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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 13 DE SETEMBRO DE 2012 • ANO XII • Nº 2694

TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 25 MAX 32 HUMIDADE 60-95% • CÂMBIOS EURO 9.5 BAHT 3.8 YUAN 0.7

Funcionários públicos compram habitação económica mas primeiro que a tenham é um castigo

Dois anos à espera da escritura Pereira Coutinho acusa o Instituto da Habitação de ser uma tragédia burocrática, prejudicando os funcionários públicos a dobrar: pelo tempo de espera e por, nessa fase, perderem o subsídio de residência. O IH admite haver queixas, mas pouco mais explica. O deputado é contundente. “Não há justificação para atrasos nas escrituras.” PÁGINA 2

ALÉM DE ACORDO COM SEGURADORAS

CARLOS TAVARES OLIVEIRA, ESCRITOR BRASILEIRO

“A CHINA ESTÁ AVANÇADA EM RELAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS” PÁGINA 15

Liga de Táxis avança com criação de fundo de 8 milhões de patacas PÁGINA 5

PRÉDIO DE LUXO NA TAIPA

Obra parada após acidente com grua que vitimou trabalhador PÁGINA 4


política

Os funcionários públicos que compram casas económicas esperam até dois anos para que o IH faça as escrituras. Até lá, ficam sem receber o subsídio de residência a que têm direito. IH confirma que recebeu queixas e que está a tratar do assunto Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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quinta-feira 13.9.2012

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Coutinho critica Instituto da Habitação, cuja burocracia tem consequências graves para trabalhadores

“Não há justificação para atrasos nas escrituras” Trabalhadores da Função Pública de Macau, chama a atenção para o atraso burocrático e diz que já recebeu cerca de uma dezena de queixas no seu gabinete. “Os funcionários não têm direito ao subsídio enquanto a escritura não estiver cá fora”, revelou ao Hoje Macau. “A casa é do Governo até a pessoa receber a escritura. Não há justificação para atrasos nas escrituras.” Contactado pelo Hoje Macau, o IH confirmou que recebeu várias queixas, estando a tratar dos processos. “O IH está a fazer o reconhecimento notarial de compra e venda com os compradores de habitação económica. Para acelerar esse processo, o IH já iniciou o processo de concurso com os notários privados. O IH recebeu reclamações sobre a questão dos

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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S funcionários públicos que compram uma casa económica ficam até dois anos à espera que o Instituto da Habitação (IH) termine o processo de assinatura da escritura (determina a compra e venda do imóvel), celebrado entre o funcionário e o Governo. Nesse período de espera, não ganham o subsídio de residência a que têm direito, no valor de 1.500 patacas mensais. Pereira Coutinho, deputado e presidente da Associação dos PUB

subsídios, e desta forma já apresentou o assunto aos Serviços de Administração e Função Pública, que estão a trabalhar nesse assunto.” Por esclarecer ficou o tempo que o IH leva a analisar os processos, tendo-se remetido ao silêncio quando questionado sobre os atrasos apontados. Coutinho afirma que todas as pessoas que queixaram ao seu gabinete já tinham ido ao IH, mas que não terão sido atendidos com toda a atenção necessária.

VALOR PAGO NA ÍNTEGRA

Na resposta enviada, o IH frisou ainda o regime referente à atribuição dos subsídios de residência. Explica que os funcionários públicos “vivendo na habitação social e económica, que é propriedade do IH, não têm direito a receber o subsídio de habitação”. Coutinho afirma que, com a escritura celebrada, as casas passam a ser propriedade do funcionário público. E insiste que, independentemente disso, há o problema de não receberem o subsídio enquanto esperam pela escritura. Ou seja, enquanto não usufruem da nova casa. Por fim, sublinha a questão dos pagamentos. “Por que é que o Governo, que recebe o valor da casa na íntegra, não faz logo as escrituras? Não há razão para receber o dinheiro e levar tanto tempo a preparar os documentos.”

FAOM quer alteração da lei sobre sobreposição dos feriados

Mais dinheiro para trabalhadores Cecília Lin

ANÚNCIO HM-1ª VEZ 13-09-2012 Proc. Divórcio Litigioso n.º CV3-11-0060-CDL

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

3º Juízo Cível

AUTOR: HO KAM KAN, residente em Macau, na Rua Central da Areia Preta, nos. 235 a 419, Jardim Kong Fok Cheong, Bloco 4, 16º andar AE.-----------------------------------RÉU: CHAN CHEOK KUN, ora ausente em parte incerta, com última residência conhecida em Macau, na Rua do Barão, no. 11 Edifício Iao Son, 5º andar D, ou na Rua do Barão, no. 11 Edifício Iao Son, 4º andar G3.------*** FAZ-SE SABER que pelo 3.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, CITANDO O RÉU CHAN CHEOK KUN, acima identificado, para no prazo de TRINTA DIAS, posteriores aos dos éditos, querendo, contestar, a presente acção de DIVÓRCIO LITIGIOSO, na qual a autora, pede, em síntese, que seja decretado o divórcio entre a Autora e o Réu pelos fundamentos constantes da petição inicial.------ Em caso de contestação, é obrigatória a constituição de advogado (artº.74º do C.P.C.M.).

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STE ano, o dia seguinte ao feriado do Bolo Lunar e o feriado da Implantação da República Popular da China calham no mesmo dia, o que vai consistir numa sobreposição de feriados. A vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Kwan Tsui Hang, quer que os empregadores façam uma compensação dos feriados de forma especial, mas acredita

que o Governo tem de dar o exemplo. “A lei diz que os empregados têm dez feriados obrigatórios por ano, mas quando dois feriados têm sobreposição, a lei não dá um resultado sobre isso. Por isso, como já é tarde para fazer a alteração da lei, espero que os empregadores considerem fazer a compensação dos dois feriados.” Kwan Tsui Hang apontou que em 2009 os deputados do sector de trabalho já queriam resolver o problema da sobreposição dos feria-

dos, mas como houve poucas condições para tal, não conseguiram. “Espero que este ano isto seja regulado, para evitar que os empregados percam feriados e salários.” Um especialista do jogo, Leong Sun Yok, considera que os empregos dos casinos são as maiores vítimas da sobreposição dos feriados obrigatórios. Alguns empregados preferem compensação em dinheiro do que em feriados, mas para isso tem de haver acordo do empregador.

Ung Choi Kun pede que preços dos alimentos sejam publicados diariamente

O deputado Ung Choi Kun considera que o Governo pode melhorar a transparência do mercado dos alimentos, apesar de admitir que a intervenção excessiva da Administração é impossível no mercado livre que existe em Macau. O deputado propõe que o Governo publique diariamente os preço dos alimentos e do petróleo através de televisão, rádio e jornais, para que se saiba atempadamente os preços praticados. Ung Choi Kun afirmou também que as informações no site do Governo estão atrasadas e têm que ser actualizadas. - C.L.


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política

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Macao Land Development Limited, representada por Paulo Ho, aceita negócio

O Executivo anunciou em Boletim Oficial que deu um terreno de 896 metros, em regime de arrendamento, recebendo outro de 1.242 metros, com dois prédios. Foram avaliados no mesmo valor

GOOGLE MAPS

Governo troca terrenos com construtora

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Macao Land Development Limited, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, desistiu da concessão de um terreno com 1.242 metros quadrados e dois prédios já edificados em troca de um outro lote, onde tem autorização para construir. A concessão, feita por arrendamento, é substituída por uma outra também por arrendamento, mas com dispensa de concurso público. Isto porque o primeiro terreno necessita de ser revertido à Administração. Segundo o Boletim Oficial de ontem, Lau Si Io, secretário para as Obras Públicas e Transportes, foi quem assinou o despacho. Aí se prevê que tanto o terreno como os dois prédios – dos números 135 ao 137B – na Avenida Almirante Lacerda revertem a favor da RAEM, livres de “quaisquer ónus ou encargos e vão integrar o domínio público”. A sociedade fica com um novo terreno, com a área de 896 metros quadrados, na Avenida Marginal do Lam Mau, onde pode construir um edifício de 21 pisos destinado a habitação, comércio, estacionamento e equipamento social.

O CONTRATO

O contrato, assinado entre a Macao Land Development Limited e a RAEM, traz como representante e procurador da sociedade Paulo Ho. Também com o nome reconhecido de Ho Tim Shing, Paulo Ho é cidadão português com ascendência chinesa e, desde 1983, também com nacionalidade filipina. A informação consta de uma conservatória nas Filipinas. No entanto, o Boletim Oficial de Macau atribui-lhe nacionalidade chinesa. Paulo Ho foi bastante falado em 2007 por ser accionista na Many Town Company Limited, uma empresa de Hong Kong que tem também como dono o ex-chefe do Executivo Edmund Ho.

Diz o Boletim Oficial que Paulo Ho tem residência em Macau, na Rua de Pequim, tendo sido ele que aceitou as condições do contrato para a reversão e concessão dos terrenos. Informações mais recentes, contudo, indicam que vive nas

Filipinas, para onde foi a convite do presidente Ferdinand Marcos, em 1976, para ajudar a estabelecer os primeiros casinos legais na região. Paulo Ho já tinha experiência nos casinos de Macau. Em 2007, estava destacado

como supervisor de jogo do Manila Hyatt Hotel e Casino.

PARA O PÚBLICO

Segundo o Governo, a negociação com a concessionária foi “longa” – desde 2005 -, mas conseguiu-se chegar a acordo, procurado em prol

do desenvolvimento do território. “Tendo em vista a construção do prolongamento da Avenida do Ouvidor Arriaga e a abertura da Avenida Marginal do Patane, de modo a optimizar a rede viária da zona norte da península de Macau. Em 2005 foi autorizado o seguimento do procedimento de concessão, por arrendamento, do terreno com a área de 896 metros quadrados, situado na península de Macau, junto à Avenida Marginal do Lam Mau, em contrapartida da desistência da concessão do terreno com a área de 1.242 metros quadrados.” A Macao Land Developments Limited desistiu, portanto, a favor da Administração de um terreno no valor de 16.779.803 patacas, mas ganhou um outro, com menos área – 896 metros quadrados –, mas com o valor exactamente igual. O arrendamento é válido por 25 anos e o concessionário tem 42 meses para desenvolver o novo terreno, mal seja entregue pelo Executivo “completamente livre e desocupado de pessoas e bens”.

Cheong U volta a nomear portugueses para o Conselho para as Indústrias Culturais

Mais dois anos para Marreiros, António Freitas e Sales Marques

Carlos Marreiros

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ARLOS Marreiros, José Sales Marques e António José de Freitas vão continuar a integrar o Conselho para as Indústrias Culturais, criado em 2010. Segundo um despacho ontem publicado em Boletim Oficial, Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, renomeou os três portugueses como membros do grupo, lado a lado com outras individualidades. Na lista que integra o Conselho está ainda Angela Leong, deputada e directora da Sociedade de Jogos de Macau, Lionel Leong, delegado de Macau à Assembleia Popular

António José de Freitas

Nacional e empresário, e José Chui Sai Peng, deputado da Assembleia Legislativa. Também Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo, continua a fazer parte do grupo responsável pelo sector das indústrias criativas e culturais de Macau, como vice-presidente. A par dele, estão ainda os artistas plásticos James Chu, da AFA, e Wilson Lam, da Macau Creations. Renomeados estão ainda Choi On On, realizador do filme “Trança Feiticeira”, inspirado no romance de Henrique de Senna Fernandes, e Kong Mei Fan, presidente da

José Sales Marques

Associação das Empresárias de Macau. Mas o despacho do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura não deixa de fora novas caras. Wang Sai Man, daAssociação Industrial de Macau, e Pedro Kwok, artista, estão entre os quatro novos membros que integram o Conselho.

