Page 1

PUB

SEXO

APN

Ng e Au pedem investigação a Tiananmen PÁGINA 4

MOP$10

TERÇA-FEIRA 19 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3958 DAVID HAMILTON

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

JOSÉ MANEIRAS

O MODERNISTA EVENTOS

Jovens não temem riscos

PÁGINA 8

A contradicão ´ permanente

PUB

GRANDE PLANO

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Um secretário diz uma coisa sobre habitação e o Chefe diz o contrário. Outro queixa-se da falta de um projecto para o hospital que logo lhe dizem ter já sido entregue. Ou seja, nota-se existir um certo desconcerto neste Governo. O HM encontrou vários exemplos.

PUB

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

hojemacau


2 grande plano

Um Chefe do Executivo com um discurso e um Secretário para a Economia e Finanças com outro. Dois Secretários que não se entendem sobre os atrasos no Hospital das Ilhas. O Governo fala a várias vozes e os deputados ouvidos pelo HM entendem que se trata de um sintoma de uma descoordenação geral, existente no Governo liderado por Chui Sai On

A

S Linhas de Acção Governativa (LAG) chegaram ao fim, mas o que fica é uma imagem de descoordenação geral do Governo. O exemplo mais demonstrativo foi dado pelo secretário para a Economia e Finanças, quando disse, em resposta às perguntas dos deputados, que o controlo dos preços no mercado imobiliário passaria pelo aumento da oferta. No entanto, em Pequim, o Chefe do Executivo desmentiu Lionel Leong e prometeu implementar mais medidas para controlar o imobiliário. Também durante a apresentação das LAG, Alexis Tam, secretário dos Assuntos Sociais e Cultura, e Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, recusaram, ambos, assumir responsabilidades sobre os atrasos na construção no Hospital das Ilhas. Raimundo do Rosário apontou que não

HABITAÇÃO? MAIS DO MESMO

O

economista José Isaac Duarte afirmou ontem ao HM que não espera que as políticas referidas em Pequim tenham um verdadeiro impacto no controlo dos preços do mercado. Para o economista, o Governo de Chui Sai On vai limitar-se a fazer o que tem feito até agora e que não tem resultado: “Vão fazer mais do mesmo, dentro daquilo que já não funcionou no passado. As medidas que foram sugeridas, o tipo de intervenções referidos nos órgãos de comunicação social, são mais do mesmo e não toca na questão essencial, que é a necessidade de mais oferta”, apontou.

SINTOMAS DE UM MAL MAIOR

há calendário para a conclusão dos trabalhos porque o projecto dos edifícios não estava concluído. Depois, sublinhou, que essa responsabilidade era dos Serviços de Saúde, que estão sob a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura. Por sua vez, Alexis Tam justificou que não é ele que controla os tempos para a realização dos concursos públicos das empreitadas nem define os calendários para as obras. Para os deputados ouvidos pelo HM, Agnes Lam e José Pereira Coutinho, o discurso governativo a várias vozes reflecte a descoordenação existente no Executivo. “Os diferentes discursos [do Chefe do Executivo e Secretário para a Economia a Finanças] demonstram a falta de uma acção política orientada para o desenvolvimento sustentado da habitação. Ora dizem uma coisa aqui, ora dizem uma coisa ali... Como não há uma definição clara sobre o futuro de Macau, eles contradizem-se”, afirmou José Pereira Coutinho, em declarações ao HM. “São trapalhadas que demonstram falta de coordenação e de comunicação. Essas duas falhas são muito nítidas, principalmente entre as diversas tutelas. Mas não é só com a pasta da Economia e Finanças, também entre as outras tutelas e a área da Administração e Justiça, principalmente ao nível das propostas de lei”, acrescentou.

PREOCUPAÇÃO RECORRENTE

Para Agnes Lam a descoordenação entre o Executivo, principalmente na altura de comunicar com a população e responder às perguntas dos deputados, tem sido um dos grandes temas das suas intervenções na Assembleia Legislativa.

GOVERNO

CONTRADIÇÕES E DISCURSOS VISTOS COMO FALTA DE COORDENAÇÃO INTERNA

“Às vezes parece que os secretários não estão informados e que precisam de ler os jornais para saber o que se está a passar no Governo.” AGNES LAM DEPUTADA

“As diferentes respostas e, por vezes, contraditórias têm sido um tema recorrente das minhas intervenções. Acontece frequentemente que os diferentes secretários nos fornecem informações contraditórias, parece que não há de todo coordenação”, afirmou Agnes Lam, ao HM. “Claro que é um aspecto que me preocupa muito por ver sinais contraditórios nos discursos de secretários do mesmo Governo. Por exemplo, a resposta de Raimundo do Rosário [sobre a falta de calendarização para o Hospital das Ilhas por ausência de projecto] deixou-me muito chocada. Só que não tinha tempo para fazer questões”, admitiu a deputada.

“Para o mal e para o bem é uma Administração que tem muito dinheiro e, portanto, acaba sempre por tentar resolver os problemas com mais dinheiro ou medidas avulsas.” JOSÉ ISAAC DUARTE ECONOMISTA

Para os dois membros da Assembleia Legislativa a passagem do Tufão Hato por Macau, em Agosto do ano passado, foi a grande prova de desorganização existente e da ausência de uma resposta organizada. “O Hato mostrou que não há coordenação nem responsabilidade neste Governo. As pessoas não precisaram de assumir responsabilidades porque não se sabe muito bem quem tomou as decisões. Isso é muito claro”, apontou Agnes Lam. “Quem é que foi o responsável pelas medidas de resposta? A passagem do Tufão Hato mostrou muito claramente que não havia uma pessoa a chefiar a resposta de emergência”, considerou. “A situação mais clara da descoordenação deste Governo foi a passagem do Tufão Hato. Nessa altura, não houve liderança no

PROBLEMA VINDO DO PASSADO

P

ara José Pereira Coutinho o problema da falta de comunicação entre os membros do Governo não é novo e já se verificava durante os mandatos de Edmundo Ho: “Com o Edmundo Ho também não houve uma liderança forte, que evitasse estes problemas. Acredito que é algo que tenha continuado deste Governo para este”, disse José Pereira Coutinho, ao HM. Para o membro da AL ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, poderia haver uma melhor imagem do Executivo, mas devido à existência de outras condições: “Talvez fosse uma liderança um bocado melhor do que a de Chui Sai On, mas eram outros tempos e com outras condições que não se verificam hoje”, considerou.

FOTOS GCS

19.12.2017 terça-feira


grande plano 3

terça-feira 19.12.2017

secretários para que soubessem o que está a acontecer nas outras tutelas. Era algo que evitava a existência de mensagens contraditórias, assim como o desenrolar de várias consultas públicas ao mesmo tempo. Às vezes temos cinco consultas públicas ao mesmo tempo, também dá uma imagem que não há coordenação”, apontou. “Às vezes parece que os secretários não estão informados e que precisam de ler os jornais para saber o que se está a passar no Governo”, considerou.

OUTRAS PRIORIDADES

Por outro lado, o economista e colunista José Isaac Duarte considerou, em declarações ao HM, que a comunicação não está entre as prioridades do Governo. “Não é normal que isto aconteça [falta de coordenação na comunicação do Executivo]. Penso que esse ponto não tem sido a principal preocupação da Administração”, justificou. José Isaac Duarte considerou que o Governo de Macau não considera necessário preocupar-se muito com a forma como comunica, porque tem outras alternativas para resolver os problemas existentes, nomeadamente com a distribuição de fundos. “Para o mal e para o bem é uma Administração que tem muito dinheiro e, portanto, acaba sempre por tentar resolver os problemas com mais dinheiro ou medidas avulsas”, frisou. “Existe alguma falta de consistência de orientação política. As questão são resolvidas mais caso a caso do que em resultado de uma visão ou orientação geral”, acrescentou. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com

“Os diferentes discursos demonstram a falta de uma acção política orientada para o desenvolvimento sustentado da habitação. Ora dizem uma coisa aqui, ora dizem uma coisa ali...” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

apoio e na ajuda à população de Macau. Isso foi a prova dos nove”, defendeu José Pereira Coutinho.

FALHAS NAS REUNIÕES DO EXECUTIVO

A ausência de um discurso coordenado levanta questões, para os deputados, sobre o funcionamento do Governo. Segundo José Pereira Coutinho, o Chefe do Executivo afirma que se reúne com os secretários para abordar os diferentes temas. “O Chefe do Executivo diz na AL que se reúne frequente com os secretários. Mas reunir-se e resolver os problemas, já é outra questão. Duvido muito que essas reuniões tenham os resultados desejados pela população”, sublinhou. No entanto, Agnes Lam entende que deveriam ocorrer reuniões frequentes entre o Chefe do Executivo e os secretários, para que houvesse uma maior comunicação. “O Chefe do Executivo e os secretários deviam ter reuniões frequentes, semanais, para trocarem informações e saberem o que se passa nas diferentes tutelas. Actualmente, existem as reuniões do Conselho Executivo,

mas estamos a falar de um órgão com uma constituição estranha, e que apenas tem com dois secretários”, disse Agnes Lam, “Quando o Conselho Executivo toma medidas muito importantes, acontece que há secretários que não sabem dessas decisões. Pode acontecer mesmo que não tenham qualquer decisão sobre o que vai ser decidido”, frisou. A deputada considera, assim, que o Conselho Executivo devia ser reformado, porque, defende, é um órgão herdado da administração portuguesa e que tem traços muito específicos do tempo colonial, em que era utilizado pelo Governador para ouvir a comunidade chinesa. Mesmo assim, diz que é possível o Governo melhorar este aspecto sem alterações profundas: “Devia haver um encontro entre

HABITAÇÃO COMO PRIORIDADE

P

ara Agnes Lam, Chui Sai On fez bem em focar-se no mercado de habitação, durante a viagem a Pequim, porque é um dos principais problemas da população. A deputada admitiu ainda que tinha ficado desiludida com a resposta de Lionel Leong, quando o secretário afirmou que as soluções para o controlo dos preços das habitações passavam pelo aumento da oferta: “Fiquei surpreendida quando o secretário Lionel Leong disse que não tinha medidas para o mercado do imobiliário. Espero que o Governo implemente as políticas necessárias para combater o aumento dos preços”, disse Agnes Lam, ao HM. “Agora, é uma das minhas prioridades. Os cidadãos não querem falar de outros problemas sem verem este resolvido”, admitiu a legisladora.

PUB


4 política

Investigação acerca dos acontecimentos de 4 de Junho de 1989, eleições universais para os delegados de Macau à APN e pressão para a revisão das leis que restringem a liberdade no continente são algumas das sugestões deixadas por Au Kam San e Ng Kuok Cheong aos 12 representantes de Macau eleitos no passado domingo

19.12.2017 terça-feira

DEMOCRATAS ACONSELHAM DELEGADOS A INVESTIGAR O MASSACRE DE TIANANMEN

APN para que te quero O resultado pode ver-se, dizem, nas desigualdades sociais e económicas do país com mais habitantes do mundo. Mas, para manter uma transparência absoluta é necessário ainda que o Governo Central não colabore nestas desigualdades. Os membros do colégio eleitoral desafiam também o Executivo local a elaborar uma proposta de lei que preveja a declaração de prioridades de acção do Governo Central algo que, consideram, continua sem concretização há mais de 20 anos. No comunicado enviado à comunicação social por Au Kam San e Ng Kuok Cheong, são ainda mencionados os casos do vencedor do prémio Nobel da Paz, Liu Xiaobo, e da sua mulher Liu Xia. Para os deputados, este tipo de situações é reflexo da inadequação das leis do continente à actualidade. Por isso, sugerem aos delegados de Macau na APN que abordem Comité Permanente da APN de forma a que leis que restringem a liberdade possam vir a ser revistas.

A

U Kam San e Ng Kuok Cheong querem que os representantes de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) investiguem a massacre de Tiananmen de 4 de Junho de 1989. A lista dos 12 delegados de Macau à APN foi conhecida no domingo e dois dos membros que fizeram parte do colégio eleitoral para os 12 representantes, Au Kam San e Ng Kuok Cheong, pediram que investiguem os acontecimentos na manifestação de Tiananmen, a 4 de Junho de 1989. Para os deputados trata-se de uma questão de justiça para com as vítimas e de uma acção em prol da democracia. Au Kam San e Ng Kuok Cheong revelaram ainda que pretendem uma mudança no método de eleição dos delegados locais. Para os deputados, tratando-se de representantes do território no continente, deveriam

PARTICIPAÇÃO ACTIVA

ser eleitos por sufrágio em que todos os residentes de Macau pudessem “votar para poderem eleger os candidatos que preferissem”. Os dois deputados da ala pró-democrata consideram ainda que cabe aos delegados locais o esforço para terem uma acção efectiva no que respeita a levar as opiniões dos residentes a Pequim. Para Ng Kuok Cheong e Au Kam San, os representantes de Macau na APN devem criar centros de atendimento para

Cabe aos delegados locais o esforço para terem uma acção efectiva no que respeita a levar as opiniões dos residentes a Pequim NG KUOK CHEONG E AU KAM SAN DEPUTADOS

responder às necessidades dos residentes que se encontram a residir na China continental. O objectivo, sublinham é “revolver as questões dos cidadãos e levar as suas vozes junto do Governo Central”.

