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hojemacau

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

TERÇA-FEIRA 12 DE NOVEMBRO DE 2013 • ANO XIII • Nº 2972

Com sombra de recado

Cecília Ho considera projecto-lei de Pereira Coutinho um “bom ensaio” VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Ficou vincada “uma posição genuína sobre o crime público” mas a responsável pelo Grupo de Cidadãos pela Violência Doméstica como Crime Público acalentava esperanças que o projecto-lei apresentado por Pereira

• ENTREVISTA WILSON LAM

“EM MACAU FAZER NEGÓCIOS NÃO É FÁCIL” PÁGINAS 2 E 3

• GAES SOBRE RECURSOS HUMANOS

Estudantes querem ser funcionários públicos PÁGINA 9

• INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS

Governo ajuda com dinheiro a fundo perdido

Coutinho fosse aprovado pelos restantes deputados. Cecília Ho pensa que o articulado “sumarizava todas as intervenções positivas e efectivas” e que, mesmo não sendo perfeito, “poderia ser melhorado em sede de discussão na especialidade”. Desilusão pela abstenção de Chan Meng Kam. PÁGINA 6

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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JULGAMENTO DO CASO DAS ETAR

BEST CHOICE PRESTOU SERVIÇOS À WATERLEAU PÁGINA 4


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ENTREVISTA

hoje macau terça-feira 12.11.2013

A paixão que Wilson Lam tem pela profissão é notória. A seguir à conversa com o HM não hesitou em mostrar um dos muitos produtos da Macao Creations: um baralho de cartas cujos desenhos são feitos por carimbos, à escolha de cada um. Wilson Lam também defende que não devem existir leis que proíbam contratação de não residentes e diz que o Governo deve olhar bem na hora de apoiar empresas que nem sempre têm produtos 100% ‘Made in Macao’

WILSON LAM, DIRECTOR ARTÍSTICO DA MACAO CREATIONS

ANDREIA SOFIA SILVA

Este fundo é de facto importante e fundamental para ajudar as Pequenas e Médias Empresas (PME)? Sim, tudo ajuda. O dinheiro é a coisa mais importante de que precisamos. Em Macau fazer negócios não é fácil. A maioria sabe que as rendas das lojas são muito caras, os custos do trabalho também. Estas são as grandes dificuldades. Até agora conseguíamos alugar um espaço muito barato, mas de repente todos querem fazer dinheiro e vender. Também tive de me mudar para um espaço mais pequeno. Esse é o grande desafio.

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Recentemente foram anunciados os nomes que vão compor o Fundo das Industrias Culturais e Criativas. O que acha das escolhas do Chefe do Executivo? Vi de relance no jornal hoje de manhã. Li mas não me recordo exactamente de todos os nomes. Há algumas pessoas que conheço. Leong Heng Teng é o presidente do Conselho de Administração, enquanto que o Conselho de Curadores tem nomes como o do empresário Lionel Leong e o director do jornal Ou Mun. São as pessoas certas para decidir o futuro a dar a este apoio financeiro? Para ser franco não tenho muito tempo para pensar se são ou não

“As Indústrias Criativas são uma

as pessoas indicadas. Se o Governo escolheu todas estas pessoas deve ter as suas razões. Não sei se são as pessoas certas ou não, não devo fazer esse julgamento. Eles já fizeram o seu trabalho, então vamos ver o que acontece.

Há cada vez mais jovens a quererem trabalhar nesta área, a procurar cursos profissionais e no ensino superior? Se querem entrar pela via profissio-

nal têm de fazer um curso superior ou ir para uma escola, quanto a isso não há dúvidas. No caso do design não, de facto é preciso uma formação para aprender as coisas básicas, porque, por exemplo, não tenho tempo para as ensinar. Mas na área das belas artes, se tiveres o teu negócio e fores bem sucedido, não acredito que seja fundamental ir para a universidade. Se receber um currículo que me diz que a pessoa está interessada em ser designer direi “não, desculpe, não estou interessado em gastar tempo a ensinar como mexer nos programas”. Não faz sentido. Mas perguntava se os jovens estão interessados em trabalhar nesta área, uma vez que a ideia geral é de que apenas querem trabalhar nos casinos. Agora fala-se que o Governo deve

implementar leis que digam que só os residentes de Macau devem fazer o trabalho de croupier. Isso é totalmente errado, porque para este tipo de trabalho podem empregar-se pessoas da China e de outros países. Não se deve limitar esse emprego apenas às pessoas de Macau. De outra forma ninguém vai ficar interessado em ter outros empregos, porque eles pagam muito bem. Mas as associações ligadas à indústria do jogo dizem que estão a defender os interesses dos residentes. Esse é um grande argumento, errado. Vi no jornal que muitas associações de PME dizem que estão contra essas leis e concordo com elas. As pessoas que estão interessadas na área das indústrias criativas têm o direito de fazer o que

Agora fala-se que o Governo deve implementar leis que digam que só os residentes de Macau devem fazer o trabalho de croupier. Isso é totalmente errado

gostam e não fazer algo a pensar que “eles pagam bem, é isso que vou fazer”. Ainda podem escolher a parte mais difícil: pagar menos, trabalhar mais e fazer aquilo que mais gostam. Há pessoas que optam por essa via. Sim. Tenho um amigo que faz banda desenhada. Ele contou-me que um dos empregados dele era croupier num casino, ganhava muito dinheiro mas vivia infeliz, porque tinha talento para desenhar. Um dia decidiu juntar-se à equipa para fazer banda desenhada, e hoje é muito feliz. Penso que lentamente os jovens estão a começar a perceber aquilo que podem escolher. Não estou a tentar dizer que as pessoas que escolhem trabalhar num casino estão a seguir a via errada, mas os que sabem o que querem podem ter opções. Deveria haver mais escolhas no ensino superior? Isso também, porque as universidades têm de saber o que é que o mercado lá fora está à procura. Se souberem que há uma procura por


entrevista 3

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escolha de vida” As pessoas que estão interessadas na área das indústrias criativas têm o direito de fazer o que gostam e não fazer algo a pensar que “eles pagam bem, é isso que eu vou fazer” cursos ligados a esta área, isso dará mais opções às pessoas.

“UMA ESCOLHA DE VIDA” Falando do fundo financeiro novamente. Antes o Governo tinha criado outros apoios, nomeadamente no Instituto Cultural. Este fundo é, de facto, diferente dos outros? Claro que será diferente porque estamos a falar de outro tipo de negócios. Os outros fundos seguem uma via educacional, estão mais ligados a projectos de lazer. Muitos dos negócios são sobre lucros e como vender produtos. Mas as Indústrias Criativas não são apenas isso: é uma escolha de vida. Insere-se a criatividade. É minha a escolha de manter aquilo que faço, sabendo que outros vão ganhar mais dinheiro, porque é o que quero. É uma escolha. Foi difícil encontrar esta equipa para Macao Creations? A minha equipa é muito diversificada, muitos estão na área administrativa, outros estão no marketing. Outros são criativos. Tento operar tudo com eles. Muitos vêm ter comigo e mostram-me o seu portefólio e a primeira coisa que olho é para a personalidade. Em segundo lugar olho para o seu trabalho. O trabalho pode ser espectacular e a pessoa pode ser muito talentosa, mas se a personalidade não for a ideal, ou a atitude, não fico interessado. Tenho muita experiência nesta área, não estou apenas a investir o dinheiro em algo divertido. Estou nesta indústria como designer há muitos anos. Se uma pessoa tem falta de experiência e acabou de terminar o curso, posso dar-lhe uma boa formação. Sou bem sucedido, porque sou apaixonado e sei como partilhar aquilo que sei.

Os meus designers estão comigo desde o início. Está a pensar numa expansão da equipa e até de lojas? Por enquanto tenho três lojas que têm uma boa localização, em pontos turísticos. Nas Ruínas de São Paulo, Rua do Cunha e aqui, na Torre de Macau. Para já não quero fazer mais. A não ser que o Governo abra um novo espaço, que tenha uma boa renda e que seja uma boa oportunidade. Aí sim, porque preciso de vender o máximo. Para fazer um produto é preciso um longo processo até à venda. E é preciso dinheiro. Se tiver apenas uma loja, não existe maneira de manter o negócio. Com duas, não é fácil. Com três, muito melhor. Mas não é o ideal. Tudo depende do valor da renda e se a posso suportar. Tento manter as pessoas felizes, e gerir tudo. Mas é muito difícil, posso dizer-lhe. Estou neste negócio desde os meus 15 anos. Hoje tenho 33 anos. Não está cansado? Não. Sou um apaixonado por esta

área. Sem isso não faria nada. É a paixão que me leva ao limite. Mas ainda não vi esse limite, ainda tenho energia para continuar.

“NÃO BASTA PÔR A PALAVRA” MACAU Disse que tem uma loja junto às Ruínas de São Paulo. Os negócios do edifício amarelo, ligados às Indústrias Criativas, vão passar

Governo, lhe der dinheiro para abrir uma loja para abrir produtos, não deve colocar lá coisas dos outros para vender. Eles não têm muitos produtos de Macau, compram no Japão, China, Taiwan, de todo o mundo. 60% ou mais é comprado. Apenas uma pequena porção faz parte do seu trabalho. Se o Governo vai apoiar um artista ou uma empresa tem de olhar para isso. Não basta dizer que se é uma empresa de Macau. Tem que ser feito aqui. Não basta pôr a palavra e vender nas Ruínas de São Paulo. Essas pessoas estão, de facto, a fazer produtos de Macau mas

Em Macau fazer negócios não é fácil. A maioria sabe que as rendas das lojas são muito caras, os custos do trabalho também. Estas são as grandes dificuldades para outro espaço, porque o Governo vai ter de sair. Como vê essa situação? São negócios subsidiados pelo Governo, a renda que eles pagam é muito baixa. Na minha opinião acho que têm vindo a fazer um bom trabalho. Mas preferia olhar para se, de facto, o Governo analisa se estas empresas apostam mais nos seus próprios produtos. Se, como

não estão a ser devidamente apoiados. A empresa que recebe apoios do Governo tem que ter cuidado, porque é suposto o Executivo dar dinheiro a quem faz produtos de Macau, em Macau. Veja-se a C-Shop, no New Yahon. Também é deles. Se formos ver quantos produtos são feitos por pessoas de Macau, não são muitos. Então

porquê dar dinheiro a essas pessoas? Também posso ir a Paris buscar coisas e vender, e isso está totalmente errado. É resultado da falta de visão do Governo? A aprovação dos projectos deveria ter como base alguns requerimentos e deveria ser verificado se estão a fazer o que prometem. Não estou a dizer que não têm lá produtos ou pessoas de Macau, mas em proporção deveriam ter mais. É apenas um exemplo do caminho que os fundos têm de seguir. Se o Governo quiser continuar a dar apoios deve verificar se esse é o caminho certo. Podem não ser mesmo pessoas de Macau a fazer os produtos, mas pelo menos a empresa deve desenvolver uma marca, enquanto empresa de Macau. O fim do projecto junto às Ruínas de São Paulo servia para desenvolver as Indústrias Criativas e agora vai chegar ao fim. É mau para o sector? Eles vão ter outra loja aberta, penso. Mas não vão voltar a abrir em conjunto, porque o Governo não vai dar apoio financeiro. Não deveria dar mais como já deu, porque era suposto terem um contrato de dois anos. O ideal era dar lugar a outras pessoas e (as lojas actuais) irem para outro espaço, mas infelizmente a renda é demasiado alta. Penso que o Governo de Macau deveria dar mais opções a outras pessoas. Por uma questão de equilíbrio? Sim. Há tantos jovens que também precisam de tentar.

MACAO CREATIONS À ESPREITA Pretende criar novos produtos? Estou sempre a inventar algo novo. Mas não acontece de forma frequente. Sempre que temos oportunidade e orçamento fazemos. Não somos inventores. Também temos os hotéis como clientes. Se não tivermos lucros, não podemos sobreviver. Trabalhamos muito para manter este negócio. Esta loja vai manter-se aqui na Torre de Macau? O contrato é de três anos, até lá mantém-se. Mas precisava de mais espaço para os meus produtos, porque há uma grande pressão para vender. Por isso, estou à procura. Se o Governo tiver mais espaços gostaria de abrir mais lojas. Mesmo que fosse partilhado com outras pessoas, poderia fazer uma proposta ao Governo e eles iam escolher. Também fiz uma proposta para o edifício amarelo, mas disseram que já tinha um negócio. Tudo bem, é a escolha do Governo. Mas se tiverem mais lojas disponíveis adoraria poder abrir mais.


POLÍTICA

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TIAGO ALCÂNTARA

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ETAR BEST CHOICE PRESTOU SERVIÇOS DE CONSULTADORIA AO CONSÓRCIO DA WATERLEAU, DIZEM TESTEMUNHAS

O valor que as informações possuem Funcionários da ATAL Engineering, empresa que fazia parte do consórcio da Waterleau e da China State Construction Engineering, explicaram ontem que a empresa pagou serviços de consultadoria à Best Choice por serem “necessários” JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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M mais um audiência do chamado caso das ETAR - onde estão a ser julgados Pedro Chiang, empresário de Macau, Luc Vriens, director-executivo da Waterleau, e Fong Chan Yao, da ATAL, entre outros, duas testemunhas afirmaram que os pagamentos à Best Choice serviram para saldar despesas de consultadoria. Recorde-se que o Ministério Público acusa os responsáveis das empresas de terem pago a Ao Man Long, ex-secretário para os

Transportes e Obras Públicas, para que este lhes adjudicasse a gestão, operação e manutenção da ETAR do Parque Industrial Transfronteiriço e da segunda fase da de Coloane. Os pagamentos, alega a acusação, terão sido feitos através da conta da off-shore Best Choice, empresa controlada por Ao Man Long, mas da qual, alegadamente, Chiang era administrador. Chan Hoi Ming, vice-director do departamento de ambiente da ATAL, e Pui Fu Kam, engenheiro da empresa à altura dos factos foram ontem ouvidos no Tribunal Judicial de Base e asseguram que, devido à ATAL ser

de Hong Kong, era preciso obter informações sobre o território para conseguirem concorrer ao concurso internacional feito em Macau. A primeira testemunha, arrolada pela defesa de Fong Chan Yau, explicou que a ATAL precisava do auxílio de empresas de Macau, uma vez que nunca cá tinham feito obras. “Tínhamos de contratar consultores para ter informações. Em Hong Kong e na China [continental] tínhamos experiência e contratavam-nos como assistentes, mas em Macau tinha muitas exigências técnicas e tivemos de arranjar consultadoria.” Também Pui Fu Kam, o segundo a ser ouvido, disse o mesmo. Confrontado com um requerimento feito por si e endereçado à Best Choice, que falava de serviços de consultadoria, o engenheiro frisou que “calcula que se relacione com o facto de ser necessário informações sobre legislação, impostos, segurança, importação de mão de obra”. “Em Hong Kong conseguimos [obter estas informações], mas em Macau

não.” Sobre um outro documento, também dirigido à Best Choice, de aquisição de material, Pui Fu Kam justificou que, por a empresa ser do território, poderia comprar material mais barato.

