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SEXTA-FEIRA 13 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4030

CCAC O DIA SEGUINTE

HANS-GEORG MOELLER ENTRE TAO E CONFÚCIO PUB

hojemacau

EVENTOS

Wong Sio Chak garante que se o tufão Hato voltasse a passar hoje pelo território as autoridades estariam preparadas para lidar com as consequências do fenómeno. O secretário para a Segurança entende que a situação actual dos mecanismos de resposta e prevenção dão garantias na iminência de um tufão violento. PÁGINA 4

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SOFIA MARGARIDA MOTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 ENTREVISTA

HANS-GEORG MOELLER

Foi nos finais dos anos 80, com a abertura da China ao mundo, que o alemão Hans-Georg Moeller, então aluno de filosofia em Bona, decidiu especializar-se no pensamento Chinês. O coordenador do programa de filosofia e estudos religiosos da Universidade de Macau vai hoje, às 18h30 orientar uma palestra na Livraria Portuguesa sobre o Taoísmo. Ao HM apontou alguns aspectos religiosos e filosóficos que vai comentar, assim como a sua prática na sociedade contemporânea

‘‘Esta é um aspecto muito importante que deveria ser assimilado pelos dirigentes: a sabedoria de saber quando é suficiente.’’

“O retorno ao estado de Hun Dun” Vai estar na Livraria Portuguesa a falar acerca de Taoísmo. Em linhas gerais, o que é que vai abordar? Vou falar, essencialmente, de uma história que consta do livro de Zhuangzi. Há dois livros que são considerados essenciais no Taoismo. Um é de Laozi, o Daodejing que é o mais conhecido, e o outro é de Zhuangzi. De facto, este último é uma obra muito mais divertida de ler. A maioria das pessoas começa com o Daodejing que é quase uma linguagem encriptada e difícil de entender. Já o Zhuangzi é cheio de histórias alegóricas. São pequenos contos cheios de humor e mais acessíveis para o leitor. Hoje vou falar de uma história em concreto que está no final deste livro – do Zhuangzi. Até lhe posso contar a história. Fala de três imperadores. Um do centro, um do norte e um do sul. O imperador do centro tem o nome de Hun Dun, que tem a fonética do wonton da sopa e a aparência do governante seria essa também. Hun Dun tem uma forma amorfa, não humana, sem cara e era um imperador muito simpáticos para os outros dois. Um dia, os imperadores do norte e do sul decidiram que, como forma de gratificar a simpatia de Hun Dun, lhe deveriam fazer algum tipo de favor. Dada a sua aparência sem forma, resolveram esculpir-lhe uma cara para que se pudesse parecer com eles, com os humanos. Durante sete dias, e em cada um dos dias, fizeram um buraco na forma de Hun Dun para lhe dar um rosto humano. Fizeram sete buracos e no sétimo dia, Hun Dun morre. É esta a história. E o que podemos tirar desta história? Na base deste conto vou explicar as duas dimensões maiores do Taoismo que são a religiosa e a filosófica. Relativamente à primeira, que será talvez a mais utilizada, é uma interpretação que tem que ver com a própria concepção de Hun Dun muito conhecida entre os chineses. Hun Dun é um figura mitológica antiga. Temos figuras idênticas na Grécia Antiga relacionadas com a noção de caos, do que ainda não está formado e a partir do qual

tudo se transforma e desenvolve. Neste sentido, há a ideia de que temos de nos cultivar de modo a retornar a este estado sem forma que é o Hun Dun. Desta forma seremos mais saudáveis, teremos uma vida longa e conseguiremos chegar a uma espécie de estado de unidade cósmica. A essência do Tao é essencialmente medicinal. O Taoismo não é como o cristianismo e é muito preocupado com o cultivo da saúde física. Podemos mesmo dizer que nos primeiros tempos do Taoismo a ideia era conseguir atingir a imortalidade. A teoria, tanto a nível fisiológico, como espiritual, tem como fim atingir esta imortalidade e a forma de se lá chegar é através de um estado em que não se perde qualquer energia. Aliás, há muitas práticas Taoístas em que o objectivo é reter a energia vital até mesmo a nível sexual. Esta concentração de energia simboliza um retorno ao estado de Hun Dun, um estado primitivo. Aliás, se olharmos atentamente para as imagens antigas de Laozi, parece um ser muito amorfo. Podemos entender a história desta forma: todos temos de retornar a este estado inicial, sem forma e de plena concentração energética. Hun Dun é uma massa indiferenciada cheia de potencial, como uma semente de uma planta. É uma espécie de retorno a um estado de semente em que a energia está toda concentrada. O Taoísmo está cheio de directrizes para cultivar este retorno que têm que ver com o movimento, a alimentação e fundamentalmente, a respiração. Ainda hoje, na China praticamente não se bebe água fria e a razão que está na base deste hábito é taoísta, para não provocar um choque térmico no corpo que o obrigue a despender mais. Acredita nessas práticas? (Risos) Não, mas tenho que lhes dar algum crédito. Da minha experiência, as pessoas que praticam o que é dito pelas teorias Taoistas vivem de facto mais tempo do que as que não praticam. Mas não conheço ninguém que tenha chegado à imortalidade (risos). Falou de uma interpretação também filosófica.

‘‘Voltando à história de Hun Dun: foi-lhe feita uma violência, uma acto de morte baseado em dois princípios que também motivam as guerras actuais. Um de que temos o direito de interferir e outro de que devemos transformar os outros de modo a que sejam como nós.’’

Há algumas ideias básicas no Taoismo a este respeito. Uma delas é que as acções dos dois imperadores, o do norte e o do sul, podem ser associadas ao confucionismo. Eles basicamente pensaram em termos de educação e de que tinham de retribuir a gentileza. Um confucionista está sempre preocupado com as relações interpessoais e é guiado por um certa moldura de moralidade, pensada em termos de comportamento. Ou seja, se alguém é simpático temos de retribuir com presentes, por exemplo. Este é um aspecto ainda muito presente na cultura chinesa. Portanto, agiram como confucionistas típicos. Por outro lado, também quiseram humanizar Hun Dun e fazer com que fizesse parte da sociedade humana caracterizada por um sistema social e de rituais. Eles queria transformar o outro à sua imagem. Apesar de o fazerem com boas intenções,

‘‘O Taoísmo, mais do que medicinal, tem que ver com uma garantia de sanidade em que temos de conseguir não nos identificar em demasia com os papéis sociais que o confucionismo tenta impor.’’

impuseram de alguma maneira as regras confucionistas e com isso mataram o imperador do centro. Acabaram por ser dois interventores humanistas ao quererem dar-lhe uma face de gente e para isso escavaram-lhe buracos, fizeram uma intervenção humana. Aliás, é uma coisa muito humana pensar que se tem de fazer coisas. Esta intervenção humana é uma acção que vai contra a doutrina da não acção do Daodejing. Temos aqui uma alegoria a mostrar como é que a acção pode ser má e destrutiva. De um ponto de vista filosófico é uma história que explica o paradoxo da acção sobre a não-acção. É também um conto que critica o próprio confucionismo na sua moralidade. E a sua interpretação pessoal, enquanto filósofo? A minha interpretação não é totalmente diferente das anteriores mas, olhando para esta história de um ângulo diferente, acho que é importante dar-lhe uma componente de humor e satírica. Temos a mesma função no ocidente, por exemplo, com os bobos da corte. Basicamente, é uma sátira ao confucionismo, à reverência às autoridades, em que Hun Dun acaba por morrer nas mãos de dois confucionistas estúpidos que, ao quererem fazer o bem, acabam por criar uma grande confusão. Por outro lado, também é uma sátira ao próprio Tao que acaba por ser morto no final, o oposto do que seria esperado. É Hun Dun, a vida que consegue concentrar a energia, que demasiado envolvido com os confucionistas acaba um perdedor. Esta é a perspectiva que acho que a história realmente trata: a de um confucionismo falhado e também de um Tao derrotado. Além deste lado, que considero mais humorístico, há uma mensagem central neste livro do Zhuangzi que é a noção de face muito presente  na cultura chinesa. De acordo com o Taoísmo o problema não foi o perder a face, mas aceitar essa cara como forma de identificação. Esta identificação com um rosto, com um papel social, é muito confucionista e é uma forma de identificação com

SOFIA MARGARIDA MOTA

ACADÉMICO DE FILOSOFIA E ESTUDOS RELIGIOSOS DA UNIVERSIDADE DE MACAU


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os papéis sociais impostos pelo próprio confucionismo. A mensagem deixada é uma espécie de alerta para ter cuidado com o que nos identificamos no nosso papel social. Penso que o Taoísmo, mais do que medicinal, tem que ver com uma garantia de sanidade em que temos de ser capazes de não nos identificar em demasia com os papéis sociais que o confucionismo tenta impor. Numa sociedade contemporânea podemos fazer um paralelismo com, por exemplo, as identidades ou faces, promovidas pelas redes sociais? Exactamente. Na sociedade actual há uma pressão social de conformidade para com uma imagem social que é requerida. Temos de produzir o nosso perfil social, temos de o fazer online e isso vai exigir um comprometimento para com ele. Temos de actualizar os nossos estados do Facebook, por exemplo, e de nos comportarmos conforme esse perfil que criamos.  Estamos a falar de confucionismo? Sim, claramente. É uma forma de estar que preenche os requisitos da

teoria. Todos temos um perfil, um padrão de relações em que temos de viver e respeitar e ter os comportamentos esperados conforme essas relações. Isto, claro, vai requerer um compromisso e muito trabalho para que se mantenham as coisas como é pedido. E como é que podemos ver este pensamento na política? O Daodejing, tal como os livros filosóficos daquela altura, é uma obra política. Foi escrito, ou dito, tendo como alvo os dirigentes. Era um livro para políticos e que exigia que um governador se cultivasse através da não acção, sem o desejo de atacar os outros, de alargar territórios. Este é um aspecto muito importante que deveria ser assimilado pelos dirigentes: a sabedoria de saber quando é suficiente. Mais uma vez, também as crianças servem de exemplo: comem e deixam de comer quando já não têm fome. Em adultos comemos e continuamos a comer mesmo depois de cheios, mesmo que nos faça mal. Esta atitude não é saudável, tanto de um ponto de vista físico, enquanto indivíduos, como metafórico, como seres

‘‘Um confucionista está sempre preocupado com as relações interpessoais e é guiado por um certa moldura de moralidade, pensada em termos de comportamento.’’ sociais e políticos. Outro aspecto importante e que se acreditava na altura é que o mind set do governante seria o do povo. Como exemplo, cabe ao político não ser ambicioso, ser modesto e agir pela não acção, pela naturalidade. É naive pensar que, actualmente, os políticos possam pensar desta forma. Podemos também falar da questão das guerras. No Daodejing do Laozi ou mesmo do Zhuangzi há uma crítica muito grande à violência. Voltando à história de Hun Dun: o que lhe foi feito em nome do bem foi uma violência, uma acto de morte baseado em dois princípios que também motivam as guerras actuais. Um de que temos

o direito de interferir e outro de que devemos transformar os outros de modo a que sejam como nós. Para isso, se necessário, utilizamos instrumentos violentos, armas, porque nos achamos no direito e no dever de o fazer. Este é um argumento muitas vezes usado para legitimar as guerras. Temos o exemplo do Iraque. O pretexto foi o da ajuda na transformação do país para que tivesse mais liberdade, como nós. O resultado, foi o que foi. Um dos princípios do Taoísmo, como já referiu tem que ver com a não acção. Como é que define este conceito? De facto, para se ter uma tradução aproximada a não acção devemos pensar na noção de acção sem esforço. Um bom exemplo que costumo usar é a aprendizagem de uma língua quando se é criança. É feita sem esforço. E o objectivo na não acção é conseguir voltar a este estado de fazer as coisas e de as assimilar com naturalidade, sem despender energia vital. Como é que Taoísmo e o Confucionismo ainda estão presentes

na sociedade actual, nomeadamente a chinesa e como convivem dadas as diferenças paradoxais? São filosofias que se encontram na prática em que cada um mantém as suas características em diferentes aspectos da vida. O Taoísmo está na medicina chinesa, no Tai Chi, na água quente, por exemplo. O Confucionismo, por seu lado, está nas relações familiares que continuam a ser orientadas pelas regras e preceitos de Confúcio. É a família e a propriedade familiar que constitui o núcleo da sociedade chinesa. Penso que a sociedade chinesa continua a ter presente um pouco de cada um dos seus pilares filosóficos, com o seu espaço. Mas do que tenho visto as pessoas não têm conhecimento de facto acerca do taoismo ou do confucionismo. São coisas muito integrantes da cultura e a China é claramente dominada pelo confucionismo. O Dao aparece essencialmente ligado à medicina enquanto que Confúcio dita as regras sociais. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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HATO WONG SIO CHAK GARANTE QUE MACAU ESTÁ PREPARADO PARA NOVO TUFÃO

Que venham eles GCS

Se um tufão com a intensidade semelhante à do tufão Hato ocorresse hoje, as autoridades estavam preparadas para lidar com os desafios. Esta foi a convicção deixada ontem pelo secretário para a Segurança

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“Neste momento, somos capazes de enfrentar um tufão com a mesma intensidade do Hato”, afirmou Wong Sio Chak

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secretário para a Segurança disse ontem que Macau está preparado para um novo tufão com a intensidade do Hato. As palavras foram proferidas por Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa sobre os trabalhos de prevenção para grande catástrofes, que contou também com a presença do Chefe do Executivo, Sónia Chan e Raimundo do Rosário. “Neste momento, somos capazes de enfrentar um tufão com a mesma intensidade do Hato”, afirmou Wong Sio Chak, após ter sido questionado sobre a situação actual dos mecanismos de resposta e prevenção. “A estrutura e o Centro de Operações da Protecção

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Chefe do Executivo recusa comentar o castigo de quatro anos sem receber reforma aplicado a Fong Soi Kun, ex-director dos Serviços de Meteorologia e Geofísicos, durante a conferência de ontem sobre a situação dos mecanismos de prevenção e resposta a catástrofes. De acordo com Chui Sai On, ainda decorre o prazo em que Fong Soi Kun pode recorrer do castigo revelado na quarta-feira, pelo que a postura do Executivo, nesta altura, passa pela “confidencialidade”. “Foram aplicados castigos a duas pessoas e, neste momento, esses dois interessados gozam do direito de recurso das decisões,

aumentar de quatro para 16, com uma capacidade para cerca de 23 mil pessoas. Também vão ser definidos quatro locais elevados, para onde as pessoas que vivem nas zonas propensas a inundações, ou pessoas com necessidades especiais, se podem retirar em situações de emergência. Estes locais ficam localizados no Centro de Acolhimento da Ilha Verde, Mercado de Patane, Mercado Municipal de São Lourenço e Mercado de São Domingos.