CONTINENTE DESIGUAL

Por outro lado, os tribunos apontam ainda o dedo à China acusando o país de não estar a dividir os benefícios trazidos pelo desenvolvimentos dos últimos anos pela população.

Já Nelson Kot, ex-candidato à APN, alertou para a falta de meios para recolher as opiniões dos cidadãos para serem levadas ao Governo Central. As declarações feitas ontem no fórum organizado pela Rede de Convergência de Sabedoria de Macau, o ex-candidato apela também ao alargamento do número de membros do colégio eleitoral local para que, desta forma, possam existir mais pessoas com direito a voto. Além disso, Nelson Kot sugere que os delegados de Macau reforcem a sua interacção coma população e para o efeito sugere que sejam desenvolvidas plataformas virtuais neste sentido. Vitor Ng

info@hojemacau.com.mo

NG KUOK CHEONG PEDE SUBSÍDIOS PARA TRANSIÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO

O

deputado pró-democrata interpelou o Executivo para que se estude a possibilidade de mobilizar recursos para facultar um subsídio aos baixos rendimentos, como mecanismo transitório para a implementação do salário mínimo. Ng Kuok Cheong considera que no primeiro ano de aplicação, caso os empregadores apenas garantam 70 por cento do montante do salário mínimo,

os trabalhadores deveriam receber esta compensação. A ideia do deputado é apoiar empresas pequenas e, por exemplo, pequenos proprietários de prédios habitacionais. Ng Kuok Cheong considera que para compensar a bonificação salarial, os empregadores devem comprometer-se a aumentar os ordenados, no mínimo, em 6 por cento ao ano, até que se atinja o salário mínimo.

O deputado entende que este tipo de mecanismo pode funcionar como “amortecedor dinâmico” durante um período de oito anos de forma a aliviar a pressão sobre os salários pagos pelas pequenas e médias empresas. Ng Kuok Cheong recordou na interpelação escrita que o período em que discutiu o salário mínimo para a administração predial, em 2014,

o Governo prometeu que o salário mínimo universal seria uma realidade em três anos. O pró-democrata menciona na interpelação que durante as Linhas de Acção Governativa da área da economia e finanças, Lionel Leong revelou preocupações que seja o Executivo a responder maioritariamente pela implementação do regime do salário mínimo. J.L.


política 5

terça-feira 19.12.2017

Justiça Chan Hong quer mecanismo centralizado em acção

ASSISTENTES SOCIAIS COMISSÃO VAI REUNIR COM ASSOCIAÇÕES

Távola redonda

A 2ª comissão permanente vai solicitar reuniões com pelo menos cinco associações locais com trabalho na área para ter mais informações acerca das necessidades dos assistentes sociais. Nasceu inda um novo conceito no território, uma profissão dois sistemas, que representa um problema a resolver quando se fala da desigualdade nas carreiras dos assistentes sociais entre o público e o privado

A

2ª comissão permanente vai reunir com as principais associações do território. O obejctivo, disse ontem o presidente da sede de comissão onde o a proposta de lei sobre o regime de credenciação e inscrição para o exercício de funções de assistente social está a ser analisada na especialidade, Chan Chak Mo, é conseguir perceber, do lado de quem trabalha no sector, quais as maiores necessidades. De acordo com Chan Chak Mo, vão ser convidadas para um encontro a associação de assistentes sociais de Macau “que congrega mais de 200 membros, a Cáritas, pelo trabalho que tem realizado na área e representatividade que tem, a união de moradores, a associação das mulheres e os operários”. “Apesar destas associações já se terem pronunciado por

escrito no período de recolha de opiniões uma reunião com elas neste momento permite com que a comissão possa a ficar a saber mais acerca do sector”, justificou Chan Chak Mo. Do que foi deixado na recolha pública de opiniões, as associações revelaram qeu as suas maiores preocupações têm que ver com “o regime de inscrição profissional, o código ético e deontológico que vai regular a profissão e a própria calendarização para todo o processo de revisão da lei”, referiu o presidente da sede de comissão.

UMA PROFISSÃO, DOIS REGIMES

O conceito de um país dois sistemas está a ser aplicado às várias áreas do território e foi ontem discutido na reunião de análise na especialidade da revisão do regime dos assistentes sociais, agora sob o conceito de uma profissão, dois regimes. De acordo

com Chan Chak Mo, outra das preocupações expressas pelas associações que se manifestaram na recolha de opiniões tem que ver com a clarificação daquilo a que chama de uma profissão, dois sistemas, ou seja se o re-

“Apesar destas associações já se terem pronunciado por escrito no período de recolha de opiniões uma reunião com elas neste momento permite com que a comissão possa a ficar a saber mais acerca do sector.” CHAN CHAK MO PRESIDENTE DA 2ª COMISSÃO PERMANENTE

gime vai ser aplicado tanto aos funcionários do privado como aos da função pública visto que até agora é uma profissão que não tem carreira definida e em que o profissionais auferem de diferentes regalias consoante o sector, publico ou privado, em que trabalham.

OS ANÓNIMOS

Há ainda três grupo de pessoas desconhecidas que pediram para ser ouvidas pela 2ª Comissão. Para Chan Chak Mo a ideia é para ser ponderada mas antes, há que ter mais informações acerca destes grupo de pessoas. “Não sabemos quem são, o que fazem, nem o que querem, e como tal, antes de nos encontrarmos com eles, queremos ter mais informações para perceber a sua relevância para o assunto”, disse. As reunião irão ter lugar, em princípio, no mês de Janeiro, referiu o responsável aos jornalistas após a última reunião de análise na especialidade desta matéria. Por definir ainda está a constituição do Conselho Profissional dos Assistentes Sociais (CPAS), responsável pela acreditação profissional dos assistentes sociais do território. O conselho será constituído por 11 membros que no primeiro mandato serão, na totalidade, nomeados pelo Governo, inclusivamente o presidente. Passados dois anos, e no segundo mandato, o regime prevê que seis membros se mantenham nomeados pelo Executivo, sendo que os assistentes sociais pedem que os restantes cinco sejam eleitos. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

A deputada Chan Hong pede ao Executivo que se esforce por pôr em prática um mecanismo de coordenação eficaz no que respeita à produção de legislação. Para a deputada, apesar de já existirem as orientações sobre a centralização da coordenação da produção legislativa, os processos continuam a ser lentos. A razão, aponta em interpelação, tem que ver com o facto da produção de diplomas estar a cargo de cada tutela de forma independente o que na prática faz com que algumas leis e revisões entrem em conflito com conteúdos de outras tutelas. “A análise interdepartamental é lenta e com a carga legislativa em curso os processos tendem a acumular”, refere. Neste sentido, Chan Hong pede ao Governo o reforço do mecanismo de produção legislativa inter-tutelas e inter-serviços e uma análise dos recursos humanos existentes na área de modo a determinar se é necessária a contratação de mais pessoal para acelerar os procedimentos.

MP Renovado contrato de magistrado português

António Augusto Archer Leite de Queirós, magistrado do Ministério Público, viu o seu contrato ser renovado pelo Governo, segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial. A ordem executiva, assinada pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, terá efeitos a partir de quarta-feira, dia 20, sendo que António Augusto Archer Leite de Queirós irá permanecer no lugar de magistrado até 22 de Setembro de 2019.

Protestos Duas manifestações marcadas para amanhã

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais comunicou ao Corpo de Polícia de Segurança Pública a recepção dois avisos de manifestações. O cortejo organizado pela Associação de Construção e Armação de Ferro e Aço de Macau-China parte às 16h do Jardim de Iao Hon e termina na Travessa 1º de Maio. A outra manifestação foi pedida por três residentes, não identificados na nota da PSP, que começa da Avenida da Ponte da Amizade e termina com a entrega de uma petição da Sede do Governo, em frente à sede do Governo.


6 publicidade

19.12.2017 terça-feira

Aviso de recrutamento

Pretende admitir, mediante contrato individual de trabalho, nos termos do “Novo Estatuto de Pessoal do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”, homologado pelo Despacho n° 49/CE/2010, trabalhadores para os seguintes cargos: 1. Um Intérprete-tradutor de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de tradução e interpretação nas línguas chinesa e portuguesa, referência n°1305/DIT-GAT/2017) 2. Dois Técnicos de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de administração pública, referência n°1405/CS/2017) 3. Um Adjunto-técnico de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de inspecção, referência n°1505/DFAA-SAL/2017) 4. Um Auxiliar, 2.º escalão (Área de servente, referência n°1605/SAA/2017) Documentos de candidatura: • Relativamente às condições, os documentos necessários e os pormenores do concurso, constantes do aviso, podem ser obtidos na página electrónica (http://www.iacm.gov.mo/p/recruit/) deste Instituto ou consultados nos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação; • Os respectivos boletins de candidatura deverão ser entregues no prazo de vinte dias, ou seja até ao dia 8 de Janeiro de 2018, a contar do primeiro dia útil imediato ao da publicação do presente aviso; • Os interessados ao concurso obrigam-se a entregar pessoalmente o boletim de inscrição devidamente preenchido e assinado e os documentos referidos no aviso de concurso, no prazo acima referido e dentro das horas de expediente, nos seguintes Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação. Locais dos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação: Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte – Rua Nova da Areia Preta, n.° 52, Centro de Serviços da RAEM, Macau (Tel. 2847 1366) Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas – Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n.° 75 K, Taipa (Tel. 2882 5252) Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central – Rotunda de Carlos da Maia, n.os5 e 7, Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3.º andar, Macau (Tel. 8291 7233) Ø Posto de Atendimento e Informação Central – Avenida da Praia Grande n.os 762-804, China Plaza, 2.° andar, Macau (Tel. 2833 7676) Ø Posto de Atendimento e Informação de T’oi Sán – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, n.° 127, Edf. D. Julieta Nobre de Carvalho, Bloco “B” , R/C, Macau (Tel. 2823 2660) Ø Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço – Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4.° andar , Macau (Tel. 2893 9006) Ø Posto de Atendimento e Informação do Fai Chi Kei – Rua Nova do Patane, Habitação Social do Fai Chi Kei, Edf. Fai Tat, Bloco II, R/C, lojas G e H, Macau (Tel. 2826 1896) Horário de expediente: Centro de Prestação de Serviços ao Público: 2.ª a 6.ª feira, das 09:00 às 18:00 horas, sem interrupção ao almoço. Posto de Atendimento e Informação: 2.ª a 6.ª feira, das 09:00 às 19:00 horas, sem interrupção ao almoço. Macau, aos 7 de Dezembro de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO


política 7

terça-feira 19.12.2017

OFFSHORES GOVERNO DEVE TER MEDIDAS PARA EVITAR SANÇÕES Evitar que Macau venha a sofrer sanções por estar na lista negra da União Europeia é Para o deputado, Macau por ser fiscalização destas empresas é Por outro lado Au Kam San o objectivo de Au uma zona franca e como tal permitir muito difícil as mesmas cons- quer ainda claras as medidas que Kam San que pede a entrada e saída de capitais e de tituem o melhor instrumento o Governo tenciona por em prátie “é muito provável para a evasão fiscal”, aponta o ca para deixar de constra na lista ao Governo medidas mercadorias que alguns indivíduos consigam deputado em interpelação. Au negra de paraísos fiscais da União eventuais lacunas nas Kam San questiona ainda se este Europeia. para evitar a evasão encontrar leis e se aproveitem de Macau factor não é a causa “da má deMacau foi um dos nomes da como a sua base para a evasão signação do território enquanto lista negra da União Europeia dos fiscal no território

Um faixa, uma fuga

O

deputado pró-democrata Au Kam San quer explicações concretas por parte do Governo que justifiquem a classificação de Macau pela União Europeia como paraíso fiscal e o que pretende o Executivo fazer para que esta denominação não venha a ser causa de sanções para o território. Apesar do Governo ter respondido de imediato, após saber da classificação dada pela Europa, Au Kam San considera que o que foi dito não é suficiente e que dado o contexto actual do território, caso não se tomem medidas concretas, a situação só pode vir a piorar.

fiscal”, explica Au Kam San. O crescente número de empresas offshore no território, que poderá ter contribuído para a nota negativa europeia, é também uma situação que só tende a aumentar. “[As empresas offshore] vão ser cada vez mais devido à iniciativa “uma faixa, uma rota” e como a

paraíso fiscal”. Para o deputado, é fundamental que o Governo esclareça esta situação e torne públicos vários dados, tais como o número de empresas offshore em Macau, as fiscalizações que lhes são feitas , em que actividades trabalham e qual é a sua dimensão.

