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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEXTA-FEIRA 18 DE MAIO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4054

MOP$10

MÊS DE PORTUGAL

PEDRO ATERRA EM MACAU PÁGINA 6

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Procuro e não encontro PÁGINA 9

CINEMATECA PAIXÃO

Ásia no ecrã

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EVENTOS

Direitos ao direito Desde que a lei do apoio judiciário entrou em vigor, há cinco anos, foram aprovados 1449 pedidos, de acordo com dados facultados ao HM. A maioria dos casos são referentes a divórcios litigiosos. PÁGINA 7

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

COUTINHO

hojemacau


2 ENTREVISTA

LOLA DO ROSÁRIO

Dirigiu o D. José da Costa Nunes durante um ano e diz que nunca lhe foram dadas explicações para a sua saída. Lola do Rosário garante que os problemas com o pedido de subsídios foram resolvidos e diz-se “magoada” com Miguel de Senna Fernandes, presidente da APIM. Sobre o alegado caso de abuso sexual, Lola do Rosário diz não ter sido ouvida para a elaboração do relatório interno, nem pela PJ “Nunca [reparei em nada suspeito] de nenhum dos funcionários, até porque um pedófilo não tem de ser apenas homem, pode também ser mulher.”

“Não tive tempo de aquecer a cadeira” Disse-me que não lhe foram dadas explicações para a sua saída do jardim de infância. Não, plausíveis não. Quando me fizeram o convite ponderei todas as situações, inclusivamente o ordenado, que não era muito para a responsabilidade que tem o Costa Nunes. E acabei por vir ainda no mês de Agosto e comecei logo a trabalhar, porque sabia que tinha muito trabalho. Comecei a organizar tudo ao que era inerente ao início de um ano lectivo, com uma mudança de líder. Que problemas encontrou nesta altura quando chegou a uma casa que já conhecia, mas de outra altura? Estava tudo bastante diferente. Havia algumas coisas com as quais concordei e que mantive, porque acho que não era para chegar e alterar tudo só porque me apetecia. A minha antecessora tinha coisas bem feitas e mantive-as, como os horários. Gradualmente fui fazendo algumas alterações, achei que se justificava, mas sempre dando conhecimento ao presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM). Nunca fiz nada sem lhe dar conhecimento. As coisas estavam a funcionar e no início do ano lectivo tive que fazer alguns ajustes a nível das finanças. Quando me foi feito o convite, o actual presidente e outros membros da APIM disseram-me que as contas não estavam em ordem. Desde 2012 até finais de 2016, tínhamos de prestar contas à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), relativas aos subsídios. Dou-lhe um exemplo simples: uma educadora deu uma formação, recebeu o cheque, mas não tínhamos o comprovativo de como ela tinha recebido nem a data. Falei com as pessoas em causa e depois ficou resolvido, porque estava em causa a atribuição de verbas para este ano, que já recebidas. Mesmo que eu fizesse o pedido à DSEJ, não estando o resto justificado, poderia não ser dada a verba, e o Costa Nunes não vive sem a verba da DSEJ.

Mas essa foi uma das razões para a sua saída, e chegou a ser noticiado que tinha saído por problemas internos e falhas no preenchimento dos pedidos de subsídio à DSEJ. Pedimos mais do que nos foi dado e o presidente da APIM deve ter dado conhecimento aos outros membros do montante que eu tinha pedido. Era bastante elevado, mas tive seis anos na direcção de um agrupamento de escolas em Portugal e estamos fartos de saber que nunca o Governo nos dá o montante que pedimos. Foi-nos dado muito menos, mas não era nada que, para mim, fosse novidade.

“Não teve nada a ver com dinheiros, é uma questão de verem as minhas contas bancárias.” SOBRE A PRIMEIRA SAÍDA DA DIRECÇÃO DO COSTA NUNES

Já tinha acontecido isso no Costa Nunes? Penso que sim, pelo menos fui consultar tudo o que estava para trás, com a ajuda de uma funcionária que faz a gestão financeira. Foi sempre assim, é algo normal acontecer. Chegou a ter de assinar documentação ou orçamentos deixados pela sua antecessora? Não. Pedi-lhe para assinar porque não tinha justificação nenhuma ser eu a assinar documentos que pudessem não estar assinados. E ela assinou. Que justificação encontra então para esta saída? Está magoada com a direcção da APIM? Magoada estou, bastante. Isto porque eu acho que não se faz um convite a uma pessoa que tem uma vida estabilizada em Portugal. Não tinha um mau ordenado, já estava há 15 anos em Portugal. Fiz uma mudança de 180 graus, e assumi alguns encargos contando

que ficaria em Macau. O que me magoa mais é que eu não vejo, nem foi dita nenhuma justificação plausível e aceitável da minha parte. Não tive tempo de aquecer a cadeira. Eu sou uma directora que nunca está no gabinete, raramente. Circulo muito pela escola, sempre que estive em direcções. O que eu fazia era ficar na escola na minha hora de almoço. Estou magoada, porque acho que não havia justificação para, durante um ano, ter feito o melhor que podia, com crianças lá dentro, as minhas colegas, que prezo muito, e esta história [de alegados abusos sexuais] toda também me entristece bastante. A minha neta vai entrar em Setembro para lá e nós optamos pelo Costa Nunes, e ela entrou em todas. Continua a confiar na escola? Eu confio na escola. Vejo também e tenho amigos pais, avós de crianças que lá andam e que foram vitimas nesta situação, e vejo o lado deles, porque se fosse comigo não sei como reagiria, mas entristece-me bastante. Não posso falar se a actual direcção está a fazer um mau ou bom trabalho, não sei. Num artigo foi referido que, durante o seu mandato, os serventes mantinham contacto com as crianças. Quer comentar? O que acontecia no meu tempo era que cada sala tinha uma educadora, uma agente de ensino e um servente. Neste momento, já não é assim, há falta de pessoal. Há quatro salas para crianças de cinco anos e só têm dois serventes. Há um servente para duas salas, mas quando saí já sabia que ia acontecer isso. Os serventes não têm contacto directo com as crianças a não ser na hora de almoço, porque as agentes de ensino vão almoçar e a educadora fica com o servente na sala para a apoiar. A hora da sesta é a hora de almoço dos serventes, então eles não estão no trato directo com as crianças. São as agentes de ensino que os mudam, sobretudo depois da sesta. Pedi sempre que tivessem cuidado para não mudar as crianças nos corredores ou na casa de banho ou

dentro da sala, por uma questão de respeito pelo corpo da criança. Trabalhou com o funcionário suspeito de abusos. Nunca notou nada estranho no seu comportamento? Não. Aliás, esse servente estava numa sala de cinco anos e eu achei por bem mudá-lo para o rés-do-chão, para uma sala de três anos. Troquei, a educadora não gostou, mas achei que deveria fazer isso. No rés-do-chão eu estava sempre, porque era uma sala ao lado da secretaria. Se alguma vez passou pela cabeça do rapaz ter uma atitude menos correcta, com a minha presença nada aconteceu. Via as casas de banho, quem estava, via na sala cor-de-rosa onde eles faziam as sestas. Nunca vi nada, nem me pareceu que tenha algum perfil de pedófilo. Em Portugal já tive de ir a tribunal... Lidou com este tipo de casos? Lidei. Casos com avôs e tios, situações em que tive de ir testemunhar, e até falei com uma psicóloga na altura para me explicar as características e os sinais. Houve um caso que fui eu que fiz queixa à Polícia Judiciária, porque desconfiei do comportamento da criança. No Costa Nunes nunca reparou em sinais suspeitos? Nunca. De nenhum dos funcionários, até porque um pedófilo não tem de ser apenas homem, pode também ser mulher. Pegando na questão do género. A imprensa chinesa abordou muito o facto do suspeito ter, alegadamente, trocado fraldas às crianças. Faz sentido, na área educativa, ter em atenção a questão do género, de ser o homem a trocar fraldas a meninas? Pessoalmente, não me faz confusão, porque é como termos o pai e a mãe em casa a cuidar dos filhos. Não tem de ser responsabilidade total da mãe trocar as fraldas ao filho. Tem de haver, e eu tinha falado com o presidente da APIM e a psicóloga da instituição, algumas acções de formação para os serventes e as agentes de ensino que

HOJE MACAU

EX-DIRECTORA DO JARDIM DE INFÂNCIA D. JOSÉ DA COSTA NUNES


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lá estão, pois não têm formação. Nós temos. Há algumas situações em que se pode conversar com as pessoas e explicar. Deveria haver formação para os funcionários da escola. Mas esta é uma questão quase transversal a todas as escolas. Além disso, a maior parte das crianças com três anos no Costa Nunes já não usa fralda. Prestou declarações no âmbito da elaboração do relatório interno por parte da direcção do Costa Nunes? Não. Não me chamaram, nem a Polícia Judiciária me chamou para prestar declarações. Acredita que o projecto do Costa Nunes pode sofrer um grande abalo com este caso e até fechar portas, mediante as conclusões do relatório interno? Pode. Sei de meninos que ainda não entraram e cujos pais estão a tentar colocá-los noutras escolas onde também foram aceites. Provavelmente, estão a desistir, mas

não é muito fácil, porque o prazo para o pagamento era no início de Abril e as pessoas já pagaram no Costa Nunes. Além de que há listas de espera. Quem for para a direcção do Costa Nunes terá de ser uma pessoa muito forte e com a certeza daquilo que está a fazer para enaltecer o Costa Nunes outra vez. Acredita então que a actual directora e outros funcionários têm de sair?

“Há problemas de gestão que têm de ser resolvidos. A direcção da APIM tem de estar mais presente, estar em reuniões mensais com as educadoras, como me foi prometido, além de reuniões semanais com a directora.”

Provavelmente, é isso que vai acontecer. Penso que a direcção da APIM é que deve considerar o que é melhor para a escola. Isto porque a imagem da escola é uma coisa, mas o trabalhar da mesma escola é outra. O ano passado abri quatro turmas de crianças com três anos, houve um grande crescimento. Daí o meu espanto: se a escola cresce, porque é que me tiram? Há um feedback positivo por parte da sociedade, das pessoas mais influentes, e não quero aqui mencionar nomes. Famílias chinesas, macaenses... Sim, crianças de pais que estão em entidades públicas, por exemplo. A escola estava bem, e então porque é que não me renovam o contrato? A direcção da APIM tem de ter mais diálogo, porque trabalhei com o anterior presidente da APIM e ele deu-me, a mim e à minha antecessora, autonomia suficiente para nós trabalharmos. E isso não acontece actualmente. Acho importante a direcção da APIM estar por dentro

das situações, e não é por acaso que a directora do Costa Nunes é uma educadora de infância. Acha que a direcção da APIM trouxe instabilidade ao projecto, ou que há problemas de gestão que têm de ser resolvidos? Há problemas de gestão que têm de ser resolvidos. A direcção da APIM tem de estar mais presente, estar em reuniões mensais com as educadoras, como me foi prometido, além de reuniões semanais com a directora. Não deixar as coisas muito vagas, porque depois quem lá está dentro, para gerir, é complicado. Voltando ao período em que trabalhou com José Manuel Rodrigues. Quer comentar as suspeitas que recaem sobre si quanto a um alegado desvio de fundos do Costa Nunes e sobre a sua saída da escola? Não teve nada a ver com dinheiros. É uma questão de verem as minhas contas bancárias. A APIM não é

só um presidente e tem muitas pessoas na direcção, na sua maioria homens. Quando saí, o anterior presidente da APIM, ao contrário do actual, ofereceu-me o lugar de educadora. Eu, por vontade própria, e por causa das minhas filhas, comecei a pensar que era melhor ir para Portugal, e tinha lá lugar. Não tem a ver com dinheiros, foram situações com as quais não compactuei, e achei melhor sair. Ele fez-me um convite em 2013, quando o Costa Nunes fez 80 anos e vim às festividades. Se houvesse alguma coisa, em que eu tivesse fugido com dinheiro, ele nunca me convidaria. Fiquei muito indignada com os comentários feitos aquando da minha saída em 2001. Sempre soube o que era sigilo profissional, daí não ter comentado com ninguém a razão da minha rescisão de contrato. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

GCS

18.5.2018 sexta-feira

Nuvem em análise

Plano para desenvolvimento da cidade inteligente em consulta pública

A

TERRAS SECRETÁRIO AFIRMA QUE EMPRESAS TÊM DIREITO A RECORRER AOS TRIBUNAIS

Nas mãos dos juízes

Raimundo do Rosário considera que as empresas insatisfeitas com a recuperação de terrenos em Nam Van podem recorrer aos tribunais. Sobre a fusão de TCM e Nova Era, limitou-se a dizer que o Governo concordou com a sugestão das empresas

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S atrasos no aproveitamentos de 16 terrenos levaram o Governo a declarar caducadas as concessões atribuídas à Sociedade de Empreendimento Nam Van e subsidiárias. A decisão, anunciada na quarta-feira, resultou numa resposta das empresas, que consideram que o Governo foi o grande responsável pelos atrasos, devido ao facto de não permitir o avanço das obras. Ontem, de acordo com a Rádio Macau, Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obra Públicas afirmou que as empresas, se quiserem, podem recorrer aos tribunais. “Não quero comentar. É um direito que assiste à sociedade [Nam Van]. Não devo comentar. A sociedade fará aquilo que entender”, afirmou o secretário, à margem da cerimónia de co-

memoração do Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação 2018. Apesar do secretário reconhecer o direito de recurso aos tribunais, no pólo oposto, as empresas têm consciência que dificilmente vão ser autorizadas a ficar com os terrenos. Um cenário reconhecido logo na quarta-feira por Jorge Neto Valente: “O secretário está a seguir a lei, não tem culpa nenhuma, fizeram aquela lei, ele cumpre. Já critiquei a lei, acho que não devia ter sido feita assim. Já foi referido por aí que, na altura, a AAM chamou a atenção para as consequências perniciosas que iriam existir de executar a lei”, justificou. Apesar dos recursos com o objectivo de declarar ilegal a caducidade dos terrenos, as empresas podem ainda procurar compensações financeiras devido à actuação do Governo.

Contudo, sobre este aspecto, Neto Valente também explicou que os accionistas não querem o dinheiro e que preferem ter os terrenos para construir.

