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SEGUNDA-FEIRA 19 DE MARÇO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4014

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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Reaccão ´ de Lisboa AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MNE reage ao Caso Rota das Letras afirmando desconhecer restrições impostas pelas autoridades chinesas e lamenta eventual cancelamento do festival. PÁGINA 5

APN

SULU SOU

CHINA

PÁGINA 10

PÁGINA 4

GRANDE PLANO

COROAÇÃO DE XI JINPING

Réplica madura

Mulheres em silêncio


2 grande plano

ACTIVISMO

NA CHINA, A CENSURA TIRA PODER AO MOVIMENTO #METOO

O SEXO (AINDA MAIS) FRACO Lijia Zhang trabalhou numa fábrica e aprendeu inglês sozinha até se tornar escritora. A autora do romance “Lotus”, que fala sobre a prostituição na China, disse ontem no Rota das Letras que a censura na internet faz com que o movimento #metoo não tenha ainda grande expressão no país. Zhang lamenta a fraca participação das mulheres na política

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sua avó foi prostituta e foi sujeita à prática dos pés de lótus, a tradição chinesa de amarras os pés para moldar a sua forma. A sua mãe passou a adolescência no período da Revolução Cultural e trabalhou numa fábrica estatal. Ela, Lijia Zhang, teve melhor sorte, num destino construído com as suas próprias mãos. Trabalhadora numa fábrica, como tantas outras mulheres, esforçou-se por aprender inglês e conseguiu lançar-se na carreira de escritora e é, hoje em dia, uma das autoras chinesas que mais colabora com os media internacionais. O seu romance de estreia, intitulado “Lotus”, fala da prostituição na China. Convidada do festival literário Rota das Letras, Lijia Zhang falou ontem sobre o papel da mulher chinesa na sociedade contemporânea, e não teve dúvidas em afirmar de que o movimento #metoo, surgido na internet após as acusações de assédio sexual em Hollywood, não tem mais expressão no continente porque a censura na internet não deixa. “Devido às restrições impostas pelo Governo não há um grande movimento #metoo na China. Algumas mulheres têm falado muito sobre isso, têm levantado a questão.” Além de muitos websites não estarem disponíveis na China, há também o facto do assédio sexual e igualdade entre sexos não estar, sequer, na agenda política. “O Governo não quer implementar este assunto, quer ter a sua própria agenda com assuntos onde se sente confortável. Há alguns anos, cinco mulheres tentaram protestar contra o assédio sexual em locais públicos, e foram presas pela polícia”, exemplificou a autora, que não esquece o facto das mulheres terem uma baixa presença na política, incluindo nos principais órgãos do Governo e do Partido Comunista Chinês (PCC). “Um dos problemas é a baixa participação das mulheres na política. Nas aldeias é possível votar, mas apenas dois a três por cento dos que ocupam cargos de topo são mulheres. Há ainda uma grande confusão em relação a esse assunto e pensa-se que as mulheres não devem ter um papel além da família, e que não têm visão. Na Assembleia Popular Nacional há uma baixa participação de mulheres, e no Politburo só existem as vozes dos homens. Infelizmente, na sociedade civil, esse tema também não tem estado na agenda”, apontou. Apesar disso, a escritora afirmou que têm surgido alguns movimentos sociais em torno desta questão. “Há muitas questões relacionadas com a igualdade de género na China, graças à reforma e à abertura, e também se nota um activismo relacionado com esta matéria. Em 2012, houve

um protesto contra a violência doméstica, por exemplo. Os movimentos activistas vêm de baixo, são espontâneos.”

NATALIDADE BAIXA

No que diz respeito à igualdade entre sexos, a autora foi questionada sobre o impacto que a abolição da política do filho único poderá ter nas famílias, numa altura em que é cada vez mais difícil, para as mulheres na China, terem trabalho durante a gravidez. “Um dos problemas é que antes o Governo tinha essa responsabilidade [de controlo da natalidade], mas agora depende de cada empresa. As mulheres grávidas têm muito mais dificuldade em obter emprego, porque algumas empresas não querem assumir essa despesa da licença de maternidade no futuro. Essa é uma das razões pelas quais as mulheres agora não querem ter um segundo filho.” Além disso, há também um maior anseio pela independência. “Não só é mais caro ter filhos como há também o facto de as mulheres de classe média quererem viver para si mesmas, não querem ter uma vida de servidão como teve a minha avó. Já não encaram o casamento e os filhos como a única via.” Lijia Zhang recordou que as mulheres passaram a ter mais oportunidades nos anos 80, na época de abertura e reformas económicas levadas a cabo pelo presidente Deng Xiaoping. No período da Revolução

Cultural havia uma espécie de igualdade entre sexos, à luz de doutrina maoísta. Foi neste período que a mãe de Lijia foi educada. “O PCC trouxe uma maior esperança ao país, e uma das primeiras medidas adoptadas neste período foi o fim da prática dos pés de lótus, o fim das concubinas e maior acesso das mulheres à educação e ao emprego. A minha mãe teve a sorte de obter um trabalho numa empresa estatal, onde desempenhava um trabalho essencialmente masculino. Mas havia uma espécie de igualdade entre sexos, que negava a diferença entre homens e mulheres. A mulher modelo deveria vestir-se como um homem, parecer um homem.”

AVÓ INSPIRADORA

Não foi por acaso que Lijia Zhang decidiu começar a escrever sobre prostituição. Tudo começou quando, em 1998, soube pela mãe que a sua avó tinha sido vendida, aos 14 anos, para um prostíbulo. À semelhança de muitas outras meninas da sua idade, a avó de Lijia Zhang havia sido submetida à prática dos pés de lótus [em que os pés eram dobrados até terem um máximo de dez centímetros de comprimento, ficando deformados para sempre e com os ossos partidos]. Enquanto prostituta conheceu o marido, que a comprou. Em 1949, os comunistas instauram a República Popular da China (RPC) e a prostituição passa a ser


segunda-feira 19.3.2018

“Devido às restrições impostas pelo Governo não há um grande movimento #metoo na China. Algumas mulheres têm falado muito sobre isso, têm levantado a questão.” LIJIA ZHANG ESCRITORA

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proibida, algo que se mantém até aos dias de hoje. “Desde então que me tornei algo obsessiva com o tema da prostituição porque sempre imaginei como teria sido a vida da minha avó nesse período. Alguns meses depois de descobrir esse segredo viajei para Shenzen em trabalho e descobri um grupo de raparigas e percebi que vinham de zonas pobres na China e que muitas delas trabalhavam em fábricas. Foi uma importante janela para perceber as mudanças sociais, porque esse é uma das grandes problemáticas que a China enfrenta nos dias de hoje: a migração do campo para as grandes cidades e a crescente desigualdade entre homens e mulheres.” Lijia Zhang descobriu que muitas das prostitutas na China são-no porque são obrigadas ou porque precisam de dinheiro. “A minha avó foi vendida para ser prostituta, e hoje em dia muitas das mulheres são prostitutas por opção, mas muitas vezes são forçadas a fazê-lo, ou porque são trabalhadoras com baixos salários, ou porque são vítimas de violência doméstica.” O trabalho de Lijia Zhang confunde-se muitas vezes com o de Leslie Chang, autora do livro “Factory Girls: From Village to City in a Changing China”. Zhang foi, ela própria, uma dessas “factory girls”, PUB

e durante o processo de pesquisa para o seu livro percebeu que muitas delas acabam por recorrer à prostituição por não terem outra escolha. “Algumas das prostitutas também trabalham na linha de produção e têm vidas muito duras, com salários baixos. Então também trabalham em casas de massagens, onde ganham muito mais. Há uma tentação pelo dinheiro.” Na fase em que trabalhava na fábrica, e em que “odiava” a sua vida, Lijia Zhang conseguiu lutar em prol de uma existência melhor. “Comecei sozinha a aprender inglês, foi um processo bastante lento. Aprender outro idioma mudou a minha vida, porque de certa forma abriu-me os horizontes, e actualmente vivo da escrita.” “Um ponto interessante é que falar diferentes línguas trouxe ao de cima vários aspectos da minha personalidade. Quando estava na fábrica via a BBC de forma obsessiva, para tentar falar com sotaque e para fingir que era sofisticada (risos). Costuma dizer-se que quando aprendemos uma nova língua ficamos com uma nova alma, e acho que foi isso que aconteceu”, rematou. Andreia Sofia Silva

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POLÉMICA SULU SOU RESPONDE A INSULTO DE DIRIGENTE DOS KAIFONG

De luva branca Cooperação judiciária Sónia Chan nas Filipinas para promover acordos

A Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, partiu ontem para as Filipinas para encontros com o Ministério da Justiça e outras entidades, com vista a promover a cooperação mútua no âmbito do acordo de cooperação judiciária em matéria penal. A delegação, que inclui representantes do Tribunal de Última Instância, do Ministério Público e da Secretaria para a Segurança, bem como representantes do Gabinete da Secretária para a Administração e Justiça e da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça, fica nas Filipinas até à próxima Quarta-feira. Em paralelo, segundo uma nota oficial, um representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM foi convidado a integrar a delegação para coadjuvar nos trabalhos.

Sulu Sou considera pouco saudável os ataques pessoais que não se foquem no conteúdo político. Foi assim que o pró-democrata reagiu aos insultos de Loi Man Keong, marido da líder dos Kaifong, que acusa o deputado suspenso de mentir e destabilizar a harmonia social

Legislação Lam Lon Wai pode explicações sobre a Lei do Trabalho

O deputado Lam Lon Wai questionou o Governo, numa interpelação escrita, sobre o andamento da revisão da Lei das Relações de Trabalho e as alterações ao regime de trabalho a tempo parcial. O legislador ligado aos Operários quer saber o andamento do relatório da consulta pública, que originalmente era para ser apresentado no final do ano passado, mas que foi adiado para o próximo mês de Maio. Lam Lon Wai mostrase preocupado com o progresso dos trabalhos e questiona se haverá uma falta de consenso sobre o diploma, que poderá dividir patronado e trabalhadores. No mesmo documento, o membro da AL eleito de forma indirecta questionou igualmente o andamento dos trabalhos da legislação que vai implementar em Macau a licença de paternidade.

