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MOP$10

QUARTA-FEIRA 13 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3954 JAMMI YORK

SOFIA MARGARIDA MOTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

OS hDIAS DA IRA JOÃO PAULO COTRIM

CELESTE WONG | PRESIDENTE DO IAS

Vem aí a lei da adopção

ERRO MÉDICO

S. Januário paga 2,5 milhões PÁGINA 8

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

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hojemacau Sulu Sou julgado a 9 de Janeiro

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É difícil encontrar um advogado que me queira defender

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PÁGINAS 6-7

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

SOFIA MARGARIDA MOTA

ENTREVISTA


2 ENTREVISTA

CELESTE WONG

Ajudar os que mais precisam é a tarefa geral do Instituto de Acção Social de Macau. Para Celeste Vong, presidente do organismo, há ainda muito que melhorar, mas as medidas que o instituto tem vindo a tomar estão a dar os seus frutos. Na calha está a revisão da lei da adopção sendo que será discutida, para o ano, com os serviços de justiça. As prioridades estão no apoio aos idosos.

“Vamos discutir a lei da adopção com a DSAJ no próximo ano” Que balanço faz da lei da violência doméstica depois de mais de um ano da sua entrada em vigor? Tem funcionado muito bem até agora. Tínhamos tudo bem preparado antes da lei entrar em vigor com outros departamentos do Governo, no total seis, e trabalhámos em proximidade com ONG. Tivemos uma boa preparação para a aplicação desta lei, e fizemos as necessárias regulamentações de como os vários organismos devem tratar os casos de violência doméstica. Fizemos manuais para todos os envolvidos, departamentos do Governo, ONG e também criámos o Sistema Central de Registo para recolher os números e a natureza dos casos. Tudo ficou pronto. Além disso, temos relações de trabalho muito próximas. Até agora, tivemos mais de 20 reuniões com esses membros. Acha que a população está sensibilizada e educada para denunciar casos de violência doméstica? A promoção é algo muito importante e que precisamos de reforçar. Nesse aspecto montámos também uma hotline aberta 24 horas e fazemos muita promoção através da televisão, rádio e outros meios para que toda a comunidade esteja desperta para o problema da violência doméstica. É importante para que quem saiba, ou suspeite, de casos denuncie às autoridades. A formação também é importante. Temos apostado nesse aspecto para os funcionários da hotline e também junto da comunidade como, por exemplo, em escolas. Também para os funcionários do Instituto de Acção Social. Temos mantido contacto de cooperação com a PSP, PJ, Serviços de Saúde, DSEJ, DSAL e o Instituto de Habitação. Em cada

meio ano fazemos uma reunião para avaliar a aplicação da lei. Temos mantido cooperação com as ONG que têm dez centros de serviços comunitários. Porquê o Instituto de Habitação? Porque as vítimas também têm problemas de alojamento. É nesse sentido que tentamos ajudar. Também temos dois abrigos para as vítimas, com 55 vagas e 2 abrigos temporários com 45 camas. Quantos homens receberam o vosso apoio por questões de violência doméstica? Tivemos três, ou quarto. Temos um centro para homens, com 11 vagas. Achamos que no conjunto temos capacidade suficiente para responder às necessidades e ainda temos lugares vagos para receber mais pessoas. Quantos lugares estão ocupados nas casas de acolhimento neste momento? Até Setembro eram 34, no centro de abrigo. Nas residências temporárias só temos seis pessoas. Internacionalmente, nesta matéria, são designadas equipas

“Para a revisão da lei da adopção, temos de trabalhar com a Direcção dos Serviços dos Assuntos de Justiça (DSAJ), porque é o departamento responsável pela redacção das leis.”

SOFIA MARGARIDA MOTA

PRESIDENTE DO INSTITUTO DE ACÇÃO SOCIAL

com psicólogos, assistentes sociais, médicos psiquiatras para acompanhar os casos. Acha que Macau tem psicólogos suficientes para fazer este trabalho? Na minha opinião, há falta de psicólogos. As pessoas fazem confusão entre o trabalho do assistente social e do psicólogo e, na realidade, os profissionais da área da psicologia estão sob a alçada dos Serviços de Saúde, enquanto nós temos assistentes sociais. Claro que nos serviços sociais também temos pessoas com formação em sociologia e disciplinas do género. A psicologia clínica é um ramo diferente. Os psicólogos clínicos, normalmente trabalham em conjunto com assistentes sociais. Na sua opinião, acha que é importante começar este tipo de trabalho aqui no IAS? Isso já acontece em Macau. Pessoas que têm formação em psicologia também podem trabalhar nas escolas, nos serviços sociais e são bem-vindos para trabalhar com os nossos assistentes sociais. Apesar de serem trabalhos diferentes, com formação diferente, há áreas em que podem trabalhar bem juntos, como por exemplo em terapia. Os psicólogos clínicos podem tratar dos casos mais graves. Mas acho que Macau tem falta de psicólogos clínicos. Na sua opinião o que pode ser feito? São necessários mais profissionais nessa área. Com o crescimento económico, muitas pessoas enfrentam agora problemas psicólogos e querem e precisam de ter apoio psicológico. Os assistentes sociais podem fazer isso, mas psicólogos clínicos podem ajudar em casos mais graves.

Quais os principais problemas psicológicos que a população de Macau enfrenta? É natural que durante as épocas de crescimento económico sejam agravados os problemas de cariz psicológico. A nossa responsabilidade é tentar o nosso melhor para equilibrar e para diminuir os efeitos secundários destes problemas nos cidadãos. Há mais stress, a constituição das famílias agora também é diferente, é mais pequena. Antigamente, os casais tinham, por regra, mais filhos. Era normal terem quatro ou cinco filhos, o que fazia com que houvesse pessoas dentro de casa com quem partilhar problemas, angustias e mesmo as alegrias. Agora, os pais têm um ou dois filhos, trabalham e o stress pode ser maior do que antes. Antes a vida era mais simples e actualmente, complicou-se. Relativamente à adopção. Neste momento Macau tem uma criança disponível para adopção


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e os centros de acolhimento estão cheios de crianças. Mas, os pais não autorizam que fiquem disponíveis para adopção e a lei não permite o seguimento dos processos sem autorização parental. Na sua opinião, acha que a lei da adopção precisa ser revista? Temos de olhar para este assunto com a solenidade que merece. Em Macau, não há muitas crianças para adopção, mas para garantir os direitos e interesses das crianças temos de ter uma atitude muito séria. Para a revisão da lei da adopção, temos de trabalhar com a Direcção dos Serviços dos Assuntos de Justiça (DSAJ), porque é o departamento responsável pela redacção das leis. Quanto ao processo de adopção temos trabalhado muito para que seja melhorado e facilitado mas, e mais uma vez, o mais importante é garantir os direitos e interesses das crianças. Temos mantido contacto permanente com as ONG para saber melhor acerca dos problemas nesta matéria.

Acha que é bom para uma criança passar a vida num abrigo? Porque a lei actual permite que isto aconteça. Acha isto positivo? De acordo com a minha memória, não temos muitos casos de crianças que ficam a vida inteira nos centros. Mas esses casos já existiram e podem existir se não houver alterações. A lei devia, ou não, estabelecer um prazo para os pais dizerem que querem ficar com a criança? Este tópico está na nossa agenda. Vamos discutir a lei da adopção com a DSAJ no próximo ano.

“Nos nossos serviços não damos só dinheiro, também ajudamos os utentes a reunirem as condições necessárias para que possam voltar a trabalhar.”

Em termos de pobreza, o que é que o IAS tem feito e o que é preciso ser feito? Atender às necessidades das pessoas que vivem numa situação de pobreza é uma das nossas maiores responsabilidades. Estamos contentes, porque a população mais pobre decresceu. De acordo com os nossos dados, em 2012 tínhamos cerca de 5900 famílias carenciadas e que precisavam da nossa ajuda, que precisavam de subsídios. Em 2016, só tínhamos 4400 famílias, sendo que mais de mil famílias já não recebem o nosso subsídio. Também no que diz respeito a casos novos, entre 2012 e 2016, todos os anos, são em média, 318. Mas os casos que deixam de precisar da nossa ajuda são, também em média, 550, mais do que os casos novos. Que razões estão na base destas melhorias? As razões para estes números prendem-se com a boa situação económica de Macau e com os

apoios sociais que ajudam as famílias a terem uma vida melhor. Por outro lado, também a taxa de desemprego é muito baixa. Nos nossos serviços não damos só dinheiro, também ajudamos os utentes a reunirem as condições necessárias para que possam voltar a trabalhar. Fornecemos formação e temos políticas de encorajamento para reintegração social. Os beneficiários de subsídios também continuam a receber os mesmos mesmo quando encontram trabalho, pelo menos até conseguirem estabilizar a sua situação economia. Queremos dar confiança às pessoas para que voltem a trabalhar, encorajá-las a assumir as suas responsabilidades. As pessoas não gostam de depender de terceiros, ou do Governo. Queremos que as pessoas se ajudem a elas próprias, se reergam, esse é o nosso propósito. Segundo os nossos registos, mais de metade das famílias que ajudamos, são quase pobres, ou seja, têm rendimento mas estão no limiar do risco

social. Também ajudamos pessoas para não caírem em situações de pobreza. Quais as principais razões de pobreza em Macau? Talvez, a doença. Mas as situações de pobreza locais têm que ver com perda de emprego que está muitas vezes associada a contextos de drogas ou de crime. Quais são neste momento as prioridades do IAS? Em 2016 tivemos a nossa reestruturação dos serviços e ainda estamos a acertar muitas coisas para ver o que podemos melhorar. Mas como prioridade neste momento, temos a organização dos lares para idosos existentes e a criação de mais. No que respeita às creches, pensamos que agora temos já lugares suficientes pelo que, de facto, a prioridade para a criação de lugares e de mais condições é destinada a idosos. Sofia Margarida Mota com João Luz info@hojemacau.com.mo


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HABITAÇÃO SOCIAL EXECUTIVO E DEPUTADOS NÃO SE CONSEGUEM ENTENDER

O ponto da discórdia

A reunião da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa durou duas horas e meias, mas legisladores e Governo não saíram do primeiro ponto da discussão

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S deputados e o Governo já estiveram reunidos por duas vezes para discutir o nome da Lei da Habitação Social e o foco do diploma, mas ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre o primeiro artigo do documento. Em causa está o facto do Executivo não querer que a lei abranja a construção e gestão dos edifícios de habitação social, ao contrário do que os deputados pretendem. “A lei chama-se Regime Jurídico de Habitação Social. E o objecto, que é o artigo primeiro, diz que é o regime fundamental da atribuição e do arrendamento. A visão da comissão é que o objecto é mais restrito do que o título da lei, porque defendem que não deve abranger só a distribuição e arrendamento, mas também a construção e a administração do edifícios”, afirmou Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas. “Nós [Governo] no objecto colocamos apenas a distribuição e o arrendamento porque são os dois objectos que achamos que devem ser legislados, porque a construção e administração, como é de conhecimento de todos, é competência do Governo. Toda a habitação social é construída pelo Governo e a Administração do Edifício”, frisou.

Estatuto dos Militarizados Deputados concluem análise do diploma

tentes, tem de apresentar uma alternativa, e explicar quem assume as responsabilidades da construção e administração. Estas matérias têm de ser incluídas”, sublinhou o deputado ligado aos Kaifong.

PREOCUPAÇÕES DOS DEPUTADOS

Ao longo de duras horas e meia tivemos a discutir este ponto e o secretário mostrou-se aberto ao debate. Ele compreendeu que nós só temos a intenção de aperfeiçoar o documento” HO ION SANG DEPUTADO

O responsável pela tutela da habitação comentou o conteúdo à saída da reunião de ontem. Por sua vez, Ho Ion Sang, presidente da 1.ª Comissão da Assembleia Legislativa, que tem em mãos o documento, explicou a visão dos deputados: “Atribuição, arrendamento, construção e administração, consideramos que são tudo vertentes que deviam ser incluídas no documento. A nossa intenção

Os deputados concluíram ontem a análise na especialidade da revisão do estatuto dos militarizados das Forças de Segurança de Macau (FSM). Segundo o parecer da 3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa, está resolvida a questão do acesso dos funcionários dos Serviços de Alfândega aos cargos de direcção e chefia das FSM. “É entendido que a opção de permitir que os intendentes alfandegários dos Serviços de Alfândega possam integrar o universo de recrutamento para os cargos dos directores e subdirectores da Direcção dos Serviços de Forças de Segurança e da Escola Superior das Forças de Segurança não suscita dificuldades de maior, sendo uma opção de gestão de pessoal adequada às necessidades actuais de recrutamento dos Serviços de Segurança de Macau”, lê-se no documento.

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é reunir todos os diplomas vigentes relacionados com a habitação social”, clarificou Ho Ion Sang. “Ao longo de duras horas e meia tivemos a discutir este ponto e o secretário mostrou-se aberto ao debate. Ele compreendeu que nós só temos a intenção de aperfeiçoar o documento”, acrescentou. “Se o Governo continuar a assumir que só quer as duas ver-

deputado Lam Lon Wai quer uma melhor gestão dos recursos de estacionamento do território e uma reabertura breve do parques que se encontram ainda fechados em consequência da passagem do tufão Hato pelo território. De acordo com o deputado, o Governo anunciou, no início de Outubro, que iria acelerar os procedimentos administrativos no âmbito da aquisição de equipamentos e das obras de reparação, para que os parques de estacionamento possam entrar em serviço o mais rapidamente possível. No entanto, além do auto-silo Pak Lok, três dos restantes equipamentos do género continuam fechados ao público.