TÁXIS SEM AGRAVO

Raimundo do Rosário não avançou com mais informações sobre a declaração de caducidade dos terrenos, mas comentou a fusão entre as empresas de autocarro TCM e Nova Era. Sem concretizar os reais benefícios, o

“É um direito que assiste à sociedade [Nam Van]. Não devo comentar. A sociedade fará aquilo que entender.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO

secretário disse que esta situação também respondeu a um direito das duas operadoras. “As companhias de autocarros têm o direito de pedir [a fusão]. Eles requereram e é uma possibilidade que lhes assiste. O Governo, ao analisar a questão, entendeu que devia autorizar e autorizou”, explicou, de acordo com a Rádio Macau. A fusão das companhias de autocarros TCM e Nova Era deve entrar em vigor a 1 de Agosto e surge a meses de expirarem os contratos das operadoras. Também na semana passada, a polícia deteve um taxista de 26 anos, por cobrança abusiva e por ter sequestrado um turisto. Em relação a este assunto, Raimundo do Rosário negou que o problema da insegurança no sector dos táxis se esteja a agravar. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

estratégia para o desenvolvimento da cidade inteligente de Macau, que entrou ontem em consulta pública, tem prevista a conclusão da plataforma de mega-dados sobre a promoção do turismo e controlo do trânsito ainda este ano. “O centro de computação em nuvem e a plataforma de mega-dados”, assim como a inclusão na nuvem “de alguns dados sobre a promoção do turismo e informação de trânsito”, podem estar concluídos até ao final do ano, afirmou ontem aos jornalistas o vogal do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT), Chen Won Hei, numa conferência de imprensa. “Pretendemos através da tecnologia inovadora que a população tenha uma melhor qualidade de vida e que a cidade tenha um desenvolvimento sustentável”, declarou o presidente do FDCT, Ma Chi Ngai, na mesma ocasião. A estratégia para o desenvolvimento da cidade inteligente vai ficar em consulta pública até 30 de Junho. Questionado sobre se a Alibaba está a planear utilizar os dados adquiridos através das redes sociais dos utilizadores, para interferir e melhorar o tráfego nas estradas da região, violando a privacidade dos dados dos utilizadores, como aconteceu em algumas cidades chinesas, o vogal da FDCT assegurou que “tal não vai acontecer em Macau, pois a região tem leis muitos rígidas em relação à privacidade das pessoas”. Na quarta-feira, na feira Global Gaming Expo Asia (G2E Asia), que decorreu no território, a directora dos Serviços de Turismo de Macau frisou que a evolução tecnológica de Macau pode ter “boas repercussões na área no turismo”, já que a “região em algumas alturas do ano [como na época do novo ano chinês] fica sobrelotada”, daí a importância “no desenvolvimento da cidade para se tornar uma cidade mais inteligente”. Na primeira fase do projecto está prevista a criação de um centro de computação em nuvem e de uma plataforma de mega dados e o início gradual de projectos de utilização dos mesmos em seis domínios: promoção do turismo, formação de talentos, gestão do trânsito, serviços de assistência médica, gestão integrada urbana e prestação de serviços urbanos integrados e tecnologia financeira. A segunda etapa compreende o aperfeiçoamento do centro de computação em nuvem e da plataforma de mega dados, abrangendo outras áreas como a introdução de novos carros eléctricos, a eficiência energética e a construção de postos fronteiriços electrónicos, através da tecnologia de reconhecimento facial.


política 5

CONSELHO EXECUTIVO PROPOSTA DE LEI DA ARBITRAGEM FOI APROVADA

O livre arbítrio

REFORÇOS APLICADOS

A proposta de Lei da Arbitragem já foi discutida e aprovada pelo Conselho Executivo. O diploma pretende congregar os dois já existentes, em vigor há cerca de 20 anos, e motivar a resolução de litígios através do recurso à arbitragem. Para os responsáveis da DSAJ, Macau pode beneficiar desta modalidade quando estiverem implicados casos entre a China e os países de língua portuguesa

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Conselho Executivo terminou ontem a discussão da proposta de Lei da Arbitragem. O diploma, que vai seguir para aprovação na generalidade na Assembleia Legislativa, pretende atribuir ao ordenamento jurídico “uma lei única para regular a

matéria de arbitragem para Macau”, referiu ontem o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng. O objectivo desta proposta é fazer com que os processos de arbitragem em Macau se tornem mais simples e mais consonantes com o que acontece nas regiões vizinhas,

Leasing legislado Conselho Executivo aprova regimes para regulamentar locação financeira

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ORAM aprovadas ontem duas propostas de lei para regulamentar a locação financeira no território pelo Conselho Executivo. Um dos regimes vai regulamentar a actividade, enquanto o segundo é dedicado à definição e benefícios fiscais de modo a “atrair mais empresas a instalarem-se na RAEM”, referiu ontem o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng. 

De acordo com a proposta apresentada, as empresas de locação financeira vão ter isenção de imposto de selo quando se tratar da compra de um primeiro bem imóvel destinado exclusivamente à função de escritório e apenas para uso próprio. Segundo Leong, esta isenção não se aplica para “fins de especulação ou para outra finalidade”. O benefício caduca “quando o bem imóvel

sendo que no foco deste diploma está “a promoção de Macau como centro de arbitragem entre a China e os países de língua portuguesa”, referiu Leong Heng Teng. De acordo com o responsável pela Direcção de Serviços de Assuntos da Justiça, Liu Dexue, Macau tem condições privilegia-

seja transmitido, ou afecto, a outra finalidade no prazo de cinco anos após a sua aquisição”, revelou o porta-voz. Se isso acontecer, o imposto tem de ser pago ao Governo. A proposta relativa aos benefícios fiscais para as empresas de leasing passa ainda pela isenção do imposto complementar de rendimento para as companhias que sejam provenientes do exterior e que paguem impostos fora da RAEM.  No que respeita à regulamentação da constituição e do funcionamento das sociedades de locação financeira, a nova proposta pretende estabelecer com

das para o tratamento arbitral de litígios entre a China e os países de língua portuguesa. “Em Macau, temos muitas pessoas bilingues, nomeadamente no direito, que tem matriz portuguesa”, apontou.

TIAGO ALCÂNTARA

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De modo a promover o interesse por esta modalidade de resolução de conflitos, o Governo pretende ainda reforçar os centros de arbitragem locais, sendo que para já existem cinco instituições para o efeito, adiantou Liu. A proposta apresentada pelo o Governo define ainda que qualquer litígio civil, ou comercial, possa ser tratado através deste mecanismo. Neste sentido, vai deixar também de existir um limite de valor, que actualmente é de 50 mil patacas, para que se recorrer à decisão de litígios por via arbitral. Por outro lado, as decisões passam a ganhar força e tornam-se definitivas. Como tal, depois de um decisão arbitral não há possibilidade de recurso para os tribunais, a não ser com um pedido de anulação da primeira. Vai ainda caber ao Chefe do Executivo, mediante regulamento administrativo, a criação de entidades públicas responsáveis para dirigir processos de arbitragem. O Governo espera, desta forma, resolver com maior celeridade os litígios em matéria civil e comercial, adiantou Liu Dexue, ao mesmo tempo que admitiu que, para já, a aplicação da arbitragem em Macau não é satisfatória. Em causa, afirmou, está a desactualização do actual regime jurídico, pelo que espera que com a nova lei as instituições responsáveis e os interessados se sintam mais motivados a optar por este tipo de resolução.

clareza a diferença entre esta actividade e a de uma empresa de crédito. “A instituição de crédito é parecida com um banco e tem uma supervisão relativamente exigente, mas as empresas de locação financeira nunca podem absorver depósitos do público”, apontou o responsável do Governo. É por isso que, considerou, ser necessário definir a natureza destas empresas como sendo instituições financeiras e não instituições de crédito”.

ABERTURA A FILIAIS

Com o novo regime, vai ainda ser permitida a criação de filiais de empresas que não estejam em Macau. No

Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

entanto, estas sociedades têm de ter na sua administração pelo menos um residente permanente de Macau. O objectivo é “evitar que sejam meramente designadas por empresas fictícias”, disse Leong Heng Teng. As sociedades de locação financeira podem ainda ser criadas sob a forma de sociedade anónima ou por quotas.  Actualmente há duas sociedades de locação financeira em Macau.  S.M.M.

SERVIÇO SOCIAL COUTINHO PEDE LEI QUE REGULE TRABALHADORES DO PRIVADO

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deputado José Pereira Coutinho entregou uma interpelação escrita ao Governo onde defende a criação de um diploma legal para regular os trabalhadores das entidades privadas que operam na área do serviço social. Na sua visão, “criar um regime especial aplicável aos trabalhadores do sector e aos docentes é um pressuposto básico para manter o desenvolvimento sustentável da RAEM, bem como a base para manter o seu moral”. José Pereira Coutinho pede que o Governo defina “uma calendarização para a elaboração de um diploma legal semelhante ao do quadro geral do pessoal docente das escolas particulares do ensino não superior, a fim de lhes dar mais garantias e para que se possa atrair mais pessoas para a carreira”. A nova lei serviria também para garantir uma reforma a estes trabalhadores. “O Governo já concede apoio financeiro às entidades privadas do serviço social para a realização de actividades, mas deve ponderar criar um regime de aposentação para elevar a qualidade de vida dos trabalhadores em causa e dos docentes.” Além disso, o deputado acredita que o Executivo deveria “conceder apoio financeiro aos trabalhadores da área do serviço social, atribuir prémios de antiguidade e subsídios, em consonância com a natureza das funções, a fim de aumentar o seu empenho e a qualidade dos serviços que prestam”. O sector privado do serviço social depara-se com o problema da falta de recursos humanos, tendo Pereira Coutinho lembrado as promessas do Governo sobre este ponto. “Em 2009, o Governo afirmou que ia captar mais trabalhadores para a área do serviço social e efectuar mais estudos sobre o quadro do pessoal dos assistentes sociais, o regime de supervisão, de acreditação profissional para assistente social e de apoio financeiro”, apontou. A.S.S.


6 sociedade

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músico Pedro Abrunhosa e o cineasta António-Pedro Vasconcelos vão ser as figuras de destaque do grande público e vão estar presentes em Macau, durante o mês de Portugal. O programa dos 25 eventos que constituem a iniciativa organizada pelo Consulado de Portugal na RAEM, Casa de Portugal, Fundação Oriente e Instituto Português do Oriente (IPOR) foi apresentado ontem. “Vai ser um concerto memorável e acredito que vai encher por completo a sala [Grande Auditório do Centro Cultural de Macau]”, disse Vítor Sereno, Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, na cerimónia de apresentação, que decorreu no consulado. “Em relação à nossa escolha de Pedro Abrunhosa, confesso que sou fã. Gostei muito da vinda dele há uns anos, quando foi convidado pelo Instituto Politécnico

18.5.2018 sexta-feira

PORTUGAL PEDRO ABRUNHOSA E ANTÓNIO-PEDRO VASCONCELOS CABEÇAS DE CARTAZ

Junho, mês em festa

O cantor e o cineasta portugueses são os principais destaques da iniciativa Junho, mês de Portugal, que se celebra pelo terceiro ano consecutivo. 35 artistas vão participar na iniciativa que se desenrola ao longo de 25 eventos de Macau e pelo Dr. Carlos André”, acrescentou. O concerto vai ter lugar a 8 de Junho, pelas 20h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau. A entrada é livre e as pessoas podem começar a pedir os bilhetes a partir de 23 de Maio. “Corremos durante estes anos os grandes nomes da música portuguesa, trouxemos gente consagrada e já, por várias vezes, tínhamos tido a sugestão e o empenho de algumas pessoas para que se trouxesse o Pedro Abru-

nhosa”, disse, por sua vez, Amélia António, presidente da Casa de Portugal. “Achámos que tinha chegado o momento de satisfazer uma parte da comunidade que é fã do Pedro Abrunhosa. Todos os fãs vão ficar muito satisfeitos por, finalmente, se fazer um concerto com ele”, frisou. Por sua vez, o realizador António-Pedro Vasconcelos vai estar em Macau a 7 de Junho, no Café Oriente do IPOR, para uma conferência. Além disso, o cineasta vai

Estudos artísticos Abertas candidaturas a programa de subsídios Abrem no próximo dia 19 de Junho as inscrições para o programa de concessão de subsídios para realização de Estudos Artísticos e Culturais, informou ontem o Instituto Cultural (IC). Podem candidatar-se os residentes permanentes que tenham sido admitidos em instituições de ensino superior do exterior para prosseguir estudos de licenciatura e mestrado nas áreas da investigação ou salvaguarda do património cultural, artes performativas, artes visuais, cinema e vídeo, design,

banda desenhada e animação, administração das artes, literatura, estudos culturais, ensino das artes ou outras indústrias culturais e criativas. São elegíveis apenas os que tenham estudado em escolas públicas ou privadas em Macau no mínimo quatro anos (não incluindo o programa do ensino pré-primário). Os seleccionados vão receber um subsídio do IC num montante fixo a determinar consoante o nível de estudos a prosseguir e o local. O prazo de candidaturas termina a 6 de Julho.

estar presente em três mostras de filmes que realizou, nomeadamente a película “Jaime”, a 7 de Junho pelas 20h30, os “Gatos Não Têm Vertigens”, a 11 de Junho pelas 18h45, e “Os Imortais”, a 12 de Junho pelas 18h30. Todas as mostras vão decorrer no Auditório Dr. Stanley Ho e no final António-Pedro Vasconcelos vai comentar os filmes.

25 EVENTOS

Junho, o mês de Portugal, vai ser celebrado com um total de 25 eventos, em mais de 10 es-

paços cultural e institucionais, em que vão participar 35 artistas. Entre os eventos, ao nível da música, vai ainda decorrer, a 2 de Junho, o concerto “Era Uma Vez a Cantar em Português”, virado para as famílias, e, no Dia 29, o espectáculo Fados de Coimbra, no Teatro D. Pedro V, às 20h. Ao nível das exposições, a arquitecta e artista Ana Aragão vai ter os seus trabalhos em exibição na Casa Garden, a partir de 14 de Junho, pelas 18h30. A artista também vai estar presente no território. Também o Consulado vai ter uma exposição com fotografias em que todos os membros da comunidades podem participar. Como tal, devem enviar fotografias sobre elementos em Macau que remetam para Portugal. Esta exposição abre no dia 5 de Junho na Galeria da Residência Consular. “Ao valorizarmos estas expressões de matriz portuguesa, nestes 25 eventos,

estamos obviamente a elevar o nome de Portugal e da comunidade portuguesa que reside aqui a outra patamar”, considerou Vítor Sereno. Todos os eventos são grátis, no entanto, alguns devido à capacidade dos locais onde se realizam exigem o levantamentos de bilhetes, que poderá ser feitos junto da Casa de Portugal. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

ROTEIRO PESSANHA EM MACAU

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pesar de ainda não haver confirmação sobre a data e os pormenores, a organização quer que o mês de Portugal fique igualmente marcado pelo início do Roteiro Camilo Pessanha em Macau, organizado pelo IPOR em conjunto com a Direcção de Serviços de Turismo. Este será um roteiro sobre a presença do escritor em Macau, com passagens pelos locais mais icónicos da relação de Pessanha com o território, que vai estar disponível em português, chinês e inglês. Este será um projecto que se prolongará no tempo e que visa ser mais uma oferta cultural para o turismo no território.


sociedade 7

sexta-feira 18.5.2018

APOIO JUDICIÁRIO APROVADOS 1.449 PEDIDOS EM CINCO ANOS

Mar Ex-secretário de Estado português em conferência na FRC

A Fundação Rui Cunha acolhe, na próxima quinta-feira, a conferência “Cooperação no quadro do desenvolvimento sustentável do Oceano e das Zonas Costeiras”. Realizada em parceria com o Instituto de Estudos Europeus de Macau, o evento vai ter como orador convidado João Fonseca Ribeiro, ex-secretário de Estado do Mar e sócio-fundador e gerente da Blue Geo Lighthouse Limitada. A conferência vai ser moderada por Rodrigo Brum, actual secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa. A economia azul e as abordagens à governação do Oceano e às alterações climáticas; o papel da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento neste domínio e a implementação de programas de acção específicos; a oportunidade para a cooperação entre a China e os Países da Língua Portuguesa na área do mar figuram entre os tópicos.

