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Director carlos morais josé

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D. Bosco Ensaio sobre o lugar josé simões morais

antónio falcão

Agência Comercial Pico • 28721006 •

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comissões

Deputados opiniões defendem de... direito à informação

isabel castro jorge rodrigues simão Paul chan wai chi carlos morais josé

Págs. 4 e 7

Melinda chan aconselha sobre os grandes projectos

s e x ta - f e i r a 1 4 d e a g o s t o d e 2 0 1 5 • A N O X i v • N º 3 3 9 4

prisão

Reclusos não vão poder fumar nas celas

Um mestre persa em Macau centrais

Página 8

Devem ‘‘ter o aval da AL

hojemacau

A deputada entende que os seus colegas não se devem aproveitar da posição para promover os próprios negócios E critica a constituição dos Conselhos, que preferia ver ocupados apenas por profissionais. E, sem problemas, fala do caso dos 90 andares na Doca dos Pescadores.

entrevista páginas 2-3


entrevista

Depois da ida de Chui Sai On ao hemiciclo, Melinda Chan destaca o facto de todos os deputados terem feito perguntas, sinal de que os ventos estão a mudar no órgão legislativo. A deputada directa diz que é difícil legislar para proibir os deputados de serem empresários e comenta a polémica na Doca dos Pescadores, do seu marido David Chow: “Governo deveria ser bastante claro” Chui Sai On esteve esta quarta-feira na Assembleia Legislativa (AL). Que análise faz? Recordo sobretudo o facto de 32 deputados - ou seja, toda a AL terem pedido a palavra para fazer perguntas. Em seis anos como deputada foi a primeira vez que tal aconteceu. Isso significa que há muitas questões que o Governo ainda não resolveu e que todos os deputados, sejam directos, indirectos ou nomeados, querem ver como vão ser resolvidas e qual será a estratégia de futuro para Macau. É também um sinal de que a AL está a mudar? Sim, há uma mudança. Toda a sociedade sabe qual é o desempenho de todos os deputados. Mesmo os nomeados têm de fazer algo. A sociedade está mais preocupada quanto aos seus direitos e quer saber o que é que o Governo vai fazer. Por isso é que todos têm de fazer perguntas. O Chefe do Executivo garantiu que não vai haver permutas nos terrenos dos novos aterros. Acredita que o Governo está a tentar ser mais transparente através das políticas dos novos aterros? O Governo quer ser mais transparente e tem de o ser, por causa da pressão feita pelos deputados e pela própria sociedade.

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Melinda Chan deputada da Assembleia Legislativa

“Importante é não usar a posição de deputado para promover os seus negócios” Esta sessão legislativa chegou ao fim e ficou marcada pelo caso de corrupção eleitoral com ligações aos deputados Chan Meng Kam, Si Ka Lon e Song Pek Kei. Acredita que este caso veio descredibilizar a AL? Penso que o Governo e os juízes, quando tiverem acesso a todas as provas, vão tomar uma decisão. Quer sejam culpados ou não, acredito nos nossos juízes. Tudo está a ser feito segundo a lei e isso é algo que será bom para todos. Mas pensa que a nova Lei Eleitoral deveria ser mais rígida no combate à corrupção eleitoral? A lei vai ser revista e tem de o ser,

porque tem de especificar melhor o que os candidatos podem ou não fazer durante as campanhas. Isso poderia levar a um melhor planeamento das campanhas eleitorais. Por exemplo, na colocação dos posters em público, cada candidato só poderia pôr cem ou 200. Isso tornaria tudo mais claro e justo para todos. Muitas vezes não sabemos e há muitas zonas cinzentas [na lei]. Não podemos focar-nos na figura de Chan Meng Kam, mas temos de encarar isso como um caso no geral. Ninguém pode colocar pressão aos juízes, têm de ser independentes, tal como os tribunais. Todos procuram por justiça.

“No Conselho (do Planeamento Urbanístico), não estão apenas profissionais do sector. Esse é outro problema de Macau, os conselhos só deviam ter pessoas do sector”

Que balanço faz do trabalho de Ho Iat Seng, presidente da AL, nesta sessão? Penso que está a fazer um bom trabalho. Ele rejeitou a proposta de debate feita pelos deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San, sobre a ausência de caducidade de 16 terrenos. Foi uma tentativa de fugir ao assunto? Já temos uma Comissão (para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas), da qual eu faço parte [para isso]. Durante o mandato do Secretário Lau Si Io também pedimos mais informações sobre esses terrenos, mas nunca obti-


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velhos problemas, o metro ligeiro, os terrenos, as habitações. Mas vai conseguir fazê-lo.

vemos informações muito claras sobre os nomes das empresas e a área, só nos deram o número de terrenos envolvidos. Mas o Secretário Raimundo do Rosário mostrou-se mais disponível a dar informações. Qualquer projecto ou caso que exista podemos discuti-lo na Comissão. A questão é: o caso teria uma melhor resolução se o discutíssemos num debate? Teria ou não? Se os deputados pedem um debate estão a dar a entender que não fazemos um bom trabalho na Comissão. E não concordo com isso. Discutir esse assunto num debate significaria que não estamos a cumprir com o nosso dever ou que não estamos a fazer o suficiente.

“Continuo a defender que cada projecto de grande envergadura tem de ter o aval da AL. O Governo tem de nos dar esse direito” Mas há muitos nomes envolvidos nesses terrenos, como os dos deputados Chan Chak Mo e Angela Leong, por exemplo, grandes empresas, como a Melco Crown, a Sociedade de Jogos de Macau. Não seria importante debater o assunto num plenário? Não podemos analisar toda a gente à lupa e dizer que todos os empresários são maus. Não podemos pôr todos ao mesmo nível. Uns têm ligações a empresas ou dirigem as empresas. Mas uma coisa importante é não usar a posição de deputado para promover os seus negócios. Segundo a nossa lei, um deputado também pode ser empresário, mas se usarmos essas posição para fazer manobras debaixo da mesa para favorecer a empresa, isso é que não é aceitável. Em alguns países há restrições a esse nível, um membro do parlamento não pode ter negócios. Mas Macau é um território tão pequeno, as relações são muito próximas e é difícil mudar a lei. Mas seria importante fazer isso? Já temos algumas restrições se houver conflitos de interesses. Mas proibir um deputado de ser um empresário leva tempo e é algo muito difícil de implementar, porque Macau é de facto um pequeno território. Noutros países os deputados têm outras contrapartidas, talvez o salário seja maior, têm alojamento. Em Macau não temos isso e teríamos de mudar todo o sistema.

O Secretário Lionel Leong rejeitou a possibilidade da AL aprovar previamente cada projecto de obras público e o seu orçamento. É um erro? O Secretário citou a Lei Básica, mas na altura em que esta foi feita ninguém poderia imaginar que Macau iria enfrentar derrapagens orçamentais, muitas vezes acima do dobro do orçamento inicial. Isso não é aceitável. Continuo a defender que cada projecto de grande envergadura tem de ter o aval da AL. O Governo tem de nos dar esse direito, caso contrário muitas pessoas vão continuar a queixar-se dos atrasos nas obras e das derrapagens constantes. O Governo pode perder a credibilidade se continuar com a

mesma posição em relação aos projectos públicos? Claro que as pessoas em Macau não vão aceitar. Muitas pessoas me pedem para dizer ao Governo para parar com o projecto do metro ligeiro, porque já se gastou muito dinheiro e vai causar transtorno. As pessoas não gostam mas já começámos o projecto. Muitos pedem que o metro ligeiro não seja construído na península, porque conhecem os problemas que existem na Taipa. O Governo continua a fazer as coisas de forma bastante lenta e qualquer decisão demora três a cinco anos a ser implementada. O novo Secretário para as Obras Públicas e Transportes tem experiência, não tenho dúvidas do seu profissionalismo. Ele está a resolver os

“Não podemos analisar toda a gente à lupa e dizer que todos os empresários são maus. Não podemos pôr todos ao mesmo nível.”

Há uma grande discussão em torno do projecto na Doca dos Pescadores. Quer comentar? O património pode ficar em perigo? Queria clarificar desde já que tenho um conflito de interesses com esta questão (Melinda Chan é esposa de David Chow, empresário que detém a Doca dos Pescadores). Ainda não disse nada publicamente porque há esse conflito de interesses. Mas posso dar a minha opinião. Se a lei permite construir um prédio com 90 metros, claro que qualquer empresa vai querer construir o mais alto possível. Uma empresa tem de prestar esclarecimentos aos seus accionistas. Mas esse é o lado da empresa. Se o projecto vai ou não ser aprovado, temos de ver o lado do Governo. Antes de 1999, o Governo português mostrava maior preocupação em relação ao património do que agora. Nessa altura a zona dos NAPE, onde estamos agora, era um aterro. O Governo português permitiu a construção de prédios com um máximo de 90 metros de altura. Isso significa que do ponto de vista dos portugueses essa altura não iria destruir a vista do Farol da Guia. Sei que o projecto que foi submetido para o Governo (pela Macau Legend Development) não tem mais de 90 metros. A empresa tem o direito a fazer isso. Penso que podemos continuar a ver o Farol da Guia, tudo depende da zona de onde se vê. Mesmo da zona do hotel Starworld já não é possível ver o Farol, porque já tudo mudou. Mas o Governo deveria ser mais claro, se se pode ou não construir com base na lei. Isso seria bom para as empresas, não apenas para esta (Macau Legend Development), para os empresários que querem investir. O Governo está a ouvir vozes diferentes, então temos de perguntar: quer ouvir os profissionais ou as outras pessoas? No Conselho (do Planeamento Urbanístico), não estão apenas profissionais do sector. Esse é outro problema de Macau, os conselhos só deviam ter pessoas do sector, pessoas que digam coisas profissionais. Agora o Governo não sabe, às vezes consulta o público, depois o CPU. O Governo deveria ser bastante claro, se as coisas são feitas com base na lei, nas opiniões do público ou dos profissionais. Quais os grandes desafios para a próxima sessão legislativa? Temos a Lei da Violência Doméstica, dos animais, e temos de avançar com a lei contra o assédio sexual. Muitas pessoas dizem que precisamos de ter esta lei para a protecção das mulheres. Penso que deveríamos ter uma lei avulsa para melhor proteger os seus direitos. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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política

Os deputados da Comissão responsável pelas concessões públicas não poupam críticas ao Executivo sobre o metro ligeiro, dizendo que apesar de estarem sempre a pedir dados sobre o novo transporte, o Governo nunca cede informações

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Metro Deputados assumem “surpresa” face a notícias de atraso nas obras

Pelo direito à informação

foi aberto a falar sobre o assunto, nomeadamente quanto ao orçamento diz respeito. “A Comissão exigiu várias vezes ao Governo a disponibilização de dados sobre [as estimativas], mas este nunca deu uma resposta concreta.”

“A Comissão exigiu várias vezes ao Governo a disponibilização de dados sobre [as estimativas], mas este nunca deu uma resposta concreta”

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Comissão para o Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas considera que o Governo tem de aperfeiçoar a divulgação de informações sobre o metro ligeiro e diz mesmo que os deputados que compõem a Comissão só souberam de algumas delas pelos jornais. No relatório final da Comissão liderada por Ho Ion Sang, entregue ontem no último dia da V sessão legislativa da AL, indica que o Executivo não abre o jogo face ao novo meio de transporte. “As notícias sobre as obras do Parque de Materiais e Oficina davam a entender que aquelas estavam paradas, o que tinha resultado em grandes atrasos das obras de todo o projecto do metro, deixando os deputados surpreendidos”, pode ler-se no relatório, onde os deputados acrescentam que isto prova que existe margem para melhorias no que à divulgação de informações sobre o metro diz respeito. “Esta Comissão pretende que o Governo dê especial atenção ao direito à informação do público.” Os deputados pedem que o Executivo apresente “periodicamente” o ponto da situação do metro e queixam-se mesmo de que o Governo não

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ma das três concessionárias de autocarros será obrigada, até final deste ano e através de uma cláusula num novo contrato, a introduzir veículos pró-ambiente na sua frota. O anúncio é feito no relatório final da V sessão legislativa da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas. “Prevê-se que vão estar reunidas as condições, ainda durante o corrente ano, para a celebração de um novo contrato com [uma das] empresas concessionárias, no qual serão introduzidas cláusulas

Tribunal não, despedimento sim No relatório, os deputados da Comissão dão ainda a entender que não sabem ao certo quem é o responsável pelas obras do parque e da oficina onde ficarão as carruagens do metro ligeiro. “Solicitamos ao Governo que esclareça quem é que é responsável pelas obras da super-estrutura daquele parque”, escrevem, ao mesmo tempo que indicam que

não concordam que o caso chegue à barra do tribunal. “A Comissão concorda que recorrer à via judicial não é a solução mais adequada, pois preocupa-se que o tempo gasto nos processos judiciais atrase a conclusão de todo o projecto, mas como este se reveste de interesse público, se as negociações entre o Governo e o empreiteiro não surtirem efeito há que adoptar

imediatamente outras medidas, como por exemplo, exigir a ‘saída’ do empreiteiro.” Recorde-se que Raimundo do Rosário já disse que o caso poderá seguir para tribunal se não houver acordo com o consórcio das empresas responsáveis pelas obras – a Top Builders e a Mei Cheong -, a quem foi aplicada já uma multa de 12 milhões de patacas.

Autocarros veículos ecológicos até final do ano

Para te respirar melhor desse tipo, exigindo-se o aumento gradual do número de autocarros a gás natural”, informa a Comissão. O Governo tem de celebrar novos contratos com a Transmac e TCM, devido a estas duas empresas ainda circularem com contratos que são, aos olhos do Comissariado contra a Corrupção, ilegais por não darem poder ao Executivo na prestação dos serviços das operadoras.

De acordo com informações contidas num outro relatório do mesmo colectivo, um desses novos contratos deverá ser celebrado este ano com a TCM, com quem, referiu o Executivo, “as negociações estão a decorrer melhor”. Deverá ser esta operadora que será obrigada a ter veículos ecológicos na sua frota, uma vez que, de acordo com o mesmo relatório, as negociações com a Transmac face

O relatório indica ainda que os deputados consideram que o facto do Governo não ter em sua posse todas as informações sobre o metro – incluindo orçamentos e prazos concretos – não vai permitir que o erário público seja “racionalmente utilizado”. Caracterizando as obras do metro “como um exemplo típico de prolongamento de prazos e derrapagens”, os membros da Comissão afirmam que a falta de informações os impede de discutirem o assunto com o Executivo e com a sociedade. E voltam a pedir esclarecimentos, em conjunto com mudanças mais significativas. “O Governo tem necessariamente de rever as leis vigentes relativas às obras públicas (...). A Comissão deseja ainda saber quais foram as razões que levaram à suspensão das obras do Parque de Materiais e Oficina e de não se ter, ao fim de tanto tempo, resolvido o problema”, pode ler-se no relatório, que volta a pedir a inclusão de cláusulas penais compensatórias para que o Executivo possa ser indemnizado em caso de atrasos.

ao novo contrato não estão a correr bem. O relatório aponta ainda para a escassez de recursos humanos no sector dos transportes públicos. De acordo com previsões das três operadoras, “o sector necessita de mais 80 a cem motoristas” do que os que tem actualmente.

Mais carregadores em edifícios novos

O Governo quer ainda que sejam instalados carregadores de veículos eléctricos “em todos os lugares de estacionamento dos edifícios recém-construídos”, de acordo com

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

o documento da Comissão liderada por Ho Ion Sang. O documento refere que a obrigatoriedade deverá ser introduzida aquando da alteração do Regulamento Geral da Construção Urbana. Uma das justificações do Executivo para a fraca adesão da população a este tipo de veículos é a inexistência destes postos de abastecimento. A isso, acrescenta a Comissão, acresce o facto de o Governo os considerar pouco atractivos por serem duplamente mais caros que os normais. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo


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O

s deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas mostraram ter dúvidas sobre a implementação efectiva de uma rede de gás natural em Macau, uma vez que ainda não foi celebrado qualquer contrato que assegurasse o fornecimento desta fonte de energia. Em 2007, foi celebrado, entre o Governo e a Sinosky um contrato de concessão para a importação de gás natural. No entanto, este tem a duração de 15 anos e passado já mais de metade do prazo, ainda

nada foi feito no sentido de potenciar esta fonte de energia na região. “Esse prazo já passou de metade e ainda não foi celebrado um contrato de fornecimento a longo prazo de gás natural (...) duvidando-se assim da possibilidade de concretização da política de gás natural, lançada pelo Governo”, lamenta a Comissão, naquele que é o seu último relatório da presente sessão legislativa. Além disso, “alguns membros” deste grupo de trabalho frisaram que, “provavelmente existirão no mercado outras empresas com mais capacidade” para assegurar a aquisição de gás natural. Actualmente, apenas o complexo de Seac Pai Van e o campus da Universidade de Macau usufruem deste tipo de energia. Em suma, os deputados não parecem confiantes com o estabelecimento de um contrato com a Sinosky, referindo mesmo que querem saber, pelo Governo, qual o peso do gás natural no total de energias em Macau, já que hoje em dia representa apenas uma percentagem irrisória, de 0,13%.

