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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MACAU | HONG KONG

UM MAR DE DIFERENÇAS LUSA

GRANDE PLANO

Rota dos barrados PÁGINA 5

OPINIÃO

DISPONÍVEL PARA AMAR TÂNIA DOS SANTOS

hojemacau

O dedo na língua Na sequência das declarações do presidente do Tribunal de Última Instância, Sam Hou Fai, de que quer fazer do chinês a língua oficial dos tribunais, Neto Valente veio a terreiro sublinhar que o português, segundo a lei, é língua oficial. “Acho que

HENGQIN

[Sam Hou Fai] está equivocado. O que está na Lei Básica (...) é que o português também é língua oficial. Se não querem falá-la, não posso obrigá-los”, disse o presidente da ADM, que lamentou ainda não ser fluente em cantonense.

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Viver na Montanha PÁGINA 7

AUTOMOBILISMO

SOUZA NA CHINA? PÁGINA 17

RAEM 20 ANOS

Cresce e aparece PÁGINA 9

MOP$10

MATTIE DO | FITAS ÚNICAS ENTREVISTA

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FRONTEIRA

QUARTA-FEIRA 18 DE DEZEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4435


2 grande plano

18.12.2019 quarta-feira

RAEM 20 ANOS

UM OCEANO DE O

p r i m e i r o governador de Macau em democracia defende que Pequim quer fazer da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) um caso de sucesso e considera que a crise em Hong Kong não é extrapolável para este território. “Eu julgo que o regime chinês quer fazer de Macau um caso de sucesso”, declarou à agência Lusa o general Garcia Leandro, que governou Macau entre 1974 e 1979. Questionado sobre se os protestos que há seis meses ocorrem em Hong Kong se podem estender à RAEM, Garcia Leandro começou por dizer que se tratam de duas realidades diferentes em termos históricos, de massa crítica e de população. “A situação não é paralela, não se pode extrapolar de Hong Kong

para Macau”, afirmou o general, presidente da Fundação Jorge Álvares, uma estrutura criada no quadro da transferência da administração que tem como objectivo promover o diálogo intercultural entre Lisboa e a RAEM. Hong Kong é palco de manifestações desde Junho, em protesto contra uma proposta legislativa que permitiria a extradição de suspeitos para a China continental. O Governo de Hong Kong acabou por retirar a proposta, cedendo a uma das exigências dos mani-

FOTOS LUSA

O actual presidente da Fundação Jorge Álvares e Governador no período entre 1974 e 1979, Garcia Leandro defende que que a crise política que se vive em Hong Kong não é “extrapolável” a Macau por estarmos perante dois territórios completamente diferentes. Para o ex-Governador, o Governo Central quer muito que Macau seja um caso de sucesso e defende uma “identidade própria” para as quatro comunidades que existem no território

GARCIA LEANDRO, SEPARA AS ÁGUAS ENTRE MACAU E HONG KONG

festantes, mas a decisão não foi suficiente para travar os protestos anti-governamentais em prol de reformas democráticas e contra a alegada crescente interferência de Pequim no território. Face aos protestos em Hong Kong, “Pequim tem tido uma grande contenção”, para evitar tomar uma posição de força, considerou Garcia Leandro. O general, apesar de não querer entrar em especulações, disse que “dá a sensação” que “há ali uma mãozinha do exterior a empurrar”.

“De onde é que essa mãozinha do exterior vem não sei nem quero especular (…), mas é evidente que pode haver ali Taiwan, pode haver ali os Estados Unidos [país em guerra comercial com a China]”, comentou. Em declarações ao HM concedidas em Junho, relativas à implementação da política “Uma Faixa, Uma Rota”, Garcia Leandro comentou um possível impacto dos protestos de Hong Kong, uma vez que a independência do sistema jurídico e judicial das regiões administrativas especiais “envolve

“De onde é que essa mãozinha do exterior vem não sei nem quero especular (…), mas é evidente que pode haver ali Taiwan, pode haver ali os Estados Unidos [país em guerra comercial com a China].” SOBRE OS PROTESTOS EM HONG KONG

grandes empresas internacionais que necessitam de ter uma base fiscal e jurídica sólida e estável e não se podem arriscar a ter pessoas extraditadas para a China e a serem julgadas lá. É uma situação que espero que venha a ser bem resolvida, mas que demonstrou algumas fragilidades”, acrescentou. Garcia Leandro defendeu também que há o risco de a China enfrentar resistências na hora de negociar de forma bilateral ou multilateral com os países, mas que o projecto “Uma Faixa, Uma Rota”, na sua essência, “não se vai alterar”. No entanto, “é preciso ter cuidado com a situação e os estatutos, porque as pessoas e as empresas que estão nas regiões administrativas especiais têm estatutos registados para um período de 50 anos, com um quadro jurídico local e a independência dos tribunais. A reacção


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quarta-feira 18.12.2019

E DIVERSIDADE

de Macau e os portugueses de Macau: “Existe entendimento, sempre viveram ali em conjunto”. Já quanto aos chineses que vêm do continente, “têm vivido num mundo fechado” e têm “alguma incompreensão” em perceber a realidade de Macau. “Eles não têm, como os chineses de Macau, um conhecimento do passado histórico, da relação social que havia, porque há muitos casamentos mistos e muitas ligações, mesmo sem ser através do casamento, há muitas ligações mistas”, notou. Relativamente a Portugal, o general destacou que a China tomou nos últimos tempos “atitudes muito significativas”.

“A situação não é paralela, não se pode extrapolar de Hong Kong para Macau.”

da população de Hong Kong, que foi muito grande, tem a ver com uma habituação da população a um determinado sistema que seria alterado (com a lei da extradição), criando uma perda de confiança de que a China não poderia beneficiar”. Sobre as questões de cibersegurança na China, Garcia Leandro chegou a defender ao HM que “não [devem tirar o sono às pessoas]”, por serem “questões que resultam da ciberguerra e das necessidades cibersegurança, que actualmente acontecem em todo o lado”.

“A China percebe que não lhe vão fazer uma guerra, porque tem uma grande massa crítica para aguentar, mas pode ter intervenções do exterior através da via digital para tentaram destruir alguma coisa por dentro. É evidente que Hong Kong é um sítio fácil para essas pretensões e Macau acaba por ser arrastado”, acrescentou.

A HERANÇA PORTUGUESA

Quanto à RAEM, Garcia Leandro referiu que “as autoridades chinesas de Macau têm demonstrado

“São os macaenses, ou seja, os portugueses de Macau, são os portugueses da Europa, são os chineses de Macau e são os chineses do continente. O que interessava era criar uma identidade própria com esta gente toda.”

uma grande capacidade de compreensão na relação com a história portuguesa e a herança portuguesa, as associações e instituições portuguesas”. Garcia Leandro fundamentou a sua opinião sobre a situação de Macau com o que viu em sucessivas visitas que fez à RAEM nos últimos anos (2011, 2018 e 2019). “Visitei tudo e nunca vi aquelas associações, instituições tão bem tratadas como agora”, constatou. “Interessa a Pequim que o caso de Macau seja um sucesso” e o novo Chefe do Executivo, que toma posse esta semana, Ho Iat Seng, e os membros do seu Governo são “um sinal de grande esperança na manutenção desta linha de comportamento”, considerou. O general, de 79 anos, destacou ainda a visita do Presidente da China e líder do Partido Comunista Chinês,

Xi Jinping, “a Macau para as comemorações” dos 20 anos da RAEM. A agência noticiosa oficial Xinhua confirmou a visita de Xi Jinping a Macau entre 18 e 20 de Dezembro, para participar nas comemorações e na cerimónia de inauguração do quinto Governo da RAEM.

INTEGRAR AS COMUNIDADES

Na mesma entrevista, o general Garcia Leandro afirmou que o território “tem quatro comunidades etnicamente, socialmente e culturalmente diferentes”. “São os macaenses, ou seja, os portugueses de Macau, são os portugueses da Europa, são os chineses de Macau e são os chineses do continente. O que interessava era criar uma identidade própria com esta gente toda”, declarou. Segundo o general, já existe entendimento entre os chineses

Uma foi ter proposto em 2005 que o centro histórico de Macau fosse classificado património mundial da humanidade pela UNESCO, o que aconteceu em 2006. Outra, em 2003, foi a criação do Fórum Macau e, em 2005, a parceria estratégica com Portugal. “O Fórum Macau é [no fundo] as relações da China com os países de língua portuguesa que têm como base Macau. E ali existe um representante de cada um dos países, tipo cônsul ou embaixador que está ali a trabalhar, além de fazer encontros de advogados, de empresários, de estudantes”, descreveu. Portanto, “esta relação com a China nunca deve ser desperdiçada”, defendeu. “Deve ser aproveitada sabendo nós defender os nossos interesses, porque os chineses também defendem os seus interesses e a relação connosco é não só histórica, mas também é uma relação de interesses, também nos países de língua portuguesa como é evidente”, disse. Lusa


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18.12.2019 quarta-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 707/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 708/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor HUANG SHEHONG, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º W68327xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 144/DI-AI/2017 levantado pela DST a 06.06.2017, e por despacho da signatária de 13.12.2019, exarado no Relatório n.° 534/DI/2019, de 06.12.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade de Santarém n.° 416, Edf. “Hot Line”, 4.° andar AB, Macau onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HE, XIAOZHU, portadora do Passaporte da RPC n.° E30633xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 144.1/DI-AI/2017 levantado pela DST a 06.06.2017, e por despacho da signatária de 13.12.2019, exarado no Relatório n.° 535/DI/2019, de 06.12.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade de Santarém n.° 416, Edf. “Hot Line”, 4.° andar AB, Macau.-----O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Dezembro de 2019.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Dezembro de 2019.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

Anúncio [107/2019] 1. 2. 3. 4.

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9. MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 808/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 835/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LAI SHING YAN, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° E2928xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 241/DI-AI/2017 levantado pela DST a 20.10.2017, e por despacho da signatária de 13.12.2019, exarado no Relatório n.° 590/DI/2019, de 18.11.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.os 210-212, Kam Fung Tai Ha, Bloco 2, 18.° andar M onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHONG HUA, portador do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C17196xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 256/DI-AI/2017 levantado pela DST a 06.11.2017, e por despacho da signatária de 13.12.2019, exarado no Relatório n.° 611/DI/2019, de 25.11.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.o 341, Edf. Kam Yuen, 13.° andar B, Macau onde se prestava alojamento ilegal.----------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Dezembro de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Dezembro de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

