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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

REUTERS

TERÇA-FEIRA 13 DE AGOSTO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4350

HONG KONG

OS DIAS DO CAOS PÁGINA 10

JOCKEY CLUB

hojemacau

PÁGINA 4

TRIBUNAL

Vá para a cadeia

Baía dos alinhados

PÁGINA 6

SOUZA DECIDE PUB

PÁGINA 11

Apesar das muitas singularidades históricas e culturais que distinguem as cidades da Grande Baía, os discursos de Chui Sai On e de Carrie Lam, na abertura do Fórum Internacional que conta com cerca de 60 académicos de

h

10 países e regiões, alinharam pelo mesmo diapasão: é preciso construir um denominador comum com uma identidade “predominantemente chinesa” para “colmatar as diferenças de sistemas”.

GRANDE PLANO

PAGLIACCI, ÓPERA EM DOIS ACTOS MICHEL REIS

AO CONTRÁRIO DAS BRUXAS PAULO JOSÉ MIRANDA

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Aceitam-se explicações


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13.8.2019 terça-feira

FÓRUM

AO PATRIA HONRAI ´

como “centro mundial de turismo e lazer”, acrescentou Chui Sai On.

GCS

A valorização da identidade chinesa foi o foco dos discursos de abertura do Fórum Internacional das Missões Culturais da Grande Baía, com as “outras culturas” do trinómio “um país, dois sistemas, três zonas aduaneiras” a nunca serem referidas pelos representantes dos respectivos Governos. Só faltou dar o toque aos oradores estrangeiros

GCS

S responsáveis pelas regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong, Chui Sai On e Carrie Lam, respectivamente, discursaram ontem no encontro internacional para a construção da Grande Baía, atribuindo a singularidade dos dois territórios à presença histórica de “outras culturas”, sem referir quais, que agora é preciso aproximar na construção de “um denominador comum”. A sinergia dos valores culturais e a partilha de uma “mesma identidade cultural”, “predominantemente chinesa”, são a receita para “colmatar as diferenças de sistemas”. As citações foram retiradas do texto do Chefe do Executivo da RAEM, na cerimónia de abertura do Fórum Internacional sobre a “Missão Cultural no Desenvolvimento e Construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, a decorrer ontem e hoje no Hotel Grand Hyatt da Taipa, onde estão presentes mais de 60 especialistas e académicos de dez países e territórios, além dos responsáveis pelas principais cidades do Delta do Rio das Pérolas. Do exterior vieram oradores de Portugal, Brasil, Alemanha e Suíça. “Espero que, através da congregação de sabedorias e do livre debate, os participantes possam contribuir com ideias úteis e sugestões preciosas para a construção de Macau como uma base de intercâmbio e cooperação que, tendo a cultura chinesa como a predominante, promove a coexistência de diversas culturas”, assinalou Chui Sai On. Estas culturas, portuguesa e britânica, que em Macau e Hong Kong tiveram mais ou menos séculos de influência, não foram lembradas nos discursos de Chui Sai On ou de Carrie Lam, apesar de ambos terem assinala-

MISSÃO CULTURAL PARA DESENVOLVER GRANDE BAÍA É ELOGIO À CHINA

SENTIMENTO PATRIÓTICO

do a nomeação oficial do Centro Histórico de Macau a Património Cultural da Humanidade, em 2005, pela UNESCO. Para Chui Sai On, as culturas comercial, popular, religiosa, associativa, filantrópica, entre outras, “apresentam características únicas, com uma forte matiz internacional, fruto do convívio da cultura chinesa com outras culturas”, mas as cidades da Grande Baía

partilham “um afecto mútuo” e os mesmos “valores culturais e humanistas” que é importante alinhar na actual conjuntura de desenvolvimento económico. A “confiança depositada pelo Governo Central” injectou uma “renovada vitalidade na participação de Macau na construção da Grande Baía”, onde o território poderá “desenvolver plenamente as suas características culturais singulares”

A reflexão sobre o indivíduo actual passa por equacionar a “grande objecção que impede a China de assimilar elementos centrais do Ocidente, tais como liberdade individual, democracia, direitos humanos e propriedade privada, como concebida na modernidade ocidental”, segundo António Florentino Neto

Também a Chefe do Executivo da Região Económica Especial de Hong Kong (RAEHK), na visita relâmpago que efectuou ontem a Macau, teve o discurso alinhado com o do seu homólogo local, aconselhando “a juventude de Guangdong, Hong Kong e Macau a promover o entendimento mútuo, aprofundar a compreensão da cultura dos três lugares”, “experimentar os hábitos da população chinesa” e aumentar o “reconhecimento da cultura nacional”, através de visitas e de cursos no interior da China. Carrie Lam acrescentou que “este ano foram financiados 71 programas de intercâmbio” entre as três cidades do Delta, que beneficiaram 4700 jovens. “Esperamos continuar a reforçar a cooperação e a promover ainda mais este tipo de programas”, já que “a cultura e a arte podem cultivar o temperamento” e criar “pontes para ligar as pessoas”, “na promoção da estratégia nacional chinesa”. Já o governador da província de Guangdong, Ma Xingrui, destacou os esforços de cooperação das três regiões e assegurou a contínua aposta na promoção da cultura chinesa tradicional. “O Secretário Geral Xi Jinping assinalou que a cultura é a alma do país e da nação. A prosperidade cultural é um

desígnio nacional, com uma cultura forte e uma nacionalidade forte”, mencionou a respeito do projecto pessoal do líder chinês. O Governo Central pretende que “a influência da cultura chinesa seja mais extensa e profunda até 2035, quando o objectivo do intercâmbio e integração do multiculturalismo terá sido atingido”, referiu ainda Ma Xingrui.

PENSAMENTO ACADÉMICO

Os oradores estrangeiros convidados para contribuir com a sua visão sobre a missão cultural da Grande Baía, não seguiram o padrão dos discursos locais, abordando o tema do intercâmbio secular entre oriente e ocidente de forma histórica, filosófica, legal, política e civilizacional, sem constrangimentos de palavras ou ideias.

Foi lembrada a presença portuguesa no território, a riqueza cultural das trocas entre o oriente e o ocidente, a abertura à globalização, as dificuldades inerentes a povos com diferentes contextos filosóficos e religiosos, os riscos e as oportunidades. Geoffrey Gunn, professor emérito da Universidade de Nagasaki, no Japão, começa mesmo a sua palestra pela chegada dos portugueses há meio milénio atrás, antecipando todas as interacções culturais e comerciais que hoje são a constante do mundo globalizado. “Poucos dos que chegavam de Portugal saberiam dominar a língua e a cultura locais, mas os que o fizeram – com os Jesuítas a dar o exemplo – trouxeram um contributo intelectual imenso para o território, introduzindo uma nova consciência e uma


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geografia global, sobretudo com a extensão do mundo lusitano a que Macau ainda hoje está ligado”. O académico salienta a importância desta herança cultural, “que deve ser estudada camada por camada, época por época”, para poder ser “preservada”, “musealizada”, explicada e exibida. A “singularidade de Macau” merece ser “apreciada não só no contexto da Grande Baía, mas de toda a China e mesmo do mundo”. Rolf Sturner, professor da Universidade de Friburgo, na Alemanha, escolheu o exemplo da lição aprendida com o declínio político e cultural do seu país na II Guerra Mundial e o surgimento do nazismo. “Foi a cooperação entre as forças sociais que determinou o sucesso de um novo modelo, depois da

auto-infligida catástrofe que foi a II Grande Guerra”, mas o orador reconhece que “as culturas da Ásia Oriental ainda poderão ter dificuldade em quebrar com as tradições hierárquicas e os costumes antigos”, já que a abertura ao mundo é recente. Exemplo disso é a “impressionante homogeneização da sociedade, que se mantém livre da imigração e integração total da população estrangeira”, enquanto

Macau e Hong Kong estiveram expostas à influência estrangeira durante séculos, o que comprova “a tese de que é a abertura a outras culturas e o confronto de ideias que protegem as sociedades da perda do equilíbrio”.

O HOMEM MODERNO

António Florentino Neto, professor do Programa de Doutoramento em Ciências Sociais da Universidade Estatal de Campinas, no Brasil,

Estas culturas, portuguesa e britânica, não foram lembradas nos discursos de Chui Sai On ou de Carrie Lam, apesar de ambos terem assinalado a nomeação oficial do Centro Histórico de Macau a Património Cultural da Humanidade, em 2005, pela UNESCO

O

professor universitário e arquitecto Carlos Marreiros defendeu ontem a criação em Macau de um museu dedicado a Sun Yat Sen, no qual se deviam destacar figuras como Camões. A aposta em marcar a diferença permitiria a Macau “impor-se na Grande Baía”, através de novos equipamentos culturais, um dos quais “focado numa figura de respeito internacional” e que “é transversal à China continental, Macau, Hong Kong e Taiwan”, defendeu o macaense que foi condecorado pelo Presidente da República português, por dois governadores de Macau e pelo Chefe do Executivo da RAEM.

também propõe uma reflexão sobre “as proximidades e distâncias entre o Ocidente e o Oriente”, para “despertar o debate” em torno da “grande objecção que impede a China de assimilar elementos centrais do Ocidente, tais como liberdade individual, democracia, direitos humanos e propriedade privada, como concebida na modernidade ocidental”. Para o orador, “a formação do indivíduo no Ocidente e na China” só pode ser compreendida a partir de concepções diferentes do que é o homem moderno, aristotélica no ocidente, bem distinta do “indivíduo inter-relacional, em rede”, que toma forma no mundo oriental, sobretudo na China, com bases filosóficas próprias como o taoismo, o budismo e a tradição de Confúcio.

