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VISITA DE TRÊS ASTRONAUTAS CHINESES

Ser mulher marcou a diferença na popularidade CENTRAIS

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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Ter para ler

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • TERÇA-FEIRA 14 DE AGOSTO DE 2012 • ANO XI • Nº 2672

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 27 MAX 33 HUMIDADE 55-90% • CÂMBIOS EURO 9.6 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Deputado Lee Chong Cheng falta a plenário em dia de discutir o “seu” Centro de Estudos

Longe da confusão é que se está bem O director do Centro de Estudos do Desenvolvimento da Qualidade dos Cidadãos de Macau, cujos apoios recebidos mereceram debate, não apareceu na Assembleia. Pereira Coutinho, autor da interpelação, comentou a ausência do colega. “Trata-se de uma questão em que ele está embrulhado e havia câmaras.” PÁGINA 3

ESTUDO FEITO NA RAEM

Já há homens com apenas 40 anos a sofrer da próstata PÁGINA 4

TÚNEL DA ILHA DA MONTANHA

Empresa Nam Yue teve culpas no desabamento PÁGINA 5

NOVA DINÂMICA ELEVA FASQUIA

Cidade Proibida quer ser um museu de topo mundial PÁGINA 14


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política

terça-feira 14.8.2012

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DSAT de olhos postos no serviço de autocarros

Ano lectivo já está em preparação Nos esclarecimentos prestados, Wong Wan, da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, garantiu que os autocarros terão um mecanismo de avaliação próprio. Mais de 30 percursos serão reforçados quando as aulas começarem Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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deputado da Associação Novo Macau (ANM) Ng Kuok Cheong levou o serviço de autocarros para o debate no hemiciclo. Mais uma vez o aumento das tarifas dos transportes públicos em 23%, entretanto congelado pelo Governo, esteve em discussão, sendo que alguns deputados falaram desta decisão política como sendo “pouco clara”. Na sua interpelação de Julho, Ng Kuok Cheong defendeu que o Executivo deveria dar início a audiências públicas periódicas sobre esses serviços. “Mensalmente, os dirigentes da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e os representantes das três concessionárias devem ouvir e responder publicamente às opiniões e perguntas da população de Macau.” Wong Wan, director dos serviços, achou boa ideia. “Concordo quanto à elevação do grau de transparência, no sentido de tomar a iniciativa de apresentar os trabalhos à AL. Esperamos que possamos vir com mais antecedência ou entrar em contacto com as comissões de acompanhamento.” Ng Kuok Cheong tinha sugerido também a criação de um “mecanismo legal” para levar alguns assuntos à AL antes da decisão final,

mas a maioria dos colegas não concordou. No hemiciclo ficou a promessa de criar, “na maior brevidade possível”, “o mecanismo de avaliação dos serviços dos autocarros, adoptando quatro indicadores”. Wong Wan garantiu que o Executivo já está a trabalhar para responder ao começo das aulas. “Em Setembro vamos iniciar uma prova de trânsito. Mais de 30 percursos vão ter de ser reforçados e vamos distribuir assistentes para prestar serviços nas paragens.”

MECANISMO NEGADO

COM BASE EM RELATÓRIO

A DSAT voltou a frisar que o “processo de actualização das tarifas teve insuficiências” e que “há margem para melhorias”. Quanto ao novo mecanismo, vai ter quatro indicadores: frequência e qualidade do serviço, segurança, comportamento dos condutores e condições de operação e gestão das operadoras. O organismo vai ainda contar com ideias desenvolvidas num relatório de uma empresa de consultadoria. “Vamos ter em conta o que está no relatório e analisar com prudência.”

ALGUMAS DÚVIDAS

Pereira Coutinho deseja que, no futuro, se houver um aumento de tarifas, a questão venha para a AL a fim de melhorar os trabalhos. “Espero que a DSAT possa aumentar a transparência

cupado quanto ao mecanismo”, realçou José Chui Sai Peng. “Não sei se poderá ser feita uma consulta pública periódica para que se possa conhecer o trabalho das concessionárias.” Mak Soi Kun preocupa-se com a segurança. “O mais importante é partir da perspectiva dos utentes. Nem todos os que têm carta de condução de pesados podem conduzir um autocarro. Têm de ser fixados critérios para elevar a qualidade do serviço e apostar na formação.” Wong Wan garantiu que os cidadãos serão chamados a intervir e que tudo será feito para “atingir índices objectivos”. “Achamos que não devem ser adoptados os mesmos critérios para as concessionárias. Cada uma deve ter os seus critérios, tendo em conta os itinerários e contratos.”

para que haja mais oportunidades para as pessoas seguirem os assuntos.” Ho Ion Sang disse que se tratou de um acto à porta fechada e ia verificar-se uma

subida em flecha. “Tem que haver um calendário para a concretização de medidas. Se não houver uma fiscalização cria-se um ciclo vicioso. O Governo tem de ajustar os

Chan Meng Kam e o mercado das telecomunicações

O deputado Chan Meng Kam pediu explicações ao Governo sobre a CTM continuar a comandar o mercado de telecomunicações, questionando o porquê da empresa cobrar taxas de aluguer cinco a seis vezes mais altas do que nas regiões vizinhas, e perante outros operadores. “Duvido que o mercado tenha a possibilidade de atingir uma concorrência efectiva.” Solicitou ainda o Executivo a dar esclarecimentos para promover a concorrência no mercado, bem como a criar um modelo para o desenvolvimento do sector. - C.L.

procedimentos para elevar a qualidade.” Quanto ao mecanismo anunciado pela DSAT, houve muitas questões quanto aos critérios. “Estou preo-

Fundo da Cultura em discussão

Ng Kuok Cheong pediu ainda ao Governo a criação de um “mecanismo legal” para que se estabeleça uma relação mais próxima com o Executivo. Tal mecanismo deveria “impor apreciação da AL os assuntos que envolvam dotações para as obras públicas relevantes, concessões de serviços públicos e a actualização das tarifas a cobrar pelas concessionárias desses serviços”. Contudo, alguns dos seus colegas invocaram incompatibilidades com a Lei Básica para estabelecer esse regime. “Podemos verificar que a AL já tem poder em relação ao orçamento e pode fiscalizar o trabalho para o Governo avançar”, salientou Vong Hin Fai. “É algo que não está de acordo com a Lei Básica.” Também Tsui Wai Kwan apresentou dúvidas. “Será que um mecanismo de avaliação prévio representa uma interferência da AL nas acções políticas? Olhando para o artigo 71, não está consagrado o mecanismo de apreciação prévia. Fiscalizar a acção do Governo é competência da AL, mas em relação a essas matérias já podem ser analisadas pela nossa comissão de acompanhamento.”

O deputado Paul Chan Wai Chi suspeita que o Fundo da Cultura, sob jurisdição do Instituto Cultural, esteja a ser usado para fins de financiamento. O democrata aponta que foi dado financiamento apenas para organismos privados, sem fins lucrativos, ou entidades que, de forma privada, desenvolvem actividades de serviço público. Paul Chan Wai Chi dá o exemplo do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, a quem foram aprovadas 53 mil patacas para seis viagens ligadas à arte, depois de, em 2004 e 2005, ter recebido, respectivamente, 50 mil e 250 mil patacas. O deputado quer ver as contas do fundo. - C.L.


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Coutinho questionou o Governo quanto à permanência do centro de estudos no edifício do jornal, mas a resposta foi clara: não houve violação do contrato de concessão. Lee Chong Cheng, deputado e director do centro, foi muito notado no plenário... pela sua ausência

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DSSOPT garante que não há ilegalidades no edifício do Ou Mun

O silêncio de Lee Chong Cheng

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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OI a voz que faltou em mais um debate sobre a permanência e os pagamentos do Centro de Estudos do Desenvolvimento da Qualidade dos Cidadãos de Macau (CEDQCM), no edifício cedido pelo Governo ao jornal Ou Mun. O deputado Lee Chong Cheng esteve ausente em mais uma sessão plenária na Assembleia Legislativa (AL), que serviu para o Executivo responder às interpelações dos deputados, já entregues. José Pereira Coutinho levantou a questão sobre a relação entre o centro e edifício do jornal no hemi-

E os outros jornais? No tempo de antena que teve, Pereira Coutinho aproveitou para questionar as Obras Públicas quanto à possibilidade de outros jornais de língua portuguesa, inglesa e chinesa poderem ter direito a um espaço cedido pelo Governo, por uma questão de “igualdade”. A DSSOPT não respondeu de forma concreta. “Tendo em conta a escassez de solos, analisámos com muito cuidado o pedido do jornal Ou Mun. Cedemos o terreno e há um estreito cumprimento da lei.”

ciclo. Ao Hoje Macau, comentou a ausência do colega. “Trata-se de uma questão em que ele está embrulhado e havia câmaras. Talvez tenha sido por isso que faltou.” Foi Jaime Carion, responsável máximo pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), que veio falar sobre o tema em causa. Garantiu que não houve qualquer irregularidade no contrato de concessão celebrado entre a empresa que detém o jornal chinês e o Governo. “Importa realçar que a Administração está bastante atenta ao caso. Por meio de oficio, foi exigido a esta Sociedade a entrega de uma explicação por escrito. De acordo com a sua explicação, a finalidade do edifício foi rigorosamente prosseguida em conformidade com o contrato de concessão, sem infringir a finalidade que fundamentou o pedido.” Sublinhou ainda que “actualmente a sociedade está provisoriamente a utilizar 10 dos 23 pisos no

novo edifício” e “apenas o 12º e o 13º pisos estão a ser utilizados, a título gracioso, por associações de cooperação interactiva”. “A sociedade cobra junto de algumas somente despesas do funcionamento quotidiano.” Quanto a Coutinho, não aceita as explicações. “O jornal Ou Mun tem de usar o espaço exclusivamente para si próprio. Não está correcto o Governo aceitar como se nada tivesse acontecido.”

CONTAS LIMPAS

Um representante da Fundação Macau (FM) realçou que não há

problemas com as contas. “Em 2011, a fundação concedeu 10 milhões de patacas ao centro. Esta concessão teve em conta cinco milhões de fundo e mais cinco milhões para suportar despesas de funcionamento. Geraram-se muitas dúvidas.As obras de reparação custaram acima de cinco milhões de patacas, enquanto 1,6 milhões serviram para actividades. Avisámos que, se as despesas excedessem os cinco milhões, cabia ao concessionário cobrir o excedente, sendo que o dinheiro dado não poderia ser usado para cobrir esse excedente.” Perante estes números, a FM

Cidadãos queixam-se junto dos operários Oito cidadãos dirigiram-se à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) para entregar uma carta, que pedia ao deputado Lee Chong Cheng, também membro da FAOM, para mostrar os resultados do financiamento e exigindo desculpas. O deputado foi acusado de não utilizar bem o erário público, tendo os cidadãos apontado suspeitas de “benefícios quanto à renda e renovação da sede do centro de estudos”.

considera que as contas estão claras. “Os pedidos feitos são aprovados conforme os resultados. Se durante um ano uma associação não tiver resultados, não é concedido subsidio. O trabalho desse centro merece o apoio porque está, de facto, a contribuir para a sociedade.”

PROMETIDA TRANSPARÊNCIA

No plenário, a FM garantiu que já melhorou os procedimentos para a concessão de apoios financeiros e ficou prometida “mais transparência” em processos futuros. “Começámos a utilizar procedimentos electrónicos e pedimos às associações para melhorar os relatórios”, disse o responsável. “A fundação tem de tornar os trabalhos mais transparentes e públicos. Vamos uniformizar os critérios e contratámos uma empresa internacional de contabilidade. Temos de optimizar os resultados e agora somos mais rigorosos quanto ao formato do relatório.”

