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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEGUNDA-FEIRA 16 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4093

MOP$10

VIVE LA FRANCE CENTRAIS

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AVIAÇÃO

A queda do Miss Macau GRANDE PLANO

ARTIGO 23

Ventos de Hong Kong

Porto molhado Três dias de chuva trouxeram de volta as inundações às ruas do Porto Interior. Apesar da presença de Lionel Leong nas operações de limpeza, moradores e lojistas estão resignados perante a inoperância do Governo para resolver a situação.

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

MANIFESTAÇÃO

hojemacau


2 grande plano

16.7.2018 segunda-feira

AVIAÇÃO

O ULTIMO VOO DO ´

FAZ HOJE 70 ANOS QUE DESCOLOU DO PORTO EXTERIOR O PRIMEIRO AVIÃO COMERCIAL A SER

Macau foi palco de um dos capítulos mais negros da história da aviação civil. No dia 16 de Julho de 1948, faz hoje 70 anos, um hidroavião da Cathay Pacific descolou do Porto Exterior e despenhou-se no estuário do Rio das Pérolas, num mergulho fatal para 25 dos 26 passageiros e tripulantes. O único sobrevivente, Wong Yu, personagem principal de uma narrativa digna de filme, ficaria para a história como cúmplice do primeiro sequestro dos anais da aviação comercial

À

S 17h da tarde de 16 de Julho de 1948, a azáfama de passageiros e tripulação do Miss Macau, um hidroavião de uma companhia aérea com apenas dois anos de vida, a Cathay Pacific, preparava-se mais um voo entre Macau e Hong Kong. Às 17h30, o Miss Macau descolava para a sua última e curta viagem, despenhando-se no estuário do Rio das Pérolas cerca de 10 minutos depois de deixar o Porto Exterior. A bordo seguiam três tripulantes e 23 passageiros, entre os quais quatro piratas do ar que acabavam de cometer o primeiro sequestro da história da aviação comercial. A trágica história do Miss Macau envolve várias linhas narrativas num cenário fílmico. O aproveitamento de um território à sombra da Lei Internacional no período do pós-guerra, Macau, onde se fintavam restrições ao comércio de ouro; a falta de segurança na

indústria da aviação comercial, que dava os primeiros passos; e o convívio entre grandes fortunas e o crime organizado num contexto socioeconómico de enorme disparidade de riqueza. À altura, a aviação civil dava os primeiros tímidos saltos em termos de comunicações, ou seja, não havia como entrar em contacto com a aeronave. Como tal, por volta das 19 horas, quando o Miss Macau já devia ter aterrado na ex-colónia britânica, começou a instalar-se entre a equipa de terra da Cathay Pacific a ideia de que algo poderia ter corrido mal. Mas ainda não sabiam que o Miss Macau se havia despenhado e que, por volta das 21h15, um barco de pesca tinha retirado da água uma pessoa inconsciente, que mais tarde se confirmaria ser Wong Yu. Os pescadores levaram o ferido de regresso a Macau e contaram às autoridades que tinham visto um avião despenhar-se sem consegui-

rem, no entanto, dizer exactamente onde o Miss Macau deu um fatal mergulho no estuário do Rio das Pérolas. No dia seguinte, uma equipa de buscas internacional, composta pela guarda marítima de Macau, as autoridades de imigração marítima chinesas e barcos de particulares procuraram o Miss Macau. As operações de busca no ar foram conduzidas por aviões da Força Aérea Real britânica, da Marinha norte-americana e do outro avião da Cathay que tentaram avistar vestígios dos destroços.

PIRATAS DO AR

O primeiro cadáver foi encontrado por um vapor que ligava Hong Kong a Macau, quase dois dias depois do avião se ter despenhado. Os destroços do Miss Macau foram encontrados perto da ilha de Mau Chau, a cerca de 16 quilómetros nordeste de Macau, perto daquela que seria a sua rota normal em direcção a Lantau. Com a descoberta da fuselagem do avião a trama adensou-se, uma vez que foram descobertos cartuchos

Wong Yu recuperando no S. Januário

usados de pistola e corpos com balas. A única pessoa que poderia saber a verdade do que acontecera no final da tarde de 16 de Julho de 1948 estava em recuperação numa cama do Hospital Conde de São Januário, bastante combalido e com a perna e braço direitos fracturados. De forma a arrancar a verdade de Wong Yu, as autoridades policiais de Macau montaram um esquema de vigilância digno de uma peça de teatro. Retiraram todos os doentes da enfermaria onde o suspeito estava internado e substituíram-nos por polícias que, inclusive, recebiam visitas de familiares. Aos poucos a verdade veio ao de cima, depois de um período em que Wong Yu se recusou falar, de acordo com o relato feito no livro “Beyond Lion Rock: The Story of Cathay Pacific Airways”, de Gavin Young. Young refere que Wong Yu demonstrava sinais de incoerência no discurso e que as autoridades escon-

De forma a arrancar a verdade de Wong Yu, as autoridades policiais de Macau montaram um esquema de vigilância digno de uma peça de teatro. Retiraram todos os doentes da enfermaria onde o suspeito estava internado e substituíram-nos por polícias

deram um gravador na sua cama. No entanto, um conhecido gangster da região viria a ser determinante nas investigações, tomando um papel principal no teatro de enfermaria que havia sido montado para levar o pirata a falar. De acordo com o livro “Syd's Last Pirate”, do capitão Charles 'Chic' Eather, que chegou a pilotar o Miss Macau, o gangster cujo nome não é mencionado entrou na enfermaria com um falso ferimento de bala e a sua presença levou a que o pirata se sentisse à vontade para contar o que sabia de forma vaidosa. E assim, veio ao de cima o plano do grupo de piratas, que pretendia desviar o Miss Macau para um lugar remoto, assaltar a carga do avião e os passageiros e pedir resgate aos seus familiares.

PLANO DA GUIA

Eather teceu algumas considerações e detalhes do esquema. “O plano de desviar o Miss Macau foi delineado por Chio Tok, Chio Kei Mun e Chio Cheong, três habitantes da vila de Nam Mun, na costa sudeste da Ilha de Tao Mun”, Doumen, Zhuhai. “Depois de venderem as parcelas de terreno para plantação de arroz, juntaram 3000 dólares HK. Tok, o líder do gang que aprendera a pilotar aviões anfíbios em Manila, desenhou o plano. A ideia era simples, mais do que a sua execução. O grupo de piratas compraria passagens e embarcaria no Miss Macau. Uma vez no ar, passariam à acção subjugando a tripulação, com Tok a assumir o comando da aeronave, enquanto os restantes piratas tomariam conta dos passageiros”, lê-se no livro do piloto da Cathay Pacific. Porém, o esquema tinha duas falhas. Kei Mun era viciado em ópio, o que o tornava pouco fiável e uma vez sequestrado o avião os piratas não


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segunda-feira 16.7.2018

MISS MACAU

SEQUESTRADO POR PIRATAS DO AR

O VIL OURO

Além dos resgates, os piratas tinham em mente a carga transportada no

Miss Macau. Wong Chung-ping, um dos passageiros milionários do voo fatídico, tinha uma fortuna avaliada em cerca de 3 milhões de dólares americanos. O magnata era um dos donos da Hang Shun, uma firma estabelecida em Macau dedicada ao mercado do ouro. De acordo com o jornal Wah Kiu Yat Po, o milionário embarcara no Miss Macau com 3 mil barras de ouro na bagagem.

Alegadamente, o plano terá nascido em casa de uma mulher que hospedou o gang, mais precisamente no nº 39 da Rua Coelho do Amaral, na Colina da Guia, descrito na altura no South China Morning Post como “um famoso bairro de piratas de Macau” No dia 26 de Julho, o jornal China Mail trazia na manchete “Milionários chineses em desastre de avião”, seguido da entrada do texto onde se lia “acto de pirataria confirmado por fontes oficiais”. De acordo com o jornal, teriam embarcado no Miss Macau quatro milionários chineses. A esposa de um deles traria consigo meio milhão de dólares de Hong Kong.

MÃOS LAVADAS

Sem mais nenhum sobrevivente e contando apenas com o relato de Wong Yu, que sempre manteve a teoria de que era apenas uma espécie de guia para os verdadeiros piratas, chegara a hora de se fazer justiça. Um dos primeiros problemas para a

resolução do caso prendeu-se com o facto de nem Macau, nem Hong Kong, terem em vigor legislação que penalizasse pirataria a bordo de uma aeronave. Assim começou a atribulada viagem jurídica de Wong, entalado entre três sistemas legais diferentes. O julgamento do único sobrevivente do Miss Macau estava ILUSTRAÇÃO DOS ACONTECIMENTOS A BORDO

sabiam muito bem para onde o levar. Foi aí que entrou Wong Yu, um agricultor de arroz de 24 anos que vivia na mesma ilha que os restantes cúmplices e que tinha um profundo conhecimento da costa do estuário do Rio das Pérolas. De acordo com o livro de Eather, Wong conhecia a região de Seong Chao “como a palma da sua mão” e fez algumas sugestões de possíveis locais para o hidroavião aterrar e para se levar a cabo as negociações do resgate. E assim, o agricultor juntou-se ao bando na condição de não participar na tomada do avião pela força e caso o desvio do avião desse para o torto, terá ficado acordado que Wong poderia seguir para Hong Kong como um passageiro normal. A sua única função seria guiar o piloto para um local de aterragem, uma vez tomado o Miss Macau. Alegadamente, o plano terá nascido em casa de uma mulher que hospedou o gang, mais precisamente no nº 39 da Rua Coelho do Amaral, na Colina da Guia, descrito na altura no South China Morning Post como “um famoso bairro de piratas de Macau”. No dia do sequestro, depois de uma refeição ligeira, os quatro piratas rumaram à Avenida de Almeida Ribeiro para comprar roupas ao estilo europeu, antes de embarcarem no Miss Macau.

Este tipo de carga preciosa era uma constante a bordo dos poucos voos que o Miss Macau fez. No ano de 1944, o Acordo Bretton Woods era assinado com o objectivo de regular relações monetárias entre os países signatários, em particular o mercado do ouro na sequência do fim da 2ª Grande Guerra Mundial e da tentativa de travar a disseminação de ouro nazi. Hong Kong assinou o acordo, mas Macau ficou de fora, tornando o enclave com administração portuguesa numa Meca para o negócio do metal precioso. A Cathay Pacific aproveitou a oportunidade de negócio e criou a sucursal charter Macao Air Transport Company (Matco), dirigida pelo empresário macaense Pedro José Lobo. A companhia charter tinha ao seu serviço um único avião: o Miss Macau. No final da década de 1940, o ouro chegava a Hong Kong vindo, sobretudo, de Xangai e chegava a Macau para ser vendido e para financiar, entre outras causas, os esforço militares de Chiang Kai-shek na guerra civil chinesa. A oportunidade de negócio levou a que fossem feitas duas viagens diárias entre Macau e Hong Kong, transportando passageiros ou ouro, nunca ambas as coisas ao mesmo tempo.

Um dos primeiros problemas prendeu-se com o facto de Macau e Hong Kong não terem em vigor legislação que penalizasse pirataria a bordo de uma aeronave. Assim começou a atribulada viagem jurídica de Wong, entalado entre três sistemas legais diferentes

marcado para o final de Setembro de 1948, no edifício do Antigo Tribunal. “Em Outubro, o comissário da polícia, Capitão Paletti, informou as autoridades de Hong Kong que Macau estava pronto para entregar o confessado pirata do ar, Wong Yu, para julgamento”. Na altura, foi reportado que Paletti sugeriu que fosse imputado ao antigo agricultor de arroz o crime de homicídio, mas que o Tribunal de Macau se considerou incompetente para julgar o caso por este ter acontecido fora da sua jurisdição, ou seja, o crime havia sido cometido a bordo de uma aeronave de Hong Kong que sobrevoava águas internacionais. A tomada de posição das autoridades portuguesas foi recebida com desagrado na colónia britânica, onde o procurador-geral considerou não admissível as provas para julgar Wong. Pelo meio, também a justiça chinesa se recusou a julgar o pirata envolvido no primeiro sequestro de um voo comercial na história da aviação. Perdido num jurídico triângulo das Bermudas, Wong Yu acabou por ser solto no dia 11 de Junho de 1951, depois de passar três anos preso sem ter sido submetido a julgamento. A partir deste ponto, a história de Wong torna-se difícil de seguir, submergindo algures entre o mito e o relato pouco preciso de múltiplas fontes. Diz-se que foi libertado nas Portas do Cerco e prontamente assassinado pelas autoridades chinesas que na altura decapitavam piratas sem qualquer tipo de julgamento. Terminava assim, em mistério, uma trama digna de um guião de cinema e que colocou Macau na história da aviação civil. Entre as vítimas mortais, as operações de busca conseguiram recuperar os cadáveres de 10 pessoas, três deles os piratas responsáveis pela tragédia. Os restantes corpos nunca foram encontrados e tiveram como local de descanso final as águas do estuário do Rio das Pérolas. João Luz

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TIAGO ALCÂNTARA

EDUCAÇÃO CHEFE DO EXECUTIVO REUNIU COM CHAN MENG KAM

16.7.2018 segunda-feira

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GCS

Chefe do Executivo, Chui Sai On, reuniu na passada sexta-feira com Chan Meng Kam, ex-deputado à Assembleia Legislativa e presidente do Conselho da Universidade da Cidade de Macau (UCM), bem como com o reitor desta instituição privada de ensino superior, Zhang Shu Guang. De acordo com um comunicado oficial, os responsáveis garantiram que a UCM tem vindo a melhorar em termos de qualidade da oferta educativa. O reitor lembrou “a existência do plano de auditoria à qualidade das instituições do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) e que, depois de um ano e meio de avaliação externa por parte de uma instituição com competência internacional para avaliar estabelecimentos de ensino, a Universidade conseguiu a certificação de qualidade”. Recorde-se que a UCM foi uma das beneficiadas aquando da cedência de espaços do antigo campus da Universidade de Macau, na Taipa, tal como o Instituto de Formação Turística, instituição pública de ensino. O Chefe do Executivo “afirmou a enorme satisfação de ver o crescimento gradual desta universidade e espera que continue a progredir”, tendo frisado a necessidade de aperfeiçoamento “do programa pedagógico e melhoria da qualidade do ensino”. No mesmo dia, Chui Sai On teve também um encontro com o director da escola Hou Kong, Iao Tun Ieong. Este frisou a postura patriótica da escola, uma vez que “durante mais de 80 anos de funcionamento manteve o conceito ‘Amar a Pátria, Amar Macau’”. Os dirigentes da escola afirmaram poder “proporcionar serviços educativos à população” na zona A dos novos aterros”, além do “projecto de expansão das actuais instalações, na Taipa”. Há a intenção de “demolir um dos edifícios da escola” para que haja “admissões de mais alunos”, refere um comunicado do Gabinete do Chefe do Executivo.