PODIA SER OUTRO

O envolvimento de Fong Chan Yau passa pelo facto de este ter sido quem assinou o cheque de pagamento do que as testemunhas dizem ser despesas de consultadoria. Cada uma das empresas, diz o Comissariado Contra a Corrupção, teve de conceder determinadas percentagens para pagar o facto de terem ganho o concurso. Enquanto à Waterleau coube a entrega de 20%, à ATAL e à China State Construction Engineering coube, individualmente, o pagamento de 3% do total das obras.
 Contudo, as testemunhas asseguram que estes foram montantes para o pagamento da ajuda da Best Choice. “A maioria [das despesas] era paga pela Waterleau, mas cada qual pagava parte das despesas de consultadoria. Creio que os honorários à Best Choice

eram pagos pelas três [empresas], sim”, refereiu Pui Fu Kam. Independentemente do destino do dinheiro, Fong Chan Yau não fez mais do que outras cerca de cinco pessoas da ATAL podiam fazer: os cheques passavam sempre pela contabilidade antes de serem assinados, referiu a testemunha, mas o cheque respeitante ao pagamento na altura da adjudicação da operação da ETAR do Parque Transfronteiriço podia ter sido assinado por outra pessoa que não o arguido. “Não tinha necessariamente que ser ele a assinar. Cinco ou seis pessoas podiam assinar cheques na ATAL, incluindo ele.” Ontem foi cancelada a sessão da manhã porque os advogados de defesa prescindiram do testemunho de André Ritchie, do Gabinete de Desenvolvimento de Infra-Estruturas. Na sessão da tarde ficou ainda a saber-se que foi a Waterleau quem convidou a ATAL para concorrer em Macau e que as testemunhas nunca ouviram falar de Pedro Chiang, quem a acusação diz ser administrador da Best Choice.


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FUNDO DE INDÚSTRIAS CULTURAIS SEM ANTEVISÃO DE RESULTADOS NA ECONOMIA

Dinheiro investido sem retorno à vista RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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CONOMIA cultural. É a este propósito que se associa o Fundo das Indústrias Culturais (FIC), que tem como objectivo apoiar as actividades comerciais das empresas ou empresários individuais, sobretudo, projectos com fins lucrativos de escala, industrializados e aptos a competir no mercado que visem a rentabilidade económica. Pelo menos, esta é a definição do Conselho para as Indústrias Culturais. No entanto, o administrador do FIC, que disponibiliza 200 milhões de patacas para financiamento de projectos locais, não sabe qual o impacto destes apoios financeiros e desta actividade económica no Produto Interno Bruto (PIB). “No futuro, pretendemos que as indústrias culturais representem uma grande percentagem do PIB. Mas este tem uma certa tendência para um sector [do jogo], pelo que para ocupar uma maior fatia também não é assim tão fácil. Uma das nossas principais políticas é diversificar a economia e tentamos fazê-lo”, explicou Banny Chao, no dia em que tomaram posse os membros de administração do FIC.

Leong Heng Teng

Leong Heng Teng, presidente do FIC, acrescenta ainda que “por enquanto não existem estimativas concretas” sobre o número de postos de trabalho ou do impacto geral na economia, sem avançar com qualquer data para um estudo abrangente sobre a matéria. O também porta-voz do Conselho Executivo disse que, primariamente, pretende-se criar uma “plataforma de apoio técnico” e que o Governo deverá “criar uma plataforma de serviços”. Sobre a dinamização do sector, o FIC vai apoiar as “empresas com capacidade para desenvolverem, criarem e participarem nas férias quer na China quer no exterior”, nomeadamente, Pequenas e Médias Empresas (PME’s), sendo que o Fundo “apoia-as para resolverem o problema de falta de capitais”,

Song Pek Kei Faltam políticas para promover a cooperação lusófona que Francis Tam, o secretário para a Economia e Finanças, apenas apontou que Macau apenas promoveu no continente os produtos dos países lusófonos mas que, para além disto, não há mais mecanismos criativos para implementar um melhor posicionamento dos “três centros”. “Por outro lado, segundo dados oficiais do GAES, até 2015, Macau vai precisar de 7125 pessoas no sector de exposições, mas Macau apenas pode oferecer 1939 pessoas, pelo que a escassez de recursos humanos vai ser de 70%.” Por isso, Song Pek Kei pergunta se o Governo tem uma plano amplo para melhorar a situação actual, a fim de formar mais agentes bilingues e profissionais do sector das exposições, para apoiar efectivamente o desenvolvimento sustentável da indústria das exposições. - C.L.

CRIATIVIDADE A CAMINHO DA ILHA

Há espaço para as indústrias culturais e criativas na Ilha da Montanha. A ideia foi ontem reforçada

no Conselho, mas estes projectos terão de ser realizados sob duas vertentes: de cooperação regional ou negociação directa. Os serviços públicos ouviram também recomendações por parte das Indústrias Culturais e Criativas para planeamento dos novos aterros, nomeadamente, um espaço

para criar uma zona de indústrias culturais e criativas diversificadas como uma plataforma de exibição dos seus produtos e local de entretenimento dos seus produtos. O presidente do Instituto Cultural (IC), Ung Vai Meng, disse ainda que haverá também apoio do Governo no que toca a consumo interno.

APOIOS À MODA, CINEMA E MÚSICA POPUL AR Ung Vai Meng adiantou que os responsáveis pelo programa de subsídios para a área da moda já escolheram 15 projectos, de entre 27 requerimentos, para uma segunda análise. Os resultados vão ser publicados “em breve” e, no total, há 150 mil patacas para apoiar “oito ou nove” designers. Em Dezembro, está marcada a avaliação dos projectos concorrentes aos apoios para a produção cinematográfica. Até agora, o Instituto Cultural recebeu 16 requerimentos mas apenas quatro realizadores vão ser subsidiados, com um montante máximo de 1,5 milhões de patacas. No primeiro trimestre de 2014, arranca ainda o programa de apoio à música popular.

CASA DE VIDRO SERÁ REQUALIFICADA Ung Vai Meng disse que a Casa de Vidro, no Tap Seac, vai ser requalificada pela DSSOPT, num concurso público que deverá ser aberto em breve, para albergar “lojas, actividades e exposições de produtos das pequenas e médias empresas” do sector das indústrias culturais de Macau. “Será uma zona de criatividade cultural no Tap Seac. Há muito equipamento que deve ser novamente reparado. Esperamos conseguir neste local os resultados pretendidos”, explicou o presidente do IC.

VÍTOR SERENO ESTÁ A ACOMPANHAR PEDIDOS DE RESIDÊNCIA DE PORTUGUESES

“São situações sensíveis” O cônsul-geral de Portugal na RAEM assegura estar a acompanhar a situação dos pedidos de fixação de residência de portugueses no território. “Não gostava muito de me alongar neste comentário porque estas são situações sensíveis que envolvem outro tipo de conversas mais reservadas, mais diplomáticas. Quero dizer que temos tido as melhores das relações com o secretário para a Segurança, Cheong Kuok Va. Este assunto está a ser acompanhado pela Secretaria das Comunidades e por mim próprio”,

TIAGO ALCÂNTARA

S

ONG Pek Kei, a deputada da Aliança do Povo de Instituição de Macau, fez uma interpelação escrita ao Governo onde questiona as políticas para a cooperação económica e comercial entre a China e os países lusófonos. Na semana passada, quando o vice-primeiro-ministro da China, Wang Yang, anunciou três novos centros no âmbito do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa realizado em Macau, estes centravam-se num centro de serviços para as pequenas e médias empresas, um centro de distribuição dos produtos alimentares e um centro de exposição e convenções, mas a deputada considera o Governo não tem políticas específicas para promover as cooperações. A deputada considera

não ficando apenas retido para “as grandes empresas”. Quanto a faixas etárias, o grupo-alvo, embora não restrito, está escolhido. “Há profissionais que estão a esforçar-se, como os jovens, que precisam de ter apoio para as suas próprias empresas. Estão a tentar concretizar o seu ganho e esperamos que o governo possa ajudar a satisfazer os seus sonhos”, refere. O erário público será fiscalizado através de um centro de supervisão, lembrou Banny Chao. “Supervisiona se foi usado o apoio do fundo conforme foi pedido, após atribuição de financiamento aos projectos.” Além disso, acrescentou, há um Conselho Fiscal do FIC e um Conselho de Curadores, que têm o papel de supervisionar se o erário do FIC está a ser utilizado de forma correcta. Acima destas, vêm ainda o secretário [para os Assuntos Sociais e Cultura], Cheong U, que ontem esteve presente na 2.ª reunião plenária ordinária de 2013 do Conselho para as Indústrias Culturais, e ainda a “Auditoria” e o CCAC.

afirmou Vítor Sereno à Rádio Macau. O responsável confirmou que nesta altura há 156 pedidos de fixação de residência em análise e assegura que o número de autorizações foi de 104. “Recebi informações da secretaria da Segurança que quando as situações são claras e lineares, a aprovação normalmente não demora mais do que um mês após a introdução do processo. Citaram-me, inclusive, um exemplo que durou qualquer coisa como três semanas. Em relação aos 156 [pedidos em análise] vou estar atento ao

seu desenrolar. Não nos podemos é esquecer que estamos numa Região Administrativa Especial, e estaremos a acompanhar o que vai decidir a secretaria da Segurança”, acrescentou Vítor Sereno. Este fim-de-semana a Rádio Macau dava conta que, entre Janeiro e Setembro, dez cidadãos portugueses viram recusado o pedido de fixação de residência na RAEM – mais nove do que no ano passado, quando apenas um português se viu impossibilitado de passar a viver em Macau.

Ho Iat Seng refere a urgência da nova Lei do Orçamento O presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, deu uma entrevista ao jornal de língua chinesa All About Macau em que afirmou que a sua principal função é manter o equilíbrio entre deputados e Governo. E não deixou de falar de um desejo longo dos deputados. “A Lei do Enquadramento Orçamental deve ser aprovada nesta legislatura, tem de ser! A lei foi criada em 1983, e entretanto já 30 anos passaram. A função da AL é supervisionar o Governo, por isso eu não me importo de ser uma pessoa mais rígida.” Ho Iat Seng acusa ainda o Governo de não cooperar com a AL na supervisão

financeira dos gastos públicos. “O orçamento de um projecto de obras pode ser utilizado num outro projecto. No continente isso já é ilegal, mas segundo a Lei do Orçamento de Macau isso pode ainda acontecer.” Ho Iat Seng fez ainda uma comparação com a China, uma vez que o Governo Central tem 98 departamentos nos quais gasta 200 mil milhões de yuans, investidos em 1,3 mil milhões de funcionários. “Macau tem apenas 580 mil residentes, mas o Governo usa 80 mil milhões de patacas. Temos de negociar com o Governo para que o orçamento seja reduzido, não pode aumentar sem um limite.” - C.L.


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hoje macau terça-feira 12.11.2013

NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º 108/2013 (Solicitação de Comparência do Empregador)

NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º 109/2013 (Solicitação de Comparência dos Trabalhadores)

Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o representante legal de “MACAU RECIPES”, sita no Largo Do Senado, n.º 18, Edf. Comercial China, 3 andar, em Macau, para no prazo de 10 (dez) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, a fim de prestar declarações nos processos n.ºs 10111/2012, 10228/2012 e 395/2013, provenientes das queixas apresentadas nestes Serviços, pelos ex-trabalhadores FENG YUHUA, MO JILIANG, LI WEICHI, FU XUEJING e GUO XIAOYING relativamente à matéria de trabalho extraordinário.

Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se os senhores LI, GUOHUI e ZHU JINFU, extrabalhadores não residentes então autorizadas a prestar trabalho para Hotel Casa Real, para no prazo de 10 (dez) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecerem no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 10732/2012, proveniente das queixas apresentadas nestes Serviços em 26/12/2012, relativamente às matérias do trabalho extraordinário, recibo do pagamento da remuneração e forma de pagamento da remuneração.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 5 de Novembro de 2013.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 5 de Novembro de 2013.

A Chefe do Departamento

A Chefe do Departamento

Lurdes Maria Sales

Lurdes Maria Sales


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hoje macau terça-feira 12.11.2013

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

No seu entender, o projecto-lei contra a violência doméstica que deu entrada na AL deveria ter sido aprovado? Acredito que sim. A lei contra a violência doméstica apresentada pelo deputado Pereira Coutinho deveria ter sido aprovada. Esta legislação traria boas mudanças face à situação actual? Li em detalhe e percebi que sumarizava todas as intervenções positivas e efectivas tais como o “adiamento do julgamento” que também se encontrava na primeira proposta de lei apresentada pelo Instituto de Acção Social no ano passado. “Adiamento do julgamento” (ou “rescisão temporária da acusação”) é apoiada pelo nosso Grupo de Cidadãos pois consegue responder às preocupações dos que se opõem (à definição da violência doméstica como crime público) devido à pos-

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CECÍLIA HO ENTENDE QUE PROJECTO-LEI DEVERIA TER SIDO APROVADO

sível destruição da “harmonia familiar”. Já referiu, por diversas vezes, as “medidas regenerativas” para flexibilizar e manter a relação familiar e conjugal. Ou seja, o facto de as mulheres poderem pedir ao juiz para arquivar a queixa, tendo este a última palavra? A “justiça regenerativa” é também explicitamente escrita [nesse projecto-lei] e a mediação entre marido e mulher pode também ser conseguida por meio de ordem do tribunal. É importante considerar e contrabalançar as inquietações dos opositores para que se encontre ainda um equilíbrio para apoiar tanto as mulheres como os alegados criminosos. No fim de contas, a definição de violência doméstica como crime público é significante e necessária para todas as intervenções e protecção de ambos - agressores e vítimas (incluindo as suas famílias) - que estava incluído no seu projecto de lei. Pereira Coutinho acredita, segundo o regimento da AL, que não poderá ser discutida mais nenhuma lei sobre a matéria nesta sessão legislativa. Parece-lhe que o deputado tentou inviabilizar o Governo, que disse ter inclusivamente uma proposta finalizada? Acredito que a legislação de Coutinho foi boa para fazer um “ensaio”. Para se ter uma posição genuína sobre o crime público. Agora vemos que realmente alguns deputados não cumpriram a sua promessa de inscrever a violência como crime público. No entanto, tendo como referência a anterior actuação dos outros deputados, não me sinto surpresa ou desapontada pelo facto do projecto-lei de Pereira Coutinho ter sido chumbado. Acha que deveria ser entregue uma proposta de lei pelo Governo porque, ainda que não promova o crime público, seria melhor do que nenhuma? A minha posição e do gru-

“Estamos muito desapontados com Chan Meng Kam” HOJE MACAU

Cecília Ho, responsável pelo Grupo de Cidadãos pela Violência Doméstica como Crime Público, acredita que o diploma da Nova Esperança devia ter sido aprovado porque “sumarizava todas as intervenções positivas e efectivas” e que embora os artigos pudessem estar incompletos, poderiam ter sido discutidos em sede de especialidade

po é muito firme e clara: devemos esforçar-nos por uma lei eficaz que propõe crime público, em vez de ter uma lei incompleta. Nós preferimos “nenhuma” do que ter uma lei que não pode mesmo ajudar as vítimas e, pior ainda, desaponta nas vítimas o sentimento de que os governantes e legisladores não ouvem a sua voz. A segunda proposta de lei não poderia funcionar de forma eficaz sem a intervenção das autoridades públicas. Por que razão tantos deputados votaram contra (12) ou se abstiveram (10)

No entanto, tendo como referência a anterior actuação dos outros deputados, não me sinto surpresa ou desapontada pelo facto do projecto-lei do Coutinho ter sido chumbado

relacionadas que podem fornecer argumentos mais científicos para convencê-los a mudar de ideias. Escrever um relatório à CEDAW Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher será o nosso último recurso e esperamos que o Governo possa manter a sua promessa de participar na conferência para protecção dos direitos das mulheres. O relatório será escrito nos próximos meses, bem como as informações relevantes. O prazo final é em Março.

