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HOJE MACAU

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QUARTA-FEIRA 16 DE MAIO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4052 SOFIA MARGARIDA MOTA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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RODRIGO BRUM

Estreitar os laços ENTREVISTA

MORPHEUS

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hojemacau

Multa não basta Na segunda sessão do julgamento do processo em que Sulu Sou e Scott Chiang são acusados de desobediência qualificada, o MP pediu pena de prisão efectiva por considerar que a multa não tem efeito dissuasor. Se Sulu Sou for condenado a mais de 30 dias arrisca-se a perder o cargo de deputado. A defesa entende que há um esforço político para acabar com a carreira de Sulu Sou como legislador. PÁGINAS 4-5


2 ENTREVISTA

RODRIGO BRUM

Rodrigo Brum assumiu o cargo de SecretárioGeral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau no passado dia 1 de Setembro. A prioridade do economista é ter as representação dos oito países de língua portuguesa dentro do organismo. Para já, estão a ser dados os primeiros passos para a apresentação dos representantes de empresas oriundas de países de língua portuguesa a potenciais parceiros da China Assumiu funções em Setembro, quais os maiores desafios com que se tem deparado no Fórum Macau? Cumprir com o meu primeiro objectivo que já foi anunciado, ou seja, assegurar a participação efectiva de todos os países de língua portuguesa. O que falta para conseguir esse objectivo? Já conseguimos a representação do Brasil. O Brasil era uma falha óbvia muitas vezes apontada ao Fórum por todos, inclusivamente jornalis-

“Dar a conhecer esta imensa China” tas. É um país com uma dimensão e uma relação com a China que não pode estar alheado do Fórum Macau. É com muito gosto que vimos nesta última reunião anual, a declaração do embaixador do Brasil, que chefiou a delegação do país, a referir que iria existir, dentro de pouco tempo, a nomeação de um delegado, baseado em Hong Kong para acompanhar os trabalhos do Fórum Macau. Isso aconteceu já na prática com a deslocação que terminou no passado sábado, em que o delegado do Brasil junto do Fórum também participou. Trata-se do Rafael Rodrigues Paulino, segundo secretário do consulado geral do Brasil em Hong Kong. Conseguindo a representação dos oito países de língua portuguesa no Fórum Macau, o que pode vir a fazer com isso efectivamente? Posso passar para o segundo objectivo que tenho: a organização para uma actuação consertada destes oito países dentro do objectivo principal e declarado do Fórum: a divulgação, promoção e o incremento das relações económicas, comerciais e de investimento entre a China e os países de língua portuguesa.  Tem sido apontada ao Fórum alguma falta de acção no estabelecimento dessas relações. O que é que está a ser feito para realmente concretizar acções de cooperação efectiva entre a China e os países de língua portuguesa? Em concreto, posso referir esta última viagem à China que aconteceu na semana passada e que diz respeito à vertente de actuação do Fórum  que tem que ver com a divulgação dos países de língua portuguesa junto dos municípios e províncias chinesas. Trata-se de abrir oportunidades a estes países, porque passam a ter um maior conhecimento desta imensa China

que tem uma dimensão económica e geográfica muito grande. Mas há uma outra vertente que foi menos desenvolvida que tem que ver com a divulgação da China junto dos países de língua portuguesa, bem como dos mecanismos de funcionamento do próprio Fórum Macau. Essa parte tinha sido menos desenvolvida e na última reunião ordinária anual, em finais de Março, foi já deliberado que visitaremos todos os oito países a partir deste ano, e com um carácter regular e anual. Esta é uma mudança significativa e importantíssima para os países de língua portuguesa: darmo-nos a conhecer e criarmos oportunidades junto dos países. Não de forma ocasional, mas de forma regular. Teremos missões a todos os países a partir deste ano. Estão já marcadas as missões ao Brasil e a Cabo Verde e estamos a tratar das seguintes.

“Teremos missões a todos os países a partir deste ano. Estão já marcadas as missões ao Brasil e a Cabo Verde e estamos a tratar das seguintes.” Ou seja, ainda estamos numa fase de apresentações mútuas? Estamos agora no início de construção de uma relação com os países envolvidos, é isso? É uma nova fase. Mas isso não deveria ter acontecido desde o início das actividades do Fórum? Cheguei há seis meses. Relativamente à agenda que teve na semana passada, que actividades considera, de um ponto de vista de utilidade, as mais eficazes?

Não gostaria de me fixar só na semana passada, porque a viagem que fizemos começou na semana anterior com o encontro em Pequim, comemorativo do dia da língua e cultura da comunidade dos países de língua portuguesa apoiado, pela segunda vez, pelo Fórum Macau e que foi organizado pelas embaixadas dos países de língua portuguesa. Desta vez teve a coordenação da embaixada de Cabo Verde.

SOFIA MARGARIDA MOTA

SECRETÁRIO-GERAL ADJUNTO DO SECRETARIADO PERMANENTE DO FÓRUM DE MACAU

E qual é o papel do Fórum nesta questão da língua portuguesa e da sua divulgação? Tem certamente. Consideramos que também a cultura tem influência ou pode proporcionar oportunidades em termos comerciais nas relações entre a China e os países de língua portuguesa, ou seja, é uma base de partida para a actividade económica. Relativamente à semana passada em concreto, há talvez três tipos de visitas e de contactos que são feitos durante estas deslocações. Há a divulgação dos países junto de entidades, empresários e associações chinesas e isso consubstancia-se em reuniões que são tipicamente apresentações por cada um dos delegados do seu próprio país, seguido de uma interacção entre os participantes. Há alguma questão que apareça nessa fase de interacção entre os participantes? Algumas curiosidades em particular? Generalizar uma experiência de dois ou três contactos na semana passada não é correcto. De facto, existe uma necessidade de conhecimento que só perante as respostas concretas dos delegados é que faz sentido. É uma acção de divulgação pura e muito necessária porque, como já disse estamos perante uma China imensa para quem destrinçar estes países também não é fácil. Essa acção existe e tem que ver com a divulgação junto das entidades oficiais ao mais alto nível, bem como de empresas e associações comerciais e empresariais destas cidades e províncias que visitamos. Depois temos a segunda vertente em que existem as visitas que fazemos a empresas e a outros organismos para conhecimento do que existe na China por parte dos próprios países para saberem o que é que existe e o que, porventura, pode vir a ser o próximo destino de relações comerciais com estas empresas que visitámos. Ao fazermos estas visitas estamos a permitir que os países se posicionem junto das entidades em questão e em que poderão ter mais interesse, quer como investidores quer como meros fornecedores de serviços ou de produtos.

E a terceira vertente destas visitas diz respeito a quê? Há outro aspecto que pode parecer secundário e, talvez por isso possa ser por vezes descurado, mas que também está incluído na nossa agenda e em especial nesta em que estivemos envolvidos na semana passada. Tem que ver com uma parte mais cultural e talvez mais lúdica em que conhecemos os ambientes destas cidades e municípios que visitámos, ou seja, não basta ter reuniões em salas fechadas de hotel. É preciso sair e ver o que se passa. Uma ida a um mercado, a


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conceito, às vezes esgotado, de Macau ser uma plataforma não é só para os discursos, é uma realidade no acesso a esta região. Como é que isso se insere na Grande Baía? Estamos numa posição privilegiada para aceder a estes mercados que agora estão a ser agregados nesta iniciativa da Grande Baía. O Fórum Macau já fez alguma coisa tendo em conta esta iniciativa? Esta iniciativa está a ser construída. O Governo de Macau participa activamente e não o Fórum de Macau. Não me compete concorrer com o Governo. Agora posso-lhe dizer que ainda no ano passado, e já na minha presença, estivemos numa importantíssima reunião em Zhuhai, do Fórum, entre a China e os países latino-americanos. São formas de interagir e de ligar este Fórum, os países que o constituem e os nossos vizinhos. 

“Trata-se de abrir oportunidades a estes países, porque passam a ter um maior conhecimento desta imensa China que tem uma dimensão económica e geográfica muito grande.”

um centro comercial ou a um centro histórico pode ser tão importante como qualquer contacto comercial. Estamos a falar de trocas comerciais entre culturas muito diferentes mesmo no que respeita a protocolos de negócio. O Fórum Macau pode ter um papel na divulgação de conhecimento acerca deste assunto? É importantíssimo. Em todas as relações comerciais entre sociedades diferentes há sempre uma necessidade de alguma aproximação e de “tradução” de conhecimentos e

de critérios e procedimentos entre as várias sociedades. É sabido que em relação à China e aos países de língua portuguesa esta necessida-

“O Governo de Macau participa activamente e não o Fórum de Macau. Não me compete concorrer com o Governo (no projecto da Grande Baía).”

de é grande porque as diferenças culturais são muitas. É evidente que o conhecimento mútuo entre as partes envolvidas é útil em qualquer circunstância, neste caso este trabalho desenvolvido pelo Fórum Macau é de extrema importância. A Grande Baía é um projecto inter-regional que inclui Macau. No entanto, a livre circulação prevista entre as partes é aplicada apenas a chineses. O Fórum Macau poderia ter interesse em fomentar relações comerciais dentro da Grande Baía? Está a

fazer alguma coisa neste sentido tendo em conta os interesses dos países de língua portuguesa? A pujança desta região que envolve Macau e a província de Guangdong sempre foi importantíssima no desenvolvimento da China. Esta zona é uma zona riquíssima com a integração das regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong complementadas pelas posições e pelo peso das cidades vizinhas de Zhuhai e de Shenzhen. Tudo isto faz desta região uma zona, por excelência, de entrada no mercado chinês e isso não é de agora. Esse

A presença de Pequim no Fórum tem sido mais acentuada, nomeadamente nos cargos de direcção. O que é que quer isto dizer? Não falo por Pequim, mas factos são factos. O envolvimento concreto que a China e a parte chinesa no Fórum tem junto deste organismo é do conhecimento público. No ano passado, o Fórum Macau passou a contar, além da secretária-geral indicada estatutariamente por Pequim, com um secretário-geral adjunto também estatutariamente previsto e indicado por Pequim. Há um óbvio e objectivo envolvimento de Pequim e isso temos todos de ter consciência de que tem significado.  Como é que gostaria de ver o Fórum Macau no final do seu mandato? Gostaria de ver concretizados os primeiros objectivos que mencionei no início. Já seria muito bom.   Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


4 política

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Ministério Público (MP) pediu ao tribunal pena de prisão para Sulu Sou, porque acredita que a aplicação de multa não vai ter um efeito dissuasor. Na sessão de ontem do julgamento do deputado suspenso e do activista Scott Chiang, a magistrada Leong Mei Fun não explicou a razão pela qual a pena de multa não permitiria ter um efeito dissuasor para os dois arguido. Recorde-se que o deputado está a ser julgado pela prática de um crime de desobediência qualificada e, em caso de ser condenado com pena igual ou superior a 30 dias, pode ser expulso da Assembleia Legislativa. “Quanto à pena a aplicar neste caso, é de um máximo de dois anos de prisão ou de 240 dias de multa”, começou por explicar a magistrada Leong. “Atendendo à gravidade das condutas, que envolveram provocações, causaram distúrbios, afectaram os direitos das outras pessoas, ignoraram uma ordem do Tribunal de Última Instância, apesar de ter havido advertências, que foram ignoradas, peço que seja aplicada uma pena de prisão. A pena de multa não vai ser dissuasora. Peço ao tribunal que faça justiça”, acrescentou. Apesar destas declarações, Leong Mei Fun não apresentou uma justificação para a afirmação feita de que a pena de multa não

Para que não se CASO SULU SOU MP DEFENDE PENA DE PRISÃO COMO ÚNICO MEIO DISSUASOR

FOTOS HOJE MACAU

A magistrada do MP Leong Mei Fun pede que Sulu Sou e Scott Chiang sejam condenados com pena de prisão, uma vez que entende que a multa não vai ter um efeito dissuasor. A consideração não foi justificada. A representante do MP acusou os arguidos de quatro situações de desobediência, que colocaram em causa as decisões e ordens do IACM, PSP e Tribunal de Última Instância. A sentença vai ser lida a 29 de Maio

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seria dissuasora para Sulu Sou e Scott Chiang. Também não fez uma sugestão sobre o número de dias de pena que deveria ser aplicada.

DESOBEDIÊNCIA CONTINUADA

Quanto aos argumentos utilizados pela magistrada, não foi indicado o momento em que a desobediência qualificada aconteceu. Em vez de apontar a ocasião em Scott Chiang e Sulu Sou cometeram o crime, a magistrada optou por apontar um conjunto de situações que, de acordo com Leong Mei Fun, constituem o crime de desobediência qualificada. O discurso da magistrada deu antes a entender que em diferentes momentos, Sulu Sou e Scott Chiang desobedeceram a decisões da Polícia de Segurança Pública, Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e do Tribunal de Última Instância.

“Peço que seja aplicada uma pena de prisão, porque a pena de multa não vai ser dissuasora. Peço ao tribunal que faça justiça.” LEONG MEI FUN MAGISTRADA DO MP

A primeira situação, apesar da defesa e da magistrada reconhecerem estar arquivada, diz respeito ao momento em que os manifestantes caminharam na estrada junto à entrada do estacionamento do auto-silo de Pak Wo, em Nam Van, quando deviam ter ido imediatamente para o passeio. Os manifestantes estiveram cerca de 20 minutos a falar com a polícia, antes de se mudarem para o passeio. Segundo Leong Mei Fun, também o Tribunal de Última Instância já tinha decido que os manifestantes tinham obrigatoriamente de passar pelo passeio naquela zona. “De forma dolosa pretenderam ultrapassar os limites da polícia. Antes da manifestação, a PSP tinha pedido para os manifestantes se deslocarem no passeio”, disse a magistrada do MP. “Sulu Sou sabia que, chegando ao auto-silo, tinha de passar da faixa de rodagem para o passeio, mas ficaram 25 minutos no local. Algumas partes deste processo foram arquivadas, mas podemos reparar que os arguidos desobedeceram a uma ordem do tribunal”, apontou.

MANIFESTAÇÕES ILEGAIS

O segundo momento de desobediência terá acontecido quando

“Todas as pessoas têm a sua posição em Tribunal. Só podemos limitar-nos a respeitar quando os outros expressam a sua opinião. No entanto, a última decisão pertence ao tribunal e à juíza.” SULU SOU DEPUTADO SUSPENSO

a manifestação acabou na tenda branca, no Centro Náutico de Nam Van, quando estava planeado que o destino final do cortejo seria na Praça da Assembleia Legislativa. “O Centro Náutico fazia parte do percurso como passagem, não era um sítio para permanecerem. Mas ficaram lá 50 minutos. Não tinham de seguir para a Praça da Assembleia Legislativa? Segundo a lei, têm de colaborar com o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e com a PSP. Mas reparamos que alteraram o trajecto”, indicou. Mesmo quando anunciaram o fim da manifestação, para a magistrada houve uma manifestação

ilegal, porque houve pessoas que continuar a discursar com altifalantes. O argumento da manifestação ilegal, desta vez sem altifalantes, foi novamente utilizado, quando Sulu Sou e Scott Chiang, acompanhado de outras pessoas, se tentaram dirigir ao Palacete de Santa Sancha. “No Jardim da Penha aconteceu novamente uma reunião ilegal, não cumpriram a lei. Não avisaram as entidades públicas competentes e fizeram discursos sobre o conteúdo da manifestação. Também as cartas que pretendiam entregar versavam o conteúdo da manifestação”, apontou.