Os oradores estrangeiros convidados para acrescentar a sua visão sobre a missão cultural da Grande Baía, não seguiram o padrão dos discursos locais, abordando o tema do intercâmbio secular entre oriente e ocidente de forma histórica, filosófica, legal, política e civilizacional, sem constrangimentos Para os países não ocidentais, “assumir totalmente o projecto de modernidade ocidental, pode significar a irreversível ruptura com as suas tradições filosóficas, que são as bases da estruturação de uma concepção de indivíduo”, que não se identifica com a tradição grega, ampliada pelo pensamento liberal inglês de Mill e Locke ou o idealismo alemão de Hegel, evidencia Florentino Neto.

Camões e o oriente

Carlos Marreiros sugere criação de Museu Sun Yat Sen

O museu deveria ser criado nos novos aterros de Macau, sustentou à margem do Fórum em que é um dos oradores convidados e no qual participam especialistas nacionais e estrangeiros, para debater a missão cultural da Grande Baía. O arquitecto sublinhou que a concepção do museu deveria ser marcada pela diferença, para se destacar numa região que tem uma capacidade e dinâmica que o antigo território português não

possui, referindo-se ao espaço de influência da Grande Baía.

BARÕES ASSINALADOS

Nesse sentido, “o museu poderia apresentar outras figuras de grande prestígio internacional” como Camões, uma das grandes figuras da literatura portuguesa, cuja presença no oriente e em Macau é destacada na história da sua vida, defendeu. Já Sun Yat Sem, nasceu na aldeia de Kui Heng, a pouco mais de 30

As teses do oradores, nas várias línguas em que foram submetidos à organização do evento, encontram-se compiladas num tomo para consulta dos participantes. As apresentações decorrem até ao final do dia de hoje. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com

quilómetros de Macau, e concluiu o curso de medicina em Hong Kong. Macau tem a Casa Memorial Sun Yat Sen, que alberga um conjunto de documentos que homenageiam a passagem pelo território daquele que foi o mentor e impulsionador da revolução republicana chinesa que, em 1911, derrubou o regime da dinastia Qing. Esta casa visa testemunhar a sua curta - mas considerada significativa -, estadia em Macau no início do século XX onde, fugindo ao poder dos mandarins imperiais, recebeu apoio de amigos, à época ilustres e influentes figuras da vida social e política macaenses, para garantir um novo regime na China. Lusa


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JOCKEY CLUB DEPUTADOS AINDA NÃO SABEM RAZÕES DA RENOVAÇÃO DE CONTRATO

O mistério continua

O contrato de exploração de corridas de cavalos do Jockey Club foi renovado pelo Governo por mais 24 anos, no ano passado, apesar das dívidas da concessionária. Deputados voltaram a pedir explicações ao Executivo, mas ficaram sem resposta. Resta que desta vez a empresa ligada a Angela Leong cumpra com as promessas de reembolso

É

o segundo relatório apresentado pelo Governo à Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas e também pela segunda vez a questão mantém-se: qual a razão que levou à renovação do contrato de concessão do Jockey Club por um período de 24 anos, estando a concessionaria em dívida para com o Executivo em cerca de 200 milhões de patacas? A ideia foi deixada ontem pela presidente da comissão, Ella Lei, após a reunião

de assinatura do relatório de acompanhamento dos assuntos e regime relacionados com a concessão do exclusivo da exploração de corridas de cavalos. “O Governo prolongou o prazo do contrato até 2042 e entendemos que precisa de dar um fundamento para este prolongamento. Na passada sessão legislativa não facultou informações sobre os investimentos e em Agosto o Executivo apresentou um plano de investimento e outros documentos complementares”, disse Lei acrescentando que

“a concessão já foi feita e o Governo não explicou claramente as razões para a renovação”.

“O Governo prolongou o prazo do contrato até 2042 e entendemos que precisa de dar um fundamento para este prolongamento.” ELLA LEI DEPUTADA

As dúvidas colocam-se devido ao elevando montante de dívidas que a concessionária tem com o Executivo, pelo que os deputados consideram que “tem que haver mecanismos para evitar esta repetição de situações”. Para o efeito, a comissão pediu ao Governo que garanta que a empresa liderada por Angela Leong, que explora em regime de exclusividade o Jockey Club, cumpra com as suas promessas.

DÍVIDA MILIONÁRIA

Em causa está o pagamento da dívida que até 2015 já ultrapassava os 200 milhões de patacas. A comissão questionou o Executivo acerca do reembolso e segundo a resposta dos representantes do Governo, em 2015 foi exigida a liquidação da dívida num prazo de dez

Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

PREVENÇÃO DE CATÁSTROFES NATURAIS PEDIDA COORDENAÇÃO ENTRE OS VÁRIOS PROJECTOS

AUTOCARROS DEPUTADOS PEDEM CONTAS DAS CONCESSIONÁRIAS

O

A

S deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões defendem a criação de um mecanismo de coordenação para evitar o atraso nas obras de prevenção e redução de catástrofes. A informação foi dada ontem pela presidente da comissão Ella Lei, após assinatura do relatório acerca desta matéria. “São sete obras para prevenção de inundações feitas por diferentes serviços esperamos que o Governo possa indicar um serviço competente para coordenar estas operações”,

anos, com o pagamento de 20 milhões por ano. Na alteração do contrato, realizada em 2018, exigiu-se expressamente ao Jockey Club o reembolso integral dos [já] 150 milhões de patacas em dívida, no prazo de três anos pelo que a empresa tem que pagar mensalmente cerca de quatro milhões de patacas.Até Janeiro deste ano, o Jockey Club devia ainda 113 milhões de patacas. Entretanto, os planos prometidos pela concessionária incluem o investimento entre 3,5 mil milhões e 4,5 mil milhões de patacas para o desenvolvimento daquela zona onde está prevista a construção de um parque temático com cavalos e instalações para aulas de equitação, revela o relatório. O novo projecto do Jockey Club abrange uma área de construção de 136.000 metros quadrados e inclui um hotel com 2 pisos e 11 andares e de um empreendimento de aparthotel de 16 andares. “O mais importante não é gastar esse dinheiro, mas sim cumprir o que está estipulado no plano dentro das diferentes fases de construção”, disse Ella Lei. De acordo com a comissão da AL, o plano de condições urbanísticas dos referidos projectos foi entregue às Obras Públicas. O projecto inclui ainda uma área comercial e de restauração, parque de estacionamento e zona aberta ao público 24 horas por dia, com áreas verdes e instalações desportivas.

disse. “Nestas obras há frequentemente situações de atraso pelo que pedimos ao Governo para determinar uma entidade responsável pela coordenação das obras que envolvem a prevenção de inundações para evitar estes atrasos”, acrescentou. No entender dos deputados é necessário avançar com urgência com os projectos em causa, nomeada-

mente com aqueles que estão agendados a curto prazo e que incluem mecanismos de drenagem de águas com o objectivo de atenuar as consequências das inundações na zona do Porto Interior. Para os projectos maiores, como a barragem de marés e a protecção contra inundações de Coloane, agendados a médio e longo prazo, “o Governo deve ouvir as opiniões de diversas partes, acelerar a concretização dos projectos e o andamento das obras”. Apontou a deputada que preside à comissão e acompanhamento. S.M.M.

S concessionárias de transportes públicos devem apresentar ao Governo resultados financeiros para possibilitar um ajuste no cálculo dos apoios financeiros atribuídos ao sector. A ideia é defendida pelos deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, no relatório sobre a concessão dos serviços de autocarros, assinado ontem. “A comissão vai pedir mais dados financeiros acerca das empresas, demonstração e resultados, ajustamento do modelo do calculo de assistência financeira”, apontou a presidente de comissão Ella Lei, que acrescentou que desta vez “o cálculo [dos apoios] deve ser feito de acordo com os dados” e não através de um mecanismo de cálculo automático.

De acordo com o relatório, no ano passado o Governo apoiou as empresas concessionárias com 1000 milhões de patacas, o que significa que “subvencionou 5 patacas por passageiro”, considerando 215 milhões de passageiros, valor que tem em conta o número de viagens efectuadas diariamente durante um ano nas carreiras locais. “No ano passado, as duas empresas de autocarros registaram um saldo positivo de 120 milhões de patacas”, acrescenta o documento. Para já, ainda não existem detalhes acerca dos contratos de concessão, que deverão ser feitos em Outubro. “Como está ainda em negociação, o Governo acha que não deve revelar pormenores, mas a comissão acha que o Executivo deve ouvir a população”, apontou ainda a presidente da comissão. S.M.M.


política 5

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ELEIÇÕES SULU SOU DESTACA SUFRÁGIO UNIVERSAL NO PROGRAMA DE HO IAT SENG

Há uma primeira vez para tudo

O deputado Sulu Sou congratula-se com o facto de Ho Iat Seng ter feito referência ao sufrágio universal no seu programa político, já que foi a “primeira vez” que tal aconteceu. No que diz respeito ao referendo que a Novo Macau está a organizar sobre o mesmo tema, 1637 pessoas participaram desde domingo deu os parabéns a Ho porque, pela primeira vez, um candidato ao mais alto cargo da RAEM fez esta referência ao sufrágio universal. “É um objectivo de todos nós”, uma ideia que se coaduna com os objectivos da Associação Novo Macau (ANM), da qual Sulu Sou faz parte. O deputado pró-democrata lembrou que, mesmo que o Governo Central tenha uma decisão tomada sobre a reforma política em Macau, o primeiro passo tem de ser dado pelo Governo da RAEM, com uma proposta depois entregue ao Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional. “De certeza que a decisão final será do comité”, sublinhou Sulu Sou. “Portanto, se Ho Iat Seng for eleito, espero que realize a promessa de implementação do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo”, acrescentou.

