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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 18 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3957

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau Assembleia Nacional Popular

Ho Iat Seng foi o mais votado. Kevin Ho de fora

As eleições para a Assembleia Nacional Popular decorreram ontem em Macau. O presidente da AL esmagou. PÁGINA 5

CHINESES NOS AÇORES

SOFIA MARGARIDA MOTA

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XIAOJIANG YU

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60 a 70% da energia da China vem ainda do carvão ENTREVISTA

Chui Sai On promete medidas depois de as ter negado nas LAG

Mãozinha de Pequim O Secretário Lionel Leong foi claro nas LAG: não se mexe no mercado imobiliário. Mas agora, em Pequim, Chui Sai On anuncia medidas, que não descreve, para controlo dos preços. Em que ficamos? PÁGINA 4

Dois terrenos vendidos na Taipa por 3,51 mil milhões de patacas

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Centro de Ciência Marítima pode atrair dinheiro chinês

HABITAÇÃO


2 ENTREVISTA

XIAOJIANG YU

“O rio corria preto” Xiaojiang Yu é um académico da Universidade de Sidney com um vasto currículo em ciências ambientais. Fez parte da Agência para a Protecção Ambiental da China no final dos anos 80 e estudou um afluente do Rio das Pérolas. Ao HM falou da forma como a deslocação da indústria de Hong Kong para o Interior da China prejudicou o ambiente de Macau. Xiaojiang Yu declara-se optimista que o mundo consegue abrandar os efeitos das alterações climáticas

Estudou os níveis de poluição do Rio Beipan, na província de Guizhou, um afluente do Rio das Pérolas. Quais as conclusões a que chegou? Ao longo de 15 anos, e ao abrigo da estratégia nacional de desenvolvimento do oeste chinês, verificámos que as condições ambientais melhoraram bastante. Os principais problemas que a região enfrentou, e que ainda enfrenta porque é algo que demora o seu tempo, é o impacto humano em termos de geologia, solos, chuva e problemas como as alterações climáticas. Este impacto ainda precisa de ser endereçado, e o pior é não haver aplicação coerciva de leis de protecção ambiental em algumas regiões. Não se pune com eficiência. Quais são as principais fontes de contaminação no Rio Beipan? Hoje em dia diria que são, principalmente, resíduos urbanos e rurais originados pelo sector agrícola. Os resíduos industriais estão sob controlo porque o Governo actuou de forma muito séria nessa matéria, mas também esta fonte de poluição é mais fácil de ser controlada do que os resíduos urbanos e rurais. Esses dois focos de poluição ainda inspiram preocupação e há muito trabalho pela frente nessas áreas. Portanto, as condições ambientais melhoraram. Melhoraram bastante. Antes de visitar a região li um artigo de uma académica norte-americana sobre a gestão de resíduos na China que se focava, em particular, na poluição dos rios. O estudo dizia que o rio corria preto e que a China iria enfrentar desafios ambientais muito graves. Quando foi a Guizhou, foquei-me no Rio Beipan como meu case study, é um rio a montante do Rio das Pérolas, reparei que a água era bastante limpa. Então perguntei às pessoas se o rio havia sido sempre assim limpo e eles disseram que durante a década de 90 era muito sujo e que, de facto, corria preto e também com bastante lama, em especial quando chovia devido à desflorestação e desperdício de minas que era depositado no leito do rio. Os resíduos das minas de carvão eram, sobretudo, cinzas resultantes da lavagem do carvão. Daí o rio preto. Durante a década de 90 não havia ali sistemas de gestão eficazes,

“Perguntei a locais de Guizhou se o Rio Beipan havia sido sempre limpo e disseram-me que durante a década de 90 era muito sujo e que corria preto, em especial quando chovia devido à desflorestação e desperdício de minas.” estamos a falar, sobretudo, de minas pequenas que se limitavam a deixar os resíduos ao ar. Então quando chovia e se davam cheias, as águas empurravam estes detritos para o rio. Este rio, assim como outros, vão desaguar no Rio das Pérolas. Em Macau fala-se muito da importação de poluição, seja através do rio, seja transportada pelo vento do Interior da China. Há alguma validade neste argumento? Com base no que sei, a poluição atmosférica tem origem, em grande parte, localmente, é um tipo de poluição que flui e que também pode subir para as regiões interiores, dependendo da direcção do vento. Esta discussão foi tida há uns anos em Hong Kong, dizia-se que a maioria da poluição vinha através do Rio das Pérolas mas, mais tarde, um académico de uma universidade técnica de Hong Kong descobriu que 40 por cento da poluição atmosférica era gerada localmente. Outro aspecto importante é que muita da indústria que está localizada perto do Rio das Pérolas tem origem em Hong Kong. Mudaram as fábricas para montante do rio para o Interior da China e não controlaram bem a produção de poluição atmosférica, mas também poluição fluvial. Estamos a falar de 80 mil fábricas de Hong Kong que foram deslocadas para norte. Passados uns anos começaram a queixar-se da poluição no Interior da China, mas não fizeram nada. Acabaram por perceber que para resolver o problema da poluição é necessário cooperação entre Hong Kong, Interior da China e Macau.

Esta deslocação de fábricas de Hong Kong para o Interior da China acabou por afectar mais Macau? Sim, Macau e Hong Kong. Acho que agora melhorou bastante. O meu estudo foi realizado a dois mil quilómetros de distância de Macau, mas posso dizer que só com base no que vinha com o Rio Beipan a qualidade da água melhorou muito. Estão sempre de acordo com os standards de qualidade nacionais. Depois de 2003, a qualidade cumpriu sempre os standards e, por vezes, era mesmo muito melhor. Foi algo que o Governo chinês conseguiu através de políticas rígidas. Mas acho que também o Rio das Pérolas melhorou bastante porque desde 2006 o Governo da província de Guangdong exigiu parâmetros de gestão ambiental ao sector industrial. Ou as fábricas modificavam as operações de forma a cumprir os parâmetros, ou fechavam, ou mudavam as instalações para outro sítio. As fábricas que permaneceram tiveram de fazer uma modernização de equipamento e implementar métodos de gestão ambiental mais exigentes. Neste aspecto, o Governo deu apoios financeiros para procederem a estas renovações. Aconteceu com algumas indústrias receber o financiamento e não fizeram as devidas alterações até haver uma fiscalização por parte das autoridades.

Estamos a falar de altas esferas do Governo chinês. Creio que nessa altura começou-se a olhar mais seriamente para estes assuntos, algo que começou à volta de 1973, quando se começou a falar de desenvolvimento sustentável. Nessa altura, a China ainda estava na Revolução Cultural, o Primeiro-Ministro Zhou mandou 25 especialistas para uma conferência internacional, quando regressaram trouxeram avisos de que este assunto precisava ser endereçado com urgência. Nessa altura, as preocupações estavam mais viradas para a poluição atmosférica, então começaram a fechar caldeiras industriais porque não queimavam carvão de uma forma eficiente e criavam smog preto e muita poeira. Mas há que perceber que durante esse tempo, a China vivia uma situação económica muito má com muitas pessoas a viver em pobreza extrema. Era, portanto, muito difícil para o Governo fazer alguma coisa como a imposição rigorosa de padrões ambientais para a indústria, algo que poderia implicar a subida do desemprego.

No final dos anos 80 trabalhou na Agência de Protecção Ambiental da China. Nessa altura não se falava tanto de alterações climáticas, mas mais do buraco do ozono. Como analisa esta evolução?

Ultimamente, a China aumentou imenso a importação de carvão e continua a usar o carvão para produzir energia. Como vê esta situação? Na China não se produz muito gás natural e também não existem muitos depósitos de carvão, que em termos qualitativos não é bom carvão, ao contrário da Austrália, por exemplo. Ao usar carvão australiano, por exemplo, pode-se reduzir a poluição. Portanto, foram fechadas muitas minas de carvão chinesas e aumentou-se a importação de carvão estrangeiro.

“Hong Kong mudou cerca de 80 mil fábricas para montante do Rio das Pérolas para o Interior da China e não controlaram bem a produção de poluição atmosférica, mas também poluição fluvial, algo que também prejudicou Macau.”

Mas isto não contradiz as metas ambientais ambiciosas de Pequim? Entre 60 e 70 por cento da produção energética ainda é baseada na queima de carvão. É algo que não se consegue mudar em tão pouco tempo. Ainda há necessidade de usar carvão, ao mesmo tempo que se tenta reduzir emissões de gases que produzem efeito estufa e também poluição atmosférica. Portanto, cortou-se no carvão chinês, que causava mais danos no ambiente. Daí a decisão de importar carvão de qualidade, ao mesmo tempo que se aposta em energias renováveis como eólica, solar, hidráulica e nu-

SOFIA MARGARIDA MOTA

PROFESSOR DE CIÊNCIAS GEOLÓGICAS DA UNIVERSIDADE DE SIDNEY


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clear. Outra das apostas passa por promover a eficiência energética, aspecto no qual acho que a China já ultrapassou os Estados Unidos, apesar do carvão ainda fazer parte substancial das políticas energéticas chinesas. Vê essa realidade mudar brevemente? Não, acho que ainda precisa de desenvolver, gradualmente, mais

“Não tenho a certeza que conseguiremos inverter totalmente o curso em que estamos, mas acho que devemos conseguir abrandar os efeitos das alterações climáticas.”

produção de energias renováveis. A China apostou muito na energia hidráulica, mas essa fonte custa agora muito em dinheiro e em efeitos ambientais. Com as alterações climáticas mudaram os padrões de chuva, aumentaram os períodos de seca e isso não é bom para este sector energético. Em relação às alterações climáticas. Está optimista que

podemos reverter o curso em que estamos? Nos anos 80 e 90 enfrentámos o problema do buraco do ozono, mas desde da conferência internacional de 1996 para proteger a camada do ozono foram tomadas medidas globais com efeitos muito positivos e, hoje em dia, o buraco encolheu bastante. Algo que há 20 ou 30 anos era considerado impossível. Apesar da saída dos Estados Unidos

do acordo de Paris, a maioria dos países quer agir de forma positiva. Não tenho a certeza que conseguiremos inverter totalmente o curso em que estamos, mas acho que devemos conseguir abrandar os efeitos das alterações climáticas. João Luz

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4 política

O Chefe do Executivo, Chui Sai On está a preparar medidas para controlar a especulação imobiliária no território. A informação foi dada directamente a Xi Jinping e a Li Keqiang num encontro em Pequim, na semana passada, onde Chui Sai On levou o balanço anual da actividade governativa de Macau

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G overno de Macau vai lançar em breve medidas para controlar o preço da habitação e promover um desenvolvimento saudável do mercado imobiliário local, anunciou o Chefe do Executivo, Chui Sai On, no final da visita a Pequim que fez na semana passada. Chui Sai On apresentou ao Presidente chinês, Xi Jinping, e ao primeiro-ministro, Li Keqiang, um balanço anual das atividades do Governo de Macau, refere um comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS) distribuído no sábado. O Chefe do Executivo de Macau referiu que estavam a ser estudadas medidas para controlar

18.12.2017 segunda-feira

CHUI SAI ON GOVERNO PREPARA MEDIDAS PARA CONTROLAR MERCADO IMOBILIÁRIO

Promessa em Pequim

os elevados preços da habitação no território.

EM QUE FICAMOS?

A informação é deixada a Pequim menos de um mês depois de Lionel Leong, secretário para os assuntos da economia ter sublinhado que não haveria nada que o Governo pudesse fazer em relação ao mercado imobiliário. Lionel Leong afirmou que há pouco que o Governo possa fazer para controlar as condições do mercado do imobiliário, perante

a falta de oferta de novas habitações. A confissão foi feita no segundo dia das Linhas de Acção Governativa para a Economia e Finanças. “Temos alguns meios administrativos para definir medidas relevantes para o mercado da habitação. Mas sabemos que Macau é um mercado livre e dependemos muito da oferta e da procura. Se não temos uma oferta suficiente é difícil implementar medidas de controlo dos preços, porque mais tarde ou mais cedo o preço vai adaptar-se e vai

PEQUIM QUER ATRAIR PESSOAS PARA O INTERIOR DO PAÍS

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o âmbito da visita de Chui Sai On a Pequim foram ainda debatidas as “facilidades de que usufruirão os residentes de Macau no âmbito de aprendizagem, emprego e vida”, uma vez que o Governo Central está empenhado “em lançar políticas e medidas que facilitem aos residentes de Hong Kong e Macau aprender, procurar emprego ou prosseguir as suas vidas na China interior”. Na área da educação, as crianças de Macau e Hong Kong que vivam em Guangdong, Fujian, Zhejiang, Xangai e Pequim “podem usufruir das mesmas políticas de ingresso escolar dos alunos da China interior, consoante as legislações nacionais, designadamente a ‘Lei Educativa’ e a ‘Lei da Escolaridade Obrigatória’”, aponta um comunicado. Na área do emprego, o Ministério do Comércio da China promete realizar “uma avaliação dos problemas que os serviços profissionalizados de Hong Kong e Macau enfrentam na China interior”, para “aumentar progressivamente o grau de abertura para com Hong Kong e Macau na área dos serviços especializados”. É ainda objectivo de Pequim realizar o “aperfeiçoamento dos trabalhos na prestação de serviços no âmbito do emprego aos alunos finalistas de Hong Kong, Macau e Taiwan que frequentam estabelecimentos de ensino superior normais

da China interior”. Tudo para que haja “mais facilidades para que os estudantes de Hong Kong e Macau consigam um posto de trabalho na China interior”. Nesse sentido, será criado o chamado “acordo de emprego”, emitido a todos os licenciados que queiram trabalhar no interior da China e que “reúnam os requisitos exigidos”. Além desse documento, será emitida a esses licenciados uma “notificação de serviços de emprego para finalistas de estabelecimentos de ensino superior normais de todo o país” ou um “certificado de serviços de emprego para os finalistas e pós-graduados de todo o país”. Na área do turismo, foram instalados equipamentos de venda e recolha automática de bilhetes que reconhecem o cartão salvo-conduto dos residentes de Hong Kong e Macau em 215 estações de comboio da China interior. O mesmo comunicado aponta ainda que foi emitido, pela Administração Nacional do Turismo, um aviso sobre a “prestação de serviços de maior facilidades no alojamento turístico para os compatriotas de Hong Kong e Macau”. Este aviso visa garantir que todos os residentes das regiões administrativas especiais têm acesso a alojamento turístico, sendo “proibido criar obstáculos para rejeitar alojamento”.

