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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • TERÇA-FEIRA 14 DE FEVEREIRO DE 2012 • ANO XI • Nº 2549

Ter para ler

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 16 MAX 22 HUMIDADE 65-95% • CÂMBIOS EURO 10.5 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Instituto Politécnico de Macau acusado de fragilizar a lusofonia

FEIRA INTERNACIONAL

Pequim lança convite a empresas de Macau PÁGINA 3

CHINA FAZ FINCA-PÉ

Sector da aviação à beira da guerra comercial PÁGINA 7

DAVID BROOKSHAW

O homem que pôs Senna Fernandes a falar inglês CENTRAIS

Intenção não basta

O bem sucedido 15º Colóquio da Lusofonia, realizado o ano passado em Macau, não está de volta ao território em 2012 por causa da inércia do IPM, acusa o impulsionador do evento, Chrys Chrystello. O instituto diz estar ainda interessado, mas que “não se falou de datas concretas”. PÁGINA 5


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terça-feira 14.2.2012

política

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Encontro entre Chui Sai On e presidente do município da capital chinesa

Pequim apela às empresas de Macau

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Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, reuniu-se ontem com Guo Jinlong, presidente do município de Pequim, tendo aceite participar na primeira edição da feira internacional do comércio de serviço da China, a realizarna capital chinesa. “Apelamos às empresas de Macau para a sua participação”, referiu Guo.

A convite do Chefe do Executivo, o presidente do Município de Pequim, Guo Jinlong, visitou Macau e “reforçou a amizade e o intercâmbio entre as duas cidades. Do lado de Macau, Chui Sai On revelou que o Governo da RAEM irá participar e prestar todo o apoio. Disse acreditar que a presença na feira vai certamente reforçar a amizade entre os dois ter-

ritórios e o intercâmbio em diversas áreas. O líder do Governo de Macau acrescentou que a visita a Macau da comitiva liderada por Guo Jinlong é sinal de reforço da cooperação bilateral, na base já consolidada no passado. O presidente do município de Pequim, pela primeira vez no território, mostrou-se satisfeito com o

desenvolvimento e a prosperidade económica da RAEM, acrescentando que o objectivo principal da sua visita é promover a participação de Macau na referida feira.

PLATAFORMA INTERNACIONAL

A feira internacional do comércio de serviço da China, organizada pelo Ministério do Comércio da China, com

a colaboração do Governo Municipal de Pequim, servirá de plataforma internacional para o comércio de serviços, promovendo simultaneamente a cooperação entre a China e o exterior. Guo Jinlong indicou que, sob o grande impulsionamento do Governo da RAEM, o intercâmbio entre os dois territórios na área das indústrias culturais e criati-

Governo pressionado a alterar preços dos táxis

“Quanto mais cedo, melhor” A

Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi de Macau exige que o Executivo implemente o aumento da bandeirada dos táxis o mais depressa possível. Em declarações ao jornal Macau Post Daily, Tonny Kuok, presidente da entidade, defendeu a aplicação das novas medidas antes de Abril. “O Governo prometeu que as novas tarifas de

táxi seriam implementadas antes das férias da Páscoa. Esperamos que o Governo permita que ponhamos em prática os aumentos antes de Abril. Quanto mais cedo melhor.” O também membro do conselho consultivo que, juntamente com o Governo, estudou a aplicação das novas medidas, prevê maiores custos se os clientes não

pagarem mais por um táxi nos próximos meses. “Significa que as tarifas vão ser implementadas tarde de mais e os custos com o combustível vão aumentar, a juntar à inflação... a minha associação pediu diversas vezes ao Governo para aumentar as tarifas desde que submetemos a nossa proposta.” Algo que aconteceu, recorde-se, em Junho do ano passado.

vas tem sido desenvolvido nos últimos anos, acreditando que a feira poderá reforçar mais a cooperação entre ambos. Nos próximos dias a delegação de Pequim irá realizar uma conferência, para apelar à participação de empresas de Macau na primeira edição da feira internacional do comércio a realizar no final de Maio, em Pequim.

Candidatos a liderar Hong Kong em debate

Os três principais candidatos a chefe do executivo de Hong Kong, Henry Tang, C.Y. Leung e Albert Ho, aceitaram participar juntos, pela primeira vez, num fórum com o ambiente como pano de fundo. No âmbito do fórum, da organização de quatro grupos ambientalistas, os principais aspirantes a líder do Governo da antiga colónia britânica têm oportunidade de expor as suas políticas para a área do ambiente, estando previsto que respondam a perguntas da audiência. A iniciativa terá lugar a 3 de Março.


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sociedade

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Adolescente suspeito de abuso sexual

“Vamos pensar nesse assunto. Está em fase de estudo, porque para além dos pandas também temos uma zona habitacional. Temos de ver as necessidades e a evolução da zona.” De acordo com estudos efectuados pelo GIT, a construção do Metro Ligeiro deverá proporcionar uma poupança à sociedade na ordem das MOP 16 mil milhões, devido à diminuição da poluição e do menor uso de transporte próprio. “É uma rentabilidade para a sociedade. Fizemos uma quantificação do que poderia ser poupado na área da saúde. Se tivermos melhor ar para respirar, podemos poupar nestes custos.”

O Ministério Público (MP) aplicou medidas de coacção a um adolescente de 16 anos por suspeita de abuso sexual de uma criança de 6 anos. O caso terá ocorrido em Janeiro e o MP “considerou haver fortes indícios do crime”. O jovem, de apelido Chan, tem de se apresentar periodicamente às autoridades e não pode ausentar-se de Macau. No dia 16 de Janeiro, o suspeito e o irmão da vítima estavam a ver filmes pornográficos, o que originou a tentativa de abuso sexual. O caso foi agora entregue à polícia para mais investigações.

MENOS TEMPO DE DESLOCAÇÃO

Correcção sobre recandidatura de Senna Fernandes Uma falha de comunicação originou um erro na notícia de ontem sobre a recandidatura de Miguel Senna Fernandes à presidência da Associação dos Macaenses. Foi publicado que iria ocorrer em 2013, quando deverá acontecer em Julho deste ano, por ser em 2012 que termina o mandato de Senna Fernandes à frente da entidade. Aos leitores e ao visado, as nossas desculpas.

Primeiro troço começa a ser construído já em Março

Metro promete poupança de 16 mil milhões Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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EPOIS do início da construção do parque e das oficinas que darão suporte ao Metro Ligeiro, em 2011, o primeiro troço do novo sistema de transporte público deverá começar a ser construído

no próximo mês. A indicação foi dada por Lam Soi Hoi, do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT). “Espero que as obras possam iniciar no próximo mês na zona da Taipa. Estamos a tratar dos preparativos e da organização do trânsito.” No traçado actual, o metro abrange toda a península, desde

as Portas do Cerco até à zona da Barra, passando também pela Taipa, até ao Posto Fronteiriço da Ponte Flor de Lótus. Durante a conferência organizada ontem pelo GIT foi colocada a possibilidade do Metro Ligeiro chegar à zona de Coloane, em Seac Pai Van. Contudo, Lam Soi Hoi garantiu que ainda estão a estudar o caso.

O projecto do Metro Ligeiro em Macau remonta a 2002, depois de muita análise governativa e consultas públicas. Em 2007, aconteceu “a fase madura do projecto”, tendo sido criado o GIT. 2015 é a data apontada para a conclusão do novo transporte público, que promete seguir os princípios da rapidez e comodidade, para além de ser “amigo do ambiente e sem barreiras arquitectónicas”. Projecções do GIT para 10 anos prevêem que o Metro Ligeiro deverá ter uma capacidade máxima de transportar 7800 pessoas por hora, podendo atingir as 14 mil no futuro. As viagens deverão demorar entre três a cinco minutos. No total, o tempo de deslocação deverá diminuir cerca de 63%. O Metro irá passar junto a algumas zonas residenciais, mas Lam Soi Hoi jura que não causará distúrbio aos moradores. “Há muitos receios sobre o funcionamento, porque a população ainda não tem conhecimento do projecto. Mas na realidade o funcionamento do metro não traz qualquer poluição, e o ruído também será baixo.”

Especialistas de Portugal e Macau discutem doenças cardiovasculares

Pai do euro dá palestra na UMAC Robert A. Mundell, “o pai do euro”, como também é conhecido, vai estar na Universidade de Macau (UMAC) no dia 23. Mundell dará uma palestra sobre “O dilema da dívida europeia e o seu impacto na Ásia e na economia mundial”. Com a proposta de unir economias numa única moeda, Robert Mundell recebeu o Nobel de Economia, em 1999. É dele a autoria de um dos primeiros planos de moeda comum, um trabalho realizado no começo da década de 70 que resultou na criação do Euro, anos mais tarde. Nascido em Ontario, no Canadá, Mundell é professor na Universidade Chinesa de Hong Kong.

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SPECIALISTAS de cardiologia de Macau e Portugal reúnem-se a partir de hoje em Macau para discutir e trocar experiências no tratamento de doenças cardiovasculares, revelou à agência Lusa Mário Évora, presidente da Associação de Cardiologia do território. “Este congresso integra as actividades que nós, Associação de Cardiologia de Macau, mantemos com sociedades médicas portuguesas. Neste caso, está envolvida uma sociedade europeia que é a

Exame ao coração

Sociedade Europeia dos Médicos Hospitalares porque é, neste momento, presidida por um médico português - João de Deus, professor universitário - e encontrou-se, assim, a oportunidade de incluir a sociedade europeia nessa reunião.” Salientando que a Associação de Cardiologia de Macau é uma associação de cariz lusófono. “A associação faz questão de manter esse vínculo com a medicina da qual nós viemos, que é a ocidental de matriz portuguesa.” - Lusa


terça-feira 14.2.2012

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Defensor da lusofonia acusa IPM de indisponibilidade para receber colóquios

Falam, mas não fazem nada O 15º Colóquio da Lusofonia realizou-se em Macau no ano passado, mas tal não deve repetir-se até 2014. O impulsionador do evento, Chrys Chrystello, diz que assinou acordos e estabeleceu princípios de colaboração, mas nenhum deu frutos Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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EALIZARAM-SE o ano passado e encheram as páginas dos jornais de Macau, mas os Colóquios da Lusofonia não devem voltar ao território antes de 2014. Chrys Chrystello, presidente da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia (AICL), justifica que o regresso não vai ser feito por falta de disponibilidade do Instituto Politécnico de Macau (IPM), que foi quem recebeu o 15º Colóquio da Lusofonia em Macau no ano passado. “Não iremos a Macau este ano, pois ainda não obtivemos resposta do IPM para tal desiderato”, afirmou Chrys Chrystello ao Hoje Macau. “Desconhece-se se o IPM está interessado em continuar a apoiar a AICL. Após a jubilação do professor James Li perdemos o nosso interlocutor privilegiado.” Adianta ainda que o próximo ano está já preenchido e que o regresso ao território poderá ser feito em 2014/2015, dependendo contudo do patrocínio do IPM. Da parte da instituição, a garantia é de que as portas continuam abertas. Maria de Lurdes Escaleira, professora do IPM e coordenadora do último colóquio, assegura que o IPM se mantém interessado. “Os colóquios da lusofonia já têm calendário para este ano, que não inclui Macau. O politécnico manifestou interesse por futuros colóquios, mas não se falou em datas concretas.” Ainda assim, na acta que

descreve as conclusões saídas do colóquio do ano passado, a AICL caracteriza o evento como o melhor e maior realizado até à data e até assume o regresso a Macau este ano. “Admitiram a eventualidade deste mesmo evento se repetir em Macau em 2012, face ao sucesso do 15º Colóquio.” Além disso, diz ainda Chrystello, “quando fazemos uma proposta de colóquio é sempre com vista a um prazo de três anos, seguidos ou não, a fim de haver tempo de levar a cabo os projectos que eventualmente saiam de cada colóquio”. De 11 a 15 de Abril do ano passado, a RAEM recebeu cerca de 40 oradores de 16 nacionalidades diferentes. O Colóquio da Lusofonia incluiu uma sessão na Gruta de Camões com poesia lusófona de todos os continentes e foram ainda recordados escritores como Henrique de Senna Fernandes e Adé dos Santos Ferreira. Mas dos colóquios deveria ter saído também a concretização de outros protocolos, o que, segundo Chrys Chrystello, não aconteceu.

