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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

INSTITUTO CULTURAL

Julgamento de ex-vice repetido

DIVIDA NAO INTERESSA ´

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WONG E A CIBERSEGURANÇA

Opiniões são pouco objectivas

PIERRE SOULAGES

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ANGOLA

hojemacau

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PARAÍSOS FISCAIS

VITORINO CORAGEM

União Europeia considera passar Macau do negro para o cinzento

INÊSh FONSECA SANTOS ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

SCOTT CHIANG

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Sulu Sou tem um grande carisma Deve ser por isso que os problemas não páram de surgir. Entretanto, o ex-presidente da Novo Macau expõe os seus pontos de vista, no dia em que começa o julgamento do ano do Galo. ENTREVISTA

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SOFIA MARGARIDA MOTA

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TERÇA-FEIRA 16 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3973


2 ENTREVISTA

SCOTT CHIANG

“Casos nos tribunais obrigam-nos a crescer” As batalhas jurídicas que envolvem a Novo Macau obrigaram a um crescimento e uma aprendizagem em áreas que os membros nunca tinham imaginado necessitar. A explicação é de Scott Chiang que hoje começa a ser julgado, com Sulu Sou, por suspeitas da prática do crime de desobediência qualificada. Sobre suspensão do deputado, o ex-presidente considera que as vozes dos democratas vão continuar a ser ouvidas em Macau

A Novo Macau tem sofrido mudanças significativas. Jason Chao deixou a associação, elegeram Sulu Sou como deputado, Kam Sut Leng assumiu a presidência. Que balanço faz das alterações? Há uma evolução natural e temos aprendido muito e depressa. As pessoas que assumiram as novas posições estão a ter um bom desempenho. As eleições trouxeram muitas mudanças para a Novo Macau e o facto de termos um deputado está a alargar o nosso campo de acção. É uma fronteira nova com que temos de trabalhar e que nos exige uma nova adaptação. Quando fala de nova adaptação, o que quer dizer? Ao contrário de associações tradicionais, não nos focamos apenas numa área de acção, temos de lidar com muitos assuntos e diferentes, o que exige aprendizagem. Por exemplo, não quero falar dos casos que estão nos tribunais, mas são episódios que nos obrigam a crescer e a aprender sobre determinadas áreas que, como associação, nunca pensámos que teríamos de aprender.

Quais são as suas motivações para ser um activista pró-democrata no contexto de Macau e da China. O que acredita que é possível alcançar? Quero sempre melhores condições e alcançar mais, mais transparência nos que têm o poder, uma maior responsabilidade dos políticos e uma população com consciência cívica e bem-informada, capaz de votar no que é melhor para si. Quero uma Assembleia Legislativa que trabalhe para as pessoas e não contra elas. Quero uma sociedade em que uma associação como a Novo Macau não é precisa porque a população tem um pensamento crítico, sabe defender e reivindicar os seus direitos e não tem medo de se expressar. Acredita que esse objectivo é alcançável? Dentro de um certo tempo razoável... O que considera um tempo razoável? Talvez até ao fim da minha vida... (risos) Talvez, no futuro, as pessoas de Macau não se foquem muito na política, nem tenho a certeza absoluta que isso seja obrigatoriamente positivo. Mas se estiverem mais

“Sulu Sou tem um carisma muito grande, quase como se fosse uma estrela, o que faz com que muitos jovens tenham a curiosidade de perceber como funciona a Novo Macau nos bastidores.” preocupadas com os seus direitos, se tiverem uma maior compaixão pelos cidadãos com menos sorte e posses... Era algo que também já me deixava muito contente. Acredito que é possível haver essa mudança. Macau tem falta de solidariedade? As maiores tragédias nesta cidade não acontecem porque há um regime do estilo fascista a reprimir as pessoas inocentes. Acontecem porque não há solidariedade, existe muito o pensamento perante a adversidade dos outros: “Tiveste azar” ou “Isso é um problema teu e eu não tenho nada a ver com isso”. Se mudássemos um pouco isso, haveria mais justiça e menos

medo de proteger os nossos direitos. Era um ponto de chegada que me agradaria. Sulu Sou foi suspenso da Assembleia Legislativa, apesar de nunca ter defendido a independência de Macau. Em Hong Kong também houve pró-democratas que perderam os mandatos e nem todos defendem a independência. Há espaço para esta nova geração pró-democrata em Macau e Hong Kong? Acredito que sim. Podem tentar silenciar-nos a todos, podem suspender-nos para acabar com o barulho, mas as nossas vozes vão ser ouvidas. Vão continuar a surgir pessoas nas gerações mais novas com coragem e pensamento crítico para apontarem as práticas do sistema que não justas. O ambiente criado à volta dos pró-democratas faz com que as pessoas tenham mais medo de serem associadas à Novo Macau? Não, pelo contrário. Nunca promovemos uma política activa de angariação de membros, até porque não estamos dependentes do valor das quotas que os associados pagam. Mas a verdade é que Sulu Sou tem um carisma muito grande, quase como se

“AUTORIDADES QUEREM AINDA MAIS PODER” Qual é a sua opinião sobre a nova lei da cibersegurança? É uma lei feita numa zona cinzenta. Evoca-se a necessidade de proteger os cidadãos e, depois, garantem-se enormes poderes às autoridades. É muito importante perceber como vai ser utilizado esse poder. Considera que pode haver abusos? Era uma pergunta que gostava de ver respondida. Parece-me muito claro que as autoridades não vão parar e querem ainda mais poder, ao mesmo tempo que não têm qualquer pudor em mostrar esse mesmo poder na cara dos cidadãos. Na última vez que fizemos uma pesquisa, e falando de uma forma muito geral,

a percentagem dos gastos com a segurança em Macau em proporção do PIB era a mesma que o do Interior da China, numa área chamada estabilidade nacional. Esta área do orçamento não trata dos assuntos militares, são os gastos com o controlo da Internet, de informação, entre outros... Após a passagem do Tufão Hato, o secretário Wong Sio Chak disse que o Governo ia equacionar vigiar as aplicações móveis para evitar que se espalhassem rumores. É uma questão que preocupa a Novo Macau? Por causa dos chamados rumores foram detidas quatro pessoas após a passagem do Tufão Hato. Como é que eles

poderiam ter feito essas detenções se não estivessem já a vigir as conversas? A minha especulação é que eles querem é legalizar algo que já fazem. As autoridades querem estar à vontade para fazerem tudo o que querem, mas para estarem mesmo à vontade querem um “selo legal”... Quando a Novo Macau organizou um referendo sobre o sufrágio directo, foi levado para a esquadra com Jason Chao e mais outros três voluntários. Como ficou o caso? Foi arquivado, mas nos próximos cinco anos, se tiverem provas novas, podem reabri-lo. Ainda não podemos dizer definitivamente que não vamos a julgamento...

SOFIA MARGARIDA MOTA

ACTIVISTA POLÍTICO E EX-PRESIDENTE DA NOVO MACAU


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fosse uma estrela, o que faz com que muitos jovens tenham a curiosidade de perceber como funciona a Novo Macau nos bastidores. Por agora, não faz sentido falar de medo. Quantos membros tem a Novo Macau? Temos cerca de 100 membros. Ao longo da história da associação nunca se passou essa marca. Os “nossos pais fundadores” também nunca quiseram fazer a associação crescer muito porque tinham receio da transferência da soberania. Na altura, esperavam um ambiente muito adverso para os pró-democratas após a transição. Têm muitos relatos de membros prejudicados no trabalho por serem membros da Novo Macau?

“As maior tragédias nesta cidade não acontecem porque há um regime do estilo fascista a reprimir as pessoas inocentes. Acontecem porque não há solidariedade.”

“Por causa dos chamados rumores foram detidas quatro pessoas após a passagem do Tufão Hato. Como é que eles poderiam ter feito essas detenções se não estivessem já a vigiar as conversas?” Estamos a falar de uma característica muito chinesa, em que ninguém vai explicitamente colocar um cartaz no escritório ou emitir orientações aos trabalhadores a proibi-los de aderirem à Novo Macau. Mas sabem fazê-lo de outras formas e impor uma certa autocensura que leva as pessoas a pensarem: “Posso estar na Novo Macau, mas não posso aparecer nas câmaras”. Foi algo que aconteceu logo desde o início da Novo Macau, quando muitos membros eram funcionários públicos. A transição agravou esse problema? Passou a ser mais frequente, porque as pessoas não querem ser vistas como

causadoras de problemas. O cenário é muito semelhante, só que as gerações mais novas são muito corajosas e sabem dividir a vida profissional da vida política. Percebem que as duas não têm de estar ligadas. Ter um emprego não implica abdicar de ter opinião. É uma mudança muito positiva. Há membros da Novo Macau a trabalhar para o Governo? Não tenho conhecimento de a existência de algum caso. Houve avisos do Governo para que os funcionários públicos não participassem na manifestação de apoio a Sulu Sou? Tivemos relatos dessas situações, mas como já aconteceu anteriormente não temos provas e, por isso, o que podemos dizer é que é especulação... São relatos que nos parecem credíveis. As pessoas sabem como funcionam as coisas e acreditam que é plausível que isso tenha acontecido. O Governo devia mudar a sua postura face às manifestações, não devia encorajar a participação, mas também não é positivo se houver este clima de suspeição. Olhando para a situação de Macau, que balanço faz da situação do segundo sistema e a região?

Na minha opinião, o sistema não está melhor do que há cinco anos. Já o desenvolvimento social, principalmente a nível material, teve uma evolução muito positiva, talvez melhor do que em qualquer outra parte do mundo. Este aspecto material é muito importante porque permite dotar as pessoas de uma maior consciência cívica.

“NÃO HÁ APOIOS FINANCEIROS DO EXTERIOR” No passado chegaram a circular rumores que a Novo Macau poderia estar a ser financiada por instituições do exterior interessadas em criar instabilidade em Macau. Confirmas que houve financiamento do exterior? Não, isso nunca aconteceu. O nosso maior apoio financeiro foi sempre a contribuição dos nossos membros que eram deputados na Assembleia Legislativa. Também temos donativos individuais, mas nenhuma dessas fontes de financiamento o faz de forma regular e consistente, comparando com as contribuições dos deputados. Nunca tivemos apoio de qualquer instituição.

Essa consciência pode ser uma semente mais democrática? Talvez as pessoas não queiram uma sociedade mais democrata, mas querem explicações. Querem perceber como é que um Governo que tem recursos tão grandes é incapaz de resolver os problemas do sistema de transportes. Há cada vez mais pessoas a exigirem que o Governo resolva os problemas e apresente resultados. Foram estas exigências que levaram as cerca de sete mil pessoas à Praça da Assembleia Legislativa contra a lei para dar mais benefícios aos membros do Governo aposentados? Sim. As pessoas de Macau não se preocupam muito se os poderosos ficam mais ricos e tiram uma grande parte dos dinheiros para si, sendo pagos muito acima do que merecem. Mas também querem ver alguns resultados. Quando surgiu essa proposta, as pessoas consideraram que era um abuso face às incapacidades governativas. João Santos Filipe

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16.1.2018 terça-feira

Coincidências e contradições

TIAGO ALCÂNTARA

VONG HIN FAI DEFENDE QUE RESOLUÇÃO NÃO INTERFERE COM TRIBUNAIS

É hoje votado o projecto de resolução em que a AL não reconhece aos tribunais poderes para verificar se os procedimentos legais são cumpridos nos processos de suspensão de deputados. Também hoje começa o julgamento do deputado Sulu Sou. Para Vong Hin Fai, são coincidências e o projecto a votos é um reforço das competências internas que em nada interfere com o poder judicial

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projecto de resolução assinado pelos deputados Vong Hin Fai e Kou Hoi In não pretende “interferir com os procedimentos judiciais”, disse ontem Vong Hin Fai à comunicação social. No entanto, o projecto não reconhece aos tribunais poderes para verificar se os procedimentos legais foram cumpridos no processo de suspensão de deputados, e concretamente, no caso recente que envolve o pró-democrata Sulu Sou. A proposta inclui todos os procedimentos de suspensão e perda de mandatos no futuro e desde 1999 e foi apresentada na quarta-feira. “Este projecto de resolução não tem nenhum objectivo de interferir no funcionamento judicial e só queremos internamente, e de

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forma política, no âmbito da AL, através de uma deliberação a tomar pelo plenário, confirmar o sentido de acto político relativamente às decisões tomadas no passado dia 4 de Dezembro”, referiu Vong, sendo que a data apontada foi o dia em que a AL votou a favor da suspensão do deputado Sulu Sou. No entanto, poucos minutos depois, o deputado refere que o

“Este projecto de resolução não tem nenhum objectivo de interferir no funcionamento judicial” VONG HIN FAI DEPUTADO

MA proposta que surge numa altura pouco clara e que carece de informação para que se perceba a sua necessidade. Foi desta forma que a deputada Agnes Lam definiu a proposta de resolução apresentada pelos deputados Vong Hin Fai e Kou Hoi In, que defende que os tribunais não têm competências para verificar se os procedimentos de suspensão ou perda de mandatos decorreram dentro da legalidade. “Recebi o documento na sexta-feira e tive o cuidado de lê-lo com muito cuidado. Mas não é muito claro a necessidade de votar agora este assunto. Esta é uma informação que espero que seja fornecida em Plenário para que os deputados possam perceber a razão de votarmos esta resolução num altura destas”, disse Agnes Lam, ontem, ao HM. Em relação à análise do documento, a deputada admitiu que esteve atenta ao assunto e que acompanhou as várias opiniões de especialistas em Direito que surgiram na imprensa, entre as quais as dos advogados e ex-deputados Leonel Alves e Jorge Neto Valente. “Fui informada na sexta-feira para esta proposta. Não vejo a necessidade de tomar

projecto de resolução a ser votado hoje, nem tem directamente que ver com o caso de Sulu Sou. “Não é relativo a nenhum caso concreto. Não é esse o objectivo só estamos a exercer as nossas funções como deputados”, afirmou.  

