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hojemacau

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hoje macau

Agência Comercial Pico • 28721006

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Director carlos morais josé

Ter para ler

Médica rejeitada pelos serviços de saúde

foto gonçalo lobo pinheiro

Alexis Tam soube do caso pelo jornal

Secretário vai agir Quando leu no Hoje Macau o caso da médica macaense rejeitada pelos Serviços de Saúde, o Secretário resolveu actuar. E promete que a coisa será resolvida. Afinal, admite, faltam médicos à RAEM. CCAC

hotel estoril

“Indícios” e cowboys no Iec Long

Um estranho barulho ao fundo da rua

Página 4

Página 7

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Prévost e as paixões manuel afonso costa

Página 6

h

Meu yuan, meu amor

opinião África e Obama Tudo mal, obrigado rui flores

leocardo

O mundo treme com a desvalorização da moeda chinesa Páginas 2-3


grande plano

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FMI

“Um bom passo para abertura” O Fundo Monetário Internacional (FMI) saudou ontem a decisão da China de reformar o seu sistema cambial como “um bom passo” para a abertura e flexibilização do mercado de divisas da segunda economia mundial. Em comunicado enviado à agência Efe, o FMI afirma que o novo mecanismo para determinar a paridade do yuan anunciado pelo Banco Central da China “parece um bom passo”, já que “deve permitir que as forças do mercado desempenhem um papel mais importante para determinar a taxa de câmbio”. A instituição financeira dirigida por Christine Lagarde adverte, contudo, que o “exacto impacto” vai depender da forma como será aplicado o novo mecanismo. O FMI assinalou também que uma maior flexibilidade no câmbio é importante para uma China que “se esforça para dar às forças do mercado um papel decisivo na economia e se está a integrar rapidamente nos mercados financeiros globais”. “Acreditamos que a China pode — e deve — tratar de conseguir um sistema de câmbio que flutue de forma eficaz entre dois e três anos”, indicou o organismo. Quanto à eventual inclusão do yuan no cabaz de divisas que compõem a SDR [direitos de saque especiais, na sigla em inglês, ou seja, a bolsa de moedas que o Fundo utiliza internamente], a instituição indicou que as medidas anunciadas por Pequim “não têm implicações directas” nos critérios que usa para esse efeito. No entanto, acrescentou que uma taxa de câmbio mais determinado pelo mercado “facilitaria” as operações da SDR no caso do yuan ser incluído nesse cabaz.

União europeia

“Um acontecimento positivo” A Comissão Europeia considerou ontem “positivo” que o Banco Central da China tenha decidido desvalorizar o yuan em relação ao dólar, o que permitirá adaptar melhor a taxa de câmbio à procura e oferta no mercado. “Como princípio, a Comissão crê que o valor de qualquer moeda deve ser determinado por fundamentos económicos”, indicou em conferência de imprensa a porta-voz da Comissão Annika Breidthardt. Para a porta-voz, a decisão “permite que a taxa diária possa reflectir melhor o equilíbrio entre oferta e procura no mercado de divisas”. “Consideramos que é um acontecimento positivo”, disse Breidthardt.

A desvalorização do Yuan está a ter profundas repercussões globais. Há quem diga que nada ficará como dantes e que a situação prova a importância fulcral na China na economia mundial

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BancoCentraldaChina abalou os mercados na noite de segunda-feira passada ao anunciar a desvalorização da sua moeda em relação ao dólar em quase 1,86%, o que causou muita apreensão nos mercados internacionais. No dia seguinte, uma nova desvalorização, desta feita de 1,62%. Ontem, o Banco Central da China estabeleceu a “taxa de referência” diária do yuan em 6.3306 para 1 dólar, comparando com o valor de 6.2298 na terça-feira. Com estas medidas, o yuan fechou com a maior perda desde 1994. Este movimento faz parte de uma mudança da política cambial do país, redefinindo o mecanismo de fixação da taxa de referência diária.

Desvalorização do Yuan China agita mercados e traz prenúncio

A mãe de todas as De facto, o comunicado do banco central revela a intenção de alinhar as taxas cambiais nos mercados offshore e onshore, medida que ocorrerá apenas uma vez, segundo avaliam os especialistas. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária esclareceu que a taxa de referência será baseada no fecho da cotação do yuan do dia anterior, com maior influência do mercado e não apenas pela taxa determinada pela autoridade monetária. A desvalorização da moeda fez com que os investidores temessem que a decisão tenha sido tomada pelas autoridades chinesas para fazer frente a uma maior desaceleração económica. Na semana passada, o Citigroup indicou que a China tinha inflacionado os seus números e que o gigante asiático crescera “apenas” 5% no primeiro semestre, e não os 7% dos dados oficiais. Entre incertezas, os mercados de todo mundo operam com uma forte aversão ao risco. Os metais, as moedas de países exportadores de commodities, o juro dos títulos do Tesouro, as acções americanas e europeias recuam. As motivações são várias para este movimento chinês, tendo como

Bolsas e moedas asiáticas em queda

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desvalorização do yuan afectou os mercados asiáticos pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira, com as bolsas a fechar em forte baixa e moedas da região, como o ringgit malaio e o peso filipino, atingindo novos mínimos em vários anos. O Xangai Composto, principal índice chinês, recuou 1,1%, a 3.886,32 pontos, enquanto o Shenzhen Composto, de menor abrangência, caiu 1,5%, a 2.249,18 pontos, e o ChiNext, composto por empresas de pequeno valor de mercado, teve perda mais expressiva, de 2,8%, a 2.622,19 pontos. Na Ásia, as moedas locais voltaram a ter fortes perdas nesta quarta. A rupia indonésia e o ringgit da Malásia caíram 1,4% e 0,8% frente ao dólar, respectivamente, atingindo novas mínimas desde a crise financeira asiática do fim da década de 1990. O peso filipino, por sua vez, recuou 0,3%, tocando o menor patamar em cinco anos. Já o won sul-coreano enfraqueceu 1%, a 1.189 wons por dólar, menor valor desde 2012. Moedas da Oceania, como os dólares australiano e neozelandês, também

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foram apanhadas no turbilhão do yuan, se desvalorizando 0,5%, cada, frente ao dólar. “A magnitude da queda do yuan ontem e hoje é enorme para a China e significativa” no contexto da história do mercado de câmbio da Ásia, comentou Jason Leinwand, diretor-gerente da Riverside Risk Advisors em Nova York. “A desvalorização (do yuan) é realmente conduzida pelo temor (do PBoC) de que o crescimento na China está muito fraco.” Noutros mercados da Ásia, o índice Hang Seng, de Hong Kong, encerrou o dia com queda de 2,38%, a 23.916,02 pontos, enquanto o Taiex, da Bolsa de Taiwan, caiu 1,3%, a 8.283,38 pontos, o menor patamar em 18 meses, e o sul-coreano Kospi, de Seul, recuou 0,56%, a 1.975,47 pontos. A bolsa australiana seguiu a trajetória das asiáticas. O índice S&P/ASX 200, das acções mais negociadas em Sydney, teve uma perda de 1,7%, a 5.382,10 pontos. O S&P/ASX 200 acumula agora perdas de 0,5% no ano e está 10% abaixo do pico registado no final de Abril.

foco quatro perspectivas principais: (i) o aumento da competitividade da moeda para impulsionar as exportações; (ii) o ajuste da taxa de câmbio real, que acabou por ficar valorizada; (iii) possível resposta ao relatório do FMI sobre o SDR (special drawing rights, activo de reserva internacional emitido pelo FMI), que criticava a diferença da cotação de mercado daquela fixada diariamente pelo banco central; e (iv) um avanço na reforma cambial, permitindo maior volatilidade e alinhamento com uma cesta de moedas (e não apenas com o dólar), com a intenção de internacionalização do yuan.

Efeitos colaterais

Estas medidas devem gerar “efeitos colaterais”, principalmente de política monetária, pelo mundo inteiro. A desvalorização da moeda deve aprofundar uma ronda global de desvalorizações competitivas, especialmente entre os seus parceiros comerciais na Ásia, com os países à procura de alguma vantagem sobre os vizinhos num mundo de crescimento mais baixo. Além disso, a medida das autoridades chinesas aumenta as especulações de que a Reserva Federal pode atrasar a subida dos juros, que antes era prevista para Setembro. Até agora, a decisão de Pequim de manter a moeda estável ante o dólar estava em contraste com o quadro na Europa, Brasil, Japão, Turquia, África do Sul e outras nações emergentes, que usaram em geral uma combinação de medidas extraordinárias de estímulo e cortes nos juros para enfraquecer as suas moedas. As expectativas de que os Estados Unidos irão em breve subir os seus juros fazem subir a pressão sobre uma série de moedas, enquanto o dólar se valoriza. O Banco Central da China, que controla fortemente a moeda, decidiu não seguir o seu modelo recente, em parte porque tenta promover o yuan como uma moeda internacional estável e porque teme que a instabilidade interrompa os investimentos. A medida deve fazer aumentar a pressão sobre muitos países através de cortes nas suas taxas de juros e desvalorizações cambiais. Os EUA, que já consideram o yuan abaixo de seu valor de mercado correcto, devem subir o tom das suas críticas à política cambial chinesa, que muitos no Congresso norte-americano acusam de prejudicar os exportadores dos EUA.

O resultado também pode ser um desconforto maior sobre o impacto de um dólar mais forte para as indústrias dos EUA (e adiar a decisão do Fed de subir os juros). A desvalorização também prejudica países que exportam grandes quantidades de commodities e produtos manufacturados para a China. Grandes exportadores de soja, carvão, níquel e minério de ferro, como Brasil, Austrália e Indonésia, já sofrem com os preços nos mínimos das commodities em vários anos e agora podem ser afecxtados pelo yuan mais fraco, já que isso reduz a procura chinesa.

Redução do apetite por commodities

Além disso, o apetite da China por commodities deve diminuir no curto prazo, após a decisão do país de desvalorizar a sua moeda, ainda que um yuan mais fraco possa impulsionar as exportações de aço. Como um dos maiores compradores globais de commodities, a decisão da China de desvalorizar o yuan - na prática reduzindo o valor das exportações e elevando o custo das importações para o mercado doméstico - deve aprofundar as quedas nos preços do cobre, do alumínio e de outros metais.


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de grandes mudanças

medidas

A China consome quase a metade da produção anual de metais do mundo. Commodities que já estão nos mínimos há vários anos devido aos temores sobre a desaceleração económica chinesa e o fortalecimento do dólar - a moeda em que a maioria delas é estabelecida -, sofreram imediatamente com a acção do Banco Central da China. A medida também afectou as moedas de países dependentes de commodities, como Austrália, Brasil e Nova Zelândia. “No curto prazo, isso é mais uma má notícia para os preços das commodities. Uma moeda chinesa mais fraca deve significar uma procura mais fraca para as commodities produzidas internacionalmente”, disse Paul Bloxham, economista-chefe para Austrália e Nova Zelândia do HSBC. “Quando o petróleo se torna mais caro, isso deve prejudicar a procura da China”, afirmou Daniel Ang, analista de investimentos da Phillip Futures. Segundo ele, os preços do petróleo podem cair mais. Economista do OCBC Bank em Singapura, Barnabas Gan disse que a desvalorização pode prejudicar a procura por ouro.

Moeda desvalorizada ajuda exportadores, mas não soluciona conforme destacam análises: a decisão chinesa trará benefícios moderados para o combalido setor manufatureiro do país. Porém, donos de fábricas dizem que a medida pouco afectará desafios maiores, como a procura global anémica e alta dos custos da mão de obra. A mudança cambial implementada por Pequim torna os produtos de exportadores chineses mais baratos em outros mercados. “O corte (no valor do yuan) definitivamente ajuda as exportações”, comentou Yu Mingliang, director de desenvolvimento de negócios da Zhejiang Lianda Forging & Press Co., um fabricante privado de peças mecânicas da cidade de Wenzhou. “Damos boas-vindas a qualquer corte, não importa o tamanho.” Porém, a moeda é só uma das questões para os exportadores chineses. Alguns dizem enfrentar desafios maiores do que a taxa de câmbio, como a fraca procura global e o aumento dos custos dos trabalhadores.

O câmbio e os bancos centrais

O comportamento da China também mostrou uma tendência dos

políticos, já notada na Europa e outras regiões: a importância do câmbio como meio de impulsionar o crescimento económico e impedir que a inflação desacelere demais. A acção chinesa também mostra o quão delicadas para os dirigentes de bancos centrais são as decisões de política monetária de outros bancos centrais. No caso da China, a expectativa de uma contracção na política monetária do Federal Reserve, o banco central norte-americano, levou à valorização do dólar. Como a moeda chinesa está vinculada ao valor do dólar, isso elevou também o yuan face ao euro e várias moedas de países emergentes, pesando sobre as exportações chinesas. “A desvalorização chinesa deve agravar guerra cambial entre países”, diz Stephen Roach, da Yale University. Outros destacam a indicação de que as taxas cambiais continuam a ter um papel central nos esforços dos dirigentes para proteger economias frágeis. A taxa de câmbio é uma questão com a qual as autoridades europeias se debatem há anos. Diante de uma taxa de câmbio teimosamente alta do euro em 2014, dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) começaram a advertir para o facto de que a força da moeda poderia enfraquecer a inflação, o que em geral leva a políticas de afrouxamento monetário.