ACORDOS SEM EFEITO

Por exemplo, o Instituto Internacional de Macau (IIM), entre outras entidades, terá ficado de apoiar projectos como a criação de uma cadeira de Estudos do Patuá e uma base de dados sobre o Papiaçam di Macau. “Foi pedido por e-mail várias vezes à Escola Portuguesa, a Miguel de Senna Fernandes e a Jorge Rangel o envio de textos e outro material para colocar na página que criámos na internet”, explicou Chrystello. Mas, assegura, todos os textos e ligações sobre o crioulo de Macau não foram enviados por estas entidades. “Foi tudo pesquisado por nós, do que existe livremente na internet. Não vieram daí [Macau].” Chrys Chrystello dá o exemplo dos Cadernos de Estudo Açorianos, outro projecto da AICL, que conta com a ajuda de autores vivos ou descendentes

falamos por alto dos Doce Papiaçam. Não me recordo de me ter solicitado textos e não tenho recebido nada deles [AICL].” Confrontado com a situação, Chrystello admite a conversa informal com o presidente da ADM, mas diz ter tentado torná-la formal, assim que chegou a Portugal. “Fiz o pedido formal via e-mail e tornei a fazê-lo em outras mensagens, até por Facebook, mas sem ter resposta. Lamento porque era do interesse dos macaenses ter mais esta avenida de divulgação.”

REGRESSO PENDENTE

Chrystello diz-se também ignorado pela TDM O ano passado, o presidente da AICL dissera ao Hoje Macau já ter estabelecido um acordo com a TDM. Na altura do 15º Colóquio da Lusofonia, referiu ter um projecto para lembrar e traçar o percurso de personagens açorianas. A ideia era criar um documentário sobre os bispos que saíram dos Açores e passaram em Macau, como por exemplo D. Arquimínio da Costa. “Este projecto era o mais realista, mas a TDM nunca se dignou a responder.” O projecto envolvia o patrocínio da TDM com a viagem de um jornalista aos Açores e a edição de um DVD. Mas fonte da TDM garantiu ao Hoje Macau que a emissora nunca terá recebido qualquer projecto concreto ou definido. Crystello pensa de outra forma. “Tentei sempre por escrito, que é a minha abordagem formal, mas a direcção da TDM nunca respondeu às mensagens. E foram inúmeras.” Seja como for, em contacto com o Hoje Macau, João Francisco Pinto, director de informação e de programas da TDM, explicou que a “TDM não vê interesse em realizar os documentários propostos” por Chrys Chrystello.

de falecidos que ajudam na recolha dos textos. “No caso do patuá, a única pessoa que colaborou foi o nosso associado Raul Gaião.” O presidente da AICL explica que para fazer o levantamento de tudo o que tenha a ver com o crioulo de Macau é necessária a disponibilidade de quem esteja no território. Chrystello frisa que, com

o IIM, foi mesmo assinado um protocolo completo que visava a  criação dos estudos de patuá. “Queríamos criar um curso de patuá online como única e última hipótese de revitalizar algo que pode não durar muito mais, pois para o que está a ser feito dentro de poucos anos não haverá gente suficiente para o manter vivo.”

Segundo a acta do colóquio do ano passado, no protocolo que a AICL assinou com o IIM e num outro memorando de entendimento com o IPM e em conjunto com a Escola Portuguesa de Macau, estava inscrita a criação de uma cadeira de estudos de patuá e a preparação de uma versão desses estudos em plataforma e-learning. “Mas nada se conseguiu em Macau para cursos de patuá, quer em plataforma e-learning, quer presencialmente.” O Hoje Macau tentou contactar a Escola Portuguesa de Macau, mas não obteve resposta. Também não foi possível falar com Jorge Rangel, presidente do IIM, por este se encontrar fora de Macau.

CONVERSA INFORMAL

Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, nega qualquer protocolo, dizendo que a conversa sobre o apoio a Chrys Chrystello foi informal. “Nem fui ao colóquio, encontrei-o por acaso e

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Num momento em que Macau permanece caracterizado como plataforma para a lusofonia, a realização de actividades ligadas à língua portuguesa no território tem uma certa constância. Depois de no ano passado ter estado na RAEM, a AICL tinha planos para regressar este ano. Isso mesmo foi descrito na imprensa local, no final do 15º Colóquio em 2011. Chrystello afirmou, na altura, que as negociações com o IPM nesse sentido estavam bem encaminhadas. Ontem, o presidente da AICL reafirmou ter pediu à organizadora do evento anterior – Maria de Lurdes Escaleira – que tratasse de abordar a direcção do IPM sobre o interesse no regresso da AICL. “Insistimos logo, após o 15º colóquio, no nosso regresso, o que coincidiu com a jubilação de James Li, e desde então não obtivemos resposta concreta.” Maria de Lurdes Escaleira explica que a vinda a Macau da AICL implicava um grande investimento “devido à intenção de envolver também pessoas de Macau”, pelo que teria de ser algo estudado. “Temos de colher da experiência, mas não podemos confirmar data. Agora essa afirmação de que não estamos disponíveis é prematura.” Chrystello concede que o IPM nunca fechou as portas ao regresso da AICL, mas acusa a instituição de também nunca ter respondido aos pedidos da associação. Face à justificação de que a AICL não tinha calendário para o regresso, afirma que “em todas as declarações feitas pela direcção ficou explícita que a AICL estaria disposta a voltar passados 12 meses”. O IPM, diz o presidente da associação, nunca respondeu a qualquer solicitação.


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Durão Barroso pede mais cooperação

Cimeira China/UE arranca hoje

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reforço da parceria UE-China. “Pode fazer a diferença e trazer benefícios para as nossas economias.”

presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, pediu ontem uma maior cooperação entre a União Europeia e a China para enfrentarem os “desafios comuns”, na véspera da cimeira entre os dois blocos, em Pequim e numa altura em que o editorial do Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês reafirmou a ideia de que a China não tenciona controlar a Europa. “Enfrentamos desafios comuns e o mundo precisa de parcerias responsáveis e cooperantes para os ultrapassar”, disse José Manuel Durão Barroso, que se reúne esta terça-feira com o presidente chinês, Hu Jintao. “É agora, mais do que nunca, que temos que actuar juntos”, acrescentou, salientando que o reforço da parceria UE-China “pode representar um pilar importante para a estabilidade e prosperidade globais”. Também o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Roumpuy, defendeu o

Ministro chinês em Teerão

O ministro-adjunto das Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu, encontrou-se este domingo na capital iraniana com Ali Bageri, vice-secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, e com o vice-chanceler, Mohammed Mehdi Akhondzadeh. Ma afirmou que o objectivo da sua visita é a discussão da questão nuclear do Irão com honestidade. A China está disposta a promover a retoma das negociações entre o Irão e o grupo composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e pela Alemanha. Para a China, as negociações e cooperação com a Agência Internacional de Energia Atómica são o caminho adequado à resolução da questão nuclear iraniana.

Xi Jinping inicia viagem aos EUA

O vice-presidente chinês Xi Jinping partiu para os Estados Unidos numa visita que precede, como tudo leva a crer, a sua ascensão a líder da nação mais populosa do mundo. Xi Jinping partiu ontem de Pequim e irá encontrar-se com o Presidente Barack Obama e outros altos responsáveis em Washington. O vice-presidente chinês fará uma paragem no Iowa na quarta-feira, antes de viajar para a Califórnia onde se encontrará com empresários. Xi Jinping deverá assumir a liderança do gigante asiático no final do ano.

SEM DESEJO DE CONTROLO

Entretanto, a China voltou a indicar que não tenciona “comprar” ou “controlar a Europa”, reafirmando um comentário do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, poucos dias antes da cimeira com a União Europeia. “A China não só não tem o apetite ou a capacidade para ‘comprar a Europa’ ou ‘controlar a Europa’, conforme alguns têm dito, mas também apoia o euro e a União Europeia do princípio ao fim”, disse o Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês. Num editorial publicado na sua edição internacional, o Diário do Povo refere que, “durante muitos anos, a UE tem sido o maior mercado das exportações chinesas, a maior fonte de tecnologia da China e um grande investidor”. “É esta a principal ideia subjacente ao que o pri-

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ministério dos Negócios Estrangeiros chinês manifestou o seu aval à mediação da Liga Árabe na Síria, mas sem dar sinais de que apoiaria a proposta daquela entidade de enviar forças internacionais de paz ao país, para conter a violência do governo contra grupos de oposição. A Liga Árabe apro-

Liga Árabe com missão de paz na Síria

China diz nim

vou no domingo uma resolução que pede ao Conselho de Segurança da ONU que autorize uma missão de paz na Síria. A proposta intensifi-

ca a pressão diplomática sobre Rússia e China, que sofreram duras críticas do Ocidente por vetarem o texto da resolução da ONU que previa, entre outros

itens, que o presidente sírio, Bashar al Assad, se afastasse do poder. O porta-voz do ministério, Lui Weimin, evitou dizer se Pequim apoia o envio de forças

meiro-ministro Wen disse – ‘ajudar a Europa é, de facto, ajudar a própria China’”, afirma o editorial. A “ideia” foi manifestada no dia 4, depois de Wen Jibao ter garantido que a China estava a ponderar envolver-se mais profundamente nos esforços de resolução da questão da dívida soberana europeia, através dos fundos europeus de resgate.

RELATIVIZAR IMPORTÂNCIAS

No mesmo dia, porém, outro jornal do grupo Diário do Povo proclamou que a China “tem hoje muito mais influência económica” no mundo e “não precisa de dançar ao ritmo europeu”. “A Europa é importante para a China, mas essa importância não deve ser sobrestimada e o valor estratégico da Europa para a China precisa de ser reavaliado”, disse o Global Times. Num estudo divulgado há quatro meses, três investigadores do European Council on Foreign Relations alertaram que “a China está a comprar a Europa”, replicando a estratégica seguida em África. “Outrora um grande mas distante parceiro comercial, a China é agora um poderoso actor dentro da própria Europa.”

de paz. “A China propõe e apoia continuados esforços da Liga Árabe para a mediação política, a qual tem um papel proactivo e construtivo para a resolução pacífica da questão síria”, disse Liu ao ser questionado sobre a resolução da Liga Árabe. “Acreditamos que as Nações Unidas deveriam oferecer um apoio construtivo com base na Carta da ONU e nas normas das relações internacionais.”

SÓ COM CONSENSO

O envio de forças de paz à Síria exigiria um consenso das principais potências mundiais, que por enquanto estão divididas sobre como resolver uma crise que cada vez mais ganha contornos de guerra civil. A resolução da Liga Árabe não especificava se a missão conjunta da ONU e da Liga envolveria forças armadas ou se a ajuda oferecida à oposição incluiria armas.


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Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) informou ontem, em comunicado, que as economias dos países desenvolvidos podem estar prontas para ganhar força, após meses de desaceleração. Esta recuperação deve ser liderada pelos Estados Unidos e pelo Japão. Mas entre os países emergentes, a China e Brasil continuam a registar quebras no desempenho. O índice de indicadores antecedentes da actividade económica, que inclui os 34 membros da OCDE, subiu de 100,21 em Novembro para 100,43 em Dezembro, a primeira subida registada desde Fevereiro de 2011. Esta recuperação incipiente deve ser liderada pelos EUA e pelo Japão. O índice dos norte-americanos subiu pela segunda vez consecutiva, enquanto que o dos japoneses subiu pela primeira vez desde Fevereiro de 2011. Também há sinais de recuperação na Índia (de 95,05 para 95,62,) e na Rússia (de 102,23 para 102,43,). “O índice composto de indicadores antecedentes aponta para uma mudança positiva na aceleração para a OCDE como um todo,

Após meses de desaceleração económica

OCDE assinala recuperação de países desenvolvidos

Medo de guerra comercial no sector da aviação

Companhias aéreas pedem ajuda à ONU

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OMPANHIAS aéreas de todo o mundo pediram este domingo um acordo patrocinado pela Organização das Nações Unidas a fim de evitar que as divergências entre a China e a União Europeia sobre as emissões do sector da aviação resultem numa guerra comercial.

nacional

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O pedido feito pelo chefe da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) surge como uma resposta a sinais de que a UE pode estar disposta a atenuar a sua posição unilateral, que colocava em risco os esforços para resolver a crise da dívida soberana da Europa com apoio chinês. O director-geral da IATA, Tony Tyler, afirmou que as companhias aéreas ficaram num fogo cruzado entre leis domésticas conflituantes, após a China proibir as suas companhias aéreas de alinharem no sistema compulsivo da UE para regular as emissões do sector aéreo. “A acção dos chineses para prevenir que as suas companhias aéreas escolham um lado no Esquema Comercial de Emissões é

muito arrojada e atira as transportadoras chinesas para a linha de frente desta disputa.”

SITUAÇÃO PERTO DO LIMITE

Tony Tyler afirmou que a situação é intolerável, precisando “claramente” de ser resolvida. “Isto não pode continuar assim. É claro que espero muito que não estejamos a assistir ao início de uma guerra comercial sobre esta questão e que os conselhos mais sábios acabem por prevalecer.” A China opôs-se ao esquema da UE, que também foi contestado pelos Estados Unidos e pela Índia. As crescentes disputas dentro deste sector são uma ameaça aos esforços para desenvolver uma solução internacional para a crise da dívida soberana da Europa.