Por um acesso à justiça

A Administração aprovou 1.449 pedidos de apoio judiciário desde a entrada em vigor, há cinco anos, da lei que define que ninguém deve ser impedido de ir a tribunal por insuficiência económica. A maioria dos processos diz respeito a casos de divórcio litigioso

A

Comissão de Apoio Judiciário (CAJ) recebeu, entre 1 de Abril de 2013 e 30 de Abril de 2018, aprovou 1.449 pedidos. A maioria diz respeito a processos de divórcio litigioso, revelam dados facultados ao HM. Ao longo de cinco anos, a CAJ recebeu 2.270 pedidos, ou seja, uma média de 400 por ano. Segundo os mesmos dados, a maioria dos requerentes era do sexo feminino e tinha idades compreendidas entre os 45 e os 70 anos.

Em contrapartida, foram indeferidos 402 pedidos desde 2013. O excesso do limite legal do montante dos bens disponíveis do requerente, a insubsistência das razões de propositura do processo judicial e a recusa por parte do requerente em disponibilizar documentos ou a entrega dos mesmos fora do prazo fixado figuram entre os principais motivos para o indeferimento, segundo a CAJ.

LIMITE ESTIPULADO

Em vigor desde 1 de Abril de 2013, o regime geral de apoio judiciário

estabelece que “nenhuma pessoa que reúna as condições legais seja impedida, por insuficiência de meios económicos, de fazer valer ou defender os seus direitos e interesses legalmente protegidos por meio de processo judicial”. O apoio judiciário compreende a isenção de preparos e de custas, bem como a nomeação de patrono e pagamento de patrocínio judiciário. Com efeito, a lei prescreve que o apoio é concedido perante uma “situação de insuficiência económica” que – segundo as normas

definidas em regulamento administrativo – se refere aos casos em que o “montante dos bens disponíveis do requerente e dos membros do agregado familiar não excede o limite legal de 320 mil patacas”. A CAJ também recebeu pedidos apresentados por trabalhadores não residentes. Segundo os mesmos dados, em cinco anos, foram 117, dos quais 108 aprovados, sete indeferidos e dois cancelados pelos próprios requerentes. Diana do Mar

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Novos aterros Empreitada do dique da zona C vai demorar até dois anos

A empreitada de execução do aterro e construção do dique da zona C dos novos aterros tem o prazo máximo de 720 dias. A informação foi divulgada ontem pelo Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) após o acto público de abertura de propostas. No total, foram recebidas sete, incluindo duas admitidas condicionalmente. Os preços variam entre 728 milhões e 843 milhões, enquanto os prazos propostos oscilam entre 642 e 700 dias. A zona C dos novos aterros, com uma área aproximada de 320 mil metros quadrados, situa-se na parte norte da Taipa, em frente à Avenida do Oceano, entre as pontes Sai Van e Governador Nobre de Carvalho. À empresa adjudicatária cabe executar principalmente os trabalhos de dragagem de lodos, enchimento, bem como de construção do dique. Segundo os planos, a zona Cvai acolher habitações e equipamentos comunitários.

A

S transacções de fracções autónomas destinadas à habitação aumentaram no primeiro trimestre. No entanto, Março registou uma forte queda mensal, após o lançamento das medidas para arrefecer o mercado imobiliário, realça a DSEC Nos primeiros três meses do ano foram transaccionadas 3.627 fracções autónomas habitacionais, um número que traduz um

O apoio judiciário compreende a isenção de preparos e de custas, bem como a nomeação de patrono e pagamento de patrocínio judiciário

Sinais positivos Casas transaccionadas sofreram forte queda mensal em Março

aumento trimestral de 38,5 por cento, indicam dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Em termos mensais, as vendas de casas subiram 85 por cento em Janeiro, tendo o crescimento desacelerado em Fevereiro (3,6 por cento). Com efeito,

realça a DSEC, em Março, acabaram por cair 57,6 por cento, após o lançamento das medidas para controlar o mercado imobiliário. Contudo, o preço médio por metro quadrado (área útil) das fracções autónomas habitacionais globais

cifrou-se em 112.304 patacas, reflectindo um crescimento de 6,3 por cento face ao trimestre anterior. Os preços médios na península (99.312 patacas) e em Coloane (137.768) registaram a mesma tendência, subindo 1,8 e 9,9 por cento, respectivamente. A excepção foi a Taipa, onde o preço médio das casas (117.364) sofreu uma diminuição de 3,7 por cento.

Segundo os mesmos dados, as fracções destinadas à habitação vendidas entre Janeiro e Março foram transaccionadas por 24,3 mil milhões de patacas – um valor que traduz um crescimento superior a um terço. Em paralelo, entre Janeiro e Março foram transaccionadas 122 fracções autónomas destinadas a escritórios – mais 86 em termos trimestrais – pelo valor de 2,65 mil milhões de

patacas, um aumento substancial de 814,8 por cento. No caso dos escritórios, o preço médio por metro quadrado das fracções (194.311 patacas) subiu 75,3 por cento, em termos trimestrais. Em sentido inverso, o preço médio por metro quadrado das fracções autónomas industriais (52.243 patacas) desceu 6,1 por cento comparativamente ao último trimestre de 2017.


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18.5.2018 sexta-feira

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 021/2018

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 022/2018

Considerando que não é possível notificar pessoalmente os interessados, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, ficam, pela presente, notificados, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, os requerentes abaixo mencionados, que pediram o apoio financeiro junto do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética, adiante designada por FPACE:

Considerando que não é possível notificar pessoalmente os interessados, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, ficam, pela presente, notificados, ao abrigo do artigo 68.° e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, os requerentes abaixo mencionados, que pediram o apoio financeiro junto do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética, adiante designada por FPACE:

Nome dos requerentes HYPERNOVA COMÉRCIO LIMITADA YI LAI SUPERMARKET IONG SOK FA KOU CHEONG FUN COMPANHIA DE CONSTRUÇÃO V & W BEST LIMITADA 澳門曲藝家協會 W.K. COMÉRCIO INTERNACIONAL LDA. FONG MENG KUAN CHAO LAI TAK MOK MAN

N.º de registo de entrada FP1001797 FP1002506 FP1003300 FP1003679 FP1004939 FP1005272 FP1005395 FP1005510 FP1005766 FP1005339

Considerando que foi tomada a deliberação de indeferimento pelo Conselho Administrativo do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética (FPACE) relativamente ao pedido apresentado pelos requerentes acima referidos, os mesmos podem apresentar uma reclamação junto do Conselho Administrativo do FPACE, nos termos dos artigos 145.°, 148.° e 149.° do Código do Procedimento Administrativo, no prazo de 15 dias, contado a partir da data de publicação da presente notificação, e/ou recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau no prazo de 30 dias, contado a partir da data da publicação da presente notificação, de acordo com o disposto no artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso. Os requerentes podem, durante as horas de expediente, telefonar para o n.° 28762626 e marcar uma consulta para aceder aos respectivos processos, deslocando-se à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita no 1.º andar do Edifício C.E.M., Estrada D. Maria II, n.os 32 a 36, em Macau. 18 de Maio de 2018. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man

Nome N.º de registo Nome N.º de registo dos requerentes de entrada dos requerentes de entrada 韓佳人有限公司 FONG CHI LONG FP1002150 FP1005816 TOU MEI FONG FP1002321 PANG WAI CHENG FP1005826 GUAN YUANZHANG FP1003706 CHAU KIT LENG FP1006006 VONG IO SAM FP1002663 JC MAQUILAGEM LDA. FP1006025 ASSOCIAÇÃO DE DESPORTIVA E SOCIEDADE HOU HIN RECREATIVA SOL DE MACAU (EM FP1004090 FP1007576 LIMITADA ABREVIATURA: ADRSM) TAI WO ORIGINAL TECNOLOGIA 樂奇音樂中心有限公司 FP1004645 FP1004396 LIMITADA Tendo em conta que os requerentes não entregaram ainda as informações necessárias para a candidatura, depois de ter passado o período de 30 dias a contar da data em que a DSPA enviou aos requerentes uma notificação relativa às informações necessárias, assim, e nos termos do n.° 2 do artigo 11.° do Regulamento Administrativo n.° 22/2011“Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, uma vez que “a paragem do processo de candidatura por período superior a 30 dias, por motivo imputável à requerente, equivale à desistência do pedido”, o Conselho Administrativo procedeu ao arquivamento dos pedidos de apoio financeiro apresentados pelos requerentes. Informa-se ainda os requerentes acima referidos que, sobre a decisão tomada pelo Conselho Administrativo da FPACE, podem apresentar reclamação para o mesmo Conselho Administrativo, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo e/ou interpor recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, no prazo de 30 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, de acordo com o disposto no artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso. Os requerentes podem, durante as horas de expediente, telefonar para o n.° 28762626 e marcar uma consulta para aceder aos respectivos processos, deslocando-se à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita no 1.º andar do Edifício C.E.M., Estrada D. Maria II, n.os 32 a 36, em Macau. 18 de Maio de 2018. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 023/2018

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 024/2018

Considerando que não é possível notificar pessoalmente os interessados, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, ficam, pela presente, notificados, ao abrigo do artigo 68.° e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, os requerentes abaixo mencionados, que obtiveram o financiamento do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética:

Considerando que não é possível notificar pessoalmente o interessado, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, fica, pela presente, notificado, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, o seguinte requerente, de que foi aprovado o apoio financeiro do “Plano de Apoio Financeiro ao Abate de Motociclos e Ciclomotores com Motor a Dois Tempos” pelo Conselho Administrativo do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética, adiante designado por FPACE, no valor de 3 500 patacas.

Nome dos requerentes COMPANHIA SKYLIKE LIMITADA SONHO IDEA FOTOGRAFIA PRODUÇÃO LIMITADA

N.º de registo de entrada FP1006459 FP1005237

A DSPA enviou aos requerentes uma notificação por e-mail, para a pessoa de contacto designada pelos requerentes, para que fossem entregues as informações em falta. A DSPA tem aguardado a entrega dos documentos ou informações necessários para a candidatura ou a respectiva resposta por escrito, de acordo com o que foi exigido na notificação. Nos termos do n.° 2 do artigo 11.° do Regulamento Administrativo n.° 22/2011 “Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, “a paragem do processo de candidatura por período superior a 30 dias, por motivo imputável à requerente, equivale à desistência do pedido.” Mais se relembra aos requerentes que devem entregar, o mais rapidamente possível, os documentos ou informações necessários para a candidatura ou a respectiva resposta por escrito, de acordo com o que foi exigido na notificação, a partir da data de publicação da presente Notificação, indicando o nome da actual pessoa a contactar, o número de telefone e e-mail. Caso contrário, a falta será considerada como desistência do pedido. Caso tenham dúvidas, os requerentes podem telefonar para o n.° 28762626, durante as horas de expediente, para consulta do processo. 18 de Maio de 2018.

O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man

Nome do requerente

N.º de registo de entrada

Chong Kin Long

FP2001514

Assim, para atribuir o respectivo montante subsidiado, o requerente acima referido deve dirigir-se ao Centro de Inspecções de Motociclos da DSAT em Macau, situado na Avenida 1.º de Maio, ao lado do Auto-silo da ETAR, pelas 10:00 do dia 24 de Maio de 2018(com a antecedência mínima de 10 minutos), levando consigo o seu motociclo ou ciclomotor de combustão interna a dois tempos (N.º de Matrícula CM66280), bem como o original do livrete do veículo, a cópia bem legível do documento de identificação do proprietário, o requerimento de cancelamento da matrícula do veículo devidamente preenchido (a saber, o modelo n.º 3 da DSAT) e a Declaração sobre o destino do veículo a entregar, para efeitos de abate. O mesmo requerente deve ainda entregar ao trabalhador em funções o veículo em causa e os respectivos elementos dentro do prazo supramencionado, concluindo, simultaneamente, o requerimento do cancelamento de matrícula do veículo. Caso surja alguma dúvida ou seja necessário alterar o prazo para entrega do veículo (o prazo de entrega do veículo é de trinta dias contados da data de publicação da presente notificação), o requerente pode ligar para o n.º de telefone 2876 2626 dentro do horário de expediente. O apoio financeiro a conceder poderá ser cancelado se o requerente não tiver entregado o seu motociclo ou ciclomotor com motor a dois tempos, para efeitos de abate, no local e no supracitado prazo estabelecidos pela DSPA, nos termos do artigo 16.º do Regulamento Administrativo n.º 2/2017 “Plano de Apoio Financeiro ao Abate de Motociclos e Ciclomotores com Motor a Dois Tempos”. 18 de Maio de 2018.

