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SIGNOS

O que traz o macaco

NOVO BANCO ÁSIA

Lucros com sabor agridoce PÁGINA 8

CONTRATOS

PAGA O JUSTO PELO INFRACTOR PÁGINA 4

TERAPEUTAS

Recruta zero PÁGINA 6

OPINIÃO

Má sorte ISABEL CASTRO PÁGINA 17

CHANG KAM PUI

Macau não avança na protecção ambiental O representante de Macau na Conferência de Paris sobre as mudanças climáticas não tem dúvidas: a protecção ambiental da RAEM está muito atrás do que se faz internacionalmente, tanto na prática, como ao nível do pensamento. ENTREVISTA

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GONÇALO LOB0 PINHEIRO

hojemacau

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MOP$10

SEXTA-FEIRA 12 DE FEVEREIRO DE 2016 • ANO XV • Nº 3510

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 ENTREVISTA

CHANG KAM PUI

A participação na conferência da ONU sobre mudanças climáticas trouxe novas ideias a Chang Kam Pui de como promover a protecção ambiental em Macau. Mas o director da Associação de Protecção Ambiental e Gestão de Macau não tem dúvidas: o Governo não tem planeamento, tecnologia, nem consciência para resolver o problema e nem sequer ajuda o sector que ainda se vai dedicando à temática

“Governo está desligado do sector da reciclagem” A vossa Associação, juntamente com outra, participou na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas em Paris no fim do ano passado. Como foi a experiência? Ganhámos muito. Quando acabou a conferência e voltámos para Macau, percebemos que Macau, é de facto, pequeno. Não só ao nível da área territorial, mas também ao nível da tecnologia para a protecção ambiental. Noutros países e regiões, as técnicas são desenvolvidas, os métodos e o planeamento utilizados são pioneiros, a educação cívica vai no caminho da sustentabilidade. Só assim se pode avançar para um desenvolvimento ao nível da protecção ambiental. No estrangeiro, é tudo muito avançado, não se faz apenas a promoção da protecção ambiental como em Macau, mas faz-se essa protecção, no âmbito da tecnologia, da economia e dos negócios. Participou como representante de Macau? Como é que esse trabalho foi conseguido? Participámos pela primeira vez. Fomos nós próprios a entregar documentos para ingressar na conferência e depois fomos convidados a participar, após uma avaliação. Macau foi uma das regiões que participou como organização observadora.    Quais as principais diferenças que sente entre o que viu na conferência e Macau? O que vi é que os trabalhos de protecção ambiental de Macau ficam muito atrás de outras organizações internacionais, tanto ao nível do pensamento, como na prática. O nosso território é definido como um Centro Mundial de Turismo

“O nosso território é definido como um Centro Mundial de Turismo e Lazer e uma cidade apropriada para viver. Mas será esta definição correcta? Não será demasiado?” e Lazer e uma cidade apropriada para viver. Mas será esta definição correcta? Não será demasiado? Sem contar com os países mais distantes, estamos em competição com outros países asiáticos como Taiwan e Japão. Macau não avança na protecção ambiental. O que poderia fazer o Governo? Os conhecimentos que adquiri [na conferência] versam sobretudo sobre o uso da energia solar, soluções para [acabar com] a poluição do ar, poluição visual e das águas. Mas a tecnologia utilizada ultrapassa a actual capacidade de Macau – isto a juntar à falta de terrenos, faz com que Macau não consiga avançar para essas resoluções, mesmo que haja profissionais estrangeiros e especialistas em protecção ambiental em Macau. Por exemplo, a energia solar precisa de grandes espaços para se colocarem os painéis solares, algo que não se coaduna com a realidade de Macau. Mas o que é mais de salientar é a educação cívica e

GONÇALO LOBO PINHEIRO

DIRECTOR DA ASSOCIAÇÃO DE PROTECÇÃO AMBIENTAL E GESTÃO DE MACAU

a cooperação interdepartamental, porque na conferência observámos que todos os departamentos dos governos estrangeiros estão bem coordenados: no Japão, por exemplo, as crianças aprendem como proteger o ambiente desde o jardim-de-infância. Um exemplo muito simples é o de colocar caixotes de reciclagem de lixo dentro das escolas, sobretudo nas cantinas, e os próprios professores ensinam directamente como se faz a separação do lixo. Outro exemplo é que os professores pedem aos alunos para trazerem os próprios sacos para festas escolares, para levarem as prendas. Assim, eleva-se a consciência da população, formando-se hábitos de protecção  ambiental.  Tem que se perceber que a protecção ambiental não é algo obrigatório, mas depende da auto-disciplina das pessoas. E é isso que o Governo de Macau precisa de ter como referência para melhorar o ambiente e os trabalhos com ele relacionados. Como avalia o actual planeamento da protecção ambiental de Macau? Foi publicado há pouco tempo o Relatório da Situação do Ambiente de 2014 e vi que, na parte sobre a gestão da protecção ambiental, o Governo defende que vai promover a educação, mas fala apenas nos números de actividades de promoção, de participantes... são meramente belas palavras. De forma geral, não existe um planeamento real e completo e é mesmo preciso avançar com esses detalhes no futuro. Como? Primeiro, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) deve coordenar-se com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) para incluir a

“A principal fonte de poluição são os gases dos automóveis e, se não se resolver esta questão, a qualidade do ar do território nunca vai melhorar”


3 hoje macau sexta-feira 12.2.2016 www.hojemacau.com.mo

“Tem que se perceber que a protecção ambiental não é algo obrigatório, mas depende da autodisciplina das pessoas. E é isso que o Governo de Macau precisa de ter como referência para melhorar o ambiente e os trabalhos com ele relacionados” Governo tem promovido o uso de carros electrónicos, o que é positivo, mas como existe o problema do trânsito, quanto mais carros pior a situação, porque quando há engarrafamento os gases emitidos pelos automóveis parados são mais poluentes. Neste âmbito, quais são as medidas urgentes da DSPA para resolver essa poluição? Queremos saber. Ao que sei, os gases de automóveis são mais poluentes quando os combustíveis são de má qualidade ou não são usados de forma apropriada. Será que o Governo pode regular melhor o uso de combustíveis, promovendo os de melhor qualidade, pelo menos para diminuir a poluição? É que isso depende da implementação de políticas do Governo.

disciplina de protecção ambiental nas escolas, porque até agora não existe nem nas escolas primárias, nem secundárias, nem sequer nas universidades. Quem quiser trabalhar na área de protecção ambiental tem de estudar em Hong Kong, Taiwan, Estados Unidos, Canadá ou Singapura, porque Macau não tem um curso específico. Posso dizer que não existe uma base [para a protecção ambiental] em Macau, o que faz com a promoção de protecção ambiental exista, mas sem dar a colher frutos.

“Os trabalhos de protecção ambiental de Macau ficam muito atrás de outras organizações internacionais, tanto ao nível do pensamento, como na prática”

Esse relatório mostra que a qualidade do ar tem uma tendência de melhoria, comparado com o de 2012 a 2013. A qualidade do ar melhorou realmente ou são, como diz, apenas números? Os dados são apenas para referência, a melhoria da qualidade de ar depende do que sentimos como cidadãos. Acredito que a maioria da população considera que o ar em Macau é pior agora. A principal fonte de poluição são os gases dos automóveis e, se não se resolver esta questão, a qualidade do ar do território nunca vai melhorar. O

No ano passado, o sector da reciclagem de Macau manifestou-se contra a falta de apoio do Governo. Qual é a sua opinião face a isto? Quanto à indústria de protecção ambiental, actualmente em Macau existem apenas micro empresas que reciclam os materiais. Não existe Lei de Protecção Ambiental que as suporte e, mesmo que o Governo implemente instruções, regras ou decretos-lei, não adianta. Em Taiwan, por exemplo, a indústria é completa: a lei regula que as pessoas façam a separação do lixo em casa e depois coloquem nos caixotes de lixo públicos correspondentes, fazendo com que o lixo já esteja separado quando a empresa o vai recolher. As associações começaram a reciclar os papéis e garrafas plásticas para que sejam feitos produtos novamente. Olhando para Macau, as empresas não têm confiança para avançar com trabalhos, porque parece que não temos um verdadeiro sector de reciclagem. O Governo ainda não conseguiu criar um ambiente para a

sobrevivência dessas micro empresas. Recentemente, começou a pensar em classificar o sector de protecção ambiental como uma indústria, o que é uma boa notícia, mas até ao momento não houve nenhuma mudança. Como é que o Governo poderia apoiar esta indústria? É preciso haver cooperação entre o sector e o Governo, que actualmente estão desligados [um do outro]. O Governo deve criar regras para o sector da reciclagem, compreender como as empresas reciclam materiais... é preciso comunicação. Além disso, poderia aproveitar-se terrenos na Ilha da Montanha, onde Macau arrenda dez quilómetros quadrados, para promover a diversificação desta indústria. Acredito que um a dois quilómetros quadrados especificamente para a protecção ambiental já é suficiente: poderia, por exemplo, haver uma base de formação onde os residentes de Macau poderiam ser formados como especialistas nesta área, onde se poderiam desenvolver produtos reciclados, que pudessem suportar o sector em Macau. Claro que é preciso aceitação e planeamento do Governo. Caso contrário, vai manter-se sempre na fase actual, sem espaço para avançar. O Governo está a realizar agora uma consulta pública sobre o uso dos sacos de plástico e a proposta sugere o pagamento obrigatório de uma pataca por cada saco. Concorda? A proposta é positiva, mas a eficácia é incerta. Essa medida foi implementada em Taiwan há muitos anos e falhou porque as lojas de lembranças continuavam a dar sacos gratuitos. Será que o dinheiro pode resolver o problema do lixo? Não me parece. Seja uma ou cinco patacas, os turistas não se importam de pagar quando compram muitas coisas, sobretudo nas lojas de marca e de luxo. Já para os cidadãos, prevejo que a eficácia seja maior entre os idosos, que se importam com poupar dinheiro. O que considero mais importante é o Governo mostrar que confia realmente na protecção ambiental, do que estar a propor esta medida. Sabemos quantos sacos de plástico os organismos públicos utilizaram? Porque é que não se mostra primeiro à população a meta de diminuição no uso de sacos de plástico na Função Pública e depois se sugere aos cidadãos seguirem a mesma medida? O pagamento é apenas um alerta, mas a mudança da situação depende da auto-disciplina de cada um. Flora Fong

Flora.fong@hojemacau.com.mo


4 POLÍTICA

hoje macau sexta-feira 12.2.2016

GCS

ASSISTENTES SOCIAIS REGIME DE CREDENCIAÇÃO PRONTO EM ABRIL

Vong Yim Mui, presidente do Instituto de Acção Social (IAS), confirmou no programa Macau Talk do canal chinês da Rádio Macau que a proposta para o Regime de Credenciação e Inscrição para o Exercício de Funções de Assistente Social já foi entregue pelo IAS às entidades competentes, sendo que o diploma final deverá estar pronto em Abril. Depois é entregue ao Conselho Executivo e à Assembleia Legislativa para votação. Este ano a entidade vai contar com 1,1 milhões de patacas para subsídios a atribuir a associações de cariz social. Vong Yim Mui explicou que, de acordo com o novo regime de atribuição de subsídios, cerca de 178 equipamentos sociais e projectos foram apoiados, sendo que mais de 3100 pessoas foram beneficiadas, com um aumento de 780 beneficiados face ao anterior sistema de subsídios.

