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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

TERÇA-FEIRA 11 DE FEVEREIRO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3027

ENSINO SUPERIOR

Olhar

ao redor

EDUCAÇÃO PÁGINA

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25 OCORRÊNCIAS ENTRE 2012 E 2013

Autoridades entendem que conflitos não devem aumentar TURISMO PÁGINA

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PÁGINA 4

REPORTAGEM

CROUPIERS A vida numa mesa de jogo Os croupiers do território estão descontentes. O HM foi sentir o pulso à realidade de quem trabalha nas mesas de jogo dos casinos. Defendem aumentos salariais iguais aos da Função Pública e não aceitam que trabalhadores não-residentes ocupem os seus lugares. Temem perda de direitos adquiridos num futuro próximo e falam da proibição total de fumo como algo urgente. “A dignidade do trabalho já não é o que era”, assumem. PÁGINAS 2 E 3

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Se Macau não quiser perder terreno na senda do desenvolvimento deve ir mais além da cooperação económica que tem com a China continental e terá de apostar noutros mercados, como o sudeste asiático. A ideia partiu de um académico da UMAC que refere ainda as condições favoráveis da cooperação com os países lusófonos.

hojemacau

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ECONOMIA Académico defende visão mais “aberta” do Governo

Número total de estudantes aumentou 6%


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REPORTAGEM

Cloee Chao, Kelvin Leong e Michael Pou são empregados de diferentes casinos em Macau, com tempos de trabalho diferentes. Defendem aumentos iguais aos da Função Pública e não querem não residentes no seu lugar, pois temem menos direitos no futuro. Falam da proibição total do fumo não como um simples pedido, mas como uma urgência

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CROUPIERS E SUPERVISORES FALAM DO AMBIENTE DE TRABALHO NO CASINO

“A dignidade do trabalho já

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

T

INHA vinte anos quando tudo começou. Cloee Chao tem hoje 38 anos e trabalha como croupier há pouco mais de 17 anos. Nessa altura o salário médio para este tipo de trabalho já atingia as 22 mil patacas mensais. Este era o atractivo para Cloee e tantos outros como ela. Saída da adolescência, podia melhorar a vida com a sorte e o azar dos outros. Quando acabou o curso na escola secundária, Cloee começou a procurar emprego. Aceitou duas ofertas: uma para trabalhar como secretária, a ganhar pouco mais do que três mil patacas, outra para ser croupier. No jogo ia ganhar bem mais, cerca de 12 mil patacas. “Com esta diferença claro que escolhi trabalhar no casino, sem hesitar. Naquele momento ser croupier era um trabalho de sorte e com boas condições, e nem todos conseguiam ser croupiers. Era um emprego respeitado pela sociedade”, conta ao HM. Mas hoje a história ganha novos contornos. Cloee Chao lamenta que quando se sabe que uma pessoa é croupier, os outros sentem simpatia, porque trabalhar num casino é hoje sinónimo de um emprego “duro e com más condições”. Con-

tudo, antes era o oposto: trabalhar junto a amantes do póquer era algo invejável, pois trazia “um bom nível de salário e dignidade”. “Na minha altura o salário máximo de um croupier podia ir até às 22 mil patacas, e a vida da minha família melhorou logo por causa disso.” Apesar do trabalho duro, Cloee ainda se mantém orgulhosa do trabalho que abraçou quando era menina. “Sinto-me feliz por ser uma empregada do jogo porque contribuo para a sociedade de Macau. Mas hoje em dia, quem for supervisor de sala, como eu, ganha pouco mais do que o salário médio. Não me queixo, mas antes com o meu salário de três mil patacas podia comprar uma casa de 300 mil patacas. Mas hoje, ganhando mais de vinte mil, não consigo comprar uma por três milhões, porque o preço da habitação aumentou cem vezes face ao nosso salário.”

OS TURNOS INTERMINÁVEIS

Cloee trabalha na Wynn, tem uma casa própria e duas filhas para

Precisamos de um bom ambiente, ou melhor. Não apenas só para nós, croupiers, mas para todos os residentes CLOEE CHAO

criar, com 8 e 12 anos. Trabalha por turnos, o que lhe traz desafios como mãe e mulher. “Acho que as más condições do trabalho não me influenciam muito. Mas o facto de ter pouco tempo para a minha família faz com que me sinta arrependida.” Cloee Chao considera que a organização do trabalho por turnos funcionava melhor quando a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) detinha o monopólio do jogo. Havia seis turnos e as pessoas não necessitavam de trabalhar sempre durante a noite. “Os três turnos trazem-se muita pressão mental. Não conseguimos dormir bem, porque os horários para dormir estão sempre a mudar. É difícil manter um relógio biológico sem ser mudado.” Kelvin Leong, supervisor de sala no City of Dreams, e Michael Pou, no Galaxy, têm 30 e 27 anos, respectivamente, e não gostam do trabalho por turnos. “A qualidade de sono nunca pode ser boa, mas já estamos habituados a dormir cinco

horas por dia, porque há sempre outros incómodos. Por causa disso é que os funcionários do jogo estão sempre a dormir, porque têm de aproveitar o tempo de descanso”, explica Kelvin. Michael fala dos problemas amorosos. “É difícil arranjar tempo para estar com a minha namorada, porque se ela tem um horário diferente do meu temos menos tempo para estarmos os dois”. A sua cara metade também é croupier num casino. Kelvin assume que, para ele, “é difícil procurar uma namorada”. “Ser croupier significa ter menos tempo para actividades fora do trabalho, temos sempre de arranjar algum tempo com os amigos, mas é sempre pouco.” Este supervisor de sala diz que há muitas empregadas grávidas que preferem trabalhar durante a noite, para estarem perto dos maridos, também eles croupiers. Apesar dos perigos que acarreta um trabalho destes durante a noite, estas mulheres preferem correr


reportagem 3

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não é o que era”

A qualidade de sono nunca pode ser boa, mas já estamos habituados a dormir cinco horas por dia KELVIN LEONG

o risco em prol de companhia e acompanhamento durante o dia.

OS ABUSOS NO TRABALHO

“Há vários estudos que dizem que temos doenças por mês. Sim, acho que temos. Porque quando a saúde física começa a piorar, por causa do trabalho, a saúde mental também piora”, diz Kelvin. “Temos muita pressão no trabalho, porque temos de nos concentrar muito nas contas, para não haver erros.” Kelvin conta que os clientes se incomodam na hora dos croupiers atirar os cartões para a mesa. Muitas vezes queriam ter mais sorte do que aquela que a realidade contém. “Uma vez estava a atirar muitas cartas e, de repente, um cliente começou a gritar muito alto, porque só queria saber que cartas lhe iam calhar. Fiquei assustado.” Embora gritos não sejam sinais de abuso, os croupiers entrevistados pelo HM falam de ofensas verbais e abusos físicos. Algo que acaba por se transformar num pe-

sadelo. “Durante a formação temos uma fase em que somos insultados de propósito pelos formadores, porque no trabalho temos de sofrer muito. Até chorei por insultos sem razão”, recorda Cloee Chao. “Uma vez um cliente falou comigo e a primeira coisa que me disse foi ‘espero que a sua mãe morra’. Não percebo porque é que não deu um simples cumprimento, como um olá, mas teve que ser com esta maldição. Mas tudo depende de cada cliente”, disse Kelvin. Segundo Cloee Cjao, antes da liberalização do jogo os clientes eram, na sua maioria, de Hong Kong, e as condições de trabalho eram melhores. Mas com a entrada dos jogadores do continente, as atitudes dos clientes, como a situação da limpeza, piorou. “Conheço alguns clientes do continente que são bem educados, mas alguns lançam escarram para o chão, fumam directamente na nossa cara e até atiram os cartões para cima de nós. Como sou supervisor da sala, muitas vezes digo que os clientes não podem ser tão mal educados e abusar dos croupiers. Mas uma vez fui criticada por uma superior por dizer isso, que disse que eu não tinha uma boa atitude para com os clientes. Mas a culpa não era minha, mas sim dos clientes.” Cloee afirma que, com a abertura do mercado às empresas norte-americanas, os croupiers deixaram de ser protegidos pela concessionária onde trabalham, porque a concorrência é feroz. “Antigamente, se um croupier fosse alvo de abusos, a empresa chamava um advogado e o cliente perdia tudo. A dignidade do trabalho já não é o que era.” Michael também não está satisfeito com estes casos, e diz que, muitas vezes, pensa porque é que se mantém no emprego. Todos os dias é insultado pelos clientes. “Precisamos de ter dignidade no trabalho, o dinheiro não pode resolver tudo.”

A POLÉMICA DO CIGARRO

Mais do que os abusos causados por muitos dos que buscam a sua sorte na roleta, também a saúde dos croupiers acaba por ser afectada. A trabalhar horas e horas ao lado do fumo do tabaco, os problemas respiratórios acabam por ser constantes. “Não podemos sair do nosso local de trabalho por causa do fumo. E a nova lei do controlo do tabaco veio piorar a situação, porque parece que estamos numa grande sala só com fumo, porque os clientes reúnem-se para fumar à nossa frente. Aliás, as

áreas de fumador e não fumador não têm grande diferença, porque acabamos por estar no mesmo espaço”, conta Cloee. “Uma vez a deputada Melinda Chan disse que deveria existir um sistema de escape do fumo, mas vai sempre existir. A única solução é a proibição geral do fumo, só assim teremos uma saída.” Os três funcionários não reconhecem qualificações no trabalho do gabinete de controlo do tabagismo, da tutela dos Serviços de Saúde. Afirmam que quando tentam fazer queixas, a linha passa sempre ao atendedor de chamadas. “A situação piora à noite. A execução da lei não é rigorosa. Por exemplo não existem cinzeiros nas salas VIP, e um copo de papel serve de cinzeiro. Quando os inspectores chegam, a empresa pode fugir às suas responsabilidades, porque dizem que não há cinzeiros”, revela Michael. Nos exames realizados o ano passado, quase todas as concessionárias tinham as suas formas de aumentar os índices de qualidade do ar. “No City of Dreams, as mesas ficam mais pequenas, e, assim, podem existir mais mesas na área de fumadores. Mas durante a fiscalização alguns mesas nessa área são fechadas, e as máquinas ficam numa zona em que ninguém está a jogar”, conta Kelvin Leong. “Temos de esperar mais um ano para a revisão da lei. Mas precisamos mesmo de uma proibição total do fumo nos casinos, porque só isso pode garantir a saúde dos funcionários”, disse Cloee.

