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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

RÓMULO SANTOS

MOP$10

QUARTA-FEIRA 17 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3974

TIMOR-LESTE

Biografias

SULU SOU JULGAMENTO ADIADO PÁGS. 2-3

h De parcialmente JUIZ PREVIDENTE livre passa a livre E COM CAUTELAS Ideias, factos e ideais

MIGUEL MARTINS

ÚLTIMA

OPINIÃO MANUEL DE ALMEIDA

ATERROS

COUTINHO QUER CONCURSO PÚBLICO PÁGINA 5

hojemacau HABITAÇÃO SOCIAL DEPUTADOS SUGEREM ALTERAÇÕES À PROPOSTA DO GOVERNO

MADALENA IGLÉSIAS (1939-2018)

ELA SABIA QUEM ELE ERA

Cabaz de sugestões Os deputados querem mudar alguns aspectos do regime jurídico da habitação social para o tornar mais justo. Mas Au Kam San acha tudo errado, até porque, na sua opinião, o relatório sobre as necessidades de habitação foi “comprado”. Para o democrata, “quem paga, manda”. PÁGINA 7

CHINA CHORA SOBRE O PETRÓLEO DERRAMADO | PÁGINA 13 EVENTOS

Naufrágio assassino


2 grande plano

17.1.2018 quarta-feira

O

julgamento do deputado Sulu Sou e do activista Scott Chiang estava agendado para ontem de manhã, mas acabou por ser adiado, pela segunda vez, quando os intervenientes já estavam na sala de audiências. A juíza Cheong Weng Tong considerou que não estavam reunidas as condições para avançar com o caso, devido ao pedido da defesa para que Sulu Sou regresse temporariamente à Assembleia Legislativa, até que haja uma decisão final sobre a legalidade do processo que resultou na suspensão do seu mandato. A juíza do Tribunal Judicial de Base justificou a decisão com o “risco” da providência cautelar apresentada por Sulu Sou no Tribunal de Segunda Instância ser aceite, o que interromperia a suspensão do mandato do legislador e o voltaria a proteger pela imunidade parlamentar. Mesmo que as sessões do julgamento para ouvir as testemunhas, apresentação de provas e alegações finais fossem realizadas a tempo, a juíza apontou que poderia haver o risco da decisão do TSI ser tomada antes da leitura da sentença, o que colocaria automaticamente todo o processo em causa. A decisão de ontem foi tomada em pouco mais de uma hora, depois do Tribunal Judicial de Base ter sido notificado, logo pela manhã, pelo Tribunal de Segunda Instância e terem sido notificadas e ouvidas as partes envolvidas, ou seja os advogados de defesa e a representante do Ministério Público. Assim, frisou Cheong Weng Tong, “tendo em conta a necessidade de estar reunido o princípio processual da continuidade” e a possibilidade das decisões tomadas pelo tribunal poderem “ser consideradas inválidas ou incorrerem em vícios”, o

HOJE MACAU

Pela segunda vez o julgamento de Sulu Sou e Scott Chiang, por desobediência qualificada, foi adiado por tempo indeterminado. A juíza Cheong Weng Tong justificou a decisão com a providência cautelar que pode fazer Sulu Sou regressar à Assembleia Legislativa e impedir o prosseguimento do julgamento

julgamento foi adiado por tempo indeterminado. O objectivo passa por aguardar por uma decisão do TSI.

PROMESSA DE COMPROMISSO IGNORADO

Quando confrontado com este cenário, o deputado

Sulu Sou comunicou ao seu representante, o advogado Jorge Menezes, que estava disposto a abdicar da providência cautelar e a comunicar essa decisão ao TSI até hoje. “Se o tribunal considerar que é suficiente para não

criar um impedimento e o julgamento prosseguir, o meu cliente, Sulu Sou, está disposto a comprometer-se a abdicar do pedido de suspensão de eficácia da deliberação da Assembleia Legislativa no Tribunal de Segunda Instância”, disse

CASO SULU SOU JULGAMENTO QUE

FALSA

Jorge Menezes, na sala de audiência. “Esse compromisso vai ser comunicado hoje [ontem] ou, o mais tardar, amanhã [hoje]”, frisou. Apesar da promessa do deputado suspenso, a juíza não esboçou qualquer resposta, limitando-se a

declarar que o julgamento ia ser adiado. Porém, momentos antes, Cheong Weng Tong tinha-se mostrado muito agastada com a situação, uma vez que considerou que a defesa tinha o dever de ter informado o TJB sobre a providência


grande plano 3

quarta-feira 17.1.2018

PARTIDA

PODE CAUSAR PERDA DE MANDATO ADIADO

“CONFIANTES NUM JULGAMENTO JUSTO”

À

entrada para o tribunal, ontem, o deputado suspenso Sulu Sou declarou estar confiante num julgamento justo e encorajou os jovens interessados na política a não abdicarem das suas ambições: “Estamos confiantes num julgamento justo. Agradeço à imprensa e aos cidadãos toda a atenção que me têm dedicado nos últimos dois

meses. Espero do fundo do coração que os jovens que se interessam pela política continuem com os seus esforços”, disse Sulu Sou. O pró-democrata voltou a abordar o caso, já no fim da audiência, em comunicado, afirmando que a defesa vai ponderar se abdicar da providência cautelar ainda é a melhor solução, visto que o julgamento já foi adiado.

CÂNDIDO DE PINHO DECIDE PROVIDÊNCIA CAUTELAR

A

decisão sobre a providência cautelar que pode fazer com que Sulu Sou regresse de forma temporária à Assembleia Legislativa está nas mãos do juiz José Cândido de Pinho, que foi escolhido para ser o relator do caso. A decisão sobre o processo

que entrou no tribunal a 4 de Janeiro deve ser conhecida dentro do período de um mês. Neste momento, já houve uma primeira resposta à providência cautelar por parte da Assembleia Legislativa, a 8 de Janeiro, que invocou o “interesse público”

para que o regresso de Sulu Sou ao hemiciclo não tivesse ocorrido de imediato. No entanto, a defesa da AL, a cargo do advogado Lei Wun Kong, ainda está a preparar a contestação formal, que só vai ser entregue ao tribunal mais tarde.

PEDRO LEAL ASSUME DEFESA DE SCOTT CHIANG

F

oi uma das novidades de ontem. O advogado Pedro Leal surgiu como representante de Scott Chiang no Tribunal Judicial de Base, entrando no edifício do tribunal acompanhado pelos arguidos e pelo colega Jorge Menezes. “Há cerca de três dias fui contactado e assumi o patrocínio do Scott Cheang. Era uma decisão que já estava decidida

Janeiro. A resposta da Assembleia Legislativa foi dada a 8 de Janeiro. Porque razão não informou este tribunal?”, perguntou Cheong. “Se soubesse que tinham sido apresentados esses processos não tinha agendado para hoje a sessão do julgamento. O Dr. [Jorge Menezes] tem o dever de colaboração com o tribunal e devia ter apresentado essa informação”, apontou. “A minha intenção nunca foi perturbar o andamento da sessão e não queria que o tribunal ficasse com a impressão que recorremos a outro tribunal para perturbar este processo”, respondeu o advogado. “Queríamos que os dois processos corressem de forma separada para que não se afectassem, mas admito que não ponderei completamente os efeitos. Deixo a ponderação sobre a situação ao tribunal. Quero realçar que não se tratou de nenhuma estratégia para atrasar o julgamento”, sublinhou.

MP APOIOU ADIAMENTO

cautelar e sobre o recurso da suspensão do deputado. Estes são dois processo que foram apresentados pela defesa e decorrem no TSI.

SERMÃO À DEFESA

Como a defesa não comunicou ao tribunal a existência

dos outros processo, a juíza apenas teve conhecimento oficial dos mesmos na manhã de ontem. Cheong Weng Tong mostrou-se bastante incomodada com a situação e não hesitou em utilizar um tom mais áspero para questionar o advogado Jorge Menezes.

“Se o processo de suspensão de eficácia for diferido o arguido Sulu Sou volta a assumir as funções de deputado e não podemos avançar com o processo. Disse que os outros processos tinham sido entregues no outro tribunal no dias 4 de Janeiro e 5 de

Ainda antes de Sulu Sou ter admitido a hipótese de voltar atrás com a providência cautelar, tanto o MP, que está representado no julgamento através de Mei Fan Chan da Costa Roque, como o advogado de defesa de Scott Chiang, Pedro Leal, concordaram que o adiamento seria a melhor opção. “Muito provavelmente, devido ao pedido de sus-

há cerca de sete dias, mas só hoje [ontem] é que foi revelada. Não tem grande relevância, se o julgamento tivesse sido realizado, acredito que tivesse sido uma situação que nem se levantava”, afirmou Pedro Leal, em declarações ao HM. O causídico escusou-se ainda a prestar mais declarações, a de Scott Chiang e Sulu Sou.

pensão de eficácia, Sou Ka Hou vai retomar as funções e o processo crime não vai poder continuar”, começou

“Se soubesse que tinham sido apresentados esses processos não tinha agendado para hoje a sessão do julgamento. O Dr. [Jorge Menezes] tem o dever de colaboração com o tribunal e devia ter apresentado essa informação.” CHEONG WENG TONG JUÍZA

“A minha intenção nunca foi perturbar o andamento da sessão e não queria que o tribunal ficasse com a impressão que recorremos a outro tribunal para perturbar este processo.” JORGE MENEZES ADVOGADO DE SULU SOU

por dizer Mei Fan Chan da Costa Roque. “Há um risco e há que ter em conta o princípio da continuidade, que é um dos princípios processuais”, acrescentou. “Concordo com a posição do Ministério Público. Eu e o meu colega [Jorge Menezes] não tomámos este aspecto em conta. Podemos tentar acabar o julgamento antes de uma decisão [do TSI], mas corremos o risco de enquanto esperamos pela sentença haver a decisão e isso impede o julgamento de prosseguir”, considerou, por sua vez, Pedro Leal. Esta é a segunda vez que o julgamento é adiado. A primeira sessão estava agendada para 28 de Novembro, mas a data teve de ser alterada para que a Assembleia Legislativa votasse o levantamento da imunidade parlamentar do deputado. Sulu Sou e Scott Chiang são acusados do crime de desobediência qualificada devido às manifestações contra uma doação da Fundação de Macau à Universidade de Jinan, no valor de 100 milhões de yuan. A pena máxima para o crime aplicado é de 2 anos de prisão. Caso Sulu Sou seja considerado culpado e condenado com uma pena superior a 30 dias, a Assembleia Legislativa pode votar a perda do mandato do pró-democrata. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com


4 política

17.1.2018 quarta-feira

GOOGLE MAPS

GOVERNO PROPÕE LIMITE AO NÚMERO MÁXIMO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS

A

AGÊNCIAS DE EMPREGO DEPUTADOS TEMEM EFEITOS NEGATIVOS PARA EMPRESAS E FAMÍLIAS

Contra o caos laboral

Concordam com a proposta de lei, mas temem mais dificuldades na contratação de trabalhadores não residentes, dado o aumento dos custos para as famílias e consequente perda de negócio para agências de emprego. Imune às críticas, o diploma foi ontem aprovado na generalidade por uma maioria

C

AOS” foi a palavra mais utilizada pelos deputados durante o debate de ontem que serviu para votar, na generalidade, a lei da actividade de agência de emprego. Apenas a deputada Angela Leong se absteve. Vários deputados revelaram estar preocupados com um possível impacto negativo junto das empresas que fazem este tipo de serviço. Isto porque o novo diploma deixa claro que as famílias e empresas devem contratar trabalhadores não residentes (TNR) através das agências de emprego. Contudo, os deputados tem que, com o aumento dos custos com as cauções, os empregadores contratem menos TNR, algo que pode levar à falência de algumas agências. “Em Macau é difícil contratar trabalhadores e muitas agências de emprego irão à falência. Se proibirmos essas agências de prestarem serviços de apresentação de emprego aos TNR, isso vai afectar muitas famílias que precisam de empregadas domésticas para tratar das suas crianças e idosos”, disse o deputado Kou Hoi In.

A deputada Wong Kit Cheng lembrou que, actualmente, são muito poucos os TNR que recorrem às agências de emprego em busca de trabalho. “Há uma situação caótica no mercado de trabalho e as empregadas domésticas entram como turistas, sem qualquer fiscalização. Os empregadores queixam-se de que não conseguem encontrar empregadas de qualidade, o que gera conflitos. Neste momento é difícil contratar empregadas e as agências também entram em falência, pois apenas 10 mil empregadas recorrem aos seus serviços. Estas não conseguem cobrar honorários”, frisou. Já o deputado Ho Ion Sang descreveu o cenário que actualmente se verifica no território: os estrangeiros chegam como turistas e através de amigos e conhecidos vão encontrando trabalho. “Acredito que esta proposta de lei consiga tratar das irregularidades praticadas actualmente pelas agências. Os TNR, por vias particulares ou pela via dos amigos, conseguem mudar de emprego. No futuro só se pode contratar através das agências de emprego, e isso pode constituir uma barreira. A sociedade

preocupa-se com isto, sobretudo os custos.”

