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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUARTA-FEIRA 18 DE SETEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4375

FIMM

ABERTURA MÁGICA

hojemacau

EVENTOS

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Horizonte perdido Os lesados do Pearl Horizon voltaram a perder a batalha. O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) dá razão ao Governo em todas as alíneas da contestação apresentada pelos promitentes-compradores. A

recuperação do terreno concessionado foi feita de acordo com a lei e a disponibilização do acesso à compra de habitação para troca satisfaz os pedidos dos lesados, diz o CCAC num comunicado ontem emitido.

LOUIS FRATINO

HOJE MACAU

PÁGINA 4

CENTRO POAO

CIDADE FANTASMA GRANDE PLANO

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PRIMAVERA LI HE

AUSTRÁLIA

ESTRADA DA MORTE PÁGINA 7

IAM

CUIDADO COM O CÃO PÁGINA 8

VOLÚPIA DE GRAFITE JOÃO PAULO COTRIM

OPINIÃO

GENE GAY NÃO EXISTE TÂNIA DOS SANTOS

TRAVESSA DO FALA-SÓ NUNO MIGUEL GUEDES


2 grande plano

CENTRO POAO

NEGOCIO FANTASMA COMERCIANTES CHINESES INSATISFEITOS COM ESPAÇO

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Localizado a poucos quilómetros de Lisboa, o Centro POAO foi pensado para ser um novo hub de negócios para comerciantes chineses, mas a verdade é que a maior parte das lojas permanecem vazias. Muitos dos que investiram dizem-se insatisfeitos com a baixa rentabilidade do negócio. Choi Hin Man, sócio da empresa detentora do Centro, encara a situação como normal e assegura que há novos projectos em vista, apesar da queixa de um cliente apresentada às autoridades da cidade de Yiwu, em Zhejiang

O Centro POAO foi notícia em Portugal por estar, alegadamente, envolvido num caso de burla na venda de uns terrenos a empresários chineses, relacionado com um processo de vistos gold. Estes dizem terem assinado contratos para a compra de lojas quando, na verdade, adquiriram armazéns, um tipo de imóvel em que não tinham qualquer interesse. Uma das entidades que também está sob investigação é o escritório de advogados Rui Cunha, Glória Ribeiro e Associados, de que é sócio Rui

Cunha, advogado radicado em Macau e fundador do escritório C&C Lawyers. Este assegurou nada ter a ver com o assunto e que o escritório em causa apenas deu “apoio jurídico” em todo o processo. Ao HM, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa garantiu que o caso continua a ser investigado e que os autos estão em segredo de justiça.

PROCESSO OBSCURO

Ting Ting, também oriundo da província de Zhejiang, assegura que nunca ouviu

falar do processo que envolve a POAO II. “Não têm entrado mais comerciantes para aqui, talvez haja um problema com os donos, mas nada mais do que isso”, assegura. Também Lucas Lei diz nunca ter ouvido falar do processo, pois alugou a loja a outra pessoa. “Não conheço o senhor Choi. Aqui somos todos conhecidos e eu resolvi alugar a loja.” O comerciante adiantou ainda que nada sabe sobre contratos celebrados no âmbito da política dos vistos gold. “Quem tem vistos gold está na China, no máximo fica cá

uma semana. Mas não me interessam esses casos, eu pago a renda e vou-me embora.” Para o empresário, comprar o espaço está fora de questão. “Comprar? Isto aqui não vale nada”, defende. António Chi Fang Yu, que tem uma loja logo à entrada do centro POAO, assegura que “não tem muitos lucros”. “Só há aqui nove lojas abertas, não há muitas pessoas que venham para cá.” Num outro espaço é Chiara Chen que conversa com o HM, por ter mais facilidades em falar português. No seu caso, conhece o empresário Choi Man Hin, mas garante nunca ter tido problemas, apesar da incerteza do futuro. “Aqui há pouca gente, mas vamos ver se conseguimos ter mais oportunidades, pois temos produtos diferentes. Já tínhamos uma loja na zona (do Martim Moniz) mas decidimos mudar para aqui. Não temos nada a apontar, há segurança e foi tudo construído a partir de 2010, mas não temos a certeza se vamos cá ficar.” Também Chiara Chen garante “nunca ter ouvido falar de nada” no que diz respeito ao alegado processo de burla. Nuno Grilo, ligado a uma agência imobiliária que ali funciona mediante contrato de arrendamento assinado em Junho do ano passado, diz apenas ter tido conhecimento do processo através dos meios de comunicação social. “O assunto apanhou-me de surpresa”, disse ao HM.

HOJE MACAU

C

ONTAM-SE pelos dedos das mãos o número das lojas de comércio por grosso e a retalho que mantêm as portas abertas no Centro POAO, na zona do Porto Alto, a cerca de meia hora de Lisboa. O espaço desenvolvido pela POAO II – Investimentos Imobiliários, empresa que está a ser investigada em Portugal por uma alegada burla contra investidores chineses, mais parece uma cidade fantasma. O HM visitou o local num dia de semana e era visível a falta de clientes e de movimento. A maior parte das lojas está vazia e os poucos comerciantes que ali trabalham mostram-se insatisfeitos com a fraca rentabilidade que as lojas estão a ter. É o caso de Lucas Lei, natural da província de Zhejiang, que há vários anos escolheu Portugal como sítio para viver. “Não estou satisfeito, isto está muito fraco, há poucas pessoas. O negócio faz-se muito no Porto e em Lisboa, se este lugar fosse mais longe (de Lisboa) era diferente”, contou ao HM. Questionado sobre se tem conhecimento de outros projectos que possam vir a abrir portas no centro POAO, Lucas Lei assume: “não há clientes, como vão abrir mais lojas?”. “Isto nem sequer encheu, mas antes havia 30 ou 40 lojas que já fecharam. Isto está cada vez pior”, assegura. Uns metros mais à frente, Ting Ting tem um discurso semelhante. Sentada ao balcão e sem clientes, a empresária, que abriu a loja com o marido, referiu que esperava que os negócios tomassem outro rumo. Se Lucas Lei arrenda o espaço, Ting Ting decidiu comprar o imóvel em 2017 juntamente com o marido. “No Martim Moniz há mais pessoal e mais clientes. É raro virem para aqui e vão mais ao Martim Moniz, onde já há um centro. Há clientes que me dizem que escusam de gastar gasóleo para vir para aqui.” Apesar disso, Ting Ting mantém-se firme em continuar o seu negócio no centro POAO. “Há poucas lojas e não há, por exemplo, roupa de criança ou pijamas, mas por enquanto vamos continuar por aqui, se não é pior. Espero que a situação melhore, também não gosto de mudanças.”

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“Havia aqui uma farmácia e um café ao lado que fecharam entretanto, mas não sei porquê. Não temos qualquer relacionamento nem vínculo com a POAO que nos permitam opinar.” No entanto, o cenário de lojas vazias pouco ou nada mudou desde que a agência imobiliária abriu portas. “Desde 2018 que tem estado tal e qual como está.” O responsável assegura que a escolha do centro POAO recaiu no facto de este estar próximo de uma estrada nacional, a poucos quilómetros da capital lisboeta. “Somos uma rede imobiliária e instalámo-nos neste espaço um pouco na projecção do que viria a ser o mercado imobiliário na zona, tendo em conta a proximidade do futuro


grande plano 3

quarta-feira 18.9.2019

António Chi Fang Yu, comerciante “Só há aqui nove lojas abertas, não há muitas pessoas que venham para cá”

aeroporto. Nunca tivemos negócios de mediação imobiliária com estes espaços.

IDEIAS PARA O FUTURO

Contactado pelo HM, Choi Man Hin encara como normal o facto do centro POAO estar, na sua maioria, vazio. “A decisão de sair do centro é determinada pelo comerciante, de acordo com suas próprias necessidades e modelo de negócios. Numa plataforma comercial, a entrada e saída ou rotação de comerciantes é perfeitamente normal.” O responsável aponta ainda que “existem muitos factores determinantes para os comerciantes entrarem, permanecerem ou saírem duma plataforma comercial. Estes pretendem instalar-se num local de maior popu-

laridade para vender o mais possível. A decisão de aí se manterem ou mudarem ocorre de acordo com seus próprios custos operacionais (rentabilidade), sendo na verdade essa a lei do mercado.” O empresário, que é também presidente da comissão executiva do grupo Estoril-Sol, assegura que o encerramento de duas lojas no centro POAO se deveu a mudanças na estratégia por parte dos próprios comerciantes.

“Dois dos comerciantes que deixaram o centro POAO passaram a depender principalmente de pedidos feitos online. As lojas físicas deixaram de ser em muitas situações um elemento essencial nalguns negócios, bastando um espaço mais barato, um bom software/ uma boa aplicação para gerir os pedidos e a logística das entregas, todos temos essa consciência.” Na visão do empresário, o arrendamento é uma opção

“No Martim Moniz há mais pessoal e mais clientes. É raro virem para aqui e vão mais ao Martim Moniz, onde já há um centro. Há clientes que me dizem que escusam de gastar gasóleo para vir para aqui.” TING TING COMERCIANTE

natural para muitos comerciantes chineses. “A maioria dos empresários chineses desenvolvem a sua actividade através de pequenas empresas que constituem o seu meio de subsistência. São micro ou pequenas empresas que operam com capacidade limitada. Arrendar é simplesmente a opção mais realista e flexível para eles.” “Portugal está cheio de exemplos dessa natureza, os pequenos comerciantes costumam optar por arrendar lojas em vez de comprá-las, para manter um fluxo de caixa mais forte. Para a POAO, vender ou rentabilizar o seu património são soluções totalmente compatíveis e igualmente importantes”, acrescentou. Questionado sobre as estratégias de desenvol-

vimento do centro POAO para os próximos tempos, Choi Man Hin revelou que há ainda dossiers a serem negociados. Ainda assim, está a ser desenvolvido um software de gestão de pedidos e logística de entregas”, sendo que a POAO II – Investimentos Imobiliários “está a trabalhar com uma empresa para encontrar uma solução adequada”. Está também a ser pensada a construção de um “centro de exibição de produtos de qualidade”. “Tínhamos chegado a um acordo preliminar com (a cidade de) Yiwu sobre este projecto, mas infelizmente, a queixa infundada apresentada pelo cliente Cao Yu, ao Governo municipal de Yiwu, provocou a suspensão do projecto,

que aguarda agora o seu prosseguimento”, rematou. Choi Man Hin afirmou publicamente que o Centro POAO foi pensado como uma alternativa à zona do Martim Moniz, por esta já estar sobrecarregada em termos de espaços de negócio. No Norte existe outra zona importante de armazéns e lojas de comércio por grosso e a retalho destinada a comerciantes chineses em Varziela, concelho de Vila do Conde. Estas zonas são as principais fornecedoras de produtos destinados às várias lojas espalhadas por todo o país. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

Os lesados do caso Pearl Horizon voltaram a perder mais uma batalha contra o Governo. Desta vez é o Comissariado contra a Corrupção a dar razão ao Executivo em todos os pontos alvos de queixa, considerando que a recuperação do terreno concessionado foi feita dentro da lei e que o regime de habitação para troca dá resposta aos que ficaram sem as casas

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PEARL HORIZON CCAC DÁ RAZÃO AO GOVERNO EM TODOS OS PONTOS CONTESTADOS

Derrota em toda a linha que uma mudança iria alterar os objectivos iniciais da lei. O limite de uma casa por casal é uma regra “legal e razoável, devendo a mesma merecer respeito e cumprimento”.

