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SOFIA MOTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

QUINTA-FEIRA 12 DE JANEIRO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3732

MOP$10

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ALEXANDRE MARREIROS

A cidade sincera

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SEAC PAI VAN

CULPAS CRUZADAS

DAVOS | FÓRUM ECONÓMICO MUNDIAL

A VOZ SÍNICA

h

PÁGINA 12

PÁGINA 5

Barbearia Universal ANTÓNIO CABRITA

CLUBE MILITAR

Recordar Soares PÁGINA 7

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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ISTOCK

ENTREVISTA


2 ENTREVISTA

ALEXANDRE MARREIROS ARQUITECTO E ARTISTA

É hoje inaugurada no Centro de Indústrias Criativas a nova exposição de Alexandre Marreiros, Tropicalia Club. Começámos a falar de arte e acabámos por escalpelizar os vários aspectos de Macau, do paradoxo cultural e arquitectónico, ao carácter dinâmico de uma cidade que não pára

“Macau depende inteiramente da indústria do jogo. A partir do momento que consigamos perceber que esta é a realidade, veremos que dita regras muito diferentes da maior parte das cidades.”

“Macau é como uma tela de cinema” O que nos pode dizer acerca da exposição que inaugura hoje? Fecha um ciclo de exposições que fiz no último ano e meio. Fiquei numa espécie de um vazio, de ressaca, houve uma data de ideias que aconteceram e que consegui traduzir para desenho. Adoro o vazio, não envolve qualquer tipo de angústia. Dei por mim a vasculhar o arquivo à procura de coisas que estavam esquecidas. Para esta exposição imaginei um clube, ou grupo de indivíduos que se associam livremente, que têm ideias comuns, ou não, e que podem discutir coisas semelhantes. Mas isto passa-se no meu imaginário, já não posso falar com o Oscar Niemeyer, ou perguntar alguma coisa ao Ortega Y Gasset porque ele também não está vivo. Portanto, reúno estas personagens que existiram neste clube imaginário. Existem também coisas que são observações minhas desta cidade, traduzidas em desenho, isto porque sinto algum tropicalismo em Macau, que não consigo explicar. Com o que é que o público pode contar? Quando se expõe uma coisa, quando se traduzem ideias para música, para cinema, pintura, escultura, arquitectura também, isso é um dos maiores exercícios que podemos fazer, não só sensorial, mas também cerebral. Contar tudo aquilo que vou ter na exposição, para mim não faz tanto sentido, porque estou a desautorizar aquilo que exponho. Se explico já o que é, perde o propósito da exposição, que é lançar pistas, indicar caminhos, lançar dúvidas. Isso tem de ficar ao critério do observador, e não quero condicionar isso. Macau está carregada de paradoxos. Como é que os sente? Sempre me acostumei a ver as transformações de Macau, desde pequenino até agora. As cidades têm capacidades de contar histórias, tal como o cinema, ou qualquer outra vertente artística. Também existe pouca arquitectura que partilha territórios e domínios da arte. As coisas que sinto com música, com pintura e escultura,

já senti também com edifícios. Mesmo quando a arquitectura é má, não competente, ela conta estórias, tem sempre coisas codificadas, ou que ajudam a descodificar estórias da tua cidade, e de quem a habita. Em Macau isto existe, sobretudo porque é uma cidade pequena, e eu consigo ainda ter alguma leitura, descodificar algumas histórias que esta cidade me vai contanto e que acho bonitas. Mesmo com as incongruências urbanistas? Se passearmos por Macau conseguimos ver as evidentes cicatrizes que marcam a cidade. Quando digo cicatriz pode ser estar num bairro com uma certa característica, olhar e ver um casino ao fundo, ou ter em muitos sítios a referência do Grand Lisboa. Tem muita informação por centímetro quadrado, não é por quilómetro quadrado. Portanto, às vezes é difícil sacudir o que é bom do que é mau, mas a verdade é que a cidade é sincera no sentido em que é desenhada. Não foi planeada durante muitos anos, mas conseguimos ver o que é o casco antigo da cidade. Mesmo o tempo pode revelar algo que não se via à partida. Por exemplo, o NAPE começou por ser considerado um desastre. O próprio Siza Vieira, que o desenhou, assume aquilo como algo fatal, mas eu gosto. É preciso deixar o tempo ser conservado na cidade, ele faz este afastamento com o casco antigo e com o emaranhado de Macau. Siza não quis ir atrás do que já existia, os tempos e as necessidades mudam, portanto, a cidade tem de acompanhar isso. Macau conta-te 500 anos de terra conquistada ao mar, e tu percebes o que é que é mar, aterro, ou casco antigo, o que é colina. E esta história é perfeitamente lida no desenho que a cidade tem, com todos os seus problemas, que são vários. O que acha do discurso da descaracterização e do progresso que atropela tudo? Macau depende inteiramente da indústria do jogo. A partir do momento que consigamos perceber que esta é a realidade, veremos que isto dita regras muito diferen-

tes da maior parte das cidades do mundo. Ainda assim, o progresso deve ser planeado. Caracterizar é acrescentar uma qualidade, ou identidade, obviamente que há patologias, anomalias, não poderemos achar que isso é progresso. Aliás, ao passearmos no Porto Interior e no Porto Exterior há ali edifícios que gritam, berram, e descaracterizam o que já lá estava. Havia ali décadas, se não séculos, de um espaço que se mantinha com aquele desenho, com aquele ambiente, quase espremido pelas ruas apertadas. Acho que isso não é progresso.

“Há probabilidades de, a longo prazo, aquilo a que se chama de cultura macaense se ir diluindo. Mas não creio que isso tenha de ser uma espécie de Adamastor.” É necessário um cuidado planeamento urbano. O planeamento é importante. Se pensarmos que uma pessoa tem um lote e o regulamento permite ao lado de casas de cinco pisos a construção de um prédio de 34 andares, isto é o dinheiro a falar, e ele fala em todo o mundo. Mas isto acontece porque se permite, o erro aqui não é de quem quer fazer dinheiro, o que está mal é o regulamento permiti-lo. Hoje em dia não pensamos como pensávamos há 60 anos, o Homem já não é isso, nem a cidade, nem a família, assim como os turistas já não são meia dúzia. Há que actualizar e planear e, agora como arquitecto, vamos ver o que se faz com os novos aterros. Também apareceram projectos que melhoram a cidade. Uma coisa boa é este vazio que temos aqui nos Lagos Nam Van e

Sai Van. Isto permite que não haja construção, houve este plano, a leitura certa de para onde Macau ia crescer, como ia crescer, e isto só podia ter sido feito por uma pessoa que entende bem a cidade, neste caso foi o arquitecto Manuel Vicente. Do ponto de vista arquitectónico houve projectos que vieram acrescentar zonas pedonais, o que é importante. Importa tirar os carros das principais artérias de Macau, e dar espaço. Isto traz qualidade de vida. Deixar respirar a cidade que já tem um ritmo acelerado. Sim, repare que esta cidade é como assistir a uma tela de cinema, é tudo em movimento. Não temos tempo para parar, e mesmo que pares, teremos 300 pessoas que nos vão atropelar. Não podemos querer que a cidade tenha outra leitura, quando vives numa cidade sempre em andamento. Nem sequer estou a falar em andar a pé, mesmo de carro. Passamos por várias imagens em sucessão, como no cinema, e sempre carregadas de informação. Macau já não é uma cidade em que o tempo de estar seja muito predominante, é tudo a correr. Depois, também não consegue descodificar, parar, olhar para alguma coisa que lhe chame a atenção, ou que o intrigue, não tem condições para o fazer. Acha que faltam espaços de reflexão na cidade? Se olharmos para as praças de Macau não se reconhece o que deveria ser uma praça, mesmo as que não têm carros. A praça, como no conceito grego de ágora, são sítios de permanência, servem para ficarmos. Uma praça e um cruzamento são duas coisas diferentes e repare como as praças aqui também são descaracterizadas, não por questões de falta de qualidade arquitectónica, mas porque não existem instrumentos para tornar a praça o que ela é realmente: um sítio de permanência, onde se pode estar à sombra, onde se pode estar no Verão, no Inverno, permanecer, olhar, conversar.  Macau está a perder a sua identidade?


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Existe o receio de perda de identidade, há probabilidades de, a longo prazo, aquilo a que se chama de cultura macaense se ir diluindo. Mas não creio que isso tenha de ser uma espécie de Adamastor, é muito importante haver identidade, preservarmos a nossa herança, mas acho que se faz algum esforço aqui para se tratar bem a memória. O facto de Macau ter sido classificado como património da UNESCO é uma maneira de proteger e preservar, portanto, os líderes, se quiserem que isto se mantenha, têm de seguir aqueles trâmites todos. Mas é importante a identidade

não ficar estagnada, a identidade é um organismo, temos de aceitar isso. O que podemos fazer é encaminhar esse organismo da melhor maneira. Por exemplo,

“Às vezes é difícil sacudir o que é bom do que é mau, mas a verdade é que a cidade é sincera no sentido em que é desenhada.”

não faz sentido estarmos aqui com atitudes colonialistas, essa é uma identidade que felizmente já não existe. Não vejo razões para não haver abertura à transformação da identidade, isso seria condicionar a liberdade e a criatividade. Quais os seus lugares preferidos na cidade? Depende muito do estado de espírito com que estou, e aquilo que vou fazer. Mas gosto muito de passear e de me perder, e ainda consigo fazer isto em Macau, sobretudo no Porto Interior e Porto Exterior. Por lá ainda consigo descobrir coisas que não conhecia.

Gosto do ambiente de doca, gosto de confusão, de estar entre as pessoas dos ofícios, os pedreiros, os pescadores, a senhora que frita e a senhora que lava. Porque, de alguma maneira, é aí que está conservada essa parte de Macau. Ao passear nestas partes, que também acho muito cinematográficas, que são muito intensas na maneira de estar, de ser, de viver a arquitectura, encontram-se muitos velhotes que falam português. Isso é uma coisa muito bonita. Gosta do burburinho. Mas também preciso de vazio, que só consigo se for para Coloane.

Gosto de sentir esse isolamento, nem que seja por meia hora, mas também não é um sítio onde queira permanecer por muito tempo. Talvez por ser arquitecto, gosto da cidade, preciso de levar com este tipo de informação urbana. A rua onde eu moro é violentíssima, vivo no epicentro da confusão. Se me perguntares se preferia dormir noutro sítio, preferia. Mas gosto de habitar naquela confusão toda, apesar de preferir dormir num sítio onde nem passarinhos ouvia. É contraditório, mas não há nada a fazer.  João Luz

info@hojemacau.com.mo


4 POLÍTICA

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GCS

Digam-nos por onde andam Relatórios obrigatórios e públicos sobre viagens ao exterior

F AL LEI DO ENQUADRAMENTO ORÇAMENTAL É PARA ACABAR ATÉ 15 DE AGOSTO

Venha o que não está lá

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S deputados da 2a Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) parecem estar satisfeitos com a postura do Governo mas, ainda assim, querem mais da lei do enquadramento orçamental. O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, esteve ontem reunido durante quase três horas com o grupo de tribunos, e levou com ele respostas a dúvidas que a AL tinha manifestado. Pelo discurso de Chan Chak Mo, o Governo mostrou “uma atitude de abertura” em relação às sugestões enviadas pela comissão, mas há questões ainda para resolver, a começar pelo teor dos regulamentos administrativos que estão previstos no articulado. “Em vários momentos, e por se tratar de uma lei-quadro, a proposta remete o desenvolvimento de determinada matéria para regulamento administrativo complementar”, contextualiza o presidente da comissão. Se o articulado se mantiver, alguns deputados e também a assessoria adivinham já “dificuldades de fiscalização”. Diz Chan Chak Mo que “o Governo concorda com esta opinião”. Por isso, continua o deputado, vão ser analisadas as questões que, neste momento, são remetidas para regulamento administrativo para se perceberam quantas delas poderão ser integradas na lei. Ficou prometida uma nova reunião para se saber quais as novas normas que o Governo pretende consubstanciar na proposta e quais os assuntos que serão depois tratados por iniciativa do Chefe do Executivo.