DSSOPT quer aumentar multas, mas Carion diz que o importante é os donos fazerem reparações

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WAN Tsui Hang questionou na Assembleia Legislativa (AL) os trâmites legais e os trabalhos que o Governo tem vindo a desenvolver quanto às estruturas ilegais existentes nos edifícios, como gaiolas, pátios e terraços. A deputada deu o exemplo de um edifício em ruínas na zona da Praia do Manduco, para perguntar se iria ser revisto “o

Obras ilegais vistas à lupa

mecanismo para resolver os prédios degradados em estado de ruína iminente”. Jaime Carion, da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), defendeu que o importante é os donos terem consciência da questão. “Tratámos mais de 600 casos, mas nem todos ficaram resolvidos. Ao longo do processo verificámos

mais casos, mas esperamos que os próprios proprietários tomem a iniciativa de reparar a situação. Mas o nosso principio é para não aumentarem as obras ilegais.” Uma responsável da DSSOPT presente na AL garantiu ainda que o regulamento de gestão urbana está a ser revisto, com a previsão de aumentar as multas para o

que está contra a lei. “Estamos a alterar as disposições do regulamento para que as penalizações atinjam as 25 mil patacas. Temos de agravar as multas, e talvez se forem contadas ao dia possam surtir mais efeitos.” A responsável disse ainda que o documento encontra-se em revisão e já está no Conselho Executivo. “Vamos

agravar as multas a serem aplicadas, sendo um dos meios de combate às obras ilegais.”

IO HON SANG QUESTIONA

O deputado também perguntou às Obras Públicas, em Julho, quais eram as medidas concretas para dar cobro aos prédios em risco de desabamento. Jaime Carion explicou

que o problema é complexo mas que “o Governo já contratou uma empresa de consultadoria para a execução de estudos sobre os assuntos em causa, a fim de se optimizarem os mecanismos de inspecção dos edifícios”. Ficou também prometida a criação de uma base de dados com os edifícios degradados. - A.S.S.


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sociedade

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82% dos homens entre 50 e 59 anos sofrem de sintomas de doença da próstata

“Há pacientes com apenas 40 anos” Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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hiperplasia benigna da próstata (HBP) já não é um problema só para os idosos e todos os homens devem consultar um médico mal os primeiros sintomas comecem a surgir. O alerta vem da Associação de Pessoal Médico de Macau e da Associação do Pessoal Médico Voluntário de Macau, que realizaram um inquérito

à saúde da próstata masculina dos cidadãos da RAEM que falam chinês. O estudo mostrou que 62% dos entrevistados do sexo masculino com sintomas da HBP graves tem mais de 70 anos, seguidos dos da faixa etária dos 60 aos 69 anos – 31%. Ainda que os sintomas mais graves sejam sentidos por pessoas mais velhas, 82% dos entrevistados com idade entre os 50 e os 59 anos têm diferentes graus

de HPB. “Há cada vez mais, há pacientes com apenas 40 anos”, frisou Ho Sion Fa, médico e presidente da Associação de Pessoal Médico de Macau. Embora “a situação ainda seja boa no território”, 147 dos entrevistados (42%) que sofrem de sintomas da doença afirmaram não se sentir bem com o seu dia-a-dia.

AMOSTRA DE 514

A HBP é uma condição médica caracterizada pelo

aumento da próstata e origina problemas na micção devido ao estreitamento da uretra. Durante quatro meses, desde o fim do ano passado, 514 pessoas do sexo masculino foram inquiridas. O estudo baseou-se em possíveis sintomas do trato urinário e teve como objectivo chamar a atenção para o conhecimento da desta doença. Os médicos alertam para que as pessoas não se acanhem nem tenham vergonha de consultar os médicos no início de doença, já que se chegar a ser um caso grave, o tratamento pode não ser suficiente e o paciente terá de ser operado.

Sands China esclarece que investigação nos EUA só envolve empresa-mãe

O assunto americano A

Receitas da RAEM continuam a subir de ano para ano

Jogo sempre a render muito Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ASTOU-SE mais mas também se ganhou mais. As receitas de Macau subiram 18,6% de Janeiro a Julho deste ano, comparativamente ao mesmo período de 2011. As contas públicas da RAEM foram contabilizadas em 71,560 milhões de patacas nos primeiros seis meses do ano, muito devido aos impostos directos – com o imposto do jogo a arrecadar mais de 61 mil milhões de patacas, atingindo uma subida de 20,3% face ao ano passado. Taxas, multas e penalidades não foram um contributo forte para os cofres da RAEM neste período, já que os rendimentos deste tipo desceram em 25%. Os dados, ontem divulgados pelos Serviços de Finanças, contabilizam ainda despesas num valor

superior a 25 mil milhões de patacas. Montante que mostra que, a par da subida das receitas, também as despesas aumentaram em 41%. Neste âmbito, os “investimentos” extra Plano de Desenvolvimento e Despesa da Administração (PIDDA) foram dos itens que mais custaram aos cofres da RAEM (11%), a par de despesas não descriminadas – “outras” – que atingiram mais 194% do que em período homólogo no ano passado. Entre Janeiro e Julho, o saldo das contas públicas totaliza agora 45.958 milhões de patacas, uma subida de 8,9%, e a taxa de execução é de 127,6%. Os dados não contabilizam as receitas provenientes dos organismos especiais da RAEM – Correios, Caixa Económica Postal, Fundo de Pensões, Autoridade Monetária de Macau, Fundo de Garantia Automóvel e Fundação Macau.

Sands China, subsidiária da norte-americana Las Vegas Sands, enviou ontem um comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong para esclarecer que as investigações citadas sexta-feira na imprensa apenas envolvem a empresa-mãe. O jornal Wall Street Journal informou na última sexta-feira que as autoridades norte-americanas estavam a investigar vários negócios da Sands China, com sede em Macau, por alegadas violações das regras anticorrupção. No comunicado, citado pela edição electrónica da revista Macau Business, a operadora de jogo indica que as investigações foram lançadas contra a sua accionista maioritária, a Las Vegas Sands,

sendo que a Sands China, sua subsidiária, foi apenas referenciada nessas investigações. A declaração, feita a pedido da Bolsa de Valores de Hong Kong, surge na esteira de uma forte quebra do preço das acções da Sands China na sexta-feira.

OS NEGÓCIOS

Segundo o jornal, o departamento de justiça norte-americano e a entidade que regula os valores mobiliários (Securities and Exchange Commission) estão a investigar a aquisição, no valor de 400 milhões de patacas, de um imóvel em Pequim, para um centro idealizado para facilitar negócios de empresas americanas na China

e que esteve em desenvolvimento durante 18 meses, mas que viria a ser abandonado. O Centro Adelson seria parte de um plano anunciado em 2005 pela Las Vegas Sands para investir mais de oito mil milhões de patacas na Ilha da Montanha, território adjacente a Macau. Sob escrutínio está ainda o patrocínio da Las Vegas Sands a uma equipa de basquetebol chinesa e um contrato para operar no serviço marítimo entre Macau e Hong Kong. As investigações estão em curso após alegações feitas pelo antigo director-executivo da Sands China, Steve Jacobs, que foi despedido e moveu um processo contra a empresa.

O CHINÊS E O PORTUGUÊS DE MÃOS DADAS Está aí o “Colóquio sobre Ensino das Línguas Chinesa e Portuguesa na China e nos Países de Língua Portuguesa”. Promovido pelo Fórum Macau, o colóquio pretende ser mais uma ponte entre a China e os PLP, cujas ferramentas se baseiam no ensino da língua portuguesa na China e da língua chinesa nos países lusófonos. No evento estiveram presentes o presidente do IPOR, Rui Rocha, o presidente do Instituto de Estudos Europeus, Sales Marques, entre outras individualidades


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Relatório sobre desabamento do túnel da Ilha da Montanha indica falhas

Nam Yue tem responsabilidades Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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HUVAS intensas e solos instáveis são as causas principais para o desabamento de parte do túnel que liga Macau ao novo campus da Ilha da Montanha. Mas as escavações em demasia e sem vigilância suficiente ajudaram ao incidente. O relatório final foi ontem divulgado pelo Gabinete para o Desenvolvimento das Infra-Estruturas (GDI). Frisou não ter havido feridos nem mortes, apesar de ter influência no

tempo de execução da obra, que está agora atrasada. “Foi solicitado ao empreiteiro-geral que apresentasse um plano de execução viável em retomar a obra, assumindo a responsabilidade dos danos e atrasos provocados”, pode ler-se no relatório.

METER ÁGUA

O incidente – que se deu nas estruturas para suporte do túnel – não vai afectar a estrutura principal do que está já construído. “A zona do incidente é uma parte do sistema de suporte e protecção para a escavação da sapata da secção do túnel subaquático, cuja

função é principalmente a contenção de solos e resistência contra a água.” No entanto, foi precisamente a água, a par com demasiada escavação, que fez com que o túnel desabasse. Ou seja, a empresa Nam Yue tem culpas. “De modo a não coincidir com a chegada do tufão Vicente, a entidade de execução queria concluir antecipadamente a escavação, mas a velocidade da construção das estruturas de suporte não conseguiu acompanhar a velocidade de escavação e não conseguiu a eficiente combinação da administração de execução e da segurança, originando assim a situação de escavação em demasia , que consequentemente levou à ocorrência do acidente.” A infiltração de água no solo enfraqueceu a rigidez e aumentou a quantidade de água no subsolo. O que desabou é fundamentalmente composto por detritos e lodo e a obra contou com dias de intensa chuva dias antes. O relatório da Nam Yue, que merece concordância do GDI, admite que houve insuficiências nas medidas de gestão de risco iminente. As obras estão a ser feitas sob legislação chinesa, mas Macau também exige que sejam cumpridos critérios de qualidade.

sociedade

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Novo programa em indonésio passa domingo na Rádio Macau

Começou domingo na Rádio Macau um programa indonésio. Todos os domingos, o jornalista Gilbert Humphrey é o anfitrião de um programa em bahasa das 20h00 às 21h00. Segundo a Rádio Macau, é a primeira vez na história da emissora em língua portuguesa que se abre espaço para um programa em indonésio. Em Macau há perto de 4300 trabalhadores imigrantes indonésios e cerca de 10 mil sino-indonésios. Com o programa pretende-se aproximar estes residentes da cultura nativa, diz a Rádio Macau.

Curso básico de mandarim patrocinado pela DSEJ

O Centro de Difusão de Línguas (CDL), da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), irá organizar um Curso Básico de Mandarim, usando o inglês como língua veicular. O curso, destinado a residentes de Macau de língua materna não chinesa, pretende capacitar os alunos com as formas de cumprimentos no dia-a-dia, emitir opiniões, como elogiar e mostrar desagrado, apresentarse, expressar as suas emoções, dizer nomes de lugares em Macau, entre outras coisas. Com o limite de 25 vagas, decorrerá às terças e quintas-feiras, das 18h30 às 20h30, no período de 4 de Setembro a 30 de Outubro. No total serão dadas 30 horas de curso e as aulas serão leccionadas no Centro de Difusão de Línguas. Para quaisquer informações adicionais os interessados devem ligar para o telefone 28400211.


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Aviso de recrutamento Pretende admitir, mediante contrato individual de trabalho, nos termos do “Novo Estatuto de Pessoal do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”, homologado pelo Despacho n° 49/ CE/2010, trabalhadores para os seguintes cargos: 1.

Dois Técnicos Superiores de 2.ª classe, 1.º escalão (Área da microbiologia, Referência n°1002/LAB/2012) Área funcional: Cabe-lhe exercer funções consultivas, de investigação, estudo, concepção e adaptação de métodos e processos técnico-científicos, de âmbito geral ou especializado, executadas com autonomia e responsabilidade, tendo em vista informar para decisão superior; requer uma especialização e formação básica de nível de licenciatura, já que executará trabalhos, nomeadamente, na área do exame, análise, avaliação e estatística de informações de dados no âmbito da microbiologia; de articulação da respectiva gestão e optimização do sistema de qualidade, efectuadas por certificação laboratorial; de criação do método e processo de inspecção, bem como procedimentos da respectiva análise e estudo, entre outros.

