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Agência Comercial Pico • 28721006

hojemacau Mop$10

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Director carlos morais josé • sexta-feira 18 de fevereiro de 2011 • ANO X • Nº 2312

tempo chuva dispersa min 12 max 16 humidade 75-95% • câmbios euro 10.95 baht 0.26 yuan 1.23

Prostitutas pouco sabem sobre SIDA e preservativos

Inimigo púbico

Um estudo sobre o conhecimento da SIDA por parte das prostitutas de Macau revela que 21,3% nem sequer sabem para que serve um preservativo. Outras 67,5% acham que há uma vacina, enquanto 69,5% estão confiantes que a doença é curada através de medicamentos. A pesquisa, publicada no “Asian Journal of Social Psychology”, diz que o Governo dá mais atenção à gripe A do que ao HIV. > Página 8

h

Ilha Verde Tudo o tractor levou A proposta de audição dos democratas para apurar as responsabilidades na polémica demolição das barracas foi ontem chumbada na AL. Mais sorte teve os aumentos salariais para a função pública, aprovados por unanimidade. > Página 4

comunismo regressa no

Tabaco Isto não é um cigarro Democratas acusam Governo de ter cometido erro intencionalmente na Lei do Tabaco. Associações de empregados dos casinos lançaram uma petição para medir a alteração no diploma, enquanto a SJM diz estar disposta a chegar a um consenso. > Página 6 pub

Habitação

sobe, preço, sobe... • Páginas 5 e 9

Japão Martin Chung Chi-Kei

vergonha trava paz • PÁGINAS 2 e 3


sexta-feira 18.2.2011 www.hojemacau.com.mo

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Martin Chung Chi-Kei põe o dedo na ferida sino-japonesa

António Falcão

O

antonio@hojemacau.com.mo

“Somos vítimas, não somos?” Este foi o tema de mais um fórum do Instituto Ricci, que trouxe para o pequeno auditório a discussão de um dos temas mais melindrosos da história chinesa: o Massacre de Nanjing transtorna a perspectiva de uma reconciliação efectiva. A porta para o passado está longe de ser fechada. Durante cerca de 50 minutos, Martin Chung ChiKei, académico macaense especializado em assuntos europeus e actualmente a leccionar em Hong Kong, abordou a questão e apontou caminhos para um possível desanuviamento. No palco, o Holocausto europeu e a relação judaicoalemã como exemplo claro de um processo de “despub

公告ANÚNCIO HM-2ª Vez 18-02-2011 簡易執行栽判案 第 PC1-05-0117-COP-A Execução Sumária de Sentença n.º

號 輕微民事案件法庭 Juízo de Pequenas Causas Cíveis

---EXEQUENTE: CHEUNG WO SIN, residente em Macau, na Avenida Conselheiro Borja, n.º 515, 1º andar.--------------------------------------------------------------------------------------EXECUTADO: TAM VEI LUN, residente em 澳門南灣街3號17樓L座; em 澳門風順堂街 44至46號順盈台2樓C座 e em 南灣大馬路9號恆昌大廈6樓C座.-----------------------------------*** ---Nos autos supra identificados, foi designado, o dia 04 de Março de 2011, pelas 10:00 horas, neste Tribunal, para a venda por meio de propostas em carta fechada, o bem penhorado abaixo identificado.----------------------------------------------------------------------------------* QUOTA DA SOCIEDADE PENHORADA Denominação: $30.000,00 (com o capital de MOP$100.000,00) da Companhia de Investimento Predial Wan Iak, Limitada.-----------------------------N.º de Registo Comercial: 6784SO (fls. 107v, livro C17)------------------------------------------Sede: Rua da Praia Grande, n.os 3-7, Edifício Kam Fai, 17.º andar “L”, Macau.-------------------------------------------------------------------O valor base da venda: MOP$21,000.00 (Vinte e Uma Mil Patacas)-----------------------*** ---O preço das propostas devem ser superior ao valor da base da venda acima indicado.---------Os interessados na compra devem entregar a sua proposta em carta fechada, com indicação nos envelopes das propostas, a seguintes expressão “PROPOSTA EM CARTA FECHADA”, “JUÍZO PEQUENAS CAUSAS CÍVEIS” e o “PROCESSO NÚMERO: PC1-05-0117-COPA”, na Secção Central deste Tribunal, até o dia 03 de Março de 2011, 17H45 horas, podendo os proponentes assistir ao acto da abertura das propostas.---------------------------------------*** ---Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação da Quota supra referido, podem, querendo, exercerem o seu direito no próprio acto da abertura das propostas e se alguma proposta for aceite, nos termos do art. 787º do C.P.C.---------------------------------------------***** R.A.E.M., aos 10 de Fevereiro de 2011.

vitimização” ocorrido ao longo dos anos, do qual se retirou o peso histórico e se abriu um caminho pacífico para o presente. Navegando entre a tensão e a verdade, Martin Chung pegou na historiografia traumática e explicou o seu conceito de auto-vitimização nacionalista como fonte do conflito. Será a desavença sino-japonesa um problema de comunicação ou uma questão cognitiva que impede que o conhecimento vá mais além, bloqueando a percepção da realidade? Para muitos chineses a missiva passa pelo arrependimento japonês que nunca se revelou – não como na Europa – deixando, por isso, a ferida sempre aberta. Em Israel, acompanhando um grupo de académicos chineses com o objectivo de estudar o Holocausto, Martin Chung Chi-Kei ouviu a melhor alusão ao problema: “Como se pode ensinar o Holocausto sem ensinar o ódio?”, perguntou um dos seus colegas. A resposta estava pronta: “Do mesmo modo que explicamos a uma criança, quando é mordida por um cão, que não pode morder da mesma maneira.” No fundo é tudo uma questão de aprendizagem. Existe uma longa disputa nas relações entre o Japão e a China, que não vem apenas das guerras sinojaponesas. Há algo lá no fundo que suporta todo o conflito e esta tentativa para explicar as questões de hoje – como o recente caso das ilhas Diaoyu, não é mais do que o simples pretexto para voltar a ouvir a cantiga do passado. Concorda? A maneira como o vejo, na questão das ilhas, é um sintoma de um problema mais profundo

António Falcão | bloomland.cn

episódio das ilhas Diaoyu, que opôs a China e o Japão, não foi mais do que a gota de um oceano sem fim à vista. Na verdade, surgiu como mero pretexto para levantar a tampa de um alçapão sempre em burburinho que, como uma doença, acentua os ecos de um passado repleto de tormentos. As dissonâncias entres os dois Estados recaem de modo sintomático nas guerras sino-japonesas e em particular no Massacre de Nanjing, ocorrido em 1937, quando o exército japonês, cometendo as maiores atrocidades, aniquilou mais de 200 mil pessoas – um número também ele em discussão – na grande maioria inocentes. Esta é a maior espinha na história dos dois países e que

actual

“É necessário deixar fugir o passado, para que a realidade de hoje se componha. É uma missão mútua de ambos os lados” no relacionamento entre os dois países. Claro que há danos que surgem das guerras sino-japonesas, especialmente do Massacre de Nanjing. São memórias muito penosas que ainda não estão digeridas. É isto que gostaria de fazer, encontrar maneiras de poder lidar com estas memórias. Não é que tenha a ver com o tempo actual. Em que alguém como eu, um japonês, vá entrar em conflito comigo só por ser chinês. Na verdade nem nos conhecemos, mas tenho a certeza de que podemos falar e discutir as coisas

em conjunto. Mas quanto ao passado é algo que não está suficientemente resolvido. E isso é um grande obstáculo. Que soluções existem para resolver esta discórdia no futuro? O que tenho tentado fazer, desde 2005 quando comecei a pesquisar sobre este problema, é aprender com a experiência europeia. Muitas vezes o Japão e a Alemanha têm sido colocados lado a lado como estudo comparativo, mas penso que algumas dos acontecimentos e das memórias não são de todo comparáveis, são injustas e sem qualquer

base científica. O que pretendo é fazer este tipo de alusão de um modo mais expressivo para que no fundo nos possa ajudar a encontrar um rumo. Assim avancei para as relações sem estar apenas a comparar os países. Como as relações judaicoalemãs e as relações sino-japonesas. É algo que se pode demonstrar com o exemplo polacoalemão. Em vez de focar o problema na nação talvez existam alguns problemas que possam ser partilhados por ambos os lados no sentido do seu relacionamento. Foi assim que cheguei a esta ideia de nacionalismo de auto-vitimização como o problema entre os japoneses e os chineses. Na prática significa que existe algo que os japoneses têm de fazer mas que também cabe aos chineses fazê-lo. De que modo o Massacre de Nanjing, como exemplo maior, pode permanecer um entrave na abertura das relações. Será possível olhar para este acontecimento com outros olhos? Não será apenas um pretexto para uma competição territorial? Sim, o uso do Massacre de Nanjing é uma memória que é usada da mesma forma que a do Holocausto. Muitos têm criticado a sua manipulação, especialmente por regimes políticos. Sim, na realidade a dureza destas memórias podem ser manipuladas, e de facto é o que tem acontecido, mas não quer dizer que o problema real do relacionamento entre os povos e o real problema da justiça e da verdade


Qualquer televisão constitui uma mais-valia incalculável em qualquer sítio do mundo, em qualquer sociedade, com não importa qual regime. Em todo lado? Não. Há um pequeno território onde a televisão não tem importância e não se percebe se é desprezo ao media ou aos espectadores. A recente nomeação para a cabeça da TDM não esclarece. Mas com certeza que aqui estaremos para assistir às cenas dos próximos capítulos. Carlos Morais José, P.17

percam o significado apenas porque estas memórias estão a ser manipuladas. É uma manipulação que existe dos dois lados? Certamente, o que quero focar é a maneira como os regimes políticos, como o partido comunista chinês, têm usado erradamente esta memória só para mostrar a sua legitimidade. Sim, existem muitas provas sobre esse aspecto. Mas quero direccionar as atenções para o povo chinês, especialmente para os intelectuais, no modo como ajudaram a suportar este processo. Infelizmente a minha pesquisa demonstrou muito pouco do tipo de “desvitimização” que ocorreu na Europa a acontecer aqui na China. De certo modo é preciso olhar para o povo chinês por um outro prisma. E é um estudo que tem de ser continuado. Qual é a verdade que está lá no fundo? Penso que quando se questiona o que é a verdade, especialmente em acontecimentos históricos, pode sempre analisar-se as suas várias faces. Por um lado pode-se mostrar os factos. Quantas pessoas morreram, como morreram e tudo o resto. Ou podemos falar sobre o significado da verdade. De como as pessoas tiram o sentido disto. E finalmente podemos falar da verdade em termos

de memória. As pessoas lembram-se de terminado acontecimento, pode não ser totalmente verdadeiro, mas os sentimentos são autênticos e as memórias também. Às vezes é problemático quando estas três verdades são misturadas e se tenta discutir. Por um lado pode critica-se que a lembrança não é exacta. No entanto querem que ela faça sentido para as gerações futuras. O essencial é que antes de começar a discussão, é preciso uma organização que permita avançar para a maneira como se aborda o assunto. Vamos garantir um lugar para as memórias? Vamos garantir um espaço para a pesquisa científica? Vamos garantir um lugar para as pessoas que procuram um significado na História? Penso que este será um começo para uma discussão plausível. É uma memória colectiva do povo chinês ou uma memória que escorre essencialmente do Estado que acaba por contagiar a opinião pública? Duvido que ao falar com qualquer chinês, seja dentro ou fora da China continental, ele não saiba o que é o Massacre de Nanjing. Está no cinema, está sempre nas notícias. Está em todo o lado. É sempre uma barreira para aliviar as relações com o Japão e abrir a passibilidade de reconciliação? A memória em si, não. Muitas vezes quando

se fala em reconciliação as pessoas pensam que se está a sacrificar a verdade, preferindo não abordar o assunto. Esse é um modelo que não encontro no caso judaicoalemão. Quantos livros são publicados todos os anos sobre o Holocausto, mesmo na própria Alemanha? É estupendo. Mas o que é interessante, apesar da memória e a dor estarem a ser discutidas continuamente, a relação entre ambas as partes não sai fragilizada por se abordar a verdade. Porque se chegou a um certo patamar de

relacionamento, entre judeus e alemães, que permite falar da verdade em conjunto sem ferir os sentimentos. É por aí que devemos ir, em vez de pensar “talvez seja melhor não nos lembrarmos disso, talvez seja melhor andar sem olhar para verdade”, isso nunca resultou. É sobretudo uma questão de honra para a China? Este é um problema que tento abordar. O problema da vergonha nacional, como um conceito organizacional tão poderoso que aglutina tudo o resto. Vejo-a como uma questão chinesa nesse sentido da vergonha nacional. Por exemplo, se eu, que perco o meu tempo a ler livros e a falar com as pessoas, e amanhã sou roubado por alguém que passa o tempo a treinar boxe, será que devo sentir vergonha de mim próprio e pensar “se calhar devia era praticar boxe em vez de ler livros”, claro que não. Mas agora parece ser esse o caso quando os chineses reflectem sobre o Massacre de Nanjing. Pensando também que “agora que torturaram as mulheres devemos ficar

