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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau MOP$10

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 13 DE MAIO DE 2011 • ANO X • Nº 2367

TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 24 MAX 28 HUMIDADE 80-95% • CÂMBIOS EURO 11.4 BAHT 0.26 YUAN 1.2

O ADMIRÁVEL MUNDO DE WENCESLAU DE MORAES

Sharoz D. Pernencar

Shuen Ka Hung defende legislação para trabalhadores não residentes

China não pode dar palpites em Macau OPINIÃO

FESTA DA LUSOFONIA ABRANGENTE • PÁGINAS 8 E 9

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Carlos Morais José

UMA FÁBRICA DE FADAS DO LAR • PÁGINA 13

Paul Chan Wai Chi

OS ATRASOS INJUSTIFICÁVEIS DA REFORMA • PÁGINA 15

O director dos Serviços para os Assuntos Laborais garante que não há nada de errado com a legislação para os trabalhadores não residentes. Shuen Ka Hung afiança que é um diploma como outros que existem por este mundo a fora e mesmo que a China adopte uma nova convenção laboral, a RAEM não tem de assinar por baixo. Os migrantes queixam-se, mas não há revisões à vista. > PÁGINA 6

Anteneiros x TV Cabo

LEI PARA ACABAR COM GUERRA • PÁGINA 4


SEXTA-FEIRA 13.5.2011 www.hojemacau.com.mo

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ACTUAL

EUA proíbem Nasa de colaborar com a China

Voos baixinhos para o espaço Joana Freitas*

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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MA pequena cláusula colocada na aprovação do orçamento dos Estados Unidos impede que a Casa Branca e a Nasa façam qualquer tipo de projecto conjunto com a China nas áreas de ciência e tecnologia. O documento, assinado na semana passada, corta fundos para cientistas patrocinados pelos dois países. O texto diz que nenhum fundo da NASA ou do Escritório da Casa Branca para Ciência e Tecnologia (OSTP) deve ser usado para “desenvolver, desenhar, planear, promulgar, implementar ou executar uma política, programa ou contrato bilateral de qualquer tipo com a China ou empresas controladas por Chineses”. O documento impede ainda que qualquer instalação da NASA receba “visitantes oficiais da China”. O responsável do sector do governo de Obama já tinha dito esta semana que os EUA

queriam estabelecer regras sobre o uso do espaço. A preocupação com a possível concorrência entre as duas potências foi um dos motivos para a implementação destas cláusulas restritivas. Relembre-se que em 2007, a China foi uma surpresa para os americanos quando se tornou o terceiro país do mundo a derrubar um dos seus próprios satélites, durante um teste inédito desde a Guerra Fria entre Washington e Moscovo, 20 anos antes. Gregory Schutle, chefe de Defesa Aeroespacial dos EUA descreveu os investimentos realizados pela China no sector aeroespacial como “impressionantes”. O documento aplica-se somente a eventuais actividades conjuntas entre as duas potências e tem data limite marcada para o fim de Setembro. No entanto, segundo a AFP, o parlamentar responsável por incluir estas cláusulas no contrato já deixou claro que gostaria de cortar permanentemente as colaborações entre China e Estados Unidos. Frank Wolf (do partido Republicano) é abertaPUB

mente contrário à China e alegou que os Estados Unidos são vítimas constantes de espionagem deste país em todas as suas agências. Este documento contraria as recentes políticas entre os dois países: em Novembro de 2006, a National Science Foundation (Fundação Nacional de Ciências) abriu escritório em Pequim para ajudar na colaboração entre os dois China e EUA. Em Novembro de 2009, os países anunciaram uma empreitada conjunta de 150 milhões de dólares para um centro de pesquisa em energia limpa. Em Janeiro deste ano, foi assinada uma extensão do acordo de 1979 de colaboração tecnológica e científica para dezenas de projectos entre EUA e China. – * com agências

CONDENAÇÃO PERFORMANCE DE SEXO AO VIVO Um homem condenado na China pelo crime de comportamento lascivo devido a uma performance com sexo ao vivo está a recorrer da pena de um ano de reeducação através do trabalho que lhe foi aplicada pela justiça chinesa. Cheng Li, 57 anos, natural de Lanzhou, província de Gansu, participou a 20 de Março numa exibição artística em Songzhuang, nos arredores de Pequim, com uma performance que incluiu sexo ao vivo com uma mulher. O artista, que é apoiado pela sua mulher, foi preso a 23 de Março sob a acusação de desrespeito à ordem pública e sentenciado a um ano de reeducação pelo trabalho a 25 de Abril. ZHUHAI ASSASSINATO POR VERGONHA DAS DROGAS Um residente na Zona Económica Especial chinesa de Zhuhai entregouse à polícia assumindo um crime que não aconteceu devido ao consumo de drogas. O indivíduo, de 22 anos e apelido Yang, dirigiu-se à esquadra da polícia local e declarou ter morto um homem. Mais tarde durante a investigação policial, os agentes concluíram que o homicídio nunca aconteceu e o homem foi submetido a um teste anti-drogas, cujo resultado foi positivo. Yang acabou por ser processado pela polícia pelo consumo de drogas.

CRISTÃOS PEDEM AO PARLAMENTO LIBERDADE DE CULTO

Abolir as perseguições U

M grupo de igrejas cristãs clandestinas tomou a iniciativa pouco comum de enviar ontem uma petição ao Parlamento chinês para pedir a liberdade de culto na China e o fim das perseguições religiosas. Os pastores de 17 igrejas não registadas oficialmente assinaram esta petição, dirigida ao presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Wu Bangguo, que se queixa da repressão que visa o fim das actividades destas igrejas. É a primeira vez que tal

número de Igrejas clandestinas pede colectivamente a liberdade de religião na China comunista, declarou a China Aid, associação com sede nos Estados Unidos, que publicou a petição no seu site de Internet. “Nas seis últimas décadas [desde a chegada ao poder do Partido Comunista] que a liberdade religiosa garantida aos cristãos do país pela Constituição da República popular da China não se traduziu de facto”, segundo o texto. Os católicos e protestantes

na China estão divididos entre “oficiais”, que pertencem a estas igrejas com a autorização do Partido Comunista Chinês (cerca de 20 milhões, segundo Pequim), e os fiéis “das igrejas do silêncio” clandestinas, que podem exceder os 50 milhões. A petição reclama igualmente um inquérito sobre a ofensiva realizada pelas autoridades para fechar a Igreja Shouwang em Pequim, a maior Igreja clandestina da capital, com um milhar de fiéis.

TAILÂNDIA CAMISAS VERMELHAS DETIDOS Dois líderes da oposição tailandesa, conhecidos como “camisas vermelhas”, voltaram ontem à prisão depois do Tribunal Penal de Banguecoque ter revogado a liberdade condicional, noticiou a imprensa local. Jatupom Promphan e Nisit Sinthuprai, dirigentes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, que a 10 de Abril proferiram discursos com alusões à monarquia numa manifestação dos “camisas vermelhas”, foram acusados de violarem as condições da liberdade condicional, decretada em finais de 2010. Mais de 400 “camisas vermelhas”, entre eles uma dezena de dirigentes da Frente Unida, foram detidos depois de o exército tailandês ter dispersado a tiro os protestos que ocuparam as ruas de Banguecoque durante cerca de dois meses e que causaram 91 mortes e 1800 feridos. O regresso à prisão dos dois líderes da oposição surge dois dias depois da dissolução do parlamento tailandês e do agendamento de eleições legislativas antecipadas para 3 de Julho.


Curioso inquérito realizado na Universidade de Macau às raparigas: o sonho de quase todas é casar, ter filhos e tomar conta do lar. Portanto, estas candidatas a fadas (do lar), se puderem, não tencionam seguir uma carreira, dedicar-se a uma profissão, no fundo, ter uma individualidade social. Convenhamos que este tipo de desejos não parece estar muito de acordo com o espírito do tempo. Ou será que está? Carlos Morais José, P. 13

ESCOLA CHINESA DÁ NOVA UTILIDADE A ATAÚDE DEVIDO À PRECARIEDADE

Estudar sentado no caixão C

RIANÇAS chinesas da aldeia de Duan, na região autónoma de Guangxi, são obrigadas a assistir às aulas sentadas sobre um caixão, devido à precariedade da sua escola. Segundo o jornal “Guangxi News”, os alunos da escola primária “Nove Dias” estudam em salas de aula mal equipadas, sem cadeiras nem mesas e precisam levar os seus próprios assentos ou utilizar o caixão. A ideia de usar o ataúde como móvel surgiu há quatro anos, quando os donos da escola propuseram usar um caixão fabricado para sua mãe, de 80 anos, que ainda está viva. A escola, frequentada principalmente por crianças de minorias étnicas, está ainda situada

numa zona sensível a deslizamentos, pelo que as salas de aula, feitas de madeira e bambu e bastante antigas,

ameaçam desmoronar a qualquer momento. Por fim, a precária escola, que cobra de seus alunos

100 yuans por semestre, fica a quatro horas de onde vivem as crianças. Além disso, os pequenos estudantes não têm recursos para levar almoço para a escola, e por isso não se alimentam durante todo o tempo que passam no local, ou seja, desde o início da manhã até ao fim da tarde. O Departamento de Serviços de Educação da Vila de Duan planeou construir uma nova escola em 2006, mas apenas 40% do projecto foi financiado, pelo que ainda está inactivo. Além disso, segundo disseram os aldeães de Duan ao diário, a nova escola fica muito afastada da vila, e por isso é difícil que os trabalhos de construção sejam finalizados.

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PEQUIM DETIDO SUSPEITO POR ROUBO MILIONÁRIO EM MUSEU Um homem de 27 anos foi detido como o principal suspeito do roubo de nove peças avaliadas em cerca de 150 milhões de dólares que estavam expostas no Museu do Palácio de Pequim, dentro da Cidade Proibida. Segundo fontes policiais citadas pelo diário oficial “China Daily”, o suspeito, que foi detido num cyber-café da capital chinesa e identificado pelas suas impressões digitais, confessou o crime e o paradeiro das peças. O roubo, o primeiro em 20 anos nesse museu, ocorreu após a hora do encerramento e contou com a falha do sistema de alarme. “Queremos nos desculpar com os turistas e com todos aqueles que têm relação com o Museu do Palácio. Este incidente demonstra que devemos melhorar o nosso sistema de segurança de forma rápida e eficiente”, assinalou um porta-voz do museu. Das nove peças roubadas, duas foram recuperadas pouco depois do início da investigação, encontradas junto ao muro do museu. Acredita-se que o ladrão as deixou cair durante sua fuga, danificando as obras consideravelmente, tanto que não voltarão a ser expostas. Os organizadores da mostra anunciaram que, uma vez recebida a autorização das autoridades, reabrirão a exposição até 27 de Junho, como estava previsto.

