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SEXTA-FEIRA 13 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4092

SULU SOU

CANÍDROMO

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MACAU, COMO EM 1984

MOP$10

SERÁ DESTA?

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ALEXANDER MILLAR

SOFIA MARGARIDA MOTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

OPINIÃO

ADEUS NOVO MACAU PAUL CHAN WAI CHI

hojemacau

Sem a devida vénia Song Pek Kei referiu que os advogados portugueses têm a vida facilitada no acesso à carreira em detrimento dos juristas formados na Universidade de Macau. O HM recolheu reacções às polémicas palavras da deputada, que são interpretadas como aproveitamento político, e esclarece os passos necessários para que um português exerça advocacia em Macau. GRANDE PLANO


2 grande plano

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ALTAde rigor e um discurso feito a pensar no jogo político, nos eleitorados e nos grupos de interesses protegidos. É desta forma que os discursos dos deputados Song Pek Kei e Chan Iek Lap foi encarado por várias das pessoas ouvidas pelo HM. As declarações dos legisladores foram proferidas na sessão do Plenário da passada quarta-feira. Também o secretário-geral da direcção da Associação dos Advogados de Macau (AAM), Paulino Comandante, nega que haja facilidades maiores para os advogados vindos de Portugal face aos causídicos formados no território. Numa sessão de debate sobre a autorização de residência em Macau através de investimentos considerados relevantes e para quadros qualificados vindo do exterior, Song Pek Kei fez questão de dizer que é necessário proteger as oportunidades para os residentes. Em seguida, a deputada passou ao ataque e afirmou que os advogados de Portugal têm a vida facilitada em relação ao estudantes da Universidade de Macau, que precisam passar “cada vez mais exames” para acederem à profissão. No entanto, a ideia é recusada pelo secretário-geral da Associação dos Advogados de Macau, Paulino Comandante, que explicou, ao HM, as etapas que os advogados portugueses têm de cumprir parar exercer em Macau. À partida, existem logo duas exigências: os candidatos têm de estar inscritos na Ordem dos Advogados de Portugal há três anos e ter experiência efectiva da profissão. Confirmados os critérios, podem fazer o curso de adaptação ao Direito local. “É um curso intensivo com uma duração de três meses, mas que devido às pausas normais do calendário se acabam prolongar por quatro ou cinco. Tem vários módulos e por cada módulo os candidatos são avaliados na componente escrita e oral. Se a nota da componente escrita for elevada, ficam dispensados da oral”, afirmou.

CERCA DE 12 EXAMES

POLÍTICA

EM CAUSA IMPROPRIA DISCURSOS DE SONG PEK KEI E CHAN IEK LAP CONSIDERADOS POUCO RIGOROSOS

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Song Pek Kei referiu que os advogados portugueses têm a vida facilitada no acesso à carreira, mas os profissionais do sector vindos de Portugal precisam de estar inscritos na ordem portuguesa há três anos e completar cerca de 12 exames em Macau. Além disso, o número de vagas anual é limitado. Uma realidade que contraria o discurso da deputada

conseguiram passar no exame”, apontou Paulino Comandante. “Não é nada fácil o acesso e as pessoas que vêm de Portugal não tem menos exames do que as pessoas formadas em Macau”, acrescentou. Também o director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, Gabriel Tong, considera que o acesso para os advogados vindos de Portugal não é facilitado. “Não estou em Macau e não ouvi as declarações [de Song Pek Kei]. Mas não me parece que haja fundamento para dizer que os alunos formados na Universidade de Macau enfrentam cada vez

mais exames. As oportunidades de acesso à profissão são iguais”, disse Gabriel Tong, ao HM. “Mesmo as pessoas que vêm de Portugal têm de fazer exames. Toda a gente que quer entrar na profissão está sujeita a exames. É necessário avaliar a qualidade dos profissionais que querem trabalhar em Macau”, acrescentou.

NUMERUS CLAUSUS

Uma das grandes preocupações demonstradas por Song Pek Kei foi o alegado excesso de advogados portugueses a tirar oportunidades aos locais. Contudo, existem

PEREIRA COUTINHO CRITICA COLEGAS

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ara o deputado José Pereira Coutinho a forma como a Song Pek Kei abordou a questão dos advogados vindos de Portugal foi “discriminatória” e “política barata”. “Song Pek Kei foi discriminatória ao criticar os advogados portugueses. Fiquei triste com a intervenção dela. Foi política barata e as declarações não têm base legal. Foi lamentável a intervenção”, apontou. “Também o deputado Chan Iek Lap criticou a vinda de médicos portugueses para Macau, alegando que a maioria da população é chinesa e que como os médicos precisam de tradução, que é uma despesa desnecessária. São duas intervenções que me deixam muito triste”, acrescentou.

quotas fechadas de acesso para advogados vindos do exterior. “Há numerus clausus. A quota anual de advogados vindos de fora não pode ser superior a 10 por cento do número total de advogados inscritos na associação. Mas também não pode ser superior a 50 por cento do número de advogados locais que foram inscritos na associação nesse ano, após de terem obtido aprovação no exame final”, explica o secretário-geral da direcção da AAM. Assim se houver 400 advogados inscritos, o número de causídicos vindos do exterior e inscritos nesse ano TIAGO ALCÂNTARA

Após completarem os módulos, os candidatos ainda têm de fazer o exame final. No total, precisam passar em 12 provas de avaliação. Concluído o curso com aproveitamento, os advogados vindos de Portugal têm ainda de cumprir um período de três meses, em que o seu estatuto é quase equiparado ao de um advogado estagiário. Durante estes três meses não podem exercer em nome individual e precisam de fazer parte de um escritório local. “O acesso não é fácil, nem há vida facilitada. Temos casos de advogados com alguma experiência em Portugal que vieram cá, fizeram o exame e, por vários motivos, não

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não pode ser superior a 40. Porém, se apenas 30 advogados locais conseguirem aprovação para entrarem na ordem, nesse ano, o número de advogados vindos de fora não pode ser superior a 15.

FALTA DE RIGOR

Por sua vez, o advogado Miguel de Senna Fernandes criticou a falta de rigor de Song Pek Kei e advertiu que mensagens deste género podem transmitir uma imagem para a comunidade local, que não corresponde à realidade, sobre benefícios para os portugueses. “Não é uma questão que se levante apenas por serem os advogados portugueses. Toda a situação é infeliz. Ela devia informar-se bem antes de fazer este tipo de declarações”, começou por frisar o causídico. “Estas declarações são transmitidas em chinês e passam uma imagem errada de que os advogados portugueses são beneficiados. Isto não é verdade e é um erro”, apontou. Miguel de Senna Fernandes frisou que é a favor da protecção


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das oportunidades para os advogados formados em Macau e para as gerações mais novas e que o ponto de partida da deputada é compreensível. Porém, uma intenção boa não justifica a falta de rigor. “O ponto de partida dela é positivo. Mas é fundamental que ela, como deputada com responsabilidades públicas e estando numa posição com impacto na formação da opinião pública, se informasse bem antes de comentar”, rematou. “O resultado que se vê é esta intervenção desajustada da realidade, que foi uma infelicidade. Absolutamente inoportuna” apontou. Miguel de Senna Fernandes coloca ainda a hipótese de a mensagem de ontem ter sido transmitida a pensar no eleitorado: “Se calhar adoptou o discurso que o eleitorado dela quer ouvir. Acredito que não tenha pessoalmente nada contra os portugueses. Mas com este tipo de discursos corre o risco de formar e passar ideias erradas face aos profissionais portugueses”, justificou.

REALIDADE QUE SE REPETE

José Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus, recorda que este tipo de discurso não é uma novidade. Porém, diz que não faz sentido numa altura em que Macau se prepara para integrar o projecto da Grande Baía, um objectivo que também passa pela internacionalização. “Este discurso não é novo. Agora falamos dos advogados, mas também está presente em outras latitudes políticas. Este discurso de que em Macau é preciso proteger o emprego dos residentes, o que também é verdade e é uma das competências do Governo, tem exageros”,

“O acesso não é fácil, nem há vida facilitada. Temos casos de advogados com alguma experiência em Portugal que vieram cá, fizeram o exame e, por vários motivos, não conseguiram passar no exame.”

“Mesmo as pessoas que vêm de Portugal têm de fazer exames. Toda a gente que quer entrar na profissão está sujeita a exames. É necessário avaliar a qualidade dos profissionais que querem trabalhar em Macau.”

“Estas declarações são transmitidas em chinês e passam uma imagem errada de que os advogados portugueses são beneficiados. Isto não é verdade e é um erro.”

PAULINO COMANDANTE, SECRETÁRIO-GERAL DA AAM

GABRIEL TONG, DIRECTOR DA FACULDADE DE DIREITO DA UMAC

MIGUEL DE SENNA FERNANDES, ADVOGADO

considerou José Sales Marques, em declarações ao HM. “Não nos podemos esquecer que em Macau faltam recursos qualificados para tirar o partido dos desafios e oportunidades que são apresentados no âmbito da Grande Baía ou do desenvolvimento do sector financeiro, só para dar exemplos. Isto é que é a realidade”, complementou.

FALSOS PROBLEMAS

Na mesma sessão plenária da Assembleia Legislativa, o médico e deputado Chan Iek Lap apontou que a contratação de profissionais portugueses para o sector da medicina acaba por resultar facilmente no desperdício de recursos. “Eles [médicos portugueses] podem usar o inglês para comunicar, mas 95 por cento da população só domina o cantonense, não domina o inglês nem o português. No tempo antes da transição, as enfermeiras entendiam o português e conseguiam fazer a tradução entre os médicos e os pacientes. Mas se estão a fazer as traduções como é que podem fazer o seu trabalho?”, questionou o médico. Chan Iek Lap formou-se na Universidade de Jinan e é o presidente da Direcção da Associação Chinesa dos Profissionais de Medicina de Macau. Porém, Miguel de Senna Fernandes considera esta questão falsa: “Em Macau, sempre houve médicos que não falam a língua local e as coisas sempre se resolveram bem. No passado, a população era menor mas houve sempre mecanismos para fazer a comunicação entre médicos e pacientes, apesar da língua”, constatou. “Esta questão nunca foi um problema e o discurso cria um falso problemas”, apontou.

ATRACTIVIDADE QUESTIONADA

Sales Marques realça que a língua não deve ser o principal critério, até porque é difícil para Macau conseguir trazer os médicos mais competentes do Interior da China. “Às vezes as pessoas discursam apenas a pensar no eleitorado. Mas falam sem ter um verdadeiro conhecimento dos assuntos. Trazer bons médicos da China custa muito dinheiro. Será que um médico de um grande Hospital de Pequim ou Xangai quer mesmo vir para Macau trabalhar? Se calhar lá terá outros aspectos mais atractivos, como tecnologias mais desenvolvidas, do que aquelas que há em Macau”, apontou. “Às vezes as pessoas falam só da boca para fora e nem pensam no que estão a dizer. As declarações podem fazer parte do jogo político, mas na realidade temos de olhar para os factos de uma forma rigorosa. Não parece ter sido este o caso”, concluiu. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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Na primeira sessão plenária em que participou desde que regressou ao hemiciclo, Sulu Sou pediu alterações à Lei de Reunião e de Manifestação em prol de “melhorias ao nível da protecção de direitos”. O deputado argumentou que se não houver mudanças, Macau ficará semelhante ao modelo social do clássico “1984”, de George Orwell, onde “tudo é controlado”

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deputado Sulu Sou utilizou ontem o período de interpelações antes da ordem do dia, naquele que foi o seu primeiro debate desde que regressou à Assembleia Legislativa (AL), para pedir alterações à lei de reunião e manifestação. “Sugiro que se avance com melhorias ao nível da

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SULU SOU MACAU PODE TORNAR-SE NUMA DISTOPIA ORWELLIANA

Na véspera de 1984 protecção do direito de reunião e de manifestação. Por exemplo, deve-se ajustar o prazo de aviso e notificação, por parte do Governo, e do recurso, com vista a aumentar a viabilidade da apreciação judicial”, defendeu. Além disso, Sulu Sou, que escapou a uma pena de prisão pelo crime de desobediência qualificada, apesar de ter sido condenado a pagar apenas uma multa, pede que se altere o aviso prévio sempre que os manifestantes desejem organizar um protesto, “passando os 'dias úteis' para 'dias de calendário'”. O deputado pede ainda que seja respeitada uma regra que consta na sentença do Tribunal de Última Instância (TUI), para que “o número de promotores se altere de três para um, de forma a garantir que qualquer indivíduo possa gozar, em qualquer dia e de forma igual e acessível, os seus direitos fundamentais”. Sulu Sou recordou ainda que as acusações do crime de desobediência qualificada aumentaram nos últimos anos, sobretudo desde que Chui Sai On tomou posse no segundo mandato como Chefe do Executivo. “Alguns cidadãos têm recorrido a acções sociais para exprimir as suas opiniões ao Governo, acções essas que sempre foram pacíficas e racionais. Desde a tomada de posse do novo Governo registou-se um aumento das acusações por realização de reuniões e manifestações, e só entre 2014 e 2017, foram acusadas pelo