Sulu Sou, deputado “Chamou-me artista. Se alguém tiver uma opinião política diferente, nós insistimos em comentar apenas o conteúdo, os assuntos, em vez de ataques pessoais a indivíduos. É um princípio que temos.”

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RTISTA, mentiroso e desestabilizador da harmonia social. Foi assim que Loi Man Keong, da União Geral das Associações dos Moradores (UGAMM) e subdirector do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, descreveu Sulu Sou numa série de artigos publicados no AF Macau.

“Chamou-me artista. Se alguém tiver uma opinião política diferente, nós insistimos em comentar apenas o conteúdo, os assuntos, em vez de ataques pessoais a indivíduos. É um princípio que temos”, comentou o deputado ao HM. Sulu Sou acrescentou ainda que o artigo assinado pelo subdirector do centro liderado pelo deputado Ho Ion Sang, é um

exemplo “de crítica pessoal”, algo que o pró-democrata considera “pouco saudável para o desenvolvimento do panorama político de Macau”. Loi Man Keong, marido da líder dos Kaifong, acusa o deputado suspenso de representação dramática no hemiciclo da Assembleia Legislativa e de ter uma “lógica confusa, em que o

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Companhia de Corridas de Cavalos não paga renda pelo terreno do Jockey Club desde 2009, noticiou ontem a Rádio Macau. A revelação surge depois de a empresa ter visto recentemente o contrato de concessão renovado por 24 anos e meio. Tanto o Governo como a concessionária recusam revelar o valor da dívida e justificar os motivos para o incumprimento no pagamento de impostos e de outras obrigações. Segundo a emissora pública, estão por cobrar as taxas devidas

sobre o montante das apostas relativas a mais de uma década, sendo que a única receita arrecadada pelo Executivo de Fernando Chui Sai On relativa à concessão do Macau Jockey Club diz respeito a prémios não reclamados pelos jogadores. A Companhia de Corridas de Cavalos fechou 2016 com prejuízos acumulados de mais de 4 mil milhões de patacas. De acordo com as contas auditadas e aprovadas pela assembleia-geral de accionistas, em finais

de Março do ano passado, registou também um passivo de 1,3 mil milhões de patacas. Os dados relativos ao exercício de 2017 ainda não são conhecidos. Neste momento, sabe-se apenas, por via dos dados publicados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), que as receitas das corridas de cavalos foram de 104 milhões de patacas – menos 26,2 por cento face aos 141 milhões arrecadados no ano anterior –, tendo o volume de apostas caído de 709 milhões para 517 milhões.

CRITICAR A CRÍTICA

Ainda na publicação AF Macau, Loi Man Keong veio defender o profissionalismo e competência do director dos Serviços de Coordenação e Inspecção de Jogo, Paulo Martins Chan, depois do deputado suspenso ter mencionado o passado do dirigente enquanto DJ de rádio. “Ele criticou-me também por pedir que sejam assumidas responsabilidades e apuradas as razões para as escolhas dos nomeados pelo Chefe do Executivo”, refere Sulu Sou. Para o deputado, estas são questões legítimas num Estado de Direito. Outro dos exemplos dados pela pró-democrata foi a escolha do director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. “Porque é que foram nomeados pelo CE, quais as suas competências ou experiências profissionais que os tornam aptos para o trabalho? Essa é que é a questão”, interroga o deputado suspenso. O subdirector do Centro da Política da Sabedoria Colectiva argumentou que, nos dias que correm, os cidadãos têm acesso facilitado ao perfil profissional dos oficiais do Executivo. Além disso, aproveitou no artigo para enaltecer as qualidades de Paulo Martins Chan enquanto jurista. Numa alusão internacional, Loi Man Keong argumentou que Sulu Sou é um admirador da democracia dos Estados Unidos, um país pouco profissional na governação por ter sido presidido por Ronald Reagen, um actor, e atualmente por Donald Trump, empresário e estrela de reality show. O dirigente da entidade presidida por Ho Ion Sang acrescentou ainda que o deputado pró-democrata é um político “enganador”, que procura atrair os holofotes do mediatismo ao mesmo tempo que causa desarmonia social. Sulu Sou responde que o mais importante é o foco no conteúdo político e não nos ataques de carácter pessoal. João Luz

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TIAGO ALCÂNTARA

MACAU JOCKEY CLUB RENDA DE TERRENO POR PAGAR DESDE 2009

cérebro funciona mal, mesmo antes de ficar velho”, de acordo com o Jornal Tribuna de Macau.


política 5

segunda-feira 19.3.2018

Pequim Chui Sai Peng demonstra confiança em Li Keqiang O primo do Chefe do Executivo e deputado José Chui Sai Peng declarou depositar toda a confiança em Li Keqiang, que ontem foi reeleito vice-presidente da China. O membro da Assembleia Popular Nacional por Macau disse que nos últimos anos os resultados do crescimento económico para o País, motivado por Li, foram muito satisfatórios e óbvios. Ao mesmo tempo, Chui Sai Peng destacou a reeleição de Edmund Ho para desempenhar as funções de vice-presidente do Comité Permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Ao canal chinês da Rádio Macau, Chui disse que Ho é alguém que vai ter muito sucesso e que é a pessoa indicada para levar para o órgão consultivo o charme de Macau.

APN Chefe do Executivo parte amanhã para Pequim

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, parte hoje para Pequim para assistir ao encerramento, amanhã, da primeira sessão da 13.ª Assembleia Popular Nacional (APN). De acordo com um comunicado do Gabinete do Porta-Voz, Fernando Chui Sai On vai permanecer até ao dia 22 na capital chinesa, estando prevista uma visita ao Instituto de Investigação sobre a Segurança Pública da Universidade de Tsinghua. O Chefe do Executivo faz-se acompanhar por uma delegação que inclui o Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Ma Io Kun, o director do Gabinete de Comunicação Social, Victor Chan, a coordenadora do Gabinete de Protocolo, Relações Públicas e Assuntos Exteriores, Lei Iut Mui e o adjunto do comandante-geral dos SPU, Ng Kam Wa.

Rui Tavares “Com Macau temos obrigações morais e políticas especificamente portuguesas e, se ficarmos passivos agora, não nos admiremos que a situação se torne mais grave depois”

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Ministério dos Negócios Estrangeiros não tomou conhecimento de restrições por parte das autoridades chinesas ao exercício das liberdades e garantias dos participantes no referido Festival no espaço do Território”, afirmou a diplomacia portuguesa ao HM. É a primeira reacção de Lisboa ao cancelamento da presença de três escritores pelo Rota das Letras após indicação de que a vinda de Jung Chang, James Church e Suki Kim “não era considerada oportuna”, pelo que “não estava garantida a sua entrada no território”. Segundo o director do Festival Literário de Macau, Ricardo Pinto, essa indicação veio da parte do Gabinete de Ligação, embora o chefe da representação da República Popular da China em Macau, Zheng Xiaosong, tenha afirmado desconhecer o caso em torno da Rota das Letras. A situação, “especialmente desconcertante”, levou a organização a cancelar a presença dos três autores para não colocar os convidados na situação de serem eventualmente barrados na fronteira. Este episódio, sem precedentes na história do Festival Literário,

ROTA DAS LETRAS PORTUGAL DESCONHECE RESTRIÇÕES A LIBERDADES E LAMENTA EVENTUAL CANCELAMENTO DO FESTIVAL

Macau ao longe

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português desconhece restrições por parte das autoridades chinesas ao exercício das liberdades e garantias dos participantes no Festival Literário de Macau – Rota das Letras, pelo que apenas “lamenta a eventualidade do cancelamento” da “muito meritória” iniciativa criado em 2012, vai levar o Rota das Letras a reflectir sobre a continuidade de um evento que conquistou um lugar no calendário cultural de Macau. “Depois do que aconteceu, obviamente tudo terá que ser reflectido, repensado e discutido” para “ver até que ponto faz sentido continuar com o festival, em que termos, em que circunstâncias, em que condições”, reconheceu Ricardo Pinto. “O Festival Literário de Macau, Rota das Letras, é uma iniciativa muito meritória da sociedade civil

da RegiãoAdministrativa Especial de Macau, que conta com o patrocínio do Instituto Português do Oriente, com o objectivo de desenvolver a cultura e a promoção dos escritores”, pelo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros “lamenta a eventualidade do cancelamento desta iniciativa”, diz a resposta escrita, sem mais. Sobre os princípios acordados na Declaração Conjunta ou eventuais diligências a respeito do caso, como consultar a parte chinesa, o MNE nada diz, atendendo a que garante,

desde logo, desconhecer restrições a liberdades e garantias.

