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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

GCS

SEXTA-FEIRA 18 DE OUTUBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4394

GRANDE PRÉMIO DE MACAU

ILUSTRES AUSÊNCIAS PÁGINA 17

JORGE MENEZES

Profissão de risco

hojemacau

ÚLTIMA

INSTITUTO CULTURAL

Brancos costumes

GCS

PÁGINA 8

GOVERNO ELECTRÓNICO

DADOS SOB CONTROLO PÁGINAS 4-5

PUB

Uma das grandes vantagens do sistema judiciário de Macau é “não ser controlado por pessoas brancas”. A afirmação foi proferida durante um evento oficial da Universidade de Macau pelo professor Associado de Economia e Negócios, Gu Xinhua, e mereceu já

h

o repúdio de várias figuras de destaque da comunidade. O académico fez ainda referência às “intervenções dos estrangeiros mal-agradecidos” de Macau e Hong Kong. Tanto o Governo, como a Universidade, ainda não se manifestaram sobre o assunto.

GRANDE PLANO

CONHECIDOS GISELA CASIMIRO

RODA LIVRE VALÉRIO ROMÃO

OUTUBRO AMÉLIA VIEIRA

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Os nove classificados


2 grande plano

Declarações de Gu Xinhua durante evento da universidade merecem condenação por parte da comunidade que pede à instituição que se demarque de um conteúdo visto como racista. O académico em causa recusa o rótulo e aponta para a “América”

18.10.2019 sexta-feira

UM

O FANTASMA DA PELE

PROFESSOR DEFENDE QUE GRANDE VANTAGEM DO SISTEMA JUDICIÁRIO LOCAL É TER POUCAS “PESSOAS BRANCAS”

UNIVERSIDADE DE MACAU

F

OI num evento oficial da Universidade de Macau que contou com personalidades como o reitor Song Yonghua, a académica e deputada Agnes Lam, o presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang e Yao Jing Ming, director do Departamento de Português, que Gu Xinhua, professor associado de Economia de Negócios, defendeu que a RAEM tem um sistema judicial mais independente porque não é controlado por “pessoas brancas”, o que é uma “vantagem”. As declarações foram relatadas pelo jornal Macau Daily Times, na edição de quarta-feira, sobre o evento que decorreu na terça-feira, como publicado no portal da própria instituição da UM. Numa intervenção em que abordou “as interferên-

GU XINHUA ESTUDOU E TRABALHOU NO CANADÁ

S

egundo o perfil disponibilizado pela Faculdade de Gestão de Empresas da UM, de que faz parte, Gu Xinhua é Doutorado em Economia Financeira pela Universidade de Toronto, no Canadá, e obteve um segundo Mestrado em Economia, no mesmo país, mas na Universidade de Concordia. No currículo conta ainda com uma licenciatura em Matemática e um mestrado Economia Quantitativa, obtidos na Universidade de Nanjing. Ao nível de experiência profissional, foi professor em três universidades do Canadá e na Universidade de Nanjing. As cadeiras que lecciona em Macau estão relacionadas com economia, finanças e sistema bancário.

cias dos estrangeiros mal-agradecidos” nos assuntos de Macau e Hong Kong, Gu apontou como uma das principais diferenças o facto do sistema jurídico da RAEM ter menos intervenientes brancos, numa alusão a pessoas de etnia caucasiana. “O sistema judiciário de Macau não é controlado por pessoas brancas”, afirmou, segundo o Macau Daily Times. “Isto é uma das nossas vantagens”, acrescentou. O académico fez ainda o contraste com a situação da região vizinha: “O sistema legal de Hong Kong está nas mãos das pessoas brancas e dos estrangeiros. As pessoas de Hong Kong não têm soberania judicial, só têm soberania administrativa”, considerou. O professor associado de Economia de Negócios acusou ainda os “americanos”

de dominarem a indústria do jogo com lucros de 10 mil milhões e defendeu que o Governo deve fazer tudo para evitar que os “americanos” dominem uma futura bolsa de valores em Macau. O HM entrou ontem em contacto telefónico com Gu Xinhua, que disse estar ocupado para prestar declarações, mas recusou a ideia

“Não acho que seja racista, o racismo está em todo o lado na América.” GU XINHUA ACADÉMICO

de ter praticado qualquer acto racista: “Não acho que seja racista, o racismo está em todo o lado na América”, respondeu. Por outro lado, o académico afirmou não querer revelar as suas ideias pessoais: “Não queria que as minhas opiniões fossem públicas porque é um tema sensível e são pessoais”, clarificou.

UM EM SILÊNCIO

Ao longo do dia de ontem, o HM tentou obter junto da UM uma posição sobre as declarações prestadas pelo académico, para perceber se estas representam a instituição de ensino, ou se em sentido contrário, teria havido algum inquérito ou


grande plano 3

UNIVERSIDADE DE MACAU

sexta-feira 18.10.2019

Apesar dos vários telefonemas para todos os números fixos e móveis, além de uma mensagem por correio electrónico, ninguém da UM se mostrou contactável

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

De acordo com a Lei Básica de Macau, os residentes

CAPACIDADES QUESTIONADAS

Se no plano criminal, Pedro Leal considera que o professor não tem de se preocupar, o mesmo não

acontece à adequação das declarações no plano académico. “Era interessante saber se a universidade que frequenta se identifica com estas declarações”, apontou. Também Amélia António, presidente da Casa de Portugal, e Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, questionam o facto de um professor ter declarações deste conteúdo.

“Eu percebo que as pessoas estejam nervosas, também pelas referências a Hong Kong. Mas as coisas não se podem baralhar.” AMÉLIA ANTÓNIO PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL

“Como é que um académico pode proferir afirmações desta natureza? [...] Entristece-me que determinadas pessoas que ostentam determinados títulos académicos possam fazer observações desse género”, declarou Senna Fernandes. Por sua vez, Amélia António sublinhou a gravidade das declarações: “Tendo por base uma tradução veiculada no artigo do jornal [Macau Daily Times], acho que é de uma gravidade enorme este tipo de declarações. Obviamente que a liberdade de expressão no território existe e isso é prova dessa liberdade, mas não diminui a gravidade de uma pessoa com responsabilidades, nomeadamente na área educativa, fazer declarações deste tipo”, indicou. Os representantes das duas associações sustentaram igualmente que a UM devia, apesar de mostrar o respeito institucional pela liberdade de expressão, demarcar-se do conteúdo das declarações que visam as “pessoas brancas”.

NOVO NORMAL?

Num contexto em que as tensões se agravam em Hong Kong, devido à instabilidade social, e em que o Governo Central e os políticos de Macau responsabilizam as interferências “externas” pela situação e defendem a aposta no nacionalismo, não

é de excluir os efeitos para a comunidade portuguesa. No entanto, as pessoas ouvidas pelo HM não concordam com esta leitura e afirmam que as pessoas sabem reconhecer as diferenças entre Hong Kong e Macau. “É uma afirmação absolutamente gratuita que não SOFIA MARGARIDA MOTA

estão protegidos de racismo e “são iguais perante a lei, sem discriminação em razão de nacionalidade, raça, sexo, língua, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução e situação económica ou condição social”. Além disso, o artigo 233.º do Código Penal define o crime de discriminação racial, que entre outras condições se aplica a “Quem em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social [...] difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor ou origem étnica, com a intenção de incitar à discriminação racial ou de a encorajar”. Este é um crime punido com uma pena de prisão entre 6 meses e 5 anos. Contudo, para o advogado Pedro Leal, Gu Xinhua não terá cometido nenhum crime porque o discurso proferido se enquadra na liberdade de expressão. “Não creio que as declarações constituam crime [ao abrigo do artigo 233.º]. É uma opinião perfeitamente parva, de uma pessoa que merece ser criticada, mas não é passível de crime”, indicou.

ANTÓNIO FALCÃO

procedimento no sentido de penalizar o professor. No entanto, apesar dos vários telefonemas para todos os números fixos e móveis disponibilizados aos jornalistas pela UM, além de uma mensagem por correio electrónico com as perguntas, ninguém se mostrou contactável. Também o secretário para osAssuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, recusou fazer qualquer comentário às declarações do professor natural do Interior da China, quando questionado pelo HM. Por sua vez, a Direcção dos Serviços de Ensino Superior (DSES) apontou as suas limitações para actuar no caso devido à “autonomia pedagógica e académica”, mas apelou a que se valorize o multiculturalismo da RAEM. “De acordo com a Lei do Ensino Superior em vigor, as instituições do ensino superior de Macau gozam, legalmente, de autonomia pedagógica e académica, assim, esta Direcção de Serviços espera que, na sociedade multicultural de Macau, sejam melhor valorizadas e transmitidas as virtudes tradicionais do respeito recíproco”, foi respondido. As perguntas específicas sobre um eventual inquérito e penalização ao académico ficaram sem resposta.

“Não creio que as declarações constituam crime [de discriminação racial]. É uma opinião perfeitamente parva, de uma pessoa que merece ser criticada, mas não é passível de crime.” PEDRO LEAL ADVOGADO

prestigia. Mas não acredito que crie um ambiente mais complicado para a comunidade portuguesa”, disse Miguel de Senna Fernandes. “Não são problemas de raiz que possam colocar em causa a comunidade portuguesa, que tem vivido os seus dias com algum receio, sempre relativo, mas não se pode falar na existência de uma situação de alarme”, sublinhou. Já Amélia António sublinhou o contributo reconhecido da comunidade portuguesa. “A comunidade portuguesa em Macau tem sido um elemento extremamente positivo no desenvolvimento do território a todos os níveis. É uma comunidade integrada”, indicou. “Eu percebo que as pessoas estejam nervosas, também pelas referências a Hong Kong. Mas as coisas não se podem baralhar. Macau não é Hong Kong. As pessoas têm outra maneira de estar e outra visão. Não se pode falar nestes termos e generalizar”, frisou. As declarações de Gu Xinhua foram prestadas durante a Conferência Anual dos Estudos de Macau, promovida pelo Centro de Estudos de Macau da UM, e entre os vários temas discutidos constou o “Legado Cultural Português em Macau”. João Santos Filipe (com I.N.N. e A.S.S.)

joaof@hojemacau.com.mo


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Assegurado cumprimento de leis na recolha de evidências

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Governo assegura que a recolha de provas que estejam fora de Macau, nos casos de crimes informáticos, vai continuar a respeitar o que está previsto nos acordos internacionais e, internamente, no Código do Processo Penal (CPP), no sentido de só poder ser feita com base no mandato de um juiz e em acordos de cooperação com países estrangeiros. A garantia foi dada ontem pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, no âmbito da aprovação, na generalidade, da proposta de lei que revê a lei de combate à criminalidade informática, implementada em 2009. Wong Sio Chak respondia ao deputado Sulu Sou, que questionou a necessidade de acordos de cooperação entre países para o acesso a provas no estrangeiro e o cumprimento da Convenção sobre o Cibercrime, assinada em Budapeste em 2001.  “Não se pode obrigar uma pessoa a apresentar provas, isso vai afectar o princípio do CPP. Nesta proposta de lei parece-me que obriga o suspeito a fazer isso, a abrir o seu computador ou a revelar a sua palavra-passe. Temos de respeitar os outros países e não podemos recolher dados por nós próprios”, frisou o deputado do campo pró-democrata. Wong Sio Chak afastou estes receios. “Se for suspeito (da prática de crime), o individuo tem o dever de colaborar e obedecer à ordem do juiz. Caso contrário, pode cometer o crime de desobediência qualificada. Mas, mesmo suspeito, e de acordo com o nosso CPP, o arguido tem o direito de se manter em silêncio. O CPP tem esse princípio que é um valor fulcral do nosso regime penal.” “O deputado falou da lei em vigor na Bélgica, que proíbe o suspeito ou a sua família de os obrigar a divulgar a palavra-passe para efeitos de recolha de prova. O nosso CPP também prevê isso e penso que

essa proposta, em cem por cento, não viola a Convenção de Budapeste”, acrescentou o secretário.