É a segunda vez: a deputada Ella Lei quer que o Governo vá ao hemiciclo responder sobre por que não inclui nos contratos públicos cláusulas que permitam indemnizações e sanções. É que o dinheiro continua a sair dos cofres públicos, sem que o Executivo intervenha

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Assembleia Legislativa (AL) aceitou um pedido de debate sobre a inclusão de cláusulas penais compensatórias nos contratos de obras públicas. Apresentada pela deputada Ella Lei, a proposta versa sobre um assunto que tem sido defendido por outros membros do hemiciclo e que visa responsabilizar as empresas quando houver falhas nas obras públicas. Numa nota justificativa que acompanha o pedido, assinado apenas pela deputada da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), pode ler-se que “o Governo deve incluir as cláusulas penais compensatórias nos contratos de obras públicas, com vista a impulsionar o cumprimento rigoroso dos contratos, por parte dos empreiteiros, nomeadamente quanto aos prazos de conclusão das obras, evitando assim os sucessivos atrasos e excessos de despesas daí recorrentes”. A deputada relembra que a inclusão destas cláusulas – que iriam fazer com que as empresas tivessem de pagar indemnizações ao Governo em caso de atrasos ou problemas – “é legalmente permitida pela legislação vigente”, sendo que estas foram mesmo

Contratos PEDIDO NOVO DEBATE SOBRE CLÁUSULAS COMPENSATÓRIAS

Segunda investida propostas pelo Comissariado de Auditoria (CA). Ella Lei evoca, aliás, o CA para lembrar que, actualmente, sem estas cláusulas nos contratos não há muito que o Executivo possa fazer. “Devido à insuficiência de fiscalização e à falta de mecanismos eficazes de indemnização e sanção, o Gabinete para as Infra-Estruturas

de Transportes (GIT) nada pôde fazer, mesmo perante os graves atrasos registados nas obras do metro ligeiro e a falta de entusiasmo dos empreiteiros em envidar esforços para recuperar tempo.” O metro ligeiro é um dos exemplos mais utilizados pelos interessados na implementação destas medidas, uma vez que

“Devido à insuficiência de fiscalização e à falta de mecanismos eficazes de indemnização e sanção, o Gabinete para as InfraEstruturas de Transportes (GIT) nada pôde fazer, mesmo perante os graves atrasos registados nas obras do metro ligeiro” “Assim não nos conseguimos livrar do beco sem saída dos atrasos, excessos de despesa e má qualidade das obras” ELLA LEI DEPUTADA

ultrapassou não só o orçamento, como o período de construção. Só que em nenhum contrato do metro o Governo incluiu estas cláusulas.

ERRAR DUAS VEZES

Ella Lei relembra que a “sociedade se mostra a favor” destas cláusulas e critica o Executivo pela inércia demonstrada. “O Governo afirmou repetidamente que ia proceder ao estudo sobre a viabilidade da inclusão e que, para o efeito, alguns governantes até se dirigiram a Hong Kong para troca de experiências. Em Novembro, o Chefe do Executivo disse que estavam em curso negociações e estudos, mas até ao momento ainda não respondeu.” Da mesma forma, também o GIT fala em estudos, o que fará com que as cláusulas penais compensatórias “não vão ser incluídas no novo concurso para a obra do parque de materiais e da oficina do metro”, obra que motivou justamente os apontamentos do CA e que levou o Governo a tribunal contra a empresa. Ella Lei volta à carga com o pedido de debate que, em Janeiro de 2015, foi chumbado devido à promessa de estudos do Governo. A deputada pede novamente que os deputados aprovem o debate, para que o Executivo tenha de ir dar explicações à AL. Até porque, diz, “vai haver grandes obras públicas sucessivamente” e “atendendo à imperfeição dos actuais mecanismos de fiscalização, são enormes os gastos de dinheiro público”. “Assim não nos conseguimos livrar do beco sem saída dos atrasos, excessos de despesa e má qualidade das obras.” O pedido de debate foi agora traduzido para Português, tendo sido entregue a 26 de Janeiro. Resta agora subir a plenário e esperar pela votação dos deputados. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo


5 hoje macau sexta-feira 12.2.2016

POLÍTICA

Quanto mais madura, melhor Novo “ciclo” aumenta capital da Macau Investimento e Desenvolvimento

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Fórum Macau GOVERNO PREPARA-SE PARA INJECTAR RESTANTES 350 MILHÕES

Dinheiro no fundo do túnel Está a chegar o que falta do dinheiro prometido pelo Governo ao Fórum Macau, assegurou Lionel Leong

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IONEL Leong, Secretário para a Economia e Finanças, confirmou ao jornal Ou Mun que o Governo está a ultimar a injecção dos 350 milhões de dólares norte-americanos para o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, sendo esta a última parte de um montante de 400 milhões de patacas que Macau se comprometeu a desembolsar. “Os restantes 350 milhões de dólares já estão a ser preparados e o Governo vai discutir com o Banco de Desenvolvimento da China sobre as formas de acesso ao Fundo, e a forma como as empresas de Macau podem

participar no investimento em conjunto com os países lusófonos”, apontou o Secretário. Conforme foi avançado em 2013, o Fundo, anunciado pelo Governo Central, vai contar com mil milhões de dólares norte-americanos, para o qual vão contribuir vários países. Macau investiu 50 milhões de dólares logo na primeira fase do projecto, que visa fomentar os negócios de Pequenas e Médias Empresas (PME) do mundo lusófono e o incremento das relações com a China.

TUDO A ANDAR

Lionel Leong não apresentou datas concretas para a inauguração dos três centros de coo-

“Os restantes 350 milhões de dólares já estão a ser preparados e o Governo vai discutir com o Banco de Desenvolvimento da China sobre as formas de acesso ao Fundo, e a forma como as empresas de Macau podem participar no investimento em conjunto com os países lusófonos” LIONEL LEONG SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS

peração entre a China e os Países de Língua Portuguesa, os quais deverão arrancar este ano em Macau. O Secretário prometeu continuar a cooperar com o Governo Central sobre esta medida, anunciada também em 2013, ano da 3ª Conferência Ministerial do Fórum Macau. “No Fórum Internacional de Investimento e Construção de Infra-estruturas (realizado em Macau), alguns países lusófonos participaram e tiveram a possibilidade de pedir empréstimos ao Fundo. Agora podem ser analisados potenciais projectos, o que pode causar bons efeitos aos países lusófonos”, defendeu o Secretário. O Secretário para a Economia e Finanças disse ainda que a criação de uma exposição sobre produtos alimentares dos países lusófonos vai ser concluída este trimestre. Lionel Leong lembrou que o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) lançou em Abril o Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e Países de Língua Portuguesa, algo que vai apoiar as políticas neste âmbito. Tomás Chio

info@hojemacau.com.mo

injecção de capital na Macau Investimento e Desenvolvimento, S.A. deveu-se à entrada numa fase mais madura do projecto. É a justificação da Direcção dos Serviços de Economia (DSE) ao HM, que questionou o organismo sobre o aumento em 86% do valor inicial da empresa criada em 2011 e que tem como accionistas a RAEM, com 94%, o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (3%) e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (3%). Em Janeiro, o HM avançou que a sociedade comercial, que é uma sociedade anónima, passa assim a ter um capital social de quase três mil milhões de patacas, proveniente do erário público. Em resposta ao HM, a DSE explica o motivo. “O Parque Industrial estava na fase de desenvolvimento e investimento e, concretamente, já entrou num ciclo mais aprofundado [devido] ao desenvolvimento de projectos. Para o desenvolvimento de longo prazo de projectos, o Parque Industrial tem a necessidade de explorar as suas actividades [consoante] a necessidade do capital social”, começa por dizer a DSE. “Em simultâneo, para a necessidade de desenvolvimento de projectos e de capital social relativa à exploração de actividades em Zhongshan, a Macau Investimento e Desenvolvimento, S.A. procedeu ao aumento do capital social para concretizar os [objectivos] supra-referidos.”

DO INVESTIMENTO

A empresa foi criada precisamente para “promover o desenvolvimento sustentável e os negócios no exterior de Macau”, realizando “projectos de investimento” e para ficar responsável pela exploração e gestão da área da Ilha da Montanha e dos projectos a desenvolver conjuntamente entre a RAEM e a região vizinha. A DSE relembra que esta Sociedade e a Zhuhai Da Hengqin Investment Co. Limited constituíram, em conjunto, a Guangdong-Macau Traditional Chinese Medicine Technology Industrial Park Development Co., Ltd., como uma entidade para ter a finalidade de funcionar e explorar as actividades relativas ao Parque Industrial. A autorização de injecção de capital foi promulgada no ano passado, só tendo sido tornada pública em Boletim Oficial em Janeiro. O capital social é de 2,97 mil milhões de patacas, dividido e representado por 296.800 acções ordinárias, com o valor nominal de dez mil patacas cada uma, totalmente subscritas e realizadas em dinheiro. Joana Freitas

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6 SOCIEDADE

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Terapeutas MACAU SEM PEDIDOS DO EXTERIOR POR “FALTA DE INTERESSE”

Não há condições O Instituto de Acção Social já deu luz verde para a importação de terapeutas estrangeiros, mas até ao momento nenhum pedido foi feito. Associações dizem que condições de recrutamento não são as ideais

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assunto foi debatido, o Governo autorizou, mas o interesse parece ser pouco. Há um ano o Instituto de Acção Social (IAS) deu luz verde para a importação de terapeutas para pessoas com necessidades educativas especiais, mas numa resposta enviada ao HM a entidade confirma que, até ao momento, nenhum pedido foi feito para a introdução de terapeutas não residentes. Associações contactadas pelo HM explicam o motivo provável: as circunstâncias de recrutamento são pouco atractivas, tanto ao nível do salário, como das próprias condições apresentadas. Sandra Lio, secretária-geral da Associação dos Familiares Encarregados dos Deficientes Mentais de Macau, explicou que a entidade já

LUTA POR PROFISSIONAIS

publicou anúncios em Hong Kong e Taiwan, mas as respostas têm sido poucas. “Os terapeutas do interior da China não correspondem às qualificações porque a sua formação diz respeito a trabalhadores na área da reabilitação e essa credenciação não é aceite em Macau. As condições dos terapeutas de Hong Kong são diferentes das de Macau e podem não ter vontade de trabalhar cá. Em Taiwan os salários são muito melhores e podem receber a mesma remuneração e desenvolvimento na carreira na sua terra natal, pelo que não há grandes razões para que optem por trabalhar em Macau. Até porque a habitação pode constituir uma grande carga”, disse Sandra Lio ao HM. Também Nerissa Lau, presidente da Associação de Surdos de Macau,

Sandra Lio explicou que a sua associação tem tentado há meio ano recrutar mais terapeutas, mas não consegue, também devido às dificuldades em competir com as condições da Função Pública. Não só não arranjam recursos humanos, como os perdem. “Quando o Governo abre concursos de ingresso para recrutar terapeutas todos se candidatam, incluindo os da nossa Associação. Estamos carentes de mão-de-obra e os nossos serviços estão suspensos”, apontou. Para Sandra Lio, o trabalho de terapeuta está numa situação passiva, porque nenhuma instituição do ensino superior criou cursos nesta área. A responsável acredita que só uma aposta na formação local pode resolver as carências de recursos humanos. Na resposta ao HM, o IAS reiterou que vai fazer uma avaliação contínua sobre os recursos humanos nesta área e que só vai permitir a importação de terapeutas para colmatar lacunas, por forma a não afectar o emprego dos locais e as suas condições de trabalho. O IAS prometeu manter a cooperação com as associações, mas não avançou novas medidas para responder à ausência de candidaturas.

“Os terapeutas do interior da China não correspondem às qualificações porque a sua formação (...) não é aceite em Macau. As condições dos terapeutas de Hong Kong são diferentes das de Macau e podem não ter vontade de trabalhar cá. Em Taiwan os salários são muito melhores” SANDRA LIO SECRETÁRIA-GERAL DA ASSOCIAÇÃO DOS FAMILIARES ENCARREGADOS DOS DEFICIENTES MENTAIS DE MACAU

O

incêndio de quarta-feira no Templo de A-Má, classificado pela UNESCO, vai obrigar a um ano de obras, apesar de o pavilhão principal se encontrar em estado “aceitável” e peças históricas não terem ficado danificadas. Após uma inspecção realizada ontem ao templo, a chefe do departamento do Património Cultural do Instituto Cultural (IC), Leong Wai Man, referiu que “a estrutura do pavilhão principal [onde se registou o incêndio] encontra-se em estado aceitável” e que “não existe perigo” actualmente.