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Request for Proposal – CIP Service Subconcession at Macau International Airport 1. Company: CAM – Macau International Airport Co. Ltd. 2. Tendering method: Open tender. 3. Tender objective: To select a bidder to operate the CIP Service subconcession at Macau International Airport. 4. Location and size: 1,101m2 at the airside of the departure mezzanine level of Macau International Airport. 5. Validity of the Bidders’ tenders: The validity period of the Bidders’ tenders shall be 180 days counting from the tender opening day. 6. Minimum qualification: • Must currently operate at least one airport lounge in Asia at an international airport; and • Must have more than one year experience operating airport lounge business in Asia at an international airport. 7. Location and time to request tender documents: CAM Office Building, 4th Floor, Av. Wai Long, Taipa, Macau Monday to Friday 9:00a.m-1:00p.m and 2:30p.m to 5:30p.m until the deadline for submission of Bidders’ tenders, or to download through www.macau-airport.com 8. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: CAM Office Building, 4th Floor, Av. Wai Long, Taipa, Macau 12:00 noon of 19 July 2011. 9. Tender opening location, date and time: CAM Office Building, 4th Floor, Av. Wai Long, Taipa, Macau, at 3:00p.m. on 20 July 2011. 10. Tender evaluation criteria: Experience and qualifications 150 points Customer service 230 points Financial 270 points Marketing and operation plans 200 points Design and proposed capital investment 150 points --------------------------------------------------------------------------------------- Total 1000 points


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POLÍTICA

Proposta sobre a questão dos anteneiros pode chegar ainda este mês

Na mão dos senhores advogados Depois de 30 anos de conflitos no sector da transmissão dos sinais televisivos, a legislação que pode dar início a uma nova história entre anteneiros e TV Cabo está prestes a ser concluída. O diploma deve estar concluído ainda este mês e seguirá depois para análise do Governo e da Assembleia Legislativa Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ERAS questões técnicas podem ser resolvidas este mês e fazer com que a proposta que visa resolver o conflito entre os anteneiros e a TV Cabo de Macau chegue ainda dentro do prazo estipulado. Em Novembro de 2010, o Chefe do Executivo criou o grupo de trabalho responsável pela análise de uma eventual resolução jurídica sobre a regulação dos serviços de antenas comuns e de transmissão. Chui Sai On deu, então, seis meses a André Cheong, director dos Serviços para os Assuntos da Justiça (DSAJ), ao assessor jurídico do Gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas (DSSOPT), ao director dos Serviços de Regulação de Telecomunicações (DSRT), Tou Veng Keong, e a um

funcionário da Direcção dos Serviços de Finanças, membros da comissão, para mostrarem resultados. Ontem, à margem da apresentação do programa de comemoração do aniversário da DSRT e do dia mundial das telecomunicações, o director da entidade disse estar a aguardar pela resposta de “entidades legais independentes” para que a proposta pudesse, finalmente, ser apresentada ao Governo. No fim deste mês termina o prazo para tal, mas Tou Veng Keong diz-se capaz de cumprir a data estipulada. “Só falta obter as opiniões legais individuais dos advogados do território, nesta fase procuramos [isso], para depois pronunciarmos qualquer opinião”, avançou o responsável. Sem mencionar quais as entidades responsabilizadas para apresentarem soluções e sem referir qualquer possível conteúdo das propostas, Tou Veng Keong disse

que seriam, “pelo menos” dois os relatórios legais que podem ajudar a terminar com o diferendo entre a TV Cabo de Macau e os fornecedores dos serviços de antenas comuns. Em Maio do ano passado, a TV Cabo de Macau apresentou queixa ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), acusando a DSRT de estar a ser “negligente por não aplicar a lei”, permitindo a continuação da actividade ilegal dos anteneiros. A ausência de uma calendarização que regulasse esta actividade também foi outro dos motivos de queixa da empresa. Após várias tentativas, nunca foi possível chegar a um consenso sobre a exploração da transmissão, entre a TV Cabo de Macau e os, pelo menos, 16 anteneiros. Depois do relatório elaborado pelo CCAC, concluindo que as leis deveriam ser alteradas de forma a resolver o longo diferendo entre as empresas de fornecimento público de sinal de antena e a TV Cabo, concessionária que detém os direitos do serviço de transmissão de televisão por cabo desde pouco antes da transição, e de acordo com notícias da imprensa local, a TV Cabo terá apresentado recurso a uma decisão do tribunal favorável a que os anteneiros continuassem a operar até que surja a proposta de regulação. Em 2008, Tou Veng Keong tinha referido aos órgãos de comunicação social “que este era um caso que persistia há mais de 30 anos e que não seria facilmente resolvido em meio ano”. Agora, a proposta pode chegar ainda este mês, segundo o director da DSRT, que afirma contudo que, mesmo no caso de não haver cumprimento do prazo, não haverá “problemas” com a Administração.

SAFP RESPONDE A INTERPELAÇÃO DA AL SOBRE GASTOS EM VIAGENS OFICIAIS

Grupo de trabalho para acabar com boa vida Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

O

Governo da RAEM criou um grupo de trabalho interdepartamental que ficará responsável pela revisão global do actual sistema de viagens oficiais, revelou a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), em resposta a uma interpelação escrita. Basicamente, o grupo irá formular directrizes baseadas no sistema actualmente em vigor mas de forma a

garantir que os funcionários do sector público sejam mais responsáveis e comedidos nos gastos e fiquem sensibilizados para o uso racional dos meios e fundos disponibilizados.

José Chu, director da DSAFP, explicou que o actual sistema de viagens de negócios é regulado sobretudo pelo “Estatuto dos Trabalhadores da Adminis-

tração Pública de Macau”. De acordo com as disposições, os empregados da função pública são obrigados a dar explicações detalhadas sobre os objectivos e organização das deslocações, que devem ser sobretudo para negócios. É obrigatório receber aprovação da autoridade competente antes de viajar. Além disso, há regulamentações para as despesas gerais, que implicam a apresentação pelos funcionários de relatórios detalhados da viagem

até 30 dias após o regresso. O incumprimento dos regulamentos pode levar à recusa do pagamento de determinadas despesas ou à devolução de valores adiantados. O responsável da SAFP explicou ainda que a cooperação com o departamento de auditoria foi o motor que levou a SAFP e a Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) a estabelecerem o grupo de trabalho para a revisão abrangente do sistema actual, tendo em conta a situação de

Macau e os países vizinhos como referência. Antes da realização das alterações, serão estabelecidas a curto prazo as linhas gerais com base na política actual, com o objectivo de conseguir que os funcionários percebam e pratiquem as disposições e, dessa forma, cumpram com efectividade os propósitos das visitas de negócios, para que seja alcançado o objectivo da utilização dos fundos públicos de forma adequada e razoável.


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5 GOVERNO GARANTE QUE SANÇÕES PARA EX-TITULARES ESTÃO A SER APLICADAS

O fantasma de Ao Man Long Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

“O

Chefe do Executivo é quem julga se foram ou não violadas as normas”, assegura a Administração referindo-se aos estatutos dos ex-titulares dos principais cargos. A afirmação chega após mais uma interpelação de José Pereira Coutinho, deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). José Pereira Coutinho quer saber se o Governo pretende estabelecer medidas e sanções intermédias para a responsabilização dos ex-titulares e qual o procedimento para as aplicar. O deputado faz questão de mencionar o “escândalo de corrupção” de Ao Man Long, antigo secretário das Obras Públicas, condenado a 28 anos e meio de prisão por corrupção, como o “exemplo mais paradigmático” para “demonstrar os males de não existir um sistema claro e transparente de medidas e sanções” para responsabilizar estes indivíduos, “sem que seja necessária a exoneração”. Actualmente, e como explica o documento de resposta ao deputado, assinado por José Chu, director dos Serviços de Administração da Função Pública (SAFP), é o Chefe do Executivo quem avalia o incumprimento das normas e quem aplica as penas, cuja sanção máxima passa pela apresentação de uma proposta de exoneração pelo líder do Executivo local ao Governo Central. José Chu refere ainda

REGIME DE GARANTIA

Na mesma resposta ao deputado, o Governo assegura que está a preparar um regime de garantia após aposentação de serviços dos titulares dos principais cargos, incluindo o de Chefe do Executivo. O documento, assinado por José Chu, director dos SAFP, afirma ainda que vai ser criado um conselho para definir os critérios que permitam avaliar os pedidos de exercício de actividade profissional em empresas privadas apresentados pelos ex-titulares dos principais cargos.

que “o Governo tem-se esforçado por aperfeiçoar o regime de responsabilização dos titulares com a promulgação de normas, como por exemplo a publicação no final de 2010 do Estatuto e Normas de Conduta dos Titulares dos Principais Cargos”, devido à lei de limitações após cessação de funções, que surgiu em 2009. Coutinho considera o “sistema ineficaz” e alega que “os recentes diplomas não estabelecem rigorosamente nada nem quanto às sanções nem quanto ao processo para as aplicar”. O Governo contrapõe que as regras “estipulam e ditam concretamente as normas”.

O deputado vai mais longe e relembra as palavras da secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, de Dezembro do ano passado, onde a responsável disse que as medidas são aplicadas a “qualquer momento pelo Chefe do Executivo, mesmo sem estas estarem previstas na legislação”, e acusa Florinda Chan de estas declarações “nada abonarem a favor da transparência” no assunto, “nem oferecerem qualquer garantia de isenção e imparcialidade no apuramento de responsabilidades”. Para Coutinho, existem muitos exemplos de abuso de poder no Governo, potenciada pela ausência de normas.

SEGUNDA RONDA DE CHEQUES DAQUI A DOIS MESES

O secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, afirmou ontem à imprensa que a nova remessa de cheques do plano de comparticipação pecuniária vai começar a chegar às mãos dos residentes permanentes e não permanentes a partir do mês de Agosto. Os permanentes vão receber 3000 patacas, enquanto os não permanentes levam 1800. Outra novidade é a mudança do nome do plano, que passa agora a chamar-se “bonificação em dinheiro”.

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SOCIEDADE

Trabalhadores não-residentes aumentam mês após mês

Afinal o que são seis meses? Shuen Ka Hung percebeu que existiam dúvidas e explicou. Seis meses sem trabalhar em Macau só para trabalhadores não residentes que sejam despedidos com justa causa ou então para os que abandonem o local de trabalho sem qualquer tipo de justificação. O director da DSAL garante que a Lei de Contratação de Trabalhadores Não Residentes “não é diferente” de tantas outras por esse mundo fora

está do seu lado? O director da DSAL agarra-se à Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes e, a haver mudanças, estas “têm de ser submetidas à auscultação pública e posterior discussão na Assembleia Legislativa”. “Se a lei não for alterada as coisas vão continuar como estão”, disse, acrescentando de seguida que “esta é a Convenção que Macau assumiu. Mesmo que a China assuma outra convenção não quer dizer que Macau tenha de assinar por baixo”.

PELA TRANSPARÊNCIA Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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UITO se tem falado e questionado acerca dos problemas relacionados com os trabalhadores não residentes de Macau. As queixas têm vindo a lume principalmente relacionadas com problemas de exploração por parte dos patrões e ainda o jejum de seis meses pelos quais os migrantes não podem trabalhar em Macau. Em relação a este aspecto em particular, Shuen Ka Hung foi elucidativo na explicação aos jornalistas depois da 2.ª Reunião da Comissão de Acompanhamento da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, que decorreu ontem. O responsável máximo pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) explicou que os trabalhadores só estão impedidos de trabalhar em Macau por seis meses “quando são despedidos por justa causa ou quando abandonam o local de trabalho sem apresentar uma justificação para isso”. “Parece que as coisas nunca foram muito claras nesse sentido. Regulamo-nos por convenções internacionais e não somos diferentes da maioria dos países em matéria de trabalho migrante.” Apesar disso, os trabalhadores não residentes do território, em particular os domésticos, sempre se queixaram das discriminações principalmente ao nível das baixas remunerações e da relação exploratória que mantêm com os seus patrões. “Se alguma empregada doméstica achar que é explorada ou mal tratada pode apresentar uma queixa à DSAL, que em seguida irá investigar o caso. Se verificarmos que o empregado tem razão, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador a viagem de regresso ao seu país. Este, por conseguinte, pode voltar

outra vez a Macau para procurar novo trabalho sem ter que ficar seis meses fora”, explicou Shuen Ka Hung.

