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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 12 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3992

TIAGO ALCÂNTARA

TATIANA LAGES

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

HABITAÇÃO NOVAS MEDIDAS

A APOSTA DE LAWRENCE HO

SPORTING ESTREIA REFORÇOS NIGERIANOS

PÁGINA 4

PÁGINA 8

CENTRAIS

O novo Morfeu

Fome de golo

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hojemacau AUTOCARRO MATA 19 EM HONG KONG

Uma história de duas cidades Tal como em Macau, a condução dos autocarros deixa muito a desejar. Desta vez, os erros do condutor foram fatais. GRANDE PLANO

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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EPA

A dúvida metódica


2 grande plano

12.2.2018 segunda-feira

HONG KONG

CONDUCAO LETAL P ˜

FOTOS EPA

Um acidente com um autocarro de dois andares “numa estrada numa zona mais rural”, em Tai Po, provocou a morte de 19 pessoas em Hong Kong e mais de 60 feridos, sendo que muitos deles ainda lutam pela vida. Vítor Sereno, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, adiantou que não há portugueses envolvidos. Excesso de velocidade parece ser, para já, a causa para o acidente

PIOR ACIDENTE DE AUTOCARRO DESDE 2003. NÃO HÁ PORTUGUESES ENVOLVIDOS

ELO menos 19 pessoas morreram e 62 ficaram feridas no acidente de um autocarro de dois andares este sábado em Hong Kong, segundo a última atualização das autoridades. O acidente aconteceu na estrada de Tai Po, entre Chek Nai Ping e Tsung Tsai Yuen. De acordo com o jornal South China Morning Post (SCMP), a circulação das vias reabriu às 6h40 de ontem. O acidente teve lugar cerca das 18h00 horas e envolveu um autocarro que percorria um troço de nove quilómetros numa autoestrada entre um hipódromo localizado em Shatin e uma área urbana próxima. As autoridades já consideraram este desastre como um dos piores em 15 anos, depois de, em 2003, 21 pessoas terem morrido num incidente semelhante, também num autocarro de dois andares. Poucas horas após o acidente, já o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno, tinha feito uma publicação nas redes sociais no sentido de procurar mais informações sobre possíveis vítimas portuguesas. Não houve, contudo, qualquer registo.  “Não há nacionais portugueses envolvidos. Estivemos em contacto com as autoridades desde ontem à noite, e já esta manhã, e segundo a informação que nos foi prestada não há nacionais portugueses envolvidos neste trágico acidente”, disse ao HM.  Jason Santos, português a residir em Hong Kong, adiantou que Tai Po é uma zona mais rural da região vizinha, onde é pouco provável que residam estrangeiros. Questionado sobre a segurança

dos autocarros públicos de Hong Kong, o português garantiu que este acidente não surpreende. “Sou condutor em Hong Kong há vários anos e quem me conhece já me ouviu dizer muitas vezes que prefiro andar de metro sempre que possível. Não confio nos condutores de Hong Kong, autocarros incluídos. Não me sinto seguro de forma alguma e este acidente vem demonstrar, mais uma vez, a falta de segurança rodoviária no geral.” “O condutor ia em excesso de velocidade e isso acontece todos os dias. Também parecia estar mal disposto, o que acontece constantemente. Quem paga são as pessoas que lá ficaram. Espero ver uma pena de prisão, mas já andam todos, partidos políticos incluídos, a mandar as culpas para cima de outras pessoas”, acrescentou.  Também Gonçalo Frey-Ramos aponta para o mau serviço prestado pelos autocarros. “Em Hong Kong guia-se mal e depressa. Quando andava de mota sentia-me mais seguro, o que não deixa de ser um contra-senso. Cá em casa ninguém anda nos pequenos autocarros porque consideramos que os motoristas conduzem demasiado rápido e não são seguros”, descreveu.  O residente em Hong Kong, e fundador de uma associação que representa a comunidade portuguesa na RAEHK, adiantou que “é habitual ver-se dois autocarros da mesma linha chegarem juntos à paragem de autocarro, depois de um tempo de espera maior do que o estipulado”. 

CONDUTOR IMEDIATAMENTE PRESO

As causas ainda são desconhecidas, mas um dos passageiros que sofreu

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“O condutor ia em excesso de velocidade e isso acontece todos os dias. Também parecia estar mal disposto, o que acontece constantemente.” JASON SANTOS PORTUGUÊS RESIDENTE EM HONG KONG

ferimentos numa perna disse que o autocarro “ia muito mais rápido do que normalmente acontecia”, de acordo com o diário digital Hong Kong Free Press. O SCMP escreve que o condutor começou “a ficar chateado” depois de ser criticado por alguns passageiros por estar atrasado no percurso em cerca de dez minutos. Um total de 15 homens e três mulheres morreram no local, enquanto 63 ficaram feridos, tendo sido transportados para 12 hospitais da cidade. Citado pelo


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segunda-feira 12.2.2018

SCMP, o mais jovem passageiro do autocarro, de nome Lee Ho-sang, com 16 anos, falou de um cenário catastrófico: “Mais de 15 pessoas morreram no local, havia mãos, cabeças e pernas partidas e ouvi muitos gritos”. “Havia muitos feridos mas só eu e o meu pai é que estávamos a ajudar as pessoas. Muitos passageiros estavam deitado no chão mas ninguém estava capacitado para ajudar. Os que estavam com menos ferimentos ficaram no passeio a filmar o que se estava a passar”, acrescentou o jovem.  Contudo, um outro homem entrevistado pelo jornal relatou que houve pessoas a tentar tirar outras do autocarro através da saída de emergência.  Lee não tem dúvidas de que o acidente se deveu ao excesso de velocidade. “O autocarro ia mesmo muito, muito rápido. Acredito que o acidente se deveu à negligência do condutor”, frisou.  Na noite de sábado, foi confirmada a morte de mais um homem, o que aumentou o número de mortes para 19.  Na manhã de ontem dez passageiros ainda se encontravam no hospital em estado grave, enquanto 15 ainda estavam em estado crítico.  Uma hora depois do acidente, cerca de uma vintena de pessoas

continuava encarcerada no interior do veículo. Godwin So Wai-Kei, diretor-geral da empresa de autocarros Kowloon Motor Bus, dona do veículo, já disse que as famílias das vítimas serão indemnizadas com 80.000 dólares de Hong Kong. As autoridades policiais prenderam o condutor, que também ficou ferido, apesar de não ser claro se necessitava de tratamento hospitalar. Depois do acidente ficou um forte cheiro a petróleo na estrada, tendo sido espalhada água no local para evitar um incêndio. O homem, de 30 anos de idade, começou a trabalhar na empresa em 2014 e começou a trabalhar a tempo parcial em setembro do ano passado. Segundo o SCMP, esteve estava habituado à estrada, onde conduziu há três semanas.  “Não havia sinais de exaustão”, disse um dos responsáveis da operadora de autocarros, que adiantou ainda que o condutor tinha feito turnos de sete horas nos últimos quatro dias, sendo que tinha cumprido um turno de apenas quatro horas no sábado. 

CONDUTORES EXIGEM MAIS CONDIÇÕES

Ainda que com dimensões diferentes, sobretudo em termos do número de vítimas, o acidente ocorrido em Hong Kong espelha

“Estivemos em contacto com as autoridades e, segundo a informação que nos foi prestada, não há nacionais portugueses envolvidos neste trágico acidente.” VÍTOR SERENO CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL EM MACAU E HONG KONG

uma situação semelhante a Macau, onde, recentemente, uma idosa faleceu esmagada entre um autocarro da Nova Era e um automóvel. O condutor, na empresa há algumas semanas e a trabalhar em regime de tempo parcial, terá acelerado o autocarro ao invés de travar. O incidente levou o Governo a suspender cerca de 30 motoristas que realizavam trabalho a tempo parcial. Se em Macau há falta de recursos humanos, que obriga a uma grande carga horária dos condutores de autocarros, na região vizinha também parece existir problema semelhante, de acordo com declarações de Wong Yu-loi, representante da Confederação dos Sindicatos de Hong Kong.

Há horas de trabalho em excesso, falta de condutores qualificados e maus salários. “O Governo tem de assumir a responsabilidade para garantir que os serviços de autocarros operam de uma forma razoável e segura”, apontou. Na visão de Wong, deve haver “uma revisão das orientações para condutores, uma redução das horas de trabalho, o aumento do salário base, a implementação de orientações salariais para atrair sangue novo para o sector e a monitorização dos condutores a tempo parcial. Estes são os problemas que o sector tem vindo a enfrentar há algum tempo”.  O departamento de transportes em Hong Kong determina que um condutor deve fazer, no máximo, 14 horas de serviço, incluindo horas de descanso. Ao nível da condução, o trabalho não deve exceder as 11 horas semanais.  Bill Chou, docente universitário que reside em Hong Kong, mas que viveu vários anos em Macau, considera que há diferenças entre os dois territórios nesta matéria.  “Pelo que li o condutor tinha alguma experiência e neste caso não foi isso que teve influência no acidente. Penso que os salários em Macau são mais baixos do que em Hong Kong, então não há tanta possibilidade de escolha em termos de recrutamento como aqui. Além

disso, Hong Kong é um território mais montanhoso do que Macau e isso cria maiores dificuldades à condução. Em Macau os motoristas têm mais dificuldade em conduzir a uma grande velocidade. Penso que há menos probabilidade de ocorrerem acidentes em Macau”, defendeu ao HM. Os últimos dados da Direcção dos Serviços para osAssuntos de Tráfego apontam para uma redução de dez por cento no número de acidentes ocorridos com autocarros. O ano passado, em 11 meses, registaram-se 778 casos. Em Dezembro de 2016, 57 pessoas ficaram feridas, incluindo duas com gravidade, na sequência de um acidente ocorrido que envolveu dois autocarros de turismo, na Taipa.  A Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, visitou as vítimas nos hospitais e prometeu reforçar a segurança dos transportes públicos da região vizinha, tendo prometido criar um organismo independente, liderado por um juiz, para avaliar as condições de segurança dos autocarros. “O objectivo é garantir um sistema de transportes seguro e confiável, sobretudo a nível do serviço de autocarros”, frisou.   Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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GCS

12.2.2018 segunda-feira

O Governo avançou com um conjunto de medidas para melhorar o mercado imobiliário e facilitar a aquisição da primeira casa pelos jovens. Mas há deputados que não estão convencidos e temem que as alterações possam trazer efeitos adversos

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S hipotecas para aquisição de casa vão ser facilitadas. A ideia, diz o Governo, é facilitar a compra de habitação por parte dos jovens locais. De acordo alguns deputados, é necessário facilitar o a cesso à habitação pública. Contudo, a falta de divulgação de informações acerca de fornecimento de fracções de habitação pública é apontada

pela deputada Ella Lei. Em declarações ao programa “Fórum Macau”, a deputada revelou que a questão fundamental no mercado imobiliário tem que ver com o desconhecimento por parte da população no que respeita ao número de fracções de habitação social que vão estar disponíveis no futuro. A deputada da FAOM exige que o Governo volte a rever a legislação de modo a esclarecer este assunto.