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Meter mãos à obra A-Má Restauro vai durar um ano

A mesma responsável disse, citada num comunicado, que se prevê que “a recuperação estrutural esteja concluída dentro de dois ou três meses” e que “as obras de recuperação do templo original levem pelo menos um ano”. Leong Wai Man considerou “que a estrutura danificada pode ser recuperada pelos artesãos locais” e que “não será necessária a ajuda de peritos do exterior”, já que artesãos locais poderão reconstruí-lo.

explicou que são poucos os terapeutas de Hong Kong que querem trabalhar em Macau, sobretudo devido aos baixos salários. O idioma é um factor atractivo, mas a Associação garante que só pode tentar convidar terapeutas de Taiwan. A responsável frisou ainda que os procedimentos administrativos para recrutar terapeutas no exterior “são complicados” porque envolvem não só o IAS como os Serviços de Saúde (SS) e o Gabinete de Recursos Humanos (GRH). Nerissa Lau espera, assim, que o Governo facilite o processo para que se possa resolver a falta de mão-de-obra na área.

Também salientou que o incêndio não causou danos e m itens de interesse histórico no interior do pavilhão e que a estátua da Deusa A-Má não foi afectada.

DAS ORIGENS

Segundo um relatório preliminar dos bombeiros, o incêndio no Templo de A-Má ficou a dever-se a um curto-circuito ocorrido durante a noite, período durante o qual não estavam a ser queimados incensos

no pavilhão. O incêndio foi apagado em poucos minutos, segundo informações dos bombeiros aos meios de comunicação locais. O templo já existia antes do estabelecimento da cidade de Macau, segundo os Serviços de Turismo e é composto pelo Pavilhão do Pórtico, o Arco Memorial, o Pavilhão de Orações, o Pavilhão da Benevolência, o Pavilhão de Guanyin e o Pavilhão Budista Zhengjiao Chanlin, dedicados à veneração de diferentes divindades. Os vários pavilhões do Templo de A-Má foram cons-

truídos em diferentes épocas, e a sua configuração actual data de 1828, de acordo com as autoridades locais. O templo faz parte do património de Macau classificado há dez anos pela UNESCO, o organismo das Nações Unidas para a Educação e Cultura.

O HM tentou perceber junto do IC qual será o orçamento para as obras, mas não foi possível receber resposta até ao fecho desta edição. Da mesma forma, não foi possível contactar Vicente O, presidente da associação que gere o templo.


7 hoje macau sexta-feira 12.2.2016

Um dos três comerciantes do Mercado Provisório do Patane, suspeito de estar infectado com o vírus H7N9, não aceitou o isolamento imposto pelos médicos e recorreu aos tribunais. Os juízes deram razão aos Serviços de Saúde

Gripe das Aves INTERNADO OBRIGADO A ISOLAMENTO

Daqui não sais

O

Tribunal de Segunda Instância (TSI) recusou um recurso apresentado por um dos três trabalhadores internados no hospital suspeitos de terem contraído o vírus H7N9. O recurso foi apresentado depois dos médicos terem declarado o isolamento obrigatório dos três doentes, decisão fundamentada pelo Tribunal Judicial de Base (TJB). Segundo o acórdão, “os três trabalhadores em causa recusaram o cumprimento das referidas medidas”, sendo que apenas um decidiu recorrer da decisão, “com o fundamento dos resultados negativos e da não manifestação da doença”. Os juízes assumiram que o isolamento terá “prejudicado o interesse individual do recorrente”, mas lembraram que “esta doença é altamente letal” e representa grande perigo para a população em geral, sendo

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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS

Aviso

Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da segunda prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilistas registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2015 nos termos do disposto na alínea c) do artigo 2º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 19 de Fevereiro, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995344, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 27 de Janeiro de 2016 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong

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SOCIEDADE

que não há certezas quanto ao período de incubação. “Neste caso, os interesses prosseguidos, gerais, de saúde pública, da sociedade e da economia em geral, hão-de sobrepor-se, necessariamente, ao sacrifício de um cerceamento temporário da liberdade individual, de uma só pessoa, por um curto período de dez dias, ainda que numa época festiva muito importante”, lê-se no acórdão. O TSI apontou ainda que “não há qualquer desproporção, visto os interesses em jogo, em função da natureza, gravidade e dimensão dos interesses concretamente sacrificados em função dos direitos gerais, públicos e de saúde pública que têm de ser acautelados”. O caso remonta ao passado dia 3 de Fevereiro, quando os técnicos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) abateram dezenas de aves infectadas com o vírus da gripe H7N9, tendo os três trabalhadores do Mercado Provisório do Patane sido internados e sujeitos a isolamento. Os testes realizados confirmaram a ausência do vírus nestes doentes. Andreia Sofia Silva

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8 SOCIEDADE

hoje macau sexta-feira 12.2.2016

Novo Banco Ásia LUCROS DOBRAM MAS “CONTINUAM A SER BAIXOS”

À espera de definição

José Morgado, presidente da Comissão Executiva do Novo Banco Ásia, garante que a instituição bancária poderia ter tido um melhor desempenho, apesar de ter registado lucros em 2015 de 4,7 milhões, o dobro face a 2014

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S resultados financeiros do Novo Banco Ásia relativos a 2015 foram ontem publicados em Boletim Oficial (BO) e mostram que a instituição bancária, uma subsidiária do Novo Banco em Portugal, registou lucros de 4,7 milhões de patacas, o dobro face a 2014. Apesar disso, os números revelam estabilidade e não um crescimento de maior dimensão

Q

como seria desejável, explicou ao HM José Morgado, presidente da Comissão Executiva do Novo Banco Ásia. “Os resultados continuam a ser baixos, se compararmos com anos anteriores. Obviamente que dobraram o ano passado e isso é sinónimo de estabilidade, mas o potencial na Ásia é bastante maior e estamos a pensar que, de facto, podemos fazer ainda melhor”, disse José Morgado.

UASE meio milhão de pessoas entrou em Macau entre domingo e as 11h00 de ontem, nos primeiros dias das festividades do Ano Novo chinês, levando a polícia a adoptar “medidas de controlo de multidões”. Um total de 483.423 pessoas entrou no território desde sábado, dois dias antes do início no novo Ano Lunar, agora sob o signo do Macaco, disse fonte dos Serviços de Migração à agência Lusa. Quarta-feira – o terceiro feriado consecutivo dedicado ao Ano Novo Chinês – foi o dia mais movimentado até à data, com um total de 153.249 entradas em Macau. O posto fronteiriço das Portas do Cerco – passagem terrestre para o interior da China – foi durante estes dias o mais movimentado, com um fluxo de entradas superior

A curto prazo, o Novo Banco Ásia pretende manter a estabilidade que tem demonstrado. “Queremos manter a mesma linha de acção até que haja uma melhor definição relativamente àquilo que o Banco pretende fazer.” Numa altura em que o processo de venda do Novo Banco continua por concluir, o Banco de Portugal escolheu o Deutsche Bank para ser o assessor financeiro

deste processo. José Morgado não sabe se este impasse poderá ou não influenciar os planos do Novo Banco Ásia. “Obviamente que as coisas estão ligadas, mas são um pouco complementares. Nós somos uma subsidiária do Banco em Portugal, nem sequer somos uma sucursal”, apontou.

VENDA PODERÁ ACONTECER

O presidente da Comissão Executiva da instituição

bancária referiu ainda que “existem fortes possibilidades do Novo Banco Ásia ser vendido”. “Aparentemente a entidade supervisora europeia está a colocar como hipótese a venda, para que haja um esforço menor de capital numa altura em que o Novo Banco também está num processo de venda. Pelo que tenho lido, vai nesse sentido”, apontou José Morgado ao HM. “O projecto na China é sempre interessante e, pelo que sei, a actual administra-

4,7 milhões de patacas, lucros do Novo Banco Ásia em 2015

Visitantes chegam quase a meio milhão até ontem

SENTIDO ÚNICO

Em declarações à Lusa, fonte da PSP informou ontem que na quarta-feira, como já aconteceu em anos anteriores, foram implementadas medidas de controlo de multidões durante cerca de uma hora junto a dois pontos turísticos da cidade – a praça do Leal Senado, incluindo a Avenida de Almeida Ribeiro, e as Ruínas de São Paulo.

As mesmas medidas de “grau 1” voltaram a ser accionadas ao início da tarde de ontem, o que implica, por exemplo, a implementação de sentidos únicos para a circulação de peões nas ruas laterais e escadaria das Ruínas de São Paulo. A PSP indicou também que caso sejam accionadas as medidas de “grau 2”, à semelhança do ano passado, serão instaladas duas ambulâncias junto à praça do Leal Senado e Ruínas de São Paulo e o Centro deActividades Turísticas (na praça do Leal Senado) vai funcionar como centro provisório de socorro. Divididas em três graus, as medidas de controlo de pessoas

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

MICE ASSOCIAÇÃO RECEBE 73 MILHÕES DE PATACAS

Multidões sob controlo ao terminal marítimo do porto exterior e ao aeroporto. Em igual período foram registadas 399.725 saídas em todas as fronteiras de Macau.

ção do Novo Banco queria manter esta situação porque a considerava estratégica. Continuo a achar que o projecto asiático tem muito potencial e tanto no passado como no presente existem alguns interessados na aquisição do Novo Banco, por isso pode ser que o processo evolua”, rematou. Segundo o jornal Diário Económico, os principais bancos de Espanha, como é o caso do Santander, serão os principais interessados no segundo processo de aquisição do Novo Banco, incluindo o Banco Português de Investimento (BPI) e o seu accionista espanhol CaixaBank. O grupo chinês Fosun e a Apollo, gestora de fundos americana, e que já tinham participado na primeira tentativa de venda, poderão também estar na corrida para adquirir o Novo Banco.

são aplicadas nos dias de maior concentração de pessoas nas ruas de Macau, incluindo nas festividades do Ano Novo Lunar. Um total de 40 agentes foi destacado para reforçar a segurança nas ruas e nenhum incidente foi registado, segundo a PSP. A operação deverá estender-se à próxima quarta-feira, 17 de Fevereiro, o décimo dia do Ano Novo Lunar. LUSA/HM

O Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização concedeu um total de 73 milhões de patacas à Associação de Convenções e Exposições de Macau, um valor concedido no último trimestre de 2015. Os dados, publicados ontem em Boletim Oficial (BO), revelam que o dinheiro terá sido gasto na realização de três feiras dedicadas a automóveis, importação e exportação de iates e jactos executivos. A empresa de dados electrónicos Edi Van também foi uma das mais beneficiadas, tendo recebido 700 mil patacas. O Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização apoiou ainda financeiramente muitas associações e câmaras de comércio na instalação dos pavilhões na Feira Internacional de Macau.


9 CHINA

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T

RINTA e sete pessoas foram ontem presentes a tribunal em Hong Kong e acusadas individualmente de participação em motim, em conexão com os distúrbios registados na noite segunda-feira, informa a imprensa local. Um adolescente de 15 anos, que enfrenta a mesma acusação, deverá ser presente a um tribunal juvenil, segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). Entre os acusados está o porta-voz do grupo Hong Kong Indigenous, Edward Leung – apontado como candidato às eleições deste ano para o Conselho Legislativo (LegCo) - e Stephen Ku Bok-him, da revista dos alunos da Universidade de Hong Kong Undergrad. Derek Lam, um membro do movimento estudantil Scholarism – que esteve envolvido nos protestos pró-democracia em 2014 – integra também o grupo de acusados. A acusação requereu o adiamento dos casos para 7 de Abril para dar continuidade à investigação da polícia. O crime de que são acusados é punível com uma sentença de até 10 anos de prisão. Até quarta-feira, foram detidas 64 pessoas em conexão com os incidentes ocorridos na noite de segunda-feira na zona de em Mong Kok. Destes, foram acusados 35 homens e três mulheres com idades entre 15 e 70 anos. Os distúrbios, que escalaram de um protesto contra uma tentativa da polícia para dispersar vendedores ambulantes de comida, resultaram em 130 feridos, a maioria polícias, refere a RTHK. Seis pessoas continuavam na manhã de ontem internadas no hospital. O grupo ‘Scholarism’disse em comunicado que Derek Lam esteve apenas quatro horas em Mong Kok na noite de segunda-feira e que não participou nos confrontos violentos nem atacou os polícias. Segundo o Scholarism, agentes tentaram revistar a casa de Derek Lam sem um mandado do tribunal e que a revista não chegou a acontecer porque o seu advogado chegou rapidamente ao local.

