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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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SOFIA MARGARIDA MOTA

O Instituto Cultural está a terminar a recuperação física do Pátio da Eterna Felicidade, mas não tem ainda planos para o que por ali vai acontecer. Não há projectos culturais, artísticos, literários, nem para este espaço nem para outras “pérolas” que existem pela cidade.

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau O que fazer com o Pátio da Eterna Felicidade?

MOP$10

QUARTA-FEIRA 12 DE JUNHO DE 2017 • ANO XV • Nº 3852

HOJE MACAU

PÁGINA 8

“Temos muito mais coração” www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

Mário Costa, presidente da União de Exportadores da CPLP, acredita no projecto. Não somente devido às reais possibilidades económicas mas porque, afirma, somos todos muito afáveis e queremos efectivamente cooperar. MING WONG, LIFE AND DEATH IN VENICE, 2010, H-R IMAGE, ASCHENBACH

ENTREVISTA

EXPOSIÇÃO LGBT ABRE EM TAIWAN

KWAN TSUI HANG

O BALANÇO DE UMA VIDA

A força tranquila EVENTOS

PÁGINAS 4-5


2 ENTREVISTA

MÁRIO COSTA

“Podemos ser uma potência económica mundial”

HOJE MACAU

PRESIDENTE DA UNIÃO DE EXPORTADORES DA CPLP

Proporcionar o encontro entre empresários dos quatros cantos do mundo, tendo a língua portuguesa com factor unificador, é um dos propósitos de Mário Costa. O presidente do União de Exportadores da CPLP considera que, nos próximos 40 anos, o espaço lusófono pode tornarse num dos grandes blocos económicos. A entrada na China faz-se, agora, através de Macau Qual o papel da União de Exportadores da CPLP? Fazemos parte da Confederação Empresarial da CPLP, somos reconhecidos como a representação do sector privado que veio introduzir um novo pilar económico na CPLP. O nosso objectivo é aproximar as empresas deste espaço e promover negócios. Como é óbvio, cada um destes países pertence a sub-regiões onde se pode fazer comércio livre. E ninguém é alheio ao peso de Macau como plataforma para a China, não só na colocação de produtos, como também na captação de investimento para estes países que têm grandes recursos naturais, tecnologia, know-how, mas falta capital. Falta alguma liquidez para pôr em prática os projectos. Temos países com recursos, como os países africanos e Timor-Leste, enquanto no Brasil e Portugal há tecnologia e know-how. Portugal e Brasil têm necessidade de sair para fora porque estão

estagnados internamente; como tal, têm necessidade de ir para estes países onde estão os recursos. Mas falta o capital e sabemos que a China tem excedentes, não aplica todo o capital que tem. Nesse contexto, a China é um gigante económico incontornável.

“Em três ou quatro décadas, se continuarmos no percurso que estamos agora, a CPLP pode tornar-se numa potência económica mundial, tem tudo para isso. Estamos nos quatro cantos do mundo.”

Queremos vir cá para mostrar todas as oportunidades que existem no mundo lusófono. Os empresários chineses têm boas oportunidades de negócio, não só ao nível de grandes infra-estruturas como portos e aeroportos, mas também ao nível de agricultura e indústria. Se juntarmos o know-how, os recursos naturais e a capacidade de investimento que a China tem, podem sair daqui projectos gigantescos. Se a CPLP conseguir introduzir este factor de liquidez em todo o processo, pode ser uma potência global, na nossa opinião. Em três ou quatro décadas, se continuarmos no percurso que estamos agora, a CPLP pode tornar-se numa potência económica mundial, tem tudo para isso. Estamos nos quatro cantos do mundo. Brasil na América, Portugal na Europa, os países africanos e Timor-Leste. Existe mercado, não só dos países da CPLP, como nas regiões onde estão inseridos, estamos a falar de quase 31

por cento da população mundial, são dois mil milhões de consumidores. Se juntarmos a isso liquidez, acho que isto é explosivo. Macau servirá como plataforma para esta aproximação ao mercado chinês. Sim, a minha vinda cá é para criar esse laço entre a parte chinesa e a parte dos países da CPLP, ou seja, uma perspectiva mais empresarial. Existem, neste momento, grandes contactos políticos, institucionais, e estamos a tentar passar isso para o mundo das empresas. Esta é

a primeira aproximação, estamos a conhecer o mercado, a falar com as instituições oficiais para que, no futuro, tenhamos aqui um núcleo em Macau que possa servir todos os países da CPLP. A relação empresarial com a China é bastante importante, mas também abrimos delegações, por exemplo, nos Estados Unidos, na Rússia. Como costumo dizer, é preciso primeiro percorrer o caminho de pedras. Assim sendo, quis vir cá desbravar terreno. Este é um grande mercado de colocação de produtos e de captação de

investimento. Macau é a estratégica plataforma para a China. Por cá já reunimos com o Fórum Macau e com o IPIM. Como se escolhem empresas com capacidade de internacionalização? É preciso avaliar muito bem os empresários porque estamos a falar de culturas muito diferentes, formas de pensar diferentes e é preciso que as pessoas saibam dialogar. Há muitos empresários que são bons no seu próprio terreno, na sua região ou país, e sair pode ser algo muito


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tir daí desenhamos o perfil deles. Os empresários têm de dizer o que é que têm, a experiência que têm para os darmos a conhecer ao mundo. Depois, os nossos núcleos vão procurar, junto dos nossos parceiros e associados, empresas que cumpram requisitos daquilo que eles pretendem, que tenham apetência de internacionalização e fazemos o match entre a oferta e a procura. A partir daí, quem faz os negócios são os empresários, nós somos apenas a plataforma de encontro.

complicado. Esse trabalho é complexo. Muitos empresários também pecam porque fazem o negócio, mas depois esquecem-se da parte logística, da parte financeira, da parte da segurança jurídica dos negócios. Nós temos parceiros que podem ajudar nesses detalhes, temos dimensão para isso. Como funciona a rede de núcleos da União de Exportadores da CPLP? Temos núcleos em todos os países da CPLP, já estamos em 21 países. Normalmente, o coordenador do núcleo,

“Existe mercado, não só dos países da CPLP, como nas regiões onde estão inseridos, estamos a falar de quase 31 por cento da população mundial, são dois mil milhões de consumidores.”

que é vice-presidente, é um empresário de referência, que é o modelo de empresário que queremos para esse espaço. Depois temos o coordenador do núcleo e delegados, pessoas técnicas, que trabalham com os empresários. Se uma empresa quer ser associada avaliamos a empresa, o empresário. Os nosso especialistas, que conhecem muito bem a realidade dos outros países, avaliam se aquela companhia e pessoa estão preparadas para ter relações com estes países. Depois aceitamos a candidatura, ou não. A par-

Estes projectos também têm alcance social. Pode dar-nos um exemplo? Temos o projecto da União de Exportadores para o Desporto, em que queremos aproveitar o desporto como factor de desenvolvimento do ser humano. Em África abrangemos seis milhões de crianças nas escolas e usamos o desporto como forma de educação. Só para ter uma ideia, havia uma grande necessidade de fazer o teste de HIV a crianças. O Governo montou tendas e ninguém apareceu. Então, fizemos um torneio de futebol e as crianças tinham de fazer o teste antes de participarem no torneio. Eram filas e filas de crianças. Neste momento estamos a organizar a maior competição juvenil em África, a Copa Coca-Cola. Queremos pegar nesses talentos para desenvolver o desporto, estamos a ajudar na organização dos clubes, de competições, fazer clubes link, ou seja, clubes portugueses, ou brasileiros, que possam ajudar a desenvolver clubes mais pequenos que tenham potencial. Estamos a criar centros de alto rendimento para desenvolver os jovens com maior talento. Até que ponto as barreiras nacionalistas são empecilhos à cooperação económica? Estou em países da CPLP todos os meses, fico uma semana em Portugal e uma semana fora, e sinto que há uma vontade muito grande de pertencer à CPLP, mas também há muita vontade de vincar que “este é o meu país”. Nesse aspecto estamos, agora, a fazer a diferença. Quando chegarmos ao cidadão comum e

ele perceber que para ele a CPLP é importante, ele vai ter força sobre o seu próprio Governo. É isso que estamos a fazer. Estivemos na Guiné Bissau e levámos 80 empresários de Portugal, Brasil e Angola, entre outros países, para investirem lá. Não imagina a quantidade de pessoas que estavam no evento e que quiseram fazer negócio, que disseram: “Isto é uma luz ao fundo do túnel para nós. Pessoas que falam a mesma língua e que querem ser nossos parceiros?”. É uma lógica win-win. Queremos juntar tudo, capital, recursos, know-how, essa é a nossa lógica, criar empresas CPLP, não portuguesas, nem brasileiras, queremos empresas com a bandeira da CPLP, que falem todas a mesma língua, que formem um bloco. Já temos muitos casos mas, à escala mundial, são precisos muitos mais. Quando tivermos um nível forte de envolvência, vai ser o orgulho da própria pessoa a dizer que pertence à CPLP, que resultou disto. Não teme dificuldades surgidas dos fantasmas do colonialismo? Esse é um grande obstáculo que temos agora, mas que as novas gerações vão resolver. Eu próprio tive dificuldades com os angolanos por ser português e estar a liderar este projecto. Mas agora tenho grandes amigos angolanos, pessoas de topo que viram o trabalho que está a ser feito. As novas gerações em todos estes países já esqueceram um bocado o colonialismo, os mais velhos ainda têm

“Esta é a primeira aproximação, estamos a conhecer o mercado, a falar com as instituições oficiais para que, no futuro, tenhamos aqui um núcleo em Macau que possa servir todos os países da CPLP.”

