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EDUMUNDO REMÉDIOS LAMEIRAS

Nº 4768

LINHAS DE HAIKU

SEXTA-FEIRA 14-5-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

GONÇALO M. TAVARES

VIDA COMO BRASA ANTÓNIO CABRITA

MOP$10

hoje macau

ABRIR CAMINHO VALÉRIO ROMÃO

MUSEU DO GP MACAU

UM ÍCONE A MENOS PÁGINA 6

PME’S

A VIDA É DURA ÚLTIMA

GALAXY

EVOLUÇÃO MISTA EXPRESSO

PÁGINA 7

EXPOSIÇÃO

TALENTOS ESCONDIDOS EVENTOS

JOSÉ PEDRO CASTANHEIRA

FONTES DA HISTÓRIA GRANDE PLANO

OPINIÃO

O FUTURO DE MACAU

PUB.

PAUL CHAN WAI CHI

À procura do norte

Embora já tenham alcançado resultados notáveis, o Laboratório de Referência da Cidade Inteligente e o Laboratório de Ciências Lunares e Planetárias, enfrentam agora outros desafios: encontrar um novo

rumo com vista à industrialização e à internacionalização para aproveitar as vantagens da Grande Baía. A avaliação foi feita por Pequim, cujos representantes estiveram em Macau nos últimos dias.

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EXPRESSO

A forte ligação profissional que uniu o tradutorintérprete Roque Choi ao jornalista de investigação José Pedro Castanheira foi recordada esta quarta-feira numa masterclass online promovida pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Castanheira diz “dever-lhe muito” e recordou o “silêncio total” que ainda permanecia sobre o 1,2,3 na década de 80

O HISTÓRIA

JORNALISTA JOSÉ PEDRO CASTANHEIRA RECORDA LIGAÇÃO COM ROQUE CHOI

“Uma fonte absolutamente excepcional”

jornalista de investigação português José Pedro Castanheira, autor de dois livros sobre Macau, recordou esta quarta-feira a ligação profissional intensa que desenvolveu com Roque Choi, que foi intérprete-tradutor de todos os governadores de Macau a partir dos anos 40, e até 1999, e uma importante figura nas comunidades portuguesa, chinesa e macaense. O diálogo aconteceu numa masterclass promovida pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, intitulada “Encontros de um repórter com Salazar”. “Ajudou-me muito a escrever a reportagem sobre o 1,2,3”, começou por dizer. “Quando estive em Macau, no final da Administração portuguesa, voltei a cruzar-me com Roque Choi que me confirmou a sua confiança e simpatia por mim.” Mas já antes, em 1987, José Pedro Castanheira se havia cruzado com ele, aquando de uma visita realizada ao território na qualidade de presidente do Sindicato de Jornalistas. “Quando ele apareceu foi, precisamente, como intérprete. Falei com os directores dos jornais chineses de Macau e foi ele que traduziu. Eu poderia ser filho dele, pois nasceu nos anos 20, respeitávamo-nos e tivemos uma colaboração magnífica. Foi uma fonte absolutamente excepcional. Todo o meu trabalho sobre Macau tem a impressão digital do senhor Roque Choi.” Para escrever o livro sobre o 1,2,3, intitulado “Os 58 dias que abalaram Macau”, José Pedro

Castanheira conseguiu também outro acesso valioso a fontes documentais. “O Arquivo Histórico-Diplomático [em Lisboa] desclassificou a meu pedido toda a correspondência entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa e o Governador de Macau dessa época. É uma documentação riquíssima.” Roque Choi, que esteve “no centro do furacão”, uma vez que “todos os segredos passaram por ele”, voltaria a cruzar-se com Castanheira nos anos 90, quando deu uma longa e talvez a última entrevista, publicada na íntegra anos mais tarde no livro “Roque Choi - Um homem, dois sistemas”, de Cecília Jorge e Rogério Beltrão Coelho. “Acabou por me dar uma longuíssima entrevista de dezenas de horas no seu gabinete do banco, de que era administrador, e através da conversa e da sua vida fui capaz de reconstituir a vida de Macau e da Administração portuguesa, e das relações com o poder político em Pequim. Foi um privilégio inacreditável ter tido acesso a essa fonte, que é única. É a melhor fonte sobre a história de Macau dos últimos 50 anos, não tenho qualquer dúvida.”

“Silêncio” sobre o 1,2,3

José Pedro Castanheira recordou ainda que, aquando da sua pri-

“Falaram-me logo de uma coisa chamada 1,2,3 que achei estranhíssima, um nome de código.”


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“Rosa Casaco, quando me deu a entrevista, calculou muito bem o timing. Percebi que ele fez as contas e considerou que em 1998, quando me deu a entrevista, em Fevereiro, prescrevia a pena pela qual tinha sido condenado.”

meira visita ao território, ouviu falar do 1,2,3, mas havia ainda muito por dizer e explorar, em 1987. “Falaram-me logo de uma coisa chamada 1,2,3 que achei estranhíssima, um nome de código.

E depois explicaram-me que era o nome conhecido dos reflexos da Revolução Cultural em Macau.” “Havia um silêncio total sobre o 1,2,3. As pessoas tinham vergonha, medo de falar nisso. Achei isso tão

estranho que prometi a mim mesmo que a próxima vez que fosse a Macau haveria de tentar encontrar pistas e fontes que me iriam levar a perceber o que se tinha passado nesse mês de Dezembro de 1966 que se prolongou até Março e Abril de 1967, mas em Hong Kong”, recordou ainda.

Confiança de Rosa Casaco

Roque Choi

Na mesma masterclass, o jornalista, que começou a exercer em 1974 e é jornalista do semanário Expresso desde 1989, lembrou ainda a sua entrevista a Rosa Casaco, o agente da PIDE [polícia política do tempo do Estado Novo] responsável pelo assassinato do general Humberto Delgado, candidato à Presidência da República em 1958 e que disse, caso fosse eleito, que demitiria Salazar, então presidente do Conselho. Essa conversa, publicada na revista do Expresso em 1998, é fundamental pela “importância que tem na nossa memória colectiva do assassinato do general Humberto Delgado”, tido como “o maior crime pessoal e político cometido pela ditadura em território continental português”. Nas ex-colónias portuguesas, “o maior crime cometido foi o do assassinato de Amílcar Cabral”, apontou Castanheira. “Tive sorte”, respondeu quando questionado como conseguiu a entrevista com Rosa Casaco, que à data tinha sido condenado, à revelia, a oito anos de prisão. “Tenho tido acesso a muitas boas fontes e no caso particular do Rosa Casaco tive acesso a uma que resultou. Tentei usar várias, lancei o anzol, e tive a sorte de uma delas

morder o isco. E revelou-se de uma tremenda eficácia, pois levou-me directamente ao Rosa Casaco. Era uma pessoa muito próxima dele que merecia a confiança.” O jornalista recorda que teve de esperar dois anos até estar frente a frente com Rosa Casaco. “A fase final foi de intensas negociações, porque o Rosa Casaco impôs uma série de condições, por escrito, mandou-me um documento que ainda guardo e tenciono usá-lo quando escrever as minhas memórias como repórter, porque tem mais de 20 páginas. Inclusivamente é engraçado porque é um documento onde assina todas as páginas autenticando, e a última página tem a sua assinatura e impressão digital.” Com a confiança a aumentar, Rosa Casaco acabaria por se deixar fotografar, condição que inicialmente recusou. “A entrevista foi publicada com uma série de fotografias do próprio Rosa Casaco junto à Torre de Belém, feitas pelo meu colega Luís Carvalho.” José Pedro Castanheira não tem dúvidas de que esta entrevista

“Foi um privilégio inacreditável ter tido acesso a essa fonte, que é única. É a melhor fonte sobre a história de Macau dos últimos 50 anos, não tenho qualquer dúvida.” SOBRE ROQUE CHOI

foi dada com o intuito de passar uma clara mensagem. “Na nossa gíria, como costumamos dizer, não há entrevistas grátis. Durante muitos anos achava que sim, hoje não tenho ilusões. Mas só percebi a intenção dele depois da entrevista. Rosa Casaco, quando me deu a entrevista, calculou muito bem o timing. Percebi que ele fez as contas e considerou que em 1998, quando me deu a entrevista, em Fevereiro, prescrevia a pena pela qual tinha sido condenado. Ele apostou forte nisso e nesse momento pensou que já podia falar e ajustar contas com a democracia. A entrevista foi uma tentativa de ajuste de contas com a democracia.” “Tentei convencer o Luís Carvalho a fazer as fotografias junto à sede da PIDE, mas o Rosa Casaco preferiu que essas fotografias fossem feitas na Torre de Belém e tiveram muito mais impacto. A ideia era vingar-se da democracia e humilhar a Polícia Judiciária e a Interpol, pois havia um mandato de captura. Ele acabaria por ter razão, porque houve depois uma pugna judicial que foi até ao Supremo Tribunal de Justiça. Posteriormente o Tribunal Constitucional foi chamado a intervir, e o último acordão do TC considerou que a pena de Rosa Casaco havia caducado. Ele podia estar em Portugal”, rematou Castanheira. Ainda sobre as diferenças do aparelho censório entre os períodos em que Salazar e Marcelo Caetano estiveram no poder, José Pedro Castanheira não tem dúvidas de que houve uma mudança. “É inquestionável que houve uma grande descompressão por parte da censura, sobretudo a partir do momento em que Marcelo Caetano toma posse. Até à posse de Caetano era tudo controlado à minúcia, ao segundo, à palavra. É o próprio secretário de Estado [Paulo Rodrigues] que tutela a censura que dá a notícia da morte de Salazar e é ele que leva o comunicado oficial à Emissora Nacional para ser lido pelo locutor de serviço. E antes de passar o comunicado para as mãos dele, o Paulo Rodrigues decide fazer ainda mais uma alteração no comunicado”, exemplificou. Andreia Sofia Silva


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4 DE JUNHO ESPAÇOS QUE IMPEDIRAM EXPOSIÇÃO OCUPADOS PELO PRÓPRIO IAM

nos vários metros quadrados que estão desocupados nos diferentes espaços, não há lugar para a exposição negada. “O IAM aprovou a exibição destes cartazes superficiais, decidindo que a exposição de fotografias não podia acontecer por falta de espaço. Como é que as pessoas não estão convencidas?”, disse com ironia.