Acho que os artigos deveriam ser detalhados mas isso poderia ser melhorado depois de aprovada e em sede de discussão na especialidade

de votar nesta lei? Chan Meng Kam foi um dos deputados que se absteve quando, em período de campanha legislativa, disse que votaria a favor do crime público. Por que acha que não votou “sim”? Sentimo-nos muito desapontados com o facto da lista de Chan Meng Kam se ter abstido de votar nesta lei, uma vez que é uma “votação de postura” que significa votar na principal razão por detrás da violência doméstica. Acho que os artigos deveriam ser detalhados mas isso poderia ser melhorado depois de aprovada e em sede de discussão na especialidade. Talvez Chan Meng Kam tenha algum tipo de hesitação no total apoio a esta causa. Ou, simplesmente, este projecto-lei foi apresentado por outros deputados, não por eles e, por isso, iriam pensar que não há sentido em oferecer

o seu apoio. Claro que não concordo com tais atitudes. Um bom deputado deve ouvir a voz dos residentes e a petição promovida pelo grupo tem hoje 5.500 assinaturas. Estão a pensar entregar esta petição ao Chefe do Executivo? Fizemos o convite ao Chefe do Executivo e a alguns governantes para conhecerem em privado algumas vítimas de violência doméstica. A nossa experiência mostra-nos que as pessoas ficam tocadas e mudam a sua visão acabando por apoiar o crime público quando ouvem as histórias na primeira pessoa. As pessoas precisam de criar empatias para que sejam “terra a terra” e façam uma política humanista. Faremos o mesmo com os deputados, a quem serão submetidas as assinaturas bem como as nossas opiniões e estatísticas

Juliana Devoy referiu que Macau foi signatário da CEDAW, em 2010, e que apesar do Governo ter dito à data que o Código Penal era suficiente para regular a violência doméstica, o IAS e outras organizações entendiam que seria necessária torná-la crime público, por isso, iriam criar esta lei. O que levou o Executivo a mudar de ideias? A mudança de ideias pode estar relacionada como o facto de o Governo poder enfrentar um grande obstáculo no sistema jurídico bem como os adversários ao crime público, que devem ter uma mentalidade “patriarcal” que acha que as mulheres são um bem dos homens. Também reflecte a falta de direcção para a manutenção dos direitos humanos, bem como os direitos das mulheres. A educação para a igualdade de género, entre legisladores e altos funcionários do Governo, é urgentemente necessária. A igualdade de género em todas as políticas públicas é um dos artigos indicados na convenção CEDAW que o Governo deve promover mas parece que a Administração não implementou nenhum. Hong Kong já implementou a integração do género há vários anos.


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SOCIEDADE

hoje macau terça-feira 12.11.2013

MACAO GAMING SHOW DECORRE ENTRE QUINTA E SEXTA-FEIRA

A apresentação oficial da Macao Gaming Show decorreu ontem e Jay Chun, presidente da associação organizadora, promete oferecer um evento focado nas empresas locais e nos que promovem o negócio nas mesas VIP ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

garantia da presença de empresas de jogo locais que vão participar na primeira edição da Macao Gaming Show, no Venetian, faz-se com números. Se 80% dos expositores presentes já participaram antes na G2E Ásia, a grande feira norte-americana, 20% não o fizeram e são Pequenas e Médias Empresas (PME) de Macau. Os dados foram apresentados ontem por Jay Chun, presidente da Macau Gaming Equipment Manu-

facturers Association (MGEMA), entidade ligada a maquinaria de jogo, na apresentação oficial da feira que decorre esta quinta e sexta-feira, no Venetian. Esta terá cerca de 30 participantes e 100 expositores. A aposta é ainda grande no sector das mesas VIP, operadas nos casinos por junkets. “Mais de 70% (das receitas) vem das mesas de jogo, mas a maior parte desses responsáveis nunca tiveram antes num evento como este, como os junkets. Este evento é de facto concebido para Macau.” Os responsáveis acreditam ainda que este evento “difere de outros

da área do jogo porque não se foca apenas nos equipamentos de jogo e serviços das operadoras, mas essencialmente está aberto a todos. Isso inclui a presença em Macau de grandes promotores junket, que têm vindo a ser ignorados noutras feiras e que contribuem para mais de 50% das receitas de jogo”.

TIAGO ALCÂNTARA

Junkets ganham voz em evento do sector GRANDE PRÉMIO OU COTAI?

O Macao Gaming Show vai decorrer ao mesmo tempo do segundo fim-de-semana de competição do Grande Prémio de Macau, mas Jay Chun garante que não haverá problema quanto à afluência de público. “Acreditamos que esta é a altura certa, as pessoas podem vir à convenção e ir assistir ao Grande Prémio.” Contudo, outra das razões para a realização da convenção é o facto de ser uma época melhor para as empresas, em termos orçamentais, para adquirirem equipamentos. As palestras vão servir para o debate do fomento do jogo na Ásia, nomeadamente o surgimento de

casinos em Taiwan, Japão ou Cambodja. Zhonglu Zeng, professor do Centro de Pesquisa e Investigação do Jogo do Instituto Politécnico de Macau (IPM) vai apresentar um

MACAU TEM MAIS DE 598 MIL HABITANTES E AUMENTO DO NÚMERO DE NADOS

Mulheres superam homens M

ACAU tinha, em Setembro último, 598.200 pessoas. No terceiro trimestre deste ano, o território passou a ter mais 6300 habitantes. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), 51,4 por cento são do sexo feminino. Só entre Julho e Setembro, nasceram no território 1682 bebés, o que significa, em termos trimestrais, um aumento de 10,4 por cento no número de nascimentos.

Se as mulheres estão em maioria, os bebés nascidos no terceiro trimestre deste ano vêm equilibrar a demografia: por cada 100 meninas nasceram 102,9 rapazes. Quanto aos óbitos, morreram 453 pessoas entre Julho e Setembro e 1389 durante este ano. Tumores, doenças do aparelho circulatório e respiratório são as principais causas. No que toca a casamentos, entre

Janeiro e Setembro, 3159 casais decidiram oficializar a relação, mais 358 do que nos primeiros nove meses de 2012. Há também mais trabalhadores não residentes em Macau – ao todo, são de 130 mil. No terceiro trimestre houve um aumento de 9600. Há, no entanto, menos imigrantes chineses: são 2391, menos 894 do que em Setembro de 2012.

relatório de investigação sobre o sector em Macau, enquanto que Changbin Wang, também do IPM, vai falar sobre a regulação para as máquinas de jogo.

Venda de cães online gerou debate no Facebook

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MA utilizadora da rede social Facebook colocou ontem à venda cerca de cinco cachorros com dois meses de idade num fórum de compra e venda de produtos intitulado “Macau Online Market”. Contudo, muitos dos utilizadores da plataforma começaram a criticar a iniciativa, exigindo uma nova lei dos animais em Macau. “Espero que a famosa Lei da Protecção dos Animais possa ser uma realidade, para que possa pôr fim a estes mercenários que só querem fazer dinheiro com a vida dos animais, que na maioria dos casos acabam os seus dias nas mãos dos veterinários do IACM (Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais)”, escreveu uma utilizadora. Outra questionou ainda se “as pessoas estão de facto autorizadas a vender animais nesta página? Está errado e vai encorajar as pessoas a vender pequenos cachorros para fazerem dinheiro”. O anúncio, que esteve online desde sexta-feira passada, deixou de ser visível na manhã de ontem. O HM

fez-se passar por um possível comprador dos cães e questionou o desaparecimento da publicação. A dona dos cachorros confirmou ter apagado o comentário porque recebeu “críticas e julgamentos por parte de pessoas”. “Não iria maltratar os cachorros por os vender…Deus sabe que eles estão bem tratados e bem amados.” Questionado sobre o lado legal desta questão, Albano Martins, presidente da ANIMA, lembrou que existe venda de animais em Macau, e que o facto de ser online não é diferente. A questão é a falta de regulamentação dessas mesmas lojas. “Essas lojas não têm regulamento nenhum. Há que haver regras quanto à dimensão das jaulas, por exemplo, ou a idade com que os animais podem ser vendidos, mas este é um mercado sem regulação”, disse ao HM. Garantindo que a ANIMA apenas tem ligação com lojas que vendem produtos para animais, Albano Martins frisa que há lojas que têm jaulas menores do que o próprio animal que albergam. - A.S.S.


sociedade 9

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GAES PUBLICA BASE DE DADOS SOBRE RECURSOS HUMANOS

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

TIAGO ALCÂNTARA

Trabalhar para o Governo é que é bom

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Á são conhecidas as quatro principais áreas laborais que vão precisar de pessoas qualificadas até 2015. Segundo a base de dados disponível desde ontem, na versão em português, no website do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), as áreas de enfermagem, ensino, informações e tecnologia, assistência social e hotelaria e convenções serão as mais necessitadas. Os números mostram ainda que 72,85% dos licenciados querem trabalhar para o Governo. Em segundo lugar surge o sector da banca, com 34,25% das preferências, enquanto que 29,33% dos alunos querem ser docentes. 27,4% quer trabalhar nos casinos. As profissões menos desejadas são as da área da advocacia e jornalismo. O GAES analisou a escolha dos estudantes tendo como referência o salário médio da profissão, bem como os seus benefícios, estabilidade profissional e a posição da profissão para o desenvolvimento económico. Se 70% dos alunos querem trabalhar depois da formação superior, 90% quer continuar a fazê-lo em Macau. Apenas 11% deseja frequentar um mestrado, o que significa uma quebra de 2% face ao ano passado. De frisar que estes dados não incluem os estudantes locais que estudam fora de Macau. Segundo o jornal Ou Mun, o GAES terá admitido que o inquérito ainda poderia ser melhorado. Para o ano lectivo de 2014/2015, o Governo prometeu analisar os estudantes com desempenho excelente que estejam nas universidades estrangeiras, para analisar se existe uma tendência de regresso a Macau.

MAU CENÁRIO PARA ENSINO E SAÚDE

Segundo as previsões do Executivo, baseadas nos inúmeros relatórios feitos pelos departamentos governamentais, o sector hoteleiro e turístico, incluindo a área das exposições e convenções, serão uma das que mais vai necessitar de pessoas. Até 2015, serão necessárias cerca de 7125 pessoas, mas o mercado terá disponíveis apenas 1939 pessoas. Contudo, estas previsões incluem ainda “aqueles que desempenham várias profissões de

O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior publicou ontem a tradução da base de dados sobre a procura e oferta de recursos humanos qualificados até 2015. Mais de 70% dos que saem das universidades querem ser funcionários públicos. Os sectores da saúde, educação e assistência social são as áreas que mais precisam de pessoas apoio a esta mesma indústria”, isto porque a procura de recursos humanos para a indústria hoteleira “é mais variada”, pode ler-se. No que diz respeito às áreas mais relacionadas com a popula-

ção, como a educação ou a saúde, o cenário parece mais negro. Serão necessários entre 731 a 844 enfermeiros, mas o mercado irá disponibilizar apenas 505. Quanto ao pessoal docente em

escolas e jardins-de-infância, serão necessárias entre 1406 e 1548, mas das faculdades só vão sair 802. Chan Hong, deputada do sector da educação e serviço social, já

veio contudo lançar criticas à base de dados, apontando que é feita tendo como ponto de partida o número de estudantes dos cursos, pelo que as necessidades reais poderão ainda ser superiores.

RUA DO PADRE JOÃO CLÍMACO VENDEDORES AMEAÇAM LEVAR QUEIXAS A PEQUIM

Sem negociação, apenas solução judicial

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O último domingo, os vendedores ambulantes fizeram um protesto e lançaram uma declaração pública a alertar que o comércio de rua está a desaparecer mas que não se vão deixar vencer. “Vamos lutar até ao fim, não estamos abertos a negociação, nem vamos ceder”, podia ler-se num dos cartazes empunhados no protesto.

No ano passado, John Lo, um dos proprietários de um edifício naquela rua, processou os vencedores ambulantes que não quiseram sair da terra nem lhe pagavam uma compensação de um milhão de patacas. O processo ainda não está agendado para julgamento. Já este ano, os vendedores ambulantes processaram o antigo empresário

daquele terreno, Teng Man Lai, por suspeita de ter destruído as provas daquilo que diziam ser

um caso de falsificação de documentos num terreno que era público e passou a ser privado. Ho Chio Meng, procurador do Ministério Público (MP), revelou em Outubro que a investigação do caso da Rua do Padre João Clímaco já está concluída, sendo que falta agora decidir se o caso é para ser arquivado ou se constitui matéria criminal. O empresário John Lo também disse que também está optimista face à negociação com os vendedores ambulantes, uma vez que alguns destes já comunicaram consigo. Contudo, na de-

Haiyan longe de Macau, apesar do vento

claração dos vendedores, John Lo está a dizer uma grande mentira uma vez que não querem negociar com o empresário. “O que queremos é justiça, nunca negociámos com John Lo nem procurámos a reconciliação. Não precisamos de dinheiro. Estamos à espera da decisão do MP. Estamos optimistas para que seja constituída matéria criminal”, disse Miu Fong Tak, um porta-voz dos vendedores ambulantes. A vendedora disse ainda que se as autoridades não defenderem a justiça, vai levar o caso até Pequim.

- C.L.

O tufão Haiyan está totalmente afastado de Macau e já se dirige para a costa chinesa. A garantia foi dada ao HM por Fong Soi Kun, director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, que disse ainda que deverá ocorrer chuva fraca no final da semana e explica o muito vento que se tem vindo a sentir nos últimos dias. “Este vento está associado a um anti-ciclone que vem de norte para sul. É uma monção de inverno que geralmente traz frio. Segundo as nossas previsões o tempo vai manter-se nublado e a partir do dia 14 (quinta-feira) vamos ter chuva fraca.”


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CHINA

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GOVERNO CHINÊS VAI AVANÇAR COM NOVAS POLÍTICAS NA AGRICULTURA

Reforma agrária é dada como certa A promessa do Governo chinês de aplicar reformas “sem precedentes” na economia, vista com cepticismo por alguns analistas, deverá confirmar-se a uma área: a da propriedade de terras nas áreas rurais. O Governo tende a permitir que camponeses comercializem as suas terras, rompendo o modelo de propriedade colectiva herdado do sistema comunista de Mao Tsé-tung. O plano, mencionado nas últimas semanas pela média estatal, foi confirmado por um integrante da comitiva brasileira do que se reuniu na semana passada com altos cargos chineses. Nas áreas urbanas, a terra é propriedade do Estado. A partir dos anos 1990, foi permitido que um vibrante mercado imobiliário se

desenvolvesse nas cidades, criando um dos motores do crescimento económico chinês. No campo, entretanto, a herança das comunas da época de Mao persistiu. A terra é propriedade colectiva dos camponeses, que não podem comprar e vender as terras em que trabalham e as casas onde vivem. Pela reforma arquitectada pelo Partido Comunista, o Governo concederá títulos de uso de terra a famílias na área rural, o que lhes dará condições mais favoráveis para migrar. A ideia é estimular uma nova onda de urbanização, com mais igualdade entre campo e cidade, e aumentar o consumo, uma das prioridades para mudar um modelo económico focado em investimento e exportações. A alteração no sistema de propriedade rural exigirá

Produção industrial chinesa sustenta ganhos da bolsa portuguesa

A bolsa portuguesa abriu em alta, em linha com as restantes praças europeias, que beneficiam com a subida acima do esperado da produção industrial na China. Este indicador avançou 10,3% em Outubro, face ao mesmo mês do ano passado, acima do esperado pelos economistas (10%) e do crescimento do mês anterior (10,2%). O PSI-20 avança 0,4% para 6.348,11 pontos, com 11 cotadas em alta, seis em queda e três inalteradas. O sector financeiro é o que mais impulsiona o índice português, depois da Moody’s ter melhorado a perspectiva, de negativa para estável, do “rating” da dívida pública portuguesa. O BES ganha 1% para 1,008 euros e o BCP soma 0,8% para 0,1128 euros. Ainda a impulsionar a praça portuguesa a Galp Energia avança 0,77% para 12,405 euros, a Jerónimo Martins sobe 0,55% para 14,68 euros e a EDP ganha 0,19% para 2,701 euros.

te da comitiva brasileira, repetindo o que ouviu de um dos chefes da agência de planeamento económico da China. Experiências em que camponeses são autorizados a vender terras entre eles tem vindo a ser feitos no país de forma discreta nos últimos anos. Mas o novo pacote de reformas promete uma revolução, diz o Governo, que não poupou comparações com a histórica abertura da economia lançada por Deng Xiaoping numa reunião do partido em 1978.

