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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau MOP$10

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • TERÇA-FEIRA 16 DE AGOSTO DE 2011 • ANO X • Nº 2433

Ter para ler

TEMPO POUCO NUBLADO MIN 27 MAX 33 HUMIDADE 55-85% • CÂMBIOS EURO 11.4 BAHT 0.3 YUAN 1.3

Feira das Indústrias Criativas

STDM obrigada a indemnizar uma dezena de funcionários

Infracções no reino do jogo Desde o início deste ano, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) já perdeu uma dezena de processos laborais movidos por ex-funcionários. A Justiça reconhece uma série de irregularidades na empresa de Stanley Ho, com férias não pagas, gorjetas desaparecidas e ausência de feriados obrigatórios. Para já, 3 milhões de patacas vão sair dos cofres para compensar os trabalhadores. > PÁGINA 6

MACAU SÓ É TIDO E ACHADO NO DINHEIRO • PÁGINA 10

Desesperados de tanto esperar por um tecto O deputado Au Kam San quer saber se vai ou não abrir novas candidaturas à habitação pública. O democrata também quer a responsabilização daqueles que andam a prometer mundos e fundos sem nunca os cumprir. >PÁGINA 4

Fuga tóxica no Rio das Pérolas

TONELADAS DE CRÓMIO ESCONDIDAS PELA CHINA • CENTRAIS


TERÇA-FEIRA 16.8.2011 www.hojemacau.com.mo

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ACTUAL

Joe Biden chega a Pequim amanhã para esclarecer questões de defesa

América e China em novo frente a frente Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo

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dívida, armas e segurança. O secretário de Estado norte-americano chega a Pequim amanhã para encontrar-se com o vice-presidente chinês Xi Jinping assim como com Hu Jintao e Wen Jiabao. A visita, que começa na quarta-feira, acontece na mesma semana da primeira comunicação pública do novo

Embaixador norte-americano em Pequim, Gary Locke. A China é hoje o principal credor dos Estados Unidos e ainda este mês mostrou sinais de preocupação perante o crescimento da dívida do país que ainda é a primeira economia do mundo. Das reservas em moeda estrangeira na China, mais de 2,2 biliões estão investidos em títulos de tesouro norte-americano. Mas se para o Governo em

Pequim a dívida norte-americana continua a ser o primeiro assunto nos títulos de jornais, para os Estados Unidos a visita de Biden pretende igualmente esclarecer questões sobre defesa. Tanto a imprensa norte-americana como os jornais de Taiwan anunciaram que a venda de caças F16 a Taiwan foi negada por Washington. No entanto, a representação oficial norte-americana em Taipé não confirmou a informação.

Esta é uma decisão que agrada a Pequim, apesar de Taipé ter anunciado estar desiludido com a decisão dos Estados Unidos, sendo que o pedido para a venda de F16 já vem de 2007. Além de Taiwan, a Coreia do Norte e o mar do Sul da China serão outros assuntos em debate durante os cinco dias de visita de Joe Biden, de 17 a 22 de Agosto. A maior proximidade a nível militar, depois de uma reunião a alto nível

que teve lugar em Washington este ano, deve servir para facilitar as conversações bilaterais. Depois da visita de Hu Jintao a Washington em Janeiro, o encontro de Joe Biden com as mais altas figuras da política chinesa também vir acalmar se não os mercados, pelo menos as vozes mais críticas chinesas que exigem que a China pare de investir em títulos norte-americanos, que parecem ser cada vez mais arriscados.

JAPÃO | IMPERADOR CELEBRA ANIVERSÁRIO DO FIM DA II GUERRA

Cerimónias especiais O

PASSAGEIROS DE METRO NA CHINA CONTRARIAM PROPÓSITO DE PUBLICIDADE DA ADIDAS

Chineses agressivos “N

ÃO desperdice o tempo de espera”, é o que se pode ler numa placa colocada ao lado dos pilares da estação de metro de Xujiahui. Forrados com esponja, três dos pilares da estação convidam os passageiros a bater-lhes, como forma de descarregar a fúria, mesmo que nao tenha sido essa a intenção da empresa responsável pela publicidade. “Ficamos surpresos quando soubemos que as pessoas pensam que o preenchimento de esponja está lá como uma forma de libertar pressão”, disse Gu Xiaojie, agente no departamento de relações públicas da Adidas, fabricante de roupas e utensílios de desporto. “Queríamos sensibilizar as pessoas para o desporto e ajudá-las a fazer uso eficiente do seu tempo de espera”, explicou Huang Xiaoqiang, director do departamento de marketing e comunicação da Adidas China.

Os anúncios da empresa surgiram em resposta a um recente levantamento divulgado pela Organização Mundial de Saúde, que constatou que mais de 30% dos residentes nas cidades do continente estão em fracas condições de saúde. O preenchimento dos pilares era, na realidade, para os passageiros se enconstarem e fazerem flexibilidade durante o tempo de espera, mas muitas pessoas parecem pensar que o preenchimento está lá como forma de libertar pressão. “Os pilares são como os sacos de areia que usamos para direccionar as pressões e a raiva através de socos ou pontapés”, disse Liu Gaoxia, um psicólogo do Centro de Aconselhamento Psicológico em Xangai. “No entanto, um espaço público não é um lugar ideal para o fazer”, frisou. Aparentemente, os cidadãos do continente apresentam graves casos de depressão.

Japão assinalou ontem o 66.º aniversário do fim da II Guerra Mundial, numa cerimónia presidida pelo imperador Akihito, filho do responsável pelo anúncio na rádio nacional da rendição do país em 1945, que apelou à paz. Na cerimónia de homenagem às vítimas realizada em Tóquio, que contou com a presença do primeiro-ministro, Naoto Kan, o imperador Akihito lembrou os mortos e apelou à paz. “Sentimos uma profunda tristeza pelos que morreram e pelas suas famílias”, disse Akihito perante uma multidão que tinha nas mãos crisântemos brancos e amarelos em memória dos mortos. “Olhando para a nossa história, esperamos sinceramente não repetir a tragédia da

Guerra”, declarou. A cerimónia pretendeu assinalar os últimos meses trágicos da II Guerra Mundial, desde a batalha sangrenta de Okinawa (em Junho de 1945) às bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki, ambas no início de Agosto de 1945. Naoto Kan salientou na ocasião que o Japão devia usar a experiência de reconstrução do pós II Guerra Mundial como um ensinamento de que é possível recuperar do sismo e tsunami de 11 de Março. “A nossa nação enfrentou muitas dificuldades desde a Guerra”, referiu ao considerar que “usando esta experiência, as áreas devastadas e a própria nação, irão recuperar do desastre”. No memorial de segunda-feira, o primeiro-ministro re-

teirou o pedido de desculpa do país pelo sofrimento causado na II Guerra Mundial. “Causámos grande sofrimento a muitos países, especialmente na Ásia, durante a Guerra, e devemos reflectir sobre isso, prestando o nosso respeito às vítimas e suas famílias”, disse a cerca de 7.200 pessoas presentes na cerimónia. As cerimónias deste ano têm um significado especial para o Japão, pelo facto de o país estar a tentar recuperar dos efeitos devastadores do terramoto e tsunami de 11 de Março, desastres naturais que causaram mais de 20.000 mortos e desaparecidos e desencadearam a mais grave crise nuclear desde 1945, fazendo recordar a devastação deixada pelo fim da II Guerra Mundial.

O MODO CHINÊS DE FAZER PRAIA Banhistas munidos de bóias invadem a piscina de água salgada, conhecida como “Mar Morto da China”, na cidade de Daying, na província de Sichuan, para fazer frente à onda de calor no país.


Com a dinâmica habitual, lá se levou a cabo mais uma entusiástica sessão de perguntas e respostas na Assembleia Legislativa. A sessão de leitura foi de novo entusiasmante. O único momento em que alguém levantou verdadeiramente os olhos para perguntar e a outra pessoa para, julgar-se-ía, responder, falhou a resposta. Azar. Pereira Coutinho um dia destes deve recebê-la por escrito, o que também não deixa de ser empolgante. Afinal, só já não se escrevem cartas de amor, as outras... Helder Fernando, P. 15

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Há quatro décadas que as finanças globais procuram novo norte

Yuan sem espaço para ser o novo dólar Fim do sistema de Bretton Woods completa 40 anos com dólar à deriva, euro sob ameaça, yuan marginal - e nenhuma alternativa viável

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M ano antes de Little Boy e Fat Man, as alcunhas das bombas atómicas que dilaceraram Hiroshima e Nagasaki, no Japão, no acto final da Segunda Guerra Mundial, já se discutia que caminhos o mundo teria que trilhar no pós-guerra para fugir da recessão, do desemprego, da fome – e, portanto, do risco de um novo conflito internacional. Foi em Bretton Woods, cidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, que se decidiu que o dólar seria a moeda-chave para as transacções internacionais. Até 15 de Agosto de 1971, o valor do dólar teve como baliza os estoques de ouro. Em 15 de Agosto de 1971, essa regra foi abandonada. E, assim, ontem, 15 de Agosto de 2011, faz 40 anos que o sistema financeiro internacional procura um novo norte. O sistema Bretton Woods foi o resultado de três semanas de debates entre 730 delegados de 44 países, que discutiram formas de evitar um retorno aos anos de trevas da Grande Depressão. Como estimular o comércio internacional? Como evitar recessões nos países? Como as transacções de bens e serviços serão pagas? Em Bretton Woods, decidiu-se que o dólar faria o papel de moeda forte do mundo. Segundo ficou definido, as moedas dos países signatários estariam atreladas ao dólar numa base bastante estreita, com espaço para variação de apenas 1% para cima ou para baixo. Os EUA, por sua vez, comprometeram-se a manter uma quantidade de ouro que equivalesse ao volume de dólares em circulação, a uma cotação de 35 dólares por onça-troy (medida que equivale a 31,1 gramas). “Os anos 50 e 60 foram a época de ouro do capitalismo, com crescimento rápido e inflação baixa. Parte

do sucesso desse período deveu-se a Bretton Woods”, diz ao jornal online IG o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB). Mas um dia essa alegria toda teria que acabar. Com a crescente demanda por ouro, ataques especulativos contra o dólar e o crescimento dos gastos norte-americanos com a guerra do Vietname, o então presidente dos EUA, Richard Nixon, pôs fim, de forma unilateral, ao compromisso de manter o dólar atrelado aos estoques de ouro disponíveis. “Quem ganha com as crises? Os especuladores internacionais. Como eles prosperam nas crises, eles ajudam a criá-las”, disse Nixon no seu pronunciamento de TV no dia 15 de Agosto de 1971, desferindo a bala de prata no padrão dólar-ouro. Dois anos depois, no primeiro encontro do que viria a ser o actual G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo), EUA, Japão, França, Alemanha e Reino Unido reuniram-se para reclamar – ora vejam – do câmbio. O fim do sistema criado em Bretton Woods foi o remédio amargo contra os ataques especulativos que o dólar sofria, mas, como se vê, não significa que tenha melhorado o cenário. Não por acaso, faz mais de 35 anos que, no formato de G6, G7, G8 ou G20, as maiores economias do planeta reúnem-se de quando em quando para tratar, invariavelmente, de câmbio e recuperação económica. Há agora uma dúvida anterior: por que, em vez de um sistema com uma moeda forte, os países não seguiram a vida a fazer o que bem entendessem? Explica-se: antes da Segunda Guerra Mundial, o mundo teve dois outros sistemas, ambos igualmente fracassados. Um deles foi o padrão-ouro, segundo o qual um país só podia emitir dinheiro se tivesse um volume de ouro guardado que correspondesse ao montante de dinheiro em circulação. Entre outras limitações, esse sistema tinha uma de ordem prática: se a economia crescesse a um ritmo acelerado (e, com isso, as pessoas começassem a gastar mais e as empresas a investir, o que exigiria mais dinheiro em circulação), não seria possível aumentar, da noite para o dia, o estoque de ouro. Elevar as taxas de juros era uma forma de atrair ouro de outros

economia mundial, mas o seu peso relativo já não é tão grande quanto no imediato pós-guerra. A China, por sua vez, engrenou décadas de crescimento tão vigoroso que o país é hoje a segunda maior economia do mundo (com espaço para superar os EUA em 20 anos, segundo o Banco Mundial), mas o yuan segue marginal no comércio global - e, assim, sem espaço para tornar-se num “novo dólar”.