Sulu Sou, deputado “Se a situação se mantiver, Macau vai transformar-se numa sociedade governada como na ficção política inglesa ‘1984’, em que tudo é controlado.”

crime de desobediência qualificada 58 pessoas.” Ao apresentar estes dados, Sulu Sou foi mais longe e chegou mesmo a afirmar que a sociedade local corre o risco de ficar semelhante à que foi retratada pelo escritor inglês George Orwell no livro 1984. “Não cumprir a lei é omissão, e não se deve abusar do poder. Nestes últimos anos, o Governo habituou-se a

usar como razão a segurança pública para alargar o poder de controlo das autoridades policiais. Os estrangeiros, que não conhecem a situação até podem pensar que Macau é uma cidade muito perigosa. O essencial da questão é que esse poder público não é efectivamente sujeito à fiscalização do público, situação que suscitou várias opiniões na sociedade, e se a situação se mantiver, Macau vai transformar-se numa

EXPLOSÃO MA CHI SENG PEDE REFORÇO DA SEGURANÇA

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recente explosão ocorrida no restaurante no edifício Pak Lei, na Areia Preta, levou ontem o deputado nomeado Ma Chi Seng a interpelar o Governo quanto à necessidade de reforçar a fiscalização destes locais. “Ocorrida no início deste mês, a explosão no Edifício Pak Lei, com um morto e feridos, entristeceu-nos. Está em curso a averiguação da causa do incidente, mas, seja o que for, acidente ou falha humana,

o alarme já soou na sociedade”, defendeu no período antes da ordem do dia. Ma Chi Seng acredita que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) deve “reforçar, no futuro, a divulgação sobre a segurança da utilização (de equipamentos de gás) em casa”. Ma Chi Seng espera que o Governo “reforce as acções de sensibilização e divulgação em todos os aspectos, prestando ainda atenção a que as

mesmas sejam simples e compreensíveis”. O deputado pede ainda que haja uma avaliação da “cientificidade do número e das formas das inspecções”, além de que “há que efectuar ainda inspecções com uma frequência racional e acções de divulgação e sensibilização eficazes, para os cidadãos deixarem de estar dependentes da sorte e ficar na mente a consciencialização para a segurança”.

sociedade governada como na ficção política inglesa '1984', em que tudo é controlado.”

CONFRONTOS “DESNECESSÁRIOS”

Implementada em 1993, a lei de reunião e manifestação está actualmente em processo de revisão na AL, estando a ser analisada na 1ª comissão permanente da AL. Sulu Sou faz parte da 3ª comissão permanente.

O deputado considera que há muitas situações em que a definição do conceito de manifestação, à luz da lei em vigor, é feita de forma leviana. “Aquando do exercício de quaisquer direitos, as pessoas têm a responsabilidade de minimizar o impacto para os direitos e interesses dos outros. O público tem de estar atento à tendência das autoridades de segurança, isto é, usarem isto como pretexto para restringir arbitrariamente os direitos, como por exemplo, definir à toa o conceito de reunião e manifestação para depois acusar alguém do crime de desobediência qualificada.” Perante esta situação, Sulu Sou considera que, “se a acção social dos cidadãos para apresentar opiniões passar de 'uma liberdade e um direito que devem ser protegidos' para 'um incidente que ameaça a segurança e que deve sujeitar-se a controlo e supervisão', haverá lugar a mais conflitos e confrontos desnecessários”. O deputado falou ainda dos exemplos levados a cabo em outros países, onde ocorrem manifestações espontâneas e não existe uma criminalização dos actos ocorridos. “Em alguns países, o 'regime de aprovação' passou a 'aviso prévio', que é o adoptado em Macau, ou até a 'aviso facultativo'. A reunião e manifestação podem não estar sujeitas a aviso prévio quando são espontâneas, urgentes, ou os manifestantes são em número inferior a determinada quantia. Noutros países, os actos ilegais, ocorridos durante a expulsão de manifestantes pela autoridade policial, deixaram de ser criminalizados e passaram a infracções administrativas.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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CASINOS LIONEL LEONG DEFENDE CONSENSO PARA INTERDIÇÃO DE ENTRADA A LOCAIS

Quem não passa da porta Foi ontem aprovada na generalidade o regime de condicionamento da entrada, do trabalho e do jogo nos casinos, que prevê a proibição dos trabalhadores do jogo de apostarem nos casinos. O deputado Sulu Sou propôs a interdição ou mais limitações de acesso aos locais de Macau, mas o secretário Lionel Leong disse que é preciso consenso rança, bem como os trabalhadores responsáveis pela fiscalização”. Estão, contudo, previstas excepções, uma vez que a entrada nos casinos é permitida nos primeiros três dias do Ano Novo Chinês ou quando existam “causas justificativas de entrada nos casinos”. Lionel Leong admitiu que trabalhadores da Direcção dos Serviços para os

Assuntos Laborais podem estar incluídos nestas excepções de entrada.

DICJ CRIA LINHA ABERTA

Depois da realização da consulta pública o Executivo decidiu incluir os trabalhadores da limpeza e restauração, entre outros, na interdição de entrada nos casinos

de operadoras diferentes daquela em que trabalham. Contudo, os deputados mostraram muitas reservas quanto à implementação prática desta medida, lembrando que muitos funcionários públicos conseguem escapar aos olhos dos seguranças. “Há funcionários públicos que conseguiram entrar nos casinos e

TIAGO ALCÂNTARA

Governo quer evitar o aumento do número de jogadores patológicos entre aqueles que trabalham nos casinos e, por isso, levou ontem à Assembleia Legislativa (AL) o diploma que revê a lei de condicionamento de entrada, trabalho e do jogo nos casinos, depois da alteração feita em 2012. A proposta de lei foi aprovada na generalidade e vai agora ser analisada pelos deputados, mas vários membros do hemiciclo duvidaram da eficiência da proibição de entrada. Sulu Sou lembrou que, em regiões vizinhas com jogo, como é o caso de Singapura ou Coreia, os locais só podem estar nos casinos um número limitado de horas, existindo também um pagamento à entrada e limites nas apostas que são feitas. Desta forma, Sulu Sou pediu ao Governo se existe a possibilidade de implementar “a medida de interdição para os locais”. “É uma medida radical mas é a maneira mais fácil para regulamentar. Muitos dos visados nesta proposta de interdição são os trabalhadores dos casinos, mas foi afastada a população desempregada. Talvez o Governo possa considerar a experiência de outras regiões e adoptar uma medida de interdição para os locais, limitar os montantes de aposta e as modalidades.” Contudo, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, respondeu a este apelo com bastantes reservas. “Quanto a esta medida radical, de proibir a entrada de uma assentada, pode ser discutida de várias perspectivas. Queremos ter um desenvolvimento sustentável para Macau, mas também queremos ter um menor número de jogadores patológicos. Quanto a proibir a entrada aos locais, temos de reunir o consenso da sociedade.” Aquando da entrada em vigor da lei, não são apenas os croupiers que não podem apostar noutros locais, mas também funcionários “das máquinas de jogo, caixas de tesouraria, área das relações públicas, restauração, limpeza e segu-

Angela Leong, deputada “Como é que os casinos identificam se a pessoa é ou não trabalhadora, e como é que os casinos podem garantir que os dados pessoais dos seus trabalhadores não vão ser relevados? As operadoras vão ter de assumir muitas responsabilidades. Como é que o pessoal de segurança vai executar a lei?”

não foram detectados, inclusivamente alunos. Podemos definir uma lei rigorosa, mas depois ao nível da fiscalização não se conseguem resolver as questões”, lembrou Song Pek Kei. Paulo Martins Chan, director da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), garantiu que será realizado um estudo dos tipos de emprego existentes nos casinos, uma lista que depois será divulgada online. Quanto à implementação prática da interdição, Paulo Martins Chan adiantou que estão a ser pensadas várias medidas, tal como “o patrulhamento ou a participação das concessionárias”. “Vamos criar uma linha aberta para efeitos de participação. Sabemos que estas medidas estão adaptadas ao sistema social de Macau e através desta linha aberta conseguimos aplicar esta medida de interdição.” Angela Leong, que além de deputada é também directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau, lembrou que vão existir dificuldades. “Como é que os casinos identificam se a pessoa é ou não trabalhadora, e como é que os casinos podem garantir que os dados pessoais dos seus trabalhadores não vão ser relevados? As operadoras vão ter de assumir muitas responsabilidades. Como é que o pessoal de segurança vai executar a lei?”, questionou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

ÁREAS MARÍTIMAS PRÓ-DEMOCRATAS ESCRUTINARAM DIPLOMA JÁ APROVADO

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Assembleia Legislativa (AL) aprovou ontem na especialidade a lei de bases de gestão das áreas marítimas, o que significa que o território já tem uma base legal para gerir os 85 quilómetros quadrados de zonas marítimas cedidos pelo Governo Central. Apesar de aprovado por unanimidade, o diploma foi alvo de escrutínio dos

deputados do campo pró-democrata, nomeadamente nas questões de concessão, protecção do meio ambiente e na forma como serão geridas as áreas marítimas pela Administração. O deputado Ng Kuok Cheong lembrou que Macau deixou de ser mero participante na gestão para gerir toda a área na totalidade. “É uma matéria de grande

interesse público e houve uma transformação dos interesses. Qual o andamento dos diplomas sobre a gestão e quanto tempo vai levar até à conclusão dos diplomas?”, questionou. Já Au Kam San lembrou que, no que toca às áreas terrestres, existe o problema comum da ocupação ilegal de terrenos. “Em Macau há uma coisa iminente que

é a ocupação ilegal das coisas. Uma vez detectada uma ocupação ilegal de uma zona marítima o que é que o Governo vai fazer? Aqui não constam normas sancionatórias. Vão ser estabelecidas normas mais fortes?”, perguntou. Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, lembrou que já estão implementadas 50

leis que dizem respeito às zonas marítimas, mas que já estão a ser preparados diplomas complementares a esta lei de bases que ontem foi aprovada. Quanto à concessão das áreas marítimas, será regida “por um diploma próprio”, que ainda está a ser elaborado. Liu Dexue, director dos Serviços para os Assuntos de Justiça, garantiu que o

Executivo vai garantir o equilíbrio nas concessões. “Se uma zona já estiver delimitada para vários usos deve servir para várias finalidades e funcionalidades. Quando for elaborado o diploma isso vai ser tornado público. Vamos incidir na regulamentação da zona costeira e do uso das áreas marítimas de diferentes sectores de actividade.” A.S.S.


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TRIBUNAIS DEPUTADOS QUEREM CRITÉRIOS DEFINIDOS PARA REDISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS

As lições de Iau Teng Pio A proposta de lei de bases da organização judiciária não define os critérios a utilizar pelo Conselho dos Magistrados Judiciais em caso de necessidade de redistribuição de processos. Os deputados da 3ª comissão permanente temem que esteja em causa a independência judicial. Pereira Coutinho pediu a presença do Governo e categorizou a reunião da comissão como uma lição de direito dada por Iau Teng Pio

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reunião da 3ª comissão permanente de ontem foi marcada por uma saída temporária do deputado Pereira Coutinho por estar descontente com o modo como os trabalhos estavam a ser conduzidos. “Saí da reunião porque não estou contente com a forma como as reuniões estão a decorrer”, disse aos jornalistas. Para o deputado, é necessária a presença dos membros do Governo para esclarecer as questões que estão a ser discutidas acerca da acumulação de funções por parte dos juízes e da redistribuição de processos. “Temos que chamar o Governo cá para explicar. O que está a acontecer lá dentro é o deputado Iau Teng Pio a dar lições de direito e a tentar ‘lavar’ as cabeças dos

De acordo com a proposta, “quando as necessidades do serviço dos vários tribunais o justifiquem, o Conselho de Magistrados Judiciais pode determinar que um juiz exerça funções em acumulação, inclusive em mais do que uma secção, em mais do que um juízo, ou em mais do que um tribunal”. Para Vong Hin Fai as razões que justificam estas acções devem estar também bem definidas, referiu. No que respeita à analise do artigo que limita o julgamento de processos que impliquem questões de segurança nacional, o presidente da 3ª comissão permanente apontou que se iniciou a sua discussão mas que, por falta de tempo, o assunto continuará a ser tratado na próxima reunião. É de salientar que Ho Iat Seng deu à terceira comissão um prazo até 15 de Agosto para terminar a análise na especialidade da proposta de lei de bases da organização judiciária.