“Nós temos mais afinidades entre os países lusófonos do que os países francófonos, eles têm uma relação mais fria e distante. Nós queremos cooperar, culturalmente somos muito mais afáveis, temos mais coração.” alguma resistência, mas isso desaparece. Fala-se agora em livre circulação de pessoas e capitais, em cidadania CPLP, porque os empresários estão a exigir e os políticos vão atrás. A cooperação económica é estratégica e a lusofonia tem de se afirmar no mundo, se não a francofonia passa-nos à frente, assim como os ingleses. Nós temos mais afinidades entre os países lusófonos do que os países francófonos, eles têm uma relação mais fria e distante. Nós queremos cooperar, culturalmente somos muito mais afáveis, temos mais coração. Quantos membros tem a União de Exportadores da CPLP? A União de Exportadores tem quatro anos e tem mais de 600 associados, mas representamos milhões de empresas através de protocolos de parceria, e era esta dimensão económica que a comunidade precisava. A própria CPLP, em si, estava a ficar velha, ultrapassada quando estava a completar 20 anos. Não se sabia para que servia. Tivemos de introduzir o pilar da cooperação económica, se não nada faz sentido. Houve necessidade de renovar a CPLP, em 2010 deram estatuto à Confederação Empresarial. Nós consideramos que os empresários têm de andar sempre à frente dos políticos. João Luz

info@hojemacau.com.mo


4 POLÍTICA

KWAN TSUI HANG BALANÇO DE MAIS DE 20 ANOS DE VIDA POLÍTICA ARQUIVO

E DEPOIS DO ADEUS É uma figura de peso da Assembleia Legislativa que decidiu não se recandidatar nas eleições de Setembro próximo. Ontem, Kwan Tsui Hang fez um balanço do trabalho de mais de duas décadas enquanto deputada. Recordou os tempos da Administração portuguesa e falou do impacto do caso Ao Man Long

N

à O tem planos para projectos políticos ou cívicos. Kwan Tsui Hang entende que, por ser deputada, dedicou pouco tempo à família, pelo que a saída da cena política vai ser aproveitada para colmatar essa falha. Tem ainda planos de viagens que deixou por fazer. “Quero conhecer o mundo”, disse ontem a mulher que, desde 1996, ocupa um assento na Assembleia Legislativa (AL). Kwan Tsui Hang chamou a imprensa para fazer uma espécie de balanço das mais de duas décadas ao serviço do órgão legislativo do território. Traçou ainda algumas expectativas em relação ao futuro da AL. Com ligações aos Operários, a ainda deputada entrou na Assembleia pela porta do sufrágio indirecto. Eram outros tempos, o território estava sob Admi-

nistração portuguesa, e a mulher que é, há já vários anos, presidente de uma das comissões permanentes, não tinha qualquer experiência na política. A prioridade foi “aprender sobre o funcionamento do Governo e sobre direito porque, no início, não tinha conhecimentos suficientes sobre essas áreas”. Dos anos anteriores à transferência recorda ainda as dificuldades que sentia por a língua portuguesa ser a mais usada na AL. Veio 1999 e, no final de 2006, o mega escândalo de corrupção protagonizado pelo antigo secretário para os Transportes e Obras Públicas. Kwan fez referência ao caso Ao Man Long, para confessar que sentiu uma maior necessidade de “melhorar a fiscalização dos trabalhos do Governo”. O estado de graça da RAEM tinha chegado ao fim.

A deputada nota que foi precisamente depois deste processo que a AL decidiu criar as comissões de acompanhamento, estruturas que contam com “os esforços dos colegas” e que servem para uma fiscalização mais regular daquilo que o Executivo vai fazendo.

Kwan fez referência ao caso Ao Man Long, para confessar que sentiu uma maior necessidade de “melhorar a fiscalização dos trabalhos do Governo”

Na análise à relação do hemiciclo com o Executivo, Kwan Tsui Hang observa ainda uma utilização cada vez maior dos mecanismos de interpelação escrita e oral, o que permitiu “reforçar o modo como o Governo é supervisionado”.

O LADO AMARGO

Kwan Tsui Hang é presidente da 1.a Comissão Permanente há já várias legislaturas. Sobre a função que exerce, reconhece que “não é nada fácil”. As reuniões do grupo de deputados, que acontecem à porta fechada, exigem a conciliação de opiniões e interesses dos seus membros. A missão de quem lidera passa sobretudo por conseguir juntar ideias para que se chegue a uma conclusão mais ou menos consensual. “Não se pode apenas representar o sector a que se pertence”, explica a voz dos Operários, admitindo que

foi alvo de críticas por não haver, por parte de alguma opinião pública, a noção de que o exercício deste tipo de funções obriga a uma postura diferente daquela que se tem enquanto apenas deputada. “Mas é necessário que alguém assuma esta responsabilidade”, ressalva.

Também foi necessário passar por cima de críticas e de momentos desagradáveis. As eleições de 2013 não foram um momento fácil da vida de Kwan Tsui Hang, marcadas por difamações. “Recebi o apoio da minha equipa, de amigos e de cidadãos, que me encorajaram”, recorda, visivelmente emocionada.


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S

ÃO mensagens para os que vêm a seguir: Kwan Tsui Hang espera que os deputados eleitos em Setembro possam aproveitar melhor os mecanismos de fiscalização do Executivo, para que se possa assistir a um aumento da eficiência da governação. A deputada deixa também um apelo ao consenso: apesar de os membros da Assembleia Legislativa terem diferentes preocupações e posturas perante a sociedade, não é de todo impossível, nalguns casos de cariz social, encontrar-se uma solução. Basta que haja colaboração entre todos, diz. Kwan Tsui Hang sai da vida política com uma pedra no sapato: a inexistência de uma lei sindical, prevista pela Lei Básica. Lamentando que os vários projectos de lei tenham sido chumbados, a deputada diz-se, no entanto, confiante de que, no futuro, Macau terá este tipo de legislação.

GCS

GONÇALO LOBO PINHEIRO

ARQUIVO

Para os vindouros

“Os que vierem a seguir, os deputados das associações dos Operários, vão continuar a lutar por esse objectivo.” Prestes a chegar a hora da despedida, Kwan sublinha que é normal a passagem de testemunho para os mais novos. É essa a ordem natu-

ral da vida, aponta. “Com as experiências que se passam às próximas gerações, os nossos descendentes vão fazer muito melhor do que as gerações anteriores. Por isso, não estou preocupada com nada depois da minha saída”, remata.

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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO O Governo da Região Administrativa Especial de Macau faz público, através da Direcção dos Serviços de Turismo, que, de acordo com o Despacho de 26 de Junho de 2017 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a prestação de serviços de “Produção da publicação electrónica Macao Travel Talk em 2018 e 2019, em versão chinesa e versão inglesa”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso Público na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias do processo do concurso mediante o pagamento de MOP200 (duzentas patacas) para despesas com documentos, ou consultar os Avisos Públicos na Página Electrónica da Indústria Turística de Macau (http://industry.macaotourism.gov.mo) da Direcção dos Serviços de Turismo e fazer o “download” do mesmo. A sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 15:00 horas do dia 19 de Julho de 2017. O limite máximo do concurso é de MOP2.600.000,00 (dois milhões e seiscentas mil patacas). Os critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação são os seguintes: Critérios de adjudicação

Factores de ponderação

Edição

30%

Membros constituintes da equipa

25%

História e currículo da empresa concorrente

10%

Concepção do layout da publicação electrónica

20%

Preço proposto

15%

Para quaisquer esclarecimentos, a partir da data da publicação do aviso e até quinze (15) dias antes do termo do prazo para a entrega das propostas, os interessados podem apresentar as suas questões, nos Avisos Públicos da Página Electrónica da Indústria Turística de Macau (http://industry. macaotourism.gov.mo) da Direcção dos Serviços de Turismo, sendo as respostas, também, dadas na mesma.

As difamações de que foi alvo também em 2009 levam-na a pedir às autoridades que se mantenham atentas, para que se garanta que o processo de Setembro decorre sem problemas. Kwan sente que, no seu caso, não chegou a ser feita justiça, uma vez que, um ano depois das penúltimas

eleições, ainda não se tinha feito prova acerca do autor de panfletos em que tinha sido difamada. Em Setembro de 2011, a deputada voltou a ser alvo de um processo complicado, com a presença de manifestantes em frente ao seu escritório que tiveram, sublinha, atitudes igualmente

difamatórias. Só ano passado é que o caso foi levado a julgamento mas, diz Kwan Tsui Hang, até ao momento ainda não foi executada a sentença do tribunal. São memórias agrestes que leva da vida pública que teve nas últimas duas décadas. Vítor Ng (com Isabel Castro) info@hojemacau.com

O concorrente deverá apresentar a proposta à Direcção dos Serviços de Turismo, sita na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, Macau, durante o horário normal de expediente e prestar uma caução provisória de MOP52.000,00 (cinquenta e duas mil patacas) até às 17:45 horas do dia 21 de Agosto de 2017. A caução provisória deve prestada mediante: 1) depósito na Direcção dos Serviços de Turismo em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitido à ordem do Fundo de Turismo; 2) garantia bancária; ou 3) depósito em numerário à ordem do Fundo de Turismo, no Banco Nacional Ultramarino de Macau (n.o de conta 8003911119). O acto público de abertura das propostas será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 11:00 horas do dia 22 de Agosto de 2017. Os concorrentes ou os seus representantes legais deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do DecretoLei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os concorrentes ou os seus representantes legais poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público de abertura das propostas. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 5 de Julho de 2017. A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes


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O

Governo afirma que vai estudar a proposta de alteração da Lei de Terras feita pelos deputados Leonel Alves e Zheng Anting, mas nunca fechou portas a uma eventual revisão do diploma. Caso essa possibilidade fosse realidade, o hemiciclo não teria tempo para analisar e votar o diploma até ao dia 15 de Agosto, dia em que termina a actual legislatura. “Acho que não [que a Assembleia Legislativa não teria tempo], a não ser que se trate de um caso urgente, como os impostos sobre veículos, por exemplo. Acho que, com tantas discussões e conflitos, o Governo não vai apresentar nesta altura esta proposta de lei”, defendeu ontem Chan Chak Mo. O presidente da 2.ª Comissão Permanente da AL acredita que o hemiciclo “vai ter um diálogo com o Governo” no que diz respeito a essa matéria. A um mês da conclusão dos trabalhos legislativos, resta apenas à 2.ª Comissão Permanente a conclusão da análise da lei de enquadramento orçamental. As análises na especialidade relativas aos diplomas do tabagismo e do ensino superior estão concluídas. A 3.ª Comissão Permanente também deverá concluir até Agosto a alteração do regime jurídico do arrendamento previsto no Código Civil. Restam apenas dois diplomas na 1.ª Comissão Permanente.

Não há tempo

UM TECTO PARA TODOS

Chan Chak Mo diz que vai haver diálogo sobre a Lei de Terras

“Acho que, com tantas discussões e conflitos, o Governo apresentará nesta altura esta proposta de lei.”

Segundo Chan Chak Mo, “todas as propostas vão ser submetidas até 15 de Agosto, porque este ano são as eleições”.

