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QUINTA-FEIRA 14 DE NOVEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4412

MOP$10

RÓMULO SANTOS

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

CHONG COC VENG

ESTRADA DAS POSSIBILIDADES ESPECIAL GRANDE PRÉMIO

BRASIL

Mortes prematuras TIAGO ALCÂNTARA

GRANDE PLANO

Jardins proíbidos

GOVERNO ELECTRÓNICO PÁGINA 6

DADOS SOB CONTROLO PÁGINAS 4-5

HAROLD BLOOM LUÍS CARMELO

O ENCONTRO PUB

ANTÓNIO CABRITA

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Campus de batalha

O Consulado de Portugal, na sequência dos acontecimentos cada vez mais violentos nas Universidades de Hong Kong, emitiu uma nota de apoio aos estudantes portugueses residentes na antiga colónia britânica, pedindo os dados pessoais para prestar ajuda

em caso de necessidade. Também a Direcção dos Serviços de Ensino Superior pede aos alunos oriundos de Macau para que se mantenham seguros e em contacto com as famílias. Pequim já começou a retirar grupos de estudantes da cidade.

PÁGINAS 4 E 11

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COLOANE

hojemacau


2 grande plano

BRASIL

14.11.2019 quinta-feira

A MORTE VEM CEDO MAIS DE 30 CRIANÇAS E ADOLESCENTES MORTOS POR DIA EM 2017

Em 2017 registou-se em média o homicídio diário de 32 crianças e adolescentes, dos 10 aos 19 anos, no Brasil, segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgado esta terça-feira. Além da exposição a violência fatal, a infância e adolescência do jovens brasileiros é marcada pelo abandono escolar e elevadas taxas de reprovação

N

A celebração do 30º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), a Unicef lançou um relatório com os principais avanços e desafios enfrentados por crianças e jovens brasileiros, frisando que, apesar do país sul-americano ter alcançado “conquistas importantes”, ainda enfrenta vários problemas. “É na área de protecção à criança que o país enfrenta os seus maiores desafios. Em 30 anos, o Brasil viu crescer a violência armada em diversas cidades, e hoje está diante de um quadro alarmante de homicídios. A cada dia, 32 meninas e meninos de 10 a 19 anos são assassinados no país. Em 2017, foram 11,8 mil mortes”, apontou o Fundo das Nações Unidas. As vítimas são, na sua maioria, do sexo masculino,

negros, pobres, que vivem nas periferias e em áreas metropolitanas das grandes cidades, em bairros desprovidos de serviços básicos de saúde, assistência social, educação, cultura e lazer. Segundo uma análise de dados feita pela Unicef em 10 capitais de estado, 2,6 milhões de crianças vivem em áreas directamente afectadas pela violência com recurso a armas. “Morar num território vulnerável faz com que crianças e adolescentes estejam mais expostos à violência armada”, destaca-se no relatório. Nos últimos 10 anos, o número de homicídios entre adolescentes brancos tem diminuído, enquanto o assassínio de negros apresenta um crescimento.

CAMADAS VULNERÁVEIS

Em 2017, 82,9 por cento dos 11,8 mil casos de assassínio


grande plano 3

quinta-feira 14.11.2019

O Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (Pnevsca), que reúne iniciativas como o Disque 100, e o Plano de Acções Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual, Infanto-Juvenil no Território Brasileiro (Pair) foram considerados como acções positivas no enfrentamento à violência contra crianças e jovens, de acordo com o estudo. Mas o cenário ainda é considerado crítico. Segundo dados do Disque 100, negligência (72,7 por cento) e violência psicológica (48,8 por cento), física (40,6 por cento) e sexual (22,4 por cento) foram os tipos de violação contra crianças e adolescentes mais frequentes.

2,6

milhões de crianças que vivem em áreas directamente afectadas pela violência com recurso a armas de crianças e adolescentes com idades entre os 10 e 19 anos no Brasil foram entre “não brancos”. “Reverter esse quadro é urgente. É preciso investir nos territórios mais vulneráveis, com políticas públicas de qualidade, votadas a cada criança e a cada adolescente, em especial os mais excluídos. Temos que lhes oferecer um ambiente seguro em que possam desenvolver plenamente o seu potencial”, declarou Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil. Além da violência, o Brasil enfrenta ainda outros desafios relacionados às desigualdades. Existem ainda cerca de dois milhões crianças fora da escola, sendo que a grande maioria vem de famílias com baixos rendimentos. No ano passado, 3,5 milhões de estudantes de escolas estaduais e municipais foram reprovados ou abandonaram as instituições de ensino. Quanto aos dados da mortalidade infantil, apesar da redução histórica, o Brasil registou em 2015, pela primeira vez em 20 anos, um aumento, o que causou algum alerta dentro do Fundo das Nações Unidas. A cobertura de vacinas também caiu no país, trazendo de volta doenças como o sarampo, que estava erradicado. “Uma das histórias de sucesso mais impressionantes é a redução da mortalidade infantil (até 1 ano). Somente entre os anos 1996 e 2017, o país evitou a morte de 827 mil bebés. Não obstante, no mesmo período, aumentaram

em grande escala a violência armada e os homicídios, que tiraram a vida de 191 mil meninas e meninos de 10 a 19 anos”, indicou a organização. Houve uma queda de 71 por cento da mortalidade infantil em crianças brasileiras desde a década de 90, índice bem acima da meta estipulada pela Unicef, que era de 33 por cento.

SEM AULAS

VIOLÊNCIA NA NET

No que à saúde mental diz respeito, nos últimos 10 anos, o suicídio de crianças e adolescentes tem crescido no país sul-americano, passando dos 714 casos em 2007, para 1.047, em 2017. “Problemas como ‘bullying’ e ‘cyberbullying’ precisam de ser olhados com atenção”, destaca-se no relatório da Unicef. O Fundo das Nações Unidas para a Infância refere que há “uma tendência de redução do orçamento voltado aos temas da infância e adolescência no Brasil que precisa ser revertida”.

“Reverter esse quadro é urgente. É preciso investir nos territórios mais vulneráveis, com políticas públicas de qualidade, votadas a cada criança e a cada adolescente, em especial os mais excluídos. Temos que lhes oferecer um ambiente seguro.” FLORENCE BAUER UNICEF BRASIL

“Investir nessas etapas da vida traz resultados para toda a sociedade. Cada dólar investido na primeira infância, por exemplo, traz um retorno de sete até 10 dólares”, salientou a Unicef.

A UNICEF e o Instituto Claro apresentaram no fim de Outubro, uma análise actualizada e inédita de dados nacionais sobre abandono, reprovação e atraso escolar, baseados no Censo Escolar. O documento revela que 3,5 milhões de estudantes brasileiros de escolas públicas municipais e estaduais reprovaram ou abandonaram os estabelecimentos de ensino em 2018. Para ajudar as escolas a dar a volta ao fracasso, as duas organizações lançaram o curso online Trajectórias de Sucesso Escolar, uma estratégia que tem por objectivo inspirar e orientar redes de ensino e escolas a desenvolver projectos e políticas curriculares, alinhadas à Base Nacional Comum,

que garantam o direito de aprender a crianças que ficaram para trás na progressão escolar. A cultura do fracasso escolar ainda é realidade no Brasil, gerando altas taxas de reprovação, distorção idade-série e abandono escolar. Apenas em 2018, escolas estaduais e municipais reprovaram mais de 2,6 milhões de estudantes. Os dados apontam que estudantes do sexo masculino têm uma probabilidade 64 por cento maior de repetir de ano do que meninas, e a taxa de reprovação entre os meninos é 71 por cento maior que das meninas. A taxa também chega quase a dobrar nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano), mas é o ensino médio que mais reprova no país. No total, mais de 912 mil estudantes deixaram as escolas em 2018. O ensino médio é a etapa que mais perde estudantes, tendo 461.763 abandonado a escola em 2018, a maioria ainda no primeiro ano. No geral, as regiões Norte e Nordeste são as mais afectadas pelo atraso e o abandono.

OS MAIS FRACOS

Olhando para grupos específicos, observa-se que as populações negras e mestiças apresentam taxas de abandono que chegam a ser mais que o dobro da população caucasiana. Mais de 453 mil negros e mestiços que abandonaram escolas estaduais e municipais em 2018, enquanto esse número foi de pouco mais de 181 mil estudantes brancos. O número de reprovações entre

negros e mestiços também é duas vezes maior que o de brancos, somando, em 2018, mais de 1,2 milhão de estudantes reprovados. Crianças e adolescentes indígenas são os mais afectados pela distorção idade-série e abandono escolar. Enquanto a taxa de abandono para as escolas públicas municipais e estaduais é de 3 por cento, entre os estudantes indígenas a taxa é de mais de 6 por cento. Já a distorção idade-série atinge mais de 41 por cento dos indígenas matriculados. No último ano, mais de 15 mil abandonaram a escola.

As vítimas são, na sua maioria, do sexo masculino, negros, pobres, que vivem nas periferias e em áreas metropolitanas das grandes cidades, em bairros desprovidos de serviços básicos de saúde, assistência social, educação, cultura e lazer O atraso escolar também afecta mais de 383 mil crianças e adolescentes com deficiência, o que corresponde a mais de 48,9 por cento das matrículas. Quase 30 mil deixaram as escolas estaduais e municipais em 2018. A taxa de reprovação dos estudantes com deficiência é de 13,8 por cento, enquanto, para o grupo sem deficiência, a taxa é de 8,7 por cento. “Os estudantes brasileiros ainda enfrentam uma cultura de fracasso escolar, que naturaliza a reprovação, levando a quadros de distorção idade-série e ao abandono escolar. A nossa proposta, com a divulgação dos dados e o lançamento do curso online da estratégia Trajectórias de Sucesso Escolar, é contribuir para que estados e municípios desenvolvam um diagnóstico claro do problema e divulgar recomendações para auxiliá-los na busca por soluções”, afirma Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.