OS DIREITOS NA RUA

Cloee, Kelvin e Michael participaram nas muitas manifestações que saíram à rua no ano passado,

Precisamos de ter dignidade no trabalho, o dinheiro não pode resolver tudo MICHAEL POU

que pedem a não importação de não residentes para o lugar de croupier, e que defendem os direitos laborais. Todos defendem que as condições de trabalho não são boas, mas não deixam o que fazem, porque acreditam que a solução não passa por aí. Contudo, mantém os sonhos para o futuro. “Tirei um curso de psicologia e depois de deixar este trabalho gostava de ser assistente social”, conta Cloee. “Muitos perguntam porque continuamos neste trabalho, se nos queixamos do ambiente. Mas comparando com outros empregos, também não se ganha muito. Digo que sou croupier há 18 anos, e se um médico não deixa a profissão por causa de uma gripe, porque é que eu vou sair por causa das más condições, como o fumo? Temos de resolver os problemas e não fugir deles.” Para Kelvin Leong, a solução passa pelo limite ao número de mesas de jogo. “Mesmo que se melhore o ambiente de trabalho, o aumento das mesas vai trazer falta de recursos humanos, e no final os empresários vão acabar por pedir ao Governo para importar não residentes para este trabalho, porque não vão haver pessoas suficientes para o fazer.” Kelvin diz ainda que a importação de TNR não é uma realidade, mas que, a acontecer, vai baixar as condições de trabalho. “Os trabalhadores não residentes são grupos vulneráveis de trabalho, porque normalmente são explorados pelos patrões. Quando os patrões conseguirem baixar os salários dos croupiers não residentes, então os residentes também vão sofrer uma quebra de salário. Isso podemos prever de certeza. O que defendemos não são apenas os direitos de quem trabalha no sector do jogo, mas para todos os residentes.” Falam também de outras reivindicações, como a indexação dos aumentos salariais aos da Função Pública. “O aumento dos salários na Função Pública acontece por causa das receitas do jogo. Então porque é que os funcionários do jogo não podem ser mais beneficiados com os frutos da economia, e os funcionários públicos podem ser mais beneficiados?” Os três croupiers afirmam que não estão contra ninguém. Só querem os direitos que consideram ser os mais correctos. “Fazemos uma distribuição da riqueza para a sociedade e ficamos orgulhosos. Mas também queremos ser beneficiados com o desenvolvimento da economia. Macau não tem uma diversificação das indústrias e muitos residentes vão acabar por trabalhar nesta área. Precisamos de um bom ambiente, ou melhor. Não apenas só para nós, croupiers, mas para todos os residentes”, defende Cloee.


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POLÍTICA

O Governo deve ir além da cooperação económica com o interior da China e apostar mais em outros mercados, como o sudeste asiático, adoptando uma postura mais “aberta”. Chua Yee Hong diz que isso evitará que fique de fora do círculo de rápido desenvolvimento asiático

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ANÁLISE DEFENDE MAIS INTEGRAÇÃO DE MACAU NA REGIÃO ÁSIA-PACÍFICO

Contra a “marginalização” da economia do jogo ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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S receitas brutas do jogo crescem a olhos vistos e a situação de pleno emprego está longe de desaparecer. Contudo, é preciso ir mais além para que Macau consiga, de facto, ter uma economia competitiva no seio da região Ásia-Pacífico. É o que defende o académico Chua Yee Hong, doutorando da área das Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Macau (UMAC), num artigo de análise publicado na revista da Administração. As críticas à política económica do actual

Executivo são claras. “A estratégia de desenvolvimento económico estabelecida por parte do Governo que importa o quadro estratégico de cooperação regional do Delta do Rio das Pérolas e da cooperação económica e comercial não é a ideal. O foco do desenvolvimento económico de Macau é colocado na cooperação com o interior da China, no âmbito do CEPA, omitindo, desde sempre, a ligação com as economias circunvizinhas de Macau, como a região da Ásia-Sudeste, cujos produtos representam uma grande percentagem de importação de Macau.” “O mercado dos países

lusófonos e a cooperação internacional são condições favoráveis à efectivação das vantagens de Macau, porém estas vantagens e linha principal de desenvolvimento não são absolutas.” Chua Yee Hong alerta para as consequências negativas de tais medidas. “Macau, enquanto uma mini economia, tem que tratar com prioridade o seu posicionamento na região Ásia-Pacífico e na estratégia de mercado. (Existe) falta de auto confiança e atitude passiva ao desenvolvimento quer do Governo, quer da comunidade de Macau.” “Se Macau ficar de fora do processo de integração

económica da região Ásia-Pacífico enfrentará, para além dos riscos de ser marginalizada, os impactos inerentes ao decaimento económico em relação aos sectores do turismo e do jogo, bem como as indústrias a elas ligadas. Perderá a sua iniciativa no desenvolvimento económico-social

volvimento. As vantagens de Macau têm vindo a ser perdidas em termos factuais e tendenciais. Os territórios emergentes como Hong Kong e Taiwan ultrapassaram Macau em termos do desenvolvimento económico regional.” “Macau tem de abandonar a mentalidade de regionalismo e dependência subjacente ao quadro de Macau e o Interior da China”, avisa o doutorando da UMAC. Para o futuro, o território deve “formular um conjunto de contra medidas para responder à conjuntura decorrente do desenvolvimento da economia regional”. Isto porque “Macau não tem, na realidade, muita

“O mercado dos países lusófonos e a cooperação internacional são condições favoráveis à efectivação das vantagens de Macau, porém estas vantagens e linha principal de desenvolvimento não são absolutas CHUA YEE HONG Doutorando da área das Ciências Sociais e Humanas da UMAC

que passará a ser uma incerteza. As operações técnicas no âmbito das politicas de importação e exportação deixarão de funcionar de modo eficaz.”

DEIXAR O “REGIONALISMO”

O autor prossegue na sua análise apontando o dedo à mentalidade fechada em termos de políticas económicas. “Embora detenha condições favoráveis para o comércio regional em termos de história e vantagens geográficas, Macau não tem uma mentalidade nem experiências de desen-

competitividade em relação às outras economias da Ásia-Pacífico, mas é excessivamente auto-confiante (ou tem uma mente fechada) no seu modo de desenvolvimento”. “Caso Macau adira ao processo de integração económica da região Ásia-Pacífico, os riscos económicos e a crise de ser marginalizada poderão ser atenuados. Macau deve aplicar uma parte destes excedentes para investir no estrangeiro, no sentido de consolidar os seus mercados, investir e produzir na região Ásia-Pacífico.”


política 5

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Lixo Governo promete desenvolver serviço de recolha

JUSTIÇA FUNCIONÁRIO DA DSSOPT TENTA MINIMIZAR PENA. TRIBUNAL NEGA RECURSO

Quis o braço, depois da mão JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

U

M funcionário da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) perdeu um recurso em tribunal contra Lau Si Io. O homem tentava impedir o secretário para as Obras Públicas e Transportes de o suspender por acção disciplinar, mas o tribunal considerou que a pena aplicada pelo superior era bem mais leve do que o que deveria ter sido, pelo que não fez sentido o indivíduo recorrer ao tribunal. Em Maio de 2010, o homem, de apelido Teng, terá pedido para consultar o seu processo pessoal dos serviços, ao qual terá adicionado uma informação falsa numa declaração que assegura que o funcionário não estava disposto a proceder a descontos

para efeitos de aposentação e sobrevivência. A informação adicionada ao documento de 1992 dizia que essa mesma desistência tinha sido cancelada no mesmo ano, dois dias depois. Segundo o acórdão do Tribunal de Segunda Instância ontem publicado, com o acrescentar da informação o funcionário falsificou o documento, com o objectivo de obter benefícios no âmbito da aposentação, algo a que nunca teria direito. O homem foi descoberto e alvo de processo disciplinar, mas apenas dez anos depois. “Em 19 de Janeiro de 2012, o senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, proferiu um despacho no sentido de aplicar ao mesmo a pena disciplinar de suspensão por seis meses.” Ora, o funcionário não concordou com a decisão de Lau Si Io e interpôs recurso no TSI.

O homem alega que a decisão do secretário não teve em conta a possibilidade de ele estar inocente e que, entre outras coisas, padece de erros. Além disso, o funcionário alegou ainda que sofria de doença psíquica e que Lau Si Io não analisou essa situação. O TSI não lhe dá razão em nenhum dos pontos.

MAIS DO QUE MERECIA

“Apesar de os trabalhadores da DSSOPT não terem visto o [funcionário] escrever as palavras [da informação adicional], repararam que ele cometeu o acto de escrever. Só não sabiam o que estava a escrever, ou se o fazia no documento ora em causa. Do relatório da perícia caligráfica apresentado pela Polícia Judiciária resulta que é “bem provável” (70-85%) que as respectivas palavras tenham sido escritas pelo

[funcionário]. Naquele dia, quando o recorrente foi consultar o processo, levou consigo papéis e uma caneta, cuja tinta é da mesma cor das palavras adicionadas. Tendo analisado sinteticamente as provas e documentos acima mencionados, o TSI entendeu que o acto recorrido, ao dar por assentes os respectivos factos ilícitos, não incorreu em qualquer erro, nem violou o princípio da presunção de inocência, mas sim, pelo contrário, agiu em cumprimento do princípio da legalidade da apreciação da prova e das regras da experiência comum”, justifica o TSI. Sobre a possibilidade de o funcionário sofrer de doença mental “por muito tempo” e de não ter sido averiguado se esta condicionante o poderia levar a cometer actos ilícitos que, ainda assim, não lhe

seriam imputáveis, o acórdão refere que o próprio funcionário não colaborou com a investigação para se perceber se isso aconteceu de facto. “Não consentiu previamente que o seu médico apresentasse relatório de avaliação”, refere o TSI. O tribunal diz mesmo que a falsificação de documento cometida pelo funcionário até foi de um alto grau de ilegalidade e de gravidade. Segundo o Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau, diz o tribunal, o homem seria até despedido, mas o Governo optou pela suspensão de seis meses. O recurso não faz qualquer sentido, até porque a pena aplicada beneficia mais o funcionário. “A entidade recorrida já lhe fixou uma pena disciplinar mais leve do que aquela que seria aplicável.”

O Executivo voltou a reagir em comunicado à recente decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) de autorizar a celebração do contrato com a CSR, apesar do pedido da Urbaser de suspensão do mesmo. O Governo assume “congratularse com a decisão”, sendo que está a ser “executado e acompanhado o procedimento administrativo posterior, no cumprimento da lei”. E aponta que vai desenvolver o serviço de recolha do lixo. “O Governo da RAEM procede agora à execução e acompanhamento posterior do procedimento administrativo, para o desenvolvimento de novos serviços de limpeza urbana, remoção e transporte de resíduos.”