Vice-presidente do IC tem “ricas experiências” na indústria recreativa

Para o presidente do Instituto Cultural (IC), Guilherme Ung Vai Meng, o novo vice-presidente da entidade, Chan Peng Fai, tem “ricas experiências”, principalmente na área das indústrias recreativas. “Como sabem, o Governo da RAEM, no ano de 2011, procedeu à preparação do Conselho das Indústrias Criativas e [Chan Peng Fai] era uma das pessoas responsáveis e como podem ver, Macau tem-se desenvolvido bastante passado cinco anos”, explicou o presidente. “Posso dizer que estamos descansados, porque creio que vai desempenhar bem este cargo”, assegurou Ung Vai Meng aos jornalistas, à margem da apresentação do programa do Festival Internacional de Música de Macau.

Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau Progresso às escondidas?

Si Ka Lon tem dúvidas se a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vai conseguir ter veículos a circular na data prevista, em 2017, e questiona ainda qual o orçamento caso surja algum imprevisto com a ilha artificial que iria chegar à Zona A dos novos aterros. Numa interpelação escrita, Si Ka Lon lembrou que a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau é um elemento importante para o planeamento da zona do Grande Delta do Rio das Pérolas e que está previsto que o corpo principal da obra seja concluído em 2017. No entanto, considera que o Governo está a esconder progressos da construção. “A construção das instalações do posto fronteiriço de Macau na ilha artificial Zhuhai-Macau que ligará o território à ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau já iniciou? Poderá concluir-se a obra no ano previsto?” O deputado citou opiniões de especialistas da área de engenharia apontando que a possibilidade de prorrogação das obras da Zona A dos novos aterros é grande e pode influenciar a construção da parte de Macau da ponte.

Táxis Governo garante concurso “em breve”, deputados pedem rapidez

Queremos mais e melhor

O Governo garantiu ontem ao HM que o novo concurso público para os táxis especiais será iniciado o “quanto antes” e os deputados querem realmente que isso aconteça. Mas não só: pedem melhorias do serviço e mais informações concretas

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o relatório final da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas o pedido é claro: Governo deve abrir o concurso público de alvarás de táxis especiais “o quanto antes”. Contactado pelo HM, o Gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, garantiu que o concurso “vai abrir muito em breve”. No início do ano, o Secretário garantiu que o concurso em causa seria aberto no primeiro trimestre, algo que acabou por não se verificar. Mas o número de táxis não deve ser a única preocupação da Administração, já que os deputados apontam a falta de dados como uma das razões “A Comissão concorda que o aumento do número de táxis é uma das formas para resolver o problema da dificuldade em apanhar táxi, mas o Governo tem de dominar os dados sobre as necessidades reais de táxis e não resolvê-las apenas através do aumento, gradual e às cegas, do número de táxis”, defendeu a Comissão liderada por Ho Ion Sang. A Comissão critica ainda o Governo pelo que diz ser a falta de “dados estatísticos e científicos sobre o número de taxistas que se dedicam realmente à profissão, os que querem integrá-la e o número de taxistas que, efectivamente” são necessários. “O número de taxistas que, efectivamente, querem dedicar-se à profissão e os podem dedicar-se à profissão, podem ser, eventualmente, inferiores ao número de cartas profissionais de taxista. Assim sendo, alguns deputados entendem que tomar como referência o número destas cartas não pode ser benéfico para a definição e impulsionamento da res-

tiago alcântara

Gás natural Comissão duvida que contrato com Sinosky seja celebrado

pectiva política de recursos humanos”, remata. A insatisfação dos usuários, muito debatida pela sociedade, foi um dos pontos centrais do relatório da Comissão, que apontou as infracções dos próprios taxista como uma “doença social de longa data”. A selecção de clientes, recusa de transporte e cobrança abusiva de tarifas são alguns dos problemas apontados pelo grupo de trabalho que, indica, não vão acabar mesmo com os “vários combates” existentes. “A Comissão entende que, quanto ao aperfeiçoamento dos serviços de táxis, há que resolver, pela raiz, o

problema das ‘dificuldades em apanhar táxi’ e isso pode ser feito de diversas formas”, pode ler-se no documento, sendo a mais eficaz, apontam os deputados, “o aumento do número de alvarás”. Uma maior rapidez no trabalho é ainda pedida pelo grupo de trabalho. “A Comissão pediu ao Governo para acelerar os trabalhos de revisão do Regulamento do Transporte de Passageiros em Automóveis Ligeiros de Aluguer ou Táxis”, lê-se, sendo o objectivo máximo “melhorar o nível de qualidade dos serviços de táxis através do respectivo regime”.

Recorde-se que o Regime está em revisão desde o ano passado, sendo que o Governo deu o final de 2014 como a data prevista para a entrega da proposta legislativa. É ainda proposta, tal como noutros países e territórios, a criação de uma aplicação móvel que permita aos utilizadores requererem o serviço de táxis. “O Governo pode ponderar sobre a criação de condições para se avançar com este tipo de serviço em Macau, por forma a resolver o problema da insuficiência de táxis”, apela o relatório. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

JOÃO NEVES DA SILVA VENTURA FALECEU É com muito pesar que os filhos e restante família de João Neves da Silva Ventura vêm por este meio comunicar do seu falecimento na passada terça-feira, dia 11 de Agosto de 2015, em Macau. A cerimónia de corpo presente terá lugar hoje, dia 14 de Agosto de 2015, a partir das 16 horas, na Casa Mortuária do Kiang Wu, e o funeral realizar-se-á amanhã, Sábado, pelas 11 horas, no Cemitério de S. Miguel. Agradece-se, desde já, a todos quantos se queiram comparecer a estes piedosos actos. O nosso “bem haja”.


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Prestação dos serviços de jardinagem, manutenção e aluguer de plantas/flores (01/01/2016-31/12/2017), prestados no Campus Principal do Instituto Politécnico de Macau

Substituição do Sistema Automático da Biblioteca do Instituto Politécnico de Macau

CONCURSO PÚBLICO N.º 01/DOA/2015

CONCURSO PÚBLICO N.º 03/DOA/2015

Faz-se público que, de acordo com o despacho de 23 de Julho de 2015, do Exm.º Senhor Secretário para Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a «Prestação de serviços de jardinagem e manutenção e aluguer de plantas/flores, prestados no Campus Principal do Instituto Politécnico de Macau».

Faz-se público que, de acordo com o despacho de 23 de Julho de 2015, do Exm.º Senhor Secretário para Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a «Substituição do Sistema Automático da Biblioteca do Instituto Politécnico de Macau».

1. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau.

1. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau.

2. Modalidade de concurso: Concurso Público.

2. Modalidade de concurso: Concurso Público.

3. Objecto do Concurso: Prestação dos serviços de jardinagem, manutenção e aluguer de plantas/flores (01/01/2016-31/12/2017), prestados nos Campus Principal do Instituto Politécnico de Macau.

3. Objecto do Concurso: Substituição do Sistema Automático da Biblioteca do Instituto Politécnico de Macau.

4. Período: 1 de Janeiro de 2016 a 31 de Dezembro de 2017. 5. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 6. Garantia provisória: $65 600,00 (sessenta e cinco mil e seiscentas patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau.

4. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 5. Garantia provisória: $50 000,00 (cinquenta mil patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau.

7. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato).

6. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato).

8. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso.

7. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso.

9. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 17 de Agosto de 2015, pelas 10H00. 10. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 01 de Setembro de 2015, antes das 17h45. 11. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 02 de Setembro de 2015, pelas 10H00. 12. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço Razoável (60%) - Qualidade do Serviço (40%): (a) Experiência profissional do dirigente e curriculum vitae dos trabalhadores que prestam serviços objecto do presente concurso (10%); (b) Tempo de experiência e envergadura do concorrente (7%); (c) Desempenho anterior de semelhantes serviços ou em outras instituições (incluindo locais e fotografias), principalmente na complexidade e desempenho satisfatório dos serviços (com dados do ano 2013 até ao presente) (4%); (d) Equipamentos e bens consumíveis para a prestação dos serviços objecto do presente concurso (4%); (e) Sugestões favoráveis aos serviços de jardinagem, manutenção e aluguer de plantas/ flores, prestado no Instituto Politécnico de Macau (7%); (f) Esclarecimentos na reunião (questões profissionais levantadas pelo Instituo Politécnico de Macau sobre a prestação de serviços de jardinagem, manutenção e aluguer de plantas/flores, prestados no Instituto Politécnico de Macau e o esclarecimento “in loco”, local proporcionado pelo concorrente.) (8%). 13. Local, preço e hora para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Hora: de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30.

Macau, aos 4 de Agosto de 2015 O Presidente em Exercício, Yin Lei

8. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 17 de Agosto de 2015, pelas 10H00. 9. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 31 de Agosto de 2015, antes das 17h45. 10. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Anfiteatro II, 1.º andar do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau. Hora e Data: 10H00, 1 de Setembro de 2015. 11. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço proposto (20%) - O grau de cumprimento dos requisitos funcionais e técnicas do sistema (40%) - Extensibilidade (desenvolvimento contínuo do sistema) e capacidade de convergência (10%) - Visibilidade e popularidade internacional do sistema (5%) - A envergadura e experiência do concorrente, a qualificação profissional, capacidade técnica e experiência relevante da equipa (10%) - Prazos de entrega (5%) - Plano de formação, serviço de apoio, manutenção e garantia (10%) 12. Local, hora e preço para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Hora: de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Telefone: 8599 6178, 8599 6123, 8599 6287

Macau, aos 4 de Agosto de 2015 O Presidente em Exercício, Yin Lei


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Terrenos Comissão acusa Governo de não informar público

Faltam informações e a transparência não é o forte do Governo no que toca aos 16 terrenos que não vão ser devolvidos. É o que diz o relatório final da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas

O

caso dos 16 terrenos que acabaram por não ser recuperados pelo Executivo está a deixar os deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas desconfiados. No relatório final da Comissão sobre a V sessão legislativa, que ontem terminou, os deputados acusam o Governo de não estar a cumprir o dever de informar o público sobre estes assuntos. “Na opinião de alguns membros da Comissão, o caso demonstra que o trabalho do Governo carece ainda

pub

de transparência. O [Executivo] alega que a decisão quanto à imputabilidade dos concessionários foi tomada pelo Governo anterior, mas só em Junho de 2015, é que foi divulgada pela primeira vez esta decisão”, começa por apontar o relatório, analisado pelo HM. “Isto demonstra que o Governo não acolheu as opiniões do relatório [dos deputados] sobre o aumento da transparência dos terrenos desaproveitados (...) e ainda que não cumpriu com rigor o princípio da informação ao público.” O actual Governo declarou a caducidade dos 16 lotes, mas

dssopt

“O trabalho carece ainda de transparência”

depois voltou atrás considerando que os terrenos – que têm como concessionários alguns deputados e membros do Conselho Executivo – não podiam ser retirados por haver falhas do próprio Executivo. Os deputados apontam que, neste caso, vão

esperar pelo Comissariado contra a Corrupção, mas adiantam que querem informações sobre os outros 18 terrenos que o Governo diz ter recuperado, mas que, efectivamente, ainda não o conseguiu e sobre os 65 de que nada se sabe e que fazem parte

dos iniciais 113 lotes que o Governo disse que queria recuperar. A Comissão, que apresenta os motivos do Governo para considerar os concessionários dos 16 terrenos inimputáveis, pede ainda que o Executivo actualize constantemente a lista de terras desaproveitadas. Entre os motivos, destacam-se, por exemplo, o caso do terreno na Ilha Verde, pertencente à Transmac, que o Governo considera estar aproveitado “porque foi construído um edifício simples para servir de oficina de estacionamento de autocarros”, o terreno de Angela Leong e Chan Chak Mo para um parque temático no Cotai, que o Governo diz estar “a ser emprestado para ser utilizado provisoriamente para um heliporto e centro de formação, daí o atraso no desenvolvimento” a falta de respostas e até ao facto de, um dos casos, existir “uma diferença de cinco centímetros a menos num edifício que deveria ter três metros”. Joana Freitas

Joana.freitas@hojemacau.com.mo


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sociedade

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revisão do Regime de Controlo e Prevenção do Tabagismo não vai apenas trazer consequências para os jogadores dos casinos que fumam, mas também para os reclusos do Estabelecimento Prisional de Macau (EPM). Na reunião de ontem da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), o director do EPM, Lee Kam Cheong, reuniu com deputados e ficou decidido que as 20 celas para fumadores vão acabar. Tal significa que os reclusos fumadores só poderão fazê-lo três horas por semana, período em que podem usar o pátio para actividades físicas. “Actualmente não é permitido fumar na área administrativa, incluindo oficinas, cantinas e corredores. Cada recluso tem direito a três horas semanais para a prática de actividades ao ar livre. Nessa área não é permitido o fumo e, com a aprovação da proposta de lei, os presos deixarão de poder fumar nas celas e as zonas para a prática ao ar livre passarão a ser espaços para fumo. Os presos só poderão fumar três horas por semana”, explicou o deputado Chan Chak Mo, que preside à Comissão.

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Tabaco Presos só poderão fumar três horas por semana

Não há fumo mas pode haver fogo Com a revisão do Regime de Controlo e Prevenção do Tabagismo, o Estabelecimento Prisional de Macau vai deixar de ter celas para fumadores e os reclusos só poderão fumar no pátio, três horas por semana. Deputados temem protestos

A maioria

Com um total de 1256 presos, o EPM tem uma população fumadora de 66%, sendo que 767 presos fumadores são do sexo masculino. Chan Chak Mo disse que, com o actual sistema, “o controlo [do fumo] é mais fácil e chegou a acontecer casos de fumadores que pediram para ser transferidos para as outras celas para deixarem o vício”. Também não foi registada qualquer situação de violação da lei. O actual sistema do EPM prevê que, à chegada, o preso tenha de declarar se é ou não fumador e ser encaminhado para a cela consoante a sua opção. Chan Chak Mo garan-

tiu que esse sistema era mais fácil para controlar possíveis violações à lei e Lee Kam Cheong terá garantido que as novas medidas não vão trazer pressões aos guardas prisionais.

Deputados temem protestos

No encontro, os deputados da 2.ª Comissão Permanente mostraram-

-se ainda preocupados com a possibilidade dos presos se poderem revoltar contra esta medida. “Houve membros da Comissão que disseram que fumar é um direito humano e uma forma de liberdade. Os membros preocuparam-se mais com o período de três horas por semana, se vai ou não afectar a emoção dos reclusos. Isso poderá

Saúde Tipos de cancro serão comuns em residentes

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Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST, na sigla inglesa) iniciou a criação de uma primeira base de dados genéticos com o objectivo de prever o risco de determinadas doenças. A MUST apresentou, esta quarta-feira, os resultados da

primeira fase, com base nas informações recolhidas de uma amostra de mil jovens, sendo que a conclusão é de que cancros como do pulmão, mama, ovários e próstata vão ter uma maior taxa de incidência no território. Já o risco de os residentes de Macau virem a desenvolver doenças do foro neurológico como Alzheimer é menor – comparativamente aos registos do norte da China ou dos continentes europeu e americano. A MUST pretende alargar a amostra – por a entender pequena –, mas carece de fundos para o efeito, depois de a primeira fase

do estudo ter sido suportada por verbas da Fundação Henry Fok. Contudo, como sublinhou o director da Faculdade de Ciências de Saúde da MUST, Manson Fok, um estudo mais abrangente precisa do apoio do Governo, sobretudo para estabelecer a correlação entre os factores genéticos e os riscos associados ao meio ambiente. O objectivo passa por ter a maior amostra possível, com Manson Fok a assinalar que ter 10% da população seria melhor, mas que, pelo menos 5% permitiria já uma reflexão.

gerar manifestações ou greves. É uma situação que pode ocorrer em resultado de qualquer desacato, há que controlar bem as emoções dos presos. A resposta que foi dada é que há assistentes sociais que podem prestar o devido apoio aos reclusos”, explicou Chan Chak Mo. O director do EPM terá ainda prometido apoio mais específico

ao nível da cessação tabágica. “De certeza que o Governo vai promover mais acções de divulgação. Há toda a espécie de serviços que vão ser prestados ao fim do vício no EPM, mas tudo depende da vontade do recluso em acabar com o vício”, rematou o deputado. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Empregada doméstica terá maltratado bebé de dois meses

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ma empregada doméstica do Vietname foi acusada de ofensa corporal grave a uma bebé de quem tomava conta, depois de ter maltratado a criança

e causado o chamado Síndrome do Bebé Sacudido (ou trauma craniano violento pediátrico). De acordo com o jornal Ou Mun, que cita a polícia, a mulher tomava conta da bebé de dois meses, filha da sua empregadora, desde Maio. No dia 10 de Agosto, a mãe encontrou ferimentos nos olhos da criança, que estavam vermelhos, e também nas pálpebras, inchadas. A menina chegou a desmaiar, o que levou a mãe a questionar a empregada sobre eventuais problemas. A mulher, de 33 anos e de apelido Ngyen, disse que nada tinha acontecido com a criança, mas depois de um

exame médico, foi descoberto sangue “no fundo dos olhos e na subaracnóidea do cérebro da bebé”, o que confirmou a presença de lesões típicas do Síndrome do Bebé Sacudido. A mãe da vítima suspeitou que a empregada maltratou a filha, denunciando-a à PJ. A mulher negou ter feito algo, mas a polícia diz ter encontrado provas depois da investigação que a empregada abanou e bateu na bebé “pelo menos três vezes” até lhe causar mazelas corporais graves. A PJ vai ainda investigar se a empregada teve motivação para cometer o crime e se tem antecedentes penais. 