AVISOS ESCOLARES

Taiwan Segurança na construção posta em causa

A HONG KONG INDICIA 37 PESSOAS DE MOTIM POR DISTÚRBIOS

Os acusados de Mong Kok pró-democracia de 2014, por considerarem que os movimentos pacíficos não conseguem mudanças. Também o deputado do Partido Democrático James To disse que prender pessoas não resolve nada e defendeu que é preciso analisar as razões pelas quais tantos jovens desenvolveram um profundo ódio à polícia e às autoridades. Já o deputado da Liga dos Sociais Democratas Leung Kwok-hung, conhecido por acções radicais dentro e fora do Conselho Legislativo, disse que as pessoas estão fartas de CY Leung, que descreveu como um tirano que não foi eleito pela população.

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número de anos de prisão que os acusados podem enfrentar caso sejam considerados culpados

Por sua vez, o deputado Tam Yiu-Chung, do partido pró-Pequim Aliança Democrática para a Melhoria e Progresso de Hong Kong (DAB, na sigla inglesa), apontou os protestos pró-democracia em 2014 como a razão da radicalização dos manifestantes. Para Tam Yiu-Chung, estes manifestantes estão cada vez mais arrojados nas suas acções, advertindo que este é um caminho perigoso, desencadeado por não terem sido punidos adequadamente.

SEM DESCULPAS

A acção da polícia também está sob escrutínio. Um jornalista do jornal em língua chinesa Ming Pao disse que foi espancado por agentes quando estava a tirar fotografias a um autocarro, apesar de ter gritado repetidamente que era repórter. Entretanto, o secretário para as Finanças do Governo de Hong Kong, John Tsang, disse acreditar que a violência foi incitada por um pequeno grupo de pessoas irracionais que queriam atacar a polícia. Também acrescentou que não é apropriado justificar as acções dos atacantes culpando o Governo de CY Leung por má governação, porque não há desculpas para a violência.

qualidade e segurança da construção de edifícios em Taiwan têm sido alvo de críticas após o sismo de sábado, que matou 55 pessoas, numa altura em que ainda decorrem operações de resgate e recuperação de corpos. O edifício Dragão Dourado (Weiguan Jinlong) foi a única torre a ruir totalmente devido ao sismo de magnitude 6,4 que atingiu a cidade de Tainan e onde se registaram a maioria das vítimas mortais. Mais de 80 residentes continuam soterrados entre os destroços, com a possibilidade de se encontrarem sobreviventes cada vez mais estreita. O Ministério Público apontou para a existência de “falhas” na construção, ao interrogar o construtor e dois associados, acusados de homicídio por negligência profissional. Familiares dos residentes do edifício disseram à AFP que tinham queixado de rachas nas paredes do prédio. Fotografias do local do desastre mostram latas vazias e espuma de poliestireno em pilares que deveriam ter sido enchidos com betão. Especialistas indicam que os cortes nos custos de construção têm vindo a degradar o sector em Taiwan. “Devido à competição, durante muito tempo, a indústria local de construção não tem sido

bem gerida”, disse Chern Jenn-chuan, professor de engenharia civil na Universidade Nacional de Taiwan.

MÁS VIBRAÇÕES

O caso do edifício veio aumentar o descontentamento da população, após uma série de desastres, desde escândalos de segurança alimentar a uma explosão num parque aquático que matou 15 pessoas. “A chamada concorrência em Taiwan é orientada para ser a todo o custo, por isso este tipo de situação não é de todo surpreendente”, pode ler-se numa publicação no popular fórum online PTT, após o colapso do edifício. “Recebem o dinheiro e depois já não é responsabilidade deles”, comentou outro usuário. O Ministério Público afirma que o prédio tinha poucas barras de reforço em aço, indicando ainda que o construtor terá pedido uma licença de construção emprestada para aquele projecto. Engenheiros a apoiar as operações de resgate indicaram também que algumas paredes foram demolidas no rés-do-chão, onde estava uma loja de produtos electrónicos. “Tudo indica que neste caso houve, de facto, falhas na construção do edifício”, afirmou o tribunal em comunicado, na quarta-feira. TIAGO ALÂNTARA

Em declarações ontem à RTHK, o líder do Scholarism, Joshua Wong, advertiu que Hong Kong pode testemunhar mais incidentes como os motins de Mong Kok, se a abordagem do Governo liderado por Leung Chun-ying, também conhecido por CY Leung, não mudar. Wong disse que vários partidos políticos e amplos sectores da sociedade condenaram a violência, mas que o Governo deve aceitar a responsabilidade pela divisão social que existe. Segundo Wong, alguns activistas radicalizaram-se após os protestos

Ondas de choque


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Arte JOSÉ DRUMMOND E PENG YU EM TERRAS GERMÂNICAS

Um encontro de almas predestinadas a estarem juntas é o tema da exposição de vídeo-arte que José Drummond e Peng Yun desenvolveram e vão inaugurar em Berlim já amanhã. No dia 20, os artistas seguem para a vizinha Áustria, onde dão uma palestra e apresentam trabalhos para o Festival de Vídeo Arte do Danúbio

Encontro de almas O projecto alerta para algum tipo de força predestinada que une as pessoas mesmo que estejam distantes e onde cada identidade individual é uma contribuição para um objecto que existe entre lugares, como garantem José e Yun.

IDENTIDADES

A

inspiração para o novo projecto de José Drummond e Peng Yun perpassa pelo antigo ditado chinês “embora nascido a mil li de distância, as almas que são uma vão encontrar-se” e é esse o tema da exposição de vídeo-arte que os artistas vão inaugurar em Berlim já amanhã. O projecto alerta para algum tipo de força predestinada que une as pessoas mesmo que estejam distantes. A configuração deste reencontro traz um nível perturbador, embora criativo, existencial, onde o ponto de encontro predestinado é alcançado através de uma perspectiva nómada. Segundo os artistas, ela pressupõe que uma, ou ambas as “almas”,

devam viajar para um determinado ponto para assim se realizarem. Em declarações à imprensa, o par declara ainda que “este conceito de unicidade das almas concorre com a ideia de alma gémea que tem a sua origem no ‘Simpósio’ de Platão”. Nas imagens, “a ideia de quatro braços, quatro pernas e uma única cabeça feita

de duas faces leva um valor interessante quando aplicado ao conceito de dois artistas trabalhando em conjunto para o mesmo objecto, o mesmo objectivo”. Uma reflexão sobre um caso específico de artistas que “embora nascidos separados por mais de mil li” reúnem-se num novo lugar como “almas que são uma”, trabalhando em conjunto

Peng Yun nasceu na província de Sichuan, na China, e é bacharel do Departamento de Pintura a Óleo da Academia de Belas Artes de Sichuan, tendo ainda um mestrado em Belas Artes conferido pelo Departamento de Novos Média da Academia de Artes da China. O seu trabalho incide especialmente em imagens em movimento, fotografia e instalação tal como o de José Drummond. Nascido em Lisboa, este residente de Macau estudou pintura e cenografia sob orientação do professor Pedro Morais e possui um mestrado do Instituto Transart. O par conheceu-se em Macau em 2010 e, em 2015, decidiram começar a trabalhar juntos em projectos relevantes. No dia 20, os artistas seguem para a Áustria, onde dão uma palestra e apresentam trabalhos para o Festival de Vídeo Arte do Danúbio.

“CARTAS DA GUERRA”, DE IVO FERREIRA, PROCURAM URSO EM BERLIM

I

VO M. Ferreira, realizador de Macau, partiu ontem para a Alemanha, onde concorre com a sua terceira longa-metragem na Competição Oficial da 66ª Edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim. Na competição para o Urso de Ouro para Melhor Filme, “Cartas da Guerra” é uma adaptação

EVENTOS

do livro “D’Este Viver Aqui Neste Papel Descripto, Cartas da Guerra de António Lobo Antunes”. O filme reporta-se ao ano de 1971 quando António Lobo Antunes servia como médico no exército português durante a Guerra do Ultramar numa das piores zonas da guerra colonial – o Leste de Angola. Longe

de tudo que ama, escreve cartas à mulher à medida que se afunda num cenário de crescente violência. Enquanto percorre diversos aquartelamentos, apaixona-se por África e amadurece politicamente. Na incerteza dos acontecimentos de guerra, apenas as cartas o podem fazer sobreviver.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA AMERICANA • Don DeLillo

Aos 28 anos, David Bell é o sonho americano tornado realidade. Lutou para chegar ao topo, sobreviveu às purgas do escritório e aos escândalos para se tornar num executivo televisivo. O mundo de David é feito de imagens que surgem nos ecrãs americanos, das fantasias que encantam a imaginação da América. E depois o sonho - e a fabricação do sonho - tornam-se pesadelo. No ponto mais alto do seu sucesso, David propõe-se a redescobrir a realidade. Com uma câmara nas mãos, viajar por todo o país numa tentativa louca e comovente de capturar, impor, um ideal para si e para o passado, presente e futuro da América.

O argumento é de Ivo M. Ferreira e Edgar Medina, sendo que Miguel Nunes interpreta a personagem de António e Margarida Vila-Nova o da sua mulher, Maria José. Do elenco fazem ainda parte Ricardo Pereira, João Pedro Vaz, Simão Cayatte e Isac Graça, entre outros. O Festival começou ontem e vai até 21 de Fevereiro.

RUI RASQUINHO ILUSTRA ROTA DAS LETRAS

Tem sido normalmente entregue aos ilustradores André Carrilho e João Fazenda mas este ano coube a Rui Rasquinho, ilustrador local, produzir a imagem do V Festival Literário de Macau Rota das Letras. Segundo o artista, “o conceito baseia-se no tema do festival deste ano e por isso pega em Camilo Pessanha e Tang Xianzu (e respectiva iconografia) e coloca-os numa espécie de panteão literário, um espaço de fantasia, uma ‘depuração mística’ de Macau, habitado por dois universos que partilham um mesmo local de inspiração”. Rasquinho frequentou o curso de Pintura da Universidade de Belas Artes do Porto e Animação em Cinema, publicando ilustrações e banda desenhada desde a década de 90. Simultaneamente, tem vindo a expor várias pinturas, desenhos e instalações de vídeo. As suas criações são regularmente exibidas em exposições a solo e de grupo. O Festival Literário de Macau acontece em Macau de 5 a 19 de Março.

MÚSICA VERMELHO VALENTIM NO PACHÁ

O colectivo de DJs locais da Macau Dance Music Association (MDMA) volta à carga no Pachá este sábado para celebrar o dia de São Valentim. Pedindo às pessoas que vão vestidas de vermelho para que a noite seja inesquecível, os artistas trazem “Taste of Love”. O evento apresenta a DJ Jo.D, de Hong Kong, e os locais DJ D-Hoo, DJ Loc e DJ Sérgio Rola. A entrada custa 200 patacas e a festa tem início às 22h00.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

O MAPA E O TERRITÓRIO • Michel Houellebecq

Se a história deste romance nos fosse contada por Jed Martin, talvez ele começasse por falar da avaria da caldeira do seu apartamento, num dia 15 de Dezembro. Ou dos solitários Natais passados com o pai, um arquitecto famoso que sonha construir cidades fantásticas mas ganha a vida a projectar resorts de férias. Talvez não falasse do suicídio da mãe quando tinha apenas sete anos, porque são muito ténues as recordações que dela guarda. Mas mencionaria certamente Olga, uma lindíssima russa, que conheceu por ocasião da primeira exposição do seu trabalho fotográfico baseado nos mapas de estradas Michelin.


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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macaco PREVISÕES PARA OS SIGNOS DO ANO DO

O simbolismo e as características de cada um destes animais representam o carácter e o comportamento correspondente às pessoas nascidas num dos doze signos do zodíaco chinês. Este trabalho foi baseado nas previsões de Li Ju Ming (Lei Koi Man em cantonense) e do que delas entendi novos conhecimentos. Num degrau inferior poderá conquistar o mundo, mas se colocar a fasquia elevada pode perder tudo.

