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QUARTA-FEIRA 13 DE JUNHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4071

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

CASO SULU SOU | JORGE MENESES ACUSA NETO VALENTE DE “CONFUNDIR CONCEITOS”

MANIFESTAÇÃO

ASSÉDIO NA ESCOLA SAM YUK

ANA ARAGÃO

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EVENTOS

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AS NOTÍCIAS ERAM FALSAS

CIDADES A HAVER

hojemacau

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

LUSA/STRAIT TIMES

PROTESTO MUDA ALVOS

PAZ! PAZ! CATRAPAZ! Foi simples, rápido, indolor. Os dois presidentes assinaram o tratado e deram a entender que vem aí a paz eterna. Será verdade? GRANDE PLANO

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2 grande plano

Palavras de optimismo e elogios entre Donald Trump e Kim Jong-un marcaram o fim da cimeira histórica entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. O acordo

assinado

aborda o fim progressivo do programa nuclear da Coreia do Norte e a troca de restos mortais de prisioneiros de guerra entre os dois países

13.6.2018 quarta-feira

CIMEIRA

NO MELHOR DOS MUNDOS C

OMERAM um lauto almoço (ver caixa) e ambos saíram satisfeitos de um encontro histórico. Terminou ontem a cimeira entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, que decorreu em Singapura e, à saída, Donald Trump até garantiu que o encontro se poderá repetir nos próximos tempos. “Vamos encontrar-nos novamente, vamos encontrar-nos muitas vezes”, disse aos jornalistas, de acordo com a agência Associated France-Press (AFP). “Fizemos grandes progressos, foi melhor do que esperávamos”, disse ainda. Antes do encontro, as palavras trocadas pelos dois líderes, também revelaram um caminho diplomático a percorrer em prol da paz. “É uma honra reunir consigo e sei que vamos resolver o nosso grande problema, o nosso grande dilema, que até este ponto não foi possível resolver. Trabalhando

China quer fim das sanções económicas

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China, o principal aliado da Coreia do Norte, reagiu aos resultados da cimeira, falando de uma “nova história”. “A China apoia, porque é aquilo que temos esperado”, afirmou o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang. Geng lembrou o contributo da China para a resolução da questão norte-coreana, nomeadamente a proposta de “dupla suspensão”: o fim das manobras militares dos EUA e da Coreia do Sul na península coreana e, ao mesmo tempo, a paragem dos testes com armamento nuclear por parte da Coreia do Norte. “A proposta de suspensão por suspensão é a correcta e foi concretizada”, afirmou Geng, lembrando que Pequim “tem vindo a apelar aos dois lados para que mantenham o diálogo diplomático”. O porta-voz lembrou ainda a importância de os EUA “levarem seriamente e atenderem as preocupações com a segurança da Coreia do Norte”. “A outra parte deve também tomar

ACORDO REFERE DESNUCLEARIZAÇÃO E TROCA DE RESTOS MORTAIS DE PRISIONEIROS

medidas construtivas”, afirmou. Além disto, a China sugeriu ontem que o Conselho de Segurança da ONU suspenda as sanções contra a Coreia do Norte, face às actuais iniciativas diplomáticas de Pyongyang, após a cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un. “As sanções não são uma finalidade em si”, afirmou o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang, em conferência de imprensa. “Acreditamos que o Conselho de Segurança deve fazer esforços para apoiar as atuais iniciativas diplomáticas”, acrescentou. No ano passado, o Conselho de Segurança aprovou de forma unânime a aplicação de sanções contra o regime de Kim Jong-un, face aos seus sucessivos testes atómicos, proibindo as exportações norte-coreanas de carvão, ferro, chumbo, têxteis e marisco. A China teve ainda de reduzir o fornecimento de petróleo e produtos petrolíferos refinados a Pyongyang.

juntos, vamos resolver o assunto”, disse Donald Trump. Também Kim Jong-un falou em harmonia para o futuro. “Trabalhando em estreita harmonia consigo, senhor presidente, com desafios, estou disposto a fazer este grande trabalho.”

DESNUCLEARIZAÇÃO E RESTOS MORTAIS

Palavras amistosas à parte, da cimeira saiu um acordo que aborda

“As pessoas ficarão muito admiradas e muito contentes e nós vamos tratar de um problema muito perigoso para o mundo.” DONALD TRUMP

não só a possibilidade de desnuclearização da Coreia do Norte. De acordo com a AFP, que fotografou o documento, o texto não menciona a exigência norte-americana de “desnuclearização completa e irreversível” – a fórmula que significa o abandono completo do armamento e a aceitação de missões de inspecção –, mas reafirma o compromisso anterior, mais vago. “As pessoas ficarão muito admiradas e muito contentes e nós vamos tratar de um problema muito perigoso para o mundo”, disse Trump, admitindo estar “muito orgulhoso com o que aconteceu hoje”. O presidente norte-americano disse que tinha criado “uma ligação muito especial” com Kim e que a relação com a Coreia do Norte iria ser muito diferente daqui em diante. “Decidimos deixar o passado para trás. O mundo assistirá a uma grande mudança. Gostaria de expressar a minha gratidão ao presidente Trump por fazer este encontro

Japão Comportamento “responsável”

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speramos que a Coreia do Norte se comporte como um país responsável na comunidade internacional” a partir de agora, disse o porta-voz do executivo japonês numa conferência de imprensa. O responsável escusou-se a avaliar o resultado da cimeira até Trump telefonar ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, nas próximas horas para o informar, mas enfatizou “a liderança e o esforço do

presidente Trump para tornar realidade [a reunião]”. Entretanto, o Japão lançou ontem um satélite destinado a vigiar as instalações militares da Coreia do Norte e conseguir imagens de áreas afectadas por desastres naturais, informou a Agência de exploração Aeroespecial do Japão (JAXA). O satélite do tipo radar foi lançado num foguete H-2ª do centro espacial Tanegashima, na província de Kagoshima (sudoeste), informou a Jaxa em comunicado. “O foguete voou como planeado e o satélite de colheita de dados foi devidamente separado.”

acontecer”, afirmou Kim Jong-un na altura em que o documento foi assinado. Trump disse que iria “sem dúvidas” convidar Kim Jong-un para visitar a Casa Branca. Por outro lado, no mesmo texto, os Estados Unidos “garantem a segurança da Coreia do Norte”. “O presidente Trump compromete-se a fornecer as garantias de segu-

“Decidimos deixar o passado para trás. O mundo assistirá a uma grande mudança. Gostaria de expressar a minha gratidão ao Presidente Trump por fazer este encontro acontecer.” KIM JONG-UN

A ONU e a questão humanitária

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secretário-geral da ONU, António Guterres, estava confiante, na segunda-feira, de que a cimeira entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte permitirá avanços no sentido da paz e da desnuclearização da península coreana. “O mundo está a seguir de perto o que se vai passar dentro de horas em Singapura.” Guterres elogiou o “valor” dos dois líderes e disse esperar que eles possam “quebrar o perigoso ciclo que tanta preocupação causou o ano passado”. O objectivo, sublinhou, deve continuar a ser “a paz e a desnuclearização verificável”. Perante

as potenciais dificuldades, Guterres assegurou que a ONU está pronta para apoiar o processo “de qualquer modo, incluindo a verificação, se for solicitado pelas partes-chave”. “Eles são os protagonistas”, insistiu, realçando que as Nações Unidas apenas oferecem a sua ajuda e que o seu único objectivo é o êxito das negociações. Guterres pediu, por outro lado, para que se preste atenção à situação humanitária na Coreia do Norte e recordou que a ONU está a tentar obter 111 milhões de dólares para dar resposta às necessidades imediatas de seis milhões de pessoas.


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rança” à Coreia do Norte, indica a primeira informação sobre o documento conjunto.

“PAZ E PROSPERIDADE”

O documento refere também o estabelecimento de novas relações

entre os dois países no sentido "da paz e da prosperidade" e a troca de restos mortais de prisioneiros e informações sobre soldados desaparecidos em combate durante a Guerra da Coreia, que ocorreu entre 1950 e 1953. Os corpos de mais de

Calma em Pyongyang

A Seul Acordo “põe termo à Guerra Fria”

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presidente sul-coreano, Moon Jae-in, saudou o acordo entre os EUA e a Coreia do Norte como um “acontecimento histórico que põe termo à Guerra Fria”. Moon Jae-in disse ainda que está preparado para iniciar uma nova etapa nas relações com a Coreia do Norte e que Pyongyang se comprometeu com a desnuclearização completa do seu arsenal. O chefe de Estado homenageou Kim e Trump pela sua “coragem e determinação”, considerando que cabe agora às duas Coreias virarem a página de um “passado sombrio, feito de guerra e confrontos”.

AFP, uma das poucas agências internacionais com delegação em Pyongyang, descreveu a capital norte-coreana, durante o decurso da cimeira entre Trump e Kim, como a “calma no centro da tempestade”. “Com poucas fontes de informação, além da imprensa estatal, rumores e passa-a-palavra, a maioria dos norte-coreanos está às cegas sobre o histórico evento, que potencialmente transformará as suas vidas”, descreve Eric Talmadge, correspondente da agência.

7.800 militares norte-americanos continuam por localizar desde o final do conflito. Numa conferência de imprensa promovida já depois da saída de Kim Jong-un de Singapura, Donald Trump referiu-se ao

líder norte coreano como sendo alguém “muito inteligente” que iria colocar os pontos do acordo em prática. Ontem o editorial do jornal norte-coreano Rodong referia que o país "vai procurar, através

do diálogo, a normalização das relações" com um país (sem identificar qual), sempre que essa nação "respeitar a autonomia" norte-coreana. Andreia Sofia Silva (com agências) andreia.silva@hojemacau.com.mo

Bimi e costeletas de vitela na ementa

Ivanka deixa os chineses perplexos

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ostelas de vitela com verduras e molho de vinho ou “oiseon”, um prato típico coreano a base de pepino e carne, foram alguns dos pratos degustados nesta terça-feira por Donald Trump e Kim Jong-un durante a histórica cimeira. Pratos que homenageiam a comida americana e norte-coreana, bem como Singapura, a sede do encontro, foram os protagonistas do almoço entre os dois líderes e suas respectivas delegações. No come-

ço, Trump e Kim experimentaram um cocktail de camarões com salada de abacate e um kerabu, um prato típico malaio de arroz com manga, lima e polvo fresco; ou o conhecido “oiseon”, um pepino cozido recheado de carne bastante popular na Coreia do Norte. Como prato principal, os líderes comeram costelas de vitela com batata gratinada e bimi, um vegetal que surgiu no Japão como um híbrido entre os brócolos e um tipo de couve oriental. O outro prato principal foi o zhao, um arroz frito do estilo Yangzhou (leste da China), igualmente homenageado pela comida de Singapura. Como sobremesa, Trump, Kim e o restante de suas delegações comeram sorvete de baunilha e torta de chocolate.

s chineses tentavam encontrar nesta terça-feira a origem de um suposto provérbio da sua cultura que Ivanka Trump, filha do presidente Donald Trump, publicou no Twitter poucas horas antes da reunião do seu pai com o líder norte-coreano Kim Jong Un. “O céptico não tem que interromper o que actua - Provérbio chinês”, tuitou Ivanka Trump na segunda-feira à noite. Esta

referência deixou os internautas chineses perplexos e muitos tentaram encontrar a origem do suposto provérbio. “O nosso chefe de redacção não encontra de que provérbio se trata. Ajuda!”, pediu a conta oficial da Sina, a empresa que administra o Weibo. Em milhares de mensagens, os utilizadores do Weibo discutiram sobre a possível origem do provérbio e alguns criticavam directamente a filha de Trump. “Leu em um biscoito da sorte do Panda Express”, afirmou um internauta, em referência aos biscoitos de uma conhecida rede de comida chinesa nos Estados Unidos.


Jorge Menezes questiona as razões que levam o presidente da Associação de Advogados de Macau a comentar casos de colegas, e considera que Jorge Neto Valente se intrometeu num processo “que não conhece” e numa área do Direito “que não domina”

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advogado de Sulu Sou questiona o facto do presidente da Associação de Advogados de Macau (AAM), Jorge Neto Valente, tomar posições sobre casos em que não está envolvido. Em declarações ao HM, Jorge Menezes sublinha que não comenta o caso do pró-democrata, mas considera que Neto Valente se intrometeu num processo “que não conhece” e numa área do Direito que “não domina.” “Começo por me perguntar por que motivo o presidente da AAM entende normal tomar partido em processos judiciais de colegas seus. Já há uns meses o presidente da AAM havia anunciado que Sulu Sou iria perder a sua acção contra a Assembleia Legislativa no TSI [Tribunal de Segunda Instância]. Antes, tinha dito que ele se tinha ‘posto a jeito’, numa linguagem que talvez não dignifique a Associação a que preside”, começou por dizer Jorge Menezes. “Agora veio intrometer-se noutro processo que não conhece, numa área do direito que manifestamente não domina”, observou. Em declarações prestadas ao HM, Jorge Neto Valente tinha defendido que a Assembleia Legislativa não tinha de tomar uma posição face ao facto da imunidade de Sulu Sou ter sido levantada com base numa acusação de crime de desobediência qualificada. Contudo, o deputado acabou por ser condenado pela prática de um crime de manifestação ilegal, que não fazia parte da acusação que esteve na origem do levantamento da imunidade do deputado. Por esta razão, a defesa entende, à luz do Estatuto dos Deputados, que o tribunal não estava autorizado a julgar o legislador por este

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Em seara alheia CASO SULU SOU ADVOGADO ACUSA NETO VALENTE DE CONFUNDIR CONCEITOS

HOJE MACAU

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crime, que deveria ter havido um novo pedido de levantamento de imunidade à base da acusação, e que o julgamento devia ser considerado nulo e ilegal. Questionado sobre esta posição da defesa de Sulu Sou, Jorge Neto Valente foi claro: “A AL não tem nada de se pronunciar. Não interessa saber se o crime é A, B ou C.