Chui referiu que estavam a ser estudadas medidas para controlar os elevados preços da habitação no território aumentar”, explicou na altura o secretário. Contudo, parece que a disposição do Governo de Macau em relação à habitação mudou durante a viagem de Chui Sai On a Pequim. Porquê? Nada é certo. Em Macau, especula-se que o Chefe do Executivo de Macau terá sido “apertado” na capital onde se teme que a questão possa causar desarmonia social na RAEM.

ACTIVIDADES EM CONTINUIDADE

A Xi Jinping, Chui Sai On referiu também que o Governo vai começar a trabalhar, no próximo ano, na criação de um fundo de investimento e de um mecanismo a longo prazo para a distribuição das reservas fiscais, já proposto no relatório das Linhas de Ação Governativa. Chui Sai On afirmou ainda que vão ser anunciadas, em breve, as quotas de circulação rodoviária da Região Administrativa Especial de Macau na nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que ainda estão a ser debatidas pelas três partes. As quotas vão ser divididas pelas seguintes categorias: auto-

móveis ligeiros, veículos oficiais, autocarros ‘shuttle’ e táxis. O governante reiterou que “a acção governativa é feita de acordo com a lei de Macau e que procura, activamente, impulsionar o progresso do território de forma a promover as medidas necessárias para a concretização do Plano Quinquenal” chinês. O Executivo de Macau também colabora no projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, no âmbito da “integração no desenvolvimento do país” e da diversificação adequada da economia local, referiu. Neste momento, o Governo da RAEM aguarda o lançamento do plano oficial do projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau para participar nos respectivos trabalhos, acrescentou. Em relação à formação de quadros qualificados, Chui Sai On disse que o Governo “vai apoiar, em várias vertentes, os jovens que pretendam prosseguir os estudos, arranjar emprego e procurar oportunidades de empreendedorismo na China interior”. De acordo com o comunicado do GCS, o Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou, durante o encontro, que “o Governo central reconhece os resultados conseguidos”, reiterando que vai continuar a prestar um forte apoio ao desenvolvimento económico de Macau e à melhoria das condições de vida da população. HM com LUSA


política 5

segunda-feira 18.12.2017

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Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental foi ontem palco das eleições para a escolha dos delegados de Macau para a Assembleia Popular Nacional (APN). Um total de 466 membros (o colégio eleitoral é composto por 481 pessoas) elegeram os 12 delegados de um total de 15 candidatos. Quatro boletins de voto não foram validados, contra 462 válidos. Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa (AL), foi o mais votado, tendo obtido um total de 440 votos. Seguiram-se Lao Ngai Leong (437 votos), o ex-deputado e empresário Dominic Sio (433 votos), Iong Weng Ian (432 votos), Lok Po (430 votos), o deputado à AL Kou Hoi In (422 votos), o deputado à AL Chui Sai Peng (420 votos), Ng Siu Lai (413 votos), Ho Sut Heng (394 votos), Paula Ling (382 votos), Lai Sai Kei (377 votos), e o deputado Si Ka Lon (316 votos). Kevin Ho, patrão da KNJ Investment, sobrinho de Edmund Ho e novo accionista do grupo Global Media não conseguiu ser eleito, tendo obtido apenas 288 votos. De fora ficaram também Fong Ka Fai, com apenas 203 votos, e Wong Ian Man, com 157 votos. Estes ficaram numa outra lista, para

de Macau, disse que nos próximos cinco anos quer trabalhar em prol do fomento da economia chinesa, sem esquecer os assuntos relacionados com as mulheres, crianças e idosos. Já Ng Siu Lai, presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (kaifong), prometeu lutar por mais facilidades dos residentes de Macau na China, sem esquecer o projecto da Grande Baía, para que Macau possa ter um maior desenvolvimento. Dominic Sio lembrou que a sua experiência como delegado junto da APN permitiu-lhe conhecer melhor a realidade de Macau, tendo dito que é importante servir o país e o território.

APN HO IAT SENG FOI O MAIS VOTADO. KEVIN HO NÃO FOI ELEITO

Do sul para o norte Foram ontem eleitos os 12 delegados que vão representar Macau junto da Assembleia Nacional Popular, órgão legislativo da China. Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa, arrecadou 440 votos. Kevin Ho, novo accionista da Global Media, ficou de fora, tal como Fong Ka Fai e Wong Ian Man que possam substituir algum delegado que eventualmente fique desqualificado.

PALAVRAS DE VENCEDOR

Em declarações aos jornalistas, Ho Iat Seng agra-

“Da CCPPC para a APN há uma diferença grande porque a APN é um órgão com poderes máximos da China, que requer um nível de trabalho diferente. Sobretudo [os delegados] têm de saber o orçamento da China, porque precisam de analisá-lo.” HO IAT SENG DELEGADO MAIS VOTADO

deceu aos membros que o elegeram, tendo afirmado que os delegados de Macau precisam de assumir as suas responsabilidades e envidar esforços em prol do território e da China. Questionado sobre os novos rostos eleitos, que são Ng Siu Lai, Si Ka Lon, Dominic Sio e Lai Sai Kei, Ho Iat Seng considerou que, apesar de terem experiência nos trabalhos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), devem esforçar-se para garantir um bom desempenho na APN, por

se tratarem de dois trabalhos muito diferentes. “Da CCPPC para a APN há uma diferença grande porque a APN é um órgão com poderes máximos da China, que requer um nível de trabalho diferente. Sobretudo [os delegados] têm de saber o orçamento da China, porque precisam de analisá-lo”, exemplificou. Si Ka Lon, um dos novos rostos na APN, disse que o seu trabalho vai servir como uma ponte entre o território e a China. Na sua agenda como delegado estarão o projecto da Grande Baía, os assuntos

dos residentes de Macau a viver no continente e o desenvolvimento dos jovens. Chui Sai Peng, também primo do Chefe do Executivo, Chui Sai On, disse estar satisfeito pela sua reeleição, tendo frisado que vai trabalhar em prol da população e trabalhar ao nível do fomento da integração do território no desenvolvimento do país.

DA ECONOMIA AOS ASSUNTOS SOCIAIS

SUSANA CHOU AVALIOU VOTOS

Antes da eleição dos delegados houve uma reunião do presidium, liderad por Chui Sai On, onde se elegeu os membros responsáveis pela fiscalização da contagem de votos. Com 463 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção, foi definido que Susana Chou, a antiga presidente da AL, ficaria como responsável máxima pela fiscalização da contagem de votos, ao lado de vários supervisores. Wang Chen, secretário-geral do Comité Permanente da APN, referiu que os delegados de Macau, nos últimos cinco anos, desempenharam rigorosamente as suas funções segundo a constituição e as leis. Vítor Ng

Iong Weng Ian, delegada reeleita e ligada à Associação Geral das Mulheres

vitor.ng@hojemacau.com.mo

LAG JOVENS INSATISFEITOS COM TRANSPORTES E HABITAÇÃO

GUANGDONG-MACAU MAK SOI KUN QUESTIONA FUNCIONAMENTO DO PARQUE INDUSTRIAL DE COOPERAÇÃO

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OVENS locais não estão satisfeitos com as políticas apontadas pelas Linhas de Acção Governativa do ano que vem, na área dos transportes, habitação, e jogo. A informação é retirada das conclusões de um estudo levado a cabo pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kaifong). Ao mesmo tempo, as políticas apontadas para a educação, cultura, assistência social e saúde são aquelas que os residentes mais novos consideram mais satisfatórias. De acordo com o Jornal do Cidadão, forma recolhidas as respostas a

um inquérito de 975 jovens locais com idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos. Com estas conclusões os Kaifong sugerem que o Governo avance para a implementação de políticas que tenham em conta a melhoria dos transportes e proceda a um planeamento científico para as rotas de autocarros antes da renovação de contrato entre o Governo e três concessionárias de autocarros. No âmbito de habitação, os Kaifong aconselham que se aproveitem os terrenos em Macau e se acelere o ritmo da construção de casas públicas.

deputado Mak Soi Kun entregou uma interpelação escrita ao Governo onde questiona o funcionamento do Parque Industrial de Cooperação Guangdong-Macau, que, segundo dados de 2014, já teria dado acesso a 33 empresas. “Desde essa até à presente data, quantas empresas entraram neste parque e se encontram em funcionamento? Qual é a produtividade dessas empresas? Já se atingiram os objectivos pretendidos, isto é, ‘promover a diversificação adequada das indústrias de Macau e alargar os espaços para o negócio das empresas e para o acesso dos residentes’?”, questionou.

Na sua interpelação, o deputado lembrou que, do grupo de 33 habitações, “já foram concluídos os procedimentos da hasta de terrenos em relação a quatro deles, e, em relação a dois deles, o processo encontra-se ainda em curso”. Estes 33 projectos focam-se nas áreas criativa, cultural, turismo, lazer, logística, comércio e investigação científica, lê-se na interpelação. Mak Soi Kun lembrou, com base numa reportagem publicada em 2014, que, com esta parque, o Governo “espera, através do apoio dos maiores aos menores, que haja mais empresas de diversos tipos

a entrar na Ilha de Hengqin, com vista a promover a diversificação adequada das indústrias de Macau e alargar o espaço para o negócio das empresas e para o acesso do emprego aos residentes”. Mak Soi Kun lembrou que, nos últimos anos, “foram cada vez mais as empresas de Macau a instalarem-se no Parque Industrial de Cooperação Guangdong-Macau, e os cidadãos também prestaram muita atenção ao ponto de situação da instalação e funcionamento dessas empresas”, bem como “à influência destas para a sociedade e economia de Macau”. A.S.S.


6 política

As oficinas de reparação de automóveis continuam sem um regulamento que defina o seu funcionamento em conformidade com as normas ambientais. A acusação é feita por Ho Ion Sang que quer saber o que é feito do diploma que estava a ser elaborado em 1998 para o efeito. O deputado que ainda mais acção no que respeita a reciclagem de veículos abandonados PUB

18.12.2017 segunda-feira

Regulamentos na gaveta

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Ho Ion Sang quer medidas detalhadas para regular oficinas no combate à poluição

Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, em 1998, iniciou a elaboração do projecto de Regulamento sobre o funcionamento e licenciamento das oficinas de manutenção e reparação de veículos automóveis. No entanto, e volvidos quase 20 anos, o diploma ainda não é conhecido. Mais, perante a questão levantada pelo deputado Ho Ion Sang no debate das Linhas de Acção Governativa (LAG) na área da administração e justiça, o Governo terá afirmado que, agora, é necessário criar um regime próprio para estes estabelecimentos, não tendo dado seguimento a qualquer resposta referente ao atraso do documento em causa. Em causa, para o deputado Ho Ion Sang, está a necessidade de uma acção efectiva capaz de regulamentar o sector em causa, de forma a proteger o ambiente. Em interpelação escrita, Ho Ion Sang alerta para os estragos causados pela sobrelotação de serviços das oficinas de reparação de automóveis e motociclos e, por outro

indicações emitidas pelo Corpo de Bombeiros em relação à conservação dos materiais inflamáveis, e que devem apetrechar-se com sistemas de ventilação para manter a circulação do ar”, lê-se na missiva. No entanto, de acordo com o deputado, estas medidas são correctas mas não apresentam detalhes suficientes.