DATAS E OUTROS DETALHES

No encontro de ontem, esteve ainda em debate o relatório de execução orçamental e a proposta de Orçamento. Chan Chak Mo explicou que, de acordo com a assessoria, a data de entrega

Lionel Leong esteve ontem na Assembleia Legislativa para uma longa reunião com o grupo de deputados que está a analisar a futura lei do enquadramento orçamental. Levou trabalho para casa: pensar no que pode ainda ser incluído no diploma à AL destes documentos prevista na proposta de lei “deve ser melhorada”. “Segundo o articulado, a data limite de entrega é Novembro. A assessoria defendeu a ideia de que esta data tem de ser melhorada, porque sabemos que é o mês da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG)”, referiu. Ou seja, o tempo é curto para que seja feito o trabalho de apreciação. Quanto à execução orçamental, “pretendemos que em Julho se apresente um relatório, relativo ao período até 30 de Junho”, especificou o deputado. O objectivo é permitir à Assembleia “desenvolver antecipadamente os seus trabalhos”, na posse das informações de que necessita. Já a proposta de lei do Orçamento é um caso mais complicado, por estar anexada ao relatório das LAG. O Orçamento reflecte os investimentos, despesas e receitas que estão dependentes dos planos anuais do Governo.

O Governo mostrou “uma atitude de abertura” em relação às sugestões manifestadas pela comissão, mas há questões ainda para resolver

“É difícil antecipar a data”, concede Chan Chak Mo que, ainda assim, diz que se vai tentar encontrar uma solução. Em foco na reunião com Lionel Leong esteve ainda o capítulo que dispõe sobre sanções, responsabilidade e fiscalização. “A ideia, neste momento, é desenvolver em regulamento administrativo. A comissão entende que a lei deve desenvolver um pouco e conter uma menção sobre responsabilidades”, resume o presidente, recordando que a AL tem uma obrigação institucional, pelo que a matéria não deve ser regulamentada posteriormente. Falou-se também de transparência e ficou a promessa do secretário, citada por Chan Chak Mo: “Se houver necessidade, o Governo pode disponibilizar todas as informações necessárias para que a AL domine bem a situação em matéria orçamental”. Sem deixar de frisar que se trata de um assunto complexo, Chan Chak Mo deu a entender que se pretende acelerar o ritmo de trabalho em torno desta proposta. O presidente da comissão quer concluir a análise em sede de especialidade para que o diploma possa ser votado pelo plenário antes de 15 de Agosto, dia em que termina a legislatura, por ser “uma lei muito importante”. O articulado foi aprovado na generalidade em meados de Outubro do ano passado. Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

ORAM ontem publicadas em Boletim Oficial (BO) as novas instruções, decretadas pelo Chefe do Executivo, sobre as deslocações ao exterior, em missão oficial, dos trabalhadores da Administração. O despacho revela que os serviços públicos passam a estar obrigados à cedência de informações sobre “todos os tipos de deslocações ao exterior em missão oficial de serviço”, realizadas nos últimos 12 meses a contar a partir do dia 1 de Junho do ano anterior. Caberá depois aos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) realizar um relatório estatístico até Outubro de cada ano. Todos os resultados das deslocações serão tornados públicos no Portal do Governo. No caso de estarem em causa conteúdos confidenciais, ou em casos de deslocações ligadas à segurança do território ou a investigação criminal, “pode ser dispensada a publicação” desses dados. Contudo, “os factos relevantes devem ser comunicados aos SAFP”. Estas instruções aplicam-se a todos os organismos que estão sob a alçada do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública, sendo que “as entidades públicas que possuam estatutos privativos de pessoal” devem “ponderar a sua aplicação”, existindo a possibilidade de “elaborar as instruções internas” sobre a publicitação dos resultados das deslocações com referência nos critérios já estabelecidos. No mesmo despacho, o Chefe do Executivo assume que estas novas medidas visam “tornar mais transparentes as acções do Governo, possibilitando à comunidade um conhecimento das suas tarefas”. O objectivo “mais importante” é “a intensificação da comunicação entre o público e o Governo, estimulando o público a participar em abordagens sobre as políticas”. A.S.S.


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CONCESSIONÁRIOS DOS TERRENOS DE SEAC PAI VAN PUBLICAM CARTA NO OU MUN

A culpa não é deles

Governo de então, através da participação na construção social, tendo como objectivo o desenvolvimento das indústrias locais”. Os concessionários garantem também que, durante estes 25 anos, apresentaram “várias vezes as suas reivindicações ao Governo em relação à vontade de avançar para o aproveitamento dos terrenos o mais rapidamente possível”. Além disso, ao longo deste quarto de século, pagaram “pontualmente” todos os custos constantes dos contratos, “incluindo as rendas, os impostos e os prémios dos terrenos”. Ainda assim, lamentam, “não conseguiram escapar ao destino”.

GOOGLE STREET VIEW

Os terrenos não foram aproveitados, apesar dos 25 anos que durou a concessão, mas a responsabilidade é toda do Governo. É a defesa dos empresários a quem foram retiradas recentemente várias parcelas na zona industrial de Seac Pai Van. Escreveram a tese no jornal Ou Mun

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Os concessionários garantem também que, durante estes 25 anos, apresentaram “várias vezes as suas reivindicações ao Governo” para avançarem para o aproveitamento dos terrenos

riam à espera desde 1993. “Desde o fim dos anos 80 até 2013, os terrenos da zona continuaram a ser montanhas rochosas, sem infra-estruturas como abastecimento de água, electricidade e vias. Os terrenos não possuíam condições de aproveitamento”, alegam. Referem também que em 2015 – ano em que as concessões já tinham expirado ou estavam prestes a terminar HOJE MACAU

um gesto que não surpreende: os industriais e empresários a quem o Governo pretende retirar mais de 16 mil metros quadrados, em Coloane, juntaram-se para publicar uma carta aberta no jornal com maior número de leitores do território. A declaração da caducidade das parcelas em questão foi tornada pública, em Boletim Oficial, no passado dia 4. As áreas tinham sido concedidas nos finais dos anos 80 e início da década de 90. Localizadas na zona industrial de Seac Pai Van, destinavam-se a vários tipos de indústrias – de calçado a peças em aço, passando por borracha e matérias plásticas. Os terrenos não chegaram a ser aproveitados, pelo que o Executivo decidiu agora, decorridos que estão os 25 anos da concessão por arrendamento, reaver as zonas em questão. No texto ontem publicado no jornal Ou Mun, os empresários visados começam por “explicar o contexto histórico” das parcelas. Contam que em 1993, já depois das escrituras de arrendamento, “o Governo propôs a modificação da finalidade dos terrenos de industrial para residencial, afirmando que, após a conclusão da elaboração de um novo plano, iria definir com os concessionários um novo prazo de aproveitamento”. Mais tarde, a Administração delegou a uma empresa – sem qualquer ligação aos concessionários – a empreitada de terraplanagem dos terrenos. E assim se passaram 20 anos, dizem os autores da carta aberta. Em 2009, em conferência de imprensa, o Governo apresentou, pela primeira vez, o Plano Urbanístico de Seac Pai Van e o plano de habitação pública para esta zona de Coloane, o tal plano de que os industriais esta-

POLÍTICA

–, a Administração ainda não tinha emitido a planta de condições urbanísticas necessária para se avançar com a elaboração e submissão de projectos às Obras Públicas.

TUDO PAGO

Contexto histórico feito, os subscritores da missiva defendem que “os factos” revelam “com clareza”

as razões do não aproveitamento dos terrenos, acrescentando que eram problemas que não podiam resolver. Os empresários lamentam ainda que não haja memória por parte das autoridades: aquando da atribuição das concessões, os industriais “apoiavam activamente o desenvolvimento de Macau e reagiram às políticas do

A rematar a carta, é expresso o desejo de que o texto ajude a identificar os problemas relacionados com as terras, “esperando que o Governo e a sociedade prestem suficiente atenção aos factos que ocorreram na realidade”. Os empresários esperam ainda que possa ser encontrada uma “solução imparcial e razoável, com o consenso de todos os sectores sociais, a fim de proteger o desenvolvimento económico de Macau e as garantias dos investidores”.

CHAN MENG KAM QUER GOVERNO A PENSAR DIFERENTE

Isabel Castro (com Ângela Ka) info@hojemacau.com.mo

O deputado Chan Meng Kam entregou uma interpelação ao Governo onde pede que sejam criadas medidas mais concretas para apoiar os portadores de deficiência. O deputado deu mesmo como exemplo o facto de as vagas nos parques de estacionamento destinadas aos deficientes estarem sempre ocupadas, sendo que o valor da multa por ocupação ilegal é igual à que é aplicada aos restantes lugares, apontando que o efeito dissuasor não é suficiente. Chan Meng Kam apresentou ainda dados e referiu que existem 142 lugares destinados aos deficientes nos parques de estacionamento públicos, sendo que existem 16 lugares para motociclos. Representantes de associações dos portadores de deficiência referiram ao deputado que, quando querem reservar autocarros para participar em espectáculos desportivos, nem com uma antecedência de 10 a 20 dias conseguem transporte. O tribuno pede, por isso, que o Governo pondere a criação de um mecanismo para que as empresas de autocarros possam fornecer transporte aos membros destas associações.


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EDITAL

EDITAL

Edital n.º : 1/E-OI/2017 Processo n.º : 26/OI/2016/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento Geral de Construção Urbana (RGCU) Local :Rua da Harmonia n.º 97, Edf. Tou Lai, Bloco 2, fracção 3.º andar C (CRP: C2), Macau.

Edital n.º : 5/E-BC/2017 Processo n.º :974/BC/2015/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua da Harmonia n.º 97, Edf. Tou Lai, Bloco 2, fracção 3.º andar C (CRP: C2), Macau.

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificada a Associação de Piedade e de Beneficência “Lin Fong Mio”, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a obra não autorizada abaixo indicada, a qual infringiu o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que a mesma é considerada ilegal:

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificada a Associação de Piedade e de Beneficência “Lin Fong Mio”, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada:

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Obra 1.1 Demolição da parede exterior junto às janelas da fracção. De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, foi realizada, no seguimento de notificação por ofício n.º 07501/DURDEP/2016 de 3 de Junho de 2016, a audiência escrita da interessada, mas esta não apresentou qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. Assim, nos termos do artigo 52.º do RGCU e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, por despacho de 29 de Dezembro de 2016, exarado sobre a informação n.º 09550/DURDEP/2016, ordena aos donos das obras ou seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição do local afectado, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido da demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos do artigo 56.º do RGCU, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Nos termos do n.º 1 do artigo 65.º do RGCU, os infractores são sancionáveis com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas. Nos termos dos artigos 145.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, os interessados podem apresentar reclamação no prazo de 15 (quinze) dias contados a partir da data da notificação. Nos termos do n.º 1 do artigo 59.º do RGCU e das competências delegadas pelo n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data da notificação. RAEM, 29 de Dezembro de 2016 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

Obra

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Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Instalação de gradeamento metálico na parede exterior junto à janela do Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do 1.1 pátio da fracção. acesso aos pontos de penetração no edifício. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por ofício n.º 07502/DURDEP/2016 de 3 de Junho de 2016, a audiência escrita da interessada, mas esta não apresentou qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. As janelas acima referidas são consideradas acessos em caso de operações de salvamento e de combate a incêndios, não podendo ser obstruídos com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.) de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, por despacho de 29 de Dezembro de 2016 exarado sobre a informação n.º 09550/DURDEP/2016, ordena aos donos das obras ou seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição do local afectado, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido da demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação e aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos aí existentes e à respectiva desocupação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pela infractora. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Nos termos do n.º 7 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e das competências delegadas pelo n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 29 de Dezembro de 2016 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man