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mais fortes”. Penso que há algo terrivelmente errado em tudo isto. E existe um ditado chinês que diz “Escolhe-se uma coisa boa, e tornamo-nos teimosos quanto a isso”. E é-se teimoso.” Não ficamos dependentes da situação, não ficamos dependentes do que os outros fazem. Pensamos que é bom e fazemolo. Penso que é preciso empregar estes valores chineses em vez da veneração pelo poder e querer ser rico e poderoso. Isso é errado. Será também uma forma de os chineses esquecerem o seu próprio passado, com todas as atrocidades cometidas por Mao Tsé-tung? De maneira nenhuma. O povo chinês lembra-se de todos esses passos errados que transbordam para um conceito de autovitimização. Não posso explicá-lo de um maneira muito curta, por isso é que faço uma palestra, mas sucintamente parece existir este padrão de pensamento de que pessoas comuns são todas vítimas, com toda esta Revolução Cultural, com a questão da praça de Tiananmen e o massacre de Tiananmen, de certo modo pensamos que somos todos vítimas em vez de pensarmos que talvez tenhamos feito alguma coisa e que continuamos a fazer que poderá ter contribuído pub

para isso. Tento traçar a raiz do problema na historiografia chinesa talvez exista lá no fundo algo que prove o contrário desta corrente de autovitimização, mas até agora encontrei mais dados que provam essa atitude do que o contrário. Como algo que existe há muitas gerações? Da maneira como estudamos a História, sim. De uma maneira geral as pessoas na China retraem-se a falar do seu passado, sem confrontar, por exemplo, toda a questão das milhões de mortes ocorridas sob o regime de Mao. Pelo contrário, encontro em Hong Kong muitos estudantes do interior da China que se abrem, discutindo o assunto e apontando os seus pontos de vista. Quando não o fazem é apenas porque se sentem ameaçados e porque têm medo. Eu também teria medo se estivesse na posição deles. Podia recear pela minha carreira, mas aqui em Macau podemos fazê-lo abertamente sem receios e devemos fazê-lo mais vezes. Chega-se então à conclusão que as ilhas Diaoyu não são mais do que um grão de areia. Creio que sim, é necessário deixar fugir o passado, para que a realidade de hoje se componha. É uma missão mútua de ambos os lados.


política

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AL | Incidentes das barracas e actualizações de ordenados com resultados diferentes

Polémica da Ilha Verde já não dá que falar Joana Freitas

“N

joana.freitas@hojemacau.com.mo

ão aprovada” com 19 votos contra, sete a favor e duas abstenções. A proposta de audição, ontem apresentada na Assembleia Legislativa (AL), debruçava-se sobre a questão das demolições ilegais das antigas barracas da Ilha Verde. Au Kam San, Ng Kuok Cheong e Paul Chan Wai Chi, os autores da moção entregue a 12 de Janeiro, pretendiam ver esclarecidas algumas dúvidas levantadas pelos acontecimentos e pretendiam que fossem atribuídas responsabilidades. Acusando o Instituto de Habitação e o Corpo de Polícia de Segurança Pública de terem sido tolerantes com os empreiteiros envolvidos na demolição das barracas, os três deputados põem de lado a questão de os moradores serem ou não merecedores de habitação pública. Para os três autores, as autoridades policiais tiveram atitudes de inércia, tanto na medida em que nada fizeram aquando das ameaças dos empreiteiros aos residentes, como em apenas terem registado as denúncias sob pressão sem terem tomado qualquer medida para por fim às infracções. A proposta de audição vai ainda mais longe e acusa a polícia de “conluio” com os empreiteiros quando “enganou intencionalmente os proprietários das barracas para que se ausentassem”. Já aos empreiteiros, atribuíram-se as culpas de “violência” não só na destruição das habitações, como também na falta de cuidado com a propriedade privada, protegida por lei, dos residentes (bens, mobiliário, documentação) que, defendem, deveria “ter sido registada e removida para um depósito”. A proposta faz ainda uma retrospectiva nos acontecimentos

kahon chan

A moção democrata que propunha uma audição pública à violência na demolição das barracas da Ilha Verde foi ontem chumbada na AL. Se alguns deputados acusam o Governo de “omissão”, outros defendem as demolições como forma de acelerar o ritmo da construção de habitações públicas. Au Kam San, um dos autores da proposta, fala em “conluio” e pondera ir mais longe – apelar à ONU faz parte dos planos

e relembra que o terreno da Ilha Verde, onde estavam as mais de 400 barracas, foi atribuído em 1989, na administração portuguesa, “à porta fechada e com dispensa de concurso público” a um empreiteiro, no sentido de se iniciar o primeiro plano de reconstrução de bairros antigos. No contrato, ficou definido que trabalhos de despejo, demolição das habitações e respectivas compensações ficariam a cargo do empreiteiro. O problema reside no facto de o terreno ter ficado vazio e não aproveitado durante 20 anos, período onde, normalmente, haveria intervenção do Governo. No entanto, em Outubro do ano passado, “sem o conhecimento da população”, o Governo chegou a um acordo de permuta com a empresa do empreiteiro, atribuindo-lhe outro lote e transferindo o dever de desocupar o terreno.

Sem razão de ser

“Carece de fundamentos sólidos” foi a expressão mais ouvida no plenário para justificar a não aprovação da proposta. Vong Hin Fai disse que o relatório “pecava por falta de fundamentos em temos formais porque entrava em incompatibilidade com alguns diplomas legislativos”. Já Tong Io Cheng caracterizou a proposta como um rol de “acusações graves e expressões subjectivas”. Os deputados “contra” consideraram que foram os residentes das barracas que afectaram os interesses de outros cidadãos e chegaram mesmo a

acusar os autores da proposta de estarem a atrasar o início da construção das 19 mil fracções programadas para a habitação pública, sendo algumas delas localizadas naquele terreno. Kwan Tsui Hang, que votou contra, chamou mesmo a situação de “dilema”, já que esta seria a primeira vez que iria ter lugar uma audição. Melinda Chan alertou para o facto de “não se saber ainda em que lado está a razão”, mas apoiou a ideia, uma vez que concorda com a necessidade as autoridades terem intervindo. Os deputados deixaram o aviso de que a reprovação desta proposta “não chama a atenção do problema” e de que, ao não serem definidas as deficiências naqueles acontecimentos mais episódios, mais problemas podem acontecer noutras zonas de bairros antigos. Au Kam San lamentou a reprovação da proposta e deixou o alerta de que a Associação Novo Macau pondera elaborar um parecer sobre o caso para ser entregue à comissão dos Direitos Humanos da ONU.

mais sorte

Contrariamente à da Ilha Verde, a proposta de actualização dos vencimentos e pensões dos trabalhadores da Administração Pública foi aprovada na totalidade. Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça, apresentou aos deputados o novo diploma que vai permitir aos trabalhadores dos serviços públicos passarem a receber salarialmente 6200 patacas, quer se encontrem ou não no activo,

ao invés das 5900 anteriormente definidas. Florinda Chan considera que o desenvolvimento sustentável de Macau ao longo do tempo “contou com a ajuda” destes funcionários e que esta actualização, que é a quarta desde a transferência, surge num momento em que a inflação influenciou de forma negativa a capacidade de poder de compra dos funcionários públicos. Foi geral o apoio à actualização, mas os deputados apontaram alguns senões, que passam por ser necessário “exigir um aumento no esforço dos trabalhadores, para que o trabalho seja notório”, considerou Mak Soi Kun, acrescentando que “tem de haver avaliações aos trabalhadores antes e depois da actualização”. Apesar de concordar com este aumento dos ordenados e de caracterizar esta como uma medida “transparente para que os funcionários sejam considerados parceiros do Governo”, José Pereira Coutinho criticou o facto de ainda não existirem mecanismos de actualizações sistemáticas no actual regime, o que devia existir de forma a que seja “a Administração a dar o exemplo” nesta matéria. Também a melhoria dos “serviços internos de queixa”, que permite que subordinados se defendam contra superiores, é “importante”, considera o deputado. Paul Chan Wai Chi sugeriu a Florinda Chan a realização de um estudo científico que englobe o número de funcionários “realmente necessários”, tendo em conta o espaço e a população de Macau. A actualização de 5,08% já tinha sido referida nas LAG para 2011 pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On. A aprovação desta proposta tem ainda outra consequente mudança, que passa pela alteração do orçamento de 2011. O saldo orçamental vai ser reforçado em 500 milhões de patacas.

As bocas do dia “Esta reprovação prejudica e ofende os direitos das pessoas.” Au Kam San “Espero que o Governo não celebre contractos com empreiteiros sem capacidade.” Melinda Chan acerca dos 20 anos de inactividade da proprietária dos terrenos da Ilha Verde “Independentemente dos moradores reunirem os requisitos para serem realojados ou compensados, o recheio das casas, tais como os bens e objectos dos moradores, é propriedade privada” In Proposta de audição dos democratas “A polícia enganou intencionalmente os proprietários das barracas, para que os mesmo se ausentassem. Isto é de facto um caso típico de conluio entre a Polícia e as autoridades.” In Proposta de audição dos democratas “Estas [demolições] foram uma situação viável e científica. As barracas da Ilha Verde apresentava problemas de higiene.” Angela Leong On Kei “A justiça é mais importante do que a transparência do Governo.” Paul Chan Wai Chi “Eu não acredito que os empreiteiros tenham ameaçado de morte os residentes, eles não tinham coragem, até já contribuíram para actos de caridade.” Fong Chi Keong “Os trabalhadores da Administração Pública são uma equipa e [nessa equipa] não podem haver conflitos devido aos diferentes salários. A população não tem um serviço de qualidade se não houverem actualizações.” José Pereira Coutinho “Os funcionários estão conscientes de que aumentando os vencimentos, aumentam as responsabilidades.” Florinda Chan “O Governo tem de criar cursos de formação específicos e o exemplo de servir o público tem de vir de cima, isento, imparcial e com justiça.” Mak Soi Kun “Não bastam lemas e slogans [de transparência], devem ser concretizados actos. A desactualização dos serviços públicos é alvo de criticas e queixas da parte da população.” José Pereira Coutinho “Todas as medidas implementadas são para melhorar as condições da vida da população de Macau. Mas a fixação do salário mínimo ainda necessita de encontrar solução.” Florinda Chan “O funcionários públicos devem colaborar com os trabalhos da Administração para que seja realmente criado um Governo transparente e se ultrapasse o medo de se assumirem responsabilidades.” Ho Ion Sang


Se o sentido for o mesmo, esperam-se ainda mais visitantes

Desde a edição de 2008 do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, em sigla inglesa) que foram registados aumentos significativos no número de visitantes em todas as edições seguintes. Na primeira edição do MIECF contou com a presença de 2455 participantes, aumento em todas as edições seguintes. Este número foi ultrapassado em 2009 e 2010, para respectivamente, 5697 e 8216. O número de visitantes profissionais do MIECF, ligados à área comercial, cresceu de 415 em 2008 para 1500 em 2010, ou seja mais do que 3,6 vezes. O Governo da RAEM irá organizar, no Venetian Macao pelo quarto ano consecutivo o MIECF, no sentido de transformar Macau numa plataforma de protecção ambiental da Região do Grande Delta do Rio das Pérolas e do resto do mundo.

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Governo avança com lei para fiscalizar e licenciar profissionais

Rédea curta para agentes imobiliários Proposta de lei da Actividade de Medição Imobiliária que prevê o licenciamento e a fiscalização da actividade foi finalmente concluída Filipa Queiroz

D

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

epois da auscultação pública em 2008 e promessas adiadas de entrega da proposta no ano passado, seguirá finalmente para a Assembleia Legislativa (AL) o regime jurídico que tem como finalidades padronizar a qualidade dos funcionários do ramo imobiliário. O diploma prevê agora que passem a haver duas categorias: agentes e mediadores imobiliários,

devidamente licenciados, e com os respectivos deveres e direitos a cumprir.

Licenças

O porta-voz do Governo, Leong Heng Teng, disse que as medidas inseridas no diploma sobre a Actividade de Medição Imobiliária visam “assegurar os direitos e interesses dos residentes da RAEM”, sendo que uma delas é certificar o licenciamento de todos os mediadores e agentes imobiliários do território. Leong Heng Teng sustentou que, de acordo com os dados mais recentes, existem cerca de 4200 agências imobiliárias e quase oito mil agentes. Mais seis mil do que indicava o centro de estatísticas em 2007. O representante da Administração salientou que, no entanto, os números são susceptíveis a oscilações por desactualização, tratando-se apenas de estimativas. O Executivo estima que cerca de 1300 pessoas irão participar nas acções de for-

O

Executivo apresentou ontem a proposta de lei do Regime de Construção e Venda de Habitação Económica. Criado no seguimento do cancelamento do regime em vigor dos Contratos de Desenvolvimento para a Habitação, o novo diploma prevê que as habitações económicas passem a ser construídas apenas com financiamento directo do Governo ou do Instituto de Habitação. O objectivo é “aliviar e apoiar os residentes permanentes da RAEM com reais necessidades na resolução dos problemas habitacionais e promover o desenvolvimento da oferta de habitação mais adequada às reais necessidades e poder de compra dos cidadãos”, disse ontem em conferência de imprensa o porta-voz do Governo, Leong Heng Teng. A lista de em espera já existente será mantida, sob pena dos candidatos se terem de adaptar aos novos requisitos.

Candidaturas

Entre os vários ajustes que o novo

mação levadas a cabo pelo Instituto da Habitação para qualificar os agentes, de forma a obterem as respectivas licenças válidas pelo prazo de três anos e renováveis por iguais períodos. A idoneidade é requisito obrigatório e, no caso do agente imobiliário, a habilitação literária também. Os requerentes devem ter concluído com aproveitamento o ensino secundário complementar e aprovação no exame de habilitação técnico-profissional da actividade, realizado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. “É preciso que estes trabalhadores tenham habilitações e qualidade profissional”, disse Leong Heng Teng. Para aqueles que não preencham esse requisito à data da publicação da proposta de lei, e exerçam a actividade há três ou cinco anos, o diploma prevê que seja concedida uma licença provisória. “Temos que dar um momento transitório para que essas pessoas possam obter essa habilitação

conforme a nova legislação”, disse Leong Heng Teng.