COM TEMPO

O

Governo volta a sagrar-se vencedor em mais um capítulo de uma longa batalha que opõe o Executivo aos lesados do empreendimento habitacional Pearl Horizon. Desta vez viu o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) dar-lhe razão no âmbito de uma queixa apresentada pelos lesados. De acordo com um comunicado ontem emitido, o CCAC defende que o Governo agiu de acordo com a lei não só em relação ao processo de recuperação do terreno para a hasta pública como ao nível do regime de habitação para troca. No que diz respeito ao processo da recuperação do terreno do Pearl Horizon, situado na zona da Areia Preta, os lesados consideram que o Governo levou a cabo uma prática “ilegal, constituindo uma violação do princípio da não retroactividade da lei”. Contudo, o CCAC determina que o Governo “declarou a caducidade da concessão do lote de terreno e procedeu à sua recuperação nos termos da Lei de Terras”, uma vez que “decorreu o prazo de 25 anos da concessão provisória e o seu aproveitamento (do terreno) não foi concluído”. De frisar que a última sentença jurídica sobre o caso data de Maio de 2018, tendo sido proferida pelo Tribunal de Última Instância (TUI). Os queixosos alegaram também que o Governo “violou o compromisso de realizar um concurso público para o lote do Pearl

Horizon”. O CCAC reconhece que as autoridades chegaram a afirmar, em Dezembro de 2015, que “iriam considerar” a possibilidade de realizar um novo concurso público para a concessão do terreno em causa. No entanto, “após estudos aprofundados, (o Executivo) considerou que a proposta de realização de concurso público não só era inviável no âmbito jurídico como, ainda por cima, não conseguiria, na prática, proteger os direitos e interesses dos compradores das fracções em construção”, justifica o CCAC. No que diz respeito ao facto de os lesados exigirem do Governo o pagamento de indemnizações, o CCAC corrobora uma recente decisão do Tribunal Administrativo, que entende que não deve ser o Executivo a pagar esses montantes.

NOVO REGIME É VIÁVEL

A queixa dos lesados do Pearl Horizon versa ainda sobre o regime de habitação para troca. Contudo, também aqui o CCAC considera que a proposta apresentada pelo

Governo vem dar resposta à situação dos promitentes-compradores. “Na sequência da análise das respectivas informações, o CCAC considera que, através do regime jurídico referido e da disponibilização do acesso à compra de habitação para troca, o Governo da RAEM já respondeu efectivamente aos pedidos dos compradores das fracções em construção.” O regime de habitação para troca determina que um comprador de uma fracção do Pearl Horizon só se pode candidatar à compra de uma habitação para troca, algo que consideram “injusto para aqueles que compraram várias fracções”. Relativamente a este ponto, o CCAC “considera que a norma que limita o número de habitações para troca requeridas por compradores de fracções em construção foi elaborada após diversas discussões que tiveram lugar na Assembleia Legislativa, não sendo a mesma destinada exclusivamente à resolução do caso do Pearl Horizon”. O CCAC relata casos de lesados que adquiriram mais de dez

casas ainda em construção, pelo que a ausência de um limite nas candidaturas “implicaria uma contradição relativamente à intenção legislativa originária, bem como à intenção originária de satisfazer as necessidades de aquisição de imóvel pelos compradores de fracções em construção e de melhoramento do seu ambiente habitacional”. Os lesados alertaram também o CCAC para o facto de casais terem adquirido, de forma individual, casas em construção, podendo apenas candidatar-se a uma habitação para troca. O CCAC volta a dar razão ao Governo, apontando que existem 15 casais nesta situação e

O Governo “declarou a caducidade da concessão do lote de terreno e procedeu à sua recuperação nos termos da Lei de Terras” COMUNICADO DO CCAC

Outro assunto alvo de queixa prende-se com o facto de alguns lesados não terem efectuado o registo predial dos apartamentos em construção, o que os impede de se candidatarem a uma habitação para troca. Na queixa apresentada, foi alegado que os lesados em questão “não estavam em Macau e não receberam quaisquer notificações do respectivo mediador imobiliário sobre esta questão”. No entanto, o CCAC recorda que os lesados nesta condição tiveram tempo suficiente para efectuar o registo. O organismo entende que “entre a data da implementação da Lei sobre os edifícios em construção e a data da caducidade da concessão do terreno, decorreu um período de um ano e meio para proceder ao respectivo registo predial, sendo que a lei dispõe também a isenção de emolumentos de registo num prazo transitório de um ano”, além de que a Polytex, antiga concessionária do terreno, notificou, por escrito, os lesados para procederem ao registo predial. Neste sentido, “os compradores das fracções em construção devem suportar as consequências resultantes da falta de registo predial, visto que o não conhecimento das disposições legais ou o facto de 'o mediador imobiliário não ter efectuado devidamente a notificação' não constituem fundamentos para se isentarem do cumprimento dos requisitos previstos na lei sobre habitação para troca”. O comunicado ontem emitido dá conta que, de um total de 2,128 compradores de fracções do Pearl Horizon em condições de participar no regime de habitação para troca, 1,932 já requereram a aquisição de habitações para troca. Apesar de ser uma das vozes mais críticas de todo o processo, o próprio porta-voz dos lesados, Kou Meng Pok, já apresentou a sua candidatura. Nesses números incluem-se, portanto, “os pedidos efectuados pelo presidente e outros membros da Associação dos Proprietários do “Pearl Horizon”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

quarta-feira 18.9.2019

Boletim Oficial Normas de apoio ao próximo Governo já estão publicadas Foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) o despacho assinado pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On que dá conta da implementação de um “conjunto de orientações e medidas instando a que os Gabinetes dos Secre-

tários e os serviços e entidades públicas prestem todo o apoio à formação e aos trabalhos preparatórios do Quinto Governo da RAEM, com vista a assegurar a conclusão ordenada e com sucesso dos trabalhos de transição

do Governo”. De acordo com um comunicado oficial, o despacho determina que os organismos públicos acima referidos “devem prestar, no âmbito das suas competências, todo o apoio necessário ao Chefe do Executivo

eleito, nomeadamente no que concerne à disponibilização transitória de recursos humanos, materiais e logísticos”. Ho Iat Seng foi eleito Chefe do Executivo a 25 de Agosto e tomará posse a 20 de Dezembro deste ano.

CIBERCRIME COOPERAÇÃO JUDICIAL OBSOLETA NA RECOLHA DE PROVAS

Em actualização...

A proposta de alteração à lei de combate à criminalidade informática prevê que as autoridades de Macau possam, durante a recolha de provas para processo-crime, aceder a dados sem autorização da jurisdição onde estes estão armazenados. A cooperação judicial deixa de ser “a melhor solução”, mas mantém-se a necessidade de despacho de um juiz

O

gabinete do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, publicou ontem uma nota a dar conta da fragilidade da lei de combate à criminalidade informática, principalmente no que toca à recolha de provas em investigações criminais, quando os dados estão armazenados fora de Macau.

Uma coisa é certa. Para a tutela de Wong Sio Chak, “na era da internet, a cooperação judiciária já não é a melhor solução”. O meio mais eficaz será o acesso unilateral a dados relevantes em termos probatórios para um processo-crime, sem necessidade de autorização das autoridades da jurisdição onde estão armazenados, desde

que o acesso seja público. Para que tal seja possível, é necessário alterar a lei actualmente em vigor. Em concreto, a secretaria para a Segurança sugere “que seja eliminada a expressão de limitação geográfica ‘situado na RAEM’, constante da alínea 6) do n.º 1 do artigo 16. ° da Lei de combate à criminalidade informática e que

seja adoptado o novo modelo de ‘recolha de provas online’”. Este método “consiste tanto na obtenção online, de acordo com a lei, de informações de dados acessíveis ao público, como na recolha online do conteúdo dos dados através de equipamentos electrónicos, relacionados com o crime, legalmente aprendidos, e directamente conectados aos serviços de internet”. A nota da tutela de Wong Sio Chak destaca que o método é utilizado na União Europeia (nomeadamente em Portugal), Estados Unidos da América, China e Singapura.

COISAS DO PASSADO

A publicação desmonta a eficácia da cooperação judicial em matéria de investigação de crimes informáticos, uma das lacunas que o Governo quer colmatar na revisão legislativa. A cooperação judicial implica processos complexos e morosos, “muitas vezes os pedidos não são respondidos em tempo oportuno e alguns nem chegam a ser respondidos,

O gabinete de Wong Sio Chak destaca que a ser aprovada, a mudança legal “não irá alterar o actual procedimento penal em Macau”, mantendo-se a exigência de a polícia solicitar uma prévia autorização das autoridades judiciais havendo assim a possibilidade de provas digitais relevantes serem destruídas ou perdidas, suspendendo ou impedindo que a investigação seja concluída com eficácia”. Além disso, a tutela diz que a cooperação judicial apenas funciona na obtenção de provas quando há “identificação clara do prestador de serviços em nuvem e do local onde estão armazenados os dados”. O problema adensa-se quando os serviços de internet são anónimos, ou dissimulados intencionalmente, como acontece na deep web, dark web, em portais fictícios e dedicados a jogos ilegais. Nestes casos, “os dados armazenados não são identificáveis e o acesso e rastreio são impossíveis através de formas regulares”, o que dificulta a investigação. Contudo, o gabinete de Wong Sio Chak destaca que a ser aprovada, a mudança legal “não irá alterar o actual procedimento penal em Macau”, mantendo-se a exigência de a polícia solicitar uma prévia autorização das autoridades judiciais. No fundo, a apreensão de equipamentos electrónicos “depende do despacho de autorização ou ordem do magistrado, emitido consoante as circunstâncias concretas do caso e nos termos da lei”, quer os dados tenham sido armazenados em Macau quer no exterior. João Luz

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18.9.2019 quarta-feira

Aviso ﹝56/2019﹞

Concurso público para “Arrendamento de Espaços Destinados ao Exercício de Actividades Comerciais no Edifício do Bairro da Ilha Verde”

1. Objecto: Concurso para adjudicação, por arrendamento, por um período de 6 meses, de espaços destinados ao exercício de actividades comerciais, localizados no rés-do-chão do Edifício do Bairro da Ilha Verde, sito na Avenida do Comendador Ho Yin, em Macau. Se nenhuma das partes apresentar à outra parte, por escrito, a denúncia do contrato, até 2 meses antes do termo do prazo de arrendamento, o mesmo considerar-se-á renovado automaticamente pelo mesmo prazo e condições, sendo os devidos procedimentos da responsabilidade do Instituto de Habitação, adiante designado por IH. 2. Espaços a arrendar e preços base do concurso: do Localização Designação do Item Designação edifício espaço a arrendar 1 2

Edifício do Bairro da Ilha Verde

3 4

Edifício do Bairro da Ilha Verde

Finalidade do espaço a arrendar

Área útil

Preço base do concurso

Notas

MOP126 500,00 (cento e vinte e seis mil e quinhentas patacas)

Notas 1, 2, 3, 4 e5

R/C

L

Supermercado

619,64 m2

R/C

B

Actividade comercial geral

22,44 m2

R/C

C

Actividade comercial geral

55,09 m2

MOP6 000,00 (seis mil patacas) Notas 2, MOP15 000,00 (quinze mil 3, 4 e 5 patacas)