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Entidade que realiza o concurso: Instituto de Habitação. Modalidade do concurso: Concurso público. Designação do concurso: Substituição do sistema de controlo de acesso dos edifícios administrados pelo Instituto de Habitação. Objectivo: Substituição do sistema de controlo de acesso e instalação do sistema de assiduidade nas seguintes habitações sociais deste Instituto – Edifício Lok Kuan, Bairro Social da Taipa, Edifício Iat Seng, Edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho, Bairro Social de Tamagnini Barbosa, Edifício Cheng Choi, Edifício Cheng Nga, Edifício Cheng Chong, Edifício Cheng Chun, Edifício Fai Tat, Edifício Fai Fu, Edifício Fai I, Edifício Mong In, Edifício Mong Sin, Edifício Hou Kong Garden, Blocos 3, 4 e 5, e San Seng Si Fa Un, Bloco 17. Prazo de execução: O prazo de execução não deve exceder 200 dias úteis. (Para efeitos do cálculo do prazo da presente prestação de serviços, não serão considerados os domingos e os dias de feriado fixados na Ordem Executiva n.º 60/2000, como dias úteis. Os trabalhos de encomenda, instalação e teste estão incluídos no prazo de execução.) Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do termo do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa do concurso. Requisitos dos concorrentes: 7.1 Podem concorrer ao presente concurso as sociedades comerciais que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, cujo âmbito de actividade, total ou parcial, inclua a instalação/ reparação/manutenção dos sistemas de baixa tensão/controlo de acesso/assiduidade/informática/software/ segurança e furto/tecnologia de informática/electromecânico, ou os empresários comerciais, pessoa singular, cujo âmbito da sua actividade, total ou parcial, inclua a instalação/reparação/manutenção dos sistemas de baixa tensão/controlo de acesso/assiduidade/informática/software/segurança e furto/tecnologia de informática/ electromecânico, não sendo aceite a participação no concurso através do contrato de consórcio. 7.2 São proibidos todos os actos ou acordos susceptíveis de falsear as condições normais de concorrência, devendo ser rejeitadas as propostas e candidaturas apresentadas com base em tais actos ou acordos. Especialmente, quando duas ou mais propostas apresentadas, tenham os mesmos sócios ou membros do órgão de administração, as propostas em causa devem ser rejeitadas. Obtenção do processo do concurso: Os concorrentes podem consultar e obter o respectivo processo do concurso na recepção do Instituto de Habitação, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, r/c L, Macau, durante as horas de expediente. Caso pretendam obter fotocópias do documento acima referido, devem pagar a importância de MOP1 000,00 (mil patacas), em numerário, relativa ao custo das fotocópias, ou podem proceder ao download gratuito na página electrónica do Instituto de Habitação (http://www.ihm.gov.mo). Caução provisória: O valor da caução provisória é de $ 54.000,00 (cinquenta e quatro mil patacas), prestada por depósito em numerário ou por garantia bancária. Caução definitiva: O valor da caução definitiva é de 4% do montante global da adjudicação, prestada por depósito em numerário ou por garantia bancária. Preço base: Não existe preço base. Visita aos locais: Local de concentração: Rua do Comandante João Belo, Edifício Fai Tat, Bloco 1, Macau (no exterior, junto ao átrio do edifício habitacional). Data e hora: 30 de Dezembro de 2019 (Segunda-feira), às 9H30. Local, data e hora para a entrega das propostas: Local: Recepção do Instituto de Habitação, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, r/c L, Macau. Data e hora limite de entrega: 10 de Fevereiro de 2020 (Segunda-feira), às 13H00. Em caso de encerramento deste Instituto por motivos de tempestade ou de outro motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega das propostas serão prorrogadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, data e hora para o acto público do concurso: Local: Estrada do Canal dos Patos, n.º 158, Edifício Cheng Chong, r/c H, Macau. Data e hora: 11 de Fevereiro de 2020 (Terça-feira), às 09H30. Em caso de prorrogação da data limite para a entrega das propostas mencionada no ponto 12 ou em caso de encerramento deste Instituto na hora estabelecida para o acto público do concurso acima mencionado, por motivos de tempestade ou de outro motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão prorrogadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Critério de adjudicação: 15.1 O critério de adjudicação do presente concurso é o do preço mais baixo proposto. 15.2 Os concorrentes com o mesmo preço mais baixo ou os procuradores dos concorrentes têm obrigatoriamente de comparecer pessoalmente ao acto público do concurso, pois caso exista mais do que um concorrente que ofereça o mesmo preço mais baixo, proceder-se-á, em acto contínuo, pelo período de 15 minutos, à licitação verbal entre os concorrentes nessas condições, de acordo com o disposto no Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, sendo o critério de adjudicação em conformidade com o novo preço. Outros assuntos: Os pormenores e quaisquer assuntos a observar sobre o respectivo concurso encontram-se disponíveis no processo do concurso. Informações posteriores sobre o presente concurso serão publicadas na página electrónica do Instituto de Habitação (http://www.ihm.gov.mo).

Instituto de Habitação, aos 4 de Dezembro de 2019. O Presidente, Arnaldo Santos


política 5

quarta-feira 18.12.2019

HONG KONG JORNALISTA IMPEDIDO DE ENTRAR EM MACAU

O novo normal Jack Tsang, que vinha ao território cobrir as celebrações do 20º aniversário da RAEM, foi retido durante quase três horas num posto fronteiriço de uma ilha artificial da Ponte HKZM e, segundo o South China Morning Post, terá sido interrogado por oficiais chineses. Depois de lhe terem dito que estaria impedido de entrar em Macau nos próximos dias, o jornalista diz ter sido fotografado e revistado

antes de ser enviado de regresso a Hong Kong. À margem da tomada de posse de magistrados, entre eles José Maria Dias Azedo como juiz do Tribunal de Última Instância, Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau, endereçou o assunto. Primeiro, confessou não conhecer a estação televisiva. “Não sei quem passou e quem foi impedido. Não sei o que é a Now

TV, não conheço. Presta para alguma coisa? Eu nunca vi. Nem sei o que é. Se fosse a TVB conhecia e outras também, mas a Now TV não”, começou por dizer. De seguida, o advogado questionou os motivos para a recusa de entrada. “Já ouviram as razões que os impediram de entrar? Não sei se a segurança está a ser exagerada. Eu passo e não tenho tido nenhum problema nem para cá nem para lá.

Nos últimos dias não tenho passado. Sei que mandei um carro levar pessoas para lá e para cá e não tenho tido problemas. Entraram e saíram”.

REGISTO FEITO

Um fotógrafo da mesma estação que Jack Tsang, e que o acompanhava na viagem a Macau não foi impedido de entrar no território. De acordo com a Now TV, ambos os profissionais haviam feito registo junto das autoridades de Macau para cobrir os eventos. Importa referir que a Now TV faz parte do conglomerado PCCW Media, que tem como director o filho do bilionário Li Ka-shing.

“Fui abordado por um homem que me avisou que era melhor não ir à China nos próximos dias, que devia trabalhar normalmente, como um bom menino, sem fazer parvoíces.”

TIAGO ALCÂNTARA

Um repórter da estação Now TV de Hong Kong foi impedido de entrar em Macau num posto de controlo situado na Ponte HKZM. Por cá, um jornalista local conta que foi abordado por um indivíduo que o terá avisado que seria melhor não visitar a China nos próximos tempos, e que se devia comportar como um “bom menino”

“F

UI abordado por um homem que me avisou que era melhor não ir à China nos próximos dias, que devia trabalhar normalmente, como um bom menino, sem fazer parvoíces”, conta Roy Choi, jornalista de um portal de informação dedicado ao jogo. Apesar de já não ter contacto profissional com política, nem estar interessado, Roy Choi trabalhou até Junho do ano passado no portal Macau Concealers. Seguindo a toada do comunicado da Associação dos Jornalistas de Macau, que denunciou pressões a profissionais locais, Roy Choi referiu que ontem de manhã um jornalista de um órgão de comunicação social de língua chinesa terá deixado Macau, sob pressão da entidade patronal, e ficará fora do território durante a visita de Xi Jinping. Também um repórter de Hong Kong, da Now TV, foi ontem impedido de entrar em Macau.

Património Assinado acordo para criar centro de preservação

Chui Sai On e o Ministro da Cultura e Turismo da República Popular da China, Luo Shugang assinaram ontem um memorando de cooperação para a construção do “Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau”, assinalando o estabelecimento do “Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau” no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau. O centro tem como objectivo incentivar a protecção do património cultural, a investigação e desenvolvimento das indústrias culturais e criativas, e a promoção educacional, com vista a promover o desenvolvimento dos empreendimentos e indústrias culturais de Macau.

ROY CHOI JORNALISTA

Segundo a estação de Hong Kong, os dois profissionais chegaram às 14h45 de segunda-feira ao posto temporário na ilha artificial, mais próximo do segmento de Hong Kong da Ponte HKZM. Às 17h30, as autoridades chinesas pediram a Jack Tsang para regressar à região vizinha. A Now TV sublinhou ainda que vai enviar outro repórter para cobrir as celebrações e que não acredita que a recusa de entrada se deve à cobertura que a estação fez dos protestos em Hong Kong. Segundo a Agence France-Presse, no posto de controlo temporário estão várias dezenas de polícias de intervenção especial, e há registo de revistas a bagagens de passageiros de autocarros, controlo de documentos e rastreio através de um sistema de reconhecimento facial. João Luz

info@hojemacau.com.mo

LIGAÇÃO MACAU-TAIPA PEREIRA COUTINHO EXIGE MUDANÇAS NO TRÂNSITO

O

deputado José Pereira Coutinho entregou uma interpelação escrita ao Governo onde exige melhorias ao nível da circulação do trânsito entre a península de Macau e a Taipa. “O Governo anunciou que a quarta e a quinta ligação entre Macau e a Taipa não irão dispor de via para motociclos e ciclomotores. A ponte Governador Nobre de Carvalho entrou em funcionamento há quase 50 anos. Após

a conclusão dessas ligações vai o Governo transformar a ponte Governador Nobre de Carvalho numa passagem exclusiva para motociclos e ciclomotores, a fim de evitar a ocorrência de acidentes mortais envolvendo motociclos, e também para reduzir a carga desta ponte?”, questionou. Além disso, Pereira Coutinho defende que o tabuleiro inferior da ponte Sai Van deve

ser aberto para a utilização dos cidadãos até à conclusão da quarta ligação entre Macau e Taipa, “a fim de aliviar a pressão do trânsito”. O deputado pede ainda que sejam adoptadas medidas mais transparentes no que diz respeito às obras da quarta e quinta ligação. “São frequentes as derrapagens orçamentais nas obras públicas de grande envergadura, por isso o Gover-

no da RAEM deve divulgar a calendarização, custos totais e orçamento global das obras das novas ligações entre Macau e Taipa, a fim de salvaguardar o direito à informação da população e a transparência da acção governativa. Deve ainda controlar eficazmente o prazo e o orçamento das obras, com vista a evitar as derrapagens, os atrasos e o desperdício do erário público.”


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18.12.2019 quarta-feira

TRIBUNAIS NETO VALENTE RECORDA A SAM HOU FAI QUE PORTUGUÊS É LÍNGUA OFICIAL

De acordo com a lei...

O presidente da Associação dos Advogados de Macau afirmou que há muita gente de Macau que não fala português e que se sente orgulhosa disso. Neto Valente lamentou ainda não dominar fluentemente o cantonense nem conseguir falar mandarim

O

presidente da Associação dos Advogados de Macau considerou que é um equívoco a missão definida por Sam Hou Fai de fazer do chinês a língua oficial dos tribunais, por contraste com o português. Foi desta forma que Neto Valente reagiu à entrevista do presidente do Tribunal de Última Instância (TUI) à versão inglesa do Diário do Povo. “Acho que [Sam Hou Fai] está equivocado. O que está na Lei Básica e nas leis em vigor, como no Código Procedimento Administrativo e outras leis em vigor é que o português também é língua oficial. Se não querem falá-la, não posso obrigá-los. Até porque há muita gente ignorante que não sabe falar”, começou por dizer Neto Valente sobre o assunto. O presidente da AAM lamentou depois o facto de não ser fluente na língua chinesa, mas apontou que ao contrário de muita gente que não fala português, não se sente orgulho por não dominar uma das língua oficiais da RAEM. “Eu tenho pena de não ser fluente

diferentes. Todos temos direito a ter opiniões”, acrescentou. Apesar de ter definido o chinês como a prioridade dos tribunais, o presidente do TUI consegue expressar-se em cantonense, mandarim e português.

ELOGIOS A DIAS AZEDO

na língua chinesa e de não falar mandarim. Não sei falar, não sei escrever e não tenho orgulho nenhum nisso. Há pessoas que são

de outra maneira, que têm orgulho em ser ignorantes e em não falar português”, apontou. “Pronto, são maneiras de estar na vida...