“Não vejo uma ‘guerra cambial’ como uma realidade”

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egundo David Dollar, do Brookings Institution, é cedo para afirmar que a decisão da China foi um “grande passo atrás” na política de apreciação do yuan dos últimos anos. Dollar foi enviado do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos à China entre 2009 e 2013 e director para o país asiático no Banco Mundial. A mudança no câmbio marca o fim da política de apreciação do yuan? Representa um passo atrás nessa política. Mas, por enquanto, não podemos dizer que se trata de um grande passo na direcção contrária. Precisamos aguardar para ver. Mas é também uma forma de estimular as exportações justamente quando o plano

Pode-se esperar efeitos nos mercados? Essa decisão abalou a confiança dos agentes económicos por todo o mundo. Mas, convenhamos, 1,9% não é grande coisa, o yuan tem sofrido uma forte valorização nos últimos tempos. Vamos ter novas informações sobre a economia da China amanhã, e acho que esses dados serão decepcionantes. Ou seja, as pessoas vão continuar preocupadas com a China. E quanto à chamada “guerra cambial”, este é mais um capítulo? A expressão é atraente, mas discordo dela. Cada banco central toma as decisões que considera melhores para sua própria economia. Não vejo uma “guerra cambial” como uma realidade.

“Meter a moeda na cesta”

Irritações?

Conforme destaca uma reportagem da CNBC, a medida tomada pela China mostrou que é possível irritar a Ásia e o Fed com “apenas um tiro”, o que reforça a ideia de uma guerra cambial asiática e um adiamento da alta dos juros pelo Fed. E muitas questões ficam no ar a partir de agora, como avalia o Financial Times. A questão-chave é se Pequim realmente vai permitir que a moeda local tenha um câmbio flutuante. O ano passado, o BC já actuou quando a moeda estava constantemente se apreciando. Caso os investidores coloquem a moeda chinesa para cima, Pequim pode actuar novamente. Se não, quem pode reclamar são os países que competem nas exportações. Enquanto isso, avalia o jornal, os EUA estariam em uma posição difícil: pediram a reforma do mercado há anos, mas se a China permite a correcção diária a ser determinada pelas forças do mercado e a moeda se desvaloriza, prejudicando fabricantes americanos, não é óbvio como Washington poderá responder.

chinês era fazer uma transição para uma economia baseada no consumo? A economia chinesa está a crescer mais devagar do que o esperado. Por isso, em vez de promover estímulo cambial, seria uma estratégia mais inteligente proporcionar estímulos fiscais e monetários. Desvalorizar a moeda não é a melhor ideia, a procura global está arrefecida.

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ara o especialista em economia chinesa Nicholas Lardy, do Peterson Institute for International Economics, em Washington, a desvalorização da moeda promovida pelo governo chinês tem ambições globais. Segundo Lardy, ex-professor de Finanças da Universidade de Yale, o objectivo é fazer com que a moeda siga uma cotação de mercado e que, assim, consiga fazer parte da cestas de divisas internacionais do FMI. Por que razão foi desvalorizado o yuan? O motivo está ligado à ambição chinesa de fazer com que sua moeda seja incluída na cesta do Fundo Monetário Internacional

(FMI), chamada de Direitos Especiais de Saque, formada pelo dólar, euro, libra esterlina e yen. O FMI tomará uma decisão sobre isso em Novembro. Na semana passada, o Fundo avaliou as adequações necessárias para incluir o yuan nessa cesta. Por isso, o Banco Central da China deu esse passo, de rever o processo para estabelecer sua taxa de câmbio, em direcção a uma taxa mais determinada pelo mercado. Essa é a preocupação do Fundo, que também destacou a diferença entre a taxa negociada dentro da China e a negociada em Hong Kong. Acredita que essa desvalorização visa a aumentar as exportações? É improvável que esse movimento represente mais uma manipulação monetária para permitir mais exportações e, assim, aumentar o crescimento económico. Se a China quisesse elevar as exportações depreciando sua moeda, já o teria feito há alguns meses. A mudança ocorre há apenas uma semana do relatório do FMI.


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política

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Iec Long André Cheong admite existência de “indícios” para investigação

Descalços no parque O

André Cheong admitiu ontem existirem indícios para que o organismo investigue mais a fundo a questão da antiga Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa. Em causa está uma permuta cujo meandros são pouco claros. Chui Sai On insiste que as dívidas têm de ser pagas do Chefe do Executivo, Chui Sai On. André Cheong afirmou ainda não haver qualquer conclusão acerca do processo do terrenos da antiga Fábrica de Panchões, mas questionado acerca da justificação pela qual o processo foi parar às mãos do CCAC, André Cheong responde: “Quando os serviços públicos ou os cidadãos queiram submeter algum documento ao CCAC, é porque têm dúvidas sobre a legalidade desse processo, documento ou assunto e é isso que se passa porque o Secretário tem dúvidas sobre a legalidade desse processo (...) [isso] cabe à competência do CCAC”, disse. O Comissário não adiantou muito mais pormenores, uma vez que diz ter recebido

tiago alcântara

ComissárioContra a Corrupção, André Cheong, admitiu ontem haver “indícios” para que a investigação relativa ao terreno da antiga Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa, continue a ser levada a cabo pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). Chui Sai On admitiu ontem que foi Raimundo do Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas, quem detectou problemas na troca de lotes. Mas o Chefe do Executivo também insistiu que os restantes 133 mil metros quadrados de lotes tinham de ser “pagos” a Sio Tak Hong, representante da Fábrica. “Segundo o estudo preliminar, achamos que há indícios para continuar a acompanhar o processo e fazermos as nossas averiguações”, admitiu o Comissário, que falou aos jornalistas à margem da sessão plenária de ontem na Assembleia Legislativa, que contou com a presença

Chui admite lentidão na reforma judicial. Promete falar com TUI

A Associação dos Conterrâneos de Kong Mun de Macau cancelou uma conferência de imprensa onde ia responder às questões da permuta de terrenos entre os responsáveis da antiga Fábrica de Panchões e o Governo. A Associação, dirigida por Sio Tak Hong, presidente também da Sociedade de Desenvolvimento Predial Baía da Nossa Senhora da Esperança. S.A., com quem foi feita a troca de terrenos, explica que já não vai prestar esclarecimentos aos jornalistas, por causa da investigação do caso pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), avança o Jornal Exmoo. “Como o caso está a ser investigado pelo CCAC, decidiu-se cancelar a conferência de imprensa”, frisou.

o processo apenas no início desta semana. “Estamos a fazer uma análise preliminar e é nesse cenário que o caso está, recebemo-lo há dois dias. Compreendemos que o assunto está a reunir grande interesse público por isso vamos dar prioridade”, acrescentou.

Dívidas que têm de se pagar

A permuta de terrenos foi assinada pelo ex-Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, alegadamente para preservar a antiga fábrica de panchões. O terreno de 152 mil metros da Iec Long foi trocado por terrenos onde se encontram o Mandarim Oriental, o MGM e o One Central, depois da Sociedade de Desenvolvimento da Nossa Senhora da Baía da

Esperança – administrada por Sio Tak Hong, do Conselho Executivo – ter cedido estes lotes à Shun Tak. Mas, a empresa ainda tem de receber 133 mil metros quadrados de terreno. Ontem, falando sobre o caso no hemiciclo, Chui Sai On insistia que as dívidas de terrenos têm de ser pagas, uma vez que a permuta aconteceu devido ao interesse público. “Houve troca de terrenos e eles têm de ser pagos, tem de ser tudo transparente e público e deverá ser publicado em Boletim Oficial”, disse, admitindo contudo “que é normal [irregularidades] nestes processos” e que “tem de se perceber quando há dúvidas e há que encaminhar para o CCAC”. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Presidente de associação dos filhos maiores detida pela PSP ou mun tin toi

O Chefe do Executivo admitiu ontem que a reforma judicial está lenta, concordando com a deputada Kwan Tsui Hang, que questionou o dirigente acerca dos apoios do Governo aos órgãos judiciais “no sentido de criar um sistema justo e imparcial”. Na mesma resposta, o líder da RAEM prometeu à deputada que iria transmitir a sua opinião ao presidente do Tribunal de Última Instância (TUI). De acordo com Chui Sai On, o ano judiciário passado teve aumentos significativos no número de processos em cada um dos tribunais da região, nomeadamente o TUI, que terá contado com um aumento de 61% dos processos. Uma das medidas para aliviar a pressão nos tribunais será a criação de um portal, tendo no entanto ficado por explicar a sua natureza. “Queremos criar um portal para [elevar a eficácia dos tribunais], para elevar a transparência judicial”, disse o Chefe do Executivo. Além disso, sublinhou que será necessário ouvir mais opiniões de associações e personalidades.

Iec Long Associação Kong Mun cancelou conferência para esclarecimentos

Jogo Revisão Intercalar dos Contratos em Setembro

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hui Sai On confirmou ontem que a Revisão Intercalar dos Contratos de Jogo estará pronta “em final de Setembro”. Foi em resposta ao deputado Cheang Chi Keong que o Chefe do Executivo disse que esta terá em conta oito aspectos essenciais, incluindo o impacto do Jogo no desenvolvimento de Macau e da sociedade, bem como das PME. “Creio que em finais do ano vamos concluir este trabalho”, disse. Chui Sai On adiantou ainda que a população vai ser ouvida sobre o assunto, de forma a que o Governo

possa perceber “qual o feedback da sociedade”. Sobre o impacto da queda das receitas na economia, o dirigente explicou que a região entrou agora numa fase mais estável e que por isso será necessário proceder a alguns “ajustamentos”, frisando que estes não irão afectar a vida da população. A ser efectuados, disse, terão impacto junto da Administração Pública. “Temos capacidade para suportar a actual situação, mas caso isto mude (…) vamos implementar medidas de austeridade na Função

Pública”, frisou. Já quanto à reserva financeira, Chui prevê que o bolo monetário da entidade se cifre nos 308 mil milhões de patacas no final deste ano. “As receitas brutas do jogo, continuam num nível elevado e assim sendo, a nível de competitividade, temos que conter elementos de jogo e extra jogo (…) podemos não conhecer crescimento todos os meses, mas todos os anos vamos então conhecer 200 mil milhões por ano e, como podem verificar, a nossa situação financeira é estável”, acrescentou. L.S.M.

• A presidente da Associação da União dos Familiares de Macau foi ontem detido pela Polícia de Segurança Pública (PSP) à porta da Assembleia Legislativa (AL). O incidente ocorreu quando cerca de uma centena de idosos tentou entrar no hemiciclo, onde ontem esteve presente Chui Sai On, a quem queriam entregar uma carta. Os idosos foram impedidos de entrar pelos agentes da PSP, tendo-se envolvido numa luta. Três dos idosos sentiram-se mal e tiveram de ser transportados para o hospital e a presidente, Lei Iok Lan, acabou detida pela PSP.


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Ambiente Consulta pública sobre destino de resíduos de construção

O Governo vai lançar, de acordo com declarações de Chui Sai On na AL, uma auscultação pública para apurar a opinião da população sobre a forma de tratamento dos resíduos de construção. As obras de aterros sanitários na região devem estar finalizados em 2016 e a China é o principal recipiente do “nosso lixo”, mas não sem antes este ser processado e tratado de acordo com as normas exigidas pelo continente

Novidades sobre Uma Faixa, Uma Rota em Setembro

O Chefe do Executivo disse ontem que para próximo mês serão entregue aos deputados da AL documentos sobre o papel de Macau na estratégia do Governo Central ‘Uma Faixa, Uma Rota’. Para Chui Sai On, Macau representa, “como último destino” desta iniciativa, “um enorme valor histórico e cultural”, pelo que deve desempenhar um papel preponderante. “Vamos definir uma série de fóruns para promover o nosso destino nesta faixa económica para então desenvolver os nossos recursos (...) estamos a iniciar os trabalhos nesse sentido”, garantiu, acrescentando que os deputados deverão ter mais pormenores em mão no mês que vem. O dirigente respondia à deputada Angela Leong, que se questionou acerca da existência de instalações e mecanismos que pudessem colmatar as necessidades sentidas nessa altura.

Bairros Antigos Regime de Renovação Urbana concluído em seis meses

À espera do que não engordou A lei que vai ditar a reforma dos bairros antigos poderá estar pronta até ao final do ano, disse ontem o líder do Governo na AL

O

Chefe do Executivo anunciou ontem que a nova comissão que vai tratar da renovação dos bairros antigos deve entrar em funcionamento ainda este ano, a par com a conclusão, até daqui a seis meses, da proposta do Regime de Renovação Urbana. “Vamos fazer os possíveis para que o processo legislativo seja lançado daqui a seis meses”, admitiu Chui Sai On. “Estamos determinados a maximizar os recursos turísticos dos bairros antigos e vamos esforçar-nos por levar os turistas a essas zonas (…) vai ser criado um departamento inter-serviços no próximo ano no seio da Direcção dos Serviços de Finanças”, continuou. O anúncio foi feito na sessão plenária da Assembleia Legislativa de ontem, em

resposta aos deputados Kou Hoi In e Si Ka Lon. Os trabalhos, confirmou, estão a ser desenvolvidos pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, devendo saber-se mais novidades “muito em breve”. “O Governo vai continuar com os trabalhos para reconstruir os bairros antigos (...) há que ter em conta a legislação e esses trabalhos, que vão ser feitos logo que seja criada a tal comissão (...)”, informou o dirigente. A Comissão deverá, de acordo com declarações do líder do Governo, “ser criada ainda este ano”. A pergunta surgiu depois de, há menos de dois anos, o Executivo ter decidido extinguir o Conselho Consultivo para o Reordenamento dos Bairros Antigos, após também ter retirado a Lei de Reordenamento dos Bairros Antigos da AL. Vários têm

sido os deputados a insurgir-se contra a extinção do referido Conselho, argumentando necessidade de monitorizar esta questão, nomeadamente de utilizar os bairros antigos renovados enquanto promoção turística e de “desenvolvimento urbano”. O deputado Kou Hoi In queixa-se do número de prédios antigos a aumentar “há medida que os anos passam”, considerando necessário remodelá-los. Na sua resposta, Chui Sai On acrescentou que serão “alocados” alguns recursos para a “renovação urbana” algures nos cinco novos aterros. “Como se sabe, temos cinco novos aterros e vamos pensar em como é que alguns recursos de terra podem ser alocados para renovação urbana”, disse, referindo-se à eventual transferência de pessoas que moram nos actuais bairros antigos para esses locais. L.S.M.