HABITAÇÃO NOVA LEGISLAÇÃO NÃO CONVENCE DEPUTADOS

Difícil de endireitar Para Ella Lei, não chega alterar legislação que diga apenas respeito ao mercado imobiliário privado, na medida em que os preços deste sector continuam a ser demasiado elevados para a maioria dos residentes. É necessária toda uma revisão dos regimes que dizem respeito à habitação de modo a criar condições de acesso à habitação pública “para que os cidadãos tenham esperança de comprar a sua casa”, referiu. Já o deputado Ho Ion Sang criticou o Governo pela saída pouco oportuna da medida

CE Governo aprova subsídio para estudantes universitários

Os jovens locais que frequentam cursos em instituições de ensino superior vão ter acesso a três mil patacas de apoio para a compra de material escolar. De acordo com o comunicado oficial, o projecto do regulamento administrativo foi aprovado pelo Conselho Executivo (CE). A ajuda é destinada a todos os estudantes titulares de bilhete de identidade de residente de Macau e que estejam inscritos no ano lectivo de 2017/2018 “em cursos de ensino superior que conferem graus académicos ou com duração de pelo menos dois anos lectivos”, sendo que podem estar matriculados em instituições locais ou estrangeiras. Para aceder a este apoio, os interessados devem preencher as formalidades requeridas até ao próximo dia 31 de Março.

relacionada com os limites do rácio de empréstimos hipotecários aos jovens que pretendem comprar a primeira casa. Ao jornal Ou Mun, o deputado aponta a iniciativa como contraditória. Tendo em conta a actual situação, Ho Ion Sang exige que o Governo esteja atento ao mercado privado e ajuste oportunamente as suas políticas sem esquecer medidas capazes de melhorar a situação da habitação social e económica.

LÓGICAS ESTRANHAS

O presidente da Associação da Sinergia de Macau, Lam

U Tou, não compreende a lógica do Governo uma vez que, por um lado, apela aos jovens para terem em conta a sua capacidade financeira e, por outro, aligeira os requisitos para o rácio dos empréstimos hipotecários.

A iniciativa pode, refere o responsável, “levar mais jovens a assumir o risco e, a longo prazo, virem a sofrer de uma grande pressão financeira caso não tenham capacidade económica suficiente para

Para Ella Lei, não chega alterar legislação que diga apenas respeito ao mercado imobiliário privado na medida em que os preços deste sector continuam a ser demasiado elevados para a maioria dos residentes

Cooperação Hebei e Macau mais próximos

A província de Hebei e a RAEM vão desenvolver iniciativas de cooperação para um desenvolvimento mútuo. A ideia é dada em comunicado oficial após o encontro entre o secretário para a economia e finanças, Lionel Leong e o Governador da província de Hebei, Xuqin, realizado no final da semana passada. O governante local salientou as vantagens em explorar, juntamente com Hebei, novos modelos de crescimento, “no caminho do desenvolvimento coordenado no seio de Pequim, Tianjin e Hebei e da construção da Nova Área de Xiongan”. O objectivo, refere o comunicado enviado à comunicação social, “é fomentar a diversificação adequada da economia de Macau”.


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segunda-feira 12.2.2018

Daqui não sais

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Deputados vão abordar retenção de passaportes pelas agências de emprego

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cumprir com o pagamento da hipoteca”. No que respeita ao aumento do imposto de selo previsto pelo regime aprovado na semana passada na Assembleia Legislativa, Lam U Tou, alerta para a sua ineficácia. De acordo com o responsável, a legislação aprovada não vai evitar “os actos de especulação dos investidores que alegam adquirir a sua primeira propriedade”, referiu ao jornal do Cidadão. As medidas adoptadas não têm em conta a instabilidade económica. A ideia é deixada pelo vice-presidente da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, Cheang Ka Hou. “Apesar da medida ser capaz de facilitar a aquisição de casas pelos jovens, com a instabilidade no ambiente económico do exterior, a sua capacidade de pagamento pode ser afectada, levando ao não pagamento das pretações”, apontou. Para o responsável a medida em causa não é eficaz para resolver a questão das dificuldades de compra de casa por parte dos jovens locais, e a solução passa por uma maior oferta de habitação pública e privada. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo

Á agências de emprego que retêm, durante alguns meses, os passaportes dos trabalhadores não residentes (TNR) para garantir que estes pagam as cauções exigidas para arranjar trabalho no território. A denúncia foi feita recentemente pela representante da associação Overseas Workers Migrants. A proposta de lei da actividade das agências de emprego está a ser discutida na especialidade na Assembleia Legislativa (AL), mas não contém nenhuma norma para regularizar estes casos ilegais. Contudo, o deputado Vong Hin Fai, que preside à comissão responsável pela análise deste diploma, garantiu que o assunto será abordado nas próximas reuniões. “Se os seus passaportes forem retidos pelas agências, se há ou não um regime para regular isto, ainda não discutimos sobre esta questão, mas não se afasta a possibilidade de que podemos discutir isto. Vamos manifestar a nossa preocupação e se calhar no futuro vamos discutir com o Governo sobre isto.” Os deputados da 3ª comissão permanente da AL têm também dúvidas quanto às cauções pagas pelas agências que prestam serviços pagos a quem procura trabalho em Macau. “Temos de perguntar ao Governo por que é que as agências gratuitas não precisam de pagar caução. Além disso, quando se registarem violações à lei, e quando as agências precisam de ser multadas, a caução pode ter algum efeito? Pode ser utilizada

para pagar as multas?”, questionou Vong Hin Fai.

SEM REGIME TRANSITÓRIO

A assessoria da AL fez ainda um trabalho de pesquisa quanto às agências de emprego que estão a funcionar fora dos edifícios comerciais e há apenas uma empresa nesta situação. A nova proposta de lei obriga estas entidades a estarem localizadas apenas nos edifícios com esta finalidade. Vong Hin Fai alertou para a ausência de um regime transitório para estes casos. “Há apenas uma agência a funcionar num edifício industrial. Se uma agência está instalada neste edifício e se a proposta de lei for aprovada assim, sem uma norma transitória, essa agência perde a licença. Temos de questionar o Governo sobre isto.” Os deputados mostraram-se ainda preocupados em relação ao regime de licenciamento, pois, caso haja necessidade de fazer alterações, será necessário apresentar um novo diploma na AL no futuro. “A lei da actividade da mediação imobiliária, sobre a questão do licenciamento, tem um regulamento administrativo para regular esta matéria. Só que nesta proposta de lei as coisas são diferentes. Todas estas normas sobre o licenciamento estão reguladas através da lei. A nossa assessoria alertou-nos para questionarmos o Governo sobre as razões porque esta proposta de lei regula todas as normas”, concluiu Vong Hin Fai. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Aviso De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.° 109/2005, os requerimentos visando a renovação de licenças anuais, a emitir pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, devem ser tratados, anualmente, entre Janeiro e Fevereiro, salvo se outro prazo estiver fixado em disposição legal. Na falta de regime especial, a não renovação da licença anual no supramencionado prazo implica a cessação da actividade licenciada, salvo se o interessado proceder à respectiva regularização no prazo de 90 dias. Caso efectue o pedido de renovação da licença anual no período de regularização de 90 dias, fica sujeito a uma taxa adicional calculada nos seguintes termos: • • •

Dentro de 30 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 30% da taxa da licença em causa; Dentro de 60 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 60% da taxa da licença em causa; Dentro de 90 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 100% da taxa da licença em causa.

Para um melhor conhecimento dos titulares de licença, é apresentada a seguinte tabela descritiva com o tipo de licenças a renovar entre 1 de Janeiro e 28 de Fevereiro de 2018 Local de tratamento das formalidades

Tipos de Licença

Licença de venda a retalho de carnes frescas, Centro de Serviços / Todos refrigeradas ou congeladas os Centros de Prestação de Serviços Licença de venda a retalho de vegetais ao Público / Licença de venda a retalho de pescado Postos de Atendimento e Informação Licenciamento para animais de competição /Núcleo de Expediente e Arquivo Licenciamento de outros animais – cavalos Licença anual de lugares avulsos no mercado Licença de vendilhões Centro de Serviços / Todos Licença de afixação de publicidade e os Centros de Prestação de Serviços propaganda ao Público Licença de reclamos em veículos Licença de pejamento de carácter permanente Centro de Serviços / Centro de Licença de esplanada Prestação de Serviços ao Público das Ilhas _ Os locais e as horas de expediente, para o tratamento de requerimentos de renovação de licenças, são os seguintes: Centro de Serviços do IACM: Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 18:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Centros de Prestação de Serviços ao Público: Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte Rua Nova da Areia Preta, n.º 52, Centro de Serviços da RAEM, Macau. Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n.º 75K, Taipa. Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central Rotunda de Carlos da Maia, Nos .5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 18:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Postos de Atendimento e Informação: Posto de Atendimento e Informação Central Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau. Posto de Atendimento e Informação Toi San Avenida de Artur Tamagnini Barbosa n.º 127, Edf. Dona Julieta Nobre de Carvalho, Torre B, r/c, Macau. Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4°andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 19:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Posto de Atendimento e Informação do Fai Chi Kei Rua Nova do Patane, Habitação Social do Fai Chi Kei, Edf. Fai Tat, Bloco II, r/c, lojas G e H, Macau Núcleo de Expediente e Arquivo: Avenida de Almeida Ribeiro, n.°163, r/c, Macau. - 2.ª a 5.ª feira: das 9:00 às 13:00; das 14:30 às 17:45 horas. - 6.ª feira: das 9:00 às 13:00; das 14:30 às 17:30 horas. Os formulários de pedido de renovação das supramencionadas licenças (excepto para a Licença de Vendilhões) poderão ser obtidos no website do IACM (www.iacm.gov.mo). Para mais informações, queira ligar para a Linha do Cidadão do IACM, através do telefone no 2833 7676. Macau, 18 de Janeiro de 2018 O Presidente do Conselho de Administração, José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO


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Au Kam San Lei para concessão de áreas marítimas

O deputado Au Kam San quer legislação clara no que respeita à concessão de zonas marítimas. Em causa, aponta o deputado pró-democrata, está a autorização do uso de 54 mil metros quadrados dos 85 quilómetros quadrados da área marítima sem necessidade de concurso para a construção de uma zona de iates. O terreno situa-se entre a Avenida Marginal Flor de Lótus e a Avenida dos Jogos da Ásia Oriental no Cotai, com uma área de 107,573 metros quadrados e o seu propósito foi alterado passando de clube náutico para fins comerciais e habitacionais, sem necessidade de pagamento de prémio de concessão. Para o deputado a situação leva a que existam duvidas no método de calculo do prémio de concessão por parte do Executivo, pelo que é necessária legislação clara a este respeito.

