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INÊS OLIVEIRA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

TERÇA-FEIRA 19 DE JANEIRO DE 2021 • ANO XX • Nº 4692

ANDRÉ E. TEODÓSIO

hojemacau

A ARTE E O MOMENTO VOZ HUMANA

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Fraldas a bordo

As medidas de prevenção da covid-19 sobem de nível. No voo de Tóquio, da Air Macau, que traz até ao território, na próxima quinta-feira, 115 residentes vindos de 13 países ou regiões de alto risco, é obrigatório o uso de máscaras N95, roupas

e óculos de protecção e luvas descartáveis. Mas não só. Para evitar idas à casa-de-banho, o Gabinete de Gestão de Crises do Turismo aconselha os passageiros a usarem fraldas fornecidas pela companhia aérea local. A utilização é opcional.

AFP

PUB.

PÁGINA 5

PORTUGAL | COVID-19

NO LUGAR QUE NINGUÉM QUER ÚLTIMA

CCAC | CRIME

BANCÁRIOS EM CONLUIO PÁGINA 7

RUI MOTA

UMA AVENTURA DE SUCESSO ENTREVISTA


2 ENTREVISTA

RUI MOTA TREINADOR DE FUTEBOL NA CHINA

Acabou de renovar contrato com a federação chinesa de futebol por mais dois anos. Como foi chegar até aqui? Estou no futebol há cerca de 15 anos, e em Portugal fiz um percurso interessante, em que época a época ia dando passos em frente. Até que em 2016 surgiu a oportunidade de poder ingressar num projecto ligado a um clube na China, na altura na terceira divisão. Vim sozinho, era o único português e estrangeiro no clube. Entreguei-me de corpo e alma porque estou muito focado na minha carreira, venho de baixo para chegar ao topo e quero chegar ainda mais longe, e só assim é que pode ser feito. Como é o futebol na terceira divisão face aos outros escalões? Há ainda uma grande diferença em relação à qualidade de jogo e na própria formação de jogadores?  Na China há uma realidade diferente da nossa. Os clubes vão fechando e vão abrindo, há clubes muito recentes. Em 2016 o clube onde estava só tinha um ano de existência. Eles queriam tentar chegar à segunda liga, era um projecto para três anos, e a minha contratação foi mesmo nesse sentido, para tentar modernizar. Aqueles meses iniciais correram bastante bem, tanto que a divulgação na China, nos media e nas redes sociais, foi forte, houve um grande impacto. Desse trabalho surgiu-me, passados oito meses, na parte final da época, a possibilidade de fazer uma experiência na selecção de sub-19 da China. Na altura ia participar no campeonato asiático no Bahrein e foi uma decisão que tomei, correndo o risco de sair do clube e ir à selecção tentar a minha sorte. Se corresse bem seria um passo enorme. Estamos a falar de uma selecção com toda a magnitude que isso representa e teria também a possibilidade de participar numa prova internacional, com selecções, algo que nunca me tinha passado pela cabeça. A verdade é que o seleccionador, agradado com o meu trabalho, me convidou para integrar a equipa técnica dele. O seleccionador era chinês, um grande nome no futebol aqui no país, e fui o braço direito dele no campeonato asiático no Bahrein. Esse foi também o momento em que a selecção A estava com resultados menos bons e o seleccionador fez uma mudança. Nessa altura estávamos no Dubai e surgiu a possibilidade do meu seleccionador poder avançar para a selecção A. Mas depois foi contratado um estrangeiro e mantivemo-nos no campeonato asiático.  Quando terminou essa experiência no Bahrein, o que aconteceu?

“Consegui mais do que aquilo em que acreditava” Natural de Guimarães, Rui Mota chegou à China em 2016 para treinar um clube da terceira divisão, o Sichuan Longfor, e desde então que o seu percurso profissional tem sido ascendente no mundo do futebol. No início deste mês, Rui Mota assinou por mais dois anos com a federação chinesa e garante que o objectivo é levar a selecção ao campeonato asiático e do mundo

Foi para que clube? Na altura fui trabalhar com uma antiga glória do futebol, o holandês Jo Bonfrere, que tinha sido seleccionador da Nigéria durante muitos anos. Consegui ter essa aprendizagem, concluímos essa época na segunda liga, e depois felizmente fui surpreendido com o convite do Beijing Guoan, que é uma espécie de Real Madrid aqui na China, um clube com mais antiguidade, com muitos adeptos. Onde esteve até 2018.  Sim. A estrutura técnica era alemã, liderada pelo alemão Roger Schmitz. Mas trabalhar na China é por vezes desgastante, porque estamos em constantes viagens. Quando temos deslocações, que são de duas em duas semanas, temos de fazer milhares de quilómetros e eu na altura estava desgastado com todas essas viagens e solicitações. Decidi que teria de dar um novo passo na minha carreira e foi aí que passe a integrar os quadros da federação. Assinei contrato no início de 2019. Uma colaboração muito abrangente e permanente até ao ano passado. Depois tive de estar em Portugal até Agosto, mas já regressei à China. Neste momento, renovei contrato e aqui estou. 

No final desse campeonato o meu trabalho foi bastante falado na China. Quando cheguei ao país tinha um objectivo, a possibilidade de tentar ficar no país durante quatro anos, em que tentaria chegar à super liga chinesa. Não fui jogador a nível profissional e é um trabalho que tem sido desenvolvido a pulso. Quando terminou o campeonato asiático pensei que tinha de tentar entrar na segunda liga no ano seguinte, e felizmente isso aconteceu.

Qual é agora o caminho? Escreveu nas redes sociais que o principal objectivo é a qualificação da selecção chinesa para o campeonato asiático e do mundo. Estamos a viver momentos de muita incerteza, mas existe agora este projecto e a minha participação com a selecção é abrangente. Integro e sou seleccionado para projectos, e o que está em causa é tentarmos a qualificação para o campeonato asiático e depois possivelmente para o campeonato do mundo. A FIFA tem adiado algumas informações e decisões que tinha de tomar devido à pandemia, e estamos a fazer os nossos estágios e preparações, mas correndo o risco de tudo poder ser suspenso ou adiado. Seja como for, estamos preparados para competir quando for necessário. 

“Consegui ganhar uma taça da China ao serviço do Beijing Guoan, consegui um apuramento para a Liga dos Campeões Asiática, a participação no campeonato asiático e trabalhar na selecção.”

A selecção chinesa tem capacidade para competir e ter um bom desempenho num campeonato do mundo? A China tem um projecto até 2050, em que pretende participar no campeonato do mundo e até ser campeã em 2050. A ideia será, não só comigo, mas com todos os estrangeiros que vêm para a China, para os clubes, tentarmos desenvolver o futebol chinês e os seus jogadores no plano individual e colectivo. Esse é um trabalho que demora a ser feito, e comparando


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com o que vi quando cheguei e com o que vejo agora, parece-me que tem havido uma evolução. É isso que pretendemos. Têm sido feitas algumas naturalizações na selecção, o que de certa forma me poderá ajudar. O nosso pensamento neste momento é tentarmos ser cada vez mais competitivos e dentro da Ásia chegar a um patamar semelhante ao do Japão, Coreia do Sul ou Irão, que são as selecções mais desenvolvidas neste continente. Essa aproximação está a ser feita, mas de uma forma morosa, mas poderemos ter capacidade de ingressar no campeonato do mundo em breve. A percepção da sociedade chinesa em relação ao futebol também tem vindo a mudar.  Isso aconteceu com a criação de muitas academias em todo o país. Alguns clubes de renome vieram para o país implementar os seus projectos e esse é o caminho que melhores frutos poderá dar no futuro. Tentarmos treinar e desenvolver os jovens jogadores neste momento, crianças dos seis aos dez anos, que serão a futura geração. Esses jogadores poderão estar mais desenvolvidos no plano teórico e poderão elevar o patamar para voos mais altos.  Sobre o plano do Governo chinês para o futebol. Sente pressão no seu trabalho para ser mais competitivo e responder a esse desígnio político?  A pressão no futebol acompanha-nos sempre, seja onde for. É claro que, não só na China mas em todo o lado, quando se fazem investimentos esperam-se retornos, e a China não será excepção. Acima de tudo, a federação e o Governo têm consciência de que é um projecto que precisa de tempo. Que começou em 2012 e vai até 2050. Ficamos logo com a ideia que são precisos resultados, mas é preciso fazer muito trabalho de base para que possamos chegar a um trabalho de detalhe. Neste momento, é importante incutir a paixão pelo futebol e que se criem mais academias e infra-estruturas. A China, desde 2018, 2019, consegue em várias cidades do país apresentar centros de treino com muita qualidade. O facto de terem vindo alguns jogadores estrangeiros de renome também é importante para os jovens. O futebol tornou-se disciplina obrigatória nas escolas e a ideia é que as crianças se possam sentir seduzidas ao ver jogadores com qualidade e com nome.  O futebol existe na China também fora dos grandes centros urbanos. 

Sim. A China está a fazer novas construções, não só ao nível dos centros de treino, mas dos próprios estádios. Estão a ser criadas novas academias e clubes, e o projecto [político] inclui uma série de regras e leis que tenta melhorar toda a estrutura. É muito frequente ver também clubes de futebol em cidades mais pequenas. Quando cheguei à China, em 2016, vim para Chengdu, que tem 14 milhões de pessoas e só havia dois clubes de futebol.