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guiado principalmente pelos Estados Unidos e pelo Japão. Mas sinais semelhantes estão a começar a surgir noutros países desenvolvidos.”

CHINA GANHA MENOS

Em relação aos países emergentes, apesar das melhorias na Índia e na Rússia, os índices da OCDE mostram uma desaceleração na China e a persistência de um crescimento abaixo da média no Brasil. “O índice da China aponta mais fortemente para uma desaceleração este mês do que na avaliação do mês passado”, diz a organização. Os indicadores antecedentes da OCDE são destinados a dar sinais antecipados de pontos de mudança entre a expansão e a desaceleração da economia e são baseados numa série de dados que têm um histórico de assinalar as mudanças das actividades. Apesar de algumas melhoras registadas, o índice de indicadores antecedentes da OCDE continua a apontar para uma desaceleração do crescimento na zona euro, que luta para combater a crise da dívida, com muitos países a serem forçados a implementar duras medidas de austeridade.

Austeridade na Grécia traz benefícios

Bolsa asiática em alta

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S bolsas de valores na região asiática estavam em alta depois dos deputados gregos terem aprovado nesta segunda-feira um pacote de medidas de austeridade, enquanto nas ruas de Atenas a população protestava e entrava em confronto com a polícia.

A votação parlamentar decorreu sob protesto popular contra mais medidas de austeridade, mas foi fundamental para garantir o segundo pacote de ajuda ao país e evitar a entrada em bancarrota. Das principais bolsas asiáticas, a de Tóquio, no Japão, estava a subir

0,18%, Sidney, na Austrália, subia 0,34%, e Seul 0,49%. A bolsa de Hong Kong estava também a negociar em terreno positivo com uma subida de 90,27% enquanto Xangai, a capital económica da China estava em baixa de 0,32%.


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terça-feira 14.2.2012

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China inicia avaliação de riscos para a saúde pública

Mais vale tarde do que nunca

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EVIDO à possibilidade de ocorrência de problemas que afectem a saúde pública, o Ministério da Saúde da China decidiu no passado fim de semana dar início a uma avaliação dos factores de riscos nesta área, para poder prevenir e responder adequadamente a situações ligadas a doenças contagiosas, calamidades naturais e acidentes de várias origens. A avaliação de riscos é um processo que passa pela identificação, análise e avaliação da situação actual, assim como pela organização dos dados necessários e relevantes à tomada de decisões. Nos últimos anos, a Organização Mundial de Saúde e muitos países têm considerado a avaliação de riscos nesta área como uma medida muito importante para a prevenção e tratamento de acidentes. Liang Wannian, director do Gabinete de Incidentes do Ministério da Saúde da China, assinalou que o trabalho de prevenção de acidentes na China é uma tarefa árdua, especialmente nos sectores da higiene pública, calamidades naturais, acidentes e segurança social. “Por um lado, os problemas de higiene pública acontecem frequentemente, a gripe suína e a gripe das aves são bons exemplos

de ameaças à saúde da população. Por outro, novos tipos de doenças contagiosas e doenças desconhecidas até agora continuam a surgir. Com o desenvolvimento dos meios de transporte modernos, as doenças contagiosas têm um potencial de expansão muito maior e cada incidente tem as suas características próprias. Além do mais, tem-se

verificado com frequência calamidades naturais e acidentes em minas de carvão ou no transporte de mercadorias.”

SISTEMAS DE ALERTA

A China estabeleceu o seu sistema de emergências de saúde em 2004. Várias avaliações de risco foram efectuadas durante as Olimpíadas

de Pequim e a Exposição Mundial em Xangai, assim como na sequência dos fortes terramotos em Wenchuan e Yushu. No caso da bactéria e.coli, que afectou fortemente a Alemanha, a avaliação de riscos desempenhou um papel fundamental para compreender a epidemia e reajustar as políticas de combate à doença.

Liang Wannian afirmou que o actual sistema de alerta, no qual se inclui a avaliação de riscos, está ainda num estado inicial. O director do Gabinete de Incidentes acrescentou que a partir de Março, por todo o país, a avaliação de riscos vai iniciar-se a um ritmo de, pelo menos, uma vez por mês. No caso de se detectarem grandes riscos para a saúde pública, os departamentos de saúde devem imediatamente avaliar e identificar que riscos são esses. “Se forem detectados grandes riscos para a saúde da pública, durante a avaliação de rotina, os departamentos de saúde locais devem aprofundar a investigação. Antes de publicarem alertas de epidemia ou incidentes de higiene pública, as autoridades de saúde locais devem avaliar o real risco dessa epidemia e identificar o tratamento mais eficaz para lidar com a situação. Quando o incidente é classificado nos níveis mais graves, as autoridades locais têm que reportar e tratar da situação quanto antes, além de publicar as informações até então recolhidas.” Actualmente, o Gabinete de Riscos do Ministério de Saúde já iniciou este tipo de prevenção de riscos para a saúde pública nas províncias de Zhejiang, Shandong, Hebei e Gansu, assim como na cidade de Xangai. Liang Wannian reiterou que todo o país deve aperfeiçoar o seu sistema de controlo de higiene pública, de forma a lidar com potenciais riscos com a maior brevidade possível.

Documentário sobre artista chinês apresentado no festival de Berlim

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Tibete recebe mais de oito milhões de turistas

Segundo os dados divulgados pela Administração de Estatísticas da Região Autónoma do Tibete, a região recebeu, em 2011, cerca de 8,7 milhões de turistas, um aumento de 27% em relação ao ano anterior, mantendo a tendência de crescimento do sector nos últimos anos. Entre os turistas, 8,43 milhões são provenientes do mercado interno, o que corresponde a um crescimento de 27%, e 270 mil são estrangeiros, um aumento de 19%. O Tibete arrecadou receitas de cerca de MOPp 11 mil milhões, o que representa um aumento de 36%. A receita em moeda estrangeira foi de cerca de mil milhões de patacas, uma subida de 25% face a 2010.

Ai Weiwei em destaque

XIBIDO este domingo na mostra Berlinale Special, o documentário “Ai Weiwei: Never Sorry” foi um dos destaques do dia, fora da corrida pelos Ursos de Ouro e Prata no Festival de Berlim 2012. A pré-estreia mundial foi no Festival de Sundance, em Janeiro deste ano, onde já tinha sido muito bem recebido. O filme acompanha a trajectória do artista que se tornou um símbolo da luta pela liberdade de expressão e pela transparência na China. Dirigido pela americana Alison Klayma, o documentário não tenta fazer uma análise da obra artista, mas apenas acompanhar a sua trajectória, o que por si só já explica muito da sua arte. Klayma começou a filmar Weiwei em 2008, logo após este ter concebido o estádio olímpico Ninho de Pássaro, em Pequim, e ter denunciado os Jogos Olímpicos como propaganda do Partido

Comunista, facto que o transformou numa figura internacionalmente conhecida pela primeira vez. Os anos que se seguiram foram ainda mais reveladores. Sem nunca ter usado um computador até 2005, Weiwei abriu um blogue onde expunha com toda a

franqueza opiniões politicamente incendiárias.

PURO E DURO

O governo chinês fechou o blog em 2009, mas o artista já se tinha afirmado como um símbolo - papel que continua a desempenhar

através do Twitter. No mesmo ano, Weiwei inaugurou a sua maior exposição individual no museu de Munique, na Alemanha. E, depois de jurar a vida inteira que não queria filhos, também foi pai. Em 2011, foi preso sem acusação formal e esteve desaparecido por mais de 80 dias. Quando finalmente voltou para casa, avisou a imprensa que estava em liberdade condicional e proibido de dar entrevistas ou de comunicar através de redes sociais. “Never Sorry” mostra este arco temporal de forma franca e aberta, questionando inclusive Weiwei sobre a sua relação extraconjugal e o súbito aparecimento de um filho. As obras do artista, os seus conceitos e significados vêm na sequência da sua condição de ser humano comprometido. Não foi preciso perder muito tempo com críticos de arte e explicações abstractas. A sua história explica a obra.


terça-feira 14.2.2012

O

vice-primeiro-ministro de Timor-Leste, José Luís Guterres, disse ontem à agência Lusa que os barcos e pescadores indonésios detidos pelas autoridades timorenses violaram o espaço marítimo e que a questão está a ser investigada. “As nossas forças navais capturaram alguns barcos indonésios dentro das nossas águas territoriais. Os barcos foram apreendidos e neste momento os barcos e pescadores indonésios estão em Timor e está a decorrer uma investigação para se saber o que aconteceu.” O governo da Indonésia disse no dia 5 estar a tentar libertar seis pescadores da província indonésia de Sulawesi do Sul detidos pela polícia de Timor-Leste. “Não vamos ficar inactivos no que diz respeito à prisão dos nossos pescadores pela polícia do país vizinho”, afirmou o ministro da Pesca e Recursos Naturais indonésio, Sharif Sutardjo, citado pela agência noticiosa indonésia Antara.

região

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Pescadores indonésios detidos em Timor-Leste

Águas agitadas

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Governo japonês aprova nova ajuda à TEPCO O Governo nipónico aprovou ontem o financiamento adicional de cerca de MOP 69 mil milhões para ajudar a TEPCO, operadora da central de Fukushima, a pagar as indemnizações às vítimas da crise nuclear. A operadora tinha solicitado em Dezembro esta segunda ajuda estatal. Com a nova ajuda financeira, o Governo nipónico eleva para cerca de 155 mil milhões de patacas os fundos públicos canalizados em ajudas à operadora TEPCO (Tokyo Electric Power). À margem da ajuda estatal, a operadora espera receber cerca de MOP 12 mil milhões de seguro nacional previsto em caso de acidentes nucleares.

Intermediário condenado a 10 meses de prisão Um intermediário que ajudou mulheres do interior da China a darem à luz em Hong Kong foi condenado a uma pena de dez meses de prisão por ter prestado falsas declarações junto dos serviços de imigração da antiga colónia britânica. Segundo a rádio e televisão pública de Hong Kong (RTHK), trata-se do primeiro caso a ser julgado na antiga colónia britânica envolvendo um agente intermediário oriundo do interior da China. A condenação surge numa altura em que a Região Administrativa Especial tem vindo a apertar o cerco ao fluxo de mulheres do interior da China que se deslocam a Hong Kong no fim do tempo de gravidez para dar à luz no território.

QUESTÃO DE TEMPO

José Luís Guterres disse também que no sábado recebeu o administrador de Sulawesi e o advogado dos armadores, que informaram que se registou uma “avaria nos motores e os barcos foram arrastados pelo vento e pelas águas”. “Disseram que não havia nenhuma intenção de violar o espaço marítimo”, acrescentou. José Luís Guterres salientou o processo de investigação está a decorrer que é “uma questão de tempo até o assunto ser resolvido”.

Casal sul-coreano deixa filhos morrer à fome Um pastor sul-coreano e a sua mulher foram presos por espancarem e deixarem morrer à fome três filhos numa alegada tentativa de lhes retirar os demónios do corpo, informou ontem a polícia. O casal foi preso no domingo pelo homicídio dos filhos, depois de um familiar ter descoberto os corpos em decomposição em casa, perto da igreja onde o homem era pastor, no distrito de Boseong, no sudoeste do país. Uma investigação forense demonstrou que a menina de 10 anos e os dois rapazes de oito e cinco anos não tinham comida nos estômagos e apresentavam hematomas em todo o corpo.

Prisões da Tailândia inibem chamadas eróticas

Fim ao prazer na cadeia A

S autoridades da Tailândia instalaram inibidores de frequências nas prisões do país para evitar que os presos utilizem telemóveis para traficar drogas ou realizar chamadas eróticas, informou a imprensa local. Os telemóveis estão proibidos nas prisões tailandesas, mas os presos

conseguem aceder aos mesmos através do contrabando e utilizam-nos para o tráfico de droga no interior e exterior da prisão, relatou o diário “Bangkok Post”, este fim de semana. O responsável pelo Departamento de Prisões da Tailândia, Suchar Wong-anantchai, afirmou que os prisioneiros

realizam vídeochamadas para mulheres para se masturbarem. Khao Bin, como as outras prisões da Tailândia, conta agora com um inibidor de frequências, mas alguns presos têm recorrido a telefones por satélite para contornar as novas restrições, de acordo com fontes do Departamento de Prisões.

Alegado autor de atentado em Bali julgado Um tribunal da Indonésia começou ontem a julgar um dos alegados autores dos atentados de 2002 na ilha de Bali, o indonésio Umar Patek, acusado de assassinato premeditado, fabrico de explosivos e posse de armas. Patek, de 41 anos e alegado cabecilha da organização terrorista Yemaa Islamiya, considerada o braço da Al Qaeda no Sudeste Asiático, enfrenta a pena de morte caso seja declarado culpado. Segundo a procuradoria, Patek preparou as bombas utilizadas nos ataques em Bali, que causaram a morte de 202 pessoas, e esteve envolvido nos 13 atentados com bombas perpetrados contra igrejas em Jacarta na noite de Natal do ano 2000.