2.

Um Técnico Superior de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de Engenharia Civil, Referência n°1102/ DE-SCEU/2012) Área funcional: Cabe-lhe exercer funções consultivas, de investigação, estudo, concepção e adaptação de métodos e processos técnico-científicos, de âmbito geral ou especializado, executadas com autonomia e responsabilidade, tendo em vista informar para a tomada de uma decisão superior; requer uma especialização e uma formação básica de nível de licenciatura, já que executará trabalhos, nomeadamente, na área da engenharia civil, de planeamento e coordenação de trabalhos de fiscalização de obras adjudicadas deste Instituto, de análise, estudo e avaliação, bem como de prestação de pareceres técnicos.

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4.

Um Técnico Superior de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de museologia, Referência n°1202/DICSCR/2012) Área funcional: Cabe-lhe exercer funções consultivas, de investigação, estudo, concepção e adaptação de métodos e processos técnico-científicos, de âmbito geral ou especializado, executadas com autonomia e responsabilidade, tendo em vista informar para a tomada de uma decisão superior; requer uma especialização e formação básica de nível de licenciatura, já que executará trabalhos, nomeadamente, na área de Museologia, de pesquisa e estudo de dados, de organização de exposições e de gestão de colecções. Dez Operários Qualificados de 1.º escalão (Área de zonas verdes, Referência n°1302/DEVUSZVJ/2012) Área funcional: Funções executivas no âmbito da actividade produtiva ou reparação e manutenção de operação manual ou mecânica com certo grau de complexidade, enquadradas em instrução geral estabelecida, requerendo habilitações profissionais ou respectiva experiência profissional, sobretudo, na área do apoio à monitorização e execução dos cuidados a ter com árvores, de prevenção e tratamento de doenças e insectos nocivos, de manutenção dos respectivos equipamentos e máquinas, de utilização de cordas para trepar a árvores, de operação de plataforma elevatória e de corte de árvores mediante a utilização de motosserra, entre outras.

Requisitos gerais: Aplicável para a inscrição de Técnico Superior de 2.ª classe, 1.º escalão e Técnico de 2ª classe, 1º escalão (Referência n°1002/LAB/2012, 1102/DE-SCEU/2012 e 1202/DIC-SCR/2012): 1) Residente permanente da R.A.E.M.; 2) Idade não superior a 50 anos nem inferior a 18 anos; 3) Capacidade profissional; 4) Inexistência de impedimento legal; 5) Aptidão física e mental para o desempenho de funções; 6) Licenciatura (para mais pormenores relativos à exigência habilitacional, queira consultar os respectivos avisos de recrutamento);. Aplicável para a inscrição de Operário Qualificado de 1.º escalão (Referência n°1302/DEVU-SZVJ/2012): 1) Residente permanente da R.A.E.M.; 2) Idade não superior a 50 anos nem inferior a 18 anos; 3) Capacidade profissional; 4) Inexistência de impedimento legal; 5) Aptidão física e mental para o desempenho de funções; 6) Ensino primário (para mais pormenores relativos à exigência habilitacional, queira consultar os respectivos avisos de recrutamento); 7) Possuir habilitações profissionais na área de zonas verdes relativa à gestão e protecção de árvores ou experiência profissional que possa substituir as habilitações referidas. Forma e prazo de apresentação da candidatura: • O prazo de apresentação das candidaturas terminará no dia 03 de Setembro de 2012. • Os interessados poderão obter os formulários de candidatura através da internet do IACM, efectuando o download dos formulários no endereço (http://www.iacm.gov.mo/recruit/apply.

pdf) ou, durante a hora de expediente, dirigir-se aos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação e solicitá-los. Os formulários devidamente preenchidos e assinados, deverão ser entregues pessoalmente nos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação, acompanhados da seguinte documentação: - Fotocópia do Bilhete de Identidade de Residente Permanente na RAEM (em papel de formato A4, com os dois lados na mesma página) *; - Nota curricular (devem indicar o conteúdo e o período funcional); - Registo biográfico (Apenas aplicável aos candidatos vinculados a serviços públicos)**; - Para se candidatar a técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão (Referência n°1002/ LAB/2012 ou 1102/DE-SCEU/2012 ou 1202/DIC-SCR/2012) é necessária a entrega da fotocópia do respectivo diploma de licenciatura * e boletim de classificação; - Para a inscrição de Operário Qualificado, 1.º escalão (Referência n.º 1302/DEVUSZVJ/2012), deve entregar a fotocópia do diploma do ensino primário* e do certificado da habilitações profissionais na área de zonas verdes relativa à gestão e protecção de árvores* ou do documento da experiência profissional emitido pela entidade empregadora onde foi obtida* ou mediante declaração do candidato sob compromisso de honra. * Os concorrentes devem apresentar, para efeitos de autenticação, o original dos respectivos documentos no acto de entrega das fotocópias. Se não apresentarem os originais, serão considerados em falta esses documentos. **Entregar o registo biográfico emitido pelos Serviços a que pertence, do qual constem, designadamente, os cargos anteriormente exercidos, a carreira e categoria que detém, a natureza do vínculo, a antiguidade na categoria e na função pública e a avaliação do desempenho. Os candidatos vinculados ao IACM ficam dispensados da apresentação deste documento.

Caso não sejam entregues todos os documentos exigidos dentro do prazo da inscrição do concurso, a candidatura não será considerada, salvo se o candidato apresentar, sob compromisso de honra, uma declaração sobre as razões que justifiquem a falta dos documentos referidos, e o Júri as aceitar.

Os interessados podem consultar os avisos, com informações pormenorizadas sobre estes concursos, na página da internet deste Instituto (http://www.iacm.gov.mo/main_p.htm) ou nos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação abaixo indicados, durante a hora de expediente. Locais e horário de expediente dos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação: Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte – Rua Nova da Areia Preta, n° 52, Centro de Serviços da RAEM (Tel. 2847 1366) Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas – Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n° 75 K (Tel. 2882 5252) Ø Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central – Rotunda de Carlos da Maia, Nos .5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar (Tel. 8291 7233) Ø Posto de Atendimento e Informação Central – Avenida da Praia Grande nos 762-804, China Plaza, 2° andar (Tel. 2833 7676) Ø Posto de Atendimento e Informação de T’ói San – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, n° 127, r/c, Edf. D. Julieta Nobre de Carvalho, bloco “B” (Tel. 2823 2660) Ø Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço – Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4° andar (Tel. 2893 9006) Horário: Centro de Prestação de Serviços ao Público: 2ª a 6ª feira, das 09:00 às 18:00 horas, sem interrupção ao almoço. Posto de Atendimento e Informação: 2ª a 6ª feira, das 09:00 às 19:00 horas, sem interrupção ao almoço. A lista provisória dos candidatos será publicada na página da internet (http://www.iacm.gov.mo/ main_p.htm) e afixada nos Serviços de Apoio Administrativo, sitos na Calçada do Tronco Velho, n.º14, Centro Oriental, M, e aquando da publicação da lista definitiva dos candidatos, dar-se-á a conhecer a data, a hora e o local de realização da prova. Os dados que o concorrente apresente, servem apenas para efeitos de recrutamento. Os dados pessoais apresentados serão tratados de acordo com as normas da Lei n° 8/2005, “Lei da Protecção de Dados Pessoais”, da RAEM. Caso advenham algumas dúvidas na verificação de documentos dos candidatos, os respectivos dados poderão ser entregues às entidades competentes para o devido apuramento ou para a obtenção de informações. Os candidatos, no uso do direito que lhes assiste nos termos legais, podem obter as informações que pretendam, consultar os seus dados e exercer o direito de oposição, necessitando, para o efeito, de apresentar o respectivo pedido, por escrito, ao IACM. Macau, 10 de Agosto de 2012.

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Presidente do Conselho de Administração Tam Vai Man


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Quatro mortos em acidente em mina de carvão

Quatro pessoas morreram e 17 ficaram presas e feridas numa mina de carvão na província de Jilin, no noroeste da China, informaram ontem as autoridades locais citadas pela agência oficial Xinhua. O acidente ocorreu cerca das 6h00 locais numa mina de carvão da cidade de Baishan, quando 116 mineiros se encontravam no seu interior, e aparentemente foi causado por uma filtração de gás que despoletou uma explosão. De acordo com a Xinhua, 95 mineiros já se encontravam a salvo e 17 ainda estavam presos no interior da mina.

Criar uma gigantesca produtora de terras raras

Uma proposta de formar uma megaprodutora de terras raras foi submetida ao Conselho de Estado da China, sendo muito possível que seja aprovada rapidamente, anunciou há dias um importante produtor deste recurso nacional. O estabelecimento da companhia China North Rare Earths (Group) Hi-tech CO. será liderado pelo maior produtor de terras raras na China, a companhia Baotou Steel Rare-Earth (Group) Hi-Tech CO. (REHT), com sede na Mongólia Interior, cuja produção representa mais de metade do total mundial, afirmou o director da REHT, Zhang Zhong, numa importante conferência anual do sector. A China planeia encorajar duas ou três grandes companhias de terra rara para consolidar as companhias no sector, assinalou em Março o ministro da Indústria e Informatização, Miao Wei. Maior produtor de metais de terras raras do mundo, a China responde por mais de 90% da procura global dos metais, embora as suas reservas representem apenas 23% do total mundial.

Terramoto de 6,2 graus atinge Xinjiang

Um terramoto de 6,2 graus na escala Richter atingiu este domingo o distrito de Yutian, na Região Autónoma Uigur de Xinjiang, no noroeste da China. Segundo autoridades locais, o sismo ocorreu às 18h47, no horário de Pequim, e o epicentro foi na região da Montanha Kun com altitude acima de 5.000 metros. Na zona urbana do distrito, não se sentiu o abalo e até agora não foi registada nenhuma vítima.

Construção de 5,8 milhões de casas sociais

A China iniciou a construção de 5,8 milhões de unidades de habitação para a população de baixo rendimento nos primeiros sete meses deste ano, anunciou na sexta-feira o Ministério da Habitação e do Desenvolvimento Urbano e Rural. Nesse período, a construção de 3,6 milhões de unidades ficou basicamente concluída, disse o ministério numa nota divulgada no seu site. O governo prometeu iniciar a construção de mais de 7 milhões de habitações este ano, como parte do seu plano quinquenal de construir 36 milhões de unidades de imóveis dessa categoria até 2015.

Envolvidos em venda de rim para comprar iPhone julgados

Adolescente em estado grave

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M cirurgião e outras quatro pessoas estão a ser julgados na China no caso de um adolescente que terá vendido um rim para comprar um iPhone e um iPad 2, reportou na sexta-feira a imprensa oficial. Segundo o jornal estatal China Daily, Wang Shangkun, de 18 anos, encontra-se em estado grave depois de ter realizado um transplante ilegal no ano passado. As cinco pessoas presentes no julgamento são acusadas de lesão corporal dolosa e

comércio ilegal de órgãos e podem ser condenadas a penas de três a dez anos de prisão se forem consideradas culpadas, acrescentou o periódico. Uma mulher que respondeu pelo telefone no tribunal popular do distrito de Beihu, na cidade de Chenzhou, província de Hunan (centro), disse que o tribunal estava em sessão na sexta-feira, mas não forneceu detalhes, e recusou-se a dar o nome. Citando documentos judiciais, o China Daily informou que Wang concordou em vender o

rim após contactar, pela internet, uma agência ilegal.