Os 17 espaços recusados pelo IAM para a exposição fotográfica sobre o massacre de Tiananmen foram ocupados pelo próprio organismo com a exibição de cartazes sobre gestão de casas de banho públicas, prevenção da pandemia e campanhas de limpeza. Scott Chiang não compreende porque não é possível organizar, em simultâneo, mais uma exposição de fotografias

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EPOIS de ter afirmado que todos os 17 espaços sugeridos pela União para o Desenvolvimento Democrático para a exposição fotográfica sobre o massacre de Tiananmen estavam destinados “por outras associações e instituições para a realização de actividades”, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) é afinal o único promotor dos eventos que levaram a que exposição alusiva ao 4 de Junho fosse recusada. A confirmação foi feita por Scott Chiang, ex-presidente da Associação Novo Macau e possível candidato às próximas eleições legislativas, através de uma publicação no Facebook onde partilha o périplo que fez pelos referidos espaços. Para Scott Chiang, apesar de efectivamente 90 por cento dos espaços estarem a ser utilizados,

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Governo afasta a possibilidade de tornar a importunação verbal crime, pelo menos para já. A resposta foi avançada por Liu Dexue, director dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), e a posição é tomada com base nas discussões de 2017, entre o Governo e a Assembleia Legislativa, ou seja, na última vez que se reviu a legislação que criminaliza crimes sexuais. A deputada Wong Kit Cheng tinha questionado o Governo, através de uma interpelação escrita, sobre se o Executivo tinha intenção de criminalizar o piropo. A

não é compreensível que a exposição alusiva ao 4 de Junho tenha sido recusada, tendo em conta, sobretudo, que os eventos que estão a decorrer abordam temáticas como a gestão de casas de banho públicas, a prevenção da pandemia e campanhas de limpeza. “Com um total de 17 espaços ocupados ao longo de vários dias e em diferentes horários, será que existem actividades assim tão importantes que resultem no total impedimento de organizar uma exposição de fotografias? Assim que cheguei, verifiquei que 90 por cento dos espaços estavam, de facto, ocupados com actividades. Que tipo de instituição está a organizá-las? O IAM”, lê-se na publicação. Scott Chiang afirma ainda que “não tem problemas” com a exibição dos cartazes do IAM, mas não compreende como é que

FOTOS NOVO MACAU

Sem lugar para mais

Espaço de manobra

Scott Chiang “Será que existem actividades assim tão importantes que resultem no total impedimento de organizar uma exposição de fotografias?”

No princípio era o verbo

Governo recusa actualizar leis de crimes sexuais contra menores

resposta surgiu agora, e foi divulgada ontem pelo escritório da deputada ligada à Associação das Mulheres. “No que diz respeito aos actos de importunação verbal, o Governo e a Assembleia Legislativa, durante a apreciação da Proposta de Lei acima referida, discutiram de forma abrangente este assunto e tomaram como referência o regime de outros países e regiões nesta área, nos quais, geralmente, o acto de

importunação verbal é tratado de forma não penal”, começou por explicar Liu Dexue. Além da comparação com outras jurisdições, o Governo acredita ainda que o crime de injúria permite que qualquer pessoa incorra em responsabilidade criminal “sempre que o acto de importunação verbal corresponda às disposições relativas ao crime de injúria”. Este crime é punido com uma pena que pode chegar aos três

meses de prisão ou 120 dias de multa. “Assim sendo, os actos de importunação verbal não foram incluídos no ‘crime de importunação sexual’ em vigor, nem foram consideradas, nesta fase, quaisquer alterações”, é igualmente justificado.

Menores cada vez maiores

No que diz respeito às acções de luta contra os crimes sexuais que envolvem menores, Liu Dexue defendeu que o

Executivo “tem prestado atenção à protecção dos direitos e interesses dos menores” e por isso foram criados em 2017 dois novos tipos de crimes: “recurso à prostituição de menor” e “pornografia de menor”. Ao mesmo, tempo foram agravadas as penas como efeito dissuasor, com a idade em que se consideram os envolvidos a subir de menos de 14 anos para menos de 16 anos. Face a estes motivos, Liu Dexue justifica que as leis actuais precisam de estar mais tempo em vigor, para se analisar a necessidade de novas alterações. J.S.F.

Recorde-se que, pelo segundo ano consecutivo, o IAM voltou a não autorizar a iniciativa da União para o Desenvolvimento Democrático, alegando que o espaço escolhido para o efeito, o jardim do mercado do Iao Hon, já estava reservado por outras associações, assim como os restantes 16 locais sugeridos. A informação foi divulgada no Facebook por Au Kam San, deputado e membro da associação, que estendeu o pedido a nove espaços e oito suplentes. No entanto, o IAM recusou também a proposta apresentada para estes locais. O presidente do IAM José Tavares afirmou ao jornal Ponto Final que a exposição foi recusada porque “estava tudo ocupado”. Questionado sobre quais os eventos planeados para as datas em questão, José Tavares limitou-se a responder: “São vários, já não sei. São tantos eventos que eu não sei”. O HM entrou ontem em contacto com o presidente do IAM José Tavares para confirmar que o organismo era o único promotor das actividades a decorrer nos espaços, mas o responsável não se mostrou disponível para prestar esclarecimentos, por motivos pessoais. A mesma questão foi ontem dirigida aos serviços do IAM, que referiram não ter informações para dar de momento. Pedro Arede

com Nunu Wu

Patriotismo Exposição sobre segurança nacional em exibição até domingo A “Exposição de Educação sobre a Segurança Nacional” vai estar patente ao público até domingo, depois de ter sido inaugurada a 15 de Abril com a presença dos mais altos dirigentes da RAEM. Com a organização conjunta do Governo e do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, a exposição foi apreciada por mais de 35.900 pessoas, entre visitas de escolas, associações e serviços públicos. A edição deste ano centra-se na forma como a defesa da segurança nacional

garante a implementação estável e duradoura do princípio “Um País, Dois Sistemas”. Além disso, segundo o Gabinete de Comunicação Social, são também apresentados exemplos do fantástico trabalho que o Governo tem feito na estabilização da economia e assegurar a qualidade de vida da população. A exposição está patente no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, das 10h às 20h, com entrada gratuita.


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CIÊNCIA PEQUIM ACHA QUE LABORATÓRIO DE REFERÊNCIA TOMA RUMO CONFUSO

Não há bela sem senão

Após avaliação de dois dias, o Ministério da Ciência e Tecnologia da China considera que o Laboratório de Referência dedicado à cidade inteligente obteve “resultados notáveis”, embora considere o rumo de desenvolvimento “um pouco confuso”. Sobre o Laboratório de Ciências Lunares e Planetárias, o único do género em toda a China, o desafio é a internacionalização

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UNTAMENTE com o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT), os representantes do Departamento de Investigação Básica do Ministério da Ciência e Tecnologia da China, vieram a Macau avaliar o trabalho dos laboratórios de referência estatal dedicados à internet das coisas da cidade inteligente (UM) e às ciências lunares e planetárias (MUST). Ontem, durante a apresentação dos relatórios de avaliação, Guan Xiaohong, chefe do grupo de especialistas responsável pela avaliação do Laboratório de Referência do Estado da Internet das Coisas da Cidade Inteligente, apontou que o organismo “obteve resultados notáveis” na resolução dos “problemas” gerados pelo desenvolvimento de Macau, nomeadamente ao nível da implementação de “novas tecnologias” de rede electrónica e padrões de transporte. No entanto, ficaram também algumas críticas e sugestões. “Consideramos que o laboratório tem um posicionamento muito claro, mas que as direcções de desenvolvimento são um pouco confusas. O laboratório já obteve algum sucesso e vai avançar para a industrialização, mas, neste momento, ainda não sabe de que forma será integrada. A escala do laboratório não é suficiente e precisa de se expandir”, transmitiu o responsável, acrescentado ainda que deve procurar capitalizar com vantagens oferecidas pela Grande Baía, a internacionalização de Macau e o princípio “Um País, Dois Sistemas”. Segundo Guan Xiaohong o azimute passa por concretizar a investigação desenvolvida e reforçar a formação de profissionais especializados.

Pedro Arede

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Em resposta, Song Yonghua, chefe do Laboratório de Referência assumiu que será feito “um melhor trabalho de ligação interdisciplinar nas áreas de pesquisa científica”, reafirmando que a cidade inteligente

“O laboratório [da internet das coisas da cidade inteligente] tem um posicionamento muito claro, mas as direcções de desenvolvimento são um pouco confusas.” GUAN XIAOHONG ESPECIALISTA RESPONSÁVEL PELA AVALIAÇÃO

faz parte, não só da estratégia nacional, mas também do desenvolvimento de Macau. Foi ainda referido que o laboratório contribuiu para a elaboração do Plano Director e que no futuro, será feita uma maior aposta ao nível do fornecimento de “energia limpa”, sobretudo na eólica.