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Memória NETO VALENTE RECORDOU

IDA DE MÁRIO SOARES À CHINA EM 1980

Lembrar o “Presidente dos consensos” JÚLIO POMAR

Mário Soares foi ontem homenageado no Clube Militar numa sessão recheada de histórias. Neto Valente contou a primeira visita a uma China fechada, o protocolo da UNIR Macau e a condecoração ao Monsenhor Manuel Teixeira, que lhe tinha chamado “filho de padre despadrado”

BOAS RELAÇÕES

A relação de Soares com os governadores de Macau até 1999 terá sido pacífica. “Os problemas que houve entre Macau e Portugal não foram com Mário Soares, mas sim com Jorge Sampaio, que nem sempre se fez acompanhar dos melhores assessores e conselheiros”, defendeu Neto Valente. A sessão, moderada por José Rocha Diniz, administrador do Jornal Tribuna de Macau e ex-líder da secção do PS em Macau, contou ainda com a presença de José Maneiras, arquitecto, que ouviu falar do nome de Mário Soares quando ainda

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M 1980, Deng Xiaoping começava a planear o milagre económico chinês mas, do lado de lá das Portas do Cerco, a vida continuava a ser difícil. As ruas ficavam na completa escuridão à noite e todos vestiam de preto, cinzento ou azul. Ver um estrangeiro era um acontecimento. Foi este o cenário que Mário Soares encontrou quando visitou a China pela primeira vez, já sem ser primeiro-ministro, numa viagem recordada ontem por Jorge Neto Valente, que falou numa sessão de homenagem no Clube Militar. “Na China, Mário Soares foi o que era em Portugal e o que foi sempre toda a vida. No barco [de Cantão] para Macau entravam primeiro os militares, depois os camponeses e os operários, e depois os amigos estrangeiros. Aí ele começou a cumprimentar toda a gente”, recordou. Em Macau, o Governador Melo Egídio fez-se representar por um assessor, tendo estado também presente Carlos D’Assumpção, figura histórica da comunidade macaense. “Isso mostra como é possível as pessoas entenderem-se, não obstante terem ideias diferentes, em termos políticos”, apontou o presidente da Associação dos Advogados de Macau.

condecoração ao Monsenhor Manuel Teixeira como historiador, e isto é o doutor Mário Soares. Monsenhor Manuel Teixeira ficou rendido.” Neto Valente, que conheceu o antigo chefe de Estado e primeiro-ministro quando ainda era dirigente estudantil na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, recordou um homem que foi o “Presidente dos consensos”. “Foi um combatente pela liberdade e as suas convicções. A política dele não metia negócios, metia os interesses de Portugal. Ninguém pode dizer que ele beneficiou alguma coisa economicamente da política.”

SOCIEDADE era estudante na Universidade do Porto. “Era conhecido como o defensor dos presos políticos e, do pouco que a censura deixava conhecer, nós conseguíamos saber algumas coisas e o que trabalhava para defender os presos políticos. Para mim era uma figura de referência.”

“Na China, Mário Soares foi o que era em Portugal e o que foi sempre toda a vida.” NETO VALENTE PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS ADVOGADOS DE MACAU A sala esteve cheia. Um dia depois do funeral de Mário Soares em Lisboa, as histórias sobre a sua presença em Macau desfilaram numa pequena sala do Clube Militar. Não faltaram imagens icónicas: o seu quadro cheio de sorrisos, pintado pelo amigo e companheiro de cela Júlio Pomar, e a sua companheira de vida, Maria Barroso. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 1/P/17

Em pleno mês de Julho, firmou-se então um protocolo entre a União para a Renovação de Macau (UNIR Macau) com o Partido Socialista, num jantar oferecido pelo histórico Ma Man Kei, no restaurante Algarve Sol. No pós-25 de Abril, era fundamental que o Centro Democrático de Macau (CDM), que competia com a Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM), se demarcasse para

sempre do Partido Comunista Português (PCP). “O PC da URSS era um exemplo de revisionismo imperialista. Nessa altura, havia quem fizesse correr os rumores de que o CDM alinhava com o pessoal do PCP para trazer para cá o revisionismo imperialista”, contextualizou Neto Valente.

A CONDECORAÇÃO

O advogado lembrou ainda a relação com o Monsenhor Manuel Teixeira, que

tinha tudo para correr mal. “Na primeira campanha presidencial de Soares, Monsenhor Manuel Teixeira escreveu: ‘Em quem ides vós votar, num candidato que vai à missa todos os domingos, que respeita os valores da pátria, ou num filho de um padre despadrado, que é comunista’. Teve um momento muito infeliz.” Em 1989, em mais uma visita ao território, Mário Soares passou por cima desse incidente. “Deu uma

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 19 de Dezembro de 2016, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e instalação de dois reprocessadores de endoscópios aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 11 de Janeiro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP37,00 (trinta e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www. ssm.gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 16 de Janeiro de 2017 às 11,30 horas para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 7 de Fevereiro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 8 de Fevereiro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP15.600,00 (quinze mil e seiscentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 5 de Janeiro de 2017. O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip


8 SOCIEDADE

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IFT TED SUMMIT DIVULGA INVESTIGAÇÃO DOS ALUNOS

Pensar para resolver RESIDÊNCIA AUTORIDADES DERAM BIR A 141 PORTUGUESES

TABACO PREVARICADORES AOS MILHARES

Os Serviços de Saúde de Macau informaram ontem que 6770 pessoas foram multadas em 2016 por fumarem em locais proibidos. Nos 12 meses do ano foram feitas 315.014 inspecções a diversos estabelecimentos, nas quais foram detectadas 6776 violações à Lei de Prevenção e Controlo do Tabagismo. Em seis destes casos, foram descobertas ilegalidades nos rótulos dos produtos de tabaco, segundo um comunicado oficial. A maioria dos infractores era do sexo masculino (92,6 por cento) e residente de Macau (61 por cento). Um terço (34,9 por cento) era turista e quatro por cento trabalhadores não-residentes. Os cibercafés continuam a ser os locais com mais infracções (17,7 por cento), seguidos dos parques e jardins (12,9 por cento), e dos centros de máquinas de jogos (10,6 por cento). Nos casinos, onde houve 505 inspecções entre Janeiro e Dezembro, e foram multadas 648 pessoas, a maioria turistas (80,2 por cento). Desde a entrada em vigor da Lei da Prevenção e Controlo do Tabagismo, a 1 de Janeiro de 2012, 37.921 pessoas foram multadas, como resultado de mais de 1,2 milhões de inspecções.

“A

percepção dos residentes do impacto sociocultural do Oktoberfest do MGM” é o título de umas das teses ontem apresentadas no Instituto de Formação Turística (IFT), no âmbito da terceira edição do Ted Summit. A investigação, da autoria da aluna Leong Weng U, finalista em Organização de Eventos, incidiu na identificação dos aspectos

TIAGO ALCÂNTARA

A autorização de residência em Macau foi concedida a 141 cidadãos de portugueses no ano passado, noticiou ontem a Rádio Macau. Trata-se de um aumento de 7,6 por cento em relação a 2015, de acordo com os números fornecidos pela Polícia de Segurança Pública (PSP). No entanto, foram menos os cidadãos de Portugal a requerer o Bilhete de Identidade de Residente, em 2016. No total, registaram-se 148 pedidos, contra os 160 de 2015 e os 201 de 2014. Segundo a PSP, 50 processos para a obtenção de residência transitaram para este ano. Em 2016, não houve qualquer pedido rejeitado, mas há registo de três indeferimentos. As autoridades explicam que a aprovação das autorizações de residência tem em conta “o custo de vida da RAEM”. Já em relação aos “blue cards”, 74 portugueses estavam nestas condições, no ano passado. A PSP refere que existiam 100 em 2015.

Foi ontem lançada a terceira edição do Ted Summit, do Instituto de Formação Turística. A plataforma pretende mostrar as investigações dos alunos a académicos e à própria indústria. A ideia é contribuir para que haja pensamento crítico positivos e negativos do festival para a população local. O objectivo, disse Leong Weng U ao HM, é compreender como actuar para minimizar as percepções menos positivas. No caso em particular, em que os residentes consideram que o Oktoberfest não é uma tradição local, uma das soluções pode passar pela oferta de bilhetes, de modo a que se sintam mais integrados. O trabalho da aluna foi um dos 13 que fazem parte de um evento

que pretende mostrar algumas das investigações finais dos alunos, sublinhar a importância da pesquisa e da aquisição de pensamento. A presidente do IFT, Fanny Vong, espera que a edição seja caracterizada pela apresentação de trabalhos relevantes e que o programa do IFT tenha reconhecimento crescente por parte dos agentes turísticos e da sociedade. Para a dirigente, é uma forma de responder às necessidades, numa sociedade em transformação constante. “Os temas seleccionados são, sem dúvida, do interesse geral”, disse. A iniciativa pretende treinar os alunos para a criação de um pensamento crítico, esclareceu Fanny Vong. “Com o desenvolvimento do turismo no território, enfrentamos frequentemente novos desafios, pelo que a questão é quem pode ajudar na resolução das situações que se levantam e propor soluções”, apontou.

Para Fanny Vong, a resposta está na formação para o pensamento. “Os alunos têm de ser observadores, capazes de entender o que se passa à sua volta e serem investigadores para descobrir as raízes dos problemas e propor soluções com novas perspectivas”, reiterou. Laurie Baker-Malungu, coordenadora das teses de final de curso, não podia estar mais de acordo. «Enquanto instituição de ensino superior, a realização de uma tese de investigação para os cursos da área científica é fundamental, não tanto pelo resultado, mas pelas capacidades que os alunos adquirem durante o processo. O Ted Summit é a celebração do caminho até aqui.” “Queremos que os estudantes consigam identificar problemas e sejam capazes de, activamente, resolver as situações com que podem vir a ser confrontados, de uma forma sustentável”, frisou a académica.

PATRIMÓNIO A NÃO ESQUECER

Para Fanny Vong, o maior desafio que Macau enfrenta actualmente “é a qualidade que se pode oferecer na experiência aos visitantes”. “O sector é composto por vários aspectos e os profissionais têm de apostar em todos eles”, alerta. Por outro lado, “há que elevar a fasquia de modo a não perder a autenticidade e a herança cultural, porque tudo faz parte da experiência turística”.

“Os alunos têm de ser observadores, capazes de entender o que se passa à sua volta.” FANNY VONG PRESIDENTE DO INSTITUTO DE FORMAÇÃO TURÍSTICA A presidente do IFT considerou ainda que Macau é um lugar especial sob o ponto de vista da indústria do turismo. O facto de juntar o “brilho dos casinos do Cotai e a verdadeira Macau” faz com que o território possua aspectos particulares. Ainda assim, Fanny Vong defende que há que proteger o património para que não venha a ser “uma sombra das luzes do Cotai”. A própria instituição a que preside tem um programa de ensino especialmente dedicado ao tema. “Começou em 2005, antes de ser reconhecida pela UNESCO, por já considerarmos a importância da protecção da herança cultural e esperarmos que os residentes não se esqueçam do seu passado.” Fanny Vong frisou que é tempo de colocar os planos do Governo em acção. Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


9 hoje macau quinta-feira 12.1.2017

SOCIEDADE

SOFIA MOTA

Quando os lucros são só dos grandes Operários pedem aumento salarial no sector do jogo

Hong Kong ACTIVISTAS LOCAIS DISCORDAM DE ESTUDO DA UM

Não é bem assim

Scott Chiang e José Pereira Coutinho, ligados a alguns protestos desde 2014, discordam das conclusões do estudo levado a cabo por Albert Wong. Há alguma troca de informações com Hong Kong, mas os protestos em Macau acontecem por vontade própria, assumem

T

EMOS as nossas interacções, mas não são tão dominantes como as pessoas possam pensar.” A frase pertence ao presidente da Associação Novo Macau (ANM), Scott Chiang, e serve para refutar as conclusões do estudo do académico Albert Wong, da Universidade de Macau (UM). O trabalho, tornado público esta semana, conclui que os protestos que o território tem vindo a enfrentar são directamente influenciados pelo que se passa na região vizinha. “Achamos que não somos influenciados por nada mais do que o trabalho das nossas iniciativas. O que aconteceu em Taiwan ou Hong Kong pode servir de inspiração, mas apenas de como podemos implementar iniciativas. Não é uma motivação mais directa para levarmos acções a cabo. Não é algo que simplesmente possamos aprender de outro lado, temos de acreditar.” Para o presidente da ANM, a situação é bem diferente em relação ao território vizinho.