PRIMEIRO CASO

Actualmente a lei de combate à criminalidade informática em vigor prevê apenas sanções administrativas para a instalação de emissoras ilegais de telecomunicações, que vão de 120 mil a um milhão de patacas. Com a proposta de lei ontem aprovada na generalidade, essa instalação vai passar a constituir um crime, que pode levar a uma pena de três anos de prisão ou, em casos mais graves, a uma pena de um a cinco anos de prisão. Vários deputados, como Wu Chou Kit, concordaram com a criminalização. O primeiro caso registado pelas autoridades da instalação de uma emissora ilegal data de 2014, adiantou o secretário. Outro dos objectivos desta proposta de lei passa por uma maior coordenação com a lei da cibersegurança, aprovada este ano. O debate de ontem ficou ainda marcado pelos possíveis ataques informáticos no âmbito da rede 5G, que ainda não está implementada em Macau. Wong Sio Chak garantiu que “isso depende da evolução da tecnologia”, uma vez que “os meios também vão evoluindo”. “Mas isso não quer dizer que a rede 5G não venha a ser alvo de ataques, mesmo que a protecção seja maior”, frisou.  “Apesar de Macau não ter rede 5G, muitos turistas podem ser atacados por estas estações emissoras, pois pode haver uma zona cinzenta que permite estes ataques”, esclareceu o secretário. A.S.S.

Promessas Foi ontem aprovada na generalidade a proposta de lei da governação electrónica, mas os deputados exigiram a garantia da protecção dos dados pessoais para evitar abusos. A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, assegurou que essa protecção vai ser feita. As conclusões do Comissariado de Auditoria sobre esta matéria também foi tema de debate

O

S deputados da Assembleia Legislativa (AL) aprovaram ontem por unanimidade, na generalidade, a proposta de lei da governação electrónica, que visa criar um quadro legal de suporte ao uso dos meios electrónicos na Administração pública e permitir a emissão de certidões electrónicas ao invés de documentos em suporte papel, entre outras medidas. O debate ficou marcado por preocupações no que diz respeito à necessidade de garantia de protecção dos dados pessoais dos cidadãos por parte dos serviços públicos.  “Estamos preocupados com a protecção dos dados pessoais”, disse o deputado Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). “Cada serviço público pode aceder a esses dados pessoais. Como podemos garantir que não acedem

tão facilmente a esses dados, uma vez que, no passado, alguns funcionários públicos venderam dados a terceiros?”, questionou. Ella Lei, colega de bancada de Leong Sun Iok, também ligada à FAOM, quis saber a amplitude dos dados obtidos pelos serviços públicos. “O Governo tem alguma ideia de contactar o Gabinete de Protecção dos Dados Pessoais (GPDP) para trabalhar melhor no assunto da privacidade? Os serviços públicos não violam intencionalmente os dados pessoais das pessoas, mas temos de criar melhores regras sobre este aspecto.” A secretária, que foi directora do GPDP antes de assumir a pasta da Administração e Justiça, garantiu ao hemiciclo que esta protecção está assegurada. “Os serviços públicos devem ter objectivos claros para aceder a dados pessoais e só assim o podem fazer, e

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A prova é nossa

GOVERNAÇÃO ELECTRÓNICA GOVERNO GARANTE PROTECÇÃO DE DADOS PESSOAIS

Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça “Vai ser cumprida a lei de protecção

não podem ser recolhidos mais do que três tipos de dados pessoais, quer seja em suporte papel ou no caso de haver uma interconexão de dados”, explicou. Sónia Chan garantiu que “vai ser cumprida a lei de protecção de dados pessoais”. “Vamos também ver se os serviços públicos têm competência, através da autorização do utilizador, aceder às suas informações.Vamos criar mais plataformas para gerir melhor os dados”, acrescentou. 

MEMÓRIA DO CA

O último relatório do Comissariado de Auditoria

(CA), que expôs as falhas na implementação das medidas na área do governo electrónico nos últimos anos, marcou também o debate de ontem. Os membros do Governo asseguraram que os planos estão feitos e que as medidas estão a ser postas em prática. “Desde que tomei posse (em 2014) temos vindo a acelerar esse trabalho da governação electrónica”, apontou Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça. “Desde 2015 que já realizamos 95 por cento do nosso plano, e fizemos ainda trabalho do


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de Sónia Chan

Arbitragem Secretária promete relatório sobre medidas práticas

Os deputados da Assembleia Legislativa aprovaram ontem na especialidade a proposta de lei da arbitragem. O deputado José Pereira Coutinho declarou ser importante a criação de planos concretos aquando da entrada em vigor da lei. Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, assegurou que será produzido um regulamento administrativo para que os actuais centros de arbitragem “possam rever as suas condições de acordo com a proposta de lei”. Dentro da Administração pública será necessário “rever os contratos” já assinados. “Não consigo apresentar ainda um plano concreto sobre o que o Governo vai fazer, mas iremos produzir um relatório”, adiantou Sónia Chan. Para o deputado José Pereira Coutinho é importante ter medidas concretas para garantir “o sucesso ou o insucesso do centro de arbitragem”, bem como a sua reputação no território.

AL Aprovado orçamento superior a 198 milhões para 2020

de dados pessoais e vamos também ver se os serviços públicos têm competência, através da autorização do utilizador, para aceder às suas informações”

anterior Governo. No que diz respeito à computação em nuvem e criação de uma conta única, temos alguns trabalhos feitos e depois da aprovação desta proposta de lei teremos um leque de serviços disponibilizados através da conta única.” Kou Peng Kuan, director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), assegurou aos deputados que foi criado um “grupo de coordenação que entrou em contacto com 14 serviços públicos” depois da publicação do relatório do CA.

“Temos tido em consideração dados como o nascimento ou morte de pessoas para pensar como devemos desenvolver o sistema da conta única. Estamos a desenvolver os nossos trabalhos da primeira

fase e vamos trabalhar com 90 serviços que prestam atendimento ao público”, frisou. O director dos SAFP assegurou ainda que o caminho é o da digitalização. “Antes tínhamos o objectivo de criar

documentos de forma electrónica, mas agora temos a ideia da digitalização dos documentos. Essa ideia é mais abrangente e conveniente”, assumiu. “Como existem documentos em papel temos de

COREIA DO NORTE SEGUNDO PEREIRA COUTINHO

D

urante o debate sobre a proposta de lei da governação electrónica, o deputado José Pereira Coutinho mencionou o exemplo da Coreia do Norte, um dos países mais fechados do mundo. “No caso da Coreia do Norte, sabemos que o essencial é a segurança e outros países avançados também usam outros métodos. Qual é o método usado pelo Governo para a prestação de serviços à

nossa população?”, questionou. Confrontado pelo HM, Pereira Coutinho defendeu as suas declarações. “Todos os países têm Governo Electrónico, incluindo a Coreia do Norte. O sistema de Governo Electrónico significa, em termos abstractos, o uso de tecnologias por via de computadores e da Internet destinado a providenciar serviços de qualidade aos cidadãos, incluindo Coreia do Norte”, referiu.

fazer uma articulação com o nosso sistema electrónico e estamos a preparar estes trabalhos. No futuro vai existir uma plataforma uniformizada”, frisou Kou Peng Kuan. Os deputados mostraram ainda preocupação face a possíveis conflitos práticos da nova proposta de lei com o regime jurídico dos documentos e assinaturas electrónicas, implementado em 2005.   Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Os deputados da Assembleia Legislativa (AL) deram ontem luz verde ao orçamento privativo do hemiciclo para o ano de 2020 superior a 198 milhões de patacas. Além disso, foi também apresentado, pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, o Relatório sobre a Execução do Orçamento de 2018 e do Relatório de Auditoria da Conta Geral de 2018. Este último foi apresentado pelo Comissário da Auditoria, Ho Veng On. Os documentos foram aprovados na generalidade e vão agora ser entregues para análise dos deputados da 2.ª comissão permanente da Assembleia Legislativa, sendo depois votados na especialidade.


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Bolsa de valores Mercado internacional em estudo

O secretário para a Economia e Finanças disse ontem que a viabilidade de estabelecer uma bolsa de valores em Macau depende de estudos sobre o mercado internacional, questões jurídicas, formação de quadros e fiscalização. Lionel Leong afirmou que, além de ser apreciada a realidade local, é preciso “estudar o mercado internacional”, bem como avaliar questões que vão desde o enquadramento jurídico e a formação de quadros, até à respectiva fiscalização da actividade. Em declarações feitas à margem da inauguração da Feira Internacional de Macau e da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa, o governante deu como exemplo a recente visita a Portugal, durante a qual foram observadas “entidades congéneres”, para se perceber “o que fazem e o tipo de apoio que podem dar”. Elementos que, considerou, vão contribuir para se tomar uma decisão ponderada sobre a criação de um mercado bolsista no território.

O

S resultados finais estão aí. De acordo com os dados conhecidos, pelo círculo da Europa o Partido Socialista (PS) elegeu Paulo Pisco e o Partido Social Democrata (PSD) Carlos Gonçalves, e pelo círculo fora da Europa foram eleitos José Cesário (PSD) e Augusto Santos Silva (PS). Assim sendo, os socialistas elegeram nas legislativas de 6 de Outubro um total de 108 deputados e o PSD 79. Para a Assembleia da República elegeram ainda deputados o Bloco de Esquerda (19 deputados), PCP-PEV (12), CDS-PP (5), PAN (4), Chega (1), Iniciativa liberal (1) e Livre (1). Quanto aos resultados de Macau, o portal do Ministério da Administração Interna não discrimina o número de votos por consulado, mas agrega os três serviços consulares de Macau, Pequim e Cantão. Contados os votos, na China o PSD ganhou com 1.138 votos, o que representou uma fatia de 32,89 por cento do eleitorado. O PS ficou em segundo lugar, com 598 votos ou 17,28 por cento dos votos.

LEGISLATIVAS EMIGRANTES ELEGERAM 2 DEPUTADOS PARA PS E 2 PARA PSD

As contas finais

Os votos dos emigrantes portugueses elegeram dois deputados do Partido Socialista e dois do Partido Social Democrata. Os socialistas elegeram um deputado pelo círculo eleitoral Fora da Europa 20 anos depois de o ter feito. Augusto Santos Silva foi quem quebrou o enguiço O pódio encerrou com o PAN, que conseguiu 160 votos, o que corresponde a 4,62 por cento. Nos consulados da China, os votos nulos representaram mais de 21 por cento, totalizando 727 votos. Nas representações consulares em solo chinês, apenas 3.460 eleitores, 2.235 dos quais em Macau, exerceram o direito de voto, num total de 65.698 inscritos, ou seja, 5,27 por cento. Curiosamente, entre os 2.235 votos contados em Macau, 1.269 foram depositados na urna no dia 11 de Outubro, sexta-feira.

MATAR O BORREGO

O PS conseguiu eleger um deputado pelo círculo

eleitoral Fora da Europa 20 anos depois de o ter feito, desta vez o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. A última vez que os socialistas tinham conseguido eleger um deputado pelo círculo Fora da Europa foi nas legislativas de 1999, quando António Guterres era líder do PS e primeiro-ministro

e conseguiu exactamente metade dos mandatos na Assembleia da República. O PS conseguiu então vencer a eleição nos círculos da emigração, elegendo os dois deputados pelo círculo da Europa e um pelo de Fora da Europa, que se somaram aos 112 eleitos no continente e regiões autónomas.

Na China, o PSD ganhou com 1.138 votos, o que representou 32,89 por cento. O PS ficou em segundo lugar, com 598 votos ou 17,28 por cento dos votos. O pódio encerrou com o PAN, que conseguiu 160 votos, o que corresponde a 4,62 por cento

Com metade dos deputados, os socialistas foram então obrigados a negociar a aprovação dos orçamentos, a última das vezes com a colaboração do deputado dissidente do CDS Daniel Campelo, ex-presidente da Câmara de Ponte de Lima, no que viria a ser conhecido como o orçamento limiano. Desde então o PS tem vindo a conseguir equilibrar a eleição no círculo da Europa, dividindo os dois deputados com o PSD, mas perdendo os outros dois mandatos para o PSD por Fora da Europa. João Luz com LUSA

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NAM KWONG LIONEL LEONG COM GRANDES EXPECTATIVAS

O

secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, esteve presente na cerimónia de celebração dos 70 anos de existência do grupo Nam Kwong, ligado a vários sectores económicos em Macau. De acordo com a imprensa chinesa, Lionel Leong disse ter grandes expectativas para o futuro do grupo, uma vez que ultrapassou várias dificuldades ao longo dos anos e tem desempenhado um importante papel tendo em conta o estabelecimento de um Centro Mundial de Turismo e Lazer em Macau ou da plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa. Lionel Leong disse ainda esperar que a Nam Kwong venha a liderar na área das pequenas e médias empresas em Macau para que haja contributos no contexto da Grande Baía. Já Fu Ziying, director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, disse esperar que a Nam Kwong continue a contribuir para o desenvolvimento económico de Macau e apoiar o Governo da RAEM. O responsável salientou também que o Gabinete de Ligação do Governo Central continua a apoiar o Grupo Nam Kwong desde que este continue a ser uma ponte entre empresas chinesas e empresas locais.