INDIFERENÇA DESACONSELHÁVEL

O historiador Rui Tavares, actualmente em Macau a participar da sétima edição do Rota das Letras, que decorre até Domingo, defende que Portugal não pode fechar os olhos ao que aconteceu. Num artigo de opinião, publicado na Sexta-feira, no jornal Público, é assertivo a comentar o caso. “Isto não é qualquer coisa a que Portugal

possa ficar indiferente, desde logo porque o estatuto especial de Macau, incluindo as suas liberdades, está consagrado em garantias e protecções que obrigam tanto à China quanto ao nosso país”. “No caso de Hong Kong, por exemplo, o parlamento britânico tem uma comissão de acompanhamento que realiza relatórios regulares a respeito da autonomia e liberdades nesse antigo território britânico”, sublinha Rui Tavares. “Em Portugal, infelizmente, a nossa Assembleia da República desligou-se completamente das suas obrigações perante estes temas em Macau”, observou o ex-eurodeputado. “Podemos dizer que factos como estes empalidecem em comparação com a gravidade de situações de violação de direitos humanos no resto da China. Mas a verdade é que com Macau temos obrigações morais e políticas especificamente portuguesas e, se ficarmos passivos agora, não nos admiremos que a situação se torne mais grave depois. Fica o alerta e a garantia de continuar a seguir este assunto”, escreveu. Diana do Mar

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19.3.2018 segunda-feira

EDUCAÇÃO IAS E MCDA COM VERSÕES DIFERENTES SOBRE FINANCIAMENTO DA ASSOCIAÇÃO Enquanto a Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau se queixa que o recebe não são suficientes para financiamento cobrir os custos de actividades e terapia que as crianças que tem a prestado pelo ser cargo necessitam. A associação Instituto de Acção trabalha com crianças com transtorno do espectro do autismo, com Social não é problemas dislexia, epilepsia, etc. Actualmente, a associação conta suficiente para com o apoio do IAS e da Fundação Wilson Hon Wai, vice-presimanter a associação Macau. dente do IAS, argumenta que nunca se equacionou retirar o subsídio à a funcionar, o MCDA. Pelo contrário. De acordo vice-presidente do com o dirigente, o apoio financeiro à associação tem vindo a aumentar instituto público desde a sua fundação. Aliás, com a do novo centro, o valor do afirma que nunca se abertura subsídio mensal à MCDA através do equacionou a redução IAS será aumentado para 350 mil patacas mensalmente. dos apoios prestados. No entanto, Eliana Calderon entende que a associação a que Aliás, Wilson Hon preside não consegue sobreviver com o subsídio anual de 4,2 miWas argumenta lhões de patacas. De acordo com a presidente da MCDA, com a aberque o subsídio tura do novo centro, a associação necessita de 13 milhões de patacas só tem subido TIAGO ALCÂNTARA

Jogo do empurra

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discórdia entre a Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau (MCDAna sigla em inglês) e o Instituto de Acção Social (IAS) continua. Enquanto a presidente da associação, Eliana Calderon reitera que as ajudas do Governo não chegam para manter a organização a funcionar, o Governo, na pessoa do vice-presidente do IAS, garante que dará todo o apoio a instituições que se dediquem a ajudar crianças com necessidades especiais. Um propósito partilhado com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Numa altura em que se ultimam detalhes para a abertura de um centro, a presidente da MCDA defende que os apoios que a associação

para manter a operacionalidade.

DIZ QUE DISSE

Outra das questões em controvérsia prende-se com a comunicação entre o IAS e a MCDA. Nesse ponto, Wilson Hon Wai releva que nos últimos dois anos entre as duas partes foram trocados cerca de 150 emails e realizaram-se 24 reuniões. Uma média de uma reunião por mês. “Nos últimos seis meses, eu próprio, participei em três reuniões com a presidente do MCDA”, conta o vice-presidente do IAS defendendo que há “empenho e o máximo esforço para apoiar a MCDA”. Quanto ao novo centro da associação, Wilson Hon Wai revela que o IAS “alocou recursos para ajudar à criação” da infraestrutura. Uma das queixas da presidente do MCDA prende-se com a alega-

Ensino Superior Candidaturas a subsídio para aquisição de material escolar até dia 31

O prazo para a entrega de candidaturas ao subsídio para a aquisição de material escolar a estudantes do ensino superior, no valor de 3000 patacas, termina no próximo dia 31. Em comunicado, o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) indica que desde a abertura das candidaturas, a 13 de Fevereiro, até Sexta-feira, registaram-se 29.918 estudantes, dos quais 14.272 frequentam instituições de ensino superior de Macau. Dos que estudam no estrangeiro, 7.086 optaram por estabelecimentos de ensino na China, 1472 em Hong Kong, 4370 em Taiwan e 286 em Portugal. Segundo o GAES, há ainda 849 alunos no Reino Unido, 506 nos Estados Unidos e 537 na Austrália, a somar a 540 estudantes que escolheram outros países e regiões.

da falta de financiamento para as actividades e terapia de crianças a partir dos três anos. Neste aspecto, Wilson Hon Wai explica que no que respeita a “crianças com idade superior a três anos, a responsabilidade de apoio à da DSEJ”. O vice-presidente do

IAS justifica esta circunstância com o facto de ser a entrada na idade escolar. O dirigente do IAS pediu ainda informações sobre as crianças que aguardam serviço de intervenção precoce e que “estão registadas na MCDA, mas não no IAS”.

Wilson Hon Wai, vice-presidente do IAS, argumenta que nunca se equacionou retirar o subsídio à MCDA. Pelo contrário. De acordo com o dirigente, o apoio financeiro à associação tem vindo a aumentar desde a sua fundação

Actualmente, o IAS apoia cerca de duas centenas de crianças com necessidades especiais até aos três anos de idade. O vice-presidente do instituto refere que não existem dados sobre crianças com idade superior a três anos. Finalmente, numa conferência a que a própria Eliana Calderon assistiu, Wilson Hon Wai referiu que entre o IAS e o MCDA “não há conflito” e que “a principal tarefa do momento é esperar que o centro possa entrar em funcionamento o mais rapidamente possível”. João Luz

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MACAU JOCKEY CLUB RENDA DE TERRENO POR PAGAR DESDE 2009

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Companhia de Corridas de Cavalos não paga renda pelo terreno do Jockey Club desde 2009, noticiou ontem a Rádio Macau. A revelação surge depois de a empresa ter visto recentemente o contrato de concessão renovado por 24 anos e meio. Tanto o Governo, como a concessionária, recusam revelar o valor da dívida e justificar os motivos para o incumprimento no pagamento de impostos e de outras obrigações. Segundo a emissora pública, estão por cobrar as taxas devidas sobre o montante das apostas relativas a mais de uma década, sendo que a única receita arrecadada pelo Executivo de Fernando Chui Sai On relativa à concessão do Macau Jockey Club diz respeito a prémios não reclamados pelos jogadores.

A Companhia de Corridas de Cavalos fechou 2016 com prejuízos acumulados de mais de 4 mil milhões de patacas. De acordo com as contas auditadas e aprovadas pela assembleia-geral de accionistas, em finais de Março do ano passado, registou também um passivo de 1,3 mil milhões de patacas. Os dados relativos ao exercício de 2017 ainda não são conhecidos. Neste momento, sabe-se apenas, por via dos dados publicados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), que as receitas das corridas de cavalos foram de 104 milhões de patacas – menos 26,2 por cento face aos 141 milhões arrecadados no ano anterior. O volume de apostas caiu de 709 milhões para 517 milhões.


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segunda-feira 19.3.2018

CULTURA FUNDAÇÃO ORIENTE É MEMBRO DA ORDEM DO INFANTE D. HENRIQUE

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Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou a Fundação Oriente (FO) com o grau de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, numa cerimónia no Museu do Oriente, em Lisboa. “Trinta anos volvidos, o que conta é a obra feita e cabe ao Presidente da República manifestar publicamente o que Portugal deve ao trabalho da Fundação e do seu Museu, e de o manifestar condecorando-a, sob proposta do Primeiro-Ministro, com o grau de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique”, afirmou hoje Marcelo Rebelo de Sousa numa cerimónia de comemoração do 30.º aniversário da FO e do 10.º do Museu do Oriente. A condecoração foi entregue ao presidente da fundação, Carlos Monjardino, que, para o Presidente da República, “nestas três décadas juntou ao seu permanente empenho cívico uma inquestionável visão cultural a um tempo nacional e cosmopolita”. Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o acervo do Museu do Oriente e os objectivos da FO “confundem-se com dois dados que nenhum português pode esquecer”. “Que somos um país antigo, que andámos por todo o mundo e que disso se mantêm os textos, os objectos, os laços, a boa vontade, e o diálogo aberto com o outro, como se comprovou uma vez mais com esta exposição de José de Guimarães [‘Um Museu do Outro Mundo, que fica patente a partir de Sexta-feira e até 3 de Junho]”, disse. Para o chefe de Estado, a FO “cumpriu de forma esplêndida” o papel de “fazer dessa memória um museu”. “Nomeadamente no contexto da Expo’98, mostrando aos portugueses e ao mundo que a nossa história ultramarina de séculos não se pode julgar apenas no saudosismo imperial de uns, já poucos, ou na culpabilidade, tantas vezes descontextualizada, de outros”, declarou. No discurso, Marcelo Rebelo de Sousa fez referência ao antigo Presidente da República Mário Soares, que morreu no ano passado. “Resta-me acrescentar uma referência àquela personalidade que todos gostaríamos que aqui estivesse, e não está, e que tanto gostaria de aqui estar: o Presidente Mário Soares. É impossível não o lembramos neste momento e neste local”. Nas comemorações do 30.º aniversário da FO e dos 10 anos do Museu Oriente estiveram também, entre outros, o primeiro-ministro, António Costa, o antigo Presidente da República Jorge Sampaio, o antigo presidente do BES Ricardo Salgado e o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.

SUBSÍDIOS DETECTADAS VIOLAÇÕES GRAVES COM VALES DE SAÚDE NAS POLICLÍNICAS

Vales problemáticos

Os Serviços de Saúde anunciaram que foram detectadas “graves violações” no uso de vales de saúde por parte de policlínicas. Em resposta, decidiram excluir do programa os estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde, passando a aceitar apenas colaborações com profissionais que adiram individualmente

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PÓS a descoberta de “graves violações” no uso de vales de saúde por parte das policlínicas, os Serviços de Saúde decidiram excluir os estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde do programa criado em 2009. A medida foi anunciada na Sexta-feira após uma reunião com o Conselho para os Assuntos Médicos, presidido por Lei Chin Ion. Datas de impressão anteriores aos dias de consulta, processos clínicos com dados incompletos aquando da consulta ou um irracional número de pacientes face aos vales de saúde recebidos figuram entre os exemplos das “graves violações”, com os Serviços de Saúde a darem ainda conta de casos de policlínicas que emitiram novas inscrições após terem sido encerradas. Essas irregularidades ficaram, contudo, impunes. “A autoridade administrativa não conseguiu verificar” quem foram os profissionais de saúde ao serviço das policlínicas que violaram as normas de uso dos vales de saúde, pelo que “não foi possível proceder à aplicação das sanções dissuasoras”.

