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MOP$10

SEXTA-FEIRA 16 DE MARÇO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4013

hojemacau

TIAGO ALCÂNTARA

GREENS PHILIPPINES MIGRANT WORKERS UNION

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

AGRESSÃO NA EPM

DSEJ QUER RELATÓRIO HOJE MACAU

PÁGINA 7

NOVO MACAU

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UNESCO PARA JANTAR HOJE MACAU

PÁGINA 6

VENCEDORA PARA SEMPRE

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O bom Alexis Secretário rejeita proposta dos Serviços de Saúde sobre os aumentos do preço dos partos para não-residentes. Com blue card, só pagam o... triplo. PÁGINA 5

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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GRANDE PLANO


2 grande plano

EFEMÉRIDE

VISITA AO PASSADO FOTOS HOJE MACAU

RESTAURANTE “A VENCEDORA” CELEBRA 100 ANOS

16.3.2018 sexta-feira

U

M século é muito tempo. Tanto que a Lam Kok Veng faltam pistas sobre a data precisa da fundação d’ “A Vencedora”: “Não sei dizer em que dia abriu. Só sei que mudamos para aqui em Junho de 1992. Antigamente a casa ficava ali ao lado”. Também pouco ou nada se sabe sobre o significado por detrás do nome. Só que foi “escolhido por amigos” do avô de Lam que foi quem teve o rasgo de abrir o negócio no ano que ficaria marcado no mundo pelo fim da I Guerra Mundial. Em tempos em que os negócios tradicionais se vêem obrigados a sucumbir à voracidade do mercado imobiliário, “A Vencedora” faz jus ao nome com que a baptizaram. E não se limita a sobreviver. Pelo menos a olhar pela azáfama que toma conta do modesto espaço principalmente ao almoço, que acolhe gente de todas as franjas da sociedade. “Hoje tem entrecosto, bacalhau cozido com grão de bico...” – a ementa chega, a alto e bom som, pela voz do irmão de Lam e em português. De bloco na mão, à medida do tamanho do bolso do pólo onde o enfia depois de anotar os pedidos, é o mestre de cerimónias d’ “A Vencedora”. À hora de almoço, praticamente não pára: anda de trás para a frente, orientando a dúzia e meia de funcionários, a maioria mulheres. Da cozinha, ouvem-se campainhas – mais uma refeição pronta a seguir. Quando o movimento amaina, sossega-se junto à porta e vai ver quem passa. Quem chega de fora dificilmente imagina que ali se serve feijoada ou iscas, aprendidos pelos antepassados junto de antigos patrões portugueses. À parte da gastronomia lusa, que ali encontra “variantes”, e dos “fai chi” que dão lugar a um garfo e a uma colher, tudo o resto é chinês. Lam fica na caixa, ao lado da mulher, a acompanhar de perto a clientela. A receber quem chega e a cumprimentar quem vai, mas só depois de pagarem a conta, claro. É que nem sempre foi assim.

OS CALOTES

É um dos restaurantes de comida portuguesa mais antigos de Macau. O letreiro amarelo para lá aponta: 1918. De portas abertas há 100 anos “A Vencedora”, localizada na central Rua do Campo, podia ser um estabelecimento de comidas chinês igual a tantos outros que se encontram facilmente ao virar de uma esquina. Mas não é: a distinção faz-se à mesa com um menu de comida portuguesa

Dos tempos em que os militares frequentavam o sítio ficaram dívidas nunca cobradas. “Nunca contei o valor”, diz o proprietário d’ “A Vencedora”. Os calotes, manuscritos em folhas soltas dentro de diminutos envelopes, acumulam pó numa caixa de madeira agastada que retira de uma gaveta do balcão. Lam, de 66 anos, puxa do primeiro exemplo que descobre entre uma série de papéis amarelados. O senhor António, cujo apelido deixou de ser legível, ficou a dever à casa 80 patacas a 3 de Março de 1979. “Era muito dinheiro na altura, uma parte do salário”, realça Lam. Essa informação é a única que consta dessa nota escrita há quase quatro décadas, sem indicação de morada

ou de um contacto de telefone fixo. A pensar naqueles que eram, afinal, os seus principais fregueses, “A Vencedora” disponibilizava vales de refeição a cobrar em épocas mais prósperas. “Mesmo no final do mês não tinham dinheiro para pagar”, conta Lam, traulitando o verso concebido a pretexto, teoricamente pelos endividados: “Português de Portugal, come bem e paga mal”. “A maioria dos tropas nunca mais voltou” nem ali nem a Macau, até porque, argumenta, apenas duas circunstâncias os fariam permanecer nesta terra: emprego ou casamento. Lam tem mais senhas em casa. Não sabe quantas nem quanto totalizam as dívidas: “Nunca contei o valor”, diz, entre risos.


grande plano 3

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“O ambiente de antigamente era muito diferente – mais animado e engraçado. Todos se conheciam, vinha o pai, o filho... Agora, há uma mistura de tudo: portugueses, macaenses, chineses.”

João de Almeida Santos, que chegou a Macau em 1967, era um dos militares que frequentava “A Vencedora”: “Eu não tinha vales, paguei sempre tudo a pronto”. “Antigamente, a malta portuguesa vinha cá toda”, diz um dos habitués do espaço, remetendo para os “souvenirs” expostos na vitrina ofertados à casa por amigos portugueses e macaenses. Entre as criações bordalianas figura precisamente um Zé Povinho que com o seu característico manguito responde “Toma!” à pergunta “Se queres fiado?”. Na montra há uma miscelânea de artefactos, como típicas peças de cerâmica com a forma de folhas de couve, jarras, canecas e travessas, grande parte

dos quais com as cores, letras ou emblemas que remetem para Portugal.

UM LUGAR DE CONVÍVIO

Uma série de memórias perdeu-se, mas ainda há muitos clientes que privaram com as diferentes gerações de homens d’ “A Vencedora”.

“Há muitos turistas, o restaurante está sempre cheio. Preferia quando era mais sossegado.” IEONG

Cristina Ferreira, por exemplo, lembra-se bem dos tempos em que o então jovem Lam “apenas ia ajudar o pai no restaurante à noite depois de terminar expediente como motorista numa agência de turismo”. Ultimamente frequenta “A Vencedora” com mais regularidade, acompanhada por colegas, dada a proximidade ao local de trabalho. Mas vai naturalmente também pela comida – gosta particularmente das lulas – e pelo par de irmãos “simpáticos e cativantes” que conhece desde quase sempre, dado que viveu toda a vida em Macau à excepção de uns anos passados no Brasil. É também mais pelo “ambiente” , pela “convivência” e pela proximidade que José Mário Drogas ali vai há cinco anos – há tantos quantos chegou – e não tanto pela relação qualidade/preço. As preferências ora vão para a costeleta panada (41 patacas), para o peixe cozido (100 patacas) ora para o bacalhau com grão de bico (130 patacas), como reza o menu, também disponível em português. À regra portuguesa escapam outros pratos como o típico minchi macaense, sobre o qual recaiu a escolha na mesa ao lado. “Não é caro nem barato”, observa José Sales Marques, acabado de chegar. “Há pessoas que vêm

ao almoço e ao jantar. É como uma cantina”, diz, descrevendo-se como “um adepto incondicional”. “Há muito tempo que venho e gostava de vir mais vezes, porque esta casa é uma instituição”, sublinha. “Aprecio muito o peixe, porque é tudo fresco do mercado ali ao lado”, afirma o macaense. “Venho pela convivência, pelos amigos, mas também gosto da forma exemplar e autêntica como servem”, diz, apontando para a lata de azeite recém-colocado sobre a mesa cor-de-rosa. Já para Ieong, de 55 anos, “A Vencedora” tem dias quase religiosamente reservados. “Vem sempre duas ou três vezes por mês”, garante a filha, de 19 anos, que o acompanha e ajuda no processo de tradução. “Gostamos muito da comida portuguesa, sobretudo da feijoada”, conta a jovem. O pai não nega, porém, que apreciava mais quando “A Vencedora” era quase exclusivamente frequentada por locais: “Agora há muitos turistas, o restaurante está

“Há muito tempo que venho e gostava de vir mais vezes, porque esta casa é uma instituição.” SALES MARQUES

sempre cheio, preferia quando era mais sossegado”. Andy Cheng veio de fora, mas perdeu o estatuto de turista. Afinal, volta sempre que tem de vir a Macau por motivos de trabalho desde que amigos lhe deram a conhecer o restaurante central há sensivelmente cinco anos. “Talvez o preço seja ligeiramente elevado, mas gosto do ambiente, da cultura e da comida”, diz o jovem de 35 anos, natural da vizinha Hong Kong. O próprio Lam reconhece, porém, que “o ambiente de antigamente era muito diferente – mais animado e engraçado. Todos se conheciam, vinha o pai, o filho... Agora, há uma mistura de tudo: portugueses, macaenses, chineses”, diz em português, uma língua que aprendeu em pequeno “de ouvido” entre as paredes brancas d’ “A Vencedora”, que atravessou três gerações sem sangue lusitano. De facto, Lam entusiasma-se mais com o passado do que com o presente, embora pouco tenha mudado naquelas bandas além do figurino da carteira de clientes, como evidenciam as imagens de outrora. Tais como as de um recorte de que remonta ao início dos anos 1920 e que exibe com orgulho. Da página encadernada consta um anúncio da “Loja Vencedora”, que tem “vinhos, azeite, conservas portuguesas, chouriços de sangue e de carne”, e “fornece no seu estabelecimento e aceita comensais de fora”. Num século de vida, “A Vencedora” apenas fechou portas uma vez, “por uma semana”, durante aquele que foi um dos episódios mais tensos do século XX em Macau: os motins do “1, 2, 3”, de 3 de Dezembro de 1966. Isto segundo a memória de segundo a memória de Lam, que era um adolescente na altura. “São muito anos, estou velho”, mas de “boa saúde”, ressalva de seguida, apesar do “muito trabalho”, já que “A Vencedora” abre todos os dias, à excepção de terça-feira, funcionando das 11h45 às 22h00. Lam tem dois descendentes (um em Macau outro no estrangeiro), mas nenhum parece inclinado para seguir as pegadas dos pais e tomar conta do característico restaurante. “O meu filho está em Inglaterra, a minha filha em Macau, mas acho que ela não gosta [do negócio].Acha muito complicado”, diz. Diana do Mar

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GCS

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Chui Sai On, Chefe do Executivo “Os serviços devem direccionar o tempo disponível para instalarem e testarem os diversos equipamentos do edifício, reforçando a necessidade de garantir o máximo de precisão e aperfeiçoamento.”

Desde a meia noite de ontem que a Zona de Administração de Macau na Ilha Fronteiriça Artificial da nova ponte Hong KongZhuhai-Macau está sob alçada da RAEM. O Chefe do Executivo e alguns membros do Governo vão agora “determinar os trabalhos de aplicação da lei e de gestão”

PONTE HZM CHINA JÁ ENTREGOU ADMINISTRAÇÃO DA NOVA FRONTEIRA A MACAU

As fitas e o champanhe

O

Conselho de Estado da China entregou ontem à RAEM a gestão da Zona de Administração de Macau na Ilha Fronteiriça Artificial da nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que passa agora a estar sob jurisdição do território. Ontem o Chefe do Executivo, Chui Sai On, fez-se acompanhar de alguns membros do Governo, como é o caso de Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, e Wong Sio Chak, secretário para a Segurança. De acordo com um comunicado oficial, o Executivo “começa [agora] a determinar os trabalhos de aplicação da lei e de gestão, reparação a manutenção das diversas áreas do posto fronteiriço de Macau”, para que haja

Pequim Wu Zhiliang quer jovens a alistarem-se no exército

O presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang, acredita que os jovens de Macau e Hong Kong tinham tudo a beneficiar se pudessem alistar-se no Exército de Libertação do Povo Chinês. Em Pequim, segundo o canal chinês da Rádio Macau. o membro do Comité Permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) considerou que os jovens de Macau, e de Hong Kong, ficariam a amar melhor a Pátria se fosse integrados no exército. No que diz respeito à prática “Amar o País, Amar Macau”, Wu disse que falta um método mais rigoroso para a implementação do princípio no território. Finalmente, em relação à cultural local, Wu considerou que Macau tem tudo um desempenho muito positivo nesse campo.

“uma coordenação com a entrada em funcionamento da principal construção da ponte”. Chui Sai On disse ainda que “os serviços devem direccionar o tempo disponível para instalarem e testarem os diversos equipamentos do edifício, reforçando a necessidade de garantir o máximo de precisão e aperfeiçoamento”. O Chefe do Executivo frisou ainda a “importância da cooperação entre os serviços e do ajustamento dos recursos humanos, mediante as necessidades, para se prosseguir com os trabalhos de inspecção e se elevar a eficácia, nomeadamente com a agilização dos procedimentos de passagem na fronteira de cidadãos e turistas, por forma a ficar assegurada uma melhor coordenação com o início do funcionamento da ponte”. Com esta atribuição à RAEM, serão designadas as “competências

de cada serviço e o trabalho de coordenação interdepartamental”, aponta o mesmo comunicado. Após a cerimónia da entrega do posto fronteiriço à RAEM, “ficaram imediatamente estacionados funcionários dos Serviços de Alfândega, do Corpo de Polícia de Segurança Pública, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Judiciária, bem como dos Serviços de Saúde e da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego”, para “exercerem as funções e tarefas inerentes aos serviços transfronteiriços e de segurança”. É também referido que “as várias entidades começaram a desempenhar os seus trabalhos nas respectivas áreas, procedendo à instalação de equipamentos e aos ajustamentos necessários, tanto no edifício do posto fronteiriço, como também no canal de passagem de veículos para se preparar bem a circulação na ponte”.