SALÁRIOS MELHORES

Instada a comentar as explicações do director da DSAL, Catalina Yamat da Associação Migrante Internacional confirmou que é isso que

se passa, mas que não é essa a sua razão de queixa. “O que sempre reivindicámos são melhores condições, melhores remunerações e mais respeito. Claro que temos de aceitar a lei de Macau. Quem vem para cá trabalhar sabe perfeitamente que quando se termina um contrato tem que se regressar ao país, podendo logo de seguida

voltar outra vez. Igualmente, se for despedido por justa causa ou abandonar o trabalho sem justificação, os migrantes sabem que têm de regressar aos seus países e lá ficar seis meses.” A questão é devolvida a Shuen Ka Hung. Mas porque é que o trabalhador tem sempre de voltar ao seu país mesmo quando a razão

Desde a sua criação em 2007, e segundo dados de Março, o Gabinete para os Recursos Humanos (GRH) já autorizou 106.354 pedidos de trabalho, sendo que o Serviço de Migração do Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP) só emitiu 81.416 títulos de trabalho, vulgarmente conhecidos por ‘blue-card’. A diferença de cerca de 30 mil pessoas justifica-se com diversos factores como troca de pessoas, indivíduos que ainda não chegaram ou renovação de contratos. Na conferência de imprensa realizada ontem após a 2.ª Reunião da Comissão de Acompanhamento da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, da tutela do Conselho Permanente de Concertação Social, o secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, afirmou que é intenção do Governo “aumentar a transparência no processo de contratação de trabalhadores não residentes”. Por isso, a partir do próximo dia 18, o portal do GRH servirá para dar a conhecer as novas formas de uniformização de todo o processo”. Outra das questões abordadas durante a reunião da Comissão prendeu-se com a população activa. De acordo com o secretário para a Economia e Finanças, está previsto um aumento de 10% nesta franja da sociedade. “O desenvolvimento económico de Macau têm e continuará a ter uma ligação proporcional com este aumento”, complementou. Tempo ainda para mais uns dados estatísticos. De acordo com o GRH têm ocorrido alguns aumentos de trabalhadores nas áreas da construção civil, no turismo e nas pequenas e médias empresas. Até ao momento existem 7160 empresas com pedidos de contratação de mão-de-obra estrangeira. Mas Francis Tam, não fazendo ouvidos moucos, voltou a reiterar que “é uma exigência do Governo haver mais trabalhadores locais do que não residentes”.


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ZONA ANTIGA DE COLOANE VAI FICAR COM CARA NOVA

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O Governo está comprometido a recolher opiniões dos residentes de Coloane para saber o que há de fazer para optimizar a zona antiga da ilha. Segundo Lau Si Io, secretário para os Transportes e Obras Públicas, o processo começou há dois anos através de contactos com os moradores das áreas abrangidas e espera que os problemas que vão sendo resolvidos à medida do tempo sirvam de exemplo para uma maior participação pública.

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Mais 50 pontos de acesso gratuito à Internet que podem passar pelos transportes

Mais navegações grátis para breve Joana Freitas

grupos de três. Para Tou Veng Keong, director dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT), este concurso serviu para encontrar “mais talentos e elevar o conhecimento relativo ao sistema de wifi”. Desde Setembro de 2010, o Executivo registou mais de 160 mil utilizações, e

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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M 2010, o Governo de Macau lançou o WiFi Go no território, locais onde qualquer cidadão pode aceder à Internet sem qualquer custo ou adesão, que vão ser aumentados agora para 110. Sem local ainda definido, prevê-se instalações em departamentos governamentais e pondera-se mesmo a fixação de WiFi Go nos transportes públicos. Na próxima terça-feira conhecem-se os resultados dos vencedores da criação de software para este serviço de “hotspots”. No ano passado existiam 34 zonas do território onde estavam instalados estes pontos de WiFi, mas em Fevereiro deste ano a

CINCO ANOS DE VIDA

Em comemoração dos cinco anos de existência da DSRT, no domingo, a DSRT dá uma conferência no MGM sobre a situação actual de Macau e previsões futuras

MENSAGENS E CHAMADAS GRÁTIS Administração subiu para 60 esses locais, que passam pelas bibliotecas, terminais marítimos, praças, jardins e complexos desportivos do território. Agora, vão ser premiados com 12 mil, sete mil e

três mil patacas, respectivamente, os três primeiros lugares para concorrentes criadores de software responsável por este serviço. Foram 18 as obras entregues a concurso, entre candidatos individuais ou em

CEM PRETENDE INSTALAR NOVOS CONTADORES DE ELECTRICIDADE EM JULHO

Escadinha eléctrica Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

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Tou Veng Keong assegura que esse número continua a aumentar.

PÓS a entrada em vigor do novo contrato de concessão para o fornecimento de energia eléctrica em Macau, o Governo pensa que haverá espaço para a redução das tarifas de electricidade e irá introduzir o plano dos “Encargos de Electricidade em Escada”, de forma a promover a poupança de energia. Os novos contadores deverão ser instalados já em Julho. As consultas para os “Encargos de Electricidade em Escada” deverão ser lançadas na segunda metade do ano, avançou Arnaldo Ernesto dos Santos, coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE). Espera-se que o novo modelo de taxação permita a redução das contas de electricidade em 90% dos lares, sendo os restantes 10% relativos aos grandes consumidores que verão um aumento nas suas contas. Arnaldo dos Santos explicou que o novo esquema da escadinha não é mais do que um sistema mais justo, que irá permitir que quem mais consome pague mais e, em compensação, quem menos gasta irá por isso pagar também menos. A ideia é beneficiar as

famílias com baixos rendimentos e cooperar de forma melhorada com o desenvolvimento da sociedade. “O Governo irá dar início às auscultações tão cedo quanto possível para receber a opinião pública”. A Comissão de Ligação CEM – Clientes, transmitiu as suas reservas acerca do impacte do novo plano sobre as pequenas empresas e declarou que gostava que elas tivessem sido tidas em conta na elaboração do plano. Arnaldo dos Santos respondeu, no entanto, que o Governo estava a estudar a forma mais adequada para aplicar o sistema dos encargos em escada às companhias de pequeno porte, garantindo que não era intenção do Governo aumentar o fardo das pequenas empresas. Entretanto, a CEM já obteve a aprovação do Governo para a instalação dos novos contadores eléctricos para os novos utilizadores. Quanto aos restantes, os antigos contadores em uso serão desactivados e substituídos, mas esse processo deverá levar alguns anos. Iun Iok Meng, do Gabinete de Comunicação e Relações Públicas, avançou que a gestão dos novos contadores conta com um sistema de monitorização muito mais forte e eficiente do que o dos contadores tradicionais.

Na terça-feira comemora-se o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação e, em comemoração, os utilizadores de telemóveis locais podem trocar mensagens escritas e de multimédia e chamadas locais de vídeo gratuitamente, anunciou o director da DSRT. Ontem, em conferência de imprensa, Tou Veng Keong disse ainda que algumas operadoras vão lançar promoções exclusivas e que o Museu das Telecomunicações estará aberto para visitas gratuitas. PUB

no que diz respeito ao uso de telecomunicações. O director da entidade diz que estão em estudo melhorias para os serviços de velocidade da internet e analisada a necessidade de utilização destes serviços pelos cidadãos. Questionado sobre a instalação geral de fibra óptica no território, o director da DSRT alerta que esta é uma obra de grande dimensão e que tem de ser feita de forma gradual, devido ao conflito que as obras podem criar, por exemplo, no tráfego. Uma questão a ser estudada, até porque “não há ainda uma previsão porque este tem de ser um serviço que tem de se fazer acompanhar pelo planeamento urbanístico”, avançou Tou Veng Keong.


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ODE dizer-se, com justiça, que este Núcleo, criado oficialmente em 2006, tem marcado a diferença no movimento associativo de Macau. Com nova direcção eleita este ano - depois de dois mandatos sob a presidência de José Colaço, que não concorreu de novo - há uma série de objectivos que se mantêm, apesar de Sharoz Pernencar, nascido em Macau e filho de pais goeses, prometer lutar por defender cada vez mais a identidade cultural das pessoas que o Núcleo representa. O entrevistado estudou no Colégio D. Bosco, licenciando-se posteriormente em Ciências da Educação, e é agora professor de português como língua estrangeira na Escola Primária Oficial Sir Rober Ho Tung. O que o levou a candidatar-se no sentido de intervir na defesa da identidade cultural das pessoas de Goa, Damão e Diu residentes em Macau? Já comecei a defender a nossa identidade há cerca de dois anos, embora de outra forma, participando nas iniciativas relacionadas com as eleições legislativas locais. Como foi o caso da minha participação na lista “Voz Plural”, como membro da etnia goesa, para dar o contributo da multiculturalidade dentro desse grupo. A partir daí, ganhou força a ideia de defesa da nossa identidade, das nossas tradições e costumes. Na agenda de trabalhos do Núcleo, o que está a ser prioritário? Em princípio, tínhamos programado umas quatro ou cinco actividades para este ano. Começámos com um evento de âmbito solidário realizado a 8 de Maio. Recolhemos artigos vários, que já não são precisos em casa, desde roupas, electrodomésticos, até brinquedos, destinados aos mais necessitados. O resultado foi bom, fizemos um almoço na Torre de Macau para também adquirirmos receitas e, fundamentalmente, recolhermos mais artigos que as pessoas levassem, para além de ter sido também um bom convívio cultural. Já foram entregues esse artigos recolhidos? Alguma parte já foi entregue, designadamente ao Centro de caridade de Madre Teresa de Calcutá, situado na Ilha Verde. A outra parte que ainda está connosco, vamos verificar o que é e a quem devemos entregar. Há a ideia de doar a uma instituição que existe na China, para crianças órfãs e com algum grau de deficiência.

ENTREVISTA

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com Helder Fernando

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Sharoz D. Pernencar, presidente do núcleo de animação cultural de Goa, Damão e Diu

“As escolas luso-chinesas deviam participar na Festa da Lusofonia” ANTÓNIO FALCÃO | BLOOMLAND.CN

SEXTA-FEIRA 13.5.2011

A seguir, qual a iniciativa do Núcleo? Preparar a nossa participação no Festival da Lusofonia em Outubro, sem dúvida. Como sempre, iremos ter o nosso pavilhão. O tema do mesmo, por enquanto, não vamos divulgar, até porque a ideia ainda não está completamente concebida. Mas antes desse evento grande, desejamos realizar uns dias dedicados à gastronomia de Goa, Damão e Diu. Para uns talvez seja um matar de saudades dos nossos bons petiscos, para outros será dado a conhecer a nossa realidade gastronómica. Temos intenção de mandar vir um chef de cozinha para aqui desenvolver a passagem de conhecimentos sobre a riqueza da culinária das nossas terras. Para além disso, as nossas crianças estão bem estimuladas e ensaiadas, ainda no domingo passado houve cantares e danças, foi muito proveitoso este convívio.

