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TIAGO ALCÂNTARA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

HABITAÇÃO

Especialistas pedem punho firme para o mercado privado

Tecto a quanto obrigas

MOP$10

S E G U N DA - F E I R A 1 6 D E D E Z E M B R O D E 2 0 1 3 • A N O X I I I • N º 2 9 9 5

hojemacau

Dias depois da Universidade de Macau ter concluído um estudo encomendado pelo Governo, defendendo a política “Terras de Macau para os residentes de Macau”, o HM ouviu a opinião de especialistas que defendem que o Executivo deve mudar o paradigma do mercado privado e rever a noção de mercado liberalizado.

• POLÍTICAS DE TRÂNSITO

Executivo vai investir forte até 2020 PÁGINA 3

• ENERGIA CÍVICA DE MACAU

INQUÉRITO REVELA QUE POPULAÇÃO TEM POUCA CONFIANÇA PÁGINA 3

PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

• GOVERNO ADMOESTA

CCAC descobre irregularidades nos Bombeiros PÁGINA 5

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PÁGINA 2

Ter para ler

CHINA HOMEM FORTE DO GOVERNO DE HU JINTAO EM PRISÃO DOMICILIÁRIA PUB

PÁGINA 8


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POLÍTICA

hoje macau segunda-feira 16.12.2013

IMOBILIÁRIO ESPECIALISTAS PEDEM MUDANÇAS NO MERCADO PRIVADO

Planos sem rei nem roque RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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FINAL quantas casas serão necessárias para a classe que actualmente não está qualificada para comprar apartamentos económicos? De quantas pessoas ou agregados familiares se fala? E quais os rendimentos máximos permitidos para se habilitarem a estes apartamentos públicos e “semi-públicos”? As perguntas são colocadas por Bill Chou, professor de ciência política na Universidade de Macau (UMAC), a instituição que publicou na semana passada três sugestões de planos a aplicar ao mercado imobiliário, no âmbito do estudo “Terra de Macau destinada a residentes de Macau”. O mesmo “levantamento exaustivo e rigoroso” pede o arquitecto Nuno Soares, caracterizando-as de “medidas avulsas” com difícil impacto mercado imobiliário. “Quantos terrenos existem? Quantas habitações são necessárias?”, questiona. Bill Chou refere que é necessário perceber quem está implicado na política para que os decisores políticos façam o seu trabalho. “O que é importante é se o plano consegue providenciar suficientes casas para as pessoas que não podem comprar no mercado privado e não são

TIAGO ALCÂNTARA

Não haverá resultados frutíferos se não se conseguir descobrir o universo populacional e habitacional na política “Terra de Macau destinada a residentes de Macau”. Especialistas pedem mais emprenho nas casas a custos controlados para mudar o paradigma do mercado de compra e venda

qualificados para se candidatar ao mercado público”, lembra Chou, abordando concretamente o público do “modelo de apoio aos residentes permanentes de Macau na aquisição da própria residência” (2º plano). “Para os legisladores é muito difícil adoptar políticas se não se perceber de quantas casas se falam

O QUE DIZEM OS GOVERNANTES... “O inquérito levado a cabo pela UMAC é apenas um estudo preliminar no qual propuseram três opções diferentes, mas eu quero que fique claro que o mais importante para mim é a consulta pública. À parte da habitação social e habitação económica, o conceito ‘Terras de Macau destinada a residentes de Macau’ também incluiu o fosso entre a habitação pública e o mercado imobiliário residencial privado. Estamos cientes de que os residentes sentem a pressão dos preços altos das propriedades e temos de pensar profundamente na melhor formas de utilizar a terra para o povo de Macau, por isso, é importante saber o que é que os residentes pensam” CHUI SAI ON Chefe do Executivo “Quero ouvir mais vozes da sociedade. Queremos ajudar os residentes que não beneficiaram da política ‘Terra de Macau para os residentes de Macau’. Queremos aprofundar os estudos sobre esta matéria” LAU SI IO Secretário para as Obras Públicas e Transportes

e as implicações financeiras para pôr o plano em prática.[...] Não há dados sobre o rendimento dos agregados familiares – que não estejam habilitados a candidatar-se ao mercado público. Quão maior o limite de rendimento? 10 mil patacas? 20 mil patacas? Não há nenhum número.” Nuno Soares pede uma estimativa do número de casas por ano para os próximos 20 anos e, em sintonia, um plano director. E, avalia, na “política de habitação a custos controlados” a ambição mostra-se “muito pequena” num mercado de compra e venda onde os preços subiram só no ano passado 40%, portanto, custear 20 a 30% do valor do mercado pode vir a representar pouco quando as casas forem postas à disposição. É necessário, defende o arquitecto, pensar na população e não no sector que já hoje sai beneficiado: o da construção e do imobiliário. “O mercado tão liberalizado tem dado provas de que cresce de forma incomportável para a população, o que tem vindo a provocar desequilíbrios.”

DISCURSO DIRECTO DOS DEPUTADOS “As três propostas do estudo da UMAC não representam surpresa. O ‘modelo actualizado de habitação económica’ não é necessário porque já temos a lei de habitação económica e apenas precisamos de alterar o limite de rendimentos do agregado familiar. Sobre o segundo modelo, duvido que este tipo de residentes tenha qualificações para comprar as casas com desconto de 20% a 30%. O terceiro modelo também não vai resolver qualquer problema porque o preço actual já é demasiado alto face à capacidade financeira dos residentes, por isso, se o preço for igual ao do mercado actual não é o desejado pelos residentes” HO ION SANG Vice-presidente da UGAMM “Não se deve apenas pensar em novos terrenos, mas reconstruir os edifícios de bairros antigos. Isto pode resolver não apenas a falta de terras como de fracções, ou seja, construir mais 15 a 20 andares nos edifícios baixos, que foram construídos em 1950’s e 1970’s. Ao mesmo tempo, devese parar com a concessão de terras para as empresas dos casinos” LAM HEONG SANG Vice-presidente da AL e da FAOM “O sector imobiliário é o principal sector na Ásia, por isso, o Governo deve distinguir a política entre mercado privado e habitação pública para equilibrar a necessidade da habitação dos residentes e preço da habitação privada” JOSÉ CHUI SAI PENG Vice-presidente da ACCEFPM “Os três modelos têm vantagens e desvantagens. É necessário ouvir opiniões diferentes da sociedade. É razoável que os candidatos tenham de ser famílias porque falta a Macau terrenos, por isso, é necessário dar mais oportunidades aos agregados familiares porque têm mais necessidade de habitação” KOU HOI IN Director da ACM “Os três modelos discriminam os solteiros. A revenda da casa também tem limites, ou seja, os mesmo critérios a que obedeceram os primeiros compradores, por isso, vai reduzir a procura. O Governo precisa de saber que o objectivo é a política de terras para os residentes, não pode ser outra política de habitação económica” KWAN TSUI HANG Vice-presidente da FAOM

“BAIXAR A MARGEM DE LUCRO”

Sobre a habitação económica, defende o também especialista em planeamento urbano, deveria estar espalhada pela cidade e não apenas em zonas periféricas porque a “estrutura dos bairros e as zonas económicos e sociais são quebradas” e, nesse sentido, deve ser evitada a “estratégia de segregação”. Do mesmo modo, as novas habitações a custos controlados não devem ser pensadas apenas para os novos aterros. Chou defende, por outro lado, que é preciso arranjar diferentes critérios e deverão existir diferentes estratos de casas públicas. Larry So, académico na Escola de Administração Pública do Instituto Politécnico de Macau (IPM), entende que o estudo se concentra demasiado no mercado público e que o foco, neste momento, deve ser “controlar a especulação imobiliária do mercado privado” numa altura em que não há terras adicionais para casas públicas. “Como vamos cortar os custos? Tem de ir além das casas públicas e chegar aos edifícios privados. A estes edifícios deve ser

limitado o custo adicional para que os residentes não paguem preços tão elevados”, entende, sugerindo um modelo diferente. “A terra vai ser providenciada pelo Governo e desenvolvida por promotores privados, mas deve excluir o preço do edifício e os custos do terreno. Estes seriam o tipo de casas menos caras. O mais importante é que o promotor não tenha uma margem de lucro tão elevado. Quero ver isto no mercado privado não apenas num desenvolvimento por parte do Governo.” Bill Chou vê como importante a questão de revenda da habitação pública em menor prazo que no caso do “modelo actualizado da habitação económica” passa de 16 anos para 7 a 10 anos e no caso do “modelo de apoio aos residentes na aquisição de casa própria” é sugerido de cinco a oito anos. “É bom reduzir o tempo para o vender mas se ainda pudesse baixar mais a oferta de casas no longo curso seria aumentada. (...) O preço deve estar em consonância com a oferta da casa pública actual

que não pode controlar os preços das propriedades.” Larry So entende que os anos para revenda estão ajustados e está em desacordo com Bill Chou na limitação das casas para residentes permanentes. O segundo entende que deve ser dada primazia aos permanentes no curto prazo, uma vez que a oferta não deverá poder obedecer à procura dos permanentes, e num segundo nível de preferência os não-permanentes. O primeiro entende que é só estes devem ser implicados nesta política. “São casas que têm de ficar na circulação dos residentes permanentes porque são casas subsidiadas pelo Governo, em termos de terreno e prédio. E ser a primeira casa.” O IPM foi também designado para proceder a um “Estudo e análise económica e jurídica sobre ‘Terra de Macau destinada a residentes de Macau’, segundo um despacho oficial assinado pelo Chefe do Executivo, em Julho, mas ainda não entregou o relatório com os resultados.


política 3

hoje macau segunda-feira 16.12.2013

Já há linhas gerais para melhorar o trânsito nos próximos anos, incluindo a verba para melhorar os autocarros. Metro Ligeiro vai ser “coluna vertebral” numa futura rede de transportes públicos que não esquece a integração regional ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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INCOanos,cemreuniões e duas consultas públicas depois o Governo tem finalmente traçadas as linhas mestras com que vai fazer o planeamento do trânsito até 2020. Os Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) publicaram o relatório sobre a “política geral do trânsito e transportes terrestres de Macau”, que começa por espelhar a urgência de novas políticas, apesar de muitas medidas ainda serem referentes a 2011. Segundo as contas da DSAT, o número de carros vai aumentar dos 190 mil, em 2009, para 310 mil em 2020, um aumento de 63%. Tal “causará uma descida da taxa de partilha dos transportes públicos, prolongamento do tempo gasto nas deslocações e aumento das emissões de gases com efeito de estufa”. Contudo, em 2020, espera-se que a taxa de crescimento de veículos seja de 4%. No total, o Governo planeia gastar cerca de dois mil milhões de patacas na “melhoria” do serviço de transportes públicos nos próximos sete anos. “Serão investidos durante sete anos cerca de dois mil milhões de patacas para melhorar os serviços de autocarros, incluindo o aumento considerável da taxa de frequência, e fixar directamente um

TRÂNSITO DSAT CONCLUIU RELATÓRIO SOBRE POLÍTICAS ATÉ 2020

Governo quer gastar dois mil milhões em sete anos tarifário atraente. Proceder-se-á à revisão da eficiência do investimento aplicado e da reserva financeira para os anos subsequentes através de um mecanismo de avaliação e fiscalização.” A melhoria do sistema de autocarros, com maior cobertura em todo o território e um tempo de espera entre 10 a 15 minutos, vai passar a estar ligado com o Metro Ligeiro. A DSAT diz que mesmo que este meio vai ser a “coluna vertebral” da futura rede de transportes públicos. Para isso, o Executivo pretende “acelerar o inicio e conclusão da primeira fase do Metro Ligeiro”, sendo que as obras de construção na Taipa, Cotai e Macau “serão desenvolvidas faseadamente, indo ser feitos todos os esforços para que estejam concluídas em 2014” Para o próximo ano “será efectuada a correspondente actualização das carreiras de autocarros”, sendo que “serão criadas gradualmente carreiras para as zonas novas”. É ainda objectivo criar, no mesmo ano, uma

via rápida para os autocarros entre a zona da Barra e as Portas do Cerco.

OBJECTIVOS A CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO

No geral, o relatório apresenta medidas a concretizar de forma faseada. A curto prazo, pretende-se fomentar o reordenamento dos transportes públicos e a ligação com a primeira fase do Metro Ligeiro, sendo que

o “prazo imediato” para o arranque das medidas foi em 2012. A médio prazo, numa concretização até 2015, pretende-se que o Metro Ligeiro entre em funcionamento e que haja uma melhor articulação dos autocarros com este meio e ciclovias, as quais vão sendo alargadas de “forma faseada e gradual” até daqui a dois anos.

A longo prazo, o Executivo pretende estabelecer uma “articulação regional” com Zhuhai e restantes regiões adjacentes. Pretende-se ainda a “materialização da visão de construir uma cidade verde onde as deslocações sejam agradáveis”, sendo que o prazo final é de 2020. “Em articulação com o desenvolvimento dos novos aterros, os trabalhos desta fase pretendem aperfeiçoar a construção da rede rodoviária da RAEM e a articulação com os centros urbanos do Delta do Rio das Pérolas”, aponta a DSAT, com a garantia de que vai concretizar “de forma permanente o crescimento do número de veículos e a política de eliminação e substituição por veículos amigos do ambiente”.

O QUE O GOVERNO QUER FAZER • • • • • • • • •

Rever o número de táxis com base no número de turistas e de crescimento populacional Prestar serviços de táxi “seguros e fiáveis” e “elevar a qualidade” Promover passes integrados de autocarros com Metro Ligeiro em 2015 Alargar serviços nocturnos de transportes públicos Criação de mais 2500 lugares de estacionamento para carros e motas, com foco nas zonas da Ilha Verde e Fai Chi Kei Instalação de sistemas de informação de estacionamentos, concluídos em 2015 Promoção de uma gestão ordenada de veículos de uso comercial Gerir eficazmente os veículos especiais de passageiros dos hotéis e casinos Acelerar a eliminação de veículos altamente poluentes e promoção da utilização de veículos amigos do ambiente. Caberá aos serviços

• • • • • • •

da Administração Pública promover a sua eliminação e substituição Optimização abrangente dos espaços pedonais junto a postos fronteiriços, terminais de transportes públicos, escolas, hospitais e parques Revisão da Lei do Trânsito Rodoviário e do Regulamento do Trânsito Rodoviário Iniciar o planeamento do trânsito e obras nos novos aterros Inicio das obras da quarta ponte Macau-Taipa, para acompanhar o planeamento urbanístico das zonas dos novos aterros urbanos Promover a construção do túnel sub-fluvial ligando as zonas de Van Chai e Barra Melhorar a circulação pedonal no centro histórico Promover o uso de bicicletas e aumentar postos de aluguer das mesmas

INQUÉRITO ENERGIA CÍVICA DE MACAU AUSCULTOU SOCIEDADE CIVIL

Pouca confiança na política da RAEM CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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grupo Energia Cívica de Macau, liderado pela académica e ex-candidata às eleições Agnes Lam, está de volta com as suas iniciativas. Desta vez foram divulgados os resultados de um inquérito intitulado “Índice da Sociedade Civil”, realizado em Março último, sobre as eleições para o cargo de Chefe do Executivo e deputados à Assembleia Legislativa (AL). Dos cerca de mil entrevistados com mais de 18 anos, 44,5% considera que o Chefe do Executivo não é eleito de forma “justa”, e que poderiam escolher melhor a pessoa para exercer o cargo. Enquanto isso, 61,3% acreditam que podem eleger com mais “justiça” os deputados à AL pela via directa.