PROCESSOS DE DECISÕES

O facto de Sulu Sou afirmar que o recurso que está a interpor em tribunal não tem como finalidade colocar em causa a decisão da AL, mas sim o modo como o processo foi realizado, não é comentado pelo autor do projecto de resolução. “Neste momento não posso responder porque se o fizer estou a interferir na posição a tomar pelos tribunais”, justificou Vong Hin Fai. Questionado acerca das causas que levaram à resolução de uma

matéria que é óbvia e de conhecimento publico: o poder da AL em tomar decisões políticas, Vong Hin Fai considera que, mesmo sendo uma coisa que “toda a gente sabe, agora há quem não o esteja a perceber”, disse.

Não havia necessidade

Agnes Lam espera esclarecimentos de Vong Hin Fai e Kou Hoi In

qualquer medida nesta situação. Não acredito que nesta altura seja necessário que os deputados tenham de tomar alguma decisão sobre este assunto”, acrescentou. Por esta razão, Agnes Lam diz que, e antes de ouvir as explicações dos deputados, não pode apoiar a mesma. No entanto, deixa a porta aberta a uma mudança no sentido de voto, na terça-feira, quando está prevista a votação da resolução.

“Neste momento não posso dizer que estou de acordo com a proposta. Não consigo perceber a necessidade. Espero que haja uma clarificação dos deputados e vou levantar questões sobre o tema em Plenário”, apontou.

CONFIANÇA NOS TRIBUNAIS

Por outro lado, a deputada eleita pela via directa disse acreditar na qualidade das decisões dos tribunais de Macau, subli-

SULU SOU FAZ APELO AOS DEPUTADOS

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deputado suspenso fez um apelo aos colegas da Assembleia Legislativa para que poderem muito bem as consequências de votarem a favor da proposta de resolução apresentada. “Uma vez que a proposta não foi retirada, espero que os membros da Assembleia Legislativa tenham consciência dos efeitos sérios que a aprovação da resolução vai causar para a imagem do hemiciclo. Vai passar

uma imagem muito negativa para o público e para os agentes dos tribunais”, afirmou, ontem, em declarações ao HM. “Espero que mesmo os deputados pró-sistema equacionem as consequências desta resolução, pode resultar em danos muito importantes para o sistema. É uma proposta sobre a qual até o presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, tem a obrigação de deixar muito clara”, considerou.

O deputado salientou ainda que o projecto de resolução quer frisar esta valência política da AL tanto para os de fora como para os de “dentro de casa, (...) nomeadamente sobre a suspensão das funções de deputado e

nhando que é necessário que sejam criadas as condições para que as decisões correctas possam ser tomadas. “Acredito que os tribunais da RAEM têm a competência e a capacidade de actuarem de acordo com a lei”, começou por dizer sobre este aspecto. “Temos de garantir que estão criadas as condições para que os tribunais possam tomar as decisões correctas”, acrescentou. Vong Hin Fai e Kou Hoi In apresentaram no dia 10 uma proposta de resolução a reafirmar a natureza política das decisões de suspensão e perda de mandatos dos deputados, que, defendem, não pode ser analisada pelos tribunais. A proposta foi uma resposta ao recurso interposto por Sulu Sou, que pediu ao Tribunal de Segunda Instância para analisar se todos os seus direitos foram respeitados no processo que fez com que tivesse o seu mandato suspenso. O deputado requereu igualmente a suspensão de eficácia da decisão que o tirou temporariamente da AL, enquanto o recurso é analisado. João Santos Filipe

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política 5

terça-feira 16.1.2018

Em nome da experiência Paulina Santos exige projecto de lei a três deputados

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UM A altura em que os deputados Vong Hin Fai e Kou Hoi In assinam o polémico projecto de resolução relativo à “Natureza política das Deliberações do Plenário da Assembleia Legislativa (AL)”, a advogada Paulina Santos quer que estes membros do hemiciclo apresentem um outro projecto de lei de alteração ao diploma “Disposições fundamentais do Estatuto do Pessoal e Direcção de Chefia”, ou seja, a lei 15/2009. Em causa estão 42 aposentados, que trataram do seu processo após a criação da RAEM, e que não foram abrangidos pelos efeitos retroactivos da lei, como explica Paulina Santos numa carta aberta, também dirigida ao deputado José Pereira Coutinho. “A RAEM tem cumprido o princípio de igualdade e de não discriminação. Assim, deu efeitos retroactivos a todos os deputados da AL e aos conselheiros do Conselho Executivo o direito a assistência médica, com efeitos retroactivos a partir de 20 de Dezembro de 1999. Acontece que a lei 15/2009, que aumentou os índices salariais dos aposentados com a categoria de

QUIS O DESTINO

O projecto de resolução é votado hoje, no mesmo dia em que tem inicio o processo em tribunal que levou à suspensão do deputado Sulu Sou e, de acordo com Vong Hin Fai, trata-se de mera coincidência. “Isto não me cabe comentar porque não sou o secretário de convocação do plenário”, justifica. Já a secretária para a administração e justiça, Sónia Chan, recusou-se a fazer qualquer comentário visto tratar-se de “um assunto interno”, apontou. O projecto de resolução assinado pelos deputados, foi entregue a 10 de Janeiro, seis dias depois de Sulu Sou ter entregue o recurso no Tribunal de Segunda Instância. O deputado democrata pediu ao tribunal que analise se todos os procedimentos legais foram cumprido no processo que conduziu à sua suspensão. Os deputados Kou Hoi In e Vong Hin Fai são o presidente e secretário, respectivamente, da Comissão de Regimento e Mandatos, que optou por não emitir uma opinião sobre se Sulu Sou devia ser suspenso. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

CONFIANÇA CEGA

A advogada explicou que o pedido aos deputados Vong Hin Fai e Kou Hoi In nesta altura trata-se

de uma mera coincidência. “Este pedido não tem nada a ver com o caso Sulu Sou. Faço o pedido ao deputado Vom Hin Fai porque percebe de leis e foi meu colega. Todos os projectos de lei que são apresentados por José Pereira Coutinho são reprovados. Tudo o que Vong Hin Fai e Kou Hoi In apresentam é aprovado, penso eu. São a ala mais forte [da AL]”, frisou. O deputado José Pereira Coutinho nunca apresentou este projecto de lei no hemiciclo, enquanto Vong Hin Fai e Kou Hoi In ainda não deram uma resposta a Paulina Santos. Esta ainda está a ponderar marcar “uma audiência” com o também advogado. “São dois deputados fortes, no sentido de terem apoio dentro da AL. Juntei os três nomes para ver se eles podem conversar. Penso que eles não conversam, mas faço esse pedido”, disse Paulina Santos. O HM tentou, até ao fecho da edição de ontem, confirmar junto dos deputados se vai ou não ser apresentado um projecto de lei sobre esta matéria, mas não foi possível estabelecer contacto. Andreia Sofia da Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

GCS

de mandato que são actos de natureza política”.

direcção e chefia, deu apenas efeitos retroactivos a partir de 1 de Julho de 2007.” Paulina Santos acrescenta ainda que houve discriminação relativamente aos “aposentados das mesmas categorias que se aposentaram após o dia 20 de Dezembro de 1999 e antes de 1 de Julho de 2007”. Neste sentido, a advogada pede “aos senhores deputados, com vasta experiência na AL para apresentar, com urgência, um projecto de lei, dando retroactividade a partir de 20 de Dezembro de 1999 a todos os aposentados com as mesmas categorias, que se aposentaram a partir de 20 de Dezembro de 1999”. Um dos 42 aposentados em causa é o próprio marido de Paulina Santos, e esta é uma das razões pelas quais continua a exigir, anualmente, que seja apresentado este projecto de lei, disse a própria ao HM. Na sua carta, a advogada considera que a mudança “não pesa muito no erário público”.

Lei da cibersegurança Governo diz que opiniões “não são objectivas”

O gabinete do secretário para a Segurança emitiu ontem um comunicado onde se apontam críticas às opiniões apresentadas durante a consulta pública sobre a futura lei da cibersegurança. No documento afirma-se que “as opiniões prestadas pelos cidadãos e pelos respectivos sectores durante a consulta pública são valiosas e podem melhorar, de forma positiva, o conteúdo da lei”. “Contudo, alguns cidadãos aproveitaram as sessões da consulta pública para manifestarem opiniões não objectivas, distorcendo os factos, o que não contribui para melhorar o conteúdo da lei”, lê-se ainda. O gabinete do secretário Wong Sio Chak acredita que “esta é uma situação que não agrada à população”.

“COM UM POUCO DE TACTO POLÍTICO NÃO FAZIA ISSO”

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pesar de confiar nas capacidades do deputado Vong Hin Fai como advogado e conhecedor das leis, uma vez que foi sua colega de turma no curso de Direito da Universidade de Macau, Paulina Santos condena o projecto de resolução que deverá ser hoje votado na AL, que afirma que os tribunais não têm competência para julgar casos de natureza política. “Este projecto de resolução é muito inoportuno. Qualquer recurso que entre num tribunal, neste caso o de Sulu Sou no Tribunal de Segunda Instância, o juiz vê primeiro se tem competência para julgar o caso, se

a lei permite ou não. O tribunal aceitou o recurso, portanto o processo está a andar. E aparecer cá fora esta resolução penso que é uma pressão para o tribunal, porque o juiz sabe muito bem se é ou não da competência analisar esse ponto. É mau para Macau”, defendeu ao HM. A advogada entende que “foi um pouco feio aquilo que ele [Vong Hin Fai] fez”. “Qualquer pessoa com um pouco de tacto político não fazia isso. Mesmo quem não é da área jurídica entende o que se está a passar. Dá a impressão de que os juízes não sabem o suficiente e que é necessário chamar a atenção”, rematou.


6 política

Lei precoce

GCS

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Actualização do subsídio vai ter efeito retractivos

referido diploma, Vong Hin Fai. “Os efeitos retroactivos aplicam-se tanto aos aumentos dos subsídios de nascimento para os funcionários da função pública como para os que

GCS

proposta lei de alteração do montante dos subsídios de nascimento prevê que o diploma entre em vigor a 1 de Abril e que tenha efeitos retroactivos para os pedidos que datem a partir de 1 de Janeiro. A garantia foi dada pela secretária para a administração e justiça Sónia Chan, e comunicada pelo presidente da 3ª comissão permanente, sede de análise na especialidade do

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Chui Sai On reuniu com o novo reitor da UM

O Chefe do Executivo recebeu ontem na Sede do Governo o novo reitor da Universidade de Macau (UM), Song Yonghua, para trocar opiniões sobre as políticas locais de ensino superior. Chui Sai On disse que existem grandes expectativas quanto ao trabalho do novo líder da instituição universitária, e que espera que a UM continue a progredir em matéria de ensino. Song Yonghua considera que o cargo de reitor é uma missão bastante importante, e prometeu empenhar-se na liderança da UM em prol do seu desenvolvimento.

recebem o apoio através do Fundo de Segurança Social (FSS)”, acrescentou o deputado. No que respeita a valores, está já feita uma estimativa do que a aplicação da proposta vai custar aos cofres públicos. “Em 2016 foram recebidos 1535 requerimentos a solicitar a subsídio de nascimento por parte da função pública com base nos 45 pontos do índice a que era referente e a despesa do Governo foi de 7,828,500 patacas. Com esta proposta aprovada, em que o índice aumenta para os 60 pontos, e tendo em conta os dados de 2016, a despesa vai sofrer um aumento de 1,957,125 patacas”, referiu o presidente da sede de comissão após a reunião de ontem. No sector privado ainda não há conhecimento dos gastos do FSS.

DIFERENÇAS ACOMPANHADAS

Há ainda reservas por parte da comissão ligadas ao facto da função pública acabar por ter mais benefícios do que o sector privado, mas de acordo com Vong Hon Fai, o Governo já garantiu que o assunto

irá ser discutido anualmente na altura da apresentação das Linhas de Acção Governativa. Visto que a proposta em análise tem como principal objectivo incentivar ao aumento da taxa de nascimento local, numa altura em que o número da população idosa é cada vez maior, os membros da comissão estão também preocupados com as medidas complementares capazes de incentivar os residentes a terem filhos. De acordo com o presidente de sede de comissão, “Sónia

Chan mostrou-se preocupada com a questão e referiu que, além do apoio financeiro económico, o Executivo dispõe de medidas para incentivar as famílias a terem mais crianças”. Entre elas, destacou, está o ensino gratuito até aos 15 anos de idade e o acesso a assistência médica também livre de encargos financeiros.