O

Dinheiro: Ano para pesquisar e para manter o que tem. Procure uma nova ideia, pois só dela poderá fazer dinheiro. Divirta-se com a paixão, mas não se atire de cabeça.

MACACO

Tai Sui (Deus de cada um dos 60 anos do ciclo) que rege o ano lunar de 2016 é o Capitão Guan Zhong, que traz muitas e grandes ondas, significando mudança e por isso, é ano para mudar de emprego, terminar com o antigo trabalho e começar um novo, emigrar ou trocar de casa. Todas estas mudanças são boas para serem realizadas neste ano do seu signo. Carreira: Este ano não tem direcção e sem estrela da sorte para o ajudar, só poderá contar consigo mesmo, pois não terá apoio de ninguém. Com a sua normal grande inteligência e confiança, que ao seu modo tudo faz, vai-se sentir rodeado de inimigos, mas se mantiver a calma conseguirá resultados bem melhores do que poderia esperar. Amor: Nada espere e não fique desapontado. Se não é casado/a, mas tem namorado/a, pode ocorrer uma grande discussão e haver a separação. Se é casado/a evite discussões, mesmo pequenas que sejam, pois irão culminar em divórcio. Saúde: Este ano, o seu maior inimigo é você mesmo. Deve manter-se relaxado. Muito cuidado com os acidentes, mesmo quando caminha tenha atenção para não cair. Dinheiro: É um ano para não pensar em realizar dinheiro, mas sim em viagens. Estude para adquirir

C

GALO

omo no ano passado o único conselho para os nativos de Galo era trabalhar muito, este ano vem já cansado e não terá nenhuma estrela da sorte a ajudar. Carreira: Os nativos de Galo vão estar este ano em confronto com mudanças, e este é o seu ponto fraco. Perderá o lugar de controlo. Encontra-se numa encruzilhada e não sabe se deve seguir em frente, ou recuar. Por isso, o nativo deste signo deverá criar uma nova ideia, ou produto, que lhe dê a solução para se desembaraçar dessa encruzilhada. Amor: Cuidado com as relações, pois é um ano de flor de pessegueiro não importa onde esteja, terá sempre à perna os/as amantes e por isso, para as pessoas casadas, quantas mais relações, mais trabalhos. A franqueza é o modo para manter o seu casamento e para as pessoas solteiras, mesmo tendo um grande número de amantes, nenhum é a pessoa correcta para si. Logo não é ano para se casar. Saúde: Problemas depressivos espreitam, sobretudo para os nativos nascidos no Outono e no Inverno. Poderão aparecer problemas relacionados com sangue e ataque de coração. Em Maio e Agosto, cuidado para não fracturar nenhum osso.

E

CÃO

ste ano os nativos deste signo perdem o grande suporte e terão que fazer tudo por si próprios. Terá que se defender no seu território e não poderá sair para fora desse seu espaço para atacar. Contará a estrela da sorte YiMa que representa mudança, emigrar, ou ir estudar para fora, trocar de casa ou viajar. Carreira: Como não terá suporte de ninguém, terá que se desenvencilhar sozinho, sentir-se-á cansado tanto fisicamente como na mente. Será inteligência ir estudar línguas e arte, improvisando o seu talento. Deverá aceitar tudo o que vem, sem reagir, interiorizando e acalmando os seus primeiros instintos. Absorvendo, conseguirá perceber as razões de eles existirem. Por causa da estrela TianGou, é fácil criar conflitos e não terá boas relações com as pessoas e no mais grave, poderá mesmo chegar a tribunal, ou ser roubado todo o recheio da sua casa. Ambos, Saúde e Riqueza, serão influenciados por esta estrela. Amor: Como estará sobre a influência da estrela Yi Ma, mudança, ao viajar, emigrar e estando no estrangeiro, encontrará aí um/a namorado/a, mas sem a estrela da flor do pessegueiro, este amor é de curta duração. Deverá controlar-se pois quanto mais forte for a paixão,


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José Simões Morais

mais profundo será o ódio quando terminar a relação e perder-se-á. Para os casados, é um ano propenso a se divorciar e de sofrimento. Não importa que tipo de amizade tem, familiar, entre amigos, ou amantes, a relação emotiva sofrerá. Saúde: Não apenas terá que tomar cuidado com a sua saúde física, mas também com o seu ânimo, já que se sentirá deprimido. Especialmente os nativos de Cão nascidos no Verão terão que ter muito cuidado com AVC’s. Abril será um mês perigoso para todos os nativos de Cão em questão de saúde. Dinheiro: Não é ano para ganhar dinheiro na sua forma normal, mas pode poupar pelo caminho do silêncio e revolucionar-se a si mesmo.

N

PORCO

o ano passado ganhou a Força e este ano continuará a conquistá-la. No entanto, pequenas pontos negros ainda lhe vão ser apontadas pelo exterior, já que este ano, os nativos de porco são prejudicados pelo Hoi Tai Sui. Tal se deve ao porco não ser um animal que combine com o macaco e por isso, vai ter muita gente contra si. Amigos que o vão tentar prejudicar, fazendo-lhe mal e terá outro poder exterior como inimigo a combatê-lo. Mas estando sobre protecção de três estrelas da sorte, vai ter um ano muito bom, sendo o signo do Porco um dos quatro mais bafejados do ano. Carreira: Com três estrelas da sorte, duas delas, Tian De (天德) e Fu Xin福星, estrelas protectoras que lhe limparão o caminho e a estrela criativa Tian Yi Gui Ren, (天乙贵人), coloca-o com muita e boa energia, o que levará a ter confiança para encarar todos os seus interesses, desejos e vontades emocionais e de carreira. Tudo terá bom desenvolvimento, logo auspicioso ano para usar da sua imaginação e criatividade. Siga caminhando pois tal trará frutos. Mas lembre-se estar sobre influência também de três más estrelas, por isso deve ter muito cuidado com as relações de amizade e não se coloque por si mesmo em maus lençóis. Amor: Com a estrela da sorte Tian De, o nativo poderá casar e ter filhos, apesar do ano não ter Festa da Primavera e por tal levaria a não ter descendência. Para os casados, tenha cuidado com a outra parte de si, quando mais próximos menos vemos. Ponha mais coração na sua relação e assim conseguirá um ano harmonioso. Ano para cuidar da família. Saúde: Será um ano perigoso, pois haverá propensão a acidentes e cirurgias. Os nativos de Porco nascidos nos anos de 1935, 1971, 1995, têm propensão a que facas o cortem. Por isso, evite todas as operações perigosas e actividades radicais. Maio e Setembro são os meses perigosos, cuidado com as mãos, pés e acidentes de trânsito. Dinheiro: Um bom ano monetário devido a ser fácil consegui-lo e pode ser promovido devido à ajuda das estrelas da sorte. Ano para planear os próximos na questão monetária. Lembre-se que facilmente arranja discussões e por isso, deverá acalmar-se e conseguir manter a sua esta-

bilidade emocional controlada. Discutir, rouba-lhe a sua energia da sorte. Evite euforias, que levarão ao seu extremo. Ser moderado é o mais inteligente, siga o caminho do meio e não leve a sua acção até ao extremo.

O

RATO

s nativos do signo Rato combinam bem com os de Macaco, por isso a sua relação com as pessoas será melhor do que no ano transacto. Só terá uma estrela da sorte para o ajudar e tê-la, pouco poderá ajudar. Mesmo que tenha muitos planos, não terá ajuda dos outros e é como, um rato tentar mover uma tartaruga. Carreira: Como é um ano sem fortuna, a sua carreira não melhorará e sendo assim, trate de promover as suas relações sociais. Pelas boas relações com os nativos de Búfalo, Dragão e Macaco, deverá com eles conviver mais e deles encontrar boas ideias para investir no futuro. Mas este ano, terá uma das mais fortes más estrelas, a Tigre Branco, por isso facilmente sofre acidentes e problemas emocionais. Para os homens nativos de Rato, cuidado pois as mulheres poderão colocá-lo em graves situações, logo problemas. Amor: Ano de paixões para os nativos de Rato, mas só lhe trará problemas e mesmo para os solteiros, os/as amantes criam-lhe muitas ondas, discussões e problemas. Pode gostar, mas não colha, especialmente para os homens, não esqueça que este ano está sobre a influência do Tigre Branco. Saúde: Propiciado pela estrela da pouca sorte, facilmente se encontra envolvido numa grande discussão e mesmo numa luta física de confrontação. Se está grávida, cuidado com o bebé que transporta. Agosto é um mês perigoso. Nascidos no Outono e Inverno evitem todas as actividades aquáticas. Novembro, melhor fazer análises e um body check. Dinheiro: Este ano não há maneira de conseguir mais, por isso tente conseguir conservar o que tem. Melhor aproveitar as suas relações sociais para preparar o próximo ano. Paz é o ouro para os nativos.

N

BÚFALO

o ano anterior tudo foi mau, mas para este ano a palavra é Ganhar. Com três súper estrelas da sorte a proteger, para este ano o melhor signo é Búfalo. A estrela da sorte Zi Wei Long De, que representa conquistar poder e ser promovido, é muito bom para a carreira. Outra súper estrela da sorte Tian Xi é propícia para o casamento e na boa relação com todas as pessoas. Carreira: Como ano de sorte, os nativos deverão mudar de comportamento e abrir o coração, colocando

toda a energia para aceitar a boa mudança e com trabalho árduo consegue atingir um posto importante. A riqueza segue-o, por isso só necessita é colocar gasolina e siga em frente. Mas como tem também duas estrelas de pouca sorte, alguns desastres poderão ocorrer, sem haver forma de os evitar. Lembre-se quanto mais elevada for a sua posição, mais tensão encontrará; mas com a sua normal paciência consegue atingir a única palavra para este ano, Ganhar. Amor: Um grande ano de flores de pessegueiro, que serão de boa energia. Ano para se casar. Se estiver casado/a, faça uma segunda lua-de-mel. Para os não casados, este é o momento para encontrar a sua cara-metade pois, se não o fizer, só daqui a doze anos terá uma tão boa oportunidade, sendo os melhores meses para o fazer, Fevereiro, Junho, Agosto. Saúde: Cuidado com os acidentes de trânsito. Nascidos em 1985, 1973 e 1961 cuidado com problemas de sangue (cortar ou operações). Não pratique actividades perigosas. Como vai ter que trabalhar muito, intercambie com momentos de relaxamento. Dinheiro: Ano de mudança total. Se o fizer, o dinheiro segue-o. Terá várias maneiras de as realizar e em todas elas, com bons resultados. Por isso, este ano não é para ficar sentado à espera da boa sorte, mas coloque-se em movimento e entregue-se cem por cento em tudo o que faz.

M

TIGRE

acaco e Tigre são o oposto, logo não conciliáveis, por isso, o inevitável confronto, sendo para os nativos de Tigre este ano o de colidir Chong Tai Sui. Toda a sua vida se vai transformar, devendo os nativos a cada passo ter muito cuidado, mas como este ano tem várias estrelas da sorte a ajudar, significa que, após as vagas, tudo ficará melhor, mais tranquilo. Carreira: Com três estrelas da sorte a ajudar a carreira, poderá resolver um por um os problemas sem receio, pois continuará a controlar todas as coisas pelo seu poder. Ajudado pelas boas estrelas, consegue convencer os outros pelo falar e solucionar os problemas. Um bom ano para a sua carreira. Amor: Com toda a atenção virada para a carreira, não tem tempo para se dedicar às paixões que rapidamente aparecerem, mas também com a mesma velocidade desaparecem. Não vai encontrar este ano a pessoa indicada para casar. Saúde: Como é o ano Chong Tai Sui é fácil ter um acidente de trânsito e ser levado a Tribunal, sendo entre as três e cinco da tarde de cada dia o período mais perigoso. Assim no início do ano deve ir ao templo pedir protecção aos deuses, acção conhecida por Fa Tai Sui (Fa = solucionar o problema) Dinheiro: Estando a carreira em boa onda, o dinheiro vem, mas este ano terá a má estrela Tai Hou, que significa perder dinheiro, por isso se pensa fazer algum Continua na página seguinte


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h

investimento esteja muito atento. É um ano que precisará de trabalhar muito para ganhar algum dinheiro mas, mesmo sem ganhar dinheiro, ganhará conhecimento e experiência.