“A

Lei Básica vem da declaração conjunta e por isso temos que seguir os passos definido pela Lei Básica. Vamos atingir gradualmente o objectivo democrático do sufrá-

gio universal”. A frase pertence a Ho Iat Seng, único candidato ao cargo de Chefe do Executivo da RAEM, e foi proferida aquando da apresentação do seu programa político, no passado sábado. Ontem, em conferência de imprensa, o deputado Sulu Sou

REFORMAR É PRECISO

Sulu Sou deixou ainda um recado a Ho Iat Seng quanto à importância de levar a cabo uma reforma da Administração Pública. “O candidato mencionou que vai tratar da questão das competências de gestão por parte dos trabalhadores da Administração. Espero que

compreenda bem a importância disso. Caso contrário, mesmo que tenha um bom programa político, (a continuação desse problema) não vai ajudar à sua governação. Podemos ver que nos últimos 20 anos, com os anteriores chefes do Executivo, muitos problemas da população continuam por resolver.” Ho Iat Seng falou também do que se está a passar em Hong Kong, nomeadamente que as “práticas levadas a cabo pelos jovens da região vizinha devem-se à falta de educação”. Sulu Sou espera que o candidato abandone esse pensamento e que tente ouvir as vozes dos jovens, bem como tentar resolver os maiores problemas que enfrentam, como

“Se Ho Iat Seng for eleito, espero que realize a promessa de implementação do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo.”

o encarecimento da habitação, emprego e o sentido de pertença a Macau. Neste sentido, o deputado considera que tanto o Governo como as próprias escolas deveriam ser “mais neutros no ensino dos seus alunos e proporcionar conteúdos programáticos mais abrangentes, para que tenham um pensamento mais independente”. No que diz respeito ao referendo que a ANM está a levar a cabo, os seus dirigentes revelaram que, entre domingo e ontem foram recebidos 1637 votos relativos à possibilidade de implementação do sufrágio universal em Macau. O deputado adiantou que entregou uma carta ao Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP), que requereu mais detalhes sobre a realização do referendo. Na óptica de Sulu Sou, não é necessária qualquer resposta, pois acredita que o acto está de acordo com a lei. Em 2014, aquando da eleição que reelegeu Chui Sai On pela última vez, o referendo da ANM foi considerado ilegal. Andreia Sofia Silva e Juana Ng Cen info@hojemacau.com.mo

SULU SOU DEPUTADO

PÁTRIA MARCAS VERSACE E COACH CRITICADAS POR IDENTIFICAREM MACAU E HONG KONG COMO PAÍSES

A

S marcas Coach e Versace tornaram-se os mais recentes alvos de críticas na China, após identificarem como sendo países Macau, Taiwan e Hong Kong, numa altura de protestos contra o Governo central na antiga colónia britânica. Os internautas chineses denunciaram ontem nas redes sociais uma imagem do portal oficial em inglês da marca de luxo norte-americana Coach, na qual Hong Kong e Taiwan podem ser seleccionados entre uma lista de "países". Isto surge depois de a marca de moda italiana Versace ter pedido desculpa aos seus clientes chineses,

este fim-de-semana, devido a uma peça de roupa em que Macau e Hong Kong surgem identificados como países. A embaixadora da marca na China, a actriz Yang Mi, terminou a sua colaboração com a Versace, após o incidente. Yang disse sentir-se "extremamente ultrajada como cidadã da República Popular da China". Num comunicado difundido no Weibo, o Twitter chinês, a marca italiana admitiu tratar-se de um erro de 'design' e disse que iria destruir as respectivas peças de roupa. O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista, afirmou num artigo de opinião

que "o assunto não deveria acabar [com o pedido de desculpas]" porque o erro da Versace foi grave e ocorreu num momento crítico em que Pequim luta contra a independência de Hong Kong". Também a Coach pediu desculpa e disse que já corrigiu o seu portal, acrescentando que "respeita os sentimentos do povo chinês". "Coach" foi ontem o tópico mais pesquisado no Weibo. A modelo chinesa Liu Wen, que foi embaixadora da Coach, também suspendeu a cooperação com a marca. "A integridade e a soberania do território chinês são invioláveis!", proclamou.


6 sociedade TIAGO ALCÂNTARA

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Tribunal de Segunda Instância “Na manhã do dia 19 de Setembro de 1998, o arguido convocou outros reclusos, distribuindo-lhes armas feitas com varetas de ferro retiradas das janelas e camas das celas, para que atacassem os quatro ofendidos.”

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ORRIA o ano de 1998 quando no Estabelecimento Prisional de Macau (EPM), em Coloane, uma luta entre reclusos culminou na morte de duas pessoas. O detido que organizou todo o esquema cumpriu pena e deixou o território sem conhecer a sentença pelo novo crime cometido, que foi proferida apenas em 2014 pelo Tribunal Judicial de Base (TJB). A história conheceu agora um novo capítulo, com a detenção do condenado no interior da China. O condenado apresentou recurso junto do Tribunal de Segunda Instância (TSI) contra a pena superior a dez anos de prisão que lhe foi aplicada, mas, de acordo com um acórdão ontem divulgado, o recurso foi rejeitado. O documento revela que, a um ano da transferência de soberania do território para a China, as tensões no EPM eram grandes. “O arguido, visando elevar o seu poder na prisão, exigiu que os ofendidos A, B, C e D, também eles reclusos, se tornassem seus subordinados, mas viu essa pretensão foi recusada. Na manhã

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URANTE um debate sobre o Metro Ligeiro emitido no domingo no programa “Fórum Macau”, do canal chinês da Rádio Macau, o deputado Wu Chou Kit revelou-se a favor do registo voluntário de reconhecimento facial na entrada do Metro Ligeiro. O deputado nomeado pelo Chefe do Executivo argumentou pela necessidade da medida como forma de atingir a meta da cidade inteligente.

JUSTIÇA MANTIDA PENA SUPERIOR A DEZ ANOS POR HOMICÍDIO NA PRISÃO

Retorno a Coloane

O Tribunal de Segunda Instância rejeitou o recurso apresentado por um homem condenado a mais de dez anos de prisão por ter assassinado dois homens no Estabelecimento Prisional de Coloane em 1998. O indivíduo cumpriu a sua antiga pena e saiu de Macau antes da nova sentença ser proferida, mas foi agora encontrado no interior da China do dia 19 de Setembro de 1998, o arguido convocou outros reclusos, distribuindo-lhes armas feitas com varetas de ferro retiradas das janelas e camas das celas, para que atacassem os quatro ofendidos.” Três dos agredidos sofreram lesões e foram transportados para o Centro Hospitalar Conde de S. Januário, tendo sido declarado o óbito de dois deles. O restante

agredido ficaria no hospital por mais uns tempos. Posteriormente, o Ministério Público (MP) decidiu pronunciar 17 pessoas, incluindo o arguido, pela prática de dois crimes de homicídio e de um crime de ofensa grave à integridade física.

FACAS E BASTÕES

Aquando da sentença do TJB que condenou o arguido, por cúmulo

jurídico, a mais de dez anos de prisão, em 2014, este já tinha deixado o território. “Na altura não lhe foi aplicada a medida de coacção que lhe restringisse a saída de Macau e, por isso, o arguido fugiu para o Interior da China”. Contudo, o arguido foi descoberto pelas autoridades no passado dia 15 de Fevereiro. Este recorreu da decisão do TJB alegando a aplicação de

Quem vê caras

Wu Chou Kit quer viagens grátis e reconhecimento facial no Metro Ligeiro

A proposta foi, no entanto, contrariada por Lam U Tou, presidente da Associação da Sinergia de Macau, que entende que o Governo não deve optar por essa via, alertando para a possível polémica entre os residentes. De seguida, o dirigente associativo referiu que o Executivo deve ceder

à tentação de permitir aos trabalhadores não residentes contratados pela MTR, a empresa que vai operar o Metro Ligeiro, passarem a residentes permanentes. De regresso a Wu Chou Kit, o deputado sugeriu ainda que as viagens no novo meio de transporte público sejam grátis para os residentes no

início da operação. Além disso, referiu que seria importante estabelecer ligações com os autocarros nas estações dos Jardins do Oceano e Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa, assim como autocarros gratuitos para a Praça de Ferreira do Amaral. Outra das questões abordadas foi o modo de pa-

“uma pena excessiva” com “erro na incriminação”, contudo, o TSI assim não entendeu. “O arguido, juntamente com, pelo menos, sete subordinados, atacou os três ofendidos com armas feitas com varetas de ferro. O arguido perfurou, uma vez, o ofendido A no abdómen com uma arma branca, causando-lhe graves lesões em vários órgãos internos, hematoma após uma enorme distensão abdominal (hemorragia massiva) e sério perigo de vida, sendo que das aludidas lesões resultou ofensa grave à integridade física do ofendido. Os ofendidos B e C foram perfurados por arma branca, tendo morrido, em resultado respectivamente, da grave laceração e hemorragia nos pulmões e da grave laceração e hemorragia nos pulmões e na traqueia.” Desta forma, o tribunal entendeu estar em causa uma “manifesta ‘ofensa grave’ e não uma ‘ofensa simples’, tendo considerado que não se verifica a aplicação de uma pena excessiva por parte do TJB.

gamento do novo meio de transporte público. Nesse capítulo, Lam U Tou referiu que o pagamento electrónico é uma exigência básica, assim como a transferência entre viagens, inclusive com os autocarros públicos dentro de um período de trinta minutos. Neste sentido, o dirigente associativo criticou a complicação em que se tornou a questão do cálculo de tarifas e apontou o dedo ao Governo. “Estar ocupado