“Hong Kong, neste momento, está muito polarizada, o que não acontece em Macau. Há algumas trocas de informações, de como podemos fazer coisas, mas não seguimos sempre essas ideias.” Scott Chiang observa, no entanto, que novos líderes surgiram nos últimos anos, bem como mais pessoas a virem protestar para a rua. “Há a ideia de que em Macau as pessoas são mais relutantes em tomar iniciativas para mudar o rumo dos acontecimentos, mas isso tem mudado nos últimos anos.”

ENTÃO E SEUL?

Para José Pereira Coutinho, deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores

da Função Pública (ATFPM), o estudo de Albert Wong não faz qualquer sentido. “Em termos gerais, discordo totalmente que as manifestações em Macau tenham que ver com as manifestações de Hong Kong. São territórios com diferentes dimensões e a base estruturante da sociedade é diferente.” Coutinho dá mesmo o exemplo da Coreia do Sul, onde milhares saíram à rua a pedir a saída de Park Geun Hye, Presidente do país entretanto destituída. “Há manifestações em todo o mundo. O que está a acontecer em Macau é uma forma espontânea das pessoas manifestarem o seu desagrado contra algumas políticas do Governo.

“O que aconteceu em Taiwan ou Hong Kong pode servir de inspiração, mas apenas de como podemos implementar iniciativas. Não é uma motivação mais directa.” SCOTT CHIANG PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU

As pessoas devem ser mais participativas e interventivas. Só assim é que a sociedade pode desenvolver-se, e criar mais e melhores oportunidades para os jovens.” O mega protesto de 2014, contra o regime de garantias, é referido no estudo, bem como os protestos organizados pelos trabalhadores do jogo. Mas para Coutinho foi apenas um pontapé de saída. “Em 2014 aconteceu o que nunca tinha sucedido: pela primeira vez, mais de 20 mil pessoas foram contestar algo simples, de que ninguém pode ter imunidade geral. Foi isso que trouxe as pessoas cá para fora. Para a ocorrência da mega manifestação, não há apenas uma explicação, mas sim várias. Continuo a acreditar que as manifestações são espontâneas e a sociedade está a evoluir. Poder-se-á, isso sim, discutir a lentidão da participação das pessoas face a Hong Kong”, referiu Coutinho. O estudo, intitulado “The Summer 2014 protests in Macau: their context and continuities”, afirma que “foram os jornais e revistas de Hong Kong, disponíveis nos quiosques e lojas de conveniência de Macau, que disponibilizaram uma fonte imparcial de comentário aos cidadãos de Macau”. Esses protestos “não surgiram do nada”, afirma Albert Wong, num território que “nasceu da corrupção”. Para firmar esta conclusão, o académico referiu os casos do ex-governador Carlos Melancia e do ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long. Andreia Sofia Silva

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A

Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) defendeu ontem que as seis operadoras de jogo de Macau devem avançar com um ajustamento salarial e a atribuição de b��nus aos funcionários do sector. O argumento usado pela organização é a recuperação a que se tem assistido na principal indústria do território. Para os Operários, esta é ainda uma forma de motivar os trabalhadores e atenuar as pressões sentidas com a inflação. O vice-secretário geral da FAOM, Choi Kam Fu, referiu na conferência de imprensa dada ontem que, apesar da queda de receitas, o jogo mantém um desenvolvimento considerável. “Durante a fase de ajustamento, as entidades empregadoras acompanharam as medidas de poupança ditadas pelas operadoras, dispensaram recursos humanos e, com o aumento do volume de trabalho, o risco de erro também subiu.” Por outro lado, o sector tem vindo a registar, desde Agosto, subidas consecutivas nas receitas e, tratando-se da principal indústria de Macau, deve liderar o ajustamento salarial juntamente com a Função Pública, sublinhou Choi Kam Fu. O dirigente salientou ainda que, segundo os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a inflação foi de 4,56 por cento em 2015 e, nos primeiros 11 meses de 2016, foi de 2,46 por cento. “Com o aumento do custo de vida os trabalhadores sentem-se cada vez mais sob pressão”, disse. A Associação de Empregados das Empresas de Jogo de Macau, a Associação Sindical dos Trabalhadores da Sociedade de Jogos de Macau e a Associação dos Trabalhadores da Indústria de Jogos de Fortuna e Azar de Macau, ligadas à FAOM, contactaram, entre 26 de Dezembro a 6 de Janeiro, 16.098 trabalhadores. Das respostas recebidas, um total de 7646, 3716 inquiridos apoiam um aumento salarial de sete por cento, 3456 apoiam um ajustamento na ordem dos cinco por cento, e 280 referem os três por cento como um número a ter em conta, sendo que apenas 61 disseram que não necessitam de ajustamento. O responsável disse ainda que já foram trocadas opiniões com uma das operadoras e que a “resposta foi positiva”, referindo que irá contactar as restantes cinco. Angela Ka (revisto por SM)

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10 Workshop JUSTIÇA LABORAL EM DISCUSSÃO

EVENTOS

CINEMA SALOMÉ LAMAS REGRESSA A BERLIM

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EPOIS de ter estreado internacionalmente o filme “Terra de ninguém” no Festival Internacional de Berlim, Salomé Lamas regressa pela terceira vez ao festival com “Coup de grâce”, concorrendo à competição Berlinale Shorts. Esta é a primeira curta-metragem de ficção da cineasta portuguesa, que não estará sozinha, contando ainda com a companhia de João Salaviza, Diogo Costa Amarante e Gabriel Abrantes. No total, estarão a concurso cinco filmes portugueses, em mais uma demonstração do vigor do actual cinema luso. O filme, com a chancela da produtora O Som e a Fúria, tem uma narrativa que gira em torno de Leonor, interpretada por Clara Jost. O filme começa com a protagonista a regressar de viagem num dia em que o seu pai, Francisco, já não a esperava. O papel do pai de Leonor estará ao cargo de Miguel Borges. A história desenrola-se no espaço de 24 horas, tempo suficiente para que pai e filha vivam uma realidade alucinada. O desvario vive, essencialmente, da inquietação em crescendo de Francisco que, ainda assim, mantém um registo emocional de aparente normalidade.

Direito do trabalho nas econom

Realiza-se hoje na Universidade de Macau um workshop focado nos direitos a excepção da Rússia. Os temas serão analisados no presente contexto da tran

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atravessar desafios diferentes nesta altura, a China, Índia e Brasil enfrentam, ainda assim, situações ao nível do direito do trabalho que carecem de análise académica. Pois será exactamente isso que

acontecerá hoje, pelas 14h30, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Macau. De acordo com Rui Flores, académico e organizador, este é um tema que também interessa a Macau, “não só porque a Prof. Anita Chan

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O FUTURO ROUBADO • Ramón Caride, Miguelanxo Prado

Said e Sheila, dois jovens do futuro que já protagonizaram Perigo Vegetal e Ameaça na Antártida, vivem a sua aventura mais arriscada e transcendente. Quando a sua amiga Irina chega para visitá-los no moinho de Loreda dá-se a o seu repentino e misterioso desaparecimento. Que lhes aconteceu? Em seguida vamos saber… Desta vez, Said e Sheila terão que enfrentar um poderoso grupo que movido por interesses económicos, procuram destruir vastas zonas da costa sem ter em conta os prejuízos ambientais e culturais que produzem.

irá falar das questões laborais da região vizinha de Guangdong, mas também porque se vai falar de globalização, questão premente não só para Macau, como para todo o mundo”. Nesse sentido, a apresentação de Anita Chan discutirá

a legislação do trabalho na China, tema que tem atraído a atenção do mundo inteiro, assim como a evolução que tem acontecido em termos de direitos e condições de vida dos trabalhadores chineses. Uma das questões em cima da mesa serão os desafios

criados pela entrada na economia chinesa de empresas estrangeiras, assim como de joint ventures, que vêm colocar novas e complicadas questões jurídicas que serão centro de debate. Este tópico será também explorado por Jonathon Hun-

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

O MEU FILHO FEZ O QUÊ??? • Bárbara Wong

Partindo da sua experiência na área da Educação, enquanto jornalista e mãe, Bárbara Wong conversou com pais, professores e alunos de todo o país e reuniu em livro relatos de situações reais vividas dentro e fora das salas de aula. Partindo dessas histórias, que demonstram as muitas dificuldades que caracterizam o relacionamento entre os pais e o sistema educativo - escolas, directores, professores, pais, alunos… e os próprios filhos -, apresenta estratégias, ideias e soluções para levar a bom porto a formação académica e a educação dos filhos. Seja para ajudar a escolher a melhor escola (ou jardim de infância), a preparar o ano lectivo, a participar em reuniões ou a agir em situações-limite (bullying, violência, queixas de professores ou de pais, etc.), este livro é um verdadeiro guia que orienta os pais pelos longos e por vezes confusos corredores da vida escolar.


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Uma das questões em cima da mesa serão os desafios criados pela entrada na economia chinesa de empresas estrangeiras, assim como de joint ventures

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EVENTOS

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Avoadinha Nome botânico: Erigeron canadensis L. Sinonímia científica: Conyza canadensis (L.) Cronq. Família: Asteraceae (Compositae). Nomes populares: AVOADEIRA; AVOADINHA-DO-CANADÁ; ERIGÃO; ERIGERÃO.

mias emergentes

dos trabalhadores dos países do BRIC, com nsformação social na economia global ger, da Universidade Nacional da Austrália, e editor do China Journal.

ÍNDIA E BRASIL

Outro do foco será o Brasil e o subcontinente indiano. Neste capítulo, destaque para a palestra de Jorg Novak, da Universidade da Cidade de Hong Kong. O académico tem estudos publicados acerca dos protestos de massas que ocorreram tanto na Índia, como no Brasil. Debruçou-se academicamente também sobre avultados investimentos chineses na economia brasileira. O académico publicou ainda um estudo sobre a Foxconn, a maior fábrica de componentes informáticos do mundo, sediada em Taiwan.

Novak será coadjuvado nos desafios que a Índia enfrenta em termos de direitos laborais por Tim Kerswell, professor da Universidade de Macau. Neste tópico é avançada uma alternativa ao neoliberalismo que domina a economia global, sendo para tal apontado o papel das cooperativas de trabalhadores indianos, em particular no sector da construção. Outro dos aspectos de interesse que estará em discussão é o caso de estudo da Associação de Trabalhadoras por Conta Própria da Índia. Esta associação, que tem mais características de uma organi-

zação não-governamental do que propriamente um sindicato, imprime algum poder às mulheres numa sociedade marcada por um forte machismo cultural. Aorganização tenta promover a defesa das suas associadas encorajando-as a não aceitarem condições de trabalho que estejam abaixo dos padrões legalmente estabelecidos. Esta é mais uma iniciativa do Programa Académico da União Europeia, e procura apontar possíveis caminhos para as questões mais prementes relacionadas com os direitos laborais das chamadas economias emergentes. H.M.