ZONA AINDA FECHADA

Apesar de Macau já estar a gerir este novo posto fronteiriço, “ainda não se encontram reunidas as condições suficientes para a abertura ao público”. Caberá ao secretário Raimundo do Rosário “a coordenação da operacionalidade e das medidas de circulação na ponte”, enquanto que o secretário

para a Segurança será responsável pela “execução da lei e gestão de toda a zona”. As autoridades garantem que há ainda muito a trabalho a fazer. “Será ainda estabelecido um mecanismo interdepartamental de negociação sobre a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e a Zona de Administração de Macau.” “Apesar de o trabalho de segurança ter sido formalmente entregue a Macau, ainda é necessário que os serviços competentes do Governo da RAEM procedam à respectiva montagem, verificação e ajustamento de vários equipamentos e instalações, como também terá de haver uma coordenação da disposição de trânsito com a abertura formal da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e a utilização prática da referida Zona”, explica um comunicado. O local é constituído pelo edifício do posto fronteiriço e dois parques de estacionamento com mais de 6800 lugares de estacionamento para veículos particulares e 2000 para motociclos. Há também uma rede viária de cerca de 200 mil metros quadrados, túnel, viaduto e plataforma para a estação de metro ligeiro, bem como 53 construções unitárias de 40 mil metros quadrados de infra-estruturas municipais, entre outras.


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“O

PARTO ÀS PRESTAÇÕES

Benedicta Palcon revela que perguntou a Alexis Tam a razão para o aumento das taxas dos partos. A resposta que obteve foi que há quase

SAÚDE TAXAS DE PARTO PARA EMPREGADAS DOMÉSTICAS TRIPLICA

Triplo salto de preço

Alexis Tam rejeitou a proposta dos Serviços de Saúde para o aumento das taxas de partos no hospital público para empregadas domésticas. Ainda assim, em vez do aumento de nove vezes, as taxas para empregadas domésticas vão triplicar. Associações que representam estas trabalhadoras consideram que a decisão de Alexis Tam é melhor, mas sublinham as más condições de vida de que vem das Filipinas e Indonésia para trabalhar em Macau GREENS PHILIPPINES MIGRANT WORKERS UNION

Benedicta Palcon, presidente da Greens Philippines Migrant Workers Union de Macau “O secretário deu-me boas notícias. Na realidade, ainda vão aumentar três vezes para as empregadas domésticas. Acho que esta proposta é melhor que a anterior que aumentava nove vezes.”

duas décadas que não havia actualização do valor. “Sabemos que a economia está a mudar e tudo está mais caro. Acho que o aumento está bem”, completa a dirigente associativa. “Ainda é um fardo pesado, mas foi-nos dito que será criado um novo mecanismo para ajudar no caso da empregada doméstica, ou parturiente TNR, ser muito pobre e não puder pagar”, revela Benedicta Palcon. Não foram dados detalhes quanto ao mecanismo que irá auxiliar os não-residentes com maiores dificuldades financeiras, mas a medida passará pela alçada do Fundo de Segurança Social e do Instituto para a Acção Social (IAS). A ajuda tanto pode ser através da possibilidade de

pagar as taxas em prestações, como num apoio financeiro directo. As únicas certezas é que a medida será alargada a todos os trabalhadores não residentes, que entrará em vigor em simultâneo com a actualização das taxas e que será concedida após avaliação, caso a caso, pelo IAS. Ainda não há uma calendari-

HOJE MACAU

Dr. Alexis Tam disse que o aumento não é para nós. Que vai haver uma distinção entre os turistas e os trabalhadores não-residentes. Haverá um aumento mas não vai ser no mesmo valor”. Estas foram as palavras proferidas por Yosa Wariyanti, da Indonesian Migrant Workers Union Macau, à saída da reunião com o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Alexis Tam reuniu-se ontem com representantes de duas associações de trabalhadores não residentes indonésios e filipinos para discutir os valores do aumento das taxas de partos no Centro Hospital Conde de São Januário. A proposta dos Serviços de Saúde (SS) propunha um aumento nove vezes superior aos preços praticados actualmente. Hoje em dia, se uma parturiente trabalhadora não residente entrar em trabalho de parto no hospital público paga 957 patacas por um parto natural. Se precisar de uma cesariana, desembolsa 3900 patacas. Os aumentos para as trabalhadoras não residentes vai-se manter nos valores nove vezes superiores, 8755 patacas para parto e 17550 para cesarianas. Estes valores não se aplicam, contudo, a empregadas domésticas, que vão passar a pagar 2925 por um parto natural e 5850 por cesarianas. “O secretário deu-me boas notícias. Na realidade, ainda vão aumentar três vezes o preço original, para 2925 para as empregadas domésticas. A proposta anterior ainda se aplica às restantes trabalhadoras não residentes. Acho que esta proposta é melhor que a anterior que aumentava nove vezes”, comenta Benedicta Palcon, presidente da Greens Philippines Migrant Workers Union de Macau. Yosa Wariyanti também considera que “as mudanças são mais justas, por não serem na proporção da proposta anterior”. A representante indonésia congratula-se com o facto “de o Governo ter olhado” para a situação das empregas domésticas, para os seus salários e gastos.

zação precisa sobre quando a medida será implementada, mas será para breve. Estima-se que o auxílio incida sobre cerca de 8 por cento das futuras mães que residem em Macau.

SALÁRIOS DIGNOS

Durante a reunião com a representante dos traba-

lhadores filipinos, Alexis Tam terá enaltecido o “grande contributo para a comunidade e para o Governo dado pelos TNRs”, de acordo com Benedicta Palcon. O secretário terá ainda salientado os baixos salários que auferem, em particular as empregadas domésticas, daí o reajuste

às actualizações das taxas para partos. Porém, esta discussão trouxe ao de cima uma realidade difícil de ignorar: os baixos rendimentos das empregadas domésticas em Macau. “Acho que para pagar um aumento destes uma empregada doméstica teria de ter um vencimento de cerca de 5 mil patacas. Mas em relação a isso, Alexis Tam disse-nos que devíamos levar as nossas reivindicações à DSAL”, revela Benedicta Palcon. Já a representante da associação indonésia explica que “o Governo acredita que se houver um aumento dos salários da população, que as ajudantes também vão beneficiar com esse aumento de forma indirecta”. Normalmente os salários das empregadas domésticas e assistentes situam-se entre as duas mil e as três mil patacas. “Gostávamos que o seguro de saúde fizesse parte dos contratos. Normalmente, os patrões não pagam esse seguro, só para acidentes de trabalho. A possibilidade de colocar o seguro no contrato foi algo que o Governo disse que ia ponderar”, explica Yosa Wariyanti. As medidas recentes que afectam os TNRs como, por exemplo, as propostas para aumento das tarifas dos transportes públicos, ou a exclusão das empregadas domésticas do salário mínimo, foram discussões em que os representantes deste sector da sociedade não foram ouvidos. Apesar das medidas incidirem directamente nas suas vidas. Algo que não aconteceu desta feita. Porém, em três anos de vida da associação Greens Philippines Migrant Workers Union esta foi a primeira vez que se reuniram com membros do Governo. João Luz (com J.S.F.)

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Emprego Wong Kit Cheng pede protecção para os idosos

A deputada Wong Kit Cheng está preocupada com os empregos dos idosos e pede ao Executivo que implemente medidas para aumentar a protecção para este extracto da população. A exigência é feita no contexto do envelhecimento da população de Macau. Num interpelação escrita a deputada da Associação Geral das Mulheres de Macau alerta para o facto dos empregados idosos serem muitas vezes obrigados a reformarem-se pelos empregadores, apesar de manterem as suas condições físicas e mentais intactas. “Depois da reforma, quando se deparam com a perda do rendimento, relações sociais enfraquecidas e outros problemas, a condição dos mais velhos é afectava de forma muito negativa”, sublinha Wong. “Que medidas vai o Governo tomar para aumentar a protecção dos empregados idosos e encorajar o aumento do emprego para as pessoas mais velhas das diferentes áreas?”, questiona.


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UNESCO vol tou a receber das mãos da Associação Novo Macau (ANM) um novo relatório em que a entidade revela preocupação sobre a falta de preservação na zona envolvente da Igreja da Penha. Sulu Sou, deputado suspenso temporariamente do hemiciclo e vice-presidente da ANM, defendeu ontem que o Governo deve estabelecer um corredor visual protegido, com regras claras sobre a altura dos edifícios, entre a zona B dos Novos Aterros e as zonas C e D situadas próximas do lago Nam Van. Caso contrário, esta zona “irá tornar-se no

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PATRIMÓNIO NOVO MACAU TEME QUE NAM VAN SEJA UM NOVO NAPE

Cuidado com as alturas próximo NAPE (Novos Aterros do Porto Exterior)”, apontaram ontem os pró-democratas. “O público está preocupado com o facto de, se o Governo insistir nesta posição ou se simplesmente adoptar gestos superficiais, a zona entre a Igreja da Penha e a zona B dos Novos Aterros vai estar completamente obstruída. Vai também ser o contrário daquilo que o comité da UNESCO publicou em 2017”, aponta o comunicado da ANM. Outro dos riscos apontados pela associação prende-se com os novos edifícios construídos em Zhuhai e Ilha de Hengqin, cujo excesso de iluminação pode vir a prejudicar a paisagem nesta zona da península de Macau. Para isso, foi pedida uma maior cooperação com as autoridades do continente. “AANM tem vindo a observar o rápido desenvolvimento em Zhuhai e também na Ilha de Hengqin, e têm surgido muitos projectos de edifícios cheios de luz. Estamos preocupados que esses projectos possa danificar a paisagem do centro histórico de Macau. Exigimos que o Instituto Cultural possa participar na criação de um mecanismo de coordenação com o Governo de Zhuhai”, adiantou Sulu Sou, que se fez acompanhar do ex-deputado e candidato às legislativas Paul Chan Wai Chi.

IRCULAR a pé pelos passeios de Macau, por vezes, é o equivalente a participar numa gincana entre montes de entulho. A situação torna-se crítica, particularmente, por volta do Ano Novo Chinês, quando as tradições ditam que se troque de mobílias para receber o novo ano. Ho Ion Sang interpelou o Governo exigindo melhorias no tratamento, recolha e gestão de resíduos de grandes dimensões, lixo electrónico e entulho resultante de obras. O deputado sublinha a falta de consciência ambiental dos residentes que abandonam mobílias, eletrodomésticos e resíduos de construção na via pública. Como pontos

HOJE MACAU

A Associação Novo Macau entregou um novo relatório à UNESCO onde alerta para a necessidade de maior protecção entre a zona B dos Novos Aterros e as zonas C e D junto ao lago Nam Van, para que não haja construção em altura como houve no NAPE

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Sulu Sou disse mesmo que a Novo Macau tem vindo a receber queixas sobre este assunto. “A poluição visual tem um efeito negativo e vários cidadãos fizeramnos queixas sobre esse impacto. Por isso pedimos ao Governo que faça uma maior coor-

denação com as autoridades de Zhuhai.”

REVER O DESPACHO

A ANM lembrou que, em 2006, o Governo revogou as restrições de altura para as construções na zona do NAPE, localizada próxima

da Colina da Guia. “Como resultado, a actual zona do NAPE tem vindo a desaparecer no meio de edifícios altos. Há riscos para a paisagem tendo em conta a abundância de edifícios situados ao longo da avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, mesmo que as

“O Governo deveria incluir a área entre a Igreja da Penha e a Zona B dos Novos Aterros (e a ponte Governador Nobre de Carvalho) como um corredor visual sujeito a uma protecção especial. Neste momento não existem quaisquer restrições para os edifícios que serão construídos na Zona B.” ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU

Lixeiras de calçada

Ho Ion Sang exige tratamento de resíduos electrónicos e lixo de grande dimensão

negros para estas situações, Ho Ion Sang destaca as esquinas e as áreas junto dos contentores de lixo, especialmente na zona norte da Península de Macau. Como consequência da ocupação ilegal do espaço público, a higiene ambiental é afectada, assim como a circulação de trânsito e peões. Como tal, o deputado questiona qual o plano do Executivo para resolver esta situação e sugere que se invista em reciclagem, que se proceda à recolha centralizada e

que se coloquem mais ecopontos em zonas críticas. Ho Ion Sang recorda que o abandono de lixo “a bel-prazer” é uma infracção sancionada com pena de multa pelo regulamento geral dos espaços públicos e que as autoridades têm colocado alertas nos locais de recolha onde se lê “o abandono de lixo é punido com multa de 600 patacas”. No entanto, o deputado entende que estas medidas não sortiram efeito dissuasor. Essas são algumas das

justificações que levam Ho Ion Sang a pedir ao Executivo que realize “acções de sensibilização para elevar a consciência cívica dos cidadãos e reforçar as acções de fiscalização nos pontos críticos. O lixo electrónico é outra das preocupações patentes na interpelação escrita. O deputado pede ao Governo que estude a possibilidade de criar postos ou instalações específicas para a recolha deste tipo de resíduos. Ho Ion Sang recorda que tanto o Executivo, como a Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR), têm avisado a população para a necessidade de contratar camiões ou empresas de limpeza para levar as

associações se tenham queixado junto da comunidade internacional, e mesmo depois do Governo ter sido alertado pela UNESCO.” Na visão dos pró-democratas, “é inegável que o corredor visual entre a Igreja da Penha e a zona B é tão importante como aquele que se situa entre a Igreja da Penha e o lago Sai Van, e que é proposto pelo Governo”. “O Governo deveria incluir a área entre a Igreja da Penha e a Zona B dos Novos Aterros (e a ponte Governador Nobre de Carvalho) como um corredor visual sujeito a uma protecção especial. Neste momento não existem quaisquer restrições para os edifícios que serão construídos na Zona B”, acrescentam os responsáveis da Novo Macau. Um dos projectos que irá nascer na zona é o novo edifício do Fórum Macau, cuja construção já está em curso. Há também projectos privados que aguardam aprovação das Obras Públicas. A associação defendeu também a necessidade de rever o despacho assinado pelo Chefe do Executivo em 2008, para que sejam determinados limites de altura dos edifícios construídos próximos da Colina da Guia. A Novo Macau acredita que não há regras claras, tendo em conta os projectos na Doca dos Pescadores e na Calçada do Gaio. Andreia Sofia Silva

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mobílias velhas para o incinerador. Um serviço gratuito, é sublinhado na interpelação. Quanto aos resíduos de materiais de construção devem ser transportados para aterros sanitários. O deputado acrescenta que, de acordo com a CSR, os resíduos recicláveis são entregues aos operadores de recolha e levados para instalações no Interior da China para tratamento. Esta situação acontece, na opinião de Ho Ion Sang, por não haver um sistema de gestão eficiente e ecológico e devido à fraca determinação e sentido de de responsabilidade da sociedade para questões ambientais. J.L.