De Macau para o Universo

Acerca do Laboratório de Referência de Estado para a Ciência Lunar e Planetária, Hong Xiaoyu, Chefe do grupo de especialistas responsável pela avaliação frisou a importância do laboratório localizado na MUST para o projecto de exploração espacial da China, enaltecendo as suas características “únicas” a nível nacional, o trabalho de desenvolvido

DSEDJ GARANTIDAS VAGAS SUFICIENTES NAS UNIVERSIDADES LOCAIS

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S Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) asseguram que há vagas nas universidades locais para os cerca de quatro mil alunos que vão entrar no Ensino Superior este ano. A garantia foi deixada pelo subdirector da DSEDJ, Teng Sio Hong, em resposta a interpelação de Lam Lon Wai,

e ainda as vantagens que Macau oferece para “abrir janelas” a nível internacional. Como principais metas, o relatório aponta a “necessidade de formar quadros qualificados e atrair talentos”, o apetrechamento de equipamento de ponta e a criação de planos a médio e longo prazo para que as investigações tenham um maior alcance. À margem do evento, o Chefe do Laboratório de Referência de Estado para a Ciência Lunar e Planetária, Zhang Keke, mostrou-se satisfeito com os resultados da avaliação, embora considere que atrair talentos de topo ou produzi-los localmente “não é fácil”. “Se queremos ter um centro de pesquisa de topo a nível internacional precisamos de cientistas de topo mundial. Para atrair estes cientistas é preciso dar os incentivos necessários, mesmo a nível financeiro”, referiu. Por seu turno, o investigador português que lidera a equipa de astrobiologia do laboratório, André Antunes, sublinhou que “é muito importante ter superado a prova da avaliação”, que foi “muito positiva”. Sobre o artigo destacado em 2020 pela revista Nature do qual é co-autor, e que vem referido no relatório, o investigador considerou que é “muito importante para colocar Macau como ponto focal das actividades da astrobiologia para toda a China e como referência a nível global”. Acerca da contratação de quadros altamente qualificados, André Antunes lamentou a burocracia processual que não facilita a entrada mais célere de talentos em Macau.

deputado dos Operários, que se mostrava preocupado com a possível subida da procura, devido à pandemia. “Mesmo que, em resultado da epidemia, aumentem os alunos que optam por estudar em Macau, as dez instituições de ensino superior de Macau, especialmente as públicas, têm vagas suficientes para

os estudantes locais”, escreve Teng. Quanto ao número de alunos que se espera que concorram às vagas, o subdirector da DSEDJ aponta que devem ser cerca de 4.00. “Nos últimos anos, o número médio anual de alunos que concluem o ensino secundário complementar, em Macau, é de cerca de 4.000, e aproxima-

damente metade desses opta por prosseguir estudos em Macau”, é indicado. No entanto, a DSEDJ acredita que no que diz respeito ao Ensino Superior a procura interna vai diminuir. “De acordo com as estimativas, nos próximos anos, o número de finalistas do ensino secundário complementar da educação regular

de Macau vai continuar a diminuir”, é explicado. Em relação aos estudantes que pretendem frequentar o ensino superior fora de Macau, Teng Sio Hong indicou que nos últimos anos foram tomadas medidas para que os resultados do exame unificado local serem admissíveis em instituições do Interior, Taiwan e Portugal. J.S.F.

AVISO N.° 62/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:---------------------------------------------------- 1. Mandado de Notificação n.° 340/AI/2021: YU ZHONGSHUN, portador do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C53678xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 144/DIAI/2019, levantado pela DST a 23.05.2019, e por despacho da signatária de 15.04.2021, exarado no Relatório n.° 378/DI/2021, de 25.03.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt, n.os 297-303, L’Arc Macau, 37.° andar E, Macau onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------ 2. Mandado de Notificação n.° 374/AI/2021: CHEN YONGMEI, portadora do passaporte da RPC n.° ED4169xxx , que na sequência do Auto de Notícia n.° 370/DI-AI/2019, levantado pela DST a 10.12.2019, e por despacho da signatária de 08.02.2021, exarado no Relatório n.° 67/DI/2021, de 06.01.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.° 28, Vista Magnifica Court, 5.° andar V onde se prestava alojamento ilegal. ----------------------------------------------- 3. Mandado de Notificação n.° 440/AI/2021: LI DEWU, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C85174xxx e portador do Passaporte da RPC n.° E78761xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 230/DI-AI/2019, levantado pela DST a 21.08.2019, e por despacho da signatária de 22.02.2021, exarado no Relatório n.° 138/DI/2021, de 13.01.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki, n.o 50-A, Jardim San On, Bloco 2, 12.° andar H onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------Pelo mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.-------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 7 de Maio de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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YOGA WORLD CONSELHO DE CONSUMIDORES JÁ RECEBEU 98 QUEIXAS

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Serviços de Turismo “O respectivo artigo de exposição foi emprestado ao Museu do Grande Prémio de Macau [...] tendo sido devolvido ao seu proprietário no ano 2010.”

MUSEU SUZUKI DE SCHWANTZ QUE FEZ PARTE DA COLECÇÃO ESTÁ NO REINO UNIDO

Fica lá com a bicicleta

Após anos em exposição no Museu do Grande Prémio, uma das motos mais icónicas da colecção deixou de fazer parte do acervo. Mike Trimby diz que foi enviada para o Reino Unido para a Crescent Motorcycles, proprietária, em 2011

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E S DE o mês passado que os cidadãos e turistas voltaram a poder visitar o Museu do Grande Prémio de Macau, após as obras de renovação realizadas. Contudo, nem com a reabertura os visitantes vão poder ver uma das motas mais icónicas da colecção do museu, a Suzuki RGV500 com o número 34 e as cores da Pepsi, semelhante à utilizada por Kevin Schwantz em 1988. A ex-peça da colecção é um exemplar utilizado pelo americano no mundial de 1988 da modalidade, ano em que também venceu o Grande Prémio de Macau. Esta prestação tornou-se inesquecível para os fãs da modalidade, não só pela margem entre Schwantz e os outros pilotos, mas porque o campeão mundial de 1993 fez grande parte da prova em “cavalinho”. Além de não estar exposta, a moto já deixou mesmo a

RAEM e foi enviada para o Reino Unido. A informação foi avançada por Mike Trimby, ao HM, britânico que até 2011, e durante 34 anos, esteve envolvido na organização do Grande Prémio de Motos e era responsável pelo convite aos pilotos internacionais. Segundo Trimby, a moto estava em Macau porque tinha sido emprestada pela Equipa Oficial da Suzuki ao museu, através das ligações de Trimby e da International Road-Racing Teams Association. Esta é uma associação liderada pelo britânico, como CEO, e que está envolvida na organização do Campeonato Mundial de Motas, desde os anos 80, onde compete Miguel Oliveira.

Empréstimo original

“Quando a colecção do museu começou a ser escolhida, por Carlos Guimarães, perguntaram-me se estava disponível para emprestar a

minha moto Yamaha, com que tinha ficado em terceiro lugar em 1978”, afirmou, através de uma resposta escrita, ao HM. “E como estou ligado à organização do Campeonato Mundial de MotoGP fiz a ligação para que a Equipa Oficial da Suzuki emprestasse um exemplar da moto com as cores da Pepsi com que Kevin Schwantz tinha competido no Campeonato Mundial e vencido em Macau”, revelou. “As garantias sobre a integridade do empréstimo foram avançadas à Suzuki, por mim”, acrescentou. Trimby revelou ainda que após a saída da organização do Grande Prémio, que aconteceu em 2011, em ruptura com o Governo, que ficou combinado que a moto regressaria às origens. “No evento de 2011, após um envolvimento de 32 anos, foi decidido que não devia continuar como consultor do Grande Prémio de Macau.

Em consonância com essa decisão, a minha Yamaha foi-me devolvida, e enviada para o Reino Unido, e a Suzuki do Schwantz devolvida à Equipa Oficial da Suzuki, que na altura era gerida e organizada pela Crescent Motorcycles no Reino Unido”, revelou. Face a este desfecho, Trimby recusa que a mota lhe tenha sido oferecida e apontou que “o museu apenas se limitou a devolver as motos emprestadas aos respectivos donos”. Embora sem pormenores, os Serviços de Turismo confirmaram que a moto foi devolvida ao proprietário, que não identificaram, embora numa data diferente: “O respectivo artigo de exposição foi emprestado ao Museu do Grande Prémio de Macau após a corrida para efeitos de exposição pelo seu proprietário, tendo sido devolvido ao seu proprietário no ano 2010”, responderam.

João Santos Filipe

O espaço de um dia, o Conselho de Consumidores (CC) recebeu mais 56 queixas em relação ao Yoga World, um centro que fechou depois de ter cobrado a assinatura anual dos alunos. O caso foi relatado pela imprensa no início da semana e terá causado cerca de 500 lesados, num valor que se pode aproximar de 5 milhões de patacas. Segundo uma nota de imprensa, ontem o CC já totalizava 98 reclamações, em contraste com os números de quarta-feira em que apenas tinha registado 42 queixas de afectados. A entidade de fiscalização e protecção dos direitos do consumidor apela assim que os lesados entrem em contacto para poderem receber “ajuda”. “O CC apela aos consumidores envolvidos para entrar em contacto com o CC o mais rápido possível, podendo reclamar e apresentar as informações necessárias através da plataforma ‘Consumidor Online’. O CC irá prestar-lhes ajuda com todo o

esforço”, poder ler-se no comunicado de ontem. “Recebidas as reclamações, o CC considerou que a acção do centro de yoga prejudica os direitos e interesses do consumidor e portanto tomou imediatamente medidas para apoiar os consumidores afectados”, foi acrescentado. O CC divulgou também que o encerramento foi precedido por parte da gestão do espaço de um aviso de que o centro ia encerrar de forma permanente. Porém, nunca ninguém da administração tomou a iniciativa de proceder à devolução do dinheiro da assinatura anual, que já tinha sido adiantado pelos praticantes de yoga. “Segundo as informações apresentadas pelos reclamantes, estes receberam um aviso a informar que o centro de yoga em questão irá encerrar permanentemente, mas sem indicação de qualquer informação sobre a devolução do valor das inscrições já pago, pelo que vieram pedir ajuda junto do CC”, foi indicado.