CARROS ESQUECIDOS

lado, para a falta de detalhes no documento de consulta pública referente regime de condicionamento administrativo que diz respeito às oficinas. “O respectivo documento demonstra a vontade de resolver a poluição e a ocupação de espaços

públicos pelas oficinas de automóveis através de medidas como proibir actividades de reparação fora das oficinas bem como prever que as oficinas necessitam de cumprir a lei de prevenção e controlo de ruído ambiental e as orientações e

Em interpelação escrita, Ho Ion Sang alerta para os estragos causados pela sobrelotação de serviços das oficinas de reparação de automóveis e motociclos e, por outro lado, para a falta de detalhes no documento de consulta pública referente regime de condicionamento administrativo que diz respeito às oficinas

A acrescentar à situação das reparações está a incapacidade do território em tratar dos carros inutilizados. “Em 2016 foram canceladas as matriculas de 13 000 veículos (…) mais 30 por cento do que em 2015”, aponta Ho Ion Sang. Nos primeiros três trimestres de 2017 os veículos com matrículas canceladas eram mais de 20 000 e “as sucatas do território estão cheias, e muitas delas já acomodam os veículos na via pública”, lamenta. A carta dirigida ao Governo pede assim um regulamento detalhado e justificações para o atraso do diploma que começou a ser elaborado em 1998, bem como medidas efectivas que garantam a reciclagem dos veículos abandonados de modo a que não contribuam para o aumento da poluição no território. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


sociedade 7

segunda-feira 18.12.2017

Começou a corrida ao ouro. Empresa controlada pelo empresário William Kuan fecha negócio com valor recorde, em que cada metro quadrado custou 627,1 mil dólares de Hong Kong. Criação da Grande Baía e entrada de capital do Interior da China em Macau apontadas como as razões do recorde

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Companhia de Fomento Predial San Kin Tai, detida a 40 por cento por William Kuan, vendeu dois terrenos na Taipa pelo preço recorde de 3,51 mil milhões de dólares de Hong Kong. A informação foi confirmada pela representação de Macau da Jones Lang La Salle (JLL), intermediária no negócio, que fala numa nova fase no mercado, com a entrada de capital do Interior da China motivado pela criação da Grande Baía.

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IMOBILIÁRIO DOIS TERRENOS NA TAIPA VENDIDOS POR 3,51 MIL MILHÕES

Grande Baía, grandes negócios

Os dois terrenos ficam na Taipa, na Avenida Dr. Sun Yat-Sen, e estão identificados como Lote TN20 e Lote TN24. O primeiro tem uma área de 2.323 metros quadrados e o segundo 3.274 metros quadrados, o que dá um total de 5.597 metros quadrados. Por cada metro quadrado, a empresa do Interior da China pagou 627,1 mil dólares de Hong Kong. “No passado a maioria dos terrenos foi desenvolvida por construtores locais. Agora, com a conclusão

preço médio do metro quadrado das casas em Macau atingiu em Novembro 100.890 patacas, reflectindo um aumento de 11,5 por cento face ao período homólogo do ano passado, indicam dados oficiais. De acordo com as estatísticas publicadas no ‘site’da Direcção dos Serviços de Finanças, em contrapartida, em termos mensais, o preço médio do metro quadrado diminuiu de 117.360 patacas para 100.890 patacas. Em linha com o aumento anual do preço do metro quadrado, o número das fracções transaccionadas recuou em termos anuais (de 1.144 para 1.051), verificando-se o cenário oposto na comparação mensal: com

de infra-estruturas como a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a extensão férrea entre Guangzhou e Zhuhai e a criação da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, os construtores da China começam a procurar

oportunidades na região”, afirmou Gregory Ku, director-geral da JLL Macau, em comunicado. O grupo Jiayuan vai concluir o negócio através da representação em Macau, a empresa Xiangyuan, criada

A empresa aponta também para uma corrida ao imobiliário nos próximos anos, motivada pela entrada no mercado de mais “investidores do Interior da China e do exterior”

em Agosto deste ano, que tem como principal sector de operações o imobiliário.

OPORTUNIDADES DE GRANDE BAÍA

“O Grupo acredita que a aquisição representa uma excelente oportunidade de investimento para a entrada no mercado do imobiliário de Macau e para melhorar a influência da marca na Zona Metropolitana do Delta do Rio das Pérolas”, explicou a Jiayuan, num comunicado enviado à bolsa de Hong

Sempre a subir

Preço do metro quadrado da habitação sudiu 11,5 por cento

queda do preço do metro quadrado subiu o número das fracções transaccionadas (foram vendidas mais 121 em relação a Outubro). Das três áreas de Macau, Coloane era a mais cara, com o preço médio do metro quadrado a fixar-se em 133.871 patacas, seguindo-se a da Taipa, 114.499 patacas, segundo os mesmos dados respeitantes às transações de imóveis destinados a habitação que foram declaradas para liquidação do imposto de selo.

Com o preço médio do metro quadrado mais baixo, 95.592 patacas, a península de Macau registou o maior número de fracções transaccionadas em Novembro (888 contra 818 em novembro de 2016), seguindo-se a ilha da Taipa (143 contra 239) e Coloane (com 20 contra 87). O preço médio do metro quadrado de frações autónomas destinadas a habitação em Macau (no território em geral, isto é, sem ser por zonas) galgou em Maio a barreira das 100.000 patacas pela

primeira vez desde o início do ano. A última vez que tal tinha sucedido foi em Dezembro de 2016, mês em que atingiu as 103.805 patacas. Desde a liberalização de facto do jogo, ocorrida em 2004, com a abertura do primeiro casino fora do universo do magnata Stanley

Kong, em Setembro, quando foi concluído o princípio de acordo para este negócio. “A recente recuperação da indústria do jogo de Macau é um factor favorável no curto e médio prazo. Com o apoio do Governo Central e sob a política ‘Uma Faixa, Uma Rota, o Grupo acredita que a economia de Macau vai ser injectada com uma nova dinâmica, à medida que os mercados chinês e de Macau se integram”, foi justificado. A empresa aponta também para uma corrida ao imobiliário nos próximos anos, motivada pela entrada no mercado de mais “investidores do Interior da China e do exterior”. A empresa vendedora, a Companhia de Fomento Predial San Kin Tai, é controlada a 40 por cento pelo empresário William Kuan e ex-candidato derrotado à Assembleia Legislativa, pela lista de Angela Leong. Segundo o registo comercial da empresa, em 1999, a San Kin Tai tinha como proprietários os empresários Luo Zhihai, como sócio-gerente, e Liu Sjing, como sócio. Além disso, num comunicado em Boletim Oficial de 2001, Chen Wei e Tang Baoqin apareciam como directores da empresa. Devido a acordos assinados previamente, a empresa vai ter de ceder uma área de 1.771 metros quadrados ao Governo da RAEM naquela zona para a construção de instalações públicas. No entanto, em troca, vai receber uma concessão, no mesmo terreno, que lhe permite construir em altura uma área bruta de 60.969 metros quadrados de fracções residenciais, comerciais e parques de estacionamento. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Ho, o sector imobiliário tem estado praticamente sempre em alta. Os preços caíram em 2015, um cenário apontado então como um efeito colateral da queda das receitas do jogo que teve início em Junho de 2014 e durou quase dois anos, terminando em Agosto do ano passado. Desde então, os preços das casas foram registando flutuações, mas desde Outubro de 2016 têm-se verificado subidas em termos anuais homólogos. Os elevados preços praticados no mercado imobiliário, tanto na aquisição como no arrendamento, constituem um dos principais motivos de descontentamento da classe média do território.


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18.12.2017 segunda-feira

CONFÚCIO INSTITUTO EM MACAU PERMITE O RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

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STÁ concluído o relatório relativo ao processo de consulta pública levado a cabo pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) no âmbito da elaboração do projecto da lei de controlo sanitário animal e médico-veterinária. Segundo um comunicado, a maior parte dos residentes que participou neste processo, 38,7 por cento, deu opiniões sobre o processo de “supervisão dos médicos veterinários no exercício de actividade”. Os tópicos mais abordados no processo de consulta pública foram, por ordem decrescente, a “supervisão dos estabelecimentos de clínica veterinária”, com 24,9 por cento de respostas, e a “supervisão dos estabelecimentos de reprodução, venda e hospedagem dos animais de estimação”, com 20,2 por cento de respostas. Foi ainda dada atenção à questão da “supervisão da prevenção e tratamento de doenças infecto-contagiosas animais”. O IACM não apresentou, para já, uma data para a conclusão do projecto de lei. “Este Instituto está atento e atribui grande importância às matérias que estão a ser objecto de discussão, opiniões e sugestões, para as quais irá manter a comunicação com o respectivo sector e cidadãos, aperfeiçoando o conteúdo do projecto de lei, por forma a elaborar uma lei que mais se adeque às necessidades de Macau.”

Mandarim acreditado O primeiro Centro Confúcio no território pode entrar em funcionamento no próximo ano e tem como sede a Universidade de Macau. Se para os responsáveis da instituição de ensino se trata de uma concretização do território como centro bilingue e plataforma, para quem ensina mandarim em escolas particulares é uma forma da aprendizagem da língua ter mais facilmente acesso à certificação internacional

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AC AU vai contar com o primeiro Instituto Confúcio na Universidade de Macau (UM) que deverá estar em funcionamento no início do próximo ano. A importância da presença de um centro do Instituto no território é fundamental para a sua concretização enquanto centro bilingue capaz de funcionar em dois sentidos, tanto no ensino do português como do mandarim, referiu director do departamento de português da UM, Yao Jinming, ao HM. “Macau pretende tornar-se um centro bilingue e dentro desta perspectiva tem de ser feito em dois sentidos: na formação em português e em chinês para que se dominem ambas as línguas como se fossem línguas maternas”, disse. Para o académico apesar de já existirem cursos em cultura e língua chinesa, o Instituto Confúcio “vai ajudar os portugueses e outros estrangeiros, além dos residentes que apenas falam cantonês que, desta forma, têm mais oportunidades de aprender a língua chinesa”, referiu. Por outro lado, rematou o responsável, “quanto mais ensino do mandarim houver em Macau, mais as pessoas têm oportunidade de se formar nessa língua”.

CERTIFICAÇÃO INTERNACIONAL

Já para João Varela, proprietário de uma escola de línguas em que também é leccionado o mandarim, a importância de um Instituto Confúcio no território é clara. “É importante a presença de um Instituto Confúcio em Macau na medida em que é uma PUB

GONÇALO LOBO PINHEIRO

VETERINÁRIOS RESIDENTES MAIS ATENTOS À SUPERVISÃO DOS SERVIÇOS MÉDICOS

O Instituto Confúcio “vai ajudar os portugueses e outros estrangeiros, além dos residentes que apenas falam cantonês que, desta forma, têm mais oportunidades de aprender a língua chinesa” YAO JINMING DIRECTOR DO DEPARTAMENTO DE PORTUGUÊS DA UM

entidade com a particularidade de oferecer certificação internacional no domínio do mandarim”, apontou ao HM. As certificações internacionais são prática comum em Macau no ensino do português, inglês ou mesmo francês, pelo que, reiterou, “faz todo o sentido que também exista uma certificação internacional para o mandarim”. Por outro lado, tratando-se de uma cidade internacional onde vivem pessoas de várias origens que querem investir na formação linguística, esta é uma oportunidade de se certificarem oficialmente no que respeita a esta língua que não é a falada pela maioria dos que vivem em Macau. “Um documento dado pelo Instituto Confúcio é reconhecido mundialmente”, explica. Para João Varela, o Governo tem as suas responsabilidades nas escolas e nas universidades para o ensino do mandarim “mas a certificação internacional através deste instituto faz já parte da autonomia pedagógica e de certificação do próprio instituto e que já é reconhecida em todo o lado”, mais do que um diploma universitário.

TODOS PELA ROTA

Em comunicado, a UM indicou ter recebido a aprovação do Conselho Internacional

para a Língua Chinesa para estabelecer um Instituto Confúcio, “em resposta aos esforços do Governo da Região Administrativa Especial para participar na iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’” e para “tornar Macau numa plataforma internacional para o ensino da língua chinesa para países estrangeiros, especialmente os de língua portuguesa”. O Instituto Confúcio vai funcionar sob a alçada da Faculdade de Artes e Humanidades, cujo diretora, Hong Gang Jin, foi escolhida para o liderar, indicou ainda a UM em comunicado. “O Instituto vai tirar proveito do estatuto único de Macau como Região Administrativa Especial, da sua vantajosa localização geográfica, bem como da sua diversidade cultural e linguística para desenvolver uma plataforma internacional para o ensino da língua chinesa”, e para “a formação e intercâmbio de estudantes dos países de língua portuguesa e de outros com relações com Macau”. Com sede oficial em Pequim, o Instituto Confúcio abriu, desde que foi fundado em 2004, um total de 525 delegações em 146 países e territórios, incluindo Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Angola. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


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segunda-feira 18.12.2017

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FUTURO DESCONHECIDO

Estes estudos surgem numa altura em que permanece uma incógnita em torno do futuro do sector dos casinos de Macau face ao aproximar do termo dos contratos das actuais seis operadoras de jogo que expiram, em diferentes datas, entre 2020 e 2022. O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, justificou o adiamento de informações por parte do Governo como forma de garantir que Macau se mantém competitiva em relação a outras jurisdições.