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Macau sem possibilidade de energia eólica e hidráulica O Governo assume que a RAEM não tem viabilidade para utilizar as energias renováveis eólica e hídrica. O relatório final da Comissão de Acompanhamento dos Assuntos de Terras e Concessões Públicas – entregue ontem aos jornalistas, no dia que termina mais uma sessão legislativa - afirma que o Governo não crê ser possível utilizar as energias de forma democratizada, depois de vários estudos por ele levados a cabo. “[O Executivo] entende ser relativamente difícil a utilização da energia hídrica para a produção de electricidade de Macau e, como os recursos eólicos em Macau não são ricos, depois de estudada a situação da produção de electricidade à energia eólica em Hengquin, o Governo concluiu que o desenvolvimento desta última não será economicamente eficiente”, revela o relatório. Quanto à solar, o Governo também parece mostrar-se reticente quanto à sua implementação, principalmente em prédios mais antigos. “Quanto à generalização e utilização da electricidade a energia solar na comunidade (...) não existem, provavelmente, problemas técnicos nos prédios altos em geral (...) mas quanto à possibilidade de produção de electricidade a energia solar nos prédios antigos, o Governo vai ter em conta a realidade e assegurar o rigor na aprovação das respectivas plantas, com vista a salvaguardar a segurança dos prédios e das interligações”, aponta o relatório.

Auto-silos Associação pede a CCAC para investigar passes mensais

O vice-presidente da Associação Choi In Ton Sam, Lam U Tou, considera que o Governo não conseguiu mostrar uma razão válida que convença a população sobre a continuação dos passes mensais existentes nos parques de estacionamento. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Lam U Tou considera que os passes mensais põem em causa a igualdade de utilização dos parques de estacionamento, pedindo outras medidas. “Não excluo que através de uma impugnação administrativa ou do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) se possa exigir ao Governo para rever a medida de manter os passes mensais [existentes] nos auto-silos públicos e analisar se é ou não justa, legal e correspondente ao interesse público”, frisou o responsável. Citando as opiniões do director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San, Lam U Tou disse, depois de um evento público, que no final do ano vão existir mais mil lugares nos novos auto-silos públicos, sendo que, com os parques que ainda estão a ser construídos, o número de lugares disponíveis para carros e motas deverá chegar aos sete mil. O director da DSAT terá garantido que, nessa altura, não serão atribuídos novos passes mensais.

Reserva Financeira Governo quer investir 25 mil milhões através de Guangdong

Toma conta do meu dinheiro O Governo vai investir milhões da sua reserva financeira através de Guangdong ou pelo Banco de Desenvolvimento da China. Ainda sem informações sobre os contratos, sabe-se apenas que os projectos devem estar ligados à vida da população. Investimento noutras províncias não é algo anormal para economistas

As declarações do Secretário foram reproduzidas pelo jornal Ponto Final, mas num comunicado à imprensa, o Governo explica que o investimento nos projectos de Guangdong ainda se encontra em fase preliminar e, por isso, os detalhes concretos ainda necessitam de aguardar uma resposta e uma aprovação dos serviços competentes do Governo Central. O Secretário relembrou que após a implementação de um acordo, o Governo irá analisar, “prudentemente”, o tipo de projectos recomendados pela província vizinha, acrescentando que acredita ser mais aceitável aprovar projectos relacionados com infra-estruturas ou ligadas à vida da população. Ainda assim, Lionel Leong, clarificou que é necessário apreciar os projectos, “sob princípios que assegurem um retorno financeiro, segurança, eficiência

e estabilidade dos investimentos, nomeadamente, quais os mecanismos de substituição e os prazos de revisão a realizar”.

Não é anormal

Questionado sobre o assunto, o economista José Sales Marques afirma que é “evidente que na aplicação das reservas financeiras há uma parte que é aplicada na aquisição das obrigações, por exemplo, que podem ser emitidas por empresas estatais ou pelas próprias província ou Estados”. Assim, esta situação “não é anormal”. “Isto é uma situação perfeitamente possível”, garantiu, adiantando que só depois de tornados públicos os contratos é que será possível uma análise mais aprofundada ao tipo de investimento. “Se forem obrigações emitidas por empresas estatais ou pelos próprios Governos, ou estruturas regionais, o risco normalmente é muito baixo,

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Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, afirmou que pretende investir entre “10 a 20 mil milhões de yuan” (cerca de 25 mil milhões de patacas) da reserva financeira de Macau em projectos desenvolvidos pela província de Guangdong ou pelo Banco de Desenvolvimento da China (BDC).

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novo limite do crédito aprovado às PME diminuiu 22,2% no primeiro semestre, face ao período homólogo de 2014, totalizando 18 mil milhões de patacas, indicam dados ontem divulgados. Segundo as estatísticas publicadas pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), face ao segundo semestre do ano transacto, a queda foi de 28,3%. No final de Junho, o valor utilizado do total dos empréstimos concedidos às PME atingiu 65,3 mil milhões, subindo 25,2% em termos anuais homólogos e 8,8% em relação aos últimos seis meses de 2014. Em comparação com o final de 2014, os empréstimos concedidos a PME dos sectores

portanto não foge muito daquilo que poderia ser uma aplicação de uma parte das reservas financeiras de Macau”, rematou. Na opinião de Albano Martins, também economista, o que é importante é que haja uma garantia que o capital investido se mantenha e que a rentabilidade seja maior. “Quando se vai para activos reais – que são estes casos de projectos específicos da economia de um país qualquer – é importante que o factor remuneração seja de tal modo atractivo que possa compensar alguma perda do investimento em si”, clarifica. Para Albano Martins, o risco não será grande, estando por isso confiante. “(...) A taxa de inflação em Macau é de 5%, se o [Governo] conseguir gerar mais rendimento, ou seja, uma taxa maior que 5%, vai-se perder dinheiro ao final do ano, ou seja, tecnicamente em termos reais o dinheiro vale menos. O que o Governo está a tentar fazer é encontrar activos reais que normalmente são aqueles que trazem maior rentabilidade”. A ideia deste investimento é, para o economista, conseguir obter uma rentabilidade que permita assim pagar o custo da inflação de Macau. Cabe ao Governo encontrar investimentos ou projectos que tragam garantias sólidas de que o capital investido não vá ser perdido. “Não me parece que o Governo faça isto de ânimo leve, ainda por cima com o Governo chinês. Os investimentos vão estar acautelados”, remata. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

PME Limite de crédito aprovado diminui mais de 20% das indústrias transformadoras, restaurantes, hotéis e similares, e comércio aumentaram, respectivamente, 12,9%, 11,1% e 8,7%, indica a AMCM. Em contrapartida, diminuíram os concedidos a instituições financeiras não monetárias (-16,8%), ao sector da electricidade, gás e água (-11,6%) e ao do transporte, armazéns e similares (-4,4%). A taxa de utilização, definida como a proporção do balanço relativo aos créditos em dívida desceu dois pontos percentuais desde os últimos seis meses, atingindo 64,7%.

No final de Junho, o balanço relativo aos empréstimos em dívida não pagas pelas PME aumentou de 43,6% nos últimos seis meses para 195,8 milhões de patacas. Comparativamente ao ano anterior, o saldo aumentou 37,5%. O rácio das dívidas não pagas, sendo o rácio da balança dos empréstimos não pagos para o total dos empréstimos concedidos às PME cresceu 0,07 pontos percentuais do final de 2014 e 0,03 pontos percentuais face ao período homólogo do ano passado para 0,30%. As PME representam cerca de 90% do tecido empresarial local.


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EUA Desvalorização é apropriada mas...

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Yuan “permanecerá forte”, desvalorização “basicamente concluída”

presidente da Reserva Federal de Nova Iorque, William Dudley, disse ontem que a recente desvalorização do yuan é apropriada, mas que tem “grande implicação para a economia global”. William Dudley considerou, contudo, que a decisão das autoridades chinesas é apropriada, tendo em conta os sinais de debilidade que a economia da China está a dar. “Tem implicações que vão muito além da China, tem grandes implicações para a economia global”, afirmou o presidente da influente Reserva Federal de Nova Iorque. Se a economia chinesa está mais débil do que o esperado pelas autoridades, disse William Dudley, “provavelmente não é inapropriado para a moeda ajustar-se a essa debilidade”, acrescentando que o que se estava a passar é que o yuan se estava a valorizar em relação ao dólar. Apesar de a China esperar uma taxa de crescimento económico de cerca de 7% para este ano, os recentes dados apontam para uma taxa menor, com o Fundo Monetário Internacional a indicar 6,8%. A desvalorização do yuan visa estimular a actividade económica através do abrandamento das exportações e melhorar a competitividade dos produtos chineses no estrangeiro.

A resposta veio do banco U m responsável do banco central chinês garantiu ontem que o yuan “permanecerá forte”, afirmando que o “ajustamento” iniciado há três dias, que se traduziu numa desvalorização de 4,5% face ao dólar norte-americano, está “basicamente concluído”. “O valor do yuan voltou gradualmente aos níveis do mercado depois das quedas nos dias anteriores, e permanecerá uma moeda forte no longo prazo, sem bases para uma persistente e substancial desvalorização”, disse Zhang Xiaohui, vice-governador adjunto do Banco Popular da China, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. Nos últimos três dias, a moeda chinesa desvalorizou sucessivamente 1,9%, 1,6% e 1,1% face ao dólar norte-americana, na maior descida do género em mais de duas décadas. Zhang Xiaohui indicou que “havia um fosso de 3% entre a

cotação do yuan e as expectativas do mercado”. “O ajustamento para eliminar aquele fosso”, assumido pelo banco central chinês como uma medida destinada a “reflectir melhor o mercado”, está “basicamente concluído”, disse o responsável numa conferência de imprensa em Pequim. Segundo as cotações do banco central chinês, ontem de manhã, a moeda norte-americana valia 6,401 yuan, mais 0,071 do que na quarta-feira passada e 0,285 acima do valor fixado no início da semana. O euro também subiu face à moeda chinesa e, pela primeira vez em vários meses, excedeu 7 yuan, cotando-se em 7,101 mais 0,338 do que na terça-feira passada. O Fundo Monetário Internacional (FMI) congratulou-se com a “maior flexibilidade cambial” adoptada pela China, afirmando que aquele país “está rapidamente a integrar-se nos mercados financeiros globais”.

Novos embaixadores para Portugal, Moçambique e Timor-Leste

Ide, vede e acreditai O Presidente da China, Xi Jinping, designou sete novos embaixadores, após o aval do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, incluindo para Portugal, Moçambique e Timor-Leste, informa hoje a agência Xinhua. Para a embaixada da China em Portugal foi nomeado Cai Run, em substituição de Huang

Songfu, enquanto para a de Moçambique foi designado Su Jian, que sucede no cargo a Li Chunhua. Em Timor-Leste, assume funções Liu Hongyang no lugar de Tian Guangfeng. Foram também nomeados os embaixadores para a Birmânia, Moldávia, Letónia e Peru, segundo um comunicado do órgão legislativo emitido na

quarta-feira, citado ontem pela Xinhua. O novo embaixador da China em Portugal, Cai Run, é um alto funcionário do governo chinês, tendo já dirigido o Departamento de Planeamento Político do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Cui Run, 48 anos, é formado em Direito e entre outros postos que ocupou, foi conselheiro político na Embaixada da China em Washington. O novo embaixador chinês em Portugal sucede a Huang Songfu. Portugal e a República Popular da China estabeleceram relações diplomáticas em fevereiro de 1979 e há dez anos assinaram um acordo de “parceria estratégica global”. Até ao final do século passado, as relações bilaterais foram dominadas pela questão de Macau, cujo processo de transição é considerado um sucesso pelos governos dos dois países, mas nos últimos quatro anos, a China tornou-se um dos principais parceiros económicos de Portugal.

Lenovo despede 3.000 trabalhadores

Copo meio vazio A

gigante tecnológica chinesa Lenovo anunciou ontem que vai despedir 3.000 trabalhadores, após uma quebra de mais de 50% dos lucros no primeiro trimestre. Também as receitas do maior fabricante mundial de computadores falharam as previsões dos analistas, o que o presidente-executivo da empresa, Yuanqing Yang, associou ao “ambiente de mercado mais difícil dos últimos anos”. Os resultados líquidos desceram 51%, para 105 milhões de dólares nos primeiros três meses até 30 de Junho - que a empresa designa como o seu primeiro trimestre - face aos 214 milhões de dólares que lucrou no período homólogo. Os resultados antes de impostos também afundaram quase 80%, enquanto as receitas cresceram uns ligeiros 3%, para 10,7 milhões de dólares (9,6 milhões de euros), ficando aquém das expectativas dos analistas da Bloomberg que previam uma facturação de 11,5 milhões de dólares (10,3 milhões de euros). Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a

Lenovo afirmou que pretende reduzir os custos em 1,35 mil milhões de dólares por ano (1,21 mil milhões de euros) e acabar com 3.200 postos de trabalho fora das fábricas - cerca de 5% da sua força de trabalho em todo o mundo. “Face aos resultados financeiros que não cumpriram as nossas expectativas, a Lenovo vai tomar acções decisivas, de grande escala - incluindo melhorar o alinhamento dos seus negócios e reduzir significativamente os custos”, declarou a empresa. A Lenovo sofreu os efeitos do decréscimo mundial da procura de PC (computadores pessoais), que representam cerca de um terço das suas receitas, apesar das tentativas para diversificar as suas actividades, incluindo o mercado de ‘smartphones’. As receitas do negócio de PC caíram 13% em termos homólogos, enquanto o sector dos telemóveis (que conta com a Lenovo e a Motorola) cresceu 33%. A Lenovo comprou a Motorola ao Google por 2,9 mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros) no passado mês de Outubro.


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HK Dois homens condenados no caso de jornalista esfaqueado

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m júri do Tribunal Superior de Hong Kong condenou ontem dois homens no âmbito do ataque perpetrado, em Fevereiro, contra um antigo editor de um jornal local. Segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK), ambos ficam sob custódia das autoridades da antiga colónia britânica, até ao dia da leitura da sentença, adiada para o próximo dia 21. Após três horas de deliberação, um painel composto por sete membros considerou, por unanimidade, Yip Kim-wah e Wong Chi-wah culpados de causaram, intencionalmente, lesões corporais graves ao jornalista Kevin Lau, tendo também condenado ambos pelo roubo de um motociclo usado no dia do ataque. Yip Kim-wah tinha admitido à polícia ter-lhe sido prometida uma verba de entre 100.000 e 200.000 dólares de Hong Kong para levar a cabo o ataque. Contudo, durante o julgamento,

ambos afirmaram terem sido interrogados e ameaçados a confessar pela polícia do interior na China, na sequência das suas detenções levadas a cabo em Guangdong. Antigo editor-chefe do Ming Pao, Kevin Lau, esfaqueado a 26 de Fevereiro, nas costas e nas pernas, em plena luz do dia, por dois homens, que fugiram num motociclo, ficou gravemente ferido na sequência do ataque. Kevin Lau editou o Ming Pao durante dois anos, mas foi substituído, em Janeiro, por um editor pró-Pequim da Malásia, o que desencadeou críticas pelos colegas de trabalho, que temiam alterações à linha editorial do jornal, a qual pugnava pelo jornalismo de investigação. O ataque aconteceu numa altura de crescente preocupação sobre a liberdade de imprensa em Hong Kong e sobre eventuais tentativas de Pequim para aumentar o controlo na Região Administrativa Especial chinesa.