Nos dos pedidos: 65/2017, 170/2017, 171/2017, 172/2017, 1/2018, 2/2018, 124/2017, 146/2018, 150/2018, 151/2018, 153/2018, 154/2018, 155/2018, 156/2018

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Além dos critérios associados à redistribuição de juízes, os deputados da comissão querem ainda que seja esclarecido o conceito de destacamento, implicado no artigo que define a acumulação de funções por parte dos juízes. “O conceito não é o mesmo daquele que está previsto nos estatutos dos trabalhadores da função pública”, disse o presidente da comissão permanente que analisa o diploma na especialidade.

VONG HIN FAI DEPUTADO

Notificação edital (31/FGCL/2018)

11 de Julho de 2018

JUSTIFICAÇÕES DESCONHECIDAS

“Temos que perguntar ao proponente que critérios são estes para podermos garantir a independência judicial.”

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Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “Cali Promoção de Jogos Sociedade Limitada”, com sede na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600E, Edifício Centro Comercial First Nacional, 12º andar, sala 5, Macau, o seguinte: Relativamente aos 14 ex-trabalhadores (Wong Ka Chon, Leong Kin Weng, Kam Iat Seng, Cheong Kin Fai, Ng Ka Hei, Fok Wa Cheong, Cheong Kan Tong, Ng Mei Teng, Choi Kin Kuong, Lei Wai Keong, Leong Ngai Fan, Vong Sai Kit, Chan Chi Long e Au Kim), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 10 de Julho de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos trabalhadores acima referidos, no valor total de $456 061,80 (quatrocentas e cinquenta e seis mil e sessenta e uma patacas e oitenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocarse à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo.

Os deputados pedem ao Executivo que esclareça esta matéria porque estão em causa dúvidas quanto à salvaguarda da independência judicial e do princípio do juiz natural. “Temos que perguntar ao proponente que critérios são estes para podermos garantir a independência judicial”, apontou Vong. Por outro lado “A atribuição de um juiz a um processo é feita num sorteio e não por indicação”, acrescentou.

Sofia Margarida mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

UMA LEI SUSPEITA

O deputados sobre essa questão dos juízes. O que queremos é, o mais rápido possível, chamar o Governo para explicar toda esta situação”, sublinhou. Para Pereira Coutinho, é ainda fundamental conhecer as opiniões que estão neste momento a ser recolhidas junto dos profissionais do sector acerca desta matéria. Os deputados da 3ª comissão permanente querem ver esclarecidos os critérios que vão estar na base da redistribuição de processos.

De acordo com a proposta de lei de bases da organização judiciária que está em análise na especialidade na 3ª comissão permanente, a redistribuição de processos “obedece a critérios prévios e objectivamente fixados pelo Conselho dos Magistrados Judiciais (…) respeitando o princípio da aleatoriedade da distribuição”. No entanto, “os deputados estão preocupados como estes critérios são definidos”, disse ontem o presidente da comissão, Vong Hin Fai.

deputado Sulu Sou expressou ontem as suas preocupações sobre o artigo da proposta de lei de bases da organização judiciária que estabelece a limitação dos julgamentos de processos sobre a segurança nacional a juízes chineses. “Este novo artigo pode afectar o princípio da independência judicial”, apontou à margem da reunião de ontem da 3ª comissão permanente que está a discutir o articulado na especialidade. Para Sulu Sou, esta norma contraria a Lei Básica que define que “se houver um juiz estrangeiro que preencha o perfil profissional requerido pode ser destacado pela comissão de magistrados”, sublinhou. Para Sulu Sou, o artigo em causa “refere-se a casos especiais para banir os juízes estrangeiros de acompanharem um processo que envolva esta matéria”. Por outro lado, a medida pode vir a abrir precedentes à criação de tribunais especiais, o que também não está em conformidade com as disposições da Lei Básica.


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JUSTIÇA RECURSO DE PORTUGUÊS SOBE AO TUI

CANÍDROMO YAT YUEN TEM DE APRESENTAR PLANO PARA FUTURO DOS GALGOS IMEDIATAMENTE

O plano infinito

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O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos não aceitam mais pedidos da Yat Yuen. A concessionária tem de apresentar um plano para o futuro dos galgos já e sair efectivamente das instalações até 20 de Julho

RECUSAS GERAIS SOFIA MARGARIDA MOTA

Tribunal de Última Instância (TUI) aceitou analisar o recurso apresentado pelo cidadão português acusado de ter abusado sexualmente dos filhos.Ainformação foi confirmada, ao HM, pelo equipa de defesa de João Tiago Martins, a cargo de advogado João Miguel Barros, que não fez mais comentários sobre o processo. João Tiago Martins foi inicialmente condenado pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) pela prática de dois crimes de abuso sexual, com uma pena de cinco anos e seis meses de prisão, em Setembro de 2016. No Tribunal Judicial de Base foram considerados provados dois crimes de abuso sexual, um contra cada filho. Porém, os juízes da primeira instância não deram como provada a prática do crime de maus-tratos nem da existência de relações sexuais com a filha menor. O arguido foi também absolvido de um acto exibicionista de carácter sexual. Na leitura da sentença, o TJB considerou os depoimentos dos menores “credíveis” e referiu não ter havido “prova que foi a mãe que influenciou” as crianças. No entanto, entre a primeira e a segunda instância, havia a expectativa de que a condenação pudesse sofrer alterações, uma vez que o Ministério Público mudou de posição, passando a pedir a absolvição do arguido, em vez da condenação. Contudo, os argumentos apresentados pela defesa e pelo MP não foram suficientes para convencer o colectivo de juízes do Tribunal de Segunda Instância responsável pela decisão, nomeadamente Choi Mou Pan, Chan Kuong Seng e Tam Hio Wan. J.S.F

UM Mais de 450 inscrições em curso de português

Foram mais de 450 os alunos que se inscreveram para “melhorar a competência linguística e cultural” no 32.º curso de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau, a partir de segunda-feira, anunciou ontem a instituição. “O curso tem como apanágio melhorar a competência linguística e cultural dos alunos, familiarizando-os com um espaço de intercâmbio cultural e multilingue de Macau”, de acordo com uma nota divulgada pela Universidade de Macau. O curso, organizado pelo departamento de português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau, vai contar nesta 32.ª edição com 460 alunos provenientes da China continental, dos Estados Unidos, França, Inglaterra, Coreia do Sul, Vietname, Japão, Austrália, Singapura, Índia, Hong Kong e Macau.

apresentação imediata do plano sobre o futuro dos galgos”, lê-se. A companhia de galgos Yat Yuen tem responsabilidades e obrigações para tratar do futuro dos galgos, refere o Governo, mesmo sem ter o espaço do Canídromo à sua disposição. Segundo o IACM, “a empresa deve oferecer alojamento, cuidados e soluções de adopção para os cães e estas não são responsabilidades do Governo, nem devem ser fonte de pressão social”, aponta. Ainda assim, o IACM adianta que vai tomar medidas de urgência para garantir que os galgos recebem os devidos cuidados.

O

Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) exige à Yat Yuen a entrega imediata de um plano que trace o futuro dos galgos do Canídromo. A informação foi avançada ontem pelo organismo, em comunicado, depois da recusa por parte da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) em autorizar a utilização da área que alberga os cães por mais 120 dias. “O IACM já entregou uma carta ao Canídromo que exige a

PULGA ATRÁS DA ORELHA

A

ngela Leong, diretora-executiva da Yat Yuen, negou ontem que tenha entregue qualquer plano para levar os galgos para Hainão. “Nunca apresentámos pedidos para isso”, apontou ontem à margem da reunião da 3ª comissão permanente. A também deputada nega assim a informação avançada ontem pelo IACM ao Jornal Tribuna de Macau em que o organismo afirmava estar a analisar um pedido de Leong que justificava o pedido de prorrogação do prazo com o tempo necessário para a exportação dos galgos para Hainão no âmbito de um projecto de turismo. A também deputada referiu ainda que apesar do pedido de prorrogação de 120 dias para manter os cães no canídromo, caso o Governo tenha um plano para utilização daquela área, está em condições para sair de imediato. “O Governo, até agora, não divulgou o planeamento do terreno no Canídromo. Se houver planeamento, podemos fazer o despejo de imediato”, apontou.

Também ontem a DICJ negou o pedido da Companhia de Corridas de Galgos (Yat Yuen) para ficar no Canídromo por mais 120 dias. Em comunicado, a entidade pública recordou que já tinha sido apresentado em 2017 um pedido que apelava à prorrogação do contrato por mais cinco anos, bem como à alteração da finalidade da concessão. De acordo com a DICJ, o prazo do contrato de concessão para a exploração, em regime exclusivo, do local termina a 20 deste mês. A entidade recorda que o Governo da RAEM notificou, em 2016, a Companhia de Galgos para abandonar o recinto da exploração até ao dia 20 de Julho de 2018, data do termo do prazo da concessão, e para decidir no prazo se termina a exploração da respectiva actividade. “No caso de a Companhia de Galgos optar pela sua relocalização, teria de respeitar o programa de corridas e melhorar as condições de criação e o tratamento dos galgos e conformar-se com os planos urbanísticos, especialmente tendo em vista o menor impacto na vida quotidiana da comunidade”, refere a DICJ. Isso não aconteceu e mantém-se a saída até dia 20. Segundo o mesmo comunicado, a DICJ refere ainda que a actividade do canídromo não contribui para a diversificação económica da RAEM, mostrando-se “limitada”, neste sentido. A protecção dos animais é outro aspecto a ter em conta numa sociedade cada vez mais atenta a este tipo de questões, aponta a entidade de coordena a indústria dos jogos de Macau. Sofia Margarida Mota com Vítor Ng Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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13.7.2018 sexta-feira

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local

EDITAL

: 63/E-BC/2018 :508/BC/2014/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Rua de Cinco de Outubro n.º 135, EDF. San Fat, parte do terraço sobrejacente à fracção 4.º andar B e escada comum entre os 3.º e 4.º andares, Macau.

Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os donos das obras e os proprietários bem como os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1.

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Obra

2.

3.

4.

5.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento com chapa e Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho 1.1 cobertura metálicas na parte do terraço sobrejacente de evacuação. à fracção 4.º andar B. Instalação de um portão metálico na escada comum Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho 1.2 entre os 3.º e 4.º andares. de evacuação. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização, pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 02 de Julho de 2018

O Director dos Serviços Li Canfeng

Edital n.º Processo n.º Assunto Local

: 66/E-BC/2018 :706/BC/2012/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Rua de Afonso de Albuquerque n.º 10, EDF. Hau Cheung, partes do terraço sobrejacentes às fracções 5.º andar A (CRP: A4) e 5.º andar B (CRP: B4) e escada comum entre os 4.º e 5.º andares, Macau.

Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os donos das obras e os proprietários dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Infracção ao RSCI e Obra motivo da demolição Construção de um compartimento com cobertura em betão, paredes em alvenaria de 1.1 tijolo, suportes metálicos e rede metálica na parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar A (CRP: A4). Infracção ao n.º 4 do Construção de um compartimento com cobertura metálica, paredes em alvenaria artigo 10.º, obstrução do 1.2 de tijolo e suportes metálicos na parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar B caminho de evacuação. (CRP: B4). Construção de um compartimento com portão metálico e gradeamento metálico na 1.3 escada comum entre os 4.º e 5.º andares. 2. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 04 de Julho de 2018

O Director dos Serviços Li Canfeng


sociedade 9

sexta-feira 13.7.2018

METRO LIGEIRO DEMORAS VALEM MULTA DE MAIS DE 2,5 MILHÕES A CONSÓRCIO

Autocarros Deputados querem mais detalhes sobre contratos

O

deputado Ho Ion Sang questionou ontem o Governo sobre a renovação dos contratos com as três empresas de autocarros, numa altura em que está em curso a fusão de duas concessionárias, a Nova Era e a TCM. O processo, que deverá estar concluído este mês, suscitou dúvidas ao deputado Lam Lon Wai, que enviou uma interpelação escrita ao Governo a questionar os detalhes da operação. Ontem, Ho Ion Sang lembrou, no hemiciclo, que os contratos das três empresas chegam ao fim este mês. “Falta apenas meio mês para o termo dos contratos, mas o Governo ainda não revelou nada sobre a respectiva renovação. Portanto, muitos cidadãos estão preocupados com as questões de ser possível uma articulação sem sobressaltos dos serviços de autocarros e de estes conseguirem responder às suas necessidades.” Desta forma, o deputado defende que o Governo deve divulgar os detalhes contratuais, tais como: “ponto de situação da negociação com as empresas; chegada, ou não, a um consenso; modelos de operação dos futuros serviços; formas de cálculo das tarifas; maneira de elevar a eficiência dos serviços; objectivo geral dos serviços, plano de longo prazo e definição das carreiras das empresas”. Na óptica de Ho Ion Sang, a resposta a estas questões é essencial “para eliminar as preocupações dos cidadãos”. “Vai o Governo, tendo em conta as exigências da sociedade, tornar públicos os novos contratos, para o público os poder fiscalizar e a sociedade poder conhecer as exigências e os padrões quanto à qualidade dos serviços, bem como as condições de imputação de responsabilidades e as sanções em caso de incidentes?”, questionou ainda Ho Ion Sang. A.S.S.