Macau por ser uma zona franca e como tal permitir a entrada e saída de capitais e de mercadorias e “é muito provável que alguns indivíduos consigam encontrar eventuais lacunas nas leis e se aproveitem de Macau como a sua base para a evasão fiscal”

territórios considerados paraísos fiscais conhecida no início do mês. Com Macau foram ainda mais 18 territórios classificados na mesma lista e que podem vir a ser alvo de sanções. Segundo a agência noticiosa Bloomberg, as jurisdições enfrentam “a possibilidade de lhes serem aplicadas sanções” pelo facto das práticas fiscais não estarem ao nível das adoptadas no bloco europeu. Além de Macau, estão na lista Cabo Verde, Coreia do Sul, Panamá, Tunísia, Bahrain e Emirados Árabes Unidos. Também Barbados, Samoa, Granada, Ilhas Marshall constam entre as 19 jurisdições. A lista não é definitiva e pode sofrer alterações, dependendo de

O

deputado José Pereira Coutinho entregou uma interpelação escrita ao Governo onde critica a organização do Festival de Gastronomia, apontando a falta de stands de comida genuinamente portuguesa e macaenses. Além disso, o deputado pede que sejam realizados concursos públicos para a atribuição de stands, para “diminuir as suspeitas de conluio entre entidades públicas e privadas”. “Realizou-se a 17ª edição do Festival de Gastronomia que mais uma vez peca sistematicamente pela falta de exposição de géneros alimentícios e restaurantes genuinamente portugueses e macaenses”, começou por escrever o deputado.

“Muitas das queixas que temos recebido dos cidadãos e alguns responsáveis de restaurantes portugueses e macaenses tem a ver com a enorme falta de espaços para exposição de comidas, além de que muitas comidas expostas não são mais do que ‘gato por lebre’, induzindo os consumidores em erro, pois pensam que se trata de comida genuinamente portuguesa ou macaense”, escreveu Coutinho. O deputado fala ainda de situações em que muitos dos proprietários de restaurantes só conseguem “espaços através de ‘cunhas’ e de pedidos via pessoas muito influentes, o que não devia ser assim”. Além disso, “a comida

macaense e portuguesa nunca esteve devidamente representada, salvo duas excepções”. Pereira Coutinho faz ainda acusações ao financiamento atribuído pela Fundação Macau (FM). “Apesar do evento ser ‘alimentado’ financeiramente pela FM e a Direcção dos Serviços de Turismo, a organização privada escolhe a seu ‘bel prazer’ os expositores, favorecendo uns e prejudicando outros sem que tenha de dar quaisquer satisfações a quem quer que seja, e tudo isto à conta do erário público”. A.S.S.

NEGAR ATÉ AO FIM

Em resposta a esta situação, o Governo emitiu um comunicado em que nega ser “um alegado ponto de fuga e evasão fiscal ou um paraíso fiscal”. “Macau não é de forma alguma um alegado ponto de fuga e evasão fiscal ou um paraíso fiscal, e tem vindo a cooperar de forma activa com a sociedade internacional, incluindo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a UE, no sentido de combater, em conjunto, a fuga e evasão fiscal transfronteiriça e de promover a justiça tributária”, defendeu-se o Executivo, numa nota do secretário para a Economia e Finanças. “Actualmente, o Governo da RAEM está, também, a fazer trabalhos de acompanhamento da extensão da Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Fiscal para ser aplicada na RAEM. Por outro lado, o Governo da RAEM está a estudar o aperfeiçoamento do regime jurídico aplicável à actividade offshore”, acrescentou. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

GONÇALO LOBO PINHEIRO

FESTIVAL DE GASTRONOMIA PEREIRA COUTINHO EXIGE CONCURSOS PÚBLICOS

decisões políticas dos ministros da União Europeia, destacava ainda a Bloomberg.


8 sociedade

19.12.2017 terça-feira

Governo vai analisar estrutura da Ponte da Amizade

Foi ontem publicado em Boletim Oficial um despacho que mostra que o Governo vai avaliar em que fase se encontra a estrutura da Ponte da Amizade. O trabalho relativo à “Monitorização de Saúde Estrutural da Ponte da Amizade” será realizado por uma empresa chinesa e vai custar 1,7 milhões de patacas, a serem pagos até 2019. O despacho foi assinado por Chui Sai On, Chefe do Executivo.

Novos aterros Escolhida empresa para fazer concepção do túnel

O Governo adjudicou a uma empresa chinesa o projecto da concepção preliminar do túnel entre as zonas A e B dos novos aterros, que vai custar mais de 77 milhões de patacas. O valor será pago gradualmente até 2021, aponta um despacho publicado em Boletim Oficial e assinado pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On.

SEXUALIDADE JOVENS COM COMPORTAMENTOS DE RISCO MUITO CEDO

Pepino torcido

Um estudo da Associação Sheng Kung Hui revelou que 40 por cento dos jovens inquiridos tiveram a primeira experiência sexual aos 14 anos. Além do uso de métodos contraceptivos inadequados, o inquérito revelou que 10 por cento pensa em suicídio e consumo de drogas quando termina uma relação

A

A s s o c i a ç ã o Sheng Kung Hui realizou um inquérito a jovens da zona norte e da Taipa, que revelou que 40 por cento dos inquiridos tiveram a primeira experiência sexual aos 14 anos. “Naturalmente é muito cedo até porque, hoje em dia, a maturidade é adquirida cada vez mais tarde um bocado como consequência da vida que os jovens têm”, explica o psicólogo Pedro de Senna Fernandes. O estudo foi realizado em colaboração com o Centro de Pesquisa de Macau e com o apoio do Instituto de Acção Social e recolheu entrevistas de 207 jovens assistidos pela Associação Sheng Kung Hui. De acordo com o psicólogo ouvido pelo HM, o início de vida sexual tão precoce pode ser reflexo de “primeiras responsabilidades e autonomias adquiridas tardiamente” e do exercício de “actividades muito orientadas”. A sexualidade para ser vivida na sua plenitude requer uma

estrutura emocional sustentada, capacidade que os jovens de 14 anos não possuem. Além da tenra idade, o inquérito revelou que os métodos de contracepção usados são desadequados. Pedro de Senna Fernandes acrescenta que a forma precoce em que se inicia a vida sexual pode fazer com que a experiência perca significado. “A experiência sexual envolve uma multiplicidade de emoções inerentes à própria experiência. A libido e tudo o que constitui o prazer requer uma estrutura emocional que estes jovens ainda não adquiriram”, explica.

JUVENTUDE IRREQUIETA

Aos 14 anos, os jovens ainda têm pouco conhecimento do seu próprio corpo, uma dimensão física que começa a ser explorada depois da explosão hormonal e neuronal que ocorre nos dois anos antes do início da adolescência. Em contraste com os números avançados pela Associação Sheng Kung Hui, a Direcção

dos Serviços de Educação e Juventude está a promover até Fevereiro de 2018 a Actividade Promotora da Educação Sexual na Comunidade - Amor e Acompanhamento. Segundo nota da DSEJ, as actividades pretendem “criar um relacionamento agradável entre dois sexos, ter cuidado com as armadilhas de

“A experiência sexual envolve uma multiplicidade de emoções inerentes à própria experiência. A libido e tudo o que constitui o prazer requer uma estrutura emocional que estes jovens ainda não adquiriram.” PEDRO DE SENNA FERNANDES PSICÓLOGO

amizade na internet e elevar a capacidade de autoprotecção”. Outro dado preocupante relevado pelo estudo foi o número de jovens que pensaram em suicídio, automutilação e abuso de drogas na sequência de fins de relações. Pedro de Senna Fernandes explica que o “ideário suicida pode ser espoletado por experiências frustrantes, numa altura em que emocionalmente há uma flutuação muito forte entre os campos da euforia e da tristeza”. Nesse aspecto, o psicólogo considera que em Macau, “embora tenha melhorado um bocadinho, as crianças são super-protegidas e têm a satisfação de todas as vontades que manifestam”. Algo que “a partir do momento em que têm de combater uma frustração emocional, como o parceiro não querer terminar a relação, ou não querer aprofundar, degenera numa gestão de frustração que pode conduzir a ideários não desejáveis”. Para Pedro de Senna Fernandes, o facto de 10 por cento dos jovens inquiridos terem respondido desta forma é algo muito preocupante. Também no que diz respeito ao consumo de estupefacientes, a propensão para este comportamento de risco é algo com dimensão hormonal. “O comportamento de risco dos jovens está ligado à amígdala, que é o centro do impulso e prazer, muito mais desenvolvido que o hipotálamo bio córtex, que é o centro da razão”. Além disso, a pressão de pares e o medo dos ostracismo também aumentam a probabilidade de se incorrer em comportamentos de riscos. João Luz

info@hojemacau.com.mo

Obras Viaduto junto ao aeroporto vai ser reparado

O Governo adjudicou à empresa China Road and Bridge Corporation o projecto de “Empreitada de reabilitação e reforço do viaduto junto ao Aeroporto Internacional de Macau”, que vai custar aos cofres públicos um valor superior a 19 milhões de patacas, a serem pagas até 2019.

Banca Agricultural Bank of China cria sucursal em Macau

Um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO) dá conta da abertura de uma sucursal, em Macau, do Agricultural Bank of China Limited. Trata-se de um dos cinco maiores bancos do continente, com filiais na vizinha Hong Kong e em Singapura. Fundado em 1979, o banco está listado nas bolsas de valores de Xangai e de Hong Kong desde 2010.

BO Limpeza do mar vai custar seis milhões de patacas

Foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) um despacho que determina que a Agência de Transporte de Passageiros Yuet Tung, Limitada vai ser responsável pela prestação dos “serviços de limpeza do mar”. A iniciativa vai custar ao Governo um valor superior a seis milhões de patacas, cuja fatia maior do orçamento, cerca de cinco milhões, será paga no próximo ano.

Aeroporto Empresa chinesa faz estudo sobre recursos hídricos

O Governo Central deverá aprovar no próximo ano o plano de expansão do Aeroporto Internacional de Macau, mas, para já, ainda são efectuados estudos. Segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, foi adjudicada a uma empresa chinesa o contrato para a prestação de serviços para a elaboração do “Estudo dos Recursos Hídricos no Plano de Expansão do Aeroporto de Macau”. Esse trabalho vai custar aos cofres do Governo um valor superior a oito milhões de patacas, que serão pagas com o orçamento privativo da Autoridade de Aviação Civil.


sociedade 9

terça-feira 19.12.2017

TRÂNSITO MENOS PEDIDOS DE OBRAS NAS ESTRADAS PARA O PRÓXIMO ANO

O pesadelo continua TIAGO ALCÂNTARA

Apesar de uma redução no número de pedidos para obras nas estradas, o Território vai ter 617 obras viárias em 2018, com artérias como a Avenida do Almirante Lacerda, Avenida do Conselheiro de Ferreira e Almeida e Avenida da Ponte da Amizade a ficarem condicionadas

N

O próximo ano as estradas de Macau vão receber 617 obras viárias, de acordo com os pedidos recebidos pelo Grupo de Coordenação de Obras Viárias, por parte dos serviços públicos e concessionárias. Os números foram revelados, ontem, numa conferência de imprensa do Grupo de Coordenação de Obras Viárias. Segundo os dados apresentados, há uma redução de 13,2 por cento em relação aos projectos para obras, uma vez que o número de trabalhos realizados na rede viária foi de 711, ao longo deste ano. Contudo, este número de obras não é definitivo, porque ao longo do próximo

Há uma redução de 13,2 por cento em relação aos projectos para obras, uma vez que o número de trabalhos realizados na rede viária foi de 711, ao longo deste ano

JOVENS ESTUDO MOSTRA FRACO AMOR À PÁTRIA

O

S jovens não amam tanto a China como os mais velhos e Macau não tem uma sociedade justa, são algumas das conclusões de um estudo realizado pela Associação dos Jovens de Macau Oriundos de Jiangmen que pretendia abordar o valor do trabalho e da sociedade para os jovens do território. Os resultados mostraram que no âmbito de identidade e sentimento de pertença, os sujeitos

mais velhos tendem a identificar-se com “eu sou chinês” e com “amo a China”. Já com os jovens acontece o contrário. De acordo com o Jornal do Cidadão, o inquérito contem opiniões de 1035 jovens de Macau entre os 18 e os 39 anos. Já no que diz respeito às representações que têm da sociedade, a maior percentagem dos jovens considera que Macau é um território multicultural

e que respeita as leis, no entanto não considera que a sociedade local seja justa. De acordo com o presidente da associação, Ha Chon Ieng, a faixa mais nova da sociedade sente uma grande dificuldade em ascender profissionalmente e de ter um rendimento capaz de superar as dificuldades em arranjar habitação o que faz, considera, com que tenham baixas expectativas em relação ao futuro.

ano podem surgir outros pedidos para a realização de mais obras. Mesmo assim, o Grupo de Coordenação de Obras Viárias promete implementar medidas para minimizar o impacto junto da população e encurtar os períodos das obras. Estas medidas podem passar por multas para atrasos e bónus para quem completar os trabalhos antes dos prazos definidos. Em 2018, as obras de grande dimensão vão afectar algumas das principais estradas do território, nomeadamente: Avenida do Almirante Lacerda, Avenida do Conselheiro de Ferreira e Almeida, zona da Areia Preta, Avenida da Ponte da Amizade e Estrada do Reservatório. Também a Avenida de Guimarães, Avenida dos Jogos da Ásia Oriental, Estrada de Pac On e Rotunda da Piscina Olímpica da Taipa vão sofrer condicionamentos. Sobre os trabalhos apresentados pelos serviços públicos e concessionárias estão principalmente relacionados com “fornecimento de energia eléctrica, construção e reordenamento da rede de esgotos, ligação da rede viária da NAPE, substituição de canalizações de asbestos e construção de viadutos”, explicou o Governo, em comunicado.

