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Chefe à desgarrada

Em resposta a uma questão de Ng Kuok Cheong, que não foi enviada com antecedência, Chui Sai On improvisou e deu a entender que o reconhecimento das cartas de condução do interior da China surgiu por sugestão do Governo Central. A medida havia sido justificada como uma forma de facilitar a vida dos residentes, mas foi recebida com algum cepticismo.

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MOP$10

QUARTA-FEIRA 18 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4033

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

PÁGINA 5

CHEQUES PECUNIÁRIOS

SEGURO DE SAÚDE

CREATIVE MACAU

GRANDE PLANO

PÁGINA 6

EVENTOS

DÉCIMO ANIVERSÁRIO

PONTAPÉS IDOSOS VER E BICICLETA NA CHINA PENSAR NA h JOÃO PAULO COTRIM


2 grande plano

No dia 22 de Abril de 2008 Edmund Ho anunciou na Assembleia Legislativa que ia distribuir

dinheiro

pelos residentes. Desde então, mais de 50 mil cheques continuam por levantar, o equivalente a pouco mais de um por cento. Dez anos depois, o HM foi ouvir o que pensam os residentes sobre a medida e que uso dão à verba

18.4.2018 quarta-feira

A DÉCADA DOS CHEQUES

COMPARTICIPAÇÃO PECUNIÁRIA QUASE 370 MILHÕES DE PATACAS POR LEVANTAR DESDE 2008

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STÁ a chegar o décimo aniversário do dia em que o antigo Chefe do Executivo, Edmund Ho, anunciou que ia distribuir dinheiro pelos residentes como forma de partilha da riqueza alimentada pela indústria do jogo. Uma medida sem precedentes. Apesar de os cheques chegarem, numa base anual, às caixas de correio, há uma pequena franja por levantar. Dados facultados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) ao HM indicam que há quase 370 milhões de patacas à espera de serem depositados. Esse valor resulta de um total de 51.318 cheques que foram emitidos ao longo de dez rondas de distribuição de cheques nunca levantados pelos beneficiários. Apesar do número e da respectiva soma, está em causa pouco mais um por cento das verbas distribuídas. De acordo com as informações disponibilizadas pela DSF, o número de cheques por encaixar tem vindo a aumentar anualmente: em 2008 foram 2319 e em 2014, por exemplo, 3764. Houve apenas uma ligeira diminuição de 2010 para 2011, quando o número de cheques não depositados passou de 3.513 para 3.050. De resto, foi sempre a subir. De entre os cheques referentes a 2016 estão ainda por levantar 7310, o equivalente a 60,6 milhões de patacas ou a 1,50 por cento do valor total. A percentagem sobe no ano seguinte para 4,16 por cento, dado que, até ao início deste mês, estavam por ‘encaixar’ 17576 cheques, com um montante global de 150,4 milhões de patacas. Uma percentagem que deve diminuir, dado que os beneficiários podem requerer nova emissão dos cheques relativamente aos três anos anteriores, o que significa

“O Governo devia usar esse dinheiro para fazer coisas, nomeadamente ao nível dos transportes e melhorar, de facto, a vida da população.” LAM VENDEDOR

que, neste momento, é possível solicitar o reenvio dos cheques emitidos desde 2015. O envio de cheques cruzados por via postal pela ordem sequencial do ano de nascimento constitui apenas uma das formas de pagamento, dado que uma fatia dos elegíveis, como os funcionários públicos ou os beneficiários de subsídios, recebe por transferência bancária, tal como sucede, mais recentemente, com quem optou por esse método para receber a

“Conheço uma família em que só o pai trabalha para sustentar três filhos e este dinheiro ajuda muito.” HO DONA DE CASA

restituição de impostos ou demais pagamentos pela DSF. Ao plano de comparticipação pecuniária – nome oficial – são elegíveis todos os residentes que, no último dia do ano anterior, sejam titulares do BIR, independentemente dos rendimentos, sendo que a distribuição de dinheiro também chega a quem vive fora. A título de exemplo, em 2016, foram enviados mais de 60 mil cheques para o exterior, dos quais mais de 70 por cento para Hong Kong, segundo dados oficiais.

A única diferença que existe é que os permanentes (naturais de Macau ou com sete anos de residência no território) recebem mais do que os não permanentes. No ano passado, por exemplo, os 638.627 residentes permanentes tiveram direito a 9.000 patacas,


grande plano 3

enquanto os 61.985 não permanentes a 5.400 patacas, traduzindo um encargo financeiro de 6,08 mil milhões de patacas. No ano inaugural – recorde-se – o valor correspondia a 5000 e a 3000 patacas para residentes permanentes e não permanentes, respectivamente. Desde que foi lançada, a título provisório, em 2008, a medida custou 37,2 mil milhões de patacas aos cofres da RAEM.

DINHEIRO BEM-VINDO

Ao longo dos anos, o programa sempre deu origem a diferentes opiniões. Há quem entenda que não devia aplicar-se indiscriminadamente sem ter em conta os rendimentos, e quem defenda antes uma política a longo prazo, em vez de um rebuçado anual, mas também quem apoie a medida e até entenda que o valor é insuficiente. “É uma ajuda muito importante”, afirmou Hoi, de 58 anos, ao HM. Desempregado e portador de uma deficiência, subsiste com um subsídio governamental, contando com a “vantagem” de viver com a família, o que significa menos um encargo financeiro. Apesar de reconhecer que o dinheiro contribui para o escasso orçamento, Hoi preferia que “o Governo aumentasse os apoios destinados a deficientes. Já Chin, aposentada

de 77 anos, embora considere que as verbas atribuídas à terceira idade são suficientes, é da opinião de que “esta política deve continuar”. “Não há residentes pobres, porque há muitos empregos, mas, no final, todos dizem que o são, porque todos querem o dinheiro”, diz Chin. A seu ver, os apoios devem manter-se também nos mesmos moldes, ou seja, a diferença entre permanentes e não permanentes, porque “há que separar quem contribui para Macau há muitos anos de quem acabou de chegar”. Ho, dona de casa, subscreve pelos mesmos motivos. Além de apoiar a distinção, entende que “esta política deve continuar, porque há de facto pessoas que precisam”. “Conheço uma família em que só o pai trabalha para sustentar três filhos e este dinheiro ajuda muito”, exemplifica. Na sua perspectiva, o montante a atribuir devia ser “ajustado”. O marido, que trabalha num casino, concorda: “Está tudo mais caro, acho que o valor é insuficiente”.

TIAGO ALCÂNTARA

quarta-feira 18.4.2018

DIFERENTES USOS

O uso que os residentes dão aos cheques varia. A maioria dos residentes ouvidos pelo HM coloca o dinheiro ao serviço do orçamento familiar, destinando-o a despesas com alimentação, vestuário ou medicamentos. O casal Ho ou a senhora Chin são exemplos disso mesmo.

GOVERNO VAI ESTUDAR MOLDES NO FUTURO

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Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, afirmou ontem na Assembleia Legislativa que o Governo vai estudar o âmbito da aplicação do chamado plano de comparticipação pecuniária. “Vamos ver se

os destinatários devem ser a população em geral ou partes específicas”, afirmou, em resposta a uma pergunta do deputado Leong Sun Iok, que defendeu um aumento das verbas. Fernando Chui Sai On afirmou que

É o que faz também Lam que, no entanto, discorda com a medida, criticando a “incapacidade” do Executivo para pôr o dinheiro ao serviço do “desenvolvimento da própria cidade”. “O Governo devia usar esse dinheiro para fazer coisas, nomeadamente ao nível dos transportes e melhorar, de facto, a vida da população”, sublinha o vendedor, de 31 anos. Já o casal Chan, também na casa dos 30, opta por guardar o dinheiro, particularmente a pensar no futuro da pequena filha. “Acho que distribuir cheques não é a única maneira de o Governo ajudar os residentes. Tenho amigos que dizem que o que precisamos é de um Governo que não dê dinheiro. O importante é melhorar a qualidade de vida”, diz o jovem Chan. A mulher, também professora, complementa, defendendo que “há outros aspectos” que merecem mais atenção, tais como a educação. “Não seria necessário haver cheque se houvesse políticas ou soluções a longo prazo para os problemas que mais afectam os residentes, como a habitação”,

a população “recebe com agrado” a medida e que quer o aumento”, mas não se comprometeu a mexer nos valores. Nas Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2018, apresentadas em Novembro, o Chefe

defende outra residente, também de apelido Chan, de 40 anos, que trabalha no sector financeiro. “Várias regiões, como Singapura, têm muitos bons exemplos”, afirma, indicando que também utiliza o cheque para a educação da filha. Já Isabel Silva, que o recebe apenas desde 2012, tem “muitas vezes” usado o dinheiro a favor de outros: “Ao longo dos anos fiz várias coisas diferentes. Já usei para um programa de voluntariado com crianças no Camboja e muitas vezes para doações. Como não era um dinheiro que estivesse à

“O ideal seria o Governo ter coragem de lançar outro tipo de medidas que beneficiassem todos de uma forma mais eficaz.” ISABEL SILVA PROFESSORA

do Executivo afirmou que o montante do plano de comparticipação pecuniária se iria manter inalterado pelo quarto ano consecutivo: 9000 patacas para permanentes e 5400 para não permanentes.

espera, ou que faça parte do meu orçamento [regular], achei por bem usá-lo não só em meu benefício, mas também no de outros”, explica a professora. “Também fiz coisas extra, como frequentar um curso ou outro”, indica a jovem, na casa dos 30 anos, para quem esse montante “não faz realmente muita falta na vida das pessoas”. “Para algumas famílias com filhos pode ser importante para o pé-de-meia, mas penso que não faz grande diferença. Se perguntarmos se querem melhorias na saúde ou transportes ou receber o cheque acho que iam escolher a primeira opção”, sustenta. “Não estou a dizer que devemos desvalorizar [o montante], mas olhando à nossa volta se calhar preferíamos outras políticas”, ressalva a residente não permanente. “O ideal seria o Governo ter coragem de lançar outro tipo de medidas que beneficiasse todos de uma forma mais eficaz e contribuísse nomeadamente para diminuir o fosso entre ricos e pobres”, remata. Diana do Mar e Vítor Ng info@hojemacau.com.mo


4 política

IAM NOVO ÓRGÃO MUNICIPAL PODE IR A VOTAÇÃO NA AL EM JUNHO

A Assembleia Legislativa pode vir a aprovar na especialidade a criação do Instituto para os assunto Municipais já em Junho. De acordo com Chan Chak Mo, deputados e Governo esperam que o processo termine o mais rapidamente possível. Os artigos já foram discutidos em sede de comissão, restando apenas algumas alterações à redação para emitir o parecer

GCS

Aceleração de processos

A

votação na especialidade relativa à criação do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) poderá acontecer em Junho. A ideia foi deixada ontem pelo presidente da 2ª comissão permanente, Chan Chak Mo. Depois da reunião de ontem, a última em sede de comissão em que deputados e Governo terminaram a discussão do articulado, Chan Chak Mo referiu que chegou o tempo de avançar o mais rápido possível com a redação dos artigos que ainda causam algumas dúvidas. O passo seguinte será a emissão do respectivo parecer.

“A nossa esperança é que o parecer possa ser apresentado para seguir para a Assembleia Legislativa em Junho”, referiu o presidente da 2ª comissão. De acordo com Chan Chak Mo, a celeridade do processo é também requerida pelo próprio Governo que “quer ver o IAM aprovado o quanto antes”.