Água Hong Kong cria comissão para investigar níveis de chumbo

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juiz do Tribunal Superior Andrew Chan foi nomeado para liderar uma comissão independente que vai investigar o caso dos excessivos níveis de chumbo detectados em oito complexos de habitação pública em Hong Kong. O anúncio foi feito pelo chefe do Governo de Hong Kong, CY Leung, após uma reunião do Conselho Executivo, quase um mês depois de ter revelado a intenção de criar a referida comissão, informa hoje a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). O chefe do Executivo da antiga colónia britânica afirmou que espera que a comissão submeta um relatório em cerca de nove meses. CY Leung também relativizou as críticas ao facto de a comissão independente ser composta por apenas dois membros – além de Andrew Chan foi nomeado Alan Lai, antigo dirigente da Comissão Independente contra a

Corrupção de Hong Kong –, uma vez que não é um cenário habitual. Neste sentido, recordou que outras foram também formadas por apenas dois membros, dando o exemplo do núcleo que investigou a colisão ao largo da ilha de Lama, ocorrido em 2012, que resultou em 39 mortes e foi o pior desastre marítimo nas últimas quatro décadas registado na antiga colónia britânica. Em comunicado, os dois membros da comissão afirmam que vão assegurar que a investigação será “aberta e profunda”. O Governo de Hong Kong confirmou, em meados de Julho, que os níveis de chumbo detectados em cinco complexos de habitação pública, onde vivem cerca de 5.000 pessoas, excediam os padrões recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Até ao passado dia 3, tinham sido detectados níveis excessivos em amostras recolhidas de sete complexos de habitação pública.

Explosões em Tianjin causaram 44 mortos

Tragédia no armazém A s explosões num armazém de Tianjin, norte da China, causaram 44 mortos, mais 37 do que foi anunciado inicialmente, disse ontem a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. As explosões ocorreram na quarta-feira à noite, cerca das 23:30, numa zona chamada Binhai New Area. Num balanço difundido ontem de manhã, a Xinhua indicou que “pelo menos 17 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas”, e ao princípio da tarde, o balanço subiu para 44 mortos. Horas antes, um jornal de Pequim já tinha adiantado que um hospital de

não há portugueses feridos Um dos poucos portugueses residentes em Tianjin, o designer Filipe Martins, afirmou ontem nenhum compatriota foi atingido pelas explosões naquela cidade chinesa, na quarta-feira à noite, que causaram 44 mortos e mais de 500 feridos. “Neste momento, o número de portugueses que vivem aqui rondará a meia dúzia. Há também alguns estudantes, mas estão de férias”, disse Filipe Martins à agência Lusa. Segundo contou, depois de ouvir as explosões, “um amigo inglês” que vive perto do local do acidente “saiu de casa a correr, descalço”, mas ele próprio, que mora “a mais de 40 minutos de metropolitano de distância”, não ouviu nada. “É uma zona completamente industrial, com grande concentração de armazéns e fábricas”, descreveu Filipe Martins. Radicado há três anos em Tianjin, no norte da China, Filipe Martins trabalha para uma multinacional europeia. Trata-se de um dos maiores municípios da China, com cerca de 15 milhões de habitantes, e fica a 150 quilómetros de Pequim. Contactada pela agência Lusa, fonte da Embaixada de Portugal na China disse também não ter conhecimento de qualquer cidadão português atingido pelas explosões em Tianjin

Tianjin recebera 40 corpos retirados do local da explosão, mas a informação só agora foi oficialmente confirmada. Entre os mortos, há 12 bombeiros, disse a Xinhua. O número de feridos hospitalizados também subiu, para 520, e 66 deles estão em estado grave, revela o balanço mais recente. Segundo a conta do Centro das Redes de Vigilância dos Sismos da China no Sina Weibo, o Twitter chinês, a magnitude da primeira explosão equivaleu à detonação de três toneladas de TNT, enquanto a segunda teve uma potência equivalente à detonação de 21 toneladas daquele explosivo. Informações das autoridades locais e relatos de vizinhos citadas por um jornal de Pequim indicam que as explosões destruíram janelas, sacudiram edifícios, levando mesmo à sua evacuação. A onda de explosões chegou a sentir-se até dez quilómetros de distância. O Presidente chinês Xi Jinping, e o primeiro-ministro, Li Keqiang, instaram a que sejam envidados “todos os esforços para resgatar as vítimas”. Maior porto do norte da China, situado a 150 quilómetros de Pequim, Tianjin é a sede de um município com cerca de 15 milhões de habitantes.

Mar do Sul liberdade de navegação, mas com limites

Armas ficam à porta A

China respeita a liberdade de navegação na disputada região do Mar do Sul da China, mas não permitirá que qualquer governo estrangeiro reivindique esse direito para que seus navios e aviões militares entrem no território de Pequim, disse o embaixador chinês, Zhao Jianhua. Jianhua disse na terça-feira (11) que as forças chinesas alertaram a marinha dos EUA para não entrar no território quando um avião de guerra se aproximou de uma área ocupada pelos chineses nas disputada ilhas Spratly no Mar do Sul da China, em Maio. Um repórter da CNN que estava a bordo do avião informou o incidente em seguida. “Nós apenas avisámos: cuidado, não entre”, disse Zhao. Quando perguntado o porquê da China ter expulsado o avião da Marinha dos EUA quando o país se comprometeu a respeitar a liberdade de

navegação no Mar do Sul da China, Zhao delineou os limites na perspectiva da China. “A liberdade de navegação não significa permitir que outros países invadam o espaço aéreo ou o mar que é soberano. Nenhum país

vai permitir isso”, disse o embaixador. “Nós dizemos que a liberdade de navegação deve ser observada de acordo com a lei internacional. Sem liberdade de navegação para navios de guerra e aviões”, acrescentou.

Zhao também repetiu uma declaração anterior de Pequim sobre o uso de terras recuperadas para criar novas ilhas. A China, disse, agora poderia começar a construção de instalações para apoiar liberdade de navegação, esforços de busca e salvamento quando ocorrerem acidentes e para pesquisa científica. Ele reconheceu que “necessárias instalações de defesa” também seriam construídos.

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AVISO EXAME DE APTIDÃO DE AMADOR DE RADIOCOMUNICAÇÕES Avisam-se todos os candidatos ao Exame de Aptidão de Amador de Radiocomunicações, de Categoria C, que o mesmo será realizado, no dia 6 de Setembro do corrente ano pelas quinze horas, na Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações, sita na Avenida do Infante D. Henrique, n.os 43-53A, The Macau Square, 22.º andar, Macau. Região Administrativa Especial de Macau, aos 11 de Agosto de 2015. A Directora dos Serviços, Subst., Tam Van Iu


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eventos

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CCM Kayhan Kalhor e amigos com concerto marcado para Setembro

A reinvenção da música persa É conhecido como o rei da música persa e um mestre na arte de improvisar e chega agora a Macau, para um concerto único. Kayhan Kalhor actua no Centro Cultural de Macau a 4 de Setembro e não vem sozinho

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ayhan Kalhor apresenta-se no próximo mês no Centro Cultural de Macau (CCM) para um concerto e o “rei da música persa” não vem sozinho. Kalhor atravessa terra e mar até Macau trazendo amigos do Irão e da Índia, para um único espectáculo no grande auditório, a 4 de Setembro pelas 20h00. Do santur à tabla e à cítara, o ensemble que Kalhor reuniu para viajar até ao território inclui o mestre Ali Bahrami Fard. Nascido em Shiraz, no sudoeste do Irão, Fard estudou santur com o mestre Ostad Faramarz Payvar. Como explica Joana C. Lee, investigadora honorária no Centro de Estudos Asiáticos de Universidade de Hong Kong, numa nota enviada ao HM, este instrumento tem

mais semelhanças com os equipamentos musicais chineses do que se pode pensar. “O santur é um saltério forjado com origem na Babilónia. É um primo não muito distante do yangqin chinês, muito provavelmente trazido através da rota da seda da dinastia Tang.” Kalhor também convidou Sandeep Das, seu colaborador de longa data e companheiro do Silk Road Ensemble. Nascido na Índia, Das é mestre da tabla, um instrumento composto por dois tambores que é tocado apenas com as mãos e pontas dos dedos. “Enquanto o par de tambores é afinado para tons específicos, a parte inferior da mão exerce força na pele do tambor para mudar de tom, criando um canto melódico à medida que o som se desvanece”, explica a investigadora. A completar o ensemble, como indica a organização ao HM, estará ainda a cítara dedilhada pelo indiano Narenda Mishra. A cítara ficou célebre no mundo ocidental nos anos 60 graças ao viajante virtuoso Ravi Shankar - pai da conhecida cantora Norah Jones. Mas não só. “A cítara aparece em vários temas clássicos dos Beatles, como ‘Norwegian Wood’”, explica Joana Lee.

Kayhan Kalhor e o kamancheh Nascido no seio de uma família curda, Kalhor obteve quatro nomeações para os prémios Grammy e tem sido um dos artistas com mais participações noutros projectos. Faz parte do Silk Road Ensemble de Yo-Yo Ma e também compôs música para bandas sonoras de

filmes, tendo trabalhado com Osvaldo Golijov na banda sonora do filme “Uma Segunda Juventude” (2007) de Francis Ford Coppola. “Graças à sua envolvência em múltiplas frentes, Kalhor foi aplaudido nas mais prestigiadas salas de espectáculos do mundo”, indica ainda o CCM na nota enviada ao HM. Kalhor é considerado como um importante divulgador do kamancheh - uma espécie de pequeno violino persa - e da música curda e persa, sendo ainda um “mestre da improvisação”. O cantor faz frequentes digressões pelo mundo, tanto como solista como com a sua própria banda. Na nota enviada ao HM, a investigadora Joana C. Lee explica que, na cultura tradicional persa, a música funciona como uma ferramenta espiritual, sendo um meio para a mente explorar, meditar e para exaltar “a alegria de viver”. A música persa está ainda ligada à literatura pela forma como capta a atmosfera e a poesia do momento, tal como a improvisação e a composição, algo que Kalhor domina. “Como ele lidera um ensemble que abrange as tradições indiana e persa, os seus companheiros musicais vão responder às suas improvisações com os seus próprios rasgos, assim contribuindo para esta extraordinária viagem musical asiática”, explica o CCM.

Mais do que guerra

O Irão, país natal de Kayhan Kalhor e berço cultural de muitas das grandes tradições


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mundiais, tem sido fonte de destaque na imprensa internacional desde que a revolução de 1979 depôs o Xá Mohammed Reza Pahlavi. Com a vinda deste músico a Macau, o CCM quer mostrar mais de um país onde os desafios políticos e religiosos “nublaram” a percepção da cultura em si mesma. “As pessoas têm de ser elucidadas sobre tradições artísticas seculares que transcendem fronteiras nacionais e até conotações religiosas: a Pérsia (no termo mais genérico e histórico que se refere à região e à sua cultura) há muito que exerce a sua influência no mundo, tendo estabelecido trocas de bens com a China através da rota da seda desde o período da Dinastia Tang. O seu design e artes manuais desempenharam um papel crucial no desenvolvimento da arte chinesa. Refira-se ainda que, na Pérsia antiga, o Islão não era a religião dominante”, explica a investigadora. Os bilhetes para o espectáculo já estão à venda, com preços que vão desde as 150 patacas às 300 patacas. J.F. pub

Música FIIM deste ano conta com Pedro Moutinho e divas do Jazz

“Somtástico” e outras coisas que tais O Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) celebra a seu 29ª edição com um programa “muito semelhante” ao de anos passados, mas com novos workshops e um concerto com Pedro Moutinho e os Danças Ocultas. O tema desta ano é “Somtástico”, na tentativa de reproduzir o sentimento fantástico que a música traz. Centrado na melodia de uma concertina, o espectáculo de dia 16 quer faz jus à música portuguesa folk e conta com o grupo de fado de Pedro Moutinho e os Danças Ocultas, constituído por quatro membros. O fim de semana de 30 de Outubro a 1 de Novembro será inteiramente dedicado à representação de Fausto, uma peça musical de cinco actos, por Charles Goudon. A organização refere que o autor “criou uma fusão extraordinária de melodia sublime, desafio vocal e poder dramático”, fazendo com que o grupo tenha ficado internacionalmente conhecido com origem em França. Juntos estarão a Academia de Teatro de Xangai,

Pedro Moutinho

o Estúdio de Ópera Cénica de San Diego, a Ópera de Chicago e vários outros artistas. Os bilhetes vão das 200 às 600 patacas para os três concertos agendados para as 19h30 de sexta-feira, sábado e domingo. Além do programa geral, o FIMM oferece um vasto conjunto de workshops e conversas com artistas.

Entre eles está um curso de música para deficientes auditivos e outro com Janis Siegel e Elisa Chan. O programa tem uma base sólida de ópera e música clássica, no entanto, não foge muito ao que se tem assistido em anos passados, com uma série de concertos de música clássica. Para abrir as festividades, entram no palco do Centro Cultural de Macau (CCM), a mezzo-soprano Charlotte Hellekant, que acompanha a Orquestra de Macau através da condução do maestro chinês, Lu Jia. Os bilhetes para este concerto de dia 4 de Outubro, às 20h00 custam entre 200 e 300 patacas. É com a Sinfonia nº3 de Gustav Mahler que o grupo espera encher aquele auditório. Segue-se um concerto da Orquestra Chinesa de Hong Kong, cuja existência remonta a 1977, tendo já pisado vários palcos mundiais com um grupo de 85 músicos no total. São descritos pela organização do FIMM como “líderes da música étnica chinesa” e sobem ao palco do Grande Auditório do CCM a 6 de Outubro, com bilhe-

tes entre as 100 e as 200 patacas. A Orquestra é conduzida pelo maestro Yan Huichang e tem feito uma série de parcerias com outros músicas internacionais, no sentido de aliar a música chinesa à ocidental. Os interessados poderão assistir a um concerto baseado nos conceitos de Bem e Mal, Ying e Yang. No dia seguinte, o mesmo auditório dá lugar à orquestra de música clássica Mahler Chamber, grupo formado em 1997. Com residência permanente em Itália, conta com músicos de vários países, 28 discos lançados e uma média de 60 a 70 concertos anuais. Nos dias seguintes e até 1 de Novembro vão subir ao palco a Filarmónica BBC, o grupo acapella Chanticleer, da cidade norte-americana de São Francisco, Rimsky Karkasov, entre vários outros artistas. A esmagadora maioria dos concertos acontecem no Grande Auditório do CCM e no Teatro D. Pedro V, com actuações a terem lugar também na Igreja de S. Domingos e na Fortaleza do Monte. L.S.M.


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ANIVERSÁRIO DE D. BOSCO, APÓSTOLO DA JUVENTUDE

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az duzentos anos no dia 16 de Agosto que em Castelnuovo d’Asti (Becchi), próximo de Turim, nasceu João Bosco de uma família italiana de camponeses de baixos rendimentos. Data que merece ser recordada pelo seu trabalho em prol de uma juventude desprotegida e indefesa para a vida, a quem em vez do peixe deu uma cana e ensinou a pescar. Viu a primeira luz do dia em 1815 e com nove anos uma visão revelou a sua missão. Sonhou com uma multidão de cães, de gatos, de cabritos, de ursos e outros animais que, de repente, se transformavam em mansos cordeiros. Ordenado sacerdote em Turim no ano de 1841, entregou-se com todo o seu carinho aos jovens órfãos, pobres e desamparados, dando-lhes instrução, administrando a educação e ensinando-lhes uma profissão, com a qual conseguissem respirar em vida honesta e honrada. A 8 de Dezembro de 1841 ao preparar-se para celebrar uma missa na Igreja de S. Francisco de Assis em Turim, o Padre João Bosco assistiu a um sacristão espancar um pobre rapaz, pois recusara-se a ajudar à missa, porque não o sabia fazer! Logo se dirigiu ao sacristão explicando não ser a reprimir que levava a água ao moinho. A seguir falou com aquele órfão de pai e mãe, que lhe disse chamar-se Bartolomeu Garelli e conquistando a sua confiança, começou a ensinar-lhe o catecismo. Após esta primeira lição, Bartolomeu prometeu ao novo mestre voltar no próximo Domingo, mas acompanhado. Assim aconteceu e no Domingo seguinte tinha já D. Bosco nove discípulos e em menos de um ano contava com trezentos. Estava fundado o seu patronato. Para eles em 1851 (segundo Jorge Campos Tavares) fundou a Congregação dos Padres de S. Francisco, uma escola de vida lançada pelo respeito e amizade no instruir, educar e para auto-sobrevivência, ensinava um ofício, em conjunto com outras artes. Já o Padre Manuel Teixeira refere: “Em 18 de Dezembro de 1859, D. João Bosco fundou os Salesianos, reunindo na Congregação de S. Francisco de Sales um grupo de dezassete pessoas, onde constava um sacerdote, quinze clérigos e um coadjutor”. Refere ainda o Padre Manuel Teixeira ter, em 5 de Agosto de 1872, o Padre João Bosco assistido com satisfação à tomada de hábito e entrada de quinze religiosas no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, por si fundado. Mas também

esta data se encontra adiantada à escrita por Jorge Campos Tavares no Dicionário de Santos onde indica 1862 para a criação da Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora. A Santa Sé em 1874 aprovou a Congregação Salesiana. Depois, a D. Bosco juntou-se-lhe a vontade de missionar fora de portas e não fosse os pedidos do Padre Cafasso, teria partido. Em 1878 estava para tomar conta do reformatório de Turim, tendo para isso colocado condições como, a saída dos guardas das instalações, liberdade religiosa e unidade de direcção, mas o ministro não assinou com a justificação de não serem necessários mais padres. Era verdade que pelo contacto com D. Bosco logo daí nascia uma evocação solidária de ajudar os outros, preparando-os para se distinguirem por uma boa conduta e profissionais no trabalho que realizavam. Em virtude de ter conhecido São João Bosco e a sua obra de educação profissional para a juventude, Dom Sebastião Vasconcelos em 1883 fundou no Porto as Oficinas de São José. A 9 de Abril de 1886, num sonho a Virgem Maria apareceu a D. Bosco com um rebanho de cordeiros e ovelhas, perguntando-lhe se ainda se lembrava do sonho de criança, questionando o que agora via!? Respondeu-lhe o Santo: - montanhas, vales e mares e crianças a ler numa vastidão de longitudes e latitudes. Visionava o alcance da obra dos salesianos. D. João Bosco faleceu com 59 anos em Turim a 31 de Janeiro de 1888 e deixou em vários países do mundo cinquenta e sete casas com mil religiosos ocupados nas escolas profissionais, patronatos, escolas primárias e secundárias, colónias agrícolas, casas de família e na obra das vocações tardias, sendo o lema salesiano: “farão isso os teus filhos e os filhos dos teus filhos, enquanto cultivarem constantemente a virtude de Maria”. Beatificado pelo Papa Pio XI a 21 de Abril de 1929, foi canonizado em 1934, celebrando-se a festa a São João Bosco a 31 de Janeiro. É o padroeiro dos operários aprendizes e o apóstolo da juventude.