Fiscalização

Descubra as diferenças • Mediador imobiliário: empresário comercial, pessoa singular ou sociedade comercial, devidamente credenciado com licença válida para o efeito, que se dedica ao exercício da actividade de medição imobiliária • Agente imobiliário: pessoa singular, devidamente credenciada com licença válida para o efeito, que exerce a actividade de medição imobiliária na qualidade de empregado do mediador imobiliário ou na qualidade de director, gerente ou administrador do mediador imobiliário, sociedade comercial

Regime de Construção e Venda de Habitação Económica

Lista de candidatos mantém-se diploma relativo às habitação económica prevê, estão as condições para a candidatura. O rendimento do agregado familiar passa a ter um limite máximo fixado no valor de 30 mil patacas por agregado familiar. Ao nível do património, os requerentes passam a não poder ser proprietários de qualquer propriedade com finalidade habitacional, ou terrenos da RAEM, nos cinco anos anteriores à apresentação da candidatura. “Esperamos que assim possamos conceder habitações para as pessoas que tenham mesmo necessidade para essas questões habitacionais “, frisou o porta-voz da Administração. O prazo de inalienabilidade também foi aumentado para 16

anos, contado a partir da data de emissão da licença de utilização ou da primeira celebração do contratopromessa de compra e venda. Para evitar que os residentes usem as habitações económicas para obter de lucros, o diploma prevê que as casas só possam ser passadas a outrem livremente após o termo do prazo e depois do pagamento de uma compensação ao Instituto da Habitação.

Lista mantida

À luz do Regime de Construção e Venda de Habitação Económica proposto, e como já tinha sido anunciado, o Governo já não concederá subsídios à aquisição de habitação económica. Mas apesar de todas as altera-

O novo diploma também estabelece medidas de fiscalização, igualmente a cargo do Instituto da Habitação, que goza de poderes de autoridade pública. Agentes e mediadores imobiliários passam a ter como dever permitir o acesso e permanência das autoridades fiscalizadoras nos locais, bem como apresentar e disponibilizar os documentos e informações solicitados, sob risco de incorrerem no crime de desobediência simples. No que toca a comissões, à luz do novo regulamento são um direito do mediador imobiliário, mediante determinadas circunstâncias. A saber, quando o contrato é feito por cliente próprio, em regime de exclusividade e na presença de outro mediador imobiliário. A proposta de lei dará entrada em breve na AL e entrará em vigor 180 dias após a publicação.

ções, e “atendendo às opiniões da sociedade”, o Executivo pretende manter a lista de espera de candidatos existente, obrigando no entanto os requerentes a cumprir as novas condições. Excepção feita aos requisitos respeitantes à composição do agregado familiar e à exigência de não se poder possuir bens imóveis durante os cinco anos anteriores à candidatura. O porta-voz do Executivo vincou que o Governo está consciente das preocupações da sociedade, tendo em conta “o longo prazo de consulta pública junto da sociedade e do sector”, recordando que foram “constituídas comissões de propósito com o objectivo de melhor fiscalizar, elevar o profissionalismo e promover o desenvolvimento da RAEM”. Leong Heng Teng garantiu que a Administração avaliará os preços a praticar tendo em conta os preços praticados no mercado e o poder de compra dos residentes. - F.Q.


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sociedade

Deputados querem apurar o que realmente aconteceu com lei do tabaco

Kahon Chan

C

kahon.chan@hojemacau.com.mo

omo é possível permitir um erro de tipografia, depois de o projecto de lei de controlo anti-tabaco ter passado por tantos olhos, é o que quer saber o deputado da Assembleia Legislativa (AL) Paul Chan, que apresentou uma interpelação escrita para apurar a verdade. O democrata questionou se não teria sido um problema político a motivar a diferença na proibição de fumar para os casinos. Sindicalistas lançaram uma petição, enquanto o maior operador de casinos de Macau afirmou estar disposto a seguir o “consenso” na proibição de fumar, acrescentando que não fez pressão sobre o Governo. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, tinha prometido primeiro abrir mão de um estudo de viabilidade da introdução de salas de fumo nos casinos no início de De-

kahon chan

Erro de tipografia ou de outra coisa

zembro, através do uso de linguagem mais “flexível” na textualização da lei. O projecto de lei seguiu depois para a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) e pelo gabinete do

grande problema, a não ser pela inclusão dos bares num período de transição de três anos. O director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chin Ion, no entanto, lançou na terça-feira a súbita

Ponte 16 quer mais mesas de jogo e um ‘shopping center’

Polémica do guia turístico investigada na China

O Gabinete do Turismo da província chinesa de Liaoning, de onde o grupo de turistas que agrediu um guia em Macau é procedente, abriu um inquérito para investigar o polémico caso que aconteceu esta semana. De acordo com a imprensa chinesa, autoridades do Continente já estão em conversações com a Direcção dos Serviços de Turismo de Macau para coordenar os trabalhos. O gerente da agência de viagens que vendeu o pacote ao grupo, a Century International, passou a tarde de quarta-feira a prestar declarações às autoridades. Yang Wei disse que um homem de 20 anos esteve envolvido nas agressões, mas desconsiderou qualquer gravidade no conflito, já que a disputa física não durou mais do “20 segundos” e o guia “não teve ferimentos graves”. Ainda assim, o gerente garantiu que a viagem foi, na verdade, comprada na filial da agência em Shenzhen, que deve também colaborar nas investigações.

secretário, antes de alcançar o Conselho Executivo no início de Janeiro para discussão. O esboço da lei chegou depois à AL na segunda metade de Janeiro e os deputados não viram

observação de que havia uma “gralha” no texto do projecto de lei no que diz respeito à implementação da proibição total de fumar e Cheong U disse no dia a seguir nada ter a acrescentar, quando perseguido pelos jornalistas. O deputado Paul Chan, bem como as associações sindicais, não se mostrou convencido com a afirmação dos SS. Como os artigos 32 e 36 foram considerados contraditórios com o artigo 38, surgiu a explicação do erro de tipografia, mas Chan argumentou que os relatórios médicos e a designação de zonas para fumadores dentro de um ano não lhe pareciam entrar em conflito com uma proibição total de fumar a ser imposta no interior dos casinos dentro de três anos, pelo que não havia qualquer razão para pensar ter havido um erro de tipografia ou de elaboração do texto. O deputado exigiu, na sua interpelação, que o Governo esclarecesse por completo todo esse episódio do alegado “erro

de tipografia” para que o público percebesse se se tratava de um erro técnico ou “político”. E perguntou também como esperava o Governo cuidar da saúde de vários milhares de trabalhadores dos casinos expostos diariamente aos malefícios do fumo passivo. A mesma preocupação foi reforçada pela Associação de Empregados das Empresas de Jogo, que lançou uma petição nos postos de atendimento da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) a incentivar os trabalhadores a protestarem contra o levantamento da proibição total de fumar dentro dos casinos. Ambrose So, directorexecutivo da SJM Holdings, negou ter havido “pressão” sobre o Governo por parte do operador de casinos. “Apenas reflectimos a realidade para o Governo, na esperança de que fossem consideradas e fornecidas opções aos jogadores”, disse, recusando-se a adiantar quando achava que seria possível implementar uma proibição total. “Isso dependerá do consenso de todas as partes, mas se você só me perguntar a mim, eu diria que em qualquer altura, porque eu não fumo de todo.”

Diversificar rima com centro comercial Q

uando se trata de diversidade, os investidores da indústria do jogo pensam logo em centros comerciais. O presidente do Ponte 16, Sonny Yeung, revelou ontem que o resort planeia construir um centro comercial de 40 mil metros quadrados, que irá incluir ainda um andar só para o jogo num terreno vizinho ao hotel. O empreendimento deve estar concluído em 2013, altura em que a companhia prevê que o limite de 5500 mesas de jogo imposto pelo Governo seja revisto e aumentado. Para provar a “diversidade” do sector, novos centros comerciais vão nascer também no novo Galaxy e nas parcelas cinco e seis da Sands, ambos no Cotai. Estes dois resorts vão também lutar por

puxar para si mais mesas de jogo daqui a dois anos. Ontem, Ambrose So, director executivo da Sociedade de Jogos de Macau, disse não ter novidades sobre o processo de aquisição de três lotes no Cotai. O pedido para a concessão dos terrenos, que serão vizinhos ao parque temático da responsabilidade de Angela Leong, já deu entrada nas Obras Públicas, como afiançou So. Quando o projecto for aprovado, o director executivo prevê uma construção faseada, em que serão incluídos hotéis para diferentes bolsos. Um parque temático sobre “James Bond”, referido por So meses antes publicamente, não estará incluído nos novos lotes do Cotai.


Obras na Horta e Costa em mais uma rodada

A execução dos trabalhos referentes ao 5.º troço, em direcção ao Túnel da Guia, vão arrancar antes da conclusão dos trabalhos referentes ao 2.º troço. A área será vedada ao trânsito a partir das 10:00 horas do próximo sábado. A expectativa é acelerar o processo, fazendo as obras em simultâneo, na esperança de que estejam concluídos no princípio de Abril. Até lá a carreira nocturna N2 não parará na paragem junto à Avenida de Horta e Costa/Rua do Almirante Costa Cabral. A DSSOPT e a DSAT vão criar um espaço específico nos seus portais electrónicos sobre a obra de reordenamento da rede de drenagem para permitir aos cidadãos estarem informados sobre o andamento dos trabalhos e respectivos condicionamentos de trânsito.

Governo deu luz verde ao diploma mas ficam a faltar os regulamentos complementares para avançar com os projectos de reconstrução dos velhos bairros de Macau Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com

O

Executivo apresentou ontem os princípios gerais do reordenamento dos bairros antigos de Macau, mas ainda falta concluir vários regulamentos administrativos para o complementar. O porta-voz do Governo, Leong Heng Teng, explicou a importância da existência pub

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Regime para remodelação dos bairros antigos dependente de regulamentos

Reordenamento intermitente de um bom “equilíbrio entre a propriedade e o interesse público” e a conciliação do regime jurídico com regulamentos complementares que visem “delimitar as zonas de reordenamento e unidades de intervenção, definir unidades de valor, competências das autoridades e opiniões dos proprietários”. O diploma visa essencialmente contrariar o impacto negativo dos prédios mais deteriorados do território ao nível da segurança, salubridade e ordem pública, e no que toca ao aproveitamento dos solos e fluxo de tráfego na cidade. “Elevar a qualidade de vida da população e promover o desenvolvimento sustentável são os principais objectivos do Governo com o reordena-

O regime jurídico do reordenamento dos bairros antigos prevê a “conservação de monumentos, edifícios de interesse artístico e arquitectónico, conjuntos e sítios classificados e a revitalização das zonas envolventes”.

Público vs privado mento dos bairros antigos”, salientou Leong Heng Teng, não descurando o melhoramento do ambiente comercial das empresas locais. O porta-voz lembrou que “os modos de execução da reconstrução são um assunto muito discutido”, até porque envolve equipamentos, estruturas e espaços públicos. Leong Heng Teng também destacou o capítulo dedica-

do às medidas preventivas, de natureza regulamentar e, portanto, susceptíveis de serem impugnadas judicialmente, que consistem na proibição e limitação de operações de loteamento e obras de urbanização, ampliação, alteração e reconstrução de edificações, trabalhos de remodelação de terrenos e obras de demolição de edificações existentes.

O regime jurídico consagra que a reconstrução dos edifícios antigos seja feita dentro da zona de reordenamento por iniciativa privada ou pública; ou fora da zona de reordenamento por iniciativa de entidades privadas. No primeiro caso está previsto que os proprietários possam assumir directamente a execução das obras de reconstrução desde que possuam pelo menos 80%

dos direitos de propriedade sobre os imóveis. No caso da iniciativa ser pública, o processo de reconstrução será suspenso sempre que a percentagem de declarante que manifestarem a sua concordância com os elementos essenciais do programa e caderno de encargos do concurso público for inferior a 70%. Para a reconstrução fora da zona de reordenamento por iniciativa de entidades privadas, é necessário que possuam, pelo menos, 90% do direito de propriedade sobre o edifício. O regime também estabelece apoios e benefícios fiscais aos proprietários que promovam a reconstrução dos imóveis antigos, como isenção de selo relativamente à aquisição de novas fracções, isenção de contribuição predial urbana, emolumentos notariais e de registo durante cinco anos.


