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SEXTA-FEIRA 15 DE MARÇO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4250

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

CAIXA DE MENSAGENS PÁGINA 9

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DIREITOS HUMANOS

MOP$10

PLÁSTICO

SACOS COM PREÇO PÁGINA 7

BIOLOGIAS. II.

ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

MENOS, POR FAVOR

h

VALÉRIO ROMÃO

QUEIROZICES

hojemacau

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SOFIA MARGARIDA MOTA

JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE

Portugal não tem interesse ‘‘nenhum politicamente MIGUEL SOUSA TAVARES

ENTREVISTA


2 ENTREVISTA

MIGUEL SOUSA TAVARES

Está em Macau para participar no Festival Literário Rota das Letras, que este ano é dedicado à poesia e destaca o trabalho da sua mãe, Sophia de Mello Breyner. Como é ser o filho da poetisa e falar do seu trabalho? Não sou filho da Sophia de Mello Breyner, sou filho da minha mãe, mas as pessoas acham sempre que é diferente, mas não é. Eu olho sempre para a minha mãe, embora sabendo que tive a sorte de ser filho de uma mãe diferente. As recordações que tenho não são da Sophia de Mello Breyner, mas da minha mãe Sophia. Continuo sempre a olhar para ela como filho e isso dá-me uma posição privilegiada para perceber a poesia dela, porque sei exactamente o que é que ela queria dizer quando escreveu o que escreveu. A maior parte dos leitores atentos dela, imaginam e julgam saber tudo, mas o tudo não é tudo e acho que sei tudo. Eu estava lá, eu vivi e vi-a viver as coisas e sei exactamente porque é que ela escrevia o que escrevia.  Que expectativas tem para este festival?  Espero que tenha atravessado meio mundo para acrescentar alguma coisa ao festival e não desiludir as pessoas. Estou muito curioso. Quanto à mesa dedicada a Sophia de Mello Breyner, vou ensaiar uma coisa difícil: não falar da minha relação de filho e falar da relação da poesia da minha mãe com a de Fernando Pessoa. Isto é uma coisa que me intrigou muito durante muito tempo, o saber porque é que ela a certa altura teve uma obsessão pelo Fernando Pessoa. Quanto à mesa sobre mim, estou nas mãos de quem me for interrogar. Só sei que é à volta do tema viagens e escrita.  É a sua praia?  Sim. Sou um grande viajante. Quando digo isto não me refiro a uma pessoa que acumula muitas viagens e muitos países. Basta-me ir a Cacilhas, que se for com espírito de viagem já estou a viajar. O grande viajante é aquele que está pronto a receber e que gosta do que é estranho, do que é alheio, do que é diferente e que aproveita isso mesmo. A minha mãe dizia sempre que eu era incapaz de viajar sem aproveitar. Sempre que viajava eu escrevia. Até em lua-de-mel aproveitava e depois escrevia. Como casei várias vezes tenho várias reportagens de viagem à conta das luas-de-mel.  Pode revelar alguns detalhes sobre o seu próximo livro?  Já tenho uma parte escrita, mas para já está na gaveta. Vai ser um

“Sou um grande viajante”

Miguel Sousa Tavares está em Macau para participar no festival literário Rota das Letras. Hoje fala sobre a obra da sua mãe, Sophia de Mello Breyner, e no domingo é a vez de discorrer sobre os livros que escreveu e as viagens que fez. O autor e jornalista apontou ao HM os desafios que enfrentam os escritores dos dias de hoje e comentou, à sua maneira, os temas que estão a marcar o mundo romance histórico que se passa no séc. XVII no Brasil. De onde vem esse gosto por romances históricos? Primeiro, eu adoro história. Segundo, para quem escreve romances, a história é uma grande muleta. Temos um substracto que é a própria história e em cima disso criamos outra história. Sempre achei que o problema do romance português, muitas vezes, é não ter história. Há muito escritor que acha que escreve tão bem que não precisa de ter história nenhuma. Eu acho que o romance tem que ter uma história. O meu modelo absoluto de romance é o “Guerra e Paz” de Liev Tolstói. Acho que nunca na vida se escreverá nada como o “Guerra e Paz”. É o modelo do romance perfeito porque é uma história insertada em cima de uma outra história, a da invasão napoleónica da Rússia. O facto de

existir uma muleta, não quer dizer que seja mais fácil. Há a parte toda de pesquisa, que é muito difícil e que gosto muito de fazer. Faço-o quer documentalmente, quer indo aos sítios. Para este romance já fui ao Brasil três vezes. Tenho o trabalho de campo feito. Como vê o panorama actual da literatura portuguesa, quer na prosa quer na poesia?

“O único tipo preparado para ser oposição, o Rui Rio, tem o carisma de um cepo. Mas é o único que tem alguma ideia naquela cabeça. A Assunção Cristas tem zero de ideias...”

Sou muito mais leitor de romance do que de poesia. Acho que o romance português está a atravessar uma fase muito boa. Temos vários estilos diferentes, com novos autores diferentes e muito ricos e que estão a conseguir chegar ao mercado. Isto, apesar das dificuldades que a língua portuguesa tem. É difícil, e falo por experiência própria, conseguir traduzir o português lá fora. Somos a sexta língua mais falada no mundo graças aos brasileiros. O facto é que nos países onde conta estar-se traduzido, ou seja, nos países anglo-saxónicos ou franceses, há muito poucos tradutores de língua portuguesa e é muito difícil conseguir-se a esses públicos. Mas esta nova geração tem conseguido, apesar das edições que se fazem lá fora serem pequenas. Estamos a viver uma crise que tem que ver com a crise económica e não só. A partir da crise de 2008, a primeira coisa que as pessoas sacrificaram foram os produtos culturais, tendo o livro à cabeça. Tivemos uma quebra nas edições em Portugal de cerca de 30 por cento que nunca se recuperou. Em cima disso, a força das redes sociais funcionou contra o livro, funcionou contra a imprensa escrita, jornais, revistas etc., e hoje em dia também contra a televisão. São públicos que se perderam. No mercado português perdemos 200 mil espectadores das televisões generalistas por ano. Isto aplicado ao mercado literário é terrível. Nunca mais se atingiu o número de vendas de livros que existia antes de 2008.  A nova geração lê muito pouco. Creio que em Portugal não deve haver um escritor que viva apenas da escrita. Isso leva-nos a outra questão sobre o papel da internet e das redes sociais na informação e cultura da sociedade contemporânea. Esta semana vou ter um artigo no Expresso sobre isso, sobre aquilo que acho que é um movimento de grande ignorância colectiva e que a internet está a proporcionar. Eu, como toda a gente, vivo da internet. A internet simplificou-me a vida, mas eu distingo a internet útil da inútil que é sobretudo a relacionada com as redes sociais. As redes sociais contribuem para a desinformação das pessoas, contribuem para a ignorância e contribuem para a preguiça que gera a mediocridade. As pessoas estão convencidas que estão informadas e não estão. Por exemplo, em termos de informação, há uma quantidade de miúdos que só sabem os títulos das notícias, não avançam para a leitura do artigo e estão convencidos que estão informados. Isto é terrível. Qual a solução para este fenómeno? Não sei. Não faço a mais pequena ideia. Desde o início que temi que

SOFIA MARGARIDA MOTA

ESCRITOR E JORNALISTA

isto fosse acontecer. Lembro-me de ter discussões com as pessoas que eram muito entusiastas das redes sociais e sempre achei que seria necessário existir uma intermediação. Não é uma questão de haver elites contra as massas, mas é, de facto, uma questão em que são precisas pessoas que pensaram, escreveram, leram e que transmitem esse saber e a sua criatividade a um destinatário. Ninguém nasce informado, sem ter lido, sem ter discutido, sem ter pensado. Hoje em dia, o comum das pessoas acha que sim, acha que não é preciso informação nem leituras e isso é terrível. Falando de actualidade, qual a sua opinião sobre o Brexit e este impasse que se está a viver?  Sempre tive uma grande admiração pela Inglaterra porque acho que em cada circunstância histórica foi um país que soube sempre encontrar os líderes.


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em relação à China. Os chineses estão a mudar algumas coisas, estão a reconhecer que não podiam continuar a fazer tudo como até aqui. Vão-se entender porque são dois grandes mercados que precisam um do outro. E quanto ao crescimento da influência chinesa no mundo?  Sou um mau conhecedor da China. Por exemplo, esta história da Huawei. Não sei até que ponto os americanos têm razão. Se de facto aquilo que os americanos suspeitam acerca dos telemóveis da nova geração, os 5G, for verdade, os chineses têm uma bomba atómica nas mãos. Se não for verdade, é uma grande jogada comercial. No que respeita à actualidade portuguesa. O que podemos esperar das próximas eleições legislativas?  O PS vai ganhar tranquilamente, a menos que haja uma catástrofe que envolva, por exemplo, incêndios monumentais. O único tipo preparado para ser oposição, o Rui Rio, tem o carisma de um cepo. Mas é o único que tem alguma ideia naquela cabeça. A Assunção Cristas tem zero de ideias, o CDS não tem uma única ideia. O PCP é igual a si mesmo e ainda não percebeu que o Muro de Berlim já caiu e o Bloco de esquerda quer ir para o Governo, mas parte do partido não quer. Portugal não tem interesse nenhum politicamente.

“Hoje em dia, só quero que a banca seja chinesa, seja de Burquina Faso, seja da Polinésia, seja o que for desde que não seja portuguesa, nem privada nem pública, nem nada.” Agora olho para a elite política inglesa actual e a única pessoa que tem capacidade dirigente é a rainha, mas ela não tem poderes políticos. O resto, os tipos que promoveram o Brexit - Boris Johnson, Nigel Farage - são nulidades e a Theresa May é uma nulidade total e absoluta. É uma pessoa que era contra o Brexit e está a tirar a Inglaterra da União Europeia (UE) através de uma

quantidade de esquemas. Ela é a essência daquilo que eu mais odeio num político, que é quando um político está a fazer aquilo em que não acredita e que passou a acreditar apenas para se manter no poder. O Cameron é um idiota que se lembrou de perguntar aos ingleses se eles queriam votar na saída da UE. Depois aconteceu outra coisa absolutamente idiota: os que queriam ficar na UE ficaram em casa, não foram votar. A geração do futuro não foi votar e a geração mais velha foi votar no futuro da outra. E votou contra o futuro da geração mais nova. Acho que estamos todos fartos da Inglaterra, estamos todos fartos do Brexit. Aliás, isto vai acabar para a semana, de uma maneira ou de outra. Todos se estão a preparar para não haver acordo nenhum. Que consequências podemos esperar da falta de acordo? 

É pior para a Inglaterra. Acho que vão descobrir rapidamente que já não existe Império Britânico e que tudo aquilo é um disparate. Para a Europa é grave porque a Inglaterra é essencial para a segurança e para a defesa da Europa - se é que a Europa algum dia vai ter um projecto de defesa, que acho que devia ter sobretudo agora que os Estados Unidos da América (EUA) são governados por um doido. A Europa não tem andado muito “apagada” dentro da conjuntura internacional?  Apesar de tudo, está-se a portar melhor. Com o que aconteceu nos EUA em que não sabem se a NATO é para existir ou não, com a Inglaterra a pensar se quer ou não ficar na Europa, acho que a Europa se tem mantido firme, por exemplo em relação ao Brexit. Ao mesmo tempo, a Europa tem

enfrentado movimentos nacionalistas de extrema-direita e tem-se aguentado. Agora foi capaz de fazer frente à Hungria. Como vê a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China? Acho que a guerra comercial vai acabar bem, ou seja, apesar de tudo, o Trump tem alguma razão

“Quanto à mesa dedicada a Sophia de Mello Breyner, vou ensaiar uma coisa difícil: não falar da minha relação de filho e falar da relação da poesia da minha mãe com a de Fernando Pessoa.”