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 51/AI/2014 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora XIAO, XIAOYING (portadora do Passaporte da China n.° E00918XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 40/DI-AI/2013, de 16.04.2013 levantado pela DST e por despacho da signatária de 29.01.2014 exarado no Relatório n.° 53/DI/2014, de 13.01.2014 lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Cantao, n.° 72-R, Edf. I San Kok, 30.° andar F e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.-------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 29 de Janeiro de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 59/AI/2014

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor SUN YANGANG(portador do Salvo-Conduto de Dupla Viagem da R.P.C. n.° W59676xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 87/DI-AI/2012, de 20.08.2012, levantado pela DST e por despacho da signatária de 29.11.2013, exarado no Relatório n.° 512/DI/2013, de 11.11.2013 lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por prestação ilegal de alojamento da fracção autónoma situada na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, Royal Centre 23. andar E, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 29 de Janeiro de 2014.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


SOCIEDADE

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TURISMO GABINETE SÓ TRATOU 25 CONFLITOS NUM ANO

Quando o alojamento gera discórdia O Gabinete de Gestão de Crises do Turismo tratou apenas 25 casos entre 2012 e 2013, e entende que não há uma tendência de aumento. A presidente da associação de guias turísticos concorda: a maior parte dos conflitos acontece porque os turistas não querem pernoitar na vizinha Zhuhai TIAGO ALCÂNTARA

casos, estando a origem dos mesmos sujeita a factores de natureza externa, não controláveis ou quantificáveis”, afirma o secretariado do organismo, numa resposta por e-mail. No arrancar de um novo ano, o GGCT afirma não ter em mãos nenhum caso para resolver. E assume que a situação está controlada. “Devido à sua natureza, são raros os casos que se repetem e todos estes em que o Gabinete de Gestão de Crises é levado a actuar, são sempre tratados da forma mais adequada, portanto não existem casos mais peculiares ou estranhos.” ANDREIA SOFIA SILVA* andreia.silva@hojemacau.com.mo

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UM território que recebeu mais de um milhão de turistas nos feriados do Ano Novo Chinês os problemas de conflitos entre

turistas e agências parecem não ser uma questão grave. Segundo dados fornecidos ao HM pelo Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT), ocorreram apenas 25 casos entre 2012 e 2013. “Não se denota um aumento ou decréscimo do número de

Não se denota um aumento ou decréscimo do número de casos, estando a origem dos mesmos sujeita a factores de natureza externa, não controláveis ou quantificáveis GABINETE DE GESTÃO DE CRISES DO TURISMO

Mais de quatro mil sociedades formadas no ano passado

E

M 2013, mais de quatro mil novas sociedades foram constituídas em Macau, um aumento que chegou aos 24% face ao ano anterior.

No total, 4481 novas sociedades abriram portas, sendo o capital social calculado em mais de 750 milhões de patacas, sendo que 749 sociedades formaram-se apenas com sócios de Macau e 149 sociedades com sócios da RAEM e de outros países ou territórios. De acordo com dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a maioria das sociedades – mais de 1650 – destinam-se ao comércio por grosso e a retalho.

Contudo, o capital social das sociedades constituídas no sector da educação, saúde e acção social subiu em mais de 50 milhões de patacas, a par do da construção, que aumentou 26 milhões. A maioria do dinheiro para sustentar estas sociedades é do território (192 milhões) e da China continental, que investiu 75 milhões em capital social – destes, 47 milhões chegaram mesmo de Guangong. No fim do ano 2013, o número de sociedades registadas foi de 43.753 - 489 eram sociedades comerciais offshore, menos dez em comparação com o ano 2012.

TURISTAS QUEREM DORMIR EM MACAU

Contactada pelo HM para fazer um breve comentário a estes números, Angelina Wu, presidente da Associação de Guias Turísticos de Macau, considera que não existe de facto uma

Trânsito Acidentes e mortos nas estradas aumentaram em 2013

A

S estradas de Macau foram palco de 15.077 acidentes de viação, no ano passado. De acordo com notícia avançada pela Rádio Macau, em comparação com 2012, há registo de mais 389 ocorrências e, em relação a 2011, a diferença ascende a 975 casos. Os dados são do Corpo de Polícia de Segurança Pública e mostram ainda que o número de vítimas aumentou. Em 2013, morreram 19 pessoas – contra as 18 de 2012 e as 12 de 2011. A subir também, diz a Rádio, esteve o número de feridos. No ano passado, foram 5.271, mais 21 do que em 2012. A descer, os atropelamentos - em 2013, houve

657 casos. No entanto, o número de vítimas aumentou, com sete pessoas a morrerem atropeladas no último ano. Quatro destas enquanto circulavam em passadeiras. Em 2012, três das seis vítimas também faleceram nas mesmas circunstâncias. O balanço feito à Rádio Macau pelo CPSP surge um dia depois da morte de uma mulher de 87 anos de idade, atingida por um autocarro da TCM. Tudo aconteceu na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, junto ao Tap Seac. As autoridades estão agora à procura de testemunhas do acidente.

tendência de aumento dos conflitos devido ao aumento dos visitantes. “25 casos durante o ano não é muito”, começa por dizer. “A maioria dos casos ou das queixas acontecem por causa de mal entendidos, e os problemas são resolvidos logo. Os casos reais estão ligados às agências, principalmente por serem diferentes. Há uma agência original e outra em Macau, e os turistas não ficam satisfeitos com os guias.” Mas Angelina Wu fala ainda de outros motivos para desentendimentos: muitos turistas querem ficar nos hotéis onde jogam, mas nem sempre isso vem incluído no pacote de viagem. “Os casos mais típicos são os turistas que vêm jogar nos casinos e que querem dormir à noite em Macau, mas as agências de turismo arranjam alojamento em Zhuhai, e por isso os conflitos acontecem.” Dados compilados pela agência Lusa mostram que no período compreendido entre 31 de Janeiro e 6 de Fevereiro a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) recebeu outro tipo de queixas, ligadas ao alojamento ilegal, táxis, guias e compras, num total de 16. Foram encerrados dois apartamentos, suspeitos de prestação de alojamento ilegal. - *com Cecília Lin


sociedade 7

hoje macau terça-feira 11.2.2014

Em 2013/2014, há 29521 estudantes a frequentar as instituições académicas de Macau, mais 6% do que no ano anterior. Este ano houve também mais 336 alunos a integrar o ensino superior. Os três cursos com maior número de alunos são Comércio e Gestão, Turismo e Serviços de Jogos e Direito RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

ensino superior recebeu 29521 matrículas neste ano 2013/2014. Ou seja, um aumento de 6,28% no número de universitários face ao ano lectivo anterior. Segundo dados fornecidos pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) ao HM, há mais 1745 alunos a frequentar as dez instituições de ensino superior de Macau. “O número total de estudantes matriculados e registados no ano lectivo de 2012/2013

ENSINO SUPERIOR MAIS 6% DE ALUNOS DO QUE NO ANO PASSADO

Quase 30 mil à procura de diploma O número total de estudantes matriculados e registados, no ano lectivo de 2012/2013 foi de 27776. Em relação ao actual ano lectivo, de acordo com os dados estatísticos preliminares, o número total de estudantes matriculados, é de 29521. Destes, 9070 são novos estudantes GABINETE DE APOIO AO ENSINO SUPERIOR

foi de 27776. Em relação ao actual ano lectivo, de acordo com os dados estatísticos preliminares, o número total de estudantes matriculados, é de 29521. Destes, 9070 são novos estudantes”, avançou ainda o gabinete dirigido por Sou Chio Fai, acrescentando que apenas 8734 alunos entraram nas instituições de ensino superior em 2012/2013, ou seja, houve também um aumento de 3,8%. O GAES adiantou ainda que houve 6000 graduados no ano lectivo passado, não especificando por nível de estudos, e sem confirmar se o número cresceu face ao ano anterior. O HM também procurou saber se houve um aumento de alunos a candidatarem-se às universidades e institutos politécnicos, mas o GAES

não disponibilizou estes dados. E, por outro lado, se ficaram ainda muitas vagas por preencher nas instituições de ensino superior. Também segundo o relatório anual da Universidade de Macau (UMAC), referente ao ano 2012/2013, houve uma subida de 485 no número total de alunos face ao ano anterior – mais 105 alunos nas licenciaturas, mais 284 nos mestrados e mais 100 nos doutoramentos. Aliás, o aumento tem sido progressivo nos últimos anos, e regista-se tanto ao nível das licenciaturas, como de mestrados e doutoramentos. O GAES explicou que até ontem houve 450 cursos de ensino superior aprovados, mas apenas 278 estão a funcionar neste ano 2013/2014 porque “de-

pendem do orçamento, do número de alunos e de outras condições” para operar. De entre o número total de cursos, o GAES apontou os mais e menos atractivos este ano. “As três áreas especializadas mais procuradas e frequentadas pelos estudantes são o Comércio e Gestão,

Turismo, e Serviços de Jogos e Direito. Em sentido contrário, Protecção Ambiental, Serviços de Segurança e Religião e Teologia, são as três áreas especializadas menos escolhidas pelos estudantes”, esclareceu, em resposta escrita. O HM procurou ainda

saber quantos foram os desistentes de cursos este ano, e se estes aumentaram ou diminuíram face ao ano anterior. No entanto, o organismo explica que não há números sobre desistências porque os casos de “suspensão de curso” não podem ser entendidos como tal. Recorde-se que o GAES está a preparar há alguns anos a Lei de Bases do Ensino Superior, que se enquadra no processo de revisão do Regime do Ensino Superior, mas ainda não deu antecipou uma data concreta para fazer chegar o diploma à Assembleia Legislativa. O organismo disse ao HM que “já concluiu a versão preliminar e está a tentar, com a maior brevidade, remeter para a etapa seguinte do processo legislativo.”