Inundações Obras da box-culvert concluídas ainda este mês

O Chefe do Departamento de Vias Públicas e Saneamento do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Ho Man Him, revelou que as obras de colocação da box-culvert da estação elevatória de águas pluviais do norte do Porto Interior estão praticamente concluídas e que a estrutura de prevenção de inundações entrará em funcionamento ainda durante o mês de Maio. De acordo com o canal chinês da TDM-Rádio Macau, o responsável indicou que a box-culvert pode melhorar a situação das inundações em caso de chuva intensa ou de maré astronómica, mas que o desempenho da estrutura pode vir a sofrer com o facto de ainda não existir uma box-culvert na zona sul do Porto Interior. Ho Man Him revelou ainda que em 2020, o IAM recebeu, no total, 630 queixas relacionadas com problemas de drenagem, o que representa um aumento de 18 por cento em termos anuais.


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Covid-19 Quarentena de 14 dias e sete de autogestão para quem vem de Taiwan Desde a meia-noite de hoje, as pessoas provenientes de Taiwan que entrem em Macau ficam obrigadas a cumprir 14 dias de quarentena e 7 dias de autogestão posterior ao fim da observação médica. A medida aplica-se a quem tiver passado pela região nos 14 dias anteriores à entrada na RAEM. Além disso, a cor do código de saúde passa a ser amarelo, o que impede a entrada em hotéis, centros comerciais, serviços públicos, edifícios de imigração, instituições médicas, restaurantes, entre outros estabelecimentos. As pessoas que embarquem no avião, em Taiwan, com destino a Macau devem possuir um certificado de

Lui Che Woo, CEO do Galaxy “Apesar de o EBITDA do primeiro trimestre do ano ter sido inferior ao 4º trimestre de 2020, estamos satisfeitos com os resultados, porque o trimestre anterior incluía 100 milhões de dólares de Hong Kong de prémio de seguros.”

GALAXY CEO “SATISFEITO” COM RESULTADOS POSITIVOS DO PRIMEIRO TRIMESTRE

Os guardiões da galáxia Os lucros antes de impostos, juros, amortizações e depreciações da Galaxy Macau no primeiro trimestre do ano triplicaram face ao mesmo período de 2020. O CEO do grupo, Lui Che Woo, mostrou-se satisfeito, apesar de em relação ao trimestre anterior se ter registado uma quebra de 15 por cento

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Galaxy Entertainment Group apresentou ontem o sumário dos resultados financeiros do primeiro trimestre do ano à Bolsa de Hong Kong a dar conta de EBITDA (lucros antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) de 859 milhões de dólares de Hong Kong, 203,5 por cento superior ao registado no mesmo período do ano passado. Porém, o

resultado é 15 por cento inferior ao registado no trimestre anterior. Em termos de receitas, nos primeiros três meses de 2021 foram apurados 5,07 mil milhões, um crescimento de 0,5 por cento em relação ao primeiro trimestre do ano passado, mas resultado semelhante aos três meses entre Outubro e Dezembro de 2020. Continuando a evolução mista do grupo, em termos de receitas líquidas

EUA/Relatório Liberdade religiosa respeitada na RAEM Os Estados Unidos consideram que a liberdade religiosa foi respeitada em Macau, durante o ano de 2020. A conclusão faz parte do relatório anual sobre a Liberdade Religiosa, que foi divulgado ontem. No entanto, os

EUA dizem que há líderes religiosos na RAEM preocupados com o impacto das mudanças à Lei da Segurança Nacional, que o Executivo de Ho Iat Seng vai fazer. As mudanças ainda não são conhecidas. Por outro lado,

o relatório dos EUA destaca que em 2020, com a pandemia, a Falun Gong teve uma maior oportunidade de contactar com os residentes. A informação tem por base um portal religioso da Falun Fong em Macau.

o primeiro trimestre foi sinónimo de uma descida de 4,7 por cento em termos anuais, para cerca de 3,86 mil milhões de dólares de Hong Kong, resultado que face ao trimestre anterior materializa um crescimento de 5,6 por cento. “Apesar de o EBITDA do primeiro trimestre do ano ter sido inferior ao 4.º trimestre de 2020, estamos satisfeitos com os resultados, porque o trimestre anterior incluía 100 milhões de dólares de Hong Kong de prémio de seguros”, Lui Che Woo, CEO do grupo. O homem forte da Galaxy acrescentou que desde o final de 2020, continuando em 2021, o relaxamento das restrições impostas para controlar a pandemia trouxe um número crescente de visitantes, “que se traduziu no aumento de receitas” do grupo.

Visto à lupa

O comunicado emitido ontem revela que o volume de negócios do sector VIP caiu 30,7 por cento nos primeiros três meses de 2021, em relação ao primeiro trimestre do ano anterior, de 68,17 mil milhões para 47,24 mil milhões de dólares de Hong Kong. Já em relação aos três meses finais de 2020, o volume de negócios subiu 7,6 por cento. A um dia de o grupo celebrar o 10.º aniversário de operações em Macau, Lui Che Woo aplaudiu o Executivo de Ho Iat Seng pela “liderança pro-activa durante os tempos desafiantes da pandemia”. O CEO da Galaxy aproveitou ainda para destacar o trabalho da Direcção dos Serviços de Turismo na promoção de Macau no Interior da China. João Luz

resultado negativo de ácido nucleico emitido nas 72 horas anteriores ao embarque. Anteriormente este período era de 7 dias.

UM Mulher ameaçou saltar de edifício por ordenados em atraso Uma trabalhadora do sector da construção tentou ontem saltar de um edifício na Universidade de Macau. O caso foi relatado pela imprensa em língua chinesa, e os bombeiros foram chamados ao local por volta das 14h. Depois de ter sido dado o alerta para a existência de uma mulher no telhado de um edifício, que ameaçava saltar, os bombeiros apressaram-se a colocar os colchões para amparar uma eventual queda. Depois da intervenção das autoridades, a mulher foi retirada do local

em segurança e revelou que tinha problemas relacionados com questões laborais. Segundo a mulher, é trabalhadora numa empresa de construção subcontratada para um trabalho. Contudo, o ordenado não tem sido pago. A empresa subempreiteira admite que há ordenados em atraso, mas justifica que não tem recebido os pagamentos da empresa responsável pela obra. O caso foi reencaminhado para a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL).

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NOTIFICAÇÃO

N.º 01/DCTNR/2021

Considerando que não se revelou possível contactar os interessados pessoalmente, por ofício, telefone ou outras formas, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, notifica-se os indivíduos abaixo mencionados, para no prazo de 15 dias, a contar do dia seguinte da data da emissão do presente anúncio, comparecer no Departamento de Contratação de Trabalhadores Não Residentes, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.ºs 614A-640, Edifício Long Cheng, 9.º andar, em Macau, para tratar de assuntos do seu interesse e relacionados com autorização da contratação de trabalhadores não residentes, caso contrário a autorização será cancelada: 1. NG, HOI CHI JOE, proprietário do estabelecimento “WOW WEDDING AND EVENT MANAGEMENT”; 2. KUONG FILIPE NORONHA ASSUNÇÃO, proprietário do estabelecimento “RAC CCC 汽車美 容” . Os indivíduos acima mencionados devem deslocarse, durante as horas de expediente, ao endereço acima mencionado, para levantamento do ofício da audiência prévia, podendo ainda requerer, por escrito, a consulta do processo. Decorrido o prazo acima referido, sem que seja apresentada a defesa por escrito, é considerada como efetivamente feita a audiência acima referida. 10 de Maio de 2021. O Director da DSAL, Wong Chi Hong


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14.5.2021 sexta-feira

Pérolas em ARTM “HIDDEN GEMS” INAUGURADA ESTE SÁBADO NO ESPAÇO “HOLD ON TO HOPE”

Alice Kok é a curadora da nova exposição promovida pela Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau. “Hidden Gems” visa recolher fundos com a venda de obras doadas por artistas como Arlinda Frota, Cristina Vinhas ou Denis Murell, entre outros

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JUDAR através da arte e, ao mesmo tempo, revelar ao grande público os talentos de quem saiu do vício da droga são alguns dos objectivos do novo projecto artístico da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM). É este sábado que é inaugurada uma nova exposição, intitulada “Hidden Gems” [Pedras Escondidas], com curadoria de Alice Kok, e que conta com trabalhos doados por mais de uma dezena de artistas de Macau. A mostra estará patente na galeria de arte situada na antiga leprosaria de Ka-Hó, em Coloane, onde hoje funciona o mais recente projecto da ARTM, “Hold on to Hope”. Ao HM, Alice Kok falou da mensagem principal por detrás desta iniciativa. “O nome da exposição refere-se aos bonitos trabalhos que podemos encontrar na exposição e, ao

mesmo tempo, à localização do espaço, uma vez que Ka Hó fica um pouco afastado da cidade e é um lugar cheio de amor, com uma história de pessoas marginalizadas pela sociedade”, disse, numa referência à antiga leprosaria. Alice Kok destaca ainda os “talentos escondidos” dos antigos toxicodependentes que trabalham no café que funciona ao lado da galeria de arte. “Estas pessoas tentam desenvolver os seus talentos e o seu lado artístico.” Muitos dos artistas foram convidados por Augusto No-

gueira, presidente da ARTM, e tiveram total liberdade para escolher os trabalhos que vão estar patentes nesta mostra. “Demos-lhe total liberdade. Temos uma grande diversidade de trabalhos com diferentes formas artísticas, como fotografia, pintura, impressão, e também pintura chinesa, escultura, cerâmica”, frisou Alice Kok.