Por outro lado, o presidente destacou as grandes preocupações dos deputados e nesse aspecto há dois grandes pontos: receio de insuficiência de habitação social e definição de um prazo para a ocupação das habitações. “Os deputados também querem definir um prazo para a entrega das casas, mas quanto a essa questão não há uma posição do Governo, mas vai ser discutido no futuro”, explicou Ho Ion Sang. “Os secretários estão preocupados com a construção da habitação social. Mas o Governo diz que a construção de habitação social na Avenida Venceslau Morais, na Wai Long e na Zona A dos aterros é suficiente”, completou. No entanto, antes do final da reunião, Ho Ion Sang explicou que até Janeiro que os deputados vão ter mais reuniões com o Executivo e que esperam chegar a um consenso. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com

GRANDE BAÍA MACAU, HONG KONG E GUANGDONG LANÇAM FEDERAÇÃO TURÍSTICA

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ACAU, Hong Kong e Guangdong assinaram na segunda-feira o acordo da federação turística da região metropolitana da grande baía, que integra também nove cidades da província de Guangdong, indicou um comunicado oficial. O objectivo é promover a interacção e cooperação entre os membros da federação através da integração de recursos e promoção conjunta da imagem do destino da região da Grande Baía. Além de Guangdong, Hong Kong e Macau, a federação abrange nove localidades: Guangzhou, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing. Criada sob a orientação daAdministração do Turismo da China, a Federação é uma iniciativa da Administração do Turismo de Guangdong, da Comissão para o Turismo de Hong Kong e da Direção dos Serviços de Turismo de Macau e insere-se na aplicação do acordo-quadro para o reforço da cooperação Guangdong-Hong Kong-Macau e promoção da construção da grande baía. A população da província de Guangdong, juntamente com a de Hong Kong e Macau, conta mais de 110 milhões de habitantes.

Lugares para parar

Lam Lon Wai quer que estacionamento local seja mais bem gerido

Para Lam Lon Wai, trata-se de uma situação preocupante, afirma em interpelação escrita.

NÚMEROS INSUFICIENTES

O tribuno eleito por via indirecta e com ligações à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) aponta ainda que, em Macau há um total de 240 mil veículos motorizados registados, sendo que existem apenas 70 mil lugares de estacionamento para motas e 126 mil nos auto-silos locais e nas ruas do território o que

representa, afirma, um número insuficiente de lugares. A situação agrava-se com três auto-silos fechados. “O transtorno para os moradores é muito grande”, lê-se na missiva. Lam Lon Wai alertou ainda para a situação em que alguns dos lugares de estacionamento públicos estão permanentemente ocupados pelos veículos do Governo. “Quando os veículos [públicos] são utilizados e saem dos estacionamentos, os lugares de estacionamento

ficam vazios durante sete e oito horas, o que revela que os estacionamentos não estão a ser bem aproveitados”, refere. Para o deputado trata-se de uma situação que tem vido a desagradar cada vez mais à população. Lam Lon Wai quer que as autoridades revejam a situação e reduzam as ocupações não necessárias a fim de garantir um bom aproveitamento de recursos. Vitor Ng

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início do julgamento de Sulu Sou e Scott Chiang está agendado para 9 de Janeiro, pelas 9h45, e o deputado foi notificados ontem, à tarde. Ao HM, o legislador revelou que está a trabalhar na sua defesa, mas que está a sentir dificuldades para contratar um advogado não-oficioso. Sulu Sou e Scott Chiang, ex-presidente da Novo Macau, são acusados de um crime de desobediência qualificada e são representados pela advogada Kuan Weng I, que foi nomeada de forma oficiosa. Porém existe a possibilidade de contratarem um causídico. “É difícil encontrar um advogado que esteja disponível para nos defender [activistas pró-democratas]. É um facto em Macau. A maior parte dos advogados antes de aceitar um caso destes vai pensar e reconsiderar mais do que o normal. É difícil em Macau, que não é como em Hong Kong, onde há advogados que gostam de defender pró-democratas”, afirmou Sulu Sou, ao HM. Contudo, o legislador reconhece que depois de ter sido suspenso que foi abordado por alguns escritórios locais, com que

JULGAMENTO SULU SOU

Advogados pouco valentes SOFIA MARGARIDA MOTA

Deputado suspenso começa a ser julgado no próximo ano e revela que em Macau é difícil para os pró-democratas contratar advogados que estejam disponíveis para os defender. Neto Valente diz que a questão é outra e, caso acreditasse na causa, até era capaz de ser ele a avançar

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PRIMEIRA SESSÃO AGENDADA PARA 9 DE JANEIRO


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foram discutidas algumas das complicações da defesa. “Após ter sido suspenso fui abordado por escritórios de advogados, com quem discutimos as dificuldades da nossa defesa. Agora estamos em processo de conversações”, acrescentou. Sulu Sou admite ainda que caso os arguidos acabem por decidir que a advogada Kuan Weng I é a melhor representante para o julgamento que não têm qualquer problema em trabalhar com ela.

MEDO NÃO, CAUSAS

Por seu lado Neto Valente, presidente da AAM, apresentou outra versão ao HM: “Não acredito que haja advogados com medo nem que tenham medo dos tribunais. Agora, pode é haver advogados que não se identifiquem com ele e que não o queiram defender por isso.” Parece, contudo, existir uma má relação de raiz entre o activista e os homens da barra. Para o causídico, “Sulu Sou e o grupo dele não podem estar sempre a dizer que os advogados não são necessários, que só actuam para fazer dinheiro e depois esperar que os advogados os queiram defender.” No entanto, o presidente da AAM refere que, prova-

velmente, alguns advogados recusaram devido à causa em questão. “Não acredito que tenham medo de o defender, porque se for preciso, e se

concordar com a causa dele, até eu o posso defender”, afirmou Neto Valente. Além disso, está igualmente em jogo uma questão

“A maior parte dos advogados antes de aceitar um caso destes vai pensar e reconsiderar mais do que o normal. É difícil em Macau, que não é como em Hong Kong, onde há advogados que gostam de defender pró-democratas.” SULU SOU DEPUTADO

de direitos. “Nenhum advogado pode ser obrigado a defender quem não quer, a não ser que tenha sido nomeado para tal, assim como também não acredito que não haja advogados disponíveis para o defender”, concluiu o presidente da AAM.

NOTIFICAÇÃO CHEGOU ONTEM

Entretanto, o deputado suspenso confirmou que já tinha sido notificado para a primeira sessão do julgamento, em que é arguido com Scott Chiang. “Já recebemos a

notificação do tribunal e o julgamento vai começar a 9 de Janeiro. Estamos a trabalhar na nossa defesa, mas ainda temos de nos encontrar com a advogada porque só fomos notificados esta tarde [ontem] sobre a nova data”, comentou. “O mais importante para nós, neste momento, é trabalharmos na nossa defesa. Ainda não sabemos bem como vai ser o primeiro dia do julgamento, mas vamos preparar-nos da melhor maneira”, acrescentou. Em relação às expectativas para o desfecho do caso, o deputado suspenso mostrou acreditar na possibilidade de haver um julgamento justo. “Só posso acreditar que vai ser um julgamento justo. Também acredito que o tribunal tem a capacidade de fazer um julgamento justo”, considerou. O HM contactou também Kuan Weng I, que preferiu não fazer qualquer comentário sobre a defesa do caso, tendo apenas dito que, ontem à tarde, ainda não tinha sido notificada para a data da primeira audiência.

HM • 1ª VEZ • 13-12-17

ANÚNCIO

Suspensão de Sulu Sou pode levar vários anos enquanto decorrem recursos

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decisão, poderão fazê-lo para o Tribunal de Segunda Instância.

MANDATO EM RISCO

Mesmo que o processo seja célebre, existe ainda a hipótese de Sulu Sou perder o mandato, por decisão da

Caso seja condenado com uma pena de prisão superior a 30 dias de prisão, os deputados vão ser chamados a decidir se o pró-democrata deve continuar a exercer o seu mandato

Assembleia Legislativa. Caso seja condenado com uma pena de prisão superior a 30 dias de prisão, os deputados vão ser chamados a decidir se o pró-democrata deve continuar a exercer o seu mandato. A pena para o crime de desobediência qualificada é punido com uma pena de prisão que pode ir até aos dois anos. Sulu Sou está a ser acusado do crime de desobediência qualifica, a par do ex-presidente da Novo Macau Scott Chiang, por terem participado numa manifestação contra a doação da Fundação Macau, no valor de 100 milhões de yuan, à Universidade de Jinan. Esta é uma instituição de ensino com a qual o Chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, está envolvido. Segundo um comunicado da polícia sobre a acusação, todos os manifestantes do protesto caminharam na estrada junto ao centro comercial New Yaohan, ao contrário das indicações da polícia, 50 pararam num cruzamento onde não podiam estar e 11 atiraram aviões de papel contra o Palácio do Chefe do Executivo. Sulu Sou e Scott Chiang foram os únicos acusados.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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Até à próxima legislatura deputado Sulu Sou foi suspenso pela Assembleia Legislativa a 4 de Dezembro e aguarda pelo desfecho do caso em que é acusado de desobediência qualificada. No Plenário em que foi decidida a suspensão, os deputados excluíram a hipótese de balizar temporalmente a decisão, como proposto por José Pereira Coutinho, o que até pode fazer com que Sulu Sou não volte a sentar-se na Assembleia Legislativa. A opção dos deputados fez com que Sulu Sou esteja afastado do seu lugar de durante um tempo indeterminado, apesar dos cerca de 9 mil votos com que foi eleito. No limite, o membro da Assembleia Legislativa pode mesmo não regressar a tempo desta Legislatura, que termina em 2021. Isto porque a suspensão só chega ao fim, quando houver uma decisão final, ou seja a decisão transitar em julgado. Contudo, o processo pode arrastar-se durante vários anos, uma vez que se tanto o arguido como o Ministério Público decidirem recorrer da primeira

Também o presidente da Associação de Advogados de Macau, Jorge Neto Valente, foi contactado sobre a eventual dificuldade dos activistas pró-democratas sentirem dificuldades em contratar advogados, mas até ao final da noite os telefonemas e mensagens enviadas ficaram sem resposta. Sulu Sou e Scott Chiang são acusados de um crime de desobediência qualificada por se terem deslocada às imediações da residência do Chefe do Executivo, durante a manifestação contra o donativo de 100 milhões de yuan da Fundação Macau à Universidade de Jinan. O crime é punido com uma pena que pode ir até aos dois anos de prisão ou 240 dias de multa. Em caso de pena igual ou superior a 30 dias, o plenário é chamado a votar a perda de mandato do deputado, que está suspenso desde a semana passada.

Acção de Interdição n.º

CV2-17-0057-CPE

2º Juízo Cível

Requerente: O MINISTÉRIO PÚBLICO. Requerido: HO CHIN SU. *** O MERETÍSSIMO JUIZ DO 2º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: FAZ SABER que foi distribuída ao 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, contra HO CHIN SU, casado, nascida em 12 de Agosto de 1954, actualmente internado no Centro Hospitalar Conde de S. Januário, Macau, para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, aos 28 de Novembro de 2017. ***


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Instituto de Acção Social (IAS) garantiu ontem, em comunicado, estar atento às condições dos moradores idosos em Coloane, depois de uma reportagem publicada pelo jornal Oriental Daily, de Hong Kong, ter noticiado as más condições de vida de alguns moradores. A reportagem fala do caso de uma idosa, de apelido

IDOSOS RECUSARAM AJUDA DO INSTITUTO DE ACÇÃO SOCIAL Chan, que vive juntamente com o marido de 87 anos numa barraca de zinco, e que disse ao jornal que vive perto de ratos e baratas, além de ter uma casa-de-banho no meio da sala. Ambos os idosos afirmaram que o Governo nunca

lhes prestou qualquer tipo de auxílio. Uma outra idosa, de apelido Cheong, referiu que corre perigo de vida caso haja um incêndio no local onde vive, devido à acumulação de equipamentos da cozinha na residência.

Em comunicado, o IAS afirmou ter dado seguimento ao caso dos idosos, tendo-lhe oferecido alojamento temporário, mas que essa ajuda foi recusada. Por outro lado, segundo um comunicado do Instituto para os Assuntos

Cívicos e Municipais (IACM), o pessoal do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas deu atenção às condições de vida dos moradores na vila de Coloane, tendo entrado em contacto com um idoso de apelido Lo para se inteirar da sua situação. A entidade explicou que Lo já tinha sido contacto pelo IAS.

JUSTIÇA HOSPITAL SÃO JANUÁRIO CONDENADO EM CASO DE NEGLIGÊNCIA MÉDICO DURANTE PARTO

Um azar para a vida toda

O Centro Hospitalar Conde de São Januário foi condenado num caso de negligência médica durante um parto que resultou na paralisia cerebral profunda. O hospital e o médico que se sentou no banco dos réus foram condenados a pagar mais de 2 milhões de patacas, assim como todas as despesas futuras da criança resultantes dos danos sofridos durante o parto

O Tribunal condenou o São Januário e o médico envolvido ao pagamento de uma quantia de 1,8 milhões de patacas a título de danos não patrimoniais e 405 mil patacas a título de danos patrimoniais.