COMPRA POR SEGURANÇA

A mãe de Wang, Ou Linchun, disse ao tribunal que o seu filho não vendeu o rim para comprar os aparelhos da Apple. “O meu filho foi tentado por vendedores ilegais de órgãos e pode ter sentido medo de ser apanhado com uma quantia tão grande de dinheiro, por isso comprou o telemóvel e o tablet”, contou, segundo o jornal. O rim foi vendido por cerca de 180 mil patacas, embora Wang só tenha recebido cerca

de 30 mil patacas, acrescentou a publicação. Numa outra reportagem, o Changsha Evening News noticiou que o representante deWang pretende uma indemnização no valor de cerca de MOP2,5 milhões dos cinco réus, a equipa médica que executou a cirurgia, um hospital e uma empresa de investimento médico. No princípio do mês, as autoridades disseram que a polícia prendeu 137 pessoas, suspeitas de tráfico de órgãos humanos que faziam parte de uma quadrilha nacional que tem lucrado com a enorme procura de transplantes.

Fraco desempenho económico pode criar tensões com EUA

Exportações decepcionam O

desempenho da balança comercial da China com um crescimento menor do que o esperado não só ameaça a economia global, mas também pode complicar a relação do país com os Estados Unidos, segundo o Washington Post. O decepcionante crescimento das exportações chinesas ,de apenas 1% em Julho, muito abaixo da taxa de 11% registada no mês anterior, é a mais recente prova de que a segunda maior economia mundial está a perder força, o que representa um problema para as empresas americanas que vendem os seus produtos e serviços para a China. Mas a resposta da China à sua desaceleração poderá também criar novas tensões com os Estados Unidos, onde a campanha presidencial está focada exactamente na eco-

nomia. A estratégia chinesa de recuperação tem sido usar tácticas que beneficiem a sua economia em detrimento dos Estados Unidos, como aconteceu este ano, quando a China permitiu que a sua moeda se desvalorizasse face ao dólar para fortalecer as suas exportações em relação às americanas “As desacelerações económicas e as circunstâncias políticas em ambos os países podem levar à erupção de tensões comerciais mais uma vez”, disse Eswar S. Prasad, especialista em comércio internacional na Universidade de Cornell. Segundo o Washington Post, as exportações da China são responsáveis por mais de um quarto da actividade económica, em comparação com pouco mais de um décimo nos Estados Unidos.


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Guru de ioga e milhares de apoiantes detidos em protesto anti-corrupção

Manifestação não chega ao parlamento

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M guru do ioga indiano e milhares de apoiantes foram ontem detidos quando tentavam realizar uma marcha até ao parlamento da Índia, num protesto anti-corrupção que decorre há quatro dias. À medida que era levado pela polícia, Baba Ramdev gritava slogans em que apelava aos seus apoiantes que continuem a lutar para acabar com a corrupção na Índia e para exigir a recuperação de milhões de dólares de dinheiro obtido de forma ilegal, escondido em bancos estrangeiros por indianos corruptos. Empunhando bandeiras indianas, os manifestantes entraram numa série de autocarros da polícia estacionados junto ao local onde Ramdev e os seus apoiantes se têm concentrado. A polícia afirmou que os manifestantes serão levados para um estádio nos subúrbios de Nova Deli, devendo ser libertados ao final do dia.

e que será submetida ao parlamento no próximo mês.

Antes da marcha, o guru apelara aos seus apoiantes que substituíssem o Partido do Congresso, no poder, por um governo “limpo”. “Mandem embora o Congresso, salvem o país”, gritou a uma multidão eufórica. Ramdev, em greve de fome há quatro dias, tinha dado ao governo até domingo à noite para responder às suas exigências, mas não obteve qualquer resposta. “O governo ficou completamente surdo. Temos de fazê-los ouvir-nos. Agora o nosso protesto vai sair daqui para a porta do parlamento.”

LEIS RESTRITIVAS

PELO PACIFISMO

O líder espiritual alertou os seus seguidores de que deviam estar preparados para serem detidos durante a marcha, já que a polícia iria tentar impedir a manifestação de chegar ao parlamento, mas pediu-lhes que se mantivessem pacíficos e não recorressem à violência. Apesar de garantir que não está alinhado com qualquer partido

político, o guru foi ontem visitado por líderes dos maiores partidos da oposição. Ramdev tem exigido alterações legislativas para combater a corrupção, incluindo a criação de um poderoso provedor que fiscalize os dirigentes governamentais, um

Tribunal de Hong Kong decreta que “indignados” têm duas semanas para deixar sede de banco

Ban Ki-moon espera conseguir aliviar tensão entre Coreias

Toca a desocupar

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M tribunal de Hong Kong decidiu ontem que os manifestantes anti-capitalismo, acampados junto à sede do banco HSBC, no centro de Hong Kong, vão ter de abandonar o local dentro de 14 dias. De acordo com a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK), o juiz Reuder Lai indicou não haver qualquer razão legal para permitir que os participantes do movimento “Ocupar Central” permaneçam no local sem autorização do banco. O grupo montou tendas junto à sede do Hong Kong and Shanghai Banking Corporation (HSBC), no distrito de Central em Hong Kong, em Outubro, após um protesto integrado no primeiro movimento global dos “indignados”, inspirado na iniciativa de ocupação de Wall Street em Nova Iorque. Depois de terem “acampado” no local, o banco deu entrada com uma acção

gabinete de investigação central independente e acções para prevenir a evasão fiscal e a transferência ilegal de dinheiro para bancos estrangeiros. Na quinta-feira, o governo anunciou estar a trabalhar numa legislação que visa criar um provedor

ONU preocupada O

secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou ontem estar a procurar uma forma de aliviar as tensões entre a Coreia do Norte e a do Sul e prometeu mais ajuda a Pyongyang para a recuperação do país depois das cheias. “Enquanto secretário-geral da ONU, tenho prestado atenção a esta situação e estou a pensar seriamente em como criar uma oportunidade para aliviar a tensão na península, tendo em

perspectiva a reconciliação”, disse Ban Ki-moon aos jornalistas durante a sua visita a Seul. As relações entre as Coreias deterioraram-se nos últimos meses, como constatou o responsável, com o Norte a ameaçar com uma “guerra santa” o Governo do Sul por alegados insultos contra o regime de Pyongyang. As chuvas torrenciais que afectaram a Coreia do Norte entre o final de Junho e o final de Julho causaram 169

Filipinas Tempestade ameaça agravar inundações

judicial, em Junho, para reivindicar a retirada. Testemunhas e funcionários do banco indicaram que são poucos os manifestantes que pernoitam no acampamento e durante

o dia raramente são mais de dez. Ainda assim, vários manifestantes do movimento anti-capitalista já garantiram que não pretendem contestar a decisão judicial.

O ministro das Finanças está também a tornar as leis mais restritivas no que diz respeito às transferências de dinheiro para o estrangeiro. O protesto de Ramdev começou menos de uma semana depois de o activista indiano anti-corrupção Anna Hazare ter suspenso uma greve de fome que não conseguiu atrair a esperada atenção. Hazare e os seus apoiantes desistiram de agitar e decidiram antes dedicar-se à política. Multidões juntaram-se no local onde decorre a greve de fome de Ramdev, cujo programa televisivo em que executa exercícios de ioga atrai milhões de indianos diariamente, mas o número de apoiantes tem vindo a diminuir. Ontem, estavam cerca de 10 mil pessoas no local, menos de metade do número dos primeiros dias do protesto.

Uma tempestade tropical estava ontem a ameaçar as Filipinas, podendo agravar as inundações que, na última semana, causaram no norte do arquipélago, pelo menos, 92 mortos e afectaram três milhões de pessoas. O Serviço Meteorológico das Filipinas (Pagasa) informou que a tempestade Helen está a aproximar-se a uma velocidade de 55 quilómetros por hora do norte das Filipinas, onde mais de 400 mil pessoas foram retiradas das suas casas devido às inundações e tempestades registadas nas últimas semanas. Uma meteorologista do Pagasa, Connie Dadivas, indicou, citada pela agência Efe, que a tempestade Helen deverá causar precipitações nas Filipinas que poderão agravar as inundações no arquipélago.

mortos e 400 desaparecidos e mais de 212 mil pessoas perderam a casa, de acordo com os dados oficiais do Governo norte-coreano. As agências das Nações Unidas deslocaram-se às áreas mais afectadas para avaliar as suas necessidades na sequência das cheias. Ban Ki-moon disse que a ONU está “profundamente preocupada” com a situação na Coreia do Norte e que, por isso, “ofereceu apoio e um plano para o expandir”.


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Cecília Lin

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Joana Freitas

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Três “taikonautas” chegaram ontem a Macau. E do céu caiu uma es

Primeira chinesa no espaço pro GCS

LAnão faz cinema, mas é a tal. Liu Yang é a favorita de todos os que ontem esperaram mais de uma hora pelos três astronautas da Cápsula Espacial tripulada Shenzhou-9. A primeira mulher chinesa a visitar o espaço chegou ontem a Macau acompanhada dos dois companheiros da missão, Jing Haipeng e Liu Wang, os “taikonautas” – como lhes chamam em chinês – que concluíram com sucesso a missão de acoplagem da Cápsula Shenzhou 9 ao Módulo Tiangong 1. Recebidos como heróis nacionais, os três astronautas que estiveram no espaço em Junho deste ano, foram saudados por uma população “sensibilizada e feliz”, conforme descreveu o Chefe do Executivo. Chui Sai On esteve com os três astronautas, considerados por muitos como um marco na história espacial chinesa. Mas, se todos mereceram honras e tratamento especial, o favoritismo pendeu para a única mulher da missão e única mulher chinesa alguma vez no espaço. “Eu gosto mais da Liu Yang porque ela é muito bonita”, disse ao Hoje Macau Tam Chi Cheng, aluna da escola secundária. “Eu gosto mais da Liu Yang, porque ela é primeira astronauta chinesa”, referiu Tseng, membro da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM). As respostas ao Hoje Macau foram quase sempre semelhantes quanto a quem é o protagonista desta visita. “Eu gosto mais da mulher astronauta, porque a maior parte dos astronautas é homem”, diziam algumas crianças. “Ela é fantástica e representa as raparigas, é como se fôssemos ao espaço pela primeira vez também.” No terminal marítimo do Porto Exterior, onde chegaram de ferry, os astronautas foram recebidos por mais de 300 pessoas. Houve quem tivesse a sorte de receber apertos de mão e até fotografias autografadas, apesar da conversa não ter sido possível nem para o público nem para os jornalistas. Os astronautas estiveram reunidos com Chui Sai On, na sede do Governo, onde deixaram uma réplica da estação espacial acoplada à Shenzhou 9. Liu Yang, sem dúvida sorridente e simpática, Jing Haipeng e Liu Wang vão estar em Macau até amanhã. Foi a quarta vez que uma delegação espacial chinesa esteve no território.