Província Portuguesa da Sociedade Salesiana Ia já a época do início da Era da Industrialização adiantada, mas todos aqueles ofícios aprendidos com os Mestres, nas oficinas de alfaiataria, carpintaria,

sapataria, imprensa e encadernação das escolas dos Orfanatos dos Salesianos continuaram a ser ensinados até ao início dos anos setenta do século vinte. Chegaram os frades salesianos a Portugal em 1894, chamados para suceder ao Padre Francisco Rodrigues da Cruz na direcção do Colégio dos Órfãos de São Caetano, em Braga. Era já um colégio tradicional criado por D. Frei Caetano Brandão, igual ao que Dom Sebastião Vasconcelos, inspirado na obra de São João Bosco, em 1883 a título particular fundara - as Oficinas de São José do Porto, onde se elegia a obra de educação profissional para a juventude. Os Salesianos assumem a direcção das Oficinas de S. José de Lisboa em 1896 e aí, no ano seguinte criaram uma casa de formação.

A sua actuação em Portugal teve desenvolvimento rápido, a ponto de se constituir em 1899 a independente Província Portuguesa da Sociedade Salesiana. Em 1902, já com direcção canónica, deu-se início à publicação do Boletim Salesiano em língua portuguesa. Por esses anos em Portugal Continental são fundadas mais Oficinas de S. José e logo em 1906, em Macau, para chineses, o Orfanato da Imaculada Conceição e em Tanjor na Índia, o Orfanato de S. Francisco Xavier. No ano seguinte, também para nativos, abriu a Escola de Artes e Ofícios na Ilha de Moçambique. Em 1908 ocorreu o Primeiro Congresso Pedagógico de Lisboa onde foi conferido às Oficinas de S. José o Diploma de Benemerência. Em 1909, a Oficina de S. José no Porto


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José Simões Morais texto e foto

foi entregue aos Salesianos, sendo criado em Meliapor (actual Chennai na Índia) para eurasiáticos o Orfanato de S. Tomé Apóstolo. Com a implantação da República em 1910, foram suspensas as obras salesianas em Portugal e nas colónias. Se em Macau a reabertura da Casa ocorreu logo em 1912, em Lisboa, as Oficinas de S. José abriram, mas após alguns meses foram forçadas a encerrar, reabrindo só em 1920. Em Macau, os salesianos encontravam-se desde 1906, quando a Ordem da Imaculada Conceição fundou o Orfanato da Imaculada Conceição como escola de artes e ofícios. “As instalações de então, um edifício de dois pisos em madeira, ficavam na Rua São Lourenço e sendo uma escola de carácter técnico-profissional, estava destinada a crianças órfãs” do livro Estabelecimentos de Ensino de Macau e com ele continuando a “Escola tecnológica da Imaculada Conceição ministrava Costura, Curtumes e Confecção, Carpintaria e Tipografia. Como actividades extra-escolares, funcionava

uma banda de música e uma classe de ginástica.” Segundo o Padre Manuel Teixeira, “este Instituto, com as oficinas de alfaiataria, carpintaria, sapataria, imprensa e encadernação do Orfanato continuaram até aos anos 70,” com dois anos de interregno após a implantação da República. Em 1932, o estabelecimento foi ampliado e ao ensino técnico-profissional, juntou-se uma secção de ensino primário”, “anexa ao Orfanato, destinada a alunos em regime de externato e a 17 de Julho de 1936, inaugurou-se o novo edifício escolar do Orfanato Salesiano, no sítio onde outrora se erguia a conhecida Casa de 16 Colunas” e prosseguindo com o Padre Manuel Teixeira: “em 1939, esta escola denominava-se em chinês Pau Si Kou Kei Nim Chong Hoc (Escola Secundária em Memória de S. João Bosco), enquanto o nome original em português continuava em uso.” Só em 1938 foi restaurada a Província Portuguesa da Sociedade Salesiana com reconhecimento canónico.

O Instituto Salesiano de Macau Segundo o livro Estabelecimentos de Ensino de Macau: “Com o início da guerra da resistência ao Japão, em 1937, a população de Macau aumentou bastante, e consequentemente o número de alunos. Assim, em 1939, já funcionava o ensino secundário geral, estando a escola registada no Departamento de Educação de Cantão, sob o nome de Escola Particular Comemorativa D. Bosco, tendo esta, em 1943, passado a chamar-se Escola Profissional D. Bosco. Reentravam em Portugal no ano de 1940 as Filhas de Maria Auxiliadora e assumiam a direcção da Casa Pia Feminina de Évora. No ano seguinte, ainda em Évora, abriu a Casa Pia Masculina. Em Macau fez-se em 1941 a inauguração do aterro para os futuros pátios de um novo colégio, sendo lançada em 1949 a primeira pedra do edifício, ao qual se chamou Colégio D. Bosco de Artes e Ofícios. A Ordem Salesiana em Macau decidira abrir mais uma escola industrial, separando os alunos chineses dos portugueses. Foi assim construído esse edifício de quatro pisos, frente ao Jardim da Montanha Russa, destinado aos alunos portugueses e com o ensino técnico e profissional. Parte desse edifício foi inaugurado em 1951 e após fases sucessivas de ampliações, ficou concluído em 1963, aparecendo assim o Colégio Dom Bosco, na Estrada Ferreira do Amaral, n.º 6, em Macau.

Existindo desta forma duas escolas sob o mesmo nome, decidiu-se chamar Instituto Salesiano da Imaculada Conceição (慈幼學校), em cantonense Chi Iau Hoc Hau ao edifício que ficou destinado aos alunos chineses.

As mudanças das artes e ofícios O “Instituto Salesiano reestruturou o currículo, adaptando-se à evolução dos tempos e das necessidades sociais, no início dos anos 60, introduziu-se no currículo as disciplinas de Electromecânica e Engenharia Mecânica, e deixou de se ministrar Carpintaria, Alfaiataria, Tipografia e Curtumes, passando a funcionar em moldes idênticos às escolas secundárias industriais de Hong Kong, sendo em 1969 o Instituto reconhecido pela Universidade de Londres, proporcionando o certificado do G.C.E. (General Certificate of Education). Em 1975, foi autorizado como um dos quatro centros de exame da Universidade de Londres” do livro Estabelecimentos de Ensino de Macau.

Num sonho a Virgem Maria apareceu a D. Bosco com um rebanho de cordeiros e ovelhas, perguntando-lhe se ainda se lembrava do sonho de criança “Hoje, o Instituto Salesiano oferece aos seus alunos lições de desenho industrial, bem como alguns trabalhos manuais nas oficinas de mecânica e electrónica” Padre Manuel Teixeira. Já o Colégio D. Bosco, segundo também o livro Estabelecimentos de Ensino de Macau, “não obstante ministrar o ensino primário, era principalmente uma escola industrial, oficializada pelo Decreto-Lei nº 43093, de 28 de Julho de 1960 e onde funcionava também o Ciclo Preparatório do ensino secundário. Para além deste curso equiparado ao ministrado nas escolas oficiais similares, funcionavam, em regime extracurricular, o curso de Mecânica de Automóvel e o curso de Dactilografia” e “a par das componentes curriculares, existia ainda, a título de complemento, Música e Canto Coral, Desporto e sessões culturais.” “No ano de 1976, o Colégio D. Bosco encerrou o Curso Industrial, e enveredou pelo Curso Secundário Unificado. Em 1982, começou a funcionar a Secção Infantil Portuguesa e no ano seguinte, os alunos dos 10.º e 11.º anos passaram para o Liceu Nacional Infante D. Henrique” do livro Estabelecimentos de

Ensino de Macau da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude 1994.

Orientar a juventude O Asilo dos Órfãos destinado a crianças portuguesas foi confiado em 1941 aos Salesianos e até ter instalações próprias, ficou no Orfanato da Imaculada Conceição. Mas “a indústria moderna de produção em massa sufocava os trabalhos manuais e artísticos e levaram as oficinas do Orfanato a perder pouco a pouco o seu impacto na sociedade, atraindo cada ano menos alunos-aprendizes. Em 1975 havia apenas dois alunos na oficina de imprensa e nenhum nas outras e por isso encerrou-se a última oficina de trabalhos em 1976. Em 1986 é mandado fechar o internato do Orfanato da Imaculada Conceição, transformando os antigos dormitórios em salas de aula e no ano seguinte, o Instituto aceita de novo alunos do curso primário elementar” como refere o Padre Manuel Teixeira. O Padre Caetano Nicosia, membro da Ordem S. Bosco/Imaculada Conceição, que missionara em Ká-Hó desde o ano de 1972 e onde fundou a Escola Primária S. José, que em 1983 passou a ser gerida pela Ordem Maria Auxiliadora para poder o Padre Nicosia planear a abertura de uma escola masculina, situada perto da outra. Concluída em 1985, a Escola D. Luís Versíglia “começou por funcionar do 3º ao 6º ano do ensino primário, recebendo alunos externos e internos. Em 1986, tiveram início cursos de Mecânica e cursos pré-vocacionais de Comércio. Estes cursos acabaram em 1989, por falta de instalações e de professores” do livro Estabelecimentos de Ensino de Macau. O Colégio D. Bosco, em 1991, abriu a secção Infantil Chinesa, à qual foi concedida o Alvará de Ensino Particular em língua veicular chinesa. Desde 1999 a propriedade e a direcção do Colégio D. Bosco de Macau passou para a Província Salesiana da China (Hong-Kong). Lembramo-nos de ter conhecido discípulos do saber fazer e estar que honram D. Bosco em profissões como sapateiros, encadernadores, tipógrafos, agricultores. E quantas vezes em Macau usufruímos dos conhecimentos de mestres sapateiros chineses que, nos anos 30 do século XX, aprenderam o ofício com o Irmão Fantini. Mestre de sapataria, de música e de ginástica, aqui formou muitos órfãos, tendo-lhes dado meios para vingarem condignamente na vida e foram os seus alunos quem ensinaram muitos dos actuais sapateiros da nossa cidade. Devido ao mérito de São João Bosco como pedagogo e pela reconhecida e meritória obra a favor da juventude, assinalamos aqui o aniversário do seu nascimento.


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ste seria o momento em que, à luz daquela estética dos salões do século dezanove, os cavalheiros se retiravam com os seus conhaques e os seus whiskies, para falar dos assuntos sérios da cousa pública, deixando as senhoras libertas, para repôr um pouco de pó de arroz no rosto, e partilhar a dimensão do comezinho da via privada. Os desconfortos dos dias difíceis do mês ou os mistérios da mudança de idade. Receitas da vida e também da dos outros. Os assuntos domésticos e os do amor. Tudo muito filtrado, muito metafórico, muito cheio de alusões e reticências, e muito púdico, a fazer medrar nas mais jovens neste ambiente de gineceu, aquela curiosa qualidade mítica para muitos, atávica, senão mesmo estruturalmente ancorada no código genético, que é a intuição. Feminina. Mas este seria um outro tópico de conversa. Do amor, poderia dizer que é como um hotel de cinco estrelas. É preciso um bom lugar, mas também bons costumers. Como juntar matérias inflamáveis e uma boa dose de piromania. E pega fogo em combustão espontânea. Mas, diria antes: é como um hotel de charme. Actores, cenários e palco, produção atenta, uma realização sensível. Para além de uma espécie de moral estética que induziria no erro de se esperar a teatralização do sentir, há o fascínio real do estar. Gostar de estar, indissociável do gostar de se ver estar. Não, no meu ponto de vista como atitude narcísica, mas como reflexo de estar no lugar certo do mundo. No amor há o fenómeno do espelho. Há a necessidade de identificação com o caracter desenhado no olhar do outro. Com o lugar. Os actores gostam de se ver no papel, ou não. Um bom amante seria então simultaneamente um bom lugar e um bom hóspede. Descer a rua. Uma rua das muitas que levam ao rio. Lugar, antigamente de chegadas e partidas. De marinheiros. Ao lado direito, antes de desembocar na margem, e um pouco desnivelado aquele toldo com nuvens a sombrear o pavimento em mosaicos de arabescos azuis, evocativos de um médio oriente onde a sabedoria ainda protege do calor tórrido sem recursos contra a natureza das estações. Um desvão, pequeno e sombrio relativamente à rua, tanto quanto o sol ainda a escaldar, faz desejar um abrigo. Mesas redondas num amarelado de fórmica debruada a latão, e cadeiras que arredondam nas costas, convidativas ao repouso de toda a coluna em paz. O entrançado numa matéria colorida e variados matizes, como se nelas, entretecidos nas cores, se misturassem tempos, memórias e paradigmas apetecidos. Tudo de um outro tempo, de facto. E é aí que quero estar. Mas primeiro à beira- rio, amigos esperam-me num lugar mais juvenil, impessoal, amplo. Deixei para trás aquele vislumbre de interiores voluptuosos e entorpecentes, para além das janelas de guilhotina, mistura de cores aveludadas e tactilmente apetecíveis, veludos azuis ou tintos como o vinho, sedas ocre dourado, um barroco aconchegante, em contrastes semi-exóticos. Objectos confortáveis do passado, sofás e poltronas macias, quebra-luzes époque, imagens e esculturas românticas. Pensei. Tenho um encontro para mais tarde. Marquei-o ali mesmo. Por agora, esperam-me mais abaixo.

Depois volto a subir a rua. Do outro lado da estrada, a memória de um enorme grafismo rigoroso, meses atrás, no prédio devoluto, que dizia: ± SILÊNCIO ±. Como se a cidade falasse comigo por enigmas. O céu de um azul prússia, intenso embora já a escurecer, naquele dilema entre uma luminosidade feérica e fortemente colorida, e a noite quase, quase a instalar-se de vez. Mas é, perto do rio, um momento que se prolonga num resplendor estóico, resistindo às luzes da cidade ainda, e competindo com elas. Espreito de novo aquele cenário em desvão, os mosaicos, as três mesas e as cadeiras coloridas e, surpreendentemente, uma única ocupada por um grupo. Desço, contente com o inesperado sossego em contraponto ao exterior, para o meu encontro e sento-me na mais distante. Um pouco mais tarde uma rapariga tão silenciosa como eu sentou-se na do meio. E, abalado o grupo conversador, um homem ocupou a primeira mesa. Ficou tudo certo, sereno e bem. Os três em linha, quietos, silenciosos e ensimesmados. A música, no volume certo, entre um estilo pop de fusão, aquelas coisas difíceis de situar, uns blues a ressoar talvez a Nova Orleães, e outras fusões um pouco lounge que não reconheço. Entendi contudo uma mão de mestre na articulação progressiva de sons, numa espécie de viajem nas horas… A mesa para dois, livre. E pareceu-me perfeito. Sentei-me só, e pensei na importância daquela outra cadeira ali, precisamente para lembrar que não era uma cadeira com o vazio de alguém mas uma simples cadeira em si. Um lugar. Não o espaço preenchido de uma ausência. Uma espécie de nada por oposição ao vazio. Um lugar, é isso. E, como qualquer lugar, uma entidade suficiente em si. Sem a necessidade de ser validado como lugar de algo ou alguém. O lugar puro. E eu nunca trago para um encontro destes alguém à revelia da sua vontade ou consciência. Tento. Nem memórias nem sonhos. Sequer os meus anjos têm lugar nestes encontros. Comigo só, mas inteiramente só em mim e não, como relativamente à cadeira, só, pela ausência de alguém. Só pela natural solidão imanente da matéria. Só, naturalmente e sem a veemente ausência de outrem. Esta é uma disposição que me ajuda a situar, mesmo para me lembrar de que, tal como não sou uma daquelas pessoas que preferem os bichos às pessoas - eu que os adoro - não finjo que não gosto da sua presença. Ou prefiro, às vezes. Mas tento não transportar a sua falta. O problema das pessoas, é serem afectadas. Literalmente. Afectadas pela vida, as inseguranças, as megalomanias, as mágoas, as frustrações. E sobretudo os medos. E que se deixam envelhecer mais do que os bichos e sobretudo, que se deixam estragar mais do que eles. Transcendendo em muito os incontornáveis limites da biologia. Nunca falho estes encontros. Já falhei outros, embora nunca pela acção voluntária da minha vontade, passe a redundância. Este é também um dos verdadeiros encontros a dois. O de uma pessoa, com a não ausência da outra. De uma certa forma, uma ausência a que se nega a imperatividade e a

Anabela canas

Ensaio sobre o lugar

extensão. A que não se permite a presença. Sim. Há encontros perfeitos. Aqueles que preenchem de uma forma densa e sem margens ou folgas um pedaço, seja de que dimensão fôr, de existência. Não porque nos façam felizes, mas porque são absolutamente justos, verdadeiros e confortáveis. O que é bom. Verdadeiros mas talvez não reais. Vistos de outro ângulo. Há outros encontros, esses realmente perfeitos. Com o outro, que não eu. Mas tão raros. Pode-se passar uma vida ao lado da possibilidade de um. Por falta de jeito, de charme, de segurança, de vista. E esperar.