Formação contínua Governo dá 700 milhões para segunda fase do programa

O

orçamento para a segunda fase do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo, que arranca no dia 1 de Abril, é de 700 milhões de patacas. O anúncio foi feito pelo chefe da Divisão de Extensão Educativa da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Kong Ngai. Esta fase do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo vai prolongar-se até ao final de 2016. Na primeira fase, que decorreu entre 2011 e 2013, participaram 144 mil residentes de um total de 420 mil elegíveis. Entre os residentes com idade dos 15 aos 40 anos, a taxa de participação atingiu 70 por cento. Um valor alto, em comparação com

as regiões vizinhas, indica a DSEJ. Até Outubro do ano passado, o Governo já tinha investido cerca de 454 milhões de patacas. Agora, o valor aumenta para 700 milhões de patacas. Mais alargada será também a oferta de formação. A DSEJ vai disponibilizar mais cursos nas áreas das línguas estrangeiras. Mantém-se ainda a comparticipação para quem quer tirar a carta de condução. Recorde-se que na apresentação das Linhas de Acção Governativa para este ano, o Chefe do Executivo já tinha anunciado que cada residente iria poder usufruir de um subsídio de seis mil patacas para formação, em vez das anteriores cinco mil.

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MACAU ANGLICAN COLLEGE

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 67/AI/2014 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHOU JIE (portador do passaporte da R.P.C. n.° G29783xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 84/DI-AI/2012, de 10.08.2012 levantado pela DST e por despacho da signatária de 22.11.2013, exarado no Relatório n.° 492/DI/2013, de 14.11.2013, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por controlar a fracção autónoma situada na Rua da Doca Seca, n.° 62,Bloco II 34.° andar MM,Macau e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.-----------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n. ° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 6 de Fevereiro de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

PARENTS ARE WELCOME TO ATTEND A PARENTS’ INFORMATION MEETING FOR ENROLING K1 PUPILS AT MACAU ANGLICAN COLLEGE AV. PADRE TOMÁS PEREIRA, NO. 109-117, TAIPA, MACAU THIRD FLOOR, SCHOOL HALL ON TUESDAY, FEBRUARY 18th 2014, 7:30 P.M. *Four new K1 classes commence in September 2014. *100 places will be offered to new K1 pupils aged 3, in 4 classes of 25. *English and Putonghua are the main languages of instruction. *Assessment Day, March 8th 2014, from 9:00 a.m. (Details to follow). *Creative teaching styles; child centred learning.


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CHINA

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Coreia do Sul já é um membro do restrito clube que explora o cosmos. Marte é explorado pela Índia. A Lua, pela China. São estas as etapas da penetração da Ásia no espaço em 2013. A Coreia do Sul conseguiu à terceira tentativa lançar um foguete para o espaço. A sonda indiana Mangalyaan, munida da aparelhagem nacional para fotografar Marte e os seus satélites, foi lançada do país a bordo de um foguete indiano. E o veiculo lunar chinês “Coelho de Jade” (Yutu), percorre desde o dia 15 de Dezembro com êxito, apesar de alguns percalços, a superfície da Lua à velocidade de 200 metros por hora. A “Coelho de Jade” estuda a estrutura geológica da Lua. As fotografias panorâmicas da Lua, que tem enviado para a Terra, são de qualidade superior às fotos feitas outrora por sondas russas e americanas. O veículo lunar chinês, accionado por pilhas solares, vai tra-

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EXPLORAÇÃO ESPACIAL PEQUIM ULTRAPASSA MOSCOVO E WASHINGTON

Sonho ganha consistência balhar durante três meses. Está munido de câmaras e radares que permitem perscrutar o solo lunar até à profundidade de algumas centenas de metros. Tudo isto é resultado de uma etapa de desenvolvimento da ciência espacial da China, - assegura o perito do Instituto do Extremo Oriente Alexander Larin. “É uma grande realização da astronáutica chinesa, uma prova do

salto no desenvolvimento da mais moderna tecnologia espacial. Há quem considere no mundo que a China é apenas capaz de copiar as tecnologias alheias. Mas os chineses demonstraram que a situação real é totalmente diferente. Pode-se esperar que a China realize o seu sonho chegando a ser não somente a maior economia do mundo, mas também o líder do progresso tecnológico”. Ao que tudo indica, a “Coelho de Jade” é uma obra totalmente chinesa ao contrário das na-

ves pilotadas chinesas, que tinham sido projectadas na base da experiência espacial da União Soviética. O director geral da empresa Grupo JC Evgueni Tchernyakov reputa que a Rússia e a China têm um novo campo para a colaboração no espaço cósmico. “A China desenvolve muito rapidamente a sua investigação astronáutica. Nesta etapa, a Rússia pode unir esforços com a China, conservando o seu avanço tecnológico e científico em relação a este país. Um exemplo disto são os complexos projectos bastante onerosos para o orçamento no âmbito nacional. A Rússia e a China têm a necessidade objectiva de colaborar. A China recebeu muito da Rússia para o desenvolvimento da sua astronáutica e continua a receber, o que lhe permite diminuir os prazos de criação dos elementos da estrutura espacial”.

MAIS COLABORAÇÃO

O académico da Academia Russa da Cosmonáutica Igor Marinin, chefe de redacção da revista Notícias da cosmonáutica, aponta os projectos russos – chineses mais prospectivos na esfera cósmica. “A colaboração pode ser ao nível da investigação e no processamento das informações procedentes dos satélites científicos. Seria muito útil unir o sistema de navegação chinês Bei Dou com o sistema russo GLONASS. O aumento da potência proporcionará grandes vantagens a ambos os países. Na Rússia este programa será bem financiado: nos próximos anos irão surgir dez novos satélites, destinados a investigar a Terra. Os chineses também têm também um bom trabalho de pesquisa neste sector. Quanto aos voos pilotados, o mais provável é que não haja nenhuma colaboração. A China dispõe de um número suficiente de naves próprias e não necessita, ao contrário dos europeus e japoneses,

A “Coelho de Jade” estuda a estrutura geológica da Lua. As fotografias panorâmicas da Lua, que tem enviado para a Terra, são de qualidade superior às fotos feitas outrora por sondas russas e americanas que não possuem naves pilotadas, realizar voos cósmicos em conjunto com a Rússia”. O primeiro desembarque na Lua, realizado no século XXI, fez surgir publicações sobre a intenção da China de ali criar uma base militar. O director do Centro de Investigação Sócio-politica Vladimir Evseev acredita que esta informação não passa de um “balão” mas qualquer ataque ao cosmos tem sempre uma “segunda intenção”. “Não acredito que seja possível cuidar exclusivamente da exploração pacífica do espaço sem pensar, se se pode ou não, lá instalar armas. Creio que é preciso ver sempre uma “segunda intenção” nos êxitos espaciais da China. Tanto mais que agora este país pode oferecer uma maior concorrência aos EUA no cosmos. A China sabe que se o exército americano for privado do apoio a partir do espaço, vai perder a sua principal vantagem. Tem-se em vista o bloqueio de canais de comunicação e de sistemas de pontaria. A China prepara-se para isto com o máximo de persistência. É bem provável que crie sistemas semelhantes que irão reduzir a zero esta vantagem dos EUA”. Em 2013 a China colocou em órbita 20 aparelhos espaciais. Na opinião de Vladimir Evseev a maioria esmagadora dos satélites têm uma função dupla.


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China acusou os Estados Unidos de minar a paz e o desenvolvimento na região Ásia-Pacífico, depois de uma alta autoridade norte-americana dizer que as preocupações estavam a aumentar em relação às reivindicações chinesas no Mar do Sul da China. “Estas acções não são construtivas”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei, em declaração divulgada na noite de sábado. “Recomendamos que os EUA mantenham uma atitude racional e justa para que possam ter um papel construtivo na paz e desenvolvimento da região, e não o contrário”, disse Lei. O secretário adjunto de Estado norte-americano para Assuntos da Ásia Oriental e do Pacífico, Danny Russel, disse em depoimento no Congresso na quarta-feira que os EUA tinham crescentes preocupações de que as reivindicações marítimas da China eram resultado do esforço para ganhar lentamente o controlo dos oceanos da região. As reivindicações da China “criaram incerteza, insegurança e instabilidade”, disse Russel. A China, Filipinas, Vietname, Taiwan, Malásia e Brunei reivindicam partes do mar que fornece dez por cento da pesca global e é responsável por cerca de 40 biliões de patacas no comércio por transporte marítimo.

PEQUIM CONDENA COMENTÁRIOS “NÃO CONSTRUTIVOS” DOS EUA SOBRE MAR DO SUL

Paz minada

Tailândia Bomba causa pelo menos seis feridos

Seis pessoas ficaram feridas ontem na Tailândia na explosão de uma bomba numa zona de Banguecoque, onde estiveram acampados manifestantes antigovernamentais, informou a imprensa local. Os feridos são trabalhadores da autoridade metropolitana que limpavam a zona, quando rebentou um engenho explosivo escondido na avenida Rachadamnoen, segundo o diário “Bangkok Post”. A zona tinha estado ocupada por uma facção radical dos manifestantes, cujo líder morreu abatido a tiro a 26 de Janeiro. Tiroteios esporádicos e explosões de bombas caseiras ocorrem quase todas as noites nos acampamentos em vários pontos da cidade de Banguecoque, onde estão instalados os manifestantes antigovernamentais. Desde que os protestos tiveram início em Novembro, foram registados pelos menos dez mortos e mais de 600 feridos.

Coreias Seul adverte que Pyongyang está pronta para novo teste nuclear

Tecnologia Chineses enviam cada vez mais mensagens instantâneas Em 2013, os chineses enviaram mais mensagens instantâneas, mas utilizaram menos os microblogues, redes sociais e fóruns online. Os dados são de um relatório divulgado pelo Centro de Redes de Internet e Informação da China. Segundo o relatório, o número de utilizadores de microblogues caiu 27,83 milhões de 2012 para 2013. Já o número de adeptos de mensagens instantâneas

REGIÃO

aumentou 64,4 milhões para um total de 532 milhões. As mensagens instantâneas estão em primeiro lugar entre as aplicações mais utilizadas pelos utentes. A forte adesão às mensagens instantâneas resultou do desenvolvimento de várias aplicações nos telemóveis. Os serviços da partilha de informação e de pagamento online, assim como os jogos, também contribuíram para um aumento dos utilizadores.

O ministro da Defesa da Coreia do Sul, Kim Kwan-jin, advertiu ontem que a Coreia do Norte está preparada para realizar um teste nuclear a qualquer momento, embora tenha descartado indícios de uma acção iminente. Tanto o teste nuclear como um possível ensaio de mísseis “dependem da decisão dos dirigentes da Coreia do Norte”, disse o ministro numa sessão parlamentar, depois de sugerir que o regime de Kim Jong-un possui os materiais, instalações e técnicas necessárias para levar a cabo ambas as acções. Kim Kwan-jin explicou que Pyongyang já realizou os preparativos para um teste nuclear subterrâneo na sua base de Punggye-ri, no nordeste do país, a mesma que acolheu há aproximadamente um ano o terceiro teste nuclear do regime. Quanto a um futuro lançamento experimental de mísseis de longo alcance, o titular da Defesa sul-coreano advertiu que a Coreia do Norte completou as “medidas iniciais” para levar a cabo a acção.