ELOGIOS AO TRABALHO FEITO

Por outro lado, o Grupo de Coordenação de Obras Viárias fez um balanço positivo das dez medidas implementadas ao longo deste ano, com o objectivo de evitar a pressão sobre o trânsito e os residentes. “Com a colaboração dos serviços públicos e das concessionárias, surtiram algum efeito nas obras viárias realizadas em 2017, tanto no controlo do número de obras e extensão da área das obras como a compressão do cronograma”, considerou o Governo, sobre as 10 medidas lançadas. “A par disso, a Divisão de Fiscalização da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego reforçou as suas acções de fiscalização sobre as medidas provisórias de trânsito das obras”, foi acrescentado. Ainda ao longo de 2017, o grupo da DSAT fez questão de referir que quando um empreiteiro não cumpriu as recomendações feitas, que as informações foram divulgadas online, para que houvesse conhecimento do público sobre os responsáveis. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com


10 eventos

19.12.2017 terça-feira

Quando Manuel Vicente chega a Macau pela primeira vez, em 1962, José Maneiras acabava de se licencia no Porto. Ambos foram os grandes responsáveis pela introdução da esco da arquitectura moderna do ocidente A obra do homem que “não faz cedências ao comercialismo” e que, como tal, “é respeitado” será recorda em 2018 com uma exposição da Docomomo, intitulada “José Maneira – Um Macaense Moderno”

J

OSÉ Maneiras, nascido em Macau em 1935, sabe que os seus colegas de profissão, ligados à associação Docomomo, vão recordar a sua obra em Março do próximo ano, com uma exposição, mas não quer falar sobre isso. Se o autor não fala sobre si mesmo, convidamos outros colegas a falar de si. Hoje mais afastado dos grandes projectos e encomendas, o trabalho de José Maneiras permanece importante por marcar a introdução da arquitectura moderna europeia em Macau e por fazer parte de uma primeira geração de profissionais vindos de Portugal. Maneiras licenciou-se em arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e chegou a Macau em 1962, numa altura em que não havia arquitectos profissionais. Sérgio Spencer, arquitecto ligado à Docomomo e um dos responsáveis pela exposição, disse ao HM que José Maneiras “é um dos principais actores daquilo que foi a modernização da cidade de Macau, com a introdução de um tipo de arquitectura.” “Ele é um homem da terra que vai fazer os seus estudos

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PORTUGAL DEFINITIVO • António Victorino d’Almeida

«Em “Portugal Definitivo” voltamos a encontrar Marcelino Bandeira, o protagonista dos livros “Coca-Cola Killer” e “Tubarão 2000”, com a única diferença de que se trata agora de um homem velho. Este é o último livro da trilogia que mergulha com graça e inteligência na sociedade portuguesa, que ousa entrar nos bastidores e faz subir ao palco as verdades incómodas do nosso país. Sem hipocrisias nem cinismos.»
In Posfácio

em Portugal e ganha essa dimensão das visões modernas e contemporâneas que se tinham implementado na Europa e nos Estados Unidos”, acrescentou Spencer, que adianta que essas correntes que então se notavam nos edifícios do ocidente visavam, sobretudo, o funcionalismo. “Ele fez muitos edifícios residenciais. O seu estilo de arquitectura está virado para o sentido funcionalista, pragmático, muito eficaz, na linha daquilo que era um dos princípios do movimento moderno: o de considerar um edifício como uma máquina”, frisou. Numa altura em que a maioria dos projectos eram desenhados por engenheiros ou outros profissionais de construção civil, José Maneiras soube fazer “uma relação interessante” entre aquilo que aprendeu na faculdade e o que era a cultura local ao nível da construção. “Ele tem um estilo muito próprio, mas soube integrar os princípios na prática local. Foi isso que nos moveu um bocado, tentar trazer esta exposição ao público”, referiu Sérgio Spencer. Num artigo da autoria da académica Ana Vaz Milheiro,

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

ESCOLA DE MAGIA • João Miranda

Se gostava de aprender truques de magia fantásticos para surpreender tudo e todos, este livro é para si. De forma clara e simples, o mágico João Miranda irá ensinar-lhe passo a passo e por diferentes níveis de dificuldade ilusões com objectos que poderá facilmente encontrar em sua casa. Fazer aparecer dinheiro, levitar uma carta, transformar água em sumo ou rasgar e reconstituir um jornal, são alguns dos truques de magia que irá aprender.


eventos 11

terça-feira 19.12.2017

O primeiro modernista EXPOSIÇÃO O LEGADO DE JOSÉ MANEIRAS, O ARQUITECTO DA PRIMEIRA GERAÇÃO

ar

ola e.

ada

as

em parceria com Hugo Morais Coelho, é referido que Maneiras foi dos poucos arquitectos que ficou em Macau em 1966, após uma vaga de saída de arquitectos portugueses, tendo fundado o seu atelier no ano seguinte. André Ritchie, arquitecto que também fez a sua formação superior no Porto, teve professores que foram colegas de José Maneiras. “Trata-se da primeira geração e foi um dos primeiros arquitectos que foram estudar para Portugal e que voltaram com o canudo na mão. Isto numa altura em que se ia para Portugal ainda de barco, e ainda hoje José Maneiras conta essa história. Como pessoa foi sempre uma espécie de ídolo.”

MENOS EXUBERANTE QUE MANUEL VICENTE

Vindo de Goa, Manuel Vicente chegou a Macau em 1962, tendo vivido no território até 1966. O seu trabalho cruza-se com o de José Maneiras, mas jamais se diluem. “Antes do Manuel Vicente foi José Maneiras que deu a Macau edifícios bonitos e que pensou a cidade”, recordou Carlos Marreiros. Apesar de terem feito “alguns planos em conjunto”, “o legado de ambos é diferente”. “O Manuel Vicente era exuberante, tinha uma arquitectura bastante festiva, muito criativa. O José Maneiras é da escola do Porto, e era muito comedido, muito modernamente minimalista, tinha características dessa escola. A sua arquitectura era competente, funcional, bonita, mas não era muito festiva.” Sérgio Spencer afirma que “numa fase muito inicial a obra de Manuel Vicente aproxima-

“Ele é um homem da terra que vai fazer os seus estudos em Portugal e ganha essa dimensão das visões modernas e contemporâneas que se tinham implementado na Europa e nos Estados Unidos.” SÉRGIO SPENCER DOCOMOMO

-se, de alguma maneira, da obra de José Maneiras”. “Eram amigos, davam-se bastante bem um com o outro, e ainda hoje entendemos isso nas suas palavras, mas do ponto de vista da linguagem arquitectónica, a maneira como abordavam a arquitectura e a questão da construção, não creio que passasse muito da obra de um para o outro”, concluiu.

A DEGRADAÇÃO INEVITÁVEL

Uma vez que José Maneiras começou a projectar a partir

“Maneiras é um profundo conhecedor da cidade. Não é uma pessoa que faça cedências ao comercialismo, e como tal é respeitado.” CARLOS MARREIROS ARQUITECTO

de meados dos anos 60, os seus edifícios têm hoje guardados as marcas do tempo, sem manutenção e com desgaste, à semelhança de outros exemplares da arquitectura modernista em Macau. Contudo, ainda têm o seu papel no tecido urbano. Isso acabou por dificultar a escolha das obras para mostrar ao público nesta exposição, pois José Maneiras não tem um espólio organizado. Visitas realizadas e conversas com o arquitecto ajudaram a Docomomo em todo o processo. “A maior parte das obras de José Maneiras estão muito destruídas. A arquitectura está um bocado delapidada, com gaiolas, e não tem a manutenção feita”, disse Sérgio Spencer. Tanto Carlos Marreiros como André Ritchie falam do complexo de edifícios habitacionais em frente ao Clube Militar, escondidos com a grandiosidade do Grand Lisboa. “Esse edifício merecia ser renovado porque é um exemplo do modernismo em Macau”, lembrou André Ritchie, que referiu também a maneira como José Maneiras incorporou a ventilação transversal nos seus edifícios. “Não havia a abundância do ar condicionado que há hoje. Essa preocupação reflecte-se depois na fachada dos exteriores dos edifícios”, adiantou. “Hoje é um edifício que está muito degradado e as pessoas nem reparam”, acrescentou Carlos Marreiros. “Com o que se construiu à volta deixou de ter leitura. É um edifício que conheço desde a minha juventude, tem um desenho contido mas com muita qualidade.” Maneiras trabalhou ainda, a título de exemplo, no projecto

de requalificação da praça do Tap Seac, ao lado de Marreiros e do engenheiro civil José Chui Sai Peng, tendo também coordenado a equipa projectista do reordenamento viário da rotunda Carlos de Assumpção. Membro honorário da Ordem dos Arquitectos em Portugal, um dos fundadores da Associação dos Arquitectos de Macau, em 1987, José Maneiras teve também um papel político, tendo sido presidente da Câmara Municipal do Leal Senado, cargo que ocupou entre 1989 e 1993. Isso deu-lhe ferramentas para conhecer um outro lado do território. “Maneiras é um profundo conhecedor da cidade. Não é uma pessoa que faça cedências ao comercialismo, e como tal é respeitado”, frisou Carlos Marreiros. Carregando consigo inúmeras histórias da terra que o viu nascer, José Maneiras foi o responsável por transmitir a André Ritchie uma delas, no âmbito de um projecto recente em que ambos trabalharam. “Tivemos de deslocar um monumento da diáspora macaense, na sequência de uma obra do Gabinete de Infra-estruturas. Esse monumento celebra a diáspora macaense e quando os macaenses saíam de Macau iam de barco, não de avião, tal como José Maneiras o fez, e saía-se da Barra. A última coisa que um macaense via era o Templo de A-Má”, contou o arquitecto. O trabalho de uma vida de José Maneiras poderá ser visto em Março no pavilhão do jardim Lou Lim Ieok. Sérgio Spencer garantiu que o objectivo é mostrar a importância do seu trabalho a todos.

“Foi um dos primeiros arquitectos que foram estudar para Portugal e que voltaram com o canudo na mão. Isto numa altura em que se ia para Portugal ainda de barco.” ANDRÉ RITCHIE ARQUITECTO PUB

“Gostaríamos que não fosse [uma exposição] muito direccionada para arquitectos, que fosse uma coisa virada para o público e até para a comunidade chinesa. Batalhamos um pouco para ter um espaço expositivo que não fossem os sítios tradicionais das exposições onde só vão turistas e gente erudita. Estamos contentes por termos feito a exposição no pavilhão do Lou Lim Iok”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


12 china

19.12.2017 terça-feira

GEELY COMPRA GRANDE FATIA DA MERCEDES

Sempreaabrir

A Geely, que já comprou a Volvo e a Lotus, tentou adquirir há três semanas uma grande fatia da Daimler, dona da Mercedes e Smart. E, ao que parece, à segunda tentativa, conseguiram.