Nova passagem pedonal

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sociedade

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SIDA | Prostitutas de Macau sabem muito pouco sobre a doença

Um estudo submetido esta semana ao “Asian Journal of Social Psychology” indica que as prostitutas do território são uma verdadeira ameaça para a disseminação do HIV. “Há uma significante falta de informação sobre a prevenção e o tratamento da doença entre os trabalhadores do sexo e uma série de preconceitos”, alerta o documento elaborado pela Universidade de Macau e a Associação de Reabilitação de Toxicodependentes

Uma bomba prestes a rebentar A SIDA por cá

Gonçalo Lobo Pinheiro

F

Catorze empresas participaram ontem no acto público para a abertura das propostas da “Empreitada de Construção de Passagem Superior na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado”. O preço proposto variou entre mais de 12 milhões a mais de 15 milhões de patacas. As estimativas apontam para que as obras tenham início a partir do 2.º trimestre de 2011, sendo o prazo máximo de execução de aproximadamente 270 dias. Está previsto que a empreitada abra cerca de 110 postos de trabalho. De entre as 14 empresas concorrentes, 6 foram admitidas para a fase seguinte e 8 foram admitidas condicionalmente. A passagem superior para peões situa-se perto da Escola Sheng Kung Hui Choi Kou e o separador da Travessa de Má Káu Séak, onde se verifica grande e rápido volume de trânsito.

glp@hojemacau.com.mo

oi ontem divulgado um estudo sobre o conhecimento e atitude das prostitutas em Macau e o panorama não se apresenta muito animador. A pesquisa, elaborada pela Universidade de Macau (UMAC) e pela Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) mostrou que as profissionais do sexo têm um déficit significativo de conhecimento do que é o vírus HIV e da doença SIDA. Para agravar, têm uma atitude negativa em relação ao flagelo. Muitas das

inquiridas acreditam que a SIDA pode ser curada através de medicação e têm ideias erradas sobre como o vírus é transmitido. Menos de metade das prostitutas usaram preservativo de forma consciente com os seus clientes e têm conhecimento insuficiente sobre a protecção de doenças sexualmente transmissíveis. Em Macau, a atenção para o flagelo SIDA ainda está muito aquém da que é dedicada a doenças como a gripe A, apontam os pesquisadores. A comunidade local é bastante conservadora acerca deste tema, bem como sexo ou drogas. Ao contrário do que se possa pensar, “a prostituição não é legal em Macau” e muito pouco se sabe sobre as atitudes e comportamentos sexuais deste “grupo marginalizado”, sublinha o documento. Desde o primeiro caso de SIDA, notificado em 1986, que o número de doentes foi aumentando com cerca de 20 pessoas infectadas a cada ano durante a última década. De acordo com o relatório anual da Comissão  Coordenadora de Prevenção e Controlo de HIV-SIDA em 2009, o número cumulativo de casos infectados é de 427. Desse total, 75% das vítimas têm entre 20 e 39 anos e

Quem são as prostitutas do estudo Idades

44% têm entre 20 e 25 anos e 32,5% entre 26 e 30

Onde vivem

38,5% em Macau, 61,5% fora

Nível de escolaridade

42,7% concluiu o secundário, 2,4% uma licenciatura

Estado civil

51,2% são solteiras, 26,2% casadas

Conhecimento sobre a SIDA, segundo as próprias

49,4% moderado, 31,4% suficiente

Drogas

88% nunca usaram

são sexualmente activos. “Embora o número de casos de infecção seja ainda considerado baixo, a taxa de crescimento é constante”, alerta o relatório. Ao que se consta, a denominada “doença do século” vitimou já sete pessoas em Macau. Em 1993 e 1994, período em que o número de seropositivos alcançou a sua maior dimensão, ocorreram cinco mortes. Desde de 1994 que não se regista nenhum caso mortal. Para este estudo, realizaram-se algumas observações de campo –em vários momentos do dia durante semanas em três áreas distintas - e os locais onde as profissionais do sexo angariam os seus clientes foram devidamente identificados. Com este estudo chegou-se à conclusão que existe dois grupos distintos de profissionais do sexo: com base na rua e com base em bordéis. As prostitutas de áreas como o Iao Hon angariam os seus clientes em ruas estreitas e escuras do bairro, enquanto as de outras zonas só trabalham em casas de sexo. Para inquirir as mulheres foi preciso a permissão dos gerentes dos bordéis. Foram consultadas 85 prostitutas provenientes de todas as faixas etárias que responderam a um questionário de quatro páginas.

Um conhecimento desconhecido

Apesar do estudo ter revelado que 84,6% das inquiridas sabem que a SIDA é uma doença sexualmente transmissível, aproximadamente dois terços delas têm ideias erradas sobre três questões. Mais de metade sabe que não existe actualmente uma vacina eficaz na prevenção da SIDA (67,5%), mas, incredulamente, quase 70% das in-

Número de infectados pelo HIV na China

740 mil (em 2009)

Primeiro caso em Macau

1986

Número total de infectados em Macau

427

Crescimento da doença

20 novos casos por ano

Quem são os infectados

75% têm entre 20 e 39 anos, são sexualmente activos

Número de mortos por SIDA em Macau

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quiridas pensa que a doença pode ser curada através de medicação e 65,4% julga que o vírus só pode ser transmitido a outrem depois de ter degenerado em doente e não como simples portador. Apesar deste cenário negro, a maioria das prostitutas que respondeu ao questionário revelou um conhecimento bastante bom sobre os modos de transmissão do vírus HIV. Por exemplo, 92,6% das mulheres identificaram correctamente que podem ser infectadas com o vírus HIV por ter relação sexual com pessoa infectada, bem como tinham noção da transmissão pela mãe grávida ao feto (91,6%), transmissão por amamentação (91,4%), transfusão de sangue (95,2%), partilha de seringas não esterilizadas (88%), tatuagens ou perfuração da pele sem esterilizar a seringa (85,4%), partilha de escova de dentes (79,5%) ou de lâminas de barbear (76,5%). Dois terços das profissionais do sexo revelaram saber que o vírus não pode ser transmitido através da picada de insectos.

Sexo pouco seguro

As profissionais que servem de base ao estudo tiveram em média 222 parceiros até hoje. A maioria, cerca de 95%, só se envolveu em

relações heterossexuais, enquanto 2,6% revelaram que já experimentaram relação homossexual. A média de idade do seu primeiro acto sexual é 19 anos, sendo que uma das inquiridas relatou que se iniciou com apenas 13 anos. Contudo, a maioria delas não usou o preservativo na primeira relação sexual (78,5%). Entre as inquiridas que usaram o preservativo na primeira vez (21,5%), 15% o fizeram para fins contraceptivos, 1,5% por acreditarem que podia prevenir a SIDA e 5% que podiam evitar outras doenças sexualmente transmissíveis. Questionadas das razões do não uso do preservativo, 10,1% das inquiridas revelou não andar com este tipo de contraceptivo. Para 5% é muito cara a sua compra. Um décimo afirmou que, por norma, os seus parceiros recusam-se a usar preservativo e metade desse valor assume não gostar de usar. Gritante é o número de prostitutas que não sabem como usar este método contraceptivo - 21,3% afirmam que desconhecem para que serve e como se usa e 4,5% não revelaram os seus. Menos da metade das participantes (48,8%) usaram um preservativo a cada vez, nos últimos 12 meses. Preocupante, não?

As respostas Existe uma vacina eficaz

67,5%

SIDA pode ser curada com medicamentos

69,5%

Transmite-se sexualmente

84,6%

Infectados com HIV só transmitem o vírus depois da doença se ter manifestado

65,4%

Abraços e aperto de mãos transmitem vírus

66,3%


Aeroporto de Macau investiu 130 milhões em melhorias

A Companhia do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) investiu cerca de 130 milhões patacas em melhoramentos da infra-estrutura durante o ano passado, afirmou na quarta-feira a directora-executiva da empresa, Sunning Liu. Depois de uma queda de 4 por cento no número de passageiros em 2010, para 4,08 milhões, o aeroporto está agora a olhar para novos mercados, numa tentativa para inverter a situação. Índia e Austrália (para onde a extinta Viva Macau voou) são alguns dos mercados em fase de avaliação, acrescentaram os responsáveis. O aeroporto também está interessado em criar novas rotas e aumentar a frequência de alguns voos para a China continental.

O

preço médio por metro quadrado das unidades residenciais transaccionadas em Macau em 2010 foi de 31.016 patacas, mais 33,5% do que em 2009. De acordo com os dados dos Serviços de Estatística e Censos, só no último trimestre de 2010 o preço por metro quadrado das unidades residenciais ascendeu a 33.397 patacas, mais 10,1% face ao trimestre anterior. Em 2010, um total de 17.989 unidades residenciais foram transaccionadas, envolvendo 45,94 mil milhões de patacas, o que corresponde a um acréscimo de 59,1% em número e 1,1 vezes em valor em relação a 2009. No mesmo ano foram assinados 8.500 contratos de habitação que beneficiaram de crédito hipotecário, mais 50,8% do que em 2009. A maioria das unidades residenciais transaccionadas (13.528) estava localizada na península de Macau e 3.532 na ilha da Taipa, sendo que pub

Preços da habitação aumentaram 34% em 2010

Já nem o céu é o limite

um total de 5.252 envolveram valores superiores a um milhão de patacas e 5.209 foram transaccionadas por

valores até um milhão de patacas, além de que mais de 47% do total ou 8.489 unidades residenciais tinha

uma área entre os 50 e os 99,9 metros quadrados. Por outro lado, 7.089 unidades residenciais transaccionadas em 2010 pertenciam a edifícios construídos entre 1990 e 1999, 6.722 a edifícios construídos a partir do ano 2000 e 4.178 a edifícios datados até 1989. Segundo o Governo, 72% da população do território (formada por cerca de 550 mil pessoas) tem casa própria. Mas o Executivo diz querer evitar uma bolha de especulação imobiliária e, por isso, anunciou que irá alterar este ano os limites máximos de rendimentos para acesso à habitação económica e gastar 200 milhões de patacas em abonos de residência para candidatos a habitação social, continu-

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9 ando a reiterar o objectivo de construir 19 mil fracções de habitação pública até 2012. Segundo os Serviços de Estatística e Censos, foram realizados 12.707 contratos de compra e venda de 16.128 imóveis em 2010, mais 39,5% e 39,7%, respectivamente, face a 2009, e 29.617 transacções de fracções autónomas por um valor de 56,75 mil milhões de patacas, que aumentaram 71% e 1,2 vezes em relação ao ano anterior. O preço médio por metro quadrado das unidades destinadas a escritórios atingiu as 22.857 patacas, mais 5,6% relativamente a 2009, enquanto que o preço das fracções industriais situou-se nas 6.962 patacas, o que representa um aumento de 14,5%. Em 2010, foram concluídos 1.272 milhares de metros quadrados de área bruta de construção, a que correspondiam 4.527 fracções autónomas, das quais 4.066 se destinavam à habitação.

sociedade Medicamento chinês é mais eficaz que ocidental

Investigadores do Instituto de Medicina Chinesa da Universidade de Macau anunciaram ontem que o Danshen Dripping Pill (DST), um produto popular chinês, é mais eficaz do que o nitrato de isossorbida (RDIS), um medicamento ocidental para tratar doença coronária. A equipa diz ter descoberto que o DST é mais eficiente no tratamento de doenças cardiovasculares, como a angina de peito. Os estudos dos investigadores foram revistos por homólogos internacionais e serão publicados no Jornal Internacional de Cardiologia. Sendo uma revista científica ocidental, é raro a aceitação deste tipo de trabalhos, que mostram as vantagens de um produto medicinal chinês sobre a medicina ocidental. A investigação da UM vem agora avaliar se a medicina chinesa é mais eficaz que a ocidental.


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entrevista

JOSÉ IU, FOTÓGRAFO

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omar o pulso ao movimento cultural macaense habitualmente fora dos circuitos mais conhecidos mas que anseia fazer passar a mensagem e mostrar que está vivo e actuante, apesar da escassez de apoios e de não fazer grandes títulos. Desde o princípio do ano existe um espaço de artes no 3-A da Rua de Tomás Vieira, perto da Igreja de Santo António. Ali fica o atelier “MMM Workshop & JuJu Studio”, bem como a Associação Fuho (Símbolo) na tentativa de ajudar a desenvolver o mercado de arte local. Esta parte da gente jovem de Macau merece atenção, produz arte nos mais variados aspectos. E luta para que a sociedade influente também os reconheça como cidadãos essenciais duma região que, para cá dos néones, se pretende com mais alargada sensibilidade e práticas culturais alternativas ou não. Com outro jovem local, o pintor José Dores, José Iu fundou uma associação que pretende desenvolver o ambiente artístico no território. Foi quando viveu em Portugal que começou a sentir o apelo maior pela

António Falcão | bloomland.cn

“A fotografia avançou tecnologicamente, mas

“A fotografia é uma arte com muitas vertentes, do mero amadorismo até à fotografia que dá imagem alterada da realidade, passando pela fotografia artística, a fotografia para publicidade, a fotorreportagem, enfim... A que mais me entusiasma é a fotografia artística que em Macau não está muito desenvolvida” fotografia, porquê? Realmente foi. Talvez porque o ambiente era diferente do que eu conhecia em Macau, então eu comecei a sentir necessidade de registar o que via e, a pouco e pouco,

fui tendo cada vez maior preocupação com a forma como ia fotografando. Os meus amigos iam reparando nas fotos e começaram a comentar que elas pareciam postais. Isso incentivou-me, a partir

daí fui registando tudo de modo diferente. Para si, o que mais lhe transmite a fotografia? A fotografia é uma arte com muitas vertentes, do mero amadorismo até à fotografia que dá imagem

alterada da realidade, passando pela fotografia artística, a fotografia para publicidade, a fotorreportagem, enfim... A que mais me entusiasma é a fotografia artística que em Macau não está muito desenvolvida. O que mais se vê é fotografia comercial, se calhar porque é o que em Macau as pessoas gostam mais ou estão mais habituadas. Tal como a fotografia obtida por processo digital cada vez é mais divulgada, toda a gente tem uma máquina dessas que se vendem por preços acessíveis, conforme a qualidade. É muito positivo este avanço tecnológico, mas tem de haver bastante cuidado para não banalizar a fotografia. Vê-se muitas fotos sem alma. Disse fotos sem alma. Porquê? Porque basta somente um clique. Fácil registar uma imagem qualquer, fica barato, não é preciso quase nada a não ser apontar a câmara e disparar, por isso acontece tantas vezes as fotos são obtidas sem preocupação, paciência, intenção de observar as

coisas. São realmente fotos sem alma. Quando fotografa, qual ou quais os seus alvos preferidos? Figuras humanas, situações do quotidiano, paisagens, aspectos monumentais, abstracto... Em Macau há algum limite, não é vulgar cenas que se podem ver no estrangeiro. Prefiro fotografar cenas que vejo e que são apenas naquele instante, que não se repetem. O significado das fotos que tiro são muitos e naturalmente que cada pessoa interpreta à sua maneira. Que fotógrafos de referência o inspiram? Por exemplo, o francês, Henri Cartier Bresson, o natural de Hong Kong Wing Shya e o brasileiro Sebastião Salgado. No princípio deste ano, o José Iu e o José Dore criaram o atelier “MMM Workshop & JuJu Studio”, mas também uma associação a que deram o nome de “Fuho” que quer dizer “Símbolo”... É verdade, o nosso projecto tem essas duas vertentes, o atelier e a associação. O objectivo é que o espaço,