Civil, sob a orientação do Chefe do Executivo, foi reforçada, assim como a cooperação entre os 29 serviços públicos envolvidos na estrutura de protecção”, acrescentou. Contudo, sobre o futuro, o secretário reconheceu a necessidade de criar me-

canismos de resposta permanentes, cujos trabalhos já estão em vigor. Neste momento, a nova lei da Protecção Civil está quase pronta e brevemente vai ser colocada em consulta pública. Este é um documento que Wong Sio Chak definiu como “urgente”. Por outro

lado, está previsto que o edifício do Novo Centro de Protecção Civil seja construído até 2021. Ainda em relação à prevenção, o secretário deixou um apelo, que todos participem nos esforços: “Não pode ser apenas um esforço do Governo, todos os cida-

Silêncio dos inocentes

Chui Sai On recusa comentar castigo aplicado a Fong Soi Kun

de acordo com as leis em vigor. Temos de manter a confidencialidade até passar o tempo em que se pode recorrer. Ele [Fong Soi Kun] ainda pode apresentar recurso”, disse Chui Sai On, após ter sido questionado sobre o assunto. Além de Fong Soi Kun, também a antiga sub-directora foi penalizada, neste caso com 130 dias de suspensão. Uma sanção que já foi cumprida, com Florence a ter regressado aos SMG. Mesmo assim, o Chefe do Executivo sublinhou que o castigo foi ponderado em

conjunto com o secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, depois de terem sido lidos quatro relatórios diferentes, elaborados pelo Comissariado Contra a Corrupção, comissão interna da função pública, do Mecanismo de Resposta a Grandes Catástrofes e ainda da Comissão Nacional da China para Redução de Desastres. Por outro lado, Chui Sai On negou que o Executivo não tenha assumido as responsabilidades, após a tragédia que causou 10 mortos

e 240 feridos e prejuízos de 12,55 mil milhões de patacas. “Nós também temos que assumir a nossa responsabilidade política. Eu também confesso que tínhamos certas insuficiências de gestão. Pelo que, agora estamo-nos a empenhar para definir medidas para a prevenção de catástrofes”, confessou.

RESPONSABILIZAÇÃO COM ALTERAÇÕES

Ainda em relação à situação de Fong Soi Kun, a secretária para a Administração e Justiça, revelou que o Governo já está a traba-

dãos têm de se envolver e contribuir”, defendeu.

ABRIGOS E CENTROS DE DESLOCADOS

Em relação à actualização dos trabalhos feitos para lidar e resolver as inundações, Chui Sai On anunciou que o número de abrigos para as pessoas vai

lhar para rever o regime de responsabilização dos dirigentes. “Segundo as indicações do Chefe do Executivo, a minha tutela vai fazer uma revisão ao Regime de Responsabilização do Pessoal de Direcção e Chefia, bem como ao Estatuto [do Pessoal de Direcção e Chefia dos Serviços da Administração Pública]. Podem reparar que estão ligados ou articulados, por exemplo, a nomeação, a selecção ou avaliação. Está interligado. Temos também que ver como é que se define as suas competências e responsabilidades com as vozes da sociedade, bem como as orientações do Chefe do Executivo”, vincou Sónia Chan. J.S.F.

Também ontem foi explicado que vai ser criada uma caixa de drenagem com maior capacidade na Zona do Porto Interior, onde a água escoada das ruas vai ser armazenada, e depois bombeada de volta para o rio. As obras para este projecto vão começar brevemente, mas exigem a deslocação de cabos e redes de esgoto. “É uma caixa que vai ter uma área de 2 mil quilómetro quadrados. Vai ficar situada no Porto Interior e vai conseguir escoar 14,28 metros quadrados de água por segundo, de regresso ao rio”, explicou José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Outro dos assuntos abordados foi a construção das comportas no Porto Interior, sendo que o projecto já foi enviado para o Governo Central. Porém, a construção vai levar alguns anos até ficar concluída: “é o problema que mais interessa a todos. Mas as inundações não se resolvem só com as comportas. Vamos implementar um projecto integrado. Contamos com o apoio de Guangdong porque envolve as cidades de Zhuhai e Zhongshan. Neste momento, a proposta já foi enviada para o Governo Central”, explicou Chui Sai On. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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D

IVERSOS serviços públicos pronunciaram-se ontem sobre o relatório do CCAC, prometendo rever e melhorar os procedimentos internos, dando conta das medidas tomadas relativamente aos casos sinalizados, como os processos disciplinares em curso “O IC irá prestar todo o apoio, dar seguimento e acompanhar, nos termos da lei, os dois casos relativos ao Conservatório de Macau referidos no relatório do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC)”, indicou o organismo em comunicado. Sobre o primeiro caso, relativo à contratação de dois trabalhadores não residentes para leccionarem na Escola de Teatro do Conservatório de Macau sem as autorizações necessárias, o IC, indicou que a relação laboral com ambos cessou em 2016, mas adiantou que o caso foi entregue às autoridades judiciais e que se encontra na fase de inquérito. Já no outro caso, em que o director da Escola de Música do Conservatório de Macau exigiu aos professores que comprassem bilhetes para um concerto e os promovesse juntos dos alunos e dos pais dos alunos, o IC pediu ao visado para se abster desse tipo de actos no futuro. Além disso, o Conservatório de Macau acabou de elaborar as instruções sobre a divulgação e a venda de bilhetes para actividades, indicou, em comunicado, o IC prometendo

RELATÓRIO DO CCAC IC, IACM E PSP FAZEM PONTO DE SITUAÇÃO DOS CASOS

Reacções em cadeia

O Instituto Cultural (IC), o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) reagiram ontem a relatório do Comissariado contra a Corrupção continuar a monitorizar os trabalhos de gestão interna do Conservatório.

TODOS ATENTOS

O IACM também manifestou prestar elevada atenção

ao caso de abuso de poder e de peculato praticado por uma chefia funcional constante do relatório, bem como ao de um fiscal que não procedia com frequência ao registo de assiduidade,

adiantando que já foram iniciados procedimentos disciplinares internos aos funcionários envolvidos. No que toca ao caso relativo à renovação da comissão de serviço de um chefe auto-

rizada dois dias antes da sua aposentação, o IACM indicou que, logo após a indicação do CCAC, revogou a autorização de renovação. Em comunicado, o IACM afirmou que vai

Lapsos, dizem elas

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tomado medidas imediatamente após a passagem do tufão Hato pelo território no passado dia 23 de Agosto. Por outro lado, Song Pek Kei entende que todo o processo não foi suficientemente claro para a sociedade, visto ter sido num primeiro momento anunciada a reforma de Fong Soi Kun e só agora anunciada a pena. Para Song Pek Kei, se o Executivo pretende melhorar o sistema de responsabilização, “é preciso garantir o profissionalismo e a eficiência dos processo de responsabilização e dos trabalhos de investigação”, afirma.

REVISÃO, JÁ

Por seu lado, Agnes Lam exige a revisão imediata ao Estatuto dos

Vítor Ng e Diana do Mar info@hojemacau.com.mo

AL Governo vai uniformizar regimes laborais do IAM

Deputadas apontam falhas no processo de Fong Soi Kun

OI ontem dada a conhecer a suspensão da pensão do ex-director do Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), Fong Soi Kun por um período de quatro anos mas há deputados insatisfeitos. Song Pek Kei lamenta que os procedimentos disciplinares não tenham sido iniciados atempadamente. A deputada admite, em declarações ao Jornal do Cidadão, que o Governo tomou uma atitude mais activa neste caso mas aponta que o processo disciplinar que envolveu o ex-responsável pelos SMG levou demasiado tempo a ser concluído. A demora deixou a população insatisfeita, refere a deputada, sendo que o Executivo devia ter

aprender com a lição, prometendo nomeadamente rever o mecanismo de administração interna e de fiscalização. A PSP, por seu turno, indicou, de acordo com o jornal Ou Mun, que foram iniciados procedimentos disciplinares a dois agentes, sobre os quais recai a suspeita de fraude e de falsificação de documentos, prometendo tolerância zero no tratamento de infracções. O CCAC recebeu 1264 queixas e denúncias ao longo do ano passado. Do total, apenas 19 foram investigados por iniciativa do organismo.

Trabalhadores da Administração Pública de Macau Na perspectiva da deputada, a penalização dirigida a Fong Soi Kun não é surpreendente, sendo que o mais importante é a revisão do actual regime jurídico da função pública tendo como foco a responsabilização de chefias nos casos que envolvem mortos, feridos, perda de propriedade e impacto na economia da região. A questão da responsabilização por mortes, mesmo que

seja indirecta, deve ser, aponta a deputada, tema a debater. Agnes Lam exige que a sociedade e a Assembleia Legislativa (AL) abordem esta questão, tendo salientado que o objectivo de rever a penalização não é castigar quem comete erros, mas consciencializar os membros do Governo de que é necessário prestar atenção às consequência e às responsabilidades de possíveis negligências. Vitor Ng

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O Executivo que uniformizar os regimes laborais dos trabalhadores do futuro Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), explicou ontem o presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, Chan Chak Mo, de acordo com a Rádio Macau. Na situação actual do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais estão em vigor vários regimes que se aplicam aos mais de 2000 trabalhadores. “Actualmente existem vários regimes no IACM como, por exemplo, o regime de comissão em serviço, regime de contrato administrativo, contrato administrativo de provimento e também o contrato individual de trabalho. Para além disso, ainda há pessoal que segue o livro verde. O Governo pretende uniformizar todos estes regimes e nós concordamos”, disse Chan Chak Mo, no final da reunião da comissão que analisa na especialidade a lei do IAM.


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Investir a fundo

Fundo Guangdong-Macau com taxa de juro anual garantida de 3,5 por cento

Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 2ª vez do ano 2018 (1)

Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.

(2)

Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM.

(3)

O

fundo de desenvolvimento para a cooperação Guangdong-Macau, que prevê um investimento de 20 mil milhões de renminbi por parte de Macau, vai ter uma taxa de juro anual garantida de 3,5 por cento, revelou ontem o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. O fundo figura como um ponto de partida para a integração de Macau no projecto da Grande Baía “Anualmente, o investimento terá uma taxa de juro garantida de 3,5 por cento. Depois de sete anos, vamos verificar se a média de lucros

é superior e se ultrapassar 7,8 por cento vai haver partilha dos lucros adicionais e Macau ficará com cerca de 55 por cento dessa porção extra”, detalhou Lionel Leong, à margem do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla em inglês), que arrancou ontem e decorre até sábado no Venetian. As negociações entre Macau e Guangdong sobre o fundo foram concluídas, estando a ser ultimados os procedimentos administrativos, indicou o Secretário para a Economia e Finanças. O investimento, que compete a Macau, vai ser

Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes.

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Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)

(5)

Forma do Pedido Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》, publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo.

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Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Todo o ano Alínea (2) do número anterior A partir do dia 13 de Abril até 15 de Maio de 2018 (O próximo pedido será realizado no dia 10 de Agosto ao 14 de Setembro de 2018)

(6)

aplicado sobretudo em projectos de infra-estruturas em Guangdong, cabendo então à província vizinha a escolha dos itens em concreto. O fundo de desenvolvimento para a cooperação Guangdong-Macau, que vai ter uma duração de 12 anos, visa, por um lado, assegurar o retorno dos investimentos da Reserva Financeira e, por outro, dinamizar as acções de integração de Macau na construção da Grande Baía. “Este projecto é para nos integrarmos melhor na Grande Baía”, sublinhou Lionel Leong que, no início da semana, no discurso que proferiu no Fórum Boao, tinha descrito a cooperação entre a RAEM e Guangdong como um “ponto de partida” da participação de Macau na construção da Grande Baía. A Grande Baía inclui as duas Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau e nove cidades da província de Guangdong (Dongguan, Foshan, Guangzhou, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai). À luz do projecto de integração económica da Grande Baía pretende-se criar uma região metropolitana de nível mundial, aproveitando as diferentes mais-valias de cada um dos territórios.

Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o 《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》. O Presidente do C. A. do FDCT, Ma Chi Ngai 2018 / 4 / 13

FÓRUM MACAU GLÓRIA BATALHA SUBSTITUI ECHO CHAN COMO SECRETÁRIA-GERAL ADJUNTA

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LÓRIA Batalha, vogal executiva do Conselho de Administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), vai substituir Echo Chan como secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum de Macau. O Secretário para a Economia e Finanças vai nomear Glória Batalha para o cargo de secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, anunciou ontem o gabinete de Lionel Leong, confirmando a informação avançada pela Rádio Macau. Echo Chan sai a seu pedido Glória Batalha, vogal executiva do IPIM e secretária-geral da Comissão para o Desenvolvimento da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, vai assumir, em regime de acumulação, as funções de secretária-geral adjunta do Secretariado Permanecente do Fórum Macau. Assim sendo,

“poderá ajudar a congregar, de melhor forma, os recursos do Secretariado e do IPIM”, de acordo com um comunicado. Segundo a tutela, permite, ao mesmo tempo, aumentar “o apoio àquela instituição no desenvolvimento das actividades de intercâmbio a nível económico e comercial”. Segundo a mesma nota, Echo Chan, assessora do Gabinete da Secretaria para a Economia e Finanças que tem assumido, em regime de acumulação, as funções de secretária-geral adjunta do Secretariado, vai abandonar o cargo a seu pedido. O Secretariado Permanente do Fórum Macau é actualmente dirigido pela secretária-geral, Xu Yingzhen, nomeada em Agosto de 2016 pelo Ministério do Comércio da China e tem três secretários-gerais adjuntos.


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TIAGO ALCÂNTARA

Pac Off

Empresa de construção perde concessão de terreno por falta de aproveitamento

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AMBIENTE MACAU QUER APROVEITAR OPORTUNIDADES DE COOPERAÇÃO

Pensar um futuro verde

O Chefe do Executivo afirmou ontem que Macau pretende aproveitar as oportunidades de crescimento que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e o projecto da Grande Baía oferecem para promover a protecção ambiental

“P

RESENTEMENTE, o Governo da RAEM desempenha um papel importante na conjuntura de desenvolvimento do país, articulando-se com a implementação das iniciativas nacionais ‘Uma Faixa, Uma Rota’, ‘Cooperação Regional do Pan-Delta do Rio das Pérolas’ e ‘Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau’, que trarão grandes oportunidades ao futuro desenvolvimento de Macau”, afirmou Fernando Chui Sai On. Neste sentido, “ao aproveitar as ditas oportunidades de desenvolvimento, Macau vai para promover activamente a colaboração nas vertentes de protecção ambiental e de desenvolvimento da economia verde”, sublinhou, na abertura do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla em inglês). “Estamos empenhados em demonstrar as vantagens de Macau enquanto plataforma para o reforço da cooperação em matéria ambiental entre a China e os outros países do mundo e apoiar o sector do Pan-Delta do Rio das Pérolas no sentido da internacionalização

e da captação de investimentos”, enfatizou.

O DESAFIO DA URBANIZAÇÃO

A antiga responsável da ONU para as Alterações Climáticas Christiana Figueres, que figura como a principal oradora do MIECF, falou ontem do “grande desafio” da urbanização na China e no mundo. “Actualmente, metade da população mundial vive nas cidades, gerando 80 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)”, um universo que vai continuar a aumentar, estimando-se que até 2050 cerca de 6 mil milhões de pessoas vivam nas cidades, com particular incidência na Ásia e em África. No caso da China, por exemplo, a especialista alertou que o fenómeno das cidades com elevada densidade populacional, como Hong Kong ou as metrópoles do Delta do Rio das Pérolas, vai continuar a crescer. Nesse aspecto, a antiga responsável da ONU chama

a atenção para a importância da sustentabilidade. Embora não haja uma definição uniforme do conceito de cidade ecológica, Figueres defende que há um conjunto de características que devem estar reunidas: “Conhecemos cidades que são poluídas, congestionadas e desumanizadas. No futuro, a nossa habilidade passa por construir cidades que sejam limpas, compactas, conectadas e acolhedoras”, defendeu. Dado que 60 por cento das habitações necessárias para fazer face à futura procura ainda não estão construídas, a mesma responsável vê “grandes oportunidades para o desenvolvimento de infra-estruturas, de hardware ou software, com vista a aumentar, melhorar o ambiente e a qualidade de vida da população”. Apontando que “à medida que a Ásia avança, o mundo também avança”, Figueres elogiou a liderança da China na concepção de

“Estamos cientes de que a protecção ambiental da China está ainda atrasada em relação ao desenvolvimento socioeconómico.” SONG XIAOZHI VICE-DIRECTORA-GERAL DO MINISTÉRIO DA ECOLOGIA E DO AMBIENTE DA CHINA

cidades ecológicas, fazendo ainda referência ao “conceito inovador de civilização ecológica”, que consiste no equilíbrio do desenvolvimento económico com a protecção da natureza, que foi integrado na Constituição da China. Song Xiaozhi, vice-directora-geral do recém-criado Ministério da Ecologia e do Ambiente da China, garantiu que as novas directrizes relativas à protecção ambiental figuram como uma “prioridade” para Pequim e “estão a ser levadas a cabo com determinação, intensidade e eficácia sem precedentes”. “Em 2017, obtivemos progressos significativos”, realçou. Apesar dos avanços, e embora destacando o papel de liderança da China, Song Xiaozhi reconheceu que há muito por fazer: “Estamos cientes de que a protecção ambiental da China está ainda atrasada em relação ao desenvolvimento socioeconómico”. O programa do MIECF, que arrancou ontem e decorre até sábado no Venetian, inclui sete sessões, com mais de 50 oradores, e a “mostra verde” que, na 10.ª edição do evento, reúne mais de 490 expositores de duas dezenas de países e territórios. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Tak Heng Sing perdeu a derradeira batalha na justiça: o TUI negou provimento ao recurso interposto pela empresa de construção que, em Março de 2015, viu o Chefe do Executivo declarar a caducidade do contrato de concessão de arrendamento de um terreno por falta de aproveitamento dentro do prazo estipulado contratualmente. O acórdão foi tornado público ontem. O terreno, com uma área de 2196 metros quadrados, no Pac On, foi concedido em 1998 por arrendamento com dispensa de concurso público. O imóvel deveria ter sido aproveitado no prazo de dois anos para a construção de um edifício para a instalação de unidades industriais e armazéns, afectos a uso próprio. A Tak Heng Sing recorreu para o TUI após a decisão desfavorável, há um ano, proferida pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI). Segundo o TUI, a empresa alegou nomeadamente que ao contrato era aplicável a Lei de Terras antiga – e não a nova, como entendeu o TSI – pelo que primeiro ser-lhe-ia aplicada multa e nunca, desde logo, a caducidade da concessão. O TUI manteve a decisão do TSI, indicando que, ao que não esteja regulado no contrato de concessão aplica-se, supletivamente, a nova lei, a qual determina que as concessões provisórias caducam quando se verifique a não conclusão do aproveitamento do terreno nos prazos e termos contratuais, independentemente de ter sido aplicada, ou não, a multa. A empresa considerou ainda que o TSI errou ao não considerar o atraso no aproveitamento do terreno como situação de força maior, por virtude da recessão global económica, da eclosão da SARS, da crise financeira asiática, das alterações ao ambiente económico e social de Macau, do êxodo da indústria local para a China e outros países vizinhos e da falta de mão-de-obra resultante da abertura do sector do jogo. Entendimento diferente teve o TUI que indicou que o TSI julgou bem ao não reconhecer ter havido uma situação de força maior impeditiva do aproveitamento do terreno. Entre os argumentos, o colectivo apontou, nomeadamente, que a crise financeira asiática teve impacto na área do imobiliário, pelo que não se vislumbra nenhuma relação de causa e efeito, e que a SARS eclodiu em Hong Kong em Novembro de 2002, ou seja, quando o terreno deveria estar já aproveitado. D.M.


8 sociedade

13.4.2018 sexta-feira

Crime Homem suspeito de tentar violar a empregada doméstica Um residente com 45 anos de idade foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) suspeito de ter forçado a empregada doméstica a ter relações sexuais. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau e tendo em conta a informação fornecida pela Polícia Judiciária, a vítima é uma mulher vietnamita com 41 anos de idade que morava com o empregador numa fracção residencial na Avenida do Nordeste. O caso foi revelado pela vítima no dia

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Transportes 532 infracções de taxistas em Março A Polícia de Segurança Pública (PSP) divulgou os dados das infracções dos taxistas referentes ao mês de Março. De acordo com os dados, registou-se um total de 532 infracções, das quais 290, representando 54,5 por cento, ficaram a dever-se a cobrança abu-

siva de tarifas e 131 casos por recusa de prestação de serviços aos passageiros. No comunicado, sabe-se que se contabilizaram 111 casos que pertencem a outros tipos de infracção, e que a PSP registou 18 casos de acusação a táxi sem licença autorizada.

JUSTIÇA CIDADÃO PORTUGUÊS CONDENADO POR ABUSO DOS FILHOS PERDE RECURSO

Uma pesada derrota

Apesar do Ministério Público ter pedido a absolvição do arguido, o Tribunal de Segunda Instância, que teve como juiz relator Choi Mou Pan, negou o provimento ao recurso interposto por João Miguel Barros que estou profundamente desiludido com a decisão”, afirmou o advogado de defesa, João Miguel Barros, ontem, ao HM. Na primeira instância, o tribunal tinha dado como provada a prática de dois

crimes de abuso sexual, cuja moldura penal vai de 1 a 8 anos de pena de prisão. Como consequência, o cidadão português – que está preso desde Maio de 2016 – foi condenado com uma pena de prisão de 5 anos e 6 meses.

No entanto, entre a primeira e a segunda instância, havia a expectativa da condenação sofrer alterações, uma vez que o Ministério Público mudou de posição, passando a pedir a absolvição do arguido, em vez da

condenação. Contudo, os argumentos apresentados pela defesa e pelo MP não parecem ter sido suficientes para convencer o colectivo de juízes da segunda instância. No Tribunal Judicial de Base (TJB) foram consi-

TIAGO ALCÂNTARA

OÃO Tiago Martins, o cidadão português condenado por dois crimes de abuso sexual contra os filhos perdeu o recurso no Tribunal de Segunda Instância (TSI), apesar do Ministério Público pedir a sua absolvição. A decisão foi tomada, ontem, pelos juízes Choi Mou Pan, Chan Kuong Seng e a juíza Tam Hio Wan e anunciada no portal dos tribunais. No entanto, a sustentação ainda não é conhecida, nem o advogado de defesa do arguido foi notificado. “Não conheço os fundamentos [da decisão]. Nem fui notificado de nada. Antes de ler o acórdão não tenho nada a dizer, a não ser

seguinte depois do incidente ter ocorrido, a 8 de Abril. O suspeito dirigiu-se em 11 de Abril às autoridades, acompanhado do advogado e negou a acusação alegando que a vítima tinha concordado com o acto. O médico que analisou o processo afirma que há provas de que existiu contacto sexual, sendo que a vítima também tinha uma nódoa negra no braço direito que, considerou, pode ter sido causada por uma reacção de resistência.

João Miguel Barros, advogado de defesa “Não conheço os fundamentos [da decisão]. Nem fui notificado de nada. Antes de ler o acórdão não tenho nada a dizer, a não ser que estou profundamente desiludido com a decisão.”

derados provados os dois crimes de abuso sexual, um contra cada filho. Porém, os juízes da primeira instância não deram como provado a prática do crime de maus-tratos nem da existência de relações sexuais com a filha menor. O arguido foi também absolvido de um acto exibicionista de carácter sexual. Na leitura da sentença, o TJB considerou os depoimentos dos menores “credíveis” e referiu não haver “prova que foi a mãe que influenciou” as crianças.

PROCESSO COM FALHAS

Após ter sido conhecida a decisão da primeira instância, João Miguel Barros considerou que o processo estava “cheio de falhas”: “O processo está completamente cheio de falhas, desde o primeiro instante e, neste momento, não quero fazer declarações sobre o processo”, referiu o causídico, na altura, ao HM. Também após ter sido revelada a primeira decisão, o advogado de defesa reiterou a inocência do cliente. “Digo apenas que acreditamos na inocência do João Tiago, e se não fosse isso nunca teríamos aceite ter sido seus advogados. Por acreditarmos na sua inocência vamos defender a sua posição em recurso. Depois se verá quando acabar a fase de recurso e quando a sentença transitar em julgado”, acrescentou. A queixa sobre os alegados crimes partiu da mãe das crianças, de quem, em 2011, João Tiago Martins se divorciou. Era o pai que tinha a custódia dos filhos. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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sexta-feira 13.4.2018

Arrumar a casa Início do julgamento de alto dirigente chinês por corrupção

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processo de Sun Zhengcai, o mais alto dirigente chinês a cair em desgraça nos últimos cinco anos, começou ontem em Tianjin (norte), anunciou o tribunal nas redes sociais. O julgamento começou, com a presença de mais de 130 pessoas, incluindo responsáveis políticos e jornalistas, indicou o tribunal intermediário número um de Tianjin. A 13 de Fevereiro, a procuradoria-geral chinesa acusou de corrupção Sun Zhengcai, antigo membro do Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC) e visto como favorito à sucessão do Presidente da China, Xi Jinping. Sun ocupou o cargo de secretário do PCC no município de Chongqing até Julho passado, quando foi anunciado que estava a ser investigado pela Comissão de Inspeção e Disciplina do PCC. No seu portal oficial, a procuradoria-geral da China indicou que Sun “aceitou ilegalmente grandes montantes em dinheiro e bens”, em troca de beneficiar terceiros. Sun, de 53 anos, era um dos membros mais novos do Politburo do PCC, que reúne os 25 mais poderosos da China, pelo que constava entre os favoritos para

suceder a Xi Jinping no cargo de secretário-geral do partido.

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

Antigo ministro daAgricultura, entre 2006 e 2009, Sun foi substituído por Chen Miner, ex-chefe de propaganda de Xi, como secretário-geral em Chongqing. Sun tinha sido nomeado para Chongqing para “arrumar a casa”, na sequência do julgamento de Bo Xilai, condenado por corrupção a prisão perpétua em 2013. Bo Xilai era considerado um potencial rival de Xi Jinping. A campanha anticorrupção do Presidente Xi, iniciada desde que chegou ao poder no final de 2012, já levou à queda de mais de milhão e meio de responsáveis, de acordo com dados oficiais, citados pela agência noticiosa France Presse (AFP). Em Outubro último, a comissão de inspecção disciplinar do PCC acusou Sun Zhengcai de ter estar implicado numa “conspiração”, cuja natureza não foi explicada, juntamente com dois ex-dirigentes já condenados e a cumprir pena: Zhou Yongkang, ex-chefe dos serviços de segurança, e Ling Jihua, antigo chefe de gabinete do ex-Presidente Hu Jintao.