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de tudo e de nada

Que as probabilidades, no seu cálculo imperscrutável, não forjem o encontro no dia seguinte àquele em que já lá não estaríamos. Encontros daqueles a que não se vê o fim. E o homem é raro na perfeição, por isso deve estar sempre em guarda. Circunscritos num pedaço de eternidade. Mesmo quando esta se desfaz logo a seguir. E a que não se admite a presença de terceiros. E, de entre os mais temíveis intrusos, o tempo, a distância, o esquecimento, ou o desencontro, é o medo aquele cuja manifestação se revela verdadeiramente terrível. E quando isso acontece, quase impossível de erradicar.

Suponho que é a esta hecatombe, que Alain Badiou se refere com o seu conceito de “encontro”, como uma grandiosa descoberta do outro e de si: “For it to be a genuine encounter, we must always be able to assume that it is the beginning of a possible adventure. You cannot demand an insurance contract with whomever it is that you have encountered. Since the encounter is incalculable, if you try to reduce this insecurity then you destroy the encounter itself, that is to say, accepting someone entering into your life as a complete person. “ Mergulhar nas revelações sem lei. A nudez das palavras à mistura com os beijos. Que são um extraordi-

Anabela Canas

nário lugar físico para as palavras. O tempo anacrónico. E nunca o medo. Mas é tão perigoso isso. Tive uma amizade durante dezassete anos, pessoa singularmente amoral, ou até imoral, com quem tinha uma média de largas horas semanais ao telefone. Em que trocámos bárbaras confidências. Um dia. Uma única palavra. E acabou subitamente. Ela ofendida com um disparate que transcendeu, ocultou ou ofuscou os milhares de outras palavras usadas durante todo aquele tempo. Sim. Falar é uma coisa perigosa. Mas gosto desse desafio. Despojar a alma de qualquer artifício - o limite é a dor, ou ir além do Bojador - sem ter que ver no outro uma flor frágil. E de ver a totalidade possível do outro. Guardar alguns segredos também, evitar alguns espinhos. Sem falsidade. Eu tenho uma inconsolável nostalgia de ambientes do passado. Tão mais confortáveis e envolventes, quão desaparecidos ou em vias de extinção. Sem sequer serem substituídos por ambientes contemporâneos que consigam magicamente ter essa qualidade numa outra linguagem. Talvez afinal os objectos tenham uma alma que acumula referências e humanidade de momentos passados, de sentimentos que lhes transmitem algum calor, um acalento que a modernidade não consegue alcançar. Talvez precisem de amadurecer. Sempre gostei de ambientes vividos, objectos manuseados, marcas de vida. Das atmosferas pesadas de um luxo sensorial e decadente dos velhos cabarets. Os lugares dos espectáculos de burlesco, e dos episódios burlescos da vida. Nas zonas portuárias, com maior fascínio porque muitos estão de passagem. Vindos de longe e com destino incerto. Também eu encontrei um dia um marinheiro de águas profundas num cabaret decadente. Mas em outras longitudes. Curiosamente a primeira coisa que lhe vi foram os pés. Só depois dei com o rosto no topo de um corpo aprumado e uns ombros firmes. Um grande encontro face a tudo o que depois não teve sentido nenhum. Numa outra vida. Enfim. Pensão Amor. O lugar de que falava. Não pensão, já. É um pastiche de outros tempos, mas feito com carinho. Lugar de imitação de outros imaginários que não de hoje, mas terno e generoso para acalento de nostalgias. Um nome que se não fosse absolutamente real seria poesia pura. Há um lugar. Natural, produzido ou forjado na fantasia. Poderia ter este nome, mas seria plágio. E não precisa dele. Basta a designação plena de lugar. Como na arte, um site-specific. Lugar natural de algo. Ou desencantado da miríade de todos os outros para envolver a estrutura, a forma a instalar. Mesmo pré-existente, conceptualmente escolhido e quase produzido em função de…De liberdade. Da superação do medo. Do encontro com um eu depurado, reflectido em olhar alheio. Intemporal, eterno, indelével. Mesmo que no momento seguinte todo o referencial pudesse mudar. Mas nesse lugar tão específico, as coisas formuladas e sentidas têm alguma escala. E são eternas enquanto duram. Só depois se lhes vê o fim. Mas essa é já uma outra história. Um outro lugar. Vago. Ou não. Simplesmente lugar.


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( F ) utilidades

hoje macau sexta-feira 14.8.2015

?

tempo aguaceiros ocasionais min 26 max 30 hum 75-98% • euro 8.89 baht 0.23 yuan 1.28

Cineteatro

O que fazer esta semana

Cinema

doraemon the movie: nobita and the space heroes Sala 1

fantastic four [b]

Filme de: Josh Trank Com: Miles Teller, Jamie Bell, Kate Mara, Michael B. Jordan 14.15, 17.55, 19.45, 21.45

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 16.05 Sala 2

attack on titan [c]

Falado em japonês legendado em chinês e inglês Filme de: Shinji Higuchi Com: Haruma Miura, Kiko Mizuhara 14.15, 16.05, 17.55, 21.45

Amanhã

Sala 3

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 14.30

to the fore [b]

Falado em cantonês e mandarim legendado em chinês e inglês Filme de: Dante Lam Com: Eddie Peng, Siwon Choi, Shawn Dou 16.30, 19.15, 21.30

14 de agosto

Morre Enzo Ferrari

Diariamente exposição “I am my own landscape” de Crystal Chan Albergue SCM, 18h30 (até 22/08) Entrada livre Exposição de fotografia “Cities” Creative Macau (até 20/08) Entrada livre Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre “A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre

Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 19.45

Aconteceu Hoje

Concerto da Tuna de Medicina do Porto Casas-Museu da Taipa, 17h00 Entrada livre

Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

h o j e h á f i l m e “Paddington” (Paul King, 2014) Ursos que viviam numa floresta do Peru conhecem um explorador de Londres que se torna seu amigo. Este ensina-lhes a língua inglesa e a receita de fazer compotas de frutas, convidando-os um dia para irem à cidade. A vida dos três ursos era feliz até que o local onde moravam foi abalado por um sismo e eles precisaram de comprar outra casa em Londres. A família do explorador, Brown, decide salvar o seu amigo urso... Flora Fong

• A 14 de Agosto de 1988, morre Enzo Ferrari, construtor italiano de carros desportivos e para corridas. Ferrari apaixonou-se pelo automobilismo com apenas dez anos de idade, quando assistiu no circuito de Bolonha a corridas de carros de 1908. Enzo Ferrari trabalhou como mecânico até ao início da Primeira Guerra Mundial, altura em que entrou na Contruzioni Mecaniche National, como piloto de testes. Aos 21 anos tentou trabalhar na Fiat, mas foi recusado. Pouco depois ingressou na Alfa Romeo, mas desta vez como piloto. Criou a Scuderia Ferrari no ano de 1925, em Módena, mas durante a Segunda Guerra Mundial viu-se obrigado a transferir a fábrica de automóveis para Maranello, a dezoito quilómetros de Módena. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Ferrari ganhou dois títulos mundiais em 1952 e 1953. Alfredino Ferrari, filho de Enzo, morreu em 1956, aos 26 anos, sofrendo de distrofia muscular progressiva. Isto fez com que Enzo se tornasse uma pessoa amarga. Desde então Enzo nunca mais pisou numa pista de corrida e passou a usar os inseparáveis óculos escuros. Autodidacta em mecânica, recebeu em 1960, da Universidade de Bolonha, o título de Doutor “honoris causa” em Engenharia, e mais tarde, em Física. Recebeu do governo italiano o título de Comendador. Enzo Ferrari morreu em Maranello com 90 anos, tendo obtido 19 vitórias em Le Mans e nove títulos na Fórmula 1. Neste dia, mas em 1947 o Paquistão assinala a sua independência, um dia antes da Índia. Decididos a abandonar a Índia a partir de 1945, os britânicos depararam-se em 1946 com a multiplicação dos confrontos sangrentos entre a comunidade muçulmana, de um lado, e as comunidades siques e hindus, de outro. O Partido do Congresso foi criado em 1885 com o propósito de representar a imensa maioria hindu do sub-continente indiano, em reacção, a Liga Muçulmana (All-India Muslim League) foi instituída em 1906 para preservar os interesses daquela minoria. A Liga, que continuava a exigir a criação de um Estado distinto nas regiões de maioria islâmica, sagrou-se vencedora na maior parte das zonas eleitorais muçulmanas nas eleições de 1946. Os britânicos decidiram-se, então, a favor da partição do país, apesar da oposição de Nehru e Gandhi. É assim que entra em vigor a Lei de Independência Indiana (Indian Independence Act).

fonte da inveja

Diz-me com quem sais, eu te direi se voltas.

João Corvo


opinião

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Isabel Castro

O final feliz

N

ão conheço a senhora de lado algum, mas esta é daquelas histórias em que se acredita à primeira leitura: uma médica licenciada pela Universidade de Coimbra, com nota de 19,6 valores, a especialização feita e vários anos de serviço teve essa ideia peregrina de querer trabalhar em Macau. Chumbou nos testes dos Serviços de Saúde, foi-lhe impossibilitado o recurso, avançou para tribunal. A médica é de cá – macaense, com Bilhete de Identidade de Residente. Não conheço a senhora de lado algum, mas acredito que esteja a dizer a verdade. Basta ver que os Serviços de Saúde, a quem foi dada a oportunidade do contraditório, nem sequer se deram ao trabalho de tentar desmentir os factos narrados por este jornal. O caso desta médica que teve a pretensão de voltar para a sua terra – uma terra onde, por sinal, os médicos escasseiam e as qualidades de alguns são questionáveis – dá que pensar. Desde logo, na forma de contratação, nos métodos que são aplicados nos exames, na constituição dos júris, no desrespeito pela língua portuguesa (diz a médica que lhe foi impossibilitada essa opção dada pela lei). Mas obriga também a reflectir sobre aspectos sociais e sobre questões políticas. Os aspectos sociais: andamos aqui todos a fingir, há já muitos anos, que isto é só harmonia. Macau foi aquele exemplo de transição perfeita, não há nada mais bonito do que a alegre convivência entre portugueses e chineses, os macaenses são filhos da terra e tratados como tal, a terra é muito deles, eles que são o resultado em forma de gente destas combinações harmoniosas de séculos. Macau não é assim, não há terra no mundo em que diferentes etnias, culturas e línguas coexistam harmoniosamente, sem um choque de vez em quando. Deixemo-nos de falsos pruridos: é óbvio que há sectores e pessoas que ainda não digeriram o passado. E porque ainda não digeriram o passado, paga o neto por aquilo que o avô poderá ter feito – mesmo que o avô nunca tenha cá estado. Não sei se foi este o caso. Mas não é segredo para ninguém que há dentro do hospital quem, tendo poder para tomar decisões, não queira médicos portugueses por cá. Não é só no hospital que isso acontece. Chamem-lhe trauma pós-colonialista. Eu chamo-lhe estupidez. As questões políticas: numa terra em que, em termos gerais, os directores dos serviços públicos valem o que valem, numa terra onde o trabalho depende em muito da capacidade e empenho pessoal dos secretários, é cada vez mais evidente que a divisão do trabalho está mal feita. Há secretários a menos para o muito que ficou por fazer nos últimos 15 anos de Macau. Há secretários com pastas a mais, sobretudo porque todas elas são complicadas de gerir. É o caso de Alexis Tam, que fez da

contramão

Richard Chamberlain, in Dr. Kildare

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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saúde a sua prioridade, mas que continua a ler nos jornais aquilo que, acredito, não gostaria que estivesse a acontecer. Quem frequenta com alguma assiduidade os centros de saúde e o hospital público de Macau tem consciência de que é ambicioso o prazo de um ano que o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura definiu para que se vejam melhorias significativas nos Ser-

viços de Saúde. À excepção da substituição do director do hospital e dos esforços para o reforço do pessoal, dos concursos de recrutamento de que se vai tendo conhecimento, nada se sabe de alterações internas que nos levem a acreditar que o modelo de gestão será revisto. Já passaram mais de oito meses desde que Alexis Tam apontou o dedo ao que vai mal na esfera de Lei Chin Ion.

Não é segredo para ninguém que há dentro do hospital quem, tendo poder para tomar decisões, não queira médicos portugueses por cá. Não é só no hospital que isso acontece. Chamem-lhe trauma pós-colonialista. Eu chamo-lhe estupidez

Depois temos o Chefe do Executivo que, quando questionado esta semana acerca dos progressos na reforma da saúde por um dos deputados que ele próprio escolheu, não foi capaz de ir além de umas ideias gerais sobre isto da saúde, das leis sobre a saúde e do financiamento das não lucrativas instituições privadas de saúde. Voltamos ao mesmo: num momento em que o líder do Governo passa cada vez mais por entre os pingos da chuva, são os secretários que se molham. Se fossem mais, a água não era tanta. E talvez se pudesse recuperar, de forma mais rápida e menos custosa, os anos que andámos todos a perder. Não sendo assim, sobra trabalho: Alexis Tam prometeu tentar encontrar um final feliz para a história da médica macaense. Ficamos à espera de boas novas.