A

Geely parece cada vez mais o T-Rex da indústria automóvel. Isto no sentido que come – ou melhor, compra – tudo o que lhe aparece à frente, desde que se adapte à sua estratégia de crescimento. Adquiriu a Volvo Cars à Ford por 1,5 mil milhões de euros em 2010 e, mais recentemente, a London

O

Taxi Company que constrói os táxis londrinos (em 2013 por 15,1 milhões de euros), a Lotus (51% por 55 milhões de euros) e uma fatia importante da Proton (49,9%). Nem os carros voadores da Terrafugia escaparam ao seu apetite voraz e bolsos, aparentemente, sem fundo. Em final de Novembro, os chineses (cuja denominação oficial é Zhejiang

Japão planeia aderir ao vasto projecto chinês ‘Uma Faixa, Uma Rota’, que ambiciona reavivar simbolicamente o corredor comercial que uniu o Oriente o Ocidente, revelaram fontes do Governo nipónico à agência Kyodo. “A nossa estratégia é alcançar a estabilidade e a prosperidade da sociedade internacional mediante a coordenação com os países dos oceanos Índico e Pacífico”, afirmou uma das fontes à agência de notícias japonesa. Os planos do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, de promover a cooperação no desenvolvimento do projecto de investimentos em

Geely Holding Group Co., Ltd) informaram a Daimler, o grupo que inclui a Mercedes e Smart, que pretendiam comprar entre 3% a 5% de novas acções, o que os alemães rejeitaram, porque isso iria diluir o valor dos títulos detidos pelos actuais accionistas. Mas desafiariam a Geely a adquiri-las no mercado aberto, indo ao ponto de revelar que viam com bons

olhos a entrada de investidores com objectivos de longo prazo. E a Geely, o maior fabricante chinês sem ligações ou participação do Governo, terá feito isso mesmo, segundo a China Central Television. Em causa está um investimento de 4.000 milhões de euros, valor que corresponde sensivelmente a 5% das acções da Daimler, o que coloca a Geely na 3ª posição entre os que têm as maiores fatias do grupo germânico, logo atrás do Kuwait Investment Authority, que possui 6,8%, e dos americanos da Black Rock (5%), mas à frente da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, que detém 3,1% na empresa alemã. Com esta aquisição, ainda não confirmada pelas vias oficiais, a Geely quer ter acesso à tecnologia da Mercedes, especialmente no que respeita às baterias, mantendo a estratégia habitual de Li Shufu, o chinês

Amigos como nunca

Japão planeia cooperar com iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’

infra-estruturas ‘Uma Faixa, Uma Rota’, configuram uma mudança na política diplomática que tem vindo a manter até agora. Tóquio expressou, em Maio, a sua intenção de ajudar outros países asiático a impulsionar o seu desenvolvimento, sem concretizar, porém, se seria no âmbito da iniciativa liderada pela China “Uma Faixa, Uma Rota”, versão simplificada de “Faixa Económica da Rota da Seda e da Rota Marítima da Seda para o Século XXI”.

O Governo japonês planeia agora, através da actividade de empresas de ambos os países, apoiar o desenvolvimento de infra-estruturas e da actividade comercial na região, assinalaram as mesmas fontes governamentais à agência Kyodo. A iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, que foi idealizada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, durante uma visita oficial à Ásia Central em 2013, ambiciona reavivar a antiga Rota da Seda, o corredor

587 MIL NOVAS BIBLIOTECAS EM ÁREAS RURAIS

A

China estabeleceu 587 mil bibliotecas nas áreas rurais, segundo uma reunião sobre bibliotecas realizada nesta segunda-feira em Shenyang, capital da Província de Liaoning, no nordeste do país. O Projecto de Bibliotecas Rurais lançou seu plano piloto em 2005 e entrou em operação completa em 2007. Depois do estabelecimento das bibliotecas ter sido basicamente completado em 2012, as bibliotecas têm actualizado livros e abrem ao público.

Segundo estatísticas, cada morador rural possuía em média 0,13 livro em 2007, excluindo livros escolares. Em 2017, o número aumentou para 1,63. Mais de 1,1 mil milhões de livros foram distribuídos pelos moradores rurais em todo o país na última década. As bibliotecas rurais não só ajudaram a enriquecer a vida das pessoas na zona rural, mas também diminuíram a diferença entre

que fundou a Geely há 31 anos e que a tem feito crescer desde então, cada vez de forma mais rápida. Curiosamente, a estratégia da empresa liderada por Li Shufu sempre passou mais por aquisições do que pelos investimentos massivos que são necessários para manter qualquer construtor automóvel na crista da onda, no que às inovações diz respeito. Isso explica que enquanto a Geely investe muito pouco, ou mesmo nada, em investigação e desenvolvimento (I&D), a Daimler invista 8,4 mil milhões de dólares, no que é apenas ultrapassada pela Toyota (9,6 mil milhões) e pela Volkswagen, que é de longe quem mais investe em I&D (15,1 mil milhões de dólares). Renault e Nissan, juntas, atingem 7,1 mil milhões de dólares, quase tanto quanto a Ford (7,3), o quarto grupo que mais investe neste domínio.

económico que uniu o Oriente o Ocidente, abrangendo mais de 60 países e regiões da Ásia, passando pela Europa Oriental e Médio Oriente até África. No início de novembro, Shinzo Abe tinha manifestado que “esperava uma boa cooperação com a China em relação à iniciativa da nova rota da seda, que seguia em paralelo com a sua estratégia de alcançar uma região do Indo-Pacífico livre e aberta”. O primeiro-ministro japonês considera imperativo melhorar a sua relação com a China face à crescente presença da segunda potência mundial na economia e segurança globais.

os moradores urbanos e rurais e tiraram mais pessoas da pobreza. Ainda existem problemas no trabalho de bibliotecas rurais, disse Zhou Huilin, subchefe da Administração Geral da Imprensa e Publicação, Rádio, Cinema e Televisão. Algumas bibliotecas não foram postas em uso completo, acrescentou. “Para resolver estes problemas, devemos fortalecer a construção de um mecanismo de longo prazo em termos de apoio financeiro, pessoal, operação e manutenção”, indicou Zhou.

O que interessa

Novas directrizes para regular investimento privado no exterior

O

órgão para planeamento económico da China emitiu na segunda-feira directrizes para investimento privado no exterior para combater operações irregulares, entre outros problemas, que surgiram à medida em que as companhias chinesas expandem sua presença mundial. As directrizes pretendem guiar a operação offshore de negócios, disse Meng Wei, porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR). Reconhecendo a contribuição das empresas privadas nas exportações de bens e tecnologia e na Uma Faixa, Uma Rota, Meng disse que havia também efeitos secundários, citando tomada de decisão cega, competição maligna e negligência de qualidade e segurança. Para lidar com as questões, o documento foi compilado juntos por agências incluindo a CNDR, Ministério do Comércio e o Banco Popular da China, o banco central. “As empresas privadas devem melhorar as regras internas sobre tomada de decisão e administração financeira em termos do investimento no exterior, e fortalecer o controle de riscos usando medidas de segurança e planos de contingência”, segundo o documento. Os procedimentos nacionais e estrangeiros sobre investimento devem ser seguidos e as responsabilidades sociais, cumpridas. As empresas também devem obedecer as leis da protecção ambiental locais. Meng disse que regras semelhantes para as empresas estatais estão na fase de preparação. O documento faz parte dos esforço do governo para esfriar o frenesi de aquisições no exterior e controlar as saídas de capitais ilícitas. O Conselho de Estado disse em agosto que o país proibiria as compras de bens imóveis, hotéis e clubes desportivos no exterior, e incentivaria negócios em infra-estrutura e novas tecnologias. O investimento directo não financeiro realizado pela China no exterior caiu 33,5% em termos anuais de Janeiro a Novembro.


china 13

terça-feira 19.12.2017

GUANGDONG DEZ EXECUTADOS POR TRÁFICO DE DROGA APÓS JULGAMENTOS PÚBLICOS

Barbárie aqui ao lado

D

EZ pessoas foram executadas no fim de semana pelas autoridades da província de Guangdong, no sul da China, após terem sido julgadas publicamente e condenadas à morte por tráfico de droga, informou a imprensa estatal. Segundo noticiou no domingo o Global Times, jornal em inglês do grupo Diá-

rio do Povo, órgão central do Partido Comunista Chinês (PCC), 12 acusados por venda de droga, assassínio e roubo foram submetidos, no sábado, a um julgamento público, realizado diante de milhares de pessoas, no estádio de Donghai, na cidade de Lufeng. Dois tribunais de Guangdong, o de Lufeng e o de Shanwei, encarregaram-se do processo, durante o qual

condenaram à morte dez dos 12 acusados, os quais foram executados imediatamente depois da sentença. O portal chinês Beijing News publicou vários vídeos na sua conta oficial no Weibo, o equivalente chinês à rede social Twitter, que mostram os acusados a entrar no estádio num veículo policial descoberto, rodeados por vários agentes armados.

Desconhece-se a forma como foram concretizadas as execuções, apesar de este diário ter indicado que foram feitas de forma privada ao contrário do que era habitual na China na década de 1990 que efectivava as execuções em estádios de maneira pública -, uma prática que nos últimos anos parece ter sido abandonada. As autoridades locais defendem este tipo de prática como forma de demonstrar aos cidadãos a mão dura do Governo contra a droga, segundo destacou a agência de notícias oficial Xinhua. Em 2015 outras 13 pessoas foram julgadas publicamente e, posteriormente executadas em Lufeng, pelo mesmo delito, diante de mais de dez mil pessoas e apenas seis meses depois outras oito tiveram a mesma sorte. Esta cidade do sul da China é um dos principais focos de atuação do Governo no âmbito da sua campanha antidroga por ser uma zona de trânsito habitual de armazenamento e tráfico de substâncias ilícitas. Em 2014 a polícia apreendeu três toneladas de metanfetaminas e deteve aproximadamente 200 pessoas. O tráfico de droga em grande escala é um crime passível de ser punido com pena de morte na China, onde vários cidadãos estrangeiros foram executados pela justiça do gigante asiático depois de terem sido detidos na posse de estupefacientes.

Região Coreia Kim homenageia Kim

O líder da Coreia do Norte visitou o mausoléu que guarda o corpo embalsamado do pai, Kim Jong-il, por ocasião do sexto aniversário da sua morte, informaram ontem os ‘media’ norte-coreanos. Como é habitual nesta efeméride, Kim Jong-un deslocou-se ao Palácio do Sol de Kumsusan, em Pyongyang, onde também se encontra o corpo do avô e fundador do regime, Kim Il-sung, que morreu em 1994. Kim Jong-il, conhecido por “querido líder”, governou a Coreia do Norte com mão de ferro durante 17 anos, desde 1994 até à sua morte, em 2011, altura em que o jovem Kim Jong-un assumiu o poder do hermético país asiático. Kim Jong-un afirmou, durante a visita ao mausoléu, que vai lutar “com maior determinação” para que a Coreia do Norte seja um país “politicamente independente e auto-suficiente em termos económicos e ao nível da defesa”, segundo um breve comunicado publicado pela agência estatal de notícias KCNA. Tanto a KCNA como o principal diário norte-coreano, o Rodong Shinmun, publicaram uma fotografia de Kim a prestar homenagem e outra de uma oferenda floral colocada em frente das estátuas de Kim Jong-il e de Kim Il-sung.

Birmânia Mais aldeias rohingya destruídas

A Human Rights Watch (HRW) denunciou ontem que outras 40 aldeias da minoria muçulmana rohingya no oeste da Birmânia foram queimadas no âmbito da ofensiva militar que levou mais de 655 mil pessoas a fugir para o Bangladesh. A organização internacional de defesa dos direitos humanos recorreu a imagens de satélite para identificar os novos incidentes, registados entre Outubro e Novembro, que elevam para 354 o número de aldeias total ou parcialmente queimadas desde o início da campanha do exército birmanês em 25 de agosto. Em comunicado, a HRW assinalou que alguns dos casos detectados ocorreram na mesma semana em que os governos da Birmânia e do Bangladesh assinaram um memorando com vista à repatriação das centenas de milhares de refugiados que continuam a atravessar a fronteira. O diretor da HRW para a Ásia, Brad Adams, afirmou que a contínua destruição das aldeias da minoria muçulmana rohingya demonstra que o compromisso firmado para garantir um regresso seguro dos refugiados constitui uma “artimanha de relações públicas”. “As imagens de satélite mostram o que o exército birmanês nega: que as aldeias rohingya continuam a ser destruídas. As garantias do governo birmanês sobre um regresso seguro não podem ser levadas a sério”, lamentou Brad Adams, citado pela agência de notícias espanhola Efe.

Mumbai Incêndio mata 12 trabalhadores

Pelo menos 12 trabalhadores que dormiam numa pequena loja em Mumbai (antiga Bombaim) que fabricava e vendia fritos morreram durante a noite num incêndio, informaram os media indianos. O incêndio deflagrou cerca das 04:25, disse a agência noticiosa Press Trust of India, citando um responsável dos serviços de emergência. Segundo a mesma fonte, as vítimas foram transportadas para um hospital e o óbito foi declarado à chegada. Um sobrevivente citado pela Associated Press disse que algumas pessoas conseguiram escapar, mas muitos ficaram presos no interior.

PUB

PINTURA CHINESA MAIS CARA DA HISTÓRIA

U

MA série de 12 quadros de paisagens do pintor Qi Baishi foi leiloada por 931 milhões de yuan, tornando-se na mais cara obra de arte chinesa da história, noticiou ontem o jornal China Daily. A série “12 paisagens”, vendida no domingo em Pequim pelo conglomerado Poly, dedicado à arte e ao investimento imobiliário, transformou-se também numa das 20 obras mais caras da arte mundial, retirando da selectiva lista uma das versões d’ “O Grito”, a célebre obra do pintor norueguês Edvard Munch. A licitação começou em 450 milhões de yuan, mas acabaria por chegar ao dobro após a oferta final de um comprador, cujo

nome não foi ainda revelado, apresentada por telefone. O preço final da obra, o primeiro relativo a arte chinesa a superar os 100 milhões de dólares, bateu o recorde que o próprio Qi Baishi tinha estabelecido em 2011, quando a sua obra “Águia pousada num pinheiro” foi arrematada por 65,5 milhões de dólares (55,6 milhões de euros) num leilão da China Guardian Auctions. A série de 12 paisagens verticais, cada uma com 1,8 metros de altura, foi pintada por Qi Baishi em 1925 e segue os cânones das tradicionais aguarelas paisagísticas orientais. Oferecidos pelo artista a um amigo em Pequim, os quadros mudaram de proprietário por diversas vezes mas estiveram sempre nas mãos de coleccionadores privados. Qi Baishi (18641957) é considerado um dos mais influentes artistas plásticos chineses do século XX.