Originária da América do Norte, a Avoadinha encontra-se hoje muito disseminada nas regiões temperadas da Europa e América do Sul. Considerada uma erva daninha, invade os locais onde se instala, por vezes, quase exclusivamente, sendo ainda muito resistente às queimadas para limpeza de terrenos. Habita nos campos cultivados e incultos, bermas dos caminhos, lugares arenosos e baldios, sendo fácil identificá-la pelas suas características botânicas. De facto, os seus pequenos capítulos esbranquiçados e agrupados em cachos, pouco vistosos e até desengraçados, desvanecem-se rapidamente logo que murcham transformando-se em pequenos tufos sedosos. Além disso, pode atingir um metro de altura no seu caule erecto, peludo e muito ramoso, sobressaindo na paisagem. Tem ainda folhas em abundância, estreitas e lanceoladas. Planta muito apreciada nos Estados Unidos e Canadá, a Avoadinha é conhecida desde tempos remotos. Os índios norte-americanos usavam-na para deter hemorragias uterinas e menstruações abundantes e, quando estavam constipados, aspiravam-na para provocar o espirro; quando queimada, produzia um fumo que afugentava os insectos. Além dos usos medicinais, também a utilizavam em rituais. No século XVII foi trazida para um jardim botânico francês, tendo-se expandido rapidamente pela Europa. Durante a Primeira Guerra Mundial, o seu óleo essencial foi empregue para o tratamento das hemorragias. Em fitoterapia são usadas as partes aéreas floridas. Composição Taninos gálhicos, ácido gálico, polienos, poliinas, óleo essencial (citronelal, farneseno, limoneno, linalol, terpineol), resinas, flavonóides, fitosteróis e colina. Acção terapêutica Planta com actividade diurética, a Avoadinha aumenta a eliminação de urina, ácido úrico e outros resíduos do metabolismo; previne ainda as afecções reumáticas e, na sua presença, alivia a inflamação e a dor associadas (acção anti-reumática). É recomendada para as perturbações da micção (disúria),

inflamação da bexiga, sangue na urina (hematúria), patologia renal, ácido úrico elevado, cálculos renais, gota e reumatismo articular ou muscular; pode igualmente ser benéfica em caso de edemas, obesidade com retenção de líquidos, hipertensão arterial e outras situações que requeiram o aumento da diurese. Com propriedades adstringentes e antidiarreicas, esta erva desinflama ainda os tecidos, detém as hemorragias e tonifica o organismo, sendo usada para a diarreia, disenteria, febre tifóide, hemorróidas e inflamação do estômago, intestino delgado ou vesícula biliar. Também é útil em caso de vermes intestinais, auxiliando a sua expulsão. Outras propriedades Pelos efeitos já mencionados, a Avoadinha pode também ser utilizada para a tosse, catarro, constipação, rinite, hemorragia nasal (epistaxis), faringite, bronquite e asma. Na febre, induz a sudação, favorecendo a eliminação de toxinas e baixando a temperatura do corpo. É igualmente recomendada para reduzir as menstruações demasiado abundantes ou prolongadas e deter as hemorragias uterinas. É de realçar que qualquer perda anormal de sangue deve ser objecto de diagnóstico prévio, de forma a identificar a causa e proceder ao seu tratamento. Em uso externo, esta planta desinflama, desinfecta e detém os sangramentos, sendo empregue na inflamação da pele e mucosas, como feridas, queimaduras solares, estomatites, faringites, vaginites, hemorróidas e diarreias. Como tomar Uso interno: • Decocção das partes aéreas floridas: 1 colher de sobremesa por chávena de água. Tomar 3 ou mais chávenas por dia, depois das refeições. • Também pode ser tomada em gotas ou ampolas, como diurético, em fórmulas de plantas. Uso externo: • Decocção das partes aéreas floridas: 30 a 40 gramas por litro de água. Em bochechos e gargarejos, lavagens, compressas, irrigações vaginais ou enemas (clisteres). Precauções Não são conhecidas contra-indicações, nem efeitos secundários ou tóxicos da planta, para as doses terapêuticas. No entanto, devido à actividade diurética, quando tomada em concomitância com medicamentos hipotensores ou cardiotónicos pode provocar descompensações. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


12 CHINA

hoje macau quinta-feira 12.1.2017

Davos XI JINPING “ABERTO” A REUNIÃO COM EQUIPA DE TRUMP

Primeiros diálogos Pela primeira vez na história do Fórum Económico mundial de Davos caberá à presidência chinesa a abertura da sessão. O discurso de Xi Jinping deverá centrar-se na defesa da globalização e na rejeição do proteccionismo. Pequim mostra ainda disponibilidade para encontros bilaterais

O

Presidente chinês, Xi Jinping, está “aberto” a encontrar-se com os representantes da equipa do Presidente eleito norte-americano, Donald Trump, que participam no Fórum Económico mundial de Davos, na próxima semana, avançou ontem o Governo chinês. Xi vai participar pela primeira vez em Davos, como parte da sua visita de Estado, que se realiza na Suíça entre os dias 15 e 18 deste mês, e que, segundo avançou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Li Baodong, estará centrada na defesa da globalização e multilateralismo. “Na medida em que a agenda o permitir, a parte chinesa está aberta a reuniões bilaterais”, disse Li numa conferência de imprensa em Pequim, questionado sobre um possível encontro de enviados de Trump, já que Anthony Scaramucci, membro executivo da equipa de transição, representará o Presidente eleito dos Estados Unidos no encontro suíço.

Li reconheceu que “discussões estão a decorrer” para essa hipotética reunião, mas não a deu como garantida.

RECEITAS CHINESAS

O responsável explicou também que a presença de Xi em Davos, onde no próximo dia 17 se tornará o primeiro Presidente chinês a fazer o discurso

“Na medida em que a agenda o permitir, a parte chinesa está aberta a reuniões bilaterais.” LI BAODONG VICE-MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS CHINÊS

inaugural, tem como objectivo “demonstrar que a China é uma potência responsável”. Segundo o vice-ministro, na sua intervenção Xi vai defender a globalização e o sistema vigente de comércio internacional e irá manifestar a sua rejeição ao proteccionismo, apresentará as receitas de Pequim para solucionar os problemas da economia global e explicará o seu plano para construir a Nova Rota da Seda. Um dia depois, a 18 de Janeiro, o Presidente chinês vai visitar as Nações Unidas em Genebra, onde fará outro discurso centrado na promoção do multilateralismo e do papel da ONU nas relações internacionais. Xi irá ainda encontrar-se com o novo secretário-geral da ONU,António Guterres, a quem oferecerá o apoio da China.

PONTE MAIS ALTA DO MUNDO INAUGURADA

A

ponte suspensa mais alta do mundo já foi aberta ao trânsito na China, mostrando-se como uma das obras de engenharia mais impressionantes do mundo. A Ponte Beipanjiang Duge, com tabuleiro situado 565 metros acima do rio Beipan, no Sudoeste

da China, tem um comprimento de 1.34 quilómetros e une as cidades de Xuanwei, na província de Yunnan, e de Shuicheng, em Guizhou, tendo custado pouco mais de 130 milhões de euros. O tabuleiro permite trânsito em quatro faixas, duas em cada sentido.

Esta nova obra fica situada acima de um vale em que o rio está a um nível tão profundo que não chega a receber luz solar durante o dia em diversos dos seus pontos, sendo também de notar que, devido à sua topografia, a região tem obrigado à construção de

diversas pontes de altura considerável. Inaugurada no início deste ano, a ponte demorou apenas três anos a construir, conseguindo encurtar a viagem entre Xuanwei e Shuicheng de quatro horas para apenas duas. Ainda que a torre Este desta ponte meça

269 metros, a ponte de Beipanjiang Duge não é a que tem maior altura em termos de estrutura, já que esse título está entregue a uma construção europeia, neste caso em França: o viaduto de Millau tem uma altura de 343 metros, o que a torna na mais alta do mundo.

AI DIREITOS HUMANOS EM HONG KONG NO PIOR NÍVEL DESDE A TRANSIÇÃO

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Amnistia Internacional disse ontem que a situação dos direitos humanos em Hong Kong está a deteriorar-se, e que em 2016 atingiu o seu pior nível desde a transição da antiga colónia britânica para a China, em 1997. Numa apresentação do relatório ontem à imprensa em Hong Kong, a Amnistia Internacional disse que a interpretação por Pequim da Lei Básica (mini-constituição) de Hong Kong para desqualificar dois deputados eleitos tinha causado danos ao estado de Direito da cidade. A organização não-governamental também apontou que o desaparecimento de cinco livreiros ligados a uma editora em Hong Kong, que publicava livros sobre a vida privada de líderes chineses, aumentou as preocupações dos residentes sobre a liberdade de expressão. Raees Baig, responsável da Amnistia Internacional em Hong Kong,

disse que o declínio na liberdade de imprensa também é motivo de preocupação. “Quando falamos de liberdade de expressão ou da liberdade de imprensa, vemos que neste [último] ano houve um aumento dos casos de violência contra jornalistas, e que há um espaço muito confinado para a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão. São problemas que estão a agravar-se”, disse Raees Baig, citada pela Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). “Este é o pior ano? Penso que em termos gerais podemos dizer que sim”, acrescentou.

VETERANA CORRESPONDENTE DE GUERRA MORREU AOS 105

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veterana correspondente de guerra britânica Clare Hollingworth, que deu a notícia de que a Segunda Guerra Mundial tinha começado, morreu esta terça-feira aos 105 anos. A amiga da família Cathy Hilborn Feng confirmou à agência France Presse que Hollingworth morreu em Hong Kong, onde vivia há 30 anos. A família divulgou uma curta declaração numa página na rede social Facebook com o seu nome, lembrando a “ilustre

carreira que atravessou um século de notícias”. Cate Hollingworth testemunhou os horrores da guerra no Vietname, Argélia, Médio Oriente, Índia e Paquistão, bem como a Revolução Cultural na China. Mas é sobretudo lembrada pelo seu “furo” sobre a II Grande Guerra em 1939, no início da sua carreira, aos 27 anos. Deu a notícia da invasão da Polónia pela Alemanha durante a sua primeira semana de trabalho como correspondente do The Daily Telegraph. Em Outubro, comemorou o seu 105.º aniversário no Clube dos Correspondentes Estrangeiros (FCC na sigla em inglês) em Hong Kong. “Estamos muito tristes por saber da morte de Clare. Ela foi uma extraordinária inspiração para todos nós e um estimado membro do nosso clube”, disse a presidente do FCC, Tara Joseph.


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AIS de 70% do maior recife de coral do Japão, situado no sudeste do arquipélago, morreu em 2016 devido ao aumento da temperatura das águas, revela um estudo do Ministério do Ambiente nipónico. As águas em redor do recife, situado em frente à ilha de Ishigaki, no arquipélago de Okinawa, registaram no Verão passado uma média de dois graus superior ao habitual, causando a descoloração dos corais, refere o texto divulgado ontem pela emissora pública NHK. O departamento ambiental examinou entre Novembro e Dezembro o recife, que conta com mais de 70 espécies de corais e é considerado um dos mais antigos e de maior extensão do hemisfério norte. A avaliação determinou que 70,1% dos corais morreram por branqueamento. O número representa um notável aumento em relação ao registado nos meses de Setembro e Outubro, quando se constatou PUB

Quentes e más

Mais de 70% do maior recife de coral do Japão morreu em 2016

que 97% dos corais tinham sofrido branqueamento e 56% tinha morrido. O ministério japonês indicou que as temperaturas marinhas na zona tinham baixado desde que começou o Outono e que alguns corais tinham recuperado, mas alertou que mais podem morrer e que não é certo que o recife vá recuperar.