“Há pessoas que são de outra maneira, que têm orgulho em ser ignorantes e em não falar português.” JORGE NETO VALENTE PRESIDENTE DA AAM PUB

AVISO Faz-se público que, por despacho do Ex. Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 3 de Outubro de 2019, se encontra aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento de quatro lugares vagos de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de gestão de instalações desportivas, em regime de contrato administrativo de provimento do Instituto do Desporto, e dos que vierem a verificar-se neste Instituto até ao termo da validade do concurso. O aviso de abertura de concurso encontra-se publicado no “Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau”, n.º 51, II Série, de 18 de Dezembro de 2019. As condições de candidatura e as demais informações encontram-se no aviso acima referido e disponibilizadas no website do Instituto do Desporto (http://www.sport.gov.mo) e da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (http://www.safp.gov.mo). mo

Neto Valente falou à margem da tomada de posse dos juízes promovidos das diferentes instâncias, nomeadamente de José Maria Dias Azedo como juiz do Tribunal de Última Instância, de Chao Im Peng para a Segunda Instância e Cheong Weng Tong que subiu a presidente de colectivo de juízes da Primeira Instância. O presidente da AAM elogiou ainda as qualidades do juiz macaense, que fez o juramento em cantonense. “A Comissão de Indigitação dos Juízes é que tem os seus critérios e fez a nomeação. Não vou estar a dizer que é uma óptima escolha porque parece que... Eu não preciso de nenhum juiz em particular. Mas aparentemente é uma boa escolha para Macau [...] tem qualidade e já deu provas”, considerou. Neto Valente revelou ainda ser uma das pessoas presentes, como presidente da AAM, no encontro entre os sectores profissionais e Xi Jinping, que está marcado para a tarde de quinta-feira. “É nessa ocasião que espera ver o Presidente Xi Jinping”, afirmou. O advogado deverá estar igualmente presente no jantar agendado para a mesma noite e que conta igualmente com a presença do Presidente da China. João Santos Filipe

Instituto do Desporto, aos 18 de Dezembro de 2019. O Presidente, Pun Weng Kun

joaof@hojemacau.com.mo

Terras perdidas

Sociedade de Empreendimentos Nam Van perde recurso contra o Executivo

O

Tribunal de Última Instância (TUI) considerou que o Governo tem razão em dois casos de pedido de desocupação de três terrenos não aproveitados durante o período de 25 anos. As decisões relativas aos recursos apresentados pelas concessionárias foram proferidas nos dias 8 e 29 de Novembro, mas só ontem foram tornadas públicas. Um dos terrenos está localizado na zona C do “Fecho da Baía da Praia Grande” e foi concedido, por arrendamento, à Sociedade de Empreendimentos Nam Van. Mais tarde foi autorizada a transmissão onerosa do direito, resultante da concessão do terreno, a favor da Sociedade de Investimento Imobiliário Nga Keng Van, cujo arrendamento era válido até 30 de Julho de 2016. A 3 de Maio de 2018, o Chefe do Executivo proferiu despacho, no sentido de declarar a caducidade da concessão do terreno pelo seu não aproveitamento até ao termo do prazo do arrendamento. Outro terreno envolvido neste processo está situado na Avenida Marginal de Lam Mau, do qual é ocupante Pun Wai Man. De acordo com o acórdão, foi autorizada, a

20 de Agosto de 1999, uma troca de terrenos. No entanto, “segundo os dados da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), o aludido terreno é terreno do Estado e, apesar de ter sido aberto o processo de troca de terreno, tal processo não chegou a ser concluído”. Nesse sentido, “a DSSOPT verificou que Pun Wai Man não possui qualquer título formal que possa comprovar que lhe foi autorizada a ocupação do tal terreno”. Em Agosto de 2015, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, proferiu um despacho concordando com o relatório da DSSOPT e ordenando a sua desocupação.

E AINDA

O terceiro terreno está localizado em Coloane, na zona indústrial de Seac Pai Van, tendo sido concessionado à Empresa de Construção e Obras de Engenharia San Tak Fat por um período de 25 anos, cujo prazo terminou a 8 de Novembro de 2015. A 15 de Dezembro de 2016, o Chefe do Executivo proferiu despacho no sentido de declarar a caducidade da concessão do terreno por seu não aproveitamento até ao termo do prazo do arrendamento.


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quarta-feira 18.12.2019

METRO LIGEIRO MAIS DE 200 MIL PASSAGEIROS NA PRIMEIRA SEMANA

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HENGQIN GOVERNO VAI CONSTRUIR 3.800 FRACÇÕES DE HABITAÇÃO PARA RESIDENTES

As casas da montanha O terreno na Ilha da Montanha vai ser desenvolvido pelas autoridades locais para servir residentes e pessoas de Zhuhai. Além de casas, vai ter instituições de ensino, de saúde e recreativas, mas ainda se aguarda a “luz verde” do Governo Central

O

Governo de Macau vai ser responsável pelo desenvolvimento de um terreno com 3.800 fracções habitacionais na Ilha da Montanha que apenas poderão ser vendidas a residentes locais. A revelação foi feita pelo Director do Conselho da Nova Zona de Hengqin, Yang Chuan, em declarações ao jornal Ou Mun. De acordo com as palavras do responsável, as Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau apresentam a realização de um projecto integrado para os residentes de Zhuhai e Macau, que pretendam estabelecer a sua vida na Ilha da Montanha. Neste projecto constam casas, instituições de educação, assis-

tência social, serviços de saúde e outros equipamentos a pensar nas populações. No entanto, entre as habitações que forem construídas, 3.800 vão ser só para residentes de Macau. Mesmo em caso de uma segunda venda, a

Entre as habitações que forem construídas, 3.800 vão ser só para residentes de Macau. Mesmo em caso de uma segunda venda, a aquisição apenas pode ser feita por cidadãos da RAEM

aquisição apenas pode ser feita por cidadãos da RAEM. Contudo, o desenvolvimento do terreno, que vai poder ser utilizado por locais e não-locais, vai ser da responsabilidade do Governo da RAEM, não sendo claras as despesas que terão de ser assumidas pelo futuro Executivo de Macau. Outro dos factores explicados por Yang Chuan é que serão as autoridades da RAEM a definir as pessoas que poderão aceder às compras dessas 3.800 casas, não sendo de excluir que haja um cruzamento de dados entre os bens que essas pessoas têm não só em Macau, mas também no Interior. Em relação ao estado do projecto, o Director do Conselho da Nova Zona de Hengqin explicou

que neste momento se procura obter o apoio do Governo Central.

KAIFONG ELOGIAM PROJECTO

Também ao jornal Ou Mun, Leong Heng Kao, o presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), elogiou o projecto e disse que pode contribuir para atenuar o problema da falta de habitação. De acordo com as declarações citadas, Leong admitiu que o problema da falta de habitação tem afectado grande parte dos residentes e que este projecto pode ajudar, além de reforçar as relações entre Macau e Zhuhai. O presidente dos Kaifong apelou também ao Executivo para fazer o planeamento do espaço tão depressa quanto possível e revelar os pormenores do mesmo à população. Contudo, Leong Heng Kao avisou que o Governo precisa de fazer melhor em relação à situação do trânsito, facilitando a entrada directa dos veículos de Macau à Ilha da Montanha. Juana Ng Cen

info@hojemacau.com.mo

MA semana depois da entrada em funcionamento do segmento da Taipa do Metro Ligeiro foram transportados, no total, 215.800 passageiros. Os dados, divulgados ontem pela Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, revelaram ainda que desde a entrada em funcionamento do Metro Ligeiro no passado dia 10 de Dezembro, o número de passageiros transportados evoluiu sempre em sentido crescente até ao dia 15, domingo, altura em que foi atingido o máximo diário de 46.500 passageiros transportados. Depois do primeiro dia, onde foram registados 15.600 passageiros, os números dos três dias seguintes situaram-se entre os 26.400 e os 30 mil passageiros transportados. Já durante o fim de semana a fluência foi maior, com o total de passageiros transportados no sábado (43.000) e domingo (46.500) a ser de 89.500. Na segunda-feira, dia 16 de Dezembro, utilizaram o metro ligeiro, 27.500. Recorde-se que, apesar de não se ter comprometido com um número, Raimundo do Rosário referiu no dia de inauguração estimar a utilização do metro ligeiro por 20 mil passageiros por dia, “um valor altamente falível, porque tem vindo sucessivamente a ser ajustado”. As viagens até ao final do ano são grátis. O projecto do metro ligeiro custou, no total, 10,2 mil milhões de patacas e levou mais de 10 anos a ser concretizado após o seu anúncio.

PATRIMÓNIO HISTÓRICO RUI LEÃO DIZ QUE PRESERVAÇÃO TEM SIDO FEITA “A GRANDE CUSTO”

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presidente do Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa, Rui Leão, considerou que o património histórico de Macau tem sido “mais ou menos” preservado, “mas a grande custo”. Para o arquitecto, que cresceu em Macau, onde vive desde 1977, há “uma pressão” sobre o centro

histórico de Macau, classificado pela UNESCO desde 2005, e não sabe “se vai desaparecer”. “Tenho dúvidas de que haja essa preocupação de transferir a pressão” sobre o património mais antigo de Macau, mesmo com a contínua expansão do território através de aterros que conquistam terrenos ao mar e

que fizeram aumentar a área da cidade de 23 quilómetros quadrados em 1999, quando terminou a administração portuguesa, para os actuais 32,9 quilómetros quadrados. Rui Leão afirmou que, ao contrário do “modelo europeu”, o espaço edificado, em Macau, e também na generalidade da Ásia, é olhado na perspectiva de “novas

possibilidades” de crescimento e desenvolvimento da cidade, com “uma ideia de injectar mais pessoas, de injectar dinheiro, de injectar investimento”. “Neste modelo, o património não encaixa muito bem” e, “no fundo, é sempre um problema e tem de se lutar para que não desapareça”, disse à agência Lusa.

“Há coisas que se desparecerem, deixamos de poder contar a História. Isto, a maior parte das pessoas aqui em Macau, infelizmente, não percebe”, afirmou. Em relação à construção em zonas novas da cidade, com uma população que aumentou em cerca de 200 mil habitantes em 20 anos, Rui Leão considerou que há uma

grande diversidade, mas atendendo à grande escala dos edifícios de habitação, “há algumas [construções] que conseguem trazer espaços simpáticos à cidade” e “também ter um desenho que dignifica o ‘skyline’” de Macau.


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18.12.2019 quarta-feira

COMBUSTÍVEIS GOVERNO ACOMPANHA VARIAÇÃO DE PREÇOS

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O analista da Economist Intelligence Unit (EIU) que segue a economia de Macau considera que a ideia de Pequim transformar o território num centro financeiro arrisca aprofundar a dependência económica do sector do jogo

A

i d e i a de lançar uma bolsa de valores de Macau, encorajando os grandes casinos a dispersarem capital em bolsa, “poderia, ironicamente, aprofundar a dependência do território do sector do jogo, já que o desempenho do mercado ficaria ligado ao crescimento das receitas dos casinos”, disse Nick Marro, em declarações à Lusa. O analista da EIU reagia assim à proposta que Pequim deverá avançar nos próximos dias sobre

JOGO CENTRO FINANCEIRO PODE VIR A AUMENTAR DEPENDÊNCIA

Cavar o buraco o aprofundamento da vertente financeira de Macau, criando uma bolsa de valores imobiliários, garantindo terras para Macau se desenvolver na China continental e conferindo-lhe políticas favoráveis ao sector financeiro em pé de igualdade com Hong Kong. “Já temos visto alguns passos discretos para aprofundar o desenvolvimento do sector financeiro em Macau no último ano, incluindo através da emissão de títulos de dívida no Verão, e isto alinha-se com a política antiga de diversificação da economia face à enorme dependência actual do jogo e do turismo”, salientou Nick Marro. No entanto, alertou, “os sectores financeiros não nascem da noite para o dia, e qualquer pro-

gresso nesta área iria necessitar de uma estratégia empenhada e de longo prazo”, já que Macau “iria competir com Hong Kong e Shenzhen, que já têm centros financeiros bem estabelecidos”.

POUCO TALENTO

Nas declarações à Lusa, o perito da unidade de análise económica da revista britânica The Economist afirmou que “tentar mitigar esta concorrência através do foco em empresas portuguesas ou em ‘start-ups’ teria um efeito negativo, já que funcionaria contra os mercados de capitais, já que iria estar a limitar o foco do território numa parte incrivelmente pequena do mercado”. Outra das dificuldades que fazem este analista estar reticente

“Os sectores financeiros não nascem da noite para o dia, e qualquer progresso nesta área iria necessitar de uma estratégia empenhada e de longo prazo”, já que Macau “iria competir com Hong Kong e Shenzhen, que já têm centros financeiros bem estabelecidos.” NICK MARRO ANALISTA DA ECONOMIST INTELLIGENCE UNIT

quanto à eficácia da criação de um novo centro financeiro tem a ver com a qualificação da mão de obra local nesta área. “Não vemos que o talento da cidade seja suficientemente qualificado para sustentar o desenvolvimento de um mercado de capitais ambicioso”, disse o analista, considerando possível que um dos requisitos para a atribuição de novas licenças de jogo possa ser a listagem em bolsa. Isso, concluiu, “iria aprofundar a dependência de Macau face ao jogo e turismo”, o que seria negativo tendo em conta os objectivos do Governo. “A ideia está a ser vista pelas autoridades em Macau como uma recompensa por terem evitado os protestos anti-governamentais que tem assolado o vizinho Hong Kong nos últimos seis meses, e incluem o estabelecimento de uma bolsa em moeda chinesa e um centro de pagamentos em renmimbis já em preparação, bem como a alocação de terras para Macau se desenvolver na região vizinha da China continental», segundo informação veiculada pela Reuters.