LEGISLAÇÃO GOVERNO ABERTO A REVISÃO PROFUNDA DE LEI DE MANIFESTAÇÃO

O fim das brincadeiras

Os deputados acabaram de analisar na especialidade as alterações à lei de manifestação que concentra as competências do IACM no CPSP. Contudo, o Executivo já está a pensar numa revisão mais profunda do diploma

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Executivo vai considerar fazer uma revisão profunda da lei que regula o Direito de Reunião e de Manifestação, tendo em conta as decisões do Tribunal de Última Instância sobre o diploma em vigor. A informação foi avançada pelo Presidente da 1.ª comissão permanente, Ho Ion Sang, na sexta-feira, após uma reunião em que foram discutidas na especialidade as alterações ao documento em vigor. “Há quem entenda que se deve aproveitar a oportunidade para fazer uma revisão profunda da lei, também tendo em conta algumas decisões do TUI que foram proferidas sobre a lei em vigor”, afirmou Ho Ion Sang. “O Governo disse que vai dar muita importância a essas questões deliberadas pelo TUI e que vai ouvir as opiniões da população antes da revisão”, acrescentou. Segundo o deputado, não há uma calendarização para a revisão do diploma que regula os direitos

à reunião e manifestação, mas que antes de haver uma proposta de lei terá de haver uma consulta pública. “Tendo em conta que é uma lei que implica os direitos fundamentais dos residentes tem de passar por um consulta pública e tem de haver um consenso da população. O Governo vai ouvir as opiniões das pessoas e os deputados alertaram que é fundamental ter em atenção a questão dos direitos”, sublinhou. Ainda de acordo com Ho Ion Sang os tribunais tem tomado decisões contraditórias em relação à Lei do Direito de Manifestação e Reunião. Uma revisão é vista como a oportunidade ideal para esclarecer estes assuntos.

“No passado, houve planos para manifestações e decisões judiciais do TUI, que segundo algumas opiniões são contraditórias. Por isso sabemos que há espaço para melhorias na lei”, explicou o presidente da comissão. Na altura de dar exemplos de contradições, Ho Ion Sang apontou que há estradas em que os manifestantes podem passar, mas que em outras não. E que o mesmo acontece com espaços, em que por vezes se permite mais do que uma actividade, mas em outras tal não é possível.

PARECER ASSINADO

Na sexta-feira terminou a análise na especialidade das alterações à lei do

“Tendo em conta que é uma lei que implica os direitos fundamentais dos residentes, tem de passar por um consulta pública e tem de haver um consenso da população.” HO ION SANG DEPUTADO

Direito de Reunião e Manifestação. O Governo insiste que as mudanças focam apenas a passagem de competências sobre a autorização para os protestos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) para o Corpo de Polícia de Segurança Pública. Esta foi uma visão com que a maioria dos deputados da comissão concordou, segundo o parecer que resultou dos trabalhos dos deputados, apesar de ter havido outros membros da comissão que “mostraram preocupação com a discricionariedade excessiva do CPSP no processo de execução da lei, com a interpretação extensiva da lei, e com o estabelecimentos de mais restrições face ao sentido literal dos artigos”. Face a estes receios, o Governo destacou que as funções do CPSP também passam por “garantir o exercício dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos”. João Santos Filipe

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segunda-feira 16.7.2018

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revisão da lei relativa à defesa da segurança do Estado, implementada em 2009 e que vem regular o artigo 23 da Lei Básica, é uma consequência das manifestações de independentistas de Hong Kong, ligados ao movimento localista de Joshua Wong e Nathan Law, entre outros. Quem o diz é o jurista António Marques da Silva, jurista que trabalhou na elaboração do diploma. Para ele, a lei não necessita de qualquer revisão, pelo facto de, em nove anos, não se ter registado nenhum caso de atentado à segurança do Estado chinês. “Macau está a sofrer algumas das consequências do que se passa em Hong Kong”, começou por dizer. “Esta é uma lei que se enquadra na normalidade dos países democráticos, que prevê os crimes contra a segurança do Estado mas que sujeita a investigação desses crimes ao Código do Processo Penal e ao julgamento dos tribunais normais. Não cria tribunais especiais nem normas investigatórias especiais.” O projecto de lei, que esteve em consulta pública, dá mais poderes à Polícia Judiciária (PJ) e prevê mesmo a criação de “um organismo de decisões e de execução”. António Marques da Silva recorda que, em muitos países, a fiscalização cabe a “entidades independentes”. “O discurso refere que [estas medidas] são para a prevenção e investigação de crimes. Em Macau a tendência parece ser para dar largas competências à PJ. O problema não são as câmaras ou a recolha de dados, mas sim a utilização que é dada a

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ARTIGO 23 REVISÃO DA LEI É FRUTO DA SITUAÇÃO POLÍTICA DE HONG KONG, DIZ JURISTA

Verdade ou consequência

Para o jurista António Marques da Silva, a revisão da lei relativa à defesa da segurança do Estado acontece por consequência dos acontecimentos políticos de Hong Kong. Marques da Silva, que participou na elaboração da lei, em 2009, teme que os dados dos cidadãos venham a ser utilizados de forma ilegal

“Até pode não haver intenção política para utilizar os dados para fins diversos da investigação criminal, mas não vi até hoje uma garantia de que esses dados não possam ser utilizados, ainda que de forma ilegal, para outros fins” ANTÓNIO MARQUES DA SILVA JURISTA esses dados, para fins alheios à investigação criminal.” O projecto de lei ainda está a ser elaborado pelo Governo, não existindo mais informações a este nível. “Não foi definido e remete-se tudo para a lei de protecção de dados pessoais, mas há sempre acessos indevidos.”

ANG Zhenmin, chefe do departamento jurídico do Gabinete de Ligação em Hong Kong, disse, de acordo com o jornal South China Morning Post, que a Lei Básica que vigora na região vizinha deve ser vista como um complemento à Constituição chinesa e não como um diploma matriz. “A ordem constitucional em Hong Kong deve ser a constituição chinesa como raiz e a Lei Básica como complemento”, disse, referindo-se à decisão da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês de instalar postos de imigração na estação de West Kowloon, no contexto

“Até pode não haver intenção política para utilizar os dados para fins diversos da investigação criminal, mas não vi até hoje uma garantia de que esses dados não possam ser utilizados, ainda que de forma ilegal, para outros fins”, acrescentou o jurista. Esta não é a primeira reacção de receio face à

proposta de revisão da lei por parte de Wong Sio Chak, secretário para a Segurança. Leonel Alves, advogado e ex-deputado, já alertou para os perigos que existem de se criar uma polícia política. “Não se pode descurar as protecções constitucionais que estão na Lei Básica e

Aquilo que interessa

Gabinete de Ligação de HK: Lei Básica “é complemento”

do projecto do comboio de alta velocidade chinês. Wang Zhenmin adiantou ainda que se Hong Kong e Macau procurassem que as autoridades da China seguissem as suas leis “o país ficaria uma confusão”. Ao HM, o jurista António Marques da Silva refere que as duas Leis Básicas foram aprovadas com um propósito, e que Pequim entende esta questão dos postos de imigração como um assunto da defesa do Estado.

“Dizer que a Lei Básica tem de se subordinar em tudo à Constituição chinesa é negar a autonomia das regiões e negar o artigo 5 da Lei Básica [que refere que não se aplica o sistema socialista às duas regiões]”, lembrou o jurista, que acredita existir uma componente política neste discurso. “Obviamente que Hong Kong tem tido muito mais turbulência do que Macau, por isso essa leitura é pertinente. Há uma diferenciação

creio que não há qualquer intenção de não respeitar o quadro legal vigente. Vamos aguardar para ver quais são os inputs técnicos a esse nível que o Governo irá apresentar”, frisou.

RISCOS PARA HONG KONG

Se Macau legislou sobre o artigo 23 em 2009, o mesmo

no discurso. Há uma componente política aliada à defesa.” O discurso da prevalência da Constituição chinesa sobre a Lei Básica de Macau nunca foi proferido pelos responsáveis do Gabinete de Ligação na RAEM porque “Macau não precisa destes avisos”, apontou o analista político Larry So. “Não estou surpreendido com estas declarações. Esta tem sido a resposta padrão para Hong Kong em relação à política ‘Um País, Dois Sistemas’ e ao projecto do comboio de alta velocidade. Penso que não há nenhuma implicação para Macau.” António Marques da Silva adiantou que, na RAEM, o movi-

não aconteceu em Hong Kong, cujas autoridades enfrentaram vários protestos aquando da apresentação da proposta por parte do Executivo da região vizinha. Para António Marques da Silva, Hong Kong corre o risco de enfrentar alterações à sua Lei Básica se nada fizer a este respeito. “Hong Kong está em falta. Pode correr o risco, com legitimidade, da República Popular da China (RPC) incluir num anexo à Lei Básica a lei de segurança interna da China e mandá-la aplicar directamente a Hong Kong.” O jurista acredita que, neste caso, a China não se estaria a imiscuir na autonomia do território. “Uma das obrigações do Governo de Hong Kong, de acordo com o artigo 23, é estabelecer a lei. É ‘Um País, Dois Sistemas”, mas o Estado é uno. Quem está em falta é o Governo de Hong Kong, que contrariamente a Macau não conseguiu regulamentar este artigo porque teve muita oposição e o projecto de lei deles é manifestamente pior do que aquele que foi aprovado em Macau”, rematou Marques da Silva. Andreia Sofia Silva

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mento pró-democrata nunca defendeu a independência de Macau em relação ao continente. “Pequim entenderá que muito do que se passa em Hong Kong tem a ver com a defesa do país, nomeadamente os movimentos independentistas. Embora Macau esteja a sofrer algumas das consequências do que se passa em Hong Kong, o Governo Central tem a verdadeira percepção de que Macau não é um perigo como é Hong Kong porque nunca houve aflorações de movimentos separatistas”, rematou. A.S.S.


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Questões de organização Associação criminosa gera discórdia entre deputados no acesso à profissão de taxista

do passageiro. “A criminalidade organizada tem um conjunto muito grande de situações, algumas podem ter a ver com os perigos para o passageiro”, apontou.

DEPUTADOS CONTRA MEDIDAS

RÓMULO SANTOS

A

LGUNS deputados querem que pessoas que tenham sido condenadas pela prática do crime de associação criminosa fiquem impedidos de conduzir táxis. A questão esteve em debate na última reunião, na sexta-feira, da 3.ª comissão permanente da Assembleia Legislativa, que está a analisar na especialidade a nova lei dos táxis. Segundo a proposta do Governo, as pessoas que tiverem sido julgadas pela prática dolosa de crimes contra a vida, integridade física, liberdade pessoal, liberdade e autodeterminação sexual, crimes contra a propriedade, entre outros, ficam impedidas de aceder o sector. Além disso, ficam também vedados à profissão aqueles que foram punidos com inibição de conduzir nos últimos três anos. Face a este cenário, há um grupo de deputados que defende que é necessário incluir na lista o crime de associação criminosa. “É uma questão que vamos reanalisar. Não fizemos uma análise da questão porque o ponto de partida foi: o motorista quando está a fornecer o serviço está a prestar um serviços público. Por isso, focámos a nossa atenção em incluir os crimes que pudesse acontecer quando uma pessoa se-

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Raimundo do Rosário “Os crimes que estão na proposta são para evitar situações potencialmente menos seguras. A intenção do Governo e dos deputados foi a mesma, não há diferenças”

gue no veículo com o motorista”, explicou Raimundo do Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas, à saída de reunião com os deputados.

“Os crimes que estão na proposta são para evitar situações potencialmente menos seguras. A intenção do Governo e dos deputados foi a mesma, não há diferenças”, acrescentou.