O que interessa é a pena aplicável. Portanto com base nisso a deliberação está tomada e não é preciso alterar nada”, apontou. “Por esse prisma, não vão [defesa] a lado nenhum”, comentou.

LUGAR COMUM

No entanto, Jorge Menezes sustenta que o presidente da AAM

confundiu conceitos, que não analisou o caso à luz do Estatuto dos Deputados e que o que está em causa é o tipo de crime e não a moldura penal. “O presidente da AAM confundiu várias coisas, desde logo a alteração de factos e alteração da qualificação jurídica: algumas pessoas confundem-nas, mas são

figuras distintas. Dizer que ‘em matéria de direito, o tribunal é que sabe’ é um lugar comum que, em Penal, é uma insuficiência que desagua no errado”, defendeu Jorge Menezes. “Afirmar que nesta matéria o que interessa é a pena, não o crime, é elementarmente errado. Para além da lei, que o expressa através do conhecido


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Contra a “legalidade violada”

“O presidente da AAM não parece ter notado que, desta feita, o que está em causa não é a eventual violação do Código de Processo Penal, mas do Estatuto dos Deputado.”

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deputado José Pereira Coutinho enviou uma carta ao presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, onde pede que o hemiciclo envie um ofício ao Tribunal Judicial de Base (TJB) para que este “sustenha de imediato qualquer medida de execução da sentença e que procure tomar as medidas adequadas para que a legalidade violada seja reposta”. Este pedido surge depois de Sulu Sou, deputado suspenso da AL, ter considerado a sentença nula e ilegal, pelo facto de ter sido condenado por um crime que não constava na acusação do Ministério Público. “O que sucedeu no processo do nosso colega deputado Sulu Sou é grave e exige reflexão: fomos

JORGE MENEZES ADVOGADO

conceito do ‘crime diverso’, há filas de Acórdãos e milhares de folhas escritas dizendo o contrário do que ele terá dito”, frisou. “Ademais, o presidente da AAM não parece ter notado que, desta feita, o que está em causa não é a eventual violação do Código de Processo Penal, mas do Estatuto dos Deputado”, acrescentou. Jorge Menezes fez ainda notar que tem aprendido muito com “os comentários informados, favoráveis ou críticos”, mas que as declarações mais recentes de Jorge Neto Valente não se encontra nesta categoria. O HM tentou entrar em contacto com Jorge Neto Valente para obter uma resposta às declarações de Jorge Menezes, mas tal não foi possível até ao fecho da edição. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

SOFIA MARGARIDA MOTA

Coutinho diz que Tribunal Judicial de Base não respeitou autonomia da Assembleia Legislativa

informados pelo tribunal de que este estava acusado do crime de desobediência qualificada e que seria por esse crime que seria julgado. A AL votou o levantamento da imunidade, com a consequente suspensão, para ele ser julgado pelo crime que nos havia sido descrito pelo pedido do tribunal. Porém, sem informar a AL, o tribunal alterou o tipo de crime, passando a julgá-lo por um crime que não fora descrito na acusação”, descreveu Pereira Coutinho.

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ANÚNCIO Concurso Público para o Arrendamento do “Centro Comercial de Seac Pai Van”, no Lote CN5a de Seac Pai Van, em Coloane Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 8 de Junho de 2018, se acha aberto o concurso público para o Arrendamento do Centro Comercial de Seac Pai Van, dedicado à exploração de venda a retalho de produtos alimentares frescos e vivos, produtos secos, comidas e artigos de uso diário, no Lote CN5a de Seac Pai Van, em Coloane. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17h00 do dia 25 de Julho de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP$ 120.000,00 (Cento e vinte mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O preço base mensal é de MOP$ 60.000,00 (Sessenta mil patacas). O acto público de abertura das propostas realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 10h00 do dia 26 de Julho de 2018. A sessão de esclarecimento terá lugar no dia 20 de Junho de 2018, às 10h00, na Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar. No mesmo dia, o IACM vai organizar uma visita ao local para observação. Macau, aos 8 de Junho de 2018. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO

Escreve o deputado que “do mesmo modo que teve de ser a AL a autorizar que o deputado fosse julgado pelo crime de desobediência qualificada, também teria de ser a AL a autorizar que ele fosse julgado pelo crime de reunião ilegal. O tribunal teria que se dirigir de novo à AL para que fosse colocada à votação o levantamento da imunidade relativamente a este crime bastante distinto”. Na visão de José Pereira Coutinho, o Tribunal Judicial de Base (TJB) “não respeitou a autonomia e a dignidade da AL”. “Um deputado foi julgado, pela primeira vez na história da RAEM, em violação do seu estatuto de imunidade. Tal põe em causa a respeitabilidade devida à AL e ao principio de separação de poderes”, acrescenta ainda.

O deputado revela ainda estar preocupado que “estes erros judiciais possam causar atraso no regresso do deputado Sulu Sou à casa a que pertence”. “Espero que a AL saiba agir no sentido de que o deputado possa regressar à AL sem a perda de qualquer um dos seus direitos processuais.” O presidente da Associação dos Advogados de Macau, Jorge Neto Valente, adiantou que não houve qualquer ilegalidade no procedimento judicial, tendo referido que não cabe à AL envolver-se nesta questão. “A AL não tem nada de se pronunciar. Não interessa saber se o crime é A, B ou C. O que interessa é a pena aplicável. Portanto com base nisso a deliberação está tomada e não é preciso alterar nada. Os juízes têm uma liberdade muito grande na

alteração da qualificação. Em matéria de Direito, o tribunal é que sabe. Se ficam provados factos que não são exactamente os que estavam na acusação, ou se têm outro contorno, o tribunal tem a faculdade de alterar a qualificação. Isto não tem problema nenhum.” Posição esta que não é adoptada por José Pereira Coutinho. Ontem Sulu Sou garantiu ao HM que enviou uma carta a Ho Iat Seng sobre este assunto, e que este lhe respondeu que o hemiciclo continua a aguardar que a sentença do TJB transite em julgado. O presidente da AL garantiu ainda a Sulu Sou de que este poderá voltar a ocupar a cadeira deixada vaga no hemiciclo mal apresente as folhas de pagamento de multa correspondente a 120 dias, conforme decidiram os juízes. A.S.S./J.S.F.


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PEARL HORIZON TRÊS INTERPELAÇÕES ORAIS “CONVOCAM” GOVERNO À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

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Pearl Horizon vai voltar à ordem do dia na Assembleia Legislativa. Três interpelações orais sobre o tema convocam o Governo a deslocar-se ao hemiciclo para prestar mais explicações particularmente sobre a “solução” que delineou para o caso, interpretada por deputados como uma “fonte de problemas.” “Coloquem-se nos lugar dos outros. Imaginem que o Chefe do Executivo ou os Secretários são também proprietários do Perl Horizon e o Governo vai vender-lhes uma fracção de habitação temporária a preços de mercado. Será que aceitariam?” A pergunta retórica é feita por Au Kam San que, numa interpelação oral, observa que o Governo “está sempre a surpreender a população” e não pelos melhores motivos, como fica patente, a seu ver, no tratamento do caso Pearl Horizon. Embora reconheça tratar-se de um “conflito comercial”, o pró-democrata entende que “o Governo deve assumir a responsabilidade de procurar soluções e de garantir os legítimos interesses dos promitentes-compradores”. Com efeito, a solução “repentinamente” encontrada “só deu lugar a críticas” e, “na realidade, vai trazer muitos problemas”, sustenta.

GCS

Na pele dos outros

“O Governo é tão inovador que pretende aproveitar o terreno retomado para, no âmbito da renovação urbana, construir habitação temporária, disponibilizando algumas fracções aos proprietários do Pearl Horizon, classificando-a como pública. Então, como é possível que isto não levante uma onda de preocupações?”, interroga o deputado. Face à prometida consulta pública a respeito, com data prevista para o terceiro trimestre, que antecede a produção legislativa, Au Kam San indaga ainda quanto tempo vai ser preciso para que tudo seja concretizado: “Os pequenos proprietários

O Reforma Jurídica Discutida futura proposta de Lei de Bases da Protecção Civil

O Conselho Consultivo da Reforma Jurídica reuniu-se na tarde de segundafeira para se pronunciar sobre a proposta de Lei de Bases da Protecção Civil. Em comunicado, a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) indica que na reunião foi apresentado “o objectivo, a orientação e o conteúdo principal da Lei de Bases de Protecção Civil”, mas sem facultar detalhes. O encontro, que foi presidido pela Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, contou com o Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak.

Governo endereçou ontem uma carta aberta à Polytex, empresa responsável pelo projecto do Pearl Horizon, em que volta a instá-la a indemnizar os compradores das fracções adquiridas em planta, sob pena de “vir a tomar outras acções”. “Caso a Sociedade de Importação e Exportação Polytex, Limitada enfrente a questão da indemnização com uma atitude negativa, prejudicando os interesses dos compradores das fracções autónomas em construção”, o Governo “não exclui a possibilidade de vir a tomar outras acções”, diz a missiva, sem, no entanto, especificar. Na carta aberta, divulgada pelo gabinete do porta-voz do Governo, o Executivo insta a Polytex “a cumprir o espírito do contrato e as responsabilidades legal e social, indemnizan-

do Pear Horizon já sofreram muito. Quantos mais anos têm ainda de sofrer?”

GATO POR LEBRE

Si Ka Lon, também eleito por sufrágio directo, subscreve, considerando que “são os mais prejudicados”. Se, por um lado “têm de continuar a sentir grande pressão” não só por causa das prestações bancárias, mas também pelo receio de não conseguirem ter o seu dinheiro de volta em caso de falência da empresa”, por outro, “vão ter de comprar habitação temporária de natureza pública a preços de

mercado”. “Se nos pusermos no seu lugar é compreensível que se sintam impotentes e indignados”, argumenta Si Ka Lon. O deputado quer ainda saber se o Governo “dialogou” com os visados, antes de avançar com a solução de habitação temporária, bem como se tem em carteira “propostas alternativas” face “à forte oposição da maioria dos pequenos proprietários” das 3.020 fracções. Si Ka Lon nota ainda uma diferença de postura que pretende ver esclarecida: “Em 2015, as autoridades afirmaram que, após a recuperação do terreno, iam avançar com um novo concurso público para garantir os direitos e os interesses dos pequenos proprietários. Mas revelaram, há dias, que faltava uma base jurídica para estabelecer as condições do concurso e garantir que as fracções sejam vendidas a determinadas pessoas por determinados preços. Porquê essa diferença de entendimento?” Zheng Anting também interpela o Executivo sobre a “muita injusta” situação dos pequenos proprietários que ficaram “desiludidos e furiosos” com a solução apresentada. “O Governo vai divulgar outras soluções?”, indaga o deputado, indicando que foram prometidas “várias” aos pequenos

Ameaça velada

Governo ameaça tomar “outras acções” caso a Polytex não indemnize proprietários

do os compradores das fracções autónomas em construção de forma activa e o mais breve possível”. Em Maio, o Tribunal de Última Instância (TUI) negou provimento ao recurso interposto pela Polytex que pretendia a anulação do despacho do Chefe do Executivo, de Janeiro de 2016, que declarou a ca-

ducidade do contrato de concessão provisória do terreno localizado na Areia Preta. Apelo idêntico foi feito na semana passada por parte de 27 dos 33 deputados à Assembleia Legislativa que assinaram uma carta enviada à Polytex a exigir a devolução do dinheiro aos

WONG KIT CHENG REUNIU-SE COM LESADOS

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deputada Wong Kit Cheng reuniu-se ontem com oito proprietários de fracções do Pearl Horizon para abordar a questão da indemnização. Segundo o Jornal Ou Mun, os lesados queixaram-se do apoio do Governo, com um dos proprietários a afirmar que ficou desiludido com a assistência jurídica prestada aos compradores por parte do Executivo que, a seu ver, é apenas um espectáculo para mostrar à sociedade. Os lesados criticaram ainda a Polytex, argumentando que nenhuma das duas propostas de devolução os satisfaz, além de que não incluem o pagamento de juros. Wong Kit Cheng concordou que as propostas não são pragmáticas, tendo manifestado que vai continuar a apoiar os lesados na sua luta para reaver o dinheiro e obter uma indemnização.

proprietários de fracções do Pearl Horizon nos encontros que mantiveram com o Executivo. Na sua interpelação oral, Zheng Anting foca-se essencialmente naquele que tem sido um dos seus cavalos de batalha: “Já há muito que as lacunas da Lei de Terras estão à vista de todos, aliás, o Governo e os deputados à Assembleia Legislativa já sabem há muito tempo da necessidade de rever a Lei de Terras”, dado que, “em caso de não aproveitamento dos terrenos no prazo fixado, não distingue o tratamento a dar às situações imputáveis e as não imputáveis ao concessionário”.