“Os profissionais de saúde que sejam empregados das policlínicas podem aderir, de forma individual, a este programa.” SERVIÇOS DE SAÚDE

Desde que o Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde foi criado, o uso de vales de saúde nas policlínicas sofreu um aumento progressivo. Em 2009 representava 17 por cento, enquanto que no ano passado a proporção aumentou para 55 por cento, o que significa, na prática, “um apoio monetário superior a 100 milhões” de patacas, de acordo com dados facultados pelos Serviços de Saúde em comunicado.

FORA DO PROGRAMA

Na sequência das irregularidades detectadas, o organismo decidiu introduzir mexidas no programa, pelo que vai deixar de aceitar pedidos de acesso por parte dos estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde. Assim, apenas serão aceites colaborações com profissionais que preencham os requisitos,

sendo que o valor do subsídio financeiro a atribuir vai passar a ser transferido para as suas respectivas contas bancárias. “Com esta medida pretende-se ainda que sejam os profissionais de saúde a usufruir dos subsídios e não as clínicas. Os profissionais de saúde que sejam empregados das policlínicas podem aderir, de forma individual, a este programa”, clarificam os Serviços de Saúde, deixando a garantia de que não haverá qualquer impacto na qualificação de adesão ao programa nem no uso dos vales de saúde com as mexidas. Segundo o organismo, a maioria dos membros do sector de profissionais médicos concorda com o projecto de aperfeiçoamento do Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde, considerando que o novo modelo pode “combater

a violação de uso dos vales de saúde”, permitir “alcançar o objectivo real de programa”, saudando o apoio directo aos prestadores de cuidados de saúde. Actualmente, os Serviços de Saúde encontram-se a elaborar instruções, estando a decorrer acertos com os Serviços de Finanças relativamente à simplificação de procedimentos para que os profissionais de saúde, empregados das policlínicas, possam declarar a sua contribuição na qualidade de trabalhador por conta própria. O Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde vai sofrer outras mexidas, anunciadas anteriormente e com entrada prevista para 1 de Maio. Os vales vão passar a ser electrónicos e ter a validade alargada de um para dois anos e podem ser acumulados. Em paralelo, para aumentar a flexibilidade do uso, o valor nominal de cada vale de saúde vai passar das actuais 50 patacas para uma pataca. Aos vales de saúde, atribuídos anualmente e cujo valor corresponde a 600 patacas, são elegíveis apenas os titulares de Bilhete de Identidade de Residente Permanente. O Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde foi lançado com o objectivo de “apoiar o exercício das actividades dos profissionais de saúde do sector privado, disponibilizando mais recursos médicos para a comunidade”, nomeadamente com o intuito de “criar o conceito de médico de família” e a pensar na prestação de “cuidados de saúde periódicos”. Diana do Mar

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8 eventos

19.3.2018 segunda-feira

Tomás Ramos de Deus e Miguel Noronha Andrade apresentam, na próxima quartafeira, o álbum “Oito” no âmbito do Festival Literário de Macau – Rota das Letras. O projecto, da Casa de Portugal, alia a poesia à música

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desafio foi lançado pelo poeta Yao Jingming, Tomás Ramos de Deus e Miguel Noronha Andrade aceitaram e a obra nasceu: Um álbum que reúne oito poemas de autores chineses cantados em português. A apresentação de “Oito”, que invoca o número da sorte chinês, tem lugar, na Quarta-feira às 20h, no edifício do antigo tribunal, no âmbito do Rota das Letras. A ideia partiu de Yao Jingming. “Ele disse-nos o que tinha pensado e perguntou-nos se estaríamos disponíveis para esse desafio. Nós respondemos que sim e a Casa de Portugal também achou imensa graça, pelo que pusemo-nos logo a trabalhar”, afirmou o músico Tomás Ramos de Deus ao HM. O CD reúne oito poemas de autores chineses, incluindo do próprio Yao Jingming (que responde pelo pseudónimo de Yao Feng enquanto poeta) a quem coube a selecção e tradução, musicados por Tomás Ramos de Deus e Miguel Noronha Andrade. Além de Yao Feng, o álbum conta com poemas de Huang Lihai, Lan Lan, Yu Xiang e Gu Cheng.

Sons da sorte

MÚSICA TOMÁS RAMOS DE DEUS E MIGUEL NORONHA ANDRADE LANÇAM “OITO” NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA

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MARIA JOÃO PIRES & CARLOS DO CARMO (DGP CD+DVD) Dois dos maiores nomes portugueses da música num disco único. São nove os diálogos que Carlos do Carmo partilha com Maria João Pires neste projecto tão especial que reúne em disco dois dos maiores nomes portugueses da música. O disco conta com a escrita de poetas como Vasco Graça Moura, José Carlos Vasconcelos, Júlio Pomar, Fernando Pinto do Amaral, José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues, Nuno Júdice, Maria do Rosário Pedreira e Fernando Tavares Marques e com as composições de António Vitorino d’Almeida. O disco terá uma única edição: digipack acompanhada por um DVD onde se testemunha a gravação dos ensaios para o disco, mostrando as interpretações de cinco dos fados do disco.


eventos 9

segunda-feira 19.3.2018

O processo, que envolveu desde a selecção de poemas até criação das músicas, aos arranjos, gravações, produção e masterização do disco, iniciou-se no Outono. “A fase de produção do disco foi de Outubro/Novembro até ao final do ano. De Janeiro até agora, dedicámo-nos à preparação do concerto de apresentação”, explicou Tomás Ramos de Deus que, embora habituado a adaptar e a musicar poemas, nota que “Oito” foi “mais desafiante”.

LETRAS E NOTAS

“Este álbum é diferente porque tem poesia que foi traduzida de chinês para português. Embora o processo tenha sido semelhante a outros álbuns (em que também adaptamos poemas feitos e musicamos), este foi mais desafiante em termos do conteúdo”, sublinhou Tomás Ramos de Deus. “Alguns poemas, por exemplo, são muito pequeninos e tivemos que os transformar em músicas que não fossem mínimas, mas acho que fizemos um bom trabalho”, avalia.

“O CD reúne oito poemas de autores chineses, incluindo do poeta Yao Jingming, a quem coube a selecção e tradução, musicados por Tomás Ramos de Deus e Miguel Noronha Andrade.” As sonoridades também vão beber ao Oriente, acabando por criar uma fusão: “As músicas foram criadas consoante as nossas influências, o que ouvimos, estudamos e aprendemos, mas depois tentamos, através de alguns instrumentos chineses, dar uma sonoridade chinesa às músicas e uma cor diferente ao disco”. Neste sentido, a expectativa de Tomás Ramos de Deus é a de que o público goste das músicas e do que tentaram criar com o álbum “Oito”: “Espero que tentem apreciar a fusão que fizemos” de sons Oriente com o Ocidente, afirmou. Diana do Mar

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CONCURSO CANDIDATURAS PARA O SOUND&IMAGE CHALLENGE ATÉ 20 DE AGOSTO

A

organização do festival Sound & Image Challenge anunciou na Sexta-feira a abertura do período de apresentação de trabalhos para concurso, até 20 de Agosto. O objectivo é, como nas edições anteriores, motivar os produtores locais e internacionais de curtas-metragens e música a competir em Macau, sublinhou a organização. O Sound&Image Challenge International Festival divide-se em duas competições: a de curtas-metragens [‘Shorts’], nas categorias de ‘Ficção’, ‘Documentário’ e ‘Animação’, e a vídeos musicais [‘Volume’]. Este ano, a organização só vai aceitar um filme por realizador, à excepção das produções locais, de acordo com o regulamento apresentado na tarde de Sexta-feira, em conferência de imprensa.

“A organização decidiu só aceitar um filme por realizador porque nos últimos anos recebeu milhares de trabalhos, o que dificultou a escolha dos finalistas”, disse o presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM), José Luís Sales Marques, instituição fundadora e organizadora do festival anual de curtas-metragens, juntamente com o Centro de Indústrias Criativas - Creative Macau. Os trabalhos finalistas vão ser apresentados de 4 a 9 de Dezembro no Teatro Dom Pedro V, sendo conhecidos então os vencedores nas categorias de melhor filme, melhor ficção, melhor documentário, melhor animação, melhor entrada local, identidade cultural de Macau, melhor filme da audiência, e melhor vídeo musical. A estes prémios, a organização decidiu acrescentar este ano novas nomeações.

“Estas novas categorias são mais técnicas e por enquanto não têm um prémio monetário”, explicou Sales Marques, ao apresentar os prémios de melhor director, melhor cinematografia, melhor edição, melhor música, melhor banda sonora, melhores efeitos visuais para a competição ‘Shorts’, e de melhor canção e melhores efeitos visuais para a competição ‘Volume’. Para a competição de ‘curtas’, os trabalhos serão recebidos até 16 de Junho, sendo o prazo alargado até 20 de Agosto para os vídeos musicais. Na edição de 2017, o Sound & Image apresentou uma colaboração com o festival internacional de Curtas de Vila do Conde. A coordenadora do Creative Macau, Lúcia Lemos, afirmou estar ainda a ser analisada a próxima colaboração, devendo ser anunciada em Julho.