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

não é uma desculpa para não divulgar nenhuma informação sobre a operação,” considerou. Ainda neste assunto, Lam U Tou destacou a estranheza de não poder usar o MacauPass no Metro Ligeiro, uma vez que “o Executivo paga anualmente à MacauPass 14 milhões de patacas para serviços electrónicos de cobrança e de liquidação de contas dos serviços de autocarros”. Juana Ng Cen

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terça-feira 13.8.2019

SANDS PARCEIRO DE MACAU AUMENTA PEDIDO DE COMPENSAÇÃO

COLINA ILHA VERDE PROPRIETÁRIO TEM UM MÊS PARA APRESENTAR PLANO DE CONSERVAÇÃO

Delírio em Las Vegas

O

Instituto Cultural (IC) anunciou ontem, através de um comunicado, que concluiu o “procedimento de audiência e análise dos documentos apresentados pelo proprietário da zona da Colina da Ilha Verde”. A decisão do IC passa pela exigência da “realização de trabalhos de recuperação na parte da Colina pela qual o proprietário é responsável, incluindo a apresentação de um plano de conservação e manutenção do convento que ali se encontra dentro dos próximos 30 dias”. O mesmo comunicado dá ainda conta de que, “caso o proprietário não realize as obras relevantes dentro do prazo indicado, o IC irá promover a sua execução coerciva nos termos da Lei de Salvaguarda do Património Cultural e cobrar as respectivas despesas ao referido proprietário”. Entretanto, o IC reuniu com os representantes do proprietário do antigo convento jesuíta com o objectivo de “indicar claramente quais as suas obrigações e responsabilidades legais”, cuja audiência foi pedida há um mês. O proprietário respondeu posteriormente, sendo que o IC considera a existência de “improcedência por parte do proprietário pelo facto de ainda não ter implementado as obras da manutenção”.

O antigo parceiro em Macau da Las Vegas Sands aumentou o pedido de compensação para 96,54 mil milhões de patacas, num processo judicial milionário. A primeira sessão de audiência está marcada para 11 de Setembro no Tribunal Judicial de Base

A

parada subiu. De acordo com um relatório da Sands China Ltd, o antigo parceiro da operadora Asian American Entertainment Corp (AAEC), liderada pelo empresário de Taiwan Marshall Hao, aumentou o pedido de compensação para 96,54 mil milhões de patacas num processo movido contra a operadora sediada nos Estados Unidos. O início das hostilidades judiciais está marcado para 11 de Setembro, com a primeira audiência de julgamento no Tribunal Judicial de Base de Macau. A disputa começou quando a Las Vegas Sands e a AAEC submeteram o pedido para uma licença de jogo em 2001: a Las Vegas Sands decidiu mudar de parceiro a meio do processo para se aliar à Galaxy Entertainment, o que permitiu a licença.AAAEC acusa a operadora fundada por Sheldon Adelson de ter feito este pedido com base em segredos que teriam servido para fazer o anterior. A empresa de Marshall Hao está a processar também a Venetian Macau Ltd, LVS (Nevada) International Holdings Inc, Las Vegas Sands LLC e a Venetian Casino Resort LLC, três subsidiárias da operadora de Adelson sediadas no Nevada.

DSI Criados mais locais para alterações do BIR

A Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) e a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça decidiram criar mais serviços de auto-atendimento para proceder a alterações do bilhete de identidade de residente (BIR). De acordo com um comunicado da entidade pública, a medida visa “trazer mais conveniência para a vida dos cidadãos”, passando a existir actualmente em mais de 40 locais em diferentes zonas de Macau quiosques de multi-aplicações que oferecem serviços de auto-atendimento prestados por diferentes serviços públicos.

PEDIDO PROGRESSIVO A AAEC acusa a operadora fundada por Sheldon Adelson de ter feito o pedido de licença de concessão com base em segredos que teriam servido para fazer o anterior

No processo, a AAEC reclama lucros entre 2004 e 2018, a que

se juntam os lucros até ao final da concessão da Las Vegas Sands em 2022. Em declarações ao portal GGRAsia, o advogado da autora, Jorge Menezes, confirmou que “em 15 de Julho foi pedido o aumento da compensação para aproximadamente 96,54 mil milhões de patacas, para o período que terminou em 2018, além de cerca de 70 por cento dos lucros apurados pela Las Vegas Sands de 2019 até ao fim da concessão”. O advogado explicou ao portal dedicado ao sector do jogo que o aumento do valor está em linha com o que foi pedido pela AAEC em 2012 e baseou-se nos dados divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos. “A alteração foi feita recentemente, uma vez que o julgamento foi marcado para Setembro e queremos dar ao tribunal dados mais actualizados”, explicou ao GGRAsia. Importa recordar que recentemente a operadora esteve envolvida noutro litígio nos tribunais. O caso em questão colocou em confronto Richard Suen e a Las Vegas Sands Corp, e terminou em Março passado, depois de 15 anos de batalha judicial, com as partes a chegar a acordo, sem revelar, no entanto, o valor da compensação. No início da disputa, o empresário de Hong Kong pedia 2,8 mil milhões de patacas, enquanto a equipa legal da Sands argumentava que deveria receber até pouco mais de 30 milhões de patacas.


Já mexe 8 eventos

13.8.2019 terça-feira

CLOCKENFLAP 2019 MUMFORD & SONS E THE KOOKS ENTRE OS PRIMEIROS NOMES

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O Festival Clockenflap já tem datas e os primeiros nomes do cartaz da 12ª. edição. No fim-de-semana de 22 e 24 de Novembro, o Harbourfront em Central Hong Kong será o epicentro da região em termos de música ao vivo. Mumford & Sons, The Kooks, Halsey e Lil Pump são alguns dos destaques na primeira leva de bandas anunciadas

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OS dias que correm é difícil imaginar alguma coisa divertida a acontecer em Hong Kong. Mas o anúncio das datas e do primeiro grupo de bandas do Clockenflap 2019 faz-nos recordar que Hong Kong está muito para lá do gás lacrimogénio e da violência. No fim-de-semana de 22 e 24 de Novembro, no passeio marítimo do Harbourfront em Central, a música será tudo o que interessa e, a avaliar pelos primeiros nomes anunciados, parece que o alinhamento da 12.ª

Instituto Cultural Obras de restauro do Farol da Guia e capela

Desde ontem que o Instituto Cultural (IC) está a levar a cabo obras de restauro no Farol da Guia e Capela de Nossa Senhora das Neves ao nível das paredes e coberturas, necessitando, por isso, da instalação temporária de andaimes no exterior dos mesmos. De acordo com um comunicado oficial, as obras devem estar concluídas no final de Outubro enão irão afectar o funcionamento da fortaleza e da capela nem as visitas dos turistas.

edição do Clockenflap está orientado para o público mais jovem. Entre os primeiros nomes anunciados, Mumford & Sons é uma das bandas que faz o equilíbrio num naipe mais virado para o público juvenil. Pela primeira vez em Hong Kong, os britânicos vão trazer alguma paz a quem não faz a mínima ideia quem é Lil Bump e a quem foge a sete pés quando ouve o nome Justin Bieber. Com cinco discos ao longo da carreira, os Mumford & Sons foram hábeis a cavalgar a onda de renascimento do folk do início do século XXI, a

EXPOSIÇÃO ARMAZÉM

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HAMA-SE “Fluxos Ardentes – Retrospectiva de Artes do Delta do Rio das Pérolas em Macau” e é a nova exposição que estará patente no Armazém do Boi a partir do dia 23 deste mês até ao dia 13 de Outubro. Esta mostra parte de uma parceria com a Academia de Belas-Artes do Museu de Arte de Guangzhou e conta com curadoria de Hu Bin, director


eventos 9

terça-feira 13.8.2019

reboque de nomes mais indie como Devendra Banhart, Iron & Wine, Bom Iver, por aí fora. Para já, um dos maiores nomes apresentados são os The Kooks, o trio indie britânico movido a ritmos post-punk e pop rock, apimentados com algum ska e funk. Desde que rebentaram na cena do rock britânico, em 2006 com o disco “Inside In/Inside Out”, os The Kooks lançaram mais quatro discos e uma compilação dos maiores êxitos. Aliás, espera-se que no retorno a Hong Kong, depois do concerto de 2008, os britânicos ofereçam ao público um alinhamento repleto com os temas mais populares.

