guia para as negociações com múltiplos intervenientes” da Universidade de Loughborough elaborou os dados que mostravam que os holandeses não queriam um “Nexit”. Além disso, outras questões prevaleceram na campanha. O tema mais dominante foi a economia holandesa e, em particular, a questão de saber que política prosseguir em tempos de superavit orçamental e baixa taxa desemprego. A economia é tipicamente, um tema que os políticos holandeses gostam de ligar à UE, acrescentados dos motes de “muita burocracia”, “somos pagadores líquidos” e “não mais dinheiro para a Grécia”. Mas, nesta campanha, os políticos ligaram-se à questão do que é importante para a sociedade holandesa, como o do dinheiro extra que deveria ter uma maior taxa de participação para a criação de mais empregos, reforma do sistema de saúde, investimento nas políticas de alterações climáticas e melhoria do sistema educacional. O outro tema abrangente é o que constitui a identidade holandesa no modelo da globalização. Uma “primavera patriótica” pressupunha debates sobre a identidade nacional, ameaçada por elites cosmopolitas e pressões externas. No entanto, na actual campanha eleitoral, a discussão pareceu ter sido mais matizada, centrada na redefinição da identidade nacional, sem necessariamente rejeitar a imigração e a integração europeia. Por exemplo, o líder do Partido Democrata Cristão (CDA, na sigla em língua holandesa) enfatizou os símbolos nacionais, trazendo a ideia dos alunos cantarem o hino nacional nas escolas. O líder do Partido de Esquerda Verde (GL, na sigla em língua holandesa), enfatizou uma cultura inclusiva de tolerância e diversidade. Além disso, é muito provável que Geert Wilders seja marginalizado após a derrota sofrida nas eleições. Primeiro, a maioria dos partidos declarou que não quer cooperar com o seu partido e pessoa. Em segundo lugar, uma semana antes das eleições, as últimas sondagens, também sugeriam que não iria ter o número elevado de votos que foi previsto algumas semanas antes, e que se veio a confirmar. Isso não significa que as suas ideias estejam a ser ignoradas, tal como aconteceu com frequência na história política holandesa, em que os partidos tradicionais já haviam adoptado alguns dos seus discursos populistas, e até mesmo nacionalistas sobre questões como a imigração e a integração europeia. A título de exemplo, em termos de valor nominal, as suas ideias parecem ser menos dignas, apesar de a identidade ter sido uma questão fundamental durante a campanha eleitoral, e que lhe pode ser atribuída, curiosamente, na trilha da alegada “primavera patriótica”, um contra-movimento que

ORSON WELLES, CITIZEN KANE

O populismo étnico

parece estar a surgir. A ascensão da direita populista é muitas vezes vista como um processo linear, começado com o Brexit e a eleição de Donald Trump, e continuado durante as eleições no continente europeu. Mas confrontados com as ideias populistas de direita de Geert Wilders, são um conjunto de crenças que realçam a diversidade e a abertura para influências externas, sendo mais visivelmente ilustrado, pelo crescente apoio ao Partido Democratas 66 (D66, na sigla em língua holandesa), que é progressista, liberal-social e radical democrata e o GL. A tendência semelhante na França e na Alemanha é notória, onde, respectivamente, o pro-europeu Emmanuel Macron e o ex-presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, estão a ter ganhos inesperados nas sondagens. Ambos, também sublinham as ideias de abertura e de tolerância, e a necessidade de cooperar a nível europeu. As urnas confirmaram a vitória do actual primeiro-ministro, o liberal de direita Mark Rutte, e revelaram que Geert Wilders, o candidato racista e antieuropeu que chegou a liderar as sondagens, não obteve tanto apoio como se esperava. Depois do Brexit e do êxito que

