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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hojemacau

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Li Gang, director do Gabinete de Ligação de Pequim na RAEM

Controlo do jogo é a maior preocupação Entre elogios ao Chefe do Executivo, o novo homem forte de Pequim anunciou que está de olho nos casinos. PÁGINA 5

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China perde a paciência

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ENTREVISTA PÁGINAS 2 E 3 PUB

CENTRAIS

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

“Macau faz-nos pensar em possibilidades incríveis”

Vestidos para brincar PUB

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ANDRÉ CARRILHO

• JAPÃO

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ENTREVISTA

ANDRÉ CARRILHO, O MAIS INTERNACIONAL DOS ILUSTRADORES PORTUGUESES

“Gosto da duplicidade de Macau” JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com

Como é que nasceu o seu gosto pelo desenho? Foi uma coisa natural? Sim, foi mais ou menos natural. A minha mãe também desenha e um dos meus tios, irmão dela, é caricaturista, portanto sempre tive contacto com o desenho e com a possibilidade de ser artista como profissão.  Nunca pensou em ser outra coisa? Sempre quis ser ilustrador? Quando vim estudar para Macau no 12º ano pensava que ia ser arquitecto, porque me diziam que desenhar como profissão era uma opção destinada ao fracasso. Na altura sabia que havia quem fizesse banda desenhada ou cartoon, mas não sabia como chegar a praticar essas actividades porque não havia curso específico para elas. A opinião consensual era que se quisesses ser artista acabavas debaixo da ponte, e que o melhor era ter um curso á séria e depois se possível desenhar em paralelo. Na altura nem sabia bem o que era ser ilustrador, só conhecia mais o mundo do cartoon político e da BD. Mas eram mundos muito distantes, utópicos.

A escala do kitsch nesta cidade é tão imensa que a meu ver é contagiante, no sentido em que nos torna susceptíveis às hipóteses mais mirabolantes Ilustrador, Cartoonista, Caricaturista, Vj, etc... que designação é que lhe assenta melhor? Neste momento digo que sou ilustrador, simplesmente porque me parece o termo mais abrangente e que pode englobar todos os outros. No meu entender Ilustração

é uma actividade visual que se define pelo e através do diálogo que estabelece com outras áreas artísticas, como a literatura e escrita no caso da ilustração no sentido estrito, com a música no caso do vjing. Ilustração é também uma arte gráfica, no sentido em que é destinada à reprodução em massa e não se confina a um original, sendo produzida para qualquer suporte de difusão alargada de informação, seja impressão de jornal, revistas ou livros, mas também tv e suportes multimedia como sites e livros electrónicos. Esteve em Macau nos anos 90. Como vê a transformação do território? O jogo tomou conta do território e moldou-o, para bem e para o mal. Eu gosto da duplicidade de Macau, que se sente ao passar do centro histórico para os casinos do Cotai, e acho que faz tudo parte do carácter único desta cidade. Ao nível das relações humanas, dos amigos que cá tenho, acho que até se manteve mais ou menos na mesma. Os tipos de amizade e de pessoas que cá se encontram são parecidos com o que encontrei aqui há vinte anos, e um pouco diferentes de o que se tem em Portugal. Por isso continuo a cá voltar, gosto de cá vir. E tenho cá família, o que torna Macau sempre uma espécie de casa, que para mim é onde se encontra um pouco de nós. Houve grandes transformações aqui em vinte anos, mas posso sempre virar uma esquina e encontrar um lugar que ficou parado no tempo. Macau é uma cidade inspiradora para o seu trabalho? Sim. Por um lado, porque é uma cidade que nos faz pensar em possibilidades incríveis. Não porque seja mais fácil aqui fazer uma exposição ou editar um livro ou fazer dinheiro a vender desenhos. Ou porque tenha um grande mercado de ilustração ou de arte. Mas porque basta-me olhar, por exemplo, para o Grand Lisboa e ficar maravilhado, simplesmente porque foi construído. A escala do kitsch nesta cidade é tão imensa

hoje macau sexta-feira 17.1.2014


entrevista 3

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ILUSTRADOR CONSAGRADO Nascido em Lisboa, André Carrilho é um dos mais consagrados ilustradores portugueses e, sem dúvida, o mais internacional, com exposições em vários pontos do globo, passando pelo Brasil, China, França, Portugal, República Checa, Estados Unidos ou Espanha. Macau é ponto obrigatório de passagem, desde que aqui viveu nos anos 90. Actualmente trabalha regularmente para algumas das publicações de maior prestígio mundial, como o New York Times, The New Yorker, Vanity Fair, New York Magazine, Standpoint, Independent on Sunday, NZZ am Sonntag, Word Magazine, Harper’s Magazine. Com inúmeros prémios nacionais e internacionais, André Carrilho foi galardoado com o Gold Award for Illustrator’s Portfolio by the Society for News Design (USA), em 2002, um dos prémios de ilustração de maior prestígio no mundo. Em Novembro do ano passado foi escolhido pela revista Vanity Fair para recriar o mítico painel de personalidades que representam o espírito do momento americano

que a meu ver é contagiante, no sentido em que nos torna susceptíveis às hipóteses mais mirabolantes. Dá-nos um olhar em que tudo é possível. No outro lado do espectro, o centro da cidade é cheio de mundos e realidades entrelaçadas, cantos e becos e escadas e pátios eternamente por descobrir. É uma cidade porosa, em que de repente se pode encontrar uma porta ou um corredor que nos leve a um sítio que nunca vimos, mesmo ao lado da rua que costumamos percorrer todos os dias. Encontramos sítios em que o espaço privado e o público não estão claramente separados, em que a casa das pessoas se espalha pela rua e onde, consequentemente, acabamos por entrar. Está constantemente em viagem. As cidades por onde passa têm interferência no seu trabalho? Depende do que estou a fazer. No trabalho de ilustração mais corrente, internacional, tento que o trabalho decorra independentemente do sítio onde estou. Pode haver uma influência a nível de disposição e temperamento enquanto estou a desenhar, mas não é relevante. Talvez haja ideias que surgem num sítio e não surjam noutros. Uma vez quis fazer um cartoon sobre a pedofilia dentro da igreja católica, um assunto que me impressiona muito. Estava em Tallinn, na Estónia, era inverno e ainda fumava. Estava desesperado por uma ideia e fui à rua fumar um cigarro. Estava muito frio, havia muita neve e estava enregelado. Ao longe de repente ouvi um sino a marcar as horas. E tive a ideia de fazer um desenho em que padres estavam vestidos com batinas a fazer de sinos. Às vezes as ideias surgem com pormenores aparentemente insignificantes. Ultimamente ando a fazer desenhos de viagem, que são muito definidos pelos sítios por onde passo. Como vê actualmente o movimento artístico de Macau? Não estou muito por dentro, simplesmente porque não passo cá tempo suficiente de cada vez para me permitir investigar o que se passa mais a sério. Mas já conheci gente de muito talento aqui, que faz coisas interessantes e que me inspiram a fazer também.

A caricatura pode ser uma arma poderosa. Como é que lida com isso? Com tranquilidade e alguma prudência. Sem muito medo. Acho que há responsabilidade da parte do cartoonista de tentar sempre fazer perguntas e questionar, por mais incómodo que isso seja. Já teve algum problema com alguma caricatura que tenha feito? Já tive um ou dois problemas, nada de muito grave, sempre em Portugal, porque é onde faço mais trabalho de crítica política. A reclamação mais indignada que alguma vez tive veio da embaixada de Israel em Lisboa e foi causada por um cartoon que

fiz sobre Israel e a Palestina, um tema a que volto muito. Já recebeu vários prémios nacionais e internacionais. Como é que lida com isso ? Costumo dizer que um prémio é obra do acaso com a intervenção do erro humano. Isto porque

É uma cidade porosa, em que de repente se pode encontrar uma porta ou um corredor que nos leve a um sítio que nunca vimos, mesmo ao lado da rua que costumamos percorrer todos os dias

já participei em vários júris de prémios e sei como funcionam. Receber um diz-me que o meu trabalho talvez não seja uma grande porcaria, que é o que sinto muitas vezes. Os prémios são bons para manter algum respeito no meio e são capazes de contribuir para um constante fluxo de trabalho, e se vierem são bem vindos. Mas não tenho gozo especial em ir receber prémios, sou tímido, nem em concorrer, porque a maior parte das vezes não se ganha e pode ser um golpe à auto-estima. São algo com que tenho que conviver porque sou freelancer e tenho que manter alguma forma de atenção sobre o meu trabalho, não tenho

agente e faço tudo sozinho. Os prémios fazem parte disso. Assim como esta entrevista. Em que está presentemente a trabalhar e que projectos para tem para o futuro a curto prazo? Quero fazer alguns livros e uma publicação de autor periódica. Estou a planear uma exposição e um livro de desenhos de viagem para muito em breve. E o regresso a Macau? É para quando? Daqui a um mês ou dois, para o Festival Literário. Faltei o ano passado e não queria faltar agora.


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POLÍTICA

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NORTE DA TAIPA NG KUOK CHEONG PEDE DEBATE PARA DISCUTIR ORDENAMENTO

Moradores não foram ouvidos além disso, foi divulgado antes da entrada em vigor da nova Lei do Planeamento Urbanístico, algo que acontece a 1 de Março. “O projecto proposto pelo Governo não vai passar pelo futuro Conselho do Planeamento Urbanístico, a ser criado com a nova lei. Além disso, os moradores da zona nunca tiveram a oportunidade de discutir o assunto, nem participar numa consulta sobre o projecto. A construção da altura prédios pode aumentar e o público tem dúvidas em relação a uma transferência

TIAGO ALCÂNTARA

O deputado acusa o governo de não ouvir os moradores da zona. Que temem por ali prédios demasiado altos CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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G Kuok Cheong, em representação da Associação Novo Macau (ANM), entregou um pedido de debate à Assembleia Legislativa (AL) acerca do novo plano de urbanização para o norte da Taipa. O deputado afirma que o plano foi apresentado pelas Obras Públicas no passado dia 4 de Janeiro, sem qualquer consulta pública, e que, para

UMAC diz que questões políticas não movem processos disciplinares

A Universidade de Macau (UMAC) emitiu um comunicado onde afirma não fazer quaisquer comentários relativamente ao processo disciplinar que neste momento está a ser instaurado a Bill Chou, professor de ciência política da mesma instituição académica. “Atendendo ao principio da confidencialidade e por ordem a proteger os direitos e interesses de todas as partes envolvidas e a assegurar a imparcialidade e isenção da Comissão Disciplinar, a UMAC não comentará, neste momento, o processo disciplinar que está a decorrer.” Contudo, afirma que o caso poderá não estar ligado à sua recente ligação com as actividades da Associação Novo Macau (ANM), da qual é membro. “A UMAC orienta-se pelo principio de liberdade académica na sua prossecução da excelência académica. Nunca foi – nem nunca será – iniciado um processo disciplinar contra qualquer funcionário da UMAC por causa das suas declarações politicas junto da comunidade. (...) Em regra, um processo disciplinar visa apurar se um funcionário violou, ou não, quaisquer regras internas ou obrigações profissionais a que está sujeito.” Recentemente Bill Chou disse ao HM que os seus advogados alegam violação da Lei Básica em todo o processo, estando ainda a aguardar respostas por parte da reitoria da universidade. - A.S.S.

de benefícios neste plano”, escreve o deputado em comunicado.

LAU SI IO NÃO CONFIRMA NEM DESMENTE

À margem de um evento público, o secretário Lau Si Io não confirmou nem desmentiu se o projecto pode ou não ser retirado dos planos do Governo. Disse que a sociedade tem vindo a apresentar várias opiniões sobre o assunto. Sublinhou que o plano “não é urgente” e que, ao contrário do que acusa a ANM, não vai contra a lei. O secretário das Obras

PROJECTO DO L AGO NAM VAN SEM CALENDÁRIO Segundo a imprensa chinesa, Lau Si Io também foi questionado pelos planos a desenvolver para as áreas C e D do lago Nam Van, mas este referiu que o projecto tem estado sempre em análise e que, para já, não há um calendário concreto. O secretário explicou que o plano é da total responsabilidade da Direcção das Obras Públicas e Transportes. “Não o tenho nas mãos neste momento e não tenho responsabilidade sobre ele.”

CANAL GRATUITO DA TV CABO COM PUBLICIDADE DA MACAUSLOT

As tentações de Chao A

Associação Novo Macau (ANM) voltou a organizar mais uma conferência de imprensa sobre os conteúdos publicitários do pacote de canais gratuitos da TV Cabo. Na origem está uma queixa de um cidadão que viu anúncios da Macauslot, uma empresa de apostas, no canal CH1, enquanto assistia a um jogo de futebol. O mesmo telespectador disse à ANM que viu serem divulgadas as taxas de apostas ao lado enquanto eram transmitidos os jogos de futebol. “Primeiro, na lista dos canais da TV Cabo, e segundo o acordo feito com o Governo, o canal CH1 não está incluído. Segundo, como o canal é gratuito, o facto de serem acrescentadas todas estas informações de apostas é totalmente contra o principio do jogo responsável que o Governo tem vindo a promover junto da sociedade. Especialmente numa altura em que as slot machines estão a sair das zonas residenciais, a publicidade às apostas em programas que os adolescentes podem ver pode ser

uma má influência”, acusou Jason Chao, presidente da ANM.

EXPERIÊNCIA PESSOAL

Jason Chao deu mesmo o exemplo pessoal de quando foi tentado a fazer uma aposta, quando tinha menos de 18 anos. “Fui atraído pela publicidade das taxas de apostas de jogo, mas reparei que, se não tivesse dinheiro suficiente, não podia fazer sempre apostas. Contudo, nem todos os adolescentes têm a mesma consciência face ao jogo. A empresa também tem de pensar na sua responsabilidade social.”

O presidente da ANM deixou ainda recomendações ao Governo. “Em Hong Kong, segundo os códigos de conduta para a realização de apostas de futebol e lotarias, não é permitido às operadoras de jogo fazer publicidade virada para os menores de idade. Acreditamos que Macau pode ter como referência a experiência de Hong Kong. Mas tem de haver um equilíbrio entre a rentabilidade dos canais e a responsabilidade social.” O HM contactou a TV Cabo no sentido de saber mais infor-

Públicas e Transportes afirma ainda que o projecto vai “fazer bem” aos moradores, ajudando a resolver os problemas dos transportes e ambiente. Mas precisa, contudo, de uma cooperação das empresas que estão envolvidas. De frisar que, esta semana, a ANM realizou uma conferência de imprensa onde afirma que dois terrenos já têm propriedade da Companhia de Construção e Investimento Ho Chun Kei, empresa que construiu o edifício residencial Sin Fong Garden. Jason Chao, presidente da ANM, revelou que na próxima semana vai publicitar mais dados sobre os negócios da empresa, onde também estarão envolvidas três empresas tradicionais que terão recebido cerca de 400 milhões de patacas da Ho Chun Kei. Jason Chao disse ao HM que uma destas associações é a União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), mas negou a possibilidade de estar envolvida a Associação de Beneficência do hospital Kiang Wu. Isto porque o seu presidente, Ho Weng Pio, também é director da Ho Chun Kei.

mações sobre o caso, mas depois de diversas tentativas não nos foi possível obter esclarecimentos até ao fim da edição.