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IC NOVA EDIÇÃO DO INSPIRARTE ARRANCA DIA 25

PARA OS MAIS NOVOS

Nesta primeira fornada de bandas e artistas, destaque para dois jovens norte-americanos com um culto de seguidores considerável e, provavelmente, desconhecidos para melómanos que, por exemplo, salivaram a ver no ano passado David Byrne: Halsey, a estrela em ascensão da pop, e o controverso rapper Lil Pump. A norte-americana Halsey, de 24 anos, subiu a pulso na escalada pela notoriedade lançando a sua música nas redes sociais. A popularidade crescente levou-a a concretizar o sonho de assinar pela Astralwerks e a lançar o seu primeiro registo em 2014, o EP “Room 93”, a que se seguiu o disco de estreia “Badlands” no ano seguinte. Estava lançada para o estrelado. “Badlands” valeu a subida ao segundo lugar no US Billboard 200 e recebeu o disco de platina pela associação RIAA. O terceiro single tirando do primeiro disco de Halsey, “Colors” chegou mesmo à dupla platina, que corresponde aos dois milhões de vendas. Em 2016, a norte-americana de New Jersey atingiu outros públicos ao participar com os Chainsmokers na música “Closer”, que rebentou os charts um pouco por todo o mundo. Halsey chega a Hong Kong com uma série de distinções da indústria musical e dois discos na bagagem. Outro dos nomes mais badalados entre o público mais novo é Lil Pump, um rapper com 18 anos de Miami. Com temas que podem criar alguma irritação, como, por exemplo, “Gucci Gang”, que tem milhões de

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Nesta primeira fornada de bandas e artistas, destaque para dois jovens norte-americanos com um culto de seguidores considerável: Halsey, a estrela em ascensão do pop, e o controverso rapper Lil Pump

visualizações no Youtube, o jovem rapper da Florida é um bom lembrete das saudades que os Beastie Boys deixaram. Entre os restantes nomes revelados nesta primeira fornada de bandas conta-se o duo electrónico britânico Honne acompanhado pela vocalista de Taiwan Crowd Lu. Da Austrália chegam os australianos King Gizzard and the Lizard Wizard com o experimentalismo do rock psicadélico e os norte-americanos Deafheaven para amantes de sonoridades mais metálicas. Entre os artistas asiáticos, destaque para a curiosa banda feminina de metal japonesa Babymetal, para

mostrar o lado fofinho da agressividade com tendências homicidas. Da Coreia do Sul chegam-nos os rockeiros electrónicos Chai e a banda indie Say Sue Me. A representar as Filipinas, o Clockenflap apresenta o indie folk de Ben&Bem. A organização do festival promete novidades para breve. Os bilhetes já se encontram à venda. O passe para os três dias custa 1.720 HKD, enquanto o ingresso para um dia vale 930 HKD. João Luz

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DO BOI ORGANIZA RETROSPECTIVA COM ARTISTAS DO DELTA do museu, e Noah Ng, presidente do Armazém do Boi. De acordo com um comunicado, o principal objectivo desta mostra é “olhar para o meteórico progresso do Delta do Rio das Pérolas em termos de urbanização e fenómeno cultural com um dualismo considerável”. Neste contexto, a exposição nasce de parcerias já antes estabelecidas,

onde é feito um escrutínio daquilo que tem vindo a ser realizado nas cidades que compõem esta zona “nas mais diversas comunidades criativas, colectividades e instituições”. Ao longo dos tempos “tem vindo a ser estabelecida uma forte ligação na esperança de estimular uma ecologia não ortodoxa e práticas artísticas”. Em 2016 foi feita uma exposição

semelhante onde se revelaram trabalhos de nove artistas. Três anos depois da segunda edição da exposição, a “Hot Flows” volta a mostrar nove artistas que prometem mostrar a sua “trajectória de integração num modelo orientado para a comunidade no contexto do Delta do Rio das Pérolas”, onde a questão ambiental

desempenha um importante papel. A exposição conta com artistas como Fong Fo, Xi San Chorus, Luwei HD e Jin Society, entre outros, incluindo os grupos Macau Comuna de Pedra e Soda City Experimental Workshop. A mostra vai estar patente na Rua do Volong, 15 e conta com os apoios do Instituto Cultural e Fundação Macau.

Centro Cultural de Macau (CCM) volta a receber um evento artístico feito a pensar nos mais pequenos. De acordo com um comunicado oficial, a iniciativa, intitulada “InspirArte” arranca no domingo, dia 25 de Agosto, prometendo uma “sucessão de actividades relacionadas com as artes, peças coloridas, workshops criativos e um universo animado de danças e canções que irão entreter uma multidão, entre miúdos, pais e amigos”. As crianças que participam nos workshops “vão juntar-se à festa, brindando o público com excertos de musicais, pequenas histórias, truques e maroteiras dos palhaços”, enquanto que aqueles que participam no Clube de Cantigas do CCM “também participam com uma mescla de canções encenadas e interpretadas num miniconcerto com muita vivacidade”, aponta um comunicado.  Além disso, “um grupo de artistas locais preparou uma série de divertidos eventos, dos contos de histórias aos palhaços que brincam com bolhas de sabão, sem esquecer uma visita guiada aos bastidores que vai revelar muitos segredos por detrás do palco”.  “Por entre pinturas faciais e aventuras com marionetas, os cantinhos das máscaras e da pintura dão tempo e lugar à imaginação desta nova geração que desponta. E um mini-cinema irá apresentar dezenas de animações concebidas por realizadores de Macau, encantando os olhares daqueles que muito gostam de desenhos animados”, revela o mesmo comunicado.


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13.8.2019 terça-feira

Lekima Sobe para 44 número de mortos devido ao tufão

O número de vítimas mortais causado pelo tufão Lekima, no leste da China, subiu para 44, informou ontem a imprensa estatal chinesa, enquanto as equipas de resgate continuam a procurar pelo menos 16 pessoas. O nono e mais forte tufão do ano afectou 6,68 milhões de habitantes na província de Zhejiang, leste da China, entre os quais 1,26 milhão tiveram de ser retirados. As chuvas torrenciais e ventos fortes danificaram 234.000 hectares de plantações, causando danos económicos diretos de 24 mil milhões de yuans. O Lekima atingiu na madrugada de sábado a cidade de Wenling, em Zhejiang, e no mesmo dia, à noite, chegou a Qingdao, na província de Shandong. Em Shandong, cinco pessoas morreram e sete desapareceram, enquanto 1,66 milhão foram afectadas, entre as quais 183.800 tiveram de ser realocadas, informaram as autoridades. Na sexta-feira, a China emitiu um alerta máximo para as áreas costeiras da província de Zhejiang, dada a previsão de ventos e chuvas fortes.

Os avisos do Governo Central sobem de tom à medida que os protestos na antiga colónia britânica continuam a espalhar o caos pela cidade. Os acontecimentos de ontem, que tiveram o ponto alto no cancelamento dos voos do aeroporto internacional, marcaram o quarto dia consecutivo de protestos

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Governo chinês afirmou ontem que há "sinais de terrorismo" nos protestos antigovernamentais em Hong Kong, agravando assim o

HONG KONG GOVERNO APONTA “INDÍCIOS DE TERRORISMO”

Sinais de fogo

EM EQUAÇÃO

tom sobre as manifestações que há mais de dois meses abalam a região. "Os manifestantes radicais em Hong Kong usaram repetidamente objectos extremamente perigosos

AEROPORTO VOOS CANCELADOS

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Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental. A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma "erosão das liberdades" na antiga colónia britânica e a demissão da Chefe do Executivo, Carrie Lam, enquanto apelam à eleição de um sucessor por sufrágio universal directo, e não nomeado pelo Governo central.

odos os voos com partida de Hong Kong foram cancelados”, informou ontem a autoridade aeroportuária local, depois de milhares de manifestantes pró-democracia terem invadido aquele que é um dos aeroportos mais movimentados do mundo. “Os aviões que estão no ar com destino a Hong Kong continuam a ter permissão para aterrar, mas os restantes foram também cancelados”, informou ontem em comunicado a autoridade aeroportuária do território. A manifestação marcou o quarto dia consecutivo de protestos no centro da ilha de Lantau, após mais um fim de semana de confrontos entre a polícia e manifestantes em vários pontos da cidade, que resultaram em feridos e em pelo menos 16 detenções, que ultrapassam as 600 desde o início de Junho.

para atacar a polícia, o que é já um crime grave e revela os primeiros indícios de terrorismo", disse o porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Es-

tado chinês, Yang Guang. Yang, que na semana passada avisou que "aqueles que brincam com fogo queimam-se", denunciou "uma pequena minoria", que constitui "um sério desafio à prosperidade e estabilidade de Hong Kong". O porta-voz afirmou que foram lançadas bombas incendiárias de fabrico artesanal contra a polícia. As declarações de Yang surgem quando se cumpre o décimo fim de semana consecutivo de manifestações na antiga colónia britânica, com milhares de manifestantes a desafiarem a polícia, que tem respondido com gás lacrimogéneo e deteve já centenas de pessoas.

Na semana passada, um representante do Governo chinês em Hong Kong alertou que Pequim está a ponderar tomar medidas na região semiautónoma, que enfrenta "a situação mais grave desde a transferência da soberania" para a China, em 1997. A China, até à data, não interferiu directamente, embora através de editoriais na imprensa oficial e declarações das autoridades, tenha condenado os manifestantes e organizadores, apelidando-os de criminosos, palhaços e radicais violentos, enquanto controla a narrativa sobre os protestos.

Pequim responsabilizou ainda a interferência externa, nomeadamente os Estados Unidos, pelos protestos, inflamando o nacionalismo interno.

“Os manifestantes radicais em Hong Kong usaram repetidamente objectos extremamente perigosos para atacar a polícia, o que é já um crime grave e revela os primeiros indícios de terrorismo.” YANG GUANG GABINETE PARA OS ASSUNTOS DE HONG KONG E MACAU DO CONSELHO DE ESTADO CHINÊS

As autoridades têm ainda apontando um artigo na lei de Hong Kong que permite que tropas estacionadas na cidade ajudem a "manter a ordem pública", a pedido do governo de Hong Kong.

MACAU LIGAÇÕES CORTADAS

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ligação marítima entre Macau e o aeroporto internacional de Hong Kong foi ontem cancelada, anunciaram as autoridades. Em comunicado, a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) indicou que a ligação directa das 19:45 entre o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior (Macau) e o Aeroporto Internacional de Hong Kong (HKIA) não se iria realizar, na sequência da decisão das autoridades de Hong Kong de cancelarem voos com partida da região administrativa especial chinesa. “A última viagem” com destino ao HKIA “partiu do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa às 15:55”, informou a DSAMA.