EXPORTAR É OBJECTIVO

António José de Freitas, provedor da Santa Casa da Misericórdia, e o arquitecto e pintor Carlos Marreiros têm estado a trabalhar na área das indústrias criativas no projecto do Albergue. Sales

Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, foi um dos elementos que fundou a Creative Macau, em 2003. O Conselho para as Indústrias Culturais foi criado para apoiar este sector de Macau e prevê a criação de um fundo de apoio, mas não se sabe ainda qual o seu valor nem quando estará disponível. A ideia é que este fundo se destine a empresas das áreas culturais e criativas que estejam registadas em Macau, que produzam produtos em Macau e os exportem. O mandato dos nomeados tem duração de dois anos. - J.F.


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sociedade

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Acidente fatal para trabalhador em prédio de luxo na Taipa

Windsor Arch com obras paradas Falha numa grua foi a causa do acidente que matou a vítima. Obra parou e foi instaurado um inquérito

“EXTRAVAGANTE”

Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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A terça-feira, um trabalhador do continente com 40 anos foi atingido mortalmente por um bloco de argamassa com cerca de três toneladas. O acidente ocorreu na construção do empreendimento Windsor Arch, na Taipa. O responsável da obra já adiantou que a família da vitima receberá uma compensação inicial de 230 mil patacas, mas esse valor ainda poderá aumentar. Ontem, em declarações aos jornalistas Mak Weng Un disse que o acidente foi causado por uma súbita perda de potência da grua, que deixou cair o bloco do 36º andar. “Não podemos saber quando vai acontecer uma repentina perda de potência. A

e chamaram logo por ajuda. Os bombeiros tentaram salvar o ferido, transportando-o a tempo, mas a situação da obra é complicada e no percurso de ida e volta demoraram meia hora. Antes de chegarem ao hospital o trabalhador já não tinha batimentos cardíacos.” O cimento, explicou, cobriu o corpo do homem.

Ng Peng Chi

grua pode suportar 12 toneladas, o bloco tinha cerca de três. Agora, temos quatro gruas na obra e por isso convidámos um engenheiro mecânico qualificado para analisar as gruas e as instalações eléctricas. Já parámos de usar as gruas.”

A proprietária do Windsor Arch, a Savills, foi quem deu parte do valor da compensação inicial, 100 mil patacas. O empreiteiro, a Great Harvest Construction (Macau) Co. Ltd, deu 130 mil patacas. “Estamos a contactar

a família do trabalhador vitimado para discutir os detalhes da compensação”, referiu Mak Weng Un, negando que a assistência médica tenha chegado atrasada. “Quando aconteceu o acidente, seis ou sete colegas estavam lá

O chefe da Divisão de Prevenção de Riscos, Ng Peng Chi, afirmou que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) já deu ordem de paralisação parcial da obra e frisou que as gruas não podem ser usadas até que o relatório da sua análise ser aprovado pela DSAL. “O acidente é raro e foi causado pela falta de energia. Já instamos todas as obra de Macau a reforçar a inspecção do sistema de energia e das gruas.” O presidente da Associação Geral dos Operários de Construção Civil de Macau, Cheong Men Fun, considera também que o caso é muito raro, porque normalmente a grua tem um sistema de freio. O responsável quer que a análise ao modo de funcionamento da grua seja divulgado ao público. O Windsor Arch é um empreendimento em frente ao Macau Jockey Club. Pretende ser “a mais extravagante propriedade” da Taipa, tal como se pode ler no site da Savills.

Provedor da SCM avançará proposta no Congresso Internacional

Misericórdias unidas com um fundo global Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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NTÓNIO José de Freitas, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM), defende que as misericórdias devem estar ligadas através de um fundo financeiro a nível mundial, para que estas instituições ultrapassem momentos de crise. O provedor da SCM irá apresentar esta ideia no próximo Congresso Internacional das Misericórdias, que decorre em Portugal entre os dias 20 e 22. “É preciso criar um fundo a nível mundial que possa ajudar as misericórdias que tenham menos recursos financeiros. Muitas já tiveram de fechar portas. Na Ásia somos a única misericórdia viva e

actuante. Espero atempadamente poder apresentar esta proposta no congresso.” António José de Freitas disse ainda ser a primeira vez que a SCM participa num evento de cariz mundial e que só muito recentemente aderiu à Confederação Internacional das Misericórdias. O tema do congresso será “Unidas para Multiplicar – Promotoras da Modernidade e Inovação”, com 350 participantes de diversos países. António José de Freitas faz-se acompanhar de Mesário Branco Nunes e Gisela Fernandes, secretária-geral da SCM, que irão presidir a um painel de debate.

GLOBALIZAR A AJUDA

António José de Freitas acredita que a ajuda fi-

nanceira a este tipo de instituições é cada vez mais importante. “Há misericórdias que funcionam com estruturas diferentes, muitas dependem do Governo. A de Macau tem sido sustentada por interesses privados, dadores e beneméritos. Mas a longo prazo vai ser difícil ter uma existência sustentada para estas entidades.” A realização da décima edição do congresso será uma ajuda. “É importante haver esta aproximação a outras misericórdias, vamos falar da questão da globalização e da necessidade de globalizar o espírito solidário. É importante saber definir o futuro, porque todas são portadoras de valores seculares e objectivos comuns.”

Parque Central da Taipa está a “demorar muito” para os moradores da zona A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) assegura que vai “o quanto antes” realizar a vistoria do Parque Central da Taipa, para ser aberto ao público. A entidade recebeu ontem o vice-presidente do Conselho de Administração da União Geral da Associação dos Moradores (UGAMM), Iun Ioc Va, e o subchefe da delegação das Ilhas, Cheang Iok, assim como representantes dos condóminos dos edifícios vizinhos ao jardim, que pediram a responsáveis da DSSOPT a aceleração dos

trabalhos. Os condóminos querem que no parque sejam plantadas árvores de maior porte ou de idade adulta, no sentido de reforçar o abrigo para a protecção do sol. A DSSOPT assegura que pediu ao empreiteiro a conclusão tanto quanto antes da construção e das instalações do parque, para que este seja “um espaço público de lazer confortável, seguro e conveniente, e que permita elevar assim a qualidade de vida dos cidadãos”, mas afirma que não descura a segurança. As obras estarão concluídas até ao final do ano.


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Liga dos Táxis discutiu seguros com AMCM

Criado fundo de 8 milhões para taxistas A recém-criada Liga dos Táxis chegou ontem a acordo com a Autoridade Monetária e Cambial sobre os problemas com as seguradoras. Os 200 novos táxis ficam protegidos e há novas regras Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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EPOIS da notícia de que os 200 novos táxis não teriam sido aceites pelas seguradoras, eis que a Liga dos Táxis chegou ontem a acordo com a Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) em algumas matérias. As seguradoras passam a pagar 3 milhões de patacas para o capital de seguro aos taxistas (o valor duplicou) e aumentou o montante de compensação diária em caso de acidente, fixando-se em

próprio empresário David Chow, mentor da iniciativa. Contudo, não quis avançar com que valor contribuiu, dizendo apenas que o objectivo é “ajudar a sociedade e os taxistas”. Chow afirmou ainda que o montante do fundo poderá crescer no futuro, mas falta ainda definir as regras para a sua utilização.

cerca de 500 patacas por dia pagas aos condutores. Mas um dos pontos mais importantes diz respeito ao montante dos prémios pagos pelos taxistas às seguradoras. Se estas queriam duplicar o valor, no final acabou por fixar-se em 20% acima do preço normal de mercado para apólices de seguro de veículos. A deputada Melinda Chan, um dos rostos desta luta, frisou que foi uma decisão “razoável e aceitável”. “Estou feliz pelo facto da AMCM ter feito aquilo pelo qual o Governo é responsável.” Contudo, a deputada promete continuar a lutar. “As seguradoras têm o direito a aumentar os preços para os taxistas que tenham acidentes constantemente, mas não para todos. Não é justo que todos os taxistas tenham de pagar mais 20%.” Foi também anunciada a criação de um fundo financeiro para ajudar os taxistas em dificuldades financeiras e que se vejam a braços com situações de emergência. São oito milhões de patacas, fornecidos pelos sócios da Liga de Táxis, por uma entidade bancária e pelo

Cidadão de Hong Kong acusado de homicídio por negligência

Atropelamento e álcool no sangue U

M homem de Hong Kong foi acusado de homicídio por negligência e condução em estado de embriaguez. Chi, de 31 anos, conduzia um automóvel ligeiro quando atropelou a vítima. Ia a grande velocidade e não conseguiu parar atempadamente. “A vítima foi atirada à distância de 30 metros”, refere um comunicado do Ministério Público. “O automóvel continuou a andar a alta velocidade e depois de ter cortado quatro árvores e batido no balaústre é que conseguiu parar. O arguido apresentou uma taxa de álcool no sangue de 2.22 gramas por litro.” A vítima morreu no dia seguinte no hospital, apesar de tentativas

de salvação. O relatório concluiu que foram os graves ferimentos que levaram à sua morte, incluindo várias facturas na vértebra cervical, na dorsal e no disco intervertebral. O caso foi entregue ao tribunal para agendamento de julgamento.

NOVOS TÁXIS CO-SEGUROS António Félix Pontes, da AMCM, tem sido uma das figuras principais nesta discussão entre taxistas e seguradoras. Explicou que os 200 novos táxis ficarão protegidos com o sistema de co-seguro da AMCM, sendo que 50 deverão começar a operar dentro de semanas. “As seguradoras podem recusar e ter uma politica de análise de riscos. Não há qualquer norma na lei a dizer que as seguradoras têm de aceitar tudo. A lei também diz que quando alguém vai fazer um seguro automóvel, e três empresas recusam, então aí a AMCM utiliza o co-seguro, em que determinamos as suas condições.” O responsável garante que a AMCM “já tem tudo preparado” e que

o co-seguro “tem sustentabilidade”.

SINISTRALIDADE A 170%

António Félix Pontes assegura que têm acontecido muitas situações que vão parar ao co-seguro devido a recusas. E não apenas com taxistas. “Estamos preocupados face aos táxis e aos autocarros de turismo, mesmo os de transporte, e não falo só da Reolian. Tem havido casos em que a sinistralidade está a aumentar terrivelmente, com acidentes que não fazem muito sentido. E já estamos a ter autocarros no sistema de co-seguro.” O responsável daAMCM assegura que os táxis têm actualmente uma taxa de sinistralidade de 170%, enquanto os veículos normais apenas de 50%. “Eles podem conduzir 24 horas e estarem cansados, mas as seguradoras não podem arcar com prejuízos. Estão a gastar o dobro do que recebem e os táxis têm dado sempre prejuízos. Há quatro seguradoras que tratam dos táxis, mas só duas têm 95% dos veículos. A exploração dos nossos veículos é que está a subsidiar o seguro dos táxis.”

Ng Wai aceita deixar de controlar hotel depois de ser apontado como possível director da Amax

Paz chegou ao New Century N

G Wai, o operador junket de Macau que em Junho foi espancado por homens mascarados no Hotel New Century, pode ser nomeado director-executivo da Amax Holdings Limitada, empresa de investimento na indústria do jogo e cotada na bolsa de Hong Kong. A notícia, avançada pelo jornal Macau Business Daily, diz que a decisão foi tomada num encontro tido numa reunião especial na região vizinha, na terça-feira. A acção pode indicar um “acordo de paz” que fontes do sector dizem ter sido negociado durante vários meses, entre a vítima do espancamento, Ng Wai, e a sua ex-namorada, Chen Meihuan. Em troca da nomeação, Ng Wai vai deixar

cair qualquer reivindicação para controlar quer o Hotel New Century, quer o casino Greek Mythology, o que poderia fazer através da Amax.