FÓRUM MACAU FUTURO EM DEBATE

A

secretária-geral do Fórum de Macau, Xu Yingzhen, anunciou em Pequim que vai ser comemorado este ano em Macau o 15.º aniversário do estabelecimento da instituição, criada em 2003 na sequência de uma iniciativa da China que obteve a adesão dos países de língua portuguesa. Xu, que chefiou uma delegação do Fórum de Macau à capital chinesa, revelou igualmente que irá decorrer em Macau um seminário integrado nas comemorações em que será realizada uma retrospectiva do trabalho da instituição e a sua futura evolução. Um comunicado do Fórum de Macau refere que a secretária-geral, nos encontros realizados, indicou que no âmbito da futura actividade da instituição uma das missões será a de apoiar o governo de Macau na construção da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de língua portuguesa. Xu assinalou também que o Fórum de Macau continuará a promover a cooperação económica e comercial e o intercâmbio cultural entre a China e os países de língua portuguesa através de medidas conjuntas do Interior da China, dos países de língua portuguesa e de Macau. De acordo com o mesmo comunicado a delegação do Fórum de Macau reuniu-se com os embaixadores ou representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste, com o Departamento dos Assuntos de Taiwan, Hong Kong e Macau e a Administração para o Desenvolvimento do Comércio Externo do Ministério do Comércio e com a Câmara de Comércio da China para a Importação de Produtos Alimentares, Produtos Nativos e Subprodutos Animais.

TIAGO ALCÂNTARA

12.2.2018 segunda-feira

Mak Soi Kun Mais formação em primeiros socorros

O deputado Mak Soi Kun quer mais formação no que respeita a primeiros socorros em situações de paragem cardíaca. De acordo com o tribuno, “as doenças cardiovasculares são a segunda causa de morte no território e a morte é inevitável caso não exista uma resposta dada prontamente”. A solução passa, não só por um serviço de emergência oficial, mas pelo conhecimento, por parte dos residentes, de medidas a tomar se se virem confrontados com este tipo de situações. Neste sentido, Mak Soi Kun apela ao Governo que promova mais acções de formação em primeiros socorros nomeadamente no que respeita a reanimação cardio respiratória.

PESCAS DEPUTADO QUER MAIS APOIO AO SECTOR

Anzol ao turismo

O

deputado Leong Sun Iok não quer ver desaparecer a pouca indústria pesqueira que ainda existe no território e apela ao Governo que dê mais condições aos pescadores locais. A ideia é que a pesca seja salvaguardada e que a actividade possa vir a complementar os sectores do turismo e da cultura. Em interpelação escrita, Leong Sun Iok é claro: o sector das pescas deve ser apoiado e integrar o desenvolvimento económico e turístico do território, e o Governo deve oferecer mais apoios. O deputado alerta para o decréscimo de recursos dados à pesca local e à protecção desta actividade. “Apesar do apoio ao sector, existem ainda cerca de 100 barcos e mais de 500 pescadores a enfrentar os problemas associados às épocas de pesca e à paragem sazonal desta actividade”, refere. Com a extensão do período de pausa as queixas aumentam no que respeita à diminuição do produto das pescas enquanto as despesas com a manutenção dos barcos tem aumentado, especialmente nos últimos anos, aponta. A causa, diz Leong Sun Iok, tem que ver com o facto dos barcos ficarem muitas vezes parados durante os períodos de suspensão de actividade e, como tal, “agravarem os problemas mecânicos das embarcações”, aponta. Leong Sun Iok não deixa de recordar na missiva dirigida ao Executivo que a pesca é uma actividade que conta com uma longa história e tradição local apesar de se encontrar em declínio desde meados da década de 1990. Apesar dos esforços do Governo em criar actividades de manutenção da actividade e tentar reduzir os danos associados aos períodos de pausa, o deputado considera que os apoios não são ainda suficientes.

A SOLUÇÃO ESTÁ AQUI

Mas o problema tem solução e Leong Sun Iok dá algumas sugestões ao Governo. Para o deputado, o Executivo deve agir em duas frentes simultaneamente. “Por um lado

Os pescadores locais têm cada vez mais dificuldades. São necessários mais apoios à actividade e medidas para que a pesca se alie a outros sectores fundamentais ao desenvolvimento local. O deputado Leong Sun Iok pede ao Governo que actue

proponho que o Governo aumente a assistência e apoios dados aos pescadores, e por outro, dada a área marítima de Macau ter aumentado para 85 quilómetros quadrados e a necessidade de enfrentar as demandas do projecto da Grande Baía, “o Executivo deve expandir activamente o seu espaço económico ligado às actividades marítimas e proceder à formulação de uma série de medidas suplementares de modo a encorajar o sector à inovação e desenvolvimento”. Para Leong Sun Iok, estas iniciativas devem ser conjugadas com outros sectores de relevo para a economia local e andar em consonância com as actividades culturais e turísticas locais. “O Governo deve promover o desenvolvimento da pesca recreativa”, refere a título de exemplo, de modo a criar “um mundo de turismo e de actividades de lazer ao mesmo tempo que ajuda os pescadores a actualizarem as suas competências de diferentes formas”. É urgente, afirma, que o Governo disponha de medidas que visem proteger a pesca tradicional e a cultura a ela associada. Por outro lado, o deputado pretende ainda saber se o Executivo tenciona aumentar o apoio financeiro aos trabalhadores do sector das pescas durante os períodos de suspensão de actividade bem como se dispõe já de algum mecanismo para actuar em caso de catástrofe. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


sociedade 7

segunda-feira 12.2.2018

TIAGO ALCÂNTARA

A ALTO DE COLOANE EMPRESA DE SIO TAK HONG APOIA INVESTIGAÇÃO

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Win Loyal Development veio apoiar as instruções dadas pelo Chefe do Executivo ao Ministério Público para que investigasse o caso do Alto de Coloane. A tomada de posição do grupo ligada ao empresário Sio Tak Hong foi divulgada através de um anúncio no jornal Ou Mun. “A empresa apoia o pedido do Chefe do Executivo ao Ministério Público para que o caso seja investigado de forma profunda, com o objectivo de apurar os factos nos termos legais e para garantar a segurança dos terrenos públicos, assim como os direitos e interesses dos privados”, consta num dos pontos do comunicado da Win Loyal. “Acreditamos que o Governo cumpre a lei e que os investimentos das empresas são protegidos pelos termos legais em vigor”, é acrescentado. O grupo deixou ainda elogios à investigação do Comissariado Contra a Corrupção e à conferência de imprensa onde foi dito que, até ao momento, a Win Loyal é encaradas como um dos lesados. “Damos as boas-vindas à conferência de imprensa do CCAC a 7 de Fevereiro, onde foi esclarecido, e com o objectivo de evitar mal-entendidos com os cidadãos, que a nossa empresa não está envolvidas na prática de actos ilegais”, foi sublinhado. No mesmo comunicado, a Win Loyal Development defende que não concorda em todos os pontos com as conclusões do CCAC, mas que isso não significa que a empresa e do organismo de investigação tenham posições opostas.

subida estável das receitas do jogo de Macau desde da segunda metade de 2016 não trouxe “ainda quaisquer consequências” para a segurança do território, afirmou o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak Na apresentação à comunicação social do balanço da criminalidade de 2017, Wong Sio Chak sublinhou que nada permite “prever que o futuro desenvolvimento do sector do jogo em Macau possa trazer factores de instabilidade para a segurança da sociedade”. Também em termos de criminalidade geral, foi registado um decréscimo de 94 casos, comparativamente a 2016, o que representa uma descida de 0,7 por cento, devido a uma redução dos crimes de furto, de falsificação de documentos e de desobediência. Em contrapartida, as autoridades registaram um aumento de 22,5 por cento dos crimes de burla, com 910 casos em 2017 contra 743 em 2016. Os prejuízos rondaram os 40 milhões de patacas. “A situação de segurança em Macau, em 2017, manteve-se em geral favorável e estável”, afirmou o secretário.

CRIME DENTRO DE PORTAS

Em 2017, os crimes relacionados com o jogo, como sequestro ou agiotagem, registaram uma diminuição de 7,5 por cento e 4,5 por cento, respectivamente, sendo que a maioria dos casos ocorreu dentro dos casinos. Até agora, nenhum indício mostrou que “estes crimes se estendam além do ambiente interno dos casinos”, o que significa uma ausência de “impacto na segurança de Macau”, afirmou Wong Sio Chak, em conferência de imprensa. Em 2017, a Polícia Judiciária (PJ) apresentou ao Ministério Público

JOGO AUMENTO DE RECEITAS NÃO INFLUENCIA CRIMINALIDADE

Mais dinheiro, menos crime

As receitas do jogo são cada vez maiores mas a situação não tem levado a que a criminalidade aumente no território. A garantia foi dada pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak 2.171 arguidos por crimes relacionados com o jogo, mais 8,4 por cento do que os 2.003 arguidos de 2016. “Segundo as informações recolhidas, a maioria dos ofendidos e dos suspeitos

não são residentes de Macau”, sublinhou. Ao mesmo tempo, as autoridades de segurança não registaram um aumento da criminalidade grave e violenta, como o homicí-

dio, o rapto e a associação secreta, embora tenham ocorrido quatro mortos relacionadas com “quatro casos de sequestro de devedores”. Autores e lesados são do interior da China, disse Wong Sio Chak. O secretário para a Segurança indicou que as autoridades policiais de Macau vão continuar a reforçar o intercâmbio e a cooperação com o interior da China, Hong Kong, regiões vizinhas e internacionais.