Os astronautas foram aplaudidos em apoteose por dezenas de pessoas

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, recebeu os astronautas com solenidade


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editorial

Gonçalo Lobo Pinheiro

TRABALHAR COM O QUÊ? Que os astronautas chineses devem ser congratulados

pelo seu trabalho na missão Shenzhou 9, ninguém duvida. Que Macau merece receber e ver a primeira mulher chinesa no espaço – bem como os seus colegas de missão -, também ninguém duvida. Agora do (mau) trabalho do Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Governo da RAEM já todos duvidamos. Pelo menos eu, duvido. O aviso já tinha sido lançado previamente em comunicados atrás de comunicados. Os jornalistas de Macau estão arredados do contacto mais próximo com os astronautas chineses. Posto isto pouco ou nada se pode fazer. Mas o problema é bem pior que esse. Não se entendem diversas situações que acontecem nas alturas em que quem deveria ter mais regalias não tem. E os jornalistas de Macau ficam sempre a perder. Senão vejamos. Chega a Macau uma comitiva de cerca de 40 pessoas com três astronautas chineses. Quem é que tem prioridade na captação de imagens? Os órgãos de comunicação da China continental, que são precisamente aqueles que já conviveram com os intervenientes mais vezes. Porque os da casa ficam a um canto, colocados num palco, atrás de uma corda vermelha de veludo, que nem altura tem para poder tirar fotografias ou filmar convenientemente, porque os jornalistas “oficiais” – cerca de 20 – tinham constantemente as suas cabeças à frente. Mas afinal o que é isso de oficial? Como é que uma comitiva de 40 pessoas pode ter 20 fotógrafos e operadores de câmara? Como é que é possível que tanta gente possa estragar o trabalho de outros tantos que ficam a quilómetros de distância só porque sim? O GCS não sabe responder as estas questões, pelo menos no local das situações. Mas eu gostaria muito que respondesse. E gostaria muito que fosse o senhor Victor Chan a fazê-lo. Senhor Chan, como é que vêm a Macau “heróis nacionais” da China e os jornalistas de Macau ficam a léguas de poder comprovar a sua presença, pelo menos com o mínimo das condições, uma vez que o que nos oferecem é menos que zero? Porquê? Porque não sabem organizar as coisas, tão simples como isto. Bastava fazer uma “pole” para sortear quem tem direito a ir mais além ou não. Ou simplesmente dar acreditação a um fotografo e a um operador de câmara de cada órgão de comunicação de Macau. Afinal de contas se existem cerca de 20 “oficiais”, mais 10 menos 10 – dos locais - seria a mesma coisa. Pelo menos os “oficiais” não estragavam o trabalho dos outros, aqueles que trabalham diariamente em Macau para dar as notícias aos residentes de Macau. Já nem falo quando esses “oficiais” ficam parados a ver passar o cortejo e não trabalham. Que é o mesmo que dizer: “Nem trabalham e nem deixam trabalhar” quem já, devido às contingências organizativas, tem o um trabalho hercúleo para conseguir uma imagem, meros minutos de filme ou uma palavrinha. E espero, senhor Victor Chan, que não me venha com a desculpa de que: “Ah e tal, o GCS estava lá e disponibiliza as imagens.” Quem lhe disse a si que o Hoje Macau depende - ou simplesmente gosta - das fotos do GCS? Isso não chega. Têm de ser criadas mais e melhores condições para todos. Numa altura que, ainda, se discute a Lei de Imprensa, urge fazer muito mais. A bem do jornalismo em Macau.

strela, Liu Yang, adorada por adultos e crianças

ovoca deslumbramento

Liu Yang na sede do Governo da RAEM

JING HAIPEN

Chefe da Missão e primeiro chinês a ir ao espaço

LIU WANG

Foi quem acoplou manualmente a cápsula à estação espacial

LIU YANG

Primeira mulher chinesa a ir ao espaço

• A Shenzhou 9 partiu da Terra no dia 16 de Junho e no dia 18 concluiu a missão. Regressou à Terra no dia 29 de Junho.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

HOJE MACAU

GCS

DELEGAÇÃO SHENZHOU 9


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EDITAL


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vida

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Parasitas podem tornar-se mais perigosos devido a mudanças climáticas

Hospedeiros a sofrer

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S parasitas podem tornar-se mais virulentos devido às alterações climáticas, defende um estudo que mostra que as rãs sofrem de mais infecções de fungos quando são expostas a mudanças de temperatura inesperadas. Os parasitas, como os protozoários que causam malária ou os fungos, podem ser mais rápidos a adaptarem-se às mudanças climáticas do que os animais que parasitam, já que são mais pequenos e podem crescer mais rapidamente, defendem os cientistas. “É provável que o aumento da variabilidade climática faça com que seja mais fácil para os parasitas atacarem os seus hospedeiros”, disse Thomas Raffel, da Universidade de Oakçand, dos Estados Unidos, à Reuters. A opinião do cientista baseou-se na descoberta feita em rãs com um fungo de pele que pode ser mortal. “Pensamos que isto possa exacerbar os efeitos de algumas doenças.” O estudo foi publicado na revista Nature Climate Change e contou também com o trabalho de cientistas da Universidade do Sul da Florida.

AQUECIMENTO GLOBAL

Segundo um painel de especialista das Nações Unidas, espera-se que o aquecimento

global traga mais ondas de calor, inundações, tempestades, fogos, secas e tenha um efeito positivo no avanço geográfico de algumas doenças. Além disso, prevê-se que estas mudanças climáticas provoquem oscilações de temperatura mais radicais. “Poucos estudos têm em conta os efeitos da variabilidade climática nas doenças, apesar de ser provável que os hospedeiros e os parasitas tenham respostas diferentes às mudanças.”

A RÃ CUBANA

Os cientistas expuseram uma espécie de rã que vive em Cuba ao fungo Batrachochytrium dendrobatidis, que muitas vezes é letal para estes anfíbios, em 80 incubadores a temperaturas diferentes. Numa das experiências, as rãs mantidas normalmente a um ambiente com uma temperatura média de 25º Celsius ao longo de quatro semanas, sofreram muito mais infecções quando foram colocadas numa incubadora que estava a 15 graus, do que rãs que já estavam a viver a essa temperatura. “Se mudarmos a temperatura, a rã fica mais susceptível à infecção do que rãs que já estão adaptadas a essa temperatura”, disse Raffel. Noutra experiência, as rãs que estavam habituadas

a uma variação entre os 15 e os 25 graus, uma mudança normal da temperatura da noite para o dia, eram muito mais resistentes ao fungo. Os cientistas, baseados em factores como o tamanho, o tempo médio de vida e o metabolismo, concluíram que as rãs eram, provavelmente, dez vezes mais lentas do que os fungos a adaptarem-se a mudanças de temperatura inesperadas.

SANGUE QUENTE E FRIO

Thomas Raffel disse que eram necessários mais testes em outros parasitas e hospedeiros para confirmar estas descobertas. “Este estudo foi só feito numa única espécie de rã tropical.” O cientista não tem conhecimento de outros estudos semelhantes, sobre como é que parasitas como a malária, por exemplo, podem ser afectados por mudanças de temperaturas que tanto afectam o mosquito e o homem, os dois hospedeiros da malária. “É uma questão em aberto.” Mesmo assim, Raffel referiu que se especula que os animais de sangue frio como as rãs, os insectos, os répteis ou os peixes possam ser mais susceptíveis aos parasitas devido a estas mudanças de temperatura, do que os animais de sangue quente como as aves e os mamíferos.

Centro de recuperação do lobo ibérico em risco de ficar sem casa

A extinção está à porta E

M 2013, quem quiser visitar o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico de Mafra pode já não ter sorte. Um projecto único está em risco de perder a sua casa, tal como aconteceu aos animais que procura recuperar. O espaço ocupado pelo Centro de Recuperação do Lobo Ibérico (CRLI), descrito como a “Cova” por Francisco Fonseca, presidente do Grupo Lobo (Associação para a Conservação do Lobo Ibérico e do seu Ecossistema), não se diferencia em muito da forma das tocas dos lobos, a não ser nas proporções. Ao longo de 25 anos, estes 17 hectares escavados na superfície terrestre, situados no Gradil, concelho de Mafra, já deram abrigo a dezenas de animais. “Alguns chegaram em muito mau estado, quer físico, quer mesmo comportamental”, descreve Francisco Fonseca. Neste momento, vivem ali em cativeiro oito lobos, quatro dos quais nasceram no local. “Os restantes provêm de situações de cativeiro ilegal em Portugal e Espanha. Sabor, Faia e Soajo são alguns dos nomes dos lobos do centro, mas não nos preocupamos muito com isso.”

O terreno, que nos anos 70 era uma quinta agrícola, está hoje coberto de sobreiros, carvalhos, azinheiras e tem alguns edifícios de apoio ao centro. “É tudo trabalho dos voluntários.”

TERRENO CARO

Passados 25 anos, os lobos correm agora o risco de ser despejados da sua segunda casa. Nestas duas décadas e meia, os terrenos foram cedidos sem qualquer custo. Porém, no início deste ano, o proprietário

actual comunicou aos responsáveis pelo projecto que teriam de partir se não comprassem o terreno. Não desistindo do local, conseguiram chegar a um acordo com o proprietário por forma a pagar o preço em cinco prestações anuais de aproximadamente 300 mil patacas. Alguns particulares, amigos do grupo, emprestaram o dinheiro para a primeira prestação, garantindo a permanência do projecto no local, pelo menos durante este ano. “Está aqui muito empenho, muito esforço, muitos voluntários. Estamos a comprar o terreno, porque não temos hipótese de sair daqui. Vai ser muito difícil recomeçar tudo mesmo que alguém nos ofereça um novo terreno.” Para tentar manter a Cova, a associação lançou, há duas semanas, uma campanha de angariação de fundos através de uma plataforma online, onde tenta obter cerca de dois milhões de patacas até 28 de Setembro. Desse montante, 1,5 milhões são para o terreno. Até agora, a associação já conseguiu cerca de 150 mil patacas, equivalentes a metade de uma prestação anual, através das doações de 411 apoiantes.


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cultura

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Facebook cria novo espaço

Além de já permitir guardar recordações em forma de fotografias, vídeos e comentários, o Facebook pretende agora agregar as melhores histórias num site. O Facebookstories. com agrega as histórias mais marcantes dos utilizadores e terá um tema por mês. O objectivo é que os utilizadores ajudem a alimentar esta página, submetendo os seus próprios vídeos, fotos e textos. O tema central da abertura do site é “recordar” e a história em destaque é a de Mayank Sharma, um indiano de 29 anos que perdeu a memória depois de ter tido meningite. Através de algumas funcionalidades do Facebook, o jovem conseguiu reatar contacto com alguns amigos, recuperando assim algumas memórias. Além de um novo tema mensal, o site vai contar com algumas áreas especiais onde é possível, por exemplo, encontrar sugestões de livros ou músicas sobre o assunto do mês.

Empresa holandesa quer filmar “reality show” em Marte Uma empresa holandesa disse que ia oferecer viagens para Marte e filmar a experiência como um “reality show”, noticiou a agência France Press. A ideia da empresa designada “Mars One” (Marte 1) é fazer aterrar quatro astronautas em Marte em 2023, sete anos antes do objectivo da agência espacial norteamericana NASA, e iniciar o recrutamento de voluntários no próximo ano. O programa contempla apenas bilhetes de ida para o planeta Marte. Apesar do cepticismo de especialistas, a empresa “Mars One” ganhou o apoio do Prémio Nobel Gerard Hooft, galardoado com o prémio da Física em 1999. “A minha primeira reacção foi: ‘isto nunca vai funcionar’. Mas um olhar mais atento ao projecto convenceu-me. Eu penso que vai ser mesmo possível», disse Hooft à AFP.

Chuvas derrubaram mais de 30m da Muralha da China

As fortes chuvas que há vários dias castigaram o norte da China derrubaram um lance de 36 m da Grande Muralha na província de Hebei, que cerca Pequim, informou no fim-desemana a imprensa oficial. O desmoronamento afectou o lance de Dajingmen, na cidade de Zhangjiakou, construída durante a dinastia Ming (1368-1644) e que se encontrava em mal estado de conservação devido à erosão. As chuvas torrenciais também danificaram um armazém de relíquias do Museu Nacional, em Pequim, e outro salão de exibições históricas na província noroeste de Gansu. Estas foram as piores tempestades que afectaram Pequim e os arredores nos últimos 60 anos.