Acidente Camião que carregava explosivos rebenta e faz sete mortos

Sete pessoas morreram e 13 ficaram feridas quando um camião que carregava mais de cinco toneladas de explosivos rebentou no norte da China, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua. Segundo o Governo do condado de Zhen’na, província de Shaanxi, o incidente ocorreu na noite de terça-feira, na hora local, junto a um armazém de explosivos, que fornece para o sector da construção e mineração. O governo afirmou que as causas da explosão estão a ser investigadas. Entre as vítimas constam os camionistas, funcionários do armazém e seguranças. Segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, a China é o país que regista mais acidentes industriais fatais. Pelas contas do Governo chinês, em 2015, a China registou 281.000 acidentes laborais, que causaram a morte de 66.182 pessoas. Organizações não governamentais dizem que o número é maior, atendendo aos casos que permanecem encobertos. Em 2015, duas explosões num armazém no porto de Tianjin, no norte do país, por causa da armazenagem ilegal de químicos, provocaram 173 mortos.

Christine Lagarde directora-geral do FMI “A Nova Rota da Seda pode atender às necessidades urgentes de infraestruturas em todo o mundo e abrir linhas de financiamento aos países com maior necessidade. Essas parcerias podem, no entanto, levar a um aumento problemático do endividamento.”

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directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou ontem para os riscos de derrapagem financeira e armadilha do endividamento nos países abrangidos pela “Nova Rota da Seda”, projecto internacional de infraestruturas lançado pela China. O gigantesco plano de infraestruturas está avaliado em 900 mil milhões de dólares e inclui cerca de 70 países, visando reactivar as antigas vias comerciais entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático. “A Nova Rota da Seda pode atender às necessidades urgentes de infraestruturas em todo o mundo” e “abrir linhas de financiamento aos países com maior

FMI ALERTA PARA ENDIVIDAMENTO NO ÂMBITO DE PROJECTOS DE INFRAESTRUTURAS

Não há truque que não lucre necessidade”, afirmou Lagarde, num fórum dedicado à iniciativa, realizado em Pequim.

“Essas parcerias podem, no entanto, levar a um aumento problemático do endividamento”,

ressalvou. “Nos países onde a dívida pública é alta, uma gestão cuidadosa dos termos financeiros é crucial”, disse. Os bancos de desenvolvimento estatais e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito daquele programa, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias.

ALMOÇOS CAROS

Em alguns casos, os empréstimos colocam os países numa situação financeira insustentável. O Sri Lanka, por exemplo, recebeu empréstimos da China para construir um porto de águas profundas, e teve mais tarde que ceder o controlo da infraestrutura a Pequim, por não conseguir suportar o endividamento.

Os países que aceitam projectos no âmbito da “Nova Rota da Seda” não devem sentir que se trata de “um almoço grátis”, advertiu Lagarde. A responsável do FMI apelou ainda a maior transparência: “Devemos garantir que a Rota da Seda só leva onde for necessário”. “Em projectos de grande escala, às vezes há a tentação de aproveitar as licitações (...) Há sempre o risco de projectos fracassados ou da apropriação indevida de fundos. Em alguns casos trata-se mesmo de corrupção “, disse. O presidente Xi Jinping, no entanto, criticou na terça-feira as críticas à “Nova Rota da Seda”, na abertura do Fórum Boao que se realiza no sul da China. “Este não é um Plano Marshall ou uma conspiração da China”, afirmou.


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13.4.2018 sexta-feira

De amigos para amigos MÚSICA CENTRO CULTURAL ACOLHE CONCERTO DA CASA DE PORTUGAL

IIM CARLOS DIAS MOSTRA MACAU EM MAIO

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ARLOS Dias, fotógrafo local com credenciais e prémios internacionais, vai apresentar, a partir do dia 2 Maio a exposição “A Magia das Ruas de Macau”. A mostra é uma iniciativa do Instituto Internacional de Macau (IMM) e vai ter lugar no Pavilhão Chun Chou Tong no Jardim Lou Lim Ioc. “Carlos Dias, macaense, após terminar o curso secundário no Externato do Seminário de São José realizou a sua carreira profissional como funcionário público no então Leal Senado de Macau”, refere o comunicado enviado à comunicação social na apresentação do artista. A dedicação à fotografia apareceu aos 26 anos quando pegou numa SLR Pentax, Sportmatic, em 1969. Carlos Dias tem-se dedicado essencialmente a fazer imagens sobre temas

ligados Macau, tendo obtido, ao longo dos anos, diversos prémios em Salões Internacionais. Em 1980, Carlos Dias retirou-se do círculo fotográfico durante mais de 30 anos, até que, em 2013, decidiu voltar a dedicar-se à captura de imagens. Desde então, o fotógrafo tem captado Macau retratando em especial as suas ruelas, travessas, eventos, festividades e tradições. De acordo com a informação do mesmo comunicado, o IIM pretende com esta exposição, “manter viva a magia, retratada em imagens dos vários cantos desta cidade, que vão para além das atracções turísticas de Macau”, lê-se. Após a exposição, o IIM pretende ainda lançar um livro com as fotografias da exposição ainda para este ano.

YICCA João Miguel Barros é finalista

O fotógrafo João Miguel Barros está entre os 18 finalistas do YICCA 2018. O YICCA é uma iniciativa que anualmente recebe trabalhos de artistas de todo o mundo para concurso. Para o efeito, são admitidas obras de várias áreas desde desenho, pintura, vídeo, fotografia, performance e media. De acordo com a entidade, “o objectivo é a promoção dos artistas candidatos com a possibilidade de ingresso no mercado internacional de arte contemporânea”, lê-se no site do YICCA. Para os finalista há ainda um prémio monetário e a integração do trabalho numa exposição colectiva. Este ano a mostra é na Hernandez Art Gallery em Milão e vai decorrer entre 12 e 26 de Maio.

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OM a chancela da Casa de Portugal, o palco do pequeno auditório do Centro Cultural, vai acolher esta noite o concerto “Tributo a Macau”. O espectáculo é a apresentação da transição para um novo conceito de “Tributo a Macau” e que já se reflecte no segundo disco com o mesmo nome, explicou a coordenadora da Casa de Portugal, Diana Soeiro ao HM. “Temos um disco que foi gravado em 2015 com o mesmo nome, mas este tributo é novo”, começa por dizer. Do concerto de logo à noite vão constar temas de 2015, mas será essencialmente a mostra do novo trabalho a preencher o serão. “Apesar de serem cantados dois ou três temas do disco anterior, trata-se de uma transição para um outro projecto”, apontou a responsável.

É PRECISO MUDAR

As mudanças no conceito do “Tributo a Macau” começaram com a própria imagem que apresenta o projecto. Se no primeiro disco foi escolhido um trabalho de André Carrinho que representava o Jardim do Lou Lim Ioc, desta feita a ideia foi outra, mais dinâmica e colorida. “Desta vez fomos buscar uma ilustração com muita cor do João Magalhães para representar esta mudança”, explica Diana Soeiro. Para as letras das canções que constam da playlist do espectáculo,

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA AMERICANA • Don DeLillo

Aos 28 anos, David Bell é o sonho americano tornado realidade. Lutou para chegar ao topo, sobreviveu às purgas do escritório e aos escândalos para se tornar num executivo televisivo. O mundo de David é feito de imagens que surgem nos ecrãs americanos, das fantasias que encantam a imaginação da América. E depois o sonho - e a fabricação do sonho - tornam-se pesadelo. No ponto mais alto do seu sucesso, David propõe-se a redescobrir a realidade. Com uma câmara nas mãos, viajar por todo o país numa tentativa louca e comovente de capturar, impor, um ideal para si e para o passado, presente e futuro da América.

foi lançado um convite a alguns residentes.Acontribuição verbal materializa-se em poemas de Gonçalo Lobo Pinheiro, Catarina Domingues, Sérgio Perez, José Basto da Silva, Carlos Marreiros e Carlos André.

“Apesar de serem cantados dois ou três temas do disco anterior, trata-se de uma transição para um outro projecto.” DIANA SOEIRO COORDENADORA DA CASA DE PORTUGAL EM MACAU

As palavras foram agarradas pelos músicos da Casa de Portugal, Tomás Ramos de Deus e Miguel Andrade que convidaram alguns amigos e colegas de profissão portugueses para, juntos, tratarem das melodias. O concerto de amanhã conta também com Ivan Pineda no baixo, João Rato nas teclas, e Diogo Santos ao piano. No saxofone e percussão vai estar Paulo Pereira, no trompete Pan Ho, na bateria, Isaac Achega e na voz Manuela Oliveira. A ideia é ter um “concerto de amigos”, afirma a coordenadora da Casa de Portugal. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

O MAPA E O TERRITÓRIO • Michel Houellebecq

Se a história deste romance nos fosse contada por Jed Martin, talvez ele começasse por falar da avaria da caldeira do seu apartamento, num dia 15 de Dezembro. Ou dos solitários Natais passados com o pai, um arquitecto famoso que sonha construir cidades fantásticas mas ganha a vida a projectar resorts de férias. Talvez não falasse do suicídio da mãe quando tinha apenas sete anos, porque são muito ténues as recordações que dela guarda. Mas mencionaria certamente Olga, uma lindíssima russa, que conheceu por ocasião da primeira exposição do seu trabalho fotográfico baseado nos mapas de estradas Michelin.


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sexta-feira 13.4.2018

O segundo disco de “Tributo a Macau” é o resultado de um cozinhado de vários ingredientes. Os poemas são escritos por gente que vive em Macau, musicados por intérpretes que vêm de Portugal e contam com o condimento musical de Tomás Ramos de Deus e Miguel Andrade. O preparado será servido ao público hoje, às 20h, no pequeno auditório do Centro Cultural

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ILMES de Jean-Luc Godard, Spike Lee e Jafar Panahi foram selecionados para a competição do Festival de Cinema de Cannes, marcado para Maio em França, numa edição que deixa de fora a plataforma Netflix. Em conferência de imprensa, o director do festival, Thierry Frémaux, anunciou os filmes da seleção oficial, incluindo 18 longas-metragens em competição pela Palma de Ouro, entre as quais "Le livre d'image", de Jean-Luc Godard, "BlacKkKlasman", de Spike Lee, "Three Faces", de Jafar Panahi, e "Summer", de Kirill Serebrennikov. Da lista de cineastas convocados, e num gesto político internacional, a organização do festival disse que conta ter em Cannes o realizador iraniano Jafar Panahi e o russo Kirill Serebrennikov, que têm sofrido pressões políticas nos respectivos países. Frémaux explicou que enviou uma carta às autoridades iranianas a pedir para que Jafar Panahi possa viajar para Cannes. Impedido de sair do país, o realizador iraniano dissidente tem filmado de forma praticamente clandestina e em 2015 conseguiu mostrar o filme "Taxi" em Berlim, recebendo o prémio Urso de Ouro. Kirill Serebrennikov, director artístico do Centro Gogol, foi detido em 2017 e mantido em prisão domiciliária, por suspeita do desvio de fundos públicos. Pela dimensão mediática, o presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou qualquer acção de censura ou pressão sobre o encenador e realizador. Das restantes escolhas para Cannes, assinala-se o regresso de Spike Lee à disputa pela Palma d'Ouro, 27 anos depois de ter apresentado "Febre da selva", a selecção de novos filmes de Matteo Garrone ("Dogman") e Christophe Honoré ("Sorry Angel"), assim como a presença de três mulheres: Eva Husson

A ribalta dos cinema Edição de Cannes marcada por motes políticos

("Les filles du soleil"), Nadine Labaki ("Capernaum") e Alice Rohrwacher ("Lazzaro Felice"). Questionado pelos jornalistas sobre a ausência de "O homem que matou D. Quixote", de Terry Gilliam, Thierry Frémaux respondeu, de forma lacónica, que a seleção não está ainda fechada e que há processos judiciais a decorrerem em tribunal. A abertura do festival fica por conta de "Todos lo saben" ("Everybody Knows"), primeiro filme em espanhol do realizador iraniano Asghar Farhadi, que está também em competição.

OS EXCLUIDOS

Fora de competição, destaque para a estreia de "O grande circo místico", uma coprodução luso-brasileira e francesa do realizador brasileiro Cacá Diegues, e "Solo: A Star Wars story", de Ron

Howard, um novo filme que deriva da saga "Guerra das Estrelas". Este ano, a produtora e plataforma de 'streamming' Netflix decidiu não apresentar qualquer filme em Cannes, em resposta a uma nova regra imposta que proíbe a escolha de filmes que não tenham distribuição em sala no circuito francês. "Queremos estar em pé de igualdade com outros realizadores", disse o director de conteúdos da Netflix, Ted Sarandos, em entrevista na quarta-feira à revista norte-americana Variety. Cannes assinalará ainda os 50 anos de "2001: Odisseia no Espaço" e os 90 do nascimento do realizador Stanley Kubrick, com a estreia de uma cópia de 70 mm, numa que será apresentada por Christopher Nolan. O 71.º Festival de Cannes decorrerá de 8 a 19 de Maio e o júri será presidido pela actriz australiana Cate Blanchett.