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terça-feira 13.8.2019

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ILIPE Souza já decidiu. O piloto macaense abdicou de repetir a participação na Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) no Grande Prémio de Macau este ano, para regressar à Taça de Carros de Turismo de Macau, onde espera lutar pelos lugares cimeiros da categoria “1950cc e Superior” e à geral. Souza foi presença assídua na Corrida da Guia entre 2011 e 2014 e regressou em 2018, onde, integrado no pelotão do WTCR, terminou em 19º lugar em duas das corridas e em 17º noutra, sendo o piloto do território melhor classificado na primeira corrida. Contudo, após analisar as opções que tinha para o mês de Novembro, o campeão de Macau de Carros de Turismo de 2015 e 2016, na classe "AAMC Challenge", optou contra correr novamente na competição mundial. “Numa corrida do WTCR gasta-se muito dinheiro e as hipóteses de obter bons resultados são baixas”, explicou ao HM o piloto da RAEM que sabe que dificilmente pode competir com as equipas de fábrica e pilotos que, para além de serem rotulados como os melhores da especialidade, chegam a Macau com outra quilometragem e recursos. Assim sendo, Souza vai apontar baterias à Taça de Carros de Turismo de Macau e vai fazê-lo com o mesmo Audi RS3 LMS TCR com que competiu nas provas de apuramento do Campeonato de Macau de Carros de Turismo (MTCS) em Zhaoqing e na pretérita edição do Grande Prémio de Macau.

AUDI DÁ GARANTIAS

Para além das provas do MTCS, Souza tem disputado esta época diversas corridas na República Popular da China com oAudi da TAMotorsport, o que lhe permite fazer uma avaliação optimista para a prova de Novembro. “Já fiz muitos testes e corridas com o meu Audi e vi as minhas melhores voltas. O carro é muito competitivo e compara-se aos carros de Road Sport”, explica Souza, desmistificando um pouco da ideia que os TCR dificilmente podem superar em pista as máquinas “Road Sport”, a designação popular dos automóveis desenvolvidos localmente para a classe “1950cc ou Superior”. Depois de ter lutado pela vitória, tendo ficado mesmo

GP MACAU FILIPE SOUZA NÃO REPETE CORRIDAS DO WTCR

Um regresso às origens

no segundo lugar na categoria “1600cc Turbo” desta mesma corrida, Souza espera rodar nos lugares da frente da Taça de Carros de Turismo de Macau na grande prova do final do ano. “Acho que o meu carro está agora muito competitivo, com andamento comparável aos carros de topo de Road Sport no Circuito da Guia. Se comparar os tempos do ano passado, a minha melhor volta ficava dentro dos cinco primeiros da classe do Road Sport. Por isso, com esse pensamento, decidi competir no Taça Macau este ano”, esclareceu.

CAMPEONATO PARA VENCER

O piloto macaense tem feito diversas corridas esta temporada e, para além do MTCS, está a disputar a categoria TCR dos Pan Delta Super

“Numa corrida do WTCR gasta-se muito dinheiro e as hipóteses de obter bons resultados são baixas.” FILIPE SOUZA PILOTO

Racing Festival aqui ao lado no Circuito de Zhuhai. “Vou participar na última corrida em Setembro e se ganhar vou ser o campeão”, diz Souza que na classificação está em segundo, apenas atrás do tailandês Pattarapol Vongprai da Honda. Só um infortúnio na última corrida impede hoje o experiente piloto de carros de turismo do território de não estar à frente nas contas do campeonato. “A corrida passada até correu muito bem dadas as circunstâncias, pois fiz a pole-position e a melhor volta. Arranquei muito bem, mas a duas últimas voltas do fim um pneu furou, e começou a perder ar, por isso perdi o primeiro lugar. Felizmente consegui acabar no segundo lugar, o que me permite ainda agora lutar pela vitória no campeonato”, esclareceu. Souza ainda está a trabalhar num outro projecto, levar uma equipa só de pilotos de Macau à primeira edição da “TCR Spa 500” - a prova de resistência só para viaturas TCR a realizar no circuito de Spa-Francorchamps em Outubro. Sérgio Fonseca

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13.8.2019 terça-feira

A noite trocou-me os sonhos e as mãos

Compositores e Intérpretes através dos Tempos Michel Reis

Ruggero Leoncavallo (1857-1919)

Pagliacci, ópera em dois actos

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A ópera em dois actos, com um prólogo, foi estreada em Milão no dia 21 de Maio de 1892, no Teatro dal Verme, dirigida por Arturo Toscanini, obtendo sucesso instantâneo. Hoje em dia é a única ópera de Leoncavallo no repertório operático standard

SSINALARAM-SE no dia 9 de Agosto 100 anos da morte do compositor de ópera italiano Ruggero Leoncavallo, autor de uma das óperas mais populares de todos os tempos, Pagliacci. Filho de um magistrado policial e juiz, Ruggero Leoncavallo nasceu em Nápoles no dia 23 de Abril de 1857 e estudou música no Conservatório San Pietro a Majella nessa cidade e, mais tarde, literatura na Universidade de Bolonha. Em 1879, por sugestão do seu tio, mudou-se para o Cairo onde este desempenhava funções no Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egipto. Aí foi professor de piano do irmão do novo Khedive, ou vice-rei do Egipto. Na sequência das revoltas em Alexandria e no Cairo em 1882, deixou rapidamente a cidade em direcção a Paris. Nessa cidade conheceu a sua aluna predilecta, Berthe Rambaud, que viria a desposar em 1895. Inspirado pelos românticos franceses, em particular por Alfred de Musset, começou a trabalhar num poema sinfónico baseado no poema La nuit de mai deste último. A obra foi concluída em Paris em 1886 e estreada em 1887 com aplauso da crítica, permitindo o seu regresso a Milão para iniciar a sua carreira como compositor de ópera. Depois de alguns anos a ensinar em Milão, e de ineficazes tentativas de produzir a sua primeira ópera, Chatterton, assistiu ao enorme sucesso de Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni, em 1890, e não desperdiçou tempo na elaboração do seu próprio verismo, a ópera Pagliacci. Segundo Leoncavallo, o enredo da obra foi baseado numa história verdadeira, um incidente da sua infância, nomeadamente um assassinato de que foi vítima um criado de família do compositor, Gaetano Scavelo. O assassino foi Gaetano D’Alessandro, cujo irmão Luigi era seu cúmplice. O incidente resultou de uma série de envolvimentos românticos envolvendo Scavello, Luigi D’Alessandro e uma rapariga da aldeia por quem ambos os homens estavam apaixonados. O pai de Leoncavallo foi o magistrado que presidiu à investigação criminal. A ópera em dois actos, com um prólogo, foi estreada em Milão no dia 21 de Maio de 1892, no Teatro dal Verme, dirigida por Arturo Toscanini, obten-

do sucesso instantâneo. Hoje em dia é a única ópera de Leoncavallo no repertório operático standard. O libreto em italiano é também do compositor, e a obra relata a tragédia de um marido ciumento e da sua mulher numa companhia de teatro de comedia dell’arte. Em 1894, o compositor foi acusado de plágio do argumento da peça do escritor francês Catulle Mendès, La Femme de Tabarin, de 1887, que partilha muitos temas com Pagliacci, principalmente o da “obra dentro da obra” e do palhaço que assassina a sua esposa. Mendès processou Leoncavallo mas acabou por desistir da acusação. Hoje a maior parte dos críticos estão de acordo em que o libreto se inspirou verdadeiramente na obra de Mendès, posto que Leoncavallo vivia em Paris na época da sua estreia, e é provável que tenha visto a obra. Desde 1893 que Pagliacci se representa num programa duplo com a ópera Cavalleria Rusticana de Mascagni, uma parelha que habitualmente é conhecida de forma coloquial como “Cav y Pag”. Ambas são as óperas mais representativas do estilo denominado verista. A estreia de Pagliacci fora de Itália ocorreu rapidamente: no Reino Unido teve lugar na Royal Opera House, Covent Garden em Londres, no dia 19 de Maio de 1893. A estreia nos EUA teve lugar um mês depois do Covent Garden, no Grand Opera House de Nova Iorque, no dia 15 de Junho, enquanto o Metropolitan Opera apresentou a obra pela primeira vez no dia 11 de Dezembro do mesmo ano (junto com Orfeo et Euridice de Gluck). O Met combinou-a com Cavalleria rusticana pela primeira vez onze dias depois no dia 22 de Dezembro. Desde 1893 foi ali apresentada 712 vezes, e desde 1944, exclusivamente com Cavalleria. No Teatro Colón, em Buenos Aires, estreou-se na temporada inaugural de 1908, repetindo-se durante dezoito temporadas.

SUGESTÃO DE AUDIÇÃO DA OBRA: •Ruggero Leoncavallo: Pagliacci •Plácido Domingo (tenor) as Canio; Teresa Stratas (soprano) as Nedda; Juan Pons (baritone) as Tonio, Florindo Andreoli (tenor) as Beppe; Alberto Rinaldi (actor) as Silvio; Coro del Teatro Alla Scala di Milano, Georges Prêtre – Decca: 470570-2


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

terça-feira 13.8.2019

Contos para normais Paulo José Miranda

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Á pessoas que, a despeito da pouca idade que têm, revelam um sábio conhecimento da vida, um modo verdadeiramente prático de viver, como se tivessem um ouvido absoluto para a vida. Nos antípodas disto encontramos pessoas com idade avançada que continuam surdos, que continuam a viver como se estivessem afinados, embora a melodia que cantem esteja muito longe disso. Jeito para a vida é um talento com que se nasce ou não. E cada um é p’ró que nasce. Larissa era uma jovem muito bonita, de 20 anos, que cursava marketing numa faculdade em Floripa e fazia parte de um jovem grupo amador de teatro, com o qual colaborei algum tempo. Não tinha relações com homens ou mulheres, tinha ficantes. Ficava com quem, quando e onde queria. Estava podendo, como diziam as amigas. Mas o que a levava a viver deste modo devia-se mais à sua convicção acerca do amor do que à beleza que tinha. Dizia que se um dia sentisse aquilo que as outras pessoas chamavam amor, certamente iria mudar. Mas, até lá, vivia com o que tinha e com o que sabia. O que sabia é que as pessoas tendem a complicar a vida e afastava-se dessa possibilidade como o bêbado de um salão de chá.