CIDADÃOS DE SEGUNDA

uma reforma fiscal, já que actualmente as terras rurais são uma fonte de renda importante para os Governos de cidades e províncias. “Vão

fazer uma reforma tributária para dividir os impostos e compensar os municípios que ficarão sem o dinheiro das terras”, disse o integran-

No ano passado, o Governo anunciou que a população urbana da China chegou a 51% do total (em comparação com 18% em 1978, quando o país começou a abertura económica). Por detrás dessa migra-

ção em massa, porém, há uma enorme desigualdade. Quase 40% da população considerada urbana (270 milhões) vive em cidades, mas continuam com o registo de residência do campo. Adoptado em 1958 para evitar o êxodo rural e assegurar a produção agrícola, esse registo, conhecido como “hukou”, mantém os migrantes como cidadãos de segunda classe quando se mudam para as áreas urbanas. Entre os direitos negados nas cidades aos migrantes sem registo estão a compra de bens como imóveis e carros e o acesso a serviços como educação e saúde. “O mais importante é que a população rural não está conectada ao sistema de benefícios sociais. A única forma de estimular o consumo é dar a essas pessoas esse tipo de segurança”, diz Lawrence Brahm, autor de vários livros sobre a China. A expectativa é que entre as reformas aprovadas pelo Governo esteja a concessão do “hukou” a migrantes em pequenas e médias cidades.

FMI Mudanças económicas dão força à economia mundial

Pequim recomenda flexibilidade e pragmatismo em diálogo com o Irão

O

A

director de estudos da região Ásia-Pacífico do Fundo Monetário Internacional (FMI), Steven Barnett, escreveu ontem um artigo para jornal chinês Diário do Povo, apontando que a reforma económica da China foca-se num desenvolvimento a longo prazo, não procurando apenas velocidade de crescimento, o que injecta dinâmica à economia mundial. Steven Barnett comentou que apesar da desaceleração do crescimento económico, a economia chinesa demonstra uma tendência de desenvolvimento equilibrado e saudável. O investimento no país continua forte,

mas o peso do consumo caiu. Neste contexto, são indispensáveis medidas que visem reduzir a dependência do investimento. Ao mesmo tempo, as instituições financeiras devem fortalecer o seu papel de serviço e agir para controlar o aumento excessivo do crédito, tema importante que deve ser abordado na reforma. O artigo prevê que até 2030 a China possa tornar-se na maior economia do mundo, caso implemente bem a reforma. Steven Barnett concluiu que a reforma chinesa favorece não apenas o país, mas também impulsiona o desenvolvimento económico do mundo.

China pediu flexibilidade e pragmatismo na nova rodada de conversações sobre o tema nuclear iraniano, que tem lugar em Genebra, e manifestou a esperança de que essas negociações progridam o quanto antes. O tema foi abordado pelo porta-voz da chancelaria chinesa, Hong Lei, que respondeu a perguntas sobre os pronunciamentos dos Estados Unidos de que aliviarão as sanções de forma limitada e sem alterar a arquitectura central das mesmas. A reunião em Genebra, da qual participam o Irão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das

Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), além da Alemanha, poderia conseguir novos progressos de imediato, agregou Hong. “Consideramos que todas as partes devem adoptar uma atitude flexível e prática e procurar uma solução favorável e benéfica para todos”, afirmou. O porta-voz insistiu que a China está pronta para cooperar com as partes para que estas conversações em Genebra alcancem êxito. A delegação chinesa é dirigida por Pang Sen, director geral do departamento de controlo de armamentos da China.

Hong Kong tem a escola mais verde do mundo

A

escola secundária Sing Yin, em Hong Kong, foi considerada pelo conselho norte-americano para infra-estruturas verdes como a Escola Mais Verde da Terra. A classificação foi obtida graças às várias fontes de energia renováveis, sistemas de poupança energética implementados e pelos

valores sustentáveis que transmite aos seus alunos. Aenergia utilizada pela escola provém de diversas fontes de energia renovável, painéis fotovoltaicos e turbinas de vento. A par disto, o estabelecimento de ensino implementou ainda um sistema de poupança energética, ao substituir as lâmpadas convencionais

por LEDs e sensores de movimento. No exterior, a escola plantou um jardim de bambus para a produção de oxigénio, cultiva uma quinta orgânica e um aquário de corais. Paralelamente, para os meses de verão, a escola possui um sistema de sombra que reduz a necessidade de utilização de ar condicionado.

O desenvolvimento sustentável é também uma disciplina que faz parte do currículo académico dos alunos desta escola. Todos

os anos, a secundária Sing Ying recruta 100 alunos para desempenharem as funções de embaixadores e monitores ambientais. No último ano, a escola organizou uma campanha – denominada Escola Verde, Família Verde – para encorajar as famílias da comunidade local a implementarem estratégias de eficiência energética para potenciarem a poupança de energia.


china 11

hoje macau terça-feira 12.11.2013

REGIÃO Coreia do Norte terá executado publicamente 80 pessoas

O regime da Coreia do Norte executou publicamente 80 pessoas em sete cidades do país por delitos menores, como ver filmes da Coreia do Sul, distribuir pornografia ou ter bíblias, noticiou o diário sul-coreano Joongang. As execuções foram levadas a cabo no passado dia 3, segundo o jornal, que cita uma fonte anónima “familiarizada com os assuntos internos da Coreia do Norte que visitou recentemente o país”. Segundo a fonte do Joongang, as execuções tiveram lugar num total de sete cidades, incluindo Wonsan, Chongjin e Sariwon, não se tendo registado casos na capital norte-coreana, Pyongyang. Visualizar ou contrabandear filmes sul-coreanos, distribuir conteúdos pornográficos, trabalhar na prostituição ou possuir bíblias são os delitos que, segundo a mesma fonte, justificaram as alegadas execuções.

Japonesa Kirin planeia aumentar produção de cerveja no Brasil “DIA DOS SOLTEIROS” BATE RECORDE DE VENDAS NA INTERNET

Consumo termina com timidez O

“Dia dos Solteiros” na China foi ontem assinalado com um volume recorde de compras ‘online’, mostrando que, pelo menos quanto ao consumo através da Internet, este sector da população não é propriamente tímido. Entre a meia-noite e as 6h, as receitas do maior portal de comércio electrónico chinês, o popular Taobao, facturou 10.000 milhões de yuan, montante que no “Dia dos Solteiros” do ano passado só foi atingido ao fim de treze horas, disse a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

Ontem, logo no primeiro minuto deste dia 11 do mês 11 (uma singular sequência de quatro 1), cerca de 13,7 milhões de pessoas fizeram compras na Internet, indicou a mesma fonte. A empresa proprietária do Taobao facturou ontem mais de 30.000 milhões de yuan, um aumento de quase 60% em relação há um ano. Segundo dados revelados na imprensa oficial, o comércio electrónico na China emprega mais de 2,2 milhões de pessoas e em 2012 as compras online renderam 1,3 mil milhões de yuan.

Devido à política de “um casal, um filho” e à tradicional preferência das famílias por descendentes do sexo masculino, entre a população nascida na década de 1980, por cada 100 mulheres solteiras há 136 solteiros e em 2020, haverá cerca de trinta milhões homens que não conseguirão encontrar uma noiva. Uma conhecida agencia matrimonial chinesa, a zhenai.com, diz ter sessenta milhões de membros. A província de Guangdong, a mais populosa da China, com cerca de 105 milhões de habitantes, e

UM MORTO E SETE DESAPARECIDOS À CHEGADA DE TUFÃO

Haiyan devastador U MA pessoa morreu e sete outras foram dadas como desaparecidas ontem após a chegada à China do Haiyan, tufão que causou milhares de mortos nas Filipinas e graves danos no Vietname e em Taiwan, informou a Xinhua. De acordo com a agência oficial chinesa, os setes desaparecidos formam parte da tripulação de um barco que, depois se ter rompido a corda que o amarrava ao cais, ficou à deriva em águas próximas da ilha de Hainão, a primeira zona da China a sentir o impacto do Haiyan, onde se registaram apagões e cancelamentos de voos. O Haiyan, que perdeu força e é agora uma tempestade tropical, chegou à região

autónoma chinesa de Guangxi, no sul, com ventos de até 118 quilómetros por hora, segundo a Xinhua. Na China, o Haiyan, que afecta sobretudo Ningming, em Guangxi, move-se para nordeste a uma velocidade de cerca de 15 quilómetros por hora. Já no domingo, por influência do Haiyan, localidades da costa de Guangxi registaram precipitações de até 291 milímetros. Esta zona encontra-se sob alerta vermelho – o mais elevado nível de prevenção –, depois de o tufão ter arrasado o centro das Filipinas e ter causado também pelo menos cinco mortos no Vietname e oito na ilha de Taiwan.

uma das mais prósperas, que confina com Macau e Hong Kong, é também a que tem a maior percentagem de celibatários: 11% de todo país. Shenzhen, uma zona económica especial, a adjacente a Hong Kong, é considerada “a capital dos homens solteiros”, com um ratio de 100 celibatários por 74 celibatárias. Entre as profissões, o jornalismo é a mais refractária ao matrimónio, seguida da publicidade e das relações públicas, segundo uma sondagem da zhenai.com citada pela Xinhua.

O fabricante japonês de cerveja Kirin Holdings planeia investir, no próximo ano, cerca de 15.000 milhões de ienes para aumentar a sua presença no Brasil, terceiro maior consumidor do mundo, informou o Nikkei. Com o investimento, a Kirin espera poder duplicar a produção de cerveja em lata na sua fábrica, localizada na cidade de Igarassu (estado de Pernambuco, no nordeste do país) até cerca de 300.000 quilolitros, o que elevará em 10% a quota de mercado da firma nipónica no Brasil. Além disso, a Brasil Kirin, que produz cervejas como Devassa e Cintra, os refrigerantes e água Schin e sumos como Fruthos, não descarta ampliar as suas fábricas no país – onde conta actualmente com 13 unidades –, face ao esperado aumento da procura devido a eventos como o Mundial de 2014 ou os Jogos Olímpicos, em 2016.

Primeiro-ministro indiano falta a cimeira da Commonwealth

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, vai faltar à cimeira que a Commonwealth realiza no Sri Lanka, 15 a 17 de Novembro, após pressões para boicotar o evento devido a alegados crimes de guerra cometidos por Colombo, disse uma fonte governamental. Singh escreveu ao Presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapakse, informando-o da sua decisão de não participar na cimeira de chefes de Governo da Commonwealth, acrescentou a fonte do Governo indiano. O primeiro-ministro indiano foi pressionado por grupos Tamil indianos e vários poderosos ministros federais para faltar ao encontro, que reúne 53 países, como forma de protesto contra o suposto massacre de civis Tamil por forças do Sri Lanka, em 2009, no final de décadas de guerra civil nesta ilha. A carta de Singh não explica as razões pelas quais o chefe do Governo falta ao evento, de acordo com a agência Press Trust of India.

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CONFERÊNCIA Paisagens e cartografias da identidade portuguesa Orador: Professor João Luís Fernandes (Universidade de Coimbra, Portugal) Data: 13 de Novembro, às 15,00 horas Local: Anfiteatro 1 do Edf. Wui Chi, Instituto Politécnico de Macau Rua de Luís Gonzaga Gomes Língua: Português, com tradução simultânea para Chinês Nota: O Professor João Luís Fernandes é geógrafo, com Doutoramento em Geografia Humana pela Universidade de Coimbra e é professor da Faculdade de Letras e investigador do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território das Universidades de Coimbra, Porto e Minho.


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hoje macau terรงa-


ARQUITECTURA

-feira 12.11.2013

O

melhor arranha-céus do mundo em 2013 é a sede da televisão estatal chinesa CCTV, em Pequim, projectada pelo atelier do arquitecto holandês Rem Koolhaas, também autor da Casa da Música, no Porto. O prémio surge dez anos depois de Koolhaas ter escrito uma espécie de manifesto intitulado Matem o Arranha-Céus, onde se queixava da falta de imaginação na construção desta tipologia de edifício. Agora o Prémio Pritzker mostrou-se grato por ser reconhecido por “uma comunidade que está a tentar tornar os arranha-céus mais interessantes”. O anúncio dos vencedores foi feito quinta-feira e foi o corolário de quase um ano de trabalho do júri, que analisou mais de 60 projectos. O inconfundível edifício assinado pelo OMA - Office for Metropolitan Architecture de Koolhaas em Pequim foi distinguido por, “em vez de competir na corrida pela maior altura e pelo estilo através de uma torre tradicional elevando-se rumo ao céu, a volta do CCTV propõe uma verdadeira experiência tridimensional” aos 234 metros, como disse o júri. A decisão do Council on Tall Buildings and Urban Habitat, a autoridade mundial no campo dos arranha-céus, deixou para trás outros três edifícios que com ele competiam pelo título: o canadiano The Bow, projectado pela Foster + Partners de David Foster, o londrino The Shard, de Renzo Piano, e Sowwah Square, em Abu Dhabi, pela Goettsch Partners. A eleição anual é feita a partir de uma escolha por

O ARQUITECTO REM KOOLHAAS É O AUTOR DO PROJECTO

O melhor arranha-céus do mundo é na China categoria geográfica, sendo eleitos os melhores no continente americano, europeu, asiático e no Médio Oriente e África. Na sua apresentação do projecto na cerimónia de

quinta-feira, em Chicago, Rem Koolhaas lembrou o seu manifesto: “Quando publiquei o meu último livro, Content, em 2003, um dos capítulos chamava-se Matem o Arranha-Céus.