PREVENIR O TERRORISMO

Em termos de prevenção antiterrorista, Wong Sio Chak lembrou que, na sequência dos atentados contra casinos em Manila e em Las Vegas, no ano passado, realizou-se o primeiro exercício de simulacro de segurança e de emergência, no interior e na zona circundante de um casino, para testar a capacidade de resposta de várias entidades. Acompanhado pela chefe de gabinete, Iva Cheong, pelo director da Polícia Judiciária, Sit Chong Meng, pelo comandante da Polícia de Segurança Pública, Leong Man Cheong, e pelo comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, Ma Io Kun, o responsável prometeu que estes simulacros vão continuar no futuro, além de um reforço

“A situação de segurança em Macau, em 2017, manteve-se em geral favorável e estável.” WONG SIO CHAK SECRETÁRIO PARA A SEGURANÇA

das patrulhas periódicas ou aleatórias, dentro e fora dos locais de entretenimento. A polícia vai ainda reforçar a cooperação com a Direcção de Inspecção e Controlo de Jogos (DICJ), o Gabinete de Informação Financeira, sectores do jogo e entidades de monitorização para prevenir e combater o crime de branqueamento de capitais, em resposta às novas alterações da lei de prevenção e repressão do crime de branqueamento de capitais, em vigor desde Maio último. Também no relatório da PJ, apresentado no final do mês passado, deu-se conta de uma baixa taxa de ocorrência de crimes graves. O número de processos concluídos em 2017 foi de 12.138 e o número de indivíduos (detidos, não detidos e menores não responsáveis criminalmente) presentes ao Ministério Público foi de 3.925 pessoas, ou mais 120 em relação a 2016, de acordo com o relatório anual da PJ de Macau.

Incêndio PJ desconfia de mão criminosa no fogo do The Waterfront Duet O incêndio no estaleiro do empreendimento residencial The Waterfront Duet está a ser investigado pela Polícia Judiciária, após os relatórios preliminares apontarem para a existência, na origem do fogo, de mão crimino-

sa. A informação foi avançada no Sábado, dia do incêndio, pela Polícia Judiciária, sendo que o fogo não causou qualquer vítima. O empreendimento The Waterfront Duet está a ser desenvolvido pela empresa Desenvolvimento e

Fomento Predial Dong Fu Ye, que pertence ao magnata Chong Sio Kin, perto do Clube Naútico de Macau. O empreendimento vai ter cerca de 1000 casas e as obras devem ficar concluídas durante o próximo ano.


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12.2.2018 segunda-feira

AEROPORTO NOVA ZONA DE EMBARQUE ABRE HOJE

JOGO MELCO A PERDER PARA A CONCORRÊNCIA NO SEGMENTO DE MASSAS

Nos braços de Morfeu

A

extensão norte do Aeroporto Internacional de Macau, com mais quatro portas de embarque e uma manga, vai abrir hoje. “Durante os primeiros cinco dias do ano novo chinês prevemos um volume diário de cerca de 20 mil passageiros, um aumento de 5 por cento em comparação a períodos normais”, disse aos jornalistas Vicki Mou, da Companhia do Aeroporto de Macau (CAM). A nova zona de embarque, numa extensão de 14 mil metros quadrados, vai permitir aumentar a capacidade do terminal para 7,8 milhões de passageiros, de acordo com a empresa. O CAM investiu cerca 210 milhões de patacas no desenvolvimento de infraestruturas para aumentar a capacidade de recepção de passageiros, e vai lançar, na primeira metade deste ano, o concurso público para a extensão sul do aeroporto. No início da semana, a Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) já tinha aprovado mais 80 voos, até ao dia 26 deste mês, para satisfazer o aumento da procura de transporte aéreo durante oAno Novo Lunar, que se comemora este ano entre os dias 15 e 20 de fevereiro. No ano passado, 935 mil pessoas visitaram Macau durante a semana do ano novo chinês, de acordo com a direção dos Serviços de Turismo do território.

A operadora detida por Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, quase que duplicou os lucros em 2017, mas luta com o problema de ver os jogadores premium do mercado de massas fugirem para os concorrentes. A esperança está em Morfeu...

A

PESAR de ter aumento os lucros em 97 por cento, de 175,9 milhões de dólares americanos, em 2016, para 347 milhões, no ano passado, a operadora Melco Entertainment admite que está a enfrentar um problema para manter os jogadores que fazem as apostas mais altas no segmento de massas. O presidente da operadora, Lawrence Ho, justificou com esta situação a decisão de ter substituído, em finais de Janeiro, Gabriel Hunterton por David Sisk, na posição de presidente do casino City of Dreams. “A nossa conclusão é que a quebra nas receitas do mercado de massas se ficou a dever ao facto de alguns dos nossos jogadores estarem a experimentarem outros casinos. Uma pessoa que ocupa a posição de presidente de casino precisa de tirar os melhor de todos os funcionários. E isso não estava a acontecer”, disse, na sexta-feira, Lawrence Ho, sobre a saída da operadora de Gabriel Hunterton. A justificação acabou depois por ser ainda mais elaborada pelo novo presidente do City of Dreams, David Sisk: “Precisamos de acabar com a fuga dos nossos jogadores do segmento premium de massas. É óbvio que eles estão a sair para experimentar os outros casinos, seja o Wynn Palace, MGM ou outros, e que nós não fizemos o suficiente para que eles regressassem”, apontou. “É um problema que está ligado à motivação da nossa equipa de vendas, por isso aquilo que nos

Galaxy anuncia bónus para trabalhadores A operadora vai abrir a quinta torre, desenhada por Zaha Hadid, de nome Morpheus. Lawrence Ho admitiu ter esperanças que esta torre permita ao casino ganhar uma nova vida e recuperar alguns dos jogadores VIP

temos focado nestas primeiras semanas [após a substituição] é trazer de volta algumas pessoas da antiga chefia desta departamento”, completou. Apesar do desafio, Lawrence Ho mostrou-se confiante que 2018 vai ser um ano positivo para a indústria do jogo, com um aumento do número de jogadores, motivado pela abertura da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

NEGOCIAÇÕES COM O GOVERNO

Ao longo deste ano, a operadora vai abrir a quinta torre no casino City of Dreams, que foi desenhada pela arquitecta Zaha Hadid e tem como nome Morpheus. Em conversa com os analistas,

Lawrence Ho admitiu ter esperanças que esta torre permita ao casino ganhar uma nova vida e recuperar alguns dos jogadores VIP, que se mudaram para casinos mais modernos. Por outro lado, os dirigentes da Melco Entertainment reconheceram que estão em negociações com o Governo de Macau para estender o período de aproveitamento do terreno do Studio City. Em causa está a construção da segunda fase do casino, que fica nas traseiras da primeira, junto aos parques de estacionamento. “Neste momento estamos a trabalhar na segunda fase e em conversações com os respecti-

vos departamentos do Governo, porque antes de começarmos as obras temos de estender o período de aproveitamento do terreno”, explicou Lawrence Ho. O terreno onde foi construído o Studio City fez parte da lista de terras cujo desenvolvimento se atrasou. Contudo, o Governo admitiu ter tido culpa nos processos, e optou por não recuperar os terrenos. Em relação à segunda fase do projecto, não foram adiantados muitos detalhes, mas o presidente da operadora sublinhou a necessidade de aumentar o número de quartos do casino. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

A operadora Galaxy Entertainment vai pagar um bónus para os trabalhadores, equivalente a um mês de salário. O anuncio foi feito na sexta-feira passada, e o pagamento vai ser efectuado na terça-feira, ou seja, antes do Ano Novo Chinês. Além da novidade, a operadora detida por Lui Che Woo comprometeu-se a aumentar a comunicação com os trabalhadores, para aumentar o seu bem-estar. Após Sociedade de Jogos de Macau, Sands China, MGM China e Wynn Macau, a Galaxy tornou-se o quinto operador a anunciar bónus.


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segunda-feira 12.2.2018

ESTACIONAMENTO CONCURSO PÚBLICO COM PROPOSTAS DE 1,19 E 3,09 MILHÕES

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OVE empresas tiveram as suas propostas aceites no concurso público para gerir e explorar os auto-silos do Jardim Comendador Ho Yin, Rua de Malaca, Edifício Mong Sin, Mong In, Rua da Tranquilidade e da Rua do Almirante Sérgio, durante seis anos. A abertura teve lugar na sexta-feira e os valores propostos variam entre 1,19 milhões e 3,09 milhões de patacas por cada três meses. Foi também rejeitada uma décima candidatura por “falta de assinatura do concorrente da proposta de preço”. Entre os concorrentes, consta a Macau Forehap Parking Management, empresa ligada à família Ma, que apresentou uma proposta no valor de 2,68 milhões. No entanto, a proposta mais alta pertence à empresa Sunrise com o valor de 3,09 milhões. Com um concurso para entregar de uma vez a gestão de seis parques de estacionamento o Governo espera “uniformizar a gestão” por uma única “empesa responsável”. Entre os critérios para a avaliação da proposta estão o critério de apreciação, as contrapartidas oferecidas pelas empresas, o compromisso assumido do concorrente pelo cumprimento do programa de gestão e exploração dos parques de estacionamento, o plano de investimento para fornecimento e instalação de equipamentos e instalações e, ainda, a experiência do concorrente no âmbito da gestão e exploração de auto-silos.

Ano novo auspicioso

O comercio a retalho local tende a ter um volume de negocios satisfatório durante o período do ano novo chinês. As declarações são da presidente da Macao International Brand Enterprise Commercial Association, Terry Sio ao jornal Ou Mun. De acordo com a responsável, já é notória uma maior circulação de pessoas no território, “superior à do ano passado”. Terry Sio acrescentou ainda que prevê que os negócios aumentem até 15 por cento, comparativamente ao mesmo período, em 2017. No entanto, a mesma sorte não parece abranger os comerciantes que se situam em zonas que não são turísticas. “Tendo em conta que a fonte principal de clientes é dos residentes locais, com a concorrência crescente e o comércio online, o volume de negócio destes comerciantes mantém-se semelhante ao do ano passado”, explicou.

TRABALHO QUEDA RESULTA NA MORTE DE RESIDENTE DE 50 ANOS

Tragédia no estaleiro

O colapso de uma cobertura num segundo andar fez com que um homem de 50 anos tenha caído para a morte, num estaleiro na Avenida Almirante Lacerda, na sexta-feira de manhã. As obras no local foram suspensas

U

M trabalhador de 50 anos perdeu a vida, na sexta-feira de manhã, depois de ter caído de um segundo andar de um obra, na Avenida Almirante Lacerda. De acordo com as informações prestadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), os trabalhos foram imediatamente suspensos e só recomeçam quando forem cumpridas as medidas de segurança exigidas. Na sexta de manhã, decorriam as obras de demolição no estaleiro em questão, quando o residente de 50 anos estava no segundo andar a fazer trabalhos de inspecção. Terá sido nesta altura que a cobertura em que se encontrava cedeu, fa-

zendo com que caísse do segundo andar. “De acordo com as investigações preliminares, estavam a decorrer obras de demolição no estaleiro. Suspeita-se que, naquele momento, um trabalhador residente se encontrava a proceder a trabalhos de fiscalização no segundo andar, e quando chegou à cobertura, aquela partiu, tendo provocado a queda do trabalhador”, explicou a DSAL, horas mais tarde, em comunicado. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, quando os bombeiros chegaram ao local, o homem já não apresentava sinais respiratórios nem batimentos cardíacos, sendo declarado morto. Como consequência do acidente, os trabalhos foram suspensos

com efeito imediato no estaleiro. As obras só serão retomadas quando a DSAL considerar que estão reunidas todas as condições de segurança. “A DSAL já emitiu uma ordem de suspensão ao empreiteiro, estando suspensas todas as obras naquele estaleiro, sendo que os trabalhos só poderão ser retomados quando o empreiteiro concretizar as medidas eficazes de segurança ocupacional e após a aprovação da

DSAL”, sublinhou o organismo do Governo, em comunicado. “Estes Serviços salientam que, durante a execução de trabalhos de demolição em altura, devem ser observados os procedimentos de trabalho correctos”, acrescentou.