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caso remonta a 1 de Novembro de 2010, com o feliz augúrio de uma futura mãe que sente as suas águas rebentarem. A alegria, que deveria ser a emoção dominante num nascimento, foi substituída por consternação e tristeza. No passado dia 20 de Novembro, o Tribunal Administrativo condenou o

Centro Hospitalar Conde de São Januário e o médico envolvido, Huang Yaobin, ao pagamento de uma quantia de 1,8 milhões de patacas a título de danos não patrimoniais e 405 mil patacas a título de danos patrimoniais. As partes foram condenadas ainda a pagar as despesas que venham a ser necessárias para fazer face aos danos futuros da criança, nomeadamente os tratamen-

tos adequados, fisioterapia, medicamentos, educação especial e as demais despesas da vida quotidiana que se revelem necessárias. A enfermeira que também se sentou no banco dos réus, Vong Iok Lin, foi absolvida. Tanto o centro hospitalar, como os pais da criança interpuseram recurso para instância superior. O processo deu entrada na secretaria do Tribunal Ad-

ministrativo em 2013, com os pais da criança a pediram uma indeminização superior a quatro milhões de patacas.

NASCIMENTO ATRIBULADO

A enfrentar o primeiro parto, a futura mãe correu para o Hospital São Januário na madrugada de 1 de Novembro, onde lhe foi administrada Citocil, um fármaco que induz contracções de forma a preparar o feto e partu-

riente para o parto natural, depois de uma gestação que decorreu sem incidentes. Depois de um dia inteiro de induções, e sem sinais de progresso no que toca à dilatação do colo do útero, o bebé começou a sofrer alterações nos batimentos cardíacos. Em resposta à situação, a enfermeira que acabou por ser absolvida, administrou oxigénio à grávida para combater o stress

provocado ao feto pela administração do Citocil. Às 15h34 do dia 2 de Novembro, o bebé registou o primeiro incidente de bradicardia, ou seja, o seu ritmo cardíaco diminuiu ao ponto de reduzir a circulação sanguínea. Durante a sessão de julgamento, um obstetra arrolado como testemunha para o processo, explicou ao tribunal que mais de 10 minutos desta situação são o suficiente para provocar danos irreversíveis no cérebro do bebé por falta de irrigação de sangue. Os normais batimentos cardíacos de um feto estão entre os 110 e os 160 por minuto, sendo que abaixo dos 100 já há um esforço considerável para um bebé. Neste caso, os batimentos chegaram aos 60 por minuto. Segundo a testemunha ouvida pelo colectivo de juízes, se nesta altura tivesse sido chamado um médico, talvez hoje a criança não sofresse da paralisia profunda que a deixou completamente incapacitada para a vida. Porém, isso não aconteceu. Às 15h59, o ritmo cardíaco do feto voltou a descer para níveis graves de bradicardia, onde se manteve até ao parto, às 16h16. Em resultado desta ocorrência, o bebé nasceu sem pulso, tendo sido reanimado sete minutos depois. Ou seja, esteve 24 minutos sem oxigénio no cérebro, algo que, alegadamente, resultou na paralisia cerebral profunda do recém-nascido. Sem haver ainda admissão dos pedidos de recurso, está para breve o retorno deste trágico caso à barra do Tribunal de Segunda Instância. Em princípio o processo será litigado em secretaria, ou seja, as alegações serão feitas por escrito, a não ser que uma das partes impugne a prova feita na primeira instância. João Luz

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Rui Leão, presidente do Conselho Internacional de Arquitectos de Língua Portuguesa, defende que, para que Macau seja um território prestador de serviços no contexto da política “Uma Faixa, Uma Rota”, deve flexibilizar a contratação de trabalhadores especializados

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LEXIBILIZAR a contratação para que Macau possa constituir-se como um prestador de serviços no contexto da política “Uma Faixa, Uma Rota”. É esta a ideia deixada pelo arquitecto Rui Leão, que participou ontem no 5º Congresso do Direito de Língua Portuguesa, na Universidade Cidade de Macau na qualidade de presidente do Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP). “Tem de haver a cultura da meritocracia e têm de ser dadas condições às empresas para crescerem. Se não tenho capacidade de empregar pessoas e se tenho tantos entraves para empregar, [o que acontece é que existe] uma política que destrói a possibilidade de criar aqui uma rede de empresas capazes de dar resposta”, defendeu ao HM. Rui Leão não tem dúvidas de que a falta de flexibilização

“UMA FAIXA, UMA ROTA” ARQUITECTOS DEFENDEM FLEXIBILIZAÇÃO LABORAL

Nesse sentido, “os sectores profissionais deveriam compreender isso e a capacidade profissional deveria ser valorizada. Deveria haver mais capacidade, competência nestes sectores para dar resposta a todo o tipo de serviços que pode estar agregado a essa política”, adiantou Rui Leão.

Lei Leão

laboral poderá afastar empresas para os territórios vizinhos. “Se é difícil contratar, o que acontece é que as empresas com maior capacidade de investimento vão para Zhuhai, Cantão, Shenzen ou Hong Kong. O Governo tem de perceber que, ou muda estas políticas de acesso à mão-de-obra, ou não está a permitir que as coisas mudem.” “E no contexto da política ‘Uma Faixa, Uma Rota’, [Macau] vai continuar sempre com o seu papel único de agente intermediário, que é muito pobre, porque não cria know-how e apenas investimento de alguns. A classe dominante não é suficiente para criar diversidade e autonomia de Macau enquanto sociedade. Estamos sempre dependentes do know-how dos outros, porque não se deixa o know-how daqui crescer”, acrescentou o arquitecto. A política lançada por Xi Jinping, que esteve ontem em

NEGÓCIOS NÃO DEVEM DOMINAR

Se não tenho capacidade de empregar pessoas e se tenho tantos entraves para empregar, [é porque existe] uma política que destrói a possibilidade de criar aqui uma rede de empresas capazes de dar resposta RUI LEÃO PRESIDENTE DO CIALP

debate no congresso, constitui “uma oportunidade única para Macau, para crescer de uma forma interessante, com saber, cultura e know-how, para que seja uma cidade global”.

Questionado sobre se o património local poderá manter-se no contexto de “Uma Faixa, Uma Rota”, Rui Leão acredita que sim, dependendo das políticas implementadas pela RAEM. “Macau conseguirá manter o seu património e o seu tecido histórico se trabalhar para isso. Penso que tem os instrumentos de salvaguarda e gestão que, como nós sabemos, não são suficientes para assegurar o património. Tudo depende do exercício de governação.” Rui Leão defende que, no futuro, o património não deverá estar à mercê das regras do mercado imobiliário. “Não pode ser tudo uma política de negócios e são precisas políticas para que, através do planeamento, se criem mais valias que não sejam a da pura operação imobiliária. Deve dar-se outro tipo de contrapartidas aos proprietários e moradores de zonas de património para que seja atractivo eu tomar conta ou recuperar.” Na apresentação de ontem, Rui Leão falou ainda sobre projectos recentes desenvolvidos pelo CIALP de resposta à política chinesa. “Demos início a alguns projectos que são muito importantes ao nível de trocas de formação profissional nos vários territórios que integram esta política. Temos um programa de estágios ao nível de gestão urbana que vai iniciar-se em Janeiro e que são experiências importantes. Faz sentido estender isso, não só por causa da política ‘Uma Faixa, Uma Rota’, mas também porque os nossos colegas chineses estão genuinamente interessados no que estamos a fazer, na nossa experiência”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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LAI CHI VUN PROCESSO DE CLASSIFICAÇÃO DE ESTALEIROS COMEÇA SEXTA-FEIRA

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M comunicado do Instituto Cultural (IC) ontem divulgado revela que o processo de classificação dos estaleiros de Lai Chi Vun como património terá início esta sexta-feira. Em causa está uma petição por parte da sociedade que exigiu ao Governo dar início aos processos de classificação aos estaleiros. Tendo considerado que o valor da zona dos estaleiros de Lai Chi Vun corresponde ao que está definido na lei de salvaguarda do património cultural, o IC procedeu de

imediato aos preparativos para o processo de classificaçãi. Na sequência da passagem do tufão Hato, a zona dos estaleiros ficou parcialmente danificada, como tal, o IC afirmou que ficaram concluídos nos últimos dias os trabalhos de remoção de destroços. Além disso, o IC prevê que no início do próximo ano se possa começar com a consulta pública sobre o processo de classificação, já com uma proposta pronta da parte do Governo.

APOMAC Reunidas cem mil patacas para vítimas do Hato

A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) reuniu cem mil patacas para apoiar “os seus associados, familiares e amigos com vista a ajudar, na medida do possível, as famílias das vítimas do tufão Hato”. A entrega dos fundos recolhidos teve lugar na semana passada nas instalações da APOMAC.

Macau Water Construídos três tanques em altura

A Macau Water está a planear a construção de três tanques em altura para prevenir a falta de fornecimento de água em caso de catástrofes. A notícia foi avançada pela Rádio Macau. As infra-estruturas deverão ser construídas em locais que tenham uma altura de, pelo menos, 50 metros, sendo que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA) vai avaliar os locais disponíveis. Para já fica de fora a colina da Guia, por não ter capacidade para este tipo de infra-estrutura. Susana Wong, directora da DSAMA, disse esperar que os tanques sejam construídos no prazo de três anos.

Turismo Cidadãos aconselhados a antecipar viagens ao Reino Unido

O Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT) emitiu ontem um comunicado onde sugere aos cidadãos de Macau “para antecipar os seus planos de viagem, estarem atentos às condições meteorológicas e situação dos transportes locais” do Reino Unido, devido ao nevão que se faz sentir no país. Entretanto, a embaixada chinesa no país já emitiu um comunicado onde alerta os viajantes chineses para estarem atentos, uma vez que “o intenso nevão que se faz sentir em diversas regiões do Reino Unido têm vindo a afectar em diferentes níveis transportes aéreos, ferroviários e o metro”.

Nova Era Oito novos autocarros entraram ontem em funcionamento

Segundo o jornal Ou Mun, circulam desde ontem oito novos autocarros da concessionária Nova Era, que vão servir a rota 10B. Além de possuírem um sistema de administração inteligente, pois a circulação de autocarros estará sob vigilância da companhia em tempo real, haverá cintos de segurança disponíveis para todos os passageiros. A companhia Nova Era garantiu que no futuro vai continuar a experimentar autocarros com novas tipologias e equipamentos, para aumentar a qualidade de serviços de transportes públicos.


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quarta-feira 13.12.2017

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BRIGITTE BARDOT PEDE A CHUI SAI ON QUE GALGOS SEJAM ENTREGUES À ANIMA

BB contra o Canídromo LE POINT

presidente da ANIMA, Albano Martins, publicou no Facebook uma carta da eterna musa do cinema francês Brigitte Bardot a pedir ao Chefe do Executivo que os galgos do Canídromo sejam entregues à associação de defesa dos animais, assim como as instalações. Na missiva, a estrela francesa diz que Macau é uma cidade que almeja ser um Centro Mundial de Turismo e um pólo de modernidade, objectivos comprometidos pela mancha na reputação que é o Canídromo, “um lugar de morte, de onde os galgos não saem com vida”. Brigitte Bardot pede a Chui Sai On que não deixe que Macau “seja identificada como uma cidade de sofrimento” e despede-se na missiva assinando com “todo o coração e bons cumprimentos”. A diva do clássico “E Deus Criou a Mulher” junta-se a um naipe de celebridades que endereçaram cartas a Chefe do Executivo onde se conta Ricky Gervais, Roger Taylor e Brian May dos Queen, assim como alguns atletas medalhados nos Jogos Olímpicos. Em Itália, a mais antiga associação de protecção animal, fundada ainda no século XIX, pressionou o Embaixador chinês em Roma para levar a mensagem até Pequim. Foram organizados igualmente protestos em mais de vinte cidades italianas a pedir a intervenção do Executivo no salvamento dos galgos do Canídromo, sempre colocando a ferida nos bastiões defendidos pelo Governo:

o Centro Mundial do Lazer e Turismo e a cidade internacional. O encerramento do Canídromo, depois da pressão feita pela ANIMA, foi um momento que motivou alguma celebração. Porém, Albano Martins não esquece que “agora toda a gente bate palmas mas, há

uns tempos, mesmo alguns ilustre da terra diziam que o Canídromo fazia parte das tradições locais”. Quanto ao destino das instalações, nomeadamente as escolas que foram anunciadas para o local, são “hipóteses que ainda estão no ar e que parecem jogadas políticas”, teorizaAlbano

Martins. O facto é que ainda não há projectos estabelecidos para o local, “nem consenso do Governo sobre o que deve ser ali feito”. Até lá, o presidente da ANIMA espera ter um ano de gestão do Canídromo para tratar da logística necessária para salvar os galgos. J.L.