LACUNAS EM TODO O LADO

A procura ilegal de trabalho em Macau por parte dos TNR foi um tema bastante abordado durante o debate, com vários deputados a exigir a revisão da lei de recrutamento de TNR. Contudo, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, não respondeu aos apelos do hemiciclo, que exigiam a indicação de uma data para a apresentação de uma nova proposta de lei. A deputada Song Pek Kei pediu uma uniformização

“Neste momento é difícil contratar empregadas e as agências também entram em falência, pois apenas 10 mil empregadas recorrem aos seus serviços. Estas não conseguem cobrar honorários.” WONG KIT CHENG DEPUTADA

das leis relacionadas com o mercado laboral e com a contratação de estrangeiros, tendo alegado que, só com esta lei, é impossível resolver todas as lacunas. “Se calhar temos de trabalhar na revisão da lei de contratação de TNR. Há aqui uma certa discrepância e para os operadores tem impacto e constitui uma injustiça. Podemos ou não uniformizar o sistema? Há uma desarticulação dos diplomas e há lacunas.” Lionel Leong admitiu que a lei de actividade das agências de emprego não vem resolver todos os males do mundo laboral e afirmou que tem vindo a estudar a matéria dos recrutamentos ilegais. “Esta lei regula as agências de emprego, e posso dizer que é impossível através desta lei resolver todas as lacunas sobre os TNR e as empregadas domésticas. Sabemos que há pessoas que chegam como turistas e que procuram emprego e temos falado com juristas sobre a questão, sobre as medidas que podem ser tomadas para resolver este assunto”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

proposta de lei apresentada pelo Governo para alterar o estatuto dos trabalhadores da administração pública tem como destaque os instrumentos de flexibilização quanto ao regime de férias e horas extraordinárias. Sónia Chan apresentou a proposta aos deputados, que será votado hoje, tendo como principais alterações a permissão dos trabalhadores não gozarem de 10 dias úteis de férias seguidas por motivo de serviço, sendo ainda, obrigatório o gozo mínimo de 11 dias úteis em cada ano civil. No que diz respeito ao limite do número de férias a transferir por conveniência do serviço propõe-se o aumento para 33 dias úteis. Neste aspecto, Pereira Coutinho argumentou que “muitos funcionários públicos não conseguem ter férias e acumulam dias, o que é um mau fenómeno”. O deputado acrescentou que “os trabalhadores são seres humanos, pode optar pela compensação, podem optar por férias e não pelo dinheiro”. Quanto ao regime de prestação de trabalho extraordinário, o Governo propõe que períodos iguais ou superiores a meia hora de trabalho extraordinário podem ser acumulados e contados para efeitos de compensação. Assim sendo, Sónia Chan entende que o limite anual de prestação de trabalho extraordinário deve ser cancelado, mantendo-se o limite mensal de 52 horas. Neste capítulo, Pereira Coutinho realça que muitos serviços públicos deparam-se com um volume considerável de trabalho e que, mesmo definindo 600 horas, os trabalhadores vão exceder este limite. João Luz (com A.S.S.)

Empresas com fundos públicos Lionel Leong diz ser necessária mais fiscalização

O relatório relativo à execução orçamental de 2016 foi ontem aprovado na especialidade por todos os deputados da Assembleia Legislativa, não sem antes a deputada Agnes Lam alertar para a falta de fiscalização das empresas com participações públicas. “Em 2016 houve um investimento acima das seis mil milhões de patacas e há falta de um mecanismo de fiscalização sobre essas empresas públicas. A empresa de gestão do metro ligeiro vão entrar em funcionamento e há uma falta de fiscalização. Que medidas vão ser adoptadas para evitar o desvio de recursos públicos?”, questionou. O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, garantiu que todas as empresas devem elaborar um relatório de actividades, a ser avaliado por terceiras entidades. Ainda assim, defendeu que são necessárias melhorias. “Há que aperfeiçoar o funcionamento”, concluiu.


política 5

quarta-feira 17.1.2018

O recado a Vong Hin Fai

ÁREAS MARÍTIMAS COUTINHO EXIGE CONCURSO PÚBLICO PARA CONCESSÃO DE TERRENOS

Terra à vista

Pereira Coutinho apela à garantia da independência dos tribunais

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debate sobre a votação da lei de bases de gestão das áreas marítimas resultou num longo braço de ferro entre o deputado José Pereira Coutinho e a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan. O diploma foi aprovado na generalidade, mas Pereira Coutinho chegou mesmo a dizer que votaria contra caso não obtivesse explicações sobre a forma como os terrenos inseridos nos 85 quilómetros quadrados de área marítima serão concessionados no futuro. Contudo, acabaria por votar a favor. Macau passa agora a gerir esta área cedida por Pequim, mas o deputado lembrou que a lei de bases de gestão não determina se esses terrenos serão ou não concedidos pela via do concurso público. “Espero que esta matéria possa ser regulada por lei, pois tem a ver com os direitos inerentes às concessões. Estes terrenos podem vir a ser concessionados a particulares, espero que haja mais transparência. Será por concurso público, ajuste directo? As orlas marítimas não deixam de ser um bem muito importante para Macau.” O deputado questionou também se caberá à nova comissão de gestão das áreas marítimas a decisão sobre o tipo de concessão a realizar. “É a comissão que decide se é por concurso público ou ajuste directo? Espero que seja por concurso público para evitar problemas.” A secretária deixou claro que “existe um pla-

TIAGO ALCÂNTARA

O deputado José Pereira Coutinho pressionou a secretária para a Administração e Justiça quanto aos futuros aterros inseridos nos 85 quilómetros quadrados de águas marítimas que passam a ser geridos pela RAEM. O deputado quer que a defina a realização de concurso público para a cedência dos terrenos. Sónia Chan promete cumprir as leis do território

ÃO mencionou nomes, muito menos se referiu ao caso do deputado suspenso Sulu Sou. Contudo, a interpelação oral ontem lida pelo deputado José Pereira Coutinho no período antes da ordem do dia, no debate da Assembleia Legislativa (AL), foi uma resposta clara ao projecto de resolução apresentado pelos deputados Vong Hin Fai e Kou Hoi In. Na interpelação apela-se à manutenção da independência dos tribunais. “Há, a nível mundial, incluindo a RAEM, a tendência cada vez maior de, mediante acções concretas do poder político de actuar com medidas concretas de se intrometer, influenciar e enfraquecer a autonomia e a independência dos juízes e tribunais.” O deputado fez votos para que “todos nós saibamos compreender a importância de haver tribunais e juízes independentes e que nos abstenhamos de influenciar e prejudicar o trabalho e o próprio sistema judicial que

ainda perdura na RAEM, considerado um dos pilares do segundo sistema da RAEM”. José Pereira Coutinho lembrou também que os cidadãos “nunca querem ver uma ingerência, interferência e a fragilização da independência do poder judicial pelos órgãos Executivo e Legislativo, porque compreendem que o resultado compromete a obtenção de decisões justas e imparciais”. Ontem estava incluída na agenda a discussão e votação do projecto de lei apresentado por Vong Hin Fai e Kou Hoi In, mas devido aos diversos pontos que foram analisados pelos deputados a votação realiza-se hoje. O projecto de resolução afirma que casos de teor político relacionados com o hemiciclo não devem ser julgados nos tribunais. Este foi apresentado depois de Sulu Sou ter recorrido da decisão da Mesa da AL a tribunal, pelo facto desta não se ter pronunciado sobre a sua suspensão. A.S.S.

AMBIENTE ANGELA LEONG ALERTA PARA DIFICULDADES NA RECOLHA DE RESÍDUOS

A neamento geral para o desenvolvimento dessas áreas” e que as concessões serão efectuadas de acordo com a lei de terras em vigor. “Quanto aos aterros, carecem de autorização do Governo Central e a concessão vai ser feita de acordo com a lei de terras. Os aterros que ainda não estão formados, e que serão para uso temporário das áreas, temos algumas normas”, frisou Sónia Chan. José Pereira Coutinho deixou bem claro que não quer ver implementada uma “lei bifurcada”. “A lei de bases de gestão das áreas marítimas é clara: não há nada para o jogo. Temos uma lei de terras e o Governo tem de ter uma política geral em relação ao uso dos terrenos. Só podem haver concessões por concurso público, mas a lei de bases não refere isso. Vão haver muitos pedidos porque sabemos que cá em Macau toda a gente está interessada nos terrenos”, adiantou.

COMISSÃO DECISÓRIA

A lei de bases de gestão das áreas marítimas será, como o nome indica, a

base para todas as outras leis que serão criadas nos próximos anos para gerir os espaços que Pequim deu a Macau para gerir. Liu Dexue, director dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ), explicou ontem que falta ao Governo realizar 47 trabalhos legislativos, tais como leis, regulamentos administrativos ou outros diplomas. Será criada uma comissão liderada pelo Chefe do Executivo e composta pelos cinco secretários, que terá como responsabilidade coordenar todos os trabalhos de gestão dos 85 quilómetros de área marítima. Esta comissão irá tomar decisões, garantiu Sónia Chan. “É um órgão decisório mas não é um órgão consultivo, tendo a responsabilidade de fazer o planeamento para o desenvolvimento das áreas marítimas. Cabe a esta comissão fazer a elaboração de diplomas e emitir orientações. Será um órgão decisório do mais alto nível”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

deputada Angela Leong alertou ontem para o impacto da recente proibição da importação de resíduos sólidos por parte da China, pedindo ao Governo que ajude o sector da recolha de lixo a ultrapassar as dificuldades. “Isto afectou, sem dúvida, o sector de reciclagem de Macau, já com dificuldades”, afirmou, na sua intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa, referindo-se à proibição na China da “importação de resíduos de plástico e papel não tratado, entre outros 24 tipos de materiais”, em vigor desde 01 de janeiro. Angela Leong deu conta de que, no ano passado, foram transmitidos os “elevados custos com a exploração”, mas que o Governo “apenas respondeu que ia ponderar definir medidas para apoiar”. Apesar de, posteriormente, ter avançado com um plano de apoio financeiro à aquisição de equipamentos para a indústria de recolha de resíduos, o sector criticou “a falta de efeitos” do mesmo e apontou que a

Direção dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA) “não percebe as dificuldades” que enfrentam e que “políticas gerais para promover o desenvolvimento” do setor se afiguram mais necessárias, afirmou. “Os apoios concedidos pelas autoridades ao sector da reciclagem são insuficientes”, pelo que “tem vindo gradualmente a diminuir face a diversos tipos de pressão”, disse a deputada, instando o Governo a proceder a “uma análise” sobre o seu funcionamento e a “definir, quanto antes, políticas para responder às suas exigências”. Angela Leong exortou também o executivo a “reforçar os apoios relativos aos trabalhos de protecção ambiental”, bem como a “ponderar as necessidades do sector ao nível de terrenos, aquando do planeamento dos mesmos a longo prazo”.

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AVISO Faz-se saber que, em relação ao concurso público para «Empreitada de construção da ligação de drenagem residual na Avenida da Ponte da Amizade – 2.ª Fase», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 52, II Série, de 27 de Dezembro de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infraestruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, Macau. Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 8 de Janeiro de 2018. O Coordenador, substituto Luís Madeira de Carvalho


6 política

17.1.2018 quarta-feira

A morte saiu à rua

ASSISTENTES SOCIAIS COMISSÃO JÁ ESCOLHEU ASSOCIAÇÕES QUE VAI OUVIR

Opiniões em grupo

Já são conhecidas as associações a serem ouvidas pela comissão que está analisar a proposta de lei relativa à acreditação de assistentes sociais. São seis entidades ligadas ao sector e ainda um grupo de profissionais e dois de estudantes, locais e de Taiwan. O relatório deve estar pronto no final do mês e o diploma pode ir a votação em Abril

E

STÃO escolhidas as associações que vão ser ouvidas pelos membros da 2ª comissão permanente no âmbito da análise na especialidade da proposta de lei intitulada relativa ao regime de acreditação profissional para assistentes sociais. “As associações que vamos ouvir são a Cáritas de Macau, a União Geral de Moradores de Macau (Kaifong), a Associação das Mulheres de Macau, a Associação de Assistentes Sociais de Macau e a Federação das Associações dos Operários de Macau” apontou o presidente da segunda comissão, Chan Chak Mo, após a reunião de ontem. Além das associação vão ainda ser ouvidos três grupos considerados de relevo para a matéria em causa: um de assistentes sociais, um de estu-

Deputados fazem sugestões depois de acidente com autocarro

V

Chan Chak Mo, presidente da 2ª comissão permanente

dantes de Taiwan, e um terceiro composto por estudantes do curso, locais. A razão, apontou o presidente de sede de comissão, tem que ver com a necessidade de auscultar os conteúdos curriculares e as perspectivas de futuro. “Queremos ouvir as perspectivas de emprego que têm estas pessoas e as composições curriculares dos cursos que frequentam”, disse. A maioria dos alunos do ensino superior de Macau que vai ser ouvida vem do Instituto Politécnico e a escolha de jovens de Taiwan tem que ver, salientou

Chan Chak Mo, com o facto de terem planos curriculares diferentes dos locais. Depois de ouvidas todas as entidades a comissão vai produzir um relatório, sendo que o próximo encontro de discussão “só deve acontecer a 31 de janeiro”, apontou o presidente.

OUVIR (QUASE) TODOS

A necessidade de auscultar as várias associações e as pessoas ligadas à assistência social acontece na medida em que o documento tem sido alvo de manifestação de muitas opiniões divergentes.

“Queremos ouvir as perspectivas de emprego que têm estas pessoas e as composições curriculares dos cursos que frequentam.” CHAN CHAK MO PRESIDENTE DA 2ª COMISSÃO PERMANENTE

Dada a vontade mostrada por muitos em serem ouvidos pela Comissão que tem em mãos a análise na especialidade da proposta que dita as normas de acreditação dos profissionais, Chan Chak Mo referiu que, para já, a comissão vai reunir com “todos os grupos que demonstraram interesse em ser ouvidos e, se no futuro houver mais interessados, vamos imaginar 400, vamos ter de escolher porque não há forma de os ouvir através de encontro com todos”, Apesar de ainda não existir uma data em concreto para a finalização do documento e a respectiva votação na Assembleia Legislativa, o presidente de sede de comissão apontou o mês de Abril como uma possibilidade. Sofia Margarida Mota (com J.S.F.)

info@hojemacau.com.mo

ÁRIOS deputados aproveitaram ontem o período de antes da ordem do dia para falar do acidente que vitimou mortalmente uma idosa na semana passada, depois de ter sido atropelada por um autocarro da Nova Era. Este era conduzido por um motorista que prestava serviços para a concessionária a tempo parcial. Na visão da deputada Song Pek Kei, o acidente ocorrido na rua Xavier Pereira “deveu-se à falta de recursos humanos, além das deficiências do regime de trabalho a tempo parcial”. “Mais, o funcionamento do metro ligeiro está atrasado, e os sistemas pedonais também não conseguem surtir efeitos, o que acarreta grandes riscos para o trânsito”, acrescentou a deputada, que fez uma sugestão. “Deve tentar-se estudar um plano de redes viárias públicas nas margens costeiras a este, para que haja um autocarro directo entre a Taipa, os NAPE e as Portas do Cerco, reduzindo-se a pressão do trânsito nos bairros antigos e urbanos e aumentando a eficiência do trânsito.” “Não queremos mais nenhum acidente rodoviário.” Foi desta forma que o deputado Zheng Anting iniciou a sua intervenção, onde criticou o facto do Governo pretender aumentar as tarifas dos autocarros sem garantir mudanças ao nível da qualidade. “Sem se verificarem aperfeiçoamentos significativos na qualidade dos serviços de autocarros, o Governo lançou, à pressa, uma proposta de aumento das tarifas e fez o público dúvidar, uma vez que este entende que a proposta não é razoável e que há falta de fundamentos.” O número dois de Mak Soi Kun no hemiciclo lembrou que sem outras soluções as vozes de oposição não vão diminuir. “Se a intenção do Governo é esperar, com o aumento das tarifas, reduzir os subsídios financeiros atribuídos anualmente às companhias de autocarros, mas sem elevar a qualidade dos serviços prestados, só vão existir mais vozes de oposição.” Mak Soi Kun exigiu a criação de um regime de carteira profissional. Tudo para que “os diferentes motoristas portadores de carta de condução de pesados só possam conduzir depois de obterem a carteira profissional”, apontou. “O facto do motorista ter carta de pesados não significa o domínio das técnicas de segurança. Devem, portanto, passar por formação e só depois de aprovados no exame, e de obtido o certificado, é que devem poder trabalhar”, rematou o deputado. A.S.S.


sociedade 7

quarta-feira 17.1.2018

HABITAÇÃO PROPOSTA DE REGIME JURÍDICO JÁ TEM SUGESTÕES DE ALTERAÇÃO

Tempo e dinheiro HOJE MACAU

As primeiras alterações à proposta de lei relativa ao regime jurídico da habitação social começam a ser sugeridas. Os rendimentos de um cônjuge não residente vão ser considerados no processo de candidatura e o tempo de espera para recandidatura de um membro de um agregado familiar que tenha comprado uma casa económica passa a ser de cinco anos

Ho Ion Sang, presidente da 1ª comissão permanente “Um elemento do agregado familiar que tenha comprado habitação económica nos últimos 10 anos não pode candidatar-se a habitação social.”