A quota da Amax no Greek Mythology foi reduzida em 24.8% em 2010, depois de o casino ter transformado um empréstimo de um accionista em acções. Mas a Amax continua a dizer que detém 49,9% da empresa. Ng Wai e Chen Meihuan foram parceiros de negócios e namorados, mas depois de um colapso no relacionamento, no início do ano, envolveram-se numa luta de poder pelo controlo do New Century e do seu casino. Em 24 de Junho, Ng e a sua secretária foram atacados com martelos e paus numa sala VIP num dos restaurantes do hotel New Century, mas a polícia ainda se mantém a investigar o caso.


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Macau International Airport Environmental Optimization Design Competition 1. Background: In Macau’s development as a World Center of Tourism and Leisure, Macau International Airport (MIA) plays an important role. In order to improve the airport facilities, and enhance the convenient, innovative, sustainable, and cultural features of the airport, Macau International Airport Company Ltd. organizes the “Macau International Airport Environmental Optimization Design Competition”. This competition aims to add innovative elements to the airport environment. On the other hand, it will encourage local architects to participate in MIA development to showcase the ancient and modern fusion and multicultural features of Macau. 2. Competition Content: • Design Scope The design scope includes the airport passenger terminal, mainly the departure hall, arrival hall, “Sterile Corridor” (flight transfer corridor) and all glass curtain walls…etc. • Design Theme Maintaining the current airport operation structure, the design concepts should reflect MIA’s four major themes “Airport in the City”, “Virtual Airport”, “Green Airport”, and “Cultural Airport”. These elements should be incorporated into the design to showcase the image of Macau as a World Center of Tourism and Leisure, with consideration of aesthetics, technology, economic efficiency, and sustainable architecture. • Awards The Champion: Cash Prize of MOP$ 100,000.00 First Runner-Up: Cash Prize of MOP$ 50,000.00 Second Runner-Up: Cash Prize of MOP$ 20,000.00 3. Competition Details and Entry Submission Deadline: Competition details and application forms are available on the website: http://www.macau-airport.com

Entry Submission Deadline: Before 5:00 PM on 3rd December, 2012.


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nacional

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Wen Jiabao garante que economia chinesa vai estabilizar após implementação de medidas

“Completa confiança no brilhante futuro da economia chinesa”

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primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, garantiu esta terça-feira que a economia chinesa vai estabilizar-se após a implementação das medidas de estímulo adoptadas este ano e está prestes a cumprir os objectivos de crescimento para 2012. Wen assegurou que a economia se vai manter num caminho de crescimento relativamente rápido, mas estável. O primeiro-ministro falava na inauguração do chamado “Davos Asiático” – a edição de Verão do Fórum Económico Mundial –, na cidade de Tianjin (nordeste da China). De acordo com Wen, a estabilidade será a grande prioridade do governo, que tomou uma série

de medidas para concretizar este objectivo nos últimos meses, como cortar as taxas de juro em duas ocasiões desde Junho, ou os novos investimentos em infra-estruturas. Na semana passada, as autoridades chinesas anunciaram que o país vai desembolsar cerca de 995 milhões de patacas em projectos de infra-estruturas, incluindo novas linhas de metropolitano e comboio para estimular a economia. “À medida que estas decisões surtam efeito, podemos esperar que a economia se estabilize”, declarou o primeiro-ministro chinês. Prometeu também medidas para estimular “o enorme potencial da procura interna”, como corte de impostos ou políticas

para estimular os investimentos do sector privado, mas não forneceu dados concretos.

CONTRA A DECEPÇÃO

Wen advertiu contra os desequilíbrios globais que podem pôr em perigo a recuperação. Afirmou que os mercados globais padecem de fortes flutuações bruscas e a crise da dívida pública na Europa não consegue ser resolvida. “Assim não se pode subestimar os riscos que empurram para um retrocesso.” Na sua opinião, as principais economias mundiais e as instituições financeiras multilaterais “devem unir-se” e fortalecer a coordenação macroeconómica

Empresa da Amadora acende uma nova luz em Xangai

“Não sentimos a crise”

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fábrica de candeeiros e sistemas de iluminação Serip, da Amadora, nos arredores de Lisboa, estreou-se esta semana numa das maiores feiras mundiais de mobiliário, em Xangai, e em Outubro também apresentará os seus produtos em Londres e Moscovo. “Temos de andar pelo mundo inteiro. Só assim é que se consegue crescer”, disse à agência Lusa a gerente e proprietária da empresa, Ilda Pires. A Serip é uma das cinco empresas portuguesas representadas na “China Furniture 2012”, um certame com cerca de 3.000 expositores de dez países, que decorre em Xangai de 11 a 15 de Setembro. Ilda Pires, de 51 anos, des-

locou-se à China associada à Fenabel e à ARC, duas empresas de Paredes, a capital portuguesa do mobiliário, no norte do país. As três empresas apresentam-se em Xangai com um pavilhão próprio, com cerca de 150 metros quadrados, e já contrataram uma agente comercial chinesa para dar continuidade aos seus negócios na China. “Não sentimos a crise”, afirmou Ilda Pires. “No primeiro semestre deste ano, as nossas exportações aumentaram 30%.” Cerca de 95% da produção da Serip é vendida fora de Portugal, sobretudo para Médio Oriente, Rússia e Estados Unidos, indicou a empresária Empresa familiar com 32

trabalhadores, fundada há meio século, a Serip especializou-se na “iluminação decorativa” para casas e equipamentos hoteleiros. “Criámos o nosso próprio estilo de candeeiros e procuramos apresentar um produto diferente dos outros. Já exportamos para Vietname, Indonésia e Japão e agora queremos introduzir os nossos produtos na China. São para um sector bastante alto, mas há aqui um grande potencial e no futuro haverá de certeza uma presença portuguesa mais alargada nesta feira.”

OUTRAS EMPRESAS

A “China Furniture 2012”, onde participam também as empresas Desenho Ibérico e Sempre Internacional, coincide com um bom momento das exportações portuguesas para a China. Pelas contas da Administração-geral das Alfândegas Chinesas, nos primeiros sete meses de 2012, as exportações portuguesas aumentaram 59,46% em relação a igual período de 2011, para cerca de 7,4 mil milhões de patacas.

de maneira a que colaborem na recuperação da economia mundial. Assim, Wen assegurou que tem “completa confiança no brilhante futuro da economia chinesa e da economia mundial”. O discurso do primeiro-ministro acontece depois da divulgação dos mais recentes dados económicos, que dão uma perspectiva decepcionante para a economia chinesa.

PRESSÃO NOTÁVEL

Para este ano, o governo chinês preconizou um crescimento económico de 7,5%, menos 1,7 pontos

percentuais do que em 2011 e menos 2,9 pontos do que em 2010. O presidente Hu Jintao disse no fim de semana que “o crescimento económico está a enfrentar uma notável pressão negativa”, durante a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), na Rússia. Na China, “algumas pequenas e médias empresas estão a passar mal e os exportadores enfrentam maiores dificuldades”, por isso, “a tarefa de criar postos de trabalho para os que ingressam no mercado de trabalho é árdua”.

Novo doutoramento sino-português abriu com mais de 30 quadros chineses

Para dirigentes e administradores

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AIS de 30 quadros chineses inscreveram-se no novo MBA organizado pelo ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa e por uma universidade de Chengdu, sudoeste da China, informou ontem a embaixada de Portugal em Pequim. É o segundo doutoramento promovido pelas duas instituições e “o primeiro neste sector a ser reconhecido e autorizado pelo governo central chinês para ser realizado sob orientação e com defesa de tese numa universidade estrangeira”, realçou a embaixada numa nota de imprensa. O curso, com a

duração de três anos, começou formalmente no passado dia 31 de Agosto, com a presença do embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares. Entre os 33 alunos inscritos figuram “dirigentes e administradores de algumas das mais importantes empresas estatais e privadas da China”. O parceiro do ISCTE é a Universidade de Ciências e Tecnologia da China, um estabelecimento com cerca de 30 mil estudantes, sediado em Chengdu, capital da província de Sichuan, e que segundo a embaixada de Portugal é “um importante centro científico de

apoio ao programa espacial chinês”. Desde 2008, o ISCTE promove também cursos de pós-graduação em conjunto com uma universidade de Cantão, no sul da China. Há cerca de um ano, durante uma reunião em Pequim com mestrandos chineses, o reitor do ISCTE, Luís Antero Reto, defendeu as universidades como “parceiros fundamentais” da diplomacia económica. “As relações que se criam nas universidades são mais afectivas e permitem estabelecer contactos e relações de confiança que normalmente não é possível por outras vias.”


quinta-feira 13.9.2012

região

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Deputados e académicos em Hong Kong defendem revisão do sistema eleitoral

Sistema premeia pequenos partidos

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EPUTADOS e académicos defendem a revisão do sistema eleitoral de Hong Kong, que consideram confuso e de favorecer minorias, escreveu ontem o jornal South China Morning Post, no rescaldo da eleição para o Conselho Legislativo. Há quatro anos, o candidato da Liga dos Sociais-Democratas,Albert Chan Wai-yip conseguiu 32 mil votos ou 8,1% dos votos, ganhando um assento no Conselho Legislativo com a mais baixa percentagem de voto. No domingo, nas eleições para a composição da legislatura de 20122016, oito candidatos ganharam com menos de 8% dos votos nos cinco novos lugares adicionados aos círculos eleitorais geográficos para um total de 35 deputados eleitos por voto directo. Ronny Tong, candidato reeleito do Partido Cívico por um dos cinco círculos geográficos de Hong Kong (o dos Novos Territórios Este) defende o regresso do sistema

eleitoral ao formato dos anos 90. “Os círculos eleitorais deveriam ser mais pequenos, de forma a não haver demasiados candidatos”, disse Ronny Tong, citado pelo jornal de Hong Kong publicado em língua inglesa. Para o cientista político da Universidade Chinesa de Hong Kong, Ivan Choy Chi-keung, o actual sistema eleitoral tornou a legislatura mais fragmentada e a construção de consensos mais difícil. Na opinião do analista, este foi um dos efeitos colaterais da introdução do sistema após a transição do exercício de soberania para a China. “Pequim queria restringir o Partido Democrático [que dominou as eleições directas em 1990], mas não se apercebeu de que as forças radicais seriam encorajadas”, disse o académico Ivan Choy.

MENOS É MAIS

O comentador Frank Ching escreveu na edição de ontem do

Albert Chan Wai-yip

Disputa de ilhas gerou confrontos entre activistas e a polícia de Hong Kong

Japão prepara-se para anunciar abandono do nuclear até 2030

Ânimos acesos

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ANIFESTANTES anti-Japão entraram ontem em confronto com a polícia quando tentavam invadir o consulado japonês em Hong Kong, na sequência da decisão de Tóquio de comprar ilhas disputadas no Mar do Sul da China. Cerca de 15 manifestantes gritaram palavras de ordem anti-Japão e queimaram bandeiras nipónicas, protestando contra o interesse do Japão nas ilhas cuja soberania é também reclamada por China e Taiwan. “Estamos extremamente zangados”, disse Tsang Kin-shing, um dos activistas que a

partir de Hong Kong desembarcaram nas ilhas no mês passado, e aí içaram as bandeiras da China e de Taiwan. Tóquio acordou na segunda-feira a compra das ilhas, conhecidas no Japão como Senkaku e na China pela designação de Diaoyu, por cerca de 200 milhões de patacas, o que fez com que Pequim enviasse dois navios para patrulhar a área. “O Japão está a usar a questão das ilhas Diaoyu para reacender os ânimos, por isso todos os chineses estão revoltados”, disse Tsang Kin-shing aos jornalistas.