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entrevista

Um passeio por Macau colocou-lhe nas mãos “A Trança Feiticeira”, em 1996. A paixão foi imediata e a internacionalização da literatura de Macau ganhou novo fôlego

terça-feira

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David Brookshaw, o homem que leva Senna Fernandes aos britânicos

“Amor e Dedinhos de Pé merecia

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Quando teve o primeiro contacto com a obra de Senna Fernandes? De passagem por Macau, em 1996, comprei o romance “A Trança Feiticeira”. Depois, entre 1996 e 1999, li pela primeira vez os contos “Nam Van” e “Mong Há”, assim como “Amor e Dedinhos de Pé”. Isto aconteceu quando preparava um estudo sobre a literatura em Macau, publicado por uma editora anglo-americana em 2002, intitulado “Perceptions of China in Modern Portuguese Literature”. A escrita do escritor macaense foi comparada à de Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco. Encontrou estas semelhanças? Se isso quer dizer que a escrita de Senna Fernandes tem fortes ecos do romantismo e realismo do século XIX, estou inteiramente de acordo. É um ponto que levantei várias vezes em estudos que fiz sobre o autor. Senna Fernandes escreveu muitos livros no início da idade adulta que acabaram por ficar pelo caminho. Seria aí um escritor diferente daquele que traduziu? Sim. Mas mesmo quando lemos um conto como “A-Chan a Tancareira”, escrito em 1950 e, que se saiba, o primeiro exemplo da sua escrita a ser publicado, o tom e o tratamento da temática do amor é diferente em relação aos seus dois romances muito posteriores. Já para não mencionar a sua última obra, “A Noite Desceu em Dezembro”. O autor afirmou que, numa conversa, alguém lhe admitiu que dificilmente poderia publicar um livro em Portugal, por não ser considerado um autor de língua portuguesa. Estamos perante um escritor dependente do contexto de Macau? Todos os autores são, de certa forma, dependentes do contexto cultural e social em que escrevem. O que Senna Fernandes talvez quis dizer é que Portugal é mais aberto às literaturas africanas em português do que a uma literatura que tenta evocar a realidade de um espaço completamente desconhecido. Ao ser traduzido para inglês, Senna Fernandes pode ganhar um espaço internacional, indo além da

ideia de ser apenas um “escritor macaense”? Sim. Sobretudo poderá ser lido pela diáspora macaense nos Estados Unidos, no Canadá ou na Austrália, que já não tem conhecimentos do português, assim como em cursos de literatura asiática em países anglófonos. Ele escreveu sobre o amor e as mulheres. É sobretudo um autor romântico? Sim, mas é preciso ver esse romantismo como fazendo parte de um projecto de expressar a identidade macaense. Também traduziu os contos “Nam Van” e “Mong Ha”. Que dife-

Não se pode comparar a literatura ‘pós-colonial’ em Macau com as literaturas africanas em português (ou em outras línguas). Talvez seja mais produtivo pensar em literaturas surgidas em espaços semelhantes, como, por exemplo, Singapura ou Hong Kong, lugares essencialmente poliglotas e ligados ao mundo do comércio internacional

renças encontrou em relação aos romances? Em muitos dos contos, a temática é a mesma que nos romances. Em termos de tradução, não posso dizer que encontrei desafios específicos em relação aos contos. Há projectos para continuar a trabalhar sobre a obra deste autor? Acabei, há pouco tempo, um artigo sobre o autor para uma revista em Macau. Quanto a mais traduções, estou sempre interessado. “Amor e Dedinhos de Pé” merecia ser traduzido. A editora que publicou a tradução de “A Trança Feiticeira”, em 2004, ponderou a tradução do primeiro romance do autor, mas o projecto

não foi adiante por razões que desconheço. É preciso não esquecer que é muito difícil colocar traduções de autores não anglófonos em editoras inglesas e norte-americanas. Traduziu outros autores em Macau. Porquê a opção de trabalhar sobre a escrita deste território? Traduzi uma selecção de contos de Deolinda da Conceição, Maria Ondina Braga e Fernanda Dias. Esses estão na antologia “Visions of China: Stories from Macau”, que publiquei quando andava a pesquisar a literatura de Macau. Essa antologia foi publicada nos Estados Unidos e pela Hong Kong University Press. O meu interesse pela literatura em


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entrevista

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história como empório comercial. Não se pode comparar a literatura ‘pós-colonial’ em Macau com as literaturas africanas em português (ou em outras línguas). Talvez seja mais produtivo pensar em literaturas surgidas em espaços semelhantes, como, por exemplo, Singapura ou Hong Kong, lugares essencialmente poliglotas e ligados ao mundo do comércio internacional.

JOSÉ MANUEL SIMÕES

a ser traduzido”

Na língua, há uma maior consciência da especificidade do português, simplesmente porque há uma maior presença de lusófonos nas grandes cidades inglesas, que trouxeram inevitavelmente elementos da sua cultura. Londres é o grande pólo de atracção, tanto para a diáspora brasileira como para a portuguesa

Macau originou a realização de que o orientalismo português tinha sido muito pouco estudado até então.

-se pela expressão literária como resultado do encontro luso-chinês e luso-indiano.

Isso alterou-se? A situação mudou no inicio dos anos 2000, com a emergência de críticos universitários em Portugal, Brasil, Reino Unido, Estados Unidos e França, que começaram a interessar-

Em 2010 deu uma palestra sobre a escrita de Macau. Considera-a uma literatura peculiar? Sim, principalmente pelo carácter que o território assume como espaço multi-cultural, e pela sua

Em Macau, algo do património anterior vai manter-se, apesar dos casinos e do neo-liberalismo internacional. Mas é preciso que os interessados pelo património cultural lutem para a sua preservação e relevância para as novas gerações de macaenses e chineses do território

Uma das suas áreas de estudo relaciona-se com a cultura desta região. A Macau de hoje, com os casinos, vai conseguir manter os seus traços originais? Lembro-me de uma conversa entre o Mia Couto e a minha mulher, que como ele, nasceu e passou a primeira parte da sua vida na Beira, em Moçambique. Ele disse que se ela regressasse à Beira iria chorar por duas razões: primeiro porque tudo mudou, segundo porque nada mudou. É o caso de Macau, portanto? Isso acontece em todos os lugares, mesmo quando passaram por mudanças sociais e políticas cataclísmicas (que não é tanto o caso de Macau). Mesmo assim, em Macau, algo do património anterior vai manter-se, apesar dos casinos e do neo-liberalismo internacional. Mas é preciso que os interessados pelo património cultural lutem para a sua preservação e relevância para as novas gerações de macaenses e chineses do território. Denota um interesse dos britânicos pela cultura e língua portuguesa?

Em termos dos estudos lusófonos nas universidades, o número de alunos a seguir a licenciatura em português tende a manter-se estável, apesar da crise nas universidades. Na minha, por exemplo, há actualmente mais de cem alunos de português. Junto ao público maior, diria que há mais conhecimento da cultura portuguesa do que há 20 ou 30 anos. Porquê? Há uma nova geração de fadistas que conseguiram dar uma divulgação internacional ao fado – estou a pensar principalmente numa cantora como Mariza. Em termos de literatura,

quase toda a obra do Saramago está traduzida e à venda nas principais livrarias. Na língua, há uma maior consciência da especificidade do português, simplesmente porque há uma maior presença de lusófonos nas grandes cidades inglesas, que trouxeram inevitavelmente elementos da sua cultura. Londres é o grande pólo de atracção, tanto para a diáspora brasileira como para a portuguesa. Essa presença de lusófonos hoje em dia deu aos ingleses uma maior consciência da língua e das culturas (no sentido mais amplo do termo) veiculadas por essa língua.

Um inglês fascinado pela língua portuguesa Muito antes do contacto com a obra de Senna Fernandes já David Brookshaw tinha um contacto forte com a literatura lusófona. Investigador e professor na área dos Estudos LusoBrasileiros na Universidade de Bristol, diz que começou a sua carreira como “brasilianista”, mas a ligação ao idioma de Camões iniciou-se antes. “Morei três anos em Portugal nos anos 60 e o meu fascínio pela língua portuguesa data desses tempos.”

Começou a ensinar em 1974, na Universidade de Queens, em Belfast, e chegou a Bristol em 1978. Além da obra de Senna Fernandes, David Brookshaw traduziu Mia Couto, Rodrigues Miguéis e Onésimo Almeida. O académico também traduziu poemas em português, não só em duas antologias de poesia de Macau, organizadas por Kit Kelen, como na obra “Portuguese Poets of Macau”. 


vida

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terça-feira 14.2.2012

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casos de abuso de poder com consequências para o meio ambiente”. Frisando a necessidade de haver mais justiça, Lu Keqin coloca o dedo na ferida num país onde o activismo, inclusive ambiental, pode causar riscos de detenção. Ao nível do governo central existe uma cada vez maior receptividade a tratar estes casos com justiça e a Federação apresentou resultados de 44 casos abertos em processo, dos quais 16 foram resolvidos e 33 receberam supervisão. “O apoio legal às vítimas está a ser dado também através de advogados a trabalhar em regime de voluntariado”, foi dito em Pequim.

ÊXITOS

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Mais direitos ambientais

Federação chinesa para o Ambiente lançou uma campanha de informação dirigida à população sobre que direitos a um ambiente mais limpo existem. Parte de um projecto desenvolvido em parceria com o Programa de Desenvolvimento da ONU, o lançamento de um livro de bolso com informações surge como resultado de um trabalho de dois anos. O objectivo é aumentar o apoio legal às populações mais atingidas pela poluição, sobretudo a nível rural onde muitas vezes as fábricas e os próprios governos ignoram a

responsabilidade de preservar o meio ambiente. A maior organização a nível nacional, a Federação Chinesa, existe desde 2005 como principal agregador de outras organizações locais. O direito legal a um ambiente limpo tem vindo a ser desenvolvido em conjunto com o governo central. Ao juntar uma equipa multidisciplinar de advogados, académicos e legisladores, a Federação

Maria João Belchior

A

Sabia que...

Um livro pela população pretende alargar a informação a nível nacional de forma a encorajar a população a apresentar queixa de cada vez que o ambiente for vítima de abusos por parte das empresas. “Uma das funções deste projecto é criar apoio legal para as vítimas”, foi dito na apresentação.

PELO ACTIVISMO

Rios contaminados e solos envenenados aparecem cada vez mais

Críticas na internet levam China a combater poluição

U

... o louva-a-deus

macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver conectada ao corpo? A fêmea inicia o acto sexual

arrancando-lhe a cabeça.

nas notícias chinesas. Lançar o livro de bolso vem alertar para a necessidade de fazer queixa e o direito de cada um de dar seguimento ao processo jurídico. Lu Keqin, consultor na direcção da Federação, disse na apresentação em Pequim que em primeiro lugar é “urgente aumentar a responsabilidade do governo e o papel dos meios de comunicação a desmascarar os

No novo livro de bolso, os casos de sucesso em que a justiça ganhou, são exemplos para motivar quem ache que deve dirigir-se à Federação. “O modelo de desenvolvimento em que o meio ambiente é que paga não faz sentido nos dias de hoje”, disse Zeng Xiaodong, secretário-geral da Federação. “Quando uma empresa polui, o governo e a população acabam por pagar o último preço”, acrescentou Lu Keqin, dizendo que este ciclo tem de ser quebrado. Desde 1985 que a China tem uma Lei de Protecção Ambiental que tem vindo a ser alterada nos últimos anos, criando o conceito de crime ambiental, algo que até há poucos anos não existia. No próximo dia 17, a Federação chinesa para o Ambiente vai apresentar a discussão em Pequim uma nova adenda à Lei de Protecção Ambiental, projecto que deverá depois ser apresentado durante a Comissão Consultiva Política em Março.

Ar a limpo on line

M grupo de cidadãos chineses gastou 40 mil patacas num aparelho para medir a poluição do ar em Pequim, colocando as medições na internet diariamente. Já é do conhecimento público que a China não tem um aparelho medidor suficientemente potente para medir as pequenas partículas de poluição que pairam no ar de Pequim. Agora, cansados de esperar que as autoridades do continente alertassem os moradores para os perigos da poluição atmosférica, o grupo de cidadãos desencadeou uma reacção em cadeia na internet. Voluntários em Xangai e Guangzhou compraram

aparelhos semelhantes em Dezembro. Os moradores de Wenzhou estão a vender laranjas para conseguir o dinheiro necessário para também comprar o equipamento. Funcionários do governo afirmam há anos que a qualidade do ar melhora constantemente na China. Dizem que a cidade de Pequim, por exemplo, teve 274 dias de “céu azul” em 2011. Contudo, essa estatística é facilmente desmentida pela grossa camada de poluição que cobre os céus da cidade durante boa parte do ano. 