UM DESERTO DE ALTERNATIVAS

lugares, mas como todos os países podiam decidir tomar a mesma medida ao mesmo tempo, o pulo do gato de um acabava por tornar-se a dor de cabeça de todos. O outro sistema, com cara de improviso, vigorou no mundo ao longo da década da Grande Depressão, quando quase todos os países já tinham desistido do padrão-ouro. “Beggar thy neighbor”, ou empobreça seu vizinho, foi a alcunha. Era tão simples quanto insustentável: um país em recessão desvalorizava a sua moeda para tornar os seus produtos mais baratos no exterior, o que estimulava as exportações, numa tentativa de fazer a economia crescer. Como a medida também “exportava” os problemas, todos os países entravam num círculo vicioso de desvalorizações cambiais simultâneas. Mais uma vez, o “quebra-galho” foi inócuo – e a tentativa de cada país fazer o que desse na telha, com isso, ruiu olimpicamente. Se o reordenamento do sistema financeiro internacional é tão importante, por que não se faz algo

a respeito? Porque, como é de se supor, nada é simples no arranjo da geopolítica global. “Essa não é uma decisão meramente técnica, mas política. A lógica de interesses imediatos é contrária ao bom senso, mas não há um espírito de cooperação geral”, diz João Machado Borges Neto, professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “A visão de longo prazo implica algum sacrifício imediato”. Há também uma grande diferença entre o cenário que permitiu os arranjos de 1944 e o actual. Nos acordos de Bretton Woods, os EUA eram a potência hegemónica e incontestável. Fazia sentido, portanto, que o seu domínio fosse ratificado pelo acordo que transformou o dólar em moeda-chave do mundo. “E também havia o factor da saída da guerra. Existia um momento psicológico favorável para reorganizar o mundo”, afirma o professor. Nos imprevisíveis dias de 2011, os EUA seguem como a maior

Discutiu-se de tudo nesses 40 anos de busca por um novo norte para as finanças globais. James Tobin, vencedor do Prémio Nobel de Economia em 1981, lançou a ideia da Taxa Tobin, um imposto de 0,1% sobre as transacções financeiras internacionais que ajudaria a limitar a especulação nos mercados financeiros (já defendida pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy). O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, saiu-se em 2010 com a ideia de um “Bretton Woods II”, um arranjo de moedas também pensado para evitar a gangorra desenfreada das taxas de câmbio no mundo. E, ainda nos anos 1970, houve quem sugerisse inclusive uma volta ao padrão-ouro puro. Até George Soros está na trincheira por uma nova ordem. O megaespeculador, responsável pela quebra da libra esterlina em 1992, lançou-se em uma frente por um novo sistema financeiro internacional - e, ironia das ironias, com a bandeira de uma maior regulamentação. Em Abril, Soros reuniu 200 cabeças iluminadas da economia internacional em Bretton Woods, no mesmíssimo hotel em que foi realizada a conferência de 1944, para tratar do assunto. Soros, um bilionário controverso, hoje prefere ser chamado de filósofo. Mas talvez haja mais discussões a esmo do que propostas efectivas. “Estamos longe de ter configuração de poder mundial que torne viável uma alternativa”, diz o professor João Machado. “Hoje o quadro é muito difícil. Não há um cenário de saída de guerra, de reconstrução do mundo – pelo menos por enquanto.” A pasmaceira é também um sinal de alerta: “O meu medo é que o susto tenha que ser muito grande - e que a situação só mude quando as coisas estiverem muito pior”.


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POLÍTICA

Deputado critica adiamentos na conclusão da habitação económica

Quem espera nem sempre Au Kam San virginia.leung@hojemacau.com.mo

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longa espera para aqueles que se candidatam a habitação económica tem sido desesperante para muitos. Quem está farto dessa situação é o deputado Au Kam San que quer saber se o Governo tem noção do tamanho exacto da procura e se vai ou não abrir novas candidaturas a casas mais baratas. Na interpelação escrita apresentada na sexta-feira passada, o pró-democrata quis saber isso mesmo, e também se haverá algum membro do Governo a ser responsabilizado pelas falsas promessas e pelos recorrentes adiamentos na conclusão de novas unidades de habitação económica, que tanto tem prejudicado a credibilidade do Executivo. Houve apenas uma abertura de candidaturas a habitação pública em 2009, lembra Au Kam San, e as promessas de atribuição de moradias económicas acabaram por se mostrar pouco sólidas. Até mesmo a “Lei da Habitação Económica” chega com dois anos de atraso, o que tem impedido que os candidatos elegíveis se mudem para as suas novas casas. O projecto no

edifício Weng Leng sofreu um adiamento de três anos, critica o deputado na sua interpelação. Au Kam San observou ainda que há sete anos, desde a abertura a candidaturas a habitação económica em 2004, que não havia mais admissões de inscrições, o

que criou uma grande necessidade entre residentes que deveriam ter acesso a moradias mais baratas. O objectivo inicial apontava para que no ano de 2009 fossem abertas novas candidaturas a habitação económica, na segunda metade do ano, mas até ao momento, o Governo

apenas abriu concurso para habitação social, quebrando as promessas anteriores. O deputado da Associação Novo Macau Democrático (ANMD) lembrou ainda que objectivo da conclusão de 19 mil unidades de habitação económica apontava para o final do próximo ano,

mas iria satisfazer apenas a procura de habitação económica referente aos anos de 2003 e 2004. Au defende que o Governo deveria ter novos planos para uma nova ronda de candidatura a habitação económica assim que a anterior seja satisfeita, com um tipo de planeamento prévio

ANTÓNIO FALCÃO

Virginia Leung

DEPUTADA CRITICA BAIXA EFICIÊNCIA DO NOVO SERVIÇO DE AUTOCARROS

Governo tem de agarrar o volante O

novo modelo de funcionamento do serviço público de autocarros veio trazer uma maior frequência e ajustes em alguns percursos, mas está longe de ter resolvido os principais problemas que eram apontados aos transportes públicos. A crítica foi lançada pela deputada Kwan Tsui Hang, que apontou o dedo à falta de domínio do Governo sobre a situação. O executivo, considera a deputada da Assembleia Legislativa (AL), tem de perceber totalmente o estado de funcionamento dos diferentes trajectos e horários, de forma a racionalizar e optimizar as diferentes rotas. No seu discurso sobre o serviço de autocarros, Kwan Tsui Hang

observou que, desde o dia 1 de Agosto, quando foi implementado o novo serviço “conduzido pelo Governo e operado pelo mercado”, um quinto das rotas continua abaixo dos padrões estabelecidos e a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) teve de tomar medidas provisórias para reforçar os itinerários mais sobrelotados. Apesar de um maior número de autocarros a circular e do aumento das frequências, Kwan notou que continua a existir o problema de ser “difícil apanhar um autocarro”. De acordo com a deputada eleita directamente para a AL, a falta de motoristas não é o único problema. Uma das companhias,

lembra, ainda não domina completamente o estado das ruas e as estimativas de tempos e fluxos. Assim sendo, Kwan Tsui Hang recomendou ao Governo a monitoração e divulgação da informação relevante, de forma a melhorar o serviço de autocarros. Além disso, a representante da tradicionalista União Para o Desenvolvimento (UPD) na AL aconselhou o Executivo a adaptar o serviço às diferentes exigências de tempo e procura, de forma a coordenar os intercâmbios de rotas e proporcionar mais condições a Macau para ajudar os residentes a se habituarem à mudança do modo de funcionamento antigo na rede de autocarros públicos. -V.L.

contrário à cultura instituída de “resolver os problemas à medida que eles aparecem”.

CONFLITOS NA AL

A proposta de Lei da Habitação Económica foi aprovada na especialidade da Assembleia Legislativa na sexta-feira, mas com artigos votados em separado sob constante escrutínio dos deputados. Au Kam San dominou o plenário, numa espécie de frente-a-frente com Lau Si Io, secretário para os Transportes e Obras Públicas. A abertura do concurso público para as candidaturas às habitações económicas é decidida por Chui Sai On, algo que não agrada o deputado democrata. Au Kam San criticou o facto de esta decisão “depender da vontade do Executivo” e não assentar em prazos. “Se o senhor Chefe do Executivo quiser abrir um concurso público de dez em dez anos as pessoas têm de esperar”, ironizou o deputado. Mas foi o sorteio informático que sugeriu mais distúrbios no plenário. Segundo o diploma, os candidatos a habitação económica são graduados de acordo com o agregado, tendo prioridade as famílias com idosos ou deficientes. Em caso de empate, a ordenação é feita por sorteio informático. “Com esta ordenação as probabilidades são maiores nos casinos”, ironizou Au Kam San. O deputado democrata critica o facto de este ser um sistema “completamente aleatório” e que “pode dar azo a outro tipo de situações”. Au Kam San refere-se, por exemplo, à possibilidade de os funcionários do Instituto da Habitação (IH) – os responsáveis pelo sorteio informático – poderem interceder junto dos dados para favorecer determinados candidatos. José Pereira Coutinho partilha da opinião: “O sorteio informático vai mostrar falta de transparência, há funcionários do IH que são pagos por empresas privadas, como podemos garantir justiça?”, questionou.


CRIME DE USURA QUE ENVOLVEU AGENTES DA PSP LEVA A JULGAMENTO

Um homem está a aguardar julgamento por ter sido acusado do crime de usura. O suspeito, de apelido Lao e com 33 anos na altura da ocorrência do crime, fazia empréstimos a agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) e empregados de casinos locais. Lao cometeu os crimes durante dois anos – de Setembro de 2006 a Março de 2008. O homem solicitava aos “clientes” fotocópias de bilhete de identidade ou cartão de trabalhador onde escrevia as informações sobre os empréstimos, para servir de prova de dívida. Lao tinha, no total, quatro polícias e sete empregados de casinos como clientes, que por razões de dívidas de jogo, doença de familiares, pagamento de dívidas de cartões de crédito, e outras, lhe solicitavam empréstimos. O homem foi constituído arguido e aguarda agora julgamento pelo crime de usura.