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sociedade 7

terça-feira 16.1.2018

IC TRIBUNAL PEDE FORMAÇÃO DE NOVO COLECTIVO PARA JULGAR EX-VICE-PRESIDENTE

Baralha e volta a julgar HOJE MACAU

O Tribunal Judicial de Base absolveu o ex-vice-presidente do Instituto Cultural, Chan Chak Seng, do crime de abuso de poder e violação de segredo. O Ministério Público pedia uma condenação “não inferior a um ano” e recorreu. Na Segunda Instância, entendeu-se que houve erros na apreciação de provas e reencaminhou o caso para outro tribunal colectivo

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caso diz respeito ao concurso público para a prestação de serviços de manutenção de equipamentos da Biblioteca Central de Macau e começou em 2008. O antigo vice-presidente do Instituto Cultural, Chan Chak Seng, estava acusado pelo Ministério Público (MP) do crime de abuso de poder por não ter pedido escusa, uma vez que familiares seus estavam ligados a uma das empresas concorrentes, tendo ganho o concurso. O MP pedia uma condenação “não inferior a um ano”. O Tribunal Judicial de Base (TJB) entendeu que Chan Chak Seng não era culpado, mas perante recurso apresentado pelo MP, o Tribunal de Segunda Instância (TSI) entendeu que houve erros na apreciação de provas e que o caso deve ser entregue a outro colectivo de juízes. O acórdão aponta que “o TSI entendeu que o Tribunal [TJB] errou notoriamente na apreciação do facto de o arguido [Chan Chak Seng] pedir ou não escusa, do facto de o mesmo revelar a B [irmão mais novo do arguido e trabalhador na empresa que ganhou o concurso] que o preço proposto no último concurso era demasiado alto”. Está também em causa o facto de Chan Chak Seng ter dito ao seu irmão mais novo “o preço para a fase experimental [para a manutenção dos equipamentos da Biblioteca Central]”.

Nesse sentido, foi ordenado “o reenvio do processo ao Tribunal a quo [TJB] para que o objecto da acção fosse julgado na totalidade por um novo tribunal colectivo formado por juízes que não tinham intervindo na decisão recorrida”.

LIGAÇÕES PRÓXIMAS

Chan Chak Seng foi nomeado vice-presidente do IC em 2005, tendo recebido, no ano seguinte, competências da parte de Cheong U, à data secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, para a “direcção, coordenação e fiscalização relativas ao Departamento do Património Cultural, à Biblioteca Central de Macau e ao Sector de Informática”. Tal significou que Chan Chak Seng daria opiniões sobre “todas as obras a realizar nas instalações pertencentes às subunidades da sua tutela”, sendo que este “ocupou o lugar de presidente da comissão de selecção das obras envolvidas”. No concurso público para a gestão dos equipamentos, concorreu uma empresa cujos proprietários

tinham ligações próximas a Chan Chak Seng. O empresário da empresa “não participou directamente na operação [participação no concurso público]”, sendo que esta era gerida por uma outra pessoa, que tinha conhecido o irmão mais novo de Chan Chak Seng “quando estudava na universidade”.

“Antes da abertura das novas propostas, o arguido revelou ao seu irmão que o preço proposto no último concurso era demasiado alto, dizendo-lhe ainda o preço para a fase experimental. Assim, a Companhia X baixou o preço e conseguiu ganhar a adjudicação.” ACÓRDÃO DO TSI

Em 2008, o IC convidou três empresas para apresentarem as suas propostas para o referido concurso público, tendo sido convidada a empresa com ligações ao antigo vice-presidente. Este “não pediu escusa, continuando a exercer o cargo de comissão de selecção”, sendo que neste concurso apenas esta e uma outra empresa apresentaram as suas propostas. O acórdão aponta que “das propostas apresentadas resultou que o preço proposto pela companhia X [onde estava o irmão mais novo do arguido] era mais elevado, e nesta situação deveria ser seleccionada a proposta da companhia Y”. A comissão de selecção de propostas “decidiu que se apresentassem propostas novas”, tendo Chan Chak Seng escrito “pelo seu próprio punho” a razão para essa decisão. “Antes da abertura das novas propostas, o arguido revelou ao seu irmão que o preço proposto no último concurso era demasiado alto, dizendo-lhe ainda o preço para a fase experimental. Assim, a Companhia X baixou o preço e

conseguiu ganhar a adjudicação”, explica o acórdão.

NÃO HOUVE ESCUSA

A mesma empresa acabaria por ganhar o concurso público para o mesmo projecto mais cinco vezes. O TSI, depois de apreciar o processo, concluiu que havia uma “relação estreita” entre o irmão mais novo do ex-vice-presidente do IC e o administrador da empresa. Isto porque “os dois não só se conheceram quando estudavam na universidade como também estabeleceram, posteriormente, uma empresa em conjunto e compraram bens imóveis na China”. Chan Chak Seng deveria, no entender do TSI, “por causa da relação mencionada, pedir escusa, com vista a evitar que se suspeitasse da isenção da sua decisão”. Um outro interveniente no processo, que era técnico superior do IC “pediu escusa conforme a lei”. “Então porque é que o arguido, que era presidente da comissão de selecção, não precisava de pedir escusa?”, questionam os juízes do TSI. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


8 sociedade

Acidente Mais uma idosa atropelada na passadeira

Uma idosa com 70 anos de idade foi ontem atropelada na passadeira da Avenida Marginal de Lam Mau, quase junto à Doca do Lam Mau, por volta das 14h00, confirmou a porta-voz da Polícia Judiciária (PJ) ao HM. O acidente foi causado por um carro ligeiro, tendo a idosa ficado com a cabeça ferida. Esta foi transportada para o Hospital Conde São Januário, estando ainda internada. Segundo a PJ, a vítima teve “um ferimento com muito sangue, mas não corre perigo de vida”. O carro que causou o atropelamento era conduzido por um trabalhador não residente oriundo do Interior da China. Este detém carta de condução e nasceu em 1964. Não foi detectado álcool no sangue.

Ensino 137 bolsas de mérito para estudos pós-graduados

Macau vai atribuir 137 bolsas de mérito para estudos pós-graduados no ano próximo ano lectivo 2018/2019, cujos valores oscilam entre 51.000 e 80.000 patacas, foi ontem anunciado. Segundo um despacho do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, publicado em Boletim Oficial, encontram-se disponíveis duas bolsas de mérito para os alunos de cursos integrados de licenciatura e mestrado no montante anual de 51.000 patacas e 105 para cursos de mestrado, no valor anual de 58.000 patacas. No caso dos cursos integrados de mestrado e doutoramento, prevê-se a atribuição de cinco bolsas de mérito no montante anual de 70.000 patacas. Para os cursos de doutoramento, há 25 bolsas de mérito no valor anual de 80.000 patacas. Relativamente ao actual ano lectivo (2017/2018), existem mais dez bolsas de mérito a atribuir - mais cinco nos cursos de mestrado e mais cinco nos de doutoramento -, mas mantêmse as verbas a conceder.

16.1.2018 terça-feira

CRECHES VAGAS PARA FAMÍLIAS CARENCIADAS

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S famílias de Macau que se encontram em situação vulnerável podem pedir, a partir do próximo dia 29, a admissão prioritária das crianças nas creches subsidiadas pelo Governo, anunciou ontem o Instituto de Acção Social (IAS). O novo regime destina-se às crianças com idade inferior a 3 anos, inseridas em famílias economicamente carenciadas, monoparentais ou com membros portadores de deficiência e/ou doença crónica, sendo a elegibilidade determinada pelos rendimentos. A título de exemplo, o limite do rendimento mensal de um agregado familiar composto por dois elementos é de 18.600 patacas, enquanto o correspondente a uma família com oito ou mais membros foi fixado em 47.175 patacas, indicou o IAS. Os encarregados de educação que reúnam os requisitos podem efectuar o pedido de admissão prioritária ao abrigo do novo regime a partir do próximo dia 29 e até 8 de Fevereiro. Os pedidos não serão satisfeitos por ordem de chegada, esclareceu o IAS em comunicado. O novo regime de admissão prioritária de crianças provenientes de famílias carenciadas nas creches subsidiadas, que ascendem a mais de 30, segundo dados oficiais, surge no âmbito do Plano de Desenvolvimento dos Serviços de Creches de 2018 a 2022 recentemente apresentado pelo Governo. Dividido em duas etapas (2018/2019 e 2020 a 2022), cumpre essencialmente três objectivos, com o primeiro a passar pela garantia do fornecimento e da distribuição adequados das vagas. À luz do plano quinquenal, a oferta do número de vagas nas creches deverá corresponder a 55 por cento da população infantil com idade inferior a 3 anos até 2022.

Do negro ao c UE MACAU PODE ESTAR FORA DA LISTA NEGRA DOS PARAÍSOS FISCAIS AINDA

Depois de integrar a lista negra de paraísos fiscais da UE e das proibições de transferências bancárias com entidades do território que se fizeram sentir, Macau pode voltar a ter o nome limpo e ainda este mês. A razão está a disponibilidade do Executivo para ratificar e aplicar a Convenção Multilateral da OCDE

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ACAU pode ser retirado da lista de 17 jurisdições classificadas pela União Europeia como paraísos fiscais, ainda este mês, afirmou a TDM Rádio Macau. Na origem do volte-face está o facto do Executivo local se ter

PUB

駿日安防管理澳門一人有限公司 Sede: Avenida da Praia Grande, nº 409, Edifício China Law, 25º andar, em Macau Registo no. 69024 (SO) / Capital Social: MOP$25.000,00 Para os devidos efeitos se anuncia que, em Assembleia Geral extraordinária realizada em 28 de Dezembro de 2017, foi decidido dissolver a sociedade por quotas de responsabilidade limitada em epígrafe, considerando-se as contas finais aprovadas e encerradas e, assim, encerrada a liquidação, a partir da mesma data, tendo os respectivos registos sido efectuados em 28 de Dezembro de 2017, mediante a Ap. 73/28122017, considerando-se assim extinta a mesma sociedade com esses registos. Macau, 16 de Janeiro de 2018 A Administradora – Liquidatária


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terça-feira 16.1.2018

cinzento ESTE MÊS

comprometido, junto das instituições europeias, com um prazo para ratificar e aplicar a Convenção Multilateral da OCDE em matéria fiscal. Este compromisso, apurou a TDM Rádio Macau, foi assumido pelo Governo de Macau perante as instituições europeias já depois da lista negra de paraísos fiscais ter sido divulgada a 5 de Dezembro. De acordo com uma fonte da União Europeia, a decisão de retirar Macau da lista de jurisdições pode até acontecer já na próxima reunião do Conselho Europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, que está marcada para 23 de Janeiro. Ainclusão de Macau na lista negra foi precisamente justificada com o facto de o território não ter ratificado a Convenção da OCDE sobre assistência mútua administrativa em matéria fiscal. E, em particular, por não se ter comprometido a resolver estes assuntos até 31 de Dezembro de 2018.

MUDANÇA DE LISTA

Ao ser retirado do grupo de 17 jurisdições classificadas como paraísos fiscais, Macau deve ser incluído na chamada lista cinzenta, que inclui países e jurisdições como Hong Kong, Turquia, e Suíça. Estas jurisdições foram incluídas na lista cinzenta porque já se comprometeram a fazer algumas reformas na área fiscal e vão ser monitorizadas ao longo do próximo ano em relação aos compromissos que assumiram. De acordo com os critérios anunciados pelo Conselho Europeu, as chamadas economias desenvolvidas têm seis meses para concretizar as reformas prometidas enquanto as economias em desenvolvimento têm até um ano.

IMOBILIÁRIO MAIS CASAS VENDIDAS APESAR DA SUBIDA DO PREÇO

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S transacções de imóveis destinados à habitação em Macau aumentaram ligeiramente em 2017, face ao ano anterior, apesar da forte subida do preço médio do metro quadrado, indicam dados oficiais. Segundo dados publicados no portal da Direcção dos Serviços de Finanças, contabilizados a partir das declarações para liquidação do imposto de selo por transmissões de bens, foram vendidas 10.452 fracções autónomas destinadas à habitação no ano passado, contra as 10.113 transaccionadas em 2016. Isto apesar do aumento do preço médio do metro quadrado, que passou de 85.916 patacas para 100.569 patacas. Com o preço médio do metro quadrado mais baixo (91.403 patacas), a península de Macau registou o maior número de fracções transaccionadas (7.761). Seguiu-se a ilha da Taipa (2.356), onde o preço médio do metro quadrado foi de 115.315 patacas e, por fim, a ilha de Coloane (335), cujo preço médio do metro quadrado atingiu 129.517 patacas. Desde a liberalização de facto do jogo, ocorrida em 2004, com a abertura do primeiro casino fora do universo do magnata Stanley Ho, o sector imobiliário tem estado praticamente sempre em alta. Os preços caíram em 2015, um cenário apontado então como um efeito colateral da queda das receitas do jogo - o principal pilar da economia de Macau - que teve início em Junho de 2014 e durou quase dois anos, terminando em agosto do ano passado. Desde então, os preços das casas foram registando flutuações, mas desde Outubro de 2016 têm-se verificado subidas em termos anuais homólogos. Os elevados preços praticados no mercado imobiliário, tanto na aquisição como no arrendamento, constituem um dos principais motivos de descontentamento da classe média do território.

ACIDENTES DE TRABALHO GOVERNO SUBSIDIA PROTECÇÃO DE MÃOS

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Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) de Macau anunciou o lançamento de um plano para subsidiar equipamentos para a protecção das mãos a empresas do sector da restauração para prevenir acidentes de trabalho. Segundo dados estatísticos da DSAL, referentes aos últimos três anos, a média anual de acidentes de trabalho com ferimentos nas mãos

tem sido superior a dois mil, dos quais mais de um terço (35 por cento) ocorreram em restaurantes ou em estabelecimentos similares. Tal “reflecte a alta probabilidade de ferimentos nas mãos dos trabalhadores desse sector”, realçou, em comunicado, a DSAL que visa com o recém-anunciado plano “prestar apoio ao sector da restauração na prevenção de acidentes de trabalho”.