4 política

AFP

14.11.2019 quinta-feira

ENSINO PEREIRA COUTINHO PEDE MAIS MEDIDAS PARA MATERIAIS DIGITAIS

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deputado José Pereira Coutinho interpelou o Goaverno sobre a necessidade de estabelecer mais medidas para a introdução de um maior número de materiais digitais nas escolas. Numa interpelação escrita, Pereira Coutinho disse que não basta o Fundo de Desenvolvimento Educativo (FDE), da responsabilidade da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), dar financiamento às escolas. “A mera atribuição de subsídios por via do FDE para a aquisição de materiais didácticos electrónicos complementares é manifestamente insuficiente para acompanhar as políticas educacionais mais avançadas a nível mundial”, apontou o deputado, dando como exemplo os casos de Singapura ou alguns países do norte da Europa.  Nesse sentido, Coutinho questiona se as autoridades educativas “vão tomar como referência os países mais avançados na área educacional, nomeadamente Singapura, Finlândia, Holanda e Suíça, quanto ao uso de tecnologias nas salas de aula, possibilitando aos professores e alunos um massivo aumento de acesso à informação no sentido de melhorar e aumentar o ensino de qualidade”.  O deputado acredita ainda que os meios digitais podem também ser utilizados para “elevar os conhecimentos linguísticos pela via tecnológica, evitando que sejam contratados por exemplo, intérpretes-tradutores do interior da China, por, alegadamente, os cursos ministrados nas escolas e universidades locais não terem qualidade”.

HONG KONG CONSULADO DE PORTUGAL E GOVERNO ATENTOS À SEGURANÇA DOS ESTUDANTES

A olhar para o vizinho

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violência que tem assaltado as ruas de Hong Kong desde os episódios desta terça-feira na Universidade Chinesa de Hong Kong estão a levar as autoridades de Portugal e Macau a reagir. Ontem, o Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong fez uma publicação na sua página oficial de Facebook onde pede os contactos de estudantes portugueses que se encontrem na região vizinha, a fim de garantir a sua segurança e “prestar qualquer apoio em caso de necessidade”. Também Sou Chio Fai, responsável máximo pela Direcção dos Serviços de Ensino Superior (DSES), apelou ontem no programa matinal “Fórum Macau”, transmitido pelo canal chinês do Rádio Macau, a que os alunos de Macau que se encontram a estudar no território vizinho se afastem da violência, mantenham contactos com as respectivas famílias

e fiquem em espaços seguros, como as suas casas. Segundo a rádio Macau, a DSES diz que há 1778 alunos de Macau em Hong Kong, não tendo recebido qualquer pedido de ajuda de nenhum deles. Sou Chio Fai adiantou também que a DSES está em contacto estreito com as autoridades de Hong Kong, bem como com associações de alunos de Macau em Hong Kong, para saber mais detalhes sobre a situação em que se encontram estes estudantes. No mesmo programa radiofónico, Sou Chio Fai lembrou que

questões como a Lei Básica e a Constituição chinesa já estão incluídas nos programas de licenciatura, existindo também acções patrióticas, como erguer a bandeira nacional e cantar o hino. O director da DSES disse ainda esperar que as universidades possam disponibilizar mais oportunidades para os jovens entenderem o progresso do País, salientando que a DSES vai proporcionar mais recursos para essa área.

CARTA DE APOIO

Entretanto, na página de Facebook “IPM Secrets”, criada por

O Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong fez uma publicação na sua página oficial de Facebook onde pede os contactos de estudantes portugueses que se encontrem na região vizinha, a fim de garantir a sua segurança e “prestar qualquer apoio em caso de necessidade”

estudantes do Instituto Politécnico de Macau (IPM), foi publicada uma carta assinada por estudantes universitários de Macau que declaram apoio aos estudantes da Universidade Chinesa de Hong Kong. “Somos um grupo de estudantes universitários de Macau e estamos conscientes de que não podemos representar todos os estudantes e todas as universidades”, pode ler-se.  “A polícia de Hong Kong fez ataques contínuos e irrazoáveis no campus universitário, atacando muitos estudantes desarmados com gás pimenta e balas de borracha. Os estudantes universitários de Macau estão atentos e recordam este episódio de forma emotiva”, acrescentam, clamando por maior apoio por parte da comunidade académica de Macau.   Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

SOFIA MARGARIDA MOTA

Os episódios de violência ocorridos esta terça-feira na Universidade Chinesa de Hong Kong levaram o Consulado-geral de Portugal em Hong Kong e Macau a emitir uma nota de apoio aos estudantes portugueses que residam no território. Sou Chio Fai, director dos Serviços do Ensino Superior, disse também estar atento à situação


política 5

quinta-feira 14.11.2019

O

relatório do Executivo que estava a estudar criminalização das pensões ilegais concluiu que a hipótese deve ser recusada. A matéria estava a ser analisada após o Governo ter estabelecido um grupo de trabalho, depois da questão ter dividido o Executivo, com o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, a ser contra a criminalização, e o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, a defender o oposto. “O grupo de trabalho interdepartamental entende que a criminalização não constitui um meio eficaz para resolver o actual problema de pensões ilegais”, consta no relatório, que foi publicado ontem. “Uma vez que os motivos que dão origem à exploração de pensões ilegais são extremamente complexos, de modo a melhor prevenir e combater esta actividade é necessário tomar medidas abrangentes de prevenção e repressão em diversos planos”, é acrescentado. Entre as medidas sugeridas, consta uma sugestão de alteração da lei em vigor para que fique definido de forma muito clara a responsabilidade dos proprietários, dos arrendatários que depois subarrendam as fracções, dos agentes imobiliários e dos ocupantes. O estudo defende que neste momento tal não é muito claro. Por outro lado, afirma-se que as fracções devem poder ser seladas, durante a investigação, por um período superior a seis meses e que os proprietários possam fazer denúncias quando suspeitam que a sua propriedade está a ser utilizada como pensão ilegal. Entre o caminho indicado para o futuro, o grupo de trabalho liderado por Sónia Chan sugeriu igualmente que a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) tenha inspectores só com o trabalho de fazerem a fiscalização. Actualmente os 40 inspectores da DST têm igualmente de fiscalizar as operações de hotéis, restaurantes, guias de turismo e agências de viagens. As outras medidas incluem ainda um reforço na recolha de provas, com vigias à entrada dos prédios e mais campanhas de sensibilização para o fenómeno.

PENSÕES ILEGAIS GRUPO ORIENTADO POR SÓNIA CHAN RECUSA CRIMINALIZAÇÃO

Seja feita a sua vontade No diferendo de secretários, Wong Sio Chak bateu-se pela não criminalização das pensões ilegais e o grupo de trabalho liderado, por Sónia Chan, deu-lhe razão. No pólo oposto, a corrente defendida por Alexis Tam sai derrotada

MAIS DE 1200 CASOS DESDE 2010

Segundo as estatísticas apresentadas no relatório, entre 2010, altura em que a lei que foca as pensões ilegais entrou em vigor, e Fevereiro de 2019, tinha sido detectado um total de 1239 pessoas a explorar pensões ilegais. Entre estas, a maioria dizia respeito a arrendatários, 911, ou 75,53 por cento dos casos detectados. Apenas 0,56 por cento dos casos foram identificados como proprietários, o que representa sete indivíduos, e 25,91 por cento dos casos surgem como outro, que envolvem 321 pessoas.

nalização deve ser “apenas o último recurso”, uma vez que o meio sancionatório do código penal, que seria aplicado em caso da criminalização, privaria “o agente da sua liberdade pessoal em muitas situações”. Contudo, o grupo receou que as autoridades fossem incapazes de recolher provas que condenassem os arguidos. Segundo a explicação do grupo de trabalho, o “elevado rigor e complexidade da lei penal”, assim como o princípio in dubio pro reo, que defende que em caso de dúvida decide-se a favor do acusado, poderiam “gerar situações em que fosse necessária a absolvição dos agentes pelo facto de as provas não atingirem o grau de exigência do Direito Penal”. De acordo com as conclusões, outro dos aspectos contra a criminalização prende-se com o facto das infracções administrativas, ou seja as multas, serem mais rapidamente aplicadas do que os julgamentos dos crimes. João Santos Filipe

VALORES MAIS ELEVADOS

Na justificação da recusa da criminalização, o grupo aponta que a crimi-

joaof@hojemacau.com.mo

O grupo [de trabalho] receou que as autoridades fossem incapazes de recolher provas que condenassem os arguidos

ORÇAMENTO 2020 PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO ECONÓMICA ELOGIA CONTAS DE CHUI SAI ON

L

AO Pun Lap, presidente da Associação Económica de Macau, disse, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau, que Chui Sai On teve uma boa comunicação com o Chefe do Executivo eleito, Ho Iat Seng,

uma vez que o orçamento apresentado esta terça-feira para o ano de 2020 é semelhante ao deste ano. Tal mostra que Ho Iat Seng e Chui Sai On possuem ideias semelhantes ao nível da economia, defendeu

Lao Pun Lap, que acredita que o novo Executivo vai investir mais em infra-estruturas. O responsável disse também ter visto sinais de uma maior diversificação económica ao longo dos dois mandatos de

Chui Sai On como Chefe do Executivo. Chan Chi Fong, professor do Instituto Politécnico de Macau (IPM), considera que a existência de um sistema de educação gratuita no territó-

rio representa plenamente a igualdade de oportunidades no ensino. No que diz respeito ao desenvolvimento de especialistas nesta área, Chan Chi Fong lembrou que tanto o IPM como a Universidade de

Macau possuem já qualidade lectiva a nível internacional, esperando que o próximo Executivo continue a investir no sector educacional para apoiar o desenvolvimento dos jovens.