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TIAGO ALCÂNTARA

sexta-feira 16.3.2018

DSEJ “Depois de ter tido conhecimento da situação, a DSEJ entrou imediatamente em contacto com a direcção da escola para se inteirar da situação e pediu que fosse enviado um relatório de investigação tão rapidamente quanto possível.”

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Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) exigiu à Escola Portuguesa de Macau um relatório de investigação sobre a agressão que resultou no internamento hospitalar de um aluno de 13 anos, com lesões na cabeça. O pedido foi revelado pelo Governo, em resposta às questões do HM, sobre o caso do estudante, que teve ontem alta hospitalar. “A DSEJ está muito preocupada com o confronto físico que ocorreu entre estudantes na Escola Portuguesa de Macau. Depois de ter tido conhecimento da situação, a DSEJ entrou imediatamente em contacto com a direcção da escola para se inteirar da situação e pediu que fosse enviado um relatório de investigação tão rapidamente quanto possível”, afirmou a entidade do Governo. “O incidente está actualmente a ser investigado

AGRESSÃO DSEJ EXIGE INVESTIGAÇÃO À ESCOLA PORTUGUESA DE MACAU

Relatório precisa-se Governo quer receber um relatório sobre o confronto entre dois alunos, que resultou no internamento de um deles. No dia em que a vítima da agressão teve alta, a direcção da EPM emitiu um comunicado a dizer que as situações de violência entre alunos são “residuais” pela polícia. A DSEJ vai manter-se em contacto com a escola e apela para que seja disponibilizada aos alunos a assistência necessária”, é acrescentado. Ontem à tarde, o estudante de 13 anos, que foi agredido na quarta-feira por um colega de 15 anos, já tinha tido alta hospitalar, contou, ao HM, o pai da vítima: “O meu filho já está em casa. Regressou ao final da

tarde e vai estar em repouso absoluto durante três semanas. Não vai voltar à escola antes do final do segundo período escolar”, comentou Ricardo Pontes, ao HM. “Já apresentou melhorias, ainda que poucas, em relação à amnésia parcial, mesmo assim é um bom sinal porque está melhor. Agora é necessário tempo para recuperar. Estamos muito

optimistas”, acrescentou o encarregado de educação.

SITUAÇÕES RESIDUAIS

Também ontem à tarde, a direcção da Escola Portuguesa de Macau tomou uma posição em relação ao caso. Afirma a EPM que as situações de violência entre alunos são “residuais”. “Ocorrendo situações de violência entre alunos

– residuais nesta Escola –, são adoptados todos os procedimentos necessários ao apuramento dos factos e aplicadas as medidas previstas no Regulamento Interno desta instituição”, é afirmado. “Nestas circunstâncias, entende a Direcção da Escola Portuguesa de Macau deve ser privilegiada a componente formativa do

carácter dos alunos, no respeito pela reserva da sua vida privada e da sua integridade física e moral, com vista ao seu desenvolvimento integral e equilibrado”, é acrescentado. A Escola Portuguesa de Macau defende ainda que tem “tomado diversas medidas no sentido de garantir a segurança dos alunos e de prevenir episódios de violência”. Ao HM, Ricardo Pontes contou ainda que recebeu um telefone do director Manuel Machado, que lhe manifestou todo o apoio necessário. Além disso a directora de turma do seu filho acompanhou de muito perto a situação, desde quarta-feira quando ocorreram as agressões. No entanto, ontem à noite, os pais do rapaz de 15 anos ainda não tinham entrado em contacto com a família do agredido. João Santos Filipe

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8 sociedade

Três queixas foram apresentadas por trabalhadores dos serviços públicos desde que a Comissão de Gestão do Tratamento de Queixas entrou em funcionamento, a 18 de Setembro. Das três queixas registadas até 31 de Dezembro, duas foram apresentadas directamente ao novo organismo, enquanto uma foi entregue no serviço público do trabalhador. Os dados foram facultados ontem em comunicado pelos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), após um encontro da Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, com os membros do novo organismo. De acordo com a mesma nota, as queixas dos trabalhadores dizem respeito sobretudo à “comunicação interpessoal” e aos “regimes internos”.

Reservas cambiais com quebra

As reservas cambiais da RAEM sofreram uma quebra de 1 por cento entre Janeiro e Fevereiro, de acordo com os dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Enquanto no primeiro mês do ano o valor das reservas cifrava-se em 163,2 mil milhões de patacas, no final do mês passado valor tinha caído para 161,6 mil milhões. Ainda de acordo com o Governo também em Fevereiro a pataca perdeu valor em relação às moedas dos principais parceiros comerciais do território. A quebra em relação ao período homólogo de 2017 foi de 8,25 pontos na taxa de câmbio, ponderada segundo as quotas com comércio.

TIAGO ALCÂNTARA

Função Pública Recém-criada comissão acompanhou três queixas

16.3.2018 sexta-feira

O O comboio TRANSPORTES PÚBLICOS SINISTROS CAUSADOS PELAS OPERADORAS CRESCE 30 POR CENTO

dos duros

Nos primeiros dois meses do ano o número de acidentes causados pelas três operadoras de autocarros cresceu 30 por cento, de 67 acidentes em 2017 para 88. Também só 40 por cento dos veículos pesados passam nas inspecções da DSAT sobre as emissões de gases

LAI CHI VUN SEMINÁRIO SOBRE PRESERVAÇÃO DECORRE AMANHÃ

É

já amanhã que o Centro Cultural de Macau acolhe o “Seminário sobre a Revitalização e Preservação dos Estaleiros Navais de Lai Chi Vun”, com a presença de académicos e especialistas como os arquitectos Ben Leong e Eddie Wu, sem esquecer o historiador Cheang Kuok Keong. De acordo com um comunicado, o seminário, que estará aberto ao público, visa abordar “uma série de temas relativos à zona dos estaleiros, incluindo a preservação e a reabilitação das estruturas

existentes, a continuidade das tradições históricas, as orientações de planeamento futuro, e as técnicas de recuperação que estão a ser consideradas, entre outros assuntos”. Numa altura em que ainda decorre o processo de consulta pública sobre a preservação dos antigos estaleiros navais, o Governo pretende que haja uma “troca de opiniões sobre diferentes aspectos do plano, pretende-se assim estimular mais ideias práticas e reunir o consenso geral, permitindo que se proponham mais su-

número de acidentes com autocarros públicos causados pelas operadoras teve um crescimento de 30 por cento nos dois primeiros meses do ano. Os dados foram revelados pelo director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Lam Hin San, no final de mais uma reunião do Conselho Consultivo do Trânsito. “Os acidentes que envolveram autocarros aumentaram em dois casos, de 142 para 144. Dentro dos acidentes com autocarros, as companhias foram responsáveis por 88, quando no mesmo período do ano anterior tinham sido responsáveis por 67 acidentes”, disse Lam Hin San. “Ainda temos 10 meses até ao final do ano e vamos trabalhar passo a passo para que as companhias elevem a segurança das operações

e reduzam o número de acidentes rodoviários”, garantiu. No âmbito da promessa, o director da DSAT falou da implementação de sistemas de monitorização dos condutores, quando estão ao volante dos veículos pesados: “Por exemplo, queremos que seja implementado um sistema com base em câmaras

“Verificamos que apesar de passarem as inspecções gerais, quando fazemos inspecções aleatórias só 40 por cento dos veículos pesados são aprovados.” LAM HIN SAN DIRECTOR DSAT

SETE SEGURADORAS INTERESSADAS EM CONTRIBUIR PARA PREVIDÊNCIA CENTRAL gestões e soluções úteis para o desenvolvimento da zona dos estaleiros”. O seminário terá tradução para português e conta também com alguns membros do Conselho do Património Cultural e do Conselho do Planeamento Urbanístico, bem como representantes de grupos vocacionados para a salvaguarda do património cultural, associações profissionais da área de engenharia e arquitectura, além de estudantes e professores de institutos superiores, entre outros.

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M total de sete empresas vão participar no Regime de Previdência Central Não Obrigatório, que entrou em vigor no passado dia 1 de Janeiro. De acordo com um comunicado, o Fundo de Segurança Social (FSS) realizou ontem uma cerimónia de adesão das empresas, que são a AIA International Limited; Fidelidade - Companhia de Seguros, S.A. (Ramo Vida); Companhia de Seguros Luen Fung Hang – Vida, S.A.; China Life Insurance

(Overseas) Company Limited; Sociedade Gestora de Fundos de Pensões ICBC (Macau), S.A.; Sociedade Gestora de Fundos de Pensões de Macau, S.A. e MassMuturalAsia Limited. O FSS explica que estas entidades gestoras de fundos “cobrem mais de 90 por cento dos empregadores que estabeleceram planos privados de pensões, as quais disponibilizam um total de 39 fundos de pensões como instrumentos de aplicação das contribuições do regime

de previdência central não obrigatório”. Tal “implica que poderá ser concretizada a articulação com o regime sem problemas [pois está incluída] a maioria das empresas com plano privado de pensões”. Iong Kong Io, presidente do FSS, adiantou que é objectivo aumentar “gradualmente a cobertura do Regime de Previdência Central não Obrigatório, proporcionando aos residentes uma protecção mais avançada na velhice”.


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sexta-feira 16.3.2018

NOVAS LICENÇAS DE TÁXIS COM 130 CANDIDATURAS

CONFERÊNCIA O PAPEL DOS RIOS NO DESENVOLVIMENTO DAS CIDADES

pesar do sector dos táxis se queixar da obrigatoriedade de fazer circular veículos eléctricos, o concurso público para a atribuição de 100 licenças já conta com cerca de 130 participantes. A informação foi revelada, ontem, por Lam Hin San, que explicou também que o número pode aumentar, uma vez que houve cerca de 200 organizações ou pessoas a pagarem a caução para participarem no concurso público. “Houve 200 candidatos que pagaram a caução. Mas as propostas concretizadas são cerca de 130”, afirmou o responsável da DSAT.

papel dos rios como “as primeiras rotas de progresso e difusão” vai estar em debate na sexta-feira, numa conferência integrada no Festival Literário de Macau, disse ontem à Lusa a organizadora Maria José de Freitas. “O objectivo desta conferência é analisar o papel dos rios como rotas, espaços de comunicação e diálogo, tendo como ponto de partida a cidade de Macau e outras cidades asiáticas”, explicou. Um dos aspectos em foco é também o papel das cidades costeiras no diálogo entre Ocidente e Oriente. Os oradores, todos provenientes de cidades costeiras, vão analisar os desafios e oportunidades históricas e a projeção futura, tendo em vista o projeto do Pan-delta do rio das Pérolas, entre nove províncias da região (Fujian, Jiangxi, Hunan, Guangdong, Guangxi, Hainan, Sichuan, Guizhou, Yunnan) e as duas regiões administrativas especiais chinesas, criado em 2004. “É importante situar Macau neste contexto, que não é apenas económico, mas também cultural, e perspectivar o futuro”, disse a organizadora, destacando a intervenção

A

circulem demasiado perto dos peões, o sistema lançará avisos”, acrescentou.

40 POR CENTO PASSAM INSPECÇÃO

de vigilância que vai permitir detectar quando os motoristas estão demasiado cansados ou quando utilizam o telemóvel. Nestes casos, o sistema alerta o motorista. Também servirá para evitar acelerações bruscas ou excesso de velocidade”, explicou. “Mesmo nos casos em que os autocarros

A reunião de ontem serviu ainda para abordar as crescentes exigência face aos gases emitidos pelos veículos que circulam no território. Em relação a este tópico, Lam Hin San mostrou-se preocupado com o facto de apenas 40 por cento dos veículos pesados inspeccionados conseguirem ir ao encontro das exigências. “Verificamos que apesar de passarem as inspecções gerais, quando fazemos inspecções aleatórias só 40 por cento dos veículos pesados são aprovados. Apelamos para que as pessoas tomem as medidas adequadas para que os veículos pesados cumpram as exigências”, revelou.