Ao abrigo do plano, a DSAL vai fornecer, gratuitamente, a cada empresa, cujo pedido tenha sido aprovado, um máximo de quatro pares de luvas que protejam de cortes e de temperaturas extremas. São elegíveis ao plano todas as empresas do ramo da restauração com menos de 300 funcionários ao serviço, sendo dada prioridade às pequenas e médias empresas.

Banca Revogada licença offshore do BPI

A autorização concedida ao Banco Português de Investimento (BPI) para o estabelecimento de uma instituição financeira offshore sob a forma de sucursal em Macau foi revogada, indica uma ordem executiva publicada ontem em Boletim Oficial. A revogação da autorização, que tinha sido concedida ao BPI em 2005, entra hoje em vigor. O BPI e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) eram os dois únicos bancos portugueses a operar uma licença offshore no final do ano passado. No Verão passado, a CGD anunciou que pretendia fechar, até ao final de 2017, as sucursais offshore em Macau e nas Ilhas Caimão, territórios considerados como paraísos fiscais. O Banco Comercial Português (BCP) também chegou a operar como sucursal offshore de 1993 até 2010, ano em que obteve licença plena de operação.

Finanças Reservas cambiais atingem 162,3 mil milhões

As reservas cambiais de Macau atingiram 162,3 mil milhões de patacas em Dezembro de 2017, foi ontem anunciado. Segundo estimativas preliminares, divulgadas pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), o valor de Dezembro traduz um aumento de 3,1 por cento em relação aos dados rectificados do mês anterior. A taxa câmbio efectiva da pataca - que mede as paridades cambiais contra as divisas dos principais parceiros comerciais, ponderadas pelas suas quotas relativas do comércio – foi de 104,1 em Dezembro de 2017, reflectindo uma descida de 0,53 e 6,05 pontos, respectivamente, em termos mensais e em termos anuais homólogos. Tal significa que, globalmente, a pataca, que se encontra indexada ao dólar de Hong Kong e, por essa via, ao dólar norte-americano, caiu relativamente às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau.


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16.1.2018 terça-feira

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S astros vão-se alinhar para levar ao palco da Coronel Mesquita duas bandas unidas pela amizade e o amor partilhado pelo rock n’ roll. Os conjuntos em questão são os Lionrock Band, que chegam da região vizinha e os locais Lavy, que regressam ao activo depois de um período de inactividade. O espectáculo está marcado para o dia 11 de Fevereiro, às 21 horas. Os Lionrock Band, que vão apresentar ao público do LMA um alinhamento que será um misto de temas originais e versões de músicas conhecidas de rock clássico, têm na formação uma figura incontornável dos últimos 30 anos de música de Hong Kong, Wong Leung Sing. O músico pertenceu a uma banda seminal no panorama do rock

De palco cheio MÚSICA LMA JUNTA NO MESMO CONCERTO OS LIONROCK BAND E OS LOCAIS LAVY

No próximo dia 11 de Fevereiro, o LMA acolherá uma celebração de rock clássico com a performance dos Lionrock Band, de Hong Kong, e o regresso dos locais Lavy. Até lá o cartaz será marcado pelo concerto dos Dirty Finger, banda chinesa de new wave e Julie Byrne, artista folk norte-americana clássico da região vizinha, os Blue Jeans. “Nos anos 80 eram muito famosos, tinham muitas músicas que foram autênticos fenómenos de popularidade”,

contextualiza Vincent Cheong, que gere o LMA e é vocalista dos Lavy. Wong contribuiu para a cena musical também escre-

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O MUNDO DE SOMA ZERO • Gideon Rachman

vendo músicas para vários artistas, com destaque para a diva do cantopop Anita Mui. A cantora, que viria a morrer de cancro em 2003, era

conhecida como a Madonna da Ásia. Dia 11 de Fevereiro é também o dia que marca o regresso dos locais Lavy.

“Há muito tempo que não actuamos, mas vamos tocar com a melhor banda com que poderíamos partilhar o palco”, explica Vincent Cheong. O vocalista dos Lavy acrescenta ainda que a cumplicidade justifica-se por serem da mesma geração, amigos, daí a ideia ter surgido em forma de desafio: “Porque não fazer um evento de rock na onda do rock clássico juntos?”, questiona.

MODERNOS EM PALCO

Mas antes disso, no dia 21 de Janeiro, vindos directamente de Xangai para o palco do LMA chegam os Dirty Finger. “Uma banda entre o post-punk e o new wave de uma famosa editora chamada Maybe Mars” que, de acordo com Vincent Cheong, “tem um som muito moderno”.

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A lógica de soma zero, na qual o lucro de um país equivale à perda de outro, impediu que as nações chegassem a acordo no combate às alterações climáticas e ameaça conduzi-las a um novo declínio económico generalizado. A lógica soma-zero está por detrás de outros problemas internacionais, como o da guerra no Afeganistão ou o do acesso às reservas de energia, água e alimentos. Estas questões políticas e económicas podem provocar novas guerras, catástrofes ambientais e crises financeiras agravadas. Este livro define os termos de um novo debate. Gideon Rachman mostra claramente que ao otimismo decorrente do colapso da União Soviética, sucedeu, no rescaldo da grande crise financeira, uma profunda ansiedade. Neste livro obrigatório, Rachman sustenta que a política internacional se tornou muito mais perigosa e volátil e explica o que se pode fazer para contrariar esta lógica debilitante de um mundo soma zero.

JOSÉ E PILAR - CONVERSAS INÉDITAS • Miguel Gonçalves Mendes, Valter Hugo Mãe

Durante quatro anos, Miguel Gonçalves Mendes filmou José Saramago e Pilar del Río, na intimidade de Lanzarote, em viagens de trabalho por todo o mundo, em festas com os amigos e a família. Desse intenso registo resultaram, primeiro, o filme, José e Pilar, e agora, o livro que se compõe, essencialmente, de material inédito: centenas de horas de conversa que exploram os grandes temas - da política ao amor, passando pelo trabalho, a literatura e a morte.


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terça-feira 16.1.2018

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Salgueirinha Nome botânico: Lythrum salicaria L. Família: Lythraceae. Nomes populares: ERVA-CARAPAU; SALICÁRIA.

Há qualquer coisa de Franz Ferdinand nos Dirty Finger, rock roufenho com pratos de bateria que convidam a um passinho de dança, e um baixo saltitão que imprime movimento irresistível às ancas. “A Maybe Mars é uma editora com que colaboramos e que já enviou algumas bandas ao LMA, a última foram os Sparrow”, conta Vincent Cheong. A 8 de Fevereiro é a vez de Julie Byrne subir ao palco do 11º andar da Coronel Mesquita. A norte-americana, oriunda de Buffalo no Estado de Nova Iorque, “é uma artista de folk moderno que irá actuar a solo num concerto acústico”, contextualiza Vincent Cheong. A actuação será bem mais intimista do que as outras propostas do cartaz do LMA para os próximos tempos. Mas, claro,

estamos a falar de uma casa que promove sempre a proximidade entre artistas e público. Julie Byrne vem a Macau apresentar o seu último disco, “Not Even Happiness”, o segundo registo da cantora que mereceu aclamação da crítica que se dedica a álbuns que

“Há muito tempo que não actuamos, mas vamos tocar com os Lionrock Band, a melhor banda com que poderíamos partilhar o palco.” VINCENT CHEONG VOCALISTA DOS LAVY

tendem a ficar esquecidos dos grandes públicos. “Not Even Hapiness” é um disco de folk contemporâneo que tem como pano de fundo temas como a natureza e assuntos do coração. A cantora de Buffalo nasceu para a música ouvindo o seu pai tocar guitarra acústica. Quando tinha 17 anos, Julie Byrne começou a aprender o instrumento uma vez que o seu pai já não poderia tocar depois de lhe ter sido diagnosticado esclerose múltipla. A música íntima da norte-americana promete aquecer quem se deslocar ao LMA no próximo dia 8 de Fevereiro, para mais uma noite de música ao vivo no palco da Coronel Mesquita, que abre o ano com propostas sólidas.

Electrónica Felix da Housecat toca no dia 27 no Pacha O multifacetado DJ Felix da Housecat vai meter a pista do Pacha a mexer na noite de 27 de Janeiro, sábado, com as batidas contagiantes do seu set. O norte-americano, oriundo de Chicago, tem no seu currículo dois Grammys e colaborações e remixes de músicas de nomes grandes da música como Madonna, Britney Spears, Kylie Minogue e P Diddy. Um dos seus maiores hits que passou em pistas de dança de todo o mundo é o remix de “Sinnerman”, da imortal Nina Simone. Quem quiser ver o norte-americano atrás dos pratos terá de desembolsar 150 patacas se comprar o bilhete antecipadamente e 200 no dia do evento.

João Luz

info@hojemacau.com.mo

Originária da Europa e naturalizada na América do Norte, onde também se encontra em estado selvagem, a Salgueirinha é comum em prados húmidos, charcos, pântanos ou margens dos cursos de água, sendo também cultivada como ornamental. Trata-se de um arbusto herbáceo de caule erecto e robusto, pubescente e ramificado na parte superior, que pode alcançar um metro e meio de altura; as folhas são lanceoladas e pontiagudas, e, as flores, com uma cor entre o rosa e o púrpura, são grandes, hermafroditas e agrupam-se numa comprida espiga terminal; o fruto é uma cápsula oblonga e contém numerosas sementes. Planta da mitologia nórdica, a Salgueirinha era o refúgio secreto dos duendes que guardavam as minas de ouro. O seu nome comum, Salgueirinha, provém da semelhança das suas folhas com as do Salgueiro. Conhecida e apreciada como planta medicinal desde a Antiguidade, foi mencionada no século I por Dioscórides, que a recomendava no tratamento das diarreias e hemorragias. Em 1654, o herbanário Nicholas Culpeper enalteceu-a, escrevendo: «a água destilada é um remédio para feridas e pancadas nos olhos, para a cegueira … e também limpa o pó dos olhos ou qualquer outra coisa que neles tenha entrado, conservando a vista». Embora pouco usada actualmente para as afecções dos olhos e da visão, talvez fosse útil haver mais investigação sobre ela. Em fitoterapia são usadas as partes aéreas floridas, da planta fresca ou seca. Composição Taninos gálhicos (litraritanino) e condensados, flavonóides (orientina, vitexina), antocianósidos (principalmente na flores), fitosteróis (beta-sitosterol), ácidos orgânicos (gálhico, clorogénico, elágico, p-cumárico), glucósidos (salicarina), ftalidos e óleo essencial; açúcares, pectinas, mucilagens (ácido galacturónico), sais minerais (ferro), colina e provitamina A. Inodora, sabor mucilaginoso e levemente adstringente. Acção terapêutica Planta adstringente, a Salgueirinha tem uma eficaz actividade antidiarreica, detém as hemorragias e tonifica o organismo; é antioxidante e anti-inflamatória, suaviza a mucosa gastrintestinal e tem acção anti-séptica intestinal. Tem sido usada na diarreia, gastroenterite, disenteria, salmo-

nelose, febre tifóide, colite, colite ulcerosa e síndrome do cólon irritável, sendo particularmente útil na presença de sangue ou muco. Pode ser tomada por bebés e crianças, sendo muito recomendada para combater as diarreias e cólicas dos lactentes. Esta erva é ainda utilizada em caso de dores menstruais, menstruações abundantes e hemorragias fora do ciclo menstrual, e para combater a anemia ou baixar os níveis elevados de glicose no sangue dos diabéticos tipo 2. Outras propriedades Com múltiplos usos externos, a Salgueirinha desinfecta, desinflama, cicatriza, estanca os sangramentos, protege e suaviza a pele; estimula igualmente a epitelização, ou seja, a regeneração da pele lesionada. É empregue nas feridas, mesmo nas infectadas, úlceras cutâneas, inflamações, eczemas e dermatoses; afecções venosas, como hemorróidas, varizes e úlceras varicosas; corrimento vaginal excessivo, prurido vaginal, vulvovaginites ou hemorragias fora do ciclo menstrual; afecções orofaríngeas (sangramento das gengivas, estomatites, periodontopatias, faringites), blefaroconjuntivites e hemorragias nasais. Como tomar Uso interno: • Infusão das partes aéreas floridas: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. • Em gotas, em fórmulas de plantas, como antidiarreico, para tomar de acordo com as instruções. • Os rebentos, as folhas, a medula dos caules e as raízes podem ser ingeridos cozidos, como se duma hortaliça se tratasse. As folhas são ricas em cálcio. • As flores são usadas como corante vermelho nos rebuçados. Uso externo: • Decocção das partes aéreas floridas: 60 a 80 gramas por litro de água. Aplicar em lavagens e compressas, como loção, em irrigações vaginais e clisteres. Cataplasma com as partes aéreas floridas. Precauções A Salgueirinha não deve ser tomada durante a gravidez e lactação, devido à falta de estudos que garantam a sua segurança. Doses não terapêuticas podem provocar transtornos gástricos, por causa do conteúdo em taninos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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16.1.2018 terça-feira

ANGOLA A DÍVIDA NÃO É PREOCUPANTE

Bolsos largos

Sem espinhas. A dívida de Angola à China é para ir pagando. Pequim garante que o apoio vai continuar