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TUI ACADÉMICO DIZ NÃO BASTAR “INTERESSES” POLICIAIS PARA NEGAR PROTESTO

O olhar ocidental

Carlos Vieira de Andrade, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, defende que os interesses das autoridades policiais não seriam suficientes para negar a realização de um protesto contra a actuação da polícia de Hong Kong, caso fossem os tribunais europeus ou portugueses a decidir TIAGO ALCÂNTARA

ROFESSOR catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC) nas áreas do Direito Constitucional e Administrativo Geral, Carlos Vieira de Andrade surge citado no acórdão do Tribunal de Última Instância (TUI) no que diz respeito a eventuais limitações de direitos fundamentais. O documento em causa diz respeito à proibição da realização de um protesto contra a actuação policial de Hong Kong. Contudo, Vieira de Andrade, em resposta ao HM, contesta a decisão dos juízes do TUI, alertando para o facto de os interesses das autoridades policiais não serem suficientes para recusar a realização de um protesto. “Se a questão fosse decidida pelos tribunais em Portugal ou na Europa, os interesses invocados pela autoridade policial não seriam seguramente suficientes para justificar a proibição.” No acórdão do TUI, lê-se que “entende o Professor Vieira de Andrade que o exercício de direitos fundamentais só pode ser limitado quando se pretende salvaguardar outro valor ou interesse igualmente tutelado pela Constituição.1”.  O professor catedrático recorda que “não há dúvida de que os direitos fundamentais não são absolutos e as liberdades podem ser limitadas para a salvaguarda de outros direitos ou valores constitucionais, como, por exemplo, a ordem pública e a segurança, desde que se respeite o princípio da proporcionalidade, isto é, desde que a medida restritiva (recusa de autorização ou proibição de manifestação)

seja adequada, necessária e proporcionada.”

NO CONCRETO

Para Vieira de Andrade, “o critério abstracto definido pelo tribunal, fundado na citação que me é atribuída,

“Se a questão fosse decidida pelos tribunais em Portugal ou na Europa, os interesses invocados pela autoridade policial não seriam seguramente suficientes para justificar a proibição.” CARLOS VIEIRA DE ANDRADE PROFESSOR CATEDRÁTICO DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

está correcto. O juízo é, porém, feito pelos juízes nas circunstâncias do caso concreto.” Circunstâncias essas que passam por “saber se a não interferência nos assuntos de Hong Kong e a preservação da imagem da polícia da RAEHK constituem interesses públicos fundamentais da RAEM”, além de “saber se, ainda que o sejam, a crítica política é admissível na ponderação desses interesses com a liberdade de manifestação”. Vieira de Andrade destaca ainda que “a competência para aplicação das normas

constitucionais pertence aos tribunais de Macau”. O protesto em causa tinha como objectivo “exortar

os órgãos policiais (sobretudo de Hong Kong)” a respeitarem a Convenção contra a Tortura. A decisão

do TUI foi bastante contestada no território, não só pelos activistas pró-democracia que pretendiam organizar o protesto como por alguns advogados. Jason Chao, ligado à Associação Novo Macau, disse mesmo que a decisão do TUI acabou por dar mais poderes à polícia para decidir o tipo de protestos que se realizam no território.  “A parte mais perigosa do acórdão é que o TUI tornou as decisões oficiais [de instituições públicas] um pré-requisito para as pessoas poderem exercer o direito à manifestação. Esta decisão garante de forma efectiva poderes sem qualquer restrição à polícia de Macau para exercer censura com bases nos temas das manifestações e reuniões, de uma forma […] que pode ser considerada ‘contra a própria lei’.” Também o presidente da Ordem dos Advogados de Hong Kong, Philip John Dykes, afirmou, em entrevista ao portal informativo Macau News Agency, que a argumentação do TUI que impediu a manifestação a condenar a polícia de Hong Kong “não é lógica”. Segundo o causídico, o artigo 27 da Lei Básica de Macau garante o direito de protesto e manifestação e a autorização desta não implica um apoio do Executivo à causa: “Não consigo entender como é que o meu protesto contra uma coisa, que me diz respeito noutra jurisdição, pode ser visto como um apoio de terceiros em outra jurisdição”, rematou. Andreia Sofia Silva (com J.S.F.)

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Cáritas Paul Pun quer angariar mais de oito milhões de patacas A 50º edição do Bazar de Caridade de Caritas Macau terá lugar nos dias 2 e 3 de Novembro no Centro Náutico do Lago Nam Van e no espaço Anim’Arte Nam Van. O secretário-geral da Cáritas, Paul Pun, disse ontem que o evento tem como objectivo angariar fundos no valor de 8 milhões de patacas que serão aplicados na prestação de serviços sociais. Além disso, os fundos obtidos também serão utilizados na construção de lares de idosos e no prolongamento do serviço “Good Take

Express”, a fim de aliviar a pressão das famílias necessitadas. O tema deste ano do bazar anual da Cáritas é “With Love, We Come Together”. Além de haver mais de 90 tendas de jogos, comidas e venda de produtos, o evento também contém espectáculos de artes performativas organizados por institutos públicos e privados, escolas e empresas. Os bilhetes para o sorteio serão vendidos a partir de hoje até ao dia 3 de Novembro pelo valor de dez patacas.


8 sociedade

O Instituto Cultural vai iniciar o processo de classificação de nove bens imóveis, lista que inclui o Templo de Sin Fong, o Cemitério de S. Miguel Arcanjo e a Feira do Carmo. A consulta pública sobre a matéria demonstrou que 90 por cento da população concorda com a classificação destes bens

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INSTITUTO CULTURAL CEMITÉRIO DE S. MIGUEL ARCANJO NA LISTA DE BENS CLASSIFICADOS

A protecção dos nove

indiana proprietária do imóvel desde o século XIX.

A CLASSIFICAR

A lista termina com três sítios a classificar. O Cemitério de S. Miguel Arcanjo, derradeira morada do poeta Camilo Pessanha, o antigo mercado do Tarrafeiro e a Feira do Carmo, onde funcionava o antigo Mercado Municipal da Taipa. Neste caso, como o Cemitério de S. Miguel Arcanjo e a Feira do Carmo são propriedade da RAEM, faz com que a manutenção e reparação esteja a cargo o Executivo.

Leong Wai Man, vice-directora do Instituto Cultural (IC), acrescentou que esses proprietários “podem de acordo com a lei pedir o apoio necessário do IC, desde que respeitem os requisitos e exigências da lei”

O

Conselho Executivo concluiu a discussão quanto ao regulamento administrativo de “classificação do 2º grupo de bens imóveis”, que tem por objectivo salvaguardar os imóveis de elevado valor cultural que ainda não integram a lista do património a preservar. O conjunto de nove locais a conservar inclui três monumentos propostos para classificação. A saber, as Ruínas do Colégio de S. Paulo, antigo muro situado na Rua de D. Belchior Carneiro, o Posto do Guarda Nocturno (Patane), na Rua da Palmeira, em Macau e o Templo de Sin Fong sito na Travessa de Coelho do Amaral. Estes dois últimos exemplos, são imóveis cujos proprietários são privados.

Abastecimento de água Quarta conduta inaugurada

Foi ontem inaugurada a quarta conduta de abastecimento de água entre Zhuhai e Macau, que vai permitir um aumento do abastecimento de 500 mil para 700 mil metros cúbicos de água por dia. Susana Wong, directora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, disse que esta quarta conduta apresenta uma melhor resistência a tufões, uma vez que está ligada directamente ao Cotai através da ilha de Hengqin. Desta forma, Macau recebe água com uma direcção diferente face às restantes três condutas.

O porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, referiu ontem que a responsabilidade pela manutenção dos imóveis privados cabe aos proprietários. Nesse aspecto, Leong Wai Man, vice-directora do Instituto Cultural (IC), acrescentou que esses proprietários

“podem de acordo com a lei pedir o apoio necessário do IC, desde que respeitem os requisitos e exigências da lei”, dando com o exemplo o trabalho já feito no Posto do Guarda Nocturno e o Templo de Sin Fong. A lista prossegue com os seguintes edifícios de interesse ar-

quitectónico: o edifício na Calçada do Gaio, n.º6, que alberga a sede do Instituto de Estudos Europeus, o edifício de dois pisos na Estrada da Vitória onde funciona o Centro do Bom Pastor e, finalmente, a Casa Moosa, um imóvel que serve de habitação a uma família de origem

A oficialização da classificação desta lista inclui bens imóveis que não se encontram dentro do centro histórico. Ainda assim, Leong Wai Man esclareceu que “estando ou não no centro histórico, um imóvel classificado tem praticamente as mesmas exigências de reparação e conservação, manutenção”. João Luz

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CONTROLO SANITÁRIO ANIMAL CONCLUÍDA PROPOSTA PARA IMPEDIR EPIDEMIAS

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Conselho Executivo apresentou ontem a proposta para de lei de controlo sanitário animal, um diploma que tem como objectivo impedir a propagação de epidemias que afectem animais. A legislação tem como objectivo harmonizar o ordenamento jurídico de Macau com os padrões internacionais de forma a tornar

o território numa zona livre de doenças epizoóticas, como a raiva, assegurar a saúde pública. Para já, serão organizadas actividades de divulgação e depois o diploma será submetido à Assembleia Legislativa. De acordo com uma representante do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), já estão listadas 80 doenças e a aprovação do diploma vai aumentar a confiança de outros países quando receberam animais provenientes de Macau. A proposta de lei obriga veterinários e clínicas veterinárias a avisar o IAM, num período de

24 horas depois de identificado um animal infectado. Deve ainda reter o animal, ou o seu cadáver, em local adequado até à chegada do pessoal do IAM. Está previsto também que o Chefe do Executivo possa declarar uma zona infectada e aplicar medidas especiais, como por exemplo, isolamento ou imposição de restrições ou condicionar a movimentação de animais infectados, ou que se suspeitem estarem infectados. O Chefe do Executivo pode ainda proibir a entrada na RAEM de animais provenientes de países ou regiões

com ocorrência, surto ou prevalência de doenças epizoóticas; impor restrições ou proibição de venda ou utilização de objectos causadores ou susceptíveis de provocar a ocorrência ou propagação de doenças epizoóticas, ou destruição destes objectos. Quem não cumprir estas obrigações incorre no crime de desobediência. Caso o desrespeito incida sobre medidas especiais ditadas pelo Chefe do Executivo, o crime passa a desobediência qualificada. Se for cometido por pessoa colectiva, a penalização é aplicação de multa até 240 dias. J.L.


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presidente do BNU em Macau expressou ontem à Lusa confiança na “resiliente” economia de Macau para superar a recessão prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2019 e 2020. “A economia de Macau é muito resiliente, (…) portanto, estou razoavelmente confiante” que a situação seja ultrapassada e não exista um impacto negativo no emprego e no crédito malparado da banca, defendeu Carlos Álvares. “Não há dívida (…), Macau tem um fundo de reserva na casa dos 60 mil milhões de euros e, portanto, pode aumentar os gastos públicos para compensar um bocadinho os eventuais investimentos privados que possam não ocorrer”, afirmou. O líder do BNU lembrou que “há cinco anos, quando as receitas do jogo caíram para metade, os níveis do desemprego não aumentaram, o Governo continuou a registar superavits” e que “não houve acréscimo de rácios malparados no sector financeiro”. Tal, reiterou, demonstra a resiliência da economia de Macau “a este tipo de oscilações”, ressalvando, contudo, o facto de estar “ainda muito baseada no jogo”, apesar dos “grandes esforços para [garantir] a sua diversificação”. Na terça-feira, o FMI reviu em baixa as previsões no relatório Perspetivas Económicas Globais para Macau este ano, antecipando agora uma recessão de 1,3 por cento e nova contração

A importância do mealheiro

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Presidente do BNU confia na resiliência da economia de Macau para superar recessão

da economia, de 1,1 por cento, em 2020.