R/C

F

Actividade comercial geral

21,00 m2

MOP5 500,00 (cinco mil e Notas 2, quinhentas patacas) 3, 4 e 5

Nota 1: No espaço a arrendar destinado a supermercado deve vender incluindo, mas não limitando, carnes refrigeradas, legumes e frutas, produtos secos e artigos de uso diário. Nota 2: Nos espaços a arrendar é proibida a instalação de actividades industriais e não podem ser exploradas actividades ligadas a jogos de fortuna ou azar e exercício da actividade de promoção de jogos de fortuna ou azar, actividades de mediação imobiliária, casas de câmbio, casas de penhores, serviços de recepção de encomendas e de compras, manutenção e reparação de veículos, limpeza e estética de veículos, agências funerárias, estabelecimentos de saunas e massagens, “night-clubs”, discotecas e “cabarets”, e outros espaços similares, bares, cibercafés, “karaokes”, estabelecimentos de máquinas de diversão e jogos de vídeo, recolha e processamento de desperdícios e de resíduos. Nota 3: Nos espaços a arrendar devem ser exploradas actividades voltadas para o público não podendo ser utilizados apenas para actividades internas de escritório ou armazém. Nota 4: Nos espaços para arrendamento é proibido utilizar equipamentos com chama, para cozinhar e para aquecimento, conforme pormenorizado nos subpontos 2.5 e 5.8 do Caderno de Encargos. Nota 5: O sistema de fornecimento de energia eléctrica dos espaços para arrendamento do Edifício do Bairro da Ilha Verde, já atingiu o limite máximo de capacidade; caso, para a actividade que pretende exercer no espaço de arrendamento, sejam necessários equipamentos de alto consumo de energia, para cozinhar ou para uso, devendo os arrendatários avaliar por si próprios se a potência de energia eléctrica projectada nos espaços a arrendar, corresponde ou não à necessidade de energia eléctrica do equipamento a utilizar; para informações mais detalhadas, consulte o disposto no subponto 2.11 do Caderno de Encargos. 3. Condições gerais dos concorrentes: 3.1 Podem concorrer ao presente concurso as pessoas singulares que tenham completado 18 anos e sejam titulares de bilhete de identidade de residente de Macau ou as pessoas colectivas que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau. 3.2 Sem prejuízo do disposto no subponto 3.1 acima, os concorrentes não podem ter sido, no prazo de 3 anos anteriores à data de apresentação da candidatura: 3.2.1 Arrendatários contra quem tenha sido exercido, pelo IH, o direito de rescisão do contrato de arrendamento; 3.2.2 Arrendatários que não tenham voluntariamente desocupado os espaços arrendados em caso de denúncia e caducidade do contrato de arrendamento. 3.3 Não é permitida a apresentação de candidaturas em forma de licitação conjunta. 4. Forma do concurso: Licitação verbal. O valor de cada lance é de MOP500,00 (quinhentas patacas) ou de seu múltiplo. 5. Obtenção do processo do concurso: Os concorrentes interessados podem consultar e obter cópia do Processo do Concurso no IH, sito na Rua do Laboratório, n.º 33, Edifício Cheng Chong, r/c E, Macau, até 17 de Outubro de 2019, durante as horas de expediente. Caso queiram obter cópia do documento acima mencionado, devem pagar, em numerário, o montante de MOP500,00 (quinhentas patacas), relativo ao custo das fotocópias, ou podem proceder ao seu download na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). 6. Visita aos locais e esclarecimentos por escrito: 6.1 Os concorrentes interessados poderão deslocar-se, por si próprios, para visita aos locais dos espaços para arrendamento deste concurso, no período entre o dia 18 de Setembro de 2019 e o dia 24 de Setembro de 2019. O horário das visitas é das 14:00 horas às 18:00 horas. 6.2 Durante a visita ao local, não serão prestados esclarecimentos. Caso os concorrentes interessados tenham quaisquer dúvidas sobre o conteúdo do presente concurso, devem apresentá-las, por escrito, à entidade responsável pelo concurso, até 25 de Setembro de 2019. 7. Caução do concurso: O valor da caução do concurso é de MOP50 000,00 (cinquenta mil patacas). Os concorrentes devem prestar a caução por depósito em numerário ou mediante garantia bancária legal. 8. Documentos que instruem a candidatura: 8.1 A candidatura deve ser instruída com os seguintes documentos: (a) Boletim de candidatura ao concurso; (b) Cópia do documento de identificação do concorrente ou do seu representante legal; (c) Documento comprovativo da prestação da caução do concurso. 8.2 Os documentos acima referidos devem ser redigidos numa das línguas oficiais da RAEM. As condições detalhadas e modelos destes documentos constam do Programa do Concurso, devendo os concorrentes redigi-los de acordo com os modelos constantes dos anexos ao Programa do Concurso. 9. Data, hora e local da apresentação de candidaturas: 9.1 As candidaturas devem ser apresentadas pelos concorrentes ou seus representantes, desde o dia 18 de Setembro de 2019 até às 17:45 horas do dia 17 de Outubro de 2019, no IH, sito na Rua do Laboratório, n.º 33, Edifício Cheng Chong, r/c E, Macau, contra a entrega de recibo. 9.2 Após apreciação preliminar das candidaturas, será atribuída uma “Certidão de participação no acto público de licitação verbal” aos concorrentes que preencham os requisitos previstos no ponto 6 do Programa do Concurso (Condições gerais dos concorrentes), que apresentem atempadamente as suas candidaturas e que estejam em conformidade com as disposições previstas no ponto 8 do Programa do Concurso (Documentos que instruem as candidaturas); após apreciação preliminar, se não for atribuída a “Certidão de participação no acto público de licitação verbal”, poderá a referida certidão ser atribuída, desde que a comissão indicada no ponto 11 do Programa do Concurso verifique o preenchimento dos requisitos acima referidos. 9.3 Cada concorrente só pode apresentar uma candidatura, e só pode participar no acto público de licitação verbal de uma das finalidades dos espaços a arrendar referidas no ponto 2 do Programa de Concurso. Caso o concorrente apresente mais do que uma candidatura (para a mesma finalidade ou diferente finalidade), prevalece a apresentada em último lugar, e as restantes candidaturas e respectivas “Certidões de participação no acto público de licitação verbal” atribuídas anteriormente perdem imediatamente a sua validade. 10. Sessão de esclarecimento relativa às regras a observar durante a realização do acto público de licitação verbal: A sessão de esclarecimento relativa às regras a observar durante a realização do acto público de licitação verbal terá lugar no dia 24 de Outubro de 2019, às 10:00 horas, na Delegação das Ilhas do IH, sita na Rua de Zhanjiang, n.os 66-68, Edifício do Lago, 1.º andar D, Taipa, devendo os concorrentes comparecer à sessão na data e hora acima indicadas. Caso o número de concorrentes inscritos seja elevado, o IH irá realizar mais sessões de esclarecimento, dependendo da situação, informando os concorrentes do agendamento concreto das sessões através de mensagens de telemóvel (sms). 11. Data, hora e local da realização do acto público de licitação verbal: O acto público de licitação verbal terá lugar no dia 31 de Outubro de 2019, às 10:30 horas, na Delegação das Ilhas do IH, sita na Rua de Zhanjiang, n.os 66-68, Edifício do Lago, 1.º andar D, Taipa. Naquele dia o registo de entrada dos concorrentes terá início às 9:30 horas. 12. Critérios de adjudicação: Os espaços a arrendar são adjudicados aos concorrentes que ofereçam a renda de valor mais elevado. Caso os valores apresentados não sejam superiores ao preço base fixado, será retirado do concurso o respectivo espaço a arrendar, não se procedendo à sua adjudicação. 13. Outros assuntos: Os pormenores e as observações ao referido concurso encontram-se disponíveis no Processo do Concurso. As actualizações das Informações ao presente concurso serão publicadas na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). Instituto de Habitação, aos 4 de Setembro de 2019.

O Presidente, Arnaldo Santos


sociedade 7

quarta-feira 18.9.2019

PERTH CPSP CONFIRMA QUE AGENTE É UMA DAS VÍTIMAS DO ACIDENTE

Operação Trovoada Detidas 118 pessoas por prostituição

As autoridades prenderam 118 pessoas pela prática de prostituição entre 15 de Julho e 12 de Setembro, no âmbito da operação conjunta Trovoada 2019, que envolveu as autoridades de Macau, Cantão e Hong Kong. Segundo os Serviços de Polícia Unitários (SPU), para esta operação foram mobilizados 11.239 agentes, com 3.777 indivíduos a serem conduzidos à Polícia para efeitos de averiguações da identidade, dos quais 917 foram encaminhados ao Ministério Público, por suspeitas de prática de crimes, envolvendo um total de 755 casos. Entre os crimes, 28 são casos relacionados com tráfico de drogas, 126 de agiotagem, e 9 de auxílio à imigração ilegal. Ainda no âmbito desta operação, foram detidos 625 indivíduos pela prática de câmbio ilegal e 69 pela prática de empréstimo ilegal.

Hesitação fatal

Uma agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública, com 24 anos, e uma estudante universitária, de 23 anos, são as vítimas confirmadas do acidente de viação na Austrália

NA FAIXA ERRADA

Taxistas Criada federação profissional

Pelo menos três associações que representam taxistas reuniram-se para criar a Federação dos Negócios de Táxi de Macau (FNTM), organismo que pretende ser a voz única dos profissionais e proporcionar o desenvolvimento estável e harmonioso do sector, de acordo com uma informação publicada ontem no jornal do Cidadão. O objectivo da FNTM, presidida por Wong Peng Kei, passa também por melhorar a qualidade dos serviços. Outro dirigente da nova federação profissional, Au Hou Sam, salientou que, ao longo dos anos, o sector dos táxis ganhou má fama devido a comportamentos problemáticos que afectaram seriamente a vida dos cidadãos e imagem da cidade. Situação que considera ultrapassada depois da entrada e vigor da lei que veio regular a profissão, atestada pela diminuição de infracções de taxistas. Quanto às tarifas, os responsáveis pela FNTM referiram ainda não ter recebido qualquer resposta.

segundo os esclarecimentos prestados ao HM, que recebeu pedidos de apoio dos familiares da vítimas. “Os familiares das vítimas falecidas entraram em contacto com o GGCT para pedirem informações e assistência. O GGCT está a coordenar a situação e em contacto permanente com a família de modo a prestar as possíveis assistências”, foi explicado ao HM. “O Consulado-Geral da China em Perth já entrou em contacto com a família dos afectados e destacou funcionários para visitar a terceira vítima ferida que se encontra hospitalizada em estado estável e fora de perigo de vida. O Consulado-Geral da China em Perth irá prestar assistência à família dos falecidos para dar o seguimento necessário ao acidente”, foi acrescentado. O HM contactou o Chefe do Executivo para perceber se tinha entrado em contacto com as famílias afectadas, como fez em outros acidentes de turistas em Macau, mas até à hora do fecho não tinha havido qualquer resposta.