Agnes Lam, presidente do grupo, acredita que os resultados “reflectem que os residentes estão a questionar o método para a eleição do Chefe do Executivo”, pode ler-se num comunicado. A académica disse ainda que o estudo serve apenas para uma “exploração preliminar” da sociedade civil, sendo que as questões serão mais aprofundadas num próximo estudo.

CONFIANÇA EM BAIXO

O inquérito versou ainda sobre a confiança dos residentes em relação ao Chefe do Executivo, deputados e representantes das associações. Os resultados mostram que, num total de dez pontos, a confiança para com Chui Sai On ganha apenas 5,9 pontos, para os deputados é de 5,4 pontos, e para os líderes associativos é de 6,6 pontos. Em relação aos diversos depar-

tamentos do Governo, os inquiridos têm apenas uma confiança de 5,4% em relação a eventuais casos de corrupção. 82,2% dos entrevistados concordam que as leis actuais protegem os direitos básicos dos cidadãos, enquanto 72,3% defendem que a legislação protege a liberdade de imprensa.

POUCA PARTICIPAÇÃO CÍVICA

O inquérito do grupo Energia Cívica de Macau tentou ainda compreender qual o nível de aceitação dos residentes em relação a pessoas com problemas de droga, álcool ou portadoras de deficiência. Apenas 17,2% toleram os toxicodependentes, 27,2% os que dependem do álcool e 34,6% toleram os portadores de deficiência mental. O nível de aceitação depende ainda do sexo, idade, nível de educação e profissão e ainda o

salário, sendo que os entrevistados do sexo masculino revelam maior aceitação. Os mais jovens, com mais educação e com maiores salários, também toleram mais os que são diferentes. Em relação à participação cívica dos residentes, o estudo mostra que a percentagem dos que trabalham no trabalho voluntário ainda é mais baixa do que a maioria dos países. Em Inglaterra 59% dos cidadãos fazem trabalho voluntário, sendo que em Macau a percentagem é apenas de 16,1%. 79,9% admitiram que fizeram doações monetárias o ano passado, sendo que a mais elevada foi acima de um milhão de patacas. Quanto à participação política, apenas 15,3% dos residentes entrevistados participaram em manifestações, reuniões ou assinaram uma petição. 9,8% preferem apenas participar em petições.


4 política

hoje macau segunda-feira 16.12.2013

AL PEDIDO DE DEBATE E DE AUDIÇÃO SOBRE AUTOCARROS É HOJE ANALISADO PELOS DEPUTADOS

Aprovam ou reprovam? JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ÃO ser hoje votados pelos deputados os pedidos de debate e de audição sobre o recente caso do novo modelo de autocarros. Está marcado para as 15 horas mais um plenário da Assembleia Legislativa (AL), onde se ficará a saber se os membros do hemiciclo vão chamar o Governo para testemunhar ou se o tema será apenas motivo de debate entre deputados e representantes do Executivo. Houve quatro deputados

a apresentar pedidos que vão hoje ser votados, mas enquanto Au Kam San e Ng Kuok Cheong querem convocar o Governo para pedir esclarecimentos sobre o que o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) diz ser graves ilegalidades com o novo modelo de autocarros, José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai avançaram apenas com uma proposta de debate. Os deputados da Associação Novo Macau querem que o Governo diga quem é o responsável pela assinatura do contrato de prestação de serviços com as operadoras

de autocarros, contrato que o CCAC considerou ilegal porque, sendo um serviço público, deveria ter sido feito um contrato de concessão. Au Kam San e Ng Kuok Cheong

querem ainda que o Governo explique se houve intenção em beneficiar as operadoras de autocarros. “Quem está envolvido neste processo? Porque se registou usurpação

GABINETE DE LIGAÇÃO REJEITA CARTA DA ANM SOBRE LIU XIAOBO

Acção sem marcação prévia CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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INCO membros daAssociação Novo Macau (ANM), incluindo o seu presidente, Jason Chao, tentaram entregar junto do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM uma carta onde pedem que Pequim cumpra a sua responsabilidade como membro do Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), no que diz respeito ao fim da perseguição à família do vencedor chinês do Prémio Nobel da Paz, Liu Xiaobo. Contudo, a mesma acção foi rejeitada por um funcionário do Gabinete de Ligação, que apenas autorizou a que a carta ficasse entregue à entrada, o que foi rejeitado pelos membros da ANM. Segundo a página da Macau Concelears, publicação oficial da ANM, no Facebook, o funcionário regressou ao seu gabinete sem ter voltado a aceitar a carta, tendo até chamado a polícia. Mais tarde, os polícias terão explicado que, como os mem-

bros da ANM não marcaram uma data para a acção, a carta nunca poderia ser entregue formalmente. “Porém, o discurso foi completamente o contrário ao que nos disseram antes, quando queriam que deixássemos a nossa carta a um canto, à entrada”, escreveu Sou Ka Hou. Os membros da ANM acabaram por deixar a carta e um cartaz que fala da família de Liu Xiaobo à porta do Gabinete de Ligação, tendo posteriormente abandonado as instalações. Liu Xiaobo, prémio Nobel da Paz em 2010, está preso por incitamento contra o poder do Estado desde 2009, e não

conseguiu receber o prémio em mãos. A sua mulher, Liu Xia, foi colocada em prisão domiciliária e sofre actualmente de uma grave depressão. A ANM exige a suspensão imediata da prisão de Liu Xia, para que esta possa ter acesso a tratamentos médicos, o direito de comunicar com o seu marido e ainda de trabalhar. AANM pede que Liu Xiaobo seja libertado de imediato, bem como todos os presos políticos que actualmente cumprem pena. Pedem ainda que o Gabinete de Ligação de Pequim na RAEM reencaminhe a sua carta directamente ao presidente do Xi Jinping.

de competências? Que decisões tomaram o director da [Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego] DSAT, o secretário para os Transportes e Obras Públicas e o Chefe do

Executivo?”, questionam na proposta de debate, pedindo ainda que Lau Si Io diga se fiscalizou os trabalhos. Já Pereira Coutinho e Leong Veng Chai lançam a pergunta: será que o novo modelo salvaguarda o interesse público, a prestação de serviços públicos de qualidade e o bom uso do erário público? Cabe agora decidir aos membros do hemiciclo. Na calha para aprovação estão, então, o debate ou a audição, que os democratas já disseram não ter muita confiança que passe. Ainda na agenda dos deputados está a análise e aprovação das propostas de lei que define os aumentos dos subsídios para a função pública, o orçamento para o próximo ano, o aumento em 10% dos vencimentos do Chefe do Executivo e dos titulares dos principais cargos e o Regime de Garantias destes.

JOVENS EMPRESÁRIOS DISTINGUEM VÍTOR SERENO

Pela “agilidade, apoio e disponibilidade” “F

IQUEI satisfeito e honrado”, foi assim que o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno, reagiu ao “Prémio Personalidade Luso-Chinesa 2013” a si atribuído pela Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC). “Dá-me vontade e ânimo para continuar a trabalhar mais em prol da defesa dos interesse portugueses em Macau e Hong Kong. Gostava de partilhar este prémio com todos os meus colaboradores do Consulado (AICEP e IPOR incluídos) e dedicá-lo à nossa comunidade”, referiu ainda Vítor Sereno. O primeiro galardão da associação foi atribuído, explicou Bernardo Mendia, um dos dirigentes da AJEPC, muito por culpa do trabalho feito pelo consulado no processo de “vistos gold”, onde Vítor Sereno “desenvolveu, de forma inovadora, uma postura de diplomacia económica que permite, por exemplo, ter excelentes resultados no âmbito da captação de investimento para Portugal”.

“Nesta primeira edição, louvando também o trabalho que tem sido feito quer pelo embaixador em Pequim, quer pelo cônsul em Xangai, decidimos escolher o cônsul-geral em Macau.” À agência Lusa, a AJEPC referiu a “agilidade” que o cônsul-geral de Portugal deu a todo o processo. “A agilidade que imprimiu à sua forma de actuar, o apoio e disponibilidade que tem dado a todas as iniciativas promocionais do país numa altura em que Portugal precisa de investimento, precisa de captar receitas para recuperar a sua economia, fazem do cônsul-geral uma personalidade que se destaca e deve ser destacado”, acrescentou. O prémio a Vítor Sereno será entregue no primeiro mês de 2014, em Lisboa, e Bernardo Mendia explicou o porquê da criação do galardão. “Decidimos criar este prémio para distinguir uma personalidade que consideremos seja importante nas relações entre Portugal e a China.” – G.L.P. com Lusa


SOCIEDADE

hoje macau segunda-feira 16.12.2013

CCAC “ILEGALIDADES E IRREGULARIDADES” NO FUNCIONAMENTO DO CORPO DE BOMBEIROS

Cheong Kuok Vá já tomou medidas O recente caso de um funcionário dos Bombeiros que perdeu um processo em tribunal contra o Comandante levou o CCAC a fazer uma investigação onde assegura que há grandes falhas na estrutura do Corpo de Bombeiros. Vasco Fong chegou a dizer ao secretário para a Segurança para fazer nova apreciação da queixa do segundoComandante. O caso só agora veio a público, depois de o CCAC ter publicado o seu Relatório de Actividades JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Comissariado contra a Corrupção (CCAC) revelou o relatório sobre o caso do Comandante dos Bombeiros que venceu um processo em tribunal contra o segundo-Comandante da corporação. A análise nunca tinha sido revelada até agora, no Relatório de Actividades do CCAC do ano passado. O caso diz respeito a um Comandante do Corpo de Bombeiros (CB) que foi acusado por um dos seus funcionários de “repressão”, tendo este acabado por ser suspenso das suas funções. O tribunal deu razão ao Comandante, mas o CCAC diz agora ter detectado problemas na forma de funcionamento do CB. “Tendo em conta que o presente relatório revela vários problemas graves relacionados com o funcionamento e gestão do CB, o CCAC propõe ao secretário para a Segurança que consideração da aplicação do regime de sindicância [que indica que o inquérito tem o fim de apurar factos determinados e a sindicância destina-se a uma averiguação

O ESSENCIAL O CCAC diz que o Comandante do CB fez um Relatório de Avaliação do Desempenho do Pessoal de Direcção onde juntou acontecimentos fora do período de avaliação, cujo conteúdo “apresenta informações contraditórias e mostra falta de fundamentos”

geral acerca do funcionamento dos serviços] do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública para resolver os diversos problemas existentes actualmente no CB.” O CCAC sugeriu mesmo a Cheong Kuok Vá que procedesse novamente à investigação da queixa. Apesar de dar razão ao comandante dos CB em diversas das alegações que o queixoso fez contra o responsável – como o facto de este poder chamar a sua atenção em frente a outros subordinados -, o comissariado dirigido por Vasco Fong não deixa de apontar que houve ilegalidades e irregularidades administrativas detectadas após a investigação da queixa. E estas são apontadas, na sua maioria, ao Comandante. O CCAC diz que o Comandante do CB fez um Relatório de Avaliação do Desempenho do Pessoal de Direcção onde juntou acontecimentos fora do período de avaliação, cujo conteúdo “apresenta informações contraditórias e mostra falta de fundamentos”, juntou nesse mesmo relatório factos contra o segundo-Comandante que recolheu de “conversas com colegas do CB” e sem fazer uma audiência do queixoso, diz que o seu funcionário violou regras do Estatuto dos Trabalhadores da Administração sem ter instaurado processo disciplinar “destinado à descoberta da verdade dos factos” e mostra ainda outros factos que serão tidos como violação da lei. “Alguns funcionários do CB indicam que têm recebido ordens do Comandante para evitarem relações com o queixoso [sob pena] de lhes ser reduzida a nota de classificação, obrigando-os a marginalizarem o

queixoso”, lê-se no relatório, que continua dizendo que “alguns funcionários, por serem amigos do queixoso, não são nomeados para cargos de chefia, têm tido uma avaliação de desempenho inferior e foram-lhes retiradas as tarefas para as quais eram inicialmente responsáveis.”

SUGESTÕES

Já a meio deste ano, fonte conhecedora do processo tinha dito ao HM que o Comandante do CB estaria, propositadamente, a denegrir a imagem do seu segundo-Comandante, mas nunca foi possível confirmar a veracidade dos factos, até agora. O CCAC aponta mesmo que um dirigente do

CB disse que o Comandante, explicitamente e de forma escrita, admitiu ter feito uso do seu poder para impedir o queixoso de ter férias em Dezembro de 2010. Mas há mais. “O Comandante solicitou às chefias das diversas subunidades que não informassem o queixoso de trabalhos da corporação durante o período em que este exerceu funções de comandante substituto, o que viola evidentemente o disposto (...) no Código de Procedimento Administrativo.” O CCAC aponta ainda problemas na gestão e funcionamento interno do CB, como por exemplo, problemas no âmbito da comunicação interna e mudanças de má-fé no registo de ponto do queixoso. Vasco Fong deixa, por isso, sugestões, que passam pelo

aperfeiçoamento do funcionamento do CB, como a revisão do regime de utilização dos veículos da Administração e a revisão do Regulamento de Serviço Interno do CB. Mas, já antes da publicação do relatório – que não foi totalmente dado a conhecer ao público uma vez que foi sugerida a instauração de um processo de investigação por infracção disciplinar – Vasco Fong tinha informado o Chefe do Executivo e o Secretário para a Segurança sobre “as ilegalidades e irregularidades detectadas, bem como a alegada prática de infracção disciplinar por funcionários”. O CCAC pediu a Cheong Kuok Vá que procedesse a uma investigação, instaurasse um processo e apreciasse novamente a queixa do funcionário. Contudo, só neste fim-de-semana – depois de ter sido publicado o Relatório de Actividades do CCAC – é que os responsáveis do Governo se pronunciaram sobre o caso.