Turismo Capacidade perto do limite, diz Chui. Estudo apresentado este ano

“H

á sempre um limite”. Foi assim mesmo que Chui Sai On respondeu ontem à pergunta de Ho Ion Sang acerca do número de turistas verificados nos últimos meses. O Chefe do Executivo admitiu que a capacidade do território está perto do limite e diz que Macau terá que se preparar com

uma série de medidas preventivas, seja quanto ao aumento de residentes, como de turistas. “Temos que nos preparar para o aumento populacional e assim sendo, temos que planear a dois níveis: turistas e habitantes. Trinta e dois milhões de visitantes de facto é muito e todos concordam que em todas as regiões

há um limite para o acolhimento de pessoas”, começou por advertir. Chui Sai On depositou as suas esperanças na criação de mais alojamentos para os turistas que continuam a querer vir a Macau. Recorde-se que os números mais recentes apontam para uma população de mais de 600 mil pessoas e uma entrada

de dois milhões de turistas em termos mensais, desde Janeiro deste ano. O líder do Governo anunciou ainda que deverá ser publicado, até ao final do ano, um estudo sobre Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer, da responsabilidade do Gabinete de Estudo das Políticas.

Saúde Chefe do Executivo diz que leis não garantem qualidade

O Chefe do Executivo disse ontem que a legislação imposta nem sempre é sinónimo de qualidade nos serviços de saúde. Em resposta à deputada Kwan Tsui Hang, que se questionava acerca da reforma destes, Chui Sai On disse que um dos maiores problemas reside na falta de recursos físicos e humanos. “As leis não conseguem garantir que os serviços oferecidos sejam de grande qualidade”, disse. Sobre o Hospital das Ilhas, adiantou que o projecto deste poderá estar pronto ainda em meados deste mês. “Creio que o ponto de situação é que em meados de Agosto já penso que já se vai poder ter o design concluído e depois o concurso público e vai-se entrar, de seguida, numa fase de formação (…) como temos mais instalações físicas, também temos que contar com mais pessoal”, acrescentou ontem, durante uma sessão de perguntas e respostas na AL. Quanto à criação de uma Faculdade de Medicina, o dirigente afastou a possibilidade de tal vir a acontecer em breve, referindo que é preciso o apoio da China para o efeito. “Precisamos do Governo Central para isso e se calhar ainda temos que percorrer um longo caminho para termos uma Faculdade de Medicina em Macau, mas o mais premente é resolver questões de instalações físicas, quadros e qualidade”.

MICE Chui quer que empresas financeiramente independentes

O Chefe do Executivo disse ontem que embora o Governo esteja disponível e aberto para ajudar as empresas e o sector de convenções e exposições a internacionalizar-se, este deverá, logo que possível, tornar-se financeiramente independente. No entanto, Chui Sai On nunca descartou a necessidade do sector precisar da ajuda do Governo, tanto logística como materialmente. “Esperamos que o Governo possa apoiar concursos em grandes convenções e exposições para os operadores poderem ter lucros (…) passado algum tempo, já se deve entrar no apoio ao concurso nessas reuniões ou eventos, mas sendo os próprios operadores a assumir os seus encargos”, revelou ontem na AL, em resposta ao deputado Chan Meng Kam. Além disso, disse ainda que só em 2014 foram organizados 1552 projectos de convenções, notando o investimento que tem sido feito pelo Executivo, que “tem que injectar muitos recursos”.


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sociedade

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Saúde Alexis Tam garante que não sabia do caso da médica macaense

O

Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura,Alexis Tam, admitiu que irá resolver o não reconhecimento das qualificações da médica macaense, chumbada pelo júri médico do Hospital Conde de São Januário. Como o HM avançou, na terça-feira, a macaense Ana Silva (nome fictício), uma médica com especialidade em Medicina Interna, avaliada em 19,6 pela Universidade de Coimbra, não foi aceite pelos Serviços de Saúde (SS).

Ontem, questionado sobre o assunto, Alexis Tam admitiu desconhecer o caso. “Só soube pelo jornal. Fiquei surpreendido. A senhora é macaense, filha da terra, acabou o curso de Medicina na Universidade de Coimbra com boa nota, 19,6. Fiquei surpreendido porque pre-

Em linha de espera

cisamos de médicos. A senhora é de Macau, conhece bem Macau”, disse Alexis Tam, à Rádio Macau na manhã de ontem. Confirmando que não teve acesso à carta enviada - dirigida a si e entregue em mãos aos seus assessores pela médica -, o Secretário afirmou que tudo fará para

resolver a situação, adiantando que já começou a tratar da questão. “Depois de ler a notícia liguei para o director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, a perguntar como é, porque fiquei surpreendido e acho que temos de dar oportunidade aos filhos da terra. Esta senhora tem boa formação académica, por

Cotai Casos de vendas ilegais de comida já são quase uma centena

Pão, arroz, bebidas e polícia A

publicação Macau Concealers trouxe à praça pública a venda ilegal de produtos alimentares na áreas de construção do empreendimento Studio City. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) já admitiu saber do caso e anunciou ter detectado pelo menos 88 casos. De acordo com o jornal Macau Daily Times, duas carrinhas estacionam no local e de lá surgem três vendedores que, num abrir de portas, mostram disponíveis caixas de arroz, pão, bebidas e outros snacks. À volta surge então um aglomerado de pessoas, na sua maioria, lê-se, trabalhadores não residentes (TNR). A polícia está um pouco mais à frente, a filmar todo o aparato. Ao fim de dez minutos vai ao encontro dos vendedores, mas uma das carrinhas já está vazia e sem o proprietário por perto.

O caso chegou agora aos média, mas não parece ser recente. “Isto acontece há algum tempo, muito tempo, provavelmente desde o primeiro dia da obra”, disse à publicação Sou Cheong In, recém-licenciado a trabalhar no escritório do empreendimento. Os vendedores ambulantes, conta, têm actuado pelo menos nos últimos dois anos.

Autoridades atentas

Segundo um comunicado emitido pelo IACM na terça-feira, em língua chinesa, o caso tem sido acompanhado. O IACM diz que tem dado toda a atenção à situação dos vendedores sem licenças, sobretudo na zona onde estão os grandes lotes no Cotai. “Desde o início deste ano até ao momento, o IACM conseguiu detectar 88 casos de vendas sem

licenças. Foram apreendidos e confiscados 1600 quilogramas de comidas confeccionadas, 3100 garrafas de bebidas, tendo sido de imediato apresentado às autoridades competentes para acusação”, pode ler-se no comunicado. Para combater as actividades dos vendedores ilegais, o IACM afirmou que não só tem pessoal para inspeccionar os pontos onde mais surgem este tipo de vendas, mas tem também cooperado com as autoridades policiais para que possam ser levadas a cabo actividades de inspecções surpresas. Relativamente aos TNR envolvidos nas vendas ilegais, o IACM vai, diz, transferir os casos para a Direcção dos Serviços para Assuntos Laborais (DSAL). F.A. com F.F.

macau concelears

Alexis Tam reage ao caso da reprovação da médica macaense, garantindo que irá resolver aquilo que acha ser “um problema de comunicação”. A médica diz não compreender como é que o responsável não sabia do caso, mas mostra-se “aliviada”

gonçalo lobo pinheiro

“Quero resolver este problema”

isso temos de repensar”, declarou ao meio de comunicação. Alexis Tam explicou ainda que espera que tudo não passe de um mal entendido, um problema de comunicação. “Estou em alerta”, disse, reforçando a sua atenção ao assunto. “Eu quero resolver este problema”, frisou. “É um pouco estranho o Secretário dizer que não tem conhecimento do caso se o próprio assinou a homologação do meu chumbo”, começou por afirmar a médica ao HM em reacção às declarações de Alexis Tam. O facto de os próprios assessores do Secretário terem garantido, à própria, que a carta teria sido entregue em mãos é outro mistério ainda por desvendar. Ainda assim, Ana Silva sente-se feliz pela reacção de Alexis Tam. “Estou completamente aberta para a resolução do caso. Se assim for, fico aliviada, sinceramente”, sublinha ao HM. Depois da publicação da sua experiência, a médica conta que foram inúmeros os telefonemas e as mensagens que recebeu de apoio e relatos de experiências idênticas. “Estou feliz, confesso. Feliz porque estava receosa com tudo o que poderia acontecer, mas o feedback por parte da sociedade tem sido muito positivo e de muito apoio”, conta, sublinhando a dificuldade em manter o anonimato. “Há tantas histórias como a minha que nunca saíram para a rua. Não é suposto isto acontecer. São mesmos muitas”, partilha com o HM, apontando a necessidade de tornar público estes casos. Até à hora do fecho desta edição, Ana Silva ainda não fora contactada pelo gabinete do Secretário, ou pelos SS. F.A.


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O

tema da preservação ou demolição do antigo Hotel Estoril voltou ontem à baila, no âmbito da participação de Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, no programa do canal chinês da Rádio Macau Fórum Macau. Citado pelo canal português da mesma rádio, Alexis Tam disse não compreender a polémica que surgiu em torno deste assunto. “Ao longo destes quatro meses fizemos tantas sessões e auscultações e todos ficaram muito satisfeitos connosco. Mas, ao final de quatro meses, algumas pessoas – não são muitas – vieram dizer que não o Hotel Estoril não pode ser demolido, tem de ser mantido, não se pode fazer nada. Acho que isso não está correcto”, disse o Secretário. “Queriam que o Governo fizesse a classificação do Hotel Estoril. Isso vai ser complicado. Em dez anos, ninguém tocou no assunto, ninguém quis classificar o Hotel Estoril como património de Macau. [O projecto] é para o benefício da população. Agora vêm dizer que se tem de parar. Acho que essa atitude não está correcta”, acrescentou Alexis Tam. O Secretário relembrou inclusive que, quando se falava da transferência da Escola Portuguesa de Macau para o local, ninguém se opôs a uma possível demolição. Algo que faz o responsável não compreender os protestos. Apesar de afastar a classificação, o painel da autoria do

Hotel Estoril secretário não compreende protestos sobre demolição

Um inesperado barulho de fundo O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura disse ontem não compreender a polémica que se gerou em torno do projecto de renovação do Hotel Estoril e nega que este venha a ser classificado. A consulta pública foi alargada até 20 de Setembro arquitecto Oseo Acconci poderá ser transferido para outro local, para ser protegido, se o edifício for realmente demolido, como se tem apontado. Para já a consulta pública, que iria terminar no próximo dia 20, vai ser alargada até 20 de Setembro. O Secretário queixou-se ainda da pouca adesão da população. “Fizemos duas sessões e pouca gente apareceu. Na primeira estiveram talvez 50 pessoas e, na segunda, também pouca gente. Pouca gente está interessada. Fizemos 19 sessões [com associações]”, disse. Durante o programa de rádio, alguns ouvintes mostraram-se favoráveis à manutenção do painel, tal como o arquitecto Carlos Marreiros, um dos participantes no programa. “O hotel pode ser protegido, mas já não tem o seu espírito e características. Porque é que o Governo vai desperdiçar dinheiro para proteger e ainda limitar as suas funções?”, questionou, defendendo a demolição. Chan Su Weng, vice-presidente

da Associação para Protecção do Património Histórico e Cultural de Macau defendeu a classificação do edifício. No programa Alexis Tam prometeu levar a comunicação social a visitar o interior do antigo hotel, já com construções ilegais e térmitas destruidoras da madeira. O vice-presidente do Instituto de Conservação e Restauração de Relíquias Culturais, Cheang Kuok Heng, pediu ao Governo para publicar uma estimativa do orçamento que será gasto com a reconstrução total e preservação, para que o público possa “compreender” o que está em causa. O HM contactou por e-mail o atelier de Álvaro Siza Vieira no sentido de obter mais esclarecimentos junto do arquitecto, mas o futuro autor do projecto não quis falar. “Não tendo ainda iniciado o projecto de reabilitação do antigo Hotel Estoril, considero prematuro prestar qualquer informação sobre o mesmo”, rematou. A.S.S. / F.F.