Estudos: um vai partir de “aspectos económicos e sociais de Macau”, enquanto o outro de “perspectivas do desenvolvimento saudável e da concorrência regional”

JOGO MACAU ENCOMENDA DOIS ESTUDOS SOBRE FUTURO DO SECTOR

Cartas proféticas

O Governo pediu à Universidade de Macau a realização de dois estudos para ter dados acerca das tendências do sector do jogo entre 2020 e 2030. O obejctivo é delinear políticas tendo os resultados como base

“Muitas pessoas estão preocupadas se temos tempo necessário para preparar esses concursos, se as operadoras têm de assumir mais responsabilidade social. (…) Temos de pensar qual o momento oportuno para lançar essas regras para garantir um desenvolvimento

SCM MELCO CROWN DOOU UM MILHÃO DE PATACAS PARA REPARAR CRECHE

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Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM) recebeu um milhão de patacas da operadora de jogo Melco Crown para “apoiar as obras de reparação dos danos causados pelo tufão Hato nas instalações da sua creche”. Segundo um comunicado, “os estragos causados pelo tufão obrigaram à substituição do pavimento de borracha especial anti-choque do pódio da creche, tendo havido ainda infiltrações nas paredes das salas de aula”. “Os equipamentos de recreio e brinquedos destruídos serão também renovados com este apoio, tendo o Instituto de Acção Social (IAS) assumido os custos da substituição dos sistemas de alarme, video-vigilância e sonoro, igualmente afectados”, acrescenta a SCM. Além dos montantes concedidos para a reparação do espaço educativo, a Melco Crown também atribuído donativos para o projecto do cabaz social, no âmbito da criação da Loja Social em 2013.

saudável deste sector”, disse Lionel Leong, em Novembro, aos deputados na Assembleia Legislativa. Em Maio de 2016, o Governo publicou a chamada “revisão intercalar” da indústria do jogo, uma espécie de radiografia ao principal motor da economia, encomendada ao Instituto

de Estudos sobre a Indústria do Jogo da Universidade de Macau. Antes da divulgação do relatório, o primeiro do tipo, gerou-se a expectativa, nomeadamente entre analistas, que viesse a oferecer pistas sobre eventuais cenários após o termo dos contratos de exploração

de jogo. Contudo, o documento, com 280 páginas na versão em português, pouco ou nada revelou. À luz da actual legislação, tem de se realizar um concurso público após o termo dos contratos de exploração de jogo. Não obstante, a duração de cada concessão pode ser prorrogada, a título excepcional, por um período máximo de cinco anos. O objectivo dos referidos estudos, encomendados à Universidade de Macau e à Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, é “propor recomendações cientificamente sólidas e justificáveis ao Governo da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] sobre a política de diversificação económica moderada”, explicaram os Serviços de Economia ao portal GGRAsia.

EXTRADIÇÃO SÓNIA CHAN NEGOCEIA ACORDOS COM CABO VERDE E TIMOR

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secretária para a Administração e Justiça anunciou que se encontra em negociações para assinar acordos de extradição para transferência condenados com países de língua oficial portuguesa. Sónia Chan apenas revelou Cabo Verde e Timor Leste, mas acrescentou que há outros países que usam a língua de Camões em processo de negociações. A novidade foi veiculada no final da cerimónia de assinaturas para o acordo de transferência de condenados entre Macau e a Mongólia. O documento assinado por Samdan Erdene, Cônsul-Geral do Consulado Geral da Mongólia na Região Administrativa Especial de Hong Kong e a

secretária para a Administração e Justiça entrará em vigor 30 dias após a sua assinatura. Este protocolo irá abrir a possibilidade dos cidadãos GCS

E x e c u t i v o encomendou dois estudos sobre o futuro desenvolvimento da indústria do jogo entre 2020 e 2030, período durante o qual expiram os contratos das seis operadoras, noticiou o portal GGRAsia. Segundo o portal especializado em jogo, que cita a Direcção dos Serviços de Economia, os dois estudos devem ser concluídos no terceiro trimestre de 2018. Pelo menos um dos estudos foi comissionado, no passado dia 5, a Davis Fong, membro do Conselho para o Desenvolvimento Económico e director do Instituto de Estudos sobre a Indústria de Jogo na Universidade de Macau, além de deputado nomeado pelo chefe do Governo. Ambos os estudos vão oferecer uma “análise quantitativa da exploração numa escala moderada da indústria do jogo (2020-2030)”: um vai partir de “aspectos económicos e sociais de Macau”, enquanto o outro de “perspectivas do desenvolvimento saudável e da concorrência regional”, indicaram os Serviços de Economia ao GGRAsia.

de ambos os territórios cumprirem a pena a que foram condenados nos seus locais de origem. Tal realidade apenas será possível caso haja acordo

entre o condenado e as autoridades de ambos os territórios. Sónia Chan revelou que actualmente estão encarcerados em Macau dez pessoas com nacionalidade mongol, não havendo, contudo, informação sobre o número de residentes de Macau presos na Mongólia. Convém recordar que Macau já tem um acordo de extradição com Portugal e que estão a decorrer negociações com as autoridades do Vietname para assinar um semelhante acordo brevemente. Sónia Chan acrescentou que está prevista a assinatura “de dois acordos no próximo ano, mas que bilateralmente “há vontade de celebrar este tipo de acordos com vários países”. J.L.


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18.12.2017 segunda-feira

Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Grama-francesa Nome botânico: Elymus repens (L.) Gould Sinonímia científica: Agropyron firmum J.Presl & C.Presl; Agropyron repens (L.) P.Beauv.; Elytrigia repens (L.) Nevski; Triticum firmum (J.Presl) Link; Triticum repens L. Família: Poaceae (Graminae). Nomes populares: GRAMA-CANINA; GRAMA-DAS-BOTICAS; GRAMADAS-FARMÁCIAS; GRAMA-DATOSSE; GRAMA-DOS-NERVOS. A Grama-francesa é uma planta herbácea de caules erectos, glabros, folhas estreitas e ásperas na página superior, e longas espigas de flores verde-claras alinhadas em duas filas dispostas alternadamente; o fruto, uma cariopse oblonga, é vulgarmente designado por grão, e os rizomas são longos e rastejantes, de cor branco-amarelada, coriáceos e providos de nós, dos quais partem pequenas raízes. Esta gramínea infestante pode atingir mais de um metro de altura e é nativa das regiões temperadas do hemisfério Norte. Pode ser encontrada nos terrenos cultivados, baldios, sebes e margens dos caminhos. O seu nome de género, Agropyrum, significa Trigo dos campos, e alude à sua semelhança com o Trigo. Conhecida como planta medicinal desde a Antiguidade, a Grama-francesa foi recomendada por Dioscórides e Plínio, no século I, para situações em que o fluxo urinário se encontra enfraquecido e cálculos renais. Em 1597, John Gerard, assim se referia a ela: «a Grama-francesa é uma visitante indesejada dos campos e jardins, embora as suas virtudes físicas suplantem os danos que provoca; de facto, abre as oclusões do fígado e dos rins (ureteres) sem calor». Em fitoterapia são usados os rizomas desprovidos das raízes. Composição Polissacáridos mucilaginosos (triticina), sacarose, poliálcoois (inositol, manitol), mucilagens, óleo gordo e sais minerais (ferro, potássio, silício); contém ainda saponósidos, flavonóides e vestígios de óleo essencial (agropireno ou capileno). Sabor adocicado. Acção terapêutica Com actividade diurética, a Grama-francesa aumenta o volume da urina, diluindo-a, desinflama e suaviza as vias urinárias, e protege-as de agentes irritantes e infecciosos; é ainda antibacteriana. É recomendada nas infecções e irritações e do aparelho urinário, como bexiga irritável, cistite e uretrite, hiperplasia benigna da próstata e prostatite aguda ou crónica, observando-se, de acordo com

Linhas de todo

DESIGN PREMIADOS DA 11ª BIENAL CONHECIDOS HOJE. EXPOSIÇÃO

HOJE NA CHÁVENA

alguns estudos, uma melhoria dos sintomas com resultados satisfatórios para os pacientes. Além de diurética, esta erva é depurativa. Previne os cálculos urinários e, na sua presença, ajuda a dissolvê-los e reduz a irritação e laceração por eles provocada. Pode ainda ser benéfica em caso de gota e reumatismo, eczema e outras afecções crónicas da pele, obesidade com retenção de líquidos e celulite. Outras propriedades A Grama-francesa desinflama e desinfecta as vias respiratórias, favorece a expectoração e acalma a tosse, e induz a sudação favorecendo a descida da febre, sendo útil em caso de tosse, constipação, gripe, faringite, bronquite, afecções pulmonares e doenças febris em geral (sarampo, escarlatina, entre outras). Pode igualmente ser usada no nervosismo e insónia, pelas propriedades sedativas, na consolidação de fracturas e como remineralizante. Como tomar Uso interno: • Decocção: 20 gramas por litro de água, 10 minutos de fervura. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. • Em ampolas, xarope e tintura, em fórmulas de plantas, para os cálculos urinários e biliares, infecções urinárias, reumatismo, emagrecimento, como diurético e depurativo e na desintoxicação do fígado. • O rizoma pode ser empregue na preparação de geleia, pão, açúcar, álcool e cerveja artesanal. • Suco das raízes: pode ser usado como depurativo no tratamento da icterícia e doenças hepáticas. • A raiz torrada e moída pode ser utilizada em substituição do Café e da farinha. Uso externo: • Cataplasma das sementes: aplicar topicamente, quente e húmida, nas úlceras pépticas. Precauções Considerada não tóxica, não são conhecidos efeitos adversos nem contra-indicações para a Grama-francesa. No entanto, pela acção diurética, deve ser tomada sob vigilância de um profissional em caso de insuficiência cardíaca ou renal ou em concomitância com medicamentos anti-hipertensores. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde. Outros usos Em tempos, as suas raízes fibrosas serviam para fabricar vassouras. Misturada com a alimentação, a Grama-francesa amacia o pêlo dos cavalos. Os cães e os gatos procuram instintivamente as suas folhas.

Organizada desde os anos 90, a nova edição da Bienal de De Exposições Especiais do Museu das Ofertas sobre a Transfe as obras premiadas decorre entre 19 de Dezembro e 31 de M

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NSTITUTO Cultural (IC), Associação de Designers de Macau e Fundação Macau. Três entidades que se juntaram para promover a 11ª edição da Bienal de Design de Macau. Hoje ao final do dia serão conhecidas as obras premiadas que estarão em exposição na Galeria de Exposições Especiais do Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau a partir

de amanhã, 19, e até 31 de Março de 2018. Mais de quatro mil trabalhos, oriundos de 33 países ou regiões, chegaram às mãos dos organizadores do evento, sendo que vinte por cento deles passou à fase final de organização. Segundo um comunicado do IC, “este ano o volume de trabalhos submetidos a concurso quebrou o recorde, sendo o nível global de qualidade superior ao de anos anteriores”.

O júri, composto por Guang Yu (Pequim), Céline Lamée (Amsterdão e Pequim) e Steffen Knöll (Alemanha), levou seis meses a avaliar todos os trabalhos, tendo sido seleccionados 80 vencedores e um total de 200 obras para integrar a exposição amanhã inaugurada. O IC afirma que “os vencedores e os trabalhos seleccionados provêm do Interior da China, Hong Kong, Macau, Taiwan,

A história chinesa mais perto MAM acolhe “Parada de Ouro - Armamento Imperial do Museu do Palácio”

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OI inaugurada na passada sexta-feira a exposição “Parada de Ouro - Armamento Imperial do Museu do Palácio”, organizada pelo Museu de Arte de Macau, o Museu do Palácio, Fundação Macau, Direcção dos Serviços de Turismo e o jornal Ou Mun. Trata-se de uma iniciativa que visa mostrar ao público o “armamento, equipamento e engenhos produzidos pelas oficinas imperiais, tributos das diferentes regiões da China e presentes oferecidos por outros países à corte chinesa”. O objectivo é “dar a conhecer as grandiosas revistas de tropas pelo imperadores da dinastia Qing, as caçadas imperiais, os exercícios militares e o próprio sistema militar, entre outros.”

A exposição vai estar patente até ao dia 11 de Março do próximo ano e vai permitir aos visitantes “compreender aspectos políticos, militares e a vida dos imperadores no Palácio Imperial da dinastia Qing, bem como a importância atribuída pelos Qing ao poder militar”, aponta um comunicado. Esta é a 19ª iniciativa realizada em parceria com o Museu do Palácio e exibe mais de 100 peças da corte imperial Qing. A exposição está dividida em três secções, nomeadamente “Porte Digno”, “Poderio Militar” e “Sistema Militar”. Na secção “Porte Digno”. O comunicado refere que uma das peças mais importantes da exposição é a “Revista da Grande Parada das Tropas pelo Imperador Qianlong” Rolo 2: Tropas em formação. Trata-se de “um rolo mais de 17 metros de comprimento, mostrando com grande detalhe soldados dos Oito Estandartes que aguardam a revista das tropas pelo Imperador Qianlong”. Quanto à secção “Poderio Militar” “inclui várias pinturas de caçadas de Qianlong em bosques e florestas e ainda equipamento de caça, revelando a importância que a corte atribuía ao tiro com arco a cavalo”. Já a secção “Sistema Militar” apresenta “o sinete do comandante dos Oito Estandartes e o Registo e cobre inscrito, entre outras peças históricas, reflectindo o sistema de poder militar dos Oito Estandartes da dinastia Qing”. No dia da inauguração da exposição, Chan Kai Chon, director do MAM, adiantou que esta entidade cultural pode vir a reforçar a cooperação com o Museu do Palácio, “procurando ambas as partes trabalhar em conjunto para promover conhecimentos e o reconhecimento da cultura chinesa por parte da população”.