O activista afirmou que o grupo que fez um desembarque bem sucedido nas ilhas no mês passado estava a preparar nova viagem a partir de Hong Kong. “O nosso barco vai sair a qualquer momento.” O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que as ilhas eram “uma parte inerente do território chinês” e que o país “não iria ceder um centímetro” na sua soberania. As ilhas reivindicadas por três territórios estão localizadas numa área estratégica, considerada rica em minérios.

Coca-Cola volta a ser vendida em Myanmar A Coca-Cola vai voltar a ser vendida em Myanmar após uma interrupção de 60 anos. Neste momento só dois países em todo o mundo não têm o refrigerante: Cuba e Coreia do Norte, devido aos embargos comerciais dos Estados Unidos. O país da activista e Prémio Nobel da Paz Aung Suu Kyi também figurou na lista de países com quem Washington não negociou entre 1962 e 2011, período da ditadura militar birmanesa. A Coca-Cola diz que os primeiros carregamentos do produto já chegaram a Myanmar e adiantou que a produção local deve iniciar-se rapidamente.

South China Morning Post que, apesar de os dois maiores grupos pró-democráticos (Partido Democrático e Partido Cívico) terem conseguido 502.227 votos, contra os 366.160 votos obtidos pelo maior partido pró-Pequim (Aliança Democrática para a Melhoria e Progresso de Hong Kong conhecido por DAB), no conjunto obtiveram menos um assento do que os 13 lugares garantidos pelo DAB. “Parte do problema do sistema eleitoral de Hong Kong é que premeia os pequenos partidos. Isto levou à fractura do Partido Democrático, antigamente o maior partido.” Ao observar a emergência dos grupos do Labour Party, People Power e dos neo-democratas, Frank Ching defendeu um correlação. “As duas tendências – o declínio no apoio dos democratas e o crescimento do radicalismo – estão relacionadas.”

Novo plano energético O

governo japonês deverá anunciar em breve o abandono da energia nuclear até 2030, um ano e meio depois do acidente na central de Fukushima, avançou ontem o jornal Mainichi Shimbun, que cita fontes do executivo nipónico. De acordo com o jornal, o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, poderá anunciar esta decisão no fim-de-semana, durante uma reunião sobre o novo plano energético a adoptar na sequência do acidente de Fukushima. Se o Japão optar pelo abandono do nuclear, juntar-se-á aos países que seguiram o mesmo caminho depois do acidente de Fukushima, designadamente a Alemanha, que decidiu parar a operação dos seus 17 reactores até 2022, e a Suíça, que pretende parar progressivamente os seus cinco reactores até 2034. O Japão conta com 54 reactores nucleares, dos quais apenas dois estão actualmente a funcionar, estando os restantes parados

na sequência das medidas de segurança adoptadas depois do acidente de Fukushima. A energia nuclear representava cerca de 30% do consumo de energia no Japão antes de 11 de Março de 2011. A central de Fukushima sofreu um grave acidente na sequência do sismo e tsunami de 11 de Março do ano passado, o pior desde Chernobyl, em 1986, e milhares de pessoas foram retiradas das imediações da central nuclear, continuando

sem perspectivas de regresso a casa devido à radiação existente na região. A França e o Reino Unido decidiram, no entanto, lançar uma nova geração de reactores, os Estados Unidos aprovaram a construção de novos reactores, pela primeira vez desde o acidente de Three Mile Island, no estado norte-americano da Pensilvânia, em 1979, e a China e a Índia têm planos para a construção de dezenas de reactores nos próximos anos.


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histórias de vida

quinta-feira

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Larry Wachowski, um dos realizadores da saga de ficção científica, chama-se agora Lana

Matrix tinha um transfor Depois de mudar de sexo, têm sido só alegrias. A família aceitou-a, já não anseia morrer e casou-se pela segunda vez. Estranhamente, com outra mulher

Permanecem dúvidas sobre a total transformação de Lana, que ela vai alimentando. Na apresentação do seu último filme, brincou com o tema. “Sei que muitas pessoas estão desejosas de saber se já fiz a cirurgia de construção da vagina, mas prefiro guardar essa informação para mim e para a minha mulher”

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RESO no corpo de um homem, um dos irmãos Wachowski, realizadores da trilogia “Matrix”, entre vários outros filmes, decidiu não fugir mais à sua verdadeira identidade e assumiu-o perante a família, ex-mulher e público. Larry Wachowski mudou completamente de aparência, deixando de lado as vestes de clássico nerd para se transformar em Lana, uma mulher irreverente, que só não conta até onde levou a transformação (a “questão genital” está por esclarecer). Se toda a história é fora do comum, o até ver final feliz também – uma vez concluída a mudança para o sexo feminino, reconquistou a felicidade após um divórcio complicado, mas não foi ao lado de um homem. Algo de masculino sobrou em Lana, porque se casou não com um homem, mas com uma nova companheira. Chama-se Ilsa Strix e trabalha como dominatrix. E se soa bizarro, que dizer da coincidência de serem duas rimas com “Matrix”? Numa recente entrevista à New Yorker Magazine, Lana revelou todos os seus medos e anseios nos últimos 37 anos, em particular depois de, em 2002, ter dado uma volta de 180º à sua vida. “Durante anos, nem conseguia dizer as palavras transgénero ou transexual.” O suicídio era uma ideia recorrente na sua cabeça de Larry até há 10 anos, já que sentia uma autêntica aversão ao seu sexo. Por essa razão, admitiu, todas as manhãs em que nadava o seu mais íntimo desejo era ser comido por um tubarão ou atingido por um barco. A polémica estoirou em 2003 quando deixou, já na pele de Lana, a namoradinha de liceu, Thea Bloom, sua primeira mulher, por Ilsa Strix. O divórcio fez correr muita tinta, já que Bloom levou-a a tribunal para se apoderar dos milhões feitos com o filme que o projectou para o estrelato, “Matrix”. Acusou-o de ter sido “desonesto com ela sobre a sua vida sexual durante os nove anos que estiveram juntos”. Hoje, ainda assim, permanecem as dúvidas sobre a sua total transformação, que vai alimentando. Na apre-

sentação do último filme realizado com o irmão, “Cloud Atlas” (ver caixa), Lana brincou com o tema. “Sei que muitas pessoas estão desejosas de saber se já fiz a cirurgia de construção da vagina, mas prefiro guardar essa informação para mim e para a minha mulher.”

ACEITAÇÃO FAMILIAR

Um dos maiores tormentos de Lana era imaginar o dia em que pais, irmão e restante família reagiriam à notícia da transformação. “Este facto trazia-me tanto terror que não dormia durante dias a pensar nisso.” O plano original era dizer aos pais ao longo de três a cinco anos, mas a intuição deles alterou-lhe a intenção. A mãe e o pai apanharam um voo e foram ao seu encontro. E Lana ficou surpreendida com a forma como a sua mãe aceitou tudo. “Sou transexual, sou uma menina”, disse à mãe. “Estava lá quando nasceste”, respondeu ela. “Há uma parte de mim que é de menina.” Desde esse momento, recorda, só recebeu amor da sua mãe. Esta argumenta


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Irmão encantado

rmer

Andy Wachowski não podia ter ficado mais radiante com a ideia da mudança de género do irmão, o que nas suas palavras ajudou até na produção de filmes. Já em 1996, quando os dois fizeram “Bound”, um dos seus

que em vez de ter perdido um filho, “descobriu que havia mais nele”. O pai teve uma reacção parecida, tendo começado a chamá-la Lana desde então sem problemas.

primeiros êxitos, ele “suspeitou” de Larry, pelas fortes opiniões feministas que Larry demonstrava. Quando se assumiu como Lana, fez questão de lhe mostrar o maior apoio. Desde que

TEMPOS DE ESCOLA

A transição para Lana Wachowski começou com bandoletes, depois com tops, lentes de contactos, descolorações e, agora, assumir o seu cabelo rosa. “Escolhi mudar o meu exterior de acordo com o meu interior. Os meus maiores medos eram perder a minha família. Uma vez que me aceitaram, tudo o resto tem sido canja.” Natural de um bairro de Chicago, filha de um empresário e de uma enfermeira, Lana contou que os tempos de Escola Católica foram a primeira revelação, já que rapazes e raparigas eram obrigados a usar uniformes. Foi então que se começou a sentir desconfortável na pele de um rapaz. Recorda-se mesmo de passar pela fila onde as raparigas estavam alinhadas, pensando que as suas roupas não condiziam com as das colegas. “Assim que percebi que

histórias de vida

se transformou as coisas melhoraram, afirmou, já que é “mais fácil de trabalhar” com Lana do que com Larry, porque agora não projecta os seus problemas na vida dele. Como disse o pai, Ron Wachowski, “eles têm o melhor casamento que alguma vez vi”.

não pertencia à outra linha, comecei a parar no meio das duas. Ficava ali durante um longo momento com todos a olhar para mim, incluindo a freira.” Por isso, não admira, começou a ser alvo de “bullying”. Isolou-se nos livros, “preferindo os mundos imaginários ao real”.

O novo projecto Cloud Atlas (A Viagem, na versão portuguesa) narra seis histórias que vão e voltam no tempo, com personagens que se cruzam,

“Escolhi mudar o meu exterior de acordo com o meu interior. Os meus maiores medos eram perder a minha família. Uma vez que me aceitaram, tudo o resto tem sido canja”

desde o século XIX até um futuro pós-apocalíptico, cada um deles narrador da sua história, de um simples viajante no Oceano Pacífico em 1850 a um jornalista durante o governo de Ronald Reagan na Califórnia. Várias histórias em épocas diferentes, passado, presente e futuro, estão conectadas mostrando como um simples acto pode atravessar séculos e inspirar uma revolução.

Além de Doona Bae, no elenco ainda estão Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Susan Sarandon, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Keith David, David Gyasi e Zhou Xun. A película estreia a 26 de Outubro nas salas de cinema norte-americanas.


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vida

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Estudo revela que consumidores de cocaína não são tão atingidos

Marijuana sobe risco de cancro do testículo

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M estudo publicado na revista Cancer, da Sociedade Americana de Cancro, confirma a relação entre o consumo recreativo de marijuana e um maior risco de desenvolver cancro nos testículos, associando-a ainda a prognósticos mais graves. Os investigadores perceberam também que o mesmo risco é menor entre os consumidores de cocaína. A associação entre o consumo de marijuana e o risco de cancro do testículo já era conhecida mas, desta vez, os investigadores alargaram o âmbito da análise aos efeitos provocados pelo uso recreativo de outras drogas, desde cogumelos, a LSD ou cocaína, entre outras. Os resultados do estudo destacam a confirmação da “culpa” da marijuana no aumento de casos desta neoplasia e alertam para o facto de esta relação de risco existir não só no uso recreativo mas também no terapêutico (medicinal). Para verificar a relação entre o consumo recreativo de drogas com o risco de cancro do testículo, o gru-

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jovens que nasceram com um testículo não-descido (criptorquidia), mas os antecedentes familiares da doença e os problemas de fertilidade são também factores de risco. É um tipo de cancro praticamente inexistente em asiáticos e africanos.