Como vê a situação da banca em Portugal e o facto de estar a ser constantemente salva por injecções de capital do Estado? Dizíamos que era muito importante ter uma banca portuguesa, que era uma questão de soberania. Hoje em dia, só quero que a banca seja chinesa, seja de Burquina Faso, seja da Polinésia, seja o que for desde que não seja portuguesa, nem privada nem pública, nem nada. Já gastámos 18 mil milhões de euros para acorrer à banca. Somos o segundo ou terceiro país da UE, a seguir à Islândia e à Irlanda que mais dinheiro gastou com a banca. É uma coisa inacreditável. E os outros já deram a volta e nós não. Basicamente, a justiça portuguesa é incompetente e não está preparada para estes casos. Está habituada a demorar anos com os processos. É inconcebível a leviandade com que a banca foi gerida em Portugal, antes e depois das intervenções.   Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


4 política

GCS

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AL Lei dos Assistentes Sociais na terça-feira

O Regime da Qualificação Profissional dos Assistentes Sociais vai ser votado na especialidade na próxima terça-feira, depois de mais de um ano de discussão. O parecer sobre a análise da comissão foi assinado ontem pelos deputados, pelo que agora falta a aprovação final do documento. A informação foi avançada, ontem, pelo deputado Chan Chak Mo, presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa e confirmada, horas mais tarde, pelo portal do hemiciclo.

FORMAÇÃO FARMACÊUTICOS SÓ COM UMA LICENCIATURA

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S ajudantes técnicos de farmácia só vão ser considerados farmacêuticos se tirarem o curso universitário, com a duração de quatro anos, ou equivalente. A impossibilidade de transição de uma classe profissional para a outra, no âmbito da nova lei do regime legal da qualificação e inscrição para o exercício de actividade dos profissionais de saúde, esteve ontem em discussão na Assembleia Legislativa, numa reunião da 2.ª Comissão Permanente. Devido à eventual semelhança de funções, os deputados haviam questionado o Governo se os ajudantes técnicos de farmácia poderiam ser considerados farmacêuticos devido à experiência e eventuais formações. Contudo, o Executivo explicou que a transição só pode ser feita se houver frequência com sucesso de uma licenciatura. Ainda em relação à divisão por classes dos profissionais de saúde, o Governo explicou que além das 15 classes definidas pela lei, que incluem médicos, farmacêuticos, dentista, entre outros, que vai ponderar criar outros mecanismos de registo para as que não estão incluídas.

LEI CHIN ION USO DE VALES NO INTERIOR CONTRARIA OBJECTIVOS

Alto e pára o baile

O director dos SSM admite que utilização dos vales de saúde no Interior da China está a ser ponderada, mas sublinha que o objectivo inicial do programa é contrário a esta ideia

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EI Chin Ion, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), avisou ontem que o programa de vales de saúde foi criado para impulsionar o sector da medicina privada e que a sua utilização no Interior da China contraria esse objectivo. As declarações foram feitas, ontem, à saída de uma reunião com os deputados da Assembleia Legislativa. “Queremos reiterar que a opinião do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura não é para a utilização dos vales no Interior da China. O que se está a fazer agora é a ponderação da utilização, mas de forma prudente”, começou por ressalvar o director do SSM. “O objectivo dos vales de saúde é ajudar os médicos privados de Macau. A utilização dos vales no Interior da China não é adequada. Por um lado, é uma medida de difícil implementação e, por outro, é contrária ao nosso objectivo de

ajudar os médicos privados, os médicos de Macau”, acrescentou. Anteriormente, Alexis Tam afirmou que a utilização de vales de saúde no Interior da China ia ser estudada. O director dos SSM confirmou que foram estabelecidos contactos com os governos de Guangdong, Zhuhai e Zhongshan,

“O objectivo dos vales de saúde é ajudar os médicos privados de Macau. A utilização dos vales no Interior da China não é adequada. [...] é contrária ao nosso objectivo de ajudar os médicos privados, os médicos de Macau.” LEI CHIN ION DIRECTOR DOS SSM

o que poderá indicar alguma reciprocidade face ao facto dos seguros do Interior da China irem abranger os residentes de Macau que vivam do outro lado da fronteira. “Pode haver uma forma diferente de apoiar os residentes de Macau que vivem no Interior da China. Estamos em contacto com os Governos da Província de Guangdong, Zhuhai e Zhongshan para que os residentes de Macau que vivem no Interior possam estar cobertos pelo seguro de saúde de lá e terem acesso à assistência médica”, explicou.

LIMITAÇÕES INTERNAS

Ao mesmo tempo, Lei Chin Ion apontou que mesmo em Macau há limitações nos vales de saúde, uma vez que a intenção é ajudar o sector local: “Os vales de saúde têm certas limitações. Por exemplo, só podem ser utilizados nos médicos privados. Nem no Hospital Kiang Wu podem ser usados, porque

o hospital recebe o subsídio do Governo. Também não podem ser utilizados para a compra de medicamentos ou equipamentos de saúde” sublinhou. Este apoio faz parte do Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde, que permite aos residentes permanentes receberem 600 patacas por ano para despesas de saúde. O valor pode ser acumulado durante um período de dois anos, de acordo com as últimas actualizações do programa. Outra das questões abordas por Lei Chin Ion foi a construção do centro de saúde na Ilha da Montanha. “Vai ser construído pela parte de Zhuhai e vai destinar-se aos residentes de Macau, que morem na Ilha da Montanha. Os serviços prestados vão ser como nos Centros de Saúde de Macau. 2021 é uma data de conclusão aproximada”, disse. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

ACATAR ORDENS

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m Dezembro deste ano, o sucessor de Chui Sai On vai assumir o cargo de Chefe do Executivo. Confrontado sobre se estaria disposto a continuar no cargo de director dos Serviços de Saúde com um novo líder, Lei Chin Ion afirmou que vai acatar as orientações do Governo: “Vou seguir as ordens”, disse. A nomeação de Lei Chin Ion como director dos Serviços de Saúde termina em 2020.


política 5

sexta-feira 15.3.2019

A Comissão dos Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo vai reduzir os locais de voto do Colégio Eleitoral de cinco para três, a pensar nos gastos. Em relação a 2014 há um aumento dos custos em 120 mil patacas

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S eleições para o próximo Chefe do Executivo vão ter um orçamento de 32,4 milhões de patacas. A revelação foi feita por Song Man Lei, presidente da Comissão dos Assuntos Eleitorais do Chefe

CHEFE DO EXECUTIVO ESCOLHA DE NOVO LÍDER CUSTA 32 MILHÕES DE PATACAS

Marcha da caridade do Executivo (CAECE), após a reunião de ontem. Segundo os dados apresentados, o orçamento vai ser de 32,4 milhões de patacas, quando nas eleições de 2014 foi de 32,3 milhões de patacas. Song Man Lei fala de uma diferença de 120 mil patacas e diz ter havido esforços para controlar o orçamento. “O orçamento cobre os recursos humanos e precisamos de adquirir alguns materiais e também o sistema electrónico para a contagem dos votos. Temos de contar ainda com as obras de instalação in loco, como a divisão dos espaços, entre outras coisas”, disse Song Man Lei. Porém, a presidente da CAECE apontou alguns desafios, que fazem com que tenha de haver um aumento, mesmo que ligeiro, no orçamento. “Como sabem nos últimos anos houve inflação e

diminuir os pagamentos de rendas. Quanto aos materiais que utilizámos na eleição de 2014, vamos reutilizar o que for possível para a presente eleição. Com isso conseguimos poupar algum dinheiro”, explicou a presidente da CAECE.

LIMITE DE 23 MILHÕES

outros factores económicos. Mesmo assim podemos ver que o presente orçamento é quase igual ao da eleição anterior”, apontou. Uma das grandes diferenças face a 2014 passa por reduzir os locais de voto para

o Colégio Eleitoral de cinco para três, embora esta medida ainda esteja dependente das garantias de segurança in loco e de bons acessos, ao nível de transportes públicos. “Reduzimos os locais de voto. Assim conseguimos

O orçamento para as eleições não inclui os gastos dos possíveis candidatos durante as campanhas. Em relação a este assunto, as despesas estão limitadas a 23,46 milhões de patacas por candidato. Segundo a lei, os limites para os gastos dos candidatos correspondem a 0,02 por cento do valor global das receitas do Orçamento Geral da RAEM. Para 2019, as receitas foram estimadas em 117,3 mil milhões de patacas, pelo que 0,02 representa 23,46 milhões.

“Como sabem nos últimos anos houve inflação e outros factores económicos. Mesmo assim podemos ver que o presente orçamento é quase igual ao da eleição anterior.” SONG MAN LEI PRESIDENTE DA CAECE

Outra das questões com que Song Man Lei foi confrontada foi o facto de um responsável do Gabinete de Ligação ter dito, em Pequim, que as eleições estavam agendadas para Agosto. No entanto, a presidente da CAECE rejeitou fazer comentários sobre a situação, e disse apenas que a comissão vai trabalhar para que esteja tudo pronto para a data decidida pelo actual Chefe do Executivo. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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CARTAS DE CONDUÇÃO NOVO MACAU QUER FALAR COM CHEFE DO EXECUTIVO SOBRE RECONHECIMENTO

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ANTÓNIO FALCÃO

Novo Macau, a par com o deputado Sulu Sou, endereçou uma carta ao Chefe do Executivo a solicitar um encontro formal para debater o reconhecimento mútuo das cartas de condução com a China. Com o pedido, que surge na sequência do recente protesto que levou centenas às ruas, a maior associação pró-democracia de Macau diz procurar, através da reunião com Chui Sai On, “um diálogo sincero para estreitar a divergência social”.

Em comunicado, enviado ontem às redacções, a Novo Macau “manifesta a esperança de ter um diálogo cândido” com o Chefe do Executivo, designadamente sobre o reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e a China, cujas negociações decorrem há pelo menos um ano. No encontro com o líder do Governo, que espera que tenha lugar “o mais breve possível”, a Novo Macau pretende ainda “avaliar de que forma essas

disputas vão afectar a maneira como os residentes encaram o plano da Grande Baía” e “as opções viáveis para as dirimir”. Argumentando que conta com o apoio das famílias das vítimas dos “graves acidentes” causados por condutores da China, que têm deixado a comunidade “ansiosa”, promete “dar o melhor” para minimizar as divergências sociais e solucionar os conflitos, “através da comunicação directa” com o líder do Governo. D.M.

Aviso A partir do dia 18 de Março de 2019 (segunda-feira), o Cartório Notarial das Ilhas, sito na Rua de Bragança, n.º 313, Edifício Kinglight Garden, r/c, Taipa, passará a funcionar no Centro de Serviços da RAEM das Ilhas, sito na Rua de Coimbra, n.º 225, Edifício Nova Park, 3 º andar, Taipa.

IPIM Aprovados dois pedidos por investimento relevante

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) recebeu, no ano passado, 11 novos pedidos de fixação de residência temporária por “investimentos relevantes”, dos quais apenas dois foram aprovados, de acordo com um comunicado. Os restantes foram indeferidos ou cancelados, aponta a mesma fonte. O organismo recebeu ainda 232 novos pedidos relativos a “Quadros Dirigentes e Técnicos Especializados”, tendo sido aprovados 25. Destes 128 foram já indeferidos ou cancelados.

Com vista às mudanças de instalações, o Cartório Notarial das Ilhas estará temporariamente encerrado no período da manhã do dia 18 de Março de 2019, retomando o atendimento ao público pelas 13:00 horas. Os números de telefone (28827502), fax (28825071) e o endereço electrónico (cni@dsaj.gov. mo) mantêm-se inalterados. Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça, aos 15 de Março de 2019 A Directora, Substituta Leong Pou Ieng


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sexta-feira 15.3.2019

O Governo avançou com uma proposta de lei que vai obrigar o comércio a cobrar pelo fornecimento de sacos de plástico, uma medida há muito exigida por activistas ambientais. O valor da taxa vai ser determinado por despacho do Chefe do Executivo

SACOS DE PLÁSTICO PROPOSTA DE LEI PREVÊ COBRANÇA DE TAXA

Quem quer paga do, livres, à luz da lei, de cobrarem um valor acima do fixado, embora o director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Raymond Tam, não o recomende: “Não há uma pena [se cobrarem mais], mas isso vai prejudicar a sua imagem”.