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 «Lei de Terras», de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: Rua da Pérola Oriental, n.ºs 177 a 267, Rua 1 de Maio, n.ºs 442 a 472C, Rua Central da Areia Preta, n.ºs 975 a 1059 e Avenida da ponte da Amizade, n.ºs 368 a 390, em Macau, (Edifício The Residência).

2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 29 de Novembro de 2017. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong


14

h

19.12.2017 terça-feira

tudo! tudo e mais alguma coisa neste excesso de nada! Máquina Lírica Paulo José Miranda

A última garrafa

PARTE 2

(Num consultório privado) RAUL: Quer então dizer que para morrer com a vossa ajuda, tenho de provar que não querer viver é: 1º uma doença; 2º uma doença terminal; e 3º de insustentável sofrimento?

filosofia, trata-se de doença, doutor. Julgo que não há muito o que perceber, senão que é uma doença que me está a causar um sofrimento insuportável. E... DOUTOR: A vida, portanto.

(sentando-se de novo)

RAUL: Perdão!? Não compreendi.

DOUTOR: Isso mesmo! Não se pode chegar aqui e dizer que não se gosta de viver e, pronto, passa-se imediatamente a ajudar a morrer. Não sei se está a ver o alcance da coisa? Tínhamos bichas de adolescentes com corações despedaçados, à porta, todos os dias; donas de casa a quem os maridos não prestam atenção; mulheres e homens enganados pelos conjugues. Enfim, está a ver! Era um sem fim de gente a aparecer aqui, para ajudarmo-los a morrer. RAUL: Senhor doutor, compreendo perfeitamente o que me está a dizer. Mas o senhor é que não está compreender aquilo que lhe tenho vindo a explicar. Eu não tenho uma causa para querer morrer, senão não querer estar vivo. Mais nada. Estar vivo é horrível. Não se trata de uma consequência, mas sim de uma causa. Nada na minha vida é razão para o suicídio. Antes pelo contrário. Não tenho coração despedaçado, não tenho conjugue que me engane, nem sequer rejeições sexuais, para além do que é normal na existência humana, e nem sequer quaisquer problemas com a profissão que exerço ou onde a exerço. O meu problema é com a vida em geral, não com as suas particularidades. Por favor, não tome aquilo que lhe digo de ânimo leve. Julgo que fiz mal em vir aqui. (levanta-se e dirige-se para a porta) DOUTOR: Não se trata disso, homem. (também se levantando e seguindo-o; toca-lhe no ombro) Não se vá já embora. Sente-se, por favor! Vamos lá conversar. Olhe, você é o meu último paciente de hoje, até podemos estar aqui mais tempo. (dirigindo-se ambos para os seus lugares anteriores) Não me leve a mal. Estou tão somente a tentar compreendê-lo. E, ao mesmo tempo, também a tentar explicar-lhe como é que o seu caso é visto daqui deste lado. Você ponha-se no meu lugar! Entra-me um indivíduo por esta porta, que nunca vi mais gordo, e desata a dizer que quer morrer, e que quer eu ajude. Vamos lá devagar! Não se trata de uma gripe! RAUL: Compreendo, doutor. Sei que não é culpa sua. A situação não é muito ortodoxa. DOUTOR: (rindo) Não é muito ortodoxa? Você não brinque, homem! É uma situação inexistente.

DOUTOR: A vida. A doença a que se refere é a vida. RAUL: Sim, a vida. (silêncio) RAUL: Mas quando digo que se trata da vida, há que dizer também que não sei bem. DOUTOR: Não sabe bem? RAUL: Claro, doutor. É que se fosse só a vida, provavelmente haveria mais casos como o meu. Haveria imensos. RAUL: O senhor tem razão. (preocupado) Mas gostaria que não me confundisse que os casos hipotéticos a que se referiu há pouco atrás. Porque a minha situação é completamente diferente. E bastante ponderada. Não é de ânimo leve que chego aqui e lhe peço o que lhe estou a pedir.

RAUL: Se não for incómodo.

DOUTOR: Estou a ver.

DOUTOR: Não incomoda nada. Deseja gelo, água lisa ou bebe-o puro.

DOUTOR: Já vi. Sossegue, homem. Vamos lá tentar perceber o que se passa.

DOUTOR: Lá isso é verdade. Eu também só bebo puro, sou pouco escocês.

RAUL: O que quero dizer é que a vida, para mim, não é vida. É e não é. É, porque estou vivo e tenho as minhas responsabilidades como todos os outros. Não é, porque, sem razão nenhuma, ela se torna insuportável. Está a compreender?

RAUL: Aí é que está, doutor! Não há nada para perceber. Se quiser, é um cancro na alma que vai corrompendo tudo o que sou. E nestes últimos tempos tem-se tornado insuportável.

(volta à mesa e serve o whisky e propõe um brinde)

DOUTOR: Está bem, mas eu tenho de perceber isso. Não po... (batem à porta) DOUTOR: Sim? ENFERMEIRA: Posso, doutor? DOUTOR: Toda a licença. Diga! ENFERMEIRA: Queria saber se ainda vai precisar de mim. É que já passa da hora, ainda tenho de passar pelo colégio dos miúdos.

RAUL: Como já vi a garrafa, bebo puro. É crime estragar tão bom whisky com água.

DOUTOR: À sua! RAUL: Obrigado. À sua!

DOUTOR: Sim, estou a ver. E, dizia-me há pouco, padece disso desde a adolescência, portanto.

RAUL: Estava a dizer ao senhor doutor que não me confundisse com os casos...

RAUL: Mais ou menos.

DOUTOR: Sim, sim. Já me lembro. Pois e eu ia precisamente a dizer-lhe que tenho de perceber aquilo que se está a passar consigo. Já percebi que não é um homem vulgar. RAUL: Desculpe, doutor, mas vulgar sou. Sou um homem como os outros.

(fecha a porta) DOUTOR: (levanta-se e abre a porta de uma estante) Posso servir-lhe um whisky?

RAUL: Isso de filosofia é que não! Não me venha com filosofias. Não se trata de

ENFERMEIRA: Até amanhã, doutor.

RAUL: É isso, doutor. Em mim, a vida é uma doença. E, no entanto, para tantos outros, para o senhor, por exemplo, a vida é apenas a vida.

DOUTOR: Então, aonde é que estávamos?

DOUTOR: Quero dizer no tocante à sua decisão de pôr termo à vida. Não se trata de um impulso que teve ou de um acontecimento que o fez tomar essa decisão. Arriscar-me-ia a dizer que é algo de filosófico.

DOUTOR: Não, não. Pode ir, claro. Até amanhã.

DOUTOR: Estou, estou. Continue, por favor!

DOUTOR: Diga-me uma coisa: também não foi sempre assim, pois não? RAUL: Assim como? DOUTOR: A intensidade da dor. RAUL: Não. Dor sempre houve. Por vezes atenuava, sem perceber bem porquê. Mas de há alguns anos para cá, uns oito talvez, tem sido pior. E os últimos dois são difíceis de descrever, doutor. DOUTOR: Deseja um pouco mais de whisky? RAUL: Por favor, doutor. (continua)


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

terça-feira 19.12.2017

poesia • Georg Trakl

Romance à noite O solitário, sob a tenda de estrelas, Caminha através da meia noite silenciosa, O menino acorda perturbado dos seus sonhos, O seu semblante decai cinzento ao luar. A louca chora com o seu cabelo desgrenhado À janela que está inflexivelmente gradeada. Ao largo do pequeno lago, num doce passeio, Andam à deriva os amantes tão maravilhosos.

MÄDCHEN AM SONNTAG, OTTO DIX (1921)

Tradução de António de Castro Caeiro

O assassino sorri pálido no vinho, O horror da morte agarra os doentes. A noviça reza ferida e nua À frente do sofrimento na cruz do salvador. A mãe canta baixinho a dormir. Muito tranquilo a criança olha para a noite Com olhos que são completamente verdadeiros. Na casa de putas, soltam-se gargalhadas. À luz da vela no buraco da adega O morto pinta com mão branca Um silêncio sorridente na parede. O adormecido sussurra ainda.

Romanze zur Nacht1 BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos.

Nas castanhas sombras, calam o silêncio Os velhos, que estupidamente se abraçam. Os órfãos cantam as vésperas com doçura. No vapor amarelo, zumbem moscas.

Die Närrin weint mit offnem Haar Am Fenster, das vergittert starrt. Im Teich vorbei auf süßer Fahrt Ziehn Liebende sehr wunderbar.

No ribeiro, as mulheres lavam ainda a roupa. Ondulam estendidos os lençóis de linho. A pequena que há muito me agrada Vem de novo através da noite cinzenta.

Der Mörder lächelt bleich im Wein, Die Kranken Todesgrausen packt. Die Nonne betet wund und nackt Vor des Heilands Kreuzespein.

Do céu ameno, os pardais precipitam-se Na direcção de buracos verdes cheios de podridão. Iludem o faminto ante a convalescença O aroma do pão e ervas secas.

Beim Talglicht drunt’ im Kellerloch Der Tote malt mit weißer Hand Ein grinsend Schweigen an die Wand. Der Schläfer flüstert immer noch. OTTO DIX, ‘TO BEAUTY (AN DIE SCHÖNHEIT)’, 1922

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.

Na folhagem encarnada cheia de guitarras Das raparigas os cabelos amarelos flutuam Junto à cerca, onde estão os girassóis. Uma carruagem dourada atravessa as nuvens.

Einsamer unterm Sternenzelt Geht durch die stille Mitternacht. Der Knab aus Träumen wirr erwacht, Sein Antlitz grau im Mond verfällt.

Die Mutter leis’ im Schlafe singt. Sehr friedlich schaut zur Nacht das Kind Mit Augen, die ganz wahrhaft sind. Im Hurenhaus Gelächter klingt.

In Wikipedia

Na folhagem encarnada cheia de guitarras

Im roten Laubwerk voll Guitarren1 Im roten Laubwerk voll Guitarren Der Mädchen gelbe Haare wehen Am Zaun, wo Sonnenblumen stehen. Durch Wolken fährt ein goldner Karren. In brauner Schatten Ruh verstummen Die Alten, die sich blöd umschlingen. Die Waisen süß zur Vesper singen. In gelben Dünsten Fliegen summen. Am Bache waschen noch die Frauen. Die aufgehängten Linnen wallen. Die Kleine, die mir lang gefallen, Kommt wieder durch das Abendgrauen. Vom lauen Himmel Spatzen stürzen In grüne Löcher voll Verwesung. Dem Hungrigen täuscht vor Genesung Ein Duft von Brot und herben Würzen.


16 publicidade

19.12.2017 terça-feira

Notificação n.o 34/DLA/SAL/2017 Desenvolvimento do procedimento sobre pagamento dos custos de execução da remoção de publicidade ilegal Considerando que não se revela possível notificar os interessados, por ofício ou outras formas, para efeitos das disposições dos artigos 10º e 58º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela presente, nos termos do n° 2 do artigo 72º do “Código do Procedimento Administrativo”, o seguinte interessado, do conteúdo da respectiva acusação, para que o Instituto possa tomar uma decisão final em relação à cobrança dos custos de remoção de publicidade ilegal: Comprovada a não remoção da publicidade ilegal e suportes publicitários por parte dos interessados dos seguintes estabelecimentos dentro do prazo fixado, nos termos do n.º 2 do artigo 144º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, e do n.º 3 do artigo 33º do “Regulamento Geral dos Espaços Públicos”, aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2004, o Instituto procedeu, por intermédio de terceiro, à referida remoção. Nos termos do n.º 2 do artigo 144º do “Código do Procedimento Administrativo”, ficando todas as despesas de remoção por intermédio de terceiro, por conta do obrigado. Proprietário, possuidor ou detentor, pessoa ou entidade responsável pela distribuição de mensagens publicitárias e anunciante em suporte publicitário

No do Bilhete de Identidade/ Registo Comercial

Nome do estabelecimento

LAO MEI MUN

1296XXX(X)

陳金土

Bilhete de Identidade de Residente da República 尚貢匯禮品店 Popular da China: 3303251975092XXXXX

HOI MENG SON

1331XXX(X)

太原超級市場

SOCIEDADE DE INVESTIMENTO COMERCIAL E INDUSTRIAL MCP. LIMITADA

Registo de empresário comercial, pessoa colectiva no: 5961 SO

夜光杯餐廳

王小芳

Local de instalação de publicidade Avenida do Coronel Mesquita, no 11M, Edf. Carevelle, r/c, loja B. Alameda Dr. Carlos D. Assumpçao, no 580, r/c, loja O.