OPINIÕES ACEITES

A reunião de ontem da 2.ª Comissão Permanente serviu para assinar o parecer do regime do ensino superior, tendo sido também discutida a nova versão da proposta de lei relativa ao regime jurídico da administração das partes comuns do condomínio. A nova proposta teve em conta 90 por cento das opiniões apresentadas

pela comissão, explicou Chan Chak Mo. Esta proposta só deverá entrar em vigor um ano após a data da sua publicação, por estar interligada com a lei da actividade comercial de administração de condomínios, que tem o mesmo calendário para a sua implementação. Até ao final deste mês, será assinado o parecer sobre a análise na especialidade do regime jurídico da administração das partes comuns do condomínio. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

deputada e candidata às eleições legislativas Wong Kit Cheng pede que o Governo construa mais habitações públicas e melhore as políticas da habitação, para que as famílias que queiram comprar a sua primeira casa possam ter mais apoio. Wong Kit Cheng lembra que os jovens são a fatia da população mais afectada nesta área. A deputada citou um inquérito realizado pela Associação da Construção Conjunta de um Bom Lar sobre as necessidades das famílias jovens, que mostra que 50 por cento dos jovens casados estão a arrendar casa. As rendas chegam a representar até 30 por cento do rendimento familiar. Também 50 por cento dos inquiridos revelaram sentir dificuldades económicas, por isso as pressões aumentam quando os jovens casais decidem ter casa própria. Devido ao lento processo de construção de habitação

pública, os residentes têm de continuar a aguentar os elevados preços das rendas, alertou a deputada num comunicado. Wong Kit Cheng lembrou que o Executivo ainda não definiu um calendário para a abertura de concursos de atribuição das casas económicas, exigindo uma rápida construção dos projectos que já estão a ser planeados. A deputada e candidata pede a abertura, o mais rápido possível, de um novo concurso para a entrega de casas económicas. Na sua visão, é também essencial aumentar o número de fracções de tipologia T2 e T3. Wong Kit Cheng defende a criação de um mecanismo para a apresentação periódica das candidaturas para a habitação pública. Além disso, a deputada quer que sejam definidas políticas de apoio para as famílias que queiram adquirir pela primeira vez o seu imóvel. V.N./ A.S.S.

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Notificação edital (31/FGCL/2017) Nos de pedido: 000066/2017

MISSA DE 7º DIA MR. BARRY BLAND A Associação Geral de Automóvel de Macau – China (AAMC), informa que Barry Bland, o responsável pelas inscrições dos pilotos da F3 no Grande de Prémio de Macau durante mais de 30 anos, faleceu no passado dia 5 de Julho na sua residência no Reino Unido, aos 71 anos de idade, estando acompanhado da sua mulher Irmgard e dos seus filhos Chris, Alex e Ben, pelo que será celebrada a missa de 7o dia, na Quarta-feira, dia 12 de Julho às 18 horas na Igreja da Sé. Antecipadamente se agradece a todos quandos se queiram associar a este acto.

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o nº 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “Xin Shan Promotor de Jogo Limitada (membros dos órgãos de administração Zhu Zhenjiang e Zhu Lin)”, com sede na Alameda Dr. Carlos d´Assumpção nºs 336-342, Centro Comercial Cheng Feng, 15º andar P,Q,R, Macau, o seguinte: Relativamente ao ex-trabalhador (Tang Ka I), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 29 de Junho de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $49 593,50 (quarenta e nove mil quinhentas e noventa e três patacas e cinquenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos para àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica subrogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nºs 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 6 de Julho de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 24/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de Junho de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Um Sistema de Equipamentos de Ecografia Ultrasónica dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 12 de Julho de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP38,00 (trinta e oito patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S.(www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São

Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 8 de Agosto de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 9 de Agosto de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP40.000,00 (quarenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 6 de Julho de 2017. O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip


7 hoje macau quarta-feira 12.7.2017

Lei das Rendas ECONOMISTAS EXPECTANTES QUANTO AOS RESULTADOS

Sempre é melhor que nada TIAGO ALCÂNTARA

Contratos com o mínimo de três anos, aumentos das rendas a serem controlados pelo Chefe do Executivo. Dois economistas estão expectantes quanto aos resultados práticos da nova lei de rendas. Tratase de medidas “correctivas”, mas há “dúvidas”, uma vez que os interesses envolvidos “podem ser maiores”

SOCIEDADE

A

como uma medida que deve entrar em funcionamento como um mecanismo correctivo”, apontou ainda.

NÃO CHEGA

Para Albano Martins, estas novas medidas são “melhores do que nada”, mas não chegam para controlar os aumentos excessivos das rendas. “Coloca nas mãos do Chefe do Executivo uma decisão que deveria ser de política económica. O Governo deveria dizer que não autoriza que as rendas cresçam acima de determinado valor e as pessoas estariam protegidas.” O economista alerta para os interesses no sector da parte de GONÇALO LOBO PINHEIRO

proposta de lei relativa à alteração do regime jurídico de arrendamento previsto no Código Civil, ou lei das rendas, demorou a ver a luz do dia, mas os nove deputados que apresentaram o diploma conseguiram finalmente chegar a um acordo com o Governo. Os contratos terão de ter, no mínimo, três anos em vez dos dois anos actualmente definidos por lei, sendo que o Chefe do Executivo poderá implementar um mecanismo de controlo dos aumentos das rendas, quando bem entender. Dois economistas com quem o HM falou estão expectantes quanto aos resultados, na prática, deste diploma. Para José Sales Marques, trata-se de “uma boa medida”. “Uma coisa importante é o aumento do prazo de arrendamento para três anos. Sabemos que proprietários nem sempre respeitam o período de arrendamento de dois anos, já previsto na lei, mas é uma boa medida.” O mecanismo a implementar pelo Chefe do Executivo terá sempre um carácter provisório, consoante o desempenho do mercado imobiliário. Na visão de Sales Marques, não deveria ser criado um mecanismo permanente para o controlo das rendas, por ser “um pouco contraproducente”. “Não me parece que estaria de acordo com os princípios do mercado. Esta é uma medida correctiva, que integraria como uma política pública, que está sujeita a alterações consoante as necessidades e um conjunto de circunstâncias. Deve ser encarada

quem apresentou o diploma na Assembleia Legislativa. “Essa lei foi feita por deputados e alguns deles dificilmente não estarão em colisão de interesses com os seus próprios interesses, e teremos de ver a lei antes de ela sair”, diz. Albano Martins lembra mesmo que, caso houvesse a ideia de aplicar, neste momento, o mecanismo de controlo das rendas, o Chefe do Executivo poderia alegar que não era necessário. “Dizem que o Chefe do Executivo se vai basear nos dados da inflação, mas neste momento poderia dizer que não seria preciso coeficiente nenhum, porque, segundo as estatísticas do

Índice de Preços do Consumidor, verificamos que os valores estão a baixar nas rendas, mas na prática sabemos que não é bem assim.” “As rendas estão a subir, os imóveis também, mas o Chefe do Executivo pode dizer que a inflação está a cair. Ninguém acredita que as rendas estão, portanto, a baixar, e por isso o Chefe do Executivo pode dizer que não é necessário qualquer coeficiente, porque a inflação está em queda”, exemplificou ainda o economista.

MAIS TRANSPARÊNCIA

Albano Martins confessa ter “dúvidas” sobre o lado prático

“Parece-me que esta não é a melhor solução, porque vai passar a resolução do problema para as mãos do Chefe do Executivo, que não fixa, à partida, o tecto máximo de subida das rendas.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA

deste diploma. “Vamos aguardar para ver como é que as coisas vão correr. Parece-me que esta não é a melhor solução, porque vai passar a resolução do problema para as mãos do Chefe do Executivo, que não fixa, à partida, o tecto máximo de subida das rendas. Vai tomar a decisão em função daquilo que acha [ser o mais correcto].” O economista considera que é necessária uma maior transparência num processo que demorou cerca de dois anos a ficar concluído. “Vê-se que as pessoas não estão muito à vontade em relação ao que estão a propor, e acho que os interesses são maiores. As forças que movem o mercado fazem com que a especulação seja enorme e, como os imóveis vão sempre subindo, as rendas vão acompanhando o mercado”, defendeu Albano Martins. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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O Instituto Cultural já concluiu os trabalhos de reparação das velhas estruturas do Pátio da Eterna Felicidade, mas ainda não sabe que tipo de projecto vai ali desenvolver. O Governo continua sem “planos específicos” para outros pátios semelhantes

Pátio da Eterna Felicidade GOVERNO CONTINUA SEM PLANOS PARA ESPAÇO

Nem ideias, nem cantigas HOJE MACAU

SOCIEDADE

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UTRORA albergou pessoas, até que estas foram saindo aos poucos, à medida que as paredes das suas casas iam envelhecendo. Já ninguém reside no Pátio da Eterna Felicidade, localizado perto da Rua dos Mercadores, nas imediações das Ruínas de São Paulo. O HM deslocou-se ao local e viu as portas cerradas e barras de aço a segurar as velhas paredes. Segundo explicou o Instituto Cultural (IC), os trabalhos de reparação das estruturas dos edifícios estão concluídos. Não há, contudo, ideias sobre os projectos culturais ou artísticos que ali poderão ser desenvolvidos. Nem para o Pátio da Eterna Felicidade, nem para todos os outros espaços semelhantes, que guardam ainda a arquitectura chinesa de outros tempos. “Quanto a esse pátio e a outros pátios ou becos, o IC ainda não tem planos específicos”, apontou.

INTERLIGAÇÕES

Em 2014, o IC referiu que os trabalhos de reparação das estruturas neste local eram de extrema importância, por estarem relacionados com outros projectos culturais que iriam nascer no mesmo bairro.

Um deles era a renovação de um edifício que deu casa à Cinemateca Paixão, entretanto inaugurada. A renovação das casas do pátio foi mesmo considerada pelo IC como um projecto que seria “um exemplo de defesa do património”. No total, foram recuperados oito edifícios dentro do Pátio da Eterna Felicidade, tendo sido mantidas as estruturas originais, além do

reforço que foi feito às colunas e na zona das telhas. Na zona envolvente, permanecem vários edifícios antigos que correm o risco de ruína. Há meses, ocorreu mesmo a queda de parte de um edifício localizado bem ali ao lado, na Rua da Tercena, sem que tenha havido vítimas ou feridos. Enquanto isso, a zona tem florescido com a abertura de novos espaços comerciais.

SAÚDE ESCORREGADELA OBRIGA A PEDIDO DE DESCULPAS

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S Serviços de Saúde de Macau (SSM) emitiram ontem um comunicado em que pedem desculpas aos cidadãos afectados por “incumprimento de procedimentos operacionais” na aplicação de larvicidas na Praça das Portas do Cerco.

De acordo com a nota, várias pessoas escorregaram e caíram, tendo uma delas sido conduzida ao hospital. O caso aconteceu na passada segunda-feira à tarde, durante a execução de um trabalho de rotina pela Equipa de Controlo de Vec-

tores dos SSM. Os pesticidas para a eliminação de larvas estavam a ser aplicados nos canais das vias públicas junto da Praça das Portas do Cerco mas, “por incumprimento dos procedimentos operacionais, foram deixados inadvertidamente

“Quanto a esse pátio e a outros pátios ou becos, o IC ainda não tem planos específicos.” INSTITUTO CULTURAL

larvicidas em redor dos drenos das vias públicas, o que causou a queda de vários cidadãos, aos quais os Serviços de Saúde apresentam as suas mais sinceras desculpas”. Quanto aos transeuntes que caíram, uma mulher de 50 anos de idade foi transportada para o hospital.Apresentava escoriações na zona do cotovelo direito e dor lombar,

Já há poucos pátios de arquitectura chinesa que permanecem habitados, sendo que a maioria continua a ter moradores que residem lá desde sempre e que, já idosos, temem em permanecer. São velhas estruturas que continuam sem um plano definido pelo Governo. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

pelo que foi sujeita a exames, tendo recebido alta após tratamento. Os SSM prometem reforçar a formação do pessoal em causa, para evitar casos semelhantes no futuro.