Fotos com alma Este fotógrafo e dirigente associativo completa 33 anos neste Ano do Coelho. Jovem que gosta de reflectir sobre a sua terra, a sua gente. Reflecte e pratica, pensa e actua. Completado o liceu em Macau, surgiu a oportunidade de estudar em Portugal onde se licenciou em Gestão no ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) em Lisboa. Terminado o curso ainda se manteve por lá mais um tempo, ao todo oito anos, trabalhando numa companhia seguradora. Viajou por alguns países da Europa, viu diferenças e semelhanças, absorveu sensibilidades a que juntou as suas. Foi por lá, particularmente em Portugal, que o apelo maior pela fotografia começou a tentá-lo. Claro que, como muitos, desde muito jovem gostava de fotografar, “mas apenas para registar em imagem algumas

recordações, nada mais”, lembra. A primeira câmara fotográfica que adquiriu a sério foi uma “minolta” de rolo, comprada na Alemanha. Com ela começou a observar doutra maneira o mundo à sua volta. Nos dias de hoje, José Iu executa os seus trabalhos em fotografia com câmaras de filme, mas também com digitais. “O necessário é que o resultado nos dê fotos com alma”, não se cansa de dizer. Este fotógrafo tem uma maior inclinação por registar cenas que passam naquele instante e não se repetirão. Ao jornalista José mostra alguns exemplos, nomeadamente nocturnos e com alvos em movimento ou aparentemente estáticos, só aparentemente, como um exemplo que me mostrou, ilustrando o crescimento, talvez repentino, de uma planta. No princípio deste 2011,

José Iu e José Dores cr “MMM Workshop & Ju fotografia e pintura, ma recheado de outras peç artes. Com a ideia de c o desenvolvimento do m arte local, ambos os art fundaram a Associação significa Símbolo. Nas Rua Tomás Vieira, nr. 3 em fotografia, está mon próprio que pode ser a género de trabalhos so trabalha-se em pintura diferentes géneros artís disponíveis para o públ outras peças de trabalh bonecos, cachecóis e o trabalhados por artistas Hong Kong com quem mantêm relacionament


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com Helder Fernando

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s é importante a história deixada para trás” “Em Macau há algum limite, não é vulgar cenas que se podem ver no estrangeiro. Prefiro fotografar cenas que vejo e que são apenas naquele instante, que não se repetem. O significado das fotos que tiro são muitos e naturalmente que cada pessoa interpreta à sua maneira”

o mesmo do atelier, seja um ambiente agradável e um ponto de encontro entre interessados em

riaram o atelier uJu Sudio”, as também ças de outras contribuir para mercado de tistas também o Fuho que instalações da 3ª, trabalha-se ntado um estúdio alugado, ou outro ob encomenda, a mas ainda em sticos. E há, lico em geral, ho manual como outros artigos s locais e de Iu e Dores to directo.

artes, troca de opiniões, informações, mostrar os trabalhos, ajudarmos a fazer crescer o mercado de

arte em Macau e mostrar essa nossa arte lá fora, levá-la até ao exterior e não ficar apenas neste circuito interno. Sabemos que na região existem algumas associações ligadas ao mercado de arte, mas nós desejamos ir por caminhos menos comerciais, mais pedagógicos, com workshops de pintura a óleo, aguarela, porcelana e fotografia. Um espaço de tertúlia, nomeadamente entre jovens. A próxima iniciativa da Associação Fuho, programada para o mês de Junho, é uma exposição de arte. O que pode ser feito em Macau para ajudar a desenvolver o interesse pelas artes em geral, principalmente a partir dos mais novos, talvez mesmo a partir das escolas? Penso que fundamentalmente é uma questão social. Os alunos vão para a escola, ficam lá uma série de horas, depois, no tempo que resta, estão em casa com a família. Na mesma linha de pensamento, todos sabemos que o mundo cada vez está mais competitivo, sobranos pouco tempo para além do que temos de dedicar ao nosso trabalho. Isso limita a visão, o desenvolvimento das ideias O que modifica o pensamento ou os hábitos

das pessoas é o ambiente em que vivem. Há uma diferença entre a realidade que existe e o que os artistas desejam. Medidas oficiais são necessárias? Penso que o governo deve apoiar mais o ambiente cultural. As entidades dizem que têm iniciativas, dão muito apoio, só que não se vê muito bem. Como um jovem como o José Iu observa a juventude Macau? Bom, já tenho quase 33 anos, já sou da geração seguinte aos muito jovens. Vejo que a televisão tem bastante influência neles, às vezes não a melhor pub

influência. Por outro lado, muitos jovens andam viciados em artigos de tecnologia para passarem o tempo. É necessário conhecer outros aspectos, alguns já esquecidos, incluindo modos de viver,

de nos divertirmos, de aprendermos. A evolução do presente é importante, mas é também ao lado positivo do passado, que vamos receber informações muito úteis, a História está lá. Muito do presente reflecte o passado. Pode o mundo desenvolver-se com as mais avançadas tecnologias, mas na perspectiva humana a nossa vida deve reflectir o melhor do que ficou lá atrás. Acho que, por vezes, caminha-se depressa demais. Embora também aprecie a arte contemporânea que pode também ser a mistura de várias artes.


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cultura

O puto que ainda não teve vida, mas já deu um livro. E discos. E filme

Um estranho fenómeno à americana Com os seus 16 anos e o cabelo à Playmobil, Justin Bieber podia ser um miúdo como outro qualquer. Mas é um fenómeno que factura milhões. “Never Say Never” estreou agora nos EUA

S

cooter Braun, o homem de 29 anos de barba rasa que é, oficialmente, o manager de Justin Bieber e, não oficialmente, o baby-sitter das suas legiões de admiradores, estava desta vez com alguns problemas em controlar os fãs. Em frente a uma sala lotada com adolescentes e pré-adolescentes no Regal E-Walk Stadium de 13 salas na Times Square, em Nova Iorque, Braun tenta aconselh��-los ou ameaçá-los a ocuparem rapidamente os seus lugares. Se não o fizerem, avisa, o visionamento de “Justin Bieber: Never Say Never”, um documentário em 3D de um concerto não começa e a sensação de 16 anos da música pop de cabelo escorrido que dá nome ao filme não se lhes juntaria na sala. “Se passarem o filme todo a virar-se para olhar para o Justin, ele vai passar-se”, diz Braun. “Prometo que se olharem para o ecrã vão vê-lo durante todo o tempo.” Bieber, que vendeu mais de 4,5

milhões de cópias dos seus álbuns “My World”, “My World 2.0” e “My World Acoustic” e mais de 10 milhões de singles descarregados digitalmente, faz por fim uma breve aparição antes do filme. Vestido com roupa preta D&G e laço púrpura, lança um rápido “Tudo bem?” às massas deslumbradas e histéricas e diz: “Só quero que este filme comece.” Fiel à promessa de Braun, Bieber é visível durante toda a noite, em encarnações no ecrã que por vezes são tão reveladoras como as diferentes versões dele que apareceram na sala de cinema. Em “Never Say Never”, realizado por John M. Chu e que a Paramount estreou a semana passada nos Estados Unidos, Bieber aparece no decurso da sua recente digressão norte-americana a cantar hits inócuos como “Baby” e “One Less Lonely Girl” em interpretações 3D em que parece estender a mão directamente para si ou para a sua filha.

No cinema, como Elvis

Os filmes caseiros, filmagens documentais e clips do YouTube que completam o filme revelam facetas mais íntimas de Bieber: o bebé criado por uma mãe adolescente em Stratford, Ontário; a criança de cinco ou seis anos cujo sentido inato de percussão se revela num tambor oferecido pelo Natal; o miúdo de 12 anos a comandar multidões enquanto percorre a cidade com a sua guitarra e a sua voz ansiosa de rapaz; e o adolescente de 16 anos que viaja através dos Estados Unidos no centro de um séquito de adultos. Na passadeira vermelha es-

tendida no estreito hall do cinema antes do visionamento do filme, Bieber exibe o mesmo estilo de pose sobrenatural que mostrará o resto da semana em programas de comédia como “Daily Show with Jon Stewart” e “Saturday Night Live”. Enfrentando um pelotão de paparazzi, olha para as câmaras uma a uma, abanando o seu famoso cabelo e piscando os olhos rapidamente como um robô. Porém, quando se senta ao lado de Chu numa sala vazia adjacente ao cinema onde será exibido “Never Say Never”, parece o típico adolescente inquieto à beira dos 17 anos. Brinca com o seu iPhone, tira as lentes aos óculos 3D e responde ocasionalmente às perguntas do jornalista. “Já viu o filme?”, quer saber. “E gostou?”

Chu, o realizador de 31 anos que dirigiu os filmes da série “Step Up”, descreve o seu primeiro encontro com o assunto de “Never Say Never”, durante a digressão de Verão de Bieber. “Justin não fazia ideia de quem eu era”, conta Chu. “Eu entrei e disse-lhe ‘’estou a fazer o teu filme’’. E ele responde ‘’que filme?’’” Bieber conta uma versão ligeiramente diferente. “Eu sabia que estavam a fazer um filme sobre mim”, diz. “Só não sabia quem é que o estava a fazer ou sobre o que era ao certo.” Embora seja seguido pelas câmaras para onde quer que vá, Bieber reconhece que demorou algum tempo a habituar-se ao processo do documentário. “Foi realmente estranho ter alguém que não conhecia no meu espaço a tentar filmar-me”, diz sobre Chu. “Mas acabámos por ficar à vontade um com o outro, e isso foi bom.” Embora Bieber diga que confia que Chu o retratará como ele espera ser visto - “Quero que as pessoas saibam que não sou apenas um produto, mas sim uma pessoa normal, que fui músico toda a vida” - Chu diz que Bieber teve uma palavra a dizer em relação ao produto final. “Ele enviava-me mensagens do tipo ‘’não quero aquela imagem na banheira’’”, recorda Chu, antes de corrigir rapidamente a resposta: “Não há imagens dele na banheira. Não existem.” Bieber descreve várias sequências de “Never Say Never” como “bastante loucas” (as suas presta-

ções com Miley Cyrus e com os Boyz II Men) ou “bastante cool” (uma breve aparição do pai, Jeremy, que é visto a enxugar as lágrimas durante o concerto do filho em Toronto). O cantor parece menos interessado em falar sobre os amigos da sua cidade natal que conhece desde a infância e que são vistos no início do filme mas cuja presença regular na vida de Bieber permanece pouco clara. “Eles dão-me apoio”, diz Bieber. “Não acho que fiquem em casa a dizer mal da minha música.” Bieber entusiasma-se momentaneamente quando a conversa se volta para o aniversário iminente, a 1 de Março. Fazer 16 anos, diz, “foi importante porque pude tirar a carta de condução”. Acrescenta: “Os 21 anos são importantes porque podemos, legalmente, sair e divertir-nos.” (Mais: “30 é um ano grande. É quando toda a gente se sente velha.”) E fazer 17 anos? “É apenas mais um ano”, afirma. Bieber solta um pequeno bocejo e diz: “Muito bem. Acabámos, não?” A entrevista chega ao fim. Ficando para trás, Chu diz que os meses que passou a filmar “Never Say Never” serviram para ficar a conhecer a agenda cansativa de Bieber, que actuou domingo passado na cerimónia dos Grammy antes de retomar a digressão mundial que durará até Maio. “Pode mudar-nos como seres humanos e tornar-nos monstros, e ele não é um monstro”, diz Chu. “Tem dias difíceis, quando está cansado, mas gosta mesmo dos seus fãs.” Braun, que descobriu Bieber no YouTube em 2008 e convenceu a mãe a levá-lo para Atlanta para começar uma carreira profissional na música, diz, em entrevista pelo telefone, que é o momento certo para Bieber fazer a transição para o cinema.” As pessoas perguntam ‘’porque é que quer fazer já um filme?’’”, explica Braun. “E eu digo: ‘’porque Elvis fez muitos filmes.’’ Está a ver?” À pergunta se ele pensa que Bieber deu valor ao trabalho que deu fazer “Never Say Never”, Chu responde imediatamente que sim. Depois faz uma pausa e reflecte sobre a questão. “Ele mostra apreço de muitas maneiras diferentes”, acrescenta Chu. “Ontem deu-me um soco no estômago e disse: ‘’És um animal.’’ Nas palavras de Justin isso quer dizer: ‘’És extraordinário e eu agradeço-te.’’ E eu aguento.” - The New York Times


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Encontrados filmes nazis em 3D de 1936 ma Alemanha

Nazismo para ver em 3D Aviso

Dois filmes em 3D, rodados antes da Segunda Guerra Mundial na Alemanha para o Ministério da Propaganda de Joseph Goebbels, foram encontrados em Berlim pelo realizador australiano Philippe Mora

O

s filmes de conteúdo propagandístico com imagens do quotidiano alemão, datados de 1936 foram encontrados nos ficheiros federais alemães e têm a duração de 30 minutos cada um. A novidade é o formato em que estão gravados: 3D. Dezasseis anos antes do formato se tornar conhecido nos EUA. “Os filmes foram rodados em 35 milímetros,

aparentemente com um prisma colocado à frente das lentes”, disse Mora à revista “Variety”, acrescentando que a qualidade dos filmes é “fantástica”. “Os nazis eram obcecados em gravar tudo e cada imagem era muito bem pensada, tinha tudo a ver com a forma como eles ganhavam o controlo do país e das suas pessoas”, atestou o realizador australiano. Philippe Mora encontrou

os filmes na sequência de uma investigação que está a fazer para um documentário em que está a trabalhar, How the Third Reich was recorded”, no qual explora a forma como os nazis usaram a imagem para influenciar a opinião pública na época nazi, na Alemanha. “Os filmes foram realizados por um estúdio independente para o Ministério da Propaganda de Goebbels e rotulados como “Raum film”, filmes do espaço, podendo ser por isso que ninguém tenha percebido que eram em 3D”, disse à “Variety”, o realizador australiano. A descoberta, ainda não confirmado pelo arquivo federal, demonstra que os nazis estavam adiantados em relação a Hollywood, onde as primeiras gravações com tecnologia 3D foram realizadas apenas nos anos 50, não tendo alcançado o êxito que hoje em dia alcançou.