SULU SOU RESPEITA PEDIDO

Por sua vez, o deputado suspenso falou aos jornalistas no final da sessão do julgamento e considerou que a magistrada tem direito à sua opinião. O legislador também fez questão de frisar que a decisão final cabe aos tribunais. “Acreditamos que a decisão vai ser justa, reflectindo a independência dos tribunais. É uma crença que temos desde o início do processo até hoje [ontem]” disse o deputado. “Todas as pessoas têm a sua posição em Tribunal. Só podemos limitar-nos a respeitar quando os


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Tiro a Sulu Sou

repita

outros expressam a sua opinião. No entanto, a última decisão pertence ao tribunal e à juíza”, frisou.

TUDO LEGAL PARA O CCAC

A manifestação contra a doação da Fundação Macau, no valor de 100 milhões de yuan, Universidade de

DESOBEDIÊNCIA SIN FONG GARDEN COM MULTAS

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m 2014 a manifestação, sem aviso prévio, de proprietários do Edifício Sin Fong Garden fez com que sete participantes fossem condenados pela prática do crime de desobediência qualificada. As penas aplicadas foram de 9 mil patacas, o correspondente a 90 dias de multa, a cada um. No entanto, o acórdão denota que os condenados continuaram no local várias horas depois de terem sido avisados para sair, foram emocionalmente agressivos e que fizeram uma cadeia humana, ocupando a estrada. Também impediram a circulação do trânsito e resistiram “com toda a força” a ordem da polícia. A decisão foi tomada pelo juiz Chan Iao Chao e acatada pelo mesmo MP.

Pedro Leal realça esforço político contra carreira do deputado

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acusação do Ministério Público contra Sulu Sou e Scott Chiang integra-se num esforço político que tem como objectivo acabar com a carreira do deputado. Foi este um dos pontos defendido nas alegações finais por Pedro Leal, advogado de Scott Chiang, que pediu a absolvição dos arguidos. “Há um esforço grande do ponto de vista político para acabar com a carreira de Sulu Sou. Felizmente, há separações de poderes”, disse Pedro Leal, durante as alegações finais do caso. “Macau devia orgulhar-se de ter políticos como estes dois. Hong Kong devia ter mais políticos como estes”, acrescentou. O causídico considerou que o MP não foi claro na acusação, ao contrário das suas obrigações legais e que, por isso, teve dificuldades para saber o momento e a conduta que o MP afirmou ser o crime de desobediência qualificada. “Constato que não há um crime de desobediência de forma continuada. Mas não percebo como podemos passar por esta situação. É o próprio Ministério Público que não consegue expli-

Jinan foi realizada a 15 de Maio de 2016. Os manifestantes pediram a demissão do Chefe do Executivo, Chui Sai On, que na altura era igualmente presidente do Conselho Geral de Curadores da Fundação Macau e vice-presidente da Conselho Geral da universidade. No entanto, o Comissariado Contra a Corrupção, através das declarações na altura, negou que houvesse conflito de interesses por parte do Chefe do Executivo e que Chui Sai On não representava a Universidade de Jinan. Segundo o organismo que tem como objectivo combater a corrupção em Macau, foi tudo feito dentro da legalidade, até porque a universidade é uma entidade pública, mesmo que fique no Interior da China. Recorde-se que Sulu Sou está suspenso do cargo de deputado, desde 15 de Dezembro para poder ser julgado. No caso de ser condenado com uma pena igual ou superior a 30 dias de prisão, o pró-democrata arrisca mesmo ser expulso pelos outros deputados da Assembleia Legislativa. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

car como os arguidos violaram uma ordem pública”, sublinhou. Em causa está o facto do MP ter apontado quatro momentos diferentes e distanciados temporalmente para a alegada conduta de desobediência qualificada.

AVIÕES SÓ COM AUTORIZAÇÃO

Pedro Leal criticou o facto da acusação ter focado grande parte do processo na paragem de 20

O crime vago Jorge Menezes considerou que as autoridades impuseram ordens ilegítimas

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S ordens emitidas pela polícia na zona da Santa Sancha aos arguidos não respeitaram a lei, por isso Sulu Sou e Scott Chiang não podem ter praticado o crime de desobediência qualificada. Foi este um dos argumentos utilizados por Jorge Menezes, defensor do deputado suspenso. “Não houve desobediência, porque não houve uma ordem legítima, uma vez que a polícia também está sujeita a cumprir a lei. Primeiro, não houve manifestação. Segundo, mesmo que tivesse havido, a interrupção nos moldes em que aconteceu era ilegal [segundo a lei que regula o Direito à manifestação]”, afirmou Jorge Menezes. Segundo o artigo 11 da Lei 2/93/M, mesmo que uma manifestação seja ilegal, ou nos casos em que sai do percurso, ela só pode ser terminada por promover motivos e acções contrários à lei, ou quando se afastar da finalidade. A tese do MP focou o facto dos arguidos não terem dispersado o que para

a acusação consubstancia o crime de manifestação ilegal junto ao Palacete do Chefe do Executivo, após a ordem da PSP. A acusação considera, igualmente, que os manifestantes não obedeceram ao percurso do IACM, que tinha imposto a proibição de entrarem no Jardim da Penha, por motivos de segurança. Na sessão de julgamento de ontem nunca se mostrou os arguidos dentro do espaço, ou qualquer outro manifestante.

MISTÉRIO DA UTIP

“O IACM proibiu que a manifestação fosse ao Jardim da Penha

“A contradição entre a justificação apresentada pelo IACM e a actuação da polícia no local revela a vontade de restringir um acto político.” JORGE MENEZES ADVOGADO DE SULU SOU

minutos à frente do auto-silo junto ao New Yao Hon. Uma parte do processo que já tinha sido arquivada pelo MP. “Não se percebe como são reabertos em audiência do tribunal factos que já tinham sido arquivados. A acusação diz que deviam ter circulado no passeio. Mas até o MP, quando arquivou esta parte do processo, entende que não era possível prosseguir com a acusação”, apontou. Sobre os manifestantes terem parado na tenda branca de Nam Van, o advogado destacou que nunca houve uma ordem contrária: “Nunca houve ordem a dizer que não podiam estar ali e que tinham de seguir até à Assembleia Legislativa”, apontou. Em relação à situação junto ao Palacete de Santa Sancha, Pedro Leal recordou as palavras do responsável pela segurança: “Até o chefe Lam disse que a conduta dos indivíduos tinha sido de desobediência, porque precisavam de autorização para entregar uma carta na caixa do correio e para atirar aviões de papel. Foi essa conduta que apontou como crime”, apontou. “A polícia não soube justificar a sua actuação, não foi nada eficaz e posso dizer que foi mesmo desastrosa”, considerou. J.S.F.

porque havia obras que poderiam ameaçar a segurança pública. Mas a UTIP [Unidade Táctica de Intervenção da Polícia] não colocou as barreiras no Jardim da Penha para garantir a segurança, foram meter no caminho de acesso à porta da Residência Oficial do Chefe do Executivo”, notou o advogado. “A contradição entre a justificação apresentada pelo IACM e a actuação da polícia no local revela a vontade de restringir um acto político”, apontou. Por outro lado, o advogado de Sulu Sou questionou o facto dos responsáveis da UTIP não terem sido arrolados como testemunhas: “O comissário que deu a ordem para as barreiras era da UTIP. As barreiras foram colocadas de forma ilegal, precisavam de autorização de um juiz”, apontou. Também Jorge Menezes se queixou da acusação ser pouco concreta: “Os arguidos não são acusados de mais do que um crime. A acusação não nos diz qual é o crime. Em 23 páginas não se sabe como foi praticado o crime”, frisou. “Era o MP que devia ter dito onde estava o crime. É uma obrigação. Uma pessoa para se defender de um ataque legal, precisa de saber como cometeu um crime”, acrescentou. J.S.F.


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PARTOS ATFPM DEFENDE MAIOR ABRANGÊNCIA NO DESCONTO DO AUMENTO DE TAXAS

Taxas da discórdia

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau abordou o aumento das taxas de partos para trabalhadoras não residentes no encontro que teve com a cônsul-geral das Filipinas em Macau, mas esta optou por não se pronunciar. José Pereira Coutinho alerta para o facto da maioria das migrantes ficar de fora da excepção aberta pelo Governo

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preço actual, ao invés do aumento nove vezes superior.

DIFERENÇAS PARA ALGUNS

Para um próximo encontro está prometida uma discussão sobre as revisões que estão a ser levadas a cabo

à lei laboral. Esta deve, de acordo com o deputado da Assembleia Legislativa, “ser para todos os trabalhadores, incluindo os TNR”. “A questão fundamental é que há várias normas da lei laboral que prejudicam os

“É uma matéria em que há ainda campo para melhorar a abrangência, uma vez que a maior parte das parturientes fica fora dos benefícios recentemente promulgados pelo Governo.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO E PRESIDENTE DA ATFPM SOFIA MARGARIDA MOTA

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actualização das taxas de partos no hospital Conde de São Januário, que vai obrigar as trabalhadoras não residentes (TNR) a pagar entre três a nove vezes mais por um parto, foi um dos temas abordados no encontro que a Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) teve com o consulado-geral das Filipinas em Macau. Ao HM, o presidente da associação e deputado José Pereira Coutinho confessou que a medida anunciada pelos Serviços de Saúde de Macau (SSM), sobretudo no que diz respeito ao apoio do Instituto de Acção Social, deveria incluir mais trabalhadoras migrantes. “Fizemos essa abordagem, por nossa iniciativa, junto do cônsul-geral. É uma matéria em que há ainda campo para melhorar a abrangência, uma vez que a maior parte das parturientes fica fora dos benefícios recentemente promulgados pelo Governo.” Contudo, a cônsul-geral das Filipinas em Macau, Lilybeth Diapera, não se terá pronunciado sobre o assunto. “Ela está ciente disso tudo, mas tratando-se de uma matéria estreitamente da competência do Governo da RAEM, não lhe compete, enquanto entidade oficial, intervir directamente no assunto”, adiantou José Pereira Coutinho. É de frisar que uma grande fatia das empregadas domésticas vai ficar de fora do “desconto” no aumento das taxas de partos no hospital público, uma vez que as trabalhadoras que ganharem até 4050 patacas por mês pagam “apenas” o triplo do

COSTA NUNES COUTINHO REÚNE COM PAIS DE ALEGADAS VÍTIMAS

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deputado José Pereira Coutinho é o terceiro a endereçar o caso de alegados abusos sexuais cometidos por um funcionário do jardim de infância D. José da Costa Nunes. Ao HM, Pereira Coutinho frisou que vai reunir-se com alguns pais “nas próximas 24 horas”, tendo prometido avançar com mais pormenores posteriormente. Este é o terceiro deputado do hemiciclo que se debruça sobre o caso, depois de Agnes Lam ter levado a cabo uma conferência de imprensa sobre o assunto, com a presença de alguns encarregados de educação, e de Lam Lon Wai ter feito uma interpelação escrita sobre o caso.

direitos dos trabalhadores em termos de igualdade na recepção de subsídios nocturnos e por turnos, nos trabalhadores dos casinos, sobretudo os croupiers. Não recebem subsídios por estarem a trabalhar nesses regimes.” Além disso, a opção do despedimento sem justa causa estará a ser utilizada pelo patronato “em muitas situações para contratar, por via indirecta, TNR”. “Há muito tempo que exigimos que o Governo reveja a situação para evitar abusos do actual sistema de despedimentos sem justa causa, que deveria ser mais rigoroso”, frisou José Pereira Coutinho. O deputado e presidente da ATFPM defendeu ainda que deve existir uma maior celeridade na atribuição de blue cards para filhos de trabalhadores migrantes. “Sentimos que há uma dificuldade burocrática que podia ser melhorada”, concluiu. Pereira Coutinho disse ainda que, nos últimos anos, a ATFPM tem notado um aumento de pedidos de ajuda por parte das comunidades de trabalhadores migrantes. “Temos reparado que o número de pedidos de ajuda tem aumentado, nomeadamente no que diz respeito aos pedidos de concessão de subsídios para os portadores de deficiência, e atribuição de bolsas de estudo. Temos também pedidos de ajuda no acompanhamento de candidaturas de casas económicas, porque temos reparado que o agregado familiar dessas famílias é grande e têm sido conseguidos resultados satisfatórios no âmbito de atribuição de casas económicas. São residentes, membros da comunidade filipina.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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Air Macau Taxas de combustível aumentam 4 dólares

A Air Macau anunciou ontem que vai aumentar as taxas de combustível em quatro dólares por voo, o que significa que passam dos actuais 20 para 24 dólares. De acordo com um comunicado, essa actualização traduz-se no aumento dos preços dos voos de Macau para o continente, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul e Vietname, sendo que a medida se aplica a todos os bilhetes emitidos a partir do dia 1 de Junho deste ano, inclusive. As novas taxas serão aplicadas aos bilhetes de passageiros adultos e crianças.

Obras Fundações da habitação pública na Venceslau de Morais pode demorar 3 anos

A empreitada de construção de fundações e cave da habitação pública na Avenida de Venceslau de Morais, no antigo terreno da CEM, vai demorar entre 858 e 1.080 dias. Segundo um comunicado do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), que realizou ontem o acto público de abertura das propostas, foram admitidas todas as 20 recebidas. Os preços propostos variam entre 375 milhões de patacas e 639 milhões de patacas. A obra abrange um lote de terreno com uma área total de 11.443 metros quadrados. Segundo o GDI, após a conclusão da obra, além de 1.500 fracções habitacionais, vai ser constituído por um terminal de autocarros, um auto-silo público em cave com cerca de 900 lugares para veículos ligeiros e motociclos, bem como instalações de serviços do Governo. Os restantes concursos vão ser realizados de forma faseada.

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LLA Lei, deputada à Assembleia Legislativa (AL), interpelou o Governo sobre a necessidade de uma melhor clarificação do projecto “Obra de Céu Azul”, sobretudo no que diz respeito às escolas que aguardam a mudança para novos espaços e a saída dos pódios de edifícios. A deputada confessou que ficou com grandes expectativas quando o Governo anunciou o projecto de remodelação de escolas com más condições, nomeadamente as que funcionam com pouco espaço para actividades educativas e desportivas. Em causa estão 15 terrenos que serão destinados a 15 escolas. Ella Lei lembrou que, em Março deste ano, duas escolas assinaram o documento para essa mudança com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), sendo que restam oito escolas que ainda estão na fase de negociações. A deputada alerta que ainda não há um consenso quanto à localização. Por essa razão, Ella Lei considera que é urgente resolver o problema da falta de condições dos estabelecimentos escolares, porque os alunos sofrem com as más condições de ensino.