Porém, Raimundo do Rosário anteviu que a inclusão da prática do crime de associação criminosa pode ter um impacto mais profundo, além da garantia da segurança

Contudo, também há no seio da comissão quem ache que se devem manter os critérios de acesso à profissão como estão. Segundo o regime actual, só pessoas que cometeram crimes nos últimos dois anos que as inibiam de conduzir ficam afastadas da profissão. “Há muitos deputados que defendem que deve ser mantido o regime actual, por uma questão de permitir a reinserção social às pessoas que cometeram crimes”, afirmou Vong Hin Fai, presidente da comissão. “Vai ter de haver um avaliação entre bens jurídicos diferente e ponderar o valor da reinserção social e o valor da segurança dos passageiros”, explicou face ao confronto de valores em causa. Confrontado com uma questão sobre o domínio das seitas criminosas no sector dos táxis, Vong Hin Fai respondeu que esta questão merece “muita importância” para os deputados. João Santos Filipe

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URBANISMO SCM COM PLANOS PARA DEMOLIR EDIFÍCIO RAINHA D. LEONOR

Um dia a casa vai abaixo V

ÁRIOS enfermeiros do Hospital Kiang Wu revelaram que o hospital quer exigir a sua demissão antes de se candidatarem a vagas em instituições públicas. A mensagem foi deixada ao deputado pró-democrata Sulu Sou. Os profissionais queixam-se de ter recebido uma mensagem interna que refere que “os enfermeiros só podem apresentar candidatura às vagas nos Serviços de Saúde (SS) depois de entregar carta de demissão”, revela o deputado numa interpelação escrita. De acordo com Sulu Sou, os queixosos querem saber se a exigência tem alguma base legal e estão preocupados com possíveis despedimentos. O hospital alega que nunca fez tais exigências, mas apelou para a apresentação de uma carta de demissão nestas circuntâncias. De acordo com a entidade privada de saúde, o objectivo é “garantir a segurança dos doentes”. Ao Jornal Ou Mun, o hospital adiantou que tem tido muitos profisiosnais de enfermagem a deixar a instituição para irem para os SS e que quer evitar a falta de recursos humanos. O presidente da Associação da Sinergia de Macau, Lam U Tou, considera que caso o Kiang Wu despeça enfermeiros locais sem causa justa, o Governo deve cancelar as quotas oferecidas ao hospital para contratação de trabalhadores não residentes. A sugestão visa limitar o despedimentos de residentes. Por sua vez, o deputado Leong Sun Iok apela ao Governo para que proteja a privacidade dos candidatos a empregos na função pública. Vítor Ng

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SAÚDE KIANG WU QUER DESPEDIR ENFERMEIROS SE ESTES QUISEREM IR PARA OS SS

O Conselho do Planeamento Urbanístico discute esta quarta-feira o plano de demolição do edifício Rainha D. Leonor, propriedade da Santa Casa da Misericórdia. O arquitecto Rui Leão e a deputada Agnes Lam são contra a demolição por estar em causa um edifício de arquitectura moderna que merece ser protegido

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Santa Casa da Misericórdia (SCM) tem intenções de demolir o edifício Rainha D. Leonor, localizado ao lado do Pacapio, embora ainda não exista uma decisão final, uma vez que o Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) irá discutir o projecto esta quarta-feira. Esta é, pelo menos, a vontade do provedor da SCM, António José de Freitas, mas a verdade é que o projecto também tem de ser analisado em assembleia-geral. A vontade de demolir um edifício com mais de meio século de existência, cujo terreno foi concessionado de forma gratuita durante a Administração portuguesa, prende-se com os elevados custos de manutenção.

“Eu, como provedor, sou a favor da demolição, para que se dê um novo aproveitamento ao terreno, mas tem de se realizar uma assembleia-geral primeiro”, disse ao HM. “O edifício está muito degradado e o que nós recebemos mensalmente não compensa os encargos de manutenção que temos, é muito dinheiro por mês. Há 30 anos que deixou de funcionar um elevador, porque já não há elevadores que caibam em caixas tão pequenas. Quando houve o tufão Hato gastamos um bom dinheiro para recuperar aquilo”, adiantou António José de Freitas. Actualmente, o imóvel serve para a habitação e comércio, funções que o novo projecto deverá manter. Ontem a associação Energia Cívica, da depu-

tada Agnes Lam, realizou uma conferência de imprensa para exigir a preservação do edifício, na qual marcou presença o arquitecto Rui Leão, também membro do CPU e onde se acusou a SCM de faltar ao dever de preservação ou manutenção do edifício. Confrontado com estas acusações, António José de Freitas revelou que já muito foi feito pela preservação dos vários edifícios que a SCM possui no território, fruto de inúmeras doações feitas ao longo dos anos. “A SCM tem zelado muito pela história e identidade de muitos prédios que ainda temos. Como exemplo dou o prédio ao lado da Casa de Portugal em Macau e de muitos dos edifícios localizados na avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, bem

como o edifício do Arquivo Histórico. Tudo isso foi propriedade da SCM. Há pessoas especializadas e acho que o CPU tem várias pessoas [para avaliar o projecto]. Respeito a opinião de todos.” De acordo com a Rádio Macau, o edifício faz parte de uma lista internacional de risco, um aviso feito pela associação Docomomo Macau, que entregou um pedido junto do Instituto Cultural para a sua preservação.

CONGLOMERADO MODERNO

Na conferência de imprensa Rui Leão falou do edifício da autoria do arquitecto José Lei que, à época, marcou pela diferença e inovação. Foi dos primeiros a ter elevador e faz parte de um conjunto de edifícios “que inauguraram

o período da arquitectura moderna em Macau”. Para o arquitecto, o edifício Rainha D.Leonor “criou muita inovação em termos de relação entre o interior e o exterior, por isso é que sempre constituiu uma forte presença na cidade”. “A sua integração urbana é muito importante e muito relevante porque a área é uma extensão da avenida Almeida Ribeiro”, acrescentou Rui Leão. O arquitecto acusou ainda a SCM de estar a tentar obter lucros a partir de um terreno cedido de forma gratuita. “É urgente que tenhamos de ter resposta da parte do Governo de Macau para compreender quais são as prioridades, para que não se considerem estes casos apenas da perspectiva do lucro e do imobiliário. Isto é totalmente inaceitável em 2018, deveria ser algo ao abrigo do Plano Director, que está bastante atrasado, e vai destruir a cidade até um ponto irreparável.” “Compreendemos que o edifício pode vir a ter outras utilizações no futuro, mas não no sentido de se permitir que todos possam ter lucros com base numa concessão gratuita. As concessões gratuitas para fins sociais e educacionais deveriam ser respeitadas. Esperamos que o Governo de Macau possa não permitir que estas concessões gratuitas sejam alteradas para gerar lucro”, referiu o arquitecto. Andreia Sofia Silva

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PORTO INTERIOR COMERCIANTES E RESIDENTES RESIGNADOS E SEM CONFIANÇA NO GOVERNO

Quem anda à chuva

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16.7.2018 segunda-feira

Foram precisos apenas três dias de chuva para o cenário se repetir. O Porto Interior voltou a inundar e os moradores e comerciantes já não esperam nada do Governo para melhorar a situação. O IACM visitou o local e justificou o sucedido com a ocorrência de uma maré astronómica

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O ano passado o tufão Hato deixou um rasto de destruição por todo o território. A zona do Porto Interior foi uma das mais afectadas e, na altura, o Governo voltou a prometer medidas para prevenir a situação. No entanto, estes três últimas dias de chuvas, trouxeram o problema do costume e as inundações repetiram-se. A água subiu e comerciantes e residentes só podem mesmo esperar que o mau tempo passe para mais tarde limpar e avaliar os prejuízos. A situação repete-se desde sempre e o Governo já não é credível para estas pessoas que, entretanto, conformadas, tentam improvisar protecções contra a subidas das águas.

SABEDORIA EXECUTIVA

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Chefe do Executivo diz estar muito atento às inundações, tendo ordenado às tutelas do Governo a coordenação dos serviços a fim de reduzir impactos, aponta um comunicado do Gabinete do Chefe do Executivo. Ontem de manhã o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong e o director da Direcção dos Serviços de Economia, Tai Kin Ip, visitaram as PME afectadas no Porto Interior. Também membros da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água e da  Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes foram ontem aos cais do Porto Interior para se inteirar da situação, “considerando que a causa principal das inundações é o nível de água do mar ficar superior ao nível de estrada”, refere o comunicado oficial.

Ng tem um estabelecimento de comércio de peixe seco. À entrada da loja estão algumas tábuas na horizontal para evitar a entrada de água em caso de inundação. Para o comerciante, o Governo, além de não fazer nada, está “cada vez pior no que respeita a evitar as inundações” daquela zona, disse ao HM. A vinda eminente de um tufão é uma preocupação e estes dias foram um alerta para o “pior” que pode vir a acontecer. “Esta chuva já provocou inundações como é que será com a  passagem de um tufão?” questiona.

A CULPA É DA MARÉ

Ng tinha acabado de ser visitado por uma comitiva do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). “Vieram cá explicar a razão das inundações deste fim-de-semana e disseram que era devido à maré astronómica”, disse. No entanto, a proprietária do estabelecimento não concorda com a justificação de tão habituada que está à subidas das águas nesta altura do ano. Desta vez não teve prejuízos, mas a comerciante acha que as inundações são uma repetição e o maior problema está, “como de costume”, nas deficiências estruturais ao nível da drenagem de águas. “Está tudo entupido e não há meios suficientes para se poder escoar a água quando chove ou quando a maré sobe”, referiu.  A uma curta distância do estabelecimento da Ng, está uma loja de materiais eléctricos cujo proprietário preferiu não se identificar. Não usa tábuas para evitar que a água entre no seu estabelecimento, mas construiu um degrau com cerca de 50 centímetros para o efeito. “Foi por isto que as águas este fim-

-de-semana não entraram na loja e não tive prejuízos”, referiu ao HM.

O CONFORMISMO

O proprietário apontou no degrau para uma altura de cerca de 30 cm de modo a ilustrar o ponto onde a água tinha chegado na manhã de ontem. Este homem já não se preocupa com a chegada de tufões. Habituado às inundações frequentes neste período do ano, o responsável pela loja tem um espaço alternativo, “que fica num lugar mais alto onde as água não chegam”. “As medidas aplicadas pelo Governo não melhoraram a situação e as inundações são normais aqui”, rematou. “O Governo não fez nada para evitar as inundações no Porto Interior”, afirmou Zhong, proprietária de uma loja de pneus afectada pela entrada de água.  As preocupações com a vinda de tufões é inevitável. No entanto, o conformismo já se ins-

talou. “Os comerciantes desta zona já estão habituados a esta situação que acontece todos os anos”, referiu. Prosseguindo ao longo do Porto Interior, um outro homem que preferiu não ser identificado, funcionário de um pequeno restaurante entre a ponte 29 e 30, estava de vassoura na mão a limpar o lixo deixado no passeio pelas águas. Indiferente à situação referiu que “é normal”. “Não sei o que se passou, mas o que há a fazer é limpar o lixo que ficou acumulado”, disse. De acordo com os Serviços Me-

“O Governo não fez nada para evitar as inundações no Porto Interior.” ZHONG PROPRIETÁRIA DE UMA LOJA NO PORTO INTERIOR

teorológicos e Geofísicos (DSMG), as inundações no Porto Interior continuam até ao dia de hoje. “Devido à maré astronómica, ocorrerá uma ligeira inundação na área do Porto Interior, das 8h às 14h”, apontou a porta voz dos serviços, Vera Varela, ao HM. Entretanto, o Corpo de Polícia de Segurança Pública já tomou medidas. Segundo a informação dada ao HM, não é possível virar à esquerda na Rua Visconde Paço de Arcos até Avenida de Demetrio Cinatti, indo na direcção do Patane e na Rua Almirante Lacerda não é possível contornar a Rua Dr. Lourenço Pereira Marques. Até ao final do dia de ontem não foram solicitados os serviços dos bombeiros. Sofia Margarida Mota e Vitor Ng info@hojemacau.com.mo


sociedade 9

Costa Nunes Relatório esta semana

TIAGO ALCÂNTARA

segunda-feira 16.7.2018

O relatório acerca do caso de abuso sexual no jardim de infância Costa Nunes vai ser conhecido esta semana. De acordo com o Jornal do Cidadão, a informação foi avançada pela directora substituta dos Serviços de Educação e Juventude, Leong Vai Kei, que revelou que os procedimentos de audiência e de prestação de declaração por escrito do caso foram concluídos.