“O nosso pensamento neste momento é tentarmos ser cada vez mais competitivos e dentro da Ásia chegar a um patamar semelhante ao do Japão, Coreia do Sul ou Irão.” Como é que a pandemia tem afectado o seu trabalho? O trabalho da selecção foi suspenso. E quando fiquei em Portugal, em final de 2019, quando fui de férias, não pude regressar. A China está a encarar esta pandemia como todos os países deveriam encarar, como uma guerra, porque é disso que se trata. As indicações que tive foi para ficar em Portugal e aguardar novos desenvolvimentos. A China joga pelo seguro e pela prevenção máxima, e a nível de selecção os trabalhos foram cancelados, incluindo as idas ao estrangeiro. O campeonato de clubes também foi sendo adiado. Foi feito um campeonato com as mesmas jornadas, mas de forma mais curta e foram escolhidas algumas cidades para tal. Projectos para o futuro? A minha mentalidade e personalidade tem sempre a ver com novos objectivos e desafios. Consegui ganhar uma taça da China ao serviço do Beijing Guoan, consegui um apuramento para a Liga dos Campeões Asiática, a participação no campeonato asiático e trabalhar na selecção. Consegui mais do que aquilo em que acreditava. Pretendia, passados esses quatro anos voltar a Portugal, mas como estamos a trabalhar para estas duas grandes competições, e apesar de todas as incertezas, neste momento estou aqui. Mas pretendo voltar a Portugal e chegar a um patamar elevado.   Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

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Um estudo encomendado pela Comissão de Desenvolvimento de Talentos revela que o desenvolvimento da carreira é um factor determinante para o regresso de quadros qualificados a Macau. Para os atrair, é sugerido que os talentos possam pedir residência para familiares e matrícula escolar dos filhos por via online

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Grupo Especializado do Incentivo ao Regresso de Talentos a Macau encomendou um estudo sobre o plano de acção para atrair estes quadros de regresso ao território. Para tal foram recolhidos dados sobre motivações e barreiras ao regresso dos residentes. O inquérito divulgado pela Comissão de Desenvolvimento de Talentos concluiu que 63 por cento dos participantes pretende voltar a Macau. “O desenvolvimento da carreira pessoal constitui um factor determinante para a resolução da questão do regresso, sendo,

TRABALHO INQUÉRITO SOBRE TALENTOS NO EXTERIOR REVELA QUE MAIORIA QUER VOLTAR

Bo m filho à casa torna forma de acomodar os familiares acompanhantes”.

O PESO DA FAMÍLIA

simultaneamente, a principal motivação e o maior obstáculo ao regresso”, é referido no estudo. O inquérito, que decorreu entre 15 de Setembro e 13 de Outubro do ano passado, contou com a participação de 314 indivíduos. A maioria dos inquiridos reside em Hong Kong, na China Continental e em Taiwan. Mas há também quem esteja nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, Japão e Portugal. Cerca de 55,73 por cento tinham diploma de bacharel. Os resultados mostram que as principais motivações para o regresso dos jovens são espaço e oportunidade de desenvolvimento na carreira, enquanto para as pessoas de meia-idade o elemento com mais peso é a reunião com familiares em Macau. No entanto, forças laborais puxam no sentido contrário. A

impossibilidade de encontrar trabalho compatível com a formação, bem como dificuldade no reconhecimento da habilitação profissional do exterior em Macau, são obstáculos. Para as pessoas de meia idade, os impedimentos passam pela falta de espaço para desenvolvimento profissional, disparidade remuneratória e diminuição da qualidade de vida. De acordo com o documento, também “aumentam as incertezas no processo de regresso” a impossibilidade de tratamento prévio das formalidades administrativas

A impossibilidade de encontrar trabalho compatível com a formação, bem como dificuldade no reconhecimento da habilitação profissional do exterior em Macau, são obstáculos

AL HO IAT SENG DIZ QUE ELEIÇÕES SERÃO REALIZADAS COM SUCESSO

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Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, disse ontem que as eleições para a Assembleia Legislativa (AL) vão ser bem-sucedidas. O governante em discurso na recepção da Festa da Primavera promovida pelo Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, referiu que apesar da “incerteza” causada pela covid-19 a nível mundial, o ano que agora começa pode trazer “novas esperanças”. Ho Iat Seng prometeu continuar empenhado na estratégia “prevenir casos importados e evitar o ressurgimento interno”, sem “nunca baixar a guarda”.

O Chefe do Executivo garantiu que o Governo vai continuar a “concentrar esforços nas acções regulares de prevenção da pandemia e na coordenação das medidas de prevenção e controlo da epidemia, em prol da recuperação do desenvolvimento socioeconómico”. Para Ho Iat Seng, foram implementadas “uma série de medidas eficazes de estabilização da economia e de garantia do emprego e da qualidade de vida da população”, tendo Macau registado “uma conjuntura socioeconómica estável e

de permanência dos familiares ou das matrículas dos filhos. No documento, recomenda-se ao secretariado da comissão a criação de um grupo de coordenação para ajudar a resolver dificuldades, em conjunto outros serviços públicos envolvidos. Além disso, sugere-se o pedido online de autorização de residência para familiares e da matrícula escolar online dos filhos. É deixada a mensagem de que os quadros qualificados “ao equacionarem a emigração para Macau, terão necessariamente, de lidar com as questões relativas à

Questionados sobre a tentativa de pedirem residência de Macau para a família, 82 dos 179 participantes responderam que já obtiveram esse direito. De resto, três indicaram que a solicitação ainda estava em processo e nove tentaram, sem sucesso. Os restantes não fizeram o pedido. Cerca de 48 por cento dos casados (163 indivíduos) considera que tem um “impacto muito grande” a possibilidade de o companheiro poder trabalhar em Macau. Apenas uma minoria concorda que o cônjuge deve “sacrificar a sua carreira para satisfazer o seu objectivo de regressar”. Ainda assim, as opiniões dividem-se: 42 participantes consideram normal e 91 mostram-se contra. A maioria dos participantes com filhos considerou ser “relativamente difícil” encontrar uma escola adequada em Macau, apontando dificuldades como a falta de vaga na instituição preferida, a adaptação à língua de ensino e a complexidade dos procedimentos de inscrição. O cantonense é apresentado como a língua preferencial de ensino para os filhos, seguindo-se o inglês e só depois o mandarim. Salomé Fernandes

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GRANDE BAÍA GOVERNO QUER ENCONTRAR MAIS OPORTUNIDADES DE ESTÁGIOS PARA JOVENS

O novos progressos em todas as vertentes”. O governante destacou ainda o “constante e firme apoio do Gabinete de Ligação à acção governativa, ao desenvolvimento da RAEM e à intensificação do intercâmbio e cooperação com o Interior da China, que muito tem contribuído para a prosperidade e estabilidade duradoura da RAEM”.

Governo promete proporcionar “mais oportunidades de estágio em Macau e no Interior da China para os jovens de Macau”, de acordo com uma resposta da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) a uma interpelação escrita de Leong Sun Iok. O deputado ligado aos Federação das Associações dos Operários de Macau pediu ao Executivo soluções para os problemas de emprego dos jovens, especialmente agudizadas pela crise provocada pela pandemia. Além das políticas de trabalho, que incluem cursos de formação subsidiada, feiras de emprego, prioridade de residentes no acesso ao trabalho em detrimento de trabalhadores não residentes, a DSAL aponta ainda a conjuntura regional entre o leque de oportunidades. Assim sendo, importa “aproveitar ao máximo a rica cadeia

industrial da Grande Baía Guangdong-Macau e impulsionar o desenvolvimento diversificado dos estudantes locais”, refere a entidade liderada por Wong Chi Hong. A DSAL refere ainda que, “entre Janeiro e Outubro de 2020, o número de jovens encaminhados pela DSAL e que compareceram a entrevistas de emprego totalizou 2.724, dos quais 849 foram contratados com sucesso”. Quanto aos sectores onde foi absorvida a mão-de-obra, o Governo elenca a construção, restauração, comércio a retalho, serviços comerciais e hotelaria. Quanto ao programa de estágios para recém-graduados criado pela DSAL em Junho do ano passado, teve a participação de 568 estagiários, “tendo as empresas se comprometido a contratar mais de 67 por cento” desses jovens, ou seja, 381 recém-formados. J.L.


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terça-feira 19.1.2021

Ensino infantil Inscrições no registo de acesso terminam amanhã A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) informou ontem que as inscrições no âmbito do registo central para o acesso das crianças ao ensino infantil terminam amanhã. O processo começou no passado dia 6 e, até às 17h desta segunda-feira tinham-se inscrito 5300 crianças. No registo central

O

voo de Tóquio para Macau, que vai transportar na quinta-feira 115 residentes provenientes de 13 países ou regiões de alto risco, incluindo Reino Unido e Portugal, vai implicar “medidas rigorosas” de prevenção. Os passageiros vão ter de usar equipamento de protecção individual durante toda a viagem, como máscaras N95, roupas e óculos de protecção, bem como luvas descartáveis. Também serão fornecidas fraldas aos passageiros do voo, mas o Governo esclareceu que o seu uso é opcional. Um documento do Gabinete de Gestão de Crises do Turismo que circulou nas redes sociais apontava que os passageiros devem “evitar o uso de lavatórios durante o voo” e que “a Air Macau fornecerá fraldas antes do embarque”. Em conferência de imprensa, as autoridades indicaram que as medidas pretendem diminuir o risco de infecção cruzada e observaram também que vão estar a bordo crianças com menos de dois anos. “Esperamos que as pessoas possam diminuir a utilização de casa de banho para diminuir o risco de infecção, mas não vamos obrigar as pessoas a usar fraldas nem proibir a utilização da casa-de-banho. Mas se estiverem preocupadas com a infecção cruzada vamos também fornecer fraldas para estas pessoas. É uma escolha individual”, explicou o médico Alvis Lo Iek Long. O médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário descreveu que os passageiros passaram por muitos aeroportos e que “o risco de casos importados não é baixo”, reconhecendo que podem ocorrer casos de infecção da nova estirpe. “Vamos adoptar medidas de controlo rigoroso em todas as fases com vista a ter preparação e plano de contingência, de modo a que mesmo que surja um caso confirmado, ocorra durante o período de observação médica e em gestão de circuito fechado”, disse. Alvis Lo Iek Long indicou que assim não haverá propagação comunitária, nem necessidade de activar o mecanismo de corte de passagem de pessoal do Interior da China. A coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença justificou ontem a maior atenção a este voo

para o ano lectivo de 2021/2022 podem ser inscritas as crianças que, até 31 de Dezembro de 2021, completem entre os 3 anos (nascidas até 31 de Dezembro de 2018) e os 5 anos de idade e que possuam as condições requeridas para o acesso ao ensino infantil, em Macau. Os encarregados de educação que ain-

da não tenham efectuado o registo central dos seus educandos, devem aceder ao website da DSEJ ou dirigir-se aos balcões de atendimento especial para efectuarem o respectivo registo. As escolas vão comunicar, entre os dias 4 e 9 de Fevereiro, a data e a hora para as entrevistas de admissão das crianças.

Imobiliário Venda e preços de casas sofre quebra em 2020 Em 2020, a venda de casas diminuiu 17 por cento face a 2019, tendo sido realizadas 6394 transacções, segundo dados da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) noticiados pela TDM Rádio Macau. Na península foram transaccionadas 4.674 casas, o maior número por comparação às ilhas de Taipa e Coloane. Também o preço médio do metro qua-

drado caiu anualmente seis por cento, tendo-se situado nas 102.141 patacas. Em 2017, o metro quadrado situava-se nas 100.569 patacas. O ano passado os residentes adquiriram um total de 6309 fracções, sendo que 83,7 por cento das casas serviam como primeira habitação. Apenas 47 fracções foram compradas por não residentes.