Japão Toyota vai deixar de produzir na Austrália

A Toyota anunciou ontem que até 2017 iria deixar de produzir na Austrália, país onde o construtor mundial de automóveis emprega mais de 4.000 pessoas. “Somos forçados a tomar esta decisão difícil porque este mercado está sujeito a uma competição muito intensa, o dólar australiano é bastante forte e, por outro lado, a produção automóvel na Austrália está a diminuir”, explicou o director geral do grupo japonês, Akio Toyoda, citado num comunicado. A Ford anunciou na semana passada que vai cortar a partir de Junho 300 postos de trabalho na Austrália, país onde vai suspender a produção de veículos até 2016. O sector automóvel australiano, que recebeu ajudas milionárias do Governo, enfrenta uma crise provocada pelos altos custos de produção e pela valorização do dólar australiano. Além da Ford, a Holden também anunciou que vai suspender a produção na Austrália em 2017 depois da Mitsubishi ter tomado a mesma decisão em 2008.


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EVENTOS

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T

vulnerável às condições climatéricas e ao facto de não serem produzidos em série como os de pedra. “Isto é um bocadinho um caldinho cultural. É uma ilha, um local de passagem, onde as pessoas foram chegando assentando arraiais, vindo dos mais variados locais. Obviamente primeiro do sudeste asiático continental e depois andando para trás e para a frente”, explicou o arqueólogo.

IMOR-LESTE é o país no sudeste asiático insular que tem as datações arqueológicas mais antigas e a maior concentração de arte rupestre, disse ontem à agência Lusa o arqueólogo português Nuno Vasco Oliveira. “Timor-Leste tem, neste momento, as datações mais antigas na ordem dos 42 mil anos em datas conhecidas para todo o sudeste asiático insular em termos de ocupação humana”, afirmou o também assessor da Direcção Geral de Arte e Cultura timorense e cientista convidado da Universidade da Austrália, onde tirou o doutoramento. Segundo Nuno Vasco Oliveira, Timor-Leste tem também uma diversidade de sítios arqueológicos, incluindo uma das maiores concentrações do sudeste asiático insular de arte rupestre. “Ao longo dos últimos 42 mil anos foram chegando e ocupando o território e gerido os recursos que aqui haviam até à chegada de povos que falavam as línguas que hoje são o grupo maioritário de línguas que se falam em Timor que são as da austronésias ou malai polinésias que terão chegado há cerca de três mil 3500 anos com um conjunto de conhecimentos e técnicas culturais que anteriormente não eram conhecidos, nomeadamente a domesticação de uma série de animais”, disse.

GRUTAS E ABRIGOS COM ARTE RUPESTRE

MARSUPIAL SECULAR

O único marsupial existente em Timor-Leste, a meda, que existe sobretudo na zona de Los Palos, na zona leste do país, está datado de há cerca de 10 mil anos. Apesar de no ponto de vista da cultura material, nomeadamente monumentos, as várias culturas que foram passando pela ilha não terem deixado marcas, do ponto de vista científico e cultural existem “vestígios significativos”, disse o arqueólogo. Exemplos disso são o arpão esculpido em osso há cerca de 35 mil anos encontrado por uma equipa de arqueólogos australianos há cerca de três anos e um tambor da cultura Dong Son, do norte do Vietname ou da China, que marca o aparecimento dos primeiros metais em cobre e depois em bronze há cerca de 2500 anos, descoberto antes de

ARQUEOLOGIA TIMOR-LESTE COM DATAÇÕES MAIS ANTIGAS DO SUDESTE ASIÁTICO INSULAR

Caldinho cultural 1999 e guardado pela comunidade. “Tínhamos evidências através da arte rupestre e agora pela primeira vez apareceu o tampo de um tambor e sugere de facto que os objectos estão lá. São geralmente objectos importante perduram para além do seu uso específico original e são

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA REGRAS DA TRAIÇÃO • Christopher Reich

Em 1980, um B-52 norte-americano despenha-se numas montanhas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Quase trinta anos mais tarde, e percorrendo lugares por todo o mundo, uma verdade terrível será revelada. Jonathan Ransom regressa na qualidade de médico engenhoso que se vê lançado num mundo obscuro de agentes duplos e triplos onde não se pode confiar em absolutamente ninguém. Um romance magistral que faz jus à reputação de Christopher Reich de ser um dos mais admirados escritores de thrillers de espionagem da atualidade.

tratados como objectos sagrados para as comunidades”, disse Nuno Vasco Oliveira. Em relação ao arpão, o arqueólogo explicou que o interessante é que, segundo o registo arqueológico conhecido, “não havia fauna terrestre que justificasse uma arma

daquele porte, porque aquilo seria no fundo uma lança em osso que estaria encabado num cabo grande”. “Ora nessa altura animais de grande porte verdadeiramente atestados só animais marinhos, portanto, peixes de grandes dimensões, de raias, golfinhos que podiam passar junto à costa”, disse. Segundo o arqueólogo, as peças em ossos são muito raras e “há a discussão sobre a capacidade que os modernos humanos, ou até antes, teriam para produzir materiais daquela qualidade”. Aquele tipo de achado também é mais raro de aparecer porque é mais

Timor-Leste tem mais de 30 grutas e abrigos com arte rupestre que ainda hoje são sagrados para as comunidades e utilizados para tomar decisões importantes para o futuro, disse ainda Nuno Vasco Oliveira. “Na zona de Los Palos, Tutuala, há mais de 30 grutas e abrigos com milhares de imagens pintadas nas paredes das rochas e dos abrigos que, para além da importância científica de ajudarem a perceber a relação das pessoas que chegaram a Timor e as pessoas que chegaram a outros locais aqui à volta, são também importantes para as comunidades que ainda hoje gerem esses sítios e os utilizam”, afirmou Nuno Vasco Oliveira. Segundo o cientista, os primeiros sítios de arte rupestre foram documentados por António de Almeida e Ruy Cinatti nos anos de 1960. António de Almeida era médico e fez vários estudos de investigação colonial em antropologia em Timor-Leste à semelhança do poeta, agrónomo e antropólogo Ruy Cinatti. “A maior parte desses sítios continuam a ser sagrados e nesses locais continuam a ser tomadas decisões importantes para a vida futura das comunidades”, afirmou. Muitas dessas grutas, explicou Nuno Vasco Oliveira, foram utilizadas durante o período da resistência à ocupação indonésia e recuperaram uma “dimensão de sagrado, de sacralidade e de importância para as comunidades, porque nelas estiveram abrigados guerrilheiros com um papel fundamental na criação do que é hoje o país”. “Muitas delas têm ocupação pré-histórica antiga: 20 mil anos, 30 mil anos, 40 mil anos de ocupação”, disse, salientando que são sítios significativos em Timor-Leste.

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BAR FLAUBERT • Alexis Stamatis

Yannis Loukas é um jornalista freelancer, filho de um prestigiado escritor, que aceita ajudar o pai a compilar uma autobiografia. Esquadrinhando o arquivo pessoal da família, Yannis descobre um misterioso manuscrito intitulado Bar Flaubert, cuja publicação o pai tinha recusado alguns anos antes. Ao lê-lo, a sensação de que alguém transpôs para o papel os seus sentimentos mais íntimos e secretos leva Yannis a querer encontrar o autor, um homem chamado Loukas Matthaiou. Mas quem é de facto esse homem e por que razão todos os que com ele se cruzaram parecem de alguma forma ter sido marcados pela sua personalidade carismática? Seguindo as pistas que Matthaiou foi deixando ao longo do seu livro, a vida de Yannis irá sofrer uma reviravolta imprevisível, numa demanda que cruza as fronteiras da ficção com a realidade.


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JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

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EPOIS de terem trabalhado juntos na cozinha de algumas unidades hoteleiras em Portugal e de terem aberto o restaurante Foz Velha, no Porto, os chefes Luís Américo e Marco Gomes abriram o ano passado, no Hotel Royal, o restaurante de comida portuguesa, Fado, que apresenta na próxima sexta-feira um menu diferente para celebrar o dia de São Valentim. Assim, os namorados que se deslocarem, no dia

RESTAURANTE FADO APRESENTA EMENTA ESPECIAL PARA CELEBRAR DIA DOS NAMORADOS

O menu do amor 14, até ao terceiro andar do Hotel Royal poderão experimentar alguns dos sabores de raiz tradicionalmente portuguesa especialmente confeccionados para este dia. Como entradas os clientes têm à sua disposição duas iguarias de matriz nacional: “Terrina de Lei-

tão com maçã conservada na sua geleia” e “Vieiras grelhadas com texturas de legumes portugueses”. Depois de passadas as primeiras provas, entramos nos pratos principais começando pelo peixe e o eleito foi o tentacular polvo que aqui é servido em filetes acompanhado de

um arroz de bivalves “malandro”. Os “Filetes de polvo dourados com arroz caldoso de amêijoas” é a proposta de degustação apresentada por Luís Américo e Marco Gomes antes de se passar ao prato principal de carne. Pelo meio fica ainda a sugestão de um “Sorvete de Tangerina” como tira-gosto. “Lombo de novilho com selecção de cogumelos ao molho de vinho Madeira” é o prato de carne representado no menu de sexta-feira, que junta mais uma vez alguns dos sabores tipicamente portugueses.

Para finalizar, não podia deixar de faltar uma sobremesa sofisticada. Neste caso, a proposta para finalizar a refeição do dia de São Valentim junta o vinho português mais conhecido em todo mundo, com frutos de várias regiões. “Morangos marinados em vinho do Porto entre crocantes cítricos de amêndoa com espuma de coco e chocolate” fecha o ciclo de uma viagem a uma cozinha portuguesa moderna e sofisticada, ao estilo gourmet, que pode ser apreciada, pelo preço de 680 patacas por pessoa, esta sexta-feira.