ADUBO NEGOCIAL

O BNU e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) assinaram ontem um acordo para aumentar os negócios entre a China e os países lusófonos, disse à Lusa o presidente da instituição bancária. Carlos Álvares explicou que “o grande objectivo é aumentar o volume de negócios e de investimento entre os países de expressão portuguesa e a China, utilizando Macau como uma

“Macau tem um fundo de reserva na casa dos 60 mil milhões de euros e, portanto, pode aumentar os gastos públicos para compensar um bocadinho os eventuais investimentos privados que possam não ocorrer.” CARLOS ÁLVARES PRESIDENTE DO BNU

plataforma”, falando à margem da Feira Internacional de Macau e da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa, que começou ontem. “Já celebrámos protocolos com outras entidades, com entidades bancárias e achamos que celebrar este entendimento com o IPIM pode ser uma mais-valia para as empresas portuguesas, para as empresas de expressão portuguesa e para as empresas, fundamentalmente, das nove cidades da Grande Baía que estão aqui mais próximas em termos de possibilidade de concretização e realização de negócios”, acrescentou. O responsável frisou que “o BNU faz parte de um grupo, a Caixa Geral de Depósitos [CGD], o maior banco em Portugal, e que (…) está em primeiro em cinco dos países de expressão portuguesa". “Congregando estes esforços entre a CGD em países de expressão portuguesa e em Portugal, BNU (…), IPIM aqui em Macau e outros bancos chineses (…) será possível com certeza aumentar o volume de negócios entre estes países”, bem como “o volume de investimento”, garantiu. “O que nós sentimos é que se trabalharmos em conjunto com outras entidades que têm objectivos semelhantes é possível fazer mais”, concluiu.

Anúncio Prestação dos serviços de manutenção de plantas/flores nos jardins ao ar livre da sede do Instituto Politécnico de Macau e do novo campus deste Instituto na Ilha de Taipa, e para prestação dos serviços de aluguer de plantas/flores da sede do Instituto Politécnico de Macau (01/01/2020-31/12/2021) CONCURSO PÚBLICO N.º 03/DOA/2019 Faz-se público que, de acordo com o despacho de 27 de Setembro de 2019, do Exm.º Senhor Secretário para Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a «Prestação dos serviços de manutenção de plantas/flores nos jardins ao ar livre da sede do Instituto Politécnico de Macau e do novo campus deste Instituto na Ilha de Taipa, e para prestação dos serviços de aluguer de plantas/flores da sede do Instituto Politécnico de Macau, pelo período de dois anos (01/01/2020-31/12/2021)». 1. 2. 3. 4.

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Entidade adjudicante: Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau. Modalidade de concurso: Concurso Público. Objecto do Concurso: Prestação dos serviços de manutenção de plantas/flores nos jardins ao ar livre da sede do Instituto Politécnico de Macau e do novo campus deste Instituto na Ilha de Taipa, e para prestação dos serviços de aluguer de plantas/flores da sede do Instituto Politécnico de Macau, pelo período de dois anos (01/01/202031/12/2021). Período: 01 de Janeiro de 2020 a 31 de Dezembro de 2021. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. Garantia provisória: $81 000,00 (oitenta e uma mil patacas), através de depósito na Divisão de Assuntos Financeiros do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato). Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 21 de Outubro de 2019, pelas 10H00. Em caso de encerramento do IPM, devido a tufão ou a outro motivo de força maior, no dia referido, a realização da sessão de esclarecimento será prorrogada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 31 de Outubro de 2019, antes das 17H45. Em caso de encerramento do IPM, devido a tufão ou a outro motivo de força maior, no último dia do prazo da entrega das propostas, o termo do referido prazo será prorrogado para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 1 de Novembro de 2019, pelas 10H00. Em caso de encerramento do IPM devido a tufão ou a outro motivo de força maior no dia da realização da referida sessão, a realização da sessão será prorrogada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, preço e hora para exame do processo e obtenção da cópia do processo: -Os concorrentes interessados podem deslocar-se à Divisão de Obras e Aquisições do IPM, sito na Rua de Luís Gonzaga Gomes, para consultar/adquirir o respectivo processo do concurso durante as horas de expediente (de 2a feira a 5a feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; 6a feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30) desde a data da publicação do anúncio do presente concurso público no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau até ao dia e hora do prazo de entrega de propostas. Caso queiram obter fotocópia do documento acima referido, devem pagar o montante de $100,00 (cem patacas) relativo ao custo das fotocópias, ou podem proceder ao download gratuito das informações acima referidas na página electrónica do IPM (http://www.ipm.edu.mo). - Informações: 8599 6140, 8599 6153 ou 8599 6279. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: -Preço Razoável (50%) -Qualidade do Serviço (50%): (a) Experiência professional do dirigente e curriculum vitae dos trabalhadores que prestam serviços objecto do presente concurso (12%); (b) Tempo de experiência e envergadura do concorrente (5%); (c) Desempenho dos serviços (incluindo locais e fotografias), principalmente na complexidade e desempenho satisfatório dos serviços (com dados do ano 2017 até ao presente) (4%); (d) Equipamentos e bens consumíveis para a prestação dos serviços objecto do presente concurso (8%); (e) Sugestões favoráveis à prestação dos serviços de manutenção de plantas/flores nos jardins ao ar livre da sede do Instituto Politécnico de Macau e do novo campus deste Instituto na Ilha de Taipa, e para prestação dos serviços de aluguer de plantas/flores da sede do Instituto Politécnico de Macau, pelo período de dois anos (01/01/2020-31/12/2021) (pode proporcionar fotografias) (12%); (f) Serviços gratuitos oferecido pelo concorrente (4%); (g) Esclarecimentos na reunião (questões profissionais levantadas pelo Instituto Politécnico de Macau sobre Prestação dos serviços de manutenção de plantas/flores nos jardins ao ar livre da sede do Instituto Politécnico de Macau e do novo campus deste Instituto na Ilha de Taipa, e para prestação dos serviços de aluguer de plantas/flores da sede do Instituto Politécnico de Macau, pelo período de dois anos (01/01/2020-31/12/2021) e o esclarecimento “in loco”, local proporcionado pelo concorrente.) (5%). Macau, aos 08 de Outubro de 2019 O Presidente, Im Sio Kei


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Cantar o amor à MÚSICA BANDAS COMO OS TFBOYS PROMOVEM NACIONALISMO ATRAVÉS DA POP

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M cima de uma sonoridade que podia ser banda sonora dos “Morangos com Açúcar”, os TFBoys cantam, desde o início da carreira, músicas sancionadas e patrocinadas por Pequim que promovem o nacionalismo. Exemplo disso mesmo é a muitíssima popular versão de “We Are the Heirs of Communism”, que em tradução livre para português será qualquer coisa como “Somos os herdeiros do comunismo”. “A Liga da Juventude Comunista da China tem usado ídolos de pop para atrair os mais jovens e nós sabemos disso. Mas para os nossos ídolos sobreviverem no mercado e terem sucesso, isto é o que têm de fazer. Portanto, nós publicamos comentários patrióticos nos seus posts”, diz Linda Li citada pelo South China Morning Post. Para a jovem de 19 anos, que estuda numa universidade australiana, apoiar a sua banda favorita vai muito além de comprar música ou ir a concertos. Ser fã dos TFBoys significa publicar mensagens nacionalistas pro-China nas redes sociais, mais recentemente a favor do Executivo de Carrie Lam e contra o movimento pró-democrata de Hong Kong.

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magnífico cenário da Casa do Mandarim será palco para os concertos a cargo da Sociedade de Música Tradicional de Xangai, marcados para as 20h de sexta-feira a domingo. O espectáculo faz parte do cartaz do Festival Internacional de Música de Macau. O tipo de música em questão é designado como jiangnan sizhu, um estilo tradicional de música tradicional instrumental da província de Jiangnan. Este tipo de expressão cultural foi inscrito na Lista Nacional do Património Cultural Imaterial. “Estabelecida na década de 1940, a Sociedade de Música

Notas clássicas Música tradicional de Xangai e artistas locais abrilhantam fim-de-semana

Tradicional de Xangai é uma organização musical chinesa não governamental fundada por Sun Yude, um aprendiz de Wang Yuting, famoso músico de pipa. No início da sua carreira, Sun era conhecido pelas suas apresentações de pipa e, também, por ser um exímio intérprete de dongxiao, sendo considerado, na China e no exterior, o ‘Rei do Dongxiao’”, lê-se no comunicado do Instituto Cultural (IC).

O IC refere ainda que a “Sociedade de Música Tradicional de Xangai pretende preservar as músicas tradicionais de Jiangnan Sizhu e manter os seus ritmos e temperamentos elegantes e suaves”. O preço dos ingressos é 150 patacas.

JUVENTUDE SOLISTA

Outra proposta cultural para este fim-de-semana é o concerto Bravo Macau!, marcado

para o próximo sábado, às 20h, no Teatro Dom Pedro V. O Bravo Macau! é uma plataforma que pretende mostrar o talento das “jovens estrelas da música local”. Desta feita, a iniciativa leva ao palco dois jovens músicos que apresentam música tradicional chinesa. Choi Hio Lam é uma das jovens estrelas que subirá ao palco do Teatro Dom Pedro V. A artista “formou-se na Escola Secundária Pui Ching de Macau, em 2017, e foi a primeira aluna recomendada pela escola para admissão directa ao Conservatório Central de Música”.

O outro elemento que toca no sábado é Fang Teng. “Em 2014, ganhou o primeiro prémio da categoria avançada de solo de erhu no Concurso para Jovens Músicos de Macau. Fez uma digressão com a Orquestra Chinesa de Macau como músico convidado e toca, frequentemente, com a Orquestra Chinesa da Radiodifusão da China e com o Ensemble de Música e Dança da China”. Os solistas vão ser acompanhados por Yang Xiaofan (Piano), Kuan Mei Ian (Percussão) e Chen Hui Xin (Yangqin). Os bilhetes para o concerto têm um preço que varia entre as 120 e as 150 patacas. J.L.

A boy band power do reg baseada na p banda tornou 200 milhões

Para Linda Li, de 19 anos, apoiar a sua banda favorita vai muito além de comprar música ou ir a concertos. Ser fã dos TFBoys significa publicar mensagens nacionalistas pro-China nas redes sociais


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chinesa TFBoys é a materialização do soft gime de Pequim. Com uma mensagem propaganda nacionalista do partido, a u-se num fenómeno de popularidade, com s de seguidores no Weibo A banda, cujo nome significa The Fighting Boys, marca presença regular em eventos do Partido Comunista Chinês e aparece regularmente nos média estatais. Além disso, um dos membros da boy band participou em 2015 na conferência “Juventude Excelente”, organizada pela Liga da Juventude Comunista de onde nasceram personalidades de relevo da política chinesa como Hu Jintao.

FENÓMENO DE POPULARIDADE

A fama dos TFBoys ultrapassa as fronteiras da China e vai até onde estiver um jovem chinês. Depois de completar um ano de carreira, o trio já era um dos fenómenos de popularidade, principalmente com o sucesso do single “Manual of Youth”. O valor comercial estimado dos TFBoys é de

430 milhões de dólares, uma loucura consumada pelas vendas de merchandising que, por cada elemento da banda, atingem 17 milhões de dólares por mês. Um produto da campanha nacionalista de Xi Jinping, a fama da mais popular banda chinesa alastrou pela Ásia. Um dos grupos vietnamitas de Facebook dos TFBoys tem 170 mil seguidores. Outro grupo de Taiwan tem mais de 60 mil fãs, a página Twitter de seguidores tailandeses é acompanhada por mais de 31 mil pessoas. As vidas dos membros dos TFBoys transformaram-se em exemplos para gerações de jovens chineses. Além de difusores da propaganda partidária, as jovens estrelas precisam manter uma aparência social de role-models. Papel que foi colocado em causa há

6 meses quando Roy Wang foi apanhado a fumar num restaurante em Pequim. O jovem que havia sido distinguido como uma das figuras públicas mais socialmente responsável, provocou uma enorme convulsão mediática depois da divulgação da imagem em que é visto a fumar. Como não poderia deixar de ser, Wang recorreu à plataforma digital Weibo, onde tem mais de 72 milhões de seguidores, para pedir desculpas. “Este incidente fez-me reflectir profundamente no meu comportamento e em quem eu sou. Estou muito arrependido e envergonhado pelo impacto social negativo que possa ter criado”, declarou à altura a jovem estrela. João Luz