Doca dos Pescadores Macau Legend quer projecto aprovado rapidamente

O turismo precisa de motivações O vice-director executivo da Macau Legend Development, Frederick Ip, quer que o Governo decida rapidamente sobre a aprovação do projecto do edifício de 90 metros de altura que a empresa quer construir na Doca dos Pescadores. O responsável diz esperar que possa haver “uma conclusão o mais rápido possível”, até porque o projecto, defende, vai “motivar o turismo de Macau”. Depois de, na reunião de ontem, o Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) ter decidido adiar a aprovação do projecto, por haver discordância sobre o mesmo, Frederick Ip veio a terreiro dizer que se sente desapontado com a reunião. Um dos problemas reside no facto de o prédio – que será um hotel – tapar a vista do Farol da Guia, património

mundial, algo que não pode acontecer. Os vogais do CPU defendem que este deve ficar-se apenas pelos 60 metros e o mesmo defendem associações e deputados. A discussão da planta de condições urbanísticas do empreendimento não trouxe qualquer avanço, já que o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, pediu à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes e à concessionária que

entreguem informações suplementares para que sejam discutidas novamente no CPU. Algo que não agrada ao responsável da Macau Legend. “Sendo investidor, tenho que contar com o retorno, espero que o projecto tenha uma conclusão o mais rápido possível” disse ao Jornal do Cidadão, defendendo que o pedido de aumento da altura do hotel para 90 metros foi permitido através de um despacho do antigo Chefe

do Executivo, Edmund Ho e que a concessionária tem, agora, condições para um investimento desse tipo. Quanto à questão de obstrução da vista do Farol da Guia, o vice-director executivo da Macau Legend considera que, como a costa da Doca dos Pescadores é comprida, só um edifício que alto a tapar a vista “é aceitável”. O empresário frisou ainda que a criação do novo hotel na Doca dos Pescadores vai “motivar o desenvolvimento da indústria de turismo”. Frederick Ip ressalva ainda que a empresa tem responsabilidade social. “A Doca dos Pescadores inaugurou há nove anos e nunca cobrámos taxa de admissão de residentes. Isso é a contribuição da companhia à sociedade”, rematou.     Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Atribuída licença turística definitiva a hotel junto ao IPM

O Governo decidiu atribuir a licença de “utilidade turística, a título definitivo” ao hotel Lan Kwai Fong, Macau, localizado na Rua de Xiamen, perto do Instituto Politécnico de Macau (IPM). O despacho de Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) e determina que no hotel deva “ser explorado um restaurante com ementa de cozinha tradicional macaense e de cozinha tradicional portuguesa, não necessariamente em exclusivo”. Para alem dos funcionários da recepção terem de falar Chinês, Português ou Inglês, deve ser “dada prioridade de emprego aos residentes de Macau, bem como aos que tenham frequentado, com aproveitamento, cursos ministrados no Instituto de Formação Turística e nas demais instituições locais de formação na área hoteleira”.


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Mais um prédio para a Associação de Beneficência do Kiang Wu

A Associação de Beneficência do Kiang Wu, dirigida pelo deputado Fong Chi Keong, vai poder construir um edifício de sete pisos destinado a habitação e comércio em Macau. De acordo com um despacho ontem publicado em Boletim Oficial, assinado pelo Secretário para as Obras Públicas e Transportes Raimundo do Rosário, a Associação vai poder reaproveitar o terreno que já detinha por aforamento, na Estrada de Coelho do Amaral. O pedido de reaproveitamento do lote com a construção do prédio foi submetido em Setembro de 2014 à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, tendo sido aprovado em Abril de 2015. O reaproveitamento do terreno deve ser feito em 30 meses.

Cheong Ion Man fica como subdirector definitivo da DSSOPT

O Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, nomeou Cheong Ion Man como subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), cargo que vai ocupar até 1 de Agosto de 2016. O despacho foi publicado ontem em Boletim Oficial (BO) e mostra a continuação do desempenho do cargo, algo que Cheong Ion Man vinha fazendo como subdirector substituto desde Fevereiro. Funcionário na DSSOPT desde 1993, o actual subdirector é licenciado em Mecânica para Engenharia e possui um mestrado em Mecânica dos Sólidos.

IC Chan Peng Fai fica como vice-presidente

O vice-presidente substituto do Instituto Cultural (IC), Chan Peng Fai, vai passar a assumir definitivamente o cargo de vicepresidente, segundo publicação em Boletim Oficial, assinada pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. Chan Peng Fai assume funções durante os próximos dois anos, a começar a 1 de Setembro do presente ano. O vice-presidente estudou Antropologia na Universidade Nacional de Taiwan e é mestre também na mesma área. Foi investigador do acervo do Museu de Artes de Macau do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, de Janeiro de 2002 a Março de 2010, técnico superior do IC, de Março a Junho de 2010 e Chefe do Departamento de Promoção das Indústrias Culturais e Criativas do IC, de Junho de 2010 a Agosto de 2014.

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Amas Comunitárias Programa extinto custou quase um milhão

Cidade dos berços de ouro O programa piloto das amas comunitárias, que o Governo decidiu suspender no mês passado, custou ao Instituto de Acção Social mais de 748 mil patacas, valor atribuído a três associações para desenvolverem o projecto

J

á é conhecido o investimento total no programa piloto de amas comunitárias que o Governo decidiu suspender. Somando os valores pagos pelo Instituto de Acção Social (IAS) no segundo trimestre do ano passado aos pagos em igual período deste ano, é possível concluir que o Governo gastou quase um milhão de patacas, exactamente 748,723 mil patacas com o projecto. Os valores das últimas tranches pagas a três associações União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), Associação Geral das Mulheres de Macau e Caritas Macau – foram publicados ontem em Boletim Oficial (BO) e dizem respeito ao dinheiro que foi gasto na formação das amas e a respectiva distribuição pelas famílias necessitadas. Já os subsídios atribuídos em 2014 serviram para suportar “despesas do período preparatório”, como a impressão de material publicitário. Anunciado pelo Executivo como uma alternativa à falta de vagas nas creches, o programa piloto terminou no passado dia 31 de

Julho. Em conferência de imprensa, Lau Kit Im, Chefe da Divisão de Infância e Juventude do IAS, confirmou que o programa piloto tinha “funções semelhantes” aos serviços provisórios ou urgentes

já providenciados pelas creches, sendo que poucas famílias terão recorrido ao serviço. Os dados estão incluídos nos apoios financeiros dados pelo IAS referentes ao segundo trimestre

do ano, os quais foram superiores a 216 milhões de patacas. Mais de 30 creches privadas e lares de acolhimento de jovens receberam esses apoios. Grande parte dos montantes dizem respeito aos subsídios habitualmente atribuídos, mas também foi concedido dinheiro para a realização de diversas actividades e até para trabalhos logísticos das associações, como limpeza e manutenção de esgotos e de ar condicionado. O Centro Residencial Arco-Íris, gerido pela Cáritas, recebeu quase 1,5 milhões de patacas. O espaço Fonte da Esperança, também destinado aos jovens com problemas familiares, foi beneficiado em quase 1,6 milhões de patacas. O Instituto Helen Liang, que acolhe crianças cujos pais não têm capacidade para cuidar delas, recebeu quase 800 mil patacas. Recorde-se que o ano passado o Governo anunciou que as crianças deste instituto iriam ser transferidas para outras instituições por forma a transformar o espaço numa creche, mas o projecto só deverá avançar no próximo ano. A creche da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM), dirigida por Isabel Marreiros, recebeu mais de 1,5 milhões de patacas. Já as creches geridas pelas associações tradicionais do território, como a União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM) ou a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), continuaram a ser as maiores contempladas por apoios. Só as três creches geridas pela Associação Geral das Mulheres de Macau receberam montantes superior a três milhões de patacas. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

atenção! Retirado medicamento Viveron

• Os Serviços de Saúde consideraram que o medicamento Viveron 50 Tablets não satisfaz os padrões de qualidade, pelo que decidiram recolher o lote pedindo a todas as farmácias de Macau a devolução do mesmo.


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O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, disse no hemiciclo que há 236 pessoas com autismo em Macau, mas Eliana Calderon, presidente da Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau, fala em mais de 500 casos, frisando que os departamentos públicos nem sempre comunicam entre si

Autismo ong contradiz Governo e fala em mais de 500 casos

Números muito por baixo

IAS fez mudanças em Julho

Chui Sai Peng pediu ao Governo para dar mais “espaço de optimização” ao autismo no âmbito do Regime de Avaliação do Tipo e Grau de Deficiência, mas Alexis Tam confirmou que os meios utilizados pelo IAS já cumprem os requisitos. “Na avaliação do autismo, o regime de avaliação de deficiência vigente, quer nos critérios, quer no método de avaliação, articula-se com a prática internacional”, disse ao deputado Chui Sai Peng. O Secretário da tutela confirmou ainda que só “a partir de meados de Julho do corrente ano o IAS começou a pôr o termo autismo no cartão de registo de avaliação de deficiência das pessoas classificadas como [tendo esta doença], com vista a eliminar dúvidas e receios dos respectivos encarregados de educação”.

A

presidente da Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau (MCDA, na sigla inglesa), Eliana Calderon, acredita que há mais diagnósticos de autismo do que aqueles que Alexis Tam apresentou esta terça-feira na Assembleia Legislativa (AL). O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura disse ao deputado José Chui Sai Peng que há 236 autistas registados pelo Instituto de Acção Social (IAS), sendo que 135 pessoas tiveram acesso, em 2014, aos serviços das instituições particulares de reabilitação subsidiadas pelo IAS. Contactada pelo HM por via telefónica, Eliana Calderon disse que poderão existir mais de 500 casos no território. “Há um número significativamente mais elevado. Sei que tem havido um aumento e é necessário fazer um acompanhamento dos casos. Acredito que devem haver mais do que 500 pessoas com autismo, definitivamente”, apontou. Só na MCDA, que tem capacidade para acolher 40 crianças, há cerca de 300 em lista de espera para terem acesso a cuidados, uma vez que actualmente a Associação tem apenas duas terapeutas. “Os números são diferentes consoante os departamentos do Governo. Há números do hospital,

que comecei este projecto e temos passado por vários governantes que nunca tiveram o cuidado de falar desse problema. Pode ser uma minoria, mas vai ser um problema daqui a dez ou 15 anos para Macau se nada se fizer agora”, acrescentou. Alexis Tam admitiu no hemiciclo que, à medida que os meios de diagnóstico vão sendo desenvolvidos, também o número de casos vai aumentar. “O Governo está ciente de que uma parte da população possui preconceitos e conhecimentos incorrectos sobre os portadores de deficiência psíquica de diversos tipos, inclusive do autismo e, consequentemente, associa, de modo incorrecto, uma série de comportamentos negativos a esse grupo populacional”, disse o Secretário na AL.

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

MCDA com mais terapias em 2016

do IAS, dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Pelo meu conhecimento, os departamentos do Governo não comunicam entre si quanto a estes números. Fazem diferentes níveis de gravidade dos casos, criam diferentes categorias para os portadores deste proble-

ma”, criticou ainda a responsável da MCDA.

Sem dados

Apesar de contradizer os números do Governo, que continua sem uma base de dados oficial sobre o problema, a presidente da MCDA

revelou estar satisfeita pelo facto do assunto ter sido debatido no hemiciclo, graças à interpelação oral apresentada pelo deputado José Chui Sai Peng. “Estou muito contente que este assunto tenha sido discutido na Assembleia porque foi em 2004

A Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau anunciou num comunicado, publicado na rede social Linkedin, que no próximo ano deverá começar a providenciar mais serviços sociais às famílias, passando a providenciar “vários serviços de terapia e educação para as crianças que sofrem de autismo, dislexia, ADHD, tal como terapia ocupacional, terapia da fala e apoio a professores de educação especial”. O projecto tem o apoio do IAS.


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Alunos do Costa Nunes visitam exposição de Joana Vasconcelos • As crianças do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes visitaram na terça-feira a exposição de Joana Vasconcelos no MGM, intitulada Valquíria. A visita insere-se nas actividades de Verão do estabelecimento de ensino, organizadas em parceria com o Zonta Club de Macau, associação dedicada as questões de género e desenvolvimento das crianças. De acordo com um comunicado da Associação de Pais do Costa Nunes, as actividades tiveram uma boa adesão, tendo sido esgotadas as vagas disponíveis. Esta não é ainda a única actividade para as crianças. “Decorrem diariamente actividades leccionadas em Português, entre as quais, Artes plásticas, Teatro, Culinária, Ioga para crianças, Comédia musical, Marionetas, Capoeira, Experiências científicas, Arte do palhaço, Kid fitness e Acrobacias. As actividades são complementadas por saídas regulares à piscina e visitas variadas, culturais e de interesse para as crianças no sentido de oferecer actividades lúdicas em benefício do seu desenvolvimento pedagógico.”

Venetian New Art Wave com curadores e galeristas internacionais

Investidores e talentos É no Hall D do Cotai Expo que acontece a New Art Wave, uma exposição que pretende dar a conhecer e explorar “o trabalho de artistas contemporâneos, ajudando-os a estabelecer-se enquanto isso mesmo”, como explica a organização. A mostra tem lugar entre os dias 28 e 30 deste mês e destina-se à partilha de ideias e experiências entre alunos licenciados ou interessados nas Artes. Entre estes dias, vão ser entregues prémios de várias categorias, mas trata-se também de uma oportunidade que os mais jovens têm de conhecer uma série de galeristas, autores de trabalhos conhecidos e influentes, coleccionadores, críticos de arte e curadores, assim encurtando a ponte que é normalmente necessária entre artista e vendedor. De acordo com a organização, a exposição é também uma “boa ocasião para potenciais investidores encontrarem potenciais talentos artísticos, não esquecendo que se trata

de uma oportunidade para a compra de novos trabalhos”. Os visitantes podem esperar ver uma série de novos trabalhos desenvolvidos recentemente por autores de várias idades, desde os recém-licenciados em cursos de Arte, até aos criadores mais maduros. Envolvidos no planeamento deste evento estão uma série de personalidades do mundo das Artes, como são a curadora e crítica de arte Sandra Walters, o director e professor do Museu de Arte da Academia Central de Belas Artes de Pequim Wang Huangsheng, ou Chan Kam-shing, parte integrante do Conselho para o Desenvolvimento das Artes de Hong Kong.