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Normas mais rígidas ANTÓNIO FALCÃO

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CONSULTA DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM NOVAS REGRAS A SEREM CUMPRIDAS

Joana Freitas

partir de agora, todos os serviços e departamentos públicos vão ter de adoptar regras uniformes para as Consultas de Políticas Públicas. Um despacho assinado pelo Chefe do Executivo, ontem publicado em Boletim Oficial (BO), oficializa o novo conjunto de normas, que obrigam, por exemplo, a uma maior transparência e a um prazo de recolha de opiniões nunca inferior a 30 dias. Além disso, quando um departamento quiser avançar para o processo, deve informar a Comissão de Coordenação da Reforma da Administração com seis meses de antecedência. As normas dão indicações claras de como deve ser planeada a consulta, que tipo de público deve ser consultado e de que forma devem ser recolhidas as opiniões. O BO frisa ainda que, antes das consultas públicas, as entidades devem ter em conta a preparação das três fases do processo: trabalhos preparatórios, realização da consulta e a

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avaliação e balanço, tendo em conta “as características da legislação – importância, urgência e destinatários, por exemplo. Dar tempo suficiente aos cidadãos e associações de terem acesso à informação é um dos objectivos principais da nova regra, que implica que as informações estejam disponíveis para consulta por, pelo menos, um mês, excepto em casos de urgência – “que devem ser explicados ao público”. Parte das regras implica ainda que todos os dados fornecidos pela entidade pública sejam atempada e facilmente acessíveis pelo público, através de meios rápidos. O documento frisa ainda que o documento de consulta deve ser “simples e claro”. Pelo facto de serem disponíveis a todos os cidadãos, os textos têm sido criticados pela sua complexidade,

nomeadamente no que diz respeito à interpretação das leis. É ainda exigido aos serviços públicos que elaborem relatórios antes e depois das consultas públicas. O texto anterior à auscultação deve versar sobre conclusões de estudos sobre a política a consulta, seu objectivo e destinatários e experiências de locais vizinhos. Já no final da consulta, o relatório deve incluir um resumo das opiniões recolhidas e ser publicado em 180 dias findo o prazo de consulta. O novo mecanismo vai ser coordenado por uma comissão – Comissão de Coordenação de Reforma da Administração Pública – e pelos Gabinetes do Chefe do Executivo e secretários. Com as novas regras, a Administração é regular a consulta das políticas públicas para que os cidadãos possam também participar de forma mais activa.


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SOCIEDADE

STDM condenada a pagar compensações por violar direitos dos trabalhadores

Processos no reino do jogo Em sete meses, a STDM já perdeu mais de 12 processos laborais nos tribunais. A empresa agora terá de desembolsar 3 milhões de patacas para indemnizar ex-empregados que se queixaram de férias não gozadas, desrespeitos a feriados obrigatórios e gorjetas nunca vistas Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) foi condenada a pagar quase três milhões de patacas a antigos funcionários em compensações por feriados obrigatórios, folgas semanais e descansos anuais que nunca foram gozados. À velocidade de quase um processo concluído por cada duas

semanas – desde Março até Julho deste ano –, a operadora mãe da Sociedade de Jogos de Macau, da família do magnata do jogo Stanley Ho, viu serem-lhe aplicadas as decisões pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI). As acusações contra a STDM remontam a 2007, altura do primeiro processo e são, praticamente, todas semelhantes: “‘A’ moveu contra a STDM acção de processo comum de trabalho pedindo a condenação desta no pagamento de XXXXXX patacas como compensação pelos descansos semanais, feriados obrigatórios (remunerados e não remunerados) e descansos anuais não gozados, desde X a X, data em que para a ré começou a trabalhar, até altura em que cessou a relação laboral entre ambos”, pode ler-se no sumário do processo. As datas da relação laboral entre operadora e queixosos e os montantes das compensações são as únicas variações encontradas nos mais de uma dezena de processos a que o Hoje Macau teve acesso. A STDM apresentou recurso de quase todas as decisões do tribunal, alegando que os queixosos não deixaram provado que a empregadora obstou ou negou o gozo dos dias de descanso, que “a aceitação do trabalhador de que aos dias de descanso semanal, anual e em feriados obrigatórios não corresponde qualquer remu-

neração teria, forçosamente, de ser considerada válida”. Os ex-trabalhadores da operadora queixam-se ainda de não terem recebido os montantes correspondentes às “gorjetas” – montante variável recebido pelos funcionários que corresponde a dinheiro dados pelos clientes dos casinos. Em recurso, a STDM frisa que estas “não são parte integrante do conceito de salário”. Pegando no exemplo de um dos processos a que o Hoje Macau teve acesso – de 21 de Julho de 2011 -, o TSI explica porque, entre outros motivos, não foi dado provimento total ao recurso da operadora. É que, conforme explica o relatório do processo, as gorjetas da STDM são vistas como parte integrante do salário a partir do momento em que “pela prática habitual, montantes e forma de distribuição, com eles o trabalhador possa contar”. Mas o acórdão vai mais longe e diz mesmo que “sem essa componente, o trabalhador não se sujeitaria a trabalhar com um salário que, na sua base, é um salário de miséria”. Condenada pela violação dos diferentes tipos de descanso do trabalhador, a operadora de jogo tem de indemnizar – de Abril a Julho deste ano -, pelo menos 11 ex-funcionários. Um deles aguentou mesmo 31 anos a trabalhar para a operadora sem receber qualquer compensação e nenhum dos quei-

xosos trabalhou menos de dez anos para a empresa. No total, e com os juros legais, a operadora vai abrir os cordões à bolsa em 2.913.707 patacas. O TSI deixa firme a posição de que “face à factualidade apurada, não restaram quaisquer dúvidas” de que contrato entre a operadora e os funcionários “é um verdadeiro e puro contrato de trabalho”, pelo que deve ser qualificado como genuíno juridicamente e remunerado com uma retribuição justa.

SEM TANTA SORTE

Um outro trabalhador interpôs um processo contra a operadora exigindo-lhe o pagamento de 742.765 patacas a título de créditos laborais. Mas, neste caso, o colectivo de juízes decidiu absolver a empresa. O ex-funcionário recorreu da decisão ao TSI, em processo datado de 2009. O recorrente começou a trabalhar para a STDM em 1982 e em 2002 despediu-se, tendo assinado contrato em 2003 com a subconcessionária da empresa – a SJM. O ex-funcionário alega ter sido transferido de uma para outra operadora e acredita que com essa transferência “há consequente assunção das responsabilidades” por parte da SJM – e, por isso, interpôs-lhe processo. Para a juíza que analisou o processo, as alegações do ex-funcionário são nulas, uma vez que foi “elaborado novo

contrato de trabalho e consequentes cláusulas diferentes, nomeadamente o salário”. Além disso, frisa o acórdão, o contrato de concessão de jogos entre a RAEM e a SJM não demonstra qualquer assunção de obrigações da parte da STDM para com os trabalhadores e foram, inclusive, assinados contratos novos e independentes. “Não há nenhum fundamento para a condenação da SJM, pelo que ela deve ser absolvida do pedido”, frisa o processo. Mais ainda, segundo o documento de rescisão do contrato de trabalho, traduzido do chinês, os funcionários receberam compensações face a direitos seus, aceitando que nenhuma outra quantia fosse devida – “em linguagem simples, A. deu a quitação da vida”, pode ler-se no relatório do TSI. O ex-funcionário terá pedido a indemnização de montantes maiores e “desconformes”, mesmo depois de assinar a declaração de que recebeu todas as devidas compensações. As alegações do ex-funcionário foram tidas como infundamentadas pelo tribunal , uma vez que o documento de quitação da dívida era totalmente legal. O TSI decidiu manter a decisão inicial, de não condenar a SJM. O Hoje Macau obter reacções da STDM, mas ninguém se mostrou disponível em prestar declarações.


MACAU JÁ RECEBEU MAIS DE TRÊS MILHÕES DE VISITANTES

Macau recebeu 3,1 milhões de visitantes através de agências de viagens no primeiro semestre de 2011 e só em Junho deram entrada mais de 591 mil, um acréscimo de cerca de 21% em relação ao mesmo mês de 2010. De acordo com dados oficiais, em Junho, chegaram a Macau 591.164 visitantes, através de viagens turísticas organizadas por agências, o que representa um aumento de 20,9% face ao mesmo mês de 2010. Para isso contribuiu a subida significativa do número de visitantes do interior da China (435.493 indivíduos, mais 29 %), de Taiwan (33.257, mais 50,1%) e da Coreia do Sul (19.493, mais 65,5%).

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SUCURSAL DE BANCO DE TAIWAN EM MACAU

PROMOTORES SEGURAM VENDAS EM FASE DE PROJECTO

Relações prósperas

Pré-vendas em banho-maria

banco Hua Nan Commercial, com sede em Taiwan, obteve autorização para estabelecer uma sucursal em Macau para o exercício da actividade bancária, refere uma ordem executiva publicada ontem em Boletim Oficial. O aval do Governo de Macau para o estabelecimento da sucursal taiwanesa, que entra em vigor hoje, surge num momento em que o território tem vindo a estreitar as relações com a Formosa. Recentemente, Macau acordou com as autoridades de Taiwan a abertura de uma representação oficial em Taipé, uma aproximação política que foi justificada oficialmente por questões económicas e culturais e que conta com o aval de Pequim, que autorizou um passo semelhante também dado por Hong Kong. Macau prevê criar até ao início de 2012 uma Delegação Económica e Cultural em Taipé, cujas funções incluem nomeadamente a prestação de apoio PUB

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aos residentes que vivem e estudam em Taiwan, bem como a certificação e emissão de documentos. A delegação terá também como missão a promoção da cooperação em áreas como a ciência, saúde ou o combate ao crime e a assistência judicial, além da económica, comercial e cultural. Já Taipé possui desde 1989 uma representação em Macau – o Centro Económico e Cultural –, cuja designação foi, entretanto, alterada para Delegação. Taiwan – a ilha onde se refugiou o antigo governo nacionalista chinês depois do Partido Comunista ter ganho o poder no continente– é vista por Pequim como uma província chinesa e não como uma entidade política soberana. A China defende a “reunificação pacífica”, segundo a fórmula já adoptada em Hong Kong e Macau, “um país, dois sistemas”, mas ameaça “usar a força” se Taiwan declarar a independência, uma decisão que tem vindo a ser discutida naquele país.

Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

A

LGUMAS agências imobiliárias revelaram acreditar que cerca de 30 mil apartamentos estavam em processo de aprovação e que não seriam ainda colocados no mercado.

Além disso, ainda sobre a influência do “Imposto de Selo Especial” e outros factores, há alguns promotores que tinham planeado lançar imóveis à pré-venda no mercado na segunda metade do ano e que estão a reconsiderar. O adiamento desses processos de venda

ainda em fase de projecto é a hipótese mais provável. Alguns agentes imobiliários revelaram haver uma grande quantidade de projectos ainda à espera de aprovação e, devido à baixa pressão do mercado a exigir que o Governo aprove muitos projectos em pouco tempo, os promotores têm de repensar as suas movimentações e ajustarem os seus calendários aos “timings” da procura. A situação actual é, portanto, essa: muitas unidades de habitação à espera de aprovação e baixa pressão no mercado privado. Por outro lado, para os lugares de estacionamento, há uma maior pressão para o decréscimo. As estimativas são de que as mais de 30 mil vagas para estacionar disponíveis possam ter algum impacte sobre o mercado.


vida

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CIGARR

A Sociedade A que faz é vasc Americana do nos primeiros

ANTÓNIO FALCÃO

Peritos investigam poluição no Delta do Rio das Pérol

Crómio a circular livreme U

MA equipa de peritos está a investigar o impacto ecológico da descarga de mais de 5000 toneladas de crómio no Delta do Rio das Pérolas, no sul da China, alegadamente por uma central petroquímica. A investigação, ordenada pelo Ministério dos Recursos Hídricos do Governo de Hong Kong, e conduzida por uma equipa de quatro peritos da Comissão do Delta do Rio das Pérolas, abrange três localizações em Quijing, onde o resíduo terá sido alegadamente lançado há mais de dois meses por uma central petroquímica do distrito de Luliang, caso que só agora foi tornado público, segundo noticiou ontem o jornal “South China Morning Post”.