“Como goês, este ano vou fazer parte do teatro dos Doci Papiáçam, onde serei o segundo actor principal. Isto mostra a nossa inserção na vida local que é tão multicultural, como se sabe” Em Macau não existem restaurantes com comida de Goa, Damão e Diu... Pois, é verdade. Em casa a minha mãe faz aquele delicioso caril de peixe ou de galinha, e outras comidinhas, incluindo portuguesa. Quantos associados têm? Estão inscritos cerca de quatro dezenas de associados. Estamos abertos a todas as comunidades de Macau que pretendam inscreverse como nossos associados. Para ficarem a conhecer de mais perto os nossos traços culturais ou nos ajudarem na divulgação dos valores culturais e humanos de Goa, Damão e Diu. Basta contactar comigo ou com outros elementos do Núcleo. Temos um espaço na internet com este endereço: nacgdd. blogspot.com e o email é nscgdd@ gmail.com. Estamos sempre de portas abertas para todos. De portas abertas, mas ainda sem sede...

É verdade, esse é um dos grandes objectivos do Núcleo, uma sede. É a minha principal dor de cabeça, a grande prioridade. Esta nova direcção já falou com alguma entidade sobre essa urgência em terem uma sede? De momento ainda não falei com ninguém importante. Desejo muito que o Fórum Macau nos possa ajudar. De qualquer forma, continuamos a aguardar, procuramos condições e, pessoalmente, estou a estudar o caso no sentido de alcançarmos as metas que nos propusemos. Continuo à procura de soluções. Existe alguma rivalidade menos positiva entre os naturais de Goa, de Damão e de Diu? A vida da associação aqui em Macau é sempre complicada, há sempre discussões e rivalidades. Eu tenho tido muito cuidado em unir todos de modo a melhor podermos defender a nossa identidade. E não apenas estarmos unidos entre nós, mas também com as comunidades macaense, chinesa e portuguesa. Temos tido boas relações com as outras associação lusófonas, não tem havido grandes problemas. Como que num parêntesis, consubstanciando o que afirmo a propósito das ligações positivas que devem existir, posso dizer que, como goês, este ano vou fazer parte do teatro dos Doci Papiaçám, onde serei o segundo actor principal. Isto mostra a nossa inserção na vida local que é tão multicultural, como se sabe. Fala na questão identitária. Acha que estão actualizados em relação a essa identidade, às presentes realidades em Goa, em Damão e em Diu? Temos tido o cuidado de actualizar os conhecimentos acerca desses territórios indianos. Não é muito fácil, mas a intenção é fazermos todo o possível por dar a conhecer aquela parte da Índia não apenas sobre o ambiente durante o tempo português, mas também nos tempos actuais. Quer dizer que na divulgação dos aspectos culturais, o Núcleo não apresenta somente realizações envolvidas em nostalgia e pertencentes a um outro tempo? Não somente. Claro que por vezes temos de voltar ao

passado, ao tempo português naqueles territórios, pois foi essa influência cultural que marcou a diferença de Goa, Damão e Diu do resto da Índia. Ainda no ano passado, o Núcleo trouxe um grupo muito prestigiado em Goa e que continuam a divulgar esses tipos de danças e cantares com muito sucesso, preservando desse modo alguns aspectos culturais importantíssimos. Também teremos o cuidado de, se pudermos, trazer grupos mais actualizados de Goa para apresentarmos aqui aspectos diversificados da nossa cultura. Às vossas gerações mais novas, aqui residentes, como lhes são transmitidas as marcas das raízes culturais que as identificam, das línguas à literatura, às artes, por exemplo? Isso aqui é extremamente difícil, muito complicado. Um valor cultural local, o patuá, é uma língua que está em extinção. A nova geração tem um pensamento sobre a língua um bocado

“Até já solicitei que as escolas luso-chinesas colaborassem na Festa da Lusofonia. Porque não participam? Porque é que essas escolas não são chamadas? Seria óptimo para os alunos, enriquecia ainda mais a festa lusófona, pois até seria mais forte esta família. Já coloquei esta questão, ficando eles por si próprios, a pensar no assunto, segundo disseram” diferente, já estão enraizadas outras línguas. Quando falam às vossas crianças sobre os territórios indianos em questão, o que lhes dizem sobre a sua história para além de terem sido governados por alguns séculos pelos portugueses? O que elas sabem da realidade actual? A nossa língua falada em Goa, Damão e Diu, o concanin, nem todos a sabem. Mesmo em Damão eles têm outro dialecto. Mas eu falo concanin, apesar de ter nascido em Macau e sempre cá ter vivido. Entrou automaticamente, tenho dentro de mim essa língua. Quando as crianças vão de férias até lá,

acabam por perceber a outra parte da sua raiz que ficou lá. Quando vou a Goa falo com os meus familiares em concanin, não tenho problemas de comunicação. A propósito de viagens à Índia, está nos planos da nova direcção do NACGDD organizar alguma excursão? Sim, sem dúvida. Muita gente nos interroga sobre isso. Mantém-se de pé a ideia. Temos de ter contactos com pessoas e instituições de modo a apoiarem-nos logisticamente. Por exemplo, Goa, está hoje muito diferente do que era há trinta e muitos anos, vive uma fase parecida com Macau, num desenvolvimento turístico

assinalável. Por isso tem muitos estrangeiros qe fazem turismo. Como observa o futuro da chamada lusofonia na RAEM? Acho que tem futuro. Já fiz parte, antes da transferência, já dava algum apoio a um bom amigo do IACM que fazia parte da organização. Vendo bem, a Festa da Lusofonia é a única do género que existe em Macau. Até deviam existir mais iniciativas relacionadas com este espírito lusófono, mais não seja para mostrar uma das grandes diferenças de Macau em relação a outras cidades ou regiões da China. Para muitas pessoas mal informadas, a cultura de Macau resume-se às Ruinas de S. Paulo, à Fortaleza e pouco mais. O que se sente falta é de apoio à divulgação da língua portuguesa, dos hábitos e costumes, porque realmente esses valores e hábitos existem aqui, só que não têm apoio. Eu sou professor de português como língua estrangeira e sinto que não existe resposta aos pedidos de apoio. Tem sido pedido esse apoio oficial? Sim, num fórum público até já solicitei que as escolas lusochinesas colaborassem na Festa da Lusofonia. Porque não participam? Porque é que essas escolas não são chamadas? Seria óptimo para os alunos, enriquecia ainda mais a festa lusófona, pois até seria mais forte esta família. Já coloquei esta questão, ficando eles por si próprios, a pensar no assunto, segundo disseram. O que reflecte sobre os trabalhos do Fórum Macau? O Fórum possui os seus próprios objectivos, tem uma grande força e sei que tem vindo a melhorar de ano para ano. O Fórum tem os seus próprios objectivos, mas não esquece que é um bom porto de abrigo das associações a quem o seu trabalho essencialmente se dirige. É mais uma força no sentido de a lusofonia seguir em frente. Apesar disso deviam realizar-se mais actividades culturais distribuídas ao longo do ano. Um mês cultural de cada país ou região representada associativamente em Macau, seria um belo começo. Desta maneira se preencheria muito bem o ano lusófono em Macau.


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10 Tocam os bombos, a energia sulamericana dos Pampa Furiosa Ballet d’Argentine chega ao Grande Auditório do CCM no fim-desemana

CULTURA “Che...Malambô!” no Centro Cultural de Macau

Furacão argentino

Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

S

ÁBADO e domingo o Centro Cultural de Macau (CCM) vai tremer. “Che... malambô!”, dos Pampa Furiosa Ballet d’Argentine, promete arrasar os alicerces da casa de espectáculos com a energia da dança tradicional sul-americana. Gilles Brinas é o encenador de mais um espectáculo inserido no Festival de Artes de Macau. O bailarino clássico e coreógrafo francês descobriu a dança argentina “malambô” na década de 1970 em Paris e foi amor à primeira vista. “Desde esse momento a dança ficou na minha cabeça e no meu coração”, conta o encenador, que pouco tempo depois se via de bilhete para a Argentina na mão. Em Buenos Aires reuniu os actuais 14 bailarinos que compõem o colectivo Pampa Furiosa Ballet d’Argentine, os 14 “homens-cavalo”, virtuosos do ‘zapateo’ que transpiram uma energia frenética e enigmática, fórmula com que “Che...Malambô!” promete arrasar os corações mais sensíveis do território no fim-de-semana. Brinas confessa que foi a

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Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau está na recta final. Desde quarta-feira e até amanhã são apresentados no grande ecrã do Centro Cultural de Macau os trabalhos independentes de vários realizadores locais. A mostra “Macau Indies” inclui 14 filmes seleccionados da Chamada Aberta e sete documentários do “Macao - O poder do documentário 2011”, comissariado pelo CCM. Este ano há duas presenças lusas, a começar pela “Viagem no Tempo” de António Faria e Carolina Rodrigues. O documentário ficcional conta a história de Wong Kei, um rapaz de 25

energia da dança que o arrebatou. “Gosto que seja física e também gostei da musicalidade. Recebi qualquer coisa sem que tivesse percebido. Mas agora sei porquê: é o ritmo, que é sempre como a batida de um coração.”

Tum tum, tum tum, um coração a trote. Galopante quando os bailarinos usam as ñandiceras – cordas longas com bolas de madeira que acompanham os saltos das botas e marcam com força o compasso da dança que Brinas, apesar de

tudo, nunca dançou. “Bethoven também era pianista e compunha para violino. Se souberes dançar, consegues perceber alguma coisa de outras danças”, explicou o encenador francês com sotaque espanhol.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E VÍDEO DE MACAU

Cinema à vista

“Time Travel”

Gilles Brinas fundou os Pampa Furiosa há sete anos com a ajuda de Sylvie Peron. O encenador diz que a dança “não tem nada a ver com a imagem amplamente difundida do folclore argentino” e sofreu alterações até assumir o formato que os Pampa Furiosa mostram pela primeira vez a Macau amanhã. Brinas assegura que o malambô original ainda é dançado na Argentina a sua forma original, ou seja, em dueto. Aliás, em duelo. “Dura dois ou três minutos e pronto. Os passos são os mesmos mas entretanto mudámos muitas coisas”, desenvolveu o encenador, que diz que acrescentou vida e energia aos passos básicos do bailado como o ‘repique’, a ‘volcada’ e a ‘quebrada’. O resultado é uma explosão de movimentos, que a qualquer leigo se pode assemelhar ao flamenco mas onde também é possível reconhecer traços de danças típicas da Rússia, Polónia ou França. Brinas assegura: “não é para mulheres”. “Há raparigas que aprendem mas é preciso muita força. Somos diferentes e esta é uma técnica masculina”, justifica. Apesar de haver momentos em que alguns bailarinos galgam o palco a solo, o encenador garante que “são todos bailarinos principais, não há um star system”. Não pensam na energia que gastam mas na que recebem, como aquela que esperam conseguir absorver do público de Macau no fim-de-semana. O espectáculo “Che...malambô!” está marcado para as 20h de amanhã e domingo, no Grande Auditório do CCM.

anos que é levado numa viagem ao passado na pequena vila piscatória de Macau. Seguem-se “Homo Sapiens”, “Uma Viagem” e a curta-metragem de Chao Koi Wang, “Rapsódia em Março”, distinguida com dois prémios para melhor realização na China. A programação de sábado arranca com o filme “Dez anos – O sonho da dança”, sobre um grupo de entusiastas de ‘break dance’, às 14h30. Seguem-se “Todos”, “Paixão em Flor” e “Arco-Íris Lunar”. No segundo bloco do dia, com início marcado para as 17 horas, há ”Cavaleiros do Asfalto”, de de Chang Chi Hin, “À Espera do Dono”,

de Marble Leong, e “A Ilha dos Ladrões”. Este último é o segundo assinado por um realizador português. Ricardo Pinto conta a história do campo de batalha entre tropas portuguesas e piratas locais que se formou há cem anos na pequena aldeia de Coloane. A seguir a cada exibição os realizadores participam numa tertúlia de esclarecimento sobre as suas criações. Os filmes premiados desta edição do “Macau Indies” vão ser revelados pelos membros do júri convidados, representantes da indústria cinematográfica regional, no dia 15 de Maio às 15 horas na sala VIP do CCM.