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segunda-feira 18.12.2017

do o mundo ARRANCA AMANHÃ

esign de Macau é hoje inaugurada na Galeria de erência de Soberania de Macau. Exposição com Março do próximo ano Alemanha e Grã-Bretanha”. A primeira edição da Bienal de Design de Macau arrancou em 1994, numa iniciativa da Associação dos Designers de Macau. Segundo o IC, “a Bienal acabou por tornar-se na única competição profissional no sector do design de Macau e num evento de design muito representativo das quatro Regiões dos Dois Lados do Estreito”. “Várias exposições e competições profissionais

têm contribuído para potenciar a imagem profissional do sector do design, granjeando reconhecimento a múltiplos designers e sensibilizando o público para a importância da criatividade na sustentabilidade económica, bem como para o valor criado pelo sector do design”, aponta o IC no mesmo comunicado.

ANIM’ARTE NAM VAN A FOTOGRAFIA DOCUMENTAL DE ALICE KOK E OS SEUS ALUNOS

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OCUMENTING Impermanence: An Exhibition of Reportage Photography by Alice Kok and Students” é o nome da nova exposição patente no café do Instituto de Formação Turística (IFT) no espaço Anim’Arte, em Nam Van. A exposição, que estará patente até 31 de Março do próximo ano, visa retratar imagens do dia-a-dia em Macau num “passado recente”, pela lente da artista Alice Kok e dos seus alunos. As 80 imagens foram tiradas no contexto de um curso de reportagem fotográfica que o IFT promove desde 2011. Segundo

um comunicado, “os trabalhos expostos ilustram os conceitos e as técnicas da reportagem fotográfica aprendidos no curso e que foram depois aplicados pelos alunos, retratando a vida normal das pessoas de Macau”. O curso de reportagem fotográfica é um dos muitos que têm sido promovidos pelo IFT no âmbito dos cursos profissionais e vocacionais. O IFT tem trabalhado em parceria com 20 entidades internacionais, disponibilizando junto do público um total de 80 cursos qualificados. Ao todo, já 20 mil pessoas participaram nestas iniciativas educativas.

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18.12.2017 segunda-feira

MINISTRO DA CIÊNCIA QUER COOPERAÇÃO CIENTÍFICA COM OS AÇORES

Os novos atlantes

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secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia dos Açores, Gui Menezes, admitiu o interesse da China em cooperar cientificamente com a região no âmbito do Air Center - Centro de Investigação Internacional do Atlântico, a instalar no arquipélago. “[Os chineses] têm demonstrado interesse em ser um dos países a participar no projecto. Até agora não entraram oficialmente no projecto Air Center, mas têm participado nos ‘workshops’ e têm sido convidados a dar contributos para este projecto, que, no fundo, é um projecto de cooperação científica no Atlântico”, adiantou Gui Menezes. O secretário regional falava aos jornalistas após uma reunião que decorreu no Nonagon - Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel com elementos de uma comitiva do Ministério da Ciência e Tecnologia da China e da Academia de Ciência Chinesa, que esteve sexta-feira na ilha de São Miguel.

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Presidente chinês, Xi Jinping, vai inaugurar na segunda-feira, em Pequim, a conferência na qual o seu governo decidirá as principais políticas económicas da China em 2018, uma iniciativa que decorrerá à porta fechada. Depois de consolidar o seu poder no XIX Congresso do Partido Comunista (PCC), que se realizou em Outubro, espera-se que o Presidente chinês decida o rumo económico da China, nomeadamente se avança com a abertura dos mercados que prometeu no Congresso. Na opinião da Câmara de Comércio Europeia na China, seria “surpreendente” que este ano não houvesse “mudanças significativas” em relação às edições anteriores (esta reu-

“Estas visitas servem para estreitar relações, servem para criar mecanismos de uma maior interligação entre, nomeadamente, a ciência que se faz cá e eventualmente com institutos chineses nestas áreas. É assim que se constroem as relações de cooperação científica e tecnológica e são sempre importantes estas visitas”, destacou. Gui Menezes lembrou que a China “tem alguma cooperação com Portugal nestas áreas científi-

cas” e que seria “uma mais-valia” que os Açores entrassem nesta interacção entre os dois países, admitindo “boas perspectivas” para o futuro. “É naturalmente uma mais-valia. A China, pela sua dimensão e pelo seu ‘know-how’, será certamente um parceiro num projecto deste género muito importante, vamos ver como isso acontece e como pode acontecer”, ressalvou. O titular da pasta da ciência nos Açores admitiu que “natural-

mente existem alguns interesses económicos” e lembrou que esta “não é a primeira vez “ que uma comitiva chinesa vem aos Açores.

PONTO ESTRATÉGICO

“Provavelmente acham que os Açores são um ponto estratégico, e nós também sabemos que o somos - um ponto estratégico no meio do Atlântico, dada a nossa localização geográfica - e que temos potencialidades que lhes podem interessar. E a nós pode interessar essa cooperação com vista ao nosso desenvolvimento”, disse. Gui Menezes lembrou que a visita serviu também para abordar a possibilidade de haver uma cooperação entre Açores e a China nas “questões do mar e da investigação no mar profundo”, bem como na área da aquacultura. “A China também tem coisas em que nós podemos aprender, nomeadamente nas questões de aquacultura, em que nós estamos a dar os primeiros passos. Para nós também será importante perceber experiências chinesas, sobretudo com algumas espécies que eles produzem e que nós temos cá e que têm valor comercial elevado. Como estamos a começar, podemos tirar daqui proveitos para o nosso conhecimento e desenvolvimento desta área nos Açores”, sublinhou.

Sob o signo da dívida

Xi reúne com Governo para definir políticas económicas para 2018

nião acontece anualmente desde 1994), ao tratar-se da primeira conferência económica que se celebra depois do XIX Congresso. Esta organização explicou à agência noticiosa Efe que espera que “se estabeleça uma direcção mais concreta para a nova era” e que “se centrem fundamentalmente no excessivo nível de dívida da China, que se converteu na principal fonte de preocupação para muitos”. Além de acordar reformas económicas, medidas financeiras e o rumo da política monetária e fiscal, o Governo fixará o objectivo de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)

para 2018, ainda que este número só seja divulgado em Março do próximo ano, quando o partido realizar o seu congresso anual. Depois da cimeira, que não se sabe em que hotel da capital terá lugar e que se espera termine na quarta-feira, o Governo emitirá um comunicado com as principais conclusões, das quais se poderá deduzir o roteiro que a China seguirá no âmbito económico pelo menos no próximo ano. Segundo a imprensa chinesa dos últimos dias, espera-se que depois de um primeiro mandato em que Xi teve como prioridade a luta contra a corrupção, agora se dedique nos pró-

ximos cinco anos a avançar na liberalização económica e realizar reformas estruturais nalguns sectores, como as empresas públicas. Reduzir a alavancagem, baixar os níveis de dívida e manter um crescimento sólido, mas de qualidade, são os desafios principais do Governo nos próximos anos. Os meios chineses referem que será o próprio Xi quem definirá a agenda da reunião, rodeada de secretismo, assessorado por Liu He (de 65 anos), um dos 25 membros do Politburo do partido e vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.

Apesar de teoricamente o país ir dar prioridade à qualidade do crescimento em vez de à quantidade, espera-se que Xi volte a fixar em 6.5% o crescimento do PIB em 2018. O líder chinês, cujo poder foi aumentado em Outubro para o nível do de Mao Zedong, também prometeu no Congresso uma abertura dos mercados financeiros ao investimento estrangeiro, um caminho no qual já deu alguns passos, ao levantar algumas restrições no sector das gestoras de fundos, seguradoras e sociedades de valores e futuros. O sector financeiro internacional deu as boas vindas a esta vontade de abertura da China, ainda que se mantenha algo céptico sobre a eficácia e velocidade com que o país asiático empreenderá as reformas.

Hong Kong Renovado mecanismo de notificação em casos criminais A parte continental da China e a Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) assinaram na quinta-feira novos acordos sobre o mecanismo de notificação em casos criminais. O novo mecanismo aplicará a imposição de medidas criminais obrigatórias e acção penal contra residentes do outro lado. Comparando com o atual mecanismo introduzido em 2001, as revisões foram feitas em termos de prazo, conteúdo, alcance e canais para notificação, segundo o Ministério da Segurança Pública. As revisões foram feitas sob o princípio orientador de “um país, dois sistemas” com base na Constituição, a Lei Básica da RAEHK e outras leis de ambos os lados, disse o ministério numa nota de imprensa. O novo mecanismo defenderá ainda mais os direitos das pessoas em ambos os lados, combaterá o crime inter-regional e contribuirá à prosperidade e estabilidade de ambos os lados, segundo a a nota. Os novos acordos entrarão em efeito em 1º de fevereiro de 2018. Zhao Kezhi, ministro chinês da Segurança Pública, e Carrie Lam, chefe do Executivo da RAEHK, participaram da cerimônia de assinatura.

Educação Supervisão muito mais estrita

A China começou na quinta-feira um novo projecto que torna mais estrita a supervisão e avaliação, para reduzir a disparidade educacional entre as regiões do leste e do centro e oeste do país, segundo o Ministério da Educação. Supervisão e avaliação por uma terceira parte serão introduzidas para promover a educação nas regiões do centro e oeste, que ficam atrás do leste, disse o ministério. A supervisão e a avaliação concentrar-se-ão em sete aspectos, incluindo educação profissionalizante, educação étnica e acesso à educação para as pessoas portadoras de deficiência. O projecto de quatro anos exige relatórios anuais de 2017 a 2020 com base em 265 indicadores, como financiamento educacional e infraestrutura nas escolas, entre outros. Temperaturas nas salas de aula, proporção entre alunos e docentes e números de estudantes, entre outros, serão controlados.


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segunda-feira 18.12.2017

ÍNDIA RAHUL GANDHI ASSUME LIDERANÇA DO MAIOR PARTIDO DA OPOSIÇÃO

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TIMOR-LESTE AUSTRÁLIA ASSINARÁ NOVO TRATADO DE FRONTEIRAS MARÍTIMAS

Óleo e outros temas

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Governo australiano acordou esta semana assinar o tratado de fronteiras marítimas com Timor-Leste, documento cujo conteúdo está concluído e que vai ser assinado na presença do secretário-geral da ONU, disseram à Lusa fontes próximas ao processo. “A Austrália acordou assinar o tratado. O calendário vai ser agora acordado com o secretário-geral da ONU para definir exactamente quando será a assinatura”, disse a fonte, que destacou o progresso conseguido nas negociações esta semana. As fontes explicaram que essa era a notícia mais positiva saída da ronda negocial mantida na última semana em Singapura por delegações de Timor-Leste e da Austrália, sob auspícios de uma Comissão de Conciliação das Nações Unidas. Presente esta semana em Singapura, confirmaram as fontes, estiveram ainda representantes das petrolíferas que fazem parte da Joint Venture que controla o importante poço de Greater Sunrise. “Foi a quinta vez que os representantes da Joint Ventura participaram nas rondas negociais”, explicou a fonte ouvida pela Lusa, que re-

feriu que houve reuniões a sós da Comissão de Conciliação com as petrolíferas e reuniões informais das delegações. O tratado é um dos elementos centrais do acordo negociado ao longo do último ano que além “elementos centrais” da delimitação de fronteiras marítimas entre os dois países - centrada, tudo indica, na linha mediana sempre reivindicada pelos timorenses -, inclui o estatuto legal para o desenvolvimento do poço de gás de Greater Sunrise no Mar de Timor. O único assunto pendente tem a ver com a forma como o gás será explorado: se com um gasoduto para Darwin, no Território Norte da Austrália, se para a costa sul de Timor-Leste. O destino desse gasoduto determinará a forma como as receitas serão divididas entre os dois países. As fontes ouvidas pela Lusa explicaram que a comissão solicitou às duas partes informação “detalhada” sobre as opções que defendem para que se possa avançar e concluir este aspecto mais “bicudo” do diálogo. Nesse sentido, e para reforçar a informação, o negociador principal da delegação timorense, Xanana Gusmão, viaja ainda este fim de semana para a Papua Nova Guiné

onde vai conhecer o projecto de gás natural do país. Ausente de Timor-Leste desde 11 de Setembro, Xanana Gusmão tem estado a liderar as negociações com a Austrália sobre esta questão, crucial para o futuro de Timor-Leste e que merece consenso nacional entre os timorenses. Recorde-se que as reuniões decorrem no âmbito do processo de conciliação entre Timor-Leste e Austrália, conduzida por uma Comissão de Conciliação, nos termos da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e sob os auspícios do Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA) em Haia. A comissão está a avançar na preparação do seu relatório sobre o processo negocial que deverá ser finalizado e publicado no início de 2018. Recorde-se que a comissão de conciliação, constituída em 25 de Junho de 2016, iniciou-se em 11 de Abril de 2016, através do envio por Timor-Leste da “Notificação de Instituição da Conciliação, nos termos da Secção 2 do Anexo V da Convenção” à Austrália. A comissão é composta por cinco membros, dois escolhidos por cada um dos países e presidida pelo embaixador Peter Taksøe-Jensen.