O

ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse ontem, em Luanda, que não existe qualquer preocupação sobre a dívida de Angola para com a China, cujo valor não revelou. O chefe da diplomacia chinesa, que realizou uma visita de 24 horas a Angola, falava em conferência de imprensa, no final de negociações entre os dois países, que serviram para a discussão sobre as obrigações de cada uma das partes sobre os vários acordos existentes, particularmente, a dívida de Angola para com a China. “Tal como qualquer país em desenvolvimento, numa fase inicial da sua economia, é muito natural que pretenda mais financiamentos. A China também experimentou este processo, esses são problemas temporários e não tenho nenhuma preocupação, não estou preocupado de maneira

nenhuma, porque tanto o partido no poder como o Governo em Angola estão a achar o caminho que corresponde à situação doméstica de Angola, que é a diversificação da economia e industrialização acelerada”, disse o chefe da diplomacia chinesa. Esta posição surge numa altura em que o Governo angolano estuda formas de reestruturar o peso da dívida pública, que ronda os 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Wang Yi garantiu que a China vai continuar a apoiar Angola a acelerar a sua estratégia de diversificação da economia e o seu processo de industrialização e modernização em

prol da paz e unidade do continente africano. Durante a última semana, na antecipação desta visita, o embaixador chinês em Luanda, Cui Aimin, informou que os empréstimos da China a Angola totalizam mais de 60 mil milhões de dólares, concedidos desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas, em 1983. Já o ministro chinês recordou que a China foi o país que concedeu financiamento a Angola para a sua reconstrução, após fim da guerra em 2002, tendo já apoiado na recuperação e construção de mais de 20.000 quilómetros de estradas, 2.800 quilómetros de ferrovias, além de outras infra-estruturas básicas, nomeadamente escolas, hospitais e habitações sociais. “Tudo isso são os nossos resultados muito tangíveis, ontem [sábado] disse ao Presidente da República que o investimento chinês em Angola é com resulta-

“POSIÇÃO FIRME” CONTRA A CORRUPÇÃO

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órgão nacional anti-corrupção da China manterá uma posição firme contra a corrupção, consolidando e desenvolvendo o “ímpeto decisivo” na luta contra a corrupção. “Continuaremos a provar que não há zonas proibidas, que nada se passa por cima, e que não haverá tolerância para a corrupção”, adverte um comunicado aprovado na segunda sessão plenária da 19ª Comissão Central de Inspecção Disciplinar (CCID) do Partido Comunista da China (PCC), que se realizou da quinta-feira ao sábado. A CCID indicou que a luta contra a corrupção se focará nos funcionários que não se controlaram e persistiram em sua má conduta depois do 18º Congresso Nacional do PCC, realizado no final de 2012 e dará prioridade aos casos que envolvem grupos de interesses que tenham problemas políticos e económicos, indica o comunicado. A CCID lutará contra a corrupção nas eleições e nomeações de funcionários,

as permissões e a supervisão governamentais, o uso ilícito de recursos, as finanças e outras áreas chave propensas à corrupção. A comissão sublinhou a importância das medidas por lidarem com a corrupção que ocorre próximo do cidadão, especialmente nos esforços contra a pobreza. Os funcionários que trabalham no controle e supervisão disciplinar devem ser leais, resolutos, responsáveis e manter a disciplina e a lei, garantindo que não se abusa do poder outorgado pelo Partido e o povo, de acordo com o comunicado.

dos reais. Esses comentários dos media ocidentais são infundados, não vale a pena comentar”, frisou. Segundo Wang Yi, as relações bilaterais existentes há 35 anos são baseadas na amizade, honestidade, e Angola é um parceiro estratégico da China no continente africano. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, considerou histórica e importante a vinda do seu homólogo ao país, “porquanto as relações bilaterais entre os dois países têm um nível de excelência, que é visível através de projectos que têm impacto na vida diária do povo angolano”. Manuel Augusto disse que relativamente à dívida de Angola para com a China “as duas partes estão satisfeitas com o caminho percorrido até aqui”, tendo decidido “discutir do ponto de vista técnico novas formas, métodos inovadores, que tornam esta dívida sustentável”. Foram ainda discutidas formas para que “o seu curso não seja interrompido, para que os projetos já em curso e aqueles que venham a ser acordados possam ter a necessária almofada financeira”. “Nós decidimos que equipas técnicas deAngola e da China devem trabalhar no âmbito da preparação da segunda sessão da comissão orientadora de cooperação económica e comercial entre Angola e a China, que é o mecanismo utilizado entre os dois países para coordenar e supervisionar a cooperação económica bilateral”, disse, salientando que a mesma terá lugar em Luanda, muito em breve. De acordo com o governante angolano, no quadro dessas discussões tomar-se-ão decisões relacionadas com a assinatura de instrumentos jurídicos considerados indispensáveis para conformarem ainda mais o apoio institucional à cooperação bilateral entre os dois países. No final das conversações entre as duas delegações, os dois ministros assinaram um acordo de facilitação de vistos em passaportes ordinários, cujos contornos não foram divulgados.

“Menino de gelo” gera debate sobre pobreza

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STUDANTE de oito anos, que caminha cerca de 4,5 quilómetros para ir à escola, chega na sala de aula com o cabelo e as sobrancelhas cobertos de neve. O semblante do “menino de gelo” tem sido viral na internet e provocado um intenso debate sobre pobreza infantil no país. O pequeno Wang caminha cerca de 4,5 quilómetros para chegar à escola, no condado de Ludian, na província de Yunnan, no sul da China. A viagem leva uma hora - e, no dia em que a foto foi tirada, a temperatura era de -9 ºC - segundo a agência de notícias estatal chinesa. Nas redes sociais, muitos enalteceram o esforço de Wang para estudar e alertaram que não está a ser feito o suficiente para ajudar crianças de famílias pobres e áreas rurais do país. Numa das fotos, o menino aparece usando um casaco fino e com as bochechas rosadas inchadas, a ser ridicularizado pelos colegas de turma. Outra imagem revela as mãos sujas e inchadas do estudante, apoiadas sobre uma prova em que aparece a nota 99. O professor de Wang é o autor dos registos fotográficos, feitos no dia 8 de Janeiro e terá compartilhado as imagens com algumas pessoas, incluindo o director da escola. Mas elas logo se tornaram virais na internet e chamaram a atenção dos media locais e nacionais. Milhares de usuários da Sina Weibo, principal rede social do país, compartilharam as fotos usando a hashtag #IceBoy (Menino de Gelo). Uma postagem do jornal People’s Daily foi vista por mais de 277 mil pessoas. Muitos comentários elogiaram a coragem e perseverança de Wang para chegar até a escola.

LIGA DA JUVENTUDE COMUNISTA DOOU ROUPAS E AQUECIMENTO

“Essa criança sabe que a educação pode mudar seu destino”, escreveu um usuário. Já outros expressaram preocupação, dizendo que sentiam uma dor no coração ao ver, principalmente, suas mãos inchadas e roupas rasgadas. “Seu

rostinho rosado está gelado, e ele está usando tão pouca roupa, realmente dá pena”, postou outra pessoa. Alguns responderam com comentários inflamados dirigidos ao governo. “O que o governo local de Yunnan está fazendo em relação a isso?”, alfinetou. Já outros pediram ajuda para entrar em contato com o menino com o intuito de doar roupas e dinheiro.

XI JINPING PROMETEU ERRADICAR A POBREZA RURAL ATÉ 2020

Jornalistas do site Pear Video visitaram o pequeno Wang para ver como ele vivia. “Sua casa é feita de barro e tijolos e está em péssimo estado”, contou o Pear Video. O site descobriu que o menino é uma “criança deixada para trás” - como milhares de chineses que raramente veem os pais, que se mudam para as cidades em busca de emprego para sustentá-los. O pequeno Wang mora com a irmã e a avó. Ele quase nunca encontra com o pai, um trabalhador migrante que só volta para casa a cada quatro ou cinco meses. A mãe teria abandonado o filho quando ele ainda era pequeno. A história de Wang gerou clamor na imprensa chinesa, que chamou a atenção para a necessidade de se fazer mais para ajudar crianças como ele. Algumas empresas locais já responderam. A televisão estatal CCTVafirmou que a Liga da Juventude Comunista da província doou 100 mil yuan (cerca de R$ 49 mil) para que cada criança da escola possa usar roupas melhores, e para que o colégio melhore seu sistema de aquecimento.Nas redes sociais, muitos usuários disseram esperar que a história de Wang ajude a aumentar a conscientização social sobre a situação de pobreza em que vivem muitas crianças nas áreas rurais do país. “Ninguém sabe quantas crianças pobres existem, ajudar uma só significa ajudar apenas uma”, escreveu SurblueDu, que recebeu 2 mil curtidas pelo comentário.


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terça-feira 16.1.2018

Banco Central eleva crédito de médio prazo

O Banco do Povo da China informou que emprestou 398 mil milhões de yuans a bancos através da sua linha de crédito de médio prazo nesta segunda-feira. O juro dos empréstimos, que vencem num ano, foi de 3,25%, igual ao de operação semelhante anterior, segundo comunicado do banco. O BC chinês também revelou que injectou ontem 150 mil milhões de yuans através de acordos de recompra reversa nas suas operações diárias do mercado monetário. Recentemente, a liquidez bancária geral na China sofreu forte retracção devido a uma série de factores, incluindo pagamentos de impostos e o vencimento de alguns empréstimos de curto prazo, explicou o BC. As injecções têm o objectivo de garantir condições estáveis de liquidez no sistema bancário, concluiu o BC chinês.

As pupilas do professor Chen Movimento #metoo chega às universidades chinesas

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MA universidade chinesa anunciou que demitiu um prestigiado académico por assédio sexual, num caso denunciado por uma mulher que considerou tratar-se do início do capítulo chinês no movimento “#MeToo”. A Beihang suspendeu, entretanto, Chen das funções como professor e vice-director dos estudantes de cursos de pós-graduação. A agência noticiosa oficial Xinhua escreveu que a decisão da Beihang surge depois de acusações de assédio sexual por Luo Xixi, uma académica chinesa actualmente radicada nos Estados Unidos, e outras

Novos depósitos de terras raras foram descoberto na Província de Jiangxi, no leste da China, disseram as autoridades. Segundo o departamento provincial de geologia e desenvolvimento de recursos minerais de Jiangxi, uma pesquisa geológica de quatro anos em 18 cidades e distritos no sul de Jiangxi conduziu ao descobrimento de mais de 10 depósitos médios ou grandes. Conforme o departamento, mais de 100 especialistas estavam envolvidos nesse projecto, o que estabeleceu uma fundação sólida para o desenvolvimento e a utilização de terras raras. O metal de terras raras é vital para a manufactura dos produtos de alta tecnologia, que vão desde smartphones e turbinas eólicas a baterias de carros eléctricos e mísseis.

oficial no rede Weibo, o Twitter chinês, que o comportamento de Chen Xiaowu tratou-se de uma “violação da ética profissional” e “hedionda influência para a sociedade”. “A moralidade e a competência devem estar em nível igual, as acções e o talento são um só. Esta é uma exigência dos valores da Beihang e a instituição tem zero tolerância pela violação da ética profissional”, disse a universidade em comunicado. AAssociated Press escreveu que não conseguiu contactar Chen, até ao momento, mas que no início do mês o académico disse a um jornal chinês não ter feito nada de ilegal ou

GETTY IMAGES

Descobertos novos depósitos de terras raras

cinco mulheres. Os episódios de assédio terão ocorrido há 12 anos. Luo disse que a sua denúncia se inspirou no movimento #MeToo, originado nos EUA, e que expõe predadores sexuais. Luo contou que Chen era seu tutor, em 2004, quando ele a levou até casa da irmã, com a desculpa de que tinha de regar as flores. Chen tentou então forçar Luo a ter relações sexuais. Luo resistiu e Chen recuou, levando-a então a casa e pedindo-lhe para não comentar o sucedido. Luo disse que entrou em depressão depois do incidente e foi estudar para os Estados Unidos. A Universidade de Beihang escreveu na sua conta

Exploração infantil na Samsung

Sherpa, uma rede francesa de juristas dedicados à promoção da responsabilidade social das empresas, encontrou evidências de exploração infantil pela empresa Sul-Coreana na China e está a processar a empresa, numa acção que é feita em França. Segundo a Sherpa, a Samsung está a empregar continuamente menores de idade para trabalharem nas fábricas chinesas, com adolescentes com menos de 16 anos na linha de produção, trabalhando em média 12 horas por dia e seis dias por semana. Além disso, os maiores de idade que trabalham pelos mesmos períodos de tempo, não recebem o devido valor das horas extraordinárias, o que também vai conta as atuais leis chinesas. Por outro lado, a Sherpa não crê que a acusação “siga adiante” e é bastante céptica quanto às mudanças no sistema de produção chinês. As autoridades francesa não devem ir à China para verificar se as denúncias são verdadeiras. Também é difícil de imaginar que as autoridades chinesas aceitariam esse tipo de abordagem. Este não é o primeiro escândalo sobre trabalho de exploração da Samsung, sendo algo que vai aparecendo ao longo dos anos, e as autoridades competentes não parecem estar preocupadas. Isso explica muito do sucesso dos números da Samsung, quando são apresentadas as contas anuais.