representou a vitória de Donald Trump, o populismo xenófobo enfrenta, assim, a sua primeira derrota no Ocidente. As eleições holandesas não conduziram ao início de uma “primavera patriótica” da extrema-direita populista europeia, mas sim a um reequilíbrio da política europeia. Todavia analisadas mais profundamente as eleições holandesas, vimos que ao entardecer do dia das eleições, os meios de comunicação social de todo o mundo, anteciparam uma vitória não apenas para o Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD, na sigla em língua holandesa) liderado pelo actual primeiro-ministro Mark Rutte, mas uma vitória para a política racional, liberal, enquanto elogiavam a derrota esmagadora dos nacionalistas étnicos de Geert Wilders. O líder do VVD, de uma forma mais sóbria, em um discurso proferido depois de aparentemente o seu partido ter ostensivamente triunfado, declarou que os holandeses disseram não ao tipo errado de populismo. Mas esta é uma interpretação equivocada. Neste ano de eleições, que indicará se a UE pode sobreviver num futuro próximo, a eleição holandesa recebeu uma atenção indevida da imprensa mundial. Na sequência


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OPINIÃO perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

em marcha

do Brexit, da vitória de Donald Trump, um referendo holandês e a quase um ano da eleição presidencial austríaca e meses do referendo constitucional italiano, o foco dos meios de comunicação sobre a Holanda tem sido compreensível, mas também tem sido distorcido pelos eventos de 2016. O Brexit, a vitória presidencial de Donald Trump e os referendos foram escolhas binárias do “Candidato A” versus “Candidato B”, ou simplesmente “Sim” versus “Não”, e conjuntamente com o crescente domínio anglo-americano dos meios de comunicação internacional, ou pelo menos dos meios de comunicação transatlânticos, no seguimento de Donald Trump e da caótica política do Reino Unido, isso resultou no facto da comunicação social estrangeira, examinar as eleições holandesas através de uma lente distorcida. A eleição holandesa não era binária, mas multipolar. A comunicação social na análise política e no sistema de dois partidos e dualismo de Sim/Não, enfatizaram a possibilidade do PVV vencer as eleições. Os mesmos meios de comunicação, em segundo lugar, apresentaram a eleição como uma derrota para o PVV e o seu líder. No entanto, nada poderia estar mais longe da

verdade. O líder do PVV não perdeu em um sistema binário, anglo-americano, antes ganhou em um sistema multipolar europeu. Os dois partidos governamentais da Holanda perderam. O VVD do primeiro-ministro, Mark Rutte, perdeu oito assentos, enquanto o Partido Trabalhista (PvdA, na sigla em língua holandesa) de Lodewijk Asscher, vice-pri-

A eleição holandesa não representou a derrota do populismo étnico. Na melhor das hipóteses, é uma vitória pírrica para o último bastião da ordem estabelecida. Na pior das hipóteses, é um sinal de um eleitorado desencantado que expressou a sua infelicidade com o “status quo”