Eterno retorno

Tribunal de Segunda Instância valida decisões de recuperações de terrenos

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ESMO que a responsabilidade dos atrasos no aproveitamento dos terrenos seja totalmente do Governo, quando terminam os 25 anos do prazo de concessão provisória, a Administração não tem outra solução se não recuperar os lotes de terra em causa. Foi esta a opinião dos juízes do Tribunal de Segunda Instância (TSI), que analisaram os recursos interpostos por três empresas, após o Governo da RAEM ter declarado caducadas mais três concessões. Os casos envolvem as empresas Companhia de Desenvolvimento Imobiliário Hou Lei, Companhia de Investimento e Artesanato de Porcelana Novo Macau e Companhia de Investimentos Polaris por três terrenos em Seac Pai Van, Ká-Hó e Pac On, respectivamente, e as ordens de recuperação tinha sido dados em Março de 2017, Fevereiro de 2017 e Março de 2016. “Indicou o Tribunal Colectivo que, nestes três casos, uma vez que as concessionárias não concluíram o aproveitamento do terreno até o termo do prazo de concessão de 25 anos, e as concessões provisórias do terreno não se podiam tornar em definitivas, o Chefe do Executivo está obrigado

[...] a declarar a caducidade”, consta no comunicado emitido pelos tribunais da RAEM, na passada sexta-feira. “Por isso, a questão quanto à culpa das concessionárias por incumprimento de aproveitamento de terreno não é relevante”, é acrescentado.

DIREITO A COMPENSAÇÃO

Ainda em relação ao despacho de recuperação das três parcelas de terra que ficaram por aproveitar, os tribunais foram claros: “não existe violação dos princípios da boa-fé, da igualdade, da justiça, da imparcialidade e da tutela da confiança, nem falta de audiência prévia ou violação do dever de averiguação”, consideraram. No entanto, a decisão do TSI não é final e as três concessionárias podem recorrer para o Tribunal de Última Instância. Nos casos semelhantes já decididos, o TUI considerou sempre que a Administração actuou dentro da legalidade e do exigido quando recuperou as terras. No entanto, o TUI reservou o direito das concessionárias recorrerem aos tribunais para exigirem que o Governo assuma as suas responsabilidades devido aos atrasos que foram culpa da Administração. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

CASO BANGSIL TJB CONSIDERA PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO À WYNN “IMPROCEDENTE”

De mãos a abanar

O Tribunal Judicial de Base deu razão à Wynn no caso do ex-funcionário de um regulador de jogo filipino que pediu à concessionária uma indemnização na sequência de alegada fuga de informação

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O G E L I O Yu s i Bangsil Jr., antigo funcionário de um regulador de jogo das Filipinas, exigia à Wynn Macau uma indemnização de dez milhões de patacas por danos materiais e não-materiais, por ter sido, alegadamente, prejudicado por uma fuga de informação da concessionária. Contudo, o Tribunal Judicial de Base (TJB) considerou “improcedente” este pedido, soube o HM junto de fonte próxima do processo. A leitura das alegações finais do caso aconteceu em Março. Em causa está um relatório sobre práticas suspeitas que terão sido cometidas pela Wynn, publicado em 2012, nos Estados Unidos, onde consta que um ex-ac-

cionista da concessionária, o japonês Kazuo Okada, teria feito ofertas suspeitas a reguladores filipinos. Um dos nomes referidos neste relatório é o de Rogelio Yusi Bangsil Jr, bem como o da sua esposa e filha. Bangsil sempre alegou que este documento levou à sua saída da empresa reguladora de jogo das Filipinas, a Pagcor. “O autor [do pedido de indemnização] ficou quase remetido a uma lepra social, que teve como fonte a Ré [Wynn], que usou dados que não eram seus. Permitir que uma empresa privada forneça dados pessoais para o fim que quer é um sinal perigosíssimo”, defendeu o advogado de Bangsil, José Leitão. “O relatório não teria sido elaborado se os dados

não tivessem sido facultados pela Ré e se esta tivesse respeitado as regras da RAEM”, acrescentou.

ESPADA E PAREDE

Em 2012, Steve Wynn e o parceiro japonês Kazuo Okada estavam numa luta interna. A publicação do relatório, que foi elaborado pelo ex-investigador do FBI, Louis Freeh, obrigou Okada a vender a sua participação de 30 por cento na operadora de jogo. Por essa razão, o advogado considerou que Bangsil e a família “foram os danos colaterais” de um disputa entre accionistas. “O autor e a família foram peões em guerras societárias. Houve uma erosão significativa das suas vidas pessoais”, destacou. Por outro lado, a defesa de Wynn negou as conse-

quências para a reputação de Bangsil, recordando que o ex-regulador já tinha tido outros problemas e investigações internas por ligações suspeitas a uma operadora coreana. A defesa da Wynn questionou ainda como é que o ex-funcionário do regulador teria capacidade para ter um consumo de 500 mil patacas durante quatros dias passados no hotel da Wynn em Macau, que representava 44 vezes o seu salário mensal. Em relação a este caso, a Wynn Macau foi multada em 20 mil patacas, em Março de 2012, pelo Gabinete de Protecção de Dados Pessoais, devido a duas violações da Lei de Protecção de Dados Pessoais. A.S.S./J.S.F.


10 mundial 2018

Depois de uma primeira parte deprimente da França, quando os jogadores franceses abriram o livro, não houve Croácia para tanto talento

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UAS décadas depois de derrotar a selecção brasileira, a França voltou a levantar o mais cobiçado troféu do planeta. A equipa, comandada por Didier Deschamps, campeão como jogador em 1998, ganhou 4 a 2 à Croácia na final deste domingo, no Estádio Luzhnikí, em Moscovo, e igualou Argentina e Uruguai como detentora de dois títulos mundiais. Agora, a França só está atrás do Brasil, com as suas cinco conquistas, e Alemanha e Itália, com quatro cada, no rol de maiores vencedores de Mundiais. Os franceses ainda deixaram para trás Espanha e Inglaterra, ambas com uma taça, enquanto a Croácia precisa de se contentar com o vice-campeonato, a sua melhor campanha em Mundiais. Em 1998, havia sido terceira classificada, posto hoje ocupado pela Bélgica. Para superar os croatas, a França teve a mesma prudência das fases anteriores deste

ALGUM HAZARD

Mundial. Suportou a pressão inicial da equipa adversária e viu-se a vencer com um golo na própria baliza de Mandzukic. Absorveu o empate, que veio com Perisic, e voltou a ficar à frente ainda no primeiro tempo, com um penálti convertido por Griezmann. Na segunda parte, Pogba e Mbappé transformaram o triunfo em goleada, e Mandzukic descontou numa falha feia do guarda-redes Lloris.

16.7.2018 segunda-feira

A qualidade n FRANÇA BATE CROÁCIA (4-2) E SAGRA-SE CAMPEÃ DO MUNDO PELA SEGUNDA VEZ

POLÉMICAS E GOLOS

A Croácia rejeitou o jogo estudado nos primeiros minutos da final do Mundial. Vinda de três prolongamentos, a equipa dirigida por Zlatko Dalic aproveitou o fôlego inicial para partir para cima da França, aparentemente surpreendida pela postura da selecção adversária. Os franceses, no entanto, não mudaram o estilo que marcou a sua campanha no Mundial. Com um jogo cauteloso desde a fase de grupos, a equipe de Didier Deschamps teve paciência para conter o ímpeto da Croácia e, aos poucos, começar a se soltar no campo. Aos 17 minutos, a França abalou, de facto, os croatas. Griezmann sofreu uma falta na ponta direita, bastante contestada pela selecção adversária, e apresentou-se para marcar. Levantou a bola na área, onde Mandzukic, protagonista de lance infeliz contra a Bélgica, cabeceou para marcar na própria baliza. Com a vantagem no marcador, a claque francesa passou a cantar ainda mais alto no Estádio Luzhnikí, sobrepondo-se à maioria croata. Dentro de campo, o país campeão mundial de 1998

também parecia que tiraria proveito do momento para se impor diante da finalista inédita de Copas do Mundo. A superioridade francesa, contudo, durou dez minutos.

Aos 27 minutos, Modric bateu uma falta ensaiada, pondo a bola para o lado direito da área. Mandzukic e Rebic desviaram pelo alto até Vida escorar para Perisic. O jogador do Internazionale

cortou para a esquerda para se desvencilhar de Kanté e chutou forte e cruzado para empatar o jogo. A França reagiu. Aos 35 minutos, Griezmann

bateu um canto da direita, e Perisic tocou a bola com o braço ao afastar para a linha de fundo. O árbitro argentino Néstor Pitana já havia assinalado novo canto quando

classificação de sempre em campeonatos do mundo, superando o quarto lugar obtido em 1986, no México. Além do ‘bronze’, Eden Hazard fez nova excelente exibição e reforçou a sua candidatura a melhor jogador do torneio, algo que mesmo assim deve cair para um francês ou croata. Por seu lado, a Inglaterra regressa a casa com o quarto lugar, após um encontro em que Gareth Southgate optou por mudar meia equipa, algo que acabou por resultar a favor da Bélgica, que foi claramente a melhor equipa em campo. Mesmo tendo ficado em branco, Harry Kane já não

deverá ver fugir o prémio do melhor marcador da prova, com seis golos. Só um ‘hat-trick’ dos franceses Griezmann ou Mbappé ou um impensável ‘poker’ dos croatas Modric, Perisic ou Mandzukic poderá impedir o avançado inglês de ficar na história da competição. Ao contrário da Inglatera, a selecção belga manteve a sua equipa base, com destaque apenas para a entrada de Tielemans e o regresso de Meunier, que tinha faltado ao confronto com os franceses nas ‘meias’. Por seu lado, Southgate fez descansar nomes como Alli, Lingard, Henderson, Walker e Young.

Bélgica despede-se com a melhor classificação de sempre

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Bélgica garantiu no sábado o terceiro lugar do Mundial2018 de futebol e alcançou a sua melhor participação de sempre, após bater por 2-0 a Inglaterra, que já tinha a ‘cabeça’ na viagem de regresso a casa. Em São Petersburgo, Munier, aos quatro minutos, e Eden Hazard, aos 82, fizeram os golos da selecção belga, que alcança assim um prémio que serve de consolação à meia-final perdida com a França. Apesar do sabor amargo que não poder disputar a final de domingo, a Bélgica vai sair da Rússia com a sua melhor


mundial 2018 11

segunda-feira 16.7.2018

não se discute o adversário e recolocou a sua nação à frente no marcador.

GOLEADA TÍMIDA

começou a ser convencido pelos protestos de Matuidi, que viu o lance, a consultar o VAR. Pitana, então, correu em direcção ao monitor instalado

à beira da relva. Demorou, mas assinalou penálti a favor da França. Griezmann, o homem das bolas paradas, ignorou a movimentação provocativa de Subasic, deslocou

Com mais de 60% de posse de bola no primeiro tempo, a Croácia iniciou a segunda parte sem alterações, na esperança de que seria recompensada pela ofensividade. A França, como tinha feito na semifinal a ponto de enervar a Bélgica, não teve vergonha de se fechar e ficar armada para os contra-ataques. O primeiro susto por meio de contra-ataque ocorreu aos seis minutos. O astro Mbappé, apagado até então, foi lançado por Pogba e acelerou pela direita, perseguido por Vida. Só parou quando Subasic surgiu diante dele para fazer a defesa, em lance tão veloz quanto um grupo de adeptos que invadiu o campo pouco depois. Embora a estratégia já tivesse mostrado potencial, a França resolveu se precaver também defensivamente, trocando Kanté, que tinha cartão amarelo, por N’Zonzi. Já Pogba, mesmo com algumas falhas na marcação, permaneceu no campo. Para a alegria dos franceses. Aos 13 minutos, Pogba fez mais um lançamento

para Mbappé, que, desta vez, cruzou quando chegou à linha de fundo direita. Griezmann reteve a bola e rodou para trás, onde já tinha chegado o homem do Manchester United. Pogba finalizou forte e ficou com o ressalto. Na segunda tentativa, acertou em cheio na rede. A França assumiu o controlo a partir de então. Abatida, a Croácia dava sinais de ter enfim acusado o desgaste físico, deixando a bola mais tempo nos pés dos franceses. Aos 19 minutos, Mbappé desferiu novo golpe ao ter espaço para concluir rasteiro de fora da área. Subasic, que nem esticou o braço, aceitou. O quarto golo fez a França relaxar. Até demais. Aos 23, Varane passou a bola para Lloris, que, cheio de confiança, tentou fintar Mandzukic. Não conseguiu. O avançado croata agiu com firmeza e mandou a bola para dentro da baliza, desta vez a favor do seu país. Diminuir a considerável vantagem francesa fez a Croácia reavivar as suas esperanças, mas não tanto. Bem protegida, agora com Tolisso e Fekir nos lugares de Matuidi e Giroud, a França sabia administrar a partida, apenas à espera do momento de levantar, em 15 de Julho de 2018, o troféu que Zinedine Zidane conquistou em 12 de Julho de 1998.

FACTOS DIVERSOS...

O Kane dos golos

O inglês Harry Kane terminou o Mundial de futebol de 2018 como melhor marcador, ao totalizar seis golos, mais dois do que Cristiano Ronaldo, Denis Cheryshev, Romelu Lukaku, Antoine Griezmann e Kylian Mbappé. Harry Kane, que repetiu o registo de há quatro anos do colombiano James Rodríguez, tornou-se o segundo inglês a conquistar a ‘coroa’ de ‘rei’ dos goleadores, sucedendo a Gary Lineker, o melhor em 1986, no México, também com seis ten-

tos. O avançado do Tottenham, segundo melhor marcador da ‘Premier League’ em 2017/18, com 30 golos, contra 32 do egípcio Mohamed Salah (Liverpool), marcou dois golos à Tunísia e três ao Panamá, na fase de grupos, e um à Colômbia, nos oitavos de final. Em termos colectivos, a Bélgica, que contou com quatro golos de Lukaku e três de Eden Hazard, acabou com o melhor ataque, com 16 golos, contra 14 dos dois finalistas, a França e a Croácia.