100 ANOS DE BERGMAN RORIZ DEDICA COREOGRAFIA AO REALIZADOR

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AFA Exposição de José Drummond vai ter evento final

Termina amanhã a exposição “Sometimes I Feel That I’m Not Myself” de José Drummond. Para assinalar o final do mostra, a Art for All Society (AFA) vai realizar um evento às 17h30 que conta com a presença do artista e da curadora. De acordo com a AFA, trata-se de uma oportunidade de estar directamente com o criador.

nova peça coreográfica de Olga Roriz intitula-se "A meio da noite", é uma homenagem ao realizador sueco Ingmar Bergman e vai ter estreia absoluta a 27 de Abril, no Teatro Nacional São João, no Porto. De acordo com a Companhia Olga Roriz, esta nova criação vai ter apresentações a 27, 28 e 29 de Abril, resultado de uma coprodução com o Teatro Nacional São João, o Teatro Municipal de Bragança e o Teatro Municipal de Vila Real. Celebrando o centenário do nascimento do dramaturgo e cineasta Ingmar Bergman (1918—2007) e as comemorações do dia internacional da Dança, a 29 de Abril, a peça estreia-se no âmbito do Festival Dias da Dança, de acordo com um comunicado da companhia.

À estreia absoluta antecede-se uma residência artística em Leiria, a convite do Festival de Música de Leiria, que originará uma antestreia do espectáculo, já amanhã, no Teatro José Lúcio da Silva, às 21h30. “A minha abordagem a outras obras, outros autores. Processos e percursos de criação. O método dentro do método. Pesquisa fora e dentro do pensamento. Os

intérpretes e os acfetos. A mais secreta intimidade", define assim a coreógrafa este seu trabalho, num texto citado pela companhia. Revisitando o universo de Bergman, "A meio da noite" reúne "a dança o teatro e o cinema à procura de um outro lugar". Olga Roriz recorda que, "apesar de lhe interessar qualquer ser humano, seja homem ou mulher, Bergman não esconde gostar mais de trabalhar com mulheres, afirmando que são melhores actrizes, talvez porque têm uma relação mais aberta com a sua reflexão". "A verdade é que as mulheres de Bergman não são um mito, elas existem em todo o seu esplendor e complexidade. As referências são esmagadoras, tanto na

quantidade como na dificuldade de análise e interpretação de cada personagem. É nessa visão do realizador que nos iremos inspirar, nesses homens e mulheres assustadoramente reais, na solidão em luta constante com o interior", explica, sobre a peça inspirada na visão do cineasta. "A meio da noite", sendo um espectáculo que se propõe abordar a temática existencialista do encenador e cineasta Ingmar Bergman, é simultaneamente uma peça sobre o processo de criação "numa procura incessante de si próprio e dos outros". A nova coreografia de Olga Roriz "é uma profunda homenagem a Ingmar Bergman, aos atores dos seus filmes e aos intérpretes da Companhia".


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13.4.2018 sexta-feira

Notificação n.o 00017/NOEP/GJN/2018 Considerando que não se revela possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, para o efeito do regime procedimental nos respectivos processos administrativos sancionatórios, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, e do artigo 68.º e n.º 1 do artigo 72.º do Código do ProcedimentoAdministrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, ao abrigo do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, no uso das competências, conferidas pelo Conselho deAdministração do Instituto para osAssuntos Cívicos e Municipais e constantes da Proposta de Deliberação n.º 01/PDCA/2017, de 17 de Fevereiro, publicada na Série II do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 9, de 1 de Março de 2017, e ainda nos termos das competências definidas no n.o 1 do artigo 14.º e na alínea 5) do artigo 16.º do Regulamento Administrativo n.o 32/2001, os infractores, constantes das tabelas desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Nos termos do n.º 4 do artigo 36.º, n.º 1 do artigo 37.º, artigo 38.º, artigo 39.º e n.os 1 e 2 do artigo 55.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2004 e em conjugação com o n.o 2 do artigo 5.º do Código do Procedimento Administrativo, o Presidente do Conselho de Administração, ou seus substitutos, exararam despachos nas respectivas informações, tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas e a existência de culpa confirmada. Assim: 1. Foram aplicadas aos infractores, constantes das Tabelas I a II, a multa prevista no nº 1 do artigo 45º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e no artigo 1º do Catálogo das Infracções, no valor de MOP300,00 (cada infracção): 1) Primeira prestação: No valor de MOP150,00 – No prazo de 10 (dez) dias, contado a partir da publicação e afixação da presente notificação; 2) Segunda prestação: No valor de MOP150,00 – No prazo de 60 (sessenta) dias, contado a partir da publicação e afixação da presente notificação. O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 4) do n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 6 do artigo 1.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo nº 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “não acatar ou não cumprir o conteúdo de regra ou indicação, emitida e publicitada nos termos previstos no RGEP, em instalações públicas, jardins ou zonas verdes”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela I) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 2) do n.º 4 do artigo 7.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 3 do artigo 1.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “pesca em locais não autorizados ou prática de acto ilegal de qualquer actividade aquática”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela II) 2. Foram aplicadas aos infractores, constantes das Tabelas III a XI, a multa prevista no n.º 2 do artigo 45.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e no artigo 2.º do Catálogo das Infracções, no valor de MOP600,00 (cada infracção): 1) Primeira prestação: No valor de MOP300,00 – No prazo de 10 (dez) dias, contado a partir da publicação e afixação da presente notificação; 2) Segunda prestação: No valor de MOP300,00 – No prazo de 60 (sessenta) dias, contado a partir da publicação e afixação da presente notificação.

Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no n.º 1 do artigo 13.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 7 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “nos espaços públicos, abandonar resíduos sólidos fora dos locais e recipientes especificamente destinados à sua deposição”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela III) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no n.º 1 do artigo 4.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 23 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “colocar ou abandonar no espaço público quaisquer materiais ou objectos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela IV) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto no n.º 5 do artigo 12.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 16 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “manter no passeio ou na via pública contentores ou outros recipientes de resíduos sólidos que devem ser diariamente recolhidos”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela V) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no n.º 2 do artigo 9.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 12 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “Não limpar de imediato o espaço público poluído com dejectos de animais de estimação que se está a acompanhar”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela VI) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 14.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 3 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “despejar, derramar ou deixar correr líquidos poluentes, nomeadamente águas poluídas, tintas ou óleos em espaços públicos”, tendo sido a infractora notificada do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela VII) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto no n.º 1 do artigo 11.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 9 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “utilizar contentores ou outros recipientes destinados aos resíduos sólidos domésticos ou aos públicos para colocação de resíduos de outro tipo, nomeadamente resíduos sólidos industriais, comerciais ou especiais”, tendo sido a infractora notificada do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela VIII) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto no artigo 6.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no alínea 1) do n.º 32 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “não retirar as armações, toldos, estrados, degraus e objectos similares que ocupem espaço público e que causem a obstrução de passagem”, tendo sido a infractora notificada do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela IX)

3.

4.

5.

6.

7.

Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 2.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 13 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “cuspir escarro ou lançar muco nasal para qualquer superfície do espaço público, de instalações públicas ou de equipamento público”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela X) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 2.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 14 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “urinar ou defecar nas instalações públicas ou nos espaços públicos”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela XI) Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios ao autor do acto, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo diploma, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto. Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau. Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos do disposto n.º 2 do artigo 55.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, os infractores deverão efectuar a liquidação das multas aplicadas, dentro do prazo de pagamento das prestações, no Gabinete Jurídico e Notariado do IACM (Núcleo Operativo do IACM para a Execução do Regulamento Geral dos Espaços Públicos), sito na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edf. China Plaza, 5.º andar, Macau. Nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 55.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, a falta de pagamento de uma prestação implica o vencimento de todas as outras, caso em que, se o pagamento do valor global em dívida não for feito nos 30 (trinta) dias subsequentes à data do vencimento da primeira prestação em falta, o IACM submeterá o processo à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para cobrança coerciva, nos termos do artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M e do artigo 29.º do Decreto-Lei n.º 30/99/M. Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes das tabelas anexas tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 8295 6868 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Núcleo Operativo deste Instituto. Aos 27 de Março de 2018 O Presidente do Conselho de Administração José Tavares

Tabela I Nome

Sexo

余國成 U KUOK SENG

M

N.º do Bilhete de Identidade N.º da acusação Data da infracção de Residente de Macau 1279***(*)

A028438/2017

2017-06-14

Data em que foi exarado o despacho de aplicação da multa 2017-08-09

Tabela II 羅子頌 LO JOAO CESAR

M

5181***(*)

A082013/2017

2017-01-15

2017-05-09

Tabela III

鄭其晃 CHEANG KEI FONG

M

7389***(*)

2-000707SA/2017

2017-09-18

2017-11-23

余德祥 U TAK CHEONG

M

1352***(*)

2-000644SS/2017

2017-08-21

2017-11-08

陳勝舜 CHAN SENG SON

M

1326***(*)

2-000627SS/2017

2017-08-15

2017-11-23

關展豪 KUAN CHIN HOU

M

1309***(*)

2-000270RS/2017

2017-08-11

2017-11-08

陳育新 CHAN IOK SAN

M

7385***(*)

2-000676SH/2017

2017-11-01

2017-12-15

王少煒 WONG SIO WAI

M

5144***(*)

2-000505SD/2017

2017-08-10

2017-11-10

崔永駿 CHUI WENG CHON

M

1248***(*)

2-000026TO/2017

2017-11-01

2017-12-15

符永星 FU WENG SENG

M

7387***(*)

2-000593SW/2017

2017-08-07

2017-11-10

鄭玉媚 cheang iok mei

F

5151***(*)

2-000506SL/2017

2017-10-31

2017-12-15

朱添 CHU TIM

M

5063***(*)

2-000324SN/2017

2017-07-24

2017-11-10

譚家豪 TAM KA HOU

M

1233***(*)

2-000029TQ/2017

2017-10-25

2017-12-15

余志行 U CHI HANG

M

1275***(*)

2-000360RL/2017

2017-07-24

2017-11-10

吳柏祥 NG PAK CHEING

M

7348***(*)

2-000081SK/2017

2017-10-23

2017-12-15

韋錫江 WAI SEK KONG

M

5153***(*)

2-000359RL/2017

2017-07-24

2017-11-10

李振偉 LEI CHAN WAI

M

5199***(*)

2-000455SL/2017

2017-10-17

2017-12-13

郭偉斌 KUOK Wai Pan

M

1247***(*)

2-000594SP/2017

2017-07-24

2017-11-08

何子聰 HO CHI CHONG

M

1258***(*)

2-000028RC/2017

2017-10-07

2017-12-15

鄧智華 TANG CHI WA

F

7383***(*)

2-000200SU/2017

2017-07-07

2017-09-07

WWW. IACM.GOV.MO


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sexta-feira 13.4.2018

陳偉雄 CHAN,WAI HONG

M

7442***(*)

2-000437SE/2017

2017-07-05

2017-09-07

符永星 FU WNEG SENG

M

7387***(*)

A104778/2017

2017-03-10

2017-06-14

黃錦新 WONG KAM SAN

M

5154***(*)

2-000356RX/2017

2017-06-30

2017-09-22

許興福 HOI HENG FOK

M

7287***(*)

A084156/2016

2016-12-12

2017-06-09

張健明 CHEONG KIN MENG

M

5169***(*)

2-000449SV/2017

2017-06-26

2017-09-22

曾大強 CHANG TAI JEONG

M

5138***(*)

2-01279WB/2015

2015-11-01

2016-06-20

趙家輝 CHIO KA FAI

M

5196***(*)

2-000302RL/2017

2017-06-25

2017-08-09

陳遠志 CHAN UN CHI

M

5163***(*)

2-000480SP/2017

2017-06-21

2017-09-01

林偉強 LAM WAI KEONG

M

5213***(*)

2-000079SK/2017

2017-10-23

2017-12-15

TARASOVA MARIA

F

1315***(*)

2-000542SM/2017

2017-06-17

2017-09-08

張成 CHEONG SENG

M

7243***(*)

2-000027RC/2017

2017-10-07

2017-12-15

郭俊藍 KUOK CHON LAM

M

1318***(*)

2-000444SW/2017

2017-06-16

2017-08-18

張成 CHEONG SENG

M

7243***(*)

2-000011RC/2017

2017-10-01

2017-11-23

鄒向榮 CHAO HEONG WENG

M

5206***(*)

2-000256RL/2017

2017-06-10

2017-09-22

張成 CHEONG SENG

M

7243***(*)

2-000647RY/2017

2017-09-26

2017-11-23

陳德和 CHAN TAK WO

M

7399***(*)

2-000381SE/2017

2017-06-07

2017-09-01

吳艷慈 NG IM CHI

F

7348***(*)

A093671/2017

2017-09-24

2017-11-23

吳德榮 NG TAK WENG

M

7375***(*)

2-000414SF/2017

2017-06-06

2017-09-08

張成 CHEONG, SENG

M

7243***(*)

2-000551SH/2017

2017-08-04

2017-11-08

歐述標 AO SOT PIO

M

7286***(*)

2-000417SW/2017

2017-06-05

2017-09-22

張成 CHEONG SENG

M

7243***(*)

2-000527SI/2017

2017-07-24

2017-11-10

吳鳳儀 NG FONG I

F

5148***(*)

2-000406SF/2017

2017-06-04

2017-09-22

陳偉 CHAN WAI

M

7422***(*)

2-000572SA/2017

2017-07-14

2017-11-10

江嘉城 KONG KA SENG

M

5163***(*)

A095932/2017

2017-06-03

2017-09-01

歐陽生 AO IEONG SANG

M

7401***(*)

2-000390SF/2017

2017-05-31

2017-09-22

蕭鴻偉 SIO HONG WAI

M

1328***(*)

A071330/2017

2017-06-03

2017-09-01

陳雪玲 CHAN SUT LENG

F

7277***(*)