Arte rupestre do Namibe vai ser agora protegida

Um empurrão da UNESCO O

Ministério da Cultura angolano vai apostar na formação de quadros para garantir a preservação dos sítios de arte rupestre do deserto do Namibe, no sul do país. As 14 estações de arte rupestre do Namibe, cinco das quais descobertas recentemente, estão na lista de candidaturas a património da humanidade da UNESCO, segundo anunciou esta semana a ministra da Cultura de Angola, Rosa Cruz e Silva, em Havana, Cuba. Em declarações à agência Lusa, o director provincial da Cultura do Namibe, Martinho Nganga, disse que o esforço de formação de quadros vai começar, sob orientação de especialistas da UNESCO, de 14 a 25 de Março, no município do Virei, estando prevista a participação de cerca de 70 pessoas. Segundo Martinho Nganga, a preocu-

pação das autoridades angolanas prendese sobretudo com as gravuras, expostas à chuva e às baixas temperaturas, que causam fissuras nas rochas e a sua consequente degradação. “São artes milenares, que se encontram ao ar livre, nas rochas, expostas à chuva, às baixas temperaturas, por isso é elevado o grau de degradação delas. Quanto às pinturas, estas estão mais conservadas”, disse Martinho Nganga. O responsável acrescentou que, em Novembro de 2010, foram localizados mais dois conjuntos de arte rupestre, na localidade de Caraculo. Martinho Nganga disse ainda que os trabalhos de investigação continuam, nas localidades de Kamucuio, Monte Negro, na comuna do Yona, zona desértica adstrita ao município do Tombwa.

[N.º 233/2011] Desocupação e demolição de barraca Local: Barraca de Taipa n.º 21-06-05-002A (assinalado no quadro anexo) São por esta via notificados os ocupantes/ utilizadores/ terceiros incertos da barraca acima mencionada que, visto que a respectiva barraca se situa numa zona da estrada provisória que abrirá em breve, de acordo com o disposto na alínea a) do n.º 2 do artigo 21.º e do artigo 24.º do Decreto-lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro, e nos termos do despacho do Presidente do Instituto de Habitação, exarado na Inf. n.º 0162/DAHP/DFH/2011, de 15 de Fevereiro de 2011, os ocupantes/ utilizadores/ terceiros incertos da barraca acima mencionada devem desocupá-la no prazo de 30 dias, a contar da data de publicação do presente aviso. Se não desocuparem a referida barraca no prazo acima mencionado, as acções de desocupação e demolição serão efectuadas, coercivamente, pela entidade competente. Os utilizadores podem apresentar reclamação ao Presidente do Instituto de Habitação, no prazo de 15 dias, a contar da data de publicação do presente aviso, não tendo a reclamação o efeito suspensivo, nos termos dos artigos 148.º, 149.º e do n.º 2 do artigo 150.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro. Os utilizador pode interpor recurso contencioso no Tribunal Administrativo, no prazo de 30 dias, a contar da data de publicação do presente aviso, nos termos do artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro.

O Presidente,

Tam Kuong Man 15 de Fevereiro de 2011


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14 Sérgio Fonseca

O

info@hojemacau.com.mo

s organizadores do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC) viram finalmente confirmadas as suas pretensões de ter uma segunda corrida na República Popular da China no próximo ano e acreditam que esta novidade terá um impacto positivo no Grande Prémio de Macau. Depois das tentativas goradas deste ano, a KSO, empresa promotora do campeonato, chegou a acordo e, com a aprovação da FIA, irá mesmo realizar uma prova do WTCC no Circuito Internacional de Guangdong, localizado a cerca de três horas de distância de carro das Portas do Cerco. “A adição da corrida na China Continental ao calendário de 2011 completa um trio de corridas na Ásia que

desporto WTCC | Corrida na China pode aumentar impacto do GP Macau

Colher bons frutos do vizinho prova o crescimento crucial de popularidade do WTCC a Oriente. O facto dos três eventos estarem localizados na mesma área geográfica e serem realizados num espaço de menos de um mês traz benefícios para o campeonato, como também para os próprios eventos. De facto, cada evento é uma força que promove o evento seguinte”, disse ao Hoje Macau Marcello Lotti, director-geral da KSO. Aprova, que será disputada dois fins-de-semana antes do Grande Prémio de Macau de 2011, será em concomitância com o Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), pois é do interesse dos organizadores do mun-

Calendário • • • • • • • • • • • •

19 e 20 de Março 23 e 24 de Abril 4 e 15 de Maio 4 e 5 de Junho 18 e 19 de Junho 2 e 3 de Julho 16 e 17 de Julho 30 e 31 de Julho 3 e 4 de Setembro 22 e 23 de Outubro 5 e 6 de Novembro 19 e 20 de Novembro

dial atrair a curto prazo os construtores automóveis com fortes interesses na China, numa altura em que já é oficial a retirada da equipa de fábrica da BMW do WTCC em 2011. No primeiro fim-de-semapub

Curitiba, Brasil Zolder, Bélgica Monza, Itália Marraquexe, Marrocos Brno, República Checa Porto, Portugal Donington Park, Reino Unido Oscherleben, Alemanha Valência, Espanha Suzuka, Japão Guandong, China Macau

na de Dezembro, o piloto de Hong Kong, Darryl O’Young, fez uma exibição no circuito da cidade de Zhaoqing, a quarenta quilómetros a nordeste de Cantão, com um Chevrolet Lacetti WTC da Bamboo En-

gineering. “Não nos podemos esquecer que a chegada do WTCC à China Continental envolve também o Campeonato de Carros de Turismo da China, que por seu lado tem uma regulamentação muito próxima à do Campeonato de Macau de Carros de Turismo (MTCC) e ao homólogo de Hong Kong”, explica Lotti que considera que este novo evento não irá fazer sombra à finalíssima na RAEM. Esta união de interesses torna as corridas de carros de turismo muito popular junto aos fãs. “Em conclusão, estou convencido que a prova (em Guangdong) terá um impacto positivo para Macau”, arrematou o patrão do WTCC. A

entrada do circuito da província de Guangdong não prejudicará também as três provas do WTCC em solo lusófono. A prova portuguesa mantém-se no calendário, transitando no próximo ano do Algarve para o Porto, onde o Circuito da Boavista será o palco da sexta ronda da época no dia 3 de Julho, muito embora o traçado portuense tenha ainda que ser homologado, o que faz parte do processo habitual. A época 2011 do WTCC tem início a 20 de Março no Brasil, mas desta vez em Interlagos, município de São Paulo, em vez de Curitiba. O 58.º Grande Prémio de Macau terá lugar de 17 a 20 de Novembro de 2011.

GP3 | português corre pela equipa do filho de Teddy Yip

Félix da Costa repete Macau e quer ganhar A

ntónio Félix da Costa irá competir, em 2011, na GP3 Series e irá disputar o Grande Prémio de Macau em Fórmula 3 no final do ano, juntando-se ao seu gestor de carreira, Tiago Monteiro, como os dois pilotos portugueses já confirmados na 58.ª edição do Grande Prémio de Macau. A GP3 Series é considerada um dos campeonatos mais competitivos e prestigiados para os jovens pilotos que ambicionem chegar a F1. Esta série acompanha todas as jornadas de F1 corridas na Europa. A maior esperança lusa no automobilismo irá estar integrado na equipa Status Grand Prix, equipa sediada em Silverstone, no Reino Unido, e cujo proprietário é Teddy Yip Jr, nem mais, nem menos, que o filho do malogrado Teddy Yip, um dos maior impulsionadores do Grande Prémio de Macau, cunhado de Stanley Ho e sócio fundador do Casino Lisboa.

Tal como o pai, Yip Jr, não esconde a sua paixão pelos desportos motorizados, tendo montado uma equipa para o efeito, esperando este ano que a jovem promessa portuguesa lhe traga tantas alegrias como um dia Ayrton Senna trouxe ao seu pai. “O António e um jovem piloto com muito talento, sabendo combinar, de forma impressionante, uma maturidade e velocidade em pista que o tornam, desde logo, num forte candidato ao título. Estamos muito satisfeitos de podermos contar com ele na nossa equipa”, afirmou Teddy Yip Jr.

Já Félix da Costa referiu: “Estou muito satisfeito com o modo como as coisas estão a evoluir e muito motivado para disputar, palmo a palmo, cada um dos pódios de todas as corridas e lutar pelo título do Campeonato GP3. Estou muito confiante na minha escolha em integrar a Status Grand Prix porque esta equipa dá-me garantias de enorme profissionalismo e dedicação, bem como excelentes recursos em todos os níveis.” Félix da Costa que testou um Fórmula 1 no passado mês de Novembro, quer tornar-se o primeiro piloto português a vencer a cobiçada Taça Intercontinental de Fórmula 3 do Grande Prémio de Macau. “Em Novembro vou estar novamente presente no GP de Macau de Formula 3, mas agora bem preparado para lutar pela vitória”, afirma convictamente o jovem luso que o ano passado foi sexto classificado no Circuito da Guia. – S.F.


[f]utilidades Cineteatro | PUB

[ ] Cinema

Sala 1

Sala 3

(Falado em cantonense) Um filme de: Chung Shu Kai, Eric Tsang Com: Tony Leung, Sandra Ng, Eric Tsang 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

(Falado em putonghua/cantonense, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Benny Chang Com: Andy Lau, Nicholas Tse, Jackie Chan 14.30, 21.15

I love hong kong [B] Preço: Mop50.00

SALA 3

Um filme de: Clint Eastwood Com: Matt Damon, Cecile De France 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

(Falado em cantonense) Um filme de: Byron Howard, Nathan Greno Com: Mandy Moore, Donna Murphy, Zachary Levi 17.00, 19.30

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-VULVAR. TAMO. 2-OTO. BOBINAR. 3-CI. ARMAS. RE. 4-ELUCUBRAR. G. 5-IROSO. NAVA. 6-AZIBO. RUBEO. 7-CACE. MORIL. 8-A. ORTOCOLON. 9-DU. TENIS. SE. 10-ATOARDA. ZIF. 11-RAER. ARPEAR. VERTICAIS: 1-VOCE. ACADAR. 2-UTILIZA. UTA. 3-LO. URICO. OE. 4-V. ACOBERTAR. 5-ABRUSO. TER. 6-ROMBO. MONDA. 7-BAR. ROCIAR. 8-TISANUROS. P. 9-AN. RABIL. ZE. 10-MAR. VELOSIA. 11-OREGAO. NEFR.

solução do problema do dia anterior

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Relativo à vulva. Tambo. 2-Elemento de origem grega que significa orelha Enrolar. 3-101, em romano. Instrumentos. Parte do navio, entre a popa e o mastro grande. 4-Realizer à força de vigílias. Sétima letra e quinta consoante do alfabeto português. 5-Tempestuoso. Planície, planura. 6-Espécie de cogumelo. Rubro. 7-Apanhe algo. Morilho. 8-Ampere. Rigidez de uma articulação, que não permite moverem-se as peças articuladas. 9-Dantes, donde. Desporto com raquetas. Selénio. 10-Atoada. Zero Insertion Force. 11-Arrastar com o rodo. Arpar. VERTICAIS: 1-Tipo de dicção. Aqueles que recebe ou frui uma aca. 2-Usa. Um estado dos EUA. 3-Parte em que se amuram as velas do navio. Diz-se de um ácido contido nas urinas. Oh! 4-Nome dos projecteis teleguiados usados na II Guerra Mundial. Encobrir-se. 5-Planta papilionácea. Segurar nas mãos ou entre as mãos. 6Elemento de origem latina que significa losango. Acto de mondar. 7-Lugar onde se guardam bebidas alcoólicas. Aspergir com gostas de qualquer líquido. 8-Ordem de insectos ápteros. Fósforo. 9-Prefixo de origem grega que designa privação ou negação. Arrabil. Nome de última letra do alfabeto português. 10-Abundância. Género de plantas amarilidáceas. 11-Uma especiaria. Elemento de origem grega que significa rim.