TV CABO, O “ENGANO AO PÚBLICO”

O contrato de concessão entre o Governo e a TV Cabo acaba no próximo dia 21 de Abril e o Governo já garantiu que estão a ser feitos os trabalhos preparatórios para a renovação do contrato, depois de, no hemiciclo, Lau Si Io, secretário da tutela, ter dito primeiro que o mesmo não ia ser renovado. Jason Chao aproveitou o evento de ontem para criticar mais a postura do Executivo. “O Governo está a promover a renovação do contrato e a estender a ligação. Embora o secretário Lau Si Io tenha tido que, depois de Abril, iria haver a liberalização do mercado, a verdade é que se só houver uma empresa candidata, a ligação com a TV Cabo vai continuar. Tudo isto é uma fraude que o Governo e a TV Cabo estão a fazer em conjunto para enganar o público.” Chao considera que, sendo a TV Cabo é uma empresa que faz publicidade em jogos que passam em canais gratuitos, deveria ser reconsiderada a concessão da licença de televisão. - C.L.


política 5

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CHEFE DO GABINETE DE LIGAÇÃO SATISFEITO COM MANDATO DE CHUI SAI ON

ANDREIA SOFIA SILVA

andreis.silva@hojemacau.com.mo

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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chefe do Gabinete de Ligação de Pequim na RAEM, Li Gang, comentou ontem a política de vistos dos cidadãos do continente para Macau, depois do Executivo ter garantido que não vai haver maior flexibilidade na sua atribuição. “Para já a quantidade dos turistas está adaptada. Temos de considerar a capacidade para se tolerar o número de turistas, porque no ano passado já estava previsto ultrapassar-se os 30 milhões. Macau neste momento só tem 100 hotéis com uma oferta de 22 mil quartos, e Las Vegas, com 36 milhões de turistas por ano, tem uma oferta de quartos seis vezes superior.” Li Gang considera que, para se oferecer um serviço de qualidade aos turistas, é necessário ter oferta de alojamento, para que possam “comer e dormir bem”. Na sua opinião, “se aumentar o número de turistas sem controlo, o futuro pode trazer um fardo pesado para a sociedade, e isso vai afectar indirectamente a vida das pessoas de Macau.” Li Gang lembrou ainda que a função do Gabinete de Ligação em Macau passa, mais do que por implementar o princípio de “Um País, Dois sistemas”, por completar outras tarefas atribuídas por Pequim. “As outras funções são obrigatórias para mim, incluindo o facto de olhar pela regulação do jogo. Eu e outros membros do gabinete esperamos que a indústria do jogo se possa desenvolver de forma saudável e com ordem.”

Um olho no governo, outro no jogo Li Gang disse que o Chefe do Executivo fez um bom trabalho nas mais diversas áreas, considerando que o actual sistema de eleições está de acordo com a realidade local. Frisou, no entanto, que prestará muita atenção às questões relacionadas com o jogo

CHUI SAI ON PROMETE REFORÇAR TRANSPARÊNCIA No seu discurso proferido na Torre de Macau, durante a tarde de ontem, o Chefe do Executivo lembrou os bons momentos do seu mandato, tendo garantido que vai continuar a “empenhar esforços para elevar a eficiência administrativa, o nível dos serviços e a capacidade de tomada de decisões científicas, bem como para intensificar o espírito de responsabilidade e a transparência administrativa.” Chui Sai On garantiu ainda continuar a governar em estreita ligação com Pequim e frisou as importantes leis que foram aprovadas recentemente. “O Governo da RAEM reforçou o investimento nos domínios da vida da população e da cultura e iniciou os trabalhos de construção dos mecanismos eficientes de longo prazo nas quatro grandes áreas, nomeadamente a habitação, a segurança social, os serviços médicos e o ensino, no sentido de promover o contínuo melhoramento da qualidade de vida dos cidadãos”, disse o Chefe do Executivo.

Estas declarações foram prestadas durante a celebração da Festa da Primavera entre membros do Governo local e do Gabinete de Ligação de Pequim em Macau, durante a qual Li Gang, recentemente nomeado chefe do gabinete, teceu elogios ao desempenho político de Chui Sai On nos últimos quatro anos. “Considero pessoalmente que Chui Sai On fez bem o trabalho nos últimos anos em relação à Lei Básica e ao princípio ‘Um País, dois sistemas’. Manteve a

LEONG VENG CHAI CRITICA PRAZOS DE PROJECTOS PÚBLICOS

Prisão saturada, obras atrasadas “P

ASSARAM já 13 anos desde o retorno à Pátria e ainda não se sabe quais as datas de conclusão de muitas instalações que são tidas como urgentes para a nossa população.” É esta a mais recente acusação ao Governo de Leong Veng Chai, número dois de José Pereira Coutinho, ambos deputados na Assembleia Legislativa (AL) em representação da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM). Leong Veng Chai escreve em interpelação escrita que todos os calendários para os grandes projectos públicos, em áreas como os transportes ou saúde, têm vindo a falhar. “Quanto ao complexo hospitalar das ilhas, há que esperar

até 2017 para o ver concluído, e quanto ao Metro Ligeiro e Estabelecimento Prisional de Macau (EPM), os residentes têm dúvidas que a sua conclusão respeite os prazos definidos.” “Neste momento o que muitos residentes sabem é que ainda vão ter de continuar a enfrentar, durante muito tempo, dificuldades em conseguir uma consulta e em apanhar transportes públicos.” Contudo, o deputado prefere destacar o atraso nas obras de remodelação da prisão, as quais, aponta, não são feitas há 23 anos. “O EPM foi desenhado para receber 400 reclusos, mas devido ao seu aumento, foi alvo de uma ampliação

para acolher cerca de 1200. No entanto o número de reclusos já atingiu neste momento 1120, portanto aquele estabelecimento está quase a atingir o seu ponto de saturação, situação que é grave e necessita de urgente solução.”

OS 200 DIAS

Leong Veng Chai chama a atenção para o facto da direcção da prisão ter referido que ainda eram necessários mais 200 dias para a conclusão das obras, que estão previstas terminar no quarto trimestre deste ano. “Podemos verificar que neste momento as obras avançaram pouco, por isso a população duvida que a

sua conclusão seja possível no prazo definido. Se depois forem necessários mais adiamentos, como é que podemos acreditar nas promessas do Governo da RAEM? Será que os residentes de Macau vão ter de considerar as promessas do Governo como palavras ocas?” Referindo-se a problemas de gestão interna e da pouca ventilação existente, o que pode, na sua opinião, gerar um surto de doenças, Leong Veng Chai quer saber se o Executivo tem planos para minimizar os “problemas decorrentes do acumular de pessoas no EPM”, chamando ainda a atenção para a questão da reinserção social dos presos. - A.S.S.

Administração de acordo com a lei e liderou a ligação entre os cidadãos e o desenvolvimento do jogo. Ao mesmo tempo, também ajudou a diversificar a economia e a melhorar os assuntos sociais. Fez imensos trabalhos em relação aos cidadãos e à sociedade, e o que tinha de ser feito toda a gente pode ver”, disse o representante de Pequim na RAEM. Convidado pelos jornalistas a comentar a possibilidade de implementação do sufrágio universal, Li Gang considerou que o actual sistema político vigente “corresponde à situação actual de Macau”. “O sistema de eleições também corresponde à actual situação, a fim de se manter a prosperidade e estabilidade a longo prazo”, esclareceu. Sobre a polémica da falência da Reolian, Li Gang elogiou a decisão do Governo em assumir as rédeas do processo. “Apesar de ser a falência de uma empresa privada, o assunto envolveu a vida dos residentes de Macau e isso significa que o Governo da RAEM dá atenção para os assuntos sociais. O Governo fez muito bem.”

Mais controlo nos táxis, pedem deputados 

O deputado Au Kam San quer que o Governo imponha uma restrição quando lançar as novas 200 licenças de táxi. A intenção do deputado é proibir que, tanto os motoristas, como as empresas já titulares de licenças de táxi não possam participar em concursos para a obtenção de licença. Também a deputada Wong Kit Cheng pede que o Governo publique o mais cedo possível o contrato de renovação com os táxis amarelos, uma vez que, em menos de um mês, o contrato chega ao fim. A deputada pede também que o Governo modifique o regulamento de táxis para regular as questões de abuso de tarifas e recusas de cliente.

Melinda Chan quer facilitar levantamento de cheques para deficientes mentais  A deputada Melinda Chan quer que o Governo melhore o sistema de levantamento de cheques da comparticipação pecuniário. Em causa, os deficientes mentais. Numa interpelação escrita, a deputada disse que os deficientes mentais sem capacidade de se responsabilizarem por si próprios não conseguem abrir uma conta no banco, necessitando de um guardião para levantar o cheque. “Contudo, é sempre preciso seis meses para tratar de todo processo e isso gasta dinheiro e causa muitos problemas à família.” A deputada pede que o Governo faça um serviço “one-stop” para que eles consigam levantar o cheque sem ter que ir ao banco e, assim, facilitar a vida aos deficientes e à família. 


SOCIEDADE

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TIAGO ALCÂNTARA

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ARGUMENTOS PARA OS PEDIDOS DE ABSOLVIÇÃO PEDRO CHIANG – empresário de Macau acusado de três crimes de corrupção passiva e um de branqueamento de capitais por, alegadamente, ter agido como o testa de ferro de Ao Man Long ao abrir uma conta off-shore que, mais tarde, passou para o ex-secretário. É ainda acusado de ter ajudado co-arguidos a conseguir a gestão, operação e manutenção de ETARs, pelo que terá ganho 20% de uma das empresas, a Waterleau Macau. Defendido por João Miguel Barros • “O relatório do CCAC não apurou que Ao Man Long tivesse combinado com Pedro Chiang para que este recebesse vantagens” • “Não é possível que os mesmos factos sirvam para crimes autónomos e diferentes” (MP acusa Chiang de corrupção e branqueamento de dinheiro pelos mesmos factos, além de ter acusado o empresário pelo crime de corrupção activa com base nos mesmo factos) • “A corrupção passiva só se aplica quando há violação dos deveres do cargo, onde se jura agir com lealdade para com a RAEM. Os deveres do cargo de secretário são pessoais, não se podem transferir para alguém. Só Ao Man Long podia violar os deveres de secretário” • “As testemunhas desconhecem a presença de Chiang na Waterleau Macau. Os 20% da Waterleau Macau foram anulados quando Ao Man Long foi julgado, como prova de que era pertencente a Ao” • “Chiang era accionista fictício da Best Choice [empresa off-shore]. A Best Choice foi criada por Ao, as despesas eram pagas por Ao e Chiang aceitou a nomeação de administrador, mas, simultaneamente, renunciou, passando uma procuração a Ao e à mulher. Só Ao podia movimentar as contas. Pedro Chiang acreditou na explicação de Ao, de que a conta era para movimentar acções na Bolsa de Hong Kong – o nome de um secretário não convinha que estivesse ligado a transacções na bolsa -, e ainda que era para a reforma de Ao, que não ia regressar à função pública JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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RESSÕES política, provas manipuladas e uma acusação sem fundamentos. Em dia de alegações finais do julgamento das ETAR e dos terrenos do La Scala, a defesa apontou baterias ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC) e ao Ministério Público (MP), que acusa de ter fabricado mais factos do que descrito o que aconteceu na realidade. No dia de ontem, a sessão foi dedicada a ouvir João Miguel Barros - que defende o empresário de Macau Pedro Chiang -, Luís Mesquita de Melo – que defende o empresário de Hong Kong Joseph Lau – e de Jorge Neto Valente, defensor de Steven Lo, também de Hong Kong. Ainda que em casos diferentes, os três advogados começaram todos por relembrar o julgamento do ex-secretário Ao Man Long, condenado a 29 anos e meio de prisão por corrupção. Fazendo questão de ressalvar que os processos são independentes daquele do ex-responsável, as circunstâncias do julgamento de Ao e a investigação que conduziu à sua condenação foram o prato forte de uma defesa que assegura que os seus clientes se sentaram no banco dos réus já sem qualquer

LA SCALA DEFESA ALEGA QUE MP NÃO CONSEGUIU APRESENTAR PROVAS DAS ACUSAÇÕES

O dia mais longo

Em dia de alegações finais foi altura de recordar Ao Man Long e toda a polémica envolta em torno das buscas a casa do ex-responsável e das provas recolhidas. O dedo foi apontado ao MP e ao CCAC durante toda a sessão, sendo que os advogados pedem a absolvição dos arguidos por falta de provas e de uma acusação que dizem ser manipulada. O julgamento aconteceu, dizem ainda, por pressão política presunção de inocência. “A forma como foi conduzido o julgamento de Ao Man Long deixou dúvidas não só pela impossibilidade de recurso, mas pelo facto das provas terem sido, em grande parte, manipuladas”, começou por atirar Neto Valente. “Isso não só o prejudicou a ele, prejudicou todos os que têm vindo a ser julgados.” Também João Miguel Barros – cujo cliente está envolvido num outro caso que não o dos empresários defendidos por Neto Valente e Luís Mesquita de Melo – fez a mesma observação.

“As provas não podem ser valoradas em nenhum processo em curso ou a instaurar, nem como fundamento da condenação de um arguido”, frisou, citando um parecer de um académico de Coimbra. “A acusação [do MP] é caótica, descreve factos sem rigor. É inaceitável que se acuse alguém com base em factos imprecisos e nebulosamente descritos.” A situação das provas não é um problema novo: as buscas em casa do ex-secretário têm sido polémicas em vários dos julgamentos, não só do ex-responsável, como em ca-

sos conexos, sendo que corre até um recurso no Tribunal de Segunda Instância sobre isto. As buscas foram feitas sem autorização, sem que ninguém estivesse presente em casa do ex-secretário, a não ser os investigadores do CCAC – isto, estando Ao Man Long detido na sede do organismo – e ainda sem que fossem validadas por um juiz. O Tribunal de Última Instância, contudo, fez uso dos documentos apreendidos para condenar Ao. Mais ainda, constam dos autos documentos anónimos e sem data, que estão a ser também

JOSEPH LAU – Director da CHinese Estates Holdigns, vem acusado de corrupção activa e branqueamento de capitais por, alegadamente, ter pago 20 milhões de dólares de Hong Kong a Ao Man Long para ter informação privilegiada que o ajudasse a vencer uma consulta por convite para a compra de cinco terrenos em frente ao aeroporto. Defendido por Luís Mesquita de Melo • “A pronúncia diz que Lau ficou a saber sobre os terrenos, mas não refere quem lhe deu a informação” • “Não há, nos autos, qualquer prova de contacto entre Ao Man Long e Joseph Lau” • “A informação da venda dos terrenos era pública, as sociedades foram constituídas com esse propósito” • “Lau não sabia que se ia encontrar com Ao Man Long [por duas vezes em jantares a convite de Ho Meng Fai] e contou ao CCAC sobre estes jantares em 2008, quando não sabia que isto iria servir de prova em julgamento [contra ele]” • “A única anotação em que é referido Lau nas agendas de Ao Man Long é uma que diz ‘Tai Lau/Cotai 2 mil’ e a interpretação do MP é uma conjuntura que não corresponde à realidade. Pode ser interpretada como ‘Tai Lau’ não ser Joseph Lau e os terrenos nem são no Cotai, são em frente ao aeroporto” • Cheque de 20 milhões da Group Luck [empresa de Lau] para a Eastern Base foi um pagamento feito com base num contrato de empréstimo à Moon Ocean e Lau não sabia que tinha ido para à Ecoline [off-shore de Ao]” STEVEN LO – director da Moon Ocean, vem acusado de corrupção activa e branqueamento de capitais por, alegadamente, ter pago 20 milhões de dólares de Hong Kong a Ao Man Long para ter informação privilegiada que o ajudasse a vencer uma consulta por convite para a compra de cinco terrenos em frente ao aeroporto. Defendido por Jorge Neto Valente • “A investigação ignorou a existência - ou não quis juntar - as actas da empresas que mostraram que os terrenos eram para ser vendidos desde 1994” • “Não existe qualquer referência de Steven Lo, nem da Moon Ocean nas agendas de Ao Man Long” • “Os terrenos podiam ter sido adjudicados por venda directa, porque as empresas eram privadas, ao invés de ter sido feito uma consulta por convite” • “Ficou provado em audiência que a STDM era quem tinha informações privilegiadas sobre a venda dos terrenos e não a Moon Ocean”


sociedade 7

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utilizados como prova, e há ainda as agendas de Ao Man Long – cujo acesso aos advogados na totalidade só foi permitido pela primeira vez neste julgamento, que junta os casos do La Scala com o das ETAR. A defesa não esqueceu. “O que foi dito pelos investigadores do CCAC não passam de convicções e opiniões, que são censuráveis, abusivas e sem base de sustentação”, acusou Neto Valente. “Só o acesso aos cadernos da amizade [agendas de Ao Man Long] é que permitiu desmentir aqui [em audiência] a manipulação que foi feita.”