A

proposta de lei relativa ao regime jurídico da habitação social ditava dez anos de espera para um membro de um agregado familiar que tivesse comprado uma fracção de habitação económica, mas os membros da primeira comissão permanente não concordam, e pedem que que seja mudado para cinco.

Em causa, estão possíveis mudanças de situação económica dos membros deste agregado que podem justificar a candidatura a uma habitação social mais cedo. “Segundo a proposta do Governo um elemento do agregado familiar que tenha comprado habitação económica nos últimos 10 anos não pode candidatar-se a habitação social”, começou por referir o presidente

da sede de comissão onde a proposta está em análise na especialidade, o deputado Ho Ion Sang. No entanto, os deputados que estão a discutir o documento consideram que há situações que requerem que este prazo de espera seja diminuído e apontam os cinco anos como o tempo de espera mais adequado. “Nós consideramos que é uma

situação que precisa de alterações porque temos de pensar que os filhos desse agregado podem querer viver sozinhos e ser pobres”, justificou Ho Ion Sang, ontem, após a reunião da comissão.

MAIS ATENÇÃO

No que respeita aos arrendamentos, o Governo propõe que quem faz parte de um agregado que tenha

RELATÓRIO “COMPRADO”

O

relatório relativo às necessidades de habitação social recentemente divulgado continua a ser alvo de polémica, desta feita com a acusação de Au Kam San de que foi feito de acordo com o princípio de “quem paga manda”. Para o deputado pró democrata trata-se de um documento em que os dados são falsos. “O estudo tem como ponto de partida a situação em 2016, por isso é que se chegou, através de inferência, à conclusão de que a procura de habitação económica e social corresponde a 16 mil e sete mil respectivamente, mas isto, evidentemente não corresponde à realidade, afirma Au Kam San. Em causa está o facto de que os dados considerados em 2016 eram errados por não serem completos. “Pode ver-se que grande parte dos principais dados do relatório sobre a procura de habitação pública consiste em dados demográficos, de forma a que os dados do passado, relativos aos pedidos de habitações económicas e sociais, não foram incluídos”, lê-se na interpelação que dirigiu ao Governo. De acordo com o deputado, é um estudo irreal que põe em causa as entidades que se dizem independentes e a quem o Governo recorre para realizar pesquisas. Se até agora, considera, podiam ser consideradas “de confiança”, para Au Kam San, com o estudo relativo à habitação, “quem paga, manda” e o descrédito alarga aos estudos académicos. “Conseguir falsas realidades através dos estudos académicos, afectando a definição de políticas com conclusões incorrectas é o mesmo que atirar sobre o próprio pé”, aponta Au Kam San, pelo que alerta, “as autoridades não devem ocultar nem omitir dados com vista ao controlo dos resultados”. S.M.M.

rescindido um contrato de arrendamento nos últimos três anos, referente a uma fracção social, não possa voltar a fazer parte de um processo de candidatura. Apesar do Executivo ter voltado atrás e ter definido um período de espera de cinco anos, a comissão ainda acha que este é um assunto que merece mais atenção. “Mas, nós consideramos que é preciso pensar melhor a situação porque em cinco anos uma pessoa pode recuperar financeiramente e voltar a cair na pobreza. É preciso ter isso em consideração, pelo que pedimos um tratamento especial”, revelou o presidente de sede de comissão.

NÃO RESIDENTE, MAS COM BENS

Outra das alterações que vai ser sugerida para a proposta actual tem que ver com a consideração ou não dos rendimentos de um elemento do agregado que seja cônjuge não residente. “A ideia de considerar um cônjuge não-residente como parte do agregado na avaliação dos pedidos para a habitação social foi uma questão que levantou algum debate, mas conseguiu reunir-se um consenso”, disse Ho Ion Sang. Para os membros da comissão tratando-se de um cônjuge, mesmo sendo não residente, deve ser tido como “especial”, e , como tal, “os seus rendimentos e património devem ser incluídos nos processos de candidatura”, apontou. Sofia Margarida Mota (com J.S.F.)

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 1/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 5 de Janeiro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de um analisador rápido de genoma total aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 17 de Janeiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP39,00 (trinta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 2/P/18

Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 21 de Fevereiro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 22 de Fevereiro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP40.000,00 (quarenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 11 de Janeiro de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 8 de Janeiro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Prestação de Serviços de Apoio Técnico Informático aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 17 de Janeiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP34,00 (trinta e quatro patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www. ssm.gov.mo ). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar

Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 7 de Fevereiro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 8 de Fevereiro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 148.200,00 (cento e quarenta e oito mil, duzentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 12 de Janeiro de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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17.1.2018 quarta-feira

TRABALHO FUNCIONÁRIOS DE ESCOLA DESPEDIDOS SEM JUSTA CAUSA QUEIXAM-SE A DEPUTADO Um grupo de trabalhadores despedidos sem justa causa queixou-se URANTE o ple- de Trabalho. Por exemplo, função pública o regime é que “sem uma protecção como o próprio Governo, ao deputado nário de ontem da para uma relação de traba- sempre mais rigoroso que para as resoluções a rela- que são extremamente proLei Chan U. Assembleia Legis- lho com duração entre um no privado, os trabalhadores ção de trabalho é instável e teccionistas do trabalhador, lativa, Lei Chan e três anos são devidos dez estão mais protegidos em imprevisível”, criando um em especial os residentes”. O legislador U mencionou ter dias de remuneração de base termos legais”, explica Isolda ambiente de desresponsabiOutra questão trazida recebido pedidos por cada ano. No fundo, as Brasil, advogada especializalização entre as partes. pelo deputado eleito por trouxe o caso de apoio de “vários trabalha- indemnizações dependem da em direito laboral. Apesar de concordar sufrágio indirecto é “o valor para o hemiciclo dores despedidos sem justa da extensão da duração do Caso não seja feito aviso com a relativa instabilidade máximo da remuneração causa e que não receberem relacionamento laboral, prévio, a lei ou aquilo que que as resoluções sem justa base mensal, actualizável de e aproveitou aviso prévio”. O deputado tendo um tecto máximo de for contratado entre as partes causa podem trazer ao mer- dois em dois anos segundo eleito por sufrágio indirecto 20 mil patacas. obriga a que o trabalhador cado laboral, Isolda Brasil a situação económica”, que para tecer referia-se a funcionários O caso trazido para dis- seja compensado pelos dias enquadra esta situação face passou em 2015 de 14 mil “que exerciam funções cussão na AL por Lei Chan de aviso devidos. à realidade economia local. para 20 mil patacas. No considerações numa empresa de prestação U tem contornos muitos “Do ponto de vista do entender de Lei Chan U, de serviços de promoção de específicos, uma vez que INSTABILIDADE ESTÁVEL trabalhador é óbvio que gera “há toda a necessidade de acerca da saúde escolar”, e que viram parece estar relacionado com Lei Chan U insurgiu-se con- instabilidade, mas no caso rever este valor quanto antes, instabilidade “os seus direitos serem le- funcionalismo público. “Na tra este regime, adiantando particular de Macau isso acaba porque a última actualização sados gravemente”. por ser diluído num mercado já foi há mais de dois anos”. que o regime Sem mencionar qual o de trabalho muito sui generis Para Isolda Brasil, este estabelecimento de ensino, onde não há desemprego”, tecto máximo indemniza“Apesar do regime ser um bocado provoca no ou empresa em questão, o comenta a jurista. tório “pode gerar algumas permissivo em termos de despedimentos, mercado de legislador afecto à FAOM A advogada acrescenta injustiças”, principalmente mencionou que após a firque “apesar de haver este para os trabalhadores que é apaziguado por termos uma autoridade trabalho e pediu ma ter ganho o concurso gestora das questões de trabalho, a regime um bocado permis- tenham sido despedidos sem de adjudicação aberto pela sivo em termos de despedi- justa causa depois de muitos o aumento do DSAL, extremamente proteccionistas do DSEJ, os funcionários foram mentos, este é apaziguado anos de casa, ou que tenham despedidos sem justa causa. por termos uma autoridade idade avançada. trabalhador, em especial os residentes.” valor máximo da Esta situação é permigestora das questões de João Luz (com A.S.S.) indemnização tida pela Lei das Relações trabalho, a DSAL, assim ISOLDA BRASIL ADVOGADA DE DIREITO LABORAL

Sem eira, nem beira

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quarta-feira 17.1.2018

Notariado Acordo de Cooperação entre Macau e Cantão

TIAGO ALCÂNTARA

Jogo Receitas no segmento de luxo saltaram 22 por cento

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S receitas do jogo bacará no segmento de luxo, também conhecido como VIP, cresceram 22 por cento de 33,3 mil milhões de patacas para 40,6 mil milhões de pataca, durante o quatro trimestre do ano passado, em comparação com o período homólogo. De acordo com os dados publicados, ontem, pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), as receitas do bacará no segmento de massas também registou um aumento, neste caso de 18,6 por cento, de 19,8 mil milhões de patacas para 23,4 mil milhões. No ano passado as receitas torais do sector do jogo foram de 265,7 mil milhões, o que representa um aumento de 19,1 por cento face a 2016, quando as receitas foram de 223,2 mil milhões.

Turismo Preços subiram em 2017

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turismo em Macau ficou mais caro no ano passado, com o índice que reflecte a variação de preços dos bens e serviços adquiridos pelos visitantes a recuperar depois de dois anos consecutivos de queda. O Índice de Preços Turísticos (IPT) médio registou no ano passado um aumento de 0,7 por cento, impulsionado sobretudo pela subida dos preços do alojamento em hotéis, dos serviços de restauração, bem como dos pastéis e doces chineses, segundo dados da Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Apesar de a diminuição de preços do vestuário, das malas e dos bilhetes de avião ter compensado parte do acréscimo, como refere a

DSEC, tal não foi suficiente para travar uma retoma do IPT no ano passado. Essa retoma tem lugar depois de dois anos consecutivos de quedas: em 2016 o IPT médio caiu 5,44 por cento, depois de ter recuado 0,86 por cento em 2015. Segundo dados oficiais, Macau recebeu, entre Janeiro e Novembro, mais de 29,5 milhões de visitantes, devendo o total relativo a 2017 ser divulgado na próxima semana. O visitante refere-se a qualquer pessoa que tenha viajado para Macau por um período inferior a um ano, um termo que se divide em turista (aquele que passa pelo menos uma noite) e em excursionista (aquele que não pernoita).

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: “EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO DO CENTRO DE DETENÇÃO DE VEÍCULOS DO CPSP EM COTAI - SERVIÇOS DE AVALIAÇÃO DO IMPACTO AMBIENTAL E DA CIRCULAÇÃO DO AR” 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.

Entidade que põe a prestação de serviços a concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Modalidade do concurso: Concurso Público. Local de avaliação: terreno sem número situado junto à Avenida do Aeroporto. Objecto da prestação de serviços: avaliar o impacto ambiental do empreendimento nas zonas circundantes, propondo medidas com o objectivo de reduzir eventuais impactos ambientais durante o período de construção e de entrada em funcionamento do mesmo. Prazo máximo para a prestação de serviços: 220 dias (duzentos e vinte dias) Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar a partir da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa do concurso. Caução provisória: MOP140 000,00 (cento e quarenta mil patacas), a prestar por depósito em dinheiro ou mediante garantia bancária aprovada nos termos legais. Caução definitiva: 10% do preço total da adjudicação, a prestar por depósito em dinheiro ou mediante garantia bancária aprovada nos termos legais após a adjudicação. Condições de admissão: apresentação do comprovativo do registo comercial ou do recibo de pagamento da contribuição industrial dos últimos anos em que a entidade exerceu actividades no âmbito de avaliação do impacto ambiental. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, r/c, Macau. Dia e hora limite: dia 26 de Fevereiro de 2018 (segunda-feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora limite para a entrega de propostas por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 11. Local, data e hora do acto público do concurso: Local: sala de reuniões da DSSOPT, sita no 17.º andar, Macau. Data e hora: dia 27 de Fevereiro de 2018 (terça-feira), pelas 9:30 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora estabelecida para o acto público do concurso por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou os seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura das propostas para os efeitos previstos no artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, para serem esclarecidos das eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados a concurso. 12. Línguas a utilizar na redacção da proposta: os documentos que instruem a proposta são obrigatoriamente redigidos numa das línguas oficiais da R.A.E.M.. Caso os documentos acima referidos estiverem elaborados noutras línguas, deverão os mesmos ser acompanhados de tradução legalizada para língua oficial, e aquela tradução deverá ser válida para todos os efeitos. 13. Local, hora e preço para a consulta e obtenção das cópias do processo: Local para consulta do processo: Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sito no 17.º andar. Hora: dias úteis das 9:00 às 12:45 horas e das 14:30 às 17:00 horas. Local para obtenção das cópias do processo: Secção de Contabilidade da DSSOPT, mediante o pagamento das respectivas despesas no valor de MOP100,00 (cem patacas) por exemplar. 14. Critérios de adjudicação e respectivas proporções: Valor da prestação de serviços - 60% Prazo de prestação de serviços - 10% Experiência em trabalhos de natureza semelhante - 10% Experiência profissional da equipa técnica - 10% Projecto de prestação de serviços - 10% 15. Documentos com esclarecimentos adicionais: os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, a partir de 31 de Janeiro de 2018, até à data limite para entrega das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais documentos com esclarecimentos adicionais. Região Administrativa Especial de Macau, aos 12 de Janeiro de 2018.