É

COELHO

nativo de um dos quatro melhores signos do ano. Tudo vai ser fácil e continuará com a sorte do ano anterior. Tem três boas estrelas a ajudar e proteger. Carreira: Não precisa de se preocupar com nada, é seguir o caminhar e viver a vida, que tudo está nos carris. Amor: Espera-se uma boa relação. Para os não casados poderá encontrar a pessoa indicada, qual peixe entrando dentro da água, sendo o mês de Dezembro o melhor período. As suas amizades poderão ajudá-lo a desenvolver outros projectos de carreira. Saúde: Tenha cuidado pois os antigos problemas de saúde querem regressar. Os nascidos no Outono e Inverno devem cuidar dos pés e mãos, rins e intestinos. Os nascidos em 1951 e 1975, haverá probabilidade de ter problemas de faca, cortes, de um dedo ou operações cirúrgicas. Maio é o pior mês para os nativos de Coelho. Dinheiro: Terá uma boa receita este ano, mas vai ter muitos encargos, por isso difícil em amealhar dinheiro. Assim, tal como rapidamente recebe, também o gasta e a saúde é um dos problemas que poderão surgir e levar a essas despesas. É melhor no início do ano fazer análises e um Body Check.

É

Saúde: Como trabalhará muito e estará sobre grande pressão, deve balançar o tempo entre trabalho e recreio. Nascidos no Outono e Inverno deverão ter cuidado com os acidentes de trânsito. Dinheiro: Como este ano é para atingir uma nova plataforma na sua vida, e o que preparar agora, não importa o que está a ganhar, prosseguirá com frutos.

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SERPENTE

oderá encontrar um bom companheiro para negócios e no amor, mas a seguir vai entrar em conflito. Se ganha algo, perde também algo, por isso é um ano mediano. Importante para os nativos são as três estrelas da sorte: Tian Chu (a cozinha do Céu), que permite saborear boa comida e as outras duas são Lu Shen e Tian Guan. Carreira: Sem estrela de suporte, mas sendo os nativos de serpente inteligentes, não importa a situação, pois conseguem olhar de frente e resolver os problemas. Apenas ter cuidado para não discutir com os outros, pois pode perder os seus projectos e também trazer problemas, que serão apenas resolvidos no Tribunal. Entre as ondas vislumbrará novas esperanças. Amor: É um ano cujos nativos de Serpente ficarão mais encantadores aos olhos dos que neles reparam. É altura dos solteiros encontrarem a pessoa certa e para os casados, fazer uma segunda lua-de-mel, ou ter um filho. Saúde: Encontra-se sobre a influência de três estrelas de má sorte, por isso muito cuidado para não ter acidentes. Nativos nascidos no Outono e Inverno tenham atenção aos problemas de sangue, útero e bexiga. Para os nascidos em 1941, 1965, 1989 deverão ir ao templo pedir protecção aos deuses pois é um ano perigoso. Dinheiro: O ordenado é normal e está estável. Faça o que quiser.

DRAGÃO

ano do Dragão Voador, por este signo combinar bem com o do Macaco. A palavra do ano é Cooperar. Terá a estrela da sorte San Tai e por isso o suporte para atingir elevadas notas nos exames, ou tornar-se famoso e com poder, atingindo um outro novo nível mais elevado e criar o seu próprio espaço. Carreira: Vai ter muitas hipóteses, mas sentir-se-á sem grande confiança. Por isso, só poderá aventurar-se a voar mais longe e mais alto, após planear muito bem para manter sobre controlo todas as coisas. Com esse trabalho de casa feito, nesse espaço finito pode criar o infinito. As mudanças como vagas, uma a seguir à outra, trazem inveja e sentirá setas espetadas nas costas. Para confrontar-se com tudo isto, os nativos de Dragão terão de usar talento. Amor: Não encontrará a sua cara-metade este ano, por isso não coloque grandes anseios nesse desígnio. Para os casados, há muitas hipóteses de aparecerem amantes, mas o melhor é evitar ter.

O

CAVALO

desenvolvimento que os nativos tiveram no ano transacto abranda este ano e falar muito traz problemas. Ano também de mudança pois, pela influência da Estrela YiMa, há hipótese de ter que sair, talvez emigrar, ou ir estudar para fora, ou mudar de casa. Assim pela mudança de vida, ou no trabalho, os nativos podem sentir-se cansados e não recompensados pelo trabalho que fazem. Carreira: Não coloque desejos como vontades; mantenha o que tem, que já não é mau. O melhor é entender o que lhe interessa e o que gostaria de aprender e meter-se ao estudo para se recompensar da falta de perspectivas no trabalho. Ou escolha fazer mais viagens e evite fortemen-

te discussões. Se tiver uma decisão errada este ano, irá arrepender-se para o resto da sua vida. Amor: Tem a estrela GuChen que representa estar sozinho/a. Os solteiros vão sentir-se contentes quando sozinhos, mas para os casados esse ficar só pode criar no seu companheiro a designada guerra fria e de costas voltadas, as situações extremarem-se e haver a separação. Por isso, deverá ter muita paciência e agudeza de espírito para acalmar a situação. Saúde: Este ano, quando sair ou guiar carro, muito cuidado com os acidentes, ande sempre prevenido e coloque atenção ao que faz e aos outros. Os nativos de 1930, 1966 e 2002, são este ano os que mais propensos estão aos perigos. Os nascidos em 1966, pois irão atingir os 50 anos, não devem cair em depressão e para isso, deitem fora as más energias e realize uma grande festa de aniversário. Dinheiro: Faça o que tiver que fazer, não questione quanto vai receber. O dinheiro não lhe vai trazer alegria e saúde, sendo as boas relações familiares os seus melhores tesouros.

O

CABRA

s nativos deste signo, como no ano passado trabalharam muito nos seus projectos, tal esforço este ano singra e desenvolve-se em boa direcção, tanto na Carreira, como no Amor e Riquezas. Um dos quatro bafejados signos deste ano. Uma boa estrela protege-o. Carreira: O Sol (Tai Yang), como a grande estrela, ajudá-lo-á em todas as formas e relações com as pessoas, como se alguém maior estivesse a puxar para cima. Ano que poderá realizar os seus sonhos e criar uma carreira; é um verdadeiro vencedor. Amor: Bom ano para se casar. Os nativos singulares, em Fevereiro, Agosto e Dezembro, têm meses propícios para realizar os seus desejos em encontrar o parceiro, por isso, não perca essa grande oportunidade. Se já tem namorada/o, é um bom ano para casar. Se é casado não tente ir buscar paixões fora do casamento, o que lhe reduziria a boa sorte. Saúde: Não se coloque sob pressão no trabalho. Os nascidos em 1931, 1955, 1991, devem ter cuidado com os acidentes, por isso evite actividades perigosas. Dinheiro: Este ano ficará na sua memória para toda a vida como o mais importante na página do dinheiro. Já mencionado no início, é um dos quatro signos favorecidos do ano. É um Vencedor. Um bom ano de 2016. Boa saúde.

PS: Neste texto, as palavras quando são empregues para ambos os géneros vão pelo masculino, já que este representa esse todo que, para além de ignição é a inicial Luz Solar. É o Espaço versus formas, qual Homem a representar todos os Seres Humanos e não serem apenas homem e por isso a mulher também terá de ser mencionada. É como o dia, ele há o de 24 horas e o dia versus noite, que também está integrada no dia.


15 hoje macau sexta-feira 12.2.2016

A culpa e o macaco E

Carlos Morais José

assim entrou o ano do Macaco, saltando de liana em liana, com o destempero que se lhe reconhece. Ano de macacadas, de simiescas caretas e roletas do azar a girar sem descanso, é isso que Macau deseja ou, sinceramente, espera. Que volte a excessiva fortuna, a do facilitismo, a mesma que vai sempre para os mesmos e nunca para os outros. A fortuna que caía desse céu a que chamam corrupção e que foi uma excelente casca de banana para ver escorregar os poderosos que nela depositaram as suas apostas. Aqui temos pois o perigoso Macaco de Fogo, animal-rei na mitologia chinesa, capaz destas e demais magias, senhor das artes e dos mistérios. Nosso primo direitíssimo, desde Darwin; parte constitutiva do Homem, na “Peregrinação ao Oeste”, o macaco incomoda, chateia e assusta. Talvez pela sua proximidade na cadeia evolutiva e por nos lembrar a desagradável realidade de sermos mesmo animais. E, atendendo às últimas décadas, cada vez menos racionais, sobretudo enquanto espécie. Certo é que aqui por Macau todos têm a certeza de que cada macaco continuará no seu galho, que isto de igualdades é muito bonito mas é lá no continente. Aqui na RAEM, mandam os que cá estão, espera o macaco folião do ramo dourado. Quanto à primalhada que por aí anda, que se amanhe e coma cascas que as bananas estão pela hora da sorte. Ou seja, é só de vez em quando. Já se viu, ainda agora quando do chumbo da Lei Sindical, que a RAEM é uma árvore muito complicada: os macacos de cima tudo fazem para não deixar trepar os macacos de baixo, sem perceberem que na selva agora prima outra lei. Enfim, os macacos de cima têm um legítimo medo de brincadeiras pois sabem que foi a brincar, a brincar, que o macaco tomou liberdades desajustadas ao normal fluir da vida em família e sociedade. Quer essa macacada que para aí anda ter direitos?! Isso é que era bom: isto não é uma república das bananas! Aqui mandam os mandões e os outros são seres da margem, que andam à volta da mesa farta, em ânsia de migalhas. As

macacas também não julguem põem a pata em ramo verde que a coisa não está para modernices. “Se os deixassem, acabávamos todos como os bonobos, numa rebaldaria daquelas que são tão antigas que já ninguém se lembra”, revelam os macacos de bem, em tom professoral. E o bando aquiesce, envergonhado da ousadia que vai contra a harmonia. * Rimemos pois ficarão as vacas, depois de se irem os bois: Cuidado, contudo, cuidado, que o macaco não é de confiança. Por vezes diz que canta mas, afinal, dança. Doutras diz que é adulto, portando-se como criança. É assim a macacagem: confunde estupidez com coragem e casino com lavagem. Nada que nos afecte ou mesmo que nos inquiete. Que nos tire o caro pão ou cause aflição. Não. O macaco é boa gente, assim como nós, e também mente. Se o faz de boca cheia ou ainda por encher, tudo depende do ramo no qual o deixam viver. Que isto de trabalhar não é bem para o macaco: no fim, olha pró bolso e sobra... o cheiro a sovaco. Pobre animal que tanto sofre nesta terra desleixada. Cada vez tem menos ruas para fugir da manada. E pensa com os seus botões, ao gente aos borbotões: “vou mas é ficar em casa, resta-me essa prenda”, esquecendo não ter chavo, nem para pagar a renda. Queres fiado, meu amigo?, pergunta-lhe o senhorio. Por aqui disso não há: vai dormir ao pé do rio. Em Macau manda o mercado, quando isso é avisado: se é caso de milhões, vai tudo prós macacões; quando alguém trabalha bravo, paga-lhe com um avo. E não diga de onde vem ou p’ra onde se desloca, se quiser sobreviver, macaco faça de foca. Mas deixemo-nos de macacadas, de caretas para a geral. Viva, senhor animal, subi presto estas escadas, entrai nesta pobre casa que é vossa por um ano, pois que não é desumano de andar com grão na asa. E se lá para as calendas, ao invés de mais prebendas, já se vir o fundo ao saco, não faz mal, caros doutores, guardai os vossos temores: a culpa foi do macaco.


16 (F)UTILIDADES TEMPO

hoje macau sexta-feira 12.2.2016

C H U VA

?