Ao contrário das bruxas

Não passou muito tempo, um mês, mês e meio, quando alguém pergunta a Larissa pelo Messias e ela responde que acabaram. Porquê? A única resposta que se obteve foi esta: ‘‘Se não é simples é porque é complicado.’’ Larissa entregava-se aos ensaios no teatro com muito empenho e entreajuda, sempre disposta a colaborar em tarefas que lhe pediam, para além da representação. O seu comportamento na faculdade era semelhante. Muito simpática com todos e sempre com um sorriso no rosto. Era a imagem perfeita da felicidade. Naturalmente, ainda que ela não se importasse com isso, a inveja chovia continuamente sobre ela. Ou pela sua beleza, ou pela sua simpatia, ou pelo modo concentrado com que se entregava a todas as tarefas que fazia. Podia não ser a melhor, mas empenhava-se em tudo. Também nunca se ouviu dizer mal de ninguém. Acreditava que dizer mal era subtrair-se à vida: “Quando falo mal de alguém não estou em mim, na minha vida, estou no outro, e para mais num outro que não gosto; é perda de tempo,

porque perda de mim ou de algo ou alguém que gosto; dizer mal é prosa de futebol no boteco”. Tinha sempre uma capacidade de simplificar as equações que muito me espantava. Uma amiga, a brincar, dizia que Larissa tinha nascido com um “simplificador” instalado. E não era difícil acreditarmos nisso. Um dia, Larissa chegou aos ensaios de teatro com um rapaz e apresentou-o como sendo o seu namorado. Ficou todo o mundo alarmado e olhando o rapaz como se ele fosse o Messias. Só faltou tocarem-lhe, abrirem-no por dentro para verem o que fazia dele tão diferente. Perguntas não faltaram, claro, tanto a

Larissa quanto ao Messias. Um exagero que nem o inusitado da situação caucionava. O rapaz estava visivelmente embaraçado, enquanto Larissa continuava simpática como sempre. Dizia, sorrindo: “Gente, não assustem o meu homem, que ele vai pensar que eu só conheço louco e logo logo vai fugir de mim”. Não passou muito tempo, um mês, mês e meio, quando alguém pergunta a Larissa pelo Messias e ela responde que acabaram. Porquê? A única resposta que se obteve foi esta: “Se não é simples é porque é complicado.” À distância, isto é, não sendo nenhum dos elementos envolvidos na relação, consegue-se

ver perfeitamente a resolução certa para a equação. Podemos imaginar muita coisa que pode ter levado Larissa a dizer aquelas palavras: privação da sua liberdade, uma tentativa de Messias fazer dela quem ela não é, dificuldade com o horário dele, ou simplesmente querem fazer do tempo livre constantemente coisas diferentes. Mas a melhor resposta deu a Larissa uma semana mais tarde, depois de um ensaio de teatro, quando se falava sobre o amor: “Olha, gente, não é que eu não acredite, mas é ao contrário do que se diz das bruxas: eu acredito no amor, mas que não o há, não o há.”


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Diariamente EXPOSIÇÃO 57 | ”CORES DA ÁSIA” Casas Museu da Taipa | Até 22/09

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Armazém do Boi | Até 18 de Agosto

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EM CHAMAS 60 9 4 5 8 1 6 2 0 7 3

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 60

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SALA 1

CRAYON SCHINCHAN 2019 [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Masakazu Hashimoto 14.15

TOY STORY 4 [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Josh Cooley 16.00

LINE WALKER 2 [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊSE E INGLÊS Um filme de: Jazz Boon Com: Nick Cheung, Louis Koo, Francis Ng 17.50, 19.45, 21.45

SALA 2

FAST & FURIOUS: HOBBS & SHAW [C]

SALA 3

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S CHRONICLE OF THE MOON EXPLORATION [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Shinnosuke Yakuwa 14.30, 16.30,19.30

THE LION KING [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Jon Favreau 21.30

www. hojemacau. com.mo

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YUAN

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VIDA DE CÃO

A BOTA QUE NÃO SE DESCALÇA

gada das localidades de Tejeda e Artenara. Os três municípios afetados por este incêndio, que forçou a deslocação de mil pessoas desde sábado, são Tejeda, Artenara e Gáldar.

A primeira biografia do antigo presidente palestiniano em língua portuguesa é escrita por alguém que conhece muito bem o Médio Oriente, dado os muitos anos de experiência a escrever sobre esta problemática região do globo. Neste livro Margarida Santos Lopes relata a vida e os segredos do homem que durante décadas povoou os noticiários e as páginas de jornais e que morreu sem resolver a eterna crise Israelo-palestiniana. Andreia Sofia Silva

Um filme de: David Leitch Com: Dwayne Johnson, Jason Statham, Idris Elba, Vanessa Kirby 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

5 3 4 6 1 2 1 7 9 0 8 9 3 4 7 0 8 2 5 6 6 5 8 1 9 7 4 0 2 3 9 2 5 8 4 3 0 6 7 2 1 7 9 3 8 Um incêndio que lavra na ilha Grã Canária, em Espanha, acumula já mais de mil hectares 4 queimados 6 1 e 0obrigou 5 a deslocar mil pessoas, das quais 125 retiradas na passada madru-

UM LIVRO HOJE

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S CHRONICLE OF THE MOON EXPLORATION

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PROBLEMA 1

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S U D O K U

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O candidato ao cargo de Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, apresentou este sábado um programa que vai a todas e a nenhuma ao mesmo tempo. É um programa político que tem lá aqueles tópicos todos que sabemos serem problemáticos em Macau, mas medidas concretas poucas há. Ho Iat Seng fala dos assuntos mas não se compromete com nenhum, qual político super ponderado em plena campanha. Acontece que os deputados ligados aos Operários ficaram insatisfeitos com o facto de Ho Iat Seng não ter referido, preto no branco, que os trabalhadores não residentes não irão ocupar profissões 2 motoristas ou croupiers. Lá como está, esta 2 é aquela 4 bota 6 7que5não se 1 descalça. Chui Sai On pode ter pro6 1que não 8 metido mudava a lei,0porque 3 sabia que em 2019 6 saía do cargo 4 que ainda ocupa. Ho Iat Seng sabe que o 5 3 4 1 7 9 2 futuro está aí à porta e a economia não2 espera. Quando perceber, o aumento 4 populacional e do turismo fará de Macau um território com um 3 6 1 constrangimento 5 2 7em 4 ainda maior matéria de recursos 0 humanos. 3 Está na altura de olhar para o elefante 8 4 3 9 7 no meio da sala. Para já, é melhor 0silêncio9e não 7 falar 5 6sobre o 8 ficar em assunto. Andreia Sofia Silva

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6 QUE 2 OS PALESTINIANOS3LANÇARAM 5 AO MUNDO” | MARGARIDA 8 9 LOPES 4 (2004) 7 ‘‘ARAFAT – A PEDRA SANTOS 4 0

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opinião 15

terça-feira 13.8.2019

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

STARRY NIGHT, VAN GOGH (PORMENOR)

Lazer ofensivo

N

O passado dia 6, a polícia de Hong Kong prendeu Fang Zhongxian, Presidente da Associação de Estudantes da Baptist University de Hong Kong. A detenção deveu-se alegadamente à posse de armas ofensivas, melhor dizendo, “armas laser”. Fang Zhongxian declarou que apenas disparava estas armas para observar o céu nocturno, foram compradas para lhe permitir “ver as estrelas.” Quando a notícia da prisão foi divulgada, um grande número de pessosas reuniu-se em frente à esquadra de Sham Shui, exigindo explicações. Um dos elementos do grupo dirigiu-se a um agente nos seguintes termos: “Gostaria de lhe perguntar quantas flashlights tem em sua casa? Tem pelo menos uma? Ter uma flashlight em casa é crime?” O agente replicou: “Não respondo a essa pergunta.”

No cruzamento da Qinzhou Street com a Apex Street, Deng Yunan, o advogado da Baptist University of Hong Kong, dirigiu-se aos manifestantes, com estas palavras: “Por favor dispersem o mais rapidamente possível, especialmente os estudantes da Baptist University. O Presidente da Associação de estudantes está de momento hospitalizado, por isso não têm de ficar aqui. A polícia pode intervir e obrigar-vos a sair à força.” E realmente foi o que aconteceu, de manhã, a polícia acabou por actuar e lançar gás lacrimógeneo. Algumas pessoas foram presas. Posteriormente, Fang Zhongxian foi libertado. Será que as armas laser são armas ofensivas? A expressão “em posse de armas ofensivas” tem três elementos, “posse”, “armas” e “ofensivas”. Neste caso, não existem dúvidas quanto ao primeiro elemento “posse”, porque Fang Zhongxian tinha consigo dez armas laser quando foi detido pela polícia. O segundo elemento “armas”, significa literalmente um objecto que pode ser usado para atacar terceiros, bem como para defesa pessoal. Uma faca e um garfo não são, à partida, armas ofensivas. No entanto, se forem usados para atacar outras pessoas, serão considerados armas.