O Director de Serviços, Li Canfeng

criação de um mecanismo permanente para o intercâmbio e cooperação na área do notariado e o reforço da cooperação ao nível dos serviços jurídicos foram os temas que estiveram em discussão entre o Departamento de Justiça da Província de Guangdong e a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça, durante um encontro realizado ontem. Os governantes da província vizinha estiveram de visita a Macau e a comitiva liderada pelo chefe deste departamento do Interior da China, Zeng Xianglu, aproveitou a ocasião para discutir as questões relacionadas com o

notariado no âmbito da construção da Grande Baía e do projecto Um Faixa, Uma Rota. O encontro resultou num memorando de entendimento, que define a cooperação na área da formação, ajuda recíproca e discussões a nível académico.

Hipotermia Idoso deu entrada nas urgências

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EU ontem entrada no Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, um idoso com hipotermia. De acordo com os Serviços de saúde de Macau (SSM), tratava-se de um homem, com 69 anos de idade e que foi considerado como caso ligeiro, tendo tido alta. O caso vem alertar, mais uma vez, dizem os SSM, para a necessidade de ter cuidados extra com a chegada das baixas temperaturas que se vão continuar a fazer sentir nos próximos dias.


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ÓBITO MORREU A VOCALISTA DOS CRAMBERRIES

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vocalista da banda irlandesa The Cranberries, Dolores O’Riordan, morreu ontem, “subitamente”, em Londres, aos 46 anos, anunciou o seu agente. “Avocalista da banda The Cranberries estava em Londres para uma curta sessão de gravação”, lê-se num comunicado da agência Lindsey Holmes Publicity, citado pela AFP. Formada em 1989, a banda de ‘pop/rock’tornou-se mundialmente conhecida na década de 1990, com o álbum “Everybody Else Is Doing It, So Why Can’t We?”. “Something Else” é o mais recente álbum da banda, editado em Abril do ano passado, que inclui três novos temas e no qual revisitou alguns dos seus sucessos, acompanhada pela Orquesta de Câmara Irlandesa. Abanda actuou em Portugal em 2009, no Campo Pequeno, em Lisboa, e no ano passado cancelou a sua atuação em Cantanhede, na Beira Litoral, no âmbito da Expofacic. No comunicado emitido, a agência afirma que “a família está devastada e pediu para que se respeite a privacidade deste momento difícil”. The Cranberries, que protagonizaram êxitos como “Zombie”, “Dreams” ou “Linger”, venderam em todo o mundo mais de 40 milhões de discos, noticia a Efe. A banda irlandesa tinha-se dissolvido em 2002, e voltou a reunir-se em 2009, realizando então uma digressão mundial, que passou por Portugal. Em 2012, editou o álbum “Roses”. Em Maio do ano passado, a banda iniciou uma digressão europeia, tendo entretanto cancelado algumas actuações, devido a problemas de saúde da vocalista. Dolores O’Riordan nasceu em Limerick, no sudoeste da República da Irlanda. Durante os anos de interregno da banda, editou dois álbuns a solo, “AreYou Listening?” (2007) e “No Baggage” (2009). LUSA

17.1.2018 quarta-feira

ÓBITO MADALENA IGLÉSIAS MORREU COM 78 ANOS

Todos sabíamos quem ela era “Ele e Ela” foi o tema que eternizou a cantora Madalena Iglésias quando venceu o Festival da Canção em 1966. A cantora morreu ontem, em Barcelona, aos 78 anos

“É um nome de referência da música portuguesa. Nesse sentido, tenho muito respeito por ela e imensa pena da sua morte.”

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cantora Madalena Iglésias, que venceu o Festival da Canção em 1966 com a música «Ele e Ela», morreu ontem, aos 78 anos, numa clínica em Barcelona, Espanha. Madalena Lucília Iglésias do Vale nasceu a 24 de outubro de 1939, na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa. A cantora iniciou a carreira no Centro de Preparação de Artistas, na ex-Emissora Nacional, e em 1966 venceu o Festival RTP da Canção com o tema “Ele e Ela”, de Marco Canelhas. Na altura, Madalena Iglésias já se tinha apresentado, em 1959, na televisão espanhola, e em 1960 foi eleita por votação popular, através de subscritos, Rainha da Rádio e da Televisão. Em 1962, representou Portugal no Festival de Benidorm, que lhe abriu definitivamente as portas do mercado internacional. Em 2008, em declarações à Lusa, a propósito da publicação da sua fotobiografia “Meu nome é Madalena Iglésias”, de autoria de Maria de Lourdes de Carvalho, a intérprete afirmou que sempre se sentiu per-

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS 50 GRANDES ACONTECIMENTOS DA HISTÓRIA • Hugh Williams

São 50 factos essenciais que alteraram o curso da História, recordando Jesus Cristo, Henry Ford, Vasco da Gama ou a Internet. Compilados pelo prestigiado especialista britânico Hugh Williams, estes 50 momentos são basilares para compreensão da sociedade em que vivemos hoje, recheados ainda de apontamentos curiosos e factos históricos que nunca sonhou descobrir. Um livro repleto de personalidades, locais, batalhas e objectos, descritos com rigor e entusiasmo e tornando vivas as passagens mais marcantes da nossa História.

seguida pelo complexo da beleza, apesar de reconhecer que “estava à frente” do seu tempo. Além de “Ele e Ela”, do repertório da cantora fazem parte, entre outras, as canções “Silêncio Entre Nós”, “Poema de Nós Dois”, “Canção para um poeta”, “Canção Que Alguém Me Cantou”, “É Você”, “Oração Na Neve” e “De Longe, Longe, Longe…”, “Canção de Aveiro”, “Cuando Sali de Cuba”, “Ven esta noche”, “La frontera” e “La más bella del baile”. Marco de uma época O cantor e compositor Tozé Brito lamentou a morte de Madalena Iglésias, considerando que marcou uma época e é um nome de referência na música portuguesa. “É um nome de referência da música portuguesa. É inevitável não falar da Madalena Iglésias, quando

TOZÉ BRITO COMPOSITOR

se fala da história da música portuguesa. Nesse sentido, tenho muito respeito por ela e imensa pena da sua morte”, disse. Em declarações à agência Lusa, Tozé Brito, que não trabalhou nem escreveu nada para Madalena Iglésias, disse ter acompanhado “aquela geração”, que incluía nomes como Simone de Oliveira e António Calvário, entre outros. “Havia três ou quatro nomes que marcaram aquela época da música portuguesa, principalmente a Simone que foi ‘rival’ da Madalena Iglésias. Elas competiam por um lugar de rainhas da música portuguesa, de primeira dama na música portuguesa”, salientou. Tozé Brito disse ainda que Madalena Iglésias “foi uma grande senhora, uma mulher com comportamento exemplar, lindíssima, com muito boa presença em palco e que um ídolo da televisão”.

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Um botânico enamorado da sua planta carnívora. Um padre argentino que tem a faculdade de se desdobrar em corpos diferentes. Onze escritores mortos que o leitor nunca leu. Uma mulher-laranja que se deixa literalmente beber pelos seus amantes. Uma sociedade de estetas fascinados pelas marés negras. Uma tribo de índios da Amazónia que nenhum linguista compreende. E o extraordinário Pierre Gould, que ressurge incessantemente em diferentes trajes e disfarces…


eventos 11

JOANA GAMA TOCOU SATIE DURANTE 14 HORAS

TIAGO ALCÂNTARA

quarta-feira 17.1.2018

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pianista Joana Gama interpretou esta segunda-feira a peça “Vexations”, do compositor francês Erik Satie, numa maratona ininterrupta de 14 horas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Inserido no programa “Pianomania”, o recital começou às 10:00 e só terminou cerca da meia-noite. “Há uma preparação fora do piano que é muito intensa, porque não é possível treinar tantas horas de seguida. Estou a preparar o corpo para este momento de imobilidade, desacelerando o metabolismo para poder aguentar”, explicou a pianista à agência Lusa. Esta é a segunda vez que Joana Gama, 34 anos, interpretará “Vexations”, depois de a ter tocado em 2016, durante 15 horas, no festival Jardins Efémeros, em Viseu. A peça “Vexations” foi escrita por Erik Satie possivelmente em 1893, depois de um desgosto amoroso, e só foi descoberta postumamente. Satie deixou a indicação de que teria de ser tocada 840 vezes de seguida e de forma lenta. Da experiência de ter tocado “Vexations” em 2016, em Viseu, Joana Gama recorda-se que, durante essas horas, alguém lhe fez uma massagem nas costas, comeu dois quadrados de chocolate e borrifou a boca com água para não desidratar. Ficou com dores nas mãos e nas costas, mas isso não a impediu de repetir agora a experiência, que descreve como uma prova de alta competição. Desta vez fará uma massagem antes de se sentar ao piano, levará frutos secos e chocolate negro, caso precise de repor energias. Joana Gama permanece no universo de Erik Satie, no qual entrou há alguns anos. Desde 2016, a propósito dos 150 anos do nascimento do compositor, deu uma série de concertos em Portugal, coordenou uma edição especial da partitura “Embryons desséchés”, fez palestras em escolas, lançou os álbuns “Harmonies”, com Luís Fernandes e Ricardo Jacinto, e “Satie.150”, e fez um recital para crianças. “O que acho interessante em Satie é que ele, através da música, dos escritos, permite pensar em vários domínios. É infindável”, disse.

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Livraria Portuguesa recebe na próxima sexta-feira, às 18h30, uma palestra intitulada “O Dualismo do Judaísmo” que terá Allen Goldenthal como orador. O evento tem como intenção dar pistas sobre a dimensão cultural e religiosa de uma fé professada por 14,2 milhões de pessoas em todo o mundo. Allen Goldenthal vem de uma família judaica antiga, descendente directamente dos “kahanas”, uma linhagem de rabis que se estendeu pelo leste europeu durante o século XVI. “A minha facção do judaísmo é o Karaite, ain-

Do sagrado ao profano

Fórum Luso-Asiático organiza palestra sobre a “Dualidade no Judaísmo”

da obedecemos ao Antigo Evangelho, ou Torá, não temos nenhuma legislação moderna do judaísmo rabínico”, enquadra Allen Goldenthal. Quanto à situação do judaísmo na China, o palestrante diz que, normalmente, são os atributos culturais judeus que são reconhecidos no Oriente, e que “a experiência e exposição ao judaísmo é muito limitada”. O consultor internacional apenas dá como exemplo excepcional a comunidade

judaica de Kaifeng, “que tem mais de mil anos mas que, actualmente, apenas tem cerca de 70 famílias”. Em termos comparativos, o palestrante entende que “existem poucas diferenças entre as três religiões”, e que os conflitos “são mais lutas de poder” do que discrepâncias teológicas. No que diz respeito à polémica decisão da administração Trump em mudar a embaixada dos Estados Unidos em Israel para Jerusalém, Allen Goldenthal

acha que “será um passa em direcção à paz porque vem clarificar a confusão e o sentimento vago em relação a qual é a capital israelita”. Tal vazio, no entender do consultor, “permitiu que outros grupos tivessem oportunidade para desafiar o estatuto de Jerusalém”. Allen Goldenthal é da opinião de que os dias de hoje são relativamente desprovidos de moralidade e estrutura de valores devido à erosão do papel da religião na sociedade. “Acho que

perdemos as estribeiras, as pessoas fazem o que lhes apetece, há muito materialismo, pouca preocupação com o próximo e a estrutura familiar entrou em colapso. Quando havia um pano de fundo religioso sólido todos estes aspectos estavam controlados”, comenta. O palestrante acrescenta ainda que “quanto menos teologia, e quanto mais se diz que não existe Deus, todos os sectores da sociedade se fracturam e as pessoas lutam umas com as outras”. A palestra de sexta-feira na Livraria Portuguesa será em inglês. João Luz (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo

FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA FAJR FADISTA RICARDO RIBEIRO ESTREIA-SE NO IRÃO

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fadista Ricardo Ribeiro estreou-se ontem, no Irão, subindo ao palco do Festival Internacional de Música Fajr, em Teerão, onde interpretará temas do seu repertório, com incidência no álbum “Hoje É Assim, Amanhã Não Sei”. A actuação de Ricardo Ribeiro, em Teerão, “surge na sequência da crescente internacionalização do fadista, que, no ano passado, se estreou nos palcos britânicos”, segundo a sua

produtora. O fadista, distinguido com dois PrémiosAmália, é acompanhado no palco iraniano pelos músicos José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença, na viola, e Daniel Pinto, na viola baixo. Ricardo Ribeiro venceu no ano passado o Prémio Carlos Paredes/ Vila Franca de Xira ‘ex-aequo’ com o Quarteto ARTEMSAX & Lino Guerreiro, e fez parte do álbum “From Baroque to Fado”,

do ensemble Os Músicos do Tejo, dirigido por Marcos Portugal. A revista britânica Songlines, publicação especializada em músicas do mundo, nomeou, em 2017, o fadista para o Prémio Melhor Artista do Ano, pelo seu álbum “Hoje é Assim, Amanhã Não Sei”, que considerou ser a consolidação do intérprete de “Porta do Coração”. Depois do Irão, Ricardo Ribeiro atua no dia 31 de Janeiro, em Saint-

-Étiènne de Rouray, em França, no Thêatre du Rive Gauche. O criador de “Canção das Águas Claras” regressa a França em Fevereiro, atuando em Orléans, e em Março, depois de uma nova actuação francesa, em Achéres, inicia uma digressão pelos Estados Unidos. Em Abril, no dia 24, o intérprete de “Soneto de mal amar” estreia-se no palco da Konzerthaus, em Viena.


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17.1.2018 quarta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA “EMPREITADA DE CONCEPÇÃO E CONSTRUÇÃO DO PARQUE DE ESTACIONAMENTO NA PRAÇA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA”

Aviso

Candidatura para Projectos de Investigação Científica Co-financiados pelos “Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau” e “Fundação para a Ciência Natural da República Popular da China” para o ano de 2018

1.