meiro-ministro, passou de 38 assentos para 9 assentos, perdendo de forma assombrosa 29 assentos. No rescaldo do tropeço do VVD e da derrota do PvdA, o partido que estava mais preeminente era o PVV. Apenas onze anos após a sua criação, o PVV é o segundo maior partido na Holanda. Não voltou ao seu auge de 2010, mas o desafio para a VVD de outros partidos e a derrota do PvdA, levaram a menor margem eleitoral do PVV a uma posição muito mais evidente. A ascensão do GL desafia o apelo do PVV, especialmente entre os jovens eleitores urbanos que, na Holanda, país altamente urbanizado, formam uma parcela substancial do eleitorado. Mas, ao mesmo tempo, o GL suprimiu o suporte do VVD. Enquanto o PVV e o GL, conjuntamente com o D66, não poderiam ser mais distintos em termos de políticas, mas compartilham uma característica comum que preocupou o líder do VVD, pois eram evidências do mesmo fenómeno visto nos Estados Unidos e no Reino Unido, em que os eleitores se sentem desiludidos com os principais partidos formados no rescaldo da II Guerra Mundial, e voltam-se para os partidos mais novos, que oferecem uma lufada de ar fresco, em relação a uma ordem política, ideológica e económica estabelecida e aparentemente estagnada. O motivo adicional de preocupação é que nas grandes áreas metropolitanas da Holanda o PVV apresenta-se como o partido que reunia as maiores preferências, ou o segundo partido a nível nacional, e de forma preocupante, próximo do VVD. O surgimento do PVV, como partido dominante em Roterdão, põe uma séria questão quanto à ilusão dos meios de comunicação social, nas cidades holandesas como bastiões do liberalismo racional. O político que ganhou mais em termos de derrota dos seus inimigos, foi Geert Wilders. A maior causa de preocupação, é os complexos mecanismos de formação de uma coligação. O governo anterior VVD - PvdA viu apenas duas partes a lutar para apaziguar uma população holandesa que está cada vez mais cansada de austeridade e diminuição dos benefícios sociais. A nova coligação liderada pelo VVD deve ser formada por quatro, talvez até cinco, partidos, que até agora se uniram principalmente na sua oposição ao PVV, e tendo ganho, é apenas uma questão de tempo, antes de enfrentar as duras realidades que representam os entendimentos políticos e da aparente derrota do inimigo comum, que cria brechas entre os diferentes partidos. O período da lua-de-mel terminará rápido. A formação e gestão de uma coligação multipartidária será um desafio significativo para o líder do VVD, e não é de forma alguma claro como um governo tão diferente em ideologia, prioridades políticas e opiniões de uma UE em apuros, seja capaz de reagir à economia, com uma potencial vitória da Front Nationale na França, uma possível mudança para a direita na Alemanha, em Agosto, ou outra crise da zona do euro ou crise migratória, após a ruptura das relações

UE - Turquia, mais acentuada depois da vitória do “SIM” no referendo turco de 16 de Abril de 2017. As crises cada vez mais parecem não só inevitáveis como iminentes. Enquanto a ténue coligação do líder do VVD luta para lidar com os problemas da Holanda e responder a forças económicas externas, Geert Wilders encontrar-se-á em uma posição política forte, e como nenhum outro partido trabalhará com o PVV terá um papel desprezível face à nova coligação, destacando toda a sua inépcia e disputas, enquanto se banha na imunidade das críticas inevitáveis do governo, ou seja, uma imunidade concedida pelo seu isolamento da formulação de políticas. O líder do PVV, em uma ironia sombria, ainda que tenha perdido assentos, continua com uma base eleitoral sólida, que o torna mais seguro que o líder do VVD e os seus aliados de coligação, sendo capaz de defender uma insatisfação anti ordem estabelecida, enquanto se autentica mais na ordem estabelecida. Até ao final de 2017, é provável que vejamos o líder do VVD e os aliados de coligação a enfrentarem uma crescente hostilidade por parte de uma população holandesa decepcionada e frustrada por politiquices, enquanto Geert Wilders prega a mensagem repetitiva mas mediática dos eternamente marginalizados e de hipócrita mártir político. É certo que isso está longe de ser certo. Os holandeses não vão entrar numa “primavera patriótica” e Geert Wilders cometeu sérios erros, especialmente na sua recusa em se envolver com os meios de comunicação de massa. Mas se aprender com esses erros, irá garantir uma enorme posição como figura popular de proa, canalizando a frustração e a decepção pública para uma coligação de rangedores. E porque é altamente provável que uma disputa em curso entre a Holanda a Turquia, caracterizada por invocações repetidas dos dias mais sombrios da “Nova Ordem”, só vai aumentar ainda mais, depois do referendo de 16 de Abril de 2017, e Geert Wilders terá mais condições de aproveitar o desapego e a desilusão holandesas. para atrair o esquecido, o desapontado, o contrariado e o temeroso com sua bandeira. A eleição holandesa não representou a derrota do populismo étnico. Na melhor das hipóteses, é uma vitória pírrica para o último bastião da ordem estabelecida. Na pior das hipóteses, é um sinal de um eleitorado desencantado que expressou a sua infelicidade com o “status quo”. A esse respeito, as eleições holandesas não são diferentes do Brexit e das eleições americanas. Não são uma vitória para o liberalismo, nem uma vitória para o racismo, mas uma vitória para a frustração, raiva, ansiedade e ressentimento. É uma vitória que não merece um elogio, mas um lamento ao contrário do afirmado pelos líderes europeus, com o Presidente da Comissão Europeia, como porta-voz de tão peregrina ideia.