A

China está a pedir às empresas de hotelaria que alterem nos portais e aplicações móveis aquilo que Pequim considera serem erros, nomeadamente em relação a Taiwan ou outros territórios, que são reivindicados pelos chineses como parte do país e são nomeados como autónomos. Esta medida aumenta os esforços do governo chinês nos últimos dias para controlar as empresas estrangeiras que se

Marriot castigado

Taiwan, Hong Kong, Tibete e Macau não são países

referem a partes da China ou territórios reivindicados por Pequim, incluindo Taiwan, Macau e Hong Kong - mesmo que apenas em menus secundários dos portais. Na quinta-feira, o governo suspendeu o portal chinês do grupo Marriott International Inc

por uma semana para punir a maior cadeia hoteleira do mundo por num questionário do cliente listar o Tibete, Taiwan, Hong Kong e Macau como países autónomos. Nenhuma actividade que desafie as “linhas vermelhas legais” da China será permitida, informou a agência de notícias

violado as normas de disciplina da universidade. Na rede social Weibo, Luo considerou a decisão da Beihang “uma vitória no seu estágio inicial” e disse que ela e as outras mulheres vão continuar a acompanhar a forma como a universidade gere este caso. Chen consta de uma curta lista de académicos escolhidos pelo Ministério da Educação chinês para o programa Cheung Kong, a mais alta distinção académica do país, e financiada pelo bilionário de Hong Kong Li Ka-shing. Este professor tem ainda um doutoramento e recebeu várias distinções em engenharia informática.

estatal Xinhua citando um funcionário da Administração Nacional de Turismo da China. No sector dos aviões, a autoridade da aviação civil na sexta-feira exigiu uma desculpa da Delta Air Lines pela inclusão de Taiwan e do Tibete como países no portal da companhia, enquanto outra agência governamental apontou para a marca de moda Zara e a fabricante de dispositivos médicos da Inditex, Medtronic Plc, por questões similares. Marriott, Delta, Zara e Medtronic já pediram desculpas. A Autoridade de Aviação Civil da China (CAAC) ordenou sexta-feira todas as linhas aéreas estrangeiras que operam rotas para verificarem portais e aplicações. No sábado, o jornal The Paper, com sede em Xangai, informou que havia encontrado 24 companhias aéreas estrangeiras com portais que classificavam Taiwan, Hong Kong ou Macau como países. O porta-voz do Partido Comunista disse num editorial do “Diário do Povo” que “a essência do problema é a” arrogância política “de empresas estrangeiras sem medo de prejudicar os sentimentos das pessoas e dos países.

SUBMARINO NUCLEAR CAUSA ALARME NO JAPÃO

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OUBE-SE agora que o Japão protestou formalmente depois de, na semana passada, ter sido avistado um submarino nuclear chinês no limiar das águas territoriais nipónicas, no Mar do Sul da China. Segundo a agência noticiosa japonesa Kyodo, tratava-se de um submarino da classe “Shang”, equipado com torpedos e com mísseis anti-navios, com um alcance de 40

quilómetros. A mesma agência referiu que o Ministério da Defesa do Japão considera ter-se tratado de uma tomada de pulso à marinha japonesa, para testar-lhe a capacidade de patrulhar as suas águas territoriais. O ministro da Defesa, Itsunori Onodera, declarou a este respeito: “Estamos seriamente preocupados com acções unilaterais que agravam as tensões”. O incidente ocorreu

no Mar do Sul da China, próximo das ilhas cuja soberania é disputada entre a China e o Japão. As ilhas, que não são habitadas, mas têm uma posição estrategicamente significativa para o caso de se confirmar a existência presumida de jazigos de gás e petróleo na região. Elas encontram-se de facto sob administração japonesa, mas são igualmente reivindicadas pela China.


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certos os antolhos pendurados dos sobrolhos

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A poesia da Inês, há uma situação paradoxal que é explorada no laboratório vital. De uma forma activa, a compreensão faz ver, dá a ver. Por um lado, a interpretação estrutural dos espaços privados, públicos, subjectivos e cósmicos, é feita toda ela a partir do interior íntimo da sua habitação. Este interior é tudo menos geométrico. Não se opõe a nenhum exterior. É antes o ponto de irradiação da nossa vida. É heterogéneo. Permite uma geografia da instalação da existência e, por isso, faz vibrar também o desenraizamento. O existencial é constituído a partir da privacidade. Sente-se tensa a relação entre o limite extremo abobadado e o aquém, onde cada um tem, não o seu ponto de vista, mas o seu corpo próprio. Opera-se a personificação dos objectos. Melhor, porque não há objectos, das coisas. Há peças. Peças de mobiliário. O mobiliário é a totalidade das coisas, cidades e campo, edifícios públicos e privados, casas, quartos, hotéis: o recheio do mundo, as peças de mobiliário da nossa existência. Em ambos os casos, percebemos que é o quarto, recesso recôndito do amor e de tudo o que lá se faz sem amor, a partir de onde se expandem as vidas dos amantes num único mundo, numa única vida, numa eternidade à escala universal. E nem mesmo quando é uma suite de Hotel deixa de ser o sítio inóspito para onde somos atirados, despidos de nós. A morada provisória transforma-se numa morada permanente. Inverte-se o sentido habitual. Afinal a vida não é mudança mas a imobilização que nos pode prender a um sítio, num tempo que nunca mais se transformará. E, contudo, está em permanente mudança como Jonas na barriga da baleia no seu percurso interior e submarino. Ou, como nas antigas cosmogonias, a vida é a barca em que embarcamos e de onde desembarcamos. A cidade inteira, a Terra, o céu é o interior. Embora a astronomia tivesse afastado irremediavelmente a subjectividade das estrelas, para as transformar em objectos regimentados por regras e leis, ainda subsiste a compreensão para a claustrofobia das vidas das pessoas no seu encaminhamento, as pessoas que encontramos e aquelas de quem nos desencontramos, os que ficaram para sempre e os que se foram não menos para sempre. Em XII, lê-se este lugar, “suite sem vista”, “passa a subúrbio”. Mas é no próprio ponto de vista, na perspectiva, ou talvez melhor do acesso,

que percebemos sempre de um modo negativo a presença dos objectos das nossas vidas, presentes, passados e a haver. Em I., lemos a “cegueira voluntária”, o “encobrimento” como espaço estrutural criador de opacidade para o presente, mas também o “esquecimento”. O esquecimento não é um acto psicológico negativo que nos faz esquecer apenas, ou não nos deixa lembrar, do passado, mas é o que pode apagar um mundo e por sua ineficácia também o manter vivo. Por mais que se possa “tapar os olhos”, não é possível “esquecer o cheiro do outro”. O outro está presente, mas é apenas a sua impressão, deixada em nós do passado. Com ele somos o estado em que fomos deixados.

VITORINO CORAGEM

Fonseca Santos. 2018. Inês. Suite

A vida é a lentidão do tempo reflectida na lentidão do movimento, da deslocação e na dificuldade ou aparente impossibilidade de acontecer qualquer transformação e mudança. “Os passos lentos/ devolvem o peso ao corredor”. O outro não é residual: “a sujidade das unhas como a humidade ou bolor interno”. A rapariga “cega atravessa paredes”, tem a densidade de um fantasma, porque como diz a filosofia existe em e por si, exclusivamente para si. Não é vista. É um fantasma a conviver com o fantasma daquele outro. Só olha para “A cama: só cama, demasiada, insultuosa/ tudo a dobrar ou excessivo para quem fica numa casa sem outro que a houvera habitado”. O quarto todo, a casa toda, é como se fosse o hotel, mesmo que habitado na suite, no melhor quarto. Mesmo que o hotel não fosse de beira de estrada, porque tinha sido um sítio para dois. E tudo sobra: “dois lavatórios pelo preço de um, dezenas de miniaturas// para o asseio, cofre, minibar, canetas, um postal,// a garrafa de Evian por cortesia.” Em II, descreve-se esta sobra. Há “metade da vida”, quando se “respirava a vida inteira cronométrica”. Desce-se ou sobe-se até “Ao lado, [até a]o casal demasiado brando,// roupões brancos, lençóis brancos, dedos brancos”. Qual o sentido da brandura? A da ternura ou a do tédio que permite ver o desfecho cruel mas inevitável de quem quer literatura e não a vida? A verdadeira solidão, porém, não é compreendida na sua dinâmica sem se perceber na ”desolação da abominação” como diz a teologia. Em III., a geografia da solidão é a da desolação da abominação, é a do abandono. E o gato vadio que é levado para casa e “mija” em cada canto não reclama um espaço para si. O que faz é para se re-

conhecer ainda, a partir de um detrito de si próprio: A cartografia da vida é ““um mapa mental que jaz sepultado onde outra mulher exibe a cabeça dele, um troféu// terra devastada de ninguém.” O outro é outro, é adulterado e alienado. E é afirmado na sua impermeabilidade a nós. Segue a sua vida, faz a sua vida, com outra pessoa. É esquizofrenia pensar numa criatura da nossa cabeça ser a criatura na cabeça de outrem, a fazer vida com outra pessoa. Se os espaços amplos permitem espraiar-nos, lidamos com espaços es-

treitos, espeleologicamente: a “escavar” (IV). Por onde vamos é “túnel”, só há “dentro” e é “sem vista”. E na demanda minimal por um sítio onde se possa estar, havemos de topar com a “caixa do primeiro luto”, “minúsculo caixão do passarinho negro”, “esqueleto do pássaro e o que outrora terá sido a rapariga.” O “passarinho” (Catulo) símbolo zoológico das delícias do amor, da promessa, da esperança. E também da despedida, da morte, do desespero. As formas de acesso identificáveis permitem-nos descer à altura do passado, ao subterrâneo, ao tesouro da vida


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António de Castro Caeiro

sem Vista. Lisboa. Abysmo. do corpo. E da boca da rapariga sai a palavra sangue.” É com o cerco feito à cidadela que pode nascer uma outra possibilidade (VII): viver e fazer literatura fazer amor e escrever sobre o amor escrever e ser inscrito. Mas a possibilidade de oferecer resistência ao vazio de sentido, à partida do outro, à abominação da recusa, à amargura da interdição pode não existir. Talvez o da nossa usura da vida por mor da arte e não por mor da vida. Porque só há outros para poder não haver outros. Só há encontros para poder haver desencontros. Só há promessa para poder haver despedida. E demora muito tempo a perceber que foi sempre esta a chave para a nossa compreensão do mundo. E sim (VIII) haverá “Silêncio, nenhuma voz, descanso ruminante de electrodomésticos, limpeza de quartos, porta, paredes, suite sem vista”, porque “A rapariga é a própria suite dentro da qual ela se encontra” (IX). A rapariga vê-se no seu interior como dentro de uma suite sem vista para a rua. Mas a rapariga poderá nunca ter saído de si. Quem quer ter a sua vida configurada pelo sentido da arte já deu a sua alma ao diabo ou tê-la-á vendido. Terá de compreender, e o mesmo quer dizer aceitar, que não há volta a dar. Foi para além do ponto, a partir de onde não há regresso: “Não te será permitido amar”. “O artista é irmão do louco e do criminoso.” (Thomas Mann).

(Santo Agostinho). Nenhuma memória sobrevive impune. É necessária a sua reconstituição afectiva. Todas as mortes, todas as nossas sobrevivências, estão arredadas do quotidiano. É necessário esconjurá-las, mesmo que depois nunca mais nos larguem. A vida é habitada por estes vários revestimentos. Somos variadíssimas pessoas que ainda temos contacto residual com vidas passadas, habitualmente em sossego As memórias afetivas permitem esta compreensão de diversas vidas que temos e a dificuldade em acedermos ao modo como éramos sós ou com alguém,

antes ou depois, nas diversas idades das vidas. A solidão configura a existência, crucifica-a. O outro despega-nos e desprega-nos como “iunx”, a ave condenada a vaguear uma existência sem fim, pregada às rodas de um carro, a rodar por todo o terreno, a toda a velocidade. A roda não é a da fortuna mas a da prisão onde Afrodite e Ares foram presos com cavilhas por um Hefesto ciumento. Outrora (V), era o tempo das cerejeiras. Era o tempo que marca o fim do inverno e o princípio da primavera. Era o tempo da contemplação da transitoriedade que é metáfora viva da vida na

sua crónica curta duração, símbolo do Samurai no Japão não apenas da guerra mas também da sensualidade do fruto da cerejeira. Aqui há “cerejeiras a avançar agressivas pela rapariga dentro”. A sujidade luto das unhas, vestígio residual do outro, requer (VI): “corta-unhas”, “lâminas”, “eixos metálicos”, “dedos”. Mas também sobraram “peles”, “pensamentos”, “spleen”. O baço está cheio de bílis negra. E a melancolia actua como todos os grandes impérios: “ferindo e alastrando, sangrando”. (XIII): “Espelho e parede dão o mesmo a ver”. “Bebe de novo o tédio do lado rachado

A presença invisível àquele outro único que poderia ter olhos para ela e de cuja presença depende a sua existência não é já actual. Ter pertencido a alguém é reflexo da memória no espelho. Um reflexo do reflexo, inconsistente outrora. Mas agora já não existente. Já só tínhamos o reflexo do próprio que era o outro. Agora, existindo só como fantasma, temos o reflexo do reflexo. O outro insinuou-se e ficou inoculado no próprio. O próprio é um reflexo que age ou reage ao outro na sua ausência. É residual em si de qualquer coisa que ainda tempera e dá um gosto, melhor, um travo do que foi. Mas, agora, é só “o amargo de boca”. Como sobrevive a rapariga “amputada de si, do outro que lhe dá prazer naquele sítio que como na alma acolhe o geodésico instante da loucura” (XI)?: “o olho do medo brilha e amplia o espaço onde não se pode estar// dentro das palavras é dentro das paredes da suite sem vista// cheiro insuportável da rapariga era o de quem escreve.” (XIV).