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição

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Tangled [a] Preço: Mop50.00

(ao resolvê-lo, deixe 15 quadros em branco)

REGRAS |

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SALA 2

Hereafter [b] Preço: Mop50.00

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[Tele]visão www.macaucabletv.com

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CINEMAX 42 12:00 14:00 15:45 18:15 20:00 21:45 22:00 23:45

Posse: The Revenge Of Jessie Lee Single White Female 2: The Psycho Zulu Telefon Lakeview Terrace Epad On Max 98 The Dogs Of War Code Of Silence

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The Woman in Red Yentl Red Corner

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(MCTV 50) Discovery Channel 20:00 Mythbusters - Antacid Jail Break

Informação Macau Cable TV


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perfil Gerry B. Dulay | Carpinteiro

Construir uma janela em Macau António Falcão antonio@hojemacau.com

À terceira foi de vez. A sua mulher foi às Filipinas

ver a família e Gerry veio também. Na mão, um bilhete de ida e volta para Macau, como manda a lei, e como todos a esperança de aqui ficar a trabalhar. “Entreguei o meu resumé em todas as agências de trabalho e disseram-me que se houvesse alguma coisa telefonavam.” Não tem sido fácil. Se para as mulheres filipinas o mercado de trabalho sabe sempre construir o seu próprio nicho, para os homens o caso muda de figura e as possibilidades afunilam-se. É raro aquele que consegue transpor a barreira das companhias de segurança. Vamos por partes. O ofício de Gerry é a carpintaria. Mas um carpinteiro faz sempre uma mão cheia de outros biscates. São como uma espécie rara de homem dos sete instrumentos. Seja assentar tijolos, fazer estradas ou canalizações, tudo se faz. Das suas mãos, além das usuais cadeiras, mesas e todo o tipo de armários, já nasceram dezenas de casas. E quando se diz casas diz-se a coisa completa, desde o soalho até à alvenaria das janelas. Foi assim que Gerry começou a organizar a sua vida. Casou-se e pensou que a carpintaria é que era. Mas lá para os lados de Lipa City, a cem quilómetros a sul de Manila, a vida não é pêra-doce. Gerry vem de uma grandiosa família. À primeira vista, as más-línguas talvez pudessem dizer que o passatempo favorito dos pais era procriar, mas o calor ajuda ao vagar e à indolência e nisto passa-se sempre para uma boa sesta, talvez vinda de uma costela espanhola. E daí há sempre azo para mais qualquer coisa. Foi assim que desde pequeno se viu à mesa com mais uma dúzia de irmãos. Nestes casos já se sabe que o que se ganha se gasta em alimentação e este filipino aprendeu bem o rigor da gestão familiar, para mais tarde alimentar a sua prole: três filhas e um filho. O que se alcançava numa semana, gastava-se na seguinte e por aí fora, tudo ao milímetro. Tudo a ser esticado. Não serve? Veste-se assim mesmo. De irmão para irmão. A escola foi rápida e a carpintaria aprendeu-a por si. Deu-se depois de casar a ideia de seguir uma profissão séria e assegurar as suas responsabilidades. Sem nunca ler Beckett, conseguiu seguir os seus ensinamentos. Se à primeira fica mal, à segunda o erro é melhor e vai-se aprumando a obra. A estrutura foi resultando ano após ano. Uma cama, um banco, uma mesa de jardim, tudo foi sendo feito. Depois o fluxo deixou de ser constante. Os materiais encareceram e a própria sociedade de Fernando Airways, uma das terras onde Gerry trabalhava, a uma dúzia de quilómetros de sua casa, começou a sofrer os efeitos de uma crise extemporânea. Foi por isso que a sua mulher resolveu rumar a Macau. A história é sempre a mesma. O sino toca porque uma prima de uma prima de uma prima... lhe deu a notícia de que alguém precisava de uma empregada doméstica aqui neste enclave a alumiar

o Rio das Pérolas. Mesmo sem nunca ter saído das Filipinas, não pensou duas vezes. Fez a malas e partiu. Em Macau, apesar de tudo, há sempre oportunidades e a comunidade filipina é uma evidência há muito tempo, aliás como em grande parte do mundo. Cerca de um sexto da população das Filipinas, na sua maioria mulheres, encontram-se a trabalhar no estrangeiro. E isto acontece desde que Espanha aportou neste arquipélago de 7000 ilhas no século XVI. Nesta história particular, Gerry ficou em terra para tomar conta das filhas ainda adolescentes. A boa notícia era que, a partir daí, uma mensalidade regular chegaria para ajudar no que fosse preciso. Em Lipa City a vida continuava serena. Por vezes juntava seis ou sete homens e respondia aos requisitos da construção civil, pondo mãos à obra para construir mais uma fornada de casas. “Com janelas metálicas e tudo”, diz orgulhoso. “Depois as coisas começaram a ficar ainda mais complicadas”, confessa num inglês muito arranhado. “Muitas fábricas fecharam e horas extra nem vê-las”, isto já somos nós a traduzir à nossa maneira. E foi assim que a solução Macau começou a tilintar. Depois da passagem de ano acompanhou a sua mulher e aterrou no frio glacial de Macau. Para quem vinha do calor eterno dos mares filipinos, com as suas águas reluzentes, abaixo dos 15 graus já se pode considerar um congelador. O certo é que a uma gripe não escapou, deixando-o três dias de cama. Ficou deslumbrado com o território. Mas sempre um pouco em desconforto com os néones e da azáfama do dia-a-dia. Carros e mais carros. Se as agências foram o melhor caminho, uma ajuda aqui e ali não deixou de fazer, só para não ficar de mãos paradas. Toda a gente sabe que um carpinteiro tem de estar sempre ocupado a fazer qualquer coisa. Agora é esperar. A primeira parte do visto para permanecer em Macau foi-se num ai. Depois seguiuse a costumeira visita à China para o estender por mais uns dias. Dias que passam depressa demais. A uma semana de regressar ao seu país natal, a esperança é a última a morrer, apesar de se lembrar bem da resma de notas biográficas que enchiam as secretárias das agências de trabalho em Macau. Mesmo que não fale muito e opte mais pelo silêncio, as mãos de Gerry estão prontas para agarrar qualquer oportunidade. De qualquer modo os planos para o regresso já estão traçados: “Comprar um Carabao!” “Um quê?” Sim, também não sabíamos o que era. Um carabao, de nome científico Bubalus bubalis carabanesis, é uma subespécie domesticada do “búfalo de água”. Quem nos dá a informação é a mulher: “Compramse por 24 mil pesos, alimentam-se durante um ano e depois vendem-se por 37 mil.” No fundo é como um mercado de acções. Só que não dão os mesmos frutos. Mas a gentes de Fernando Airways e Lipa City devem saber o que fazem. E por uma nesga de calor também já nos púnhamos a andar.


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17 ed i t or i a l Carlos Morais José

A importância da TDM Quanto a

isto não tenho dúvidas: convém a Macau uma televisão pública. Um canal que não seja promotor de jogo, que invista na educação e no desenvolvimento qualitativo de toda esta população. E isto é tão verdade em chinês como em português. E convém também a Macau uma televisão cujos conteúdos informativos primem pela independência, a transparência e a clara ideia de que se serve um povo e não um governo. Até porque podem surgir outras. Canais privados de casinos, com as suas preocupações específicas, com o seu entretenimento, com a sua ideologia. Também por isso deve o governo de Macau garantir a existência de um canal que possa existir distante de tudo isso. A TDM deve agradecer a Stanley Ho todo o dinheiro que ali enterrou; mas deve também, ao mesmo, afastar-se definitivamente de qualquer relação com o jogo. Quanto ao novo administrador-delegado: não acredito por aqui em soluções de transição. Não são costume, nunca se constituíram como solução nesta terra. Pelo contrário, temos assistido ao conservar do adquirido, mesmo quando o bom senso o desaconselharia. A RAEM é conservadora. Logo, creio que as soluções encontradas para a TDM são para durar e não para queimar em próxima panchonada. Confessa o próprio que não tem unhas para tocar todas as cordas de tão complicada guitarra. Ainda bem, é bom sinal. Resta saber quem serão as mentes escolhidas para afinar o instrumento ou quem serão os compositores que criarão a partitura. Vistas bem as coisas, a TDM é uma mina. Quero dizer: um canal que pode ser redimensionado e aproveitado, em termos de informação e programação, atribuindo-se um papel outro, uma ambição que não aldeã, e em vários suportes, inclusive linguísticos. O posicionamento estratégico de Macau constitui o sonho de um profissional que deseje estender ideias, relacionar culturas, formar uma população; resumindo, criar uma estação de televisão que cumpra uma função informativa, lúdica e pedagógica, centrando na produção local o grosso do investimento. Deste modo, dar-se-iam oportunidades de emprego a jovens – cuja apetência pelos media parece mais do que óbvia em Macau – ao invés de os remeter aos empregos relacionados com o jogo, diversificando nessa acção a economia. A TDM deveria apostar forte e belo na produção própria, incluindo ficção, e sagrar-se como centro de um desenvolvimento cultural e artístico

na RAEM, promovendo saídas profissionais em quantidade e qualidade. Ao mesmo tempo, seria contraproducente não garantir uma informação abrangente, isenta e independente, que evite tiques de governamentalização, na medida em que tal surgiria como uma fraqueza e não um ponto forte de um governo que não se vê como senhor mas como promotor dos interesses da população e não de grupos específicos. Este seria o destino de uma televisão pública digna desse nome, capaz de ser um dos pilares para o desenvolvimento harmonioso de uma população demasiado embriagada pelas luzes que a cercam. Um canal com um acento obviamente pedagógico mas também capaz de atrair as pessoas pelo facto da sua produção as incluir. A produção local é um caminho tão óbvio que quase dói referi-lo e a inexistência de estúdios de emissão e produção em condições excelentes é um facto que roça o ridículo.

ca rtoon por Steff

Vistas bem as coisas, a TDM é uma mina. Quero dizer: um canal que pode ser redimensionado e aproveitado, em termos de informação e programação, atribuindo-se um papel outro, uma ambição que não aldeã, e em vários suportes, inclusive linguísticos.

Claro que para tal é preciso gastar dinheiro. É fundamental apostar em infraestruturas e formadores de qualidade, vindos daqui, dali e de além-mar. Sem preconceitos nem problemas. Era necessário uma visão que realmente se interessasse pelas necessidades de Macau, pelo seu papel no contexto da China e noutras fronteiras. Uma visão que, por momentos, esquecesse os jogos de interesses locais, colocando-se num horizonte que, futuramente, a todos traria tremendos benefícios. Qualquer televisão constitui uma maisvalia incalculável em qualquer sítio do mundo, em qualquer sociedade, com não importa qual regime. Em todo lado? Não. Há um pequeno território onde a televisão não tem importância e não se percebe se é desprezo ao media ou aos espectadores. A recente nomeação para a cabeça da TDM não esclarece. Mas com certeza que aqui estaremos para assistir às cenas dos próximos capítulos.

efeito dominó


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opinião

18 p er sp ect i va s

Jorge Rodrigues Simão

Poluição do tempo “Although time-savings provide the principal economic justification for new road schemes, the expansion of the road network and the increase in traffic does not seem to have given people more free time. This is because pedestrian time is not evaluated, because cars are deceptively time-consuming, and because people tend to use what time savings they do gain to travel further.” Transport for a Sustainable Future: The Case for Europe John Whitelegg

n

a muito abrangente e importante discussão sobre os recursos finitos do mundo e o ritmo a que estamos a consumi-los, existe um silêncio ensurdecedor acerca do tempo. Não é para admirar. A nossa evolução cultural levou-nos a acreditar que podemos poupar tempo ou aumentar a nossa eficiência se usarmos o tempo de uma forma mais útil. A poupança de tempo tornou-se sinónimo de uma arrogância tecnológica, que assume que as nossas actividades destruidoras, serão transformadas em actividades compensadoras e sustentáveis. A linguagem está repleta de referências a mecanismos que poupam tempo, ou de comentários depreciativos sobre a perda de tempo, e existe um pressuposto que tudo atinge e segundo o qual, as nossas tecnologias e as nossas ciências de gestão, nos permitem tirar cada vez mais partido do irredutível dia de vinte e quatro horas. A própria sustentabilidade, o ponto de intersecção das políticas ambientais globais e nacionais, contém em si, uma transformação do tempo. Se não significa reduzir o consumo de modo a prolongar a vida dos nossos recursos finitos, então não significa nada. Se não consegue abranger uma abordagem mais moderada e prolongada da organização das actividades humanas, então é uma fraude. Independente do nosso consumo e recursos finitos, é a velocidade a que os consumimos, e a sua amplitude é a velocidade à qual o planeta consegue fazer frente, reparar e gerir os danos sofridos. Se não conseguimos abrandar processos que poluem a atmosfera, reduzem a biodiversidade, precipitam a mudança do clima, destroem comunidades e laços entre as pessoas e os lugares, então a nossa luta histórica contra o tempo encarregar-se-á de nos afastar. Perder tempo, no sentido de termos horizontes a longo prazo, sem procurarmos os lucros dos investimentos a três ou a cinco anos, e levando tempo a fruir os nossos ambientes locais e a experiência do lugar, pode vir a ser a estratégia ambiental mais importante que poderíamos adoptar. O tempo e o espaço no sentido terrestre definem as actividades humanas, delimitam o que é possível e determinam os níveis de con-

sumo de energia, a interacção social, a poluição e a qualidade de vida. O tempo e o espaço têm significados muito diferentes, para os diversos grupos existentes na sociedade. Isto é verdade a um nível global, em que alguns grupos podem agir num ambiente, quase isento de constrangimentos de tempo e espaço, e outros estão profundamente enraizados em locais e envolvidos em ritmos temporais, que definem efectivamente a sua cultura e língua. O operador dos mercados financeiros da “Wall Street” funciona globalmente e numa realidade virtual não localizada, que permite e fomenta actos que destroem o ambiente e a cultura. A compensação e a gratificação instantânea, a arrecadação do lucro e uma situação global sem um compromisso total, constituem um forte incentivo à destruição ambiental e à rejeição de um pensamento a longo prazo.

que por sua vez requer energia, produz poluição e intensifica o consumo de recursos. O cientista Cesare Marchetti comentou as relações, ao longo do tempo, entre os gastos de tempo, dinheiro e de esforço nos transportes. Observou que o tempo gasto nos transportes nos países desenvolvidos corresponde a uma hora e meia por dia, por pessoa e a 19 por cento do nosso rendimento disponível. Acerca de economias do tempo e do consumo destas a maiores distâncias e com um aumento crescente do consumo de energia e de recursos (poluição do tempo), argumentou que a atribuição de tempo e dinheiro aos sistemas de transportes disponíveis, é feita para maximizar a distância. A sua conclusão é, pois, clara e fundamental para a noção de poluição do tempo. Os dois objectivos dos sistemas de transportes são o mais depressa e o mais barato possível. As vantagens tecnológicas que nos

A poupança de tempo tornou-se sinónimo de uma arrogância tecnológica, que assume que as nossas actividades destruidoras, serão transformadas em actividades compensadoras e sustentáveis A libertação dos constrangimentos de tempo e espaço, produz um impacto físico e psicológico. A maioria dos problemas que actualmente chamamos de ambientais, é uma consequência da redistribuição do tempo que foi libertado graças a quaisquer meios tecnológicos, e atribuído a outras actividades que, por sua vez, consomem tempo e recursos a um ritmo mais acelerado. Se pouparmos tempo indo de automóvel para o emprego em vez de irmos a pé, consumiremos esse ganho de outra forma qualquer. Se pouparmos tempo recorrendo a mecanismos que de certo modo nos poupam trabalho, também poderemos sentir necessidade de adquirir bens de consumo, ou de andar de automóvel para utilizar o tempo que poupámos. As economias de tempo não tem implicações neutras no que diz respeito aos recursos. Os benefícios decorrentes das economias de tempo, serão consumidos por outra actividade,

permitem viajar mais num espaço de tempo fixo, criam mudanças que aumentam as distâncias que percorremos, e nas quais fazemos circular as mercadorias. As dimensões psicológicas destas alterações físicas são igualmente importantes. Se deixarmos de viver, trabalhar e conviver dentro de uma área geográfica exígua, como o caso de Macau, sentimos que a nossa experiência se altera, deixando de ser específica de uma determinada localidade para não pertencer a nenhuma em particular. As viagens de automóvel, avião e comboio de alta velocidade impõem enormes custos sociais e ambientais, àqueles que sentem o impacto da sua proximidade. As pessoas que passam, não se interessam pelos corredores que vão devastando; querem poupar tempo, chegar ao destino, terminar a viagem. O seu tempo foi avaliado pela sociedade, mas o tempo que foi gasto (poluído) nos corredores é desvalorizado. Não é importante.