EDUCAÇÃO ELLA LEI PEDE DETALHES SOBRE PROJECTO “OBRA DE CÉU AZUL”

Nuvens com prazo Adeputada Ella Lei critica os atrasos no projecto “Obra de Céu Azul” e alerta para a necessidade de clarificar o planeamento das escolas que estão localizadas nos pódios dos edifícios

Na sua visão, é preciso esclarecer a forma como os despejos das actuais instalações serão feitos, pelo que é fundamental que o Governo esclareça quais as condições das que funcionam em escolas residenciais, e de qual o planeamento para o futuro. Aquando do anúncio do projecto “Obra de Céu Azul”, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, depositou confiança na construção dos novos aterros para a mudança destas escolas. É de frisar, aliás, que na zona A dos novos aterros

será construída uma aldeia escolar. A iniciativa pública já começou a ser discutida no seio do Conselho do Planeamento Urbanístico. Este local deverá ter capacidade para receber entre 11 e 13 mil alunos. A deputada lembrou que, também na zona A, existe o projecto de instalar de forma provisória algumas escolas, para que estas possam funcionar antes do fim das obras de reconstrução no contexto do projecto “Obra de Céu Azul”. Sobre esta vontade do Governo, Ella Lei também exige um calendário.

O projecto denominado “Obra de céu azul” foi lançado em 2016 para acabar com o funcionamento de escolas da educação regular que se localizam em pódios de prédios, após terem sido sinalizados mais de uma dezena de estabelecimentos em tais condições. O Governo propôs-se resolver gradualmente o problema num prazo até 20 anos, uma meta temporal passível de ser encurtada graças à série de terrenos em vias de estarem disponíveis, tal como afirmou Ella Lei. O espaço do Canídromo, com uma área estimada em 17 mil metros quadrados, é um deles. Aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, anunciou que quatro escolas, incluindo uma de ensino especial, vão nascer naquele espaço.

PASSADEIRAS DSAT PONDERA INTRODUZIR CÂMARAS DE VÍDEO PARA DETECTAR PEÕES

A

Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) garantiu ao deputado Leong Sun Iok que está a analisar a possibilidade de introduzir câmaras de vídeos nas passadeiras para detectar peões, uma medida

que já existe na China e em Hong Kong. Tal medida serviria para aumentar a eficiência dos semáforos. Na resposta à interpelação escrita, o director da DSAT, Lam Hin Sam garantiu que, a curto prazo, a medida não

deverá ser implementada, mas que existe uma atitude aberta quanto a essa possibilidade. Na interpelação escrita, Leong Sun Iok defendeu que, tendo em conta os problemas que existem no

trânsito local é inevitável a instalação das câmaras. De acordo com a instalação experimental feita em Hong Kong, o deputado considerou que a medida poderia reduzir o tempo de espera dos peões e diminuir

as travagens desnecessárias dos automóveis, algo que se consegue aumentando a eficiência dos semáforos. Na mesma resposta, a DSAT refere que o sistema inteligente de

monitorização dos semáforos encontra-se em 12 intersecções do território. De acordo com a entidade pública, os testes provam que o sistema é eficaz e que pode melhorar o trânsito nas intersecções.


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quarta-feira 16.5.2018

Maternidade Galaxy alarga licença juntando-se às restantes operadoras A Galaxy Entertainment anunciou ontem o alargamento da licença de maternidade dos actuais 56 para 70 dias, juntandose às restantes cinco operadoras de jogo que já anunciaram, ou colocaram em prática, essa medida. Ao aumento do número de dias de licença de maternidade, com efeitos imediatos, são elegíveis as funcionárias da Galaxy que tenham completado um ano de serviço à data do parto, um requisito idêntico ao adoptado por outras operadoras de jogo. O alargamento da

licença de maternidade tem lugar depois de a Galaxy ter instituído, a 1 de Abril, cinco dias de licença de paternidade para os funcionários com um ano ao serviço da empresa do magnata Lui Che-woo. A Galaxy tornou-se a sexta operadora de jogo a anunciar o alargamento da licença de maternidade de 56 para 70 dias, depois de a Melco, Sociedade de Jogos de Macau, Sands e MGM o terem feito na segunda-feira, seguindo os passos da Wynn que foi a primeira.

Infra-estruturas Fórum Internacional em Junho no Venetian O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) co-organiza, entre os dias 7 e 9 de Junho, o 9.º Fórum Internacional de Infra-estruturas. Durante o evento, que vai ter lugar no Venetian, vão

ser realizados dois fóruns temáticos e 11 sessões paralelas. Fomentar novos motores de crescimento para o desenvolvimento de infra-estruturas, incorporar mais elementos da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e

construir um mecanismo de investimento e financiamento de capital social mais aperfeiçoado figuram entre os aspectos em foco. O Fórum Internacional de Infra-estruturas decorre em Macau desde 2012.

MORPHEUS EDIFÍCIO COM ASSINATURA DE ZAHA HADID ABRE PORTAS AO PÚBLICO A 15 DE JUNHO

“Uma carta de amor a Macau”

Lawrence Ho, responsável da Melco Internacional, define o edifício Morpheus como “uma carta de amor a Macau”. O novo empreendimento da operadora tem abertura marcada para dia 15 de Junho e é o resultado de um investimento de 1,1 mil milhões de dólares americanos. O casino não terá mesas de jogo VIP

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data de abertura do Morpheus está marcada para o próximo dia 15 de Junho. A informação foi dada ontem na apresentação do novo projecto aos jornalistas pelo responsável da Melco Internacional, Lawrence Ho. “Assumimos, se tudo correr bem, que o Morpheus abre a 15 de Junho”, afirmou Ho. Assinado pela arquitecta Zaha Hadide, falecida recentemente, o novo espaço no Cotai é a primeira estrutura desta dimensão, a nível mundial, assente num exoesqueleto, em que a construção é apenas suportada pela estrutura exterior. O novo hotel vai ter 772 quartos, que incluem suites e vilas, equipados e desenhados com o luxo de cinco estrelas. O novo edifício do City of Dreams irá albergar um restaurante chinês na primeira ponte aérea da estrutura, situado no 21º andar, no 30º andar fica um espaço lounge exclusivo para os clientes do hotel e no 40º, a 130 metros de altura, uma piscina. De acordo com Lawrence Ho, será mais um empreendimento que vai para ter a classificação de cinco estrelas dada pela Forbes, distinção que, aliás, é transversal a todos os hotéis de que é proprietário em Macau. No que diz respeito ao jogo, o Morpheus não vai ter mesas VIP. “O Morpheus não está centrado no mercado VIP e por isso não pedimos mesas para esse sector. É tudo para o mercado de massas”, afirmou Lawrence Ho. No que respeita a esse segmento, o responsável não sabe ainda quantas mesas vai ter autorizadas pelo Governo mas, adianta, “será com certeza em número proporcional ao do investimento feito, que to-

paços que centrem exclusivamente no jogo. Segundo o responsável, “o objectivo é criar resorts capazes de ir além do jogo”. Ho considera ainda que esta meta não é apenas visível no novo projecto, mas está patente nos empreendimentos que tem vindo a desenvolver de há 15 anos a esta parte. “95 por cento dos nossos investimentos são nesse sentido desde quando começámos com o Altira, até à concepção do City of Dreams”, apontou.

“O Morpheus não está centrado no mercado VIP e por isso não pedimos mesas para esse sector.” LAWRENCE HO DIRECTOR GERAL DA MELCO INTERNACIONAL

taliza 1, 1 mil milhões de dólares americanos”, apontou.

ALÉM DAS MESAS

Lawrence Ho não se mostrou preocupado com a renovação de licenças até porque, afirmou, está “confiante na capacidade de entretenimento e distinção pela qualidade dos seus empreendimentos”. Por outro lado, com o Morpheus a ideia não é continuar a criar es-

INVESTIMENTO NIPÓNICO

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responsável pela Melco Internacional, Lawrence Ho, está agora a investir também no Japão e no Chipre. “Passo grande parte do tempo no Japão para tratar dos projectos que tenho naquele país”, afirmou Ho ontem durante a apresentação do novo edifício Morpheus. O empresário fez ainda questão de fazer referência ao hotel que está a construir no Chipre. Entretanto, a Melco Internacional está presente na China, Filipinas, Rússia, Macau. A operadora de jogo Melco Resorts & Entertainment, uma das seis concessionárias que operam em Macau, anunciou em Fevereiro que obteve receitas de 5,3 mil milhões de dólares em 2017, com lucros atribuíveis ao grupo de 347 milhões de dólares.

Acima de tudo, sublinhou, o Morpheus “é uma carta de amor a Macau em que queremos construir um marco para a Ásia”, disse. Com este edifício encerra-se um ciclo no projecto City of Dreams, que ainda assim não vai ficar estagnado. Depois da inauguração do Morpheus, a contagem decrescente passa a ser para a restruturação interna do edifício do Hard Rock. “Depois do próximo ano novo chinês, vamos fechar todo o edifício, a torre Countdown, que antes era a torre do Hotel Hard Rock e vamos fazer a renovação”, referiu. O resultado vai ser o “The Libertine”. O projecto deverá estar concluído em 18 meses e o investimento não será inferior a 20 milhões de patacas. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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16.5.2018 quarta-feira

EDP PEQUIM NÃO VÊ MOTIVOS PARA OPOSIÇÃO DE “TERCEIRAS PARTES” AO NEGÓCIO

Foice em seara eléctrica

O Governo chinês disse ontem que não vê razões para “terceiras partes” se oporem à OPA da China Three Gorges (CTG) à EDP, numa altura de crescente escrutínio sobre o investimento chinês no ocidente

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UANDO a cooperação é baseada no respeito mútuo, com benefícios e ganhos para ambos (...) não vejo razões para outras partes contestarem”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lu Kang, quando questionado pela Lusa sobre uma possível resistência dos reguladores ao negócio. “O Governo chinês apoia e encoraja as empresas chinesas a encetarem uma cooperação mutuamente benéfica com empresas portuguesas”, acrescentou, em conferência de imprensa. Lu Kang frisou ainda os “laços amigáveis” entre Portugal e China, argumentando que os dois países “alcançaram resultados bastante positivos” na sua cooperação. A China tornou-se, nos últimos anos, um dos principais investidores em Portugal, comprando participações importantes nas áreas da energia, dos seguros, da saúde e da banca. No entanto, a OPA da China Three Gorges (CTG) à EDP surge numa altura de crescente escrutínio na Europa e Estados Unidos sobre o investimento chinês, com vários negócios a serem bloqueados por motivos de segurança nacional. Em Portugal, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou já que não se opõe ao negócio, mas a operação terá também de ser aprovada por outros países onde a EDP detém activos, nomeadamente Estados Unidos, Brasil ou Espanha, ou pela Comissão Europeia.

“Quando a cooperação é baseada no respeito mútuo, com benefícios e ganhos para ambos (...) não vejo razões para outras partes contestarem”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lu Kang, quando questionado pela Lusa sobre uma possível resistência dos reguladores ao negócio.

Nos Estados Unidos, o negócio dependerá da aprovação da Comissão para o Investimento Externo, organismo do Governo norte-americano responsável por rever aquisições por entidades estrangeiras susceptíveis de ameaçar a segurança nacional, numa altura de renovada tensão entre Washington e Pequim em torno do comércio e investimento.

APANHADOS NO MEIO

Nos últimos meses, aquele organismo de Washington travou vários negócios que envolviam empresas chinesas, incluindo uma oferta de uma subsidiária do grupo chinês Alibaba pela empresa de transferências monetárias

MoneyGram, ou a compra de um fabricante de semicondutores do estado de Oregon (noroeste dos EUA) por uma empresa financiada pelo Governo chinês. Ambos os negócios foram travados por motivos de segurança nacional. Também na Europa, os avanços estratégicos chineses estão a suscitar maior escrutínio. Em Setembro passado, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciou planos para criar um mecanismo que avalia os investimentos estrangeiros, uma medida vista como sendo destinada à China. “Se uma empresa estrangeira estatal quer comprar um porto europeu, parte da nossa infraestrutura energética ou uma empresa de tecnologia

de defesa, isso só deverá acontecer com transparência, escrutínio e debate”, afirmou Juncker. A CTG é detida na totalidade pelo Estado chinês, e directamente tutelada pelo Governo Central, através de um organismo conhecido como SASAC (State-owned Assets Supervision and Administration Commission). A empresa chinesa lançou na sexta-feira uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, o que representa um prémio de 4,82 por cento face ao valor de mercado e avalia a empresa em cerca de 11,9 mil milhões de euros.

JERUSALÉM CHINA APELA À MODERAÇÃO EM GAZA, “SOBRETUDO A ISRAEL”

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China pediu ontem moderação, “sobretudo a Israel”, na sequência da morte de pelo menos 59 palestinianos, por tropas israelitas, em confrontos e protestos contra a abertura da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém. “Exortamos os palestinianos e israelitas, sobretudo Israel, a exercerem contenção, para evitar uma escalada de tensões”, afirmou Lu Kang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, em conferência de imprensa. Lu expressou ainda a “profunda preocupação” da China com os acontecimentos dos

últimos dias. O Conselho de Segurança da ONU, do qual a China é membro permanente, deverá reunir-se ontem para discutir os incidentes na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza. Segunda-feira foi o dia mais sangrento no conflito israelo-palestiniano desde 2014. A liderança palestiniana classificou o sucedido de “massacre”. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou o uso da força com o direito de Israel a defender as suas fronteiras contra as acções “terroristas” do movimento islâmico Hamas, que governa Gaza, e com

o qual Israel travou três guerras desde 2008. Os disparos do exército israelita mataram 109 palestinianos desde 30 de Março, quando milhares de moradores se começaram a reunir em Gaza ao longo da cerca de segurança entre Israel e o enclave palestiniano. Este número pode aumentar ontem, à medida que uma nova mobilização ocorrer perto da fronteira, quando os palestinianos comemoram a “Nakba”, a “catástrofe” que foi para estes a criação de Israel, em 1948, e que tem sido sinónimo de êxodo para centenas de milhares deles.