22 (F)UTILIDADES TEMPO

MUITO

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO “I AM 038: UMA EXPOSIÇÃO DE UM ARTISTA AUTISTA”

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8.55

BAHT

Art Garden | Até 23/4 EXPOSIÇÃO “AFTERWARDS – WORKS BY LEE SUET-YING” Armazém do Boi | Até 22/4 EXPOSIÇÃO “MAORGANIC - WORKS BY ALAN IEON, TKH, JACK WONG, RUSTY FOX” Armazém do Boi | Até 22/4

O CARTOON STEPH

INSTALAÇÃO “FLUXO DE TONS” DE PAN JIN LING E PAN JIN XIA Pavilhão de Chun Chou Tong | Até 7/5 EXPOSIÇÃO “VIAGEM SEM TÍTULO” Museu de Arte de Macau | Até 14/5 EXPOSIÇÃO “VELEJAR NO SONHO” DE KWOK WOON Oficinas Navais N.º1 | Até 23/4 PROBLEMA 20

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 19

SUDOKU

DE

Armazém do Boi | Até 7/5

EXPOSIÇÃO “AD LIB” DE KONSTANTIN BESSMERTNY

1.16

AS ASAS DOS OUTROS

EXPOSIÇÃO “OVERLOOK THE MACAU CITY” DE CAI GUO JIE

DE YEN-HUA LEE

YUAN

AQUI HÁ GATO

Torre de Macau | Até 14/5

INSTALAÇÃO “SEARCHING FOR SPIRITUAL HOME II”,

0.23

Não gosto dos outros bichos, mas há dias em que gostava de ter asas. Não me apetece transformar-me em pássaro, esse animal irritante de bico afiado e olhos pouco espertos, penas sujas de não se saber lamber. Não se cuidam, os pássaros, ratos com asas que se riem do resto da fauna porque se acham flora, floridos, elegantes e superiores, lá do alto dos fios eléctricos onde se penduram a descansar, como se fosse possível descansar de pé. Nem sequer conseguem enrolar-se num aconchego bom, os estúpidos. Mas quero lá saber dos pássaros. Gostava de ter asas debaixo deste pêlo quente que pudesse, com engenho e rapidez, esticar para poder voar. Das minhas sete vidas, algumas já lá vão em vãs tentativas de saltos mortais até ao outro lado da rua, janela com janela, janela com varanda. É sempre assim quando chega o Verão, a humidade, o cheiro a carne podre, o mofo. Apetece-me voar para longe, fugir, encontrar um sol mais puro e deixar-me ficar, para depois poder voltar para casa, quando a temperatura e a água suja que paira no ar derem tréguas às saudades. Pu Yi

Museu de Arte de Macau (Até 05/2017) EXPOSIÇÃO “ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL” DE ANABELA CANAS Galeria da Livraria Portuguesa

Cineteatro

C I N E M A

FAST & FURIOUS 8 SALA 1

THE BOSS BABY [B] FALADO EM CANTONENSE Fime de: Tom McGrath 14.15, 16.00, 19.30

THE BOSS BABY [3D] [B] FALADO EM CANTONENSE Fime de: Tom McGrath 17.45

SWORD ART ONLINE THE MOVIE: ORDINAL SCALE [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Tomohiko Ito 21.30 SALA 2

FAST & FURIOUS 8 [C] Filme de: F. Gary Gray

Com: Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Dwayne Johnson 14.15, 16.45, 21.45