O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man


sociedade 9

sexta-feira 18.5.2018

O

S pais das crianças que pertencem à turma do jardim de infância D. José da Costa Nunes, que está envolvida nos alegados casos de abuso sexual infantil, não estiveram presentes e não tinham conhecimento da reunião que terá acontecido na Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), na passada quarta-feira. O encontro terá sido organizado pelo deputado José Pereira Coutinho. A informação foi dada por Aureliano Ritchie, um dos pais em causa, ao HM. “Não, pelo menos por parte

COSTA NUNES PAIS QUE APRESENTARAM QUEIXA DESCONHECIAM REUNIÃO COM COUTINHO

Encontro mistério RÓMULO SANTOS

A reunião com pais de crianças que frequentam o jardim de infância D. José da Costa Nunes não era conhecida pelos pais que apresentaram queixa de alegados abusos sexuais à Polícia Judiciária. Coutinho reitera que teve uma reunião com alguns pais de crianças que frequentam aquela escola e que vai continuar a acompanhar o processo e a disponibilizar o apoio necessário

do grupo que fez a queixa, não havia conhecimento acerca da reunião do deputado”, referiu Ritchie ao HM quando questionado se tinha conhecimento da situação. Depois da queixa de alegado abuso sexual foi criado um grupo entre os pais da turma em questão para que pudessem trocar informações acerca do decorrer do processo e das melhores formas de actuar. Depois de ter participado na conferência de imprensa com a deputadaAgnes Lam na passada segunda-feira, este grupo optou por não falar com mais nenhum legislador. “Entre o grupo de pais que apresentou queixa houve a opinião de não nos dirigirmos a mais deputados e não estamos interessados em reunir com mais nenhum”, apontou Aureliano Ritchie. De acordo com este pai, a reunião e esclarecimento promovidos por Agnes Lam foi a ajuda necessária para dar conhecimento acerca do processo que está a decorrer

e para transmitir as preocupações relativas aos procedimentos, nomeadamente no que respeita às acções “da polícia, do hospital e até com a própria Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ)”, disse ao HM. Relativamente aos pais que pudessem ter estado, na quarta-feira, reunidos com o deputado José Pereira Coutinho, Aureliano Ritchie

“Entre o grupo de pais que apresentou queixa houve a opinião de não nos dirigirmos a mais deputados e não estamos interessados em reunir com mais nenhum.” AURELIANO RITCHIE PAI

afirma que "não me parece que tenha sido do conhecimento de nenhum de nós deste grupo”, sublinhou. O HM contactou com vários pais daquela escola, sendo que nenhum afirmou ter conhecimento do encontro com José Pereira Coutinho.

COUTINHO REITERA

Entretanto, o deputado reitera que a reunião com pais do jardim de infância D. José da Costa Nunes aconteceu mesmo sem, no entanto, adiantar quaisquer pormenores. “Não vou fazer qualquer comentário, mas nós vamos acompanhar este caso e posso garantir que estive reunido com os pais” apontou ao HM quando questionado acerca do desconhecimento do grupo de pais quanto à reunião em causa. Pereira Coutinho não adianta quantos pais participaram no encontro, porque “podem existir situações de mal-entendidos”. Para

Costa Nunes DSEJ começou a analisar relatório entregue pelo infantário O jardim de infância D. José da Costa Nunes entregou ontem à tarde à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) o relatório sobre o caso de alegados abusos sexuais a crianças do infantário. Ontem era o último dia do prazo. De acordo com o canal de rádio da TDM, além da entrega do relatório, houve também uma reunião.

À TDM-Rádio Macau, fonte da DSEJ indicou que o relatório começou já a ser analisado. Já para o infantário, a próxima fase passa pela abertura de um inquérito interno. Os pais que apresentaram queixa na Polícia Judiciária acusam a escola de negligência e de desvalorizar os primeiros alertas dados pelos encarregados de educação.

divulgar o número de participantes Coutinho disse precisar da autorização dos mesmos. Relativamente às preocupações que pudessem ter sido apontadas ao deputado, não foram ainda adiantados quaisquer detalhes, sendo que terão sido relativos “a muitas coisas”. Ainda na quarta-feira, o HM tinha contactado o também responsável pela ATFPM que sublinhou a promessa de acompanhamento do caso. “Nós vamos acompanhar junto das instâncias oficiais o desenvolvimento do processo que está a decorrer”, referiu. As atenções serão direccionadas para os trabalhos desenvolvidos pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) “para saber, de facto, ao que é que o Governo pretende dar seguimento”

De acordo com Coutinho, o apoio a ser dado centra-se, fundamentalmente, na prestação de informação legal, “no acompanhamento junto das instâncias oficiais, bem como salvaguardar que a futura gestão melhore na defesa dos direitos básicos de segurança das crianças que frequentam a escola”, disse. O deputado adiantou ainda que na reunião que nenhum dos pais presentes se mostrou a favor de um pedido de demissão por parte do presidente da Associação Promotora de Instrução dos Macaenses (APIM), até porque “os pais estão preocupados com a gestão interna mas continuam a confiar na instituição”. Pereira Coutinho acrescentou que não foram discutidos nomes de pessoas, mas “a instituição em si”. Sofia Margarida Mota (com J.S.F) info@hojemacau.com.mo

PUB HM • 2ª VEZ • 18-5-18

ANÚNCIO DECLARAÇÃO DE MORTE PRESUMIDA nº CV2-18-0008-CPE 2º JUIZO CÍVEL REQUERENTE: - MINISTÉRIO PÚBLICO junto do Tribunal Judicial de Base da RAEM. REQUERIDO: - IONG PAC HIN, também conhecido por IONG CHU KUN, do sexo masculino, de nacionalidade chinesa e com última morada conhecida em Pac San, na República Popular da China, ora ausente em parte incerta; e, - INTERESSADOS INCERTOS Faz saber que pelo 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos, respectivamente, de TRÊS MESES e TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando o requerido/ausente IONG PAC HIN, também conhecido por IONG CHU KUN e os INTERESSADOS INCERTOS, respectivamente, para, no prazo TRINTA DIAS, findos os dos éditos, contestarem a petição inicial dos autos acima identificados apresentada pelo requerente, MINISTÉRIO PÚBLICO na qual pede que se julgue procedente e provada a presente acção, e, em consequência, ser declarada a morte presumida de IONG PAC HIN, também conhecido por IONG CHU KUN, devendo as provas ser requeridas com a contestação, tudo como melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram nesta secretaria à sua disposição, sob pena de não o fazendo no dito prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso contestem ou tenha lugar qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo – (artº. 74º do C.P.C.M.). * R.A.E.M., 07 de Maio de 2018


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A China afirmou ontem não querer um aumento das tensões com os Estados Unidos na questão comercial, quando se preparam o reinício das negociações em Washington, mas sublinhou estar pronta a defender os seus interesses

18.5.2018 sexta-feira

ECONOMIA PEQUIM PROMETE DEFENDER INTERESSES EM NEGOCIAÇÕES COM EUA

Dia C, de comércio

“Nós não queremos um aumento das disputas comerciais entre a China e os EUA”, afirmou Gao, em conferência de imprensa, em Pequim. “Mas, claro, estamos preparados para todas as possibilidades”

O

S comentários de Gao Feng, porta-voz do Ministério do Comércio chinês, surgem depois de o Presidente norte-americano ter afirmado que "não recuou" nas negociações com a China. Gao Feng disse esperar que os EUA adoptem "acções concretas" para resolver o caso da gigante de telecomunicações chinesa ZTE, que na semana passada afirmou que suspendeu operações, depois de Washington ter proibido a empresa de comprar componentes norte-americanos, por ter violado o embargo imposto ao Irão e à Coreia do Norte.

operações, que dependem de tecnologia norte-americana, como microchips e o sistema operacional Android. No início desta semana, Trump afirmou que quer encontrar uma solução para manter a firma chinesa a funcionar.

O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, e o vice-primeiro-ministro chinês Liu He estão a liderar as negociações em Washington, que terminam hoje, com o objectivo de travar uma possível guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta.

"Nós não queremos um aumento das disputas comerciais entre a China e os EUA", afirmou Gao, em conferência de imprensa, em Pequim. "Mas, claro, estamos preparados para todas as possibilidades". Trump ameaça subir os impostos sobre um total de

150.000 milhões de dólares de exportações chinesas para os EUA, como forma de punir Pequim por forçar empresas norte-americanas a transferirem tecnologia em troca de acesso ao mercado chinês. Em resposta, a China ameaçou subir os impostos sobre uma lista de produtos que valeram

50.000 milhões de dólares nas exportações norte-americanas para o país.

CHIPS E SOJA

A decisão do Departamento de Comércio dos EUA de negar encomendas à ZTE, no mês passado, levou a empresa a interromper as suas

Segundo a imprensa norte-americana, os dois países negociaram uma troca: a isenção da ZTE, responsável pelo desenvolvimento da infra-estrutura 5G na China e fabricante de 'smartphones', por um recuo de Pequim em subir as taxas alfandegárias sobre produtos agrícolas norte-americanos. "Vamos defender os nossos interesses resolutamente e não negociaremos os nossos interesses fundamentais", afirmou Gao, questionado sobre aquela informação. Na quarta-feira, Trump afirmou, numa mensagem na rede Twitter, que "nada se passou ainda com a ZTE, visto que pertence a um acordo comercial mais alargado".

TECNOLOGIA APLICAÇÃO OBRIGA MOTORISTAS A RECONHECIMENTO FACIAL

TRANSPORTES PEQUIM INAUGURA NOVO AEROPORTO EM OUTUBRO DE 2019

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aplicação de transporte privado Didi, o Uber chinês, vai obrigar os motoristas a submeterem-se diariamente ao reconhecimento facial, anunciou ontem a empresa.O reconhecimento facial será obrigatório para cada viagem, numa decisão tomada depois de um condutor ter alegadamente assassinado uma passageira de 21 anos, em Zhengzhou, no centro da China. Na madrugada de 6 de Maio, uma hospedeira de bordo chinesa de 21 anos, identificada como Li, foi

assassinada, durante uma viagem num carro privado, solicitado através da aplicação Didi. O corpo seminu da jovem foi encontrado passado dois dias, com sinais de abuso sexual. A polícia encontrou mais tarde um outro corpo, presumivelmente o do motorista, Liu Zhenhua, suspeito de matar Li antes de abandonar o automóvel e de se atirar a um rio. O suspeito terá acedido à conta do Didi do pai para actuar como motorista. Já em Maio de 2016, uma mulher de 24 anos

tinha sido assassinada por um motorista registado no Didi. Neste caso, o homem utilizou a carta de condução e bilhete de identidade para se registar na plataforma, mas utilizava uma matrícula falsa no automóvel. Na mesma semana, os jornais chineses informaram que quatro adolescentes chinesas denunciaram um motorista do Didi à polícia por se masturbar enquanto conduzia.

capital chinesa inaugura em 1 de Outubro de 2019, data do 70.º aniversário da fundação da República Popular da China, o segundo aeroporto internacional da cidade, informou ontem o jornal oficial China Daily. Segundo o jornal, que cita fontes ligadas ao projecto, as obras de engenharia foram concluídas em Junho passado, e decorre agora a instalação dos equipamentos, um processo que demorará três meses. A construção do terminal do aeroporto foi concluída no final de 2017, e decorrem

agora os trabalhos de decoração, acrescenta o China Daily. O novo aeroporto situa-se no distrito de Daxing, no sul de Pequim, e contará com quatro pistas de aterragem e descolagem e 268 espaços para os aviões estacionarem. A estrutura terá capacidade para 620.000 voos anuais. Entre as companhias que usarão o novo aeroporto, ainda sem nome, constam as estatais chinesas China Eastern Airlines e China Southern Airlines. O objectivo das futuras instalações é reduzir o trafego

do aeroporto internacional da capital, no noroeste de Pequim, que mostra sinais de sobrelotação, apesar de ter inaugurado um terceiro terminal há dez anos, a propósito dos Jogos Olímpicos de 2008. No ano passado, 95 milhões de pessoas passaram por aquele aeroporto, o segundo mais movimentado do mundo, apenas superado pelo norte-americano de Atlanta. O novo aeroporto da capital chinesa localiza-se a quase 50 quilómetros do centro da cidade e começou a ser construído em Dezembro de 2014.


região 11

sexta-feira 18.5.2018

TIMOR-LESTE FRETILIN ACUSA COLIGAÇÃO DE OPOSIÇÃO DE “TENTATIVA DE PRESSÃO”

MALÁSIA POLÍCIA FAZ BUSCAS EM CASA DO EX-PRIMEIRO MINISTRO

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S autoridades malaias completaram ontem buscas em casa do ex-primeiro ministro Najib Razak, derrotado nas eleições legislativas de 9 de Maio e alvo de suspeitas de corrupção. Os agentes retiraram "vários objectos pessoais mas nenhum documento", garantiu o advogado de Razak, Harpal Singh Grewal, citado pela agência de notícias malaia Bernama. As buscas tiveram início na noite de quarta-feira em casa do ex-primeiro ministro, em Kuala Lumpur, e terminaram sem "qualquer mandado de prisão", frisou o advogado. "Acreditamos que [a busca] foi realizada sob a lei de combate à lavagem de dinheiro", disse Grewal, assegurando que Najib e a família cooperaram com a polícia durante a operação. O recém-eleito primeiro-ministro Mahatir Mohamad, de 92 anos, impediu o antecessor de viajar para o exterior no passado fim-de-semana, alegando ter provas suficientes para investigar o envolvimento num alegado escândalo de corrupção. O ex-governante e a mulher, Rosmah Mansor, preparavam-se para viajar num jacto particular com destino a Jacarta. Em causa está o suposto desvio de cerca de 630 milhões de euros de um fundo estatal de investimentos para as contas privadas de Razak. Entretanto, o ex-procurador-geral Mohamed Apandi Ali, que ilibou, em 2016, o ex-primeiro-ministro de qualquer responsabilidade nas acusações, já foi demitido por Mahatir Mohamad. Uma auditoria do fundo estatal 1Malaysia Development Berhad (1MDB), divulgada esta semana, detectou irregularidades na gestão dos fundos, cuja suposta apropriação está a ser investigada em vários países, incluindo Estados Unidos, Suíça e Singapura. O triunfo eleitoral de Mahathir Mohamed afastou do poder a coligação que governava o país desde a independência (1957), a Frente Nacional, liderada por Najib Razak.

Presidente sob pressão

O líder da Fretilin, no Governo em Timor-Leste, acusou ontem a coligação da oposição, que venceu as legislativas de sábado, de uma “tentativa de pressão”, que “não é admissível”, sobre o Presidente do país, Francisco Guterres Lu-Olo

“É

falta de noção de Estado. O Presidente Lu-Olo é Presidente da República. Quando se candidatou, candidatou-se como presidente da Fretilin, toda a gente sabe, mas é Presidente da República”, afirmou Mari Alkatiri, primeiro-ministro cessante. “É uma tentativa de pressão sobre um órgão de soberania que não é admissível, não é democracia”, sublinhou o líder da Fretilin, que ficou em segundo lugar nas eleições de sábado passado. Alkatiri comentava assim declarações do líder da coligação Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), Xanana Gusmão. Na terça-feira, Xanana disse esperar que o chefe de Estado seja “Presidente da nação e não da Fretilin”, quando considerar eventuais vetos políticos. “O Presidente Lu-Olo, para vetar, tem que apresentar duas razões: uma legal e outra política. Se a política tende para o partido dele, porque não deixou de ser presidente da Fretilin, o que é lamentável, se é por causa disso, vou questionar”, afirmou Xanaa Gusmão, em conferência de imprensa conjunta com o “número dois” da AMP, Taur Matan Ruak. “Estamos aqui dois ex-Presidentes e vamos questionar isso. A ele, [Francisco Guterres] Lu-Olo. O problema é que nós iremos exigir a Lu-Olo ser Presidente da nação, não um presidente da Fretilin, colocado no Aitarak Laran”, disse, referindo-se ao Palácio Presidencial.