PÓS os avisos para as dificuldades no abastecimento durante a visita do Presidente Xi Jinping, o Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis está a acompanhar os preços praticados no sector, para evitar uma subida anormal. A informação foi divulgada ontem numa nota emitida à imprensa durante a tarde. “O Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis tem acompanhado a evolução do mercado dos produtos petrolíferos, mantendo uma estreita comunicação com o sector local e monitorizando a situação do abastecimento e a variação dos preços dos produtos do petróleo”, é garantido. Por outro lado, o Governo voltou a insistir que foram tomadas medidas para garantir que o abastecimento não é posto em causa. “O Grupo de Trabalho reforçou o contacto com o respectivo sector, e vai proceder activamente à coordenação para modificar os percursos de transporte, a fim de garantir a normalidade de abastecimento de combustíveis, minimizando o impacto aos residentes e sectores industriais e comerciais na utilização de combustíveis e esforçando-se por estabilizar o serviço de abastecimento no mercado”, foi explicado. O grupo de trabalho fez ainda um ponto de situação afirmando que o depósito de todos os tipos de produtos petrolíferos era “abundante”, incluindo a gasolina, diesel e o gás. Quanto aos preços diz que se mantêm “num nível normal”.

ATM Dinheiro suficiente nos próximos dias

Em relação aos rumores espalhados nas redes sociais sobre a insuficiência de notas nas máquinas de ATM nos próximos dias, o presidente da Associação de Bancos de Macau e deputado à Assembleia Legislativa, Ip Sio Kai, esclareceu ontem à Rádio de Macau, que os serviços bancários no território estão a funcionar normalmente. Mesmo após três dias de intervalo, por ser dia de aniversário da RAEM e fim-de-semana, o dinheiro nas máquinas de ATM de Macau será fornecido de forma normal, e os cidadãos não têm de se preocupar, frisou. Avançou ainda que a Autoridade Monetária de Macau sempre exigiu aos bancos que garantissem o fornecimento estável de notas nos ATM, e que existem vários meios de pagamento, tal como o pagamento electrónico.


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quarta-feira 18.12.2019

CPSP Segurança reforçada nos próximos dias O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) afirmou que, para garantir a segurança da população e o bom andamento das actividades de celebração do 20º aniversário da RAEM, irá reforçar o número de agentes policiais para zonas turísticas e locais de actividades. Em comunicado, as autoridades

A

M acau conquistou, em 20 anos de administração chinesa, dez quilómetros quadrados ao mar e aumentou a população residente em 200 mil habitantes, uma expansão que vai continuar nos próximos anos. O “plano urbanístico de novos aterros”, aprovado por Macau em 2008 e ratificado por Pequim em 2009, ainda em desenvolvimento, previa cinco novos terrenos para a região, num total de 350 hectares (ou 3,5 quilómetros quadrados). Dados oficiais indicam que, actualmente, Macau soma 32,9 quilómetros quadrados e perto de 667.500 habitantes, quando em 1999, ano da transição da administração do território de Portugal para a China, a cidade tinha 23 quilómetros quadrados e cerca de 430 mil residentes. De fora dos novos aterros ficam os casinos, de que depende a economia local e que fazem da cidade o maior centro de jogo do mundo. Os casinos ocuparam outros terrenos anteriormente conquistados ao mar, como o Cotai, uma linha nova de terra que uniu as ilhas da Taipa e Coloane. “Prosseguindo as linhas fundamentais da política de diversificação económica, nos planos dos novos aterros serão reservados terrenos em quantidade adequada ao desenvolvimento de actividades

32,9 quilómetros quadrados Extensão do território

CCTV Sports “Prenda” começou a emitir em Macau

referiram que está prevista grande afluência para as celebrações, em especial para o fogo-deartifício e que serão destacados mais operacionais para controlar a multidão e o tráfego. Nos postos fronteiriços de Macau serão ainda acrescentados, de forma atempada, balcões de inspecção alfandegária.

Macau conta a partir de ontem com acesso ao canal estatal desportivo CCTV Sports e Chui Sai On, presente na cerimónia de início de emissão, considerou tratarse de um “enorme presente” para o 20.º aniversário do estabelecimento da RAEM. Ao discursar na cerimónia do lançamento do canal desportivo do China Media Group, Chui Sai On referiu ainda as várias questões técnicas que tiveram

de ser resolvidas em matéria de direitos de autor do canal desportivo e que, por essa razão, este lançamento não foi fácil. O Chefe do Executivo disse ainda que esta iniciativa contribui para enriquecer os programas de televisão em Macau e satisfazer o desejo dos cidadãos em aceder a este canal desportivo, sendo uma acção positiva que vai impulsionar o intercâmbio cultural entre Macau e o Interior da China.

RAEM 20 ANOS MACAU GANHOU 10 KM2 E VAI CONTINUAR

Sempre a crescer propícias à diversificação económica, estando, desde logo, excluída a do jogo”, afirmou em 2010 o chefe do executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, que cessa funções esta semana. Na ocasião, Chui Sai On garantiu que “parte dos terrenos” será para construção de habitação pública, com rendas acessíveis, assim como para equipamentos culturais, sociais, de edução zonas verdes e de lazer.

Segundo as autoridades, os cinco novos aterros vão receber cerca de 162 mil pessoas. Para o maior deles (“Zona A”), uma ilha artificial de 138 hectares ligada ao terminal da ponte que liga

Macau, o interior da China e Hong Kong desde o ano passado, foram já lançados concursos para construção de 3.000 fogos de habitação. O maior desafio, disse o arquitecto Rui Leão, é trans-

667.500 número aproximado de habitantes

formar estes novos territórios em espaços integrados na cidade, evitando o que aconteceu com outros aterros, como o NAPE que “durante mais de dez anos não chegava bem a ser cidade”. “As pessoas usavam porque viviam lá ou tinham lá o trabalho e eram obrigadas a ir. Era bastante desagradável, era uma cidade estranha”, realçou o presidente do Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP),

explicando que só após a consolidação do jardim central do aterro e a progressiva ocupação dos espaços comerciais “o NAPE acabou por fazer parte da cidade, o que nem sempre é garantido”.

SINAL MAIS

Em termos de urbanismo, e perante “transformações tão grandes”, as “questões difíceis” são precisamente conseguir mobilizar uma população para os novos espaços “com um modelo de cidade que apesar de tudo seja possível, humano, vivenciável”, defendeu. Para o arquitecto, há alguns sinais positivos em relação ao que está previsto para os novos aterros, em termos, por exemplo, de “mais valias de acessibilidade”, um aspecto vital quando existe “a intenção de aumentar a população para os 750 mil habitantes num prazo de cinco a dez anos”. “Como estas coisas em Macau são muito rápidas”, com aumentos de população na ordem das dezenas de milhares em poucos anos, como se fosse “uma metralhadora”, têm “de ser pensadas de uma maneira diferente”, de forma a que não surjam “sítios que não foram feitos para as pessoas”. também vogal do Conselho do Planeamento Urbanístico de Macau, Rui Leão considerou que a população local acompanhou, apesar de tudo, “extraordinariamente bem” a expansão da cidade nos últimos 20 anos e destacou os “vários mecanismos de diálogo” que existem na cidade, que têm permitido, por exemplo, ajustar e modificar “planos drásticos” quando são pensados. Lusa


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MATTIE DO REALIZADORA

Qual a sensação de estar neste festival com o seu filme, tendo em conta que o projecto nasceu em Macau? Como foi esse processo? É uma grande emoção. É tão bom estar de volta. Eu e a minha equipa rimo-nos quando aqui chegámos por sentimos este lugar como nosso, como se estivéssemos em casa, porque nós estivemos aqui na primeira edição. Lembro-me de ver as dores de crescimento deste festival desde o dia em que começou e tem sido incrível porque quando falámos do filme, e é um filme algo conceptual e complicado, as pessoas diziam sempre “isso é um filme de loucos, não sei como é que será feito”. Depois disso conhecemos muitos

“Vivenciei a mor em primeira mã parceiros enquanto aqui estivemos e no momento em que terminámos a produção eles queriam que o nosso projecto fizesse parte do festival. Eu vim literalmente da selva e em dez dias estava em Macau a mostrar clips da fase de produção. Tinha escaldões e o aspecto de um animal qualquer acabado de chegar da selva. E agora estou aqui no tapete vermelho. Depois de terminarmos o filme, acabámos por ser seleccionados para estar no festival, por isso este sítio é muito familiar para nós e estão todos muito contentes por nos receber outra vez. Pode falar-nos mais de “The Long Walk”? Há muitos elementos deste filme que vieram da minha vida real. Perdi (para um cancro) a minha mãe quando tinha 25 anos e ela morreu em minha casa. Ela estava connosco e a forma como retrato a morte no geral é muito feia, nada romantizada, porque vivenciei a morte em primeira mão. Também passei pela morte do meu cão, que morreu há dois ou três anos depois de o mandarmos abater, porque ele já estava muito velho e tinha uma doença terminal. Isso afectou muito a minha vida. Vivi com muita tristeza, e com muito arrependimento acerca daquilo que podia ter feito de diferente e, na verdade, o meu cão já tinha 17 anos, e a minha mãe tinha um cancro de nível 4, portanto não havia nada que pudéssemos ter feito. Mas são coisas que ficam contigo e acabas sempre por pensar “se tivéssemos ido ao médico mais cedo” ou “se eu pudesse mudar algo”, mas não é possível. Não podemos mudar o tempo e foi por isso fiz este filme, de certa forma para lidar com a minha dor e com a minha perda. Outro aspecto, o de ser deixado para trás, não é apenas o facto de sentir que eu fui deixada para trás pela minha mãe e pelo meu cão, mas que o próprio

GETTY IMAGES

A história da ligação de Mattie Do com o cinema é tudo menos comum. A exprofessora de ballet deixou Los Angeles para regressar ao Laos por questões familiares, mas acabou a fazer filmes. A única e primeira mulher a fazer cinema neste país do sudeste asiático esteve na última edição do Festival Internacional de Cinema de Macau a apresentar “The Long Walk”, um filme que começou a ser feito no território

Laos foi deixado para trás. O Laos é um país com mais de 450 anos de história mas muitos de nós, eu incluída, vivemos em ruas onde a estrada é de terra batida. A nossa cultura é muitas vezes esquecida e o mundo muitas vezes nem se apercebe que existimos. Mas quando nos visitam, muita gente age como se fosse a nossa salvação e dizem-nos o que precisamos de fazer para resolver todos os nossos problemas. Obviamente que muitos aspectos melhoraram, mas muitas vezes sinto alguma repulsa pelo estado de desenvolvimento do Laos que

“Não decidi fazer filmes, de todo. Simplesmente aconteceu. Foi uma reviravolta! (risos)”

acaba por lentamente entrar novamente num estado de entropia... e é isto o filme. Porquê filmes de terror?  Adoro o género. Cresci a ver filmes de terror, mas não foram assim tantos. A dada altura tornei-me bailarina e por isso não tinha muito tempo para ver filmes. No entanto, todas as histórias dos bailados pendiam para aí também. “Giselle” tinha fantasmas, “Le Coirsaire” é um thriller com piratas. Por isso estas sempre foram as minhas influências. Gosto de terror, mas também acho que é mais divertido. Não podemos levar-nos demasiado a sério, somos realizadores, fazemos filmes, não salvamos vidas como os médicos ou educamos as futuras gerações como os professores. Quero divertir-me quando faço um filme, mas, ao mesmo tempo, se quiser passar uma mensagem, esta é uma forma mara-

vilhosa de ser bastante séria, porque através do terror posso exagerar os elementos e as pessoas podem ver uma versão exagerada daquilo que pode vir a acontecer. Não temos de ser tão sérios, podemos ser mais arrojados, podemos passar uma mensagem para o público que é, digamos, “escalada”. Quais os principais desafios com os quais se deparou no processo de produção e filmagens? Toda a minha vida senti dificuldades a fazer filmes (risos). Temos de encontrar sempre soluções independentemente do que aconteça. Como realizadora não tenho muito acesso a coisas que os outros realizadores têm no resto do mundo, porque no Laos não existe uma indústria cinematográfica muito desenvolvida, não temos profissionais qualificados, não temos sequer actores. O actor mais velho do filme é talvez o