2-000400SP/2017

2017-05-27

2017-08-18

楊運珊 IEONG WAN SAN

M

7369***(*)

2-000180RP/2017

2017-06-02

2017-09-08

歐陽生 AO IEONG SANG

M

7401***(*)

2-000432SS/2017

2017-05-21

2017-09-07

梁仲賢 LEUNG CHONG IN

M

5124***(*)

2-000427SP/2017

2017-05-31

2017-09-22

黃國興 VONG KOK HENG

M

7215***(*)

A090384/2017

2017-05-20

2017-08-09

譚偉揚 TAM WAI IEONG

M

5205***(*)

2-000464SS/2017

2017-05-28

2017-08-09

張成 CHEONG SENG

M

7243***(*)

2-000272SH/2017

2017-05-10

2017-08-18

何少興 HO SIO HENG

F

1285***(*)

2-000330SD/2017

2017-05-27

2017-09-01

歐陽生 AO IEONG SANG

M

7401***(*)

2-000328SM/2017

2017-04-11

2017-09-01

覃耀雄 CHAN IO HONG

M

7383***(*)

2-000441SS/2017

2017-05-23

2017-09-01

張成

M

7243***(*)

A096560/2017

2017-03-23

2017-05-26

方偉光 FONG WAI KUONG

M

7409***(*)

2-000379SW/2017

2017-05-23

2017-08-09

張成

M

7243***(*)

2-000163SH/2017

2017-03-18

2017-08-18

陳志聰 CHAN CHI CHONG

張成

M

7243****

A021829/2017

2017-02-14

2017-04-25

M

5140***(*)

2-000379SP/2017

2017-05-20

2017-09-08

文仲雄 MAN CHONG HONG

M

7421***(*)

A096558/2017

2017-02-08

2017-04-25

M

5101***(*)

2-000243SL/2017

2017-05-18

2017-08-18

陳子乾 CHAN CHI KIN

2017-08-09

2017-11-08

Tabela IV

Tabela V

吳俊雄 NG CHON HONG

M

5199***(*)

2-000424SM/2017

2017-05-18

2017-09-08

黃瑞恩 WONG SOI IAN

F

1311***(*)

2-000134RP/2017

2017-05-10

2017-09-22

曾清渠 CHANG CHENG KOI

M

1327***(*)

2-000355SO/2017

2017-05-05

2017-09-22

林偉誠 CASTILHO LAMEIRAS CLAUDIO

M

1260***(*)

2-000271SL/2017

2017-06-12

2017-09-08

吳藝敏 NG NGAI MAN

M

5127***(*)

2-000325RY/2017

2017-05-03

2017-09-01

曾育禮 CHANG IOK LAI

M

1306***(*)

2-000037RL/2017

2017-03-21

2017-06-14

羅召能 LO CHIO NANG

M

7372***(*)

2-000397RZ/2017

2017-05-01

2017-09-01

張成

M

7243***(*)

2-000164SH/2017

2017-03-18

2017-08-18

何富寬 HO FU FUN

M

7401***(*)

2-000374SS/2017

2017-05-01

2017-09-01

2017-05-17

2017-08-09

朱煒良 CHU WAI LEONG

M

1243***(*)

2-000261SE/2017

2017-04-21

2017-09-22

張雋賢 CHEUNG CHON IN

M

1290***(*)

2-000289SA/2017

2017-04-15

2017-09-01

2017-05-18

2017-08-18

JAIKHAO PRATHUMTHIP

F

1238***(*)

2-000190SH/2017

2017-04-10

2017-09-01

吳啓豪 NG KAI HOU

M

5141***(*)

2-000272SF/2017

2017-04-08

2017-09-01

李潔雯 LEI KIT MAN

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2-000175SB/2017

2017-04-06

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TARASOVA MARIA

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趙健榮 CHIO KIN VENG

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A090484/2017

2017-03-21

2017-06-14

梁溢昇 LEONG IAT SENG

黃鎮基 WONG CHAN KEI

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5113***(*)

A091862/2017

Tabela VI

Tabela VII

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5191***(*)

2-000006RL/2017

2017-03-16

2017-06-14

桂偉清 GUI WEIQING

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1445***(*)

2-00525WB/2017

Tabela VIII 鄭麗玉 CHEANG LAI IOK

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2-000500RW/2017

Tabela IX 盧麗賢 LOU LAI IN

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2-000353RY/2017 2017-05-09

2017-08-18

Tabela X 陳醒源 CHAN SENG UN

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7413***(*)

2-000393SS/2017

2017-05-07

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余國成 U KUOK SENG

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A104728/2017

2017-03-02

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2016-09-11

2016-11-18

Tabela XI 盧金泉 LOU KAM CHUN

WWW. IACM.GOV.MO

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1523***(*)

A079644/2016


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h

13.4.2018 sexta-feira

quando voltei encontrei os meus passos

José Simões Morais

Subcomissões para os festejos

E

M Macau, a 2 de Fevereiro de 1898 no Palácio do Governo reúne-se a comissão executiva dos festejos do centenário da Índia para aprovar o programa preparado desde a reunião de 18 de Janeiro e nomear, como aí ficara estipulado, as subcomissões especiais. Relata O Independente, “Presidiu o Sr. Conselheiro Governador, tendo como secretário o Sr. Bandeira de Lima. Aberta a sessão, foi lida a acta da primeira reunião, sobre a qual falaram os srs. Dr. Alpoim, Dr. Alvellos, Pedro Nolasco, Conceição Borges e Conselheiro Galhardo. O esqueleto do relatório da subcomissão apresentado pelo Sr. Presidente é aprovado na generalidade”. O Echo Macaense data a reunião no dia 1.º do corrente e desenvolve-a com detalhes. “Houve uma prolongada e variada discussão e o monumento dedicado à memória dos beneméritos Ferreira do Amaral e Mesquita foi o que prendeu mais a atenção. Dois cavalheiros manifestaram-se contra a inserção da cerimónia do lançamento da pedra fundamental deste monumento no programa dos festejos, mas a maioria votou a favor. Ficou também assente que se trataria sem demora da reabilitação da memória de Mesquita, visto haver todos os elementos necessários para provar que ele foi vítima da alienação mental e por tanto era um irresponsável quando praticou os últimos actos trágicos da sua vida”. “Pedro Nolasco da Silva e António Joaquim Basto apoiavam a ideia da homenagem e do monumento a Amaral e a Mesquita, mas o Dr. Ovídio d’Alpoim, juiz de direito, e o Dr. Francisco de Lemos e Alvellos, procurador da Coroa e Fazenda, rejeitavam-nos liminarmente”, complementa Amadeu Gomes de Araújo, que segue, “Ovídio d’Alpoim, aludindo ao trágico fim do coronel Mesquita, presume e assevera que nem oficial nem publicamente se lhe pode prestar qualquer homenagem. Também recusava a ideia de se construir uma biblioteca Vasco da Gama, por falta de tempo, sugerindo que se desse aquele nome à biblioteca do liceu. O governador manifestou estranheza perante a discussão, acabando todos por chegar a acordo que não haveria monumento sem prévia reabilitação de Mesquita. Foi aprovada uma carta a enviar às comunidades portuguesas vizinhas, para solicitar apoio: Está aberta a subscrição para custear as despesas desse monumento – lia-se no Apelo patriótico aos portugueses residentes nos países do Extremo Oriente. E o programa das celebrações foi aprovado na generalidade”, após algumas modificações e transposição de alguns números. Após três horas de sessão, finalmente se procede à nomeação de oito sub-

comissões especiais a saber: 1.º - Uma, para tratar de promover a subscrição para o monumento de Ferreira do Amaral e Mesquita. 2.º - Uma, para tratar da organização, instalação e inauguração da Biblioteca Vasco da Gama. 3.º - Uma, para tratar da organização do cortejo cívico e da coroa de bronze. 4.º - Uma, para tratar da inauguração da avenida Vasco da Gama, do lançamento da pedra fundamental do pedestal em que será colocado o busto do grande navegador, da iluminação da Praia Grande e avenida Vasco da Gama e das diversões populares. 5.º - Uma, para tratar dos festejos chineses e fogos de vista. 6.º - Uma, para ornamentar a igreja da Sé para o Te Deum solene. 7.º - Uma, para tratar da publicação de um número único de um jornal comemorativo, e para redigir um apelo às comunidades portuguesas de Hong Kong, portos da China, Japão, Sião e Indochina, solicitando as suas adesões à comemoração do centenário, e outro apelo aos habitantes de Macau, portugueses e chineses, solicitando a iluminação das suas casas. 8.º- Uma, para promover o sarau dramático-musical.”

OS TRABALHOS DAS SUBCOMISSÃO

O Independente de 20 de Março refere que “a comissão e as diferentes subcomissões eleitas para levarem a efeito os festejos projectados para a comemoração em Macau do 4.º centenário estão desenvolvendo a maior actividade. (...) A coroa de bronze, que será colocada no pedestal onde assenta o busto de Luís de Camões, foi desenhada pelo professor do liceu, Sr. Matheus António de Lima, que dirigirá também os trabalhos da fundição da mesma coroa. Está-se já tratando de mandar tirar várias fotografias de vistas de Macau para serem mandadas gravar e servirem para ornar o número único do jornal, que por essa ocasião será publicado. A subcomissão encarregada de receber os donativos é composta dos seguintes cavalheiros: presidente, o General António Joaquim Garcia; tesoureiro, Carlos Rocha d’ Assumpção; vogais, Augusto César d’ Abreu Nunes, Pedro Nolasco da Silva, Deão Conceição Borges, Dr. Lourenço Pereira Marques, Fernando de Menezes e secretário, José Vicente

Jorge. Esta subcomissão fez já distribuir profusamente um impresso pedindo o auxílio de qualquer donativo para custear as despesas a fazer com a erecção do monumento a Ferreira do Amaral e Vicente Nicolau de Mesquita.” O apelo patriótico aos portugueses residentes nos países do Extremo Oriente, trans-

A 21 de Abril realiza-se uma audiência no Paço Episcopal para inquirição das testemunhas no processo canónico de reabilitação do coronel Mesquita. Preside o Bispo da Diocese, servindo de promotor o Dr. Horácio Poiares e de advogado da parte da comissão executiva dos festejos, o Dr. Camilo Pessanha

crito nessa segunda página do jornal, é estimulado pelos já avultados contributos feitos, pois <crê-se que ninguém se esquivará a contribuir, por pouco que seja>”. Semanalmente, os jornais trazem notícias sobre os activos trabalhos para os festejos e O Independente de 27 de Março refere a autorização do governo central para o aumento da verba destinada a custear os festejos e ter o redactor já visto algumas fotografias de diversos pontos da cidade feitas por Carlos Cabral, <que mais parecem obra de um artista consumado do que de um novel mas distinto amador>. Na reunião de 26 de Março, a subcomissão encarregada de tratar da reabilitação, perante a igreja, do oficial Vicente Nicolau Mesquita refere, <Parece que o Sr. Bispo D. José, que se acha animado dos melhores desejos de poder decretar essa reabilitação, só o fará depois de cumpridas certas formalidades canónicas, o que terá lugar brevemente>. A 21 de Abril realiza-se uma audiência no Paço Episcopal para inquirição das testemunhas no processo canónico de reabilitação do coronel Mesquita. Preside o Bispo da Diocese, servindo de promotor o Dr. Horácio Poiares e de advogado da parte da comissão executiva dos festejos, o Dr. Camilo Pessanha. Depõem como testemunhas o tenente-coronel Porphyrio Zeferino de Souza, Câncio Jorge, Albino António Pacheco e o pároco de S. Lourenço, padre Almeida. O Independente, a 24 de Março dá a primeira relação de subscritores e refere a quantia de $66, oferecida pelos portugueses residentes em Cantão e entregue ao seu cônsul Sr. Callado Crespo, assim como os $115 angariados pelo Sr. António Vicente Cortela Maher entre os portugueses de Amoy (actual Xiamen, em Fujian), que José Maria Braga refere serem trinta no ano de 1900. O arroz é desde os inícios de 1897 o assunto a afligir a cidade. Problema que se vai avolumando devido ao aumento fabuloso do preço que dia a dia vai tendo esse género de primeira necessidade, levando em Março de 1898 o Governador, numa inadiável resolução, a novamente proibir a exportação do arroz pelo porto de Macau.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 13.4.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