Atraso de milhões

O consórcio das empresas Top Builders International, Companhia de Construção Ng Kam Lee e Continental Engineering Holdings viu uma multa por atrasos nas obras do metro ser confirmada pelo Tribunal de Última Instância

O

consórcio constituído pelas empresas Top Builders International, Companhia de Construção Ng Kam Lee e Continental Engineering Holdings vão ter de pagar uma multa de 2,58 milhões de patacas, por atrasos na construção do metro. A decisão tinha sido tomada através de um despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas, com a data de 28 de Outubro de 2014, mas só foi confirmada na quarta-feira, por decisão do Tribunal de Última Instância (TUI). Em causa estão os atrasos na construção do segmento C360 do Cotai da 1.ª Fase do Sistema de Metro Ligeiro, que inclui a Rua do Pai Kok, junto à Escola Sam Yuk, e a parte leste do Cotai, assim como as quatro estações

na Taipa do Metro Ligeiro. Após a aplicação da multa, as empresas levaram o caso para os tribunais, que foi analisado na quarta-feira no TUI, depois de uma primeira derrota das empresas no Tribunal de Segunda Instância (TSI). Segundo a argumentação da defesa, na primeira decisão,

A decisão tinha sido tomada através de um despacho [...] de 28 de Outubro de 2014, mas só foi confirmada na quarta-feira, por decisão do Tribunal de Última Instância

o TSI não analisou a existência de uma eventual violação dos deveres de boa-fé, por parte daAdministração. Contudo, o TUI considerou que as empre-

sas não têm razão: “O acórdão recorrido pronunciou-se sobre a questão. Pode não se ter pronunciado como as recorrentes gostariam, mas isso

não significa que não tenha apreciado a questão”, consta no acórdão publicado ontem.

FALTA DE ARGUMENTAÇÃO

Ao mesmo tempo, as empresas contestavam a aplicabilidade de uma das cláusulas do contrato que definia que seriam “rejeitadas quaisquer indemnizações ou prorrogações do prazo das obras”, caso as condições dos cabos e tubos que passassem na zona dos trabalhos não correspondessem totalmente às informações prestadas pelo Governo. Segundo a defesa, a cláusula em causa é ilegal e devia ser considerada nula à luz do Decreto-Lei n.º 74/99/M. Este documento define que quando os projectos dos empreiteiros são elaborados com base nos dados fornecidos pelo dono da obra e há deficiência e erros no projecto, motivados por informações imprecisas do dono de obra, que é este último, no caso concreto o Governo, que é o responsável. O tribunal decidiu que neste aspecto as recorrentes têm razão, mas que isso não justifica a nulidade do contrato, porque o que está em causa no recurso apresentado é a multa. Por isso, o tribunal diz que a empresa deveria ter explicado a necessidade de prorrogar o contrato com base nos problemas encontrados, nomeadamente a necessidade de desviar condutas de águas domésticas, informação incorrecta sobre profundidade a que se encontrava a conduta subterrânea para a água da chuva, e ainda a existência de cabos da CEM que não estavam identificados nos dados fornecidos pelo Governo. Como a defesa não o fez, o TUI considerou que tinha mesmo de pagar a multa. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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CONVOCATÓRIA Nos termos do n.º 2 do artigo 14.º dos Estatutos de Matadouro de Macau, S.A.R.L., convoco todos os membros da Assembleia Geral, para reunir no dia 31 de Julho de 2018, à manhã 10H00, para a realização da reunião extraordionária da Assembleia Geral, a ter lugar na sede da Sociedade, sita na Estrada Marginal da Ilha Verde, s/n, Macau. Ordem de trabalhos 1. Aprovação do novo mandato dos membros do Conselho de Administração. 2. Outros assuntos de interesse para a sociedade. Macau, 10 de Julho de 2018

Presidente da Mesa da Assembleia Geral Zhang Haipeng


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“O Sétimo Sentido”, romance de José Manuel Simões vai ser apresentado no próximo dia 21 no Porto e marca um passo do autor rumo a uma escrita desvinculada do jornalismo. O lançamento do livro em Macau está agendado para Setembro

13.7.2018 sexta-feira

JOSÉ MANUEL SIMÕES

DIRECTOR DE COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE SÃO JOSÉ

Este é o seu primeiro romance? O livro “Deus Tupã” já é um romance histórico. Foi lançado em 2016 e é um livro que tem características de romance porque a visão que os indígenas têm da realidade, do seu modus vivendi, do habitat e das relações com as divindades são romanceadas com dados a partir das minhas vivências no seio daquela tribo. Confesso que fiquei admirado quando a editora considerou este livro um romance. É, mas é um romance que tem uma ligação à realidade. Em que sentido? As vivências da Glória Meireles, a personagem central deste livro. Ela vive uma experiência muito marcante na Índia. É uma vivência que tem por base uma viagem que fiz por aquele país em 2002, uma viagem extensa de quase seis meses. Aí, recolhi imensa informação, ou seja há um trabalho de pesquisa meu que depois é absorvido por esta personagem à sua maneira. Sim, é um romance neste sentido, embora tenha esta ligação com dois lugares que existem efectivamente. Um é a Índia, e depois um outro que é Xai Xai, em Moçambique, onde Glória é médica e vive com outras pessoas, poetas, artistas, colegas e pacientes. Pessoas que existem também na realidade.  Podemos dizer que é um livro que, à semelhança de anteriores, tem um cariz biográfico? Não. Tem um ponto de partida onde recorri às minhas experiencias pessoais. Mas, neste caso, não tem nada a ver comigo. Eu diria que a Glória vai muito mais além da minha experiência. Vai mais além do que o próprio autor. Acho

“Quero assumir-me que a Glória é uma pessoa maravilhosa e admirável. É uma pessoa que vive profundos silêncios e momentos de meditação, e que fala muito pouco, ou seja, particularidades que são completamente antagónicas às minhas. Diria mesmo que a Glória vai mais além de mim em vários níveis, nomeadamente comportamentais porque é, de facto, uma pessoa incrível. Um exemplo para todas as sociedades enquanto modelo de respeito, de responsabilidade, de valores, de integridade que coloca

ao serviço da medicina. A Glória, às tantas, estava-me a ditar situações que nunca me tinha deparado na escrita, com uma voz fora de mim que quase me ditava passagens. Eu fico fascinado com a beleza desta pessoa e com o seu exemplo de vida, com a forma como trata os pacientes, com tudo. AGlória parece ser uma pessoa real. Sim, eu imagino-a fisicamente. Ela é pequena, magra. Na narração ela aparece como uma figura concreta

e tem toda uma componente física e psicológica muito vincada. Tem características de personalidade muito fortes e, de facto, parece muito real. É uma pessoa que não conheço. Mas que gostava de conhecer? Muito. Há uma passagem em que eu vou a Xai Xai, em Moçambique, no ano passado convidado pelo festival de poesia onde participei nalgumas palestras. Antes de ir apercebi-me que era lá que a Glória iria coloca

“Fui jornalista e enquanto tal tenho uma ligação à realidade e aos factos muito forte e talvez por isso ainda não me consiga totalmente desvincular da minha escrita nessa perspectiva.”


eventos 11

sexta-feira 13.7.2018

que há um momento em que conhece um grupo de raparigas que estão num templo e que a convidam a lá ir. Ela vai e passa lá 23 dias. É aí que descobre, de facto, como se aproximar dessa transcendência. Descobre um lado ecuménico que passa por vária religiões. Há uma personagem que ali está e que lhe diz que ela tem uma missão nesta vida e que, mais cedo ou mais tarde, a vai encontrar até pelo seu papel enquanto médica, pela sua bondade e pelo comportamento. Aliás, o primeiro titulo do livro até era “A Missionária”. Mas depois achei que tinha um cariz demasiado religioso. Ela tem uma ligação à transcendência, às divindades mas também tem o lado da medicina com o seu contacto com as curandeiras, com a homeopatia. Descobre uma lado holístico na sua acção que é extremamente útil enquanto médica. Está a escrever no feminino. Porquê? Não sei Onde é que descobriu a Glória? Também não sei dizer. Por vezes, os livros pedem coisas. Fui jornalista e enquanto tal tenho uma ligação à realidade e aos factos muito forte e talvez por isso ainda não me consiga totalmente desvincular da minha escrita nessa perspectiva. Este livro é uma tentativa nesse sentido. Quero assumir-me como escritor. Já escrevi

“A Glória, às tantas, estava-me a ditar situações com que nunca me tinha deparado na escrita, com uma voz fora de mim que quase me ditava passagens.”

e como escritor” a acção ao serviço da medicina. Às tantas, nesta passagem do livro, eu estou no festival de poesia e a Glória está lá também e interage com o José Manuel Simões. Fala com ele ao jeito dela. Há uma questão entre os dois, quase início de romance, em que ela coloca os pontos muito bem vincados da impossibilidade de relação e em que eu saio a perder claramente nesta tentativa de relação. Havia ali indícios que pareciam, da parte dos dois, que havia um envolvimento, mas ela disse

que não, que é uma confusão e quando se fala de transcendência, de karmas e de chacras é uma coisa, mas quando se fala de coisas mais íntimas, ela não concebe essa possibilidade entre os dois. Estamos a falar de um livro ligado a aspectos mais transcendentes e espirituais? Sim. A Glória vai para a Índia depois de ser traída pelo Marcos, com quem tinha uma relação desde os tempos da universidade. Ela vai

para a Índia para tentar compreender a transcendência e a passagem para outros mundos, até porque lhe tinha morrido uma criança com leucemia nos braços, a Ophélia. Este acontecimento foi muito perturbante. Vai para a Índia e tem uma viagem muito difícil e cheia de revelações nomeadamente em contextos de insalubridade, de pobreza extrema que a magoam. Ela não encontrou essa espiritualidade que procurava, sobretudo nos primeiros tempos. Até

dez livros e é altura de me assumir como escritor. A Glória já é um passo muito grande nesse sentido. Não é ainda total porque tem essa ligação à Índia onde vivi, sendo que ela vê essa realidade à maneira dela. Mas as personagens pedem-nos comportamentos e acções que são muito inesperadas, que são quase ditadas pela voz delas. Ela começa a ter uma vida própria. Foi vindo, foi aparecendo e criando uma atmosfera real sem o ser. É um ser vivo, mas que não existe. O nome, curiosamente, acho que é muito apropriado e surgiu logo. Não podia ser outro porque o comportamento dela é de Glória. Lembra-me o tema da Patti Smith. Quando é que o livro vai ser apresentado em Macau? Em Setembro, não tem ainda dia definido mas vai ser nesse mês. Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo

ÓBITO MORREU A ACTRIZ LAURA SOVERAL

A

actriz Laura Soveral, de 85 anos, morreu ontem, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse à Lusa fonte da família. Maria Laura do Soveral Rodrigues, conhecida como Laura Soveral, nasceu em 23 de Março de 1933, na cidade de Benguela, Angola, e somou vários prémios pelo trabalho como actriz, em particular no cinema e no teatro, embora também tenha feito ficção para televisão em Portugal e no Brasil. Fixou-se em Lisboa, onde frequentou Filologia Germânica, na Faculdade de Letras, e a Escola de Teatro do Conservatório Nacional, tendo enveredado pela representação, no início dos anos de 1960. Estreou-se na representação, em 1964, no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d’Ávila. “Estrada da Vida”, filme de Henrique Campos, valeu a Laura Soveral o Prémio de Melhor Actriz de Cinema, do então Secretariado Nacional de Informação (SNI), e o Prémio Bordalo, da Casa da Imprensa. Colaborou na televisão, em Portugal e no Brasil. Em Portugal, nos anos de 1960 e 1970, foi sendo chamada para fazer teatro ou para declamar poesia, no programa Hospital das Letras de David Mourão-Ferreira. No Brasil, onde se fixou na década de 1970, destaca-se em particular a participação em “O Casarão” e “Duas Vidas”, da TV Globo. Nos palcos, trabalhou com companhias como o Teatro da Cornucópia, o Teatro Experimental de Cascais, o Novo Grupo/Teatro Aberto eABarraca, e participou em encenações como “O avarento”, “A Casa de Bernarda Alba”, “O processo de Kafka”, “D. Quixote” e “Primavera Negra”. No cinema, destacam-se as interpretações em “Uma abelha na chuva”, de Fernando Lopes, a par de “A divina comédia”, “Francisca” e “Vale Abraão”, todos de Manoel de Oliveira, “Tráfico”, de João Botelho”, e “Quaresma”, de José Álvaro Morais. Mais recentemente, Laura Soveral entrou em “Tabu”, filme de Miguel Gomes, “O Cônsul de Bordéus”, de Francisco Manso e João Corrêa, “Cadências Obstinadas”, de FannyArdant, “Os Maias”, de João Botelho. A Academia Portuguesa de Cinema distinguiu-a em 2013, com o prémio de carreira e, em 2017, com o Prémio Bárbara Virgínia, de homenagem a mulheres do cinema português.