Entidade que põe a obra a concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

2.

Modalidade de concurso: Concurso Público.

3.

Local de execução da obra: Praça da Assembleia Legislativa do Lago Nam Van.

4.

Objecto da Empreitada: Construção do Parque de Estacionamento na Praça da Assembleia Legislativa.

5.

Prazo máximo de execução: 450 (quatrocentos e cinquenta) dias de trabalho. O prazo de execução da obra apresentado pelo concorrente deve obedecer às disposições do n.º 7 do II.3 Preâmbulo do Programa de Concurso e dos n.os 5.1.2 e 5.2.2 das Cláusulas Gerais do Caderno de Encargos.

6.

Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso.

Conforme com o “Memorando de Entendimento sobre a Cooperação e o Intercâmbio Científica e Tecnológica entre a Fundação para a  Ciência Natural da China e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau”, anexo no memorando supramencionado “Plano de Trabalho sobre o Desenvolvimento do Apoio Financeiro em Conjunto para a Investigação Científica”, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau (FDCT) e a Fundação para a Ciência Natural da República Popular da China (NSFC) elaborar conjuntamente, o programa de co-financiamento de projectos de investigação para o ano de 2018.

7.

Tipo de empreitada: a empreitada é por preço global.

(1.)

8.

Caução provisória: MOP1 800 000,00 (Um milhão e oitocentas mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais.

9.

Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o adjudicatário tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva prestada).

10.

Preço Base: Não há.

Destinatários de apoio A fim de apoiar financeiramente os projectos de investigação, propostos em conjunto pelos investigadores científicos do Interior da China e da RAEM, relacionados com investigação básica e aplicação, serão prioritariamente apoiados projectos relacionados com a informática, a investigação da Medicina Tradicional Chinesa bem com os seus estudos farmacêuticos, oceanografia, protecção do meio ambiente, biociência, materiais inovadores, e ciências de gestão (gestão pública e políticas públicas).

11.

Condições de admissão: Serão admitidas como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição ou renovação. Neste último caso, a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação.

(2.)

12.

A sessão de esclarecimentos relativa à empreitada será realizada em 24 de Janeiro de 2018 (Quartafeira), pelas 11:00 horas, na sala de reunião do 17º andar da DSSOPT;

13.

Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, R/C, Macau; Dia e hora limite: dia 7 de Março de 2018 (Quarta-feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora limite para a entrega de propostas por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

14.

Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Sala de reunião da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 5 º andar, Macau; Dia e hora: dia 8 de Março de 2018 (Quinta-feira), pelas 9:30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a entrega de propostas de acordo com o ponto 13, ou em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora estabelecida para o acto público do concurso acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso.

Método e requisitos de candidatura (i) A entidade candidata de Macau deve negociar com o parceiro do Interior da China os conteúdos, plano e divisão de tarefas da investigação, preenchendo o Plano de Candidatura, assinando o acordo ou memorando de cooperação e apresentando a candidatura ao FDCT no prazo indicado. (ii) O formulário de candidatura deverá apresentar o título “Projecto FDCTNSFC”. (iii) O valor máximo de candidatura de projectos é de 2,5 milhões de patacas, com o prazo máximo de 3 anos, sendo atribuído periodicamente. A entidade de Macau financiada deverá realizar o projecto de acordo com o disposto na Declaração de Aceitação do Financiamento assinada com o FDCT. (iv) O investigador principal (PI) da parte de Macau apenas se pode encarregar, durante o mesmo período, de um só projecto apoiado conjuntamente pelo FDCT em cooperação com as agências da China. Não ficam sujeitos a esta restrição os membros. (v) O parceiro do Interior da China deverá simultaneamente entregar à NSFC, podendo as instruções relativas ao formato da mesma ser consultadas em detalhe da NSFC.

(3.)

Processo de avaliação (i) Findo o prazo de candidatura, o FDCT e a NSFC irão verificar em conjunto a lista dos projectos, sendo aceites como “Projectos FDCTNSFC” os projectos alistados simultaneamente pelo FDCT e pela NSFC. (ii) O FDCT e a NSFC procedem separadamente à avaliação dos projectos aceites, sendo o processo de avaliação do FDCT igual ao actual processo de avaliação dos projectos de investigação científica e tratado com prioridade. (iii) O FDCT e a NSFC irão organizar a banca de júri, composta por especialistas do mesmo domínio do Interior da China e da RAEM e dar a última avaliação sobre os projectos candidatos, levando em consideração o resultado anterior feito por ambas as partes. Após a conclusão do processo de avaliação, o FDCT e a NSFC seleccionam conjuntamente, a partir dos projectos aprovados, os projectos co-financiados, sendo a lista dos mesmos publicada simultaneamente por ambas as entidades.

(4.)

Data do requerimento De agora até 09 de Fevereiro de 2018.

(5.)

Forma de preenchimento Faça login no sistema de aplicativos on-line para concluir o aplicativo. Endereço: Av. Do Infante D. Henrique, no 43-53A, Edf. “The Macau Square” 11° K, Macau. Telefone: 28788777; Fax: 28722680 Correio electrónico: saf@fdct.gov.mo

15.

Línguas a utilizar na redacção da proposta: Os documentos que instruem a proposta (excepto a descrição ou especificação de produtos) são obrigatoriamente redigidos numa das línguas oficiais da RAEM. Caso os mesmos sejam elaborados noutra língua, devem ser acompanhados de tradução legalizada, a qual prevalece para todos e quaisquer efeitos.

16.

Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 17.º andar, Macau; Dias úteis: Das 9:00 às 12:45 horas e das 14:30 às 17:00 horas. As cópias do processo de concurso poderão ser obtidas na Secção de Contabilidade da DSSOPT, mediante o pagamento de MOP500,00 (quinhentas patacas).

17.

Critérios de avaliação das propostas e respectivas proporções: Critérios de avaliação das propostas Conceito da concepção Plano de trabalhos Experiência e qualidade em obras semelhantes Integridade e Honestidade Plano de manutenção do sistema de estacionamento mecânico (automático) Preço razoável

18.

Proporção 10% 15% 10% 5% 10% 50%

Esclarecimentos adicionais: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 17.º andar, na RAEM, a partir de 5 de Fevereiro de 2018 (inclusive) e até à data limite estabelecida para a entrega das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Região Administrativa Especial de Macau, aos 11 de Janeiro de 2018. O Director dos Serviços Li Canfeng

O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 2 de Janeiro de 2018


china 13

quarta-feira 17.1.2018

XI E TRUMP DISCUTEM COREIA DO NORTE E RELAÇÃO COMERCIAL

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HK TRÊS ACTIVISTAS CONTESTAM PENAS DE PRISÃO

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RÊS líderes do “movimento dos guarda-chuvas” contestaram ontem em tribunal a condenação a penas de prisão pelo papel nas manifestações pró-democracia de 2014, em Hong Kong. A condenação em Agosto de Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow a penas de entre seis e oito meses de prisão foi interpretada como um novo golpe contra militantes de reformas políticas na antiga colónia britânica. Depois desta sentença, o Ministério Público pediu um agravamento das penas decididas em primeira instância, o que foi entendido como uma ingerência crescente de Pequim nas questões internas de Hong Kong, em violação do princípio “Um país, dois sistemas”, definido para a transferência da soberania do Reino Unido para a China, em 1997. Os três foram libertados sob caução para aguardar a decisão do Tribunal de apelo final, a mais alta jurisdição de Hong Kong, um recurso que apresentaram como um teste à independência da justiça da Região Administrativa Especial chinesa. “Temos agora a oportunidade de ver como vão os tribunais de Hong Kong reconhecer e posicionar-se sobre a questão da desobediência civil”, declarou aos jornalistas, antes da audiência, Joshua Wong, de 21 anos. Wong acrescentou acreditar que a população de Hong Kong vai continuar a bater-se pela democracia, mesmo que seja detido outra vez. Os três activistas foram condenados pelo seu papel numa manifestação considerada ilegal, a 26 de Setembro de 2014. Os manifestantes treparam pelas barreiras metálicas e entraram na Civic Square, uma praça situada num complexo governamental. Esta acção desencadeou manifestações mais importantes e dois dias mais tarde teria início o movimento pró-democracia, quando a polícia disparou granadas de gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, que se protegeu com guarda-chuvas. Durante mais de dois meses, centenas de milhares de pessoas paralisaram quarteirões inteiros da cidade para exigir um verdadeiro sufrágio universal.

AMBIENTE MANCHAS DE CRUDE MULTIPLICAM APÓS EXPLOSÃO DE PETROLEIRO

A mancha assassina

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S manchas de crude deixadas pelo petroleiro iraniano Sanchi, que explodiu e se afundou no domingo passado, estão a multiplicar-se no mar da China Oriental, anunciou ontem a Administração Estatal dos Oceanos chinesa. O organismo indicou em comunicado que foram encontrados vários derrames de petróleo perto do local onde a embarcação se afundou e que eram muito maiores do que no dia anterior. Na segunda-feira, o Ministério informou da existência de uma só mancha, com 18,5 quilómetros de largura, mas mais tarde encontrou outras duas manchas, com 14,8 quilómetros

e 18,2 quilómetros. As manchas de petróleo podem ser facilmente observadas do ar, apontou o organismo, acrescentando que estas se devem deslocar para o norte, devido ao vento e correntes marinhas. O Ministério não precisou, no entanto, se o petróleo derramado é parte da carga que o petroleiro transportava, ou se é o combustível da embarcação. O petroleiro iraniano incendiou-se após colidir com um cargueiro chinês em 6 de janeiro, a 300 quilómetros da costa da cidade chinesa de Xangai (leste). Depois de arder durante oito dias, explodiu e afundou. Segundo as autoridades chinesas, o Sanchi transportava 136.000 toneladas (equivalente a cerca

de um milhão de barris de crude) de condensado, e parte desse carregamento ardeu durante o incêndio. Após oito dias à deriva, o barco afundou-se a cerca de 280 quilómetros a sudeste do ponto onde ocorreu o acidente. As causas são ainda desconhecidas, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês garantiu que a caixa negra do navio já foi encontrada e a “investigação está em marcha”. O Fundo Mundial para a Natureza apelou nesta segunda-feira para que não se poupem esforços na limpeza do derrame e defendeu a “mobilização urgente de todos os equipamentos disponíveis para remover os produtos tóxicos e reduzir a ameaça para a vida marinha”. “Sabemos que um desastre ambiental está a ocorrer em frente dos nossos olhos. O tanque está a perder condensado, que é tóxico para peixes, mamíferos, tartarugas e aves marinhas”, afirmou. Segundo a organização, o mar da China Oriental é um dos espaços marinhos mais ricos e produtivos do planeta e as suas águas são pouco profundas, o que o torna extremamente vulnerável ao derrame. As equipas de resgate não conseguiram salvar nenhum dos 31 membros da tripulação do Sanchi.

Purificador de ar com 100 metros reduz poluição

O maior purificador do ar no mundo, com 100 metros de altura, em funcionamento no centro da China, está a reduzir o nível de poluição atmosférica numa área de dez quilómetros quadrados, segundo dados preliminares. Investigadores do Instituto para o Ambiente da Academia de Ciências chinesa estão a realizar medições para comprovar a efectividade do mecanismo, que está a operar desde o ano passado, avançou o jornal de Hong Kong South China Morning Post. O purificador consiste numa torre e um conjunto de estufas em redor, que ocupam uma superfície equivalente a meio campo de futebol. A torre absorve o ar poluído e encaminha-o para as estufas, onde o ar aquece e volta a subir pela parte superior do purificador, atravessando

S Presidentes da China e Estados Unidos discutiram ontem por telefone os progressos na península coreana e as diferenças bilaterais em questões comerciais, informou a imprensa chinesa. Xi Jinping e Donald Trump abordaram a recente melhoria nas relações entre Pyongyang e Seul, e comprometeram-se a reforçar a cooperação e a comunicação nesta matéria. Xi insistiu que todas as partes devem unir esforços para aproveitar os avanços e criar as condições para retomar as negociações diplomáticas, visando a desnuclearização da península coreana. As duas Coreias reuniram-se, na semana passada, para discutir a participação de atletas norte-coreanos nos Jogos Olímpicos de Inverno, depois de, no ano passado, os sucessivos ensaios nucleares de Pyongyang e a retórica beligerante de Trump elevarem a tensão para níveis inéditos desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953). Xi destacou que a cooperação económica e comercial entre a China e os Estados Unidos permitiu beneficiar de forma concreta os dois países, e apelou para que se empreguem métodos construtivos para solucionar as diferenças nesta matéria, através de uma maior abertura dos respectivos mercados. Trump expressou a vontade de cooperar com a China na gestão adequada da relação económica e comercial, segundo a imprensa oficial chinesa. A conversação ocorreu numa altura em que a administração de Trump poderá agravar a política comercial contra a China. O excedente comercial da China com os Estados Unidos aumentou 13%, em 2017, o primeiro ano da presidência de Trump, para 1,87 biliões de yuan, segundo dados oficiais de Pequim.

vários filtros. O sistema emite diariamente 10 milhões de metros cúbicos de ar limpo e contribuiu para reduzir a poluição de um nível alto para moderado na zona analisada, segundo os resultados preliminares. Nas zonas em redor da estrutura foram instalados uma dezena de estações para medir a qualidade do ar e que indicaram uma redução de 15% na concentração de partículas PM2.5, as mais finas e susceptíveis de se infiltrarem nos pulmões. A equipa vai apresentar resultados mais amplos em março, mas garantiu que os dados preliminares são “animadores”. A China é o maior emissor de gases poluentes do mundo e a poluição é responsável por milhões de mortes prematuras todos os anos no país.