FILIPA QUEIROZ

PERFIL

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HUGO PINTO | JORNALISTA DA RÁDIO MACAU

“Nunca ganhei nada, nem o Totoloto” Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

Há sempre uma primeira vez, já diz a sabedoria popular. Por isso é que Hugo Pinto, 30 anos, recebe hoje o Prémio Macau – Reportagem 2010 das mãos da Fundação Oriente. O mérito é da peça “Breve Monografia de Macau – a versão chinesa da História de Macau em português”, sobre textos do século XVIII aos quais o jornalista, de acordo com o júri, imprimiu uma actualidade surpreendente. Conversámos com o Hugo na véspera, num café do centro da cidade. “A sensação é muito boa”, confessou. “Trabalhar em comunicação é uma via com dois sentidos e é sempre importante haver reconhecimento. Implica que alguém tenha ouvido, lido, escutado o teu trabalho.” Um trabalho que, como em quase tudo na vida, gosta de fazer de auscultadores nos ouvidos. “Desde que me lembro de mim que existe música. Não conseguiria imaginar o mundo sem ela, é a coisa que mais me interessa e fascina”, confessa. Devia ter uns 11 anos quando os amigos mais velhos começaram a atear-lhe o vício. “Lembro-me de andar no liceu, muito pequenininho, com os vinis que eles me emprestavam debaixo do braço”, conta. “Eram quase maiores do que eu.” Wire, Cocteau Twins, Dead Can Dance. “Também gostava de rock. Pixies, Sonic Youth, depois comecei a ir para além da muralha das guitarras e apreciar bandas como os Joy Division e Bauhaus. Foi um percurso assimétrico”, admite. “À medida que ia ficando mais velho ia voltando

mais atrás, ainda hoje faço isso.” Foi assim, a passo de caranguejo, que chegou a “grandes companheiros” como Nick Drake, Leonard Cohen e Burt Bacharach. Aos 13 assistiu ao primeiro concerto: Nick Cave no Coliseu do Porto. “Foi uma coisa marcante”, recorda. Nessa altura, ainda comprava discos por catálogo. Na pequena vila transmontana onde nasceu e cresceu, não havia lojas de música. “Recebia umas fanzines dactilografadas e foi assim que conheci muita coisa.” Uma lista em construção permanente, como a história do mundo que Hugo desde cedo percebeu que queria aprender a contar. Estudou Comunicação Social na Universidade do Minho, em Braga, mas depois de um estágio curricular no jornal “Público” o panorama laboral apresentou-se “difícil”. “Como não sou de Lisboa nem do Porto implicaria sempre uma mudança radical de vida”, explica. Foi por isso que resolveu apostar as fichas todas de uma vez. Aterrou em Macau em 2005. E não trouxe o gira-discos. “Vim apenas para passar férias, tinha um amigo cá. Se aparecesse alguma coisa melhor”, conta. E apareceu. As primeiras páginas da nova vida deste lado do globo escreveu-as no jornal “Ponto Final”. Três anos depois o “caminho natural” levou-o até à Rádio Macau onde, além de Informação, manteve durante quase um ano o programa sobre música alternativa asiática “Próximo Oriente”, nome da rubrica semanal que agora assina no

suplemento “h” do Hoje Macau. Mas o leque de ouvintes do jornalista é mais amplo do que os 28 quilómetros quadrados da RAEM, sobretudo graças aos ‘podcasts’ Miss Tapes, Deep Mode, o colectivo Irmandade do Éter e o próprio Próximo Oriente que mantém, mais ou menos activos. Além de “dar corda ao interesse” pela música feita por estas bandas, por causa do programa Hugo fez também algumas amizades. “Editoras mas sobretudo músicos que me enviam discos e vão-me contando as novidades.” Para Hugo a música oriental hoje em dia não passa de uma coincidência geográfica. “Há cada vez menos música desta ou daquela cidade, esse tempo já passou. Hoje há linguagens urbanas e as urbes são cada vez mais semelhantes em todo o mundo”, explica. Uma das suas favoritas é Pequim. “Sempre que posso vou lá, é uma cidade maravilhosa que tem muito daquilo que falta a Macau.” O quê? “Uma comunidade jovem muito dinâmica e criativa que faz coisas, cada vez mais estrangeiros e há sempre qualquer coisa a acontecer”, aponta. Quando passeia há outra coisa, além dos auscultadores, que tem lugar cativo na mochila: a máquina fotográfica. E não é preciso sair de Macau. “Adoro fotografia e Macau é uma cidade muito fotogénica. É velha, no que isso tem de bom. As paredes são pintadas e repintadas por cima, há marcas em todo o lado e todas as ruas, além de nomes fantásticos, têm

muitas histórias.” É a ler e a captar essas histórias nas paredes da cidade, sobretudo na parte antiga, que Hugo gosta de investir o seu tempo. Dentro de casa perde-se por outras narrativas. “Estou sempre a comprar livros, filmes e gosto muito de séries também. Sou meio eremita”, confessa. Para Hugo Pinto, Macau “é uma cidade única e sempre fascinante” mas com “muitas questões por resolver”. A actividade profissional faz com que os defeitos, já por si instalados num espaço tão exíguo, lhe saltem mais à vista. “Sempre foi uma cidade de encontro de culturas e conhecimento e não pode perder essa identidade”, comenta. “Aqui há recursos mas faltam, se calhar, visões.” Trazer mais concertos e exposições de renome internacional ao território, por exemplo. Hugo confessa que já refreou a ânsia de ver bandas ao vivo, muito menos ir a festivais. Com uma excepção. “Nunca tive oportunidade de ver Radiohead. É um dos meus grandes fascínios”, confessa. “Há sempre coisas que nos escapam. Tenho pena que o dia tenha só 24 horas, por exemplo com tantos filmes para ver e livros para ler”, desabafa. Para o futuro não tem planos. “Na minha terra diz-se uma coisa engraçada que é: se queres fazer Deus rir conta-lhe os teus planos.” Por isso Hugo vai andando, como se a vida fosse um disco. Só que este nunca toca o mesmo.


[f]utilidades SEXTA-FEIRA 13.5.2011 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

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SALA 1

FAST & FURIOUS 5 [C] Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Paul Walker 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-QUIA. AZOADA. 2-UANAMBE. VIL. 3-E. TRIO. MANO. 4-LHE. RIGOL. E. 5-MO. BROAS. VS. 6-AVEIA. OCIO. 7-ENODO. ANOS. 8-CA. MONGOA. O. 9-A. ABRIR. NEM. 10-IRMO. AETITA. 11-RUA. POIARES. VERTICAIS: 1-QUEIMA. CAIR. 2-UA. HOVEA. RU. 3-INTE. EN. AMA. 4-AAR. BIOMBO. 5-MIRRADOR. P. 6-ABOIO. ONIAO. 7-ZE. GAO. GREI. 8-O. MOSCAO. TA. 9-AVAL. INANIR. 10-DIN. VOO. ETE. 11-ALOES. SOMAS.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Su doku [ ] Cruzadas

VERTICAIS: 1-Quelme. Dar por, notar, aperceber-se. 2-Uma. Planta leguminosa, da Austrália, espécie de lódão. Indicativa do ruído de árvore frondosa, ao cair. 3-Até. Indicativa de causa. Antiga medida de comprimento entre os antigos. 4-Rio europeu. Tabique móvel, formado de caixilhos, ligados por dobradiças. 5-Que mirra. 6-O canto do vaqueiro, com que chama os bois dispersos. Motim, alvoroço ajuntamento. 7-Nome da última letra do alfabeto português. Aldeia indiana, de que procede o termo gancar. Paroquianos ou diocesanos. 8-Pessoa sonsa. Designa interrupção. 9-Caução, separada da letra e constante de um documento. Tornar inane. 10-Rapidez de um filme. Elevação do pensamento ou do talento. Voz do boieiro, quando tange os bois. 11-Planta liliácea, de folhas carnosas. Adições.

THOR [B] Um filme de: Kenneth Branagh Com: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston 16.45, 21.30

SALA 2

SALA 3

Um filme de: Francis Lawrence Com: Robert Pattinson, Reese Witherspoon 14.30, 19.15

Um filme de: Neil Burger Com: Bradley Cooper, Robert De Niro 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

WATER FOR ELEPHANTS [B]

HORIZONTAIS: 1-Voz com que se chamam porcos. Azoamento. 2-Ave brasileira, do tamanho de uma pomba e de cor azul-ferrete. Mesquinho, miserável. 3-Grupo ou conjunto de três pessoas. Tratamento familiar de cunhado ou cunhada para cunhado. 4-Algumas vezes se encontra nos clássicos, em vez de lhes. Qualquer pequeno rogo. 5-Monte de grão, depois de debagado ou malhado. Presentes na festa de Natal. Vossa Senhora. 6-Planta gramínea, alimentícia. Fig., trabalho suave. 7-Que não tem nós, que não é nodoso. Idades da vida. 8-Símbolo químico do cálcio. Sal. 9-Registar o nome nos livros dos notários. Não, se bem que. 10-Gíria de irmão. Pedra oca. 11-Pátio exterior de uma habitação. Aquele que é natural de Poiares, no concelho de Freixo de Espada à Cinta.

[ ] Cinema

LIMITLESS [B]

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 13:30 14:30 19:00 19:30 20:25 20:35 21:00 22:00 22:58 23:00 23:30 01:20 01:50

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Ásia Global (Repetição) Ganância Acontecimentos Históricos Telejornal Jornal da Tarde da RTPi Viver a Vida Acontecimentos Históricos TDM News Remeber the Titans (Duelo de Titãs) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Com Ciência 15:00 Estado de Graça 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Cerimónias de Fátima 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Expo Shanghai 2010 22:30 Salvador 22:45 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 ZingZillas 16:30 I.N.K. Invisible Network of Kids 17:00 The Penguins of Madagascar 17:30 Ben 10 Ultimate Alien 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Green Challenge: Golfing World 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 Rick Stein’s Far Eastern Odyssey 21:30 Weekend Blockbuster: Meet Joe Black 22:30 Marketplace 22:35 Friday Hall Of Fame: Meet Joe Black 00:10 The CEO Connection and World Market Update 01:15 News Roundup 01:30 Earth Live 01:35 Dolce Vita 02:00 America’s Next Top Model (XIII) 03:50 Get Reel Music Mix 03:15 European Art at the MET 03:30 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 13:30 14:00 19:00 19:30 20:00 20:30 21:30 22:30 23:00 23:30

16:00 Gp3 Series 2011 17:00 FIA F1 World Championship Highlights 2011 Turkish Grand Prix 18:30 Sbk Superbike World Championship 2011 - Highlights 19:00 HSBC Asian 5 Nations Rugby Kazakhstan vs. Japan 21:00 Football Asia 2011/12 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 The FA Cup 2010/11 Preview Show 22:30 Inside Racing 2011 23:00 Full Throttle 2010/2011 23:30 FIA Wtcc 2011 - Inside Wtcc 23:55 (LIVE) HSBC Asian 5 Nations Rugby UAERA vs. Japan STAR MOVIES 40 12:00 Stealth 14:05 Law Abiding Citizen 15:55 Deadly Impact 17:35 Alvin And The Chipmunks 19:10 Christmas With The Kranks 21:00 F.I.S.T. 23:15 Reign Of Fire HBO 41 13:00 The Hangover 14:30 Envy 16:10 Mr Troop Mom 17:35 The Cable Guy 19:10 Rocknrolla 21:00 Wolf 23:20 Friday The 13Th 00:50 Friday The 13Th Part Ii CINEMAX 42 12:00 13:45 15:30 17:15 18:45 20:15 21:45 22:00 23:20