ROTA DAS LETRAS MANUEL ALEGRE, SOUSA TAVARES E PACHECO PEREIRA SÃO NOMES SONANTES

Quando a política se junta à escrita A

Cinema Actor desfila na passadeira vermelha de Berlim de saco na cabeça

Shia LaBeouf surpreendeu este domingo no Festival de Cinema de Berlim por duas vezes: primeiro abandonou a conferência de imprensa; depois desfilou com um saco na cabeça. “Já não sou famoso”. Foi com esta frase escrita num saco de papel que enfiou na cabeça que Shia LaBeouf desfilou na passadeira vermelha do Festival de Cinema de Berlim, que arrancou domingo. Antes disso, o actor já protagonizara outro momento surpreendente no evento, quando abandonou a conferência de imprensa, alegadamente por não gostar de uma pergunta que lhe fizeram acerca das cenas íntimas do filme “Ninfomaníaca”, de Lars von Trier.

terceira edição do Festival Literário de Macau – Rota das Letras arranca já em Março. No programa deste ano, deslocam-se ao território os escritores José Pacheco Pereira, Miguel Sousa Tavares e Manuel Alegre. Estes são os três nomes de peso no programa deste evento organizado pelo diário português Ponto Final, com a co-organização do Instituto Cultural e a Fundação Macau, segundo avança a Rádio Macau. Miguel Sousa Tavares é jornalista e autor de vários romances ‘best sellers’, como é o caso de “Rio das Flores” ou “Equador”. Tem actualmente nas livrarias o mais recente “Madrugada Suja”, metáfora de um Portugal de corrupção e tráfico de influências. É um dos nomes com forte presença mediática em Portugal. José Pacheco Pereira – historiador, político, ex-dirigente do PSD, comentador e cronista –, tem vindo a dedicar-se à investigação de temas relacionados com o Partido Comunista Português

(PCP). Mantém um dos maiores arquivos, em Portugal, sobre o comunismo, a esquerda e sobre as relações do PCP com a União Soviética. Autor de uma biografia de Álvaro Cunhal, é também um dos intelectuais com mais visibilidade e intervenção pública em Portugal.

Manuel Alegre

Manuel Alegre, ex-dirigente do Partido Socialista, foi duas vezes candidato à Presidência da República Portuguesa. É um dos mais reconhecidos poetas, romancistas e ensaístas da actualidade literária em língua portuguesa. Autor de livros já históricos na literatura

Miguel Sousa Tavares

portuguesa como “Praça da Canção”, “O Canto e as Armas” ou, mais recentemente, “Sete Partidas”, Alegre escreveu ainda romances como “Jornada de África”, acerca da guerra colonial, ou “Rafael”. Os três escritores vão estar em Macau durante o Festival Rota das

Letras que, em edições anteriores, trouxe figuras das letras da lusofonia como José Luís Peixoto, José Eduardo Agualusa, Valter Hugo Mãe, a moçambicana Paulina Chinziane, o realizador Miguel Gonçalves Mendes ou escritores chineses como Bi Feiyi.

José Pacheco Pereira


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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HUAI NAN ZI

淮南子

Da Guerra – 67 Em tempos recuados, os bons generais estavam sempre na vanguarda. Não montavam toldos para se protegerem do calor, nem usavam peles durante o tempo frio. Assim, experimentavam o mesmo calor e frio que os seus soldados. Sobre terreno acidentado não montavam a cavalo, subindo a pé as íngremes encostas. Assim, experimentavam o mesmo esforço que os seus soldados. Só comiam depois do rancho ter sido preparado para as suas tropas e só bebiam depois de ter sido obtida água para os soldados. Assim, experimentavam a mesma fome e a mesmo sede que os seus homens. Durante a batalha permaneciam ao alcance das armas do inimigo, assim experimentando o mesmo perigo que os seus soldados. As operações militares dos bons generais usam sempre a gratidão acumulada para atacar a amargura acumulada e o amor acumulado para atacar o ódio acumulado. Como poderiam não vencer? * * * Quando os líderes são dignos de respeito, o povo está disposto a trabalhar para eles. Quando a sua virtude é digna de admiração, a sua autoridade pode estabelecer-se. * * * Aqueles que são hábeis no uso das armas, devem primeiro cultivá-lo em si mesmos antes de o procurarem nos outros. Devem primeiro tornar-se invencíveis antes de procurarem prevalecer.

Da Guerra – 68 Os generais devem ter três caminhos, quatro deveres, cinco práticas e dez tipos de segurança. Os três caminhos consistem de conhecimento do céu, que está por cima, conhecimento da terra, que está por baixo, e percepção das condições humanas, que se situam pelo meio. Os quatro deveres são: fazer segura a nação sem aumentar o armamento; liderar sem interesse pró-

O LIVRO DOS MESTRES DE HUAINAN


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artes, letras e ideias 13

Ser flexível sem se vergar, ser firme sem ser rígido, ser humano sem ser vulnerável

prio; enfrentar as dificuldades sem medo da morte e resolver as dúvidas sem tentar escapar à culpa. As cinco práticas consistem de ser flexível sem se vergar, ser firme sem ser rígido, ser humano sem ser vulnerável, confiar mas ser impossível de ludibriar e ter coragem tal que não possa ser avassalada. Os dez tipos de segurança são: pureza de espírito que não possa ser obnubilada; planos de grande alcance que não possam ser roubados; firmeza de integridade que não possa ser mudada; claridade de conhecimento que não possa ser obscurecida; não ser ganancioso por bens materiais; não ser viciado em nada; não ser falso no discurso; não forçar os outros a seguir o mesmo caminho; não ser fácil de agradar e não ser fácil de enfurecer. * * * Para os guerreiros, é importante que a sua estratégia seja inescrutável, no sentido de que a sua forma permaneça oculta. Os guerreiros emergem inesperadamente, de modo que não se possa preparar qualquer defesa contra eles. Quando a sua estratégia é visível, nada lhes resta; quando a sua forma é perceptível, podem ser controlados. Assim, os bons guerreiros tudo isso escondem nos altos céus, na terra por debaixo e entre os humanos pelo meio. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

Huai Nan Zi (淮南子), O Livro dos Mestres de Huainan foi composto por um conjunto de sábios taoistas na corte de Huainan (actual Província de Anhui), no século II a.C., no decorrer da Dinastia Han do Oeste (206 a.C. a 9 d.C.). Conhecidos como “Os Oito Imortais”, estes sábios destilaram e refinaram o corpo de ensinamentos taoistas já existente (ou seja, o Tao Te Qing e o Chuang Tzu) num só volume, sob o patrocínio e coordenação do lendário Príncipe Liu An de Huainan. A versão portuguesa que aqui se apresenta segue uma selecção de extractos fundamentais, efectuada a partir do texto canónico completo pelo Professor Thomas Cleary e por si traduzida em Taoist Classics, Volume I, Shambhala: Boston, 2003. Estes extractos encontram-se organizados em quatro grupos: “Da Sociedade e do Estado”; “Da Guerra”; “Da Paz” e “Da Sabedoria”. O texto original chinês pode ser consultado na íntegra em www.ctext.org, na secção intitulada “Miscellaneous Schools”.


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Mário Lopes IN PÚBLICO

A BEATLEMANIA VISTA DAQUI

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Á 50 anos, os Beatles aterravam nos Estados Unidos. Dois dias depois actuavam no “Ed Sullivan Show” e a Beatlemania tornava-se global. Entretanto, em Portugal... Faz precisamente hoje 50 anos que os Beatles aterraram pela primeira vez nos Estados Unidos. Tinham três mil fãs a gritarem até à rouquidão, raparigas a chorarem porque aqueles quatro rapazes parecem uns de nós, mas depois começam a cantar e “são a melhor coisa que já ouvi na vida”. Dois dias depois de os quatro desembarcarem no aeroporto JFK, em Nova Iorque, os Estados Unidos paravam. Retrospectivamente, vemos o momento como o início de uma nova era na cultura popular. A 9 de Fevereiro de 1964, 20h em Nova Iorque, os Beatles surgem em directo na televisão americana, no mais popular programa de entretenimento da época, o Ed Sullivan Show. As imagens ficaram inscritas na memória colectiva como umas das mais icónicas do século XX. Eram a preto-e-branco, mas os quatro músicos, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, pareciam irradiar cor, pareciam faiscar enquanto se ouviam All my loving, Till there was you e She loves you(yeah!), as primeiras, e I saw her standing there e I want to hold your hand, tocadas no segundo set. Setenta e três milhões dos 191 milhões de americanos estavam frente à televisão. Os Beatles já eram um fenómeno geracional em Inglaterra. Naquele

momento, oficializou-se a Beatlemania como fenómeno global. Em Coimbra, Luís Pinheiro de Almeida, 15 anos, estava prestes a percebê-lo. Já conhecia os Dave Clark Five, os Searchers ou Gerry & The Pacemakers. Quando o EPShe Loves You surgiu nas montras das discotecas, ele e os amigos, que tinham por hábito levar o gira-discos portátil para debaixo de umas árvores e aumentar o volume como recomendado, não tardaram a adquirir a novidade. O primeiro impacto não foi o melhor. “O She loves you era uma barulheira, o Twist and shout, então, era de dar um tiro na cabeça.” Salvava-se Do you want to know a secret — ideal para “dançar com as raparigas nos bailes de garagem”. A primeira impressão não perduraria. Luís Pinheiro de Almeida, jornalista, é provavelmente o maior especialista português no tema Beatles, sendo co-autor com Teresa Lage de Beatles em Portugal. Mantém o blogue Ié-Ié (guedelhudos.blogspot.com), verdadeiro arquivo de onde foram retiradas as imagens que ilustram este artigo e várias citações da imprensa portuguesa da época. Pela mesma altura, Carlos Mendes iniciava em Lisboa, aos 16 anos, o caminho que o tornaria vocalista e guitarrista dos Sheiks, dando início a uma carreira que completa agora 50 anos (irá começar a celebrar a data hoje e amanhã com concertos no São Luiz, em Lisboa, que levará depois ao resto do país). Não teve dúvidas. Cliff Richard e os Shadows, de grande popularidade em

Portugal, não lhe suscitavam o mínimo interesse. “Achava aquilo tudo muito plástico, muito perfeitinho e não me interessava a perfeição.” Até que apareceu o single She loves you, trazido por um tio que trabalhava na TAP. Depois de o ouvir, correu até à Alameda, onde o seu grupo se juntava “em muros ou em vãos de escada” e deu a boa nova. “Tive uma espécie de visão: ‘Isto é que é, isto é que é verdadeiro e tudo o resto é uma palhaçada.” Teve outra visão: “Tenho de fazer um grupo.” Os Sheiks, os Beatles portugueses, anunciavam-se. Enquanto isso, um miúdo de dez anos tornara-se Beatle sem sequer os ter ouvido. David Ferreira, um dos históricos editores discográficos portugueses, conhecedor profundo da história da música popular urbana, como podemos comprovar no programa A Cantar, da Antena 1, ou frequentando o curso Histórias das Músicas Ligeiras que lecciona até 15 de Abril no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, recorda-se bem do momento. Num jantar, perante João Belchior Viegas, empresário de Amália Rodrigues, elogiou os méritos dos franceses Les Chats Sauvages e de Richard Anthony. Belchior Viegas disse-lhe que estava desactualizado. Falou-lhe de uns Beatles que levavam “as raparigas a gritarem quando os viam” e que “tinham o cabelo comprido”. David Ferreira levantou-se da mesa, foi até à casa de banho, puxou o cabelo para a testa e voltou à sala. “Agora sou um Beatle.” No ano seguinte, já no Liceu Camões, o director perguntou-lhe o que

queria ser quando crescesse. “Cantor de ritmos modernos”, respondeu. Discretamente, há cinco décadas, a Beatlemania começava a chegar.