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Máquina Lírica Paulo José Miranda

A última garrafa DOUTOR: Pode até ser. (silêncio)   RAUL: Pode até ser, o quê? O comprimido ou o livro? DOUTOR: Ambos. Ambos, meu amigo. Diga-me uma coisa, você já contou essa sua doença a alguém, para além de mim?   RAUL: Claro que não, doutor. Não sou doido. DOUTOR: Claro que não. Precisava apenas de me certificar.   RAUL: Porque pergunta isso? DOUTOR: Por nada. Curiosidade apenas.   RAUL: (sorrindo) Parece que o doutor começa a estar bastante interessado no meu caso. DOUTOR: Efectivamente, estou.   RAUL: Olhe, porque é que não fazemos um negócio? DOUTOR: Como assim?!   RAUL: O doutor dá-me o comprimido e eu conto-lhe tudo acerca da minha doença, para que possa escrevê-la, logo assim que eu morra. E escreve como se não se tratasse de um caso real, mas fictício ou filosófico, como queira. Está a ver? DOUTOR: Está doido, homem? Não quero escrever nenhum livro, nem sequer seria possível escapar de tal situação. Ou você julga que pode ir para casa e tomar o comprimido na sua cama? Não! É preciso que esteja num hospital ou numa clínica e seja acompanhado por um médico que se responsabilize por todo o processo, que neste caso seria eu. Depois, obviamente, o seu caso teria também de ser reconhecido pelos outros médicos.   RAUL: Não me pode dar o comprimido, simplesmente? Ninguém precisava de saber. DOUTOR: Como não? Assim que o encontrassem morto, vinham imediatamente aqui.   RAUL: Mas ninguém sabe que aqui vim! DOUTOR: Como não?! Você está registado...   RAUL: Não é difícil fazer desaparecer uma ficha médica, doutor. DOUTOR: Então e o que fazemos à enfermeira? Matamo-la?   RAUL: Ela não se vai lembrar, doutor. Entra tanta gente aqui no consultório. DOUTOR: Claro que se vai lembrar. Você não é pessoa que passe despercebida. Mais a mais para uma mulher. Nem

pense nisso. Vou esquecer que me fez essa proposta. (silêncio)   DOUTOR: Deve ter sido a primeira vez que tentou algo de ilegal, não? Ainda vai acabar por começar a viver, homem. Se continua assim... RAUL: O meu problema não é moral, doutor. Se não parar de pensar desse modo, estamos aqui a perder o nosso tempo. Crê que não é possível fazer com que a enfermeira não se lembre de mim?   DOUTOR: Suborno, quer você dizer? RAUL: Por exemplo.   DOUTOR: A continuar assim ainda acaba mas é no governo, homem. Está mesmo a falar a sério? RAUL: Doutor, pareço-lhe homem para brincadeiras?   DOUTOR: De qualquer modo, ainda que fosse possível, seria muito fácil saber-se que o comprimido saiu daqui. RAUL: Porquê?   DOUTOR: Porque há registos de todos estes comprimidos. A polícia começaria a investigação imediatamente por aí. E como é que você quer que eu lhes explique a falta de um dos comprimidos. RAUL: Roubo. DOUTOR: Roubo? E assaltavam-me o consultório para levar um comprimido? RAUL: Porque não? Você até poderia corroborar a hipótese de eu ser um caso obsessivo, que tinha tentado tudo para que me desse o comprimido, que você rejei-

PARTE 5

(Num consultório privado)

tou peremptoriamente. E até me tinha sugerido um amigo psiquiatra. DOUTOR: Então já não precisamos de omitir a consulta? RAUL: Não! Está a ver, só traz vantagens. Já não é necessário a cumplicidade da enfermeira.   DOUTOR: E como é que você entrava aqui? RAUL: Não é difícil, doutor. Provavelmente o prédio não tem segurança. E assaltos é o  que se vê mais por aí, doutor! Mais assalto, menos assalto, não faz muita diferença. Não é necessário muita explicação.   DOUTOR: De qualquer modo, tinha de existir um arrombamento, por certo. RAUL: Também não é difícil.   DOUTOR: Deixe-me perguntar-lhe uma coisa, que julgo que está a esquecer. Como é que você iria saber quais eram os comprimidos e onde estavam?   (silêncio)   RAUL: Pois essa parte já é mais difícil. DOUTOR: Esqueça isso, homem. E, para além do mais, não estou interessado na contrapartida do negócio.   RAUL: Não quer escrever sobre o caso? DOUTOR: Talvez queira, mas como facto da medicina e não como ficção ou o que quer que seja. Começo, de facto, a acreditar que a sua doença é real, percebe?   RAUL: Quer, portanto, manter-me vivo, é o que é. Estudar-me. DOUTOR: Se quiser pôr as coisas desse modo.

RAUL: Eu não quero pô-las desse modo, doutor. Já lhe disse que não tenho tempo. Não me faltava mais nada! Além do que sofro, transformar-me em cobaia. DOUTOR: Mas parece que não tem muitas outras alternativas. (silêncio e o doutor serve mais whisky)   RAUL: Escute, doutor. Desculpe voltar ao assunto. E se você dissesse à polícia que eu cheguei aqui armado e que, depois da enfermeira ter saído, o ameacei com uma arma para obter o comprimido. Você nada pôde fazer, senão entregá-lo. Assim que sair daqui, telefona imediatamente à polícia a participar o roubo e dá-lhe todos os meus dados, que estão na ficha, de modo a que eles possam intervir e impedir que use o comprimido. Está a ver? Uma coisa limpinha. Nem você se compromete, nem eu saio daqui sem o comprimido. DOUTOR: Mas seria necessário que a polícia encontrasse essa tal arma em sua casa. E não me vou arriscar a que você diga que sim e, depois, não há arma nenhuma. Quem se lixa sou eu. Compreende? RAUL: Podia ser uma faca! Trazia uma faca grande de cozinha comigo. Não vai duvidar de que tenho uma, pois não? DOUTOR: E se me pedem para descrever a faca, o que é que faço? RAUL: É fácil, doutor. Se quiser descrevo-lha ou, então, diz muito simplesmente que perante a surpresa e o medo nem sequer reparou nas características da faca. Que me diz? DOUTOR: Digo-lhe que começo a ter medo de si, é o que lhe digo. Porque você não desiste, realmente. RAUL: Se o doutor soubesse o que sofro não estranharia a minha insistência. Peço-lhe apenas um pouco de piedade, doutor, por favor. DOUTOR: É impressionante a mente pragmática que você tem! RAUL: É a dor que me traz todo este pragmatismo, doutor. DOUTOR: Responda-me com toda a sinceridade. Estaria disposto a matar, por esse comprimido? RAUL: Não lhe posso responder a essa pergunta, doutor. Nunca sabemos aquilo de que somos ou não capazes de fazer. Mas posso dizer-lhe que estou disposto a quase tudo para morrer.   (o telemóvel toca novamente) (continua)


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Amélia Vieira

E

STAMOS na era dos filhos gémeos, eles nascem de forma talvez pouco espontânea mas a realidade deste fenómeno não pára de crescer. Estar acompanhado, vir junto, começar unido, é uma plataforma de entendimento recente, e, esta dualidade quase nos remete para um corpo dominante com um alter-ego associado que firma o irmão, isto no tempo em que os casais se derretem à medida que o Sol sempre uno os faz perecer no asfalto, de modo que, e cada vez mais, de um, nascem dois, ao contrário de dois, nasce um. Tudo nos remete para o duplo a haver na medida em que também as doenças que tinham designações simples tais como, depressivo-compulsivo, são agora muito justamente designadas por bipolares. Creio que estas polarizações estão patentes na Terra como modelo bem demarcado, agora mesmo se gela no hemisfério Norte e se escalda no hemisfério Sul, as zonas intermédias sobem e descem num dia, muito mais do que esperamos (fortes amplitudes térmicas) e até no Sarah a neve cai. Castor e Pólux não eram filhos do mesmo pai, o que pode acontecer mesmo aos mortais gerando produções onde a família nuclear se esvai e se confunde com um qualquer modelo de produção fragmentada e como abarcar a mudança da multiplicação nestas individuais presenças que somos todos nós no rigor per capita onde construímos um mundo de severos independentistas? Parece um desafio a contemplar pois que nascemos algures um de cada vez e sozinhos e encaramos o mundo por essa perspectiva. Portugal é, no entanto, um país apto para os desdobramentos do ser. Veja-se a ficção nacional que está pilhada de duplos que falam entre si, que têm um si, que se contemplam em “si” que se projecta em outrem, que sendo o mesmo é outro alguém. Vejamos a noção de uma verdade ou situação simples que logo se transforma em outra coisa oriunda da primeira impressão recebida. Vejamos os motes que mudam para delírios não deixando para trás qualquer espécie de semelhança perante a avançada substância “manufacturada” de verdades transfiguradas. Não se dando conta de como isso é tão natural como o respirar, procura-se a “alma gémea” que incorretamente designada quer nem mais nem menos aludir ao grande amor, aquele que faz de espelho, que é igual a si, encaixa em si, é o outro por extensão sendo ainda o reflexo distendido por multiplicação de uma desassombrada imagem de si. Somos capturados para experiências de assimilação compulsiva e esta dinâmica constante abrange as leis que ora são assim, mas, e é neste mas, que entretanto muda, que

RENÉ MAGRITTE, A REPRODUÇÃO INTERDITA (PORMENOR)

Castor e Pólux

se vai legislando outras realidades mutáveis feitas para que as equações legislares abranjam as caprichosas manobras das fissuras da objectividade dos factos. O isco da complexidade precipita no abismo as mais ricas naturezas e empata-nos a vida de forma incongruente. Os Dióscoros... os Diáconos... os Dinossauros são grandes Ovos chocados para resultar numa associação indivisível e só os deuses retiram o seu para resgate filial, os Homens, esses, adoptam tudo, os deles e os seus, são useiros e vezeiros na arte da consubstanciação. É claro que gostam mais dos seus que são menos perfeitos e menos capazes, mas essa é a melancolia humana que assim mesmo dos próprios deuses se defende. Os Diáconos que passaram a bispos começaram por roubar os filhos, não às lindas Ledas, mas às filhas do Homem que assim as subtraíram a um Ovo para uns ninhos de víboras, e que num local múltiplo passaram a ter vários nomes e muitas existências sem que ninguém coordenamente conseguisse alinhar por uma verdade simples e uma justiça salomónica. De Castor e Pólux (Dióscoros) sabiam apenas os antigos navegantes portugueses que se chamavam fogo-de-santelmo e que era tido por presságio favorável à

Portugal é, no entanto, um país apto para os desdobramentos do ser

navegação. / eu não sou eu nem sou o outro sou qualquer coisa de intermédio pilar da ponte do tédio que vai de mim para o outro/ : assim permanecemos arquetipicamente como novelos de lã de cabras sem pastor. - Vimos mas não vimos- sabemos mas desconfiamos - acreditamos em tudo que dê jeito - depois já não acreditamos – queremos - mas já nos finda o querer - somos- mas não somos – fomos - já éramos. Fingimos. Mas o poeta é um fingidor! Somos todos poetas, excepto os que o são e é neste binómio que andamos equivocados face a nós mesmos, esse ser remoto que entretanto se foi. Casas geminadas, condóminos fechados, lar simétrico ao lado, fabricação de duplos humanos em baixo, dúplex individual ( paradoxismo de uma existência limitada) toda a nossa estrutura ambiental e espacial nos empurra para o desaire, isto, quando um dos progenitores não foge com a tenra presa que é o filho subtraído a uma indizível questão. Os poetas que todos se acham deviam agora pegar em pequenas frases como estas nascidas de poetas que o foram: / preciso de espaço para ser feliz/e de outro tanto para ser raiz: Vasco de Lima Couto. Destes, porém, já ninguém quer saber. Há sempre espaço, afinal, para todos, nos poleiros de alguns. E se o voto é rentável para os Partidos, esses gémeos singulares, pode ser que o voto duplo cubra de festim esses laboriosos grupos cujos elementos são deles e de mais alguém. « Romeiro, meu romeiro, quem és Tu?» - Ninguém.


18 (f)utilidades TEMPO

BRUMA

16.1.2018 terça-feira

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SECA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã

FILME “SOMEWHERE BEYOND THE MIST” Cinemateca Paixão | 20h00

Quinta-feira

MIN

13

MAX

20

HUM

60-90%

EURO

9.88

BAHT

CONCERTO “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA” Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 22h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 198

UM LIVRO HOJE C I N E M A

UNLOCKED SALA 1

THE COMMUTER [C]

Com: Lyn Shaye, Angus Sampson, Leigh Whannell 19.30

Filme de: Jaume Collet-Serra Com: Liam Neeson, Vera Farmiga 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 3

SALA 2

KIDNAP [C] Filme de: Luis Prieto Com: Halle Berry, Sage Correa 14.30, 16.30, 21.30

INSIDIOUS: CHAPTER 4 [C] Filme de: Adam Robitel

Um filme de: Michael Apted Com: Noomi Rapace, Orlando Bloom, Michael Douglas 14.30, 19.30, 21.30

FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 19.15

Macau precisa de um talento que ponha a nu algum do embaraço que se sente no quotidiano local. Alguém que pegue nos visíveiss conflitos de interesse, na quase orgulhosa corrupção e que a reflicta num espelho de sátira. Aliás, o mundo inteiro precisa, é algo de tão vital para a saúde das sociedades como o oxigénio. É necessário um regulador que usa o espírito, a gargalhada e que faça repercutir a realidade do que se passa de uma forma que fique registada na psique colectiva. Alguém como o John Oliver, o Stephen Colbert, ou os Gato Fedorento em tempos idos antes da rendição à publicidade. A maioria das vezes, a ignominia esconde-se em becos escuros, em gavetas cheias de papeladas e linguagem encriptada, passando incólume, tornando-se parte natural da paisagem. A aceitação tácita da infâmia é o pior que pode acontecer, porque ela nunca pára, nunca está satisfeita, quer sempre mais. E continua a corroer tudo, como se a Lei Básica, ou os princípios universais da decência, fossem estruturas de ferro deixadas ao ar livre, enferrujando rapidamente com a violência dos elementos. Alguém precisa satirizar o que se está a passar na Assembleia Legislativa, a forma assumida como se atropela a separação de poderes, uma das pedras basilares dos regimes civilizados que a Revolução Francesa nos deixou. Que a assertividade da sátira coloque a nu e se divirta com o deboche de valores que tem passado quase como normal. João Luz