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Antony Sou e Matthew Ho, dos Faslane, acabam de lançar o primeiro disco da sua carreira. “War Broadcasting Service” está repleto de sonoridades da música electrónica que nos remetem para a guerra nos tempos modernos. No Sábado, os Faslane dão um concerto no âmbito do festival This is My City onde o vídeo também será protagonista

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sala estava às escuras, à espera que os sons acontecessem. Subitamente um vídeo agitou as mentes de quem ali estava a ouvir o concerto de música electrónica que era mais do que isso. O vídeo, cheio de imagens que remetiam para uma nova guerra nuclear, continha uma mensagem. À medida que as imagens se sucediam, os sons iam acontecendo, quase agressivos, sem uma ordem. Este foi um dos primeiros concertos que o duo electrónico Faslane, de Macau, deu no território, no Café Che Che. O álbum de estreia “War Broadcasting Service” volta a revelar-se ao público no próximo Sábado, num concerto a decorrer no espaço “What’s Up Pop Up” e inserido no festival This is My City (TIMC). Em Shenzen, China, o concerto tem lugar na sexta-feira. “War Broadcasting Service” não é sobre a época em que o nuclear era uma ameaça real, mas sim sobre uma guerra dos tempos modernos, onde a tecnologia tem o poder de revolucionar. “Vai ser um concerto de música electrónica com uma onda muito experimental. Neste projecto eu e o Mathew vamos passar sonoridades da música electrónica para criar uma atmosfera de um mundo moderno. Vamos ter uma performance de música e vídeo para o público”, contou Antony Sou ao HM. O nome do álbum surgiu

do momento em que os membros da banda ouviram uma transmissão radiofónica do período da II Guerra Mundial, que o Governo britânico transmitia aos seus cidadãos. “As sonoridades que colocamos nas músicas estão associadas ao barulho e à distracção. Dá-nos a ideia de estarmos na guerra. Ouvi o programa que o Governo do Reino Unido costumava transmitir aos cidadãos durante a II Guerra Mundial e encontramos algumas semelhanças com aquilo que queríamos fazer”, acrescentou o músico. O álbum, lançado em Julho, contém apenas três músicas e foi gravado em Macau. “Preparámos este álbum nos últimos dois anos e inclui gravações que eu e o meu parceiros gravámos. Escolhemos as que gostávamos mais. Uma das músicas vamos passar no concerto do TIMC e outras duas gravações são de concertos que demos no passado. Gostaríamos de apresentar o álbum como parte de uma performance em desenvolvimento”, adiantou Antony Sou. O vídeo que será transmitido será semelhante ao que foi revelado ao público no concerto do Café Che Che. “A música que mostrámos aí era algo violenta, havia barulho e sons que distraíam. Era a nossa visão da música a entrar na realidade, de como as pessoas reagiam às máquinas. É a nossa visão de uma guerra no mundo moderno. Não tem de facto uma mensagem política, é uma visão nossa caso

houvesse uma guerra nuclear nos dias de hoje”, explicou o músico.

DO PIANO PARA A ELECTRÓNICA

Antony Sou descobriu tarde a música electrónica, mas depressa percebeu que, com ela, podia criar novas sonoridades. “Cresci a tocar instrumentos acústicos. Aprendi piano em criança e toquei até há cinco anos. Depois descobri a flexibilidade dos instrumentos electrónicos e como me permitem a experimentar sons, em vez de tocar canções mais convencionais.” “A música electrónica ajuda-me a explorar algumas ideias, efeitos sonoros e como incorporar outros elementos na minha música. Comecei a achar fascinante a possibilidade de poder tocar outras coisas que não a guitarra ou o piano”, acrescentou. Com meses de existência, a reacção do público ao “War Broadcasting Service” tem sido positiva. “A reacção ao álbum tem vindo a crescer nos últimos tempos junto de pequenas comunidades. Depois de Agosto demos um concerto na Suíça, em Lausanne, num festival, e também tivemos um feedback positivo da parte dos organizadores do festival e do público.” Sobre a participação no TIMC, Antony Sou revela-se optimista. “Estou feliz por ter a oportunidade de tocar neste festival e espero que nos dê mais exposição junto do público de Macau”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Os son da gue

TIMC DUO DE MÚSICA ELECTRÓNICA FASLAN

Antony Sou, membro da banda Faslane “Vai ser um concerto de música electrónica com uma onda muito experimental. Neste projecto eu e o Mathew vamos passar sonoridades da música electrónica para criar uma atmosfera de um mundo moderno.”

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA TSUNAMI • Robert Muchamore Após um violento tsunami destruir quase por completo uma ilha tropical, o seu governador aproveita a situação para construir estâncias de luxo muito lucrativas. James Adams tem como missão proteger a família corrupta do governador da ilha e o agente não gosta muito da ideia, sabendo que esta será a sua última missão na Cherub. E, para complicar ainda mais, o seu colega Kyle Blueman reaparece com um plano ultra secreto, nada oficial e muito, muito perigoso… Chegada a hora da verdade, James terá de escolher entre ser leal à Cherub ou ao seu melhor amigo.

NA CAMA COM UM HIGHLANDER • Maya Banks Ewan, o mais velho dos irmãos McCabe, é um guerreiro decidido a destruir o seu inimigo. Agora que o momento é ideal para a guerra, os seus homens estão preparados e Ewan quer reaver aquilo que lhe pertence – até que uma tentação de olhos azuis e cabelo negro se atravessa no seu caminho. Mairin pode muito bem ser a salvação para o clã de Ewan, mas, para um homem que sonha com vingança, as questões do coração são um território desconhecido a conquistar.


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quarta-feira 13.12.2017

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NE ACTUA SÁBADO

Cinema ‘Curta’ de realizador sueco vence melhor filme e melhor ficção em Macau

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filme “Bitchboy” do realizador sueco Mans Berthas conquistou os prémios de melhor filme e de melhor ficção da oitava edição do festival Sound & Image Challenge de curtas-metragens, em Macua, indicou hoje a organização. O melhor documentário foi para “Nobody Dies Here”, de Simon Panay (França), enquanto o trabalho do realizador Ishan Shukla (Índia) conquistou o prémio de melhor animação, de acordo com uma nota enviada à Lusa. Na primeira edição do Sound & Image Challeng International a contar com a participação do festival de curtas-metragens de Vila do Conde, o realizador de Macau Chu Hio Tong conquistou o prémio Identidade Cultural de Macau com “Smell the smell”. Também na categoria de animação, o cineasta Qichao Mao, da China, conquistou uma menção honrosa com “Revelation-The City of Haze, enquanto a escolha do público recaiu sobre “56” de Marco Huertas (Espanha). Na categoria Volume, que distingue o melhor vídeo musical, o prémio foi para Choi Ian Sin, de Macau. No festival competiram 44 curtas na secção “Shorts” e seis vídeos musicais competição internacional “Volume” O festival, organizado pelo Instituto de Estudos Europeus através do Creative Macau, arrancou com a sessão “Cinema Expandido”, uma colaboração do festival internacional de Curtas de Vila do Conde e curadoria de Miguel Dias.


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13.12.2017 quarta-feira

GOVERNO PRETENDE MELHORAR PROTECÇÃO AMBIENTAL

Beleza é fundamental

Depois dos excessos “capitalistas” a China tenta agora recuperar o meio ambiente e promete uma civilização mais “bela”

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China avançará “no desenvolvimento verde, esforçar-se-á para resolver os problemas ambientais e intensificará a protecção do ecossistema”, disse na segunda-feira o vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli. “A China atribui grande importância à construção de uma civilização ecológica”, jurou Zhang na conferência anual do Conselho Chinês para a Cooperação Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CCICED, em inglês), um órgão de consulta internacional sem fins lucrativos aprovado pelo governo chinês. “A China está coloca a construção de uma civilização ecológica num plano integrado de cinco âmbitos, que é um passo importante para a construção de uma China bela e contribuir com a sabedoria chinesa na solução dos problemas ambientais globais e na construção de um mundo belo.” O plano foca-se no progresso coordenado económico, político, cultural, social e ecológico. Zhang assinalou que o 19º Congresso Nacional

do Partido Comunista da China fez “um novo plano importante para a construção da civilização ecológica da China na nova era”. O responsável indicou que a China estabelecerá um sistema económico verde, de baixo carbono e de reciclagem. “A China tentará controlar a poluição do ar, da água e do solo e proibirá os resíduos sólidos estrangeiros de entrar no país”, apontou o vice-primeiro-ministro. Zhang afirmou ainda que a China fortalecerá a gestão ambiental em áreas-

-chave como as reservas naturais e os parques nacionais, e realizará projectos-piloto na restauração de montanhas, rios, florestas, terras cultivadas, lagos e pastos. “A China reformará o sistema regulador para o ambiente ecológico, estabelecerá e melhorará um sistema para o desenvolvimento e a protecção do espaço territorial, de modo a oferecer garantia institucional para a promoção de uma China bela.” A China esforçou-se para “construir um mundo belo para todos com base

em amplas consultas com outros países, participando activamente da cooperação internacional para lidar com as mudanças climáticas, e preparar-se para a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica”. Na Conferência da ONU 1992 sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, no Brasil, participantes de mais de 150 países formularam a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e as-

sinaram a Convenção sobre Diversidade Biológica. O vice-primeiro-ministro disse esperar que os membros e especialistas do CCICED pudessem “aumentar os intercâmbios e o entendimento mútuo para contribuir com mais sabedoria e força na construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade e o desenvolvimento sustentável do mundo”. O tema da conferência deste ano é “Civilização Ecológica em Acção: Um Futuro Verde Comum para a Nova Era”. Xinhua

PALESTINA RÚSSIA, CHINA E ÍNDIA APELAM AO RESPEITO DOS ACORDOS DA ONU

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HINA, Índia e Rússia defenderam ontem que a solução do conflito israelo-palestiniano passa pelo respeito das resoluções das Nações Unidas e das “fronteiras mutuamente reconhecidas”, dias depois de os Estados Unidos terem reconhecido Jerusalém como capital de Israel. A paz no Médio Oriente exige “um acordo completo, justo e duradouro para o conflito israelo-palestiniano” que deve ter por base as resoluções da ONU, a iniciativa de paz árabe e os acordos firmados previamente entre Israel e a Palestina, indicaram os chefes da diplomacia das três potências emergentes, Wang Yi (China), Sergei Lavrov (Rússia) e Sushma Swaraj (Índia), num comunicado conjunto.

Um acordo a alcançar, segundo frisaram os ministros dos Negócios Estrangeiros, “através de negociações destinadas a criar um Estado palestiniano territorialmente contíguo, independente e viável (...) dentro das fronteiras mutuamente acordadas [pelos dois países] e reconhecidas internacionalmente”. Lavrov, Wang e Swaraj reuniram-se ontem em Nova Deli num

âmbito de consultas trilaterais para discutir questões de interesse mútuo. Apesar dos representantes de Moscovo, Pequim e Nova Deli não terem mencionado directamente os Estados Unidos ou o nome de Jerusalém, a declaração conjunta de Lavrov, Wang e Swaraj surge dias depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter

A paz no Médio Oriente exige “um acordo completo, justo e duradouro para o conflito israelopalestiniano” que deve ter por base as resoluções da ONU, a iniciativa de paz árabe e os acordos firmados previamente entre Israel e a Palestina

reconhecido aquela cidade como capital de Israel, contrariando a posição da ONU e dos países europeus, árabes e muçulmanos, assim como a linha diplomática seguida por Washington ao longo de décadas. No anúncio feito na passada quarta-feira, Trump também divulgou a transferência da embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém. Os países com representação diplomática em Israel têm as embaixadas em Telavive, em conformidade com o princípio, consagrado em resoluções das Nações Unidas, de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos.

Congo China condena ataque contra a ONU A China condenou na segundafeira um ataque contra as forças de manutenção da paz da ONU na República Democrática do Congo (RDC), que matou 15 soldados da Tanzânia e mais cinco da RDC. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lu Kang, lamentou as vítimas e enviou condolências às famílias. O atentado da última quinta-feira, supostamente cometido pelos rebeldes das Forças Democráticas Aliadas, aconteceu na Província de Kivu Norte, no leste da DRC. Foi o pior ataque contra uma missão de manutenção da paz em quase 25 anos. 53 outros soldados também ficaram feridos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “indignação e desgosto absoluto” depois do ataque, pedindo às autoridades da RDC que investiguem o caso. “A China está disposta a continuar a trabalhar com a comunidade internacional para desempenhar um papel positivo para solucionar pacificamente a questão da RDC e manter a paz e a estabilidade na África”, disse Lu.

Moçambique China apoia bloco pediátrico

Um novo bloco pediátrico, construído e equipado com apoio da China, entrou esta semana em funcionamento no Hospital Central da Beira, Moçambique, foi ontem noticiado. O bloco ocupa quatro pisos, inclui atendimento de urgências pediátricas, laboratório de análises clínicas, radiografias digitais, unidade de cuidados intensivos e de desnutrição e camas para internamento, anunciou a instituição, de acordo com o jornal Diário de Moçambique, publicado naquela cidade. O investimento, orçado em cerca de sete milhões de dólares, resulta de obras iniciadas em Julho e deverá receber um reforço de enfermeiros e médicos. Um total de 79 em cada mil crianças morre com menos de cinco anos de idade, de acordo com dados da mortalidade infantil em Moçambique do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) relativos a 2015. Dados de diversas instituições indicaram também que 43% das crianças moçambicanas sofrem de desnutrição crónica, um problema que se agrava nas zonas rurais.