6 sociedade

“O

S danos do Governo em Coloane são maiores que os provocados pelo Tufão Hato”. É desta forma que o ambientalista e presidente da Macau Green Student Union, Joe Chan, classificou junto do HM o modo de actuação da segunda fase de regeneração da paisagem dos trilhos de Coloane, anunciada há dias pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). Em causa está o facto de se ter verificado, após alerta lançado nas redes sociais pelo grupo “Econscious”, que a segunda fase de reflorestação iria abranger o corte de árvores na área, antes de ser iniciada a plantação propriamente dita. Além disso, prevendo que a recuperação total na zona afectada pelo tufão Hato, estimada em 500 hectares, deva demorar

COLOANE ASSOCIAÇÃO ACUSA GOVERNO DE DESTRUIR ECOSSISTEMA

Cortado pela raiz

que a medida “não é sustentável a longo prazo”.

TIAGO ALCÂNTARA

A segunda fase de reflorestação da paisagem dos trilhos de Coloane, motivada pela passagem do tufão Hato em 2017, já está em marcha. Mas a implementação está longe de ser pacífica. Isto porque há árvores cortadas na área a ser regenerada. O Governo segue o plano traçado, mas a Macau Green Student Union afirma que as medidas estão a aniquilar por completo o ecossistema da região

14.11.2019 quinta-feira

COMEÇAR DO ZERO

Em termos de impacto ambiental tanto Joe Chan como Annie Lao consideram que aquilo que está a acontecer em Coloane é desastroso ao nível do ecossistema da região e que o plano de reflorestação não teve em conta as todas as implicações, implicando basicamente, plantar todo um ecossistema do zero, destruindo, para isso, o que ainda existe. “Num ecosistema todos os elementos dependem uns dos outros. “Sempre que uma árvore é plantada ela vai demorar mais de 20 anos até atingir o mesmo tamanho. para não mencionar também os efeitos que isso tem no ecossistema. Porque uma árvore não vive por si só, há todo um ecossistema que vem atrás”, acrescentou o presidente do Macau Green Student Union.

“Os danos do Governo em Coloane são maiores que os provocados pelo Tufão Hato.” JOE CHAN MACAU GREEN STUDENT UNION

uma década, o IAM decidiu também plantar árvores decorativas em algumas áreas de modo a dar aos residentes “uma paisagem agradável”. Segundo o IAM, o número de plantas acrescentadas e substituídas na primeira fase do plano atingiu as 35 mil. “O Governo acha que consegue manipular e controlar a natureza, mas isso é impossível. Acho que esta solução não é a correcta. Desde de sempre que a natureza procura encontrar um equilíbrio por ela própria, neste caso para se regenerar, no entanto, acho que é necessário que haja também algum tipo de intervenção, porque o próprio ecosistema de Macau é muito

frágil e não consegue recuperar por si só”, apontou Joe Chan. Do mesmo modo, e considerando que já não é a primeira vez que o Governo prescinde de consultar a opinião de especialistas na matéria em questão e a opinião pública em geral, antes de iniciar o plano de intervenções, a activista Annie Lao disse ao HM que a situação de Coloane é “muito frustrante e desastrosa”. “O Governo nunca nos pede opinião e os especialistas ficaram de fora do debate. Não é necessário cortarem árvores porque a natureza consegue cuidar de si própria. É preciso sim “plantar mais árvores”, acrescentou Annie Lao, frisando

Já Annie Lao considera que a longo prazo, o Governo deve criar mais “iniciativas verdes” e traçar mais objectivos significativos em termos ambientais. “É necessário que o governo defina objectivos e métricas pálpaveis como por exemplo, a percentagem de emissões de CO2 na atmosfera que se pretende reduzir e número de árvores a plantar no decorrer de um ano”, referiu ao HM. “Na minha opinião plantava mais árvores, não construía edifícios à volta para criar um ambiente amigável para o ecossistema! Isto é não é saudável para os pássaros, não é bom para qualquer habitat natural por causa da poluição. É preciso trabalhar nesses aspectos. Eles andam a brincar com todo o ecossistema. Pedro Arede

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AMCM Reservas cambiais aumentaram no mês de Outubro

As estimativas preliminares da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) quanto às reservas cambiais da RAEM apontam para um valor de 173,3 mil milhões de patacas no final de Outubro de 2019, reflectindo um aumento de 1,3 por cento em relação ao mês anterior, quando o valor foi de 171,0 mil milhões de patacas. Por seu turno, a taxa de câmbio efectiva ponderada pelas suas quotas de comércio, foi de 108,0 em Outubro, registando um decréscimo de 0,33 pontos relativamente ao mês anterior, mas um aumento de 1,43 pontos, em comparação com Outubro de 2018.

Autoridade Monetária Celebrado acordo com Timor-Leste

Tendo por base o desenvolvimento da “Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) celebrou um novo “Acordo de cooperação” com o Banco Central de Timor-Leste. O acordo foi assinado em Portugal pelo presidente do Conselho de Administração da AMCM, Chan Sau San e pelo governador do Banco Central de Timor-Leste, Abraão de Vasconcelos, sob o testemunho do governador do Banco de Portugal, Carlos da Silva Costa. A cooperação entre as duas instituições, inclui uma aposta no intercâmbio, através do diálogo periódico e ainda, a realização de formação profissional e estudos relativos à cooperação, tendo as partes, assumido o compromisso de realizar encontros periódicos. O novo “Acordo de cooperação” foi o resultado da negociação baseada no “Acordo de Cooperação e Assistência Técnica”, celebrado em 2008 pelas duas instituições.


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quinta-feira 14.11.2019

ESCOLA PUI CHING PROFESSOR PUBLICA POSTS VIOLENTOS SOBRE HONG KONG

Aulas de violência

Um docente do ensino secundário publicou uma série de posts no Facebook usando retórica violenta. Um deles, em tom irónico, refere que os manifestantes deviam usar AK 47 contra a polícia. Um ex-aluno da escola, onde estudaram muitos elementos da elite política local, repudiou a linguagem usada. A DSEJ apela à integridade dos professores

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Á pouco mais de uma semana, um aluno foi chamado à direcção da escola secundária Keang Peng devido a publicações numa rede social a demonstrar alguma simpatia para com manifestantes de Hong Kong e com Taiwan. Não foi mencionado em qualquer publicação que o teor das mensagens tivesse alguma conotação violenta. A situação inverteu-se ontem com a denúncia numa página de Facebook, de mensagens publicadas por um professor da Escola Secundário Pui Ching. Numa das publicações, o docente refere-se aos manifestantes de Hong Kong como “baratas ou cruzados”, enquanto lança um ultimato: “Se não saírem amanhã do aeroporto, e se impedirem a minha família de passar férias comigo, olho por olho não vai bastar. Quero dez vezes mais do que isso”. Numa outra publicação, cujo print screen também foi divulgado, o professor respondeu a uma pergunta. “O que fazem a quem diz algo com que discordam? Lançam uma bomba incendiária”. O comentário é seguido de um emoji de coração. Noutra publicação, o professor apela à imaginação. “Quem concorda com os manifestantes são heróis, os que não concordam são idiotas azuis. Todos os dias falam de 31.8 e de 18.9. Se detestam os

polícias porque não usam AK47? Sinto nojo quando os vejo destruir lojas”. Nesta publicação, o docente alude às datas usadas nos protestos. Por exemplo, 31.8 é 31 de Agosto, dia da carga policial dentro de uma carruagem do MTR e do confronto com contra-manifestantes,

alegadamente ligados a tríades. A ideia foi ironizar com os números usados, que mais valia usar AK47.

RESPOSTA DO GOVERNO

Em resposta enviada ao HM, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) cingiu-se a dizer

LEI DOS ARQUIVOS CONSULTA PÚBLICA COMEÇA SEXTA-FEIRA

T

EM início esta sexta-feira, dia 15, o processo de consulta pública relativo à revisão da lei dos arquivos. De acordo com um comunicado oficial emitido ontem pelo Instituto Cultural (IC), a consulta pública terá a duração de 30 dias. O regime arquivístico em vigor data de 1989 e fixa as regras de selecção, conservação, eliminação, transferência e incorporação de documentos dos arquivos dos órgãos do Governo e dos serviços da

Administração Pública. Além disso, o diploma prevê os elementos necessários para a classificação e gestão de arquivos privados, os prazos para acesso aos arquivos públicos, o processo de reprodução de documentos e o regime sancionatório. O IC defende que, desde 1999, “o sistema político, as organizações governamentais, o ambiente económico e o enquadramento social diferenciam-se muito dos da época de elaboração do referido decreto-

-lei”, pelo que “algumas disposições do regime arquivístico vigente já não se adaptam à realidade actual”. Nesse sentido, a proposta que vai amanhã a consulta pública prevê “o reforço da gestão dos arquivos públicos, da protecção e da utilização dos arquivos privados”, o regime sancionatório a aplicar, a forma como será feito o acesso aos arquivos públicos e a reprodução de arquivos públicos, entre outras áreas.

que “os professores devem manter uma imagem conducente com a profissão, respeitar a ética profissional com integridade, focarem-se no seu trabalho, concentrarem-se na educação e assegurarem a ordem que o ensino requer”. A DSEJ acrescenta ainda que “os docentes devem ser objectivos e equilibrados em qualquer tema e expressar as suas opiniões de forma pacífica e racional”. Quanto à eventualidade de investigar o caso, a DSEJ não respondeu até ao fecho da edição. Outra reacção veio de dentro, mais propriamente de um antigo aluno da Escola Secundário Pui Ching, que publicou no Facebook a resposta. O ex-aluno categoriza as palavras do docente como “ofensivas e agressivas”, e confessa-se “desapontado com os comentários”, porque considerar contrárias ao espírito e lema da escola, que traduzido para português será algo como “Faz o teu melhor e age com correcção”. Além disso, sublinha que parte do papel de um docente é servir de exemplo para os alunos e deixa o desejo de que a