COVID-19 FRALDAS NÃO SERÃO OBRIGATÓRIAS NO VOO DE TÓQUIO PARA MACAU

Quem o tem, tem medo

O voo de Tóquio para Macau vai estar sujeito a medidas de prevenção mais apertadas, porque as autoridades de saúde consideram que “o risco de casos importados não é baixo”. Os passageiros terão de usar máscaras N95, roupas e óculos de protecção, bem como luvas descartáveis. A utilização de fraldas para evitar deslocações à casa-de-banho será opcional conhecido passadas duas horas. Se o resultado for negativo, a pessoa segue para o hotel Grand Coloane Resort, sem opção de escolha. No caso de a análise ser positiva, o destino é o centro clínico.

LICENÇA PARA VOLTAR

A

té ontem, 288 pedidos de trabalhadores não residentes pediram para regressar ao território, envolvendo 354 pessoas. A informação foi ontem avançada por Leong Iek Hou, do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença, acrescentando que 128 foram aprovados, enquanto 150 foram rejeitados. Os restantes estão a aguardar resposta ou precisam de completar informações.

com o contexto global. “Desde sempre há residentes que voltam de países com risco elevado, mas devido à evolução epidémica global, actualmente a situação está a piorar e também há uma mutação do vírus”, declarou Leong Iek Hou.

CONTROLO DE RISCOS

Durante todo o percurso, os passageiros terão de usar equipamento

“Vamos adoptar medidas de controlo rigoroso em todas as fases com vista a ter preparação e plano de contingência.” ALVIS LO IEK LONG MÉDICO

de protecção individual, que inclui máscaras N95, roupas e óculos de protecção, bem como luvas descartáveis. Para diminuir a possibilidade de contacto com a tripulação, vai ser distribuída comida seca. À chegada ao aeroporto de Macau, a saída do avião será faseada, e os residentes sujeitos a um teste rápido de ácido nucleico, cujo resultado deve ser

A maioria dos passageiros tem menos de 25 anos e é estudante. Lau Fong Chi, da Direcção dos Serviços de Turismo, apelou aos pais ou encarregados de educação de passageiros para não se deslocarem ao aeroporto ou ao hotel na quinta-feira, apontando que o voo chega tarde e a “grande quantidade” de acções de prevenção e controlo sanitário. “Dado que todo o processo é de gestão em circuito fechado, os pais não podem ter contacto com os seus filhos”, notou. Por outro lado, Alvis Lo Iek Long disse que já há preparativos para a chegada das primeiras doses de vacinas, nomeadamente a pré-organização para fazer marcação. Salomé Fernandes

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19.1.2021 terça-feira

POLÍCIA JUDICIÁRIA

Encalhados na praia

Detidas cinco pessoas em Cheoc Van em caso de imigração ilegal

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A PJ descobriu uma área de dedicada à plantação de canábis, onde estavam quatro plantas cultivadas em garrafões de plástico com terra até cima

DROGA DOIS DETIDOS POR PLANTAR CANÁBIS EM CASA

Fiel jardineiro Um residente de Macau e outro de Taiwan foram ontem detidos por cultivar quatro plantas de canábis na própria casa, localizada junto ao hospital Kiang Wu. De acordo com a lei, os suspeitos podem ser punidos com uma pena de prisão que pode ir até 15 anos

A

Polícia Judiciária (PJ) deteve ontem dois homens que albergavam em casa, uma área reservada à plantação de canábis. Os suspeitos, de 28 e 22 anos, moravam juntos na mesma habitação, localizada nas redondezas do Hospital Kiang Wu. No total, foram apreendidas quatro plantas de canábis. Numa conferência de imprensa promovida junto da residência dos detidos, a PJ revelou ter recebido informação sobre o facto de os dois suspeitos, um residente de Taiwan e outro de Macau, estarem a produzir estupefacientes em casa. Desencadeada a investigação, a PJ viria a interceptar ontem pelas 12h00, o cidadão

de Taiwan, que trabalhava como relações públicas, no momento em que este saía de casa. Ao mesmo tempo, os agentes da PJ detiveram o segundo suspeito, desta feita no Cotai, no interior do estabelecimento comercial onde trabalha como vendedor. Após as detenções, ambos foram levados de volta para o apartamento que partilham em Macau, sendo que, durante as buscas, a PJ descobriu uma área dedicada à plantação de canábis, onde estavam quatro plantas cultivadas em garrafões de plástico com terra até cima, fazendo as vezes dos vasos. Consultando as imagens divulgadas pela PJ, as quatro plantas de canábis estavam guardadas dentro de uma tenda de cultivo e expostas

a iluminação térmica de cor violeta. Além dos acessórios de conservação, foram ainda apreendidos instrumentos de plantação, como fertilizantes. Durante o interrogatório, os dois suspeitos confessaram que, além da produção do estupefaciente, eram também consumidores. Segundo a PJ, tanto o cidadão de Taiwan como o de Macau vendiam droga a terceiros. Quanto ao valor ou potencial valor da plantação de canábis apreendida, a PJ revelou que só poderá avançar com um montante após analisar o material.

DE MAL A PIOR

O caso ainda não foi ainda entregue ao Ministério Público (MP), mas os suspeitos arriscam-se a ser punidos, só

pelo crime de “produção ilícita de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas”, com uma pena de prisão entre 5 a 15 anos. Contudo, segundo a PJ, os suspeitos são ainda acusados dos crimes de “tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas” e “detenção indevida de utensílio ou equipamento”, pelos quais podem ser punidos, respectivamente, com pena de prisão de 5 a 15 anos e com pena de prisão de 3 meses a 1 ano ou com pena de multa de 60 a 240 dias. Recorde-se que em Novembro de 2020 o tema da legalização do consumo de canábis esteve na ordem do dia, quando o gabinete do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, apontou que a implementação de políticas de legalização da substância em alguns países e regiões constitui “sem dúvida, uma influência negativa” sobre as medidas de controlo da canábis e os seus efeitos noutros países. Na altura, Wong Sio Chak considerou que, o facto de Relatório Mundial da Droga do UNODC 2020, apresentado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, revelar que, em 2018, existiam 200 milhões de consumidores de canábis, é um dado “muito grave”. Pedro Arede

pedro.arede.hojemacau@gmail.com

M coordenação com a Alfândega de Macau, a Polícia Judiciária (PJ) deteve no passado sábado, na praia de Cheoc Van, quatro imigrantes ilegais e um homem, suspeito de pertencer a uma rede criminosa, que era responsável pelo transporte de pessoas interessadas em entrar e sair ilegalmente do território. Ao chegar ao local, por volta das 22h00, as autoridades depararam-se com três frentes de intervenção. A primeira culminou com a detenção do membro da organização criminosa, um homem oriundo do Interior da China de apelido Ioeng, e de uma mulher de 52 anos, também ela do Interior da China, que alegou ter vindo a Macau para jogar. Também nas redondezas, foram interceptadas outras três pessoas que estavam, desta feita, a tentar sair de Macau rumo ao Interior da China. Segundo a PJ, entre eles, estava um residente de Macau, comerciante de 61 anos, que afirmou ter optado pelo transbordo ilegal por recear vir a ter dificuldades em entrar no Interior da China. Entre os outros dois detidos, estão uma mulher de 41 anos do Interior que se recusou a revelar porque motivo optou por adquirir o serviço e um homem de 51 anos, comerciante, cuja validade do documento de identificação terá alegadamente expirado. Ao mesmo tempo que as detenções decorriam,

o barco que serviu para transportar e largar passageiros em Cheoc Van, e que aguardava agora por embarcar os que se dirigiam ao Interior da China, deu início a uma fuga. Segundo o porta-voz da PJ, os Serviços de Alfândega ainda terão tentado interceptar a embarcação, mas sem sucesso, dado que esta conseguiu sair da área marítima de Macau.

BILHETES DOURADOS

Após interrogar os detidos, a PJ revelou que, pelo transporte ilegal, cada pessoa pagava entre 18 mil e 55 mil renminbis. Quanto ao suspeito, receberia, por cada cliente, cerca de 2.000 renminbis, ficando à sua responsabilidade o acolhimento e transporte das pessoas provenientes do Interior da China. O suspeito recusou-se a dizer os motivos que o levaram a colaborar com o grupo criminoso, apontando apenas que também ele veio a Macau para jogar e que o seu visto está fora de prazo. O caso seguiu ontem para o Ministério Público (MP), sendo que o homem é suspeito da prática dos crimes de “associação criminosa” e “auxílio”, podendo ser punido com uma pena de prisão que pode ir de 3 a 10 anos. A PJ continua a procurar obter mais informações sobre a rede criminosa e já informou as autoridades do Interior sobre o caso. P.A.

Crime Suspeito de agredir criança por uso de telefone

Um homem de 46 anos é suspeito de ter agredido a enteada, de 12 anos, depois de se ter zangado por a jovem usar o telemóvel e não comer o pequeno-almoço, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. O homem terá pontapeado a enteada na perna, acto que levou à intervenção da mãe da criança. Mais tarde, a rapariga terá sido levada às autoridades pela família para apresentar queixa. De acordo com a Polícia Judiciária, o suspeito terá negado a agressão, mas as autoridades entendem que a averiguação forense prova a ocorrência do crime. O sujeito foi transferido para o Ministério Público suspeito do crime de ofensa simples à integridade física.


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terça-feira 19.1.2021

Doca dos Pescadores Plano do novo hotel será revelado este ano

A ex-deputada e presidente da Macau Fisherman’s Wharf International Investment Ltd, Melinda Chan, avançou no passado domingo que o projecto de construção do novo hotel previsto para a zona ribeirinha da Doca dos Pescadores, será revelado no decorrer de 2021. De acordo com o jornal Ou Mun, Melinda Chan apontou ainda que a nova infra-estrutura irá incluir melhorias relativamente ao projecto inicial e novos parâmetros em termos de altura. A ex-deputada prevê ainda que, devido aos efeitos da pandemia, na primeira metade do ano, a Doca dos Pescadores continue a acolher menos eventos do que em anos anteriores, acrescentado que, no futuro, será feita uma aposta em serviços de casamento, como a organização de copos de água. Isto, tendo em conta que “Macau é um sítio bonito” e as dificuldades acrescidas que os noivos e recém-casados do Interior da China têm encontrado em viajar para o exterior com o objectivo de celebrar e imortalizar a cerimónia através de fotografias.