Basicamente era uma expressão de desilusão com a forma como a tipologia do arranha-céus era usada e aplicada. Não achava que restasse muita vida criativa nos arranha-céus. Por isso,

tentei lançar uma campanha contra os arranha-céus na sua forma mais desinspirada.” Brincando com o facto de estar a ser premiado por um arranha-céus e com o facto de essa “declaração de guerra” ter sido ignorada, o arquitecto agradeceu aos seus pares pelo prémio, que tiveram de votar quatro vezes até encontrarem o vencedor. O público presente na cerimónia foi também convidado a votar e o resultado coincidiu com a escolha do júri. Entretanto, o Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH) tem

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uma outra tarefa importante em mãos, cujos resultados devem ser conhecidos na próxima semana: há dois edifícios em luta pelo título de edifício mais alto do Ocidente – sendo que não existe uma medida específica para o que é considerado um edifício elevado, um arranha-céus ou mesmo uma mega-estrutura. Mas há critérios, como explica o CTBUH no seu site. E agora, a velhinha Willis Tower de Chicago (mais conhecida como Sears Tower e um dos ícones da silhueta da cidade do Illinois) bate-se com o novo One World Trade Center, em Nova Iorque, para se poder apelidar de “mais alta”. Em causa não estão dúvidas quanto a medidas: é certo que o edifício construído após a queda das Torres Gémeas nos atentados de 11 de Setembro de 2001 tem 541 metros (1776 pés, em tributo à data da Declaração de Independência dos EUA) e que a Willis Tower no centro da terceira maior cidade dos Estados Unidos 442 metros, não incluindo as antenas que a encimam (527 com as ditas antenas). A dúvida reside no topo. No cimo do One World Trade Center está uma antena ou um pináculo? Se os 30 membros da comissão que se reuniu sexta-feira para avaliar o caso concluírem que é uma antena, Chicago volta a sentar-se no trono - as antenas de telecomunicações são consideradas acrescentos amovíveis nos edifícios e não são contabilizadas para a altura final. Actualmente (e desde 2010), o edifício mais alto do mundo é o Burj Khalifa, no Dubai, com 828 metros de altura.


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EVENTOS HOJE MACAU

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ERMINOU na passada sexta-feira mais uma edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa – evento organizado pela UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa) e pela Prefeitura de Natal, no Brasil, agora em quarta edição -, no qual o tema final foi “A Literatura e o Erotismo”, num painel composto pelos escritores portugueses Mário Zambujal, João de Melo, Celina Veiga de Oliveira, em representação do IIM, e Nuno Camarneiro e a são-tomense Alice Goretti de Pina. Celina Veiga de Oliveira discorreu sobre “O conto (pouco erótico) na obra de três escritores macaenses”, a sensibilidade e erotismo a oriente, dos poemas de Camilo Pessanha e dos trajes e costumes de Macau, informa o comunicado de imprensa do IIM. “Pequenos e grandes prazeres: O Corpo” foi o tema escolhido pelo escritor açoriano João de Melo que, com metáforas e ousadia, confessou ter amado “literariamente gente inventada na criação da linguagem”. Definiu o erotismo literário como uma “aventura de extremos” e relembrou a literatura erótica de Bocage, da perdição de Luísa no “Primo Basílio” de Eça de Queirós, de Casanova, Marquês de Sade, Jorge Amado e “A Casa dos Budas Ditosos” de João

hoje macau terça-feira 12.11.2013

IIM NO IV ENCONTRO DE ESCRITORES DE LÍNGUA PORTUGUESA REALIZADO NO BRASIL

Sob o signo do erotismo escritora do “Dia de São Lourenço” o erotismo está “muitas vezes em nós e na importância que lhe queremos dar”. O painel do dia 8 de Novembro, terminou com a intervenção de Nuno Camarneiro, um escritor

Ubaldo Ribeiro, acrescenta a nota de imprensa. Para a São-tomense Alice de Pina o “erotismo é tão natural como é a gastronomia e o humor” e relembrou a linha ténue entre o erotismo e a pornografia. Para a

formado em engenharia física e que ganhou este ano prémio LeYa com o romance “Debaixo de Algum Céu”. Com o tema “O lábio cego”, o escritor evocou Manuel de Barros, um “velho louco” como o definiu. Para Nuno

Camarneiro é difícil estabelecer uma fronteira entre erotismo e a pornografia, e relembrou a obra “A Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro, como um livro de um “erotismo único, libertário e transgressor”.

ERIK FOK VENCEDOR DO PRÉMIO FUNDAÇÃO ORIENTE/ARTES PLÁSTICAS

Olhar antigo sobre a urbe actual O “Salão de Outono 2013”, inaugurado na passada sexta-feira, contou com a presença de cerca de 100 convidados, incluindo So Shu Fai, Director Executivo e CEO da Sociedade de Jogos de Macau, Vítor Sereno, Cônsul Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Ana Paula Cleto, Coordenadora da Delegação de Macau da Fundação Oriente, e Chow Chun Fai, Presidente da Hong Kong

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

“Fotanian” Artists’ Village, Yue Minjun, o consagrado artista contemporâneo chinês e o conhecido curador chinês Feng Boyi, informa o comunicado de imprensa da organização. Na ocasião foi anunciado o resultado do concurso para o Prémio Fundação Oriente/Artes Plásticas. O vencedor do prémio foi o jovem artista Erik Fok. O seu trabalho apresenta um estilo particular, usando o estilo europeu de desenhar

mapas antigos. O artista explora o desenvolvimento urbano actual, demonstrando a sua atitude face ao que o rodeia. Erik Fok terá a oportunidade de se deslocar a Portugal, durante um mês, para uma residência artística, em 2014. O prémio tem um valor de 50,000 patacas, montante que se destina a apoiar a residência do artista premiado em Portugal, durante um mês, a fim de trabalhar junto de instituições artísticas públicas ou

privadas, acrescenta a nota de imprensa Dada a grande qualidade das obras, o júri decidiu atribuir duas menções honrosas: uma a Cai Guo Jie pelo trabalho intitulado “Taipa House - Museum” e outra a Wong Kong Po pelo trabalho de video “The Common People”. O “Salão de Outono 2013” pode ser visitado na Casa Garden, das 10 às 19h, todos os dias, excepto à segunda-feira e dias feriados.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

SOFÁ DAS ILUSÕES • Gonçalo Lobo Pinheiro

AS ORIGENS DA ORDEM POLÍTICA • Francis Fukuyama

“A poesia de Gonçalo Lobo Pinheiro é o rastreio do sentir do poeta, enquanto ser humano, registando um desenrolar límpido e consequente, permitindo que o leitor se deleite nos seus percursos, lendo-a e relendo-a.” (do Prefácio, António MR Martins)

O mais recente livro de Fukuyama é uma viagem à história da humanidade, analisando as primeiras formas de Estado e as suas interpretações mais recentes. Reportando um vasto leque de conhecimentos - desde a história até à biologia evolutiva, passando pela arqueologia e a economia - este autor americano escreveu um livro brilhante e provocador, que propõe novas interpretações para a origem das sociedades democráticas, colocando questões essenciais sobre a natureza da política e o descontentamento que tem provocado.


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a revolta do emir

Pedro Lystmann

But she [Rome] has raised her head among the other cities High as a cypress-tree above the guelder-rose. (Virgílio, Écloga I)

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QUELES A quem a insistência neste tópico enfada poderão adiar por momentos a sua relutância em (re)confrontá-lo ao considerar que ela ocorre como expressão de uma indignação bem intencionada. Os que praticarem esta largueza só poderão, mais tarde, lucrar com ela. Na devota cidade de Macau, a falta de esplanadas e de locais de bebida ao ar livre no topo dos edifícios, numa cidade que exibe, ao invés da sua pequenez, um conjunto capaz de prédios altos, continua a causar uma inquietante perplexidade em todos aqueles que concedem ao seu tempo livre o destaque brilhante que ele merece. Esta perplexidade estende-se por uma intenção generosa e caritativa. O autor destas linhas não se indigna apenas pelos incómodos que esta falta lhe causa pessoalmente, mas pela certeza de que a sua revolução traria avanços significativos às massas em geral. Apenas o sentido do dever me traz, transpirado mas tranquilo, a estas penosas e inconvenientes considerações. Trata-se de uma falha que tem afligido outros cidadãos locais, alguns dos quais sobre ela já, honrados e desesperados, escreveram. Algumas das razões que a permitem estão identificadas e têm que ver com legislação e emissão de licenças. É uma falha particularmente viva quando se encontram tantos exemplos em que ela não existe. Kuala Lumpur é uma cidade extraordinária. Um observador fascinado, mas menos atento, poderá não reparar que a quantidade de arranha-céus que se ergue, petulantemente, pelo seu centro esconde, afinal, uma cidade relativamente pequena e aconchegada mas suficiente na oferta de um leque diversificado de prazeres. Não é preciso apanhar um comboio para verificar a pequenez da cidade, basta apenas subir a um dos seus edifícios altos, que são muitos e brilhantes, para que se ateste, mesmo de uma altura modesta, quão perto se revela a sua suburbia. É tremendamente fácil de o fazer. Não conheço nenhuma outra cidade desta dimensão onde existam tantos bares e piscinas espalhados por andares altos e expostos ao seu sol generoso e benigno, quase sacro e certamente fértil. Se estas linhas se estão a tornar num elogio a esta cidade, ainda pouco amada de tantos, é porque algumas visitas recentes a isso obrigam. Não só por várias zonas centrais se estendem restaurantes e bares com vasta mostra de esplanadas como, repito, não há arranha-céus em que se não tenham montado palcos para bebida, comida e exibição de vaidades. É uma cidade que convida a permanecer, não havendo razões fortes para a abandonar. Kuala Lumpur é a décima cidade do mundo com mais edifícios com mais de 100 metros, e as Torres Petronas, que são ainda as sextas mais altas de todo o mundo, conservam um apelo que será difícil de desaparecer num futuro próximo. Estas vigiam, com um ar mais bondoso que severo, os admiradores que de outras torres

SÍTIO ELEVADO E ABERTO DE ONDE SE TEM BOA VISÃO em volta não deixam de lhes lançar, a espaços, um olhar sedutor e adúltero. Estas são como duas irmãs solteiras de uma cidade de província situada junto ao mar, virgens rituais que fazem suspirar, ao mesmo tempo que lhes fazem lembrar as suas incompetências, os homens locais. Aqueles a quem a uma vontade de visitar a capital malaia juntam receios de proibições religiosas desenganem-se. O malaio, mesmo o islâmico, sereno e tolerante exteriormente, não interfere no gozo alheio. Estes são emblemas perfeitos de uma estação elevada da vida, terraços onde se insinua uma aspiração urbana que obriga a viver eternamente nas alturas e abandonar, de vez, o chão, a terra e a imobilidade rural.

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Chamo de novo a atenção para a leitura do livro Cities Without Ground, de Adam Frampton, Jonathan D. Solomon e Clara Wong, onde, a propósito de Hong Kong, esta extravagância suspendiça se revela e elogia. São variadíssimos os locais em Kuala Lumpur onde se pode beber (e comer) ao ar livre e em alturas góticas, a várias horas do dia. Em vários deles pode-se também nadar – se bem que este vosso dedicado servo só escolheria fazer acompanhar os martinis secos ou os brandies alexanders de uma exibição de mariposa se estes fossem ingeridos em quantidades desaconselháveis à flutuação. É penoso voltar a lembrar o que se passa em Macau. Que a administração local

permaneça teimosamente refractária à promoção da qualidade do lazer só sublinha a sua ignorância quanto ao que faz pulsar uma cidade contemporânea. Vem também relembrar, como já aqui foi feito com um sorriso, que a toda esta ignorância subjaz um traço mental que é difícil de esconder e quase impossível de ultrapassar : o de que se trata, afinal, de um complexo mental ainda essencialmente rural. O Bar Jaya, recentemente aberto no Hotel Sheraton, não ultrapassa esta falta. Tem piscina e é ao ar livre mas, num quarto andar, não causa as vertigens desejadas. Não tem vista. Também não causa qualquer vertigem a falta de modernidade e a vulgaridade da sua concepção, assente em desenhos e materiais de provas dadas, inócuos e menos maus. Pelo menos, expõe-se aos elementos sem receios, mesmo que esta ousadia pouco mais promova que um sorriso de condescendência e o receio de que a cidade, cada vez mais, se amoleça no comprazimento de um estilo internacional mole e repetitivo – aliás vagamente apropriado ao traço mental rural que define as suas opções. Camponês rico, iletrado e mal vestido, de uma exuberância envergonhada perante uma luminária que entende mal mas que exibe mais por obrigação que por ostentação, este é o Zé Povinho local.


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china crónica

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António Graça de Abreu

NO TEMPLO DE KUMBUM 青海 Qinghai, Tibete Oriental

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STO É como tudo na vida. Avança-se quando se conhecem os caminhos, acontecem percalços na via a percorrer e no objectivo a alcançar, podemos tropeçar no sílex das agruras da jornada mas sabemos minimamente para onde vamos. Desde Xining, capital da província do Qinghai eu sabia para onde queria ir, ignorava como lá chegar. A viagem, não muito longa, era para 塔尔寺Ta’er Si, um famoso templo lamaísta do budismo tibetano, a pouco mais de trinta quilómetros de Xining. Dizem-me que existem autocarros públicos que nos levam até ao mosteiro. Onde se apanham? “É fácil, suba por esta avenida, quando encontrar o hotel Hong Li tem outra estrada, é lá a paragem dos mianbaoche, os autocarros pequenos para Ta’er Si.” Escrevem-me os três caracteres que significam aproximadamente “Templo dos Pagodes ou das Torres”, memorizo-os e sigo as indicações. Chegado ao alto, à tal avenida, vejo dois mianbaoche estacionados. Nenhum deles tem escrito Ta’er Si na placa que indica o destino, vão para outros lugares. Questiono um dos motoristas. “Não é aqui, suba para a outra avenida, um pouco mais acima, depois do viaduto. Na paragem dos autocarros espere pelas carrinhas para Ta’er Si.” Avanço mais uns quatrocentos metros e aí estou no local aparentemente certo. Chega um mianbaoche com Ta’er Si escrito na placa da frente. Entro. Pergunto ao motorista, “Vai para Ta’er Si?” O homem diz-me: “Não, eu venho é de Ta’er Si. Para o mosteiro, a paragem é do outro lado da rua”. Troquei o caminho de ida pelo caminho de regresso, nada de estranho para quem tem dúvidas face a tanto sobe e desce, face a tanta curva e às direcções exactas do sul e oeste numa cidade de Xining que começo agora a conhecer. Célere, encontro a carrinha certa rumo a Ta’er Si. Depois dos restos desinteressantes dos arredores de Xining, começamos a subir, quase até aos 3.000 metros de altitude (Xining está situada a 2.350 metros). No fim da linha, chegamos à vilazinha de Huangzhong, cheia de chineses, também com tibetanos e muçulmanos. Não há nenhum mosteiro à vista. Onde fica Ta’er Si? “Ah, Kumbum! Suba, suba pela estrada em frente, mais um quilómetro a pé e encontra o Kumbum.” O mosteiro tem portanto dois nomes, 塔尔寺 Ta’er Si em chinês e Kumbum em tibetano, o que significa no idioma do Dalai Lama, “cem mil corpos iluminados de Buda” numa alusão a uma árvore gigantesca com cem mil folhas nascida neste lugar, cada folha com uma figura budista. Subo, subo e entro no complexo de edifícios. Arcos voti-