Os campeões ANO CAMPEÃO 2018 França 2014 Alemanha 2010 Espanha 2006 Itália 2002 Brasil 1998 França 1994 Brasil 1990 RFA

Como é habitual, o jogo de atribuição de terceiro e quarto lugar, o tal encontro que nenhuma selecção quer disputar, teve uma baixa intensidade, com as duas equipas a darem espaços, algo que a Bélgica aproveitou para cedo chegar ao golo. Aos quatro minutos, Meunier apareceu completamente solto na área, após centro de Chadli na esquerda, e com facilidade bateu Pickford. A primeira parte foi praticamente da Bélgica, com Eden Hazard e Kevin de Bruyne a trabalharem para Lukaku apanhar Kane no topo da lista dos melhores

marcadores, mas o avançado esteve completamente desastrado. O avançado do Manchester United, que precisava de pelo menos dois golos para empatar com o inglês, foi substituído a meio da segunda parte. Após o intervalo, a Inglaterra regressou ao relvado com Rashford e Lingard no ‘onze’ e passou a ter mais bola, embora sem conseguir assustar devidamente o guarda-redes Courtois. Só aos 70 minutos é que os ingleses estiveram perto do empate, através de Eric Dier, antigo jogador do Sporting,

que apareceu isolado e ‘picou’ a bola por cima do guardião belga, acabando Alderweireld, seu companheiro no Tottenham, por impedir o golo com um corte em cima da linha. Esse lance fez acordar a Bélgica, que ficou perto do segundo golo, novamente por Meunier, num lance com grande defesa de Pickford. Aos 82 minutos, o guarda-redes do Everton nada conseguiu fazer perante Hazard, que apareceu isolado e confirmou o triunfo belga, após belo passe de de Bruyne.

1986 Argentina 1982 Itália 1978 Argentina 1974 RFA 1970 Brasil 1966 Inglaterra 1962 Brasil 1958 Brasil 1954 RFA 1950 Uruguai 1938 Itália 1934 Itália 1930 Uruguai


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16.7.2018 segunda-feira

2.º e último aviso de remoção dos veículos abandonados Companhia de Gestão Imobiliária Rainbow, Limitada (doravante “Rainbow”), na qualidade de entidade gestora do auto-silo na cave do Campo dos Operários nas Portas do Cerco, vem, na sequência dos avisos anteriormente publicados, e pela última vez avisar todos os proprietários e eventuais interessados nos veículos abaixo identificados e que se encontram estacionados, desde 24 de Agosto de 2017, na cave do referido auto-silo, em infracção ao disposto no artigo 35.º (Estacionamento abusivo em lugares na via pública) e artigo 36.º (Estacionamento abusivo nos auto-silos), ambos do Regulamento Administrativo n.º 35/2003 da RAEM (Serviço Público de Parques de Estacionamento) que, após o decurso do prazo de 20 dias contados a partir da data de publicação deste aviso, irá, sem qualquer outro aviso proceder por sua iniciativa à remoção dos veículos que permaneçam ilegalmente estacionados na cave do referido auto silo, dando-lhes o destino que livremente considerar mais adequado, procedendo de seguida, contra os referidos proprietários à reclamação judicial de todas as despesas resultantes da sua remoção e, bem assim, de todos os prejuízos e lucros cessantes que a situação acima referida lhe causou. Números das chapas de matrícula dos veículos: MG-22-48 MG-22-75 MH-27-13 MH-44-71 MH-61-29 MH-75-37 MH-79-84 MH-80-38 MH-91-53 MH-96-45 MH-98-12 MI-19-14 MI-28-03 MI-55-45 MI-62-18 MI-62-83 MI-63-28 MI-66-32 MI-77-46 MI-90-97 MI-93-76 MJ-19-60 MJ-24-18 MJ-41-18 MJ-43-37 MJ-57-02 MJ-67-86 MJ-70-92 MJ-79-83 MJ-91-65 MJ-93-98 MJ-95-21 MK-11-05 MK-31-10 MK-50-01 MK-54-07 MK-77-57 MK-79-84 MK-83-07 MK-83-16 ML-27-00 ML-27-31 ML-36-80 ML-43-31 ML-49-45 ML-49-68 ML-58-43 ML-64-57 ML-66-35 ML-76-22 MM-39-45 MM-41-88 MM-52-42 MM-61-70 MN-27-66 MN-27-78 MN-34-41 MN-35-41 MN-70-19 MN-99-35 MO-29-15 MO-57-04 MO-65-06 MO-94-45 MP-13-65 MP-27-09 MP-37-87 MP-38-65 MP-57-27 MP-66-35 MP-87-71 MP-91-48 MP-99-82 MQ-30-86 MQ-60-28 MQ-69-16 MQ-96-57 MR-23-43 MR-27-97 MR-86-10 MS-37-05 MS-65-56 MS-99-97 MT-31-63 MT-45-30 MT-55-79 MT-58-46 MT-64-95 MT-67-69 MT-87-45 MT-94-14 MU-38-25 MU-56-36 MU-63-46 MU-69-92 MW-42-52 MW-46-96 粵Z473澳 Para consultas, poderão telefonar para: 2843 8985. Macau, ** de Julho de 2018 Companhia de Gestão Imobiliária Rainbow, Limitada

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 29 de Junho de 2018 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação da prestação do serviço de organização da “Parada de Celebração do Ano Novo Chinês do ano 2019”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo: http://industry.macaotourism.gov.mo, e fazer “download” do mesmo. A Sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 16 de Julho de 2018. O limite máximo do valor global da prestação deste serviço é de MOP18.000.000,00 (dezoito milhões patacas) Critérios de adjudicação e factores de ponderação:

Critérios de adjudicação Preço Coordenação do serviço: - Concepção do “design”, tema e programa da Parada - Plano de coordenação - Plano e desenho de organização das actividades - Número de pessoal necessário para a prestação do serviço Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço - Informações sobre os equipamentos a serem utilizados - Plantas e desenhos da colocação dos equipamentos e dos materiais de decoração (“design” do padrão e planta das localizações) - Plano de produção dos materiais de decoração - Plano de montagem e desmontagem Experiência e competência técnica do concorrente

Factores de ponderação 20% 30%

30%

20%

Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 27 de Agosto de 2018, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM ou, alternativamente, em inglês, prestar a caução provisória de MOP360.000,00 (trezentas e sessenta mil patacas), mediante: 1) depósito em numerário à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 28 de Agosto de 2018. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. A Directora Maria Helena de Senna Fernandes 6 / 7 / 2018


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segunda-feira 16.7.2018

MÚSICA BEETHOVEN A FECHAR TEMPORADA DA ORQUESTRA DE MACAU

Sinfonia final A Orquestra de Macau está prestes a terminar mais uma temporada e este ano o concerto escolhido para assinalar a data foi a Sinfonia N.º 9 de Beethoven. O evento tem lugar no Centro Cultural de Macau a 28 de Julho

“É um exemplo perfeito de como Beethoven transformou a sinfonia tradicional numa forma de arte altamente dramática e filosófica.”

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Orquestra de Macau (OM) vai apresentar o “Concerto de Encerramento da Temporada 2017-18 - Sinfonia N.º 9 de Beethoven” no dia 28 de Julho, às 20h. O evento que fecha esta temporada de concertos tem lugar no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau. Sob a batuta do director musical, Lu Jia, a OM convidou vários músicos chineses conhecidos no mundo da música clássica internacional e o Coro Filarmónico de Taipé para apresentar “esta obra-prima”, refere o comunicado oficial. De acordo com organização, “a Sinfonia N.º 9, Op. 125 de Beethoven é considerada como a única obra com a classificação máxima em termos de influência histórica, importância artística e popularidade.” A Op. 125 é constituída por quatro andamentos criados entre 1818 e 1824

exemplo perfeito de como Beethoven transformou a sinfonia tradicional numa forma de arte altamente dramática e filosófica e também a primeira vez em que um grande compositor utiliza a voz humana numa sinfonia puramente instrumental”, aponta o mesmo comunicado do IC. Para este concerto, a OM convidou jovens chineses. Dos intérpretes convidados fazem parte a soprano Yuanming Song, a meio-soprano Niu Shasha, o tenor Shi Yijie e o baixo Guan Zhijing que, em conjunto com a interpretação vocal do Coro Filarmónico de Taipé, proporcionarão um final “perfeito da temporada da OM 2017-18”.

e é a última sinfonia completa composta por Beethoven.

VOZ SINFÓNICA

A Sinfonia N.º 9 foi criada quando o compositor já se encontrava

praticamente surdo e a entrar em fase tardia de composição, “um período em que mostra os seus dotes, ao mesmo tempo profundo, exploratório e experimental”, aponta a organização. “É um

Está ainda agendada uma sessão pré-concerto na Sala de Conferências do Centro Cultural de Macau, entre as 19h e as 19h30 na mesma noite, na qual Lu Jia irá explicar o que está por trás da Sinfonia n.º 9. O objectivo é “permitir ao público melhor apreciar e entender o concerto”. Os bilhetes para o “Concerto de Encerramento da Temporada 2017-18 - Sinfonia N.º 9 de Beethoven” encontram-se à venda na Bilheteira Online de Macau, com valores entre as 150 e as 400 patacas

MÚSICA ADAMO EM LISBOA NO MÊS DE OUTUBRO

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cantor Adamo, de 74 anos, intérprete de êxitos como “Tombe la Neige”, actua no dia 25 de Outubro no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O cantor, nascido em Itália, e que celebrizou canções como “La nuit” ou “Dolce Paola”, tem mais de 50 anos de carreira artística e vendeu mais de 100 milhões de discos, segundo o seu ‘site’ oficial. O intérprete de “Mes mains

sur tes hanches” regressa a Portugal 14 anos depois de ter actuado no Casino de Espinho em Abril de 2004. Na ocasião, em declarações à agência Lusa, a realizadora de rádio Mafalda Costa salientou o facto de muitas das suas canções serem “reconhecidas e muito pedidas pelos ouvintes”, mas também “o seu lado político que teve alguma influência na intelectualidade portuguesa”.

A ligação de Adamo a Portugal reforça-se também, na opinião de Mafalda Costa, “por Amália Rodrigues, em Paris, ter cantado ‘Inch´Allah’”, que também gravou. A fadista recorda nas suas memórias que depois de ter cantado a canção, Adamo lhe enviou um telegrama de parabéns afirmando que lhe tinha dado um dramatismo que nunca conseguira. Em Novembro de 2003 foi editado em Portugal um

duplo CD de canções suas, “C´est ma vie”, e em Outubro de 2005, o triplo CD “Platinum Collection” com 60 canções todas remasterizadas e ainda os inéditos “Bonsaï” e “Je suis seul”, da sua autoria, gravados nesse ano, pela Capitol Music Belgium. Adamo está actualmente em digressão por França, onde a 29 de Setembro actua na “Foire du Dauphine”, em Romans-sur-Isère.

Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Cinema Scarlett Johansson desistiu de papel transexual

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actriz norte-americana Scarlett Johansson desistiu de interpretar um transexual no filme “Rub e Tug”, depois de a sua escolha para o papel ter gerado polémica, anunciou a própria, numa entrevista. A actriz, de 33 anos, tinha sido escolhida para encarnar a personagem principal do filme que retrata a vida de Dante “Tex” Gill, proprietário de um salão de massagens e proxeneta que se tornaria uma das grandes figuras do crime americano nos anos 1970 e 1980 . Nascido Lois Jean Gill, a personagem identificava-se e queria ser identificado, no entanto, como um homem. “Tendo em conta as recentes questões éticas levantadas depois de ter sido escolhida para interpretar Dante Tex Gill, decidi retirar-me respeitosamente do projecto”, disse Scarlett Johansson à revista OUT. E acrescentou: “a nossa compreensão cultural sobre as pessoas transexuais continuar a progredir, eu aprendi muito sobre essa comunidade desde o anúncio do meu ´casting´ e percebi que era desagradável”. A escolha de Scarlett Johansson para o papel causou polémica nas redes sociais, com as actrizes transgénero Trace Lysette e Jamie Clayton a liderarem as críticas aos produtores do filme por não darem uma oportunidade a um representante da comunidade trans.


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16.7.2018 segunda-feira

CULTURA ENTRETENIMENTO CHINÊS CHEGA A MILHÕES DE AFRICANOS

A grande expansão Com uma indústria de cinema que ultrapassa já o número de espectadores que os filmes de Hollywood atraem, a China aumenta a exportação de produtos de entretenimento para África, desafiando as narrativas tipicamente ocidentais

empresa controlada pela família do ex-Presidente moçambicano Armando Guebuza. "Para trabalhar em África é preciso ter boas ligações", admite Lily Meng. "Ou então é muito difícil obter licença para transmitir". No seu portal electrónico oficial, o grupo StarTimes compromete-se a "fazer com que todas as famílias africanas disfrutem de televisão digital por um custo acessível". Meng explica que os objectivos da empresa passam por "divulgar a cultura chinesa" enquanto assegura um modelo de negócio sustentável. "Temos apoio político para transmitir conteúdo chinês em África, mas não somos uma empresa estatal", clarifica. "Fazemos estudos de medição de audiências e escolhemos os conteúdos em conjunto com os colegas africanos. Precisamos de garantir que os nossos clientes estão satisfeitos e continuam a pagar pelo nosso serviço", descreve a responsável.