FRACA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

MIN

17

MAX

20

HUM

80-99%

EURO

9.10

BAHT

Amanhã MDMA APRESENTA “TASTE OF LOVE” CELEBRAÇÃO DO DIA DE SÃO VALENTIM CÓDIGO DE INDUMENTÁRIA: VERMELHO, 22:00 – 05:00 200 patacas

O CARTOON STEPH

SUDOKU

DE

Diariamente EXPOSIÇÃO “UM SÉCULO DE ARTE AUSTRÍACA” (ATÉ 3/04) Museu de Arte de Macau Entrada livre EXPOSIÇÃO “MANUEL CARGALEIRO” (ATÉ 3/03) Casa Garden Entrada livre HISTÓRIA NAVAL (ATÉ 9/04) Arquivo Histórico de Macau Entrada livre

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 26

EXPOSIÇÃO “CAIXA DE MÚSICA” (ATÉ 3/04) Museu da Transferência Entrada a cinco patacas “LONGRUN”, DO GRUPO DE TEATRO HUI KOK KUN Edifício do Antigo Tribunal, 20h00 Bilhetes a 150 patacas

Cineteatro

C I N E M A

THE GOOD DINOSAUR SALA 1

ALVIN AND THE CHIPMUNKS: ROAD CHIP [A] FALADO EM CANTONÊS Filme de: Walt Becker 14.00, 17.30, 19.30

MERMAID

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Stephen Chow Com: Deng Chao, Show Lo, Zhang Yu Qi Jelly Lin 14.45, 21.30, 23.30 SALA 2

FROM VEGAS TO MACAU III [B] FALADO EM CANTONÊS

1.22

DA FALTA DE OPINIÃO PÚBLICA

BUGSHOW AO VIVO Hard Rock Café, 21:45H – 00:45H Entrada livre

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA COM CHONG HOI E SIMPÓSIO COM FRANK LEI Macau Design Centre, 14:30 Entrada livre

YUAN

AQUI HÁ GATO

MACAU INTERNATIONAL CONFERENCE CONFERÊNCIA SOBRE HARDWARE DE COMPUTADORES E INDÚSTRIA DE SOFTWARE Sheraton Macau Hotel, 09:30 400 patacas

Domingo

0.22

PROBLEMA 27

UM FILME HOJE

Estar em Macau é estar num sítio onde todos comentam qualquer coisa mas onde, no fundo, no fundo, as pessoas não gostam de expressar a sua opinião sobre vários assuntos. Vir para o jornal falar de política ou dizer mal de Chui Sai On pode não parecer bem, mas falar do affair da vizinha pode ser. Eu sou um gato que está numa redacção e canso-me de ouvir os meus colegas jornalistas a queixarem-se que ninguém quer falar. Nem uma alma para a amostra? Mas quais os temas assim tão perigosos? Podem ser muitos, muitos, que não caberiam nesta pequena crónica. Em Macau há uma ausência profunda de opinião pública e de participação cívica que nos devia deixar a todos preocupados. Não bastam consultas públicas, não bastam os inquéritos das associações. Respondem-se a umas perguntas pré-elaboradas e pronto, parece estar ali uma opinião. Algo está mal quando tudo está bem, algo se passa quando tudo está tranquilo e parece não haver notícias. Oculta-se, esconde-se, não se fala. Em Hong Kong a sociedade tem mais opinião? Tem. Revolta-se mais? Sem dúvida. Macau, na sua onda de harmonia, pode falar mais, de outras formas. Porque o sistema nem sempre serve a todos, talvez em Macau mais vozes se façam ouvir. Pu Yi

“DEADPOOL” (TIN MILLER, 2016)

Grande novidade para os fãs do Universo Marvel: outro herói chega no Ano Novo Lunar. Conhecido como Deadpool, era um mercenário de nome Wade Wilson, que aceitou ser sujeito a uma sinistra experiência científica por padecer de cancro. Depois da operação, Deadpool descobre que tem uma capacidade de regeneração única, como mais ninguém, e começa a sua saga de vingança face aos inimigos e a sua vida de herói. Só que o processo de vingança é recheado de humor. Tomás Chio

LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Andrew Lau, Wong Jing Com: Chow Yun Fat, Andy Lau, Nick Cheung, Jacky Cheung 14.30, 16.30, 19.30, 21.30, 23.30 SALA 3

THE GOOD DINOSAUR [A] FALADO EM CANTONÊS Filme de: Peter Sohn 14.30,16.30, 19.15

THE MONKEY KING 2 [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Pou-Soi Cheang Com: Li Gong, Aaron Kwok, Shaofeng Feng 21.15, 23.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Tomás Chio Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


17 hoje macau sexta-feira 12.2.2016

contramão

ISABEL CASTRO

1. Primeiro foi o troço das antigas muralhas, vandalizado por quem acha que pode fazer o que lhe apetece, onde lhe apetece, quando lhe apetece. Depois foi a Casa de Lou Kao, que levou com uma parede em cima que não lhe pertence, por causa de obras que – dispensa-se o relatório preliminar e também não é preciso esperar por conclusões finais – são feitas às três pancadas, como quase tudo o que diz respeito à construção em Macau. E agora o templo de A-Ma. Um incêndio com causas desconhecidas, em plenas comemorações do ano novo chinês. O património não anda com sorte. Um incêndio de madrugada, de origem incerta. O Instituto Cultural já veio garantir que foi feita, há pouco tempo, uma inspecção ao local, espaço de peregrinação de centenas (milhares?) de pessoas durante estes dias. À hora a que escrevo, presume-se que se tenha tratado de um curto-circuito, uma daquelas coisas de que ninguém tem culpa – ou às tantas tem. Mas não interessa a culpa: já se sabe que por aqui morre quase sempre solteira e, quando contrai matrimónio, por norma fá-lo com o cônjuge mais fraco que poderia arranjar. O que importa é pensar no que se anda a fazer, no que se vai fazer, como evitar que estas situações aconteçam. No meio da má sorte, a sorte toda: tivessem as chamas começado a outras horas e este texto seria, todo ele, muito diferente. Num edifício com acessos complicados, a má sorte seria uma enorme tragédia. Macau tem esta estranha condição da má sorte relativa: o mundo vai desabando, mas aqui, neste pedaço de terra crescente, nada acontece. Esta forma de evitar o azar total não se deve à competência das autoridades ou à consciência de quem age no espaço público: deve-se à sorte, que muitos dizem ser divina, apesar de os deuses não serem consensuais. É bom que o azar total não nos bata à porta: antes cair o revestimento dos corredores, que sucumbiu ao frio, do que o tecto em cima da cabeça. Antes furar um pneu num buraco da estrada que já conta com mais de seis meses de vida, do que estourar o carro nesse mesmo buraco que a chuva tapou. Antes isso, claro está. Mas a má sorte que se vai tendo deveria servir para se começar a exigir mais – das autoridades e de quem age no espaço público. É que um dia destes o panchão rebenta no sítio errado, na hora errada, na mão errada. Não há má sorte relativa que não possa ser, um dia, absoluta. 2. Corro o risco de ser culturalmente intolerante. Corro. Mas as touradas também fazem parte da cultura do meu país e não lhes acho a mínima piada, pelo que não é uma questão de idiossincrasia – é mesmo uma questão de bom senso. Macau continua a ser, em termos de ano novo chinês, uma coisa estranha, bastante primitiva. Dir-me-ão que faz parte da tradição isto de andar a queimar coisas para o ar, a horas em

CHRISTIAN PETZOLD, PHOENIX

Má sorte

isabelcorreiadecastro@gmail.com

que há gente que quer, por exemplo, dormir descansada, sem a sensação de acordar no meio da Guerra do Pacífico. Queimam-se panchões nos locais que as autoridades definem mas também noutros sítios, que já sabemos que há sempre quem faz o que lhe apetece, quando lhe apetece, onde lhe apetece. Dir-me-ão que faz parte da tradição e eu acredito, mas há 300 anos havia outras tradições, aqui e noutras partes do mundo, que se abandonaram por razões lógicas, próprias da evolução da espécie. Os panchões não fazem parte da realidade de muitas cidades da China, que também é tradicionalmente dada a fogos-de-artifício e outros dispositivos ruidosos. Houve alguém, do outro lado da fronteira, que se lembrou da poluição – sonora e sobretudo atmosférica, que isto de andar a queimar coisas não faz nada bem ao ar que se respira.

A má sorte que se vai tendo deveria servir para se começar a exigir mais – das autoridades e de quem age no espaço público. É que um dia destes o panchão rebenta no sítio errado, na hora errada, na mão errada

Por aqui, tudo na mesma. A festa ainda dura mais uns dias, pelo que quem quiser dormir que se aguente, porque até à uma da manhã a festa dura e há tolerância governamental para algumas tradições. Os turistas dão jeito e há que manter o povo contente. E depois – que fique claro porque já nos disseram, vezes sem conta, esta verdade absoluta – a culpa da poluição não é nossa. É só má sorte. 3. Outra sorte tiveram os Serviços de Saúde num caso recente que deu origem a uma das notas de imprensa mais extraordinárias que já tive oportunidade de ler. Chegou pouco antes da uma da manhã, acompanhada de uma mensagem para o telefone. O título diz tudo: “SSM [Serviços de Saúde de Macau] agradecem ao tribunal que julgou improcedente um recurso sobre o levantamento da medida de isolamento obrigatório”. Quero ter a esperança de que a nota de imprensa original tenha sido redigida em chinês e que em chinês tenha um sentido completamente diferente. É que não fica bem a uma entidade pertencente a um Governo agradecer decisões de órgãos judiciais – por mais importantes que possam ser para a saúde pública, como parece ter sido o caso. É a escolha do verbo, bem sei, pode ser só mesmo falta de jeito, admito. Para a próxima, um “congratulam-se” cai melhor. Ou então um título informativo, daqueles tipo “Tribunal dá razão aos Serviços de Saúde”. Por causa daquelas coisas da separação dos poderes e do Estado de direito. É que só falta mesmo o cesto de frutas e o cartão a acompanhar. Em nome da boa sorte, pois.

OPINIÃO


18 OPINIÃO

hoje macau sexta-feira 12.2.2016

MIGUEL GUEDES

ALEJANDRO AMENÁBAR, THE SEA INSIDE

Vive e permite morrer

in Esquerda.net

A

nossa decisão principal nunca poderá ser sobre a vida, só sobre a morte. Credos e religiões à parte porque, mesmo para os mais indefectíveis crentes, se há milagre primordial é o da vida: nenhum homem se aproxima ou assemelha a Deus ao ponto de a entender por simples ou mundano decreto. Por crença, desejo ou medo. Na morte há todo um mistério que não tem propriamente ligação ao acto de morrer mas sim à continuação ou perpetuação da vida. Sempre o mistério da vida, essa que alguns antecipam como novinha em folha após o fim da linha do tempo que ainda vamos sabendo contar. Se nem tempo, família ou condição podemos escolher aquando da erupção, que possamos optar em consciência sobre o momento de fazer pausa ao movimento. Que possamos escolher sobre algo verdadeiramente significante, já agora e sobretudo, quando entendermos que a dor é mais presente do que uma vida em simulação. Em determinados casos, morrer não é só uma fatalidade. Nos momentos em que a dignidade se confunde com o sofrimento de um condenado, morrer é quase uma obrigação. A frio, dizem os burocratas da moral que ninguém é insubstituível. A frio, poderiam dizer que ninguém se substitua. Sobretudo, que ninguém se arrogue como detentor do espaço de liberdade final de alguém. Não é legítimo viver um simulacro da vida dos outros. Como escreviam Paul e Linda McCartney, “Live and Let Die”. O “Movimento cívico para a despenalização da morte assistida”, cujo manifesto assino e subscrevo, lançou as bases para um debate que se deve ter com urgência. Depois de algumas batalhas pela liberdade e autodeterminação da pessoa terem sido ganhas (o consentimento informado, o direito de aceitação ou recusa do tratamento, a condenação da obstinação terapêutica e o Testamento Vital), é imperioso caminhar para a despenalização e regulamentação da morte assistida.