THE SOFT MACHINE | WILLIAM S. BURROUGHS

Burroughs é um dos escritores basilares do movimento Beatnik que teve o seu auge com os romances “Naked Lunch” e “Junkie”. Este livro, o primeiro da trilogia “Nova” foi escrito usando a técnica cut-up, em que o autor divide a obra e baralha a sua ordem aleatoriamente. “The Soft Machine” desenrola-se num mundo de pesadelo, em que um agente secreto tem a habilidade para se metamorfosear noutras pessoas. O protagonista constrói uma máquina do tempo para ir ao passado derrotar um gang de padres maias que usam o calendário da civilização antiga para controlar mentes. Um dos livros mais estranhos e experimentais da obra de um vulto incontornável da literatura do século XX. João Luz

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DE

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 197

Cineteatro

1.25

SOBRE A IGNOMÍNIA

Sexta-feira

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/03

YUAN

PÊLO DO CÃO

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA “MOMENTOS” Fundação Rui Cunha | 18h30

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02

0.25

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

terça-feira 16.1.2018

sexanálise

Sexo e aleatório

EGON SCHIELE, O ABRAÇO, 1917

TÂNIA DOS SANTOS

O

sexo quer-nos nus, vestidos não tem tanta graça. Há quem não concorde totalmente, uma rapidinha de órgão sexual descoberto e mais nada, para encaixar os sexos, e/ou as bocas e outros orifícios de prazer, também é kinky. Mas para além do prazer sexual, podemos nós esquecer o que de mau o sexo pode trazer? A violência? Só com a nossa intimidade descoberta é que nos magoamos, só para fazer justiça à máxima taoista de que o bem só existe porque o mal anda algures. Gostava de escrever melhor para expressar melhor – comunicar melhor – se é que conseguem perceber a diferença. O sexo não é só um bode expiatório para o nosso reencontro pessoal, é também a possível concretização de sermos felizes com os outros. O sexo tem tanto que ver connosco

próprios como é parte integrante da nossa socialização, de quando aprendemos que os outros são importantes na nossa vida. Da mesma forma que damos sentido à música, ao sonho, ou à fantasia e aos conteúdos culturais que nos embalam constante e incessantemente ao construirmos as nossas narrativas. O sexo está lá, nem que seja porque cada um de nós nasce do sexo, nasce do amor ou da ausência dele. Nasce do toque, seja esse de corpos nus ou de corpos cobertos, tocaram-se. Quando era uma criança pré-consciente do sexo e da forma como os bebés nascem, teorizei com o auxílio das novelas brasileiras, que esse toque era o simples beijo, e que com trocas sucessivas de saliva os nossos corpos de poderes alquímicos tornariam vivo o que era inexistente. Este excerto chama-se aleatório porque nunca sabemos o que o sexo suscita e estou a exercitar formas de o descobrir. Caímos em escorregas de significados que provavelmente não têm fim – nem início. A queda contradiz-se com a ascensão porque – lá está – precisamos de opostos e de equilíbrios, morais, éticos ou racionais. Mas tal como

as ondas sonoras, as frequências caem e crescem com a mesma sintonia, nunca se definindo como o progresso ou a retrocesso. O sexo nem sempre é bom, nem sempre é mau, simplesmente existe no meio da nossa existência, que tanto insiste no caos. Tantas revistas, tantos canais, tantos vídeos, tantos livros, tantos manuais, tantos textos (!!) para dissecar os significados do sexo e do amor da mesma forma, para chegar a conclusões mais ou menos esclarecedoras acerca do que nós podemos fazer pela nossa sexualidade e pela dos outros. Virgens de todos os géneros, tamanhos e estilos, valores puritanos que pairam até nos espíritos mais liberais. É tudo uma confusão! Mulheres que acham que o assédio é um assunto sério, outras que

O sexo não é só um bode expiatório para o nosso reencontro pessoal, é também a possível concretização de sermos felizes com os outros

acham que restringe o acesso à liberdade de importunação. Feminismos de todas as cores e feitios, que ao contrário do que se julga, de muito pouco tem de consenso. Homens que pedem por mais direitos, e outros que dizem que já têm os suficientes. Serão questões de raça, de género, de sexo, de classe social? Afinal o que é se passa neste mundo de injustiças, sexuais e de outros tipos, que não consegue arranjar soluções consensuais para a justiça social? Para a justiça sexual! Ai de quem me traga mundos a preto e branco, de moralismos claros, de soluções pré-definidas. Escrevendo aleatoriamente, na nossa tentativa de perceber o que quer que seja, também as vidas parecem aleatórias. Discussões que nunca mais acabam porque tudo é problemático e nada nunca é fácil. Há um conforto em pensar que nada fica sempre na mesma, e que não há respostas simples para absolutamente nada. O sexo é complexo, as respostas sexuais são complexas, as posições sexuais podem ser complexas. As vidas sexuais que procuram sentido(s), e que raramente o encontram, nunca desistem de tentar.


Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de.

Clarice Lispector

SISMO DE

PALAVRA DO DIA

4,9 NA ESCALA DE RICHTER GERA PÂNICO EM ÉVORA

Surpresa e choque

U Cristiano Ronaldo quer deixar o Real Madrid

O jornal AS avança que o português quer regressar ao Manchester United e aponta como motivo o facto de Florentino Pérez não ter renovado, como prometera, o contrato com o melhor jogador do Mundo. O jornal espanhol AS puxa o assunto para manchete, na edição desta segunda-feira, anunciando que o português já tomou uma decisão e que se “sente enganado pelas promessas de renovação não cumpridas por Florentino Pérez”. O diário desportivo avança que terá ficado estabelecido um acordo, entre jogador e presidente, após a final da Liga dos Campeões da última época. Os “merengues” passam por uma grande crise desportiva no campeonato espanhol e a distância de 19 pontos para o líder Barcelona, acentuada pela derrota em casa, este sábado, com o Villareal, tem vindo a suscitar cada vez mais incertezas no conjunto liderado por Zinedine Zidane. A este facto, junta-se ainda a fase de menor fulgor do português, que tem andado afastado dos golos esta temporada.

O PUB

Papa Francisco teme uma guerra nuclear. A revelação foi feita esta segunda-feira pelo Papa, a bordo do avião que o levará ao Chile. Questionado pelos jornalistas se temia a possibilidade de uma guerra nuclear, Francisco respondeu: “Penso que estamos num limite. Tenho muito medo disso. Um incidente apenas pode ser suficiente para precipitar as coisas”. “É preciso eliminar as armas nucleares, trabalhar pelo desarmamento”, acrescentou.

M sismo com epicentro em Arraiolos, no distrito de Évora, registou-se esta segunda-feira, às 11h51. De acordo com as informações divulgadas pelo Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), o abalo alcançou os 4,9 na escala de Richter. Num segundo comunicado do IPMA, enviado às 12h10, o organismo informou que “o sismo, de acordo com a informação disponível até ao momento, não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade máxima IV (escala de Mercalli modificada) na região de Elvas”, afirmou o IPMA, realçando que poderão ser emitidos novos comunicados se a situação o justificar. Um primeiro comunicado informava que “pelas 11h51 (hora local) foi registado nas estações da Rede Sísmica do Continente, um sismo de magnitude 4.9 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 8 km a Norte-Nordeste de Arraiolos”. Para já, não há indicação que quaisquer danos materiais ou humanos, disse o comandante Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Em Évora, a 20 quilómetros do epicentro, a população saiu para a rua, assustada com o abalo, que produziu um som violento. “Foi muito forte”, disse à Renascença uma trabalhadora do Museu de Évora, que estava no segundo andar. “Comecei logo a chorar e meti-me debaixo da secretária. A minha colega puxou-me, viemos todos pelas escadas e descemos à

Mais de uma hora depois, a ANPC ainda estava a receber telefonemas. “Mas o mais importante é que até ao momento não há registo de danos pessoais ou materiais”, disse Pedro Araújo.

INTENSIDADE MODERADA

rua. Até chegar cá abaixo foi uma eternidade”, conta, ainda com “muito medo das réplicas.” “Tive muito medo, nunca senti uma coisa como esta”, conta outra habitante. “Já telefonei à minha família, está tudo bem.” Junto ao Templo Romano, Rafael Alfenim, arqueólogo da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, disse à Renascença que, a “olho nu, não há nenhum dano visível” no monumento, recentemente alvo de obras de conservação. Admite, contudo, a necessidade de uma “inspecção mais rigorosa”.  Escolas de Elvas, no distrito de Portalegre, foram evacuadas na sequência do sismo, avançou o “Diário de Notícias”. Abalo chegou a Coimbra. À Renascença chegam relatos de que o sismo foi sentido também em várias zonas da Grande Lisboa e até no Grande Porto, como em Matosinhos e Vila Nova de Gaia. O sismo foi sentido em Évora, Portalegre, Lisboa e distrito de Coimbra, disse à Lusa o comandante Pedro Araújo, da ANPC. A entidade está a receber muitos telefonemas de pessoas que dizem ter sentido o sismo.

“Tenho muito medo” Papa confessa recear o advento de uma guerra nuclear

Os jornalistas que o acompanham no avião receberam do porta-voz do Vaticano uma pagela com o título “O fruto da guerra”, legendando a foto de uma criança japonesa que carrega o seu irmão morto no bombardeamento atómico de Nagasáqui. A oferta do Papa foi explicada pelo próprio: “É uma imagem que comove mais do que

mil palavras”. As declarações de Francisco surgem quando aumentam os receios sobre a possibilidade de um conflito nuclear. Há nove países com armamento nuclear, segundo dados do Instituto de Investigação para a Paz de Estocolmo: Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, China, Israel e Coreia do Norte. Em

Os sismos são classificados segundo a sua magnitude como micro (menos de 2,0), muito pequeno (2,0-2,9), pequeno (3,0-3,9), ligeiro (4,0-4,9), moderado (5,0-5,9), forte (6,0-6,9), grande (7,0-7,9), importante (8,0-8,9), excepcional (9,0-9,9) e extremo (superior a 10). De acordo com o IPMA, a intensidade IV, com que classificou este sismo, é considerada moderada. “Os objectos suspensos baloiçam. A vibração é semelhante à provocada pela passagem de veículos pesados ou à sensação de pancada duma bola pesada nas paredes. Carros estacionados balançam. Janelas, portas e loiças tremem. Os vidros e loiças chocam ou tilintam. Na parte superior deste grau as paredes e as estruturas de madeira rangem”. O IPMA recorda que a localização do epicentro de um sismo “é um processo físico e matemático complexo que depende do conjunto de dados, dos algoritmos e dos modelos de propagação das ondas sísmicas”, lembrando que “agências diferentes podem produzir resultados ligeiramente diferentes”. “Do mesmo modo, as determinações preliminares são habitualmente corrigidas posteriormente, pela integração de mais informação”, acrescentou.

2017, estes Estados armazenavam 15.000 armas nucleares. Nos últimos meses, devido a uma “guerra” retórica entre os presidentes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte, os olhos do mundo puseram-se sobretudo no que Pyongyang pode fazer. Um relatório recente do Instituto de Ciências e Segurança Internacional, com sede em Washington, diz, contudo, que a Coreia do Norte terá entre 13 e 30 armas nucleares, muito menos do que as sete mil ogivas detidas pela Rússia ou as 6.800 dos Estados Unidos.

terça-feira 16.1.2018

DENEUVE PEDE DESCULPAS MAS...

A

actriz francesa Catherine Deneuve afirmou ontem que mantém o apoio a uma carta aberta que co-assinou sobre a conduta sexual dos homens, mas pediu desculpa às vítimas de agressões sexuais. Num texto publicado ontem no portal do Libération, Catherine Deneuve reafirma as razões de ter co-assinado na semana passada no Le Monde, juntamente com mais 99 outras personalidades, uma carta aberta na qual se lê. A carta reflecte o clima de discussão que se vive em França sobre as acusações generalizadas de má conduta sexual sistemática por homens poderosos, que decorreram em vários países nos últimos meses. “Nada no texto afirma que o assédio é bom, caso contrário, eu não teria assinado (...) “Sim, eu amo a liberdade. Não gosto desta característica do nosso tempo em que qualquer um se sente no direito de julgar, de arbitrar, de condenar. Um tempo em que uma simples denúncia nas redes sociais gera punição, demissão e por vezes leva ao linchamento mediático”, escreveu Deneuve. No texto, a actriz é contundente: “Aos conservadores, racistas e tradicionalistas, de todos os tipos e que estrategicamente me vieram apoiar, gostaria de lhes dizer que não me enganam. Eles não terão nem a minha gratidão nem a minha amizade, pelo contrário. Sou uma mulher livre e continuarei assim”. Deneuve recorda que é actriz desde os 17 anos. “Poderia dizer que me chegaram histórias de situações mais do que indelicadas e que sei de outras actrizes que sofreram nas mãos de realizadores que abusaram dos seus poderes. Simplesmente, não serei eu a falar em nome delas”. No final, Catherine Deneuve pede desculpa a “todas as vítimas de actos odiosos que possam ter-se sentido agredidas” por aquela carta aberta no Le Monde.

Hoje Macau 16 JAN 2018 #3973  

N.º 3973 de 16 de JAN de 2018

Hoje Macau 16 JAN 2018 #3973  

N.º 3973 de 16 de JAN de 2018

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