PUXÃO DE ORELHAS

Cheong Kuok Vá assegura que está atento ao problema e garante que foram tomadas “medidas disciplinares” no início deste ano contra

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o Comandante do CB. O responsável foi interpelado pelos jornalistas numa ocasião pública e emitiu um comunicado posteriormente, com mais esclarecimentos. “Foi emitido um despacho para exigir melhorias na gestão interna no sentido de garantir o funcionamento normal das corporações”, pode ler-se no documento. “No despacho, é exigido ao CB uma gestão de pessoal pelos princípios da boa fé e da igualdade, bem como um reforço da comunicação entre os diferentes níveis da estrutura organizativa, no sentido de garantir um funcionamento normal assim como prestar serviços de excelência à população.” Também da parte do CB chegou um comunicado, que confirma que o Secretário respondeu ao CCAC e deu ordens de melhoria. O comunicado termina com a conclusão de que “o CB venceu o processo no Tribunal Administrativo”. De facto, assim o foi. O Comandante venceu o processo contra o segundo-Comandante, Lei Pun Chi, por o tribunal ter entendido que o queixoso não forneceu provas suficientes. O segundo-Comandante acabou por ser suspenso da comissão de serviço, mas o juiz não deixou de dizer que o caso mostrou uma má gestão interna no CB, tendo o caso enfraquecido a confiança do Governo da RAEM.

EMERGÊNCIA À LARGA ESCALA

• O Heliporto de Macau realizou um exercício “full-scale emergency”, que procurou criar uma situação de emergência simulando um acidente de helicóptero de forma a testar a eficiência do Plano de Emergência do Heliporto e avaliar a capacidade de resposta das entidades e do pessoal envolvida na resposta a um eventual caso destes. Os resultados, diz a Autoridade de Aviação Civil, foram satisfatórios.


6 sociedade

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MORADOR DE PRÉDIO AO LADO DO SIN FONG GARDEN CONDENADO A PAGAR INDEMNIZAÇÃO A VIZINHO

Podia ter sido culpa dos pilares, mas não foi JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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M morador do edifício Kuong Heng foi condenado ao pagamento de uma indemnização a outro morador, por danos derivados de uma infiltração de água. Para a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), o problema da ruptura dos tubos deu-se devido ao problema encontrado nos pilares do prédio ao lado, o Sin Fong Garden, que, recorde-se, obrigaram inclusive à evacuação do prédio. Mas, o Laboratório de Engenharia Civil de Macau pensou de forma diferente, não tendo concordado com o relatório feito pela equipa da DSSOPT que visitou o local quatro meses depois da queixa do morador. “Conforme revelou o relatório, a água foi provocada pela ruptura de tubos da fracção do segundo andar,

[do segundo andar] procedesse à reparação dos tubos e pagasse a indemnização e que pedisse a indemnização ao responsável pelo incidente do Sin Fong [quando se apurasse quem este era].” O juiz do TUI negou que houvesse relação entre as rupturas dos canos do Kuong Heng com o a ruptura dos pilares do Sin Fong Garden, tendo condenado, por isso, o homem ao pagamento de 16 mil patacas por danos materiais e não-materiais. “O exame visual da DSSOPT demonstrou o aparecimento de rachas na parede exterior entre os [dois prédios], todavia o Sin Fong Garden inclina-se para o lado oposto do edifício em causa.” O homem condenado não tem hipótese de recurso, mas pode pedir justiça, caso se venha a apurar que foi realmente por culpa dos pilares do Sin Fong Garden que a sua tubagem rompeu e inundou a cozinha do vizinho.

situação esta que, por sua vez, foi causada pela ruptura dos pilares estruturais do Sin Fong Garden”, pode ler-se no acórdão do Tribunal de Última Instância (TUI), analisado pelo HM. “No entanto, o (...) Laboratório de Engenharia de Civil indicou que não se podia verificar que a infiltração de água tenha sido provocada pela ruptura dos pilares (...) apenas com base no exame visual.” O autor da queixa, morador no primeiro andar do prédio pediu uma indemnização de 48 mil patacas a título de despesas de reparação e ainda juros pela demora ao vizinho que, por sua vez, disse que o responsável do incidente no Sin Fong Garden era quem devia pagar estas despesas. Isto mesmo chegou a ser aconselhado ao condenado pela DSSOPT, mas apenas para que o responsável lhe restituísse a indemnização, que pagaria de imediato. “O relatório propôs que o morador

TV CABO “CONVERSA URGENTE” COM O GOVERNO SOBRE RENOVAÇÃO DE CONTRATO

Decisão final preocupa empresa cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Metro Ligeiro Impacto ambiental e formação de locais é preocupação do GIT

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Grupo de Contacto Comunitário do Metro Ligeiro nas Ilhas realizou uma reunião mensal ordinária, tendo os membros concordado com a forma de execução dos trabalhos de monitorização por uma terceira entidade independente, esperando uma fiscalização contínua do empreiteiro por parte do Governo, a fim de diminuir os impactos causados pelas obras à população. O GIT referiu que a área de intervenção das obras é vasta, sendo que uma parte dela fica adjacente às casas dos cidadãos, pelo que o mesmo presta especial atenção aos impactos ambientais durante a execução das obras. O GIT pediu, por isso, não só uma monitorização ambiental, mas também encarregou a entidade de recolher, de forma periódica, dados relativos ao ar e ao volume sonoro em determinados sítios ao longo do traçado, analisando a situação ambiental durante a execução de obras e apresentando relatório e proposta ao GIT, de modo a instar o empreiteiro a acompanhar e melhorar a situação, minimizando, assim, os impactos causados. O Governo espera que se possam concretizar os trabalhos de formação atempadamente, permitindo uma maior participação local no projecto do Metro Ligeiro. O GIT salientou que tem dado a importância aos trabalhos de formação.

O

contrato de concessão de serviço feito entre a Administração e a TV Cabo vai expirar em Abril do próximo ano. Angela Lam, directora executiva da empresa de transmissão de canais televisivos, disse no sábado que estão a ser negociados os conteúdos de renovação do contrato, mas como o Governo não esclareceu a situação definitiva dos canais - e está a realizar uma consulta pública para definir os gratuitos e básicos - nem a TV Cabo nem o mercado sabem o que o Executivo pensa fazer. “A nossa empresa precisa de investimento a longo prazo e, para tal, também precisa de mais alguns meses.” Como apenas faltam quatro meses para a cessação do

contrato, Lam admite que é necessária uma conversa urgente com o Governo. “Como não sabemos a direcção da política, embora tenhamos várias propostas, não podemos tomar uma decisão para futuros investimentos.”

CANAIS DE TVB GRATUITOS MANTÊM-SE

Anteriormente falou-se na possibilidade de a TV Cabo estar a negociar com a empresa de televisão de Hong Kong TVB para comprar a franquia dos canais da televisão em Macau. Angela Lam esclareceu que o negócio apenas se refere à televisão por satélite, não incluindo os canais gratuitos. Por isso, a população não precisa de se preocupar com o facto de não conseguir de futuro ver os canais gratuitos da TVB em Macau.

DSSOPT reuniu com sector da construção civil

Realizou-se no passado dia 10 um colóquio entre os Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e representantes do sector da construção civil, para debater a implementação da nova Lei do Planeamento Urbanístico. O encontro serviu ainda para falar da criação de um regime de credenciação profissional na área da engenharia. Os membros do sector presentes no encontro pediram uma “agilização” do processo legislativos dos diplomas complementares à nova lei, sem esquecerem as respectivas medidas transitórias.

HOJE MACAU

CECÍLIA LIN


sociedade 7

hoje macau segunda-feira 16.12.2013

TIAGO ALCÂNTARA

EMPRESAS COM INVESTIMENTO EXTERNO DIRECTO EM MACAU AUMENTAM

Território de ouro JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O Mais de 830.000 hóspedes nos hotéis em Outubro

Mais de 830.000 pessoas alojaram-se nos hotéis e pensões de Macau ao longo do mês de Outubro, mais 5,4% do que no mesmo mês de 2012, com os hotéis de cinco estrelas a registarem um aumento superior a 10% no número de hóspedes. Dados relativos à taxa de ocupação hoteleira no mês de Outubro indicam que a taxa de ocupação média dos 98 hotéis e pensões que disponibilizavam 27.803 quartos - mais 6,7% em termos homólogos - fixou-se em 82,9%, mais 1,5 pontos percentuais do que em igual mês de 2012. A taxa de ocupação dos hotéis de cinco estrelas - com 18.368 quartos, equivalente a 66,1% da oferta total - foi de 84,4%, mais 1,7 pontos percentuais do que em Outubro de 2012. Entre Janeiro e Outubro, os hotéis de Macau receberam 8,82 milhões de hóspedes, mais 13,1% em termos anuais, apesar de a taxa de ocupação ter registado uma diminuição de 0,9 pontos percentuais para 82%.

Comércio com menos espaços, mas com mais receitas em 2012

O número de estabelecimentos de comércio por grosso e retalho de Macau caiu ligeiramente em 2012, mas tanto os negócios, como o número de trabalhadores registaram aumentos de dois dígitos, indicam dados oficiais divulgados. Dados dos Serviços de Estatística e Censos indicam que, no final do ano passado, existiam 10.930 estabelecimentos do comércio por grosso e retalho, menos 32 do que no ano imediatamente anterior, os quais empregavam 51.817 pessoas, mais 16,3% do que os 44.551 registados no final de 2011. Em termos de receitas, o comércio por grosso e a retalho viu o encaixe financeiro subir 28% ao longo de 2012, para um total de 86.410 milhões de patacas, enquanto as despesas se fixaram em 78.360 milhões de patacas. O valor acrescentado bruto, que reflecte o contributo económico deste ramo de actividade, foi de 17.390 milhões de patacas, equivalendo a um crescimento de 21%, segundo os mesmos dados.

número de empresas com capital externo em Macau subiu 6% em 2012. De acordo com o relatório de Estatísticas do Investimento Directo de 2012 da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), em apenas um ano – de 2011 para o ano passado – mais 122 empresas com investimento directo do exterior abriram portas, chegando às 2115. A maioria do investimento que vem de fora chega das Ilhas Virgens Britânicas – de 11,9 mil milhões de patacas -, seguido de Hong Kong. A região vizinha investiu 3,8 mil milhões de patacas, um aumento de 143% face a 2011. Já as Ilhas Caimão apostaram menos em Macau. O jogo continua a ser o que mais traz investimento ao território, absorvendo 57% do investimento, sendo que sector dos bancos e corretagem e o do comércio a retalho ficaram-se entre os 14% e os 15%, sendo que o peso do capital desceu apenas 1 a 2%, situando-se nos 91%. O peso do capital do investimento externo directo do jogo é de apenas 68%.

RAEM PEQUENINA

Em 2012, foram investidos em capital social um total de 14,4 mil milhões de patacas, que representam 81% do total do capital social destas empresas. No que diz respeito ao valor do fluxo do investimento externo, Macau viu também um aumento: mais 21,6 mil milhões de patacas,

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um total de 27,5 mil milhões de patacas. “[Isto aconteceu] porque as empresas fizeram reinvestimento.Amaior parte foi aplicada no jogo, representando uma subida de 433%.” Mas as notícias não são boas apenas para Macau. Os investidores directos obtiveram rendimentos de 55,4 mil milhões de patacas, mais 18%. Enquanto de fora chegam grandes valores de investimento directo, Macau tem apenas um stock de 9,3 mil milhões de patacas no exterior. Isto representa uma subida de 4 mil milhões de patacas, com a maior parte do investimento a ser encaminhado para Hong Kong e para a China continental. As empresas de Macau receberam apenas 0,9 mil milhões de patacas em rendimentos com o investimento. O stock do investimento no exterior teve origem sobretudo nas empresas de jogo.

EMPRESAS COM INVESTIMENTO DIRECTO DO EXTERIOR, POR ORIGEM DO CAPITAL Hong Kong – 1325 (mais 56) China continental – 486 (mais 61) Ilhas Virgens Britânicas – 156 (mais seis) Taiwan – 38 (mais três) Estados Unidos – 33 Portugal – 21 (mais duas) Canadá – 5 (menos quatro) Austrália – 12 (menos um) Japão – 16 (menos duas) Singapura – 22 (mais duas) Ilhas Caimão – 7 (menos uma) Bermudas – 12 (mais uma) Reino Unido – 17 (mais duas) Outros locais – 72 (menos dois)

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 458/AI/2013 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHAO MINGLIANG (portador do Salvo-Conduto de dupla viagem da RPC n.° W31486XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 72/DI-AI/2012 de 16.07.2012, levantado pela DST, por prestação ilegal de alojamento da fracção autónoma situada na Praceta de Miramar n.° 51, Jardim San On, Bloco 3, 7.°andar M, bem como por despacho da signatária de 06.12.2013, exarado no Relatório n.° 533/DI/2013, de 18.11.2013, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenada a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.°1 do artigo 10.° e n.°1 do artigo 15.°, todos da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 60 dias, conforme estipulado na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 06 de Dezembro de 2013. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 448/A I/2013

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 459/AI/2013

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora 孫乃華(portadora do passaporte da RPC n.° G22852xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 44/DI-AI/2012, de 15.05.2012, levantado pela DST e por despacho da signatária de 06.12.2013, exarado no Relatório n.° 518/DI/2013, de 12.11.2013, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki, n.o 80, Edf. Kam Fung Tai Ha – Kam Fung, Bloco 1, 10.° andar A e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.-----------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.-------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 06 de Dezembro de 2013. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor IEONG, CHI CHIO (portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 74146XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 72.1/DI-AI/2012 de 16.07.2012, levantado pela DST, por controlar a fracção autónoma situada na Praceta de Miramar n.° 51, Jardim San On, Bloco 3, 7.° andar M e utilizada para a prestação ilegal de alojamento, bem como por despacho da signatária de 06.12.2013, exarado no Relatório n.° 534/DI/2013, de 18.11.2013, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenada a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e n.° 1 do artigo 15.°, todos da Lei n.° 3/2010.---------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 30 dias, conforme estipulado na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 06 de Dezembro de 2013. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


CHINA

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ZHOU YONGKANG EM PRISÃO DOMICILIÁRIA