CARGA IDEOLÓGICA

O português Samuel Gomes, que desde há um ano trabalha na dobragem e revisão de conteúdos da StarTimes, define as séries, filmes

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A nova zona de desenvolvimento de Daxing, a quase 30 quilómetros do centro de Pequim, um grupo de nigerianos, tanzanianos e togoleses, envergando trajes tradicionais, acorrem pela manhã a um moderno complexo de edifícios envidraçados. Inaugurado em 2012, o complexo é composto por quatro prédios administrativos, um bloco de dormitórios e um pátio tradicio-

nal chinês, ligado por um extenso sistema de corredores que abre para diferentes jardins. Trata-se da sede da StarTimes, empresa de telecomunicações privada chinesa que ao longo dos últimos 15 anos apoiou dezenas de países africanos na transição de televisão analógica para digital, garantido o acesso das casas do continente a conteúdo audiovisual chinês. "Já temos 50 milhões de utilizadores em África", diz à agência

Lusa Lily Meng, vice-directora-geral do departamento de média do grupo, que está encarregue da dobragem de conteúdos audiovisuais para português, inglês, francês, mas também línguas regionais como haúça, suaíli ou iorubá. Em Moçambique, o único país de língua oficial portuguesa onde está presente, o grupo estabeleceu a StarTimes Media, uma ‘joint-venture' com a Focus 21,

AIR CHINA COPILOTO SUSPEITO DE FUMAR CAUSOU QUEDA DE MAIS DE 7.500 METROS

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queda a pique do avião num voo da Air China, durante dez minutos, esta semana, deveu-se a um erro do copiloto, que estava a fumar um cigarro electrónico, divulgaram as autoridades. Investigações preliminares revelam que o copiloto tentou, sem avisar o piloto, desligar o ventilador de circulação do ar, para evitar que o fumo chegasse à cabine. "No entanto, terá por engano desligado o aparelho de ar condicionado que estava ao

lado, resultando em oxigénio insuficiente na cabine e um alerta de altitude", afirmou um responsável da Administração Civil da China, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. "Estamos a investigar as causas em pormenor. Caso se confirmem as suspeitas, vamos actuar de acordo com a lei e as regulações e lidar com esta questão de forma rigorosa", acrescentou. Fumar é expressamente proibido em voos comerciais, incluindo cigarros electrónicos.

Na terça-feira, meia hora depois do voo CA106 ter partido de Hong Kong, com 153 passageiros a bordo, as máscaras de oxigénio caíram do tecto do avião, que imediatamente desceu mais de 7.500 metros em dez minutos. O avião, um Boeing 737, recuperou depois a altitude e voou em segurança até ao destino final, a cidade de Dalian, no nordeste da China. Não foram reportados feridos entre os passageiros ou danos no avião.

“Já temos 50 milhões de utilizadores em África”, diz à agência Lusa Lily Meng, da StarTimes, que está encarregue da dobragem de conteúdos audiovisuais para português, inglês, francês, mas também línguas regionais como haúça, suaíli ou iorubá

e documentários difundidos pelo grupo como "propaganda cultural". "Noto muito a vontade da StarTimes em difundir a cultura chinesa em África e estabelecer uma ponte para negócios", resume. Dani Madrid-Morales, um pós-doutorado pela City University, de Hong Kong, que fez pesquisa sobre a StarTimes, considera, porém, que o grupo "tem uma enorme componente ideológica". "Os conteúdos seleccionados mostram uma China urbana, próspera: uma China não controversa", diz. Pequim, que há muito se queixa que as empresas ocidentais dominam o discurso global e alimentam preconceitos contra o país, investiu nos últimos anos milhares de milhões de dólares para convencer o mundo de que a China é um sucesso político e cultural. A agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, por exemplo, conta já com 180 delegações além-fronteiras. Criado em 2004, o departamento de português da agência emprega, só em Pequim, 16 pessoas, incluindo quatro brasileiros. Também a versão digital do Diário do Povo, o órgão central do Partido Comunista Chinês, tem um serviço em língua portuguesa. No entanto, o mais antigo serviço noticioso em português da República Popular arrancou em 1960 na Rádio Internacional da China. Naquela altura, a política externa chinesa era guiada pela defesa do internacionalismo proletário e Pequim "apoiava os países africanos na luta contra o imperialismo", nomeadamente Angola e Moçambique. Hoje, o país asiático é o maior parceiro comercial de África. Só em 2015, as trocas comerciais somaram 145 mil milhões de euros. João Pimenta Lusa

Sichuan Detenções após explosão que fez 19 mortos

Várias pessoas foram detidas por supostamente estarem ligadas à explosão numa fábrica de produtos químicos na província de Sichuan, no sudoeste da China, que causou 19 mortes e 12 feridos, informou a agência de notícias estatal Xinhua. As primeiras investigações indicam que na fábrica da empresa Hengda, que produz principalmente produtos químicos, estavam a ser efectuadas obras ilegais que não tinham passado pelos controles de segurança e incêndio necessários. A forte detonação abalou as instalações, compostas por três edifícios de três andares, que pertencem à Yibin Hengda Technology, que produz químicos para as indústrias alimentar e farmacêutica. As autoridades, que não detalharam o número de pessoas que foram detidas, ainda estão a investigar o incidente.

Economia Empréstimos atingem recorde

Os bancos chineses concederam um valor recorde em empréstimos em yuan, durante o primeiro semestre do ano, num total de 9,03 biliões (1,16 biliões de euros), segundo dados divulgados pelo Banco do Povo chinês. Em Junho, os novos empréstimos superaram 1,8 biliões de yuan, depois de em Maio se terem fixado em 1,1 biliões, detalhou o banco central chinês. No final do mês passado, o balanço dos empréstimos pendentes (em yuan ou em outras divisas), na China, totalizava 134,8 biliões de yuan (17,3 biliões de euros), um aumento homólogo de 12,1 por cento.


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segunda-feira 16.7.2018

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a reunificação de Taiwan com a China faz parte do “imparável rumo da história”, levando o Governo taiwanês a apelar a este que respeite a vontade popular

X

I reuniu-se com Lien Chan, o antigo vice-Presidente taiwanês, que dirige agora o partido de oposição e pró-Pequim Kuomintang, e a quem reafirmou a sua confiança numa reunificação pacífica. "Enquanto corrigimos as coordenadas históricas e agarramos com firmeza o leme, o rumo do desenvolvimento pacífico e da reunificação pacífica seguirá vitorioso", afirmou o líder chinês, citado pela imprensa oficial. O Governo taiwanês reagiu com um

TAIWAN XI JINPING DIZ QUE REUNIFICAÇÃO É IMPARÁVEL

Princípio da inevitabilidade “Enquanto corrigimos as coordenadas históricas e agarramos com firmeza o leme, o rumo do desenvolvimento pacífico e da reunificação pacífica seguirá vitorioso.”

apelo a Xi para que aceite a realidade e respeite a vontade popular da ilha. Taipé vai manter a actual situação pacífica e não deixará de defender a soberania taiwanesa, assegurou Qiu Chui-zheng, porta-voz do Conselho para os Assuntos da China Continental. Qiu afirmou que a China deve reduzir as suas "acções negativas" contra Taiwan, que estão a afectar as relações, e resolver as suas diferenças com Taipé por via da comunicação e sem intimidações.

XI JINPING

PONTO DE VIRAGEM

Pequim cortou os mecanismos de diálogo com Taipé desde a eleição da Presidente Tsai Ing-wen do Partido Democrático Progressista, pró-independência, em 2016, e só aceita voltar atrás se a líder taiwanesa declarar que a ilha é parte da China. Lien fez, em 2005, uma histórica visita a Pequim, num período de tensão entre o regime comunista e o governo pró-independência de Chen Shui-bian, e conseguiu vários acordos com o então Presidente chinês, Hu Jintao, que foram implementados após o Kuomintang regressar ao poder, em 2008. China e Taiwan vivem como dois territórios autó-

nomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana. Desde o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que decorreu em Outubro passado, que as incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo taiwanês se intensificaram, levando analistas a considerarem como cada vez mais provável que a China invada Taiwan.

COREIA DO NORTE COMPROMISSO COM DESNUCLEARIZAÇÃO

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M responsável chinês reafirmou ontem o compromisso de Pequim com a desnuclearização da península coreana, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter sugerido que a China poderá interferir nas conversações entre Pyongyang e Washington. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Kong Xuanyou, disse em conferência de imprensa que a China e os EUA têm "mantido uma comunicação e coordenação próximas" na questão da península coreana. Ao reconhecer que "não vai ser um processo fácil", Kong disse acreditar que se o diálogo for sincero e feito com base no respeito mútuo e igualdade, "todas

as questões encontrarão resposta". Na segunda-feira, Trump escreveu na rede social Twitter que a China "talvez esteja a exercer pressão negativa" sobre a Coreia do Norte, devido às crescentes disputas comerciais com os EUA, acrescentando: "espero que não!". Entretanto, o porta-voz da Administração-Geral das Alfândegas da China, Huang Songping, garantiu que Pequim "está a implementar consistentemente" as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU contra a Coreia do Norte, relativamente ao programa nuclear e de mísseis. De acordo com os últimos dados oficiais, as importações chinesas oriundas da Coreia do Norte caíram

92,6 por cento, em Junho, em relação ao mesmo mês do ano passado. As exportações de petróleo e de outros bens, da China para a Coreia do Norte, recuaram 40,6 por cento, durante o mesmo período. As alfândegas chinesas não indicaram os valores envolvidos nas trocas comerciais entre os dois países em Junho, e divulgaram apenas as variações homólogas. Nos primeiros seis meses do ano, as importações chinesas da Coreia do Norte caíram 88,7 por cento, relativamente ao mesmo período de 2017, para 690 milhões de yuan (88 milhões de euros). As exportações recuaram 43,1 por cento, para 6,4 mil milhões de yuan (823 milhões de euros).

NATALIDADE NÚMERO DE NASCIMENTOS DIMINUIU ENTRE 2016 E 2017

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número de nascimentos na China diminuiu 3,2 por cento entre 2016 e 2017, segundo dados divulgados ontem pela Comissão Nacional de Saúde citados pela imprensa estatal. Em 2016, o primeiro após o fim da política do filho único, os números apontavam para 18,46 milhões de nascimentos, com um aumento de 11,5 por cento em relação a 2015. Agora, em 2017, registou-se o nascimento de 17,58 milhões de bebés, sendo que 51 por cento não eram filhos únicos. O Governo chinês eliminou a política do filho único a 1 de Janeiro de 2016 para combater o envelhecimento demográfico e permitiu que as

famílias tivessem dois filhos. No entanto, apesar do aumento inicial no primeiro ano, a desaceleração em 2017 e os números relativos ao primeiro semestre de 2018 estão a levar as autoridades a ponderar eliminar todos os limites de nascimento, de acordo com notícias publicadas pelos 'media' chineses, algo que pode acontecer já este ano. Após o fim da política do filho único, que foi introduzida em 1979, os nascimentos não aumentaram como o esperado pelas autoridades devido ao alto custo para as famílias com a habitação nas grandes cidades e serviços relacionados com a educação ou a saúde.