14 MORTOS ATÉ SETEMBRO

No comunicado emitido horas após o acidente, a DSAL enviou as condolências “à família da vítima” e prometeu “dar

Entre Janeiro e Setembro do ano passado houve um total de 14 mortos relacionados com acidentes de trabalho, cujo número total foi de 5 591. Ficaram ainda 11 pessoas incapacitadas de forma permanente

apoio no acompanhamento da matéria referente à indemnização por acidentes de trabalho”. Por outro lado, o Governo apelou para que as normas de segurança sejam cumpridas, avisando que vai continuar a “reforçar os trabalhos de sensibilização e divulgação sobre a segurança e saúde ocupacional e a execução rigorosa da lei”. De acordo com os dados mais recentes da DSAL entre Janeiro e Setembro do ano passado houve um total de 14 mortos relacionados com acidentes de trabalho, cujo número total foi de 5 591. Ficaram ainda 11 pessoas incapacitadas de forma permanente. Já o número de acidentes por queda em altura foi de 182. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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12.2.2018 segunda-feira

Notificação edital (1/FGCL/2018)

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

N.o de pedido: 000158/2017

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “General Nice Recursos Comercial Offshore”, com sede na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção nos 336 - 342, Centro Comercial Cheng Feng, 5º andar R, Macau, o seguinte:

1.

Relativamente à 1 ex-trabalhadora do devedor (Kam Sut Io), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 29 de Dezembro de 2017, deliberou, nos termos do artigo 7.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento do adiantamento para a ex-trabalhadora acima referido, no valor total de $31 500,00 (Trinta e um mil e quinhentos patacas). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento do adiantamento para aquele ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos.

Localização dos terrenos: - -

O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 8 de Fevereiro de 2018

- - - - - -

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

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Notificação edital (2/FGCL/2018) Nos dos pedidos: 23/2016, 316/2016, 317/2016, 318/2016, 319/2016, 321/2016, 322/2016, 323/2016, 324/2016, 325/2016, 326/2016, 327/2016, 328/2016, 329/2016, 330/2016, 331/2016, 72/2017, 130/2017, 132/2017, 136/2017, 146/2017, 151/2017, 153/2017, 154/2017

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Empresa Hoteleira de Macau Limitada (Titular do Hotel Palacio Imperial Beijing)”, com sede na Avenida Padre Tomás Pereira nº 889, Taipa, Macau, o seguinte: Relativamente aos vinte e quatro ex-trabalhadores (Lao Heng Sim, Loi Kam Keong, Chan Fai Fio, Chong Soi Fong, Chan Kit Man, Un Kam Wai, Sun Tak Mei, Cheong Mei Lin, Mok Tai Hei, Ao Ieong Sio Chi, Lo Seak Iong, Sou Wai Ngai, Chou Wai Han, Ao Ieong Sio In, Wong Cheong Ieng, Chan Pun Cheng, Ng Soi Fong, Chan Chon Fat, Lou Oi Heng, Choi Sao Fong, Cheong Ieng Ieng, Hao Un Weng, Lu Yifeng e Chong Tsz Yan), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 15 de Novembro de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $1 260 785,30 (Um milhão, duzentas e sessenta mil, setecentas e oitenta e cinco patacas e trinta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 8 de Fevereiro de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Notificação edital (3/FGCL/2018) Nos dos pedidos: 000288/2016, 000298/2016, 000299/2016, 000300/2016

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Glory Sky Gestao de Consultoria Medica Limitada”, com sede na Rua de Londres, No.216, Edf. de Centro Gloden Dragon RC Moradia AF, Macau, o seguinte: Relativamente aos quatro ex-trabalhadores (Chao Fai Hong, Leong Sut Kio, Lei Ka Meng e Leong Fong Cheng), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 29 de Dezembro de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $64 399,80 (Sessenta e quatro mil trezentos e noventa e nove patacas e oito avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 8 de Fevereiro de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.

Localização dos terrenos:

2.

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n. 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

3.

- -

Estrada da Ponta da Cabrita, n.ºs 1166A a 1166E e Rampa do Hotel, n.ºs 3 a 7, na ilha da Taipa, (Edifício Hotel China (Macau)); Rua de Hac Sá Long Chao Kok, n.ºs 72 a 720, na Ilha de Coloane (A Península – Moradia I, III a XI e XIII a XVII).

Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 8 de Janeiro de 2018.

O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

2.

3.

- -

Rua do Dr. Lourenço Pereira Marques, n.º 55, em Macau; Rua do Visconde Paço de Arcos, n.ºs 356 a 362 e Avenida de Demétrio Cinatti, n.ºs 51 a 52, em Macau, (Edifício Veng Heng); Travessa do Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 5 a 11, em Macau; Avenida da Praia Grande, n.º 976 e 998, em Macau; Estrada dos Parses, n.º 2, em Macau, (Edifício Tak Lei); Estrada de S. Francisco, n.º 7, em Macau, (Edifício Chong Un); Avenida da Amizade, n.ºs 956 a 1110, em Macau, (Edifício Hotel Grand Lapa); Rua de Kumming, n.ºs 80 a 102, Rua de Goa, n.ºs 9 a 39 e Rua de Luís Gonzaga Gomes, n.ºs 79A a 103, em Macau, (Edifício Fong Vong Toi); Rua Gago Coutinho, n.ºs 2 a 4, em Macau; Avenida do Coronel Mesquita, n.º 49 a 53, em Macau, (Edifício Pou Kei); Avenida do Coronel Mesquita, n.ºs 53A a 53D e Rua da Madre Terezina, n.ºs 2 a 2AA, em Macau, (Edifício Hap Seng); Rua de Coelho do Amaral, n.ºs 49 a 51, em Macau, (Edifício Veng Fung); Rua das Hortas, n.ºs 2 a 4 e Travessa das Hortas, n.ºs 1 a 3, em Macau, (Edifício Iao Seng, Bloco I).

Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 8 de Janeiro de 2018.

O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong


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segunda-feira 12.2.2018

China acusa Japão de interferir na questão de Taiwan

O presidente norteamericano, Donald Trump, recebeu no dia 9, na Casa Branca, o Conselheiro de Estado da China, Yang Jiechi, que está em visita oficial aos Estados Unidos. Yang Jiechi transmitiu o cumprimento do presidente chinês, Xi Jinping, a Trump dizendo que, em Novembro do ano passado, a sua visita à China resultou em importantes consensos. Um bom relacionamento sino-norte-americano corresponde aos interesses fundamentais dos dois povos e também é o desejo da comunidade internacional, enfatizou Yang Jiechi. Trump pediu Conselheiro de Estado chinês para levar os seus cumprimentos ao presidente, Xi Jinping e afirmou que as relações com a China são de suma importância e as duas partes devem aplicar bem os consensos atingidos pelos dois líderes no encontro em Pequim.

Peugeot compra parte do grupo Jian Xin

A fabricante francesa PSA firmou acordo para compra de uma parte da distribuidora chinesa de autopeças Jian Xin, como parte dos esforços para melhorar o seu desempenho no lucrativo mercado da China. A fabricante de automóveis da marca Peugeot informou que a aquisição, cujo preço não foi revelado, a ajudará a estabelecer uma sólida posição no sector de vendas de peças para reposição, permitindo a expansão da rede Euro Repair Car Service. A Jian Xin atualmente é a principal distribuidora de autopeças para reposição na região de Xangai, vendendo mais de 5 milhões de peças por ano obtidas de fabricantes originais. No mês passado, a PSA reportou um aumento de 15 por cento nas vendas globais. A companhia afirmou que, embora o resultado na China tenha sido mais fraco, vê sinais de estabilização no mercado chinês.

AAP

Trump recebe Conselheiro de Estado

A

China acusou na sexta-feira o Japão de violar o princípio “Uma Só China”, sob o pretexto de auxílio de desastres depois do terramoto fatal que atingiu o distrito de Hualien, em Taiwan. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Geng Shuang fez as declarações ao comentar alguns funcionários japoneses de alto nível que enviaram condolências aos políticos

de Taiwan referindo-os pelos seus chamados títulos oficiais. “O lado japonês tentou criar abertamente ‘uma China, um Taiwan’ sob o pretexto do auxílio de desastres e condolências”, disse Geng, acrescentando que tal acção é contrária ao princípio “Uma Só China” e aos compromissos do Japão em relação à questão de Taiwan. Geng sublinhou a forte insatisfação da China

EMPREGADA CONDENADA À MORTE POR INCÊNDIO FATAL

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MA empregada doméstica foi condenada nesta sexta-feira à pena de morte por ter provocado voluntariamente um incêndio em que morreram uma mulher e os seus três filhos, um caso que chocou o país. Um tribunal da cidade de Hangzhou, no leste da China, considerou que Mo Huanjing, de 35 anos, havia incendiado deliberadamente, em Junho, a residência da família para quem trabalhava como empregada doméstica. O drama provocou comoção na China e teve grande cobertura na imprensa. Mo foi apresentada como uma jogadora viciada que em várias ocasiões roubou dinheiro aos patrões para pagar as suas dívidas.