American Outlaws The Dogs Of War Distant Thunder Lois & Clark: The New Adventures Of Superman It Came From Beneath The Sea Death Warrant Epad On Max 110 The Hills Run Red Men Of Respect

MGM CHANNEL 43 12:15 Saved By The Bell: Hawaiian Style 14:00 A Man of Passion 15:45 The Mod Squad 17:30 The Return of the Musketeers 19:15 Goodbye Supermom 21:00 Charlie Chan and the Curse of the Dragon Queen 22:45 Mr. Mom 00:30 Breathless DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Macguyver Myths 14:00 First Time Film Makers Vietnam 15:00 Mega Builders - Spanning The Saigon 16:00 Build It Bigger - Rio De Janeiro Power Grid 17:00 Dirty Jobs - Bug Breeder 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 Mega Engineerin - Dome Over Houston 20:00 Tattoo Hunter - Brazil 21:00 Mythbusters - President’s Challenge 22:00 Kidnap & Rescue - Project Child Save 23:00 Forensics: You Decide 00:00 Mythbusters - President’s Challenge

ANIMAL PLANET 52 13:00 Pandamonium - Mei Sheng’s Tale 14:00 Caught In The Moment - India 15:00 Wild Hearts: Growing Up... 16:00 Wildest Africa - Madagascar 17:00 Animal Cops Miami - Miami Menagerie 18:00 Animal Cops Houston - Mother 19:00 Chasing Nature - Bird Of Prey 20:00 Mad Mike And Mark - Big Five Big Trouble 21:00 Wild Hearts: Dugong & Din 22:00 Wildest Africa - Sahara 23:00 Animal Cops Miami - Betrayal 00:00 Mad Mike And Mark - Big Five Big Trouble HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Icons Of Power 16:00 Modern Marvels 17:00 Brad Meltzer’s Decoded 18:00 Shockwave 19:00 Modern Marvels 20:00 The Works 21:00 Megaquake 10.0 23:00 The Highland Towers Disaster 00:00 Monsterquest BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 Intervention 14:00 Tycoons Of Asia 15:00 Storage Wars 16:00 Heinz 17:00 Obsessed 18:00 Intervention 19:00 Rendezvous With Simi Garewal 19:30 Shatner’s Raw Nerve 20:00 Tough love 21:00 Private Sessions 22:00 Gene Simmons: Family Jewels 22:30 Storage Wars 23:00 Intervention 00:00 Celebrity Ghost Stories AXN 62 12:15 13:05 14:00 14:50 15:45 16:35 17:25 18:15 19:10 20:05 20:35 21:05 22:00 22:55 23:50

Csi: Ny 24 Wipeout Breaking The Magician’S Code Leverage Csi: Ny Csi: Crime Scene Investigation House Csi: Crime Scene Investigation Criss Angel Mindfreak Ebuzz Csi: Miami Csi: Ny Csi: Crime Scene Investigation Spider-Man 3

STAR WORLD 63 12:10 American Idol 13:25 Hollyscoop 13:50 American Idol 15:10 DC Cupcakes 15:40 Masterchef Australia 17:10 Glee 18:00 American Idol 19:00 Don’t Stop Believing 20:00 American Idol 21:00 Glee 21:50 Royal Pains 22:45 Masterchef Australia 23:40 American Idol 00:35 Glee

Planet Speed 2010/11 Great Ireland Run (LIVE) World 10-Ball Championship 2011 Planet Speed 2010/11 (LIVE) Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 (Delay) Baseball Tonight International 2011 Ironman 70.3 Asia-Pacific Championship Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 Global Football 2011

STAR SPORTS 31 13:00 Ace 2011 13:30 Total Rugby 2011 14:00 Le Mans Series 2011 15:00 Hot Water 2011/12

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 12:30 ABOUT ASIA - Secrets Of The King Cobra 13:25 Animal Mega Moves: Horses 14:20 iPredator: Lion 5 15:15 Fight Science: Ultimate Soldiers 16:10 Superhuman: Strongman 17:05 Dogtown: The Abandoned 18:00 Extraordinary Dogs 19:00 Seconds From Disaster 20:00 ABOUT ASIA - Warzone Gone Wild 21:00 Wild Case Files 22:00 Ancient Secrets: China’s Ghost Army 23:00 Taboo 00:00 Wild Case Files

(MCTV 62) AXN 22:00 CSI: NY Informação Macau Cable TV


OPINIÃO

SEXTA-FEIRA 13.5.2011 www.hojemacau.com.mo

13 ed i t or i a l Carlos Morais José

Ó raparigas do meu bairro!... Curioso inquérito realizado na Universidade de Macau às raparigas: o sonho de quase todas é casar, ter filhos e tomar conta do lar. Portanto, estas candidatas a fadas (do lar), se puderem, não tencionam seguir uma carreira, dedicar-se a uma profissão, no fundo, ter uma individualidade social. Convenhamos que este tipo de desejos não parece estar muito de acordo com o espírito do tempo. Ou será que está? No Ocidente, desde o século XX que a mulher tem vindo a ocupar um lugar importante no plano da produção. Há mesmo quem diga que a superioridade ocidental passou, em grande parte, por ter aproveitado a força de trabalho feminina ao invés de as deixar em casa a tomar conta dos filhos e outras actividades domésticas. O escritor marroquino Tahar ben Jalloun diz que o seu país conhecerá um desenvolvimento sem precedentes no dia em que as mulheres ocuparem o espaço público, na medida em que lhes reconhece uma capacidade de trabalho, de organização e seriedade que não encontram na sua contraparte masculina. Contudo, a saída da “casca” das mulheres não deixou de ter efeitos que alguns consideram negativos, nomeadamente na educação das crianças, cuja emotividade se desenvolverá de modo bem diferente sem a constante presença das mães. O curto tempo de amamentação provoca também, segundo a psicanálise, o aumento de carências orais, que se reflecte mais tarde em numerosos vícios, adicções e comportamentos violentos. Seja como for, não passa quase pela cabeça de ninguém inverter o actual estado das coisas. Ninguém (ou muito poucos) pensará em remeter as mulheres à vida que levavam no passado e ninguém ousaria imaginar que seriam as próprias mulheres a prescindir do seu actual estatuto e desempenho para se remeterem ao remanso do lar. Pois em Macau, pelos vistos, a coisa não funciona como se esperaria. O mulherio, longe de pretender dedicar-se à politica, às finanças, ao ensino ou ao comércio, parece mais inclinado a deitar fora as conquistas do seu sexo e voltar à vidinha domestico que durante tantos séculos foi seu apanágio e destino. Porquê? É caso para perguntar. Estarão as raparigas da universidade muito à frente ou muito atrás? Serão estas moçoilas de Macau uma vanguarda conservadora no mundo contemporâneo ou umas atrasadas mentais, preguiçosas e fúteis? Terão as mulheres de hoje chegado à conclusão que a vida de antes era melhor e mais eficiente, no cômputo geral, ou não estão simplesmente para a agarrar pelos

Existe aqui um culto da preguiça e do dolce far niente que este regime casinodependente tem vindo a reforçar. As consequências não tardam em chegar. Elas são profundas, são mentais, duram gerações. Se o governo não implementar políticas de dignificação do ser humano em breve terá nos seus braços uma sociedade de inúteis e atrasados mentais cornos, preferindo agarrar os do marido, afinal mais manso que a vida? Pois não sei. Mas é caso para reflexão. E devia ser mais ainda por parte dos responsáveis políticos por esta terra, na medida em que assistem ao produto da educação que lhes proporcionaram e do ambiente cultural e social de que as rodearam. Numa palavra: são estas as mulheres que queremos? É certo que o modelo tai tai (mulheres casadas com um marido rico, viciadas em compras e beauty care) tem grande pro-

ca rtoon por Steff

jecção em Hong Kong e por extensão em Macau. Mas estas senhoras têm, em geral, muito pouca educação e são, afinal, gozadas um pouco por toda a sociedade que lhes reconhece os ultrajantes tiques de futilidade. As tai tai, sobre as quais existem dezenas de anedotas, não deveriam ser invejadas mas constituir um modelo daquilo que as raparigas de hoje não querem ser. Não é que eu considere que o trabalho dá dignidade, mas a independência sim e ser dependente de um outro ser humano, nomeadamente

do ponto de vista financeiro é, no mínimo, confrangedor. Não chega por isso utilizar o modelo tai tai para explicar as respostas das moças de Macau. Existe, isso sim, aqui um culto da preguiça e do dolce far niente que este regime casinodependente tem vindo a reforçar. As consequências não tardam em chegar. Elas são profundas, são mentais, duram gerações. Se o governo não implementar políticas de dignificação do ser humano em breve terá nos seus braços uma sociedade de inúteis e atrasados mentais. Desde o tempo dos portugueses que venho avisando neste sentido, agora o resultado começa a estar à vista. Ó raparigas do meu bairro! Vamos lá a ter outro tipo de atitude! Deixem lá os cornos do gajo e agarrem os da vida! No fim, no finzinho, garanto que vale a pena. Se a vossa alma não for pequena. Se for, OK; regridam que daí não virá um mal especial ao mundo.

O TERRORISMO PERDEU A FACE


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OPINIÃO

14 p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão

Educação, sociedade e ambiente (II) “A curriculum which prepares children only for the present world is a betrayal. Change is not an option. It will happen with us or without us. It is a moral option of whether that change is for better or for worse and Education is the vehicle which will help determine that course.” Faith Schools and Society Jo Cairns