9 Ho Chio Meng LEITURA DO ACÓRDÃO

SOCIEDADE

RUI RASQUINHO

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MARCADA PARA A PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

A sentença marca a hora

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ex-procurador da RAEM, Ho Chio Meng, acusado de mais de 1500 crimes, conhece a sentença na próxima sexta-feira. Ho Chio Meng está a ser julgado, desde 9 de Dezembro, no Tribunal de Última Instância (TUI). A leitura da sentença está marcada para sexta-feira às 15h, indica um comunicado do TUI divulgado ontem. Nascido em 1955, Ho Chio Meng, que foi o chefe máximo do Ministério Público (MP) entre 1999 e Dezembro de 2014, está em prisão preventiva desde o final de Fevereiro do ano passado, depois de ter sido detido por suspeitas de corrupção na adjudicação de obras e serviços no exercício das funções. O antigo procurador é acusado de mais de 1500 crimes, incluindo burla, abuso de poder, branqueamento de capitais e promoção ou fundação de associação criminosa, em autoria ou co-autoria com nove arguidos, num caso que envolve também empresários, alguns deles seus familiares, os quais estão a ser julgados pelo Tribunal Judicial de Base. Em causa está a adjudicação, sempre às mesmas empresas, de quase duas mil obras nas instalações do próprio MP, entre

2004 e 2014, de acordo com o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). As empresas envolvidas viram adjudicadas a seu favor, de forma ilegal, diversas obras e serviços contratados pelo MP, num valor superior a 167 milhões de patacas, sendo que, deste montante, os suspeitos envolvidos terão beneficiado de, pelo menos, 44 milhões de patacas, segundo o CCAC. O caso ficou marcado pela desistência do processo do primeiro advogado de defesa de Ho Chio Meng, Leong Veng Pun. Em Maio, nas alegações finais da defesa, a nova advogada de Ho Chio Meng, Oriana Pun, considerou não existirem provas suficientes em relação à acusação de associação criminosa. Por estar a ser julgado no TUI, o antigo procurador não tem direito a recorrer da decisão. O TUI é a única instância chamada a decidir sobre processos que envolvam titulares ou ex-titulares de cargos públicos. Esta característica do sistema judicial tem sido criticada por diversos sectores que sublinham que estas pessoas não têm direito ao recurso, por não haver uma instância superior ao TUI em Macau, apesar de estarem a ser julgadas em primeira instância.

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Notificação edital (30/FGCL/2017)

Notificação edital (29/FGCL/2017) No de pedido: 000049/2017

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o nº 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do número de pedido acima referido, Kamui Sociedade Unipessoal Limitada, com sede na Avenida da Amizade nº 876, Edifício “Marina Garden”, 17 andar B Macau, o seguinte: Relativamente ao ex-trabalhador Iao Wai Keong do devedor, no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 29 de Junho de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos para o ex-trabalhador acima referido, no valor total de $29 066,70 (vinte e nove mil e sessenta e seis patacas e setenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos para aquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nºs 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo.

Nos de pedido: 000045/2017, 000050/2017

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o nº 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, Liu Cheng Kang (Titular do Estabelecimento de Comidas “Ieong Seng Fong”, sito no Bairro da Areia Preta nº 75, Centro Comercial “Vong Kam” r/c, Macau), o seguinte: Relativamente aos 2 ex-trabalhadores do devedor (Kuong Sut I, Kuong Un I), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 29 de Junho de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos para os ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $53 400,00 (Cinquenta e três mil e quatrocentas patacas). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos para aqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nºs 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 6 de Julho de 2017

6 de Julho de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong


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Exposição TAIPEI RECEBE A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO COM TEMAS LGBTQ

EVENTOS MURREL

Taiwan a abrir No dia 9 de Setembro é inaugurada “Spectrosynthesis – Asian LGBTQ Issues and Art Now”. Esta é a primeira exposição de arte dedicada a temas relacionadas com a homossexualidade exibida num museu estatal na Ásia

PINTURA OS SENTIDOS DE MURRELL inaugurada na próxima segunda-feira uma exposição de Denis Murrell. “Para Baixo e Para Cima” está integrada no Projecto de Promoção de Artistas de Macau, uma organização da Fundação Macau (FM) que conta com a colaboração da Fundação Rui Cunha. Em comunicado, a FM explica que a mostra reúne mais de 30 obras de Denis Murrell. Na cerimónia de inauguração será lançada uma publicação com o mesmo título da exposição. Denis Murrell nasceu em Upper Ferntree Gully, nos arredores de Melbourne, na Austrália, em 1947. Vive em Macau desde 1989. Antes de se mudar para o território, foi durante 14 anos professor de inglês na Papua Nova Guiné e na Austrália. Em 1995, o artista ganhou o 1.º Prémio de Pintura Ocidental na II Bienal de Arte de Macau. No ano seguinte, a sua obra “Ambos” ganhou o primeiro prémio na categoria de pintura de expressão ocidental na XIII da Exposição Colectiva dos Artistas de Macau.

Em 2000, a sua pintura “Fantasia Lunar” ganhou uma medalha de bronze no Concurso de Arte Asiática do Século XX Forte Cup, em Washington. Em 2006, Denis foi seleccionado pela empresa Liquitex como Artista do Mês, tendo sido apresentado no seu website. Em 2012, o Museu de Arte de Macau realizou uma exposição que contou, entre outras peças, com mais de 20 trabalhos que Denis Murrell doara ao longo dos anos ao museu. Considerando-se há muito um artista de Macau, sempre activo, o pintor tem participado em muitas exposições, tanto no território, como no estrangeiro. “Nos últimos anos tem-se dedicado ao ensino, transmitindo aos seus alunos as técnicas do seu estilo particular, que faz uso do acrílico, aguarelas e tinta-da-china, em toda a espécie de papel absorvente”, descreve a FM. A inauguração está marcada para as 18h30, na Galeria da Fundação Rui Cunha. A exposição estará patente até ao próximo dia 26. A entrada é gratuita.

A

Formosa continua na vanguarda da luta pelos direitos civis, desta vez com um acontecimento cultural pioneiro no continente asiático: a estreia na museologia asiática estatal de um evento de cariz LGBTQ, a exposição “Spectrosynthesis – Asian LGBTQ Issues and Art Now”.

KU FU SHENG

É

LIVROS BIBLIOTECA ITINERANTE VOLTA À ESTRADA

Regressa hoje às ruas de Macau a Biblioteca Itinerante, um clássico que há mais de 30 anos leva o prazer da leitura aos cidadãos. Estes serviços estavam interrompidos desde 26 de Maio, quando o veículo que alberga a biblioteca teve de interromper actividade para ir para inspecção e manutenção. Concluída esta fase, a Biblioteca Itinerante volta a funcionar na Rua Nova da Areia Preta, na Avenida Artur Tamagnini Barbosa e na Avenida do Vale das Borboletas em Coloane.

ARQUITECTURA ALBERGUE SCM ORGANIZA SEMINÁRIO

Realiza-se hoje no Albergue Santa Casa da Misericórdia um seminário de arquitectura com o título “Design for Drastically Changing China”. O evento, sob a égide da Fundação Macau, é conduzido por He Jingtang, reitor honorário da Escola de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China. O seminário, em mandarim, realiza-se hoje às 19 horas e faz parte do programa de formação profissional contínua.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA GARE DO ORIENTE • Vasco Luís Curado Cinco pessoas, vindas de diferentes pontos da cidade, convergem para o mesmo comboio que parte da Gare do Oriente a caminho do subúrbio. Todas estão sozinhas com os seus pensamentos, que dificilmente podem ser partilhados ou compreendidos; umas vivem presas à memória do passado, outras criaram dilemas que lhes limitam o presente. Mas eis que algo faz despertar neles uma consciência comum: o ataque terrorista ocorrido nessa manhã numa estação estrangeira e cujas imagens passam continuamente na televisão. Poderá esta ameaça à escala global mudar alguma coisa no seu íntimo?

O evento decorre no Museu de Arte Contemporânea (MOCA) e estará patente ao público entre 9 de Setembro e 5 de Novembro, contando com a colaboração de 22 artistas de Hong Kong, Taiwan, Interior da China, Singapura e artistas chineses baseados nos Estados Unidos e no Canadá. Os 50 trabalhos que constituem “Spectrosynthesis” focam-se na

confluência de dois conceitos: espectro e fotossíntese. O tema central da exposição é o espectro de luz que pretende iluminar, dar visibilidade, à riqueza cultural e histórica da comunidade LGBTQ. O próprio arco-íris que simboliza o movimento representa o espectro e a diversificação que existente na própria comunidade. A exposição tem quase meio século de criação e foi composta pelo curador Sean Hu, um local de Taiwan. As obras tocam em assuntos como a identidade, igualdade, a propensão dos media para a caça à novidade, opressão social, estigmatização, luxúria, vida e morte.

OLHAR PARA FORA

A exposição que estará patente no MOCA em Taiwan surge no seguimento de uma tendência internacional de visibilidade a um conjunto de comunidades historicamente ligadas às artes, mais normalmente no Ocidente. Ainda este ano, tanto a Tate Modern, como a Tate Britain organizaram mostras de larga escala dedicadas aos feitos artísticos de criadores LGBTQ.

O tema central da exposição é o espectro de luz que pretende iluminar, dar visibilidade, à riqueza cultural e histórica da comunidade LGBTQ Um dos incontornáveis destaques da exposição, que é inaugurada em Setembro, é o trabalho “Muted Situation #5: Muted Chorus”, de Samson Young. O artista de Hong Kong, que usa o som como forma de expressão, apresenta uma performance de palco, uma composição de coro, sem qualquer projecção consciente de notas musicais. Este método permite revelar sonoridades que normalmente não

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

MITOS E LENDAS DA TERRA DO DRAGÃO • Wang Suoying, Ana Cristina Alves Na sequência de Contos da “Terra do Dragão”, as autoras oferecem agora ao público esta obra, que traz para Portugal algumas das lendas e dos mitos mais conhecidos entre os Chineses: estes incluem a mitologia chinesa das «narrativas sobre seres divinos e espíritos», mais abrangente, mas também os mitos de criação do Universo e dos seus seres, façanhas de fundadores, inventores e heróis, feitos de guerra e combates a desastres naturais como o dilúvio, etc.