A POSTOS PARA A ELEIÇÃO DO CHEFE

De entre os membros do novo organismo sem poder político irão ser escolhidos dois elementos, um do conselho de administração e outro do conselho consultivo, para integrar o Comissão Eleitoral que

PORTAL DE MAK SOI KUN COM CONTEÚDOS IMPRÓPRIOS • O portal oficial declarado pelo deputado Mak Soi Kun à Assembleia Legislativa apresentava na tarde de ontem um artigo com conteúdos de teor pornográfico. O HM contactou Mak Soi Kun e o seu número dois, Zheng Anting, na tentativa de perceber se o ‘site’ tinha sido alvo de uma ataque informático. Até ao fecho desta edição não foi possível obter uma reacção e, entretanto, foi cortado o acesso ao portal.

tem a seu cargo a eleição do Chefe do Executivo. A situação vai exigir ainda algumas alterações à lei eleitoral, pelo que, “há a maior necessidade de apressar todo o processo”, sublinhou Chan Chak Mo. No que respeita aos artigos ontem analisados, e que têm que ver com transferência dos trabalhadores do IACM para o IAM, o presidente da 2ª comissão permanente da Assembleia Legislativa fez notar que há concordância entre Governo e deputados. “Restam algumas alterações” a nível de redação para que o documento avance para o parecer, disse. A criação do IAM foi aprovada na generalidade em reunião plenária que teve lugar ano passado dia 4. O novo organismo, que assume a configuração de um órgão municipal sem poder político, tem sido alvo de críticas, nomeadamente porque os membros do conselho de administração e dos conselhos consultivos serão na totalidade nomeados pelo Chefe do Executivo. Ng Kuok Cheong, um dos três deputados que votou contra a aprovação da proposta defende que, sendo um órgão para a população, deveria ser representado por pessoas eleitas pela mesma. A opinião e o voto contra foram partilhados pelos deputados José Pereira Coutinho e Au Kam San. No entanto, para a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, sendo um órgão que obedece ao Governo e sem poder político, o facto dos seus membros serem na totalidade pessoas nomeadas pelo Executivo está em consonância com a Lei Básica. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

HOJE MACAU

18.4.2018 quarta-feira

Orelhas moucas

Sulu Sou exige consulta pública no reconhecimento de cartas de condução

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reconhecimento das cartas de condução entre a China continental e Macau anunciado pelo Governo continua a causar polémica. Ontem foi a vez do deputado suspenso Sulu Sou se dirigir à Assembleia Legislativa para entregar uma carta a exigir a realização de uma consulta pública antes de mais avanços com a iniciativa. “Exigimos uma consulta pública porque só com o acordo da opinião pública é que esta política pode avançar”, referiu Sou aos jornalistas. De acordo com o pró democrata, não há razões nem leis que sustentem a iniciativa do Governo e, “de acordo com a procedimento legal, esta consulta tem de ser feita”.

DESAGRADO GERAL

A maior razão para avançar com a auscultação da população é o facto dos residentes não estarem satisfeitos com a possibilidade das cartas serem reconhecidas mutuamente e, com isso, os condutores do continente poderem conduzir no território. “Temos consciência da opinião da população acerca desta iniciativa”, referiu. De acordo com deputado suspenso, “há

conflitos, até porque é uma medida que vai ter consequências em aspectos como a segurança e a situação do trânsito”. Ainda assim, e tendo o Governo conhecimento do desagrado dos residentes, “o Executivo não ouviu nenhuma opinião da população e nós não podemos aceitar que isto aconteça. É uma acção da responsabilidade”, sublinhou Sou. Por outro lado, “o Governo diz que é uma colaboração entre a China continental e Macau, mas não podemos aceitar que não haja nenhuma referência sobre isso. Para nós, é uma medida que não é razoável e, por isso, não a podemos aceitar”, apontou. Sulu Sou não sabe se se trata de um decisão política, mas questiona como é que o reconhecimento mútuo de cartas de condução tem tido tanto peso na política local. “Podemos prever um grande poder a motivar esta medida, mas se não existir essa pressão política, o Governo deve dar informação detalhada de modo a esclarecer melhor a população”, referiu. Sofia Margarida Mota (com J.S.F) info@hojemacau.com.mo


política 5

quarta-feira 18.4.2018

Saúde Governo vai criar Academia de Medicina

O líder do Executivo deixou ontem a garantia que o Governo vai mesmo avançar com uma Academia de Medicina, apesar de não ter anunciado grandes pormenores. “Os trabalhos preparatórios estão feitos. Estão na última fase, de forma a elaborar a respectiva lei. Já foram convidados especialistas e consultores para integrarem a equipa”, afirmou Chui Sai On sobre o andamento dos trabalhos, que estão a ser conduzidos pela tutela do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. “Os Serviços de Saúde de Macau precisam de garantir qualidade e formar especialistas para servir a população. Tudo está a ser preparado para a produção legal”, frisou.

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GRADEÇO a sua pergunta [Ng Kuok Cheong]. Queria falar sobre o reconhecimento da carta de condução entre Macau e o Interior da China. A Nação já afirmou, claramente, que Macau vai integrar-se no desenvolvimento [do País] e na Grande Baía. Sobretudo na Grande Baía, e o Governo de Macau está a concluir a reciprocidade da carta de condução”. Foram estas as palavras do Chefe do Executivo que criaram confusão ontem na Assembleia Legislativa, durante a sessão de perguntas e respostas com os deputados.

Condução Reconhecimento sem impacto para Chan Chak Mo

“O reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e o Interior da China não me preocupa um bocado. E porquê? Porque já existem protocolos internacionais, se eles nos autorizam a fazer alguma coisa no País deles, nós temos de dar algo em troca”, afirmou o deputado Chan Chak Mo. “Mas as pessoas não querem vir a Macau conduzir. Não conhecem as estradas nem têm um lugar para estacionar”, acrescentou.

AL RESPOSTA DE CHUI SAI ON SOBRE CARTAS DE CONDUÇÃO CRIA CONFUSÃO

Chefe fora do guião

O Chefe do Executivo foi confrontado com uma pergunta de Ng Kuok Cheong que não tinha sido enviada com antecedência e, na resposta, deu a entender que o reconhecimento das cartas de condução terá sido imposto pelo Governo Central. Questionado por Au Kam San, negou que tivesse havido imposição Normalmente, as perguntas dos deputados são enviadas ao líder do Governo com antecedência, para

que as respostas possam ser preparadas. No entanto, o deputado Ng Kuok Cheong alterou à última hora a ques-

tão e o Chefe do Executivo, sem poder recorrer às suas notas, deu uma resposta que abriu a porta a interpretaGCS

Chui Sai On, Chefe do Executivo “A Nação já afirmou claramente que Macau vai integrar-se no desenvolvimento [do País] e na Grande Baía. Sobretudo na Grande Baía, e o Governo de Macau está a concluir a reciprocidade da carta de condução.”

ções de que a medida teria sido imposta pelo Governo Central. “Vou mudar as perguntas porque tenho de reflectir uma preocupação da sociedade, depois de ter sido ontem divulgado que aprovou um acordo para o reconhecimento mútuo das cartas de condução entre o Interior da China e Macau”, justificou o deputado Ng Kuok Cheong, antes de colocar a questão sobre cartas de condução. A resposta foi aproveitada igualmente pelo pró-democrata Au Kam San, que exigiu um esclarecimento adicional a Chui Sai On. A pergunta também não constava nas questões previamente enviadas: “Na sua resposta sobre o reconhecimento das cartas de condução, começou por dizer que era de acordo com a política de integração definida pelo País. Antes [o Governo] justificava que a medida era para facilitar a vida da população. Mas, afinal, trata-se de uma missão política”, acusou Au Kam San. O deputado pró-democrata explicou depois a Chui Sai On que a tarefa do Chefe do Executivo passa por defender a população e evitar a implementação de políticas impraticáveis: “Mesmo que a medida se trate de uma missão do País é preciso explicar que Macau tem as suas características e não consegue suportar a

O GRITO DE SULU SOU N

o final da sessão, tal como acontece sempre, o Chefe do Executivo foi cumprimentar os deputados presentes um a um. Nesse momento, Sulu Sou, deputado suspenso que estava a assistir à reunião, gritou para que fosse feita uma consulta pública face à medida do reconhecimento das cartas de condução entre Macau e o Interior da China. Chui Sai On ouviu o grito, mas agiu como se não se tivesse passado nada e saiu a passo apressado da Assembleia Legislativa.

pressão acrescida de tantos condutores. Seria esta a sua responsabilidade”, atirou, Au Kam San. A resposta de Chui Sai On, que não estava nas notas, foi curta: “Não é uma pressão política. Isso passou pela equipa do secretário Raimundo do Rosário e é o fruto de um estudo. Quero esclarecer que não se trata de pressão política”, frisou Chui Sai On, antes de seguir para a próxima questão. Nas intervenções, os colegas de bancada tinham pedido ao Chefe do Executivo para ponderar a decisão do reconhecimento das cartas de condução dos cidadãos do Interior e para realizar uma consulta pública. Chui Sai On prometeu ouvir as opiniões. Na segunda-feira, através de um despacho, o Chefe do Executivo autorizou o secretário para os Transportes e Obras Públicas a assinar o acordo para o reconhecimento das cartas de condução entre Macau e o Interior da China. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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18.4.2018 quarta-feira

IDOSOS CHEFE DO EXECUTIVO QUER SEGURO PARA DESPESAS MÉDICAS NO CONTINENTE

Seguro morreu de velho O Governo quer que os idosos vivam os dias da reforma com os seus familiares em Macau, mas admite criar um seguro para pagar os cuidados de saúde para os mais velhos que pretendam passar os últimos dias no Interior da China

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Chefe do Executivo quer que se pondere a criação de um seguro de saúde para os residentes que cubra as despesas dos idosos no Interior de China, caso estes optem por viver os seus dias de reforma do outro lado da fronteira. A questão vai ser estudada e a intenção foi avançada, ontem, por Chui Sai On, na resposta

a uma questão do deputado Zheng Anting. “Estamos a fazer estudos sobre a questão da implementação do regime de seguros. Independentemente da cidade onde queiram passar a velhice, queremos que possam adquirir um seguro para pagar as despesas médicas. Há margem para esta discussão, incluindo novos hospitais e as noves

cidades no Interior da China no âmbito da Grande Baía”, afirmou Chui Sai On. “No futuro os idosos vão escolher a cidade em que querem viver. Mas primeiro vamos ver se é possível haver um seguro que abranja as nove cidades [da Grande Baía] e ponderar a qualidade dos diferentes hospitais nessas cidades, para garantir que eles têm cuidados de saúde com garantias”, acrescentou. Apesar desta intenção, o Chefe do Executivo esclareceu que o objectivo passa por permitir que os idosos de Macau vivam os seus últimos anos na comunidade. “Todos nós prestamos atenção à questão do envelhecimento da população. Temos de respeitar os idosos de Macau e o seu desejo de passarem a velhice nas

suas comunidades. A questão de passar a velhice no Interior da China pode ser uma escolha, mas queremos que passem a velhice

“Estamos a fazer estudos sobre a questão da implementação do regime de seguros. Independentemente da cidade onde queiram passar a velhice, queremos que possam adquirir um seguro para pagar as despesas médicas.” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO

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OSÉ Pereira Coutinho considerou ontem “exagerada” a pena de quatro anos aplicada ao ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, Fong Soi Kun, na sequência da passagem do Tufão Hato. O deputado questionou o Chefe do Executivo sobre o assunto, mas Chui Sai On escudou-se no facto de haver um processo nos tribunais a decorrer. “Fiquei decepcionado com a resposta do Chefe do Executivo. Estava perguntar sobre a respon-

sabilidade dos titulares do principais cargos. Achamos que foi uma pena disciplinar exagerada ao ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos porque, no fundo, a particularidade da Função Pública é haver uma cadeia hierárquica em que há responsabilidades dos vários intervenientes”, disse José Pereira Coutinho, no final em declarações aos jornalistas. “Não se percebe muito bem porque não foram atribuídas responsabilidades aos diversos titulares

TIAGO ALCÂNTARA

RESPONSABILIDADES COUTINHO FALA DE PENA EXAGERADA PARA FONG SOI KUN

dos cargos hierárquicos na Função Pública. Em matéria de prevenção, socorro e estrutura, tudo isto falhou e não se pode culpabilizar apenas este director”, acrescentou.