“Os pequenos proprietários do Pear Horizon já sofreram muito. Quantos mais anos têm ainda de sofrer?” AU KAM SAN DEPUTADO

Recordando nomeadamente que o Governo afirmou, na última legislatura, estar a estudar os problemas resultantes do polémico artigo 48.º da Lei de Terras, o deputado pergunta onde param os resultados desses estudos. Au Kam San, Si Ka Lon e Zheng Anting assinam três de um total de 16 interpelações orais – mecanismo que obriga o Executivo a fazer-se representar no hemiciclo – que aguardavam, até ontem, pela marcação de plenário. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

promitentes-compradores das fracções. O Pearl Horizon era para ser um empreendimento de luxo, que acabou por não ser construído, uma vez que o prazo de aproveitamento do terreno expirou antes da obra ser erguida. Segundo a imprensa chinesa, a Polytex apresentou entretanto propostas para a devolução dos montantes pagos aos lesados. Em declarações ao jornal Ou Mun, Kou Meng Pok, presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, admitiu que nenhuma lhe enche as medidas e que não vai aceitar o que foi sugerido. Entretanto, após a decisão do TUI, a Polytex revelou que planeia avançar com uma acção judicial para exigir ao Governo uma compensação de pelo menos 60 mil milhões de patacas. Segundo indicou anteriormente o advogado da Polytex, Leonel Alves, a empresa pretende a “reposição do equilíbrio económico e financeiro do contrato de concessão (...) devido aos atrasos muito anormais e significativos produzidos pelos serviços administrativos do Governo”. D.M.


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COUTINHO APOIA INICIATIVA

GCS

Quem também vai aderir ao protesto é o deputado José Pereira Coutinho, que tem sido uma das pessoas envolvidas na promoção da manifestação. Contudo, ao HM, o legislador sublinhou que o seu protesto se limita à política de estacionamento, não se identificando com a questão do reconhecimento mútuo das cartas de condução. “Ouvimos as pessoas através das nossas plataformas e redes sociais e a conclusão é que a suspensão da consulta pública não serve. Podem suspendê-la agora, mas vão avançar no futuro”, contou o legislador e presidente

TRÂNSITO MANIFESTAÇÃO VIRA-SE CONTRA RECONHECIMENTO DE CARTAS

O pior pesadelo

Apesar do recuo do Governo, o protesto contra as políticas de trânsito vai mesmo avançar. Em vez da luta contra a possibilidade de aumentar o valor das multas para o estacionamento ilegal, os manifestantes vão mostrar o descontentamento contra a falta de estacionamento e o reconhecimento mútuo das cartas de condução com o Interior da China TIAGO ALCÂNTARA

Governo colocou de lado a intenção de fazer uma consulta pública para a revisão da Lei de Trânsito Rodoviário, mas nem por isso a manifestação marcada para Sábado vai ser cancelada. Em vez de estar na agenda o protesto contra os aumentos das multas por estacionamento ilegal, os novos alvos passam a ser a falta de estacionamento e o reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e o Interior da China. A demonstração partiu da Associação Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau, que tem como membros Au Kam San e Ng Kuok Cheong, e chegou a estar em risco de não se realizar. Contudo, os legisladores optaram por seguir em frente com a iniciativa. “O Governo quer aumentar as multas para resolver as questões do trânsito. Nós consideramos que apesar da suspensão da consulta pública, que a ideia vai continuar para ser apresentadas mais tarde”, disse Au Kam San, ao HM. “Também houve várias pessoas que reiteraram a intenção de se manifestarem contra a ‘caça à multa’ no estacionamento, reconhecimento mútuo das cartas de condução e pela falta de estacionamentos públicos”, sustentou. Au Kam San informou ainda já foi entregue no IACM a comunicação sobre a alteração do assunto da manifestação.

da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). “Não existem, neste momento, parques suficientes para o estacionamento de motas e carros e não se dá uma a solução para esta situação crónica. Eles [Governo] pensam que com o aumento das multas que obrigam as pessoas a andarem a pé

para casa e para o trabalho. Mas não é assim e as pessoas sentem-se revoltadas porque estão a brincar com as suas vidas”, revelou. Na consulta pública o Governo queria ouvir as opiniões dos cidadãos sobre a possibilidade de aumentar as multas por estacionamento ilegal. Coutinho considera que o assunto não devia

“[Mais 140 lugares?] A maior parte dos cidadãos acha que é uma brincadeira da DSAT. Mas compreendo que a DSAT não possa anunciar mais nada. Nos últimos anos não têm feito nada para melhorar a política de estacionamento.” SULU SOU DEPUTADO

ter sido tratado desta forma e que a decisão já estava tomada. “O governo não tem de decidir que vai aumentar as multas e depois fazer uma consulta pública... Se é assim para que serve as consultas? As pessoas estão muito chateadas pela forma como as coisas foram feitas”, apontou.

considerou que o Governo andou a testar os cidadãos. “Acreditamos que a DSAT quis testar os cidadãos durante esta semana antes de começar a consulta. Se não tivesse havido críticas fortes, teria continuado com a consulta pública e com o aumento das dívidas. Mas foi muito claro que o teste não resultou”, afirmou o deputado suspenso. Depois, mostrou o seu apoio à política de consultas públicas: “Consideramos que a consulta da DSAT devia ter seguido em frente para ouvir as opiniões sobre os assuntos que reúnem o consenso da população”, defendeu. Sulu Sou explicou ainda que a Novo Macau não considerou participar no protesto, uma vez que ainda ia haver uma consulta pública, um mecanismo considerado legítimo para a população se expressar. Contudo, não poupou críticas à política de estacionamento. “O Governo tem de elaborar uma política para o estacionamento com base no número da população e no aumento da procura de lugares”, frisou. Sobre o anúncio recente do Executivo da criação de mais de 140 lugares de estacionamento, o deputado foi mordaz: “Foi uma reacção à críticas. A maior parte dos cidadãos acha que é uma brincadeira da DSAT. Mas compreendo que a DSAT não possa anunciar mais nada. Nos últimos anos não têm feito nada para melhorar a política de estacionamento e ficam sem alternativas para mostrar”, frisou. A manifestação está agendada para sábado às 15h00, com concentração Às 14h30, no Jardim Vasco da Gama.

NOVO MACAU DE FORA

Por sua vez, a Associação Novo Macau não vai participar na manifestação, mas nem por isso deixa de criticar a actuação do Executivo. Numa conferência de imprensa realizada ontem, inicialmente para abordar a consulta pública à Lei de Trânsito Rodoviário, Sulu Sou

João Santos Filipe com Vítor Ng info@hojemacau.com.mo

SUSPENSÃO SÓ EM CHINÊS

P

assadas mais de 24 horas após o comunicado em chinês da DSAT a anunciar a suspensão da consulta pública, o Governo ainda não tinha feito qualquer comunicado em português, quer através da plataforma de comunicação com os jornalistas ou através do portal da própria DSAT.

Governo visitou ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau O Chefe do Executivo, Chui Sai On, visitou ontem a nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, acompanhado pelos cinco secretários e também pelos membros do Conselho Executivo. De acordo com um comunicado, a delegação “assistiu a uma apresentação sobre o planeamento, concepção e obras de construção, bem como os desafios, incluindo a complexidade do ambiente, os vários requisitos,

tais como a passagem frequente de tufões, vias de navegação cruzadas, restrições de altura para o sector da aviação e protecção ambiental”. Chui Sai On disse ainda que “a enorme escala da referida obra, ao longo da área marítima do canal do Rio das Pérolas, comprova o constante melhoramento da capacidade do país na construção de infra-estruturas chave e de grande dimensão”.


8 sociedade

13.6.2018 quarta-feira

Crime Peça central em escândalo na Malásia escondido em Macau

O jornal The Malaysian Reserve noticiou ontem, citando fonte governamental não identificada, que o empresário Low Taek Jho, peça central no escândalo de corrupção ligado ao fundo 1Malaysia Development Bhd (1MDB), estará escondido em Macau. Contudo, a publicação sublinha que as autoridades não têm capacidade de fazer regressar a casa Low Taek Jho – conhecido como Jho Low –, dado que não há um acordo de extradição com a RAEM. O HM contactou as autoridades de Macau no sentido de saber se têm informações sobre o empresário procurado por alegado envolvimento no escândalo de desvio de dinheiros públicos que envolveu o ex-primeiro-ministro Najib Razak, mas não obteve resposta até ao fecho da edição.

Empréstimos Menos hipotecas em Abril

Os empréstimos hipotecários destinados à habitação tiveram uma subida de 18 por cento no mês de Abril quando comparados com o período homólogo no ano passado. No entanto, a nível mensal, o movimento é inverso registando uma queda de 35,4 por cento. No total, em Abril os empréstimos bancários totalizaram as 3,98 mil milhões de patacas. De acordo com a Autoridade Monetária de Macau, os novos empréstimos para habitação para residentes representaram 98,3 por cento do total, registando uma descida de 15,9 por cento, num total de 3,9 mil milhões de patacas. Mais acentuada foi a descida dos empréstimos para não residentes com menos 95,4 por cento em relação ao mês de Março. No final de Abril de 2018, o saldo bruto dos novos empréstimos hipotecários atingiu 191,4 mil milhões de patacas.

IPM Marcus Im Sio Kei é o futuro presidente

O professor Marcus Im Sio Kei vai ser o novo presidente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), apurou a TDM – Rádio Macau. Marcus Im Sio Kei desempenha actualmente as funções de vice-presidente do instituto e vai substituir na presidência Lei Heong Iok, que sai por motivos de aposentação. Lei Heong Iok cessa funções no dia 31 de Agosto, depois de ter atingido os 65 anos. Marcus Im Sio Kei é doutorado pela University of London. De acordo com uma nota do IPM, por ocasião da sua nomeação para o cargo de vice-presidente, em Março de 2016, Marcus Im Sio Kei “possui larga experiência nas áreas do ensino e investigação, bem como na gestão administrativa e na cooperação internacional”.

ASSÉDIO SEXUAL DSEJ ESCLARECE ALEGADO CASO NA SAM YUK

No reino das notícias falsas

O caso de alegado assédio sexual na Escola Secundária Sam Yuk não tem sido divulgado conforme os factos, o que está a contribuir para preocupações desnecessárias. A ideia é deixada pela DSEJ que assegura nunca ter existido contacto físico

A

Direcção do Serviços da Educação e Juventude (DSEJ) esclarece as medidas tomadas desde que teve conhecimento do caso de alegado assédio sexual na Escola Secundária Sam Yuk. Em comunicado, os serviços desmentem as afirmações da imprensa relativamente a comportamentos indevidos e à falta de acção do próprio Governo. De acordo com o chefe do departamento de ensino da DSEJ, Kong Ngai, a informação citada na comunicação social como sendo proveniente do Governo é “falsa e causou preocupações desnecessárias aos estudantes, professores e residentes, pelo que é necessário dar esclarecimentos”. O Executivo tem estado atento à situação e tratado do caso de for-

ma rigorosa, referiu o responsável. “Nunca pedimos aos alunos para comunicarem com o professor como o que está dito no artigo em causa”, refere Kong, sendo que “durante todo o processo, além de estar assegurada a privacidade dos alunos, a DSEJ tem mantido uma comunicação estreita com a escola, alunos e agentes de aconselhamento dando seguimento imediato aos procedimentos necessários”.

A ORDEM DOS FACTOS

No final do mês de Abril, dois alunos do sexo masculino da Escola Secundária Sam Yuk dirigiram-se à DSEJ para declarar que um dos professores daquela instituição andaria a ter actos inapropriados. Com o conhecimento da situação, a entidade do Gover-

no entrou em contacto com a escola tendo tido encontros com agentes de aconselhamento e reuniões com alunos de modo a compreender melhor a situação. “Na altura a escola respondeu que tinha iniciado uma investigação interna e tinha tido uma reunião com o professor”, refere Kong Ngai.

“As alunas implicadas nunca referiram que tivesse existido qualquer contacto físico por parte do docente.” KONG NGAI CHEFE DO DEPARTAMENTO DE ENSINO DA DSEJ

As alegadas acusações dizem respeito às queixas efectuadas por duas alunas que disseram que se sentiam constrangidas quando o professor em causa, enquanto dava instruções de estudo, se aproximava muito delas. Depois de uma reunião plenária da escola, a situação não voltou a acontecer. De acordo com a DSEJ, é de salientar que “durante a reunião, as alunas implicadas nunca referiram que tivesse existido qualquer contacto físico por parte do docente”. Os comportamentos referentes a possíveis contactos físicos foram dados por um órgão de comunicação social acerca de uma aproximação do rosto do professor do das alunas, e do toque nas costas ou no pescoço, “não correspondem à realidade”, sublinhou o chefe do departamento de ensino da DSEJ. Segundo o mesmo responsável, o Governo vai exigir à escola a apresentação de um relatório. Entretanto, a DSEJ já organizou uma actividade dirigida aos estudantes de modo a promover a sensibilização para possíveis actos de aproximação indevida. “Reitero que não toleramos os actos de assédio sexual e de abuso sexual”, disse Kong. A Macau Concealers, que avançou com a notícia do alegado assédio sexual na Sam Yuk, referiu que escola alegou que se trata de um professor que vem de uma cultura diferente, sendo que terá dito aos queixosos para não divulgarem a situação. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo


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quarta-feira 13.6.2018

Em modo de Verão

Taipa Passagem pedonal vai custar 303 milhões A empreitada de construção da passagem pedonal aérea ao longo da Avenida de Guimarães, na Taipa, vai custar entre 303 milhões e 499 milhões de patacas. Segundo a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), foram entregues (e admitidas) 18 propostas. A passagem pedonal

Governo desincentiva uso de casaco e gravata para poupar energia

M

ACAU quer sensibilizar a população para a poupança energética e vai, a partir de hoje, reduzir o consumo dos aparelhos de ar condicionado dos escritórios e desincentivar o uso de gravata e casaco no trabalho. O Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético de Macau (GDSE) divulgou um comunicado sobre o combate às alterações climáticas “através da promoção de uma cultura de roupa leve, do desincentivo, sempre que possível, ao uso de gravata e de casaco, e do controlo da temperatura do ar condicionado para não menos de 25º celsius”, de forma a poupar energia. A preocupação com o consumo energético levou as autoridades a lançarem uma campanha que incentiva os funcionários públicos a usarem roupas mais frescas e informais, para que desta forma o ar condicionado nos serviços não esteja tão frio e a consumir tanta energia. A campanha vai decorrer até ao dia 31 de agosto. “Os trabalhadores das empresas privadas, das organizações

industriais e comerciais e das associações são também convidados a participar nesta acção, a fim de se promover, conjuntamente, a cultura de conservação energética e de se criar um ambiente de poupança”, pode ler-se no comunicado.