Na ocasião vão ainda ser seleccionados cem finalistas que apresentaram obras e todos eles vão ter a oportunidade de ter uma cabine de nove metros para a sua própria exposição e vendas, juntamente com reconhecimento, no catálogo da exposição, das suas obras vencedoras. Os três melhores trabalhos vão receber 50 mil, 80 mil e 100 mil patacas, respectivamente. Seminários não faltam A New Art Wave vai compreender uma outra parte dedicada aos seminários e conversas colectivas. Estas acontecem a 29 e 30, todo o dia. O primeiro seminário tem Homer Lee, fundador da galeria de arte taiwanesa Lee, como orador. A sessão acontece das 11h30 às 12h30. Segue-se uma palestra sobre como as academias e organizações artísticas fomentam e cultivam os artistas, liderada por quatro professores de Pequim, Hong Kong, Taiwan e Macau. Esta tem lugar das 14h00 às 15h30 e vai ser moderada por Chan Yuk Keung,

À vendaJonna Livraria Portuguesa Dasilva Os Litigantes • John Grisham

Krayoxx, um medicamento muito popular para reduzir o colesterol em doentes obesos e produzido por um gigante da indústria farmacêutica, está sob fogo depois de vários casos de ataques cardíacos associados ao tratamento. Wally, sócio de uma firma de advogados, já sente o cheiro do dinheiro. Uma pequena pesquisa na Internet confirma as suas suspeitas: uma grande firma da Florida está a preparar uma ação contra a Varrick, a farmacêutica em questão. A única coisa que tem de fazer agora é encontrar meia dúzia de pessoas que tenham tido ataques cardíacos enquanto tomavam o medicamento, convencê-las a tornaremse clientes e prepararem-se para a fama e a fortuna. Com um bocadinho de sorte, nem sequer terão de ir a tribunal! Parece quase bom de mais para ser verdade. E é. Um livro extremamente divertido, repleto das estratégias legais e do suspense que fizeram de John Grisham um dos escritores preferido da América.

professor do departamento de Belas Artes da Universidade de Hong Kong. O dia encerra com a sessão das 16h00 às 17h30, “No berço do artista”, onde quatro membros de conceituadas instituições asiáticas relacionadas com as artes sobem a palco para falar sobre espaços alternativos e locais de inspiração. O dia seguinte começa às 11h30, com a sessão “Mercado dasArtes comercializada online”, com a Associação de Indústrias das Artes Visuais de Macau a servir de moderadora para uma conversa com Deng Bin, director geral do Distrito Sudoeste da China e da Artron.net. O círculo de conversas fecha com uma conversa entre três gestores de galerias e associações e que se prolonga das 14h30 às 16h00, moderada por Chang Tsong-zung, fundador da galeria Hanart TZ. A entrada para o espaço de mais de três mil metros quadrados é livre. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Bes

“Trycicle Thief” soma e segue com menções positivas, desta vez tendo vencido o prémio Kodak mais importante para estudantes. O filme de Maxim Bessmertny, realizador de Macau, retrata a ganância e as necessidades do ser humano

Cinema Realizado

M

axim Bessmertny venceu o prémio Kodak Student Gold Award 2015, com o filme “Trycicle Thief”. Feito em Macau e pelo russo radicado no território, o filme retrata a vida de um condutor de riquexós e do que acontece quando o seu triciclo é furtado por um homem de negócios. A Kodak, com sede em Nova Iorque, nomeou cinco estudantes como vencedores dos prémios Kodak Scholarship Program 2015, uma competição mundial que acontece anualmente em colaboração com a Universidade de Filme e Vídeo, em Chicago. Este ano, as candidaturas atingiram “um número recorde”, como indica a organização, com mais de 55 instituições de ensino de Cinema a participar. As universidades escolheram os alunos que consideraram mais aptos a receber o prémio, que consiste em bolsas de estudo e prémios monetários. A estudar em Singapura, na New York University’s Tisch

School of the Arts Asia, Max Bessmertny foi o vencedor do primeiro prémio, que lhe valeu dez mil dólares em bolsas de estudo. O realizador admitiu ao HM que nem acreditava quando soube que tinha vencido.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Os Lusíadas para Gente Nova • Vasco Graça Moura

Um livro admirável em que Vasco Graça Moura, um dos mais destacados poetas portugueses, dialoga, em verso, com o texto camoniano, iluminando, esclarecendo e exaltando o canto originário. Através de um perfeito equilíbrio entre a reescrita modernizadora e a fidelidade à estrutura e aos significados da epopeia de Camões, Vasco Graça Moura assina uma obra indispensável a professores, educadores e jovens, para a compreensão fluída, correcta e abrangente de Os Lusíadas pelas novas gerações.


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ssmertny de ouro

ealizador de Macau vence prémio Kodak Student Gold Award 2015

“A minha primeira reacção foi ‘não me acredito’. Pensei que estavam a brincar comigo”, diz, sorrindo. Mas, depois, caiu em si. “Depois, senti-me honrado por muitas razões. Não é

por mim, é pela natureza do prémio, a natureza dos filmes. Não necessariamente o ‘Trycicle Thief’, mas a combinação das coisas. Primeiro, porque me lembro de ver filmes como ‘Tarkovsky’s Stalker’

e ‘La Dolce Vita’, porque o meu pai e os amigos adoravam estes filmes. Lembro-me que, das primeiras vezes, nunca me senti inspirado com isto. Era um adolescente, ignorante, que não sabia muito

HK Festival do gelado com caminhada e concurso

Gulosos tenham atenção a isto. É já nos próximos dias 22 e 23 de Agosto que, na região vizinha, os verdadeiros apreciadores de gelados irão poder desfrutar do maior pecado: a gula. “Ice Cream Festival” é o nome do evento a decorar. O concurso, que começou no início do mês, é composto por três momentos: um campeonato de equipas, um concurso do concorrente que mais gelado comer sem recorrer ao uso das mãos para o fazer e uma caminhada pela cidade. Podem participar crescidos e pequenotes, desde que tenham mais de quatro anos. O concurso será dividido por eliminatórias e faixas etárias. O vencedor da equipa dos adultos poderá ganhar um relógio da marca ICE, no valor de 1980 dólares de Hong Kong e um voucher de cinco mil dólares, patrocinado pela marca Zuji. O vencedor da equipa das crianças irá ganhar um “kit de volta à escola”. Aos 200 primeiros finalistas da caminhada serão entregues cupões de consumo do maior patrocinador do evento, o Lab Made. Delicie-se e divirta-se com a família.

de coisa nenhuma. Mas eu adorava já trabalhar com pessoas do mundo do teatro, da música... Aos poucos, comecei a identificar-me com os filmes que me estavam a ser mostrados”, explica Max Bessmertny ao HM. Foi depois de longas noites e diversão na sua adolescência, aos vinte, que Max se apercebeu do que realmente queria fazer. “Vi o fime ‘Citizen Kane’, que estava escondido numa misteriosa caixa de DVDs em minha casa.” E foi aí que o clique aconteceu. Ou que, pelo menos, chegou a certeza de que o Cinema era o futuro do jovem realizador. “Trycicle Thief” é a mais recente curta-metragem de Max Bessmertny, tendo passado já em diversos locais no território e na região vizinha.

Em Novembro do ano passado, o realizador dizia ao HM que o destino do filme “se faria por ele próprio”, algo que acabou por acontecer este mês. Um filme sobretudo da “ganância e necessidade humanas”, que tem Macau como pano de fundo. Max Bessmertny veio para o território com cinco anos, tendo estudado em Londres, Tailândia e Singapura, mas mantendo sempre uma forte ligação à Macau que a viu crescer e onde quer, diz, desenvolver a sua carreira. Por agora, o realizador mantém-se em filmagens para a sua próxima produção, tendo realizado recentemente campanhas publicitárias para diversos empreendimentos de Macau. O segundo prémio Kodak 2015 foi entregue a Paulina

Skibinska da National Film School em Lodz, na Polónia, com o filme “Object”. Matvey Fiks da School of Visual Arts em Nova Iorque venceu o terceiro prémio com “Babushka”. Estes prémios são atribuídos anualmente e a Kodak promete continuar a fazê-lo. “A Kodak é fervorosamente devotada à próxima geração de cineastas”, disse Andrew Evenski, presidente da Kodak’s Entertainment & Commercial Films, citado num comunicado da organização. “Ter uma parceria com a Universidade de Filme e Vídeo tem-nos mantido constantemente ligados às instituições que ensinam estes novos artistas.” Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo


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hoje macau quinta-feira 13.8.2015

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 31/P/15 - Obras de Remodelação das Salas de Exame n.os 7 e 8 do Serviço de Imagiologia 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14 15. 16.

Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. Objecto da Empreitada: Realização das Obras de Remodelação das Salas de Exame n.os 7 e 8 do Serviço de Imagiologia. Prazo máximo de execução: 120 (cento e vinte) dias. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 (noventa) dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: A empreitada é por Série de Preços. Caução provisória: MOP 150 000,00 (cento e cinquenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução, aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: Não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 11 de Setembro de 2015 (Sexta-feira), até às 17:30 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do acto público: Local: Sala do «Museu» situada junto ao Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora: Dia 14 de Setembro de 2015 (Segunda-feira), pelas 10:00 horas Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso público. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 17 de Agosto de 2015 (Segunda-feira), às 15:00 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar. Hora: Horário de expediente (das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: MOP 111,00 (cento e onze patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: Preço razoável Materiais e equipamentos duradouros de boa qualidade Programa de execução da obra Programa de trabalhos Prazo para execução da obra Experiência em execução das obras Integridade e honestidade

40% 10% 20% 10% 10% 05% 05%

17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar, a partir de 12 de Agosto de 2015 (Quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 6 de Agosto de 2015

O Director Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 27/P/15 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 21 de Julho de 2015, se encontra aberto o Concurso Público para <<Fornecimento e Instalação de Uma Cromatografia Gasosa Acoplada a Espectrometria de Massas no Modo Tandem (GC-MS/MS) aos Serviços de Saúde>>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 12 de Agosto de 2015, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP42,00 (quarenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer no Laboratório de Saúde Pública dos Serviços de Saúde, no dia 17 de Agosto de

2015, às 15,30 horas. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 10 de Setembro de 2015. O acto público deste concurso terá lugar no dia 11 de Setembro de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do <<Museu>> situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP53.900,00 (cinquenta e três mil e novecentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Serviços de Saúde, aos 6 de Agosto de 2015 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 29/P/15 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de Julho de 2015, se encontra aberto o Concurso Público para <<Fornecimento e Instalação de Um Equipamento Para Testes de Imuno-Hematologia aos Serviços de Saúde>>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 12 de Agosto de 2015, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP40,00 (quarenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 7 de Setembro de 2015. O acto público deste concurso terá lugar no dia 8 de Setembro de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do <<Museu>> situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP$27.000,00 (vinte e sete mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Serviços de Saúde, aos 6 de Agosto de 2015 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


china

hoje macau quinta-feira 13.8.2015

Comércio com os países de língua portuguesa caiu 25,6% até Junho

Em linha com o mundo A Produção industrial cresceu 6% em Julho

A produção industrial na China aumentou 6% em Julho em comparação com o período homólogo do ano passado, informou ontem o governo. O indicador, que mede a produção nas fábricas, oficinas e minas na segunda maior economia mundial, registou um aumento inferior ao apurado em Junho (6,8%). As vendas no retalho, um dos principais indicadores do consumo interno, aumentaram 10,5% no mesmo mês em relação a Julho de 2014, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas do país. E os investimentos em activos fixos, uma medida do gasto do governo em infra-estruturas, cresceram 11,2% em termos anuais no período entre Janeiro e Julho. Na última década, a economia chinesa cresceu em média 9,9% ao ano e em 2010 tornou-se a segunda maior do mundo, à frente do Japão e da Alemanha. Entre Janeiro e Junho deste ano, o PIB chinês atingiu 29,7 biliões de yuan (4,9 biliões de dólares), aumentando 7% em relação ao primeiro semestre de 2014, indicou a mesma fonte.

s trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa caíram 25,62% no primeiro semestre do ano, fixando-se em 48,11 mil milhões de dólares, indicam dados oficiais. Dados dos Serviços de Alfândega da China, publicados na página online do Fórum Macau, indicam que, entre Janeiro e Junho, a China comprou aos países de língua portuguesa bens avaliados em 28,57 mil milhões de dólares – menos 35,38% – e vendeu produtos no valor de 19,53 mil milhões de dólares, menos 4,53% em termos anuais. O Brasil manteve-se como o principal parceiro

económico da China, com o volume das trocas comerciais bilaterais a cifrar-se em 34,24 mil milhões de dólares até Junho, menos 19,27% do que no período homólogo do ano passado. As exportações da China para o Brasil atingiram 14,92

região protesto

comerciais caíram 45,24% para um total de 10,42 mil milhões de dólares (9,39 mil milhões de euros) até Junho. Pequim vendeu a Luanda produtos avaliados em 2,14 mil milhões de dólares– mais 2,77% – mas, em contrapartida, comprou mercadorias

avaliadas em 8,28 mil milhões de dólares, ou seja, menos de metade comparativamente a igual período do ano passado (-51,16%). Já com Portugal, terceiro parceiro da China no universo de países de língua portuguesa, o comércio bilateral ascendeu a 2,15 mil milhões de dólares – menos 5,89% –, numa balança comercial favorável a Pequim que vendeu a Lisboa bens de 1,41 mil milhões de dólares – menos 4,14% – e comprou produtos avaliados em 731 milhões de dólares, ou seja, menos 9,12% em termos anuais homólogos. Só em Junho, as trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa cifraram-se em 9,79 mil milhões de dólares, subindo 13,47% face ao mês anterior. Os dados divulgados incluem São Tomé e Príncipe, apesar de o país manter relações diplomáticas com Taiwan e não participar directamente no Fórum Macau.