Constroem-se novas estradas e novas linhas de caminhos-de-ferro para poupar tempo ao viajante. Sempre que um viajante poupa tempo, está a impor ruído, resíduos, perigo e poluição a milhares de residentes locais, que por residirem nesse lugar, são obrigados a sofrer as consequências. As suas conversas são interrompidas, o tempo que levam a atravessar a rua, a chegar à escola, a ir às compras será maior por causa da nova estrada, ou o aumento de tráfego nas estradas adjacentes criados pela nova estrada dividiu o local onde residem. Milhares de horas de tempo local, considerados todos os residentes, serão sacrificadas para os que estão em trânsito possam poupar tempo na viagem. A deterioração das condições ambientais locais provocada pelo aumento do tráfego convencerá os pais a impedirem os filhos de atravessarem estradas ou irem a pé. Os pais e outros adultos gastarão então milhares de horas sentados nos automóveis para irem levar e buscar os filhos à escola, à piscina, ao cinema, a casa dos amigos e a actividades organizadas. Fazem-no porque os assusta a insegurança dos seus filhos nas estradas. As economias de tempo implícitas no planeamento de novas estradas, e os seus elaborados cálculos de custo-benefício, traduziram-se por enormes sobrecargas de tempo para outras partes do sistema. Para muitos grupos sociais, em especial para os idosos, que ao contrário do que politicamente se apregoa a nível mundial, vão tendo cada vez menor qualidade de vida, a redistribuição de tempo que uma nova estrada desencadeia pode ser desastrosa. Significa que muitas das vezes não podem atravessar estradas e que, portanto, estão privados de actividades como passar o tempo com os amigos a menos que estes venham buscá-los de automóvel, ou que o conduzam, aumentando assim os problemas daqueles que não tem acesso a um automóvel. Significa que têm de passar mais tempo em casa e não na rua, onde a sua presença é uma parte essencial da vida da comunidade e pode encorajar outros a sair. O espaço público que é roubado aos residentes pelo trânsito foi apurado avaliando o tempo dos automobilistas/passageiros, através de uma análise custo-benefício feita em computador, que se limita a fornecer o resultado pretendido. Se um valor for introduzido no tempo dos ocupantes de um automóvel e inserido num processo matemático falso, dará como resposta a necessidade de novas estradas. Tudo o resto que se prende com a qualidade de vida dos peões, das crianças, dos idosos e da comunidade é ignorado. O tempo foi usurpado para justificar uma opção política grosseira a favor de novas estradas.


árduo

O trabalho salva-nos de muitas coisas e até de nós mesmos.

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19

Padre Manuel teixeira [1912-2003]

opinião

u m g r i t o n o d eser t o Paul Chan Wai Chi*

Crise escondida numa época próspera A

s receitas de Macau derivadas da sua indústria do jogo já superaram as de Las Vegas, passando a ser as mais elevadas em todo o mundo. Mesmo assim, há muitas crises escondidas por trás da prosperidade de Macau a ponto de, se a economia sofrer um deslize, os residentes não estarem preparados para lidar com a crise, uma vez que já estão habituados a viver num ambiente estável. O texto que se segue é sobre dois assuntos triviais que acontecem na vida quotidiana, suficientemente bons para levantar alguns problemas importantes. O tempo tem estado frio ultimamente e o “fondue chinês” (ou “hotpot”) torna-se a escolha ideal para um jantar. Na terça-feira passada, fui com a família comer um destes pratos típicos num restaurante perto de casa. Havia dois tipos de “fondue” disponíveis. No primeiro, pode pedir-se pratos de comida um por um, cada um com o seu preço, e há uma grande variedade. O segundo tipo implica que se coma tanto quanto possível dentro de duas horas e o preço é mais reduzido, mas desfruta-se de menos variedade de comida e as bebidas não estão incluídas. Como gosto de comer carne, optei pelo primeiro tipo de “hotpot”. Não havia ali muitos clientes quando chegámos ao restaurante e a comida que pedimos não demorou a vir para a mesa. Para os clientes que chegaram mais tarde, esperas de 30 minutos não chegavam para a comida aparecer. Quando já me sentia um sortudo pela pronta chegada da comida, era tempo de pedir a segunda rodada. A água foi reposta na panela quente um par de vezes enquanto esperávamos pela segunda rodada de comida. Perguntámos ao empregado o que se passava com a nossa comida que nunca mais vinha, mas sem grande resposta da parte dele. A minha mulher pediu então a terceira ronda de comida, composta sobretudo de vegetais. Surpreendentemente, os vegetais chegaram pouco depois mas nada tinha ainda aparecido referente à segunda rodada, que era composta de carne de vaca e enguia fatiada, iguarias predilectas dos locais. Frustrado, falei com um empregado que parecia ser o gerente do restaurante e queixei-me sobre a chegada tardia da comida. O gerente ouviu a minha reclamação mas a sua face não exprimiu uma única expressão. Pouco depois, ele pôs um prato de carne fatiada na minha mesa e afastou-se sem proferir uma palavra. Nessa altura, clientes

que tinham pedido “fondue” na variante “a la carte” tinham de esperar pela sua comida prato a prato enquanto os que optaram pelo “tudo-o-que-conseguires-comer” apenas desfrutaram de um atendimento satisfatório ao princípio. Sem recebermos qualquer atenção dos empregados, enchemos os nossos estômagos de vegetais e frustrações. Pelo que me apercebi, não se tratava de um problema de falta de pessoal, o restaurante simplesmente negava atenção de forma deliberada aos clientes que escolhiam o “hotpot” versão “tudo-o-que-conseguires-comer”. Estes clientes eram servidos com alimentos caros apenas uma vez. Se queriam mais, os empregados do restaurante não atendiam os seus pedidos de propósito. Esses clientes esperavam e esperavam até desistirem do que haviam pedido. Mesmo que a comida fosse servida a esses clientes, a qualidade dos alimentos era muito inferior à da primeira dose. Hoje em dia, o negócio da restauração em Macau está a explodir. Uma vez que há tanto negócio, muitos restaurantes dão-se ao luxo de tratar mal os clientes, sem qualquer conduta moral. Não voltarei àquele restaurante, uma vez que se pode fazer uma série de pedidos mais apenas alguns acabam por aparecer na mesa. A longo prazo, acha que esse tipo de restaurante será um bom negócio? A reputação a indústria da restauração em Macau está a ser arruinada por restaurantes assim! Se os estabelecimentos de comidas funcionam assim, o que dizer dos serviços

O desenvolvimento económico de Macau está ainda a acelerar apesar do facto de a qualidade da sua administração e governantes permanecer estagnada. Isso é comparável ao um pequeno barco completamente carregado de mercadorias, capaz de virar à mínima brisa ou ondulação. As consequências são fatais públicos, como os transportes? Moro na ilha periférica e há uma paragem de autocarro em frente ao meu prédio. Ao tentar levar uma vida “verde”, como promove o Governo, escolhi apanhar o autocarro para Macau depois do meu jantar de “hotpot” para esquecer, em vez de conduzir o meu carro. Não havia muita gente à espera na paragem, mas havia muitos passageiros dentro do autocarro. Baseado na minha experiência em autocarros, a primeira coisa que se faz quando se consegue esgueirar para dentro do autocarro é procurar posicionar-se mais perto possível da traseira do veículo, uma vez que mais pessoas deverão querer entrar nas próximas paragens. Na paragem seguinte, as pessoas que se acotovelavam para dentro do autocarro já se espremiam de pé até ao

lado do motorista e a porta mal fechava. O autocarro não parou nas paragens seguintes para que pessoas entrassem. Apenas parou a uma certa distância da paragem para deixar que algumas saíssem. Pensei que o autocarro lotado iria directamente para Macau sem parar. No entanto, houve passageiros que quiseram sair na paragem do hotel New Century. O motorista abriu então a porta do meio para que os passageiros saíssem do autocarro e duas pessoas aproveitaram para entrar por ali, dizendo ao condutor que pagariam o bilhete quando chegássemos a Macau. O motorista disse-lhes que a companhia dos autocarros não permitia que as pessoas entrassem pela porta do meio e que, se eles não saíssem do autocarro, ele não seguiria. Incitadas por passageiros que estavam dentro do autocarro, essas duas pessoas tentaram entrar no veículo pela porta da frente, mas não conseguiram após algumas tentativas. Havia um stand da polícia na paragem de autocarros do New Century. Ao princípio, o polícia não quis intervir. Mas vendo que o autocarro estava ali parado há já algum tempo, o agente resolveu vir tentar manter a ordem e impediu que mais pessoas entrassem no já lotado autocarro. Não condeno esse polícia porque ele tem de lidar com tantos casos corriqueiros diariamente. Ele ter-se-á tornado, de certa forma, indiferente em relação a fenómenos fora do comum. A questão principal reside no facto de o Governo ter já assinado um novo contrato com a companhia de autocarros mesmo sem esta ter melhorado os seus serviços. Uma vez que não há um acompanhamento do serviço prestado pela empresa de autocarros nem prática de responsabilização pelos mesmos, a companhia não tem pressa em melhorar os seus serviços enquanto tiver uma fonte estável de receitas. O desenvolvimento económico de Macau está ainda a acelerar apesar do facto de a qualidade da sua administração e governantes permanecer estagnada. Isso é comparável ao um pequeno barco completamente carregado de mercadorias, capaz de virar à mínima brisa ou ondulação. As consequências são fatais. O que acabo de mencionar vem da minha experiência pessoal. Só espero que os meus temores não acabem por se transformar em realidade. *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção António Falcão; Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Kahon Chan; Rodrigo de Matos Colaboradores Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Pensas muito?

penso... naquela filha da...

... pata

!!!

Cadeia de farmácias vende medicamento falsificado desde 2001

O bálsamo dos tolos Kahon Chan

kahon.chan@hojemacau.com.mo

A

queixa partiu de um turista da China Continental – uma cadeia de farmácias tem estado a vender um bálsamo medicinal contrafeito em três estabelecimentos localizados no centro da cidade desde 2001. Ao revendedor foram apreendidos 5790 frascos do bálsamo importado de Hong Kong. Embora os rótulos não sejam parecidos com os do produto original, os Serviços de Alfândega afirmam que os consumidores tendem a ser enganados pelos vendedores. O produto falsificado era uma imitação do medicamento designado como “Bálsamo Medicinal Wong To Yick Wood Lock” – marca de bálsamo oleoso baptizada com o nome do fundador da empresa que o produz desde 1968 – feito à base de azevinho, terebintina, menta, cânfora e angélica, e que serve para aliviar dores e tonturas. O fornecimento em Hong Kong tem alegadamente enfrentado problemas desde Outubro para responder à crescente procura que tem na China o medicamento, que é um popular “souvenir” entre os turistas chineses que consideram que os vendedores nas Regiões

Administrativas Especiais (RAE) são mais fiáveis. Foi um desses turistas que, ao comprar uma garrafa numa farmácia do Istmo Ferreira do Amaral, notou que a embalagem não era bem igual ao que estava habituado a comprar. Na altura, o vendedor da farmácia disse-lhe que se tratava de uma nova embalagem, mas o turista acabaria mais tarde por confirmar tratar-se de uma imitação e apresentou uma queixa ao Conselho de Consumidores e à Direcção dos Serviços de Economia (DSE) em Macau. A Alfândega de Macau verificou que “Wong To Yick” era uma marca registada e fez uma rusga às três farmácias da rede em causa para confiscar 5760 garrafas do bálsamo falso. Mediante aprovação do Ministério Público (MP), amostras vão ser enviadas aos Serviços de Saúde (SS) para apurar se o bálsamo falsificado representa algum perigo para a saúde. O nome da cadeia de farmácias não foi oficialmente revelado, mas o Governo deixou saber que as outras lojas se situavam na Avenida da Longevidade (Iao Hon) e na Avenida de Horta e Costa. A MASTV concluiu a partir daí tratar-se das farmácias Wan Tung.

Primeira vítima de gripe H1N1 Depois de um mês de tratamento no Hospital Kiang Wu, a mulher de 47 anos internada com gripe H1N1 morreu na manhã de ontem. A paciente começou a apresentar os primeiros sintomas de febre e tosse no passado dia 14. O filho com quem morava e a irmã mais nova com quem trabalhava também manifestaram sintomas de gripe, mas recuperaram rapidamente. Foi o quarto caso crítico de gripe este ano, duas crianças que já tiveram alta do Centro Hospitalar Conde de São Januário e um homem de 38 anos que continua em tratamento. Os Serviços de Saúde não constatam uma tendência de subida no número de casos, no entanto continuam atentos ao desenvolvimento da epidemia. O organismo apresentou as condolências à família da falecida e apelou aos cidadãos para prestarem atenção à prevenção da gripe. Os Centros de Saúde de Areia Preta e de Tap Seac vão prestar serviço de vacinação nos próximos sábado e domingo, das 9h30 às 16h30.

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Hoje Macau 18 FEV 2011 #2312