DAS EXCEPÇÕES

O diploma, que “visa estabelecer normas sobre as restrições ao

fornecimento de sacos de plástico em actos de venda a retalho”, prevê, no entanto, uma série de “situações excepcionais” que beneficiam de isenção de pagamento da taxa. À luz da proposta de lei, “designadamente por razões de higiene e segurança”, os sacos de plástico vão continuar a ser distribuídos gratuitamente quando em causa estiverem, por

exemplo, produtos alimentares e medicamentos não embalados. Os estabelecimentos comerciais, como supermercados, lojas ou até bancas de mercados, que infrinjam as restrições ao fornecimento de sacos de plástico incorrem numa multa de mil patacas. Já caso violem o dever de colaboração com as autoridades arriscam uma multa dez

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RÊS anos depois de uma consulta pública sobre a introdução de restrições ao uso de sacos de plástico, o Governo elaborou uma proposta de lei que prevê que os estabelecimentos comerciais cobrem obrigatoriamente uma taxa na hora de fornecer sacos de plástico aos clientes. Os principais contornos do diploma, que segue agora para a Assembleia Legislativa, foram apresentados ontem pelo porta-voz do Conselho Executivo. Leong Heng Teng escusou-se, porém, a adiantar o valor a cobrar pelo fornecimento de cada saco de plástico nos actos de venda a retalho, a fixar por despacho do Chefe do Executivo. Não obstante, sinalizou que a proposta de uma pataca, “basicamente, recolheu concordância” aquando da auscultação pública. As verbas resultantes do pagamento da taxa vão reverter a favor dos estabelecimentos comerciais, modelo definido como “o mais apto” para Macau. Estes são, contu-

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Conselho Executivo deu luz verde ao projecto de regulamento administrativo sobre a constituição da Sociedade do Metro Ligeiro. A empresa de capitais públicos, que vai gerir o futuro sistema de transporte, vai nascer a meses da entrada em funcionamento da linha da Taipa, prevista para a segunda metade do ano. A entrada em cena da nova empresa, com capitais exclusivamente públicos, implica a retirada do Gabinete de Infra-estruturas

Valor a cobrar por sacos de plástico vai ser fixado pelo Chefe do Executivo, mas deve rondar uma pataca “É o primeiro passo para reduzir o impacto negativo dos sacos de plástico no meio ambiente”, afirmou o director da DSPA, realçando que o Governo tem vindo a “empenhar-se nos trabalhos de redução do plástico”, incluindo dentro da própria Administração, com o incentivo, por exemplo, do uso de máquinas de água em detrimento da distribuição de garrafas. Não há, no entanto, actualmente, alternativa à vista para as saquetas de plástico que são distribuídas pelos Serviços de Saúde quando os pacientes aviam medicamentos.

PARA METADE

Segundo dados facultados pelo director da DSPA, 23 por cento das 1.400 toneladas de lixo produzidas diariamente em 2017 eram plástico, dos quais 13 por cento eram sacos e dois por cento garrafas. Já 1,5 por cento dizia respeito a caixas de ‘take-away’. A cobrança de uma taxa pelo fornecimento de sacos de plástico tem produzido “resultados muito salientes” nos territórios vizinhos, com reduções no uso na ordem dos 80 por cento na fase de arranque da medida, realçou o director da DSPA que, adoptando uma estimativa “mais conservadora”, espera um corte, pelo menos, para metade no início da aplicação da medida. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Apita o comboio Empresa de capitais públicos para o Metro Ligeiro constituída em breve

e Transportes (GIT) que, como confirmado ontem, vai ser extinto. “Não pode haver duas entidades a fazer a mesma coisa”, afirmou ontem o coordenador do GIT, Ho Cheong Kei, na conferência de imprensa do Conselho Executivo. Na sequência do desaparecimento do GIT, organismo com natureza de equipa

vezes superior: dez mil patacas. A fiscalização compete à DSPA que pode solicitar a colaboração de outras entidades públicas, nomeadamente dos Serviços de Alfândega, da PSP ou dos Serviços de Finanças, se necessário.

de projecto criado em 2007, os 93 funcionários têm agora duas opções em cima da mesa: mantêm-se na função pública ou transitam para a nova empresa. “É uma decisão de acordo com as duas partes”, explicou Ho Cheong Kei, dando conta de que se encontra na mesma situação: “Espero poder continuar a acompanhar o processo.

Se o [meu] superior achar que não sou adequado [para mudar para nova empresa] estou disponível para servir em qualquer cargo”. A Sociedade do Metro Ligeiro “só poderá operar” após firmado o contrato de concessão, pelo qual será preciso aguardar para se perceber exactamente qual será a relação entre a nova empresa e a MTR, de Hong Kong, à qual foi entregue as operações do metro ligeiro nos primeiros cinco anos de funcionamento. “Temos de aguardar pelo conteúdo

para depois podermos ter os detalhes”, afirmou Ho Cheong Kei. A empresa que vai explorar o metro ligeiro vai ser exclusivamente de capitais públicos porque vai ter “prejuízo certo”, como reconheceu o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, que estimou anteriormente os gastos anuais de operação e manutenção em aproximadamente 900 milhões de patacas. “São apenas estimativas”, manteve o coordenador do GIT.

De resto, como anunciado anteriormente, a nova sociedade anónima vai arrancar com um capital social de 1,4 mil milhões de patacas. A RAEM figura como sócio maioritário (96 por cento) da empresa que tem ainda como accionistas o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (3 por cento) e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e Tecnologia (1 por cento). D.M.


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vogados, não sem antes negar qualquer responsabilidade no caso. “Dada a natureza séria das alegações feitas e os factos questionáveis por detrás das acusações, passei de imediato o caso aos meus advogados para o tratarem de forma apropriada”, referiu Zeman em comunicado. O fundador do distrito nocturno de Lan Kwai Fong acrescentou ainda que ficou “chocado com a frivolidade das alegações”.

APAVT DISTÂNCIA AFASTA PORTUGUESES DE MACAU

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presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) afirmou ontem que a distância e o desconhecimento contribuem para a escassez de turistas portugueses em Macau e defendeu a integração deste destino em viagens à Ásia. “Portugueses a visitar Macau ainda não há muitos”, reconheceu o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, justificando que a distância é “grande” e “há algum desconhecimento”. Macau beneficia, até ao final do ano, do título de “Destino Preferido”, tendo o certificado sido ontem entregue em ambiente festivo à directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). A atribuição deste título resulta de um acordo entre o Turismo de Macau e a APAVT e consiste numa série de acções destinadas a contribuir para a promoção de Macau. Em declarações à Lusa, Pedro Costa Ferreira defendeu que a integração de Macau em viagens à Ásia seria uma mais-valia para o mercado emissor português, explicando que há dois factores que têm de se movimentar ao mesmo tempo: um maior esforço de Macau na visibilidade junto do consumidor final e um maior conhecimento do destino por parte dos agentes de viagem que têm de se sentir “familiarizados”. Questionado sobre se uma ligação aérea directa entre Portugal e China teria impacto no crescimento do turismo, o presidente da APAVT admite que as ligações directas são importantes, mas acrescentou que nos voos de longa distância para a Ásia, as conexões “são muito boas”.

O

S advogados de Richard Suen e da Las Vegas Sands Corp. discordaram em tribunal sobre a compensação que o empresário de Hong Kong deve receber por ter auxiliado a empresa de jogo a conseguir licenças para explorar casinos em Macau há quase duas décadas. A disputa que se desenrola num tribunal em Las Vegas tem como ponto fulcral uma enorme disparidade quanto aos valores a pagar a Suen. Nas declarações de abertura, os advogados do empresário de Hong Kong sugeriram que o seu

VALOR DA PALAVRA

HONG KONG ZEMAN PROCESSADO POR VENDA DE TERRENO EM MACAU

Dez anos depois

O presidente não executivo da Wynn Macau, Allan Zeman, está a ser processado em Hong Kong devido à alegada falta de pagamento de comissões na venda de um terreno em Macau. Os autores do processo pedem 71,8 milhões de dólares de Hong Kong ao magnata

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RÍVOLAS e sem fundamento. É assim que Allan Zeman qualifica as acusações de que é alvo e que estão na origem de um processo por alegada falta de pagamento de comissões referentes a

um acordo para venda de um terreno em Macau. O negócio em causa terá acontecido há mais de uma década. A notícia avançada pelo South China Morning Post refere que os dois autores do processo, Raymond John Gulliver e Da-

Batalha dos milhões Disparidade de valor a pagar a Richard Suen pela Las Vegas Sands Corp. marca sessão de julgamento

cliente tem direito a quase 347 milhões de dólares, o equivalente a 2,8 mil milhões de patacas. Do outro lado da barricada, o advogado da Sands entende que a empresa não deve pagar além de 3,8 milhões de dólares, ou pouco mais de 30 milhões de patacas. O júri do tribunal do Estado do Nevada, composto por oito

elementos, terá de decidir entre os valores profundamente divergentes pedidos pelas duas partes. Neste momento, a batalha judicial encontra-se focada apenas no valor que Richard Suen receberá, depois da justiça ter dirimido pretensões até ao Supremo Tribunal do Nevada. Depois das alegações dos advogados de ambas as partes,

vid Solomon Vereker, pedem 71,8 milhões de dólares de Hong Kong a Allan Zeman, presidente não executivo da Wynn Macau e presidente do Lan Kwai Fong Group. Entretanto, o magnata passou o caso à sua equipa de ad-

os membros do júri ouviram as primeiras sete horas de testemunhos em vídeo dos julgamentos anteriores, onde se contam declarações de Sheldon Adelson. O visionamento de vídeos deverá continuar na sessão de hoje.

PAPEL FACILITADOR

No início da sessão, o advogado de Suen deu uma explicação para a forma como a Sands se tornou candidata à concessão para abrir casinos em Macau. O causídico explicou o conceito de guanxi, que se refere a relações em que se forma

O caso, que se encontra em apreciação no High Court da região vizinha, centra-se numa disputa sobre um terreno não especificado. De acordo com a documentação do processo, o pedido feito por Gulliver e Vereker tem como base um acordo oral estabelecido com Zeman entre Agosto e Setembro de 2008. Allan Zeman “devia pagar aos autores do processo 20 por cento de comissão, taxa, ou outra forma de pagamento, pela venda de um terreno em Macau”, lê-se na documentação citada pelo South China Morning Post. O documento, além de não especificar a localização do terreno, não dá informação detalhada sobre Raymond John Gulliver e David Solomon Vereker além da morada em New South Wales, na Austrália. Os dois homens alegam que Zeman lhes deve 71,8 milhões de dólares de Hong Kong e pedem a divulgação da lista de comissões e taxas que o magnata recebeu na sequência da alegada venda.

uma espécie de lobbying informal, algo apontado como fundamental para que a empresa de Sheldon Adelson conseguisse chegar perto dos focos de decisão no Executivo de Macau e no Governo Central. Nesse sentido, o representante do empresário de Hong Kong defendeu que, apesar de não haver um contrato formal, ficou estabelecido que Suen receberia 5 milhões de dólares de comissão, assim como 2 por cento dos lucros gerados pela Sands em Macau. João Luz

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DIREITOS HUMANOS EUA DÃO NOTA POSITIVA A MACAU, MAS APONTAM FOCOS DE PREOCUPAÇÃO

Os reparos do costume

Washington considera que Macau adoptou medidas para investigar e punir abusos aos direitos humanos, mas deixou reparos no capítulo das liberdades de expressão e de imprensa, sinalizando restrições nomeadamente à boleia de novas leis TIAGO ALCÂNTARA

M termos globais, é positiva a avaliação que o Departamento de Estado norte-americano faz relativamente aos direitos humanos em Macau, mas persistem receios nomeadamente em relação às restrições e/ou limitações a direitos e liberdades, aos condicionamentos à participação política e ao fenómeno do tráfico humano. No relatório anual sobre os direitos humanos no mundo, publicado na noite de terça-feira, o Departamento de Estado norte-americano assinala, desde logo, que “o Governo adoptou medidas para investigar e punir responsáveis por abusos” e destaca a ausência de registo de prisioneiros políticos, de práticas de tortura, detenções arbitrárias e/ ou ilegais ou impunidade por parte das forças de segurança. No entanto, deixa uma série de alertas relativamente a condicionantes ao exercício das liberdades de expressão e de imprensa, apontando que, embora estejam consagradas na lei, “o Governo procurou ocasionalmente restringi-las”. Restrições que, em alguns casos, aparecem associadas a novas iniciativas legislativas, com o Departamento de Estado norte-americano a fazer referência a duas: a recém-aprovada alteração à lei sobre a utilização e protecção da bandeira, emblema e hino nacionais e a proposta de Lei de Bases da Protecção Civil que introduz o crime de falso alarme social, punível com pena até três anos de prisão.