Cidade Proibida espera tornar-se num dos cinco melhores museus do mundo

Tesouros inestimáveis

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Museu do Palácio, também conhecido como a Cidade Proibida, espera tornar-se num dos cinco melhores museus do mundo com uma

série de projectos que melhorarão o espaço de exibição e enriquecerão as exposições. Shan Jixiang, curador do museu de Pequim, assinalou durante uma conferência de

imprensa que a sua equipa está a preencher as salas de exposição com valiosas peças de bronze, jade, laca e outros artigos imperiais. “Haverá uma sala especial para as relí-

Investigadores chineses descobrem tesouros perto das ilhas de Xisha

Doze novos campos arqueológicos O

S arqueólogos chineses descobriram 12 conjuntos históricos submersos perto das ilhas Xisha, no Mar do Sul da China, informou recentemente um funcionário do Governo provincial de Hainão. Os pontos arqueológicos foram descobertos durante uma patrulha de 400 quilómetros, realizada conjuntamente por especialistas de todo o país, pela protecção das relíquias históricas submarinas e da jurisdição na área. Durante as 220 horas que durou a tarefa de reconhecimento foram realizadas 260 imersões. Os arqueólogos examinaram doze campos arqueológicos já conhecidos e descobriram doze novos, recolheram grande quantidade de amostras, incluindo objectos antigos de cerâmica, porcelana, moedas de cobre e partes de navios, disse Li Jilong, especialista do departamento provincial de património cultural de Hainan. As ilhas de Xisha compreendem um conjunto de 40 ilhotas, bancos de areia e recifes. Na antiguidade, muitos navios comerciais

Celia Cruz e Gloria Estefan podem agora passar a ser ouvidas

Cuba levanta censuras

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chineses naufragaram nos recifes durante suas viagens ao sudeste da Ásia, Índia e Oriente Médio, deixando abundantes tesouros e relíquias no fundo do mar. Os investigadores descobriram também graves danos nas relíquias achadas no Mar do Sul da China. Os rastos deixados pelos ladrões em alguns campos demonstram que em ocorreram roubos em grande escala no início deste ano.

quias culturais estrangeiras, e desenvolveremos a iniciativa de um museu digital, que cobrirá grande parte do museu”, acrescentou Shan, sem especificar as datas dos respectivos projectos. Segundo o curador, a Cidade Proibida, que foi residência dos imperadores chineses durante 500 anos, publicará um catálogo da sua colecção de 53 mil pinturas, 75 mil obras de caligrafia, 16 mil peças de bronze e 10 mil esculturas, entre outros objectos. “Independentemente das comparações, o Museu de Palácio (com sua riqueza histórica e artística) poderia ser um dos cinco melhores museus do mundo juntamente com o Louvre de Paris, o Metropolitan de Nova Iorque, o State Hermitage de St. Petersburgo e a National Gallery, do Reino Unido”, assegurou Shan. O Museu do Palácio, construído em 1420 no centro de Pequim e incluído na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 1987, atrai mais de 14 milhões de visitantes nacionais e internacionais todos os anos.

URANTE anos condenados ao silêncio nas rádios do seu país, 50 artistas cubanos deixaram agora de estar proibidos. Embora a lista nunca tivesse sido considerada oficial, nomes como Celia Cruz (já falecida), Gloria Estefan ou o pianista de jazz Bebo Valdés constavam de uma bem conhecida “lista negra”, que ninguém ousava infringir. Em comum, as 50 personalidades têm o facto de terem fugido de Cuba e se manifestarem contra Revolução Cubana e o regime de Fidel Castro. Mas, segundo divulgou a BBC, o Governo considera agora que “a lista já cumpriu o seu propósito”, pelo que decidiu aboli-la, num gesto que pretende ver interpretado como “sinal da abertura da ilha ao mundo”. A BBC cita funcionários de rádios de Havana. Além dos nomes citados, estão livres da censura o saxo-

fonista Paquito d’Rivera, o cantor Willy Chirino, a cantora de bolero Olga Guillot e o intérprete espanhol Juio Iglesias. Artistas que, apesar da proibição, foram chegando aos cubanos graças às novas tecnologias e posterior comercialização das gravações no mercado negro. Gloria Estefan é um dos casos mais conhecidos. A cantora deixou Cuba ainda bebé, quando a sua família, por motivos políticos, se mudou para Miami. Apesar de afastada das origens Gloria usou a música para manifestar as suas posições contra Fidel, como na canção “Cuba libre”. Já a cantora Celia Cruz, que começou a carreira no México e nunca voltou ao país natal, tornou-se um símbolo do exílio cubano, tendo usado sempre a sua popularidade para expressar a sua posição contra a situação no país.


terça-feira 14.8.2012

Jogos Olímpicos Vicente Moura põe dedo na ferida

“Sistema desportivo português é obsoleto”

V

ICENTE Moura vai deixar a presidência do Comité Olímpico Português (COP) em Março de 2013, no final do actual mandato. “Mas até lá não cedo um milímetro de poder a ninguém”, garante. Antes, assumiu total responsabilidade pelos resultados nacionais nos Jogos e deixou várias ideias para o futuro. Tudo porque “o sistema desportivo português é obsoleto”. “É preciso começarmos a trabalhar já num novo protocolo tendo em vista os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016”, alerta, deixando propostas para todo o funcionamento da estrutura nacional ganhe eficácia: “Devemos pagar directamente aos treinadores e não à federação, para evitar situações como a que aconteceu no remo; as bolsas das esperanças olímpicas devem ser revistas; as federação necessitam de uma política de maior exigência; o COP deve ficar apenas com o desporto de excelência, controlando a acção de todas as federações; e devemos colocar em prática um programa de detecção de talentos”.

desporto

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Para isso, Vicente Moura ressalva também a necessidade de criação de um novo cargo, o de director-geral do COP, não só para estabelecer todas as ligações na teia desportiva mas também para evitar que seja apenas uma pessoa, neste caso o presidente, a dar sempre a cara.

DESPROMOÇÃO

Entre as críticas, destaque para o ataque de Vicente Moura aos

Centros de Alto Rendimento espalhados pelo país. “Quais foram os seus critérios de construção? Qual foi a sua política de investimento e rentabilidade, porque razão foram edificados?”, questionou o comandante, considerando que “houve uma despromoção com a extinção do ministério do desporto”. “Eu ser algum dia ministro do desporto? Nem pensar, não há hipótese nenhuma”.

“O desporto só não foi mais valorizado porque o futebol teve resultados”, considera. “O sistema desportivo português é obsoleto e deve haver uma mudança de paradigma. É preciso fazer qualquer coisa para colocar a juventude a fazer desporto. Há 400 mil jovens federados e se calhar metade nem sequer pratica desporto...”

PRESTAÇÃO “MUITO POSITIVA”

Antes, Mário Santos, o chefe da Missão nacional nas Olimpíadas, considerou que os resultados obtidos pelos 77 atletas portugueses foram muito positivos. “Mas é preciso organização para potenciar o talento”, advertiu. “Considerando a nossa realidade e o nível da prática desportiva em Portugal, foi muito positivo. Conseguimos uma medalha, foi a segunda melhor participação nos diplomas e a quarta com mais pontos de sempre, igualando Pequim”, referiu. A prestação de Emanuel Silva e Fernando Pimenta no K2 1000m e de Clarisse Cruz nos 3.000 obstáculos foram os pontos mais positivos, a eliminação precoce de Telma Monteiro no judo o momento mais baixo de todo o evento. No entanto, ficam já alertas para a próxima edição das Olimpíadas. “Os resultados não se obtêm de um dia para o outro mas é preciso definir onde queremos ir. Não há falta de talentos, é preciso é definir o seu caminho para a superação mas sem ovos não se fazem omeletas.”

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Xabi Alonso não aceita renovar pelo Real Madrid

A informação é avançada pelo jornal espanhol Sport, que garante que o médio está intransigente quanto à sua vontade de terminar o ciclo no clube da capital espanhola. O internacional por nuestros hermanos tem contrato com os merengues até 2014, mas caso não prolongue o vinculo é quase garantido que abandonará o Santiago Bernabéu o mais tardar no próximo Verão. Ainda de acordo com o diário do país vizinho, um suposto interesse da Juventus poderá estar na origem da decisão do atleta. Xabi Alonso chegou ao Real em 2009 procedente do Liverpool. O atleta é uma das peças chaves de Mourinho para o ataque à nova época, em que os madrilistas procuram repetir o sucesso alcançado em 2011/2012, quando se sagraram campeões de Espanha.

Belenenses é campeão nacional de futebol de praia

O Belenenses sagrou-se campeão nacional de futebol de praia, após vencer a prova organizada pela Federação Portuguesa de Futebol e que decorreu no areal da praia da Foz do Lizandro, na Ericeira. Na final, o Belenenses venceu o Sótão da Nazaré por 3-2, numa partida só decidida no prolongamento. Em terceiro lugar ficou o Arrentela, depois de bater o Vitória de Setúbal nas grandes penalidades (5-4).

Eduardo determinado em ter sucesso no Istambul BB

O guarda-redes português Eduardo reconheceu a satisfação por ter trocado o Benfica pelo Istambul BB, onde espera jogar regularmente. “Espero ter a oportunidade de jogar com mais regularidade no meu clube e estou feliz com decisão tomada. Quero fazer um bom campeonato”, afirmou Eduardo.

Volta a Portugal David Blanco já conquistou quatro

“O importante é participar e tentar ganhar” Q

UANDO a 74.ª Volta a Portugal arrancar na quarta-feira, dia 15, a David Blanco restará acreditar que é possível concretizar com sucesso o assalto ao recorde de cinco vitórias na prova. “Se não pensasse que posso conseguir era melhor não tentar. Penso que sim, só que é evidente que é muito complicado, mas se começar a achar que é complicado, que posso não conseguir estou a começar mal”, começou por dizer à Lusa. E se há coisa que David Blanco não quer é começar mal, depois de tudo o que passou - um ano catastrófico na aventura estrangeira da

Geox, um período conturbado em que queria regressar a Portugal, mas não tinha onde - para chegar ali, a Castelo Branco e à partida da 74.ª edição da prova rainha do ciclismo português. Por isso, o quádruplo vencedor da Volta (2006, 2008, 2009 e 2010) sabe o que precisa de fazer. “Tenho de acreditar e depois a estrada vai pôr cada um no seu sítio”.

CAMINHO BEM TRAÇADO

A estratégia está criada, os pontos difíceis estão identificados, com o ciclista da Efapel-Glassdrive a apontar “a velocidade a que vão os

outros” como o maior problema na sua luta particular para ultrapassar a marca que partilha com Marco Chagas (1982, 1983, 1985 e 1986) e Ricardo Mestre como o grande rival nessa contenda. “O principal adversário é o Ricardo. Ganhou o ano passado, tem uma equipa muito forte. Ele é o principal adversário, não tenho dúvida nenhuma”, identificou. Os dois conhecem-se bem, pelos anos que conviveram como líder e gregário na equipa de Tavira, no entanto, o galego não vê isso como um fator decisivo na luta nas estradas portuguesas. “Passámos tantos anos a correr juntos... Com

ele, com o Nélson [Vitorino] e com todos os corredores do Tavira. Conhecemo-nos todos muito bem, sabemos a forma de correr de cada um. Como eu sei dele, ele sabe de mim. Estamos em igualdade de circunstâncias”, explicou.

TRÊS EM TERRAS ALGARVIAS

Blanco ganhou três das suas quatro vitórias (a de 2006 foi pela Comunitat Valenciana) pelos algarvios e isso é algo que não esquecerá nos 1.605 quilómetros desta edição, que termina a 26 de Agosto em Lisboa. “É complicado. Levo uma época inteira a correr noutra equi-

pa, onde me estou a sentir muito bem, onde me estão a ajudar muito e confio plenamente neles. É óbvio que é esquisito não correr no Tavira, mas eu queria lutar por ganhar a quinta Volta e não podendo ser no Tavira tinha de ser noutro lado e o Carlos Pereira [director da Efapel-Glassdrive] deu-me uma oportunidade”, agradeceu. Para o espanhol “mais português” do pelotão, de 37 anos, “o importante é participar e tentar ganhar”, no entanto, se não estiver à altura de o fazer trabalhará para um dos seus colegas, todos eles com currículos de luxo.