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16.7.2018 segunda-feira

Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas, Nem as flores senão flores. Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Lugar de observador

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ICHAEL Biberstein (1948-2013) começou por utilizar a linguagem conceptual contemporânea para interrogar o lugar do observador através do uso de formas lineares que se repetem mimeticamente no espaço da exposição e no espaço limitado de uma tela. Artista suíço-americano que foi viver para o Alandroal, junto da fronteira de Portugal com Espanha, o seu percurso biográfico parece sublinhar essa preocupação inicial. O seu interesse pela espacialidade evoluiria para outros cruzamentos nomeadamente para o questionamento da paisagem dialogando com a história da pintura e interrogando o próprio sentido da paisagem não já como um campo referencial exterior mas lugar de afirmação do sublime, manifesto numa proposta de pintura imersiva. Essa evolução conduzi-lo-ia à utilização de barras negras a que chamava praedellas, uma expressão utilizada nas pinturas religiosas tardo-medievais e renascentistas que se refere aos frisos narrativos colocados na base de grandes temas como sublinhado ou alusão. Seria a primeira vez que a sua obra tocava o universo religioso. Ele, que não se reconhecia religioso, acabaria por executar a sua obra mais extensa – um projecto que não chegou a ver terminado um «céu» no tecto da igreja de Santa Isabel, em Lisboa. Essa aproximação, porventura não desejada ao universo religioso torna ainda mais sedutora a linha de pensamento que vem encontrando ecos da obra de Biberstein, na sua reflexão sobre a paisagem, com a pintura oriental. Nomeadamente a pintura chinesa que já foi descrita, entre outros por Simon Leys, como uma espécie de «religião dos Chineses». Essa semelhança, a forma como está organizado o espaço visual, é bem reconhecível por exemplo na monumental pintura de Fan Kuan (c.960-c.1030), «Viajantes entre montanhas e rios» que está no Museu do Palácio Nacional em Taipé. O pintor de Huayan, reconhecido por Guo Ruoxu como «modelo de cem gerações», possuiria uma personalidade perceptível nesta famosa pintura: diz-se que viveu sozinho, isolado nas montanhas. Seria de uma severidade à antiga, e de sua natureza procurava o vinho e o amor pela via do Dao. A ordem racional e a precisão estrutural da pintura entendida como um reflexo da sua visão cósmica neo-confuciana. Características marcadamente originais da pintura da China. E no entanto nos grandes quadros de Biberstein, que se percebem como campos visuais e que se constituem a si mesmos como paisagem e não já como representação de uma paisagem, pode existir uma afinidade com a obra de Fan Kuan que precede a obra realizada. Blaise Pascal identificou a infelicidade humana com a incapacidade de saber estar num lugar. Fan Kuan, tal como o artista contemporâneo, talvez tenha contrariado essa dificuldade trabalhando com o tempo, através da contemplação.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

segunda-feira 16.7.2018

Amélia Vieira

L

Á para o Mar Egeu ergueu-se algures um monumento tão descomunal que parecia a metáfora mais conseguida da megalomania humana - isso mesmo - um colosso de 33 metros de comprimento. De pé a pé ia a convergência de três civilizações, pois que aos descendentes de Hércules pertencia o domínio entre o mar e a terra (no entanto, a imagem mítica será mais do fantástico medieval) seja como for, sabe-se que existiu e que um terramoto a fez desaparecer no ano de 226a.c: “para ti, ó Sol, o povo dórico de Rodes ergueu esta estátua de bronze que alcança o Olimpo... ele acende a linda tocha da liberdade e independência”. O deus de bronze de Rodes! Longe estamos do Bezerro de Ouro, que de tão lendário, não foi menos corruptível, os metais fundiam-se para erguer estátuas que tivessem a dimensão sagrada de uma consagração metalúrgica, pois que sem essa poderosa alquimia as leis da sustentação seriam inexistentes, e, sem a altura de uma construção ficaríamos à escala horizontal dos dias, sem a visão da grandeza galvanizadora. Partimos para Rodes como para uma profecia, para o seu «OVO» - um poema extraordinário, para o seu deus, um deus extraordinário, para o seu mar, um mar extraordinário - afinal, é aí que os deuses moram. Porque escolheram eles o azul cobalto ao verde musgo atlântico, o sol do meio-dia à luz do ocaso, a seca garrigue à luxuriante flora? Porque os deuses são caprichosos, são colossais, gostam de cegar ao sol olhando do cimo, gostam de testar os nossos limites perante o fascínio que temos pela grandeza. Provocam a devoção e o martírio, e de tanto os olharmos, nossos olhos são de pedra.

O Colosso de Rodes Quando petrificados avançamos à sua sombra resolvem ir embora com um grau de convulsão tamanha, que arrasam torres e homens, e argamassam sangue com pó mineral e deles contam nos seus mundos como foi. Não é em vão que queremos que tenham face humana, erguer de fachos, imensidão... depois da linha do horizonte no nosso espectro astral não há mais nada. Estas cidades representadas por estátuas monumentais têm segredos que não convém lembrar, até porque são segredos, imitam o propósito colectivo, mas quase todas sucumbirão num mar qualquer e passarão para a memória lendária quando os tempos se desfizerem. O facto de a maior parte estar erguida ao pé do mar, de um rio, indica a vaidade dos guardiões que olham as cidades, o seu lago narcísico, que o céu fica um pouco mais distante. Esteve de pé cerca de 50 anos e simbolizava a vitória dos gregos contra os macedónios, contra outro grande, Alexandre, e parece tudo ainda maior quando a escala é mais pequena, sem dúvida, mas o sonho mantém-se intacto, apenas mudando, claro está, a própria escala. Ainda hoje o sonho primário de um qualquer político é fazer uma coisa que o perpetue pela grandeza do betão, é uma função que implica testosterona e a capacidade de expansão a ela implícita...o mais alto, o maior, o mais poderoso! Uma ambição «Ájax».

No entanto, creio chegado o tempo em que a conquista do andrógino, esse ser mais evoluído do que este arquétipo espermicida ( cai, levanta, vai, entontece...) abrirá talvez caminho a uma mais vasta harmonia ambiental, há que pensar na atmosfera das coisas a curto prazo, ou ficaremos submersos pelos muitos que somos, sem espaço para quedas do tamanho dos Colossos. Nós todos empilhados daremos um regalo em altura para o mais megalómano, expansionista, desmesurado deus da extravagância: nós somos o labor, os escravos levantando cultos, e de tão in(cultos) andamos contentes como os inteligentes. É considerada a sétima maravilha do mundo, depois da sexta, e a sua inutilidade nem era assim tão grande, o farol na mão indicava às embarcações nocturnas o rumo certo. Pesa 70 toneladas e sendo a sétima em maravilha, quem diz que os Anões não eram os seus mestres obreiros? Muita coisa esconde o reino encantado, mas neste instante só sinto os afogados que tombam aos milhares naquele mar e os magros “gigantes” a Ocidente tão letais quanto as águas do Mediterrânio, e não há estátua que se erga do tamanho da dor humana, da dor, em suma. Não tarda haverá uma só estátua no mundo, e tão grande - super Colosso de um só rosto, que não sendo ainda ninguém, se anuncia como uma onda de chumbo. Nós fomos descuidados, não plantámos os nossos jardins, não

Não tarda haverá uma só estátua no mundo, e tão grande - super Colosso - de um só rosto, que não sendo ainda ninguém, se anuncia como uma onda de chumbo

olhámos as nossas flores, não tratámos os nossos dias, não fomos o Ovo de Rodes, preferimos o Colosso. E ele que até era cego e não nos conhecia, fez-se real, é o nosso sol. É uma estrela fria e silenciosa como o gelo. Carés, o seu arquitecto, suicidou-se por falta de reconhecimento público, Deus suicidou-se por falta de reconhecimento nosso, nós, não reconhecemos os criadores, e, como tal, inventámos criativos que fazem das obras transfigurações, figurações... Os obreiros são “maçons” sacristãos são “sacristões” os Templos são côncavos, e a corrida ao ouro das Ordens é um mito contemporâneo. Se não resolvermos em poucas décadas o gigante pustulento do Capitalismo agreste, não se erguerão mais estátuas, nem outras construções; será consumida a Terra e derrubado tudo à superfície - o caminho da Ilha - talvez como a de Rodes, a Utopia, perder-se-á para sempre. — Fatigado e gigante coração da Terra, espera mais um pouco....! — Nem tudo é agora de sal, nem todos desfazemos os nossos sonhos apenas com um olhar... não, nem todos! Por vezes são precisas forças tais que o aterro dos dias fica um sepulcro muito frio enquanto agora mesmo o Sol nasce, nasce grande, saúda o tempo. E por vezes a resistência dos materiais vence enfim. Não há mais segredos, nem mais estátuas. Uma Cidade nova pode nascer. Temos ainda no tecido cerebral uma membrana que vê essa cidade de Cristal, aquela cuja energia se elevou e onde a matéria tem outras associações. Todos a contemplamos, e se todos a projectarmos com urgência não tarda nos encontramos lá. Vai ser um gosto voltar a vê-los.


18 (f)utilidades TEMPO

16.7.2018 segunda-feira

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

V CICLO DE CINEMA CREDDM - “THE GIRL WITH THE DRAGON TATTOO" Casa Garden | 19h30

MIN

24

MAX

30

HUM

75-98%

EURO

9.44

BAHT

Quarta-feira

V CICLO DE CINEMA CREDDM - "FIREWALL" Casa Garden | 19h30

Quinta-feira

CONCERTO COM CHAI KEFU X CHON CHAN Live Music Association | Das 21h00 às 00h00

Sexta-feira

CONCERTO “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA ASSOCIAÇÃO ELITE” Fundação Rui Cunha | 18h00

EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande Praça – MGM | Até 9/9 EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9 EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” Armazém do Boi | Até 9/9 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” Art Garden | Até 9/9

15

EXPOSIÇÃO “CHAPAS SÍNICAS” Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau | Até 7/8 “MARC CHAGALL – LUZ E COR NO SUL DE FRANÇA” MAM | Até 26/8

Cineteatro

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C I N E M A

SALA 1

ANT-MAN AND THE WASP [B] Um filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

SKYSCRAPER [B] Um filme de: Rawson Marshall Thurbe Com: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 3

BEIRUT [C] Um filme de: Brad Anderson Com: Jom Hamm, Rosamund Pike 14.30, 16.30, 19.15

CODE GEASS LELOUCH OF THE REBELLION III [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 21.15

7 4 1 9 8 6 2 3 5

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6 5 3 2 7 8 4 9 1

8 71 7 63 6 9 4 25 2CHING | FEI YU9CHING 7LIVE 8 IN2MACAU 4 |5 FEI YU 20186 94 9 2 57 5 8 3 6 1 6 4 3 8 9 1 5 5 3 16 41 24 2 8 9 7 2 5 1 6 7 3 4 3 3 54 25 2 79 7 1 8 6 3 1 7 5 8 4 9 6 8 9 4 13 1 2 7 5 4 2 9 1 6 7 8 7 2 1 6 8 95 49 4 3 8 6 5 3 2 9 1 9 35 3 8 2 76 17 1 4 7 3 6 9 1 8 2 1 1 6 4 9 37 3 5 2 8 1 8 4 7 5 2 3 2 2 7 58 5 1 64 6 93 9 5 9 2 4 3 6 7

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PROBLEMA 14

passarem uma noite em família com pais e avós. João Santos Filipe

A situação do Canídromo é mais um dos sintomas da ausência de um Chefe do Executivo forte. Depois de dois planos sobre o futuro dos galgos chumbados pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, a Yat Yuen decidiu que era a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos que se tinha de pronunciar sobre o assunto. Mesmo quando o terceiro plano tinha sido pedido pelo IACM. Nesta triste novela, a DICJ veio a público considerar, num primeiro momento, que seria a tutela de Raimundo de Rosário a ter a palavra. Depois, deu o dito por não dito e recusou o plano... O IACM voltou à questão e pediu “de imediato” mais um plano. Passadas 24 horas o plano ainda não tinha chegado... Todo este processo mostra bem o que é o Governo da RAEM. Estamos a falar de um conjunto de pessoas que tem medo de tomar decisões e assumir responsabilidades, alguns secretários que obrigam os directores de serviço a darem a cara pelas decisões difíceis (estes se puderem mandam os subdirectores), ao mesmo tempo que o Chefe do Executivo se tranca em casa para evitar perguntas de jornalistas, em reuniões da máxima importância que ninguém percebe os resultados que produzem. A filosofia é sempre a mesma e o exemplo vem de cima: quem não faz nada, não pode ser acusado de errar e mantem o emprego. Se ao longo de nove anos Chui Sai On nunca tomou uma posição de força, como se vê bem nos atrasos do metro e do hospital, porque é que agora que está na altura de pensar na vida pós-Executivo seria diferente? João Santos Filipe

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 13

8 3 18CONCERTO 1 2 4 59 65 HOJE 6 7 UM 6 5 39 3 78 7 2 4 1 Com 4 2uma 7 carreira 2 1 com 5 6 8 3 9 início da década 70, Fei Yu 38nomes 13 1 6 5 2 7Ching 9é8um 4dos incontornáveis da mú2 sica pop 85 2 em5mandarim, 7 6 4 1 39 3 principalmente entre as 1 6 mais 3 95 9 2 87 8 4 gerações velhas. Com uma voz cristalina 3 98 o9cantor 1 5 4 7 6 e2 inconfundível, vai estar no 9 1 5 de 74 7 5Taiwan 6 2 3 9 1 8 Studio City a 4 de Agosto. 9 Uma 9 oportunidade 1 46 4 para7 38 3 52 5 os leitores mais novos

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SKYSCRAPER

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S U D O K U

Diariamente

O CARTOON STEPH 13 DE

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CONCERTO “CHAMBER EVENING WITH BEETHOVEN” Fundação Rui Cunha | 20h00

1.20

ONDE ESTÁ CHUI SAI ON?