ALIMENTO CONCENTRA EXCELENTES NUTRIENTES NUM REDUZIDO VOLUME, MAS É ALTAMENTE CALÓRICO

In Público

O

amendoim foi um alimento menosprezado durante muitos anos, ao ser principalmente direccionado para a produção de óleo e sendo apenas ingerido pelas classes mais pobres e pelo gado. O ponto de viragem deu-se na 2ª metade do século XIX quando na Guerra Civil Americana, os soldados tiveram necessidade de recorrer aos amendoins como fonte energética. Desde então que na cultura norte americana o amendoim é pedra basilar seja no acompanhamento de eventos desportivos e demais espectáculos ou na forma da tradicional manteiga de amendoim que ainda não se intrincou nos hábitos alimentares dos portugueses. É de resto interessante constatar que esta popularização da manteiga de amendoim nasceu de uma medida governamental norte americana que substituiu a manteiga tradicional ao pequeno-almoço procurando um aumento da ingestão proteica e subsequentemente a diminuição das carências nutricionais sentidas no início do século XX. E o

amendoim é de facto (até pela sua morfologia) um autêntico alimento – suplemento, isto é, possui uma elevada densidade nutricional ao concentrar num reduzido volume uma quantidade fantástica de nutrientes. Com 100 gramas de amendoins, as necessidades diárias de vitamina B1, B3, B6, E, K, ácido fólico, ferro e zinco ficam totalmente satisfeitas ou em grande percentagem.

O pires de amendoins que é tradicionalmente consumido não chega a estes valores, mas há que ter igualmente em conta que fruto de toda esta riqueza nutricional o amendoim é altamente calórico (quase 600 kcal por 100g) daí que o seu consumo, apesar de benéfico, deverá ser efectuado com alguma parcimónia. A elevada quantidade de

gordura do amendoim (quase 50 por cento da sua constituição) confere-lhe este elevado valor calórico, mas tem igualmente o reverso da medalha pois destes 50 por cento, apenas 8 por cento são relativos a ácidos gordos saturados, estando o amendoim isento de colesterol e gorduras trans, as mais prejudiciais à saúde. Os amendoins possuem igualmente um elevado poder saciante ao aliarem a sua elevada fracção proteica a uma quantidade razoável de fibra e ao seu consumo moderado estão associados menores níveis de colesterol e triglicerídeos tal como um menor risco de desenvolvimento de diabetes tipo II. Concluindo, os amendoins podem quase ser considerados um healthy guilty pleasure juntamente com outros alimentos (café, chocolate negro, bebidas alcoólicas, etc.) que demonstram os seus benefícios para a saúde em quantidades muito moderadas. Assim, da próxima vez que estiver numa esplanada peça apenas uma porção de amendoins e ainda dentro da casca – versões salgadas e torradas com mel são mais guilty do que pleasure.

do Rio das Pérolas, e de oficiais de Qujing terem assegurado que a rede de abastecimento de água na cidade é segura. A contaminação da água terá sido detectada por habitantes que se dedicam à pecuária e que reportaram a morte de cabeças de gado após a ingestão de água dos rios das proximidades. O responsável do governo municipal de Qujing, He Hua, não explicou a demora de dois meses na exposição pública do caso, mas disse que as autoridades chinesas foram informadas das descargas ilegais em Junho e que a contaminação já tinha sido tratada, indicou o “South China Morning Post” ao citar a CNR. De acordo com aquele responsável, as autoridades chinesas garanti-

SUPERIORIDADE NUMÉRICA DO HOMO SAPIENS AJUDOU À EX

Competição ganha por n

A de Amendoim Pedro Carvalho, nutricionista*

A alegada descarga do resíduo tóxico de crómio na província chinesa de Yunnan levantou receios quanto à qualidade da água na província de Guangdong, uma vez que o rio Nanpan, em Qujing, desagua no Delta do Rio das Pérolas, que abastece várias cidades daquela província do sul da China, incluindo Macau e Hong Kong. Os peritos irão recolher amostras de solo e água nos locais onde ocorreram as descargas e nos rios das imediações, avançou a Rádio Nacional da China (CNR na sigla inglesa). A equipa seguiu para o terreno, não obstante as garantias dadas pelos responsáveis de Guangdong de que não tinham sido detectados indícios de contaminação da água do Delta

d n au su ex

in 75 an os d as d d

E

M poucos milénios o Sul da França passou de uma região dominada pelos Neandertais para um território do homem moderno. A superioridade tecnológica e social são argumentos para explicar o fim desta espécie, mas um novo estudo acrescenta uma perspectiva numérica ao processo. Um artigo publicado na revista Science, e citado pelo jornal Público, mostra que existiam dez vezes mais homens modernos do que Neandertais naquela região europeia. Estima-se que há cerca de 45 mil anos os nossos antepassados entraram pela Europa vindos de África. Eram diferentes das populações humanas de Neandertais que há 300 mil anos

proliferavam no clima frio da Europa. O homem moderno tinha uma anatomia diferente, tecnologias novas e provavelmente estabelecia relações sociais diferentes. Em poucos milénios foi substituindo os Neandertais à medida que conquistava o continente. No caso do Sul de França, as populações de Neandertais foram totalmente substituídas pelos humanos em 5000 anos. A ideia de Paul Mellars e de Jennifer C. French – da Universidade de Cambridge, Reino Unido – foi estudar a densidade populacional que existiu naquela região durante este fenómeno, para tentar compreender esta extinção. “Qualquer processo de substituição

p m si m e lo ta re al co tr d v in u fa n d e q an


RO AO ACORDAR DUPLICA HIPÓTESES DE TER UM CANCRO

Americana do Cancro revelou que fumar um cigarro nos primeiros trinta minutos após acordar é o que faz pior à saúde. Se é daqueles que acorda de manhã e a primeira coisa culhar o quarto em busca do isqueiro e do cigarro, é melhor ter cuidado e começar a mudar de hábitos. Pelo menos, é o que diz um grupo de investigadores da Sociedade o Cancro, que passaram os últimos anos a observar cerca de cinco mil fumadores e três mil não fumadores. Os resultados não dão muita margem de manobra: o cigarro fumado trinta minutos após acordar vai dar-lhe o dobro das hipóteses de desenvolver um cancro da cabeça, do pescoço ou dos pulmões, indica o estudo revelado na semana passada.

las

ente ram a compensação dos residentes locais pelas perdas derivadas das descargas e a punição dos responsáveis. Em Macau, o Governo também já garantiu a qualidade da água canalizada. “Em relação ao caso de suspeita de contaminação da água, ocorrido a montante do Rio das Pérolas, confirma-se que a qualidade da água canalizada de Macau mantém-se estável e satisfaz os parâmetros de segurança”, refere uma nota oficial, ao assegurar que “o Governo dispõe (…) de medidas eficazes de detecção e mecanismos de contingência”, para garantir a qualidade e segurança do abastecimento. Segundo os médicos, a ingestão de crómio pode aumentar o risco de cancro e alterações genéticas.

EXTINÇÃO DO NEANDERTAL

números

de populações e de extinção resume-se no final a uma questão de números: o umento da população que invade verus o declínio da população residente”, xplicam os autores no artigo publicado. Para perceber estes números, os nvestigadores definiram uma área de 5.000 quilómetros quadrados e foram nalisar os locais arqueológicos entre s 55.000 e os 35.000 anos. Os sítios que datam entre os 55.000 e 40.000 anos estão ssociados ao Neandertal, os vestígios dos cinco milénios seguintes já foram deixados pelos nossos antepassados. Os cientistas descobriram que da passagem dos Neandertais para os humanos modernos houve um aumento ignificativo dos sítios arqueológicos, maiores áreas de ocupação de cada local uma densidade populacional nesses ocais que era superior aos Neanderais. Este aumento de densidade está eflectido num maior número de restos limentares e de utensílios. De acordo om os autores, esta três factores mosram que a população de humanos modernos que penetrou na região era dez vezes superior aos Neandertais. “Esta nformação indica que isoladamente, uma supremacia numérica terá sido um actor poderoso, ou mesmo esmagador, numa competição directa territorial e demográfica entre os humanos directos os Neandertais”, explicam os autores, que sugerem fazer-se o mesmo tipo de nálise noutras regiões da Europa.

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PALEONTÓLOGOS DESVENDAM CRIATURA ASSOCIADA AO MONSTRO DO LAGO NESS

Fama de monstro, coração de mãe E

M síntese, esse é o retrato que uma dupla de paleontólogos traçou ao analisar um fóssil único: o de uma fêmea de plesiossauro grávida, com 80 milhões de anos. A reputação dos plesiossauros anda manchada desde que esses répteis marinhos da Era dos Dinossauros foram associados ao célebre Monstro do Lago Ness, na Escócia. Faz quase um século que quem acredita na existência do bicho aposta que se trata de uma espécie sobrevivente de plesiossauro. Ninguém nunca provou que Nessie (como o monstro é conhecido) existe mesmo, mas o fóssil estudado pelo argentino Luis Chiappe, do Museu de História Natural de Los Angeles, e Frank O’Keefe, da Universidade Marshall (EUA), mostra que o bicho estava mais para uma baleia do que para um lagarto quando o assunto era ter bebés. Até hoje, ninguém tinha muita certeza sobre o método reprodutivo adoptado pelos plesiossauros. É verdade que os mares da época em que ele viveu estavam cheios

de répteis que não punham ovos e davam à luz dentro de água, mas faltavam dados directos sobre estes animais no registo fóssil. Chiappe e O›Keefe mudaram isso ao resgatar da gaveta um esqueleto descoberto em 1987, no Estado americano do Kansas, mas nunca estudado. O exemplar de Polycotylus latippinus, que teria medido cinco metros quando vivo, estava misturado a uma estranha maçaroca de ossos menores e mais delicados. Os ossos estavam posicionados

“por dentro” do esqueleto principal. Embora a anatomia deles deixe claro que se trata da mesma espécie, o fóssil mais modesto está cheio de cartilagens e possui proporções do corpo que são típicas de um feto. Não há sinais de que o animal mais pequeno tenha sido devorado pelo grande, o que faz com que a hipótese de gravidez seja a mais provável. Mais importante ainda, o bebé é grandalhão. Ele e a mãe morreram antes do fim da gestação, mas os paleontólogos calculam que ele teria alcançado entre 35% e 50% do comprimento da progenitora se tivesse nascido. Essa proporção é fora de série mesmo entre os répteis aquáticos da Era dos Dinossauros, mas está de acordo com o que se vê entre orcas e outros mamíferos aquáticos de grande porte. Dar à luz bebés grandes costuma ser uma estratégia evolutiva típica de espécies que investem muita energia nos filhos, cuidam muito deles mesmo depois do nascimento e formam grupos sociais grandes e estáveis.

Planeta em números

60 minutos é o suficiente para produzir quantidades de lixo semelhantes ao peso de 127 elefantes adultos

Por isso mesmo, o estudo, que está na revista especializada «Science», aposta que o estilo de vida dos plesiossauros (ao menos no caso da espécie estudada) era surpreendentemente parecido com o de baleias, golfinhos «e outros mamíferos marinhos altamente sociais».

Click ecológico BALEIAS EM 30 ANOS • O fotógrafo e pesquisador americano Charles “Flip” Nicklin documentou a vida de baleias durante 30 anos no mundo todo. As suas principais fotos estão no livro recém-lançado “Among Giants, a Life with Whales”. Nicklin é o principal fotógrafo de baleias da revista “National Geographic” e tornou-se especialista em mamíferos marinhos. Durante sua carreira, acompanhou mais de 30 espécies de baleias e golfinhos. As imagens mostram migrações, momentos em que as baleias se alimentam e brincam entre si.