ARTE DE RUA BANKSY PINTA MURAL EM PROTESTO CONTRA DETENÇÃO DE ARTISTA TURCA

O

artista britânico Banksy pintou um mural em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em protesto contra a prisão da artista e jornalista Zehra Dogan, por ter pintado a bandeira turca sobre os escombros de uma cidade. O mural, com cerca de vinte metros de comprimento, é composto por vários conjuntos de traços, como os que os prisioneiros pintam para contar os dias de cárcere, que se assemelham a barras das celas. Num desses conjuntos, que representam os dias de prisão de Zehra Dogan, surge o rosto da jovem turca, agarrada a duas grades, uma das quais assemelhando-se a um lápis. De acordo com o grupo de defesa dos Direitos Humanos PEN International, a artista e jornalista turca foi condenada em Março do ano passado por “propaganda para uma organização terrorista”. Banksy, numa publicação na sua página oficial na rede social Instagram, escreveu que Zehra Dogan “foi condenada a quase três anos de prisão por ter pintado uma única imagem”.

No canto inferior direito do mural lê-se: “Libertem Zehra Dogan”. Na origem da condenação de Zehra Dogan está uma pintura da cidade turca de Nusaybin, no sudeste maioritariamente curdo da Turquia, destruída pelas forças governamentais turcas. A pintura foi feita a partir de uma fotografia, onde se vê várias bandeiras turcas suspensas em edifícios destruídos. A imagem foi projectada na quinta-feira à noite no mural que Banksy pintou em Nova Iorque. A pintura foi feita num muro celebrizado por vários artistas ligados ao ‘graffiti’, no cruzamento da Houston Street com Bowery, na zona de Manhattan. A ‘Parede Mural de Bowery’, tem acolhido, desde finais dos anos 1970, trabalhos de, entre outros, o norte-americano Keith Haring, os brasileiros Os Gémeos e o francês JR. Nos últimos dias, Banksy, cuja verdadeira identidade é desconhecida, criou uma outra obra em Manhattan: um rato, figura frequente nos trabalhos do artista, a correr num relógio situado num prédio, que vai ser demolido, num cruzamento da Sexta Avenida e a Rua 14.


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19.3.2018 segunda-feira

A Assembleia Popular Nacional votou no Sábado, por unanimidade, a reeleição de Xi Jinping, para um segundo mandato (2018-2023), na sessão plenária, no Grande Palácio do Povo, em Pequim

X

I Jinping, de 64 anos, que devido à reforma constitucional aprovada esta semana também pela Assembleia Popular Nacional (APN) pode continuar na presidência da China após 2023, foi eleito com 2.970 votos a favor, nenhum contra e zero abstenções.

APN XI JINPING REELEITO PRESIDENTE POR UNANIMIDADE

A coroação

vice-presidente da China, sucedendo a Li Yuanchao, enquanto que Li Zhanshu, de 67 anos, passou a ser presidente da APN, substituindo Zhang Dejiang. No Domingo, a APN aprovou uma emenda constitucional que estabelece uma presidência indefinida para Xi Jinping. Outra das alterações aprovadas inclui as teorias políticas de Xi Jinping sobre o desenvolvimento do “socialismo com características chinesas numa nova era” na Carta Magna chinesa.

EMENDA CONSTITUCIONAL

O chefe de Estado foi igualmente reeleito, de forma unânime, presidente da Comissão Militar Central, o órgão máximo do Exército chinês, pelo que vai continuar a assumir os três cargos

de maior poder na República Popular da China (Presidente, chefe das Forças Armadas e secretário-geral do Partido Comunista). As reeleições foram recebidas com muitos aplausos e PUB

Anúncio 【N.º31/2018】 Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, são por este anúncio notificados, os representantes dos agregados familiares candidatos à aquisição de habitação económica, do seguinte: Representante do agregado familiar candidato à aquisição de habitação económica

Número de boletim de candidatura

HA LIK

82201300659

HON LAI FONG

82201337120

LEI U MAN

82201323176

CHEANG CHI SAN

82201307893

Causa e fundamento legal da exclusão do adquirente seleccionado Falta de entrega dos documentos necessários para a avaliação do requerimento, no prazo fixado (Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011, alterada pela Lei n.º 11/2015)

Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código de Procedimento Administrativo, o Instituto de Habitação (IH) notificou, no dia 8 de Fevereiro de 2018, através de anúncio, os referidos representantes dos agregados familiares candidatos à aquisição de habitação económica para que apresentassem, no prazo de 10 dias, justificação escrita, não sendo a mesma considerada quando submetida fora do prazo, considerando-se como desistência. Os representantes dos respectivos agregados familiares candidatos à aquisição de habitação económica não apresentaram qualquer justificação escrita dentro do prazo fixado, pelo que o presidente do IH aprovou, de acordo com o despacho exarado na Proposta n.º0449/DAJ/2018, no dia 12 de Março de 2018, a exclusão dos referidos agregados familiares de adquirentes seleccionados. Caso não concorde com a decisão acima referida, deve ser apresentada reclamação ao presidente do IH (sem efeito suspensivo) nos termos do artigo 149.º do Código de Procedimento Administrativo no prazo de quinze dias a contar da data da publicação do presente anúncio, ou/e intentar a acção do recurso contencioso ao Tribunal Administrativo dentro do prazo legal nos termos do artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso. Atenciosamente Instituto de Habitação, aos 13 de Março de 2018 O Chefe da Divisão de Assuntos Jurídicos, Nip Wa Ieng

com saudações de Xi que fez depois o juramento, colocando a mão sobre a Constituição do país. “Desempenharei honestamente as minhas funções, aceitarei a supervisão do povo e trabalharei arduamente para construir um país socialista moderno”, referiu no seu juramento. Na sessão foi ainda eleito Wang Qishan, de 69 anos,

A actual Constituição chinesa, que entrou em vigor em 1982, foi alterada pela última vez em 2004. A aprovação das emendas constitucionais pressupõe uma consolidação ainda maior do poder de Xi Jinping, que acaba de terminar o seu primeiro mandato de cinco anos e atinge assim um poder indefinido que os analistas comparam ao de Mao Zedong. Além disso, o retorno a uma liderança indefinida implica uma ruptura com o sistema criado por Deng Xiaoping, que estabeleceu um poder mais colegiado, com limites temporais para os altos cargos, a fim de evitar

“Desempenharei honestamente as minhas funções, aceitarei a supervisão do povo e trabalharei arduamente para construir um país socialista moderno.” XI JINPING

os excessos que causaram a acumulação do poder pessoal desmedido durante a época de Mao Zedong (1949-1976). Constitucionalmente, a APN é o “supremo órgão do poder de Estado na China”, mas cerca de 70 por cento dos seus quase 3000 deputados são membros do Partido Comunista Chinês, assegurando a sua lealdade ao poder político. A abolição do limite de mandatos permitirá a Xi Jinping, um dos mais fortes líderes na história da República Popular, ficar no cargo depois de 2023, quando termina o seu segundo mandato.

Viagem de volta

Governo chinês insta Washington a corrigir erro em relação a Taiwan

A

China instou os Estados Unidos da América a “corrigirem o seu erro” sobre Taiwan, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter aprovado uma lei para reforçar os laços com a ilha. O “Taiwan Travel Act”, aprovado na Câmara dos Representantes e no Senado, encoraja os altos representantes norte-americanos a viajar para Taiwan para encontros com os seus homólogos, assim como o inverso. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang, declarou que a lei “viola gravemente” o princípio de uma só China e envia um “muito mau sinal às forças separatistas pró-independência de Taiwan”. “A China opõe-se fortemente a isto”, afirma o porta-voz num comunicado distribuído no sábado e citado pela France Press. No mesmo comunicado, Pequim pede a Washington que “corrija o erro e termine prosseguir qualquer ligação oficial com Taiwan ou de reforçar, de forma substancial, as suas relações actuais com Taiwan”. China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim

considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana.

TOLERÂNCIA ZERO

No passado dia 5, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, advertiu Taiwan de que Pequim não vai tolerar qualquer fantasia independentista, numa altura de renovadas tensões devido à maior aproximação de Taipei a Washington. “Não será tolerada qualquer actividade relacionada com a independência de Taiwan”, afirmou Li, na apresentação do relatório do Governo aos cerca de 3000 delegados da Assembleia Popular Nacional (APN). A advertência de Li Keqiang surgiu uma semana depois da aprovação da lei nos Estados Unidos que permite com Taiwan visitas mútuas de funcionários de alto nível. Esta votação aconteceu no mesmo dia em que independentistas taiwaneses lançaram uma campanha para a celebração de um referendo sobre a independência da ilha, emAbril de 2019. Desde o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês, que decorreu em Outubro passado, que as incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo taiwanês se intensificaram, levando analistas a considerarem como cada vez mais provável que a China invada Taiwan.


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segunda-feira 19.3.2018

APN PM REELEITO E APROVADA REESTRUTURAÇÃO DO GOVERNO

Mais uma volta

O LEGISLAÇÃO LEI EM HONG KONG PREVÊ PRISÃO PARA QUEM INSULTAR HINO DA CHINA

A

S autoridades de Hong Kong revelaram uma proposta de lei que punirá quem insultar o hino da China com pena de prisão até três anos e obrigará à sua aprendizagem entre os estudantes do território. A proposta obriga ainda quem estiver presente quando for tocada a “Marcha dos Voluntários” a “levantar-se e manter uma postura respeitosa”. O hino chinês tornou-se sensível em Hong Kong, que mantém um estatuto semiautónomo face a Pequim, por os adeptos de futebol locais vaiarem quando este é tocado nos estádios do território. A Lei do Hino Nacional foi promulgada o ano passado por Pequim. Em Novembro, a Assembleia Popular Nacional aprovou a sua inclusão nos anexos das Leis Básicas de Hong Kong e Macau, que regulam as leis nacionais a aplicar nas duas regiões administrativas especiais. A proposta de lei surge numa altura de crescente preocupação em Hong Kong, de que Pequim

está a reduzir liberdades fundamentais, apesar das promessas de que estas seriam mantidas após o retorno à China da ex-colónia britânica, em 1997. Activistas e deputados pró-democracia temem que a lei possa ser usada para enfraquecer a liberdade de expressão em Hong Kong. Segundo a proposta Lei do Hino Nacional em Hong Kong, quem “publicamente e deliberadamente alterar as letras ou as notas”, cante de “forma distorcida ou depreciativa” ou insulte “de qualquer maneira” o hino chinês, será punido com multa até 50.000 dólares de Hong Kong e punido com pena de prisão até três anos. A proposta, que será discutida em 23 de Março no legislativo de Hong Kong, impõe também às escolas do ensino primário e secundário que ensinem o hino aos alunos. Composto nos anos 1930, o hino chinês foi elevado ao seu estatuto atual após a instauração da República Popular em 1949.