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13.7.2018 sexta-feira

Notificação edital (32/FGCL/2018) Nº de pedido: 141/2018

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do pedido acima referido, “Companhia Criativo Cultural Flugent Limitada”, com sede na Rua de S.Paulo, No.54-58B Mei Tai Grand Garden RC A, Macau, o seguinte: Relativamente ao ex-trabalhador (Jiang Yiling), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 10 de Julho de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $3 658,90(três mil e seissentas e cinquenta e oito patacas e noventa avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 11 de Julho de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Notificação edital (33/FGCL/2018) Nº de pedido: 127/2018

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do pedido acima referido, “Companhia De Engenharia Cheuk Yuk Limitada”, com sede na Rua de Pequim, nº 174, Edf. Centro Comercial Kuong Fat, 10º andar D, Macau, o seguinte: Relativamente à ex-trabalhadora (Wong Hao Chi), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 10 de Julho de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos em causa à ex-trabalhadora acima referida, no valor total de $188 500,00 (cento e oitenta e oito mil e quinhentas patacas). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquela ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 11 de Julho de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong


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sexta-feira 13.7.2018

Organizações não-governamentais exigiram ontem às autoridades chinesas a libertação “imediata e incondicional” do veterano dissidente chinês Qin Yongmin, condenado na quarta-feira a 13 anos de prisão por subversão

DIREITOS HUMANOS ONGS EXIGEM LIBERTAÇÃO DO ACTIVISTA QIN YONGMIN

Os dissidentes

PROCESSO KAFKIANO

“O

único 'crime' de Qin Yongmin foi criar um grupo de supervisão de direitos humanos para impulsionar reformas pacíficas na China”, afirmou, em comunicado, a directora da Human Rights Watch (HRW) na China, Sophie Richardson. Na quarta-feira, um tribunal da cidade de Wuhan, no centro da China, considerou Yongmin culpado do crime de “subversão do poder do Estado”, frequentemente usado pelo Governo chinês para prender dissidentes. A HRW pediu às autoridades chinesas a libertação “imediata e incondicional” por-

Na quarta-feira, a Amnistia Internacional (AI) considerou a sentença “chocante e dura” contra um activista veterano que “simplesmente exerceu a liberdade de expressão”, logo depois de a libertação de Liu Xia “ter dado alguma esperança”

que a acusação “é injusta” e a sentença “terrivelmente dura”, que mostra “o desapreço do Governo chinês pelos direitos humanos”, segundo o comunicado. Qin foi um dos fundadores do Partido Democrático

Chinês, banido pelo regime comunista logo após ter sido criado. Durante a sua extensiva luta pela defesa dos direitos humanos, 22 anos foram passados em prisões ou com privação parcial de liberdade.

A organização chinesa Defensores dos Direitos Humanos (CHRD) também criticou a condenação de Qin, que considerou “injusta e arbitrária”, e apelou aos especialistas das Nações Unidas que tomem medidas

do Conselho de Direitos Humanos da ONU”, frisou a organização, em comunicado.

para exigir a libertação de Yongmin ao regime comunista. “O Governo chinês mais uma vez profanou os padrões internacionais dos direitos humanos, que a China tem a obrigação de defender como membro

Durante o julgamento, as autoridades negaram os “direitos básicos” a Yongmin, incluindo o direito a um advogado sem “interferência política”, indicou. “Ao punir Qin Yongmin com tanta força, o Governo de Xi Jinping [Presidente chinês] reforça os sinais de que está determinado a esmagar as ONG de defesa dos direitos humanos e da sociedade civil no país”, alertou a mesma organização. Qin, de 64 anos, é considerado um dos dissidentes mais veteranos da China, desde 1979 participou de movimentos pró-democracia na sua cidade, Wuhan, e liderou uma publicação com ideias reformistas chamada “Campana”. Na quarta-feira, a Amnistia Internacional (AI) considerou a sentença “chocante e dura” contra um activista veterano que “simplesmente exerceu a liberdade de expressão”, logo depois de a libertação de Liu Xia “ter dado alguma esperança”. Um dia antes, a poeta e viúva do dissidente chinês e Nobel da Paz Liu Xiaobo, que morreu em Julho de 2017, foi autorizada a deixar a China depois de oito anos em detenção domiciliária em Pequim.

COMÉRCIO BRASIL ESTUDA PROCESSAR A CHINA NA OMC

CRIME PRESTIGIADO PROFESSOR SUSPENSO APÓS ACUSAÇÕES DE MÁ CONDUTA SEXUAL

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Câmara de Comércio Exterior brasileira aprovou ontem a elaboração de estudos que podem levar a uma reclamação na Organização Mundial do Comércio contra a decisão da China de restringir a importação de frango e açúcar brasileiros. Em Maio de 2017, Pequim impôs restrições ao açúcar brasileiro e, há um mês, adoptou medidas antidumping (venda abaixo do custo de produção) sobre o frango brasileiro, por considerar que o país sul-americano pratica concorrência desleal. Desde Junho passado, os importadores chineses de frango brasileiro têm de pagar depósitos de 18,8 por cento e 34,4 por cento do valor das compras. O Brasil é o maior exportador de frango

do mundo e fornece mais de 50 por cento do frango importado pela China. "As medidas de defesa comercial adoptadas pela China já foram alvo de oito disputas na OMC [Organização Mundial de Comércio] e o país asiático foi condenado em todos os casos", afirmou o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços brasileiro, em comunicado. O Governo brasileiro afirmou já que a decisão de Pequim "carece de fundamento" e argumentou que as importações oriundas do Brasil "em nenhum momento" foram responsáveis pela queda das vendas dos produtores chineses, que cresceram continuamente durante o período sobre o qual incide a investigação.

Universidade Sun Yat-sen, de Cantão, sul da China, anunciou ontem que suspendeu um proeminente primatologista por assédio sexual, numa vitória para o movimento "#MeToo" no país asiático. Num comunicado difundido nas redes sociais, a universidade revela que vai suspender Zhang Peng e revogar os seus títulos honorários, depois de confirmar as queixas de duas alunas. A instituição não revelou quais são as alegações, mas disse ter "tolerância zero" para com má conduta por parte dos professores, e que vai "salvaguardar com determinação" os direitos legais dos estudantes.

Zhang ocupou a posição de professor visitante na universidade norte-americana de Wisconsin e na japonesa Kyoto, e consta de uma curta lista de académicos admitidos pelo ministério chinês da Educação para o programa Cheung Kong, a mais alta distinção académica do país, financiada pelo bilionário de Hong Kong Li Ka-shing. A suspensão surge após vários académicos prestigiados terem sido demitidos por má conduta sexual nos últimos meses. Zhang não reagiu ainda ao comunicado da universidade. O movimento #MeToo tem ganho força nas universidades

chinesas, apesar de esporádicos ataques da censura oficial. Os estudantes queixam-se de que as autoridades às vezes censuram petições 'online' ou que as instituições tentam pressioná-los a retirarem os seus apelos à responsabilização. Em Abril passado, uma estudante da Universidade de Pequim, uma das mais prestigiadas da China, acusou a administração de tentar intimidá-la, após esta exigir que a instituição divulgasse informação sobre o caso de Shen Yang, um antigo professor acusado de violar uma estudante, em 1998.


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e reparo, com alegria, que as dimensões do infinito não me perturbam. José Simões Morais

Tamão, porto de veniaga

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Ilha de Hong Kong, quando os portugueses chegaram à China estava na zona das ilhas de abrigo para as embaixadas dos países tributários aguardarem permissão de avançar até Cantão. No estuário do Rio das Pérolas (Zhujiang), associada às ilhas de veniaga, Tamão era nome usual registado pelos portugueses, onde ao feitor Jorge Álvares calhou ir e assim, por três vezes esteve em Lin Tin, onde morreu a 8 de Julho de 1521. Já a Ilha do Pinhal, na opinião do padre jesuíta Benjamim Videira Pires, é a ilha de Lantao e o porto era chamado Hu Cham, actualmente T’ung-Chung na parte norte de Lantao, ilha hoje assoreada, ligada ao continente e distante 28 léguas a sudoeste de Macau. Porto arrendado pelos mercadores do Sião para comerciar com a China, por ele passou S. Francisco Xavier (a caminho do Japão) e muitas naus portuguesas. Os padres Manuel Teixeira e Baltasar Costa aí visitaram em princípios de 1564 um grande pagode budista em Tai-Ou. Conclui Videira Pires, “Tamão, segundo a documentação chinesa, é a Ilha de Dayushan, actual Lantau”. Sobre os locais a servir de porto aos barcos das embaixadas estrangeiras à China socorremo-nos do livro Revisitar os Primórdios de Macau..., de Jin Guo Ping e Wu Zhiliang, “A ilha de Dayushan fica a Oeste da Ilha de Hong Kong e é a maior ilha no território de Hong Kong. Na Dinastia Song chamava-se Daxishan (Grande Ilha dos Escravos), na Ming é Dahaoshan (Ilha da Ostra Grande), nome da ilha e de uma povoação. Este nome continuou em uso durante a Dinastia Qing, sendo o nome actual, Ilha Dayushan (Ilha Grande, Lantao). No entanto, naquela altura Lantao não era somente a ilha que conhecemos hoje, mas sim esta ilha e mais um conjunto de 36 ilhotas à sua volta.” Outro local, “Tunmen, também conhecido como Tuanmen, Duanmen e Chuanmen, fica na parte ocidental do Novo Território de Hong Kong. Na cartografia inglesa, chama-se Castle Peak. Dayushan fica a Sul. Tunmen Wan, defendida por três lados de terra, era um excelente abrigo contra os ventos. Segundo Zhou Qufei, em Lingwai Daida (Colóquio sobre Terras fora de Cantão) afirma: <Todos os que querem chegar a Cantão, entram por Tunmen>. Ocupando Tunmen uma posição estratégica fora da foz do Rio das Pérolas desde a Dinastia Nanchao (420-589), já se tornara no porto exterior da cidade de Cantão. Os Persas, Árabes, Indianos e Malaios que vinham à China, fosse em negócios ou em missões diplomáticas e religiosas, não podiam entrar directamente na cidade de Cantão e tinham que esperar

aqui para serem vistoriados e anunciados às autoridades competentes.” No início do século XVIII, os compartimentos estanques começaram a ser usados nos barcos ingleses e com os canhões e a pólvora, invenções chinesas, tornaram-se os britânicos a maior potência naval e comercial do mundo, de uma força bélica insuperável.