USO TERAPÊUTICO

po de cientistas liderado por Victoria Cortessis da Universidade da Califórnia do Sul, em Los Angeles, examinou 163 jovens entre os 18 e os 35 anos, caucasianos, com diagnóstico positivo e compararam os resultados com o obtido com 292 homens saudáveis, da mesma faixa etária e também caucasianos. Os resultados obtidos mostram que os homens com historial de uso de marijuana têm duas vezes mais probabilidade de desenvolver um dos subtipos de cancro dos

Parlamento Europeu aprovou terça-feira uma directiva sobre eficiência energética que obriga os países a renovar edifícios públicos, impõe auditorias às grandes empresas e planos de poupança às companhias energéticas. Depois da aprovação pelo Parlamento Europeu – 632 votos a favor, 25 contra e 19 abstenções – os Estados-membros têm um ano e meio para transpor a nova directiva para as leis nacionais. Segundo cita o jornal Público, estima-se que a redução do consumo energético da União Europeia em 20% possa poupar cerca de 500 mil milhões de patacas por ano. De acordo com o documento, os governos devem renovar, todos os anos, 3% da superfície total dos edifícios com aquecimento e/ou

testículos: não seminomas (considerados mais agressivos e que afectam sobretudo homens mais jovens) e neoplasias mistas. Porém, segundo o artigo, o risco é maior nos consumidores pouco frequentes (menos do que uma vez por semana) e há menos tempo (menos de dez anos).

ASIÁTICOS QUASE LIVRES

De acordo com estes dados, os investigadores sugerem que os potenciais efeitos negativos do consumo de marijuana e dos seus derivados

devam ser tidos em conta, não só quando é usada para fins recreativos, também nas situações em que o uso tem fins terapêuticos. O cancro do testículo é o mais comum em homens entre os 15 e os 45 anos e, apesar de ser raro, representa 2% dos casos diagnosticados. Este tumor maligno tem uma taxa de sucesso de cura que ronda os 95%, mas muitos sobreviventes ficam com sequelas como, por exemplo, doenças cardiovasculares. Trata-se de um cancro que afecta principalmente

O artigo publicado na Cancer, nota que “a incidência tem vindo a aumentar ao longo das últimas décadas o que implica uma mudança na exposição a um ou mais riscos não genéticos”. A marijuana tem sido associada a múltiplos efeitos adversos no sistema reprodutivo, do impacto na qualidade do esperma à impotência e infertilidade. O seu principal componente químico é o tetrahidrocanabinol (THC), um princípio activo alucinogénio, cujos receptores no nosso corpo estão instalados no cérebro, no coração, nos testículos e no útero. Por outro lado, alguns estados americanos e países como a Holanda ou a Bélgica usam esta planta pontualmente, para aliviar

sintomas relacionados com o tratamento do cancro, tais como as náuseas e os vómitos causados pela quimioterapia.

EFEITO DA COCAÍNA

Em relação ao uso da cocaína são ainda necessários mais estudos para se poderem validar resultados, mas, pela primeira vez, os investigadores perceberam que os homens que tinham usado cocaína apresentavam um risco reduzido nestes subtipos de cancro. Embora ainda não se saiba como é que influencia o cancro dos testículos, os testes de laboratório com animais mostram que esta droga destrói as células germinativas (a maioria destes tumores tem origem nestas células). “Se isto for válido também para os humanos então a ‘prevenção’ tem um preço muito alto”, refere Victoria Cortessis, citada num comunicado de imprensa da Wiley. “Embora as células germinativas deixem de poder desenvolver cancro, se elas são as primeiras a ser destruídas a fertilidade seria prejudicada.”

Edifícios públicos na Europa serão obrigados a poupar energia

Renovação, planeamento e auditorias sistema de refrigeração, que sejam detidos pelo Estado ou ocupados para administração central. Esta medida irá aplicar-se aos edifícios com uma superfície útil com mais de 500 metros quadrados e, a partir de Julho de 2015, aos edifícios com mais de 250 metros quadrados.

TRAVAR DESPERDÍCIO

O eurodeputado relator luxemburguês dos Verdes, Claude Turmes, disse, em comunicado, que a legislação “reduzirá os custos crescentes das importações ener-

géticas, que em 2011 ascenderam a 488.000 milhões [de euros], o que equivale a 3,9% do PIB da UE”. Quanto às companhias energéticas, os países deverão impor uma percentagem de “poupança de energia acumulada” mínima para 2020. “A poupança não poderá ser inferior a 1,5% das vendas anuais de energia a clientes finais entre 2014 e 2020.”

PME DE FORA

Além disso, as grandes empresas terão de submeter-se, de quatro em quatro anos, a uma auditoria

energética. “Começarão três anos após a entrada em vigor da directiva e estarão a cargo de especialistas acreditados. As pequenas e médias empresas estão excluídas destas regras.” A directiva incentiva os Estados-membros e as regiões a utilizar os Fundos Estruturais e os Fundos de Coesão para investir em medidas de eficiência energética. O Fundo Europeu Agrícola e o Fundo Europeu de Eficiência Energética também podem servir para financiar as medidas de poupança contempladas na directiva.


quinta-feira 13.9.2012

vida

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Notificado um caso de febre de dengue em Macau. Serviços de Saúde apelam a cuidados

COMO PREVENIR A FEBRE

Esteja atento ao mosquito

• Elimine a água estagnada em casa ou no trabalho • Aplique repelentes anti-mosquitos nas partes expostas do corpo

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S Serviços de Saúde foram notificados de um caso de febre de dengue em Macau. A doente é uma jovem residente do território, que mora no Edifício Jardim Wan Keng da Areia Preta. Segundo as autoridades de saúde, a mulher foi ao centro comercial subterrâneo de Zhuhai no final do

• Não abandone lixos, especialmente garrafas vazias, latas, vasilhas, caixas de comida, copos plásticos, sacos plásticos, resíduos da construção civil e outros objectos que podem acumular água • Limpe todos os recipientes que podem acumular água no interior e exterior da casa ou, em caso de impossibilidade, coloque os recipientes de forma invertida • Jarras e vasos para flores ou plantas devem ser lavados pelo menos uma vez por semana

mês de Agosto e cinco dias depois começou a apresentar sintomas da doença (febre, vertigens, dores artríticas, frequência urinária), tendo recorrido ao Hospital Kiang Wu. Teve de ser internada uns dias depois porque os sintomas não passavam e por terem aparecido pontos sanguíneos nas mãos e pés. De acordo com o resul-

tado da análise laboratorial emitido pelo Laboratório de Saúde Pública dos Serviços de Saúde, encontraram-se os anticorpos positivos contra a febre de dengue. A jovem está estável e nenhuma das pessoas que mora com ela apresentou sintomas semelhantes. Ainda assim, os Serviços de Saúde apelam que todos os moradores de Macau tenham em atenção a possibilidade de propagação da doença.

ACÇÃO CONCRETA

As autoridades já mandaram pessoal para a zona junto da casa da doente em causa, com vista a capturar mosquitos adultos e larvas de mosquitos. Continuam

a vigiar a situação de actividade dos mosquitos e a situação de contágio viral da febre de dengue na zona junto das Portas do Cerco. A par disso, a entidade também enviou pessoal para a zona onde a doente mora, a fim de eliminar os mosquitos e recomendar a colaboração dos residentes em volta

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nova vacina contra a febre de dengue produzida pela farmacêutica Sanofi Pasteur tem uma capacidade de imunização de apenas 30%, muito abaixo dos esperados 70%, mostra um artigo agora publicado na revista The Lancet. Mesmo assim, os investigadores defendem que estes resultados são um marco, já que provam ser possível o desenvolvimento de uma vacina. A febre de dengue é uma doença causada por um vírus transmitido aos humanos por picada de algumas espécies de mosquitos do género aedes. Em 1970, a doença era endémica em apenas nove países, hoje alastrou-se a 100. Cerca de 2,5 mil milhões de pessoas correm o risco de contrair esta doença que em 2010 atingiu 2,2 milhões de pessoas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

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Vacina da febre de dengue com resultados desapontantes

Um revés no combate

Há quatro subtipos de vírus que causam a febre, que tem um período de incubação de alguns dias e, nos casos mais graves, pode provocar hemorragias mortais, além das febres altas e dores nas articulações. Cerca de meio milhão de pessoas têm o dengue mais severo, a maioria são crianças e 2,5% acaba por morrer. O artigo publicado agora é o resultado de um estudo de fase IIb que abarcou 4.002 crianças na idade escolar com quatro a 11 anos, na região da Tailândia, um dos países onde a febre de dengue é endémica. Um grupo de 2.669 crianças foi dada a vacina ChimeriVax

(CYD-TDV), em três doses, e as outras 1.333 crianças receberam placebos.

AFUNDAR NA CADEIRA

Não houve diferença estatística significativa nos resultados. Houve 76 casos de dengue no grupo vacinado, 2,8% da população, e 58 casos no grupo de controlo, 4,4% dos casos. O que equivale a uma imunização de 30,2%. Esperava-se uma imunização de mais de 70%. “Este resultado fez-me afundar na cadeira”, disse Scott Halstead à Reuters, um conselheiro científico experiente, da Iniciativa para a Vacina do Dengue, um consórcio sem fins lu-

crativos que luta por uma vacina contra a doença. “Este resultado é muito desapontante e vai ter que se repensar muito e fazer mais experiências para compreender o que aconteceu. Não se pode acreditar muito que esta vacina vá reduzir de uma forma significativa a doença.”

EXPECTATIVA BAIXA

Há mais de 70 anos que se tenta produzir uma vacina contra o dengue sem sucesso. Apesar do revés, os cientistas responsáveis pelo estudo mostram-se optimistas. “É a primeira demonstração que a vacina do dengue é possível e isso

é muito importante”, disse Nadia Tornieporth, citada pelo jornal norte-americano New York Times. A investigadora é uma das autoras do artigo e é uma das responsáveis da Sanofi Pasteur, em Pensilvânia, nos Estados Unidos. A vacina foi feita para as quatro estirpes, mas só foi eficiente para três delas, em que conseguiu produzir uma imunidade com valores entre os 60% e os 90%. Mas a variedade em que obteve uma imunidade muito baixa foi justamente a do subtipo do vírus predominante na Tailândia. “Isto é um marco, mas necessitamos de esperar pelos resultado de dois grandes

SINTOMAS

• O período de incubação é de três a 15 dias após a picada. Os sintomas iniciais são febre alta, mal-estar, pouco apetite, dores de cabeça, musculares e nos olhos. Pode provocar sangramento do nariz, dor abdominal contínua, vómitos e desconforto respiratório.

desta zona para tomarem as medidas de prevenção e eliminação dos mosquitos. Macau encontra-se em época de risco alto de transmissão da febre de dengue, mas as autoridades asseguram estar atentas à possibilidade de epidemia. O Laboratório de Saúde Pública dos Serviços de Saúde proporciona gratuitamente o teste à febre de dengue.

ensaios que estão em fase III, para testar a eficácia e compreender melhor a vacina”, explicou Jean Lang, citado pela Reuters. O especialista é responsável na Sanofi pelo desenvolvimento da vacina do dengue. A farmacêutica está à espera dos resultados de estudos que englobam 31.000 participantes na Ásia e na América Latina. De acordo com a Reuters, a empresa, antes destes resultados, esperava fazer vendas anuais com a vacina na ordem dos mil milhões de euros. A vacina parece, até agora, não ter efeitos adversos. Se os próximos ensaios forem mais positivos, a vacina poderá estar à venda já em 2015. Muitos médicos ouvidos pelo New York Times  admitem estar com baixas expectativas em relação à vacina.


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cultura

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Instituto de Formação Turística de Macau promove Cultura Latino Americana com palestra, livros e gastronomia

Quem quiser saborear estes e outros pratos peruanos em Macau terá de ir ao Café Bela Vista, no Hotel Grande Lapa, onde a chef Maria Rosa promove actualmente as iguarias do seu país.

