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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEXTA-FEIRA 17 DE NOVEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3937 PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

Chuta para o plenário

IC | ALEXIS TAM

Chefias ainda seguras

Da reunião da Comissão de Regimento e Mandatos pouco ou nada saiu. Segundo Kou Hoi In, cabe ao plenário e não à comissão, decidir sobre a suspensão do mandato do deputado pró-democrata. PÁGINA 5

ANABELA CANAS

MUNDO A MAIS QUE DISPÕE h ANABELA CANAS

PUB

‘‘

Em Macau a igreja pode tornar-se clandestina

PÁGINA 9

SOFIA MARGARIDA MOTA

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CASO SULU SOU COMISSÃO SEM OPINIÃO

VICTOR AGUILAR ENTREVISTA

h ANTÓNIO CABRITA


2 ENTREVISTA

VICTOR AGUILAR

Victor Aguilar é um costa-riquenho, padre e missionário de uma ordem italiana. Está a escrever uma tese sobre os nestorianos que apresentaram Cristo aos chineses e está atento à situação política actual. O padre revela que aquando da transição, o Bispo de Macau não garantiu que as entidades eclesiásticas estrangeiras tivessem um lugar seguro no território e não afasta a hipótese de no futuro o catolicismo se tornar clandestino

“Em casa têm fotos do Mao, na carteira têm o Papa” Como começou a sua aproximação à Igreja? Foi na Costa Rica, quando era miúdo, através de um missionário da Ordem Comboni que foi à minha cidade falar do Apartheid. Ele tinha estado preso na África do Sul por conduzir com um negro no lugar do pendura. A polícia parou-os e recordou-lhe que na África do Sul um branco não pode conduzir um negro. O padre recusou obedecer e foi preso durante três meses e expulso do país. Pensei que não era possível este tipo de situações e ele disse: “vives num país tranquilo e pequeno, onde se pode deixar a porta de casa aberta, mas não conheces o mundo”. Isto abriu-me a visão e despertou-me um interesse pessoal, nunca tinha tido vontade de ser um padre, apesar de ter estudado num colégio jesuíta. E como foi a sua primeira abordagem à cultura chinesa? Cresci com um vizinho chinês, que tinha deixado a China há muitos anos, era médico de medicina tradicional chinesa e casou com uma local. Cresci com as filhas dele, que era minhas colegas de escola. Ele tentou ensinar-lhes chinês e budismo. Despertou-me interesse e ouvia-o muitas vezes, a primeira vez que ouvi falar na China foi através deste homem. Sempre tive curiosidade por essa parte do mundo. Quando cá chegou o que achou da forma como se vive a religião? A primeira impressão que tive foi muito simples. Alguns chineses disseram-se “o cristianismo é para os ocidentais, não é para nós”. Ouvi este comentário no Interior da China, em Taiwan e no Japão. Isto ignifica que não conseguimos tocar o espírito oriental com o cristianismo. Há alguma característica na cultura chinesa que a torna impermeável à espiritualidade estrangeira? Na “forma mentis” oriental é muito difícil encarar monoteísmo. A se-

gunda questão é porque se há-de ter apenas uma religião. Mas isto também funciona ao contrário. Muitas vezes, os ocidentais pegam nas religiões orientais pelos aspectos externos, o superficial e decorativo. A religião não é só usar roupas, rapar o cabelo ou fazer tatuagens. Para os orientais, a religião é algo muito profundo, está no coração das pessoas. Mas o verdadeiro diálogo é feito na prática. Quando foi o terramoto de Sichuan a primeira ajuda às vítimas foram os monges budistas ajudados por cristãos. Esse é o verdadeiro diálogo inter-religioso. Como vê a actual postura de Pequim face à religião? Ontem li um artigo que tinha como título “se quer sair da pobreza substitua Jesus por Xi Jinping”. Conheço comunidades católicas clandestinas onde o cristianismo está vivo, apesar da pobreza. O Governo controla todas as religiões na China através da Associação Patriótica, que influencia todas as decisões da igreja oficial da China. Há seis meses estava em Itália para falar sobre a Igreja Chinesa e falava

“Vinham ter comigo, abriam a carteira e mostravam-me a foto do Papa. É um sinal de que pertenciam à igreja clandestina, uma forma de dizerem que são fiéis a Roma.”

“Aquando da transição de Macau para a China, o Bispo Domingos Lam chamou todas as ordens e padres estrangeiros e disse que a partir do retorno à China não podia garantir aqui a nossa presença.” da distinção entre a igreja oficial e a clandestina. Um padre chinês levantou-se e reagiu com agressividade dizendo: “A divisão é culpa dos estrangeiros, os missionários é que a criaram. Na China só há uma igreja, a que é reconhecida pelo Estado e nós reconhecemos e amamos o Papa”. Cada vez mais vejo padres e freiras chinesas enviadas para a Europa para estudar. Há interesse do Vaticano para estabelecer ligações diplomáticas com Pequim. A Igreja deveria firmar condições claras nestas relação, mas prevejo que muitas das comunidades clandestinas vão sofrer e desaparecer. As pessoas na China sentem-se, por vezes, traídas, depois de terem fé durante décadas. Ainda existem padres e bispos na prisão, conheço um padre em Fukien, que era missionário, a quem partiram a espinha e deixaram-no para morrer. Foi acolhido por cristãos nas suas casas que têm tomado conta dele ao longo de anos. Claro que agora está a morrer. Como é que estes sacerdotes se mantêm na clandestinidade? Um velho padre disse-me que estava farto de se esconder. Quando saem da clandestinidade recebem os benefícios do Governo chinês. O bispo recebe um bom carro, dinheiro para a paróquia, propriedades que haviam sido confiscadas durante a revolução cultural. É uma tentação para os padres chineses.

Para nós, os missionários, o verdadeiro propósito de estarmos na China são os programas sociais, porque não podemos desenvolver actividades religiosas. Movem-nos os projectos educativos, trabalhar com crianças deficientes, crianças com famílias afectadas pela SIDA em zonas rurais da China. Algumas destas pessoas são cristãs, chegamos mesmo a celebrar homilias. Mas ouço muitas vezes que na igreja clandestina os padres estão cansados e querem desistir. Quando fui à China a primeira vez, em 2005, encontrei-me com algumas pessoas muito especiais, vinham ter comigo, abriam a carteira e mostravam-me a foto do Papa. É um sinal de que eram da igreja clandestina, uma forma de dizerem que são fiéis a Roma. Em casa têm fotografias do Mao, mas na carteira têm o Papa. Acontece-me muito com pessoas idosas. A igreja clandestina está a morrer? Depende das zonas. Por exemplo, em Fukien, no sul do país, a igreja clandestina é muito forte e tem gente nova, passa de geração em geração. Mas também trabalhamos noutras províncias em que são principalmente pessoas mais velhas a seguir a fé. Além disso, as novas gerações chinesas têm apenas o dinheiro em mente e há um vazio no coração destas pessoas. Os valores ancestrais chineses, mesmo os confucionistas, estão a perder-se, já nem sequer há respeito pelos pais. Isto é claro. Acho que o Governo chinês percebeu que tem de fazer algo, nem que seja para contrariar a corrupção. A religião pode ajudar, mas eles querem que seja controlada pelo Governo. Acha que a Igreja em Macau pode ter de recorrer à clandestinidade à medida que a influência de Pequim aumenta? Aquando da transição de Macau para a China, o Bispo Domingos Lam chamou todas ordens e padres estrangeiros e disse: “Queridos

SOFIA MARGARIDA MOTA

PADRE, MISSIONÁRIO E HISTORIADOR


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irmãos e irmãs, desde o retorno à China não posso garantir aqui a vossa presença”, arranjem uma forma de se registarem. O Governo chinês mandar-nos a todos embora era uma possibilidade. Claro que isto não aconteceu. Em Hong Kong sei que algo do género foi discutido entre os padres, isto foi mais claro lá. Por outro lado, há por cá alguns padres vindos da China, chegam aos poucos. Acho que há hipóteses de no futuro o Governo chinês que-

“Conheço um católico de Zhuhai que vem todos os domingos para ir à missa em Macau, e ele diz que não vai na sua cidade porque o padre que tem não é um padre.”

rer ter apenas padres do Interior da China nas igrejas de Macau e Hong Kong, é a forma como operam. Em Zhuhai há uma igreja católica oficial, que não é relacionada com as igrejas daqui, não tem nada a ver com o Bispo de Macau. O padre foi enviado pelo Governo chinês do norte da China. Em Shenzhen há três padres do norte da China. Mesmo em Zhuhai as pessoas reclamam porque são forçadas a falar em mandarim, porque este padre não sabe cantonês. Conheço um católico de Zhuhai que vem todos os domingos para ir à missa em Macau, e diz que não vai na sua cidade porque o padre que tem não é um padre. Além da linguagem, quais as diferenças desses padres enviados pelo Governo chinês? Agora aumentaram um pouco o nível de qualidade de formação destes padres, mas anteriormente

eram muito maus. Faziam o mínimo possível, abriam a Igreja, davam a missa e já estava. Não têm qualquer actividade pastoral, não falam com as pessoas, não visitam doentes no hospital, aquilo que devemos fazer enquanto padres. Sentem que não é o trabalho deles. Que perspectiva então para o futuro da igreja em Macau? Não digo ir para a clandestinidade. Em Hong Kong estão mesmo a preparar-se para 2047. Estão a formar padres, há 300 pessoas de Hong Kong a estudar teologia, porque querem ter catequistas no futuro. Em Macau só há meia dúzia de paróquias mais focadas nas missas e sacramentos, não há muitos cristãos. Não estamos neste momento a considerar que esta situação possa acontecer. Mas imaginemos que a igreja oficial da China decide meter um bispo

“Em Macau pode acontecer a Igreja tornar-se clandestina, estamos a falar de hipóteses. Mas estou certo de que o Governo chinês tem um plano, basta ouvir os discursos de Xi Jinping neste último congresso quando falou da sinonização do cristianismo na China.” em Zhuhai com autoridade sobre Macau. Será um desafio em termos de status quo, talvez não o façam agora por saberem que haveria reacção. Lembro-me que no início se dizia que durante 50 anos não

se tocaria em nada, mesmo na Lei Básica. Em Hong Kong as mudanças motivaram protestos, mas aqui ninguém se apercebeu. Em Macau pode acontecer a Igreja e algumas pessoas decidirem tornar a sua fé clandestina, estamos a falar de hipóteses. Mas estou certo de que o Governo chinês tem um plano, basta ouvir os discursos de Xi Jinping neste último congresso quando falou da sinonização do cristianismo na China. Não falou de aculturação, de tornar a igreja mais chinesa, mas do controlo do Governo em matérias religiosas. Usou estas palavras de forma aberta. Por isso acho que há um plano, ainda para mais numa altura em que centralizou todo o poder em seu redor. João Luz

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17.11.2017 sexta-feira

DEDUÇÕES FISCAIS GOVERNO ELABORA DIPLOMA CONTRA LEI EM VIGOR

Em nome da flexibilidade

H

Á um impasse na proposta de lei que pretende criar benefícios fiscais para as empresas que contratem portadores de deficiência. O alerta foi logo dado quando o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, apresentou o diploma na Assembleia Legislativa (AL), no passado dia 7: a fixação do montante das deduções fiscais a conceder a empresas deveria ser feito por lei e não por despacho, como constava na proposta do Governo. Os deputados começaram ontem a analisar a proposta de lei e depararam-se com um articulado que vai contra o regime jurídico de enquadramento das fontes normativas internas, que determina as matérias que são legisladas por lei, tal como “Orçamento e regime tributário”. A proposta de lei assume que as deduções fiscais devem ser afixadas pela via do despacho assinado pelo Chefe do Executivo, após consulta da Direcção dos Serviços de Finanças. Contudo, o regime acima referido manda que matérias relacionadas com as deduções fiscais sejam legisladas pelo hemiciclo. “A comissão preocupa-se muito com este artigo”, disse Vong Hin Fai, deputado e presidente da terceira comissão