Segundo o tribunal, Mo confessou haver ateado fogo na sala do apartamento, no 18º andar de um edifício residencial de Hangzhou. Ela disse que previa apagá-lo rapidamente, esperando passar por heroína e poder utilizar o acidente como pretexto para pedir mais dinheiro à família. Mas o fogo ficou incontrolável e a empregada escapou, deixando na casa a mãe da família, de 34 anos, e os seus três filhos de seis, nove e onze anos. Todos morreram asfixiados. “O diabo finalmente recebeu o castigo da lei, a pena de morte”, escreveu o pai da família, Lin Shengbin, de 37 anos, na rede social chinesa Weibo, após o anúncio do veredicto.

e apresentou exigências ao Japão. “Pedimos que o lado japonês cumpra os princípios estabelecidos nos quatro documentos políticos China-Japão, corrija imediatamente a sua prática errada, e não coloque novos obstáculos aos laços bilaterais”, assinalou o porta-voz. Geng disse que a parte continental da China está preocupada depois do terramoto de 6,5 graus que atingiu Taiwan na terça-feira. Zhang Zhijun, chefe do Departamento dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado enviou sinceros cumprimentos aos compatriotas de Taiwan, e prometeu enviar equipas de resgate e oferecer ajuda. PUB

EDITOR DE HK DIZ TER SIDO MANIPULADO PELA SUÉCIA

O

editor sueco de origem chinesa Gui Minhai surge num vídeo, quase três semanas depois de ter sido preso pela polícia chinesa, em que confessa mal-estar e acusa Estocolmo de o ter manipulado como um “peão de xadrez”. A AFP refere que não se sabe se as declarações filmadas são sinceras porque, no vídeo, Gui aparece com dois polícias, e um amigo próximo disse que o editor está a ser manipulado. Gui acusa a Suécia de ser “sensacionalista” em relação à sua detenção num vídeo de uma “entrevista” organizada na sexta-feira pelas autoridades com os ‘media’ chineses, que

afirmaram terem sido escolhidos criteriosamente. O editor adianta no vídeo ter sido pressionado pelas autoridades suecas para deixar a China apesar de estar proibido de deixar o território devido a assuntos jurídicos pendentes. “Recusei numerosas vezes. Mas porque eles me incitavam sem parar, caí na armadilha. Olhando para trás, se calhar fui o peão da Suécia num jogo de xadrez. Violei a lei porque me instigaram. A minha vida maravilhosa está arruinada e nunca mais confiarei nos suecos”, diz Gui, no vídeo. A família de Gui não estava disponível, mas o poeta dissidente Bei Ling, um dos seus amigos declarou não ter “qualquer dúvida” de que o editor se queria tratar no estrangeiro e afirma a propósito do vídeo que não se podia “acreditar nas palavras de alguém que está oprimido como um prisioneiro”.


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12.2.2018 segunda-feira

Lei da gole

TATIANA LAGES/ARQUIVO

LIGA DE ELITE BENFICA E SPORTING COM VITÓRIAS GORD

As águias são cada vez mais líderes, após terem goleado o recém-promovido Hang Sai por 5-1 e o Chao Pak Kei ter empatado com o Ching Fung. Nos leões os três reforços nigerianos estrearam-se com golos na vitória diante da Polícia por 5-0 o tento de honra do Hang Sai, após uma perda de bola do Benfica em zona proibida.

REFORÇOS FIZERAM A DIFERENÇA

O

Benfica de Macau somou ontem a quarta vitória em quatro jogos, após ter goleado por 5-1 o Hang Sai, e deixou o Chao Pak Kei mais longe, que se deixou empatar aos 90 minutos diante do Ching Fung 1-1. Num encontro entre duas equipas com dimensões muito diferentes, o Hang Sai mostrou-se uma formação muito esforçada e lutadora, no entanto, não chegou para evitar a goleada. As coisas não começaram propriamente bem para o encarnados, que aos 19 minutos viram Lei Kam Hong lesionar-se num lance com o guarda-redes adversário. Por essa razão, Bernardo Tavares foi obrigado a utilizar a primeira substituição, com a entrada de Nicholas Torrão. Apesar da contrariedade, o Benfica conseguiu chegar ao golo cinco

minutos depois, com um lance de bola parada a revelar-se decisivo. Após um canto marcado na direita do ataque das águias, Gilchrist surgiu ao segundo poste sozinho, sem qualquer pressão, e desviou para o 1-0. Apesar da entrada forçada, a aposta em Torrão mostrou-se acertada e aos 38 minutos o atacante apontou o 2-0. O lance nasceu da insistência da frente benfiquista, que soube pressionar o adversário e causar o erro que isolou Torrão. Na frente do guarda-redes o internacional por Macau fez o chapéu para o golo. A segunda parte começou como terminou a primeira, com a pressão alta do Benfica a não dar grandes oportunidades ao Hang Sai, principalmente na altura da equipa recém-promovida sair para o ataque. A estratégia voltou a pagar dividendos e Reis fez o marcador para

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ERA UMA VEZ EM GOA • Paulo Varela Gomes

Estamos em 1963, dois anos volvidos sobre a expulsão dos portugueses da Índia. Os territórios de Goa, Damão e Diu encontram-se sob o domínio ainda ambíguo do governo indiano, mas, nas ruas, o concacim e o inglês convivem a toda a hora com um sub-reptício português, os letreiros das lojas ainda mal apagados, a religião ecléctica com as marcas de Cristo, os edifícios e a cultura no limbo de um colonialismo defunto. Graham é um cidadão britânico que chega a Goa com escassos recursos e por meios pouco ortodoxos, antecipando-se às ondas hippies que encontrarão na Índia o reduto místico por excelência. Sistematicamente confundido com um perigoso infiltrado português, Graham terá de sofrer rocambolescos encontros, desencontros e aventuras até vislumbrar os sentidos possíveis da complexa cultura goesa.

Chegados a Macau no fim-de-semana passado, os três reforços nigerianos do Sporting destruíram por completo a defesa da Polícia, na vitória leonina por 5-0. Na partida de ontem, o central Chidi Bright, que jogou durante a primeira parte no meio-campo, precisou apenas de dois minutos para se estrear a marcar. Após um pontapé de canto a favor do Sporting, o defesa aproveitou os ressaltos e emendou para o 1-0, à frente do guarda-redes.

3-0, aos 50 minutos. Menos de um minuto depois, Tony Lopes fez o resultado subir para 3-0 e 4-0, aos 51 e 64 minutos. Ainda antes do fim, aos 80 minutos, Samuel Ramosoeu apontou Lugar

Equipa

Foi só depois do intervalo que a vantagem disparou para os 5-0, ao mesmo tempo que a defensiva da Polícia se mostrava incapaz de parar os atletas nigerianos. Indicava o relógio do Estádio da Taipa 47 minutos, quando Malachy Elu, também ele reforço, apontou o 2-0. Em resposta a um ataque dos agentes da PSP, Prince Aggreh arrancou na direita da defesa leonina e foi ganhando metros até chegar à área contrária, deixando a defensa para trás. Já na área tirou outro defesa da frente e assistiu Elu, que só teve de encostar para os 2-0. Aos 60 minutos, novo golo na sequência de canto. Após o cruzamento a bola sofre dois desvios de cabeça de atletas leoninos, até

Jogos Vitórias Empates Derrotas Golos Marcados Golos Sofridos Diferença de Golos Pontos

1 BENFICA 4 4 0 0

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CHING FUNG

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MONTE CARLO 4 HANG SAI

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RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

AS MULHERES E A GUERRA COLONIAL • Sofia Branco

Rezaram e fizeram promessas por eles. Escreveram-lhes centenas de aerogramas, adiando o amor, às vezes sem volta. Tornaram-se madrinhas de guerra de homens que nem sequer conheciam. Foram com eles para o território desconhecido de África, que amaram ou odiaram, ou resignaram-se a esperar por eles, com filhos nos braços. Voaram para os resgatar do mato, onde chegaram mesmo a morrer por eles, e organizaram-se, com maior ou menor cunho ideológico, para lhes aliviar a saudade, enquanto apoiavam as suas famílias. Mães, irmãs, filhas, amantes, companheiras, amigas, muitas mulheres viveram a guerra colonial como se também elas tivessem sido mobilizadas. Depois da guerra, também para elas nada foi como dantes.


desporto 13

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eada

DAS

que surge Prince Aggreh Prince a emendar para o 3-0. A diferença entre os reforços do Sporting e os restantes atletas ficou novamente patente aos 86 minutos. Após uma falta à entrada da área da Polícia, Aggreh arranca para cima da defensiva contrária, passa três adversários em velocidade e cruza para a área. O cruzamento acaba nos pés do defesa da Polícia, que quando tentava aliviar rematou contra Cissé, que fez desta forma o 4-0. O último golo ficou a cargo de Elu, após mais uma excelente arrancada e uma combinação com Aggreh, que deixou os agentes da PSP completamente perdidos. Nos restantes jogos o Ka I bateu o Monte Carlo por 2-0 e o Lai Chi perdeu por 3-0 com a Alfândega. João Santos Filipe

Joaof@hojemacau.com.mo

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RESULTADOS QUINTA-FEIRA Ka I 2-0 Monte Carlo Lai Chi 0-3 Alfândega

SEXTA-FEIRA C.P.K. 1-1 Ching Fung

DOMINGO Sporting 5-0 Polícia Hang Sai 5-1 Benfica

PRÓXIMA JORNADA 23 DE FEVEREIRO 21h00 Polícia-Ka I

24 DE FEVEREIRO 18h30 Ching Fung-Benfica 20h30 Sporting-Hang Sai

25 DE FEVEREIRO 19h00 Alfândega-C.P.K. 21h00 Monte Carlo-Lai Chi

P

ORTUGAL conquistou pela primeira vez o título de campeão europeu de futsal, em Ljubljana, capital da Eslovénia, ao vencer a Espanha por 3-2. O golo de Bruno Coelho, de livre directo, no prolongamento fez toda a diferença num encontro que ficou igualmente marcado pela lesão do capitão da selecção, Ricardinho. Foi o próprio Ricardinho, logo no primeiro minuto, que deu vantagem à equipa das ‘quinas’, reforçando o estatuto de melhor marcador em fases finais, com o seu 22.º golo. Tolrá, aos 19 minutos, e Lin, aos 32, assinaram os tentos que permitiram a reviravolta à selecção espanhola. Foi a um minuto do fim do jogo, quando Portugal tinha um jogador de campo como guarda-redes, que Bruno Coelho empatou de forma dramática o encontro. Um

Triunfo inédito Portugal campeão europeu de Futsal

resultado que deu um novo alento aos comandados de Jorge Braz. No prolongamento, Bruno Coelho ‘bisou’, na conversão de um livre directo, no último minuto, assegurando o primeiro título de Portugal, que tinha como melhor desempenho na prova o segundo lugar, em 2010, quando perdeu o jogo decisivo

frente à Espanha, por 4-2. Na altura o encontro foi disputado na Hungria.