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17.1.2018 quarta-feira

tomei o livrinho da mão do anjo e comi-o. Diário de um editor João Paulo Cotrim

Dias ampliados (com os dedos) SANTA BÁRBARA, LISBOA, 9 JANEIRO Desacerto. Estes são os dias do desacerto. Se nunca me senti muito da vida («o meu filho é um atado»), agora tudo me sabe a deserto, solidão e danação. A paisagem tornou-se bruta e clara, nítida como lâmina, reflexo do sol nos olhos ao sair da noite. Atravesso-a dolorosamente inclinado para diante, quase tocando o chão que piso, só as pernas se mexem avançando contra o vento, a tempestade de areia, cego ao horizonte, a cheiros e gestos. O nevoeiro de chumbo encheu os ares da cidade. A cada esquina, uma pergunta rasga a rua. Que texto nos prepara para isto? Onde mora o sentido? Com que matéria podemos refazer a alegria? Há pedidos que jamais deviam ser atirados, granada de mão. LISBOA, 11 JANEIRO 9h45: com ligeiro atraso para o costume, leio o Expresso Diário no metro enquanto levo pancada das mochilas. Às vezes riposto. O tema era o entediante jogo de empurrões entre Santana Lopes e Rui Rio. 9h55: hoje é só um lance de degraus que deixaram de rolar. Faz sentido complicar a vida de quem sobe ao umbigo do mundo. 9h56: ao telefone com a Elisabete acertamos formato, ilustradores possíveis, papel e espírito de um livro à volta de amores possíveis e impossíveis. 10h01: aceito o pequeno rectângulo, que agradeço e conservo: «Se quiser prender uma vida nova e pôr fim a tudo que lhe preocupa. Contacte o Prof. Karamba que ele tratará o seu problema com rapidez, honestidade e eficácia.» 10h06: reparei que a nossa janela ainda dizia o ano passado, pelo que arranquei o autocolante que anunciava a exposição anterior. 10h15: acedo à conta para ver de recebimentos e tratar de pagar miudezas e nem tanto. 10h25: espreito os emails, despacho os urgentes a que consigo dar resposta, passo outros tantos para a pasta a responder. Assusto-me com o que ali se agita, insectos encurralados. 10h26: chega finalmente o contrato da RTP por causa do Spam Cartoon. Por momentos, chamo-me Joaquim. O erro costuma ser variante do Cotrim, mas desta vez apõem-me o nome do meu avô, o que me faz sorrir. 10h40: irrito-me com a agreste ironia de que, se quiser os livros que ainda estão na insolvente distribuidora, terei, não apenas de pagar o handling, assim lhe chamam em estrangeiro, como o transporte das 17 paletes. Ainda recolhem dinheiro de vendas que jamais verei, mas os pobres precisam da minha esmola para fazerem o trabalho deles.

11h52: entregue que estava mais um Spam Cartoon, reunimos telefonicamente para discutir o que se segue. Com muito esforço, evitamos atirar ao palhaço, i.e., a Trump. E lá continuamos, mesmo depois de desligar, uma conversa de há meses sobre a questão do assédio. Com tanta subtileza em jogo, só lá vai com jantar. 12h45: liga-me a advogada por causa de aditamento a um contrato, coisa de família, que me obrigada a parar tudo, imprimir o dito em quadriplicado, rubricá-lo, assiná-lo e enviar para a minha irmã, por estafeta. 13h15: devíamos comemorar certo encontro, mas as urgências obrigam a almoço rápido, sem mais história que a dos afazeres rotineiros. As datas dos amores possíveis devem celebrar-se contra a agenda, solverem-se na carne dos dias. 15h00: reunião com o Alex Cortez e o Daniel Moreira para acertar detalhes do livro (e dois CD’s) «Poetas Portugueses de Agora». Entusiasmo-me com as múltiplas qualidades, as que ouvi e estas que vejo agora.

15h45: ajudo o Bruno [Mantraste] a montar a exposição relâmpago que inaugura daqui a umas horas. Não há razão para alarme. Estendo o fio que acerta o horizonte. Ajudo a complicar umas contas. Prego uns pregos. Maravilho-me com o que vejo. Os esboços possuem uma tal intensidade que parecem brilhar (exemplo aqui na página). O Teófilo bate à janela: vem inesperadamente dar uma mão. 16h30: por desacerto da atenção, consegui que acontecessem três eventos ao mesmo tempo. Peço à Mariana que acompanhe o Luís Maio, na sua sessão na biblioteca de Oeiras à volta do «Ninguém Sabe Onde Está». Ninguém quis saber. 17h30: vejo a mensagem do Mário Gomes a convidar-me a colaborar na belíssima revista Diaphanes. Uma tentação. 18h00: embate com a realidade do que se entende por grande público. Vejo-me cercado de velhas convenções e mal-entendidos. Entristece-me, apesar de o ter previsto. 18h25: ao desligar o telefone, ainda leio mensagem com ultimato em torno de

projecto que me parece estratégico. Tento desajeitadamente remediar o estrago provocado pelo meu desarranjo com os tempos. 18h30: abrimos o segundo ano do Obra Aberta com os recém publicados [José] Anjos e Inês [Fonseca Santos] a falar de poesia, infância e o mais que se solta dos livros. Doravante e para complicar, acederei ao microfone. 20h05: regresso à exposição que já vai alta em animação e gente. Na janela, mora desenhado o título «Sebenta do Diabo». Nas mãos de cada um vejo palpitar coração abraçado por espinhos. 20h35: avanços pelos cumprimentos e saudações em direcção aos braços do Jorge Colombo, que não vejo há anos. Continua grande instigador da curiosidade, dispensário dos mais díspares saberes e atenções. Sacudimos conversa, estendemo-la e nela nos sentámos prazerosamente. 22h05: não se fez fácil fechar, com os de última hora a pôr pé na porta. E olhos no diabo da sebenta. SANTA BÁRBARA, LISBOA, 12 JANEIRO Os esboços, mais do que o acabado, aproximam-me do gesto criador, da fragilidade e da potência. A imperfeição suscita-me reconhecimento, dá-me o conforto de um qualquer entendimento dos rasgos que nos abrem o mundo para o ver por dentro. O conjunto de esquissos desta «Sebenta do Diabo» do Mantraste (editada em risografia e quase toda no vermelho (proibido) pela Stolen Books) não cessa de me comover, de me divertir, de me surpreender. O fim último dos desenhos foi tornado impossível pelo amor e a exposição original, por força das coisas, teve de se chamar: «Desculpem, Apaixonei-me e Não Fiz Nada». Os desenhos, aqui agrupados, por junto com alguns já apurados e coloridos, possuem cuidados diferentes, mas sem perderem em momento algum a intensidade do olhar original do Bruno. Relendo o fantástico S. Cipriano, invoca infância em ambiente rural («foi o meu avô que podou as vinhas do mal») com a ilustração de ditos e lendas e episódios e animais e plantas e fascínios: poços que têm no castelo o seu reverso, mergulho no desconhecido e construção da segurança. Rico de detalhes e composições, ingénuo e metafórico, denso e poético, sugere a cada passo que estamos rodeados de fogos e corações. E diabos. BARRACA, LISBOA, 13 JANEIRO Andávamos há meses a escavar em busca do título para o romance do Valério [Romão] que fecha a trilogia. Ele descobriu-o para satisfação do editor: «Cair Para Dentro.»


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 17.1.2018

ALUVIÃO Miguel Martins

Biografias e paradoxos

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RANDO — nalguns momentos de alguns contextos, um actor absolutamente extraordinário — é uma das minhas grandes embirrações, só superado pelos seus discípulos/lacaios Anthony Perkins e James Dean. Suponho que para partilhar da minha posição baste ler a biografia “Brando Unzipped” (“Brando mas pouco”), escrita por Darwin Porter. O actor assinou, em tempos, uma autobiografia, “Songs my mother taught me”, mas, nessa, tudo é revestido por uma sobrecapa de edulcorante cor-de-rosa. Gosto de biografias. À antiga, encomiásticas ou mesmo romanceadas. Quanto a esta nova tendência, desbocada e sem freios, devo confessar que me deixa, muitas vezes, perplexo. Que move estes biógrafos? É que Porter expõe, implacavelmente, o carácter e o comportamento do actor e os efeitos nefastos destes sobre quem o rodeava. A sua homossexualidade frenética, que funcionava a par de uma heterossexualidade ora vingativa ora cosmética, são centrais à análise que realiza. Bem assim, não poupa outras estrelas de Hollywood – a pedofilia de Spencer Tracy ou o masoquismo brutal de James Dean, por exemplo, entre muitos outros homossexuais encapotados, chocará quantos, ao longo de décadas, abrigaram os seus sonhos burgueses à sombra das mistificações dos grandes estúdios. O “closet” de Rock Hudson é, à luz do que é exposto nesta obra, algo de absolutamente trivial, embora o mal-estar que isso lhe causava fosse tanto que lhe provocou um tique que lhe destruía, continuadamente, a unha do polegar direito. Outras biografias têm revelado factos deste teor: Em “De Niro: a biography”, por exemplo, John Baxter expôs a homossexualidade do pai do actor, o pintor e escultor Robert De Niro, Sr., que chegou a ter um envolvimento amoroso com o enorme Jackson Pollock. Aliás, recentemente, De Niro filho assumiu o facto, com toda a naturalidade, acrescentando que teria gostado de discutir o assunto com o seu progenitor. “Ginsberg: A Biography”, de Barry Miles, entre muitos outros factos potencialmente chocantes, aborda as relações sexuais entre o escritor beat e o irmão mais novo, deficiente mental, do seu namorado. Ao escrever estas linhas, ando a ler uma espécie de autobiografia do romeno Ion Pacepa, responsável pelos serviços secretos de Nicolae Ceausescu, em que a homossexualidade de Yasser Arafat é revelada.

Repito: Que move estes biógrafos? No caso do último livro referido, trata-se, claramente, de um ajuste de contas. Mas, quanto aos demais, os seus autores são, supostamente, admiradores dos biografados. E, contudo, parecem achar por bem expor factos que os mesmos preferiram não publicitar. Porquê?

Guiá-los-á uma espécie de moralismo? Se sim, parece-me altamente imoral (como, aliás, os moralismos quase sempre são). Ou estarei a complicar o que é simples e o objectivo dessas manobras será, simplesmente, vender livros, ganhar dinheirinho, à custa da privacidade alheia?

Que move estes biógrafos? No caso do último livro referido, trata-se, claramente, de um ajuste de contas. Mas, quanto aos demais, os seus autores são, supostamente, admiradores dos biografados

Depois destas leituras, como é bom regressar a qualquer uma das vibrantes biografias que saíram da pena de Stefan Zweig e de que fui grande leitor na adolescência. A de Erasmo de Roterdão ou a de Fernão de Magalhães, por exemplo. Ou, até, à extensa e imaginativa biografia de Camões assinada por Campos Júnior. Não há verdade que valha uma boa estória. Em minha defesa, devo dizer que nada de pessoal me move contra os referidos biógrafos. Aliás, Darwin Porter assina, com Danforth Prince, a 17ª edição (2002) do guia turístico Frommer’s relativo a Portugal e aí, a propósito de um bar que tive no Bairro Alto, afirma (e prefiro não traduzir): You don’t have to be an avid reader to enjoy this place, but the breadth and scope of literary knowledge that has been mastered by its owner might leave you deeply impressed. Miguel Martins, who’s usually tending the bar, teaches courses (…) on the history of Jazz, and welcomes everyone – from the most conservative to the most counterculture of hipsters – into his nightlife joint. Simpático. Confesso que me dá algum prazer ver-me referido em letra impressa. Apercebi-me disso bem cedo – teria uns dezasseis anos quando o South Shore Chronicle, um jornal da Nova Inglaterra, publicou uma série de artigos sobre Lisboa em que me era dado algum destaque, pois servia de guia ao jornalista, o meu amigo Leo Pilachowski. Ganhei-lhe o gosto. Bem mais divertida é a biografia do grande Robert Mitchum assinada por Lee Server e subintitulada “Baby, I don’t care”. Permito-me contar-vos dois dos episódios aí relatados: Numa entrevista, a dado momento, perguntam a Mitchum, actor da “velha guarda”, sem grandes preocupações metodológicas, acerca dos seus “registos”. Sendo que boa parte da sua carreira fora dedicada aos westerns, ele responde: “Como actor, tenho dois registos: com cavalo e sem cavalo”. Um outro episódio, de graça dificilmente traduzível, ocorreu quando Mitchum se preparava para contracenar com uma actriz muito religiosa e extremamente avessa a palavrões. Constrangido, um membro da produção abordou o actor, conhecido por praguejar muitíssimo: — Senhor Mitchum, ela instituiu uma espécie de caixa de esmolas. Se alguém disser merda tem de meter lá um dólar. Se disser porra, dois dólares. O actor interrompeu-o, perguntando: — And how much does she charge for a fuck?


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17.1.2018 quarta-feira

N

AUTOMOBILISMO VENCEDOR DA TAÇA CTM NÃO SABE SE VOLTA AO GRANDE PRÉMIO DE MACAU

O passado mês de Novembro, Jerónimo Badaraco voltou a subir ao degrau mais alto do pódio no Grande Prémio de Macau. “Nóni”, como é conhecido no meio automobilístico do território, venceu a Taça CTM de Carros de Turismo de Macau na categoria até 1600cc Turbo, naquele que foi o seu segundo triunfo no Circuito da Guia, depois de em 1999 ter triunfado na Taça ACP. Depois deste sucesso, o piloto macaense, que suplantou a favorita concorrência de Hong Kong numa corrida disputada em condições adversas, não pensa em pendurar já o capacete, mas não sabe se voltará a competir no final do ano no Circuito da Guia. “Acho que esta temporada irei fazer algumas provas lá fora”, explicou o piloto da RAEM ao HM, que no passado chegou a realizar provas soltas do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC), deixando claro que “quanto ao Grande Prémio de Macau de 2018, ainda não tomei qualquer decisão.”

A prioridade está lá fora A razão para optar por corridas fora da região deve-se a uma razão muito simples: “são corridas muito mais divertidas! Da forma como estão a fazer o Grande Prémio de Macau, com duas classes, não é tão divertido, nem justo, para os pilotos carros até 1600cc Turbo.” Badaraco já tem alguns campeonatos em vista, mas uma decisão definitiva sobre onde marcará presença na época que aí se avizinha só acontecerá nas próximas semanas. Para optimizar os custos, o piloto do território deverá continuar a utilizar o seu Chevrolet Cruze 1.6T, podendo alugar uma outra viatura caso venha a realizar provas de resistência.

COMBINAÇÃO PERIGOSA

Apesar de ter vencido a primeira edição da Taça CTM de Carros de Turis-

PUB HM • 1ª VEZ • 17-1-18

HM • 1ª VEZ • 17-1-18

ANÚNCIO Proc. Execução Ordinária nº.