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CULTURA

Feira Asiática das Indústrias Criativas exclui território da lista

Em Macau, mas sem Macau

Tem o patrocínio do Governo da RAEM e chega pela primeira vez ao território. A Feira de Investimento Asiático nas Indústrias Culturais e Criativas e Artes abre portas no Venetian a 30 de Novembro, deixando completamente de fora tudo o que é “made in Macau”. Excepto o dinheiro Vanessa Amaro

vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

D

IZ que é o evento de artes “mais atraente da actualidade” em toda a Ásia e vai acontecer em Macau. A Feira de Investimento Asiático nas Indústrias Culturais e Criativas e Artes, que chega ao Venetian a 30 de Novembro e fica até 2 de Dezembro, está a receber o apoio de três departamentos públicos de Macau, mas não se lembrou de convidar nenhum artista local para integrar o seu painel de exibições. “Estamos mais concentrados em encontrar parcerias na China e em Hong Kong devido também ao interesse dos compradores”, admitiu ao Hoje Macau Joe Chiu, responsável pelo projecto que está nas mãos da empresa Coastal da região vizinha. Os Serviços de Turismo, de Economia e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) não pestanejaram, contudo, em conceder apoios ao evento. Segundo o Turismo de Macau, essa é uma forma de consolidar a vertente

do território como um “destino para o turismo de negócios”. O organismo não quis, porém, revelar quais são as quantias de dinheiro envolvidas na transacção. A organização do evento afirma que escolheu Macau para a iniciativa devido às características únicas de “ligação entre o Ocidente e o Oriente” e a mistura de culturas daí derivadas. Apesar de não ter nenhum talento “made in Macau” previsto, o responsável da Feira assinala que ainda assim há um grande interesse local. “Os jovens artistas são bem-vindos a visitar a Feira, de forma a alargarem os seus horizontes e procurarem oportunidades de cooperação com

pessoas com maior experiência”, justifica Joe Chiu. O responsável frisa que não tem as portas fechadas para galerias de artes locais que gostassem de participar, mas que até ao momento “não teve tempo” de avançar para grandes contactos. A Art for All (AFA) confirma que há alguns meses foi abordada sobre uma eventual participação naquela que a empresa de Hong Kong considera “uma ocasião artística esplêndida”. José Drummond, vice-presidente daAFA, disse ao Hoje Macau que não havia na altura nada de muito concreto. “Eles estão a investir em valores muito tradicionais, mais numa perspectiva

de artesanato do que propriamente arte. Quando falaram connosco, não tinham os objectivos muito claros, não tinham as noções de quanto nos iria custar uma eventual participação”, acrescentou Drummond. Após analisar os participantes já confirmados da exposição – que incluem, por exemplo, o distrito artístico 798 de Pequim ou a Fundação de Protecção de Relíquias da China –, o vice-presidente da AFA acredita que, apesar do título do certame, não há uma verdadeira dinamização da vertente das indústrias culturais e criativas. “É tudo muito confuso”, considera o também artista. Apesar da forte aposta do Execu-

AFA SOMA MAIS QUATRO A Art for All (AFA) já fez chegar a arte contemporânea de Macau a três lugares distintos desde o início do ano. Em 2010, a galeria conseguiu participar em apenas quatro feiras de arte internacional, mas para este ano o plano foi mais ambicioso: sete no total. Depois de passar por Tóquio, Pequim e Taipé, a AFA vai explorar novos mercados até ao fim deste ano. Ainda este mês, de 26 a 29 de Agosto, vai estar presente na “Art Taipei” (Taiwan) com os artistas Sylviye Lei, Lai Sio Kit, Tong Chong, Fortes Pakeong Sequeira e João Ó. Segue-se Xangai, onde Carlos Marreiros, Konstantin Bessmertny e José Drummond assinalam a sua participação no SH Contemporary. Em finais de Outubro, a galeria aterra em Kuala Lumpur (Malásia) para a “Art Expo”. Para fechar o ano, viaja pela primeira vez a Singapura para exibir-se na Affordable Art Fair. “Além disso, a AFA vai inaugurar a nova sala de exposições em Setembro e vai co-organizar o segundo Salão de Outono com a Fundação Oriente em novos moldes. Estamos ainda a trabalhar na segunda edição do VAFA, festival de vídeo arte, e continuamos a aceitar candidaturas para o concurso até ao fim deste mês”, assinala José Drummond, vice-presidente da galeria.

tivo nesse sector, o Instituto Cultural (IC) revelou ao Hoje Macau desconhecer por completo a iniciativa. “Nem sabemos que tipo de evento é esse”, afirmou a porta-voz, Kerria Kuok. A AFA estaria disposta a participar na Feira caso o IC “considerasse-a importante”. “A nossa postura neste caso é semelhante à da participação na MIF [Feira Internacional de Macau] do ano passado. Apesar de serem feiras não dedicadas à arte contemporânea, reconhecemos as oportunidades promocionais, ou outras, que poderão sempre surgir em eventos deste género”, considera José Drummond.

ÁSIA = CHINA

Embora seja um evento “asiático”, até agora apenas participantes chineses confirmaram presença. Contudo, a organização não deixa de frisar que se trata de um certame que engloba todo um continente. “Reconhecemos o potencial de mercado e oferecemos uma excelente plataforma para a arte da região, reunindo toda uma comunidade e a facilitar as transacções entre coleccionadores, curadores, artistas e galerias de toda a Ásia”, frisa a Coastal na página oficial da Feira. “Esperamos ser um destino obrigatório de artistas que queiram expor o seu trabalho e de empresários dispostos a comprar.” Para os interessados em participar, o metro quadrado do quiosque custa 2400 yuans, incluindo tapete, uma mesa, duas cadeiras, um cesto de lixo, dois candeeiros e um outdoor da galeria em inglês e chinês. Para figurar no catálogo da exibição é ainda preciso desembolsar entre 4300 e 19 mil yuans, dependendo do destaque que se quer ter no livro na Feira.


MORREU O DESIGNER DE MODA ESPANHOL JESÚS DEL POZO

O designer de moda espanhol Jesús del Pozo, um dos mais influentes da sua geração em Espanha, morreu no sábado, em Madrid, aos 64 anos, vítima de complicações respiratórias resultantes de um enfisema pulmonar. Apesar de visivelmente frágil nos últimos tempos devido à doença, Jesús del Pozo continuou a trabalhar. Segundo um comunicado da sua empresa, a sua colecção de Primaver/Verão 2012 vai ser apresentada em Setembro na Cibeles Madrid Fashion Week, como estava previsto apesar da morte do criador, cujo estado de saúde se deteriorou na última semana.

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Jovens católicos de Macau reunidos em Madrid entre a fé e o espectáculo

A estrela (não) é ele, Ratzinger Carlos Picassinos info@hojemacau.com.mo

É

a questão recorrente a que o papa tem sido confrontado ao longo dos anos. Qual é a natureza e justificação para o que acontece numa Jornada Mundial da Juventude? Quais são as forças que ali interagem? Desta vez, hoje, no dia de abertura da Jornada de Madrid, a questão não é diferente, e permanece no ar. Quem é a estrela? O papa ou os jovens católicos? Ou Cristo? Para a grande maioria da juventude que ali se reúne, o impulso reside mais na fé e no contacto com peregrinos de todo o mundo do que, propriamente, no carácter espectacular do evento. Mesmo entre os participantes de Macau - uma delegação de cerca de 40 jovens, além dos religiosos e sacerdotes de congregações que também viajaram até à capital espanhola, muitos dos quais se estreiam nesta lides religiosas, - a intenção é sobretudo espiritual. Isto apesar das agendas culturais, de viagens, de eventos sociais paralelos ao acontecimento. Mas a troca de experiências e a possibilidade de ver o pontífice romano preside ao espírito da delegação, como referiu ao Hoje Macau, Tammy Chio, do Centro Diocesano Pastoral da Juventude. Embora, publicamente, os

partir dessas amizades fazer com que, no mundo, surjam lugares de vida na fé que são ao mesmo tempo lugares de esperança e caridade vivida”.

As Jornadas Mundiais da Juventude pretendem gerar amizades e a partir daí fazer com que, no mundo, surjam lugares de vida na fé que são ao mesmo tempo lugares de esperança e caridade vivida, justifica Bento XVI participantes reiterem esta dimensão da festa e do encontro, análises correntes insistem em considerar estas jornadas “como uma variante da moderna cultura juvenil, espécie de festival rock em variante eclesial em que o papa é a estrela. Com mais ou menos fé, estes festivais, no fundo, seriam a mesma coisa” e assim se afastaria a questão eclesial e comunitária. “Existem vozes católicas que seguem esta linha de pensamento considerando a organização como um enorme espectáculo mas de pouco significado para a questão da fé e da presença do Evangelho no nosso tempo. Seriam momentos de um êxtase festivo mas que, no fim de contas, deixariam tudo como antes sem uma influência profunda na vida”. As palavras pertencem ao próprio Bento XVI que, uma e outra vez, se viu confrontado com a necessidade de responder

FRUTOS E PROTESTOS

ao mais cépticos e defender as virtudes deste eventos multidinários dirigidos à juventude do mundo, católica ou não. “A peculiaridade destas jorna-

das e o carácter particular da sua alegria, da sua força criadora enquanto comunhão, não encontram nenhum explicação”, afirmava o pontífice na abertura, há três anos, da JMJ de Sidney, alegando que é preciso ter em conta “o facto das Jornadas Mundiais da Juventude não consistirem, apenas, naquela semana em que se tornam visíveis, publicamente, ao mundo”. “As Jornadas solenes são apenas o culminar de um longo caminho em que uns se encontram com outros e todos se encontram com Cristo. (…) Fazem-se amizades que estimulam um estilo de vida diferente”, sublinhava, “ e que se sustem a partir do mais íntimo”. São iniciativas que “pretendem a

Bento XVI tem marcado um encontro com uma delegação de jovens que contará também com a presença de três oriundos da RAEM

Ainda neste domingo, na oração do Angelus, o papa Bento XVI se referiu à viagem que está prestes a cumprir a Espanha (é esperado depois de amanhã). “A juventude já se está a reunir em Madrid. Muito me alegra ver uma tal quantidade de jovens reunidos e de uma tal diversidade de países”, disse o pontífice, em língua alemã. “Hoje desejo que todos oreis para estes próximos dias possam trazer belos frutos” para todos os participantes do mundo inteiro.” Estas Jornadas estão a ser já marcadas pela polémica e espera-se uma manifestação, amanhã, convocada por grupos laicos e católicos descontentes com a visita do pontífice e os custos que a visita acarreta e que ascendem a cerca de 50 milhões de euros (cerca de 600 milhões de patacas), num país em profunda depressão económica e elevado níveis de desemprego. À imprensa, os responsáveis pela JMJ asseguraram que não estão preocupados com o protesto acusando quem está por detrás dessa convocatória de intolerância e avidez de visibilidade e protagonismo. Os momentos altos desta festa católica estão marcados para o final desta semana e fim-de-semana próximos com a chegada de Bento XVI à praça Cibeles, no centro de Madrid, na próxima quinta-feira, às 19h30 locais, (1h30 da manhã em Macau); depois, na sexta-feira, está prevista a Via Crucis, à mesma hora, 19h30. Já, no sábado a partir das 20h30 locais, decorre uma vigília no aeródromo de Quatro Ventos, nos arredores da cidade, lugar em que o papa pernoita no mesmo recinto que os jovens peregrinos. No dia seguinte, domingo, às 9h30 (15h30 em Macau), encerra-se o encontro com a celebração de uma missa ao ar livre, e mais tarde, ao meio dia, (18 horas em Macau), Bento XVI tem marcado um encontro com uma delegação de jovens que contará também com a presença de três oriundos da RAEM.