AHUL Gandhi tornou-se hoje presidente do principal partido da oposição do país, o Partido do Congresso, consagrando as responsabilidades de uma nova geração na saga da dinastia política dos Gandhi. Aos 47 anos, Raul Gandhi tinha sido oficialmente designado na segunda-feira para liderar o Partido do Congresso. A sua mãe, Sonia Gandhi, de origem italiana, ocupava esse lugar há 19 anos, um recorde para o partido fundado em 1885 e que liderou a independência da Índia do império britânico em 1947. Raul Gandhi é neto e bisneto de primeiros-ministros indianos. Representa a quarta geração da família Nehru-Gandhi, depois do seu bisavô Jawaharlal Nehru, primeiro- ministro da Índia após a independência, da sua avó, Indira Gandhi, assassinada em 1984, e do seu pai,

Rajiv Gandhi, morto num atentado em 1991. Sonia Gandhi, num discurso na cerimónia da tomada de posse realizada hoje, descreveu o filho como uma nova esperança para o partido. O partido de Gandhi sofreu derrotas humilhantes nas recentes eleições estaduais, apesar das suas campanhas ativas para reconquistar o apoio. Raul Gandhi deverá fazer frente a Narendra Modi, quando este procurar a reeleição para um segundo mandato enquanto primeiro-ministro nas eleições de 2019. Narendra Modi e o partido nacionalista hindu, Bjaratiya Janata Party (BJP), obtiveram em 2014 a maioria absoluta, pela primeira vez nos últimos 30 anos, na câmara baixa do parlamento nas legislativas, com a promessa de criação de empregos e relançamento do crescimento económico.

PUB HM • 1ª VEZ • 18-12-17

ANÚNCIO Processo : Confiança Judicial n.º FM1-17-0104-MPS Juízo de Família e de Menores

MÃE DA MENOR: Ma. Jeannie Montecillo Flores, feminino, nacionalidade de Filipinas, ora ausente em parte incerta.   *** FAZ-SE SABER que pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm éditos de TRINTA DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando a mãe biológica da menor acima identificada, para no prazo de DEZ DIAS, findo o dos éditos, deduzir querendo, oposição à Confiança Judicial da sua filha aos requerentes, nos termos do artº 147º nº1 do Decreto-Lei nº65/99/M. ***

“Arca da Paz” visita pela primeira vez Timor-Leste O navio-hospital chinês, Arca da Paz, chegou nesta quinta-feira ao Porto de Dili, para sua primeira visita amigável de 8 dias a Timor‑Leste. Esta é a segunda visita da Marinha Chinesa ao país. O ministro da Defesa e Segurança Nacional de Timor-Leste, José Somotxo, afirmou no seu discurso que a chegada do navio contribui para o aprofundamento das relações de cooperação e amizade entre os dois países e traz esperança e saúde ao povo timorense. A amizade entre os dois países é já histórica. Em 1436, o famoso navegador chinês, Zheng He, visitou Timor-Leste com a sua frota. Em Janeiro de 2016, a 20ª frota da Marinha Chinesa visitou pela primeira vez o país.

RAEM, 06 de Dezembro de 2017


14

h

18.12.2017 segunda-feira

voltarei a ler no alfabeto das suas mãos, a redimir-me na água do seu regaco? ´

SHEN HAO

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Hua Zhu»

Discurso sobre a Pintura Todos esses homens que se inspiraram noutras obras e noutros acontecimentos, tomaram esses exemplos como um guia mas não teriam tido possibilidades de deles tirar proveito se não possuíssem uma inteligência superior. Dong Yuan (c. 934-962) fez esboços das paisagens reais de Jiangnan1. Huang Gongwang (1269-1354) retirava-se para as montanhas onde pintou o Yu Shan, mostrando exactamente as suas rugas e cores. Ele tinha por hábito levar pincéis e tinteiros de pedra num saco e quando obser-

vava algumas nuvens ou árvores estranhas, copiava-as imediatamente2. Guoxi (1020-90) pintava as montanhas a partir das formações de nuvens surpreendentes e em formação; chamavam-lhe o ladrão esperto, porque roubava as formas das nuvens. É bom lembrar o quão zelosamente os velhos mestres faziam esboços (gao ben) a partir da natureza e os preservavam no seu coração. Aqueles que tiverem olhos perspicazes, ou uma clara percepção, descobrirão isto por si mesmos e saberão como seguir os métodos dos ociosos e dos vagabundos3.

1 - Região que inclui as partes mais baixas, incluindo o delta, do rio conhecido como Yangtsé (em pinyin, Yangzi) mas cujo nome chinês é Changjiang (o «rio Grande», de que o Yangzi é afluente) de onde Jiangnan, «a sul do rio». 2 - O grande paisagista da dinastia Yuan (1279-1368) pintou o cenário que se estende ao longo do rio Qiantang na província de Zhejiang, durante quatro anos, de 1347 a 1350. Essa pintura – conhecida como Morada nas Montanhas Fuchun, ou da «Primavera Abundante» - tornar-se-ia um marco da história da pintura, exaustivamente observada e comentada. Tudo nesta pintura seria objecto de análise, a começar pelas circunstâncias da sua produção; Huang habitou aquele lugar como um ermita, rejeitando o envolvimento com a política do seu tempo, imitando os ermitas da antiguidade e ali trabalhou, tirando notas directamente do natural, método que já fora praticado anteriormente por Wu Daozi, jing Hao ou Dong Yuan. 3 - A disposição ociosa, o espírito livre, sem entraves, é uma atitude daoísta, que se exprime muitas vezes pelo caracter xian, «ocioso», e é a que o pintor deve adoptar antes de iniciar o trabalho. Wang Yu, um pintor e autor da transição do século dezassete para o dezoito escreveu: «O coração deve estar absolutamente vazio, sem sombra de poeira, e a paisagem surgirá do mais íntimo da alma.» (Em Hualun Congkan, Coord. Yu Anlan, Pequim, 1937, p.260, citado por Pierre Ryckmans, op. cit. p.127)


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

Amélia Vieira

DARKO TOPALSKI, ANGELS AFTER BOUGUEREAU

segunda-feira 18.12.2017

A vinda

E

SPERAR por quem partiu é uma actividade da ordem da expectativa redentora: erguer o que caiu, reerguer, tornar a levantar. Nascer de novo. Toda a nossa existência tem o ciclo da ilusão rotativa ampliada a uma esperança que supera em muito o nosso comedimento temporal e racional e amplia a vida para lá das fronteiras do possível. Desmesuradamente construímos a esperança como um doce sacrifício a manter mesmo quando a única que se nos é dada viver seja o momento, que sabiamente vivido é a mais bela casualidade de todos os factores. Não diferimos aqui das grandes desovas marítimas em bandos de vida animal, nem nos falta o canto de amor das baleias, nem o banquete ártico dos ursos, nem o construir em cima do já feito voltando ao mesmo ninho. O que difere um pouco da frase pré-socrática que é o não nos banharmos duas vezes nas mesmas águas, o que, entenda-se, pode designar que o pensamento é um exercício relativamente recente na esfera da vida. Tudo se move pela memória, ou nos parece que ela é tão avantajadamente mais lata que o pensamento fica entorpecido nas suas malhas. Ora, em princípio, quem nasceu já não volta a nascer, a menos que figuradamente e aí acrescenta então mais espaço ao conceito de nascituro. Mas nós, que pensantes e a soçobrar de sonhos queremos que nasça alguém já nascido, prosseguimos um estranho caminho configurado de lenta transformação sem recurso a singularidade. Neste momento todos os ânimos se ateiam no Médio Oriente devido a um agente incendiário que irracionalmente governa o mundo, pois ele achou que à beira da “desova” natalícia o melhor presente seria fazer perigar o instante, o que não é de todo oposto a uma certa animalidade atávica de configuração dinâmica; aquele local é uma masmorra em forma de dinamite planetária que um ligeiro toque remete para as enguias em pleno Mar dos Sargaços. Ora, aqueles povos inteligentes em vez de inteligir o óbvio, imediatamente respondem sem freio a um estímulo de causa-efeito: imaginai os não inteligentes, como se comportarão?! Abaixo de um qualquer enxame de vespas. Naquela terra tudo espera vindas a duplicar... a triplicar: a vinda de Cristo, a vinda do segundo e terceiro Templo, a vinda de Elias, mas quem ali se instalou, enquanto uns morriam e outros eram desterrados, não quer abrir a sua mão nem para acenar do outro lado da rua onde deslizam com as fortes correntes de ar da cidade os que estão nas tendas,

uns ao relento, outros atrás de um sudário, enquanto eles, os do usucapião, se instalaram no melhor dos locais, que os outros dizem que é seu, mas que também é deles, porque também um outro ali subiu aos céus. Aquela gente estava sempre a ascender. E para que se saiba do arfar do movimento, aquele é o ponto mais fundo da Terra. E assim, entre memória e conflito, a tensão faz do cérebro um grande órgão de fogo. Efectivamente, e à medida que fomos desenvolvendo capacidades, instalámo-nos em terrenos muito estranhos para a frágil anatomia transportada: já nada nos lembra a primeira lava de extração da raça dos gigantes que casavam com as filhas dos Homens, e aquelas personagens de crânios ovais, tudo o que circula na nossa corrente sanguínea

Naquela terra tudo espera vindas a duplicar... a triplicar: a vinda de Cristo, a vinda do segundo e terceiro Templo, a vinda de Elias

do nascer de novo se assemelha descomunalmente. Esta rotatividade imparável faz-nos um atordoamento simbólico mas muito belo pois que somos feitos desta fórmula composta. Quando os grandes ciclos se festejam, eles não sabem já o que seja a festa, mas, chegados ali, como o corpo tem memória ele segrega a mesma baba Pavloviana. É interessante ver que não diferimos em nada de um cachorro. Em Jerusalém preparam-se as festas, Hanukkah, Natal, uns julgam que o Messias vai a qualquer hora nascer - que não é aquele - mas nada é aquilo que estamos à espera, é sempre outra coisa, ou não será? Que vão reerguer o Templo e já há quem esteja a fazer utensílios com madeiras do Líbano e tudo... enfim, Deus é total, sim, e onde ele estiver, saibamos que não morremos de monotonia, pois que o cérebro humano tem o dom maior que é o de fazer, refazendo, aquilo que já estava feito. Lembro-me de Arafat em pranto quando desejou passar o Natal em Belém e não deixaram, lembro-me da morte de Isaac Rabin, dos ortodoxos russos na Igreja da Natividade com as cadeiras pelos ares e, de facto, quando olho tudo isto é como se fosse pela primeira vez. Depois penso que a forma de vida cultural é tudo o que não

é passível de mudança. Para se mudar um homem, sem dúvida que a única mudança possível é matá-lo. E mesmo assim, ele volta, reergue-se, ressuscita, elevam-se as pedras, erguem-se os altares, tudo o que algures radicalizámos, volta. Mas não nasce, nascer é outra coisa. Nós ainda não nascemos. Estamos configurados até ao fim das provas para este desastre em permanência e até ele tem o seu labor e os seus equilíbrios a manter. Vamos aqui, e já que ainda aqui vamos, para a semana é de novo Natal e até os Orientes se embebedaram desta seiva dos mais loucos da Terra para finalmente deles extraírem um propósito que também nos ultrapassa. A vir então que venham todos, pois que para sairmos da Roda há que não deixar nada e ninguém para trás, há que salvar todas as vidas como se fosse a nossa e deixar de pensar que voltar é tornar a existir. Ascensionais vamos à Ceia. Muda o mundo os seus ângulos e da recta parada nascerá a vertical subida. O Espírito e a Esposa dizem: «Vem!» Diga também o que escuta: «Vem!» O que tem sede que se aproxime; e o que deseja beba Gratuitamente da água da vida.» Apocalipse- Epílogo- 17


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18.12.2017 segunda-feira

Aviso de recrutamento

Aviso De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.° 109/2005, os requerimentos visando a renovação de licenças anuais, a emitir pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, devem ser tratados, anualmente, entre Janeiro e Fevereiro, salvo se outro prazo estiver fixado em disposição legal. Na falta de regime especial, a não renovação da licença anual no supramencionado prazo implica a cessação da actividade licenciada, salvo se o interessado proceder à respectiva regularização no prazo de 90 dias. Caso efectue o pedido de renovação da licença anual no período de regularização de 90 dias, fica sujeito a uma taxa adicional calculada nos seguintes termos: • • •

Dentro de 30 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 30% da taxa da licença em causa; Dentro de 60 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 60% da taxa da licença em causa; Dentro de 90 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 100% da taxa da licença em causa.