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rte ão”

mais experiente, todos os outros são pessoas normais que encontrei nas aldeias. Mas as dificuldades, para mim, não são desafios, pois tenho de lidar com elas diariamente. E se é um problema então não deveria fazer filmes, de todo. Para mim os desafios sempre foram a norma, e as soluções são sempre algo criativo. Tenho uma forma muito própria de trabalhar, sou muito próxima da minha equipa e

“Espero que a minha história leve mais mulheres a fazer cinema e também para mim o mais importante é que posso contar histórias com uma perspectiva feminina.”

conheço todos pelo primeiro nome. Para mim o mais importante, não importa o orçamento que tenha, é ter esta intimidade com a equipa e depois fazer histórias interessantes. Isto porque a única razão pela qual sou realizadora é para contar histórias que nunca foram reveladas antes, não percebo porque é que as pessoas reciclam histórias vezes sem conta. Estou farta disso! Porque decidiu voltar ao Laos depois de viver em Los Angeles, e como foi a sua entrada na indústria do cinema? Não decidi fazer filmes, de todo. Simplesmente aconteceu. Foi uma reviravolta! (risos). O que aconteceu é que regressei ao Laos para cuidar do meu pai, que estava numa relação turbulenta. Não era uma artista na altura, era professora de ballet, e toda a minha família estava ocupada com aquilo que chamam de trabalhos a sério, e professora de ballet não o era. Conhecemos um grupo de pessoas que nos pediram para escrever a história de um filme, e o meu marido disse “claro que sim, porque sou escritor”, e foi assim que me tornei realizadora.  Qual a importância de ser a primeira e única mulher do Laos a fazer cinema? Isso pode encorajar outras pessoas a fazer o mesmo?  Literalmente a minha carreira como professora de ballet levou-me a fazer filmes, e na verdade estabeleci um passo importante na indústria de cinema do Laos. Espero que a minha história leve mais mulheres a fazer cinema e também para mim o mais importante é que posso contar histórias com uma perspectiva feminina.  Uma das razões pelas quais gosto de fazer os meus filmes é porque são histórias de raparigas.  Como olha para o cinema asiático que se faz actualmente? Estou muito interessada na nova geração de cinema. Sinto mesmo que estou numa nova marca de cinema, porque surgi do nada quando conheci os meus amigos asiáticos que são também novos realizadores. É tudo muito rock and Roll comigo, e adoro isso. Por um tempo, quando comecei a fazer filmes, senti que havia uma forte percepção do que é o cinema asiático e do que deveria ser. Havia a ideia de que para estar num festival de cinema asiático tínhamos de fazer um determinado tipo de filme, e eu sempre odiei isso.    Pedro Arede (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

quarta-feira 18.12.2019 www.hojemacau.com.mo


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18.12.2019 quarta-feira

A

União Europeia (UE) e a China preparam duas cimeiras, em 2020, para desenvolver uma nova parceria estratégia, embora reconheçam divergências políticas, disseram ontem líderes europeus. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, foi ontem recebido em Bruxelas pelo novo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, com a definição de novos acordos comerciais em agenda. Na segunda-feira, Wang Yi já reunira com o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, com quem planeou duas cimeiras UE-China, em 2020, incluindo uma cimeira especial durante a presidência rotativa da comunidade pela Alemanha, que deverá realizar-se na cidade alemã de Leipzig. Charles Michel insistiu na “necessidade de promover o livre comércio e o investimento que respeitem condições equitativas e reciprocidade” entre as duas potências, numa terminologia que recorda as divergências que têm separado a China dos

UNIÃO EUROPEIA CIMEIRAS COM CHINA EM 2020 EM PREPARAÇÃO

Definir estratégicas

EUA numa guerra comercial que dura há quase dois anos. O presidente do Conselho Europeu também introduziu também as questões climáticas na conversa, chamando a atenção para a importância de medidas que contenham a crise e que sejam encaradas de forma global. Os europeus não escondem as preocupações com

PUB HM • 1ª VEZ • 18-12-19

ANÚNCIO Inventário Facultativo Proc nº.

CV2-19-0016-CIV

2º Juízo Cível

Cabeça-de-casal: Sum Ka Ming, também conhecida por Sam Ka Meng (沈家明), de sexo feminino, maior, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Rua de Coelho do Amaral, nº 61, Edifício Mei Wa, 8º andar D. Sam Hoi, também conhecido por Sum Hoi (沈開), de sexo masculino, era casado com Tsang Yip Sim (曾葉嬋), e tinha a sua última residência em Hong Kong. *** Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando o irmão e a irmã (cujos nomes e identificações são desconhecidos, com última residência conhecida nos Estados Unidos da América, ora ausentes em parte incerta) do cônjuge mulher Tsang Yip Sim (曾葉嬋) do inventariado, para, na qualidade dos interessados directos na partilha, no prazo de trinta (30) dias, decorrido que seja o dos éditos, deduzirem oposição ao inventário, impugnarem a legitimidade dos interessados citados ou alegar a existência de outros, requererem a substituição do cabeça-de-casal, impugnarem as indicações constantes das suas declarações ou invocarem quaisquer excepções dilatórias. Pode ainda no mesmo prazo e sobre a relação de bens, reclamarem contra a relação de bens, acusarem a falta de bens que devam ser relacionados, requererem a exclusão de bens indevidamente relacionados, por não fazerem parte de acervo a dividir ou arguirem qualquer inexactidão na descrição dos bens, que releve para a partilha, sob pena de seguir o processo com os ulteriores termos até final à sua revelia. A constituição de advogado é obrigatória para se suscitarem ou discutirem questões de direito (nos termos do art.º 74º nº 3 do C.P.C.M.). Tudo conforme melhor consta do duplicado das declarações da cabeça-de-casal, da relação de bens e dos documentos juntos que neste 2º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. Macau, aos 10 de Dezembro de 2019 *** Inventariado:

“os desafios” impostos pela “crescente influência da China e das políticas internacionais”, disseram diplomatas ouvidos em Bruxelas.

SEM TABUS

De resto, os responsáveis da UE enfatizaram isso mesmo na declaração conjunta adoptada pelos líderes dos países membros da NATO no início da cimeira que comemorou os 70 anos da Aliança, em Londres, no início de Dezembro. “Nós falámos sobre tudo, mesmo sobre as questões

A

C h i n a incorporou ontem oficialmente o segundo porta-aviões nas suas forças navais, e primeiro totalmente fabricado pelo país, numa altura de crescente rivalidade com os Estados Unidos na região da Ásia Pacífico, informou a televisão estatal CCTV. A integração oficial do “Shandong” foi anunciada durante uma cerimónia numa base naval da ilha de Hainan, no extremo sul do país, e contou com a presença do Presidente chinês, Xi Jinping, e 5.000 representantes das forças navais do país,

delicadas como a situação em Hong Kong e Xinjiang”, disse Josep Borrell, que admitiu que, na Europa, a China é considerada “um adversário”, “rival” e “parceiro”, num momento em que

os europeus estão divididos entre o medo e o interesse em oportunidades de negócios. “Os nossos negócios excedem em muito mil milhões de euros por dia, em média”, lembra Josep Bor-

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, foi ontem recebido em Bruxelas pelo novo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, com a definição de novos acordos comerciais em agenda

rell, referindo-se ao volume de negócios entre as duas potências económicas. O principal tema de tensão na relação é o desenvolvimento da rede de telecomunicações 5G na Europa, que atrai grande interesse por parte dos chineses. O gigante tecnológico Huawei tem estado particularmente activo neste sector, mas as suas ambições têm sido frustradas por Washington, que excluiu a empresa do fornecimento de equipamentos a partir dos Estados Unidos e tem feito pressão para que seja banida pela UE, invocando riscos de espionagem a favor de Pequim. Sob pressão dos Estados Unidos, a NATO insistiu na “determinação dos aliados em garantir a segurança das suas comunicações, incluindo a rede 5G, ciente da necessidade de usar sistemas seguros e resilientes”, excluindo parcerias com a China. A decisão incomoda a diplomacia chinesa e, recentemente, o embaixador chinês em Berlim, Ken Wu, disse que “se a Alemanha tomar uma decisão que leve à exclusão da Huawei do mercado alemão, haverá consequências”.

Produto caseiro

Marinha chinesa incorpora segundo porta-aviões

que entoaram o hino nacional, enquanto assistiam ao içar da bandeira da República Popular, segundo imagens difundidas pela CCTV. Xi Jinping tirou uma foto de grupo com os militares e civis presentes na cerimónia, realizada na cidade costeira de Sanya, e apelou a que “fizessem novas contribuições para o Partido Comunista e o povo da China”. Trata-se do primeiro porta-aviões fabricado na China. O

único que a marinha chinesa possuía até agora é o Liaoning, um antigo navio soviético, comprado à Ucrânia e reabilitado, em 2012. O segundo porta-aviões é de propulsão tradicional - e não nuclear - e pode transportar cerca de quarenta aviões, segundo os especialistas.

MAIS A CAMINHO

A China continua assim a reforçar o seu poderio militar, numa altura em que

Acidente Explosão em mina de carvão faz 14 mortos Pelo menos 14 pessoas morreram e outras duas continuam presas, na sequência de uma explosão numa mina de carvão na província de Guizhou, no sul da China, informouontemaagêncianoticiosa

oficial Xinhua. A explosão ocorreu na madruga de terça-feira. As equipas de resgate conseguiram, entretanto, libertar com vida sete dos 23 trabalhadores que se encontravam na mina, situada no

disputa o domínio norte-americano na região da Ásia Pacífico. Os Estados Unidos mantêm, no entanto, um orçamento de Defesa cerca de três vezes maior do que o chinês. A ascensão de Xi Jinping ao poder, em 2013, ditou uma política externa mais assertiva, à medida que o líder chinês definiu a projecção do país além-fronteiras como prioridade. Com dois porta-aviões agora incorporados nas suas

condado de Anlong. Os serviços de emergência encontraram ainda os corpos sem vida de 14 mineiros, enquanto os outros dois permanecem encurralados por debaixo dos escombros.

forças navais, a China permanece muito atrás dos Estados Unidos, que têm onze, mas ultrapassou a Rússia, França, Índia, ou Reino Unido, países que têm apenas um. Além de Liaoning e Shandong, a China tem planos para uma terceira geração de porta-aviões, que por enquanto só é conhecida sob o código ‘003’ e que, segundo a unidade de investigação norte-americana Center for Strategic and International Studies (CSIS), está já em desenvolvimento no estaleiro Jiangnan, perto de Xangai.


china 13

quarta-feira 18.12.2019

A

China pediu ontem ao Conselho de Segurança da ONU para apoiar uma proposta sino-russa de reduzir as sanções contra a Coreia do Norte, desde que este país aceite um plano de desnuclearização. Nas últimas semanas, o Governo norte-coreano tem vindo a pedir aos EUA que levante as sanções impostas e fez mesmo um ultimato, ameaçando com um “presente de Natal”, se Washington não fizer cedências na sua posição. O Presidente norte-americano, Donald Trump, já respondeu ao ultimato da Coreia do Norte, dizendo que ficaria “decepcionado se estivesse alguma coisa a ser preparada”, referindo-se à pos-

“A península coreana atravessa um período importante e sensível. A urgência de um acordo político aumentou ainda mais.” GENG SHUANG PORTA-VOZ DO MNE CHINÊS PUB

Toca a aliviar a pressão Pequim e Moscovo pedem à ONU redução de sanções contra Pyongyang

sibilidade de qualquer retaliação militar por parte de Pyongyang. A proposta agora apresentada por Pequim e Moscovo junto da ONU procura ser uma solução para o impasse, sugerindo que os EUA ajustem as suas sanções contra a Coreia do Norte “de acordo com os passos dados por este país em direção à desnuclearização”. A proposta sino-russa chega num momento de tensão entre Washington e Pyongyang, com as negociações travadas desde o fracasso da cimeira entre Donald

Trump e o Presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, em Fevereiro passado. “A península coreana atravessa um período importante e sensível. A urgência de um acordo político aumentou ainda mais”, disse ontem Geng Shuang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. A comunidade internacional deve “impedir que a península volte à tensão e ao confronto”, argumentou o porta-voz chinês, numa conferência de Imprensa

em que justificou a proposta apresentada à ONU.