Região Pelo menos quatro mortos em incêndio num hotel em Manila

Pelo menos quatro pessoas morreram e seis foram transportadas para o hospital devido ao incêndio num hotel-casino de Manila, onde se estavam a fazer obras de renovação no segundo andar. Fontes oficiais filipinas confirmaram as quatro vítimas mortais e sublinharam que fazem parte das dez pessoas que ingressaram no Manila Doctors Hospital. O presidente da Cruz Vermelha das Filipinas, senador Richard Gordon, sublinhou que duas ambulâncias e um carro de bombeiros foram enviados para o local do incêndio. O Waterfront Manila Pavilion Hotel and Casino está localizado na zona antiga da capital filipina, perto do Manila Doctors Hospital, do museu de História Natural e da baía de Manila. Uma investigação oficial foi aberta para apurar as causas do incêndio.

primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, foi hoje reeleito chefe do Governo até 2023, pela Assembleia Popular Nacional, enquanto Yang Xiaodu é o director da Comissão Nacional de Supervisão, uma espécie de “superministério”. Li Keqiang, de 62 anos, que chegou a chefe do Executivo em 2013, obteve a maioria dos votos dos cerca de 3000 legisladores que assistiram à sessão plenária, no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Nos seus primeiros cinco anos como primeiro-ministro, Li teve muito menos atenção mediática que o seu antecessor Wen Jiabao e o actual Presidente do país, Xi Jinping, que tem muito mais poder do que os seus antecessores e organizou uma máquina de propaganda mais poderosa ao seu redor, noticia a agência Efe. A APN aprovou ainda Yang Xiaodu como director da Comissão Nacional de Supervisão, um novo e poderoso órgão com estatuto superior ao dos ministérios e que tem como missão intensificar a luta contra a corrupção na China. Yang, de 64 anos, era até agora ministro da Supervisão, área que com a reestruturação governamental aprovada esta semana na APN passou a ter uma importância maior no Executivo chinês. Alguns observadores esperavam que a liderança da Comissão Nacional de Supervisão, “superministério” como é designado por alguns, que é considerado um dos cargos de maior poder na nova estrutura do regime, fosse assumida pelo actual chefe anticorrupção do Partido Comunista, Zhao Leji. Contudo, a escolha recaiu em Yang Xiaodu que também teve um papel na luta anticorrupção no partido como subdiretor da Comissão de Inspeção e Disciplina. A nova Comissão Nacional de Supervisão é entendida por observadores de política da China como um “quarto poder”, semelhante aos tradicionais legislativo, executivo e judicial. Na prática, a missão deste organismo é alargar a todo o estado a campanha

leição do Presidente do país, Xi Jinping, para um segundo mandato (2018-2023).

REFORMA EXECUTIVA

anticorrupção que durante a presidência de Xi Jinping se concretizou no seio do partido comunista. Na mesma sessão daAPN, entre outras votações, foi aprovada a continuidade de Zhou Qiang como presidente do Supremo Tribunal Popular para os próximos cinco anos e a substituição do procurador-geral Cao Jianming (no lugar desde 2008) por Zhang Jun. No sábado, a Assembleia Popular Nacional já tinha votado por unanimidade a ree-

A APN aprovou no Sábado o plano de reestruturação estatal que afecta 11 ministérios. Na sessão plenária, a APN aprovou a reorganização governamental com 2966 votos a favor (99,8 por cento do total), dois contra e duas abstenções, informa a agência EFE. O plano de reforma estatal, apresentado na Terça-feira e debatido pelos legisladores da APN ao longo desta semana, prevê, entre outras mudanças, a criação dos ministérios dos Assuntos dos Veteranos, que “visa proteger os direitos e interesses legítimos do pessoal militar”, e de Gestão de Desastres Naturais e de Emergências. O Ministério da Cultura passa a incluir também o Tu-

rismo, enquanto o Ministério da Terra e Recursos será designado de Recursos Naturais. Entre outras alterações está, ainda, a fusão dos reguladores da banca e seguros, com o objectivo de aumentar a estabilidade financeira da segunda economia mundial. No plano, o Ministério de Supervisão deixa de existir, dado que será elevado a Comissão Nacional de Supervisão, acumulando poderes comparados aos do executivo, legislativo ou judicial. No total, o Governo chinês passa a ter 26 ministérios, segundo noticiou a agência noticiosa oficial Xinhua. A proposta, cuja aprovação era quase certa tendo em conta que a Assembleia chinesa nunca recusou um documento, prevê igualmente a criação da Administração Estatal da Imigração, que ficará encarregue dos cidadãos estrangeiros que trabalham na China. Será também criada a Agência de Cooperação Internacional, para que a ajuda prestada por Pequim além-fronteiras “seja uma parte chave da diplomacia” chinesa.

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ANÚNCIO [N.º 35/2018] Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome

N.º do Boletim de candidatura

CHIO WANG FONG

82201323361

CHOI HO

82201300483

CHEN IN NG CHI IEONG SO KA CHING KUAN TONG WAI LOU MAN ON LEE SIO CHONG LO KA WENG CHOI SAO IENG

82201314725 82201301702 82201327150 82201312081 82201333036 82201321744 82201329547 81201305156

Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH (junto da Escola Primária LusoChinesa do Bairro Norte), sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, antes do dia 3 de Abril de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 14 de Março de 2018 O Presidente, Arnaldo Santos


12

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19.3.2018 segunda-feira

Os ascetas ensinam a rever o mundo

WANG YUANQI

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Yuchuang Manbi»

Notas Dispersas Sobre Uma Janela Chuvosa

O uso do pincel e a utilização da tinta completam-se um ao outro. As cinco maneiras de usar a tinta não possuem dois sentidos. Para resumir: o qiyun shengdong1, falando com propriedade, está nisto (no trabalho do pincel e da tinta). Pintar com cores é também como pintar com pincel e tinta2. O objectivo de pintar com cores é abrilhantar um trabalho insuficiente de pincel e tinta e pode servir para destacar as partes mais belas deste trabalho. Mas os artistas actualmente não entendem isto. Nas suas pinturas as

cores são simplesmente cores e o pincel e a tinta são apenas o pincel e a tinta, o que não transmite as características das paisagens nem penetram no tecido da seda. Apenas se vê uma mancha de cores vermelhas e verdes o que é o bastante para uma pessoa se sentir enfastiada e enfartada. Se não se procurar particularmente a cor mas antes se buscar a vitalidade (qi), tentando fazê-la circular e mostrá-la na luz e na sombra, no primeiro plano e no segundo plano, o colorido ficará fortalecido pela vitalidade.

1 - Qiyun: o ritmo espiritual, shengdong, vida, movimento. É o primeiro dos Seis Princípios de Xie He (c.500) no seu tratado Memória e Classificação dos Pintores Antigos, Guhua Pinlu. 2 - O uso da cor em pintura que esteve em voga durante a dinastia Tang (618-906), particularmente a chamada pintura qinglu, «verde e azul», sem nunca ser abandonado, perderia protagonismo com a sofisticação do ideal proposto na chamada «pintura dos letrados» da dinastia Song (960-1279) que é depois sistematizada por Dong Qichang (15551636), onde o objectivo de fazer mais com menos recursos, sublinha a importância do uso da tinta preta. Posteriormente outros, como Rao Ziran (na dinastia Yuan,1279-1368), no último dos doze pontos do seu tratado Doze Pontos a Evitar (Huizong Shier Ji) alertará para a falta de método no uso da cor. Deve ser notado no entanto que o uso da palavra «cor», se, pode referir-se ao modo de usar a tinta em geral como é exemplo as «Cinco Cores» de Hua Lin, que são: o negro, o espesso, seco, molhado e fluido (ou pálido). (Em Hualun Congkan, compilação de Yu Anlan, p.499)


desporto 13

segunda-feira 19.3.2018

LIGA DE ELITE BENFICA VENCE CLÁSSICO POR 2-0 FRENTE AO MONTE CARLO

Agua mole em pedra dura

Segunda Divisão Casa de Portugal e Consulado empataram 0-0

´

O clássico entre a Casa de Portugal e o Consulado terminou com um empate sem golos. O encontro foi disputado na Sexta-feira à noite, no Canídromo, sendo que as equipas não foram além do nulo. Num jogo com um ritmo lento e sem grande

O

que se pode explicar com o facto da equipa só ter regressado ao território na Quinta-feira à noite. Para se ter uma ideia, na primeira parte um dos poucos lances dignos de registo do encarnados foi aos 16 minutos, através de um remate de Cuco, que saiu muito por cima da baliza. Destaque ainda para os cruzamentos para as mãos do guarda-redes Ho Man Fai, aos 33 e 42 minutos.