VETO NO HORIZONTE

No VI Governo, do qual Xanana Gusmão fazia parte, o então Presidente Taur Matan Ruak fez um voto político do Orçamento Geral do Estado, numa altura em que já estava a ser preparado o Partido Libertação Popular (PLP), que Matan Ruak liderou na campanha para as eleições de 2017.

Francisco Guterres Lu-Olo

qualquer força política. O único obstáculo poderá ser uma eventual decisão do Presidente timorense de vetar o Orçamento Geral do Estado, o que obrigará a um apoio de dois terços dos deputados. Nesse caso, mesmo que a AMP faça uma aliança com os dois partidos mais pequenos no Parlamento - o Partido Democrático (PD, cinco lugares) e a estreante Frente de Desenvolvimento Democrático (FDD, três mandatos) - só somaria 42 lugares, menos um dos que os dois terços. Francisco Guterres Lu-Olo era presidente da Fretilin quando foi eleito, com o apoio do seu partido e do CNRT de Xanana Gusmão, agora líder da AMP. Xanana Gusmão confirmou que a maioria absoluta conquistada pela AMP torna desnecessária qualquer eventual coligação. “Se só tivéssemos 32 lugares [a maioria absoluta são 33], então teríamos que pensar no PD e

na FDD. E eles estariam sem dormir a olhar para os mobiles e handphones para ver se havia alguma chamada. Assim não”, disse. O voto de sábado deu à AMP uma maioria absoluta de 34 dos 65 lugares no Parlamento nacional (mais de 305 mil votos ou 49,56 por cento do total), o que permite que forme o VIII Governo constitucional sem apoio adicional. Em segundo lugar, ficou a Fretilin, que liderou a coligação minoritária do anterior Governo, e que obteve cerca de 211 mil votos, ou 34,27 por cento do total, mantendo o mesmo número de deputados, 23. No Parlamento estará também o Partido Democrático (PD), parceiro da Fretilin no VII Governo, que perdeu dois deputados para cinco, tendo obtido quase 49 mil votos ou 7,95 por cento do total.

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“É uma tentativa de pressão sobre um órgão de soberania que não é admissível, não é democracia.” MARI ALKATIRI Com uma campanha marcada por duras críticas ao Congresso Nacional de Reconstrução Timorense (CNRT) de Xanana Gusmão, o PLP foi o terceiro mais votado em 2017. Mais tarde, aliou-se ao CNRT e ao Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) para formar a AMP. A maioria absoluta conquistada pela AMP significa que a coligação tem o caminho facilitado para formar Governo e, posteriormente, aprovar o Orçamento Geral do Estado para 2018, sem necessitar do apoio adicional de

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Praça de D. Afonso Henriques, n.º 97, em Macau; - Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.ºs 544 a 568, Alameda Dr. Carlos D`Assumpção, n.ºs 720 a 762 e Rua de Kunming, n.ºs 3 a 29, em Macau, (Edifício Avenida). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 26 de Abril de 2018. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong


12 eventos

18.5.2018 sexta-feira

PUB HOJE MACAU

CINEMATECA OBRAS DE ME ASIÁTICO MARCAM AGEND

ARTES VISUAIS IC RECOLHE OBRAS A PARTIR DE 8 DE JUNHO PARA EXPOSIÇÃO COLECTIVA

O

Instituto Cultural (IC) vai proceder, a partir do próximo dia 8 e até dia 12, à recolha de obras para a Exposição Colectiva das Artes Visuais de Macau. A mostra, que substitui a Exposição Anual de Artes Visuais, vai passar a ser organizada de dois em dois anos. Os concorrentes podem participar a título individual ou colectivo. Cada participante pode submeter um número máximo de três peças/conjuntos de trabalhos, sendo que as séries podem ter um máximo de quatro itens. As obras a apresentar precisam ter sido produzidas nos últimos dois anos e nunca terem sido expostas ao público em Macau. No que diz respeito a galardões, vai ser atribuído o grande prémio do júri, em que o autor da obra premiada será convidado a realizar uma exposição individual e a produzir uma publicação especial a ela dedicada, com o apoio do IC; serão distinguidas dez Obras Excelentes e dez Obras Seleccionadas; e ainda um Prémio Juventude para o melhor trabalho entre os concorrentes com idade até 29 anos. Todas as obras de candidatos serão avaliadas e seleccionadas por um júri constituído por profissionais do mundo da arte de Macau e do exterior, esperando-se que a selecção tenha lugar até Julho. A Exposição Colectiva das Artes Visuais de Macau é dedicada aos meios de expressão ocidentais, nomeadamente pintura, fotografia, gravura, cerâmica, escultura, instalações, vídeo e outras criações em interdisciplinaridade. Segundo o IC, a mostra visa, “através de uma fusão de espírito inovador e criações de meios de expressão ocidentais, explorar a possibilidade do desenvolvimento e inovação dos trabalhos relativamente à categoria de expressão plástica ocidental, impulsionar o desenvolvimento de arte visual de Macau e criar uma plataforma de intercâmbio cultural e artística”.

Pelíc do Ori

A Cinemateca Paixão v próximo mês, dez obras asiático. O cartaz inclui lizador iraniano Asghar Óscar de melhor filme est

É

um ciclo dedicado ao que melhor se faz no plano da sétima arte na Ásia. A Cinemateca Paixão apresenta, entre os próximos dias 9 e 26 de Junho, dez obras-primas de dez realizadores oriundos de Taiwan (Ang Lee, Hou Hsiao-hsien

PROGRAMA


eventos 13

sexta-feira 18.5.2018

MESTRES DO CINEMA DA DO PRÓXIMO MÊS

culas riente

vai exibir, ao longo do s de mestres do cinema i “O Vendedor”, do rear Farhadi, vencedor do trangeiro no ano passado e Tsai Ming-liang), Tailândia (Apichatpong Weerasethakul), Filipinas (Brillante Mendoza), Coreia do Sul (Kim Ki-duk, Lee Chang-dong e Park Chan-wook) e Irão (Asghar Farhadi e Abbas Kiarostami). Os filmes a serem exibidos são “Comer, Beber e Viver” (Ang

“O TIO BOONMEE QUE RECORDA AS SUAS VIDAS PASSADAS” 9 de Junho (21h) e 21 de Junho (19h)

“KINATAY” 10 de Junho (21h) e 19 de Junho (19h30)

“COMER, BEBER E VIVER” 12 de Junho (19h30) e 24 de Junho (16h30)

“TEMPO DE VIVER, TEMPO DE MORRER”

Lee), “Tempo de Viver, Tempo de Morrer” (Hou Hsiao-hsien), “Que Horas São Aí?” (Tsai Ming-liang), “O Tio Boonmee Que Recorda As Suas Vidas Passadas” (Apichatpong Weerasethakul), “KINATAY” (Brillante Mendoza), “Pietà” (Kim Ki-duk), “Poesia” (Lee Chang-dong), “A Criada” (Park Chan-wook), “O Vendedor” (Asghar Farhadi) e “Onde É A Casa do Amigo?” (Abbas Kiarostami). Cada filme tem duas sessões de exibição (VER TABELA). “Estas dez obras-primas permitirão ao público experienciar por completo o poder do cinema”, realça a Cinemateca Paixão em comunicado.

PALESTRAS SOBRE OS FILMES

O ciclo de cinema terá ainda como convidado especial Wen Tien-hsiang, director executivo do Festival de Cinema Cavalo Dourado de Taiwan que vai apresentar quatro palestras que, segundo a organização, irá permitir ao público “apreciar maior número de filmes de qualidade e compreender mais profundamente as características do cinema asiático”. Sob o tema “Mestres do Cinema Asiático e o Desenvolvimento do Cinema Asiático”, a palestra a cargo do conhecido crítico taiwanês vai cobrir quatro tópicos. “De Kiarostami a Farhadi: Drama Quotidiano

“PIETÀ” 15 de Junho (19h30) e 23 de Junho (21h30)

“O VENDEDOR” 16 e 20 de Junho (ambos às 19h30)

“ONDE É A CASA DO AMIGO?” 16 e 23 de Junho (ambas às 16h30)

“POESIA” 17 de Junho (16h30) e 24 de Junho (19h30)

13 e 26 de Junho (ambos às 19h30)

“QUE HORAS SÃO AÍ?” 14 de Junho (19h30) e 23 de Junho (19h)

“A CRIADA” 17 de Junho (21h30) e 21 de Junho (19h30)

“Estas dez obras-primas permitirão ao público experienciar por completo o poder do cinema.” no Irão”; “Rituais Familiares em Taiwan: Ang Lee, Hou Hsiao-hsien e Tsai Ming-liang”; “Rapsódia Tropical: Weerasethakul e Mendoza”; “Amor e Desgosto Falam Alto no Cinema Coreano”. As conversas vão decorrer na sala de projecção da Cinemateca Paixão das 10h às 13h e das 14h às 17h nos dias 9 e 10 de Junho, respectivamente. As quatro “aulas”, em mandarim e com interpretação simultânea em inglês, custam 200 patacas, sendo que os primeiros vinte participantes a efectuar o pagamento serão presenteados com dois bilhetes para o Festival de Cinema Asiático 2018. Os bilhetes para os filmes, a um preço unitário de 60 patacas, ficam disponíveis para venda a partir de amanhã. Estudantes e idosos beneficiam de um desconto de 50 por cento, sendo que a compra de dez ou mais bilhetes tem direito a uma dedução de 20 por cento. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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De que vale tentar reconstruir com palavras o que o verão levou José Simões Morais

Quarto e último dia das comemorações

P

ARA o relato do dia 20 de Maio de 1898 juntamos o publicado nos jornais de 22 de Maio, O Independente (que reaparecera a 12 de Setembro de 1897, é redigido pelos professores do Liceu de Macau, João Pereira Vasco, Horácio Poiares, João Albino Ribeiro Cabral e o poeta Camilo Pessanha, tendo a redacção e a administração sediadas no n.º 2 da Calçada do Gamboa) e no Echo Macaense (com o editor Francisco Hermenegildo Fernandes, que retomara essas funções em 11 de Abril de 1897), assinado por Luiz Gonzaga Nolasco da Silva. O Provir, jornal publicado em Hong Kong não traz registo deste dia 20, quando teve lugar a colocação da pedra fundamental para a estátua de Vasco da Gama. Pela linda e grande alameda passeia muita gente juntando-se para a cerimónia de inauguração ao longo de um largo entre a Avenida Vasco da Gama e a Estrada da Vitória. Às 5 da tarde procede-se ao lançamento da pedra fundamental para o monumento dedicado a Vasco da Gama na Avenida do mesmo nome, outrora Campo da Vitória, escolhido quase a meio da nova Alameda e de frente ao monumento da Vitória alcançada pelos portugueses de Macau sobre 800 holandeses em 1622. A pedra fundamental está suspensa no ar por uma corda, a um metro de altura do nível do chão, e por debaixo dessa pedra está aberto um fosso. Presentes encontram-se S. Exa. o Sr. conselheiro Governador Galhardo, S. Exa. Reverendíssimo o Sr. Bispo diocesano, D. José Manuel de Carvalho e reverendo clero, o juiz de Direito Ovídio d’ Alpoim, o Presidente do Leal Senado António Joaquim Basto, o inspector Barbosa, o Director das Obras Públicas Abreu Nunes, o Conde de Senna Fernandes, o 1.º intérprete sinólogo Carlos d’ Assumpção, e muitos outros funcionários públicos civis e militares, alguns estrangeiros e muita gente do povo. Depois de se proceder à leitura da acta e de ser assinada por muitos dos presentes, é esta encerrada numa caixa de cobre (outro jornal diz, num cofre de bronze, de pouco mais ou menos três decímetros de comprido e quinze centímetros de largo), juntamente com uma colecção de estampilhas e bilhetes-postais do Centenário, uma capa e duas primeiras páginas do comemorativo Jornal Único, um número do Boletim Oficial, um exemplar do Echo Macaense e outro d’ O Independente. A caixa, depois de soldada a chumbo, é enterrada no fosso,

e em cima dela colocam a pedra fundamental, onde assentará o monumento, sendo a primeira colher de cimento posto por S. Excelência o Governador. São tiradas fotografias no momento em que se procede à colocação da pedra fundamental para o monumento de Vasco da Gama. A estátua, só uma dezena de anos depois.

DISCURSOS

Durante esta cerimónia, a que assiste o Bispo de Macau, os seminaristas entoam o hino do centenário, o que dá maior solenidade ao acto e imprime uma suave comoção em todos que o ouvem. Queimam-se muitos panchões e os seminaristas de S. José entoam uns cantos patrióticos. Depois, o Governador, num breve mas sentido discurso, manifesta bem <os sentimentos que lhe vão na alma, de leal e antigo português de lei, que sente o

Pela linda e grande alameda passeia muita gente juntando-se para a cerimónia de inauguração ao longo de um largo entre a Avenida Vasco da Gama e a Estrada da Vitória.