“Os docentes devem ser objectivos e equilibrados em qualquer tema e expressar as suas opiniões de forma pacífica e racional.” SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO E JUVENTUDE

escola actue e garanta a qualidade do corpo docente. Importa referir que a Associação de Antigos Alunos da Escola Secundária Pui Ching inclui nomes como Alexis Tam, o director dos Serviços do Ensino Superior Sou Chio Fai, os deputados Chui Sai Peng e Wong Kit Cheng, o ex-director dos Serviços para os Assuntos do Trânsito Wong Wan, o ex-presidente o IPIM Jackson Chan, entre outros notáveis da elite política local. João Luz

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TSI Polícias condenados por condução com álcool

Dois polícias foram condenados no âmbito de um caso de um acidente causado por condução com excesso de álcool ocorrido no dia 10 de Janeiro, noticiou o canal chinês da Rádio Macau. Nesse dia, os dois polícias estavam de folga, sendo que um deles foi apanhado a conduzir com excesso de álcool no sangue, tendo sido condenado, pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI) a uma pena de três anos e três meses de prisão, e proibição de condução por três anos. Quanto ao colega, que assumiu as culpas do acidente, foi condenado a um ano e três meses de prisão com pena suspensa. O acidente ocorreu no cruzamento da Avenida Almirante Lacerda com a Rua de João de Araújo, tendo o carro atingido um peão. O agente policial que não consumiu álcool assumiu ser o condutor da viatura, mas após a investigação, verificou-se que era o outro agente alcoolizado o responsável pelo acidente. O teste de alcoolemia registou 2.07 gramas de álcool por litro de sangue.


8 publi-reportagem

14.11.2019 quinta-feira

KNOWING YOU, KNOWING US

Uma iniciativa da Melco de Apoio ao Desenvolvimento das PMEs

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om o objectivo de contribuir para o futuro sustentável de Macau e das suas Pequenas e Médias Empresas (PMEs), a Melco Resorts & Entertainment lançou uma nova iniciativa intitulada ‘Knowing You, Knowing Us’.

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programa visa tornar-se uma plataforma de comunicação exclusiva, que permita criar e facilitar relações construtivas entre a Melco e os comerciantes locais através da realização de eventos regulares; implementando relações benéficas que, não só assegurem às PMEs maior transparência face aos requisitos e procedimentos de aquisição de produtos da Melco, ajudando as PMEs a identificar os produtos e serviços que podem oferecer à empresa e à indústria alargada, mas também permitindo à Melco conhecer os comerciantes locais e o que têm para oferecer.

L

evando à práctica a filosofia de Lawrence Ho, Presidente e CEO da Melco, de apoio ao desenvolvimento das PMEs, a Melco tem continuado a dar prioridade às PMEs no que respeita à criação de oportunidades de negócio, oferecendo os melhores produtos e serviços aos hóspedes exigentes dos seus resorts integrados.

A

campanha ‘Knowing You, Knowing Us’ da Melco foi inaugurada o mês passado com um seminário sobre Operating Supplies & Equipment (OS&E) ( o sector de mercado que fornece aos hóteis objectos para utilização pessoal dos hóspedes, como secadores, ferros de engomar, cabides, toalhas, etc) e sobre os critérios de Categorias de Printing. Foi também organizada uma visita guiada na área comercial para mais de 50 PMEs locais. Os convidados visitaram membros da Câmara de Comércio de Macau, a Associação Industrial de Macau e a Associação da União de Fornecedores de Macau. Participaram mais de 80 representantes das PMEs, de diversos sectores, incluindo a área de Marketing; Printing; OS&E; Acessórios para Quartos; Informação e Tecnologia.

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s convidados efectuaram uma visita à Melco’s Studio City, para desfrutarem das instalações na perspectiva de hóspedes, permitindo aos membros das PMEs a possi-

bilidade de conhecerem melhor a forma como os seus produtos e serviços podem vir a ser utilizados. As actividades do dia terminaram com uma sessão de matching business, durante a qual as PMEs apresentaram os seus produtos aos representantes da Melco’s Supply Chain (Cadeia de Abastecimento da Melco) e, por seu lado, a Melco exibiu os produtos que usa actualmente na área de OS&E e Printing. Estes temas foram posteriormente debatidos.

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urante outro evento realizado a 6 de Setembro, a Melco divulgou, durante o workshop efectuado na Studio City, iniciativas de aquisição sustentável de produtos e a sua estratégia sustentável alargada, com cinquenta representantes oriundos de mais de trinta PMEs locais de diversos sectores.

os representantes das PMEs a desenvolver a sua consciencialização sobre aquisição sustentável de produtos. A estratégia sustentável alargada da Melco e as iniciativas verdes foram claramente apresentadas. Depois desta sessão acredito que muitos de nós pensarão em actualizar a sua oferta para que fique mais alinhada com este objectivo. Foi um evento positivo, no sentido de ajudar a incrementar a rentabilidade das PMEs de Macau, enquanto um todo. A partir daqui podemos dar mais atenção à procura de produtos sustentáveis para o mercado, evitando os que sejam excessivamente industrializados. Iremos também explorar todoas as possibilidades de obter certificações de reconhecimento de sustentabilidade, para complementar o nosso crescimento empresarial.”

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enny Ho, Gestora de Standards, Gestão, Treino e Avaliação do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM) apresentou os parâmetros globais estabelecidos pela Organização Internacional de Estandardização, de acordo com os Objectivos para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (UNSDG sigla em inglês), e as metas a atingir, com indicações práticas para balizar as operações sustentáveis. workshop também chamou a atenção para os factores que devem ser considerados na aquisição sustentável de produtos, nos quais se incluem o impacto ambiental e a reutilização de produtos e de serviços, o papel das PME’s, no âmbito de uma cadeia de fornecimento sustentável e a consciencialização para a constante mudança na procura dos clientes. Uma sessão sobre colaboração em rede permitiu que o Departamento da Cadeia de Abastecimento da Melco e os partcipantes do workshop se reunissem, para juntos procurarem produtos e soluções sustentáveis e, assim, catalizarem potenciais oportunidades de negócio conjuntas.

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epois de ter participado no seminário, Karen Chu, Directora Executiva da PME local, Paris Store, comentou, “Sinto que o workshop ajuda verdadeiramente

e outro eventos promovidos pela Melco, destacam-se um workshop sobre as mais recentes tendências em Saúde e Segurança Ocupacional (OSH sigla em iglês), em Certificados de Gestão, bem como a visita guiada a diversas empresas, onde participaram mais de 40 PMEs locais, representantes de vários sectores como Marketing; Mobiliário, Iluminação e Equipamento; Operadores de Abastecimento e Equipamento Hoteleiro; Serviços de Manutenção; Peças; e Equipamento de Entretenimento. onald Tateishi, Vice-Presidente Financeiro Sénior, da Melco Resorts and Entertainment, afirmou, “Com a criação e implementação do programa ‘Knowing You, Knowing Us’, que visa incrementar a comunicação entre a nossa empresa e as PMEs, através de workshops, seminários e dias abertos, esperamos aumentar as aquisições da Melco junto do comércio local e vir a apoiar o seu crescimento. Esperamos poder vir a anunciar novas iniciativas para os próximos meses, nas quais as PMEs locais e a Melco possam ter a oportunidade de dialogar em profundidade e de criar entendimentos, para identificar oportunidades e perspectivas de negócio, de forma a podermos trabalhar em conjunto em direcção a um futuro sustentável, para Macau e para Área da Grande Baía.”


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quinta-feira 14.11.2019

IC Antiga residência do General Ye Ting fechada

O Instituto Cultural (IC) emitiu ontem uma nota onde dá conta que a Antiga Residência do General Ye Ting vai estar encerrada entre hoje e amanha, dia 15, até às 12h00, devido à “preparação de uma exposição e de um programa de actividades”.

Chama-se “Macaenses – An odyssey” eéo documentário da autoria de António Pinto Marques que será exibido na edição deste ano do festival de curtasmetragens Sound & Image Challenge, em Dezembro. O cartaz, que celebra dez anos de existência, conta ainda com outros filmes realizados em Macau e que venceram a competição nos últimos anos

EUA José Cid recebe Grammy de Excelência Musical

O músico português José Cid recebeu ontem, numa cerimónia em Las Vegas, nos Estados Unidos da América, um Grammy de Excelência Musical, da Academia Latina de Gravação, cuja atribuição foi anunciada em Agosto. O Grammy de Excelência Musical é atribuído “a artistas que fizeram contribuições de significado artístico excepcional para a música latina”, de acordo com informação disponível no ‘site’ da Academia. Além de José Cid, também Eva Ayllón, Joan Baez, Lupita D'Alessio, Hugo Fattoruso, Pimpinela, Omara Portuondo e José Luis Rodríguez "El Puma" receberam o mesmo galardão.