SEGURANÇA EDIFÍCIO INCLINADO NO PATANE CAUSA PREOCUPAÇÃO

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M grupo de residentes da zona do Patane, preocupado com o estado de deterioração de um edifício antigo visivelmente inclinado, enviou uma denuncia escrita à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) a alertar para o risco de desabamento. Após inspeccionar o imóvel, a DSSOPT disse apenas que “está a acompanhar o caso de forma contínua”. De acordo com o Exmoo, um dos moradores do bairro, de apelido Chan, considera que o organismo deve assumir a responsabilidade futura em caso de haver feridos ou mortos resultantes de um eventual desabamento, até porque se desconhece quem seja o proprietário do imóvel de dois andares, que alberga no rés-do-chão uma empresa que vendo utensílios de cozinha.

O mesmo morador diz ainda esperar que a DSSOPT intervenha o mais rápido possível, tendo em conta o grau de inclinação de uma das paredes exteriores que, apesar de ter sido, entretanto, reforçada, continua a constituir risco para a zona envolvente, onde existe um lar de idosos. Contactado pelo Exmoo, o engenheiro Wong Seng Fa considerou, depois de ver imagens do imóvel, que o grau de inclinação é “elevado” e que o risco de vir a afectar os edifícios na área envolvente é real. Contudo, referiu também que, sem a utilização de instrumentos profissionais, é impossível verificar com precisão, se o actual estado de preservação do edifício está dentro das normas e que a DSSOPT deve medir a inclinação da parede do edifício. N.W. e P.A.

CCAC BANCÁRIOS SUSPEITOS DE BURLAR ATRAVÉS DE EMPRÉSTIMOS NO VALOR DE 770 MILHÕES

A burla da cooperativa

O Comissariado contra a Corrupção descobriu um caso suspeito de burla através de empréstimos hipotecários praticado por funcionários bancários, ligados a uma associação criminosa que foi, entretanto, desmantelada. A investigação deste caso começou em 2010. Alguns membros da rede estão proibidos de sair da RAEM

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O I descoberto, pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), um caso suspeito de burla de empréstimos hipotecários que terá sido praticado por “alguns funcionários bancários em conluio com uma associação criminosa”. Segundo o comunicado do CCAC divulgado ontem, um total de nove pessoas, incluindo “o cabecilha, os autores principais da associação criminosa e alguns funcionários bancários”, em conjunto com 370 mutuários, terão falsificado documentos. Através deste acto conseguiram, “com recurso a meios fraudulentos”, 362 empréstimos concedidos por 11 bancos num montante total de 770 milhões de patacas. Terão sido também obtidos “benefícios ilícitos” no valor de 220 milhões de patacas.  Segundo o CCAC, a associação suspeita da burla, e que entrou em funcionamento há mais de dez anos, foi, entretanto, desmantelada.  O caso está a ser acompanhado pelo Ministério Público (MP) e em causa estão os crimes de associação criminosa, falsificação de documentos, burla de valor consideravelmente elevado e violação do dever de sigilo, regulado pela Lei da Protecção de Dados Pessoais. Alguns membros da associação criminosa ficam proibidos de deixar a RAEM enquanto decorrer a investigação. 

DEZ ANOS DE INVESTIGAÇÃO

O CCAC começou a investigar o caso depois de receber uma denúncia sobre o alegado envolvimento de uma associação que se dedicava à prática de burlas, e que seria liderada

A associação procurava, assim, “residentes desesperados por dinheiro” em locais como casinos ou “recomendados por conhecidos”. Eram também publicados anúncios em jornais onde era prometida uma “rápida apreciação e aprovação de empréstimos” por um homem de apelido Chan. A investigação começou em 2010 e só terminou o ano passado.  Este, “em conluio com funcionários que exercem actividades na área da concessão de empréstimos em bancos locais” e também em conjunto com outros indivíduos, “falsificaram documentos para obter, por

meios fraudulentos, empréstimos hipotecários concedidos por bancos”. No decurso da investigação, o CCAC concluiu que a associação parecia dedicar-se a actividades de intermediação imobiliária, quando na realidade “concedia também empréstimos privados para obter juros elevados”. 

“Quando os mutuários não conseguiam pagar os empréstimos, era exigida a falsificação conjunta de documentos para pedir empréstimos imobiliários aos bancos, como forma de pagamento daquelas dívidas, sendo que os mutuários precisavam também pagar despesas emolumentares de alto valor”, explica ainda o CCAC. A associação procurava, assim, “residentes desesperados por dinheiro” em locais como casinos ou “recomendados por conhecidos”. Eram também publicados anúncios em jornais onde era prometida uma “rápida apreciação e aprovação de empréstimos”, por forma a angariar clientes.  Um dirigente de um banco “chegou a falsificar documentos para pedir empréstimos a diferentes bancos, com o objectivo de obter fundos destinados ao investimento ou ao apoio do funcionamento daquela associação, bem como à aquisição das propriedades dos mutuários, a preços inferiores aos do mercado”, conclui o CCAC.  Além disso, “alguns funcionários bancários envolvidos violaram as normas relativas ao sigilo das instituições financeiras, tendo revelado ilicitamente informações bancárias de clientes a membros da referida associação”.  Houve também interferência no processo de investigação do CCAC, uma vez que “estes elementos chegaram a instruir alguns dos mutuários sobre a forma como deveriam responder às interrogações do pessoal do CCAC, com a intenção de interferir e de se furtar à investigação”. Andreia Sofia Silva

info@hojemacau.com.mo


8 VOZ humana

André E. Teodósio tem 43 anos. É encenador, músico, cantor, actor, escritor, apaixonado, excêntrico, activista e defensor das comunidades mais desprotegidas. É um dos directores do colectivo Praga e foi considerado em 2012 pelo jornal Expresso um dos portugueses mais influentes

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O meu trabalho é a desmontagem de um dogma


ANOS

VOZ humana 9

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ENTREVISTA Teresa Sobral FOTOS Inês Oliveira

A distinção do Expresso em 2012 é uma responsabilidade muito grande. Sente-se bem nesse lugar? Isso surge de uma coisa muito específica, provavelmente de eu ter conseguido, muito cedo, acesso a determinados modos de produção que outra pessoa da minha idade anteriormente não tinha. E acho que tem a ver com a acessibilidade aos modos de produção ... não sei se terá necessariamente a ver com a própria prática artística em si. Não faço a mínima ideia. Mas isso também não me motivou muito, porque as relações de escala laborais variaram muito mesmo quando fui nomeado. Creio que sempre lutei ou pautei a minha prática artística por uma saída do preponderante. Não sei se terá alguma influência mas sei que de alguma forma contribuí para a disponibilização de pessoas, de práticas, de modos de olhar o mundo e de formas laborais que eram bastante atípicas no seio institucional. E até mesmo enquanto prática colaborativa e solidária com várias pessoas, portanto isso se calhar poderá ter sido mais visível para as pessoas. Mas isso já existia com outros colectivos, tanto no Colectivo Praga - eu não estou lá desde a fundação - como no Cão Solteiro, na Sensurround, na Casa Conveniente como em muitas outras estruturas que desapareceram ou por asfixia ou simplesmente por mutação de projecto. Portanto, não sei em que sentido é uma grande influência porque eu é que me senti sempre influenciado por muitas coisas. Ao contrário de Harold Bloom não tenho nenhuma “angústia da influência”, pelo contrário acho que é mesmo a contaminação ... bom, dizer esta palavra hoje em dia ... mas é a contaminação que é importante, que é fundamental. Mas é muitas vezes mal compreendido, ou mesmo mal-tratado. Já o ouvi dizer que isso acontece desde sempre na sua vida. Há duas coisas, uma é a maneira como eu me apresento fisicamente, isso desde cedo foi bastante problemático porque não foi consentâneo com aquilo que era esperado de um rapaz, eu sempre vesti roupas da minha mãe. Mas quando não me apetece “levar com nada” mascaro-me de pessoa - entre aspas - normal. Na maior parte dos dias sou insultado. Conto esta história várias vezes, eu estava na rua com um amigo e disse-lhe que todos os dias era insultado e ele responde-me que isso era com certeza um exagero, nisto passa um carro e ouve-se “eh paneleiro”. Todos os dias é a mesma coisa, há um insulto. Porque a minha indumentária, os meus gestos, a minha apresentação física não se coaduna com uma ideia cristalizada

daquilo que é um homem e então há esse lado, que é um lado diário, que infelizmente perdura ao longo de 43 anos. Ainda no outro dia a minha mãe me ligou e disse “espero que não tenhas saído de vestido” - depois do lançamento do livro da Joacine Katar Moreira eu estava de vestido - “porque estamos a atravessar momentos políticos em que isso já não é possível. As ruas estão vazias há uma direita em ascensão”. Com 43 anos ser a minha mãe a ligar-me, preocupada com uma coisa que nunca foi uma preocupação sua, é bastante significativo de uma consciência do espaço que eu quero ocupar e do espaço que a sociedade me está a dar ou não. Depois há um lado, eu não lhe chamo de irreverência mas sim de consciência crítica, em relação a tudo o que me é dito. Eu sou gémeos, tenho este traço de não estar contente comigo próprio, portanto eu também exijo à sociedade estar à altura do não comprometimento com uma ideia fixa daquilo que a sociedade quer para si própria. E tendo isso em conta coloco sempre a dúvida. Alguém me diz que “não se pode fazer assim”, ou que uma determinada coisa “é assim”, e eu automaticamente questiono e tento reflectir as razões que levam a criar determinados tipos de dogma. E depois não tenho pejo em dizer, porque a minha liberdade, a liberdade pela qual os nossos pais lutaram, é a liberdade democrática e de comunicação e não assente numa mediação por gestos vazios, uma espécie de terceira via que é bastante característica de pessoas que cultivaram uma esquerda profunda e que se desviaram para uma esquerda centro; a ideia de um aburguesamento dos ideais e da liberdade, uma higienização dos comportamentos, até críticos, dizia eu, não vou abdicar dessa liberdade conquistada pelos nossos pais e de alguma forma conquistada por mim diariamente através da violência a que estamos todos sujeitos, a que muitos de nós estamos sujeitos, por discordarmos, por nos vestirmos de maneira diferente ou por termos ademanes que não são esperados. Não vou abdicar dessa liberdade. Até ao momento em que tiver que abdicar dela. E depois logo decido se saio de novo, se vou para outro sítio, ou se estou pronto para dar o corpo às balas. Mas não aceito uma ordem de ninguém. E acho que isso é muito comum em muitas pessoas, na verdade eu só estou provavelmente num spot light qualquer, ou estive num spot light qualquer, que permitiu isso ser visível. Mas não acho que a luta seja feita sempre de uma forma visível, há muitas pessoas que estão a fazer a mesma luta que eu, mas uma luta invisível. Em Setembro de 2020, a sua criação Inverted Landscapes apresentada em Berlim, foi alvo (segundo