Mais um a cair

MARIA JOÃO BELCHIOR Em Pequim

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LGUNS meses de especulação parecem terminar com uma notícia adiantada pela Reuters sobre a detenção domiciliária de Zhou Yongkang, um dos homens fortes do governo de Hu Jintao e Wen Jiabao. O afastamento de Zhou Yongkang, aquele que foi em tempos considerado um dos mais poderosos da China, parece vir na sequência da história de Bo Xilai, em-

bora, como habitualmente, o secretismo relacionado com as questões do poder levante mais dúvidas que certezas. Há já algum tempo sob investigação, ZhouYongkang

enfrenta agora acusações de “homicídio, corrupção e tentativa de derrubar o governo”. O que parecia ser apenas um afastamento do poder, pode agora tornar-se um julgamento onde o arguido pode enfrentar até à pena de morte, se os crimes forem provados. A proximidade de Zhou Yongkang com Bo Xilai era evidente e foi largamente descrita em vários livros publicados sobre o tema, ainda antes do julgamento de Bo Xilai. Zhou Yongkang que fora membro do Comité Permanente do Politburo e esteve à frente da segurança doméstica e espionagem, era o mais forte aliado de Bo Xilai dentro do poder central. Depois da queda do líder de Chongqing, Zhou teve de fazer pelo menos uma confissão de auto-humilhação pública em frente dos seus colegas sénior, segundo o livro sobre o caso Bo Xilai, publicado pelo jornal Financial Times. Mas apesar da tentativa de afastar-se do escândalo que se descobria sobre o seu antigo protegido e respectiva família, Zhou reformou-se do governo, abandonou as posições no poder e há quase que pouco

O ESSENCIAL Há já algum tempo sob investigação, Zhou Yongkang enfrenta agora acusações de “homicídio, corrupção e tentativa de derrubar o governo”. O que parecia ser apenas um afastamento do poder, pode agora tornar-se um julgamento onde o arguido pode enfrentar até à pena de morte, se os crimes forem provados

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Aviso de confirmação da qualidade de membros Avisa-se pelo presente aos membros que desejam confirmar a sua qualidade de membro, devem pagar as quotas mensais devidas e apresentar os respectivos documentos no R/C P006-007 do Edifício Centro Comercial First Internacional, Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, Macau, dentro de três (3) dias a contar da data da emissão do presente aviso, e durante o horário de serviço. *

CONVOCAÇÃO A Associação de Guia Turístico de Macau vem por meio deste convocar os seus membros para a Assembleia Geral Ordinária do ano 2013 a ser realizada na Loja de Chá Qin Wan Ting da Rua Norte da Ilha Hengqin da Cidade Zhuhai, no dia 25 de Dezembro de 2013, às 20 horas, para deliberar sobre os trabalhos da Associação. Associação de Guia Turístico de Macau 16 de Dezembro de 2013

aparece na vida pública. Os rumores sobre a investigação que estaria a decorrer sobre a sua vida e o seu círculo mais próximo de amigos e aliados no poder, parecem confirmar-se agora. Apesar da notícia ter sido publicada em vários meios de comunicação estrangeiros, o governo central ainda não confirmou oficialmente a existência de uma investigação. No entanto, fontes anónimas com ligações ao governo confirmaram que Zhou Yongkang está proibido de abandonar Pequim ou receber visitas em casa sem prévia autorização.

O caso vem reforçar o poder de Xi Jinping e a sua luta contra a corrupção. Tratando-se de uma alta figura do poder e um dos mais poderosos há uns anos, há quem levante dúvidas sobre o seguimento do caso para julgamento que pode reforçar a figura de Xi Jinping mas fragilizar a imagem do partido. Como peças de um dominó em que uma empurra as outras, várias outras figuras do governo e das grandes empresas públicas, estarão também a ser investigadas desde há alguns meses também pelas ligações a Zhou Yongkang.

Anotícia da Reuters adiante que, ao dar ordem para esta investigação, Xi Jinping quebra um princípio de ouro não escrito mas aceite dentro do governo segundo a qual os antigos membros do Comité permanente não serão investigados depois de se terem reformado. Segundo alguns analistas, ao abrir esta excepção, o presidente da China pode vir a criar um receio entre outros membros reformados há muito. Porém, pode também tratar-se apenas de um aviso a outras facções dentro da estrutura sobre as novas regras em vigor.

VEÍCULO TRANSPORTADO POR SONDA ESTÁ EM SOLO LUNAR

Terceiro a explorar a Lua A

sonda espacial chinesa que ontem pousou na Lua já colocou o veículo de investigação que transporta no solo, informou a agência de notícias oficial da China, Xinhua. O veículo de exploração, chamado “Coelho de Jade”, entrou em funcionamento “várias horas” após ter pousado a sonda espacial “Chang´e-3”, permitindo à China tornar-se o terceiro país a colocar uma missão de exploração na lua, depois dos Estados Unidos e da antiga União Soviética. O veículo deverá passar agora três meses a explorar a superfície da lua e procurar recursos naturais. A separação do robot deu-se na planície lunar Sinus Iridum, onde a sonda pousara sete horas antes. Citando o Centro de Controlo Aeroespacial de Pequim a Xinhua informa que o veículo, um robot, “tocou a superfície lunar”. A televisão estatal também apresentou uma imagem que disse mostrar a separação do veículo da sonda. Com o feito a China protagonizou o primeiro envio para a lua de uma nave controlada terrestre em quatro décadas e é o segundo país a colocar um robot explorador na lua, depois de a União Soviética ter enviado para o satélite os “Lunojod”. Alimentado por painéis solares e equipado com seis rodas, um braço mecânico e três pares de câmaras, o “Coelho de Jade” é capaz de escavar e investigar em profundidade até cem metros graças a um radar. O robot também tem um gerador termo-eléctrico, alimentado a plutónio, que lhe permitirá regular a temperatura e resistir

às frias noites lunares, com temperaturas que podem ir até 180 graus negativos. Com um peso de 140 quilos e um metro e meio de altura, o “Coelho de Jade” pode mover-se a 200 metros por hora. Uma das missões que terá é a de instalar um telescópio na lua, o que acontece pela primeira vez. A alunagem, transmitida em directo pela televisão chinesa, ocorreu numa área muito plana da lua conhecida por Sinus Iridum (Baía dos Arco-Íris). Rússia e Estados Unidos enviaram várias missões à lua desde a década de 1960, mas a última alunagem - antes da viagem da “Chang’e-3” - foi realizada em 1976, pela então União Soviética. Há duas semanas, o porta-voz da Administração Estatal para a Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa Nacional, Wu Zhijian, considerou a missão da Chang’e-3 “a mais complexa” jamais realizada pelo programa espacial chinês.

CHEFE DO EXECUTIVO FELICITA O Chefe do Executivo de Macau enviou, ontem, uma mensagem de felicitações ao Governo Central pelo sucesso da alunagem da sonda espacial Chang’e-3. Na mensagem, Chui Sai On manifestou, em nome do Governo da RAEM, as mais calorosas congratulações por mais um grande sucesso obtido no sector aeroespacial.


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EVENTOS

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CONFRARIA DOS ENÓFILOS DE MACAU COLOCOU 12 VINHOS PORTUGUESES EM PROVA

antropóloga Elsa Peralta considerou ontem que o discurso do Estado Novo ainda prevalece na sociedade portuguesa, dando como exemplo a zona de Belém, onde a simbologia permanece sem qualquer análise crítica. Coordenadora do livro “Cidade e império – dinâmicas coloniais e reconfigurações pós-coloniais”, Elsa Peralta é autora da investigação sobre o carácter simbólico que ainda hoje o bairro de Belém em Lisboa representa para o passado recente de Portugal, mantendo a mesma linguagem do Estado Novo. “A área geográfica que corresponde à zona de Belém, em Lisboa, é o caso mais paradigmático de inscrição e condensação no espaço público português de uma memória alusiva ao império português”, escreve Elsa Peralta no capítulo do livro sobre o bairro da capital portuguesa onde estão concentrados símbolos e mo-

INVESTIGADORA APONTA BELÉM COMO SÍMBOLO DA FALTA DE CRÍTICA EM RELAÇÃO À HISTÓRIA

Um caso paradigmático numentos alusivos ao período dos Descobrimentos. “O trabalho sobre Belém tem por objectivo analisar de que forma aquele espaço vai exaltando a história. A partir do momento em que os Jerónimos são classificados e até ao momento actual, temos uma permanência que é absurda sem qualquer tipo de crítica sobre as retóricas que ali são formuladas: ‘Portugal país

pioneiro da globalização, pioneiro da modernidade europeia, que deu mundos ao mundo’”, disse à Lusa Elsa Peralta, salientando que 40 anos após o 25 de Abril de 1974 – em Belém – a “história” continua na mesma. “Ficou esquecido o racismo e o fim do império e em Belém parece que nós ainda não nos lembramos que o império já acabou”, afirma a antropóloga que enumera o “complexo da

Bom néctar às cegas A Confraria dos Enófilos de Macau colocou, no sábado, 12 vinhos portugueses em prova cega no seu jantar anual com a congénere de Hong Kong, num evento que decorreu na residência consular de Portugal, com cerca de 75 pessoas. “São 12 vinhos tintos de 12 distribuidores de vinhos portugueses em Macau e que estiveram em concurso numa prova cega”, explicou Filipe Cunha Santos, presidente da Confraria dos Enófilos de Macau à agência Lusa. O mesmo responsável salientou que os vinhos disponíveis, “de norte a sul de Portugal”, são bons néctares, tendo em conta a “relação preço/qualidade”. “Não temos aqui aqueles vinhos de excelência, mas temos vinhos de mesa de bastante qualidade e com um preço acessível, tendo em conta o mercado de Macau e da região”, acrescentou. Filipe Cunha Santos partilhou também a opinião de que Macau “tem excelentes vinhos portugueses, embora defenda que o mercado local possa estar um pouco saturado” e considerando, por isso, importante que os distribuidores procurem outras fontes para escoar os seus produtos. “Se estivermos a olhar apenas para o mercado

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transferência de responsabilidades na área cultural do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) para o Instituto Cultural (IC) só deverá estar concluída no próximo ano. Segundo resposta enviada ao HM pelo IC, vai ser criado um grupo para estudar as alterações a implementar. “O Governo já criou um grupo de trabalho para acompanhar este assunto, tendo já realizado

de Macau temos de perceber que existem muitos distribuidores e muitas marcas que deixam o consumidor mais indeciso, mas em termos regionais existe hoje uma variedade de vinhos e de preços bastante alargada que podem ser potenciados nos vários segmentos de clientes e há que aproveitar essa oportunidade”, declarou. Filipe Cunha Santos sustentou, no entanto, que os distribuidores de vinhos devem “concertar esforços regionais, assumir uma marca Portugal e ter uma intervenção mais abrangente na região para conquistar mercado e nome pela qualidade, porque possuem um portefólio de grande potencial”. “O grande problema dos distribuidores é que não possuem grande força para entrar no mercado e depois somos (vinhos portugueses) ultrapassados por produtores como os australianos, que em termos de valor já acabam por ‘vender’ mais em Macau do que Portugal”, explicou. A Confraria dos Enófilos de Macau tem actualmente 220 membros e admite hoje mais 15 pessoas que se comprometem a promover o vinho português na cidade e na região.

Mudanças no IACM e IC decididas só em 2014 reuniões inter-departamentais. A reorganização dos departamentos envolve várias áreas e trabalhos de grande envergadura, pelo que todos os departamentos irão recolher com seriedade diferentes dados e informações de modo a facilitar o arranque das tarefas da fase seguinte.

O IC aceita este desafio, publicando oportunamente informações sobre o andamento do processo. O programa de reestruturação será finalizado em 2014.” Não foi dada qualquer informação sobre a possibilidade de serem necessários mais funcionários públicos para o IC e se a medida implica um

maior orçamento. O HM contactou ainda o IACM para saber que áreas concretas vão ser transferidas, mas uma responsável do departamento de relações públicas não quis avançar mais informações, por ser um assunto ainda em estudo. Uma análise breve ao relatório de actividades do IACM

para 2013 permite que concluir que poderá caber ao IC a gestão de museus e bibliotecas, bem como a organização de actividades culturais, incluindo espectáculos e exposições. No documento, disponível online, lê-se que os objectivos do IACM nesta área são “gerir e desenvolver os museus e bibliotecas” ou “conservar e apetrechar as diversas instalações do palco do Centro Cultural”. - A.S.S.


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memória” existente no bairro lisboeta onde se situa a residência oficial do Presidente da República: Mosteiro dos Jerónimos; Torre de Belém; Praça do Império; Jardim Vasco da Gama; PraçaAfonso deAlbuquerque; Museu Nacional dos Coches; Museu de Marinha; monumento a Gago Coutinho e Sacadura Cabral; monumento aos Combatentes do Ultramar. Na zona é ainda preservada a memória da Exposição do Mundo Português de 1940: Museu de Arte Popular; estrutura do Espelho de Água ao lado do Padrão dos Descobrimentos; esculturas evocativas dos Descobrimentos, além dos nomes das ruas e avenidas alusivos a figuras históricas dos séculos XV e XVI. “Não há uma crítica pós-colonial sobre este passado e isto é extraordinário. A mim continua a espantar-me o facto de não existir nem crítica nem posicionamento relativamente às assimetrias sobre o acesso ao poder, exploração laboral e é isto que nós

quisemos ver: como é que estas relações de poder têm existência efectiva e material expressiva no espaço das cidades, nomeadamente nos bairros de lata”, em contraste com o discurso sobre os Descobrimentos, disse ainda Elsa Peralta. Para a investigadora os mitos do passado sobrevivem: os livros escolares do Estado Novo tinham uma exaltação da história nacional centrada na história dos Descobrimentos e o mesmo continua a existir sem qualquer sentido crítico. “Nós temos a ideia do império centrada no império do Oriente, numa temporalidade específicas. E o que tínhamos mesmo no Estado Novo eram ruínas desse império, ao mesmo tempo que há uma efabulação de toda essa glória vivida nos séculos XV e XVI”, salientou. “Cidade e império – dinâmicas coloniais e reconfigurações pós coloniais” (628 páginas) foi publicado pelas Edições 70.

CONCERTO DE PEDRO JÓIA NO TEATRO DOM PEDRO V

Viagem pela guitarra O IPOR, Instituto Português do Oriente, promove esta quarta-feira, no Teatro D.Pedro V, pelas 20h, um concerto a solo do guitarrista Pedro Jóia, que assinala o encerramento do plano de actividades daquela instituição para o ano de 2013. Para além de dirigir a tournée mundial de Mariza, Pedro jóia tem vindo a afirmar-se como um dos grandes guitarristas portugueses. Neste regresso a Macau, Pedro Jóia percorrerá alguns dos trabalhos que mais marcaram o seu percurso e a sua produção musical , que iniciou pela abordagem ao flamengo. O concerto no Teatro D. Pedro V abrirá com Variações sobre Carlos Paredes, passando depois para outros temas da sua autoria, criados entre 2003 e 2006, em que o guitarrista aborda a música brasileira, explorando temas de Elba Ramalho, Simone, Zeca Baleiro, e Ney Matogrosso, entre outros. A fechar, Pedro Jóia aportará a sua visão de outras sonoridades quentes, convocando o argentino Gardel, fechando uma viagem pela guitarra e pelas diferentes raízes e linguagens musicais, informa o comunicado de imprensa da organização. O concerto é promovido pelo IPOR, contando ainda com o apoio da Fundação Macau, do Instituto Cultural e do Consulado-Geral de Portugal, e com o patrocínio da Roff. Os bilhetes estão à venda no IPOR e na Livraria Portuguesa, pelo preço único de 40 patacas.