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HOJE NO PRATO Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Sésamo Nome botânico: Sesamum indicum L. Sinonímia científica: Sesamum orientale L. Família: Pedaliaceae. Nomes populares: GERGELIM. Nativo da Índia, o Sésamo disseminou-se pelo Médio Oriente, África e Ásia, tendo chegado aos E.U.A. no século XVII. No presente, é amplamente cultivado nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. Trata-se de uma herbácea erecta que pode alcançar mais de 1,5 metros de altura; apresenta folhas lanceoladas a ovais, lindas flores brancas, rosas ou purpúreas e cápsulas pubescentes contendo várias sementes; estas são pequenas, ovais e achatadas, normalmente de cor castanha, mas também brancas, douradas, vermelhas ou negras, consoante as variedades. A famosa frase “Abre-te Sésamo” de “As Mil e Uma Noites”, alude à forma como os frutos da planta se abrem aquando da maturação. O Sésamo foi uma das primeiras plantas oleaginosas a ser cultivada pelo Homem, havendo evidências do seu cultivo há cerca de 5000 anos. No Antigo Egipto, além de ingeridas, as sementes eram prensadas para obtenção de óleo, usado na preparação de unguentos e em lamparinas. No túmulo de Ramsés III (século XIII a.C.) pode observar-se num fresco a forma como os Egípcios já adicionavam Sésamo à massa do pão. Na Índia, o Sésamo é considerado símbolo de imortalidade e purificação, integrando as cerimónias funerárias como oferenda aos mortos. Sob diversas formas e preparações, o Sésamo é um ingrediente essencial de numerosos e requintados pratos da cozinha tradicional asiática. Composição Extraordinariamente rica, a semente de Sésamo possui uma grande variedade de princípios nutritivos. Contém gorduras, em cerca de 50% do seu peso, com um elevado teor de ácidos gordos insaturados, lecitina, proteínas de alto valor biológico, fibras (mucilagens), vitaminas e minerais; apresenta ainda riqueza em lignanos (sesamina, sesamol, sesamolina), fitosteróis e coenzima Q10. Acção terapêutica Muito nutritivo e facilmente assimilável, o Sésamo suaviza, desinflama e lubrifica o tubo digestivo, sendo muito usado no tratamento da obstipação “seca”; combate a acidez do estômago, estimula o sistema digestivo, favorece a digestão e neutraliza os radicais

livres provenientes dos poluentes alimentares, protegendo o organismo dos seus efeitos danosos. Além disso, é remineralizante e um tónico físico e mental, benéfico para acelerar a recuperação dos convalescentes, aumentar a resistência dos desportistas e melhorar a memória e concentração dos estudantes e intelectuais; também é muito recomendado em caso de excesso de trabalho, estados de stress, fadiga nervosa, esgotamento nervoso ou mental, irritabilidade, melancolia, depressão e insónia. Altamente benéfico para o sistema cardiovascular, o Sésamo protege contra o enfarte do miocárdio e AVC, por ser antioxidante, reduzir o colesterol e a pressão arterial, e fluidificar o sangue; previne ainda a anemia e baixa os níveis de açúcar no sangue. É igualmente muito utilizado para combater as hemorróidas. Diurético e alcalinizante do sangue, está indicado em caso de retenção de líquidos, edema, cistite, artrite, gota e reumatismo em geral. Fortalece ossos e tendões e é um relaxante muscular. Suaviza, tonifica e melhora a elasticidade da pele, e atrasa o aparecimento de cabelos brancos. Outras propriedades Com propriedades afrodisíacas, o Sésamo é considerado um revitalizante e restaurador da capacidade sexual nos países orientais, indicado na falta de rendimento ou de capacidade sexual, tanto no homem como na mulher. Apresenta um efeito regulador sobre o ciclo menstrual e a capacidade de estimular a produção de leite materno nas mulheres grávidas e lactantes. Como consumir O Sésamo enriquece a refeição com os seus nutrientes, adicionando-lhe um sabor extra. Sugestões: • As sementes podem ser adicionadas a pães, biscoitos, cereais de pequeno-almoço, iogurtes, molhos, saladas e sobremesas. • Gomásio (sementes com sal marinho, ligeiramente tostados e triturados): em substituição do sal. • Tahin (pasta obtida das sementes prensadas e moídas): pode substituir, com vantagem, a manteiga ou margarina. • Óleo de Sésamo (extraído das sementes): em alternativa ou para aromatizar o óleo de cozinha habitual. Precauções Contra-indicado em caso de colite. Quando ingerido em excesso pode provocar obstipação. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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HONG KONG PEDIDA INVESTIGAÇÃO AO ATAQUE CONTRA ACTIVISTA

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Amnistia Internacional (AI) pediu às autoridades de Hong Kong que iniciem uma “investigação exaustiva” ao ataque, na quarta-feira, contra um proeminente activista pró-democracia do território. “Ficámos devastados ao tomar conhecimento do ataque a Jimmy Sham, um corajoso defensor dos direitos humanos e uma das forças motrizes dos protestos pró-democracia de Hong Kong”, escreveu o investigador da AI para a Ásia, Joshua Rosenzweig. O coordenador da Frente Cívica dos Direitos Humanos (FCDH), que tem liderado os maiores protestos na antiga colónia britânica, foi brutalmente espancado na quarta-feira por quatro homens mascarados, segundo a própria organização e a imprensa local. “Jimmy Sham foi deixado a sangrar na rua e foi hospitalizado com ferimentos na cabeça. Mesmo no contexto de crescentes ataques a activistas, este

incidente é chocante na sua brutalidade”, apontou Rosenzweig. O activista pró-democracia foi hospitalizado, mas encontra-se estável, de acordo com informações divulgados ontem nos ‘media’ locais. “As autoridades devem conduzir prontamente uma investigação sobre este ataque terrível e levar todos os responsáveis à justiça”, afirmou ainda o investigador. Os protestos em Hong Kong, que se tornaram maciços em Junho contra as emendas propostas à lei de extradição, transformaram-se num movimento que exige reformas democráticas. Durante os quatro meses de manifestações, registou-se uma escalada de violência. Os manifestantes têm acusado a polícia do uso de força excessiva, enquanto as autoridades condenam as tácticas violentas de alguns grupos, que apelidam de radicais.

5G HUAWEI NEGA TER “INSTRUÇÕES” DE ESPIONAGEM

Sem uma porta das traseiras A rede 5G e a Huawei estiveram em debate no Parlamento Europeu esta quarta-feira. A gigante tecnológica chinesa voltou a rejeitar as acusações de espionagem lançadas pelos Estados Unidos, afirmando que se o fizesse estaria a cometer suicídio

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companhia tecnológica Huawei negou quarta-feira, num debate no Parlamento Europeu, ter “instruções” do Estado chinês para instalar ‘backdoors’ (portas de acesso) em dispositivos móveis de quinta geração (5G), PUB

notando que isso seria “um suicídio” para a empresa. “As pessoas perguntam sempre qual é a relação entre a Huawei e o Estado chinês. É a mesma relação que têm outras empresas privadas ou internacionais que operam na China, como a Siemens ou a Nokia: temos de pagar os nossos impostos e respeitar as leis”, afirmou o representante chefe da Huawei para as instituições europeias, Abraham Liu. O responsável respondia a uma questão relacionada com acusações de espionagem que têm recaído sobre a tecnológica chinesa, nomeadamente sobre a alegada instalação de ‘backdoors’ em equipamentos 5G, num debate público promovido pelo Parlamento Europeu, em Bruxelas. “Nunca recebemos qualquer instrução para instalar ‘backdoors’ nos nossos equipamentos 5G”, vincou Abraham Liu, afastando, assim, “qualquer obrigação legal” para o fazer.

E reforçou: “Como empresa privada […], não temos qualquer motivação para fazer algo desse género porque se o fizéssemos isso seria cometer suicídio”. “Nunca faríamos algo que pudesse pôr os dados pessoais dos nossos clientes em perigo”, salientou Abraham Liu. Na sua intervenção inicial, o responsável observou que “a Huawei tem sido um parceiro de confiança da Europa durante 20 anos”. “Temos crescido juntos, mas sabemos que ainda têm dúvidas sobre nós e, por isso, viemos ao Parlamento Europeu responder a todas as vossas questões”, adiantou Abraham Liu.

EUROPA ABERTA

O debate de quarta-feira foi organizado pelos eurodeputados Maria Grapini (dos socialistas europeus), Franc Bogovic (do Partido Popular Europeu), Bill Newton Dunn (do partido Renovar a Europa) e Jan

Zahradil (dos conservadores e reformistas), em parceria com a tecnológica chinesa, e foi subordinado ao tema “Manter um ecossistema global aberto com a Huawei: uma perspectiva europeia”. Assumida como uma prioridade europeia desde 2016, a aposta no 5G já motivou também preocupações com a cibersegurança, tendo levado a Comissão Europeia, em Março deste ano, a fazer recomendações de actuação aos Estados-membros, permitindo-lhes desde logo excluir empresas ‘arriscadas’ dos seus mercados. Bruxelas pediu, também nessa altura, que cada país analisasse os riscos nacionais com o 5G, o que aconteceu até Junho passado, seguindo-se depois uma avaliação geral em toda a UE e a adopção de medidas comuns para mitigar estas ameaças, isto até final do ano. Nessa análise feita aos riscos nacionais, os Estados-membros detectaram a possibilidade de ocorrência de casos de espionagem ou de ciberataques vindos, nomeadamente, de países terceiros, segundo um relatório divulgado na semana passada. Apesar de Bruxelas rejeitar incidir no documento sobre uma determinada empresa ou sobre um determinado país, certo é que a tecnológica chinesa Huawei tem vindo a ser acusada, principalmente pelos Estados Unidos, de espionagem através das redes 5G. A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China. De um total de 50 licenças que a empresa detém para o 5G, 28 são para operadoras europeias.


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sexta-feira 18.10.2019

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M ministro japonês visitou ontem, pela primeira vez em dois anos e meio, um polémico templo de Tóquio, enquanto o primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, enviou uma oferta, como tem feito regularmente desde 2014. O templo de Yasukuni homenageia mortos japoneses entre finais do século XIX e 1945, incluindo 14 políticos e oficiais do Exército Imperial condenados como criminosos de guerra por um tribunal internacional no final da Segunda Guerra Mundial. As visitas das autoridades nipónicas a este santuário desencadeiam habitualmente protestos por parte de países como a China e a Coreia do Sul, que consideram estas homenagem como um vestígio do passado militarista do império japonês. O ministro delegado para as questões territoriais das ilhas Curilas (chamadas “territórios do norte” pelo Japão, que reivindica quatro) e para a região de Oki-

Viagem ao passado Seul lamenta visita de ministro japonês a polémico templo

nawa (extremo sul), Seiichi Eto, visitou o santuário por ocasião do primeiro dia do festival de Outono, indicou a agência de notícias japonesa Kyodo. Aos jornalistas, o ministro porta-voz do Governo japonês, Yoshihide Suga, escusou-se a comentar a visita, que considerou de “carácter privado”.

A ministra dos Assuntos Internos e Comunicações japonesa, Sanae Takaichi, tinha sido o último elemento do Governo do primeiro-ministro, Shinzo Abe, a visitar Yasukuni, em Abril de 2017. A última visita de Abe ao santuário foi em Dezembro de 2013 e desde

então o chefe do Governo nipónico envia oferendas regularmente, o que também fez ontem, de acordo com a cadeia pública de televisão NHK.

GLÓRIAS DA GUERRA

A Coreia do Sul reagiu de imediato e “lamentou profundamente” a decisão de Abe ou as visitas de

membros do executivo japonês, ou líderes parlamentares, a um templo que “glorifica as guerras expansionistas da história do Japão”, indicou, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano. O Japão só poderá contribuir para uma melhoria das relações com a Coreia do Sul e conquistar a confiança dos países vizinhos e da comunidade internacional quando os líderes responsáveis mostrarem “humilde introspecção e reflexão” sobre o passado através de acções, acrescentou. A visita de Eto coincide com um agravamento das relações entre o Japão e a Coreia do Sul devido a recursos judiciais relacionados com exigência de compensações económicas a sul-coreanos forçados a trabalhar para companhias japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e a aplicação de novas normas aduaneiras para os produtos sul-coreanos importados por Tóquio.

Tóquio Desfile imperial em causa devido a Hagibis

O Governo japonês está a considerar adiar o desfile do novo casal imperial do Japão, agendado para 22 de Outubro, para dar prioridade à gestão de danos decorrentes do tufão Hagibis, noticiou ontem a imprensa local. O desfile de 22 de outubro está inserido nas cerimónias de entronização do novo imperador japonês, Naruhito, que subiu ao trono após a renúncia do pai, Akihito, em finais de Abril. No entanto, de acordo com a emissora pública NHK, a cerimónia requer “recursos humanos significativos” que as autoridades preferem alocar às vítimas do tufão Hagibis, que provocou a morte de quase 80 japoneses no passado fim de semana. Questionados pela agência France-Presse (AFP), o Governo nipónico e a Casa Imperial não confirmaram a informação.