No entanto, já a partir de Maio, as concessionárias do jogo vão colocar a circular cerca de 50 ou 60 autocarros shuttles movidos a gás ou energia eléctrica, que representam 15 por cento, do total de 400 shuttles. O objectivo é que até 2023 todos os shuttles tenham de adoptar energias renováveis e os autocarros adoptem o padrão Euro 5, ao nível das emissões, ou seja critérios mais exigentes que o actual modelo Euro 4. Ainda no que diz ao novo regulamento em que o Executivo está a trabalhar e que define padrões mais exigentes ao nível das emissões, o Governo estima que 100 mil veículos já cumprem com os novos critérios. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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de Wallace Chang Ping Hung, professor associado da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Hong Kong, sobre aquele projeto. Maria José de Freitas destacou ainda a intervenção de Xu Ying sobre a experiência da cidade de Wuhan, na província chinesa de Hubei (centro), focada na protecção do património e da sua reutilização em termos contemporâneos. “Wuhan está no delta de quatro rios e está a recuperar o património e herança de influência francesa, o que nos pode levar a refletir sobre as zonas do porto interior e exterior de Macau” Ao mesmo tempo estará patente uma exposição de desenhos, fotografias e mapas antigos sobre a evolução de Macau e a relação com o rio das Pérolas. Um conjunto de desenhos do arquitecto português Manuel Vicente, feitos nos anos de 1980, por altura da elaboração do plano da baía da Praia Grande, que abriu uma nova frente de expansão da cidade “mas que está ainda por desenvolver plenamente”, indicou a arquitecta, explicando que este projecto será abordado por João Palla, que trabalhou com Manuel Vicente.

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EDITAL Edital n.º : 17 /E-BC/2018 Processo n.º :643/BC/2013/F Assunto :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Beco da Agulha n.º 15, Edf. Ngan Loi, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar A, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados o dono da obra e o proprietário do local acima indicado, cuja identidade se desconhece, do seguinte: 1.

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

1.1 Construção de um compartimento com suporte metálico Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do e cobertura plástica no terraço sobrejacente à fracção. caminho de evacuação. 2.

Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização, pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

3.

Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício.

4.

Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, pode o interessado, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.

5.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 9 de Março de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng


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16.3.2018 sexta-feira

A Livraria Portuguesa vai ser palco no sábado, pelas 14h30, do lançamento do livro “Nuvem Branca” e da exposição “Paisagens Literárias de Um Viajante”, da autoria de Rui Paiva que regressa a Macau para o Rota das Letras

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UVEM Branca”, recentemente editada pelo próprio autor, é “um livro de artista e, em simultâneo, um livro de vida”. “Achei que era interessante pela primeira vez e, de uma forma natural, contar a minha vida enquanto artista. É profusamente ilustrado com as minhas obras de arte desde início e vai mesmo aos primeiros desenhos que fui guardando da minha juventude”, começa por explicar Rui Paiva ao HM. A obra percorre as “diferentes fases” do percurso artístico que Rui Paiva foi trilhando, desde como começou a pintar, incluindo uma cronologia que “mostra todas as exposições individuais para que se perceba que há uma consistência relativamente à

“Eu era um director de banco e, se calhar, por disso, achavam que não podia ser artista.”

carreira”. Esse fio condutor foi preparado pelo filho que cresceu entre as telas do pai, o “Rui da Economia”, como lhe chamava o Monsenhor Manuel Teixeira. Afinal, foi nos Serviços de Economia que Rui Paiva iniciou, em 1979, a sua vida profissional em Macau, antes de enveredar pelo mundo da banca que o levou também a Hong Kong e, posteriormente, de regresso a Portugal. Foi sensivelmente há três décadas que começou a participar de forma mais activa em exposições individuais e colectivas em latitudes tão distintas como Vietname, Malásia, Coreia do Sul ou Japão,

ROTA DAS LETRAS RUI PAIVA LANÇA LIVRO E INAUGURA EXPOSIÇÃO NO SÁBADO

O regresso do artista além de Macau, Hong Kong e Portugal. Rui Paiva fala com entusiasmo das exposições, elencando uma e outra, com datas, e até convidados, até fechar o ângulo para pormenores de pinturas ou desenhos. Uma das mais significativas foi precisamente em Macau porque a viu como uma causa. “Sépias e Sanguíneas do

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA UM ENCONTRO • Milan Kundera

A mais recente colecção de ensaios de Milan Kundera é uma apaixonada defesa da arte numa era que, segundo o autor, não valoriza a arte e a beleza. Com a cativante mistura de emoções e pensamento presente nos seus romances, Kundera revisita artistas cujas obras permaneceram importantes ao longo da sua vida: reflecte sobre a pintura de Francis Bacon, a música de Leos Janacek, os filmes de Federico Fellini e os romances de Philip Roth, Fiodor Dostoievski e Gabriel García Márquez. Aproveita também para fazer justiça a Anatole France e Curzio Malaparte, que considera serem grandes escritores caídos na obscuridade. Em “Um Encontro” a assinatura de Milan Kundera – os temas da memória e do esquecimento, a vivência do exílio e a defesa da arte modernista – cruza-se com as suas reflexões pessoais e histórias de vida. Elegante e provocador, Kundera segue as pisadas das suas antologias anteriores.

Deserto” era o título da mostra de 1991 – também na Livraria Portuguesa – que, apesar de inaugurada em dia de tufão, acabou por ser “um sucesso”. O tema: a guerra do Golfo. “Tratei-a como uma guerra espectáculo porque era como a víamos através da CNN quando chegávamos a casa. As pessoas viam os mísseis

“Achei que era interessante pela primeira vez e, de uma forma natural, contar a minha vida enquanto artista.”

e iam dormir tranquilas. Essa indiferença e passividade em geral relativamente a uma guerra fundamental em termos geopolíticos e económicos deixava-me de algum modo preocupado”. Os trabalhos, retratados no livro, eram principalmente desenhos, “quase como uma insinuação de banda desenhada”, mas

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MIZÉ - ANTES GALDÉRIA DO QUE NORMALE REMEDIADA • Ricardo Adolfo Nos arredores de Lisboa, Mizé, a boa da vizinhança, tenta conciliar os sonhos de uma vida de estrela com a rotina entre o salão unissexo e o bairro social Esperança. Mas não é fácil. Ela quer mais, muito mais. E está preparada para usar tudo o que tem para o conseguir. Por outro lado, Palha, que largou as saias da mãe para casar com Mizé, só quer manter o pouco que lhe resta - a começar pelo emprego a vender batatas fritas. Numa noite de enganos, Palha descobre aquilo que nunca quis ver. Desesperado, parte em busca da inocência de Mizé e acaba por desenterrar a sua própria mentira.


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também “havia colagens de papéis rasgados”, recorda. “Nuvem Branca” tem “outra particularidade”. “Embora haja uma cronologia tem também pequenas ilhas”, assinala o artista, dando o exemplo da “Série das Máscaras”: “Em 2009 começou a dizer-se que ia ser o ano da crise em Portugal – infelizmente durou quase uma década. Quando se começou a falar achei que metaforicamente devia conceber um ano com 16 meses porque achava que ia ter mais de 12, pelo que criei uma máscara para cada um desses meses de 2009”. Já a faceta do livro de vida surge a partir do entendimento

de que “as obras de arte não devem surgir do nada”, pelo que cobre a sua vida profissional e dá a conhecer “os bastidores” do artista para que o autor e a sua obra possam ser compreendidos. “Mais importante do que ter sucesso é o artista ter uma identidade”, sublinha Rui Paiva.

UM PECULIAR INÍCIO DE CARREIRA

O início da carreira artística foi fora de comum. Tudo começou depois de ter mostrado desenhos a um homem que não sabia exactamente quem era. Deixou-o ver, tirar fotocópias, mas nunca mais soube dele, até que, passado um mês, enquan-

A exposição “Memórias do Tempo – Macau e a Lusofonia Afro-Asiática em Postais Fotográficos” organizada pelo Arquivo de Macau, vai estar patente até 29 de Junho na Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa, encerrado aos fins-de-semana e feriados. A mostra é composta por uma selecção de mais de uma centena de postais ilustrados das primeiras décadas do século XX do acervo documental/iconográfico do Arquivo de Macau. Os postais retratam aspectos históricos e culturais, urbano-arquitectónicos, etnográficos, económico-sociais e naturais de Macau, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, bem como da antiga Índia Portuguesa. A entrada é livre.

LUSA

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MA exposição de 40 fotografias icónicas da revolução de 25 deAbril de 1974 tiradas por Eduardo Gageiro, “um dos maiores fotógrafos portugueses”, vai estar patente ao público, a partir de hoje, em Aljustrel, no distrito de Beja. A mostra pode ser visitada até ao dia 25 de Abril nas Oficinas de Formação eAnimação Cultural da vila alentejana. A exposição reúne “momentos excepcionais”, capturados entre 25 de Abril, o dia da Revolução dos Cravos, e 01 de Maio de 1974, que “iriam determinar o destino” de Portugal. Das fotografias da exposição, o município destaca uma do capitão Salgueiro PUB

Diana do Mar com João Luz info@hojemacau.com.mo

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Exposição “Macau e a Lusofonia Afro-Asiática em Postais Fotográficos” até Junho em Lisboa

EXPOSIÇÃO EDUARDO GAGEIRO MOSTRA FOTOGRAFIAS ICÓNICAS DA REVOLUÇÃO DE ABRIL

to passava pelo Leal Senado viu um desenho seu, o primeiro de quatro, plasmado no jornal, acompanhado por “uma crítica altamente positiva”, descobrindo que o apreciador era, afinal, um crítico de arte que escrevia para o Va Kio. Deixou o território em 1982 – pela primeira vez. Regressado a Portugal decidiu ir burilar as habilidades, frequentando a Sociedade Nacional de Belas Artes durante dois anos. Em 1988 estava de volta a Macau, onde efectivamente começa a expor. “Macau foi sempre importante”, realça Rui Paiva, sem esquecer as pedras que surgiram pelo caminho. “Foi um a luta muito grande para entrar no meio artístico de Macau, porque havia barreiras enormes e muitos preconceitos. Eu era um director de banco e, se calhar, por disso, achavam que não podia ser artista”, observa. Na obra, Rui Paiva também faz uma incursão pela terra natal: Moçambique. Nomeadamente pelos tempos em que, depois de tirar um curso de cinema, andou pelos subúrbios de Lourenço Marques (actual Maputo) a filmar com um grupo de companheiros que lhe ofereceram as pequenas bobinas quando foi para Portugal. Essas imagens, mostrando o fenómeno das mulheres apanhadoras de amêijoas ou as aulas de alfabetização com ‘mamanas’, trouxe-as consigo na expectativa de as poder exibir durante a exposição a inaugurar no Sábado, a par com o lançamento de “Nuvem Branca”. Intitulada “Paisagens Literárias de Um Viajante”, a mostra reúne mais de 30 obras, da pintura, ao desenho, passando pela instalação, incluindo, entre outros, um conjunto inédito, em papel de arroz sobre tela, “mais espiritual”.

Maia a morder o lábio para não chorar de emoção depois de militares do Regimento de Cavalaria 7 se juntarem ao Movimento das Forças Armadas no Terreiro do Paço e a de um soldado a retirar a fotografia de António de Oliveira Salazar de uma parede da sede da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) em Lisboa. Eduardo Gageiro, que nasceu em 1935 em Sacavém, no concelho de Loures, distrito de Lisboa, começou a trabalhar aos 12 anos numa fábrica de loiças na cidade natal, onde “o contacto com pintores, escultores e operários fabris viria a definir o seu olhar sobre o mundo e a vida”. Foi nessa altura que publicou a sua primeira fotografia e, a partir daí, a paixão pela fotografia levou-o a tornar-se repórter fotográfico no Diário Ilustrado e a colaborar, mais tarde, com várias publicações. Autodidacta, Eduardo Gageiro limitava-se “a fotografar o que sentia: olhares, rostos, a miséria do povo, com grande

carga emocional, rompendo com o socialmente instituído” e, por isso, “teve problemas com a PIDE” e até foi preso por causa de uma fotografia que tirou na Nazaré. “Mas isso não demoveu” Eduardo Gageiro, que enviou, à socapa, fotografias do Portugal profundo para o estrangeiro, que só conhecia o país dos postais turísticos e, “graças a ele, o mundo teve conhecimento do Portugal real”. Membro de honra de inúmeras entidades estrangeiras de fotografia, Eduardo Gageiro foi editor da revista Sábado e trabalhou para várias entidades, como a agência de notícias Associated Press, a Companhia Nacional de Bailado e a Assembleia da República. Eduardo Gageiro tem participado em dezenas de exposições individuais e colectivas e as suas fotografias, sempre a preto e branco, estão representadas em inúmeras publicações e reproduzidas em todo o mundo e já lhe renderam mais de 300 prémios.


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O ministro da Defesa de Taiwan, Yen Teh-fa, anunciou ontem, no parlamento, a intenção governamental em adquirir aviões de combate norte-americanos F-35 para colmatar as necessidades defensivas do país, face à crescente intimidação militar chinesa. Segundo Teh-fa, que falava numa reunião do Comité de Defesa e Negócios Estrangeiros do parlamento de Taiwan, a rapidez e a capacidade de aterragem vertical “satisfazem as necessidades” da Força Aérea taiwanesa, composta já por aviões F-16, norte-americanos, “Mirage 2000”, franceses, e “CCK”, locais. Teh-fa não adiantou quantos aparelhos Taiwan pensa adquirir. Na argumentação utilizada pelo governante de Taiwan é referida a modernização da frota aérea militar na China e as frequentes incursões de caças chineses na Zona de Identificação de Defesa Aérea taiwanesa desde 2017, razões pelas quais é necessário reforçar a capacidade de defesa do país. A Força Aérea chinesa modernizou a sua frota graças à tecnologia de ponta que tem desenvolvido, contando também com o apoio russo.