CORO INFANTIL COM INSCRIÇÕES ABERTAS

CCM procura novas vozes O CCM está à procura de novos talentos para integrarem o Coro Infantil no ano que vem. O Coro tem como objectivo proporcionar educação musical de qualidade a crianças entre os oito e os 16 anos desenvolvendo as suas capacidades e interesse pelo canto. Os candidatos devem entregar os formulários de inscrição até 9 de Janeiro ao que se seguirá uma audição a 12 de Janeiro, informa o comunicado de imprensa da organização. Fundado em 2004, o Coro Infantil do CCM oferece educação musical de qualidade aos mais pequenos em sessões ministradas em cantonense (complementadas com inglês) todos os domingos, concebidas para introduzir as crianças ao mundo da música

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA MAO II • Don Delillo

Numa viagem de cortar a respiração, DeLillo leva-nos para além das versões oficiais da nossa história quotidiana, por detrás de todas as crenças fáceis que alimentamos sobre nós mesmos, com uma visão ousada e uma voz eloquente e moralmente atenta que não tem par na literatura americana. O Leitmotiv do livro é a multidão: DeLillo vê-a na repetição que Warhol faz da imagem de Mao na sua serigrafia Mao II, vê-a ainda na praça de Tianamen, em Hillsborough e no funeral de Khomeini.

de forma divertida e animada. O coro mostrou recentemente a amigos e familiares o seu talento no Concerto Anual realizado no Domingo no Pequeno Auditório. Os pequenos cantores interpretaram uma série de conhecidos temas dos filmes de animação do Japonês Hayao Miazaki, realizador de sucessos como Totoro e Spirited Way. O coro interpretou também uma série de temas internacionais do seu repertório, incluindo sucessos universais como “What a Wonderful World”, Why We Sing” e “Can You Here Me?”. Ao longo dos seus nove anos de existência, o Coro do CCM participou em inúmeros concertos incluindo uma colaboração em “Les Coristes” com o Coro Infantil de

Saint-Marc (Lyon, França), outra com a “Sinfoneta de Hong Kong e McDull”. O Coro cantou ainda com Bobby McFerrin, e na ocasião especial das comemorações do Dia Nacional e na parada “Macau Cidade Latina”, acrescenta a nota de imprensa. Os seus elementos tiveram oportunidades de intercâmbio com artistas de diversos países e participaram em actividades ao ar livre e orientadas para a comunidade. Através da prática coral, apreciação musical e actividades criativas, os coristas são incentivados a desenvolver as suas capacidades vocais e de relacionamento interpessoal. Os candidatos devem entregar as fichas de inscrição até às 18h do dia 9 de Janeiro, finaliza a nota.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

TRANSA ATLÂNTICA • Mónica Marques

Um romance que faz pelas relações transatlânticas o que 508 anos de intercâmbio cultural, social e económico não conseguiram. Esta é a história de uma mulher entre os trinta e os quarenta anos e com uma tendência natural para o abismo e para o pecado. Uma mulher como as outras, que cura um caso de desamor e se apaixona pela vida noutra cidade - o Rio de Janeiro, a cidade onde as árvores só deixam de florir quando se aproxima o Outono que nunca vem, e onde há garotos de bundas perfeitas, mulheres doces, aventuras permanentes, abismos escondidos.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Hugo Pinto

A ÚLTIMA VEZ QUE TE VI PELA PRIMEIRA VEZ

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ECI est l’histoire d’un homme marqué par une image d’enfance.” À primeira frase, não à primeira vista, o narrador, não a imagem, diz-nos ao que vem este filme e também ao que vamos, revelando-nos tudo e nada. Mas ainda não o sabemos. Será preciso esperar pelo final para vermos (e crermos) que o princípio é o fim e o fim é o princípio. Em “La Jetée” (1962), Chris Marker apresenta-nos uma história de apocalipse e viagens no tempo, questões que, à data, já faziam parte da literatura, do cinema ou da televisão. De lá para cá, muitas mais vezes estes objectos apareceram representados na arte e nas indústrias culturais, mas pouca eloquência haverá como neste filme de 28 minutos feito de fotografias a preto e branco, sem diálogos, apenas com um narrador, efeitos sonoros e música. A “imagem de infância” que marca a história do homem de “La Jetée” é a imagem de uma mulher vista numa “cena de violência cujo significado ele só perceberá mais

tarde”. Aconteceu no posto de observação do aeroporto de Orly, onde, aos domingos, poucos anos antes do eclodir da III Guerra Mundial, os pais levavam as crianças a ver os aviões levantar e aterrar. “Nada distingue as memórias dos outros momentos. Só mais tarde se tornam memoráveis devido às cicatrizes que deixam.” O homem vai duvidar se realmente terá visto aquele rosto ou se o inventou para compensar os momentos que imediatamente se seguem: o rugido súbito de um avião, um gesto da mulher, um corpo dobrado. Percebe mais tarde que presenciara a morte de um homem. Vem a guerra. O mundo tornara-se inabitável, tendo os sobreviventes ocupado os subterrâneos das cidades, onde os prisioneiros são sujeitos a experiências de viagens no tempo, a única esperança. “O homem desta história que se conta” é um desses prisioneiros, escolhido “entre mil” para ser “emissário no tempo” com a missão de convocar passado e futuro para salvar o presente porque tem “imagens mentais po-

derosas” e “se é capaz de imaginar ou sonhar um outro tempo, talvez seja capaz de entrar nele.” Assim acontece. Por várias vezes visita a mulher que guarda na sua memória, mas não sabe se inventa tudo ou se tudo não passa de um sonho. E é a seguir à palavra “rêve” que o ecrã escurece para surgir nele a mulher dormindo. Começa então uma sequência de fotografias da mulher deitada na cama. Ouvimos pássaros. Vemos a luz da manhã que vai iluminando e despertando a mulher do seu sono. Ela muda de posição, mexe os braços, agarra os lençóis. Depois, por breves segundos, as imagens fixas transformam-se em imagens animadas. A mulher abre os olhos. Pestaneja. O gesto mais simples acontece como que por milagre. Por magia. Esse inexplicável que vemos explicado à nossa frente, num breve instante, pode ser, afinal, o cinema e o amor. Ou a música. E é por uma música que volto sempre a este filme. Uma música que, aqui, é o som da

felicidade, a sua ressonância, o seu eco. A sua manifestação. Mas ser uma coisa é também ser o seu contrário. Ou o seu fim. E se este filme nos fala do apocalipse, do fim do mundo (um mundo que acaba, um mundo que se perde, mas também um mundo onde não é possível viver), do mesmo modo nos interpela sobre um outro mundo possível, igualmente real. Um mundo onde vivemos e onde somos felizes. Onde podemos ser felizes. Esse mundo, esses mundos, diz-nos Chris Marker, não se constroem senão dentro de nós, verdadeiros viajantes no tempo – no passado, presente e futuro –, percorrendo os caminhos e as ligações da nossa memória e das nossas expectativas. Há quem diga que se morre duas vezes: quando deixamos de respirar e quando alguém diz o nosso nome pela última vez. Também assim sucede em “La Jetée”, onde a morte não é só a destituição do futuro, mas também do passado. É o fim do tempo. Como se a primeira fosse, afinal, a última vez. Sempre.


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António Graça de Abreu

PRIMAVERA EM CAPITAL DE QINGHAI

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M velho Secretário de Estado norte-americano, de nome John Hay, escreveu no ano longínquo de 1899 mais ou menos o seguinte: “Na China não acredite em nada antes de ver, depois de ver continue a não acreditar.” Chego a Xining, capital da província de Qinghai, vindo de Lanzhou, no alto rio Amarelo, na província de Gansu, exactamente ao lado de Qinghai Às dez da manhã, o comboio entra num largo vale entre montanhas castanhas, aproxima-se de Xining. Começo a ver ruínas e ruínas de habitações recentemente destruídas, quilómetros e quilómetros de desolação e escombros, milhares e milhares de casas térreas completamente arrasadas. Que aconteceu, que catástrofe foi esta? O

西宁XINING

comboio circunda a cidade, no meio há uma enorme estação ferroviária em construção, o comboio continua avançar, nunca mais pára. As casas demolidas dão lugar a centenas de enormes prédios, de vinte e cinco ou trinta andares. O horizonte de Xining altera-se. Destrói-se o velho que não presta e constrói-se em altura o novo, que não terá igualmente muita qualidade, mas é moderno. Entretanto criam-se imensos postos de trabalho, pode-se realojar muita gente, dá para instalar os milhares e milhares de chineses que todos os meses migram dos campos para a cidade, e muito importante, de tudo isto irá resultar o nascimento de mais umas centenas de novos ricos. Têm-se feito incontáveis fortunas com o imobiliário na China embora muito construtor te-

nha também perdido milhões. Parece estar quase tudo explicado, aqui e em tantos outros lugares do vasto mundo chinês. Destruir para construir depois. O comboio acaba finalmente a viagem numa gare provisória nos confins oeste de Xining, num arremedo de estação. Tudo em obras, cascalho, pó e mais pó, uma confusão. Pensara chegar à cidade e logo ali, próximo da estação, procurar um hotelzinho mais ou menos decente. Naquele descampado não há nada, só uma balbúrdia de gentes acabadas de chegar, pedra solta e muita poeira amarela. Descubro uns táxis ao fundo. Estão quase cheios, os motoristas procuram ainda um ou outro freguês para acabar de encher o veículo, arrancarem então e assim ganharem mais uns yuans. Perguntam-

-me para onde é que eu quero ir. Não sei exactamente, vou tentar organizar ideias. Recorro ao plano B. No bolso de trás das calças tenho as folhinhas soltas do sempre útil guia Lonely Planet referentes a Xining. Procuro hotéis e num ápice encontro a indicação Hotel Jianyin, 3 estrelas, “probably the fanciest in town”. Deve ser albergaria aprimorada. Mostro os quatro caracteres建珢宾悺Jianyin Binguan a um dos motoristas de táxi que me abre logo a porta do carro. Comigo já está cheio. Aconchego-me como posso no banco de trás onde já está sentado um casal de velhotes atravancado em embrulhos e sacos. Outro freguês ocupa o banco da frente. Partimos e atravessamos mais de meia Xining. Faço perguntas. Entendo finalmente


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o porquê de tanta destruição de casas antigas. A cidade tem sido gradualmente reconstruída, creio que com estruturas anti-sísmicas dado encontrar-se numa região onde os tremores de terra são frequentes, o último dos quais aconteceu em 2010. Os milhares e milhares de casas pequenas, com rachas e apenas tijolos sobrepostos, incapazes de resistir a um novo abalo de terra, estão em vias de desaparecer de Xining. Chego ao hotel Jianyin. É uma torre redonda, já com uns quinze anos e 29 andares, tudo com bom aspecto, situada mesmo no centro da cidade Na recepção começo a discutir o preço do quarto. Pedem-me 868 yuans, mais de 90 euros por noite. Primeiras falas e descem para 500 yuans. Veio o gerente e informei de que ia ficar alojado no hotel, pelo menos durante uma semana. 500 yuans, nem pensar! Um pequeno passe de mágica e acabei por pagar 290 yuans por noite, trinta e poucos euros. O quarto era espaçoso e limpo, cheio de rendas, tules e brocados, mordomias para entreter chineses abastados, ficava no 26º. andar, com uma vista de extasiar sobre a moderna Xining que se espraiava logo ali, com um grande parque em frente, avenidas modernas e uns tantos arranha-céus. É tempo de descobrir este singular burgo. Situada a 2.300 metros de altitude, com dois milhões de habitantes, encostada ao Tibete Oriental, ou se quisermos, já dentro do Tibete, Xining é uma cidade de clima frio, característico das terras tibetanas. No pino do Verão a temperatura não ultrapassa os vinte e

cinco graus e em Janeiro e Fevereiro a média é de seis ou sete abaixo de zero. A cidade é a porta de entrada para o vastíssimo e elevado planalto do Tibete. O comboio rápido que faz a ligação com Lhasa e com Pequim por aqui passa, na longa cavalgada da linha férrea mais alta do mundo. Na dinastia Han, no século II, foi um importante lugar estratégico controlado por guarnições militares chinesas, mas só na última dinastia, os Qing (1644-1911), a China obteve domínio pleno sobre Xining. Tibetanos e uns tantos muçulmanos hui foram durante muitos séculos os senhores da região. Hoje a cidade é habitada sobretudo por estas três etnias, com os han ou chineses em larga maioria, chegados à cidade sobretudo nos últimos cem anos. Os muçulmanos hui, vindos da Ásia Ocidental e Central, entraram no Império do Meio às dezenas de milhar quando da conquista mongol, no século XIII. Eram os soldados mercenários das hordas de Gengis Khan e, terminada a guerra, acabaram por ficar em terras da China, espalhados por diferentes lugares, tendo muitos deles casado com mulheres chinesas que converteram ao Islão. Após muitas gerações, parte dos hui esqueceu o seu idioma de origem e passou a falar e a escrever em chinês. Mas mantêm-se intransigentemente fiéis a Alá e a Maomé. As mulheres usam uma espécie de coifa na cabeça que lhes tapa o cabelo, mas deixa todo o rosto à mostra. Algumas delas – com traços e pele chinesa, mais um arredondar quase ocidental de olhos e sobrancelhas –, irradiam uma beleza capaz de encantar qualquer filho de Alá, ou do nosso Deus comum. Os muçulmanos em Xining têm dezenas de mesquitas, a maior é a de Dongguan, que data do século XIV e é o centro do grande quarteirão muçulmano, verde e branca com dois altos minaretes e uma enorme cúpula. É uma das maiores da China e no Ramadão chega a ser visitada por 300.000 crentes. Eu próprio nesses dias de fins de Maio de 2013 por lá me entretive a passear e a tirar excelentes fotografias dos hui, os muçulmanos mais achinesados do Islão. Xining cresceu entre duas montanhas, a norte e a sul, num vale de terra fértil irrigado pelo rio Huangshui. O cimo dos dois montes é coroado por dois templos com muitos séculos, um budista, o de 南禅寺, Nanchansi, a sul e outro taoista, mas também com pavilhões budistas, o de 北禅寺, Beichansi, a norte. Este último tem parte dos caminhos de passagem e escalada rasgados na pedra da falésia, com grutas e estatuária de algumas das grotescas divindades do taoismo religioso, e do budismo. À saída de um corredor encontro uns magníficos painéis pinta-

dos em paredes brancas com horrendas imagens do inferno taoista, com pessoas a serem cortadas ao meio com serras afiadas, a serem perfuradas com lanças, cães raivosos a comerem-lhes os intestinos, esbirros a arrancarem a língua ao pobre pecador ou pecadora, enfim, um horror ao ver o que me espera dentro de alguns anos. Para minha surpresa, o alto do monte dos templos de Beichansi estava desoladamente vazio de gente. Não encontrei um único estrangeiro numa semana de estadia em Xining e, neste último conjunto de construções, os chineses contavam-se pelos dedos. Já em Nanchansi, o templo budista do sul, na montanha encostada ao centro da cidade, deparei-me com grupos de pessoas quase em romaria, a queimar incenso, a pedir a bênção de Buda, o sucesso nos negócios e na vida. Objecto de restauros recentes, os pavilhões, os salões de oração deste último lugar merecem atenta visita. Mas em 36 anos de viagens pela China, após tantos templos em tantos diferentes lugares, já não me entusiasmo nem surpreendo com quase nada. Gosto ainda da serePUB

nidade de Buda, do respirar da natureza ao ritmo do Tao. Andar a pé por Xining, cinco a dez quilómetros por dia, ao encontro dos recantos da cidade. Descobrir o mercado tibetano, as lojas, talhos e restaurantes no mercado muçulmano, os cheiros intensos a comida estranha, chinesa, tibetana, mongol e até com parecenças com a ocidental, numa zona de bares e restaurantes na praça Wenmiao, avançar pelos parques bem tratados numa cidade que me pareceu muito organizada e razoavelmente limpa. Descobrir os antiquários onde encontro alguma porcelana, budas em madeira antigos e recentes, e muitos tankas tibetanos, pinturas de excelente qualidade, mas muito caras. Misturar-me com esta mole humana de muitas faces e corações diferentes, nos autocarros, nas lojas, nos mil mercadinhos de rua. Fotografar crianças e velhos, um palmo de conversa com um ou outro jovem. Tentar, e às vezes conseguir, misturar-me com as gentes e passar despercebido. Estar no seio do povo como peixe na água, assim recomendava o velho Mao Zedong.