O

S deputados à Assembleia Legislativa vão votar, na próxima segunda-feira, na generalidade, a proposta de Lei do Orçamento para o próximo ano. Segundo a proposta de Orçamento para 2018, o executivo de Macau prevê que as receitas globais ascendam a 119,16 mil milhões de patacas – mais 15,76% do que o previsto para este ano. Dentro das receitas globais esperadas para o próximo ano, 91,4 mil milhões de patacas) correspondem a impostos directos, com a grande fatia a resultar

GCS

O diploma que visa conceder benefícios fiscais aos empregadores que contratem deficientes diz que as deduções fiscais serão afixadas por despacho assinado pelo Chefe do Executivo. Porém, um diploma de 2009 determina que estas questões sejam implementadas por via da lei. Os deputados pediram mais explicações ao Governo

Os deputados começaram ontem a analisar a proposta de lei e depararam-se com um articulado que vai contra o regime jurídico de enquadramento das fontes normativas internas

permanente da AL, encarregue de analisar a proposta de lei na especialidade. Segundo Vong Hin Fai, o Executivo decidiu avançar com esta solução por uma questão de “flexibilidade”.

dos 35% cobrados sobre as receitas brutas dos casinos. A Administração espera arrecadar com o imposto directo sobre o jogo 80,5 mil milhões de patacas – contra 71,8 mil milhões de patacas que previu para o corrente ano. Já a despesa global vai aumentar 14,5% para 109,61 mil milhões de patacas, com o PIDDA (Plano de Investimentos e Despesas da Administração) a representar quase um quinto desta rubrica: 21,14 mil milhões de patacas contra 15,25 mil milhões de patacas do Orçamento de 2017.

“Face às bruscas mudanças na sociedade há que encontrar uma forma mais flexível para resolver a questão. É por isso que a proposta de lei propõe que esse montante seja fixado por despacho, evitando que, de todas as vezes que esse

montante é actualizado, tenha de ser apresentada uma proposta de lei, a aprovar pela AL”, adiantou Vong Hin Fai. As explicações do Executivo prometem ficar para a segunda reunião da comissão. Para já,

Contas à vida

Orçamento votado na segunda-feira

Segundo a proposta de Orçamento para o próximo ano, o Governo estima terminar o próximo ano com um superavit de 9,55 mil milhões de patacas, ou seja, mais 32,39% do que o previsto no Orçamento de 2017.

OUTROS VOTOS

No mesmo dia, a AL vota também, na generalidade, uma proposta de lei de alteração ao Regime de Garantia de Depósitos, que

visa simplificar o cálculo da compensação a pagar aos depositantes. O diploma introduz mexidas nos critérios a observar na determinação do valor da compensação a pagar, deixando cair a dedução das eventuais dívidas do depositante à respectiva instituição aquando do accionar da garantia pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). Assim, são apenas levados em conta os saldos

deputados e assessores jurídicos defendem que as deduções fiscais devem ser implementadas por lei, aguardando uma solução apresentada pelo Governo. De frisar que os deputados da AL terão sempre a última palavra aquando da votação do diploma na especialidade, quer o Governo altere, ou não, o articulado da proposta de lei.

FREELANCERS DE FORA

Os deputados debateram também a necessidade de incluir na proposta de lei os portadores de deficiência que trabalhem por conta própria, pois, para já, o diploma apenas inclui empresas. “A assessoria apontou que há determinados trabalhadores por conta própria que devem ser abrangidos, mas a proposta de lei deixa-os de fora. São profissionais que exercem profissões liberais e técnicas titulares da certidão do registo de deficiência. A lei só abrange os empregadores”, acrescentou Vong Hin Fai, que deu exemplos. “Se eu for um tradutor por conta própria e portador de deficiência, não saio beneficiado com esta proposta de lei. Só gozam os benefícios os que empregam trabalhadores mas que não sejam portadores de deficiência. Temos de questionar o Governo se ponderou ou não sobre esta situação”, explicou. A comissão abordou também a necessidade de criar mais incentivos para que os deficientes tenham a iniciativa de entrar no mercado de trabalho, de modo a que os benefícios não sejam apenas destinados ao patronato. “Temos de encorajar os deficientes para que se possam inserir no mercado de trabalho. Foi levantada a questão da criação de um incentivo para que os deficientes se integrem no mercado de trabalho”, concluiu Vong Hin Fai.

dos depósitos garantidos do depositante na entidade participante em causa, acrescidos dos respectivos juros contados até àquela data. O actual regime prevê um limite máximo de reembolso de 500 mil patacas a cada depositante e por banco. Todos os bancos autorizados a exercer actividade em Macau (com a excepção dos ‘offshore’) e a Caixa Económica Postal são obrigados a participar no Regime de Garantia de Depósitos, cuja gestão e financiamento é da competência do FGD,

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

apoiado técnica e administrativamente pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). A garantia é accionada oficiosamente pelo FGD quando o chefe do Executivo aprovar uma deliberação do Conselho de Administração da AMCM que considere que a entidade participante não tem ou revela não ter a possibilidade de reembolsar os respectivos depositantes, ou quando for declarada a falência por sentença judicial. Lusa


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sexta-feira 17.11.2017

SULU SOU COMISSÃO SEM RECOMENDAÇÃO SOBRE SUSPENSÃO DE MANDATO

Um reunião cheia de nada SOFIA MARGARIDA MOTA

A Comissão de Regimento e Mandatos não quis tomar uma posição face à suspensão do mandato de Sulu Sou, porque entende não serem essas as suas competências. O facto do pródemocrata não ser deputado na altura do alegado crime não foi discutido

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Comissão de Regimento e Mandatos decidiu não tomar qualquer posição sobre a votação para a suspensão do mandado de Sulu Sou. Ontem, após o encontro, que contou com a presença do deputado em causa, o presidente da comissão, Kou Hoi In, afirmou que a tomada de uma posição não faz parte das suas competências. “Não vamos apresentar uma análise do caso. Não nos cabe fazer isto. Não vamos emitir opiniões tendenciais, cabe ao plenário decidir”, disse Kou Hoi In. “A maioria dos deputados concordou com a elaboração de um parecer que não seja opinativo”, sublinhou. Por outro lado, o presidente da comissão defendeu que o presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, não tinha outra opção que não fosse seguir o artigo 27.º do estatuto dos deputados, que obriga o plenário a votar a suspensão do mandato de Sulu Sou. Por contraste, Kou Hoi In clarificou que o artigo 30.º, que remete a decisão sobre a participação no julgamento para a mesa da AL, sem haver perda do mandato, não poderia ser tomada porque já há uma acusação. O presidente da comissão revelou ainda que não foi discutido o facto do alegado crime ter sido cometido quando Sulu Sou não era deputado. A comissão tem até 20 de Novembro para finalizar o parecer.

SEM PREOCUPAÇÕES

Por sua vez, Sulu Sou, no final da reunião, não se mostrou preocupado com o facto do parecer não tomar uma posição sobre o assunto: “Não estou preocupado pelo parecer não ser opinativo”, disse. “Foi uma decisão justificada com o facto dos deputados terem uma maior de liberdade na altura de votarem no plenário”, acrescentou.

O pró-democrata não faz parte da comissão, mas como é o seu mandato que está em causa teve direito a ser ouvido. Já sobre a manifestação da intenção de todos os outros colegas que constituem o plenário, o

pró-democrata disse que apenas quatro deputados falaram com ele sobre o assunto: Agnes Lam, José Pereira Coutinho, Au Kam San e Ng Kuok Cheong. Os quatro prometeram votar contra a suspensão do mandato. En-

COUTINHO “COMISSÃO DEMITIU-SE DAS RESPONSABILIDADES”

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osé Pereira Coutinho acusou a comissão de não ter cumprido o seu papel, ao não recomendar uma posição a ser adoptada durante a votação no plenário. O deputado participou como observador. “A comissão demitiu-se das suas responsabilidades, passando a bola para o plenário. Achei errado que os membros da comissão se tenham demitido da sua responsabilidade”, apontou Coutinho. O deputado mostrou-se também contra a suspensão do mandato de Sulu Sou, devido ao crime de desobediência qualificada: “O presidente devia ter mandado a decisão para a mesa. Abre-se um precedente muito mau”, frisou.

tre as opiniões, duas foram mesmo ouvidas ontem, através de Au Kam San, que é membro da comissão, e Coutinho, que decidiu participar, embora sem direito de voto. “Muitas pessoas são mais conservadoras e não querem pronunciar-se [sobre o assunto]. Todos os deputados que quiseram manifestar-me as suas opiniões, disseram que me iam defender”, apontou Sulu Sou. O deputado pró-democrata enfrenta uma acusação de desobediência qualificada relacionada com a participação na manifestação do ano passado contra o donativo de 100 milhões de yuans da Fundação Macau à Universidade de Jinan. Contudo, para poder ser julgado antes do fim do mandato, tem de ser suspenso, o que exige

uma votação no plenário da Assembleia Legislativa. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

AUSÊNCIA SUGERIDA O

presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, sugeriu a Sulu Sou que não marcasse presença na reunião da Comissão de Regimento e Mandatos. O objectivo passava para evitar perguntas dos jornalistas sobre o alegado crime. “Segundo o presidente [da AL] talvez não fosse adequado eu estar na comissão porque os jornalistas podiam fazer perguntas sobre a acusação”, revelou Sulu Sou. “Foi uma sugestão, não foi uma questão de me impedir”, acrescentou.

Tecnologia Leong Sun Iok quer mais formação

Na sequência da assinatura do acordo-quadro entre o Governo e o grupo chinês Alibaba, Leong Sun Iok interpelou o Executivo a reforçar os quadros técnicos da área da tecnologia de forma a cumprir o objectivo de fazer uma cidade inteligente. O deputado entende que a intenção governamental pressupõe uma grande variedade de quadros qualificados nos diversos ramos. Face à falta de dados estatísticos sobre os trabalhadores de tecnologias de informação, o deputado pede a criação de uma base de dados e quer que a Comissão de Desenvolvimento de Talentos proceda ao estudo sobre a procura de trabalhadores. Nesse sentido, Leong Sun Iok quer medidas do Governo para a formação de quadros qualificados.


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sexta-feira 17.11.2017

LAG FEDERAÇÃO APOIA AUMENTOS MAS LAMENTA APOSENTAÇÕES

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Federação das Associações dos Trabalhadores da Função Pública divulgou ontem no seu website um texto onde revela apoiar os aumentos salariais de 2,4 por cento para funcionários públicos anunciados nas Linhas de Acção Governativa (LAG). Contudo, a entidade revelou outras expectativas para as futuras regalias dos funcionários públicos. A Federação entende que, no próximo ano, o Governo vai avançar com a segunda fase de consulta sobre a alteração do regime das carreiras dos trabalhadores dos serviços públicos. A entidade entende que essa alteração é necessária, uma vez que a última revisão foi feita em 2009. Neste sentido, a Federação considera que este é um período adequado para a revisão do regime, a fim de resolver a questão nas carreiras dos trabalhadores públicos e aumentar o nível de critérios para funcionários de determinadas áreas. A Federação lamenta ainda que no relatório das LAG não existam garantias por parte do Governo para melhorar o regime de aposentação dos funcionários públicos. Relativamente à formação dos funcionários públicos, a Federação disse que, apesar de serem realizados acções de formação, a maioria dos cursos foi de curta duração, sendo necessária uma maior diversidade de cursos, com uma maior especificidade. Além disso, a Federação quer mais recursos disponibilizados pelo Governo para que sejam construídas mais casas para funcionários públicos.