O CASO AU KAM SAN

Apesar de reconhecer que, regra geral, o Executivo respeita o direito à privacidade, Washington observa que, “houve políticos que afirmaram suspeitar que o Governo monitorizou as comunicações no passado” e reavivou, em paralelo, o caso do deputado Au Kam San, indiciado por difamação, em Outubro, após ter recusado pedir desculpa por ter alegado que a Polícia Judiciária tinha o seu telefone sob escuta em 2009. Ao mesmo tempo, embora constatando que o Governo não restringe, não interrompe o acesso à Internet e não censura conteúdos ‘online’, o Departamento de Estado norte-americano menciona os reparos de “activistas críticos” de que não divulga na íntegra o tipo de tecnologias de vigilância que utiliza, deixando a população com “fraca capacidade” para confirmar se as autoridades respeitam a lei.

Outros receios emergem relativamente aos livros, com os Estados Unidos a recordarem as notícias de que o Gabinete de Ligação do Governo Central em Hong Kong detém, indirectamente, a livraria Plaza Cultural. Algo que, realça Washington, “levanta preocupações” quanto à possibilidade de Pequim restringir a venda de obras consideradas sensíveis. Já no tocante à liberdade de imprensa, Washington constata que “os ‘media’ locais expressaram uma ampla variedade de pontos de vista, mas que o Governo deu passos para limitar a cobertura de notícias desfavoráveis”. Ao mesmo tempo, o Departamento de Estado admite a prática de autocensura por órgãos de comunicação social, pelo menos “parcialmente”, por serem subsidiados pelo Governo.

“COMENTÁRIOS IRRESPONSÁVEIS”

O

Governo manifestou ontem a sua “forte oposição” ao relatório do Departamento de Estado norte-americano, criticando os “comentários irresponsáveis” sobre os direitos humanos na RAEM, um “assunto interno da China”. Num breve comunicado,

o Gabinete do Porta-voz do Governo afirma que “a população da RAEM goza de amplos direitos e liberdades, plenamente garantidos, nos termos da Constituição e da Lei Básica”, uma “realidade testemunhada por todas as pessoas sem preconceitos”.

O cancelamento da participação de três escritores estrangeiros na edição do ano passado do Festival Literário – Rota das Letras, após indicação do Gabinete de Ligação de que poderiam ter entrada vedada em Macau, também é referido no âmbito da liberdade académicas e eventos culturais. Já sobre o direito de reunião e manifestação, o Departamento de Estado norte-americano nota que, apesar de ser normalmente respeitado pelo Governo, existem “alguns esforços para desencorajar a participação”. “Críticos alegam que as autoridades estão a levar a cabo um esforço concertado para, por via da intimidação ou de processos-crime contra os participantes de protestos pacíficos, desencorajar o seu envolvimento”. Neste ponto, recupera o exemplo de Sulu Sou, que viu o mandato como deputado suspenso temporariamente devido a um protesto pacífico contra o Chefe do Executivo, fazendo menção às alegações de vozes críticas de que o caso teve motivações políticas por detrás.

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

Outro calcanhar de Aquiles, aos olhos de Washington, prende-se

com a limitada participação política dos residentes. “A lei limita a capacidade dos cidadãos para mudarem o Governo através de eleições regulares, livres e justas” e “apenas uma pequena fracção da população desempenha um papel na selecção do Chefe do Executivo”, diz o Departamento de Estado norte-americano, precisamente no ano em que será escolhido um novo líder do Governo. O relatório reserva ainda espaço ao poder legislativo, com os Estados Unidos a anotarem as limitações dos deputados em termos de iniciativa legislativa e fazerem referência ao juramento de fidelidade à Lei Básica exigido aos candidatos a um assento na Assembleia Legislativa.

“Os ‘media’ locais expressaram uma ampla variedade de pontos de vista, mas o Governo deu passos para limitar a cobertura de notícias desfavoráveis.”

No campo da discriminação, o Departamento de Estado norte-americano salienta que o fenómeno persiste, ao contrário do que prescreve a lei, citando notícias que apontam para desigualdades de género nomeadamente no mundo do trabalho, com as mulheres concentradas em postos inferiores e em áreas mais mal pagas. Os Estados Unidos falam ainda de relatos sobre discriminação contra minorias étnicas, reproduzindo as críticas da ONU quando à ausência de uma lei que defina e criminalize a discriminação racial. Os Estados Unidos renovam também preocupações relativamente às crianças. Em concreto, sobre a envolvimento de menores na prostituição, bem como ao tráfico humano em geral. “As crianças e os trabalhadores migrantes são vulneráveis ao tráfico com fins sexuais e laborais”, diz o documento, apontando que, embora o governo tenha investigado casos, não há registo de condenações no ano passado. Diana do Mar

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O segundo aniversário da Cinemateca Paixão será marcado pela exibição de um ciclo secreto composto por oito filmes. Entre os dias 30 de Março e 28 de Abril, o público apenas saberá, com certeza, que películas vão ser projectadas quando as luzes se apagarem

O

elemento surpresa é o trunfo para a celebração do segundo aniversário da Cinemateca Paixão. A festa da sétima arte, com datas marcadas entre 30 de Março a 28 de Abril, terá como prato principal um ciclo secreto composto por “oito notáveis clássicos do cinema”, afirma a organização em comunicado.

“Não fui curadora do programa, mas quando discutimos ideias para o segundo aniversário achámos que as projecções surpresas seriam uma boa ideia. São oito filmes de géneros diferentes, que serão exibidos duas vezes. Também vamos ter palestras e exposições para celebrar o aniversário”, conta Vivianna Cheong, chefe de

Fest

CINEMATECA PAIXÃO

programação e marketing da Cinemateca Paixão. Até às projecções, serão ainda dadas algumas pistas sobre os filmes que vão passar pelo ecrã da cinemateca. O ciclo será composto por “promissores filmes de estreia, comoventes e nostálgicas histórias de amor, arrepiantes obras-primas do terror, comédias de época e cinema do mundo, até marcos do cinema de ficção científica”, lê-se no comunicado.

ESCÓCIA PROJECTO LATA 65 E VHILS INTEGRAM FESTIVAL

O

projecto português Lata 65, de oficinas de Arte Urbana para idosos, e o artista Alexandre Farto (Vhils) fazem parte da programação do festival internacional de arte pública Nuart Abeerden, que decorre em Abril na Escócia. Vhils é um dos 13 artistas em destaque este ano no festival, que se realiza entre 18 e 21 de Abril na cidade de Aberdeen, de acordo com informação disponível no site da iniciativa. A lista de artistas convidados inclui

também, entre outros, o britânico Ben Eine, o alemão Evol, o norte-americano Axel Void e a norueguesa Hama Woods. O festival Nuart, iniciativa sem fins lucrativos, “dedica-se a promover a arte como parte da vida diária, a tirar a arte e os artistas dos estúdios, caves e instituições e para as ruas da cidade”. Além da criação de obras nas ruas de Aberdeen, o festival inclui o Nuart Plus, um programa internacional de

conversas académicas, apresentações de artistas, exibição de filmes, visitas guiadas, oficinas e outras iniciativas que acontecem em vários locais. É neste programa que está incluído o projeto Lata 65, da arquitecta Lara Seixo Rodrigues, que é também responsável pelos festivais Wool – Festival deArte Urbana da Covilhã e ESTAU – Estarreja Arte Urbana. Desde a primeira oficina, realizada em Novembro de 2012 com idosos que frequentavam o Centro Pa-


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Óbito Morreu o actor Amadeu Caronho

sta surpresa

O SEGUNDO ANIVERSÁRIO CELEBRADO COM CICLO SECRETO DE FILMES

Em relação às sessões secretas, a directora de operações da Cinemateca, Rita Wong, explica que a noção de “nova perspectiva” tem um papel fundamental no programa de aniversário. “O público entra na sala sem qualquer ideia prévia. Ao fazer a lista de obras, com a curadora convidada Penny Lam, decidimos escolher obras populares e de renome. Tal como o slogan do festival indica, tratam-se de narrativas que ‘transcendem o tempo’.

DE ARTE PÚBLICA roquial de Alcântara, o Lata 65 já passou por várias cidades portuguesas, mas também do Brasil, Espanha e Estados Unidos. Nos ‘workshops’, os idosos aprendem, e põem em prática, técnicas de Arte Urbana com ajuda da própria Lara e de vários artistas. O Nuart Aberdeen é organizado pela Nuproductions, a equipa que organiza o Festival Nuart, na Noruega, “o mais antigo festival anual de arte urbana do mundo”.

Além disso, são apresentas em sessões secretas, o que acrescenta um sentido de aventura. Espero que o público nos acompanhe nesta aventura cinematográfica”, aponta Rita Wong.

ANOS RECHEADOS

Desde que abriu portas, a Cinemateca Paixão tem mantido actividade constante. “Ao longo dos dois últimos anos, organizámos mais de 20 festivais de cinema, apresentámos estreias e exibimos filmes

locais. O nosso objectivo é providenciar um ‘hub’ de cinema para os fãs da sétima arte e apresentar trabalhos de relevo a novas audiências. A conjugação destes dois tipos de público tem reflexo na nossa programação, que tanto pode ser peculiar e artística, como apresentar obras que metem a audiência bem-disposta”, refere Rita Wong. À passagem de dois anos de actividade, a directora da Cinemateca Paixão mostra-se feliz com a aderência do

público e acrescenta achar possível “ir ainda mais longe”. Um dos outros rostos da casa que se dedica à paixão pela sétima arte é Albert Chu, director artístico da Cinemateca, que também aproveitou a ocasião para dirigir algumas palavras à audiência. “Gostaria de manifestar a minha profunda gratidão pelo apoio do público ao longo destes dois anos. É minha convicção que estamos a crescer juntos. Com a nossa curadoria de festivais de cinema aspiramos a mostrar grandes filmes que possam inspirar uma profunda reflexão. O que nos dá o cinema? Certamente a sua fascinante cinematografia, as suas histórias e contextos. Mas também, entre outras coisas, as memórias que suscita e o pensamento crítico que evoca. É muito encorajador ver caras novas

“Tal como o slogan do festival indica, tratam-se de narrativas que ‘transcendem o tempo’. Espero que o público nos acompanhe nesta aventura cinematográfica.” RITA WONG DIRECTORA DE OPERAÇÕES DA CINEMATECA

entre o público. Espero que juntos cheguemos mais longe, público e Cinemateca.” Os bilhetes para o ciclo secreto de cinema vão ser postos à venda a partir de amanhã e custam 60 patacas. João Luz

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O actor Amadeu Caronho, que participou no programa da TVI “Ri-te, Ri-te” e em diversas produções de ficção nacional, faleceu na quarta-feira aos 76 anos, disse à Lusa fonte da família. Conhecido pelas participações em “Ri-te, Rite”, da TVI, e no programa de apanhados “Minas e Armadilhas”, da SIC, Amadeu Caronho participou nas telenovelas da TVI “Anjo Selvagem”, “Olhos d’Água” e “Nunca Digas Adeus”, bem como nas séries da estação de Queluz “Inspetor Max” e “Super Pai”. Na RTP, integrou as séries históricas “O Processo dos Távoras”, “Alves dos Reis” e “Ballet Rose”, escritas por Francisco Moita Flores, fazendo parte também do elenco de “Esquadra de Polícia”, igualmente de Moita Flores, em coautoria com Luís Filipe Costa. Amadeu Caronho participou ainda em “O Espírito da Lei”, exibido pela SIC, assim como “O Olhar da Serpente”, para a mesma estação de televisão, entre outras produções nacionais e estrangeiras.