DÚVIDA RAZOÁVEL

Além do CCAC, o procurador-geral adjunto do MP, Paulo Chan, foi duramente criticado pelos advogados. “A acusação é pouco rigorosa, escrita em jeito de história, opinativa”, atirou Luís Mesquita de Melo. “O senhor procurador falou [nas alegações finais] como se nada tivesse sido dito nesta sala.” Jorge Neto Valente não poupou nas palavras. “Não foram feitas provas, esperava-se que o senhor procurador do MP, que é competente, inteligente e que eu admiro, fizesse uma auto-apreciação critica, mas isso passou-lhe ao lado, como se nada se tivesse passado no julgamento. Limitou-se a repetir a acusação.” Também João

As buscas foram feitas sem autorização, sem que ninguém estivesse presente em casa do ex-secretário, a não ser os investigadores do CCAC Miguel Barros questionou o MP “de que factos em concreto estavam a ser acusados todos os arguidos”. O princípio da dúvida razoável – que dá vantagem ao réu caso haja dúvidas sobre factos - foi um dos mais evocados durante a audiência. Os advogados contestam que o facto das acusações “não dizerem nada sobre as circunstâncias de modo, tempo e lugar” não permite que se perceba o “suporte factual ou probatório” das acusações feitas, pelo que, se há dúvidas, isso tem de favorecer o réu.

MEDIATISMO E INOCÊNCIA

O mediatismo do caso é outra das preocupações da bancada da defesa, que quase todos fizeram questão de frisar. “Preocupa-nos a questão da natureza política, o relevo social, o impacto

mediático sobre a decisão. Mas, o que o cidadão comum tem de perceber é que há regras jurídicas”, começou por dizer Mesquita Melo, que afirmou que o colectivo de juízes certamente não se influenciará pela política e pelos média. “Não vivemos numa sociedade onde os julgamentos servem para condenar os supostamente maus de acordo com a vontade política”, acrescentou João Miguel Barros. A presunção de inocência dos arguidos foi um dos problemas que mais levou tempo da defesa, além da questão das provas. Isto, porque o TUI já condenou Ao Man Long pelo facto de ter recebido dinheiro de subornos de Joseph Lau e Steven Lo, os empresários de Hong Kong que respondem por corrupção activa por, alegadamente, terem pago 20 milhões de dólares de Hong Kong ao ex-secretário para ficarem com os terrenos em frente ao aeroporto. “Não é por ele [Ao] ter sido condenado que todos serão culpados. Os arguidos nunca tiveram oportunidade de se defender”, notou Mesquita Melo, mais tarde acompanhado por Neto Valente. “Os arguidos não foram ouvidos, não tiveram hipótese de defesa, mas o TUI imputou-lhes culpa.” A leitura da sentença está marcada para o dia 14 de Março.

Jogo 2013 Receitas brutas de mais de 360 mil milhões

O

sector do jogo em Macau encerrou 2013 com receitas brutas de 361.866 milhões de patacas, mais 18,55% do que no ano anterior, foi ontem anunciado. De acordo com os dados oficiais dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos, entre Janeiro e Dezembro de 2013 os casinos geraram receitas brutas de 360.749 milhões de patacas, acrescidos de 1.117 milhões de patacas das receitas de lotarias, apostas em jogos de futebol e basquetebol e corridas de cavalos e cães. No capítulo dos jogos em casino, o bacará vip, em salas destinadas a apostadores de grandes quantias, gerou receitas de 238.524 milhões de patacas, mais 13,12% do que no ano anterior, ao passo que o bacará jogado em mesas comuns atingiu receitas brutas de

91.599 milhões de patacas, mais 38,26% do que em 2012. O jogo em mesas de grandes apostadores perdeu, em 2013, peso na composição das receitas brutas do sector ao gerar apenas 65,9% do total, contra 69% registados em 2012. No final de 2013, Macau tinha 35 casinos que mantinham em funcionamento 5.750 mesas, mais 265 do que em 2012, e 13.106 ‘slot machines’, menos 3.479 do que no final do ano anterior. O sector do jogo em Macau paga um imposto directo de 35% e um imposto indirecto de cerca de 4% à administração de Macau, sendo ainda taxado em vários emolumentos sobre as mesas e slot machines que possui em funcionamento e é a principal fonte de receita do Governo.

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8 sociedade

CENTENÁRIO DO DIA MUNDIAL DOS EMIGRANTES É NO DOMINGO

Actividade “inclusiva” para esquecer os problemas

TIAGO ALCÂNTARA

hoje macau sexta-feira 17.1.2014

Católicos e grupos de emigrantes vão reunir-se para celebrar os 100 anos do Dia Mundial dos Emigrantes e Refugiados. São esperados quase 2 mil participantes, apontado como o maior número de sempre ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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TIAGO ALCÂNTARA

S problemas de quem emigrou para ganhar o seu sustento vão ficar esquecidos por um dia em prol de umas horas de alegria. É este o objectivo da actividade que acontece já este domingo, 19, para celebrar o centenário do Dia Mundial dos Emigrantes e Refugiados. A organização será feita pelo Centro do Bom Pastor em conjunto com a igreja católica e grupos locais de emigrantes. Segundo a Rosa Vilória, irmã do Centro do Bom Pastor, são esperadas entre 1500 a 2000 pessoas, um dos maiores números de sempre desde que as celebrações começaram a ter lugar em Macau, em 2010. Os participantes prometem vir de lugares

tão diferentes como as Filipinas, Indonésia ou Myanmar. “Pretendemos ser inclusivos e não exclusivos. Vamos ter diferentes nacionalidades, mas a maior quantidade de participantes serão filipinos. Queremos mostrar as grandes contribuições que os emigrantes trazem para a sociedade de Macau, nomeadamente na área da cultura, e a influência que trazem para as relações de trabalho”, disse Rosa Vilória, durante a conferência de imprensa realizada ontem. As celebrações começam às 10h30 com a realização de uma missa na igreja de Santo Agostinho, que terá a presença do bispo D.José Lai. Ao meio-dia terão lugar as actividades no auditório do Colégio Diocesano de São José, com direito a almoço. Durante a tarde vão realizar-se apre-

sentações culturais, com direito a gastronomia, de diversos países. Todo o público é convidado a participar.

LEI NÃO FUNCIONA NA PRÁTICA

Segundo a irmã Rosa Vilória, este pretende ser um dia onde os problemas das diversas comunidades vão ficar de lado por umas horas. Com base na experiência do Centro Bom Pastor, as dificuldades sentidas por estas pessoas em Macau são muitas. “A lei é boa, mas a implementação é diferente. Temos de olhar as condições de vida destas pessoas. Em muitos contratos diz-se que vão ganhar um determinado salário, mas na verdade não ganham. Não podem falar e não se podem queixar, se não são despedidos, e não querem ter o risco de perderem os seus empregos. Há pessoas que têm colapsos, porque trabalham demais, durante 24 horas, e não dormem o suficiente.” E dá outros exemplos onde a palavra do patrão é sempre tida em conta. “Há muitos problemas emocionais, porque estão longe das suas famílias. A solidão é muito difícil para eles, vemos que eles estão sempre a sorrir, mas quando estão sozinhos sentem-se tristes. Muitos não têm sorte de terem bons empregadores, ficam proibidos de tocar no frigorifico. Mas queremos enfatizar a alegria e queremos trazer ao de cima as boas coisas que (os emigrantes) conseguem fazer.”

MACAU É A SÉTIMA ECONOMIA MAIS LIVRE DA ÁSIA-PACÍFICO

O direito do mais forte à liberdade M

ACAU é a sétima economia mais livre da Ásia Pacífico e a 29.ª entre os 178 sistemas económicos do mundo classificados pela Heritage Foundation, segundo uma lista hoje divulgada pela organização norte-americana. De acordo com um comunicado da Autoridade Monetária da Região Administrativa Especial chinesa, divulgado após a publicação da lista, Macau obteve este ano uma avaliação de 71,3 pontos entre um máximo de 100, na escala do índice de liberdade económica da Heritage Foundation.

O território ocupa, assim, o 29.º lugar do ‘ranking’ a nível mundial entre as 178 economias avaliadas e a sétima posição entre as 42 economias da Ásia Pacífico que foram classificadas, depois de Hong Kong, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Taiwan e Japão. Macau obteve melhores notas nos “níveis de liberdade em termos de despesas do Governo, a nível do comércio, do investimento, monetário e do nível de liberdade a nível financeiro”, de acordo com a Autoridade Monetária.

Segundo o relatório da Heritage Foundation, o território “tem beneficiado ao longo dos anos do comércio mundial e dos investimentos, assim, o ambiente geral do comércio está livre de obstáculos e o direito da propriedade privada é respeitado”. “A pequena economia de Macau foi transformada num dos principais destinos turísticos do mundo, como consequência dos projectos de entretenimento e laser e investimentos em infra-estruturas”, realça ainda a organização norte-americana, citada pela Autoridade Monetária.

CANÍDROMO MORADORES DA ZONA DO QUEIXAM-SE DO BARULHO

Maldita cãozoada CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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Conselho Executivo já concluiu a proposta de lei que traz regras mais apertadas para os barulhos oriundos de obras e de prédios residenciais. Contudo, os moradores da zona onde está situado o Canídromo queixam-se do incómodo causado pelos latidos dos cães de corrida durante a noite. As queixas já começaram a surgir, com os moradores a descreverem a situação como sendo “a vida num deserto cercado por cães que são despertados do seu sono à noite”. De frisar que o espaço das corridas de cães situa-se a alguns passos das zonas residenciais do Fai Chi Kei e da Ilha Verde. Ouvido pela imprensa chinesa, Chan Fong, vice-presidente da Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro da Ilha Verde, disse que o quadro geral da legislação está correcto, mas acredita que os objectivos da mesma não são claros, uma vez que é demasiado abrangente.

“O uivo dos cães é diferente dos barulhos das obras, e quando chegarem os funcionários para medir os décibeis se calhar os cães já não estão a ladrar. Os padrões de controlo de ruído dos animais precisam de estar sujeitos a outros regulamentos. Se os responsáveis receberem três ou quatro queixas numa semana sobre os latidos dos cães, deveriam poder passar multas, mesmo que o cão não ladre no momento em que chegue o funcionário.” Chan Fong recomenda ainda que a polícia e a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) criem um grupo interdepartamental para tratar as queixas, por forma a reduzir o tempo de tratamento das mesmas. Ho Wai Tim, membro do conselho consultivo do ambiente, disse que a PSP não tem equipamentos para medir o som emitido pelos cães, e que se não houver uma equipa da DSPA de plantão durante a noite junto ao Canídromo, então a nova lei é completamente inútil.


CHINA

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COREIA DO NORTE REGIME DE KIM ESTICA DEMASIADO A CORDA

Paciência chinesa à beira do fim As atitudes de Kim Jong-un, que tem ignorado constantemente os avisos de Pequim, estão a esgotar a paciência do seu vizinho chinês. Mas a complexidade do que está em jogo ultrapassa de longe a questão nuclear. MARIA JOÃO BELCHIOR em Pequim

“A

China tem tolerado as ambições nucleares da Coreia do Norte porque os interesses na região são muito maiores e muito mais complexos do que esta questão”. O último relatório do International Crisis Group, um ‘think-tank’ de análise política, sobre a Coreia do Norte foca-se sobretudo na paciência chinesa e na postura que Pequim quer continuar a assumir perante o vizinho indisciplinado. Com atitudes cada vez mais radicais e sem aparente explicação, o regime do herdeiro Kim mais novo, continua a fazer ameaças sobre os testes nucleares ou a lançar mísseis. Para a China, em vez da postura do isolamento ou sanções económicas, a desnuclearização do país tem de ser encarada como um objectivo a longo prazo. Por enquanto, para Pequim parece não haver outra solução.

AVISOS DIRECTOS

Quando em Maio do ano passado o regime de Pyongyang fez mais um teste à paciência chinesa através do lançamento de mísseis, Pequim na nova liderança de Xi Jinping reagiu negativamente e apoiou as sanções da ONU. Uma mensagem que na nova presidência chinesa era

também um aviso de que a paciência tem limites. No entanto, de acordo com o relatório publicado em Dezembro, a atitude chinesa não significa um alinhamento com os Estados Unidos. Para Pequim, Washington representa um teste maior aos interesses geopolíticos da China na Ásia, do que o tão falado regime de Pyongyang. Com 1416 quilómetros de fronteira comum com a Coreia do Norte, os dois países têm sido vizinhos em paz e camaradas quanto baste. Desde a guerra contra a ocupação japonesa que os dois partidos comunistas mantém laços e apoio mútuo em situações necessárias. Com as Conversações a Seis paradas desde 2008, Pyongyang continuou a desenvolver o programa nuclear e inclusive ameaçando o equilíbrio regional através dos testes realizados. O terceiro teste em Fevereiro do ano passado, em plenas férias oficiais do ano novo Chinês, foi

A opinião pública conta e há alguns consideram que o problema norte-coreano existe exactamente devido à atitude intransigente de Washington realizado a setenta quilómetros da fronteira chinesa e sentido nas aldeias mais perto. A proximidade levantou um receio entre a população chinesa sobre a libertação de radioactividade durante o teste. E apesar da segurança dada pelo ministério do Ambiente, muitos não se convenceram e, online, acusaram o Governo chinês de não tomar uma atitude forte perante o país vizinho. Desde Abril até ao final do Verão, Pequim começou a enviar sinais a Pyongyang sobre haver um limite para o mau comportamento. Mas para quem pensava que a China iria alinhar mais para o lado dos outros parceiros das Conversações a Seis, houve uma desilusão.

O objectivo é a desnuclearização sim, mas a longo prazo. Por agora, importa manter o status quo.