mais íntimo orgulho de pertencer a essa nação de heróis, de que Vasco da Gama é uma das suas maiores glórias e ver, pela terceira vez em quatro dias, reunida a cidade de Macau para o glorificar>. Este discurso, que impressiona o auditório pela convicção com que são ditas as palavras, faz como que nascer em nós a esperança do rejuvenescimento da Pátria portuguesa que, naquele momento, se nos afigura representada, em todo o seu antigo esplendor, no Sr. Conselheiro Galhardo. Em discurso primoroso na forma e no estilo, o Sr. Dr. Ovídio d’ Alpoim descreve alguns dos episódios mais dramáticos da viagem da Índia. Narra os trabalhos por que passaram um punhado de marinheiros portugueses que pisaram primeiro o solo indiano, e faz notar a energia e tenacidade com que Vasco da Gama venceu todas as dificuldades. A sua palavra nervosa e incisiva mostra-nos, como se fossem desenhadas na tela, essas cenas horrorosas de tormenta, em que <o mar e o vento eram tantos que os navios metiam as postigas debaixo d’ água, e as tripulações empalideciam de susto quando o mar lançava, com estrepito, sobre o tendal, os painéis que as naus levavam no alto dos castelos, à popa, pintados com a imagem dos santos do seu nome>. Lembra também <o terramoto que agitou o mar da Índia quando Vasco da Gama o trilhava pela segunda vez e este almirante, imagem da bravura épica do povo português, acreditou e disse que até as próprias ondas tremiam com medo nosso!> Fala da lealdade deste povo de Macau à coroa portuguesa, única colónia que nunca ar-

reou o pendão das quinas durante os sessenta anos do nosso cativeiro sob o jugo castelhano e pode dizer-se que Macau é filha dilecta da sua mãe pátria, por ser o monumento imorredoiro do antigo predomínio de Portugal no extremo oriente. Faz lembrar aos circunstantes que, naquele momento, mil esquadras de todas as nações se balouçam no formoso Tejo, não para metralharem <a cidade de mármore e de granito>, mas para compartilharem connosco dos festejos da comemoração deste quarto centenário; porque todas essas nações, mais do que nós, têm colhido o fruto das nossas descobertas marítimas. Levanta por fim um Viva a Portugal, desejando que esse brado, que lhe saia da alma, pudesse ressoar no coração da Pátria, que tanto estremecia. Não podemos dar uma pálida ideia deste esplêndido discurso, que foi um grito patriótico que calou no ´animo` de todos. O Sr. Dr. Alpoim foi muito aplaudido e cumprimentado pelo selecto auditório, que o ouviu encantado”, descrição d’ O Independente. Complementa o Echo Macaense, “Foi o discurso acolhido com entusiasmo; foi o orador cumprimentado pelo Sr. Governador Galhardo e por muitos cavalheiros e o Bispo deu-lhe um abraço.” Como mais ninguém tomasse a palavra, o Governador dá o acto por findo. À noite saem os alunos do liceu com uma orquestra, indo tocar e dar vivas em frente de diferentes casas, sendo uma delas a do Sr. Presidente do Leal Senado. Assim terminam em Macau as festas do centenário da Índia, não tão esplêndidas e faustosas como os seus habitantes desejavam e as circunstâncias sanitárias do país não permitiram, mas cheias de entusiasmo e de ardor patriótico, como se devia esperar dos habitantes desta cidade, dos seus ilustres funcionários e do valente chefe da colónia, o herói de África, o Exmo. Sr. Coronel Galhardo. Nascido em Lisboa em 1845, estudara no Colégio Militar e Escola do Exército e em 1895, é coronel comandante das forças expedicionárias em Lourenço Marques quando termina com a revolta de Gungunhana, chefe dos Vátuas. Vasco da Gama, como representante real da aventura marítima portuguesa do século XV, encerra o ciclo do desbravar o desconhecido Oceano Atlântico, e realiza a inaugural viagem para o novo mundo, possível pelos conhecimentos técnicos e marítimos dos chineses, que os levara no século I ao Golfo Pérsico. Para encerrar esse IV centenário só falta o Jornal Único sair neste dia.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 18.5.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

Melancolia do fim

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Á horas que olho para conteúdos cinematográficos. Não me mexo a não ser para me virar. Quando viajamos, há uma mesma apresentação encenada do que está fora. Há um guião. Deslocamo-nos, contudo. Quando, ao ver conteúdos cinematográficos, não. A viagem no tempo é numa dimensão diferente. O tempo excede os conteúdos reais. É a verdadeira viagem. O passar das hora do almoço para a hora da tarde. O passar o serão logo a seguir ao jantar com os sons da vida: de quem chega a casa, liga a TV, as crianças que gritam e correm. Pisam com convicção o corredor. A mesma dimensão está presente, quando nos leva ao passado, ao princípio dos princípios. Há muitos princípios e muitas primeiras vezes. Não são sempre auspiciosas. São más. Podem ser muito más. Podem ser boas. Mas há um princípio de entusiasmo. Não é por nenhum conteúdo que objectivamente possa ser descrito enquanto tal. É um conteúdo fascinante pelo tempo que o traz. Há um encantamento com o fascinante. É uma configuração temporal na época das nossas vidas. A juventude transfigura tudo na primavera ou no verão da existência. É tudo de véspera. Mesmo sem possibilidades enormes ou oportunidades objectivas, filtra todo e qualquer conteúdo, sem excepção, com a compreensão da véspera auspiciosa do que aí vem. O que aí vem vibra com a excitação do tempo para vir. O tempo para vir é como na véspera de natal, na véspera da ir de férias, na véspera do primeiro dia de au-

las, na véspera da inauguração de um tempo que traz consigo ascensão e um deslize velos em direcção a um fim. Este fim não é lá no fundo. É uma descida para de novo ganhar balanço. É o entusiasmo de quem cavalga o cavalo do tempo, de quem desce e sobe vagas, de quem encosta abaixo esquia ou nas dunas se atira para sentir cair, o que justifica toda areia mordida. O fascinante é o modo como o futuro acontece para quem tem futuro. Não há fascínio, embora possa haver espanto, na sobrevivência, muito menos numa sobrevivência a si próprio. Quando todo o futuro está atrás das costas, não há fascinante, nem encanto, nem expectativa, nem esperança. Há o que é e o que é tem sido como sempre e repetir-se-á assim. Não é o pior. O pior é não ser enganado, o que pressupõe que o fascinante do feitiço deixa de actuar. Perde vigor. Às vezes voltamos atrás como se arrancássemos

Quando todo o futuro está atrás das costas, não há fascinante, nem encanto, nem expectativa, nem esperança. Há o que é e o que é tem sido como sempre e repetir-se-á assim

os olhos da cara de alguém para os inserir nos nossos. É como se assim víssemos uma rua pouco glamorosa, mas onde há antecipação, onde há ainda véspera, onde há esperança e a expectativa da mudança não é a rotina inultrapassável de tudo sempre cada vez mais na mesma. Onde está essa renovação do olhar que antigamente era tão poderosa que era mesmo o modo de olhar para as coisas. Agora, tudo estafado na rotina da repetição não vem sequer uma leve brisa que se levanta e nos faça olhar para outro sítio. O pior de tudo não vem com o tempo. Não se trata de quantidade de tempo. Pelo menos não no sentido em que se tratasse de um aumento homogéneo da quantidade do tempo. A nossa vida é marcada por épocas. O nosso tempo tem momentos de viragem. Datamos assim autobiograficamente sem sabermos bem como a nossa história como a história das nossas decepções, das nossas desilusões, das nossas perdas, das nossas mortes. Em cada um desses momentos perdemos a possibilidade de sermos objecto do fascinante, do feitiço que nos atrai para fora do sítio imóvel do presente. Para haver grandes decepções houve grandes esperanças. Quanto maior é a esperança maior é a decepção. Os espíritos jovens são formalmente obrigados a viverem montados no haver que lhes dá futuro. A sobrevivência é resistir a essa decepção. Tudo muda para pior. Nada fica como é. É possível, contudo, conviver com a derrota. Mas é à espera, à espera de que tudo acabe. Todo o fim é sempre redentor.


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18.5.2018 sexta-feira

ANNOUNCEMENT 1. Objective:

Open invitation to one tender.

2. Procuring entity:

Macao Science Center Limited.

3. Address of procuring entity:

Avenida Dr. Sun Yat-Sen.

4. Works, goods and services to be procured:

Demolition of the external cladding panel and construct waterproofing system at the top roof of Macao Science Center PA-18-106

5. Location of service provision:

Macao Science Center.

6. Conditions of entry:

Registered supplier under relevant categories of Macao Science Center Limited.

7. Method for obtaining tender documentation:

Registered suppliers can send in your request through email to tender@msc.org.mo. For suppliers not yet registered, please attach with commercial registration documents & contact details.

8. Tender submission location and deadline:

Location:

9. Tender opening location and time:

Location:

Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center.

Time:

The first working day after the deadline or 8th June, 2018 (Friday) at 3:00 pm (Macao time).

PUB

Deadline:

Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center. The 21st day starting from the date of announcement or 7th June, 2018 (Thursday) at 5:00pm (Macao time).

Bidder or its representative shall be present at the Tender Opening for clarification of possible questions arisen from submitted tenders. 10. Validity period of the tender:

90 days starting from the date of tender opening (the validity period may be extended according to the Tender Procedures).

11. Provisional guarantee:

MOP500,000.00(Macao Patacas Five Hundred Thousand), by bank guarantee.

12. Definitive guarantee:

By bank guarantee: 5% of total contract value of works and an additional 5% from each payment will be deducted to guarantee fulfillment of the contract.

13. Selection Criteria:

After fulfilling the requirement in Chapter IV of the tender document, the awarded tender will be selected based on the following criteria: Price

50%

Experience of similar projects

20%

Design and Drawings

10%

Quality (Material, Engineer declaration, Construction plans, Construction progress, etc.)

20%

14. Additional information:

All related information will be uploaded to the Macao Science Center website (http://www.msc. org.mo/) from the day following the publication of this announcement until the tender closing date. Bidders are responsible to visit the website for additional information.

15. Base price:

No base price. Macao Science Center Limited 18th May, 2018


sexta-feira 18.5.2018

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18.5.2018 sexta-feira

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local

: 44 /E-BC/2018 :230/BC/2017/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Avenida de Horta e Costa n.º 94 (indicado no local como n.os 94L e 94M), EDF. 康樂邨, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar L, Macau.

Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados o dono da obra e o proprietário e os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1.

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado se realizou a seguinte obra não autorizada: Obra 1.1

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento com cobertura Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho metálica e suporte metálico na parte do terraço de evacuação. sobrejacente à fracção 5.º andar L.

2.

Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservarse permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

3.

Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício.

4.

Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.

5.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 08 de Maio de 2018 O Director de Serviços Li Canfeng


desporto 19

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D

AS seis corridas confirmadas, apenas uma é novidade: a “Greater Bay Area Cup”. Todavia, detalhes sobre a “Taça de Grande Baía”, na designação oficial em português, não foram dados a conhecer na conferência de imprensa. Chong Coc Veng, o presidente da Associação Geral do Automóvel de

AUTOMOBILISMO NOVA CORRIDA DO GP COM CARROS DA MARCA INGLESA

Baía de Lotus GCS

Na conferência de imprensa da passada quarta-feira, no Centro de Ciência de Macau, a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau (COGPM) apresentou o patrocinador principal e deu a conhecer o programa da edição número sessenta e cinco do maior cartaz desportivo de carácter anual do território

Macau-China, afirmou na cerimónia que ainda estão a decorrer negociações com o promotor desta iniciativa e que pormenores sobre os moldes de como esta competição será disputada serão dados a conhecer ao público mais tarde. Porém, o também Coordenador da Subcomissão Desportiva da COGPM, referiu igualmente que esta competição será monomarca, disputada por

um tipo único de viaturas, e terá duas corridas na China antes da prova no Circuito da Guia. Várias fontes adiantaram ao HM que esta corrida será disputada com viaturas da marca Lotus, modelo Exige motorizados por blocos V6 com compressor, e será co-organizada pela Richburg Lotus. O Circuito Internacional de Zhuhai será muito provavelmente o palco das

corridas chinesas que antecedem o evento da RAEM. Nos últimos quatro anos a dita “slot comercial” do Grande Prémio foi ocupada pela Corrida da Taça Chinesa, prova que o ano passado foi ganha pelo macaense Hélder Assunção. A Shanghai Lisheng Racing Co. Ltd, o organizador desta corrida, que na realidade não é apenas uma, mas sim um campeonato disputado com

viaturas BAIC Senova D50 TCR em circuitos da Grande China, esperava regressar ao Circuito da Guia este ano, mas terá sido ultrapassada pela oferta rival.

UM REGRESSO

Esta não será primeira vez que o Grande Prémio acolhe um troféu monomarca organizada pelo importador do construtor britânico recentemente adquirido pelo

Várias fontes adiantaram ao HM que esta corrida será disputada com viaturas da marca Lotus, modelo Exige motorizados por blocos V6 com compressor, e será co-organizada pela Richburg Lotus gigante chinês Geely. Em 2015, pelas mãos da Richburg Lotus, disputou-se a Suncity Lotus Celebrity Cup, uma competição primordialmente pensada para atrair celebridades do showbiz de Hong Kong. Contudo, a “corrida de celebridades”, que contou com dezasseis Lotus Elise, teve um pódio sem uma única celebridade, sendo composto por três pilotos que conseguiram comprar lugares na grelha de partida. Sin Ling Fung de Hong Kong venceu a corrida, seguido dos conterrâneos Vincent Chao e Kevin Liu. O actor Fong Lik Sun foi a primeira celebridade na lista, vendo a bandeira de xadrez no sétimo posto da geral. Já antes, em 2014, ano em que o evento foi realizado em dois fins de semanas, os Elise tinham sido vistos a competir a solo na Corrida Cotai Strip Resorts Lotus Grande China. Sérgio Fonseca

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SPORTING MARTA SOARES APELA À DEMISSÃO DE BRUNO DE CARVALHO

O

presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Jaime Marta Soares, apelou ontem à demissão do presidente do clube, Bruno de Carvalho. "Apelo à direcção, ao senhor presidente Bruno de Carvalho, que siga este nosso exemplo, que apresente a sua demissão, e do Conselho Directivo, para que nós possamos, no cumprimento rigoroso e integral do estatuto, marcar uma Assembleia-Geral, ou seja, dar a palavra aos sócios, que são esses os principais sustentáculos e que são esses efectivamente aqueles que têm o direito de decidir o que é que querem para a vida do Sporting Clube de Portugal”, disse Jaime Marta Soares, em declarações à agência Lusa.

Indicando que o Conselho Fiscal também se iria demitir, Marta Soares considera “absolutamente insustentável” o momento do clube: "Tentámos tudo o que estava ao nosso alcance estatutariamente para fazer com que as coisas se desenvolvessem com credibilidade, com respeitabilidade, com sentido daquilo que é a instituição Sporting Clube de Portugal. Não o conseguimos”, lamentou o presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral (AG). Marta Soares recordou que há cerca de um mês já tinha alertado Bruno de Carvalho de que os interesses do Sporting estavam acima de tudo e que estavam esgotadas as hipóteses de manutenção da actual presidência,

sublinhando que chegou a hora de dizer basta. “Desta vez não há mais qualquer hipótese de pôr acalmia no que quer que seja. Chega, basta. O Sporting tem de estar acima de todas e quaisquer ambições de poder, que têm de terminar imediatamente”, vincou Marta Soares, responsabilizando também alguns “pseudo-sportinguistas, de grande nomeada [sem no entanto mencionar nomes], que agora estão agora absolutamente calados”, por Bruno de Carvalho se ter mantido no cargo até hoje. O presidente demissionário da Mesa da AG do Sporting revelou, ainda, que há quatro elementos da equipa directiva do Bruno de Carvalho que manifestaram vontade em demitir-se.

BAS DOST, APESAR DE "CHOCADO" MOSTRA-SE "ORGULHOSO DA EQUIPA"

O

avançado holandês do Sporting Bas Dost mostrou-se ontem “orgulhoso da equipa”, agradecendo o apoio dos “verdadeiros adeptos” do clube, no seguimento dos incidentes ocorridos terça-feira na Academia de Alcochete. Apesar de reconhecer que ainda está “chocado” com o acto de violência contra a equipa levado a cabo por cerca de 50 alegados adeptos do clube, Bas Dost mos-

trou-se “feliz pela reacção dos verdadeiros adeptos”. “Isso significa muito para mim! Além disso, estou orgulhoso da forma como a minha equipa lidou com esta situação difícil. Isso mostra a força do nosso grupo. Estou tão orgulhoso desta equipa. Vamos ultrapassar isto juntos!”, pode ler-se no comunicado publicado na sua página do Facebook, em português e em inglês.