Por outro lado, o deputado afecto à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau criticou a administração por agir ao sabor do vento: “Macau está a caminhar

para uma situação em que muitas vezes as respostas são dadas à flor da pele. Faz-se aquilo que se ouve por aqui e por ali. A administração e o Governo não se devem pautar a resposta às situações pelo que sentem”, apontou. “Apanhou uma grande castanha”, acrescentou ainda o deputado. Fong Soi Kun foi castigado pelo Chefe do Executivo com uma suspensão de quatro anos da suas reforma. O ex-director do SMG optou por recorrer da decisão de Chui Sai On.

com as comunidades”, frisou Chui Sai On.

SAÚDE NA CHINA PREOCUPA

Outro desafio admitido pelo Chefe do Executivo perante os idosos que são obrigados devido a condições económicas a viver no Interior da China, é a garantia dos mesmo direitos que têm em Macau. Neste aspecto, Chui Sai On nunca especificou tratarem-se de direitos políticos, referindo apenas à gratuidade e qualidade da saúde. “Precisamos de ter mais garantias. Também prestamos atenção aos cuidados de saúde. Em Macau as pessoas com mais de 65 têm cuidados de saúde gratuitos, o Governo paga tudo. Temos de ver se é possível o Governo de Macau pagar os cuidados no Interior da China e se os hospitais tem serviços de qualidade. É uma assunto que merece a nossa ponderação. Mas não é uma questão fácil porque não há antecedentes”, frisou. As cidades da Grande Baía que fazem parte do Interior da China são Zaoqing, Foshan, Guangzhou, Huizhou, Dongguan, Shenzhen, Zhongshan, Zhuhai e Jiangmen. João Santos Filipe

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Jogo Angela Leong pergunta sobre corridas de cavalos em Hainão

A deputada Angela Leong questionou, ontem, o Chefe do Executivo sobre a possibilidade de haver cooperação entre Macau e a província de Hainão, no que diz respeito à implementação de apostas. A questão foi levantada, ontem, durante a sessão de perguntas e respostas com o Chefe do Executivo na Assembleia Legislativa. “Temos boa cooperação com esta província e temos voos directos. Mas sobre as apostas [desportivas] não falámos nada, só sobre assuntos relativos ao turismo. Os serviços competentes vão continuar a cooperar com vista a desenvolver outras áreas de cooperação”, respondeu Chui Sai On.


sociedade 7

quarta-feira 18.4.2018

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CONFERÊNCIA ESPECIALISTAS DE TRADUÇÃO REUNIDOS EM MACAU

Falar as línguas

A Escola Superior de Línguas e Tradução do Instituto Politécnico de Macau (IPM) organiza, na próxima semana, uma conferência que vai reunir quase uma dezena de especialistas das áreas da tradução/interpretação, formação de professores de português e educação em línguas TIAGO ALCÂNTARA

IÁLOGOS Contemporâneos” titula a conferência multidisciplinar sobre tradução/interpretação, formação de professores de português e educação em línguas que vai juntar, na próxima semana, no IPM quase uma dezena de especialistas, a maioria proveniente de instituições de ensino superior de Portugal. “Proporcionar um espaço de reflexão e debate interculturais e multidisciplinares que permitam gizar linhas de actuação futura” com vista à “melhoria de formação integral e específica dos estudantes” figura entre os principais objectivos da conferência, que vai realizar-se na próxima segunda e terça-feira, indicou o IPM em comunicado. As temáticas a abordar, de uma perspectiva multidisciplinar, são: Investigação para fins académicos, formação de professores de língua portuguesa, formação de tradutores e intérpretes, questões de tradução e interpretação e educação em línguas. No primeiro dia da conferência, António Nóvoa, embaixador de Portugal junto da UNESCO, vai ser outorgado com o título de professor coordenador honorário, indicou o IPM. A lista de conferencistas convidados completa-se com Rui Vieira de Castro

OUTRO LADO DA MOEDA

Além da aposta na tradução e interpretação, áreas que desenvolve em parceria com o Instituto Politécnico de Leiria, o IPM tem reforçado, desde o ano passado, a formação de professores no ensino de português e chinês. Isto depois de ter criado, há dois anos, uma Licenciatura de Ensino de Chinês como Língua Estrangeira e, no ano passado, uma Licenciatura em Português, com um dos seus dois ramos consagrado ao ensino de português. O IPM e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua assinaram, na passada quarta-feira, um protocolo que visa a certificação, com a chancela do Camões, de cursos de professores de língua portuguesa administrados pelo IPM.

TERRENOS REVISÃO DA CONCESSÃO DOS LOTES EM FRENTE AO AEROPORTO DECLARADA NULA

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Tribunal de Segunda Instância (TSI) negou provimento ao recurso contencioso interposto pela Sociedade Moon Ocean que pretendia a anulação do despacho do Chefe do Executivo de Abril de 2013, que declarou a nulidade de outro despacho, publicado dois anos antes. O citado despacho autorizava o pedido de revisão da concessão dos cinco lotes, reversão de nove parcelas e concessão de outras oito para anexação e aproveitamento conjunto.

(reitor da Universidade do Minho); Isabel Pires de Lima (ex-ministra da Cultura e professora catedrática da Universidade do Porto); Fernando Prieto (director da Faculdade de Tradução e Interpretação da Universidade de Genebra); Alexandra Assis Rosa (subdirectora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), Manuel Rodrigues (Universidade de Aveiro); Luís Filipe Barbeiro (do Instituto Politécnico de Leiria) e Maria José Grosso (Universidade Macau/ Universidade Lisboa).

A Moon Ocean alegou que o Chefe do Executivo ao declarar a nulidade do contrato de concessão dos lotes em causa usurpou o poder do tribunal, argumento que não colheu junto do TSI, segundo uma síntese do acórdão divulgado ontem. A concessionária dos cinco lotes localizados em frente ao aeroporto, para onde estava projectado o empreendimento de luxo La Scala, envolvido no escândalo de corrupção do antigo Secretário para as Obras Públicas e Transportes Ao

Man Long, referiu ainda que o despacho contestado ofendeu o conteúdo essencial do seu direito de propriedade. Uma tese que o TSI não acolheu, apontando que a concessão do terreno por arrendamento apenas lhe confere o direito de aproveitamento. Por outro lado, o TSI considerou que o procedimento administrativo de transmissão dos direitos resultantes da concessão enfermou do vício de nulidade pela intervenção criminosa do então Secretário e que, portanto, a Administra-

ção tinha o dever de declarar a nulidade do despacho proferido em Março de 2011. O TSI entendeu ainda que não se verificou o desrespeito dos limites do caso julgado, dado que a Moon Ocean, apesar de não ser parte dos factos constantes do acórdão que condenou Ao Man Long, teve oportunidade de impugnação no respectivo procedimento administrativo. O TSI negou provimento ao recurso contencioso, mas mantém-se o acto administrativo recorrido.

Tabaco Cloee Chao quer infractores na lista negra dos casinos

A presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, Cloee Chao, quer a aplicação de medidas radicais para quem não cumpre a lei do tabaco nos casinos. A representante dos trabalhadores do sector do jogo dirigiu-se ontem à Assembleia Legislativa para entregar uma carta que exige medidas que proibam os jogadores infractores de entrar nas salas de jogo. Para Chao, o aumento das multas não tem tido efeitos dissuasores e os funcionários têm sido os prejudicados. A representante dá o exemplo da China continental que aplica uma medida idêntica para quem fuma nos comboios de alta velocidade. Quem desobedecer duas vezes à lei deixa de poder comprar bilhetes de comboio. De acordo com Chao, quem fosse apanhado pela segunda vez a fumar num casino deveria entrar numa lista negra e impossibilitado de entrar numa sala de jogo no território. V.N.


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18.4.2018 quarta-feira

Cabo Verde Pequim participa do plano da Zona Económica de São Vicente O planeamento da Zona Económica Especial de Economia Marítima da ilha de São Vicente, em Cabo Verde, será apresentado em Setembro e tem a participação de uma equipa chinesa, revelou Paulo Veiga, secretário de Estado Adjunto para a Economia Marítima.

Em uma entrevista ao jornal cabo-verdiano Expresso das Ilhas, Veiga disse que o trabalho está em andamento, liderado por uma equipa chinesa que visitou São Vicente este ano. O planeamento para a ilha será apresentado ao primeiro-ministro do país, antes de ser

implementado, como parte de um acordo de cooperação entre a China e Cabo Verde, segundo Veiga. O acordo para a criação da Zona Económica Especial de Economia Marítima de São Vicente foi assinado em Outubro de 2016 em Macau.

DIPLOMACIA KIM JONG UN QUER “DESENVOLVER A AMIZADE DA RPDC COM A CHINA”

Evolução da amizade

O líder da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Kim Jong Un, anunciou esforços no sentido de ampliar a integração do seu país com a China. As declarações foram proferidas durante um encontro com o chefe do departamento internacional do Partido Comunista Chinês, Song Tao, no passado domingo

A

O relatar o encontro entre Kim e Song Tao, a agência de notícias do governo coreano, a KCNA, afirmou que a delegação chinesa foi recebida pelo líder coreano no sábado. Na reunião Tao transmitiu às autoridades

coreanas as “mais calorosas saudações” do povo chinês. Após receber a autoridade chinesa, a agência afirmou que houve “uma ampla troca de opiniões sobre questões importantes e de interesse mútuo”. Ainda segundo a agência, Kim “declarou que

trabalhará positivamente no sentido de desenvolver a amizade entre a RPDC e a China, a fim de conduzir o país a uma nova fase, conforme exigido pela nova era”. Por sua vez, Song Tao manifestou a disposição de seu país no sentido de “contribuir para a promoPUB

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE SOLOS, OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES

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Faz-se saber que em relação ao concurso público para a execução da “Obra de Renovação da parede exterior e impermeabilização da cobertura do posto operacional do Corpo de Bombeiros junto ao Lago Sai Van situado na Avenida Doutor Stanley Ho”, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.°14, II Série, de 04 de Abril de 2018, foram feitas as necessárias aclarações suplementares nos termos do artigo 2.° do programa do concurso pela entidade que realiza o concurso, e que se encontram arquivados no processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclarações suplementares encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente no Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n°33, 17° andar, Macau. Região Administrativa Especial de Macau, aos 12 de Abril de 2018. O Director dos Serviços Li Canfeng

ção das relações duráveis e prolongadas” entre ambos os países.

SOPRAR VELAS

O encontro foi celebrado durante o festival anual da Primavera, realizado tradicionalmente em Pyongyang, e que, desde 1986, conta com a presença das autoridades chinesas, bem como da participação de diversos artistas do país. A data é uma comemoração nacional, já que durante o festival também é festejado o aniversario de Kim Il-Sung, o principal líder da revolução coreana. A reunião entre ambas as autoridades deu-se algumas semanas depois da visita diplomática do líder norte-coreano a Pequim, ocasião de seu encontro com o presidente chinês, Xi Jinping. Dando sequência aos esforços de aproximação entre as regiões norte e sul da Coreia, Kim Jong Un deve se encontrar com o presidente sul-coreano, Moon Jae-In, no próximo dia 27 de Abril.

ALEMANHA GUERRA COMERCIAL ENTRE EUA E CHINA PODE LEVAR A RECESSÃO ALEMÃ

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indicador de risco de uma recessão na Alemanha subiu consideravelmente, de 6,8 por cento para 32,4 por cento, devido à ameaça de guerra comercial entre a China e os EUA, divulgou ontem o Instituto de Investigação Económica e de Conjuntura Económica alemão (IMK). O IMK, que mede mensal e trimestralmente os dados relevantes da conjuntura, subiu agora o valor do indicador para 32,4 por cento, com referência ao período de Abril a Junho, uma subida para quase o quíntuplo. Asubida do indicador foi atribuída a uma “decida notável da produção industrial, bem como à deterioração dos indicadores de confiança, devido à perspectiva de um

conflito comercial entre as principais economias mundiais. Relativiza, porém, com dados que contrariam este risco, como a manutenção do contexto positivo para o financiamento das empresas. Apesar da acentuada subida do risco, previu que a actual tendência de crescimento da economia alemã vai manter-se, com um crescimento médio anual de 2,4 por cento em 2018. Porém, o IMK advertiu que se a tendência negativa se consolidar, vai ter de rever em baixa esta previsão. O IMK instou ainda a que os dirigentes da política económica “aumentem a atenção”, salientando que deve evitar-se o reforço da instabilidade nos mercados financeiros.