Donativo Galaxy entrega 400 mil patacas à Anima A Galaxy Entertainment anunciou ontem um donativo de 400 mil patacas à Sociedade Protectora de Animais – Anima. Além do donativo, destinado às operações de resgate dos animais, entregue ao presidente da Anima, Albano Martins, uma equipa de voluntários da Galaxy Entertainment, liderada pelo director do grupo, Philip Cheng, fez uma visita à Anima, que acolhe mais de 600 cães e gatos abandonados

MEDIDA JÁ APLICADA

Esta medida não é inédita na Ásia. Todos os verões, geralmente muito quentes e húmidos, funcionários públicos e restantes trabalhadores do Japão são incentivados a deixar em casa o casaco e a gravata para um uso mais racional do ar condicionado nos locais de trabalho. Esta semana decorre ainda em Macau a “Semana da Conservação Energética de Macau 2018” e por isso, no primeiro dia da semana, as autoridades do território instigaram a sociedade civil e as empresas a desligarem todas as luzes desnecessárias, em casa, nos casinos e nas empresas para promover uma cidade mais amiga do ambiente. Segundo o GDSE inscreveram-se “seis casinos, vários hotéis, bancos, estabelecimentos comer-

: 53/E-BC/2018 :522/BC/2017/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Travessa dos Faitiões n.º 8, EDF. Kong Va, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar B, escada comum entre os 1.º e 2.º andares e escada comum entre os 4.º e 5.º andares, Macau.

Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os donos das obras e os ocupantes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados se realizaram as seguintes obras não autorizadas: Obra Construção de um compartimento com cobertura, suporte e chapa metálicos, paredes em alvenaria de tijolo e janelas 1.1 de vidro, bem como a abertura de um vão na parede para instalação de um portão. Instalação de gradeamento e portão metálicos na escada 1.2 comum entre os 1.º e 2.º andares. Instalação de gradeamento e portão metálicos na escada 1.3 comum entre os 4.º e 5.º andares. 2.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

3.

Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício.

4.

Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.

5.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 01 de Junho de 2018

ou sem dono. “Estamos gratos pela contínua contribuição da Anima para o trabalho local de resgate e protecção de animais”, afirmou Philip Cheng, citado em comunicado. “Esperamos que o nosso donativo ajude a associação a continuar o seu significativo trabalho e a providenciar uma ampla variedade de serviços de resgate e protecção para os animais em Macau”, sublinhou o mesmo responsável.

ciais e alguns locais turísticos”. A iniciativa “Desligar as luzes durante uma hora” decorreu entre as 20:30 e as 21:30.

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local

aérea vai ter um comprimento de 700 metros. A empreitada de construção vai ser dividida em duas etapas a realizar em paralelo. Segundo a DSSOPT, prevê-se que a obra tenha início no quarto trimestre, sendo o prazo máximo de execução de 900 dias de trabalho, ou seja, sensivelmente dois anos e meio.

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 30 de Maio de 2018 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de organização do “Festival de Luz de Macau 2018” . Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo: http://industry. macaotourism.gov.mo , e fazer “download” do mesmo. A Sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 15:00 horas do dia 15 de Junho de 2018. O limite máximo do valor global da prestação do serviço é de MOP18.000.000,00 (dezoito milhões de patacas) Critérios de adjudicação e factores de ponderação: Critérios de adjudicação Preço Criatividade - Descrição:  Dos espectáculos de vídeo “Mapping”;  Das instalações luminosas;  Dos jogos interactivos e da aplicação desenvolvida para “smart phones” . - Informações técnicas para a realização dos espectáculos; - Elementos culturais e criativos locais (incluindo a participação de artistas locais). Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço - Informações sobre os equipamentos a serem utilizados; - Plantas dos locais e dos desenhos das instalações; - Gestão de controle de ajuntamento de pessoas; - Plano de trabalhos. Experiência do concorrente

Factores de ponderação 30% 30%

30%

10%

Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 16 de Julho de 2018, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM ou, alternativamente, em inglês, prestar a caução provisória de MOP360.000,00 (trezentas e sessenta mil patacas), mediante: 1) depósito em numerário à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 17 de Julho de 2018. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 7 de Junho de 2018.

O Director dos Serviços Li Canfeng

A Directora Maria Helena de Senna Fernandes


10 eventos

13.6.2018 quarta-feira

Depois de uma passagem por Macau em Dezembro, Ana Aragão regressa para a apresentação da exposição “Vertical reclamation of individual spaces”, a partir de amanhã, na Casa Garden. Fazem parte desta mostra desenhos inéditos que a artista produziu inspirada nas particularidades estéticas do território

A

NA Aragão esteve pela primeira vez em Macau no passado mês de Dezembro. Em entrevista ao HM, deixou a promessa de voltar com obras inspiradas no território. E é com esses e outros trabalhos que é inaugurada amanhã "Vertical reclamation of individual spaces". A mostra conta com a curadoria de João Ó, sendo que "esta ideia surgiu imediatamente após a exposição da Ana Aragão no Taipa Village no ano passado", começa por dizer o curador ao HM.  Nos seis meses que separam estas duas exposições a artista foi, com o que levou de Macau, produzir uma nova série de obras que agora

Espaços imag EXPOSIÇÃO “VERTICAL RECLAMATION OF INDIVIDUAL SPACES” É INAUGURADA AMANHÃ

inesperadas que vemos nos arranha-céus ou na habitação social”, apontou. São estes os elementos que serviram de inspiração à artista e a partir dos quais Ana Aragão desenvolveu edifícios “sempre verticais, mas gerados por informalidades, constituindo objectos completamente orgânicos”, sublinhou.

CONSTRUÇÃO ÚNICA

apresenta. "É uma exposição compreensiva do seu trabalho”, refere João Ó. Para o efeito, "Vertical reclamation of individual spaces" está divida em quatro partes distintas.  O primeiro momento expositivo está ainda a ser criado e faz parte de uma residência artística que a também arquitecta está a fazer no território. "Vai ser um mapa chamado “Mapa psicogeográfico” e que reflecte o itinerário imaginário dela em Macau”, apontou João Ó. 

A artista está, durante este processo, a experienciar a cidade e, ao mesmo tempo, a cartografar os objectos que considera mais interessantes dentro do que vai vendo. “Es-

tamos a falar de um itinerário ultra-subjectivo e não de um mapa turístico de Macau”, esclareceu o curador. A segunda fase da exposição é o momento que lhe dá

“O conceito refere-se às cidades que, apesar de não poderem ser efectivamente construídas, reflectem um avanço no imaginário e uma possibilidade de que num futuro, seja distópico ou utópico, sejam possíveis de acontecer.” JOÃO Ó CURADOR

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA GOODBYE, COLUMBUS E CINCO CONTOS • Philip Roth

O primeiro livro de Philip Roth foi premiado e granjeou-lhe imediatamente a reputação de escritor de ironia explosiva, capacidade de observação impiedosa e compaixão pelas suas personagens, mesmo pelas mais desprovidas de sentido da realidade. Goodbye, Columbus é a história de Neil Klugman e da bonita e ousada Brenda Patimkin, ele da pobre Newark, ela do bairro suburbano de Short Hills, que se conhecem numas férias de Verão e mergulham numa relação que diz tanto das classes sociais e da suspeita como do amor. A novela é acompanhada de cinco contos cujo registo vai da iconoclastia à ternura sem reservas.

o nome "Vertical reclamation of individual spaces". Aqui é apresentado ao público um conjunto de desenhos inéditos feitos em Portugal e inspirados em Macau. Estes desenhos são, ao mesmo tempo, fictícios e baseados na realidade, isto porque a artista foi buscar objectos e contextos presentes na arquitectura da cidade. Estas particularidades, revelou João Ó, têm a ver com a construção informal da cidade onde se integra a presença das gaiolas, “as formações

A originalidade das construções locais que é retratada neste segundo momento expositivo destaca-se na medida em que trata um tipo de arquitectura que não se vê na Europa. “Na Europa é tudo muito mais regulamentado e as pessoas respeitam a arquitectura”, disse. No entanto, e por cá, o "desrespeito" não deixa de ter o seu interesse e transmite, paradoxalmente, "a forma autoral que as pessoas têm na manutenção da estética de um edifício". João Ó explicou que, por um lado, as pessoas não respeitam a arquitectura original mas, por outro lado, estão a conquistar o espaço individual. “A Ana enveredou pelo lado asiático para explorar este universo da conquista”, referiu. Ao terceiro momento da exposição, o curador chama de retrospectiva em que foram seleccionados vários trabalhos da artista feitos no âmbito do design gráfico mas recorrendo a uma diversidade de suportes. “Estamos habituados a ver designers gráficos a aplicar o seu génio em papel e sempre de uma forma bidi-

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Arthur é um rapaz um pouco tímido, mas bem-disposto, desportista ocasional, fumador (também) ocasional, amigo do seu amigo, divertido, girinho, segundo as amigas, e completamente obcecado por mulheres. Mas tudo muda no dia em que conhece Clara, uma miúda respondona e muito dona do seu nariz apanhou-o pelo coração, e outros órgãos. Será que eles conseguem prescindir dos prazeres da vida de solteiros? Um comic irresistivelmente divertido e provocador sobre amor, sexo, relacionamentos, sexo, amizades… e sexo.


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quarta-feira 13.6.2018

ginários mensional, neste caso, sem deixar de ser bidimensional, os suportes utilizados são diferentes são utilizados, por exemplo tapetes, cerâmica, rótulos de vinho ou posters”, explicou João Ó. O curador destaca ainda o sentido crítico que Ana Aragão imprime em qualquer trabalho que faça. "Ela não faz uma ilustração só porque é bonito. Há uma intervenção e uma intenção muito forte quando ela ilustra o mundo imaginário dela sobre um caso em particular", disse. Há ainda outro objecto que retrata esta parte da exposição, que não vai estar

patente, mas vai ser representado numa fotografia e que o curador faz questão de referir pela sua importância. "É uma instalação de vidro feita em várias camadas em que a indústria de caixilharia convidou a Ana para ilustrar os desenhos em vários panos de vidro fazendo uma tridimensionalidade quase como um cenário”, explicou. A peça não vai estar presente mas “através da fotografia também de grande dimensão é possível transmitir o que é esperado desta obra”, apontou. Este terceiro momento é ainda composto pela apresentação de várias serigrafias

acerca dos trabalhos que integram a exposição e que vão estar à venda.

ARQUITECTURA DE PAPEL

Por último, numa quarta parte da mostra, é projectado um vídeo que contem excertos de entrevistas dadas por Ana Aragão. “É uma forma de apresentar o que ela faz e a sua educação”, disse o curador. Neste momento final estão incluídos mais dois vídeos com entrevistas a dois arquitectos, ex-professores da artista que falam sobre "Vertical reclamation of individual spaces" na sua perspectiva académica. Os arquitectos abordam a questão da arquitectura de papel produzida para cidades visionárias. “O conceito refere-se às cidades que, apesar de não poderem ser efectivamente construídas, reflectem um avanço no imaginário e uma possibilidade de que num futuro, seja distópico ou utópico, sejam possíveis de acontecer”, explicou. Para João Ó, a vertente mais intelectual e académica de interpretar o trabalho actual de Ana Aragão situa-se precisamente neste último momento até porque "nem toda a arquitectura tem de ser construída”. “Há duas vertentes a considerar: uma que diz que para se ser arquitecto os conhecimentos têm de ser aplicados em construções e outra que diz que não é bem assim, e que é preciso desenhar e conceber mundos porque a submissão ao exequível seria demasiado limitada”, rematou. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

MGM Brincar com arte

A exposição “Art is Play” é a iniciativa promovida pelo MGM Macau que vai estar patente ao público de 27 de Junho a 9 de Setembro. A objectivo é “mostrar o lado divertido e de entretenimento presente na arte”, refere a organização em comunicado. A mostra integra instalações de cinco artistas provenientes de Macau, Hong Kong, Japão, França e Singapura. De acordo com a organização, “a exposição inspira os espectadores a começarem o seu próprio caminho de descoberta e de interacção social através do jogo artístico”.