NÓ GÓRDIO

No segundo tempo, a situação não se alterou muito, mas com o passar dos minutos, o Monte Carlo foi recuando mais e mais. No pólo oposto, o Benfica instalava-se por completo no meio-campo ofensivo. Numa jogada de ataque, aos 77 minutos, a polémica instalou-se no Estádio de Macau. Após um passe longo na direita do ataque do Benfica, Pang Chi Hang entrou na área do Monte Carlo e rodou para driblar um adversário. Nesse momento, o atleta do Benfica

caiu e pediu-se penálti. Contudo, o árbitro mandou seguir. Finalmente, aos 84 minutos, Hugo Reis assistiu Gilchrist Nguema com um passe a pingar para a entrada da área. Mais forte do que a concorrência, o atacante do Benfica ganhou o lance e fez um chapéu a Ho Man Fai, fazendo o 1-0. Até ao final, o Benfica ainda dilatou o resultado para 2-0, com Hugo Reis novamente em destaque. O meio-campista fez um passe a rasgar para as costas da defesa e isolou Nicholas Torrão. Perante Ho Man Fai, o avançado não facilitou e apontou o golo que confirmou a vitória. Com este triunfo o Benfica continua na frente da Liga Elite, com seis vitórias em seis jogos disputados. Nos restantes encontros, o Sporting de Macau derrotou o Lai Chi por 6-0, o Ka I bateu o Hang Sai por 7-1, a Polícia foi esmagada pelo Chao Pak Kei por 7-0 e os Serviços de Alfândega perderam diante do Ching Fung por 3-0. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

CLASSIFICAÇÃO Lugar

Equipa

Jogos

Vitórias

Empates

Derrotas

Golos

Diferença de Golos

Pontos

1 Benfica

6

6

0

0

25-3

22

18

2 C.P.K.

6

4

1

1

44-5

39

13

3 Sporting

6

4

1

1

23-2

21

13

4

Ka I

6

4

1

1

21-3

18

13

5

Ching Fung

6

3

2

1

11-9

2

12

6

Monte Carlo

6

2

1

3

7-7

0

7

7 Polícia

6

2

0

4

8-18

-10

6

8

6

1

0

5

5-35

-24

3

9 Alfândega 6

1

0

5

3-30

-27

3

10

0

0

6

1-36

-35

0

Hang Sai Lai Chi

6

dade de ouro para sentenciar o encontro, mas acabaria por rematar por cima. A partida ficou ainda marcada pela entrega, por parte do Consulado, de uma camisola ao treinador Pelé por reconhecimento do seu esforço na promoção do futebol local.

Mulheres Cerca de 3000 mil participaram em Festival Desportivo

As águias derrotaram ontem os canarinhos mas tiveram de esperar 84 minutos para inaugurar o marcador. No Estádio de Macau, os comandados por Bernardo Tavares acusaram o cansaço da participação nas competições asiáticas Benfica de Macau derrotou ontem o Monte Carlo por 2-0, no Estádio de Macau, com golos de Gilchrist Nguema e Nicholas Torrão. Apesar de terem dominado o encontro a seu bel-prazer, as águias acusaram o cansaço físico da participação nas competições asiáticas e só conseguiram colocar-se na frente do marcador a seis minutos do fim. Na ressaca da vitória história na Coreia do Norte, na passada Quarta-feira, o Benfica de Macau entrou em campo na sua toada habitual para a Liga de Elite, ou seja, com maior posse de bola e a jogar em ataque organizado. Por sua vez, o Monte Carlo, que esta época aposta numa formação de talentos locais e jovens, mantinha-se na expectativa e apostava em contra-ataques, sem grande sucesso. Apesar do maior domínio, o Benfica de Macau nunca conseguiu ser muito objectivo na altura de atacar a baliza, aparentando algum cansaço físico. Um aspecto

inspiração, a Casa de Portugal teve muito perto de se colocar na frente do marcador, já no segundo tempo, mas um corte em cima da linha de Dédé salvou o Consulado. Já perto do final, o meio-campista do Consulado Pedro Maia teve uma oportuni-

Foram cerca de 3000 as mulheres que participaram no Festival Desportivo das Mulheres de Macau, no passado fim-de-semana. A iniciativa promovida pelo Instituto do Desporto decorreu ao longo de

dois dias e no final, Pun Weng Kun confessou, ao canal chinês da Rádio Macau, que o número de participantes na iniciativa tem excedido as expectativas do Governo. O responsável prometeu também continuar a

fazer os seus melhores esforços para optimizar a oferta desportiva e encorajar os residentes a praticarem mais desporto. Entre os participantes, contaram-se cerca de 70 equipas, entre formações locais e estrangeiras.

Pun Weng Kun

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EDITAL Edital n.º : 18 /E-BC/2018 Processo n.º :572/BC/2016/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua do Bispo Medeiros n.º 43, EDF. Mei Chi Kok, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar A, Macau. Li Canfeng, director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados o dono da obra ou seu mandatário e os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento com paredes em Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho 1.1 alvenaria de tijolo e cobertura metálica. de evacuação. 2.

De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 12 de Junho de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminho de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI, por despacho de 9 de Março de 2018 exarado sobre a informação n.º 02010/DURDEP/2018, ordena ao dono da obra ou seu mandatário que proceda, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição do local afectado, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos nele existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 9 de Março de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng


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ROTA DAS LETRAS | “VIAGEM AO SONHO AMERICANO” ENTREVISTA COM ISABEL LUCAS 18h00 | Antigo Tribunal ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “ESCREVER MACAU” Antigo Tribunal | 19h00

ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “ARTES PLÁSTICAS E LITERATURA” Antigo Tribunal | 18h00

37

1.27

BRINCAR COM O FOGO

ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “OS SABORES DAS NOSSAS MEMÓRIAS” Antigo Tribunal | 19h00

Quarta-feira

YUAN

VIDA DE CÃO

ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “LÍNGUA PORTUGUESA: UM UNIFICADOR CULTURAL E POLÍTICO?” Antigo Tribunal | 18h00

ROTA DAS LETRAS | FILME “A VINGANÇA DE UMA MULHER”, DE RITA AZEVEDO GOMES Cinemateca Paixão | 20h30

0.25

O CARTOON STEPH 37 DE

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THE CHASER | NA HONG-JIN (2008) 3 2 4 7 1 2 6 3 4 MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU 39 MAM | Até 13/5 2 Chaser 6 é7um thriller 4 3 5 1 5 1 7 6 4 7 3 1 5 The que narra a história de 5 61 4da polícia, 11ª BIENAL DE DESIGN DE MACAU 2 7 3 5 4 3 5 1 3 6 5 7 1 um6ex-agente Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3 interpretado por Kim Yun41 3que -seok, 3 se5dedica 6 a4 7 2 7 76 2 3 5 4 2 6 3 gerir uma pequena rede 1 33 ilegal de prostituição 7 do2 Sul. 1 nade5 4 6 2 7 1 4 7 1 4 5 2 Cineteatro C I N E M A Coreia Apesar um negócio pouco 5 ter 6 3 5 4 os6problemas 3 2 1 7 6 4 3 5 6 5 1 2 7 lucrativo, do ex-agente sobem para 7 65 1 6 3 46 2 um4nível completamente 7 2 1 5 2 3 7 4 6 diferente quando uma das 1ter com 7 um 4 prostitutas vai cliente (Ha Jung-woo) e desaparece. 4 5 5 41 Nesse momento, 42 3 47 começa uma corrida contra o tempo do ex-agente para 2 a jovem 1 5interpretada 4 3 7 6 3 7 5 4 6 1 2 2 1 6 3 7 salvar por Seo Yeong-hie. João 5Santos 4 Filipe3 1 2 6 7 6 5 4 7 3 2 1 7 4 3 5 2 7 DAYS IN ENTEBBE 1 6 7 2 5 3 4 1 6 5 4 3 41 42 4 1 2 5 7 6 3 2 6 1 3 14 5 7 6 2 1 7 5 5 3 32 6 67 4 5 1 Carlos5 Morais 3 José Editor 7 5 1 3Propriedade 6 Fábrica 4 de Notícias, 2 Lda Director 6João Luz; 2 José1C. Mendes7Redacção 4 Andreia Sofia Silva; Diana3do Mar,7João Santos 2 Filipe; 6 Sofia4 Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; 4 6 5 José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 4 3 2 6 7Valério1 5 António Conceição1Júnior; David 4 Chan;7Fa Seong; 6 Jorge2Morbey;33Jorge Rodrigues 5 Simão; Leocardo; Paul4Chan5 2 Tânia1 Romão Colunistas Wai Chi; 7 Paula Bicho; 7 2 www.3 Fonseca; dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo2 Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de hojemacau. 7 4 5deSantoredacção 1 e Publicidade 2 3Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) 7 2 3Telefone128752401 5Fax 28752405 4 6e-mail info@hojemacau.com.mo 5 Sítio3www.hojemacau.com.mo 4 1 6 Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau3 3 76 com.mo 3 4 5 3 6

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 37

ROTA DAS LETRAS | INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “PUNACOTHECA”, DE RODRIGO DE MATOS Creative Macau | 18h30

Diariamente

SALA 1

TOMB RAIDER [C]

Um filme de: Roar Uthaug Com: Alicia Vikander, Daniel Wu, Dominic West, Walton Goggins 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

[B]

Filme de: José Padilha Com: Rosamund Pike, Daniel Brühl 14.30, 19.30, 21.30

TURN ARROUND [A] Filme de: Ta-Pu Chen

Com: Jay Shih, Yu-Chiao Hsia, Allen Chao, Lu Yi-Ching 16.30 SALA 3

THE HURRICANE HEIST [C] Filme de: Rob Cohen Com: Toby Kebbell, Maggie Grace, Ralph Ineson, Ryan Kwanten 14.30, 16.30, 21.30

TURN ARROUND [A]

Filme de: Ta-Pu Chen Com: Jay Shih, Yu-Chiao Hsia, Allen Chao, Lu Yi-Ching 19.30

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3 2 7 1 4 5 6

5 4 6 3 1 2 7

2 1 4 5 7 6 3

UM FILME 3 5 1 7HOJE 6 2 4

7 3 3 6 5 71 42 4 4

PROBLEMA 38

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6 1 5 13 7 4 2 1 2 6 5 3 17 4