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18.10.2019 sexta-feira

Conheco o sal da tua pele seca ´

Velhos conhecidos

Estendais

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LA (que gosta muito de estalar os dedos encostando as mãos em mim e fazendo pressão de um lado e do outro até se ouvir aquele crac-crac-crac e eu reclamar), bateu com a cabeça pouco antes de eu apanhar o comboio para ir ao seu encontro. Mandou-me uma fotografia de um galo gigante, com um pequeno furo que em breve começaria a jorrar sangue (esta parte não vi, foi ela quem mo contou, e eu acreditei). Logo se encaminhou para o hospital e, trocando-me pelo namorado que foi lá ter, deixou-me entregue a mim mesma e à missão do dia: comprar óculos pela primeira vez em anos. Eu bem insisti que poderia acompanhá-la, mas há dias em que o que nos aguarda o faz sabendo que não lhe vamos escapar. Na óptica, deambulei de um lado para o outro, experimentando todo o tipo de armações, cores e preços, fazendo caretas, tirando fotos e enviando-as às amigas pacientes para que me dessem a sua opinião. Na mercearia, fico a saber da morte de Tiago, o gato amarelo que vi pela primeira vez de lombo solarengo estendido num banco da paragem do 729 da Carris, num qualquer domingo a descer a Calçada da Ajuda, antes mesmo de vir viver para o bairro. A chinesa Lili, dona do estabelecimento, diz-me que foi atropelado esta manhã. Ela própria, tentando conter as lágrimas, fala de quão triste está o marido, que se levantava sempre mais cedo para ir procurar este agora falecido vizinho e dar-lhe comida. Outra cliente, com a qual a conversa começou, na verdade, lamenta a perda e as saudades que a Doutora (não fixei o nome) da farmácia, terá. Eu mesma já vira Tiago à porta da farmácia algumas vezes, sossegado, observador, pertencente a todos e a si mesmo sobretudo. Falta um mês para o meu aniversário. Finalmente mudei a minha morada no banco, mas não me tenho sentido em casa senão quando estou fora. Comecei mais uma vez a carta que não consigo escrever e sempre acaba no lixo. Fiz um bolo de limão e saí sem saber bem se para ir comprar açúcar em pó ou para resolver a minha vida. Deixei dois rolos a revelar, ao fim de onze meses. Quando estiverem prontos talvez eu também esteja. Comprei açúcar e farinha. Liguei ao meu irmão. Ontem soube que a mãe dele faleceu. E fiquei muito triste, apesar de não saber quase nada sobre ela. Então finalmente liguei à minha própria mãe. E recebi uma mensagem do destinatário da carta que não escrevi. Aprendi outro dia que sonhos, para os brasileiros, são cuecas viradas e que aquilo que para nós são bolas de berlim é que eles chamam de sonhos. Tudo isto me parece da maior importância. Como

MAURIZIO LANZILLOTTA: LUOGHI CELESTI

Gisela Casimiro

o post-it amarelo que deixei a marcar a página trinta e dois de “The Genius and the Goddess”, de Huxley. Um livro que ainda não li, na verdade, mas que marquei com uma lista de que constam: duas alfaces, duas latas de atum, duas couves lombardas, dois frangos para assar, quatro cenouras, tomate para salada, salsichas frescas, um pimento, dois litros de leite magro e dois quilos de carne picada. Não sei quanto tempo tem a lista ou o porquê da obsessão com o número dois. De volta à mercearia: uma velhota

dispara, ao entrar e sem dizer bom dia, “Mãos nos bolsos dão mau aspecto”, para o dono, sorridente atrás do balcão. Minutos mais tarde ouço-a refilar outra vez “A culpa é das mulheres. Onde estão as mulheres?!”. Foi no corredor do pão. «“The trouble with fiction,” said John Rivers, “is that it makes too much sense. Reality never makes sense.” “Never?” I questioned. “Maybe from God’s point of view,” he conceded.».

Páro muitas vezes o que estou a escrever para olhar as nuvens sobre o rio, nesta casa abençoada a que vim parar quando a anterior foi vendida. Voltei a ter vista de rio, como há três casas atrás. Hoje estão particularmente interessantes, as nuvens, ou então este assunto é-me particularmente difícil

Faltam duas semanas para o meu aniversário. Há um bolo de laranja que, por este andar, ninguém vai comer porque, embora o tenha feito muitas vezes, as últimas foram sempre na minha cozinha mental. Páro muitas vezes o que estou a escrever para olhar as nuvens sobre o rio, nesta casa abençoada a que vim parar quando a anterior foi vendida. Voltei a ter vista de rio, como há três casas atrás. Hoje estão particularmente interessantes, as nuvens, ou então este assunto é-me particularmente difícil. Escreveu Daniel Faria “Socorre-me / Devolve-me a leveza / da tão primeira nuvem que avistares”. A pessoa tenta. Hoje ia dormir uma sesta feliz, a cabeça naquele lugar estratégico onde bate mais o sol, mas as horas passaram, estou lenta, sonolenta e a luz mudou entretanto. É que precisei, primeiro, de voltar a um outro lugar, de luz branca forte e cruel. Precisei de voltar à óptica, há muitos meses atrás, a ver o meu meio-irmão pela segunda vez na vida, ele a escolher óculos como eu, ele a bater-me ao de leve no ombro, ele a abraçar-me. Como vizinhos ou velhos conhecidos.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 18.10.2019

Ofício dos ossos Valério Romão

S

E há coisa que invejo em criatura alheia é o jeito para tocar um instrumento ou jogar à bola. Eu sempre fui péssimo em tudo quanto implica destreza corporal. É uma espécie de versão caricatural do locked-in syndrome: sou capaz de pensar numa série de escalas no braço da guitarra ou em fintas que poderia fazer mas o meu corpo, ao invés de coadjuvar, conferindo realidade ao que existia somente em potência, não acompanha de todo o que se passa no andar de cima. O cérebro, qual capitão experimentado, exaspera na condução daquele pelotão de recrutas ciclicamente atrapalhando-se a si mesmos. A única coisa vagamente física em que alguma vez fui bom foram os flippers, e mesmo que tivesse idade e determinação para prosseguir uma carreira de jogador profissional, não estou a ver comité olímpico a incluir a modalidade nas olimpíadas num futuro próximo – ou menos muito distante, na verdade. Como quase tudo, de fora parece relativamente simples: um sujeito coloca a guitarra no colo e traduz fisicamente uma interioridade onde sensibilidade e técnica se encontram de modo mais ou menos perfeito. Eu tive aulas de guitarra. Tive aulas de karaté. De ninjútsu. De basquete. O meu sobrinho mais velho tentou ensinar-me a jogar setas. A maior parte das pessoas que vejo embrenhadas numa actividade física qualquer parecem de lá retirar, no mínimo, a moderada satisfação que decorre da produção de endorfinas. Eu começo a correr e passado escassos minutos os órgãos do meu corpo duplicaram misteriosamente de peso, tenho sede, calor, vontade de fazer xixi, frio, dores um pouco por todo o lado e um medo terrível de morrer de calções. Podia ser disléxico de pés e mãos mas robusto como um pónei. Mas não. Nada disso. Tudo quanto é essencial para a prática do desporto eu tenho-o em negativo. O mesmo acontece na música, com uma agravante: tenho bom ouvido, pelo que sou extremamente sensível a minha própria incapacidade técnica. Podia ser um daqueles concorrentes dos programas de talentos, harmonicamente surdos, cujos progenitores incensam as qualidades musicais sob o verniz resistente do estoicismo parental, mas nem essa abençoada ignorância me foi concedida. Não é que uma pessoa tenha de ser boa ou razoável em tudo, mas parece-me meio injusto, pelo menos do ponto de vista da distribuição divina ou genética de competências, que um sujeito não o seja em nada. Quando comecei a andar de bicicleta usavam-se aquelas rodinhas de apoio

Roda livre lateral. Os meus amigos, mais expeditos fisicamente do que eu, faziam gala de andarem somente com duas rodas. Eu tentava acompanhá-los nas deambulações que faziam pela cidade mas raramente conseguia percorrer duzentos metros sem os perder de vista. O que as rodinhas de apoio acrescentam ao equilíbrio retiram à capacidade de acelerar.

A maior parte das pessoas que vejo embrenhadas numa actividade física qualquer parecem de lá retirar, no mínimo, a moderada satisfação que decorre da produção de endorfinas. Eu começo a correr e passado escassos minutos os órgãos do meu corpo duplicaram misteriosamente de peso, tenho sede, calor, vontade de fazer xixi, frio, dores um pouco por todo o lado e um medo terrível de morrer de calções O meu pai insistia que eu estava preparado. Eu tinha a certeza de que ia ficar sem dentes da frente se lhe pedisse para remover as rodas de apoio. Achando-me mais do que capaz e frustrado com o meu aparentemente incompreensível medo, o meu pai desapertou as porcas que sustinham as rodas quase até ao fim. Assim, quando fui andar de bicicleta, uma delas caiu passado pouco tempo e a outra logo a seguir. Sem me dar conta, estava a andar sem rodinhas. O meu pai, do passeio, aplaudia. Não me tendo apercebido ainda do que estava a fazer, achei que ele estava a gozar comigo. Fui ter com ele e perguntei-lhe pela piada da coisa. Ele ria-se. Deu-me os parabéns. Foi a minha maior proeza desportiva. Em tudo mais não tenho encontrado as rodinhas para as desatarraxar.


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Amélia Vieira

18.10.2019 sexta-feira

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Outubro VELÁZQUEZ, EL TRIUNFO DE BACO O LOS BORRACHOS

Ô temps! Suspends ton vol, et vous heures propices! Suspendez votre cours Lamartine

N

UNCA é igual o tempo nas suas nuances nem o retorno dos seus ciclos, todavia, temos sempre mais tempo para cada Estação que vai sendo descontada na marcha, pois que se os anos em nós são Primaveras, ninguém festeja os Outonos celebrados. Os hemisférios “Outubram-se” de forma contrária, mas este nosso que suspende por momentos o voo é aquele de que gostamos pelo instante da suspensão, ficando no centro de uma natureza igual, cálida, precisa, como um doce interregno, e sob a seu fleuma não raro se levantam as grandes marés e tempestades colossais a fazer lembrar da repentina fúria dos calmos. Outubro lembra-nos assim do factor da imprevisibilidade em pleno estado de paz e acalenta a nossa liberdade associativa . Aquelas sombras tão pausadas, aquele equilíbrio entre os dias e as noites dão os vinhos que enchem os copos de rubra fraternidade que bem pode ser esse «Lago» do poeta romântico antes de se fechar o postigo e entrar na gruta.