QUARTA PONTE GOVERNO FAZ ALTERAÇÕES E CONTORNA CHUMBO DE PEQUIM

Mudanças a caminho

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Governo está a trabalhar para resolver os problemas existentes no projecto de construção de uma quarta travessia entre a península de Macau e a Taipa. Ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, deu explicações aos deputados da comissão de acompanhamento de terras e concessões públicas. Ella Lei, deputada que preside à comissão, adiantou que a quarta ponte vai estabelecer ligações com a ilha artificial, construída no âmbito da Ponte em Y, com a zona A dos novos aterros e com a península de Macau. “Este ano o Governo entregou um relatório de impacto ambiental e estudo de viabilidade ao Governo Central, mas tendo em conta alguns problemas suscitados teve de alterar e introduzir ajustamentos. O Governo está a pensar concluir o trabalho até final do ano ou até o Ano Novo Chinês, mas depende da aprovação do Governo Central”, adiantou a deputada.

Numa reunião que serviu para debater o andamento dos trabalhos relacionados com os novos aterros, Ella Lei apresentou mais detalhes sobre as três ligações que serão feitas com a zona A dos novos aterros. Vai existir uma ligação com a Ponte em Y que só começa a ser construída em 2019 “porque a ilha artificial não pode depender de uma só via de acesso”. Vai também ser feita uma ligação à zona da pérola oriental [zona norte da península] e uma outra ligação, perto do reservatório, para a qual já decorre um concurso público.

POR PARTES

Quanto à zona A dos novos aterros, o Governo vai optar por uma construção faseada, para evitar os erros cometidos na habitação pública de Seac Pai Van, que não tinha equipamentos sociais quando os primeiros moradores começaram a chegar. Raimundo do Rosário explicou que se vai avançar primeiro com a construção de sete mil casas públicas, um quarto do total,

partindo depois para a concepção de equipamentos sociais como escolas e mercados. Não há, no entanto, um calendário previsto, pois antes da construção o Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) terá de avaliar as plantas de condições urbanísticas (PCU) das sete mil fracções. “Comprometi-me com a comissão apresentar um calendário quando forem emitidas as PCU. Encontrámos uns problemas com que não contávamos e não consigo prever uma data concreta para a emissão das PCU. Vai levar, seguramente, alguns meses”, frisou o secretário.

A quarta ponte vai estabelecer ligações com a ilha artificial, construída no âmbito da Ponte em Y, com a zona A dos novos aterros e com a península de Macau

“Não creio que seja possível emitir as PCU este ano ou até antes do Ano Novo Chinês. Depois de reunir os pareceres as obras públicas têm de fazer uma proposta, que tem de ir a consulta pública durante um período de 15 dias. Serão depois reunidos os restantes pareceres e será preparado um dossier para o CPU. E se houver muitas objecções? Essa parte eu não controlo”, rematou Raimundo do Rosário. Depois da edificação das sete mil casas e dos equipamentos sociais, o Executivo irá avançar com a construção de mais um lote de habitações. “Tudo para que as primeiras pessoas que forem para lá habitar tenham algum apoio”, referiu. Os deputados da comissão de acompanhamento mostraram-se preocupados com o excesso de trânsito na zona A dos novos aterros e com a possível falta de adequação dos equipamentos sociais para uma zona que terá 32 mil casas, garantiu Ella Lei. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

HOJE MACAU

A quarta ponte vai estabelecer ligações à ilha artificial da ponte Zhuhai-Hong Kong-Macau, a zona A dos novos aterros e a península de Macau. As alterações ao plano inicial, chumbado pelo Governo Central, deverão estar concluídas até Fevereiro

Caso Au Kam San Secretário não comenta

O secretário Raimundo do Rosário recusou-se a prestar declarações sobre o caso de investigação de que é alvo o deputado Au Kam San. Na edição de ontem do HM, foi noticiado que o deputado pró-democrata está a ser acusado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas do crime de difamação. Se for decidido que há matéria para que vá a julgamento, a Assembleia Legislativa pode votar uma suspensão de mandato.


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PENSÃO ILEGAL ANGELA LEONG CONSIDERADA INOCENTE

A culpa é do agente GCS

A deputada e directora executiva da operadora SJM foi considerada inocente no caso da pensão ilegal que era gerida num apartamento em seu nome. As autoridades consideraram que o arrendatário foi o único culpado e multaram-no em 200 mil patacas

17.11.2017 sexta-feira

“Relativamente à fracção do Edifício Lake View, temos a informar que, após investigação, a DST concluiu que a pessoa que ali desenvolvia a actividade de alojamento ilegal, era o arrendatário da mesma.”

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DST

de alojamento ilegal, era o arrendatário da mesma”, pode ler-se na resposta, por escrito, do organismo liderado por Maria Helena de Senna Fernandes. “Assim, e na sequência da acusação, foi-lhe aplicada uma multa no valor de MOP200.000.00, que se encontra no momento

DSAL Trânsito condicionado em Coloane até 15 de Dezembro

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), anunciou que até 15 de Dezembro, a Estrada da Aldeia, em Coloane, e a área junto ao Largo Tam Kong Miu, vão ter o trânsito condicionado. Será ainda proibido o estacionamento de veículos na zona. O comunicado da DSAT refere que entre o Cemitério Municipal de Coloane e a Estrada de Choc Van não existem sinais claros de trânsito sendo frequente o estacionamento ilegal na zona. O Governo anunciou que vai aumentar a zona de estacionamento para veículos ligeiros e motas na referida estrada, assim como barreiras de ferro e sinais de trânsito. Por outro lado, o Governo vai ajustar o estacionamento no Largo Tam Kong Miu restringido a tomada de largada de passageiros e de mercadorias.

em processo de execução fiscal”, é acrescentado. A multa aplicada é a mais baixa permitida pelas leis do território, sendo que a penalização financeira pode ir das 200 mil às 800 mil patacas. Recorde-se que no ano passado, os deputados chegaram a mostrar intenção de criminalizar as pensões ilegais. No

entanto, após uma reunião do Governo com a Comissão para os Assuntos da Administração Pública, os membros da Assembleia Legislativa decidiram voltar atrás. Nessa altura os deputados acolheram o argumento do Executivo, que defendia que em caso de criminalização das pensões ilegais, os

agentes do território ficariam sobrecarregados de trabalho.

VERSÃO QUE CONVENCEU

A decisão, que foi agora revelada, vem confirmar as declarações deAngela Leong, à margem da Assembleia Legislativa, que logo após o conhecimento do caso defendeu ter sido uma “vítima”.

Segundo a informação avançada em Maio de 2015, o espaço em causa tinha uma área de cerca de 185 m2 e era sub-arrendado pelos inquilinos que variavam entre os 150 e os 500 yuans por dia, ou seja entre as 182 patacas e as 609 patacas, ao câmbio actual. Angela Leong é directora executiva da SJM e deputada na Assembleia Legislativa de Macau, tendo visto o seu mandato renovado através do sufrágio directo, com um total de 10.452 votos. João Santos Filipe

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OBRAS ILEGAIS DSSOPT DESTRUIU ESTRUTURA NA AVENIDA HORTA E COSTA

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grupo para demolição e desocupação, ligado à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), realizou ontem a remoção de uma estrutura ilegal localizada na avenida de Horta e Costa. Segundo um comunicado, tratava-se de uma “construção clandestina localizada no terraço de um edifício de cinco pisos”, que era composta “por suporte e cobertura metálicos e paredes de tijolo”. A obra estava a violar o regulamento de segurança contra incêndios, pelo que impedia “o caminho de eva-

cuação do edifício”, afectando a segurança contra incêndios”. A DSSOPT afirma ter começado a investigar este caso de obra ilegal “após ter recebido queixas”, tendo publicado um edital, que foi “ignorado pelo infractor”. A entidade, dirigida por Li Canfeng, publicou um outro edital “a exigir ao infractor que durante o prazo estipulado demolisse, por sua iniciativa, as obras ilegais e procedesse à reposição do terraço”. “Contudo, findo o prazo, a construção clandestina ainda permanecia no local”, explica o comunicado.

GCS

deputada Angela Leong foi considerada inocente no caso de uma pensão ilegal que funcionava num apartamento em seu nome, no Edifício Lake View, que se tornou do conhecimento público em Abril de 2015. A informação foi avançada, ontem, pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), ao HM. “Relativamente à fracção do Edifício Lake View, temos a informar que, após investigação, a DST concluiu que a pessoa que ali desenvolvia a actividade

“Também sou uma vítima deste caso... vou fazer com que o agente imobiliário assuma as suas responsabilidades [legais sobre a unidade selada”, disse Angela Leong, na altura, de acordo com o Business Daily. “É um caso que não desejava de todo, e do qual também sou uma vítima”, acrescentou, depois de admitir que não fazia ideia das partes do apartamento que tinham sido utilizados de forma ilegal como pensão.


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sexta-feira 17.11.2017

Justiça Criada “Aliança dos serviços jurídicos”

Foi criada a “Aliança dos Serviços Jurídicos do Interior da República Popular da China (RPC), de Macau, e dos Países de Língua Portuguesa”. Segundo um despacho publicado em Boletim Oficial esta quarta-feira, esta associação “não tem fins lucrativos” e tem como objectivo “incentivar as relações entre os escritórios de advogados membros, advogados membros e outras instituições jurídicas”. Esta cooperação será feita “através da realização de fóruns sobre questões relacionadas com assuntos de Direito, actividade de intercâmbios e cooperação nessas matérias e referenciação de clientes relativamente aos mercados da RPC, de Macau e dos Países de Língua Portuguesa”.

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ORÇAMENTO SOBE 14 POR CENTO

O secretário falou com os jornalistas à margem da abertura da creche “A Abelhinha”, da Associação Geral das Mulheres de Macau, que oferece um total de 200 vagas para crianças.

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) lançou novas funções à base de dados “Macao Tourism News plus”, lançada o ano passado, estando a “realizar os trabalhos da segunda fase da construção do sistema”. Segundo um comunicado, é objectivo “convidar a indústria turística a usar esta base de dados no próximo ano, com o intuito de continuar a elevar a eficácia e qualidade de comunicação”. A DST explica que “na primeira fase a base de dados tem vindo a ser continuamente actualizada, disponibilizando actualmente mais de 1.500 notas de imprensa, 7.300 textos com informações sobre actividades e perto de 8.000 imagens, num total mais de 16.600 registos”.

IC ALEXIS TAM DIZ NÃO SER NECESSÁRIO SUSPENDER ACTUAIS DIRIGENTES

A espera do decreto final `

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, garantiu que não é necessário suspender das suas funções os actuais presidente e vice-presidente do Instituto Cultural. Ainda não há resultados de um processo que teve origem num relatório do CCAC

HOJE MACAU

ÃO está tudo bem, mas quase. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, disse ontem, à margem de um evento público, que não é necessário suspender as funções do actual presidente do Instituto Cultural (IC), Leung Hio Ming, e do seu vice-presidente, Chan Peng Fai. Estas declarações surgem no contexto de um processo disciplinar que foi instaurado a estes dirigentes, bem como ao antigo presidente do IC, Ung Vai Meng, após um relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) que denunciou o excesso de contratações de funcionários sem recurso a concurso público. “Macau é um território administrado pelas suas leis e temos de as seguir para proceder aos nossos trabalhos. Quando saírem os resultados, sobre os dirigentes que ainda estão nos cargos ou sobre aqueles que já saíram, [será o período de tempo] suficiente [para tomar uma decisão]”, frisou Alexis Tam. Alexis Tam disse ainda que sugeriu ao Chefe do Executivo, Chui Sai On, que seja criada uma equipa de investigadores só para este caso, que ainda não tem qualquer desfecho. Contudo, o secretário prometeu divulgar o relatório final da investigação assim que o processo estiver concluído.