20 opinião

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jorge rodrigues simão

perspectivas

“Climate science requires global warming to be limited to 2 °C, or even less if possible, relative to the pre-industrial era, as reported both in the latest IPCC climate report of the United Nations and in other studies. The reports confirm to us once again that the increased greenhouse effect is man-made and is about 75 % due to the unchecked burning of fossil fuels. The goal can only be achieved with rapid and radical measures in the field of energy conversion and use, which will have economic consequences that encounter political resistance.” Global Energy Demand and 2-degree Target, Report 2014 Valentin Crastan

A

s mudanças climáticas não são um fenómeno de moda, mas algo real, palpável e destruidor que tem vindo a moldar em sentido negativo a face do planeta, deteriorando as condições de vida dos ecossistemas, incluindo o humano. O ser humano é não só o maior sofredor, mas também o mais perigoso predador do meio ambiente, pelo que a sua actividade é uma das causas maiores das mudanças climáticas. Os maiores registos de aumento de temperatura nos oceanos ocorreram no Paquistão e Índia, vitimando um milhar de pessoas, nos primeiros meses de 2015. A “Verdade Inconveniente” de Al Gore, chegou às telas dos cinemas, em 2000, com um prognóstico para muitos fatalistas, que pensavam que apenas se tratava de uma propaganda política para cativar os abraça árvores. As perguntas mais aberrantes foram formuladas, como que tipo de aquecimento global seria, ou se tratava de uma invenção dos meios de comunicação social. Algo poderia ter sido verdade, mas o prognóstico de Al Gore não estava tão errado, porque o estamos a viver. O último relatório da ONU sobre o clima afirma que catorze dos quinze anos mais quentes do planeta ocorreram depois de 2000. As marés épicas, que arrasam as orlas costeiras, os tufões, furacões ou ciclones que geram ventos circulares que podem atingir velocidades de 300 km/h, as chuvas diluvianas que provocam cheias incontroláveis, são indubitavelmente parte das mudanças climáticas. A verdade destas tristes histórias é de que tudo está ligado, principalmente no oceano, onde se geram as grandes mudanças. As alterações que os oceanos estão a viver e tal como as correntes, a temperatura da água e a quantidade de oxigénio, podem criar profundas transformações que por sua vez resultam nos fenómenos que nos assolam diariamente e os que virão no decurso do século. Os ursos polares correm sério risco causado pelos degelos no Árctico. O dióxido de carbono que é gerado pela humanidade nas indústrias e grandes cidades, também chega aos oceanos, provocando o aumento da temperatura, os degelos dos pólos e a acidificação da água que afecta principalmente os recifes de coral e toda a corrente trófica.

the day after tomorrow

A neutralidade climática

As mudanças climáticas estão a intensificar-se em 2015, e a comunidade internacional apenas se desdobra em reuniões, onde as promessas sobram e as acções para minorar o fenómeno escasseiam, podendo ser cada vez piores, cabendo ao ser humano encontrar um ponto de retorno. Qual a diferença entre as mudanças climáticas e o aquecimento global? O planeta está a aquecer e a evidência é clara. O mundo vive mudanças climáticas únicas, termo utilizado com frequência para explicar os danos causados ao ambiente. Os termos de mudanças climáticas e aquecimento global, são usados geralmente, como sinónimos, mas a realidade é diferente. As mudanças climáticas são quaisquer alterações significativas nas medidas de clima que durem por um período de tempo prolongado. As mudanças climáticas incluem modificações expressivas na temperatura, precipitação, padrões de vento, entre outros efeitos, que ocorrem durante várias décadas. As mudanças climáticas não devem ser confundidas com o aquecimento global, pois este último refere-se ao aumento recente e contínuo na temperatura média global próxima da superfície terrestre. O aquecimento global é causado geralmente por aumentos nas concentrações de gases de efeito de estufa (GEE) na atmosfera. Assim, o aquecimento global está a provocar mudanças nos padrões climáticos. O aquecimento global em si é apenas um aspecto das mudanças climáticas. O planeta está a aquecer e a sua temperatura média subiu mais de 7ºC no século passado. Os cientistas prevêem que a temperatura média continuará a aumentar entre 1.2 º e 6.5ºC este século. Ainda que aparentemente seja uma subida de poucos graus, estas pequenas mudanças na temperatura implicam modificações perigosas no clima. As chuvas, em

muitos locais aumentaram e ocasionaram inundações, enquanto em outras regiões, pelo contrário, produziram-se secas. As ondas de calor são mais frequentes, causando mais vítimas mortais, bem como incêndios florestais. As mudanças climáticas trarão mais secas, inundações e incêndios. Os oceanos estão a aquecer e a acidificarem-se, enquanto os glaciares e os pólos estão a derreter-se, e por consequência, os níveis do mar estão a subir, sendo de temer que as cidades costeiras sejam as mais afectadas nos próximos anos. A acidificação dos mares acelera o aquecimento global. As mudanças climáticas, também produzem efeitos em termos económicos, pois criam prejuízos nas colheitas e põe em risco a produção alimentar, e o aumento de desastres naturais cria impacto no Produto Interno Bruto (PIB) dos países. O Banco Mundial calcula que os prejuízos causados por desastres naturais atingem cerca de quatro mil milhões de dólares desde 1980. As causas das mudanças climáticas são diversas, sendo naturais e humanas; podendo provocar um desequilíbrio na temperatura do planeta; apresentando-se como mudanças no efeito de estufa, através de variações na energia solar que chega ao planeta; modificações na reflectividade da atmosfera e superfície terrestre. As mudanças climáticas anteriores à Revolução Industrial do século XVIII eram causadas por causas naturais. Os cientistas, no entanto, crêem que o aquecimento que se produziu no século XX e contínua no século XXI se deve à actividade humana. As actividades industriais no século passado traduziram-se numa descarga de grandes quantidades de dióxido de carbono e outros GEEa na atmosfera. A maioria destes GEE, provêm da indústria energética. A desflorestação e outros processos industriais, e inclusive, algumas práticas agrícolas, também emitem GEE. O efeito de estufa é

a causa pela qual o planeta aquece. Os GEE formam, uma espécie de capa ao redor do planeta que o mantém quente. Este processo é natural e necessário à vida. A acumulação de excesso de GEE pode mudar o clima e tornar-se prejudicial para os ecossistemas e saúde dos seres humanos. A ONU na década de 1990 criou a “Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (CQNUAC) ”, que procura reforçar a consciência pública sobre os problemas relacionados com este fenómeno. O “Protocolo de Kioto”, assinado em 1997, estabeleceu medidas para lutar contra as mudanças climáticas. Têm-se realizado nos últimos anos várias “Conferências das Partes” ou “Cimeiras do Clima”, sendo a última, a “Conferência sobre o Clima (COP20) ”, que decorreu entre 1 e 14 de Dezembro de 2014, em Lima, com a denominação de “Apelo de Lima para a Acção Climática”, e que tentou delinear as bases de um novo acordo vinculativo para que os países limitem a emissão dos GEE. O acordo vinculativo deverá ser assinado durante a realização da “COP21”, entre 30 de Novembro e 11 de Dezembro de 2015, em Paris, devendo entrar em vigor, em 2020. A data (2025 ou 2030) em relação à qual deverão ser cumpridas as primeiras metas por parte dos países desenvolvidos continua à espera de um consenso, assim como, outras matérias constantes do novo “Acordo de Paris”, bem outros os períodos de cumprimento (5 ou 10 anos). Os países que fazem parte do “Protocolo de Quioto” necessitam para que o mesmo entre em vigor, de ratificar a “Alteração de Doha”, referente às novas metas para 2020, que é o segundo período de compromisso do “Protocolo”. A Rússia, Ucrânia e a Bielorrússia entravaram um esclarecimento das regras da “Alteração de Doha”, levando a que tecnicamente os objectivos de Quioto não possam ainda entrar em vigor. A União Europeia e outros países com metas de emissões estabelecidas terão de as ratificar até à “COP21” e referentes ao período para 2020, mesmo que as normas venham a ser clarificadas até à data da assinatura do “Acordo de Paris”. Até à realização da “COP21” realizou-se a “Reunião de Genebra”, a 8 de Fevereiro de 2015, para preparar o texto do acordo que substituirá o “Protocolo de Kioto”, a partir de 2020, e que tem como principais objectivos, limitar o aumento da temperatura mundial a +2°C por comparação com a era pré-industrial, o que de contrário, é previsível alterações climáticas que terão graves consequências nos ecossistemas, nas sociedades e economias, em especial nas regiões mais pobres. O Secretário-Geral das Nações Unidas promoveu um “Evento de Alto Nível” em Nova Iorque, a 29 de Junho de 2015, com o fim de conseguir dinamizar os países para encontrarem consensos das divergências que ainda existem e viabilizem o “Acordo em Paris”.


opinião 21

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paul chan wai chi*

um grito no deserto

Macau ao estilo grego

A

té ao presente momento, o novo Governo da RAEM tem vindo a desempenhar as suas funções há já mais de oito meses. Porém, mais e mais defeitos têm vindo a ser identificados, devido a “deficiência genética ou mesmo fraco acompanhamento médico após o parto”. Visto tratar-se de uma administração que não necessita de prestar contas a ninguém, as políticas por si formuladas continuam, tal como no passado, a dar prioridade ao sector empresarial, ao mesmo tempo que inundam a sociedade com um populismo desmedido, especialmente impulsionado por certos políticos da chamada oposição democrática. Tendo tudo isto em consideração, pode-se então afirmar que, até agora, o Governo “tem colhido aquilo que semeou”. Devido ao fracasso das tentativas de transformação estrutural da economia depois da transferência de poderes, os dirigentes da RAEM têm-se encontrado na necessidade de depender das receitas provenientes da liberalização da indústria do jogo, assim como da política de vistos individuais para visitantes oriundos do continente.Aliado a isto, o enorme crescimento da economia chinesa derivado por uma série de reformas domésticas tem ajudado a indústria do jogo de Macau a cimentar a sua posição como um dos mais conhecidos destinos a nível mundial para entusiastas dos jogos de fortuna e azar. Ao mesmo tempo, o território tem-se tornado num dos principais centros para transferências de capital e nem sempre dirigido a indivíduos de renome. Todo este dinheiro, proveniente da China, mas de origem duvidosa, tem dinamizado a economia local, reflectindo-se principalmente no mercado imobiliário, que tem gozado de um crescimento espectacular. Mesmo estando cientes da aberração constituída pela nossa estrutura económica, que carece de uma lógica funcional, o Governo não tem permanecido vigilante nem tão pouco tomado precauções para tudo isto, optando em vez disso por se orgulhar dos lucros fáceis até agora conseguidos. Entretanto, e não obstante todos os sectores da administração terem vindo a registar cada vez mais despesas ou, por assim dizer, necessitarem de orçamentos cada vez mais avultados, vários mega-projectos estruturais têm sido iniciados um após o outro, apesar de cada um deles conseguir sempre ultrapassar as projecções orçamentais, assim como a esperada data de conclusão das obras. Cria-se assim a impressão de que alguns funcionários públicos não são responsáveis pelas suas próprias acções, acabando assim estes por desperdiçar o dinheiro dos contribuintes, além de outros recursos comunitários. Na superfície, Macau está em alta, embriagado pelas receitas do jogo, mas sempre dependente da boa fortuna dos vários casinos que operam na região especial. Mas

se viermos a encontrar uma situação em que as receitas obtidas através do imposto cobrado sobre o jogo, como poderia então a RAEM sobreviver nesse cenário? Após a transição de soberania, o número de funcionários públicos empregados pela RAEM cresceu significativamente, tendo estes gozado igualmente de sucessivos aumentos salariais derivados das crescentes reservas financeiras oriundas do imposto sobre o jogo. Mas, com o passar do tempo, a administração viu-se forçada a realizar ajustes nos contratos estabelecidos com estes funcionários. Assim, primeiro procederam a mudanças no “Regime das Carreiras dos

conversa sobre a diversificação da economia não passa de nada mais do que conversa. As preocupações imediatas dos nossos dirigentes recaem invariavelmente sobre o mercado imobiliário, onde muitos funcionários públicos e os seus amigos, ou abastados homens de negócios, esperam receber lucros avultados como consequência dos seus investimentos nesta área. Porém, a grande maioria da população não beneficia da mesma maneira e, na verdade, acaba mesmo por ser prejudicada pelas rendas elevadas assim como os preços exorbitantes das casas. Esta falta de visão e procura de lucros imediatos acaba mesmo por se reflectir por

Dirigentes e Chefias dos Serviços Públicos”, passando de seguida a analisar todos os funcionários públicos, agrupados nas respectivas diferentes categorias a que pertencem. Há dois anos atrás, o salário dos titulares de cargos políticos foi reajustado, enquanto que os benefícios e os salários dos funcionários públicos foram recebendo aumentos anuais e tudo isto acabou por se materializar numa enorme despesa para os cofres públicos. Mas até com o grande público os nossos governantes têm sido generosos, atribuindo a todos os residentes uma ajuda pecuniária anual, assim como implementando uma série de subsídios e revendo em baixa os impostos taxados sobre a população. Isto faz com que os cidadãos esqueçam os seus problemas, no mínimo uma vez ao ano quando os cheques pecuniários são distribuídos pela população, e contribui para uma falsa ilusão de prosperidade eterna. Mas, na realidade, o Governo pouco ou nada faz para melhorar a situação e toda a

toda a sociedade, pois as acções indevidas dos nossos governantes acabaram por imprimir na população uma atitude que espera “receber da vindima sem sequer semear”, chegando estes a exigir sempre mais e mais subsídios e outras regalias da parte do Governo. Mesmo quando estes subsídios são colocados à disposição, verifica-se então uma corrida louca para a obtenção de um lugar na lista de candidatos. O interesse pessoal e o egoísmo reinam em Macau, chegando mesmo a fazer hoje em dia parte dos atributos dos residentes locais. Quando as receitas do jogo sofrerem uma descida acentuada, vamos certamente encontrar ressentimento por parte da população local, que através das suas lamentações vai acabar por obrigar o Governo a apresentar uma série de medidas de contenção de custos, em virtude de não haver nenhuma outra solução. No caso da Grécia, o seu Governo implementou um bom sistema de segurança social de modo a garantir o voto dos seus apoiantes,

Pela conquista do dinheiro, existem aqueles que contemplariam até perturbar a segurança nacional ou a saúde dos funcionários da indústria do jogo e até o futuro desenvolvimento da RAEM. Se pesquisarmos o paradeiro dos descendentes desses mesmos indivíduos, quantos deles estarão ainda a residir em Macau?

mas esta situação criou um défice estatal que só pode ser remediado através da obtenção de empréstimos da União Europeia. Ao mesmo tempo, os políticos gregos realizaram um referendo para enganar os eleitores e exercer pressão sobre os outros estados da comunidade europeia. Mas mesmo assim os seus líderes foram obrigados a implementar uma série de medidas de modo a reduzir as despesas do Estado, o que constitui na verdade um pré-requisito para a obtenção do crédito europeu. O que fariam então os nossos governantes se a RAEM se encontrasse igualmente numa situação de falta de reservas financeiras? A maior parte dos visitantes que se dirigem aos casinos locais são oriundos da China continental, enquanto que os jogadores que frequentam os “quartos VIP” são, na maior parte, abastados homens de negócios do mesmo país. Estes usam todo o tipo de medidas para ganhar dinheiro no seu país de origem, acabando depois por investir as suas poupanças através do território de Macau. Se porventura a China não estivesse a viver a maior campanha anti-corrupção da sua história ou se não tivessem sido implementadas sérias medidas para impedir a transacção de capitais através dos cartões da China UnionPay, ou ainda se a conjectura mundial não tivesse mudado quando Xi Jinping assumiu o poder, acreditamos os cofres da RAEM ainda poderiam estar cheios de receitas obtidas através do imposto sobre o jogo. Porém, a China sentiu a necessidade de combater a corrupção de forma a garantir a sobrevivência do Partido Comunista assim como do próprio estado. Conseguiriam então estes homens de negócios, mas também bons patriotas que amam Macau, mudar as políticas implementadas pelo Governo Central? Pela conquista do dinheiro, existem aqueles que contemplariam até perturbar a segurança nacional ou a saúde dos funcionários da indústria do jogo e até o futuro desenvolvimento da RAEM. Se pesquisarmos o paradeiro dos descendentes desses mesmos indivíduos, quantos deles estarão ainda a residir em Macau? De forma a garantir o seu futuro, Macau tem de evitar embarcar pelo caminho seguido pela Grécia. E, durante este período de redireccionamento, uma pequena minoria de pessoas com interesses investidos poderia sem dúvida vir a sofrer, assim como poderiam ficar tristes aqueles habituados “a colher sem sequer semear”. Mas se a população do território não se livrar do vício que a prende a este ambiente económico, que mais se assemelha a uma droga, não poderão deter a clareza intelectual necessária para poder virar uma nova página. Apesar de a Grécia ser um país conhecido pela sua mitologia, nenhum dos seus cidadãos actuais pode viver uma vida relaxada como aquela gozada pelos deuses gregos, nem tão pouco o podem Macau e as suas gentes. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático


22 opinião

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Carlos Morais José

a outra face

Riddley Scott, Gladiator

As volutas dos paradoxos

T

anto o imperador romano Marco Aurélio como o escravo grego Epicteto, que viveram em épocas próximas, abraçaram a filosofia estóica. Este facto não é apenas invulgar, é paradoxal. Mas verdade é que no século XX o Manual do escravo e os Pensamentos do imperador surgem reunidos num só livro, em edição francesa. Há qualquer coisa de estranho, de desconcertante, neste caso da História do Pensamento e da Sociedade. Para mim, constitui, mais do que todas as possíveis frases, o paradoxo por excelência. Entenda-se: adoro paradoxos. Ao reverter o sentido mais óbvio da corriqueira vida, o paradoxo parece abrir sempre uma porta à compreensão aveludada da vida, excelsa, superior. O paradoxo é a rejeição do dado, um passo que se apoia por vezes na bengala do absurdo, noutras na muleta do demasiado óbvio. Sempre um salto inesperado, uma constatação do impossível. Contudo, para quem tiver alguma familiaridade com a obra de Marco Aurélio não achará realmente estranho que o dono de metade do mundo e o que nem de sua vida dispõe se encontrem lado a lado, como expoentes de, mais do que um pensamento, uma atitude perante a morte e a vida. Afi-

nal, o romano não disse uma vez: “Quisera ser rouxinol, mas os deuses fizeram-me apenas imperador.”? Que magnífico erro de proporções! Este é talvez o mais belo paradoxo que conheço, na sua profundidade e luz interior. No que desvela da importância das coisas, do ter e do ser. Do mesmo modo, Epicteto encarava o seu amo com distanciamento, enquanto este lhe partia uma perna só para lhe provar o seu poder. Debalde. O escravo, desprezando a dor, racionalmente negava sempre a existência efectiva da relação. Mais um magnífico erro de proporções! Da mera existência do corpo e da suprema liberdade do espírito. Poderá o paradoxo ser verdadeiro, quer face às exigências da lógica, quer na sua ultrapassagem? Peguemos num dos mais perturbantes paradoxos, que nos nega a existência do movimento, portanto do tempo: o paradoxo de Zenão. A coisa é simples: para chegar daqui à parede eu terei de percorrer metade do caminho, depois metade de metade, metade de metade de metade e por aí adiante, até concluir que é impossível alcançar a parede. Contudo, na vida prática, matemática aparte, se não tiver cuidado ainda parto o nariz. O paradoxo de Zenão parece ser uma tolice académica, uma blague, um exercício fútil, uma acrobacia do pensamento e da própria lógica. No entanto, andaram e andam ainda

filósofos e matemáticos em redor do mesmo problema, isto é, da existência do movimento e do próprio tempo, para além da convenção do calendário. Se Parménides nos propôs um mundo imóvel e o último Nietzsche tragicamente aí quase fundeia, parece-me que o paradoxo de Zenão ocultará algo de não-dito naquela parte de nós reservada ao temor, que pode ser vertigem perante o desconhecido ou o irregular. Pois se são as próprias regras do pensamento a propor-nos um mundo impossível... Mas digamos que o paradoxo é, noutros casos, uma espécie de achamento, de descoberta. O paradoxo raramente se constrói minuciosamente; pelo contrário, surge. Poucas formas de enunciado estiveram, na sua maior parte, tão próximas do que se costuma designar por intuição. Isto ainda que ele se apoie, como acontece em numerosos casos, numa retorcida dedução. Claro que o paradoxo é muitas vezes mal visto e depreciado. O pensamento oficial, instituído, não gosta dele; prefere as coisas certinhas e sem saltos. É verdade que o paradoxo percorre muitas ruas, diferentes artérias, dissemelhantes ambientes. Alguns dos meus brejeiros favoritos saíram, como não podia deixar de ser, da pena de Óscar Wilde: “Uma mulher leva 42 anos a chegar aos 30”. Ou “É mais seguro pedir do que roubar, mas é melhor roubar do que pedir”.