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vos, stupas, pagodes, pavilhões e templos, tudo em arquitectura tibetana, de quando em quando com elementos chineses. Com o bilhete de entrada, compro o roteiro do excelente lugar. Pode-se não comprar bilhete e avançar pelos espaços dos templos. Mas como turista estrangeiro (uma raridade!) ou turista chinês pedem-nos o bilhete para ter acesso ao interior de uma dúzia de edifícios. Os tibetanos (tantos!...) que vêm rezar e prostrar-se diante de budas e stupas têm todo o Kumbum para si, é a sua casa de oração e o único bilhete de entrada que adquirem é o da promessa de, nas orações e prostrações, com Buda e os espíritos das puras montanhas nevadas da sua pátria, caminharem para uma vida melhor, a reencarnação perfeita, para o Paraíso budista. O conjunto das construções separadas umas das outras, com diferentes denominações como os Oito Pagodes, o Templo das Telhas Douradas, Salão das Esculturas em Manteiga de Iaque, o Templo da Longevidade, etc., distribui-se harmoniosamente pelo vale e pela encosta dos montes circundantes. Kumbum está rodeado por oito colinas e fico a saber que as associam a oito pétalas de lótus, verdes no Verão e no Outono, imaculadamente brancas no Inverno e na Primavera, quando as colinas se cobrem de neve. É tanta a semelhança com um lótus, de pétalas ora verdes ora brancas que templos e monges, vistos de cima correspondem aos estames e aos carpelos entre as pétalas da enorme flor de lótus. Em 1845, o padre lazarista francês Évariste Huc passou três meses nos templos do Kumbum, tentando aprender a língua tibetana antes de empreender a sua fantástica viagem para Lhasa. Deixou-nos uma original descrição do lugar que não resisto a transcrever, traduzindo: “A lamasaria de Kumbum conta aproximadamente com quatro mil lamas. A sua

posição no terreno mostra um aspecto de fascínios. Vemos uma montanha cortada por uma ravina larga e profunda de onde saem grandes árvores. Dos dois lados da ravina, nos flancos da montanha elevam-se em anfiteatro as habitações brancas dos lamas, todas de tamanho diferente, todas rodeadas por um muro, encimadas por pequenas varandas. Entre estas casas modestas surgem numerosos templos budistas com tectos dourados, faiscantes de mil cores.”1 Alexandra David-Néel (1868-1967), a grande tibetóloga francesa viveu neste mosteiro durante três anos e o também francês Paul Pelliot (1878-1945), um dos maiores vultos de sempre da Sinologia mundial, permaneceu no Kumbum durante largos meses. O grande mosteiro conta quinhentos anos de História. Aqui nasceu em 1357 o venerando Tsonkhapa, o fundador da seita e escola Gelugpa ou dos Chapéus Amarelos do lamaísmo tibetano, considerado uma reencarnação do bodhhisattva Manjusri, buda da Sabedoria. O mosteiro foi construído em 1560 exactamente na sagrada terra natal do grande lama Tsonkhapa. Hoje é habitado por cerca de 800 simpáticos monges que estudam e rezam nos vastos espaços dos templos. Funciona também como escola do budismo tibetano desde o ano 1612, onde os monges, para além de se exercitarem na disciplina da lei de Buda, aprendem história, astronomia, astrologia, medicina, literatura e cultura budista para o que contam com uma excepcional biblioteca com milhares de sutras e outros livros sagrados. Os lamas tibetanos têm tido problemas com a polícia e o exército chinês que por diversas vezes, face à hostilidade silenciosa ou manifesta dos seguidores do Dalai

Lama, lhes invadiu os espaços do templo, agrediu lamas e procedeu a numerosas detenções. É o equilíbrio instável entre tibetanos e chineses. Tanto sofrimento para as gentes do Tibete que tem levado, inclusive, a imolações pelo fogo de monges tibetanos! Um dia inteiro a passear-me pelo Kumbum. Quase no fim da visita (gostava também de ficar aqui durante umas semanas ou meses!) falta-me subir ao Palácio de Larang ou dos Bons Auspícios. Hesito, valerá ainda a pena, depois de me perder e de me encontrar com Buda em tantos templos maravilha – é necessário subir uma longa escadaria e os sessenta e seis anos já pesam --, valerá a pena a ascensão aos salões e pavilhões onde se costumam alojar os grandes lamas, de passagem pelo esplendor do lugar? Avanço, subo. Nas escadas encontro um grupo de meninos tibetanos, de uma escola primária da região. Descem ao meu encontro bem ataviados nas suas roupas coloridas. Rodeiam este pobre estrangeiro, um alarido e uma festa, dizem em chinês “meiguoren, meiguoren!”, ou seja “norte-americano”. Por estas paragens, para os miúdos tibetanos ou chineses pouco ou nada habituados a contactar com estrangeiros, os ocidentais são sempre “meiguoren”. Eu aviso-os que não sou “meiguoren” mas sim “ouzhouren”, quer dizer, “europeu”. Não falei em “Putaoya”, o nome de Portugal em chinês, porque, de certeza as crianças não associariam o topónimo ao nome de algum dos poucos países que conhecem. Tiro umas tantas fotografias ao alegre bando de meninos e meninas tibetanas, a esvoaçar na singular magia dos espaços de um dos grandes templos lamaístas do Tibete. Divertidos, dizem-me adeus, descem, eu continuo a subir. No alto, o conjunto de salas e quartos, tudo cem por cento tibeta-

no, impressiona pela decoração, os murais, as colunas, os tankas pintados pendurados, as tiras de brocado, as bandeiras, o mobiliário, os tectos, as cores esfuziantes do todo. Num cubículo, um monge desdobra a sua cantilena monótona na recitação de sutras, acompanhado pelo bater ritmado de um pequeno tambor. Subo mais escadas e chego ao último quarto do pavilhão no topo da colina. É um aposento dourado, amarelo, vermelho, verde, branco destinado aos maiores de todos os lamas. Sentado num banco, um monge de meia idade, zela pela manutenção e segurança do quarto. Sobre a grande cama, uma fotografia do actual Dalai Lama, a única que vi no Kumbum. As autoridades chinesas proíbem as fotos do Dalai Lama em toda a China e no Tibete, mas já em 1992, em Lhasa, no templo de Jokhang, o mais sagrado das terras tibetanas, eu tinha visto uma fotografia do Dalai Lama meio escondida atrás de um altar. A polícia chinesa costuma retirá-las mas os monges tibetanos voltam a colocá-las subrepticiamente nos lugares de culto. Ali no Kumbum, a imagem do Dalai Lama estava sobre a cama onde, no passado, haviam dormido outros dalais. Disse em chinês ao monge, silencioso, parado, sentado no seu banco no canto do quarto “wo feichang xihuan Xizang, wo feichang xihuan Dalai Lama”, ou seja, “gosto muito do Tibete, gosto muito do Dalai Lama.” O monge entendeu, levantou-se, aproximou-se de mim, fixou os olhos nos meus, não disse uma palavra, mas nos seus olhos húmidos e brilhantes estremecia a vastidão de um lago de ternura, de um oceano de sabedoria.

1 - R. P. Évariste Huc, Dans le Thibet, Paris, Librairie Plon, 1926, pag. 31.


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artes, letras e ideias José Goulão

O ESTADO DO ESTADO

UM “ESTADO AMIGO DOS NEGÓCIOS” SÓ FUNCIONARÁ EM PLENO COM BASE NESSES CONSENSOS, EM REGIMES AUTOCRÁTICOS E AUTORITÁRIOS ASSENTES EM “PACTOS DE REGIME” OU O QUE LHE QUEIRAM CHAMAR, UMA VERSÃO DE PARTIDO ÚNICO PARA O SÉCULO XXI.

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ANÚNCIO HM-1ª vez 12-11-13

EXECUÇÃO ORDINÁRIA

CV1-12-0030-CEO

1º Juízo Cível

-----EXEQUENTE: MELCO CROWN (MACAU), S.A., com sede em Macau na Avª Dr. Mário Soares, nº 25, Edf. Montepio, 1º andar Comp. 13.---------------------------------------------------------------------------------EXECUTADOS: 1. GAN JINPING, solteiro, de nacionalidade chinesa, titular do Salvo-Conduto de deslocação de Hong Kong para Macau n.º W34xx87xx, com última residência conhecida na China Província de Hubei, no Escritório de Fushan, ora ausente em parte incerta.--------------------------------------------------------------------------------2. WONG PUI FONG, divorciada, de nacionalidade chinesa, titular do BIR n.º 12xx7xx(0), residente em Macau, Taipa, na Rua de Évora n.º 455, Edifício Lai Chun Hin, 17.º andar B.-----------------------------------------------------------------------FAZ-SE SABER que nos autos supra referenciados, pendentes no 1º Juízo Cível deste Tribunal, foi decretada a venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte:------------------------------------Imóvel -----Denominação da fracção autónoma: “B17” do 17º andar “B”.-----------------------------------------------------Situação: na Taipa, rua de Èvora, n.ºs 435-475 e Avenida Dr. Sun Yat Sen n.ºs 191-227. -----Fim: Habitação.------------------------------------------------------------------------------------------------------------Número de matriz: 40822.-----------------------------------------------------------------------------------------------Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: N.º 22803 de fls. 120 do Livro B110K.----------O valor base da venda é de : Sete Milhões, Setecentas e Vinte e Cinco Mil Patacas (MOP7.725.000,00).----------------------------------------------------------------------------------------------------------São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregarem na Secretaria deste Tribunal as suas propostas até ao dia 11 de Dezembro de 2013, pelas 14:30 horas, devendo o envelope da proposta conter a indicação “Proposta em Carta Fechada”, bem como o número do respectivo processo.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A abertura das propostas realizar-se-á neste Tribunal na data e hora acima mencionadas, podendo os proponentes assistir ao acto.-----------------------------------------------------------------------------------------------É fiel depositária do imóvel a Sra. Jolly, Kylie Stewart, com domicílio profissional em Macau na Avª Dr. Mário Soares, nº 25, Edf. Montepio, 1º andar Comp. 13, que está obrigada, durante o prazo dos editais e anúncios, a mostrar o bem a quem pretenda examiná-lo, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção. ----------------------------------------------------------------------------------------------------Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação dos bens supra referidos, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma for aceite, nos termos do art. 787º do Código de Processo Civil.--------------------------------------------------------------------------------------------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., aos 5 de Novembro de 2013.--------------------------------------------

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PRESIDENTE da Comissão Europeia, Durão Barroso, desenvolve uma tão descarada como ilegítima campanha eleitoral ainda a meio ano da consulta europeia de Maio do próximo ano, em defesa talvez não das mordomias próprias – consta que ambiciona ainda mais alto – mas do reaccionarismo neoliberal europeu e da consolidação do seu poder autocrático. Não se tem dado muito bem in loco porque em Liège escapou por pouco aos ovos arremessados por agricultores desesperados e em Bruxelas não se livrou de um puxão de orelhas dado por um grupo de manifestantes. Quando se preparava para dissertar sobre “uma administração pública amiga dos negócios” sete funcionários públicos belgas estenderam uma faixa sobre a sua cabeça contrapondo “uma administração pública amiga dos cidadãos”. Querem cena mais simbólica do que se joga hoje no espaço ainda formalmente designado União Europeia e que não passa de uma Europa dos grandes negócios? O conceito de Estado chegou, de facto, ao centro do debate. Porque é um conceito de ruptura ideológica que nesta fase em que a crise traça o seu caminho em direcção ao neoesclavagismo se ergue como barreira,

se não a última pelo menos a mais importante, para a verdadeira anexação da democracia pela ditadura neoliberal. Barroso perorando sobre “administração pública amiga dos negócios”, os holandeses declarando a extinção do Estado social e em Portugal um vice-primeiro ministro divulgando um arremedo de “reforma do Estado” que é um atentado à Constituição do país, tão atacada pela banca nacional e internacional, são situações coincidentes e são mais do que coincidências. Desmantelar o Estado social, privatizar as funções sociais do Estado, colocar à disposição da grande iniciativa privada o aparelho que deveria ser dos cidadãos e os contribuintes sustentam, é o objectivo actual do neoliberalismo europeu. A liquidação do Estado social ou do que dele resta é a mais premente necessidade da contra-reforma social através da qual a grande finança transnacional, vulgo “os mercados”, e a poderosa máquina económica monopolista, sua aliada, procuram restaurar a ordem anterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, liquidar os direitos sociais, laborais e humanos instaurados desde então, inscritos nas Constituições e que delas vão desaparecendo em sucessivas revisões. A esta devastadora ofensiva neoliberal não escapa sequer o “capitalismo social”, esse keynesianismo

que ao tentar harmonizar negócios e alguns direitos humanos emerge agora como um inimigo do regabofe do lucro. Um “Estado amigo dos negócios” precisa de consensos políticos para deixar fora de combate as grandes maiorias que têm voz e ainda incomodam, mesmo não tendo poder. Um “Estado amigo dos negócios” só funcionará em pleno com base nesses consensos, em regimes autocráticos e autoritários assentes em “pactos de regime” ou o que lhe queiram chamar, uma versão de partido único para o século XXI. Reparem no que aconteceu aos partidos sociais democratas e socialistas desde Blair e seus sósias, chegando agora a Hollande e seus admiradores, agregados à reaccionária frente neoliberal através de invocações tão cínicas como “a responsabilidade do Estado”, a “estabilidade política”, a “governabilidade” e outras do mesmo tipo. A última barreira à concretização dessa contra-reforma é, de facto, o conceito de Estado. A substituição de um aparelho público democrático, social e de cariz humanista ao serviço dos cidadãos e por eles sustentado por uma estrutura ditatorial, desumanizada, assente na arbitrariedade ao serviço do dinheiro e do lucro de pequenas elites, igualmente sustentada pelos cidadãos.


DESPORTO

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FUTEBOL DE SETE TORNEIO JUNTA EQUIPAS DE 30 PAÍSES NA TAILÂNDIA

Casa de Portugal representa Macau MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau vai rumar à Tailândia no final do corrente mês para representar o território na edição de 2013 do Phuket International Soccer Sevens. A prova, que se disputa a 23 e 24 de Novembro pela décima primeira vez, deverá atrair à ilha resort tailandesa mais de uma centena de equipas oriundas de trinta nações e territórios dos quatro cantos do mundo. O torneio, aberto apenas a equipas amadoras, engloba três competições distintas. Para além de uma prova aberta a jogadores de todas as idades, o Soccer Sevens de Phuket disputa-se também na categoria de veteranos e oferece também ao sexo

feminino a oportunidade de competir. O Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal é uma das poucas formações inscritas no certame que vai disputar duas das competições em cartaz. O grupo de trabalho orientado por Pelé vai evoluir na chamada categoria “Open” e procurar brilhar na prova

Metlushenko vence Volta ao Lago Taihu e João Pereira acaba em 19.º

O ucraniano Yuri Metlushenko (Konya Torku Seker Sport), que liderava a geral desde o primeiro dia, venceu a Volta ao Lago Taihu, na China, acabando com o triunfo na nona e última etapa. Na tirada com partida e chegada em Wujiang, na distância de 94,4 quilómetros, Metlushenko, que terminou a competição com cinco vitórias em etapas, voltou a ser mais forte no “sprint” final, com um tempo de 2:03.15 horas. João Pereira (Banco BIC-Carmim) acabou em 21.º, integrado no pelotão, e foi o melhor português nesta última etapa e na classificação final, terminando no grupo dos 20 melhores (19.º, a 1.08 minutos do ucraniano). Bruno Sancho (25.º na geral), José Mestre (58.º), Henrique Casimiro (73.º), Valter Pereira (85.º) e David Silva (92.º) foram os outros portugueses do Banco BIC-Carmin que terminaram a prova chinesa.