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Q NA ÁSIA

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estão incorporadas em composições musicais, tais como as respirações dos cantores, os sons produzidos pelo corpos dos artistas e o barulho das pautas musicais a serem folheadas. Tudo entra na performance, numa peça sonoramente inclusiva. Noutra vertente, o artista de Taiwan, Ho Chun-ming, apresenta uma selecção de 13 quadros intitulada “Man Hole”, cada um com duas composições, que resultaram de uma série de entrevistas conduzidas pelo artista em 2014. Durante as conversas, o pintor convidou os “modelos” a desenharem num pedaço de papel algo representativo da sua vida. Em seguida, o pintor “responde” aos testemunhos em papel preto. A

série pretende encapsular em tinta as memórias das pessoas, os desejos, segredos, perdas e explorações. Em comunicado, Pan Sheau Shei, director do MOCA Taipé, refere que “a arte contemporânea deve ser agradável aos sentidos mas, também, responder a assuntos de relevo cultural que permitam o diálogo com o público, abrindo horizontes e entendimento do mundo”. Esta exposição surge numa altura de avanço em termos de direitos civis com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em Taiwan, mais uma vez, pioneiro no contexto asiático. João Luz

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EVENTOS


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13 CHINA

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Foi ontem a inauguração da rota Lisboa-Pequim. O primeiro-ministro falou da vocação portuguesa e tentou convencer os chineses a incluir Sines no projecto Uma Faixa, Uma rota

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primeiro-ministro português, António Costa, insistiu ontem na “posição capital” do porto de Sines, Setúbal, para ser incluído na Nova Rota da Seda, um projecto internacional de infra-estruturas proposto pela China. “Não ignoramos como o porto de Sines tem uma posição capital para poder vir a ser, ao nível das rotas marítimas, uma peça fundamental desta iniciativa”, afirmou durante a cerimónia, num hotel de Lisboa, de inauguração dos voos directos Lisboa-Pequim, com a presença do presidente do parlamento da China, Zhang Dejiang, de visita a Portugal desde segunda-feira. “Uma Faixa, Uma Rota” – versão simplificada de “Faixa Económica da Rota

ANTÓNIO COSTA SUGERE À CHINA INCLUIR PORTO DE SINES NA NOVA ROTA DA SEDA

“Unir povos, unir culturas, abrir rotas, abrir portas da Seda e da Rota Marítima da Seda para o Século XXI” – diz respeito ao projecto de investimentos em infra-estruturas liderado pela China, que ambiciona reavivar simbolicamente o corredor económico que uniu o Oriente o Ocidente. Esta iniciativa abrange mais de 60 países e regiões da Ásia, passando pela Europa Oriental e Médio Oriente até África.

Divulgado em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a Nova Rota da Seda visa reactivar a antiga via comercial entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático. O projecto inclui uma malha ferroviária, portos e auto-estradas, abrangendo 65 países e 4,4 mil milhões de pessoas, cerca de 60% da população mundial.

Em Maio, o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, agora demissionário, esteve em Pequim para propor às autoridades chinesas “uma rota marítima até Sines e que a rota da seda terrestre ferroviária, que já vai de Chongqing até Madrid, vá um pouco mais e chegue a Sines”. António Costa disse ontem esperar que os voos

directos Lisboa-Pequim, a partir de 26 de Julho, sejam um reforço de Portugal como “grande ‘hub’ intercontinental” (centro de operações). Costa destacou que a rota vai ser operada pela Beijing Capital Airlines (BCA), do grupo Hainan Airlines (HNA), que é “hoje indirectamente accionista da TAP”. “Isto significa que, com a abertura desta linha,

nós reforçamos a dimensão de Portugal como grande ‘hub’ intercontinuental. Já somos o grande ‘hub’ para o Brasil, o grande ‘hub’ para África”, recordou. “Com a abertura destas rotas para Oriente”, afirmou ainda, Portugal pode transformar-se num ‘hub’ estratégico para fazer aquilo que, ao longo da História, Portugal e os portugueses sempre fizeram, unir povos, unir culturas, abrir rotas, abrir portas”. Para António Costa, a abertura desta rota Lisboa-Pequim tem um “enorme simbolismo” e “é a nova rota da seda do século XXI”. O chefe do executivo sublinhou o contributo da comunidade chinesa residente para o desenvolvimento do país e lembrou o “investimento activo” da China em Portugal. Com esta rota, noves meses depois de ter sido acordada durante uma visita de Costa a Pequim, o Governo espera que o actual número de frequências (três) venha a aumentar e que haja uma diversificação de destinos em Portugal, designadamente para o Porto.

LIU XIAOBO GOVERNO NÃO CEDE A PRESSÕES

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M jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) disse ontem que a China é agora mais “forte e segura” e “não cederá” perante a pressão internacional no caso do Nobel da Paz Liu Xiaobo, que está hospitalizado. Após as petições internacionais a Pequim para que liberte e deixe sair Liu do país, o jornal considera que “forças” do ocidente estão a politizar o caso. “As autoridades tiveram em conta os sentimentos da sociedade ocidental e não têm qualquer intenção de utilizar Liu como moeda de troca”, apontou o Global Times, jornal em inglês do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC. Condenado em 2009 a uma pena de 11 anos de cadeia por subversão, Liu Xiaobo, 61 anos e prémio Nobel da Paz 2010, foi colocado em liberdade condicional em meados de Junho após

lhe ter sido diagnosticado, em Maio, um cancro no fígado em fase terminal. Desde então, o dissidente está internado, sob vigilância, no hospital universitário n.º 1 de Shenyang, na província Liaoning, nordeste da China. Os Estados Unidos e a União Europeia e organizações de defesa dos Direitos Humanos têm apelado a Pequim para que deixe Liu e a sua família procurar tratamento médico no estrangeiro. O Governo, no entanto, defende que o dissidente está a receber o melhor tratamento médico possível na China. Pequim permitiu este fim de semana que dois médicos da Alemanha e EUA pudessem ver o paciente. O Global Times recorre às declarações de um dos especialistas para argumentar que Liu não deve sair do país. O diário cita o médico alemão que diz não

crer que Liu possa receber na Alemanha melhor tratamento médico do que o que está a receber na China. O vídeo difundido pela imprensa chinesa, no entanto, dura apenas alguns segundos e está claramente editado, de forma a mostrar apenas essas declarações. As declarações do médico norte-americano, Joseph M. Herman, não foram, entretanto, reproduzidas. “A questão é, se os médicos chineses estão a fazer bem e os médicos alemães não podem fazer melhor, e tendo em conta que existem riscos em transportar o paciente, porque é que determinadas forças fora da China insistem em dar tratamento médico no estrangeiro e em pressionar o Governo chinês”, questiona o editorial. “Trata-se do tratamento médico de Liu? Parece que não”, afirma.

PEQUIM MAIS DE 50 MIL OBJECTOS DESCOBERTOS EM ESCAVAÇÃO

Mais de 50.000 objectos foram descobertos numa escavação arqueológica no Palácio de Verão, o antigo jardim real da Dinastia Qing (1644-1911) em Pequim, informou ontem o jornal oficial Global Times. Num comunicado, citado pelo jornal chinês, responsáveis do Palácio de Verão afirmaram ter encontrado uma cabeça de elefante banhada em ouro, peixes de bronze, jade e porcelana chinesa, entre outros objectos. Uma equipa de quase uma centena de pessoas da Universidade Tsinghua, no norte de Pequim, foi encarregada de restaurar o aspecto original de 60% dos objectos encontrados, graças ao uso de uma técnica de realidade virtual e de mais de 10.000 documentos históricos. “A exposição destes objectos culturais também deve despertar sentimentos patrióticos entre os chineses, porque podem ver o quão glorioso era o nosso país e como essa glória foi pisada pelos invasores”, assinalou o professor de arquitectura antiga da Universidade de Pequim Tian Li, citado pelo Global Times. O Palácio de Verão era utilizado como um jardim pela realeza durante a Dinastia Qing, mas foi parcialmente destruído por tropas britânicas e francesas durante a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860).


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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João Paulo Cotrim

Viver as paisagens

JOÃO DE AZEVEDO, REFUGIADO

ALPORTEL, 3 JULHO Desço, em boa companhia, à serra algarvia ao encontro do crocodilo-mor, João de Azevedo. Fomos recolher as cores fortes, primárias, solares que assombrarão a galeria nos próximos dias. Acabadinho de cumprir meio século a pintar com diletante militância, o seu percurso não se resume ao trabalho sobre a cor, ainda que ela tenha a importância de um mergulho nas raízes, de um encontro com os primitivos de sempre e de agora, os que procuram o sabor do orvalho, o poiso do olhar da aurora nas coisas. As cores, bebidas das muitas paisagens onde se desfez, começando pelo mar natal, servem temas de sombra e assombro: os barcos, os barcos logo carregados de refugiados, os barcos-caixão, o corpo, nossa paisagem portátil, erotismo, o rosto, autorretratos, o garrote, depois ícaro, sinal maior das utopias onde se fez e desfez, depois os crocodilos, por causa de Timor e de um regresso à pintura largamente simbólico. Agora, e também isso mostraremos, regressam os empurrados da vida, mas em fundo negro, corpos atirados para a frente, com as mulheres nuas a rasteirar quem foge (ilustração algures na página). Sentámo-nos a mesa, de que outro modo podia ser?, a mastigar paisagens, a das ervas aromáticas que temperaram a noite, outras de verduras vizinhas, mas sobretudo as das muitos lugares (Níger, Moçambique, Holanda, Itália, Timor) e pessoas onde foi montando tenda. E semeando, que trabalhou muito com sementes. Juntou-se a nós um velho professor, o comum amigo Eduardo Campos Martins, que quase me empurrava para as sociologias, há muitas luas. Tantas luas e tantas vidas perdidas pelo caminho. Andámos desencontrados, por ser ele também da tribo dos nómadas, sendo eu mais árvore. E refrescado limoeiro me

diário de um editor

senti a beber os ventos naquela noite do princípio dos tempos. JOAQUIM CASIMIRO, LISBOA, 5 JULHO São as coincidências que nos governam. O Pedro [Salgado], que anima o Grupo do Risco, em viagens de olhos e mãos atentas às paisagens de selvagem natureza, oferece-me o resultado da expedição mais recente, em Junho de 2016, ao Príncipe. E que contém o volumoso álbum além das ilustrações de aves e caranguejos, de pássaros e árvores, registos dos que caminham sobre a atenção? O mangal, em todo o seu sombrio esplendor. Ora, por estes dias, ando encantado com Ponta Gea, o mais recente – que dizer, romance? Talvez, mas não explica tudo. Livro de viagem a um lugar chamado infância? Memórias do que só agora existe? – de João Paulo Borges Coelho. Um dos fragmentos relata a travessia do… mangal, lugar onde a terra e o mar se cruzam de um modo tal que deixam de ser um ou outro! Deslumbrante viagem iniciática, contada como se de ilustração científica se tratasse, sendo a ciência aqui a da aventura e ao nível de um Melville ou de um Stevenson. Não há por ali moral, claro, mas tomo nota que somos obrigados a atravessar as movediças paisagens