O terceiro elemento, “ofensivas,” significa que têm capacidade para causar danos a terceiros, ferimentos ou mesmo a morte. Voltando ao exemplo acima citado, a faca e o garfo, utensílios usados para comer, podem ser considerados ofensivos se houver intenção de lhes dar esse uso. Desta forma, quando se apreende um objecto por ser considerado uma potencial arma ofensiva, não quer dizer que, à partida, seja esse o seu propósito. Mais tarde será verificado se existia intenção de o utilizar com fins agressivos. Um objecto é considerado arma ofensiva quando é potencialmente perigoso e é usado para atacar terceiros. Nas manifestações foram usadas armas laser para atear incêndios. Se for usada com este fim pode causar danos físicos e

Não se pode afirmar que a pessoa que possui uma arma laser tenha intenção de agredir, porque pode tê-la apenas para actividades de lazer

materiais. Nessas mesmas manifestações, alguns agentes da polícia foram feridos com armas laser. Por aqui se vê que estes objectos podem ser perigosos e utilizados como arma ofensiva, mas não se pode afirmar que a pessoa que possui uma arma laser tenha intenção de agredir, porque pode tê-la apenas para actividades de lazer. Mas, voltando ao exemplo acima citado, se um objecto tem várias finalidades, sendo que uma delas poderá ser a agressão, excluir todas as outras e fixarmo-nos apenas nos propósitos ofensivos, só terá impactos sociais negativos e servirá para fomentar a discórdia. Ao reflectirmos sobre esta questão, também devemos considerar a posição da polícia Hong Kong. Em várias, das recentes manifestações, houve efectivamente pessoas que usaram armas para agredir a polícia. Vários agentes ficaram feridos, sendo que a maior parte dos manifestantes eram jovens. Nestas circunstâncias, a prisão de Fang Zhongxian faz sentido. Do ponto de vista da manutenção da ordem e da segurança públicas, é razoável deter Fang Zhongxian e pedir-lhe que coopere em futuras investigações. No entanto, se acreditarmos que um objecto que serve para iluminar o céu e permitir ver as estrelas é uma arma ofensiva, será difícil convencermo-nos do contrário.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Uma pessoa inteligente resolve um problema, um sábio previne-o Albert Einstein

COMÉRCIO SEUL RETALIA E RETIRA JAPÃO DE LISTA PREFERENCIAL

Cathay Pacific ameaça despedir quem participe nos protestos em Hong Kong sexta-feira com proibições de entrada na China continental dos funcionários que participassem nos protestos na antiga colónia britânica. O regulador chinês exigiu ainda o nome de todos os funcionários a bordo nos aviões da transportadora para a China, ou que cruzam o seu espaço aéreo. Membros do Sindicato dos Funcionários da Cathay Pacific participaram na última segunda-feira na greve geral. Apesar da ameaça, nenhum avião da Cathay Pacific, nem das suas subsidiárias, foi adiado ou cancelado no sábado ou domingo, informou a companhia. A empresa viu ontem as suas acções caírem 4,37 por cento para 1,26 dólares, o nível mais baixo desde Junho de 2009.

Rupert Hogg, apontou que os funcionários que “apoiam ou participam em protestos ilegais” enfrentam medidas disciplinares que “podem ser sérias e podem incluir a rescisão do contrato de trabalho”

A

transportadora aérea Cathay Pacific alertou ontem que vai demitir funcionários que participem nos protestos em Hong Kong, depois de Pequim ter denunciado a participação de 2.000 funcionários na greve geral de segunda-feira passada. Numa nota enviada aos trabalhadores da empresa, o director executivo, Rupert Hogg, apontou que os funcionários que "apoiam ou participam em protestos ilegais" enfrentam medidas disciplinares que "podem ser sérias e podem incluir a rescisão do contrato de trabalho".

"As acções e palavras dos nossos funcionários fora do horário de trabalho podem ter um impacto significativo na sociedade", acrescentou. Um piloto, que alegadamente participou em manifestações pró-democracia foi suspenso e este sábado a empresa anunciou a demissão de dois funcionários sem dar qualquer justificação. De acordo com os 'media' locais, os dois funcionários divulgaram detalhes do itinerário de uma equipa de futebol da polícia de Hong Kong que viajava para a China continental. A Direcção Geral da Aviação Civil Chinesa ameaçou a transportadora aérea na

Ténis João Sousa sobe dois lugares

O português João Sousa subiu dois lugares no ranking mundial de ténis, passando a ocupar a 43.ª posição de uma classificação que foi ontem divulgada e continua a ser liderada pelo sérvio Novak Djokovic. O número um nacional, que no domingo foi eliminado pelo japonês Yoshihito Nishioka na fase de qualificação para o Masters 1.000 de Cincinnati, nos Estados Unidos, tem como melhor resultado no ranking mundial o 28.º lugar alcançado em maio de 2016. João Sousa, de 30 anos, continua a ser o único tenista português no ‘top 100’ . PUB

terça-feira 13.8.2019

Asas cortadas

A

Coreia do Sul decidiu retirar o Japão da sua lista de países que beneficiam de um tratamento preferencial em matéria comercial, após a mesma medida ter sido aplicada por Tóquio no início deste mês, anunciou ontem o Governo sul-coreano. O ministro do Comércio da Coreia do Sul, Sung Yun-mo, anunciou ontem em conferência de imprensa que o país vai retirar o Japão da “lista branca” de 29 países devido a problemas nos controlos de exportação de materiais sensíveis. As autoridades sul-coreanas não especificaram, contudo, quais os problemas que encontraram nesses materiais. A medida deverá entrar em vigor em Setembro, adiantou Sung Yun-mo. No dia 2 de Agosto, o Presidente da Coreia do Sul condenou a “decisão irresponsável” do Japão de eliminar Seul de uma lista de países que beneficiam de um tratamento preferencial em matéria comercial e ameaçou retaliar. “O Governo japonês é inteiramente responsável pelo que acontecerá em seguida”, sublinhou. Tóquio anunciou que ia retirar a Coreia do Sul da lista de parceiros comerciais preferenciais, a partir de 28 de Agosto próximo, por suspeitar que não foram aplicadas medidas de segurança suficientes no sector tecnológico, num novo agravamento da tensão entre os dois países. A medida foi aprovada pelo conselho de ministros do executivo liderado por Shinzo Abe e alarga as limitações que Tóquio está a aplicar desde o início de Julho passado aos materiais químicos básicos, que as empresas sul-coreanas compram para fabricar ecrãs e ‘microchips’ de memória. Sobre a decisão, o ministro do Comércio japonês, Hiroshige Seko, sublinhou que perder o estatuto comercial preferencial significa apenas que o tratamento dado à Coreia do Sul passa a ser um tratamento regular, e que não deverá afectar as relações bilaterais.

PALAVRA DO DIA

RUMO CERTO

O Global Times, associado ao jornal do Partido Comunista, o People’s Daily, disse no domingo que a companhia ainda não havia dissipado todas as preocupações de Pequim. "Estes são apenas pequenos passos [mostrando] que a Cathay Pacific está a caminhar na direcção certa, e sua sinceridade precisará de ser testada com o tempo", lê-se artigo de opinião do Global Times, no domingo. Na manhã de ontem, a emissora estatal chinesa CCTV publicou um vídeo na rede social Weibo a denunciar que os funcionários da Cathay Pacific continuam a participar em "reuniões ilegais" e pediu mesmo aos turistas chineses para não visitarem Hong Kong.

ÍNDIA MONÇÕES FAZEM 184 MORTOS E CERCA DE UM MILHÃO DE DESLOCADOS

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S inundações provocadas pelas chuvas torrenciais das monções fizeram pelo menos 184 mortos na Índia e obrigaram ao deslocamento de cerca de um milhão de pessoas, segundo um novo balanço divulgado ontem pelas autoridades locais. Um balanço anterior das autoridades indianas dava conta de um total de 144 vítimas mortais. O Estado de Kerala, região turística situada no sul da Índia, é pelo segundo ano consecutivo a zona do país mais atingida pelas intempéries, situação que obrigou, na semana passada, ao encerramento do aeroporto internacional de Kochi durante três dias. “Pelo menos 76 pessoas morreram, 58 estão dadas como desaparecidas e 32 ficaram feridas”, indicou, em declarações à agência noticiosa francesa France Presse (AFP), um porta-voz da polícia de Kerala, Pramod Kumar. Só neste Estado do sul da Índia, as inundações obrigaram que cerca de 288 mil pessoas fossem retiradas das respectivas casas e encaminhadas para acampamentos temporários. No Estado vizinho de Karnataka, também afectado por grandes inundações, os números provisórios avançados pelas autoridades locais apontam para 42 mortos. “Retirámos mais de 580 mil pessoas”, afirmou, também à AFP, um funcionário do governo local. Os ‘media’ indianos estão a noticiar também que pelo menos 66 pessoas morreram nos Estados de Maharashtra e Gujarat (oeste), dando conta igualmente da existência de dezenas de milhares de deslocados nestas regiões. A monção, fenómeno que ocorre de Junho a Setembro, é crucial para a rega dos terrenos agrícolas e para o restabelecimento das reservas de água desta região. Mas, todos os anos também significa a ocorrência de centenas de mortos. Em 2018, no Estado de Kerala, 450 pessoas morreram naquelas que foram consideradas as piores inundações em quase um século.

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Hoje Macau 13 AGO 2019 # 4349  

N.º 4349 de 13 de AGO de 2019

Hoje Macau 13 AGO 2019 # 4349  

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