Uma missão

Alice Kok, ela própria artista e presidente da associação AFA - Art for All Society, tem estado ligada aos pro-

“O nome da exposição refere-se aos bonitos trabalhos que podemos encontrar na exposição e, ao mesmo tempo, à localização do espaço, uma vez que Ka-Hó fica um pouco afastado da cidade e é um lugar cheio de amor, com uma história de pessoas marginalizadas pela sociedade.” ALICE KOK CURADORA

jectos artísticos da ARTM e assume-se satisfeita com esta colaboração. “Quando o Augusto [Nogueira] me convidou o ano passado para este projecto achei que tinha muito significado, porque através das actividades artísticas podemos convidar mais pessoas a estar envolvidas na missão da ARTM. Em nome da arte podemos ter um grande público e uma partilha da beleza e das capacidades, e como curadora estou muito feliz por poder contribuir com o meu conhecimento artístico para um trabalho com tal significado.” O café e a galeria de arte abriram portas em Dezembro do ano passado e, desde então, tem sido um espaço muito procurado pelos residentes que não podem viajar neste momento. “De certa forma a pandemia está a ajudar [a desenvolver] este projecto, porque as pessoas estão mais dispostas a explorar os lugares de Macau. Nos fins-de-semana o lugar está cheio e penso que as pessoas estão dispostas a vir. É um lugar muito diferente de outros lugares artísticos em Macau, uma vez que Ka Hó tem um maior contacto com a natureza e é um bom lugar para as famílias”, rematou Alice Kok. Andreia Sofia Silva

CINEMA “MACAO” EM EXIBIÇÃO TERÇA-FEIRA NA FUNDAÇÃO RUI CUNHA

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A próxima terça-feira, às 18h30, a Fundação Rui Cunha exibe o clássico filme “Macao”, a obra do mestre Josef von Sternberg, que entre os feitos de uma carreira recheada, responsável por apresentar ao estrelato a diva Marlene Dietrich. “Macao” foi o penúltimo filme da carreira do realizador que foi um dos protagonistas da passagem do filme mudo para a era do

som e dos grandes estúdios de Hollywood. A película de 1952 conta no elenco com a dupla Robert Mitchum e Jane Russell, com Macau a ser a tela onde é pintada uma história de aventura em tons de cinema noir. O filme reúne os elementos narrativos típicos do género: crime, atracção sexual que cresce com o perigo, neblinas densas, gabardines e muitos planos nocturnos e de estúdio

com iluminação baseada nos contrastes de luz, escuridão e sombras. Em termos de enredo, a acção gira em torno das relações entre uma voluptuosa cantora de cabaret e um aventureiro romântico, envolvidos numa trama proporcionada pelo submundo de casinos ilegais e crime. “Macao” será o terceiro filme de uma série promovida pela Fundação Rui

Cunha intitulada “Macau no Cinema”. Trinta minutos antes da exibição do filme, Maxim Bessmertny, realizador, argumentista e produtor, fará uma pequena apresentação da obra de Josef von Sternberg. O filme é falado e legendado em inglês e a entrada para a sessão é gratuita. J.L.


sexta-feira 14.5.2021

Ká Hó Filosofia Chinesa Simpósio hoje e amanhã no Seminário de S. José

Entre hoje e amanhã realiza-se o simpósio anual dedicado à filosofia chinesa, organizado pela Faculdade de Filosofia e Estudos Religiosos da Universidade de São José. As sessões decorrem ao longo dos dois dias, das 9h30 às 18h hoje e das

9h30 às 17h no sábado, na biblioteca do Seminário de São José, mas existe tabém a possibilidade de assistir online. O evento tem o objectivo de colocar em diálogo académicos e estudantes de Singapura, Hong Kong e Macau, com a apresentação de ensaios e teses de doutoramento sobre filosofia chinesa, assim como estudos comparados na área que contribuam para novas perspectivas.

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Jiangsu Macau apresenta pratos típicos macaenses e portugueses

A semana de Macau em Jiangsu - Promoção de Gastronomia Sabores de Macau, uma iniciativa para fomentar no Interior o Turismo na RAEM, arrancou ontem na cidade de Nanjing e vai prolongar-se até 26 de Maio. Durante esta semana, haverá várias acções de promoção, como a confecção de 33 pratos típicos macaenses e portugueses, que serão cozinhados por Lou Chi Seng, entre os quais pastéis de bacalhau, chouriço assado, caldo verde, salada de lulas à portuguesa, salada de orelha de porco à portuguesa, galinha à portuguesa, feijoada, arroz chau chau de Macau, arroz chau chau à portuguesa, minchi, serradura, batatada, entre outros. Lou Chi Seng foi distinguido pelo Governo de Macau em 1999 e 2016 e ao longo do seu percurso profissional cozinhou para os Governadores Garcia Leandro, Melo Egídio, Almeida e Costa, Pinto Machado, Carlos Melancia e Rocha Vieira.

HOJE TERAPIA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Dor e rigidez articular Diversas plantas medicinais podem ser benéficas para o tratamento de afecções reumáticas acompanhadas de dor e rigidez articular. Além das plantas com acção anti-inflamatória, analgésica ou anti-reumática, entre outras, são de realçar as plantas diuréticas e depurativas. Estas favorecem a eliminação de produtos residuais do metabolismo através da urina, aumentando desta forma a capacidade do organismo em eliminá-los dos tecidos das articulações e dos músculos, onde se acumulam provocando inflamação, dor e rigidez articular. Vamos conhecer Hoje algumas delas: Bétula, Betula alba, folhas: Árvore de rara beleza e elegância, a Bétula apresenta casca esbranquiçada, ramos pendentes e flexíveis, folhas ovais de bordo serrado, mais claras na página inferior, e inflorescências de tipo amentilho; pode atingir 30 metros de altura. Planta de múltiplas utilizações, é ainda um remédio com uma longa tradição de usos nas regiões temperadas do hemisfério Norte. Com actividade diurética e depurativa, auxilia a eliminação de produtos residuais do metabolismo, como o ácido úrico. Além disso, contém ácido salicílico, substância semelhante à aspirina, que lhe confere efeitos anti-inflamatórios e analgésicos. Assim, é uma excelente planta para afecções reumáticas, como músculos rígidos e doridos, dores nas articulações e cãibras nas pernas, sendo igualmente recomendada para o tratamento da gota e fibromialgia. Pode ser tomada em infusão, tintura ou cápsulas; em caso de dor e rigidez muscular pode ser aplicada topicamente a decocção quente em compressas ou o óleo obtido das folhas e dos galhos. Em alguns países do Norte da Europa, os galhos são usados em saunas e banhos de vapor, para bater na pele e nos músculos, de forma a tonificá-los e aliviar as dores musculares. Curcuma (Açafrão-da-Índia), Curcuma longa, raízes: Planta da medicina ayurvédica e da fitoterapia chinesa, a Curcuma é um ingrediente essencial dos pratos de caril, conferindo-lhes uma cor característica amarelo-dourada e um sabor levemente picante.

(PARTE III)

Originária da Índia e do Sul da Ásia, possui um pequeno caule, do qual partem grandes folhas lanceoladas, com o pecíolo muito comprido, e belas flores de cor amarelada ou purpúrea; pode alcançar 90 cm de altura. Com fortes propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, está muito indicada para o tratamento de diversas afecções crónicas, como a artrite, e auto-imunes inflamatórias, tal como a artrite reumatóide. Pode ser tomada em comprimido, pó ou tintura. Trevo-de-água (Trevo-d’água), Menyanthes trifoliata, folhas: Trata-se de uma pequena planta aquática, encontrada em água doce pouco profunda e em locais pantanosos da Europa, América e Ásia. Exerce actividade diurética e depurativa, favorecendo a eliminação de produtos residuais do metabolismo pelos rins; além disso, é um anti-inflamatório e anti-reumático. Tem sido utilizado para o tratamento de quadros reumáticos provocados por inflamação localizada ou sistémica, proporcionando benefícios em afecções como dores musculares, fibromialgia, gota, polimialgia reumática e artrite reumatóide. Pode ser tomado em tintura. Deve ser usada a planta de cultura biológica, por se encontrar em perigo, uma vez que o seu habitat natural está a desaparecer. Unha-de-gato, Uncaria tomentosa, cascas do caule: Liana trepadora, que pode alcançar 30 metros de altura, tem folhas compostas e folíolos ovais, na base dos quais se encontram espinhos curvos semelhantes às garras dos gatos, tal como alude o seu nome comum. Originária da floresta da Amazónia, tem sido usada medicinalmente pelos curandeiros locais, sendo considerada uma panaceia. Com efeito, tem uma acção tónica sobre o sistema imunitário, tendo também propriedades antioxidantes e fortemente anti-inflamatórias. Tomada em tintura ou comprimidos, de preferência com extractos padronizados, é muito recomendada para o tratamento da artrose, fibromialgia e artrite reumatóide. Por ser actualmente uma espécie ameaçada, deve ser usada a planta de cultura biológica.

ADVERTÊNCIAS: Este artigo tem como objectivo apenas a divulgação e não deve substituir a consulta de um profissional de saúde, nem promover a auto-prescrição. Além disso, algumas plantas têm contra-indicações, efeitos adversos ou interacções com medicamentos.


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14.5.2021 sexta-feira

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XINJIANG LÍDERES MUÇULMANOS NEGAM ABUSOS

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S líderes muçulmanos de Xinjiang rejeitaram ontem as alegações ocidentais de que a China está a suprimir a liberdade religiosa na região, durante uma receção para diplomatas e jornalistas estrangeiros, no final do mês do Ramadão. O evento foi o mais recente de uma série de acções do Governo chinês para contrariar as acusações de abusos dos Direitos Humanos na região de Xinjiang, no extremo noroeste do país. Ecoando a linha do Governo, o presidente da Associação Islâmica de Xinjiang disse que a China erradicou o terreno fértil para o extremismo, ao melhorar os meios de subsistência, ensinar a população sobre a lei e criar centros de treino vocacional. Abdureqip Tomurniyaz, que dirige a associação e a escola de estudos islâmicos em Xinjiang, acusou as forças anti-China nos EUA e em outras nações ocidentais de espalharem boatos e mentiras. “Eles querem sabotar a harmonia e a estabilidade em Xinjiang, conter a ascensão da China e alienar as relações entre a China e os países islâmicos”, acusou. Acusou também os EUA de ignorarem as suas próprias violações dos Direitos Humanos, citando os conflitos no Iraque, Afeganistão e outros países muçulmanos. Líderes religiosos de cinco mesquitas falaram na apresentação de 90 minutos - três pessoalmente e dois por vídeo. PUB.