Turismo Governo prepara segunda fase de base de dados

Alexis Tam “Quando saírem os resultados, sobre os dirigentes que ainda estão nos cargos ou sobre aqueles que já saíram, [será o período de tempo] suficiente [para tomar uma decisão]”

Alexis Tam já tinha afirmado publicamente de que, em 2018, o orçamento da sua tutela iria aumentar, mas ontem adiantou que, na área da assistência social, o orçamento vai subir 14 por cento. No âmbito das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano, os idosos com mais de 65 anos passam a

ter acesso a apoios mensais de 5.800 patacas, um aumento de 100 patacas face às anteriores 5.700, um valor superior ao nível de risco social. Desta forma, o secretário disse ter confiança em obter a confiança junto dos mais velhos. Alexis Tam adiantou ainda que muitas das medidas definidas no Plano de Acção

para o Desenvolvimento dos Serviços de Apoio a Idosos nos Próximos Dez anos já estão a ser preparadas, apesar do referido plano só entrar em vigor no ano que vem. Estão incluídas medidas destinadas a quem presta cuidados de saúde a idosos e acamados, que ainda estão a ser estudadas.

Relativamente ao centro de saúde de Seac Pai Van, disse que o Executivo decidiu edificar um espaço mais pequeno, estando a planta de condições urbanísticas em fase de alteração. O secretário explicou que esta mudança se prende com o número de camas existente no centro de ser-

viços para idosos Ian Fai, administrado pela Caritas Macau, e o facto de existir uma curta distância entre Seac Pai Van e o futuro hospital das ilhas. Vítor Ng

vitor.ng@hojemacau.com.mo


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17.11.2017 sexta-feira

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EXPOSIÇÃO “MACAU BOM DESIGN” APRESENTADA EM BERLIM

O jesuíta

INSTITUTO CULTURAL LANÇADO LIVRO DAS D

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Instituto Cultural (IC), em parceria com o Centro Cultural da China em Berlim e com a Associação dos Designers de Macau, inaugura hoje, em Berlim, Alemanha, a exposição “Macau Bom Design 2017”. Trata-se, segundo um comunicado do IC, de uma “extensão da exposição de Macau na Bienal de Artes Visuais de Hong Kong e Macau”, realizada o ano passado. Segundo o IC, “a realização de exposições em diversos locais permite que o público de cada local possa aprofundar os seus conhecimentos sobre as artes visuais de Macau, impulsionando o desenvolvimento das diferentes formas de arte e promovendo o intercâm-

bio cultural entre diversos locais”. Aexposição “Macau Bom Design” inclui obras de design gráfico, animação e mapping em 3D, que “englobam principalmente elementos locais”, tais como “design de configuração e concepção de produtos de Macau, obras premiadas em edições anteriores da Bienal de Design de Macau, pinturas que retratam Macau da autoria do pintor britânico do séc. XIX, George Chinnery, e ainda espectáculos de mapping em 3D”. A “Macau Bom Design 2017 - Exposição em Berlim” está patente de 18 a 30 de Novembro e apresenta “ao público alemão uma imagem humanística de Macau sob diferentes vertentes”.

Taipa Reparado telhado do templo Tin Hau

O Instituto Cultural vai proceder à reparação do telhado do templo de Tin Hau, na Taipa, o que vai obrigar ao encerramento do espaço histórico entre hoje e o dia 17 de Janeiro de 2018. Recentemente um outro templo de Tin Hau, localizado na península de Macau, sofreu um incêndio, estando ainda a ser avaliados os estragos.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ÁLVARO CUNHAL •José Pacheco Pereira UMA BIOGRAFIA POLÍTICA VOL 2 Este livro descreve a actividade política de Cunhal – essa sempre foi, e é, a intenção original do autor. Muita dessa actividade só se compreende no quadro da história do PCP e da oposição à ditadura, que não está feita de todo e, em alguns casos, está feita ao contrário, para esconder o que aconteceu e não para o revelar. No essencial, o PCP dos anos quarenta é Cunhal, como o vai voltar a ser nos anos sessenta. Por isso, escrever a biografia política de Cunhal é também fazer a história do PCP, nela valorizando o desvio que a personalidade de outros homens trazem ao cânone de Cunhal.

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O I padre jesuíta, missionário na China, renascentista, cartógrafo. O homem que nasceu em Macerata, Itália, e que viria a falecer em Pequim, em 1610, deixou uma enorme obra que ainda hoje é alvo de estudos e de compilações. Na China, foi missionário durante o reinado da dinastia Ming, onde tinha o nome chinês de Li Madou, e onde foi o grande responsável pela introdução do catolicismo. O Instituto Cultural (IC) acaba de publicar, com o apoio de uma editora de Xangai, mais um livro sobre o jesuíta, intitulado “Documentos Chineses das Dinastias Ming e Qing sobre Matteo Ricci”, da autoria de Tang Kaijian, docente da Universidade de Macau. Segundo um comunicado no IC, trata-se de uma “colectânea de materiais históricos relativos aos estudos sobre Matteo Ricci provenientes de arquivos documentais

das dinastias Ming e Qing”, estando dividido em seis partes, com “biografia, prefácio e posfácio, documentos públicos, artigos de opinião, poemas, cartas e artigos variados”. O livro fala da vida de Matteo Ricci, relatando “acontecimentos concretos da sua vida na China”, além de apresentar “uma compilação do seu pensamento e repercussões e análise da sociedade chinesa”. O conteúdo da obra inclui “mais de quatrocentos documentos de todo o tipo provenientes de bibliotecas de todo o mundo, de diferentes bases de dados e colecções privadas”. O livro “procura reunir materiais de Matteo Ricci já publicados e traduzidos do italiano e de outras línguas ocidentais com registos do missionário em língua chinesa, a fim de permitir uma compreensão mais clara e precisa de Matteo Ricci e da sua época”, explica o comunicado do IC.

DAS DIFICULDADES

Reunir e analisar a obra de Matteo Ricci não tem sido fácil nos últimos anos, como denota o IC. “Uma dificuldade recorrente no passado era o facto de, por um lado, os acadé-

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

MARCELO REBELO DE SOUSA • Vítor Matos Marcelo viajou pelo país salazarista com o pai Baltazar, subsecretário de Estado, governador-geral de Moçambique e futuro ministro. Esteve na fundação do Expresso com Francisco Pinto Balsemão. Foi um dos primeiros militantes do PPD. Hoje tem o número três no cartão do partido. Mas esta obra original traz-nos também a visão do homem profundamente católico, divertido e excêntrico, que alimenta a pequena intriga e a grande conspiração, sobre o qual se construíram algumas lendas, algumas delas verdadeiras como a que dorme o mínimo, faz directas a corrigir exames, dita dois textos em simultâneo, ou que escreve com as duas mãos ao mesmo tempo... A sua mãe, Maria das Neves, com quem tinha uma relação profunda, criou-o para altos desígnios. Em Janeiro de 2016 há eleições presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa, um racionalista puro, calculista e com aversão ao risco espera um sinal da Providência divina para se decidir a avançar…


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sexta-feira 17.11.2017

a revisitado

DINASTIAS MING E QING SOBRE MATTEO RICCI

al lançou, em Xangai, um novo livro, intitulado “Docudas dinastias Ming e Qing sobre Matteo Ricci”, da autoria docente da Universidade de Macau. A obra é fruto de uma itora de clássicos chineses de Xangai

Mapa do Sudeste Asiático desenhado por Matteo Ricci em 1602

micos do ocidente não terem capacidade de compreender na totalidade e tirar pleno proveito dos materiais de Matteo Ricci escritos em língua chinesa.” Além disso, “os académicos orientais deparavam-se com os mesmos obstáculos relativamente aos materiais do missionário redigidos em línguas ocidentais”. Tang Kaijian, o autor da obra, dá aulas no departamento de história da UM, sendo também orientador dos cursos de doutoramento. Dedica-se ao estudo da história de Ma-

O livro fala da vida de Matteo Ricci, relatando “acontecimentos concretos da sua vida na China”, além de apresentar “uma compilação do seu pensamento e repercussões e análise da sociedade chinesa” INSTITUTO CULTURAL

cau, debruçando-se também sobre a história do catolicismo na China. O académico já publicou um total de 21 obras e recebeu mais de dez prémios na sua área nas regiões de Cantão, Gansu e Macau. “Graças ao seu notável contributo para o estudo da história e cultura francesas, em 2009 foi galardoado com o título de Chevalier de L’Ordre des Palmes Académiques, sendo o primeiro académico das regiões de Macau e Hong Kong a receber tal honra”, explica o IC. A.S.S.

Grande Prémio Casas-museu da Taipa fechadas amanhã A área das Casas-museu da Taipa estará fechada ao público amanhã durante todo o dia, informou o Instituto Cultural. O encerramento deve-se à realização do 64º Grande Prémio de Macau, sendo que a interdição será decretada a partir do meio-dia. Segundo o IC, apenas será permitido o acesso a autoridades e veículos autorizados. Também a Casa Criativa estará encerrada ao público durante todo o dia.

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Eufrásia Entre as numerosas espécies de plantas do género Euphrasia, a maioria encontra-se em regiões de clima tropical, embora algumas, como a Euphrasia officinalis, habitem em prados e bosques montanhosos da Europa. Trata-se de uma pequena e delicada planta, alcançando pouco mais de 30 cm de altura no seu caule erecto e pouco ramificado. Apresenta folhas verdes, glandulosas, ovaladas e serradas, e flores brancas, raiadas de cor violeta e com uma pinta amarela no lábio inferior, agrupadas em cachos terminais; o fruto é uma cápsula contendo numerosas sementes; as raízes possuem órgãos sugadores, com os quais se prende às raízes de outras plantas, parasitando-as. O nome de género, Euphrasia, provém do grego, euphrosyne, e significa alegria. De facto, já na Idade Média a Eufrásia era utilizada com êxito no tratamento das inflamações oculares, tendo sido mencionada por Santa Hildegrada. Também segundo a Teoria das Assinaturas, a Eufrásia seria boa para os olhos em virtude da semelhança entre as suas flores e o olho humano. No século XVII, Nicholas Culpepper referia-se assim à planta: «A Eufrásia tem o poder de reforçar e melhorar a capacidade de visão, que se vai deteriorando com a idade». Esta propriedade reflecte-se ainda nos nomes comuns atribuídos à planta em várias línguas europeias. Em fitoterapia são usadas as partes aéreas floridas.

ções como conjuntivite, blefarite (inflamação das pálpebras), terçolho, queratite (inflamação da córnea), olhos irritados e lacrimejantes, olhos remelosos e fadiga visual, entre outras. Na conjuntivite acalma a inflamação e controla a lacrimação excessiva, tendo demonstrado ser um colírio muito eficaz e com um grau de tolerância muito elevado. Tradicionalmente tem sido tomada para melhorar a visão, inclusive em situações de cataratas. Outras propriedades Esta planta é ainda indicada nas afecções respiratórias acompanhadas de catarro, como as rinites, sinusites, faringites, rouquidão, constipação e gripe. Na rinite alérgica acalma os espirros, a comichão nos olhos e o excesso de muco aquoso. Pode também ser útil nas estomatites, otites e na prevenção de hemorragias nasais. A Eufrásia emprega-se igualmente como adstringente em caso de dermatites (eczema) e diarreias.

Composição Numerosos glicósidos iridóides (aucubósido, catalpol, eufrósido, ixorósido), flavonóides (apigenósido, quercetósido), taninos gálhicos, ácidos fenólicos (cafeico, ferúlico), lignanos, vitaminas (A, C), heterósidos fenilpropânicos, resina e vestígios de óleo essencial. Sabor amargo e acre.