NOVO REINO IMPOSSÍVEL

Kim Jong-Un assumiu o poder em Dezembro de 2011. Sem planos ou sinais possíveis de ler sobre o futuro, o jovem líder adoptou uma postura de ataque ao ignorar constantemente os avisos da China. Para alguns, ao não respeitar os avisos dados por Pequim, Kim pode estar também a romper o tradicional princípio de respeito aos mais velhos. Embora em 2013 a China tenha aceite a resolução da ONU que alarga as sanções económicas, muito do que vai ser proibido exportar

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ainda está por definir. Do lado do Governo chinês, um estrangulamento económico do país, não vai conseguir trazer Pyongyang de volta à mesa das negociações. Um país cada vez mais fraco pode, ao invés, contribuir para a tentativa de fortalecer o regime através de atitudes de ataque. Pequim conhece bem o vizinho e considera que Kim Jong-Un não vai agir ou colaborar por desespero de uma situação. A fome que ameaça o país há anos, não levou nenhum líder a aceitar condições de fora no que concerne à desnuclearização da península. Ou pelo menos a levar esse projecto até ao fim. Na sociedade chinesa há cada vez mais gente que considera que a tolerância da presidência de Hu Jintao perante a Coreia do Norte não deve ser repetida nos dez anos que se seguem, agora com Xi Jinping à frente dos destinos da nação. As ameaças de Pyongyang não são apenas aos Estados Unidos, tendo em conta a proximidade da China.

NOVAS REGRAS PARA KIM

O Governo central não quer, de forma nenhuma, abandonar Pyongyang. Mas reconhece que a desnuclearização imediata é uma ilusão tão grande como imaginar para breve, a unificação da península. A nível do debate interno ficou claro que a nova liderança chinesa vai impor mais regras à dinastia Kim. Só que um tom de certa forma vago nos discursos e respostas sobre esta questão, não deixa adivinhar que medidas podem vir a acontecer. Um não alinhamento com as exigências de Pyongyang pode ser, por outro lado, uma mensagem a Washington por parte da China. Mas mais longe de um, não significa obrigatoriamente mais perto de outro. É que, se por um lado há um interesse relativamente parecido numa resolução pacífica da questão coreana, os Estados Unidos e a China têm muitas outras frentes onde o acordo não é tão fácil, como a postura com Taiwan, o mar do Sul da China e as ilhas Diaoyu. E também aqui a opinião pública conta e há alguns consideram que o problema norte-coreano existe exactamente devido à atitude intransigente de Washington. Enquanto que Pyongyang comemora aniversários com estrelas de basquetebol, do outro lado da linha, parece que Pequim tem cada vez mais o papel de definir quem marca falta e quando.


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Polícia deteve académico uigur

A polícia chinesa deteve um proeminente académico uigur crítico das acções governamentais contra a minoria muçulmana, revelou ontem a sua mulher. Iiham Tohti foi levado para local desconhecido por dezenas de polícias na quarta-feira com a sua mãe, explicou Guzaili Nu’er à agência AFP, ao acrescentar que os agentes confiscaram telemóveis e computadores. Tohti, de 45 anos, é um economista de uma universidade em Pequim e tem criticado as políticas da China para com os uigures que habitam na região de Xinjiang, palco de vários distúrbios. Para a mulher, a polícia não cumpriu as formalidades legais enquanto deteve, à força, o académico na presença dos seus dois filhos menores. “Perguntei (à polícia) para onde o levavam, mas não me disseram uma palavra”, acrescentou.

Embaixador diz que o país é mais aberto do que os ocidentais imaginam Na entrevista concedida na terça-feira à noite ao canal do Reino Unido Sky TV, o embaixador chinês, Liu Xiaoming, disse que a China é realmente mais aberta do que aquilo os ocidentais imaginam e que o Ocidente ainda tem muito que aprender sobre o país asiático. Liu Xiaoming assinalou que algumas pessoas no Ocidente ainda estão confusas pelo pensamento vindo da guerra fria e olham para a China com um antigo preconceito. Sobre a imprensa e os correspondentes ocidentais, Liu sugeriu que estes devem observar bem a perspectiva global da China com os olhos abertos e uma visão ampla. O embaixador acrescentou que há um grande desequilíbrio entre o conhecimento dos chineses sobre o mundo e do mundo sobre a China.

Rússia, Índia e China abordam segurança no Afeganistão

China, Índia e Rússia reuniramse esta semana em Pequim para debater questões de segurança relacionadas com o Afeganistão. A reunião trilateral retomou a discussão do problema, iniciada em 2013, no âmbito do diálogo entre a Índia e a China e das consultas tripartidas da China, Rússia e Paquistão. As partes estão preocupadas com o problema de garantia da segurança na região depois da retirada do Afeganistão das tropas dos EUA e de outros países da coligação internacional. Rússia, Índia e China receiam que, após a retirada, o movimento Taliban e a organização terrorista internacional Al-Qaeda novamente reforcem as suas posições no Afeganistão.

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ERMINOU na quarta-feira em Pequim a terceira sessão plenária da 18ª edição da Comissão Central de Inspecção Disciplinar (CCID) do Partido Comunista da China (PCCh). Como o órgão supremo de inspecção disciplinar do PCCh, a CCID fez uma retrospectiva sobre o trabalho do ano passado e fez propostas anti-corrupção para 2014. Para os especialistas, a luta contra a corrupção neste ano sublinha a construção de um sistema, para ajudar a prevenir este tipo de acção. Na reunião, o presidente chinês, Xi Jinping, fez um discurso no qual prometeu uma campanha mais severa contra corrupção.

CORRUPÇÃO INSPECÇÃO DISCIPLINAR PROMETE MAIS TRANSPARÊNCIA EM 2014

Em busca da transparência perdida

“Para prevenir o uso privado do poder, o exercício deve ser aberto e transparente.” CHENG WENHAO Director do centro de pesquisa sobre administração íntegra da Universidade Tsinghua

“Cada funcionário do Partido deve reconhecer que o combate contra a corrupção será um processo longo, complexo e difícil. Mas nós vamos promover a luta até o fim com uma forte determinação e coragem”, disse o presidente. No ano passado, alguns altos funcionários de nível provincial da China foram presos por corrupção. O trabalho anti-corrupção do partido desperta muita atenção na sociedade. O director do centro de pesquisa sobre administração íntegra da Universidade Tsinghua, Cheng Wenhao, disse que o comunicado da conferência indica que o foco anti-corrupção em

O presidente Xi não tem dúvidas. O trabalho contra a corrupção tem de avançar. E garante que conta com o auxílio da sociedade

2014 será a prevenção na “raiz do problema”. “O trabalho contra corrupção em 2013 registou um grande êxito ao investigar e processar casos, além de melhorar a disciplina do partido. No ano novo, o foco do trabalho deve ser a prevenção, tendo as zonas cinzentas do sistema de poder como alvo de supervisão”. Segundo os dirigentes chineses, “o reforço da construção de um sistema é a base da vitória nesse combate”. Na sessão plenária, a CCID propôs que o sistema anti-corrupção seja aperfeiçoado de forma inovadora. Os órgãos de inspecção disciplinar em diversos níveis devem assumir a responsabilidade e pôr em prática as medidas anti-corrupção. O presidente chinês, Xi Jinping, apontou também na reunião que “para garantir o exercício correcto do poder, o seu processo de operação deve ser divulgado e os cidadãos devem ser convidados a supervisioná-lo”. Por seu lado, Cheng Wenhao garantiu que o trabalho anti-corrupção será ainda mais transparente e aberto em 2014. “Para prevenir o uso privado do poder, o exercício deve ser aberto e transparente. O conceito de lista de poder, proposto na terceira sessão plenária do 18º Congresso do Comitê Central do PCCh, poderá ser realizado nesse ano. Tal exige que os governos de diversos níveis esclareçam o âmbito do seu poder, o que facilitará a supervisão pela sociedade.” Ainda segundo a reunião, a “internacionalização” será uma nova característica do trabalho anti-corrupção para 2014. A China vai promover a luta contra corrupção no país, e ao mesmo tempo, ampliar a rede ao exterior através de cooperação internacional.

JAPÃO DEVERÁ CONTESTAR NOVA LEI CHINESA PARA PESCA NO MAR DO SUL DA CHINA

Nipónicos querem molhar o bico O Governo do Japão deverá apresentar um protesto contra uma lei recentemente aprovada pela China que obriga os barcos estrangeiros a pedir autorização para pescarem

na maior parte do Mar do Sul da China, foi anunciado. Para Tóquio, a medida, que entrou em vigor a 1 de Janeiro e foi aprovada na província de Hainão, procura modificar o equilíbrio regional.

As Filipinas, Taiwan e o Vietname consideram que a lei reforça as reivindicações de soberania da China sobre arquipélagos disputados com outros países. A contestação por parte do Japão foi revelada pela agência Kyodo, que cita fontes governamentais e está baseada na convicção de que a norma modifica de maneira unilateral o ‘status quo’ naquela zona da Ásia. As autoridades chinesas reclamam a soberania da maior parte dos ilhotes em disputa no Mar do Sul da China, mantendo diferendos territoriais com o Brunei, Filipinas, Taiwan e Vietname que defendem estarem esses territórios nas suas águas.

Entre Tóquio e Pequim, o grande diferendo está centrado nas ilhas Diaoyu, um pequeno arquipélago controlado pelos japoneses e que é alvo de disputa entre os dois países com os especialistas a considerarem que possui importantes reservas de petróleo e gás natural, essencial ao desenvolvimento de ambos os países. A 23 de Novembro, Pequim criou a nova zona de Defesa e Identificação Aérea numa zona de mar que inclui as ilhas disputadas com o Japão, o que fez subir, novamente, as tensões regionais, depois deste país ter adquirido as ilhas a privados.


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FMI CHINA PEDE MAIS PODER PARA MERCADOS EMERGENTES

Americanos empatam mudanças A China pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira para se ater ao compromisso de conceder mais poder aos mercados emergentes no órgão mundial depois de parlamentares dos Estados Unidos adiarem reformas históricas que dariam maior voz aos países em desenvolvimento. Os comentários do porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei, foram uma crítica indirecta aos Estados Unidos, o maior e mais poderoso membro do FMI, onde os congressistas fracassaram na segunda-feira em aprovar medidas cruciais de financiamento, apesar de Hong não ter mencionado explicitamente os EUA. A proposta de orçamen-

O Ministério da Defesa da China confirmou ontem ter testado um veículo de transporte de mísseis hipersónico que descreveu como um ensaio “normal” com fins de investigação científica. Em comunicado, o porta-voz do Ministério considera “normal a China realizar experiências e investigação científica planeada dentro das suas fronteiras”. “Os testes não são dirigidos contra nenhum país ou qualquer alvo específico”, sublinha a nota. A realização do teste foi revelada anteriormente pelas autoridades norte-americanas ao jornal digital Washington Free Beacon que noticiou que a China tinha testado o veículo hipersónico sem motor no seu território e a uma velocidade 10 vezes superior à do som.

Novos sacerdotes ordenados na China to de US$ 1 bilião para o governo federal americano não incluiu recursos para o FMI. O Congresso tem que autorizar o financiamento destinado ao FMI a fim de completar reformas de 2010 que iriam tornar a China o terceiro maior membro do órgão internacional e reorganizar o conselho do FMI para

reduzir a predominância da Europa Ocidental. As mudanças também dariam maior voz a nações como o Brasil e a Índia, reflectindo o ímpeto de seu crescimento económico. Mas as mudanças tem sido impedidas pela falta de aprovação nos EUA. “A reforma de participações no

FMI é uma importante decisão feita pela organização”, disse Hong. “Os membros relevantes da organização devem seriamente implementar a decisão, e honrar e estimular a voz e a representação dos países em desenvolvimento dentro do FMI”, acrescentou.

Internet Jovens de Xangai passam duas horas por dia a “surfar”

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S jovens de Xangai, a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, passam em média duas horas por dia a “surfar na Net” e dedicam apenas uma hora ao exercício físico, segundo uma sondagem divulgada ontem por um jornal local. Xangai tem cerca de nove milhões de pessoas com idades entre os 14 e 35 anos, correspondendo a 38,5% da população da cidade.

De acordo os resultados da sondagem publicados pelo Diário de Xangai, cerca de 60% são “waidiren” (pessoas de fora da cidade) e quase um terço (32,8%) ganha por mês entre 3.000 e 5.000 yuan. Cerca de um quinto ganha entre 5.000 e 7.000 yuan e 18,8% mais do que 7.000 yuan. Há mais homens do que mulheres (106 para 100), ao contrário do que acon-

REGIÃO Tailândia Shinawatra pede prisão de Suthep

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Hipersónico Pequim confirma teste de míssil 10 vezes mais rápido que o som

Governo tailandês apelou ontem à polícia para prender os líderes dos manifestantes antigovernamentais que ameaçaram “capturar” a primeira-ministra, Yingluck Shinawatra, e bloquearam parte do centro de Banguecoque numa “paralisação” da cidade que dura há vários dias. Responsáveis governamentais afirmaram que as manifestações que paralisaram da capital tailandesa com o objectivo de forçar a saída do poder da primeira-ministra parecem estar a perder força, com um número cada vez menor de manifestantes na rua. Os líderes do movimento anti-governo continuam a deslocar-se livremente pela cidade, a proferir discursos e a recolher dinheiro de apoiantes, apesar dos mandados de prisão emitidos contra si. Até agora os protestos já provocaram a morte a oito pessoas e ferimentos noutras centenas, escreve a AFP.

Na terça-feira, o líder dos protestos Suthep Thaugsuban ameaçou capturar Yingluck e os restantes ministros se não estes apresentarem a demissão nos próximos dias. O antigo deputado democrata é alvo de um mandado de captura por insurreição - em teoria punível com pena de morte -, e é acusado de homicídio no âmbito da repressão militar aos protestos da oposição que resultaram na morte de dezenas de pessoas em 2010, numa altura em que era vice-primeiro-ministro. “É o dever da polícia prender Suthep porque ele é procurado por insurreição, senão a polícia vai enfrentar acusações de desobediência”, disse o vice-primeiro ministro Surapong Tovichakchaikul depois de uma reunião com a polícia. Surapong disse que Suthep estava protegido por cerca de 40 guarda-costas pessoais.

tece por exemplo entre a juventude de Hong Kong e de Macau, refere o Diário de Xangai. Em média, os jovens de Xangai trabalham 42,38 horas por semana, mais 4,28 horas do que há três anos, e o seu tempo livre foi reduzido para 4,14 horas por dia. A sondagem, encomendada pelo departamento municipal da juventude, foi feita junto de 4.090 jovens, 30,6% dos quais estudantes. Em 2013, o Produto Interno Bruto per capita de Xangai atingiu 85.033 yuan, o triplo da média do país.

Na Província de Henan, as Dioceses de Kai Feng e Zhu Ma Dian receberam seis novos padres no início deste ano, o que significa um sinal de esperança para a Igreja local. De acordo com informações da Agência Fides, cerca de mil fiéis estiveram presentes na ordenação sacerdotal de três diáconos da Diocese de Kai Feng e outro de Xing Tai. O Bispo da Diocese de Jiang Men, Dom Lian Jian Sem, presidiu a Solene Celebração Eucarística, concelebrada por 50 sacerdotes, no último dia 2 de janeiro, na nova paróquia dedicada ao Sagrado Coração. No local, mais de 40 seminaristas de Shi Jia Zhuang (He Bei), Tai Yuan (Shan Xi), Chi Feng (Mongolia) e Wu Han (Hu Bei), além de diversas religiosas, participaram da celebração. Consideradas motivos de alegria e esperança para as comunidades locais e para toda a Igreja na China, as duas dioceses, bem como outras comunidades do país asiático, enfrentam problemas com a falta de sacerdotes e fazem o possível no campo da evangelização com o uso de recursos humanos e materiais limitados.