O que é local éA bom CINEMA SOUND & IMAGE CHALLENGE EXIBE PELÍCULA SOBRE COMUNIDADE MACAENSE

décima edição do festival de curtas-metragens Sound & Image Challenge, organizado pela Creative Macau, decorre entre os dias 3 e 10 de Dezembro e celebra os dez anos de existência de uma iniciativa que visa mostrar o que de melhor se faz ao nível de curtas-metragens em Macau, mas não só. O cartaz deste ano faz uma retrospectiva às produções que foram ganhando a competição nos últimos anos, dando destaque aos projectos desenvolvidos em Macau. Na secção de documentários, de salientar a exibição de “Macaenses – An Odyssey”, de António Pinto Marques, no dia 4 de Dezembro.  Este filme, com pouco mais de 28 minutos de duração, foi feito o ano passado e relata a história da comunidade macaense na diáspora, neste caso na América do Norte. O documentário contém diversas entrevistas feitas a macaenses que há muito deixaram a sua terra natal, resultado de

O cartaz deste ano faz uma retrospectiva das produções que foram ganhando a competição nos últimos anos, dando destaque aos projectos desenvolvidos em Macau

diversos fluxos migratórios que se sucederam após a Guerra do Ópio e o Tratado de Nanjing, em 1842. Ao longo dos anos, a comunidade macaense tem emigrado, sobretudo para a Austrália, Portugal, Canadá, Brasil ou Estados Unidos, reagindo a cenários económicos ou políticos menos favoráveis. O realizador, António Pinto Marques, fez os seus estudos na London School of Film, tendo trabalhado no documentário “The World at War” para a BBC, considerado “uma inovadora série documental” de 26 episódios narrados pelo actor Lawrence Oliver sobre a II Guerra Mundial.  O programa inclui também o documentário “Histórias de Lobos”, realizado em Portugal por Agnes Meng, em 2018. Em cerca de 22 minutos conta-se a história da localidade de Pitões das Junias, onde os poucos habitantes convivem com lobos em plena montanha. Agnes Meng estudou na Universidade Tsinghua, em Pequim. O público poderá também ver documentários realizados na Índia, Irão, Indonésia e Turquia, entre outros.

PEQUENOS DE MACAU

O Sound & Image Challenge mostra também as curtas-metragens realizadas em Macau e que se revelaram vencedoras em competições anteriores. É o caso de “Motivation”, do realizador português António Caetano de Faria, que faz parte do conjunto de produções vencedoras entre 2012 e 2013, juntamente com “Drugs are Good”, de Kenny Leong, ou “The Facebookers of Macau”, de Óright. Estes filmes serão exibidos na tarde do dia 4 de Dezembro, entre outras produções estrangeiras. O festival inclui também a secção “Cinema Expandido”, que também a 4 de Dezembro, às 19h00, exibe o documentário “Bijagó, o Tesouro Sagrado”, de Domingos Sanca, da Guiné-Bissau. Esta produção, feita em 2018, conta a tradição da ilha de Canhabaque, na Guiné-Bissau, onde os homens são obrigados a separar-se das suas mulheres por questões rituais, o que causa um enorme sofrimento às mulheres da ilha devido a estas práticas ancestrais. Domingos Sanca estudou cinema em Cuba e já realizou diversos documentários, com presença em vários festivais internacionais.  Todos os filmes são exibidos no Teatro D.Pedro V. No dia 3 de Dezembro, dia de arranque do festival, haverá um concerto da banda da Casa de Portugal em Macau, a partir das 17h30. A.S.S.


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14.11.2019 quinta-feira

Aviso de pedido para junção de restos mortais em sepultura perpétua ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 51/P/19 OBRA DE CONSTRUÇÃO E REMODELAÇÃO DAS ENFERMARIAS DO 4.º ANDAR DO EDIFÍCIO DA CLÍNICA MÉDICO-CIRÚRGICA 1. 2. 3. 4. 5.

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Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. Objecto da Empreitada: Realização da obra de construção e remodelação das enfermarias do 4.º andar do Edifício da Clínica Médico-Cirúrgica. Prazo de desenho dos projectos e Prazo de execução: O prazo máximo para o desenho dos projectos da presente empreitada é de 50 (cinquenta) dias de trabalho, e o prazo máximo para execução das obras de 150 (cento e cinquenta) dias de trabalho (para efeitos de contagem do prazo de execução das obras da presente empreitada, somente domingos e feriados não são considerados como dias de trabalho, e no prazo de execução das obras não está incluído o prazo para apresentação do projecto nem de apreciação pela DSSOPT). Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 dias (noventa dias), a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: A empreitada é por série de preços. Caução provisória: MOP70.000,00 (setenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução, aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% (cinco por cento) do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% (cinco por cento) para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: Não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 26 de Dezembro de 2019 (quinta-feira), até às 17,45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do acto público: Local: Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C - «Sala de Reunião». Dia e hora: Dia 27 de Dezembro de 2019 (sexta-feira), às 10,00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 18 de Novembro de 2019 (segunda-feira), às 15,00 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Hora: Horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Preço: MOP106,00 (cento e seis patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação:

40%

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Preço razoável Experiência em execução das obras B1. Experiência em obras semelhantes - 20% B2. Estrutura das equipas executoras da obra e alocação dos recursos humanos - 10% Programa de execução da obra

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Programa de trabalhos

10%

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Prazo de execução da obra

5%

F

Integridade e honestidade F1. Declaração de Integridade e Honestidade - 2% F2. Declaração de compromisso do concorrente em que não foi sentenciadopelo Tribunal ou órgão administrativo por ter empregue trabalhadores ilegais, ter contratado trabalhadores não destinados para o exercício de funções ou para a devida actividade - 3%

5%

A B

30% 10%

17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, a partir de 13 de Novembro de 2019 (quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, a fim de tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 7 de Novembro de 2019 O Director Lei Chin Ion

Eu, Ng Kam Shing (吳金勝), nos termos da alínea 3) do n.º 1 e dos n.ºs 2 e 3 do artigo 26.º -A do Regulamento Administrativo n.º 37/2003, alterado pelo Regulamento Administrativo n.º 22/2019, apresento um pedido da junção das ossadas de Ng Kau (吳九) na sepultura n.º CN-1-G-985 do Cemitério Municipal de Coloane. O defunto cujos restos mortais se pretende juntar era filho do falecido já ali depositado, o primeiro inumado, Ng Io Heng (吳耀興). Venho por este meio informar as pessoas indicadas no n.º 1 do artigo 26.º -A do Regulamento Administrativo acima referido de que podem apresentar objecção por escrito ao IAM no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do aviso. A objecção escrita deve ser entregue no escritório dos assuntos relativos a cemitérios da Divisão de Higiene Ambiental do IAM, sito no 3.º andar do Edifício Comercial Nam Tung, na Avenida da Praia Grande n.º 517. Se o IAM não tiver recebido objecção por escrito no prazo determinado, o pedido de junção pode ser autorizado. Aos 14 de Novembro de 2019 Ng Kam Shing

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 50/P/19 Faz-se público que, por deliberação do Conselho Administrativo, de 31 de Outubro de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento e instalação de um analisador multiplex baseado em Luminex (Luminex-Based Multiplex Analyzer) aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 13 de Novembro de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP39.00 (trinta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 13 de Dezembro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 16 de Dezembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP15.400,00 (quinze mil e quatrocentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 7 de Novembro de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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quinta-feira 14.11.2019

GRANDE BAÍA SHENZHEN INAUGURA FEIRA DE TECNOLOGIA

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HK ESTUDANTES DO CONTINENTE RETIRADOS DA CIDADE

A sair de cena

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STUDANTES universitários oriundos do continente estão a ser retirados de Hong Kong, numa altura em que a região é palco de confrontos cada vez mais violentos entre manifestantes antigovernamentais e a polícia. Pelo terceiro dia consecutivo, manifestantes causaram interrupções no serviço ferroviário, bloquearam ruas e ocuparam o centro financeiro da cidade. Os confrontos, que só na segunda-feira causaram 128 feridos e mais de 260 detenções, alargaram-se, entretanto, a alguns campus universitários. As autoridades disseram que a polícia marítima usou um barco para ajudar um grupo de estudantes do continente a deixar a Universidade Chinesa de Hong Kong, que permaneceu barricada por manifestantes após confrontos violentos com a polícia na terça-feira.

Segundo o jornal chinês Beijing Evening News, estudantes do continente dizem que os seus dormitórios foram invadidos e que foram pintados insultos nas paredes. Muitos estão a beneficiar de um programa que oferece uma semana de acomodação grátis em hotéis e albergues de Shenzhen. Várias estações de metropolitano e de comboio foram encerradas depois de os manifestantes antigovernamentais terem bloqueado as entradas e vandalizado as instalações. O Departamento de Educação de Hong Kong disse inicialmente que os pais podiam escolher se manteriam os filhos em casa, mas acabou por suspender as aulas nas escolas primárias e secundárias. Pelo menos 11 instituições de ensino superior anunciaram que as aulas estão suspensas, de acordo com a emissora de Hong Kong RTHK.

Descrevendo a situação como desanimadora, a agência apelou para “as crianças em idade escolar ficarem em casa, não saírem à rua, ficarem longe do perigo e não participarem em actividades ilegais”.

VIOLÊNCIA À SOLTA

Na Universidade Chinesa de Hong Kong, estudantes e outros preparavam-se para confrontos com a polícia. Bombas e cocktails Molotov iluminaram partes do campus na noite anterior, enquanto a polícia lançava gás lacrimogéneo e disparava balas de borracha contra os manifestantes. Grupos de polícia de choque foram mobilizados para o centro de Hong Kong e territórios periféricos para tentar conter a violência. Nos arredores da metrópole, muitos estudantes universitários estavam armados com bombas incendiárias, enquanto outros carregavam arcos e flechas.

Crime Três taiwaneses detidos por alegada subversão A China confirmou ontem que deteve três taiwaneses, por alegada subversão ou outros crimes contra o Estado chinês, uma tendência crescente que levou já Taipé a recomendar cautela aos cidadãos que visitam o continente. O portavoz do gabinete para os Assuntos de Taiwan, Ma Xiaoguang, disse ontem aos jornalistas que os três detidos são suspeitos de actividades prejudiciais à

segurança nacional. “O continente sempre atacou actividades prejudiciais à segurança nacional através da lei e esta é a conduta normal da polícia”, disse. A imprensa de Taiwan identificou os três detidos como Tsai Chin-shu, presidente de uma organização que promove intercâmbios com a China, o activista taiwanês Lee Meng-chu e um professor reformado, Shih Cheng-ping.