DEVASTAÇÃO GERAL

O fenómeno meteorológico El Niño, que causa o

aumento das temperaturas da superfície do mar, contribuiu para o branqueamento dos corais em todo o mundo em 2016, incluindo alguns dos maiores recifes protegidos da Austrália, Tailândia ou Maldivas. A descoloração dos corais acontece quando estes enfrentam alterações extremas e constantes de temperatura, luz e nutrientes. Este processo põe em risco a abundância das espécies pesqueiras que

dependem dos recifes para abrigo e alimento. No Índico e no Pacífico, se a emissão de gases de efeito estufa continuar ao nível actual, as reservas pesqueiras podem diminuir entre 10% e 30% em 2050, em relação ao período 1970-2000, segundo dados da União Internacional para a Conservação da Natureza.

REGIÃO

HERDEIRO DA SAMSUNG SUSPEITO DE CORRUPÇÃO

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herdeiro da Samsung Lee Jae-Yong foi declarado suspeito na investigação ao escândalo de corrupção que envolve a Presidente destituída da Coreia do Sul, Park Geun-Hye, informou ontem o Ministério Público. Lee Jae-Yong , vice-presidente da Samsung Electronics e filho do presidente do Samsung Group, Lee Kun-Hee, será interrogado como “suspeito” com relação a subornos, segundo o Ministério Público. “Decidimos questionar Lee amanhã de manhã (…) como suspeito”, disse Lee Kyu-Chul, porta-voz da equipa de procuradores especiais que investiga o escândalo. O caso está centrado em Choi Soon-Sil, amiga de Park

Geun-Hye, que é acusada de usar a sua ligação à Presidente para coagir grandes empresas a “doar” dezenas de milhões de dólares a duas fundações sem fins lucrativos, que Choi depois usava. A Samsung foi o maior doador destas fundações. É também acusada de dar, em separado, milhões de euros a Choi Soon-Sil para financiar as aulas de equitação da filha na Alemanha, de modo a cair nas suas boas graças. O Ministério Público interrogou Lee e outros responsáveis de topo da Samsung durante vários meses. Os quadros da empresa alegaram que, apesar de terem sido coagidos a doar dinheiro, nunca pediram nada em troca e por isso os pagamentos não eram subornos. O Ministério Público investiga se a Samsung subornou Choi para conseguir a aprovação estatal de uma controversa fusão - entre a Cheil Industries e a Samsung C&T – em 2015.


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hoje macau quinta-feira 12.1.2017

Governo da Região Administrativa Especial de Macau Fundo de Segurança Social Anúncio Nos termos dos artigos 36.º e 38.º da Lei n.º 4/2010, os beneficiários da pensão para idosos ou da pensão de invalidez do Fundo de Segurança Social (FSS), necessitam de efectuar, em Janeiro de cada ano, a prova de vida para fim de manutenção da sua atribuição. Assim, pedimos a atenção dos beneficiários da pensão para idosos e pensão de invalidez que a prova de vida deve ser efectuada durante o referido mês. Este ano, o FSS continua a efectuar a notificação através de mensagens telefónicas. Os beneficiários, desde que concordem com o registo do número de telemóvel no FSS para a recepção de mensagens, vão recebê-las na forma de avisos sobre o tratamento da prova de vida. Assim, em Janeiro, os beneficiários, munidos do seu Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, podem dirigir-se, pessoalmente, aos quiosques automáticos colocados em 42 locais espalhados por Macau para o efeito, ao posto de atendimento no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, ao Centro de Serviços da RAEM na Areia Preta, aos 4 Centros de Acção Social do Instituto de Acção Social, à Delegação das Ilhas do Instituto de Habitação (Edifício do Largo) ou Delegação de Seac Pai Van do Instituto de Habitação (Edifício Ip Heng), para tratar da prova de vida perante o pessoal do FSS. Os que não podem comparecer por motivos de permanência no exterior, doenças ou dificuldade em movimentar-se, podem delegar outrem a deslocar-se, acompanhado dos respectivos documentos, aos diversos postos de atendimento para tratamento da prova de vida dentro de Janeiro.

AVISO Informa-se que encontra-se afixada na Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), sita na Estrada de D. Maria II, N.os 11 a 11-D, Edifício dos Correios, rés-do-chão, Macau, e disponível na sua página electrónica, www.dspa.gov.mo, a lista classificativa da prova de conhecimentos dos candidatos admitidos ao concurso comum, para o preenchimento de 3 lugares do quadro de pessoal e 6 lugares em regime de contrato administrativo de provimento, de fiscal técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, área de actividade de obras públicas, da carreira de fiscal técnico da DSPA.

O Director, Tam Vai Man 5 de Janeiro de 2017

JOSÉ MARIA ERNESTO DE CARVALHO E RÊGO MISSA Realiza-se na próxima Sexta-Feira, dia 13 de Janeiro de 2017, às 18 horas na igreja da Sé uma missa em memória de José Maria Ernesto de Carvalho e Rêgo. Comunica a todos os que queiram comparecer e fazendo-o em representação da Família enlutada e Amigos.

Para mais informações acerca dos locais de tratamento da prova de vida ou dos documentos necessários a entregar por não poder comparecer pessoalmente, podem telefonar para o n.o 28532850 ou visitar a página electrónica do FSS exclusivamente sobre a prova de vida: http://www.fss.gov.mo/pt/sites/vida. Aos 09 de Janeiro de 2017 O Presidente do Conselho de Administração do FSS Iong Kong Io

Pedro Redinha

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 2/P/17 - Fornecimento e instalação de um sistema de equipamentos de prevenção contra incêndios no Centro Hospitalar Conde de São Januário

Assine-o

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16.

Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. Objecto da Empreitada: Fornecimento e instalação de um sistema de equipamentos de prevenção contra incêndios no Centro Hospitalar Conde de São Januário. Prazo máximo de execução: 180 dias (cento e oitenta dias). Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 dias (noventa dias), a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: A empreitada por preço global. Caução provisória: MOP 240 000,00 (duzentas e quarenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução, aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% (cinco por cento) do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% (cinco por cento) para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: Não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 27 de Fevereiro de 2017 (Segunda-feira), até às 17:45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do acto público: Local: “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. Dia e hora: Dia 28 de Fevereiro de 2017 (Terça-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 17 de Janeiro de 2017 (Terça-feira), às 15:00 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. Hora: Horário de expediente (das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: MOP149,00 (cento e quarenta e nove patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: Preço razoável Compatibilidade com as instalações e equipamentos que existem no C.H.C.S.J. Qualidade do sistema de equipamento Programa de execução da obra Progresso do projecto e o prazo de execução Experiência em execução das obras Integridade e honestidade

TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo

35% 15% 15% 10% 10% 10% 5%

17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, a partir de 11 de Janeiro de 2017 (Quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

Serviços de Saúde, aos 5 de Janeiro de 2017

O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip


diários de próspero

h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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António Cabrita

Barbearia Universal: uma homenagem 3/01/2016 

Fechou a Barbearia Universal, na 25 de Setembro, em frente ao Banco de Moçambique. Desloquei-me para me sentar na sua cadeira junto à vitrina, pronto a entregar-me às mãos de fada do artista e embati no espaço devoluto e no papelinho de despedida de um dos gerentes. Informaram-me depois que o motivo foi um dos sócios ter sido chamado a aprimorar a longa cabeleira da Morte. Resta-me, em homenagem, contar o sonho que lá tive, da última vez que lá fui – jogavam-se as primeiras jornadas do último Europeu de Futebol. Entrei desconfiado, diga-se. Cada um tem as manias que pode e a minha é a de que os barbeiros, abusivamente, me primem o cocuruto com os polegares, como se estivessem a avaliar o amadurecimento do melão. É prática que abomino, desde miúdo, apegado à tola incerteza de não ser uma cucurbitácea. Mas aquelas mãos tocaram-me como veludo, interpunham uma almofada de ar entre os pomos digitais e a minha cabeça. Rapidamente adormeci. Um pouco depois abri um olho, a conversa animada levou-me a abrir o outro. Relato: «- Conte-nos lá - um “habitué” sentado desafiava o homem que me aplicava a tesoura - você agora, em vendo o esférico a rodar, não fica com ganas de voltar? - Não, já fiz tudo o que ansiava no futebol. Proporcionei centenas de golos, vou-lhe ser franco, agora até adormeço a ver, acho uma maçada... - Cala a boca…- atazanava um terceiro com um sotaque carioca -, você até passou pelo Benfica e pelo Atlético de Madrid... - Cansei, os dirigentes não dignificam o futebol... - Pudera, se eras o guarda-redes com os reflexos e os rins mais extraordinários e os frangos mais inexplicáveis... - Já vos disse, fui para o futebol porque gostava do espectáculo, nunca percebi essa coisa doentia da competição, a ânsia de ganhar... - Foi o que o impediu de ser rico... – voltava o brazuca. - Mas eu sou rico, daqui... – e apontava a cabeça. - Desculpe, interrompi eu, com esses clubes na carteira, qual era o seu problema? - Gostava de golos bonitos. Bolas chutadas à queima-roupa, que pareciam indefensáveis, apanhava-as todas. Mas as

Acordei, a barbearia estava vazia, estávamos a sós, eu e o Artur mais o seu eterno cigarro ao canto da boca que mantinha o morrão de cinza a prumo, como se fosse bola posta na marca do penalty. O meu cabelo estava impecável, como sempre que surgiam na sequência de uma jogada bem desenhada, com princípio meio e fim, quando no seu todo desenhavam uma bela coreografia, como no ballet, punha-me a pensar, “por que não deixar entrar?” Como é que se aborta a beleza? - Até montaram um restaurante em Madrid com o nome dele, Artur/ O Rei dos Frangos... - Só a beleza é que interessa. E quando cheguei a Dortmund Spiegel é que vi que tinha razão... - Nunca ouvi falar dessa equipa... - Era uma equipa da segunda divisão alemã. Constituída só por jogadores de elite, com uma excelência técnica irrepreensível, só que com o mesmo problema que eu. E aí montámos um sistema de jogo que deixou o treinador à beira de um ataque de nervos. - Como é que era, conta lá ao teu freguês novo, que ele não vai acreditar... - Sou todo ouvidos, confirmei. - Uma vez vi um documentário com o Garrincha que diz tudo sobre o nosso sistema. O Garrincha, num jogo internacional, ultrapassou o guarda-redes mas depois achou que assim o golo era

fácil e voltou para trás. Voltou a fintar o guarda-redes e a voltar para trás, só à terceira é que foi de vez. E o realizador passou um grande plano dele e a cara dele era de enfado. O que lhe agradava era a dificuldade. Connosco era o mesmo. Fazíamos dezenas de ocasiões de golo mas muitas vezes falhávamos de propósito porque o que gramávamos era aumentar de tal forma pressão sobre a defesa adversária que o golo acabava por surgir... de auto-golo. Aí sim, gozávamos. Antes não... - É espantoso... – concordei eu. E você, com o corte e cabelo é o mesmo... - Vou-lhe ser franco... a melhor prenda que me podia dar este Natal seria cortar o cabelo ao Dhlakama e ao Nyusi (1)… Aí premiavam o meu zelo... - Por mim, tem um voto... – respondi – mas que é que fazia com figurões? - Acabava com a guerra… - Como? - Juntava a vespa e a abelha na mesma cadeira…e fazia uma extensão do cabelo de um para outro… - Eh, eh, para passar para um os piolhos do outro?