Como tomar Uso interno: • Infusão das partes aéreas floridas: 1 a 2 colheres de chá por chávena de água fervente, 5 a 10 minutos de infusão. Tomar 3 chávenas por dia, depois das refeições. •A Eufrásia pode ser tomada em tintura, cápsulas e comprimidos, em simples ou fórmulas, para as afecções dos olhos e respiratórias. Uso externo: •Infusão das partes aéreas floridas: 40 gramas por litro de água. Aplicar em lavagens oculares, colírio, compressas, bochechos e gargarejos e irrigações nasais. Nas afecções dos olhos, fazer a infusão com água fervida, filtrar muito bem e aplicar imediatamente. •Em preparações oftálmicas (gotas).

Acção terapêutica Com propriedades adstringentes, a Eufrásia contrai e seca os tecidos, desinflamando-os e tonificando-os, sendo igualmente analgésica, antibacteriana e anti-séptica. Trata-se assim de um remédio de eleição para os problemas inflamatórios, alérgicos e infecciosos que afectam as membranas mucosas dos olhos, ouvidos, nariz e garganta, sendo usada por via oral e/ou topicamente. Especialmente eficaz sobre os olhos, esta erva é muito utilizada em afec-

Precauções Em uso interno, a Eufrásia está contra-indicada em caso de gastrite. A sua segurança durante a gravidez e lactação não foi avaliada. Não estão registados efeitos adversos ou toxicidade da planta para as dosagens terapêuticas. Devido aos taninos, doses muito elevadas podem causar problemas digestivos. Em aplicação tópica nos olhos, usar só preparações devidamente esterilizadas. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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17.11.2017 sexta-feira

VISITA PEQUIM E MANILA REFORÇAM LAÇOS DE COOPERAÇÃO

Acordos para todos os gostos

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China e as Filipinas assinaram acordos de cooperação esta quarta-feira, assumindo o compromisso de fortalecer o “impulso positivo” nas relações bilaterais. Depois de se encontrar com o presidente filipino, Rodrigo Duterte, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang comunicou à imprensa que as relações sino-filipinas melhoraram, e que ambos os lados esperam “trabalhar conjuntamente para compensar o tempo perdido”, informa o Diário do Povo. Li é o primeiro chefe de Governo chinês a realizar uma visita oficial às Filipinas na última década, tendo che-

gado ao país num momento em que os laços bilaterais se fortalecem — reflexo do esforço contínuo levado a cabo por Duterte desde que assumiu a presidência no ano passado. Os dois líderes testemunharam a assinatura de 14 acordos de cooperação sobre financiamento de infraestruturas, construção de pontes, emissão de títulos, reabilitação de toxicodependência, mudanças climáticas, proteção de propriedade intelectual e cooperação na capacidade industrial. Os líderes anunciaram também o início dos trabalhos para a construção de duas pontes fluviais em

Manila e dois centros de reabilitação de toxicodependência em Mindanao, no sul das Filipinas. A China irá fazer uso da sua experiência no fabrico de equipamentos e no desenvolvimento de infraestruturas, de modo a gerir a cooperação bilateral na capacidade industrial e formular uma estratégia de desenvolvimento a longo prazo, afirmou Li.

ALVOS DEFINIDOS

O primeiro-ministro chinês destacou vários pontos centrais de cooperação, incluindo: facilitação de investimentos comerciais, tecnologia da informação, agricultura, pesca, combate PUB

à pobreza e reconstrução de áreas degradadas. Li prometeu ainda 150 milhões de yuans em subsídios do governo chinês para auxiliar a reconstrução de Marawi, devastada pela guerra no sul das Filipinas. O governo filipino em Outubro declarou a vitória sobre os extremistas ligados ao Estado Islâmico em Marawi, pondo um fim a quase cinco meses de confrontos

que destruíram várias partes da cidade. Por sua vez, Duterte agradeceu à China pela ajuda fornecida às Filipinas na reconstrução de Marawi e pela assistência no impulso para a iniciativa de desenvolvimento de infraestruturas das Filipinas. “É com entusiasmo que testemunho a reviravolta positiva e o vigoroso impulso das relações sino-filipinas”, afirmou Duterte.

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Comércio racional

investimento da China além-fronteiras entre Janeiro e Outubro registou uma queda homóloga de 40,9%, para 86.300 milhões de dólares, anunciou ontem o ministério chinês do Comércio. Os sectores comércio, manufactureiro, venda por atacado, retalho e tecnologias de informação foram os principais beneficiários do investimento chinês no exterior. Durante este período não se registou nenhuma grande operação nos sectores imobiliário, desportivo ou entretenimento, reflectindo os esforços de Pequim para travar o que considera serem investimentos desnecessários ao desenvolvimento do país. “O investimento irracional no exterior abrandou de forma mais efectiva”, afirmou o ministério, em comunicado, destacando que o país melhorou a sua estrutura industrial. Encorajadas pelo Governo, as empresas chinesas aumentaram nos últimos anos os investimentos além-fronteiras, como forma de assegurarem fontes confiáveis de retornos

O chefe de Estado filipino salientou que os esforços conjuntos para melhorar os laços promovem a paz, a estabilidade e o desenvolvimento na região. No seu encontro com Li, Duterte vincou que espera tirar lições do desenvolvimento da China, fortalecendo a cooperação em áreas como os transportes, telecomunicações e agricultura.

Investimento no exterior cai mais de 40%

e adquirirem tecnologia avançada.

COISA RARA

Os reguladores chineses emitiram este ano, no entanto, um raro comunicado conjunto, no qual advertem para investimentos “irracionais” além-fronteiras, em sectores nos quais abundam “riscos e perigos ocultos”. Algumas das empresas chinesas cujas aquisições no exterior praticamente pararam nos últimos meses detêm participações em importantes empresas portuguesas, como a Fosun e o HNA Group. A Fosun é a maior accionista do banco Millennium

BCP com 25,1% do capital, também detém 85% da seguradora Fidelidade (os restantes 15% do capital são da CGD) - que por sua vez é ‘dona’ do Grupo Luz Saúde - e conta ainda com uma participação de 5,3% na Redes Energéticas Nacionais (REN). A HNA é accionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul. Segundo dados oficiais portugueses, desde que a China Three Gorges comprou 21,3% da EDP, em 2012, o montante do investimento chinês em Portugal já ultrapassou os 10.000 milhões de euros.


ARTES, LETRAS E IDEIAS

Estou farto de semi-deuses! Onde é que há gente no mundo? Tonalidades António de Castro Caeiro

Angst

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“Lembro-me de ter acordado de madrugada numa manhã. Sentia uma tal atmosfera de possibilidade. Tu sabes, aquele sentimento. E eu… Lembro-me de ter pensado lá comigo: então isto é o princípio da felicidade. É aqui que ela começa. E, com certeza, haverá sempre mais. Nunca me ocorreu que não era o princípio. Era a felicidade. Tinha sido exactamente o seu momento.”

Michael Cunningham, The Hours

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estranho como a vida muda. Nem sempre para melhor. Quase sempre para pior. Percebemos que a vida mudou sem necessariamente termos percebido o exacto momento quando mudou. Mas o modo como a vida nos acontece é percebido melhor, por contraste. A maior parte do tempo, não somos surpreendidos por diferenças. É o que é, como tem sido. Nascemos e crescemos com estas estruturas de sentido. Aos domingos, sempre houve almoços de famílias, alegrias e tristezas, mas também a vida de todos os dias, domesticada como pôde ser pelo quotidiano das avós que nos criaram e da ausência diária de quem trabalhava, para regressar ao fim do dia. O que regimenta o quotidiano é tão complexo quanto as pessoas que existem e o convívio que têm ou não têm com outros. A liberdade onírica da infância talvez nunca mais regresse. Tinha criaturas inventadas pela nossa imaginação, jogos e brincadeiras que desfaziam a plástica habitual das divisões das casas e dos seus conceitos rígidos. Deixavam de ser salas de jantar para ser campos de batalha e os quartos da infância estavam cheios de possibilidades de que já não nos apercebemos. E nas diversas transições biográficas que existem, ida para a primeira escola e a habitação dos edifícios de educação e formação vão abrindo mundos, porque o número dos outros que conhecemos aumenta, amplia, cria mundos diferentes, habitados pelas vidas diferentes que temos à nossa frente e às que todos temos latentes, escondidas, mas que fazem de nós quem somos. E há a mudança da idade. Não muda apenas a altura, o tamanho, a pele, a voz, cresce e envelhece. Como se o tempo nos trabalhasse a partir do seu interior que nos esculpisse por dentro e por fora o corpo todo. O corpo é o órgão do tempo. Talvez, se não houvesse tempo não teríamos corpo, como não teríamos olhos se não pudéssemos ver. As primeiras épocas da vida, as várias infâncias e as várias juventudes tinham mais de onírico do que de realidade, pesadelos e amores de sonhos, não importa. O princípio tem em si o possibilitante a projectar-se, a adiantar-se para além do que está dado a ver

com os nossos próprios olhos à nossa frente. Há personagens que encarnamos, porque dão um revestimento diferente às vidas, o desportista, o estudante, o político, exemplos radicais com queremos eventualmente dar sentido às vidas indefinidas, então, mas definíveis no futuro. E no princípio que permite adivinhar o que está por vir, há o encantamento, o emaravilhamento, com alguns dos outros, como se fosse um catalisador inebriante com a sua espe-

“Nunca me ocorreu que não era o princípio. Era a felicidade. Tinha sido exactamente o seu momento.”

cífica alteração não só de estados de consciência, mas da vida toda. O seu resultado era centrífugo, propulsor, tenso. Os dias de praia da infância eram criações tão perfeitas que nunca mais regressam, mas também as vésperas de sexta-feira à noite, quando se adivinha apenas com espanto e maravilha o que a noite pode oferecer, mas nunca oferece, nem que levemos para casa o que queríamos. Nunca nada é realmente o que foi quando era uma mera possibilidade. A realidade recorta toscamente a possibilidade. E tudo era véspera de tudo, sem nunca se estafar, o último dia de aulas antecipava as férias e o último dia de férias antecipava o primeiro dia de aulas. E tudo era a possibilidade romântica sem o recorte da realidade. A cara de alguém incendiava vidas e nunca seria a cara do dia seguinte. E os corações eram só selvagens e tudo era apenas sob tensão do por ser futuro, do advento quase religioso não da segunda

ou terceira vindas, mas do que era então a única vinda, a única presença por toda a nossa vida. Mas não é só a decepção de uma ilusão. Há dias bons e não os três meses em que estávamos de férias do mundo. Há dias bons e não os semestres que vivemos com o entusiasmo de principiantes. O primeiro olhar não é só promessa é já a despedida. E, contudo, não é só isso. De quando em vez chega até nós réplicas leves dos abalos sísmicos do passado, de verdadeiros terramotos que alteraram as morfologias das nossas vidas. Não conseguimos invocar já o poder daquelas emoções, dos sentimentos fortíssimos com que vimos alguém pela primeira vez. É já não percebermos como chegamos onde estamos e temos vivido há décadas assim, como se nos aguentássemos como podemos, mas sem plano e definitivamente sem itinerário. É este caminho para nenhures? É?!