Cesc Fàbregas aconselha Lionel Messi a parar

O companheiro de equipa Cesc Fàbregas aconselha Lionel Messi a parar, após o argentino ter sofrido nova lesão, em casa do Bétis de Sevilha. “Messi tem de parar o tempo que for preciso. É um jogador que precisa de explosividade para se poder destacar. Comigo passou-se algo parecido e é complicado. Ele pode acreditar que está bem, mas não está. Eu passei um calvário e, durante um ano e meio, não estive bem. Messi tem de parar o tempo que for preciso porque se não, não se curará da melhor forma”, afirmou o médio espanhol após o jogo em Sevilha.

de veteranos. A formação do território, que não conseguiu evitar a descida de escalão no âmbito da principal prova de futebol de sete de Macau, viaja para Phuket a 21 de Novembro e vai permanecer na Tailândia por cinco dias. Com Pelé seguem para a ilha balnear tailandesa dezoito atletas, mas a equipa de

veteranos da formação de matriz portuguesa vai contar com dois reforços de peso na competição. O jovem treinador são-tomense convidou dois antigos companheiros dos relvados para defender as cores da Casa de Portugal na Tailândia. Os antigos companheiros de equipa de Pelé voam de Portugal para

Banguecoque e vão juntar-se ao restante grupo em Phuket. Na estreia no International Soccer Sevens, os responsáveis pela Casa de Portugal querem sobretudo aprender com a experiência. Apesar de ser uma competição amadora e de não estar afiliada com qualquer organização internacional, a

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prova atrai equipas de grande qualidade. Pelé afiança por isso que a possibilidade da formação que dirige assinar um brilharete nos relvados de Phuket é muito reduzida: “Como é o nosso primeiro ano a participar, temos esperança de que possamos assinar uma boa participação. Não creio que sejamos capazes, ainda assim, de protagonizar grandes surpresas porque as equipas que participam são todas equipas de grande nível. Não vamos levar a equipa na máxima força porque alguns dos nosso habituais titulares trabalham e esta é outra questão que poderá influir na nossa performance. Queremos sobretudo aprender para o ano regressar com mais garra”, sublinha o técnico são-tomense. A Casa de Portugal em Macau fica na próxima quinta-feira a conhecer os adversários na competição. Para além da formação do território, a prova vai ainda contar com equipas oriundas de países e territórios como a República Popular da China, Singapura, a Malásia, Hong Kong ou o Japão.

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AVISO COBRANÇA DA 2.ª PRESTAÇÃO DO IMPOSTO COMPLEMENTAR DE RENDIMENTOS 1. 2.

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Avisa-se os Srs. contribuintes que a 2.ª prestação do referido Imposto respeitante a 2012, é cobrada durante o mês de Novembro do ano corrente. No mês de pagamento, se os contribuintes não tiverem ainda recebido o conhecimento de cobrança, agradece-se que se dirijam ao NÚCLEO DE INFORMAÇÕES FISCAIS, situado no r/c do Edifício “Finanças”, ao Centro de Atendimento Taipa ou ao Centro de Serviços da RAEM, trazendo consigo o conhecimento de cobrança ou fotocópia do ano anterior, para efeitos de emissão de 2.ª via do conhecimento de cobrança. O pagamento pode ser efectuado, até ao último dia do mês de Novembro, nos seguintes locais: - Nas Recebedorias do Edifício “Finanças”, do Centro de Atendimento Taipa ou do Centro de Serviços da RAEM; Os impostos/contribuições podem ser pagos por intermédio de cartão de crédito ou de débito emitido pelo Banco da China ou pelo Banco Nacional Ultramarino (incluindo “Maestro” e “UnionPay”). O montante total de pagamento não pode ser inferior a MOP$ 200,00 (duzentas patacas), nem superior a MOP$ 100 000,00 (cem mil patacas). O pagamento, através de cartão de crédito ou de débito, deve ser efectuado pelo montante total da dívida, sendo apenas permitido utilizar na operação um único cartão. - Nos balcões dos Bancos a seguir discriminados: Banco da China; Banco Comercial de Macau; Banco Delta Ásia; Banco Industrial e Comercial da China; Banco Luso Internacional; Banco Nacional Ultramarino; Banco Tai Fung e Banco Weng Hang. - Nas máquinas ATM da rede Jetco de Macau, , assinaladas com a indicação “Jetpayment”; - Por pagamento electrónico (“banca-on-line”), no Banco da China, no Banco Nacional Ultramarino ou no Banco Tai Fung, através dos endereços www.bocmacau.com, www.bnu.com.mo e www.taifungbank.com. , respectivamente; - Por pagamento telefónico “banca por telefone”, no Banco da China ou no Banco Tai Fung. Se o pagamento for efectuado por meio de cheque, a data de emissão não pode ser anterior, em mais de três dias, à da sua entrega nas Recebedorias da DSF, e deve ser emitido a favor da “Direcção dos Serviços de Finanças”, nos termos das alíneas 2) e 3) do n.º 1 do Artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2008. Se o valor do cheque for igual ou superior a MOP$ 50 000,00, deverá o mesmo ser visado, nos termos da alínea 4) do Artigo 5.º do Regulamento Administrativo acima mencionado. Os contribuintes podem também efectuar o pagamento através do envio de ordem de caixa, cheque bancário ou cheque por correio registado para a Caixa Postal 3030. Note-se que não se pode enviar dinheiro, mas apenas ordem de caixa, cheque bancário ou cheque, devendo incluir-se um envelope devidamente selado e endereçado ao próprio contribuinte, a fim de se enviar posteriormente o respectivo conhecimento, comprovando o pagamento. Lembra-se que devem ser respeitadas as regras descritas no ponto 4, relativamente aos cheques. - O envio para a caixa postal deve ser feito 5 dias úteis antes do termo do prazo de pagamento indicado no conhecimento de cobrança. Nenhum dos métodos acima mencionados acarreta quaisquer encargos adicionais aos contribuintes pela prestação do serviço de cobrança. Para sua comodidade, evite pagar os impostos nos últimos dias do prazo. Aos 28 de Outubro de 2013. A Directora dos Serviços, Vitória da Conceição


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FUTILIDADES

hoje macau terça-feira 12.11.2013

TEMPO

PERÍODOS

DE

C H U VA

Cineteatro

CINEMA

MIN

22

MAX

25

HUM

75-95%

EURO

10.6

ENDER’S GAME [B]

Um filme de: Alan Taylor Com: Natalie Portman, Anthony Hopkins 19.30

Um filme de: Gavin Hood Com: Hailee Steinfeld, Ben Kingsley, Viola Davis, Abigail Breslin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 3

SALA 2

(FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Shinsuke Sato Com: Junichi Okada, Fukushi Sota, Eikura Nana 21.30

THOR: THE DARK WORLD [B] Um filme de: Alan Taylor Com: Natalie Portman, Anthony Hopkins 14.30, 16.30, 21.30

Um filme de: Kees van Oostrum Com: Jeanne Tripplehorn, Liev Schreiber 14.30, 16.15, 18.00, 19.45

Não é difícil encontrar contradições na vida. Contudo, Macau é uma cidade que tem demasiadas contradições. Quando as Pequenas e Médias Empresas (PME) se queixam da falta de recursos humanos, os cidadãos estão contra a importação de trabalhadores. Quando as famílias precisam da ajuda das empregadas domésticas do continente, há quem esteja contra essa política. Quando os funcionários se queixam do mau ambiente que existe na profissão de croupier, os jovens recusam-se a deixar os seus cargos. Entendo que o mundo precisa de contradições para se desenvolver, porque se não houvesse conflitos para resolver, os seres humanos não teriam grandes avanços ao longo dos anos. Mas em Macau tudo é diferente: um grupo de cidadãos tem mesmo dificuldade em compreender as razões destas e outras questões sociais que por aqui existem. Já a dificuldade do Chefe do Governo faz com que se ignorem muitas vezes as opiniões dos cidadãos e se faça uma política sem consulta. Mas a questão não pode ser resolvida assim. Se os cidadãos não têm conhecimentos e consciência suficiente para perceberem as

Artista pregou partes íntimas no chão como protesto

• Um ganês de 21 anos foi multado em cerca de 600 Old Ghanaian Cedi (GHC) – cerca de 200 patacas - após ter sido apanhado a fazer sexo com uma ovelha em Elubo, no Gana. O pastor Joel Baiden viu o acto sexual e denunciou o jovem à polícia. Abdul Fatau foi condenado a pagar a multa após admitir o crime. Caso não pague a multa terá que ir para a prisão durante um ano. Segundo o chefe de polícia Ferguson Dzinaku, os moradores ficaram “chocados” com o incidente.

1.3

Contradição

LIBRARY WARS [C]

Ganês multado por ter sido apanhado a ter sexo com ovelha

YUAN

Pu Yi

A PERFECT MAN [C]

• Pyotr Pavlensky, artista performativo que anteriormente tinha cosido os lábios para contestar a detenção dos elementos da banda Pussy Riot, voltou a optar por uma forma original para se manifestar. O objectivo de Pyotr era alertar e sensibilizar a população para a indiferença social para o que entende ser um Estado policial, revelou o próprio no site Grani.ru. Para tal, despiu-se e pregou os testículos no chão, na Praça Vermelha, em Moscovo, e ali ficou por tempo indeterminado perante os olhares de quem ali passava. O inédito protesto foi interrompido pelas autoridades, que, entretanto alertadas para o caso, se aproximaram do russo e o taparam com uma toalha branca. Segundo a agência estatal RIA Novosti o homem foi visto por m médico numa clínica e levado para uma esquadra, sem precisar como o retiraram do local.

0.2

POR MIM FALO

THOR: THE DARK WORLD [3D] [B] SALA 1

BAHT

21

UMA CASSETE PICANTE E O FANATISMO PELO FUTEBOL

razões que gerem determinadas políticas, então o Governo precisa de fortalecer a educação cívica e comunicar mais com os cidadãos. Numa região tão pequena, a comunicação não deveria ser assim tão difícil. Ainda por cima, com receitas cada vez maiores, não existe a pressão financeira para fazer políticas. O que de facto faz falta é a clarividência e sinceridade para com os residentes. Infelizmente parece que o Governo da RAEM não põe em prática nenhum dos elementos que eu mencionei. As leis são feitas mas os cidadãos continuam a queixar-se muito, e quando é feita uma consulta pública nunca se conseguem recolher as verdadeiras opiniões da população em geral. Quando uma lei acaba de ser feita e votada pelos deputados, nunca está perfeita. Será possível resolver todas estas contradições que existem em Macau? Eu duvido. Mas pelo menos poderíamos sentarmo-nos e discutir tudo com calma e a tal abertura de que já falei. E, por favor, quando fizerem leis, oiçam de facto as pessoas e tenham cuidado a redigir o seu conteúdo. Evitam-se, assim, futuras contradições.

MACAU[SÃ]ASSADO CIDADE IMUNDA – PARTE II

Foto: Facebook

Keeley Hazell era uma ilustre desconhecida até uma simples cassete de teor sexual lhe mudar a vida. Um vídeo escaldante em que aparecia com o ex-namorado acabaria por ser passaporte para a fama da jovem britânica, de 25 anos. Esse incidente traduziu-se, depois, em inúmeras oportunidades de carreira. De resto, num breve olhar pela Internet, é possível ver Keeley Hazell com várias camisolas de clubes da Premier League. Não tem uma preferência clubista e diz ser apenas uma grande adepta da selecção inglesa. Aparentemente também gosta de espuminha...

fonte da inveja

As mulheres são como as cerejas. E mais nada...

João Corvo • O lixo continua por aí, espalhado para quem quer ver – e fotografar. Para o deixar mais escondidinho ainda há quem o coloque quase debaixo de um carro. Pode ser que assim, as autoridades pensem que o lixo é do dono do carro. Enfim, mentalidades que deixam qualquer um louco. E o Governo, o que faz?


OPINIÃO

P

hoje macau terça-feira 12.11.2013

AGNES LAM

ENSO ingenuamente qual seria a solução se o caso da menina Choi Ka Ka se repetisse de novo?

Versão I: Se voltamos para o dia em que, pela primeira vez, a menina Ka Ka foi Hospital Conde de São Januário, ou seja, no terceiro dia após o nascimento da menina, o melhor seria os médicos terem dito honestamente não haver qualquer pressuposto em Macau para curar a doença da menina mas provavelmente sim em Hong Kong ou outros lugares. Depois, teria sido importante que se informassem sobre a situação económica dos pais, e que, tendo em conta da impossibilidade destes de sustentar as despesas avultadas, procedessem ao pedido do tratamento médico no exterior. Versão II: Se voltamos para o momento em que foi confirmada a possibilidade de se curar, aquando da consulta da menina em Hong Kong e em Cantão, o Governo iria então transferir a menina para o Hospital Príncipe de Gales em Hong Kong, onde os médicos explicariam a maior segurança do tratamento médico nos EUA. A melhor solução, nessa altura, seria o Hospital Conde de São Januário entrar em contacto com os médicos ou hospitais americanos, confirmando que a cirurgia não traria qualquer risco de vida e que seria um sucesso. Assim, de imediato, deveriam ter providenciado tudo para que a menina tivesse o respectivo tratamento médico fora de Macau. Se tudo tivesse corrido bem, o caso da menina Ka Ka não tinha sido exposto, os Serviços de Saúde não teriam sido colocados ao julgamento pública e a menina já teria tido a possibilidade de ver o mundo. Verão III: Se voltamos ao momento em que os Serviços de Saúde puderam explicar ao público a não renúncia ao diagnóstico e tratamento e a não exclusão de qualquer

cartoon por Stephff

observatório cívico

As versões do caso da menina Ka Ka possibilidade de enviar a menina para fora de Macau, excepto Hong Kong, possivelmente, não tinham ousado uma tomada de decisão tão apressada. Nesse sentido, o Hospital Conde de São Januário deveria entrar de imediato em contacto com os interessados para obter as informações, incluindo uma carta de recomendação expressa dos médicos de Hong Kong para o tratamento médico nos EUA, bem como as informações sobre os especialistas americanos e, seguidamente, verificar as conformidades e todas as condições. Em caso de tudo correr bem, enviariam a menina para fora imediatamente. Em caso de não cumprimento dos requisitos, deveriam considerar, se possível, uma aprovação por discricionariedade. Se as demais formalidades administrativas tornarem as duas opções impossíveis, deveria ser solicitado apoio social, prestando demais conveniências administrativas e prometendo rever os defeitos do mecanismo de envio fora de diagnóstico e tratamento, que, na verdade, não deixou beneficiar aqueles que precisavam urgentemente dos seus benefícios. Contudo, a premissa destas três versões está no acto da menina precisar de se deslocar ao exterior para tratamento, sistema esse que é transparente e claro. Os médicos, que por falta experiência em casos como este, não têm necessariamente o ‘know-how’ técnico do tratamento, mas podem, num estudo diligente, adquiri-lo com outros países. O mais importante é que nunca se renuncie

O DIA SEGUINTE

JOSEPH LOUIS GEIRNAERT THEODORE, O MÉDICO HÚNGARO

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Se o Governo tivesse também qualquer projecto para reforçar o nível do médicos locais, deveria conceder fundos para permitir aos médicos de oftalmologia, e até aos pediatras, do Hospital Conde de São Januário a deslocação aos EUA por forma a observarem a cirurgia, considerada rara à esperança de curar um doente antes de determinar se a doença é, ou não, incurável. Mas estas três versões não iriam acontecer hoje, não só por causa da deficiência deste sistema da entrega mas também porque este Governo quer apenas salvar a sua face com medo de admitir o seu erro quando encontrados incidentes embaraçosos. A demora em agir e reagir prejudica todos: os Serviços de Saúde, os pacientes, os familiares, o Governo. Versão IV: Deixou se ser necessário voltar a qualquer momento no tempo. Seja como for, após o Hospital Conde de São Januário ter tomado contacto com o caso da menina