TALE OF JADE

Quantidade Data de de publicidade remoção

Custos de remoção

1

2015-10-03 MOP4.000

2

2015-10-05 MOP5.000

Avenida Leste do Hipódromo, no 337, r/c, loja K.

1

2016-03-31 MOP3.500

Avenida Dr. Sun Yat-Sen, no 1343.

4

2016-06-15 MOP14.000

Bilhete de Identidade de Residente da República 台灣九九兩岸食坊 Popular da China: 3306241975021XXXXX

Rua Cidade de Santarém, nos 430 e 434, Edf. Walorly, r/c, lojas E e F.

1

2015-06-01 MOP4.000

呂聯欣

7356XXX(X)

大誠電訊

Istmo de Ferreira do Amaral, no 80, Edf. Arco Íris, r/c, loja D.

2

2015-09-24 MOP5.000

COMPANHIA DE INVESTIMENTO E DESENVOLVIMENTO IAO YAN, LIMITADA

Registo de empresário comercial, pessoa colectiva no: 25519 SO

BAIXO KARAOKE BAR

4

2015-10-05 MOP14.500

2

2015-11-23 MOP3.500

Alameda Dr. Carlos D. Assumpçao, no 174, r/c. Rua Central da Areia Preta, Edf. Jardim Kong Fok Cheong, bloco 5, r/c, loja BQ.

AGÊNCIA IMOBILIÁRIO Registo de empresário I.W. SOCIEDADE comercial, pessoa UNIPESSOAL LIMITADA colectiva no: 46975 SO

AGÊNCIA IMOBILIÁRIO I.W. SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA

WONG ALEXANDRE FRANCISCO

5202XXX(X)

駿慧地產

Rua de EntreCampos, no 37.

1

2015-10-03 MOP3.500

LIU IP TO

7041XXX(X)

利富士多

Rua do Bocage, no 3, r/c.

1

2015-09-30 MOP3.500

SIN LENG IOI

7419XXX(X)

Central de ESTABELECIMENTO Calçada Lázaro, no 11, DE COMIDAS FAT KEI S. Edf. Hei Lei.

1

2015-09-30 MOP3.500

鍾良君

Bilhete de Identidade de Residente da República 永進珠寶錶飾市場 Popular da China: 5110271978082XXXXX

Rua de Berlim, no 254, Magnificent, r/c, loja P

1

2016-06-14 MOP4.000

汪中亮

Bilhete de Identidade de Residente da República 樂家居傢俬城 Popular da China: 3604301961090XXXXX

Istmo de Ferreira do Amaral, nos 101-105A, Edf. Industrial Tai Peng (1a. Fase), parede exterior.

3

2015-07-08 MOP15.000

Nos termos dos artigos 58º e 94º do “Código do Procedimento Administrativo”, os interessados podem apresentar uma audiência escrita, dentro de 10 dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação desta notificação, no Centro de Serviços do IACM, situado na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2º andar, Macau. Para qualquer informação ou consulta do processo, podem dirigir-se à Divisão de Licenciamento Administrativo dos Serviços de Ambiente e Licenciamento, sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2o andar, zona F (Linha de consulta, através dos telefones, n.os 8795 2708 / 8795 2709) Aos 07 de Dezembro de 2017. O Vice-Presidente do Conselho de Administração Lei Wai Nong WWW. IACM.GOV.MO

Notificação n° 35/DLA/SAL/2017 Notificação da decisão sobre pagamento dos custos de remoção de publicidade ilegal Considerando que não se revela possível notificar os interessados, por ofício ou outras formas, para efeitos de cobrança dos custos de remoção de publicidade ilegal, nos termos dos artigos 10° e 58° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela presente, nos termos do no 3 do artigo 3º do Decreto-Lei no 52/99/M, de 4 de Outubro, e dos artigos 68º e 72° do “Código do Procedimento Administrativo”, os interessados, do seguinte conteúdo: 1. O signatário, no uso das competências conferidas pelo Presidente do Conselho de Administração e constantes do Despacho nº 07/PCA/2016, de 26 de Fevereiro de 2017, tomou a seguinte decisão em 17 de Fevereiro de 2017: comprovada a não remoção, dentro do prazo fixado, da publicidade ilegal instalada no “阿露娜印度咖哩咖啡屋”, sito na Avenida da Amizade, no 779B, Edf. Chong Yu, bloco 2, r/c, loja O, Macau, por JHA ARUNA, com o Bilhete de Identidade de Residente de Macau n°: 1218XXX(X), este Instituto realizou, nos termos do nº 2 do artigo 144° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n° 57/99/M, de 11 de Outubro, e dos n.ºs 2 e 3 do artigo 33º do “Regulamento Geral dos Espaços Públicos”, aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2004, a remoção, por intermédio de terceiro, no dia 24 de Novembro de 2015, ficando todas as despesas por conta do obrigado, no valor de três mil e quinhentas patacas (MOP3.500,00). O interessado foi notificado por este Instituto, por ofício, de 26 de Outubro de 2016, não tendo apresentado alegação escrita sobre o processo de pagamento dos custos de remoção da referida publicidade ilegal, dentro do prazo definido, levantado por este Instituto. 2. O signatário, no uso das competências conferidas pelo Presidente do Conselho de Administração e constantes do Despacho nº 05/PCA/2017, de 3 de Março de 2017, tomou a seguinte decisão em 28 de Março de 2017: comprovada a não remoção, dentro do prazo fixado, da publicidade ilegal instalada no “順德菜館”, sito na Rua de Madrid, no 73, Macau, por “RESTAURANTE BOM APETITE SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA.”, com o Registo de empresário comercial, pessoa colectiva no: 18873 SO, este Instituto realizou, nos termos do nº 2 do artigo 144° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n° 57/99/M, de 11 de Outubro, e dos n.ºs 2 e 3 do artigo 33º do “Regulamento Geral dos Espaços Públicos”, aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2004, a remoção, por intermédio de terceiro, no dia 30 de Março de 2016, ficando todas as despesas por conta do obrigado, no valor de qautro mil patacas (MOP$4.000,00). O interessado foi notificado por este Instituto, por ofício, de 14 de Outubro de 2016, não tendo apresentado alegação escrita sobre o processo de pagamento dos custos de remoção da referida publicidade ilegal, dentro do prazo definido, levantado por este Instituto. O interessado deve pagar os custos de remoção, no prazo de 10 (dez) dias (contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação), no Centro de Serviços do Instituto do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2º andar, Macau); caso contrário, este Instituto emitirá uma certidão de execução à Repartição das Execuções Fiscais, para efeitos de cobrança coerciva. Nos termos dos artigos 145º, 148º e 149° do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n° 57/99/M, de 11 de Outubro, o interessado pode, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir do dia da publicação da presente notificação, apresentar reclamação para o autor do acto e/ou, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do n° 1 do artigo 151°, no 1 do artigo 155º e 156º do mesmo Código, apresentar recurso hierárquico necessário ao Conselho de Administração do IACM, salvo actos nulos. O interessado pode ainda interpor recurso judicial ao Tribunal Administrativo, nos termos das condições e dos prazos previstos nos artigos 25º a 28º do “Código do Processo Administrativo Contencioso”. Para qualquer informação ou consulta do processo, podem dirigir-se à Divisão de Licenciamento Administrativo dos Serviços de Ambiente e Licenciamento, sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2o andar (Linha de consulta, através dos telefones, n.os 8795 2708 / 8795 2709) Aos 07 de Dezembro de 2017. O Vice-Presidente do Conselho de Administração Lei Wai Nong WWW. IACM.GOV.MO


desporto 17

terça-feira 19.12.2017

O

Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS na sigla inglesa) vai manter o mesmo formato na próxima temporada, tanto no que respeita ao calendário de provas, como ao regulamento técnico que rege as competições de automóveis do território. Apesar da Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) não ter ainda divulgado publicamente o calendário de provas para 2018, o Circuito Internacional de Zhuhai já publicou o seu calendário de eventos para o próximo ano, onde constam dois fins-de-semana de corridas para o MTCS, tal como aconteceu nas épocas anteriores. O primeiro evento no circuito permanente da cidade chinesa adjacente a Macau será realizado de 25 a 27 de Maio, ao passo que a segunda prova está agendada para o fim-de-semana de 30 de Junho e 1 de Julho. Como é habitual, a AAMC deverá divulgar os critérios de selecção e apuramento para o 65º Grande Prémio de Macau mais tarde.

CORRIDAS DE CARROS DE TURISMO VÃO CONTINUAR POR ZHUHAI

Aposta na continuidade Pela primeira vez este ano, a participação nas provas do MTCS foi obrigatória a todos os pilotos, não são apenas aos portadores de licença desportiva do território, que quiseram qualificar-se para a Taça CTM de Carros de Turismo de Macau do Grande Prémio, colocando frente-a-frente nas decisivas corridas de apuramento os pilotos de Macau, Hong Kong, Taipé Chinês e outras nacionalidades. Ao todo estiveram envolvidos no MTCS de 2017 setenta e sete pilotos.

REGULAMENTOS SÃO PARA MANTER

Quanto à regulamentação técnica do campeonato, os pilotos da RAEM foram informados durante o briefing de pilotos que antecedeu a edição deste ano do Grande Prémio de Macau que não haverá alterações de vulto,

tanto em 2018, como em 2019. Uma nova regulamentação será apenas introduzida em 2020, o que irá permitir aos pilotos manter os carros que utilizaram este ano por mais duas temporadas, o que permitirá a vários

pilotos rentabilizar os altos investimentos feitos este ano e em anos precedentes. Continuarão a existir duas classes, uma para viaturas com motores 1.600cc Turbo e outra para viaturas de motorização 1.950cc ou Superior.

Em 2017, Paul Poon, piloto de Hong Kong, em Peugeot RCZ, venceu a categoria para viaturas com motores 1.600cc Turbo, seguido dos pilotos de Macau Leong Chi Kin e Célio Alves Dias. Entre os concorrentes

da categoria para viaturas de motorização 1.950cc ou Superior triunfou Billy Lo, da RAEM, em Mitsubishi, que superou Yam Chi Yuen e Leong Ian Veng. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

PUB HM • 2ª VEZ • 19-12-17

HM • 1ª VEZ • 19-12-17

ANÚNCIO ANÚNCIO Processo : Confiança Judicial n.º FM1-17-0104-MPS Juízo de Família e de Menores

Veteranos visitaram Academia do Sporting de Macau

A Academia do Sporting de Macau recebeu a visita da equipa de veteranos do Sporting de Portugal, que representou Portugal no Torneio da Soberania da RAEM, no fim-de-semana. Os veteranos, entre os quais alguns ex-internacionais portugueses como Romeu, aproveitaram para distribuir bolas autografadas aos atletas da Academia. Além disso, o Sporting Clube de Macau ofereceu uma camisola assinada por todos os atletas da Academia e o Sporting Clube de Portugal ofereceu uma camisola assinada pela equipa, bem como um cachecol e um boné.

Chineses insistem em Jonas

O Beijing Guoan continua a acreditar que pode convencer Jonas a aceitar uma transferência para a China e o Benfica a libertar, mediante uma oferta milionária, o avançado. Dirigentes do clube que acabou o último campeonato em nono lugar preparam-se para apresentar ofertas ao jogador e aos encarnados. Neste momento, porém, prevê-se que seja difícil haver um entendimento. Em primeiro lugar, porque Jonas, 33 anos, está interessado em manter-se no Benfica e acabar a carreira em Portugal, no final da próxima temporada, quando acaba a ligação às águias. Depois, dificilmente os tetracampeões abrirão mão do melhor marcador da equipa - 18 golos em todas as provas, em 24 jogos.