‘site’ da nova empresa da Google bloqueado

A sina do Alfabeto O ‘site’da Alphabet, a nova empresa-mãe do grupo Google, foi bloqueado na China menos de 24 horas após a sua criação, segundo a agência France Presse (AFP). O governo chinês mantém uma vigilância apertada sobre o tráfego ‘online’ dos seus cidadãos, e censura a nível nacional todos os ‘sites’ da Google, incluindo o Gmail (correio electrónico), o Youtube (partilha de vídeos) e o Google Maps (mapas ‘online’), tendo

Carvão Explosão de gás mata 10 Dez trabalhadores morreram numa explosão de gás ocorrida na tarde de terça-feira numa mina de carvão da província de Guizhou, na China, informaram nesta quartafeira as autoridades locais através da agência “Xinhua”. O acidente ocorreu num poço da cidade de Louxia, na comarca de Puan. As equipas de resgate continuam a trabalhar na área para recuperar os corpos, enquanto as autoridades averiguam as causas do acidente.

mil milhões de dólares, traduzindo uma quebra de 7,99%, enquanto as importações totalizaram 19,32 mil milhões de dólares, menos 26,24%. Com Angola, o segundo parceiro chinês no universo da lusofonia, as trocas

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o Alphabet sido incluído na lista, apesar de a nova página apenas contar com uma mensagem escrita do co-fundador e chefe executivo da Google, Larry Page. A ‘Grande Firewall’ chinesa impede ainda o acesso a redes sociais como o Facebook e o Twitter, ‘sites’ de pornografia e versões ‘online’ de jornais como o norte-americano New York Times. A gigante da internet Google anunciou na segunda-feira uma restruturação inesperada, para melhorar a

gestão e colocar os produtos da secção de investigação e desenvolvimento (I&D) sob uma nova designação corporativa - Alphabet (Alfabeto). AAlphabet Inc. substitui assim a Google Inc. como uma entidade de capital aberto, sendo que todas as ações da Google vão automaticamente ser convertidas em acções da Alphabet, com os mesmos direitos. Como resultado da restruturação, a Google passará a ser uma subsidiária total da empresa Alphabet.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 30/P/15

• Um homem imolou-se pelo fogo ontem no exterior da embaixada japonesa em Seul, durante um protesto para exigir um pedido de desculpas de Tóquio pelas mulheres sul-coreanas forçadas a prestar serviços sexuais durante a II Guerra Mundial.

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de Julho de 2015, se encontra aberto o Concurso Público para <<Fornecimento de Equipamentos Laboratoriais Cedidos Como Contrapartida do Fornecimento de Reagentes ao Centro de Transfusões de Sangue dos Serviços de Saúde>>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 12 de Agosto de 2015, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP40,00 (quarenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 14 de Setembro de 2015. O acto público deste concurso terá lugar no dia 15 de Setembro de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do <<Museu>> situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 220 000,00 (duzentas e vinte mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Serviços de Saúde, aos 6 de Agosto de 2015 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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Prestação dos serviços de jardinagem, manutenção e aluguer de plantas/flores (01/01/2016-31/12/2017), prestados no Campus Principal do Instituto Politécnico de Macau

Substituição do Sistema Automático da Biblioteca do Instituto Politécnico de Macau

CONCURSO PÚBLICO N.º 01/DOA/2015

CONCURSO PÚBLICO N.º 03/DOA/2015

Faz-se público que, de acordo com o despacho de 23 de Julho de 2015, do Exm.º Senhor Secretário para Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a «Prestação de serviços de jardinagem e manutenção e aluguer de plantas/flores, prestados no Campus Principal do Instituto Politécnico de Macau».

Faz-se público que, de acordo com o despacho de 23 de Julho de 2015, do Exm.º Senhor Secretário para Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a «Substituição do Sistema Automático da Biblioteca do Instituto Politécnico de Macau».

1. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau.

1. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau.

2. Modalidade de concurso: Concurso Público.

2. Modalidade de concurso: Concurso Público.

3. Objecto do Concurso: Prestação dos serviços de jardinagem, manutenção e aluguer de plantas/flores (01/01/2016-31/12/2017), prestados nos Campus Principal do Instituto Politécnico de Macau.

3. Objecto do Concurso: Substituição do Sistema Automático da Biblioteca do Instituto Politécnico de Macau.

4. Período: 1 de Janeiro de 2016 a 31 de Dezembro de 2017. 5. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 6. Garantia provisória: $65 600,00 (sessenta e cinco mil e seiscentas patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau.

4. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 5. Garantia provisória: $50 000,00 (cinquenta mil patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau.

7. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato).

6. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato).

8. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso.

7. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso.

9. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 17 de Agosto de 2015, pelas 10H00. 10. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 01 de Setembro de 2015, antes das 17h45. 11. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 02 de Setembro de 2015, pelas 10H00. 12. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço Razoável (60%) - Qualidade do Serviço (40%): (a) Experiência profissional do dirigente e curriculum vitae dos trabalhadores que prestam serviços objecto do presente concurso (10%); (b) Tempo de experiência e envergadura do concorrente (7%); (c) Desempenho anterior de semelhantes serviços ou em outras instituições (incluindo locais e fotografias), principalmente na complexidade e desempenho satisfatório dos serviços (com dados do ano 2013 até ao presente) (4%); (d) Equipamentos e bens consumíveis para a prestação dos serviços objecto do presente concurso (4%); (e) Sugestões favoráveis aos serviços de jardinagem, manutenção e aluguer de plantas/ flores, prestado no Instituto Politécnico de Macau (7%); (f) Esclarecimentos na reunião (questões profissionais levantadas pelo Instituo Politécnico de Macau sobre a prestação de serviços de jardinagem, manutenção e aluguer de plantas/flores, prestados no Instituto Politécnico de Macau e o esclarecimento “in loco”, local proporcionado pelo concorrente.) (8%). 13. Local, preço e hora para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Hora: de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30.

Macau, aos 4 de Agosto de 2015 O Presidente em Exercício, Yin Lei

8. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 17 de Agosto de 2015, pelas 10H00. 9. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 31 de Agosto de 2015, antes das 17h45. 10. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Anfiteatro II, 1.º andar do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau. Hora e Data: 10H00, 1 de Setembro de 2015. 11. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço proposto (20%) - O grau de cumprimento dos requisitos funcionais e técnicas do sistema (40%) - Extensibilidade (desenvolvimento contínuo do sistema) e capacidade de convergência (10%) - Visibilidade e popularidade internacional do sistema (5%) - A envergadura e experiência do concorrente, a qualificação profissional, capacidade técnica e experiência relevante da equipa (10%) - Prazos de entrega (5%) - Plano de formação, serviço de apoio, manutenção e garantia (10%) 12. Local, hora e preço para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Hora: de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Telefone: 8599 6178, 8599 6123, 8599 6287

Macau, aos 4 de Agosto de 2015 O Presidente em Exercício, Yin Lei


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fichas de leitura*

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artes, letras e ideias

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Manuel Afonso Costa

O nefasto papel das paixões

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urante anos a minha imagem do Abade Prévost e da sua obra-prima Manon Lescaut esteve exclusivamente associada a um filme de 1968 com Catherine Deneuve, no papel de Manon e Jean Claude Brialy no papel de. Comete-se muitas vezes o erro de confundir a Manon Lescaut com Manon des Sources, filme sequela de Jean de Florette e que não tem nada a ver com Prévost, pois estes dois filmes baseiam-se na obra de Marcel Pagnol e toda a temática é absolutamente outra. Estes filmes são de Claude Berri, com Yves Montand, Emmanuelle Béart, Daniel Auteil e Gérard Dépardieu (le bossu), enquanto o filme baseado no romance setecentista que aborda em simultâneo a problemática do eterno feminino e o desejo de uma Vida Retirada se designa por Manon 70 e é de Jean Aurel com os actores já referidos e ainda Sami Frey. O romance do Abade Prévost é um dos muitos textos, contudo exemplar, das preocupações intelectuais típicas do século XVIII. Neste século encontramos repostas as maiores preocupações da cultura clássica, em particular o papel nefasto das paixões e encontramos também repostas as perspectivas que a cultura antiga elaborou tanto no período clássico, como no período helenístico, para tentar superar a aporia fundamental do tema: a auto reflexão sobre as paixões constitui um paradoxo, na aparência irresolúvel, pois se a paixão não existe não é possível pensá-la e quando existe e está presente, pela sua própria natureza, impede a clareza do espírito e obnubila irremediavelmente o pensamento. O pathos é inimigo da transparência a si do sujeito cognoscente. O pathos bloqueia a neutralidade crítica do espírito. É esta questão da relação entre a razão, a vontade e as paixões que atravessa grande parte do notável romance de Prévost, Mas o texto não é uma reflexão e por isso não pretende resolvê-la senão através do recurso ao retiro, o que é de todo o modo já um indício em si. Sabe-se que o tema mereceu soluções de vária ordem na antiguidade clássica, desde a metriopatia aristotélica até à solução radical dos estoicos propondo a completa extirpação dos pathe no quadro de uma apat(h)ia radical, passando pela solução, a meu ver a mais inteligente e sensata, do epicurismo que encontrava a solução através da moderação passional usando para esse efeito o papel de equilíbrio e harmonia que só a phronesis, mais tarde rebaptizada de prudência na cultura latina, pode levar a cabo, desde logo pela sua dimensão reflexiva e ponderativa mas também pela sua capacidade de iluminação transcendental. A phronesis aponta o caminho certo porque sobre ele calcula e pondera mas em boa verdade também porque antecipadamente o conhece. Não é o lugar

Prévost, Abade de, História de Manon Lescaut, Livraria Chardon Lelo e Irmão, Porto, [s.d.] Descritores: Literatura Francesa, Romance, Século XVIII, Tradução revista por João Grave, XIV, 225, 16 cm, Cota: LF/P9441h UDC A

aqui e agora para uma longa reflexão sobre as virtudes (aretai), mas percebe-se que sem o exercício delas, entregando-se o sujeito às paixões sem o auxílio do poder reflexivo do espírito e das suas faculdades práticas: a moderação, a temperança, a suspensão do juízo e da acção e finalmente a prudência; o sujeito facilmente se transvia. No século XVIII raras vezes encontramos posições ortodoxas que obedeçam a tradições intelectuais definidas. O Século XVIII é um século de síntese, de chegada e de descolagem para a modernidade e é por isso mesmo, na sua essência, marcadamente ecléctico e consequentemente o romance do Abade Prévost também o é. A própria vida do Abade exprime as contradições próprias do século e de algum modo as contradições da sua personagem, permanentemente dividida entre a embriaguez das paixões e uma vocação religiosa. No caso do romance o elemento nuclear gerador de toda a dinâmica dos acontecimentos é um encontro amoroso com todos os ingredientes de acaso e fatalidade. Os franceses exprimem este evento através da expressão afinal tão popular de “coup de foudre”. E atrevo-me a pensar que não haverá melhor expressão para caracterizar não

só o facto fundador mas os desenvolvimentos inelutáveis. A personagem que sofre o efeito de um “coup de foudre”, fica como que enfeitiçado e de imediato fragilizado nas suas qualidades de resistência ao apelo tumultuoso da paixão. O narrador fará mais tarde uma análise retrospectiva procedendo a uma espécie de recuo e distanciamento, mas em boa verdade o trágico já se havia produzido e este expediente funciona apenas para salvar o romance de conotações libertinas. O romance não é uma promoção da sensualidade, da paixão e da embriaguez dionisíaca mas também está muito longe de ser um romance de promoção dos bons costumes e dos valores morais virtuosos e ascéticos. A dois tempos o romance mostra a vertigem, o apelo incondicionado da felicidade associada aos prazeres dos sentidos, mostrando a vulnerabilidade da condição humana acossada pelas paixões e ao mesmo tempo mostra a inevitabilidade funesta dessa entrega incondicional e cega. Tal como por exemplo Diderot, o Abade Prévost mostra o carácter expansivo e vital das paixões e de algum modo promove-as no sentido em que nos mostra, sob o efeito da paixão, um ser enérgico, corajoso, determinado, verdadeiramente transfigurado, como

Antoine François Prévost, também conhecido como Prévost d’Exiles ou Abade Prévost nasceu em Hesdin a 11 de abril de 1697 e terá falecido em Courteuil a 23 ou 25 de Novembro de 1763. Foi um escritor francês, famoso sobretudo pela Histoire du Chevalier des Grieux et de Manon Lescaut, publicada em Amesterdão em 1731 como sétimo e último volume das Mémoires et aventures d’un homme de qualité qui s’est retiré du monde. A vida de Antoine François Prévost foi ela mesmo uma continuada aventura cheia de sobressaltos e momentos grandiosos. Foi noviço na Ordem dos Jesuítas, iniciou carreira militar, mais tarde depois de mais uma passagem breve pela Ordem de Jesus, ingressou na Ordem dos Beneditinos onde se tornaria Abade e finalmente padre em 1726, mas logo se fez expulsar em 1728. Em vias de ser preso fugiu para Inglaterra onde conheceu as delícias de uma paixão proibida o que o levou a fugir para a Holanda e finalmente antes de morrer subitamente voltou a França e ingressou de novo na Igreja Católica.