CPSP “Lamentamos profundamente a morte da nossa agente neste terrível acidente de viação”

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S vítimas do acidente de viação na Austrália, que tirou a vida a duas residentes, são uma agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e uma estudante da Universidade de Melbourne. A informação foi confirmada ao HM, no que diz respeito à agente, pelo CPSP. Um porta-voz do CPSPinformou que a agente fazia parte dos quadros

desta autoridade desde o ano passado. O CPSP disponibilizou-se imediatamente para prestar todo o apoio aos familiares da vítima. Segundo o jornal Ou Mun, esta vítima tinha 24 anos de idade, mas o CPSP não quis entrar em pormenores sobre a sua identidade. “Lamentamos profundamente a morte da nossa agente neste terrível acidente de viação”, afirmou o porta-voz do CPSP. “Oferecemos todo o nosso auxílio aos familiares

da vítima neste momento difícil”, foi acrescentado. Em relação à segunda vítima, a mesma é uma estudante da Universidade de Melbourne e tem 23 anos de idade. Esta é igualmente a idade da única das três pessoas de Macau que sobreviveu ao impacto contra um autocarro de turismo. O caso está igualmente a ser acompanhado pelo Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT),

Ontem o canal televisivo 9 News relatou mais pormenores do acidente entre o carro Nissan SUV, em que seguiam as três residentes, e o autocarro de turismo, que levava 34 passageiros. Segundo a versão de testemunhas ouvidas, o impacto terá ficado a dever-se ao facto da viatura com as residentes ter entrado na faixa errada, quando estava a atravessar um cruzamento, vinda do Parque de Nambung e a entrar na auto-estrada. Terá sido num momento de hesitação da condutora, em que tentava perceber o sentido em que devia circular, que houve uma colisão com o autocarro, o que terá feito o carro capotar por três vezes. Na altura do impacto, uma testemunha afirmou que o autocarro devia circular a cerca de 100 km/h. De acordo com os números citados pelo 9 News, só nos últimos cinco anos, 54 pessoas morreram ou ficaram seriamente feridas devido a acidentes na estrada em questão. João Santos Filipe

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DIRECÇÃO DE SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO E JUVENTUDE INVESTIDOS 39 MILHÕES DE PATACAS NA ARTE MACAU

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Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) gastou 39 milhões de patacas com os Festivais Internacionais de Música, Dança e de Teatro, que fizeram parte do eventoArte Macau. Os números foram apresentados ontem por Luís Gomes, Chefe da Divisão de Desporto Escolar e Ocupação de Temos Livres

da DSEJ, e o orçamento está de acordo com o que tinha sido delineado. No que diz respeito ao evento de dança, o orçamento foi de 14 milhões. Já para o evento de música houve um investimento de 16 milhões e para o teatro 9 milhões de patacas. Este foi um investimento avaliado de forma positiva por

95 por cento das 800 pessoas inquiridas durante os eventos. “Os inquiridos concordaram que estas actividades aumentam a integração dos jovens nas actividades artísticas e que permite um intercâmbio internacional, o que foi valorizado, uma vez que actualmente Macau ainda não participa muito em actividades artísti-

cas a nível mundial”, explicou Luís Gomes, ontem, após uma reunião plenário do Conselho da Juventude. As actividades contaram com mais de 900 jovens de 28 países ou regiões. O número de espectadores atingiu os 27 mil. Na mesma reunião, voltou a ser discutida a revisão do Ensino Técnico-Profissional.

De acordo com a informação apresentada, o novo diploma deve entrar na Assembleia Legislativa até ao final do ano, para depois ser discutido e aprovado pelos deputados. Este é um procedimento que sucede a uma consulta pública feita durante 45 dias e cujos resultados já foram divulgados.

Actualmente existem em Macau 35 cursos profissionais que envolvem 1.200 alunos. A DSEJ definiu ainda como objectivo acabar com eventuais preconceitos contra este tipo de ensino e quer transmitir a imagem que estes cursos também permitem entrar no Ensino Superior.


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18.9.2019 quarta-feira

IAM GOVERNO NÃO QUER ANIMAIS VADIOS NA RUA E FALA DE SAÚDE PÚBLICA

Um perigo à solta

Para o IAM, os cães e gatos vadios são um perigo para a segurança e saúde públicas e como tal não devem ser libertados. Além disso, o Governo não acredita que os animais vadios estejam seguros nas ruas

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Governo afastou a possibilidade de capturar animais vadios, esterilizá-los, vaciná-los e devolvê-los às ruas e argumenta que os animais podem constituir um risco para a segurança pública. Esta era uma exigência do deputado Sulu Sou, mas José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), explicou que por lei é proibido a libertar animais vadios sem que haja garantias de segurança. O ‘Plano de captura, esterilização, vacinação e reposição de animais vadios’ é bastante adequado a zonas fechadas com pouca circulação de pessoas, para controlar a quantidade dos animais vadios existentes a longo prazo”, começou por sustentar o presidente do IAM. “Devido à grande densidade populacional e ao intenso trânsito no Território, se esse plano for lançado em Macau poderá causar impactos negativos sobre a segurança e salubridade públicas e o ambiente ecológico, pelo que, o Instituto considera que não há condições”, justificou. Além deste argumento, José Tavares defende que a Lei de Protecção dos Animais impede que haja libertação, quando a segurança para os próprios bichos não está garantida. “Tendo em conta objectivamente o ambiente do Território, a própria segurança dos ani-

mais vadios libertados não é efectivamente garantida, portanto, nos termos da ‘Lei de Protecção dos Animais’, é proibida qualquer forma de libertação de animais vadios”, é acrescentado. Segundo a resposta do presidente do IAM, neste momento não existem quaisquer planos para alterar a legislação em vigor, a não ser que haja uma alteração no “ambiente do território” face às ameaças para os animais.

157 ADOPÇÕES

A necessidade de um programa de vacinação, esterilização e libertação dos animais vadios começou a ser uma das exigências de associações de protecções dos animais, depois de terem sido postos a circular online vários vídeos em que os funcionários do IAM perseguiam cães e gatos vadios. Segundo a legislação actual, o Governo pode optar por abater os animais que não forem reclamados pelos donos num prazo de sete dias. Contudo, na resposta a Sulu Sou, José Tavares apontou que o abate é sempre a última opção e que só é escolhida por falta de espaço para estes seres-vivos. “Se o animal não for reclamado no prazo de sete dias úteis, o mesmo é considerado perdido a favor do IAM, que lhe pode dar o tratamento que entenda conveniente, inclusive a medida prioritária de procura de um adoptante adequado ou, em último caso, a de lhe pôr termo à vida, por meios humanitários, devido à falta de espaço de recolha”, foi clarificado. Em relação aos dados de adopções, entre Janeiro e Junho deste ano foram adoptados 86 cães e 71 gatos capturados pelo IAM. Cerca de 56 por cento das adopções foram feitas por associações de protecção dos animais e 44 por cento por cidadãos. Cerca de 56% das adopções foram feitas por associações de protecção dos animais e 44% por cidadãos

Imobiliário Metro quadrado com valor mais alto do ano

De acordo com dados publicados ontem pela Direcção dos Serviços de Finanças, o preço médio do metro quadrado em Agosto foi de 116.856 patacas. O valor representa um aumento anual de cerca de 17,7 por cento e é até agora o mais elevado de 2019. A Taipa registou os preços mais elevados por metro quadrado, com uma média de 138.110 patacas, seguindo-se Coloane com 121.283 patacas, em média, por um metro quadrado. No mês passado, a Península registou os preços mais acessíveis no mercado imobiliário da RAEM, com um valor médio de 107.810 patacas. Daí, não se estranhar que em Agosto a larga maioria das casas vendidas tenha sido na Península, mais concretamente 518 de um total de 770 habitações vendidas. Entre os compradores destes imóveis, 750 eram residentes, 619 deles compraram a sua primeira casa. Importa salientar também, que os dados de Agosto da DSF apontam para apenas 15 compras de casas por não residentes.

Transportes Cotai Jet vai eliminar seis ligações diárias a Hong Kong

A partir de Outubro, a Cotai Water Jet vai cortar seis ligações de ferry diárias entre Macau e Hong Kong. A partir de 1 de Outubro, entre o Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa e o Terminal de Sheung Wan, a companhia deixa de fazer a viagem das 7h da manhã e no percurso inverso vai cancelar a viagem das 21h30. Vai ser também cancelada, a partir de 2 de Outubro, a viagem das 8h15 entre o Terminal de Kowloon e o Terminal da Taipa. Também a partir de 2 de Outubro, fica cancelada a travessia das 16h30 entre o Terminal da Taipa e Sheung Wan. Também a partir de 2 de Outubro vai ser cortada a ligação das 14h15 entre o Aeroporto Internacional de Hong Kong e o Terminal da Taipa. No sentido inverso, será cancelada a viagem das 10h55.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

ASSUNTOS MUNICIPAIS AFASTADO PERIGO DE CONTAMINAÇÃO DE CÓLERA EM CHEOC VAN

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OSÉ Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), defendeu, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Lei Chan U, que não existem riscos de contaminação com a bactéria

vibrio cholerae, o agente causador da cólera, detectada em Julho na praia de Cheoc Van, em Coloane, e que tem sido assinalada nos últimos dois anos nas praias da zona. “Observando as condições higiénicas das zonas

circundantes das praias de Macau, se não ocorrerem casos de infecção em grande escala nas zonas vizinhas ou que provoquem a contaminação da água do mar devido à ocorrência de epidemia na comunidade de Macau, a

possibilidade de causar a infecção do público provocada pela água do mar contaminada pela bactéria é relativamente baixa”, apontou. José Tavares acrescentou ainda que a bactéria em causa pode ser “um tipo de

bactéria normal que existe na natureza”, sendo que “não contém o gene da toxina da cólera”. O presidente do IAM explica ainda à deputada Ella Lei que a bactéria em questão “por poder crescer sem sal, sobrevive

tanto na água do mar como no rio”, não tendo ainda sido registados casos de cólera no território provocados pela bactéria.


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quarta-feira 18.9.2019

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S protestos em Hong Kong tiveram algum impacto no turismo em Macau. Pelo menos no que diz respeito ao sector das excursões. Quem o diz é Manuel Iok Pui Ferreira, vice-presidente da direcção da Associação dos Profissionais da Indústria de Viagens e Turismo de Macau e responsável por uma agência de viagens, que ao Jornal do Cidadão defendeu que os protestos na região vizinha tiveram um impacto directo nas excursões do continente, que incluíam Macau e Hong Kong no percurso. Estes dois factores levaram a que os guias turísticos do território tenham tido um Verão calmo, com apenas cinco a seis dias de trabalho nos meses de Julho e Agosto. No caso da agência de viagens detida por Manuel Iok Pui Ferreira, registou-se uma quebra de receitas na ordem dos 35 por cento, uma vez que muitos turistas que se deslocavam para Macau através da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau foram afectados pelos protestos no Aeroporto Internacional de Hong Kong.  Wu Wai Fong, presidente da Macau InterPUB

Excursões em queda Protestos em Hong Kong tiraram trabalho a guias turísticos 

national Chartered Tourist Guide Association, disse ao mesmo jornal que, nos últimos dois meses, o trabalho dos guias turísticos tem sido afectado pelos protestos em Hong Kong, uma vez que 70 por cento dos grupos excursionistas que pretendiam visitar os dois territórios no mesmo percurso optaram por não se deslocar a Macau,

após decidirem não visitar Hong Kong. Este facto gerou uma quebra no negócio dos guias turísticas de entre 70 a 90 por cento, tendo apenas dois a três dias de trabalho por mês, em média 

MAIS MULTI-DESTINOS

Para Wu Wai Fong, a Direcção dos Serviços de Turismo deve

associar-se aos membros das associações turísticas para que sejam estes a realizar as visitas dos programas “Sentir Macau Passo-a-Passo” e “Oito Novas Paisagens de Macau”. A par disso, o responsável defendeu que os guias turísticos sem trabalho poderiam prestar serviço nos museus. Na visão de Manuel Iok Pui Ferreira, os protestos

em Hong Kong obrigaram à criação de percursos multi-destinos por parte das agências de viagens. O responsável considerou serem necessárias mais medidas para que os turistas cheguem directamente a Macau oriundos de Taiwan ou da Coreia do Sul, através da promoção online de pacotes turísticos familiares ou individuais. Manuel Iok Pui Ferreira disse ainda que podem ser providenciadas viagens para vários destinos na província de Guangdong. A situação política em Hong Kong tem acelerado a integração do sector turístico na Grande Baía, lançando mais projectos de multi-destinos, acrescentou. Neste sentido, Manuel Iok Pui Ferreira deseja que as autoridades de Macau e Guangdong possam adoptar medidas para acelerar a isenção de visto de entrada nas cidades que fazem parte do projecto da Grande Baía. Juana Ng Cen

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Turismo Mais de um milhão de entradas no Festival da Lua

Mais de um milhão de pessoas entrou em Macau no fim-de-semana prolongado em que se assinalou o Festival da Lua, informaram ontem as autoridades. Entre 13 e 16 de Setembro, o Corpo da Polícia de Segurança Pública registou a entrada de 1.041.478 pessoas pelos seis postos fronteiriços, dos quais 424.267 foram turistas. O número representa um aumento de 9,56 por cento em relação aos dados de 2018, também respeitantes aos quatro dias que foram objecto de análise. A maior parte das entradas registou-se, de novo, pelas Portas do Cerco, posto fronteiriço em que foram contabilizadas 782.272 pessoas. Em 2018, Macau bateu o número recorde de turistas: 35,8 milhões, um aumento de 9,8 por cento em relação a 2017.