UM DISCO HOJE

“WALTZ FOR KOOP” | KOOP

Porque faz calor e há música que ajuda a imaginar férias eternas, recomendamos um disco de 2001 que toca bem nos finais de tarde de todos os anos. “Waltz for Koop” é o segundo trabalho em estúdio do duo sueco Koop, nome que junta Magnus Zingmark e Oscar Simonsson. Vale a pena parar em “Waltz for Koop”, com a voz de Cecilia Stalin, e em “Summer Sun”, com Yukimi Nagano. Isabel Castro

FAST & FURIOUS 8 [3D] [C] Filme de: F. Gary Gray Com: Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Dwayne Johnson 19.15 SALA 3

SMURFS: THE LOST VILLAGE [A] Filme de: Kelly Asbury 14.15, 16.00, 17.45, 19.30

A SILENT VOICE:THE MOVIE [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Naoko Yamada 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Sofia Margarida Mota Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


23 hoje macau quarta-feira 19.4.2017

ÓCIOSNEGÓCIOS

SENTIDOS, EMPRESA DE DECORAÇÃO INÊS FERNANDES, FUNDADORA

Já é mais fácil ter um pedaço de Portugal dentro de casa. Os produtos da Sentidos, feitos com algodão e cortiça, levam a qualquer lugar a sardinha portuguesa ou as fachadas célebres das casas portuguesas. A dar os primeiros passos no mercado local, a Sentidos não pretende ficar por aqui

As fronhas que fazemos são todas diferentes, mesmo sendo o mesmo padrão de tecido. Isso faz com que cada pessoa que compre uma fronha tenha sempre uma peça exclusiva”, frisou Inês Fernandes.

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“As nossas peças são cheias de cores”

Para já, a empresa disponibiliza apenas almofadas e candeeiros, sendo que recorre apenas a “tecidos feitos com cem por cento algodão, e mais recentemente, a cortiça”. “Ainda estamos numa fase inicial e, neste momento, temos apenas estes produtos, que são muito procurados. As nossas peças são cheias de cores, o que dá uma vivacidade e originalidade a cada casa, loja, restaurante ou escritório. Todas elas expressam cada produto típico ou tradição de Portugal”, acrescentou Inês Fernandes.

MAIS PARCERIAS

N

ÃO se tratam de simples peças decorativas. Contam histórias e remetem-nos para um lugar e um tempo. São assim os produtos da Sentidos, uma empresa de decoração recém-criada em Macau que quer levar um bocadinho de Portugal à casa de cada um, de uma maneira original. Ao HM, Inês Fernandes, fundadora do projecto, conta como tudo começou: “O processo da criação da Sentidos surgiu com a verificação da falta de produtos genuínos e de qualidade portuguesa em Macau. A nossa ideia é trazer e apresentar esses mesmos produtos, mas apenas focados nos tecidos”. Sentidos “é a imagem de marca” da empresa, que define “o que os produtos são”. É uma palavra que remete para a saudade, o “encanto dos tecidos e produtos” ou ainda a naturalidade “com que a Sentidos cria as suas peças”. “Pensámos em trazer cada pedaço de Portugal estampado nos tecidos, como é o caso do casario da Ribeira do Porto, as janelas de Lisboa, o bairro de Alfama, os azulejos portugueses”, explicou a mentora do projecto. A empresa aposta numa forma diferente de fazer os produtos. “Cada peça produzida pela Sentidos é pensada ao pormenor. As peças são criadas em Portugal e em Macau.

Num território onde a cultura portuguesa é, na sua maioria, mostrada através da gastronomia e do vinho, a chegada de produtos decorativos é uma novidade. Foi a pensar nesse nicho de mercado que a Sentidos surgiu. “De facto não é comum [a existência deste tipo de negócio]. Tudo tem corrido bem e a aceitação do público tem sido fantástica. Já chegámos mesmo a ter pessoas interessadas nos produtos da Sentidos que não residem em Macau.” A fundadora do projecto considera ainda que, no território, “é muito difícil encontrar uma decoração original, de qualidade e a bom preço”. “Foi esta dificuldade que a Sentidos sentiu”, apontou. Actualmente com presença na loja O Santos, na Taipa, a Sentidos pretende expandir horizontes. “A parceria com a loja ‘O Santos’, foi logo de início o nosso objectivo, pois também eles estão à procura de peças e produtos originais. Gostaríamos de fazer parcerias com instituições e orfanatos para que, por cada peça que comprem, esse valor possa ser remetido para essas parcerias”, referiu Inês Fernandes.