DISCURSOS EM CAUSA

Confrontados com uma nova

onda de críticas na internet, os discursos sobre o meio ambiente começam a desabar. Recentemente, o governo mudou de atitude e passou a monitorizar os níveis dos poluentes mais perigosos: as partículas com 2,5 micrómetros de diâmetro ou menos, também conhecidas como PM 2,5. O projecto começa este ano nas 30 maiores cidades do continente e, no ano que vem, serão mais 80. Após anos a esconder a verdade sobre os poluentes, no mês passado a cidade de Pequim começou a publicar de hora em hora os dados registados, muito por causa das críticas on line.


terça-feira 14.2.2012

vida

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Poluição é das principais responsáveis por morte na China

Partículas que entram no sangue

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M relatório do Banco Mundial produzido em Dezembro utilizou estatísticas do governo chinês para determinar as concentrações de pequenas partículas em cidades do norte da China. Segundo a instituição, os níveis são de cinco a seis vezes maiores do que os limites recomendados pelo governo dos EUA e quatro vezes maiores do que os níveis identificados nas cidades do sul da China. Nove das 13 maiores cidades do país não foram capazes de cumprir com metas anuais estipuladas pela Organização Mundial da Saúde para países em desenvolvimento.  Geradas pela poeira, emissões veiculares, combustão do carvão, fábricas e construções, as partículas finas estão entre as mais perigosas, já que chegam com fa-

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cilidade até aos pulmões e acabam por penetrar na corrente sanguínea. A exposição crónica pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, doenças respiratórias e cancro no pulmão. Ainda que a China tenha feito progressos no sentido de limitar a presença de toxinas no ar, os dados sobre essas pequenas patículas estão longe de serem positivos. Todos os anos, centenas de pessoas morrem prematuramente em consequência da poluição na China.

MORTES CALCULADAS

A Organização Mundial da Saúde estimou que, em 2007, 656 mil chineses morreram prematuramente todos os anos devido a problemas causados pela poluição atmosférica, tanto em ambientes fechados como em locais abertos. O Banco Mundial determinou que o número de mortes causadas pela poluição ambiental em locais abertos é de cerca de 350 mil a 400 mil, mas esses números foram extrapolados dos dados de um relatório de 2007, feito sob pressão do governo chinês.

China empresta ursos ao Canadá

PETA perde acção em tribunal

Pandas diplomatas

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Canadá e a China selaram uma melhoria nas relações políticas e económicas depois de terem acordado o empréstimo de dois ursos para os jardins zoológicos canadianos. Esta é já uma forma tradicional para Pequim expressar o seu desejo de estabelecer amizade. O primeiro-ministro canadiano, Stephen Harper, deslocou-se à China para assistir à cerimónia final de assinatura

de vários contratos, entre os quais sera aumentado o envio de petróleo do Canadá para o continente, assim como de outros recursos.  Num discurso no Jardim Zoológico de Chongqing, Stephen Harper sublinhou que o acordo de empréstimo dos dois ursos panda por um período de 10 anos é “um passo importante para o fortalecimento das relações entre os dois países”.

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Orcas não são escravas

tribunal de San Diego não reconheceu que as orcas do SeaWorld estejam escravizadas porque não são pessoas, uma decisão revelada ontem e que deita por terra as pretensões da PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) de conseguir a libertação daqueles animais. Recorde-se que a PETA acusou os parques aquáticos SeaWorld de Orlando e de San Diego de tratar cinco orcas (Tilikum, Katina, Kasatka, Ulises e Corky) como escravas, sendo obrigadas a viver em tanques e a entrar em espectáculos diários, uma violação do artigo da Constituição que aboliu a escravatura nos Estados Unidos. Assim, os cinco animais foram dados como queixosos num processo que deu entrada em Outubro no tribunal de San Diego. O objectivo da PETA era conseguir a libertação das orcas num “habitat adequado”. “A única interpretação razoável do artigo 13 da Constituição é que só se aplica a pessoas” e não a orcas, disse o juiz Jeffrey Miller na sua decisão. “Tanto as fontes históricas como contemporâneas revelam que os termos ‘escravatura’ e ‘servidão involuntária’ se referem unicamente a pessoas.”

LOUVÁVEL MAS…

“A decisão de hoje não altera o facto de as orcas, que antes vive-

ram livres e num ambiente natural, continuarem a ser mantidas como escravas pelo SeaWorld”, disse Colleen O’Brien, porta-voz da PETA. O juiz Jeffrey Miller, contudo, salientou que os animais têm direitos legais no âmbito da legislação estatal e federal, incluindo a legislação criminal. Além disso, considerou que o “objectivo” dos advogados da PETA de “proteger o bem-estar dos animais é louvável”, ainda que invocar o artigo 13º da Constituição não seja a abordagem mais correcta neste caso.


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cultura

terça-feira 14.2.2012

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Grammy Noite de prémios e de pesar na indústria musical

Adele vencedora, Houston homenageada performance de hard rock/ metal” (White Limo). Kanye West, apesar de não ter marcado presença no evento, garantiu quatro prémios. E Bon Iver também viu distinguido o seu projecto musical. Justin Vernon, o norte-americano que dá voz ao grupo, subiu ao palco para agradecer a estatueta

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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54ª cerimónia dos Grammy Awards foi uma noite de glória para Adele, e o seu mais recente álbum “21”. A cantora britânica de 23 anos levou consigo as seis estatuetas douradas - todas as categorias para que estava nomeada - empatando com Beyoncé, como artista feminina com mais prémios ganhos numa noite. “Melhor canção”, “Melhor letra” e “Melhor videoclip de curta duração” para o tema “Rolling in the Deep”, que se incluí no “Melhor álbum do ano” e “Melhor álbum pop”. A canção autobiográfica “Someone LikeYou” também não ficou esquecida e arrecadou a “Melhor Performance Pop a Solo”. Durante o discurso de agradecimento, a artista dis-

de “Artista Revelação” e de “Melhor Álbum Alternativo” pelo segundo album, “Bon Iver, Bon Iver” de 2011. Os Beach Boys fizeram uma aparição histórica (embora já sem os irmãos Carl e Dennis Wilson), depois de mais de 20 anos de ausência, cantando com os Foster the People e os Maroon 5.

Morte de Whitney se que o disco foi inspirado numa relação miserável mas que o trabalho discográfico mudou a sua vida. A cantora reaparece assim em pleno, mostrando-se em forma com a actuação de “Rolling in the Deep”, depois de cinco meses de afastamento devido a uma operação às cordas vocais.

Os roqueiros veteranos Foo Fighters também não ficaram de fora desta corrida aos galardões. Dave Grohl subiu ao palco para receber cinco Grammy’s nas categorias de “Melhor tema de Rock” (Walk), “Melhor álbum de rock” (Wasting Light), “Melhor performance de rock” (Walk) e “Melhor

Permanece desconhecida a causa da morte de Whitney Houston. A polícia de Los Angeles já fez saber que será necessário esperar cerca de oito semanas para conhecer os resultados da toxicologia e outros testes idênticos. A família de Houston diz que a cantora não morreu de afogamento, como já tinha sido avançado, mas antes do que parece ter sido uma combinação de Xanax com outros medicamentos prescritos, depois misturados com álcool. A cantora foi encontrada na banheira do seu quarto no hotel Beverly Hilton mas fontes oficias da polícia local informaram a família que não havia água suficiente nos seus pulmões que possa antever como causa de morte o afogamento. Por outro lado, o ex-marido Bobby Brown já deixou a sua tournée com os New Edition para voar até Los Angeles onde a filha do casal, Bobbi Kristina, de 18 anos, foi hospitalizada devido a um ataque de ansiedade depois da notícia da morte da sua mãe.

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A encerramento da prestigiada noite de prémios musicais norte americana ficou a cargo do legendário Paul Mccartney. O medley “Golden Slumbers”/”Carry That Weight”/ “The End” puxou fortes solos das guitarras de McCartney, Grohl, Walsh, Rusty Anderson e Bruce Springsteen. Além de Whitney Houston, a academia dos Grammy’s homenageou com um prémio honorário pela sua carreira o brasileiro Tom Jobim, o músico e poeta precursor do hip-hop Gil Scott-heron e o cantor country Glen Campbell. O dueto entre Amy Winehouse e Tony Bennett, “Body and Soul”, que chegou às lojas em Setembro, já depois da morte da cantora, conquistou o Grammy de Melhor Dueto/Grupo Performance. A canção, gravada em Londres, em Março do ano passado, terá sido uma das últimas interpretadas em estúdio por Amy Winehouse.

NOITE DE TRIBUTO

HM-1ª vez 14-02-12 Acção Ordinária n.º

ANÚNCIO CV2-11-0070-CAO

2º Juízo Cível

AUTOR: LEI KUAN WUT, do sexo masculino, residente na Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, edf. Jardim Cidade, bloco 9, Man Seng Kok, 15º andar E, Macau. RÉUS: PANG HONG PONG OU PANG HUNG PONG, do sexo masculino, residente no Pátio da Harmonia, nº 6, edf. Fok On, bloco IV, r/c, Macau. PANG KAM PENG OU PANG KAM PING, do sexo masculino, residente no Pátio da Harmonia, nº 6, edf. Fok On, bloco IV, r/c, Macau. *** Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando os réus acima identificados, para no prazo de trinta (30) dias, decorrido que seja o dos éditos, contestarem, querendo, o pedido formulado na petição inicial nos mencionados autos, que resumidamente consiste em que: Seja declarado que o autor ser proprietário do imóvel da fracção autónoma GR/C, que consta no nº 20713 da descrição na Conservatória do Registo Predial de Macau Conforme tudo melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 2º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta secretaria nas horas normais de expediente, de que a falta da contestação, não implica o reconhecimento dos factos articulados pelo autor e ainda que é obrigatória a constituição de advogado (nos termos do artº 74º do C.P.C.M.). Para constar se passou este edital e mais dois de igual teor que vão ser devidamente afixados nos lugares designados por Lei. Macau, aos 01 de Fevereiro de 2012. ***

Jennifer Hudson ficou a cargo da actuação de homenagem à recém desaparecida Whitney Houston. Hudson interpretou o tema “I will Always Love You” à capela, a canção de Dolly Parton, que valeu a Houston dois prémios na 36ª cerimónia dos Grammy Awards de 1993, incluindo “Melhor canção do ano”. Mas o pesar pelo falecimento da artista de 48 anos foi unanimemente sentido por toda a audiência, como destaca o site oficial dos Grammy’s. O rapper e actor LL Cool J pediu uma oração colectiva em memória de Houston, prestando-lhe algumas palavras. “Tivemos uma morte na família”, frisou, enquanto eram mostrados alguns dos melhores momentos da “diva da pop”. Outros artistas também quiseram homenageá-la durante as suas performances. Alicia Keys fez saber que “quando um verdadeiro artista nos deixa, o seu legado permanece connosco”. Já Stevie Wonder dirigiu-lhe palavras directas: “Sempre te amaremos”.


terça-feira 14.2.2012

cultura

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Canções de autor italianas num café-concerto no C&C

“Cantautori” erudito As palavras cantadas devem ser mais sonantes que a própria música, defende Fabrizio Croce. O desafio é lançado no próximo dia 22. Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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ABRIZIO Croce lançou a ideia: um café-concerto com canções de autor italianas, e o C&C Clube Recreativo, Desportivo, Cultural e de Apoio Social acedeu. Por isso, no próximo dia 22 de Fevereiro, pelas 18h30, o músico italiano convida Macau a assistir ao “CANTAUTORI”. “Compilei algumas canções de grandes letristas italianos, músicos reconhecidos na Europa, e pensei que seria giro fazer uma apresentação ao vivo.” Quando começou a gravar algumas músicas de nomes como Fabrizio deAndré, Francesco Guccini ou Ivan Graziani não imaginava que editaria três discos,

com 45 canções no conjunto. Ao vivo, no concerto “Cantautori” irá seleccionar apenas 10 canções, que traduzirá na íntegra para português, mas vai expor a sua colectânea para quem ficar com água na boca. “A minha ideia é fazer esta apresentação ao vivo, para chamar a atenção destas canções de autor, canções mais eruditas, cujo conteúdo ganha um papel central, sobretudo quando comparado com a actual música pop”, justifica o músico. Neste café-concerto, Croce pretende por isso criar também um espaço de discussão sobre o que distingue estes dois géneros de música. Mas desde logo evoca a sua parcialidade relativamente à música cantada, que caracteriza “com mais intensidade, força, poesia e que vai muito além do imaginário”. Para o concerto intimista, junta-se a ao velho amigo Zico Monteiro, residente em Macau “há um par de anos” e que descreve como “grande cantor e profissional, acima de tudo, um ‘one man band’”.