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terça-feira 14.8.2012

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB ICE AGE 4: CONTINENTAL DRIFT [3D] [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Steve Martino, Mike Thurrneier 19.30

THE DARK NIGHT RISES [B] THE BOURNE LEGACY

Um filme de: Christopher Nolan Com: Christian Bale, Anne Hathaway, Gary Oldman, Liam Neeson 21.15

SALA 1

SALA 3

Um filme de: Tony Gilroy Com: Jeremy Renner, Rachel Weisz 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Um filme de: Len Wiseman Com: Colin Farrell, Kate Beckinsale, Jessica Biel, Bill Nighy 14.30, 19.30, 21.30

THE BOURNE LEGACY [B]

SALA 2

BRAVE [3D] [B]

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Mark Andrews, Brenda Chapman 14.15, 16.00, 17.45

TOTAL RECALL [C]

DORAEMON NOBITA AND THE ISLAND OF MIRACLES ANIMAL ADVENTURE [A]

Aqui há gato

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Kôzô Kusuba 16.30

VERTICAIS: 1-Apertta com laçada. O m. q. galveta. 2-Nordeste (abrev.). Proprietários, senhores. Rio de França. 3-Relativo à orquite. 4-Umas (Arc.). Rabino. 5-Alces, ergas. Casaco comprido, desportivo, impermeável e com capuz (pl.). 6-Imensidão (Fig.). Nota musical (pl.). Letra grega. 7-Dar cor de anil. 6-Género típico das aceráceas. 8-Deixe para outro dia. O m. q. Alna. 9-Que tem todas as formas conhecidas. 10-Sigla automobilística da URSS. Desterrrava. Amerício (s.q.) 11-Que se impôs. Remoinho de água (Prov.).

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Sem nome, não assinada. Segurei com a mão. 2-Estar na idade de. Prisão, xadrez (Gír.). Inseparável. 3-Caro, prezado. 4-Numeral. Fímbria, rebordo exterior. 5-Apelido. O trabalho do toureiro, lide (pl.). 6-Antiquado (abrev.). Um casal. Interior (abrev.). 7-Mulheres de cabelos loiros. Aguço. 8-Nome de homem. Mulher pequena, anã. 9-Desvairar. 10-Basta!. Embarcação de recreio. Dificilmente, apenas. 11-Substância tintorial usada na India. Ave pernalta da América do Sul também conhecida por seriema.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:45 18:30 19:35 20:30 21:00 21:30 22:10 23:00 23:30 00:00 00:30

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO TDM Desporto (Repetição) Resistirei Telejornal TDM Entrevista Linha da Frente Maysa TDM News Kampung Portugis Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 O Meu Bairro 15:00 Sal na Língua 15:30 Cenas do Casamento - SIC 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Decisão Final 18:00 Vingança 18:45 Novas Direcções 19:00 AMMAIA 20:00 Jornal da Tarde 21:15 Há Volta: Apresentação da 74.ª Volta a Portugal em Bicicleta 30 - ESPN 12:30 15:30 16:00 16:30 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00 22:30 23:00

Stockholm Marathon World of Gymnastics 2012 Geico PBA Summer Shootout Senior Open Championship 2012 Day 1 (LIVE) Sportscenter Asia 2012 The Football Review Silk Way Rally 2012 - Highlights Day 1 - 2 KIA X Games Asia 2012 - Show 2 Sportscenter Asia 2012 The Football Review London 2012 Olympic Games Onc Highlights Day 1

31 - STAR Sports 13:00 SBK Superbike World Championship 2012 - Race 2 14:00 Thailand Open Day 1 17:00 V8 Supercars Championship Series 2012 18:00 MotoGP World Championship 2012 US Grand Prix 19:00 FIA World Touring Car Championship 2012 Highlights 19:30 Football Asia 2012/13 20:00 SBC Asian 5 Nations Rugby 2012 21:00 FIA World Touring Car Championship 2012 Highlights 21:30 (Delay) Score Tonight 2012 22:00 World of Gymnastics 2012 22:30 MotoGP World Championship 2012 US Grand Prix 23:30 SBK Superbike World Championship 2012 Highlights 40 - FOX Movies 12:30 Gulliver’S Travels 14:00 Maid In Manhattan 15:50 Open Season 17:20 Mighty Joe Young 19:15 Prom 21:00 Love & Other Drugs 22:45 Win Win 00:35 Letters To Juliet 41 - HBO 12:00 A Few Good Men 14:20 Hop 16:00 Pay It Forward 18:25 For Your Eyes Only 20:35 Yogi Bear 22:00 The Adjustment Bureau 23:45 True Blood 00:50 Lost Souls 42 - Cinemax 11:55 The Book Of Eli 14:00 The Road Warrior 16:00 The Double Man 17:50 Godzilla 20:15 Single White Female 22:00 Mad Max 23:30 The Road Warrior

HORIZONTAIS:1-ANONIMA. ASI. 2-TER. CANA. UM. 3-A. QUERIDO. P. 4-DUAS. LIMBO. 5-GOIS. FAENAS. 6-ANT. PAR. INT. 7-LOIRAS. AFIO. 8-OSCAR. ANOA. 9-E. OBCECAR. 0 10-TA. IATE. MAL. AAL. SARIEMA. VERTICAIS:1-ATA. GALOETA. 2-NE. DONOS. AA. ORQUITICO. L. 4-N. UAS. RABI. 5-ICES. PARCAS. 6-MAR. FAS. ETA. 7-ANILAR. ACER. 8-ADIE. ANA. I. 9-A. OMNIFORME. 10-SU. BANIA. AM. 11-IMPOSTO. OLA.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A MULHER CERTA • Sándor Márai

Em Budapeste uma mulher conta a uma amiga como descobriu o adultério do seu marido. Por outro lado, um homem confessa a um amigo como abandonou a sua mulher por outra, e uma terceira mulher revela ao seu amante como se casou com um homem endinheirado para sair da pobreza. Três vozes, três pontos de vista, três sensibilidades diferentes desvendam uma história de paixão, mentiras e crueldade.

1808 • Laurentino Gomes

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de Portugal ou de qualquer outro país europeu. Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita – muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a ser tratados como uma simples colónia de Portugal. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

AÍ ESTÃO OS ASTRONAUTAS Chegaram ao fim os Jogos Olímpicos com a China a perder o gás nos últimos dias e a ser categoricamente ultrapassada pelos EUA. Portugal venceu apenas uma medalhinha de prata. Mais tarde os medalhistas chineses visitam Macau e Hong Kong para mostrar o “heroísmo” da Nação chinesa, qual bacoco momento. Para já estão aí os astronautas. Sei pouco sobre temas espaciais mas estou ansioso por ver os “heróis” chineses. Contudo faz-me muita confusão esta emoção pela glória nacional. Será que os residentes de Macau estão interessados nestas visitas vindas do Continente? “Não, não tenho interesse algum. Para mim é mais importante obter as notas de 100 patacas junto do Banco da China”, respondeu um homem que uma das jornalistas do Hoje Macau entrevistou na rua. Mas que tristeza de resposta. Até podia não ter interesse na visita dos astronautas mas daí a dizer que tem mais interesse no guito do BOC??? O espectáculo de boas-vindas dos astronautas esteve aberto à populaça mas, na verdade, quem esteve presente foram as crianças e os adolescentes. Talvez obrigados a isso. A restante população está a trabalhar ou terá outros interesses. “Tirei o bilhete para o meu filho, disse que queria ver os astronautas”, explicou uma mãe à jornalista do Hoje Macau. Mas afinal o que é isto de “herói nacional”? Lembro-me outra vez dos Jogos Olímpicos e da prestação de Liu Xiang. Em tempos foi considerado um desses “heróis” mas este ano a sua prestação foi, no mínimo, caricata. Foi operado, estava com expectativas nos 110 metros barreiras mas falhou. Caiu, caiu e voltou a cair. No fim, ainda beijou a barreira como que em jeito de despedida. “Se não te venço, será melhor desistir”, terá pensado. Na verdade, os asiáticos nunca tiveram grandes prestações no atletismo e Liu Xiang foi um diamante encontrado no deserto. Seja como for, acabou. Oxalá os astronautas não tenham o mesmo fim, mas haverá um dia em que tudo acaba. Hoje “heróis”, amanhã esquecidos. Tudo em prol da grande obra nacional. Miau...

Pu Yi


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Helder Fernando

à flor da pele

O truque pouco olímpico das argolas

M

AIS uma edição dos ainda chamados Jogos Olímpicos de Verão que da cidade de Olímpia pouco ou nada guardam. Por um lado, felizmente; nos Jogos do tempo da Grécia antiga não entravam mulheres nem estrangeiros. Por outro lado, tinham algumas situações talvez pontualmente recomendáveis: quem quisesse podia competir sem roupa, cantava-se enquanto se disputavam vitórias e medalhas não havia. Mas ornamentavam-se as cabeças dos campeões com folhas de louro, levavam para casa umas boas tijelas de azeite de oliveira e ficavam com direito a comer e a beber sem pagar pelo resto da vida. Até que a chegada do Cristianismo veio acabar com estas olímpicas frescuras. O início destes JO de Londres foi péssimo, como o leitor se recorda: aquele jogo de futebol feminino entre as Selecções da Colômbia e da Coreia do Norte. A bandeira que apareceu projectada nos ecrãs do estádio era a da Coreia do Sul. As atletas abandonaram o relvado e o jogo quase não aconteceu. Sendo realmente uma bem montada sucessão de espectáculos, alguns deles mais ou menos desportivos, e apresentando muito de

cartoon por Steff

determinada elite do desporto mundial, a sua evolução até ao século 21 vem fornecendo alterações que arrasam éticas, verdades e princípios. Desde logo, a já velha exploração infantil mostrando crianças com 15 anos de idade sofrendo horrores a levantar pesos, outras contorcendo-se em piruetas fenomenais, outras ainda quase rebentando os pulmões a nadar desabridamente, tudo eventualmente muito artístico e emocionante. Com os olhos fixos na guerra das medalhas. Colocar crianças, por mais dotadas que sejam, competindo com adultos, desportistas profissionais, muitos deles recordistas mundiais já com anos de formação desportiva, devia ser considerado crime. Não foram criados os denominados Jogos Olímpicos da Juventude destinados a atletas com idades entre os 14 e os 18? O que faz correr loucamente toda esta gente bem instalada à sombra dos orçamentos inenarráveis dos JO? Porventura, exactamente esses orçamentos. Respeito as emoções, os furores patrióticos, os belos momentos de competição, o trabalho valoroso de milhares de pessoas, mas não me comovo muito sabendo, claro que mesmo ao de leve, das monstruosidades que existem nos bastidores das Olimpíadas do grande negócio internacional. Um dia

Respeito as emoções, os furores patrióticos, os belos momentos de competição, o trabalho valoroso de milhares de pessoas, mas não me comovo muito sabendo, claro que mesmo ao de leve, das monstruosidades que existem nos bastidores das Olimpíadas do grande negócio internacional

VEMO-NOS NO RIO

ainda entram submarinos nesta história olímpica da era ultramoderna. Em Londres, nas duas semanas do JO, houve manifestações abafadas, manifestantes pacíficos foram presos. Pessoas que, por direito próprio, questionaram a vassalagem feita aos patrocinadores, afinal donos e senhores de quase tudo quanto se passava. Um exemplo: A Dow Chemical (repartida por um sem número de artigos e empresas), a mesma que fabricou napalm para a guerra no Vietname e para a guerra colonial portuguesa, foi a grande patrocinadora destes JO - e já tem contrato para os Jogos no Rio - é a mesma empresa de químicos que comprou a Union Carbide, a fábrica de pesticidas responsável, há 28 anos, por uma das maiores catástrofes ambientais da humanidade - Bhopal, norte da Índia, 120 mil pessoas contaminadas por lançamento de 27 toneladas de gás tóxico (isocianato de metila). Os chamados “filhos de Bhopal” nasceram com deformidades. Em Strattford, o local da Cidade Olímpica, ter-se-á, segundo relatos publicados na imprensa internacional incluindo a britânica, um verdadeiro paraíso fiscal. A McDonald´s e a Visa foram autorizados a monopolizar as suas áreas de mercado. A troco da isenção fiscal, O Comité Olímpico Britânico, dirigido pelo devoto militante do Partido Conservador, Sebastian Coe, obteve luz verde do Comité Olímpico Internacional para realizar os JO 2012 com sede em Londres. Lá se foram as políticas de austeridade num ambiente de gravíssima recessão que a Grã-Bretanha enfrenta, dissolvidas nas isenções de taxas às grandes multinacionais. Alguém, já se sabe quem, vai ser obrigado a pagar o contraponto de todas estas jogadas. Enquanto a pobreza é crescente na população da Grã-Bretanha. Vários jornais de língua inglesa, mas não somente, publicaram reportagens feitas pelos seus jornalistas no Camboja, na Indonésia e em outros países, onde foi construído equipamento desportivo a troco de pagamentos miseráveis e carga horária próxima da escravatura, como é prática antiga nesses locais. No entanto, em patrocínios e direitos de imagem para televisões, Londres arrecadou mais de 4 biliões de US dólares. Korebus, o primeiro campeão olímpico, de quem se fala ter sido simultaneamente um óptimo cozinheiro, se tivesse passado por Londres nestas duas últimas semanas, o mais certo seria correr ainda mais depressa do que fez no tempo em que se podia correr sem sapatilhas de marca. Durante as duas multimilionárias semanas olímpicas os donos do mundo não deixaram de impulsionar guerras, milhões de pessoas continuaram com fome e outras tantas tombando por isso. Outros enriqueceram ainda mais, através daquele truque das argolas.