HENZHEN inaugurou ontem a feira dedicada ao sector tecnológico China Hi-Tech Fair (CHTF2019), que visa fortalecer o papel da Área da Grande Baía como um centro de inovação científica e tecnológica. “Impulsionar a Área da Grande Baía com maior abertura e inovação” é o lema do evento, que celebra a sua 21.ª edição este ano e serve para apresentar os mais recentes produtos de alta tecnologia, incluindo cidades inteligentes, assistência médica inteligente, novos materiais e monitores optoelectrónicos. A feira, que dura até 17 de Novembro, procura promover a colaboração tecnológica e económica regional e fortalecer a comunicação entre jovens empreendedores em Shenzhen e Hong Kong, destaca a organização num comunicado. No total, participam no evento 200 instituições de pesquisa científica, cerca de 100 universidades e mais de 20 centros de inovação, além de mais de 3.000 empresas, incluindo os grupos chineses de telecomunicações Huawei ou ZTE. Durante a edição de 2018 da CHTF foram apresentados 1.746 novos produtos e 585 novas tecnologias. Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) de Shenzhen ultrapassou os 338 mil milhões de dólares, à frente de Hong Kong ou Singapura.

SEGURANÇA SHENZHEN ANUNCIA CONTRATAÇÃO DE 2.500 NOVOS POLÍCIAS

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S forças de segurança de Shenzhen, na China, anunciaram ontem o lançamento de uma campanha de recrutamento de 2.500 polícias, numa altura em que a região vizinha de Hong Kong é palco de protestos anti-governamentais. Segundo o anúncio, publicado pelo Gabinete de Segurança Pública de Shenzhen, e citado pela imprensa local, os novos oficiais serão encarregues de patrulhas de segurança por toda a cidade, visando a manutenção da ordem pública, prevenção e dissuasão de crimes. Outros serão integrados em equipas de investigação de casos envolvendo crimes e ofensas económicas.

O anúncio aponta para salários mensais de pelo menos 10.000 yuan e um bónus anual entre os 2.000 e 50.000 yuan. Desde o Verão, a polícia de Shenzhen tem realizado vários exercícios antimotim, face aos protestos que há seis meses abalam Hong Kong. “Shenzhen dá hoje as boas-vindas a outra oportunidade na Área da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau como cidade piloto de demonstração do socialismo com características chinesas. Ao escolher Shenzhen, escolhe infinitas possibilidades para o futuro”, promete a campanha de recrutamento, lançada a nível nacional.

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NOTIFICAÇÃO N.° 710/AI/2019 -----Atendendo a que não é possível proceder à respectiva notificação pessoal, pela presente notifique-se UN KUOK WANG e ZHANG QUNXIU, proprietários da fracção autónoma situada na Rua Dois Bairro Iao Hon, n.° 11, Man Sau, 1.° andar C (correspondente no prédio ao E115), que no dia 13.11.2019 caducaram as medidas provisórias que foram aplicadas à referida fracção na sequência do Auto de Notícia da DST n.º 135/DI-AI/2019,de 14.05.2019.--------------------------Para mais informações, o ora notificado pode comparecer nas horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.º andar.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 01 de Novembro 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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14.11.2019 quinta-feira

Fogem-te, por entre os dedos, os instantes

Bloom, doze anos antes

retrovisor Luís Carmelo

que reinventa com enlevo a realidade e o patamar da conta-corrente que a relata, amplia e transfigura (através de personagens e factos que vão e vêm, sucumbem ou reaparecem). Num e noutro, o “canône” não deixa de ser um beco com saída (apenas) para a imaginação. Num e noutro, são os antigos requisitos da fé que se sublimam. Para quem recuperava à época de uma doença grave, é normal que as ilusões deste segundo patamar se tornassem mais aliciantes. Mas para quem calcorreia o stress do dia-a-dia, nada melhor do que umas prestidigitações mágicas à Méliès aliadas ao furor das cerejas. Como se umas e outras fossem verdade, ainda que, no nosso tempo, o sentido - a simples produção de sentido - se imponha cristalinamente aos apetites da verdade.

N

O Outono de 2007, Harold Bloom revelou no The New York Review of Books que tinha decidido “voltar a ler Shakespeare em vez da Bíblia, depois de ter regressado à vida”, na sequência de alguns dias de internamento. E a conclusão surgiu logo a seguir com clareza: “Não há separação entre vida e literatura em Shakespeare”.  Este “back to life” não podia ser mais auspicioso. Se a Bíblia é uma imensa alegoria que desliza entre o exemplo, o vivido, a disposição policial e a produção de imagens inauditas, Shakespeare, na linha de Bocaccio, foi sobretudo o organizador genial de mil tradições orais que dominavam os acervos memoriais do seu tempo. É quase a mesma diferença que hoje existe entre os acontecimentos que se reproduzem como cerejas a partir dos media e das redes sociais, criando

cadeias ficcionais apaixonadas e delirantes (que replicam as funcionalidades mitológicas do ‘exemplum’), e os acontecimentos e as histórias que se constituem, no nosso dia-a-dia, sob a forma de cápsulas instantâneas ou de simples vaivéns de conjuntura. O público da actualidade procura (ainda que involuntariamente) as grandes metáforas da vida nas curtas narrativas que os media vão desdobrando sobre os fragmentos soltos do quotidiano. E acontece muitas vezes que, a partir de eventos reais que são eleitos como notícia, se forma, com total impotência por parte dos mecanismos editoriais, uma sequência de alegações, conjecturas e rumores que acaba por transformar a notícia original numa verdadeira cadeia ficcional. É o que tecnicamente se designa por meta-ocorrência ou narrativa conspurcada (tão própria das redes sociais)

em que proliferam milagres, delírios, pseudo-polémicas inconsequentes e os já habituais - e cada vez mais apurados - adereços “fake” induzidos. Este processo acelerou-se e tornou-se quase normal nos últimos anos. Os exemplos inundam-nos, submergem o quotidiano e são facilitados pela massificação globalizada que oscila entre as esferas do público e do privado e no seio da qual o impacto dos media é diagnosticado sobretudo por filtros passionais e afectivos. Existirá, pois, uma correspondência entre estas novas cadeias ficcionais – espécie de ‘literatura de cordel high-tech’ – e o mundo das alegorias que procurava o milagre e a disrupção para traduzir as relações entre a virtude e o interdito, ou entre o conhecido e o desconhecido.   Enfim: Bloom teria a sua razão, quando separava o patamar da parábola

Recuperei esta brevíssima reflexão justamente no dia em que Harold Bloom faleceu: 14 de Outubro de 2019. Volto agora a darlhe luz. E faço-o porque me foi importante lê-lo, a despeito dos detractores, muitos deles ‘formados’ dentro de barricadas claustrofóbicas e com capacidade para distinguir apenas um limitado segmento do horizonte Recuperei esta brevíssima reflexão justamente no dia em que Harold Bloom faleceu: 14 de Outubro de 2019. Volto agora a dar-lhe luz. E faço-o porque me foi importante lê-lo, a despeito dos detractores, muitos deles ‘formados’ dentro de barricadas claustrofóbicas e com capacidade para distinguir apenas um limitado segmento do horizonte (sei bastante bem que, do outro lado, existem barricadas simétricas e ‘muito seguras de si’, com usos e costumes em conformidade). Coisa de claques, afinal. É a vida. *The New York Review of Books , Vol. LIV, Nº 18, 22/11/07, p.40.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

quinta-feira 14.11.2019

Diários de Próspero António Cabrita

O encontro

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IRCUNDOU-ME sentando-se à minha mesa, num gesto felino, sem pedir licença. Ela e a sua canadiana. Olhei-a de soslaio. Fiquei surpreendido, era o retrato da minha avó materna aos quarenta e picos. O meu olhar dividia-se entre o ecrã, onde o Liverpool fulminava o City, e aquela efígie de nariz em gancho, o cabelo preso noutros dois ganchos, e a mirada compassiva que visava a cadela enorme que começou a ladrar nas minhas costas: Estrela deita!, ordenou. No que foi obedecida. Olhei a bisarma, a sua cor impossível, de madrepérola. Ela sossegou-me, Muito meiga, catorze anos. Fixei-lhe o rosto, via como a minha avó fora bonita, um sorriso solto enfeixado no brilho dos olhos. Fez um aceno com a canadiana e diz-me, como se encantada, Oito anos, um AVC. Dizia-o e sorria. Colou-se-me um ar espantado, perguntei, Que fazia antes? Pegou sem cerimónia na minha lapiseira, pousada no caderno aberto, e começou a redigir uma palavra com dificuldade, letra a letra. A meio adivinhei: Socióloga. Isso, acrescentou, sublinhando com o indicador, na amabilidade que se oferece límpida. Oito anos, AVC, repetiu. Mas muito feliz, esclareceu, rindo, antes de rematar, É a vida! Era impossível não acreditar, irradiava. Tive cadeira de rodas, agora canadiana, orgulhava-se. E consegue ler? Lia muito, hoje difícil, escrever difícil, ler difícil… É um problema de concentração, anui. Isso, apontou a cabeça, desenhando com a mão o lóbulo, Muito afectado!, antes de lhe sobrevir um novo sorriso traquinas e de voltar: Sou feliz! E com tal condão o afirmava que era impossível descrer, mesmo imaginando como teria perdido a fala e a conquista que fora aceder de novo à palavra. É a vida!, repeti eu. Conversámos durante vinte minutos. Entendia tudo, rápida e sagaz, apesar das dificuldades na fala e de tropeçar nalgumas sílabas que lhe pedalavam no vazio. Tinha um filho de dezasseis anos, que agora vivia com o pai. Tiveram de ir embora… impossível, com isto… mas visita-me! – acentuava, com o ar de quem recebe uma graça! Reformada por invalidez!, gaguejou, espreitando-me os livros, sobre a mesa, curiosa. Mas muito feliz!, repetia e o seu sorriso não autorizava pena, antes contagiava. Depois a cadela começou a ficar impaciente. Quer ir embora… farta! É a sua guardiã, mede-lhe os tempos de tolerância… - brinquei. Isso! E ri muito. Estrela, espera! Saiu pouco depois, aquela mulher (onde se sobrepunha o retrato da minha avó paterna, também ela espontânea)

que fora tu cá tu lá com o Pierre Bourdieu, mas agora se conformava a um expressão afásica, castigada, embora serena, de uma tão nítida alegria de viver com o seu poucochinho, que me perturbou; foi mesmo o encontro que mais me impressionou nesta visita a Lisboa. Acabou o jogo, emborco o vodka e rumo a casa, rememorando aquele sorriso que me tamborila no crânio. Recosto-me no sofá, abro a net e leio esta notícia: «As autoridades russas detiveram este sábado um conhecido professor e historiador suspeito do homicídio de uma aluna de 24 anos, com quem colaborara em vários trabalhos.