FIC GOVERNO GARANTE APOIO ÀS INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS

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Executivo garantiu que vai continuar a promover e a apoiar as indústrias culturais e criativas, um dos sectores em que tem apostado no âmbito da diversificação económica. “O Governo irá continuar a promover e a apoiar, através de políticas, as indústrias culturais e criativas, articulando com o trabalho de diversificação adequada

da economia”, afirmou, em comunicado, Chui Sai On. O governante encontrou-se esta semana com responsáveis da Associação de Caligrafia de Deleite, tendo recordado que o “Governo disponibiliza recursos e assistência aos artistas (...) através do Fundo das Indústrias Culturais e outras entidades”.

Em 2018, o Governo da RAEM concedeu 77 milhões de patacas a 24 projectos e dois programas na área das indústrias culturais. O Fundo das Indústrias Culturais (FIC) foi criado em 2013 com o objectivo de apoiar financeiramente projectos que contribuam para o desenvolvimento das indústrias culturais de Macau, de modo a impulsionar o

desenvolvimento diversificado adequado da economia local. A diversificação da economia de Macau é uma ambição de Pequim patente nas “Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong - Hong Kong - Macau”, documento revelado no mês passado pelo Governo central.


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AUTOMÓVEIS VENDAS RECUAM MAIS DE 17 POR CENTO

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INDÚSTRIA PRODUÇÃO RECUA PARA RITMO MAIS LENTO DESDE 2002

Crescer devagar

A produção industrial da China cresceu ao ritmo mais lento dos últimos 17 anos, nos meses de Janeiro e Fevereiro, acompanhando o constante abrandamento do crescimento económico. A guerra comercial com os Estados Unidos aparece como um dos factores decisivos para a mudança de ritmo

A

produção industrial da China recuou, no início deste ano, para o ritmo mais lento dos últimos 17 anos, face às disputas comerciais com os Estados Unidos e à queda na procura doméstica. Nos dois primeiros meses do ano, aquele importante indicador da segunda maior economia mundial subiu 5,3 por cento, a aceleração mais lenta desde o início de 2002. O Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) da China publica os dados económicos de Janeiro e Fevereiro em conjunto, para evitar distorções resultantes das férias do Ano Novo Lunar. No ano passado, a economia chinesa cresceu 6,6 por cento, o ritmo mais lento em quase três décadas.

A actividade económica recuou à medida que a procura doméstica caiu e o país entrou em disputas comerciais com Washington. “Devido aos atritos comerciais, muitas fábricas apressaram-se para completar ordens de compra e venda antes do Ano Novo Lunar. Agora estão a aguardar com cautela para ver se as tarifas serão suspensas”, afirmou Lin Longpeng, analista chefe de mercado da seguradora Guotai Junan Securities, com sede em Shenzhen, no sul da China. Nos dois primeiros meses do ano, as vendas a retalho registaram um crescimento de 8,2 por cento, face ao período homólogo, próximo do nível mais baixo dos últimos 15 anos. O investimento em activos fixos - gastos com imobiliário, fábricas,

Imobiliário Investimento aumenta 11,6 por cento

O Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) anunciou esta quinta-feira que o investimento em imóveis da China cresceu 11,6 por cento em termos anuais nos primeiros dois meses deste ano. O crescimento foi maior que o de 9,5 por cento em 2018. Segundo o GNE, o investimento imobiliário total neste período chegou a 1,2 biliões de yuans, com 72,1 por cento a serem destinados ​​a edifícios residenciais. Em Janeiro e Fevereiro, o investimento em residências subiu 18 por cento em termos anuais, para 871,1 mil milhões de yuans, 4,6 pontos percentuais superiores ao ritmo de 2018. Durante o mesmo período, as construtoras imobiliárias chinesas construíram prédios num total de 6,75 mil milhões de metros quadrados em área útil, um aumento anual de 6,8 por cento.

venda de automóveis na China registou uma queda homóloga de 17,5 por cento, nos dois primeiros meses do ano, reflectindo o abrandamento na economia chinesa, numa altura de crescentes fricções comerciais com os Estados Unidos (ver texto principal). Segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, entre Janeiro e Fevereiro venderam-se 3,2 milhões de veículos utilitários desportivos, ‘minivans’ e ‘sedans’. Em 2018, a venda de automóveis na China caiu 5,8 por cento, para 22,35 milhões de veículos, no primeiro declínio anual desde 1990, coincidindo com outros indicadores negativos da economia chinesa. Trata-se de um retrocesso para as principais construtoras do sector, que anunciaram planos de milhares de milhões de euros, visando cumprir com as metas do Governo chinês para o desenvolvimento de veículos eléctricos. PUB

HM • 2ª VEZ • 15-3-19

maquinaria e obras públicas - subiu 6,1 por cento no ano até Fevereiro, em termos homólogos.

DA ESTABILIDADE

Em comunicado, o GNE considerou que a economia chinesa apresentou um desempenho “razoável”, revelando um impulso “em geral estável e crescente”, o que indica uma “tendência positiva gradual”. “Em geral, a economia chinesa está a progredir bem (...), com esforços redobrados para promover um desenvolvimento de alta qualidade e implementar políticas que visam manter a estabilidade no número de postos de trabalho, sector financeiro, comércio externo e investimento”, afirmou.

Nos dois primeiros meses do ano, as marcas chinesas registaram uma queda de 23 por cento nas vendas, para 1,3 milhão de unidades, fixando a sua participação no mercado doméstico em 41,8 por cento, uma descida homóloga de 3 por cento. O crescimento nas vendas de veículos puramente eléctricos e híbridos, que Pequim está a subsidiar, subiu 98,9 por cento, em relação ao ano anterior, para 148 mil unidades. As vendas de utilitários desportivos diminuíram 18,6 por cento, para 141.000 unidades.

ANÚNCIO Proc. HABILITAÇÃO

n.ºCV1-18-0025-CAO-A

1º Juízo Cível

REQUERENTE: Chu Ut Wa, do sexo feminino, casada, natural da China, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente, residente em Macau. --------------------------------------------------------------------------Chu Weng Sun, do sexo masculino, casado, natural da China, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente, residentes em Macau. --------------------------------------------------------------------------REQUERIDOS: Herdeiros Incertos da falecida Tang Soi Peng. ------------------------FAZ-SE SABER que pelo Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do respectivo anúncio, citando Herdeiros Incertos da falecida Tang Soi Peng, que se julguem com a qualidade de herdeiros ou sucessores da falecida Tang Soi Peng (do sexo feminino, viúva, natural da China, de nacionalidade chinesa, era titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente), para no prazo de DEZ DIAS, findo o dos éditos, deduzirem oposição à presente habilitação, nos termos dos artigos 245.º, nºs 2 e 3 e 305.º, ambos do Código de Processo Civil, com advertência de que a falta de contestação não importa a confissão dos factos articulados pelos requerentes, e ainda que é obrigatória a constituição de advogado (art. 74.º do C.P.C.), caso contestem, tudo como melhor consta do requerimento inicial, cujos duplicados se encontram nesta Secretaria à sua disposição. ------------------------------ Mais fica citado de que deve fornecer a identificação e o endereço de contacto de outros herdeiros, caso se tenha. ------------------------------------------------ Aos 21 de Fevereiro de 2019. O JUIZ


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tonalidades António de Castro Caeiro

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idade moderna dissocia dramaticamente a mente do corpo. Descartes torna irreconciliáveis pensamento e mundo. A “cogitatio” e a “extensio” são termos que se contradizem. Se o mundo é material, corpóreo, divisível e extenso. O pensamento é imaterial, incorpóreo, indivisível e inextenso. Descartes não deixa de dar uma formulação positiva para pensamento. A cogitatio é a abertura “aqui e agora” que dá acesso ao conteúdo “aqui e agora” de cada uma das nossas vidas com as suas agendas individuais. A percepção clara e distinta é a dupla presença sincronizada de mim a mim, de mim ao mundo, de mim ao outro. A percepção torna presente um dado conteúdo que coincide comigo e é interceptado por mim. O agora traz-me de cada vez um conteúdo determinado. Todas as pessoas existentes têm o seu conteúdo agora diferente do meu, no decurso das suas vidas. O presente que de cada vez se renova e actualiza é pensado à luz das nossas percepções que se reactualizam e renovam, mesmo tendo o mesmo conteúdo à sua frente. Deus é omnipresente não apenas por que tudo vê, mas porque cria o presente. O ser humano por defeito de finitude capta o presente a constituir-se e a trazer consigo o seu conteúdo específico. Mas nenhuma percepção poderia criar um momento presente. Nem o homem mais rico do mundo consegue comprar um só instante de tempo. Descartes procura assim mostrar que a evidência com que se constitui uma percepção clara e distinta resulta da consciência da simultaneidade de mim e de qualquer conteúdo, inclusive de mim próprio, quando me surpreendo a ter uma percepção de mim. Eu penso-me a pensar coisas pensadas por mim. Durante o tempo em que tenho essa consciência, não deixarei de ter a percepção da minha existência. Nem um génio maligno nem um deus enganador

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Faze as malas para parte nenhuma!

Biologias. II.

poderão estancar a consciência da duração, consciência que para ser tida também tem de durar. A percepção estende-se na duração para poder captar a duração, durante a qual as coisas duram. Passar muito tempo ou pouco tempo, todo o tempo do mundo ou nenhum tempo do mundo requer uma actualização contínua da percepção ou de fases de percepção. De outro modo, não poderíamos perceber a duração da nossa casa desde que temos a primeira percepção dela e a sua continua renovação. Sem duração nunca conseguiríamos ouvir música, a co-existência de sons numa sinfonia, perdura ao longo do tempo numa sucessão que permanece. O que se passa com a música na distribuição de sons por tempos, passa-se com toda captação sensorial. Não veríamos a continuidade de cores e texturas ou formas e figuras num quadro permanecer numa coexistência, mesmo se não olharmos para o quadro de forma abrangente. Podemos olhar para o canto superior esquerdo e deixarmos desatento o canto inferior direito. Quando recuperamos este canto, não é como se a tela não tivesse sido pintada. Um momento do quadro é visto depois de outro, mas percebe-se que ambos os momentos estão saturados de

tinta, há uma permanência da coexistência de todos os pigmentos de cor que formam figuras e texturas. Há, contudo, um elemento comum ao pensamento e à extensão, ao eu e ao mundo. Descartes fala de uma res cogitans e de uma res extensa. A realidade da coisa é a substância. A substância de uma coisa é tornada possível pela sua subsistência. A subsistência de uma coisa é a duração. Não é só a extensão material e corpórea que subsistem. O pensamento, mesmo durando um lapso de tempo dura. A duração do pensamento tem de coincidir com duração de uma coisa. A duração do eu tem de coincidir em possibilidade com a duração do mundo. A minha duração é a duração do meu mundo. Só que não vemos a duração do tempo, porque não vemos o tempo. Sentimos o tempo a passar, podemos até dizer que temos uma percepção do tempo, mas o que temos quando dizemos que sentimos ou temos uma percepção do tempo? O que é ter uma percepção de si, quando precisamente somos sem extensão, não temos realidade material no pensamento? Por outro lado, o mundo é o mundo pela sua realidade. No mundo pode ser visível a passagem do tempo, pelo