ECONOMIA PEQUIM PROMETE “MEDIDAS NECESSÁRIAS” PARA PROTEGER EMPRESAS

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Ministério do Comércio chinês anunciou ontem que vai “tomar as medidas necessárias para proteger as empresas” chinesas, um dia depois dos Estados Unidos proibirem a venda de componentes ao grupo de telecomunicações ZTE. “A China vai tomar as medidas necessárias para proteger os direitos e interesses das empresas legítimas” chinesas, garantiu, em comunicado, o Ministério. Washington deve ser capaz de criar “um ambiente justo, equitativo e estável para as empresas chinesas”, indicou o documento. O Ministério lembrou que a ZTE “tem uma ampla cooperação comercial e de investimentos com centenas de empresas norte-americanas, criando dezenas de milhares de empregos nos Estados Unidos”.

A empresa lesada já fez saber que está a avaliar “toda a gama de possíveis implicações” decorrentes do embargo, preparando-se agora para “responder proactivamente às consequências”. Um dia depois da decisão de Washington, a cotação das acções da empresa de telecomunicações foi suspensa na bolsa de valores de Hong Kong. Na segunda-feira, as autoridades norte-americanas decidiram pôr fim às exportações de componentes destinadas ao grupo chinês ZTE, devido a declarações fraudulentas num inquérito sobre a investigação ao embargo imposto ao Irão e à Coreia do Norte. A suspensão das exportações significa que a ZTE vai deixar de receber componentes para os integrar nos seus produtos.


região 9

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TIMOR-LESTE RECORDISTA DE DOENÇA CARDÍACA REUMÁTICA

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M estudo australiano demonstrou que Timor-Leste tem um dos índices mais elevados de doença cardíaca reumática do mundo, com a maioria dos casos por diagnosticar. “Fiquei e continuo a ficar surpreendido pela prevalência e pelo número de casos que encontro. A prevalência é das mais elevadas do mundo”, disse à Lusa Josh Francis, da Menzies School of Health Research, sediada em Darwin, e que liderou o estudo. Em Díli, onde equipas de investigadores, médicos e pediatras timorenses e australianos estão a conduzir uma segunda fase do estudo, Francis afirmou que apesar da doença poder ser prevenida e tratada, muitos dos casos tardam em ser diagnosticados. A doença começa com uma infecção, que pode ser tratada facilmente se detectada a tempo, mas pode degenerar e causar graves problemas ao paciente, incluindo danos nas válvulas do coração. Os jovens da Escola do Sagrado Coração de Jesus,

em Becora, um dos bairros mais populosos da capital timorense, foram testados com máquinas portáteis de ecocardiograma, incluindo as mais recentes que são do tamanho de um telemóvel. Tecnologia que, apesar de cara, permite detectar com muito mais eficácia, em mais locais e em regiões mais isoladas, uma doença que, outrora, só era detectada com o estetoscópio, instrumento que podia deixar escapar “até metade dos casos”. É a segunda fase de um estudo que já demonstrou que Timor-Leste tem um dos índices mais elevados de doença cardíaca reumática do mundo, com uma em cada 28 pessoas afectadas, com o número a ser ainda mais elevado (uma em 20) entre raparigas. Os dados confirmaram uma prevalência da doença de 3,5 por cento, entre os mais elevados do mundo, sendo que a quase totalidade dos casos identificados não tinham, até então, sido diagnosticados.

COREIA DO SUL MORREU ESTRELA DO CINEMA RAPTADA EM 1978 PELA COREIA DO NORTE

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MA actriz sul-coreana, raptada por ordem do pai do actual líder da Coreia do Norte e obrigada a fazer filmes para o regime, morreu com 91 anos, anunciou ontem a família. Choi Eun-hee foi, entre 1950 e 1970, uma estrela do cinema sul-coreano, antes de ser raptada por agentes norte-coreanos em Hong Kong em 1978, sob ordens de Kim Jong-il, um apaixonado pela sétima arte. Pouco tempo depois, o ex-marido, o famoso realizador sul-coreano Shin Sang-ok, foi também raptado pelos norte-coreanos. O casal foi obrigado a ficar na Coreia do Norte durante oito anos, tendo filmado em conjunto uma dezena de filmes a pedido de Kim Jong-il. Apesar da vigilância permanente de agentes norte-coreanos, os dois deslocavam-se com frequência ao estrangeiro para filmar ou para assistir a festivais de cinema.

Choi chegou a ser proclamada melhor actriz no festival internacional de cinema de Moscovo, em 1985, pelo papel em “Sal”, sobre coreanos que combatem contra o colonizador japonês entre 1910 e 1945. O casal, que se tinha divorciado em 1976, voltou a casar-se, durante uma viagem à Hungria, a pedido de Kim. Depois de terem participado na Berlinale de 1986, os dois conseguiram fugir através da embaixada norte-americana em Viena. Viveram nos Estados Unidos durante mais de dez anos e só regressaram à Coreia do Sul em 1999. Shin morreu em 2006. A vida do casal inspirou vários livros e filmes. O funeral da actriz, que participou em mais de 100 filmes, muitos dos quais realizados por Shin, vai realizar-se na quinta-feira, em Seul. A Coreia do Norte raptou centenas de sul-coreanos, ao longo das décadas que se seguiram à Guerra da Coreia.

BIRMÂNIA PRESIDENTE ANUNCIA AMNISTIA QUE LIBERTA MAIS DE 8000 PRESOS

O acto de perdoar

O novo presidente da Birmânia, Win Myint, anunciou ontem uma amnistia geral que permitirá a libertação de mais de 8.000 prisioneiros, mais de trinta dos quais condenados por razões políticas

Comunicado do gabinete presidencial “Para dar paz aos corações das pessoas e pelo apoio humanitário, 8.490 prisioneiros de várias prisões receberão um perdão.”

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presidente justificou o perdão, que resultará na libertação de prisioneiros, com razões humanitárias. “Para dar paz aos corações das pessoas e pelo apoio humanitário, 8.490 prisioneiros de várias prisões receberão um perdão”, disse o gabinete presidencial, em comunicado. Trata-se da primeira amnistia concedida desde que Win Myint assumiu o cargo, em 31 de Março, e coincide com a celebração do Ano Novo de Thingyan (Novo Ano Budista). A medida foi estendida a 51 outros prisioneiros estrangeiros, que serão deportados para os seus países, acrescentou o gabinete presidencial, num outro comunicado. A maior parte (6.362) dos amnistiados estava a cumprir sentenças por crimes relacionados com o tráfico de drogas. Os restantes (2021) são membros das forças armadas e da polícia, acrescentou

o porta-voz do gabinete, Zaw Htay, na sua página no Facebook. Entre os amnistiados estão 36 pessoas presas por motivos políticos, segundo revelou a Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP) nas redes sociais. A organização disse que nas prisões do país há 18 presos políticos com condenação final e 74

presos preventivamente, a aguardar julgamento.

PERDÃO NO FERIADO

A concessão de amnistias é habitual na Birmânia, em datas especiais como a de Thingyan, celebrada em meados de Abril. A libertação de todos os presos políticos foi uma das promessas eleitorais da líder de facto do governo,

Aung San Suu Kyi, que passou 15 anos em prisão domiciliária durante a última junta militar. A Liga Nacional pela Democracia, uma formação liderada por Suu Kyi, formou Governo há dois anos, vencendo em Novembro de 2015 as primeiras eleições democráticas no país, depois de quase cinco décadas de ditaduras militares.

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Companhia de Fomento Predial San Kin Tai, Limitada Rua de Shanghai, n.º 175, Edifício Associação Comercial de Macau, 14.º andar B-F Registada na CRCBM sob o nº 12549, Capital Social: MOP$25.000,00

Para os efeitos tidos por convenientes, anuncia-se que, por deliberações da Assembleia Geral extraordinária realizada em 22 de Março de 2018, foi unanimemente decidido por ambas as sócias, dissolver e encerrar a liquidação, a partir da referida data, da sociedade comercial por quotas denominada Companhia de Fomento Predial San Kin Tai, Limitada, com sede em Macau, na Rua de Shanghai, n.º 175, Edifício Associação Comercial de Macau, 14.º andar B-F, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 12549, com o capital social de MOP$25.000,00, tendo os respectivos registos sido requeridos em 27 de Março de 2018. Macau, aos 18 de Abril de 2018


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Dar im

CREATIVE MACAU “VISUAL Se o pensamento fosse transmissível em imagens, o que seria? “Visual Thinking” é a exposição que traz a Thinking”, uma exposição resposta, em forma de “Visual de fotografia contemporânea comséries fotográficas. fotografia, através da postaOsportrabalhos são de Hugo Teixeira, Lampo Leong, Milvisão de seis artistas. -Homens, Li Li, NoahAntónio Fong Chao A mostra vai estar e Ricardo Meireles. “My Grandfather, uncle father patente na Creative and me” é um trabalho intimista de Hugo Teixeira. As imagens estão Macau, a partir relacionadas com a morte do pai há dois anos e a história familiar de do dia 25 de Abril

O

tema foi lançado e a resposta veio de um total de seis artistas e fotógrafos. O resultado é uma exposição colectiva promovida na Creative Macau que tem inauguração marcada para o próximo dia 25 de Abril. “Desafiámos os nossos membros a criar uma série de fotografias para expor numa mostra colectiva” referiu Lúcia Lemos, responsável pela Creative, ao HM. Desta forma desprendida nasceu

A

“Semana da Biblioteca de Macau 2018” tem início no próximo sábado, com a cerimónia de inauguração a realizar-se no Edifício do Antigo Tribunal pelas 10h. Este ano, o tema do evento é “A Leitura Une as Pessoas”, como tal, o objectivo passa por “através da leitura, reduzir a distância entre as pessoas, o saber e o mundo”, refere um comunicado oficial. A intenção é promover a leitura no território. Para o efeito está previsto um conjunto de actividades até ao final

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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quem acompanha a doença cardíaca. Em exposição vão estar 10 auto-retratos impressos sobre metal e uma imagem em grande escala de um electrocardiograma do próprio autor. Hugo Teixeira mostra, mais uma vez, o trabalho que desenvolve no campo da fotografia analógica, incidindo nos processos alternativos de revelação. Lampo Leong tem os seus pensamentos visuais em “Memories. Fortress of Monte”. Através da procura de texturas na Fortaleza do Monte, a intenção do artista é

Ler para c

Semana da biblioteca começa sáb

do mês de Maio que incluem duas palestras temáticas na Biblioteca Sir Robert Ho Tung. “Saborear a Natureza” tem lugar no dia de abertura da “Semana da Biblioteca de Macau” e é a palestra dirigida pelo activista ambiental Joe Chan. O orador vai convidar “os participantes a uma viagem física e espiritual pelos livros, pela natureza e pela

comid tura d de Ma escrit vai pa pesso e cam ciona À ceu em que pr


eventos 11

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magem ao pensamento promover a memória e a reflexão acerca da história e do património de Macau. A Fortaleza do Monte foi o espaço eleito para representar esta herança. “Com mais de 400 anos de idade, a Fortaleza de Monte continua a ser um magnífico lembrete do antigo porto marítimo e serve como um símbolo poderoso para o espírito das pessoas”, apresenta o comunicado oficial do evento.