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13.6.2018 quarta-feira

Anúncio

Anúncio ﹝86/2018﹞ 1. Entidade que realiza o concurso: Instituto de Habitação (IH). 2. Modalidade do concurso: Concurso público. 3. Designação do concurso: Prestação de Serviços de Administração de Edifícios para a Habitação Económica de Macau - Pódios do Edifício do Bairro da Ilha Verde (Subcondomínio B). 4. Objectivo: Concurso para a prestação de serviços de administração de edifícios para a Habitação Económica de Macau - Pódios do Edifício do Bairro da Ilha Verde (Subcondomínio B), incluindo serviços de limpeza, segurança, reparação e manutenção das partes comuns e dos equipamentos colectivos dos pódios, sendo o prazo para a prestação de serviços de 3 anos. A confirmação da data desta prestação de serviços será notificada, por escrito, pelo IH, com a antecedência de 15 dias, prevendo-se que seja no período compreendido entre o dia 1 de Setembro de 2018 e o dia 31 de Agosto de 2021. 5. Requisitos especiais dos concorrentes: Ø Podem concorrer ao presente concurso as sociedades comerciais que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, cujo âmbito da sua actividade, total ou parcial, inclua a actividade comercial de administração de condomínios ou serviços de administração de propriedades, e que não sejam titulares de licença de segurança nem exerçam a actividade de segurança privada; ou os empresários comerciais, pessoa singular, cujo âmbito da sua actividade, total ou parcial, inclua a actividade comercial de administração de condomínios ou serviços de administração de propriedades. Ø Os concorrentes devem recrutar pelo menos um director técnico a tempo inteiro com três anos acumulados de desempenho de funções semelhantes às de director técnico, com habilitação literária não inferior ao ensino secundário complementar e que tenha sido aprovado no Curso de Técnicos Especialistas em Administração de Edificações realizado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. Ø Durante os três anos anteriores ao termo do prazo de entrega das propostas não tenha tido qualquer contrato denunciado unilateralmente pelo IH, por violar as disposições estipuladas em contrato relativo à actividade comercial de administração de condomínios ou prestação de serviços de administração de propriedades. 6. Preço limite para candidatura ao concurso: Não existe preço base. 7. Obtenção do processo do concurso: Podem consultar e obter o respectivo processo do concurso, na sede do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, L, R/C, Macau, nas horas de expediente. A obtenção de fotocópia dos documentos acima referidos é efectuada mediante o pagamento da importância de $2.000,00 (duas mil patacas), em numerário, relativa aos custos das fotocópias ou podem proceder ao seu download gratuito na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). 8. Visita ao local e esclarecimentos por escrito: A visita ao local será realizada no dia 20 de Junho de 2018, às 10:30 horas. Os concorrentes devem comparecer na porta do átrio do Edifício do Bairro da Ilha Verde, Bloco 1, à data e hora acima mencionadas e serão acompanhados por trabalhadores do IH. Durante a visita não serão prestados esclarecimentos a perguntas. Os concorrentes devem dirigir-se à sede do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, L, R/C, Macau, ou ligar para o telefone n.º 28594875, nas horas de expediente, antes do dia 19 de Junho de 2018, para proceder à marcação prévia para participação na visita ao local. Caso os concorrentes tenham dúvidas sobre o conteúdo do presente concurso, devem apresentá-las, por escrito, à entidade que realiza o concurso, antes do dia 25 de Junho de 2018. 9. Caução provisória: O valor da caução provisória é de $ 1.000.000,00 (um milhão de patacas). A caução provisória pode ser prestada por garantia bancária legal ou por depósito em numerário através da conta em nome do IH, na sucursal do Banco da China em Macau. 10. Local, data e hora para entrega das propostas: As propostas devem ser entregues a partir da data da publicação do presente anúncio e até às 17 horas e 45 minutos do dia 18 de Julho de 2018, na delegação das ilhas do IH, sita na Rua de Zhanjiang, n.ºs 66-68, Edifício do Lago, 1.º andar D, Taipa, durante as horas de expediente. 11. Local, data e hora do acto público do concurso: Delegação das ilhas do IH, sita na Rua de Zhanjiang, n.ºs 66-68, Edifício do Lago, 1.º andar D, Taipa, no dia 19 de Julho de 2018, às 10 horas. 12. Critérios de adjudicação: Ø O critério de adjudicação do presente concurso público é o do preço mais baixo proposto. Ø Os representantes legais ou os procuradores dos concorrentes têm obrigatoriamente de comparecer pessoalmente ao acto público do concurso, pois caso exista mais do que um concorrente que ofereça o mesmo preço mais baixo, proceder-se-á, em acto contínuo, pelo período de 15 minutos, à licitação verbal entre os concorrentes nessas condições, de acordo com o disposto no Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, sendo o critério de adjudicação em conformidade com o novo preço. 13. Outros assuntos: Os pormenores e quaisquer assuntos a observar sobre o respectivo concurso encontram-se disponíveis no processo do concurso. Informações posteriores sobre o presente concurso serão publicadas na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo).

Concurso público da empreitada de « Obra de instalação de Ar-condicionado no Mercado Municipal do Bairro Iao Hon » 1. Modalidade do concurso: concurso público. 2. Local de execução da obra: Situado na Avenida da Longevidade e Rua do Mercado de Iao Hon. 3. Objecto da empreitada: Obra de instalação de Ar-condicionado no Mercado Municipal do Bairro Iao Hon. 4. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade da proposta é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável nos termos previstos no programa de concurso. 5. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. 6. Caução provisória: MOP$ 140,000.00 e pode ser prestada por depósito em dinheiro, por garantia bancária ou por seguro-caução aprovado nos termos legais. 7. Caução definitiva: a caução definitiva é de 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar). 8. Preço base: não há. 9. Condições de admissão: inscrição na DSSOPT na modalidade de execução de obras. 10. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM, sito na Avenida de Almeida Ribeiro, n.º 163, R/C , Edifício Sede do IACM, Macau, até às 17:00 horas do dia 5 de Julho de 2018. 11. Local, dia e hora do acto público: Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande n.º804, Edifício China Plaza 6º andar, Macau, no dia 6 de Julho de 2018, pelas 10:00 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes no acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 12. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da cópia: O projecto, o caderno de encargos, o programa do concurso e outros documentos complementares podem ser examinados, nos Serviços de Construções e Equipamentos Urbanos do IACM, sitos na Avenida da Praia Grande n.º517, Edifício Comercial Nam Tung, 18º andar, Macau, durante as horas de expediente, desde o dia da publicação do anúncio até ao dia e hora do acto público do concurso. No local acima referido poderão ser solicitadas até às 17:00 horas do dia 29 de Junho de 2018, cópias do processo de concurso ao preço de MOP$1,500.00 por exemplar, ao abrigo do n.º 3 do artigo 52.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M. 13. Prazo de execução da obra: O prazo de execução não poderá ser superior a 120 dias, contados a partir da data de consignação dos trabalhos. 14. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço Global da empreitada e Lista de Preços Unitários······························60% - Prazo de execução razoável:·······························································10% - Plano de trabalhos············································································10% - Experiência em obras semelhantes························································10% - Material..........................................................................................................................10% 15. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes deverão comparecer nos Serviços de Construções e Equipamentos Urbanos do IACM, sitos na Avenida da Praia Grande n.º517, Edifício Comercial Nam Tung, 18º andar, Macau, a partir de 2 de Julho de 2018 inclusive, e até à data limite para entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, aos 4 de Junho de 2018

Instituto de Habitação, aos 30 de Maio de 2018. O Presidente, Arnaldo Santos

O Vice-Presidente do Conselho de Administração Lo Chi Kin WWW. IACM.GOV.MO


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quarta-feira 13.6.2018

O efeito Trump

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA QUER QUE ONU A DEIXE COMPRAR ARMAS À CHINA

Exportação de soja do Brasil bate recorde

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S exportações de soja do Brasil para a China atingiram novo recorde mensal, em Maio, segundo dados oficiais, ilustrando a crescente importância da produção brasileira, face às crescentes disputas comerciais entre Pequim e Washington. Segundo dados das alfandegas brasileiras, citados pela agência noticiosa AgriCensus, o Brasil exportou, no mês passado, 9,76 milhões de toneladas de soja para a China, superando o anterior recorde em 1,4 milhões de toneladas. No conjunto, o mercado chinês absorveu 80% da soja exportada pelo Brasil, durante aquele período. O aumento das exportações brasileiras surge numa altura de renovada tensão entre Pequim e Washington, outro importante fornecedor de soja para a China, em torno de questões comerciais. O Presidente norte-americano, Donald Trump, exige uma redução do deficit do país nas trocas comerciais com Pequim, ameaçando subir os impostos sobre um total de 150.000 milhões de dólares de exportações chinesas para os EUA. Em retaliação, a China ameaçou subir os impostos sobre a importação de soja e outros produtos alimentares dos EUA, sabendo que grande parte do eleitorado de Trump se encontra na América rural. O transporte de soja dos EUA para a China demora pelo menos 30

dias. Carregamentos feitos agora poderão ser taxados ainda antes de desembarcarem na China, caso os dois lados concretizem as ameaças, o que levou várias empresas chinesas a cancelarem encomendas. "O que quer que [os chineses] estejam a comprar, não é dos Estados Unidos", afirmou no mês passado o chefe-executivo do grupo Bunge Ltd, uma das maiores exportadoras do mundo de cereais e oleaginosas, citado pela agência Bloomberg. "Eles estão a comprar soja do Canadá e Brasil, sobretudo do Brasil, mas deliberadamente não estão a comprar nada dos EUA", detalhou. Segundo dados da National Grain and Oil Information Centre, citados pela AgriCensus, o ‘stock’ chinês de soja atingiu um nível recorde de 8,18 milhões de toneladas na semana passada. Visando evitar uma guerra comercial, Pequim comprometeu-se, porém, a "aumentar significativamente" as suas compras de produtos agrícolas e recursos energéticos norte-americanos. No entanto, os dois lados não chegaram, até à data, a um acordo definitivo.

A

República Centro-Africana pediu ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que a autorize a comprar armas à China para as suas forças armadas e policiais, segundo cópia do pedido consultado pela AFP. A ministra da Reconstrução das Forças Armadas, Marie-Noelle Koyara, solicitou uma excepção ao embargo sobre armas, para os materiais em causa, a saber, veículos blindados, metralhadoras e granadas de gás lacrimogéneo. “Estes meios dedicados à manutenção da ordem fazem falta ao equipamento das unidades e não permitem satisfazer os objectivos de manutenção da ordem pública nem da imposição da autoridade do Estado e o imperativo de protecção das populações”, escreveu Koyara. “Esta solicitação decorre também da constatação da insuficiência dos meios e das forças, face à dinâmica e à recrudescência dos grupos armados, cujas actividades ilegais constituem uma ameaça à paz civil”, explicou. O Conselho de Segurança impôs um embargo às armas em 2013, quando a República Centro Africana

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 26/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 30 de Maio de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Um Sistema de Radiografia Digital Móvel nos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 13 de Junho de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP43,00 (quarenta e três patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral

destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 10 de Julho de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 11 de Julho de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP30.000,00 (trinta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 7 de Junho de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

Sombras de um estado falhado caiu no caos depois de confrontos generalizados. Em 2017, a comissão encarregada das sanções no seio da instituição tinha levantado as restrições ao fornecimento de armas russas à República Centro-Africana.

As armas que agora estão em causa são chinesas. Trata-se de 12 veículos blindados e quatro de assalto, 50 pistolas, seis espingardas de precisão, 10 de assalto e 30 metralhadoras de vários calibres. Várias munições

somam-se à lista de armas, a saber, 725 mil cartuchos, 15 mil granadas de gás lacrimogéneo, 300 rockets e 400 munições anti-carro. Este país tem no seu território duas missões internacionais de assistência militar, uma europeia e outra da própria ONU, designada Minusca, tendo já sido mortos cinco capacetes azuis este ano. Na República Centro-Africana, o Estado controla uma escassa parte do território. Os grupos armados confrontam-se pelo controlo dos recursos do país, como diamantes, ouro e gado. Portugal é um dos países que integra a Minusca, tendo, no início de Março, a 3.ª Força Nacional Destacada - composta por 138 militares, dos quais três da Força Aérea e 135 do Exército, a maioria oriunda do 1.º batalhão de Infantaria Paraquedista -, partido para a República Centro-Africana. Estes militares juntaram-se aos 21 que já estavam no terreno, sediados no aquartelamento de Bangui, desde 18 de Fevereiro.