Sintomas I

T

ODO o conteúdo apresentado pode ser interpretado de diversas maneiras. Um dos modos é literal. “Verde” é verde. “Vermelho” é vermelho. “Amarelo” é amarelo. Outro dos modos é figurado. Como sinal, verde permite avançar, amarelo concentra a atenção e vermelho obriga a parar. A relação com os conteúdos apresentados não é apenas literal, portanto. Neste caso é uma relação simbólica. Para compreendermos todas as possibilidades simbólicas teríamos de perceber a sua génese e a sua fixação. Sem dúvida que há convenções, produtos do acaso. Alterações simbólicas para melhor compreensão. A notação aritmética e lógica sofreu alterações. Basta comparar o “peso” da proposta de Frege com a “elegância” das tabelas de verdade de Wittgenstein. O ponto que importa frisar é este. O conteúdo apresentado não se esgota no que efectivamente aparece. A forma da apresentação não é a que estrutura literalmente a apresentação. De qualquer modo, há sempre uma relação entre a forma normal com que estruturamos conteúdos e o conteúdo efectivamente apresentado. Se pusermos em comparação, por exemplo, o verde com a sua apresentação nas folhas das árvores na primavera, num semáforo ou com na bandeira portuguesa, podemos perceber que o que está apresentado excede o que é visto e que a própria forma de apresentação é maleável, flexível, susceptível de interpretação. Assim: verde como cor no espectro cromático, verde como permissão para andar, verde como esperança tem sentidos completamente diferentes, formas de conotação diferentes. A relação entre símbolo como significante: o verde e o simbolizado como o significado pode ser convencional, mas uma vez estabelecida parece que os sentidos possíveis explodem. O verde “literal” na sua forma de apresentação a cobrir a extensão dos objectos coloridos por verde parece ser uma entre muitas formas de apresentação. Símbolo e simbolizado estão numa relação intencional. Somos capazes de interpretar relações simbólicas, porque o olhar humano excede o visto. Nunca vemos apenas o que está apresentado. Na relação simbólica há uma heterogeneidade clara entre cor, cor verde, e “poder arrancar”, “haver esperança”, etc., etc.. Mas alarguemos o âmbito da significação. É certo que a interpretação simbólica não é meramente perceptiva. Isto é, não é o presente sincrónico com o seu conteúdo apenas o que está em jogo quando vemos o jogo das cores nos semáforos. É a antecipação de parar, continuar, arrancar, acelerar ou abrandar. Compreendemos claramente o perigo que há em avançar com o vermelho e em ficar parado com o

verde. A dimensão do futuro está a criar pressão de antecipação de conteúdos. Quando vemos um bilhete de um espectáculo a que fomos ou uma fotografia de tempos idos, o que vemos não são apenas os conteúdos que estão presentes: um bilhete e uma foto. Somos remetidos para aquele dia em que fomos com A, B e C assistir a um concerto, numa época determinada da nossa vida, passaram-se décadas, era o tempo da nossa juventude. A disposição que se sente não é apenas a sentida no passado. Agora, percebemos que o tempo passou e que houve tempo

em que era tempo. O mesmo se passa quando vejo uma fotografia minha da infância em família e com amigos. Os rostos eram jovens, as pessoas todas estavam vivas, os tempos tinham futuro. A disposição invade com nostalgia o presente, sentimos saudades e tristeza. O horizonte do presente fica inundado. A fotografia alastra para lá dos seus conteúdos fotografados para a percepção com os seus conteúdos percepcionados. A disposição alaga todo o meu presente e não dou atenção ao que está presente perceptivelmente. Há conteúdos que são

É certo que a interpretação simbólica não é meramente perceptiva. Isto é, não é o presente sincrónico com o seu conteúdo apenas o que está em jogo quando vemos o jogo das cores nos semáforos. É a antecipação de parar, continuar, arrancar, acelerar ou abrandar. Compreendemos claramente o perigo que há em avançar com o vermelho e em ficar parado com o verde. A dimensão do futuro está a criar pressão de antecipação de conteúdos.

dados a ver no presente que têm o condão de nos transportar para o passado. Não há aqui nenhuma relação simbólica. Há uma remissão retrospectiva e retroactiva que nos faz retroceder para um passado que foi presente. Sentimos o presente como foi vivido. A conotação não é aqui simbólica. Resulta também porém de uma capacidade excessiva de nos relacionarmos com conteúdos. Qualquer conteúdo perceptivo pode remeter-nos para o passado, lembrar-nos de momentos passados, por associação directa ou à distância. A invasão do olhar como que traz até nós sentimento que determinada o espírito da época. Mas um bilhete para um espectáculo ou para um meio de transporte colectivo pode também ser dado a ver numa percepção e indicar um futuro. O conteúdo presente é um prospecto para um conteúdo futuro. Dizem que todas as viagens têm um elemento predominante e preponderante de antecipação. A preparação dos itens para fazermos malas, a antecipação de pessoas que vamos conhecer, aventuras que vamos ter ou só o que estamos à espera que aconteça está dado implicitamente a ver num bilhete ou só na lembrança futura de que vai acontecer a viagem. Mas também todas as formas de registar marcações futuras: profissionais, exames, aulas, horas de atendimento, conferências; médicas: consultas, análises; desportivas: treinos e provas. Os próprios calendários com números para os meses com nomes e os dias com números da semana. Os horários que nos dividem os dias conforme as tarefas. Um olhar breve a dada altura no dia permite perceber o que vamos fazer em antecipação, uma antevisão, um prognóstico, como um boletim meteorológico. Estamos depostos num futuro que não sabemos se irá ser como achamos tendencialmente que vai ser. Não sabemos sequer se irá ser, se chegamos ao fim do dia, se quem está connosco chega ao fim do dia. Nenhuma forma de apresentação se esgota do presente em que se apresente. A sua forma de eficácia é retroactiva e “pro-activa”, retrospectiva e “prospectiva”. E cada um de nós? Não é verdade que cada um de nós está presente a sincronizar e a coexistir na coincidência ou simultaneidade de todos os conteúdos simultâneos? Ou estamos esticados na direcção do passado e do futuro, a antecipar em previsão explícita ou implicitamente o que vai acontecer na escuridão do vasto espaço, como se a nossa cabeça fosse a cabeça de um cometa? E não é verdade que o nosso passado é a cauda da cabeleira de um cometa, também ele a estabelecer a fronteira entre o aquém da luminosidade e o além da escuridão?


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13.4.2018 sexta-feira


desporto 17

sexta-feira 13.4.2018

A

região vizinha de Hong Kong não deverá organizar a sua prova de automobilismo este ano. O Hong Kong ePrix – prova pontuável para o Campeonato FIA de Fórmula E - que visitou as ruas adjacentes ao Central Harbourfront em 2016 e 2017, só deverá regressar em 2019. Isto, por uma questão de calendarização que irá colocar a prova de Hong Kong mais tarde na próxima época. A quinta temporada da Fórmula E não deverá arrancar pela primeira na Ásia, mas sim no Médio Oriente, seguindo depois a caravana para a prova africana do calendário, antes de rumar à América do Sul. Segundo o portal especializado no campeonato gerido pela Formula E Holdings, e-racing365.com, a prova de Hong Kong da temporada 2018/2019 será realizada no mês de Março de 2019 e não em Outubro, como em 2016, nem em Dezembro, depois do Grande Prémio de Macau, como aconteceu o ano transacto. O calendário final para a temporada de 2018/2019 do Campeonato FIA de Fórmula E deverá ser oficializado em Junho, depois do Conselho Mundial da FIA que será realizado pela primeira vez em Manila, Filipinas. AAssociação Automóvel de Hong

AUTOMOBILISMO NÃO DEVERÁ HAVER CORRIDA EM HK EM 2018

Ano sabático

A quinta temporada da Fórmula E não deverá arrancar pela primeira na Ásia, mas sim no Médio Oriente, seguindo depois a caravana para a prova africana do calendário, antes de rumar à América do Sul.

Kong (HKAA), cujo contrato para receber uma prova da Fórmula E está a terminar, terá também estudado uma alternativa na cidade ao traçado desenhado pelo arquitecto português Rodrigo Nunes, ainda

não confirmou oficialmente esta informação.

LISBOA À ESPREITA

Ainda no mês de Março e depois da visita à ex-colónia inglesa, a PUB

FIFA PORTUGAL SAI DO PÓDIO

A

selecção portuguesa de futebol foi desalojada pela Bélgica do terceiro lugar - a melhor classificação de sempre - no ‘ranking’ da FIFA, que foi ontem divulgado e que continua a ser liderado pela campeã mundial Alemanha. A Bélgica saltou da quinta para a terceira posição, ultrapassando, além de Portugal (que fechava o pódio da hierarquia da FIFA desde 14 de Setembro de 2017 e caiu para o quarto posto), a Argentina, vice-campeã mundial, actual quinta posicionada. A Espanha, adversária de equipa lusa na fase final do Mundial2018, protagonizou outra das quedas entre os 10 primeiros colocados, do sexto para o oitavo lugar, tendo sido ultrapassada pela Suíça (quinta) e a França (sexta). A Polónia teve uma queda ainda mais pronunciada, da sexta para a 10.ª posição, imediatamente atrás do Chile (nono), enquanto o Brasil manteve-se no segundo lugar do ‘ranking’, mesmo tendo vencido a Alemanha em jogo particular, por 1-0. O Irão, treinado pelo português Carlos Queiroz e último adversário de Portugal no Grupo B do Campeonato do Mundo,

desceu três lugares, para 36.º, ao passo que Marrocos, que a ‘equipa das quinas’também vai defrontar no torneio mundial, permaneceu na 42.ª posição, enquanto o Burkina Faso, orientado por Paulo Duarte, subiu três posições, para o 53.º. Cabo Verde continua a assumir-se como o melhor dos países de expressão portuguesa, depois do Brasil, tendo subido do 61.º para o 58.º posto, em contraponto com a Guiné-Bissau, que tombou oito lugares, para 104.º, à frente de Moçambique (106.º), Angola (138.ª), São Tomé e Príncipe (187.º) e Timor-Leste (190.º). ‘RANKING’ EM 12 DE ABRIL 1. (1) Alemanha 1.533 2. (2) Brasil 1.384 3. (5) Bélgica 1.346 4. (3) Portugal 1.306 5. (4) Argentina 1.254 6. (8) Suíça 1.179 7. (9) França 1.166 8. (6) Espanha 1.162 9. (10) Chile 1.146 10. (6) Polónia 1.118 (...) 58. (61) Cabo Verde 545 104. (96) Guiné-Bissau 330 106. (105) Moçambique 311 138. (141) Angola 221 186. (186) Macau 60 187. (179) S.T. Príncipe 59 190. (190) Timor-Leste 44

Futebol Chan Hiu Ming com convite de clube de Hong Kong Chan Hiu Ming, o antecessor de Iong Chong Ieng na selecção de Macau, foi convidado para se juntar à equipa técnica do Lee Man FC, clube que milita na primeira divisão de Hong Kong. A notícia foi avançada pelo jornal da região vizinha Ming Pao, que não revela a resposta ao convite do anterior seleccionador de Macau. No entanto, caso Chan Hiu Ming aceite o convite, o técnico vai juntar-se ao clube que é orientado por Fung Ka Ki, antigo internacional por Hong Kong. Chan Hiu Ming deixou os comandos da selecção da Flor de Lótus, justificando a decisão com motivos pessoais e o final do contrato. A decisão causou surpresa entre os jogadores locais, uma vez que o técnico apenas esteve oitos meses no comando da equipa da Associação de Futebol de Macau.

competição exclusiva de carros eléctricos deverá rumar à ilha de Hainan, naquele que será um regresso do campeonato à China Continental, após uma curta passagem por Pequim. O mercado chinês

é prioritário para os vários construtores automóveis envolvidos no campeonato e para as duas equipas chinesas que fazem parte do campeonato, Techeetah e NIO. Numa primeira avaliação, o governo da ilha, que é uma região económica especial e um importante centro turístico da República Popular da China, não se opôs à organização do evento. Tal como vários outros países, Portugal também está no radar deste campeonato que nos seus primórdios foi oferecido à RAEM e onde actualmente compete o português António Félix da Costa, um duplo vencedor do Grande Premio de Macau de Fórmula 3. A Formula E Holdings terá conduzido um estudo em Novembro do ano passado para realizar uma prova nas ruas da capital portuguesa. Os resultados e conclusões deste estudo não são do domínio público. Contudo, Lisboa não fará parte do calendário da quinta temporada, sendo apenas uma hipótese, entre muitas, para a temporada de 2020/2021. Sérgio Fonseca

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1 6 1 2 7 3 3 2 4 6 3 2 6 5 2 2 7 5 6 T E M P O N U B L A D O M I N 62 3 5M2A4X 22 81 3 1 4 5 6 3 1 7 O QUE FAZER ESTA SEMANA 51 7 5 6 4 1 6 Hoje PALESTRA ACERCA DO TAOÍSMO POR HANS-GEORG MOELLER 51 Livraria Portuguesa | 18h30 5 2 Diariamente 3 1 65 4 MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM | Até 13/5 2 76 45 4 1 EXPOSIÇÃO “PINACOTROCA” DE RODRIGO DE MATOS Creative Macau | Até 21/04 4 2 7 3 7 EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” 1 6 12 7 Galeria Tap Seac | Até 17/06 5 EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” Estudio City Macau 57 3 41 36 5 4 3 2 Cineteatro C I N E M A 2 7 6 5

18 (f)utilidades

?