DIPLOMACIA DELEGAÇÃO NORTE-COREANA DE ALTO NÍVEL VISITA PEQUIM

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LTOS quadros do Governo norte-coreano estão desde ontem em visita oficial a Pequim, segundo a agência oficial norte-coreana KCNA, ilustrando a rápida reaproximação entre os dois países aliados tradicionais, após anos de distanciamento. “Uma delegação do Partido dos Trabalhadores da Coreia, encabeçada por Pak Thae-song, vice-presidente do Comité Central, partiu na segunda-feira para uma visita à República Popular da China”, lê-se num despacho difundido pela agência. O texto não detalha o motivo da visita ou os restantes membros da delegação. Imagens difundidas pelas autoridades chinesas através do Weibo - o Twitter chinês - mostram a delegação em visita ao centro tecnológico de Zhongguancun, no norte de Pequim, que é conhecido como o Silicon Valley da China, indicando que a visita se deverá a motivos de cooperação económica. A China, que representava 90 por cento do comércio externo da Coreia do Norte, aprovou no ano passado as sanções impostas pelas Nações Unidas ao país, contribuindo ainda mais para o isolamento de Pyongyang. Nos anos 1950, China e Coreia do Norte lutaram juntos contra os EUA e, até há pouco tempo, as relações entre os dois países eram descritas como sendo de “unha com carne”. Nos últimos anos, no entanto, a China afastou-se do país, desagradada com a insistência de Pyongyang em desenvolver o seu programa nuclear e consciente de que a Coreia do Norte representa cada vez mais uma fonte de tensão regional. A viagem da delegação norte-coreana a Pequim ocorre uma semana depois de Kim realizar uma visita surpresa à cidade chinesa de Dalian, onde reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping. Tratou-se da segunda visita de Kim à China, no espaço de um mês. Kim nunca tinha saído da Coreia do Norte, desde que ascendeu ao poder, em Dezembro de 2011.


região 11

quarta-feira 16.5.2018

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Presidente Lu-Olo, para vetar, tem que apresentar duas razões: uma legal e outra política. Se a política tende para o partido dele, porque não deixou de ser presidente da Fretilin [Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente], o que é lamentável, se é por causa disso, vou questionar”, afirmou Xanana Gusmão, numa conferência de imprensa conjunta ao lado do “número dois” da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), Taur Matan Ruak. “Estamos aqui dois ex-Presidentes e vamos questionar isso. A ele, [Francisco Guterres] Lu-Olo. O problema é que nós iremos exigir a Lu-Olo ser Presidente da nação, não um presidente da Fretilin, colocado no Aitarak Laran”, disse, referindo-se ao Palácio Presidencial. A maioria absoluta conquistada pela AMP significa que a coligação tem o caminho facilitado para formar Governo e, posteriormente, aprovar o Orçamento Geral do Estado para 2018, sem necessitar do apoio adicional de qualquer força política. O único obstáculo poderá ser uma eventual decisão do Presidente timorense de vetar o Orçamento Geral do Estado, o que obrigará a um apoio de dois terços dos deputados. Nesse caso, mesmo que a AMP faça uma aliança com os dois partidos mais pequenos no Parlamento - o Partido Democrático (PD, cinco lugares) e a estreante Frente de Desenvolvimento

TIMOR-LESTE VENCEDORES ESPERAM QUE LU-OLO SEJA PRESIDENTE “DA NAÇÃO”

É tempo de união

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Coreia do Norte vai convidar oito jornalistas sul-coreanos a integrar um grupo de internacional de repórteres que vão testemunhar o encerramento da base de testes nucleares, na próxima semana, confirmou ontem o governo de Seul. O encerramento total das bases de ensaios nucleares está previsto para Junho deve coincidir com a cimeira histórica entre o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do

O PODER DE VETO

O líder da coligação AMP, que venceu com maioria absoluta as legislativas em Timor-Leste, Xanana Gusmão, disse ontem esperar que o Chefe de Estado seja “Presidente da nação e não da Fretilin”, quando considerar eventuais vetos políticos

A maioria absoluta conquistada pela AMP significa que a coligação tem o caminho facilitado para formar Governo e, posteriormente, aprovar o Orçamento Geral do Estado para 2018, sem necessitar do apoio adicional de qualquer força política. O único obstáculo poderá ser uma eventual decisão do Presidente timorense de vetar o Orçamento Geral do Estado

COREIAS JORNALISTAS SUL-COREANOS CONVIDADOS A ASSISTIR AO FECHO DAS BASES NUCLEARES Norte anunciou no sábado que jornalistas da Coreia do Sul, Estados Unidos, República Popular da China e Reino Unido vão ser convidados a assistir à destruição dos túneis e ao desmantelamento dos postos de observação e das instalações de pesquisa de energia nuclear. A acção vai decorrer entre os dias 23 e 25 de Maio na zona de ensaios nucleares em território norte-coreano. O ministro da Unificação do governo da Coreia do Sul disse ontem que foi informado

pelas autoridades governamentais de Pyongyang que oito jornalistas sul-coreanos vão ser convidados a assistir à operação de desmantelamento. A Coreia do Norte ainda não especificou o número e a localização dos pontos que vão ser desmantelados apesar de Pyongyang já ter informado que os jornalistas vão ser transportados, inicialmente, para a base de ensaios nucleares de Punggye-ri. Paralelamente, as duas Coreias vão manter encontros ao mais alto nível, na

Democrático (FDD, três mandatos) - só somaria 42 lugares, menos um dos que os dois terços. Francisco Guterres Lu-Olo era presidente da Fretilin quando foi eleito, com o apoio do seu partido e do Congresso Nacional de Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão, agora líder da AMP. Xanana Gusmão confirmou que a maioria absoluta conquistada pela AMP torna desnecessária qualquer eventual coligação. “Se só tivéssemos 32 lugares [a maioria absoluta são 33], então teríamos que pensar no PD e na FDD. E eles estariam sem dormir a olhar para os mobiles e handphones para ver se havia alguma chamada. Assim não”, disse. O voto de sábado deu à AMP uma maioria absoluta de 34 dos 65 lugares no Parlamento nacional (mais de 305 mil votos ou 49,56 por cento do total), o que permite que forme o VIII Governo constitucional sem apoio adicional. Em segundo lugar, ficou a Fretilin, que liderou a coligação minoritária do anterior Governo, e que obteve cerca de 211 mil votos, ou 34,27 por cento do total, mantendo o mesmo número de deputados, 23. No Parlamento estará também o Partido Democrático (PD), parceiro da Fretilin no VII Governo, que perdeu dois deputados para cinco, tendo obtido quase 49 mil votos ou 7,95 por cento do total.

Taiwan Ex-Presidente condenado a quatro meses de prisão

quarta-feira, no paralelo 38, para discutirem o início das conversações militares entre os dois países (com a participação da Cruz Vermelha) e que têm como objectivo a redução das tensões na fronteira. Devem também ser discutidas questões relacionadas com o processo de reunificação de famílias separadas desde a década de 1950.

O ex-Presidente de Taiwan Ma Ying-jeou foi ontem condenado a quatro meses de prisão pelo Supremo Tribunal de Justiça do país, que o considerou culpado de divulgar informações confidenciais enquanto ainda exercia funções. Ma Ying-jeou, de 67 anos, vai recorrer da decisão do Supremo, de acordo com um comunicado divulgado pelos advogados após o veredicto. O antigo chefe de Estado tinha sido considerado inocente por um tribunal distrital de Taipé no ano passado, mas o Ministério Público recorreu da decisão. O caso remonta a 2013, altura em que o Presidente, ainda em funções, divulgou informações sobre uma conversa telefónica entre o ex-presidente do Parlamento Wang Jin-pyng e o legislador do partido da oposição Ker Chien-ming. No poder entre 2008 e 2016, Ma estreitou as relações com a República Popular da China, sendo o terceiro ex-Presidente da ilha a enfrentar acusações criminais depois de deixar o cargo.


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Anúncio Concurso Público N.º 16/ID/2018 «Empreitada da Obra n.º 1 – Instalação de infraestruturas e barreiras metálicas para a 65.ª Edição do Grande Prémio de Macau» 1. 2. 3. 4.

Entidade que preside ao concurso: Instituto do Desporto. Modalidade de concurso: concurso público. Local de execução da obra: Circuito da Guia. Objecto da empreitada: montagem de barreiras metálicas incluindo trabalhos de construção metálica e civil (fundações, transições e pinturas), construção e montagem de portões, execução e colocação de conjuntos de segurança por cabos e redes de protecção e providenciar a respectiva manutenção de todo o sistema montado. 5. Prazo máximo de execução: seguir as datas limites constantes no caderno de encargos. 6. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso. 7. Tipo de empreitada: a empreitada é por preço global (os itens «Se necessários» mencionados no Anexo IV – Lista de quantidades e do preço unitário do Índice Geral do Processo de Concurso são retribuídos por série de preços através da medição das quantidades executadas). 8. Caução provisória: $700 000,00 (setecentas mil) patacas, a prestar mediante depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do Fundo do Desporto), garantia bancária ou seguro caução (emitida a favor do Fundo do Desporto) aprovado nos termos legais. 9. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço base: não há. 11. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. 12. Sessão de esclarecimento: a sessão de esclarecimento terá lugar no dia 23 de Maio de 2018, quartafeira, pelas 10,00 horas, na sala de reuniões do Edifício do Grande Prémio de Macau, sito na Avenida da Amizade n.º 207, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora da sessão de esclarecimento acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a sessão de esclarecimento será adiada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, dia e hora limite para a apresentação das propostas: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora limite: dia 13 de Junho de 2018, quarta-feira, até às 12,00 horas. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 14. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora: dia 14 de Junho de 2018, quinta-feira, pelas 9,30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a apresentação das propostas de acordo com o mencionado no artigo 13 ou em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 15. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da respectiva cópia: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Hora: horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Na Divisão Financeira e Patrimonial do Instituto do Desporto, podem obter cópia do processo do concurso mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço total da obra: 70% - Prazo de execução da obra: 10% - Plano de trabalhos: 10% - Experiência em obras semelhantes: 10% 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes devem comparecer no Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, até à data limite para a apresentação das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Instituto do Desporto, 16 de Maio de 2018. O Presidente, Pun Weng Kun

16.5.2018 quarta-feira

Anúncio Concurso Público N.º 17/ID/2018 «Empreitada da Obra n.º 2 – Instalações para VIPs, patrocinadores e comentadores para a 65.ª Edição do Grande Prémio de Macau» 1. 2. 3. 4.

Entidade que preside ao concurso: Instituto do Desporto. Modalidade de concurso: concurso público. Local de execução da obra: zona do passeio pedonal do Reservatório. Objecto da empreitada: instalação duma estrutura temporária para as zonas de VIPs, de patrocinadores e de comentadores, incluindo a montagem e desmontagem de uma estrutura metálica de dois andares com cobertura, assim como o planeamento, montagem e desmontagem das bancadas provisórias para espectadores localizadas no passeio pedonal do Reservatório, denominadas por VIP Stand. 5. Prazo máximo de execução: seguir as datas limites constantes no caderno de encargos. 6. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso. 7. Tipo de empreitada: a empreitada é por preço global (os itens «Se necessários» mencionados no Anexo IV – Lista de quantidades e do preço unitário do Índice Geral do Processo de Concurso são retribuídos por série de preços através da medição das quantidades executadas). 8. Caução provisória: $300 000,00 (trezentas mil) patacas, a prestar mediante depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do Fundo do Desporto), garantia bancária ou seguro caução (emitida a favor do Fundo do Desporto) aprovado nos termos legais. 9. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço base: não há. 11. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. 12. Sessão de esclarecimento: a sessão de esclarecimento terá lugar no dia 23 de Maio de 2018, quartafeira, pelas 11,30 horas, na sala de reuniões do Edifício do Grande Prémio de Macau, sito na Avenida da Amizade n.º 207, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora da sessão de esclarecimento acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a sessão de esclarecimento será adiada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, dia e hora limite para a apresentação das propostas: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora limite: dia 6 de Junho de 2018, quarta-feira, até às 12,00 horas. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 14. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora: dia 7 de Junho de 2018, quinta-feira, pelas 9,30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a apresentação das propostas de acordo com o mencionado no artigo 13 ou em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 15. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da respectiva cópia: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Hora: horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Na Divisão Financeira e Patrimonial do Instituto do Desporto, podem obter cópia do processo do concurso mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço total da obra: 60% - Prazo de execução da obra: 5% - Plano de trabalhos: 15% - Experiência em obras semelhantes: 15% - Equipamentos e materiais a utilizar na obra: 5% 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes devem comparecer no Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, até à data limite para a apresentação das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Instituto do Desporto, 16 de Maio de 2018. O Presidente, Pun Weng Kun


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quarta-feira 16.5.2018

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 015/2018

Notificação n.º 016/2018

Considerando que não é possível notificar pessoalmente os interessados, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, ficam, pela presente, notificados, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, os requerentes abaixo mencionados, que pediram o apoio financeiro junto do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética, adiante designada por FPACE:

Considerando a impossibilidade de notificar pessoalmente os interessados, de acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os seguintes requerentes que apresentaram pedidos de apoio financeiro ao Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética, são notificados por edital, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do mesmo Código: Nome dos requerentes

N.º de registo de entrada

CHIBA SPORTS ASSOCIATION COMPANHIA KAO POU LIMITADA LONG WANG CASAS DE DESENVOLVER LIMITADA 昊昇置業有限公司 CHEONG KAM LONG

FP1005404 FP1006199

Montante do apoio financeiro concedido (patacas) 4,000.00 34,320.00

FP1006838

13,392.00

FP1006862 FP1006769

12,960.00 1,907.20

Foram deferidos pelo Conselho Administrativo do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética os pedidos de concessão de apoio financeiro formulados pelos requerentes acima referidos, pelo que estes devem, para efeitos de concessão do mesmo e no prazo de 30 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, proceder à entrega da Declaração (modelo 14) e da factura relativas aos produtos e equipamentos adquiridos ou substituídos, das fotografias com as características definidas no “Regulamento para a entrega de fotografias dos produtos e equipamentos adquiridos e instalados” e os outros documentos considerados necessários, sob pena de o respectivo apoio financeiro concedido vir a ser cancelado nos termos da alínea 4) do n.º 1 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2011 (Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética). Quer durante a instalação quer durante a utilização dos produtos e equipamentos aprovados para a concessão do apoio financeiro, os requerentes devem observar e cumprir a legislação local e as instruções emitidas para o efeito, disponíveis no sítio da Internet da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. Os requerentes devem instalar e utilizar os produtos e equipamentos aprovados para a concessão do apoio financeiro nos locais indicados no despacho de concessão. Em caso da não instalação e não utilização dos produtos e equipamentos nos respectivos locais ou da ocorrência de grandes alterações, nomeadamente devido a obras de decoração, a transferência de estabelecimento, a cessação da actividade do estabelecimento, entre outras circunstâncias, os requerentes devem apresentar um pedido fundamentado, por escrito, ao FPACE, no prazo de 210 dias após a ocorrência da mudança, para que se faça a verificação do respectivo pedido. Caso esse pedido seja apresentado fora do prazo, ou os produtos e equipamentos aprovados para a concessão do apoio financeiro não sejam instalados e utilizados de acordo com o despacho de concessão, pode ser cancelada a concessão do apoio financeiro, nos termos do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2011 (Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética), sendo exigido aos beneficiários a restituição do montante do apoio financeiro concedido. Sobre a decisão de indeferimento tomada pelo Conselho Administrativo da FPACE pode ser apresentada reclamação para o mesmo Conselho Administrativo, no prazo de 15 dias, contados a partir da data da publicação da presente notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo e/ou pode ser interposto recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, no prazo de 30 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, de acordo com o disposto no artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso. Os requerentes podem, durante as horas de expediente, telefonar para o n.° 28762626 e marcar uma consulta para aceder aos respectivos processos, deslocando-se à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita no 1.º andar do Edifício C.E.M., Estrada D. Maria II, n.os 32 a 36, em Macau. 16 de Maio de 2018. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man

Nome dos requerentes COME MART 24 SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA. CHONG KAM CHIO BIO CULTURA DA BELEZA LIMITADA