OUTRA HISTÓRIA

Nos Estados Unidos, celebram-se os 50 anos da primeira actuação no Ed Sullivan Show com um espectáculo de marca Grammys que será emitido pela CBS no próximo domingo. E com o reencontro da sua relação com os Beatles: The Beatles: The US Albums (Capitol; distri. Universal Music) é uma caixa que compila os 13 álbuns “americanos” da banda, em reproduções ao pormenor, em formato CD, dos vinis originais. Nela, uma história diferente. Com as mãos livres para reorganizar livremente o catálogo da banda, a Capitol, perante o imenso sucesso da banda, entregou-se àquilo que podemos designar, em termos técnicos, como um “regabofe”. Sucederam-se os álbuns sem ordem cronológica aparente e editados numa lógica toscamente mercantilista. O primeiro álbum com edição unificada nos mercados inglês e americano (e, já agora, português), foi Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. Antes dele, amputavam-se Hard Day’s Night ou Help de algumas canções, substituídas por versões orquestrais, inventavam-se compilações anunciadas como álbuns oficiais, como The Early Beatles, e criava-se um The Beatles Story que é uma espécie de história oral da banda. Mas foi com aqueles álbuns que os americanos construíram a


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sua relação afectiva com a banda — e é cruel dizer-lhes que toda a sua juventude com os Beatles foi um erro. Até porque da ânsia da equipa da Capitol resultavam coisas como The Beatles Second Album, o álbum mais classicamente rock’n’roll dos Beatles — ou quatro ingleses a mostrarem aos americanos a sua música, numa tendência prolongada por toda a British Invasion que se seguiu. E da tensão entre os Beatles, irritados com a estilhaçar dos seus álbuns, e a editora nasciam maravilhas como a capa censurada de Yesterday & Today (1966), deliciosa acção de guerrilha pop: pedida uma capa para o disco, os Beatles enviam para os Estados Unidos uma foto em que surgem vestindo batas de talhante. Ao colo, aos ombros, por todo o lado, sangue, pedaços de carne e de bonecas adornam o sorriso absurdo e gozão de John, Paul, George e Ringo — arte pop e humor absurdo em combinação perfeita. E em Portugal? Em Portugal, esqueçam-se os álbuns. A relação estabelecia-se através de EPs, formato que compilava habitualmente quatro canções. “Não havia mercado para o álbum e o poder de compra era baixíssimo”, explica Luís Pinheiro de Almeida — She Loves You, a primeira edição portuguesa dos Beatles, vendeu cerca de 7.500 cópias. A Beatlemania não era aqui, não podia ser, o furacão que varreu a Europa Ocidental e os Estados Unidos. “Portugal não tem nada a ver com o que é agora”, aponta Carlos Mendes. “Era um país cinzento e maledicente. Chamavam-nos maricas por termos os cabelos compridos e as calças apertadas. Lembro-me do Beethoven [João Vidal Abreu], teclista dos Jets, que na rua tinha de pôr o cabelo comprido dentro da camisa para não levar uma carga de porrada.” Em Portugal, aquela que terá sido a primeira notícia publicada sobre os Beatles surgiu a 5 de Novembro de 1963 no Diário Popular. Texto curto a dar conta do “enorme êxito” de que o “agrupamento artístico” estava a desfrutar em Londres: “Os seus números de canto são apreciadíssimos, a ponto de, todas as noites, os repetirem cinco e seis vezes cada um.” Semanas depois, surgia nas lojas a primeira edição portuguesa, o EP She Loves You. Capa vermelha, o nome Beatles a ocupar a metade inferior e, por baixo, os rostos recortados dos Fab Four. No Diário Popular, Paulo Medeiros escrevia a 28 de Novembro uma curta crítica ao disco. “Quatro cançonetas de créditos firmados, She loves you, Do you want to know a secret, I’ll get you e Twist and shout, não só pelos quesitos vocais que o distinguem mas também pela juventude que irradiam.” A partir do momento em que a Beatlemania é uma realidade e se sucedem os relatos do efeito que a sua música provocava, a atitude da imprensa viria a alterar-se. O Primeiro de Janeiro dava conta a 15 de Fevereiro de 1964 da primeira viagem

dos Beatles pelos Estados Unidos. Título: “A epidemia dos Beatles alastra nos Estados Unidos”. Descrição: “Os quatro rockers que já conseguiram fazer perder aos adolescentes do seu país toda a noção de dignidade caracterizadamente britânica”, com “cabeleira nitidamente aparentada à extremidade das vassouras-mecânicas” — em Londres, horrorizemo-nos, “as raparigas, mesmo de boa família, perdem a cabeça quando os ouvem”. Não, não vinha aí nada de bom para o orgulhosamente só país do respeitinho. Era preciso denunciá-los. Recorrer ao humor: “Quatro fabianos espertos lembraram-se de deixar crescer o cabelo. De resto, a moda já não é nova porque os homens das cavernas já a seguiam”, ridicularizava desde Santa Comba Dão, a 6 de Dezembro de 1964, Pedro de Sagunto, cronista do jornal regional A Defesa da Beira. Não parava aí: “Esses quatro jovens possuem já grande fortuna. Mercê dos seus berros e contorções, conseguiram em pouco tempo o que, normalmente, milhões de homens não alcançam durante uma vida inteira de trabalho aturado!” Segundo Sagunto, porém, o olvido era aquilo a que estavam condenados aqueles “zumbidores como os besouros cujo nome usam”, aqueles “no fundo espertos e oportunistas” que “rirão talvez dos seus admiradores, arrastados pelo ritmo diabólico das suas vozes e instrumentos”. Entre a tentativa de análise sociológica do fenómeno (“Beatles: gente que faz pensar”, lia-se na capa da revista Flama de 28 de Agosto de 1964; título da peça no interior: “Fenómeno de uma juventude conturbada”), e o combate estético-ideológico em campo aberto (“ganharam dinheiro e fama sem nenhuma preparação pessoal e sem ter contribuído em nada para o aperfeiçoamento da arte”, escrevia na mesma Flama, no ano seguinte, Judith Lupi Freire), existia o outro lado. Os Beatles como poderoso agregador de uma juventude que começava a ganhar consci-

A PARTIR DO MOMENTO EM QUE A BEATLEMANIA É UMA REALIDADE E SE SUCEDEM OS RELATOS DO EFEITO QUE A SUA MÚSICA PROVOCAVA, A ATITUDE DA IMPRENSA VIRIA A ALTERAR-SE ência de si mesma e da sua situação numa ditadura fechada, castradora. A primeira reacção fora epidérmica, instantânea, ao som e à atitude. Depois, tudo se complexificou. “Foi uma bola de neve”, diz Luís Pinheiro de Almeida. “Primeiro, [ouvir os Beatles] era a melhor maneira de sacar as miúdas. Depois, chegou a rebeldia. Eram os nossos porta-vozes.” Quando integrou a Associação de Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa, recorda, “eram um bom instrumento para chegar a juventudes menos politizadas e, como favoreciam as ideias de contestação, para levar a mensagem de oposição à guerra colonial”. Eram, igualmente, um fenómeno incontornável. Tanto se ouviam os Beatles em programas mais sintonizados com o sabor dos tempos, como os históricos 23ª Horaou Em Órbita, como nas matinés do Clube das Donas de Casa apresentado por Henrique Mendes. “E agora, para mal dos meus pecados, os Beatles”: David Ferreira recorda-se nitidamente daquelas palavras, sinal de que estava a chegar o momento que o fazia aguentar o programa durante duas horas.

ROENDO A DITADURA

Para Luís Pinheiro de Almeida, a Beatlemania nunca foi uma realidade por cá. Como poderia, de resto? “Não foi um fenómeno global. Era limitado à juventude estudante, que ainda assim tinha

poder de compra. Só ela tinha acesso à música e à informação que vinha de fora.” A influência fazia sentir-se de outra forma. No cultura anglo-saxónica que começou a ganhar espaço à francesa. Na juventude que começou a calçar botas à Beatle e vestir à Beatle, principalemente “as bandas ié ié”, aponta Luís Pinheiro de Almeida. Carlos Mendes seria um bom exemplo: passou aqueles anos obcecado com John Lennon, vestindo como ele, andando como ele, cantando como ele. “O mundo era mais lento”, como nos diz David Ferreira, e Portugal um país fechado. Mas a amplificação da revolução aberta pelos Beatles chegou. David Ferreira defende que “há dois carunchos que roem a ditadura, um é a música pop, o outro o turismo. E são incontroláveis. São fenómenos de culturas alternativas que podem tornar-se uma contestação que não pode ser circunscrita”. Quando em 1965 o empresário Vasco Morgado decide organizar o primeiro Concurso Ié-Ié no Teatro Monumental, em Lisboa, a que concorreriam bandas de todos os cantos de Portugal e das antigas colónias, fá-lo associando-se a Cecília Supico Pinto, a criadora do Movimento Nacional Feminino, organização de apoio aos combatentes na Guerra Colonial apoiada pelo Estado Novo. “A juventude pode ser alegre sem ser irreverente”, lia-se num cartaz no teatro. Não seria exactamente assim. “Ali havia umas cenas de histeria, entre aspas, como havia com os Beatles”, recorda Luís Pinheiro de Almeida. Carlos Mendes, então já nos Sheiks, fala-nos de concertos em que não ouvia nada do que tocava em palco, tal como relatado mil vezes em relação aos Beatles. Fala-nos de outra coisa. “As raparigas percebiam também, por aquilo que vinha de filmes como o Hard Day’s Night, que podia haver uma certa liberdade, que a vida não tinha de ser estar em casa a costurar à espera de um marido. Tenho muita admiração pelas raparigas do meu tempo. Tiveram uma coragem extraordinária para se imporem. Nós éramos apenas insultados pelo cabelo. Com elas, um beijo mais demorado já as transformava em ‘gajas malucas’, uma certa forma de vestir e eram prostitutas.” David Ferreira resume: “O concurso do ié ié começa como prova de simpatia da juventude pela juventude que está na guerra a combater por Portugal. Mas a juventude começa a portar-se mal. Queriam cavalgar aquele cavalo porque os miúdos gostavam mas, de repente, o cavalo dá pinotes.” Os Beatles não são citados nestas declarações, mas estão nelas. Alguém disse um dia que os Beatles foram causa e efeito do seu tempo. Foram respondendo ao que espoletavam no mundo e foram também alterando esse mesmo mundo. Sem programa definido. O efeito fez-se sentir mundo fora. Portugal, naturalmente, não escapou.