VOLTAR À MESA

Sem explicitar o que Pyongyang terá de fazer para obter uma redução nas sanções, o projeto sino-russo pede a interrupção de várias sanções económicas, impostas desde 2016, para melhorar a vida dos norte-coreanos. Entre outras medidas, o documento enviado à ONU sugere a suspensão da proibição de importação de carvão, ferro, minério de

ferro e têxteis oriundos da Coreia do Norte. China e Rússia pedem ainda o fim de uma medida que exige que os países recusem trabalhadores norte-coreanos que procurem emigrar. “Esperamos que o Conselho de Segurança dê o seu apoio unânime à solução política do problema da península coreana”, disse Geng Shuang, apelando à Coreia do Norte e aos EUA para retomarem as negociações e sugerindo a intermediação de países como a China, a Rússia e o Japão, para além da Coreia do Sul. O documento pede ainda a Pyongyang que inicie um processo de desnuclearização, o que Kim Jong-un tem recusado, alegando que as armas nucleares são a única forma de garantir a segurança nacional contra ataques externos. Para que esta proposta seja aprovada na ONU, Moscovo e Pequim devem garantir nove votos favoráveis, dos 15 do Conselho de Segurança, evitando ainda o veto de outros membros permanentes (Estados Unidos, França e Reino Unido).


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18.12.2019 quarta-feira

Agora só quero dormir um sono sem olhos

Elementos de ética, visões do Caminho

Xunzi

PARTE I

Uma Exortação ao Estudo

O

homem superior (jun zi, 君子) diz: o estudo nunca deve cessar. A tintura azul deriva da planta de indigo, no entanto é mais azul do que a planta. O gelo provém da água, no entanto é mais frio do que a água. Sujeitando-a ao vapor e dobragem, da madeira direita como o fio de prumo se faz uma roda. Depois da sua curva obedecer ao compasso, mesmo quando ressequida pelo sol nunca mais se tornará direita outra vez, pois o vapor e a dobragem lhe deram uma certa forma. Do mesmo modo, depois de aprumada a madeira fica direita e, depois de amolado, o metal se afia. O homem superior estuda de maneira abrangente e se examina três vezes ao dia; isso torna claro seu conhecimento e sem defeito sua conduta. Se nunca subires uma alta montanha, nunca saberás a altura do Céu. Se nunca visitares uma funda ravina, nada saberás das profundezas da Terra. Se nunca escutares as palavras transmitidas dos antigos reis1, nunca conhecerás a magnificência da aprendizagem. Os filhos dos povos Han, Yue, Yi e Mo todos choram da mesma maneira ao nascer, mas, ao crescerem, têm costumes diversos, pois o ensino assim os faz. Nas Odes2 diz-se: Escutai todos vós, ó senhores, Não estejam sempre em sossego e repouso! Zelem por realizar vossas tarefas. Amem acima de tudo o correcto e o probo. Disso ouvirão os espíritos E vos abençoarão generosamente. Mas nenhum estado semelhante ao dos espíritos é superior a ter-se transformado a si próprio através do Caminho. Nenhuma bênção é superior à de não sofrer infortúnio. Certa vez, passei um dia inteiro a ponderar, mas tal não se comparou a um só momento de estudo. Certa vez, pus-me em bicos de pés para mirar longe, mas tal não se compara à larga vista que se tem de um lugar alto. Se subires a um lugar alto e acenares, o comprimento dos teus braços não aumenta, mas poderás ser visto de mais longe. Se gritares a favor do vento, a tua voz não fica mais forte, mas podes ser ouvido mais claramente. Quem usa carruagem e cavalos não melhora por isso os seus pés, mas pode então avançar mil li. Quem usa um barco e remos não passa, por isso, a saber nadar, mas pode então atravessar rios e córregos. O homem superior não é excepcional por nascimento, mas sim por ser excelente no uso das coisas.

1 - Os “antigos reis” eram sábios que, para Xunzi, trouxeram paz e prosperidade ao mundo. Muito provavelmente incluem os líderes de início da dinastia Zhou: o Rei Wen, o Rei Wu e o Duque de Zhou. 2 - As Odes é uma colecção de poemas (originalmente canções, datadas de entre os séculos XI e VII Antes da Era Comum) que Xunzi, à semelhança de outros confucionistas, considera como um dos Cinco Clássicos e cita frequentemente. A citação que se segue é do poema 207.

Tradução de Rui Cascais Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, juntamente com o próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 18.12.2019

diário de um editor João Paulo Cotrim

O alvo que lhe deu o ser rer produz versos como balas: «Hoy que Dios me deja de soñar», fora eu sonho de Deus, portanto capaz de vogar na espera. «Estou fodido», não pára de dizer este irmão, mão dada, apesar de presa. A minha morte continuará migalha da tua, vamos morrendo juntos, doravante a cada dia missa de sétimos dias. O meu penúltimo whiskey terá que ser bebido contigo, em Buenos Aires, digo Lisboa, portanto, Lobito, e a morte quando chegar vai ter que me detestar. Não dançarei. Morreste-nos de madrugada feito tango. Todas as esquinas se vestem de negro, todas as bússolas me cantam ao ouvido, «abrazame fuerte que por dentro/ me oigo muertes, viejas muertes». As mortes não sabem ser velhas, fazem-se perto. Invoco Amelita Baltar, só ela consegue, cavalgando a asma do acordeão Astor e os versos Ferrer, esmagar o tempo na mão, «alma mia». Onde quer que morra será Buenos Aires, digo Lisboa, sendo que interessará a poucos. (Uns quantos, algures em restaurante, quem sabe).

SANTA BÁRBARA, LISBOA, 9 DEZEMBRO Chegam-me ecos de exposições que não verei celebrando o centenário de Alberto Breccia (1919-1993), um dos maiores. Ele, que não gostava de banda desenhada, mas de desenho, por lhe curar as doenças, as suas queridas feridas, acabou sendo um dos maiores da narrativa gráfica. Não por acaso, sobre o traço do muito que desenhada de cidade e paisagem, o que funambulavam eram seres de alta estatura, de múltiplas dimensões. O argentino acrescentou incansavelmente dimensões nas duas que dizem ser as da bd. Desenhava a lâmina, a fósforo, com colagens, das muitas maneiras que temos de nos aproximar do que nos rodeia e mais além. O seu trabalho foi (quase) sempre alimentar, dizia ele no sentido de trabalho confinado e não artístico, mas soube inventar sem pejo múltiplos rostos para a liberdade. As fronteiras parvas e mais fundas impedem que se meça com rigor devido, o da poesia, o alcance de uma obra que contém política e pensamento, Tango e Buenos Aires, mesmo quando aborda Poe ou Batman. Adoro Buenos Aires sem lá ter posto os pés. Antevi os muitos negros do futuro com «Morte Cinder». Acolho com ternura as sombras por causa de «Perramus». (Algures na página vai exemplo solto). HORTA SECA, LISBOA, 10 DEZEMBRO Morreu um artista em condições extremas, o José Lopes (1958-2019). Além do explícito, toca-me fundo a notícia por, sem o conhecer, tê-lo conhecido. Afinal, cruzámo-nos vezes sem conta, chegou a estar em lançamentos nossos, partilhámos amigos e espectáculos, aqui e ali, para além de o ter visto em palco, na tela. Ainda assim, era-me invisível. Como pode alguém estar tão opaco na proximidade? Depois a onda de indignação costumeira, com sinceridade que não saberemos nunca medir, no misto habitual de culpa e bandeira erguida por causa cega, falhou o essencial. Na miséria aparente havia qualquer coisa mais, ocorria um homem íntegro incapaz, por díspares razões, de se deixar integrar, apesar dos esforços, que os houve. Esta inteiriça solidão vinha com um preço, que o José Lopes quis pagar. Em altura que sobram marginais de algibeira, viveu entre nós artista assim, que via na arte a única possibilidade de ser. O resto mais não era que isso, sobras. Até estas palavras inábeis pouco mais são que cordas atiradas ao vazio. Como entender ao limite a solidão? HORTA SECA, LISBOA, 12 DEZEMBRO O arquivista-mor volta a atacar: «Crime e Castigo – a Ilustração na literatura policial portuguesa». Jorge Silva selecionou,

fez enquadramento informado e até se incluiu enquanto ilustrador, ignorando habituais pudores. São várias centenas, sobretudo de capas, muitas das quais podem ainda ser vistas na Casa da Cerca, em Almada, até meados de Fevereiro, que assim tenta integrar a ilustração no âmbito do desenho. Há originais resgatados à desatenção geral, além dos rostos dos livros, também eles cheios de rostos em declinação de medos, violências, enigmas, mas também da sedução e da senhora morte. São muitos os nomes, reconhecidos ou não, que rasgam, ao longo do século XX, os mais variados estilos, perspectivas, imagens. São ringue para muito combate entre luz e sombra, pano de fundo de um vocabulário muito próprio, com destaque para os surrealistas, sem esquecer outras composições de puro drama onde até as letras participam. Nos anos mais recentes temos assistido a uma vertiginosa evolução dos modos de reprodução. Este volume resulta ser uma das nossas primeiras incursões na impressão digital, com qualidade surpreendente. E a vantagem de permitir enormes oscilações de tiragem. Na contracapa, onde o código de barras passou de objecto odiado a cúmplice

da grafice, vai escrito: «quando o vírus do crime penetra no indivíduo, uma seta mortífera ganha forma, gravita em torno da ideia e pende, oscila, ondula, antes de ferir, implacável, o alvo que lhe deu o ser.» Substitua-se crime por ilustração, e eis que algumas identidades se revelam. HORTA SECA, LISBOA, 13 DEZEMBRO São as palavras que nos esculpem, nos dão forma. Spleen, meu parceiro de viagem, em tango canta-se «esplín», com o seu quê de agulha, amaciada como só na voz. Foi esta canção-navalha que inventou as esquinas, que as desenhou. O acórdão suspirou ruas no meio da criação e a bíblia foi escrita em Buenos Aires. Por aqui se aprende que a raiz se faz antena. Vou de mão dada com a morte ao miradouro do adamastor, não o da minha adolescência. Tanto faz. Nem um nem outro serão o mesmo. «Moriré en Buenos Aires, será de madrugada,/ guardaré mansamente las cosas de vivir,/ mi pequeña poesía de adioses y de balas,/ mi tabaco, mi tango, mi puñado de esplín.» A minha pequena poesia de adeuses e balas, o tabaco que só raramente fumei, achando que a companhia o justificava. Dou-me bem com as más companhias. Horacio Fer-

MENINA E MOÇA, LISBOA, 14 DEZEMBRO Diz-se FEIO, mas vem do feminino para desembocar em Festa de Escritas Improvisos e Oralidades. Por causa da época, do lugar e das circunstâncias fui ler episódio de «A Noite e o Riso» (ed. Dom Quixote), aquele quando os camones se atreveram a tomar posse de pedaço da orelha de Simão Cara de Cão, empurrando o Nuno Bragança, antes de ser narrador, para o ringue do boxe. O Luís [Carmelo] insiste em orgia de leituras disléxicas, desta abrigadas sob o chapéu-de-chuva do desassossego. No cruzamento que se instala, fui atropelado pelo mais negro dos contos para crianças, «Coração com Estrela-do-mar dentro», do Filipe [Homem Fonseca], com ilustrações realistas, e portanto, assustadoras de death_by_pinsher (estou-te a ver!), em edição de mil cuidados. Gozo, que este conto sobre manipulação genética dos imaginários e dos seres não se destina aos petizes, mas devia. Brinco, mas esta mistura de encanto e horror está mesmo a pedir uma infantil maldade. As mesmas mãos me ofereceram «Alta Finança» (ambas by Edições Fundo-da Gaveta), registo do acordar a partir da implantação da cueca masculina de modo tal que perturbará para sempre a interpretação do que cada um poderá ser, do somos, do que vamos sendo, do destino para que acordamos. A língua, qual gordo em desequilíbrio (death_by_pinsher, estou-te a ver!) vai-se fazendo tapete calcado em direcção à estratosfera. «Meu deus – digo em voz alta, e as pala-

vras desenham-se no vidro embaciado, a gozar».