Se mais vale “ser um homem de paradoxos, do que um homem de preconceitos” (Rousseau), então avancemos. E detenhamo-nos agora nesse paradoxo que é o amor, pelo menos desde que Camões escreveu o seu definitivo soneto. Desdramatizemos: diz ela ao amante desavindo – Nunca mais nos encontraremos! – Porquê? O mundo é muito pequeno... – Sim ,mas Lisboa é muito grande! Resta a paradoxal vida de Mr. de Lapalisse, esse grande injustiçado do pensamento. Existe a ideia de que se tratava de um homem basicamente estúpido, que dizia banalidades com o ar compenetrado e solene de um Cícero no senado. A coisa não era bem assim. O homem era, na verdade, um cultor de paradoxos. De tal modo que o destino lhe fez a vontade. Conta-se que morreu numa batalha, em plena carga de cavalaria. Dias depois um amigo teria composto uma lapalissada: “Avant de mourir, il était toujours en vie”. Frase que seria idiota não se tivesse dado o caso de não denotar também, na subtileza do jogo de palavras (en vie, envie), o seu exacto estado de espírito (exaltação) no momento da morte. Resumindo, o paradoxo é grande na sua insignificância. Com pezinhos de lã ou botas de militar, lá foi invadindo a filosofia, a ciência, a poesia, a filosofia, o jornalismo. Para o melhor e também para o pior. Que isto do paradoxo é como armas: tudo depende de quem aperta o gatilho. E aqui vos deixo com um pequeno e humilde exercício paradoxal em verso, que este vosso servo teve a desmedida ambição de compor, não precisando para isso de qualquer retribuição (os cheques podem seguir para a morada do costume), nem de nenhum reconhecimento (para além das habituais garrafas de uísque). Mote: É melhor tudo gastar, antes que tudo se acabe Fica em casa o poupado pela mobília a velar; mas estava o Fado marcado, muito perto, a conspirar. O desgraçado não sabe: é melhor tudo gastar, antes que tudo se acabe. Tenho por certo afinal o lenço da despedida: quero viver genial, ser o primeiro à partida, ter o prémio que me cabe, abusar do roseiral, antes que tudo se acabe.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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hoje macau sexta-feira 14.8.2015

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Soraia Ramos Almeida, consultora fiscal

“Comigo levo pessoas e momentos” C

hama-se Soraia Ramos Almeida, tem 27 anos e é natural de Águeda, ainda que seja em Lisboa que sente em casa. “Vivi lá nove anos, desde os meus 18. Quando penso em casa é Lisboa que surge no meu pensamento”, começa por contar ao HM. De olhos brilhantes e sorriso sempre presente, Soraia abraçou a ideia de vir para Macau fazer um estágio na área fiscal. “Tudo isto foi muito estratégico”, brinca, explicando-se: “formei-me em Direito e depois tirei o mestrado em Gestão, trabalhei durante três anos em Portugal, mas sempre quis internacionalizar a carreira. Esse era o meu objectivo e por isso sabia que no final do ano me iria despedir”. Candidatando-se para um LLM [programa de mestrado internacional na área de Direito], Soraia sabia que sem experiência no estrangeiro a selecção ficaria mais difícil. “Foi aí que pensei em candidatar-me para o programa Inov, que me permitia ganhar esta experiência internacional caso não fosse seleccionada [para o LLM]. A verdade é que consegui ser admitida para o mestrado, mas ainda assim, estava muito curiosa em saber onde é que seria o meu estágio Inov. Estava mesmo curiosa”, relembra entre sorrisos.

Ser mais que estagiária

Foi Macau que ouviu como destino. A surpresa, essa, não foi grande. “Na área de Direito sabemos sempre que só podemos calhar em países com o nosso Direito, portanto não há muitas

opções”, remata. Depois de uma reflexão decidiu: o mestrado ficaria adiado para Setembro e iria abraçar Macau nos próximos seis meses. “Vim de cabeça aberta, numa perspectiva a curto prazo”, conta. Mas mais que isso, a profissional da área fiscal veio “disposta a dar tudo o que conseguisse pela experiência de trabalho”, retirando o máximo da experiência. “Já não há espaço no mercado para assumirmos um papel de estagiário que apenas obedece e espera por ordens. Devemos e temos de ser proactivos, querer saber e, mais que isso, fazer [mais]”, defende. Seis meses depois foi isso mesmo que aconteceu. Admitindo que não foi o “maior desafio da vida”, até pelo curto prazo de duração, Soraia deixa Macau com o sentimento de dever cumprido e com óptimas recordações. “Correu lindamente, participei em projectos muito giros”, admite. A hipótese de ficar pelo território esteve sempre em cima da mesa, até porque as ligações com os colegas são muito positivas, mas outros desafios surgiram na vida da jovem. “Recebi um convite de trabalho para o Vietname e, contrabalançando a economia em expansão que aquele país está a passar com o pouco desenvolvimento do Direito Fiscal em Macau, não poderia dizer que não”, explica. O mestrado esse, foi adiado de novo. Quem sabe no futuro.

De turista a residente

Foi durante uma viagem, no ano passado, de mochila às costas, que visitou Macau

pela primeira vez. “São coisas completamente diferentes”, diz sem hesitar, quando questionada sobre as diferenças de olhar o território como turista e residente. “Vim aqui apenas um dia, achei tudo muito escuro, apesar de estar um dia de sol. Achei os prédios escuros, não conseguia perceber as centenas de ourivesarias que enchem a área que envolve os casinos. Não conseguia associar ao Jogo. Achei as diferenças entre Macau e o Cotai esquizofrénicas. Era para dormir cá essa noite e desisti, voltei para Hong Kong”, relembra. Meio ano depois de assumir o papel como residente e parte integrante de Macau a opinião é bem diferente. “O melhor de Macau é este espírito de bairro. Conhecemos as pessoas, conhecemos os sítios, se estivermos sozinhas sabemos onde é que os nossos amigos estão, nem precisamos de perguntar”, conta, sublinhando as festas e momentos de convívio à volta de uma mesa. Afinal de contas “somos portugueses, gostamos de comer, beber e ficar na conversa”. A melhorar ainda há muito, como em todo o lado. A começar pela necessidade de abandonar a ideia, diz Soraia, de que “em Macau não se passa nada”. “Acho que as pessoas se habituaram um bocado a esse ideia. Passa. Macau tem momentos culturais, não tanto quanto Lisboa ou Porto, ou até Hong Kong, mas tem os seus momentos, é preciso procurá-los”, defende. A própria é exemplo disso, já que em seis meses muitos convites recebeu para

diversas coisas - exposições, concertos, festas - com muitas gargalhadas à mistura.

Pessoas que levo comigo

Quando pedimos a Soraia para nos fazer um resumo da sua passagem por Macau de imediato o olhar perde-se. Mexendo nas pulseiras que envolvem os pulsos, a emprestada alfacinha relembra, ri e solta um sincero “foi óptimo”. “Não tinha grandes amigos em Macau, mas tinha imensos amigos de amigos que me receberam muito bem. A integração é fácil, foi muito fácil. As pessoas aqui são fantásticas, abrem-nos a porta de casa”, conta, constatando divertidamente “são portugueses”. São as pessoas e os momentos com elas vividos que a aguedense leva na bagagem. “As minhas experiências são sempre à volta das pessoas que conheço. Se pensar em viagens que fiz, tenho alguma dificuldade em lembrar-me de tal monumento ou um sítio, mas se pensar nas pessoas que conheci e nos momentos que tivemos é mais fácil. Comigo levo pessoas e momentos e isso é também o que levo de Macau”, conta num misto de nostalgia e timidez. De malas feitas, Soraia Ramos Almeida deixa Macau, com a garantia de que voltará. “Estou perto, a duas horas de distância, se me apetecer venho aqui um fim-de-semana comer um prato português”, garante, com o brilho no olhar e a certeza que Macau fica na história de quem por aqui passa. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


hoje macau sexta-feira 14.8.2015

Assange Justiça arquiva parte do caso por prescrição

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O bispo das Forças Armadas e de Segurança exortou ontem a União Europeia a deixar de alegar falta de recursos para continuar a fazer do Mediterrâneo uma vala comum e defendeu que a xenofobia deveria ser considerada crime contra a Humanidade. “Deixe-se de invocar falta de recursos por parte da União Europeia - ela que até os esbanja em acções não muito éticas - para se continuar a fazer do Mediterrâneo a vala comum onde se sepultam os transportados, como alguém dizia, nas obsoletas carretas funerárias”, pediu Manuel Linda. “Chega de muros de cimento armado e de mentalidades que se isolam e se fecham ao exterior, basta de cimeiras para descortinar formas de impedir que os povos da fome se aproximem da nossa casa, apenas para apanharem as migalhas que caem da nossa mesa”, reclamou, apelando para não mais se travar caminho “aos que fogem à carnificina horrorosa e bárbara dos que matam em nome de uma fé”.

Pereira Coutinho em Lisboa para encontros com partidos

Uma viagem de relevo O conselheiro das comunidades portuguesas José Pereira Coutinho foi ontem para Lisboa, juntando-se assim aos três membros da lista candidata ao Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) que já lá estão, como Rita Santos na qualidade de chefe do Gabinete dos Conselheiros das Comunidades Portuguesas. A delegação, que volta para Macau a 30 deste mês, tem tido uma série de reuniões e conversas com entidades lusas públicas e privadas e que incluem “partidos políticos de relevo”, de acordo com declarações do deputado ao HM. “Teremos reuniões com partidos políticos de relevo em Lisboa e algumas entidades governamentais, inclusivamente as câmaras [municipais]”. Pereira Coutinho não quis revelar quais os partidos em questão, mas prometeu adiantar mais pormenores assim que as reuniões estejam confirmadas. Na passada quarta-feira, Rita Santos reuniu-se com a chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa, Gabriela César. No encontro, foi abordada a viabilidade de uma parceria entre as entidades na promoção de estágios para estudantes locais licenciados em Portugal. “[O CCP] manifestou interesse à Delegação Económica e Comercial de Macau em

Lisboa de que pretende fornecer estágios a alguns estudantes de Macau que acabam, anualmente, os cursos superiores em Portugal para obter experiências sobre a Função Pública e aperfeiçoamento na tradução oral e escrita de Chinês para Português”, revela uma nota de imprensa do Gabinete dos Conselheiros. Na mesma reunião foi igualmente discutido “o ponto de situação na contratação de pessoal da área de saúde para Macau”, informa o mesmo comunicado. Rita Santos já se reuniu com Maria de Belém, ex-Ministra da Saúde portuguesa, e Gabriela CéAntónio Falcão

Emigração Igreja exorta UE a não fazer do mar vala comum

O

cartoon por Stephff

O Ministério Público da Suécia anunciou ontem que arquivou o processo em que o fundador do Wikileaks, Julian Assange, era acusado de agressão sexual por duas cidadãs suecas por prescrição dos alegados crimes. Um outro processo, em que Assange é acusado de violação, mantém-se aberto, só prescrevendo em Agosto de 2020. “Julian Assange mantevese voluntariamente longe da justiça, refugiando-se na embaixada equatoriana (em Londres). Passado o prazo de prescrição de algumas das acusações, vejo-me obrigada a suspender a investigação”, afirmou a procuradora Marianne Ny num comunicado divulgado em Estocolmo. Sobre a acusação de violação, “o inquérito preliminar prossegue”, precisou. O australiano, de 44 anos, nega as acusações e recusa ir a Estocolmo por temer ser extraditado para os Estados Unidos, que o querem julgar pela divulgação de milhares de documentos diplomáticos e militares confidenciais. Assange e a procuradora Ny acusam-se mutuamente de responsabilidade por não ter havido até ao momento qualquer audição.

BCE preocupado com situação na China

sar, chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa. O encontro com Maria de Belém, que também contou com a presença de Armando Jesus, concentrou-se na troca de impressões sobre a cooperação entre Macau, Portugal e a China, não esquecendo uma série de questões relacionadas com a comunidade lusa no território e em Hong Kong. “A delegação conversou sobre vários assuntos, nomeadamente o ponto de situação entra as comunidades, o problema da língua, da cultura portuguesa, do trabalho e das relações empresariais e comerciais entre as empresas de Portugal e a China”, explicou Pereira Coutinho num comunicado enviado às redacções, depois do encontro. Já a reunião Rita Santos com José Cesário, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, teve como foco a demora na renovação do Cartão do Cidadãos e a falta de recursos humanos no Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. De acordo com declarações de Cesário na sua página de Facebook, foi igualmente discutida a inauguração, em breve, do novo Consulado-Geral de Portugal em Cantão, “que deverá dar maior expressão à nossa presença na China”, disse na altura. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Banco Central Europeu (BCE) adverte nas actas da sua última reunião de política monetária que a situação financeira na China pode ter um impacto mais adverso que o esperado na economia da zona euro. “Os desenvolvimentos financeiros na China podem ter consequências negativas maiores que o previsto, dado o papel preponderante do país no comércio mundial”, referem as atas da reunião de 15 e 16 de Julho, divulgadas ontem. No entanto, os efeitos da desaceleração do crescimento verificada em economias emergentes como a China e da crise na Grécia foram bastante limitados até agora, afirma o banco central. Para o BCE, os riscos de contágio na região em caso de nova crise neste dossiê não devem ser subestimados. O conselho de governadores considera que a política monetária expansiva que o BCE tem vindo a seguir, com um programa alargado de compra de dívida pública e privada, deve ser mantida para apoiar a recuperação económica. O programa de compra de ativos foi lançado em março e deve continuar até Setembro de 2016. “A retoma na zona euro deve continuar modesta e gradual”, refere o BCE.

Costa pede desculpa pelos cartazes

O secretário-geral do PS, António Costa, quebra o silêncio e pede desculpa pelos cartazes do Partido Socialista que ficcionaram histórias de portugueses desempregados, utilizando fotografias de pessoas cuja situação não era aquela. Foi uma “sucessão de equívocos e um caso lamentável”, diz o líder socialista. Por isso “pedimos desculpa”, diz Costa. O secretáriogeral social afirma também que “é urgente que a Justiça esclareça o quadro legal” do problema que afecta milhares de clientes lesados do BES. António Costa sublinha que devem ser apuradas “responsabilidades das autoridades do Estado que contribuíram, com declarações levianas, para induzir em erro investidores”, referindo-se o secretário-geral do PS a Cavaco Silva. Sobre as eleições presidenciais do próximo ano, Costa insiste que o partido tomará uma posição “no momento próprio” e acrescenta que Sampaio da Nóvoa é próximo do PS e merece-lhe “muita estima”.

Hoje Macau 14 AGO 2015 #3394  

N.º3394 de 14 de AGO de 2015

Hoje Macau 14 AGO 2015 #3394  

N.º3394 de 14 de AGO de 2015

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