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3 52 17 6 4 5 71

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S U D O K U

7 ROTA DAS LETRAS | “GUNGUNHANA” 5 6 ENTREVISTA COM UNGULANI BA KA KHOSA Antigo Tribunal | 19h00 2 3 Quinta-feira ROTA DAS LETRAS | PALESTRA 6 “CRIME NA FICÇÃO E NA VIDA REAL”, COM A YI Antigo Tribunal | 18h00 2 2 5 ROTA DAS LETRAS | “A RESISTÊNCIA” 7 41 ENTREVISTA JULIAN FUKS ROTA DAS LETRAS | JAM SESSION DE MÚSICA E POESIA | 4 Vasco Bar, Grand Lapa | 21h30

38 38

Nos últimos tempos, parece que o Governo tem feito tudo para criar um inimigo independentista em Macau. A vontade de começar uma caça às bruxas é aparente e, mesmo que não queiram, alguns locais vão começar a ser acusados de ser separatistas. Os objectivos desta pretensão não são claros e os benefícios muito menos. No entanto, o assunto está constantemente a ser trazido para a ordem do dia, mesmo contra a vontade da população. O comunicado do Governo da passada quinta-feira sobre o Artigo 23 é apenas mais um exemplo, com o Executivo a considerar que efectivamente a lei não é utilizada. Mas será que os governantes já se questionaram sobre a razão da lei não43 ser utilizada? Macau não é Hong Kong. A população não tem pretensões minimamente independentistas e está feliz com o princípio Um País, Dois Sistemas. Na mente da população é tudo muito claro: Macau é parte da República Popular China. Era importante que o Executivo percebesse isso. É que se por um lado implementar medidas como ensinar o hino nas escolas são vistas como desejáveis, por outro, castigar uma população dedicada ao País com a restrição de liberdades é uma grande injustiça. E as injustiças causam respostas imprevisíveis. Era bom que não se brincasse com o fogo, a bem do País, de Macau e da estabilidade do Estado. João Santos Filipe

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direito de resposta 15

segunda-feira 19.3.2018

Sou Jorge Marques, pai de Rodrigo Marques que teve destaque nas notícias publicadas no vosso Jornal, como sendo o “agressor” da EPM. A notícia contém factos ofensivos, inverídicos e revela falta de imparcialidade jornalística, pelo que, venho por este meio, dar a nossa versão dos factos de forma a contribuir para o esclarecimento da verdade. Antes de começar, faço uma declaração de princípio. Sou contra qualquer tipo ou forma de violência, seja ela qual for, considero inadmissível, intolerável, sem desculpa. Desejo desde já, a total recuperação dos dois jovens envolvidos. Factos ofensivos ao bom nome do meu filho. A notícia fez crer que existe um único “agressor”, um adolescente mais velho, maior, que bate numa criança mais nova. A verdade é que, meu filho com 15 anos e 1,66 metros, envolveu-se num confronto físico na EPM, com um colega de 13 anos, por sinal bastante mais alto e encorpado. Até prova em contrário o meu filho não é “agressor”, no máximo é um dos envolvidos no acontecimento, logo o termo “ agressor” é ofensivo ao seu bom nome. Factos inverídicos. A notícia assenta num relato inverídico - um agressor cobarde e um agredido à traição.

Na realidade, o que ocorreu foi uma série de provocações entre ambos os adolescentes que, resultaram num lamentável confronto físico, traduzido por um murro de cada parte, seguido imediatamente pela separação efetuada pelos vigilantes da EPM. Nada mais do que isto, ao contrário do que foi relatado. A agressão mútua resultou, num olho negro e em escoriações no meu filho, que justificou uma ida ao hospital. A falta de rigor e de imparcialidade jornalística. A notícia baseou-se unicamente na versão do pai de um dos intervenientes, logo facciosa, daí pouco rigorosa. O jornalista, autor do artigo, fez o seu trabalho, mas para ser imparcial, tinha obrigação de pelo menos tentar contactar a parte acusada, para obter a nossa versão e não o fez, nem antes da publicação, nem até á data de hoje. O princípio da imparcialidade mais relevante se torna uma vez que se trata de menores de idade. Então, no mínimo deveria mencionar no artigo que não foi efecuada qualquer tentativa de contacto connosco. Com os melhores cumprimentos, Jorge Marques Adelaide Ferreira


O homem morre a primeira vez quando perde o entusiasmo. Honoré de Balzac

SOFIA MARGARIDA MOTA

D Turismo Estaleiros Lai Chi Vun com hotéis e museu

O Governo de Macau está a ponderar construir hotéis de pequena dimensão e um museu sobre a indústria de construção naval em Lai Chi Vun. A hipótese foi avançada no Sábado por Deland Leong Wai Man, após uma sessão de consulta pública. Segundo a vice-presidente do Instituto Cultural foram recebidas mais de 200 opiniões, que agora vão ser analisadas. Ainda de acordo com Leong quase todas as opiniões reconhecerem o valor cultural de Lai Chi Vun. A responsável sublinhou também a intenção de criar vários elementos culturais e turísticos na zona.

Futebol Vítor Pereira lidera na China com ‘póquer’ de Wu Lei

O Shanghai SIPG, orientado pelo treinador português Vítor Pereira, manteve hoje o percurso 100 por cento vitorioso no campeonato chinês de futebol, ao vencer fora o Guangzhou R&F por 5-2, com um ‘póquer’ de Wu Lei. Em encontro da terceira jornada, a formação da casa chegou rapidamente a 2-0, com tentos do israelita Eran Zahavi, aos quatro minutos, e Xiao Zi, aos 09, mas, antes da meia hora, os forasteiros já ganhavam, com um ‘hat-trick’ de Wu Lei (17, 27 e 29). Na segunda parte, o brasileiro e ex-portista Hulk aumentou a vantagem, aos 53 minutos, e, aos 73, Wu Lei apontou o seu quarto tento no encontro. A formação de Vítor Pereira segue, assim, na liderança, com o pleno de nove pontos (15-2 em golos), também ostentado pelo Shandong Luneng (7-1).

EPUTADO ligado aos Operários critica inacção do Executivo na hora de aplicar a lei contra o fumo nos casinos. Segundo Leong, apenas 20 por cento das queixas sobre fumo ilegal nos espaços da principal indústria do território resultam em multas. O deputado Leong Sun Iok está preocupado com a incapacidade dos Serviços de Saúde (SSM) e Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) para controlarem o fumo ilegal dentro dos casinos. Numa interpelação entregue na Quinta-feira, o legislador dos Operários quer que seja divulgada uma lista ao público com a identificação de todas as salas de fumo em estabelecimento de divertimento. “Para prevenir que os empresários escondam as sala ou áreas de fumo ilegais nos estabelecimentos, as autoridades vão informar o público sobre todos os espaços legais para fumar existentes nos casinos?”, questiona Leong Sun Iok. Segundo o legislador eleito pela via directa, esta lista poderia ser utilizada “para que o público e os trabalhadores nos espaços monitorizassem por si a criação de áreas ilegais de fumo”. Ao mesmo tempo, a nova lei do tabaco define uma multa máxima para as infracções de 200 mil patacas. O deputado pergunta também quantas infracções foram encontradas em casinos e estabelecimentos privados e quantos foram punidos com multas no valor máximo. Por outro lado, Leong Sun Iok critica os mecanismos de inspecção, queixas e aplicação da lei dentro dos casinos, que considera como resultados “não satisfatórios”. Por essa razão, quer saber quais são as medidas administrativas que vão ser tomadas para aumentar a eficácia dos mecanismos existentes e “proteger a

PALAVRA DO DIA

segunda-feira 19.3.2018

PEDIDA AO GOVERNO ACÇÃO NA LUTA AO TABACO DENTRO DOS CASINOS

Cortinas de fumo

saúde dos trabalhadores do fumo no local do trabalho”.

CRÍTICAS AO GOVERNO E WYNN

Na interpelação escrita, Leong Sun Iok não poupa a operadora Wynn, que segundo as acusações do legislador, criou espaços ilegais de fumo no casino Wynn Palace. Leong deixa igualmente a entender que há fugas de informação que vêm de dentro das

autoridades e que permitem às operadoras protegerem-se. “Segundo os relatos dos trabalhadores, momentos antes dos inspectores chegarem para confirmarem a existência de espaços ilegais de fumo, esses mesmo espaços foram encerrados. A reabertura dos espaços ilegais, logo após a saída dos inspectores foi uma afronta descarada ao Governo e à aplicação da lei”, revelou.

Segundo a interpelação, os casinos são um dos principais pontos de violação da lei do tabaco, havendo alguma impunidade. Por exemplo, entre 2015 e 2017, apesar de ter havido um total de 4717 queixas em relação aos casinos, apenas 684 casos, ou seja cerca de 20 por cento, resultaram em punições. João Santos Filipe

info@hojemacau.com.mo

ACIDENTE DEZ MORTOS E DOIS FERIDOS EM QUEDA DE AVIÃO NAS FILIPINAS

D

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EZ pessoas morreram e outras duas ficaram feridas devido à queda de um avião bimotor nos arredores da capital das Filipinas, quando se despenhou numa zona residencial a cerca de 35 quilómetros do centro de Manila, adiantou a EFE. As vítimas mortais são cinco passageiros do avião Piper PA-23 Apache, e cinco cidadãos filipinos, membros da mesma família,

que se encontravam a tomar uma refeição em casa no momento do acidente, segundo as autoridades. Os dois feridos são uma mulher e o seu neto, vizinhos das vítimas mortais, que foram transportados para o hospital para receberem tratamento para queimaduras ligeiras. O aparelho embateu numa árvore depois de descolar do aeroporto de Plaridel e depois num poste elétrico antes de se

despenhar sobre a casa, de acordo com o superintendente Julio Lizardo da polícia de Plaridel. A Autoridade de Aviação Civil das Filipinas abriu uma investigação ao acidente do aparelho da companhia aérea Lite Air Express, que recebeu ordem para manter temporariamente todos os seus aviões em terra.

Hoje Macau 19 MAR 2018 #4014  

N.º 4014 de 19 de MAR de 2018

Hoje Macau 19 MAR 2018 #4014  

N.º 4014 de 19 de MAR de 2018

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