PERCURSO NA MÚSICA

Músico em part-time, Fabrizio Croce, natural de Itália e residente em

Macau há largos anos, já lançou dois álbuns de originais. “Do Ocidente ao Oriente” nasceu em 1999, um primeiro CD com 12 faixas, seis cantadas em português e outras seis em italiano. Mais de 10 anos depois, em Janeiro de 2011, lançou o segundo disco com 15 canções, no qual decidiu fazer uma fusão da morna cabo-verdiana, do crioulo, do português e do italiano. “Um disco mais refinado, com técnicas mais aprofundadas e outra tecnologia”, assume. Nestas canções da sua autoria, apesar de transmitir sentimentos, tenta não torná-las demasiado pessoais, já que quer, acima de tudo, que as pessoas se sintam incluídas nas suas histórias. Acredita nas músicas de intervenção e reconhece que se perdeu essa força nas músicas actuais, que tão bem se faziam representar por pessoas como o Zeca Afonso.”Ainda há muita coisa que se pode contar através das músicas de intervenção, de carácter mais erudita, sem as rimas de meia-tigela.”

Filme sobre Bob Marley passa no festival de Berlim

E

A vida do Leão

STREOU no festival de cinema de Berlim o documentário sobre a vida, música e legado de Bob Marley. O projecto do realizador Kevin Macdonald retrata a história do artista desde os primeiros anos de vida até à ascensão mundial e a sua transformação do reggae num fenómeno global. “Marley” só chega aos cinemas em Abril, mas os espectadores do Berlinale já puderam assistir a este muito aguardado documentário. Para além de imagens, vídeos e entrevistas, o filme conta tam-

bém com temas do músico, entre os quais gravações inéditas e passagens de alguns concertos. ”Para mim, Bob é realmente uma das grandes figuras culturais do século 20. Não creio que alguém na música popular tenha criado tanto impacto como ele”, revelou Macdonald, citado pelo «Yahoo News». O galardoado realizador escocês, Kevin Macdonald conta a história de Bob Marley de uma forma cronológica, desde a sua infância nas montanhas da Jamaica aos tempos da escola e até à fase adulta,

sempre com incidência na música. O realizador acrescentou ainda sobre o impacto de Bob Marley nas pessoas: «Em qualquer sítio do mundo, é possível encontrar a sua imagem, música e sabedoria. É bom fazer parte disso e mostrar às pessoas quem ele era, não apenas do ponto de vista de lenda ou ícone mas sim como um ser humano». “Marley” estreou no festival de cinema de Berlim que arrancou no passado dia 9 de Fevereiro e que se prolonga até domingo, 19 de Fevereiro.

“Rebecca”, de Alfred Hitchcock, ganha nova versão

Os estúdios DreamWorks e Working Title Films devem rodar uma nova versão de “Rebecca” (1940), o clássico de Alfred Hitchcock que marcou a sua estreia na indústria americana, informou esta quinta-feira a edição online da revista Variety. Esse mítico filme de suspense, vencedor do Óscar de melhor filme e protagonizado por Laurence Olivier e Joan Fontaine, contará na sua nova versão com argumento do britânico Steven Knight (“O Símbolo Perdido”). Knight tomará como base o livro homónimo no qual o filme de Hitchcock se baseou, num argumento adaptado da obra de Daphne du Maurier. “Rebecca” também venceu o Óscar de melhor fotografia em preto e branco e recebeu outras nove nomeações, entre elas as de melhor actor (Laurence Olivier) e melhor actriz (Joan Fontaine). A história versa sobre uma jovem ingénua que casa com um viúvo milionário, com quem começa a viver na sua gigantesca mansão. No local, ela descobre que a lembrança da primeira mulher exerce uma poderosa influência sobre o seu marido e os empregados da residência.

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“J.I.C. (Comercial Offshore de Macau) Limitada” Avenida Comercial de Macau, nºs 251 A a 301, Edifício AIA Tower, 2º andar, Macau Registada na CRCBM sob o Nº 19842, capital social: MOP$100.000,00

Para os efeitos tidos por convenientes,

anuncia-se que, por deliberações por escrito tomadas 5 de Janeiro de 2012, foi decidido, pelo

sócio único, dissolver e encerrar a liquidação, a

partir da referida data, da sociedade comercial

por quotas denominada “J.I.C. (COMERCIAL OFFSHORE DE MACAU) LIMITADA”, com sede em Macau, na Avenida Comercial de Macau, nºs 251 A a 301, Edifício AIA Tower, 20º andar, registada nessa Conservatória dos Registos

Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o nº 19842, com o capital social de MOP$100.000,00,

tendo o respectivo registo sido requerido em 3 de Fevereiro de 2012.

Macau, aos 14 de Fevereiro de 2012.

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desporto

terça-feira 14.2.2012

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Avi Moyal quer expandir o Krav Maga na China

O homem que protegeu Michael Jackson O seu percurso foi feito de conflitos, mas, sobretudo, de vidas salvas. O criador da Federação Internacional de Krav Maga aprendeu a proteger-se com Imi Lichtenfeld, e desde então tem vindo a espalhar esta prática pelo mundo. Já treinou homens, mulheres e crianças. Mas no seu currículo consta a protecção de uma estrela maior: Michael Jackson Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

C

OM ele, aprendemos que qualquer ataque físico pode ser evitado com uma boa técnica. Avi Moyal dedicou os últimos 30 anos ao Krav Maga, e este fim-de-semana veio a Macau dar seminários práticos sobre este sistema de auto-defesa. Ao Hoje Macau, o instrutor contou histórias de quem passou a vida a proteger os outros.

Como surgiu a oportunidade de conhecer Hugo Monteiro e trazer o Krav Maga para Macau? Não é importante ver onde ensinamos o Krav Maga, mas sim que todos o saibam. Estamos em Macau, já estivemos em Hong Kong, tal como em Singapura ou na Índia. Este é um local onde as pessoas têm de saber proteger-se a si próprias. Com tantos casinos, pode surgir algum jogador que se chateia ou uma mulher que sai à noite e que pode ser atacada por alguém bêbedo. Acredito que à medida que Macau vai evoluin-

do, vai defrontar-se com muitos problemas. Num país como a China, que tem muitas artes marciais, o Krav Maga pode tornar-se mais conhecido pelas pessoas? O Krav Maga é um sistema de auto-defesa. Não tem nada a ver com as artes marciais. A grande razão pela qual as pessoas vêem para o Krav Maga é para se protegerem a si próprias, e porque podem encontrar algo em comum. Desde a sua infância que treina este sistema de auto-defesa. Como é que tudo começou? Não é algo que possamos escolher. É o nosso karma. É o mesmo que perguntar porque é que se tornou jornalista, ou porque é que se treinam artes marciais. É algo que nos é apresentado e que se torna uma paixão, e, de repente, transforma-se na nossa vida. Estou muito feliz, porque sinto que posso ajudar as pessoas. Em 1985 entrou para as Forças de Defesa de Israel. Como foi pertencer ao sistema militar do país?

Para nós é algo muito natural, e o Krav Maga é-nos transmitido como mais uma ferramenta para salvar vidas. Temos de estar preparados para qualquer situação. Sabíamos que perante qualquer problema que enfrentássemos tínhamos de disparar. Aprendemos que há mais opções antes de atirar, e é assim que salvamos vidas. Como era o seu dia-a-dia? Quais os episódios mais marcantes? Como soldado comecei nos navios para conseguir a qualificação nos treinos. Tínhamos de olhar para as nossas capacidades, para enfrentar as situações e protegermo-nos ao mesmo tempo. Uma missão especial é algo que tu guardas para a vida e que te dá diferentes proporções. Durante esse período esteve no Líbano. O que significou para si? Foi algo de grande sensibilidade. Deixámos o país para lutar na guerra e para mantermos as nossas famílias salvas. Cada vez que atravessávamos a fronteira, prometíamos mantê-los salvos. É algo muito stressante, um trabalho com muita responsabilidade. Nos anos 90 esteve no Governo de Israel a dar formação. Ainda é importante que os funcionários do Estado saibam este sistema de defesa? É extremamente importante. Por exemplo, os taxistas. Houve uma fase em que eram constantemente assaltados. A pressão que faziam junto do Governo para ter um sistema de protecção era enorme. Para além dos funcionários do Estado,

como polícias ou os soldados, os restantes civis cometem sempre erros. Se não tiveres confiança e não sentires segurança, trabalhar para o Governo pode causar problemas. Em 1993 fez parte da equipa de protecção a Michael Jackson, em Israel. Conheceu-o pessoalmente? Foi engraçado. Tínhamos uma ideia daquela pessoa que víamos sempre nos jornais. Mas na verdade o Michael Jackson era muito tímido, usava sempre óculos. Era uma pessoa que nunca teve de lutar pelo dinheiro, nunca teve problemas como as pessoas normais. Era como uma criança. Nós crescemos porque temos problemas. Então

A aprendizagem com o mestre Nascido em 1966, Avi Moyal mantém ligações ao Krav Maga desde criança, tendo aprendido directamente com o fundador deste sistema de auto-defesa, Imi Lichtenfeld. Em 1985 entrou para as Forças de Defesa de Israel, até que outros projectos se sucederam. Treinou funcionários do Governo israelita e ajudou mulheres a proteger-se de Beni Stella, um famoso violador. Em 1993, foi responsável pela equipa de seguranças que acompanharam Michael Jackson, aquando da sua visita a Israel. Mas o seu maior projecto aconteceu em 1996, quando criou a Federação Internacional de Krav Maga (IKMF), juntamente com outros instrutores. Desde então, não mais deixou de transmitir a sua paixão.

tínhamos ali uma pessoa crescida que nunca tinha tido problemas, como pagar as contas. Na altura ele estava a fazer um anúncio para a Pepsi em que recebia cinco milhões de dólares, mas preferia Coca-Cola. Então tínhamos de o proteger dos paparazzi, porque poderia perder imenso dinheiro. Num grupo de segurança VIP temos de estar sempre alerta e encontrar as melhores formas de prevenção. Também foi responsável pelo treino de mulheres em Tel-Aviv contra o violador Beni Stella. Ninguém conseguia encontrar esse violador. Durante esse período, foi o pânico, ninguém saía. Foram feitos seminários em que começou a ser ensinado a forma como um violador pensa. Todos dizem que as mulheres são menos agressivas que os homens, mas não é verdade. Eu uso sempre o mesmo exemplo. Quando uma mulher me diz “eu não consigo atacar um homem, ele é mais forte”, eu digo “não, tem de lutar, porque os danos a si própria serão muito maiores e não podem ser reparados”. Mostro também este exemplo: “imagine que vai com o seu filho e o homem atira o seu filho para o chão. O que faria?”. Aí elas dizem-me “matava-o”. Com 30 anos de experiência em Krav Maga, o que é que ainda quer fazer mais nesta área? O meu objectivo é que cada país tenha o Krav Maga. E o objectivo final é que possam continuar com isto quando eu morrer. Por isso tento passar o meu conhecimento em lugares diferentes. Para já, queremos chegar à China.


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[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB I LOVE HONG KONG 2012 [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Gai Chung Com: Eric Tsang, Teresa Mo 19.30

SALA 1

SALA 3

CONTRABAND [C]

Um filme de: Baltasar Kormákur Com: Mark Wahlberg, Kate Beckinsale, Ben Foster, Giovanni Ribisi 1430, 16.30, 19.30, 21.30

WAR HORSE [B]

Um filme de: Steven Spielberg Com: Jeremy Irvine, Emily Watson, David Thewlis 14.15, 16.45, 21.00

JOURNEY 2: THE MYSTERIOUS ISLAND [3D] [B]

SALA 2

CHRONICLE [C]

Aqui há gato

Um filme de: Brad Peyton Com: Vanessa Hudgens, Dwayne Johnson 19.15

Su doku [ ] Cruzadas

Um filme de: Josh Trank Com: Dane Dehaan, Michael kelly 14.130 16.00, 17.45, 21.30

HORIZONTAIS: 1-Pôr em calma. 2-Consoantes. Boa Viagem!. Nota musical. 3-Escritor e político português (1799-1854). Situar. 4-Agregava. Precisão, rigidez. 5-Tabela, relação. Tinha certo valor. 6-Estás. Autores (abrev.). Autores (abrev.). Alumínio (s.q.). Parecença. 7-Colocar arcos em vasilhas de duelas. Pronome pessoal. 8-Extensão de terreno em que há muita areia. Dão pios (aves.). 9-Praia o m. q. nílico. 10-Imposto de Ciruclação (abrev.). Apertais com nó. Interjeição brasileira que exprime espanto. 11-Tostam. VERTICAIS: 1-Em algum lugar. Camareira. 2-Fazendas, tecidos. Abecedário. 3-Espécie de dança. Pedra de altar. 4-Face. Cem metros quadrados. Ouro (s.q.). 5-Agrega como auxiliar. Vago. Não ocupado. 6-Caligrafia, escrita. Coligai. 7-Cortar um mebro ou parte dele. Limite. (abrev.). 8-Pessoa notável. Nome de homem. Famosa torre inclinada de Itália. 9-Cabo fixo (Mar. ). Incitamento (Interj.). 10-Frequentar. Alago. 11-Rio da Suiça que banha Berna. Artimanha, embuste.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:30 16:31 18:00 18:30 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 00:00 00:30 01:00