Patrões detidos após fábrica matar 16

A polícia chinesa investigou esta semana uma fábrica de sapatos destruída na terça-feira por incêndio em Wenling, província de Zhejiang. Os dois proprietários e um gerente da fábrica foram detidos após o incêndio, que matou pelo menos 16 pessoas e feriu cinco, segundo a polícia.

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Companhia de Desenvolvimento Yuan Shan, Limitada [源山發展有限公司] __________________________________________________________________________

COMUNICADOAOS EVENTUAIS CREDORES PARTICULARES da sociedade comercial denominada “Companhia de Desenvolvimento Yuan Shan, Limitada”, (a “Sociedade”) com sede em Macau, na Travessa do Canal das Hortas, nº 40, Edifício Macau, Bloco B, r/c K, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 17873 SO, com o capital social de MOP100.000,00

Serve o presente para comunicar e informar todos os eventuais credores particulares da Sociedade que se encontra em curso um plano de restruturação dos sócios da mesma, que se traduz na transmissão das quotas detidas pelos actuais sócios, a favor de novos sócios que, assim, assumiram o controlo efectivo e a gestão da Sociedade. Os novos sócios da Sociedade declaram já junto desta que não são responsáveis, nem assumiram qualquer responsabilidade pelo pagamento de quaisquer eventuais dívidas ou encargos da Sociedade anteriores à transmissão das quotas, qualquer que seja a sua natureza ou origem e quer os mesmos se relacionem com a actividade comercial da Sociedade ou com quaisquer bens, móveis ou imóveis, que lhe pertençam ou se encontrem registados em seu nome. Assim, ficam desde já notificados todos os eventuais credores particulares da Sociedade que dispõem de um prazo de dez dias úteis, a contar da publicação do presente anúncio, para reclamarem junto desta o pagamento dos seus eventuais créditos sob pena de, findo o referido prazo, os mesmos se considerarem extintos. As reclamações deverão ser apresentadas por escrito, acompanhadas dos documentos comprovativos dos créditos reclamados, e entregues no seguinte endereço: Av. Doutor Mário Soares Macau, no. 25, 1º andar, Comp. 13, Macau Macau, aos 16 de Janeiro de 2014


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EVENTOS

JAPÃO

Os “homens-mulher”

CATARINA CORTESÃO TERRA (Texto e fotos)

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hoje macau sexta

ÁBADO, noite de inverno em Osaka, com frio e pingos de chuva. Junto ao rio, na ponte que atravessa dois mundos, há dezenas de jovens a divertirem-se, a passearem, a lerem nos cafés, a “checkarem” emails, fotos, a viajarem na paisagem virtual que fica muito aquém

deste bairro - Dutumburi - com os seus néones reflectidos no rio sereno, a música das pistas de dança, Karaoké, “chamamentos”, ícones publicitários, extravagancias nipónicas. Passarelle de criaturas metamórficas, cinematográficas, sensuais e jovens máquinas com gestos humanóides perante um maço de Yuens. Dos bandos de adolescentes que atravessam o

rio, do estilo clássico ao futurismo, fixei dois grupos de rapazes vestidos da cabeça aos pés de mulher. Na sua postura nada havia de feminino, pose, nem sequer jeitos ou tom de voz agudo para passarem por mulheres, não usam maquilhagem. Somente escolhem acessórios transformistas, perucas, vestidos de gala, saias de marinheiro. Corporalmente

assumem em exclusivo, a postura masculina, os pregões masculinos às raparigas que seguem com olhares desafiantes, unicamente “Trajados de Mulher”. Em bando, quatro a seis rapazes, parecem protagonistas de um cortejo de Carnaval de Ovar. Ganha a simplicidade e naturalidade do género da máscara assumida. Nalguns vence a

Na sua postura nada havia de feminino, pose, nem sequer jeitos ou tom de voz agudo para passarem por mulheres, não usam maquilhagem solidão que salta do olhar perdido dentro de um bando de gargalhadas tímidas. Um rapaz em especial, com uma cabeleira ruiva aos cachos, óculos pretos sem lentes , vestido de Sevilhana com roda e folhos que esvoaçam nos passos em desequilíbrio sobre os saltos enormes dos sapatos agulha. Não resisti

à aproximação espontânea, faço uns retratos, vigilante. Ali é forte a presença da Yakusa, a máfia japonesa. Eram duas da manhã e aquela candura da rebeldia adolescente, divertida, podia esconder marcas já adultas e perigosas, penosamente reveladas quando a noite não dá o que procuram à sombra dos seus sonhos.


eventos 13

a-feira 17.1.2014

GUITARRA PORTUGUESA DE PAULO VALENTIM EM BLOCKBUSTER DE HONG KONG

JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

Sons do Silêncio à lusitana agradável. Eu estava cá a dar aulas de guitarra e fiquei bastante contente com o convite para participar no filme”, disse o guitarrista ao HM. A experiência acabou por marcar o princípio de uma amizade entre o guitarrista português e o compositor de Hong Kong. “Foi uma experiência fantástica, o Henry Lai é um grande compositor e ao mesmo tempo uma pessoa extremamente acessível. Depois de acabado o filme esteve aqui em Macau a passar uma noite de fados muito agradável connosco, no “Lusitanus”. Continuamos a comunicar por email e quando tive de ir

GONÇALO LOBO PINHEIRO

O

guitarrista português Paulo Valentim é um dos participantes da banda sonora do último filme do consagrado realizador de Hong Kong, Dante Lam, “Unbeatable”, assinada pelo não menos famoso compositor, Henry Lai, várias vezes nomeado para os Prémios de Cinema da RAEK. Paulo Valentim adapta a música “Sounds of Silence” de Simon & Garfunkel, para a guitarra portuguesa numa das cenas do filme passada em Macau. “O compositor tinha muito interesse em que as cenas do filme passadas em Macau pudessem ter uma guitarra portuguesa. Em Hong Kong souberam que eu tocava guitarra na Casa de Portugal e acabou por se juntar o útil ao

a Hong Kong procurar algumas coisas para a guitarra ele acompanhou-me durante o dia inteiro. Acabámos por desenvolver uma boa amizade. É um grande compositor e uma pessoa muito acessível”, sublinha o guitarrista. Curiosamente, Paulo Valentim já tinha recebido há alguns anos atrás um convite semelhante para participar na banda sonora do filme de um dos nomes mais consagrados do cinema europeu, Pedro Almodovar. “Há largos anos atrás recebi um convite muito parecido com este, mas que infelizmente não pôde ser concretizado. Na altura era professor na escola Antó-

nio Arroios e não me podia ausentar nos últimos dias de aulas do ano lectivo”, conta. “O convite era precisamente para tocar guitarra no filme do Almodovar. Eu estava a dar aulas à noite e quando recebi o telefonema do director de produção do filme até pensei que era uma brincadeira. Pus-me também a brincar ao telefone até perceber que afinal não era brincadeira nenhuma, quando lhe perguntei quem é que lhe tinha dado o meu contacto e ele me respondeu que tinha sido o Pedro Caldeira Cabral. Fiquei com muita pena de não poder aceitar aquele projecto”, diz Paulo Valentim que pelo meio, em 2006, também já compôs música para o último filme de Fernando Lopes, “98 Octanas”. A banda sonora completa de “Unbeatable” está disponível em CD.

CHINA DESCOBRE DOCUMENTO MAIS ANTIGO DE MATEMÁTICA

As contas 2200 anos depois A

LGUNS arqueólogos e especialistas chineses anunciaram esta terça-feira que descobriram o documento mais antigo de matemática do país, datado de há mais de 2200 anos atrás. O documento consiste num método matemático escrito em tiras de papel de bambu do Período dos Reinos Combatentes (475 a.C-221 a.C), de acordo com o historiador Li Xueqin, director do Centro de Pesquisa e Conservação para Textos Escavados, subordinado à Universidade Tsinghua. O documento descoberto fornece um método para a mul-

tiplicação de quaisquer números inteiros menores de 100 e certas fracções, disse Li Xueqin. O documento é o mais antigo deste tipo descoberto até o momento, e preenche uma lacuna histórica sobre documentos matemáticos anteriores à Dinastia Qin (221 a.C.-206 a.C.), de acordo com Guo Shuchun, director da Sociedade Chinesa da História de Matemática. Este documento é o mais antigo e tinha funções de cálculo maiores em comparação com outras tabelas descobertas,

disse Guo. “Era bem avançado para o mundo naquela época e é uma descoberta importante para a história da matemática da China e do mundo”. Em Julho de 2008, a Universidade Tsinghua em Pequim adquiriu uma colecção rara de 2.500 itens de tiras de papel de bambu pertencentes ao Período dos Reinos Combatentes, que tinham sido contrabandeados para fora da China.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA VIAGEM A MARTE • Disney

Os irmãos mais fixes do universo chegam com 2 novas e divertidas aventuras. O amigo do Phineas e do Ferb Baljeet está a trabalhar num projeto espantoso para a feira de ciência da escola de verão: vai construir um portal para Marte! Mas será que, quando a Candace, a irmã do Phineas e do Ferb, passa acidentalmente o portal e aterra no Planeta Vermelho, os irmãos a vão salvar? Ou ficará a Candace perdida no espaço... para sempre?

ÓSCARES NOMEADA CURTA DE DANIEL SOUSA

Um menino selvagem O filme de animação “Feral”, de Daniel Sousa, realizador português nascido em Cabo Verde, está nomeado para o Óscar de melhor curta-metragem de animação, anunciou ontem a Academia de Cinema dos Estados Unidos. “Feral” conta a história de um menino selvagem, uma criança que se tenta adaptar à civilização, depois de ter sido encontrada num bosque, onde cresceu. Este é o sexto filme de Daniel Sousa e soma mais de uma dezena de prémios entre os cerca de quarenta festivais de cinema onde foi exibido, nomeadamente o de Annecy (França), onde recebeu três distinções em 2013.

No Cinanima 2012, em Espinho, conquistou o prémio RTP2 “Onda Curta”. Daniel Sousa nasceu em Cabo Verde em 1974, cresceu em Portugal e em 1986 mudou-se com a família para os Estados Unidos, onde vive. O realizador, que integra o coletivo Handcranked Films Projects, formou-se na Rhode Island School of Design, onde atualmente dá aulas, depois de já ter lecionado na Universidade de Harvard ou no Art Institute de Boston. A cerimónia dos Óscares está marcada para 02 de março, em Los Angeles (Califórnia), com apresentação de Ellen DeGeneres.

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NUNCA DIGAS NUNCA! • Lara Xavier

“Nunca” é uma daquelas palavras que nunca devíamos dizer... É uma palavra mentirosa porque quando dizemos «nunca» raramente conseguimos cumprir o que acabámos de dizer. É como aquele menino que jurava que nunca ia comer espinafres e acabou por comê-los, ou aquela menina que nunca haveria de pintar os lábios até ao dia em que não resistiu a um batom, ou aquele outro menino que nunca trocaria de sapatilhas até que os pés deixaram de caber nelas… Nunca digas nunca conta-te dez histórias tão verdadeiras que até tu podias ser o protagonista.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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3 de Janeiro de 1824 apareceu o semanário Gazeta de Macao, jornal que substituiu A Abelha da China, cujo último número, LXVII (67), saiu com a data de 27 de Dezembro de 1823, o dia seguinte à chegada a Macau do Conselheiro Miguel de Arriaga Brum da Silveira. Tudo tinha começado a 19 de Agosto de 1822, quando numa assembleia geral reunida no Senado se procedeu à eleição por sufrágio popular dos novos membros da Câmara e em Macau se instalou um governo constitucional, presidido pelo chefe dos liberais, o major vereador Paulino da Silva Barbosa. As antigas autoridades de Macau revoltaram-se contra o novo governo e por duas vezes tentaram-no derrubar, mas ambas as tentativas fracassaram. Na primeira, a 13 de Setembro de 1822, após ser descoberta a conspiração contra o Governo liberal do major Barbosa e sendo o Conselheiro Arriaga acusado da sua autoria, foi este preso das 7 para as 8 horas da noite do dia 15 Setembro e encarcerado na Fortaleza do Monte. Quando após a segunda abortada tentativa, em 15 de Novembro de 1822, os revoltosos foram presos, o Conselho decidiu mandar para Goa os militares implicados e o Governador militar, José Osório de Castro Cabral e Albuquerque, considerado um dos principais conspiradores, seguir para Lisboa, conjuntamente com o Conselheiro Arriaga. Mas, quando a 25 de Março de 1823 embarcava, Arriaga conseguiu escapar do barco e seguiu numa embarcação para Whampoa (em mandarim Huangpu), porto junto a Cantão. A 23 de Setembro de 1823, com a ajuda dos militares vindos de Goa na fragata Salamandra em Junho desse ano, os conservadores voltam ao poder e ficam os Agostinhos, em substituição dos Dominicanos, a controlar o semanário A Abelha da China. Se até então o jornal saia à quinta-feira, passou a partir dai e nas suas 14 edições seguintes a sair ao sábado e tinha como editor António José da Rocha que, apesar de viver no Convento de Sto. Agostinho, não era padre. Assim, na semana seguinte, a 27 de Setembro de 1823, A Abelha da China era já a voz do novo governo conservador e dizia que os macaenses acabavam de “renunciar para sempre aos delírios duma imaginação exaltada.” Na Gazeta de Macao número VI, sábado, 7 de Fevereiro de 1824 pode-se ler “Macao – Artigo d’ Ofício – para o Ilustríssimo Conselheiro Miguel de Arriaga Brum da Silveira, estando ele em Cantão.

José Simões Morais

A GAZETA DE MACAO

Ilustríssimo Senhor Não fica ao alcance deste Governo dar a V. Senhoria provas do seu agradecimento, pela eficácia com que V. Senhoria socorreu a Fragata Salamanca, não só com dinheiros e mantimentos, mas até destruindo as intrigas, que contra ela se armavam

pela parte da Nação Chinesa, a quem queriam fazer persuadir, que a dita Fragata era um Corsário inimigo, que vinha hostilizar Macau. Também não pode este Governo dar a V. Senhoria uma satisfação análoga aos atentados cometidos contra

a Pessoa de V. Senhoria pelo anterior monstruoso, ilegal, e intruso Governo, cujas arbitrariedades e despotismos são bem conhecidos de V. Senhoria, e de toda esta Cidade, de que os efeitos ainda se sentem, e se sentirão por muitos anos, cujos objectos serão tratados em tempo, e lugar competente: por tanto se limita este Governo a pedir a V. Senhoria queira quanto antes restituir-se à sua Casa e Família donde poderá V, Senhoria auxiliá-lo com os seus conhecidos talentos, quando V. Senhoria julgue que a sua estada em Cantão já se não faça necessária para manejar os negócios Chineses a bem desta Cidade, como até o presente tem feito. Deos Guarde a V. Senhoria muitos anos. Macao em Sessão do Governo 13 de Outubro de 1823.” É assinada por Fr. Francisco, Bispo de Macau, João Cabral de Estifique e Ignácio Baptista Cortella. Quatro dias depois, Arriaga envia uma resposta à carta agradecendo, mas dizendo que “hajam de permitir que ainda por mais algum tempo continue a vigorar-me dos males passados, demorando-me aqui mesmo, aonde de mais, talvez possa ser útil a essa Praça pelo Plano Comercial, que hei concebido em favor de único ramo mercantil, que ai se conhece, e eu suponho sinónimo com a existência política do Estabelecimento, como participei ao Leal Senado em data de ontem...” O Conselheiro Miguel de Arriaga, vindo de Cantão, chegou a Macau em 26 de Dezembro de 1823 e no dia seguinte, saiu o último número do semanário A Abelha da China. Como esse jornal lhe trazia más memórias, terá feito questão em que o nome fosse mudado e assim, logo na semana seguinte, 3 de Janeiro de 1824 publicou-se o primeiro número do semanário Gazeta de Macao. O corpo redactorial era o que editou os últimos 14 números dA Abelha da China, continuando como redactor principal, António José da Rocha, apesar de o mentor ser o redactor Frei José da Conceição, prior do mosteiro dos Agostinianos, local onde se situava a redacção. Nele eram publicadas determinações oficiais e traduções da correspondência trocada com as autoridades chinesas sobre muitos assuntos, entre os quais os comerciantes estrangeiros e o comércio do ópio, que estava na ordem do dia.