Já não há Revoluções, mas aconteceram quase todas entre Abril e Outubro, pois que o Inverno inibe a marcha da rebelião - que de interiores mantido - não gera no seio das colectividades cargas transformáveis, o ciclo delas fechava-se aqui, com Outubro a garantir a legalidade e a cultura dos movimentos como as suas mais altas exigências. A boa conduta do Outono vai engalanar os cabecilhas daquelas com

estímulos muito civilizados, os regicidas já cumpriram a sua missão, e as consequências advertem-nos que a História não deve em caso algum andar para trás. Os nossos outrora Outubros foram mais cingidos ao ciclo biológico, nele se iniciavam as aulas quase esquecidas nos longos Verões, se reencontravam os amigos, e a vida voltava às suas rotinas com o formalismo de quem cumpria o primeiro dever básico

No calendário romano era o mês oito, e a sua subdivisão vai dar-lhe as características de César, Vergílio canta-o as festas a Baco principiam - e os judeus têm nele a sua festa mais sagrada, nela se pede perdão, aquele tempo que leva a ser pessoa e a restituir-lhe a natureza do seu reflexo humano. Embora o vinho esteja correndo há uma lucidez que não deve ser perturbada enquanto em suspensão esse tempo se mantiver

de uma sociedade, aprender, seria assim o mês mais civilizado enquanto processo criador, pois que as nossas também outrora aprendizagens foram de muitas maneiras também outras que não somente as dos bancos de escola. Vínhamos de Verões selvagens e imensos onde aprendíamos os arrojos, as dores das quedas, as insolências e as aventuras que nos dariam amargas crises de desobediência, formas de aprender a lidar com o todo na cauda de cada Estação que dominávamos. Hoje, é certo, que de quando em vez o próprio amor não dura mais que uma Estação, em muitas delas nem nunca o vimos envelhecer, e destas Outonais folhas, nem já uma lembrança, e neste calor de Outubro apenas um peso de sombras paradas. Passamos assim no esquecimento do que em nós foi o ciclo novo, o tempo que nos dava de beber cedo finda a sua festa, e para que não esqueçamos devemos guardar as suas pétalas secas, deitá-las em nosso leito para quando vier o amanhecer sabermos que estamos nele, e que a sua maior dádiva será a imagem de uma outra qualquer coisa que se foi. Parados, amor e morte, podem assim começar a dar as mãos, que delas nos caem as flores pulverizadas das chamas do ainda tempo próximo do escaldante viver. No calendário romano era o mês oito, e a sua subdivisão vai dar-lhe as características de César, Vergílio canta-o - as festas a Baco principiam - e os judeus têm nele a sua festa mais sagrada, nela se pede perdão, aquele tempo que leva a ser pessoa e a restituir-lhe a natureza do seu reflexo humano. Embora o vinho esteja correndo há uma lucidez que não deve ser perturbada enquanto em suspensão esse tempo se mantiver. Dão-se os Nobéis, o resultado meritório de vidas de trabalho, que se começa a trabalhar em épocas mais combativas e se guardam os louros para a celebração das vindimas. Separam-se os trigos, separam-se os joios num roteiro de parábola, e a natureza selectiva impõe-se como uma medida justa e nunca fraccionária. Um dia outro virá, em que por méritos possamos sair da Roda, ficando nele e não mais esperar que nos tragam de novo a Primavera. “Par délicatesse j´ai perdue ma vie”. Outubro de Rimbaud que o viu nascer e nos lembra como é raro perder assim. Os que ganham andam demasiado ocupados para se darem conta das capacidades dos vencidos, que mais que vencidos, são excluídos, até do fardo obsoleto das vitórias. Viver suspenso por cima da arbitrariedade dos que não têm tempo para delicadamente receber os dons de Outubro, que não é já um jovem Apolo nem um campeão das grandes maratonas, passar por ele como por um lago tão transparente que não o transformemos em espelho para a inércia de um desmedido amor próprio.


desporto 17

sexta-feira 18.10.2019

A Comissão Organizadora apresentou a lista provisória de participantes na edição das corridas deste ano e o piloto de Macau, assim como a alemã Sophia Florsch, são as principais ausências. Na Fórmula 3 ainda há seis vagas disponíveis

GRANDE PRÉMIO ANDRÉ COUTO FORA DA EDIÇÃO DESTE ANO

Baixas de peso

O

piloto André Couto é o grande ausente da edição deste ano do Grande Prémio de Macau. O herói local tentou montar um projecto competitivo para participar na prova de GTs ou da Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR), mas não conseguiu. “Não consegui reunir as condições ideias para correr e essencialmente faltou-me dinheiro”, afirmou André Couto, em declarações ao HM. “Para correr ia ter condições que estavam longe de serem as ideais, ia de ter de correr de uma certa maneira que não gosto e por isso optei por não participar”, acrescentou. O piloto admitiu também ter ficado desiludido, mas prometeu trabalhar para regressar no próximo ano. “Também não me vou atirar para um poço [por não participar]. É verdade que ninguém fica mais triste com a notícia do que eu, mas

Ténis Frederico Silva nos quartos-de-final em Ningbo

O português Frederico Silva qualificou-se ontem para os quartos de final do torneio de Ningbo, ao vencer o japonês Tatsuma Ito na terceira ronda da prova chinesa do circuito ‘challenger’ de ténis. Frederico Silva, 223.º do ‘ranking’ mundial, impôs-se em dois ‘sets’ ao japonês, 137.º da hierarquia e sétimo cabeça de série, pelos parciais de 6-4 e 7-6 (7-5), num encontro que durou uma hora e 36 minutos. Nos quartos de final, Frederico Silva vai defrontar o japonês Yasutaka Uchiyama, 108.º da hierarquia da ATP e quarto cabeça de série do torneio chinês em piso duro.

vou focar-me em outras provas e pensar na edição do próximo ano. Vou tentar novos apoios, que foi o que faltou”, explicou. A lista divulgada ontem confirmou a participação do piloto local Charles Leong na prova de Fórmula 3, com a Jenzer Motorsport, como o HM já havia adiantado. Entre as ausentes está Sophia Florsch, piloto que no ano passado sofreu um acidente espectacular e que segundo Pun Weng Kun, coordenador da comissão organizadora do Grande Prémio, fica de fora da competição

devido à falta de “experiência” com o novo monolugar da F3. Ao nível de presenças, destaque para David Schumacher, filho de Ralf Schumacher, que se vai estrear no Circuito da Guia com as cores da Sauber Junior Team by Charouz. A lista de inscritos revelada ontem é provisória e ainda tem seis lugares disponíveis, que deverão ser preenchidos mais tarde.

TIAGO MONTEIRO DE REGRESSO

Uma das grandes novidades é o regresso de Tiago Monteiro, que

vai tripular um Honda Civic com as cores da KCMG, na prova do mundial de carros de Turismo da FIA. O piloto é o único português inscrito na categoria, numa altura em que ainda não são conhecidos os pilotos convidados pela organização o que só deverá acontecer lá mais à frente. Como tradicionalmente acontece, é na Taça de Carros de Turismo de Macau que está o maior contingente de pilotos macaenses. Numa prova que deve ter como principais favoritos os Peugeot RCZ da equipa Suncity, os pilotos Célio Alves

Dias (Mini), Luciano Lameiras (Mitsubishi), Delfim Mendonça (Mitsubishi), Rui Valente (Mini), Filipe de Souza (Audi), Jerónimo Badaraco (Chevrolet) e Hélder Assunção (Nissan) são os representantes da comunidade local.

Os pilotos Célio Alves Dias (Mini), Luciano Lameiras (Mitsubishi), Delfim Mendonça (Mitsubishi), Rui Valente (Mini), Filipe de Souza (Audi), Jerónimo Badaraco (Chevrolet) e Hélder Assunção (Nissan) são os representantes da comunidade local Ainda ao nível dos pilotos com as cores portuguesas, André Pires volta a Macau, numa lista que conta com o recordista Michael Rutter e Peter Hickman, vencedor do ano passado. Já no que diz respeito à Taça do Mundo de GT, Augusto Farfus (BMW) vai entrar em acção para defender a vitória conquistada no ano passado, tendo como principais adversários os Mercedes-AMG de Edoardo Mortara e Maro Engel. O Grande Prémio realiza-se entre 14 e 17 de Novembro e, de acordo com Pun Weng Kun, as vendas dos bilhetes estão a decorrer a bom ritmo, pelo que a ocupação das bancadas deverá ser superior a 90 por cento nos dias do fim-de-semana. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

FUTEBOL SUL-COREANOS AFIRMAM QUE JOGO COM O NORTE FOI DURO E ESTRANHO

A

equipa de futebol da Coreia do Sul descreveu ontem o jogo de qualificação contra a Coreia do Norte, em Pyongyang, na terça-feira, como duro e estranho. O encontro histórico terminou com um empate a zero no enorme e completamente vazio estádio Kim Il-sung, com capacidade para 50 mil espectadores. O avançado do Tottenham Son Heung-min sublinhou que vai lembrar-se durante muito tempo a partida em Pyongyang como uma experiência estranha, durante a qual os jogadores sul-coreanos tiveram sorte em conseguir evitar lesões no

jogo contra os norte-coreanos, que caracterizou como "muito duros". As qualificações "não podem ser sempre boas, para os nossos jogadores e pessoalmente foi difícil", disse Son aos jornalistas, no aeroporto internacional de Incheon. O dirigente da equipa sul-coreana Choi Young-il declarou que a associação de futebol sul-coreana vai debater a possibilidade de apresentar uma queixa junto da FIFA, relativamente ao que descreveu como uma falha norte-coreana em garantir boas condições de alojamento à equipa visitante e por ter impedido meios de

comunicação social e espectadores de assistirem ao jogo. O jogo, do grupo H de qualificação para o Mundial2022, tinha a importância histórica de ser disputado quase três décadas depois do último jogo em Pyongyang entre os dois países, tecnicamente ainda em guerra. No final da Guerra da Coreia (1950-53), Seul e Pyongyang assinaram um armistício, que ainda não foi substituído por um tratado de paz. A Coreia do Sul vai receber a Coreia do Norte em 4 de Junho de 2020, 11 anos após o último jogo entre ambas em Seul, no apuramento então para o Mundial2010.


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EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS DE CHEN ZHIFO DA COLECÇÃO DO MUSEU DE NANJING” MAM | Até 17 /11

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2 6 9 3 1 7 8 1 5 0 3 1 2 9 4 A operação militar lançada pela Turquia contra uma milícia curda no nordeste da Síria 4 em oito 1 dias, indicou ontem7o Observatório 5 Sírio levou ao deslocamento de 300 mil2pessoas

7 1 0 5 6 9 2 8 3 4

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SALA 3

SALA 2

Clive Owen, Benedict Wong 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Robert de Niro, Zazie Beetz 21.30

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 44

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1 3 DISCO 8 2 6 0HOJE 9 7 UM 4 9 5 3 1 7 0 8

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4 2 7 6 1 8 2 5 4 9 0 Lançado em 1997, “Brighten the Corners” é o terceiro 0 5disco9da banda 6 4liderada 8 por 7 Stephen 2 3 Malkmus, depois de terem rebentado na cena 2 rock. 7 4 0 maduro 9 3depois 6 da1 bri-5 indie Registo lhante maluquice que foi “Wowee Zowee”, 8 disco 7 dos 5 Pavement 0 6 prova 1 4que a9 o3 terceiro banda 8 0californiana 2 4 era5uma1autêntica 3 6fonte7 5 4 6 9 3 2 8 0 1 6 2 0 1 7 9 5 3 8 9 1 3 7 8 4 2 5 6

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6 5 7 8 0 6 1 2 0 7 8 4 3 9 1 2 4 3 0 1 5 4 7 8 5 3 9 9www. 6 2

hojemacau. com.mo

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3 4 4 6 2 5 8 5 4 9 8 0 2 8 7 1 9 4 2 6 8 5 1 9 4 2 3 6 2 6 9 6 5 1

PROBLEMA 45

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5 1 3 8 6 4 6 3 9 7 5 infinita de melodias pop. “Stereo”, “Shady Lane”, “Passat 1 9 Dream” são0apenas 8 alguns7 exemplos de grandes músicas, num disco que 8é bom do princípio 6 ao2fim. Estranhamente 9 0 4 mal-amado entre fãs da banda, mas que não 2se tornou datado apesar 9 8de ter 1 sido 3 lançado 4 9há mais de vinte anos.5 João 3 Luz 7 1 7 1 2 9 3 4 8 0 4 2 1

6 2 3 8

0.26

YUAN

1.14

Lei 44Chan U falou sobre patriotismo em mandarim. Os deputados podem utilizar as línguas oficiais da RAEM 6 na5AL e o depu1 0 tado cumpriu. Mas ao contrário de alguns 5 0 8 governantes, Lei9consegue expressar-se muito bem em cantonense, pelo que a utili0 6 8 4 zação do mandarim é uma escolha política e não um meio para 0 4 comunicar 9 6de forma 5 1 eficaz, como acontece, por exemplo, com 1Dexue. Mas como 6 se justifica que3Lei Liu tenha voltado a desprezar principal “língua” 9 0 1 dos “seus eleitores”? A educação patriótica não é um 8 tema 2 importante 5 3 que merece 9 que 7 a maior parte da população o compreenda? 2 5patriótica 8 Não se devia falar da educação de forma eficaz e clara? Claro. Mas isso era 9 7que estivesse realmente 3 para um deputado interessado e nos6 seus cidadãos. 5 na8RAEM 1 São muito poucos assim, e Lei Chan U, como deputado eleito pela via indirecta da FAOM, está lá para tratar da vida dele, 46 ao Governo Central e espera um agradar dia ser recompensado. Lei transmite a ideia 6 0de Macau 9 7são de1 que para 8 ele os2cidadãos secundários. Quando escolhe desprezar o cantonense, Lei está a focar-se numa agenda 7 que passa8por ser promovido 4 para própria outros voos, como bom patriota. No meio 0 tudo, 5 só é triste 6que4Lei Chan 8 7U seja tão 3 disto limitado intelectualmente que não 2 4 0 6perceba 1 que ao sentir necessidade de falar mandarim para 3 se mostrar 8 7 um bom patriota está a negar 4 9 a cultura chinesa, que o cantonense tanto enriquece. A2FAOM só permite este6 tipo de atitudes porque a classe operária não é1 4 3 2 a prioridade. Foi chão que deu uvas e não é por 6 acaso que os1 quatro magníficos 5 são tão amigos dos empresários da AL … A farinha é a mesma, só a cor do saco é que muda. João Santos Filipe

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PAVEMENT I BRIGHTEN THE CORNERS

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S U D O K U

de Direitos Humanos (OSDH). “Mais de 300 mil civis foram deslocados desde o início da ofensiva a 9 de Outubro”, disse Rami Abdel Rahman, director do Observatório, que tem uma extensa rede de fontes naquele país em guerra.