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José Goulão

A CONCHA VAZIA

SÓ EM 2008 É QUE OS ESTADOS UNIDOS RETIRARAM O ANC DA LISTA DE “ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS

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Á 30 anos, em Março de 1983, Lisboa acolheu uma conferência internacional de solidariedade com os países da Linha da Frente - os Estados africanos, independentes ou ainda ocupados, como era o caso da Namíbia, vítimas do belicismo e do expansionismo do regime de apartheid na África do Sul. A libertação de Nelson Mandela foi uma das exigências aprovadas pelos participantes. Apesar dos enormes esforços desenvolvidos pelos organizadores da reunião, a mensagem teve pouco eco. Para grande parte da comunicação oficial, em Portugal e por essa Europa fora, o caso de Mandela era um não-assunto, uma esquisitice ideológica da esquerda “às ordens” da União Soviéti-

ca. O Partido Socialista, dirigido pelo Sr. Mário Soares, boicotou oficialmente a conferência; jornais criticaram o chefe de Estado, então Ramalho Eanes, por ter recebido Oliver Tambo, presidente do Conselho Nacional Africano (ANC) de Mandela, uma “organização terrorista”. Essas apreciações não eram mais do que fruto da corrente dominante. O presidente dos Estados Unidos, o Sr. Ronald Reagan, acabara de incluir o ANC na lista das “organizações terroristas”, dizendo também que não podia abandonar um país, a África do Sul sob regime racista, “que esteve sempre do nosso lado em todas as guerras”. Dois anos depois, o mesmo Reagan vetou a imposição de sanções económicas à África do Sul, prolongando a vida do apartheid, ao mesmo tempo que, do

Afeganistão à África Austral, passando pela América Central e do Sul, apoiava “combatentes da liberdade” especializados em atrocidades contra processos libertadores e contra os direitos humanos.  Entretanto, jovens conservadores britânicos e futuros políticos passeavam-se nas universidades com mensagens na lapela dizendo “enforquem Mandela”. Em 1987, a Srª Thatcher, primeira ministra britânica, repetia que Mandela era “um terrorista” e um deputado do seu partido, Edward Taylor, não tinha dúvidas de que o dirigente do ANC “deveria ser abatido”. Nesse mesmo ano, alinhando com as teses dos Estados Unidos e do Reino Unido, insistindo até na absurda exigência de fazer depender a independência da Namíbia do fim da colaboração militar cubana com Angola, o Portugal do governo do Sr. Cavaco Silva e do Sr. Mário Soares como presidente da República votou na ONU contra a libertação de Mandela. Estes factos pertencem à História. Por isso, quando a generalidade dos dirigentes mais influentes no Mundo, na Europa e nos Estados Unidos, invocam o exemplo da vida Mandela como sendo a sua fonte de inspiração estamos perante um fenómeno assustador. Trata-se de gente poderosa e que deixou de ter limites na propaganda e na mentira.  Mandela nunca cometeu atrocidades como as que Obama patrocinou na Líbia, na Síria, e jamais comandou execuções extra judiciais como aquelas em que o actual presidente dos Estados Unidos se tornou notado, com ou sem recurso a drones. (Aliás, só em 2008 – quando Mandela completou 90 anos e deixara há nove anos de ser presidente da África do Sul - é que os Estados Unidos retiraram o ANC da lista de “organizações terroristas”. E sabem porquê? Porque a Srª Condolezza Rice, secretária de Estado do Sr. Bush filho, considerava “embaraçoso” avistar-se com o ministro sul africano dos Negócios Estrangeiros, portanto membro de um governo do ANC e, como tal, “um terrorista”). Mandela nunca mentiu para dar origem a uma guerra – aliás a sua vida foi uma luta contra a guerra – como fizeram os Srs. Tony Blair e Durão Barroso em relação ao Iraque. Mandela nunca se disponibilizou para derrubar governos e mandar tropas para países alheios como faz o Sr. Hollande. Ao contrário do Sr. Cavaco Silva, Mandela nunca precisou de arranjar pretextos para justificar atitudes internacionais indecorosas enquanto permite que a tortura social se generalize contra os seus concidadãos. Poucos dias antes de Nelson Mandela ser libertado, em Fevereiro de 1990, o jovem e prometedor político conservador inglês David Cameron – hoje um primeiro ministro empenhado em renegar as posições da Srª Thatcher sobre o apartheid – estava em Pretória a convite de um lobby internacional dedicado a evitar sanções económicas contra o regime racista e terrorista da África do Sul. Na sua autobiografia, Nelson Mandela escreveu que as mudanças conseguidas na África do Sul com o fim do apartheid representam uma pequena parte de um caminho imensamente maior a percorrer, porque “democracia com fome e injustiça é como uma concha vazia”. Olhemos então os dirigentes do regime da globalização, os citados e muitos outros, que enchem os discursos com o exemplo de Mandela não passando eles, na prática, de hipócritas anti-Mandelas faltando ao respeito àquele que dizem homenagear. Nas suas mãos, a democracia é de facto, e cada vez mais, uma concha vazia.


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Carlos Morais José

A IMPORTÂNCIA DE DESISTIR

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UANDO desistir? Eis uma pergunta que muitos de nós devem ter feito num dado momento da vida, perante um problema de difícil resolução. Ninguém gosta de perder, de abandonar o campo de batalha, de se render perante as armas superiores do inimigo ou da adversidade. Mas também muitos de nós sabem que há momentos em que nada mais se pode fazer. Temos de aceitar os dados que a sorte lançou para cima da mesa onde trabalhamos e comemos. Teremos mesmo? Não sei. Deixo a resposta a cada um e a cada situação concreta. Certo é que por vezes parece que ultrapassamos um limite ou algum acontecimento faz-nos perder a fé e a esperança. Dá vontade de desistir. Na verdade, o problema é a paisagem, o deserto que temos de atravessar depois da desistência, depois do mundo se tornar num lugar vazio e amargo. O problema é o advir de uma insondável tristeza.

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POR VEZES PARECE QUE ULTRAPASSAMOS UM LIMITE OU ALGUM ACONTECIMENTO FAZ-NOS PERDER A FÉ E A ESPERANÇA. DÁ VONTADE DE DESISTIR

Não sei se já experimentaram olhar à vossa volta e nada fazer sentido. São os grandes momentos em que tudo volta a estar em questão, em que é mesmo possível encontrar um novo sentido. Esta é a parte boa e luminosa da adversidade, da desgraça, da solidão. A parte digna. A parte que vale a pena ser vivida. Um recomeço, uma metamorfose, um novo sujeito que emerge do fundo de nós mesmos, magoado, ofegante, indisposto, mas disposto a continuar a viver. A manter abertas as linha de comunicação entre o mundo e esse transcendental sem transcendência que nós somos. Sim... desistir... Pelo não confronto... a desistência como a mais bela das não-acções. “Muito quieto/a rir-me de não me doer nada”. Vida de verme... a perspectiva do verme (ver absolutamente “Gilda”, com Rita Haythworth e reparar na filosofia do guardador de urinóis; ler absolutamente Marco Aurélio e Epitecto e reparar como estão próximas a filosofia do imperador e do escravo).


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DESPORTO

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TORNEIO DA SOBERANIA MACAU FICOU EM QUARTO LUGAR

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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HEGOU, viu e venceu... novamente. A selecção de veteranos que representou a Coreia do Sul na edição de 2014 do Torneio da Soberania somou ao final da tarde de ontem o seu quinto triunfo consecutivo na mais prestigiada competição da categoria a ter como palco a região do Delta do Rio das Pérolas. No encontro decisivo da décima terceira edição do Torneio da Soberania, o onze sul-coreano levou a melhor sobre a congénere de Hong Kong, ao derrotar a formação da antiga colónia britânica por três bolas a uma, numa partida em que os antigos craques dos relvados da Coreia do Sul beneficiaram de duas grandes penalidades. Hong Kong apresentou-se em prova com um plantel reforçado e entrou ontem em campo, no Canídromo, apostado em quebrar a hegemonia dos rivais sul-coreanos. A formação coreana chegou ao

território com o estatuto de alvo a abater por parte da concorrência, depois de ter triunfado nas quatro últimas edições da competição. Apesar do inevitável protagonismo dos titulares do troféu, no desafio decisivo do certame foi o onze da vizinha Região Administrativa Especial de Macau quem entrou melhor, surpreendendo o adversário na sequência de uma acção ofensiva bem delineada. A resposta sul-coreana começou a ganhar forma antes ainda do árbitro apitar para o final da primeira parte, com os vencedores das quatro derradeiras edições do torneio a reporem a igualdade no placard na sequência de uma jogada de insistência em que a defensiva de Hong Kong demonstrou alguma passividade. Na etapa complementar, o onze sul-coreano tirou proveito das más condições do relvado (que se ressentiu da chuva intensa que ontem se abateu sobre o território) e do desgaste do adversário para voltar a celebrar por duas ocasiões,

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Novo triunfo para a Coreia do Sul

com golos apontados em ambas as instâncias a partir da marca de onze metros. Na cobrança da primeira das duas grandes penalidades, o guarda-redes de Hong Kong ainda conseguiu defender o penálti,

mas nada pode fazer para travar a recarga que se seguiu. Depois de ter derrotado a Malásia pela margem mínima no encontro de acesso à final, a selecção sul-coreana não deixou créditos

por mãos alheias e levantou pelo quinto ano consecutivo a Taça da Soberania, depois de se ter imposto com relativa facilidade sobre Hong Kong. No encontro de apuramento do terceiro e quarto classificados, a selecção de Macau não conseguiu evitar uma derrota por duas bolas a zero no frente-a-frente com a Malásia. A selecção onde alinham nomes como Dedé e Domingos Chan despediu-se da competição no quarto lugar da tabela classificativa, depois de ter triunfado num encontro e ter somado derrotas nos dois restantes. O onze do território entrou na edição de 2014 do Torneio da Soberania a ganhar, mercê do triunfo por duas bolas a zero frente à selecção que representou Pequim no certame. O colectivo tutelado pela Associação dos Veteranos do Futebol de Macau perdeu depois pela margem mínima frente a Hong Kong, antes de encerrar a participação na prova com nova derrota frente à Malásia. O futebol português esteve representado na 13.ª edição do Torneio da Soberania pelos veteranos do Club Sport Marítimo. A formação madeirense encerrou a participação na prova no quinto lugar, depois de ter derrotado Taiwan por cinco bolas a três no desafio em que se decidiu a atribuição do quinto e do sexto posto da competição.

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NOTIFICAÇÃO EDITAL (Reparação coerciva)

N.º 121/2013

Lurdes Maria Sales, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, manda que se proceda, nos termos do n.º 3 do artigo 9.º e do artigo 11.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho conjugados com os artigos 58.º, n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, à notificação do transgressor do Auto n.º 206/0708/2013, de 8 de Outubro de 2013, empregador MAK SIO LAM, residente na 中 國 珠 海 銀 石 雅 園 第1幢 1005 室, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, proceder ao pagamento da multa aplicada no aludido auto, no valor de Mop$26.666,70 (vinte e seis mil e seiscentas e sessenta e seis patacas e setenta avos), por prática das transgressão laboral prevista no n.º 3 do artigo 62.º e punida na alínea 6) do n.º 1 do artigo 85.º e n.º 2 do artigo 81.º da Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho, de 18 de Agosto, sendo que de acordo com o artigo 87.º da mesma Lei, a pena de multa é convertível em prisão nos termos do Código Penal. Por outro lado, o notificado deve no mesmo prazo, proceder ao pagamento da quantia em dívida do trabalhador WONG SIO U, no valor de Mop$14.110,00 (catorze mil e cento e dez patacas), devendo ainda, nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do atrás citado prazo, fazer prova dos pagamentos efectuados. A cópia do auto, a notificação, o mapa de apuramento da quantia em dívida ao referido trabalhador e as guias de depósito deverão ser levantados, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo facultada a consulta do processo em causa, instruído por estes Serviços. Decorridos os prazos, sem que tenha sido dado cumprimento à presente notificação, seguir-se-á a tramitação judicial, com a remessa do auto ao Juízo. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais - Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 22 de Novembro de 2013. A Chefe do Departamento, Lurdes Maria Sales

EDITAL

Prédio em ruína Edital n.º : 69/E/2013 Processo n.º : 73/RP/2010/F Local : Travessa dos Alfaiates n.º 43, Macau.

Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, em uso das competências delegadas pelo n.º 8 do artigo 1.º do Despacho n.º 003/SOTDIR/2013, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 46, II Série, de 13 de Novembro de 2013, faz saber por este meio aos proprietários, inquilinos ou demais ocupantes do prédio acima indicado que o mesmo se encontra em mau estado de ruína, constituindo perigo grave para a segurança pública, conforme o parecer da Comissão de Vistoria constante do processo em curso nesta Direcção de Serviços, pelo que, nos termos dos artigos 54.º e 55.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M de 21 de Agosto e por meu despacho de 29/11/2013, no prazo de 20 dias contados a partir da data de publicação do presente edital, devem proceder à demolição do prédio, à limpeza e à vedação do terreno com tapume adequado. Para o efeito, deverão apresentar previamente nestes Serviços o projecto de obra respectivo, de acordo com o Decreto-Lei n.º 79/85/M de 21 de Agosto. Caso não seja dado cumprimento ao teor do presente edital, esta Direcção de Serviços, sem prejuízo da aplicação da multa estabelecida no artigo 67.º do citado diploma legal, executará, nos termos do disposto no artigo 56.º, os trabalhos acima mencionados a partir do termo do prazo atrás referido, a expensas do seu proprietário. Na falta de pagamento voluntário da despesa, proceder-se-á à cobrança coerciva da quantia em dívida pela Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças. Nos termos do artigo 59.º do mesmo decreto-lei e das competências delegadas pelos nos 1 e 4 da Ordem Executiva no 124/2009, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2009, da minha decisão do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data de publicação do presente edital. RAEM, aos 29 de Novembro de 2013

A Subdirectora dos Serviços Enga Chan Pou Ha


FUTILIDADES

hoje macau segunda-feira 16.12.2013

TEMPO

Cineteatro

C H U VA

MIN

11

MAX

14

HUM

80-98%

CINEMA

EURO

10.9

BAHT

0.2

YUAN

21

1.3

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

FREE BIRDS [3D] [A] (FALADO EM CANTONÊS) 16.45

Bétula

SALA 2

THE WIND RISES [A]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Miyazaki Hayao 14.30, 21.30 SALA 1

THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG [C] Um filme de: Peter Jackson Com: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage 14.00, 21.15

THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG [3D] [C] Um filme de: Peter Jackson Com: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage 18.30

FROZEN [A]

(FALADO EM CANTONÊS) 16.45, 19.30

Nome botânico: Betula alba L. Família: Betulaceae. Nomes populares: Bédulo; Bidoeiro; Vido; Vidoeiro.

SALA 3

FREE BIRDS [A]

(FALADO EM CANTONÊS) 14.30, 19.30

ROCK ME TO THE MOON [A] FALADO EM MANDARIM LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Huang Chia-Chun 16.30, 21.30

Bela e elegante, a Bétula é uma árvore muito cultivada como planta ornamental. A casca é branca e vai-se desprendendo com o tempo, os ramos são pendentes e flexíveis, as folhas caducas, e possui flores femininas e masculinas na mesma árvore (monoica). Pode atingir os 30 metros de altura. Nativa da Europa e Ásia, cresce nos bosques das regiões frias e montanhosas. A sua origem remonta há mais de 30 milhões de anos. Considerada uma árvore mágica pelos povos germânicos e eslavos, a Bétula personifica a Primavera. Planta de múltiplos usos, a Bétula serviu inicialmente de alimento; a sua casca impermeável e a madeira de excelente qualidade foram trabalhadas para os mais diversos fins; os seus ramos finos são usados como varas nas saunas dos países nórdicos para estimular a circulação, tonificar e aliviar as dores reumáticas; foi ainda empregue para tratar as feridas dos animais. Em fitoterapia são utilizadas as cascas, a seiva e, sobretudo, as folhas e as gemas.

Beber vinho regularmente “cria” espermatozóides mais fortes • Os costumes modernos levaram os homens a trabalharem muito, usarem calças mais apertadas e colocarem os ‘smartphones’ nos bolso próximos dos testículos. Este quadro fez com que os cientistas identificassem uma crise mundial de espermatozóides. Para que o mundo não testemunhe um “apocalipse dos espermatozóides”, cientistas polacos do Nofer Institute of Occupational Medicine in Lodz chegaram à conclusão que os homens devem beber bastante vinho. Com seis taças do precioso líquido por semana, o homem garante a qualidade reprodutiva dos seus milhões de espermatozóides, informou reportagem da CBS. De acordo com o estudo polaco, o estilo de vida é factor importante onde dedicar-se mais ao lazer, beber menos café e usar boxers mais largos também ajudam a melhorar a qualidade dos espermatozóides.

Mulher carregou feto durante 40 anos •Uma mulher colombiana, com 82 anos, descobriu que carrega um feto calcificado, há cerca de 40 anos. A idosa soube desta ‘gravidez’ – com 32 semanas de gestação – depois de se deslocar ao hospital, com queixas de dores de cabeça. Os exames surpreenderam os médicos. Segundo relata o diário ‘El Tiempo’, os médicos ficaram boquiabertos quando detectaram o feto, que tinha 32 semanas de gestação. A mulher fez uma cirurgia para retirar o feto, fruto de uma gravidez que sempre desconheceu. O feto esteve mais de 40 anos alojado no corpo da idosa. E a operação de retirada daquele corpo estranho acarretava tantos riscos como deixá-lo no lugar que ocupou ao longo de quatro décadas. Uma vez que a paciente sofre de demência num estado avançado, coube à família decidir se os médicos deveriam avançar para a operação, o que sucedeu.

POUCO CONHECIDA MAS... Trata-se de Beatrice Chirita, uma modelo romena que tem estado em destaque nos últimos tempos. Nascida em Bucareste, Beatrice apresenta um saboroso 34-24-35 que faz as delícias de muitas revistas masculinas como a NRG ou a Maxim, onde chegou a fazer um ensaio em topless. Já foi rosto de marcas como a Airoldi, Breil, Irónica, Etna ou Lise Charmel, entre outras. Apesar da boa aparência, pouco se sabe acerca desta jovem modelo. Não tem Twitter, não tem página oficial e já deixou o Facebook em 2010. A rever...

fonte da inveja

O camelo de Kant nunca viu um deserto.

João Corvo

COMPOSIÇÃO Folhas: Elevado teor em flavonoides; taninos catéquicos, ácidos fenólicos, leucoantocianidinas; óleo essencial com salicilato de metilo, uma substância semelhante à aspirina; princípios amargos, resinas, saponinas, vitamina C e sais minerais (potássio). Gemas: Maior conteúdo em flavonoides do que as folhas. AÇÃO TERAPÊUTICA Folhas e gemas: Notável planta diurética, a Bétula aumenta a eliminação de líquidos, ureia e ácido úrico, e diminui a perda de proteínas através da urina (albuminúria), ao mesmo tempo que desinflama e regenera o rim; ao contrário de outros diuréticos, não provoca perda de sais minerais, nem irritação renal. É uma planta de primeira escolha na inflamação ou infeção das vias urinárias por bactérias (cistite, uretrite, pielonefrite), nefrose e insuficiência renal ou cardíaca, sendo igualmente indicada em caso de retenção de líquidos, edemas, bexiga irritável, ou quando se pretenda uma ação diurética. Em caso de litíase, esta

planta favorece a eliminação de areias, impede a formação de novos cálculos e pode mesmo, nalguns casos, ajudar a dissolvê-los. Pode ser tomada para aliviar uma cólica renal ou, de forma continuada, como preventivo. Além da sua atividade diurética, a Bétula estimula a transpiração, promovendo a eliminação de toxinas e exercendo uma ação depurativa do sangue, sendo indicada nas curas primaveris e em afeções da pele como eczemas crónicos ou celulite. Anti-inflamatória e suavemente analgésica, é igualmente muito recomendada na gota, artritismo, reumatismo, fibromialgia e dores musculares ou cãibras. OUTRAS PROPRIEDADES Em uso externo, a Bétula tem sido aplicada em lavagens e compressas, na desinfeção de feridas e chagas, que ajuda a cicatrizar. Em caso de dores musculares ou reumáticas, o seu uso interno pode ser reforçado com o uso de fomentações (aplicação de panos quentes embebidos na infusão). COMO TOMAR • Uso interno Infusão das folhas e/ou gemas: 2 a 3 colheres de chá por chávena de água fervente, 10 minutos de infusão. Tomar várias chávenas por dia, fora das refeições, até perfazer um litro. Pode adoçar-se com mel. Nota: Como os princípios ativos da Bétula se dissolvem melhor em meio alcalino, a adição de bicarbonato de sódio à tisana aumenta a sua eficácia. Deixar arrefecer a infusão a cerca de 40º C e dissolver 1 g de bicarbonato de sódio. Em ampolas, xarope, tintura ou cápsulas, integrando numerosas fórmulas para as afeções urinárias, da pele, reumatismo e emagrecimento. • Uso externo Infusão das folhas e/ou gemas: 50 g por litro de água. Aplicar em lavagens, compressas ou fomentações. Salicilato de metilo: Em creme, pomada ou gel, como analgésico e anti-inflamatório para as dores musculares ou reumáticas. PRECAUÇÕES Não são conhecidos efeitos secundários. Em caso de infeção bacteriana ou edemas por insuficiência renal ou cardíaca deve consultar um profissional. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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OPINIÃO

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MAR CO CARVALHO

expediente cínico

V

INTE e oito mil almas são almas suficientes para encher as ruas de uma cidade média em Portugal. Uma cidade com vinte e oito mil almas num país sem perspectivas não se pode dizer que seja uma cidade com um futuro inequívoco, mas se os que a administraram ao longo dos anos o fizeram com um mínimo de responsabilidade e preocupação pela causa e pela coisa pública, não deixará de ser uma cidade com mais de amanhã do que de ontem. Terá, por estes dias, meia dúzia de rotundas galvanizadas pela promessa de um Natal eléctrico, um hipermercado com gente extra qualificada nas caixas e promoções em cartão, uma zona industrial com mais pavilhões para alugar do que fábricas em funcionamento e um Jardim Central revampirizado com a inauguração, em véspera de eleições, de uma Virgem Maria esdrúxula, de tão contemporânea que é. Com sorte, manteve uma barbearia Ideal onde a essência de lavanda e o pó de talco se misturam em rituais de higiene intocados e dispõe de uma casa municipal da cultura onde despontam programas ocasionais com nomes supimpas como “Cultura Vibra” ou “Quintas de Cultura”, em homenagem às raízes rurais do burgo. Não menos inefável, terá inadvertidamente preservado o estado de confortável dolência que torna uma cidade de vinte e oito mil almas num oásis de apetecida tranquilidade face ao frenesi que governa o mundo, mantendo esperançosamente abertas as portas a um futuro fértil em possibilidades. Vinte e oito mil – número bruto por esmerilar – foram os operários chineses que perderam a vida em acidentes de trabalho durante os seis primeiros meses do ano que agora se despede sem eflúvios de grandeza. Trucidada por maquinaria obsoleta, engolida por galerias instáveis, esmagada por andaimes erguidos à velocidade da luz, desapareceu o equivalente a uma cidade média portuguesa, com o manancial de pequenas concretizações, sonhos e possibilidades a ela inerente. A secular Sociedade Filarmónica que impõe com ritmada condescendência o compasso na procissão da Senhora da Agonia. O plantel de futebol com sonoras ambições regionais. O grupo de teatro amador onde se discute Checkov com a profiláctica devoção com que se discutem dogmas e deuses. Reduzida à circunstancialidade de uma leitura estatística, a cifra não chega a ser sequer um borrão na oleada engrenagem com que é maquilhada a pujança industrial da “fábrica do mundo”. Vinte e oito mil mortes numa nação de mil e quinhentos milhões de almas não chegam a ser um percalço num país que já não dispõe da mão-de-obra mais barata do planeta, mas que ainda trata quem trabalha com a displicência de quem tritura carne para canhão. A voracidade da máquina industrial chinesa e a necessidade permanente de alimentar um mercado exter-

GUSTAVE COURBET, OS QUEBRADORES DE PEDRA

A apocatástase dos trabalhadores

no em decadência e um mercado interno em expansão acelerada confrontam os operários chineses com a insofismável leveza de serem o elemento mais fraco de um processo de produção onde mortes, acidentes e estropiamentos são nadas colaterais. A indiferença aparente com que o executivo de Pequim debita o número de óbitos (poderão ser mais de cinquenta mil quando o ano finalmente der de si conta) e mistura num mesmo prato estatísticas e famílias desfeitas comprova, com vasta ligeireza, que a base marxista sobre a qual se alicerçou a economia chinesa ao longo das últimas seis décadas tem hoje a importância circunstancial que um Padre-nosso ou uma Ave-maria têm para o agnóstico imperturbável. Fosse de outro modo e em outros tempos, e as vinte e oito mil vítimas da sede chinesa de produzir seriam os mártires ideais da causa socialista. Nas praças e nas ruas das cidades do Continente não faltariam estátuas, ruas e memoriais aos heróis anónimos que brandem a foice e o martelo e dinamizam a velocidade sempre mais furiosa a insaciável engrenagem

Em Macau, nem a crua realidade chinesa, nem a insidiosa modernidade do Ocidente. Apenas um incomodado desprezo por quem contribuiu, directa ou indirectamente, para que a roleta nunca pare de girar

da máquina de produção chinesa. Por muito menos foi endeusado Lei Feng, o soldado que em 1962 se tornou o protótipo maoísta do altruísmo e da abnegação depois de ter levado com um poste na cabeça. No Ocidente, onde a destruição do Estado Social se conjuga cada vez mais com o desprezo dissimulado por quem trabalha, as trombetas do apocalipse dos trabalhadores soam com uma toada insidiosa, agravada pela noção, politicamente consagrada, de que os direitos e as garantias fundamentais dos cidadãos são matéria intocável. Numa Europa rendida à ilusória crença de que o sector dos serviços é motor suficiente para manter economias bilionárias à tona, há empresas que fazem da obrigação de sorrir uma inevitabilidade incontornável (e despedem por justa causa quando o sorriso se apaga), mesmo que a ditadura da falsa felicidade e do atendimento prazeroso se faça à custa do cancro de um familiar, de um divórcio recém-assinado ou do simples direito à angústia de cada um. Em Macau, nem a crua realidade chinesa, nem a insidiosa modernidade do Ocidente. Apenas um incomodado desprezo por quem contribuiu, directa ou indirectamente, para que a roleta nunca pare de girar. Num território que tem no ócio o seu principal motor de desenvolvimento e em que as decisões políticas têm muitas vezes mais em conta as necessidades de quem visita do que as preocupações de quem cá reside, estranho seria se quem decide enveredasse por um exercício despretensioso de humildade e procurasse perceber com que pequenos desafios se tece o quotidiano de quem trabalha. Exemplifique-se com a aventura que é embarcar num

autocarro com destino às Portas do Cerco ao final da tarde, quando os estaleiros do COTAI libertam milhares de operários macerados pelo suor, o cimento e o desgaste de horas a fio de trabalho com o seu quê de violento. Para quem tenciona apenas repousar os ossos antes de submeter de novo o corpo à mecânica dos dias, o deus-nos-acuda que se segue tem qualquer coisa de selvático: entre empurrões e rituais de enlatamento que transformam os autocarros numa desagradável caldeirada de membros que se tocam e de humores corporais que se misturam em vapores e evolações repulsivas, os afortunados são os que não têm de aguardar duas horas ao frio e ao vento antes que um autocarro lhe abra a porta e lhes dê guarida. Noviço na Assembleia Legislativa, o deputado Zheng Anting, conterrâneo de muitos dos trabalhadores que transformam os autocarros ao final da tarde em tragédias à espera de ocorrer, aflorou a questão no hemiciclo com a rapacidade de um lobo velho à cata de cordeiros. Como é hábito em Macau, apontou o dedo ao elo mais fraco e não dirigiu uma palavra mínima a quem de responsabilidade. Diz muito de uma cidade sem alma, a existência de incontáveis frotas privadas de autocarros cujo intuito exclusivo passa por alimentar com turistas a insaciável mecânica das roletas, sem que um único tenha a dignidade corporativa de transportar até casa quem de uma ou de outra forma as faz girar. Numa sociedade que faz brado do expediente do pleno emprego e apresenta uma das economias estatisticamente mais saudáveis do planeta, falar num apocalipse dos trabalhadores é manifesto exagero. Acreditar na redenção de quem trabalha uma maior utopia.