RECONHECIMENTO DA VALIA

No final, Jorge Braz considerou a vitória como o reconhecimento do valor da equipa: “O caminho é este e sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, iríamos conseguir uma

vitória. Tinha de cair para nós. Caiu agora e estamos muito felizes”, disse Jorge Braz, em Ljubljana, em declarações à RTP. “Toda a gente estava com a convicção de que iríamos conseguir ganhar. Sabíamos muito bem o que queríamos e íamos lutar por isso. Estávamos a sentir isso e, ao intervalo, sentimos que isto ia cair para nós, apesar das dificuldades que estávamos a sentir”, frisou. Já Bruno Coelho, o herói da final, valorizou o resultado colectivo: “Aleijei-me na primeira parte e fiquei a sofrer porque pensei que não conseguiria voltar ao jogo. Consegui voltar e fiz o golo do empate. Esta conquista só mostra a união desta equipa. Todos juntos conseguimos demonstrar que temos uma excelente selecção e não é por acaso que este título surge”, apontou.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

a vida de um homem não chega aos cem anos, esmagam-no mil anos de desassossego.

o ofício dos ossos Valério Romão

A nossa primavera perpétua

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ÃO é suposto fazer frio em Portugal. Nem calor. O nosso clima mediterrânico é, por definição, ameno. No entanto, a maior parte dos estrangeiros que vivem cá dizem que nunca passaram tanto frio – e calor – nos países de onde vieram como cá. E não falo, obviamente, de equatorianos. Falo de alemães, suecos, italianos, franceses. Gente que, a priori, sabe de frio de uma perspectiva que – felizmente – desconhecemos de todo. O segredo desta nossa inusitada capacidade de fazer tremer de frio um islandês advém, quase exclusivamente, da forma como pensamos e contruímos casas. Edificamos com base numa crença estranha mas amplamente difundida, a de que em Portugal é primavera todo o ano. As casas não têm aquecimento central ou climatização de raiz, a não ser as que apenas 1% da população pode adquirir. A malta remedeia-se com aquecedores a óleo e ventoinhas, muita roupa dentro de casa no Inverno e doses tão prolongadas de praia quanto o subsídio de férias permitir no Verão. Portugal vê-se e vive-se a si próprio num particular daltonismo meteorológico.

Até os estabelecimentos públicos sofrem deste modo peculiar de negação da realidade. Escolas, tribunais e repartições públicas ou não têm climatização de todo ou, tendo-a parcialmente, não dispõem de dinheiro para mantê-la em condições de funcionamento adequadas. No Inverno, a comunicação social entretém-se a filmar a neve nas Penhas Douradas como se esta fosse uma anomalia da natureza. Já quanto aos alunos que levam sacos-cama para as aulas, o país assiste ao fenómeno mais ou menos resignado. Parece-nos normal que as pessoas, no século XXI, passem frio nos espaços

públicos. Parece-nos até impossível que seja de outro modo. O turismo possível que fazemos pela Europa dos países verdadeiramente frios mostra-nos que as coisas não têm necessariamente que ser deste modo. Que as pessoas não têm que pensar no aquecimento ou arrefecimento das suas casas como um luxo incomportável. Que o estado tem de garantir condições básicas de habitabilidade nos espaços onde serve a população que o sustenta. E que isso é especialmente necessário quando se tratam de crianças e idosos, dois grupos especialmente susceptíveis às maleitas que acompanham frio e calor em excesso.

Tendo Portugal convergido de forma notável na direcção da Europa em quase todos os indicadores relevantes, seria mais do que altura indicada para trocar a mentalidade “de que somos um país de clima ameno” por qualquer uma que reflicta com acrescida acuidade as condições meteorológicas reais

Não raramente, estamos tão ou mais vestidos dentro de portas do que na rua. Tiritamos de frio só de pensar em sair da cama. A nossa roupa de andar por casa consiste em diversas peças compostas por múltiplas camadas de tecidos polares. Quando ligamos um aquecedor sentimos que tal corresponde a implementar uma dieta involuntária, tal o receio que nutrimos das facturas da EDP. Acabamos por nos ver reduzidos ao dilema que consiste em escolher entre tremer de frio ou de fome. Tendo Portugal convergido de forma notável na direcção da Europa em quase todos os indicadores relevantes, seria mais do que altura indicada para trocar a mentalidade “de que somos um país de clima ameno” por qualquer uma que reflicta com acrescida acuidade as condições meteorológicas reais. Porque a primeira coisa que os turistas e demais residentes temporários estrangeiros verificam, quando cá chegam, é que temos uma percepção de nós próprios tão desadequada como temos do clima. Pensamo-nos menos do que aquilo que de facto somos. E o clima parece-nos ser sempre muito melhor do que aquilo que de facto é.

EDWARD HOPPER, PESSOAS AO SOL

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WANG YUANQI

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Yuchuang Manbi»

Notas Dispersas Sobre Uma Janela Chuvosa

Wang Shigu1 explicou os princípios e métodos relacionados com as «veias de dragão» e mais tarde houve estudantes que o continuaram, mas na minha opinião os estudantes não conseguirão realmente entender estas coisas se não combinarem o estilo, ou a teoria, com a prática. As «veias ou artérias de dragão» são a fonte da vitalidade e da força em pintura. Elas podem ser inclinadas ou direitas, completas ou fragmentárias, partidas ou contínuas, escondidas ou expostas. Pode-se dizer que são elas que fazem o estilo. Os intervalos espaciais seguem desde o topo até ao baixo, o principal e os secundários numa sucessão própria; por vezes são colocadas perto umas das outras, outras vezes

são abertas e vastas. Os cumes retorcidos, os caminhos serpenteantes, as nuvens que se fecham, as correntes de água que se dividem, todos têm a sua origem nelas. O movimento de ascensão e de queda deve continuar desde o próximo até ao longínquo, de modo a que o primeiro plano e o plano afastado fiquem claramente divididos. Estas formas em movimento devem avançar em altura e imponência ou ser desenhadas de modo nivelado. As formas inclinadas devem corresponder-se mutuamente; o topo, o corpo e o sopé das montanhas deve ser perfeitamente pesado e equilibrado. Estes elementos (kai he, aberturas e fechos e qi fu, queda e ascensão) constituem aquilo a que se pode chamar a prática.

1 - Outro nome de Wang Hui (1632-1717), pintor dez anos mais velho que Wang Yuanqi, com quem partilha o tutor Wang Shimin. Quando chega à corte de Pequim é já um prestigiado seguidor de Dong Qichang (1555-1636) que articulara numa «grande síntese» todos os estilos artísticos de representação de paisagens. Vem para dirigir a série de grandes rolos de pintura sobre seda, comemorativo da «Viagem ao Sul» do imperador Kangxi em 1689. De modo significativo fica no palácio alojado nos aposentos dos altos funcionários convidados e não no lugar onde a pintura era feita por pintores profissionais. Não que ele também não o fosse mas assim conservando o seu estatuto mais valorizado de pintor amador, o modelo do wenrenhua.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 21

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Carlos Morais José

Ano do Galo Já canta o galo. E fá-lo longo, no risco da aurora. Algo chora... febril ou flauta, ou será pauta de um juvenil destino? Já canta o galo. Ralo o canto por rala a voz. É atroz o universo: quando nasce... quando se reduz a um verso. O mundo escouceia, mal o galo, com o tal verso, o incendeia. Estremunha a aldeia, o fel desliza. É dia de santo, não muge brisa. Súbitos, após a missa, revibram os sinos. Numa panela, um padre guisa dois assassinos.   Cristo, sempre alado, prevê a estação, talvez o herdeiro: lá p’ra Fevereiro emergirá. Será gentil, será dotado e de bom grado nos salvará. ............. Calou-se o galo. É um regalo flutuar neste intenso silêncio. A chuva e o suão, os néons e o pó esmoreceram. Faz no entanto dó testemunhar um mundo assim. Ofegante no jardim, madrugada por raiar e o galo por cantar. Para onde irás se não há mar? Calou-se o galo. Incertas, as coisas adquirem o seu valor seminal. Nenhum animal as demora nem ilusões as detêm. Lêem o jornal na luz da noite. Freme o açoite, algo crava a jugular. Não ligues, rapaz: foi ilusão... fora... um ar... dois coriscos que passeiem na veia da avenida. Faz o pino e lambe a ferida. Tudo se evaporou... O ano fina-se em amáveis cacarejos. O galo ainda não cantou.


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O QUE FAZER ESTA SEMANA

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5 3 4 1 MAZE RUNNER: THE DEATH CURE SALA 1

Com: TomHanks, Meryl Streep 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 14.15, 16.45, 21.45

SALA 3

SALA 2

THE POST [B] Filme de: Steven Spielberg

5 2 6 1 3 7 4

1 2 6 5 7 3 4

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UMA 3 4 SÉRIE 7 6 HOJE 1 2 5

C I N E 3M 4A

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 19.15

1 5 4 7 6 2 3

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PROBLEMA 16

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MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C][3D]

7 4 3 6 5 1 2 DE

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/03

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C]

40-75%

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O CARTOON STEPH 15

EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” 15 Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

Cineteatro

HUM

EURO

9.86

BAHT

0.25

YUAN

1.27

PÊLO DO CÃO

6 5 Diariamente 7 6 313 3 34 2 6 57 61 6 13 1 2 5 7 7 2 3 24 5 6 5 7 4 7 1 2 5 6 3 4 EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” 6 5 7 1 Casa Garden | Até 28/02

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02

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1 7 7 16 5 3 24 1 6 2 2 5

2 4 5 2 6 61 3 15 4 7 1 73 1 7

Depois de alguns anos de interrupção, a série de culto The X-Files voltou com uma segunda temporada nesta “Era Moderna”, com mais onze episódios. Uma espécie de regresso ao passado com os agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully, naquela que deverá a ser a última temporada da série que se foca em extraterrestres e eventos paranormais. João Santos Filipe

3 4 7 2 5 6

5 3 4 6 1 7

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NUNCA ACABARIA

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3 5 1 2 4 7 6

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SUDOKU

TEMPO

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Meu mundo, Desapareci. 19 Talvez para ver se querias saber, se telefonavas ou perguntavas a alguém por mim. Como se tu quisesses saber... Nada. Apenas silêncio lá fora e sobretudo aqui, dentro desta casa, que também é tua, a que chamam coração. Bate irregular quando te escrevo. É como se eu acreditasse que a escrita poderia enfim mudar alguma coisa, talvez por isso me enervo, as mãos tremem, suam, e o coração dispara, de tanta responsabilidade. Tivesse a escrita algum poder e este texto alongar-se-ia pelo tempo, até ser ridículo considerar aquele momento: presente, passado ou futuro. Subiria pelos mastros, enrodilhado nas cordas 21e surgiria nas bandeiras a celebrar-te, a celebrar-te... Vê-lo-ias grafitado em espelhos de elevadores nesses arranha-céus da efémera glória. Acompanharia as auto-estradas, a seriedade dos muros, as paredes oferecidas das ruas; inscrito em lápides, estelas, pergaminhos, colado em papel de arroz. Nunca acabaria. Nunca acabaria porque não saberia onde acabar. Se mudasse alguma coisa... Mas a única coisa muda aqui és tu. Ignoras-me e nesse silêncio santificas-me, salvas-me, unges-me de lírios e de perdões. Assim seja. Carlos Morais José