O QUE NÃO É VISÍVEL

O fotógrafo local António Mil-Homens reflecte sobre o espaço e

“Desafiámos os nossos membros a criar uma série de fotografias para expor numa mostra coletiva.” LÚCIA LEMOS CREATIVE MACAU

crer

bado

da”. A palestra “A Literade Macau” terá lugar a 12 aio e vai ser proferida pelo tor Eric Chau. O autor local artilhar a sua experiência oal e apresentar estratégias minhos para a escrita relaada com Macau. semelhança do que acontem anos anteriores, a semana retende motivar para a lei-

os obstáculos que o impedem de ser visto. Em Macau, a visibilidade é limitada pelo grande aglomerado de pessoas que todos os dias circulam nas suas ruas. “Troubled Vision” trata desta visão deturpada em que há uma perturbação da sensibilidade visual. As imagens são a preto e branco e convidam a pensar o lugar e o que se vê dele. Li Li pega na figura da garça para alertar para conceitos tão em voga como a sustentabilidade, inovação e reciclagem. “Creative Ideas” traz cinco trabalhos com este animal como mote para a resolução criativa dos desafios do quotidiano. As garças são um exemplo de como se pode usar a criatividade através da representação de um animal conhecido pela sua habilidade e simplicidade. Noah Fong Chao apresenta “The Opposite Shore”, um conjunto de trabalhos produzidos em 2009. De acordo com o comunicado da Creative Macau, trata-se de uma reflexão

SOFIA MARGARIDA MOTA

L THINKING” É INAUGURADA A 25 DE ABRIL

acerca da mudança numa cidade que vê a paisagem alterar-se a grande velocidade. Os trabalhos de Noah pretendem alertar para a dificuldade em definir o tempo. As imagens são PUB

tura tem um espaço promovido pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) dirigido aos mais novos. Neste capítulo, o evento oferece ao público o “Curso de Criação de Livro Ilustrado em Inglês” e “Workshops Pais-Filhos de Livros Ilustrados sobre a Natureza”, iniciativas centradas em torno de sessões de leitura e narração de histórias. A Associação de Bibliotecários e Gestores de Informação de Macau irá também organizar a “Exposição dos Melhores Livros em Alemão” e promover

uma acção sobre a gestão de bibliotecas internacionais. A mesma instituição participa no evento local com a promoção de mais duas palestras, uma dedicada à temática da gestão de bibliotecas para agentes promotores da leitura, e uma segunda com o nome “O Poder dos Livros Ilustrados”, que visa falar da apreciação e aplicação dos livros vencedores do Prémio Feng Zikai de Melhor Livro Ilustrado Chinês”.

acompanhadas de pintura de modo a conferir-lhes um maior sentido de histórico, refere a organização. O trabalho submetido por Ricardo Meireles lança um apelo à

imaginação da visão que vai mais além das duas dimensões presentes numa imagem. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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Vou a medo na aresta do futuro

A Poesia Completa de Li He

南園十三首

Treze Poemas do Meu Jardim Meridional (Parte I)

花 枝 草 蔓 眼 中 開,小白長紅越女腮。   可 憐 日 暮 嫣 香 落,嫁與春風不用媒。  宮 北 田 塍 曉 氣 酣,黃桑飲露窣宮簾。    長 腰 健 婦 偷 攀 折,將喂吳王八繭蠶。  竹 裡 繰 絲 挑 網 車,青蟬獨噪日光斜。    桃 膠 迎 夏 香 琥 珀,自課越佣能種瓜。  三 十 未 有 二 十 余,白日長饑小甲蔬。    橋 頭 長 老 相 哀 念,因遺戎韜一卷書。  男 兒 何 不 帶 吳 鉤,收取關山五十州。    請 君 暫 上 凌 煙 閣,若個書生萬戶侯。

I Ramos em botão, pés de flores, Florescem enquanto olho. Tocada de branco, pincelada a carmim – A face de uma rapariga de Yue.1 Infelizmente, chegado o ocaso, Fenece sua viva fragrância. Fugiu com o vento de primavera, Sem ser apadrinhada. II A norte do palácio sobre os sulcos O pleno rubor da aurora,2 Amoreiras amarelas a beber orvalho, Roçam nas persianas do palácio. Raparigas, altas e fortes, veladamente Quebrando galhos, Alimentando os óctuplos bichos da seda Do Rei de Wu.3 III Nos bambus, o fiadeiro Gira a sua roda. Uma cigarra verde canta só No sol poente. Perfumada de âmbar, a seiva do pessegueiro Saúda a chegada do Verão. Ordeno ao meu jardineiro nativo Que plante melões.4

IV “Ainda não trinta, mas vinte já feitos, Faminto no sol brilhante, vivendo de folhas. Oh, velho na ponte! Tem pena de mim E dá-me um livro sobre a arte da guerra!”5 V Por que não havia um jovem de levar uma espada de Wu?6 Podia reconquistar cinquenta províncias por passos e montanhas.7 Quem me dera visitasses o pavilhão de Ling-yan,8 Como pode um estudante alguma vez tornar-se em rico marquês?

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Poemas escritos por Li He na sua casa, em Chang-gu, enquanto ponderava aceitar um posto em Lu-zhou no ano de 814. Xi Shi, a mais famosa das beldades chinesas, era de Yue. O arruinado palácio de Fu-chang em Chang-gu. Referência a um tipo de bicho da seda que produz tanto como oito bichos da seda normais. Um jardineiro de Yue, no sudeste da China. O Shi-ji, LV, biografia de Zhang Liang (m. 189 a.C.), conta como Zhang encontrara um velho andrajoso numa ponte. O velho testou-o, deixando cair um sapato debaixo da ponte e ordenando a Zhang que o apanhasse. Mais tarde, após testar ainda mais a sua paciência, o velho ofereceu-lhe um livro sobre a arte da guerra que lhe traria sucesso. Wu-gou (Gancho de Wu) era o nome de um famoso tipo de espada usado pelos habitantes do sul. À época, mais de cinquenta distritos chineses de Henan e Hebei estavam nas mãos de chefes tribais. Os retratos no pavilhão Ling-yan eram dos militares que ajudaram o futuro imperador Tang Tai-zong (598-649) na sua luta pelo poder.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

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Diário de um editor João Paulo Cotrim

Pontapés na bicicleta

BICA DO SAPATO, LISBOA, 2 ABRIL De tão bons intérpretes da vida, alguns lutos não param a festa. Estava cinza o rio, gerundiando em rima com o céu. Contudo, diferença se fez a maré de amigos convocados para assistir de pé à Inês [Meneses] brilhar enquanto explicava de que modo podem ser os «Amores (Im) Possíveis»: pela palavra, esticada ao além, por gozo e alegria. «Ela lembrou-lhe que o amor é fogo que arde sem se ver, e ele deu-lhe uns óculos.» As frases-projéctil parecem-me isso mesmo, óculos que nos fazem ver as ardências das aproximações e afastamentos que, em cada momento, nos definem. Vemos mais longe, também com a lente aberta do sorriso que se solta destas tiradas, colhidas no seu habitat natural, o facebook, de modo a tornarem-se objecto. Para o malabarismo de palavras e ideias, a Elisabete [Gomes] criou um pal-

co ao baixo, de apenas duas cores e suas variantes, plantando ênfases e aumentando corpo de letra, respondendo com movimento à dinâmica das ilustrações-metáfora do Tiago Galo, figuras que nascem de massas de cor em jogos de ternura e confronto. Ainda por cima, ergueu as mãos à dimensão de personagens, das que dançam. Não me canso de folhear o livrinho, que cresce muito para além da sua dimensão, de tanta subtileza que esconde. Uma frescura. SÃO LUIZ, LISBOA, 3 ABRIL Para celebrar os 30 anos da Cotovia, a Fernanda [Mira Barros] organizou ciclo de conversas, no vizinho jardim de inverno onde as únicas plantas são pessoas. Calhou a de hoje tratar da sobrevivência das pequenas editoras. Serviu logo o pretexto para reencontrar o Vasco [Santos], da Fenda, que há muito não nos encontrávamos. Ficou por matar a saudade, pois a ocasião não pedia fado. Apesar do competente esforço da Mariana Oliveira, não aconteceu novidade ou conversa, com a Adriana C. Oliveira, da Flop, e o António Guerreiro, cronista do Público. De tão simples, o assunto fez-se complicado: são poucos os que lêem, menos ainda os que compram. A Flop usa a angariação de fundos para a «altíssima literatura» edita. A Fenda aconselhou o assalto aos bancos, mas não creio que o pratique. O resto foi o habitual negrume analítico do António Guerreiro expondo o dilúvio de lixo que enche o mercado. Não há saída, só esforço. Cansa-me que nos deixemos aprisionar pelas minúcias das finanças, sem nos concentrarmos na recorrente ausência de estratégias e colaborações. Sem querer, o dia foi salvo pelo golo de Ronaldo na baliza de Buffon: sem desistir da jogada, vai à linha de fundo recuperar uma bola que parecia perdida, faz o passe e logo corre para a receber no lugar onde ludibria os defesas e vence a gravidade aos 2,40 metros para marcar com pontapé de bicicleta digno de um bailado. E o estádio CALEI FAZENDA

TEJO, LISBOA, 25 MARÇO Morreu o Manel [Reis] (1947-2018), inventor sem registo de patente, senhor da liberdade. Vem dali vento, voo, escorre dali maré, descubro. Noite rimará doravante com cidade, conta sílabas e descobre o gosto, o gesto. Senta para ver, comenta, desdobra o horizonte, que não será nunca engomado, e colha o fruto por haver, a surpresa não pode ser nódoa, siga a elite construindo farol com medo da solidão, a querer um cheiro, antes do perfume. Sou de nenhures e ainda assim me custa vê-lo a atear fogos despropositados e tristes na louca pradaria de trufa da opinião a pedir mais e sempre mais ardências, despontando deslugar deslassado, carne mole de não lugar, coisa que não se pisa a não ser pelo dedo e olho, que ao mesmo tempo esfarela as palavras a fingir que não agridem, mas que depois risca a giz no ecrã o lugar que marca identidade e tribo como castelo de onde partir a partir, além de louças onde comer, as canelas que fazem o andar. Não entendo nem uns nem outros, que se fecham no arremessar dizeres fingindo que pensam, granito feito palavra. Agora que o intelectual se tornou insulto, a «ideia» virou pedra de calçada. Quanto mais escrevo, melhor percebo que despertenço, que falhei no modo de ser grupo, que logo me disperso indo e vindo, maré a compor praia em noite fria. Nem da minha tribo creio que sou. Ponto. (E ao nada empresto a realidade.) Posso ser, apenas, brilhando, ou morando baço? Posso, em querendo. Os estilhaços do gozo de ir indo e acendendo hão-de atingir alguém, dos quietos dos moribundos, dos apagados. Foi de sem querer. O Manel alargou apenas as possibilidades. Sem desenhar fronteiras, sem ferir. Dando os bons dias, acolhendo as boas noites. Só porque sim. Entenda quem possa. Pare de explicar quem o respeite.

da Juventus, rendido, aplaude-o. De mão no peito, o enorme jogador agradece. A Cotovia, em 30 anos, fez elegantíssimo trabalho de edição dos clássicos gregos onde se celebram heróis. HORTA SECA, LISBOA, 6 ABRIL A chuva pesa no hoje, encerra-o em si, não abre o espaço à fruição, oferece tristezas líquidas, incómodos, restrições. Cá dentro, brilham singulares fulgores. Como bom Caleidoscópio (ilustração a propósito nas redondezas), um ligeiro movimento muda cores e perspectivas, sugere formas, outras leituras. Momento e movimento. O próprio conceito da exposição evoluiu e se deixou encaixar no demais que fazemos, nas pressas e adiamentos. O João

A chuva pesa no hoje, encerra-o em si, não abre o espaço à fruição, oferece tristezas líquidas, incómodos, restrições. Cá dentro, brilham singulares fulgores

[Fazenda], parceiro de tantas andanças, abre rasgos nas paredes como há muito não fazia. Traz uma pasta negra e pesada, como o dia, mas mal se abre muda o mundo, com perfumes e fauna e paisagens e corpos e flora e começos de história e ritmo e nada, tão só o resultado dos gestos sobre os materiais. Por um triz não nos atrasámos, de tanto e saboroso tempo gasto na escolha e encenação dos originais. Urbanita que é, muita atenção espraia pelas ruas, pelos mercados das cores que se juntam às vozes, pelos jardins onde os corpos se confundem com as plantas. Mas os interiores são palcos portáteis, uma cena banal só pelo prazer do traço, ou composição com outra densidade retratando alguém que esculpe. Gosto de imaginar este desenhador incansável a desenhar o chão que pisa, sem rectas, movediço e inconstante, somente feito de cruzamentos, de rotundas, de encruzilhadas, de entroncamentos, enfim, de multiplicadores de possibilidades. O João desenhou-se maestro de visões, condutor de olhares, manipulador de camas de gato, domador de espelhos e prismas. Mas o tema da exposição acontece ser o estilo: ao figurativo, a cor e desenhado com a cor ou a preto e branco, junta-se o abstrato em pastel, em grattage, a lápis de cor, a pincel. Na sua gramática, o vaivém entre linha fina e traço grosso ganha aqui a vantagem dos que correm mais rápido. Manchas, nuvens, incisões, traços, formas soltas que ocupam o espírito dos que se atrevem a olhar, a alinhar em confundir-se com paisagem, em ser paisagem. Parece que oiço na pele o discorrer do papel, o absorver da tinta de tão sensorial se faz o conjunto, a escolha das cores, a organização das linhas. Nas suas composições, o João costuma exercitar uma elegância explosiva, um conforto que nos atrai e pede para ficar, solar. Nalgumas destas indefinidas deixa entrar diferente energia, desequilíbrios de plástica bruteza, plúmbeas. Lá fora parou de chover.