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STRANHA disposição que me acolhe nesta página que fito de soslaio há uma enormidade de tempo. Aqui sentada na minha frente, impávida. Branca a página, cinzenta, soturna e desconfortável a disposição. Será da página branca e em branco, talvez. Gosta-se de dizer isso. Mas vejo sempre uma roda viva violenta de palavras desordenadas em esboços de sentir e sentido, em correrias desordenadas ou passando como no passeio público de séculos passados, lentas a olhar sem direcção nem curiosidade. Miríades de possibilidades de construção de um mundo. Uma poética existência a cumprir. Depois. De descoberta, a edificada. Ou talvez esse excesso de tantas escritas por aí, nos seus limites de sempre, no limite do seu conforto de sempre, espalhadas em diários caóticos e desesperados de o ser. Talvez seja esse por demais. E o pouco que de existencial, subitamente, daí se sente não vir. Da página em branco pouco vejo de tanto os passeantes me distraem do olhar. Não é dela então, a razão desta disposição estranha, que então me colhe talvez de súbito, e talvez de uma esquina não pensada com atenção. E que esperava à espreita para cobrir de uma ténue camada de cinzento, transparente e fino, mas que vem a adensar como um peso que repentinamente surge na matéria onde não é esperado nem natural. Estranha esta disposição. Que, quando vem, vem vestida para matar. Qualquer outra. Falar de quê, se tudo, extenuado por debaixo dessa firme, se bem que delicada cortina, se assemelha então a uma enorme sensação de aborrecimento. Falar do tempo ou falar do tédio. Do primeiro, na transcendente subjectividade que nos consome de formas variáveis, da imanência, que atormenta e reduz ao âmbito privado e secreto a sua verdadeira e nunca alcançada dimensão. Ou do segundo, como uma medida de desalento instalada de surpresa. Como uma iluminação particular que se debruça sobre todas as matérias e palavras, a tudo colorindo de momento por igual, e que por momentos pode quase assemelhar-se a um tempo a mais que se estende, lânguido, pesado e reprovador. Tempo demais. O aborrecimento suave de tudo. Das pessoas mesmo. Quase todas. Ou então, sendo que a rigor nem haja excepções, todas, todos e tudo. Todas as pessoas e todas as excepções. Na esquina errada do espaço-tempo. O triste, arrogante: l’ennui. Um arredondamento por defeito de onde nenhum brilho mais intenso e travesso consegue estender os braços.

Sim. Como um nevoeiro fino e cerrado. Uma indiferença nítida, feita cor e fumo. Não se gosta de o sentir. Contudo vem do coração como outros afectos. Outras cores de sentir. Que se elaboram na mesma zona simbólica do intelecto a gerir pulsações mais fortes, como acalmias na motivação. Mas é da ordem do afecto, na economia desta mistura de sensações, relações entre dados, percepções e memórias. Com uma base que de repente se estende a tudo e tudo engole para uma difusa emergência em cores pastel. Penso depois que esta entidade que passa a superintender a tudo, talvez seja uma memória remota de alerta. Um sinal. Uma pontuação interrogativa que sempre se instala depois do tédio. Ao colo do tédio. A olhá-lo nos olhos sem amizade, mas com um ligeiro receio. De que se tenha vindo instalar para sempre. E posso pensar que tem o rosto neutro de uma ferramenta existencial, mas na verdade começa por produzir, perversa, uma avaria. No sentir. Depois há que conhecer a criatura criada sei eu lá de que substâncias ou matérias que me compõem. Um tédio mais melancólico. Um mais arrogante. O do nada vale a pena e o de o que se passa com os meus órgãos de sentir, comigo com as cores que abandonam as coisas. Com esta cegueira à luminosidade preciosa. Para onde foi tudo o que era antes. De onde veio. Isto. E então reparo num detalhe nunca antes lembrado. O olfato, parece ser o meu sentido menos entediado. Lembro o aroma de um cozinhado associado àquele burburinho da fervura, o perfume de uma flor. O perfume de um perfume. E penso que há algo desta poalha que recobre tudo e que é ineficaz face ao poder evocativo da memória de um perfume. Ou de um beijo. Então, é o tempo. O demais e o de menos. Que me cercam de todos os lados. Vendo bem, uma vida repleta. Sem vazios. Apenas ausências. Mas tão diferentes estas daqueles. Espacialmente falando. Uns produzem espaço, a outras ocupam-no, devidamente ou não. Tantos autores, entre filósofos e escritores se debruçaram sobre tão existencial assunto. Pessoa, Heidegger, Baudelaire, Mann, Kierkegaard, Kundera. Mas emerge sempre a necessidade de estabelecer categorias, formas, géneros de tédio, o de enquanto tarda, o do que sobra, o do que se repete e esgota. Outros. Dependendo de autor e experiência existencial. Este cansaço da existência, mesmo se pontual, que se associa ao tédio, e mesmo sem relação com idade ou quantidade de vivido. E que o coloca no cadinho dos estados afectivos. Detestados, mas

ANABELA CANAS

Mundo a mais que dispõe


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ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

iluminacão artificial Anabela Canas

afectivos. Com sinal negativo. Agrada-me particularmente uma abordagem fenomenológica, como sempre e também pela forma particular de nos retratar como seres no tempo, numa determinada visão do tempo que Heidegger preferiu. A tonalidade do tédio como expressão afectiva e temporal. Uma ontologia da experiência do tempo, quando a modernidade, há muito, é marcada pela técnica e pelo nihilismo. A produzir versões modernas de mal-estar existencial. Ou psíquico, mesmo. Estados de alerta. Ao contrário de Husserl que nos obriga à contingência de uma consciência filtro, em que se circunscreve a realidade do ser. Um eterno presente, talvez. Mas sinto algum alívio quando penso que o mundo e eu, não nos limitamos àquilo que são os dados da minha consciência de ambos. É um pensamento redutor e angustiante, circunscrever a realidade à consciência. Como se retirando a solidez de um chão e de um mundo que se habita, mesmo sem o entender na totalidade. Aos métodos filosóficos, prefiro claramente o método fenomenológico. A redução, em H. do ente à profundidade essencial do ser, a construção de um olhar a percorrer passo a passo as estruturas existenciais, e a destruição, palavra que deveria aparecer sempre entre aspas enormes, porque se refere à abordagem transversal e crítica, a todas as possíveis dissimulações que escondem os fenómenos genuínos do ser. Desocultar a realidade atemorizada e recoberta de máscaras. É o que isto quer dizer. Porque haveria de se determinar a desocultação como destruição e não como um acto de liberdade? E é talvez essa a função útil do tédio. Que cada um entenda o seu. E, de tudo isto, não ter medo. Do taedium vitae, mesmo. E falando do medo, outros caminhos negros se insinuam. Mas. Não ter medo, do medo, do medo. Porquê ter medo do medo…e para quê… há um medo maior que é de quando não houver mais medo para ter medo. De nada, mesmo. E aqui me socorre a ideia de deus que não tenho. A lembrar que pelo menos isto. Desci a casa as escadas a rua e sentei-me na beira do rio que é o tempo que passa, ali em baixo. Munida da única pedra que tinha, restos de uma praia ensolarada a sul de há anos. Inclinei-me bem a aferir o ângulo e o golpe certeiro para que, sendo única, fosse com efeito. E foi. E fiquei. Depois, a pensar na vida, assim como sem pensar em nada. A maré não estava boa para o odor daquele bicho gigante. E o vento. Que o devolvia à cidade. Mas é a vida. E não é má.


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h

17.11.2017 sexta-feira

José Simões Morais

F

LOR de Ouro, o crisântemo é símbolo de amizade e jovialidade, representando o Outono, pois normalmente aparece durante esta estação e dura até começarem as geadas. Segundo uma lenda ligada com o primeiro imperador da Dinastia Qin, foi levada para o Japão por um grupo de crianças que com um mestre do Dao partiram num barco para as ilhas remotas à procura do remédio da Imortalidade. Sabe-se ter o Japão no ano de 750 importado da China esta flor. Refere o Padre Benjamim Videira Pires, S.J. ser o crisântemo o emblema imperial do Japão, quando amarelo e de 16 pétalas, lembrando o sol nascente. “Conta uma antiga lenda japonesa que o crisântemo nasceu de uma astúcia de amor. Há muitos e muitos séculos, um nobre samurai, pouco depois de ter desposado a filha mais nova e mais linda do Imperador, teve de partir para a guerra. Esperava que a expedição fosse por pouco tempo e que a vitória não se fizesse esperar. Para consolar a sua jovem esposa a qual, como todas as japonezinhas bem educadas, engolia corajosamente as lágrimas, dirigiu-se com ela para o seu magnífico jardim e, indicando-lhe uma das flores, disse-lhe o seguinte: <Toma esta flor sob os teus cuidados, porque antes de caírem todas as pétalas, ter-me-ás outra vez aqui junto de ti>. Infelizmente, porém, estava a flor ainda bem fresca quando se propalou a notícia de que o navio, em que seguia o nobre samurai, tinha sido tragado pelas ondas durante uma furiosa tempestade. Todos exortaram a jovem esposa a que se resignasse e a que esquecesse; e o seu pai, o Imperador, começou a projectar-lhe novo casamento com outro cavaleiro, tão nobre e valorosos como o primeiro. Mas a jovem sentiu que não poderia esquecer o seu primeiro amor e por isso pediu e conseguiu que lhe fosse permitido esperar <até que tivessem caído todas as pétalas da sua flor>. Iludindo então a vigilância até das próprias criadas e apoderando-se dum par de tesouras bem afiadas, dirigiu-se numa noite de lua cheia ao jardim e cortou as pétalas da flor em tiras finíssimas, por forma a conseguir um grande número de pétalas. E a sua constância não deixou de merecer o devido prémio. De facto, pouco antes de cair a última pétala da sua nova flor, chegava o samurai que restituía a felicidade à sua esposa. Comovido, o Imperador deu ordens para que a flor passasse a ocupar o lugar de honra nas suas armas e de se converter no símbolo heráldico do seu império. Mas o povo japonês passou a considerá-la também desde então como símbolo do amor. De facto, a oferta dum botão de crisântemo significa <O meu coração está ainda fechado, mas poderá abrir-se para ti, se o quiseres>; um crisântemo que está a desabrochar significa <O meu coração está a abrir-se ao Sol do teu amor> e uma flor aberta significa <O meu coração desabrochou para ti>.

O Crisântemo no Duplo 9 e no Japão

Mas, nas terras do Ocidente, essa flor é considerada símbolo dum amor que não tem fim; por isso, é oferecida àqueles que nos foram queridos na terra e nos precederam no Céu, como sinal de recordação perene e afectuoso.” História narrada por alguém que se escondeu no pseudónimo de Franca Perlo. A Ordem do Crisântemo, fundada no Japão em 1876 pelo Imperador Mutsu-Hito, só é conferida aos príncipes, usando uma fita verde orlada a violeta, segundo o dicionário enciclopédico Lello Universal. Um imperador japonês tendo escutado a existência no seu território de um magnífico jardim de crisântemos, talvez o mais belo do mundo, logo ficou interessado em visitá-lo. Enviou um emissário ao proprietário para a possibilidade

de lhe conceder a permissão de lá se deslocar. Concordando, o dono do jardim apenas pediu o favor de ser avisado do dia e hora a que o Imperador lá iria. Com a data marcada, chegou o dia e o jardineiro enviou um dos criados para vigiar a saída do imperador do palácio, com ordens para logo que tal acontecesse, vir a correr avisá-lo. Assim foi e já com o Imperador a meio caminho, o jardineiro começou a cortar do jardim todos os pés dessa flor. Chegado o Imperador às portas do recinto, tinha o proprietário à sua espera e conduzindo-o ao seu interior, mostrou a única flor de crisântemo aí existente. Era esta o seu jardim.