CV3-16-0228-CEO

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar.--------EXECUTADOS: IP SENG CHIO e LAO IOK PANG, ora ausente em parte incerta, ambos com última residência conhecida em Macau, na Rua de Paris, Edifício Centro Comercial Cheng Feng, 8º andar A.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

mo de Macau que juntou duas diferentes categorias de viaturas - até 1600cc Turbo e superior a 1950cc – Badaraco, a exemplo de outros concorrentes, não vê com bons olhos esta fusão de carros com performances tão discrepantes. “Não creio que a forma como agora são combinadas duas classes na mesma corrida está correcta e seja justa! Especialmente para a classe 1.6 Turbo”, explica o piloto do Chevrolet preparado pela Song Veng Racing Team. “Nóni” é da opinião que a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau não estão a seguir o caminho correcto, principalmente porque o andamento entre os carros das duas classes “são muito diferentes. Especialmente no molhado. Como piloto com vários anos de experiência posso dizer que é perigoso combinar as duas classes numa mesma corrida. Basta fazer uma pesquisa

O facto dos pilotos locais de carros de Turismo terem que realizar duas fases de apuramento até tomarem parte da grelha de partida para a corrida do Grande Prémio, é algo que não convence o condutor de Macau. “Primeiro temos que fazer as qualificações na China, no Circuito Internacional de Zhuhai, em que apenas vinte e cinco concorrentes se apuram para o Grande Prémio de Macau. Depois, no fim-de-semana do Grande Prémio de Macau, temos que fazer outra qualificação em que se qualificam os dezoito melhores de cada classe, porque a grelha tem apenas trinta e seis lugares. Isto significa que em Macau temos que tirar sete carros de cada categoria. Penso que deveríamos apenas autorizar dezoito carros a virem a Macau depois das qualificações na China, em vez de termos outra qualificação no Grande Prémio”. Apesar da AAMC não ter ainda divulgado publicamente o calendário de

sobre os tempos por volta do carro mais rápido da classe superior a 1950cc e do mais lento da classe até 1600cc Turbo...”

provas para 2018, o Circuito Internacional de Zhuhai já publicou o seu calendário de eventos para o próximo ano, onde constam dois fins-de-semana de corridas para o apuramento para o Grande Prémio de Macau, tal como aconteceu nas épocas anteriores. O primeiro evento no circuito permanente da cidade chinesa adjacente a Macau será realizado de 25 a 27 de Maio, ao passo que a segunda prova está agendada para o fim-de-semana de 30 de Junho e 1 de Julho.

ANÚNCIO Acção de Interdição n.º CV2-17-0058-CPE 2.º Juízo Cível Requerente: MINISTÉRIO PÚBLICO . (檢察院) Requerida: KOK IUN MENG (郭婉明).

*** O Mmº. Juiz de Direito do 3º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da RAEM.----------------FAZ SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm ÉDITOS DE TRINTA (30) DIAS, a contar da data da segunda e última publicação dos respectivos anúncios, citando, os executados acima identificados, para no prazo de VINTE (20) DIAS, decorridos que sejam os dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$15,183,132.79 (Quinze Milhões, Cento e Oitenta e Três Mil, Cento e Trinta e Duas Patacas e Setenta e Nove Avos) e demais acréscimos legais, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazer, ser penhorada a fracção hipotecada, artº 199º nº 1 al. b), 695º, 696º, e 719º C.P.C.M., seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia, nos termos dos artº 49º do C.P.C.M.----------------------------------------------------Com a advertência de que é obrigatória a constituição de advogado, artº. 74º. do citado diploma, caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo.-------------------------------------------------------------------------------------------------Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 3º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente.----------------------------------------------------------------------------------------------------------Caso os citandos pretendam beneficiar do regime geral de apoio judiciário, deverão dirigir-se ao balcão de atendimento da Comissão de Apoio Judiciário, sito na Alameda Dr. Carlos D`Assumpção, nº 398, Edifício CNAC, 6º andar, Macau, para apresentar seu pedido, sendo que poderão pedir esclarecimentos através do telefone n.º 2853 3540 ou correio electrónico info@caj.gov.mo.-----------Para o efeito, terão de comunicar ao processo a apresentação do pedido àquela Comissão, para beneficiar da interrupção do prazo processual que estiver em curso, nos termos do n.º 1, do art.º 20.º, da Lei 13/2012, de 10 de Setembro.----------------------------------------------------------------------------Macau, 09 de Janeiro de 2018 ***

*** FAZ SABER que foi distribuída ao 2.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M. a Acção acima mencionada, contra KOK IUN MENG (郭婉明), de sexo feminino, nascida em 08 de Novembro de 1923, residente em Macau, Coloane, Estrada Choc Van, Asilo Vila Madalena, para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, em 14 de Dezembro de 2017. ***

QUALIFICAÇÃO TAMBÉM NÃO CONVENCE

Badaraco também não concorda com o sistema de qualificação adoptado para o Grande Prémio de Macau que obriga os pilotos da RAEM a disputar, em conjunto com pilotos originários de outros países e territórios, duas jornadas duplas no Circuito de Zhuhai. “Está muito mal arranjada”, afirma.

Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo


opinião 17

quarta-feira 17.1.2018

manifesto d’oração

“Neste mundo onde se grita, ninguém ouve os gritos dos que sofrem” Raul Brandão «Escritor e jornalista português (1867 – 1930)»

G

OSTAVA de poder comunicar sensações que pudessem levar a uma partilha de sentimentos, percursos, diálogos..., já que vivemos num meio de sordidez moral, intelectual e estética. Não sei porque escrevo, talvez porque algo me dói – talvez devido aos charcos da escassez de ideias -, ou será paixão? Sempre tive mais dúvidas que certezas, desde novo que perdi a pressa de coisa alguma e, penso sempre que o melhor está sempre por vir – tenho uma consciência tranquila com o tempo -, mas nunca gostei de ouvir falar no esplendor tenebroso do destino. “Os meus destinos só estão bem comigo. Ou por eles triunfo ou por eles sou esmagado”, faço minhas as palavras de Amadeo de Souza-Cardoso. O tempo - esse derradeiro e implacável juiz -, sei o que é (« vivo com ele»), mas não sei explicar – parafraseando ideias de Eduardo Lourenço. Sempre achei que o tempo era um conceito mais constante. Enganei-me! Antes de pensar e agir, é preciso sentir. Pertenço a uma geração de transição, contradição e afirmação. Perdi a ilusão de que pela escrita se pode mudar o Mundo, só Almeida Garrett – quem mais podia ser -, acreditava que com a contundência da sua escrita podia mais do que a espada. Mas os grandes textos tornam-se impossíveis de se abarcar numa só Leitura. Estamos a chegar a um estado de saturação, o ritmo é frenético e electrizante que não nos deixa pensar.Vivemos dentro de um passo que não é o nosso, é o compasso das máquinas e dos computadores («o triunfo da correcção automática»). Sôfrega de atenção, actividade e consumo. Roubam-nos o tempo. Infelizmente já não temos tempo para silenciar o ruído..., saborear momentos..., ter capacidade para sonhar. Torna-mos a vida pragmática e racional. Temos de saber parar para reflectir! Sentir («viver») Macau –“ a maneira mais profunda de sentir uma coisa é sofrer por ela” – escreveu Gustave Flaubert -, é percorrer a sua geografia afectiva e sentimental. É combater vícios, sarar feridas, detectar maleitas. É lutar contra a falta de honestidade intelectual e coerência de pensamento, a falta de seriedade. É envolver-nos na sua alegria e tristeza («dramas e frustações») e, comprometemo-

Ideias, factos e ideais -nos moral e éticamente com a cidade. Não se pode ficar inume a nada do que vemos e ouvimos à nossa volta. Sempre tive uma sensação de proximidade com Macau, sólida e delicada, sensual e familiar. É a penumbra das coisas íntimas que nos atravessam e nunca mais nos largam. Sinto-me abraçado pela utopia quotidiana da Cidade ( «romântica/sensível e material/vício») - «venho de um tempo em que viver em Macau era rasgar possibilidades». Sempre tive uma “fiel dedicação à honra de estar” -, para lembrar Jorge de Sena. Mas nada hoje em dia em Macau parece coerente e inteiro . Vive-se de fragmentos. Não existe uma linguagem de poder, criação e criatividade. A Gramática da idêntidade («auxíliavamos nos apontamentos») desapareceu. Macau é o deslugar do lugar... Uma Cidade excessiva, massacrada,torturada, flagelada. Fico triste de vê-la “maquilhada como uma mãe morta” – para lembrar Joan Margarit - , os «filhos» estão abatidos, moribundos, despedaçados, consolam-se! Não há uma paisagem ética. Há uma espécie de floresta encantada, recheada de perigos. Uma oposição entre hino e elegia. A maior parte dos portugueses a viver em Macau já deixaram de interrogar a vida – confiam nela -, criaram ilusões. Viram partir as referências (« gostam de olhar a Lua em noites de luar»). Os mais velhos olham o céu com menos admiração e mais receio. Nos últimos anos a realidade transformou-se em abstração para muita gente. Vivemos em cavernas de silêncio . Arrumam-nos os dias («um teatro de medos e esperanças um discurso de ficções e de metáforas»). Há luz do dia, nasce a angústia!... Precisamos de luz no coração. Não há consciência crítica nem fraternidade cívica. Se não houver uma ética de convicções, não haverá naturalmente uma ética da responsabilidade. Ninguém assume responsabilidade sobre nada – e, por isso o estado a que o Território chegou, é provavelmente, obra do acaso. Estudamos a narrativa da obediência e esquecemos a poesia da desobediência («em homenagem à “liberdade” verbal»). A população é educada para não reagir, não questionar, não prostestar. Vive-se em economia política do verbo («é triste não os sabermos conjugar») MANUEL ALMEIDA, O FLAGELO DO SÉCULO

MANUEL DE ALMEIDA

Degustamos a luz da poesia no silêncio da vida! Temos de criar um pensamento autónomo, não enfeudado em dogmas ou crenças. Sermos mais persistentes na exigência crítica, argutos analistas de ideias e factos, perscrutadores de paradoxos e sabermos interrogar constantemente. Não existe por exemplo uma actividade crítica original à materialidade formal . Uma das máximas da mundividência é o diálogo. Mas não existe diálogo se não soubermos quem somos. A propaganda é o colapso da linguagem. O «Poder» não é nem nunca será sinónimo de verdade e justiça, muito menos terá o monopólio da moral e da legitimidade. Exige-se seriedade, respeito, confiança e honestidade.

Sentir Macau é percorrer a sua geografia afectiva e sentimental. É combater vícios, sarar feridas, detectar maleitas. É lutar contra a falta de honestidade intelectual e coerência de pensamento, a falta de seriedade

Vive-se num ambiente infeliz, injusto, irrespirável («assemelhando-se a uma fábrica de preconceitos») –, que pode provocar a desintegração da sociedade («tornou-se amarga»). É uma sociedade que fabrica a solidão, a demência, a esquizofrenia. Existe défice de confiança -, a população ainda olha para o Governo com um profundo sentimento de orfandade, inevitabilidade e apatia -, pode ser dócil e empenhada, mas não é imbecil nem estúpida. Rejeita os discursos ambíguos («saber “renascer” a esperança»). Falo da falta da esperança e desgaste da estratégia. São vozes humanas que «devemos» saber escutar. Falta-lhes contudo o exercício da palavra («recurso das palavras»). Não têm o poder da frase evocativa. Vivemos entre o dogmatismo e a descrença. Temos de nos tornar mais vigilantes, mais organizados, mais cidadãos – uma cidadania activa e responsável. Existe um pessimismo generalizado e uma desmotivação colectiva. Crescem as franjas de indignados («a textura social agita-se»). Precisamos de “outra forma de vivência” – com uma agenda política sólida (« a relação com o “Outro”») e uma visão estratégia da sociedade e, não com artefactos ideológicos («sem alma e sem rosto»), nem com rigidez doutrinária. É preciso apostar em causas, ideias e projectos, de maneira a “construir” uma sociedade mais justa e inclusiva, com valores, solidária, coesa e humanista. A sociedade está a ficar mais egoísta, mais individual, deixou de ter uma visão colectiva. Uma sociedade tantas vezes intoxicada pelo consumismo e pelo hedonismo, pela riqueza e pela extravagância, pelas aparências e pelo narcisismo. O mosaico espiritual desapareceu, instalou-se a decadência moral na cidade. A dúvida e a incerteza, são um perigo, para o dia de amanhã...e, a ideia de que não há culpados..., pode-nos levar a pensar que a culpa seja «nossa». Afinal de contas a idade não serve só para envelhecer. Ou será? Os sonhos não envelhecem (sem nunca mostrar apreço ou subversão).... e as árvores morrem de pé («o “medo” do sobressalto do despertar») “Outros amarão as coisas que eu amei” Sophia de Mello Breyner


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

17.1.2018 quarta-feira

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

FILME “SOMEWHERE BEYOND THE MIST” Cinemateca Paixão | 20h00

Quinta-feira

MIN

13

MAX

22

HUM

45-85%

EURO

9.85

BAHT

CONCERTO “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA” Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 22h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 199

UM LIVRO HOJE C I N E M A

UNLOCKED SALA 1

THE COMMUTER [C]

Com: Lyn Shaye, Angus Sampson, Leigh Whannell 19.30

Filme de: Jaume Collet-Serra Com: Liam Neeson, Vera Farmiga 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 3

SALA 2

KIDNAP [C] Filme de: Luis Prieto Com: Halle Berry, Sage Correa 14.30, 16.30, 21.30

INSIDIOUS: CHAPTER 4 [C] Filme de: Adam Robitel

Um filme de: Michael Apted Com: Noomi Rapace, Orlando Bloom, Michael Douglas 14.30, 19.30, 21.30

FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 19.15

De repente, uma pedra no estômago. Depois de um ano e alguns meses a comer tudo o que via à frente, na rua, em cozinhas atreladas a motorizadas em estradas sem alcatrão, tive um pequeno episódio de digestão dos infernos. O caos foi patrocinado por um aparentemente inócuo wrap com vegetais e carne de pato com molho de citrinos, uma bomba embrulhada que me estragou o dia. Foi como se tivesse um agente infiltrado a espalhar dissidência e revolta entre as minhas entranhas. A distribuir panfletos subversivos, a deflagrar cocktails de molotov no meu interior, a apelar ao caos. Face às circunstâncias não tive outra hipótese se não mobilizar o maior aparato policial digestivo que consegui de forma a subjugar a rebelião. Ao início pensei que estivesse a ficar engripado. Ondas de calafrios, falta de forças, uma indefinível vertigem, mas nenhuma outra manifestação gripal. E, de repente, dor de estômago e arrotos a um almoço que já devia ter seguido o seu caminho há muito tempo. Uma vez detido e condenado, o agente infiltrado deixou de causar estragos, não se tendo verificado qualquer tipo de envenenamento da sociedade estomacal com as prevaricações disseminadas. Seja como for, os próximos dias querem-se suaves, sem excessos, sem molhos e outros extremismos alimentares. João Luz