Iguarias do Peru José C. Mendes info@hojemacau.com.mo

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ECORREU ontem no Instituto de Formação Turística de Macau (IFT) o Festival de Cultura Latino-Americana, que integrou uma palestra do Cônsul-Geral do Peru para Macau e Hong Kong, David Malaga, uma exposição de livros da América Latina e ainda uma demonstração da cozinha peruana. O objectivo do evento é, segundo o comunicado de imprensa da organização, aproximar as culturas latino americanas e macaense. Macau e grande parte dos países da América do Sul partilham uma herança histórica europeia comum, sendo por isso PUB

a RAEM uma plataforma especial para a aproximação da China à América Latina, acrescenta a nota. Na sala de demonstrações do IFT, pelas 15h30, a apresentação da cozinha peruana, esteve a cargo da chef de cozinha peruana Maria Rosa Vazquez Chavez, responsável pela área de cozinha do pavilhão do Peru durante a Expo Xangai, em 2010. Presenteou jornalistas e alunos de cozinha a confecção de um menu típico da comida peruana. A entrada foi ceviche (peixe cru marinado em sumo de lima); como prato principal, uma escolha representativa da influência chinesa no Peru: lomo salteado (carne de vaca com tomate, cebola e pimento amarelo, entre

VAGAS ESGOTADAS

outros ingredientes, no wok); depois da sobremesa de gelado caseiro, os convidados puderam ainda saborear a bebida típica do Peru, o Pisco.

300 MICROCLIMAS

“Temos uma enorme variedade de alimentos no Peru, um país com 300 microclimas e cerca de três mil variedades de batatas”, revelou a chef Maria Rosa. “Escolhemos estes pratos porque são os que as pessoas mais comem e mais gostam.” Se tivesse de escolher o ingrediente mais representativo da comida peruana, não hesitaria em eleger o “ají amarrillo” (malagueta amarela). “Tem um sabor muito característico e usamo-lo

praticamente em todas as comidas. Pode encontrar-se outras malaguetas com sabores parecidos, mas o ají amarillo tem um sabor especial e diferente.” A cozinha peruana tem uma grande variedade de influências: espanhola, japonesa, chinesa, italiana, francesa, entre muitos outros

países. Para a chef Maria Rosa isso representa uma mais-valia, não uma contrariedade. “É também isso que faz da nossa cozinha algo muito particular. Como temos tantos ingredientes, podemos aumentar a variedade de pratos e recriar receitas antigas que se estão ultimamente a recuperar.”

Também presente na mostra de cultura peruana esteve a presidente do IFT, Fanny Wong. Revelou que o seu instituto não aceitou mais porque tem as vagas esgotadas. “Tivemos mais candidaturas do que as vagas disponíveis, por isso tivemos de recusar a entrada de vários candidatos aos cursos do IFT.” Este problema tem sido recorrente e Fanny Wong não descarta a hipótese de mudança de instalações, embora para já não haja nada em vista. “Já há algum tempo falei da questão do espaço e digo sempre o mesmo. Temos de manter o espírito aberto. Não dizemos não a qualquer hipótese. Se aparecerem oportunidades para nos mudarmos ou para alargar as nossas instalações, teremos todo o interesse em estudar o assunto.”


quinta-feira 13.9.2012

Jornalista há mais de 50 anos, foi na década de 70 que começou a escrever sobre o seu país de eleição. Em Macau veio falar da obra “China – O retorno à liderança mundial” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Entregou um exemplar de um livro seu ao ministro português da Economia. De que trata? É sobre o retorno da China à liderança mundial. Escrevo que a China já está nessa liderança e já ultrapassou os Estados Unidos. O actual índice do poder de compra da China, que chamo “índice Mcdonald”, já é considerado oficial pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Conto esse percurso, porque acompanho a China já desde 1971. Até tenho aqui uma fotografia com o presidente Hu Jintao. Já estive com todos os presidentes da China que passaram pelo Brasil. Como avalia o trabalho de Hu Jintao? Muito bom. Os dirigentes chineses têm uma atitude democrática, não tomam atitudes isoladas. O Hu Jintao avança sempre de acordo com a opinião pública, o ponto de vista da comunidade e do Politburo, assim como da Assembleia Nacional. É um homem equilibrado.

A China está avançada em relação aos direitos humanos. O que é o direito humano? Não é o direito do palanque. O direito humano é o direito à educação, à saúde, à habitação, à alimentação. Não é política Há criticas à forma como a China lida com os direitos humanos. A China está avançada em relação aos direitos humanos. O que é o direito humano? Não é o direito do palanque. O direito humano é o direito à educação, à saúde, à habitação, à alimentação. Não é política. Uma vez Deng Xiaoping disse mesmo que os chineses não se incomodavam muito com a questão politica. De facto, pesquisas sobre a história e a cultura chinesas comprovam que os direitos prioritários reivindicados pelo povo chinês eram sobre a melhoria das condições de vida, na saúde, na habitação e na educação.

cultura

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Carlos Tavares de Oliveira, jornalista e escritor brasileiro

“A China está avançada em relação aos direitos humanos” E as desigualdades sociais? Essa é a prioridade, não a questão politica. Concordo com Deng Xiaoping, que o direito humano é uma forma de se criticar a China porque não obedece aos direitos humanos. Mas quem é que criou esse critério? Foi a França no século XVIII e depois os americanos adoptaram isso para criticar outros países. A cultura chinesa é diferente. Temos de entender a cultura chinesa pelo ponto de vista dos chineses, não o contrário. Não devemos julgar os chineses do ponto de vista ocidental.

Nesta fase, não só Portugal como Espanha, Grécia e Itália têm de tomar medidas de restrição ao crédito. Só se pode sair da crise trabalhando e diminuindo as despesas. Não apenas as pessoas, mas o Estado. E não há outra saída, é uma obrigação

A China vai ser líder. E o Brasil? É um pais muito rico, quase todo o território se aproveita. Mas as pessoas lá não são muito de trabalhar, é difícil. A minha grande luta é o problema da educação. O analfabetismo é elevado. O povo não entende algumas medidas económicas, principalmente na zona do nordeste. Bato-me por isso nos meus artigos. A presidente deveria, como Deng Xiaoping fez na China, dar prioridade à educação.

Como é que o Governo de Macau deve ajudar nas relações entre a China e os países lusófonos? A ajuda de Macau é no intercâmbio com o Delta do Rio das Pérolas. Tem um núcleo, o português é uma das línguas oficiais, e o mercado desta região é muito rico e tem poucas relações com o Brasil. O Governo de Macau e os empresários podem ajudar muito nesse relacionamento e, paralelamente, na subida da China para a liderança económica.

E a corrupção? Dilma é uma mulher muito enérgica, séria, está a haver uma diminuição e os políticos estão a começar a ser punidos. A situação está a melhorar. Mas o grande problema do Brasil ainda é a educação. A classe média precisa de ter mais instrução e interessar-se mais pelas coisas.

Acompanhou a visita do ministro português da economia ao Clube Militar. Como analisa essa visita? Foi muito interessante, prova que Portugal está a prestar muita atenção a Macau. Esse apoio de Portugal, e até o relacionamento que tem com África, é muito importante para a China. E para o Brasil também, é um circuito. As novas medidas de austeridade anunciadas em Portugal são as mais acertadas? Nesta fase, não só Portugal como Espanha, Grécia e Itália têm de tomar medidas de restrição ao crédito. Só se pode sair da crise trabalhando e diminuindo as despesas. Não apenas as pessoas, mas o Estado. E não há outra saída, é uma obrigação. Pedro Passos Coelho é um bom primeiro-ministro? Ele está a administrar a crise. É difícil aparecer numa época assim. Então um país em crise é muito difícil para um líder, porque a opinião pública fica colada. Ele está no poder mas numa situação delicada, porque tem de tomar medidas duras contra a população. Está a tomar as medidas que tem de tomar. Está a ir bem.

çois Hollande quis mudar, fez a sua campanha atacando medidas. Mas quando foi para o Governo mudou e já caiu nas sondagens. É difícil administrar na crise.

É um pais muito rico, quase todo o território se aproveita. Mas as pessoas lá não são muito de trabalhar, é difícil. A minha grande luta é o problema da educação. O analfabetismo é elevado. O povo não entende algumas medidas económicas, principalmente na zona do nordeste

Acredita no futuro do euro? É difícil. Mas agora para desmontar o euro ou a União Europeia vai ser muito complicado. A questão da moeda única é a circulação das pessoas e o turismo, vai prejudicar muito. Se se acabar com a moeda única, ao nível das transacções bancárias e tudo mais vai haver um prejuízo muito grande para a economia. O euro tem de ser mantido e a crise tem de segurar o euro. A União Europeia precisa de um novo rumo?

Um novo rumo seria a retirada de Ângela Merkel e da Alemanha? Ela não vai mudar, é teimosa. E a Alemanha é, economicamente, o pais mais forte da Europa. Ela traçou o rumo correcto da economia, de redução de custos. Está no caminho certo. A Alemanha, a Holanda, a Dinamarca, não têm problemas económicos. Os problemas estão nos países que gastaram, como Espanha, Itália e Portugal, que também gastou o que não podia. Para mudar o rumo da União Europeia, tem de ser esse que Ângela Merkel traçou. Fran-

Dilma é melhor do que Lula da Silva? Não posso falar porque sou amigo do Lula (risos). Ela está mais preparada. É formada em Economia e tem menos compromissos com a política do que o Lula. Faz mesmo o que tem de fazer para os interesses do pais. É uma mulher muito decidida. Com 88 anos e 18 livros publicados, o que é que ainda lhe falta fazer? Ler e escrever. Continuo a ser jornalista, tão cedo não quero largar a profissão.


desporto

quinta-feira 13.9.2012

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

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o fundo da baliza deserta, numa jogada em que a defesa da Casa de Portugal volta a ficar mal na fotografia. O descalabro ganhou novos contornos quatro minutos depois, num lance em que os jogadores às ordens de Pelé ficam a pedir o fora-de-jogo e voltam a não acompanhar a subida da linha avançada opositora. Marcou Chong I Wo, depois de desarmar o guarda-redes Pio e de fintar a oposição de Éric Perez sobre a linha da baliza.

QUASE LÁ

Casa de Portugal com nova derrota

De desaire em desaire Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

D

E grande surpresa há um ano, a formação da Casa de Portugal em Macau arrisca-se a ser a maior decepção da edição de 2012 do Campeonato de

Futebol de sete do território. A formação de matriz portuguesa ainda não venceu na corrente temporada e ontem voltou a desiludir, ao não conseguir impor-se no frente-a-frente com a Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM). Eficaz na defesa e rápida

a sair para o contra-ataque, a AMCM colocou-se em vantagem logo aos dois minutos, numa iniciativa oportuna concluída por Choi Weng Hou. A formação orientada por Pelé ainda tentou responder na mesma moeda, mas o voluntarismo da linha avançada lusa não PUB

bastou para incomodar Chan Ka Kei no último reduto adversário. Pouco expedita no reposicionamento da defesa após as investidas ofensivas, a Casa de Portugal acabou por conceder o segundo golo aos sete minutos, na sequência de uma mau passe de Carlos Vilar. Lam Man Keong recupera a bola ao meio campo, leva a melhor no confronto directo com o defesa português e abre para o segundo golo de Choi Weng Hiu, que bate Pio Diosvaldo Neto sem dificuldades. O jovem guarda-redes da Casa de Portugal esteve em grande plano pouco depois ao negar com extraordinária defesa uma nova investida do ataque da AMCM. A vencer por duas bolas a zero, a formação de matriz

chinesa assumiu a aposta no contra-ataque e consentiu a subida no terreno dos jogadores às ordens de Pelé. A estratégia, porém, não surtiu em termos imediatos os efeitos desejados. Aos 16 minutos, a bola sobra na frente de ataque para Nicholas Friedmann. Apenas com Chan Ka Kei pela frente, o dianteiro gaulês não perdoa e fulmina o guarda-redes da AMCM com um remate de primeira.