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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 763/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZENG KAI, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C57389xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 277/DI-AI/2017 levantado pela DST a 06.12.2017, e por despacho da signatária de 13.12.2019, exarado no Relatório n.° 571/DI/2019, de 11.11.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Xangai n.° 21-E, I Keng Fa Un, I Tou Kok, 6.° andar B onde se prestava alojamento ilegal.----------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Dezembro de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

18.12.2019 quarta-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 782/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 807/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora NGUYEN THI THANH BINH, portadora do passaporte de Vietnam n.° C3788xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 178/DI-AI/2018, levantado pela DST a 25.09.2018, e por despacho da signatária de 13.12.2019, exarado no Relatório n.° 579/DI/2019, de 25.11.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Travessa da Amizade n.o 82, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 7, 13.° andar D, Macau onde se prestava alojamento ilegal.--------No mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LIAO YINGHUA, portadora do Passaporte da RPC n.° E69498xxx e portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C47859xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 241/DI-AI/2017 levantado pela DST a 20.10.2017, e por despacho da signatária de 13.12.2019, exarado no Relatório n.° 589/DI/2019, de 18.11.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.os 210-212, Kam Fung Tai Ha, Bloco 2, 18.° andar M onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Dezembro de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Dezembro de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

AVISO Faz-se saber que em relação ao concurso público para «Empreitada de desvio do emissário de descarga da ETAR da Taipa e terraplanagem da área periférica», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 48, II Série, de 27 de Novembro de 2019, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, Macau. Gabinete para o Desenvolvimento de Infraestruturas, aos 10 de Dezembro de 2019. O Coordenador Lam Wai Hou

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 56/P/19 Obra de Renovação de Equipamentos da Sala de Caldeiras do Centro Hospitalar Conde de São Januário 1. Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. 2. Modalidade de concurso: Concurso Público. 3. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. 4. Objecto da Empreitada: Realização da obra de renovação de equipamentos da Sala de Caldeiras do Centro Hospitalar Conde de São Januário. 5. O prazo máximo para a execução da presente empreitada é de 580 (quinhentos e oitenta) dias de trabalho (incluindo a entrega de equipamentos, instalação e fase de execução da obra, para efeitos de contagem do prazo de execução da empreitada, somente domingos e feriados não são considerados como dias de trabalho). 6. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 dias (noventa dias), a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. 7. Tipo de empreitada: A empreitada é por série de preços. 8. Caução provisória: MOP599.960,00 (quinhentas e noventa e nove mil e novecentas e sessenta patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução, aprovado nos termos legais. 9. Caução definitiva: 5% (cinco por cento) do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% (cinco por cento) para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço Base: Não há. 11. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. 12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Dia e hora limite: Dia 3 de Fevereiro de 2020 (segunda-feira), até às 17,45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. 13. Local, dia e hora do acto público: Local: Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C - «Sala de Reunião». Dia e hora: Dia 4 de Fevereiro de 2020 (terça-feira), às 10,00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 26 de Dezembro de 2019 (quinta-feira), às 15,00 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. 15. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Hora: Horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Preço: MOP412,00 (quatrocentas e doze patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: A B C D E F G

Valor total da empreitada 45% Avaliação completa do equipamento 10% Prazo de entrega do equipamento 5% Qualidade de materiais utilizados da obra 5% Experiência em obras semelhantes 20% Cronograma de construção 5% Prazo global de execução da obra 5% Integridade e honestidade H1. Declaração de Integridade e Honestidade - 2% H H2. Declaração de compromisso do concorrente em que não foi sentenciado pelo Tribunal ou órgão administrativo por ter empregue trabalhadores 5% ilegais, ter contratado trabalhadores não destinados para o exercício de funções ou para a devida actividade - 3% 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, a partir de 18 de Dezembro de 2019 (quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, a fim de tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 12 de Dezembro de 2019 O Director Lei Chin Ion

Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 51/P/19 para a execução da «Obra de Construção e Remodelação das Enfermarias do 4.º andar do Edifício da Clínica Médico-Cirúrgica», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 46, II Série, de 13 de Novembro de 2019, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo.

Assine-o

Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 10 de Dezembro de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

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desporto 17

quarta-feira 18.12.2019

F

I L I P E Souza foi um dos dois pilotos da RAEM que subiu ao degrau mais alto do pódio na 66ª edição do Grande Prémio de Macau. Depois de ter conseguido cumprir o seu objectivo para esta temporada, o experiente piloto de carros de Turismo está a ponderar as diferentes possibilidades para continuar em bom plano em 2020 e não fecha a porta a um regresso às competições locais. O piloto macaense abdicou de repetir a participação na Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) no Grande Prémio de Macau este ano, para regressar à Taça de Carros de Turismo de Macau, alcançando o seu objectivo número um: vencer a categoria para viaturas com motorizações de 1950cc ou Superior. Apesar deste sucesso não ter passado despercebido no automobilismo local, Souza ainda não sabe aonde irá correr na próxima temporada e se voltará a competir no Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS, na sigla inglesa). “Neste momento, não tenho a certeza, mas normalmente tenho que fazer MTCS, porque serve a qualificação para o Grande Prémio de Macau. Caso contrário, só posso fazer a prova do WTCR em Macau”, explicou o experiente piloto do território ao HM. Regressar esporadicamente ao WTCR, como num passado não muito longínquo, parece estar fora de questão, devido aos “elevados custos e escassas possibilidades de obter um bom resultado para um piloto privado”. Porém, a exemplo de outros pilotos, a nova Taça GT - Corrida da Grande Baía despertou o interesse de Souza, essencialmente por esta reunir carros da categoria GT4, capazes de performances bastante interessantes a um custo razoável. “É algo que estou a pensar, porque é um

Tempo de pensar

AUTOMOBILISMO VITÓRIA EM MACAU ABRE PORTAS A SOUZA NA CHINA

TÓQUIO2020 PORTUGAL QUER MOSTRAR QUE TEM ARGUMENTOS

A

S seis medalhas conquistadas em Mundiais de modalidades olímpicas em 2019 alimentam o sonho português para Tóquio2020, apesar de a missão ainda estar longe de estar fechada. Até à data, 29 atletas portugueses vão cumprir o sonho quadrienal de estar na ‘montra’ dos Jogos Olímpicos, que vão ser disputados entre 24 de Julho e 9 deAgosto, mas o processo de qualificação prossegue até perto do início das competições. O judoca Jorge Fonseca, campeão do mundo em -100 kg, o marchador João Vieira e a judoca Bárbara Timo, vice-campeões nos 50 km e em -70kg, o canoísta Fernando Pimenta e o lutador Rui Bragança, medalhas de bronze em K1 1.000 metros e -58 kg, assim como o ‘skater’ Gustavo Ribeiro são ‘responsáveis’ pela candidatura lusa aos metais nipónicos. É inevitável integrar nestes pretendentes Nelson Évora, campeão do triplo salto em Pequim2008,

Telma Monteiro, medalha de bronze no Rio2016, pela experiência olímpica, mas também outros atletas de elite, como os triplistas Pedro Pablo Pichardo e Patrícia Mamona, os ciclistas Rui Costa e Nelson Oliveira, o triatleta João Pereira, o surfista Frederico Morais e a marchadora Inês Henriques, caso sejam integrados os 50 km femininos. Deste lote, Pimenta, Vieira, Pichardo, Mamona e Kikas já têm os passaportes para Tóquio2020, apesar de algumas quotas conquistadas serem atribuídas ao país e não ao atleta, tal como acontece no ciclismo. Portugal termina o ano com 29 vagas garantidas, um número distante dos 48 registados no período homólogo para o Rio2016 – quando a comitiva das ‘quinas’ já tinha assegurado a presença no torneio olímpico de futebol – e ainda mais longínquo do objetivo de 70 a 80 atletas presentes na capital japonesa.

I Liga Sporting goleia Santa Clara e sobe ao terceiro lugar

campeonato novo para nós e também acredito que é mais competitivo”, realça Souza que em 2017 testou um BMW M4 GT4 no Japão.

PISCAR DE OLHO CHINÊS

Para além do triunfo no Circuito da Guia, o piloto do Audi RS3 LMS TCR também se sagrou este ano campeão da categoria TCR dos Pan Delta Super Racing Festival do Circuito In-

ternacional de Zhuhai. Estes resultados de vulto colocaram o nome de Souza no radar das equipas do campeonato

TCR China Series para a próxima época. “O TCR China também é uma hipótese”, revelou Souza. “Este ano

“O TCR China também é uma hipótese”, revelou Souza. “Este ano fiz duas provas deste campeonato, uma em Zhuhai e outra em Xangai. Tenho equipas que estão a discutir comigo para que corra com eles no próximo ano.”

fiz duas provas deste campeonato, uma em Zhuhai e outra em Xangai. Tenho equipas que estão a discutir comigo para que corra com eles no próximo ano.” O TCR China Series será composto por seis provas, mais uma que este ano, todas elas na China Interior. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

O Sporting goleou ontem o Santa Clara por 4-0, com ‘bis’ do brasileiro Luiz Phellype, e subiu ao terceiro lugar da I Liga de futebol, após o jogo da 14.ª jornada disputado em Ponta Delgada. No Estádio de São Miguel, Luiz Phellype marcou os dois primeiros golos dos ‘leões’, aos 40 e 47 minutos, com Bolasie (54) e Bruno Fernandes, de grande penalidade, aos 60, a fecharem o resultado. Com a oitava vitória no campeonato, o Sporting supera o Famalicão e ascende à terceira posição, com 26 pontos.

FC Porto Vitória sobre Tondela aproxima dragão das águias

O FC Porto manteve ontem a invencibilidade em casa e a diferença de quatro pontos para o líder Benfica, ao vencer o Tondela por 3-0, no jogo que encerrou a 14.ª jornada da I Liga de futebol. Invencíveis e invictos em casa, os ‘azuis e brancos’ voltaram a impor-se no Estádio do Dragão, graças aos golos dos brasileiros Soares, que ‘bisou, marcando aos 10 e aos 32 minutos, e Otávio (51). O FC Porto mantém-se assim a quatro pontos do líder Benfica, com o Tondela a ocupar a 10.ª posição no campeonato, com 18 pontos, os mesmos de Sporting de Braga e Boavista, que ocupam os lugares à sua frente na tabela.


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EXPOSIÇÃO YNGMEI CURIOUS MACAU Armazém do Boi | Até Domingo EXPOSIÇÃO NO YA ARK: INVISIBLE VOYAGE Armazém do Boi | Até 2/2/2020

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SALA 1

JUMANJI: THE NEXT LEVEL [B] Um filme de: Jake Kasdan Com: Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart, Karen Gillan 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

BRING ME HOME [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Seung-Woo Com: Lee Young-Ae, You Chea-Myung, Park Hae-Jun, Lee Won-Keun 14.30, 16.30, 21.30

STAR WARS: THE RISE OF SKYWALKER [B]

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Por ocasião dos 20 anos da RAEM e a visita de Xi Jinping, as forças de segurança têm apertado o cerco e, ao contrário do que por aqui costuma acontecer, aparecem com grande visibilidade, seja a proibir a entrada a jornalistas e activistas de Hong Kong, seja a revistar todos os que pretendem entrar em Macau, vindos da ex-colónia britânica. Todos os dias surgem notícias deste tipo, incluindo a seca que deram a uma equipa da RTP, na fronteira de Macau quando esta regressava depois de uma visita a Hong Kong. Claro que estes factos não contribuem em nada para a boa imagem de Macau nos media internacionais, sobretudo numa altura em que decorre uma intensa campanha anti-China, suportada quer por factos e quer por invenções. Mas, ao que parece, valores mais altos se levantam e nada deve, no entender das autoridades, perturbar a festa e a visita do Presidente. Na tentativa de estragar a dita festa, juntam-se artigos como o do Financial Times sobre os 20 anos da RAEM no qual debitam três portugueses. E, surpresa (?), todos grandes arautos da democracia eleitoral, com acintosas afirmações anti-China, já para não falar do perigo amarelo. Isto, lido em Pequim, dará uma imagem específica de uma comunidade portuguesa descontente, desconfiada, inimiga de quem lhe paga o pão e a cerveja. Os outros que falaram, mas cujas afirmações não interessavam à jornalista do FT, simplesmente não aparecem na reportagem porque não se enquadravam no ataque cerrado a Pequim — a ideologia do artigo. É d’homem! Porreiro, pá! Carlos Morais José

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THE WHISTLEBLOWER [B] ALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Xue Xiaolu Com: Tang Wei, Lei Jiayin, 14.00, 16.30, 19.00

STAR WARS: THE RISE OF SKYWALKER [B] Um filme de: J.J. Abrams Com: Carrie Fisher, Mark Hamill Adam driver, Daisy Ridley 21.30

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TIME WITH FEELING3 | ANDREW UM DOCUMENTÁRIO 3 1 5 6 2 4 7 HOJE 3 6 4 7 1ONE MORE 2 5 7 DOMINIK 2 1| 20164 6 5

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Um filme de: J.J. Abrams Com: Carrie Fisher, Mark Hamill Adam driver, Daisy Ridley 18.45 SALA 3

Escolas fechadas, hospitais a meio gás, transportes paralisados e a torre Eiffel encerrada é o cenário que a França enfrentava ontem, num dia de greve geral contra a proposta de reforma do sistema de pensões. Professores, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, advogados, magistrados e trabalhadores do sector dos transportes públicos e outros funcionários públicos aderiram à greve convocada por todos os sindicatos para contestar o novo sistema universal de pensões.