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DESPORTO FC Porto já olha concorrentes de cima

Um déjà vu chamado Hulk Dragões venceram e mantêm invencibilidade na primeira jornada da liga. Última derrota foi em 2001 em Alvalade TÉNIS DJOKOVIC CONTINUA A COLECCIONAR TÍTULOS A vitória na final da Rogers Cup sorriu a Novak Djokovic, que conquistou o nono troféu da temporada e se tornou no primeiro tenista a vencer cinco Masters 1000 numa temporada. O sérvio, líder do ranking ATP, confirmou a tendência nos embates com Mardy Fish, com uma sétima vitória diante do norte-americano. Os dois entraram no “court” central do Uniprix Stadium, em Montreal, com objectivos distintos. Novak Djokovic, o número um mundial, procurava dar continuidade a um registo 100 por cento vitorioso: em 2011, ganhou todas as finais que disputou. Por seu lado, o norteamericano, oitavo classificado na tabela ATP, lutava pelo primeiro título Masters 1000 da carreira. Mais que isso, Fish procurava vingar a derrota sofrida diante de Djokovic na única final em que se tinham cruzado. Em 2008, em Indian Wells, Djokovic impôs-se por 6-3 e 6-1. BATISTUTA “CHEGUEI A PEDIR PARA ME CORTAREM A PERNA” Internacional argentino nega estar mal a ponto de não se conseguir aguentar de pé, mas lembra passado difícil. O exinternacional argentino Gabriel Batistuta veio o público reagir às notícias que davam conta de que o ex-futebolista mal se conseguia aguentar de pé, por culpa das lesões sofridas ao longo da carreira. “Agora até jogo ténis. Não posso jogar futebol, correr muito ou fazer piques, mas estou longe do que disseram por aí”, explicou Batistuta. O argentino, contudo, lembra que já teve vários problemas com lesões. “É verdade que tive problemas nos tornozelos quando parei de jogar. Uma vez, cheguei a pedir ao médico para me cortar uma perna, de tantas dores que tinha, mas fui operado há três anos”, contou o ex-craque, agora com 42 anos.

A

probabilidade de ouvir durante os primeiros minutos de um jogo que o encontro está equilibrado e que as duas equipas estão em fase de estudo é sempre muito elevada. No entanto, nos últimos tempos, vimaranenses e dragões defrontaram-se tantas vezes que não vale a pena entrar por aí. O jogo, porém, demonstrou outra coisa. Ao contrário da final da Taça de Portugal e da Supertaça, em que o FC Porto entrou praticamente a marcar, desta vez o equilíbrio marcou o jogo. Manuel Machado demonstrou que tinha aprendido a lição e, como viria a afirmar mais tarde após o jogo, o objectivo era barrar os ataques do FC Porto para depois

sair em transições rápidas. Foi precisamente isso que aconteceu, com uma clara superioridade do FC Porto, especialmente na posse de bola, mas sem remates na direcção da baliza. Varela chegou a ameaçar mas foi preciso esperar pelos 28 minutos para Nilson ser obrigado a fazer a primeira defesa, negando o golo a Kléber. O relvado não ajudava (fazia lembrar o de Alvalade dos velhos tempos) mas a oportunidade do brasileiro abriu o jogo. Na resposta, Barrientos iniciou uma excelente jogada que culminou com um remate de Toscano a obrigar Helton a uma defesa de recurso. O uruguaio contratado ao Racing Montevideo durante o Verão assumiu-se como o principal desequilibrador no final da primeira parte e pouco depois surgiu na cara de Helton com uma grande oportunidade para marcar. Mas falhou. O sinal de aviso acordou novamente o FC Porto e depois de Nilson se ter oposto novamente a Kléber, surgiu o único golo da partida. Sapunaru foi inteligente a vender uma falta sofrida na grande área e Olegário Benquerença comprou. Leonel Olímpio estava com o braço por cima do

ombro do lateral romeno, que aproveitou a oportunidade para cair. Os protestos vimaranenses foram muitos (Manuel Machado elogiou ironicamente “a excelente combinação no golo do FC Porto em que praticamente só se conseguiu ver a bola quando entrou”) mas o penálti acabou mesmo no fundo da baliza, apesar de Nilson ter adivinhado o lado. Na segunda parte, tudo se manteve. O FC Porto tinha a bola mas não criava perigo. Estava submetido a um colete de forças vimaranense que preferia criar perigo com as transições rápidas ou nas bolas paradas. A perder e a precisar de marcar, Manuel Machado arriscou tudo de uma vez e aos 66 minutos fez uma

tripla substituição. Quis refrescar o ataque e começar a assumir o jogo, mas era o FC Porto que continuava a mandar. A intenção era boa mas os três pontos iam mesmo cair para o bolso do FC Porto, garantindo assim a equipa o 40.º encontro consecutivo sem perder para o campeonato. Na estreia de Vítor Pereira, os dragões conseguiram ganhar um dos três jogos em que Villas-Boas tropeçou na época passada. E, tal como em 2010, o FC Porto entra a ganhar fora com um golo de penálti de Hulk (1-0 na Figueira da Foz). As comparações são naturais mas os tempos são outros. E hoje chegará mais um novo capítulo, com o anúncio de Mangala e Defour.

40 MILHÕES DE EUROS PARA O REGRESSO À CATALUNHA

Fábregas reforça o Barcelona O

Arsenal anunciou hoje que chegou a um “princípio de acordo” com o Barcelona para o regresso de Fábregas à Catalunha. Final à vista na grande novela do defeso: Fábregas vai ser jogador do Barcelona na próxima temporada, confirmação dada pelo Arsenal através do seu sítio oficial. “Alcançámos um princípio de acordo com o Barcelona para a mudança de Fábregas para Espanha”, anunciou o clube inglês, embora sem dar mais pormenores sobre o negócio. Para a conclusão da transferência, falta apenas o acordo entre Fábregas e o Barcelona, que deverá estar à distância de uma assinatura. O Arsenal vai encaixar cerca de 40 milhões de euros com a venda do capitão gunner.


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THE FORTUNE BUDDIES [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Chung Shu Kai Com: Eric Tsang, Cho-Iam Wong, Siu Cheung Yuen 14.15, 16.00, 17.45, 21.45

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SALA 2

CARS 2 [A]

RISE OF THE PLANET OF THE APES [B]

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: John Lasseter 14.15, 16.00, 18.00, 19.45

Um filme de: Rupert Wyatt Com: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow 16.00

THE SMURFS [A]

VERTICAIS: 1-Povoação em Oliveira de Azeméis. Pó fino contido na antera das plantas. Rapaz (Pop.). 2-Acompanhes. Lâminas córneas que revestem as extremidades dos dedos. 3-Adorar, idolatrar. Terreiro onde se junta o sal que se tira das marinhas. 4-Sofrimento moral. Solteirona. Conceder. 5-Resistir a. 6-Anual. Bomba, granada. 7-Parte traseira do lar ou da lareira. 8-12 (rom.). Vai para fora. Nome de várias plantas do Brasil e de África. 9-Partidas. Ergas, levantes. 10-Apelido. Ozónio (Pref.). 11-Amerício (s.q.). Mulher. Corifeu.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Velha, gasta. Reclame pela força ou em virtude de um direito. 2-Alga filamentosa das águas doces. Também. 3-Abonavas. 4-O macho e a fêmea. Unidade de pressão. Sufixo (abrev.). 5-Eles. Apertos, embaraços (Fig.). Hipótese. 6-Estar para acontecer ou chegar. Sabor. 7-A pessoa que fala. Anulei. Oh! 8-Nor-nordeste (abrev.). Riba. Árvore de raiz medicinal. 9-Aquele que tem hidrúria. 10-Deixa de andar. Punição. 11-Colocara asas. Retesados.

HORIZONTAIS: 1-USADA. EXIJA. 2-LIMO. A. IDEM. 3-GARANTIAS. 4-PAR. BAR. SUF. 5-OS. TALAS. SE. 6-L. VIR. SAL. M. 7-EU. ABOLI. OE. 8-NNE. ABA. IZA. 9-HIFRURICO. 10-PARA .S. PENA. 11-ASARA. TESOS. VERTICAIS: 1-UL. POLEN. PA. 2-SIGAS. UNHAS. 3-AMAR. V. EIRA. 4-DOR. TIA. DAR. 5-A. ABARBAR. A. 6-ANA. OBUS. 7-E. TRASLAR. T. 8-XII. SAI. IPE. 9-IDAS. L. ICES. 10-JESUS. OZONO. 11-AM. FEMEA. AS.

SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

13

Um filme de: Rupert Wyatt Com: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow 21.45 SALA 3

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição

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REGRAS |

TERÇA-FEIRA 16.8.2011

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:20 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 17:15 Liga Sagres 2011/2011: Guimarães - Porto (Repetição) 19:00 TDM Desporto (Repetição) 19:30 Ganância 20:25 Acontecimentos Históricos 20:30 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 21:45 JK 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 Estado de Graça 00:20 Portugueses pelo Mundo 01:10 Telejornal (Repetição) 01:40 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Gostos e Sabores 15:00 Rumos 15:30 Bombordo – João Sá Pinto – Documentários Marítimos 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Quem Quer Ser Milionário – Alta Pressão 17:45 Resistirei 18:30 A Alma E A Gente 19:00 Estou Lá? – Documentário 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Portugueses Pelo Mundo 23:00 Verão Total - Monchique TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Sesame Street 17:00 Scooby-Doo! Mystery Incorporated 17:30 Bang Goes the Theory 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Football Asia 19:00 Cultural Heritage – The Railroad 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Eat Street 20:30 Desperate Housewives 21:30 Freediving with Killer Whales 22:30 Market Place 22:35 Strike Back 23:35 The CEO Connection 23:40 World Market Update 23:45 News Roundup 00:00 Earth Live and Leading Brands of the World 00:05 Universiade 2011 – Daily Bulletin 00:55 The Pearl Report 01:25 Transworld Sport 02:30 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 12:30 15:30 16:00 19:00 19:30 20:00 21:00 22:00 22:30 23:30

X Games 17 Geico PBA Team Shootout MLB Regular Season 2011 New York Yankees vs. Kansas City Royals (Delay) Baseball Tonight International 2011 (LIVE) Sportscenter Asia Chinese Badminton Super League Highlights Mundialito De Clubes - Beach Soccer Corinthians vs. Seattle Sounders Sportscenter Asia Chinese Badminton Super League Highlights World of Gymnastics 2011

STAR SPORTS 31 13:00 Nanshan China Masters Day 1 H/ls 14:00 (LIVE) Nanshan China Masters Day 2 17:00 Hot Water 2011/12 18:00 Chinese Badminton Super League Highlights 19:00 GP2 Series 2011 21:00 Football Asia 2011/12 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 Le Mans Series Magazine Shows 22:30 Sbk Superbike World Championship 2011 - Highlights 23:00 (Delay) Nanshan China Masters Day 2 H/ls 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 World of Gymnastics 2011 22:30 Golf Focus 2011 23:00 Thailand Open - Highlights Day 4 STAR MOVIES 40 12:45 500 Days Of Summer 14:25 Alvin And The Chipmunks 16:00 The Accidental Husband 17:35 Over The Top 19:15 Robocop 21:00 Deuce Bigalow: Male Gigolo 22:30 Attack Force 00:05 The Clearing HBO 41 12:00 14:00 15:25 17:10 18:40 20:30 22:00 23:40