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A 33ª edição do Festival Internacional de Música de Macau arranca com a fantasia de “A Flauta Mágica”, a ópera em dois actos de Wolfgang Amadeus Mozart, uma produção da Komische Oper Berlin e da companhia britânica de teatro 1927. O espectáculo sobe ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Macau entre os dias 4 e 6 de Outubro

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AGIA e exuberância cénica que cativa espectadores de todas as idades são os trunfos da produção conjunta da Komische Oper Berlin e da companhia britânica de teatro 1927 do clássico “A Flauta Mágica”, a ópera em dois actos escrita por Wolfgang Amadeus Mozart no seu último ano de vida, no final do século XVIII. Este é o grande trunfo do Instituto Cultural (IC) no arranque da 33ª edição do Festival Internacional de Música de Macau. Os espectáculos estão marcados para os dias 4, 5 e 6 de Outubro, no grande auditório

18.9.2019 quarta-feira

O princípio d ÓPERA “A FLAUTA MÁGICA” NA ABERTURA DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA DE MACAU

do Centro Cultural de Macau. Nos dois primeiros dias, a peça tem hora marcada para as 20h, enquanto no dia 6, domingo, começa às 15h.

No dia 3 de Outubro, pelas 17h30, “A Flauta Mágica” será representada para um público constituído por alunos do ensino secundá-

Jazz Club The Bridge e João Marcos Mascarenhas no Sofitel The Bridge, a banda residente do Jazz Club de Macau, volta a tocar em mais um evento promovido pela associação. O concerto acontece no próximo dia 21 de Setembro no hotel Sofitel, e conta também com a presença do músico brasileiro João Marcos Mascarenhas, que já trabalhou com lendas do jazz como o trompetista Randy Brecker e Hendrick Meurkens, entre outros.  De acordo com a nota oficial do evento, a música de

João Marcos Mascarenhas “incorpora todos os estilos” musicais, que passam não apenas pelos “ritmos vibrantes do Brasil com os conceitos de jazz no que diz respeito à forma e improviso”, o que fazem desta “uma actuação única em Macau”. O concerto inclui um repertório composto por músicas de António Carlos Jobim, João Donato, Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti, incluindo alguns originais. As portas do espectáculo abrem às 18h00.

rio, com um número máximo de 400 espectadores. Em comunicado, o IC descreve o espectáculo desta forma: “Tamino a voar nas costas do elefante, a Rainha da Noite como uma aranha gigante, constelações dançantes, borboletas e macacos mecânicos preenchem a ‘tela’- o fascínio que ‘AFlauta Mágica’ exerce sobre o público de todas as idades parece infinito”. A produção mistura filmes de animação e cantores ao vivo, e teve um alcance considerável, com mais de 500 mil espectadores e críticos por todo o mundo. Ao longo de cerca de 2 horas e 45 minutos, o palco do

grande auditório será inundado pela “imensa fantasia desta ópera mágica que desafia toda a lógica e razão”.

TEATRO FRATERNAL

Apesar da exuberância visual e musical, a “A Flauta Mágica” está longe de ser uma ópera

para crianças. Escrita e dirigida na noite de estreia pelo próprio Mozart, a peça está repleta de referências maçónicas (Mozart era maçon) e de apontamentos sobre os princípios do Iluminismo, reflectindo os valores da época (plena Revolução Francesa). Pode mesmo dizer-

“Tamino a voar nas costas do elefante, a Rainha da Noite como uma aranha gigante, constelações dançantes, borboletas e macacos mecânicos preenchem a ‘tela’ - o fascínio que ‘A Flauta Mágica’ exerce sobre o público de todas as idades parece infinito.” IC

Casa de Macau Livro de António Mil-Homens apresentado em Lisboa Depois de uma apresentação em Macau, o mais recente livro do fotógrafo António Mil-Homens, intitulado Universália, foi ontem apresentado em Lisboa, graças a uma iniciativa da Fundação Casa de Macau em Portugal. António Mil-Homens, conhecido fotógrafo de Macau, decidiu embrenhar-

-se no mundo da poesia depois de ter lançado, em 2010, o livro “Vida ou Morte duma Esperança Anunciada”. “Sem ter em atenção a cronologia da escrita, porque tenho projectos mais antigos, resolvi pegar neste ‘Universália’ que, como todos os outros, tem por base sentimentos, emoções, estímulos

exteriores”, que surgiram “na quase totalidade dos casos, como eu costumo frisar, de jorro e na forma acabada”, disse ao HM. Na área da fotografia, António Duarte Mil-Homens já conta com 22 exposições individuais de Fotografia e a participação em 27 colectivas de Fotografia e Arte.


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quarta-feira 18.9.2019

do FIMM -se que é uma ópera que rompe com as ideias do feudalismo e da predominância aristocrática. Inspirada nas “camadas mais profundas de experiências humanas fundamentais, para as quais o conto de fadas parece ser simplesmente a forma mais adequada de expressão e somente a música encontra a linguagem apropriada”, “A Flauta Mágica” deixa transparecer em alguns momentos os princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Antes da subida ao palco, a obra de Mozart será tema de uma palestra, com data marcada para o dia 28 de Setembro, entre as 15h e as 17h,

no auditório do Conservatório de Macau. A conversa, em cantonense, será liderada por Chow Fan fu, famoso crítico de música, vice-presidente da Associação Internacional de Críticos de Teatro (Hong Kong) e examinador do Conselho de Desenvolvimento das Artes de Hong Kong. O orador irá discorrer sobre a forma como se interligam “temas tão sérios como o valor e o significado da

vida, o canto ligeiro e hábeis técnicas expressivas da comédia, fundindo cenas tragicómicas e conotações profundas para criar um mundo mágico muito peculiar”. Os preços dos bilhetes para os espectáculo variam entre as 400 e as 700 patacas. João Luz

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SOFIA MARGARIDA MOTA

Seac Pai Van Biblioteca inaugura na próxima semana

É já na próxima semana, dia 24, que o Instituto Cultural (IC) inaugura a nova biblioteca público do complexo de habitação pública de Seac Pai Van, em Coloane. De acordo com um comunicado, a biblioteca de Seac Pai Van ocupa uma área de 2.074 metros quadrados e oferece mais de 300 lugares para leitura, tendo uma capacidade para armazenar até 75,000 volumes. O IC considera que este espaço “fornece uma experiência de leitura e espaço para leitura de qualidade e conveniente, sendo um importante local público para actividades familiares, bem como uma instalação social e cultural que integra funções de aprendizagem, lazer e relações sociais”. A Biblioteca de Seac Pai Van encontra-se aberta à segunda-feira das 14:00 às 00:00 horas, e de terça-feira a domingo das 8:00 às 00:00 horas.

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18.9.2019 quarta-feira

PETRÓLEO PREOCUPAÇÕES COM PREÇOS APÓS ATAQUE NA ARÁBIA SAUDITA

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COMÉRCIO CONFIRMADA IDA AOS EUA PARA PREPARAR ENCONTRO DE ALTO NÍVEL

Manobras de Outono

O vice-ministro das Finanças Liao Min vai chefiar a delegação que se deslocará a Washington para preparar o terreno da décima terceira ronda de negociações entre os Estados Unidos e a China com vista a acabar com a guerra comercial que opõe os dois países

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Governo chinês confirmou ontem que uma delegação sua vai viajar para os Estados Unidos, visando preparar a reunião de alto nível que tentará, em Outubro, concluir um acordo que ponha fim à guerra comercial. A agência noticiosa oficial Xinhua informou que o vice-ministro das Finanças Liao Min liderará a delegação, que chega na quarta-feira aos Estados Unidos. “A visita abrirá caminho para a décima terceira ronda de consultas económicas e comerciais de alto nível China - Estados Unidos, em Outubro, em Washington”, lê-se no despacho da agência. Pequim e Washington, que travam há mais de um

ano uma guerra comercial, têm vindo a dar sinais de apaziguamento. Na semana passada, a China anunciou que excluirá alguns produtos norte-americanas de taxas alfandegárias adicionais, nomeadamente químicos industriais e fármacos, e que retomará a compra de soja e carne de porco aos EUA. O Presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu também adiar o aumento de taxas alfandegarias, de 25 por cento para

30 por cento, sobre um total de 250 mil milhões de bens importados da China. Washington e Pequim aumentaram já as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.

AMEAÇA GLOBAL

No cerne da guerra comercial está a política de Pequim para o sector tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes actores globais em sectores de alto valor

“A visita abrirá caminho para a décima terceira ronda de consultas económicas e comerciais de alto nível China - Estados Unidos, em Outubro, em Washington.” AGÊNCIA XINHUA

agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos. Os Estados Unidos consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa. As disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo ameaçam também a economia mundial: o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu este mês as suas projeções de expansão global para 3,2 por cento, em 2019, um décimo a menos do que as previsões feitas em Abril.

Governo chinês admitiu ontem estar preocupado com o impacto nos mercados do petróleo do ataque com veículos aéreos não tripulados (drones) a instalações petrolíferas na Arábia Saudita, ocorrido no fim de semana. “A China está obviamente muito preocupada com o impacto do ataque na estabilidade e segurança do mercado internacional de fornecimento de petróleo”, afirmou a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying. Os preços do petróleo caíram na terça-feira, depois de subirem no dia anterior, após o ataque. A China é um dos maiores clientes do petróleo do Médio Oriente. Hua afirmou ainda que o país condena os ataques a uma refinaria e a um campo

de exploração petrolífera em Aramco, que forçou aArábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo, a reduzir a produção para metade. O porta-voz do Gabinete Nacional de Estatísticas chinês Fu Linghui considerou ontem que é muito cedo para avaliar o impacto nos mercados de energia, e observou que os preços do petróleo estavam em queda antes do ataque. Os rebeldes iemenitas Huthis, apoiados pelo Irão e que enfrentam uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita, há cinco anos, assumiram a responsabilidade pelos ataques. O incidente foi condenado pela Casa Branca. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusou Teerão de “lançar um ataque sem precedentes ao fornecimento global de energia”.