O CRUZEIRO DO SNARK | JACK LONDON

Muito além de um livro de viagens, “O Cruzeiro do Snark” é um diário de bordo que retrata uma volta ao mundo que teve de ser interrompida devido a problemas de saúde de Jack London, que viria mesmo a ser hospitalizado em Sidney. A viagem ocorreu em 1907 ao longo do Pacífico Sul, na companhia da esposa do escritor, Charmian London, e uma pequena tripulação. O livro revela o afastamento de territórios insulares como o Hawaii, as Ilhas Salomão e Fiji. “O Cruzeiro do Snark” obedece à habitual forma descomplexada de escrita de Jack London, o que faz com que a obra do autor permaneça fresca ainda hoje. João Luz

UNLOCKED [C]

COCO [A]

SUDOKU

DE

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 198

Cineteatro

1.25

WRAP DA REVOLTA

Sexta-feira

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/03

YUAN

PÊLO DO CÃO

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA “MOMENTOS” Fundação Rui Cunha | 18h30

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02

0.25

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


ócios/negócios 19

quarta-feira 17.1.2018

CHAMBERLAIN SOLUÇÕES DE MARKETING ONLINE LIO PEK MUI, FUNDADORA

Promoção nas redes sociais Lio Pek Mui fundou em 2010 a Chamberlain e hoje oferece ferramentas de promoção para as empresas que apostam nas vendas através das redes sociais. Além disso disponibiliza acções de formação em marketing online

F

UNDADA em 2010, a Chamberlain apresenta um conjunto de soluções de marketing para as empresas que desejam promover-se e vender os seus produtos através das redes sociais. Além disso com o tempo, a empresa fundada pela residente Lio Pek Mui, começou a diversificar e a apostar na oferta de cursos e acções de formação ligadas ao marketing, mas também nas áreas das línguas, piano, manicura, etc.. “É uma empresa que aposta na publicidade online, nomeadamente ao nível do design de conteúdos de promoção como a elaboração de posters, covers para páginas do facebook, imagens ou vídeos”, disse Bami Lio, fundadora e designer de comunicação da Chamberlain, ao HM. “Começamos a funcionar em 2010 e nessa altura apostávamos mais no design de websites. Ainda é algo que fazemos, mas temos apostado mais no desenvolvimento dos conteúdos de promoção para as redes sociais”, acrescentou. A nível do ensino superior, Lio Pek Mui estudou jornalismo e comunicação, em Macau e mais tarde apostou num curso de telecomunicações, em Taiwan. No entanto, a Chamberlain foi sempre conciliada, até porque surgiu de um interesse genuíno em marketing. “Sou uma pessoa com um interesse forte no marketing e na comunicação de forma geral. Considerei que com esta empresa apresentava uma solução relativamente nova no mercado e que me permitiria fazer algo de que gosto”, justificou. Neste momento, em termos de empregados, Lio Pek Mui é a única pessoa que faz parte dos quadros da empresa. Para os serviços oferecidos em que não é especialista, recorre a uma rede de colaboradores. “Temos uma oferta de serviços alargada por isso recorremos a uma rede de colabo-

radores. Mesmo para mim, esta não é ocupação a tempo inteiro, desenvolvo outras actividades foram da Chamberlain”, frisou.

OFERTA DE CURSOS

Além dos serviços prestados, a Chamberlain dispõem igualmente da oferta de vários cursos. Apesar de no início a plataforma se focar principalmente nas ferramentas de marketing online, com o tempo a oferta foi alargada através de acordo com colaboradores. Recentemente a empresa oferece esteve envolvidas nos cursos de formação: “Marketing Online: Design e Gestão” e ainda “Segredos que os empresários do mundo online e do Taobao não te vão contar”. “Também oferecemos diferentes tipos de formação para os interessados, passando por online marketing, técnicas de

utilização de dispositivos móveis para a promoção de empresas, ou mesmo sobre a utilização mais básica para utilizar telemóveis inteligentes. Disponibilizamos ainda cursos de línguas, manicura, piano, e mesmo de magia entre outros”, explicou. Como parte da promoção da Chamberlain, Lio Pek Mui decidiu candidatar-se

“Considerei que com esta empresa apresentava uma solução relativamente nova no mercado e que me permitiria fazer algo de que gosto.”

WWW.CHAMBERLAIN.COM.MO

a um lugar no espaço Anim’Arte do lago Nam Van. A candidatura teve sucesso, mas as expectativas não têm sido totalmente correspondidas. “Como actuamos na área das indústrias criativas tivemos a possibilidade de nos candidatar a um espaço no lago Nam Van. O lado bom é que os visitantes são 50 por cento turistas e 50 por cento locais. Os locais que frequentam este espaço normalmente estão muito atentos à formações que oferecemos”, frisou. “O número de visitantes à área não tem correspondido totalmente às expectativas. Tem o lado positivo de ter turistas e residentes a frequentá-lo, mas acredito que talvez no Tap Seac houvesse mais pessoas a ver o nosso espaço”, confessou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


Se os outros se observassem a si próprios atentamente como eu achar-se-iam, tal como eu, cheios de inanidade e tolice. Michel de Montaigne

PALAVRA DO DIA

Um bom aluno

quarta-feira 17.1.2018

TIMOR-LESTE DE “PARCIALMENTE LIVRE” PARA “LIVRE”

BENFICA CAMPEÃO EUROPEU EM LUCROS

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Benfica é o ‘campeão’ europeu nos lucros registados na época 2016/2017, após impostos, entre os clubes cujas equipas de futebol conquistaram o título nas principais ligas europeias, refere um estudo da KPMG. Com um lucro de 44,5 milhões, o Benfica surge à frente dos ‘Big Five’, campeões das ligas espanhola (Real Madrid), italiana (Juventus), francesa (Mónaco), alemã (Bayern Munique) e inglesa (Chelsea). A KPMG assinala que o Benfica, que em 2016/2017 conquistou o seu quarto título consecutivo no futebol, duplicou os seus lucros, tendo em conta que na época anterior, a de 2015/16, tinha tido um resultado de 20 milhões. O clube que se situa mais perto dos ‘encarnados’ é a Juventus, com um lucro de 42,6 milhões de euros, seguida do Bayern Munique, com 39,2, e do Real Madrid, 21,4, enquanto o Chelsea se situou nos 17,7. O estudo assinala, em relação ao Benfica, as vendas de Victor Lindelof ao Manchester United (lucro líquido de 23 milhões) e de Gonçalo Guedes ao Paris Saint-Germain (26 milhões), com Andrea Sartori, director-geral para o Desporto da KPMG a assinalar a ‘formação’. “Na verdade, apesar das mediáticas transferências de jogadores a que temos assistido e do aumento dos custos com pessoal, a indústria caminha num sentido em que é possível que os clubes sejam lucrativos. Neste cenário, os clubes que se destaquem na formação e ‘trading’ de jogadores tenderão a ter vantagens competitivas”, sublinhou. Noutras rubricas, o Real Madrid é, sem surpresa, o clube campeão com maiores receitas operacionais (671 milhões), ainda atrás do Manchester United, que não figura no estudo por não ter sido campeão.

T

IMOR-LESTE passou de país “parcialmente livre” para “livre”, após “eleições justas que levaram a uma suave transferência de poder e possibilitaram a novos partidos e candidatos a entrada no sistema político”, segundo a organização não-governamental (ONG) Freedom House. No seu relatório anual sobre direitos políticos e liberdades civis, ontem divulgado, a ONG refere que, ao realizar eleições livres e transparentes, “Timor-Leste, uma das nações mais pobres do Sudeste Asiático, contrariou a tendência de declínio da liberdade na região”. “O processo [eleitoral] ajudou a consolidar o desenvolvimento democrático no país, além de permitir que novos partidos e políticos mais jovens conquistassem assentos no parlamento”, indicaram os relatores. No documento, a organização não-governamental centra-se sobretudo na crise da democracia a nível global sublinhando que “a democracia está sob ataque e a recuar em todo o mundo”, numa crise que se intensificou com “a erosão, a ritmo acelerado, dos padrões democráticos dos Estados Unidos da América”. Segundo a Freedom House, 2017 foi o 12.º ano consecutivo de queda da liberdade global, com 71 países a sofrerem “claros declínios” nos domínios dos direitos políticos e liberdades civis e apenas 35 a registarem avanços.Dos 195 países avaliados neste estudo, 88 (45%) foram classificados como “livres”, 58

(30%) como “parcialmente livres” e 49 (25%) como “não livres”. Dos 49 países designados como “não livres”, estes 12 foram os que se posicionaram no fundo da tabela, com uma pontuação abaixo de dez numa escala de 100 (começando pelo menos livre): Síria, Sudão do Sul, Eritreia, Coreia do Norte, Turquemenistão, Guiné Equatorial, Arábia Saudita, Somália, Uzbequistão, Sudão, República Centro-Africana e Líbia. Para o presidente da Freedom House, Michael J. Abramowitz, “a democracia enfrenta a sua mais grave crise em décadas”, com os seus “princípios básicos – entre os quais a garantia de eleições livres e justas, os direitos das minorias, a liberdade de imprensa e o Estado de direito – sob ataque em todo o mundo”. O estudo refere como “a China e a Rússia aproveitaram o recuo

das maiores democracias não só para aumentar a repressão a nível interno, como para exportar a sua influência maligna para outros países”. Um grande desenvolvimento em 2017 foi, segundo o relatório, “o recuo dos Estados Unidos como defensor e como exemplo de democracia”. “Embora instituições norte-americanas como a imprensa e a justiça tenham resistido perante ataques sem precedentes do Presidente [Donald] Trump, tais ataques poderão enfraquecê-las, o que terá graves implicações na saúde da democracia norte-americana e no lugar dos Estados Unidos no mundo”, sustentam os relatores. Além disso, prosseguem, “a abdicação dos Estados Unidos do seu tradicional papel de maior defensor da democracia causa grande preocupação e tem potenciais consequências na luta em curso contra autoritarismos modernos e suas ideias perniciosas”. “As principais instituições da democracia norte-americana estão a ser maltratadas por uma Administração que tem tratado a tradicional separação de poderes do país com desdém”, declarou Abramowitz. Noutro “desenvolvimento significativo”, a Turquia passou do grupo dos países “parcialmente livres” para o dos “não livres” quando o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, “alargou e intensificou a perseguição aos seus alegados opositores, com consequências extremas para os cidadãos turcos”, indica o relatório.

EUA Polícia encontra 13 irmãos e irmãs presos e esfomeados Doze irmãos e irmãs foram encontrados presos, alguns acorrentados, esfomeados e sujos numa pequena localidade da Califórnia e os pais foram detidos por tortura, anunciou a polícia norte-americana. O alerta foi dado pela 13.ª vítima, uma rapariga de 17 anos, que conseguiu fugir da habitação situado em Perris, a duas horas a sudeste de Los Angeles (costa oeste). No domingo, a adolescente telefonou para o número de emergência 911 a partir de um telemóvel que encontrou na casa, indicou na segunda-feira a polícia. A adolescente, que estava “um pouco magra” e parecia ter dez anos, de acordo com o comunicado da polícia, “afirmou que os 12 irmãos e irmãs tinham sido presos no interior da residência pelos pais, e precisou que alguns deles estavam acorrentados”.

Inicialmente, a polícia pensou que as 12 pessoas encontradas “subnutridas e muito sujas” eram todos menores de idade, mas percebeu que sete eram já adultos, com idades entre os 18 e os 29 anos. Seis das 13 vítimas, incluindo a adolescente que alertou as autoridades, são menores. Uma das vítimas é um bebé de dois anos. Os agentes detiveram David Turpin, de 57 anos, e a mulher, Louise, de 49, que não explicaram porque várias crianças foram encontradas acorrentadas a camas, no escuro e no meio de um odor pestilento. Turpin é o diretor de uma escola privada em Perris, a Sandcastle Day School, que abriu em 2011, de acordo com um ‘site’ do departamento de Educação dos Estados Unidos. Os serviços de protecção de menores norte-americanos abriram um inquérito.

China Investimento estrangeiro cresce 7,9% em 2017

O investimento directo estrangeiro (FDI, na sigla em inglês) na China registou um crescimento de 7,9% em 2017 e fixou-se em 877.560 milhões de yuan, divulgou ontem o Ministério do Comércio. Os dados revelam que, em Dezembro, o FDI no país asiático fixou-se em 11.479 milhões de dólares (9.387 milhões de euros), menos 9,2% do que no mesmo mês do ano anterior. Em 2017, um total de 35.652 empresas foram criadas na China com capital oriundo do exterior, um aumento de 27,8%, face a 2016, segundo o ministério. O crescimento do FDI no setor tecnológico fixouse em 61,7%. As autoridades chinesas divulgaram ainda que o investimento chinês no estrangeiro, em 2017, recuou 29,4%, para 120.080 milhões de dólares. A queda deve-se às medidas adoptadas por Pequim, em finais de 2016, para travar o que considera “investimentos irracionais”, numa altura em que a fuga de capitais do país registou valores recorde.

Inventor acusado de homicídio de jornalista

O inventor dinamarquês Peter Madsen foi formalmente acusado do homicídio da jornalista sueca Kim Wall, que terá “degolado ou estrangulado” a bordo do submarino que construiu, anunciou ontem o procurador responsável pelo caso. Jakob Buch-Jepsen, procurador do tribunal de Copenhaga, disse que o caso é “muito invulgar e extremamente violento”. Madsen é acusado de homicídio e de profanação de cadáver. O inventor, que em Agosto de 2017 convidou a jornalista para uma viagem a bordo do submarino, alegou que ela morreu acidentalmente no interior da embarcação quando ele estava no convés, mas admitiu ter desmembrado o corpo e atirado as partes ao mar, ao largo da Dinamarca. O julgamento foi marcado para 8 de Março e o veredicto é esperado a 25 de Abril.

Hoje Macau 17 JAN 2018 #3974  

N.º 3974 de 17 de JAN de 2018

Hoje Macau 17 JAN 2018 #3974  

N.º 3974 de 17 de JAN de 2018

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