Olimpíadas Comboios de alta velocidade sem condutores

A China planeia construir uma ligação ferroviária de alta velocidade controlada remotamente, sem condutores, entre Pequim e o local onde se realizarão os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, informou a imprensa oficial. A agência oficial Xinhua escreve que os comboios de alta velocidade, que vão percorrer os 174 quilómetros entre Pequim e Zhangjiakou, na província de Hebei, serão controlados a partir de um centro de controlo remoto. O projeto está avaliado em 60 mil milhões de yuan (cerca de 7,7 mil milhões de euros), segundo a agência. Os comboios vão deslocar-se a uma velocidade de 350 quilómetros por hora. Em 2016, a malha ferroviária de alta velocidade da China superou os 19.000 quilómetros - mais do que todos os outros países combinados. A primeira linha - 120 quilómetros entre Pequim e Tianjin - começou a funcionar em 2008, quando a capital chinesa organizou os Jogos Olímpicos.

ALY SONG/REUTERS

Taiwan planeia comprar caças F-35 para se defender da China

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INDÚSTRIA CRESCE MAIS QUE O ESPERADO

Ameaças sem resultado CHINA MANTERÁ POSTURA COOPERATIVA COM POMPEO

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China quer manter uma postura cooperativa com os Estados Unidos e trabalhar com o novo secretário de Estado americano para promover o desenvolvimento saudável e estável das relações bilaterais, disse na quarta-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lu Kang. Lu fez a declaração depois do presidente americano, Donald Trump, ter anunciado na terça-feira na sua conta do Twitter que Rex Tillerson já não seria mais secretário de Estado e que seria substituído pelo director da Agência Central de Inteligência (CIA), Mike Pompeo. “A China e os Estados Unidos man-

tiveram uma comunicação estreita durante o período de Tillerson e apreciamos os esforços dele para promover o crescimento das relações sino-americanas”, disse Lu, acrescentando que a China quer trabalhar com o novo secretário de Estado para impulsionar o desenvolvimento saudável e estável das relações bilaterais sob o consenso alcançado pelos dois chefes de Estado. A cooperação nos laços bilaterais e assuntos regionais e internacionais não só corresponde aos interesses fundamentais da China e dos Estados Unidos, mas também atende às expectativas da comunidade internacional, afirmou Lu.

GUERRA CONTRA POLUIÇÃO ESTÁ A SER GANHA

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RINCIPAL poluidor do planeta, a China está a ganhar a guerra contra a poluição atmosférica e pode aumentar em mais de dois anos a expectativa de vida dos seus habitantes - garante um estudo norte-americano publicado nesta terça-feira. Com base em dados recolhidos em 200 receptores espalhados por toda China, o estudo da Universidade de Chicago calcula que a taxa de partículas finas no ar, muito prejudiciais à saúde, reduziu-se em 32% entre 2013 e 2017. Se essa tendência se mantiver, a expectativa de vida média dos chineses pode aumentar até 2,4 anos, segundo o estudo. As partículas finas — também conhecidas como PM2,5 por seu

diâmetro máximo — são determinantes tanto nas doenças cardiovasculares e respiratórias, quanto no câncer. “Não existem exemplos de um país que tenha conseguido uma redução tão rápida da poluição atmosférica. É extraordinário”, disse à AFP Michael Greenstone, que dirigiu o estudo do Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago. Em comparação, os Estados Unidos precisaram de mais de dez anos para uma melhora comparável, após aprovarem uma lei nesse sentido em 1970. “Esses quatro anos demonstram que as coisas podem mudar, inclusive rapidamente, graças à vontade política”, disse Greenstone. Sob pressão da opinião pública, o regime comunista chinês lançou em 2013 um plano contra a poluição destinado a reduzir em 25% a taxa de partículas finas no ar nas regiões de Pequim e Xangai. “A China não é considerado um país democrático, mas constatamos que o governo teve de tomar as medidas que a opinião pública exigia”, afirmou Greenstone.


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sexta-feira 16.3.2018

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produção industrial da China cresceu muito mais rápido do que o esperado no início do ano, sugerindo que a economia pode estar a ganhar força mesmo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a preparar fortes tarifas contra um dos principais motores do seu crescimento, a tecnologia. Tarifas sobre as exportações de tecnologia podem potencialmente afectar o segmento do sector industrial da China, uma área que os líderes do país querem promover conforme buscam um crescimento económico de “maior qualidade”. Trump busca impor tarifas sobre 60 mil milhões de dólares de importações chinesas pelos EUA e vai mirar os sectores de tecnologia e telecomunicações, informou a Reuters na terça-feira. A mais recente ameaça comercial dos EUA, após a adopção de taxas sobre o aço e o alumínio na semana passada, ofuscou os dados robustos de produção industrial e de investimentos da China para os dois primeiros meses do ano. “Existe uma boa possibilidade de que Trump faça muito mais contra a China... A situação comercial é obviamente um risco e um desafio relativamente novo para a China”, disse o economista Kevin Lai, do Daiwa Capital Markets.

A produção industrial avançou 7,2 por cento entre Janeiro e Fevereiro na comparação com o mesmo período do ano anterior, informou a Agência Nacional de Estatísticas nesta quarta-feira, contra expectativa de analistas de 6,1 por cento e registando forte aceleração sobre a marca de 6,2 por cento de Dezembro. Analistas esperavam uma ligeira queda devido à repressão sobre as indústrias poluentes, mas os dados mostraram que a produção de aço da China subiu para o nível mais alto em meses uma vez que as siderúrgicas se prepararam para a aceleração sazonal na construção na primavera. Entretanto, os dados do início do ano na China são normalmente tratados com cautela devido a distorções provocadas pela data em que cai o feriado de uma semana do Ano Novo Lunar, no final de Janeiro em 2017 mas em meados de Fevereiro neste ano. Uma inesperada recuperação dos investimentos também sugere um cenário mais resiliente para a economia, mesmo sob o peso de atritos comerciais com os EUA. O crescimento do investimento em activos fixos acelerou para 7,9 por cento entre Janeiro e Fevereiro contra expectativa de 7 por cento e ante ritmo de 7,2 por cento em 2017.

DEPARTAMENTO DE DEFESA AUSTRALIANO PROÍBE WECHAT

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aplicação chinesa de mensagens instantâneas Wechat foi banida entre os militares australianos, segundo um comunicado do Departamento de Defesa da Austrália citado pela imprensa local, ilustrando a preocupação de Camberra com a alegada espionagem chinesa. “O [Departamento] de Defesa permite apenas o uso de algumas aplicações.

O Wechat não está autorizado”, afirmou o organismo encarregado da segurança nacional e das forças armadas australianas, num comunicado. A mesma nota não detalha os motivos pelo qual o uso do Wechat foi proibido. O organismo esclarece que permite o uso “limitado” do Facebook entre o seu pessoal. A decisão surge depois de, no ano passado, os

serviços secretos australianos apontarem um aumento “exponencial” de actividades de espionagem no país, enquanto o anterior chefe do Departamento de Defesa australiano, Dennis Richardson, revelou que espiões chineses estão “muito activos” na Austrália. O Wechat, inicialmente lançado como um serviço

de mensagens instantâneas, semelhante ao Whatsapp, funciona simultaneamente como rede social e carteira digital. Em fevereiro passado, atingiu mil milhões de perfis de usuários, segundo o presidente do gigante chinês da Internet Tencent, Pony Ma, que concebeu aquele serviço. Pony Ma é delegado na Assembleia Nacional Popular, o órgão

máximo legislativo da China. No ano passado, várias pessoas foram detidas ou condenadas à prisão na China por comentários em grupos ou conversas privadas no Wechat, sob a acusação de “causar distúrbios” ou “usar ilegalmente informação e a Internet”, o que revela a crescente monitorização das autoridades chinesas sobre o ciberespaço.

Regulador chinês impõe multa recorde

O regulador chinês de valores mobiliários impôs uma multa recorde de 5.500 milhões de yuan a uma empresa acusada de manipulação do mercado, informou a agência noticiosa oficial Xinhua. A decisão da comissão reguladora do mercado de valores mobiliários da China (CSRC) surge numa altura em que Pequim tenta reduzir os riscos no sistema financeiro chinês. A CSRC, que em 2015 foi acusada de não saber gerir o ‘crash’ de 30% na bolsa de Xangai, multou o grupo Beibadao Logistics Group, que tem sede em Xiamen, sudeste do país. Segundo o regulador, a firma terá formado, em fevereiro de 2017, uma equipa que manipulava o mercado de ações, e que terá lucrado assim 945 milhões de yuan. No relatório apresentado à Assembleia Nacional Popular chinesa, o primeiro-ministro, Li Keqiang, colocou a luta contra os riscos financeiros entre as “três batalhas decisivas” do executivo, a par da poluição e da pobreza.

Presidente do Fosun sem assento no órgão de consulta do Governo

O presidente do grupo Fosun, Guo Guangchang, que detém várias empresas em Portugal, não teve este ano assento na sessão da Conferência Consultiva do Povo Chinês (CPCPC), o principal órgão de consulta do Partido Comunista Chinês. Guo Guangchang foi, durante muito anos, um dos cerca de 2.200 delegado na CPCPC, uma espécie de senado sem poderes legislativos. A CPCPC tem um mandato de cinco anos e é integrada pelo Partido Comunista da China, representantes das 56 etnias do país, membros das Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau, de Taiwan e personalidades convidadas. Em 2003, Guo chegou a ser nomeado para delegado na Assembleia Nacional Popular, o órgão máximo legislativo da China, que escolhe os titulares dos principais órgãos do poder de Estado, nomeadamente o Presidente da República e o Primeiro-Ministro. Guo Guangchang ocupa a 25.ª posição, na lista dos mais ricos da China, segundo a unidade de investigação Hurun.

LAMENTO POR STEPHEN HAWKING

A

China expressou na quarta-feira as condolências pelo falecimento do renomado físico britânico Stephen Hawking, elogiando-o como um cientista excelente. A China expressou condolências profundas pelo falecimento de Hawking e deu os pêsames à família, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang. “Hawking fez uma grande contribuição à ciência e humanidade”, disse Lu, notando que também lutou contra uma doença. Segundo o porta-voz,

Hawking visitou a China por três vezes e os líderes do país encontraram-se com ele. Cientistas e fãs de ciência na China tiveram comunicações agradáveis com ele, acrescentou. “Hawking era preocupado com o desenvolvimento da China e elogiava altamente os progressos científicos e tecnológicos alcançados pela China”, afirmou o porta-voz. Lu disse que Hawking gostava muito da cultura chinesa e realizou seu desejo de visitar a Grande Muralha, com a ajuda dos seus assistentes.

MISSA DE 30º DIA MARIA RIBEIRO MADEIRA DE CARVALHO A família enlutada de MARIA RIBEIRO MADEIRA DE CARVALHO, manda rezar uma Missa de 30º Dia, por sua alma, na Sé de Catedral, no dia 16 de Março de 2018, pelas 18:45 horas. Antecipadamente se agradece a todos quantos queiram participar no piedoso acto.


14

h

16.3.2018 sexta-feira

tudo muda mas mudando mantém-se fixo e não muda José Simões Morais

A

Sociedade de Geografia de Lisboa, fundada em 1875, propôs em 1896 que fosse celebrado o quarto centenário da partida de Vasco da Gama para a Índia e tal ideia encontrou eco tanto na população como no governo, que logo apoiou a iniciativa e por um decreto formulou o programa das festividades. Pretendia-se estimular o brio dos portugueses, cujas esperanças se encontravam bastante abatidas após a perda da soberania nos territórios entre Angola e Moçambique, hoje Zimbabué e Zâmbia, inseridos no Mapa Cor-de-Rosa de 1886, e de onde, pelo Ultimato de 11 de Janeiro de 1890, os britânicos exigiram a Portugal retirar-se. Tudo consequência da Conferência de Berlim de 1884-85, quando os países europeus dividiram entre si o Continente Africano, tendo daí Portugal perdido para estes muito do seu território ultramarino. Colocava-se a imperativa necessidade de trazer à memória as grandes viagens marítimas portuguesas e se nos princípios de Março de 1894 se comemorara no Porto o V Centenário do nascimento do Infante D. Henrique, festas que se estenderam a todo o país, nada melhor do que celebrar o dia 7 de Julho de 1497, quando Vasco da Gama embarcando em Lisboa no São Gabriel partira para a Índia, onde chegou à costa do Malabar a 20 de Maio de 1498. Estava encontrado o tema de gloriosa grandeza, o IV Centenário da partida de Vasco da Gama para a Índia. Querido pois, ensinado desde tenra idade à volta da lareira e aprofundado como História nas escolas, dera aquela viagem início ao território ultramarino espalhado pelo mundo desde há 400 anos e como tal, muito animaria também a alma aos portugueses do Ultramar.