“Não tenho nenhuma “angústia da influência”, pelo contrário acho que a contaminação é importante, é fundamental.” palavras suas) de abuso de poder, xenofobia, queerfobia e racismo, ao serem expulsos da rua por um segurança da Axel Springer. É um forte ataque à liberdade individual e artística. O que é que aconteceu? Tendo decidido deixar de usar o espaço do museu e ir para o espaço público confrontamo-nos sempre com vários problemas em relação ao nosso tipo de comportamento. Muitas pessoas acharam que era indigente apesar de ainda não haver a obrigatoriedade do uso da máscara e mantermos o distanciamento. Havia pessoas que passavam por nós diariamente na rua e nos chamavam inconscientes indigentes etc., por estarmos a ensaiar em jardins públicos. E diziam-no bem alto para serem escutados por uma audiência. Mas essa situação não aconteceu em Berlim? Foi cá em Portugal, no jardim da Estrela e no jardim do Campo dos Mártires da Pátria. Depois em Berlim aconteceu que um senhor, ao ver um homem negro e duas mulheres que não parecem as mulheres icónicas ou que não são consentâneas com uma ideia canónica, a ocupar um espaço público e a “fazer umas coisas esquisitas” expulsou-nos da rua. Expulsou-nos da rua sem qualquer tipo de pejo em dizer que a rua lhe pertencia. Que os monumentos lhe pertenciam, que o prédio lhe pertencia, não a ele mas à Companhia, e que ele estava a zelar por ela. O que gerou uma grande insegurança

“Qualquer pessoa que não seja coincidente com os interesses da maioria tem sempre entraves de acessibilidade a recursos e meios.”

em relação àquilo que para nós era um território de liberdade. E veio provar de facto - e a performance é sobre isso, Inverted Landscapes - que nós não temos território em lado nenhum. Não há espaço para nós. Há uma historiografia, mas essa historiografia não tem espaço. Pode ter determinadas comunidades que o abraçam determinados “safe spaces” mas são sempre coisas enclausuradas, reservas onde nós nos podemos auto qualificar ou manifestar lá dentro mas que não são transversais à sociedade toda. Quem são esses “nós” de que fala? Pessoas que têm opressões variadas, pessoas precarizadas, marginalizadas etc.

ligar. Estavam sempre a inventar mecanismos e razões para a não inclusão ou aceitação do Paulo no voo; para o expulsar. Mas foi detido? Ele foi detido, entre aspas. Não foi levado algemado mas foi detido pelo SEF. Foi levado para uma sala própria para ser inquirido. Conseguiram trazê-lo? Entrámos no último minuto antes de fechar a “gate”. Foi horrível. Foi mesmo horrível.

Disse numa entrevista recente que o próximo passo é a identity bender. “Hoje sou uma cadeira, amanhã sou uma flor. “ É sem dúvida um lugar de total liberdade - o oposto As categorizadas “minorias”?! do que aconteceu em Berlim - e eu Exacto. Depois o episódio final deu-se pergunto-lhe, para si há um Ser e quando eu ia a entrar no avião com a um estamos a ser? Ana Tang e o Paulo Pascoal (actores Sim, há duas coisas. Eu estou a falar da performance). A mim, enquanto de alguém que já teve capacidade de pessoa aparentemente branca, não ter uma identidade firmada, o que me foi colocado nenhum entrave para não é tão comum assim socialmente. entrar no avião, mas a Ana Tang e o As pessoas negras, migrantes transPaulo Pascoal foram subordinados género, a sua identidade ainda não numa espécie de avaliação da sua na- está firmada não têm o seu espaço. cionalidade e da sua aptidão para entrar E parece-me um pouco impossível naquele voo (Berlim/Portugal) ...eu poderem sair de uma coisa que não posso falar muito sobre isso porque ainda não conquistaram ou a que na verdade o processo está em tribunal não tiveram direito. Acho que há na Alemanha com o caso do Paulo. No duas coisas, uma é o meu estado a caso da Ana, partir do esperguntaramtado onde eu -lhe se falava tenho capaci“A arte é a saída da prisão.” inglês - pordade de escoque presumilha e outra é ram que ela era “não europeia” - e alguém que não tem capacidade de supõem uma capacidade comunicativa escolha. Quem não tem capacidade que não é a real. Em relação ao Paulo de escolha precisa de ter todos os foi um entrave do princípio ao fim, foi meios para poder conquistar a sua chamado pela polícia, foi levado pela identidade. Em relação a mim, polícia ...foi bastante grave. acho que já tendo uma identidade firmada não porque a quis ter, mas Só porque é negro? porque me foi dada socialmente, Porque é um negro angolano. E processualmente, legalmente até, viajávamos os três em conjunto. o meu trabalho é o mesmo de uma Mas qualquer pessoa que não seja desmontagem de um dogma. Acho coincidente com os interesses da que as pessoas podem ser o que maioria tem sempre entraves de quiserem. Mas também podem acessibilidade a recursos e meios. encarar a sua vida como “estando a ser qualquer coisa” como estando a Mas eles não queriam que o Paulo ser um protocolo de verdade, como entrasse no voo? Qual a justifica- estando a ser um protocolo legal, ção dada? Porque é negro? como estando a ser um protocolo Sim, porque é negro e angolano e médico, etc. Então o meu processo estamos a atravessar uma pandemia de criação o meu processo ontolópor isso não podia ir no voo. gico vá, é essa ideia de que “eu não tenho de ser” mas “eu posso estar Como assim? a ser o que quiser”. E o “estar a Eu perguntava “mas se for um ser” está em relação com o mundo. americano”? Responderam “um Eu sou o peso de uma cadeira. Os americano é um europeu”. nossos corpos em termos quânticos são isso tudo - já existe - é uma Um americano não é um europeu. retração, uma simplificação da linExacto. Foi o que nós dissemos. guagem para nos entendermos a nós Muito grave, foi muito grave. Foi próprios ou para nos espelharmos mesmo muito grave. Nós tínhamos através de uma imagem. Mas na uma declaração da embaixada e o verdade nós já somos muita coisa, Paulo tinha um comprovativo de uma matéria descartável dessa força residência. Pedimos para fazer uma e dessa vitalidade que é a energia e chamada para a pessoa da embaixada que nos contratou e que nos passou as Continua na página seguinte declarações e eles não nos deixaram


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INÊS OLIVEIRA

meios de comunicação, repensar a responsabilidade na internet individual e também nacional, repensar a economia, repensar a distribuição, repensar a presença exterior de determinados países e a sua relação ou conivência com determinadas formas de agir ... muitas coisas que é preciso ir fazendo e que eu acho que estes microcosmos podem ir desencadeando aos bocadinhos. Não acho que a arte tenha de pensar sobre estas coisas, mas acho que a arte que perpetua a lógica que até aqui chegou não é uma arte que sirva neste momento. Não é que seja negativa, mas não é operativa para aquilo que é necessário neste momento.

que é a vida. Somos uma matéria descartável disso, nós existimos mas o que conta é o “o que é”, o que está a sair do nosso corpo, porque é aí que a nossa vitalidade, a nossa energia está a surgir, porque o nosso corpo vai lentamente sendo abandonado como uma metamorfose. A minha identidade está relacionada com as várias partes de uma totalidade na qual eu faço uma morfose consoante a minha condição. Quando o meu cão se senta ao meu colo eu sei que estou a ser alguém que tem uma relação com o cão, mas também estou a ser uma cadeira e tenho um propósito uma finalidade. E pronto tem a ver com isso, sair de um dogma daquilo que me é imposto que é “eu sou o André sou um homem branco blá blá blá” e poder sair desse simplismo que é a minha presença no mundo ou a nossa presença no mundo. A arte é em si uma identity bender? Onde tudo é tudo e onde tudo é nada? O sítio para o pensamento?! Sim, é uma ferramenta cognitiva é uma forma de entender o mundo mas que provém de um excesso de tempo e de um excesso de meios. Só quem de facto tem algum tempo livre e alguns meios consegue estar nesse processo em que sai da prisão de ter de estar no mundo de uma determinada

“Acho que a arte que perpetua a lógica que até aqui chegou não é uma arte que sirva neste momento. Não é que seja negativa, mas não é operativa para aquilo que é necessário neste momento.” forma; a prisão do corpo, a prisão da língua, a prisão da alimentação, a prisão da sociedade, a prisão legal...e acho que a arte é essa saída da prisão. A libertação de tudo? Sim, é dobrar a língua. É partir a língua que aprendeste...é partir a identidade que aprendeste, partir o teu nome, partir a nacionalidade... é partir. É sempre partir. É amplificar uma experiência a partir desses suportes... sim, é isso... ampliar a experiência. A propósito de partir, agora noutro contexto, há um relatório anual da Comissão Europeia Contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) do Conselho da Europa que alerta para o crescimento dos discursos de ódio, o aumento do racismo, da

discriminação racial e da intolerância. Estão a surgir vários movimentos conservadores, ou ligados à extrema-direita contra a chamada “ideologia de género”; rejeitam a distinção de sexo e género, argumentando que qualquer género separado do sexo biológico não deve ser reconhecido. O que podemos fazer para combater estas ideias? Não sei...é uma resposta que não tenho para dar. Não será uma acção colectiva como foram em anos anteriores ... mas pequenas bolhas de mudança. Existem vários grupos activos na reivindicação de direitos e de mudanças e todos eles têm de ser escutados pelo poder e de alguma forma fortalecidos pela nossa presença e pela nossa audiência. Agora... não sei na esfera civil como é que isso politicamente é possível uma vez que a fragmentação que existe na ordem civil existe também no poder. E aí já estamos a falar no âmbito global e geral onde todas as mudanças e todas as reivindicações pequeninas podem acontecer, ou não, mas que não influenciam ou abanam o status quo desse poder. Não sei como é que se faz. Mas tenho tentado estar engajado politicamente e socialmente de diversas formas ... mas não sei mesmo como é que isso tem alguma consequência geral a não

ser uma consequência prática de os grupos onde os quais me incluo conseguirem conquistar algumas coisas. Pode haver uma mudança através de todas estas mudanças pequeninas mas ainda é muito difícil vê-las e acho que passam por estratégias maiores como repensar a participação social, repensar aquilo que são os

“Os ecos das mudanças que fizermos vão continuar para os outros; as conquistas sociais, as conquistas estéticas, etc.”