HONG KONG EMPRESAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS RECUSAM TRABALHOS PARA O GOVERNO

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MPRESAS de relações públicas rejeitaram o pedido de ajuda do Governo de Hong Kong, que procura restaurar a imagem do território após mais de três meses de protestos, anunciou a Chefe do Executivo. As empresas, que não foram identificadas por Carrie Lam, alegaram que “o momento não é propício”, já que a violência e a agitação na antiga colónia britânica não mostram sinais de abrandamento. Os protestos foram desencadeados em Junho contra as emendas propostas à lei de extradição, que muitos viam como um exemplo da crescente interferência da China e de uma erosão nas liberdades de Hong Kong. Após meses de agitação social, com manifestações quase diárias, o Governo retirou, formalmente, a controversa proposta no início deste mês, mas as manifestações prosseguem, com os manifestantes a exigirem outras quatro rei-

vindicações, incluindo o sufrágio universal. No domingo, dezenas de milhares de pessoas desafiaram a proibição da polícia de sair à rua para se manifestarem e participaram numa marcha não autorizada, que começou em Causeway Bay, para comemorar o Dia Internacional da Democracia. A violência acabou por eclodir mais tarde, com a polícia disparar canhões de água e a lançar gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes na zona onde se encontra a sede do Governo. A intervenção da polícia ocorreu depois de actos violentos de vários grupos de manifestantes, que atiraram tijolos, ‘cocktails molotov’ e ovos contra as autoridades. Ontem, Carrie Lam descreveu como “decepcionante” a descida do ‘rating’ de Hong Kong, esta semana, pela agência Moody’s, a segunda agência de notação financeira a fazê-lo, depois da Fitch.


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quarta-feira 18.9.2019

Porcos sitiados Coreia do Sul detecta primeiro surto de peste suína africana no país

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Governo da Coreia do Sul informou ontem ter detectado o primeiro surto de peste suína africana no país, numa exploração agropecuária perto da fronteira com a Coreia do Norte, onde cinco porcos morreram na sequência do vírus. O ministro da Agricultura sul-coreano, Kim Hyeon-soo, explicou ter sido já activado um protocolo que inclui o abate de cerca de quatro mil porcos em três explorações agropecuárias, incluindo a que abrigava os animais afectados, perto da cidade de Paju (fronteira norte). Durante 48 horas, está interdita a deslocação de suínos para qualquer exploração do país e os matadouros devem interromper todas as operações durante o mesmo período, de acordo com a ordem emitida pelo Governo de Seul. Em conferência de imprensa, Kim Hyeon-soo prometeu “o máximo esforço” das autoridades para evitarem

a propagação do vírus e adiantou que estão a ser investigadas as possíveis vias de contágio, que se acredita serem originárias da Coreia do Norte. O surto sul-coreano ocorre quatro meses após a Coreia do Norte ter notificado a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) sobre um primeiro caso detetado perto da fronteira com a China. A peste suína africana não é transmissível aos seres humanos, mas é fatal para porcos e javalis. A actual onda de surtos começou na Geórgia, em 2007, e espalhou-se pela Europa do leste e Rússia, antes de chegar à China, em Agosto passado. Inicialmente, Pequim indicou que a situação estava sob controlo, mas os surtos acabaram por se alastrar a todas as províncias do país.

PORTUGAL AGRADECE

As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICM Pork e Montalva a exportar para o país. As estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros. Visto pelos produtores portugueses como o “mais importante” acontecimento para a suinicultura nacional “nos últimos 40 anos”, a abertura do mercado chinês deverá ter efeitos inflaccionários em Portugal.

Durante 48 horas, está interdita a deslocação de suínos para qualquer exploração do país e os matadouros devem interromper todas as operações durante o mesmo período, de acordo com a ordem emitida pelo Governo de Seul

PUB HM • 1ª VEZ • 18-9-19

ANÚNCIO

Aviso de recrutamento

Execução Ordinária n.º

Faz-se público que, por despacho do Ex. Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 15 de Março de 2019, se encontra aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento de cinco lugares de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de gestão e administração pública, em regime de contrato administrativo de provimento do Instituto de Habitação (IH). Para mais informações podem consultar o aviso de abertura do concurso publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.o 38 , II Série, de 18 de Setembro de 2019, ou dirigir-se, durante o horário de expediente, à recepção do IH, sito na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, r/c L, Macau, ou aceder à página electrónica deste Instituto (http:// www.ihm.gov.mo/) e dos SAFP (http://www.safp. gov.mo/). Instituto de Habitação, aos 12 de Setembro de 2019. A Presidente, Subst.ª, Kuoc Vai Han mo

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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CV3-18-0169-CEO

3º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. Executados: CHEANG KEONG FAI e mulher HUANG YUEMING, ambos residentes em Macau, na Avenida do Comendador Ho Yin, Edf. Cheng Chong, Bloco 1, 22º andar C. *** FAZ-SE SABER que, nos autos acima indicados, são citados os credores desconhecidos dos executados para, no prazo de QUINZE (15) dias, que começa a correr depois de finda a dilação de VINTE (20) dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do direito penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Direito Penhorado Denominação: Fracção autónoma designada por “C22”, do 22º andar C. Situação: Em Macau, nºs 15 a 49 da Rua do Laboratório, nºs 49 a 97 da Travessa do Laboratório, nºs 648 a 684 da Avenida do Comendador Ho Yin, nºs 158 a 236 da Estrada do Canal dos Patos. Fim: Habitação Número de matriz: 073856. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 23027-C, e aí registada a favor do titular inscrito Instituto de Habitação. RAEM, aos 12 de Setembro de 2019. ***


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18.9.2019 quarta-feira

Escuto o silêncio das palavras

A Poesia Completa de Li He

春 晝 朱城報春更漏轉,光風催蘭吹小殿。    草細堪梳,柳長如線。    卷衣秦帝,掃粉趙燕。    日含畫幕,蜂上羅薦。    平陽花塢,河陽花縣。    越婦搘機,吳蠶作繭。    菱汀系帶,荷塘倚扇。    江南有情,塞北無限。 

Manhã de Primavera Na Cidade Cinabre anuncia-se a primavera1 Quando gira a clepsidra. Uma brisa soalheira agitas os lótus Ao atravessar o pequeno palácio. A erva rala mal aguenta o ancinho, Salgueiros como longos fios de seda. O Imperador de Qin dobra roupa,2 A Andorinha de Zhao empoeira o rosto.3 Luz do sol catada por cortinas pintadas, Abelhas pousam em tapetes de seda. Flores no jardim de rochas de Ping-yang,4 Flores no distrito de He-yang.5 Esposas de Yue preparando seus teares, Bichos-da-seda de Wu giram seus casulos. Castanhas d´água abraçam as margens, Raparigas de leque reclinadas junto a lagos de lótus. A sul do Yangzi tudo é júbilo, A norte das Passagens, a terra é sem limite.

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“Cidade Cinabre”: o palácio. Referência a uma balada em que se conta como o Imperador dobrou roupas para oferecer às beldades de palácio. A Andorinha Esvoaçante de Zhao (Chao Fei-yan) era famosa pela sua grande beleza. Jardim construído pela Princesa Ping-yan durante a Dinastia Han. Pan Yue (século III), quando magistrado de He-yang, em Henan, mandou plantar árvores e flores em todo o distrito.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 18.9.2019

Diário de um editor João Paulo Cotrim

GALERIA DO 11, SETÚBAL, 31 AGOSTO Por razões de mera logística, acabei perdendo um daqueles momentos de fruição, o lançamento de obra aparelhada em magnífico cenário, novo e maduro fruto da paixão do Jorge [Silva]: «M. Lapa – Ilustração». Para já, vai deslumbrando, e com isso apaga, nem que seja por instantes, a longa travessia da instável ponte dos orçamentos apertados, das burocracias ameaçadoras, dos perigos constantes, como se dançássemos na ponte bamba sobre desfiladeiro vertiginoso em plena selva, na ilustração expressionista de Lapa, pejada de animais selvagens do mais variado tipo. O grande gozo está na partilha, no desocultar, afastando pesada cortina, do trabalho prolongado e discreto, daqueles que foram fazendo chão, cenário sem importância do que por nós passa. Não me custa, gordo-burguês que aprendi a ser, afastar as questões ideológicas, para desfrutar apenas das imagens. Há muito folheio as páginas da revista «Atlântico», em qualquer afã instrumental, ou apenas para me deixar levar na cadência gráfica da tipografia e do desenho, arremedo da arte antiga da iluminura a seduzir olhar e gesto, o do manuscrito e o dos que queiram entender a disposição da linha, a sempiterna enigmática ocupação da folha. Tenho para mim que um dos momentos de maior fulgor da civilização encontra-se na definição da página como horizonte maior da leitura, terreno de saber e imaginação. Não páram de se suceder os deslumbramentos, alguns menos óbvios, tal os esboços. Tenho que me controlar para regressar a este texto, desobedecendo ao apetite de continuar a folhear. O inacabado abre uma janela para o processo, para o pensamento em acção, como papel e o lápis ou o marcador, enfim, os materiais, também eles a dizer do gosto, do equilíbrio e do seu contrário. Aprecio o incerto, como fresquidão da cerveja na garganta, pelo que me perco com facilidade nos bastidores do inacabado. Com a inteligente simplicidade que colocou na arrumação de mais este volume, o Jorge alimentou este meu vício com secção ocupada com indicações de futuras paginações de vários livros e revistas, como a Prelo, da Imprensa Nacional Casa da Moeda, mas denunciando nesse caso um interesse pela fotomecânica que afecta a costela romântica do desenho, aquela a sujo de grafite. BELA, LISBOA, 3 SETEMBRO Na pauta do verso dito nas colinas da cidade, as «Primas Terças», do mano André [Gago], soam a veterania. [Georg] Trakl foi a floresta escolhida para se erguer na noite, ventosa como

Volúpia de grafite mergulhados. Milhares de imagens serão ainda mais traficadas por estes dias, meia dúzia de bytes, que não valem uma ampliação sem distorção, mas pouco afectando o seu carácter esmagador que nem cavalo erguido sobre as patas traseiras. Cavalgando as regras, todas e cada uma, as imagens de Frank são momentos de real, abrem a cortina para o teatro que aconteceu naquele exacto lugar, com aquelas pessoas de nome próprio, em conjunto crescendo por inteiro e excessivo, carnal e bruto, etéreo e luminoso, enfim, humano. Era um raptor de histórias. Não sabíamos do tecido do humano até lhe vermos as fotografias. E por isso colecciono para os dias de Inverno e Setembro os seus auto-retratos, mesmo aqueles nos quais inclui outros, por exemplo o da companheira, suprema ternura. Que tem isto a ver com a frieza da banalidade omnipresente nas selfies destes dias? Nele, o humano ergue-se e desafia a escultura: vês que esta ruga não se fez monumento?, sentes o sangue nesta mão?, percebes que existo por causa destes olhos? Somos mais quando somos capazes de ir ao teatro vermo-nos nos outros, corvos saltitantes nos pastos da dor e da alegria. Não sabíamos quem éramos, que corpo tínhamos, de que alma viemos ou iremos, até entrarmos nas fotos de Robert Frank.

convém aos expressionismos chiaroscuro. A celebração de Baco começou antes, no Santa Clara Mix Café, do Jacinto [Gameiro] e da Cila, anfitriões de rara qualidade, que resolveram assentar arraiais ali na beira-panteão. A incorrecção política será castigada, mais tarde ou mais cedo, pelos polícias do gosto, mas interessa sobretudo o bem servir e melhor acolher. Para a função estavam convocados o Carlos [Barretto], que rasgou paisagens no espaço acanhado, o [José] Anjos, na voz cava, e, além do anfitrião-orquestrador, o tradutor e ressuscitador-mor das línguas-mortas, António [de Castro Caeiro]. Brilharam intensidades, em certos casos, no extremo da comoção. Com ponta de estranheza, o poeta aconchegou-se aos meus dias. «Sobre o canto negro, precipitam-se,/ À tarde, os corvos com um forte

grasnar./ As suas sombras tocam, ao de leve, nas corças,/ E, às vezes, são vistos a descansar de mau humor.// Oh! como eles perturbam o castanho sossego,/ No qual um campo se exalta / Como uma mulher que um grave pressentimento enfeitiça,/ E, às vezes, podem ouvir-se crocitar.// Por causa de uma carcaça cujo cheiro algures sentiram./ E, de repente, dirigem o voo para norte/ E desaparecem como um cortejo fúnebre/ Na atmosfera que estremece de volúpia.» HORTA SECA, LISBOA, 10 SETEMBRO A visão de Robert Frank (1924-2019) não acenderá mais nenhuma câmara. As redes encheram-se das suas imagens, das poucas que resistem ferozmente ao desgaste da incessante multiplicação de imagens. Até ao zero absoluto, o do banal indistinto em nos vemos