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Pedro Correia

TERÇA, 7 Há um ano não faltavam comentadores que vaticinavam os piores cenários ao Egipto pós-Mubarak, à Tunísia pós-Ben Ali e à Líbia pós-Kadafi. As opiniões, aliás, dividiam-se: os catastrofistas à direita traçavam os piores vaticínios relativamente ao Egipto e à Tunísia, enquanto à esquerda esses maus augúrios visavam sobretudo a Líbia, talvez por haver quem ainda considerasse Muammar Kadafi um “farol do socialismo”. Lamentavelmente para tais Velhos do Restelo, sempre prontos a sustentar cenários de “pulso forte” destinados a impor disciplina à força a povos geneticamente impreparados para viver em sistemas democráticos, nada disso sucedeu. A Tunísia vive hoje em normalidade democrática, como nunca antes viveu antes ou depois da independência, em 1957. A Líbia teve já o seu processo eleitoral, que decorreu com inteira normalidade. E o Egipto, apesar das dificuldades registadas, nunca teve instituições tão escrutinadas e tão próximas da vontade popular como agora. A Síria dominada há 40 anos pela tenebrosa ditadura da família Assad agora em vias de desagregação seguirá o mesmo caminho, não tenho dúvida. Há quem contemple com assinalável cinismo a revolta popular em curso contra o despótico regime sírio, salientando que vai seguir-se apenas uma “mudança de turno” em Damasco. Não posso discordar mais: substituir um ditador por estruturas políticas resultantes do voto popular não é mera “mudança de turno”. Esse raciocínio levar-nos-ia a concluir que entre Marcelo Caetano e o actual regime português houve apenas uma “mudança de turno”, o que não corresponde de todo à verdade. QUARTA, 8 O progresso. Se há palavra

malbaratada, desvirtuada, pervertida, vilipendiada é a palavra progresso – sempre pronta a ser usada e abusada por todos os vendedores de ilusões. Alguns dos maiores torcionários de que há memória usaram-na em discursos e até em livros. Em nome do progresso, matou-se e torturou-se. Sob a bandeira do progresso, o homem é constantemente empurrado com excessiva frequência de regresso às cavernas. Invoca-se o progresso como se fosse um dogma, pratica-se o retrocesso como se fosse inevitável. Nada há de tão perverso na política como esta novilíngua destinada a iludir as mais legítimas aspirações dos povos. Danton, um dos próceres da Revolução Francesa, chegou a enaltecer a guilhotina como conquista civilizacional e símbolo de um futuro radioso. “O verbo ‘guilhotinar’, notai, não se pode conjugar no passado. Não se diz: ‘Fui guilhotinado’.” Palavras proferidas na véspera da sua morte, a 5 de Abril de 1794: foi vítima da guilhotina, na sequência de uma conspira-

Substituir um ditador por estruturas políticas resultantes do voto popular não é mera “mudança de turno”. Esse raciocínio levar-nos-ia a concluir que entre Marcelo Caetano e o actual regime português houve apenas uma “mudança de turno”, o que não corresponde de todo à verdade ção liderada por Saint-Just, que costumava proclamar: “ninguém pode governar inocentemente”. Provavelmente tinha razão: o próprio Saint-Just viria a ser executado a 28 de Julho, com apenas 26 anos, acusado de ser “inimigo do povo”. De nada lhe valera o brilhantismo das suas intervenções enquanto mais jovem deputado eleito para a Convenção Nacional. Foi a primeira revolução de grande envergadura a devorar os seus filhos – e esteve muito longe de ser a última. Porque nenhum discurso inflamado por cartilhas partidárias é capaz de alterar a natureza humana. QUINTA, 9 Alguém ainda se lembra do nouveau roman? Certas correntes estéticas surgem no mercado ao som de torrentes de propaganda proclamando-se sempre novas embora já tresandem a velhas. É minha convicção firme que foi isso mesmo que sucedeu com o nouveau roman: novo apenas no rótulo e nas estratégias de marketing literário de que se rodeou, no final dos anos 50, quando a França dava – ainda sem saber – aqueles que seriam os seus últimos passos como po-

tência quase hegemónica no plano cultural. Eram pouco legíveis, essas obras que se propunham “revolucionar” a literatura. Na estética, tal como na política, ponho as maiores reservas às teses revolucionárias: é sempre preferível a evolução à revolução. Basta ver o que sucedeu na China de Mao durante a autoproclamada Revolução Cultural, que fez tábua rasa de tudo quanto cheirasse a “antigo”: foram destruídos templos, palácios, monumentos de todo o género, para instaurar uma pretensa “cultura popular” expurgada de todo o vínculo ao passado. Este pesadelo durou apenas uma década, mas deixou estragos ainda visíveis na milenar cultura chinesa. Também o nouveau roman prometia revolucionar – neste caso, a literatura. Abolir as estruturas narrativas tradicionais, a sequência cronológica em capítulos, a pontuação convencional, o clássico desfile de personagens, a presença de um narrador omnisciente. Punha-se fim à trama, ao enredo, ao suspense – considerados artifícios destinados a distrair o leitor do que realmente interessava: a linguagem, assumido objecti-

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caderno diário vo central. O equivalente em cinema a um filme tão “seminal” (linguagem de certa crítica daquela época) e tão incompreensível como “O Ano Passado em Marienbad” (1961), de Alain Resnais, com argumento de Alain Robbe-Grillet. Não por acaso, este argumentista era também o principal mentor do  nouveau roman. À luz desta corrente estética, todas as artes se equivaliam, todas eram intermutáveis. Em Portugal, as novidades chegam sempre com bastante atraso. Mas neste caso nem aconteceu assim: em 1962 já tinha aparecido o Robbe-Grillet português. Chamava-se Almeida Faria, um jovem prontamente celebrado como um dos maiores expoentes de sempre da literatura portuguesa. Tinha um livro, intitulado “Rumor Branco”, que foi recebido com fumos de genialidade. Novo Romance. Assim mesmo, em maiúscula. Eu não sou dessa época, mas quase 20 anos depois, já o nouveau roman estava “gloriosamente empalhado” (tomo de empréstimo a justa farpa que Alexandre O’Neill dirigiu ao surrealismo em devido tempo), interessei-me por esse autor que parecia ter emigrado para uma ilha deserta: cedo celebrado, cedo lançado ao ostracismo. Um dos meus escritores favoritos, Vergílio Ferreira, referia-se sempre a ele com indisfarçável admiração, prova de que era um escritor muito generoso (fez o mesmo, por exemplo, com Lídia Jorge em 1980 por ocasião do lançamento do primeiro livro desta escritora, “O Dia dos Prodígios”). Descobri o “Rumor Branco” numa feira do livro e trouxe-o de lá. Livro fininho, de escrita esparsa – até nisso a romper com o cânone do romance instituído no século XIX. Estava a preço de saldo, o que demonstra bem como são falíveis os ventos da moda. Já ninguém falava em nouveau roman nessa altura. Chegado a casa, abri-o com interesse antes de qualquer outro. Não sei bem de que estava à espera, mas não era daquilo: uma escrita fragmentada, aforística, que parecia nadar em seco e contemplar-se no seu próprio vazio. Li sem prazer duas dúzias de páginas e fiquei-me por aí. Há livros que se amam, outros que se admiram, uns poucos que se amam e se admiram em simultâneo. E há outros que nos deixam indiferentes: sucedeu-me isto com “Rumor Branco”. Creio aliás que Almeida Faria nunca ultrapassou o patamar de eterna promessa da literatura portuguesa. Não tem mal: aconteceu com muito boa gente. Ignoro o que é feito do livro. Talvez um dia o retome, talvez não. O Novo Romance sempre me pareceu velho.

SEXTA, 10 A frase da semana: “Não procuremos definições solenes para a liberdade. Ela resume-se a isto: responsabilidade.” (George Bernard Shaw)

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Nuno G. Pereira; Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Ministro da Defesa Aguiar-Branco fala do estado do país

“Portugal esteve à beira de um estampanço” O

ministro da Defesa, José Aguiar-Branco, lembrou ontem que é o “ministério da dívida” aquele que mais consome dinheiro e avisou que “há um ano Portugal esteve à beira de um estampanço” histórico devido ao perigo da bancarrota. Na cerimónia oficial das comemorações do dia do município de Gouveia, Aguiar-Branco lembrou a situação do país quando o seu Governo iniciou funções depois de o presidente da autarquia, Álvaro Amaro, lhe dizer que é urgente intervir para “evitar o estampanço” de Portugal. O autarca social-democrata, num longo discurso de mais de uma hora, apontou o dedo ao perigo que o país corre se nada for feito para parar a deterioração do interior do país, defendendo que “nada justifica que um empresário de Gouveia pague o mesmo IRC que outro de Lisboa”, porque “claramente existem dois países” onde o do litoral “tem melhores condições que o do interior”. Em resposta a esta inquietação do presidente da câmara de Gouveia e antigo secretário de Estado da Agricultura de Cavaco Silva, o ministro lembrou que agora “o primeiro dinheiro” do Estado português é para pagar a dívida e lembrou que em 2013 vão ser precisos mais de oitenta

mil milhões de patacas, “mais que o que gasta o Ministério da Saúde ou o da Educação”.

POBRE FILHA

Sublinhando que o Executivo tem “consciência das dificuldades”, juntando o exemplo da sua filha “que está à procura de emprego”, fez questão de apontar como obrigação “desta geração” criar condições para os mais novos tenham um futuro diferente. “A pergunta que devemos fazer é: que país estamos a construir para os nossos filhos?” - numa alusão à “vergonha” que esta geração de governantes devia ter, afirmando mesmo que “deviam corar de vergonha” com a taxa de desemprego entre os jovens e se não conseguir criar melhores condições para eles. E deixou um aviso: “Nenhum assobio, nenhuma manifestação organizada vai fazer o Governo desviar-se do caminho, do sentido de responsabilidade e consciência da missão de salvar Portugal”. “Nenhum ministro está num campeonato de popularidade, analisando sondagens e esquecendo o país”, advertiu ainda, antes de reafirmar que “há um ano o país estava à beira de um estampanço e hoje está-se a discutir a melhor forma de criar condições para desenvolver Portugal”.

terça-feira 14.8.2012


Hoje Macau 14 AGO 2012 #2672