Sou feliz! E com tal condão o afirmava que era impossível descrer, mesmo imaginando como teria perdido a fala e a conquista que fora aceder de novo à palavra. É a vida!, repeti eu

Oleg Sokolov, professor na Universidade de São Petersburgo e condecorado com a Legião de Honra da França, foi apanhado pela polícia local depois de ter caído ao rio Moika, na mesma cidade, enquanto tentava desfazer-se do corpo desmembrado da jovem. Estaria bêbado. Ao ser resgatado, a polícia encontrou dois braços humanos dentro da mochila que carregava. Na habitação do historiador estavam as restantes partes do corpo de Anastasia Yeshchenko, a aluna com quem Sokolov colaborou em diversos trabalhos. Alexander Pochuyev, advogado do suspeito, confirmou à AFP que este já confessou o crime e que está a colaborar com as autoridades. Disse que matou a jovem, com quem alegadamente mantinha uma relação amorosa, depois de uma discussão. O homem terá dito ainda que tinha planeado desfazer-se do corpo para depois  cometer suicídio em público, vestido de Napoleão. Sublinhe-se que foi consultor em vários filmes históricos e escreveu vários livros sobre Napoleão Bonaparte.» Que contraste, entre a nobreza daquela mulher incapacitada, cuja inteligência correra outrora a alta velocidade até à hemorragia que a estancou, e que

vive de poucos acordes e das dádivas de um presente amarrado à difícil artesania das palavras e ao pontilhado das sensações, mas ancorada num evidente equilíbrio emocional, e este grosseiro Napoleão de pacotilha, a quem a cultura e as honras só perverteram, uma besta de pomposa fatuidade! E tantos conheço iguais! Lembro-me de Transtromer, do poeta sueco a quem em Novembro de 1990 um derrame cerebral atirou para uma afasia profunda e para o silêncio de três décadas, entregando-se à sua grande paixão: ouvir música. E lembro-me sobretudo deste seu poema, de que fiz uma versão: «Farto dos que chegam atulhados/ em palavras e nomes – uma algazarra / mas nada de linguagem – //parto para a ilha coberta de neve. // O indomável não tem nomes. // Brancas, as suas páginas/ encadeiam em todos os sentidos.// Dou de caras com as pegadas/ de um cervo na neve:/ nada de palavras mas uma linguagem.» É isto mesmo, a Ana Cristina – perguntei o nome da socióloga ao empregado de balcão, depois dela ter saído – perdeu as palavras mas tem uma linguagem, ganhou o seu combate, ao douto macacão Sokolof só lhe resta o papagueamento das palavras de outros e a cagança das honrarias com que caricatura a vida que nunca lhe pertenceu.


14 (f)utilidades POUCO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Sábado CONSCIOUSNESS PAINTING Fundação Rui Cunha | Das 15h00 às 17h00

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EXPOSIÇÃO | “LÍNGUA FRANCA – 2ª EXPOSIÇÃO ANUAL DE ARTES ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” Vivendas Verdes e Antigo Estábulo Municipal de Gado Bovino | Até 8 de Dezembro

4 3

EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS DE CHEN ZHIFO DA COLECÇÃO DO MUSEU DE NANJING” MAM | Até 17 /11

4

EXPOSIÇÃO | “BY THE LIGHT OF THE MOON – WORKS BY HONG WAI” AFA – Art Garden | Até 5/12

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3 7 5 2 1 6 4 2 6 1 3 7 4 5 EXPOSIÇÃO | OBRAS DE CERÂMICA E CALIGRAFIA DE UNG CHOI KUN 1E CHEN5PEIJIN4 6 2 3 7 Fundação Rui Cunha 7 2 3 4 5 1 6 “WE・ART SPACE” DOCUMENTARY EXHIBITION 4 3 Armazém do Boi |7 Até 8/121 6 5 2 6 1 2 5 4 7 3 5 4 6C 7I 3N 2E M 1 A Cineteatro “DAILY IMPERMANENCE” - FOTOGRAFIAS DE ANTÓNIO LEONG Casa do Povo de Coloane | Até 24/11

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SALA 1

5 4 7 3 6 1 2 1 3 5 2 7 6 4

FORD V. FERRARI [B]

7 2 1 4 3 6 5 3 6 4 5 2 7 1

Um filme de: James Mangold Com: Matt Damon, Christian Bale, Jon Bernthal, Caitriona Balfe 14.30, 16.00, 21.00 SALA 2

CHARLES’ ANGELS [B]

Um filme de: Elizabeth Banks Com: Kristen Stewart, Naomi Scott, Elizabeth Banks, Sam Claflin 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

3 6 2 1 5 4 7 2 7 1 6 4 5 3

4 5 6 7 1 2 3 6 1 3 7 5 4 2

SALA 3

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DOCTOR SLEEP [C]

1 7 4 5 2 3 6 5 4 2 FORD V. FERRARI 1 6 3 7

Um filme de: Mike Flanagan Com: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz 14.15, 18.45

GUILT BY DESIGN [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenneth Lai, Paul Sze, Lau Wing Tai Com: Nick Cheung, Kent Cheung, Eddie Cheung 17.00, 21.30

8.88

BAHT

0.26

YUAN

1.14

VIDA DE CÃO

Diariamente

EXPOSIÇÃO | “WE ART SPACE - DOCUMENTARY EXHIBITION” Armazém do Boi | Até 8/12

EURO

2 10 ANOS

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Nasceu dorto, mas cedo se entireidou! A placa no Pac-On que assinalava a direcção do aeroporto apresentava ontem de manhã um pequeno erro de ortografia, mas que após a rápida circulação nas redes sociaisfoi prontamente corrigido e ao fim da tarde a indicação já se mostrava com a grafia correcta. E ainda dizem que em Macau as coisas levam séculos para se fazerem...

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7 6 2 4 5 4 3 1

6 5 1 1 7 3 2 5 4

PARASITAS 1 5 3 2 6 4 7 3 | BONG 4 JOON 5 HO7(2019)6 5 7 3 4 5 2 1 6 4 2 6 5 1 7 3 6 65 7 4 3 Uma família com dificuldades financeiras, a viver 5 cave,6 descobre 1 a4sua 3 2 7 2 33 7 64 5 1 6 7 1 2 6 5 numa oportunidade de ouro a tra2 balhar família2 rica, 6 1 para7uma 5 3 4 6 4 71 7 3 45 2 1 3 4 2 7 forjando currículos e fingindo que não são familiares. O 55 1 12 6 7 3 4 5 3 1 1 2 3tinha2tudo para 7 ser1uma 4 6 5 5 6 que comédia leve, mas bem feita, 27 6 5 3 34 2 1 5 1 4 transforma-se 6 4 subitamente 3 7 1 5 2 4 2 6 5 num drama que nos faz pensar sobre as desigualdades 3 3 7 4 1 12 6 5 7 1 3 4 4 1 das2sociedades 6 5 7 3 2 7 económicas modernas e os sonhos que 1 7 2 ficam sempre por realizar. Bong Joon Ho conseguiu 6 dois filmes diferen12 1 4 meter 5 11 7 tes num só e proporcionar um excelente momento de 2 7Andreia1Sofia3Silva 6 5 4 2 5 3 4 7 6 1 5 7 6 3 1 cinema. 3 5 6 2 7 4 1 6 7 4 2 5 1 3 6 1 2 5 4 5 1 4 7 2 3 6 7 3 1 6 2 5 4 2 3 4 7 6 6 3 5 4 1 2 7 3 6 5 1 4 2 7 4 5 1 2 3 7 2 3 6Propriedade 4 Fábrica 1 deNotícias, 5 LdaDirectorCarlosMorais 5 JoséEditor 2 João7Luz;José3C.Mendes1Redacção 4 Andreia6SofiaSilva;InNamNg;João1SantosFilipe; 6 Juana5NgCen;4PedroArede7 Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; António Falcão; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; Gonçalo M.Tavares; Paulo 4 6 2 1João 5Cotrim;7JoséDrummond; 3 JoséNavarrodeAndrade; 1 JoséSimões 4 Morais; 2 Luis7Carmelo;6MichelReis; 3 Nuno5MiguelGuedes;PauloJoséMiranda; 3 Paulo4Maiae7Carmo;Rita 6Taborda2 Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; www. 1hojemacau. 4 7 5Wai 6de redacção 2 e PublicidadeMadalena4da Silva1(publicidade@hojemacau.com.mo) 6 5 3 7Assistente2de marketingVincent Vong7Impressão 2Tipografia 3 Welfare 1 Morada5 Xinhua3 Secretária