O VINHO JI HUA NO DUPLO 9

Na China, no período imperial, a festividade solar do Qingming, cujo signifi-

A oferta dum botão de crisântemo significa <O meu coração está ainda fechado, mas poderá abrir-se para ti, se o quiseres>; um crisântemo que está a desabrochar significa <O meu coração está a abrir-se ao Sol do teu amor> e uma flor aberta significa <O meu coração desabrochou para ti>

cado é Pura Claridade e ocorre no dia 4, ou 5 de Abril, era quando os governantes prestavam homenagem aos Antepassados e ao Imperador Amarelo, unificador das tribos chinesas e primeiro Soberano, Huang Di, considerado o pai do povo chinês. Já no nono dia do nono mês lunar, duplo 9, ou Chong Yang Jie, como é designada a Festividade do Duplo Yang, era a altura do povo oferecer sacrifícios aos seus Antepassados. Se tal acontecia no período imperial, actualmente em ambas as datas o povo chinês vai às campas dos seus antepassados e oferece sacrifícios, queimando em sua honra incenso e dinheiro dos mortos, reunindo-se as famílias à volta da campa, limpando-a e embelezando-a com flores e realizando aí uma refeição. Na Festividade do Aprovisionamento do Princípio Masculino, como também é conhecida a celebração do Duplo 9, a flor mais usada é o crisântemo, não fosse a nona Lua do ano conhecida pela Lua do Crisântemo. Nesse dia as pessoas têm como costume subir à montanha para estarem próximo dos seus Antepassados. Isto poderá ter dois sentidos. No topo da montanha está-se mais próximo do Céu, assim como é nas encostas das montanhas que se encontram os cemitérios chineses. Na Festa do Duplo Nono, quando os crisântemos se encontram em flor, toda a família se reúne num local alto, para beber vinho de crisântemos. Diz-se que esta bebida, Ji Hua protege as pessoas do mal. “Constituía o estuário do Rio das Pérolas um ambiente suigeneris, no qual sucessivas gerações de famílias habitaram em barcos (...). Entre a diversidade de embarcações que se encontravam fundeadas, contavam-se aquelas onde se exercia a prostituição (...). O seu aspecto exterior, para além da lanterna de papel colorido, iluminada, que os anunciava à distância, era marcado por uma ornamentação exuberante, carregada de flores policromas – peónias, dálias e crisântemos, símbolos de amor, fertilidade e felicidade – em que predominava o vermelho, e que se entrelaçavam em frisos, envolvendo-os e emoldurando-lhes as janelas. Era este aspecto garrido que os distinguia, pelo contraste, a sobriedade habitual dos barcos do sul da China”. Retirado do estudo de Isabel Nunes, publicado na Revista de Cultura. Na famosa cozinha de Shunde, Guangdong, as pétalas tubulares do crisântemo são usadas no caldo de cobra quando, colocado na malga para ser servida a sopa, feita, para além da pele e da carne de cobra, com galinha e língua de porco, sendo adicionadas no final, por cima, pétalas brancas dessa flor. Termina hoje, 17 de Novembro, o Festival dos Crisântemos em Kaifeng, onde estiveram expostas em milhões de vasos, assim como ocorreram dezenas de eventos para promover o desenvolvimento da sua indústria nesta cidade da província de Henan, centro da China.


opinião 17

sexta-feira 17.11.2017

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

O

Chefe do Executivo Chui Sai On apresentou na Assembleia Legislativa, durante uma hora, o “Relatório das Linhas de Acção Governativa para o ano financeiro de 2018”, no passado dia 14 de Novembro. Segundo o relatório, tudo irá permanecer em consonância com o status quo, registando-se um aumento no orçamento da segurança social. A temática do Relatório versa, como de costume, a redução de impostos, a distribuição de dinheiro e os aumentos salariais, sem surpresas nem inovações. O Chefe do Executivo deve pretender chegar ao fim do seu mandato, que termina dentro de apenas dois anos, de forma estável e pacífica. O que o futuro nos reservar virá a ser da responsabilidade da próxima Administração. Comparado com a segurança derivada do Relatório das Linhas de Acção Governativa, o deputado Sou Ka Hou enfrenta uma guerra aberta. Os leitores terão provavelmente conhecimento de que, na véspera da apresentação do Relatório, a Assembleia Legislativa, o Ministério Público e as Forças de Segurança de Macau emitiram os seus próprios comunicados de imprensa sobre o envolvimento de Sou Ka Hou no caso das “reuniões ilegais” e sobre a acusação que lhe foi feita de “prática do crime de desobediência qualificada”. O julgamento do deputado está marcado para breve. No seu comunicado de imprensa, a Assembleia Legislativa afirmava que, de acordo com o Estatuto dos Deputados à Assembleia Legislativa, o caso tinha sido enviado para discussão à Comissão de Regimento de Mandatos e que se aguarda o seu parecer. O Ministério Público forneceu apenas um apanhado geral dos pormenores do caso no seu comunicado. Estes dois órgãos públicos prestaram esclarecimentos sobre a situação. Mas, as Forças de Segurança de Macau emitiram uma nota explicativa contendo 27 pontos críticos, semelhante à reconstituição detalhada de um crime, de uma forma que cria nos leitores a sensação de estarem a presenciar um julgamento. Em Macau, uma sociedade regida pela lei, antes de um suspeito ser julgado, deverá ser tratado ao abrigo do princípio da “presunção de inocência”. Este direito legal, que assiste a todos os réus, é reconhecido pela Convenção Internacional das Nações Unidas e é uma salvaguarda fundamental dos direitos humanos. Neste aspecto, Macau não é excepção. No entanto, as autoridades do Governo da RAEM parecem ter abraçado e trazido para a praça pública a causa da acusação, o que não deixa de ser estranho. O caso aconteceu há um ano atrás. A condenação de Sou por “reuniões ilegais”, só poderá ser decidida no Tribunal Judicial de Base. Mesmo depois da deliberação deste Tribunal, qualquer uma das partes pode apresentar recurso. É um assunto de competência jurídica. Já quanto à

JOLANTE HESSE

O Chefe do Executivo e o deputado

permanência de Sou Ka como deputado, a decisão caberá, após parecer da Comissão de Regimento de Mandatos, à Assembleia Legislativa, que reunirá em sessão plenária para o efeito. Esta decisão será tomada, com a presença de todos os deputados, por escrutínio secreto, mas Sou não será o único a enfrentar as consequências, os outros 33 deputados também serão afectados. Após ter apresentado o “Relatório das Linhas de Acção Governativa para o ano financeiro de 2018”, o Chefe do Executivo deu uma série de entrevistas. Um dos jornalistas lembrou-o que, desde que assumiu o cargo, tem vindo a alertar a população para o potencial risco que existe na compra de propriedades imobiliárias, que registam aumentos constantes de preço. O Chefe do Executivo comentou que o mercado imobiliário se rege pela lei da oferta e da procura e que a maioria dos compradores são residentes, sendo que alguns deles adquirem uma segunda habitação. O problema de raiz está no facto de o rápido crescimento da economia de Macau apenas beneficiar um pequeno grupo, sendo a maioria afectada de forma negativa. Hoje em dia, quem

A forma como a Assembleia Legislativa lidar com este caso, dará uma oportunidade à população e aos eleitores de Macau de ficarem a conhecer o seu funcionamento e a verdadeira natureza dos seus deputados Ex-Deputado • Membro da Associção Novo Macau

detém poderosos interesses na sociedade controla a distribuição dos recursos e, de forma alguma, abre mão do seu domínio. Confrontado com uma série de problemas sociais, o Governo da RAEM recorre basicamente ao Plano de Comparticipação Pecuniária e às pensões para minorar a insatisfação e distribui subsídios para garantir o apoio de associações e organizações. Macau é conhecido por ser “uma sociedade com muitas associações e organizações”. Muitas delas, subsidiadas pelo Governo, garantem apoio às suas políticas. Nos tempos que correm, com a entrada em alta das taxas do jogo, esta aliança com as organizações e associações, prontas a patentear o seu “patriotismo e amor a Macau” tem, até certo ponto, criado uma falsa sensação de super-estabilidade. Em resultado desta situação, a discrepância entre os ricos e os pobres, e a complementar crise escondida, têm vindo a tornar-se cada vez mais graves. Pessoas mais jovens, como é o caso de Sou Ka Hou, sem qualquer apoio das associações tradicionais, são muitas vezes apanhadas na teia quando tentam agir de forma genuína contra uma situação de injustiça. Sou Ka Hou defendeu activamente posições de oposição de forma bastante destemida, acabando diversas vezes por ser estigmatizado e rotulado de defensor da “Independência de Macau”. A forma como a Assembleia Legislativa lidar com este caso, dará uma oportunidade à população e aos eleitores de Macau de ficarem a conhecer o seu funcionamento e a verdadeira natureza dos seus deputados. Nos próximos dois anos, tempo que falta até ao termo do seu mandato, o Chefe do Executivo Chui Sai On não deve ser sujeito a mais pressões. Mas para Sou Ka Hou, este biénio será certamente um período de teste.


18 (f)utilidades TEMPO

MUITO

17.11.2017 sexta-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

MUSIC SESSIONS Pousada de Coloane | 19h15 às 21h15

Domingo

?

NUBLADO

MIN

22

MAX

27

HUM

70-90%

EURO

9.45

BAHT

EXPOSIÇÃO “PHOTOSYNTESIS” DE TANG KUOK HOU IFT Café | Até 01/12 EXPOSIÇÃO “YOYO WONG” MMM Wokshop e Juju Studio | Até 19/11 EXPOSIÇÃO “PURGE ONE´S MIND” DE LEUNG KIT MAN, IM HOK LON E MOK HEI SAN Galeria do lago Nam Van | Até 25/11

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” MAM | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING MAM | Até 4/3/2018

C I N E M A PROBLEMA 163

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 162

UM FILME HOJE

JUSTICE LEAGUE SALA 1

JUSTICE LEAGUE [B] Fime de: Zack Snyder Com: Ben Affleck, Gal Gadot, Raymond Fisher, Jason Momoa, Erza Miller 14.30, 16.45, 21.30 SALA 2

JUSTICE LEAGUE [B] [3D] Fime de: Zack Snyder Com: Ben Affleck, Gal Gadot, Raymond Fisher, Jason Momoa, Erza Miller 19.15

THE GLASS CASTLE [B] Fime de: Destin Daniel Cretton Com: Brie Larson, Woody Harrelson, Max Greenfield, Sarah Snook 14.30, 16.45, 21.30

THOR: RAGNAROK [B] Fime de: Taika Waititi

Com: Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston 19.00 SALA 3

MIX! [A]

Bandeira xadrez e motores a roncar pelas ruas de Macau, nos dias de hoje transformadas num circuito de corridas motorizadas onde homem e máquina buscam o equilíbrio perfeito. Confesso o meu analfabetismo nesta matéria, não percebo rigorosamente nada de automobilismo, sempre achei estranho os pilotos não correrem com carros iguais de forma a que competição se cinja à habilidade de condução. De certa forma, acho que a competição já foi feita em garagens e fábricas. Vou ao ponto de achar que devia haver um pódio em separado para os mecânicos e engenheiros que conceberam os motores, chassis, por aí fora. Da mesma forma de deveria haver um pódio em separado para os farmacêuticos no ciclismo. Bem, agora que impugnei grande parte dos desportos de corridas, atraindo e merecendo todo o fel dos aficcionados, passo para outro aspecto. O som e a vibração. Gosto dessa parte, o barulho dos motores têm algo de hipnótico. Lembro-me do efeito soporífero da Fórmula 1 quando era miúdo. Passadas duas voltas estava a roncar de boca aberta, imitando o barulho dos bólides. Percebo o apego às máquinas, o gosto pela aerodinâmica, a performance de mil e uma peças que nunca compreenderei, roscas e parafusos elevadas ao patamar olímpico de desafio às leis da física. Pessoalmente, prefiro a biologia e a natureza, músculo e astúcia física em competição. Mas isto sou eu. João Luz

“BIO-ZOMBIE” | WILSON YIP WAI SHUN, 1998

“Bio-Zombie”, produzido em Hong Kong e estreado no ano de 1998, aborda a temática dos zombies de forma original, tendo ficado conhecido como uma das mais famosas obras do género na região. A película, dirigida por Wilson Yip Wai Shun, tem início num centro comercial onde dois jovens trabalhadores de uma loja recebem uma ordem do chefe para irem buscar um veículo. Os jovens, no entanto, acabam por testemunhar o aparecimento de um zombie, o que rapidamente se transforma num surto mortos-vivos no centro comercial. Os dois jovens tentam então, juntamente com outros sobreviventes, escapar da infra-estrutura. Vitor Ng

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Junichi Ishikawa Com: Yui Aragaki, Eita, Ryoko Hirosue, Koji Seto, Mei Nagano, Yu Aoi 14.30, 19.15