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PORREIRO, PÁ!

Armazém do Boi | Até Domingo

C I N E M A

YUAN

VIDA DE CÃO

EXPOSIÇÃO “CANÍDROMO”, DE POUCHING TSAI

Cineteatro

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“One More Time With Feeling” é um documentário britânico realizado em 2016 porAndrew Dominik e que acompanha a gravação do décimo sexto álbum de Nick Cave, “Skeleton Tree”, após a morte do seu filho de 15 anos. Tocante e com momentos muito peculiares, “One More Time With Feeling” mostra de forma crua, as múltiplas faces de um homem e artista complexo que continua o seu caminho, após um evento trágico. Em “One More Time With Feeling” Nick Cave continua contido, duro e recolhido na sua dor, como sempre, aliás. Inabalavelmente sóbrio e caloroso. Pedro Arede

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opinião 19

quarta-feira 18.12.2019

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

O

Disponível para amar

amor, numa perspectiva mais madura e complexa, depende de pessoas disponíveis para amar. Há quem esteja mais ou menos disponível para mergulhar nesta confusão. O amor como lugar de encontro de fragilidades – confuso e de difícil gestão. Aprender a vincular desta forma será, certamente, um processo individual, mas as estruturas culturais parecem não ajudar a oferecer uma visão realista da complexidade deste processo. Como em tudo, na verdade. Há a tendência de julgar que o amor simplesmente ‘acontece’ como uma seta de cupido que nos ataca sem aviso; ou que o amor é para sempre e incondicional, independentemente de quem somos, de como estamos e de como interagimos. O amor está cheio de mitos que dificultam a consciência do seu potencial disruptivo. O mito do amor como acontecimento mágico tende a gerar muita desilusão. Isto porque existem confusões conceptuais das quais o amor, a paixão, o sexo e o tesão fazem parte. Não que seja necessário definir cada um destes domínios ao milímetro, mas é importante perceber que as sensações que o corpo e a mente sentem vêm de muitos lugares e estão em constante sobreposição. Perceber o amor como um acto de partilha e de ligação é quase um trabalho a tempo

inteiro. Este não aparece (somente) como uma reacção fisiológica às circunstâncias à nossa volta. Necessita de trabalho amoroso - e reflexividade - que nem todos têm disponibilidade para fazê-lo. O mito do amor incondicional é daqueles também bem persistentes. Quando assentamos com um parceiro romântico esperamos que o amor seja uma ligação duradoura e incontestável. Tenta-se usar essa relação como uma rede de segurança caso tenhamos uma queda. Uma queda de qualquer tipo, emocional ou física – porque sabe-se o quanto precisamos dos outros para a nossa sobrevivência. A fantasia é de que as pessoas nos podem amar sem condições ou exigências. Simplesmente. O mais próximo que se está do amor incondicional acontece quando somos bebés ou crianças. Aí por muito (ou pouco) que

Perceber o amor como um acto de partilha e de ligação é quase um trabalho a tempo inteiro. Este não aparece (somente) como uma reacção fisiológica às circunstâncias à nossa volta. Necessita de trabalho amoroso e reflexividade - que nem todos têm disponibilidade para fazê-lo

façamos, os nossos pais amam-nos sem qualquer expectativa. Mesmo que o bebé suje tudo, não interaja muito, não fale ou satisfaça expectativas mais sofisticadas, o bebé simplesmente existe para ser cuidado e amado. Aliás, até mesmo nessas condições, o amor incondicional não é garantido, como se sabe na quantidade de traumas de infância que perseguem muitos até à idade adulta. É desse lugar que depois se procura outro tipo de vinculação. O outro, com os seus medos e desejos, nunca nos pode garantir disponibilidade total às necessidades (e vice-versa). O amor incondicional precisa de ser redefinido para permitir que existam momentos fortes de desencontro que podem não o pôr em causa. Mas para fazê-lo é preciso disponibilidade para lidar com muita confusão, e muita frustração também. É difícil explicar o que a disponibilidade para amar pode querer dizer para além de que é a condição necessária para encontrar amor nos outros e conseguir mantê-lo ao longo do tempo. Mesmo que o amor se transforme em outras formas de expressão. A disponibilidade a que me refiro não se limita a uma decisão instrumental de que ‘agora estou pronta/o para uma relação’. Trata-se da disponibilidade de cuidar e permitir ser cuidado, e poder estar disponível para mexer com o que aflige e satisfaz. O amor é construído no espaço do desencontro entre humanos, através de pontes e formas de comunicação ao longo do tempo. Um trabalho emocional, por vezes, muito intenso. Daí que a disponibilidade seja muito importante, para garantir que não nos perdemos na intensidade de que o amor nem sempre é aquilo que esperamos.


A idade dos homens, vista de dentro, é eterna juventude. PALAVRA DO DIA

Hugo von Hofmannsthal

Filipinas Sismo faz pelo menos sete mortos

RESTAURAÇÃO MACAU JÁ TEM 20 RESTAURANTES COM ESTRELAS MICHELIN

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PUB

ACAU tem desde ontem duas dezenas de restaurantes com estrelas Michelin, incluindo três estabelecimentos que mantiveram a classificação máxima, de acordo com a edição de 2020 do Guia para Macau e Hong Kong. Ao todo, a 12.ª edição do Guia divulgado ontem contempla 90 restaurantes, com a ex-colónia britânica a ascender aos 70 premiados. “As selecções deste ano são testemunho da posição inabalável de Hong Kong e Macau como cidades de referência no mundo gastronómico, onde a tradição e a modernidade podem coexistir numa mistura dinâmica e deliciosa de autenticidade e inovação”, afirmou o director global do Guia Michelin, Gwendal Poullennec. Nesta nova selecção para Macau, os restaurantes Robuchon au Dôme e The Eight, ambos no hotel-casino Grand Lisboa, e o restaurante Jade Dragon, no City of Dreams, mantiveram as classificações de 2019, com três estrelas cada um. Já entre os sete restaurantes galardoados com duas estrelas, há duas novidades: Sichuan Moon, no Wynn Palace, que se estreia no Guia, e o restaurante cantonês Wing Lei, localizado no Wynn Macau, que foi promovido este ano. O território apresenta ainda, nesta edição, 10 restaurantes com uma estrela Michelin: The Kitchen, The Golden Peacock, King, Shinji by Kanesaka, Pearl Dragon, 8 1/2 Otto e Mezzo-Bombana, Lai Heen, Zi Yat Heen e Tim’s Kitchen. Na distinção “Bib Gourmand”, conferida aos restaurantes que oferecem menus de três pratos por menos de 400 patacas, mantêm-se um restaurante de comida portuguesa, O Castiço, entre os sete indicados em Macau.

quarta-feira 18.12.2019

Xi ao lado de Carrie Hong Kong vive ano “mais sombrio e complexo” desde transferência de soberania

O

Presidente chinês reiterou ontem o seu apoio à Chefe do Executivo de Hong Kong, apesar de assumir que a região semiautónoma enfrenta o ano “mais sombrio e complexo” desde a transferência da soberania para a China. Xi Jinping elogiou Carrie Lam por respeitar a fórmula “Um País, Dois Sistemas” e pela sua “coragem e compromisso” durante um “período excepcional” para Hong Kong. Lam reuniu em Pequim com Xi Jinping e o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, na sua primeira visita à capital chinesa desde que os candidatos pró-democracia venceram as eleições para os conselhos distritais em Hong Kong, no mês passado, reflectindo o descontentamento popular com a sua governação e o amplo apoio aos protestos que há seis meses abalam o território.

Hong Kong foi “assombrada pela agitação social”, disse Lam, após os encontros, em conferência de imprensa, acrescentando que os líderes chineses consideraram que a situação actual “não tem precedentes”. “Dada a gravidade da situação e as dificuldades que enfrentamos, posso dizer que os líderes apreciam plenamente os esforços necessários”, disse. “Mas sabemos que o nosso trabalho para impedir a violência não terminou. Ainda não estamos fora da crise”, assumiu.

FÚRIAS E REJEIÇÕES

A região é desde Junho palco de manifestações, iniciadas por um projecto de lei que permitiria extraditar criminosos para paí-

ses sem acordos prévios, como é o caso da China continental, e, entretanto, retirado, mas que se transformou num movimento que exige reformas democráticas e se opõe à crescente interferência de Pequim no território. Os protestos têm assumido contornos cada vez mais violentos, com actos de vandalismo e confrontos com as forças de segurança. Na noite de domingo, manifestantes atiraram tijolos contra a polícia, que respondeu com disparos de gás lacrimogéneo. Segundo as autoridades, os manifestantes incendiaram barricadas, bloquearam estradas e partiram semáforos com martelos. A violência e os confrontos em vários centros

Xi Jinping elogiou Carrie Lam por respeitar a fórmula “Um País, Dois Sistemas” e pela sua “coragem e compromisso” durante um “período excepcional” para Hong Kong

comerciais da região, no domingo, onde a polícia usou ainda gás pimenta e fez várias detenções, terminaram uma pausa de duas semanas nos confrontos entre polícia e manifestantes. Os manifestantes acusam a polícia de brutalidade policial e exigem um inquérito independente à sua atuação. Lam voltou ontem a rejeitar aquela exigência fundamental do movimento. Um conselho de supervisão sob a actuação da polícia que está a investigar a actuação das forças de segurança deve ter “espaço e tempo” para concluir o seu relatório no início do próximo ano, defendeu. Um grupo de especialistas internacionais abandonou o conselho, na semana passada, devido às preocupações de que o órgão carece de capacidade e independência. O conselho não tem poderes para solicitar documentos ou convocar testemunhas.

Pelo menos sete pessoas morreram nas Filipinas na sequência do sismo que atingiu no domingo a ilha de Mindanao, anunciaram ontem as autoridades em novo balanço. O Gabinete de Defesa Civil filipino apontou ainda para a existência de 86 pessoas feridas, numa altura em que prosseguem as operações de busca e resgaste. O terramoto foi registado no domingo às 14:11, e o seu epicentro localizou-se a nove quilómetros a oeste de Matanao e a seis a noroeste de Padada, com uma profundidade de cerca de 30 quilómetros, segundo o Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia. O Instituto calibrou a magnitude do sismo em 6,9, ainda que o Serviço Geológico dos Estados Unidos, que regista a actividade sísmica em todo o mundo, o tenha situado em 6,8.

Tóquio 2020 Tocha olímpica inicia percurso em Fukushima

A tocha olímpica iniciará o seu percurso no Japão em 26 de Março em Fukushima, cidade afectada por um tsunami e consequente desastre nuclear após o tremor de terra em 11 de Março de 2011, informou a organização. Caberá à equipa japonesa de futebol feminino, campeã mundial no ano do acidente, iniciar o transporte da tocha a partir do centro de treino, local que abrigou os trabalhadores durante o processo de limpeza durante a crise nuclear. A tocha atravessará 47 prefeituras do Japão, num percurso que durará 121 dias e que passará por locais como o monte Fuji ou o Parque Memorial da Paz em Hiroshima, dedicado às vítimas do primeiro bombardeamento atómico, em 1945. Como é tradição, a cerimónia para acender a tocha acontecerá no templo, em Olímpia, sede dos Jogos da antiguidade na Grécia, em 12 de Março.

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Hoje Macau 18 DEZ 2019 # 4435  

N.º 4435 de 18 de DEZ de 2019

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