A

liberdade que apoiamos exige uma enorme responsabilidade. Émile Durkheim apercebeu-se, no final do século XIX, do lado negativo da libertação do indivíduo e preocupou-se a ver o declínio do empenho individual na defesa de objectivos sociais comuns. Desagradava-lhe o individualismo excessivo que nada mais é que o egoísmo, e a ausência de deveres sociais que é anomia, que provocava. A liberdade individual gerada pela educação também pode corromper e boicotar o empenho nas estruturas sociais. As sociedades dos países desenvolvidos assistem actualmente a uma cultura do individualismo mais maciça que no passado e a uma grande dose de degradação social. É preciso compreender urgentemente a interacção dessas mudanças sociais e de atitude com o nosso comportamento como espécie, que tem uma grande influência nas questões ambientais. Actualmente, existem governos que actuam de forma insegura e que centralizam demasiado o seu poder. É interessante notar que Durhkeim via na descentralização do poder a melhor forma de controlar o egoísmo e a anomia ao nível da sociedade. Reconhecia que as sociedades tinham mais capacidade de se afastar dessas forças destruidoras, quando existia uma base ampla, constituída por diversos grupos sociais que trabalhavam para influenciar a sociedade em geral, e que produziam um efeito real. Deste modo, os governos que, ao centralizarem o poder, ridicularizam e menosprezam instituições como sindicatos, associações profissionais, professores ou a voz das comunidades ou grupos religiosos podem muitas vezes obstar a mudanças sociais construtivas. Perante isto, qual a atitude das escolas? Parece não existir dúvida de que as escolas e as universidades são instituições responsáveis pela formação social, mas a sua contribuição para o modo como a sociedade se comporta corresponde a uma ínfima parte do todo. Grupos de pressão ambiental, como o “World Wild Fund for Nature (WWF)”, “Greenpeace” e “Amigos da Terra”, reconhecem a importância da influência exercida nos vários grupos sociais de poder e, legitimamente, tentam influenciá-los com a sua forma de pensar. A “Royal Society for the Protection of Birds (RSPB)” no Reino Unido produziu há vários anos um documento particularmente forte e convincente, que procurava introduzir

a noção de desenvolvimento sustentável em todos os currículos do ensino superior e de pós-graduação. Esse desejo de impor uma mudança no pensamento ambiental devia ser acompanhado de uma assunção clara de que tais grupos estão empenhados num processo de socialização e não devem dramatizar excessivamente determinadas situações para alcançarem vantagens de curto prazo. A liberdade de protestar e de organizar campanhas a favor do ambiente é um produto da cultura de individualismo. Não nos devemos esquecer que os adolescentes são os individualistas mais afirmativos e têm algum poder de pressionar a sociedade no sentido da mudança social e ambiental. Nas escolas, muitas vezes é o professor vociferante e isolado que luta pela introdução de uma perspectiva ambiental na disciplina ou programa. Quando é introduzida são indubitáveis as vantagens em existir uma componente social na formação escolar, na qual o pensamento ambiental se torne mais natural. Muito pode ser conseguido nas escolas por meio de uma insistência tranquila em padrões comportamentais de protecção ambiental. A gestão de zonas ecológicas, a prática de plantação de árvores sãs em solo despoluído, ou a reciclagem de embalagens de papel e de alumínio são medidas importantes. Mas, para muitos professores com preocupações ambientais sérias, estas medidas são inadequadas, e muitas vezes vêem-se forçados a aderir às causas que mais os apaixonam. Deve-se estar atento à invasão do betão armado nos espaços verdes e que provocam um impacto violento na paisagem. Pode-se tratar de uma pista para os professores trilharem, rodeados como estão pela incerteza quanto à sua alegada excentricidade, por um lado, e pelo outro, quanto ao cinismo que chega ao ponto de tentar evitar o inevitável. A liderança ambiental é essencial para criar uma atmosfera que desafie suavemente atitudes sociais dominantes. As escolas devem lançar desafios tanto às crianças e jovens como à sociedade. O ambientalista considerado louco, que anunciou aos seus alunos que não classificaria nem leria ou aceitaria uma prova que não fosse escrita no verso de uma folha de papel usada, estava a fazer uma declaração pública de compromisso com o ambiente. Esta atitude pertence decerto ao número daquelas que obrigarão os estudantes a sentar-se e a repensar; talvez os obriguem mesmo a ir buscar papel ao contentor do lixo ou de resíduos sólidos. Aética ambiental que procuramos, precisará de uma grande componente de engenharia ambiental para ser bem sucedida. É certo que devemos promover a nossa causa e assumir plenamente o que fazemos. É preciso adoptar uma atitude subversiva moderada. Todavia,

ao mesmo tempo, também precisamos de lutar contra a cultura do individualismo, de modo a transformar os seus vícios egoístas numa atitude mais colaborante, comunitária, altruísta e comprometida. No âmago desta actividade, nas escolas está a disciplina da vida simples e da honestidade para com as crianças e jovens e da abertura às suas necessidades e questões. É nosso dever acompanhá-las na sua descoberta pessoal da natureza. Temos de valorizar e louvar o seu trabalho e as suas aptidões. Desse comportamento dos adultos para com as crianças e jovens nascem sociedades equilibradas que podem ser capazes de construir um futuro mais sustentável. Até que ponto é a ciência ensinada nas escolas? Porque meio as crianças e jovens aprendem ciência e o que se entende por ciência neste contexto escolar? O âmbito da ciência que é ensinada nas escolas é cada vez mais amplo. As mudanças têm sido drásticas. Os estabelecimentos de ensino mais abrangentes alargaram o acesso à ciência e fizeram toda a espécie de combinações de cursos que fossem acessíveis às crianças e jovens.

As sociedades dos países desenvolvidos assistem actualmente a uma cultura do individualismo mais maciça que no passado e a uma grande dose de degradação social Esses estabelecimentos de ensino também fomentaram as especializações talvez à custa de um apoio mais amplo nas disciplinas de humanidades, àqueles que desejavam seguir cursos de ciências. A ideia da criação de um “currículo nacional”, em parte para dotar esta diversidade de oportunidades de um enquadramento mais coerente e vulgar, podia ser uma medida eficiente experimentada com sucesso noutros países, afastada no presente pelo malogrado “Processo de Bolonha”, que o distanciaria por demasiado nacionalista e contrário aos critérios integrativos de uma política educacional comum na União Europeia. A ciência, como a matemática e a língua nacional, devia ser uma disciplina fundadora de um “currículo nacional”, obrigatório até ao final do ensino secundário e ocupando pelo menos 20% de aulas, não sendo ministrado, mas indicado, não ficando pelo actual nono ano. Deviam exigir-se determinados resultados educativos, mas o método de ensino e a natureza exacta do conteúdo da disciplina, ficaria no critério dos professores, fazendo que um aluno médio soubesse ler e compreender

textos de divulgação científica, ao contrário da catastrófica ignorância reinante. Existem talvez dois conceitos distintos de ciência num estabelecimento de ensino. Em primeiro lugar, a ciência descreve a estrutura do pensamento e do conhecimento, os modelos dentro dos quais nos movemos para tentar resolver os enigmas que o mundo apresenta. Foi a isto que professor Thomas Kuhn chamou como a “ciência normal”, que corresponde para as crianças e jovens aos factos. Conhecer o mundo em que vivemos assenta em pressupostos e que o professor Kuhn demonstrou como uma ciência com um conjunto firme de ideias e métodos, cria uma confiança e uma maturidade no seu próprio domínio. Aceitar um modelo permite-nos progredir rapidamente na resolução de um enigma, e umas coisas encadeiam-se nas outras na imagem que temos do mundo. Quase tudo o que passa nos estabelecimentos de ensino, no domínio da ciência, está firmemente inserido nesta estrutura bastante inquestionável. Quando é apresentada de forma acrítica, conduz ao que se designa por “conteúdo da disciplina”. Em segundo lugar a ciência é encarada como um processo de aplicação e avaliação de conhecimentos através da observação e experimentação, no qual as conjecturas são criticadas sem dó nem piedade. O encorajamento de uma imaginação livre e criativa e o criticismo céptico e disciplinado são elementos vitais. Nos estabelecimentos de ensino, são fomentados, na medida do possível, através da ciência experimental e da investigação individuais dos estudantes. Para os melhores professores e seus alunos, significa que o método de chegar à resposta é a parte mais importante do trabalho. Os bons professores devem saber estabelecer o equilíbrio entre o conteúdo e o método. Muitas vezes, a ciência experimental de ensino pode parecer um pouco vazia aos bons estudantes, porque apercebem-se do que à primeira vista pode parecer uma experiência ilimitada, é apenas um ritual de investigação destinado a afirmar a autoridade do modelo em que se movem. Trata-se de um problema grave no ensino científico que não permite criar um clima favorável ao pensamento. É uma urgente necessidade a existência de jovens cientistas que questionem as respostas e que não se limitem a responder às perguntas. No entanto, fazer tal afirmação num estabelecimento de ensino pode parecer muito banal, porque os estudantes sabem que conseguiram conhecer os factos, e os professores também devem ser avaliados pela qualidade dos resultados dos exames dos seus alunos. Na ciência dos estabelecimentos de ensino, procuram-se sempre fazer as investigações que permitam ao autor das experiências fazer perguntas e obter respostas relativamente rápidas.


Se hoje se gravassem os dois Kapas na fronte do caluniador, quem Padre Manuel Teixeira [1912-2003]

escaparia?

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OPINIÃO

u m g r i t o n o d eser t o Paul Chan Wai Chi*

Porque arrasta os pés o Governo da RAEM? H

Á muitas razões pelas quais um pato pode ficar manco. E, como é óbvio, somos capazes de perceber facilmente a forma instável como ele se mantém de pé ou caminha. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, deixou clara a importância de que este pato ande correctamente sobre as suas duas patas – uma no solo económico e outra no caminho político. Embora já tenham passado 11 anos desde a transferência, as reformas políticas continuam estagnadas, enquanto aqui ao lado, Hong Kong já confirmou os seus métodos de selecção do Chefe do Executivo e formação do LegCo [Conselho Legislativo] em 2012. Quanto a Macau, nenhum plano de desenvolvimento do sistema político foi traçado até ao momento. Se o desenvolvimento político em Macau não estiver em sintonia com as necessidades sociais, a prosperidade e estabilidade da cidade serão prejudicadas por preocupações ocultas. Mas o que faz com que Macau esteja tão atrasada no desenvolvimento político? Creio que a culpa é dos responsáveis do Governo nos campos administrativo e jurídico, que não fazem qualquer esforço por melhorar a si próprios ou a sociedade. Eles não se atrevem a almejar grandes mudanças, contentando-se a tentar não cometer erros. O snobismo burocrático desses responsáveis é o que estrangula o desenvolvimento político em Macau e faz com que o moral dos funcionários do Governo se mantenha baixo. Trata-se de um bando de pessoas que apenas se preocupam com as suas carreiras e altos rendimentos e tentam manter o seu poder e estatuto. São um dos grupos de pessoas que fazem com que Macau continue a arrastar os pés. Além deste grupo, os que têm interesses estabelecidos estão também a fazer com que o Governo da RAEM mantenha o seu passo coxo. Como, por exemplo, no caso da revisão da “Lei de Habitação Económica”, cuja proposta de lei continua em discussão há imenso tempo. Esta lei finalmente é um passo em frente e foi trazida para a Assembleia Legislativa (AL) para debate durante o início de 2011. Uma vez que imensas pessoas estão à espera de serem alojadas nessas unidades de habitação e muitas outras se estão a candidatar a elas, há uma necessidade

urgente de concluir os debates e discussões dessa proposta mal formulada. No entanto, durante a discussão sobre se essas casas deveriam manter-se permanentemente como “unidades públicas” ou não, alguns deputados trouxeram a questão para o centro do debate. Todo o processo de discussão foi abrandado devido a isso. Ainda no período da Administração Portuguesa de Macau, foi permitido que as unidades de habitação económica fossem transaccionadas no mercado privado após um determinado período de interdição. De acordo com as estatísticas, cerca de 30% das unidades de habitação económica foram vendidas ao mercado privado desde os anos 80. Os restantes 70% continuam na posse dos seus primeiros moradores. Até ver, a nova “Lei de Habitação Económica” traz medidas para prevenir a especulação durante um período de interdição de revenda de seis a 16 anos. E na altura da revenda, os proprietários são obrigados a pagar a diferença de preço ao Governo, como forma de evitar a especulação. Todas essas medidas recomendadas têm o objectivo de salvaguardar os princípios fundamentais por trás da habitação económica. Seja como for, as pessoas com interesses estabelecidos, para puxar a brasa à sua sardinha, trouxeram para a discussão a questão do que irá acontecer após os 16 anos de interdição de revenda e proferiram declarações surpreendentes para fazer sensação. Disseram que estavam preocupadas com a possibilidade de a colocação das unidades de habitação económica à venda no mercado privado provocar uma escassez de terrenos para uso em Macau no futuro. Se tomarmos como referência as estatísticas anteriores da revenda de unidades de habitação económica, que foram de apenas 30%, é previsível que após os 16 anos de interdição, os números referentes à revenda de habitação económica no mercado privado não excedam esses 30%. Não há na verdade nenhuma necessidade de preocupação com a insuficiente oferta de terras para uso. Se estes indivíduos estivessem verdadeiramente preocupadas com o problema de habitação enfrentado pelas pessoas em Macau, porque não aparecem com a sugestão de que só os residentes de