Para terminar, pedia-lhe que desenvolvesse esta ideia que li num post seu. “Um determinado tipo de mundo está a definhar, preso aos seus costumes e práticas de sustentação do seu status quo, mas nós continuamos a ser a seda vibratória impossível de ser detida. Porque até à morte e nela, “A body convulsion / is our dance version”.” Isso fazia parte dos textos do Inverted Landscapes, e tem a ver com tudo isto na verdade. Nós não vamos parar, nós sabemos que estamos aqui numa fase transitória, e que somos simplesmente carne para esta vida ganhar mais força mais eco e, portanto, há uma coisa que é superior a nós. Não precisa do nosso corpo e da nossa voz, temos de ser obreiros dessa força e dessa voz e caminhar para a frente porque ela vibra em nós. Essa mudança vibra em nós, não precisa de nós para nada. Quando já não estivermos à altura daquilo que a vida nos exige, ela abandonar-nos-á mas o nosso sopro vai continuar e a nossa matéria vai continuar, e os ecos das mudanças que fizermos vão continuar para os outros; as conquistas sociais, as conquistas estéticas etc. Então é isso, esta força da vida que é uma seda vibratória. É uma coisa que se mexe sem nós, neste corpo que está aqui entre um espaço e um tempo que habita este planeta. E é isso, esta performance é isso. Não parar. Nós não vamos parar. Mesmo que venha um senhor dizer-nos que não podemos estar ali, que no teatro nos digam que o que fazemos é dança com texto, que os políticos nos digam que nós não podemos existir, mesmo que nos insultem todos os dias na rua, nós vamos avançar. Vamos avançar com as nossas saias, com as nossas cores, com os nossos corpos, com as nossas identidades por conquistar, outras já em completa transformação, vamos avançar. Vamos avançar e não vamos parar.


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terça-feira 19.1.2021

Economia Crescimento de 2,3 % em 2020

A

economia da China cresceu 2,3 por cento em 2020, em comparação com 2019, e apesar de ser um dos únicos países a crescer em ano de pandemia este foi no ritmo mais lento em 44 anos. Em 2020, a economia chinesa "enfrentou uma situação grave e complexa tanto a nível interno como externo [...] devido, nomeadamente, às enormes consequências da epidemia" do novo coronavírus, disse em conferência de imprensa o funcionário do Gabinete Nacional de Estatística (NBS) Ning Jizhe. No entanto, a taxa de crescimento da China desceu acentuadamente: em 2019 a taxa de crescimento da China foi de 6,1 por cento, já no seu nível mais baixo em quase três décadas. Primeiro país afectado pela epidemia de covid-19, a China registou um declínio histórico do crescimento (-6,8 por cento) no primeiro trimestre de 2020, depois de medidas de contenção sem precedentes. No entanto, a melhoria gradual das condições de saúde a partir da Primavera permitiu a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB). No último trimestre de 2020, o PIB subiu 6,5 por cento, regressando a um nível ‘pré-pandémico’, disse o NBS. Ao contrário da maioria dos outros países que deverão estar em recessão, "a economia da China tem estado numa trajectória invejável durante a maior parte de 2020", notou o analista Xiao Chun Xu, da agência de notação financeira Moody's. Embora questionável, o valor oficial do crescimento ainda está sob escrutínio, dado o peso da China na economia global. E o país parece ser um barómetro da recuperação esperada no crescimento global.

COVID-19 BAIRROS ISOLADOS EM SHIJIAZHUANG FOCO DE NOVO SURTO

Ordem para fechar

A pandemia volta a atacar na zona que rodeia a capital chinesa. Shijiazhuang fecha os bairros de alto risco, enquanto mais de 20 milhões de pessoas têm ordens para ficarem em casa e não viajarem durante o período do Ano Novo Lunar

em casa, em época de viagens de pessoas que costumam reunir-se às suas famílias para o Ano Novo Lunar, o mais importante festival tradicional da China. Só até ao meio-dia desta segunda-feira, Shijiazhuang confirmou mais 30 casos locais de covid-19, revelou numa conferência de imprensa a vice-presidente da cidade, Meng Xianghong. Ainda assim, diz Júlio César, a situação mostra sinais de melhoria, com as autoridades a permitir a circulação de estafetas que transportam comida para fora e compras. “Até há pouco tempo não podiam, as pessoas enviavam coisas que eram entregues à entrada dos bairros”, que permanecem isolados, explicou o brasileiro.

BRASIL É UMA MIRAGEM

A

cidade do norte da China Shijiazhuang tem registado o maior número de casos de um novo surto de covid-19, com “cada bairro fechado ao exterior”, como conta à Lusa um estudante brasileiro. Júlio César Kattah terminou ontem um período de quarentena, após ter estado em dois dos distritos de Shijiazhuang considerados de alto risco. O jovem teve de abandonar o dormitório e passar

duas semanas num hotel, dentro do campus da Universidade Normal de Hebei. “Agora já posso sair do dormitório, depois da minha temperatura ser medida e anotada, e posso andar pelo campus, mas sempre com máscara”, explicou o estudante, que fez, entretanto, dois testes negativos ao novo coronavírus. A 6 de janeiro, Shijiazhuang, capital de Hebei, província do norte da China que rodeia a capital, Pequim, foi colocada em confinamen-

to, tal como as cidades de Xingtai e Langfang, partes de Pequim e outras cidades do nordeste. Mais de 20 milhões de pessoas receberam ordens para ficar

Até ao meio-dia desta segunda-feira, Shijiazhuang confirmou mais 30 casos locais de covid-19

O jovem já tinha ficado em quarentena em Janeiro de 2020, após regressar a Shijiazhuang, depois de viajar pela China continental, durante as férias escolares do Ano Novo Lunar. Mesmo após o levantamento do isolamento, “as restrições nunca terminaram”, sublinhou Júlio César. “Para sairmos do campus da universidade tínhamos de fazer um requerimento, apontando um motivo específico e suficientemente forte”, referiu. As entradas do campus têm agora câmaras de reconhecimento facial que só permitem o acesso de pessoas com ligação à universidade, acrescentou o brasileiro. A pandemia estragou também os planos do jovem licenciado em engenharia geológica para iniciar no ano passado um mestrado na Universidade de Geociências da China, em Wuhan. Júlio César teve de ficar em Shijiazhuang, inscrevendo-se num outro curso. Ainda assim, e apesar das saudades da família e de amigos, o estudante admite que se sente mais seguro na China do que no Brasil. “Tenho um tio que faleceu na semana passada”, revelou.

Região SEUL HERDEIRO DO IMPÉRIO SAMSUNG CONDENADO A DOIS ANOS E MEIO DE PRISÃO

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M tribunal em Seul condenou ontem o herdeiro do império Samsung, Lee Jae-yong, a dois anos e meio de prisão, no novo julgamento pela participação no esquema de corrupção da ex-Presidente sul-coreana Park Geun-hye. O Tribunal Superior de Seul decidiu impor esta

pena a Lee Jae-yong por ter subornado Choi Soon-sil (amiga da ex-Presidente sul-coreana), conhecida de "Rasputin", como parte de uma vasta rede de favores que escandalizaram o país e desencadearam a saída de Park do poder e consequente condenação.

Lee já tinha sido condenado a cinco anos de prisão em Agosto de 2017 por subornos destinados a obter tratamento favorável das autoridades, desviar fundos, ocultar bens no estrangeiro e cometer perjúrio. Contudo, em Fevereiro de 2018, um tribunal reduziu

a sua pena e permitiu-lhe sair da prisão, mas um tribunal superior decidiu acusá-lo novamente. A acusação tinha pedido nove anos de prisão para o herdeiro da Samsung no novo julgamento, de forma a dar o exemplo neste caso de grande visibilidade.

O empresário está também a ser julgado por outro tribunal de Seul sob acusações de fraude contabilística e manipulação de preços de acções alegadamente cometidas durante a controversa fusão de duas empresas do grupo em 2015. Várias irregularidades são atribuídas à

fusão de 2015, incluindo um alegado crime de fraude contabilística destinada a consolidar a posição de liderança de Lee pouco depois do seu pai, o presidente do grupo, Lee Kun-hee, ter sofrido um ataque cardíaco que o deixou em coma até à sua morte em Outubro de 2020.


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h

cartografias

De que me vale sair,

Sentinela

ANABELA CANAS

Anabela Canas

19.1.2021 terça-feira

O

tecto da minha rua abre para a noite do céu. E os telhados esgueiram-se compreensivos. Sobram os rostos de obscuridade suave dos prédios. Os cílios fechados, a respiração calma de quem dorme. Um cântico mais alto, à hora marcada. Desvia-me para a janela os olhos presos num beco das palavras. As que se adivinham sem saída. Na sua urbanização própria e atávica. Camisas-de-forças na cidade. Já não há ninguém que sonha ou projecta becos. Senão os poetas. Mas gosto desta ilusão de que tudo lhes fora possível. Querendo. E gosto de pensar nas palavras, porque elas têm uma narrativa própria nos meus dias. A sua. Como parentes ruidosos que me dão que pensar. Uma rua com princípio e fim, o que significa, numa rua, um caminho aberto dentro da cidade. Está um olhar fino na noite. Daqueles a que não se resiste nem camuflamos em fuga. Com tantas máscaras nos olhos. A lua estreita como um estilete de luz curva. A rasgar o escuro da noite. Cortante e invencível luz. Aqui, no planeta redondo faz-se-lhe sombra quanto se pode nesta contra-dança do sistema que nos une.