Cineteatro 45 6 7 0 3 2 8 4 5 1 9

EURO

PATRIOTISMO A SOLDO

EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO DE PINTURA LUSÓFONA Clube Militar | 26 de Outubro

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VIDA DE CÃO

EXPOSIÇÃO | “LÍNGUA FRANCA – 2ª EXPOSIÇÃO ANUAL DE ARTES ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” Vivendas Verdes e Antigo Estábulo Municipal de Gado Bovino Até 8 de Dezembro

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opinião 19

sexta-feira 18.10.2019

confeitaria

JOÃO ROMÃO

D

ESDE os movimentos que a partir de 2011 e um pouco por todo o mundo se foram designando como “Occupy”, com as suas variantes regionais e linguísticas, não se via tanta política nas ruas das grandes cidades do planeta. Tinha sido o tempo de ocupar tudo, em nome dos tais 99%, um cálculo eventualmente exagerado mas certamente mobilizador: desde a Bolsa de Nova Iorque a emblemáticas Praças no Médio Oriente, passando pelas várias Europas, mais ricas e mais pobres, uma crise financeira e económica que afetava grande parte do mundo, com níveis de desemprego sem precedentes após a II Guerra Mundial, sobretudo para a juventude, com limitadas opções de entrada em mercados de trabalho cada vez mais desprotegidos e selvagens. Era a época em que empreendedores governantes mandavam esses jovens emigrar, que o tempo não estava para presentes nem futuros. Restava saber para onde, que os horizontes se iam fechando um pouco todo o lado e era por isso que se enchiam as praças, de conversas em assembleia à procura de novas Primaveras, mais ou menos perdidas entretanto, ou neutralizadas por uma parca recuperação económica e algum trabalho vagamente precário. Agora é o clima, o regresso em máxima força da causa ambiental, graças à evidente ameaça a um planeta à beira do colapso, motivado pela ganância consumista e pelos poderes instalados, dependentes de tóxicos modelos de exploração desenfreada de recursos finitos e à beira do esgotamento para produção massiva de produtos de curta duração, com obsolescência programada à medida da voracidade das modas de consumo acelerado que vão dominando os padrões de vida contemporâneos, sempre em alta velocidade, sempre à procura da inovação, da nova experiência, do novo que envelhece depressa para poder ser rapidamente substituído, de preferência na loja online. Não houve discurso científico suficientemente mobilizador para trazer essa questão para fora das agendas de circunstância da ONU ou de outras plataformas parlamentares de democracia performativa e cada vez menos representativa, mas seriam os estudantes, cada vez mais, cada vez mais acompanhados, cada vez em mais lugares, a impôr a discussão pública do assunto - um passo necessário mas não suficiente para alguma acção consequente. Em todo o caso, nunca mais as sextas feiras foram como dantes: começou com o protesto solitário de uma adolescente sueca e são agora milhões as pessoas que acabam a semana a reivindicar uma agenda imediata para responder ao problema do clima.

Nas ruas

Essas não são as únicas pessoas que ocupam com reivindicações políticas as ruas de hoje, no entanto: também há largos milhares - ou milhões - nas ruas de Hong Kong, há já vários meses, com mais ou menos violência sobre os espaços e infraestruturas públicas, mais ou menos repressão das autoridades policiais e mais ou menos clareza nos objetivos e reivindicações. Em todo o caso, nem

Na realidade, talvez o problema esteja mesmo nessa falta de credibilidade e legitimidade: mais gente nas ruas e menos gente a votar são sinais evidentes das fraquezas por resolver nas democracias actuais - e também o terreno fértil por onde proliferam os novos aspirantes a tiranos

parece próximo o final do conflito nem parece desenhar-se o esboço de uma solução. Ficam as ruas, a testemunhar o confronto, até agora sem vencedores, vencidos ou novos horizontes. Uma falta de horizontes que também parece pairar sobre a Catalunha, onde a transformação da discussão política sobre uma possível independência numa questão estritamente jurídica faz com que a conversa saísse inevitavelmente das salas dos tribunais para os espaços públicos das ruas: ainda mal começou, esta nova vaga de mobilização independentista, mas está certamente para durar, e em várias frentes: da mobilização pacífica ao boicote, incluindo desta vez confrontos violentos, em várias cidades da Catalunha e do restante estado espanhol, este confronto não deixa a Europa numa posição particularmente elegante no retrato global da democracia contemporânea e da capacidade dos sistemas políticos para gerar soluções consensualizadas a partir de instituições credíveis e com legitimidade reconhecida. Na realidade, talvez o problema esteja mesmo nessa falta de credibilidade e legitimidade: mais gente nas ruas e menos

gente a votar são sinais evidentes das fraquezas por resolver nas democracias actuais - e também o terreno fértil por onde proliferam os novos aspirantes a tiranos. Mais conclusivas - e também mais violentas - foram as mobilizações da população indígena do Equador, com a cidade de Quito massivamente ocupada por gente que se deslocou de todo o país para se enfrentar ao governo e para rejeitar o plano de austeridade e privatização generalizada de recursos públicos que o FMI pretendia impôr a troco de avultado financiamento - pago ele próprio a juros avultados, como é prática corrente na casa. Entre a violência dos confrontos, a paralisação do país, declarações de Estados de emergência e deslocação do governo para fora de Quito, ficou um resultado categórico: o acordo com o FMI foi rejeitado. Resta saber o que virá a seguir - e como governará um executivo legitimado pelos votos e derrotado pelas protesto. Mais uma vez esteve em evidência a cada vez maior distância entre as práticas e consequências das urnas de voto e as exigências e confrontos das ruas.


A vocação de um político de carreira é fazer de cada solução um problema.

SOFIA MARGARIDA MOTA

Woody Allen

PALAVRA DO DIA

sexta-feira 18.10.2019

Lusofonia Investimento chinês cresceu mais de 100 vezes desde 2003

O secretário-geral adjunto do Fórum Macau Rodrigo Brum disse ontem à agência Lusa que o investimento chinês nos países lusófonos “terá aumentado mais de 100 vezes” desde 2003, ano em que Pequim criou aquele organismo. “Só em termos de investimento desde a criação do Fórum [Macau], o volume de investimento chinês nestes oito países terá aumentado mais de cem vezes”, indicou o responsável, à margem da inauguração da Feira Internacional de Macau (MIF) e da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX). “No fundo, criámos condições para o encontro entre estes países e os empresários”, destacou.

PLP Kevin Ho defende aplicações

Sinais de perigo O PORTUGAL ADVOGADO JORGE MENEZES PRESSIONADO COM AMEAÇAS A FAMILIAR

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advogado Jorge Menezes foi pressionado com ameaças a um familiar que se encontra em Portugal e pediu auxílio às autoridades de Macau e portuguesas no sentido de proteger a sua família. Segundo uma carta a que o HM teve acesso, datada de 15 de Outubro e que já chegou a Portugal, o email de Menezes foi pirateado e utilizado para enviar uma mensagem para si próprio, com uma fotografia do BIR de um familiar a surgir em negativo. O HM entrou ontem em contacto com Jorge Menezes, que recusou prestar declarações por considerar os documentos como correspondência privada e devido ao facto de o caso estar sob investigação em Macau. No documento enviado a Portugal, não consta qualquer crítica ou opinião desfavorável às autoridades da RAEM, mas o advogado apela a que se proteja a família, que ali reside: “Dirijo-

-me [...] na sequência de uma ameaça inequívoca, que recebi há poucos dias, desta vez dirigida a um dos meus familiares. Apresentei já queixa crime ao Procurador da RAEM e dirigi uma carta ao Secretário”, explicou o advogado na missiva dirigida a Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. “Alguém acedeu à minha conta de email, enviou um email a mim mesmo, como se enviado por mim, e anexou ameaçadoramente o verso do Bilhete de Identidade de Residente (BIR) do meu familiar, onde consta o seu nome e o ‘negativo da fotografia’, cujo aspecto lúgubre tem um conhecido significado óbvio na simbologia das máfias locais”, revela. Jorge Menezes aponta o facto de as pessoas responsáveis pelas ameaças terem conseguido aceder ao cartão de identificação do familiar: “O seu BIR é recente, esteve sempre comigo, nunca foi usado, nem tinha aquela foto no telemóvel ou no computador. O email foi enviado

na véspera de uma audiência de um julgamento sensível”, acrescenta. Esta não é a primeira vez que Jorge Menezes sofre ameaças e em 2013 foi mesmo vítima de uma tentativa de homicídio, quando levava o filho à escola. Na sequência desse ataque, e por motivos de segurança, os familiares mais próximos do causídico foram viver para Portugal.

MOTIVAÇÃO DESCONHECIDA

Jorge Menezes faz uma alusão a este episódio e recorda que nunca pediu protecção para a sua família aos Governos de Portugal e de Macau. Contudo, agora o caso é diferente, uma vez que as ameaçam visam os familiares em Portugal. “O passo cruel de máfias ameaçarem agora um dos meus familiares, completamente identificado, ‘dizendo-me’que sabem entrar no meu email, na minha casa, na nossa vida, impele-me a apelar ao Governo de Portugal [...] para que interceda, do modo que julgar mais eficiente, junto das

autoridades da RAEM, para que ajam no sentido de investigar e, principalmente, prevenir a materialização desta ameaça”, é pedido. Na carta enviada às autoridades portuguesas, o causídico admite ainda desconhecer a razão das ameaças, mas aponta que pode estar relacionada com a “actividade de advogado, ou de participação cívica”. Além da carta ao secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, e da queixa junto das autoridades locais, Jorge Menezes enviou igualmente cartas para pedir protecção aos familiares em Portugal para o presidente da República Portuguesa, ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, ao Cônsul-Geral de Portugal em Macau, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e Ministério da Administração Interna. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Kevin Ho, sobrinho de Edmund Ho e presidente da Associação Industrial e Comercial de Macau, disse, numa visita em Chengdu, Sichuan, que as pequenas e médias empresas (PME) de Macau devem aproveitar as oportunidades de Macau e da China para investir nos países de língua portuguesa. O empresário, que investiu no grupo Global Media em Portugal e que tem vindo a desenvolver investimentos imobiliários na cidade do Porto, lembrou que grande parte dos associados estão ligados às PME e sentem dificuldades em cooperar directamente com os países de língua portuguesa, pelo que com estes acordos as oportunidades de negócio são diferentes. Macau, como “uma plataforma”, é oficialmente reconhecida oferecendo garantias para que as empresas possam fazer comércio com confiança, sublinhou Kevin Ho.

Estudo Mais de 80% diz que há mais oportunidades na China

A Federação de Juventude de Macau fez um estudo sobre a vontade de trabalhar e investir na China por parte dos residentes de Macau, tendo sido recolhidas 669 respostas válidas de residentes com idades compreendidas entre os 18 e 45 anos. O estudo revela que, em relação ao ambiente de emprego e empreendedorismo nos próximos cinco anos, 83 por cento dos entrevistados considera que há mais oportunidades na China do que em Macau. No entanto, há apenas 33 por cento dos entrevistados que têm vontade de trabalhar na China.

PJ Empresária burlada em 1.2 milhões

A Polícia Judiciária (PJ) revelou ontem que uma empresária de Macau terá sido burlada em 1.2 milhões patacas por um indivíduo que conheceu há cerca de dois anos através das redes sociais. O alegado autor da burla disse que era inglês e que trabalhava em Singapura. Em meados de 2017, disse à alegada vítima que tinha um problema no coração e que precisava de ser operado na Cidade-Estado sendo que, para isso, necessitava de dinheiro. Entre Junho e Outubro de 2017, a vítima fez sete transferências bancárias num total 1.2 milhões, tendo ambos mantido o contacto durante dois anos. As autoridades falam em dificuldades na investigação, uma vez que o suspeito fechou as suas contas nas redes sociais.

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Hoje Macau 18 OUT 2019 # 4393  

N.º 4393 de 18 de OUT de 2019

Hoje Macau 18 OUT 2019 # 4393  

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