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Liga Zon Sagres 2011/ 2012: Marítimo - Sporting ( Rep. ) That 70\’s Show (Que Loucura de Família) TDM Desporto (Repetição) Amanhecer Telejornal TDM Entrevista Grande Entrevista Passione TDM News Magazine Liga dos Campeões A Verde e as Cores Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

20:00 The Football Review 20:30 Special Moments Of Sydney 2000 21:00 Beach Soccer Worldwide Mundialito Portugal vs. Brazil 22:00 Sportscenter Asia 2012 22:30 The Football Review 23:00 Special Moments Of Sydney 2000 23:30 Beach Soccer Worldwide Mundialito Portugal vs. Brazil

INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 A Hora de Baco 15:00 Consigo 15:30 Grande Reportagem-SIC 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Elo Mais Fraco 17:45 Resistirei 18:30 Correspondentes 19:00 Saudade Burra de Fernando Assis Pacheco 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Ingrediente Secreto – Couve Flor 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 13:00 Beach Soccer Worldwide Mundialito Portugal vs. Brazil 14:00 Power Snooker 2011 Quarter Finals 17:00 Los Angeles 1984 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 2012

STAR SPORTS 31 13:00 Great Eastern Yeo’s S-League – Highlights 13:30 Motorsports@Petronas 2011 14:00 Swiss Cup Grand Prix 17:00 Velux 5 Oceans Race 2010/11 18:00 2012 FIM X-Trial World Championship 19:00 Motorsports@Petronas 2011 19:30 WTA Pattaya Open 21:00 Great Eastern Yeo’s S-League – Highlights 21:30 (LIVE) Score Tonight 2012 22:00 HSBC Sevens World Series 2011/12-Highlights 22:30 Golf Focus 2012 23:00 WTA Pattaya Open HBO 41 12:00 14:00 16:00 17:50 20:00 22:00 00:00

Valentine’S Day Tyler Perry’S Why Did I Get Married Too? High Fidelity The Bridges Of Madison County How Do You Know? Valentine’S Day Before Sunset

CINEMAX 42 11:45 13:45 16:00 17:30 19:00 20:30 22:00 23:45

Escape From Alcatraz Star Trek The Revenge Of Frankenstein Coogan’S Bluff Assassination Blind Fury From Dusk Till Dawn Xiii

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

HORIZONTAIS: 1.A. CALMAR. A. 2-LP. ADEUS. FA. 3-GARRETT. POR. 4-UNIA. RIGOR. 5-ROL. VALIA. T. 6-ES. AA. AL. AR. 7-S. ARCAR. ELA. 8-AREL. PIAM. 9-ABA. NILIACO. 10-IC. ATAIS. OI. 11-A. QUEIMAM. A. VERTICAIS: 1-ALGURES. AIA. 2-PANOS. ABC. 3-A. RIL ARA. Q. 4-CARA. ARE. AU. 5-ADE. VACANTE. 6-LETRA. ALIAI. 7-MUTILAR. LIM. 8-AS. GIL. PISA. 9-R. POA. EIA. M. 10-FOR. ALACO. 11-AAR. TRAMOIA.

O MUSEU DA RENDIÇÃO INCONDICIONAL • Dubravka Ugrešic No jardim Zoológico de Berlim, dentro de um expositor de vidro, estão exibidos todos os objectos encontrados no interior do estômago de Roland, a Morsa (que morreu em 1961). É com este catálogo insólito que Dubravka Ugrešic inicia o seu livro: também ele um mosaico de fragmentos narrativos, recordações e reflexões, descritos pela protagonista, uma quinquagenária croata exilada em Berlim. “O Museu da Rendição Incondicional” foi recebido pela crítica internacional como uma obra universal e um dos mais importantes romances contemporâneos europeus das últimas décadas.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

LIFE • Keith Richards Já apelidada de Santo Graal das biografias de estrelas de rock, Life foi celebrado como um fenómeno incrível: mais de um milhão de cópias vendidas em menos de um ano. Em Life, Keith revela-nos os seus excessos e fragilidades, mas também todo o seu sentido de humor e coragem. Desde música, sexo, drogas, a lutas de facas, pouco fica por contar neste seu relato entusiástico e vibrante que nos revela os bastidores da maior banda de rock do mundo, os Rolling Stones: o seu nascimento, a passagem de Brian Jones pela banda, as rusgas policiais, os problemas com a lei, a conturbada relação de Keith com Mick Jagger, e a verdade acerca de todos os boatos e mitos que rodeiam uma das mais carismáticas figuras musicais de todos os tempos. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

ASSIM NÃO DÁ O futebol de Macau está a evoluir. Não tanto pela Associação de Futebol de Macau (AFM), que aparentemente pouco ou nada tem feito, mas sim por aquilo que os clubes têm feito pela modalidade. A AFM está ainda no tempo da pedra lascada. São amadores e pronto. São do tempo em que um voto para o melhor jogador do mundo ainda é como agrafar uns papéis para colocar num arquivo morto qualquer. Geofredo Cheung, que agora se debate contra uma grave lesão no joelho, foi notícia mundial por uma incompetência dos responsáveis que nem ao seleccionador do território conseguiram explicar que o documento que recebeu seria para ser votado a duas mãos. Mas o problema do futebol de Macau vem de génese. Vem do facto de os clubes não disporem de espaços para treinar. Vem do facto de a formação de novos talentos ser quase inexistente. Vem do facto de a arbitragem ser péssima de mais para ser verdade – mesmo quando os homens dão o que podem e não sabem. E colocar os clubes da Liga de Elite a jogarem no “batatal” do MUST. Que dizer? Há um dado adquirido: os clubes querem elevar o futebol de Macau. O Ka I e o Benfica, principalmente estes, trouxeram para Macau jogadores que seria impensável trazer. Muitos deles nas suas plenas capacidades e não aqueles que chegavam antigamente já com 40 anos para dar o ar da sua graça. Ter em Macau Filipe Duarte, com 26 anos, – internacional português das escolas do Benfica e campeão no Chipre -, ou Cesinha, com 30 anos, – jogador das escolas da Portuguesa dos Desportos, campeão pelo São Paulo e com passagens pelo Gil Vicente e Estoril, em Portugal -, ou ainda Jé, com 26 anos, – antigo jogador do São Paulo, Corinthians ou Ituano –, é bom demais. Mas não são só estes. Há o Fábio Silva, o Juan Castro, o Edgar, o Fabrício, o Gustavo, o Gil, o Joãozinho, entre muitos outros. Os clubes bem querem elevar a qualidade e mostrar que Macau pode ter um interessante campeonato de futebol mas a AFM parece que não quer. E agora, numa terra de abundância, que futuro se poderá reservar ao futebol do território? Será o esforço dos clubes em vão? Continuará a Selecção de Macau a coleccionar derrotas e goleadas? Responda, por favor, sr. Cheung. E ainda existe outra coisa que eu gostava que me respondesse, sr. Cheung, porque treinam os sub-18 e os sub-23 com as maiores regalias, contrariamente ao que sucede com os outros clubes? Porque são os clubes da AFM? Mau de mais para ser verdade... Espero que com o surgimento da Ilha da Montanha, alguma cabeça pensante do território se tenha lembrado de construir uns quantos campos de futebol para tentar, ao menos, que os atletas treinem com dignidade.

Pu Yi


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opinião

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Helder Fernando

à flor da pele

“Houston, we have a problem” I A cantora Whitney Houston, após a notícia da sua morte aos 48 anos, aparentemente num hotel em Hollywood,  passou, repentinamente, a ser televisiva e cinematograficamente chorada por todas aquelas super e mini-estrelas que o mais certo é nunca lhe terem dado uma palavra de alento, ou um abraço de amparo, quando ela disso necessitou. Gente que passa a vida em passerelles, a rir-se por tudo e por nada, a pavonear-se a cada flash, ou com uma lagriminha oportuna e cinéfila ao canto do olho. O trágico problema vivido até ao fim por Whitney Houston, entre excesso de medicamentos e uma série de dependências, é semelhante a muitos outros ao longo de gerações. Para não ir mais atrás, de Elvis Presley a Amy Winehouse, de Michael Jackson a Janis Joplin, de Jimmy Hendrix a Kurt Cobain, de Elis Regina a Marilyn Monroe. Todos eles anteciparam as datas de validade dos passaportes, optando, consciente ou inconscientemente, por destruirem as vidas. Todos eles envolvidos em fama, dinheiro, luzes, amores desbragados, tristeza, solidão, sofrimentos, até ao minuto derradeiro. A super-estrela Whitney Houston, bela e rica, foi possuidora, até há alguns anos, de uma das vozes mais perfeitas da cena musical ligada não apenas à pop, mas também à balada, ao R&B, ao soul ou ao gospel - estilos que ela e os compositores conseguiam ligar

cartoon por Steff

como ninguém, construindo pontes que só a voz de Whitney dava forma e substância. Ela Inspirou-se em divas de gerações anteriores, como Dionne Warwick ou Aretha Franklin, tendo inspirado muitas cantoras a seguir como Mariah Carey, Shakira, Beyoncé ou Christina Aguilera. Funcionou assim como um dos mais importantes exemplos do triunfo da mulher afro-americana vinda da classe média. Até perder o tino, o tom e cair para sempre. Uma série de abutres estão já a acumular fortuna com a sua morte. II Macau e o Oriente, mais uma vez sob observação e debate fora de portas.  O Prof. Doutor Rogério Miguel Puga, conhecido e respeitado em vários sectores de Macau, com vasta experiência em trabalhos académicos sobre vários aspectos a Oriente, será figura central, a 21 deste mês, numa Oficina de Trabalho em Lisboa, de âmbito académico, abordando o “Orientalismo Português: Dos seus Significados e Significantes”. Por certo, mais um acontecimento que dignificará esta região. Gostaria, estou certo que o prezado leitor também, que as entidades e os cidadãos de Macau a Pequim, tivessem conhecimento e acarinhassem estas iniciativas. Melhor e mais consistente seria a imagem de Portugal e dos portugueses - tantas vezes ignorantemente confundida

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com meia-dúzia de básicos que o destino e outras coisas empurra para a frente.

O trágico problema vivido até ao fim por Whitney Houston, entre excesso de medicamentos e uma série de dependências, é semelhante a muitos outros ao longo de gerações. Para não ir mais atrás, de Elvis Presley a Amy Winehouse, de Michael Jackson a Janis Joplin, de Jimmy Hendrix a Kurt Cobain, de Elis Regina a Marilyn Monroe. Todos eles anteciparam as datas de validade dos passaportes, optando, consciente ou inconscientemente, por destruirem as vidas. Todos eles envolvidos em fama, dinheiro, luzes, amores desbragados, tristeza, solidão, sofrimentos, até ao minuto derradeiro

O CINTO GREGO

III Um cidadão português, 49 anos, pai de um filho menor, com residência oficial permanente em Macau, continua condenado à morte no continente chinês, por um tribunal de Cantão, se é que não foi já executado, apesar do recurso apresentado por um advogado chinês. Do exterior, nomeadamente de Portugal, chegam a Pequim e não só, pedidos de clemência. E as gentes influentes de Macau, o que têm feito? Bastante, certamente. Os senhores ministros portugueses dos tais “Negócios Estrangeiros” costumam discursar, cheios de firmeza patriótica: “Portugal não abandona os seus cidadãos!” Tem-se visto. A Oriente, por exemplo, existem algumas histórias para contar. IV AChina cresce e impõe-se em todos os espaços internacionais. Há poucos dias, o embaixador da União Europeia em Pequim recordou que “segundo os indicadores, este ano a China pode tornar-se o maior mercado para os produtos europeus”, portanto o primeiro mercado da UE já este ano. A China exporta em grande para a Europa; como contrapartida, é da União Europeia o maior fornecedor de tecnologia avançada que a China tanto necessita. Os desgovernos das ditas “crises soberanas” da “zona euro” ainda têm muito que aprender com Pequim.  O que está a ser vivido na Grécia, com as medidas impostas sobre o povo, que irão transformar a civilização grega numa barbárie, é indigno por ser um ataque criminoso contra a civilização. Impune? V Depois das portas abertas por Portugal aos negócios com a China, através da entrada na EDP e na REN, para já, surge a notícia, já esperada há algum tempo, de que a Universidade Católica do Porto criou um curso de História da China, a pensar, naturalmente, nas especificidades culturais e não só do mercado chinês. Estas iniciativas, que há gerações deveriam ter sido implementadas, darão a conhecer, do ponto de vista universitário, não apenas expressões linguísticas, como da cultura, do direito fiscal, da história clássica e moderna de um grande e incontornável país como é a China. O responsável pela formação deste curso de curta duração (por enquanto), é o Professor João Canuto, especialista português em estudos asiáticos, para além de professor de Língua, Cultura e História da China. Tecnicamente, a mencionada iniciativa agora aberta pela Católica do Porto chama-se Curso de História da China e Pensamento Chinês. *Frase dita em Abril de 1970, para o centro de controlo da missão, pelo astronauta Jack Swigert, a bordo da Apolo 13, com destino à Lua, ao detectar graves problemas a bordo.