PROGRAMA DAS FESTIVIDADES

Seria uma celebração nacional e extensiva a todo o território português, abrangendo todas as classes. A comissão central constituiria no reino, nas ilhas adjacentes e no ultramar, comissões especiais destinadas a promover tal festividade e marcavam-se para 8, 9 e 10 de Julho de 1897 os dias de gala em todo o território português. <Na alvorada de 8, os Paços do Concelho, as fortalezas e navios de guerra nacionais arvorarão a bandeira portuguesa, saudando-a com uma salva de cem tiros de peça, queimando-se grandes girândolas e foguetes e os sinos das igrejas deverão repicar. Os edifícios e estabelecimentos

MACAU ANTIGO

Ideia para fazer uma ampla avenida

Tap Seac

públicos, para além de hastear a bandeira nacional, deverão iluminar as suas fachadas durante esses três dias, tal como ficam convidados os cidadãos para adornar e iluminar as fachadas das suas residências. As autoridades, as corporações administrativas e comissões locais promoverão nas respectivas localidades toda a espécie de demonstrações festivas e muito especialmente as de um carácter geral e popular, como iluminações, arraiais, romarias, danças, cantos e jogos populares>. Além deste programa, aqui reduzidamente exposto, ainda se pretendia cunhar moedas comemorativas de 1000, 500 e 200 réis, medalhas em ouro, prata e outros metais, assim como selos postais. <Em Lisboa realizar-se-ão exposições nacionais, como a de agrícola e pecuária, de caça e pescaria, a de etnografia, a de belas artes e a Exposição colonial Vasco da Gama. Promover-se-á a elaboração de memórias, monografias e outros trabalhos literários e científicos, assim como históricos>. Pretendia-se convidar os governos das nações marítimas, bem como as grandes empresas de navegação a fazer-se representar, pois previam-se para Lisboa regatas, concursos de tiro e de velocípedes, congressos e conferências. Estava assim lançado o repto. Mas no ano seguinte, quando chegou a data,

nada parece ter ocorrido pois nos jornais de Macau não há dela referência. Com Amadeu Gomes de Araújo ficamos a saber as razões, “A morte de Pinheiro Chagas, em 1895, fez adiar os preparativos, só retomados em Maio de 1896. Em 1897, terminou o governo de Hintze e foi já o novo ministério, presidido por José Luciano de Castro, que decidiu concentrar os festejos em 17, 18 e 19 de Maio de 1898, dias de gala nacional”. Reinava D. Carlos, o Diplomata, que foi Rei entre 1889 até 1908.

PLANO DO ENG. ABREU NUNES

Em Macau, a extensa várzea do Tap Seac, a estender-se até à Praia de Cacilhas, era um vale com aproximadamente cem hectares, sempre alagado, numa cota muito inferior às estradas que o circundavam e a situação piorava com a água das chuvas a escorrer de ambas as encostas dos montes da Guia e de S. Miguel, sendo por isso, um dos principais focos de infecção da cidade. Para sanear essa várzea, o Director das Obras Públicas Eng. Augusto Abreu Nunes planeou ir buscar terra ao campo da Vitória, separado da várzea do Tap Seac pela Estrada da Flora (actual Sidónio Pais), na encosta da Colina da Guia. Em meados do ano 1896 decorria o trabalho de terraplanagem no sítio do

Tap Seac com a terra retirada do campo da Vitória, ficando assim também este terreno aplanado, a um nível de dois metros inferior ao que tinha antes. Constava ir ser o triângulo da Guia nivelado, para o colocar ao mesmo nível da Praça da Vitória, o que daria ao local uma esplêndida esplanada. De uma superfície bastante irregular e com grandes desníveis criou-se um terreno plano, sendo os cortes de forma a regularizar o campo e os caminhos que o circundavam. Quando apareceu a ideia das comemorações de 1898, lembrou-se o Director das Obras Públicas construir nesse planalto uma ampla avenida, como não havia em Macau e assim criar a Alameda Vasco da Gama, desde a Calçada do Gaio até à Praça da Vitória. O Eng. Abreu Nunes pretendia aí erguer uma estátua a Vasco da Gama e inserir a já existente Praça da Vitória com o seu monumento. O Monumento da Vitória fora inicialmente projectado com a imagem de S. João Baptista, pois a vitória sobre os holandeses, calhara no seu dia, 24 de Junho. Para construir o monumento a S. João Baptista, que desde 1622 ficara como padroeiro de Macau, o Senado nos inícios dos anos 60 do século XIX avançou sugestões para obter a verba, ou por lotaria ou subscrições voluntárias. No entanto, o projecto foi substituído e a 1 de Fevereiro de 1869, o Presidente do Senado Félix Hilário de Azevedo comunicava ao Governador Sérgio de Sousa a existência no Senado de um fundo de 400 patacas destinado ao monumento a S. João Baptista, mas, devido a problemas políticos, vingara um outro projecto e assim propunha ser esse fundo aplicado ao novo Monumento da Vitória, segundo o Padre Manuel Teixeira. Tal monumento, proveniente de Lisboa das oficinas do escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro, foi inaugurado em 1871 conjuntamente com a Praça da Vitória. Governador de Macau desde 12 de Maio de 1897, Eduardo Augusto Rodrigues Galhardo ao chegar de Lisboa para iniciar funções tinha já à sua espera o programa definitivo do grande jubileu, enviado a 3 de Maio de 1897 pelo presidente da comissão executiva nacional para organizar os festejos, o Almirante Francisco Joaquim Ferreira do Amaral (filho do ex-governador de Macau João Maria Ferreira do Amaral), presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa e que fora Ministro da Marinha em 1892.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 16.3.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

A

principal característica do pensamento arcaico é ser da totalidade, da natureza no seu todo, da totalidade da natureza, numa das suas formulações. Com os atomistas, há uma tendência analítica para resolver “todos analíticos” e “todos compostos” nos seus elementos. A própria noção de elemento é formalizada em átomo, aquilo que é indivisível e nas suas agregações mínimas resultantes de operações elementares. O que se passa com a oposição irresolúvel da ligação de um pensamento a uma extensão ou na pergunta kantiana “como são possíveis os juízos sintéticos a priori” em causa não está a ligação de um presente de mim a um passado há pouco de mim e um futuro daqui a nada de mim tal como não está apenas em causa a ligação de um presente agora do que eu tenho à minha frente com esse mesmo conteúdo há pouco e daqui a nada, mas a ligação entre um ver e um visto, o problema da sincronização não analítica de mim a dar conta de que estou a ver um horizonte que se estende à minha frente. As operações em causa têm de ser cognitivas, a de uma percepção que dá conta de um perceptível, a de uma lembrança que se recorda de um conteúdo passado, a de uma expectativa que põe de pé uma antecipação que prevê ou tentar fazer previsões de conteúdos ainda por ser. O pensamento arcaico tenta ver a totalidade da natureza aberta no seu todo. Na formulação estoica cada ser humano é uma partícula do perfeito, do todo acabado ao qual nada falta para ser. O presente não é o resultado de uma percepção. Antes, há percepção, porque temos continuamente acesso ao presente. O presente apresenta-se e torna-nos a nós e às coisas todas bem como aos outros presentes. O passado não é o resultado de uma memória. Há memória, porque o passado se faz sentir de alguma maneira, não nos deixa esquecer dele ou então caiu para um esquecimento irrecuperável. O futuro não é o resultado da nossa capacidade de previsão e antecipação. Antes, é por haver futuro que há expectativa ou ausência dela, que nos antecipamos ou chegamos tarde demais, que temos esperança ou falta dela. O tempo abre-se na sua totalidade. Por isso, também não está restrito ao tempo da expectativa de vida ou ao tempo em que a existência humana permanece em vida. Como com santo Agostinho no livro do Tempo, em mim estão todas as gerações de pessoas passadas e todas as gerações futuras de uma descendência. Entre a primeira geração e a última geração há este manto de tempo sempre a desenvolver-se ou então a implicar-se no seu próprio interior. Mas é sempre do

JORGE MOLDER, SERIE NOX, 1999

Medicina e pensamento arcaico

O presente não é o resultado de uma percepção. Antes, há percepção, porque temos continuamente acesso ao presente. O presente apresenta-se e torna-nos a nós e às coisas todas bem como aos outros presentes. O passado não é o resultado de uma memória. Há memória, porque o passado se faz sentir de alguma maneira

todo para as partes que o tempo existe, tal como um poema é a sua totalidade e não é compreensível da primeira letra da primeira sílaba da primeira palavra adicionada à última sílaba da última palavra do poema. Na primeira sílaba está a totalidade finda do poema, como no primeiro instante está a totalidade do tempo a haver completamente acabado. O acesso que os antigos pensaram como o autêntico não é por isso o teórico, embora a relação teórica com as coisas fosse pensada de um modo muito pouco intelectual se assim se pode dizer. As grandes categorias, diz Sloterdjik, são eróticas e polémicas. Mas não só. Os seus operadores são dietéticos: assimilação, dissimulação, ingestão, digestão, congestão. São também as formas complexas da respiração: inspiração e expiração, o ritmo do fluxo sanguíneo e do batimento cardíaco, a atmosfera disposicional que vibra nas coisas e a atmosfera com o seu clima que nos faz arrefecer ou aquecer, suar ou enxugar, etc., etc.. É na análise da doença que percebemos desde sempre encontrar-nos numa situação vulnerável e expostos ao mundo envolvente. Há tantas doenças quantos órgãos, aparelhos, partes de membros e membros. A afecção vem de dentro para fora, do interior para o exterior e do exterior para o interior: um banho, o ar, a exposição a outros elementos, alergias obtidas por contacto com substâncias. “As diferentes doenças dependem do nutriente, da respiração, do calor, do sangue, da fleuma, bílis, humores, na carne, gordura, na veia, na artéria, na articulação, no músculo, na membrana, osso, cérebro, espinal medula, boca, língua, estômago, ventre, intestinos, diafragma, peritónio, fígado, baço, rins, bexiga, útero, pele, tudo isto é pensado ora como um todo numa unidade ou como uma parte de um todo, a sua grandeza é óptima ou não.” (Hp. Alim. 25.) É no contacto com o mundo e os seus elementos, o ar que respiramos, os líquidos que bebemos, os sólidos que ingerimos, como nos encontramos de pé, a correr, sentados ou deitados, a forma particular como pisamos o solo consoante as funções que estamos a desempenhar, é no contacto com as coisas numa situação pragmática, numa resolução técnica, no desempenho de uma função, na execução de uma tarefa que remove impedimentos, resolve problemas, tem um programa de acção que encontramos, no interior da relação intrínseca com o mundo o sentido do nosso envolvimento e da nossa implicação no mundo. A disciplina a haver chamava-se tanthrôpeia: as coisas que dizem respeito ao ser humano. E o que não lhe dirá respeito?


16 desporto

16.3.2018 sexta-feira

A

AAMC NOMEIA HOMEM PARA REPRESENTE NACIONAL DO “WOMEN IN MOTORSPORT”

Mulheres a menos

Os objectivos da FIA não passam só por ter mais mulheres ao volante, mas ter mais elementos do sexo feminino com papeis relevantes no desporto, desde a organização de eventos, parte técnica, assessorias e comissariados. Esta ambição tem uma razão e um propósito que vai para lá do comercial e do politicamente correcto na sociedade actual. “Eu acredito que as mulheres merecem mais, como podem ver pela representatividade que as mulheres têm na FIA e o porquê que a FIA quer dar ouvidos às mulheres. É preciso ouvir as mulheres, porque isso ajudará a desenvolver ainda mais o desporto”, afirma a actual instrutora da Mercedes AMG China e figura de destaque na organização do troféu Renault Clio China. Apesar de não se vislumbrar qualquer mudança na mentalidade local a curto prazo, Diana Rosário espera que as intenções da federação internacional tenham repercussões no território: “Eu espero que as organizações em Macau realmente pensem sobre isto. Eu vejo umas quantas mulheres com conhecimento nos desportos motorizados, porque não dar mais oportunidades também às mulheres?”

PROJECTO FIA NO KARTING

associados com uma piloto com créditos firmados e andamento para envergonhar alguns dos seus adversários do sexo oposto.

HÁ ESPAÇO PARA MAIS

Diana Rosário foi a campeã da Ford Fórmula Campus FIA

Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), que representa o território na Federação Internacional do Automóvel (FIA), não terá assento permanente na Comissão de Mulheres da FIA, mas, ao contrário da grande maioria das suas congéneres, o seu representante nacional, é um homem! Criada com a bênção de Jean Todt, a Comissão de Mulheres da FIA foi estabelecida em 2009 e pretende encorajar mais mulheres a participarem em diferentes níveis do desporto automóvel, tendo como presidente a francesa Michèle Mouton, a primeira senhora a vencer uma prova do Campeonato do Mundo de Ralis. Por seu lado, os representantes nacionais servem como ligação da Comissão dentro do espectro da sua área de jurisdição. Apesar de não ter nenhum membro feminino de relevo na Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), esta nomeou a piloto de ralis Joana Barbosa. Já a homologa federação brasileira Brasil, fez o mesmo, escolhendo para esse papel Fabiana Ecclestone, a esposa do ex-patrão da Fórmula 1 Bernie Ecclestone e que durante muitos anos foi um pilar na organização do Grande Prémio do Brasil de Fórmula 1, em Interlagos. Por seu lado, a AAMC, que também não tem qualquer senhora nos seus cargos dirigentes, optou por nomear um homem, Thomas Wong. O HM contactou a AAMC com o intuito de tentar perceber esta escolha, mas até ao momento da publicação deste artigo não recebeu qualquer resposta. Dos cinquenta e dois membros nacionais da “Women in Motorsports”, apenas Macau, Uruguai e México optaram por um membro do sexo masculino. Esta não é a primeira vez que a AAMC tem a oportunidade para nomear uma senhora para um acontecimento principalmente focado para elas e não o faz. Na primeira edição da Taça da Corrida China, onde as quatro associações automóveis da Grande China tinham que ter um carro com uma piloto do sexo feminino, ao contrário da China Continental, Taipé Chinês e Hong Kong, Macau não se fez representar, mesmo contando nos seus

em 2009, até hoje a única piloto feminino a obter um título de monolugares no continente asiático, e acredita que Macau ainda tem um longo caminho a percorrer no que respeita à integração das mulheres no desporto automóvel.