Para um melhor conhecimento dos titulares de licença, é apresentada a seguinte tabela descritiva com o tipo de licenças a renovar entre 1 de Janeiro e 28 de Fevereiro de 2018 Local de tratamento das formalidades

Tipos de Licença Licença para estabelecimentos de venda a retalho de animais de estimação Licença de venda a retalho de carnes frescas, refrigeradas ou congeladas Licença de venda a retalho de vegetais Licença de venda a retalho de pescado Licenciamento para animais de competição Licenciamento de outros animais – cavalos Licença anual de lugares avulsos no mercado Licença de vendilhões Licença de afixação de publicidade e propaganda Licença de reclamos em veículos Licença de pejamento de carácter permanente

Centro de Serviços / Todos os Centros de Prestação de Serviços ao Público / Postos de Atendimento e Informação / Núcleo de Expediente e Arquivo

Centro de Serviços / Todos os Centros de Prestação de Serviços ao Público Centro de Serviços / Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas

Licença de esplanada

Os locais e as horas de expediente, para o tratamento de requerimentos de renovação de licenças, são os seguintes: Centro de Serviços do IACM: Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 18:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Centros de Prestação de Serviços ao Público: Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte Rua Nova da Areia Preta, n.º 52, Centro de Serviços da RAEM, Macau. Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n.º 75K, Taipa. Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central Rotunda de Carlos da Maia, Nos .5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 18:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Postos de Atendimento e Informação: Posto de Atendimento e Informação Central Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau. Posto de Atendimento e Informação Toi San Avenida de Artur Tamagnini Barbosa n.º 127, Edf. Dona Julieta Nobre de Carvalho, Torre B, r/c, Macau. Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4°andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 19:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Posto de Atendimento e Informação do Fai Chi Kei Rua Nova do Patane, Habitação Social do Fai Chi Kei, Edf. Fai Tat, Bloco II, r/c, lojas G e H, Macau Núcleo de Expediente e Arquivo: Avenida de Almeida Ribeiro, n.°163, r/c, Macau. - 2.ª a 5.ª feira: das 9:00 às 13:00; das 14:30 às 17:45 horas. - 6.ª feira: das 9:00 às 13:00; das 14:30 às 17:30 horas. Os formulários de pedido de renovação das supramencionadas licenças (excepto para a Licença de Vendilhões) poderão ser obtidos no website do IACM (www.iacm.gov.mo). Para mais informações, queira ligar para a Linha do Cidadão do IACM, através do telefone no 2833 7676. Macau, 30 de Novembro de 2017 O Presidente do Conselho de Administração, José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO

Pretende admitir, mediante contrato individual de trabalho, nos termos do “Novo Estatuto de Pessoal do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”, homologado pelo Despacho n° 49/CE/2010, trabalhadores para os seguintes cargos: 1. Um Intérprete-tradutor de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de tradução e interpretação nas línguas chinesa e portuguesa, referência n°1305/DIT-GAT/2017) 2. Dois Técnicos de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de administração pública, referência n°1405/CS/2017) 3. Um Adjunto-técnico de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de inspecção, referência n°1505/DFAA-SAL/2017) 4. Um Auxiliar, 2.º escalão (Área de servente, referência n°1605/SAA/2017) Documentos de candidatura: • Relativamente às condições, os documentos necessários e os pormenores do concurso, constantes do aviso, podem ser obtidos na página electrónica (http://www.iacm.gov.mo/p/recruit/) deste Instituto ou consultados nos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação; • Os respectivos boletins de candidatura deverão ser entregues no prazo de vinte dias, ou seja até ao dia 8 de Janeiro de 2018, a contar do primeiro dia útil imediato ao da publicação do presente aviso; • Os interessados ao concurso obrigam-se a entregar pessoalmente o boletim de inscrição devidamente preenchido e assinado e os documentos referidos no aviso de concurso, no prazo acima referido e dentro das horas de expediente, nos seguintes Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação. Locais dos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação: Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte – Rua Nova da Areia Preta, n.° 52, Centro de Serviços da RAEM, Macau (Tel. 2847 1366) Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas – Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n.° 75 K, Taipa (Tel. 2882 5252) Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central – Rotunda de Carlos da Maia, n.os5 e 7, Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3.º andar, Macau (Tel. 8291 7233) Ø Posto de Atendimento e Informação Central – Avenida da Praia Grande n.os 762-804, China Plaza, 2.° andar, Macau (Tel. 2833 7676) Ø Posto de Atendimento e Informação de T’oi Sán – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, n.° 127, Edf. D. Julieta Nobre de Carvalho, Bloco “B” , R/C, Macau (Tel. 2823 2660) Ø Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço – Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4.° andar , Macau (Tel. 2893 9006) Ø Posto de Atendimento e Informação do Fai Chi Kei – Rua Nova do Patane, Habitação Social do Fai Chi Kei, Edf. Fai Tat, Bloco II, R/C, lojas G e H, Macau (Tel. 2826 1896) Horário de expediente: Centro de Prestação de Serviços ao Público: 2.ª a 6.ª feira, das 09:00 às 18:00 horas, sem interrupção ao almoço. Posto de Atendimento e Informação: 2.ª a 6.ª feira, das 09:00 às 19:00 horas, sem interrupção ao almoço. Macau, aos 7 de Dezembro de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO


desporto 17

segunda-feira 18.12.2017

A Coreia do Sul conquistou o Torneio da Soberania, após vitória por 5-2, na final, diante Cantão. Macau terminou no sexto lugar e Portugal, representado pelo Sporting, ficou em terceiro

C

OM uma vitória por 5-2 frente a Cantão, a selecção da Coreia do Sul conquistou ontem o Torneio da Soberania, para equipas de veteranos. O pódio ficou completo com Portugal, que derrotou Hong Kong por 2-1, num dia marcado pelas baixas temperaturas que se fizeram sentir no Canídromo. Em relação à final, a formação de Gangdong entrou melhor no encontro e aos 10 minutos já se tinha colocado na frente do marcador. A vantagem durou pouco e passados cinco minutos, os coreanos empataram 1-1, tendo feito, ainda antes do intervalo, aos 35 minutos, o 2-1. Já na segunda parte, a Coreia do Sul continuou a acelerar e fez o 3-1, pouco minutos depois do recomeço. Nessa altura, começou a sentir-se uma equipa de Cantão mais cansada, tendo também o 4-1 chegado sem surpresas. Até ao final, Cantão reduziu para 4-2, mas acabou por sofrer o 5-2 a dois minutos do fim do encontro. Já o Sporting, em representação de Portugal, finalizou a competição no último lugar do pódio, com uma vitória por 2-1, frente a

O

depois de bater o campeão europeu, Reus Deportiu, por 3-5, em Espanha. Quatro anos depois os encarnados voltaram a erguer o troféu, arrecadado pela terceira vez por uma equipa portuguesa. Lusos e espanhóis chegaram ao encontro depois de, no dia anterior, terem batido duas equipas argentinas. Os encarnados venceram o Andes Talleres, por 7-4, enquanto os catalães bateram o Concepción Patín, por 7-5, após prolongamento. Na equipa do Benfica apenas uma alteração no cinco inicial em relação ao jogo de sexta-feira, com o

FUTEBOL COREIA DO SUL VENCE TORNEIO DA SOBERANIA

Triunfo coreano Hong Kong. No final, o capitão da equipa, Romeu Silva lamentou a derrota de Sábado frente à Coreia do Sul, por 1-0, que impediu a passagem à final. “Queríamos participar com espírito de competição e com fair-play, mas tudo é mais bonito quando se ganha. Nós gostamos de competir, brincar de forma séria, mas gostamos muito mais de ganhar. Infelizmente sofremos um dissabor”, disse Romeu Silva, capitão do Sporting, ao Hoje Macau. “A Coreia do Sul era a equipa mais forte, tem demonstrado ao longo dos anos com as participações neste torneio ser uma equipa muito competitiva, com outro valor

em relação às outras selecções. Ombreámos com a mesma valia que eles e o resultado foi uma lotaria e nesta lotaria só ganhou um”, acrescentou. Romeu Silva deixou ainda o desejo da equipa do Sporting de Portugal regressar a Macau no próximo ano, se a equipa for convidada por parte da organização: “Sincera-

BALANÇO POSITIVO

Por sua vez, Francisco Manhão, fundador e antigo presidente da Associação de Veteranos de Fu-

“A Coreia do Sul era a equipa mais forte, tem demonstrado ao longo dos anos com as participações neste torneio ser uma equipa muito competitiva, com outro valor em relação às outras selecções.”

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

ROMEU ATLETA DO SPORTING

Colosso de rodas Benfica conquista a Taça Intercontinental de hóquei em patins

guarda-redes Pedro Henriques a entrar para o lugar de Guillem Trabal. Foi preciso esperar até aos 18 minutos para o primeiro golo da tarde. Depois de uma grande penalidade marcada a favor do Reus Deportiu, Albert Casanovas foi chamado a converter e inaugurou o marcador (10), uma margem magra que foi levada para o intervalo. Foi, aliás, o primeiro penálti da tarde num jogo

mente, para nós é muito agradável estarmos presentes e gostaríamos de voltar no próximo ano, se for essa a vontade da organização. Queremos ganhar”, admitiu.

tebol de Macau, fez um balanço positivo da competição. “É um balanço muito positivo porque os jogos realizados mostraram um nível muito equilibrado. Antigamente havia um desnivelamento entre as equipas, mas os resultados mostram que houve uma boa preparação para este torneio. Não podia ser melhor”, afirmou Francisco Manhão, ao HM. Em relação à edição do próximo ano, Manhão explicou que ainda não está nada decidido: “Há equipas garantidas como Macau, Taipé Chinês, Hong Kong e Interior da China. São equipas com lugares cativos, sem elas não fazia muito sentido fazer o Torneio da Soberania. Mas fazemos sempre questão de ter uma equipa portuguesa. Ainda vamos pensar como vai ser para o ano”, explicou.

marcado pelas bolas paradas. Aos 29’, já no segundo tempo, mais uma grande penalidade, desta vez a favor da equipa portuguesa. Jordi Adroher não desperdiçou e rematou para o 1-1. Três minutos depois e mais um penálti. Albert Casanovas voltou a colocar os espanhóis em vantagem (21). No minuto seguinte, mais uma bola parada. O Benfica cometeu a última falta e deu livre directo para o Reus,

mas Pedro Henriques estava lá para evitar o 3-1. Foram minutos de tirar o fôlego com Benfica e Reus a mostrarem por que são consideradas duas das melhores equipas europeias. Aos 34’ de novo o avançado espanhol Jordi Adroher rematou para o empate (2-2) a finalizar no coração da área depois de uma assistência do argentino Nicolía. No minuto seguinte (35’), a resposta do Benfica com um hat-trick de Adroher que, sem dar hipótese ao guarda-redes dos espanhóis, colocou os encarnados pela primeira vez em vantagem no encontro (23). Uma vantagem de apenas

um golo que não durou muito tempo. Aos 36’, Raul Marín repôs a igualdade no marcador (3-3). A dois minutos do final, Valter Neves assumiu, fez a rotação e rematou para o 4-3. Um golo de belo efeito importantíssimo nesta fase do encontro. O Benfica a ser

recompensado pelos quase 50 minutos onde esteve sempre à procura de golos. Quando faltava apenas um minuto para o apito do árbitro, livre direto a favor da formação de Pedro Nunes, depois da décima falta cometida pelos espanhóis. O suspeito do costume, Adroher, fez o 3-5 e assinou o póquer que fechou as contas em Espanha. O Benfica repete, assim, o triunfo alcançado em 2013, quanto bateu, em Torres Novas, os brasileiros do Sport Recife, por 10-3, tornando-se a segunda equipa portuguesa a conquistar o troféu, depois do OC Barcelos (1992).