1 2 3 7 6 4 7 5

2 1 4 5 7 3 1 6

2 7 5 6 3 1 4

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 2

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UM FILME 2 5 6 3HOJE 7 4 1

com.mo

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PROBLEMA 3

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DEPRESSA E NEM

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Chui Sai On fez o balanço de uma década de governação na terça-feira. Tirando as palavras vazias e a fuga cirúrgica a algumas questões, os números apresentados e o confronto entre pré e pós Chui Sai On são impressionantes. Pelo menos, sem contexto. Investimentos públicos a duplicar em muitos sectores, com particular destaque para os apoios sociais. Mas em momento nenhum se mencionou que no início do primeiro mandato de Chui Sai On, abria o Strip do Cotai, que tornou Macau no território do mundo com maior volume de receitas de jogo. A mina fiscal que nasceu das águas para ser o solo mais fértil em termos de jogo é a razão destes números. Aliás, a ascensão progressiva de Macau ao topo dos PIB per capita do mundo não é um acidente, numa terra onde pouco ou nada se produz. Portanto, face a este contexto, não admira que o investimento público tenho aumentado exponencialmente. A inércia 4 levaria a estes resultados, a governação em piloto-automático levaria a este resultado. O que admira é que numa das cidades mais ricas do mundo não haja saneamento básico em condições, o tratamento de esgotos seja meramente simbólico (a maioria vai parar directamente ao rio) e a cidade esteja repleta de ratos. Isso, sim, é admirável. Também é impressionante o tempo que se demora para se fazerem obras importantíssimas para Macau, como o segundo hospital público, outro estabelecimento prisional, ou o Metro Ligeiro. Enfim, todas estas questões foram deixadas de fora, ou abordadas com a leviandade de “opá, não me chateiem, estas coisas demoram, há processos, procedimentos e processamentos que emperram esta coisa”. João Luz

1

S U D O K U

TEMPO

14.11.2019 quinta-feira

2 4 7 1 6 5 3 2

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Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

quinta-feira 14.11.2019

FRANCISCO LOUÇÃ in Esquerda. net

certo é que não tem havido tanta notícia escabrosa. Um banqueiro que trabalhava com o Vaticano e pertencia a uma loja maçónica famosa e que aparece enforcado numa ponte de Londres dava um filme policial, mas já foi há uns anitos. O Barings, fundado em 1762, que tinha a rainha como cliente, foi afundado por um seu agente em Singapura, mas foi há um quarto de século. O Lehman Brothers, uma respeitabilíssima instituição histórica nos EUA, faliu com uma dívida colossal, mas foi há dez anos... Agora tudo parece banal — mas não é por falta de notícias. Investiga-se se a filial de Talin, na Estónia, do Danske Bank, dinamarquês, procederia a lavagem de duvidoso dinheiro russo e descobre-se o rasto de 200 mil milhões entre 2007 e 2015. A sucursal fechou, o banco responde à Justiça. O Nordea, finlandês, está a braços com acusação parecida, como outros bancos na Áustria e na Alemanha. Na Índia houve uma corrida aos depósitos no Banco Cooperativo de Punjab e Maharashtra quando foram descobertas 21 mil contas falsas, usadas para manipular a conta do banco; foram presos alguns dirigentes e seus familiares. No Crédit Suisse, um banqueiro, que se demitira de chefe do Departamento de Fortunas, descobriu que estava a ser seguido por ordem dos seus anteriores empregadores. Demite-se o chefe de segurança e o diretor de operações, com justificações atrapalhadas — não é banal que as operações secretas da eficiente banca suíça venham para a praça pública. Vamos agora aos Estados Unidos. O Wells Fargo, um gigante, aceitou em 2016 uma multa de 185 milhões e despediu 5300 funcionários, que teriam criado dois milhões de contas falsas, aparentemente para conseguirem bónus. Na Europa, cai a nódoa no melhor pano: no Vaticano, que surpreende sempre quando toca a contas secretas, a polícia local fez buscas na Autoridade de Informação Financeira e na Secretaria de Estado do Vaticano, tendo sido suspensos cinco funcionários, incluindo o diretor da Autoridade. Esta tinha sido criada para evitar escândalos e para garantir que o banco do Vaticano, o IOR, se comportaria adequadamente. Ora, eis que se revelam contas suspeitas e grandes aplicações imobiliárias em Londres, pouco justificáveis. Cai o diretor da agência e voltamos ao pandemónio dos segredos obscuros. Finalmente, o maior banco europeu, o Deutsche Bank. Pagou em 2016 uma multa de 60 milhões de euros para evitar um processo por controlar o preço do ouro, foi investigado por ser um dos bancos a manipular a taxa da

FRANCESCO MARIA DELLA ROVERE

O

Não há razão para alarme

Libor, e a Justiça entrou em alerta quando se descobriram as “transferências em espelho”. O “New Yorker” explicava em 2016 como isso se fazia: “Entre 2011 e 2015, um corretor russo, Igor Volkov, dava instruções diárias à filial de Moscovo do Deutsche Bank, para

duas operações simultâneas: usar rublos para comprar ações de uma empresa cotada internacionalmente, por exemplo a Lukoil, em nome de uma empresa russa que controlava; na segunda operação, Volkov, agora em nome de outra empresa registada numa offshore,

A diferença, talvez a única, dos escândalos financeiros recentes em relação ao que se passava há uns anos é que agora não escandalizam, são o nosso normal

como as Ilhas Virgens britânicas, comprava as mesmas ações, pagando em dólares, chegando a 10 milhões por dia.” Ambas as empresas tinham o mesmo dono, e o banco ajudava a vender e a comprar ao mesmo cliente. O total chegou a 10 mil milhões de dólares de lavagem de dinheiro. Três funcionários foram suspensos quando se descobriu o esquema. A diferença, talvez a única, em relação ao que se passava há uns anos é que agora o escândalo não escandaliza, é o nosso normal.


A arte é longa, a vida é breve. Hipócrates

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À lei do cutelo

Dívida de jogo na origem de ataque com arma branca em pensão ilegal

O agressor foi à cozinha buscar um cutelo e atacou a vítima, cansando-lhe lesões na cabeça, testa, orelha direita, braço esquerdo e no dedo anelar da mão direita

No entanto, a sorte do agressor não mudou e no dia seguinte, já a 12 de Novembro, o dinheiro emprestado foi totalmente perdido. Com uma dívida de 10 mil dólares de Hong Kong, o atacante sugeriu à vitima que lhe emprestasse

mais 15 mil dólares. O objectivo do agressor era utilizar o dinheiro para levantar da loja de penhores um relógio, que já havia penhorado anteriormente. A vítima concordou com mais um empréstimo, porque lhe tinha sido

prometido que receberia o relógio como forma de pagamento pelos dois empréstimos. Contudo, depois de levantar o relógio de luxo, o agressor quis ficar na posse do bem e recusou entregá-lo. Foi este comportamento que levou

quinta-feira 14.11.2019

ao desentendimento entre os dois recém-conhecidos. HOJE MACAU

U

M homem do Interior da China atacou com um cutelo um conterrâneo, numa pensão ilegal, e foi detido, de acordo com a informação revelada ontem pela Polícia Judiciária (PJ). Na origem da agressão terá estado uma dívida de jogo e o atacante está indiciado pela prática do crime de ofensa qualificada à integridade física e posse de arma proibida. Segundo a informação revelada pela PJ, os dois envolvidos são do Interior da China e de apelido Ding. Conheceram-se no dia 11 de Novembro na pensão ilegal, onde pagaram por uma cama, cada um, e decidiram ir jogar juntos. Porém, nas mesas de um dos casinos do território, o atacante perdeu todo o seu dinheiro e pediu ao recém-conhecido que lhe emprestasse 10 mil dólares de Hong Kong. A vítima aceitou adiantar o dinheiro, na esperança de que o empréstimo fosse devolvido na totalidade.

PALAVRA DO DIA

NO MP

Já no quarto, e quando discutiam, o agressor foi à cozinha buscar um cutelo e atacou a vítima, cansando-lhe lesões na cabeça, testa, orelha direita, braço esquerdo e no dedo anelar da mão direita. Após as agressões, o agredido tentou fugir e já fora da pensão, com ajuda de residentes locais, conseguiu chegar à esquadra do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), onde apresentou queixa. Após este momento, as forças da autoridade foram à pensão ilegal e procederam à detenção do agressor. O caso está agora a ser seguido pelo Ministério Público e o atacante enfrenta acusações pela prática do crime de ofensa qualificada à integridade física, punida com pena de até 13 anos de prisão. Já a posse de arma proibida prevê uma pena que pode chegar aos dois anos. João Luz (com J.S.F.)

info@hojemacau.com

Porto Kevin Ho assume gestão de “Journal Hotel”

O empresário de Macau Kevin Ho afirmou ontem ter assinado um acordo de gestão com o grupo Marriott para gerir um novo hotel, que vai ocupar o antigo edifício do Jornal de Notícias, no Porto. “Foi assinado um contrato de gestão com uma das marcas do grupo, a Marriott Autograph Collection, mas o nome será outro”, afirmou o também vice-presidente do grupo de comunicação social Global Media à Lusa, sobre o novo projecto hoteleiro com mais de 200 quartos. “O montante total do investimento, incluindo a compra do edifício e a renovação, vai rondar os 30 milhões de euros”, disse. A notícia foi avançada na terça-feira pelo portal Macau News Agency. Kevin Ho acrescentou que o nome do novo hotel vai ser “Journal Hotel” e foi escolhido “por equipas de marca e de ‘design’”, numa alusão à história do edifício.

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Hoje Macau 14 NOV 2019 # 4411  

N.º 4411 de 14 de NOV de 2019

Hoje Macau 14 NOV 2019 # 4411  

N.º 4411 de 14 de NOV de 2019

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