A porta-voz da diplomacia chinesa também pediu à ONU que estabeleça o “firme apoio” à solução de dois Estados para encerrar o conflito israelo-palestiniano

JERUSALÉM PEQUIM EXPRESSA PREOCUPAÇÃO COM ESCALADA DA VIOLÊNCIA NA REGIÃO

Por maus caminhos A China expressou ontem “profunda preocupação” com a escalada militar entre Israel e grupos islâmicos armados na Faixa de Gaza, e pediu à ONU que reafirme o apoio a uma solução de dois Estados. “A China expressa a sua profunda preocupação com a situação em curso entre Israel e os palestinianos”, disse a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, pedindo à ONU que “tome medidas” para acabar com os confrontos. A China, que neste mês detém a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, disse ontem que estava pronta uma declaração conjunta a pedir o fim dos confrontos. No entanto, alguns países estão “a bloquear” o texto, criticou a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, à imprensa, sem especificar as nações. Em duas reuniões do Conselho de Segurança nesta semana, os Estados

Unidos opuseram-se à adopção de uma declaração conjunta, considerando-a “contraproducente” nesta fase, disseram diplomatas. Outra reunião de emergência do Conselho de Segurança está marcada para sexta-feira. A porta-voz da diplomacia chinesa também pediu à ONU que estabeleça o “firme apoio” à solução de dois Estados para encerrar o conflito israelo-palestiniano.

Hostilidades em alta

Israel e os palestinianos estão envolvidos numa das maiores escaladas de violência dos últimos anos naquela região. Os confrontos intensificaram-se esta semana com milhares de foguetes a serem lançados contra Israel pelo movimento islâmico Hamas. O exército israelita retaliou com ataques à Faixa de Gaza. O movimento islâmico Hamas deu ontem conta de mais 16 mortos nos ataques israelitas à Faixa de Gaza, que controla, o que faz

aumentar para 83 o total de palestinianos mortos desde o início das hostilidades, na segunda-feira. Além de um total de 83 mortos, incluindo 17 crianças, 487 pessoas ficaram feridas, indicou o Hamas, após uma nova noite de ataques aéreos de Israel no enclave e de disparo de ‘rockets’ a partir de Gaza em direcção ao território israelita. Esta foi a terceira noite de hostilidades entre Israel e grupos armados palestinianos em Gaza. As salvas de ‘rockets’contra território israelita levaram ao desvio de todos os voos em direcção ao aeroporto internacional Ben Gurion de Telavive. A luta entre Israel e o Hamas iniciou-se na segunda-feira após semanas de tensões israelo-palestinianas em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar mais sagrado do islão, junto ao local mais sagrado do judaísmo, nesta zona da cidade ilegalmente ocupada e anexada pelo Estado hebreu, de acordo com a lei internacional. Desde segunda-feira, o exército israelita indicou ter realizado 600 bombardeamentos na Faixa de Gaza, território exíguo sob bloqueio israelita há mais de uma década e onde vivem cerca de dois milhões de palestinianos. As milícias do Hamas e da Jihad Islâmica dispararam cerca de 1.600 ‘rockets’ contra território israelita, que mataram sete pessoas, incluindo uma criança e um soldado, e deixaram feridas centenas.


sexta-feira 14.5.2021

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entre oriente e ocidente

GONÇALO M. TAVARES

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FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO

Guerra, Cidades e Campo As três linhas de haiku transformam-se num zoom via linguagem. A linguagem aproxima-se da realidade e vê detalhes. Mas, sim, há também o grande plano. 1. uma granada  em pleno voo perdeu o sentido   2. a cavalaria não usa  cavalos  – velocidade e elegância   3. em paris um pássaro  é novidade   4. buzinas e tráfego  - onde estão os limões  e o tempo?   5. tecido macio  cores perfeitas - ninguém para ocupar o vestido   6. o século XIX  está na sala - biombo do bisavô

7. os meninos correm  a lua ao fundo  - lições de perspectiva   8. o som do sino  assinala  a moda atrasada   9. janelas fechadas  silêncio - mosteiro cheio    10. ecrã desligado  continuas a fixá-lo - espelho negro   11. o dinheiro  causa atrito  - mão de escultor   12. rua vazia o vagabundo  entra 

ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES


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diário de próspero

ANTÓNIO CABRITA Serei o único nababo que ao acender o cachimbo, macia e estultamente, se queima? Muito mais do que eu, o Pasolini há-de ter esmaltado com o lume algumas estrias nos dedos imprevidentes porque não há dúvida que a vida lhe esteve sempre em brasa, que o seu sopro nunca deixou esfriar o escândalo, que o vento nele era uma liga de fogo «num ventre vivo». Lê-se este livro póstumo de Pasolini, editado pela Barco Bêbado, e percebe-se porque, sinaliza-o Claudio Magris num artigo em que os compara, Montale se irritava com ele. Pasolini e Montale representam os dois pólos da atitude face à escrita e à vida. Um apostava numa escrita impessoal e era céptico quanto ao poder que a poesia lograsse para mudar a vida; aliás à própria vida não atribuía mais do que uns 5% de presença e convicção. Pasolini, pelo contrário, era da linhagem de Rimbaud, vivia a 120% do seu potencial e a escrita nele só tinha sentido como operador da mudança. Mesmo eivada de contradições e do vestígio das derrocadas que a existência arma, a poesia era-lhe um modo expedito de fazer respirar a acção que urde uma moral focalizada pelo dissídio, ou na razão poética e anti-burguesa. A poesia é, para o autor de “Poesia in Forma di Rosa”, esse pleito onde a consciência acede à sua própria percepção e restaura a contigência duma voz (de um rosto) exumada pela sua inscrição política. Ademais, ele tinha uma vocação plectórica que o fazia tocar vários carrinhos: poeta, contador de histórias, dramaturgo, cineasta, romancista, cronista político, ensaísta, e, provocatoriamente, gostava de fazer de “ponto” intrometido e desarvorado no palco de todas as revoluções. Este “Who is me – Poeta delle Ceneri” (Poeta das cinzas), bem o demonstra. Um dia, cinco anos depois do seu assasinato, Enzo Siciliano, o autor de uma das suas biografias, descobriu o rascunho deste longo “poema biobibliográfico”, e, apesar de não estar acabado, considerou

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14.5.2021 sexta-feira

Da vida como brasa

que à obra incabada não faltava o ímpeto que merecia a publicação. Tinha razão, o poema tem nervo e no seu modo digressivo, “reticulado” (um bom achado da posfaciadora, Rosa Maria Martelo, para falar do mecanismo desta escrita) faz uma espécie de panorâmica sobre a vida, com flexões desde a infância, às ilusões revolucionárias e à justificativa de passar da poesia para o cinema (o filme “Teorema” tem no poema uma boa e

PASOLINI USAVA A SUA VIDA, NARRAVA-A, COMO QUEM ENCARNA O MODO CORAL DA SUA ÉPOCA E DO TECIDO SOCIAL QUE ELE SENTIA EM PERDA

alentada sinopse), numa fluência em que as modulações reflexivas, as concretíssimas pinceladas campestres, a trama dos amores e das perseguições judiciais que aí se desencadearam (Pasolini foi alvo de vários processos), a discussão sobre as formas estéticas e os valores morais, se enredam numa textura verbal sempre à beira de pegar fogo. Porque este é um homem de um realismo iracundo que conversa interpelando o leitor, nesse tu cá, tu lá, que fazia dos poemas de Pasolini um pensamento coral. Não tinha razão Montale quando acusava Pasolini de um excesso de pathos, como se erguesse um ego contra o mundo; na verdade, para o poeta rival, como prevenia Deleuze, «Escrever não é contar as lembranças, as viagens, os amores, os lutos, sonhos e fantasmas. Ninguém escreve com as suas neuroses. (...) A literatura só se afirma se descobre sob as aparentes pessoas a potência de um impessoal.» É neste sentido que o emocionado Moravia, nas exéquias de Pasolini, falou da enorme perda de um “poeta civil” – exactamente no mesmo sentido com que Pound definia o “poeta como antena da raça”. Pasolini usava a sua vida, narrava-a, como quem encarna o modo coral da sua época e do tecido social que ele sentia em perda. Este poema de trinta páginas, que faz o balanço de «um peixe fora da rede», chega a ser brutal na análise e na auto-derrisão dos factos narrados, quer na relação com o pai, sempre ambivalente no ódio e na compaixão, quer

na traição dos camaradas comunistas, aburguesados, que chegaram a matar-lhe o irmão por fanatismo de facção, quer na própria relação de artista com o seu público («A burguesia italiana, a verdadeira, a/ que compõe verdadeiramente a Itália/ experimentou um ódio profundo por aquele mundo subproletário:/ o ódio pela diversidade/ um ódio indistinto e global por mim e pelas minhas personagens./ Com o meu primeiro filme, que se intitula “Accattone”, /aquele ódio transformou-se num verdadeiro e real sintoma de racismo.», pág. 21). Nada escapa à lucidez e ao crivo do poeta (que na altura da escrita do poema viajava pela América e era alvo de processos judiciais contra a iconoclastia de “La Ricotta”). E, antecipando-se ao seu tempo, o poema apontava o dedo à biopolítica que corrompia pela base as alternativas existenciais e políticas e anteviu os perigos da massificação das massas («Caros americanos, não pacifistas, e não espiritualistas, /ou seja, a enorme maioria bem-pensante,/ o vosso deus é um idiota/ como qualquer cidadão médio/ que deseja com todas as suas forças e com todo o seu espírito/ ser como todos os outros (...)», pág. 22). Expressivamente, Pasolini reclama uma alocução directa que diz preferir às volutas do estilo: «Também este caso te contei/ num estilo não poético/ para que não me lesses como se lê um poeta. / Assim decaiu a estima pela poesia, típica/ das infâncias que acreditam no eterno...» (pág. 29), mas esta é uma meia-verdade, pois como o poeta lembra na página seguinte: «Apenas o amor por aquela língua do não-eu, que se exprime/ com igual direito, igual força do eu/ dá ao poeta/ a capacidade.» (vês, Montale?). Daí que ao fim de trinta páginas deste aluvião ou ossário afinal polposo o leitor se sinta agarrado – e também por força do bom ritmo com que a tradutora, Ana Isabel Soares, soube dotar o texto. «E hoje, dir-vos-ei, não é só preciso comprometer-se com o escrever, / mas com o viver:» é isto, nem mais.