Boardwalk Empire Airplane! Maid In Manhattan Rocky Iv Something To Talk About Please Give The Positively True Adventures Of The Alleged Texas Cheerleader-Murdering Mom The 19Th Wife

CINEMAX 42 12:45 14:15 16:00 17:30 19:00 20:30 22:00 23:20

Dinocroc Vs Supergator Barb Wire High Noon The Kiss Of The Vampire Death Valley Icarus Wild Things: Diamonds In The Rough The International

MGM CHANNEL 43 12:15 Easy Money 13:45 The Mod Squad 15:30 Babes in Toyland 17:15 Dr. Heckyl and Mr. Hype 19:00 The Rosary Murders

(MCTV 52) Animal Planet 23:00 NICK BAKER’S WEIRD CREATURES

21:00 22:45 00:15

Convict Cowboy For Better or For Worse Getting Even With Dad

DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters 14:00 Toughest Military Jobs 15:00 Extreme Loggers 16:00 Deadliest Catch Season 17:00 Dirty Jobs 18:00 Factory Made 18:30 How Do They Do It Series 19:00 Aircrash Confidential 20:00 Prehistoric Disasters 21:00 Sons Of Guns 22:00 I Shouldn’t BE Alive 23:00 Moments Of Impact 00:00 Sons Of Guns NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 Expedition Wild 16:00 Ancient Megastructures 17:00 Planet Carnivore 20:00 Expedition Wild ANIMAL PLANET 52 13:00 Predators’ Prey 13:30 Fooled By Nature 14:00 Animal Cops Houston 15:00 Operation Wild 15:30 The Pack 16:00 Swamp Brothers 16:30 Snake Crusader With Bruce George 17:00 Nick Baker’s Weird Creatures 18:00 Pandamonium 19:00 The Jeff Corwin Experience 20:00 Predators’ Prey 20:30 Fooled By Nature 21:00 Operation Wild 21:30 The Pack 22:00 Swamp Brothers 22:30 Snake Crusader With Bruce George 23:00 Nick Baker’s Weird Creatures 00:00 Pandamonium BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 Relapse 14:00 Obsessed 15:00 Airline USA 16:00 Freddie Mercury 17:00 Child of Our Time: 2002 18:00 Relapse 19:00 Sell This House 19:30 Rescue Mediums 20:00 Celebrity Ghost Stories 21:00 Robert DeNiro 22:00 Heavy 23:00 Relapse 00:00 Obsessed AXN 62 12:15 13:05 14:00 14:55 15:45 16:35 18:20 19:15 20:10 21:05 22:00 22:55 23:50 00:45

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STAR WORLD 63 12:10 Masterchef Australia 13:35 Hell’s Kitchen 14:30 The Glee Project 16:20 Parenthood 17:15 Got To Dance UK 18:10 How I Met Your Mother 18:35 Masterchef Australia 20:00 Hell’s Kitchen 20:55 The Glee Project 21:50 Glee 22:45 Masterchef Australia 00:05 Hell’s Kitchen

Informação Macau Cable TV


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OPINIÃO ca d er n o d i á r i o Pedro Correia

SEGUNDA, 8 Não falta entre os portugue-

ses quem defenda o chamado “jornalismo de tendência” destinado a catalogar facilmente, em termos políticos e até partidários, os órgãos de informação. Que poriam a sua trincheira política à frente do dever de informar. Este caminho é perigoso para o jornalismo. E julgo nem ser sequer necessário invocar um exemplo extremo, como o da Fox News nos Estados Unidos, para muitos me darem razão. Pôr a prédica política à frente da notícia transforma jornais e televisões em palcos de comícios quando deviam ser essencialmente veículos de informação rigorosa e fidedigna. Já houve tempos em que a imprensa portuguesa era muito mais alinhada em termos partidários. Havia periódicos claramente “de direita” (como O Dia ou O Diabo), um jornal conotadíssimo com o PCP (O Diário) e sucessivos diários alinhados com o PS (República, a Luta e Portugal Hoje). Este modelo de imprensa, felizmente, não vingou entre nós ao níveis dos jornais generalistas. Já na imprensa desportiva o caso é bem diferente: não faltaram nem faltam títulos conotados com o clube X ou Y. O que pode empolgar alguns adeptos mas não prestigia nem enobrece o jornalismo. Gostaria de ver este fenómeno mais dissecado pela sempre atenta entidade reguladora do sector, mas certamente por distracção minha julgo que isso não tem acontecido. Noutros países, com um mercado de leitores muito mais vasto do que o nosso, a cultura jornalística é diferente. Repare-se no que sucede em Espanha: os dois principais títulos da imprensa generalista não escondem a afición pelos partidos do rotativismo institucional. El País, fundado em 1976 por Juan Luis Cebrián como um diário “liberal”, acabou por identificar-se profundamente com o Partido Socialista Operário Espanhol, durante o consulado de Felipe González, e não esconde as suas afinidades com os socialistas. Já El Mundo, que nasceu em 1989 por iniciativa de Pedro

É preciso muita vocação para ser hoje jornalista. E muita sorte também. Caso contrário, os sonhos rapidamente se transformam em pesadelos J. Ramírez, é claramente alinhado com o Partido Popular. Contribuiu para a subida ao poder de José María Aznar (1996-2004) e tem-se batido pelo regresso à Moncloa do PP, hoje sob a liderança de Mariano Rajoy. Leitor assíduo dos dois jornais, verifiquei recentemente que traziam a mesma manchete com uma alteração de pormenor num intervalo de poucos dias. “Camps se rinde” [Camps rende-se] era o título principal do El País a 21 de Julho, aludindo à demissão do presidente da Comunidade Valenciana, o conservador Francisco Camps, imputado num processo de alegado abuso de poder. Esta expressiva manchete reflectia bem a satisfação dos socialistas. Nove dias depois, a 30 de Julho, El Mundo aparece nas bancas com este título garrafal na capa: “Zapatero se rinde” [Zapatero rende-se]. Referia-se ao facto de o chefe do Governo socialista, pressionado pelos próprios camaradas de partido, se ter visto forçado a antecipar de Março de 2012 para 20 de Novembro as próximas legislativas, em que já não será candidato. Também neste caso a manchete surgia como um grito de satisfação. Nesta multiplicação de políticos que se “rendem” alternadamente, ao sabor de conveniências partidárias, questiono-me se a rendição maior não será afinal a da suposta imprensa de referência, hipotecada a interesses que ultrapassam de longe o direito e o dever de informar.

TERÇA, 9 É preciso muita vocação para

ser hoje jornalista. E muita sorte também. Caso contrário, os sonhos rapidamente se transformam em pesadelos. Nos últimos anos conheci muitos estagiários, altamente qualificados, que trariam valor acrescentado ao jornalismo português se tivessem alguma oportunidade real de

entrar no mercado de trabalho. Infelizmente não tiveram - e acabaram por orientar a vida profissional noutras direcções. Na melhor das hipóteses. Noutros casos, talvez a maioria, continuam sem aceder sequer a uma profissão. E não falta também quem emigre. Este é, aliás, um dos maiores dramas de Portugal no nosso tempo: alguns dos nossos melhores valores potenciais, nos quais o Estado investiu muitos anos através do serviço público de educação, acabam por rumar ao estrangeiro por absoluta incapacidade de encontrarem um posto de trabalho digno. Suponho que não há estudos feitos nesta matéria, nem sequer pelo Sindicato dos Jornalistas, mas a taxa de abandono da profissão tem sido elevadíssima e em percentagem sempre crescente. Pelos mais diversos motivos: proletarização das condições de trabalho, perda de direitos laborais, escandalosas assimetrias salariais, degradação contínua do poder de compra comparativamente a outras áreas profissionais, afunilamento das carreiras, ‘pré-reformas’ aos jornalistas a partir dos 50 anos, perpetuação dos falsos recibos verdes a quem cumpre agenda e horário regulares, despedimentos colectivos em manifesta distorção da lei, encerramento iminente ou consumado de diversos títulos jornalísticos. E por aí adiante. Dava para um livro inteiro. Um livro negro.

QUINTA, 11 O Reino Unido a ferro e fogo: as principais cidades do país têm vindo a ser alvo de pilhagens constantes, por bandos de adolescentes, alguns dos quais têm apenas 11 anos. Multiplicam-se nos ecrãs de televisão imagens de centenas de edifícios a arder. São imagens impressionantes: o culto da destruição, da violência pela violência, a “razão” da força impondo-se contra a força da razão. Enquanto alguns teóricos se afadigam

na busca de “motivações” para a “revolta” - incluindo a inevitável “punição” da democracia representativa. Alguns são os mesmos que justificam a repressão desencadeada por regimes ditatoriais contemporâneos, noutras latitudes, contra manifestantes pacíficos que só reclamam liberdade. Cheguei a escutar hoje, a propósito destes actos de violência gratuita, comparações com a revolta anti-Mubarak na praça Tahrir, no Cairo. Há pessoas que persistem em ter as ideias baralhadas e ainda por cima fazem gala disso. Comparar a luta pacífica de cidadãos contra uma ditadura com o vandalismo à solta na mais velha democracia do mundo é pura estupidez. Justificar politicamente actos criminosos é ser conivente com esses crimes. Equiparar revoltas em democracia com actos de rebelião em ditaduras é uma profunda desonestidade intelectual. E vislumbrar gestos “revolucionários” nas pilhagens é de uma ignorância política atroz. Há quem clame que é preciso “compreender” os autores das pilhagens. Eu prefiro “compreender” as vítimas desta violência gratuita. Os saqueadores no Reino Unido estão a roubar postos de trabalho e o ganha-pão a muita gente ao vandalizarem e inutilizarem centenas de estabelecimentos comerciais em várias cidades do país. Choca-me ver gente tão sensível à temática “social” fechar os olhos a esta realidade elementar: sem segurança não existe liberdade. As democracias na década de 20 e de 30 começaram a ceder lugar às ditaduras precisamente por “compreenderem” em excesso os motins de rua. Os incendiários começam por partir lojas de qualquer um. Depois partem só as lojas dos judeus. A seguir marcham em direcção a Roma com camisas negras. Finalmente queimam o Reichstag. “Compreender” a História e as lições que ela nos fornece ajuda a enquadrar melhor tudo isto. E não pode haver posições ambíguas nesta matéria.


A árvore boa dá bons frutos. Não se Padre Manuel Teixeira [1912-2003]

colhem figos nos espinheiros.

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15 à f l or d a p el e

Só já não se escrevem

Helder Fernando

cartas de amor V

EM agora para a praça pública o que andava a ser dito por alguns corredores, por algumas linhas e outras entrelinhas: há comissões parlamentares, com o perdão da palavra, que nunca funcionaram. Parece que se salva da quase total paralisia a Comissão para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas que, segundo o “Ponto Final”, terá sido a única a apresentar um relatório de trabalho durante a sessão legislativa agora terminada. Explicações há várias. O deputado Pereira Coutinho esclarece que a maioria dos deputados, que de uma ou de outra forma pertence ao sector empresarial, está naturalmente mais vocacionada para o que se relaciona com os seus próprios negócios, os quais “muitas vezes envolvem a gestão de terrenos”. Coisa assaz valorizada na RAEM. Por muita ou pouca areia, ela nunca é demais para algumas cabeças. Com os escassos poderes que a Assembleia Legislativa foi contemplada, não se pode esperar muito mais. Refiro-me à areia. Longos caminhos tem a região para percorrer se realmente deseja garantir a integridade no sector público e no privado, confirma a deputada Angela Leong, exigindo, com base no muito badalado relatório do CCAC (à partida, o organismo oficial de combate à corrupção), mais “campanhas de sensibilização”, seja lá o que isto for, desde que não seja uma “campanha” com aquela bonecada apalhaçada e diálogos de fazer chorar e rir ao mesmo tempo as pedras da Grande Muralha e o betão da “strip casino” - (estou a tornar-me fanático destes interessantes e muito finórios internacionalismos tipo “Macau Tower”). Os verdes, aqueles novos engraçados veículos de transporte colectivo de pessoas, continuam a ser a grande atracção: inventam roteiros pela região, vão metendo combustível nas bombas que ficam à mão por toda a cidade e arredores, realizam viagens emocionantes, enfim transmitem emoções novas. Há deputados a sugerir sanções para a companhia. Acho que não, basta cada veículo ser precedido por um ou dois batedores. Já tenho na cabeça um argumento para cinema local que começa precisamente com essa cena, iniciada numa paragem, criada para o filme, colocada na Porta do Entendimento.