N.º de registo de entrada FP1005920 FP1007111 FP1007598

Tendo-se verificado que a designação do estabelecimento constante da declaração modelo M/1 da Contribuição Industrial, apresentada pelos referidos requerentes para o pedido de concessão do apoio financeiro, não corresponde à designação do estabelecimento verificada in loco pela inspecção do pessoal da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, assim como por as requerentes não terem entregado ainda a declaração modelo M/1 da Contribuição Industrial actualizada, nem terem dado quaisquer justificações, nos termos da alínea 1) do n.º 2 do artigo 10.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2011 “Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, os processos de candidaturas não podem ser instruídos, pelo que o Conselho Administrativo procedeu ao arquivamento dos pedidos de apoio financeiro apresentados pelas referidas requerentes. Informa-se ainda que, em relação à decisão tomada pelo Conselho Administrativo do FPACE, a requerente pode apresentar reclamação para o mesmo Conselho Administrativo, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo e/ou interpor recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, no prazo de 30 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, de acordo com o disposto no artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso. Os requerentes podem, durante as horas de expediente, telefonar para o n.° 28762626 e marcar uma consulta para aceder aos respectivos processos, deslocando-se à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita no 1.º andar do Edifício C.E.M., Estrada D. Maria II, n.os 32 a 36, em Macau. 16 de Maio de 2018. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man

Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.º 017/2018 Considerando a impossibilidade de notificar pessoalmente os interessados, de acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os seguintes requerentes, que apresentaram pedidos de apoio financeiro ao Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética, são notificadas por edital, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do mesmo Código: Nome dos requerentes NGAI MAN IN ASIA PRODUTOS DE BELEZA SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA WONG HOI TOU 燊亨元有限公司 LAVANDE LDA. XIE QIUZHONG COMPANHIA DE GRUPO MEI GAO MEI, LIMITADA

N.º de registo de entrada FP1003507 FP1003546 FP1003589 FP1005968 FP1006248 FP1007201 FP1006726

Devido à não entrega, decorrido o prazo de 30 dias após a recepção da notificação sobre o resultado do pedido, pelos requerentes acima referidos, da Declaração (modelo 14) e da factura relativas aos produtos e equipamentos adquiridos ou substituídos, das fotografias com as características definidas no “Regulamento para a entrega de fotografias dos produtos e equipamentos adquiridos e instalados” e de outros documentos considerados necessários, proceder-se-á ao respectivo cancelamento da concessão de apoio financeiro, nos termos da alínea 4) do n.º 1 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2011 (Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética). De acordo com o disposto nos artigos 93.º e 94.° do Código do Procedimento Administrativo, os requerentes acima referidos podem, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, apresentar justificação escrita. Os requerentes podem, durante as horas de expediente, telefonar para o n.° 28762626 e marcar uma consulta para aceder aos respectivos processos, deslocando-se à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita no 1.º andar do Edifício C.E.M., Estrada D. Maria II, n.os 32 a 36, em Macau. 16 de Maio de 2018. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE, Tam Vai Man


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Em busc

LIVRO “O ORIENTE NA LITERATURA PORTUGUE

O papel que Antero de Quental e Manuel tada amanhã no Clube Militar. O livro, qu

O

que têm em comum Antero de Quental (1842-1891) e Manuel da Silva Mendes (1867-1931)? Além de pertencerem a “uma geração de grande empenhamento político e social” e “fecunda do ponto de vista literário”, partilharam “uma busca por correntes sapienciais” do Oriente, “com o objectivo pedagógico de regenerar o Homem e, por conseguinte, a sociedade”. Quem é o diz é Carlos Botão Alves, autor d’ “O Oriente na Literatura Portuguesa – Antero de Quental e Manuel da Silva Mendes” que, embora publicada em 2016, vai ser oficialmente apresentada amanhã no Clube Militar. O livro, que mergulha na área do pensamento e da literatura, visa “a compreensão de como é que os dois autores activaram um conjunto de estratégias e de instrumentos para efectivarem uma real tradução cultural”. Uma acção com a qual pretenderam “inserir elementos da sabedoria e da filosofia orientais (budista

e taoísta) nos seus sistemas de interpretação do mundo e do Homem”, lê-se na sinopse da obra que integra a colecção Suma Oriental do IIM. Em entrevista ao HM, o professor e investigador do Instituto Politécnico de Macau (IPM) coloca a tónica precisamente na “reflexão profunda” que ambos fizeram, apesar das diferentes formas de contacto com a cultura oriental. Isto porque, no caso de Antero de Quental, a exposição ocorre por via dos livros, sobretudo das traduções francesas, enquanto Manuel da Silva Mendes estabeleceu um contacto directo em Macau. A Carlos Botão Alves interessou acima de tudo “esse passo de ir conhecer o outro – esse traço de atitude” – mais do que a forma de contacto. “As primeiras grandes traduções da história do encontro com o Oriente foram feitas nos mosteiros por pessoas que, apesar de nunca terem visto o Oriente, o compreendiam. O ver é no século XX e XXI”, sublinha o investigador, apontando que


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ca da sabedoria oriental

UESA – ANTERO DE QUENTAL E MANUEL DA SILVA MENDES”

da Silva Mendes desempenharam no diálogo cultural entre a Europa e o Oriente figura no centro da obra que vai ser apresenue resulta de um trabalho de investigação de Carlos Botão Alves, tem a chancela do Instituto Internacional de Macau (IIM)

o contacto directo pode ter, aliás, desvantagens: “Pode dar a ilusão de proximidade e de maior potenciação de um conhecimento, mas pode fazer sobretudo com que se resolva essa necessidade que o homem tem de encontrar o outro por estar perto”. Com efeito, “muitas vezes, o que sucede, como na Macau actual, é que, de facto, nunca se encontram realmente, vivendo em paralelo”, sustenta Carlos Botão Alves, para quem que o contacto directo pode levar ainda ao “desencanto”. A Antero de Quental e a Manuel da Silva Mendes interessou “o Oriente intelectual que permite emprestar determinados conceitos ao Ocidente para este se regenerar”, o que mostra “uma ideia global do Homem que hoje em dia parece muito óbvia, mas que não seria tanto no final do século XIX”, sublinha o investigador.

MERGULHO A ORIENTE

“Estes dois homens atravessaram culturas e línguas e foram buscar conceitos que

fazem todo o sentido, criando eles próprios uma súmula. Trata-se de uma enormíssima novidade”, observou o autor. Carlos Botão Alves é, por isso, peremptório ao afirmar que as obras de ambos acabam por “contradizer” a mensagem do famoso poema do britânico Rudyard Kipling à luz da qual “O Oriente é o Oriente e o Ocidente é o Ocidente e nunca os dois se encontrarão”. “Ambos tentam fazer com que o homem não se perca na contingência de um mundo que perece e que

“Ambos tentam fazer com que o homem não se perca na contingência de um mundo que perece e que muda e fazem-no através dessa aproximação a Oriente.”

muda e fazem-no através dessa aproximação a Oriente, realça o autor, para quem os dois republicanos confessos “perceberam exactamente que a actividade política que nunca negaram e continuaram só se faz se houver uma riqueza espiritual que o permita. Era o que faltava ser devidamente cultivado na cultura ocidental que eles vêm buscar às correntes orientais”, destaca Carlos Botão Alves. “Pode-se perguntar como homens tão empenhados na vida sociopolítica do momento (Antero de Quental sempre em Portugal e Manuel da Silva Mendes em Portugal e em Macau) se interessaram por questões como o budismo ou o taoísmo. Ora, tal faz todo o sentido”, enfatiza. Isto porque “não lhes interessa estudar o budismo como budismo, ou o taoísmo como taoísmo, ou mesmo a raiz de todos eles: o hinduísmo. Não lhes interessam só por si, mas antes na medida em que podem ser esclarecedoras para a sua própria cultura”, complementa. “É a ideia de que se está a ganhar no material e a perder no espiritual que os leva a lançarem um apelo a outras culturas onde podem encontrar ainda uma flama de espiritualidade”. Carlos Botão Alves dá o exemplo concreto do poeta da geração de 70. “Lidos que estão Saint-Simon, Owen ou Proudhon, ou seja, todos aqueles teóricos do socialismo do século XIX, nomeadamente as correntes francesas, [fica patente] que a reforma sociopolítica só se fará se puderem criar condições inerentes a cada um dos indivíduos para que eles próprios se reencontrem”, contextualiza. Ora, é precisamente essa “preocupação pedagógica”, de que “é preciso reformar o Homem antes de reformar a sociedade do Homem”, que “faz com que Antero de Quental se interesse pelo budismo” que, como aliás escreveu, “traz consigo toda a satisfação, toda a consolação e toda a alegria”.

Carlos Botão Alves, radicado em Macau desde 1985, iniciou os estudos que culminaram na obra em apreço na década de 1990, a partir da leitura de uma conferência, que lhe “despertou a atenção”, dada por Manuel da Silva Mendes no Clube Militar, onde, precisamente por isso, vai ser apresentado o livro. Em causa, “talvez o mais longo texto de Silva Mendes sobre o ‘Tao Te King’ [clássico de Lao Tse] e a via da verdade e da virtude”. O interesse do autor por Silva Mendes começou naquele momento, mas viria a amadurecer de forma particularmente profícua quando foi dar aulas na Universidade PUB

Jawaharlal Nehru, em Nova Deli, durante dois anos, como professor convidado. “Foi ali que tive contacto directo com os textos em edições muito cuidadas das correntes de sabedoria indiana, que estão na base de tudo”, explica o autor. Esse trabalho acabou por conduzir a uma tese de doutoramento em literatura comparada, no âmbito da qual se debruçou sobre a obra sonetística de Antero de Quental (com a qual “convivia já há várias décadas por via dos estudos) e a produção ensaística de Manuel da Silva Mendes. “Queria encontrar uma forma de puxar o Silva Mendes para as luzes da ribalta e a forma

que encontrei foi fazer um trabalho de literatura comparada com Antero de Quental”. Carlos Botão Alves acabou por ir mais longe, entrando num contexto mais alargado dos estudos orientalistas quando, na busca por conceitos que permitissem analisar os textos de ambos e aproximá-los, encontrou no domínio da chamada tradução cultural um campo fértil para pôr então Antero de Quental e Manuel da Silva Mendes lado a lado. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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Síntese do relatório de actividades Embora o mercado financeiro mundial seja cada vez mais complexo, e deparamo-nos na conjuntura de exploração em 2017 tinha muitos desafios, temos prosseguido desde sempre o conceito de “servir em primeiro lugar os clientes” e “prestar um serviço profissional” de Chong Hing Bank, persistindo em desenvolver operações através da gestão de risco com prudência, e este ano as actividades do banco desenvolveram-se sem grandes problemas e os resultados operacionais foram excelentes. Até 31 de Dezembro de 2017, este banco teve em termos operacionais receita líquida no valor de 59,89 milhões patacas (doravante, a mesma moeda monetária), com uma redução de 8.98%, em comparação com o ano transacto, e o lucro anual deduzido de impostos foi de 33,54 milhões, registando uma redução de 28.95%. O total de depósitos dos clientes foi de 458 milhões, representando um aumento de 48.53%. O total de empréstimos aos clientes atingiu o valor de 3.489 milhões, registando um aumento de 34.8% e o total dos activos situou-se em 3.896 milhões, registando um aumento de 32.12%. Para o ano de 2018, este filial vai continuar a aproveitar as oportunidades existentes, e com o grande apoio da Sede, empenhar-se-á em elevar a competitividade inovadora, garantindo proporcionar aos clientes produtos e serviços de melhor qualidade, retribuindo aos cidadãos de Macau em virtude da confiança e do apoio demonstrado. Gerente: Lau Hing Keung

RELATÓRIO DO AUDITOR EXTERNOS SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDOS PARA A GERÊNCIA DO CHONG HING BANK LIMITED, SUCURSAL DE MACAU As demonstrações financeiras resumidas anexas do Chong Hing Bank Limited, Sucursal de Macau (a Sucursal) referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2017 resultam das demonstrações financeiras auditadas e dos registos contabilísticos da Sucursal referentes ao exercício findo naquela data. Estas demonstrações financeiras resumidas, as quais compreendem o balanço em 31 de Dezembro de 2017 e a demonstração dos resultados do exercício findo naquela data, são da responsabilidade da Gerência da Sucursal. A nossa responsabilidade consiste em expressar uma opinião, unicamente dirigida a V. Exas. enquanto Gerência, sobre se as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sucursal, e sem qualquer outra finalidade. Não assumimos responsabilidade nem aceitamos obrigações perante terceiros pelo conteúdo deste relatório. Auditámos as demonstrações financeiras da Sucursal referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2017 de acordo com as Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria emitidas pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau, e expressámos a nossa opinião sem reservas sobre estas demonstrações financeiras, no relatório de 16 de Março de 2018. As demonstrações financeiras auditadas compreendem o balanço em 31 de Dezembro de 2017, a demonstração dos resultados, a demonstração de alterações nas reservas e a demonstração dos fluxos de caixa do exercício findo naquela data, e um resumo das principais políticas contabilísticas e outras notas explicativas. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sucursal. Para uma melhor compreensão da posição financeira da Sucursal, dos resultados das suas operações e do âmbito da nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas em anexo devem ser lidas em conjunto com as demonstrações financeiras auditadas e com o respectivo relatório do auditor independente. Cheung Pui Peng Grace Auditor de contas PricewaterhouseCoopers Macau, 29 de Março de 2018


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Sun Hung Kai Investment Services Limited (Sucursal de Macau)

(Publicações ao abrigo do artigo 76º do RJSF, aprovado pelo Decreto-Lei nº 32/93/M, de 5 de Julho)

a)

b)

investimentos diversificados. A Sucursal continuará a recrutar especialistas financeiros e empenhar-se-á na formação de graduados universitários locais em consultores financeiros e profissionais qualificados. Pretendemos promover a formação na gestão financeira junto da comunidade e contribuir, com o nosso esforço, para o desenvolvimento do sector financeiro de Macau. Sendo um membro de “Everbright Sun Hung Kai Company Limited”, a Sucursal de Macau esforçarse-á, no pressuposto de controlo eficiente de risco, concretizar um desenvolvimento de qualidade, acompanhar os novos tempos, iniciando uma nova navegação, criando novo ambiente, para se conseguir novos êxitos. E, honrará o firme compromisso de dar prioridade aos interesses dos clientes, de forma a prestar aos investidores de Macau serviços financeiros da melhor qualidade.

Relatório de Auditor Independente sobre Demonstrações Financeiras Resumidas Síntese do Relatório de Actividades

A gerência do Sun Hung Kai Investment Services Limited (Sucursal de Macau)

Resultados Financeiros A SUN HUNG KAI INVESTMENT SERVICES LIMITED — SUCURSAL DE MACAU (adiante designada por “Sucursal de Macau”) registou uma receita operacional total para o ano findo em 31 de Dezembro de 2017 de MOP $16.587.816, com um lucro de MOP $3.040.704 após os impostos.

Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras do Sun Hung Kai Investment Services Limited (Macau branch). relativas ao ano de 2017, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 18 de Abril de 2018, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo.