Baixo os óculos e vejo uma curvatura diferente. Como nos ilude. O olhar. E se corrige, este, nesta esquiva noção de realidade. Mas, neste caso, um simples pormenor de forma subtilmente diferente. Depois desce e desaparece. Mas, entretanto, fico aqui sentada. E enquanto dura, aproveito para não pensar em mais nada. Pensar porque é apaziguante esta visita diária pela noite. Porque é sempre. Porque é o universo grande a fazer-se visível na sua inesgotável permanência, por agora. Como se os animais não es-

Encosto-me à varanda a ouvir nada. Sinto um vento de través. Como se firme impotente e constante estivesse afinal de mãos fincadas numa amurada, num convés

tivessem a extinguir-se em massa, tristes com o mundo e incapazes de se adaptar. Só nós nos adaptamos a tudo, da comida má à má educação. Confeitarias, luvarias, retroseiros e livreiros que fecham as portas. Lojas bonitas de coisas bonitas sem tempo para modas. Enquanto o mau gosto se expande e o souvenir se difunde. E estenderíamos a mão para ela e para a levar para casa. Só para nós. Ainda bem que não podemos. E nos basta olhar. Mas só porque não podemos, se calhar. Depois apetece dizer porque sinto calma porque sinto paz. Não sabendo eu o que o dia amanhã me traz. Encosto-me à varanda a ouvir nada. Sinto um vento de través. Como se firme impotente e constante estivesse afinal de mãos fincadas numa amurada, num convés. Depois, mas só a fingir que depois e não no dia de ontem, vou à varanda, de novo. Mas não há lua e se não há lua é porque não reparo. E as coisas, é como se não existissem se não as vemos e não as pensamos. Noite serena e bairro recolhido, não fosse o prédio ao lado e gente na varanda ali em baixo. Gritos e risos histriónicos, palavras soltas e gritos e gritos e risos, que vinham de um aquém do corpo,

das vísceras, do ventre ou do que quer que algumas pessoas tenham para lá da pele e antes do abismo da alma. De fugir. Elas ao abismo e nós a elas. Música estridente, noite feita, a cortar a harmonia sossegada do bairro, gritos, palavras numa outra língua, longe da terra e de vizinhos exigentes. Vêm para aqui. Encerrar-se numa casa impessoal e fender a noite dos outros que não conhecem nem imaginam nem sentem. Os outros, por detrás dos olhos fechados, das casas a dormir, as melopeias que são precisas. Os silêncios. As vozes pequenas dentro do invólucro privado. Invadido. Como se estes não existissem. Ou eles. Penso se sabem que existem e perturbam ou terão muito medo de não serem nada. Do vazio. Parecem movidos a um pavor catártico. Talvez gritem para terem a certeza. Talvez tenham medo. Da cidade adormecida e serena como de um bicho manso. Como dorme e como está calma. Talvez tenham medo de si próprias, estas vozes incontidas e indiferentes. A fugir de quê e com que luminosidade ao fundo da rua para olhares cegos pelos gritos? Para outros ficou assim uma noite sem luar, a olhar para baixo. A sentir o arrepio da agressão. À cidade acolhedora, de bolhas da cidade, como de um cão que se volta ao dono. E a querer pôr as mãos geladas nos ouvidos, escancarar a boca e depois um grito – de Munch - surdo para sempre. Experimento búzios e a sua memória da voz do oceano e experimento esponjas marinhas, corações esponja, ouvidos esponja. Sem sistema circulatório e sem sistema nervoso. Por isso não se enervam nem irritam. Sésseis, simples amigos do silêncio porque nem este os perturba nem o ruído excessivo lhes faz impressão. Simples, como são, simplesmente filtram. Depois volto para dentro. O fundo da casa, como um beco. Em busca do banho quente, do paraíso ou de uma biblioteca, para onde fugir, o que para Borges seria o mesmo. Ou coisas para pensar. Uma dança – o olhar, uma dança – feita do gesto contido de uma única mão. Cerrada como rosto e sem tocar. Firmemente abraçada a um lápis macio. A uma caneta Bic. Bic cristal como antigamente. E cristalina volta a ser a noite, como lúcida é a deslocação de um par de amantes, como uma linha da vida no espaço. De uma mão. A abrir como à flor abrupta uma manhã se expõe. Pétalas em gesto. Inexorável gesto. De abrir. A mão. E dar, como uma flor. E tudo a propósito daquele quadro. Volto sempre a ele passados tantos anos. Já volto… Porque hoje há silêncio.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

terça-feira 19.1.2021

se me constipo logo?

A vida é outra

uma asa no além

Q

UANDO o escritor catalão, Alfredo Mendizabal, escreveu o ensaio «A Vida É Outra», onde nos mostra que a vida humana depende da ficção, não poderia prever que o livro se tornasse um best-seller. Numa entrevista polémica dada ao jornal madrileno El País, disse: «Nunca ambicionei escrever um livro que fosse um sucesso de vendas. Tudo isto é um tremendo disparate. Estou em crer que aconteceu apenas porque as pessoas estão descontentes consigo mesmas. Ou então não entenderam nada do que escrevi.» Adiante, nessa mesma entrevista, diz: «É evidente que o livro é irónico. [...] E quero acreditar que as pessoas têm bem presente a ironia, mas o que vejo no dia-a-dia impede-me de dar esse passo.» Estas palavras podem levar a pensar que o escritor desprezava não apenas o sucesso, mas também os seus leitores. E de algum modo isso não deixa de ser verdade. Mas passemos ao livro. «A Vida É Outra» começa assim: «Uma vida em si mesma não tem interesse para outra vida. Uma vida só tem interesse para outra vida numa ficção, numa construção. Quem nunca se viu a si mesmo a não dar a importância a outrem? O que é um outro? O que é alguém? A vida de outrem só tem interesse a partir da minha vida concreta, do meu sujeito concreto, da construção que faço. A vida precisa de foco, de enfoque, de uma ficção.» Logo desde o início, Mendizabal conecta vida e ficção. Mas rapidamente o livro chega à sua tese mais radical: a de que a vida humana depende da ficção. É a ficção que concede realidade à vida humana e não o contrário. Leia-se: «Aquele ali é alguém de quem gosto, por esta e por aquela razão, mais nada. Razões que eu atribuo. E sem essa subjectividade o outro é uma pedra. O “não matarás”, essa construção máxima do humano, é a tentativa de ultrapassagem da necessidade do subjectivo, porque, no fundo, sabemos desde sempre que os humanos não podem depender dos humanos. A humanidade não pode depender de algo tão frágil como a subjectividade. A subjectividade precisa de algo mais, de um “a mais” que o humano em si mesmo não tem. A vida humana depende da ficção.» Ao longo do livro defende também que a razão de cada vez nos interessarmos menos pela leitura ficcional, em detrimento de outras, deriva do facto da escrita ficcional actual – principalmente o romance – nos mostrar muito claramente esta nossa condição de ficção e isso não agradar ao leitor. O leitor preferia ficar a assistir à ficção a desenrolar-se como se fosse fora de si e não parte dele mesmo. Antes da publicação do livro que se tornou best-seller, Alfredo Mendizabal

BARNABY BARFORD, FAME

Paulo José Miranda

escrevera apenas 3 livros, embora todos claramente provocadores: «A Merda dos Outros», «A Política e os Porcos» e «Tudo Puta». No primeiro, partindo da célebre frase retirada da peça de teatro de Jean-Paul Sartre, «Entre Quatro Paredes», «O inferno são os outros», tece um irónico comentário acerca das massas, principalmente nas redes socias e nas caixas de comentários dos jornais. Escreve: «As nossas quatro paredes, o nosso inferno é o rectângulo do computador. Podíamos escolher espreitar sites onde pudéssemos aprender a limpar-nos, mas escolhemos espreitar sites onde nos sujar. Poderíamos escolher escrever palavras belas, elogiosas ou edificantes sobre os outros, mas preferimos escrever

o contrário de tudo isso. E, na maioria das vezes que escrevemos palavras elogiosas, elas enojam. Porque não representam uma atenção verdadeira acerca do que se está a escrever. Só a atenção pode conferir autenticidade ao que se escreve sobre outrem.» No segundo, um ensaio politico-literário acerca de «Animal Farm» de George Orwell, estabelece uma relação entre os políticos actuais e os porcos, onde estes já não são os piores, pois são manietados por aqueles que têm dinheiro, os humanos, numa clara alusão às multi-nacionais e aos multi-milionários que decidem sobre os destinos do mundo. Leia-se uma passagem: «Os porcos governam a quinta, mas sob as ordens obscuras dos humanos. Não

Quando «A Vida É Outra» chega à vigésima primeira edição, o escritor sente-se traído. Como ele mesmo diz na entrevista ao El País: «Os cabrões [os leitores] vingaram-se. Esfregaram-me o dinheiro nas ventas, como se me dissessem: “agora vê lá se te calas!”

de todos, apenas daqueles que têm dinheiro suficiente para comprar porcos.» Por fim, em «Tudo Puta», estabelece uma relação entre a humanidade e a prostituição. Escreve: «Puta e prostituta é igual. Dizer puta ou prostituta, pelo menos aqui no meu texto, é o mesmo. Fora dele não quero saber. Puta é quem vende o seu corpo. E com esta venda surgiu a ideia mais perigosa do universo: a ideia de alma. Ao fazermos com que o corpo não fossemos nós, mas uma propriedade, tivemos de arranjar algo em nós que nos conferisse a identidade. Vem deste princípio, princípio de puta, a queda da humanidade.» Ora, como é bem de ver, são títulos e livros que muito dificilmente chegariam a best-sellers e nem isso passava pela cabeça do escritor. Assim, quando «A Vida É Outra» chega à vigésima primeira edição, o escritor sente-se traído. Como ele mesmo diz na entrevista ao El País: «Os cabrões [os leitores] vingaram-se. Esfregaram-me o dinheiro nas ventas, como se me dissessem: “agora vê lá se te calas!” E têm razão. Resta-me calar.» A verdade é que, desde 2012, altura da primeira edição de «A Vida É Outra», nunca mais publicou nada.


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LOVE YOU FOREVER [B]

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FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yoyo Yao Com: Lee Hongchi, Li Yitong 16.45, 19.15

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THE MOVIE DEMON SLAYER: KIMETSU NO YAIBA MUGEN TRAIN [C]

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou ontem a detenção do opositor russo Alexei Navalny no domingo, aquando da sua chegada a Moscovo,

4 FALADO 5 EM JAPONÊS8 LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Sotozaki Haruo 1 3 14.30, 8 16.45,619.15, 21.30 7 0 3 WILD MOUNTAIN THYME [B] Um filme de: John Patrick Shanley OK! MADAM [B] 5 8 FALADO 4 EM JAPONÊS1 9 Com: Emily Blunt, 7 Jamie Blant, LEGENDADO EM CHINÊS Christopher Um filme de:1 Solozaki Haruo 3 8 Walken 2 5 14.30, 21.30 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 3 9 4 5 8 4 1 0 3 5 6 6 2 9 3 2 1 8 2 6 7 3 16

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exigindo a sua libertação imediata e “a sua segurança”. “Condeno a detenção de Alexei Navalny ontem [domingo] pelas autoridades russas aquando do seu regresso à Rússia.