Ka Ka, e depois do primeiro diagnóstico dos seus médicos e o seguinte encaminhamento para Hong Kong, foi confirmada uma doença ocular rara – opacidade corneana congénita. O melhor programa do tratamento para a menina deveria ser um conjunto de cuidados pós-operatórios, aproveitando esta oportunidade para aumentar a qualidade dos serviços médicos na RAEM, melhorando o conhecimento e a experiência dos seus médicos. Se existisse esta premissa, o Governo poderia não só iniciar o mecanismo de “tratamento fora do território”, enviando primeiro a menina para Hong Kong, e, de acordo com as expressas recomendações dadas pelos médicos da região vizinha, contactar, logo a seguir, o conceituado médico americano Gerald Zaidma, o qual é presidente da Associação Mundial de Transplante de Córnea Pediatra. Este médico é contactável por e-mail e, nesta era globalizante em que a Internet é que manda, não seriam necessários muitos procedimentos administrativos. O Hospital Conde de São Januário poderia, de acordo com os critérios por si fixados, informar-se junto deste médico a taxa de sucesso da cirurgia e o respectiva tratamento para a menina, ou ainda fazer a sua própria recolha de dados. Claro que o Governo teria a certeza de aprovar o pedido para que a menina fosse enviada para os EUA, se descobrisse que tal médico já teria feito cirurgia de transplante de córnea a cerca de 500 crianças, com uma taxa de sucesso na ordem dos 90% e que, conforme consta numa revista académica que acompanhou o médico durante sete anos, as crianças que receberam tratamento feito por este médico tenham restaurado a visão entre dois a cinco anos após a cirurgia, dados esses que fazem, até ao presente, o melhor registo de entre os médicos americanos constantes da referida revista académica da área da medicina. Não existe qualquer registo em lugares contíguos a Macau que os números de sucesso sejam iguais ou superiores a esses dados. Nesse momento, se o Governo tivesse também qualquer projecto para reforçar o nível do médicos locais, deveria conceder fundos para permitir aos médicos de oftalmologia, e até aos pediatras, do Hospital Conde de São Januário a deslocação aos EUA por forma a observarem a cirurgia, considerada rara. Além disso, deveria contactar o hospital do médico americano para obter daquele o fornecimento de uma oficina e as explicações a dar aos médicos de Macau sobre os características da opacidade corneana congénita e das outras raras doenças oculares congénitas. Os médicos que fossem nos EUA poderiam compartilhar as experiências com os seus colegas locais por forma a reduzir a possibilidade de diagnóstico erróneo, mas também para fornecer o tratamento pós-operatório a doentes do tipo da menina Ka Ka. Não seria muito bom um fim assim? Não seria particularmente adequado para um lugar em que falta tudo mas onde abunda o dinheiro? Só com essa política na área da saúde Macau seria digno dos seus números de PIB.


opinião 23

hoje macau terça-feira 12.11.2013

N

FERNANDO VINHAIS GUEDES

A ética Nesta matéria, também existe no S.L. e Benfica, um grupo de arruaceiros que à margem das claques oficializadas, que actua com grande violência, sempre que têm oportunidade.

E porque é de ética e da falta dela, que estou hoje a escrever, como classificar as recentes declarações do presidente do organismo máximo do futebol mundial (FIFA), que dá pelo nome de Joseph Blatter o propósito de Cristiano Ronaldo, já vencedor de um título de melhor jogador do mundo? Será que o homem fez, as infelizes, despropositadas, estúpidas e patéticas apreciações ao carácter do jogador Português, depois de ter almoçado e ter bebido em

J.L GÉRÔME, DUELO DEPOIS DO BAILE DE MÁSCARAS

EM sempre a ética no desporto, principalmente na alta competição, está presente, quer nos praticantes, treinadores e claro nos adeptos/ consumidores. Muitas vezes, como foi o caso do recente jogo entre o futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Portugal, uma semana antes já os dois presidentes trocavam palavras, em estilo de provocações, que fizeram títulos nos jornais desportivos, criando com isso um clima de grande tensão entre os adeptos mais ”doentes”. Não espantaram pois, as cenas de violência ocorridas numa das portas laterais do estádio do dragão, quando um grupo de desordeiros violentos, vestindo de preto, forçou a entrada no estádio, seguindo-se uma cena de pancadaria entre a polícia e os desordeiros. Veio-se depois a saber que esses bandoleiros eram adeptos disfarçados do clube visitante. De acordo com as investigações, trata-se de elementos dissidentes das claques oficializadas do Clube de Lisboa, que actuam em grupos de quarenta ou cinquenta elementos com o propósito de provocarem e semearem a violência gratuita nos estádios de futebol, como aconteceu em Inglaterra, na década de setenta, com o hooliganismo de Liverpool.

desporto e não só

Blatter meteu o pé na argola e muito embora se tivesse apressado a pedir desculpas a todos os ofendidos, dificilmente poderá sair desta triste e lamentável cena sem ficar manchado para sempre na comunidade do futebol Mundial

demasia? Como é possível, que um homem com tamanhas responsabilidades possa, talvez, para divertir a plateia, fazer o papel de palhaço, levantando-se da cadeira para ridicularizar uma figura que lhe deveria merecer todo o respeito? Quando tudo isto se passa com alguém, que tem a responsabilidade de dirigir o futebol mundial, falar de ética é pura ficção! Talvez o sr. Blatter, não esperasse a reacção, que rapidamente levou à tomada de posição por parte do clube de Ronaldo - Real Madrid - e seu treinador, do Manchester United, seu antigo clube, do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, do Ministro da Presidência do Governo Português e do Presidente do Governo Regional de Madeira! Na Internet foram abertas várias petições clamando pela demissão do sr. Blatter. A página do Facebook com o título “Demissão de Blatter” tinha, quarenta e oito horas depois da desastrada entrevista dada na Universidade de Oxford, mais de cem mil pedidos de demissão do cargo de presidente da FIFA. Blatter meteu o pé na argola e muito embora se tivesse apressado a pedir desculpas a todos os ofendidos, dificilmente poderá sair desta triste e lamentável cena sem ficar manchado para sempre na comunidade do futebol Mundial.

carta ao director Exmo. Senhor Director do Jornal Hoje Macau 1. Depois de tanto nos queixarmos através das missivas, publicadas neste Jornal em que se teciam críticas acerca dos insuportáveis barulhos, provocados pelas actividades recretativas de caracter altamente ruidoso, que se desenrolam nos fins de semanas e em dias feriados na Praça de Amizade, que está rodeada de apartamentos onde habitam mais de trezentas pessoas (na maioria chinesa), mesmo assim, aAdministração da RAEM, indeferente e insensível às queixas, não deixa de emitir licenças solicitadas para levar àvante no local essas actividades, sem procurar saber o grau de intensidade do ruído e seus efeitos negativos à saúde dos moradores. Desesperadamente, e em face dessas anomalias e abusos, tudo isso levou-os a apresentar uma queixa à primeira autoridade da RAEM, cujo teor vem publicado neste diário de 6 de Junho de 2012. E escreveram-LHE na esperança de que os fundamentos da queixa fariam impedir que esse mal continuasse a fazer-se no local. Simplesmente, porque a razão lhes assistia, até porque, pensavam, essa situação seria levantada, estudada e superiormente informada para os fins devidos pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. 2. Mas, infelizmente, tudo isso continua na mesma, muito embora tivesse o Chefe do

Executivo no seu discurso de passagem do ano de 2012 fugido à verdade, quando diz que “o Governo da RAEM está empenhado na implementação de mecanismos eficientes de longo prazo em diversas áreas, designadamente, na segurança social, de saúde, da educação e da protecção ambiental entre outras, e tem vindo a envidar esforços para elevar constantemente o nível da qualidade de vida da população”. Se o que o Chefe do Executivo da RAEM disse no seu discurso, correspondia à verdade, então por que é que os ditos moradores continuam a manifestar o seu desagrado contra todas essas manifestações ruidosas, que continuam a desenvolver-se no local! Seria preferível que nada mencionasse acerca da “protecção ambiental”. 3. Esse discurso seria proferido não muito tempo depois de o ex-presidente chinês Hu Jinta ter pronunciado o Seu, após as cerimónias do 15º Aniversário da transferência de soberania e a tomada de posse do novo Governo da RAEHK liderado por CYLeung. Nesse Seu discurso de entre outros assuntos proferia que “é imperativo que o Governo siga o princípio de colocar as pessoas em primeiro lugar na sua administração, que meça com precisão a opinião pública e que tome medidas concretas e efectivas para responder de forma adequada às questões relacionadas com o bem-estar das pessoas”. Mas, infelizmente, o Chefe do Execu-

tivo não tem dado provas de ter feito o que diz. 4. Para a solução do caso, seria a mudança de todas as actividades barulhentas que se fazem nesse local para o outro que se situa defronte da Torre de Macau e seu espaço adjacente. Até porque o espaço é enormíssimo e de rápido acesso, onde outrora a Administração destinou-o a diversas actividades recreativas e comerciais. Mas, essa actividade não conseguiu vingar os seus fins e foi de pouco duração, certamente, porque o barulho que daí se fazia incomodava os moradores da Av. da República. Mas, a distância entre os dois sítios, é de 2.000 metros, aproximadamente. 5. Do calendário das actividades recreativas, verifica-se que a partir de 4 de Novembro corrente, 14 dias serão dedicados ao programa intitulado “60º Grande Prémio de Macau”, que terá lugar na Praça da Amizade. Assim como nos anos anteriores, todo o ruído musical será permitido fazê-lo a desoras no local. Então, não será ter faltado à verdade o que o Chefe do Executivo falou no seu discurso de passagem do ano de 2012, quando mostra ter o máximo interesse pela protecção ambiental para elevar o nível da qualidade da vida da população(!!!) 6. Não somos impertinentes. O que desejamos é que o silêncio e o bem estar das nossas casas não sejam invadias nem apossados pelo

barulho das actividades ruidosas de fora, que só nos têm trazido o mal-estar, principalmente, às crianças e estudantes, que precisam de descanso para prepararem as suas lições diárias, e aos doentes, alguns dos quais são portadores de doença grave de incurável. Estes últimos mais do ninguém pecisam de um ambiente de sossego e tranquilo para verem-se aliviados dos seus sofrimentos. 7. Mas, a par disso não nos esqueçamos de que nenhum automóvel é permitido transitar na Estrada de Santa Sancha com o volume da rádio aberto mesmo um pouco fora do normal. De imediato, virão os agentes da PSP chamar atenção pelo facto, sem prejuízo de multa e apreensão do carro, no caso de desobediência. Experimentemos, também abrirmos músicas da rádio com o volume um pouco alto naquele Jardim Infantil, que fica mesmo a beira dessa Estrada. Veremos que em sinal de respeito pelo silêncio dos moradores vzinhos, o barulho será logo e de imediato abafado. 8. Finalmente, seria bom de saber se o silêncio é aqui na RAEM semelhante ao monopólio de Jogos de Fortuna e Azar, já que só uns têm tido esse privilégio de se afortunar. Com os sinceros cumprimentos de Manuel de Senna Fernandes

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau terça-feira 12.11.2013

XADREZ ANAND E CARLSEN CONTINUAM A DISPUTAR O TÍTULO MUNDIAL

O gatinho e o lagartinho “Primeiro que tudo, quero pedir desculpas aos meus fãs por ter aceite um empate rápido nesta segunda partida, mas a posição era muito complicada e eu não estava totalmente preparado para jogar cegamente, sem saber se o meu adversário teria preparado alguma surpresa” - Viswanathan Anand “O que está a acontecer aqui é que ainda nos estamos a ambientar e a tentar descortinar qual é a estratégia do nosso adversário para este ‘match’” - Magnus Carlsen JOÃO ROXO

info@hojemacau.com.mo

D

UAS partidas, dois empates. O problema é que foram dois empates sem luta, onde ambos os adversários jogaram alguns lances em muito pouco tempo e decidiram não continuar o combate. Se na antevisão que aqui foi publicada na passada Sexta-Feira, o campeão era visto como um tigre e o “challenger” como um crocodilo, estes dois jogos antes nos mostraram dois adversários

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em estudo mútuo, sem querer correr qualquer risco e conformados com uma divisão de pontos sem luta nem brilho, mais como suaves réplicas dos seus cognomes. Na primeira partida, Carlsen era o dono das peças brancas. Vários dos websites entraram em

colapso porque os servidores não conseguiam responder à enorme legião de ciber-aficcionados que a eles queria aceder. Quando Carlsen enveredou pela Abertura Reti - um tipo de jogo muito lento de manobras estratégicas e muita paciência -, os comentadores prepararam-se para as

COMENTÁRIOS NA INTERNET “Um empate de negras é uma pequena vitória, por isso, diria que ambos têm uma pequena vitória. Sou amigo de Anand e de Carlsen mas acho que para o mundo do xadrez seria melhor uma vitória final de Carlsen no campeonato” GARRY KASPAROV “Carlsen disse que o meu xadrez no campeonato da Ucrânia era aborrecido, mas que dizer do xadrez que ele praticou no campeonato do mundo até agora?” RUSLAN PONOMARIOV “Jogar esta abertura e esperar que Anand não se lembre de uma linha menos jogada é simplesmente a aproximação incorrecta, quando ambos os jogadores têm tanto tempo para se preparar (sobre a partida 1 e a abertura de Carlsen).” HIKARU NAKAMURA “Nos combates de boxe é normal os adversários medirem-se um ao outro antes de partirem para a luta a sério. O mesmo está a acontecer neste campeonato do mundo de xadrez” SUSAN POLGAR

horas de um vagaroso desenrolar de partida que normalmente caracteriza esta abertura. Mas, ainda assim, sempre esperavam ver uma partida, com abertura, meio-jogo e finais de partida.Afinal, ao cabo de 16 jogadas, ambos os adversários apertaram a mão e acordaram num empate. Na segunda partida,Anand jogou o peão de Rei duas casas em frente, a que Carlsen respondeu com prenúncio da Defesa Caro-Khan. Passados cerca de 25 lances mas ainda me menos tempo do que na primeira partida, novo aperto de mão e novo empate por mútuo acordo. Em suma, por enquanto há alguma frustração porque se esperava maior espírito de luta de parte a parte.Assim, como não há grandes motivos de interesse nestes dois primeiros jogos, em vez de os analisar, deixo-vos com alguns comentários por parte de alguns dos grandes nomes do xadrez mundial sobre o “match”, até ao momento, e, no fim, deixo simplesmente os lances de cada partida, para efeitos de arquivo. Espero que na próxima sexta-feira, quando sair o terceiro artigo desta série, este arranque muito cauteloso já se tenha quebrado. Entretanto, lembro que no artigo da passada sexta-feira vinha incluída uma lista de websites onde podem acompanhar as partidas em tempo real e acrescento que elas recomeçam hoje pelas 17h45, hora de Macau.

Chefe do Executivo acompanha situação nas Filipinas

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, enviou ontem uma mensagem ao cônsul-geral das Filipinas em Macau, Danilo T. Ibayan, expressando profundo pesar para com as vítimas e também solidariedade para com os residentes afectados pelo violento tufão que atingiu a região. “É com grande consternação que o Chefe do Executivo tem vindo a acompanhar a situação que está a ser vivida nas Filipinas. O Chefe do Executivo envia um sentido voto de solidariedade a toda a comunidade filipina estabelecida em Macau”, pode ler-se no comunicado emitido ontem, ao início da noite, pelo Gabinete do Porta-voz do Governo. O Governo da RAEM deixou ainda a promessa que, caso seja necessário, prestará todo o apoio nas operações de resgate.


Hoje Macau 12 NOV 2013 #2972  

Edição do jornal Hoje Macau N.º2972 de 12 de Novembro de 2013.

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