se a paixão operasse nele uma metamorfose do carácter e, da personagem pusilânime víssemos nascer uma personagem nova que entretanto passasse a ser governada por um élan vital empreendedor, gerador de poder, autenticidade e audácia. Mas é afinal tudo uma pura ilusão, pois a personagem não age no quadro das suas faculdades conscientes. Ele está como que hipnotizado, tendo sido golpeado pela fortuna e manipulado por um poder que o transcende e que ele não logra controlar. Faz sentido aqui utilizar a expressão francesa de ausência de maitrîsation. O ser não é mestre, não é senhor de si mesmo. As paixões logram essa metamorfose radical e muitas vezes trágica. Impõe-se uma pequena nota, escrupulosa, que faz toda a diferença relativamente à questão da ausência de maîtrise. Quando eu digo que a personagem não age no quadro das suas faculdades conscientes o que em última instância eu pretendo dizer é que a personagem não tem consciência da situação em que se encontra. Com este reparo eu regresso à aporia enunciada no início das minhas considerações. As paixões não podem combater-se quando não existem e não podem combater-se quando se apropriam de um ente determinado, porque a presença delas não se limita aos comportamentos que estimula e promove mas sobretudo porque provoca a obnubilação das faculdades que poderiam opor-se-lhe. Por isso no romance só mais tarde é que, depois da morte de Manon, e já, portanto, num momento de ressaca passional, a lucidez aparece. Esta lucidez aparece sempre a posteriori, ou seja, demasiado tarde. Agora, com o fogo extinto, é possível inventariar o que não devia ter acontecido, assim como a interpretação correcta do que aconteceu. Tal como na análise do processo histórico, as coisas ficam mais simples, mais fáceis e até mais compreensíveis quando sobre elas já decorreu o tempo. Apetece voltar a dizer o que eu disse em outro lugar a propósito de Marguerite Duras e citando Javier Cercas: somos sempre muito bons a prever o passado e eu acrescentaria, muito bons também a encontrar correcções retrospectivas, ... ah! se eu pudesse voltar atrás e saber o que sei hoje...

*No quadro da colaboração de Manuel Afonso Costa com a Biblioteca Central de Macau-Instituto Cultural, que consiste entre outras actividades no levantamento do espólio bibliográfico da biblioteca e na sua divulgação sistemática, temos o prazer de acolher estas “Fichas de Leitura” que, todas as quintas-feiras, poderão incentivar quem lê em Português.


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Cineteatro

O que fazer esta semana

Cinema

doraemon the movie: nobita and the space heroes Sala 1

fantastic four [b]

Filme de: Josh Trank Com: Miles Teller, Jamie Bell, Kate Mara, Michael B. Jordan 14.15, 17.55, 19.45, 21.45

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 16.05 Sala 2

attack on titan [c]

Falado em japonês legendado em chinês e inglês Filme de: Shinji Higuchi Com: Haruma Miura, Kiko Mizuhara 14.15, 16.05, 17.55, 21.45

Sábado

exposição “I am my own landscape” de Crystal Chan Albergue SCM, 18h30 (até 22/08) Entrada livre Exposição de fotografia “Cities” Creative Macau (até 20/08) Entrada livre Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre

Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

Sala 3

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 14.30

to the fore [b]

Falado em cantonês e mandarim legendado em chinês e inglês Filme de: Dante Lam Com: Eddie Peng, Siwon Choi, Shawn Dou 16.30, 19.15, 21.30

13 de agosto

Construção do Muro de Berlim

Diariamente

Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 19.45

Aconteceu Hoje

Concerto da Tuna de Medicina do Porto Casas-Museu da Taipa, 17h00 Entrada livre

“A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

U m d i s c o h o j e “Broke with Expensive Taste” (Azealia Banks, 2014) Foi em 1991 que nasceu Azealia Banks, mesmo no coração de Nova Iorque, no bairro de Harlem. A rapper e cantora afro-americana sagrou-se no mundo da música há cerca de três anos, ocupando palcos de vários festivais mundiais, como o Coachella, nos EUA. Deste álbum aconselham-se ‘212’, ‘Chasing Time’ ou ‘Miss Amor’. Diga-se, por experiência própria, que Banks dá concertos absolutamente inesquecíveis, que contam com o apoio incondicional do público nas letras e na dança. A batida electrónica está constantemente presente e embora alguns dos outros álbuns da cantora não valham assim tanto a pena, “Broke with Expensive Taste” é, efectivamente, um disco a não perder. Leonor Sá Machado

• A 13 de Agosto de 1961, soldados soviéticos começam a construção do Muro de Berlim. Esta era uma barreira física construída pela República Democrática Alemã (Alemanha Oriental - socialista) durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental (capitalista), separando-as. Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos e a República Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países socialistas sob jugo do regime soviético. Construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Socialista com ordens de atirar para matar os que tentassem escapar, o que provocou, segundo dados do regime socialista, a morte de 80 pessoas, 112 feridos e milhares de aprisionados nas diversas tentativas de fuga para o ocidente capitalista, além de separar, até à sua queda, dezenas de milhares de famílias berlinenses que ficaram divididas e sem contacto algum. Os números de mortos, feridos e presos são controversos pois os dados oficiais do fechado regime socialista são contestados por diversos órgãos internacionais de Direitos Humanos. Antes da construção do Muro, 3,5 milhões de alemães orientais tinham evitado as restrições de emigração do Leste socialista e fugiram para a Alemanha Ocidental, muitos ao longo da fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental. Durante a sua existência, entre 1961 e 1989, o Muro quase parou todos os movimentos de emigração. O governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de Novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental Capitalista e Berlim Ocidental. Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o Muro, juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, numa atmosfera de celebração. Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e por caçadores de lembranças. A queda do Muro de Berlim abriu o caminho para a reunificação alemã que foi formalmente celebrada em 3 de Outubro de 1990. Neste dia, em 1899 nasce Alfred Hitchcock, cineasta britânico. Em 1926, nasce Fidel Castro, ex-presidente de Cuba.

fonte da inveja

Quando nada faz sentido, ficas a pairar sobre mim.

João Corvo


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opinião

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Rui Flores

ruiflores.hojemacau@gmail.com

dissonâncias

John Huston, The African Queen

O legado africano de Obama

A

recente visita do Presidente norte-americano a África, a última de um Barack Obama na reta final do segundo mandato, foi aproveitada por muitos analistas para avaliar o legado de Barack Obama para com o continente onde tem as raízes paternas. Os balanços são mais ou menos positivos consoante as filiações políticas dos autores. Mas embora Obama não tenha feito tanto pelo continente como os seus antecessores, parece estar a ser vítima das expectativas exageradas que foram criadas pela sua eleição. Quando Barack Obama foi eleito em 2008, eu estava então a trabalhar em África para a Organização das Nações Unidas (ONU). Assisti nesse dia a uma alegria infindável quer da população do país onde me encontrava em missão – o Chade, na fronteira entre o Sahel e a África negra, constituído na sua vasta maioria por uma população de fé muçulmana – quer dos colegas das Nações Unidas de origem africana. Foi como se de repente todo um novo mundo se abrisse aos nossos olhos, tudo porque o povo norte-americano, através do seu voto, havia escolhido o primeiro Presidente negro da sua história. No país mais poderoso do mundo.

O “yes, we can!” era muito mais do que um slogan de campanha. Era toda uma política, de igualdade, de respeito pelas minorias, de afirmação do ser humano, que se tornava possível. Isso não era pouco. Perpassava a sensação de que tudo era agora possível, de que o mundo se iria tornar um lugar mais justo, mais integrado, menos desigual. E era por isso que muitos dos meus colegas africanos (mesmo aqueles que estavam em posições de chefia e que, por trabalharem para uma organização que tinha como princípios orientadores a igualdade entre géneros e a diversidade geográfica, foram sentindo ao longo dos anos menos a discriminação do que outros) se abraçavam e sorriam como se de uma ocasião única se tratasse. Muitos deles imprimiram nesse dia imagens de um sorridente Obama, disponíveis na internet, e colocaram-nas na parede em frente às suas secretárias. Outros tinham-no feito muito antes, quando o candidato democrata começara a

corrida para a Casa Branca. Nesse dia, no dia em que é eleito, Obama conquista muitos daqueles que nunca quiseram acreditar para não se desiludirem. E este é o primeiro legado – o principal, talvez – que Obama deixa aos africanos. Tudo é possível. É possível acabar com os estigmas, com os fatalismos. É possível cortar as raízes do subdesenvolvimento. Dos atavismos. Por ter feito as pessoas acreditarem, Obama deu-lhes um capital maior do que o resultado das suas políticas para com o continente africano. Um capital que o Comité Nobel Norueguês reconheceu com a atribuição do Nobel da Paz. O prémio, atribuído logo em 2009, no início do seu primeiro mandato, foi-lhe concedido pelos seus esforços para fortalecer a diplomacia internacional e “a cooperação entre povos”. Mas também foi para salientar as diferenças entre a prática política do seu antecessor no cargo, que avançou para o Iraque, na

Obama é uma vítima das expectativas elevadas que foram criadas com a sua eleição. Mas como qualquer político bem sabe, a arte da governação passa pela gestão das expectativas

sequência dos ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001, sem mandato do Conselho de Segurança da ONU. Obama transformou-se, entretanto, no campeão dos ataques por drones, tendo sido contabilizados, oficialmente, até ao início deste ano, mais de 450 em países com os quais os Estados Unidos não estão em guerra, como o Iémen, o Paquistão e a Somália. Nove vezes mais do que os ataques autorizados por Bush e que mataram perto de 2500 pessoas, entre as quais 314 civis. É sobretudo “contra” George W. Bush que as comparações em matéria de política externa têm de ser feitas. Os especialistas em política externa lembram que o presidente republicano pôs em prática a Millennium Challenge Corporation, destinada a erradicar pobreza, apostando nas práticas de boa governação, e aprovou o Plano de Emergência para o Combate à SIDA. E que as iniciativas de Obama, como o Power Africa, uma parceria com os governos africanos que pretende alargar a plataforma de recrutamento de pessoas para as posições de chefia na África subsaariana, e a Young African Leaders Initiative, que tem como objectivo formar a próxima geração de empreendedores, educadores, activistas e inovadores, estão muito aquém do impacto dos programas desenvolvidos por W. Bush. No continente africano, Obama continua a dar prioridade à segurança sobre o respeito pelos direitos humanos ou às parcerias económicas. O comando militar americano no continente (Africom) está consolidado, mas falta uma presença visível norte-americana em termos de parcerias comerciais. Os chineses estão em África. Os indianos estão em África. Mas falta uma presença considerável de investimento Made in USA, reforçando uma certa frustração de líderes de opinião que esperavam que essa presença contribuísse para um reforço dos direitos humanos e para uma consolidação do Estado de Direito. Um pouco à imagem da declaração feita por Obama em Addis Abeba, no final da visita ao continente, em que afirmou que os presidentes não podem perpetuar-se no poder e que nada vai libertar mais o potencial económico de África do que eliminar o cancro da corrupção. O discurso não acompanha a prática, que uma presença norte-americana reforçada poderia forçar. De certa forma, Obama é uma vítima das expectativas elevadas que foram criadas com a sua eleição. Mas como qualquer político bem sabe, a arte da governação passa pela gestão das expectativas. E no caso das expectativas criadas por Obama, como o fecho imediato da Prisão de Guantánamo na ilha de Cuba, que permanece ainda hoje operacional, o Presidente não conseguiu concretizar o que se propusera fazer.