UM FILME HOJE Este não é um filme confortável para ser visto a comer pipocas. “The Silent Forest” é baseado num escândalo de abuso sexual que ocorreu em Taiwan numa escola para alunos surdos. Com a privação de um dos sentidos como tema transversal do filme, a narrativa é sustentada pelo casamento perfeito entre sonoplastia, silêncios, fotografia e representação. Sob a batuta da realizadora Chen-Nien Ko, o excelente desempenho dos jovens actores Tzu-Chuan Liu, Buffy Chen e de Kim Hyun-Bin imprimem um grau perturbante de realidade à história. Um dos melhores filmes do cinema asiático de 2020. João Luz

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YUAN

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As autoridades russas devem libertá-lo imediatamente e garantir a sua segurança”, apela a líder do executivo comunitário numa declaração ontem divulgada.

THE SILENT FOREST | CHEN-NIEN KO

9 1 0 5 9 4 3 1 7 2 Propriedade 0 Fábrica de Notícias, 8 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 8 3 5 1 Gonçalo M.Tavares; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho 3 1 2 Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Cabral; Rui Cascais;6Sérgio Chan Wai Chi; Paula Bicho; 0 www. 7 8 5 Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de hojemacau. 2com.mo 8 6 7 Santo 1 Agostinho, 3 n.º419, Centro 0 Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo 18


opinião 15

terça-feira 19.1.2021

MIGUEL GUEDES in Esquerda.net

A Justiça a ser toupeira

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OR ter sonhado com Orbán ou por ter perdido a cabeça em Budapeste, a procuradora impele o Ministério Público para acordar, viril, do pesadelo da quebra do segredo de Justiça, após dezenas de casos em que este foi arruinado e sempre se assobiou para o ar. Desta vez, quis ser tão exemplar que nem se importou de violar a Constituição da República Portuguesa (CRP). Ainda bem que na cabeça da procuradora, tudo se passou na Hungria. A vigilância policial, vulgo espionagem, ordenada pelo DIAP aos jornalistas Henrique Machado e Carlos Rodrigues Lima é um gravíssimo caso de abuso de poder. Poderia ser apenas uma patetice ou uma incompetência pessoal, um episódio de falta de sensibilidade para a função ou para a percepção do justo equilíbrio entre os valores em causa. Infelizmente, o lamentável comunicado produzido pelo DIAP, tentando justificar o injustificável,

só por si já exige a imediata intervenção da Procuradoria Geral da República (PGR) e do Conselho Superior do Ministério Público. Veremos o que nos dirá o processo de averiguação aberto pela PGR às magistradas envolvidas. A primeira reacção de Fernanda Pêgo, directora do DIAP de Lisboa, é manifestamente infeliz: "É tudo legal. Não é nas vossas casas, pois não?". Não é a legalidade que está em causa. É só o atropelo a um dos direitos fundamentais constitucionalmente previstos. Temos de perceber, urgentemente, que Ministério Público temos e se este foi um

A Justiça portuguesa já andava mergulhada em dúvidas existenciais sobre a sua natureza e sobre o comportamento antinatural das suas toupeiras. Nasce então o dia em que uma procuradora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa achou que podia acordar na Hungria

caso isolado. Urge saber se o Ministério Público concebe um mundo em que um advogado seja espiado para que sejam revelados os eventuais crimes do seu cliente. Ou um mundo em que um médico seja vigiado para que se saiba se um dos seus doentes tem uma determinada doença ou padece de um qualquer mal. Ou um mundo em que um padre seja seguido, fotografado e gravado em confissão para saber os detalhes dos segredos que lhe são confiados. Porque se este Ministério Público concebe como normal um mundo onde jornalistas, que não praticaram qualquer crime, sejam vigiados pela PSP (durante dois meses após a divulgação da notícia), seguidos, espiados, fotografados, devassados nas contas bancárias e até, pasme-se, escutados com SMS transcritas sem autorização de um juiz, então estamos no avesso do Estado de direito. A liberdade de Imprensa e o direito constitucionalmente previsto de protecção das fontes jornalísticas estão em causa se o Ministério Público acha que tem uma máquina fotográfica e um sistema de escutas e transcrições "à la carte". Este caso corre mundo. E podiam poupar-nos à ironia. Precisamente a propósito do caso e-Toupeira, a Justiça a ser toupeira, cavando fundo.


“Quem em tudo quer parecer maior, não é grande.”

terça-feira 19.1.2021

PALAVRA DO DIA

AFP

Padre António Vieira

MGM Trabalhadores vão receber bónus

Guia Michelin Restaurante O Castiço, na Taipa, entre os sete distinguidos

A MGM anunciou que irá atribuir um bónus salarial aos funcionários, equivalente a um mês de salário. Segundo um comunicado citado pelo canal chinês da TDM-Rádio Macau o bónus será pago em duas vezes, antes e depois do Ano Novo Chinês, atingindo 90 por cento dos funcionários da empresa. De fora, ficam os cargos de gestão.

O

Tóquio2020 PM garante realização apesar de nova vaga da pandemia

O

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primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, garantiu ontem que o Japão continua comprometido em realizar os Jogos Olímpicos Tóquio2020 no Verão, apesar do número crescente de casos de covid-19 no mundo. “Vamos preparar os Jogos, como prova de que a Humanidade ultrapassou o novo coronavírus”, disse Suga, num discurso de abertura de uma sessão parlamentar. Amensagem, de resto, tem sido a que o governo japonês repete quando questionado sobre o tema, mesmo face a uma terceira vaga da pandemia de covid-19 que o país asiático, bem como outros territórios mundiais, enfrenta actualmente. Segundo o governante, serão adoptadas “todas as medidas possíveis” para prevenir o contágio para que se brinde “à esperança e à coragem em todo o mundo” ao celebrar a competição, que deveria ter acontecido no Verão passado, mas foi adiada devido à pandemia para o período entre 23 de Julho e 8 de Agosto deste ano. O Comité Organizador disse ontem à agência noticiosa France-Presse que o número de atletas nas cerimónias de abertura e encerramento devem ser reduzidos e, segundo o jornal japonês Yomiuri Shimbun, o Comité Olímpico Internacional (COI) espera que o número não supere os seis mil atletas, bem abaixo dos 11 mil previstos para o evento.

Somos o primeiro COVID-19 PORTUGAL É O PAÍS COM MAIS NOVOS CASOS POR MILHÃO DE HABITANTES

P

ORTUGAL era ontem o país do mundo com maior número de novos casos de infeção pelo novo coronavírus por milhão de habitantes, de acordo com vários ‘sites’ que fazem o acompanhamento estatístico da pandemia da covid-19. Com algumas variações, o país é o único no mundo com mais de mil casos por milhão de habitantes na média dos últimos sete dias, segundo o ‘site’Our World in Data (1.018 casos), da Universidade de Oxford, e o português Eyedata (1.014 casos), com dados actualizados no domingo. Em termos de casos totais por milhão de habitantes, Portugal surge em 20.º lugar com 53,9 numa lista em que os pequenos territórios como Andorra, Montenegro ou San Marino surgem à cabeça, antes de o primeiro país de grande dimensão, os Estados Unidos, que figura em sexto lugar, com 72,3 casos por milhão. Na lista do Eyedata, os Estados Unidos figuram em quarto lugar a seguir aos pequenos

territórios e Portugal surge em 17.º lugar em total de casos por milhão de habitantes (53,7). No Our World in Data, Portugal surge em segundo lugar no número de mortes por milhão de habitantes nos últimos sete dias (14,9), só superado pela Eslovénia (19,2). O Eyedata, que contabiliza o número de mortes por milhão desde o início da pandemia, coloca Portugal (866 por milhão),

Com algumas variações, o país é o único no mundo com mais de mil casos por milhão de habitantes na média dos últimos sete dias, segundo o ‘site’ Our World in Data (1.018 casos), da Universidade de Oxford, e o português Eyedata (1.014 casos)

no 30.º lugar desta lista liderada de longe pela Bélgica, com 1.770 mortes por milhão de habitantes atribuídas à covid-19, e pela Eslovénia, com 1.523.

NÚMEROS FATAIS

No domingo, último dia de que há dados disponíveis e em que morreram 152 pessoas com covid-19, Portugal foi o 12.º país do mundo com mais mortes atribuídas à doença por milhão de habitante. No Eyedata, Portugal é o 18.º país do mundo com mais testes por milhão de habitantes (610.311 testes no total). De acordo com o Our World in Data, o país tem uma taxa de 18 por cento de testes positivos face aos realizados. A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.031.048 mortos resultantes de mais de 94,9 milhões de casos de infecção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesaAFP. Em Portugal, morreram 9.028 pessoas dos 556.503 casos de infecção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

restaurante português O Castiço, situado na zona da Taipa Velha, é um dos sete restaurantes de Macau distinguidos pela edição deste ano do Guia Michelin de Hong Kong e Macau, na secção Bib Gourmand. Segundo o portal Macau News Agency, foram distinguidos também o restaurante educacional do Instituto de Formação Turística (IFT), o Chan Seng Kei, Cheong Kei e o Din Tai Fung, localizado no City of Dreams, o espaço Lok Kei Noodles e ainda o Lou Kei, no Fai Chi Kei. A secção Bib Gourmand do guia Michelin distingue espaços de restauração que oferecem comida de alta qualidade a preços acessíveis, o que significa refeições, sem bebidas, a um valor máximo de 400 patacas ou 400 dólares de Hong Kong. Gwendal Poullennec, director internacional para os guias Michelin, disse que “apesar da situação particularmente difícil que os empresários da restauração em Hong Kong e Macau têm enfrentado desde 2019, os nossos inspectores têm o prazer de divulgar os melhores espaços em termos de relação qualidade-preço”. Em Hong Kong, um total de 63 restaurantes foram distinguidos. A edição deste ano do guia Michelin será lançada no próximo dia 27.

Metro Ligeiro Pedida ligação à Ferreira do Amaral

A Praça de Ferreira do Amaral deveria ter uma estação de Metro Ligeiro, na opinião de Lei Chan U. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau sustentou o ponto de vista com a necessidade de atenuar o fluxo de pessoas no centro da península, através da interface entre autocarros e Metro Ligeiro. A Praça de Ferreira do Amaral é um ponto nevrálgico do sistema de transportes públicos de Macau, por onde passam todos os dias, em hora de ponta, 43 linhas de autocarro, com 5200 frequências, servindo perto de 36 mil utilizadores. O deputado recordou ainda um projecto que inclui um segmento, maioritariamente subterrâneo, que passa entre os lagos Sai Van e Nam Van no traçado do metro. Para Lei Chan U, o Governo deveria considerar avançar com este segmento, com ligação à Praça de Ferreira do Amaral.

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Hoje Macau 19 JAN 2021 #4692  

N.º 4692 de 19 de JAN de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

Hoje Macau 19 JAN 2021 #4692  

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