13 19 14 14 18.5.2018 sexta-feira 20 (f)utilidades 7 3 6 5 1 4 9 2 8 6 84 18 1 7 2 5 3 9 9 7 2 3 8 1 4 8 41 4 62 6 9 37 3 5 6 3 8 2 5 4 1 5 5 3 7 48 4 9 1 62 6 5 1 4 7 6 9 8 29 2 1 6 5 73 7 48 4 9 29 52 5 7 3 8 41 4 6 9 84M A8X 13 12 5H U3M 6 54- 9 54% 7 •6 E2U 5R9O 5 93. 5851 B 8 A H T 0 . 275 8 Y 5U A4N 31 .22 66 T E M P O P O U C O N U B L A D O M I6N97 246 8 9 5 3 6 21 2 74 7 3 4 1 5 9 6 2 5 5 8 62 6 7 3 4 1 9 1 4 93 9 2 5 86 78 7 2 6 9 1 7 8 5 2 2 1 3 7 48 64 6 9 5 VIDA DE1CÃO2 7 9 4 5 3 7 6 2 4 1 98 59 5 3 2 2 9 38 3 4 56 5 7 1 O QUE FAZER 8 5 3 6 1 7 9 81 98 9 35 3 7 64 6 2 4 64 6 1 8 75 7 3 29 2 ESTA SEMANA PATACAS 3 5 7 1 29 82 8 6 4 3 5 94 29 2 6 8 7 1 4 9 6 8 2 3 7 NO BOLSO Amanhã EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO “MIO PANG FEI”, Em Macau 21 é fácil olhar à volta e ficar 15 15 16 16 ofuscado. As patacas estão à vista e DE PEDRO CARDEIRA materializadas 3 59 5 6 2 7 1 8 4 2 5em dourados 1 8 vários 9 3e em4 74 7 8 5 2 6 31 3 9 Cinemateca Paixão | 12h00 edifícios mais ou menos feios mas muito 5 1 49 4 7 63 6 82 8 4 Mas, 6 ao9falar5de patacas 7 1 em8 ostensivos. 8 8 1 56 45 4 29 2 3 7 Macau pensa-se também que servem para Domingo 4 72 17 1 3 8 9 56 5 7 3 de2vida 6dos que 4 cá5 2 2 3 16 81 8 9 5 4 7 melhorar8a qualidade EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO “MIO PANG FEI”, vivem e mesmo dos que visitam esta pe2 8 4 9 7 3 15 61 6 3 42 94 9 5 1 78 67 6 1 administrativa 4 5 3 especial. 2 9Aí, a6 DE PEDRO CARDEIRA quena região questão é6 imperativa, Cinemateca Paixão | 12h00 6 59 85 48 4 7 2 1 3 9 8onde1é que5andam 7 as2 7 67 36 3 8 15 1 4 9 2 patacas?Aquelas que serviriam para ter um sistema de 1 5 49 4 26 2 3 7 8 7esgoto 3 a2funcionar 6 e4evitar8que1 1 81 8 7 63 6 2 9 5 4 CINEMA | MACAU – O PODER DA IMAGEM REVISITADO 1 por volta das dez da noite, após o jantar, os vómitos Cinemateca Paixão | A partir das 16h30 3 não2acorressem 4 9à boca 8 quando 6 7 39 3 2 87 48 64 6 5 1 8 68 16 1 2 3 74 7 9 5 se anda pelas ruas à volta do Leal Senado. 9 5 3 7 1 48 4 26 2 5 à1moda7antiga 4 ou3melhor, 2 à9 6 46 4 8 3 1 5 7 92 9 É que, bem Diariamente moda do quem não quer saber, as fossas 5 7 1 92 9 86 8 34 3 7 4 62 6 9 5 3 8 1 existem 9 por lá8e é a6essa7hora1que 5 passa3 EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” 13

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EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” Studio City Macau

Cineteatro

O CARTOON STEPH 17 6 4 79 37 3 5 1 2 37 3 92 9 8 1 4 5 8 58 15 1 2 6 34 3 7 83 8 6 5 24 72 7 19 9 29 2 7 6 81 8 35 3 4 1 5 3 7 69 86 8 91 9 8 54 5 3 2 6 2 6 13 1 79 7 8 54 5 47 4 8 2 6 9 1 DE

C I N E M A

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 17

UM FILME HOJE

THE KILLING OF A SACRED DEER SALA 1

ATTACK ON TITAN SEASON 2 MOVIE [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Masashi Koizuka 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

THE KILLING OF A SACRED DEER [C] Um filme de: Yorgos Lanthimos Com: Colin Farrel, Nicole Kidman, Barry Keoghan 14.30, 16.45, 19.00

AVENGERS: INFINITY WAR [B] Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 21.15

SALA 3

DESTINY: THE TALE OF KAMAKURA [B]

PROBLEMA 18

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um pequeno camião com um a mangueira para as despejar. Uma espécie de balde mas com motor que deixa um rasto de um fedor impossível. Onde estão as patacas que permitem a construção de espaços verdes para as pessoas? Onde estão as patacas para fazer da cidade um exemplo ecológico e tratar de ter autocarros movidos a electricidade? Pior, onde estão os raio das patacas para dar saúde às pessoas? Um casino em Macau ergue-se em três anos, um hospital nem em 20. Mas nada de preocupações que há hospitais particulares que precisam de manter as patacas nos bolsos de alguns, daqueles para quem ter uma coisa com jeito não daria jeito nenhum. Onde estão as patacas? Nos bolsos de muita gente. O lema é arrecadar enquanto se pode, não vá a cegueira dos dourados começar e desvanecer-se e os olhos começarem a enxergar o que não devem. Sofia Margarida Mota

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LITTLE MISS SUNSHINE | JONATHAN DAYTON

A pequena e engraçada Olive sonha participar num concurso de misses em ponto pequeno, o que obriga toda a família a viajar até à Califórnia numa carrinha pão de forma. Lá dentro viajam os pais em permanente clima de discussão, o avô que gosta de pornografia, o tio que se tentou matar por uma paixão não correspondida e um irmão que fez um voto de silêncio. Pelo caminho sofrem as mais inesperadas peripécias que quase os faz desistir. Um filme intenso e ao mesmo tempo leve, mas imperdível. Andreia

Sofia Silva

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Masato Sakai, Mitsuki Takahata 14.15, 16.45, 19.15

THE TROUGH [C] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Xu Jing Lei, He Jiong, Miu Kiu Wai 21.45

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S U D O K U

Galeria Tap Seac | Até 17/06

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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sexta-feira 18.5.2018

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

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URANTE os últimos anos, em Macau, o 1º de Maio (Dia do Trabalhador) tem sido uma das poucas datas regularmente assinalada com manifestações populares, para além do dia em que se comemora a transferência de soberania. No entanto, quer Hong Kong quer Macau, têm assistido ultimamente a um decréscimo deste tipo de demonstrações no Dia do Trabalhador. Tendo perdido qualquer esperança na realização de um sufrágio universal, no rescaldo do “Movimento dos Chapéus de Chuva”, a sociedade de Hong Kong padece de pessimismo. Embora grupos de jovens tenham expressado a sua insatisfação de formas radicais, acabaram por ser silenciados após os protestos de Mong Kok. A chamada “resistência corajosa” chegou ao fim. O afastamento de dissidentes, por parte do Governo em funções, tem vindo a ser progressivamente intensificado. Mesmo os jovens da organização “Demosistō” acabaram por ser considerados não elegíveis para o Conselho Legislativo. Como Hong Kong tem sido paralisado por um sentimento de impotência, tornou-se difícil mobilizar as pessoas para manifestações e protestos . Em Macau, a política de “distribuição de dinheiros”, implementada ao longo dos últimos dez anos, tem funcionado como um anestésico. À excepção de pequenos grupos com consciência política, em geral, os manifestantes são desorganizados e não apresentam propostas concretas. Além disso, as manifestações não constituem momentos significativos. Mas, ainda mais determinante, é o facto de se registar uma fraca participação nos movimentos sociais, por parte dos jovens que não pertencem ao campo pró-governamental. E isto é válido tanto para as apreciações positivas aos bons desempenhos do Governo da RAEM, como para as críticas aos seus maus desempenhos. Se os desempenhos dos Governos de Hong Kong e de Macau forem reconhecidos pelo Governo Central, as populações das duas cidades desfrutarão de paz e de estabilidade. Mas, na realidade, o que se verifica é uma constante subida dos preços das habitações e a um acentuar das discrepâncias entre os ricos e os pobres, o que causa um declínio da qualidade de vida das populações. O Governo de Hong Kong tem uma actuação excessiva, mas pouco gratificante para os habitantes da cidade, enquanto em Macau temos um Governo com discursos vazios de sentido, mas uma

“HONG KONG AT SUNSET” BY TINYAN CHAN

O 1º de Maio e a história das duas cidades

população satisfeita com a vida que tem. Estas duas regiões são assoladas por grandes questões e por pequenos problemas, no entanto, os conflitos de fundo enraízados nestas sociedades constituem uma situação deveras preocupante, especialmente quando verificamos a indiferença da juventude. No 1º de Maio fui a Hong Kong e reparei que não existe tanta animação como em Macau. Causeway Bay não estava tão cheia de gente como a Avenida de Almeida Ribeiro. O Terminal de Sheung Wan, dos Ferrys que fazem a ligação Hong Kong-Macau não tinha muita gente. Apenas alguns grupos de pessoas iam em direcção do Terminal da Taipa, o que evidencia um decréscimo óbvio de turistas do continente. Se compararmos com as longas filas que se formaram para atravessar a fronteira de Gongbei para Macau, no passado dia 30 de Abril, verificamos que, para os turistas continentais, Hong Kong é um destino longínquo. De acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, a maioria do visitantes de Macau são originários da China continental. Se vier a haver um decréscimo no turismo do continente, Macau ficará tão“calmo” como Hong Kong, ou numa situação tão desastrosa como Taiwan. Por

outras palavras, a seiva económica de Macau depende do turismo do continente. Mas será que existem em Macau produtos especiais de que necessitem particularmente os turistas continentais? Será que Macau possui algumas marcas de que se possa orgulhar? Se a China abrisse balcões com produtos farmacêuticos nas lojas duty-free, nos pontos de entrada em Macau, interrogo-me quantas Farmácias de Macau continuariam de portas abertas. As Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e de Macau não registaram nenhum desenvolvimento significativo desde

No 1º de Maio fui a Hong Kong e reparei que não existe tanta animação como em Macau. Causeway Bay não estava tão cheia de gente como a Avenida de Almeida Ribeiro. O Terminal de Sheung Wan, dos Ferrys que fazem a ligação Hong Kong-Macau não tinha muita gente.

Ex-Deputado • Membro da Associção Novo Macau

a transferência de soberania para a China. O Centro de Medicina Chinesa e o projecto Cyberport de Hong Kong acabaram por não dar em nada. Depois do regresso de Macau à soberania chinesa, verificou-se um fiasco na reestruturação da indústria. Se a China não tivesse implementado o Programa de Visitas Individuais, que permitiu a tantos dos seus habitantes trabalhar em Macau, o sector imobiliário da cidade não teria florescido e, apesar da liberalização da indústria do jogo, os casinos não estariam cheios. Os homens de negócios de Hong Kong e de Macau desejam fazer fortunas, mas carecem de visão para um desenvolvimento a longo prazo. Os funcionários dos Governos de Hong Kong e de Macau limitam-se a depender do Continente e perderam a vontade de trabalhar com empenho. Com a implementação da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, muitas cidades da China já prepararam as suas infra-estruturas visando a participação neste projecto. No entanto, em Macau, a rede do Metro ligeiro nem sequer se vislumbra no horizonte. A existência de uma cidade depende da existência de traços e de valores que a distingam. Mas os traços e os valores distintos de Hong Kong e de Macau estão a extinguir-se.


22 opinião

18.5.2018 sexta-feira

TIAGO BONUCCI PEREIRA

IAIN VELLACOTT

O espírito da Rota da Seda

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M artigos anteriores foram explorados temas importantes para perceber o enquadramento histórico das relações comerciais actuais da República Popular da China (RPC) com o resto do mundo: ajuda externa, que durante décadas definiu as relações económicas da RPC com o estrangeiro; investimento em África, continente com o qual a RPC mantém desde sempre uma relação especial; a “Go Out Policy” e o ímpeto para a internacionalização e busca de mercados no estrangeiro, conjugados com a transformação do tecido industrial chinês. A Iniciativa Faixa e Rota, que já assumiu vários nomes e siglas (OBOR, BRI, B&RI), pode, e deve, ser encarada como a evolução natural de políticas que a RPC tem implementado ao longo das últimas décadas. Comecemos pelo discurso. A iniciativa foi anunciada a 7 de Setembro de 2013 em Astana, Casaquistão, pelo Presidente Chinês Xi Jinping, num discurso intitulado “Promover a Amizade entre Povos e Criar um Futuro Melhor”. Nele, multiplicam-se as referências históricas aos vários eixos de trocas comerciais que conectaram durante séculos diferentes regiões da Eurásia,e aos quais se refere habitualmente como “A Rota da Seda”. O anúncio público do projecto tem forçosamente de ser analisado no plano político. Três pontos definem a sua base ideo-

lógica: (i) Ordem mundial multipolar; (ii) Globalização económica; (iii) Diversidade cultural. São ideias fundamentais do discurso político chinês. O “Plano de Acção para a Iniciativa Faixa e Rota” publicado em 2015 pelo Concelho de Estado da RPC salienta a necessidade de “(...) aprofundar a confiança política; promover intercâmbio cultural; encorajar diferentes civilizações a aprender umas com as outras e a prosperar em conjunto; e promover o entendimento mútuo, paz e amizade entre as pessoas de todos as nações”. Este apelo à multiculturalidade pode ser encarado como um aspecto complementar tanto da globalização económica como da promoção de uma ordem multipolar. Neste contexto, a evocação de um passado caracterizado por prosperidade global e de interacção entre povos contrasta com o mundo “ocidentalizado” (principalmente) pela difusão alargada da cultura popular americana. É este apelo a uma visão algo romantizada da Rota da Seda que marca o início do Plano de Acção, cristalizada no “Espírito da Rota da Seda – paz e cooperação, abertura e inclusão, aprendizagem mútua e benefício mútuo”.