OCUPAÇÃO INGLESA DE HK

Os ingleses a 26 de Janeiro de 1841 proclamaram a soberania de Xianggang, nome chinês para Hong Kong, estava-se nos finais da 1.ª Guerra do Ópio. “Os macaenses, principalmente os jovens sem emprego, e que eram obrigados a prestar serviço no Batalhão Provisório, ou os que não encontravam, em Macau, empregos no funcionalismo público, uma vez que o comércio marítimo perdera toda a sua importância, começaram a deixar o território. Verificou-se, então, um considerável surto emigratório para Hong Kong, Xangai e outros portos do Oriente, onde as companhias estrangeiras começavam a estabelecer grandes empórios comerciais. [Em 1864 o Hong Kong and Shanghai

Banking Corporation é fundado em Hong Kong pelos mercadores ingleses e no ano seguinte, a HongKong, Canton and Macao Steamboat Company para fazer as ligações entre Macau, Hong Kong e Cantão.] Possuindo esmerada educação, dotes de inteligência e perspicácia, dominando, tanto o inglês como o cantonense, os filhos da terra encontraram, assim, empregos por vezes muito lucrativos, reconstituindo, em muitos casos, antigas fortunas que pareciam definitivamente perdidas”, segundo Ana Maria Amaro, que dá o exemplo “do Comendador Albino Pedro Pereira da Silveira, filho de Francisco António Pereira da Silveira. Foi funcionário da Casa Robinnet, em Cantão (que negociava em sedas); daí passou para a Casa Jardine Matheson & C.a, e, em seguida, foi trabalhar para Xangai, na Firma Dent & C.a. [Em 1849, o Governador Ferreira do Amaral nomeara o negociante estabelecido em Cantão, John Dent, cônsul de Portugal em Cantão, e o negociante britânico, Thomas C. Beale, para o mesmo cargo, em Xangai, até que em 1862 ocorreu a falência da Firma Dent, Beale & Co. que repre-

Já a Ilha do Pinhal, na opinião do padre jesuíta Benjamim Videira Pires, é a ilha de Lantao e o porto era chamado Hu Cham, actualmente T’ung-Chung na parte norte de Lantao, ilha hoje assoreada, ligada ao continente e distante 28 léguas a sudoeste de Macau

sentava os interesses portugueses em Xangai.] Finalmente, foi guarda-livros da Union Insurance Society of Canton, em Hong Kong. Muito rico, faleceu em Macau, em 1902, sem descendência, pois a única filha (Ana Joaquina) que sobreviveu, professou em França”. Informação de Francisco A. P. da Silveira, do espólio de J. F. Marques Pereira.

O CLUB LUSITANO DE HK

Em 1896, “espalhados um pouco por todo o extremo oriente encontram-se ainda 2371 portugueses, com relevo para os radicados em Hong Kong (1309) e em Xangai (738)”, segundo António Aresta e José Maria Braga refere, “Em 1900 havia uma forte comunidade portuguesa em Hong Kong com 2000 portugueses e 1200 em Shanghai.” Segundo D. P. J. Lopes, a primeira instituição portuguesa estabelecida em Hong Kong foi a Biblioteca Portuguesa, fundada em 1857, e o primeiro clube de portugueses a aparecer nessa cidade inglesa foi o Club Portuguez, como local de reunião. Pouco depois, “os dirigentes da comunidade entenderam que alguma coisa de mais ambicioso se podia empreender, pois a velha geração notara estar-se a desenvolver entre os novos a tendência de negligenciar a língua, os velhos costumes e o modo de ver português e, assim, em 1865, foi resolvido fundar-se o Club Lusitano, cuja sede foi inaugurada, um ano mais tarde”. Era o principal local de reunião para a comunidade portuguesa de Hong Kong e com o aumento do número de residentes nesta cidade apareceram outros clubes mais pequenos constituídos por pequenos círculos de amigos entre os quais o Club Venatório, em Chancery, e o Club Vasco da Gama na Peel Street, refere J. M. Braga. O Governador de Macau José Maria da Ponte e Horta inaugurou o Club Lusitano de Hong Kong a 17 de Dezembro de 1866, segundo António Feliciano Marques, que diz ter sido ideado e erecto em breve tempo, pois ainda no ano anterior, a 26 de Dezembro fora a primeira pedra do edifício colocada em Dulley Street pelo Governador Coelho do Amaral. Era então em Hong Kong o mais completo e elegante estabelecimento do seu género. [Em 1920 começará a construção do Clube em Dudell Street.] O Independente de 13 de Maio de 1893 refere a eleição da Direcção do Club Lusitano no ano actual e dá o nome do presidente, o conselheiro Agostinho Guilherme Romano, do secretário Francisco J. V. Jorge, do tesoureiro Alexandre de Brito e dos vogais: Albino da Silveira, Demétrio A. da Silva, Miguel A. A. de Souza e João Joaquim Leiria.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

tonalidades António de Castro Caeiro

MOTHER WITH CHILD BY LEON JEAN BASILE PERRAULT

sexta-feira 13.7.2018

Amor de mãe

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MEI algumas mulheres. Muitas mais, na imaginação. Agora, vejo-te andar e abrando o passo. Não faço a mínima ideia das tuas dores. E andas. Levo-te para todo o lado, porque não quero deixar-me só. Não é por ti. É por mim. Seguimos a vida a dois. Tu aturas-me o álcool, a filosofia, o Muay Thai. Foste sempre assim. Olhavas para mim com olhos espantados como se eu estivesse para morrer. Conheces-me melhor do que eu. Eu queria ser bom. Queria ser melhor. Mas, sabes, herdei a melancolia da tua mãe. E que posso eu fazer. Eu não tenho muitas certezas. Tenho, sobretudo, dúvidas. Mas, lembras-te? Foste ter comigo à Alemanha. Pensava eu que já era adulto. Nem agora, depois de 24 anos. Falávamos castelhano. Íamos ver São Patrício e comer aquele bolo: schwarzwälder kirschtorte. Depois, havia a namorada, os amigos alemães. Compravas tudo na bela turca que não falava a tua língua nem tua a dela e havia três: turco, alemão e português. Seguimos sempre. O mano e eu a pensar que éramos filhos únicos, porque o teu amor é assim. Um filho único, mas duas vezes. Agora, o tempo é diferente. O pai partiu, mas está-nos sempre na conversa. Os dias passam e eu vivo contigo como um filho decadente, porque não constituiu família. Não: porque queria ser sacerdote ou militar e foi professor. Amei algumas mulheres na minha vida. Muito mais na imaginação do que na realidade. E sei por quê. Sou tudo menos marido ou pai. Sou o que as paredes no silêncio da casa me dizem. Saxa loquuntur, dizem os antigos: as pedras falam. Era o silêncio, depois de terem partido. É o silêncio que não deixas que aconteça, quando, de manhã, me vens falar dos teus sonhos. São sempre sonhos com a C. São os filmes que vês. Vês cinco filmes e misturas tudo. E és adorável por isso. Porque a vida é a trama que vamos tecendo e tu tens dois filhos completamente doidos, doidos varridos. Mas levamos-te nos anos de limusina. Amei muitas mulheres na minha vida: na imaginação mais do que na realidade. A casa não é a mesma sem o pai nem o mano. Mas esta casa era a do avô. Morreu há 20 anos. Estava na Alemanha. O pai disse-me ao telefone para não ir a Portugal e que o seu pai tinha encontrado o seu Deus. Lia tanto para não se perder. Disse-me um dia que agora é que ela me deu. “Agora é que ela me deu”. Era a velhice. E a morte a seguir. Mas o pai nunca morre. Nunca. Ele prometeu-me e eu acredito. Ainda não fala comigo nos sonhos. Mas o Zorba Anjos disse-me que ele ia falar um dia comigo. Também o Zorba Anjos ficou um dia sem o pai. Amei muitas mulheres na vida, na realidade e na imaginação. Mas como tu, mãe…

Amei algumas mulheres na minha vida. Muito mais na imaginação do que na realidade. E sei por quê. Sou tudo menos marido ou pai. Sou o que as paredes no silêncio da casa me dizem. Saxa loquuntur, dizem os antigos: as pedras falam. Era o silêncio, depois de terem partido


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Hoje 9 CONCERTO “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA”

1 3 6 5 7 2 4 8 Sábado 4 7 2 3 8 9 1 5 BELCANTO SATURDAYS 9 8Rui 5 2 7 Fundação Cunha4 | Das1 17h006 às 19h00 2 5UPSTARS 8 S.ROLA×RYOMA 6 3 1 7 9 TROPICAL Live Music Association das 22h00 3 4 9 2| A partir 5 7 6 1 Diariamente 7 6 1 9 4 8 3 2 EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” 8 Praça 9 3 Grande – MGM7 | Até2 9/9 4 5 6 5 1“AYIA” 7 8 6 3 9 4 EXPOSIÇÃO Casa Garden | Até 9/91 9 5 8 3 6 2 4 Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

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UM DISCO HOJE

SKYSCRAPER SALA 1

ANT-MAN AND THE WASP [B] Um filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SKYSCRAPER [B] Um filme de: Rawson Marshall Thurbe Com: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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Em todo o lado há aqueles que estão sujeitos às leis e há os outros que se encontram em localização incerta onde as normas que regem este viver em sociedade não lhes são aplicáveis. Normalmente, tenta-se ter alguma discrição até porque não fica bem a ninguém assumir publicamente que isto de leis é para os outros. Depois há um pequeno território, no sul da China em que estar além da lei, ou fora dela, é quase uma questão de honra. Os taxistas estão chocadíssimos com o regulamento que está em discussão e que pretende, mesmo que ao de leve, trazer alguma responsabilidade ao sector. Isto de cobrar tarifas acima dos valores, vulgo roubar, não deve ser sequer levado a mal, até porque, dizem eles, coitados, têm que arranjar forma de subsistir. As multas para os 14 infractores são, como lhe chamam, “um atentado aos direitos humanos”. Nada como continuar a tratar os clientes à base da má educação, da recusa de transporte e mesmo da coação. Isso para qualquer mortal seria vergonhoso, agora para estes que nos transportam é quase motivo de orgulho. Depois temos uma “inquilina” do canídromo, que como diploma tem um casamento com um senhor que tem sido dono disto tudo que lhe tem dado o direito de fazer o que bem entender. O Governo, coitado, não parece ter qualquer punição a aplicar. As coisas são feito a céu aberto e quase que se goza com a suposta lei. O paradigma legal aqui parece ser muito diferente e salve-se quem puder. Sofia Margarida Mota

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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www. hojemacau. com.mo

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Um filme de: Brad Anderson Com: Jom Hamm, Rosamund Pike 14.30, 16.30, 19.15

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BEIRUT [C]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 21.15

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SALA 3

CODE GEASS LELOUCH OF THE REBELLION III [B]

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YUAN

ELOGIO À ILEGALIDADE

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VIDA DE CÃO

PROBLEMA 13

O início do século XXI empurrou para o passado a vaga de electrónica que vinha impregnando o rock com groove e tecnologia. Nada de errado nisso, mas as guitarras pediam liberdade e Nova Iorque voltou a trazer essa revolução. No Verão de 2001 “Is this it” apresenta ao mundo o indie rock dos The Strokes. Fortemente influenciado por Television e com resquícios dos omnipresentes Velvet Underground, os The Strokes abririam caminho para bandas como The Libertines, Arctic Monkeys, Kings of Leon e Franz Ferdinand. Sem medo de sacar solos de guitarra numa altura em que era praticamente uma heresia, os The Strokes passaram de um bando de putos que mal sabiam tocar para o estrelado mundial. O disco é intemporal e assim permanecerá nas décadas vindouras. João Luz

SALA 2

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 12

Cineteatro

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S U D O K U

EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” Art Garden | Até 9/9

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O CARTOON STEPH 12

EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” Armazém do Boi | Até 9/9

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opinião 17

sexta-feira 13.7.2018

um grito no deserto

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Objectivos comuns

Secretário Geral do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC), Xi Jinping, tinha anunciado durante o 18º Congresso Nacional do Partido, que teve lugar em 2012, os dois objectivos estratégicos para a China, que deveriam coincidir com dois importantes centenários. O primeiro seria a concretização de uma “sociedade moderadamente próspera” no ano do 100º aniversário da fundação do Partido (2021), com o PIB e o rendimento per capita a duplicarem em relação aos valores de 2010. O segundo, e o mais desafiante dos dois, seria a transformação da China num país socialista forte, moderno, democrático, civilizado e harmonioso até 2049, ano que que se celebrará o 100º aniversário da fundação da República Popular da China. A maioria de nós não irá chegar a 2049 e, como tal, nunca saberemos se este objectivo se irá ou não cumprir. Mas, quanto às metas estabelecidas para 2021, espero que todos os meus leitores as possam vir a testemunhar. O conceito de “sociedade moderadamente próspera” vem do Confucionismo e da antiga China que sonhava com a criação de “uma sociedade altamente unificada”. Esta sociedade ideal, partilhada por todos, é em muitos aspectos semelhante ao “estado utópico” de que nos fala Platão, à “sociedade comunista” proposta por Karl Max no “Manifesto do Partido Comunista” e à “Nova Jerusalém” mencionada na Bíblia. A procura de uma co-existência verdadeiramente pacífica deveria ser o objectivo comum de toda a Humanidade, independentemente das crenças religiosas, filosóficas ou políticas. No entanto, durante milhares de anos, a ganância dos homens foi-se multiplicando ao ritmo do progresso de uma civilização materialista. As guerras e as mortandades foram-se sucedendo, tornando a utópica “sociedade altamente unificada” um sonho cada vez mais distante. Parece portanto muito difícil concretizar esse tipo de sociedade num espaço de apenas três anos! Existem três grandes discrepâncias que a China terá de ultrapassar para atingir a tal “sociedade unificada”, a saber: o fosso económico entre as regiões do sudeste e do noroeste, o fosso económico entre as zonas urbanas e as zonas rurais e o fosso económico entre os pobres e os ricos das cidades. Se estas discrepâncias não forem ultrapassadas, toda esta retórica não passará de um conjunto de palavras ocas. Se olharmos para o aumento constante da disparidade entre os pobres e os ricos, proveniente do actual crescimento

ALEXANDER MILLAR

PAUL CHAN WAI CHI

económico da China, compreenderemos que o Governo vai ter de se esforçar bastante se, nós próximos três anos, quiser ver construída” uma “sociedade altamente unificada”. O sonho de Xi Jinping não deverá ser uma utopia pessoal, mas sim o sonho comum de 1,390 milhões de pessoas. A pessoas devem ter sonhos. Esses sonhos devem transformar-se em ideais, trabalhados com afinco para um dia virem a ser realidade. O mundo está em constante mudança e a China precisa de renovar para se adaptar âs novas situações e não ficar para trás. Liu Xia, viúva de Liu Xiaobo, laureado com um Nobel, deslocou-se ao estrangeiro para receber cuidados médicos. Este incidente demonstra que existem várias maneiras de resolver um problema, mesmo numa sociedade autoritária. Na era que vivemos, a comunicação racional é a melhor forma de garantir a sobrevivência.