LET ME EAT YOUR PANCREAS [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Sho Tsukikawa Com: Minami Hamabe, Takumi Kitamura, Shun Oguri 16.45, 21.30

SUDOKU

DE

REPRESENTAÇÕES DA MULHER - COLECÇÃO DO MUSEU DE ARTE DE MACAU NOS SÉCULOS XIX E XX MAM | Até 10/12

Cineteatro

1.21

MOTORES

Diariamente

SALÃO DE OUTONO Casa Garden

YUAN

PÊLO DO CÃO

RAW VIDA- A RAW FOOD AND FITNESS RETREAT One Oasis | 07h30 às 20h00

EXPOSIÇÃO “FLUXO” DE SUNNY WANG Galeria do IACM | Até 19/11

0.24

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


perfil 19

sexta-feira 17.11.2017

RICARDO LOPES, ADVOGADO E PRATICANTE DE ARTES MARCIAIS

“O Kung Fu deu-me as respostas que sempre procurei”

O

Oriente sempre esteve presente na vida de Ricardo Lopes, tanto em casa, como na busca de uma espiritualidade longe dos padrões ocidentais. Movido pela necessidades de controlar a sua energia o lisboeta procurou um escape que lhe desse equilíbrio. Encontrou no Kung Fu To’A, uma vertente iraniana da arte marcial, a harmonia e as respostas que há muito procurava. “Não tinha qualquer afinidade com o Kung Fu, ou qualquer outra arte marcial”, conta o advogado de 42 anos, apesar de ter visto os filmes do Bruce Lee durante a infância. Depois de assistir a uma sessão do Mestre Guilherme Luz, a vida de Ricardo Lopes mudou. Encontrou uma forma de encarar a arte marcial mais holística, virada para o interior, para o centro da pessoa, uma fonte de equilíbrio que ficava muito além da manifestação física, da parte da defesa pessoal. “Encontrei as respostas que sempre tive desde muito novo, respostas que não encontrei na família, na sociedade, na religião, em lado nenhum”.

Apesar da vertente do Kung Fu que pratica ser oriunda do Médio Oriente, as suas origens estão na China. Além disso, o advogado também teve família a viver em Macau. “Cresci a ouvir histórias de cá, em minha casa sempre se fez Minchi, sempre vivi com estes sabores e fragrâncias orientais”, conta. O fascínio por Macau foi algo presente na vida de Ricardo Lopes, inclusive quando tirou o curso de Direito, chegou a sugerir à sua mulher, na altura namorada, que viessem viver para Macau, algo que não se materializou. Apesar da distância, o jurista “devorava as notícias” do território de uma forma instintiva, mas a distância mantinha-se. Situação que a crise económica viria alterar, apesar de não ser imediatamente. Em 2012/2013 veio ao território para algumas entrevistas de emprego e acabou por ficar por cá. Nunca tinha cá estado, mas assim que chegou sentiu-se verdadeiramente em casa.

IDENTIFICAÇÃO TOTAL

“Nunca cá tinha estado, não tinha cá família nem conhecia ninguém”, revela. Depois

do primeiro impacto de descoberta de algo completamente novo, Ricardo Lopes sentiu “uma enorme conexão com Macau, uma ligação forte a isto tudo, às ruas, aos nomes das coisas, às pessoas e à forma como convivem”. Perdia-se pelas ruelas de Macau, tropeçava em jogos de Mahjong à porta de lojas e nada lhe parecia estranho, tudo lhe soava familiar e de acordo com as histórias que ouvia desde criança. Chegou ao território com a ideia romântica do Oriente, apesar da realidade não ser bem assim, mas ainda conseguiu encontrar o velho romantismo que fez com que se identificasse totalmente com a cidade. Encontrou por cá vestígios da arte marcial que o completava quando deixou Lisboa para trás, em especial nos movimentos harmoniosos das pessoas que praticam Tai Chi na rua. “Olhava e interpretava a parte espiritual dos gestos daquelas pessoas, a verdadeira conexão interna dos movimentos, a ligação entre o físico e o emocional”, conta. Um contraste completo com o reboliço do

dia-a-dia que impele as pessoas a correrem de um lado para o outro. No entanto, deixou em Portugal a ligação ao Kung Fu Ta’O, algo que não encontrou em Macau. O mais aproximado que conseguiu foi um instrutor de Wushu de Hong Kong, que visita Macau semanalmente. Hoje em dia, Ricardo Lopes treina no Yoga Loft. Apesar de deixar bem vincado que não é um mestre, quem estiver interessado a treinar a variante de Kung Fu pode fazê-lo às quartas-feiras, pelas 19h30. “É um treino partilhado daquilo que aprendi”, conta. Através da arte marcial, Ricardo Lopes desenvolve a parte física para moldar o interior, uma prática que o ajuda a manter-se centrado. “O Kung Fu ajuda-me a estar mais presente, a não ter receios ou ansiedades, a estar mais atento e tranquilo”, um equilíbrio que o ajuda na vida pessoal e profissional e que tem todo o gosto em partilhar. João Luz

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Ninguém faz bem o que faz contra a vontade, mesmo que o que faz seja bom. Santo Agostinho

PALAVRA DO DIA

Eleições Puigdemont lidera lista “Juntos pela Catalunha”

O presidente exonerado do governo catalão, Carles Puigdemont, refugiado na Bélgica, vai ser o cabeça de lista do seu partido às eleições regionais de 21 de Dezembro próximo, ao mesmo tempo que está a lutar contra a sua extradição para Espanha. Puigdemont confirmou desde Bruxelas à televisão catalã El PuntAvui TV que está a preparar uma lista de candidatos com o nome “Juntos pela Catalunha” (Junts pel Catalunya) que irá liderar e inclui nomes do seu Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCAT) e independentes. Segundo a imprensa espanhola, o número dois dessa lista será o presidente da Assembleia Nacional Catalã (ANC), Jordi Sánchez, preso desde 16 de Outubro por suspeitas de crime de sedição no quadro do processo de independência da Catalunha.

Casillas Sérgio Conceição deixa aviso a Lopetegui

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Embora não quisesse alongar-se em comentários sobre o que tem sido dito por seleccionadores e jogadores acerca de Iker Casillas estar no banco, o treinador do FC Porto, Sérgio Conceição deixou uma mensagem para Julen Lopetegui. «Casillas não vou dizer nada. Está convocado como todos os outros e depois logo se verá. Os quatro guardaredes têm trabalhado de forma fantástico. É o lugar que tenho mais dores de cabeça», afirmou Sérgio Conceição, em conferência de Imprensa. Sobre as palavras do seleccionador espanhol Julen Lopetegui e do defesa Sergio Ramos, por Casillas ter perdido a titularidade. «Não quero estar a falar sobre comentários de outras pessoas, mas quando Casillas jogar espero que Lopetegui veja e que ele seja convocado. Estou atento ao que os outros dizem.»

sexta-feira 17.11.2017

ESTADO ISLÂMICO ATENTADO MATA PELO MENOS15 EM CABUL

P

Dependendo do resultado deste encontro, podem apurar-se no Grupo B para a próxima fase da competição as equipas que sobem hoje ao relvado e o Ka I

FUTEBOL DE SETE BENFICA E SPORTING LUTAM POR PASSAGEM ÀS ‘MEIAS’

Hora das decisões

B

ENFICAde Macau e Sporting de Macau defrontam-se esta tarde, às 19h30, no Canídromo num encontro que vai decidir a passagem às meias-finais, do Torneio de Futebol de Sete. Neste momento, e dependendo do resultado deste encontro, podem apurar-se no Grupo B para a próxima fase da competição as equipas que sobem hoje ao relvado e o Ka I. No entanto, o técnico leonino, Nuno Capela, recusou ontem considerar que este é um encontro de “tudo ou nada”, em declarações ao HM. “Para o Sporting não é um jogo de tudo ou não. É um jogo difícil contra uma grande equipa. Vamos procurar disputar o jogo e a passagem às meias finais”, disse Nuno Capela. Ao longo do torneio, os leões tem mostrado dificuldades no momento da finalização, porém o treinador espera que esses problemas sejam finalmente ultrapassados. “Temos de encontrar o equilíbrio entre marcar e não sofrer

golos. Vou manter a mesma identidade da equipa, vamos procurar jogar o jogo pelo jogo, jogar bem e apostando num futebol de ataque”, sublinhou o técnico. “Não vamos mudar a nossa forma de jogar porque precisamos de pontos. A matriz do clube é esta, futebol de ataque e rápido. Vamos manter essa mesma filosofia”, acrescentou.

INTERNACIONAIS NÃO PREOCUPAM

Ao contrário dos verde-e-brancos, o Benfica forneceu alguns dos seus jogadores à Selecção de Macau, que perdeu na terça-feira diante do Quirguistão. Contudo, o director técnico, Daniel Melo, declarou, ao HM, que não está preocupado com a questão do cansaço acumulado. “Não vai ser um problema, por vezes até sentimos é que eles [os jogadores] tem falta de jogos deste tipo, de maior ritmo competitivo. Pode considerar-se uma sobrecarga física, mas faz sempre bem em termos anímicos”, afirmou Daniel Melo.

“Dentro das expectativas que existia, Macau até conseguiu dar uma boa réplica pelo que pode haver cansaço, mas também para evoluir os jogadores precisam de defrontar equipas com níveis mais elevados. Não vejo como é que isto possa influenciar o plantel de forma negativa”, explicou. Por outro lado, este é um encontro em que o Benfica vai entrar desde início com a vitória em mente, apesar de poder dar-se o caso de ser apurado com uma derrota. “A nossa abordagem é sempre a mesma. Com muito respeito pela outra parte, não temos outro pensamento que não seja entrar para competir e lutar pela vitória”, garantiu o director técnico do clube. As duas equipas que se apurarem do Grupo B do Torneio de Futebol de Sete vão ter pela frente o Cheng Fung ou o Kei Lun, que já se apuraram para as meias-finais, através do Grupo A. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

ELO menos 15 pessoas, incluindo oito polícias e o atacante, morreram ontem e 18 ficaram feridas num atentado suicida à entrada de um hotel no noroeste de Cabul, reivindicado pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI). “O atacante quis entrar mas, após ser identificado pela polícia que vigiava a entrada, detonou os seus explosivos na rua principal frente ao hotel”, assegurou o porta-voz da polícia de Cabul, Basir Mujahid, citado pela agência noticiosa Efe. Pelo menos oito polícias destacados no hotel foram mortos, para além de seis civis e o atacante, enquanto 11 civis e sete polícias ficaram feridos, precisou. Um primeiro balanço apontava para nove vítimas mortais. Segundo Mujahid, o ataque ocorreu frente ao hotel Kabul-e-Naween pouco após as 13:00 locais. O chefe do Governo afegão, Abdulah Abdulah, condenou em comunicado o “cobarde atentado terrorista” e destacou que “os inimigos do Afeganistão não podem, com este tipo de actos terroristas, evitar que o povo tenha liberdade social e outros valores democráticos”. O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do ataque através de um comunicado difundido pela agênciaAmaq, com ligações aos ‘jihadistas’. No momento do ataque decorria no interior do hotel onde o atacante tentou entrar um acto político em apoio a Atta Muhammad Noor, governador da província de Balkh (norte) e ex-senhor da guerra. No entanto, em declarações à agência noticiosa France-Presse (AFP), um dos seus assistentes referiu que o governador não estava presente na reunião. “Nós estávamos a deixar a sala, depois do almoço, quando ocorreu uma enorme explosão, partindo vidros e criando o caos e o pânico”, declarou um dos participantes, Harin Mutaref

Hoje Macau 17 NOV 2017 #3937  

N.º 3937 de 17 de NOV de 2017

Hoje Macau 17 NOV 2017 #3937  

N.º 3937 de 17 de NOV de 2017

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