para descobrir o rosto da morte. Desencontrei-me do João Paulo, por exemplo, em Moçambique, aqui há atrasado, mas a elegante Maria Helena convocou-nos para a sua mesa. Falámos, conversámos, historiámos. Recuperámos, quem sabe, algum do atraso. O dia vinha tintado de tristeza, mas a noite mudou-lhe o tom. CCC, CALDAS DA RAINHA, 9 JULHO Naquele tempo, não via necessidade de fazer colecções na abysmo. Ei-las que surgem, de modo orgânico, ou não se tratasse de silvestre jardim. Na capa, o Sal [Nunkachov] coreografou pequena e desfocada dança de corpo nu e ramo. Ajudou a fazer um programa. Não a nomeámos, mas existe doravante, esta dedicada aos micro-contos, e existe mais ainda por se iniciar com Insanus, do Carlos (duplamente) Querido. Ou talvez seja nome seu a epígrafe roubada a Flaubert, afinal, a entrada para «livro» do seu Dicionário das Ideias Feitas: «Quel qu’il soit, toujours trop long.» Este livro vai durar, vaticino, de tão longa que será a sua permanência nos leitores. Nestas peças de relojoaria onde nada sobra ou falta, o absurdo toma as vezes de pano de fundo para o encaixe em movimento das personagens. Breves, mas intensas. Gente que consegue viajar no tempo, tornar-se invisível, perder as palavras, enlouquecer por via de

um quotidiano gesto. As minhas segundas leituras floresceram no horto do absurdo, com plantas e jardineiros como Beckett ou Henrique Leiria, Jarry, Camus ou Mário de Carvalho. Descobrimos que o dito cujo cresce como espelhos de circo da nossa relação com o mundo. Por ele acedemos à matéria primeira dos objectos e dos gestos. Com a subtileza da maresia, sente-se ainda a ruralidade, essa peculiar atenção à terra, a rimar ironicamente com um Deus que protege quem se aproxima das margens, dos precipícios, dos abysmos. O Carlos, sendo mais homem bom que juiz, foi sendo, nos andamentos mais recentes, um verdadeiro mecânico de paisagens. Curiosamente, ou nem por isso, com ele os timbres mais graves da liberdade. Personagens e autores, andam presos pelo umbigo, bem o sabemos. No conto «Sombras», sublinho, portanto regressando a uma das muitas infâncias: «Fazíamos os mesmos gestos, em simultâneo, numa harmonia sem arestas, até que um dia comecei a perceber de que era ela quem tomava a iniciativa. Percebe o que lhe digo? A minha sombra movia-se, e eu imitava-lhe o movimento.» Imitar o movimento das sombras, não será vocação para um editor? HORTA SECA, LISBOA, 10 JULHO Começo a semana de costas, a mirar a que passou. A minha-terra-agenda fez-se confluência de rios-projectos, ao mesmo tempo adubada de desilusões e amarguras. Clássicas tragédias cheias de futuro de par com contemporâneos do risco, fotografia e ensaio, talvez ensino. Dá-me jeito a melancolia, nas manhãs de segunda… E Lucebert, traduzido por Jos van den Hoogen, que desceu, com Daniel Rocha, de outra serra ao meu encontro: «o abraço deixa-nos num jogo desesperado/com o vazio/ por essa razão procurei /a língua na sua beleza/ onde ouvi que de humana não tinha mais/ do que os defeitos de pronúncia da sombra/ da luz ensurdecedora do sol».


15 hoje macau quarta-feira 12.7.2017

na ordem do dia 热风

Julie O’yang

China Gate O PORTÃO DE ENTRADA

China Gate, documentário realizado há seis anos e galardoado com diversos prémios internacionais

J Para estes miúdos, o Exame é muito mais do que uma prova: é a sua única hipótese de ascensão social

Á anteriormente tinham sido feitos alguns documentários sobre os exames de entrada nas Universidades, mas este tornou-se inesquecível pela angústia que nos transmite. A história desenrola-se um três locais geograficamente distintos, onde se espelha a situação que a nova geração chinesa tem de enfrentar. Em Huining, província de Gansu, os estudantes reúnem-se ao final do dia, para estudar numa zona recreativa do campus. Levam água e comida e só fazem umas curtas pausas para ir à casa de banho. Estão totalmente concentrados nas montanhas de trabalhos para preparação dos exames. Mesmo depois da meia-noite, hora do recolher, alguns continuam a estudar debaixo dos lençóis à luz das lanternas. E vocês perguntam porquê. Porque, para estes miúdos, este Exame é muito mais do que uma prova: é a sua única hipótese de ascensão social. Numa aula, um dos orientadores grita para os alunos: “Se vocês são demasiado burros para atingirem os vossos objectivos, mostrem-me ao menos que conseguem suar!”

Se entrevistássemos um destes jovens, ele diria: “Eu não nasci com os privilégios dos rapazes da cidade, mas tenho confiança em mim. Posso mudar o meu futuro.” Huining tornou-se famosa pela elevada percentagem de alunos que conseguem aceder à Universidade. Aqui, os estudantes aprendem para sobreviver. Para eles, o sistema de acesso à Universidade é sagrado. É como atravessar um portão inacessível e muito bem guardado. O vencedor do desafio entra na cidade consagrada e numa nova vida. De Huining passamos para Pequim, o segundo lugar do documentário. Centenas de milhares de jovens acabados de se graduar reúnem-se em Tianjialing. Muitos vieram de zonas rurais e chegaram à capital por via do exame de acesso. Agora vão lutar para ficar. Têm à sua espera uns salários miseráveis que mal chegam para garantir as necessidades básicas. A próxima escolha vais ser: ficar ou partir. Todos partilham um sonho: “Pequim não é a minha terra, mas pode vir a ser a terra do meu filho.” Vão fazer todos os esforços para ficar na capital. Se esta ambição se revelar impossível, resta-lhes, antes de se despedirem dos seus sonhos gorados, ir assistir ao ritual do hastear da bandeira e depois partir para casa, num qualquer lugar re-

moto do país. Para os que ficam, todas as preocupações, lamentos e a ansiedades diárias valem a pena, porque as melhores coisas da vida estão todas na capital. O terceiro lugar é Xangai. Zhang Jie é oriunda de uma família normal, no entanto toca e dá aulas de piano para ganhar a vida. Tem ainda um segundo trabalho, mas o dinheiro continua a não ser suficiente para as despesas do dia a dia. Embora tenha nascido na cidade, a precaridade que enfrenta torna-a semelhante aos jovens provincianos. Na China, desde há muito tempo, o sistema do exame de acesso à Universidade passou a ser a pequena janela de oportunidade para mudar o destino. É a única opção para a maior parte dos jovens que batem em desespero a este assustador portão de entrada. PUB

EDITAL Notificação da decisão final relativa à reparação de prédio em mau estado de conservação Edital n.º : 31/E-AR/2017 Processo n.º : 89/AR/2016/F Local : Rua dos Cavaleiros n.ºs 24-26, Edf. Son Hin, Macau. Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 03/ SOTDIR/2017, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 13, II Série, de 29 de Março de 2017, faz saber que ficam notificados os condóminos e inquilinos ou demais ocupantes do prédio acima indicado, do seguinte: Em conformidade com o Auto de Vistoria da Comissão de Vistoria constante no processo a decorrer nesta Direcção de Serviços, as paredes exteriores do prédio acima indicado encontram-se em mau estado de conservação e carecem de reparação, pelo que, nos termos do n.º 2 do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (Regulamento Geral da Construção Urbana) de 21 de Agosto, ficam os interessados notificados da decisão final relativa à sua reparação e remoção das plantas trepadeiras das paredes exteriores. No uso das competências delegadas pela alínea 12) do n.º 2 do Despacho n.º 11/ SOTDIR/2016, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 21, II Série, de 25 de Maio de 2016, o Chefe do Departamento de Urbanização da DSSOPT, Lai Weng Leong, homologou o Auto de Vistoria acima indicado através de despacho de 27 de Março de 2017. De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 6 de Abril de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a sua reparação e remoção das plantas trepadeiras das paredes exteriores. Nos termos do n.º 2 do artigo 54.º do RGCU e por despacho de 05 de Julho de 2017, ordena aos interessados que procedam, no prazo de 60 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à reparação das paredes exteriores do prédio assim como à remoção das respectivas plantas trepadeiras. Para o efeito, de acordo com as disposições do RGCU, os interessados deverão apresentar nestes Serviços o Pedido da Aprovação de Projecto (de Alteração) da Obra de Reparação / Conservação, no prazo de 10 dias contados a partir da data da publicação do presente edital. O impresso do respectivo pedido está disponível na página electrónica da DSSOPT. Findo o prazo acima referido, caso os interessados não tenham dado cumprimento à respectiva ordem, esta Direcção de Serviços aplicar-lhes-á a multa prevista nos artigos 66.º e 67.º do RGCU. Na falta de pagamento voluntário da despesa, nos termos do n.º 1 do artigo 142.º do CPA, proceder-se-á à cobrança coerciva da quantia em dívida pela Repartição das Execuções Finais da Direcção dos Serviços de Finanças. Nos termos do n.º 1 do artigo 59.º do RGCU e das competências delegadas pelos n.ºs 1 e 4 da Ordem Executiva n.º 113/2014, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2014, da decisão do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 05 de Julho de 2017. Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man


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hoje macau quarta-feira 12.7.2017

A Poesia Completa de Li He

始為奉禮憶昌谷山居 掃斷馬蹄痕,衙回自閉門。   長槍江米熟,小樹棗花春。   向壁懸如意,當簾閱角巾。   犬書曾去洛,鶴病悔游秦。   土甑封茶葉,山杯鎖竹根。   不知船上月,誰棹滿溪雲?

Ao Assumir o Meu Cargo de Supervisor de Cerimónias os Meus Pensamentos Voltam-se Para Minha Casa nas Montanhas de Chang Gu Foram varridas as marcas dos cascos dos cavalos, À volta do escritório, devo eu mesmo fechar o portão.1 No longa caçarola, cozinha o Rio arroz, Em arvorezinhas as jujubas florescem primaveris. Na parede dependuro o meu ceptro-de-lótus.2 Inspecciono o meu turbante pontiagudo junto ao biombo.3 Mandei o meu cão levar uma carta a Luo,4 A garça adoeceu, arrependeu-se da sua vagabundagem por Qin.5 O chá está selado em potes de terracota, O meu vinho de montanha trancado com os tocos de bambu. Nada melhor do que luar num barco... Mas quem vai à vara naquela corrente cheia de nuvens?