O ser humano não senhor do seu tempo, não pode enganar-se, não pode fazer que tudo seja como no princípio, mesmo que haja muitas coisas no princípio. Ou poderá? Pode o verdadeiro e autêntico princípio ser a meio da vida e o que era tido por o princípio ser já velho e estafado e só enganosamente o princípio. Terá sido um começo mas não um princípio

menos na proximidade, porque o céu azul é o mesmo de sempre, a lua é a mesma de sempre, o Atlântico é o mesmo de sempre. A passagem do tempo sente-se, quando podemos dizemos, por outro lado, que o céu azul já não é o da infância, tal como não são os primeiros dias da primavera, nem o primeiro mergulho de verão atlântico é recuperável agora, ainda que possa ser tudo feliz. Sente-se o tempo passar mesmo sem que haja vestígios da sua passagem. Não é necessária a ferrugem no ferro, nem o míldio, ou a podridão, ou o caruncho, nem lombadas de livros desbotadas pelo sol, nem folhas amarelecidas, nem flores murchas, nem a idade estampada nos rostos das pessoas, nem ruas que se desfazem ou prédios que se desmoronam, amizades acabadas, pessoas mortas. O tempo passa e temos uma percepção da sua passagem, como temos uma percepção da nossa passagem. Ou será antes que é por termos uma percepção da nossa passagem que percebemos o tempo a passar e que tudo passa. Nós somos esse tempo a passar inexoravelmente. Eu sou esse tempo inexorável mesmo se vivesse para sempre. A sequência é tempo, sem dúvida, como a coexistência e a simultaneidade, mas invertida. O sentido da sequência, o ser do tempo, é, sem dúvida o tempo que virá, que começa agora. Mas é também o tempo da irreversibilidade, o tempo inultrapassável e irrepetível. Descartes não viu este tempo. Viu um outro tempo que era omnipresente, omnisciente, omnipotente. Temporalizou Deus. E divinizou o ser humano e o seu mundo, mas erradamente. Porque até o seu Deus cria o tempo e conserva-o. É a origem do primeiro momento e da sua repetição e tudo o que é abrangível pelo tempo. Mas o ser humano não senhor do seu tempo, não pode enganar-se, não pode fazer que tudo seja como no princípio, mesmo que haja muitas coisas no princípio. Ou poderá? Pode o verdadeiro e autêntico princípio ser a meio da vida e o que era tido por o princípio ser já velho e estafado e só enganosamente o princípio. Terá sido um começo mas não um princípio. O princípio é agora. Haver eu e ser outro. Haver outro e ser comigo. Von Uexküll usava o termo Umwelt, palavra alemã composta de Um- e Welt, respectivamente: em redor ou envolvente, por um lado, e, por outro, mundo. A sua biologia teórica procurava mostrar de que modo o mesmo local era completamente diferente para diversas formas de vida, ao ponto de terem mundos diferentes, impermeáveis e incompatíveis uns com os outros. As espécies que habitam uma árvore, por exemplo, não vêm o mesmo que nós humanos, quando olhamos para uma árvore, se é que druidas, caçadores, guerrilheiros e amantes vêem a mesma árvore. [Continua]


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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OFício dos ossos

Valério Romão

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S redes sociais são pródigas na não tão subtil arte da indignação colectiva. São uma espécie de curso de água por onde passam boiando as revoltas do dia. O seu percurso à superfície é normalmente assaz reduzido: vêm de um subterrâneo oculto e anónimo, flutuam no máximo dois ou três dias à vista e na boca de todos, sob o escrutínio atento dos indignados, e regressam rapidamente ao buraco do esquecimento geral. Pelo que tenho lido nas redes sociais – onde os gatos têm injustamente de dividir o espaço que lhes pertence por direito com toda a espécie de minudências – nestes últimos dias tem-se falado de dois programas televisivos que visam encontrar mulher casadoira para homem medianamente incapaz. Não vi os programas em causa, o que no entanto não me impede de todo de comentá-los – com a vantagem acrescida de evitar uma exposição à mediocridade a que já estamos involuntariamente votados uma grande parte do tempo. Parece que num deles uma das personagens é a mãe dos indivíduos em causa, repetidamente insatisfeita com a parca qualidade doméstica das mulheres de hoje. De facto,

Menos, por favor o mundo no qual definhamos em relativa simultaneidade tornou-se cada vez menos complacente com a polivalência. Se há quarenta anos se esperava das mulheres, para além das competências que lhe eram naturalmente impostas, do arrumar a casa ao lavar e passar a roupa, sem esquecer cuidar das crianças e amiúde dos sogros acamados, ter ainda um emprego – que de preferência não exigisse muito daquelas cabecinhas já tão gastas pelo excel incessante de compras e contas que lhes cabiam naturalmente em tarefa –, a verdade é que os dias de hoje, crescentemente propensos à especialização, obrigam as mulheres a revelarem as suas infelizes limitações, nomeadamente em termos de ubiquidade e de tolerância ao sofrimento. Cada vez mais

embrenhadas nas tarefas profissionais que lhes garantem uma módica quota de independência, as mulheres infelizmente dotadas de apenas dois braços e de uma aborrecida precisão de sono, já não conseguem – ou não querem – ser o pau-para-toda-a-obra voluntarioso a que uma geração não muito distante de homens – e de mulheres – se habituou. No outro programa o foco são os agricultores do rectângulo, homens bons e sadios como pêros de Monchique que, por vicissitudes da vida no campo (onde é verdade que as mulheres – e já agora, porque não, os homens – são cada vez em menor número), não logram chegar à idade de ver os frutos das suas sementes crescerem vicejantes porque as suas sementes, infelizmente, não caem nunca

A crescente estupidificação em curso só pode na verdade ocorrer porque aparece aos olhos do estupidificado em curso – todos nós, com algumas notáveis mas insuficientes excepções – como outra coisa ou mesmo o seu contrário

em chão fértil. É uma espécie de glosa da imagem do rancheiro letrado, apetecível e rico mas na versão minifúndio, escolaridade básica e remediado suficientemente para ter quase os dentes todos. Sempre achei que existe uma correlação rígida e simples entre a vergonha da exposição neste tipo de baderna televisiva e os ganhos decorrentes da mesma. Tendo em conta de que o Tinder permite um raio de “descoberta de sujeitos passíveis de interesse” de cento e sessenta quilómetros e de que não estamos propriamente nas desabitadas e infindas estepes russas, parece-me que existem ainda demasiadas pessoas a não perceberem a simplicidade da correlação ou a desconhecerem o Tinder. Qualquer dos casos me parece, em todo o caso, lamentável. A crescente estupidificação em curso só pode na verdade ocorrer porque aparece aos olhos do estupidificado em curso – todos nós, com algumas notáveis mas insuficientes excepções – como outra coisa ou mesmo o seu contrário. A vergonha aparece como fama; a quantidade confusa de informação aparece como esclarecimento; a saloiice aparece como genuinidade, e podíamos continuar maçando página fora.


RAFAEL BORDALO PINHEIRO

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PLANO DE CORTE José Navarro de Andrade

Q

UEIRA-SE ler Eça de Queiroz com algum sobreaviso – chame-se “olhar crítico” para condescender ao linguajar vigente – e depressa ressaltará uma contumaz sobranceria e não pouca petulância por entre os interstícios da magnífica prosódia, da calibrada pulsação narrativa, da mão firme no contorno dos tipos e da acuidade do retrato social. Eça tinha mundo, andava lá por fora, vira coisas, ao contrário dos borra-botas que aos fins de tarde, encostados à Havaneza do Chiado fofocavam, demoliam umas reputações e lisonjeavam outras, arengavam opiniões, enfim ditavam as modas e os gostos a prevalecer na cediça e periférica Lisboa de oitocentos. Em “A cidade e as serras” a cena do jantar no 202 dos Champs Elysées é impagável de ritmo e burlesco e só a pode engendrar não quem a imagina em abstracto, mas quem deveras conviveu com as luzes e as modernidades de Paris. A Madame de Todelle que caiu do velocípede, Dornan, “o poeta neoplatónico e místico”, Joban, “o supremo crítico teatral”, fazem conjunto com as elegâncias de Jacinto – “um roupão branco de pelo de cabra do Tibete.” Mas a quem dirige Eça estas minuciosas descrições, quem quer ele que as

15.3.2019 sexta-feira

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Queirozices leiam, senão precisamente os borra-botas da Havaneza? Eça não pretendia apenas derrotá-los e calá-los com as graças do seu talento literário, bem acima da nacional-mediania e que mesmo o seu némesis Fialho de Almeida – ou mero candidato a isso, pois nunca pela obra lhe chegaria aos calcanhares – se via forçado a reconhecer. Eça queria esmagá-los, invectivá-los ou até deslumbrá-los com o seu cosmopolitismo. Sabendo-se melhor do que os coevos, porém mal-amado ora por aquele rancor tão portuguesinho ora por um despeito em troco do seu snobismo, Eça ansiava por asseverar uma posição existencial e intelectual superior à deles. Dizem, e talvez com mais razão do que calculam, que tudo isto é muito contemporâneo.

Emulando a subtileza e a perspicácia inquisitiva de Eça na observação da sociedade em seu derredor é certo e sabido que não falta hoje quem, com o zelo dos escrupulosos, se proponha apostrofar esta choldra que não progrediu um milímetro desde os dias queirozianos, apenas transumou dos umbrais da Havaneza para o caneiro das redes sociais. E em reforço da cumplicidade com quem os ouve, como se reflectíssemos aqui entre nós tão clarividentes que somos, lá vêm as imprecações contra a letargia e a cupidez dos tempos, as cabalas dos poderosos que se não viéssemos acusar ninguém as expunha, a superficialidade e a bruteza do povo que enxameia os hipermercados aos fins-de-semana, a mesmidade dos vendilhões do templo da cultura que se põe com entretenimentos em vez de denunciarem as

Os descendentes dos toscos e ronceiros que resmoneavam diante da Havaneza, sem se arredarem um milímetro das maneiras e da mentalidade dos antecessores, arrogaram para si a sátira e o entono de Eça de Queiroz. Bela partida lhe pregaram, não haja dúvida

enfermidades da grei com murros no estômago dos espectadores, o Estado pusilânime que não investe nas radiosas flores que amanhã nos deslumbrarão. O diabo é que quem se põe com estas faenas acaba por ser parte delas. E ao constituírem-se de motu próprio como fiéis depositários do “sentido crítico” queiroziano, ao apropriarem-se do lugar do narrador que é o de um deus ex machina, estes pretensos videntes afundam-se num pedantismo em que só o génio na escrita de Eça o protegeu de nele escorregar. Descarnados desse dom os imaculados não passam de pernósticos, traço indissociável do ridículo. É isto um fenómeno patrioticamente luso-nacional-português que Eça ele próprio não desdenharia capturar em prosa. Aqui ninguém enfia carapuças em concreto pois todos crêem que ela cabe melhor na cabeça de outros em abstracto, por isso tantos há que queiram dar uma mãozinha – ou meter a mão pela calada – na troça de assestar carapuças noutrem. Sucedeu, portanto, que os descendentes dos toscos e ronceiros que resmoneavam diante da Havaneza, sem se arredarem um milímetro das maneiras e da mentalidade dos antecessores, arrogaram para si a sátira e o entono de Eça de Queiroz. Bela partida lhe pregaram, não haja dúvida.


desporto 17

sexta-feira 15.3.2019

Charlie Whiting morreu ontem

Grande Prémio de Macau enviou condolências à Federação Internacional Automóvel

C

anos os contributos para o Grande Prémio de Macau do Charlie foram imensos.A sua orientação e experiência ajudaram a que o Circuito da Guia e o Grande Prémio de Macau continuassem a cumprir e a exceder os mais elevados padrões desportivos e organizativos. Macau ficará eternamente grata ao Charlie pela sua dedicação, profissionalismo e amizade”, podia ler-se na mensagem.

CONDOLÊNCIAS GERAIS

Além da comissão do Grande Prémio, foram várias as figuras do automobilismo que deixaram mensagens de condolências à família de Charlie Whiting, como o presidente da FIA, Jean Todt, ou os campeões mundiais de Fórmula 1 Lewis Hamilton ou Sebastian Vettel. “Uma figura central e inimitável, que personificava a ética e o espírito da Fórmula 1”, considerou Jean Todt. Por sua vez, Hamilton recordou que Charlie era uma “figura icónica”. Já Vettel considerou que o britânico era a excelente ponte de ligação entre os técnicos e pilotos e que “tinha sempre a porta aberta para receber os pilotos”. Charlie Whiting começou a carreira na Fórmula 1 como mecânico, em 1977. Porém, em 1988 mudou-se para a FIA e assumiu as funções de Delegado Técnico da Fórmula 1, onde continuou a carreira. J.S.F.