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quarta-feira 13.12.2017

FUNDAÇÃO JACK MA LANÇA NOVO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO RURAL

Vantagens da vida campestre

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Fundação Jack Ma anunciou na segunda-feira um novo plano para investir pelo menos 300 milhões de yuans para incentivar os graduados das escolas normais a ensinarem nas áreas rurais nos próximos 10 anos. Os 10 milhões de yuans iniciais serão investidos para seleccionar 100 recém-graduados das escolas normais nas Províncias de Hunan, Sichuan e Jilin, e no município de Chongqing. Cada participante receberá um subsídio de 100 mil yuans para serviços de cinco anos em escolas rurais “A educação rural só melhorará se tivermos os melhores graduados como professores rurais”, disse Jack Ma, fundador e presidente do Alibaba

TIMOR-LESTE EMPRESA CHINESA ESCOLHIDA PARA CONSTRUIR NOVO PORTO

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francesa Bolloré, concessionária do novo porto de Tibar, nos arredores de Díli, pretende adjudicar a obra a uma empresa chinesa que esteve seis anos na ‘lista negra’ do Banco Mundial, disseram ontem fontes próximas do processo. As fontes explicaram à Lusa que a CHEC (China Harbour Engineering Company), empresa pública chinesa pertencente ao Grupo CCCC (China Communications Construction Company), terá sido a escolhida depois de um “intenso processo negocial” com outros concorrentes ao projecto, avaliado em 400 milhões de dólares. Fontes ligadas ao projecto em Díli manifestaram preocupação e lembraram que a CHEC esteve na ‘lista negra’ do International Finance Corporation

(IFC), o braço privado do Banco Mundial, por “práticas fraudulentas”. Esta suspensão, que terminou a 12 de Janeiro deste ano, impedia a empresa de participar em projectos financiados por estas entidades internacionais. A ‘lista negra’ é usada por vários países e entidades para avaliar a idoneidade de empresas. A suspensão ainda estava em vigor quando a CHEC se apresentou ao concurso da Bolloré. De acordo com informação obtida pela Lusa, já depois do fim desta suspensão, a CHEC esteve envolvida em polémicas em projectos no Zimbabué e no Gana, onde foi acusada de práticas fraudulentas e de incapacidade de obtenção de financiamento. Entre as queixas apresentadas, a empresa foi acusada de não cumprir o dever de subcontratação de empresas locais e de alavancagem da economia local, preferindo o modelo de concentração de todos os meios em recursos humanos, materiais e equipamentos chineses. Queixas idênticas foram divulgadas na imprensa da Namíbia e na Jamaica.

Group. Ma, que foi professor de inglês por sete anos em Hangzhou, capital da Província de Zhejiang, no leste da China, diz que sempre valorizou a educação, chamando-se a si mesmo de “porta-voz dos professores rurais”, no Weibo, maior portal de microblogues da China. A fundação de Ma já iniciou dois programas relativos à educação rural. Ma acredita que há oportunidades tanto para a educação rural chinesa como graduados das escolas normais. “Graduados das escolas normais terão a oportunidade de fazer história juntando-se na construção rural da China”, afirmou. A grande maioria dos estudantes rurais chineses desesperam por uma educação de qualidade. A China tem

cerca de 3,3 milhões de professores rurais. Segundo um relatório de educação rural da Universidade Normal do Nordeste em Dezembro de 2016, mais de 70% das escolas primárias e centros educacionais na China estavam nas áreas rurais, e mais de 26 milhões de estudantes rurais na fase da educação obrigatória de nove anos eram alunos internos. Para incentivar mais professores a juntarem-se à educação rural, a China emitiu um plano em 2015 oferecendo subsídios e ajudas. Até ao final de 2015, o orçamento central forneceu mais de um milhão de professores rurais em áreas pobres com subsídios habitacionais adicionais totalizando 7,37 mil milhões de yuans.

PAGODE DE MADEIRA MAIS ALTO DA ÁSIA DESTRUÍDO EM INCÊNDIO O pagode de madeira mais alto da Ásia foi segunda-feira destruído num incêndio no Templo Jiulong em Mianzhu, na província de Sichuan. Segundo as informações, o templo estava ainda em construção e o incêndio teve início no salão principal, alastrando-se ao pagode circundante. De acordo com as autoridades locais, o pagode com 16 andares, considerado um monumento da cidade, tinha sido recém-concluído depois de oito anos de construção.


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13.12.2017 quarta-feira

AGÊNCIA XINHUA APRESENTA PRESIDENTE XI JINPING COMO “DIPLOMATA CHEFE”. ELE TEM RESOLVIDO (QUASE) TUDO

Globalização e multilateralismo ção das relações com os vizinhos da China, incluindo o mecanismo de Cooperação Lancang-Mekong, a versão actualizada da Área de Livre Comércio com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e o Corredor Económico Bangladesh-China-Índia-Mianmar, entre outros.

THE JAPAN TIMES

A agência de notícias publicou um texto em que resume o sucesso das acções externas do presidente. Porque é importante conhecer esta perspectiva, ei-lo

O multilateralismo é a solução para os problemas globais e a China um dos seus mais fortes pilares

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MA diplomacia de grande país ao estilo chinês formou-se nos últimos cinco anos através das viagens ao estrangeiro feitas pelo presidente chinês, Xi Jinping. As 29 visitas a 58 países e importantes organizações internacionais e regionais nos cinco continentes ajudaram Xi a ganhar o título de “diplomata chefe” da China. As viagens fortaleceram o papel de liderança da China em paz, segurança, governança e desenvolvimento globais, e promoveram um entendimento melhor do mundo em relação a uma visão e caminho da China, que inclui a cooperação de benefício mútuo e esforços para construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade.

BENEFÍCIO MÚTUO

A primeira viagem ao exterior de Xi, depois de se ter tornado presidente, foi a Moscovo, em Março de 2013, onde apresentou pela primeira vez seu plano diplomático. “Para avançar com o tempo, não podemos viver fisicamente no século XXI com uma mentalidade que pertence ao passado, parando nos velhos dias do colonialismo e limitados pela mentalidade da Guerra Fria e soma zero”, declarou Xi no Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscovo, pedindo a construção de um novo tipo de relações internacionais cujo núcleo é a cooperação em que ambos os lados podem ganhar. As seis visitas de Xi à Rússia e mais de 20 reuniões com o

Entretanto, a cooperação com países em desenvolvimento na África e América Latina cresceu, com o envolvimento da China em inúmeros de projectos de infra-estruturas e desenvolvimento.

FORTALECENDO O MULTILATERALISMO Xi Jinping com Henry Kissinger

presidente russo, Vladimir Putin, em diversas ocasiões elevaram as relações sino-russas ao seu mais alto nível da história dos dois países, que agora servem juntos como uma âncora para a paz e segurança globais. “Estou convencido de que o modelo de relações bilaterais que criámos deve tornar-se em um dos exemplos de interacção civilizada entre países no século XXI”, declarou o presidente da Duma russa, Vyacheslav Volodin.

“O modelo de relações bilaterais que criámos deve tornar-se em um dos exemplos de interacção civilizada entre países no século XXI.” VYACHESLAV VOLODIN PRESIDENTE DA DUMA RUSSA

Os princípios impulsionados por Xi de não conflito, não confrontação, respeito mútuo e cooperação de benefício mútuo ajudaram a estabilizar os laços sino-americanos entre mudanças de liderança na Casa Branca e as incertezas dela decorrentes. Os intercâmbios de Xi com o presidente americano, Donald Trump, ajudaram a estabelecer novos mecanismos de diálogo de alto nível entre a China e os Estados Unidos, com o fim de promover a paz e segurança globais. As relações China-Europa expandiram-se a cada uma das viagens de Xi ao continente. A China procura uma parceria com a União Europeia com base na paz, crescimento, reforma e cooperação bilateral de benefício mútuo.Aexcelente relação da China com os países da Europa Central e Oriental diminuíram significativamente as preocupações da Europa com a China. Durante os cinco anos passados, a metade das visitas de Xi ao estrangeiro foi dedicada à promo-

A proposta de Xi para construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade é um pilar central do multilateralismo. A proposta destaca-se nos esforços diplomáticos da China nos últimos cinco anos em relação a Estados individuais e organizações regionais e internacionais. Da Assembleia Geral da ONU, Fórum Económico Mundial (FEM) em Davos, reuniões de líderes do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, ao fórum do Grupo dos 20 (G20) e cúpula do BRICS que compreende o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, Xi reafirmou o compromisso chinês para a globalização económica, multilateralismo dirigido pela ONU e a paz global. A globalização é hipocritamente acusada pelo baixo crescimento da economia global, alta taxa de desemprego, aumento do proteccionismo comercial, populismo e isolacionismo, terrorismo, crise de refugiados na Europa e Oriente Médio e pela maior disparidade entre ricos e pobres. “Diante das oportunidades e desafios da globalização económica, correcto é aproveitar todas as oportuni-

dades, enfrentar em conjunto os desafios e elaborar o plano certo para a globalização económica”, comentou Xi no seu discurso no FEM em Janeiro. O presidente chinês propôs um crescimento impulsionado pela inovação, cooperação aberta e de benefício mútuo, governança mais justa e desenvolvimento equilibrado e inclusivo como o caminho correcto para a economia global. O multilateralismo é a solução para os problemas globais e a China um dos seus mais fortes pilares. Construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade está incorporado na iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, proposta por Xi em 2013, cujo objectivo é construir redes de comércio e infra-estrutura em países ao longo e além das antigas rotas comerciais da Rota da Seda. Além disso, os projectos da iniciativa, que envolvem novas ferrovias, estradas e zonas industriais na Ásia e África, estão alinhados com as estratégias de desenvolvimento de muitos países e estão a ser discutidos com a consideração das metas de desenvolvimento sustentável 2030 das Nações Unidas. A iniciativa Uma Faixa, Uma Rota seja talvez o maior presente da China para o mundo. “Num mundo cada vez mais interdependente e integrado, onde os países formam uma comunidade de interesses compartilhados, a abertura, a inclusão e a cooperação de benefício mútuo são a única opção viável”, disse Xi no Diálogo de Mercados Emergentes e Países em Desenvolvimento durante a cimeira do BRICS realizada em Setembro em Xiamen, China. O apoio contínuo da China ao Acordo de Paris sobre mudança climática, após a retirada dos Estados Unidos, e as suas contribuições significativas para as missões de manutenção da paz da ONU também são parte dos esforços chineses para tornar o mundo um lugar melhor. Xinhua


ARTES, LETRAS E IDEIAS

Fui a toda a parte mas não cheguei a lado nenhum. na ordem do dia Julie O’yang

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A revolução dos periféricos As classes estratificam-se de forma perfeitamente natural. A nobreza vomita onde lhe dá na gana. A burguesia vomita em cima do povo; e o povo vomita sobre si próprio.

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poeta russo Vladimir Mayakovsky escreveu este excerto durante os anos 20 numa viagem a Nova Iorque, uma ilustração acutilante da luta de classes Marxista. “Existirá luta de classes enquanto existirem classes. Não ignorem nunca a luta de classes!” Ensinamentos do Presidente Mao Tsé Tung em 1966, nas vésperas da Revolução Cultural. Embora o termo luta de classes tenha desaparecido completamente do vocabulário do actual Governo comunista, apenas um mês pós o encerramento bombástico do 19º Congresso do Partido, foi lançado para a ribalta um termo oficial que desencadeou as discussões mais acaloradas na Internet: população periférica, 低端人口。 Dezenas de milhares de trabalhadores migrantes, pertencentes à “população periférica” estão a ser forçados a abandonar as suas casas em Pequim, na sequência de uma operação de “limpeza” da cidade, que teve origem no incêndio que matou 19 pessoas na madrugada de 18 de Novembro. Leia-se o artigo da Quartz sobre os pormenores da expulsão em, http://bit.ly/2BLFElv. Hoje quero contar uma história sobre um famoso membro da população periférica, o Imperador Shi Le, da Dinastia Jin (265-425), sobre o qual o Presidente Mao disse: “O Imperador Shi Le da Dinastia Jin, ergueu-se no dorso do seu cavalo. Foi um estratega com aptidões militares e visão política.” Há muitos anos atrás, no tempo da Dinastia Jin Ocidental, vivia no Norte da China um rapaz xiongnu pertencente a uma tribo nómada. Era de origem tão humilde que nem teve direito a receber um nome quando nasceu. Quando cresceu e se tornou adolescente, passaram a chamar-lhe Shi Le. O jovem Shi Le ganhava a vida como vendedor ambulante e desta forma era feliz, não se preocupando em perseguir a fortuna. Contudo, as elites sociais – as pessoas de “topo” – achavam que Shi Le e os seus iguais eram uma maçada e um incómodo para os olhos, porque as “populações periféricas” estragavam a beleza da capital. Por isso na sequência da “limpeza” da cidade, Shi Le foi vendido como escravo. O período das Dinastias Wei e Jin ficou conhecido pelos feitos de artistas e filósofos, mas os governantes eram extremamente corruptos e decadentes. Os homens da elite apostavam as esposas em concursos de bebida. Shi Le observa-

Esta ilustração mostra como o “subtil” termo “população periférica” tem vindo a ser censurado na Internet chinesa: no Wechat não existe população periférica

Um mês pós o encerramento bombástico do 19º Congresso do Partido, foi lançado para a ribalta um termo oficial que desencadeou as discussões mais acaloradas na Internet: população periférica

va tudo isto calmamente, aparentemente sem se deixar impressionar. No entanto, preparava em segredo a sua ascensão. Esperava a sua vez pacientemente. Então, quando se desencadeou a revolta na capital, ele comandou a cavalo o seu pequeno exército e deu inicio à vingança contra a “população de topo”. Este acontecimento histórico ficou conhecido como o Desastre de Yongjia 永嘉 之祸 (311), quando as forças nómadas do Norte da China tomaram e saquearam a capital do Império Jin Ocidental, Luoyang. Depois da vitória, as forças nómadas cometeram um massacre quando da entrada na cidade. O Príncipe e a

maior parte dos ministros foram mortos, bem como mais de 30.000 civis. Também incendiaram palácios, destruíram os mausoléus Jin e enterraram vivos os “inimigos de classe”. Em 319, Shi Le declarou a independência sob o título de Príncipe de Zhao. Durante os anos que se seguiram à independência, o príncipe focou-se na anexação de pequenas bolsas de poder Jin que ainda existiam no Norte e no centro da China. Em 330, Shi Le assumiu o título de “Rei Celestial”, vindo a morrer três anos mais tarde. O nómada e periférico Zhao caiu com um golpe de estado.