sexta-feira 14.5.2021

ofício dos ossos

VALÉRIO ROMÃO

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

Os homens que abrem caminho Tinha dezasseis anos quando o meu pai morreu. Tinha dezasseis anos e alguma esperança de que o meu mundo estivesse finalmente a melhorar. Chegado de França com dez anos e portador de uma infância basicamente infeliz, Portugal constituía-se como um reduto possível de familiaridade no qual eu conseguiria limar os aspectos mais anti-sociais da minha personalidade e, finalmente, fazer amigos. Não foi de todo assim. Fui recebido com a estranheza a que os imigrantes são normalmente votados. Trazia ainda muita França em mim. Não era só o meu mau-jeito social que tinha de desbastar, era também a minha roupagem gaulesa, os meus modos demasiado reservados, algumas palavras que teimavam em não sair em português. O facto de ter uma consola (ainda que pré-histórica) e um zx spectrum a cassetes ajudou a levar alguns amigos a casa. Pela primeira vez na minha vida, os miúdos não me viam apenas como o nerd sem jeito para jogar à bola ou andar de skate e cujo passatempo era falar apaixonadamente de astronomia e ficção científica. Eu era, ao lado disso, um nerd com brinquedos fixes. Numa altura em que Portugal corria já sem fôlego atrás de uma Europa orgulhosa da sua abundância, ter brinquedos fixes era um atributo social nada despiciendo. Pouco a pouco, fui sendo convidado para aniversários, matinés com banda sonora de Europe regadas a sumol de ananás e idas à praia quando o sol algarvio começava a despontar. Passei de ser tolerado a ser aceite. Para um solitário como eu, que já tinha feito contas à vida e ao futuro e que aspirava socialmente, no máximo, a não morrer virgem aos quarenta e poucos, nada mau. Quando o meu pai morreu, eu tinha acabado de experimentar a adolescência na sua componente de excessos irresponsáveis. Era quarta-feira de cinzas e eu estava de ressaca. Tinha saído na sexta, no sábado, na segunda e na terça e em cada um desses dias eu tinha bebido mais do aquilo a que estava habituado. Pela primeira vez na minha vida, tinha contacto, ainda que muito difusamente, com o conceito de ressaca. Pela primeira vez

na minha vida, percebia o significado de «dia seguinte». O meu pai morreu em casa, nos meus braços. Demasiado repentino, demasiado cedo. Tínhamos finalmente descoberto o filão de uma linguagem comum. Já não passávamos um pelo outro no corredor como dois estranhos que se cruzam numa estação de comboios. Vê-lo partir assim, antes de ser possível recuperar as centenas de abraços que não demos e todas as ideias que não trocamos, arrancou um bom pedaço de mim. O edifício não cai apenas porque se vota parte dele ao abandono e se cola o restante com cuspo. Há uns dias morreu-me um amigo, o Cândido. Tive a sorte de conhecer e o azar de não o ter conhecido há muito mais tempo. Era um homem maior do que o corpo que habitava (e não era nada pobre em corpo, diga-se de passagem) e morreu cedo. Teve

a sageza de privilegiar sempre na sua vida a generosidade e o acto de distribuir o que fosse com as mãos abertas em flor. Era uma espécie de líder tribal que conseguia congregar à sua volta novos e velhos, família e amigos, conhecidos e desconhecidos com uma autoridade natural que decorria de uma espécie de budismo heterodoxo, súmula escolhida a dedo daquilo que a vida lhe tinha posto diante em cada momento. Actor portentoso, talvez a Comunidade do Pacheco tenha sido o texto que mais prazer lhe deu levar a cena. Não por acaso: se há uma palavra que o Cândido abraçaria com aqueles braços capazes de envolver o mundo e o levar ao peito seria essa mesmo. Comunidade. À Blau, à Marta e ao Ivo, o meu abraço possível. Até já, camarada, e quando estiveres com o meu pai diz-lhe que já faltou mais.

SE HÁ UMA PALAVRA QUE O CÂNDIDO ABRAÇARIA COM AQUELES BRAÇOS CAPAZES DE ENVOLVER O MUNDO E O LEVAR AO PEITO SERIA ESSA MESMO. COMUNIDADE. À BLAU, À MARTA E AO IVO, O MEU ABRAÇO POSSÍVEL. ATÉ JÁ, CAMARADA, E QUANDO ESTIVERES COM O MEU PAI DIZ-LHE QUE JÁ FALTOU MAIS

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CINETEATRO

THE KEEPERS | RYAN WHITE

9 5 3 6 7 8 4 Esta série 2 documental, 6 7 4disponível 9 1 no8 Netflix, responde na perfeitamente à per8 é1que4ela não 3 falou 2 5mais7 gunta: “Porque cedo?” O homicídio de uma freira no fi2 9 4é a ponta 3 6 nal dos anos560 8 em Baltimore de um icebergue 4 3que6esconde 8 1violações 7 9 sistemáticas de menores, promiscuidade 7 9judicial 2 5e político 6 3 entre clero 1 e o poder e um rol de mulheres cuja vitimização 9 de1 denunciarem 7 6 2 os5 continuou 3 depois violadores às autoridades. 6 2 8 5No3epicentro 4 1 deste terramoto de perversão e crime 4 Maskell, 5 1 8 9 de2 está o padre7Joseph vértice um esquema de violações em massa no Liceu Seton Keough, em Baltimore. A série segue34 um punhado de pessoas que mais de 50 anos depois procuram justiça e paz. João 2 Luz 5 8 4 7 3 6

2 3 9 1 5 8 4 7 6

1 5 6 7 DYNASTY WARRIORS [C] 2 4 8 77 HEARTWARMINGS [B] 9 3 ONCE UPON A TIME IN HONG KONG [C]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Wong Jing, Woody Hui Com: Louis Koo, Tony Leung, Francis Ng, Lam Ka Tung 14.30, 19.30 FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Roy Chow Com: Louis Koo, Han Geng, Wang Kai 16.30, 21.30

FALADO EM CANTONÊS

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C I N E M A

SALA 1

SALA 2

YUAN

LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Herman Yau Com: Pakho Chau, Charlene Choi 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

THE MAURITANIAN [C]

Um filme de: Kevin MacDonald Com: Tahar Rahim, Jodie Foster, Shailene Woodley, Benedict Cumberbactch 14.15, 16.45, 21.30

HOME SWEET HOME [C]

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Leste Chen Com: Aaron Kwok, Hsu Wei Ning 19.15

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sexta-feira 14.5.2021

opinião 15

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um grito no deserto

Paul Chan Wai Chi

RÓMULO SANTOS

QUEM TEM A ÚLTIMA PALAVRA SOBRE O FUTURO DE MACAU?

NA SESSÃO de consulta exclusivamente destinada aos Deputados da Assembleia Legislativa sobre o Projecto do Plano Director da Região Administrativa Especial de Macau (2020-2040), lançado em Setembro de 2020, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas revelou que o Governo da RAEM propôs ao Governo Central a suspensão do projecto de aterro da Zona D dos Novos Aterros Urbanos, passando a construir uma zona entre a Zona A dos novos aterros urbanos e a Península de Macau, com o objectivo de criar espaços verdes. Assim, a área do aterro foi reduzida de 58 para 41 hectares. Quando questionado sobre a suspensão do projecto de aterro da Zona D, o Chefe do Executivo declarou que Macau terá território suficiente nos próximos 20 anos e que a proposta para suspensão do projecto de aterro da Zona D aguarda a aprovação do Governo Central. Assim que esta notícia foi divulgada, os membros do Conselho do Planeamento Urbanístico manifestaram de imediato o seu apoio à suspensão do projecto de aterro da Zona D, e os representantes da União Geral das Associações dos Moradores de Macau e da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau também se mostraram favoráveis ao projecto num programa de rádio. Na sessão de consulta pública exclusiva ao público, interroguei os responsáveis sobre o motivo da suspensão do projecto de aterro da Zona D. Em resposta, o Chefe do Departamento de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT)

alegou que a decisão tinha sido tomada para protecção dos ecossistemas da marina de Macau e da paisagem circundante. Os principais pontos da minha intervenção na sessão de consulta pública exclusiva ao público, foram os seguintes, “A publicação do documento de consulta do Plano Director da Região Administrativa Especial de Macau (2020-2040) visa sondar a opinião da população. Mas, infelizmente, enquanto o documento de consulta esteve a circular, o Governo da RAEM afirmou que tinha proposto ao Governo Central a suspensão do projecto de aterro da Zona D dos Novos Aterros Urbanos, passando a construir uma área entre a Zona A dos novos aterros urbanos e a Península de Macau. Isto fez com que o projecto de aterro da Zona D, transformado

As cinco novas zonas urbanas não são apenas um presente do Governo Central à RAEM, mas também uma aposta estratégica no desenvolvimento futuro de Macau

em documento de consulta, deixasse de existir. Desta forma, estamos perante uma ‘notificação’ pública ou perante uma ‘consulta’ pública? A criação das cinco novas zonas urbanas em Macau foi oficialmente aprovada pelo Conselho do Estado em 2009, como um “presente” para assinalar o 10.º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau. Em 2010, Wen Jiabao, o primeiro- ministro da República Popular da China ao tempo, veio pessoalmente a Macau para analisar o plano do Governo da RAEM para a criação das novas zonas urbanas através de aterro. Como é que uma decisão tão importante pode ser agora ignorada com tanta ligeireza?” Se recuarmos a Setembro de 2020, quando o Governo da RAEM ousou propor ao Governo Central a suspensão do projecto de aterro da Zona D, a maior parte das pessoas acreditou que o Governo local tinha um certo grau de certeza na aprovação do projecto. Caso contrário não faria uma proposta que pretende reverter uma decisão do Governo Central. Eu fui o único que, na sessão de consulta pública exclusiva ao público, se opôs à suspensão do projecto de aterro da Zona D. Sem o consentimento do Governo Central, o projecto de aterro da Zona D mantém-se, enquanto o plano de construir uma área entre a Zona A dos novos aterros urbanos e a Península de Macau através de aterro será suspenso temporariamente. Sou um grande defensor da protecção ambiental, e o projecto de aterro vai ter

Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

necessariamente impacto nos ecossistemas da marina de Macau, particularmente nos residentes do Edifício Ocean Garden, devido ao projecto de aterro da Zona C dos Novos Aterros Urbanos. Mas, na realidade, muitos dos terrenos de Macau foram obtidos através do aterro. O projecto de aterro das cinco novas zonas urbanas já arrancou, então porque é que o plano de aterro da Zona D teve de ser cancelado ou adiado? A razão é simples. Macau terá terrenos suficientes nos próximos 20 anos. Além disso, um aterro em grande escala requer o investimento de grandes somas do erário público, enquanto a construção de um grande número de edifícios residenciais vai provocar o rebentamento da bolha do sector do imobiliário de Macau. Do ponto de vista da economia deste sector, a suspensão do projecto de aterro da Zona D dos Novos Aterros Urbanos é uma boa decisão, o que vai implicar o adiamento da construção das habitações públicas. Quanto ao Governo Central, a sua maior preocupação nos próximos 20 anos não é a RAE de Macau, mas sim o papel de Macau na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau depois de 2049. As cinco novas zonas urbanas não são apenas um presente do Governo Central à RAEM, mas também uma aposta estratégica no desenvolvimento futuro de Macau. Desta forma, o projecto de aterro da Zona D pode ser adiado, mas terá de ser realizado porque constitui uma decisão política. O Governo Central tem sempre a última palavra no que respeita ao futuro de Macau!


‘‘A educação escolar é hoje, em grande medida, um exercício de amnésia programada.’’ PALAVRA DO DIA

Morreu Maria João Abreu aos 57 anos

M

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ORREU a actriz Maria JoãoAbreu. Anotícia foi avançada ontem pela SIC, onde trabalhava. A actriz de 57 anos encontrava-se internada no Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, depois de ter sofrido um AVC hemorrágico. A actriz, de acordo com a SIC, sentiu-se mal e desmaiou durante as gravações da novela que está a ser produzida para o canal. A actriz integra o elenco da telenovela “A Serra”, emitida pela SIC desde Fevereiro. Maria João Abreu iniciou a carreira profissional no teatro, uma paixão que nunca abandonou, mas foi a televisão que lhe granjeou a popularidade, graças a produções como “Médico de Família”. A televisão foi o meio em que mais trabalhou e que lhe deu maior visibilidade, tendo participado em mais de 60 programas, entre telefilmes, séries e telenovelas.Asua carreira como actriz remonta, no entanto, a 1983, quando, com 19 anos, se estreou profissionalmente no Teatro Maria Matos, no musical “Annie”, de Thomas Meehan, dirigido por Armando Cortez. A este sucederam-se vários outros espectáculos de revista no Parque Mayer, até participar, na Casa da Comédia, em “O Último dos Marialvas”, de Neil Simon, peça estreada em 1991, que lhe daria visibilidade e reconhecimento como actriz de comédia. Depois de várias actuações em espetáculos de revista, sobretudo no Teatro Maria Vitória e no

antigo Variedades, Maria João Abreu passou pelo TeatroAberto, onde trabalhou com João Lourenço em “As Presidentes”, de Werner Schawb, e com José Carretas, em “Coelho Coelho”, de Celine Serreau. Com Manuel Cintra e José Carretas, fez também “Bolero”, apresentado no Centro Cultural de Belém (CCB). Mais recentemente, participou em filmes como “Call Girl”, de António-Pedro Vasconcelos, “Florbela” de Vicente Alves do Ó, “A Mãe é que Sabe”, de Nuno Rocha, e “Submissão”, de Leonardo António. Ao longo dos seus mais de 35 anos de carreira, e apesar das muitas requisições para televisão, Maria João Abreu nunca deixou o teatro nem a revista, uma das suas paixões, tendo coprotagonizado, em 2004, “A Rainha do Ferro Velho”, de Garson Kanin, encenada por Filipe La Féria, no Teatro Politeama.

Perto do fim

A sua última participação no teatro aconteceu em 2019, quando protagonizou “Sonho de uma noite de verão”, no Tivoli, contracenando com José Raposo, de quem estava já divorciada, e com Miguel Raposo, um dos filhos do casal. Era também com o ex-marido que contracenava na telenovela “A Serra” e na série “Patrões fora”, ambas actualmente em gravações e em exibição. No dia 30 de abril cinco meses depois da morte do pai e apenas 16 dias após ter feito 57 anos -, a actriz sentiu-se indisposta durante as gravações da telenovela “A Serra” e desmaiou, tendo sido internada de urgência no Hospital Garcia de Orta, em Almada, com diagnóstico de rotura de aneurisma cerebral.

João Lobo Antunes

14.5.2021

PME TRABALHADORES DE QUASE 150 EMPRESAS NÃO GOZARAM FÉRIAS EM 2020

Direitos apagados

A

PESAR de as empresas estarem obrigadas a darem seis dias por ano de férias aos trabalhadores, 12,5 por cento das Pequenas e Médias Empresas (PME) admite que os trabalhadores não gozaram as férias, ou seja, 149 companhias. Os dados foram apresentados ontem pela Associação de Recursos Humanos de Macau, com base num estudo feito através de 1.192 inquéritos válidos a PME, entre Março de 2020 e Fevereiro de 2021. Esta foi uma situação destacada pelo presidente da Associação de Recursos Humanos de Macau, Man Choi, que defendeu uma maior promoção dos documentos legais. “Se calhar os funcionários combinaram com os seus empregadores que abdicam este ano de férias e que no próximo ano serão compensados. Mas, achamos que o Governo precisa de reforçar a divulgação da Lei das Relações de Trabalho, para que os empregados e empregadores conheçam os seus direitos e obrigações”, alertou Man Choi. Segundo o artigo 46.º da Lei das Relações Laborais as empresas cujos trabalhadores estejam há mais de um ano numa empresa, devem ter direito a seis dias de férias. Contudo, caso haja acordo entre as partes, podem acumular, no máximo, os dias

6 por cento dos ordenados, ou seja, acima do nível da inflação.

HOJE MACAU

Cortina fechada

sexta-feira

Onda de despedimentos

correspondentes a dois anos de trabalho, ou seja, 12 dias. O estudo, apresentado ontem, mostrou ainda que desde o início da pandemia da Covid-19, que chegou a Macau em Fevereiro de 2020, cerca de 8,1 por cento das Pequenas e Médias Empresas procedeu a cortes de salários, o equivalente a 97 companhias. Entre estas, cerca de 38 empresas fizeram cortes de entre 20 a

50 por cento do vencimento do salário dos funcionários. No mesmo período, 11,2 por cento das empresas inquiridas declaram ter aumentado os ordenados, o que representa um número de 134 empresas que operam na RAEM. Entre este número, 94 empresas, que representam uma proporção de 70 por cento, apontaram ter feito aumentos de salários de 3 a

“Estamos preocupados, porque caso a saúde financeira das empresas não seja resolvida apropriadamente, ou caso o Governo não dê outros apoios, pode haver uma vaga de despedimentos.” MAN CHOI ASSOCIAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DE MACAU

Para o presidente da Associação de Recursos Humanos de Macau a situação é preocupante e pode gerar uma vaga de despedimentos: “Houve uma percentagem maior de empresas a reduzir o salário dos funcionários do que a aumentar. Estamos preocupados, porque caso a saúde financeira das empresas não seja resolvida apropriadamente, ou caso o Governo não dê outros apoios, pode haver uma vaga de despedimentos”, alertou Man Choi. Segundo os resultados apresentados, durante o espaço temporal estudado, a maior parte das empresas não procedeu nem à contratação ou despedimento de trabalhadores. Foram 894 as empresas que mantiveram os quadros. Contudo, houve 215 empresas que fizeram despedimentos, ou seja 18 por cento das inquiridas. No polo oposto, 84 empresas, ou sete por cento, aumentaram os quadros. O estudo realizado pela Associação de Recursos Humanos de Macau teve como objectivo analisar as PME “numa situação difícil nunca vivenciada”, assim como o impacto das medidas do Governo no incentivo à actividade económica. Nunu Wu (com J.S.F.)

Japão Médicos pedem cancelamento de Tóquio2020 O Sindicato Nacional de Médicos Japoneses apresentou ontem uma petição ao governo a pedir o cancelamento dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, previstos para o Verão, alegando o risco elevado de propagação de novas variantes do SARS-CoV-2. Na petição, apresentada ao ministério da Saúde, o sindicato considera que “o maior problema é a ameaça de novas estirpes” do vírus, responsável pela covid-19, e refere que, apesar da competição se disputar sem público, “não se pode descartar a hipótese de o vírus

ser transmitido pelos atletas”. Os médicos nipónicos entendem, por isso, que “não é possível disputar uns Jogos seguros” e pedem o seu cancelamento. “Será muito duro para os atletas, mas alguém tem de pedir o cancelamento dos Jogos. Por motivos sanitários, vemo-nos obrigados a ser nós a pedir”, disse Naoto Ueyama, representante do sindicato, em conferência de imprensa. Ueyama considerou que o governo japonês “tem a importante missão de proteger a vida dos cidadãos” e instou o executivo a “mostrar uma postura clara”.

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Hoje Macau 14 MAIO 2021 #4768  

Nº 4768 de 14 MAIO de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

Hoje Macau 14 MAIO 2021 #4768  

Nº 4768 de 14 MAIO de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

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