GCS

HARLIE Whiting, Director de Corrida do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 e Delegado de Segurança da Federação Internacional Automóvel (FIA), morreu ontem devido a uma embolia pulmonar, na Austrália, onde se encontrava para mais um início de temporada da classe rainha do automobilismo. Whiting, de 66 anos, era uma figura muito ligada ao Grande Prémio de Macau, onde desempenhou várias funções, entre elas a de Director de Corrida. Era também uma presença constante nas inspecções ao circuito. A morte apanhou de surpresa o mundo do automobilismo e Macau não passou ao lado das notícias. Fonte da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau informou o HM que o presidente, Pun Weng Kun, enviou ainda ontem uma carta de condolências à FIA. Em relação à edição deste ano do Grande Prémio de Macau, que se realiza em Novembro, vai ainda ser equacionada uma homenagem. Contudo, uma vez que “ainda faltam vários meses para o evento” não há nenhuma decisão tomada. Além destes actos, a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau colocou o portal da prova a preto-e-branco e emitiu um comunicado a valorizar o papel de Charlie Whiting para a prova: “Ao longo dos

Charlie Whiting (direita) durante uma inspecção ao Circuito da Guia

E

NQUANTO aguarda pelo resultado dos testes que fará por estes dias em Okayama e que lhe podem abrir novamente as portas do campeonato nipónico Super GT, André Couto viu terça-feira o seu primeiro programa desportivo para a época 2019 confirmado. O piloto português da RAEM vai conduzir um Audi R8 LMS GT3 Evo na temporada completa do Blancpain GT World Challenge Asia. O anúncio foi feito esta semana pela Audi Sport customer racing Asia, através de um comunicado de imprensa, confirmando o apoio ao Audi inscrito pela equipa chinesa Tianshi Racing Team (TSRT). Nesta nova aventura, Couto irá fazer equipa com David Chen, de 23 anos, na classe Silver-Silver (Prata-Prata). O piloto chinês tem no seu currículo triunfos à classe na TaçaAudi R8 LMS e noAsian Le Mans Series, sempre com a equipa TSRT.

O piloto português da RAEM vai conduzir um Audi R8 LMS GT3 Evo na temporada completa do Blancpain GT World Challenge Asia Para Martin Kuehl, o director da Audi Sport customer racing Asia, “Couto é um profissional com provas dadas e com muita experiência no Audi R8 LMS GT3”. O responsável alemão admite que “é bom ver uma inscrição tão capaz” no campeonato em que a marca de Ingolstadt contará com mais dois R8 LMS GT3 inscritos pela Absolute Racing. Esta não será a estreia de André Couto no Blancpain GT World Challenge Asia, campeonato que o ano passado se designava como Blancpain GT Series Asia. O piloto do território conduziu um dos Bentley Continental GT3 da Phoenix Racing Asia na ronda final de Ningbo do ano passado. Neste programa com a TSRT, Couto irá encontrar o engenheiro português radicado em Zhuhai, Rúben Silva, que o ano transacto o acompanhou no campeonato

AUDI ANDRÉ COUTO COM PROGRAMA ASIÁTICO

Um já cá canta

japonês Super Taikyu Series. Esta dupla tem se encontrado em diversas ocasiões desde que trabalharam juntos pela primeira vez em 2014, quando o piloto de Macau se sagrou vice-campeão da Taça Audi R8 LMS. A competição organizada pela SRO Motorsport OrganiPUB

sation, a entidade co-organizadora da Taça do Mundo FIA de GT do Grande Prémio de Macau, é composta por doze corridas em seis eventos, e arranca no primeiro fim-de-semana de Abril, em Sepang, passando depois pela Tailândia, Japão, Coreia do Sul e República Popular da China.

O calendário do Blancpain GT World Challenge Asia só coincide com o do Super GT no fim-de-semana de 3 e 4 de Agosto, com a prova da Coreia do Sul a ser realizada no mesmo fim-de-semana das 500 milhas de Fuji. Sérgio Fonseca

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18 (f)utilidades

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

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Oficinas Navais nº2 | 17h

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ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “AS VIAGENS E OS LIVROS DE MIGUEL SOUSA TAVARES” Oficinas 6 5Navais0nº1 3| 17h15 2 4 8 7 1 9

2 DAS8LETRAS 4 | RÉCITA 1 0DE POESIA 9 7 ROTA Oficinas Navais nº2 | 18h30h 1 7 9 0 6 5 3

3 6 5 4 8 2 3 DAS9LETRAS 6 | CONCERTO 7 1 8DE SALVADOR 4 2 SOBRAL 5 0 ROTA Teatro Brodway | 21h 8 4 7 6 9 2 5 0 3 1 Diariamente 0 2 1 5 7 3 9 6 4 8 EXPOSIÇÃO | OBRAS PRIMAS DE ARTE RUSSA 4| Até322/04 5 2 8 0 1 9 7 6 MAM 9 0 3 4 5 1 6 8 2 7 EXPOSIÇÃO | JU MING 5 Cotai 6 | Até2 07/04 8 3 7 0 1 9 4 MGM 7 1 8 9 4 6 2 5 0 3 CONCERTO | AZZOLINI E LU JIA Igreja de S. Domingos | 15/03

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CONCERTO | GALA DA CÂMARA Teatro Dom Pedro V | 30/03

9 1 7 8 4 8 0 9 2 6 5 1 Cineteatro 3 4 9 2 0 2 8 4 CAPTAIN MARVEL [B] Um filme 6 de: Anna 5 Boden,3Ryan Fleck 7 Com: Brie Larson, 8Samuel L.7Jackson1 3 14.30, 16.45,19.15, 21.30 7 3 2 6 ESCAPE ROOM [C] Um filme 1 de: Adam 0 Robitel6 5 Com: Taylor Russel, Miller, 5Logan 9 4 0 Deborah Ann Woll,

6 3 7 5 9 0 4 1 2 8

4 2 0 5 3 1 5 7 6 2 0 3 8 9 4 8 0 6 7 1 6 7 3 1 5 DRAGON BALL SUPER BROLY [B] 2FALADO 1EM JAPONÊS 4 LEGENDADO 8 9 EM CHINÊS E INGLÊS 5Um16.30,filme19.30 9de: Tatsuya 2 Nagamine 0 6 9KAMENN 8 RIDER 5 HEISEI 4 0 GENERATIONS FOREVER [B] FALADO EM JAPONÊS 7LEGENDADO 4 EM 9 3 8 CHINÊS Um filme de: Kyohei Yamaguchi 3Com: Sou6Okuno,1Atsuhiro2Inukai, 7

C I N E M A

SALA 1

SALA 2

Jay Ellis 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 3

Gaku Oshida, Shieri Ohata 14.30

BAHT

NA CASA DA PARTIDA 20 5 2 6 7 8 4 0 3 1 9

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 20

que vai candidatar-se às primárias de 2020 para eleições para Casa Branca. “Esta vai ser uma campanha positiva que procura promover o melhor de cada um de nós e que pretende unir um país muito dividido”, disse O’Rourke numa mensagem registada em vídeo e acompanhado da mulher.

9 0 2 3 5 6 8 1 4 7

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2 9 5 4 1 8 3 6 7 0

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9 0 LIVRO 5 1 3 HOJE 2 7 4 UM 8 2 6 4 9 5 0 3 7 3 4 9 6 8 1 0

Ler um livro de Cossery á assinar 1 sentença 7 2 3de 5 4 obriga6 8 uma leitura tória de todas a suas obras. 6 1 9 7 2 0 8 5É no cumprimento desta “pena” 5 aparece 8 3 0“Uma 4 conjura 1 9 6de que saltimbancos”. 2 4 0 6 Aqui, 7 3um5chefe 1 de polícia com a obsessão das 4 6 1revolucionárias, 8 0 9 2 um 7 conjuras informante 0 5 8 revoltado, 2 1 7um3jovem 9 que vai estudar no estrangeiro e 3 9 7 5 8 6 4 2 regressa com um diploma falso, um actor míope, uma adolescente que 24anda de bicicleta, um senhorio frustrado, rico e canalha, um 0 4 8de veterinária 6 2 7 que 5 vem 9 estudante receber uma herança e se perde 9 2 5 8 1 3 0 6 de amores por uma matrona e 3 1 assassinado, 6 0 4 9 7 5o acaba enchem livro que apela à vida e à alegria 7 6 3 4 5 1 8 2 numa cidade de província con4 0 1 Sofia 3 Margarida 9 6 2Mota7 denada.

5 1 6 2 8

8 9 7 7 2 9 9 0 5 5 7 1 3www. 4 2

hojemacau. com.mo

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9 6 4 7 1 3 1 5 9 2 2 7 1 8 4 9 2 9 1 0 1 0 8 2 5 6 5 0 6 9 6 4 7 2 3 5 1 8 0 dos Estados Unidos pelo Texas Beto O’Rourke anunciou 7 ontem O ex-candidato democrata ao Senado

ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “SOTAQUE DA MARGEM O DESENVOLVIMENTO DA POESIA DE MACAU Oficinas Navais nº2 | 15h

2 0 9 6 4 7 1 3 8 5 2 4 6 4 9 0 5 6 8 2 7 4 9 0 3 1 Domingo ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “POESIA EM TRADUÇÃO” 9 4 3 1 6 5 0 8 7 2 Oficinas Navais nº2 | 15h 7 1 0 9 8 2 4 5 6 3 ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “UM CASO DE TRADUÇÃO” 1 8Navais5nº23| 16h0 6 7 9 2 4 Oficinas 6 9 4 7 2 3 5 1 0 8 ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “ESCREVER POESIA NA 0 3 2 4 9 1 8 6 5 7 CHINA”

9.14

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Sábado

ROTA DAS LETRASFILME “NOBODY NOSE” 1 0 5 9 3 DE 8 KONG7RUI LIANG Cinema Alegria 3 2 7| 21h5 1 8 6

EURO

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ROTA DAS LETRAS | TEATRO “SOPHIA” Oficinas Navais nº2 | 21h

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0.25

YUAN

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HAJA SAÚDE

ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “O PERCURSO LITERÁRIO DE SOPHIA “ Oficinas Navais nº2 | 19h

ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “POETA, POEMA E POESIA DO ACTO DA ESCRITA AO CORPUS LITERÁRIO” 4 5 6 8 3 0 2 7 1 9 Oficinas Navais nº2 | 18h15

70-98%

VIDA DE CÃO

ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “O POETA E A CIDADE NO ESPAÇO PÚBLICO QUAL É HOJE O LUGAR DA POESIA? Oficinas Navais nº2 | 18h

ROTA DAS LETRAS | PALESTRA “PALAVRAS DE FOGO A POESIA DE JIDI MAJIA Oficinas Navais nº2 | 16h30

HUM

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S U D O K U

TEMPO

15.3.2019 sexta-feira

Não sei de é do meu parco entendimento ou se a intenção dos 20 Serviços de Saúde em contratar por ano 1 até0 360 7 enfermeiros 4 não 2 8 é paradoxal com a afirmação do 8 6 0 7 mesmo organismo em dizer que 9 0 suficientes. 7 Não 5 há enfermeiros se está9 a falar do1recrutamento 3 5 de meia dúzia de profissionais, 7 a falar 3 de umas centenas 1 0 está-se por ano que, entendo, significa 0 5 8 9 que são necessários, ou que pelo 8 6 menos2 vão ser 7 extremamente necessários. 7 Entretanto, 5 0diz que 6 a admissão de mais profissionais 5 0 4 3 tem que ver com a abertura do 6 das 8 Ilhas, 2 que a 3avaliar 0 1 Hospital pela evolução que tem tido na sua construção, muito provavelmente22nunca vai existir. Outro dos argumentos 9 5 para 3a necessidade 2 4 em massa de futuros enfermeiros 8 respeito 6 à aposentação dos 3 diz actuais, que9pensava eu 1 não aconteceria de um dia para o 1 2 5 4 8 outro e que os serviços teriam 7 8 irem 5 forma de9 gradualmente preenchendo essas lacunas. 3 0 9 6Se calhar, trata-se de mais uma si2 idêntica 0 à da 7 necessidade 3 1 tuação de médicos 8portugueses, 2 que pelos vistos faziam muita falta 0 cá, mas 8 que permanecem9no por 3 da7miragem. 8 Haja 6 saúde. 2 âmbito Sofia Margarida Mota

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0 6 | ALBERT 2 7 COSSERY 5 “UMA CONJURA DE SALTIMBANCOS”