A HISTÓRIA RECONTADA Devemos aqui assinalar que fazer investigação em Macau sobre a História desta cidade é algo muito penoso. Começa por não se conhecer o paradeiro de muitos dos documentos citados pelos anti-


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gos investigadores, sabendo que muitos deles foram levados para Portugal e não se encontram agora disponíveis para consulta. Também muita documentação, ainda não classificada, anda perdida por alguns apartamentos dispersos pela cidade e estão fechados à consulta. Por fim, a falta de inúmeros jornais (como é o caso da Gazeta de Macau) ou a muita má qualidade das imagens de grande parte dos microfilmes onde estão registados estes e outros documentos, levam ao desespero de quem se dedica à investigação. Para já não falar na falta de profissionais em muitas das bibliotecas e no arquivo histórico ou, de livros reservados, que não estão disponíveis para consulta. Perante este desígnio, o trabalho que aqui apresentamos é o possível, mas que se encontra muito longe do desejado, talvez também por nossa falta, como se pode constatar pela personagem do major Barbosa, que está referida num trabalho de 1990 do jornalista João Guedes e nas páginas 173 e 174 do livro dos Governadores de Macau, para o qual chamamos a atenção. Seguimos agora com alguns dos números da Gazeta de Macao disponíveis no território, onde não aparece o número 1, havendo imensas falhas, sobretudo no ano de 1825. Todos os números da Gazeta de Macao, por baixo do cabeçalho e logo a seguir à tira com o número e data do jornal, traziam dois versos retirados do Canto V dos Lusíadas de Camões: “A verdade, que eu conto nua, e pura,/ vence toda a grandíloqua escriptura” e só depois vinham em duas colunas os artigos do jornal. Estes versos, que apareceram após os conservadores terem tomado conta d’ A Abelha da China desde o número LIV de 27 de Setembro de 1823, vieram substituir os versos de Terentius usados pelos liberais desde o primeiro número desse jornal: “Hoc Tempore/Obsequim Amicos, Veritas odium parit.” A Gazeta de Macao constantemente fazia referências à História ocorrida no período da existência dA Abelha da China, como a que aconteceu a 19 de Agosto de 1823 e relatada na Gazeta de Macao n.º II de sábado, 10 de Janeiro de 1824. “Macau - Artigos Oficiais Excelentíssimo Governo - Nós abaixo assinados, usando do direito que nos é permitido pelo Art. 14 das Bases da nossa Santa Constituição, representamos a V. Excelência, que o Ilustríssimo Conselheiro Miguel de Arriaga Brum da Silveira, Ouvidor desta Cidade tendo jurado em o dia 16 de Fevereiro de 1822 como todo o Povo Macaense em público e solene acto as Bases da nossa Santa Constituição, na conformidade do Decreto de 7 de Março, ficava pelo de 18 de Abril de 1821 sendo uma

Autoridade Constituída, e por consequência legítima, que não podia ser removida no exercício do seu Ministério, se não pelo seu Supremo Poder Executivo, com todo uma facção aqui por nós bem conhecida, pisando aos pés as Leis mais sagradas, até as novamente juradas, o esbulhou com assombroso escândalo do seu lugar e exercício de Ouvidor Geral desta cidade por um Acto tumultuário e ilegal no infausto dia 19 de Agosto do ano próximo passado; corroborando este seu desacertado passo com a resolução tomada em um Conselho, denominado geral em o

dia 16 de Setembro do mesmo ano, em que os assistentes não gozavam, nem podiam da sua plena liberdade, por ser em ocasião de uma nunca vista perturbação, e da geral falta de confiança, arrojando-se até ao excesso de o exterminar desta Cidade; agora porem que as prudentes e sábias providências do Ilustríssimo e Excelentíssimo Governador dos Estados da Índia, o Senhor D. Manoel da Câmara declara como revolucionário aquele escandaloso feito de 19 de Agosto e reconhece no Ofício n.º 15 o dito Conselheiro como Ouvidor Geral desta cidade e só no caso da sua

DEVEMOS AQUI ASSINALAR QUE FAZER INVESTIGAÇÃO EM MACAU SOBRE A HISTÓRIA DESTA CIDADE É ALGO MUITO PENOSO. COMEÇA POR NÃO SE CONHECER O PARADEIRO DE MUITOS DOS DOCUMENTOS CITADOS PELOS ANTIGOS INVESTIGADORES, SABENDO QUE MUITOS DELES FORAM LEVADOS PARA PORTUGAL E NÃO SE ENCONTRAM AGORA DISPONÍVEIS PARA CONSULTA

falta é que aquele Excelentíssimo Governador expediu providência a fim de suprir o seu lugar; nós que reconhecemos a autoridade do mesmo Excelentíssimo Governador por legítima, cujas ordens se devem sem a menor restrição executar, requeremos a V. Excelência que, visto ter-se já executado em parte respeitável determinação emanada do Supremo Governo da Capital da Índia, haja de mandar recolher a esta Cidade, o Ilustríssimo Conselheiro Ouvidor Arriaga e restitui-lo ao emprego, em que estava provido por El-Rei Constitucional o Senhor D. João VI...”

INFORMAÇÕES SOBRE A PARTIDA DO SALAMANDRA Quanto ao material publicado na Gazeta de Macao, eis o que escreve J.M. Braga: “Este jornal servia de veículo para a publicação das ordens governamentais e notícias importantes de Portugal, e traduções portuguesas de correspondência trocada com os oficiais chineses sobre vários assuntos; tais como (Continua na pagina seguinte)


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comerciantes estrangeiros (sobretudo ingleses) em Cantão, ancoragem de navios estrangeiros na Ilha de Lintin, o tráfico do ópio, etc. A questão do comércio em Macau foi também defendida nos primeiros tempos deste jornal. Uma das notícias importantes era a menção das chegadas e partidas de navios, com os nomes dos capitães e muitas vezes os dos passageiros e pormenores dalguns dos artigos transportados. A começar no número de 20 de Março de 1824, eram publicadas as listas dos preços das mercadorias à venda em Cantão. Também apareciam pormenores das mercadorias registadas na Alfândega de Macau. Publicava-se ainda a correspondência entre as autoridades e alguns cidadãos de Macau, entre os quais estavam o Conselheiro Miguel de Arriaga, Simão Vicente da Rosa, o Barão de S. José de Porto Alegre e João de Deus de Castro. Quando havia dificuldade em arranjar material de interesse local, as colunas da Gazeta de Macau vinham recheadas com longos extractos dos jornais da Europa, de lugares como Lisboa, Madrid, Paris, Londres, Barcelona, S. Petersburgo, Roma e até Trieste, Odessa, Cadiz, Bayona, Gibraltar e outras partes. Neste jornal de Macau publicavam-se notícias dos Estados Unidos da América e dos países da América Sul. Entre os artigos de interesse histórico houve alguns sobre os portugueses no Japão e na Birmânia, mas estes foram poucos e com grandes intervalos.” A Gazeta de Macao n.º II de 10 de Janeiro de 1824 noticia em “Edital que o Governo de Macau faz saber que no dia 15 do corrente há-de largar deste porto, a fragata Salamandra, e é o navio de vias para a Capital de Goa.” Neste número aparece uma outra notícia que relata: “No dia 2 do corrente sentiu-se um pequeno tremor de terra aos 7 minutos do meio-dia, o qual duraria por espaço de 5 segundos e sendo bastante sensível não causou com tudo prejuízo algum nos edifícios.” Dois números depois, a 24 de Janeiro nas Notícias Marítimas “Saídas, a 21 do corrente a fragata Salamandra para a capital de Goa: Comandante o Ilustríssimo Capitão-de-Mar-e-Guerra, Joaquim Mourão Garcez Palha, levando a seu bordo quatro presos, o Major Paulino da Silva Barbosa, Bento Jozé Gonçalves Serva, o Padre Francisco Pinto e Maya e o Cirurgião Jozé de Almeida Carvalho e Silva. Montalto de Jesus, em Macau Histórico, adita mais uma informação: “O padre Leite, famoso reitor do Colégio de São José, teria sido um deles (dirigentes do Partido Constitucional que foram levados presos no Salamandra

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para Goa) não fossem as eloquentes súplicas dos estudantes e dos seus pais a favor do venerável savant, cuja atitude contrastava com a do clero, tendo a maior parte dos prelados em Portugal sido desterrados pela sua participação no movimento anticonstitucional.” O Comandante da fragata Salamandra Capitão-de-Mar-e-Guerra Joaquim Mourão Garcez Palha, após chegar a Goa no dia 15 de Março de 1824, foi nomeado Governador de Macau pelo Vice-Rei D. Manoel da Câmara. Assim regressou a Macau e em 28 de Julho de 1825 tomou posse como Governador de Macau, sendo o governo provisório dissolvido, os exilados liberais amnistiados, regressando a colónia à sua pacata rotina. Tinha já falecido em 13 de Dezembro de 1824, Miguel de Arriaga Brum da Silveira, “Desembargador da Casa de Suplicação do Brasil e da Relação de Goa, com exercício de Ouvidor de Macau, ao fim duma prolongada moléstia.” Beatriz Basto da Silva Segundo o que nos diz Luís Gonzaga Gomes: “Vivia o jornal essencialmente de assinaturas, mas como estas caíram, passou por algumas crises económicas que lhe trouxeram uma vida difícil, até que “este semanário deixou de aparecer, em fins de Dezembro de 1826.” Num ofício do Leal Senado ao Comendador Francisco António Pereira da Silveira: “Havendo o Leal Senado na sessão de ontem assentado cessar as despesas da Gazeta desta cidade, se encarregará Vossa Senhoria, conjuntamente com este seu criado para proceder o Inventário das coisas pertencentes

à mesma.” 30 de Dezembro de 1827 e é assinado por Miguel Pereira Simoens. O último número da Gazeta de Macau é de 16 de Dezembro de 1826 e por oito anos Macau ficou sem um jornal em língua portuguesa.

A SEGUNDA GAZETA DE MACAU O nome de Gazeta vem da moeda de cobre da República de Veneza, dos meados do século XVI, que era quanto custava escutar as participações que relatavam os avanços do Cristianismo no teatro de guerra da Turquia. Em Portugal fora esse o nome escolhido para o primeiro jornal que existira, após o período dos papéis volantes, relações e notícias avulso, que deram origem ao jornal. A Gazeta, que tinha começado em Portugal em Novembro de 1641 e se vendia mensalmente por dez reis, durou até 1647. Mas ela voltou a existir já que, quando no sábado de 1 de Novembro de 1755 aconteceu o terramoto seguido de tsunami, a Gazeta que saía às quintas-feiras, no dia 6 de Novembro a folha saiu pontualmente. Relatava ela: “O dia primeiro do corrente ficará memorável a todos os séculos pelos terramotos e incêndios que arruinaram uma grande parte d’esta cidade; mas tem havido a felicidade de se acharem nas ruínas os cofres da fazenda real e da maior parte dos particulares”. Em 1820, é instituída a liberdade de imprensa em Portugal, o que fez aparecer uma enorme quantidade de jornais políticos no país e nos seus territórios ultramarinos.

Quando deixou de ser publicado em 16 de Dezembro de 1826 o semanário Gazeta de Macao, que tinha vindo substituir o primeiro jornal de Macau A Abelha da China, Macau ficou durante oito anos sem um jornal em língua portuguesa. Em 22 de Julho de 1826 foi em Santarém jurada a Carta Constitucional, o que aconteceu em Macau apenas a 26 de Dezembro de 1827. Após a restauração de 1833, voltou a Portugal a liberdade de imprensa, o que de novo fez aparecer uma enorme quantidade de jornais. Tal aconteceu também em Macau. Em 12 de Outubro de 1834 apareceu a quinzenal Chronica de Macau que com 45 números existiu até 1836. E a 17 de Janeiro de 1839, tanto Luís Gonzaga Gomes, como o padre Manuel Teixeira referem o “aparecimento do semanário Gazeta de Macao, editado por Manuel Maria Dias Pegado, irmão do célebre deputado macaense e lente de matemática na Universidade de Coimbra, lente da cadeira de Física na Escola Politécnica, etc., doutor Guilherme José António Dias Pegado.” O hebdomadário noticioso Gazeta de Macao teve 32 números, que foram publicados de 17 de Janeiro a 29 de Agosto de 1839. Este semanário, em 2 colunas, destinava-se em parte aos documentos oficiais, sendo os seus 22 primeiros números impressos na Tipografia Macaense e os outros 10 na Tipografia da Gazeta de Macau. Mas ao querer consultar este semanário verificamos não existir nenhum exemplar, nem em microfilme, nas Bibliotecas e Arquivo Histórico de Macau, sendo-nos sempre mostrada a Gazeta de Macao dos anos 20 do século XIX; confusão essa que parece também existir em quem estudou a Imprensa em Macau. Manuel Maria Dias Pegado merece uma especial referência por ser um dos que até hoje fundou mais jornais nestas paragens. Além da Gazeta de Macao, Pegado fundou também O Portuguez na China, que começou a 2 de Setembro de 1839 e terminou em 1843. No ano seguinte, editou novo jornal O Procurador dos Macaístas, semanário literário e político em duas colunas, impresso e publicado por M. M. Dias Pegado, que apareceu em 6 de Março de 1844 e existiu pelo menos até 2 de Setembro de 1845, porque Pegado perdeu o fiador que era José de Lemos, pois este pediu ao Senado o termo da fiança que começara em 12 de Outubro de 1844. Depois, mais 18 anos sem nenhum jornal em Macau pois, Ferreira do Amaral era tão rígido que nenhum jornal se manteve com ele e assim os jornais emigraram para Hong Kong. Aí Pegado começava em 1846 a publicação de A Voz do Macaísta.


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António Lobo Antunes

IN VISÃO

NAÇÃO VALENTE E IMORTAL fícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para

OTTO DIX, VENDEDOR DE FÓSFOROS

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GORA sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacri-

os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns

que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto. Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.


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Guaicaípuro Cuatemoc

A DÍVIDA EUROPEIA Discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, na Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid

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QUI estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a “descobriram” há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no “Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais” que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América. Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano “MARSHALL MONTEZUMA”, para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.