“Neste momento, não vejo que esteja a ser feito alguma coisa nesse sentido. Como piloto de Macau por tantos anos, nunca tive qualquer especial atenção ou apoio por isso”, explicou a piloto da RAEM. “Mesmo a trabalhando noutras

posições do desporto automóvel, como Directora de Corridas ou participando na organização de eventos e campeonatos em Hong Kong e na China, nunca houve nenhuma intenção de me chamarem para fazer parte, para ajudar.”

A FIA vai promover este ano um projecto piloto que visa promover o desporto automóvel junto do público feminino com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos. Por enquanto, a ideia apresentada no Salão Automóvel de Genebra apenas contempla países europeus, mas o conceito deverá expandir-se a outros continentes nos próximos anos. Portugal foi um dos oito países escolhidos pela FIA e pela União Europeia para desenvolver o projecto: “The Girls on Track”. A FPAK terá como missão organizar, até final de 2018, dois eventos de karting intitulados “Karting Challenge” e atrair para estas iniciativas o maior número de jovens do sexo feminino para experimentarem a modalidade. Aquelas que melhor se saírem neste desafio terão a possibilidade de disputar a grande final contra as pilotos seleccionadas dos restantes países num evento organizado em Le Mans, França. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo


opinião 17

sexta-feira 16.3.2018

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

A

A nova Rota da Seda (II)

China é o maior credor da Ásia Central e Oriental e as instituições políticas da China encaminharam para as principais “empresas estatais (SOE na sigla em língua inglesa)”, para começarem a fazer negócios com as empresas dos países que participam no projecto, pois parece existir uma pressão política, para que este tenha sucesso. É de considerar que grandes empresas públicas com recursos enormes acumulavam aproximadamente 1 trilião de dólares nos últimos anos e representam entre 25 a 30 por cento da produção industrial da China. É crucial que as empresas públicas adoptem projectos para a Iniciativa, para sobreviverem. O plano “Uma Faixa, Uma Rota” irá enfrentar muitos desafios no futuro. O equilíbrio de poder instável em muitas áreas do mundo e a incerteza política em países considerados fulcrais e que receberão os investimentos da Iniciativa, aumentou para níveis críticos e muitos países por onde passará a “Nova Rota da Seda”, enfrentarão políticas internas instáveis e desafios de segurança. O Paquistão, Afeganistão, Síria e Turquia, estão entre os países que têm de reavaliar as suas políticas e áreas de actuação internas para fornecer a credibilidade necessária à China para os investimentos em curso. O governo chinês deve ter em consideração a frágil situação em uma infinidade de países euro-asiáticos, na perspectiva das relações internacionais. Existem também, desafios a nível económico e mais especificamente, interrogações sobre se a liderança chinesa na Iniciativa terá em conta o crescimento da economia chinesa. É de acreditar que a economia chinesa está no bom caminho, e o presidente chinês defende que a economia deve ser menos dependente das exportações e da construção de infra-estruturas públicas. Parece que não existe uma estratégia clara, nem prioridades concretas, sobre quais os tipos de projectos que devem ser realizados. Quanto a corrupção, vários relatórios chegaram à conclusão de que muitos fundos não podem ter sido descaminhados no suborno a funcionários e, em olear as rodas, para que o projecto avance. É de esperar que a China perca 80 por cento dos seus investimentos no Paquistão, 50 por cento no Myanmar, e 30 por cento na Ásia Central. Existe a possibilidade de um aumento do terrorismo e outras ameaças à segurança. O movimento radical islâmico terá mais oportunidades de se mover através de toda a região e maiores formas de financiamento do terrorismo podem ocorrer, e ainda se desconhece como a União Europeia (UE) retribuirá aos movimentos chineses

no sistema económico internacional. A Comissão da UE aceitou muitos investimentos chineses, mas declarou que examinará estritamente todos os outros investimentos, que deveriam ser implementados sob os valores de transparência empresarial, com respeito ao meio ambiente e aos direitos laborais. É de esperar que a Rússia tente suavizar o plano chinês fazendo que China respeite as leis e os direitos acima mencionados dos países com quem irá cooperar. Por outro lado, os Estados Unidos parecem incapazes de reagir à iniciativa chinesa. Há quem acredite que, através dos efeitos colaterais de capital para investimentos, a China também possa transmitir alguns problemas internos, de natureza militarista e nacionalista, aos países vizinhos, e muitos países da região temem essa ideia, sendo que tal suspeita que parece de todo infundada, cresce em torno das razões do projecto. O interesse pela área de Caxemira aumentou, especialmente no Paquistão e Índia. A Índia preocupa-se com os movimentos da China, e expressou a sua oposição ao projecto que se realizará em Caxemira e no Myanmar, uma linha de caminho-de-ferro planeada no valor de vinte mil milhões de dólares que ligará as cidades de Kyaukpyu e de Kunming, irritou os habitantes locais que enfrentam o interesse chinês como recordação do “Império do Meio”. É de realçar que na Ásia Central, existe uma geral desconfiança sobre os chineses devido ao facto de que ainda não passaram muitos anos desde que reinaram a região, e existe uma falta de compreensão cultural

das populações locais e como resultado, há muitas fricções entre as empresas locais e as chinesas. A Grécia, devido à sua posição geográfica e geopolítica única, parece ser a principal entrada da China para a Europa, através da “Rota Marítima da Seda”. A localização ideal do porto de Pireu, na encruzilhada da África, Ásia e Europa, e uma capacidade de acomodação grande, o suficiente, mesmo para grandes e modernos navios porta-contentores, converte o porto em um bem valioso da Iniciativa, pelo que dá a entender que muitas e boas oportunidades surgirão no futuro próximo, com origem na realização de negócios de investimentos em transportes, sector da energia, telecomunicações e na área do turismo. A distância do porto de Pireu de outras significativas cidades costeiras e movimentados portos, destacam a importância estratégica do porto por economizar tempo e dinheiro, se for explorado pela “Rota Marítima da Seda”. O primeiro passo para a presença chinesa no país ocorreu em 2009, quando a “China Ocean Shipping (Group) Company (COSCO na sigla em língua inglesa)”, uma empresa estatal da China, que é uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, começou a operar a parte do terminal de porta-contentores por um período de trinta e cinco anos e nos termos do acordo, um montante inicial de cinquenta milhões de euros seriam pagos à Grécia, e durante todo o período de actividade, estima-se que em um total de quatro mil milhões e trezentos

milhões de euros seja pago pela COSCO. A privatização do terminal de contentores da “Autoridade do Porto de Atenas (OLP)”, foi outro marco importante para o envolvimento chinês no porto de Pireu. Os próximos passos incluíram a assinatura de um acordo entre a empresa chinesa de telecomunicações, ZTE Corporation e a empresa grega Forthnet, e a aquisição da empresa grega “Independent Power Transmission Operator S.A. (IPTO sigla em língua inglesa ou ADMIE na sigla em língua grega)”, que é a empresa operadora do sistema de transmissão de electricidade helénica, pela empresa chinesa “State Grid Corporation of China (SGCC na sigla em língua inglesa)”, por um montante de trezentos e vinte milhões de euros. É de notar que qualquer aquisição por parte das empresas chinesas está sob o olhar microscópico da Comissão Europeia, que, aparentemente, leva em conta os interesses geopolíticos da UE. Além disso, espera-se que a Iniciativa OBOR aumente o comércio chinês e influencie a região e mudança do modelo económico do país, baseado em exportações e infra-estruturas para um mais consumidor. A Iniciativa OBOR pode enfrentar algumas dificuldades sérias em relação ao seu planeamento e implementação, devido à natureza altamente ambiciosa da Iniciativa. O envolvimento de vários países no projecto também pode desacelerar o processo de tomada de decisão e, aumentar o tempo necessário para a construção de infra-estruturas e, em geral, o desenvolvimento de projectos que são vitais para a sustentabilidade da Iniciativa. Quanto mais países participarem no projecto, mais provável é ter interesses nacionais opostos e um aumento de risco económico e político a ser regulado pelo principal investidor de todo o projecto que é a China. Todos esses factores devem ser levados em consideração pela China durante a implementação da Iniciativa OBOR. A China deve decidir sobre o dilema de como prosseguir com a Iniciativa, apoiando as empresas estatais chinesas, ou por regiões com desempenho menor. As empresas públicas desempenham um papel importante na economia chinesa e essas empresas poderiam arrastar a economia chinesa e, consequentemente, poderiam causar desvantagens também no desenvolvimento de todo o projecto. O sinal precoce com imediato impacto foi o facto de a Moody’s ter anunciado a 24 de Maio de 2017, a redução da nota atribuída à dívida pública da China de “Aa3” para “A1”, devido à queda das reservas cambiais e prevendo que as autoridades aprovem mais estímulos económicos. A baixa do “rating” da China pela primeira vez desde 1989, faz questionar se as instituições têm a capacidade de proceder com reformas (especialmente na área de SOEs). A verdadeira questão que fica em aberto é o de saber se a China apoia as suas empresas, ou conseguirá mudar o seu modelo económico e respeitar os seus vizinhos?


18 (f)utilidades 7 2 3 4 1 6 5

3 1 6 7 2 5 1 5 4 2 7 3 T6 E M7 P O 5 N3 U B4 L A D2O 2 3 1 6 5 4 5 QUE 4 2 FAZER 1 6 7 O ESTA 4 6 SEMANA 7 5 3 1 Hoje 33 ROTA DAS LETRAS | DEBATE “CIDADES-RIO

4 6 1M I N 7 3 2

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CRUZANDO FRONTEIRAS: HISTÓRIA E ESTRATÉGIAS” Antigo Tribunal | 18h00

3 7 2 1 4 6 CONCERTO 4 6| MUSIC1SESSIONS 3 7 5 Pousada de Coloane | 20h00 1 2 5 6 3 7 Amanhã TOGETHER WE DANCE WITH JAMES WHAT 5Legend4Macau7| 22h002 1 3 Club 7 DAS3LETRAS4| FILME5“POET ON6 2 ROTA A BUSINESS TRIP” DE JU ANQI 2 1| 20h006 7 5 4 Consulado Domingo 6 5 3 4 2 1

5 2 4 6 1 3 7

ROTA DAS LETRAS | CONCERTO COM ZHOU YUNPENG Teatro D.Pedro V

35 ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “A EUROPA

5 2 4 7 3 1 6 Diariamente 1 7 3 5 6 2 4 MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM 3| Até413/5 6 2 5 7 1 11ª7 BIENAL5 DE DESIGN 1 DE6MACAU4 3 2 Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3 4 1 7 3 2 6 5 PARADA DE OURO - ARMAMENTO IMPERIAL DO MUSEU DO PALÁCIO 6| Até3Domingo2 4 1 5 7 MAM 2 6 5 1 7 4 3 AO ESPELHO”, COM RUI TAVARES Antigo Tribunal | 19h00

32

3 4 5 1 2 1 7 4 1 5 6 3 1 8 6M 2 A X 1 2 57 4 3 2 6 5 7 3 2 7 6 4 5 34

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 36

5 4 2 1 6 3 7

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1 6 4 2 7 5 3

EURO

9.96

BAHT

6 7 1 5 3 4 2

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2

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7 4

4

7 3

PROBLEMA 37

UM DOCUMENTÁRIO HOJE

Cineteatro

C I N E M A

7 DAYS IN ENTEBBE SALA 1

TOMB RAIDER [C] Um filme de: Roar Uthaug Com: Alicia Vikander, Daniel Wu, Dominic West, Walton Goggins 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

[B]

Filme de: José Padilha Com: Rosamund Pike, Daniel Brühl 14.30, 19.30, 21.30

TURN ARROUND [A] Filme de: Ta-Pu Chen

Com: Jay Shih, Yu-Chiao Hsia, Allen Chao, Lu Yi-Ching 16.30

O segundo documentário do genial realizador Errol Morris tem como protagonistas pessoas normais de uma pequena cidade no interior do Estado da Florida. A normalidade dos habitantes anónimos de Vernon esbate-se quando se sentem confortáveis com a câmara de Morris e começam a discorrer teorias e ideias bizarras. “Vernon, Florida” é um retrato do interior dos Estados Unidos com tudo o que há de grotesco e de inocente nisso. O segundo documentário de Errol Morris catapultou a carreira do cineasta, antecedendo “The Thin Blue Line”, um marco incontornável do cinema documental. João Luz

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Filme de: Ta-Pu Chen Com: Jay Shih, Yu-Chiao Hsia, Allen Chao, Lu Yi-Ching 19.30