NOVOS PRODUTOS NA CALHA

Inês Fernandes garante que a Sentidos não fica por aqui em termos de imaginação e criatividade. “Estamos numa fase de processo de quadros, carteiras para homem, malas para mulher, as mantas de cama ou sofá, toalhas de mesa. Muito mais produtos virão”, promete.

Quando se entra no espaço, nota-se logo que a concepção do local pretende criar a atmosfera de “exercício incorporado com a vida”

“Temos produtos padrão, mas também disponibilizamos ao nosso cliente um trabalho personalizado. Quem desejar um candeeiro de dimensão maior, uma fronha maior ou de outra forma que não a quadrada basta pedir-nos. Podemos fazer também cortinas, almofadas para parapeitos de janelas. Basta darmos asas à nossa imaginação”, remata Inês Fernandes. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


e afinal passe/União/ainda molhada de nascer/Eterna/até amanhã à hora de outros sóis/que me não restam/porque pelo meu dividendo/já só eu me resto”

BREXIT ESCÓCIA ACUSA THERESA MAY DE QUERER IMPOR SAÍDA DURA

FRANÇA DETIDOS SUSPEITOS DE PREPARAREM ATENTADO

Dois homens de 23 e 29 anos, suspeitos de prepararem um atentado «iminente», foram detidos ontem em Marselha, no sul do país, quando faltam cinco dias para a primeira volta das eleições presidenciais. Os dois homens são «suspeitos de uma iminente passagem à acção», segundo as autoridades francesas. Fotos dos dois homens foram distribuídas pelos serviços de segurança dos candidatos às eleições presidenciais na semana passada. Os suspeitos foram detidos pelos serviços de informação internos no quadro de uma investigação por associação criminosa terrorista, aberta em Paris. A polícia francesa está a efectuar buscas ao apartamento de um dos suspeitos. «Está tudo pronto para garantir a segurança da primeira volta das eleições», a 23 de Abril, garantiu o ministro da Administração Interna, Matthias Fekl, ressaltando, contudo, que «o risco terrorista é maior do que nunca».

JAPÃO TÓQUIO APOIA POSIÇÃO DE WASHINGTON SOBRE PYONGYANG

O primeiro-ministro japonês apoiou ontem a posição norte-americana de manter “todas as opções em aberto” perante os desafios da Coreia do Norte, durante uma reunião com o vice-presidente dos Estados Unidos. “Devemos resolver [a crise da Coreia do Norte] de forma diplomática e pacífica, mas o diálogo sem resultados não tem nenhum sentido”, disse Shinzo Abe a Mike Pence, durante o encontro em Tóquio com “número dois” da Casa Branca, actualmente em visita ao Japão. Pence sublinhou que “valoriza a situação complicada que vivem os japoneses perante as crescentes provocações” de Pyongyang, e afirmou que Washington está “a 100%” com o seu aliado. O vice-presidente norteamericano chegou ontem ao Japão, vindo da Coreia do Sul, para uma visita oficial de dois dias, dominada pelos testes de armamento norte-coreanos e a cooperação económica. A tensão na região, devido aos constantes testes de armamento de Pyongyang – o mais recente foi um lançamento falhado de um míssil no passado domingo –, deverá dominar os encontros entre Pence e os responsáveis japoneses.

quarta-feira 19.4.2017

João Rui Azeredo

A

Mais paletes de turistas Voos directos entre China e Portugal arrancam a 26 de Julho deste ano