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18.4.2018 quarta-feira

Anúncio Concurso Público N.º 13/ID/2018 « Serviços de manutenção e reparação do sistema de climatização das Instalações Desportivas situadas na Taipa afectas ao Instituto do Desporto » Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 3 de Abril de 2018, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para os serviços de manutenção e reparação do sistema de climatização das seguintes instalações desportivas situadas na Taipa afectas ao Instituto do Desporto, durante o período de 1 de Novembro de 2018 a 31 de Outubro de 2020: 1 2 3 4 5 6 7 8

Designação das Instalações Desportivas Centro Desportivo Olímpico Centro de Formação Centro Desportivo Olímpico – Piscina Piscinas do Carmo Centro de Medicina Desportiva Centro Desportivo do Nordeste da Taipa Piscina do Parque Central da Taipa Estádio da Universidade de Macau N9

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo de concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento da importância de $ 1 000,00 (mil) patacas. Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para a apresentação das propostas para tomarem conhecimento sobre eventuais esclarecimentos adicionais. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 28 de Maio de 2018, segunda-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de $ 43 200,00 (quarenta e três mil e duzentas) patacas. Caso o concorrente opte pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na Região Administrativa e Eespecial de Macau e à ordem do Fundo do Desporto ou efectuar um depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do Fundo do Desporto) na mesma quantia, a entregar na Divisão Financeira e Patrimonial, sita na sede do Instituto do Desporto. O acto público do concurso terá lugar no dia 29 de Maio de 2018, terça-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura. Instituto do Desporto, 18 de Abril de 2018. O Presidente, Substituto, Lau Cho Un

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 21/P/18 – EMPREITADA DE CONCEPÇÃO E DE REMODELAÇÃO DO CENTRO ENDOSCÓPICO 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11.

12. 13. 14. 15. 16.

Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. Objecto da Empreitada: Empreitada de Concepção e de Remodelação do Centro Endoscópico do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Prazo máximo de execução: Trezentos e sessenta (360) dias. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa (90) dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: Por preço global. Caução provisória: Quinhentas mil patacas (MOP500.000,00), a prestar mediante depósito em numerário, garantia bancária ou seguro-caução nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: Não há. Condições de admissão: Os concorrentes ou seus parceiros colaboradores necessitam de ser entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido ou renovado a sua inscrição; neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação. Uma parte dos concorrentes ou seus parceiros colaboradores devem, obrigatoriamente, possuir conhecimentos profissionais e ter experiência em trabalhos de instalação, reparação e manutenção de instalações e equipamentos do sistema de rede de gases medicinais. O pessoal de execução da obra e de orientação, deve ser qualificado e ter pelo menos cinco (5) anos de gestão de execução de obras de sistema de condutas de gases medicinais até à data de apresentação da Proposta. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 24 de Maio de 2018 (quinta-feira), até às 17:45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do acto público: Local: Estrada de S. Francisco, n.º 5, r/c - «Sala Multifuncional» Dia e hora: Dia 25 de Maio de 2018 (sexta-feira), às 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Reunião de esclarecimentos e Visita às instalações: A reunião de esclarecimentos com os concorrentes para efeitos dos “Documentos” que instruem a proposta, especialmente sobre a qualificação, terá lugar no dia 23 de Abril de 2018, pelas 15,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, seguida duma visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar do n.º 5 da Estrada de S. Francisco. Hora: Horário de expediente (das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: MOP99,00 (noventa e nove patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: A B C D E

17.

Valor total da empreitada Programa de concepção e execução das obras Plano de trabalho e prazo global para a execução da obra Experiência em trabalhos semelhantes Integridade e honestidade

40% 30% 15% 10% 5%

Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar do n.º 5 da Estrada de S. Francisco, a partir de 18 de Abril de 2018 (quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, a fim de tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 12 de Abril de 2018 O Director Lei Chin Ion


opinião 15

quarta-feira 18.4.2018

sexanálise

J

A intimidade nas redes sociais

Á em outras alturas me debrucei acerca das novas tendências tecnológicas e dos desafios para as relações da nova era. As redes sociais vieram revolucionar a forma como socializamos e como comunicamos com os outros - com o mundo. Com os nossos amigos, com os nossos conhecidos e com os nossos desconhecidos, também. Ultimamente até responsabilizamos estas novas formas de interacção, e de quem está à frente delas, das crises mundiais. A intimidade também já não se pode definir da mesma forma, afinal o que é que é verdadeiramente íntimo? Como é que o mostramos? Ou, como é que decidimos não mostrar? Muita gente anda a pensar nestas questões porque a interacção humana tal como a conhecemos sofre contínuas transformações. No sexo e no amor vemos aparecer outras formas (inesperadas?) de manter a chama acesa da paixão – novas formas de conhecer parceiros românticos, novas formas de manter relacionamentos à distância, novas formas de nos mostrarmos (de nos escondermos?) ao criar um perfil de usuário, com certas fotos, com certas informações, com certos pontos de vista. Tanta inovação que é levada até certos limites, porque os clichés de género continuam lá, nas mesmas e antigas expectativas do aceitável e do não aceitável. Tudo depende se tiveres uma vagina ou um pénis, ou te identifiques como homem ou como mulher. Num estudo realizado por Cristina Miguel, sobre o tema de intimidade nas redes sociais, a investigadora explora os significados da intimidade relacional e sexual no Facebook, no Badoo e no Couchsurfing. Os participantes deste estudo consideraram que fotografias sexy, orientação sexual e o estado da relação amorosa eram tópicos, ditos, ‘íntimos’, e por isso a sua expressão nas redes sociais era mediada por certas expectativas – i.e. se fores mulher com fotos de biquíni, és uma atiradiça; se fores um homem de fato de banho, és... normal, não há nada de errado com isso. As fotografias sensuais são íntimas na medida em que queremos que só certas pessoas tenham acesso a elas, mas não deixam de ser uma criação: uma tentativa de ser a máscara na criação conjunta do que eu acho sexy e o que eu acho que os outros acham sexy, dentro dos limites que ditam a minha possível auto-determinação sexual. A gestão dos relacionamentos e das imagens, ou mensagens, de amor e de carinho que queremos ver publicadas também são preocupações do foro íntimo. Aliás, se calhar podemos dividir o mundo em dois grupos, os que querem mostrar bem claro que a sua intimidade está a ser bem preenchida com a

ALEXANDRE JACQUES CHANTRON (1891) DANAE

TÂNIA DOS SANTOS

intimidade do outro, e os outros que preferem manter o íntimo em privado, até certo ponto. Esta visibilidade que queremos ou não dar aos relacionamentos provavelmente vem da mesma discussão que os nossos antepassados tiveram sobre, os anéis de noivado, por exemplo. Quanto maior o diamante, maior o amor? Maior a prova de amor aos outros? As redes sociais vieram trazer outra camada de complicação nestas coisas da intimidade e da visibilidade. Quando um namoro termina, já ninguém rasga com raiva as fotografias de quem outrora fora o seu mais que tudo. Agora apagam-se os vestígios dos beijos, dos abraços e das mãos dadas nas redes sociais e desamiga-se ciberneticamente quem já foi muito próximo. A visibilidade das intimidades nas redes sociais não deixa de ser antagónica.

Na minha visão simplista das coisas, os nossos diferentes ‘eus’ nascem da necessidade de nos apresentarmos em relação a certas coisas. Quando estamos numa entrevista de emprego apresentamo-nos de uma forma, quando estamos com a

Quanto maior o diamante, maior o amor? Maior a prova de amor aos outros? As redes sociais vieram trazer outra camada de complicação nestas coisas da intimidade e da visibilidade

família apresentamo-nos de outra, quando estamos num primeiro encontro tentamos apresentarmo-nos ainda de outra forma – sempre fantásticos, poderosos e incríveis. As redes sociais só trazem mais uma oportunidade para nos recriarmos face aos outros, mas a nossa intimidade que tem tudo que ver connosco próprios (mediada por conteúdos sociais, claro), é daqueles universos que tentamos que seja o mais honesto. Vou ser pessimista e dizer que as redes sociais podem ajudar pouco à criação, manutenção e reinvenção da intimidade – aquela que eu julgo que nos leva para os prazeres do sexo e de estar com outro(s) de uma forma inteira e sensualmente honesta. A intimidade nas redes sociais, poderá ser pouco íntima?


16 opinião

18.4.2018 quarta-feira

O progresso “The Cold War mentality and zero-sum game are increasingly obsolete. Only by adhering to peaceful development and working together can we truly achieve win-win results. China’s door of opening up will not be closed and will only open up even wider. We should respect each other’s core interest and major concerns and follow a new approach to state-to-state relations, featuring dialogue rather than confrontation. We live in a time with an overwhelming trend toward openness and connectivity.” President Xi Jinping

O

colossal progresso da China nas últimas décadas apanhou muitos analistas ocidentais de surpresa. Os que previam um futuro pessimista para o país acabaram por estar errados. A China é a maior economia do mundo em termos de “Paridade de Poder de Compra (PPC) ” (método para se calcular o poder de compra de dois países), com a maior classe média do mundo, reservas cambiais, classe proprietária e número de turistas que passeiam pelo exterior. A China também é o líder mundial em energia renovável em termos de investimento e produção, e do multilateralismo e globalização. A China tem a sua parcela de problemas, alguns dos quais são sérios e exigem soluções cuidadosas, mas o sucesso geral do país ao longo destes anos é incontestável. A que se deve este sucesso? Alguns estudiosos afirmam que é devido ao “Investimento Estrangeiro Directo (IDE)”. O “Relatório dos Investimentos Mundiais de 2017”, publicado pela “Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED), classifica a China como sendo o segundo maior recebedor de IDE do mundo, ultrapassado apenas pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido. A recepção de IDE é parte da política de abertura da China ao mundo, e em 2016 foi de cento e trinta e três mil milhões de dólares, enquanto os fluxos de IDE da China para o exterior foram de cento e oitenta e três mil milhões de dólares. É de realçar que a Europa Oriental recebeu muito mais IDE em termos per capita; outros analistas afirmam que é devido a uma abundância de mão-de-obra barata, mas a Índia e a África fornecem ofertas menos dispendiosas; alguns afirmam que é devido a um estilo de governo autoritário, mas governos denominados de autoritários abundam na Ásia, na África, na América Latina e no mundo árabe sem o mesmo nível de sucesso que a China. Se essas explicações por si só se revelarem insuficientes para explicar como a China alcançou o seu êxito, deve-se procurar em outros lugares as respostas. Em essência, tem a ver com a natureza fundamental da China como Estado e o seu modelo de desenvolvimento.