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Ciclone

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É lindo ouvir falar de democracia e ouvir os democratas falarem de minorias, quando só são eleitos pelas maiorias. POR FERNANDO

Pedro Correia

TERÇA, 7 Se há um escritor estreitamen-

te associado a uma cidade e a uma época concreta, esse escritor é Charles Dickens. A cidade é Londres, a época é a da Revolução Industrial: nada do que sucedia naquele tempo e naquele espaço lhe era alheio. Dickens foi uma notável testemunha daqueles dias de profunda transformação da paisagem urbana inglesa que por sua vez marcava a irreversível transição da era agrícola para a era da locomotiva a vapor. E deixou isso bem documentado na sua obra, lida avidamente por legiões de contemporâneos sedentos de justiça. Se alvo moveu este escritor que desfrutou de imensa popularidade ao longo de quase toda a sua vida adulta, foi precisamente o ideal de justiça. “Nenhum autor daquele tempo teve um impacto comparável ao de Dickens. Ele fala da corrupção política e financeira, das desigualdades sociais, da exploração infantil... Temas que estavam aos olhos de todos mas que ninguém chegava a denunciar ou a expor com tanta crueza”, sublinha Alex Werner, comissário da exposição Dickens e Londres, organizada no Museu de Londres para assinalar o bicentenário do nascimento deste homem que tem como epitáfio na Abadia de Westminster, escrito por mão anónima: “Amou o pobre, o miserável e o oprimido.” Em personagens como David Copperfield ou Pip (de Grandes Esperanças), de cunho claramente autobiográfico, soube narrar a perplexidade infantil perante a inapelável miséria humana. Foi um viajante incansável - atravessou duas vezes o Atlântico e em ambas as visitas aos EUA foi recebido por inquilinos da Casa Branca. Percorreu o Reino Unido de lés a lés e documentou nos seus escritos, primeiro na imprensa e depois em volumes que foram tendo sucessivas reimpressões, as miseráveis condições de vida das classes trabalhadoras do país que Karl Marx anteviu como o primeiro onde ocorreria a grande revolução proletária. Se essa revolução não eclodiu, como hoje salientava o professor universitário Ignacio García de Leániz Caprile no El Mundo, isso deveu-se à introdução de “mecanismos correctores” naquela sociedade marcada pela injustiça. “Poucas vezes uma literatura tão cheia de bons sentimentos como conhecedora do mal em todas as suas formas, e sempre ligada à realidade, teve tanta dimensão política e transformadora (...). Para Dickens, a boa literatura era a política por outros meios.» Graças ao autor de Oliver Twist, um cristão convicto e consequente, a reforma travou o passo à revolução. Este é um motivo

caderno diário recusa igualmente impor o acordo. Que só gera desacordo. Um acordo que pretende fixar norma contra a etimologia, ao contrário do que sucede com a esmagadora maioria das línguas cultas. Um acordo que pretende unificar a ortografia, tornando-a afinal ainda mais díspar e confusa. Um acordo que pretende congregar mas que só divide. Um acordo que está condenado a tornar-se letra morta -- no todo ou em parte. Depende apenas de cada um de nós.

É curioso: alguns ‘papas’ da deontologia jornalística, que tão escandalizados ficaram noutras situações, ficaram desta vez em silêncio ou até aplaudiram o registo aparentemente não consentido de uma troca de palavras no Ecofin em Bruxelas entre o ministro português das Finanças, Vítor Gaspar, e o homólogo alemão, Wolfgang Schauble acrescido para celebrar, nesta passagem do bicentenário do seu nascimento, um escritor que, ao contrário de Zola, não necessitou de descer às minas de papel e caneta na mão para indagar das miseráveis condições de vida do mundo do trabalho: ele conhecia-as desde muito novo. Com apenas 12 anos, tendo o pai preso por dívidas, começou a trabalhar - dez horas por dia - numa fábrica quase em ruínas, pejada de ratazanas, numa decrépita margem do Tamisa. “Não há palavras para descrever a secreta agonia da minha alma, a sensação de ter sido rejeitado e de ter perdido a esperança”, escreveu em David Copperfield, a mais autobiográfica das suas obras. Se a Londres daquele tempo - com todas as características do que hoje chamaríamos uma metrópole do Terceiro Mundo - deu lugar à cidade moderna e civilizada dos nossos dias, isso deve-se também a Dickens, um escritor indissociável da capital britânica. Por isso Londres justamente evoca agora - nomeadamente em largas romarias turísticas à sua casa-museu na Rua Doughty - este intelectual que nunca deixou de estar profundamente ligado à vida e acabou por transcender todas as línguas e todas as fronteiras. Autor intemporal, embora profundamente ancorado na sua época. Verdadeiro autor universal sem nunca deixar de ser o maior cronista da sua cidade adoptiva, onde residiu grande parte da vida e viria a morrer em 1870, aos 58 anos. Uma e outra vez o lemos, sem deixarmos de nos indignar e espantar e comover com o que escreve. Como nestas linhas de

David Copperfield: «Que sítio assombroso me parecia Londres quando a vi à distância. Acreditei que todas as aventuras dos meus heróis favoritos podiam acontecer ali, e vagamente me habituei à ideia de que ali havia mais maravilhas e raridades do que em qualquer outra cidade da Terra.» Os grandes escritores são como os soldados de que nos falava o general Douglas MacArthur. Nunca morrem, apenas se vão dissolvendo no horizonte.

QUINTA, 9 Já não é só o Centro Cultural de Belém - organismo sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram - Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económico e Jornal de Negócios, além da revista Sábado. Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros. Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto. É o ex-líder socialista, Francisco Assis, que se pronuncia sem complexos contra este «notório empobrecimento da língua portuguesa». É o encenador Ricardo Pais sem papas na língua: «Os governantes são completamente idiotas em ter admitido que tivéssemos que nos adaptar ao analfabetismo do Governo de Lula.» É a Faculdade de Letras de Lisboa que

SEXTA, 10 É curioso: alguns ‘papas’ da deontologia jornalística, que tão escandalizados ficaram noutras situações, ficaram desta vez em silêncio ou até aplaudiram o registo aparentemente não consentido de uma troca de palavras no Ecofin em Bruxelas entre o ministro português das Finanças, Vítor Gaspar, e o homólogo alemão, Wolfgang Schauble. Feito este preâmbulo, estou inteiramente de acordo quanto à validade jornalística da peça transmitida pela TVI com as declarações dos dois ministros sobre a possível suavização das medidas de disciplina financeira em Portugal impostas pelas instituições internacionais. É do interesse público - pelo menos das opiniões públicas alemã e portuguesa, tantas vezes perplexas perante as opacas paredes das instituições europeias - divulgar o que foi dito. Não adianta dizer que se tratava de uma conversa privada: os ministros encontravam-se num local público, rodeados de jornalistas, rodeados de microfones. Lembro, a propósito, que outros responsáveis políticos foram apanhados num passado recente por indiscretos microfones direccionais. Basta evocar o célebre “porreiro, pá” dito por Sócrates a Durão Barroso no final da cimeira de Lisboa. Ou a expressão “murro no estômago”, proferida na residência oficial de São Bento por Passos Coelho. Ou os comentários quase libidinosos do ex-ministro Rui Pereira sobre Carla Bruni. Ou até (aqui não num registo sonoro mas da simples captação de imagens) aquele braço estendido de Luís Amado à espera do aperto de mão de Sócrates que nunca chegou, difundido para todo o mundo via Euronews e que ainda hoje pode ser apreciado no You Tube. É a vida, como diria outro conhecido político português. SÁBADO, 11 A frase da semana: «Cada

fracasso ensina ao homem algo que necessitava de aprender.» (Charls Dickens, A Pequena Dorrit)

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Nuno G. Pereira; Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Joana Freitas; José C. Mendes; Virginia Leung; Rita Marques Ramos (estagiária) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Carlos Picassinos; Hugo Pinto; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros; Vanessa Amaro Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


terça-feira 14.2.2012

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Chefe de Hong Kong é fã da nova cozinha portuguesa

A recriação de Wong Futebol Ramsey é “jogador vidente”

A estufa de talentos do Arsenal revelou uma nova faculdade: o oculto. Ali até se descobrem mortes. Aaron Ramsey, internacional galês de 21 anos, é o detentor da faceta. Desde a morte de Osama Bin Laden, a 2 de maio de 2011, que factura antes de morrer uma personalidade – o médio tinha resolvido o jogo com o United (1-0) um dia antes. Depois voltou a “anunciar” que alguém ia partir em Outubro. Após marcar na derrota dos ‘gunners’ ante o Tottenham (2-1), no dia 2, Steve Jobs, criador da Apple, morreu logo a seguir. Esse mês foi particularmente mortífero para o “jogador-vidente”, já que previu igualmente a morte do ditador líbio Muammar Gaddafi (dia 20), apontando um golo no triunfo frente ao Marselha, 24 horas antes (2-1). A primeira (e única) mulher a entrar no lote de adivinhações de Ramsey é um ícone da música. A cantora Whitney Houston despediu-se no mesmo dia em que o galês celebrou um golo ao Sunderland (2-1)...

M

ACAU despertou o interesse de David Wong para o melhor da gastronomia que Portugal oferece e levou este chefe de Hong Kong, educado no Reino Unido, a recriar “A Arte da Cozinha Portuguesa Moderna”, que nasceu sob a forma de livro em 2007, mas apenas na língua inglesa. No fim de 2010, uma outra publicação foi dada à estampa, com idêntico título, mas com mais conteúdos numa versão renovada e bilingue para chegar ao público chinês Chefe de cozinha desde os 18 anos, nascido em Hong Kong e criado no Reino Unido, David Wong já correu mundo. Hoje encontra-se em Macau, onde lecciona no Instituto de Formação Turística (IFT) e ainda coordena os “pratos” no restaurante educacional do estabelecimento de ensino. As receitas do livro não são originalmente portuguesas, mas contêm forte influência, quer nos ingredientes, escolhidos a dedo, PUB

no estilo e forma de confecção e sobretudo no acompanhamento. Sejam produtos provenientes das quintas do Douro, Alentejo ou de Lisboa, os vinhos lusitanos estão sempre lá. “Não são realmente receitas portuguesas, mas uso ingredientes e o estilo”, explicou David Wong à agência Lusa, dando um exemplo de uma das suas combinações. “O risotto é italiano e com bacalhau - produto típico na mesa portuguesa - e cogumelos selvagens fica excelente”, realçou, apontando que se trata de um dos pratos mais populares do livro. Dos queijos ao presunto Pata Negra há vários elementos nos pratos de David Wong pertencentes ao universo gastronómico português no qual “entrou” depois de ter agarrado uma oportunidade de emprego em 1995, no Mandarim Oriental, em Macau, e onde viria a aprender com chefes portugueses os saberes e sabores lusos. “Foi aí que comecei a ganhar interesse pela cultura portuguesa, pela própria cultura local, pela sua comida e pelos vinhos, fiquei dois anos e aprendi imenso sobre a história portuguesa”, recordou o também subdirector executivo para a área de restauração e bebidas do Instituto. - Lusa

Boda de carneiro e veado em dia de S. Valentim

Casamento pouco convencional

U

M jardim zoológico do sudoeste da China marcou o “casamento” entre um carneiro e um veado para o dia de São Valentim, que se comemora hoje como dia dos namorados em diversos países, segundo informou a imprensa estatal chinesa. O “relacionamento não convencional” entre o carneiro Changmao e o veado-fêmea Chunzi fez dos animais as estrelas do zoo.

De acordo com a agência de notícias China News Service, o Parque Natural de Vida Selvagem de Yunnan, na cidade de Kunming, irá vender bilhetes para a “cerimónia” a cerca de MOP 80. Apesar da união, Changmao não tem sido fiel a Chunzi. Em Novembro do ano passado, as autoridades do zoo separaram o casal e levaram o carneiro

para se cruzar com a única ovelha do parque, o que deu origem a um filhote. No entanto, quando os funcionários do zoo colocaram Changmao com seu filho e a ovelha, o animal ficou violento. Chunzi, por sua vez, esforçou-se para atravessar a cerca e ficar perto do carneiro. O casal foi criado juntamente com um grupo de animais do parque.


Hoje Macau 14 FEV 2012 #2549