CATÁSTROFE

O encontro seguiu para intervalo com a Casa de Portugal em desvantagem, ainda que a transmitir boas indicações. As esperanças lusas receberam, no entanto, uma estocada quase letal no início da segunda parte, mercê de um reatar de desafio catastrófico. À passagem da meia hora, a AMCM só não marcou o terceiro porque Pio se opôs com mestria a nova razia ofensiva do adversário. Na jogada seguinte, chegou mesmo ao golo, com Leong Tak Wai a empurrar para

Portugal soma e segue

A selecção das quinas derrotou o Azerbaijão por 3-0, no meio de um festival de golos perdidos (cinco bolas a bater nos ferros!). Apesar do desperdício, foi uma exibição muito convincente, bastante melhor do que a realizada na vitória prévia nesta fase de qualificação, frente ao Luxemburgo. Os golos foram marcados por Varela, Postiga e Bruno Alves. O próximo jogo de Portugal é contra a Rússia, em casa do adversário com quem divide a liderança do grupo, em luta acesa por um lugar no próximo Mundial.

Messi sucumbiu a gritos por Cristiano Depois de tantos jogos em que se disse que Cristiano Ronaldo ficava afectado pelos gritos de “Messi!” feitos pelos adeptos adversários, os peruanos lembraram-se de fazer o mesmo e parece que resultou. A Argentina empatou 1-1 no Peru, na qualificação para o Mundial 2014, num jogo em que esteve uns furos abaixo do que tem mostrado nas últimas partidas. Messi, sempre perseguido por gritos de “Cristiano” quando tocava na bola, esteve muito apagado. A albiceleste mantém-se no entanto na liderança da zona sul-americana.

O encontro parecia decidido a favor da AMCM, mas a Casa de Portugal ainda arranjou força e margem de manobra para quase relançar a discussão da partida. Aos 42 minutos, uma acção ofensiva bem estruturada garante o seu segundo golo. Éric Pérez cruza para o coração da área adversária e força Chan Ka Kei a uma defesa incompleta. Na recarga, Gaspard Laplaine bate o guardião da AMCM e devolve alguma esperança à formação de matriz lusa. A dois minutos do fim, Chan Ka Kei volta a ser batido, na sequência de um remate à meia volta de Miguel Botelho. Com menos de dois minutos para jogar, a Casa de Portugal tentou conter o adversário e esteve perto de festejar o golo do empate já em tempo de descontos, mas o cabeceamento do capitão Cuco falhou por pouco as redes. Com cinco derrotas em outros tantos jogos, a Casa de Portugal em Macau vê complicar-se a permanência entre os grandes do futebol de sete do território.


quinta-feira 13.9.2012

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB SALA 2

RESIDENT EVIL: RETRIBUTION 3D [C] Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Milla Jovovich, Michelle Rodriguez, Li Bing Bing 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

THE THIEVES [C] RESIDENT EVIL: RETRIBUTION SALA 1

I MISS U [C] FALADO EM TAILANDÊS, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Monthon Arayankoon Com: Jesdaporn Pholdee, Natthaweeranuch Thongmee, 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

FALADO EM COREANO, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Choi Dong-Hun Com: Kim Yoon-seok, Kim Hye-soo, Simon Yam, Jeon Ji-hyeon 14.30, 17.00, 21.30

THE COLD LIGHT OF DAY [C]

Aqui há gato

Um filme de:Mabrouk El Mechri Com: Henry Cavill, Bruce Willis, Sigourney Weaver 19.30

VERTICAIS: 1-Nome de mulher. Catálogo dos livros condenados pela Igreja. 2-Preguiça, inacção. Desprezara. 3-Vício, moleza. Principal peça do xadrez. 4-Do corrente ano (abrev. lat.). Fazem avançar girando. Onda Média (abrev.). 5-Apertem com atilho. Pequeno poema medieval. 6-Nocivo, danoso. 7-Ilha de Inglaterra. Ir de dentro para fora. 8-Doutor (abrev.). Encostado, cerce. Ruténio (s.q.). 9-Sorris. Bagatelas. 10-Comilão (Fig.). Chinela com planta de pau (Prov.). 11-Cada um dos bordos da boca. Causar pena ou dor.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Tome como alimento. Casta de uva preta, do Minho. 2-Amimar muito a criança (Bras.). Margem elevada do rio. 3-Rim (Ant.). Conta de existência. Inferioridade (Pref.). 4-Tornar-se loiro. Que diz respeito à tua pessoa. 5-Gente do povo, comunal. 6- Dialecto que outrora se falou no norte da França. Nor-nordeste (abrev.). 7-Pessoa sectária do idealismo. 8-Níquel (s.q.). Natural de Macau. 9-Outorgar. Terceiro. O m. q. ionte. 10-De cobre. O m. q. araca. 11-O m. q. enxaimel. Trajar.

[Tele]visão TDM 00:10 00:40 13:00 13:30 14:30 19:30 20:30 21:00 21:30 22:15 23:00 23:35

19:30 21:00 21:30 22:00 22:30 23:00

Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Resistirei Telejornal TDM Talk Show Castle Hilda Furacão TDM News Reportagem Sic INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Poplusa 15:30 Cenas de Casamento - SIC 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Decisão Final 18:00 Vingança 18:30 Moda Portugal 19:00 Liberdade 21 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Ler +, Ler Melhor 22:15 Portugal no Coração 30 - ESPN 13:00 15:00 18:00 19:00 19:30 20:00

2014 FIFA World Cup Brazil Asian Qualifiers Jordan vs. Australia MLB Regular Season 2012 New York Yankees vs. Boston Red Sox (Delay) Baseball Tonight International 2012 Total Rugby (LIVE) Sportscenter Asia 2012 (LIVE) Ricoh Women’s British Open 2012 Day 1

31 - STAR Sports 13:00 Mobil 1 The Grid 2012 13:30 Smash 2012 14:00 GP2 Series 2012 16:00 Sports Max 2012/13 17:00 FIM Junior World Championship 2012 17:30 SBK Superbike World Championship 2012 Races

FIA F1 World Championship 2012 Highlights Italian Grand Prix 2 Wheels (LIVE) Score Tonight 2012 SBK Superbike World Championship 2012 Highlights 2 Wheels Autobacs Super GT Series 2012

40 - FOX Movies 12:00 Year One 13:40 Big Mommas 15:30 One Fine Day 17:20 Talladega Nights 19:10 Cars 2 21:00 The Mask Of Zorro 23:20 The Legend Of Zorro 41 - HBO 12:00 XXX 14:05 How Do You Know? 16:05 Stakeout 18:05 Another Stakeout 20:00 Three Kings 22:00 Terminator 3 23:55 No Strings Attached 42 - Cinemax 11:45 The River Wild 13:40 Moonraker 16:00 Sebastian 17:40 Superman: Doomsday 19:00 Red Dawn 21:00 Xiii 22:00 Jonah Hex 23:25 Gladiator

Cinemax (42) 23:25 Gladiator

HORIZONTAIS: 1-COMA. PADRAL. 2-ACOCAR. RIBA. 3-RIL. TEM. SUB. 4-LOIREJAR. TI. 5-A. COMUNEIRO. 6-OIL. D. NNE. 7-IDEALISTA. P. 8-NI. MACAENSE. 9-DAR. III. ION. 10-EREO. ARRACA. 11-XAIMEL. USAR. VERTICAIS: 1-CARLA. INDEX. 2-OCIO. ODIARA. 3-MOLICIE. REI. 4-AC. ROLAM OM. 5-ATEM. LAI. E. 6-PREJUDICIAL. 7-A. MAN. SAIR. 8-DR. RENTE. RU. 9-RIS. INANIAS. 10-ABUTRE. SOCA. 11-LABIO. PENAR.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA REGRAS DA TRAIÇÃO • Christopher Reich

Em 1980, um B-52 norte-americano despenha-se numas montanhas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Quase trinta anos mais tarde, e percorrendo lugares por todo o mundo, uma verdade terrível será revelada. Jonathan Ransom regressa na qualidade de médico engenhoso que se vê lançado num mundo obscuro de agentes duplos e triplos onde não se pode confiar em absolutamente ninguém. Um romance magistral que faz jus à reputação de Christopher Reich de ser um dos mais admirados escritores de thrillers de espionagem da atualidade.

BAR FLAUBERT • Alexis Stamatis

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Yannis Loukas é um jornalista freelancer, filho de um prestigiado escritor, que aceita ajudar o pai a compilar uma autobiografia. Esquadrinhando o arquivo pessoal da família, Yannis descobre um misterioso manuscrito intitulado Bar Flaubert, cuja publicação o pai tinha recusado alguns anos antes. Ao lê-lo, a sensação de que alguém transpôs para o papel os seus sentimentos mais íntimos e secretos leva Yannis a querer encontrar o autor, um homem chamado Loukas Matthaiou. Mas quem é de facto esse homem e por que razão todos os que com ele se cruzaram parecem de alguma forma ter sido marcados pela sua personalidade carismática? Seguindo as pistas que Matthaiou foi deixando ao longo do seu livro, a vida de Yannis irá sofrer uma reviravolta imprevisível, numa demanda que cruza as fronteiras da ficção com a realidade.

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UMA RÉSTIA DE ESPERANÇA? Perante os gravadores mudos e encerrados, o ministro lá soltou uma réstia de esperança, ao frisar que as reformas que o seu governo estava a implementar iam dar frutos e que, um dia, todos os jovens emigrantes poderiam regressar ao seu país. Mas Álvaro Santos Pereira, o ministro da Economia e do Emprego que andou a espalhar simpatia e uma réstia de humildade por Macau, já sabia a machadada que iria ser dada dias depois, quando o seu colega das finanças, Vítor Gaspar, anunciou mais medidas a juntar a uma austeridade já muito difícil de roer. Eu vim gatinhar para o outro lado do mundo porque me apeteceu. Não fugi da crise, não andava deprimido. Sim, ganhava um salário baixo e trabalhei num call center, mas mesmo assim Portugal ainda era a minha cena. Só que de repente apeteceu-me sair. Confesso que de vez em quando me apetece voltar, mas não sei se poderei confiar naquela réstia de esperança que o Álvaro me deixou. Senhores ministros em Portugal, como é que as coisas podem estar melhores para o ano que vem se os impostos não param de subir? Como é que as pessoas vão pagar os seus alimentos, a sua educação, as suas casas? Por que é que eu tenho a sensação que as empresas mais ricas e os mais ricos vão continuar a passar imunes? Para além das claras estatísticas do desemprego, há outras: o ensino superior não tinha, desde 2006, quebras tão acentuadas nas candidaturas. Também é considerado um dos mais caros da União Europeia. E isto é grave, meus caros amigos Álvaro e Vítor. As pessoas estão a começar a cortar num dos bens essenciais para o desenvolvimento de um país: a educação superior. Pior: as pessoas acham que já não vale a pena apostar nisso. Mais do que cortar na comida, nos medicamentos, as pessoas estão a perder a alegria de viver e a esperança num mundo melhor e socialmente mais justo, e são estes pormenores que vocês, meus caros amigos ministros, têm de ter em atenção. Ainda acredito em vocês pela experiência internacional que têm. Mas no Passos Coelho, não. Desculpem-me, meus caros amigos.