Este aspecto não deve ser negligenciado em qualquer análise do BRI. No discurso político chinês, a história tem um papel importante. Serve como elemento legitimador para novas iniciativas, associando visão política a elementos identitários da nação chinesa. Olhemos para a “Faixa”, a componente terrestre do BRI. A multiplicação de nomeações a Património da Humanidade associadas à Rota da Seda resulta de um esforço conjunto dos países do continente euroasiático. Estas nomeações servem um propósito político para os países participantes, com o reconhecimento internacional da história e cultura de diferentes civilizações. Mas a associação à Rota da Seda oferece também uma perspectiva histórica sobre a ideia de ligações comerciais e contactos civilizacionais transnacionais. Existe também uma dimensão securitária na avaliação das potencialidades do BRI para os vários países envolvidos. Comércio e intercâmbio cultural contribuem para a construção de relações de confiança e respeito mútuo. Para a China, a estabilidade das suas províncias ocidentais (Xinjiang, Tibete) é uma preocupação constante. A criação de dinâmi-

Este apelo à multiculturalidade pode ser encarado como um aspecto complementar tanto da globalização económica como da promoção de uma ordem multipolar. Neste contexto, a evocação de um passado caracterizado por prosperidade global e de interacção entre povos contrasta com o mundo “ocidentalizado” (principalmente) pela difusão alargada da cultura popular americana

cas transfronteiriças nestas regiões, com o seu consequente desenvolvimento económico, é encarado como um processo necessário, tanto para a China como para países vizinhos, para mitigar problemas recorrentes de instabilidade, como os associados ao fundamentalismo islâmico. Outro dos objectivos inerentes a este renovado ênfase no intercâmbio cultural relaciona-se com a desconfiança que a China tem enfrentado em alguns países. Do ponto de vista Chinês, trata-se sobretudo de um problema de percepção. Peter Frankopan, historiador britânico e autor do bestseller de 2015 “As Rotas da Seda” (que, inexplicávelmente, demorou cerca de três anos a merecer a sua primeira edição portuguesa) lamentava, em entrevista à organização Intelligence Squared, o carácter eurocêntrico do ensino de História no Reino Unido, daqui resultando uma visão distorcida que menospreza ou ignora civilizações cujo contributo para o desenvolvimento da humanidade é imensurável. Esta será uma conclusão que poderá ser considerada como válida para virtualmente qualquer país ocidental. Esta ignorância relativamente a outros povos e culturas, esta visão incompleta da história, contribui para um clima de desconfiança sustentada em primeiro lugar no desconhecimento e no preconceito. O ênfase dado no discurso político chinês a uma ordem multipolar deve ser lido na lógica que decorre dos Cinco Princípios de Coexistência Pacífica (1954) - de respeito mútuo pela integridade territorial e soberania; de não-agressão mútua; de não-interferência mútua em assuntos internos; de igualdade e cooperação para benefício mútuo; de co-existência pacífica. Outra leitura, complementar à primeira, é que constitui um desafio directo à ordem mundial vigente, interpretada como ainda a resultante do fim da Guerra Fria e caracterizada como unipolar, com os Estados Unidos da América (EUA) como potência hegemónica. Trata-se de resto de um passo que os EUA já previam desde o tempo da administração Clinton, como afirma o académico neo-conservador Robert Kagan no seu livro “O Paraíso e o Poder” (2003), onde afirma que era já consensual entre os dois partidos americanos que o crescimento da China constituíria o grande desafio estratégico para os EUA durante as duas décadas seguintes. Não tenhamos dúvidas, no entanto, que nesta multipolaridade, a China pretende ocupar a posição que considera natural em face do seu legado histórico milenar, contributo civilizacional, e dimensões populacional (20% da população mundial) e económica (15% da economia global; contributo correspondente a cerca de 25 a 30% do crescimento económico global). Com o projecto BRI, a China assume um papel de liderança neste processo de mudança, re-definindo a sua posição à escala global. Nas palavras do já citado Peter Frankopan: “We are seeing the signs of the world’s centre of gravity shifting – back to where it lay for millennia”.


retrato 23

sexta-feira 18.5.2018

JOANA MARYIA, CRIADORA DE VÍDEOS NO PROJECTO “SHOOT AND CHOP”

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O rosto do entretenimento

UDO começou com Kenny Leong e os seus vídeos críticos da actualidade local, mas depressa o projecto “Shoot and Chop” ganhou nova vida com mais colaboradores como Benjamim Soares e Josh the Intern. Joana Maryia, nascida em Macau, com pai português e mãe americana, juntou-se ao grupo e é a mais recente criadora de vídeos do projecto, cabendo-lhe a missão de mostrar os segredos do território que a maioria desconhece. Além de fazer a apresentação, Joana também faz trabalho de pesquisa sobre as coisas novas que o território tem para oferecer. Joana Maryia tem sido o rosto da série de vídeos “Macau Top 5”, que revela particularidades fora dos roteiros turísticos, como os melhores lugares para beber chá ou os melhores espaços de restauração para tirar selfies. Já na universidade a jovem revelava um gosto pela carreira na área do entretenimento. “Era uma estudante de media na área da produção de vídeos e cinema e sempre quis fazer algo na parte ligada ao entretenimento. Penso que em Macau continuam a existir meios de comunicação social mais

tradicionais e não queria fazer esse trabalho. Então conheci o Kenny e o projecto ‘Shoot and Chop’, que faz vídeos engraçados sobre a realidade de Macau”, conta. Joana fez um estágio e depois acabou por ficar. Hoje dá a cara por um projecto onde fala um mandarim quase perfeito, graças à frequência de uma escola em Zhuhai. Em criança, Joana também aprendeu cantonês, ao frequentar uma escola chinesa em Macau, e português. Contudo, afirma expressar-se melhor em inglês. Fazer parte desta iniciativa fez Joana pensar na sua terra natal com uma outra perspectiva. “Ajudou-me a apreciar mais a cidade. Antes fazia a minha vida nos mesmos lugares, ia sempre aos mesmos sítios, com as mesmas pessoas. Com estes episódios comecei a conhecer mais cafés e restaurantes e isso fez-me apreciar mais todas as diferenças que existem. Há muitas coisas interessantes aqui.”

NOVOS ROSTOS, MAIS VISÕES

Quem conhece o projecto “Shoot and Chop” desde o seu início recorda-se dos primórdios de Kenny em redes sociais como o YouTube,

onde fazia vídeos de crítica ao Governo na série “I’m pissed off, man”. O “Shoot and Chop” nasce daí, mas hoje consegue ter diversas presenças online. “Penso que à medida que o projecto ‘Shoot and Chop’ vai tendo mais colaborações vão existindo diferentes tópicos e direcções, mas o que queremos é fazer de Macau um lugar melhor. Então falamos sobre os problemas que permanecem por resolver por parte do Governo, mantemos esse segmento, mas ao mesmo tempo queremos que as pessoas apreciem as boas coisas de Macau.” Joana pretende continuar a fazer este trabalho nos próximos tempos, por adorar aquilo que faz. Já vai sendo reconhecida na rua, mas não se considera uma figura pública. “Não é que eu seja muito reconhecida na rua, mas começam a aparecer mais pessoas que me reconhecem dos vídeos e me dizem ‘és a Joana dos vídeos’. É bom e penso que há mais apoio ao meu trabalho, penso que as pessoas gostam cada vez mais do que fazemos. No que diz respeito a ser, ou não, uma figura pública, acho que isso ainda não tem grande dimensão.”

Joana estudou na área dos media, mas nunca teve vontade de ser jornalista num meio de comunicação social tradicional. Além disso, afirma “adorar” dançar, participando, inclusive num grupo com o qual tenta organizar vários eventos no território. Para alguém que nasceu em Macau, Joana considera que a mentalidade das pessoas não mudou assim tanto, em comparação com o desenvolvimento económico. “A um certo nível sim, a mentalidade da sociedade mudou e ficou mais aberta, mas penso que os locais ainda têm uma mentalidade tradicional. Nós também tentamos trazer uma mudança, falar de diferenças culturais.” A criadora de vídeos defende que Macau tem hoje mais pessoas diferentes e uma mescla de culturas. “Antes Macau era um lugar muito pequeno mas agora há uma identidade mais diversa”, remata. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


A educação desenvolve as faculdades, mas não as cria.

Activismo Intelectuais apelam à libertação da viúva de Liu Xiaobo

PALAVRA DO DIA

TIAGO ALCÂNTARA

Voltaire

JUSTIÇA TUI DÁ RAZÃO A VERIFICADOR ALFANDEGÁRIO ACUSADO DE TIRAR FOTOGRAFIAS IMPRÓPRIAS

Dezenas de artistas e escritores de vários países, incluindo a França e os Estados Unidos, apelaram às autoridades chinesas para que libertem Liu Xia, viúva do prémio Nobel da Paz chinês Liu Xiaobo mantida em prisão domiciliária sem acusação formal. Numa iniciativa conjunta do American Pen Club, sociedade de escritores, e da Amnistia Internacional, 28 intelectuais difundiram na quarta-feira vídeos on-line a ler poemas de Liu Xia. Entre os participantes na iniciativa esteve o Prémio Nobel da Literatura de 2003, o sul-africano e australiano John Maxwell Coetzee, e o escritor chinês Ma Jian, radicado em Londres. Para Suzanne Nossel, directora da Pen America, “o grito de liberdade de Liu Xia ecoa em todo o mundo e satiriza a afirmação oca do Governo chinês de que ela é livre”.

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Economia Investimento chinês além-fronteiras cresce até Abril O investimento não financeiro das empresas chinesas além-fronteiras fixou-se em 30.100 milhões de euros, nos primeiros quatro meses do ano, uma subida homóloga de 34,9 por cento, anunciou ontem o ministério chinês do Comércio. O investimento foi dirigido a um total de 2.459 empresas em 144 países e regiões do mundo. Nos países que integram o plano de infra-estruturas “Nova Rota da Seda” o aumento fixou-se em 17,3 por cento, para 3.950 milhões de euros. O investimento foi destinado sobretudo aos sectores dos serviços, mineração, manufactura, software e tecnologia de informação. Durante este período, não foram registados novos investimentos nos sectores imobiliários, desporto ou entretenimento, detalhou o ministério. Em 2017, as autoridades chinesas advertiram para investimentos “irracionais” além-fronteiras naqueles sectores, onde abundam “riscos e perigos ocultos”.

Terrorismo Duas mulheres detidas na sequência de atentado de Paris

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Duas mulheres foram detidas ontem na região de Paris, no âmbito do inquérito sobre o atentado jihadista com recurso a uma faca e que resultou num morto no sábado, anunciou o procurador de Paris, François Molins. As duas mulheres são próximas de Khazat Azimov, o autor do ataque, segundo o mesmo procurador. Uma das mulheres, radicalizada aos 19 anos, casou-se religiosamente com Abdoul Hakim, um dos amigos de Khazat Azimov, antes de tentar partir para a Síria, adianta a Agence France-Press, citando fonte próxima do inquérito. O ataque de sábado resultou na morte de um jovem de 29 anos e causou quatro feridos na zona da Ópera de Paris, no centro da capital francesa.

sexta-feira 18.5.2018

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S ingressos para assistir ao encontro entre a Selecção de Macau e o Sporting Clube de Portugal começam a ser distribuídos esta tarde às 16h, no Estádio de Macau. A distribuição dos ingressos vai decorrer hoje e amanhã, entre as 16h e 20h, e no sábado, entre as 10h e as 14h, no Estádio de Macau. Quem não puder levantar os bilhetes nesses dias pode ainda fazê-lo antes do jogo. Os ingressos são gratuitos, porém, apenas os órgãos comunicação social em língua chinesa foram convidados para a conferência de imprensa em que as informações foram reveladas. Apesar do momento conturbado em Alvalade, com demissões ontem à noite na Mesa daAssembleia-Geral e no Conselho Fiscal e Disciplinar, não havia indicações sobre o adiamento da visita.Acomitiva do Sporting chega já amanhã a Macau e é constituída principalmente por atletas da equipa B, que foi despromovida da

Portugueses esquecidos Bilhetes para o Sporting disponíveis, mas anúncio só foi feito para chineses

II Liga. Já o encontro com a selecção local está marcado para as 20h de segunda-feira, no Estádio de Macau. No dia seguinte, os jogadores do Sporting treinam com jogadores juvenis de Macau e na próxima quarta-feira são recebidos na Residência do Cônsul Geral e têm um jantar com o Sporting de Macau, filial do clube no território. Finalmente, na quinta-feira, a comitiva vai para o Interior da China. No entanto, o anúncio de ontem da Associação de Futebol de Macau ficou marcado por grande polémica. A federação, que tem como homem forte Chong Coc Veng, “esqueceu-se” de

convidar os órgãos sociais em língua portuguesa. Também o Sporting de Macau não foi convidado para marcar presença, apesar de ser uma filial oficial do clube de Lisboa. Ao HM, Daniel Sousa, vice-presidente da Associação de Futebol de Macau, negou ter existido má-fé. “Pedimos imensa desculpa pelo sucedido com os órgãos sociais de matriz portuguesa. Não estamos a ignorar ninguém por qualquer má-fé”, afirmou Daniel Sousa, sobre o ocorrido. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

TUI negou provimento a um recurso interposto pelo secretário para a Segurança de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) que anulou a pena de demissão aplicada no âmbito de um processo disciplinar a um verificador alfandegário, por entender não ter sido feita prova dos factos imputados ao arguido. A decisão, tomada na quarta-feira, foi divulgada ontem no portal dos tribunais. O caso chegou à justiça depois de o verificador alfandegário interpor recurso de anulação do despacho de Novembro de 2016 do secretário para a Segurança que lhe aplicou a pena disciplinar de demissão. Em Janeiro último, o funcionário viu o Tribunal de Segunda Instância dar-lhe razão “por falta de provas dos factos imputados”, pelo que o Secretário para a Segurança recorreu para o TUI. O verificador alfandegário era acusado de, entre Abril e Julho de 2012, se ter dedicado “à exploração de prostituição, em colaboração de esforços com outro indivíduo, seu co-arguido no processo-crime que corre termos no Ministério Público”. Segundo os dados do processo, o funcionário “tomou a seu cargo o papel de fotografar jovens mulheres contratadas na China para prestação de serviços sexuais em Macau, publicando as fotografias na Internet para efeitos de publicidade”. Uma actividade que lhe permitiria auferir “uma comissão, que se estima em 100 patacas, por cada serviço prestado pelas jovens, partilhando-a com o co-arguido”. “O acórdão recorrido decidiu que o acto punitivo não se podia manter porque os factos imputados ao arguido não se provaram. No caso, os meios de prova do processo disciplinar foram a dedução de acusação contra o arguido em processo criminal e um recorte de jornal”, sublinha o TUI. No entanto, “a situação seria mesma se tivesse sido inquiridas testemunhas ou outro meio de prova e o tribunal julgasse os factos não provados e anulasse, por isso, o acto punitivo”, realçou o TUI, negando provimento ao recurso.

Hoje Macau 18 MAI 2018 #4054  

N.º 4054 de 18 de MAI de 2018

Hoje Macau 18 MAI 2018 #4054  

N.º 4054 de 18 de MAI de 2018

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