Retrospectiva das actividades Em 2017, o bom desempenho dos principais mercados mundiais de acções conduziu a uma subida da bolsa de valores de Hong Kong, tendo o Hang San Index subido mais de 30%, atingindo nesse ano os 30 mil pela primeira em 10 anos. O montante diário de transacções, em média, foi de 88,2 mil milhões, o que representa uma subida de 32% face aos 66,9 mil milhões do ano de 2016, tendose registado um aumento no rendimento das comissões dos bolsistas desta Sucursal de Macau, e uma subida de 53% na receita operacional geral em comparação com o ano de 2016; um aumento das despesas operacionais de 51%; um aumento de 71% no lucro líquido após os impostos.

As demonstrações financeiras a que acima se alude compreendem a demonstração da posição financeira, à data de 31 de Dezembro de 2017, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações na conta de sede e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas.

Desenvolvimento das actividades Em 2015, a Everbright Securities Co. Ltd adquiriu 70% dos direitos das acções da Sun Hung Kai Investment Services Limited. Após a colaboração e coordenação entre os diversos departamentos de ambas as partes, e após mais de um ano de integração, registou-se finalmente um grande progresso, tendo lançado, oficialmente, a nova marca “Everbright Sun Hung Kai Company Limited”, no dia 18 de Dezembro de 2017. Isso significa a integração dos recursos de ambas as partes e a concentração de vantagens para conquistar novos terrenos no mercado internacional, encaminhando-se para o objectivo de ser o pioneiro no sector financeiro. Perspectivando o ano de 2018, esta Sucursal de Macau empenhar-se-á não só em continuar a desenvolver, as actividades bolsistas de acções, como também irá desenvolver outros serviços de produtos financeiros, para prestar aos clientes serviços de gestão financeira e produtos de

As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas. Para a melhor compreensão da posição financeira do Sun Hung Kai Investment Services Limited (Sucursal de Macau) e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria. Bao, King To Auditor de Contas Ernst & Young – Auditores Macau, aos 18 de Abril de 2018


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Uma certa quantidade de gente à procura de gente à procura duma certa quantidade

A Poesia Completa de Li He

古悠悠行 白景歸西山,碧華上迢迢。   今古何處盡?千歲隨風飄。   海沙變成石,魚沫吹秦橋。   空光遠流浪,銅柱從年消。

Balada Do Tempo Imparável A luz alva regressa aos Montes do Oeste. A flor de jaspe sobe pelo céu.1 Quando acabarão o passado e o presente? Milénios se foram em turbilhão no vento. Areis do mar se petrificaram. Os peixes fazem bolhas sob a ponte de Qin.2 As luzes no vazio à deriva longe, muito longe, Pilares de bronze derretendo-se com os anos.3

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Talvez uma referência à lua. Qin Shi Huang-di tentou construir uma ponte sobre o mar até às ilhas da imortalidade, mas esta foi destruída por espíritos. Referência aos pilares, com uma circunferência de 3000 li, que sustentavam o céu sobre a Montanha de Kun-lun.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 21

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diários de próspero António Cabrita

O que volta em farsa

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AMBÉM a mim aconteceu que a minha vida mudou no dia em que me vi desintoxicado do frenesim da paixão amorosa. Até aí frequentei o mundo das cabeçadas a esmo. Não, não renunciei a nada, nem me vi desprovido de entusiasmo. A grande mudança foi ocasionada simplesmente por uma alteração na minha percepção quando comecei a distinguir entre o entusiasmo e a paixão e separei uma coisa de outra; foi como conseguir alternar finalmente o dia e a noite, ao invés de tudo me parecer governado pelo regime nocturno como antes. Depois, deixei de idolatrar a paixão, ou de a isolar como exclusivo motor do desejo, para começar a desviar parte da sua energia para outros âmbitos fora de mim. Para a arte e a escrita, é um supor. Para o amor filial. Para a responsabilidade, uma descoberta em mim tardia. (Hoje, ser responsável permite-me ir mais a fundo quando folgo com uma irresponsabilidade, é mais pertinaz o crime daquele que habitualmente pratica o bem; mas isso não se sabe antes, quando apenas petiscávamos na irresponsabilidade por nos faltar a coragem para sermos responsáveis.) E logrei aí o movimento de quem converte um deus monogâmico às vantagens do politeísmo. Ganhei nesta minha desintoxicação uma tremenda qualidade de vida, ao aceitar a imensidão de um mundo fora de mim e que eu não tenho de possuir tudo. Primeiro passo para começar a desejar poucas coisas. Os “votos de pobreza” podem mesmo dar uma tremenda liberdade. Por outro lado, a vera pobreza avivou em mim o mecanismo da memória, ou a consciência da sua importância para nos mantermos à tona de uma época naufragada na irrelevância, como diria o Castoriadis. Os desequilíbrios da vida, para quem não tem bens de raiz e tem de experimentar o que a vida vai dando, trazem muitas oportunidades para hipotecarmos x e y. Aprendemos rapidamente que só uma coisa nos faz realmente falta e que a essa não podemos hipotecar: a memória. Ora, ficamos atolados na mais aviltante das sociedades de espectáculo quando tudo se reproduz como se memória não houvesse. Piero Manzoni nos anos sessenta assinava as peanhas que os visitantes da galeria galgavam para fingirem que eram as esculturas. Vinte anos depois Philippe Thomas, escudado por detrás da agência que fundou, Os Ready-Made, editava um cartaz propondo a seguinte fórmula: “História de Arte Procura Personagens… não espere por amanhã para entrar na História”, e na imagem via-se uma fila incompleta de grossos livros de arte, sendo cada

leitor convidado a imaginar o seu próprio nome na lombada de um livro, ao lado daquele onde já se lia Pop Art e Warhol”. Pagando, está claro. No caso de Manzoni ainda tínhamos uma natural extensão dos “efeitos Duchamp”, com a agência Os Ready Made já estamos diante da degeneração de um acto criativo em dejecto comercial. É o triunfo da farsa em que tudo volta, segundo Marx.

Contudo, já Duchamp embarcara num equívoco. Reclamava ele: “Eu dou aquele que observa (a obra de arte) tanta importância como àquele que a realizou”. A dúvida coloca-se em saber se em trocando de posições haveria depois alguma coisa para ser observada. Talvez o observador afinal não saiba executar a escultura de Rui Chafes. Esta foi uma das ilusões do Modernismo mas como

Os desequilíbrios da vida, para quem não tem bens de raiz e tem de experimentar o que a vida vai dando, trazem muitas oportunidades para hipotecarmos x e y. Aprendemos rapidamente que só uma coisa nos faz realmente falta e que a essa não podemos hipotecar: a memória

todas as coisas iniciais eram então necessárias. Voltou a coisa em farsa. Vem isto a propósito do festival de Eurovisão, a que assisti ontem, e do seu desfecho. Foi um espectáculo agradável e houve duas canções boas, a lituana e a alemã, e a representação portuguesa esteve muitos furos acima da sua classificação. Mas a soma do voto dos júris deu a vitória a uma assim-assim, a da Aústria (que era mais do mesmo e lembrava-me John Legend), tendo ficado em segundo e terceiros do piorio que lá se encontrava. Depois a votação popular esclareceu-nos como o “princípio da realidade” é o ocaso da memória afogada na latrina das galinholas. Ganhou Israel e uma canção e cantora que só imitam em farsa grotesca o que já foi sublime. Há 25 anos apareceu uma cantora que além de uma grande compositora revelou dotes performáticos notáveis e que pegou na pop e na música electrónica para a trançar com enorme riqueza expressiva em alguma música contemporânea. É um marco de excelência. Falo da Bjork, um caso de luxo criativo. Ninguém deu conta porque a sociedade telemática nos mantém reféns do eterno presente das sociedades orais, mas a miúda de Israel (de uma gentil feiura) procurava imitar em tudo a Bjork, só que agora em kitsch, em farsa grotesca, do penteado (lembro-me do desgosto que tive quando a Bjork teve aquele penteado, que odeio), ao figurino, e até aos experimentos vocais. Embora tudo o que é excelente na outra aqui seja ridículo, pura escória. Se as pessoas se lembrassem da Bjork quem votaria naquela paródia grotesa, mesmo que tingida de humor? Coitado do Sobral, na véspera havia declarado que a canção de Israel era uma merda e depois teve de ser politicamente correcto. Não lhe caíram os pergaminhos mas deve ter sentido um profundo alívio por se descartar daquele meio. O que se passou ontem é um sintoma de algo há muito diagnosticado. A única coisa que choca foi verificar que a maior parte daqueles cantores tinha estudos musicais “desde criança” aceitou interpretar canções da treta. Gostaria de não ter de saber que no Conservatório estudam Messiaen e que ali se entregam à vulgaridade, espetando a navalha nas costas da arte. Tudo em nome da fama, que como diria o Camões é “a vã cobiça dessa vaidade a que chamamos fama”. Eis a prova de que o Mercado não tem atributos, é como o tamboril – o gosto é-lhe emprestado. Era o mesmo comigo quando me apaixonava a torto e a direito, como o feio tamboril. Agora felizmente já separo os ímpetos do entusiasmo da filigrana da paixão.


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Anúncio Concurso Público para «Empreitada de Alargamento da Fase 1 do Centro Hospitalar Conde São Januário – Edifício de Especialidade de Saúde Pública – Obra de Fundações» 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13.

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Entidade que põe a obra a concurso: Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas. Modalidade de concurso: concurso público. Local de execução da obra: no lote de terreno a sudoeste do Centro Hospitalar Conde São Januário.. Objecto da empreitada: construção de fundações do Edifício de Especialidade de Saúde Pública Prazo máximo de execução: 760 (setecentos e sessenta) dias de trabalho (Indicado pelo concorrente; Deve consultar os pontos 7 e 8 do Preâmbulo do Programa de Concurso). Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por série de preços. Caução provisória: $2 500 000,00 (dois milhões e quinhentas mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido ou renovado a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido ou da renovação de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar; Dia e hora limite: dia 20 de Junho de 2018 (quarta-feira), até às 17:00 horas. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, sala de reunião; Dia e hora: dia 21 de Junho de 2018 (quinta-feira), pelas 9:30 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e consulta do processo: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar; Hora: horário de expediente; Preço: $2 500,00 (duas mil e quinhentas patacas). Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço da obra 50%; - Prazo de execução: 10% - Plano de trabalhos: 18%; - Experiência e qualidade em obras: 22%; Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, a partir de 11 de Junho de 2018, inclusive, e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 10 de Maio de 2018. O Coordenador, substituto Sam Weng Chon

Notificação Edital (Solicitação de comparência de empregador)

N.° 22 /2018

Nos termos das alíneas b) e c) do n.° 1 do artigo 6.° do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.° e o n.° 2 do artigo 72.° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, ficam os indivíduos abaixo mencionados notificados para no prazo de 15 (quinze) dias a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT) da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sito na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221 a 279, Edifício "Advance Plaza", 1.° andar: 1) O empregador Tam Chio Meng, proprietário de Kong Meng Decoration Engineering, para prestar declarações relativas ao processo n.º 2564/2017 que foi instaurado devido à queixa apresentada nestes Serviços, pelos trabalhadores Chio Chon Hong e Mui Fai Meng, em 06 de Novembro de 2017, relativa à matéria de salário. 2) O empregador Tam Chio Meng, proprietário de Kong Meng Decoration Engineering, para prestar declarações relativas ao processo n.º 326/2018 que foi instaurado devido à queixa apresentada nestes Serviços, pelos trabalhadores Ieong Ion Seng, Leong Se Lit e Kam Kun Meng, em 09 de Fevereiro de 2018, relativa à matéria de salário. O Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, Lai Kin Lon 10 de Maio de 2018


publicidade 23

quarta-feira 16.5.2018

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 23/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 27 de Abril de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Dois Ventiladores Mecânicos aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 16 de Maio de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP41,00 (quarenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São

Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 15 de Junho de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 19 de Junho de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP18.800,00 (dezoito mil e oitocentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 10 de Maio de 2018 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 24/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 4 de Maio de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Nove Conjuntos de Cistoscópio Flexível aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 16 de Maio de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP38,00 (trinta e oito patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São

Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 12 de Junho de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 13 de Junho de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP42.000,00 (quarenta e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 10 de Maio de 2018 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip


24 desporto

16.5.2018 quarta-feira

Liga dos Campeões AFC Tianjin Quanjian, de Paulo Sousa, nos "quartos"

SPORTING FEDERAÇÃO DE ANDEBOL DENUNCIA CASO DE CORRUPÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO

Mão cheia de suspeitas

A Federação de Andebol de Portugal (FAP) anunciou ontem que vai denunciar ao Ministério Público (MP) sobre a alegada corrupção a equipas de arbitragem por parte do Sporting, remetendo ainda o processo para o Conselho de Disciplina (CD)

A

FA P emitiu um esclarecimento sobre a notícia avançada ontem pelo jornal Correio da Manhã, sobre o alegado esquema de corrupção para favorecer os ‘leões’ na época 2016/17, quando conquistou o título de campeão nacional, após 16 anos de jejum. Neste comunicado, o organismo diz que a direcção da FAP, “tendo tomado conhecimento de notícia que poderá configurar alegados ilícitos de natureza criminal”, vai fazer, “no imediato, denúncia obrigatória ao MP”, cumprindo a legislação em vigor. “Tendo em vista o apuramento de eventuais responsabilidades de natureza disciplinar, por parte de agentes desportivos que exerçam funções no seio e âmbito da modalidade, a direcção efectuará participação, de imediato, ao CD da FAP”, prossegue o organismo, dando conta da sua disponibilidade para “colaborar com as entidades competentes, no sentido de apuramento de eventuais respon-

sabilidades desportivas, civis ou criminais de agentes desportivos filiados na modalidade”.