4 6 1 5 3 4 H7U M3 6 7 5 2 2 1 6 3 5 4 2 7 1

7 2 6 3 5 1 4

O CARTOON STEPH 53

1 50 4 5 7 2 1 7 3 1 5 7 1 1 4 6 760 - 9 8 % •6 6 E U7 R O4 2 5 3 7 4 4 5 2 52 2 6 3 3 2

2 7 1 5 4 6 3

DE

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5 6 1 3 7

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 53

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UMA SÉRIE HOJE

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PROBLEMA 54

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5 13.4.2018 5 3 4 6 3 1 sexta-feira 5 2 7 2 2 7 6 4 5 7 2 1 3 1 3 2 5 7 1 4 6 5 2 11 0 . 0 1 B A H T 0 . 2 5 Y U A N 1 . 2 7 1 5 3 2 7 3 4 6 1 6 4 2 1 4 5 3 7 6 7 6 1 3 VIDA DE CÃO6 2 7 3 4 4 1 7 5 A IDADE 2 DA 6 1 4 5 RAZÃO Abençoada capacidade de pensamento 1 crítico que nos eleva patamares acima 57meros recipientes de condas hordas 6 7 teúdos. Tão bom conseguir discernir entre realidades liberdade 7 3 1 6 7 e6ter a 5 2 para3 5 as poder colocar em causa. A corrente ar que percorre o espaço entre duas 2 4 6 7 dejanelas 3 sabe 5 tão2bem, 6limpa 7o abertas bafio, o ar estagnado da opacidade, o 4 25 3 2 pó que se acumula 2 1em preces 4 3à Santa5 Inércia. Tão bom ver a luz avançar e a treva, 6 2 34 1 alumiar 1 mostrando 7 6 aquilo 4 que2 nos tem inquinado na penumbra. Que bom que é ter uma voz que rompe o 5 3 7 1 4 amordaçado e que canta de 71 6 2 5 silêncio forma solta, autónoma, indiferente 5 1 7 3 uma 6indiferente 4 3ao ruído. 7 Que1 aos zunzuns, satisfatório ter uma galáxia no peito, firmamos 3 7 5 4 enquanto 4 2os pés1nas calçadas 5 6 gastas da aldeia. Essa imensidão interior

5 6 1 57 3 34 2

7 1 2 5 4 3 56

3 54 6 31 7 2 15

4 5 7 3 2 6 1

S U D O K U

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que não nos abandona e que permite o dom da perspectiva, da racionalidade serena, mesmo no momentos de maior ebulição. Macau, de certa forma, é um território em forma de adolescente borbulhento. Mimado de novo-riquismo, encerrado em si mesmo, emparedado entre as Portas do Cerco e o mar, maldisposto com tudo, enquanto se debate com uma avassaladora crise hormonal. Quer tudo, mas por nada se interessa. Queixa-se de que tudo de forma inconsequente, mas depois faz beicinho e finca-pé quando alguém traz uma visão de outro ângulo. Sossega, já passaste a maioridade, Macau. Está na altura de ultrapassar a constante litania de lamúrias e crescer, sem medos de autoanálise, da claridade, da corrente de ar. Tudo vai ficar bem no fim, Macau. Prometo-te! João Luz

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7 2 5 6 1 3 4

1 5 6 7 2 4 3

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“HAPPY TREE FRIENDS” | KENN NAVARRO, RHODE MONTIJO (1999)

“Happy Tree Friends” é um desenho animado de humor negro produzido pela companhia Mondo Media, dos Estados Unidos, com uma veia narrativa não recomendada para os menores. O primeiro episódio teve estreia em 1999 e continua em emissão com novos episódios onde não falta sangue, sofrimento e violência. Cada episódio deste desenho animado, em que praticamente não há diálogos, está pejado de mortes de personagens de formas bastante violentas, um factor que é relativizado por ser em animação. Um belo paradoxo. Vítor Ng RAMPAGE SALA 1

SALA 3

Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS Filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Ray Lui, Bonnie Xian 14.30, 16.30, 19.30

RAMPAGE [C]

SALA 2

SECRET SUPERSTAR [B] FALADO EM HINDI COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Advait Chandan Com: Aamir Khan, Zaira Wasim 14.30, 17.30, 20.30

TOMORROW IS ANOTHER DAY [C]

READY PLAYER ONE [B] Um filme de: Steven Slpielberg Com: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, T.J. Miller 14.30, 19.00, 21.30

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opinião 19

sexta-feira 13.4.2018

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

VAN GOGH, VELHOTE ARREPENDIDO(PORMENOR)

Peço desculpa à população de Macau

R

Este ano assinala-se o 25º aniversário da promulgação da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau. É mesmo necessário envidar sérios esforços para estudar esta lei aprofundadamente.

ECENTEMENTE, devido à discussão na Assembleia Legislativa da proposta de lei sobre a criação do “Instituto para os Assuntos Municipais”, voltei a debruçar-me detalhadamente sobre a Lei Básica. Consultei também a versão chinesa desta lei, escrita em caracteres simplificados, pelo Professor Xiao Weiyun, que integrou a Comissão da Redacção da Lei Básica de Macau. Quando comparei a versão do Professor Xiao com a versão oficial do Governo de Macau, percebi que existe um problema na escrita (dos caracteres) da versão oficial. Nunca me tinha apercebido desta questão e aposto que na versão portuguesa não existe qualquer problema. Na escrita chinesa cada palavra é representada por um caracter, e cada caracter tem a sua origem e o seu uso devido. Mas devido

à utilização dos caracteres simplificados na China, os habitantes de Macau podem por vezes confundi-los com os tradicionais. A diferença de uma palavra (caracter) pode resultar numa mudança de sentido. Duas palavras diferentes (dois caracteres diferentes), não podem ser usadas indiferenciadamente na Lei Básica, pois pode dar azo a uma confusão grave, sobretudo se considerarmos o rigor que deve existir a este nível. Sinto que tenho de pedir desculpas à população de Macau por esta falha, porque não a detectei quando estudei a Lei pela primeira vez, numa época em que era mais jovem e muito naïve. O problema a que me tenho vindo a referir pode ser encontrado no Artigo 95 da versão chinesa da Lei Básica. Os caracteres problemáticos são o “托” e o termo “委 托”, situados na segunda frase do Artigo. De facto, a palavra correcta é “託” é não “ 托”. O radical da palavra chinesa (caracter) deverá ser “言” em vez de “手”. Assim, o termo correcto será “委託” e não “委托”, porque “委託” significa ser depositário de

confiança ou estar autorizado, ao passo que “委托” quer dizer usar a mão para erguer alguém. Hoje em dia, os chineses, onde me incluo, usam com frequência os caracteres simplificados, fazendo várias confusões entre caracteres semelhantes ou usando caracteres parecidos indiferenciadamente, algo que não deveria acontecer. O Professor Xiao viveu na China e para ele era normal escrever com caracteres simplificados. No livro “Discussão sobre a Lei Básica de Macau” (論澳門基本法) publicado pela Universidade de Pequim na versão simplificada, é natural aparecer o caracter “委托”. Mas já não é natural que, na versão em chinês tradicional, da “Revista de Administração Pública de Macau” publicada pela SAFP, em Janeiro de 1993, apareça o caracter “委托” grafado nos seus conteúdos. Este caracter incorrecto conseguiu abrir caminho até à versão oficial da Lei Básica de Macau. Acredito que, ao longo destes 25 anos, pessoas mais eruditas em chinês

Sinto que tenho de pedir desculpas à população de Macau por esta falha, porque não a detectei quando estudei a Lei pela primeira vez, numa época em que era mais jovem e muito naïve. O problema a que me tenho vindo a referir pode ser encontrado no Artigo 95 da versão chinesa da Lei Básica. Ex-Deputado • Membro da Associção Novo Macau

do que eu, devem ter dado pelo erro, mas não se manifestaram. Além disso, no ensaio “A estrutura política da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau”, escrito pelo Professor Xiao, quando são referidos os “órgãos municipais” (sem poder político e estes são incumbidos pelo Governo...), mencionados no Artigo 95 da Lei Básica, o autor defende que “os órgãos municipais respondem pelo trabalho desenvolvido pelas duas câmara municipais existentes e que são outorgados/ autorizados (委託) para desenvolver as tarefas designadas e dar pareceres de carácter consultivo ao Governo, mas não têm poder politico”. No seu ensaio, o Professor Xiao afirma claramente que a competência dos “órgãos municipais” assenta nas câmaras municipais existentes, mas não menciona que os membros da direcção dos “órgãos municipais” não podem ser eleitos directamente. Antigamente, os membros da direcção das câmaras municipais podiam ser eleitos directamente. Enquanto assistia ao debate da Assembleia Legislativa na televisão, ao ouvir algumas interpretações da Lei Básica, percebi que é difícil encontrar quem realmente entenda e defenda o verdadeiro intuito desta lei. O Professor Xiao já faleceu, mas deixou-nos muitos documentos e ensaios valiosos para nos servirem de referência. É uma pena que ninguém lhes dê o devido uso.


Não encontrarás a paz ao evitares a vida.

Virginia Woolf

JAPÃO PRESIDENTE DO FABRICANTE DE ‘AIRBAGS’ TAKATA DEMITE-SE

EFEMÉRIDE COREIA DO NORTE CELEBRA O ANIVERSÁRIO DO FUNDADOR DO PAÍS

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A

presidente do fabricante japonês de ‘airbags’ Takata, Shigehisa Takada, anunciou ontem a demissão após a venda de praticamente todos os activos à empresa norte-americana Key Safety System (KSS), por 1.284 milhões de euros. A Takata, declarada falida em Novembro, devido aos avultados prejuízos causados pelos dispositivos de segurança defeituosos, completou, na terça-feira, a transferência dos activos e negócios, de acordo com um comunicado da empresa. “Espero que, doravante, a tecnologia e os recursos humanos que temos produzidos e treinado possam contribuir para o desenvolvimento da indústria automobilística e para a segurança dos nossos clientes, com a nova gestão da KSS”, despediu-se Shigehisa Takada. A KSS é um fornecedor de componentes automóveis com sede no estado norte-americano de Michigan e propriedade da Ningbo Joyson Electronic Corporation, da China, e possui uma rede global de 13 mil funcionários. Fundada em 1933, a Takata, um dos maiores fornecedores de ‘airbags’ e de outros dispositivos de segurança viária do mundo, tem lutado nos últimos anos com graves dificuldades financeiras devido aos problemas nos ‘airbags’. O defeito dos ‘airbags’ da Takata, detectado em 2014, localiza-se nos infladores, concretamente no encapsulado metálico onde se aloja a bolsa de ar, que pode abrir-se com demasiada força e projectar fragmentos contra os ocupantes da viatura. Os ‘airbags’ defeituosos da Takata causaram pelo menos 22 mortos e mais de 180 feridos, em todo o mundo, segundo a agência noticiosa Associated Press.

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sexta-feira 13.4.2018

PALAVRA DO DIA

Com a bênção do Dr.

Coreia do Norte está a celebrar o 106.º aniversário do nascimento de Kim Il-sung, fundador do país e avô do actual líder, e mais de 200 artistas estrangeiros participaram, na quarta-feira, no lançamento do Festival. Durante uma semana, Pyongyang enche-se de dançarinos, músicos e acrobatas para as comemorações do nascimento de Kim Il-sung (1912) que - apesar da sua morte em 1994 - permanece oficialmente como Presidente da República Popular Democrática da Coreia. Concertos, espectáculos de dança e acrobacias estão no programa da 31.ª edição do festival, que visa consolidar a lealdade à dinastia. Mais de 200 artistas estrangeiros participaram na quarta-feira no seu lançamento. A maioria era oriunda da Rússia, um dos aliados diplomáticos e económicos mais próximos do regime norte-coreano, e de antigas repúblicas soviéticas como a Bielorrússia. Mas havia também um pequeno contingente de artistas franceses, espanhóis e portugueses. O aniversário de Kim Il Sung (15 de Abril) é “o feriado mais importante para os coreanos em todo o mundo”, disse o ministro da Cultura norte-coreano, Pak Chun Nam, durante a cerimónia de abertura do festival.

Associação de jogos electrónicos liderada por Mário Ho recebida por Edmund Ho

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M A delegação de treze pessoas da Federação de Jogos Electrónicos de Macau, que tem como presidente o filho mais novo de Stanley Ho e Angela Leong, Mário Ho, foi recebida por Edmund Ho, na terça-feira. Durante o encontro, segundo o jornal Exmoo, o ex-Chefe do Executivo elogiou a criação da associação e sublinhou que, em conjunto, os vários jovens envolvidos na associação podem contribuir para o desenvolvimento da indústria de jogo electrónicos no território. Este é um passo que, para Edmund Ho, poderá abrir novas portas em termos de emprego, ao mesmo tempo que a indústria pode ser conciliada com novos tipos de turistas. Por sua vez, Mário Ho afirmou que a Federação de

Jogos Electrónicos de Macau tem como objectivo fazer de Macau um centro para diversas competições de jogos electrónicos, capaz de atrair jogadores e turistas ao território. Segundo o jovem empresário, os desportos electrónicos são um caminho para a diversificação do turismo local e que podem atribuir ao território um carácter distintivo, no que diz respeito às suas características. Por outro lado, o filho de Stanley Ho expressou o desejo que a associação na promoção desta indústria possa contribuir para o crescimento da economia local, ao mesmo tempo que coloca em contacto indústrias local e estrangeiras. Mário Ho explicou ainda que desde que começou a operar em Dezembro, a Federação de Jogos Electrónicos de Macau atraiu mais de 17 milhões de visitas nas plataformas digitais.

Em relação às actividades futuras, está agendado um torneio para 21 de Abril no Centro de Convenções de Macau, à frente do aeroporto. Além dos jogos electrónicos, como FIFA 2018, há igualmente uma competição de cosplay, ou seja de pessoas que se vestem como as personagens de desenhos animados. Também na área dos jogos electrónicos, a associação comprometeu-se em apostar no desenvolvimento da indústria, através da formação de membros e de interessados. Entre a delegação dos membros da Federação de Jogos Electrónicos de Macau esteve igualmente Kevin Ho, accionista do grupo Global Media, proprietário do jornal português DN, e sobrinho do próprio Edmundo Ho. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Militar Pequim anuncia exercícios com fogo real no Estreito de Taiwan

A China anunciou ontem exercícios militares com fogo real no Estreito de Taiwan, num período de renovadas tensões entre Pequim e Taipé, devido ao apoio dos Estados Unidos ao governo da ilha. O anúncio coincide com um comunicado das autoridades encarregues da segurança marítima na província de Hainan, de que a marinha do país terminou três dias de exercícios no Mar do Sul da China, um dia antes do planeado. A China realizou já missões no espaço aéreo em torno de Taiwan e tem repetidamente navegado o seu único porta-aviões, o Liaoning, em águas próximas do território. Os exercícios navais ontem concluídos em Hainan ilustram também as crescentes capacidades da China em defender os seus interesses marítimos e reclamações territoriais, sobretudo no Mar do Sul da China. Pequim está a construir novos navios para equipar a sua marinha, guarda costeira e agência de aplicação da lei marítima, incluindo um porta-aviões de fabrico inteiramente doméstico.

Hoje Macau 13 ABR 2018 #4030  

N.º 4030 de 13 de ABR de 2018

Hoje Macau 13 ABR 2018 #4030  

N.º 4030 de 13 de ABR de 2018

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