TÃO FABULOSA EXPORTAÇÃO DE CAPITAIS NÃO FOI MAIS DO QUE O INÍCIO DE UM PLANO “MARSHALL MONTEZUMA”, PARA GARANTIR A RECONSTRUÇÃO DA EUROPA ARRUINADA POR SUAS DEPLORÁVEIS GUERRAS CONTRA OS MUÇULMANOS

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos? Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluímos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra. Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue? Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica...


DESPORTO

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JOGOS DA LUSOFONIA ATLETAS DE MACAU PARTIRAM ONTEM PARA GOA

Uma mala cheia de esperança MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

A

missão desportiva que a partir de sábado representa a Região Administrativa Especial de Macau na 3ª edição dos Jogos da Lusofonia viajou para a Índia ao final da

manhã desta quinta-feira. Entre atletas, dirigentes, jornalistas e pessoal de apoio à comitiva do território, foram 265 os elementos que ontem embarcaram rumo a Goa. A antiga capital do Estado da Índia acolhe até 29 de Janeira a terceira edição do mais importante certame desportivo a ter como destinatários os

países e territórios com afinidades lusófonas. O pontapé de saída na competição será oficialmente dado amanhã, com o estádio Pandit Jawaharlal Nehru, em Fatorda, a acolher a cerimónia de abertura da competição. Dos 265 elementos que compõem a comitiva do território, um total de 114

são atletas, de acordo com os dados facultados pelo Instituto do Desporto de Macau. A Região Administrativa Especial leva a Goa a segunda maior comitiva estrangeira, apenas atrás de Angola. As cores do território estarão representadas em nove das dez modalidades em cartaz e na despedida, José Tavares mostrou-se convicto de que os atletas que integram a missão desportiva à antiga colónia portuguesa vão honrar o nome de Macau: “Espero não só que eles possam dar o seu melhor, como também tenham a oportunidade de mostrar que a aposta nos Jogos é uma aposta válida, sobretudo através da conquista de medalhas”, afirmou o presidente-substituto do Instituto do Desporto em declarações ao microfones da TDM.

DUAS MEDALHAS JÁ CÁ CANTAM

FIFA Portugal mantém-se no quinto lugar do “ranking”

A

selecção portuguesa de futebol mantém-se na quinta posição na classificação da FIFA, publicada hoje no sítio oficial do organismo na Internet e que continua a ser liderado pela Espanha, campeã mundial e bicampeã europeia. Sem qualquer alteração entre os 25 primeiros, a Alemanha, adversária de Portugal no grupo G da fase final do Mundial2014, mantém-se no segundo lugar, à frente da Argentina, que conserva a terceira posição

CLASSIFICAÇÃO 1. (1) Espanha

1.507 pontos

2. (2) Alemanha

1.318.

3. (3) Argentina

1.251.

4. (4) Colômbia

1.200.

5. (5) Portugal

1.172.

6. (6) Uruguai

1.132.

7. (7) Itália

1.120.

8. (8) Suíça

1.113.

9. (9) Holanda

1.106.

10. (10) Brasil

1.102.

relativamente à classificação anterior, publicada a 19 de Dezembro. Os outros dois adversários da selecção lusa no Campeonato do Mundo que se vai realizar no Brasil, 10.º do “ranking”, entre 12 de Junho a 13 de Julho, também se mantêm nos lugares que ocupavam anteriormente: os Estados Unidos em 14.º e o Gana em 24.º. A selecção portuguesa está a dois lugares de distância da sua melhor classificação de sempre no “ranking” FIFA, o terceiro lugar que ocupou entre Abril e Maio de 2010 e em Outubro de 2012. Cabo Verde subiu quatro postos, de 39.º para 35.º, ao contrário de Angola, que caiu de 88.º para 89.º, e Moçambique (desceu de 118.º para 120.º) e São Tomé e Príncipe (passou de 158.º para 160.º), enquanto Guiné-Bissau (184.º) e Timor-Leste (190.º) conservaram as respectivas posições. O Irão, treinado pelo português Carlos Queiroz e que também está qualificado para o Mundial2014, desceu um lugar, de 33.º para 34.º, ao passo que a Grécia, orientada por Fernando Santos e que também marcará presença na fase final do Campeonato do Mundo, manteve-se no 12.º lugar.

Os atletas do território ainda não competiram, mas a delegação chefiada por Chan Weng Kit garantiu já a conquista de pelo menos duas medalhas. Os torneios de voleibol masculino e feminino serão disputados apenas por três selecções – Macau, Angola e a anfitriã Índia – pelo que, na pior das hipóteses, a subida ao patamar mais baixo do pódio já está assegurada. Os

representantes de Macau querem, no entanto, ir para além do óbvio e garantir medalhas por mérito próprio. Cheng Ka Mei vai competir nas lides do Judo e diz-se preparada para dar os seu melhor nos tatamis indianos: “Treinei todos os dias para participar nos Jogos e nos últimos meses intensifiquei as estratégias de treino porque temos a obrigação de controlar o nosso peso. Para além de me preparar com o meu treinador fiz corrida diária e posso garantir que estou em grande forma para participar nos Jogos”, afiança a atleta. Depois de ter sido adiada, a 3ª edição dos Jogos da Lusofonia foram ensombradas pelas notícias de que as autoridades de Goa estariam preocupadas com o controlo

da malária. José Tavares garante que questões como a segurança ou a qualidade da recepção de que serão alvo os atletas que disputam a competição não estão em causa. O presidente do Instituto do Desporto mostrou-se ainda assim preocupada com as fragilidades da rede rodoviária da antiga colónia portuguesa: “A questão da deslocação e dos transportes pode ser um problema em Goa, porque as estradas são relativamente estreitas e as infra-estruturas de transportes não estão tão desenvolvidas. Fizemos chegar esta preocupação ao comité organizador e esperámos que algo tenha sido feito para melhorar esta questão”, remata o dirigente.

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1.

2.

3.

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei n.º 8/91/M, de 29 de Julho, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida da Amizade, n.ºs 918 a 948, em Macau, (Edifício World Trade Center Macau); - Beco do Senado, n.ºs 4 a 6 e Beco do Gonçalo n.ºs 10A a 12, em Macau, (Edifício Silo Park Lane). Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.

Aos, 6 de Janeiro de 2014. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição


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Aviso

De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.° 109/2005, os requerimentos visando a renovação de licenças anuais, a emitir pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, devem ser tratados, anualmente, entre Janeiro e Fevereiro, salvo se outro prazo estiver fixado em disposição legal. Na falta de regime especial, a não renovação da licença anual no supramencionado prazo implica a cessação da actividade licenciada, salvo se o interessado proceder à respectiva regularização no prazo de 90 dias. Caso efectue o pedido de renovação da licença anual no período de regularização de 90 dias, fica sujeito a uma taxa adicional calculada nos seguintes termos: • • •

Dentro de 30 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 30% da taxa da licença em causa; Dentro de 60 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 60% da taxa da licença em causa; Dentro de 90 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 100% da taxa da licença em causa.

Para um melhor conhecimento dos titulares de licença, é apresentada a seguinte tabela descritiva com o tipo de licenças a renovar entre 1 de Janeiro e 28 de Fevereiro de 2014: Tipos de Licença Licença de estabelecimentos de venda a retalho de aves de capoeira vivas Licença de estabelecimentos de venda a retalho de animais de estimação Licença de venda a retalho de carnes frescas, refrigeradas e congeladas Licença de venda a retalho de vegetais Licença de venda a retalho de pescado Licença de animais de competição Licença de outros animais – cavalo, muar ou asinino

Licença anual do cão de companhia ou de estimação

Licença anual de lugares avulsos no mercado Licença de vendilhões Licença de afixação de publicidade e propaganda Aferição de equipamentos de pesagem ou medição Licença de reclamos em veículos Licença de pejamento de carácter permanente

Centro de Serviços / Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas

Licença de esplanada

Os locais e as horas de expediente, para o tratamento de requerimentos de renovação de licenças, são os seguintes: Centro de Serviços do IACM: Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 18:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Centros de Prestação de Serviços ao Público: Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte Rua Nova da Areia Preta, n.º 52, Centro de Serviços da RAEM, Macau. Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n.º 75K, Taipa. Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central Rotunda de Carlos da Maia, Nos .5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 18:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Postos de Atendimento e Informação:

Local de tratamento das formalidades

Centro de Serviços / Todos os Centros de Prestação de Serviços ao Público / Postos de Atendimento e Informação / Núcleo de Expediente e Arquivo

Canil Municipal / Posto de Atendimento Itinerante para o Requerimento e Renovação da Licença do Cão de Estimação/ Centro de Serviços * / Todos os Centros de Prestação de Serviços ao Público * * é necessário ainda marcar uma data para a vacinação anti-rábica e, na data combinada, transportar o cão ao Canil Municipal

Centro de Serviços / Todos os Centros de Prestação de Serviços ao Público

Posto de Atendimento e Informação Central Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau. Posto de Atendimento e Informação Toi San Avenida de Artur Tamagnini Barbosa n.º 127, Edf. Dona Julieta Nobre de Carvalho, Torre B, r/c, Macau. Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4°andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 19:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Núcleo de Expediente e Arquivo: Avenida de Almeida Ribeiro, n.°163, r/c, Macau. - 2.ª a 5.ª feira: das 9:00 às 13:00; das 14:30 às 17:45 horas. - 6.ª feira: das 9:00 às 13:00; das 14:30 às 17:30 horas. Canil Municipal de Macau: Avenida do Almirante Lacerda, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 17:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Canil Municipal de Coloane: Estrada de Cheoc Van, Coloane. - 2.ª feira: das 10:00 às 15:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Os formulários de pedido de renovação das supramencionadas licenças (excepto para a Licença de Vendilhões) poderão ser obtidos no website do IACM (www.iacm.gov.mo). Para mais informações, queira ligar para a Linha do Cidadão do IACM, através do telefone no 2833 7676. Macau, 11 de Novembro de 2013. O Presidente do Conselho de Administração Substº, Vong Iao Lek

WWW. IACM.GOV.MO


FUTILIDADES

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TEMPO

POUCO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

12

MAX

20

HUM

40-80%

EURO

10.8

BAHT

0.2

YUAN

21

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

SALA 1

CONTROL [C]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Kenneth Bi Com: Daniel Wu, Yao Chen, Simon Yam, Leon Dai 14.30, 16.15, 18.00, 21.30

THE LEGEND OF HERCULES [C] Um filme de: Renny Harlin Com: Kellan Lutz, Gaia Weiss 19.45 SALA 2

HOURS [B]

Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 19.30

AS THE LIGHT GOES OUT [B] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Derek Kwok Com: Nicholas Tse, Shawn Yue, Simon Yam, Hu Jun, Bai Bing 16.30, 21.30 SALA 3

GIRL IN THE SUNNY PLACE [B] (FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Miyazaki Hayao 14.30, 19.15

HOURS [B]

Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Messi E o burro sou eu...

Legislemos todos os barulhos da nossa vida

• O visual de Lionel Messi na gala da Bola de Ouro, na passada segunda-feira, deu nas vistas e foi bastante lucrativo para o jogador argentino. A roupa de Lionel Messi destacou-se na gala da FIFA, onde Cristiano Ronaldo venceu a Bola de Ouro, e soube-se agora que o futebolista do Barcelona terá recebido um milhão de euros, da marca Dolce & Gabbana, para usar o já muito popular smoking vermelho.

Tordo diz que vai emigrar • Aos 65 anos, Fernando Tordo diz que vai emigrar e que pretende ‘reformar-se’ do País. Em entrevista à TVI24, o cantor não escondeu o seu desacordo com o rumo que Portugal está a tomar. “Não tenho que me reformar, porque tive a felicidade de ter uma profissão que vai por aí fora, mas vou reformar-me deste País. Não me está a apetecer ficar aqui, de maneira nenhuma”, disse Fernando Tordo. Na entrevista, o artista deu conta do seu descontentamento: “Eu não quero, não aceito esta gente. Não aceito o que estão a fazer ao meu País. Não votei neles e não estou para ser governado por este bando de incompetentes.” O cantor confessou ainda que “o que é natural é que faça como foi aconselhado a muitos jovens, mas também podiam ter aconselhado a mim, que tenho 65 anos: ir embora.”

Depp candidato a pior actor • Johnny Depp, Sylvester Stallone, Lady Gaga e Salma Hayek estão entre os candidatos a vencer um prémio Razzie, que distingue os piores actores do ano. A organização dos prémios que ninguém quer receber deu a conhecer os nomeados, entre os quais se destaca Johnny Depp pelo seu desempenho no filme ‘The Lone Ranger’, de Gore Verbinski. Igualmente nomeados para o prémio de pior ator, estão: Ashton Kutcher, pelo seu papel como Steve Jobs, fundador da Apple, no filme ‘Jobs’; Jaden Smith pelo seu trabalho em ‘After Earth’, e Adam Sandler e  Sylvester Stallone, pelos desempenhos em ‘Grown Ups 2’. No sector feminino, o prémio para pior actriz principal será entregue a uma das seguintes candidatas: Selena Gómez (Getaway), Tyler Perry (‘A Madea Christmas’), Halle Berry (‘The Call’ e ‘Movie 43’), Naomi Watts (‘Movie 43’) e Lindsay Lohan (‘The Canyons’).

fonte da inveja

Se és honesto, esquece a lei.

A LOIRA AFRICANA A África do Sul é um viveiro de beleza. Aos 27 anos Genevieve Morton, modelo que a revista Sports Illustrated lançou, não pára de ganhar seguidores. A sul-africana de 27 anos não parou de aparecer na revista desde 2010. Não é de... admirar.

João Corvo

Toda a gente sabe que os gatos não se dão muito bem com cães e, como bom representante da espécie, eu não comunico com eles. Mas desta vez até estou solidário. Trata-se do seguinte: agora que se vai finalmente legislar sobre o barulho das obras que infernizavam a vida de muitos aqui em Macau, surge o debate dos latidos dos cães. Ó meus amigos, não querendo chocar, mas legislar sobre os barulhos que os cães fazem é como proibir os bebés de chorar: completamente impossível. Querendo desde já destacar que há uma diferença nítida de existência entre as duas criaturas, ninguém consegue calar um bebé de meses, nem um cão quando ladra. Ninguém. Na imprensa chinesa têm surgido relatos de pessoas que se queixam dos barulhos que surgem do Canídromo durante a noite, e há quem defenda a criação de equipas para ver quando os cães ladrem para que, nesse momento, possam aplicar uma multa. Aquando da apresentação da nova lei no Conselho Executivo, um dos jornalistas também fez uma pergunta sobre a forma como a legislação iria abranger os latidos dos cães. Decerto estará tudo doido, ou talvez cansado. Espero que seja esta última hipótese. Se estiverem incomodados com os barulhos emitidos por estes dois tipos de seres ponham phones nos ouvidos, uma música suave, e vão acabar por adormecer. Acreditem em mim. Agora não vão querer aplicar multas de 600 patacas (segundo o que diz a lei dos espaços públicos) de cada vez que um cão ladra de madrugada ou um bebé chora compulsivamente porque tem fome. Assim, deveríamos legislar quando caem panelas no chão à noite ou quando os vizinhos batem portas como se as quisessem partir. Ou então, quando decidem tocar uma musiquinha.