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1 3 7 4 8 2 9 0 5 8 6 2 3 0 4 1 8 0 4 3 6 5 Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida 3 Propriedade 8 Colaboradores 1 Fábrica 4 2deAmélia 7Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; Mota José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; 0 Valério 4 Romão 6 Colunistas 8 3 António 9 Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista 7 5 9 1 0 6Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

sexta-feira 15.3.2019

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

As quatro condições de Zhang Xiaoming SIMONE GOLOB

P

ARA lá das decisões tomadas nas cimeiras da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), que tiveram lugar em Pequim, o que preocupa verdadeiramente os habitantes de Macau é se já terá havido por parte do Governo Central alguma indicação concreta, quanto à indigitação dos candidatos ao cargo de Chefe do Executivo do quinto Governo desta cidade. Mas, após escutar o discurso que Zhang Xiaoming, Director do Gabinete dos Assuntos Internos de Hong Kong e dos Assuntos Internos de Macau, dirigiu aos participantes da APN e da CCPPC, a especulação sobre a nomeação dos candidatos a Chefe do Executivo de Macau, está terminada. Zhang Xiaoming afirmou que existem quatro requisitos “incontornáveis” que o Governo Central espera de qualquer candidato a Chefe do Governo de Macau: amor à Pátria e a Macau, ter a confiança do Governo Central, ter capacidade de governar e ser reconhecido pela sociedade de Macau. São estas as qualidades fundamentais que superiormente se espera destes candidatos,

como sempre e sem qualquer novidade. Por outras palavras, ninguém em particular foi nomeado para o lugar, deixar-se-á que as coisas sigam o seu curso natural, e, no final, a pessoa de maior confiança do Governo Central e da sociedade de Macau será o próximo Chefe do Executivo. Na sociedade de Macau cuja confiança importa, estão naturalmente incluídas as 400 personalidades a eleger no escurtínio dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, agendado para o próximo dia 16 de Junho. Embora o Governo Central não tenha dado nenhuma indicação clara sobre os candidatos, um jornal local indicou imediatamente um conjunto de outras condições necessárias para o cargo, para além das que foram mencionadas por Zhang Xiaoming. Passo a elencá-las: 1) ter capacidade administrativa, 2) poder melhorar eficazmente a qualidade de vida do povo, e não se limitar-se a ser um “chefe do executico caritativo”, 3) gozar de boa saúde 4) ter uma idade apropriada. A pessoa que reúna estas condições deverá ter as suas próprias preferências e opiniões. Contudo, como Macau deverá seguir as políticas directivas da China, estas condições são indubitavelmente demasiado progressistas.

A partir do que observei, os preparativos para a eleição do quinto Chefe do Executivo de Macau começaram em força a partir de meados de 2017. Através do Gabinete de Ligação do Governo Central do Povo na RAEM, e de outros canais, o Governo Central tem vindo a “radiografar” todos os potenciais candidatos ao lugar. Ninguém quer manifestar publicamente a intenção de se candidatar sem a aprovação explícita do Governo Central. As atitudes serão tomadas no tempo devido. Os rumores que por hora circulam, apontam para os seguintes nomes: Leong Vai Tac (secretário para a Economia e Finanças) e Ho Iat Seng (Presidente da Assembleia Legislativa). No ponto em que as coisas estão, o que pode ser preocupante é a possibilidade de se perfilarem apenas um ou dois candidatos a Chefe do Executivo, cuja eleição ocorrerá no próximo dia 18 de Agosto. Se Ho Iat Seng se candidatar, terá de ser suspenso do cargo de Presidente da Assembleia Legislativa. Mas se perder a eleição, pode voltar a assumir a presidência do plenário. Se Leong Vai Tac [Lionel Leong] se candidatar, também terá de se demitir do seu cargo actual. No entanto, neste caso, se perder a eleição, não tem o seu antigo

A possibilidade de permitir que dois candidatos igualmente influentes se perfilem, é muito improvável. Mas quem estará disposto a ser “carne para canhão” nestas eleições? Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

lugar garantido, porque o novo Chefe do Executivo pode não o querer na sua equipa. Deste ponto de vista, Leong Vai Tac arrisca mais do que Ho Iat Seng, ao candidatar-se a Chefe do Executivo. Na opinião do Governo Central, as eleições competitivas (com mais do que um candidato) são preferíveis às eleições com um candidato único. No entanto, nas eleições de 2012 para Chefe do Executivo de Hong Kong, a competição entre os dois candidates da confiança do Governo Central tiveram como resultado uma dissenção no partido do poder e a consequente instabilidade. Depois da lição aprendida com este incidente eleitoral, o Governo Central não vai quer repetir a experiência em Macau. Daí que, a possibilidade de permitir que dois candidatos igualmente influentes se perfilem, é muito improvável. Mas quem estará disposto a ser “carne para canhão” nestas eleições? Em 2020, as licenças de jogo dos Casinos vão ser renovadas. Além de estarem implicados interesses gigantescos, também vão estar em causa as estratégias de desenvolvimento do país. Para assegurar a estabilidade e a prosperidade do país e de Macau, o Governo Central não vai permitir qualquer tipo de problema durante a eleição do quinto Chefe do Executivo de Macau. O discurso de Zhang Xiaoming demonstra que o quadro geral já está definido e que a transição de Chefe do Governo da RAEM irá ser pacífica.


Os vícios são frequentemente virtudes levadas ao extremo. Charles Dickens

PALAVRA DO DIA

Disfunção eréctil David Chow contesta anúncios

O membro de Macau da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), David Chow, sugeriu que as rádio de Pequim fossem purificadas dos anúncios que promovem soluções para disfunção eréctil. A intervenção, segundo o canal chinês da Rádio Macau, foi feita na quarta-feira em Pequim, no espaço para os membros apresentarem propostas. Segundo o argumento de David Chow, os anúncios promovem substâncias duvidosas e que podem tornar-se um perigo para a saúde pública.

Huawei NATO acompanha suspeitas e admite actuar

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O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse ontem que está a ponderar eventuais ações sobre a empresa de telecomunicações chinesa Huawei, tendo em conta as preocupações de segurança. Stoltenberg disse que alguns dos 29 países aliados da organização demonstraram preocupações sobre a Huawei, numa altura em que a empresa se prepara para investir em novas infraestruturas de nova geração (5G). “A NATO encara estas preocupações de forma muito séria”, disse Stoltenberg. O secretário-geral da Aliança Atlântica diz que vai continuar a acompanhar as consultas dos vários aliados e “a procurar a forma” como a NATO pode eventualmente intervir não fornecendo mais detalhes sobre decisões. O gigante de telecomunicações chinês tem negado as acusações dos Estados Unidos que suspeitam que a Huawei permite aos serviços secretos da República Popular da China acesso a dados e informações dos utilizadores.

sexta-feira 15.3.2019

SAÚDE VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA TRATADA NO REINO UNIDO

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Duas medidas U Tribunal não liberta vietnamita acusada de matar meio-irmão de Kim Jong-un

M tribunal da Malásia rejeitou ontem libertar a vietnamita acusada de matar o meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un em 2017, depois de na segunda-feira ter deixado cair as acusações sobre a outra ré. “Em relação ao pedido apresentado em 11 de Março ao Procurador-Geral, fomos instruídos a continuar o julgamento”, disse o procurador responsável por este caso, Muhammad Iskandar Ahmad, perante o tribunal de Shah Alam, perto de Kuala Lumpur. O processo da mulher vietnamita, Doan Thi Huong, de 30 anos, está em curso no tribunal há um ano e meio, na sequência do assassínio de Kim Jong-nam, em 13 de Fevereiro de 2017, com VX, um agente neurotóxico e uma versão altamente letal do gás sarín. Doan começou a chorar ao receber a notícia, mas disse aos jornalistas que “não estava zangada com a libertação de Siti [Aisyah]”, a outra ré, de nacionalidade indonésia e que foi também inicialmente acusada de atacar o meio-irmão do líder norte-coreano. “Só Deus sabe que não cometemos o assassínio”, afirmou. “Eu quero que minha família reze por mim”, acrescentou. O juiz Azmi Ariffin declarou que a vietnamita, a única a permanecer no banco dos réus, não estava “fisicamente e mentalmente” apta

para continuar a audiência e adiou o julgamento para 1 de Abril. Já o embaixador do Vietname na Malásia disse estar “muito desapontado por o tribunal não ter libertado Doan”. “Vamos pedir à Malásia que seja justa e libertá-la o quanto antes”, adiantou à agência de notícias France-Presse.

ALTA DIPLOMACIA

Na segunda-feira, Siti Aisyah, detida há dois anos com Doan Thi Huong sob suspeita do homicídio de Kim Jong-nam, foi libertada após os procuradores terem retirado inesperadamente a acusação de homicídio. O juiz do Supremo Tribunal dispensou Aisyah sem absolvição, depois de os procuradores terem dito, sem avançar uma razão, que queriam retirar a acusação de homicídio contra a mulher indonésia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros indonésio afirmou que a libertação de Aisyah se deveu ao contínuo esforço diplomático realizado ao mais alto nível e insistiu na ideia de que a indonésia foi “enganada e não teve consciência de que estava a ser manipulada pelos serviços secretos norte-coreanos”.

“APANHADAS”

O episódio fatal teve lugar num terminal de aeroporto em Kuala Lumpur. As duas mulheres alega-

ram que estavam convencidas de que se encontravam a participar numa brincadeira para um programa de TV. As acusadas disseram às autoridades que toda a situação tinha sido orquestrada por um grupo de quatro homens, identificados como cidadãos norte-coreanos pela polícia malaia, que lhes pagou 80 dólares a cada uma. De acordo com a polícia, os quatro embarcaram, na sequência do ataque, num avião com destino a Pyongyang. Desde o primeiro momento que os serviços secretos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos atribuíram o crime a agentes norte-coreanos, mas Pyongyang argumentou que a morte foi provocada por um ataque cardíaco e acusou as autoridades da Malásia de conspirarem com os seus inimigos. As autoridades da Malásia nunca acusaram oficialmente a Coreia do Norte e deixaram claro que não querem que o julgamento seja politizado. Kim Jong-nam, que viajava com um passaporte com o nome de Kim Chol, ia embarcar para Macau, onde vivia exilado. Era o filho mais velho da actual geração da família governante da Coreia do Norte, vivia no exterior há anos, mas, segundo vários analistas, poderá ter sido visto como uma ameaça ao líder norte-coreano, Kim Jong-un.

AO Mong Ieng – vítima de violência doméstica que ficou praticamente cega e desfigurada depois de um ataque com óleo – escolheu ser operada para tentar reconstruir parcialmente a vista, no Reino Unido, no final de Maio. A informação foi revelada pela deputada Agnes Lam, ontem à saída de uma reunião na Assembleia Legislativa. A mulher, de 31 anos, sofreu queimaduras graves em mais de 40 por cento do corpo, em Julho do ano passado, quando foi atacada pelo marido. O caso de violência doméstica foi registado depois de Lao ter pedido o divórcio. Esta opção é contrária às recomendações dos Serviços de Saúde de Macau, que consideram que a melhor solução passaria por uma osteo-odonto-queratoprótese, que seria realizada em Singapura. Este tratamento envolve a utilização de tecido dentário, que é implementado na zona das bochechas e que permite recuperar lesões superficiais na córnea. No entanto, a família mostrou-se sempre favorável à opção de tentar uma cirurgia de reconstrução parcial da vista, no Reino Unido e com esse propósito foi feita uma campanha de recolha de fundos, através do Centro do Bom Pastor. Contas feitas, foram amealhados 1,3 milhão de patacas. Uma vez que a opção é contrária à dos Serviços de Saúde, o tratamento não vai ter apoio do Governo, ao contrário do que aconteceria se tivesse sido escolhido o tratamento de Singapura. Em relação ao caso de violência doméstica, o agressor enfrenta uma acusação pela prática do crime de ofensa qualificada à integridade física. O julgamento agendado para 18 de Março, foi entretanto adiado para 17 de Junho. J.S.F

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Hoje Macau 15 MAR 2019 #4248  

N.º 4248 de 15 de MAR de 2019

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