É imperioso caminhar para a despenalização e regulamentação da morte assistida Nem os direitos humanos se referendam nem um presidente da República deve ter medo que uma bomba lhe rebente nas mãos. Pela complexidade do tema, as questões fundamentais levantadas pela morte assistida devem ser amplamente debatidas. Mas quem quiser afunilar o debate em razões ideológicas, religiosas ou de costumes pode lembrar-se que, há cerca de uma década, estudos apontavam para que 50% dos idosos em Portugal (e com uma amostra de pessoas que não sofriam de doenças terminais, graves ou crónicas) admitiam a legalização da eutanásia e que 40% dos médicos oncologistas portugueses estavam disponíveis para a praticar. Acontece todos os dias. Pelo fim do sofrimento e do sentimento de culpa, pela autodeterminação e pela dignidade, pelo fim da penalização de quem ajuda aqueles que anseiam pôr um fim onde a sua ou outra vida se eleve.


19 hoje macau sexta-feira 12.2.2016

PERFIL

ANNYA LAI, ESTUDANTE DE MESTRADO EM ESTUDOS EUROPEUS

“Macau é uma forma de poder ver o mundo”

A

NNYA Lai é uma jovem estudante que nasceu do lado de lá das Portas do Cerco, mas isso não a impediu de transpor fronteiras para cá e sair da China que sempre conheceu, para descobrir o mundo. Deste pedaço de território onde se fala Português, Annya Lai garante que consegue ver tudo o resto. “Desde que vim para Macau penso que posso ver mais do mundo e explorar mais coisas. Macau é um pequeno território mas tem muitos elementos... é a minha forma de poder sair da China para ver mais o mundo. Então penso que Macau é um bom lugar para mim”, contou. Annya Lai sempre quis fazer todo o ensino superior na RAEM, mas acabou por frequentar a licenciatura de Comércio Internacional em Zhuhai. Hoje frequenta o Mestrado em Estudos Europeus na Universidade de Macau. Da Europa, esse continente do qual permanecem pequenos laivos em Macau, a estudante garante gostar da história e da cultura. “Escolhi esta área porque achei que seria muito interessante. Na licenciatura estudei Comércio Internacional e achei que não era assim uma área que gostasse muito, então decidi mudar. Antes de entrar no mestrado

não prestava muita atenção às questões europeias, mas comecei a gostar da história e da cultura. São as coisas que mais acho interessantes no continente. Macau também tem esse lado europeu, da mistura das culturas chinesa com a portuguesa”, referiu a estudante. Annya Lai garante que Macau é uma boa cidade para viver uma vida mais tranquila. Embora não aposte nos casinos, a estudante diz gostar do ambiente. “Não jogo e não gosto, mas gosto do ambiente dos casinos, acho que é algo único. Mas não me quero envolver nesse ambiente. Gosto das atracções, é como se fosse uma cidade de sonho para muitas pessoas. Macau é um óptimo sítio para as pessoas que querem ter uma vida mais confortável.”

“UMA CIDADE DE SONHO”

Num território onde o Jogo é rei, haverá algo que atraia os turistas mais do que apostar nas mesas dos casinos? Annya Lai garante que sim. “As pessoas do continente acham que Macau é um lugar muito tranquilo e dizem que esta é uma cidade agradável. A cultura e todos esse elementos de Macau atraem os chineses a vir cá antes de visitarem outras cidades do mundo. Para eles também é como se

fosse uma janela para verem o mundo. Aqui eles desfrutam de um ambiente que é totalmente diferente do que existe na China continental”, apontou. Apesar disso, Annya Lai acredita que é preciso fomentar a criação de mais actividades culturais. Estas são “muito importantes para Macau para fazer desta uma cidade mais diversa, sem estar muito ligada ao Jogo. Aqui já existe naturalmente um ambiente mais virado para a cultura, mas é preciso que as pessoas percebam isso. É preciso que compreendam que Macau tem este lado”.

MUDAR A POLÍTICA

Annya Lai ainda não sabe o que quer fazer quando se especializar em Estudos Europeus. Talvez faça Gestão ou seja profissional de Relações Públicas. Uma coisa é certa: a estudante não vai virar costas a um desafio profissional no território, apesar de considerar que o mercado de trabalho poderia estar mais aberto a receber pessoas de fora, sobretudo os finalistas do continente. “Na área da Educação, Macau tem muitos recursos para os estudantes e seria bom para o Governo criar mais oportunidades para os estudantes do continente. Para além disso, eles podiam usufruir dos frutos do esforço do Governo ao partilhar

esses recursos. Há ainda muitas restrições no mercado de trabalho para as pessoas da China continental, mas talvez isso venha a mudar no futuro, porque Macau precisa muito de pessoas de fora e até do estrangeiro. Macau precisa de mais pessoas para que o mercado se diversifique”, considerou. Quando olha para o seu país, Annya Lai vê uma sociedade mais aberta, onde as pessoas já assumem uma postura totalmente diferente do conservadorismo do passado. “Desde que a China se desenvolveu, tanto os jovens, como os pais têm uma mentalidade mais aberta e querem que os seus filhos tenham uma educação no estrangeiro. Isso também faz com que os mais jovens estejam mais abertos. Isso é algo bom, o facto do país estar cada vez mais envolvido nas questões internacionais. Ainda há muitas pessoas com uma visão algo limitada e então são os jovens que tentam mudar a mentalidade e levar o país para o caminho certo em termos de desenvolvimento”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


“ SEUL, TÓQUIO E WASHINGTON DISCUTEM MÍSSIL NORTE-COREANO

O

S chefes de Estado Maior da Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos acordaram ontem trocar informação sobre o projéctil recentemente lançado pela Coreia do Norte e responder “com determinação” ao que consideram um desafio de Pyongyang. O general norte-americano Joseph Dunford e o almirante nipónico Katsutoshi Kawano reuniram-se ontem no Havai, enquanto o general sul-coreano Lee Sun-jin se juntou por videoconferência ao primeiro diálogo entre os chefes militares dos três países desde 2014. As três autoridades condenaram tanto o lançamento do míssil norte-coreano no passado domingo como o teste nuclear de 6 de Janeiro, ao considerá-los uma “flagrante” violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, indicou o Estado Maior de Seul em comunicado. Os três chefes militares decidiram aumentar a cooperação em assuntos de interesse mútuo relacionados com a segurança na península da Coreia e a região do nordeste da Ásia, segundo a nota. A reunião foi motivada pelo lançamento, no domingo, de um míssil de longo alcance por Pyongyang, considerado pela comunidade internacional como um teste de mísseis balísticos encoberto. Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão pretendem que o Conselho de Segurança da ONU aplique sanções mais severas a Pyongyang. Os três países estão também a tomar medidas unilaterais de carácter económico para pressionar e isolar ainda mais o regime de Kim Jong-un.

Mãe, porque deixaste de me vestir / de branco / o sorriso e os inconcisos / daqueles domingos / de missa e tantos santinhos / que eu trazia no bolso / a semana toda?” Carlos Marreiros

Economia MERCADO FINANCEIRO CHINÊS À BEIRA DO COLAPSO?

Ai a bolha...

Kyle Bass, que cometeu o “pecado” de apostar contra os fundos imobiliários de Wall Street alerta para os perigos do mercado financeiro chinês. Uma crise quatro vezes pior do que a americana, com perdas gigantescas no horizonte e a obrigatoriedade da China desvalorizar o yuan em pelo menos 30%, são algumas das revelações

N

UMA carta dirigida aos investidores, e à qual a Bloomberg teve acesso, Kyle Bass alerta para o facto de que se o sistema bancário chinês perder 10 por cento dos seus activos por via do crédito mal parado, verá desaparecer cerca de 3.5 biliões de dólares de capital. Isto significa que a segunda maior economia mundial poder ver-se obrigada a “imprimir mais de 10 biliões de yuan para recapitalizar a banca e pressionar a moeda para desvalorizar em pelo menos 30% em relação ao dólar”, garante o investidor.

TEMPESTADE PERFEITA?

Bass, que ganhou uma fortuna ao apostar contra as hipotecas do mercado financeiro norte-americano em 2007, e retratado no recente filme “The Big Short”, tem-se mostrado um às na previsão de colapsos financeiros pois, para além da crise norte-americana previu, em 2010, a crise do mercado obrigacionista japonês. PUB

sexta-feira 12.2.2016

“Estamos a assistir à redefinição do maior macro desequilíbrio que o mundo alguma vez viu” garante Bass na referida carta, avisando ainda que “o crédito na China atingiu o limite de curto prazo e o sistema bancário vai conhecer um ciclo de perdas que terão implicações profundas no resto do mundo.” Bass reforça a ideia dizendo ainda que, “os problemas que a China enfrenta não têm precedentes. São tão grandes que o Governo chinês vai ter de se empenhar a fundo para rectificar os desequilíbrios. Investimentos de risco não é o lugar para se estar quando isto está a acontecer”, diz o investidor que nos últimos 18 meses tem vindo a libertar-se dos seus activos de maior risco, apesar de ter “85% do portefólio investido em produtos relacionados com a China”, como próprio garantiu.

BOMBA RELÓGIO

Para Bass, “o epicentro do problema é o sistema bancário chinês e as suas perdas em perspectiva.” Segundo as suas estimativas, “os activos

bancários chineses aumentaram 10 vezes na última década, para mais de 34.5 biliões de dólares, e está impregnado de produtos de risco utilizados por instituições financeiras para fugirem aos regulamentos.” O crescimento da banca no país, que estima ter inchado mais de 600% nos últimos três anos -- citando dados da UBS Group AG data -- “é onde os primeiros problemas de crédito estão a surgir”, garante. Para além disso, “os produtos de gestão de fortunas que têm sido utilizados pelos bancos chineses para cobrirem as folhas de balanço emprestando e atraindo compradores com promessas de garantias e lucros que ultrapassam os depósitos bancários, começam a falhar”, assegura Bass, adiantando ainda que a utilização dos ‘trust beneficiary rights’ - direitos legais para garantir produtos financeiros – “são autênticas bombas relógio, pois são utilizadas pelos bancos para esconderem as suas perdas nos créditos mal parados”.

LUZ PERTO DE CASA CHEIA PARA O CLÁSSICO

O Estádio da Luz está próximo da lotação esgotada, e prepara-se para mais uma enchente, hoje, no Benfica-FC Porto. A assistência será semelhante à do derby com o Sporting, jogo no qual estiveram 63.054 pessoas. Conforme se pode ler em A BOLA, restavam ontem apenas cerca de 3500 bilhetes à venda. A liderança encarnada na Liga, com os mesmos pontos do Sporting, torna o clássico ainda mais importante. Do lado do FC Porto, estarão em Lisboa perto de três mil adeptos, o número de bilhetes que seguiram para o Dragão.

PADRÃO DE DESACELERAÇÃO

O crescimento da economia chinesa, que se manteve na casa dos 10% durante quase 30 anos, tem vindo a desacelerar desde há cinco atingindo o seu ponto mais baixo em 25 anos em 2015, com uma taxa de 6.9%. Este ano, segundo uma sondagem efectuada pela Bloomberg junto de economistas, prevê-se que baixe ainda mais para os 6.5%. Este abrandamento fica a dever-se à mudança de perfil da economia chinesa que tem vindo a mutar de um padrão de manufactura e investimento para um perfil de serviços e consumo que, segundo os especialistas, não conseguiu ainda equilibrar com o antigo perfil económico do país. Em Outubro Kyle Bass já tinha previsto que a China iria fazer face a uma contracção de crédito e uma iminente crise bancária na Ásia. Manuel Nunes

RÚSSIA DISPONÍVEL PARA DISCUTIR CESSAR-FOGO NA SÍRIA

A Rússia manifestou ontem disponibilidade para discutir um cessar-fogo na Síria, que é reclamado pela oposição ao regime do Presidente Bashar al-Assad e pelo ocidente. «Estamos prontos para discutir as modalidades de um cessar-fogo na Síria», disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Guennadi Gatilov, citado pela agência Interfax. Gatilov adiantou que a Rússia irá á conferência internacional sobre a Síria, em Munique (Alemanha), para discutir o cessar-fogo.

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Hoje Macau 12 FEV 2016 #3510  

N.º3510 de 12 de Fevereiro de 2016

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