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4 7 5 2 6 1 3

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THE X-FILES | CHRIS CARTNER

CODE GEASS LELOUCH OF THE REBELLION EPISODE I [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 14.30, 21.30

FATE/STAY NIGHT HEAVEN’S FEEL I. PRESAGE FLOWER [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Tomonori Sudo Com: Johnson Lee, Louisa So, Ti Lung, Chin Siu-Ho 17:00, 19:15

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 23

segunda-feira 12.2.2018

MARIANA MORTÁGUA

In esquerda.net

A derradeira liberdade EDVARD MUNCH, QUARTO DE MORIBUNDO

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ENSAR a morte implica conceber deixar de existir. É difícil, não temos ideia do que significa inexistir e o vazio é sempre assustador. Mas boa parte do que torna a ideia da nossa própria morte tão angustiante não é a abstração do nada. É a antecipação do momento, em vida, em que tomaremos consciência de que a morte é certa. E o medo maior é que esse momento seja longo, doloroso ou degradante. Que o nada chegue antes de nos irmos, que o corpo nos sobreviva, muito para além da vontade e, portanto, da dignidade. É fundamentalmente por isto que a eutanásia não é uma escolha sobre a morte. É sobre a liberdade de decidir como queremos viver uma morte quando esta se afigura insuportavelmente inevitável. Não deixa de ser estranho que um assunto assim complexo redunde num princípio tão

elementar. Há dias pude ouvir Alexandre Quintanilha a colocar a questão de uma forma reveladora. Dizia ele que a história está repleta de gente para quem a forma de morrer fez parte de uma escolha de vida. Por isso morreram pela honra, pela dignidade, por uma verdade ou por uma ideia. Se isto é tão naturalmente aceite, o que pode haver de estranho em, perante a morte e o sofrimento, querermos para nós um fim de vida com a dignidade que imaginámos e desejámos? É só quando se confunde o debate que ele, de facto, se torna confuso. A morte assistida não é uma alternativa aos cuidados paliativos, nem pode ser vista como tal. Portugal precisa urgentemente de desenvolver a sua rede de cuidados paliativos, mas o acesso aos melhores serviços não erradicará a questão de fundo: perante o sofrimento, mesmo que a

A eutanásia não é uma escolha sobre a morte. É sobre a liberdade de decidir como queremos viver uma morte quando esta se afigura insuportavelmente inevitável

dor física esteja sob controlo, temos ou não o direito a escolher como queremos morrer? É enorme a violência de quem acha que o humanismo está em forçar-nos ao sofrimento. Evitemos também os fantasmas que se acenam apenas para criar o susto. A eugenia, a eutanásia forçada, as decisões impostas. Todas essas práticas continuarão a ser crimes tão graves e condenáveis como hoje. Do que se fala é da despenalização da morte assistida, em casos de doença incurável e fatal ou lesão definitiva, de doentes em situação de sofrimento duradouro e insuportável, maiores de idade e absolutamente capazes de tomar uma decisão em consciência. Não pretendo ocultar a complexidade do tema e muito menos a responsabilidade que significa legislar sobre ele. O debate tem vindo a acontecer na sociedade portuguesa e, para além da seriedade que se exige, também é preciso que não se debata para debater mas para decidir. O projeto de lei que o Bloco agora apresenta respeitou esse debate, amadureceu e aprendeu com ele. Tem a força de uma reflexão longa mas necessária, que agora se quer transformar em mudança. Poder decidir morrer com a dignidade com que escolhemos viver, a derradeira liberdade que uma sociedade tolerante deve garantir.


Navegar é preciso, viver não é preciso.

Pompeu Magno

HACKER RUSSO DEFRAUDA ESPIÕES AMERICANOS

NOAM CHOMSKY ELOGIA GERINGONÇA

O

U

PUB

M hacker russo que, alegadamente, oferecia informação sensível e armas cibernéticas produzidas pelos EUA a troco de um milhão de dólares, terá enganado espiões da National Security Agency (NSA, Agência de Segurança Nacional), de acordo com o The New York Times. Após meses de negociações o hacker russo recebeu em Setembro de 2017 cem mil dólares, a primeira parcela da quantia que pedira, mas as informações que prometera sobre “hacking” e armas cibernéticas eram na verdade dados não verificados e, alegadamente comprometedores, sobre Donald Trump. Segundo o jornal norte-americano, os agentes não procuravam dados sobre o 45.º presidente dos EUA, mas pretendiam recuperar informação sensível cibernética e ferramentas de hacking que não poderiam ser adquiridas por agências de informação russas, ou redes criminosas do leste da Europa. O hacker russo, cuja identidade não foi revelada, defraudou espiões dos EUA em cem mil dólares. O material não verificado sobre Trump incluía registos bancários, e-mails, e dados de inteligência russa, segundo o noticiado pelo “The New York Times”. O acordo com o hacker acabou cancelado, após a entrega dos cem mil dólares, porque a NSA receou ser enredada dentro de uma possível operação russa para criar discórdia nos EUA. A NSA, que produziu a maioria das ferramentas de hacking que os agentes tentaram recuperar, garantiu que “todos os funcionários da NSA têm a obrigação de proteger informações classificadas”.

segunda-feira 12.2.2018

PALAVRA DO DIA

O leão ruge duas vezes MGM China II abre novo espaço na terça-feira

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AIS de mil quartos, 125 mesas de jogo, 900 ‘slot machines’ e 300 obras de arte são algumas das características do segundo e novo empreendimento que a MGM vai inaugurar na terça-feira em Macau. O MGM Cotai, na faixa de casinos entre a Taipa e Coloane, é a última adição ao portfólio da MGM China e um ‘resort’ integrado avaliado em 2,7 mil milhões de euros, que vai abrir, depois de vários adiamentos, antes do ano novo chinês, que este ano se assinala na próxima sexta-feira. Esta época festiva é um dos períodos mais fortes do jogo em casinos de Macau. Em Janeiro, o Governo de Macau tinha autorizado a MGM a adquirir 125 novas mesas de jogo. Ao número total de mesas, vão ser transferidas 77 outras da propriedade do MGM na península de Macau e mais 900 ‘slots machines’ novas.

No projecto, do gabinete de arquitetura Kohn Pedersen Fox (KPF), idêntico ao do MGM Macau, foram usadas cerca de 17 mil toneladas de aço, equivalente ao peso utilizado no fabrico de 18 mil carros, e cerca de 240 tipos de pedra e mármore, “escolhidas ao longo de dois anos na Europa, Turquia,América do Sul, China e Hong Kong”, de acordo com dados da operadora de jogo. Em destaque no novo MGM Cotai vai estar uma colecção de arte, avaliada em 100 milhões de patacas (cerca de 10 milhões de euros), que integra cerca de 300 obras de pintura, escultura e instalações de novos ou conhecidos artistas asiáticos. De acordo com a operadora, a colecção inclui 28 tapetes imperiais chineses, da dinastia Qing, que outrora cobriram o chão da Cidade Proibida, em Pequim. Na restauração, os ‘chefs’ Graham Elliot, conhecido como júri do programa Top Chef, e Mauro Colagreco, ambos distinguidos

com estrelas Michelin, vão liderar o Coast e o Grill 58º, respectivamente. A oferta de restauração inclui Aji, o primeiro restaurante Nikkei em Macau, conduzido pelo ‘chef’ Mitsuharu Tsumura. O icónico símbolo da MGM, o leão dourado, vai ocupar a entrada para o ‘resort’ e é a primeira estátua coberta com aproximadamente 32 mil folhas de ouro. Tem 11 metros de altura e pesa 38 toneladas. O complexo turístico ocupa uma área 71.833 metros, um terreno concessionado por um período inicial de 25 anos, tendo sido oficializado no início de 2013 pelo Governo de Macau. A operadora concordou pagar um prémio de 1,3 mil milhões de patacas pelo arrendamento. A operadora de jogo MGM China resulta de uma parceria entre Pansy Ho, filha do magnata do jogo em Macau Stanley Ho, e a MGM Resorts. Entre Julho e Setembro passado, as receitas da MGM China atingiram 471 milhões de dólares norte-americanos (406 milhões de euros), o que traduz uma diminuição de 6% em termos anuais homólogos. No trimestre anterior (abril a junho), as receitas tinha registado uma subida de 5%. Anunciado no início das obras a 27 de fevereiro de 2013 como o “‘resort’ e casino mais impressionante” da MGM, a conclusão do empreendimento, inicialmente prevista para 2016, sofreu vários adiamentos.

filósofo e linguista norte-americano Noam Chomsky, de 89 anos, afirmou que a solução governativa encontrada em Portugal – “geringonça” – está a correr “razoavelmente bem”, em declarações ao “Público” este domingo, a propósito do recém-lançado livro ‘Sonho Americano — Os 10 Princípios da Concentração da Riqueza e do Poder’. O pensador norte-americano, de 89 anos, comentou o estado actual da política europeia, considerou que o Brexit pode empurrar “ainda mais” o Reino Unido para os Estados Unidos e que a Europa pode assumir papel mais preponderante no mundo. Para Noam Chomsky a solução governativa portuguesa “parece estar a correr razoavelmente bem, contrastando com muito do que vai acontecendo no resto da Europa”. ‘Os 10 Princípios da Concentração da Riqueza e do Poder’, que a Editorial Presença lançou em Portugal na última semana, reúne entrevistas de fundo a Noam Chomsky – as suas últimas conversas longas com jornalistas, segundo o próprio – e apresenta a ideia de que o sonho americano é agora inócuo. Para o filósofo, os EUA já não é a terra das oportunidades. Apremissa do documentário-livro é contundente: o sonho americano esfumou-se, já não é possível começar do zero e ascender na escala social por via do mérito e do trabalho, e isto acontece porque nunca antes as desigualdades foram tão profundas. No requiem de Chomsky, a América já não é a terra das oportunidades, estando a riqueza e o poder concentrados nas mãos das elites dominantes que representam 1% da população. Resta, pois, aos outros 99% interpretar este toque de finados como toque de despertar das consciências, através de pequenas acções.

Hoje Macau 12 FEV 2018 #3992  

N.º 3992 de 12 de FEV de 2018

Hoje Macau 12 FEV 2018 #3992  

N.º 3992 de 12 de FEV de 2018

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