- Não, piolhos não terão, não os difamemos, mas para eles verem que o tipo de cera que produzem é a mesma… e que quando só se produz cera não há sentido em guerrearmo-nos… - Não me diga que neste país não se produz mais nada? - Lembra-se de que a União Soviética quando caiu só tinha duas coisas para exportar: putas e engenheiros nucleares? Com Moçambique é idêntico, só temos para exportar moluenes (2) e ricos… Isch! Como se produzem ricos nesta terra! - Então e isso não é bom? - Seria, se com o kit-da-independência viesse um manual a explicar que quem é rico tem de trabalhar e de multiplicar a riqueza, mas os meus bradas (3) acham que ser rico é apenas poder consumir à força toda… - Eh, pá! Tem razão, Artur! - Que a minha filha morra de saúde se eu queria ter razão. Mas sabe qual é a desgraça dos povos? Aquilo que eu desejava para os anos vindouros? - Faça os seus votos, homem! - Desejava que os povos adquirissem a percepção de que talvez não sejamos tão ricos que possamos continuar a consentir na multiplicação espontânea de ricos que só têm por motivação os gastos… Tudo mudava, tenho a certeza, tenho tanta certeza como a de que Portugal é que vai ganhar o Europeu deste ano… Eh pá – contrariei eu – já se está a fazer à gorja, ó Artur… - Estou-lhe a dizer, é sincero…» Acordei, a barbearia estava vazia, estávamos a sós, eu e o Artur mais o seu eterno cigarro ao canto da boca que mantinha o morrão de cinza a prumo, como se fosse bola posta na marca do penalty. O meu cabelo estava impecável, como sempre. Fechou a loja. A cidade está mais pobre. Quantos “libertadores” deste país aliviaram as tensões na barba e cabelo destes desvelados artistas? A saudade, neste ano que se passou, devia ter o selo Made in Barbearia Universal.

1 .O presidente da Renamo, que move uma guerra contra a Frelimo (o partido no poder), e o presidente de Moçambique. Nyuse na língua maconde, etnia de que é originário, significa “abelha”; 2. Rapaz criado na rua, ao deus-dará; 3. Corruptela de “brother” com que se auto-designam os moçambicanos


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Amélia Vieira

Camões e o céu O

início do século vinte foi verdadeiramente inovador e de uma dimensão moderna sem precedentes, começando pelo Futurismo de Marinetti , o Simbolismo, o Cubismo e todas as formas que ousaram avançar e transformar os signos linguísticos e as estruturas criativas em elementos de plena mudança social. De tal forma que a noção de original se baseou na origem, ao que ela pode servir de reminiscência do esquecido, e com as liberdades sociais que teciam o progresso foi dado ao criativo, ao artista, ao poeta, meios ímpares na transformação da génese colectiva. Olhamo-los à distância de um século e parece que não nos foi dada esta modernidade, esta qualidade, este saber e saber fazer, que uniam partes por vezes tão dissonantes. Em Pessoa, sabia-se da sua forma hermética para interpretar horóscopos, mas não era só ele: havia por toda a Europa a transmigração das ciências ocultas e Crowley, o mal amado dos poetas, não deixa por isso de ter sido um soberbo escritor e junto a ele a flama sem fim dos espelhos e das bocas mágicas: muitos de carácter sexual que exacerbavam com beleza rara o mito de Pã e as germinativas capacidades da falocracia como estado ébrio da criação. Por isso não devemos deixar de ouvir este Hino, neste tempo em que se fala de paganismo como de idolatria a esferas de prazeres menores. Por esta altura vivia entre os nossos poetas do Orpheu, um homem, também da sua época e não menos inquietante, aquilo a que chamaríamos hoje de reaccionário, o que não deixa que fique como os naturais de hoje, sem interesse, e coisas também elas apaixonantes para contar: falamos de Mário Saa, conhecido pelo seu anti-semitismo primário e suas visões sobre a conspiração judaica. E é numa espécie de pequeno opúsculo que um escritor português mais recente descreve a visita de seu pai a Pessoa, combinada por ele como um momento simbólico de caça invisível à tal “espécie”. Chegados ao encontro, viu Mario Saa em duas, a mesma pessoa, o mesmo chapéu e, insultosamente, o mesmo nariz, empurrando-os humilhantemente um para o outro e culpando tal gene covilhanense. Como todos os “caças-

-fantasmas”, ele queria provocar em alguns amigos a tímida consciência das suas raízes, da qual ele não gostava, mas também não se separava. Vejamos que estes homens ainda não tinham o surro pequeno- burguês que invadiu a sociedade portuguesa da ditadura; eram homens brilhantes, com posições contrárias, sim, mas que dada a pequenez da organização social estavam condenados a unirem-se. Mário Saa tem, entre muitas obras emblemáticas, uma, muito ao gosto de Pessoa, «Memórias Astrológicas de Camões», obra essa que lhe terá servido de inspiração para o poema de Saturno e os três anéis – fome, miséria e desolação. É, de facto, uma viagem secreta pelas entranhas do poeta, mais mitológica que lógica, mais simbólica que hiperbólica, mais refinada que exagerada, mais fatalista que elitista, e que nos dá a certeza de que entre mandala

É nestes interstícios sonegados ao saber normativo que estão os elementos mais importantes para a compreensão daqueles que todos gostariam ter sido, mas que não teriam suportado tal destino

e céu conhecia em muito o seu destino. Aliás, esta recorrência a Saturno é muito poética e filosófica, e vejamos: «Sob o signo de Saturno», de Walter Benjamim; «Poemas Saturninos», de Verlaine; a máscara de Dante; «A Viúva», de Gomes Leal, de que Pessoa tanto gostava, pensando mesmo ser dele uma centelha. Nascidos no mesmo dia e com todas as esferas iguais e concertadas, este aspecto de uma radicalidade poética esbate o efeito da Primavera da Poesia, dos serões de meia província, da deidade branda do poetizar, da noção intimista das coisas vulgares. Aqui é de poetas que falamos e não de bucólicas criaturas em vários formatos da sua demência existencial. Saturno, como os anátemas, está gravado a ferros, que o fogo não entra neste frio. Camões, de quem tão pouco se diz saber, nasceu a 23 de Janeiro de 1524, a um sábado, dia consagrado a Saturno num eclipse do Sol e o resultado parece mais assombroso quando o registo o dá pelas oito e meia da noite com Balança ascendendo. Saturno e Vénus estavam como o refere , em debilidade acidental; seria por isso Aquário com ascendente Balança, o que reforça o carácter estético da sua lírica. Camões quando escreve o célebre poema «O dia em que nasci» tinha uma vasta consciência disto e não nos esqueçamos também de que se baseia no próprio «Livro de Job» e dá-lhe a tónica final numa interpretação deveras fulgurante. A terrível realidade inscrita nas suas lúcidas formas de saber não produzem facilidade nem estados de consciência brandos, são seres derradeiros que se manifestam no limite ... sim – o dia em que nasci, morra e pereça, não o queira jamais o mundo dar... dê o mundo sinais de se acabar... a mãe ao próprio filho não conheça...– aqui está a completa consciência da sua Fortuna, mas Saturno, a quem os matemáticos da época chamavam Infortuna Maior, é o guardião do poeta «chamo dura e cruel a dura Estrela». Para a definição do ano de Camões estão exaltadas as conjunções de Júpiter e Saturno, conjunção esta que preside aos períodos históricos: Islão, Reforma, Revolução Francesa. A Reforma foi a da época de Camões. Ocorreu no começo desse ano no signo de Peixes tendo determinado os infaustos prog-

nósticos do Segundo Dilúvio Universal que irritados estavam com o Tempo e o Mundo. Para quem do Amor - não viu se não breves enganos - há que dizer da supra maravilha de uma exigência interior que o faz escolher a Dama Sol, uma tal Violante. Foi esta ao que parece a sua Beatriz a quem chamou «A roxa flor de Abril» e foi sobre a sua sepultura, quando regressado a Lisboa, que escreveu o soneto «Debaixo desta pedra sepultada» gentileza da luz, que a noite escura tornava em claro dia... É o maléfico Saturno que, antes mesmo da partida para Macau, num namoro de oito anos, lhe ofereceu a ofensa suprema do seu casamento com outro, por não reunir dotes para tal missão. Aquelas pessoas importantes que ninguém sabe quem sejam dado que aquele que não interessava era sem dúvida de importância extrema. Sentir isto é como a pedra forjada pelo elemento duro do astro baço e nem sequer estamos na presença de um homem comum, conquistador, que se limita a multiplicar a náusea da sua triste condição. Falamos de um Homem. É nestes interstícios sonegados ao saber normativo que estão os elementos mais importantes para a compreensão daqueles que todos gostariam ter sido, mas que não teriam suportado tal destino, pois que é deste ferro, forjado a desterros e abandonos, a equívocos e ranger de dentes, a dias de eclipses, a astros muito baços, que faz nascer o mais belo dos “metais”: a alma humana e o seu génio. Por isso, bem-digo tal dia, mesmo coberto das trevas de que o poeta se vestiu para que não morressem fulminadas as gentes perante a luz imensa deste ainda desconhecido. Este tempo era ainda o da velha teoria de Joaquim de Fiore, o do ciclo milenário, e este era o ano que por toda a Europa corriam as notícias dos sinais apocalípticos anunciados para esse mesmo dia, era o tempo em que se falava dos monstros: mais tarde saberia dizer com precisão - Não torne mais ao mundo, e se tornar, Eclipse nesse «Passo» o Sol padeça, Nasçam-lhe «monstros»! Este seria um monstro teratológico se é que chegou a ser alguma vez criança prodígio, pois que também havia os celestes como grandes sinais dos Céus.


17 hoje macau quinta-feira 12.1.2017

?

(F)UTILIDADES

TEMPO PERÍODOS DE CHUVA MIN 16 MAX 19 HUM 80-98% • EURO 8.38 BAHT 0.22 YUAN 1.15

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO “VELEJAR NO SONHO” DE KWOK WOON Oficinas Navais N.º1

AQUI HÁ GATO

Ó DA GUARDA

EXPOSIÇÃO “CHANGE OF TIMES” DE ERIC FOK Galeria do IFT E EXPOSIÇÃO “ÁRVORES E ARBUSTOS DE MACAU” DE CATARINA FRANÇA E MAFALDA PAIVA Instituto Internacional de Macau (Até 13/01) EXPOSIÇÃO “PÓ E PEDRA” DE RAFAELA SILVA E FERNANDO SIMÕES Fundação Rui Cunha (Até 15/01) EXPOSIÇÃO “ART FOR ALL , 9º ANIVERSÁRIO” Macau Art Garden (Até 22/01)

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “33 ANOS NA RÁDIO DO LOCUTOR LEONG SONG FONG” Academia Jao Tsung-I (Até 05/02) EXPOSIÇÃO “52ª EXPOSIÇÃO DO FOTÓGRAFO DA VIDA SELVAGEM DO ANO” Centro de Ciência (Até 21/02) EXPOSIÇÃO “SOLIDÃO”, FOTOGRAFIA DE HONG VONG HOI Museu de Arte de Macau EXPOSIÇÃO “AD LIB” DE KONSTANTIN BESSMERTNY Museu de Arte de Macau (Até 05/2017) PROBLEMA 155

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 154

Cineteatro

C I N E M A

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

Esta cidade tem coisas que não se entendem, nem à lei da bala. Então não é que todos os dias à porta de um famoso hotel se faz uma rendição de uma guarda que não existe? Nada que tenha a ver com a mui nobre rendição da Guarda da Rainha de Inglaterra. Todo o ritual de marchar a esticar o real pernil, com o aprumo britânico que não dispensa os chapéus que simulam texugos, tudo com um extremo bom gosto. De repente tenho uma Buckingham hoteleira do outro lado da avenida onde passo os meus dias. O mais engraçado é que o pobre comum mortal que disturbe a marcha está tramado. Essa é a única coisa real no meio de toda a fantochada, a impossibilidade de quebrar protocolo ao sair do edifício, enquanto se brincam às rendições de guarda. Coisas inexistentes não deviam ter protocolo. Já vi coisas muito estranhas nas minhas vidas, gatos a lamberem cães, ratos a perseguirem gatos, mas isto eleva o meu espanto para dimensões que só os humanos conseguem atingir. E eu até sou bicho adepto do aprumo, da solenidade, dos andares que obedecem a regras ridículas. Mas, como tudo neste mundo de faz de conta, as pessoas deveriam passar e fingir que estavam impressionadas, e seguir a sua vida. Em vez de terem de esperar pelo fim do espectáculo, a apertarem os cigarros contra a vontade de fumar que esbarrou num simulacro sem rendição possível. Pu Yi