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OPINIÃO

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JORGE RODRIGUES SIMÃO

“A Smart City is an urban region that with Internet and Communication Technologies efficiently weaves together physical, social, and business infrastructure to facilitate intelligent decision making and efficient city dynamics, in order to realize sustainable development goals through citizen empowerment and participatory governance.” Urban and Regional Data Management: UDMS Annual 2013 Claire Ellul, Sisi Zlatanova, Massimo Rumor and Robert Laurini

A

expressão “cidade inteligente” segundo a definição da enciclopédia livre consiste na tradução e adaptação do termo na língua inglesa “smart city”. É um conceito emergente, e portanto os seus significados em outras línguas, incluindo a inglesa estão sujeitas a constante revisão. É um termo actual, que está a ser utilizando como um conceito de marketing (estudo de mercado) no âmbito empresarial, relativamente a políticas de desenvolvimento, e no que concerne a diversas especialidades e temas. A“cidade inteligente”, também chamada de “cidade eficiente” ou “cidade super-eficiente”, refere-se a um tipo de desenvolvimento urbano baseado na sustentabilidade e que é capaz de responder adequadamente às necessidades básicas das instituições, empresas e dos seus habitantes, tanto no plano económico, como nos aspectos operacionais, sociais e ambientais. As cidades do mundo não param de crescer e o último relatório da ONU sobre a matéria, prevê que 70 por cento dos seres humanos habitarão em centros urbanos em 2050. O aumento da população converter-se-á num problema grave a não ser que se consiga manter alguma harmonia entre os aspectos espacial, social e ambiental das localidades e dos seus habitantes. É neste quadro que o debate à volta desta questão ganha redobrada relevância, bem como os avanços práticos ao redor do conceito de “cidade inteligente”. Ainda que não exista uma definição homogénea para “cidade de inteligente”, pode-se afirmar que é aquela que utiliza os avanços tecnológicos para melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes. As tecnologias de informação e de comunicação, nas “cidades inteligentes” são utilizadas para instalar infra-estruturas em rede que melhorem a vida dos cidadãos, possibilitem o desenvolvimento sustentável, permitam uma maior optimização do consumo energético, fomentem uma maior qualidade na prestação de serviços, maior eficiência de todos os recursos e uma maior participação dos cidadãos. Os projectos nas “cidades inteligentes” são de todo o tipo, mas fundamentalmente podem-se considerar duas categorias, que são os das cidades novas, como é Songdo na Coreia do Sul e Masdar em Abu Dhabi, denominados de “Greenfield” (terra verde ou terreno virgem), e aquelas cujos projectos a implementar procuram melhorar as grandes cidades existentes, denominados de momento ou situação de desenvolvimento “Brownfield” que actua sobre áreas como os transportes, segurança urbana, serviços aos cidadãos, educação e saúde. A criação e desenvolvimento das “cidades inteligentes” é uma singular experiência permitindo ao habitante da cidade sentir-se envolvido

perspectivas

As cidades inteligentes e ecologicamente sustentáveis na história de um futuro próximo que se situa entre a ciência de ficção por um lado, e o que implica por outro, num contexto onde muitos dos sinais do futuro se encontram presentes. O mais importante, sem dúvida, a acontecer este ano em matéria de crescimento e inovação no sector IT, gira à volta do que os analistas denominam de “terceira plataforma”, a partir da convergência de serviços na nuvem, artefactos móveis, tecnologias sociais e “Big Data”. É o mundo difuso das tecnologias de informação e comunicação (TICs) ou (ICT nas siglas em língua inglesa referentes a Information and Communications Technology) ou a convergência destas tecnologias da informação e das telecomunicações. A velocidade de crescimento neste segmento multiplica-se deixando para trás qualquer outro considerado. Prevê-se que o investimento total em IT este ano, será superior a 2 mil milhões de dólares, 5,8 por cento superior a 2013, e destinado à “terceira plataforma”. A venda de artefactos móveis, como “tablets” e telefones inteligentes pode crescer 25 por cento, gerando igualmente 25 por cento de todas as vendas em tecnologia e contribuindo para um crescimento total do sector de IT muito perto dos 60 por cento. É previsto que no período de 2014 a 2020, 93 por cento do crescimento em IT será criado a partir da nuvem, do mundo móvel, das redes sociais e seus negócios, e da “Big Data”. O estudo do IDC, publicado em Dezembro de 2012, denominado de “The Digital Universe in 2020: Big Data, Bigger Digital Shadows, and Biggest Growth in the Far East” revela uma ruptura na “Big Data”, em que pelo menos 1,5 por cento dos dados mundiais serão analisados e menos de 22 por cento serão protegidos. Estão a começar a ser aplicados instrumentos tecnológicos, com diversos níveis de avanço para resolver problemas concretos dos habitantes das cidades, como a instalação de sensores, por exemplo, que permite dispor de informação em tempo real e que pode medir determinadas situações importantes como a intensidade do tráfego ou a concentração de pessoas. Esses e outros instrumentos tecnológicos de fornecimento de informação em tempo real servirão para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. O surgimento de um estilo de vida baseado na Internet está a converter a rede no quarto serviço público a par do fornecimento do gás, água e electricidade. Quando as redes se converterem num serviço essencial para o utilizador, a “casa inteligente” será a regra, e as pessoas conectar-se-ão com todos e com tudo dentro da habitação e também com o mundo exterior para subscreverem serviços que melhorem a sua vida caseira. Algumas universidades e grandes empresas de tecnologia estão a efectuar pesquisas para desenvolver formas de aplicar na prática os avanços tecnológicos, sendo uma o Instituto

Tecnológico de Massachusetts (MIT na sigla na língua inglesa), através do projecto “City Science”, no qual os pesquisadores realizam um conjunto de projectos com investigações interdisciplinares para enfrentar os grandes desafios associados à urbanização global. Os projectos incluem análise urbana e modelação sendo analisados dados da actividade económica, as percepções das pessoas sobre temas como a insegurança, o comportamento da população urbana, os padrões de mobilidade e o consumo energético de forma a enriquecer o processo de desenho das cidades. A cidade na era pós-petróleo começou a ser desenhada com instrumentos paramétricos e simulações computadorizadas. Os incentivos e a governança são factores importantes que consideram factos comprovados, como o veículo automóvel que permanece em média, estacionado cerca de 87 por cento do tempo. A partir dessa comprovação é estudada a forma de concessão de incentivos dinâmicos para sistemas de uso partilhado e opções flexíveis para as viagens diárias. É utilizada a simulação computadorizada à escala urbana para concessão de incentivos aos habitantes que alterem os seus padrões actuais de comportamento e usem alternativas, quer em termos de mobilidade, como em uso energético ou local de trabalho. As redes de mobilidade são factores importantes a considerar, uma vez que os planos modernos de viagens melhoraram notavelmente a experiência multimodal de trânsito para milhões de pessoas que diariamente se deslocam ao centro urbano, mas estão limitadas por algumas situações como conduzir, andar ou usar os transportes públicos. Os projectos que estão a ser preparados pelo MIT incluem o desenvolvimento de um sistema de mobilidade multimodal que vai desde o estacionamento de automóveis até motociclos partilhados e que é mantido por dados em tempo real, tais como o padrão climático, trânsito ou comportamento anterior do utilizador. Novos veículos urbanos e vias para ciclomotores e bicicletas estão a ser desenhadas pela Media Lab. Os locais de residência e de trabalho são factores fundamentais a serem considerados. A omnipresença dos dispositivos móveis e de conectividade sem fio à Internet está a alterar a natureza do trabalho. O tradicional edifício de escritórios está a ficar antiquado como lugar de trabalho. As fronteiras entre a residência e o local de trabalho estão a desaparecer com grande rapidez estimuladas pela computação avançada. Estão a ser desenhados e a ser fabricados modelos de residências urbanas personalizadas e alteráveis para maximizar a funcionalidade da pequena residência e assim melhorar a vida diária e a conveniência. O espaço que se altera e se partilha segundo a procura e tempo permitirá o trabalho

em colaboração e reuniões pessoais, dando às empresas a oportunidade de reduzir as suas necessidades por espaços para escritórios e reduzir o consumo energético.AMedia Lab está a trabalhar também na integração de sistemas modulares de agricultura familiar urbana hidropónica e aeropónica para dar aos residentes das cidades a oportunidade de cultivar os seus próprios alimentos e melhorar a transparência do complexo sistema de oferta alimentar. As redes electrónicas e sociais são igualmente importantes, pois ninguém esqueceu a incidência que tiveram na denominada “Primavera Árabe”. As redes sociais permitem a multiplicação instantânea de ideias e acontecimentos e algumas contribuíram para o nascimento e expansão de movimentos sociopolíticos e revoluções. Os projectos, nesta área, irão explorar os sistemas nervosos electrónicos da escala do corpo humano à da cidade. As redes electrónicas e sociais descentralizadas podem formar a base de novos padrões de aprendizagem, de recreio, de produção e de saúde, abrindo os caminhos de comunicação das pessoas com as suas esferas públicas e privadas. Terá de ser desenvolvido todo o seu potencial e um sistema de intercomunicação de redes de confiança que contribuam para a segurança através de tecnologias biométricas e de encriptação. As redes de confiança assegurarão privacidade face aos sistemas invasivos que usam dados altamente pessoais como padrões de mobilidade, consumo de recursos como água, alimentos e energia e perfis personalizados de saúde. É de considerar como factores fundamentais ainda, as redes de energia. As novas tecnologias para redes e medições inteligentes podem permitir às redes urbanas de energia que respondam de forma dinâmica à mobilidade das pessoas e aos seus padrões de comportamento. Os sistemas interconectados para responder à procura podem reduzir o ónus das horas de saturação nas velhas redes eléctricas, sendo que a integração de fontes de energia renovável continuarão ainda a ser difícil devido à intermitência. Os projectos do MIT nesta área serão centralizados na exploração de micro-redes de corrente contínua para células humanas compactas que incorporem a geração de energia renovável localizada como painéis solares de cobertura e microturbinas. Estas redes energéticas podem reduzir as perdas na conversão da corrente alternada para corrente contínua em edifícios habitacionais e dar ligações directas a armazenamento de energia solar fotovoltaica e energia acumulada em baterias. O MIT está a estudar ainda as novas tecnologias e o armazenamento de energia, incluindo modelos comerciais e de serviços, com o fim de dar nova utilidade às bateristas dos veículos automóveis, para que armazenem energia de rede e facilitem a rápida recarga dos veículos eléctricos.


opinião 23

PIERRE-AUGUSTE RENOIR, NO JARDIM

hoje macau sexta-feira 17.1.2014

ISABEL CASTRO

isabelcorreiadecastro@gmail.com

Escrever para as paredes Chegámos a um ponto em que é preciso agir. É preciso agir depressa. Estar à espera de um atrasado plano decenal para a protecção ambiental é perder anos de vida, da minha e da sua, querido leitor

E

STE texto começa com um elogio à Administração: esteve bem quem pensou na intervenção feita na marginal da Taipa. Para quem não anda por essas bandas, aqui vai uma tentativa de descrição: trata-se de um percurso destinado a ciclistas, praticantes de jogging e adeptos de passeios a pé, com um parque infantil incluído, construído junto à ponte Sai Van. Claro que é sempre discutível a forma como foi feita a intervenção, o tipo de equipamentos urbanos utilizados e até mesmo o percurso escolhido – é estranho andar a pé e ter os carros ali tão perto a passar na ponte. Mas é o que temos. E serve sobretudo para se chegar a uma conclusão: pela enorme utilização que o percurso e o parque infantil têm, fazem muita falta espaços ao ar livre para correr, andar de bicicleta, andar a pé, respirar. É aqui que a coisa complica: respirar, este verbo tão simples e que se conjuga em simultâneo com o verbo viver. Os dados dos Serviços de Meteorologia e Geofísica das últimas semanas são de arrepiar. Dia sim, dia não, dia sim, dia sim, a qualidade do ar atinge níveis considerados perigosos para a saúde. Os tais níveis que levam as auto-

ridades a aconselhar que crianças, idosos, pessoas com doenças respiratórias e afins não saiam de casa. Recomenda-se ainda a prática desportiva dentro de portas. Em suma, são dias em que a marginal da Taipa deixa de fazer sentido. Há muito tempo que, no que toca ao ambiente, deixou de valer a pena tentar iludir quem aqui vive. Não é preciso ir ao site dos Serviços de Meteorologia e Geofísica para se perceber que isto anda mal, muito mal. Basta sair à rua e respirar – ou tentar respirar. Basta olhar para os vidros dos carros. Não é preciso ser-se perito na matéria para se sentir que, com este ar, não vamos longe. Ainda assim, ouço as explicações científicas dadas para justificar a quantidade de dias em que respirar se torna difícil: dizem os peritos que se deve à fraca precipitação. Acredito na justificação, mas não me apetece fazer a dança da chuva, nem me apetece passar o resto dos meus dias nesta terra a confiar nos deuses e na água que poderá – ou não – cair do céu. Há outras explicações para a poluição que – dizem também os peritos – não pode ser atribuída apenas à vizinhança: Macau já é muito responsável pela poluição doméstica actual. Chegámos a um ponto em que é preciso agir. É preciso agir depressa. Estar à espera de um atrasado plano decenal para

a protecção ambiental é perder anos de vida, da minha e da sua, querido leitor. Dizem-nos que podemos fazer sempre alguma coisa em nome do ambiente e eu acredito – mais rigor no modo como consumimos energia, mais plantas na varanda, e por aí fora. Mas a verdade é que não sou eu, nem é o meu leitor, o responsável pela mudança de legislação sobre a construção (e os materiais que se usam na construção), pelas eternas obras do metro que (acredito) vai tirar muitos carros da cidade, pelos

cartoon por Stephff

contramão

percursos dos autocarros públicos, pelas exigências ambientais que não se fazem aos autocarros públicos e aos autocarros dos casinos, e por aí fora. Não sou eu, nem é o meu leitor, o responsável pelo constante adiamento da introdução de veículos ecológicos em Macau. Estou em crer que, no dia em que Macau adoptar autocarros e motociclos amigos do ambiente, o resto do mundo já vai estar tão evoluído que as soluções importadas para o território vão ser produzidas em exclusivo para o território, porque o resto do mundo já vai estar noutro patamar. Já se terá inventado outra coisa qualquer. É que, enquanto Macau estuda o que outros fizeram no passado, já se está a inventar outra coisa qualquer. Em questões como o ambiente – e em muitas outras que não cabem nesta página – é como se o dinheiro fosse incompatível com as pessoas, com a vida das pessoas. Já nem falo na qualidade de vida que, nos últimos anos, foi tão esquecida que não encontra espaço sequer no discurso político, mais preocupado com uma distribuição de riqueza mal feita e impossível de fazer através de patacas. Quem dirige Macau – não sei quem pensa em Macau – tem esta incapacidade de perceber que distribuir riqueza não é atirar patacas ao ar, mas sim permitir que se tenha uma vida melhor – ou, pelo menos (e numa forma bem local de equacionar as coisas), uma vida que não seja pior do que a que se teve no passado. É como se o dinheiro fosse incompatível com os seres humanos que aqui estão, não de passagem por um dia e meio, mas a viver. A frequentar a marginal da Taipa e a sonhar com espaço e com ar. As pessoas não precisam só de comida e de tecto. Para se conjugar o verbo viver, é preciso conjugar o verbo respirar. Res-pi-rar.

O RUGIDO

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Hoje Macau 17 JAN 2014 #3013