Pu Yi


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opinião

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Leocardo

bairro do oriente

O meu país também se engana

O

S protestos de milhares de estudantes e pais na vizinha RAEHK contra a implementação da disciplina de Educação Patriótica nas escolas foi talvez o grande “happening” deste Verão aqui na região. Uma tentativa frustrada do Governo central de impor uma ideologia nacionalista no seu aluno menos aplicado. O famigerado artigo 23 não pegou em Hong Kong, e daí partia uma tentativa de moldar as mentes mais frágeis e preparar a próxima geração. Alguns dos conceitos presentes no tal manual de Educação Patriótica podem parecer-nos estranhos, absurdos até, e o livrinho impunha uma série de ideias como “devemos dar a vida pelo nosso país” ou “devemos apoiar o nosso país mesmo quando está errado”. Quando era pequeno o meu pai contava-me histórias de quando esteve na Guiné, nos tempos da Guerra Colonial. Dizia-me que o seu sargento apelava a que os seus soldados “lutassem até à última gota de sangue”. Eles sussurravam entre eles: “até à última não, até à penúltima; a última é para fugir”. E é assim mesmo, não há ideia de “pátria” ou “nação” que valha uma vida humana. Estes são conceitos ultrapassados,

cartoon por Steff

Numa altura em que os ânimos se exaltam no Sudeste Asiático devido à disputa de ilhotas que possuem recursos naturais importantes, parece estranho que se dê tanta importância à Educação Patriótica. É uma mistura explosiva aliar conceitos nacionalistas e disputas territoriais coisa que vigorava há uns cem anos, quando a vida humana valia menos que um saco de amendoins. Depois sempre veio a convenção de Genebra, saímos do século dos ideais e entrámos no século do indivíduo. Todos nós queremos viver mais e melhor e ninguém quer saber de conflitos armados e guerras. Sou português dos quatro costados e orgulho-me de todos os méritos da minha nação, mas isso não significa que considere que o meu país “tem sempre razão”, mesmo

quando não tem razão – e ultimamente tenho cada vez menos motivos para pensar assim, muito devido a quem anda a (des)governar o país há décadas. Orgulho-me dos feitos da minha nação, dos seus méritos, mas tenho sentido crítico e sei que o meu país também erra. Todos os países erram, e o conceito de que existe uma nação omnisciente e perfeita é risível. Somos acima de tudo cidadãos do mundo, e a nossa pátria e os seus interesses (os de poucos) não se sobrepõe ao nosso bem-estar.

ATAQUE

É curioso que o regime chinês tente incutir este tipo de “amor” patriótico nos seus jovens. Afinal são eles os primeiros que criticam as tentativas japonesas de branquear o seu passado belicista e imperialista, e condenam as romagens de políticos japoneses ao santuário de Yasukuni, onde estão sepultados criminosos de guerra japoneses do tempo da Segunda Guerra – criminosos para as suas vítimas, claro, mas heróis para os nacionalistas japoneses. Que autoridade tem um país que quer incutir na sua juventude valores semelhantes para declarar errado que outra nação tente fazer exactamente a mesma coisa? Numa altura em que os ânimos se exaltam no Sudeste Asiático devido à disputa de ilhotas que possuem recursos naturais importantes, parece estranho que se dê tanta importância à Educação Patriótica. É uma mistura explosiva aliar conceitos nacionalistas e disputas territoriais, e em nada ajuda a manter o frágil equilíbrio que existe nesta região nas últimas décadas. A Ásia não é exactamente conhecida por ser o continente “da paz”, e sem querer ser pessimista, pode bastar um acender de um rastilho para espoletar uma crise sem precedentes. É mesmo assim, tão frágil, esta suposta paz trazida pelos resultados da economia, quando misturados com conceitos patrioteiros. O facto do actual Chefe do Executivo honconguense C.Y. Leung ter deixado “cair” a ideia da Educação Patriótica não significa que os cidadãos da região vizinha se tenham visto livres deste “problema”. A disciplina passou a ser facultativa, e espera-se que num futuro próximo existam incentivos (financeiros, entenda-se) para que as escolas da RAEHK incluam a cadeira nos seus currículos. Um problema que fica portanto apenas adiado. Resta aos resistentes contar as armas e prepararem-se para futuras batalhas. É preciso contudo não esquecer que provavelmente os cidadãos de Hong Kong se sentem chineses como quaisquer outros, só que não estão para deixar que os ditames do partido único da China se imiscua nas suas liberdades garantidas pela Lei Básica. E só por isso há que lhes tirar o chapéu.


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opinião

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Carlos M. Cordeiro

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da estrela

O homem nunca mais se limpa

O

homem sujou-se. E nunca mais se limpa. Não, não foi com as faúlhas dos muitos incêndios que lavram sem cessar aqui na serra. Até a conversa diária no café do Tio Manel sobre os fogos foi ultrapassada pela sujidade em que ficou o fato do homem. O homem chama-se Pedro Passos Coelho e colocou todo um país a falar das medidas de austeridade que anunciou. A situação social em Portugal, numa percentagem elevada, já é balizada por parâmetros entre a pobreza e a miséria. Temos um grande número de famílias em que o casal está reformado com um rendimento de apenas 1.200 euros. Conheço um casal que desse dinheiro sustenta o filho que casou há dois anos e ficou desempregado tal como a sua mulher. O casal desabafou absolutamente indignado porque, diz, todo o dinheiro é gasto em despesa dos quatro habitantes da casa em serviços mínimos e obrigatórios. A sua indignação era consequência da decisão do governo em cortar aos pensionistas e reformados os subsídios de Natal e de férias. O casal em questão é um exemplo em milhares de portugueses na mesma situação. E o governo ainda teve o desplante de esclarecer que as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro não abrangem todos os pensionistas. É preciso não ter vergonha. O que está em causa é que nenhum pensionista e reformado devia ser atingido porque já tinha entregado ao longo dos anos de trabalho o seu dinheiro para usufruir do mesmo em tempo de velhice. O descalabro de uma política executada sem freio e sem inteligência está a deixar os portugueses absolutamente desorientados. O Fran-

O governo ainda teve o desplante de esclarecer que as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro não abrangem todos os pensionistas. É preciso não ter vergonha. O que está em causa é que nenhum pensionista e reformado devia ser atingido porque já tinha entregado ao longo dos anos de trabalho o seu dinheiro para usufruir do mesmo em tempo de velhice cisco merceeiro, o Marcelo Rebelo de Sousa, o Fernandes barbeiro, o Bagão Félix, o Adalberto padeiro, o Jerónimo de Sousa, o João do talho, o Adriano Moreira, a Maria Augusta da lavandaria, o D. Januário Torgal Ferreira, o Emanuel da papelaria, o Mouraz Lopes da Associação dos Juízes, o António Costa, o Almeida Santos, o Ribeiro e Castro, o Francisco Louçã, o Silva Lopes, o Medina Carreira e uma lista interminável de indignados têm vindo a lume manifestar o seu descontentamento pelas medidas de austeridade anunciadas por Passos Coelho. Não é justo que se governe um país somente a olhar os números da desgraça. E as pessoas, são números? Para os governantes parece que sim. O bispo das Forças Armadas foi peremptório ao gritar “basta!”. D. Januário Torgal Ferreira tocou com o dedo na ferida ao sublinhar que o aumento de austeridade está a asfixiar os portu-

gueses. “Assim também eu era primeiro-ministro. Em vez de encontrar uma solução, para não pesar sobremaneira nas pessoas que têm levado a cruz ao longo da vida... assistimos à quebra da palavra dada que é assistir a corrupção.” O prelado referia-se à data em que foi apresentado o PEC IV e quando Passos Coelho afirmou que os portugueses não podiam aceitar mais sacrifícios. As medidas agora anunciadas são gravosas, especialmente para os trabalhadores por conta de empresas privadas. Os desempregados vagueiam pelas ruas, uns sem qualquer subsídio e outros com a “esmola” a ficar reduzida no futuro. Portugal não pode ser governado por gente impreparada e, muito menos, por alguém que não conheça o país real. E as minhas palavras são tanto ou mais verdadeiras que o ministro da Solidariedade Social deslocou-se ao Minho, zona populacional apoiante do seu partido CDS, e teve de sair de lá a toque de caixa debaixo de assobios e insultos. O ministro esqueceu-se que a decisão de aumentar a contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social foi a machadada final no regime previdencial, porque os benefícios decrescem enquanto se verifica um aumento de sete pontos percentuais no desconto do trabalhador. Este aumento é um verdadeiro novo imposto. A declaração de Passos Coelho foi, mais uma vez, detalhada quanto aos rendimentos do trabalho e bastante vaga quanto a tudo o resto. E assim, isto só lá vai, por enquanto, com assobios e insultos. A situação é trágica e acreditem que este primeiro-ministro nunca mais se limpa... nem com entrevistas encomendadas.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Nuno G. Pereira; Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Severino Cabral sobre a relação de Macau e Brasil

“Necessidade espiritual e cultural” A

relação entre Macau e o Brasil é fundada numa “necessidade espiritual e cultural”, defendeu ontem o presidente do Instituto Brasileiro de Estudos da China e Ásia-Pacífico, Severino Cabral. À margem do IV seminário sobre “O papel de Macau no intercâmbio sino-luso-brasileiro”, admitiu que as relações comerciais entre a China e o Brasil não têm necessariamente de passar por Macau, uma vez que decorrem das relações bilaterais no âmbito dos encontros de cúpula presidencial nos fóruns dos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e G20, que reúne as 20 maiores economias do planeta. “Não há dúvida de que a relação entre o Brasil e a China, como disse o primeiro-ministro Wen Jiabao, secundado pela presidente Dilma Rouseff, foram elevadas à condição de parceria estratégica no plano global.” Há, porém, outra dimensão, fundada na “corrente cultural” que flui de Macau, “dessa parte portuguesa na China para o resto do mundo português, em África e no Brasil”. “A necessidade de Macau para o Brasil é uma necessidade espiritual e cultural”, salientou o também professor de Rela-

ções Internacionais. “É uma dimensão extraordinária e o peso não é da pequena Macau, é da grandeza da cultura e da língua portuguesa, que é uma língua universal e que movimenta mais de 260 milhões de falantes no mundo. E sendo o português a língua oficial, Macau serve como um elo de ligação entre a China e todo o mundo lusófono, incluindo o Brasil.”

VISÃO A LONGO PRAZO

Severino Cabral observou ainda que a visão do seminário é a de perseguir uma aproximação com a China de longo prazo e estabelecer essa ponte entre o ocidente e o oriente, que tem como vector-chave Macau. “Essa plataforma está a ser construída, tanto da parte da China como dos países de língua portuguesa, e a avançar para uma dimensão cada vez maior no plano da interacção, sobretudo cultural.” Adiantou que está a ser criada “uma rede de instituições académicas culturais voltadas para o relacionamento do mundo chinês com o mundo da lusofonia” e que o objectivo é alargar as reuniões com a entrada de outros parceiros na China, em Portugal, no Brasil e futuramente em África.

Delegação de Macau em Feira de Investimento

Francis Tam e uma delegação empresarial de Macau – composta por uma centena de empresários – deslocou-se a Xiamen, durante três dias, para participar na 16.ª Feira de Investimento e Comércio da China. Organizada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que instalou no recinto o Pavilhão de Macau, a visita teve como objectivo apresentar as vantagens e promover o ambiente de investimento em Macau, promover os produtos fabricados em Macau e os produtos de marca do território e impulsionar e publicitar o sector global de convenções e exposições e as informações turísticas e culturais de Macau. Além da participação na Feira, a delegação aproveitou a oportunidade para participar na sessão de Bolsa de Contactos realizada pelo IPIM e pelos Serviços do Comércio das províncias de Heilongjiang e de Hebei. Na delegação estavam incluídos 20 representantes de países de Língua Portuguesa. Durante o seminário foram realizadas 57 bolsas de contacto, na área de turismo, imobiliário e construção, venda a grosso e a retalho e franquias.

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quinta-feira 13.9.2012

Hoje Macau 13 SET 2012 #2694  

Edição do Hoje Macau de 13 de Setembro de 2012 • Ano X • N.º 2694

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