18 (f)utilidades TEMPO

MUITO

18.12.2017 segunda-feira

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PROBLEMA 182

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 181

UM FILME HOJE

SUDOKU

DE

Hong Kong, a virginal. Esteio de inocência e pureza, impoluta face à contra-cultura que moldou na sombra o resto do mundo com riffs e feedback durante os reinados dolentes das cantoras pop e produtos afins. Para cada equivalente musical a um frasco de Tide, há um punhado de bandas que na obscuridade empurram toda a máquina criativa para a frente. Bandas que não se conheceram em castings e que não começaram a carreira por vender a alma criativa a um Satanás publicitário e que cospem orgulhosamente na cara da conformidade. No meio da pasmaceira popular que se limita à auto-regurgitação, germinam nichos de genialidade, heróis invisíveis que testam os limites dos sentidos. Hong Kong precisa ser libertada pelo rock ’n roll se quiser manter a reputação de cidade cosmopolita que tanto gosta de apregoar, sacudir o mofo e abrir as janelas para deixar uma corrente de ar entrar. Largar as manifestações de mercantilismo artístico, ultrapassar o trauma do Justin Bieber e partir para outros patamares sem medo de ser livre, sem angústia de rockar o segundo sistema. Este fim-de-semana deliciei-me com o psicadelismo estridente de uma banda de Brooklyn numa cave de um arqueológico centro comercial em Fortress Hill. Vísceras transformadas em decibéis, transformados em energia entre três artistas em palco e um público maioritariamente branco. É bizarro sentir uma cidade mundial como Hong Kong com menos cultura alternativa musical do Paredes de Coura, camuflada pelo verde Minho. João Luz

ISOROKU | IZURU NARUSHIMA | 2011

C I N E M A

STAR WARS EPISODE VIII SALA 1

STAR WARS EPISODE VIII [B] Fime de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley John Boyega Mark Hamill 14.15, 21.30

STAR WARS EPISODE VIII [3D] [B] Fime de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley John Boyega Mark Hamill 18.50

MY LITTLE PONY: THE MOVIE [A] [FALADO EM CANTONENSE] Fime de: Jayson Thiessen 17.00

YUAN

PÊLO DO CÃO

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018

Cineteatro

0.24

SALA 2

WONDER [B] Fime de: Stephen Chbosky Com: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay 14.15, 21.45

Isoroku é uma película que retrata os últimos quatro anos de vida do almirante japonês Isoroku Yamamoto, durante a Segunda Guerra Mundial. Figura incontornável do Exército Imperial Japonês, Yamamoto teve a particularidade de se ter oposto à invasão da China, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, e ao ataque contra os Estados Unidos, que levou a potência americana a entrar na guerra. Um filme que explica a euforia nipónica da altura, em que pessoas como Yamamoto eram vista com desconfiança por se oporem à Guerra e à entrada do Japão na Aliança do Eixo, com Alemanha e Itália. João Santos Filipe

SALA 3

MY LITTLE PONY: THE MOVIE [A] [FALADO EM CANTONENSE] Fime de: Jayson Thiessen 14.30

MY TOMORROW, YOUR YESTERDAY [B] [FALADO EM JAPONÊS. LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS] Fime de: Takahiro Miki Com: Sota Fukushi, Nana Komatsu 16.30, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 18.12.2017

PEDRO FILIPE SOARES In esquerda.net

GOYA, DAMAS NA VARANDA (PORMENOR)

O

CASO da Raríssimas levantou a ponta de um véu de um mundo obscuro. Uma realidade onde os dinheiros públicos não são devidamente escrutinados, onde os favores se compram e a democracia se perde. É certo que não devemos criticar o justo pelo pecador e não quero criar nem alarme social, nem desmerecer a atividade de muitas associações com trabalho de qualidade que deve ser reconhecido. Muito trabalho voluntário deve ser valorizado e cumpre uma importante função social. Mas, no mundo das instituições públicas de solidariedade social (IPSS), há algumas críticas e preocupações que não devemos deixar na gaveta. De outra forma, o caso da Raríssimas apenas será analisado pela rama. Há quem diga que o código associativo e a lei garantem uma total transparência das associações. Obrigam à existência de uma direcção, de uma assembleia geral e de um conselho fiscal, o que mais poderia faltar? A resposta não se deve dar pela forma ou pela teoria, antes pela prática: quantas vezes as assembleias gerais não têm o quórum suficiente para se reunirem e, apesar disso, fazem as suas deliberações? Quantas vezes os documentos apresentados para avaliar o trabalho da direcção ou a situação financeira da instituição são meramente apresentados como um pró-forma e, por isso, levianamente analisados? Quantas vezes as vozes críticas se calam com medo de represálias de um poder despótico? Quantas vezes o corpo de funcionários se constitui mais rapidamente pelas relações familiares do que pela competência? Estas perguntas são a ponta do enorme icebergue que, por demasiado tempo, se ignorou. No caso da Raríssimas, há o pleno dos maus exemplos anteriores. A presidente agia acima de tudo e de todos, preenchia os seus órgãos sociais a pensar em favores políticos, abrigava a sua família na lista de funcionários da associação e apresentava as contas à medida, mascarando o desvio de dinheiros públicos. Cereja no topo do bolo daquele desastre: até o destino do filho da presidente já estava traçado como o “herdeiro da parada”. Democracia ou monarquia? Parece claramente que o funcionamento estava mais próximo da segunda. E poderia perguntar quem lê: como é possível a assembleia geral deixar passar a situação? A resposta é a óbvia, pois a assembleia geral da instituição não tinha o perfil fiscalizador que deveria ter, submissa à presidente. Do ponto de vista público este tema é incontornável. Sabe qual o montante a transferir do Orçamento do Estado para as IPSS no ano de 2018? São mais de dois

Raríssimas?

mil milhões de euros. Esta transferência de dinheiros é feita através dos protocolos que a Segurança Social faz com cada uma das IPSS, numa grande multiplicidade de serviços que vão desde creches a lares de terceira idade, passando por apoios domiciliários, lares de dia, etc. Ao valor indicado, devemos juntar a despesa fiscal que decorre da isenção de impostos ou do seu pagamento residual. Tudo somado, há vários ministérios que invejam este enorme bolo, porque a

Sabe qual o montante a transferir do Orçamento do Estado para as IPSS no ano de 2018? São mais de dois mil milhões de euros

sua fatia do Orçamento do Estado é muito mais pequena. No entanto, o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, que deveria fiscalizar estes protocolos, não tem a capacidade necessária para um trabalho desta dimensão. A julgar pelos processos que o Ministério Público tem aberto por fraude ou branqueamento de contas, percebemos que o problema assume já uma grande dimensão e que a transparência deve ser uma obrigação incontornável. Mas nem só de dinheiro vivem os problemas. Muitas das vezes são os direitos das pessoas que estão em causa. Em várias situações, as listas de espera são utilizadas como forma de dominação social, promovendo ou não os utentes em função do seu poder económico ou da sua proximidade à direcção.

É certo que as IPSS não são todas iguais. No entanto, não se pode aceitar é que o Estado não fiscalize como deveria, que a transparência fique à porta das IPSS, ou a democracia seja um mero adereço no funcionamento destas instituições. É necessário lembrar, também, que as IPSS têm proliferado pela omissão do Estado das suas funções. A prioridade política tem sido a de entregar às IPSS responsabilidades e funções que deveriam ser asseguradas pelo Estado. É uma escolha política de quem tem constantemente defendido que menos Estado é um melhor Estado. Como se vê, menos Estado torna-se rapidamente na criação de um Estado paralelo onde as pessoas saem duplamente prejudicadas: pelo mau serviço prestado e direitos desrespeitados ou pelos dinheiros públicos mal utilizados.


PALAVRA DO DIA

segunda-feira 18.12.2017

REUTERS

Entre existir e viver há a mesma diferença que entre olhar e ver e que entre redigir e escrever António Patrício

CORRUPÇÃO PCC EXPÕE FUNCIONÁRIOS “RARÍSSIMOS”

O

ALKATIRI FUGA DO CASAL GUERRA PODE AFECTAR RELAÇÕES BILATERAIS

Mal-estar em Timor

O

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primeiro-ministro timorense advertiu ontem o Governo português que a sua atitude em relação ao caso do casal português que fugiu de Timor-Leste pode ferir as relações bilaterais e apelou a “um gesto” de Lisboa para esclarecer a situação. Mari Alkatiri disse estar preocupado com o facto de a embaixada portuguesa em Díli ter emitido os passaportes que Tiago e Fong Fong Guerra tinham quando fugiram do país, apelando a Lisboa para que faça “um gesto” em relação a esta situação. “Estou preocupado com a própria atitude da embaixada portuguesa ter emitido os passaportes portugueses. Isso pode ferir as relações entre dois países irmãos, e dentro da CPLP. Temos que gerir como deve ser esta situação”, disse. Nesse sentido, Mari Alkatiri deixou um “apelo directo” ao Governo Português para “encontrar formas de fazer um gesto” para convencer as autoridades timorenses de que “isto foi um caso isolado que dificilmente poderá voltar a acontecer”. O caso de Tiago e Fong Fong Guerra tem marcado um dos momentos mais tensos das relações bilaterais recentes

entre Portugal e Timor-Leste nos últimos anos, provocando uma onda de críticas na sociedade timorense. Condenados a oito anos de prisão em Díli - o caso ainda não transitou em julgado porque foi alvo de recurso - Tiago e Fong Fong fugiram para a Austrália, onde chegaram, de barco, a 9 de Novembro, tendo chegado a Lisboa a 25 de Novembro.

COMUNIDADE ALVO DE INSULTOS E PERSEGUIÇÃO

Mari Alkatiri admitiu ainda estar preocupado que a comunidade portuguesa em Timor-Leste esteja a ser alvo de insultos e possa agora ser “alvo de perseguição” da justiça na sequência do caso. Um português e dois timorenses já foram detidos e dois deles, incluindo o português, estão em prisão preventiva na prisão de Becora, acusados de envolvimento na fuga do casal. A entrega de passaportes ao casal pela embaixada portuguesa em Díli foi criticada em Timor-Leste, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, garantiu que a legislação portuguesa foi respeitada, conclusão de um inquérito urgente que tinha ordenado.

Apesar disso, as críticas aos portugueses e a Portugal têm-se multiplicado em Timor-Leste com vários portugueses a relatarem terem sido insultados na rua. Nas redes sociais têm também aumentado os comentários críticos e insultos contra Portugal e os portugueses por parte de alguns timorenses, muitos deles com dupla nacionalidade e alguns dos quais ainda a receber pensões e apoios do Estado português. “A segunda maior preocupação que tenho é com a comunidade portuguesa em Timor-Leste. Espero que isto não se generalize”, afirmou. “A partir de agora se houver algum português que seja suspeito de qualquer coisa dificilmente terá Termo de Identidade e Residência. Porque há perigo de fuga, tem que ir a prisão preventiva e seria péssimo que isso acontecesse. Essa é a minha maior preocupação: começar a colocar cidadãos portugueses como alvo de uma perseguição da justiça”, disse o chefe do Governo.

CHUVA DE CRÍTICAS

Mari Alkatiri considerou que se corre o risco de “criar uma situação em que portugueses

que eram considerados como irmãos passam agora a ser pessoas sempre alvos de críticas, ou de outro tipo de atitudes”. Por isso, deixou um apelo à sociedade timorense “para não generalizar esta questão”. A situação actual tem sido exacerbada pela tensão que se vive, semanalmente, em frente à embaixada de Portugal em Díli onde se reúnem centenas de timorenses que estão a tratar dos seus pedidos de passaportes. A pressão é tão grande, com ameaças e insultos, que a embaixada já teve que fechar várias vezes o atendimento ao público, tendo a polícia timorense sido chamada. Jornalistas timorenses juntam-se às críticas acusando em artigos na imprensa ou em ‘posts’ no Facebook, a embaixada de cumplicidade na fuga do casal, afirmando que vários pedidos de informação ou declarações feitas à missão diplomática estão sem resposta. A missão diplomática está a aguardar que o novo embaixador, José Pedro Machado Vieira, apresente as suas credenciais, mas a data ainda não foi marcada.

órgão máximo de inspecção disciplinar do Partido Comunista da China (PCC) divulgou publicamente os nomes de funcionários em oito casos de corrupção relacionados aos trabalhos de alívio da pobreza. A Comissão Central de Inspecção Disciplinar (CCID) do PCC publicou os nomes de 27 funcionários envolvidos em casos de desvio de recursos de subsistência, obtenção fraudulenta de subsídios de subsistência ou de recursos para reforma de casas. Além disso, bloquearam o acesso dos aldeãos à assistência social. A maioria dos funcionários recebeu uma advertência do Partido. Um caso envolveu os departamentos de assuntos civis e gestão de assistência social no distrito de Suining, Província de Hunan. Os dois departamentos destinaram mais de 1,4 milhão de yuans de subsídios de subsistência para comprar aparelhos electrónicos para 21 asilos com preços mais altos que o normal entre Novembro de 2014 e Julho de 2016. Dois funcionários dos departamentos receberam subornos de 2 e 41 mil yuans em dinheiro dos vendedores. Ambos foram retirados oseus cargos e um deles foi expulso do PCC. Três ex-funcionários e outro encarregado envolvidos no caso também receberam punições. A CCID pediu que os inspectores intensifiquem os esforços para fiscalizar o uso dos recursos para os subsídios de subsistência, construção de infra-estruturas e outros projectos de alívio da pobreza, e punam aqueles que desviem os recursos, recebam subornos e obtenham recursos de maneira inapropriada.

GIT Filmagens do metro ligeiro servem de registo

O Gabinete de Infra-estruturas de Transportes (GIT) emitiu ontem um comunicado onde justifica a gravação das obras do metro ligeiro, iniciativa que vai custar aos cofres do Governo mais de 5,5 milhões do Governo. Para o GIT, “com recurso ao registo da imagem de vídeo da obra, podem ser gravadas, de forma detalhada e real, todas as cenas durante a implementação de vários métodos de construção, alguns deles introduzidos pela primeira vez em Macau”. No concurso público foram avaliadas duas propostas, com preços de cinco milhões e 4,456 milhões. “A comissão de apreciação das propostas procedeu à avaliação conforme os critérios de avaliação definidos, nomeadamente o preço proposto, experiências na filmagem de documentários possuídas pela empresa concorrente, programação adequada do plano de trabalho entregado e experiências profissionais da equipa de filmagem, entre outros, por último, os respectivos serviços foram adjudicados ao concorrente com pontuação mais elevada”, afirma o GIT.

Hoje Macau 18 DEZ 2017 #3957  

N.º 3957 de 18 de DEZ de 2017

Hoje Macau 18 DEZ 2017 #3957  

N.º 3957 de 18 de DEZ de 2017

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