MÃE DA MENOR: Ma. Jeannie Montecillo Flores, feminino, nacionalidade de Filipinas, ora ausente em parte incerta.   *** FAZ-SE SABER que pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm éditos de TRINTA DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando a mãe biológica da menor acima identificada, para no prazo de DEZ DIAS, findo o dos éditos, deduzir querendo, oposição à Confiança Judicial da sua filha aos requerentes, nos termos do artº 147º nº1 do Decreto-Lei nº65/99/M. *** RAEM, 06 de Dezembro de 2017

Execução Ordinária nº. Exequente: Executado:

CV1-16-0029-CEO

1.º Juízo Cível

FONG CHI HOU, casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, n.º15. ZENG JIN HONG, casado, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M. n.º 1xxx2x5(8), com última residência conhecida em Macau, na Rua Cidade de Santarém, n.º 416, Hotline Building, 3.º andar AC, ora ausente em parte incerta. *** FAZ-SE SABER, que foi designado o dia 31 de Janeiro de 2018, pelas 10:15, neste Tribunal e no processo acima indicado, para venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte penhorado: Imóvel Denominação: fracção autónoma, “AC3” do 3.º andar “AC”. Situação: sito em Macau, n.º 316 a 362 da Avenida Sir Anders Ljungstedt, n.º 396 a 506 da Rua Cidade de Santarém, n.º 3 a 113 da Rua Francisco H. Fernandes e n.º 315 a 363 da Alameda Dr. Carlos D´Assumpção. Finalidade: para habitação. Número de matriz: 073073. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: n.º 22223, a fls. 168 fo Livro B3K. Número de inscrição da propriedade horizontal: n.º 15188 do Livro F46K. Número de inscrição de proprietário n.º 24276G. * O Valor base da venda: MOP6.500.000,00 (seis milhões quinhentas mil Patacas). * São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregar na Secção Central deste Tribunal, as suas propostas, até ao dia 30 de Janeiro de 2018, pelas 17:45, sendo que o preço das propostas devem ser superior ao valor acima indicado, devendo o envelope da proposta, conter a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO: CV1-16-0029CEO”. No dia da abertura das propostas podem, querendo, os proponentes assistir ao acto. Durante o prazo dos editais e anúncios, os proponentes, a fim de proteger os seus interesses, podem, caso queiram, antes de apresentar quaisquer propostas dirigir-se à fiel depositária, Sra. LAM SUT MAN, com endereço em Macau na Avenida da Praia Grande, n.º 409, Edifício China Law, 25.º andar, que prestará as informações necessárias a quem pretenda fazer propostas, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção. Quaisquer titulares de direito de preferência e de remição na alienação do bem supra referido, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceite, nos termos do art.º 787.º e art.º 806.º do C.P.C. Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., aos 6 de Dezembro de 2017. *


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

19.12.2017 terça-feira

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

EXPOSIÇÃO “AO MEU CORAÇÃO UM PESO DE FERRO” Livraria Portuguesa | Até 08/01

MIN

7

MAX

15

HUM

30-60%

EURO

9.48

BAHT

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 183

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 182

UM FILME HOJE

STAR WARS EPISODE VIII STAR WARS EPISODE VIII [B] Fime de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley John Boyega Mark Hamill 14.15, 21.30

STAR WARS EPISODE VIII [3D] [B] Fime de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley John Boyega Mark Hamill 18.50

MY LITTLE PONY: THE MOVIE [A] [FALADO EM CANTONENSE] Fime de: Jayson Thiessen 17.00

SALA 2

WONDER [B] Fime de: Stephen Chbosky Com: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay 14.15, 21.45

SUDOKU

DE

SALA 1

1.21

RECICLAGEM RELIGIOSA

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

C I N E M A

YUAN

PÊLO DO CÃO

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018

Cineteatro

0.24

Vem aí mais uma celebração do solstício de Inverno, perdão, o Natal. Famílias sentam-se a generosas mesas para celebrar o Deus Sol Invicto, desculpem, o nascimento de Cristo. Esta coluna não tem espaço suficiente para discorrer os exemplos de detalhes da quadra que são tudo menos natalícios. A apropriação cultural é inevitável face à evolução histórica, uma espécie de selecção natural de costumes e crenças que foram derrotados pelo tempo e pelo exercício do poder. Bem antes do nascimento de Cristo, já se decoravam árvores em festividades nórdicas, já se pegava fogo a madeiros de “Natal”, que antes se chamaram Yule. Estamos em pleno período de Saturnália, a antecipação da época festiva que se aproxima com o autismo histórico e cultural que nos caracteriza. Com palas temporais de uma arrogância que enternece, replicamos legados milenares com o bónus do marketing que inquina qualquer laivo de espiritualidade. Pai Natal, estou a pensar em ti. Desde Constantino que entre a cristandade se denuncia o carácter bárbaro do paganismo só apaziguado pela luz do segundo amplexo abraâmico. Ao mesmo tempo, decalcam-se tradições pagãs sem um sentido de ironia. No fundo, o Natal veio, simplesmente, substituir o solstício de Inverno. Tal como o euro veio substituir o escudo, mas com preços mais altos.Além disso, a data do nascimento foi decidida num concílio três séculos depois do ano 0. Dito isto, adoro o Natal, o solstício, a celebração da saturnália, o yule, tudo o que encha as mesas, as taças e os corações. Shalom, meus caros. João Luz

TRAINSPOTTING 2 | DANNY BOYLE

Começo por dizer que “Trainspotting”, de 1996, é irrepetível e um retrato geracional escocês imune à passagem do tempo. A sequela, baseada no romance “Porno” de Irvine Welsh, é uma reminiscência completa mas que vive independente, como uma entidade fílmica separada. O filme pega, vinte anos depois, na vida dos quatro da vida airada e nas dinâmicas e amizades que continuam tão tóxicas como desde a última vez. Ver o filme foi como visitar um velho amigo com quem não se fala há décadas, mas cuja comunicação surge com naturalidade, nem que para isso se tenha de trocar uns socos antes de mandar abaixo umas pints, para não fazer analogias intravenosas. “Trainspotting 2” é um bom filme, uma revisitação afectiva que vale muito a pena. João Luz

SALA 3

MY LITTLE PONY: THE MOVIE [A] [FALADO EM CANTONENSE] Fime de: Jayson Thiessen 14.30

MY TOMORROW, YOUR YESTERDAY [B] [FALADO EM JAPONÊS. LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS] Fime de: Takahiro Miki Com: Sota Fukushi, Nana Komatsu 16.30, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

terça-feira 19.12.2017

macau visto de hong kong

Automatização taxada

R

ECENTEMENTE, o canal noticioso HKTVB difundiu uma notícia algo peculiar. É possível que futuramente o trabalho robotizado venha a ser taxado. Realmente a questão coloca-se; se os robots substituírem os trabalhadores quem vai pagar os impostos ao Governo? Por enquanto, esta pergunta continua sem resposta. Mas, é provável, que de futuro a utilização de robots venha a ser taxada. Este imposto servirá para contrabalançar os custos sociais derivados da automatização. Já que os robots não pagam impostos salariais, os seus proprietários deverão suportar uma taxa pela substituição de trabalhadores por andróides. O “Imposto de automatização” pode vir a ser uma nova fonte de rendimento para o Governo. A CNBC anunciou que numa entrevista recente à Quartz, Bill Gates, co-fundador da Microsoft, afirmou defender a aplicação de taxas sobre o uso de robots na produção. A afirmação de Bill Gates surgiu na sequência das declarações de Jane Kim, membro da Câmara de Supervisores de São Francisco. Jane Kim tinha-se declarado a favor da automatização. Mas esta evolução tem obviamente um senão; a dispensa do trabalho humano. Jane Kim prevê a multiplicação do trabalho robotizado e para tal criou o “Fundo para o Trabalho do Futuro”. As empresas deverão contribuir para este fundo, que se destina à reeducação dos trabalhadores. Será uma forma de suavizar a transição para o futuro e para a automatização que se adivinha. Kim afirmou que este fundo pode apoiar a formação de trabalhadores para funções difíceis de automatizar, como por exemplo tomar conta de crianças.

As pessoas devem preparar-se para posições que envolvam a tomada de decisões. É a melhor forma de evitar o desemprego Neste contexto, Bill Gates advoga que a criação de uma taxa sobre o trabalho robotizado obrigará os patrões a pagar a restruturação da força de trabalho, actualmente empregue em funções que estão a ficar obsoletas. Mas esta ideia foi objectada pelo Comissário da UE, Andrus Ansip, que defende a

MARK ROTHKO, NO. 13 (WHITE, RED ON YELLOW)

DAVID CHAN

entrada da Europa na era digital. O Comissário adiantou que, a criação de uma taxa de automatização irá deixar a Europa para trás em termos competitivos. Para resumir, parece ser ridículo desincentivar o esforço de empresas que adoptam tecnologias de ponta na produção. O website “telegraph .co.uk” já tinha anunciado, em Agosto último, que a Coreia do Sul vai ser o primeiro país a implementar a taxa de automatização. A nova proposta de lei sul-coreana prevê a limitação dos incentivos fiscais para empresas com trabalho automatizado. Estas políticas pretendem compensar a perda do retorno contributivo decorrente da automatização. Na altura, era esperado que a lei entrasse em vigor no final deste ano. O trabalho automatizado tem consequências e pode criar mais desigualdade entre os seres humanos. Potencialmente gera mais desemprego porque, em certas funções menos especializadas, dispensa a acção do Homem. O fosso entre os rendimentos de quem tem uma especialização e de quem não tem, deve vir a aumentar exponencialmente devido à automatização da produção.

É óbvio que a grande desigualdade de rendimentos será consequência do desemprego. A automatização reduz os custos de produção. O Homem não pode competir com a máquina. De momento, o uso de andróides na produção ainda está a dar os primeiros passos e alguns economistas propõem a criação de impostos sobre a aquisição destes equipamentos. Ao mesmo tempo o Governo terá de aumentar as taxas sobre os salários mais elevados. Estas políticas fiscais poderão reduzir a introdução de andróides nas cadeias de produção. Podem também vir a minimizar as diferenças entre aqueles que ganham mais e os que ganham menos. A automatização irá mudar para sempre a natureza do trabalho. Num futuro próximo, parte do trabalho de rotina será desempenhado por robots. Os empresários e os políticos devem unir esforços para suavizar esta transição. Mutos trabalhadores não especializados vão perder o emprego. De futuro, as pessoas devem preparar-se para posições que envolvam a tomada de decisões. É a melhor forma de evitar o desemprego.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Só as sombras beijam bem a alma. António Patrício

PALAVRA DO DIA

terça-feira 19.12.2017

TERRORISMO INFORMAÇÕES DA CIA EVITARAM ATENTADO EM S.PETERSBURGO

Putin agradece a Trump

O

presidente russo Vladimir Putin agradeceu por telefone ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, as informações transmitidas pela CIA à Rússia que permitiram anular um atentado terrorista em S. Petersburgo, divulgou ontem o Kremlin. Vladimir Putin “agradeceu ao seu homólogo norte-americano as informações transmitidas pela CIA, que permitiram desmantelar um grupo terrorista que preparava atentados em São Petersburgo”, diz um comunicado do Kremlin, citado pelas agências russas de informação. “As informações fornecidas pela CIA foram suficientes para a detecção, busca e detenção dos criminosos”, revelou o Kremlin. O comunicado adianta que os terroristas planeavam colocar explosivos na Catedral de Nossa Senhora de Cazã e noutros locais muito frequentados da cidade. PUB

Os serviços de informações russos (FSB) anunciaram na quinta-feira o desmantelamento de uma célula do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), que se preparava para cometer os atentados em 16 de Dezembro, em S. Petersburgo.

No total, foram sete as pessoas detidas na quarta e na quinta-feira devido ao seu envolvimento no plano terrorista. Segundo a FSB, que avança ter apreendido “grande quantidade de explosivos, de armas

automáticas e munições”, o grupo planeou concretizar um “atentado suicida”, causando massacres e explosões em locais muito frequentados. Ao telefone, Putin pediu a Trump que “transmitisse a sua gratidão ao director da CIA e ao pessoal operacional dos serviços norte-americanos de informações”. O presidente russo acrescentou que, se os serviços especiais russos obtiverem informações sobre o risco de actos terroristas nos Estados Unidos ou contra os seus cidadãos, as transmitirão de imediato aos seus colegas norte-americanos. A Rússia foi atingida este ano por vários atentados, um dos quais em Abril, no metro de S. Petersburgo, que causou 14 mortos. Os serviços de informações russos estão preocupados com o regresso de ‘jihadistas’ que combateram na Síria, onde o Estado Islâmico perdeu posições, com o apoio militar prestado pela Rússia ao regime de Damasco.

Trump China é rival, clima também

Donald Trump ia definir uma nova estratégia de segurança nacional do país ontem, na segunda-feira, com base na sua política de “América em primeiro lugar” e vai, entre outros pontos, tornar claro que a China é rival do país, afirmaram duas autoridades norte-americanas. Trump tem elogiado o presidente chinês, Xi Jinping, enquanto também exigiu que a China aumente pressão sobre a Coreia do Norte e mude as práticas comerciais para torná-las mais favoráveis aos EUA. A estratégia de segurança nacional, a ser divulgada por Trump em discurso, não deve ser considerada como uma tentativa de conter a China, mas de oferecer uma visão clara sobre os desafios que a China representa, afirmaram as autoridades, pedindo para não serem identificadas. A estratégia, que ainda está sendo desenhada, também deverá reverter a declaração do presidente democrata Barack Obama, de Setembro de 2016, de que a mudança climática representa uma ameaça à segurança dos EUA, disse uma das autoridades.

Hoje Macau 19 DEZ 2017 #3958  

N.º 3958 de 19 de DEZ de 2017

Hoje Macau 19 DEZ 2017 #3958  

N.º 3958 de 19 de DEZ de 2017

Advertisement