EXPOSIÇÃO “LIFE IN FOCUS”, DE LUNA CHANG Fundação Rui Cunha | 18h30

RHYS LAI - WORKSHOP DE PINTURA PARA PAIS E FILHOS Fundação Rui Cunha | 15h00

YUAN

VIDA DE CÃO

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opinião 19

segunda-feira 16.7.2018

MICHEL REIS

OI publicada no dia 14 de Março de 2018 em Diário da República a portaria de extensão de encargos conjunta do Ministério da Cultura e do Ministério das Finanças do Governo de Portugal que desbloqueia os 1,5 milhões de euros destinados ao restauro dos carrilhões do Palácio Nacional de Mafra, ficando a Direcção Geral do Património Cultural autorizada a celebrar contrato no valor máximo de Euro 1.549.025,33, através do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, destinado à operação de restauro dos carrilhões, encargos repartidos pelos anos económicos de 2018 e 2019. No passado dia 18 de Abril, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, afirmou no parlamento que “há luz verde” para que se inicie a empreitada de recuperação “urgente” dos carrilhões de Mafra, após a obtenção do visto do Tribunal de Contas, marcando o fim de um impasse de 14 anos, iniciado em 2004, quando se procedeu ao escoramento dos sinos. O ministro falava aos deputados da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, na qual estava a ser ouvido no quadro de uma audição regimental, para apreciação da política geral do Ministério da Cultura. Desde Maio de 2014 que os carrilhões e sinos do Palácio Nacional de Mafra, que, no seu conjunto, constituem o maior carrilhão do século XVIII sobrevivente na Europa e um conjunto histórico de valor patrimonial único no mundo, figuram entre os sete monumentos mais ameaçados do continente europeu, segundo o movimento Europa Nostra (www.europanostra.org), o principal movimento de cidadãos europeus para a protecção do património cultural e natural europeu. O Europa Nostra, liderado pelo tenor e maestro Plácido Domingo, com o apoio do Banco Europeu de Investimento, veio alertar para a urgência das obras e mobilizar entidades públicas e privadas a nível nacional e internacional para se encontrar o financiamento necessário para uma rápida intervenção em Mafra. Os conjuntos sineiros apenas se têm mantido por estarem sustentados em sucessivas intervenções de escoramento. Apesar da maioria dos sinos de maior dimensão estarem escorados, as estruturas de suporte de madeira apresentam apodrecimento generalizado e as suas ligações de entalhe há muito que se encontram fragilizadas ou mesmo desaparecidas pela perda de material lenhoso. Existem cabeçalhos que, pela degradação da madeira e dos elementos

LUSA

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Recuperação urgente dos carrilhões de Mafra prestes a começar

metálicos, se encontram em perigo de queda, verificando-se, inclusivamente, deformações dos escoramentos em consequência do assentamento contínuo de estruturas e sinos, encontrando-se, frequentemente, peças, tanto de madeira como metálicas, ferragens e ligações, nos pavimentos das torres e nos terraços contíguos onde são visíveis danos no revestimento de cobre pelo impacto da queda de peças dos carrilhões.

Os carrilhões de Mafra são instrumentos musicais notáveis, cobrindo cada um deles uma amplitude de quatro oitavas e sendo, por isso, considerados carrilhões de concerto O Palácio Nacional de Mafra, mandado construir pelo Rei D. João V de Portugal “o Magnânimo”, no início do séc. XVIII, alberga o maior conjunto sineiro do mundo – composto por dois carrilhões e 119 sinos afinados musicalmente entre si (divididos em sinos de horas, litúrgicos e de carrilhão), encomendados na Flandres a dois fundidores de sinos diferentes e pesando o maior 12 toneladas, num total de 217 toneladas. Estes constituem - a par do único conjunto conhecido de seis órgãos de tubos concebidos para utilização simultânea, instalado na basílica do palácio, encomendados por D. João VI no final do séc. XVIII para substituir os primitivos que estavam degradados, e da biblioteca - o património

mais importante do palácio. O carrilhão da torre norte nunca foi alterado e constitui, por conseguinte, um exemplo raro do som de sinos no seu estado original de afinação. O restauro dos seis órgãos, concluído em 2010 pelo mestre Dinarte Machado, foi distinguido em 2012 com o Prémio Europa Nostra. Um carrilhão é um instrumento musical de percussão formado por um teclado e por um conjunto de sinos de tamanhos variados, controlados pelo teclado. Os carrilhões são normalmente alojados em torres de igrejas ou conventos e são um dos maiores instrumentos do mundo. Os carrilhões de Mafra são instrumentos musicais notáveis, cobrindo cada um deles uma amplitude de quatro oitavas e sendo, por isso, considerados carrilhões de concerto. Foram executados por dois fundidores de sinos dos Países Baixos: Willem Witlockx, um dos mais respeitados fundidores de sinos em Antuérpia e Nicolas Levache, um fundidor de Liége responsável por diversos carrilhões e que deixou efectivamente em Portugal uma tradição de fundição que perdurou por mais de um século após a conclusão do trabalho em Mafra. Este património único inclui também o maior conjunto conhecido de sistemas de relógios e de cilindros de melodia automática, possuindo ambas as torres de Mafra mecanismos automáticos de toque. Este é um marco mundial para o estudo, quer da música automática, quer da relojoaria. Estes complexos engenhos são capazes de tocar de modo intermutável de entre cerca de dezasseis diferentes e complexas peças de música, em qualquer momento. Os cilindros melódicos de Mafra foram executados pelo famoso relojoeiro de Liège da primeira metade do século XVIII, Gilles de Beefe.

A Câmara Municipal de Mafra congratula-se pelo início dos trabalhos de restauro dos carrilhões do Palácio Nacional de Mafra. A intervenção tem a duração prevista de 450 dias, devendo estar concluída em Setembro de 2019. O restauro dos carrilhões constitui um ponto importante na valorização do património identitário do Concelho, assegurando a sua transmissão às gerações futuras, permitindo reforçar o papel único do Real Edifício de Mafra no campo dos instrumentos musicais integrados no património arquitectónico, inscrevendo-o nos principais circuitos internacionais. Na mesma ocasião, o ministro sublinhou que a tutela “tem um projecto” para Mafra, que é a transferência do Museu da Música, sobre o qual já estabeleceu acordo com a autarquia local para instalar os instrumentos em dois pisos do Palácio Nacional de Mafra. O Museu Nacional da Música encontra-se instalado num espaço provisório desde 1994, disponibilizado pelo Metropolitano de Lisboa, na estação do Alto dos Moinhos. O Museu detém “uma das colecções mais ricas da Europa”, de acordo com a sua apresentação, contando com cerca de 1400 instrumentos, entre os quais o cravo de Joaquim José Antunes (1758), o cravo de Pascal Taskin (1782), o piano Boisselot et Fils, que o compositor e pianista Franz Liszt trouxe para Portugal, e que documenta a sua passagem por Lisboa em 1845, e o violoncelo Antonio Stradivari, que pertenceu ao rei D. Luís. Espólios documentais, acervos fonográficos e iconográficos, como os de Alfredo Keil, autor do Hino Nacional português, fazem igualmente parte do Museu da Música.


Quanto mais se está no alto, menos se é livre. Cayo Salústio

JAPÃO CERCA DE 18 MIL VOLUNTÁRIOS NAS OPERAÇÕES DE LIMPEZA E RECONSTRUÇÃO

Guerra e tréguas Hamas anuncia que trégua foi para acabar com ataques israelitas sobre Gaza

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ERCA de 18 mil voluntários de todo o Japão participam no fim-de-semana em tarefas de limpeza e reconstrução das áreas oeste do país devastadas pelas fortes chuvas da passada semana, que causaram mais de 200 mortes e dezenas de desaparecidos. O Governo lançou um programa de voluntariado em colaboração com as autoridades locais para organizar os movimentos de voluntários e distribuir o trabalho, explicou o Conselho de Assistência Social do executivo. Quarenta centros de voluntários foram estabelecidos nas prefeituras de Ehime, Okayama e Hiroshima, localizadas no oeste do país e onde as chuvas causaram o maior dano, para gerir as tarefas de cerca de 18 mil pessoas que participam no programa de ajuda. “As autoridades locais estão demasiado ocupadas com as operações de assistência e evacuação, pelo que precisamos da ajuda necessária para as tarefas de reconstrução”, disse um porta-voz do Governo de Hiroshima à agência de notícias Kyodo. As chuvas fortes registadas desde 6 de Julho em quase metade do arquipélago japonês causaram 204 mortes e cerca de 40 desaparecidos, de acordo com os dados mais recentes fornecidos pelo Executivo. Cerca de 160 casas foram destruídas e outras 700 sofreram danos significativos, como resultado de inundações e deslizamentos de terra provocados pelas chuvas, enquanto cerca de 5.800 pessoas permanecem desalojadas. O acesso rodoviário a muitas das localidades continua a ser um problema para as autoridades, o que complica tanto as tarefas de encontrar pessoas desaparecidas como as tarefas de assistência aos desalojados.

PALAVRA DO DIA

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Hamas anunciou ter chegado a uma trégua para pôr fim aos ataques de Israel sobre a faixa de Gaza, parte de uma operação de grande escala que fez pelo menos dois mortos e 25 feridos palestinianos. O acordo terá sido conseguido com a mediação do Egipto, afirmou um porta-voz do movimento palestiniano que controla a Faixa de Gaza, Fawzi Barhum, em comunicado, embora Israel ainda não tenha feito nenhum comentário.

Israel admitiu que fez os maiores ataques aéreos em Gaza desde a campanha de 2014 contra o Hamas. O primeiro-ministro israelita ameaçou “aumentar, se necessário, a intensidade dos ataques”, que chamou “uma acção contundente contra o terrorismo do Hamas”. Dois jovens de 15 e 16 anos atingidos por estilhaços dos bombardeamentos e 25 pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde palestiniano. Netanyahu garantiu que os ataques continuarão até que o

movimento palestiniano “entenda a mensagem”, com bombardeamentos sobre dezenas de objetivos, incluindo dois túneis, armazéns e fábricas de armas, centros de treino e outros. Segundo indicaram responsáveis militares israelitas, trata-se de uma “operação em massa que está a acontecer em Gaza” e é uma represália por ataques contra Israel, nomeadamente “a grande quantidade de explosivos e projécteis incendiários e os ‘rockets’” disparados para Israel. Três civis israelitas ficaram feridos quando um ‘rocket’ atingiu a sua casa, no sul. Segundo o exército israelita, cerca de uma centena daqueles projécteis e granadas de morteiro caíram no sábado sobre Israel vindas da Faixa de Gaza. Entretanto, o exército israelita suspendeu as restrições que tinha imposto ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza, num sinal de que aceitou o cessar-fogo mediado pelo Egipto, terminando com 24 horas de combates com militantes do Hamas. Os militares fecharam uma praia popular e impuseram limitações às aglomerações de grandes multidões, mas o exército informou ontem que os acampamentos de Verão vão funcionar normalmente e que a rotina diária pode ser retomada.

AFEGANISTÃO NÚMERO RECORDE DE CIVIS MORTOS NO PRIMEIRO SEMESTRE DO ANO

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Afeganistão registou 1.692 civis mortos no primeiro semestre de 2018, o pior número da última década, apesar do cessar-fogo de três dias em Junho, informou ontem a ONU. Entre 1 de Janeiro e 30 de Junho, foram contabilizados 1.692 mortos, metade dos quais atribuídos a ataques do grupo Estado Islâmico, o número mais elevado desde que a ONU começou há uma década a contar as baixas civis no Afeganistão. De acordo com a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão, durante o primeiro

semestre, as províncias de Cabul (a capital) e Nangarhar, no Leste, foram as mais atingidas - inclusive durante o cessar-fogo. Os talibãs, que fizeram uma trégua com o Governo de 15 a 17 de Junho, são os responsáveis por 40 por cento das mortes de civis afegãos. Uma vez mais, a luta por terra ocupa o segundo lugar entre as causas de morte e ferimentos na população afegã.Aprimeira causa continua a ser os ataques suicidas e os ataques complexos (ataques desencadeados por um suicida,

seguidos pela ocupação de locais específicos e troca de tiros). Contudo, segundo as contas da ONU, a expansão das operações aéreas levou a um aumento acentuado do número de vítimas civis devido aos bombardeamentos (mais 52 por cento) em comparação com o mesmo período do ano passado, com 149 mortos e 204 civis feridos. Mais da metade das baixas (52 por cento) são atribuídas às forças afegãs e 45 por cento aos aviões dos EUA, os únicos na coligação ocidental a realizar operações.

segunda-feira 16.7.2018

EUA TRUMP ANUNCIA INTENÇÃO DE SE RECANDIDATAR À PRESIDÊNCIA

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Presidente dos Estados Unidos anunciou a intenção de se recandidatar em 2020 à Presidência dos Estados Unidos, em entrevista publicada ontem pelo jornal britânico Daily Mail, e afirmou não vislumbrar nenhum opositor Democrata capaz de o vencer. “Bem, eu tenho toda a intenção de fazer isso, parece que todo mundo quer que façamos”, disse Donal Trump ao jornalista que o entrevistou. “Eu sinto-me bem”, enfatizou, quando questionado se se vai candidatar à reeleição. “Você nunca sabe o que acontece com a saúde e outras coisas”, acrescentou, contudo, Trump, de 72 anos. Questionado se vê algum candidato democrata capaz de o vencer nas eleições presidenciais que vão realizar-se em 2020, respondeu: “Não. Eu não vejo ninguém, conheço todos e não vejo ninguém”. Entretanto, Donald Trump, garantiu ontem não partir com grandes expectativas para a cimeira com o homólogo russo, Vladimir Putin, que vai decorrer hoje em Helsínquia, na Finlândia. “Não vou [para o encontro] com altas expectativas”, disse ontem Donald Trump, durante uma entrevista à CBS News. O Presidente norte-americano referiu ainda que “não tinha pensado” pedir a Putin a extradição dos 12 militares russos acusados, por Washington, pelos crimes de pirataria e furto de informação dos servidores dos membros da campanha de Hillary Clinton, durante as presidenciais de 2016. Donald Trump garantiu, no entanto, que o assunto será “certamente” abordado. “Nada de mau sairá do encontro e, talvez, algo de bom possa surgir”, concluiu.

Hoje Macau 16 JUL 2018 #4092  

N.º 4092 de 16 de JUL de 2018

Hoje Macau 16 JUL 2018 #4092  

N.º 4092 de 16 de JUL de 2018

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