Se o desenvolvimento político em Macau não estiver em sintonia com as necessidades sociais, a prosperidade e estabilidade da cidade serão prejudicadas por preocupações ocultas. Mas o que faz com que Macau esteja tão atrasada no desenvolvimento político? Macau possam comprar propriedades em Macau? Ao fim e ao cabo, eles apenas se preocupam com os seus próprios interesses e continuam a segurar as pernas do Governo da RAEM, sem intenção de as largar. Por último, tenho de fazer referência a um episódio estranho verificado durante a sessão de Pergunta e Resposta na AL a que assistiu o Chefe do Executivo a 20 de Abril. O líder do Governo sugeriu a cobrança de imposto de selo especial como uma medida efectiva para acabar com a especulação e iria apresentar essa sugestão à AL para submetê-la a um processo urgente de legislação. Até ver, um mês já lá vai, sem qualquer sinal de processo urgente de legislação à vista. Essa acção a passo de caracol deu indirectamente a oportunidade aos especuladores para que concluíssem os seus negócios antes de se retirarem do mercado especulativo. Qual a razão por trás disso e quem são as pessoas que estão a atar as pernas do Governo da RAEM para impedir que este aplique as medidas necessárias para conter a especulação? Em boa verdade, a razão última que faz com que o Governo da RAEM seja incapaz de se esforçar devidamente é o sistema eleitoral aplicável a pequenos círculos de pessoas. Se Chui Sai On não se souber demarcar da zona de poder construída pelas 300 e tal pessoas que tem à sua volta, não será livre para gerir as políticas que realmente atendem às necessidades do público em geral. Quando Chui carrega nas costas o fardo político que lhe foi dado por essas três centenas de representantes eleitos, até onde pode ir? *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Darwin | RAEM já conquistou 74 medalhas MADDIE PAIS QUEREM REABERTURA DO PROCESSO Os pais de Madeleine McCann enviaram uma carta ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, pedindo a reabertura da investigação policial ao paradeiro da filha, que desapareceu em 2007 na praia da Luz, no Algarve. Na missiva, Kate e Jerry McCann pedem ao chefe do governo britânico a participação das autoridades britânicas e portuguesas na reabertura do processo, suspensa um ano após o desaparecimento de Maddie por falta de provas. Os pais alegam que “não houve uma revisão formal do material recolhido pela polícia, como se faz habitualmente na maioria dos crimes não resolvidos”. ALEMANHA CONDENAÇÃO A EX-GUARDA NAZI A Justiça alemã, através de um Tribunal de Munique, condenou ontem o ucraniano John Demjanjuk, 91 anos, a cinco anos de prisão por ter cumplicidade na morte de mais de 27 mil judeus no campo de concentração de Sobibor, na Polónia, onde foi guarda. O julgamento durou 18 meses. De acordo com o juiz, a presença de Demjanjuk, que agora apenas se desloca em cadeira de rodas, no campo ficou provada – “foi guarda em Sobibor entre 27 de Março de 1943 e Setembro do mesmo ano”-, facto suficiente para o considerar responsável.

Macau soma e segue Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

V

INTE e sete medalhas de ouro, 22 de prata e 25 de bronze. A delegação da RAEM que disputa até amanhã a 10.ª edição dos Jogos deArafura expandiu para 73 o número de medalhas conquistadas no certame e cimentou a segunda posição no âmbito da tabela dos países e regiões mais medalhados, atrás apenas da anfitriã Austrália. Durante o dia de ontem – o sexto e antepenúltimo dia de competição –, os atletas do território juntaram ao rol de conquistas nove novas medalhas, mas acabaram por falhar a subida ao lugar cimeiro do pódio por cinco ocasiões. Ao contrário do que sucedeu durante os primeiros cinco dias de provas, Macau não conseguiu reivindicar uma única medalha de ouro e acabou por ser ultrapassado pela delegação do estado australiano de Queensland no ranking comparativo das entidades mais medalhadas, não obstante os representantes da RAEM terem conquistado em termos absolutos mais PUB

oito medalhas que os seus mais directos rivais. Numa jornada em que as prestações dos atletas da RAEM se quedaram aquém do desejado, o atirador Lok Man Cheung foi um dos atletas que mais se destacou, ao conquistar duas medalhas de bronze. Lok, que na quarta-feira já havia conquistado o ouro no certame individual de tiro rápido a partir da marca de 25 metros, voltou ontem a subir ao pódio, ainda que ao degrau menos elevado da tribuna de honra. O atirador completou a prova de tiro rápido por equipas na terceira posição, atrás de duas formações austra-

lianas e repetiu a proeza na prova de tiro com pistola, também a partir da marca de 25 metros. Num desafio em que esgrimiu argumentos com Jeremy Kozak e com Colin Whetstone, Lok Man Cheung não conseguiu contrariar o favoritismo dos atletas da casa, terminando a prova com um total de 537 pontos, menos 21 pontos que o vencedor da competição. Não tão bem sucedida, Pi Lien Hung foi outra das atletas do território a levar ao pódio o estandarte do Lótus. Aatiradora conquistou para Macau a terceira posição no âmbito da prova

colectiva de tiro com pistola a 25 metros, tendo visto fugir – a exemplo do que sucedeu com Lok Man Cheung – o ouro e a prata para duas formações do país anfitrião. No hóquei em campo, a selecção de Macau foi ontem derrotada pela selecção do Território do Norte por oito bolas a zero, num embate que pautou a quarta derrota consecutiva da formação da RAEM noutros tantos embates disputados ao longo da semana com a formação do estado australiano que serve, de dois em dois anos, de palco ao maior evento desportivo da região da Ásia-Pacífico.

ESQUEMA DE BURLA TELEFÓNICA FAZ SETE VÍTIMAS

Alô, alô, quem sou eu? Vanessa Amaro

vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

S

E receber uma chamada com o indicativo da China e do outro lado da linha a pessoa parece conhecer-te melhor que ninguém, mas perguntar-te para adivinhar quem é que fala, pode estar a ser alvo de um novo esquema de burla telefónica. Desde Outubro, a Polícia Judiciária (PJ) recebeu queixas atrás de queixas e já deu início à investigação de sete processos. No total, as vítimas do território viram 460 mil patacas saírem-lhes do bolso. Segundo a PJ, um indivíduo liga para as vítimas e fala-lhes com grande à vontade. Até lhe perguntar: “sabes quem está a falar?”. A vítima atira um nome que lhe parece o mais óbvio e o burlão responde: “exactamente!”, afirmando que mudou de número de telefone e que é melhor registá-lo. No dia seguinte, o burlão volta a ligar, conta uma grande história e pede dinheiro para livrar-se de um imbróglio. Convencida a vítima, o burlão envia uma mensagem com o número da conta na China. Depois que o depósito é feito pessoalmente numa agência de Zhuhai – para evitar esperar

três dias pela transferência internacional -, a vítima nunca mais consegue falar com o suposto conhecido. “Todo o processo decorre, em geral, no espaço de dois dias. Ou seja, no primeiro dia, o burlão telefona para a vítima; no dia seguinte, tem lugar a burla. Este sistema serve para minimizar os riscos de que seja descoberto o esquema”, aponta a PJ, num comunicado que serve de alerta a futuras vítimas. As autoridades locais deixam então conselhos simples para evitar que mais casos sejam registados. Não dar conversa a pessoas que não conhece, confirmar a história com o familiar verdadeiro ou não seguir instruções de transferência de dinheiro são as recomendações. “Se lhe acontecer um caso semelhante, avise familiares e amigos, para evitar que lhes aconteça o mesmo”, pede a PJ.

MACAU É TERCEIRA ESCALA DA TOURNÉ ASIÁTICA DE JAMES ZABIELA • O aclamado DJ e produtor britânico James Zabiela toca em Macau amanhã no Clube Lotus, no Venetian, a partir das 23h30. JZ é um dos mais importantes nomes da música de dança internacional da última década. Conotado com o tech house, recorre ao breakbeat para os segmentos mais flashy dos sets. O Hoje Macau tem para oferecer aos seus leitores seis pares de

convites para a festa de amanhã à noite, cortesia Club Lotus Macau, numa iniciativa da promotora local 3 sided square. Para ganhar duas entradas gratuitas, escreva em não mais do que 125 palavras porque quer ir à festa de amanhã na página da 3 sided square no Facebook, até às 18h00 de amanhã. Os autores das seis respostas

mais sugestivas serão premiados com pares de entradas livres e contactados directamente pelos promotores. Os nomes dos vencedores estarão na ‘guest list’ à entrada para o local do evento, a partir das 22h00. Muita inspiração porque amanhã, vai ser mesmo p’ra transpiração!

SEXTA-FEIRA 13.5.2011 www.hojemacau.com.mo

ESPANHA SISMO CAUSA NOVE MORTOS As autoridades espanholas reviram ontem em baixa, para nove, o número de vítimas mortais do sismo de magnitude 5,2 na escala de Richter que se sentiu em Lorca, Múrcia, informando que duas pessoas estão feridas em estado grave. Todas as vítimas mortais, entre as quais se encontra um menino de 13 anos, são de nacionalidade espanhola. Há ainda a registar várias dezenas de feridos que receberam tratamento hospitalar. Cerca de 30 mil pessoas estão desalojadas e terão que pernoitar fora de casa, tendo sido instalados em pavilhões desportivos, escolas e outras estruturas com espaços abertos. Pelo menos 20 réplicas (entre as quais uma com 4,4 graus na escala de Richter) sentiram-se já em Lorca, o que levou as autoridades a recomendarem que os habitantes não regressem ainda às suas casas. EUA TORTURA PARA MATAR OSAMA O possível candidato presidencial republicano Donald Trump disse ontem que Bin Laden não teria sido detectado e morto sem o uso de métodos reforçados de interrogatório dos detidos suspeitos de terrorismo nas prisões militares norteamericanas. O empresário do imobiliário defendeu que métodos cruéis de interrogatório, como o que simula o afogamento do detido, foram necessários para detectar e matar Osama bin Laden. A taxa de aprovação de Trump caiu fortemente depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter apresentado o seu certificado de nascimento, em que prova o seu nascimento em solo americano. EUA HOMEM-FOGUETÃO ATRAVESSA GRAND CANYON O piloto suíço Yves Rossy, conhecido como HomemFoguetão, conseguiu esta semana atravessar o Grand Canyon, no Arizona, EUA, a 400 quilómetros por hora num voo que durou oito minutos. Yves Rossy voou com asas de propulsão a jacto feitas de fibra de carbono à medida e saltou de um helicóptero a 2500 metros de altura. “O meu primeiro voo nos EUA é certamente uma das experiências mais inesquecíveis da minha vida, não só pela beleza natural do Grand Canyon, mas pela honra de voar em terras sagradas dos Americanos Nativos”, comentou.

Hoje Macau 13 MAI 2011 #2367  

Edição do Hoje Macau de 13 de Maio de 2011 • Ano X • N.º 2367

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