A

ligação aérea directa entre a China e Portugal arranca a 26 de Julho deste ano, anunciou ontem a companhia aérea Beijing Capital Airlines, coincidindo com os esforços de Portugal para atrair mais turistas chineses. O voo terá três frequências por semana - quarta-feira, sexta-feira e domingo - entre a cidade de Hangzhou, na costa leste da China, e Lisboa, com paragem em Pequim, avançou à agência Lusa o departamento de marketing da companhia aérea chinesa. A Beijing Capital Airlines quer iniciar uma quarta frequência, mas esta não foi ainda aprovada pelo ministério da Aviação chinês, disse a mesma fonte. O voo entre a China e Portugal será feito pelo modelo 330-200 da Airbus, uma das maiores aeronaves comerciais de passageiros da construtora europeia, com capacidade para 475 passageiros. A Beijing Capital Airlines é uma das subsidiárias do grupo chinês HNA, accionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul. A Ctrip, o principal motor chinês de pesquisa de viagens, já incluía ontem o voo nos resulta-

dos, com o preço de ida e volta fixado em 6.400 yuan (870 euros). Nos últimos três anos, o número de turistas chineses que visitaram Portugal triplicou, para 183.000, e deverá aumentar “exponencialmente” com a abertura da ligação directa, afirmou no início deste mês a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho. “Os chineses que chegam a Portugal são sempre canalizados através de outra porta na Europa, nomeadamente através de Espanha (...), o que leva a que passem poucas noites em Portu-

O voo entre a China e Portugal será feito pelo modelo 330-200 da Airbus, uma das maiores aeronaves comerciais de passageiros da construtora europeia, com capacidade para 475 passageiros

gal”, disse à Lusa, em Pequim, Mendes Godinho, afirmando que o grande objectivo é “inverter essa tendência”.

OS MAIORES

A China é já o maior emissor mundial de turistas e, segundo estatísticas oficiais, 135,1 milhões de chineses viajaram para fora da China continental, em 2016, num aumento de 12,5% em relação ao ano anterior. O crescente poder de compra e maior facilidade em obter o visto para muitos países explicam o rápido aumento do número de turistas chineses. De acordo com a Organização Mundial doTurismo, os chineses são também os turistas que mais gastam: só no ano passado deixaram 246 mil milhões de euros além-fronteiras. A acompanhar este fluxo crescente, o Turismo de Portugal tem, desde 2014, uma representação permanente em Xangai, a “capital” económica da China. Portugal conta também com nove centros de emissão de vistos no país asiático, distribuídos pelas cidades de Pequim, Xangai, Hangzhou, Nanjing, Chengdu, Shenyang, Wuhan, Fuzhou, Cantão (Guangzhou).

primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, acusou ontem a chefe do governo britânico, Theresa May, de querer impor um ‘Brexit’ duro ao anunciar a realização de eleições legislativas antecipadas no Reino Unido para 8 de Junho. Numa declaração divulgada na sua conta na rede social Twitter, a líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP) pediu aos eleitores daquela região para “defenderem” a Escócia nas próximas eleições. Nas últimas semanas, Nicola Sturgeon iniciou os procedimentos legais para convocar um segundo referendo sobre a independência da Escócia, por considerar que a região votou a favor da permanência britânica na União Europeia (UE) e porque rejeita um ‘Brexit’ duro, ou seja, a saída do Reino Unido do bloco europeu mas também do mercado único, da união aduaneira europeia e do Tribunal Europeu de Justiça. Num comunicado divulgado ontem, Nicola Sturgeon assinalou que o anúncio de eleições antecipadas representa a alteração política “mais extraordinária” na “história recente” do país, acusando May de colocar os interesses do seu partido à frente dos interesses do país. “Claramente, está a apostar que os conservadores vão ganhar com uma grande maioria na Inglaterra tendo em conta a confusão absoluta em que está o Partido Trabalhista”, acrescentou a líder escocesa. “Isto torna mais importante a protecção da Escócia de um partido conservador que vê agora a oportunidade de controlar o governo durante muitos anos e de colocar o Reino Unido mais à direita”, reforçou Nicola Sturgeon na mesma nota informativa.

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Theresa May

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Hoje Macau 19 ABR 2017 #3795  

N.º 3795 de 19 de ABR de 2017

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