MENSAGENS SUSPEITAS

Antes, em resposta enviada à agência Lusa, a PGR confirmou a existência de "um inquérito relacionado com a matéria" e dirigido pelo MP do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto. Na sua edição de ontem, o Correio da Manhã revela alegadas irregularidades cometidas para viciar o campeonato 2016/17 a favor do Sporting, que acabou por conquistar o título, entretanto revalidado já esta época. Segundo o jornal, o alegado esquema de corrupção no andebol envolvia "a compra de

equipas de arbitragem, quer para os ‘leões’ ganharem, quer para o FC Porto, com o qual disputaram o campeonato até ao fim, perder" e abrangeu a época de 2016/17. O CM cita conversas e trocas de mensagens de voz entre empresários, na aplicação WhatsApp, e que segundo o jornal "mostram como André Geraldes, hoje director de futebol do Sporting, coordenava toda a batota". O jornal publica ainda uma entrevista com o empresário Paulo Silva, alegadamente intermediário em todo o esquema, que fala em "fraude nas modalidades", confessa ter alinhado no esquema de corrupção "ao serviço do seu clube do coração [Sporting]" e diz que recebia 350

O CM cita conversas e trocas de mensagens de voz entre empresários, na aplicação WhatsApp, e que segundo o jornal “mostram como André Geraldes, hoje director de futebol do Sporting, coordenava toda a batota”

Futebol Federação alemã prolonga contrato com Joachim Löw até 2022 A Federação Alemã de Futebol (DBF) prolongou ontem até 2022 o contrato com o seleccionador de futebol Joachim Löw, que ocupa o cargo desde 2006 e levou a Alemanha ao título mundial em 2014. Löw, de 56 anos, continuará a trabalhar com o seu adjunto Thomas Schneider e com o treinador de guarda-redes Andreas Koepke. A DBF prolongou também o vínculo com Oliver Bierhoff, que irá manter-se como director desportivo da selecção

até 2024. No comando técnico da selecção alemã, que assumiu em 2006 depois de ter sido adjunto de Jurgen Klinsmann, Löw venceu o Mundial2014 e a Taça da Confederações em 2017, tendo sido finalista do campeonato da Europa de 2008, diante da Espanha, ao perder por 1-0. No Mundial2018, a Alemanha vai iniciar a defesa mundial integrada no grupo F, juntamente com as selecções do México, da Suécia e da Coreia do Sul.

euros por cada árbitro de andebol que corrompia. O Sporting apelou à celeridade das autoridades na averiguação à alegada corrupção no campeonato nacional de andebol de 2016/17, considerando-se um “alvo a abater” por continuar a “lutar e a querer transparência e verdade desportiva”. “O Sporting confia na Justiça e no Estado de Direito e deseja que a alegada investigação anunciada pelo Ministério Público seja célere e que vá até às últimas consequências no apuramento da verdade”, lê-se no comunicado do Sporting. Nesta mesma nota, o clube diz tratar-se do “primeiro capítulo de uma campanha, mais uma, que visa exclusivamente denegrir a imagem da instituição Sporting”. “Não nos revemos em qualquer prática que desvirtue a verdade desportiva ou que sejam ética, moral e socialmente censuráveis”, prosseguem os ‘leões’, que dizem desconhecer agentes e empresários citados e admitem tomar medidas para “que sejam responsabilizados nas instâncias competentes”.

O Tianjin Quanjian, orientado pelo português Paulo Sousa, qualificou-se ontem para os quartos de final da Liga dos Campeões Asiática de futebol, ao empatar 2-2 no terreno do Guangzhou Evergrande, na segunda mão dos oitavos de final. Depois de ter empatado sem golos no encontro da primeira mão, disputado há uma semana, a equipa de Paulo Sousa beneficiou ontem do facto de ter marcado dois golos no terreno do adversário. O brasileiro Ricardo Goulart marcou, aos 17 e 48 minutos, os dois golos da formação da casa, que é orientado pelo ex-futebolista italiano Fabio Cannavaro, tendo os golos do Tianjin Quanjian sido marcados por Alexandre Pato, aos 19 minutos, e Jie Wang, aos 52.

RALI DE PORTUGAL OGIER PROCURA ‘HEXA’ E UM NOVO RECORDE

O

francês Sébastien Ogier (Ford Fiesta) parte como favorito para a 52.ª edição do Rali de Portugal, depois de ter igualado em 2017 o recorde de vitórias do finlandês Markku Alén. O pentacampeão do mundo de ralis chega à sexta prova do campeonato do mundo com três triunfos, em Monte Carlo, no México e em França, mais do que os que conquistou no ano passado, quando venceu ‘apenas’ no asfalto monegasco e na gravilha lusa. Depois dos triunfos em 2010, 2011, 2013 e 2014, o francês retomou no ano passado os triunfos em Portugal, vencendo pela primeira vez desde que o rali regressou ao norte do país e, desde logo, igualando o feito de Alén, campeão em 1975, 1977, 1978, 1981 e 1987. Os três triunfos de Ogier nas primeiras cinco provas do campeonato ‘empatam’ com os arranques de temporada de 2013, 2014 e 2015, lamentando somente o quarto lugar na Argentina e o, praticamente propositado, 10.º lugar na Suécia, onde, afastado dos primeiros lugares, o francês, que criticou as condições dos troços, partiu deliberadamente atrasado para ainda amealhar quatro pontos na ‘power stage’. O favoritismo do francês depara-se com a competitividade do belga Thierry Neuville (Hyundai i20), primeiro na Suécia, e do estónio e seu antigo companheiro de equipa Ott Tänak (Toyota Yaris), vencedor naArgentina, segundo e terceiro classificados do Mundial, a 10 e 28 pontos da liderança, respectivamente. Com 20 classificativas, mais uma do que nas duas edições anteriores, o Rali de Portugal mantém a sua base em Matosinhos, no Porto, e conserva a sua estrutura, desenrolando-se maioritariamente no Minho, onde se destaca a homenagem da organização ao concelho de Fafe, palco de todos os troços no domingo.


(f)utilidades 25

quarta-feira 16.5.2018

POUCO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

?

NUBLADO

LANÇAMENTO DO LIVRO “CHINA’S BELT AND ROAD INITIATIVE – THE ROLE OF MACAU AND PORTUGUESE SPEAKING COUNTRIES” Auditório do consulado | 18h15

Quinta-feira

CONFERÊNCIA “VII ANNUAL REVIEW OF MACAU GAMING LAW” Fundação Rui Cunha | Das 18h30 às 20h30 APRESENTAÇÃO DE LIVROS SOBRE MANUEL DA SILVA MENDES Clube Militar | 18h30

Sábado

MIN

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HUM

13 7 3 6 5 1 4 9 2 8 41 4 62 6 9 37 3 29 52 5 7 3 8 41 4 6 97 49 84 8 1 2 5 5 8 62 6 7 3 4 1 1 4 93 9 2 5 86 78 2 9 38 3 4 56 5 7 64 6 1 8 75 7 3 29 3 5 7 1 29 82 8 6

Diariamente

EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” Galeria Tap Seac | Até 17/06 EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” Studio City Macau

C I N E M A

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3 2 7 4 5 1 9 6 8

8 5 6 3 9 7 4 1 2

1 4 9 2 6 8 5 7 3

4 1 8 6 2 5 3 9 7

5 7 2 9 8 3 6 4 1

6 9 3 1 7 4 8 2 5

21 2 4 8 1 6 7 3 5 9

5 6 7 4 9 3 2 1 8

1 9 3 5 8 2 4 7 6

8 5 2 3 1 6 9 4 7

9 7 6 2 5 4 8 3 1

3 1 4 9 7 8 6 2 5

4 8 5 6 2 1 7 9 3

6 3 9 7 4 5 1 8 2

7 2 1 8 3 9 5 6 4

18 18 17 23 79 37 3 5 1 2 8 HOJE 5 6“DAVID 92 9THE81MAN8WHO 43CHANGED 6 4DOCUMENTÁRIO 7 BOWIE: 4 THE WORLD” 6 | SONIA 2 4ANDERSON 7 9 |5 20163 UM 37 3 92 9 8 1 4 5 6 2 3 9 68 6 4 5 7 1 3 8 7 4 2 1 9 8 5A8morte 15do 1músico 84 18 1 35 3 7 9 6 2 2 camaleão 6 34 3 7 9 9 1 5 8 6 3 7 chocou o mundo em 2016, e 8no3mesmo 24 72o 7 19 1 6 6 47 34 3 5 9 1 2 8 8 ano 6 foi5 lançado 2 6 1 5 4 9 8 documentário que explica uma 9 2carreira 81 8 35 3 4 9 2 feita7 de6constantes 1 35 3 4 28 72 7 69 6 7 3 9 2 1 8 5 inovações e revoluções no seu 69 86 8 2 4 Neste 1 5trabalho 3 de7Sonia 9 82 8 7 1 6 4 5 3 5 4 8 6 3 7 2 estilo. 9Anderson 3 93 9 5 1 2 68 46 74 7 1 9 revela-se 8 54 um5pouco 3 2 6 7 1 5 2 3 7 6 4 mais sobre a relação difícil de David Bowie as 8 54 5 13com1os7pais, 7 7 61 6 9 4 3 2 58 5 2 6 9 7 4 9 3 1 8 2 6 várias relações com mulheres e5 os 4 casamentos 7 4 8com 2Angela 6 9 1 3 8 4 2 6 57 5 3 1 9 8 7 6 9 5 4 1

8 5 4 3 6 1 9 7 2

1 6 2 7 4 9 8 5 3

5

O CARTOON STEPH 15

3 59 5 6 2 7 1 8 8 8 1 56 45 4 29 2 3 4 72 17 1 3 8 9 56 2 8 4 9 7 3 15 61 7 67 36 3 8 15 1 4 9 1 5 49 4 26 2 3 7 39 3 2 87 48 64 6 5 6 46 4 8 3 1 5 7 92 5 7 1 92 9 86 8 34 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 15

4 7 5 6 2 8 1 9 3

16 74 7 5 1 2 2 3 3 42 6 59 1 81 8 8 68 16 9 5 7 4

16

PROBLEMA 16

18 7 1 6 5 3 2 9 94

8 49 16 94 85 7 1 3 62

1 48 6 2 3 7 4 35 29 5 4 81 9 48 63 2 7 6

7 4 5 59 6 48 1 3 2 2 7 8 5 4 6 3 1 9

2 9 73 5 21 64 98 7 6 6 63 9 1 7 2 74 48 5

5 1 7 3 2 6 59 64 8 31 6 5 78 2 9 7 4 3

3 62 48 81 74 9 5 6 7 3 82 4 67 1 5 9 26 8

9 6 4 8 7 5 3 2 1

A VIDA É UMA GUERRA. 19 IRONIA E UMA 2 8 4 5 1 9 7 3 6

15

CINEMA | MACAU – O PODER DA IMAGEM REVISITADO 1 Cinemateca Paixão | A partir das 16h30

7 3 1 8 4 6 2 5 9

9

8 5 6 3 9 7 1 2 4

DE

EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO “MIO PANG FEI”, DE PEDRO CARDEIRA Cinemateca Paixão | 12h00

65-95%

9 6 5 7 3 2 1 8 4

Domingo

Cineteatro

MAX

VIDA DE CÃO

2 4

EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO “MIO PANG FEI”, DE PEDRO CARDEIRA Cinemateca Paixão | 12h00

25

9 8 7 6 3 4 5 2 1

S U D O K U

TEMPO

Netta Barzilai, israelita, sagrou-se vencedora do festival Eurovisão com uma canção onde, na maior parte do tempo, imita uma galinha. No mesmo período de tempo, Donald Trump decidiu que seria uma boa ideia inaugurar a embaixada norte-americana em Jerusalém, uma tomada de posição que diz que, para os Estados Unidos, Tel-Aviv não é mais a capital. Essa decisão diplomática originou, quase ao mesmo tempo, violentos confrontos entre israelitas e palestinianos na Faixa de Gaza, tão violentos que não existiam tantos mortos desde 2014. Ironicamente, Israel voltou a fazer parte da actualidade noticiosa com acontecimentos tão díspares como o regresso da violência no contexto de um conflito que parece não ter fim e a vitória de uma cantora num festival que já devia estar morto e enterrado. Entretanto, o país de Netta Barzilai celebra também 70 anos de uma existência nada pacífica e difícil de compreender, como sempre foi todo o Médio Oriente. A vida é assim, irónica, acontece ao mesmo tempo, sem que haja um elo de ligação, sem dar explicações para muitos dos acontecimentos que acontecem no mundo. O país de Netta Barzilai sempre esteve no centro de uma acesa polémica desde a II Guerra Mundial e, infelizmente, não há música ou tentativas de acordos que resolvam o problema. Sem uma paz total ou com uma guerra escondida, o que é certo é que o festival da Eurovisão vai mesmo realizar-se em Israel no próximo ano. Andreia Sofia Silva

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Bowie e a manequim Ima. Um documentário que explica não só o músico mas também o compositor e o homem por detrás das várias personagens que criou. Andreia Sofia Silva

SUBMERGENCE SALA 1

AVENGERS: INFINITY WAR [B] Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 14.30, 18.00, 21.00 SALA 2

SUBMERGENCE [C] Um filme de: Wim Wenders Com: Alicia Vikander, James McAvoy, Charlotte Rampling 14.30, 21.30

THE MERCY [B] Um filme de: James Marsh Com: Colin Firth, Rachel Weisz 16.30, 19.30

SALA 3

DESTINY: THE TALE OF KAMAKURA [B] Alien: Covenant FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Masato Sakai, Mitsuki Takahata 14.15, 16.45, 19.15

THE TROUGH [C] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Xu Jing Lei, He Jiong, Miu Kiu Wai 21.45

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


26 opinião

16.5.2018 quarta-feira

sexanálise

E há por aí alguém que tenha acompanhado as minhas perspectivas do sexo nesta secção temática de escrita, saberá que pedofilia foi um tema sobre o qual nunca proferi nem uma palavra. E isso aconteceu por alguma razão. Primeiro, porque é um tema extremamente difícil de se tratar e de compreender, e segundo, porque é todo um universo que me dá raiva, mal-estar e indignação - tudo. Não é fácil aceitar a suspeita de que poderão ter existido abusos sexuais no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Estamos todos em choque. Eu andei no Costa Nunes – informação que não interessa para nada, tanto até porque foi há uns 25 anos, mas o sentido de familiaridade permanece. É com misto de surpresa e rancor que me pergunto como é que a pedofilia poderá estar tão perto. A dificuldade de lidar com estes casos acontece nas várias frentes, e isso tem sido bastante claro para quem tenha acompanhado os acontecimentos dos últimos dias. Como se pode identificar? Como se pode prevenir? Como se pode sancionar? Como se pode resolver? Não tenho respostas claras e o universo institucional de Macau parece estar também no embroglio do não saber bem o que fazer, nem como fazer. Que até poderia dar um desconto - mas não quando estão crianças de três anos expostas a realidades que não deviam ser as delas. Não tendo eu respostas concretas, que não será novidade, porque este não é o meu tema de especialidade, certamente existirão académicos, profissionais, burocratas a quem pedir algum parecer e algum insight acerca das medidas a tomar. Macau (e vão perdoar-me a generalização) continua a provar que em tempos de crise (sejam eles de que tipo forem) não sabe reagir. No Jardim de Infância poderá ter acontecido o que não queremos que aconteça, e a complexidade do que aconteceu não é só a do que leva ao comportamento pedófilo. Há estruturas burocráticas e institucionais, perspectivas de sexo e expectativas de género, que revelam certas ‘tendências’ ideológicas da sociedade e que moldam a forma como percebemos estes problemas. O que quero dizer com isto – o problema começa logo com a dificuldade em identificar, e em constituir prova e suspeita, o abuso sexual. Que não é, pura e simplesmente, penetração genital, mas que pode tomar todas e muitas formas de sexualidade e sensualidade. Quando, há 6 meses atrás, houve uma primeira desconfiança de que algo de errado se passava, pergunto-me o que poderá ter acontecido para não ter sido logo averiguada. Seriam falta de provas? Distracção? Incompreen-

THÉRÈSE, BALTHASSAR BALTHUS 1938

S

Pedofilia (aqui tão perto?)