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13.12.2017 quarta-feira

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diário de um editor João Paulo Cotrim

Ira em âmbar

CERVANTES, LISBOA, 30 NOVEMBRO No início dos anos 1990, em Barcarrota, Badajoz, uma picareta rompeu parede e papel. Na sua carne, uma casa escondia biblioteca clandestina de heterodoxias listadas inquisições várias: diálogos com textos sagrados, indicações práticas de magia, tratado de exorcismos, manuscrito de conteúdo sexual, a mítica Oração da Emparedada, em português, além de um exemplar da jóia da literatura picaresca dos vizinhos, esse Lazarillo de Tormes que não deixou ainda de picar o desejo. A picareta trazia para a luz do presente este pedaço oculto do século XVI, ainda que para tanto tenha rompido o «Alborayque», um libelo contra os convertidos que descreve o cavalo de Maomé como maior que uma mula, mas mais pequeno que o cavalo, mantendo o rosto deste, olhos de homem, orelhas de cão, corpo de boi, uma perna de águia, outra de homem, outra de leão sem unhas, a ponta da cauda uma cabeça de garça, sendo as rédeas espadas e o freio de fogo ardente... Quem seria o leitor primeiro desta

biblioteca com orelhas de e pernas de e cabeça de e olhos de, toda feita de papel ardente? Dos exemplares fac-similados desta Biblioteca de Bancarrota partem histórias em todas as direcções. CCB, LISBOA, 2 DEZEMBRO Chegou e descalçou-se, apesar do frio. Estava em casa. Talvez sobrasse assoalhada em demasia no palco do grande auditório, mas Patricia Barber abriu nele casa. Os pés nus não me causaram grande incómodo, ao contrário de uns berros de incitamento, que também gritavam à-vontade, mas no contexto arranharam-me o espírito. Não terá sido o mais conceptual dos concertos, limitando-se a uma fluidez que nos varreu com sucessivas marés, das que só elas sabem ser ao sabor da lua. Saltitou por váJAMMI YORK

HOJE MACAU, 25 NOVEMBRO Aprende-se tanto nas páginas de Hoje. Como se lavrada em braille, sigo cada linha da crónica do mano António [de Castro Caeiro], que anuncia erôs como das mais difíceis palavras antigas de trazer para a língua do agora mesmo. Ainda que estes nossos dias vivam na tensão eléctrica de permanente erotização (a satisfazer em bens e serviços mais adiante e acima, em preço e requinte). Escava ele na etimologia para encontrar fragmento de ira, que em sentido mais paisagístico se traduz em estado de alma, dominadora disposição: uma ansiedade na qual estamos imersos, borboleta no âmbar. Basta desejar um bater de asas para que a tempestade venha a acontecer algures e no futuro. «Esta ânsia produz um objecto absoluto na hierarquia das coisas que queremos, no nosso projecto vital. Nada do resto “risca”, por assim dizer. Tudo o resto não tem importância. A falta (endeia) com que a ânsia (epithumia) faz sentir o que não se tem é absoluta. Só tenho falta do conteúdo específico de que tenho falta e não tenho necessidade de mais nada, a não ser daquilo que não tenho.» Sem apelo nem agravo, encontro-me mergulhado em uma raiva constitucional: preciso furiosamente de mais aquele verso, do naco de prosa, de um corpus, da espessura do volume, da forma da qual desembutir o livro. «O erôs descreve esta relação complexa que temos com inanidades, com ausências que, porém, canalizam as nossas vidas para as suas possibilidades de preenchimento.» Tomo nota: está na hora de escolher a ausência que mais me convém.

rios álbuns, no nexo jazzístico de esticar relações onde não as havia, tempo, pacing, key, disse algures que as escolhas só a isso obedeciam. A voz de Barber estende-nos um veludo sobre o qual apetece caminhar ao encontros dos versos, desconcertantes como a só a poesia sabe ser ao sabor das luas. Convivo amiúde com o seu Mythologies, do qual nos ofereceu The Moon, entre outros. Confessou, de pés descalços, que gostava de brincar de deus. Apresentava canção em que deus se apaixonava pelo artista. Fiquei com ideia de era um dos temas que escreveu para Renée Fleming, mas não tenho a certeza. Conservo a ideia, de um deus compositor que propõe contrato ao cantor: «“If I give you music, will you give me form?” As gods always want mortal form.» O ponto final, já em

encore, foi uma versão calorosamente cool de Light my fire, dos The Doors. A chama esteve, ainda assim, ali por casa. Ainda voltou, para apanhar os sapatos. (Foto de Jammi York). HORTA SECA, LISBOA, 4 DEZEMBRO A princípio rimo-nos, como não? Pensando bem, a melhor forma de embravecimento, talvez fosse de chorar. No Spam Cartoon de há uma semana (https://www. youtube.com/watch?v=vDP66GuyLGs) púnhamos em campo os presidentes dos três grandes, em jogo amigável, mas com um árbitro na vez de bola. Parecia-nos singelo retrato da situação destes últimos meses, pouco mais. Eis que a realidade nos surpreendeu com pontapé nas canelas. A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), liderada por Luciano Gonçalves, apresentou queixa contra a RTP à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) por causa deste nosso «vídeo animado satírico exibido na RTP 3». Segundo os senhores do apito, apelávamos à violência! De que cor será a ironia, amarelo vómito ou vermelho directo? SALA MÁRIO VIEGAS, SÃO LUIZ, LISBOA, 6 DEZEMBRO O acaso, senhor das coincidências, foi de lanterninha sentar-me no lugar D13. O treze soergue-se vezes sem conta bom miradouro, vistas a perder. Uma sala no sopé de muro alto e cinzento, doméstica sala de jantar no sopé do betão. O deus dos movimentos, Tiago [Guedes], projecta estática entre cenas avisando-nos que entrámos em atmosfera eléctrica e que podemos bem ser atingidos por impulso desvairado. Isto da estática tem mais que se lhe diga, e contém ciência sobre equilíbrios e forças. Não deixaremos de ver, na cena domesticada, esse jogo que empurrará a Isabel [Abreu] contra o Tonan Quito e o Romeu Costa, sustendo-se e sustentando-se. E a espetar farpas nas frases uns dos outros, interrompendo-se para se agarrar, para não se deixar cair para trás. Tempo, pacing, key. Em «Órfãos», Dennis Kelly desenvolve um sistema de não-ditos, quase-ditos, mal-ditos, um texto de aflitos que suscita escadas sempre a subir ou a descer em direcção ao horizonte em que cada um se vai desvelando, mas invariavelmente aquém do tudo dito. O acontecimento que justifica o sangue vai sendo talhado à navalha pelo refazer rarefeito do passado pelas palavras e pelo corpo dos autores. A violência, tal qual a verdade, apenas sugerida, imaginada. O resultado? Feridas, que tudo se resume a família e, portanto, a sangue. No coração da noite, o corpo do teatro transborda de força. A cidade, como o Mário [W.] na peça, finge que dorme.


desporto 19

quarta-feira 13.12.2017

Novo WTCC deverá voltar a Macau

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O WTCC chegou ao fim, passará a chamar-se WTCR

PILOTOS LOCAIS

De Paris também saiu a informação que um mínimo

Anúncio ﹝158/2017﹞

GCS

O

Conselho Mundial da FIA que se realizou na pretérita semana em Paris ditou o fim esperado do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC). A partir de agora, o campeonato passa a ser uma Taça do Mundo FIA. A WTCR – FIA World Touring Car Cup será promovida pela mesma empresa que liderou o WTCC nos últimos treze anos, o Eurosport Events Limited, mas os carros mudam. Esta metamorfose deverá ter reflexos no Grande Prémio de Macau. Para além da troca de denominação, o campeonato será agora apenas para equipas privadas, deixando claramente de fora a presença de equipas das marcas. Visto que o Eurosport Events adquiriu por dois anos os direitos da regulamentação TCR aos organizadores do campeonato TCR International Series, o campeonato passa a aceitar apenas os carros da categoria TCR, vistos entre nós na Corrida da Guia em 2015 e 2016. Depois de dois anos de ausência, o WTCC regressou ao Circuito da Guia no passado mês de Novembro. O calendário do WTCR 2018 não foi anunciado no Conselho Mundial da FIA, mas circula pelas equipas interessadas no campeonato uma versão provisória onde Macau é a última prova da temporada. “O calendário de 2018 da Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo será anunciado no devido tempo”, afirmou François Ribeiro, o CEO do Eurosport Events, quando questionado pelo HM. “Não podemos comentar eventos individuais até os acordos estarem finalizados, mas é a nossa intenção incluir vários eventos que apareceram no calendário do WTCC nos últimos anos.” Uma certeza é que o calendário de 2018 do WTCR será composto por dez eventos e passará por quatro continentes: África, América, Ásia e Europa.

de dois carros por equipa podem inscritos na temporada completa, com um preço de inscrição de €150,000 por equipa. Haverá um tecto máximo de 26 carros para a época toda, mas em cada prova a organização abrirá a grelha de partida a dois pilotos convidados (wildcards). “Definitivamente, o facto dos carros TCR substituírem os TC1 será mais favorável aos pilotos locais que queiram correr no Grande Prémio”, admitiu Mak Ka Lok, ao HM. Pilotos como Filipe Souza e Mak Mak Lok, que disputaram este ano provas do WTCC, poderão assim usufruir destes dois “wildcards” para regressarem à Corrida da Guia, caso não haja lugares livres nos 26 inicialmente inscritos. Dada a impossibilidade de alugar um carro da anterior geração (TC1), sem ser a equipas regulares do WTCC, os preços praticados pelas equipas eram sempre bastante inflacionados. Por outro lado, o custos de colocar a correr um TC1 eram já por si mais caros, atingindo valores acima de meio milhão de patacas por prova do WTCC. Para além dos custos inferiores em volta de um carro TCR, estas viaturas já são utilizadas em mais de vinte campeonatos em todo o mundo, tendo mesmo competido este ano no campeonato de Macau de carros

1.

Entidade que realiza o concurso: Instituto de Habitação (IH).

2.

Modalidade do concurso: Concurso público.

3.

Designação do concurso: Prestação de serviços de administração de edifícios nos bairros sociais do Instituto de Habitação (II).

4.

Objectivo: Concurso para a prestação de serviços de administração de edifícios, nomeadamente serviços de limpeza, segurança, reparação e manutenção das partes comuns e dos equipamentos colectivos nos bairros sociais, sendo os locais e o período de prestação de serviços o seguinte: - Torres A/B/C do Bairro Social de Tamagnini Barbosa, blocos 9/10/11 do Bairro Social da Taipa, Edifício Fai I/ Edifício Fai Fu da Habitação Social do Fai-Chi-Kei, Edifício Mong Sin I/ Edifício Mong Sin II da Habitação Social de Mong Há e Edifício Mong In da Habitação Social de Mong Há, sendo o prazo para a prestação de serviços de três anos, compreendido entre o dia 1 de Julho de 2018 e 30 de Junho de 2021. - Blocos 1/2 do Edifício Iat Seng da Habitação Social da Taipa, sendo o prazo para a prestação de serviços de trinta e três meses e dez dias, compreendido entre o dia 21 de Setembro de 2018 e 30 de Junho de 2021.

5.

Requisitos especiais dos concorrentes: 5.1 Podem concorrer ao presente concurso as sociedades comerciais que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, cujo âmbito de actividade, total ou parcial, inclua a actividade comercial de administração de condomínios ou serviços de administração de propriedades e que não sejam titulares de licença de segurança nem exerçam a actividade de segurança privada; ou os empresários comerciais, pessoa singular, cujo âmbito da sua actividade, total ou parcial, inclua a actividade comercial de administração de condomínios ou serviços de administração de propriedades;

de Turismo (MTCS) e sido integrados na Corrida da Taça Chinesa do 64º Grande Prémio de Macau. Alfa Romeo, Audi, Ford, Honda, Hyundai, KIA, LADA, Opel, Peugeot, Renault, SEAT, Subaru e Volkswagen são os constutores que já têm carros homologados para este campeonato.