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ANÚNCIO [N.º 93/2018] Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: N.º do Boletim N.º do Boletim Nome Nome de candidatura de candidatura SI LAI TUN 82201309698 LAM LAI WA 82201330201 CHOI POU SIN 82201307853 NG POU U 82201315728 IEONG CHENG LAM 82201305783 CHEONG SIN MAN 82201340390 LEY JULIANO 82201319052 CHEONG KA HOU 82201338250 CHIANG CHI LEONG 82201336500 CHAN PIK SZE 82201342540 LAW MAN TAT 82201315383 CHOI MAN FONG 82201328058 CASSIME NIRINA ANDREA CHUNG TCHEU ING 82201302209 82201304457 CLAUDIA YIN WEN 82201331974 SIO KAM MAN 82201318918 AO IEONG LAI FONG 82201312313 TSANG MEI HA 82201337558 CHEANG WENG 82201336351 CHAN WING YAN 82201335290 Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH Rua do Laboratório nº. 39, Edifício Cheng Chong, D  R/C, Macau, antes do dia 13 de Julho de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 11 de Junho de 2018 O Presidente, Arnaldo Santos


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13.6.2018 quarta-feira

PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE CONSULTADORIA, FISCALIZAÇÃO E CONTROLO DA QUALIDADE PARA A EMPREITADA DE CONCEPÇÃO DA DECORAÇÃO E OBRA DO MUSEU TEMÁTICO DO GRANDE PRÉMIO ANÚNCIO DO CONCURSO

Anúncio Concurso Público N.º 20/ID/2018 «Empreitada de Concepção e Construção da Pista de Atletismo do Estádio do Centro Desportivo Olímpico»

A Região Administrativa Especial de Macau, através da Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho de 18 de Maio de 2018, de Sua Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura do Governo da RAEM, foi autorizada a abertura de concurso público para adjudicação da “Prestação dos Serviços de Consultadoria, Fiscalização e Controlo da Qualidade para a Empreitada de Concepção da Decoração e Obra do Museu Temático do Grande Prémio”.

1.

Entidade de preside ao concurso: Instituto do Desporto.

2.

Modalidade de concurso: concurso público.

Entidade que põe o serviços a concurso: Direcção dos Serviços de Turismo. Modalidade do concurso: Concurso Público. Local de execução dos serviços: Centro de Actividades Turísticas sito na Rua Luís Gonzaga, n.º 431, em Macau. Objecto dos serviços: O âmbito dos serviços compreende a consultadoria ao Dono da Obra, a fiscalização e o controlo de qualidade, a gestão técnica, administrativa e controlo financeiro da execução dos trabalhos respeitantes à Empreitada de Concepção da Decoração e Obra do Museu Temático do Grande Prémio, nas áreas de construção civil, electricidade, comunicações e mecânica, cumprindo o estipulado no Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas e no caderno de encargos. Prazo de execução dos serviços: O prazo de execução dos serviços será de 326 (trezentos e vinte e seis) dias de trabalho a iniciar 3 dias úteis após a notificação da adjudicação emitida pela entidade adjudicante, (para efeitos da contagem do prazo de execução dos serviços, somente os domingos e os feriados estipulados na Ordem Executiva n.° 60/2000 não serão considerados como dias de trabalho). O prazo final da prestação de serviços será ajustado com o prazo final de execução da empreitada. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 (noventa) dias, contados a partir da data do Acto Público do Concurso. Caução provisória: MOP100.000,00 (cem mil de patacas), a prestar mediante: 1) garantia bancária; ou 2) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo. Caução definitiva: 4% do preço total da adjudicação (das importâncias que o adjudicatário tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, como reforço da caução definitiva prestada). Preço base do Concurso: Não há. Condições de admissão: Os concorrentes ou os seus trabalhadores devem estar inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) na modalidade de prestação de serviços de “elaboração de projectos”, “direcção de obras” e/ ou “fiscalização de obras” há, pelo menos 4 anos, devendo o coordenador da equipa (engenheiro civil licenciado) deter, pelo menos, 6 anos de inscrição na DSSOPT e os engenheiros de todas as especialidades e/ou arquitectos deter, pelo menos, 4 anos de inscrição na DSSOPT, para a “elaboração de projectos”, “direcção de obras” e/ou “fiscalização de obras”. Serão também aceites laboratórios oficiais reconhecidos na RAEM para controlo de qualidade de obras públicas há, pelo menos, 4 anos, devendo os elementos constituintes das equipas propostas deterem, pelo menos, 6 anos de experiência profissional para o coordenador e, pelo menos, 4 anos de experiência profissional para os restantes elementos. Sessão de esclarecimento: A sessão de esclarecimentos relativa aos serviços terá lugar no dia 14 de Junho de 2018, (Quinta-feira), pelas 10:00 horas, no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.º andar. Em caso de encerramento da Direcção dos Serviços de Turismo, por causa de tufão ou por motivo de força maior, a sessão de esclarecimentos será adiada para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora limite para a apresentação das propostas: Local: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.º andar. Dia e hora limite: dia 9 de Julho de 2018 (Segunda-feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento da Direcção dos Serviços de Turismo, por causa de tufão ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas será adiado para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do Acto Público de abertura das propostas: Local: Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.º andar. Data e hora: dia 10 de Julho de 2018 (Terça-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de adiamento da data limite para a entrega das propostas de acordo com o ponto 12, ou em caso de encerramento da Direcção dos Serviços de Turismo, por causa de tufão ou por motivo de força maior, a data e hora de abertura das propostas serão adiadas para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Os concorrentes ou os seus representantes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para os efeitos previstos no artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, e para apresentação de eventuais reclamações e/ou esclarecimento de dúvidas acerca da documentação integrante da proposta. Línguas a utilizar na redacção da proposta: Os documentos que instruem a proposta são obrigatoriamente redigidos numa das línguas oficiais da Região Administrativa Especial de Macau, podendo ser usada a língua inglesa em descrições, especificações técnicas e desenhos. Preço para a obtenção da cópia: Obtenção de cópia do processo: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.º andar, mediante o pagamento de MOP200,00 (duzentas patacas). Método de Avaliação: Os critérios de avaliação das propostas e respectiva percentagem da avaliação são:

3.

Local de execução da obra: Estádio do Centro Desportivo Olímpico.

4.

Objecto da empreitada: concepção e construção para a recuperação da função específica das instalações da Pista de Atletismo do Estádio do Centro Desportivo Olímpico.

5.

Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável nos termos previstos no programa do concurso.

6.

Tipo de empreitada: a empreitada é por preço global.

7.

Caução provisória: $500 000,00 (quinhentas mil) patacas, a prestar mediante depósito em numerário ou em cheque (emitida a favor da “Caixa de Tesouro”), garantia bancária ou seguro caução (emitida a favor do Instituto do Desporto) aprovado nos termos legais.

8.

Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar).

9.

Preço base: não há.

1. 2. 3. 4.

5.

6. 7. 8. 9. 10.

11.

12.

13.

14. 15.

16.

17.

Critérios de avaliação da proposta Percentagem de Avaliação A - Preço da proposta 60% B - Recursos humanos a afectar à prestação dos serviços i. Quantidade de recursos humanos a disponibilizar para as prestações dos serviços, 5% 20% ii. Qualidade dos Currículos Vitae dos meios recursos humanos propostos para afectação às prestações dos serviços, 15% C - Plano de realização da prestação dos serviços, com proposta de calendarização e afectação de meios para a realização os serviços, com base nas cláusulas técnicas deste caderno de encargos i. Nível de detalhe, descrição, encadeamento e caminho crítico das fases de prestação dos 5% serviços (planeamento, análise do projecto, preparação da obra, direcção e fiscalização de obras e controle de qualidade para todas as especialidades), 3% ii. Adequabilidade e coerência com os recursos propostos, 2% D - Experiência em prestações dos serviços semelhantes i. Prestações dos serviços de igual tipo (projecto, direcção e fiscalização de obras), de igual ou superior dimensão e responsabilidade, com comprovativo de aceitação pelos Donos 15% de Obras Públicas, 10% ii. Currículo de prestações dos serviços desta natureza, com comprovativo de aceitação pelos Donos de Obras Públicas e Privadas, 5%

O cálculo dos factores de avaliação encontra-se descrito no ponto 16 do Programa do Concurso. Direcção dos Serviços de Turismo, em Macau, aos 6 de Junho de 2018. A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes

10. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. 11. Local, dia e hora limite para a apresentação das propostas: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora limite: dia 25 de Julho de 2018, quarta-feira, até às 12,00 horas. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 12. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora: dia 26 de Julho de 2018, quinta-feira, pelas 9,30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a apresentação das propostas de acordo com o mencionado no ponto 11 ou em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 13. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da respectiva cópia: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Hora: horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Na Divisão Financeira e Patrimonial do Instituto do Desporto, podem obter cópia do processo de concurso mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). 14. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Concepção e adequabilidade: 40 % -

Preço de execução razoável: 45%

-

Prazo global : 10 %

-

Experiência: 5%

15. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes devem comparecer no Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, até à data limite para a apresentação das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Instituto do Desporto, 13 de Junho de 2018. O Presidente, Pun Weng Kun


quarta-feira 13.6.2018

Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida

João Paulo Cotrim

HORTA SECA, LISBOA 20 MAIO Por estes dias, andei meio perdido na adolescência. Um dos meus liceus, agora vítima de curiosa vingança que o atirou para abandono semelhante ao do Cabo Ruivo de então, capitaneava margens esquecidas. De tempo e lugar. Os anos na Afonso Domingues, que de feminino pouco mais tinha além do nome (Escola Industrial), deram-me acesso a sítios que insuflavam de oxigénios a palavra aventura. Os territórios começavam logo ali, junto à linha do comboio, e desciam por azinhagas, de bruxas ou nem por isso, até à grande avenida dos velhos e britânicos autocarros de dois andares, com passe para patifarias e doidas corridas. Logo antes do rio onde brilhavam sombras até do império e o hidroavião, encostado ao labirinto de metais e cores, atracado a livros de cordel onde atlântico rimava com viagens e batalhas e as máquinas voadoras eram o passaporte para uma vida a sério. Estava na Afonso, em nome da força aérea, para que conste. Mais tarde, não muito, iria calcorrear os mesmo caminhos com atenções outras, de câmara na mão, a aprender a ver, sob a batuta do Luís Pavão, que animou na Afonso um clube de fotografia. Tenho que regressar a esses negativos, quase todos na cor precisa da memória, o preto e branco. Que olhos seriam os meus, no salto, óbvio para a idade, entre fantasia e real, entre astronáutica e consciência social? Cá em casa, as ideias mastigam-se muito, mas estava longe de imaginar que o projecto do Bruno [Portela] de celebrar os 20 anos da Expo 98 com mergulho no oceano do seu arquivo acabaria comigo, depois de conversadas e excluídas várias outras hipóteses mais naturais, a legendar as suas fotos, que estão em exposição de grande impacto no próprio local. «Você (Não) Está Aqui» atirará, até Setembro, os incautos transeuntes para viagem no tempo. Bem distinta da minha. Este trabalho do Bruno (exemplo algures na página) resultou de uma encomenda, estava sujeita a constrangimentos, aspirava à totalidade do registo, mas originou olhar que resistiu ao tempo e nos permite acesso à metamorfose. A cidade desfazia-se aqui, entre desvario e tangível. A melancolia habitava o sítio e ficou na fotografia. Para abrir, sugeri estas linhas, e falhei nas outras legendas abordar a minha púbere aviação. «Os lugares possuem um espírito. Mas o tempo não lhes permite que se mantenha para sempre o mesmo. Neste pedaço de Lisboa, qualquer coisa em hectares (340) como a extensão que vai do Terreiro do Paço a Entrecampos, morreram maneiras de fazer, de construir, modos de ir deixando andar, parte

Eu (não) estou aqui

missanga de máscara zulu, dobrão de ouro, a chave da arca do Pessoa, tecla de máquina de escrever. Não, era um parafuso, torto, que trazia em si a própria inutilidade. Diz a poeta em resposta à minha surpresa: «anda tanta gente a perdê-los que alguém tem de os apanhar». Nem perdi tempo a imaginar o museu, corri a apanhar uma caneta-íman que outra poeta me tinha oferecido, desconfio que para me chamar velho ou apenas apagar o meu fascínio pelo objecto. Doravante, não precisará dobrar-se, basta abrir a extensão telescópica e apanhar os parafusos perdidos.