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Este poema foi escrito no ano de 811, quando Li He assumiu aquele cargo pela primeira vez. Por ser muito pobre, não tinha servos e poucos o visitavam. Ru-yi era um ceptro de curvatura dupla, usado com frequência para coçar as costas, e com a forma de uma flor ou talo de lótus. Um turbante de andar por casa, com cantos em bico. O poeta Lu Ji (261-303) teria tido um cão chamado Orelhas Amarelas, que se diz ter levado uma carta desde Luo Yang até à sua família, no distante país de Wu, e ter regressado ao dono com a resposta. Com o corpo emaciado como o de uma garça doente, lamenta-se por ter decidido vir para a capital.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


17 hoje macau quarta-feira 12.7.2017

TEMPO

MUITO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

SEMINÁRIO “ARQUITECTURA PARA TRANSFORMAR A CHINA” Albergue SCM | 19h00

MIN

26

MAX

32

HUM

65-95%

EURO

9.17

BAHT

EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO DE OBRAS ARTÍSTICAS DOS AGENTES DA PSP Albergue SCM | 16h00

O CARTOON STEPH DE

CINEMA | “RIO CORGO”, 2º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIO DE MACAU Cinemateca Paixão | 19h30 CINEMA | “OS AMANTES E OS DÉSPOTAS”, 2º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIO DE MACAU Cinemateca Paixão | 21h30

Sábado

MÚSICA | TURTLE GIANT LIVE Rua De Nossa Senhora, Beer Temple | 20h30 às 22h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO “COLOUR/SHAPE/LOVE”, DE JOAQUIM FRANCO Macau Art Garden | Até 16/7 EXPOSIÇÃO “NEW ART PEOPLE PROJECT 2017: BOUNDLESS 4” Armazém do Boi | Até 13/8 EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08 EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11 EXPOSIÇÃO “AS MUDANÇAS DE HENGQIN” Armazém do Boi | Até 16/07

Cineteatro

C I N E M A

SALA 1

SPIDER MAN: HOMECOMING [2D][B]

Com: Tome Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Jake Johnson 21.45

Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 14.15, 21.30

TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B]

DISPICABLE ME 3 [2D][A]

Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 14.00

Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SPIDER MAN: HOMECOMING [2D][B]

SALA 2

SALA 3

THE MUMMY [2D][C] Fime de: Alex Kurtzman

Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 16.45, 19.15

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 76

PROBLEMA 77

UM LIVRO HOJE

SUDOKU

Sexta-feira

YUAN

1.18

INSÓNIA

CINEMA | IV CICLO DE CINEMA CRED-DM – SISTEMA PRISIONAL: “CARANDIRÚ” Casa Garden | 19h30

MÚSICA | TURISMO E CIDADES NA ÓPERA: REIMS Fundação Rui Cunha | 18h30

0.23

PÊLO DO CÃO

EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO: “PARA BAIXO E PARA CIMA”, DE DENIS MURRELL Fundação Rui Cunha | 18h30

Quinta-feira

(F)UTILIDADES

Noites de demência com o corpo a reagir e a remoer angústias várias, terrores indefinidos, têmporas como tambores exóticos. Palpitações que fazem a pele oscilar para cima e para baixo, como se escondesse um habitante subcutâneo que quer espreitar o exterior. Voltas numa cama rotunda, com tudo em contramão, com a paranóia a crescer porque não se dorme e a impossibilitar adormecer numa sonolenta pescada de rabo na boca. Cada minúsculo ruído nos apartamentos vizinhos ganha contornos de rebentamento de bombas. A mente corre, serpenteia por alamedas de vigília, de sinapses e raciocínios mais rápidos que a capacidade para os apreender, como uma chuva de meteoritos que apenas se pode abarcar na totalidade e à qual não se consegue fugir. Qualquer foco de luz é um sol, um flash de radiação que trespassa. Macau é uma cidade muito dada a este estado de narcotização natural. Dormir é para os fracos, para as mentes que desconhecem a inquietude, esse elixir criativo onde germina a destruição. A almofada é o refúgio daqueles que não conseguem cavalgar o entorpecedor puro-sangue da exaustão. A insónia funciona como aqueles pesados escafandros antigos que nos permitem subir a Praia Grande totalmente submersos em torpor. Também encerra uma indiferença assassina no meio da sonolência, pois a realidade ganha contornos de sonho. Vive-se no reino de Morfeu, até que o alarme do telemóvel desperte a dor. João Luz

“O MEU IRMÃO” | AFONSO REIS CABRAL | LEYA

Não se espere deste livro a mesma linguagem clássica de “Os Maias” e as suas descrições, como aquela que o escritor português fez de O Ramalhete. “O Meu Irmão”, escrito pelo descendente de Eça de Queiroz, é um livro contemporâneo, igualmente bem escrito, que aborda a temática da deficiência de uma maneira diferente, com um certo sentido de humor. O jovem escritor foi Prémio Leya em 2015 e será, seguramente, um nome a ter em conta no panorama literário português. Andreia Sofia Silva

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Sofia Margarida Mota Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 hoje macau quarta-feira 12.7.2017

JOÃO CAMARGO

in esquerda.net

Que reforma para uma floresta 2ºC mais quente?

D

ESDE a tragédia em Pedrógão que o debate acerca do futuro das florestas tem sido intenso e, com a aproximação da data assumida de 19 de Julho para fechar uma reforma florestal, é importante perceber o que se prepara o Governo para fazer. De entre as várias propostas em cima da mesa, que tocam nas questões da estrutura da propriedade, do combate aos incêndios, do banco nacional de terras, cadastro florestal e fogos controlados, há uma a destacar: a alteração ao regime jurídico de arborização e rearborização (que se tornou conhecido como lei do eucalipto). Sob a lei do anterior Governo, a floresta em Portugal continuou um processo de eucaliptização e perda de floresta, contribuindo, em conjunto com uma situação de abandono generalizado, para a continuação de anos de incêndios catastróficos. O ministro Capoulas Santos anunciou recentemente que “não haverá mais um único hectare de eucalipto em Portugal”, afirmação audaz mas que foi imediatamente corrigida, ao afirmar que “vamos permitir é a transferência de áreas de produção de eucalipto, de locais com maior risco de incêndio e menos produtivas, para outras mais produtivas”. O que quererá isto dizer, exactamente? O novo projeto de lei do Governo, que pretende substituir a lei do eucalipto, diz que não são permitidas acções de arborização (novas plantações) com eucaliptos e que são apenas permitidas rearborizações (voltar a plantar em áreas previamente plantadas) de eucalipto quando a área já tinha previamente eucaliptos. Com uma excepção: quando “resultem de projetos de compensação, relativos à eliminação de povoamentos de eucalipto de igual área, localizados designadamente em zonas marginais e de baixa produtividade, com preparação de terreno que permita uso agrícola, pecuário ou florestal, neste caso, desde que com outras espécies que não do género Eucalyptus spp.”. Traduzindo, o Governo introduz uma suspensão teórica da área plantada por eucalipto e ao mesmo tempo um sistema de permutas que permite trocar-se áreas eucaliptizadas e pouco produtivas por áreas não eucaliptizadas em terrenos mais produtivos. É dizer que não haverá mais um único hectare de eucalipto em Portugal, quando na verdade existirão dezenas de milhares de novos hectares de eucalipto em Portugal, e nas zonas mais produtivas do país. O Governo propõe uma troca às celuloses: elas deixam o osso, as zonas menos produtivas do país, em troca do lombo, que

é concretamente a zona litoral centro-norte do país, aquela que tem as melhores capacidades de continuar a sustentar uma floresta biodiversa, com os solos mais ricos, maior disponibilidade de água e temperatura mais moderada. Por esses motivos, também é a zona mais rentável para uma monocultura intensiva. Isso não tem nada a ver com combate a incêndios, tem que ver com a contínua entrega do território. Aliás, a mortalidade do eucalipto, como de outras espécies, está a aumentar e continuará, com o aumento da temperatura e redução da precipitação, em particular no interior. Por isso é que no Governo anterior tanto se insistiu no regadio público para o eucalipto. Estamos a falar do futuro e de uma floresta em que, na melhor das hipóteses, a temperatura estará 2ºC mais quente e a precipitação 4% a 9% menor. As alterações climáticas tendem a degradar as áreas florestais, em particular as que já são vulneráveis, modificando o comportamento dos incêndios, que se tornarão

O enorme serviço que a floresta pode prestar ao país no futuro depende de várias das escolhas que fazemos hoje RUI CALÇADA BASTOS, O HOMEM DA MALA

OPINIÃO

mais violentos e quentes, provavelmente aumentando o número de fogos de copas em relação aos fogos sob o coberto. O aumento da temperatura de 2ºC é um aumento médio, isto é, haverá dias muito mais quentes, como aqueles em que ocorreu a tragédia de Pedrógão Grande, e as noites tropicais (acima dos 20ºC) aumentarão, dificultando ainda mais o combate e dificultando o sucesso de várias espécies florestais. Mas as florestas têm um enorme potencial de ajudar-nos no combate às alterações climáticas, quer servindo como sumidouros de carbono (o que acontece quando não ardem), quer contribuindo para conservar solos e água num território que tenderá a perdê-los. O enorme serviço que a floresta pode prestar ao país no futuro depende de várias das escolhas que fazemos hoje: ela servirá para proteger o território, se conseguirmos moldá-la nesse sentido, habitá-la e voltá-la para os seus serviços naturais, muito mais do que para o rendimento imediato e o mercado da exportação. A importância dada à biodiversidade, à resiliência e à aposta em espécies autóctones (que têm de ser muito bem geridas para se desenvolverem num clima muito mais adverso) definirá muito da habitabilidade futura do nosso território. A proposta do Governo, abrindo às celuloses a porta das áreas com maior potencial do território nacional, faz o contrário.