IMPLICAÇÃO NO PROGRAMA

Outra novidade do WTCR será o formato do fim-de-semana e este poderá ter implicações no programa do Grande Prémio de Macau do próximo ano, visto que cada fim-de-semana passa a ter três corridas, em vez das duas habituais. A primeira corrida será disputada ao sábado e a segundo e terceira no domingo. Para além do número de corridas aumentar, também haverá duas sessões de qualificação por prova, uma a mais que anteriormente, e duas sessões de treinos-livres. Com o intuito de reduzir os custos, cada fim-de-semana de prova será composto por apenas dois dias – sábado e domingo – mas a exemplo do que aconteceu no passado, os organizadores do campeonato poderão ser forçado a alterar o formato habitual consoante as circunstâncias do evento onde o WTCR está inserido. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

5.2

Os concorrentes que tenham exercido efectivamente a actividade comercial de administração de condomínios ou serviços de administração de propriedades, pelo menos durante 5 anos, até ao termo do prazo para a entrega das propostas do presente concurso;

5.3

Os concorrentes devem recrutar pelo menos um director técnico a tempo inteiro, com três anos de experiência efectiva no exercício de uma função similar à de director técnico, com habilitação literária não inferior ao ensino secundário complementar e que tenha sido aprovado no “Curso de Técnicos Especialistas em Administração de Edificações” realizado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL);

5.4

Durante os 3 anos anteriores até ao termo do prazo de entrega das propostas o concorrente não pode ter tido qualquer contrato relativo à actividade comercial de administração de condomínios ou prestação de serviços de administração de propriedades, denunciado unilateralmente pelo IH, por violar as disposições estipuladas no contrato;

5.5

Os concorrentes devem entregar as propostas de acordo com o estabelecido no programa do concurso e no caderno de encargos.

6.

Obtenção do programa e processo do concurso: Podem consultar e obter o respectivo processo do concurso, na recepção do IH, sita na Travessa Norte do Patane, n.° 102, Ilha Verde, Macau, nas horas de expediente. A obtenção de fotocópia dos documentos acima referidos, é efectuada mediante o pagamento da importância de $ 2.000,00 (duas mil patacas), em numerário, relativa aos custos das fotocópias ou podem proceder ao download gratuito na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo).

7.

Visita aos locais e esclarecimentos por escrito: A visita aos locais será realizada no dia 19 de Dezembro de 2017, às 9:30 horas. Os concorrentes devem comparecer no espaço comercial D do rés-do-chão da Habitação Social de Fai Chi Kei - Edifício Fai I, situado na Travessa de Fai Chi Kei, à data e hora acima mencionadas e serão acompanhados por trabalhadores do IH. Os concorrentes devem dirigir-se à recepção do IH ou ligar para o telefone n.º 2859 4875, nas horas de expediente, antes do dia 18 de Dezembro de 2017, para proceder à marcação prévia para participação na visita aos locais. Durante a visita não serão prestados esclarecimentos. Caso os concorrentes tenham dúvidas sobre o conteúdo do presente concurso, devem apresentá-las, por escrito, à entidade que realiza o concurso, antes do dia 27 de Dezembro de 2017.

8.

Caução provisória: O valor da caução provisória é de $ 1.500.000,00 (um milhão, quinhentas mil patacas). A caução provisória pode ser prestada por garantia bancária legal ou por depósito em numerário através da conta em nome do IH, na sucursal do Banco da China em Macau.

9.

Local, data e hora para entrega das propostas: As propostas devem ser entregues a partir da data da publicação do presente anúncio até às 17 horas e 45 minutos do dia 29 de Janeiro de 2018, no IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, durante as horas de expediente.

10. Local, data e hora do acto público do concurso: No IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, às 10 horas do dia 30 de Janeiro de 2018. 11. Critérios de adjudicação: O critério de adjudicação do presente concurso público é o do preço mais baixo proposto. 12. Outros assuntos: Os pormenores e quaisquer assuntos a observar sobre o respectivo concurso encontram-se disponíveis no processo do concurso. Informações posteriores sobre o presente concurso serão publicadas na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). Instituto de Habitação, aos 29 de Novembro de 2017. O Presidente, Arnaldo Santos


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13.12.2017 quarta-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 780/AI/2017

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 781/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LO KA KIT, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 13562xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 112/DI-AI/2015 levantado pela DST a 20.09.2015, e por despacho da signatária de 05.12.2017, exarado no Relatório n.° 789/DI/2017, de 08.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B-361-K, Edf. I On Kok, 19.° Andar C, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-----O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor 李光水, portador do Bilhete de Identidade de Residente da RPC n.° 420204196907114xxx,, que na sequência do Auto de Notícia n.° 112/DI-AI/2015 levantado pela DST a 20.09.2015, e por despacho da signatária de 05.12.2017, exarado no Relatório n.° 790/DI/2017, de 08.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B-361-K, Edf. I On Kok, 19.° Andar C, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-----O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Destadecisãopodeoinfractor,querendo,reclamarparaoautordoacto,noprazode15dias,semefeitosuspensivo,conformeodispostonon.°1doartigo148.°,artigo 149.°en.°2doartigo150.°,todosdoCódigodoProcedimentoAdministrativo,aprovadopeloDecreto-Lein.°57/99/M,de11deOutubro.-------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 5 de Dezembro de 2017.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 5 de Dezembro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 785/AI/2017

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 786/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora JIN ZHIHONG, portadora do passaporte da RPC n.° E31119xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 118/DI-AI/2015 levantado pela DST a 08.10.2015, e por despacho da signatária de 05.12.2017, exarado no Relatório n.° 791/DI/2017, de 16.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 271, Kam Wa Kok, 8.° andar BB, Macau onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo149.°en.°2doartigo150.°,todosdoCódigodoProcedimentoAdministrativo,aprovadopeloDecreto-Lein.°57/99/M,de11deOutubro.-------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LUO XIUFENG, portadora do passaporte da RPC n.° E20192xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 118.1/DI-AI/2015 levantado pela DST a 08.10.2015, e por despacho da signatária de 05.12.2017, exarado no Relatório n.° 792/DI/2017, de 16.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 271, Kam Wa Kok, 8.° andar BB, Macau.------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o dispostono n.° 1 do artigo 148.°, artigo149.°en.°2doartigo150.°,todosdoCódigodoProcedimentoAdministrativo,aprovadopeloDecreto-Lein.°57/99/M,de11deOutubro.-------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 5 de Dezembro de 2017.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 5 de Dezembro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 815/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor YU JINGWEN, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° W70694xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 64/ DI-AI/2015 levantado pela DST a 06.06.2015, e por despacho da Directora dos Serviços de Turismo, Substituta, de 02.08.2017, exarado no Relatório n.° 538/DI/2017, de 21.07.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Xangai, n.° 182, Edf. Hoi Kun Chong Sam (Centro Hoi Kun), 11.° andar F onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 5 de Dezembro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 39/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Novembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do para «Fornecimento de Material de Consumo Clínico dia 15 de Janeiro de 2018. para o Serviço de Obstetrícia e Ginecologia dos Serviços O acto público deste concurso terá lugar no dia 16 de Janeiro de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c Encargos se encontram à disposição dos interessados desde da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. o dia 13 de Dezembro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 A admissão a concurso depende da prestação de uma caução às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de provisória no valor de MOP90.000,00 (noventa mil patacas) a Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. interessados sujeitos ao pagamento de MOP 45,00 (quarenta e cinco patacas), a título de custo das respectivas fotocópias Serviços de Saúde, aos 6 de Dezembro de 2017 (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros O Director dos Serviços pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 43/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor às 10,00 horas para visita de estudo ao local da instalação do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 24 equipamento a que se destina o objecto deste concurso. de Novembro de 2017, se encontra aberto o Concurso As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral Público para «Fornecimento e Instalação de cadeiras de destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São estomatologia, compressores de ar e bombas de vácuo aos Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno dia 9 de Janeiro de 2018. de Encargos se encontram à disposição dos interessados O acto público deste concurso terá lugar no dia 10 de Janeiro desde o dia 13 de Dezembro de 2017, todos os dias úteis, das de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º A admissão a concurso depende da prestação de uma caução andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão provisória no valor de MOP18.000,00 (dezoito mil patacas) a prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou interessados sujeitos ao pagamento de MOP44,00 (quarenta em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da e quatro patacas), a título de custo das respectivas fotocópias Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros Serviços de Saúde, aos 6 de Dezembro de 2017 pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). Os concorrentes devem estar presentes no Edifício Cheng I, O Director dos Serviços Avenida do Conselheiro Borja, no dia 18 de Dezembro de 2017, Lei Chin Ion


opinião 21

quarta-feira 13.12.2017

MANUEL DE ALMEIDA

A

PÓS a fulgurante estreia ficcional em 2000, com o título “As Más Inclinações” e, tendo como subtítulo “ Breviário do Jogo” – que a crítica apelidou de escrita “silenciosa”, construída com uma “agilidade vocabular perfeita e refinada”, de um autor “estranho, requintado e provocador”, E. Trovoada está de volta aos escaparates das livrarias, agora com “ O Príncipe Encantado e a Oportunidade Perdida”, com a chancela da «Chapas Sínicas». Apesar do reconhecimento público, foi com “O Estranho Caso de Mr. Mao” de 2006 e de “A Chave da Casa Abandonada” de 2009, que o talento e o reconhecimento de Trovoada se consolidou. A crítica foi unânime – aclamou, aplaudiu – rendeu-se: “Uma obra importantíssima, das mais originais e poderosas no actual panorama editorial” – podia ler-se –, “ destruição de mitos” de um autor que “reinventa, recria os factos, procurando transmiti-los de forma original, sem traumas, tormentos ou desilusões” , ou ainda, “acolhe memórias ,experiências e sensações de forma a preservar e conservar a identidade colectiva”. A obra de estreia de E. Trovoada, “As Más Inclinações – Breviário do Jogo” (2000), não é um livro de grande complexidade estrutural, nem de grande sofisticação intelectual, mas é um livro de uma prosa magnífica – escorreita, sadia, pura –, que vai do confronto pessoal ao político. O autor começa por reflectir sobre o lugar que habitamos, a construção da identidade, afectos, memórias – a relação umbilical entre as pessoas e o seu espaço –, não na teoria de Le Corbusier , onde “uma casa é uma máquina de morar”. É uma obra centrífuga – em vez de seguir em frente –, ela anda para os lados, avança para a periferia e, a partir do quarto capítulo a linearidade da narrativa estilhaça-se de vez. Passa a salpicar o texto com pormenores inconsequentes, pequenas aventuras, experiências vazias, diversificadas por vezes, mas banais, em viagens nocturnas ao submundo do crime e da aventura – registos crus, mas poéticos, com diálogos excêntricos, mas esplêndidos -, às saunas, discotecas, casinos e botecos ordinários. Ainda assim é um livro em que as boas intenções não contrariam a boa literatura. “ O Estranho Caso de Mr. Mao” (2006) é uma introspecção, uma reflexão que

Engenho & Arte

Mistérios de Factos & Estórias de Memórias

leva-nos pelo espaço físico dos tribunais, dá-nos a conhecer o seu funcionamento e as personagens com que o autor se vai cruzando – o mundo contraditório da razão, a irrealidade - , a confusão, o caos. O descortinar de factos recentes. O “Medo” faz parte da construção narrativa, é um “Ser” presente. Forte e robusto. O autor não fornece respostas directas, apresenta ideias e soluções, não as impõem, discute-as com o leitor – o leitor é cúmplice -, tudo de maneira serena, arrumada, educada.

Com uma grande economia de tensão e considerações narrativas, E. Trovoada procura através das palavras atingir um grande alcance reflexivo, de grande exigência e fixa a discussão a um nível elevado do pensamento, com uma prosa lenta, complexa e meticulosa. Notável (condição social) o capítulo do julgamento, ao abolir a hierarquia dos discursos, ao não colocar num plano superior a explicação do juiz, relativamente ao do réu. O autor sabe – e, também porque sabe -, consegue desmitificar a importância da

Não criamos nada. Juntamos coisas ANA TERESA PEREIRA EM “O LAGO” DE 2011

Justiça, sobretudo de uma justiça com várias questões por decidir, por resolver e fértil em suposições e inquietações. “A Chave da Casa Abandonada”, de 2009, é um livro para adultos de todas as idades , recheado de um humor mordaz e colorido, com fragmentos acutilantes e melancólicos. Com uma prosa telúrica – que tanto nos horroriza como nos faz soltar gargalhadas –, povoado por criaturas aborrecidas, imaturas e ilegíveis. A figura de Eunídes é disso um bom exemplo. Vive entre “ a imagem moral do fracasso” e o “símbolo físico do abandono” – dúvida e pânico. A obra duplica-se, desdobra-se num par de histórias paralelas: a do narrador e das personagens. Um e outros “vivem” os mesmos espaços, lugares, tempos, são coniventes. Aqui o que impressiona, é a forma `sage` como o autor consegue manter em suspenso o conflito entre histórias. A espantosa capacidade de síntese – torna o final soberbo -, os “zumbidos” dos carros a circular, o “ladrar” dos cães abandonados e, as pessoas de “máscara” a vaguear pela cidade – “é a vida do tempo a passar”. Finalmente, o ansiado livro acabado de chegar às Livrarias, “ O Príncipe Encantado e a Oportunidade Perdida”, o autor escreve com a leveza habitual, um registo que mistura, humor, memórias, estórias, mas com uma acutilância precisa, feroz, que lhe advém do facto de conhecer bem a política, todos os meandros da política, mas infelizmente não ser político, apesar de ser inculto, provinciano, ignorante e melancólico. E. Trovoada usa palavras de arremesso contra a situação política e social, mas não escancara o horror da banalidade e da futilidade de forma amarga, selvagem, oca. Constrói um quadro com boa parte da sociedade civil farta dos desmandos políticos, do caciquismo, corrupção, das venalidades do poder, sem cair na tentação da grande eloquência, nem aspira a fazer da obra um testamento histórico. Usa os estratagemas narrativos tradicionais – para não perder o leitor, para conferir acção -, como conversas, telefonemas, pápeis, o que torna a obra ao mesmo tempo “compacta” e “porosa”. Vive entre hiatos e reconstruções documentais verídicas. Em todos os livros, os textos de E. Trovoada não são para afirmação ou acusação de ninguém, nem tão pouco são textos panfletários ou propagandísticos. São antes de tudo livros escritos com uma elegância rigorosa, com uma criatividade a roçar o mágico e, uma deslumbrante forma de olhar a sociedade – nua e crua. Uma prosa livre e estruturante, de um autor maldito e obrigatório.