BRUNO PORTELA

Diário de um editor

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de um século. Paz à sua lama. A meio do século passado, uma certa vontade de desenvolvimento colocou às portas da cidade a refinaria de «ouro negro» que a alimentava, e à sua volta foram-se acumulando restos, matérias brutas, abandonos e abandonados, outras memórias. O século XX estava a acabar e a capital ignorava o seu oriente, quando a pretexto do encontro com outros orientes, resolveu fazer uma das maiores transformações urbanas do país. A regeneração do território foi, aliás, uma das principais razões para que Portugal ganhasse, há 20 anos, a organização da Expo 98 projecto, de par com a celebração da viagem de Vasco da Gama e ter escolhido os oceanos para tema. E assim aconteceu de modo único: uma das maneiras de aferir o sucesso da mudança está no apagamento da memória do que aqui foi. O trabalho bom do fotógrafo é captar espíritos. Ora Bruno Portela (Lisboa, 1966) estava, nos idos de 1994, no lugar exacto à hora certa para registar o fim de um ciclo. O seu percurso fez-se mais do documental. Por um lado, não ignora o humano nas estruturas, nas formas, nos restos e na poeira de que parece feita a paisagem. E por outro, coloca-nos

no coração da vaga e sólida tristeza que se solta do tempo a passar. Uma cidade pode esconder outra: cuidado a atravessar.» MYMOSA, LISBOA, 25 MAIO Temos atrasos e temos atrasos dolorosos. A edição da Manuela Sousa Lobo tardou, mas vai resolver-se, a pretexto dos 130 anos de Pessoa. Há tantos anos lhe conheço os poemas, prodígio de criatividade, na língua, nas imagens que cria, no cruzamento de planos, perturbações, identidades. Sinto com a dor da injustiça este apagamento, mas isso pouco resolve. Almoçamos para acertar detalhes, para conversa solta, para isto e aquilo. De surpresa, aparece-nos o Patrak. Há muitas luas, em programa na Rádio Universidade Tejo, juntei os dois, a Manuela e o Luís Carlos Patraquim, outro poeta enorme, sem que um soubesse do outro, para encontro de amigos ao vivo do microfone. A coincidência de os ter agora aqui, descombinadamente, anima-me, sem outra razão que a alegria. «Alegria, como laranjas acabadas de colher, eis tudo.» Já na abalada, vejo a Manuela a baixar-se com esforço para apanhar qualquer coisa que me havia escapado,

Vejo a Manuela a baixar-se com esforço para apanhar qualquer coisa que me havia escapado (...) Não, era um parafuso, torto, que trazia em si a própria inutilidade. Diz a poeta em resposta à minha surpresa: «anda tanta gente a perdê-los que alguém tem de os apanhar»

CASA DA CULTURA, SETÚBAL, 1 JUNHO Alimento para os olhos, que não a pintura de naturezas mortas, a Festa da Ilustração obriga-me invariavelmente a esforço de orientação na selva das imagens. As boas exposições, qualquer que seja o volume, fazem-se paragem de comboio, lugar onde saborear o tempo. Não encontro melhor exemplo que esta «Bricolage», do João [Fazenda], portentoso construtor de cidades e metáforas, o melhor dos transportes públicos. Encontramos «trabalhos de vários momentos, mas sobretudo dos anos mais próximos. Estão representados os suportes essenciais (livros, periódicos, cartazes, cadernos íntimos). Melhor: estão os olhares e os gestos primordiais que fazem dele autor seminal, pois nele se vão mergulhando raízes para as mais vorazes experiências. Em cena no Palco estão actores, objectos e cenários dispostos como se obedecessem a encenador, urbanista, jogador de xadrez, que melhores peles pode o ilustrador vestir? Puro prazer se desprende do mecanismo, umas vezes literal, outras metafórico, sempre a atirar-nos para a viagem. Segue-se visita guiada ao Bairro, com trabalhos mais pessoais e narrativos sobre a cidade e as suas transformações. Ternura no olhar que toca cada figura, entalada entre o banal e o excepcional, eis o que nos espera. Avancemos em direcção à Arena, onde se recolhem os rostos e os corpos do inferno político, social, mediático, nosso. Pode explodir o humor, mas sem que aconteça cartoon. Tudo nos encaminha para a Pista de Dança, onde Fazenda chama a si a figura do coreógrafo-bailarino: cada desenho faz-se movimento que rodopia em movimento e transformação contínua, abrindo-se espaço de liberdade e imaginação. Cada desenho logo se faz outro desenho, sendo todos momento dessa transformação. Ninguém lhos pediu, mas todo ele, desenhador compulsivo, os exigiu. Este movimento não está, em momento algum, ausente das milhentas imagens que criou. A que deu vida. Mal voltem costas, tudo continuará a mexer-se, acreditem.»


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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA “ESTABILIZAÇÃO DO TALUDE NA ESTRADA DO GOVERNADOR NOBRE DE CARVALHO DA TAIPA ” 1. 2. 3. 4. 5.

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Entidade que põe a obra a concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Modalidade do concurso: concurso público. Local de execução da obra: Estrada Governador Nobre de Carvalho da Taipa. Objecto da Empreitada: Estabilização de Taludes. Prazo máximo de execução da obra: 270 (duzentos e setenta) dias de trabalho . O prazo de execução da obra a apresentar pelo concorrente deve obedecer às disposições do n.º 7 do Preâmbulo do Programa de Concurso e dos n.os 5.1.2 e 5.2.2 das Cláusulas Gerais do Caderno de Encargos. Prazo de validade das propostas: 90 (noventa) dias, a contar a partir da data de encerramento do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: empreitada por Série de Preços. Caução provisória: MOP600.000,00 (seiscentas mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o adjudicatário tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais serão deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva prestada). Preço Base: não há. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição ou renovação. Neste último caso, a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação. Local, data e hora limite para entrega das propostas: - Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, R/C, Macau; - Data e hora limite: dia 4 de Julho de 2018 (quarta-feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços por motivos de tufão ou de força maior, a data estabelecida para a entrega de propostas será adiada para o primeiro dia útil seguinte. Local, data e hora do acto público do concurso : - Local: sala de reunião da DSSOPT, sita no 5 º andar; - Data e hora: dia 5 de Julho de 2018 (quinta-feira), pelas 9:30 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços por motivos de tufão ou de força maior, a data estabelecida para o acto público do concurso será adiada para o primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, para esclarecimento de eventuais dúvidas relativas aos documentos que venham a ser apresentados. Línguas a utilizar na redacção da proposta: - Os documentos que instruem a proposta são obrigatoriamente redigidos numa das línguas oficiais da R.A.E.M. Caso os documentos acima referidos estiverem elaborados noutras línguas, deverão os mesmos ser acompanhados de tradução legalizada para língua oficial, e aquela tradução deverá ser válida para todos os efeitos (excepto a descrição ou a especificação de produtos). Local e hora para consulta e obtenção de cópias do processo: - Local para consulta: Departamento de Infra-Estruturas da DSSOPT, 16.º andar; - Hora: dias úteis, das 9:00 às 12:45 horas e das 14:30 às 17:00 horas; - Obtenção de cópias: Na Secção de Contabilidade da DSSOPT, mediante o pagamento de MOP310,00 (trezentas e dez patacas). Critérios de avaliação das propostas e respectivas proporções: Parte relativa ao preço Parte técnica

Critérios de avaliação Preço da obra Prazo de execução Programa de trabalhos Experiência em obras executadas Integridade

Proporção 11 2 3 2,6 1,4

Pontuação final = Pontuação da parte relativa ao preço x Pontuação da parte técnica. Em conformidade com o relatório de avaliação das propostas, os 3 concorrentes com pontuação final mais alta são ordenados por ordem crescente dos preços da obra e, o dono da obra procederá à adjudicação com base na respectiva ordenação. 17. Esclarecimentos adicionais: - Os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Infra-Estruturas da DSSOPT, 16.º andar, a partir de 21 de Junho de 2018 e até à data limite para a entrega das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Região Administrativa Especial de Macau, aos 8 de Junho de 2018 O Director de Serviços Li Canfeng


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quarta-feira 13.6.2018

A Poesia Completa de Li He

馬詩二十三 首 (第 三 部 分 ) 寶 玦 誰 家 子 , 長聞俠骨香。    堆 金 買 駿 骨 , 將送楚襄王。  香 襆 赭 羅 新 , 盤龍蹙蹬鱗。    回 看 南 陌 上 , 誰道不逢春?  不 從 桓 公 獵 , 何能伏虎威?    一 朝 溝 隴 出 , 看取拂雲飛。  唐 劍 斬 隋 公 , 拳(手改毛)毛屬太宗。    莫 嫌 金 甲 重 , 且去捉飄風。  白 鐵 銼 青 禾 , 砧間落細莎。    世 人 憐 小 頸 , 金埒畏長牙。  伯 樂 向 前 看 , 旋毛在腹間。    只 今 掊 白 草 , 何日驀青山?

Vinte e Três Poemas Sobre Cavalos (Parte III)

13 Que casa é dona deste jovem galante cheio de anéis? Ouvi dizer que os ossos de um rei morto são fragrantes, Mas ele comprou os ossos de um baiardo por uma pilha de ouro Só para os oferecer ao Rei Xiang de Xu.

17 Aço branco corta o verde cereal, Entre as pedras caem pequenas folhas. Hoje em dia preferem-se delicados póneis, Os poderosos temem os corcéis de dentes longos.1

14 Cobertura de sela perfumada com fresco sândalo escarlate. Escamas de dragão enroscado envolvem-lhe os estribos. Agora que mira toda a estrada sul em frente, Como afirmar que não encontrou a primavera?

18 Uma vez, Bo-lu olhou seu cavalo2 E viu o pelo crescer em remoinhos na sua pança. Até agora deram-lhe erva branca de comer – Quando saltará sobre as colinas esmeralda?

15 Se não tivesse caçado com o Duque Huan, Nunca teria assustado tigres. Um deixará seus campos e diques – É vê-lo subir para tocar as nuvens. 16 Quando espadas Tang decapitaram os Duques de Sui, Chuan-mao era o cavalo que Tai-zong mais amava. Ninguém ligou à sua pesada armadura, Pois era ligeiro o bastante para apanhar um tornado.

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Supunha-se que os cavalos de dentes longos conseguiam percorrer mil léguas num dia. O poema sugere que os poderosos temem os homens de génio. Bo-luo Sun Yang de Qin era um famoso juiz de carne de cavalo. Dizia-se que um cavalo com remoinhos de pelo na pança seria capaz de percorrer mil léguas num dia.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


18 (f)utilidades TEMPO

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TROVOADAS

O QUE FAZER ESTA SEMANA

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Amanhã CINEMA | “WHAT TIME IS THERE?”, DE TSAI MING-LIANG 31 Cinemateca Paixão | 19h30 6 3 7 5 1 9 2 4 8 EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “VERTICAL RECLAMATION 8 2 OF4INDIVIDUAL 7 6SPACES”, 3 DE 9 ANA1ARAGÃO 5 Casa Garden | 18h30 9 1 5 2 8 4 7 3 6 Sexta-feira 2 |4“GOD’S8CHILDREN 6 5ARE IN1LOVE”, 3 DE 7FRANCIS 9 LEE CINEMA Cinemateca Paixão | 21h30 7 6 9 3 2 8 1 5 4 CONCERTO | A NIGHT OF JAZZ BLUES POP ROCK 1Music5Association 3 9| A partir 4 das 7 22h00 8 6 2 Live 5 7 2 1 9 6 4 8 3 CONCERTO | UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação 18h002 às 20h00 3 8Rui Cunha 6 4| Das 7 5 9 1 Sábado 4 9 1 8 3 5 6 2 7 CINEMA | CURTA-METRAGEM “PROJECTO MIÚDOS” Cinemateca Paixão | 14h00

33 2 8 3 6 4 1 7 5 9 WORKSHOP | RHYS LAI - WORKSHOP FOR 4 1AND CHILDREN 7 2 9 5 3 6 8 PARENTS Fundação Rui Cunha | Das 15h00 às 16h30 9 6 5 7 3 8 2 4 1 Domingo 3 5 6 4 8 9 1 7 2 CINEMA | CURTA-METRAGEM “PROJECTO MIÚDOS” Cinemateca 1 2 Paixão 9 |314h007 6 5 8 4 8 7 4 5 1 2 6 9 3 6 9 1 8 5 3 4 2 7 Cineteatro C I N E M 5 4 8 1 2 7 9 3 6 7 3 2 9 6 4 8 1 5 5 9 7 4 2 1 3 6 8

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36 7 6 EXPOSIÇÃO 2 1 4 9 8 5HOJE 3 UMA 5 3 8 6 2 7 9 1 4 “Pedra, Pa- 3 2 6 7 4 9Tesour(o) 1 8e5 pel” titula a exposição da 2 5de João 3 Jorge 9 Ma8 1 7 4 6 autoria galhães que inaugurou no 1 4 na6 residência 7 3 2 5 9 8 domingo consular, onde fica pa9 8 7 4 6 5 3 2 1 tente até ao próximo dia 22. 6A mostra 2 4 reúne 5 uma 7 8 1 3 9 série de ilustrações que 8 como 1 5fio condutor 3 9 4 6 7 2 têm o jogo, em particular os 7 tradicional 9 2 que 1 6 4 8 5 de3cariz

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VIDA DE CÃO

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CASA TORNA

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Todos os anos regresso a casa. Normalmente 5 pelo Verão. Não 7 só porque 6 é mais fácil reunir os amigos, mas 6aproveitar o também4 porque permite bom tempo, a praia, o mar. Este ano 1 8 3 é particularmente especial, porque uma6 série de abriu 7 circunstâncias 8 espaço a que pela primeira vez numa 9 4 com a par de anos a ida coincidisse festa da minha terra. Pode parecer um 9 pouco bacoco, mas para mim não é. Não só me traz memórias boas de 3 criança e daqueles que em má hora 8 como 2 me recorda o que 6 partiram, sou e de onde sou. E tenho orgulho. 4 6 1 Orgulho de ser neta, sobrinha ou prima de pescadores e varinas, de pertencer a uma terra pequena que, 36 de viver na sombra da outra apesar margem, carrega histórias ímpares 9 8 5 de sobrevivência. É a mais pequena do concelho (pelo 6 menos 7antes da fusão), mas a mais populosa e, diria, 4 9Agora 1 tem turistas, uma popular. novidade com menos de uma dúzia 3 8 de anos para quem ali vive, sobretudo graças a uma vistosa 7 marina,2que terá aberto buracos nas contas da câmara, 9atracam outros tipos de5barcos, 3 onde daqueles que não vão ao mar em busca 2 3 de sustento. O povo, esse, continua lá, com o1seu5 jeito de ser e particular 7 forma de vida, mesmo com um ritmo 7porque ser autêntico 6 nunca diferente, passa de moda. Hoje Macau

UMA EXPOSIÇÃO HOJE | “PEDRA, TESOUR(O) E PAPEL”

durante décadas divertiram os membros mais pequenos da comunidade macaense. Hoje Macau