19 hoje macau quarta-feira 12.7.2017

sexanálise

O

A biologia do amor

complexo sistema hormonal que cada um de nós possui alimenta as sensações amorosas do nosso corpo. Nós sabemos quando estamos com tesão, apaixonados ou enamorados porque interpretamos os sinais ao nosso redor, ao mesmo tempo que interpretamos os sinais do nosso próprio corpo e mente. Há quem vá ainda mais longe para perceber estes sistemas que nos sustentam, ao ponto de explorar estas normais palpitações corpóreas para um mapeamento mais fidedigno do amor - da sua biologia, fisiologia e anatomia. Há neurocientistas por todo o planeta a perceber como é que o cérebro trabalha quando se apaixona ou quando se ama. Porque queremos perceber melhor estes processos? Porque assim podemos trabalhar com as melhores estratégias para garantir (escolher) um bom parceiro e assim investir num relacionamento duradouro e feliz. A investigação está tão avançada que já sabemos bastante acerca das zonas cerebrais que são activadas quando estamos apaixonados; conseguimos explorar o comportamento sexual e as suas bases inatas – ou as suas tendências evolutivas – e tenta-se perceber porque é que o amor acontece, se não é o cupido a lançar umas setas pr’áli e pr’acolá, que raio se passa então? Todas estas tentativas de desmanchar estes mecanismos poderiam desfazer a magia do amor romântico mas, lá por sabermos a receita do melhor bolo de chocolate do mundo, não quer dizer que vamos deixar de ter prazer em comê-lo. Contudo, esta visão atomista do amor – que é feita de mecanismos e processos cerebrais – mostra-nos uma realidade descontextualizada do mundo vivido. Por isso é que uma das mais conhecidas investigadoras na área do amor e das neurociências, Helen Fisher, é uma optimista acerca da história do amor e do seu futuro. Eu cá aconselho muita cautela nestas interpretações. Não só porque sou uma pessimista, mas porque não conseguiria funcionar sem uma representação do mundo complicado em que vivemos. Será que o amor se manteve o mesmo ao longo de tantos de existência da nossa espécie? Que são entre 200.000 e 100.000 anos? Eu diria que não. O amor, que é uma forma tão inata de ser, de estar e de cuidar, por mais natural que possa parecer, não é totalmente reproduzida de geração em geração. O sexo, que também é daquelas necessidades biológicas básicas das nossas vidas, também não se manteve o mesmo na

JULIÃO SARMENTO, SEM TÍTULO

TÂNIA DOS SANTOS

nossa espécie. Estas necessidades levam uma roupagem cultural e social que lhe conferem variabilidade e imensa criatividade – que é trabalhada e transformada em conjunto. Por exemplo, quando alguém me vem dizer que o amor em nada se alterará mesmo que as nossas artes de sedução se tenham alterado drasticamente (e aqui estou a pensar nos auxiliares tecnológicos), porque os mecanismos do amor (no cérebro) são sempre os mesmos... Eu pergunto-me: exactamente como? Quando é que nos limitamos a sentir o corpo como um ditador de funções e não

Há neurocientistas por todo o planeta a perceber como é que o cérebro trabalha quando se apaixona ou quando se ama

ouvimos as nossas complicadas cabecinhas acerca de quem somos, onde estamos, para onde queremos ir ou do que é que estamos rodeados? Por mais que se queira reduzir o amor a um processo neuro-cognitivo eu não deixo de pensar no conteúdo deste processo que é muitas vezes ignorado (e dado como redundante) nestas perspectivas mais neurológicas. Não estou de todo a julgar o ser humano como umas tabulas rasas do sexo e do amor e a pensar-nos totalmente permeáveis a tudo o que acontece à nossa volta. Nada disso! O amor há-de ter uma essência semi-universal para a forma como nos relacionamos e criamos laços vinculativos com os nossos parceiros românticos e amantes. Mas que as formas de expressão são mais que muitas, disso não tenho dúvidas nenhumas. O sexo transforma-se não só naquilo que precisamos, mas naquilo que desejamos que o sexo seja – e o amor também.

OPINIÃO


Tenho sonhos cruéis; n’alma doente/ Sinto um vago receio prematuro./ Vou a medo na aresta do futuro,/ Embebido em saudades do presente... Camilo Pessanha

quarta-feira 12.7.2017

PARLAMENTOS DE PORTUGAL E DA CHINA ASSINAM MEMORANDO KAIFONG IDOSOS NÃO SABEM FAZER PLANOS

De acordo com informação veiculada pelo canal chinês da Rádio Macau, os Kaifong fizeram um inquérito, com contou com mais de 1000 entrevistados com idade superior a 45 anos, sobre os seus conhecimentos quanto à aposentação. Lam Man Chi, vice-directora dos Serviços do Gabinete de Serviços Sociais da associação, revelou que mais de metade dos entrevistados não têm ideia de como podem fazer um plano de reforma, nem entendem a necessidade de tal plano. Os dados estatísticos apurados pelos Kaifong revelaram que mais de 90 por cento dos idosos entrevistados não planearam a reforma. A dirigente da associação acrescentou que a maioria tem uma reacção positiva, concorda com o planeamento o mais cedo possível, mas não sabe como fazer esse plano.

MOÇAMBIQUE CHINA VAI DAR FORMAÇÃO MILITAR

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O governo da China quer reforçar o apoio a Moçambique na formação de quadros das Forças Armadas, anunciou ontem o ministro da Defesa chinês, Chang Wanquann, em Maputo. O governante chinês manifestou-se interessado em dinamizar o intercâmbio entre as instituições de ensino superior militar dos dois países, referiu durante numa audiência com o homólogo moçambicano, Atanásio M’Tumuke. No encontro, que decorreu à porta fechada, os dois ministros analisaram o estado de cooperação sectorial entre os dois países e concluíram que, apesar de as relações estarem de boa saúde, podem ser dinamizadas. Atanásio M’Tumuke considerou que a visita de Chang Wanquann a Maputo é uma oportunidade para reforçar os laços de amizade e solidariedade entre os dois países. O governante moçambicano disse ainda que a China continua a ser um forte parceiro de Moçambique em vários setores, lembrando os “laços históricos” que unem os dois países. No fim do encontro, Chang Wanquann e Atanásio M’Tumuke não prestaram declarações à imprensa. Da agenda da visita de três dias de Chang Wanquann, que decorre desde segunda-feira, consta ainda uma audiência com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Salto na cooperação

O

S presidentes dos parlamentos de Portugal e da China assinaram ontem um memorando de entendimento, pelo qual se comprometem a reforçar os instrumentos jurídicos e políticos para aumentar a cooperação económica entre os dois países. Este documento foi assinado na Assembleia da República, no âmbito da visita oficial do presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional da República Popular da China, Zhang Dejiang, a Portugal, que é a primeira ao país de um titular deste órgão de soberania chinês. No memorando, Ferro Rodrigues e Zhang Dejiang referem que os dois parlamentos irão desenvolver esforços “para tirar o máximo proveito do papel dos órgãos legislativos na promoção da cooperação entre os dois países”. “No âmbito das suas competências, ambas as partes apoiarão os respectivos governos no sentido de se aperfeiçoarem os documentos

e consolidarem as bases jurídicas para a cooperação bilateral em todas as áreas”, salienta-se no texto do acordo. Em concreto, a Assembleia da República e a Assembleia Popular Nacional da China comprometem-se a fiscalizar e impulsionar os respectivos governos “na implementação dos acordos de cooperação em todos os domínios, reforçando as sinergias entre as suas estratégias de desenvolvimento”. Especifica-se depois no texto que a cooperação abrange a inicia-

tiva “Uma Faixa, Uma Rota”, “a fim de criar um melhor ambiente jurídico e político para incrementar a confiança política mútua, promover a cooperação económica e comercial e o intercâmbio entre os dois povos”. Pelo mesmo memorando, os parlamentos português e chinês assumem que irão desenvolver esforços para “promover o estabelecimento de contactos regulares entre comissões, grupos de amizade e serviços administrativos” dos dois órgãos de soberania. Uma

medida que visa reforçar “o intercâmbio e a aprendizagem mútua de experiências no que toca às relações bilaterais, à governação e ao desenvolvimento da democracia e do Estado de Direito”. “Ambas as partes empenhar-se-ão activamente no reforço da coordenação e colaboração no âmbito da União Interparlamentar e de outras organizações parlamentares internacionais e regionais, salvaguardando os interesses comuns”, acrescenta-se no documento.

Pyongyang e o míssil de papel O

S serviços secretos sul-coreanos acreditam que o míssil intercontinental lançado recentemente pela Coreia do Norte não está totalmente desenvolvido porque o país ainda não domina tecnologias essenciais, afirmou ontem um deputado em Seul. Yi Wan-young, do Partido da Liberdade, que forma parte do comité parlamentar de inteligência, disse que os responsáveis máximos daqueles serviços (NIS) assumem que o projéctil norte-coreano ainda não pode reentrar correctamente na atmosfera e carece ainda de um sistema de

orientação. Estes dois sistemas são essenciais para que um míssil intercontinental possa atingir o alvo escolhido. “Tendo em conta que a Coreia do Norte não tem instalações para testar tecnologia de reentrada, o NIS acredita que não consegue ainda dominar esta tecnologia”, disse Yi, citado pela agência noticiosa sul-coreana Yonhap. O deputado acrescentou que o domínio pleno deste sistema é necessário antes do desenvolvimento de elementos electrónicos de orientação do míssil, que são os que permitem alterar a trajectória para atingir o alvo.

A Coreia do Norte assegurou que o seu míssil intercontinental, lançado no passado 04 de julho, é capaz de “atingir qualquer parte do mundo”, algo que Yi classificou de “alarido sem fundamento”. Pyongyang também afirmou que o projéctil pode transportar uma ogiva nuclear, algo que é questionado por vários especialistas que acreditam que o país ainda não é capaz de miniaturizar bombas atómicas. O exército sul-coreano reconheceu a capacidade que o míssil parece ter para percorrer entre sete mil e oito mil quilómetros, o suficiente para alcançar os Estados Unidos.

REINO UNIDO VISITA DE TRUMP ADIADA

A visita de Donald Trump ao Reino Unido foi adiada para 2018. A menção a esta visita não fez parte do Discurso da Rainha, o que levou os repórteres a inquirir o porta-voz oficial do Nº.10 de Downing Street acerca do facto. À imprensa, este porta-voz terá afirmado que “o convite foi feito e aceite. A visita não foi mencionada porque ainda não foi escolhida uma data”. As declarações do próprio Donald Trump parecem confirmar a notícia. Durante a cimeira do G20, em Hamburgo, Alemanha, Trump terá dito que “isso está a ser resolvido”, quando inquirido sobre quando visitaria o Reino Unido. O adiamento da visita prende-se com a promessa de vários grupos de activistas do Reino Unido, que apelaram a protestos generalizados caso esta visita controversa fosse adiante. Uma petição online a pedir o cancelamento desta visita oficial terá conseguido 1,85 milhão de assinaturas.

AL-BAGHDADI MORREU, NÃO MORREU?

Depois de as Forças Armadas russas terem anunciado há semanas a realização de um raid aéreo que terá matado Baghdadi e vários dos seus assistentes nos arredores de Raqqa, na Síria, agora são fontes do próprio grupo que estarão a confirmar a informação. Primeiro foi o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com base em Londres mas com um historial bastante sólido de informações sobre a realidade no terreno na Síria, a citar fontes bem colocadas no Estado Islâmico a confirmar a morte de Baghdadi. Entretanto o site iraquiano Al-Sumaria cita também fontes de alta patente do Estado Islâmico no Iraque que confirmam a morte de Baghdadi mas dizem que esta ocorreu num local da província de Nínive, próximo de Mossul, contrariando a versão russa, e acrescentando que em breve será anunciado o nome do próximo líder. Os Estados Unidos mantêm que não têm informação suficientemente credível para confirmar a morte de Baghdadi.

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Hoje Macau 12 JUL 2017 #3851  

N.º 3851 de 12 de JUL de 2017

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