opinião 23

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DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog

macau visto de hong kong

Ensino obrigatório e ensino domiciliário (III)

H

OJE vamos falar de duas notícias. A primeira é sobre o ensino domiciliário. A segunda é sobre o milionário “Ka-shing Li”. No último artigo falámos sobre o ensino obrigatório e o ensino domiciliário. Abordámos o fenómeno na Coreia do Sul. O Governo, os pais e os próprios candidatos encaram os exames de admissão à universidade com extrema seriedade. Por outro lado o ensino em casa é um método de ensino mais relaxante. Não tem horários. A pressão é muito menor. Falámos ainda da possibilidade de haver exames de admissão à universidade em Macau. Uma das minhas leitoras pediu-me mais detalhes sobre o ensino no domicílio. Disse ela: “O ensino em casa é algo de novo em Macau. Se houver um tópico “quente” toda a gente vai querer saber mais sobre isso. Devia escrever mais sobre esta questão.” Aceitei o conselho e decidi falar mais sobre este assunto. Os dados estatísticos dizem que quem estuda em casa tem geralmente entre quatro e dez anos. A maioria está no nível de ensino primário. Quando as famílias não têm recursos suficientes para ensinar em casa, procuram o auxílio de outras famílias ou de organizações. No Estados Unidos lidam com este assunto de quatro formas: 1. Não é necessário informar o governo de que os filhos estudam em casa; 2. É necessário informar o poder local de que os filhos estudam em casa; 3. Os pais devem informar o governo local dos progressos do estudo dos filhos. O resultado dos exames também deve ser comunicado ao governo; 4. O governo local exige alguns requisitos. Tanto os pais como os alunos devem preencher esses requisitos. Mais uma vez, os resultados dos exames devem ser comunicados ao governo. Existem vários métodos de ensino em casa. De uma maneira geral podem ser catalogados em quatro tipos. O primeiro é “Unit studies”. Juntam-se várias matérias que se relacionam, como História, Geografia, Arte, etc., numa única disciplina. Este método pode enriquecer os alunos ao nível do vocabulário, da escrita, etc.. Os materiais de apoio podem ser

FERNANDO BOTERO, DEMÓNIO RAPTANDO UMA DONZELA COLOMBIANA

e Li Ka Shing

A nossa lei fornece o mínimo de indicações sobre o padrão de comportamento na nossa sociedade; o rapto é um crime. Mas a lei não exige que se tenha coragem perante uma situação de rapto comprados em livrarias ou ser fornecidos pelos pais. O segundo método é “all-in-one curriculum”. O currículo e o trabalho de casa neste método é similar ao das escolas tradicionais. Os pais podem comprar os manuais nas livrarias. O currículo e os manuais são certificados por instituições educacionais reconhecidas.

Este tipo de ensino é semelhante à aprendizagem à distância. Este método proporciona que os alunos voltem às escolas e que possam fazer os exames públicos. O terceiro método é “unschoolling and natural learning”. “Teaching on demand” é a melhor de o descrever. Quando uma criança coloca uma questão, os pais têm a obriga-

ção de responder. É um método baseado na curiosidade das crianças. Não se baseia em livros ou manuais. O quarto método é “autonomous learning”. Os pais e os filhos devem manter o clima de estudo por si próprios. Este método pode ajudar a visão e o auto-conhecimento dos alunos. Nos EUA, o governo recomenda que os alunos mantenham um registo detalhado do estudo para fazerem os exames públicos. Os alunos podem depois prosseguir os estudos na universidade. Esta é a matéria adicional sobre o ensino domiciliário que nos pode ajudar a pensar sobre o nosso sistema educativo. Vamos agora abordar o segundo assunto – o milionário chinês, Ka-shing Li. Segundo os dados divulgados em 2013, Ka-shing Li tem bens no valor de cerca de 2,4 biliões de patacas. É o oitavo homem mais rico do mundo. A sua história é bem conhecida de todos. Não é necessário contá-la outra vez. Mas no dia 27 de Novembro de 2013, a TVB de Hong Kong disse que Li, foi entrevistado por um jornal chinês. Nessa entrevista, Li falou pela primeira vez sobre o rapto do seu filho mais velho, Victor Li.  Em1996, Victor Li foi raptado por Zi-Qiang Zhang. Zhang foi a casa de Li com bombas e exigiu-lhe 20 mil milhões.  Li disse, “Só tenho 10 mil milhões em dinheiro. Se quiseres 20 mil milhões tenho de ir ao banco.” Li fez esta declaração muito calmamente o que surpreendeu Zhang. Zhang, “Porque é que estás assim?” Li, “A culpa disto é minha. A minha família é famosa mas nunca tomou medidas para evitar um rapto. Tenho de rever esta situação.” Todos sabemos o fim da história. Victor pagou e foi libertado. Zhang foi preso e condenado com a pena morte em 1998. Perante uma situação de ameaça de morte, Li conseguiu manter a calma e assumir a sua culpa. Foi muito corajoso.  A nossa lei fornece o mínimo de indicações sobre o padrão de comportamento na nossa sociedade; o rapto é um crime. Mas a lei não exige que se tenha coragem perante uma situação de rapto. O comportamento corajoso de Li, vem em parte de Deus e por outro lado, da sua formação. Este é um dos factores que o ajudou a estabelecer o seu reino. É por isso que é milionário. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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“Filhos do continente” esperam vir para Macau

Limites da habitação pública podem subir

Ontem cerca de 250 pais, que não foram beneficiados pela política dos filhos maiores, reuniram-se para pedir ao Governo para abrandar a política para que os filhos possam vir para Macau. Os pais consideram que, uma vez que o Governo está a estudar uma política demográfica, se der possibilidade aos filhos do continente para vir para a RAEM isso pode ajudar a resolver o problema de falta de recursos humanos e de envelhecimento da população. Por outro lado, esperam que o Executivo entenda que os idosos querem uma reunião com os filhos. O grupo tem recolhido assinaturas, que planeia entregar ao Chefe do Executivo, numa petição que dá conta de mais de 800 famílias à espera de se reunir em Macau com 1600 filhos maiores do continente.

O Governo vai aumentar o limite máximo de rendimentos mensais necessários para que uma família se possa candidatar à compra de uma habitação económica, diz a Rádio Macau, que adianta que as medidas vão ser anunciadas esta semana. Os novos limites deverão permitir que um indivíduo que ganhe até cerca de 29 mil patacas por mês possa também candidatar-se à aquisição de uma fracção económica – o limite em vigor para famílias compostas por uma só pessoa é de pouco mais de 22 mil patacas por mês. Já para uma família de duas ou mais pessoas, o limite máximo de rendimentos mensais dos candidatos deverá passar de cerca de 44.500 patacas para cerca de 59 mil. A Rádio Macau cita o Instituto de Habitação.

Estudantes em Taiwan podem regressar à RAEM

Depois um ano e meio de luta, o Ministério de Educação de Taiwan alterou a lei sobre permissão dos estudantes de Hong Kong e Macau quando entram e saem de Taiwan. Os serviços de imigração anunciaram a modificação da lei, que permite que os estudantes de Hong Kong e Macau entrem e saiam dos territórios, num total de quarenta deslocações, sem pagamento de visto durante três anos. Actualmente, há sete mil estudantes de Hong Kong e Macau que estudam em Taiwan, que antes precisavam de pagar visto para cada entrada e saída, e de permissão da universidade.

Brasil lidera pedidos de nacionalidade portuguesa

Dados do Instituto dos Registos e do Notariado revelam que, entre os cerca de 3 700 pedidos de atribuição de nacionalidade portuguesa, a maioria surge por parte de cidadãos brasileiros, tal como aconteceu em anos anteriores. Até final de outubro deste ano, o instituto recebeu 37 822 pedidos, sendo que o Brasil lidera, logo seguido de Cabo Verde. O terceiro país de onde provêm mais pedidos é a Ucrânia, tal como nos últimos dois anos. No «top 10» das nacionalidades de origem constam ainda Angola, GuinéBissau, Moldávia, São Tomé e Príncipe, Roménia, Índia e Rússia.

cartoon por Stephff

NEVÃO

GOVERNO ESPANHOL REJEITA CONDIÇÕES PARA RESORT EUROVEGAS

Sem condições, não avança O Governo espanhol rejeitou as condições exigidas pela empresa Las Vegas Sands, promotora do mega projecto Eurovegas, pelo que o complexo, que previa um investimento de 16 mil milhões de euros, não será construído em Madrid. Fontes do Governo espanhol confirmaram à Lusa que a oposição das autoridades espanholas se prende tanto com questões fiscais como com a exigência do magnata Sheldon Adelson, dono do Las Vegas Sands, de que se pudesse fumar no complexo. Já na recta final das negociações, segundo outras fontes citadas pela imprensa espanhola, a empresa norte-americana exigiu ainda ser compensada pelo valor total do investimento e por eventuais perdas que pudessem ocorrer em caso de alterações normativas no futuro. A notícia surge num momento particularmente negativo para Madrid, cidade que recentemente perdeu a sua terceira candidatura a receber os Jogos Olímpicos e onde tem caído, nos últimos meses, o número de chegadas de turistas Já em Setembro o presidente da Comunidade de Madrid, Ignacio González tinha afirmado que havia um risco de que o projecto Eurovegas pudesse sair de Espanha se o Governo central não clarificasse a moldura legal para o investimento. “Estas grandes empresas têm muitíssimas ofertas de todo mundo, porque todo mundo está desejoso

de agarrar grandes investimentos. Se (a situação) não se resolver num prazo razoável, decidem ir para outros sítios”, disse na altura. “É o risco que temos. Se não se resolver de forma urgentíssima o enquadramento legal para receber o Eurovegas, o risco é que o Eurovegas decida ir para outro sítio”, afirmou. Ignacio González anunciou a 8 de Fevereiro que o projecto da Las Vegas Sands iria ser construído num espaço de 750 hectares, no município de Alcorcón, nos arredores da capital espanhola. As autoridades regionais destacam que este é o projecto mais importante em termos de investimento na Europa e que é necessário “fazer todo o possível” para o garantir para Espanha e, fundamentalmente, para Madrid. As preocupações de Madrid aumentaram depois da decisão do Comité Olímpico Internacional (COI) entregar a Tóquio a responsabilidade pela organização dos Jogos de 2020, numa candidatura

em que a capital espanhola foi eliminada na primeira ronda de votação. Pouco depois da decisão, o Las Vegas Sands e o MGM Resorts anunciaram estar a procurar localizações para casinos no Japão, antecipando que a vitória no COI poderia ser o impulso final para que as autoridades nipónicas legalizassem os resorts de casinos no país. Uma decisão do Japão que pode ser tomada ainda este ano com os eventuais resorts a estarem prontos próximo de 2019. Estimativas iniciais da empresa indicam que o projecto representaria um investimento total de cerca de 17.000 milhões de euros, criaria 260 mil postos de trabalho e estaria pronto para ser inaugurado em 2016, ainda que as obras totais só se concluam em 2022. O mega complexo incluía 12 estruturas de férias, cada uma com 3.000 quartos de hotel, e grandes complexos do jogo, virados para clientes europeus e do resto do mundo. O próprio Adelson confirmou que esperava ganhar com o projeto de Madrid dezenas de milhares de milhões de dólares em quatro ou cinco anos e que o objetivo é construir na Europa o equivalente a metade do ‘strip’ de Las Vegas, que não pode fazer em Macau. O objetivo é em 15 anos atrair 11 milhões de turistas que, no total, gastariam cerca de 15 mil milhões de euros. - Lusa

Funeral de Mandela em Qunu contou com 4500 convidados

O funeral de Estado de Nelson Mandela teve lugar, na manhã deste domingo, em Qunu, aldeia onde o antigo líder sul-africano passou a infância, e onde agora será sepultado. Uma grande tenda montada numa propriedade da família Mandela serviu para juntar 4500 convidados nesta cerimónia, que contou com a presença de personalidades de todo o mundo e de diferentes áreas. Oprah Winfrey, Richard Branson e o príncipe Carlos de Inglaterra foram alguns dos presentes. Também Desmond Tutu esteve neste evento fúnebre, ao contrário do que se tinha noticiado nos últimos dias, depois de o arcebispo ter dito que não tinha sido convidado. Durante o seu discurso, o actual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pediu aos compatriotas para «fazer viver a herança» de Mandela. O corpo de Madiba será enterrado junto aos da sua mãe, pai e de três dos seus filhos, dez dias após a sua morte, aos 95 anos.

Billboard Bruno Mars eleito o artista do ano

A revista Billboard elegeu Bruno Mars como o «Artista do Ano». Este título surge como reconhecimento pelo sucesso do cantor nas tabelas de vendas durante o ano 2013, com o seu segundo álbum «Unorthodox Jukebox». Este mesmo disco (de onde constam músicas como «When I Was Your Man» e «Locked Out Of Heaven») vendeu 1,8 milhões de exemplares desde o seu lançamento, em Dezembro de 2012. Bruno Mars passou por Portugal no passado dia 16 de Novembro, tendo esgotado o Meo Arena.


Hoje Macau 16 DEZ 2013 #2995