SONIC YOUTH | GOO

Um dos marcos da década do início dos anos noventa, “Goo” é o sexto disco de estúdio da extinta banda nova iorquina Sonic Youth. Com uma icónica capa em estilo art-pop, este álbum ofereceu ao mundo pérolas do rock sónico como “Dirty Boots”, “Tunic” ou “Kool Thing” (com a participação de Chuck D dos Public Enemy). “Goo” foi o primeiro disco dos Sonic Youth depois de terem assinado por uma editora grande, a Geffen Records, e foi publicado depois do seminal “Daydream Nation”. É um disco que não envelhece, e que marcou um virar de página na sonoridade dos Sonic Youth. João Luz ARRIVAL SALA 1

ARRIVAL [B] Filme de: Denis Villeneuve Com: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

CHERRY RETURNS [C] FALADO EN CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Chris Chow Com: Song Jia, Lam Ka Tung, Cherry Ngan, Hu Ge 14.30, 21.30

A STREET CAT NAMED BOB [B] Filme de: Roger Spottiswoode

Com: Luke Treadaway, Joanne Froggatt, Ruta Gedmintas 16.30, 19.30 SALA 3

10000 MILES [B] FALADO EN MANDARIM LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Simon Hung Com: Yuan Huang, Megan Lai, Darren Wang 14.30, 16.30, 21.30

SING [A] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Garth Jennings 19.30

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hoje macau quinta-feira 12.1.2017


19 hoje macau quinta-feira 12.1.2017

OPINIÃO

bairro do oriente LEOCARDO

O

que mais resta dizer da figura do dr. Mário Soares, que nos deixou no passado dia 7, aos 92 anos, que já não tenha sido dito? Em primeiro lugar gostaria de lamentar a forma como alguns portugueses fizeram uso da liberdade de expressão, e que em parte a devem ao dr. Soares, para tecer um sem número de considerações absurdas, e que com toda a certeza repudiariam no caso de as verem a ser feitas em relação a um familiar seu, um amigo próximo ou uma figura que admirassem, numa hora destas. Cheguei a ver pessoas que se “congratularam”, e outras ainda que diziam “ir festejar” - recordo mais uma vez que estou aqui a falar de alguém que viveu quase um século, e se manteve activo até ao fim, fazendo inclusivamente parte do Conselho de Estado até à hora da sua morte. Realmente não existem limites para o ridículo. Claro que a figura do dr. Mário Soares e o seu papel nos últimos 40 anos de História do nosso país não é isenta de críticas. Afinal não estamos aqui a falar de um herói como Nun’Álvares Pereira, ou um santo como o Padre António Vieira. E se há um reparo que se pode fazer logo de imediato, é a forma como se perpetuou na política, perdendo uma boa oportunidade para se retirar graciosamente da vida pública, mesmo antes de ter (inexplicavelmente) se candidatado à presidência da República pela terceira vez em 2006, na altura já com 81 anos de idade. Por falar nisso, e como acérrimo defensor da máxima “o seu a seu dono”, foi o General António Ramalho Eanes que cunhou a célebre frase “serei o presidente de todos os portugueses”, aquando da sua (esmagadora) vitória sobre Otelo Saraiva de Carvalho nas presidenciais de 1976, numa altura em que o país se encontrava profundamente dividido, na ressaca do infame PREC. E a propósito do PREC, será talvez esse o período em que a actuação de Mário Soares tenha dividido – e extremado – mais as opiniões, nomeadamente na forma como conduziu o processo de descolonização. A forma abrupta como se deu a retirada das ex-províncias ultramarinas deram origem a um dos mais lamentáveis episódios do nosso passado recente, e as vítimas desse equívoco, que ficaram conhecidos como “retornados”, estão certamente entre o coro dos críticos do ex-presidente. É preciso atender ao contexto, e na altura a prioridade do dr. Soares era a de recuperar a credibilidade de Portugal, que estava isolado pelo resto da comunidade internacional, ou “orgulhosamente sós”, como dizia o outro. A parte do “orgulhosamente” tem muito que se lhe diga, e só pode ser entendido como um tipo de “humor negro” (sal)azarento. Certamente que as famílias dos

Marocas

Macau tem ainda uma dívida de gratidão com ele, e não é por acaso que o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês fez menção do seu desaparecimento, lamentando a perda “de um amigo”. O seu lugar na memória colectiva dos portugueses, da geração actual e das vindouras, está portanto garantido. E em relação aos outros, dos fracos não reza a História mais de oito mil combatentes que perderam as suas vidas por culpa da teimosia alheia terão uma opinião diferente a este respeito. Nunca fui um grande admirador do político, que a meu ver teve ainda a sua quota parte de responsabilidade num certo tipo de clientelismo que vigora na sociedade portuguesa, com

licenciaturas tiradas aos Domingos e caixas de robalos à mistura, mas não posso deixar de admirar a pessoa, que nunca se inibiu de dar a cara por aquilo que defendia, bem como a forma descontraída e acessível como foi, bem, o presidente “Marocas”. Macau tem ainda uma dívida de gratidão com ele, e não é por acaso

que o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês fez menção do seu desaparecimento, lamentando a perda “de um amigo”. O seu lugar na memória colectiva dos portugueses, da geração actual e das vindouras, está portanto garantido. E em relação aos outros, dos fracos não reza a História.


Prova de vida é obrigatória. E capacidade mental?

quinta-feira 12.1.2017

Atlântido

JAPÃO PLANEIA TER NOVO IMPERADOR EM 2019

CHINA ESTÁ A COMPRAR MENOS PETRÓLEO A ANGOLA

A

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China manteve o primeiro lugar entre os destinos das exportações angolanas no segundo trimestre de 2016, mas continua a comprar menos petróleo a Angola, descendo para 35 por cento do total. De acordo com um documento estatístico do comércio externo do segundo trimestre, do Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano, libertado apenas este mês e ao qual a Lusa teve ontem acesso, a China fez compras a Angola - essencialmente petróleo - de 432,5 mil milhões de kwanzas (2,4 mil milhões de euros). Trata-se de uma quebra de quase 1% face ao trimestre anterior e menos 12,1% tendo em conta o mesmo período mas de 2015. Além disso, a China representou um peso de 35% de todas as vendas angolanas ao exterior, quando no trimestre anterior comprou praticamente metade das exportações do país. Na lista dos destinos das exportações angolanas surgem depois as Bahamas, com uma quota de 13,8%, e a Índia, com um peso de 6,4%. Portugal deixou de fazer parte do grupo dos 10 países que mais compram a Angola, contrariamente aos trimestres anteriores. No campo oposto, os Estados Unidos lideraram as vendas a Angola entre Abril e Junho, no valor de 71.499 milhões de kwanzas (409 milhões de euros), influenciado pela compra de uma aeronave à Boeing pela estatal TAAG. Portugal surge no segundo lugar na origem das importações angolanas, com uma quota total de 11,3%, voltando a passar a China, cujas vendas a Angola desceram para um peso de 10% no segundo trimestre de 2016, de acordo com o documento do INE.

O Seul PYONGYANG TEM PLUTÓNIO PARA DEZ BOMBAS NUCLEARES

Ameaça a Norte

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Coreia do Norte tem plutónio suficiente para fazer dez bombas nucleares, informou ontem a Coreia do Sul, uma semana depois de Kim Jong-Un ter dito que estava perto de testar um míssil balístico intercontinental. A Coreia do Norte, que realizou cinco testes nucleares e vários lançamentos de mísseis, planeia, alegadamente, uma iniciativa nuclear para 2017 e procura desenvolver um sistema de armamento capaz de atingir os Estados Unidos. Os analistas dividem-se sobre quão perto Pyongyang está de completar totalmente as suas ambições nucleares, mas concordam que o país fez enormes avanços desde que Kim assumiu o poder após a morte do pai, Kim Jong-Il, em 2011. O Ministério da Defesa de Seul diz que o Norte tinha cerca de 50 quilos de plutónio para armas no final de 2016, o suficiente para fazer cerca de dez armas, mais que os 40 quilos que tinha há oito anos. O Norte tem também uma capacidade “considerável” de produzir armas com base em urânio altamente enriquecido, segundo

o ‘livro branco’ publicado de dois em dois anos, que não faz, no entanto, estimativas de ‘stock’ de urânio para armas, apontando para os segredos impenetráveis do programa de urânio. O ‘think-tank’ dos Estados Unidos Institute for Science and International Security estimou em Junho que o arsenal nuclear total do Norte era de mais de 21 bombas, acima das 10 a 16 de 2014.

CONTRA-ATAQUE

O programa nuclear da Coreia do Norte levou o país a sofrer sanções impostas pela ONU que, em 2016, levaram a perdas equivalentes a 7,4% do valor das suas exportações no ano anterior, segundo um estudo do Instituto de Estratégia para a Segurança Nacional, em Seul, ontem publicado. A percentagem foi calculada estimando que o regime de Pyongyang perdeu, entre Março (quando o primeiro pacote de sanções de 2016 foi aplicado) e Dezembro, 200 milhões de dólares. O número foi estimado tendo em conta a limitação das exportações norte-coreanas (principalmente para a China, o seu principal parceiro comercial), e também a

O Ministério da Defesa de Seul diz que o Norte tinha cerca de 50 quilos de plutónio para armas no final de 2016, o suficiente para fazer cerca de dez armas, mais que os 40 quilos que tinha há oito anos queda das remessas dos trabalhadores norte-coreanos no exterior (cerca de 50 mil, principalmente na Rússia e na China). O estudo sublinha que países como a China e o Kuwait se tornaram mais restritos na autorização de entrada de trabalhadores norte-coreanos após as sanções. No entanto, foi o “encerramento do complexo industrial intercoreano (de Kaesong) que prejudicou em maior medida a entrada de moedas de peso no Norte”, explica o relatório.

JOÃO SOUSA NOS ‘QUARTOS’ DO TORNEIO DE AUCKLAND

O tenista português João Sousa mostrou-se ontem contente por estar, mais uma vez, nos quartos de final de um torneio ATP, depois de derrotar o ‘qualifier’ britânico Brydan Klein na segunda ronda do torneio neozelandês de Auckland. “Penso que fiz uma exibição sólida para vencer um jogador que vinha com confiança, depois de passar o ‘qualifying’. Contente por estar mais uma vez nos quartos de final de um ATP”, assumiu o número um nacional em declarações à sua assessoria de imprensa, após o triunfo por 6-3 e 6-4.

imperador do Japão será substituído pelo filho a 1 de Janeiro de 2019, de acordo com o planeado pelo país, que está a preparar o enquadramento legal para a primeira abdicação em 200 anos, avança a imprensa local. Akihito, de 83 anos, expressou o seu desejo de abdicar em Agosto, após quase três décadas no trono, alegando motivos de saúde e idade avançada. Os principais jornais do país - Yomiuri, Asahi, Mainichi e Nikkei – citam fontes não identificadas que dizem que o príncipe Naruhito, de 56 anos, vai suceder ao pai no dia de Ano Novo de 2019. O porta-voz do Governo Yoshihide Suga não quis comentar as notícias na sua conferência de imprensa regular, ontem. Após o anúncio de Akihito no ano passado, o Governo estabeleceu um painel de especialistas para ajudar a decidir qual a melhor forma de proceder com a questão, repleta de desafios históricos e legais. Apesar de as abdicações terem ocorrido na longa história imperial do Japão, há 200 anos que tal não acontece. Actualmente não existe nenhum mecanismo legal que o permita. O tema é altamente sensível à luz da história moderna de guerra do Japão, combatida em nome do pai de Akihito, o imperador Hirohito, que morreu em 1989. Alguns académicos e políticos consideram que a abdicação pode abrir um perigoso precedente e fazer com que os monarcas japoneses fiquem vulneráveis a manipulação política.


Hoje Macau 12 JAN 2016 #3732