Só têm de capinar os acessos antes daquilo cair de vez, ou deslocarem o monumento para outro lado qualquer. Verdadeiramente sensacional é a notícia de que os Serviços de Obras Públicas “detectaram construções ilegais em 36 dos 42 apartamentos do edifício San Tou Seng, na avenida Almirante Lacerda” - “uma situação bastante grave”, declara o organismo. Nada mau como pontapé de saída - desejo eu no meu lado altruísta - para acabar com as ilegalidades crónicas em prédios de habitação de Macau. Vai ter muito que fazer a DSSOPT, pois não acredito que seja somente naquele edifício? Sabe-se lá porquê, ao mencionar a acção humanitária da DSSOPT junto do tal edifício San Tou Seng, veio-me à lembrança o bairro de S. Lázaro, que absurdo. Testemunho de gerações e gerações: Em tantos, porventura em todos os bairros de Macau, também em S. Lázaro há tristes exemplos de construções clandestinas, ilegais, imundas e perigosíssimas, anexadas às construções originais. Grande novidade! Mas agora, depois da

Os verdes, aqueles novos engraçados veículos de transporte colectivo de pessoas, continuam a ser a grande atracção: inventam roteiros pela região, vão metendo combustível nas bombas que ficam à mão por toda a cidade e arredores, realizam viagens emocionantes, enfim transmitem emoções novas. Há deputados a sugerir sanções para a companhia exemplar atitude junto do edifício San Tou Seng na Almirante Lacerda, que não terá sido apenas areia para os olhos, outro patriótico galo canta, e essas perigosas e inaceitáveis clandestinidades vão acabar, olá se vão. Vão ver. Mesmo antes de qualquer hipotética reforma política.

A propósito, quantas gerações, de governados e de governantes, vão passar por esta vida antes da ambicionada reforma política? Acertadamente, o director dos SAFP, fala no desejo de consenso e “apenas depois de um debate racional”. Deve levar mais uns tempos de “estudo” para os decisores chegarem a alguma conclusão - não se sabe se por causa da necessidade do “consenso” se pela necessidade de um “debate racional”. O que é racional é bom. Com a dinâmica habitual, lá se levou a cabo mais uma entusiástica sessão de perguntas e respostas na Assembleia Legislativa. A sessão de leitura foi de novo entusiasmante. O único momento em que alguém levantou verdadeiramente os olhos para perguntar e a outra pessoa para, julgar-se-ia, responder, falhou a resposta. Azar. Pereira Coutinho um dia destes deve recebê-la por escrito, o que também não deixa de ser empolgante. Afinal, só já não se escrevem cartas de amor, as outras... O resto fica para os analistas do empresariado político.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Patrícia Ferreira: Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


c a r t o on

ZANGADOS COM OS EUA

por Steff

FACEBOOK PÁGINA PARA EMPREGOS NO BRASIL Criada no Facebook por um empresário português que vive em São Paulo, a página “Empregos no Brasil para Estrangeiros” reuniu mais de 20 mil seguidores em apenas duas semanas. Do total de membros da comunidade, 90% são portugueses, principalmente jovens entre 25 e 34 anos. Mais da metade dos interessados são mulheres. O empresário David Bernardo, CEO da loja virtual HipXik, disse que montou a página para um teste, mas os primeiros seguidores da comunidade começaram a surgir poucos minutos após a criação, mesmo sem nenhum tipo de divulgação. A inspiração para a experiência surgiu de um problema que Bernardo diz enfrentar: a dificuldade para encontrar profissionais de marketing e de outras áreas relacionadas ao e-commerce no Brasil. INGLATERRA REVISÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou que vai proceder a uma revisão completa das políticas sociais, na sequência dos distúrbios registados na última semana em várias cidades inglesas. Cameron explicou que nas próximas semanas apresentará uma revisão geral do sistema de ensino e de benefícios especiais, admitindo o corte de apoios a alguns manifestantes e suas famílias. O primeiro-ministro britânico insistiu em que os distúrbios, que determinaram mais de 2000 detenções, não tiveram qualquer componente racial nem foram originados por cortes no orçamento ou pela pobreza, resultando, antes, da “má conduta” dos seus autores. ONU VAGAS PARA PORTUGUESES As Nações Unidas recebem até 10 de Setembro ofertas de candidatos portugueses até 32 anos, num concurso internacional de preenchimento de vagas nos departamentos de comunicação, administração e outros. Tal como os países lusófonos Brasil e Angola, Portugal é um dos países incluídos este ano no “Programa de Jovens Profissionais” da ONU, para preenchimento de até 150 posições na organização internacional, segundo disse à Lusa Lynne Goldberg, do departamento de Recursos Humanos da ONU. “Vai haver oportunidades nos departamentos ou gabinetes para pessoas que têm habilitações de jornalismo e cursos de Relações Públicas, Administração Empresarial, Estatística e Assuntos Humanitários, ou relacionados”, adiantou Goldberg em declarações em Nova Iorque.

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ESPANHA MENINA ENCONTRADA VIVA NO LIXO Pais de menina de dois anos foram detidos depois de residentes de Cabezo de Torres, região de Múrcia, terem encontrado a criança a chorar num contentor. O casal suspeito é originário do Norte de África, e a Guardia Civil não adianta mais detalhes sobre o caso. Segundo a imprensa espanhola, a menina estava a chorar, “suada e com o pânico no rosto”, quando foi encontrada por populares, alertados pelo pranto da criança. A vítima encontrava-se sob vários sacos de lixo.

Contrabando em HK | De marisco a electrónicos

Tudo para ganhar dinheiro

A

polícia marítima de Hong Kong apreendeu 507 mil euros em marisco destinado a contrabando no primeiro semestre do ano, um montante três vezes superior ao total registado em 2010, informaram as autoridades locais. O superintendente da polícia marítima, Fung Wai-kin, explicou que o aumento do contrabando de marisco – a maior quantidade importada é de lagosta e ostras – está relacionado com a maior prosperidade económica da China continental que tem resultado no aumento da procura de produtos de luxo, revelou ontem o jornal South China Morning Post. Por outro lado, a taxa de 30% aplicada pela China continental aos preços já elevados do marisco, levou a um aumento da margem de lucro dos contrabandistas. “Agora eles traficam

tudo o que dê lucro. Chegámos a capturar crocodilos”, disse Fung Wai-kin, acrescentando que “algumas pessoas na China continental têm um gosto especial por comida”. Outro responsável da polícia revelou ainda que a procura de marisco cresceu com o aumento do número de visitantes em Shenzhen, no âmbito das Universíadas desportivas mundiais a decorrer naquela cidade vizinha de Hong Kong desde sexta-feira. Segundo Fung Wai-kin, muitos traficantes são antigos pescadores afectados pelo declínio da actividade pesqueira em Hong Kong ao longo das últimas décadas. O tráfico envolve várias gerações da mesma família, justificou o oficial da polícia, ao dar o exemplo que 20 anos depois de ter detido um pai, deteve o filho e neto. Fung Wai-kin disse ainda que barcos com marisco eram encontrados nas águas a oeste de Hong Kong, perto do aeroporto, enquanto os barcos com componentes electrónicas e informáticas eram detectados nas águas de leste. De um modo global, o contrabando cresceu 7% no primeiro semestre de 2011, tendo subido de 28 para 30 casos, mas a polícia de Hong Kong garante estar a envidar esforços para combater o problema. Durante os primeiros seis meses de 2011, foram detidas 26 pessoas e confiscados produtos e bens no valor de 38,9 milhões de dólares de Hong Kong. O valor de marisco contrabandeado no primeiro semestre

ascendeu a 5,64 milhões de dólares de Hong Kong, sendo três vezes superior ao valor total apreendido durante os 12 meses de 2010 (1,83 milhões de dólares de Hong Kong). Além do marisco, as autoridades apreenderam ainda cigarros, cobras vivas, e produtos de medicina tradicional chinesa. Os produtos electrónicos também não escapam ao contrabando. A polícia da província vizinha apreendeu itens avaliados em mais de quatro milhões de dólares de Hong Kong numa operação de combate ao contrabando, que resultou ainda na detenção de um suspeito. De acordo com um comunicado oficial, os funcionários aduaneiros da antiga colónia britânica detectaram, na passada quarta-feira, 13 caixas de bens electrónicos não declarados - como telemóveis, discos rígidos e outros acessórios - dentro de um camião. Neste caso, os produtos, avaliados em cerca de três milhões de dólares de Hong Kong, estavam misturados com outros, procurando passar despercebidos na Alfândega. O condutor do camião, de 45 anos, foi detido. Na noite de sexta-feira, os funcionários alfandegários descobriram contrabandistas a transferirem várias caixas de um carro particular (também apreendido) para uma lancha rápida, mas estes acabariam por se colocar em fuga. No carro ficaram 26 caixas de produtos electrónicos com um valor estimado superior a um milhão de dólares de Hong Kong.

BIRMÂNIA SUU KYI FAZ PRIMEIRA VIAGEM Nove meses depois de ter sido liberta de prisão domiciliária, a opositora birmanesa e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi fez a sua primeira viagem política fora da capital, Rangun. Suu Kyi visitou Bago e Thanetpin, cidades a cerca de 80 quilómetros da capital, para se encontrar com apoiantes e vítimas das cheias. Nos discursos, Suu Kyi apelou à unidade nacional. Mas em resposta a questões sobre uma reaproximação com o Governo, disse que ainda era demasiado cedo para fazer comentários. Esta viagem era vista como um teste. Afinal, tinha sido numa viagem semelhante, em 2003, que a coluna em que seguia a opositora tinha sido atacada, por um grupo que se acredita estar ligado à Junta Militar então no poder, que acabou com vários mortos e um período de prisão domiciliária de sete anos para Suu Kyi.

ZIMBABUÉ VIOLADORAS ROUBAM ESPERMA A polícia do Zimbabué procura um grupo de três mulheres que violou dezenas de homens desde 2010. As autoridades suspeitam que os crimes são cometidos no âmbito de rituais ocultos. Segundo as forças da lei, citadas pelo diário Herald, é difícil quantificar o número de vítimas, havendo registo de vários casos por semana desde 2010. O modo de actuação tem variado. Em alguns casos, mulheres ao volante de automóveis de grande cilindrada oferecem boleia às vítimas, a maioria homens entre os 20 e os 30 anos de idade. Uma vez dentro do carro, o alvo é sedado com um spray. Noutras situações, as vítimas são ameaçadas com armas de fogo. Sob sequestro, os homens podem ser forçados a manter relações sexuais várias vezes, ao longo de vários dias.


Hoje Macau 16 AGO 2011 #2433