A China não é uma Alemanha Oriental alargada, nem é qualquer outro estado socialista comum. É um Estado civilizatório, indubitavelmente talvez o mais singular, uma vez que é o único país do mundo com uma história de Estado unificado por mais de dois mil anos. É também a única civilização do mundo a durar continuamente por mais de cinco mil anos, reunida em uma grande nação moderna. Qualquer país deste tipo é obrigado a ser exclusivo. A China é uma amálgama de quatro factores, ou seja, uma população enorme, um território super dimensionado, tradições longas e uma cultura extremamente rica. A China possui uma população maior que as populações totais da União Europeia, Estados Unidos, Rússia e Japão. O “Festival da Primavera da China” que se realiza anualmente, tem uma média de mais de três mil milhões de viagens nas vastas redes de transporte do país, o que equivale a mover as populações das Américas, Europa, Rússia, Japão e África de um lugar para outro em menos de um mês, o que serve de alguma forma para descrever a grandeza do país, bem como os desafios e oportunidades que se esperam. Os mais importantes líderes da China moldaram em grande parte o progresso do país, bem como o seu modelo único de desenvolvimento, do qual alguns remédios podem ser inspiradores. A filosofia orientadora do país é a de procurar a verdade a partir dos factos. Esse antigo conceito chinês foi revivido por Deng Xiaoping, o arquitecto do programa de reforma da China, após a revolução cultural de 1966 a 1976. Deng acreditava que os factos, emanados do Oriente ou do Ocidente, deveriam servir como critério último para estabelecer a verdade. Ao examinar os factos contemporâneos, a China concluiu que nem o modelo soviético de comunismo, nem o sistema ocidental de democracia liberal poderiam realmente habilitar um país em desenvolvimento a alcançar a modernização. A China decidiu explorar o seu caminho de desenvolvimento e, em 1978, adoptou uma abordagem pragmática de tentativa e erro para o seu programa maciço de desenvolvimento. Tal decisão constitui o fundamento filosófico do modelo da China que é o de colocar os meios de subsistência das pessoas em primeiro lugar, como conceito tradicional na governança política chinesa. Deng deu prioridade à erradicação da pobreza como principal objectivo nacional e prosseguiu uma estratégia realista. A reforma da China começou no campo, dado que a maioria dos chineses eram habitantes rurais. O sucesso dessas reformas iniciais colocou a economia chinesa em movimento e provocou uma reacção em cadeia, levando ao surgimento de milhões de pequenas e médias empresas, que imediatamente representaram mais de metade da produção industrial da China, preparando o caminho para a rápida expansão de indústrias manufactureiras e comércio exterior. A atenção da China para colocar os meios de subsistência das pessoas em pri-

meiro lugar pode ter implicações positivas a longo prazo de forma a ampliar e melhorar os direitos económicos, sociais e culturais do povo. A natureza gradual da reforma é outro aspecto crucial do desenvolvimento do país, pois dado o seu tamanho e complexidade, Deng estabeleceu uma estratégia prudente descrita como “Atravessar o rio sentindo as pedras”, o que significa que mesmo que a China estivesse a avançar em novas direcções, precisava de permanecer com os pés assentes no chão, melhorar, sentir o caminho a seguir, mesmo no meio da incerteza e dessa forma incentivar a experiência em todas as grandes iniciativas de reforma, uma abordagem exemplificada pelas zonas económicas especiais da China, nas quais as novas ideias, como a venda de terrenos, empreendimentos conjuntos de alta tecnologia e uma economia orientada para a exportação foram testadas. Apenas quando as novas iniciativas estão provadas

como aptas a funcionar, devem ser alargadas a todo o país. A China rejeitou a terapia de choque e trabalhou através das suas instituições, imperfeitas, gradualmente reformando-as para melhor servir o desenvolvimento e a modernização do país. A China tentou combinar a força da mão invisível do mercado com a mão visível da intervenção estatal para corrigir as falhas do mercado no que se tornou conhecido como a economia de mercado socialista. À medida que as forças do mercado foram libertadas pela mudança económica tremenda da China, o estado chinês garantiu a macro estabilidade política e económica, afastando o país das catástrofes financeiras em 1997 e 2008. O governo, actualmente, está a procurar uma estratégia para promover as energias renováveis ​​e abraçar a nova revolução industrial e científica. O modelo de economia mista não é perfeito, mas desde a sua criação


opinião 17

quarta-feira 18.4.2018

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

da China

em 1992, a China é a única grande economia mundial que não sofreu crises financeiras ou económicas, enquanto o padrão de vida das pessoas está a aumentar de forma mais rápida que em qualquer outro lugar do mundo e a sua contribuição para o crescimento da economia mundial é maior que a dos Estados Unidos, Europa e Japão, em conjunto. O modelo não é perfeito, mas está a melhorar mais que outros modelos, quiçá inclusive que o do Ocidente. A transformação da China foi liderada por um Estado visionário e orientado para o desenvolvimento. O Estado chinês é capaz de moldar o consenso nacional sobre a necessidade de reformas e modernização e garantir a estabilidade política e macroeconómica global, bem como procurar objectivos estratégicos difíceis, como a aplicação da reforma das empresas estatais e do sector financeiro e estimular a economia contra a desaceleração global e que tem origem em uma tradição confuciana

de um Estado forte e benevolente apoiado pela meritocracia a todos os níveis. É de considerar que apesar das suas fraquezas, ao longo das últimas quatro décadas, o Estado chinês presidiu ao crescimento económico mais rápido e à melhoria dos padrões

A China não é uma Alemanha Oriental alargada, nem é qualquer outro estado socialista comum. É um Estado civilizatório, indubitavelmente talvez o mais singular, uma vez que é o único país do mundo com uma história de Estado unificado por mais de dois mil anos

de vida na história humana, e os principais inquéritos independentes, incluindo os da “Pew Research Center (PEW)”, que é uma organização não partidária que informa o público sobre as questões, atitudes e tendências que moldam o mundo, realizando pesquisas de opinião pública, demográfica, análise de conteúdo e outras no âmbito das ciências sociais orientadas a dados e que não tomam posições políticas e da “Ipsos”, que é uma organização que realiza estudos sobre pessoas, mercados, marcas e sociedade, fornecendo informações e análises que tornam o mundo complexo mais fácil e rápido para navegar e inspira os destinatários a tomar decisões mais inteligentes assim revelam. Ambas as organizações mostraram um padrão consistente no qual as autoridades chinesas tiveram um alto grau de respeito e apoio no país. A pesquisa da “Ipsos”, em 2016, mostra que 90 por cento dos chineses ficaram

satisfeitos com o rumo que o país estava a levar, enquanto apenas 37 por cento dos americanos e 11 por cento dos franceses disseram o mesmo para os seus respectivos países. Segundo a pesquisa as pegadas dos turistas chineses foram encontradas em todos os cantos do mundo entre 2014 e 2016. As cidades asiáticas ainda eram os destinos mais escolhidos pelos turistas chineses (77,67 por cento), seguidos das cidades europeias (32,07 por cento) e das cidades americanas (20,29 por cento). A Coreia do Sul e o Japão eram os destinos mais populares na Ásia, seguidos por cidades no sudeste da Ásia. Na Europa, a França, Grã-Bretanha e Itália foram os mais visitados e, na América, os Estados Unidos. As cidades com voos directos foram mais visitadas pelos turistas chineses. A reputação dos voos também teve um impacto directo em excursões para esses destinos. A Ásia é a escolha preferida dos turistas chineses, mas à medida que o seu rendimento aumentava, tendiam a escolher viagens de média e longa distância, primeiro para a Europa, depois para a América, Oceânia e África. A pesquisa mostrou que, embora o número absoluto de turistas chineses para a África fosse pequeno, o crescimento era proeminente. As dez cidades que os turistas chineses escolheram para viagens de curta distância, em 2016, foram Seul, Bangkok, Tóquio, Osaka, Nagoya, Ilha de Jeju, Singapura, Incheon, Kobe e Nara e as dez cidades que os turistas chineses escolheram para viagens de longa distância foram Paris, Londres, Sydney, Los Angeles, Roma, Nova Iorque, Washington, São Francisco, Melbourne e Veneza. Descrever a política da China como falta de legitimidade ou mesmo à beira do colapso, como por vezes aparece nos meios de comunicação social, é estar fora de contacto com a realidade da China. A experiência chinesa, desde 1978, mostra que o teste final de um bom sistema é até que ponto pode garantir a boa governança julgada pelas pessoas. A dicotomia sagrada da democracia versus a autocracia é por vezes vazia no mundo complexo que vivemos, dado o grande número de democracias mal governadas em todo o mundo. A experiência da China pode, eventualmente, criar uma mudança paradigmática no discurso político internacional longe dessa dicotomia antiga para uma nova, de boa versus má governança, na qual a boa governança pode parecer um sistema político ocidental ou um não -ocidental. De igual forma, a má governança pode assumir a forma do sistema político ocidental ou não. Em resposta ao politólogo americano, Francis Fukuyama, autor do livro “The End of History e Last Man”, actualmente não se vive o fim da história, mas o fim do fim da história, não sendo apenas bom para a China, mas beneficiando o Ocidente e o mundo, dado que se pode explorar conjuntamente novas formas e melhor governança e desenvolvimento no interesse da humanidade.


18 (f)utilidades

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

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EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” Estudio City Macau

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SALA 1

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RAMPAGE [C]

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Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

O CARTOON STEPH 56 DE

SECRET SUPERSTAR [B] FALADO EM HINDI COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Advait Chandan Com: Aamir Khan, Zaira Wasim 14.30, 17.30, 20.30

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SALA 3

4 6 3 5 2 1E 7 4 1 7 5 6 2 3 4 7 2 1 3 6 5

6 4 7 2 1 M 5 A 3 1 4 6 3 2 5 7 3 6 7RAMPAGE 4 5 2 1

TOMORROW IS ANOTHER DAY [C] FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS Filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Ray Lui, Bonnie Xian 14.30, 16.30, 19.30

READY PLAYER ONE [B] Um filme de: Steven Slpielberg Com: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, T.J. Miller 14.30, 19.00, 21.30

BAHT

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YUAN

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FOI BOM56SENSO?

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EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” Galeria Tap Seac | Até 17/06

7 3 2 1 6 4N 5

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EXPOSIÇÃO “PINACOTROCA” DE RODRIGO DE MATOS Creative Macau | Até 21/04

3 1 5 2 5 7 2 1 1 4 6 5 7 3 4 6 4 5 3 7 Cineteatro C I 6 2 7 3 2 6 1 4

EURO

VIDA DE CÃO

MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM | Até 13/5

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 56

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PROBLEMA 57

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Finalmente, o Governo decidiu recuar na proposta idiota de cobrar aos trabalhadores não residentes tarifas mais elevadas nos autocarros, deixando cair a distinção entre quem tem Bilhete de Identidade de Residente (BIR) e quem tem ‘blue card’. Não sei quem inverteu a marcha – que tem contornos perigosos nos tempos que grassam –, mas também deixou de interessar. O que espero, sinceramente, é que tenha efectivamente havido um resquício de bom senso, prova de que há ainda quem esteja do lado certo, mas faltam certezas se assim foi, algo que não deixa de ser relevante. Isto porque um dos argumentos 58 utilizados pelo Governo para que todos continuemos a ser iguais quando entramos num autocarro tem que ver com os elevados gastos operacionais que implicaria pôr em prática sistemas de pagamento diferentes. Ora, com tantos problemas no sistema de transportes públicos, em particular, relacionados com os autocarros, é mais do que tempo de pensar realmente nas prioridades que, neste particular, são mais do que muitas, e deixar os trabalhadores não residentes em paz. Diana do Mar