Decidi deixar a Associação de Novo Macau depois de uma participação de 25 anos, uma decisão tomada para melhor poder realizar o sonho da criação de uma nova era

Após mais de 200 dias de suspensão, o deputado da Assembleia Legislativa, Sulu Sou, retomou finalmente as suas funções. Como mandatário da Lista de candidatos da Associação de Novo Macau às eleições legislativas de 2017, considero a minha missão cumprida. Considero que para mim chegou a hora de participar na construção de uma sociedade mais equalitária e mais justa com uma nova abordagem. Martin Luther King tinha um sonho que ainda não foi realizado. A Nova Jeusalém mencionada na Bíblia representa também um sonho que, para se tornar realidade, precisa do esforço permante de todos os cristãos. Decidi deixar a Associação de Novo Macau depois de uma participação de 25 anos, uma decisão tomada para melhor poder realizar o sonho da criação de uma nova era. “O Homem é o caminho da Igreja”, uma directiva mencionada no “CENTESIMUS ANNUS” emitido pelo Papa João Paulo II em 1991. Quer o sonho de Martin Luther King, a obtenção da igualdade racial, quer o de Xi Jinping, o renascimento da nação chinesa, necessitam da participação das pessoas e é necessário que um número cada vez maior trilhe a mesma senda. Vivemos todos sob o mesmo céu, independentemente da raça e das opções políticas. Só caminhando em conjunto podemos ver realizado o sonho de todos nós.


18 opinião

13.7.2018 sexta-feira

A inteligência

S

E considerarmos o caso de uma grande empresa agrícola que queria implantar a tecnologia da IA para ​​ ajudar os agricultores e uma enorme quantidade de dados estava disponível sobre as propriedades do solo, padrões climáticos, colheitas históricas, e o plano inicial era criar um aplicativo de IA que pudesse prever com mais precisão o rendimento futuro das colheitas, mas nas discussões com os agricultores, a empresa aprendeu sobre uma necessidade mais premente. O que os agricultores realmente queriam era um sistema que pudesse fornecer recomendações, em tempo real, sobre como aumentar a produtividade, quais os terrenos e onde cultivar e quanto nitrogénio a usar no solo. A empresa desenvolveu um sistema de IA para fornecer tais conselhos, e os resultados iniciais foram promissores; os agricultores ficaram felizes com o rendimento das colheitas obtido com a orientação da IA. Os resultados desse teste inicial foram então enviados de volta ao sistema para refinar os algoritmos usados. Assim, como na etapa de descoberta, novas técnicas analíticas e de IA podem auxiliar na co-criação, sugerindo novas abordagens para melhorar os processos. O terceiro passo para as empresas é escalonar e depois sustentar a solução proposta. O SEB, por exemplo, implantou originalmente uma versão da “Aida”, internamente, para ajudar os quinze mil trabalhadores do banco, mas depois, implementou o “chatbot” em um milhão de clientes. O último estudo realizado nos Estados Unidos com uma sondagem a centenas de empresas, foram identificadas cinco características dos processos de negócios, que as empresas normalmente desejam melhorar que são a flexibilidade, velocidade, escala, tomada de decisões e personalização.Ao reinventar um processo de negócios, é necessário determinar qual dessas características é central para a transformação desejada, como a colaboração inteligente poderia ser aproveitada para resolvê-lo, e quais os ajustamentos e compensações com outras características do processo seriam essenciais. Os braços “cobot” na Mercedes-Benz, tornam-se uma extensão do corpo do trabalhador e para os executivos da empresa, os processos inflexíveis apresentaram um desafio crescente. Os clientes que maior lucro dava à empresa, vinham a exigir cada vez mais, carroçarias

individualizadas da classe S, mas os sistemas de montagem não conseguiam oferecer a personalização que as pessoas queriam.Afabricação de automóveis, tradicionalmente, tem sido um processo rígido com etapas automatizadas, executadas por robôs “pouco inteligentes”. A fim de melhorar a flexibilidade, a Mercedes substituiu alguns desses robôs por “cobots” com IA, e redesenhou os seus processos em torno de colaborações entre seres humanos e máquinas. Os braços robotizados, na fábrica da empresa, perto de Estugarda, guiados por trabalhadores pegam e colocam peças pesadas, tornando-se uma extensão do corpo do trabalhador. O sistema coloca o trabalhador no controlo da construção de cada carro, fazendo menos trabalho manual e mais um trabalho de pilotagem com o robô. As equipas de máquinas humanas da empresa podem adaptar-se rapidamente. Os “cobots” na fábrica, podem ser reprogramados facilmente com um “tablet”, permitindo que trabalhem em tarefas diferentes, dependendo das alterações no fluxo de trabalho. Tal agilidade, permitiu que o fabricante atingisse níveis sem precedentes de personalização. A Mercedes pode individualizar a produção de veículos de acordo com as escolhas em tempo real que os consumidores fazem nas concessionárias, alterando tudo, desde os componentes do painel do veículo até à pele do assento ou às tampas das válvulas dos pneus, e como resultado, não existem dois carros iguais a sair da linha de montagem da fábrica na Alemanha. Algumas empresas estão a usar a IA para descobrir incógnitas desconhecidas nos seus negócios. A “GNS Healthcare (GNS)” é uma empresa privada de análise de dados, sediada em Cambridge, nos Estados Unidos, que aplica “software” de aprendizagem de máquinas para encontrar relações negligenciadas, entre os dados nos registos de saúde dos pacientes e em outros locais. O “software” depois de identificar um relacionamento, elabora várias hipóteses para explicá-lo e, em seguida, sugere quais delas são mais prováveis. Tal abordagem, permitiu que o GNS descobrisse uma nova interacção medicamentosa escondida em anotações de pacientes não estruturados, não se tratando de uma peneira de dados para encontrar associações, pois a plataforma de aprendizagem de máquinas não vê apenas padrões e correlações nos dados. É de considerar que para algumas actividades de negócios, o prémio está na velocidade e uma dessas operações é a detecção de fraudes com cartões de crédito. As empresas têm apenas alguns segundos para determinar se devem aprovar uma determinada transacção. Se for fraudulenta, provavelmente terão que repor essa perda, mas se negarem uma transacção legítima, perdem a taxa da compra e irritam o cliente. O “The Hongkong and Shanghai Banking Corporation (HSBC)”, como a maioria dos grandes bancos, desenvolveu uma solução baseada em IA que melhora a velocidade e a precisão da detecção de fraudes. A IA monitora e marca milhões de transacções diariamente, usando dados sobre o local de compra e o comportamento do cliente, endereços IP e outras informações para identificar padrões

subtis que sinalizam possíveis fraudes. O HSBC implementou pela primeira vez o sistema nos Estados Unidos, reduzindo significativamente a taxa de fraudes e falsos positivos não detectados e, em seguida, implementou-o no Reino Unido e na Ásia. Um sistema de IA diferente usado pelo Danske Bank melhorou a sua taxa de detecção de fraudes em 50 por cento e diminuiu os falsos positivos em 60 por cento. A redução no número de falsos positivos, liberta os investigadores para concentrar os seus esforços em transacções equívocas, que a IAsinalizou, onde o julgamento humano é necessário. A luta contra a fraude financeira é como uma corrida armamentista, pois uma melhor detecção conduz a criminosos mais perigosos, levando por conseguinte a uma melhor detecção, que continua o ciclo. Assim, os algoritmos GETTY IMAGES

“Artificial intelligence will reach human levels by around 2029. Follow that out further to, say, 2045, we will have multiplied the intelligence, the human biological machine intelligence of our civilization a billion-fold.” The Age of Spiritual Machines: When Computers Exceed Human Intelligence Ray Kurzweil

e modelos de pontuação para combater fraudes têm uma vida útil muito curta e exigem actualização contínua. Além disso, diferentes países e regiões usam modelos diferentes e por essas razões, legiões de analistas de dados, profissionais de “Tecnologia de Informação (TI)” e especialistas em fraudes financeiras são necessárias no sistema de meios de ligação entre os seres humanos e as máquinas, para manter o “software” na dianteira dos criminosos. A baixa escalabilidade, para muitos processos de negócios, é o principal obstáculo para a melhoria e é particularmente verdadeiro em processos que dependem de trabalho humano intensivo com assistência mínima da máquina. É de considerar, por exemplo, o processo de recrutamento de trabalhadores da “Unilever” que é uma multinacional britânica-neerlandesa


opinião 19

sexta-feira 13.7.2018

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

artificial (II) de bens de consumo, que estava à procura de uma forma de diversificar a sua força de trabalho de cento e setenta mil pessoas. Os recursos humanos da empresa, determinaram que precisavam de se concentrar em contratações de nível básico e, de seguida, contratar o melhor para a gestão, mas os processos existentes na empresa não foram capazes de avaliar potenciais candidatos em número suficiente, ao mesmo tempo que davam atenção individual a cada aspirante para garantir uma população diversificada de talentos excepcionais. A “Unilever” combinou recursos humanos e de IA para dimensionar a contratação individualizada, e na primeira fase do processo de inscrição, os candidatos são convidados a brincar com jogos “on-line” que ajudam a avaliar características como a aversão ao risco.

Os jogos não têm respostas certas ou erradas, mas ajudam a IA da “Unilever”, a descobrir quais os indivíduos que podem ser mais adequados para uma determinada posição. Os candidatos, na fase seguinte, são convidados a enviar um vídeo em que respondem a perguntas específicas, para a posição em que estão interessados. As suas respostas são analisadas por um sistema de IA, que considera não apenas o que dizem, mas também a sua linguagem corporal e tom de voz. Os melhores candidatos dessa fase, conforme o decidido pela IA, são então convidados à “Unilever” para realizarem entrevistas pessoais, após as quais os seres humanos tomam as decisões finais de contratação. É muito cedo para dizer se o novo processo de recrutamento resultou na contratação dos melhores trabalhadores. A empresa tem acompanhado de perto o sucesso dessas contratações, mas ainda são necessários mais dados. É claro, no entanto, que o novo sistema ampliou enormemente a escala do recrutamento da “Unilever”, em parte, porque os candidatos a emprego podem ter acesso facilmente ao sistema por “smartphone”. O número de candidatos duplicou para trinta mil em um ano, o de universidades representadas subiu de oitocentas e quarenta para duas mil e seiscentas, e a diversidade socioeconómica das novas contratações aumentou. Além disso, o tempo médio entre a aplicação e a decisão de contratação, baixou de quatro meses para apenas quatro semanas, enquanto o tempo que o pessoal que recruta a fazer a revisão dos aplicativos baixou 75 por cento. O facto de fornecer aos trabalhadores informações e orientações personalizadas, a IA pode ajudá-los a tomar melhores decisões, que pode ser especialmente valioso para os trabalhadores, pois onde fazer a escolha certa tem um enorme impacto. É de considerar a forma pela qual a manutenção de equipamentos está a ser aprimorada com o uso de “gémeos digitais”, que são modelos virtuais de equipamentos físicos, ou cópias elaboradas das linhas de produção. A “General Electric (GE)” constrói esses modelos de “software” das suas turbinas e outros produtos industriais e actualiza-os continuamente, com a transmissão de dados operacionais do equipamento. Ao recolher leituras de um grande número de máquinas, a GE acumulou uma grande quantidade de informações sobre o desempenho normal e aberrante. O seu aplicativo “Predix”, que usa algoritmos de aprendizagem da máquina, pode prever quando uma peça específica em uma máquina pode falhar. A tecnologia mudou fundamentalmente o processo decisivo de manutenção de equipamentos industriais. A “Predix” pode, por exemplo, identificar algum desgaste inesperado do rotor, em uma turbina, verificar o histórico operacional da turbina, informar que o dano quadruplicou nos últimos meses e avisar que, se nada for feito, o rotor perderá cerca de 70 por cento da sua vida útil. O sistema pode, então, sugerir acções apropriadas, tendo em consideração a condição actual da máquina, o ambiente operacional e os dados agregados

sobre os danos e reparações semelhantes em outras máquinas. A “Predix” conjuntamente, com as suas recomendações, pode gerar informações sobre os custos e benefícios financeiros e fornecer um nível de confiança (por exemplo, de 95 por cento) para as hipóteses usadas na sua análise. Os trabalhadores sem o “Predix” teriam sorte de descobrir o dano do rotor em uma verificação de manutenção de rotina. É possível que não seja detectado até que o rotor falhe, resultando em uma interrupção custosa. Os funcionários de manutenção, com a “Predix” são alertados sobre possíveis problemas antes de se tornarem sérios, e têm as informações necessárias na ponta dos dedos para tomar boas decisões, que por vezes podem economizar milhões de dólares à GE. A questão da personalização é importante, pois fornecer aos clientes experiências de marcas personalizadas individualmente é o santo graal do marketing e com a IA, essa personalização pode ser alcançada com precisão inimaginável e em larga escala.