JURASSIC PARK: FALLEN KINGDOM SALA 1

Com: Masato Sakai,Mitsuki Takahata 19.15

Um filme de: J.A. Bayona Com: Chris Pratt, Bryee Dallas Howard, BD Wong, Jeff Goldblum 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

SALA 3

JURASSIC WORLD: FALLED KINGDOM [B]

SALA 2

THE WALL [C] Um filme de: Doug Liman Com: Aaron Taylor-Johnson, John Cena 17.00, 21.45

DESTINY: THE TALE OF KAMAKURA [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Yamazaki

CODE GEASS LELOUCH OF THE REBELLION II - TRANSGRESSION [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguehi Com: Jun Fukuyama, Takahiro Saurai, Yukana, Ami Koshimizu 14.30, 17.00, 21.30

LOVE CHUNIBYO AND OTHER DEKUSIONS [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Tatsuya Ishihara 19.30

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CONCERTO | VINTAGE MUSIC NIGHT - SKA ROCKABILLY PUNK Live Music Association | A partir das 21h00

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

quarta-feira 13.6.2018

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

S alterações climáticas é um daqueles temas transversais a tudo, tal como o sexo, por isso decidi casar um tópico com o outro para um argumento, que não é novo para alguns, mas talvez seja para outros. Tenho sofrido da particular frustração por ver que as alterações climáticas, que estão aí ao virar da esquina, ou que até já chegaram em força, é um conceito entendido como desconectado de tudo à nossa volta. Não está desconectado do ambiente em si, claro, mas está desconectado dos nossos sistemas morais, sociais, psicológicos, e do nosso dia-a-dia, no fundo. Já em tempos me debrucei acerca de uma sexualidade ecológica, a forma mais fácil de casar os temas - seja porque se ama o planeta e se faz amor com o solo, as árvores e as plantas ou porque se tomam decisões de compra mais ecológicas, como vibradores, lubrificantes e outros que tais - com a garantia que não estamos a poluir o ambiente ou nós próprios. Mas será que basta? Será que é suficiente ter hábitos de consumo mais ecológicos e ponderados para evitar o fim da civilização tal e qual como ela existe? Será que a solução são os carros eléctricos, pensando agora num sentido mais lato de hábitos de consumo, ou os produtos biológicos,ou os materiais biodegradáveis, ou as casas inteligentes? Quando, no ano passado, Macau viu passar os tufões mais intensos e mortíferos dos últimos tempos, uns atrás dos outros, eu pensei para mim mesma que a minha geração, muito provavelmente, assistiria ao início da degradação dos nossos ambientes e sociedades.  E o que tenho aprendido é que as alterações climáticas vêm aprofundar o fosso socio-económico das nossas cidades, países, continentes, e planeta. No dia da Mulher, as Nações Unidas apresentou uma campanha toda bonita sobre como as alterações climáticas são um problema de género – também. Eu sei que esta é uma ideia difícil de perceber, e pouco consensual. Que diferença faz se eu for homem, mulher ou outra identificação de género, à vista das alterações climáticas? Não serão os efeitos os mesmos para todos? Há quem discorde - as alterações climáticas são um problema que têm afectado primeiro as comunidades já frágeis, que para além de verem os seus ambientes a deteriorar-se, vêem-se em confronto com outro tipo de desafios. Países com escassez de água, de condições básicas de sobrevivência, seja pela seca ou pela inundação, sofrem de maior desigualdade de género. Tal como o sexo, as alterações climáticas não são um problema do mun-

EDOUARD MANET, DÉJEUNER SUR L’HERBE

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O sexo das alterações climáticas

do físico, somente, são um problema do mundo social. Reparem: a escassez de recursos ou as transformações no ecossistema, mexem com temas tão delicados como a maternidade – será que podemos

As alterações que o nosso planeta anda a sofrer são um desafio também ao sexo que fazemos, ao sexo performativo e representado e ao sexo que desejamos

ou devemos trazer uma criança ao mundo? – ou com a contracepção – porque é que os peixes andam cheios de hormonas femininas? – ou com o nosso consumo sexual – será que preciso de 30 vibradores, um de cada cor, para completar a minha colecção megalómana de dildos? Quanto mais consumimos, mais poluímos, não é? O sexo das alterações climáticas não deverá ser uma discussão sem fim, porque de perguntas sem resposta já estamos nós fartos. O que considero útil neste desafio temático, é olhar para aquilo que está a acontecer no nosso planeta de forma interseccional – que o ambiente está no estado desequilibrado em

que está, e que pode afectar e reforçar as dinâmicas de poder já existentes. No exercício de distopia da Margaret Atwood, que explora as questões das mulheres e as questões do ambiente (em vários exercícios de ficção, e não só na sua mais aclamada obra), torna este mesmo argumento óbvio: as alterações que o nosso planeta anda a sofrer são um desafio também ao sexo que fazemos, ao sexo performativo e representado e ao sexo que desejamos. O sexo destas sociedades que parecem mais loucas do que sensatas: mais loucas por poder, por desigualdade, nunca loucas por amor, ou pelo menos, nunca da forma certa de amor.


Uma ideia não executada, transforma-se em sonho. Provérbio Chinês

Incêndio no Edifício Jardim Cidade

Um incêndio deflagrou, ontem à noite, no 19.º Andar do Edifício Jardim Cidade, na zona do Toi San, por volta das 20h. As autoridades deslocaram-se ao local estiveram onde permaneceram durante pelo menos duas horas. Contudo, à altura do fecho desta edição do HM, ainda estava a ser investigada a causa das chamas. Segundo as declarações de um porta-voz do Corpo de Bombeiros, não foi registada nenhuma vítima mortal nem houve qualquer ferido devido a este acidente.

SIDA MÉDICO CONDENADO POR INFECTAR PACIENTES

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M médico chinês foi condenado a dois anos e meio de prisão por infectar cinco mulheres, entre as quais duas grávidas, com o vírus do VIH, devido a procedimentos médicos negligentes, informou ontem a imprensa local. Zhao Jinfang assumiu culpa por negligência, quando em Dezembro de 2016 reutilizou material durante extracções de sangue àquelas pacientes, o que provocou a transmissão do VIH (vírus da imunodeficiência humana). O próprio informou o hospital sobre os procedimentos negligentes, pelo que o tribunal ditou uma pena de dois anos e meio de prisão, detalha o jornal oficial Global Times. O caso despertou polémica nas redes sociais, onde muitos internautas consideraram a sentença demasiado leve, tendo em conta que o acusado “arruinou a vida de cinco pessoas”. A Lei Criminal da China contempla penas de até três anos de prisão para pessoal médico que causa a morte ou lesão do paciente, devido a negligência. Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA, há pelo menos 500.000 pessoas infectadas com o vírus no país asiático. A China é a nação mais populosa do mundo, com cerca de 1.400 milhões de habitantes. O primeiro ‘boom’ da SIDA (síndroma da imunodeficiência adquirida) no país aconteceu em meados dos anos 1990, na província de Henan, quando centenas de milhares de camponeses pobres ficaram infectados, devido a um esquema ilegal de comércio de sangue. O sangue de diferentes origens era misturado e, depois de extraído o plasma para ser vendido à indústria de biotecnologia, injectado de novo nos camponeses, para evitar anemias.

PALAVRA DO DIA

Paga e não pia Estado português condenado a pagar 68 mil euros a Paulo Pedroso

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Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou, na manhã desta terça-feira, o Estado português a pagar 68 mil euros a Paulo Pedroso no que diz respeito ao processo Casa Pia. Recorde-se que, Paulo Pedroso exigia uma indemnização por ter sido preso preventivamente no processo Casa Pia, sem quaisquer indícios que o justificassem, posteriormente conhecido por um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa. O Tribunal Europeu, em Estrasburgo, considera que deviam ter sido tomadas outras decisões que não a prisão preventiva e, por isso, entende que não havia, na altura, razões plausíveis dos crimes de violação de menores que levassem à sua detenção.  A queixa seguiu para o Tribunal Europeu em 2011, após a Relação de Lisboa

e do Supremo terem revogado a indemnização de 150 mil euros devida pelo Estado português ao antigo deputado pela decisão que o juiz responsável tomou em enviar Paulo Pedroso para preventiva, em 2003. Pedroso foi detido para interrogatório, tendo ficado em preventiva vários meses e chegou mesmo a ser constituído arguido no processo Casa Pia. Estava indiciado pela prática de 15 crimes de

abuso sexual a crianças. No entanto, acabou por não ir a julgamento e foi libertado por decisão da juíza Ana Teixeira e Silva. Paulo Pedroso, após ser ilibado, apresentou queixas contra o Estado, por “erros grosseiros” que dizem ao respeito à prisão preventiva. A última decisão do Supremo, conhecida em 2011, absolvia o Estado de pagar qualquer indemnização ao antigo deputado. 

IRÃO TRUMP MUDA EM ‘‘QUESTÃO DE HORAS’’

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Irão instou esta terça-feira o líder norte-coreano, Kim Jong-un, a não confiar no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tendo em conta a possibilidade deste vir a rasgar o acordo assinado com Pyongyang numa “questão de horas”. O Governo iraniano recorda um episódio que sentiu na pele, quando Donald Trump decidiu retirar os Estados Unidos do acordo nuclear de 2015 assinado com o país. “Não sabemos com que tipo de pessoa o líder norte-coreano está a negociar. Não sabemos se ele cancelaria ou não o acordo antes

ainda de voltar para casa”, afirmou o porta-voz do Governo iraniano, Mohammad Bagher Nobakht, citado pela agência IRNA. O presidente iraniano, Hassan Rohani, garantiu que o Irão “se vai manter” no acordo nuclear de 2015 após a retirada dos Estados Unidos, desde que os seus interesses sejam garantidos. “Devemos ser pacientes para ver como os outros países reagem”, afirmou Hassan Rohani. Caso a União Europeia não forneça provas sólidas de que permanecerá no acordo com o Irão, o país vai retomar a produção de urânio (para fins não militares).

De Macau para a Arábia Saudita

O advogado Pedro Ribeiro e Castro (primeiro à direita), que exerceu em Macau, é actualmente advogado na sociedade Al Tamimi & Company, que representa o clube na pessoa de Sami AL Jaber (presidente do Al-Hilal), foi um dos responsáveis, a par de Luís Miguel Henrique e Manuela Glória, consultores da Macedo Vitorino & Associados, pela negociação do vínculo contratual de Jorge Jesus com o clube saudita por uma época.

quarta-feira 13.6.2018

Mais 13% de portugueses visitaram a China

O número de portugueses que visitou a China no primeiro trimestre deste ano aumentou 13% em comparação com o período homólogo de 2017, anunciou na segunda-feira o Embaixador da China em Portugal. De acordo com o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau), o embaixador, Cai Run, avançou estes dados durante uma campanha, em Lisboa, organizada pelas autoridades da cidade de Hangzhou para promover esta cidade como destino turístico para os portugueses. O embaixador enfatizou ainda o enorme potencial turístico que existe entre os dois países alavancada com lançamento no ano passado de voos entre Hangzhou e Lisboa, com paragem em Pequim. De acordo com o jornal Hangzhou Daily, citado pelo Fórum Macau, Lisboa tornou-se um ponto de trânsito entre a América Latina e a China, desde o lançamento em Junho de 2017 do primeiro voo directo China-Portugal.

Vaso Qing estabelece valor recorde em leilão

Um vaso chinês do século XVIII estabeleceu ontem um recorde de venda num leilão, na Sotheby’s, em Paris, ao atingir o valor final de 16,2 milhões de euros, informou a leiloeira. Criado para o Imperador Quianlong (17351796), o vaso de porcelana chinesa esteve esquecido durante várias décadas, no sótão de uma casa de campo francesa. A peça foi adquirida por um licitante chinês que se encontrava presente na sala e, segundo a Sotheby’s Paris, a transacção detém dois recordes, o recorde absoluto de venda na Sotheby’s Paris, desde que o mercado abriu a casas de leilão estrangeiras, e o recorde de venda para porcelana chinesa, em França. Com um valor de venda inicial estimado entre os 500 mil e os 700 mil euros, o vaso encontrava-se em “perfeito estado de conservação”, possuindo decorações policromadas, com tons rosa dominantes, que representam uma paisagem com veados e pinheiros, numa montanha coberta de bruma. “Este vaso é o único conhecido com estes pormenores. É uma obra de arte maior. É como se se tivesse descoberto um Caravaggio”, sublinhou o especialista de arte asiática Olivier Valmier, na apresentação da obra. Segundo a página da leiloeira, apenas um outro vaso similar é conhecido em França. Pertence à colecção do Museu Guimet, tendo origem num comerciante de arte oriental existente na capital francesa, no final do século XIX. O vaso hoje vendido foi levado até à Sotheby’s dentro de uma caixa de sapatos, e também terá sido adquirido em França, na Exposição Universal de Paris de 1867, segundo dados da leiloeira, mantendo-se desde então na mesma família – primeiro, até 1947, num apartamento, na capital francesa, depois, conservado entre outras peças de origem chinesa, na casa de campo de descendentes do proprietário original, que se mantêm anónimos.

Hoje Macau 13 JUN 2018 #4071  

N.º 4071 de 13 de JUN de 2018

Hoje Macau 13 JUN 2018 #4071  

N.º 4071 de 13 de JUN de 2018

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