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S U D O K U

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UM FILME 3 1 5 6HOJE 7 2 4 7 6no livro 2 infantil 3 de1Munro4 Baseado Leaf, o filme de animação “Fer1 5do realizador 4 7 brasileiro 6 3 dinand”, Carlos Saldanha, conta a história 5 que7 de2um 3 touro 1 meigo4e dócil nunca sonhou em ir para a arena 5 7 3 2 4 6 ao contrário do que era suposto no seu país: Espanha. Após a morte do 6 4 7 1 2 5 pai, foge e acaba por ir parar uma quinta, onde 6 anda 5 livre e3ganha 4 2 1 uma família de humanos, que o trata como um verdadeiro animal doméstico, apesar da sua aparência 60besta. Uma série de peripécias de faz com que volte à casa de touros onde nasceu e que venha a ser seleccionado para uma tourada em Madrid, onde, fiel ao seu princípio de não lutar, mostra que o touro nem sempre perde. Diana do Mar

2 3 7 1 6 5 3 7 4 5 1 2 6 2 3 4 5 6 www. 7hojemacau. 4 1 com.mo

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FERDINAND | CARLOS SALDANHA | 2017

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6 5 1 4 3 2 4 7 5 6 2 1 4 7 6 3 Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 1Propriedade 4 Fábrica 7 de 5 Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 7José 1Valério3Romão Colunistas 2 António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia Fonseca; dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 2deSantoredacção 3 e Publicidade 5 6Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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ócios/negócios 19

quarta-feira 18.4.2018

ALL FAMA RESTAURANTE

A partir de sexta-feira vai ser possível saborear na Taipa um prego no pão com foie gras. A apresentação é simples e cuidada e o sabor surpreendente. O All Fama é um lugar novo que oferece uma opção requintada e acessível a todos

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All Fama é o resultado de uma amizade entre pessoas que desejam partilhar pratos, sabores e conversas. Telmo Gongó, Marco Policarpo e Victor Martires são os sócios do novo espaço de comes e bebes na Taipa que tem abertura oficial marcada para a próxima sexta-feira.  No espaço, sito na rua Fernão Mendes Pinto, existia uma coffe shop que foi reestruturado para incluir a imagem e os produtos da casa. Uma das ideias principais ideias que guiaram a remodelação foi vincar que este não será apenas mais um espaço dedicado à comida portuguesa. "Macau tem muitos restaurantes portugueses, há muitos sítios para comer comida portuguesa e macaense, mas um dos nossos objectivos, e que definimos desde logo, é que este não seria mais um restaurante comum”, começa por dizer o chef Telmo Gongó, ao HM. Uma das filosofias centrais do espaço é a promoção da diversidade. “Queremos um espaço em que as pessoa possam saborear vários paladares da comida portuguesa sempre com um toque de autor", refere o responsável pela cozinha. Para que não haja dúvidas Gongó explica: “aqui, a intenção não é chegar e pedir a tradicional entrada e refeição individual. O objectivo é a partilha também de sabores. As pessoas podem se sentar e ter vários sabores portugueses à frente como os petisquinhos em porções

FOTOS FACEBOOK

Pratos com toque de autor

pequenas e depois, então, dividirem uma refeição principal”, avança.

FAMA MUITO PORTUGUESA

Para quem conhece Portugal ou já ouviu falar, o bairro de Alfama não passa despercebido e foi com este “símbolo” lisboeta em mente que o nome do novo restaurante na Taipa foi escolhido. O trocadilho foi feito de modo a dar a ideia de fama, característica que os três responsáveis anseiam que venha a definir o projecto e que vai de encontro à popularidade do bairro que lhe deu nome. “Alfama é um bairro muito famoso e acho que o restaurante vai ter potencial para o ser também”, apontou o chef. Já para Marco Policarpo “o nome combina também com a excelente comida portuguesa que aqui vamos ter", referiu. O All Fama é feito para todos. “Estamos na Ásia e este será um restaurante de partilha em que toda a gente é bem-vinda", diz Telmo Gongó. A acompanhar a comida portuguesa não vão faltar sabores que misturam ingredientes mais populares na Ásia. "Vamos ter, por exemplo, camarões com mel e gengibre", revela Gongó adiantando que o objectivo é ter “um lugar de comida portuguesa com sabores com que os locais se vão identificar”. No que respeita à carteira, a opinião dos três sócios é unânime: “estamos abaixo da média de preços que se pratica nos restaurante portugueses no território”, dizem em uníssono.

A UNIÃO FAZ A FORÇA

O restaurante vai aglomerar as mais valias da experiencia anterior dos três sócios. Telmo Gongó, chef, estrutura a cozinha e o menu e é o responsável pela formação do pessoal,

“Estamos na Ásia e este será um restaurante de partilha em que toda a gente é bem-vinda” TELMO GONGÓ

até porque “num espaço em que trabalham pessoas de várias nacionalidades é preciso trabalhar em conjunto de modo a que a equipa esteja dentro do objectivo da casa e dar o melhor a comer aos seus clientes”. Policarpo, experiente na área da restauração local, traz todas as vantagens de quem gere restaurantes há muito. O responsável considera que Macau está bem fornecido quando se fala de distribuição dos melhores produtos alimentares. No que respeita à formação de pessoal e acompanhamento logístico, apesar das dificuldades, “é com o trabalho, com treino e presença que se consegue construir uma boa equipa de trabalho".

All Fama, Genuine Portuguese Taste • Rua de Fernão Mendes Pinto, 94, Edifício Nam Iong, R/C F, Taipa • Tel: 28576062

Victor Martires, responsável por uma empresa de distribuição de produtos portugueses, especialmente vinhos e queijos, contribuirá com a qualidade que está habitado a comercializar e que vai trazer para o All Fama. Para a abertura oficial, na sexta-feira, está programada uma pequena celebração ao final da tarde. "Vamos fazer um soft opening em que pretendemos apresentar às pessoas um pouco do que temos para oferecer" e quem, sabe, proporcionar algumas surpresas, apontou Policarpo. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


Os homens erram, os grandes homens confessam que erraram.

Voltaire

COMÉRCIO PAÍSES AFRICANOS COM ACESSO DIFICULTADO AOS MERCADOS

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Teremos sempre Paris PE aprova regulamento sobre emissões de gases com efeito de estufa

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Parlamento Europeu (PE) aprovou ontem um regulamento sobre as reduções anuais obrigatórias das emissões de gases com efeito de estufa pelos estados-membros da União Europeia (UE) entre 2021 e 2030, e outro relativo à gestão das florestas. Em sessão plenária, em Estrasburgo (França), o PE aprovou, por 343 votos a favor, 172 contra e 170 abstenções, uma nova legislação que estabelece metas vinculativas para a redução das emissões de CO2 pelos estados-membros, englobando os transportes, os resíduos, os edifícios e a agricultura. Os objectivos nacionais de redução das emissões foram fixados sobretudo com base no PIB per

capita, com vista a garantir a equidade, variando entre 0 por cento na Bulgária e -40 por cento no Luxemburgo e na Suécia. Em relação a Portugal, o objectivo de redução foi fixado em -17 por cento em 2030, em comparação com 2005. As novas regras aplicam-se aos sectores não abrangidos pelo regime de comércio de licenças de emissão da UE, como os transportes, os resíduos, os edifícios e a agricultura, que representam cerca de 60 por cento das emissões europeias. As metas nacionais deverão contribuir para que o bloco comunitário atinja uma redução de 30 por cento nestes sectores em 2030. Os eurodeputados aprovaram também, por 574 votos a favor, 79 contra e 32 abstenções, um regulamento relativo

ao uso do solo, à alteração do uso do solo e às florestas, destinado a assegurar que as emissões e remoções geradas por este sector sejam tidas em conta entre 2021 e 2030. O regulamento estipula que todos os estados-membros terão de garantir que as emissões provenientes deste sector são equilibradas e define um método de contabilização das emissões associadas ao uso do solo e às florestas. Os dois regulamentos visam implementar os compromissos decorrentes do Acordo de Paris sobre o combate às alterações climáticas, com o objectivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em, pelo menos, 40 por cento até 2030, em comparação com os níveis de 1990.

Vandalismo Instituto Cultural encaminha caso envolvendo escultura de Camões para a PSP

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O Instituto Cultural (IC) anunciou ontem que a escultura do autor d’ “Os Lusíadas”, localizada na Gruta de Camões, no jardim com o mesmo nome, foi pintada, “afectando negativamente a aparência exterior do busto e a imagem geral do sítio onde se encontra”. O caso de vandalismo foi encaminhado para a PSP, indicou o IC,

quarta-feira 18.4.2018

LITERATURA ANDREW SEAN GREER VENCE PULITZER DE FICÇÃO

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director adjunto de estudos económicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou ontem que as ramificações de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China podem dificultar o acesso dos países africanos aos mercados financeiros. “Ainda é demasiado cedo para aferir as implicações em África de uma eventual guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, mas apesar de o efeito directo ser muito limitado, há a questão de como os mercados financeiros lidam com este tema, e isso pode afectar o acesso aos mercados financeiros e ser um desafio para os países que pretendem recorrer aos mercados”, disse Malhar Nabar. Na conferência de imprensa que decorreu ontem em Washington, Malhar Nabar comentou as previsões de crescimento para a África subsaariana, que se mantêm em 3,4 por cento para este ano e 3,7 por cento para 2019, considerando que “as condições financeiras acomodatícias beneficiam o acesso a mercados financeiros para países como a Costa do Marfim ou o Senegal”. No entanto, acrescentou, subsistem grandes desafios, “principalmente para os países exportadores de matérias-primas, que precisam de diversificar as suas economias para outros sectores e implementar políticas que encorajem o crescimento e diminuam as restrições que existem”.

PALAVRA DO DIA

dando conta de que será dado início, o mais rápido possível, aos trabalhos de reparação, com vista a recuperar a aparência original da escultura no mais curto prazo possível. “O IC condena fortemente o tratamento inadequado de peças do património cultural de Macau e volta a advertir o público que a execução

de inscrições ou de pinturas em bens imóveis classificados constitui uma violação directa do disposto no artigo 35.º da Lei n.º 11/2013 – Lei de Salvaguarda do Património Cultural”, refere o organismo em comunicado, reiterando que actos de vandalismo de bens imóveis classificados constituem ilícito criminal.

escritor norte-americano Andrew Sean Greer venceu o Prémio Pulitzer de ficção com o romance “Less”, sobre as aventuras de um idoso homossexual, considerado pelo júri um livro generoso, musical e expansivo, sobre a velhice e o amor. “Um livro generoso, musical na sua prosa e expansivo na sua estrutura e alcance, sobre envelhecer e a natureza essencial do amor”, disse o júri, durante a atribuição dos Pulitzer, na segunda-feira à noite, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. O livro de Andrew Sean Greer narra a vida de Arthur Less, um romancista fracassado prestes a fazer 50 anos, que sai da cidade para fugir ao casamento do seu ex-namorado, embarcando numa viagem de mudança de vida, à volta do mundo. Ainda na literatura, o Prémio Pulitzer 2018 para drama distinguiu “Cost of living”, de Martyna Majok, um “trabalho honesto e original, que convida o público a analisar diversas percepções de privilégio e de conexão humana, através de dois pares de indivíduos incompatíveis: um ex-camionista e a sua ex-mulher recentemente paralisada e um jovem arrogante com paralisia cerebral e seu novo cuidador”. Na poesia, o Pulitzer foi para “Half-light: Collected Poems 1965-2016”, de Frank Bidart, que o júri considerou ser um “volume de ambição inflexível e alcance notável, que mistura longos poemas dramáticos com pequenas letras elípticas, construindo a mitologia clássica e reinventando formas de desejos que desafiam as normas sociais”. Na música, o grande vencedor foi o ‘rapper’ Kendrick Lamar – que se tornou, assim, o primeiro artista de ‘rap’ a vencer este prémio -, com o álbum “DAMN”, lançado em 14 de Abril de 2017, “uma colectânea de músicas virtuosas unidas pela autenticidade vernacular e pelo dinamismo rítmico, que captam a complexidade da vida afro-americana moderna”.

Hoje Macau 18 ABR 2018 #4033  

N.º 4033 de 18 de ABR de 2018

Hoje Macau 18 ABR 2018 #4033  

N.º 4033 de 18 de ABR de 2018

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