HORTA SECA, LISBOA, 10 SETEMBRO Deixam de ser, para o nosso sempre, íntimo e talvez intransmissível, dias iguais. O calendário de Setembro está picado pelos corvos, umas vezes poisam na pedra do mau humor, noutros grasnam ao desafio pontuando os céus. Há uma estranheza de verso na circunstância de assinalarem tantos e tão queridos. O negro dos corvos brilha de tão definitivo e não sei bem como o interpretar. HORTA SECA, LISBOA, 16 SETEMBRO Sabemo-lo, coisa crónica na dita, refrão acompanhado à guitarra pela morte: as segundas-feiras são um concentrado de ansiedade, um nó cego de urgências e desatinos. No meio de mais esta fruste tentativa de, através da palavra, encontrar sentido no que faço – na bisga, sempre na bisga – vejo-me entalado entre inventar tentativa para dar cor à palidez da presença no pavilhão 61, da Feira do Livro do Porto, e rever em definitivo a nossa participação no Fólio deste ano, em torno de «O Tempo e o Medo», e no qual o Hoje Macau deixará também a sua marca. Isto para dizer o mínimo do «instantece» agora mesmo. Já agora, o programa promete, sobretudo nas entrelinhas do que se escreve com holofotes.


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18.9.2019 quarta-feira

Governo da Região Administrativa Especial de Macau Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais Anúncio Concurso Público n.º 01/GPDP/2019 Torna-se público que, de acordo com o despacho do Exm.o Senhor Chefe do Executivo, 2 de Setembro de 2019, se encontra aberto o concurso público para a “Prestação de serviços de segurança ao Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais”. A partir da data da publicação do anúncio, os interessados poderão descarregar o programa do concurso e o caderno de encargos através da página electrónica do GPDP (https://www.gpdp.gov.mo/), ou, durante o horário de expediente, dirigir-se ao balcão de atendimento do GPDP, sito na Avenida da Praia Grande, Edifício “China Plaza”, 17.º andar, Macau para a consulta do programa do concurso e do caderno de encargos ou para a obtenção da cópia dos mesmos, mediante o pagamento da importância de MOP100,00 (cem patacas). As propostas devem ser entregues ao balcão de atendimento do GPDP, sito na Avenida da Praia Grande, Edifício “China Plaza”, 17.º andar, Macau, o prazo para a entrega das propostas termina às 17:45 horas do dia 15 de Outubro de 2019. A abertura das propostas será realizada na Sala Polivalente do GPDP, sito na Avenida da Praia Grande, Edifício “China Plaza”, 13.º andar “A a F”, Macau, pelas 11:00 horas do dia 16 de Outubro de 2019. Os concorrentes têm de prestar uma caução provisória de MOP44.000,00 (quarenta e quatro mil patacas) por meio de depósito bancário ou por garantia bancária legal a favor do Governo da Região Administrativa Especial de Macau — Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais. Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais, aos 9 de Setembro de 2019. O Coordenador Yang Chongwei


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quarta-feira 18.9.2019

Divina Comédia Nuno Miguel Guedes

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RA inevitável. Um acidente à espera de acontecer, um crime à espera de ser testemunhado. Até agora a coisa tinha-me corrido bem, porque sempre estive consciente dos olhares e antes de perpetrar a infracção os alarmes interiores soavam e suspendia o que iria fazer. Mas desta vez não. Estava demasiado distraído, defesas em baixo. Estava até, confesso, a precisar de fazer o que fiz. E não consegui evitá-lo. Sim, amigos: fui apanhado a falar alto e comigo mesmo no meio da rua. Corrija-se, a bem do rigor jornalístico: não foi na rua, foi numa estação de metropolitano. Mas aconteceu. Não me lembro do assunto da conversa que me estava a ocupar; apenas de que falava alto, gesticulava e tinha reacções histriónicas ao que ia dizendo. Só parei quando uma simpática idosa, com o olhar a transbordar de compaixão, se aproximou de mim e perguntou se eu precisava de ajuda e se estava perdido.

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Travessa do Fala-Só Podia ter respondido filosoficamente que sim a ambas as perguntas mas percebi que não era a isso que a generosa anciã se referia. Ali estava um marmanjo, no meio de um cais de estação de metro, a ter uma acesa discussão com um amigo imaginário. Mesmo tendo um ar inofensivo e felizmente longe de parecer um sem-abrigo, acredito que a visão possa assustar quem a presencie. Mas eis a verdade: eu pratico estes diálogos desde pequeno. Talvez por ser filho único habituei-me a longas cavaqueiras comigo como interlocutor. Às vezes redundavam em acesas discussões e deixava de me falar por umas horas, zangado com os meus argumentos.

Continuei a praticar a modalidade em público e ainda o faço. Não tenho vergonha. Apenas não me esqueço da célebre frase do poeta Dylan Thomas, ele próprio um grande fazedor de enormes diatribes contra ele próprio: “Alguém me está a maçar. Acho que sou eu”. Nessa altura calo-me. Ou então falo mais baixo, não me lembro. É normal para mim passear na rua imaginando-me um Demóstenes ou um Churchill discursando para a House of Commons. Só que neste caso o parlamento sou eu e nem sempre aplaudo o discurso. Acredito que haja mais gente como eu, sem grandes perturbações psiquiátri-

Não me esqueço da célebre frase do poeta Dylan Thomas, ele próprio um grande fazedor de enormes diatribes contra ele próprio: “Alguém me está a maçar. Acho que sou eu”. Nessa altura calo-me

cas, que faça o que eu faço. Deveríamos formar um sindicato, um clube, uma agremiação, uma banda, qualquer coisa. Reparem, meus irmãos do solilóquio: agora até temos os “estudos” que provam que falar sozinho é sinal de génio. Pela minha parte ainda não dei por nada mas a esperança mantém-se. Há pouco tempo vi na rua o que me pareceu ser um destes companheiros. Falava sozinho sem complexos e até sorria, caminhando com uma segurança inaudita e digna da minha admiração. Apeteceu-me abraçá-lo e aproximei-me: afinal estava a falar ao telemóvel, com um aparelho instalado no ouvido. Não nego que fiquei desiludido. Mas por outro lado e por um instante reconciliei-me com as novas tecnologias de comunicação que permitem que tipos como eu possam passar mais despercebidos na via pública. Olhem, amigos: eu até contava mais episódios mas infelizmente não posso. Tenho de sair e há uma conversa longa que preciso de ter comigo mesmo.


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18.9.2019 quarta-feira

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TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 25 MAX 32 HUM 65-95% • EURO 8.90 BAHT 0.26 YUAN 1.13

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

VIDA DE CÃO

DUO DO OURO NEGRO

EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” | CASAS DA TAIPA Galeria | Até 22/09 EXPOSIÇÃO | “O VAGABUNDO” Casas da Taipa – Exterior | Até 6/10 EXPOSIÇÃO | “JARDIM DAS DELÍCIAS TERRENAS” Wynn Macau | Até 6/10

EXPOSIÇÃO | “CONTEMPLAÇÃO DA BONDADETERNA” Museu de Arte de Macau | Até 6/10

EXPOSIÇÃO | “HOT FLOWS – PEARL RIVER DELTA ARTS RETROSPECTIVE” Armazém do Boi | Até 13 de Outubro

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IT CHAPTER TWO [C] Um filme de: Andy Muschietti Com: James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, Isaiah Mustafa 14.30, 18.00, 21.00 SALA 2

ABIGAIL [B] Um filme de: Alexander Boguslavsky Com: Tinatin Dalakishvili, Eddie Marsan, Artem Tkachenko 14.30, 16.30, 19.30

ANGEL HAS FALLEN [C] Um filme de: Ric Rowan Waugh

SALA 3

FAGARA [B] Um filme de: Heiward Mak Com: Sammi Cheng, Megan Lai, Li Xiaofeng 14.30, 16.45, 21.30

ONE PIECE STAMPEDE [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Otsuka 19.30

casos de violação com contornos semelhantes ao relato da jovem do primeiro episódio. Como por acaso, 6 9 0 3 (Merritt 5 2 1 84 78 9duas detectives Wever e Toni Collette) 5 2 4por2unir7forças3para1 9 8 9 06 acabam apanhar 7 8 1um8predador 9 0 5 6 25 2 1altamente 9 4 0 sexual especializado em 8 as2autoridades. 9 7 0 6Drama 7 6 3 1 4 iludir policial intenso e altamente 1 6 3 5 6João 4 5Luz8 4 78 07 0 9 viciante.

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com.mo

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IT CHAPTER TWO

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1698 6 8 7 4 0 2 4 32 3 9Baseado numa história real, esta mini-série 89 4 2 9 6da2Netflix 5 6 3co-5 03 0 1 meça com uma adolescente 3à1polícia 0 1a violação 4 62 6 9 5 a7 relatar de que foi vítima na noite 5 8 O4nervosismo 2 6 3 2 3e 9 7 0 anterior. trauma a 7 algumas 3 1levam 8 57 5 4 6 92 89 inconsistências no relato da 2 7 5que7acaba 1 6 3 8 43 4 5jovem, 1 0 6acusada de prestar falsas declarações 3 segundo 5 9 82 8 67 4 às4autoridades. 1 0 1 No episódio, o foco da narrativa 9 8 6 revelando 8 7 0vários4 51 5 2 alarga-se,

Com: Gerard Butler, Bugran Freeman 21.30

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C I N E M A

Pelo menos 24 pessoas morreram após a explosão de uma bomba durante uma acção de campanha do Presidente afegão, Ashraf Ghani, em Char-e-Kar, capital da província de Parwan, no Afeganistão, anunciaram ontem as autoridades locais. De acordo com o chefe do hospital afegão que recebeu as vítimas, pelo menos 24 pessoas morreram após o ataque. A explosão ocorreu às 12:00 locais e a bomba estava num carro da polícia.