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O umbigo, esse nó cortado que está no nosso centro, pode ser um abismo que rouba horizonte aos sentidos. É natural que num território pequeno, cercado por fronteiras, a vida se estrangule. Ainda para mais num contexto social de minoria encerrada numa língua exótica para esta parte do mundo. Esta asfixia agiganta detalhes, coisas pequenas ganham dimensões que na verdade não têm, numa espécie de liliputianismo que mingua tudo em seu redor. Nesta vivência aumentada à lupa, a deslocação de um semáforo torna-se numa história incrível, uma formiga pisada na calçada é um atentado contra a fauna, um espirro uma pandemia. Este enclausuramento projecta paranoia, distorção de significados, 38 desconfiança do que é real. Entretanto, perde-se a perspectiva para os panoramas e caímos no vortex de um zoom in microscópico. Os grandes acontecimentos tornam-se irrelevantes, momentos que normalmente seriam considerados históricos transformam-se em notas de rodapé porque é preciso noticiar que após a limpeza de uma praia ela ficou limpa. Ok, dou-vos a notícia em primeira mão: Amanhã o dia irá nascer depois da noite. Pessoas de nível intermédio na administração vão-se aposentar, alguns serão despedidos, outros contratados. A vida vai continuar a acontecer e aqui permaneceremos, perdidos entre migalhas de realidade. João Luz

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THE HURRICANE HEIST [C]

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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VERNON, FLORIDA | ERROL MORRIS

SALA 3

Filme de: Rob Cohen Com: Toby Kebbell, Maggie Grace, Ralph Ineson, Ryan Kwanten 14.30, 16.30, 21.30

YUAN

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VIDA DE CÃO

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sexta-feira 16.3.2018

FERDINAND CHOI, MÚSICO E COMPOSITOR

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ASCIDO e criado em Macau, Ferdinand Choi é um guitarrista e compositor que faz questão de mostrar a terra onde nasceu nos seus videoclips. Exemplo disso é o vídeo promocional da música “When I Have You”, gravado nas tradicionais palafitas de Coloane. Arranha no inglês mas faz dele o seu instrumento de trabalho. O gosto pela música começou cedo, pouco depois de terminado o ensino secundário. “Acabei a escola secundária e comecei a aprender a tocar guitarra. Numa primeira fase não cantava, mas depois como gostava muito de tocar guitarra passei a fazer parte de uma banda. Nessa banda eu já fazia algumas canções mas não cantava, havia outra pessoa a fazê-lo.” Hoje Ferdinand Choi vive da música e toca três vezes por semana no bar Mugs, um pequeno espaço localizado na zona da Praia Grande. “Toco algumas canções chineses, em inglês também, canções pop. Numa noite posso tocar uma ou duas canções minhas”, explicou. Mas não só: o músico já tocou em vários bares de Macau e até participou, em 2016, num concurso de música na China.

O amante da guitarra Apesar de ter gostado da experiência, no continente deparou-se com a competição, uma vez que há muitos talentos nas mais diversas áreas musicais. “Na China há muitos músicos e muita competição. Mas foi uma boa experiência, porque nunca tinha participado em nenhum concurso antes. Há muitos músicos na China, bastante diferentes dos de Macau. É mais difícil ser músico na China. Macau é um território pequeno e não há muitos músicos e compositores, então não há essa competição. Na China há uma grande variedade de bons músicos.” Afirmando que deve ser um dos poucos músicos de Macau que consegue sustentar-se com os concertos, Ferdinand Choi considera que, no território, “é difícil ser músico a tempo inteiro”. “Neste momento vivo da música, talvez seja um dos poucos que em Macau vive só disso. Tenho vindo a compor algumas canções nos últimos tempos”, frisou.

O PRIMEIRO DISCO

O músico de Macau já se aventurou no mundo dos álbuns, tendo apostado na gravação

de “Meet”. O projecto foi feito em Taiwan, dada a diversidade e maturidade do mercado musical da Ilha Formosa. “Já tinha muitas canções escritas nessa altura e queria gravar um disco. Muitos incentivava-me a fazê-lo. Então decidi ir para Taiwan gravar o álbum. Lá é mais barato e o mercado está mais desenvolvido, temos muitas escolhas de locais onde possamos gravar, há mais produtores e engenheiros de som, com mais experiência do que em Macau.” Macau começa agora a despertar para o mundo da música e há uma nova geração de músicos e cantores a nascer, bem como de estúdios de gravação. Ainda assim, Ferdinand Choi assegura que as empresas ligadas às indústrias do jogo e do entretenimento desconhecem os talentos locais do mundo da música. “Os casinos, por exemplo, não sabem que em Macau também há músicos, e muitas vezes acabam por contratar cantores de Taiwan, Singapura e Malásia. Só agora é que começam a ter noção de que em Macau também há muitos músicos. Muitas vezes estas empresas trabalham em parceria com

agências de artistas e nós não trabalhamos com elas.” Ferdinand Choi aposta tudo na sua página de Facebook para mostrar o seu trabalho. Aliás, para quem começa uma carreira, as redes sociais podem ser uma boa ajuda, assegura. “Actualmente o Facebook é uma boa ferramenta para mostrarmos o nosso trabalho, as redes sociais no geral. Além disso acabamos por não gastar dinheiro com a promoção do nosso trabalho.” Nos próximos tempos Choi sabe que quer continuar a tocar e a cantar, sendo que a aposta numa carreira mais internacional está nos seus planos. “Quero participar em mais festivais de música na China ou em Taiwan, e até no estrangeiro. Quero tocar as minhas próprias canções. Talvez no próximo ano estarei a trabalhar no meu próximo álbum”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima! Arthur Schopenhauer

Pouco sensato

PALAVRA DO DIA

sexta-feira 16.3.2018

PROVEDORA EUROPEIA QUER REAVALIAR CONTRATAÇÃO DE BARROSO PELO GOLDMAN SACHS

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Provedora de Justiça Europeia, Emily O’Reilly, recomendou que a contratação de Durão Barroso pelo Goldman Sachs seja reavaliada pelo comité de ética da Comissão Europeia, após um encontro do ex-presidente com o comissário Katainen. “Depois de um ano de inquérito, e à luz do recente encontro entre o antigo presidente da Comissão [José Manuel Durão Barroso] e um actual vice-presidente da Comissão Europeia [Jirky Katainen], registado como uma reunião oficial com o Goldman Sachs, a ‘Ombudsman’ (provedora) recomenda que o caso seja reenviado para o Comité de Ética da Comissão”, considerou O’Reilly, num documento a que a Lusa teve ontem acesso. A Provedora considerou que o comité de

ética poderá reavaliar se a contratação de Durão Barroso pelo Goldman Sachs Internacional é compatível com os seus deveres ao abrigo do artigo 254” do Tratado de Funcionamento da União Europeia (TFUE). Ao executivo comunitário é ainda aconselhado que “considere requerer ao seu antigo presidente que se abstenha de fazer

lóbi junto da Comissão durante alguns anos”. Bruxelas tem até dia 6 de Junho para responder à provedora. As recomendações da provedora têm em conta a divulgação de um encontro entre Barroso e Katainen em Outubro de 2017, sublinhando que o executivo comunitário — após nova consulta ao Comité de Ética por

causa do compromisso assumido por Barroso de não fazer actividade de lóbi — tome uma decisão formal sobre se a contratação pelo banco norte-americano viola o referido artigo do TFUE. Por outro lado, a ‘Ombudsman’ sugere que pessoas que exercem cargos de conselheiros especiais não possam integrar o comité e que as opiniões deste, bem como as decisões tomadas em função dos pareceres sejam tornadas públicas. Finalmente, O’Reilly sugere que o “período de notificação” previsto no Código de Conduta seja prolongado por vários anos, de modo a que haja informação sobre todas as novas funções de antigos comissários, podendo Bruxelas reagir se necessário. Face à polémica provocada pelo anúncio da ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs,

em 2016, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, solicitou um parecer ao então Comité de Ética ‘ad hoc’ - agora Comité Independente de Ética - do executivo comunitário, que concluiu que o antigo presidente não violou as regras, ainda que tenha demonstrado falta de “sensatez”. Segundo o comité de ética, Durão Barroso “não demonstrou a sensatez que se poderia esperar de alguém que ocupou o cargo de presidente durante tantos anos”, mas “não violou o seu dever de integridade e discrição”. A controvérsia reacendeu-se em Fevereiro, com a revelação do encontro, em Outubro passado, entre Barroso e Katainen, tendo ambos desmentido qualquer actividade de lóbi.

MUSEU DO ORIENTE CELEBRA JOSÉ DE GUIMARÃES

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MA exposição com cerca de 150 peças, parte delas inéditas, do acervo do Museu do Oriente, e obras recentes de José de Guimarães, estabelece um diálogo numa “cidade fantasmagórica”, criada para celebrar os dez anos do museu, em Lisboa. Intitulada “Um Museu do Outro Mundo”, a exposição pode ser visitada a partir de sexta-feira e até 3 de Junho, para assinalar o décimo aniversário deste espaço museológico, e os 30 anos da Fundação Oriente, que tutela o museu. José de Guimarães disse que pediu a colaboração do arquitecto Pedro Campos Costa e do curador Nuno Faria para a montagem da exposição, de modo a obter “toda uma cidade fantasmagórica que vai de uma zona escura, até uma

zona clara, atravessada por uma zona dourada”, onde as peças se reúnem simbolicamente. O artista, cuja vida e obra é marcada por viagens pela Ásia, África e América Latina, reuniu ao longo de décadas uma colecção de arte chinesa que percorre desde o período Neolítico à unificação do império, passando por várias dinastias, a Qin e Han. “Nas minhas viagens, recolhi vários artefactos, e nesta exposição coloco as peças antigas em diálogo com a arte contemporânea”, num conceito, segundo o artista, “cada vez mais actual”. Na exposição, cruzam-se as obras do acervo do Museu do Oriente, da coleção pessoal de arte chinesa de José de Guimarães e novas obras criadas pelo artista. José de Guimarães, de 78 anos, criou uma espécie de relicários para

apresentar peças da sua colecção de arte antiga chinesa, sobretudo em jade, algumas com mais de dois mil anos. Além destas peças da colecção pessoal do artista - também em terracota e bronze - há outras obras recentes, criadas especialmente por José de Guimarães para a exposição, e pinturas em papel, de grandes dimensões, “que evocam a noção de efémero”, entre outras, como papagaios e esculturas também em papel. O diálogo – contemporâneo, arqueológico e etnográfico criado pelo artista envolve peças orientais retiradas das reservas do acervo do Museu do Oriente, muitas delas nunca apresentadas antes ao público, nomeadamente objetos da coleção Kwon On. José de Guimarães foi convidado para fazer uma exposição

comemorativa dentro da lógica do seu trabalho: “Envolve um conceito de alteridade, de recolha de elementos de outras culturas, através de artefactos que me permitem descobrir as culturas que não são as minhas, ocidentais”. A obra de José Guimarães esteve representada no Jardim das Artes, em Macau.

Grande Baía Leonel Alves defende maior comunicação entre regiões

O advogado Leonel Alves defende que com uma maior integração entre as regiões de Macau, Hong Kong e Cantão, no âmbito da Grande Baía, que vai aumentar as exigência do conhecimento legal e administro das partes envolvidas. Por essa razão, segundo o canal chinês da Rádio Macau, o membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) disse, em Pequim, que é necessário que haja uma maior familiarização sobre o sistema jurídico, administrativo e fiscal das três regiões chinesas. Esta foi uma opinião partilhada por Vong Hin Fai, também ele membro da CCPPC, que espera um aumento nos diferendos jurídicos entre entidades das diferentes regiões.

FIFA PORTUGAL CONTINUA EM TERCEIRO LUGAR

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selecção portuguesa manteve o terceiro lugar - a melhor classificação de sempre - no ‘ranking’ da FIFA, que foi hoje divulgado pelo organismo regulador de futebol e continua a ser liderado pela campeã mundial Alemanha. Apesar de ter reduzido de 10 para apenas um ponto a distância para Portugal, a Argentina, vice-campeã do mundo em título, mantém-se na quarta posição da tabela, ambos relativamente longe do Brasil, segundo classificado, e da líder Alemanha. A única alteração entre os 10 primeiros posicionados passou pela subida da Polónia do sétimo para o sexto lugar, em igualdade pontual com a Espanha, ambos atrás da Bélgica, que ocupa o quinto posto. A selecção portuguesa ocupa o terceiro lugar da hierarquia da FIFA desde 14 de Setembro de 2017, a melhor classificação de sempre, que já tinha atingido em 2010, 2012 e 2014. O Irão, treinado pelo português Carlos Queiroz, manteve-se em 33.º, enquanto o Burkina Faso, cujo seleccionador é o português Paulo Duarte, subiu um lugar, para 56.º, continuando Cabo Verde a assumir-se como o melhor dos países de expressão portuguesa, depois do Brasil, em 61.º. • ‘RANKING’ DA FIFA EM 15 DE MARÇO: 1. (1) Alemanha, 1.609 pontos. 2. (2) Brasil, 1.489. 3. (3) PORTUGAL, 1.360. 4. (4) Argentina, 1.359. 5. (5) Bélgica, 1.337. 6. (7) Polónia, 1.228. 6. (6) Espanha, 1.228. 8. (8) Suíça, 1.197. 9. (9) França, 1.185. 10. (10) Chile, 1.161. (...) 61. (62) CABO VERDE, 539. 96. (94) GUINÉ-BISSAU, 368. 105. (107) MOÇAMBIQUE, 317. 141. (141) ANGOLA, 210. 179. (179) SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, 94. 186. (186) MACAU, 65. 190. (191) TIMOR-LESTE, 44.

Hoje Macau 16 MAR 2018 #4013  
Hoje Macau 16 MAR 2018 #4013  

N.º 4013 de 16 de MAR de 2018

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