TÂNIA DOS SANTOS

são do que pode ou não pode constituir um abuso? O facto do alegado abusador não ter sido (logo) constituído arguido também me parece ser sintomático da dificuldade de identificação do abuso e do crime. Na nossa tentativa de dar sentido a uma coisa destas, é normal também começarem a traçar ‘perfis’ de como identificar um abusador. Será que o problema (e culpa) foi da permissividade do infantário ao deixar

um homem-empregado mudar as fraldas de crianças meninas? Aí já terei que pedir muita reflexão por parte ‘dos públicos’, porque infelizmente, os pedófilos não são só homens, nem tomam a direcção que se julga ‘heterossexual’. Parece-me ingénuo que se tome uma medida destas para travar todo e qualquer risco de abuso sexual a menores em instituições. Se calhar mudar fraldas não era da competência de um empregado de limpeza,

Não é fácil aceitar a suspeita de que poderão ter existido abusos sexuais no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Estamos todos em choque. Eu andei no Costa Nunes – informação que não interessa para nada, tanto até porque foi há uns 25 anos, mas o sentido de familiaridade permanece

concordo, mas certamente muitos de nós, em contexto de trabalho, já teve que desenvolver tarefas que não era da nossa competência. O problema não é mudar fraldas, o problema é que a pedofilia é um distúrbio mental identificado na DSM-5 do qual não existem exames psicológicos para encontrá-lo (só critérios de diagnóstico, que depende da honestidade do sujeito). Também – é um distúrbio que posto em prática é julgado com pena de prisão, que na minha opinião é curta (8 anos?!) quando o risco é o de afectar a vida e desenvolvimento de crianças indefesas. São precisas medidas, são precisas acções, são necessárias cabeças para reflectir acerca das nossas estruturas e mecanismos. Continuará a ser um tema difícil, de resoluções difíceis – a única coisa fácil é de que é urgente e imperativo proteger as crianças.


ócios/negócios 27

quarta-feira 16.5.2018

MAALÉ ACESSÓRIOS ORIGINAIS E PERSONALIZADOS FEITOS À MÃO

Não há duas peças iguais. Cada uma é minuciosa e originalmente burilada pelas mãos de quem sempre adorou o mundo dos trabalhos manuais. Depois de anos a fio a criar peças para oferecer, Manuela Sotero decidiu pôr a habilidade à prova. Os acessórios únicos e originais feitos à mão da Maalé – Design. Creation podem ser adquiridos através do Facebook e do Instagram

“A

LÉM dos que guardava para mim, eu fazia para oferecer. Tinha sempre muito prazer em pensar na pessoa a quem ia dar”, conta Manuela Sotero, exibindo ao pescoço um dos colares mais antigos da sua colecção pessoal. Apesar da contínua insistência da filha e do incentivo do marido, Manuela Sotero nunca aceitara vender as peças que concebe, “exactamente porque queria que fossem para oferecer”. No entanto, as circunstâncias acabariam por levá-la a ceder. “Deixei de trabalhar no ano passado e fui a África do Sul passar umas férias com a minha filha, que vive lá. Tive reuniões e convívios com senhoras influentes do trabalho dela e as conversas iam parar aos colares que eu usava”. O ‘feedback’ não podia ter sido mais positivo: “Elas gostaram muito e faziam-me muitas perguntas sobre como os fazia e então eu

Jóias raras

achei que era talvez altura de começar [o negócio] e abrir uma conta no Facebook e no Instagram”, explica Manuela Sotero. Dedica-se sobretudo à feitura de colares, por via dos quais tenta “sempre transmitir emoções positivas e alegres”, recorrendo a cores vibrantes e fortes para inspirar isso mesmo, como vermelhos ou amarelos. Em termos de pedras, gosta de as sentir, “porque se forem agradáveis ao toque já é um ponto de começo”, sublinha Manuela Sotero sem esconder as predilectas: “Adoro turquesas, jade, ónix e lápis lazúli e sou doida por pérolas”. As pedras preciosas ou semipreciosas vai comprando por onde viaja, até porque “em Macau basicamente não há, ou se há são a preços exorbitantes”. Em paralelo, não é vulgar comprar as peças em função de um estilo, dado que, na maioria das vezes, faz o contrário. O seu gosto particular figura como a imagem de marca, embora aceite pedidos concretos. “No outro dia, duas amigas deram-me uma série de pedras semipreciosas para eu montar os colares a meu gosto”, exemplifica. O nome da marca resulta da expressão pela qual Manuela Sotero é carinhosamente conhecida (Malé), tendo sido ligeiramente ajustado para funcionar melhor na língua inglesa. A Maalé – Design. Creation dedica-se sobretudo a colares, mas também há conjuntos de brincos ou pulseiras a condizer. O tempo de execução dos colares depende do formato: “Se for em terço, em que as pequenas argolas são feitas uma a uma, pode levar um dia”. A carteira de clientes, essa, tem vindo a crescer. “Estou ainda a começar, mas tenho tido bastantes encomendas”, incluindo de amigas, ou de amigas de amigas, mas também de clientes que não conhecia antes. Os pedidos têm chegado também de fora de Macau, nomeadamente de África do Sul ou de Itália, com os preços das peças a oscilarem entre as 500 e as 2000 patacas. O próximo passo é “investir mais na embalagem”, indica Manuela Sotero. Já abrir um espaço físico é uma carta fora do baralho: “Adorava, mas com as rendas em Macau quem pode?” O gosto pelos trabalhos manuais surgiu cedo: “Desde pequenina sempre adorei fazer coisinhas com as mãos. O meu pai comprava-me muitas missangas. Comecei a fazer pequenos colares e brincadeiras e quando houve a revolução em Moçambique fomos para a África do Sul, mas eu continuei a fazer e usava-os eu”. Mas nem sempre foi assim e, na verdade, Manuela Sotero até teve, nos tempos de estudante, a experiência de vender as peças

que produzia. “Um dia fui a uma boutique muito gira e perguntaram-me onde é que eu tinha comprado o colar que usava e a dona sugeriu que eu fizesse trabalhos em regime de exclusividade para a loja. Eram trabalhos muito simples, com arames e missangas”, indica Manuela Sotero. Essa experiência, a primeira de trabalho e que durou dos 15 aos 17 anos, permitiu-lhe, aliás, uma certa almofada

Dedica-se sobretudo à feitura de colares, por via dos quais tenta “sempre transmitir emoções positivas e alegres”, recorrendo a cores vibrantes e fortes para inspirar isso mesmo, como vermelhos ou amarelos

financeira em tempos complicados. “Eu, como miúda que era, continuava a querer o leitor de cassetes ou a máquina fotográfica e comprei todas essas coisas com o dinheiro que ia fazendo”, recorda. “Depois parei um pouco, mas nunca me desliguei totalmente dos trabalhos manuais. Eu fazia pintura em porcelana, costura de roupa, acolchoados, enfim, até fiz vitrais. Sempre gostei muito dessas coisas”. A Macau chega em Janeiro de 1999, numa altura em que muita gente estava de partida, onde ganha um novo ímpeto. “Embora com trabalho a tempo inteiro, comecei a fazer todos os cursos que apareciam no horário fora do expediente e ao fim-de-semana”, explica Manuela Sotero, que desenvolveu muito a sua capacidade técnica com Cristina Vinhas, que dá formação de joalharia. Mais uma vez, “tudo sempre com a ideia de oferecer”, até hoje. O cuidado em tornar cada peça personalizada e única, esse, mantém-se. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


A produtividade do trabalho não é responsabilidade do trabalhador mas do gestor. PALAVRA DO DIA

Peter Drucker

Crime Homens do continente suspeitos de furto em autocarros

Um total de quatro homens oriundos do continente foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) por estarem alegadamente envolvidos em dez casos de furto em autocarros. De acordo com o Jornal Ou Mun, os detidos são naturais da região de Guangxi e têm idade compreendidas entre os 33 e 44 anos. A PJ iniciou a acção de investigação depois de ter sido notificada sobre a ocorrência de vários casos de roubos em autocarros no território, que terão ocorrido em Abril deste ano, e que terão afectado residentes, turistas e trabalhadores não residentes no valor total de 68 mil patacas, incluindo dinheiro e telemóvel. Os suspeitos foram detidos na fronteira das Portas do Cerco, sendo que alguns detidos admitiram o crime de roubo. O caso está a ser investigado pelo Ministério Público.

Dinheiro Reservas cambiais atingem 153,2 mil milhões de patacas

As reservas cambiais de Macau atingiram 153,2 mil milhões de patacas no final de Abril. Trata-se de uma queda de 2,4 por cento face aos dados rectificados do mês anterior, indicam estimativas preliminares divulgadas ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). A taxa câmbio efectiva da pataca – que mede as paridades cambiais contra as divisas dos principais parceiros comerciais, ponderadas pelas suas quotas relativas do comércio – foi de 100,6 em Abril. O valor reflecte uma subida de 0,13 pontos em termos mensais e uma descida de 7,93 pontos, em termos anuais homólogos.

Crime Taxista detido por suspeita de extorsão e sequestro

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Um taxista foi detido pela suspeita de prática de cobrança abusiva e por sequestro, por alegadamente não ter deixado um passageiro sair do carro, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. Segundo a emissora pública, uma turista de Taiwan apanhou o táxi na fronteira do Cotai com destino a um hotel na mesma zona. O taxímetro marcava 19 patacas, mas o taxista pretendia cobrar 100 patacas devido ao período prolongado de espera na zona de tomada e largada de passageiros. Alegadamente impedida de sair da viatura, a turista solicitou ajuda a um trabalhador estrangeiro do hotel. Contudo, o taxista avançou com o veículo 50 metros, deixando a turista sair após ter pagado 50 patacas. O taxista, de 26 anos, que tem registo de 85 infracções desde Agosto de 2016, incluindo por cobrança abusiva de tarifa e recusa de transporte de passageiro, vai ser acusado de extorsão e sequestro.

quarta-feira 16.5.2018

GAZA ENVIADO DA ONU RESPONSABILIZA ISRAEL E HAMAS

O

Primeiros passos Concurso de inovação leva dois projectos ‘start up’ de Macau a Lisboa

O

S dois projectos de Macau vencedores do prémio “Fosun Protechting” foram ontem eleitos e vão poder participar num programa acelerador de ‘start up’ durante três meses em Lisboa. “O concurso atraiu vários projectos talentosos, 60 por cento dos quais vêm de Macau, o que demonstra um grande investimento na inovação por parte da Região”, afirmou o director executivo da Parafuturo de Macau, Chui Sai Peng, durante o discurso de abertura do Concurso de Inovação e Empreendedorismo daquela empresa. Estes prémios foram atribuídos no âmbito de um concurso geral de inovação e empreendedorismo e do Fórum da Mesa Redonda de Tecnologia lançados pela Parafuturo de Macau. Os projectos vencedores do prémio foram a “An ambient cell-tranpostation System” e o “Next generaton Analytical Products and Services for Clinical and Research

Markets”, dedicados às novas tecnologias, à análise de dados e marketing. A iniciativa foi coorganizada com a Aliança de Educação da Inovação e Empreendedorismo da China, a Fundação Fosun e o Centro de Inovação e Qualidade Alibaba. “Este ano resolveu incluir-se também Macau seleccionando duas ‘start up’ para poderem participar no programa”, declarou à Lusa, o fundador e presidente executivo da Beta I, Pedro Rocha Vieira, à margem do Fórum da Mesa Redonda de Tecnologia. “Somos parceiros da Fosun e da Fidelidade neste programa de aceleração Protechting, um programa de invocação aberta que nós desenvolvemos em conjunto”, disse ainda o presidente da organização dedicada a apoiar ‘start up’ e a fomentar ecossistemas empresariais. Entre muitos oradores no Fórum da Mesa Redonda de Tecnologia, destacam-se a vice-presidente da Fosun Internacional, Julia Gu, o director

adjunto do Departamento para os Assuntos Económicos do Gabinete de Ligação da China em Macau, Xu Jun, e o director de operações da Alibaba Innovation Center. Além do “Fosun Protechting”, foram atribuídos mais dois prémios a equipas de Macau, no valor de dez mil patacas (cerca de mil euros) cada. O prémio de Inovação e Empreendedorismo da Parafuturo de Macau (IEEAC), escolheu dois projectos para participar no “Pequim, Tianjin e Hebei - Concurso de inovação e empreendedorismo de juventude de Guangdong, Hong Kong e Macau” e o prémio “Competição de Start up Alibaba Cloud”, que também seleccionou dois vencedores para participar num concurso da Create@Alibaba Cloud (CACSC), a realizar em Hangzhou, na China. Foram atribuídos ainda três prémios no valor de 30 mil patacas, 20 mil e dez mil, respectivamente, às três melhores propostas de entre 16 seleccionadas por um júri.

enviado da ONU para o Médio Oriente, Nikolai Mladenov, responsabilizou ontem Israel e o movimento palestiniano Hamas pela “tragédia sem justificação” de segunda-feira na Faixa de Gaza. Mladenov interveio na reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre aqueles acontecimentos e frisou que Israel deve “calibrar o uso da força” e só utilizar meios letais como último recurso. “Deve proteger as suas fronteiras de infiltrações e terrorismo, mas deve fazê-lo de forma proporcionada e investigar, de forma independente e transparente, cada incidente que tenha levado à perda de vidas”, disse. “O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não deve usar os protestos como capa para colocar bombas na vala [da fronteira] e criar provocações, os seus operacionais não devem esconder-se entre os manifestantes e pôr em risco vidas civis”, acrescentou. Mladenov recordou que segunda-feira, em que segundo o Ministério da Saúde palestiniano morreram 60 pessoas e 2.711 ficaram feridas, foi o dia mais sangrento desde a guerra de 2014. “Este ciclo de violência em Gaza tem de acabar, porque se não, vai explodir e arrastar toda a região para outra confrontação mortífera”, disse. Mladenov pediu contenção a todas as partes envolvidas e disse que está em contacto com distintos actores para evitar uma escalada da violência. Os protestos de segunda-feira inserem-se no movimento de contestação designado “marcha de retorno”, iniciado a 30 de Março, e ocorreram no mesmo dia em que foi inaugurada a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém.

Óbito Escritor e jornalista Tom Wolfe morre aos 88 anos O escritor e jornalista norte-americano Tom Wolfe, autor de “A fogueira das vaidades”, morreu na segunda-feira, num hospital de Manhattan, aos 88 anos, avançou ontem o jornal The New York Times. Como o descreve aquela publicação, Tom Wolfe foi um jornalista inovador cuja prosa tecnicolor e exageradamente pontuada deu vida a surfistas californianos, personalizadores de carros, astronautas e caçadores de ‘status financeiro’

em obras como “The Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby,” “The Right Stuff” e “Bonfire of the Vanities” (editado em Portugal como “A fogueira das vaidades”). A morte do escritor foi confirmada pela sua agente, Lynn Nesbit, que afirmou que Wolfe tinha sido internado com uma infecção. Tom Wolfe vivia em Nova Iorque desde 1962, quando integrou o New York Herald Tribune como repórter.

Hoje Macau 16 MAI 2018 #4052  

N.º 4052 de 16 de MAI de 2018

Hoje Macau 16 MAI 2018 #4052  

N.º 4052 de 16 de MAI de 2018

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