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Leocardo

bairro do oriente

O

que dizemos a um indivíduo que conhecemos mal, mais ou menos, ou não nos interessa conhecer melhor? “Olá, Tudo bem?” ou simplesmente “Tudo bem?”. O tipo responde-nos “Tudo”, ou “Sim”, ou se tiver um bocadinho de modos retribui com um “Tudo bem, e tu?” – certo? Não, errado! Tudo bem não; tudo mal! Confesso que já fui viciado em “tudo bens” mas deixei o hábito. Quando vejo alguém que conheço mal, aceno com as mãos ou com a cabeça, e se ele passar à minha frente digo-lhe “olá”. Se for um amigo mais próximo detenho-me e troco dois dedos de conversa, que podem começar como “Então como vai isso?”, mas nunca “tudo bem”. Este “tudo bem” é um momo, uma falsidade, um engodo. Devia ser considerado falta de etiqueta perguntar “tudo bem?”. Mais do que isso, devia ser considerado um insulto: “olha lá pá, esse ‘tudo bem’ foi p’ra mim, é?”. Este “tudo bem?” é uma farsa, uma desonestidade. Um tipo que conhecemos mal passa por nós com passo apressado, atira com um “tudo bem?” e nós dizemos “sim”, porque: 1) é má educação não dizer nada e 2) o tipo vai embora e não chateia mais. Ele diz “tudo bem?”, e não nos pergunta se está mesmo tudo bem: o gajo está-se nas tintas, e quer é levar com o “sim” da praxe para depois ir à sua vida. E nós cumprimos este ritual patético à letra, damos-lhe o “sim” que ele pediu, e acaba ali, pronto, não se fala mais nisso. Até ao próximo “tudo bem?”, pelo menos. É que mesmo que esteja tudo mal, porque deviamos de partilhar o nosso problema com alguém que nem conhecemos? Há um tipo de “tudo bem?” que esconde segundas e terceiras intenções, que leva água no bico, especialmente se nos acontece um azar qualquer de que todos ficam a ter conhecimento (isto é frequente entre a comunidade portuguesa em Macau). Nesse caso arriscamos-nos a encontrar um dos “tudobembâdos” que se mete à nossa frente, olhas bem abertos e pescoço inclinado para a esquerda, como se para ver se estivemos a chorar, e pergunta “tudo bem?”. Se estamos com paciência, podemos falar do problema com ele: “olha, como já sabes...”, e se não merece mais que desprezo dizemos “sim, tudo”, fim de conversa. Aí é possível que o mala insista: “tudo, mesmo, de certeza?”. Aí dá vontade de responder “epá se já sabes porque é que perguntas?”, mas se não nos apetece mesmo andar ali a dar satisfações podemos optar por um “sim, tudo, com licença que estou com pressa”. Mas partilhemos ou não a angústia, nunca ficamos bem vistos no fim; se falamos, o tipo vai dizer

Fernando Lopes, Nós por Cá Todos Bem

Tudo mal, obrigado

aos outros melgas iguais a ele: “epá encontrei o coiso e tal, coitado está arrasado, com o coração nas mãos”. Se os evitamos, dizem “olha vi o coiso e está mesmo em baixo, e nem quer quer tocar no assunto, coitadinho”. É ser preso por ter cão e ser preso por não ter. Mas o que esperar da reacção destes toureiros a cavalo que espetam bandarilhas do “tudo bem” à traição? E se em vez se “tudo” ou “sim”, optamos por uma resposta alternativa? Para melhor entender as probabilidades, elaborei uma tabela: Se respondemos categoricamente “não”, ou “nem por isso”, pode-se esperar o seguinte: 1) O tipo fica genuinamente interessado no nosso caso e até pergunta “então porquê?”. Se lhe explicamos o problema, ele: 1a) Ajuda-nos, porque a solução está ao seu alcance, ou indica-nos alguém que o possa fazer, o que não é o mesmo mas é melhor que nada. 1b) Lamenta não poder ajudar, pois o problema é demasiado pessoal, ou do foro íntimo.

1c) Lamenta não poder ajudar mas se calhar até podia dar uma mãozinha, só que não está para chatear - isto acontece normalmente com problemas de dinheiro. 1d) Responde “a sério?” ao que se segue um “paciência”/”boa sorte”/”as melhoras”. O filho da mãe... 1e) Responde “epá olha, é a vida”, depois olha para o relógio e diz “estou com pressa, depois a gente fala”. Despedimos-nos do cínico com um “’tá bem, ‘té logo”, e ficamos a desejar que seja atropelado assim que atravessar a rua. 1f) Diz “Ai é? Ah, ah, ah”. Esses são apenas parvinhos. Se a resposta é “mais ou menos”, ou “assim-assim”, estamos a seduzi-lo, a chamá-lo para a cama da lamentação, com a alma húmida e ardente de desejo pela sua curiosidade. Reacções possíveis: 2) Ele é um daqueles tipos porreiraços que pensa que é amigo de toda a gente e está sempre disposto a dar uma mãozinha, mas no fim deixa tudo na mesma ou pior, e cujos conselhos incluem:

O “tudo bem?” anda por aí todos os dias, na boca de gente de todos os quadrantes, profissões, idades, géneros, raças, religião o orientação sexual. A única vacina para nos protegermos eficazmente deste “tudo bem?” vindo da parte de alguém que mal conhecemos e nem sequer nos lembramos do nome é um seco “o que é que tu tens a ver com isso?”

2a) “Ai é? Olha cuidado com isso, que eu tinha uma tia que apanhou essa merda e já foi desta para melhor” 2b) “Ouve lá, já tive esse problema, e sabes o que foi que eu fiz?” – ao que se segue um rol de palermices e dicas inúteis. 2c) “Água. Bebe muita água”. 2d) “Os meus pêsames pá. Ouve...ganda cena. Fogo, pá”, enquanto nos abraça e nos dá violentas palmadas nas costas, fingindo estar em prantos pela morte da nossa tia ou sogra. 3) Os que se estão nas tintas para nós: 3a) O filósofo: “Só mais ou menos? Do jeito que isto está, podia ser pior” 3b) O polícia: “Vê lá, vê lá. Juizinho...” 3c) A avózinha: “Agasalha-te bem e não fumes tanto. Em alguns casos em que a vítima do “tudo bem?” alheio tem uma reacção ainda mais parva, retorquindo com inanidades do tipo “faz-se o que se pode”, “vai-se andando” ou “com altos e baixos”. Estas respostas que não são carne nem peixe podem levar com um indiferente “ah...”, ou “pois”, e o autor do “tudo bem?” acaba saindo por cima. O “tudo bem?” anda por aí todos os dias, na boca de gente de todos os quadrantes, profissões, idades, géneros, raças, religião o orientação sexual. A única vacina para nos protegermos eficazmente deste “tudo bem?” vindo da parte de alguém que mal conhecemos e nem sequer nos lembramos do nome é um seco “o que é que tu tens a ver com isso?”. Mas é preciso ter tomates. Para um sacana, sacana e meio.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Macau Novo Banco fecha com lucro

O Novo Banco Ásia fechou as contas do primeiro semestre em Macau com lucros de cerca de 1,6 milhões de patacas, em linha com o apurado em quase todo o ano de 2014. O Novo Banco Ásia registou 25,3 milhões de patacas de custos e 26,93 milhões de patacas de proveitos, perfazendo assim 1,6 milhões de patacas de lucro no primeiro semestre. Em 2014 a unidade bancária fechou a operação com 2,4 milhões de patacas, de lucro, menos 93,9 % do que em 2013.

SJM anuncia quebra de 54,1% A

Sociedade de Jogos de Macau, fundada por Stanley Ho, anunciou ontem uma queda de 54,1% nos lucros do primeiro semestre do ano para 1791 milhões de dólares de Hong Kong. De acordo com os dados não auditados fornecidos pela empresa, as receitas do grupo totalizaram entre Janeiro e Junho 26.611 milhões de dólares de Hong Kong, menos 40,1% do que no mesmo período de 2014. Só em receitas de jogo, a SJM, actualmente liderada por Angela Leong, a quarta mulher do magnata dos casinos, arrecadou 26.319 milhões de dólares de Hong Kong, menos 40,3%. Com estes

resultados, a empresa vai pagar dividendos por acção de 31,7 cêntimos de dólar de Hong Kong, menos quase 55% do que nos primeiros seis meses de 2014. Na nota de imprensa, a SJM salienta ser detentora de 22,3% de quota, num mercado disputado por seis operadores. Apesar da crise que tem levado as receitas dos casinos a cair nos últimos 14 meses, Ambrose So, presidente do Conselho de Administração reafirmou a aposta da companhia em “melhorar o atendimento aos seus clientes” e disse que a construção do novo complexo no Cotai deverá estar completa em 2017, como o previsto pela empresa.

Alibaba desilude

A Alibaba apresentou esta quartafeira os resultados trimestrais, que falharam as estimativas. A empresa de ‘e-commerce’ até mostrou uma subida de 28% das receitas no segundo trimestre, mas o valor ficou abaixo dos 3,39 mil milhões de dólares esperados pelos analistas. A Alibaba teve o menor ritmo de crescimento em mais de três anos, segundo a Reuters. O resultado líquido aumentou em 30% para 1,5 mil milhões de dólares.

Pyongyang Alto dirigente fuzilado

O vice-primeiro ministro nortecoreano, Choe Yong-Gon foi executado por ter expressado frustração sobre as políticas de Kim Jong-Un, divulgou a agência Yonhap. Choe Yong-Gon foi executado em Maio após manifestar oposição às políticas florestais seguidas por Kim Jong-Un.

MH370 Familiares não acreditam

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Um grupo de familiares do voo MH370 disse ontem rejeitar a declaração do governo da Malásia de que os destroços encontrados numa ilha do oceano Índico pertencem ao avião desaparecido até que seja feita uma análise mais «conclusiva». O grupo Voice 370 também reiterou as suas suspeitas quanto à forma como o governo malaio tratou do desaparecimento do avião desde o ano passado e pediu uma análise realizada por autoridades imparciais aos destroços do aparelho. Em Pequim, familiares de vítimas do acidente manifestaram desconfiança e irritação com o anúncio feito pela Malásia e juntaram-se frente aos escritórios da Malaysia Airlines na capital chinesa para pedir explicações.

Estética Vídeo a explodir pessoas é «horrível», dizem talibãs

Os novos limites do mal O s talibãs afegãos qualificaram de «brutal» e «horrível» um vídeo que mostra combatentes ligados ao Estado Islâmico no Afeganistão a fazer explodir os seus prisioneiros. O vídeo macabro, filmado segundo os autores a este do Afeganistão e difundido esta semana nas páginas de internet ligadas ao Estado Islâmico, descreve os seus prisioneiros como sendo apoiantes do governo afegão ou dos talibãs, facto que estes últimos já negaram. «Este vídeo horrível mostra os sequestradores como associados à Daech (acrónimo árabe de Estado Islâmico) a matar brutalmente variados chefes de tribos e aldeãos através de explosivos», indicaram os talibãs em comunicado, afirmando estar contra um acto «intolerável», perpetrado «por um punhado de indivíduos ignorantes que se reclamam do Islão». Os talibãs são acusados de ter multiplicado as suas atrocidades enquanto estavam no poder em Cabul entre 1996 e 2001, e depois

da sua insurgência contra as forças estrangeiras e seus aliados locais. Um recente relatório da ONU revela que os insurgentes são responsáveis pela maioria dos ataques contra civis no Afeganistão que atingiram níveis recorde nos primeiros seis meses do ano, marcando o fim da missão de combate da NATO no país. Desde o início do ano, os jihadistas afegãos mudaram o tom para se juntar às fileiras da filial local do Estado Islâmico que procura expandir o seu “califado” proclamado em partes da Síria e do Iraque. Os talibã advertiram que o Estado Islâmico (EI) iria pagar o preço se se estabelecessem nas suas terras. «Actualmente, o inimigo número 1 dos talibãs é o Estado Islâmico. Condenando (o vídeo do Estado Islâmico), os talibãs querem projectar a imagem de um grupo legítimo e enfraquecer o EI como um fenómeno estrangeiro visando atingir o Islão. Mas a população não pode esquecer os seus crimes», disse Atiqullah Amarkhil, um analista militar baseado em Cabul.

Os analistas avançam que o EI podem beneficiar da dissidência recente no seio dos talibãs à proposta da designação do Mullah Akhtar Mansour como sucessor de Mullah Omar, líder histórico da rebelião cuja morte, que remonta a 2013, de acordo com as autoridades afegãs, foi anunciado no final de julho. Os membros da família de Mullah Omar, incluindo o seu filho Yacoub, também se recusaram a declarar lealdade ao Mullah Mansour, argumentando que ele tinha sido coroado no final de um processo «expedito e não consensual». O anúncio da morte de Mullah Omar levou ao adiamento das negociações de paz entre os talibãs e o governo afegão, e levou a uma nova vaga de atentados em Cabul reivindicados em parte pelas tropas de mollah Mansour. Esta violência entre talibãs também alterou as relações entre Cabul e Islamabad, com o presidente afegão Ashraf Ghani a acusar o vizinho Paquistão de ser responsável e, assim ter enviado uma «mensagem de guerra» ao Afeganistão.

RAEM Mais de 200 casos de burlas telefónicas

A

Polícia Judiciária recebeu 214 denúncias de burla telefónica no primeiro semestre, das quais cerca de 30% acabaram por se materializar, lesando as vítimas no equivalente a quase um milhão de euros. De acordo com dados facultados pela PJ à agência Lusa, houve 63 casos de burla telefónica em que os ofendidos sofreram prejuízos no valor total de 8,53 milhões de patacas. Após investigação conjunta, foram detidos, em Maio, dois residentes de Taiwan – um no interior da China e outro na ilha Formosa –, pelas respectivas polícias, indicou a PJ de Macau. Os casos recebidos pela PJ dizem respeito sobretudo a cinco tipos de burla, incluindo o famoso esquema “Adivinha quem sou eu”, em que um desconhecido se faz passar por um familiar ou amigo da vítima para obter dinheiro, ou “Ganhou um sorteio”. Outro prende-se com um esquema de alegada fraude em que potenciais burlões se apresentam como funcionários de órgãos do Estado chinês, caso para o qual a PJ tinha emitido, em Maio, um alerta à população, depois do registo de mais de uma centena de denúncias, incluindo 20 com prejuízos patrimoniais. Em Hong Kong, ocorreram, entre Janeiro e Junho, 200 casos deste esquema em particular, um número 50 vezes maior do que o registado no cômputo do ano passado, que foi de quatro, segundo dados publicados no mês passado pelo South China Morning Post. Segundo o jornal da antiga colónia britânica, as vítimas foram lesadas em cerca de 26,79 milhões de dólares de Hong Kong.

UEFA Messi, Suárez e Ronaldo finalistas

Ronaldo, Messi e Suárez são os finalistas do prémio para melhor jogador da UEFA 2014/2015. Cristiano venceu em 2014, enquanto Messi foi o eleito em 2011. Iniesta, em 2012, e Ribéry, em 2013, foram os outros galardoados. O anúncio do vencedor será durante o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, a 27 de Agosto.

Hoje Macau 13 AGO 2015 #3393  

N.º3393 de 13 de AGO de 2015

Hoje Macau 13 AGO 2015 #3393  

N.º3393 de 13 de AGO de 2015

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