Os líderes de amanhã serão aqueles que abracem a inteligência colaborativa, transformando as suas operações, mercados, indústrias e a força de trabalho É de pensar como o serviço de “streaming” de música “Pandora” usa algoritmos de IA para criar listas de reprodução personalizadas para cada um dos seus milhões de utilizadores de acordo com suas preferências em músicas, artistas e géneros, ou se considerarmos a “Starbucks”, que, com a permissão dos clientes, usa a IA para reconhecer os seus dispositivos móveis, e ter acesso ao seu histórico de pedidos para ajudar a fazer recomendações de serviços. A tecnologia da IA ​​faz melhor, analisando e processando grandes quantidades de dados para recomendar certas ofertas ou acções, que não é possível ao ser humano, A “Carnival Corporation”, é a maior empresa de viagens de lazer do mundo, que oferece aos viajantes férias extraordinárias com um valor excepcional, com uma frota de cento e dois navios que visitam mais de setecentos portos em todo o mundo, e está a aplicar a IA para personalizar a experiência de cruzeiro para milhões de turistas, através de um dispositivo “wearable” chamado “Ocean Medallion” e uma rede que permite que dispositivos inteligentes se conectem. A máquina processa dinamicamente os dados que fluem do medalhão e dos sensores e sistemas em todo o navio, para ajudar os hóspedes a tirar o máximo proveito das suas férias. O medalhão agiliza os processos de embarque e desembarque, rastreia as actividades dos hóspedes, simplifica a compra conectando os seus cartões de crédito ao

dispositivo, e actua como uma chave, como também se conecta a um sistema que antecipa as preferências dos hóspedes, ajudando os membros da equipa a oferecer um serviço personalizado a cada hóspede, sugerindo roteiros personalizados de actividades e experiências gastronómicas. Aquestão da necessidade de novas tarefas e talentos, passa por re-imaginar um processo de negócios que envolve mais do que a implementação da tecnologia da IA; também requer um compromisso significativo para desenvolver trabalhadores com habilidades de fusão, ou seja os que permitem que se trabalhe efectivamente no sistema de comunicação homem-máquina. As pessoas, para começar, devem aprender a delegar tarefas à nova tecnologia, como os médicos confiam nos computadores para ajudar na leitura de raios X e ressonância magnética. Os trabalhadores também devem saber combinar as suas habilidades humanas distintas, com as de uma máquina inteligente para obter um resultado melhor do que qualquer um poderia alcançar só, como na cirurgia assistida por robô. Os trabalhadores devem ser capazes de ensinar novas habilidades aos agentes inteligentes e passar por formação para trabalhar bem nos processos aprimorados por IA.Assim, por exemplo, devem saber a melhor forma de formular perguntas a um agente de IA para obter as informações de que precisam. É de esperar que, no futuro, as funções da empresa sejam redesenhadas ao redor dos resultados desejados dos processos reinventados, e as empresas sejam cada vez mais organizadas ao redor de diferentes tipos de habilidades, e não à volta de dísticos de trabalho rígidos.A“AT&T” iniciou essa transição ao mudar de serviços de rede telefónica fixa para redes móveis e começa a treinar cem mil trabalhadores para novas colocações. A empresa, como parte desse esforço, reformulou completamente seu organograma, e aproximadamente, dois mil empregos foram simplificados em um número muito menor de categorias abrangentes, englobando habilidades similares.Algumas dessas habilidades são o que se pode esperar (por exemplo, proficiência em ciência e disputas de dados), enquanto outras são menos óbvias (por exemplo, a capacidade de usar ferramentas simples de aprendizagem da máquina para serviços de venda cruzada). A maioria das actividades no sistema de comunicação homem-máquina, exige que as pessoas façam coisas novas e diferentes (como treinar um “chatbot”) e façam de forma diferente (usar esse “chatbot” para fornecer um melhor atendimento ao cliente). Actualmente, apenas um pequeno número de empresas começou a re-imaginar os seus processos de negócios para optimizar a inteligência colaborativa. Mas a lição é clara, pois as organizações que usam máquinas, apenas para deslocar trabalhadores através da automação perderão todo o potencial da IA. Tal estratégia é mal orientada desde o início. Os líderes de amanhã serão aqueles que abracem a inteligência colaborativa, transformando as suas operações, mercados, indústrias e a força de trabalho.


Somente os extremamente sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam. PALAVRA DO DIA

Confúcio

A Assembleia Legislativa (AL) chumbou ontem duas propostas de debate sobre a construção do crematório apresentadas pelos deputados José Pereira Coutinho, Sulu Sou e Agnes Lam. Apesar do Governo já ter retirado o projecto, os deputados entendiam tratar-se de um assunto de interesse público. Contudo, tanto os deputados Ma Chi Seng como Davis Fong defenderam que o assunto deve ser discutido numa comissão de acompanhamento da AL e não pela via do debate. “É uma questão para acompanhar e não será apenas resolvida com a realização de um debate. Implica assuntos ligados a Macau e ao interior da China, é mais adequado que seja discutido em sede de comissão de acompanhamento”, defendeu Davis Fong, também académico da Universidade de Macau na área do jogo.

Deficiência Aprovada lei que dá benefícios fiscais a empresas

Foi ontem aprovada na especialidade a proposta de lei relativa à implementação “Benefício fiscal à contratação de pessoas portadoras de deficiência”. Apesar do voto positivo dos deputados, o artigo relativo ao montante dedutível do benefício fiscal, que tem o valor de cinco mil patacas para todos os casos, teve dois votos contra, de José Pereira Coutinho e Sulu Sou. Na visão deste último, o argumento utilizado pelo Governo é “injusto”, uma vez que os membros do Executivo defenderam que um portador de deficiência pode trabalhar tanto como uma pessoa sem deficiência, porque a base é a produtividade, tendo sido dado o exemplo do físico Stephen Hawking, já falecido. Os deputados defendiam a aplicação de diferentes montantes de imposto a deduzir, consoante o salário do portador de deficiência.

FÍSICA DESCOBERTA UMA ORIGEM DAS “PARTÍCULAS FANTASMA” QUE CHEGAM À TERRA

TIAGO ALCÂNTARA

Crematório Deputados chumbam duas propostas de debate

U

Trocas e baldrocas Funcionários da Venetian queixam-se de confusão em férias e turnos

C

E R C A de 500 trabalhadores da Venetian queixam-se de má organização dos dias de férias e turnos por parte da empresa de jogo. Depois de terem comunicado, numa primeira fase, com a direcção da Venetian, resolveram dirigir-se à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para solicitar mais apoio. Ontem realizou-se uma reunião que contou com o apoio da Associação de Empregados das Empresas de Jogo, ligada ao universo da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Choi Kam Fu, secretário-geral da associação,

explicou aos jornalistas que a Venetian avisou recentemente os trabalhadores de que terão mais quatro turnos de trabalho por dia, o que faz com que os trabalhadores possam ter de enfrentar horários de trabalho diferentes todos os dias e tenham dificuldade de adaptação a esses horários. Outro problema está relacionado com os dias de férias anuais. De com Choi Kam Fu, os funcionários, especialmente os das camadas de base, não podem tirar férias entre as sextas-feiras e domingos durante o ano, o que é um forte condicionalismo no gozo do tempo livre, uma vez que apenas podem tirar férias por um máximo de quatro dias.

Na visão de Choi Kam Fu, a Venetian, apesar de ser uma subconcessionária de jogo, não consegue pôr em prática as políticas favoráveis às famílias. A FAOM chegou a comunicar com a empresa, mas a verdade é que nada se alterou. Como tal, o secretário-geral da associação optou por reunir com a DSAL. Alguns funcionários estão insatisfeitos por terem de trabalhar por períodos prolongados durante a noite, enquanto que outros se queixam de terem de fazer turnos diurnos depois de terem feito um turno nocturno. Por isso, o secretário-geral exige que a operadora de jogo melhore no âmbito de organização de turnos de trabalho. V.N.

OCDE Peso da economia chinesa no mundo vai continuar a aumentar até 2032 O peso da economia chinesa no mundo vai aumentar, até 2034, e começa depois a cair, enquanto a Índia vai aumentar a sua representatividade até pelo menos 2060, segundo um estudo da OCDE. Dentro de 16 anos, a economia chinesa vai compor 27,1 por cento do Produto Interno Bruto somado dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do G20, detalha o estudo. Em 2005, correspondia a 12,5 por cento e actualmente situa-se em 23,9 por cento. O mesmo estudo detalha que aquela percentagem vai começar a cair ligeiramente, a partir de 2034, e, em 2060, vai-se fixar em 26 por cento. A PUB

sexta-feira 13.7.2018

Índia, que representa actualmente 9,25 por cento do PIB somado dos 48 países membros da OCDE e do G20, deve alcançar uma representatividade de 21,2 por cento, em 2060. Aqueles 48 países representam 82 por cento da economia mundial. A OCDE, que reúne os países desenvolvidos e da qual Portugal é membro, teve a sua quota reduzida de 72 por cento, em 2000, para 53,9 por cento, em 2018. Os autores do estudo estimam que o ritmo de crescimento anual da economia mundial passará dos actuais 3,5 por cento para 2 por cento, em 2060, reflectindo a desaceleração nos países em desenvolvimento.

MA equipa internacional de cientistas descobriu pela primeira vez no espaço profundo uma origem de neutrinos, partículas subatómicas capazes de percorrer milhões de anos-luz e atravessar toda a matéria. Dois estudos publicados na revista Science, provam pela primeira vez que neutrinos detectados no Pólo Sul em Setembro do ano passado tiveram origem numa galáxia elíptica a quatro mil milhões de anos-luz da Terra, que gira em torno de um buraco negro supermassivo e é conhecida como ‘blazar’. Os neutrinos foram registados pelo detector de partículas Icecube, que consiste numa rede de mais de 5.000 sensores de luz dispostos numa grelha a mais de um quilómetro de profundidade, enterrado no gelo do Pólo Sul. Quando um neutrino interage com o núcleo de um átomo, cria uma segunda partícula que, por sua vez, gera um cone de luz azul que é detectado pelo Icecube. Como a segunda partícula e a luz que gera mantêm o mesmo trajecto do neutrino, é possível aos cientistas detectar onde começou esse trajeto. Para identificar a origem do neutrino que atravessou o Universo, foi usada uma rede de instituições e investigadores, incluindo os que trabalham com alguns dos maiores telescópios do mundo. Os neutrinos, que os cientistas designam como “partículas fantasma” porque quase não têm massa, são altamente voláteis, praticamente não interagem com a matéria e não são afectadas por campos magnéticos. É isso que explica que possam percorrer distâncias inimagináveis sem nunca mudar de direção.

Hoje Macau 13 JUL 2018 #4091  

N.º 4091 de 13 de JUL de 2018

Hoje Macau 13 JUL 2018 #4091  

N.º 4091 de 13 de JUL de 2018

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