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Cineteatro

ACÇÃO FATAL 25

S U D O K U

EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS DE CHEN ZHIFO DA COLECÇÃO DO MUSEU DE NANJING” MAM | Até 17 /11

Esta crónica não é sobre Raul Indipwo, mas “Vou Levar-te Comigo”, meu irmão. Este fim-de-semana, uma série de ataques de drones à maior refinaria de petróleo do mundo, na Arábia Saudita, fez soar os tambores da guerra. Quando a vítima de um atentado é o ouro negro, Washington responde com ira e prontidão para começar uma guerra. Este episódio traz ao de cima, mais uma vez, uma das mais perversas e bizarras alianças geopolíticas dos últimos tempos, o Duo do Ouro Negro. Chamemos os bois pelos nomes. A Arábia Saudita é o Estado Islâmico que conseguiu os seus intentos. Um país que, além de exportar petróleo, exporta wahhabismo, semente do terrorismo sunita que, inclusive, foi a força “espiritual” da Al-Qaeda. Um dos exemplos do enorme poder relativista do petróleo é o facto de que 15 dos 19 terroristas que desviaram os aviões que embateram contra o World Trade Center eram sauditas, assim como Osama Bin 6 9pelo4 menos 5 1 Laden. 8 Mas0nada3 importa, enquanto o petróleo xiita tiver a Rússia 4 7 9 0 5 2 1 8 e a China como clientes. Há anos que a 2 1 bombardeia 8 7 6o Iémen 3 9 Arábia Saudita com 5 armas norte-americanas, causando uma das 6humanitárias 1 4 0da actualidade 8 7 3 maiores5 crises que ameaça limpar da superfície 3 5 2 9 7 1terrestre 0 4 o que resta do país. Agora que houve uma 7 2 explode 3 0o mais 8 9 centelha6de 4retaliação, podre e hipócrita dos ultrajes. Vá lá, o 8 4internacional 6 3 2 desdém7pela9vida5e direito não era1 suposto nem 7 8 ser 0 assim 3 tão 2 óbvio, 5 6 demonstrar tão claramente que petróleo vale mais 9que2pessoas. 6 Ao 1 menos 8 o7preço4do 0 barril de crude subiu. Os mercados vivem, 0 as 3 4 morrem. 5 1 Viva 9 o 2Duo 6 enquanto pessoas do Ouro Negro! João Luz

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2 | SUSANNAH 9 UNBELIEVABLE GRANT, AYELET WALDMAN E MICHAEL CHABON

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Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

quarta-feira 18.9.2019

sexanálise

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O gene gay não existe

comunidade científica chegou à conclusão que o gene gay não existe. Depois de décadas a ponderar se tal ligação genética existia - inspirados por um trabalho desenvolvido nos anos 90 - chegaram à conclusão contrária. De quem gostamos e quem nos atrai não é definido por um gene. A conclusão detalhada do estudo recentemente publicado na Science e que tem sido amplamente discutido pela imprensa internacional é que não há um único gene que preveja a homossexualidade – mas sim um conjunto de genes em combinação com factores ambientais, dos quais a nossa socialização e experiência fazem parte. Para os mais ignorantes, a ausência de um gene particular e o facto da homossexualidade não ser um fenómeno totalmente genético pode ser erradamente assumido que a homossexualidade é, então, uma escolha. A ausência de uma explicação totalmente genética – e, especialmente, a forma como foi noticiada – não poderá servir de suporte para os que acreditam que direitos LGBTQ+ são meras ‘ideologias’ e não factos naturais. Principalmente para os que acreditam que a homossexualidade é uma opção de vida que pode ser arrancada à força com regimes de ‘conversão’ ou campos de ‘reabilitação’. Nestes casos um argumento exclusivamente genético teria dado muito jeito para calar os que julgam que o sexo e a vida são obras da imaginação e não factos da naturalidade da vida. Como se as coisas naturais nos fossem boas, e as ‘criadas’, más. Desta notícia ficou por enfatizar o papel de possíveis combinações de genes e do ambiente externo, que apesar de não existir o gene gay, existem predisposições genéticas fortes que fazem com que a homossexualidade exista, naturalmente (tal como a heterossexualidade existe, naturalmente). Com as recentes tentativas de reduzir os fenómenos comportamentais a meros factos biológicos (neurológicos, genéticos, fisiológicos) é com alívio que também vemos desmistificar que o que somos possa ser determinado por aquelas moléculas que determinam algumas coisas, mas não todas. As etimologias da sexualidade não podem ser simplificadas. Mas os argumentos complexos levam a discussões difíceis. Em tempos onde vemos o crescer do conceito de ‘ideologia de género’ para falar de direitos humanos básicos sugere que temos que ter algum cuidado com a forma que escolhemos falar destes temas e como

LOUIS FRATINO

TÂNIA DOS SANTOS

queremos divulgar os avanços científicos na área. As tensões e os problemas que existem assentam na visão de como nos tornamos pessoas. Somos o resultado de genes ou somos o resultado de vivências? Nenhum dos dois consegue explicar o complexo processo de ser, mas os dois em conjunto oferecem uma visão mais completa, mais holística, se quiserem. Com a salvaguarda que o estudo não é perfeito, nem a conclusão irrefutável. A

Um argumento exclusivamente genético teria dado muito jeito para calar os que julgam que o sexo e a vida são obras da imaginação e não factos da naturalidade da vida

amostra de 470.000 participantes – a maior utilizada para estudos deste género - só inclui ‘ocidentais’. Já para não falar que a orientação sexual não é medida como identidade, mas como atracção – que, na minha opinião, oferece uma visão demasiado simplista (a fisiológica) para perceber a orientação sexual. Há também quem tivesse referido que este estudo genético provavelmente mostra melhor os preditores genéticos para participar em estudos, do que comportamento homossexual, já que - das grandes bases de dados - somente uma pequena percentagem se mostrou interessada em participar. A ciência não é perfeita e a comunicação de ciência muito menos. Por isso é preciso oferecer plataformas onde estes temas possam ser discutidos - nesta complexidade que foge de respostas simplistas para os factos do mundo.


O número dos que nos invejam confirma as nossas capacidades. Oscar Wilde

quarta-feira 18.9.2019

ILHAS SALOMÃO PEQUIM ELOGIA CORTE DE LAÇOS COM TAIPÉ

ELEIÇÕES NETANYAHU ENFRENTA NOVO TESTE

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Governo chinês enalteceu ontem a decisão das autoridades das Ilhas Salomão de “reconhecer o princípio ‘uma só China’” e romper os laços diplomáticos com Taiwan como a confirmação “da irresistível tendência desta era”. “Apoiamos esta importante decisão, que as Ilhas Salomão tomaram por si, como um Estado soberano independente”, lê-se no comunicado da porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying. Segundo a agência noticiosa oficial de Taiwan CNA, 27 dos 33 deputados da coligação maioritária de quatro partidos no Parlamento de Salomão - que tem 50 cadeiras - votaram a favor de passar a reconhecer Pequim como o Governo legítimo de toda a China, em detrimento de Taipé, enquanto os restantes seis se abstiveram. A decisão foi posteriormente aprovada pelo governo do primeiro-ministro, Manasseh Sogavare, que assumiu o cargo após eleições em Abril. “A decisão do Governo das Ilhas Salomão de reconhecer o princípio ‘uma só China’ e estabelecer laços diplomáticos com a China atesta que este princípio atende ao desejo dos cidadãos e constitui uma tendência irresistível desta era”, defendeu o Governo chinês. Hua enfatizou que “existe apenas uma China no mundo” e que “o governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa toda a China”, sendo Taiwan “parte inalienável do território chinês”. Desde que Tsai Ing-wen, do Partido Progressivo Democrático (PPD), pró-independência, foi eleita Presidente, em 2016, seis países, incluído São Tomé e Príncipe, cortaram relações diplomáticas com Taipé, que tem agora apenas 16 aliados diplomáticos. PUB

PALAVRA DO DIA

O nome do ódio Talibãs reivindicam atentados em Cabul e na acção de campanha do Presidente afegão

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S talibãs reivindicaram a autoria do ataque de ontem no norte do Afeganistão numa acção de campanha do Presidente afegão que matou pelo menos 24 pessoas e de uma explosão perto da embaixada dos EUA em Cabul. Num comunicado, o porta-voz da formação insurgente, Zabihullah Mujahid, assumiu a responsabilidade pelos dois ataques. O ataque contra a acção de campanha do Presidente afegão, Ashraf Ghani, na província de Parwan deixou, segundo os insurgentes, “28 membros das forças de segurança mortos, incluindo guardas do

palácio presidencial e forças especiais”. No entanto, fontes hospitalares e autoridades indicaram à agência noticiosa Efe que o ataque fez 24 mortos, incluindo mulheres e crianças e outras 32 pessoas ficaram feridas. A explosão ocorreu às 12:00 locais e a bomba estava num carro da

O ataque fez 24 mortos, incluindo mulheres e crianças e outras 32 pessoas ficaram feridas

polícia. O porta-voz da campanha do Presidente, Hamed Aziz, disse que Ghani estava no local, mas que está seguro e saiu ileso do ataque. Aformação insurgente justificou o ataque nas proximidades da campanha de Ghani por considerar “falsas” as eleições presidenciais agendadas para 28 de Setembro e lembrou que já tinha “advertido as pessoas a não irem a esses actos eleitorais”, que considerou alvos militares.

SEGUNDO ATAQUE

Pouco depois, ocorreu um segundo ataque em Cabul, capital do Afeganistão, contra um escritório do Ministério da Defesa, segundo o porta-voz dos talibãs,

que “causou a morte de dezenas de soldados e funcionários do Ministério”. Até ao momento, não há confirmação oficial do número de mortos ou feridos daquele ataque, que ocorreu a cerca de 300 metros da embaixada dos EUA. No passado mês de Agosto, os talibãs ameaçaram boicotar todo o processo eleitoral com violência, a fim de impedir a sua realização, considerando que são manipulados por potências estrangeiras. O Afeganistão tem sido palco de ataques frequentes, numa altura em que o país se prepara para as eleições presidenciais, agendadas para o final deste mês.

LCA Shanghai SIPG de Vítor Pereira eliminado

O Shanghai SIPG, do português Vítor Pereira, foi ontem eliminado nos quartos de final da Liga dos Campeões asiáticos, com a equipa a empatar na visita ao Urawa Reds, mas a perder devido aos golos fora. Os japoneses tinham empatado no primeiro jogo, em Xangai, a 2-2, valendo os dois golos fora, em contrapartida ao empate nesta segunda mão, a um golo, em que o Shanghai SIPG saiu de Saitama apenas com um golo na casa do adversário. O internacional brasileiro Hulk, que tinha marcado os dois golos na primeira mão, falhou o jogo de ontem, devido a castigo.

S cerca de 6,4 milhões de eleitores israelitas foram ontem chamados a votar para escolherem os seus 120 deputados, depois de terem feito o mesmo há cerca de cinco meses. Após as legislativas de Abril, o primeiro-ministro em exercício e líder do Likud, Benjamin Netanyahu, não conseguiu formar uma coligação para governar, o que aconteceu pela primeira vez na história do país, e o parlamento (Knesset) votou a sua dissolução antes da formação de um executivo, o que também nunca tinha acontecido. Primeiro-ministro há mais tempo em funções em Israel, Netanyahu enfrenta um novo teste à sua capacidade de sobrevivência nestas legislativas e não tem desperdiçado oportunidades para atrair eleitores. As questões de segurança e o conflito com os palestinianos preocupam os israelitas e nas últimas semanas Netanyahu reforçou os ataques ao inimigo Irão, fez uma rara visita à Cisjordânia ocupada e prometeu a anexação parcial deste território, tendo ainda realizado deslocações a Londres e à Rússia, fortalecendo a sua imagem internacional. “Bibi”, como é conhecido, é também o primeiro chefe de Governo em funções a ser alvo de acusações criminais – de “corrupção”, “fraude”, “desvio de fundos” e “abuso de confiança” - em vários processos, mas apenas terá de demitir-se se for considerado culpado. Há uma semana, Netanyahu prometeu anexar uma parte da Cisjordânia se for reeleito e suscitou críticas dos palestinianos, das Nações Unidas, da União Europeia e de vários países árabes. A ONU considerou que a decisão seria devastadora para a “relançar as negociações” entre Israel e a Palestina e a UE disse que colocaria “em causa as perspectivas de uma paz durável” na região, enquanto Riade qualificou a declaração de “perigosa escalada”.

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Hoje Macau 18 SET 2019 # 4374  

N.º 4374 de 18 de SET de 2019

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