22 (f)utilidades TEMPO

MUITO

13.12.2017 quarta-feira

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje CONCERTO DUO BRAIN – CLARINET ENSEMBLE CONCERT Fundação Rui Cunha | Das 19h30 às 21h00

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65-95%

EURO

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Sábado

O CARTOON STEPH

UM FILME HOJE

MURDER ON THE ORIENT EXPRESS [B] Fime de: Kenneth Branagh Com: Penelope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Daisy Ridley, Josh Gad 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Fime de: Martin Campbell Com: Jackie Chan, Pierce Brosnan 14.30, 16.45, 21.30

THE CAKEMAKER | OFIR RAUL GRAIZER

O filme que está em competição no Festival Internacional de Cinema de Macau é uma boa surpresa. Filmado entre Berlim e Jerusalém, o filme conta a história de um judeu casado que, nas diversas viagens que faz entre as duas cidades, acaba por se apaixonar por um pasteleiro, com quem mantém uma relação amorosa durante meses. Um acidente de viação muda o destino de todas as personagens e da esposa traída, que vê a sua vida mudar de uma maneira imprevisível. Andreia Sofia Silva

MURDER ON THE ORIENT EXPRESS

THE FOREIGNER [C]

Sinto-me um afortunado por ter nascido no momento certo. Não estou a falar de ter crescido no período pós-revolucionário num Portugal às portas da Europa. Hoje vou-me focar na música. Nasci no ano em que saiu o “Blue Valentine” de Tom Waits, “Adventure” dos Television e “The Scream” o disco de estreia dos Siouxsie and the Banshees. Estas três pérolas já seriam suficientes para celebrar a minha vinda ao mundo. Mas, além disso, passei os anos formativos dos 14 aos 20 numa década de vibrante descoberta e ressaca dos 80’s. O grunge e o noise substituíram o brilho pelo desencanto sombrio e descomprometido dos anos 90. A música electrónica deu o passo seguinte às primeiras raves e ao acid jazz e ganhou outra dimensão. A cereja no topo do bolo foi o advento da internet e da pirataria que democratizou toda a história da música. Boogie-woogie, rock psicadélico, exótica e space-age pop e todas as ramificações do jazz expandiram o meu gosto muito para além das fronteiras temporais da década. Mas, acima de tudo, sinto-me afortunado por ter crescido numa época em que a música independente era apreciada sem comercialização, sem bandas indies a musicarem publicidade a telemóveis, sem a H&M a vender t-shirts Sonic Youth e quando a MTV passava música. Nos anos 90 as pessoas iam a concertos ouvir música e senti-la de forma desbragada, em vez da actual febre de selfies que enchem as redes sociais. Aliás, íamos a concertos de bandas específicas, longe dos festivais carregados de marketing dos dias de hoje. Perdoem-me a nostalgia. João Luz

C I N E M A

SALA 1

SALA 2

PROBLEMA 180

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 179

SUDOKU

DE

Diariamente

Cineteatro

1.21

ANOS 90

WAT DE FUNK MINI-CONCERT Village Mall, Rua do Campo | 19h30 às 21h00 ARRANQUE DO FESTIVAL DE CINEMA DOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DOS DOIS LADOS DO ESTREITO, HONG KONG E MACAU Cinemateca Paixão

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE MACAU (VER PROGRAMA PRÓPRIO) Cinemateca Paixão, Torre de Macau e Centro Cultural | Até 14/12 EXPOSIÇÃO “AO MEU CORAÇÃO UM PESO DE FERRO” Livraria Portuguesa | Até 08/01 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

YUAN

PÊLO DO CÃO

Sexta-feira

PICNIC COM CONCERTO DOS BLADEMARK Albergue SCM | Das 14h00 às 17h00 CONCERTO THE BEATBOMBERS – FESTIVAL THIS IS MY CITY Discoteca D2 | A partir das 00h00 CONCERTO “PAULO PEREIRA’S SAXEXPERIENCE” – FESTIVAL THIS IS MY CITY | WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | 19h00 às 20h00 CONCERTO FASLANE – FESTIVAL THIS IS MY CITY | WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | Das 21h00 às 00h00 “MO澳門 | HOW TO BECOME NOTHING CINE-CONCERT” – FESTIVAL THIS IS MY CITY | WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | Das 20h00 às 21h00 EXPOSIÇÃO “PEARL PAKMAP” – FESTIVAL THIS IS MY CITY” | WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | Das 17h30 às 19h30

0.24

WONDER [B] Fime de: Stephen Chbosky Com: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay 19.15 SALA 3

TAKE ME TO THE MOON [B] [FALADO EM PUTONGHUA, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS] Fime de: Chun Yi Hsieh Com: Jasper Liu, Vivian Sung, Vera Yen, Chihtian Shih, Pipi Yao 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


ócios/negócios 23

quarta-feira 13.12.2017

ALL THINGS PASSION REBECA PANGAN, BLOGGER

As mil paixões de Rebeca Há coisas que se fazem com coração e de uma forma intima, extremamente pessoal. Essa é a sensação que se tem quando se fala com Rebeca Pangan, a blogger por detrás do All Things Passion.

A

O longo de mais de um ano de posts, a internauta coloca online aquilo que a define enquanto pessoa. “Sou uma minimalista, feminista e entusiasta por livros”, refere na sua página de Facebook. A blogger é licenciada em Contabilidade pela Universidade de Macau e membro da equipa de debate em inglês do estabelecimento de ensino. Começou a publicar textos online sobre aquilo que a apaixona desde o início de 2016. Livros, comida, moda e debates são as paixões que a alimentam o All Things Passion. Na descrição da página, Rebeca Pangan confessa que cedo percebeu que estava a dar um salto maior que a perna, tornando as suas publicações mais focadas em moda, lifestyle e na sua forte crença nas potencialidades do feminismo para tornar a vida mais justa. “A perspectiva feminista foi algo que surgiu nos meus interesses de forma muito natural, se te sentires com poder podes estender esse poder às pessoas que te circundam”, revela a blogger.

A busca pela igualdade de géneros é uma das lutas que apaixona Rebeca Pangan, apesar de achar que localmente há pouco activismo neste sentido. “Em Macau a maioria das pessoas ainda têm uma atitude muito passiva em relação a este tipo de princípios”, explica. No plano dos livros, a blogger tenta incidir mais sobre literatura que fale sobre gestão pessoal, tais como os best-sellers escritos por Arianna Huffington sobre os benefícios de dormir mais e melhor.

MODA MINIMAL

Um dos objectivos de Rebeca Pangan passa por tentar influenciar amigos, família e leitores, na esperança de que possam vir a copiar o seu comportamento. Essa é a esperança da blogger, “ser uma influência positiva nos leitores”. Quanto à matéria sobre a qual escreve, a internauta confessa que “é um pouco arbitrária, sem ter um tópico específico que esteja a seguir constantemente”. No que diz respeito ao estado da moda no território, Rebeca Pangan acha que “Macau ainda está numa fase em que as tendências estão muito limitadas a millennials e a pessoas com mentes um pouco mais abertas”. No entender da blogger, faria bem aos locais aprenderem com as tendências que se seguem em Hong Kong ou Singapura. “A maioria das pessoas não é propriamente expressiva na forma como se veste. São muito conservadoras, e mesmo no quotidiano limitam-se a usar fardas de trabalho e a indumentárias pouco coloridas ou imaginativas”, analisa a blogger. O minimalismo estético de Rebeca Pangan revela-se na forma sóbria e fresca como encara a moda no All Things Passion. Escreve sobre a forma como as t-shirts com mensagens podem ter um papel activo em termos de liberdade de expressão, ou sobre a melhor forma de conjugar cores neutras, como os cinzento, sempre com muito estilo e elegância. No entanto, a blogger escreve também sobre assuntos do quotidiano. Como tal, não passou ao lado das consequências do tufão Hato e tentou corresponder os seus posts à actualidade e transmitir alguma positividade numa altura profundamente traumática. O blog também está recheado de várias sugestões onde tomar um chá, ou comer uma refeição em Macau. No fundo, All Things Passion é o reflexo da soma de paixões de Rebeca Pangan e a forma como vive a cidade onde habita. João Luz

info@hojemacau.com.mo

“A maioria das pessoas não é propriamente expressiva na forma como se veste. São muito conservadoras, e mesmo no quotidiano limitam‑se a usar fardas de trabalho e a indumentárias pouco coloridas ou imaginativas.”

https://www.rebecapangan.com/


Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo. Oscar Wilde

O

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Benfica inicia campanha asiática em casa frente ao Hang Yuen FC complexa de planeamento de toda a operação logística e desportiva, que envolve o cumprimento de uma série de obrigações e protocolos exigidos pela própria AFC, sobretudo no que toca ao trabalho a realizar para a recepção aos adversários nos jogos em que é anfitrião. Em andamento está também a recta final da preparação de mais uma época de competições internas

TATIANA LAGES

Benfica de Macau vai estrear-se na fase de grupos daAFC CUP com um jogo em casa, frente ao Hang Yuen FC, de Taiwan, no dia 7 de Março de 2018. O calendário oficial dos jogos a disputar nesta participação inédita de uma equipa da RAEM numa competição internacional de clubes da ConfederaçãoAsiática de Futebol foi ontem divulgado. Assim, o tetra-campeão de Macau começa em casa, sendo que uma semana depois, a 14 de Março, terá a primeira deslocação fora, não se sabendo ainda se será à Coreia do Norte ou à Mongólia, uma vez que o adversário para esse jogo será a equipa que ingressar no grupo do Benfica de Macau na AFC CUP depois de ultrapassada a última eliminatória, que será jogada no início do ano. A jornada seguinte, a 11 de Abril, implica uma saída complicada à Coreia do Norte, onde a equipa da RAEM defrontará o 4.25 SC, de Pyongyang, e que é teoricamente o adversário mais difícil do grupo. A equipa conta com Kim Yu-song, a sua principal arma na linha da frente Kim Yu-song foi nada mais nada menos do que o melhor marcador da última edição da AFC CUP, ajudando o 4.25 SC a alcançar as meias finais da competição.

PALAVRA DO DIA

OS ADVERSÁRIOS

A 25 de Abril, estas equipas defrontar-se-ão novamente, mas desta feita no Estádio de Macau, sendo a equipa da RAEM a anfitriã. Uma semana depois, a 2 de Maio, o Benfica de Macau desloca-se a Taiwan para a segunda partida com

o Hang Yuen FC, encerrando a fase de grupos no dia 16 de Maio, em casa, frente ao vencedor da eliminatória que definirá a última equipa a entrar para o grupo. Para a Direcção do Benfica de Macau, inicia-se agora a fase mais

• 4.25 SC Candidato ao título com melhor marcador 25 de Abril, SC ou apenas 4.25 é um dos principais clubes de futebol da Coreia do Norte em teoria o adversário mais forte do Benfica de Macau nesta fase de grupos. Tem 15 títulos de campeão nacional no seu currículo, o último dos quais em 2015, sendo um clube do Exército Popular da Coreia do Norte. Na edição 2017 da AFC CUP, chegou às meias finais inter-zonas

quarta-feira 13.12.2017

da competição, a fase antes das meias finais propriamente ditas, tendo sido batido pelo Bengaluru FC. Kim Yu-song é a sua principal estrela e foi o melhor marcador da última edição da AFC CUP. Sediado em Pyongyang, a capital, tem como grande rival o Pyongyang City Sports Club e joga em casa no internacionalmente famoso Estádio Yanggakdo, o recinto onde decorrem as principais cerimónias festivas do país, mundialmente conhecidas por envolverem dezenas de milhar de pessoas nos espectáculos. • Hang Yuen A incógnita O Hang Yuen FC, de Tapé, em Taiwan, é o clube a defrontar pelo Benfica de Macau sobre o qual menos se sabe. Terceiro classificado do campeonato de Taiwan na época 2017, joga num pequeno estádio do norte da capital, com capacidade para 2000 pessoas. É um clube com alguma tradição no futebol interno de Taiwan, sendo que tem sido representado pela equipa de futebol da Fu Jen Catholic University, uma das mais reputadas universidades de Taipé.

Hoje Macau 13 DEZ 2017 #3954  

N.º 3954 de 13 de DEZ de 2017

Hoje Macau 13 DEZ 2017 #3954  

N.º 3954 de 13 de DEZ de 2017

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