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luz de inverno

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Boi Luxo

LA GRANDE BELLEZZA , PAOLO SORRENTINO, 2013

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S filmes deviam ser todos assim. Bem ritmados, com uma ponta de arrogância constantemente temperada por uma imensa humildade. Que se possa considerar original um filme em que existem tantas marcas óbvias de outros, é prova da sua eficiência e da sua sinceridade. Quem se precipitar a encontrar antecedentes que o informem, e a tentar assim reduzir-lhe o valor, não está a seguir o mesmo raciocínio. Mesmo com peças usadas este não deixa de ser um monumento próprio e, mais do que tudo, apropriado aos tempos. Quem se precipitar a ver nos planos de pessoas que passam, misteriosas, em fuga, alguns de 8 e mezzo, não pode deixar de concordar que estes são justos e quase necessários, hoje, como o foram há 40 ou 50 anos. Como se este fosse o voltar de um ciclo, o reciclar de uma angústia. Há outros planos, bastantes, que fazem lembrar outros Fellini, nomeadamente Roma. E mesmo outros autores italianos. Notamos, como em Antonioni, um fascínio ambíguo sobre as classes altas, sem o ennui daquela época mas com o nosso, contemporâneo, mais limpo, mais clínico e musculado, menos poseur e menos inocente. Sim, esta é uma conclusão possível, o nosso ennui é menos poseur, menos infantil que o dos anos de La Notte. Sem muita petulância, é, ao invés, com simplicidade, que La Grande Bellezza se apropria da história. É uma

apropriação, contudo, próxima não ao plágio mas antes ao engenho de uma arte injustamente desconsiderada, a da tradução. A riqueza deste filme assenta na diversidade de perspectivas sob que pode ser apreciado. Este é um filme sobre um homem velho. Também é sobre a velhice em geral, a velhice dos homens, e das mulheres, e a velhice de uma cidade muitas vezes filmada, que eu nunca visitei nem quero visitar: Roma. É igualmente um filme sobre a imobilidade, a dos homens (e das mulheres) e a imobilidade de uma cidade que eu não quero visitar porque não pode ser melhor que os filmes que sobre ela se fizeram: Roma. Esta imobilidade é um sopro que se identifica em uma outra cidade e em outro país que também tem um cinema glorioso, o Japão, que também tem uma alma perdida - como um velho bem vestido e perfumado. Neste filme, contudo, o velho não é um homem de outro tempo, não é uma curiosidade pitoresca, não é uma sobrevivência, é uma figura actual que simboliza na perfeição a beleza da imobilidade europeia actual. Fazer um filme assim, sobre um passado, sem ser passadista, não é para todos. Bastava cortar-se-lhe umas músicas mais sentimentais para o tornar num objecto mais perfeito. Mesmo com tanto Fellini por trás. O que é mais extraordinário, no entanto, é o modo como Paolo Sorrentino constrói a qualidade da resignação da figura principal. Considerando-se

um conjunto de filmes sobre a resignação, em que Viagem a Tóquio, de Ozu, brilharia orgulhoso, este filme italiano faria excelente figura. Veja-se com atenção a cena de conversa no terraço junto ao Coliseu. Sempre que La Grande Bellezza se encaminha, e fá-lo muitas vezes, para o óbvio, pára um pouco antes, em tom de troça, certo de que as suas virtuais falhas não serão nunca suficientes para ocultar a sua utilidade. Suave ironia esta, que um filme sobre a frivolidade seja um filme tão útil e necessário. Quem quiser apreciá-lo sob o ponto de vista da perda da identidade e das raízes na grande cidade poderá fazê-lo, consciente que este filme bondoso (mesmo muito bondoso) aceitará esta disposição com a benevolência que demonstra quase desde o início. Há outras vias. Esta é a história de um homem que faz entrevistas para uma publicação escrita dirigida por uma anã, mas é também a história de um homem sedutor que escrevera um livro, um apenas, uns 40 anos antes. “Por que é que não escreveste outro livro ? – Porque saí muito à noite”, responde Jep Gambardella.������������������������ Este é um filme inofensivo porque mostra que, no fundo, todos os filmes são inofensivos e nada mais do que filmes, belos mais uns do que outros, melhor organizados uns do que outros, apenas. A sua inocente despreocupação revela-se nas entrevistas que conduz e nos comentários que Jep oferece sobre a arte contemporânea romana.

“As melhores pessoas em Roma são os turistas” (aqui sempre asiáticos - o início de um mundo novo, a estagnação do velho). Esta autodiminuição romana é uma porta pouco sincera para a consciência da imobilização da cidade e de Itália. Um pouco como em Roma, de Fellini, em que cada dia as obras do metropolitano - uma obra de futuro - encontram uma ruína que impede o progresso. Há muito de Roma neste filme. Mas não é grave, o original é bom, a imitação (ou tradução) também é boa. Também há padres, cardeais e freiras e um olhar entre o abandono e a curiosidade. O que Antonioni (um chato genial) nunca faria é um filme sobre o ennui e a velhice tão carregado de humor, como La Grande Bellezza. Atente-se no cardeal candidato a Papa que se esquiva a perguntas de carácter espiritual para insistir, no meio do desinteresse geral, em falar em receitas, entre muitos outros episódios. Este, como La Notte, estende o seu ennui e o seu desnorte pela noite. Quase todas as grandes cenas deste filme se passam de noite e de outro modo não poderia ser. A noite eufórica das festas e dos happenings artísticos e a noite urbana das ruas desertas. Esta é não apenas a noite de Jep Gambarella mas a noite que este país que parece ter cada vez menos para dar atravessa, esta Itália que parece apenas exibir uma decadência e um imobilismo bem vestido. Homens com cabelo molhado penteado paras trás, Berlusconis de pacotilha. Pela primeira vez, fiViva la bella Italia.����������������������� quei com vontade de ir a Roma.


DESPORTO

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TÉNIS DE MESA ATLETA GARANTIU LUGAR EM COMPETIÇÃO MUNDIAL

Português Marcos Freitas conquista Taça da Europa

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ARCOS Freitas conquistou a Taça da Europa em ténis de mesa com uma vitória categórica sobre o dinamarquês Michael Maze. Freitas exibiu-se em alto nível, não tendo perdido nenhum dos cinco jogos disputados ao longo da competição que reuniu em Lausana, na Suíça, os 12 melhores jogadores da Europa. A vitória na Taça da Europa garantiu a Marcos Freitas a qualificação para a Taça do Mundo, que se vai disputar em

Outubro em Dusseldorf, na Alemanha. O mesa-tenista português, número 15 do ranking mundial e quarto da Europa, derrotou na final o dinamarquês Maze (28.º no ranking mundial e oitavo a nível europeu) por 4-0, com os parciais de 11-7, 11-6, 11-8 e 11-7. “É o meu primeiro título numa prova importante, estiveram aqui os 12 melhores jogadores da Europa a competir durante três dias. Esta vitória significa que estou a evoluir, o meu jogo está a evoluir,

Atleta chinês vence subida à Torre de Macau

O atleta chinês Wong Kuan venceu a prova de subida à torre local com o tempo de 17.43 minutos, menos 1.02 minutos do que Chan Ka Hou, de Hong Kong, repetindo a vitória de 2013. A prova, que reuniu dezenas de atletas de Macau, China e Hong Kong, viu ainda Chan Chan Kit, de Macau, terminar em terceiro lugar, com o tempo de 19.10 minutos. Na categoria feminina, Io Kit Cheng, de Hong Kong, terminou na primeira posição, com 19.45 minutos, seguida por Hoi Long, de Macau, com 20.44 minutos, e por Leong Ieng Sut, também de Macau, com 24.08 minutos. A vitória em Macau concede a Wong Kuan e Io Kit Cheong o patrocínio de participação, em 2015, na subida ao Empire State Building, de Nova Iorque, a mais famosa subida por escadas a um edifício. A prova de subida à torre de Macau integra um conjunto de oito provas em cidades como Kuala Lumpur, Sidney, Melbourne, Calgary, Chicago, Talin, Viena e Bratislava, uma competição que atribui como maior aliciante aos vencedores o patrocínio da prova de Nova Iorque.

e posso ambicionar novas conquistas no futuro”, afirmou Marcos Freitas, em declarações reproduzidas pela assessoria de comunicação da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa. “Antes do início da Taça da Europa não esperava vencer. O meu objectivo era passar a fase de grupos e chegar aos quartos-de-final. Mas os jogos correram muito bem desde o início e obviamente que ontem [sábado] quando ganhei a meia-final senti que hoje [anteontem] podia vencer”, acrescentou

o mesa-tenista olímpico português. Conquistada a Taça da Europa, no horizonte de Marcos Freitas surgem outros desafios: “[Quero] jogar bem no Open do Kuweit e do Qatar para melhorar a minha posição no ranking mundial. E dentro de duas semanas vou disputar a meia-final da Liga dos Campeões com o meu clube (AS Pontoise-Cergy – França), uma competição também muito importante”, apontou o madeirense. Também a competir em Lausana, Tiago Apolónia terminou a Taça da Europa na oitava posição, ao perder com o grego Gionis Panagiotis por 3-4 (4-11, 11-8, 9-11, 6-11, 11-8, 11-3 e 11-13).

Futebol Benfica e Sporting jogam hoje

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derby entre o Benfica e o Sporting, que se deveria ter realizado este domingo às 18 horas, já tem nova data marcada. A partida vai realizar-se hoje, às 20h15 (hora local). O presidente da Liga, Mário Figueiredo, revelou que Benfica e Sporting chegaram a acordo para a nova data mas disse também que a realização do jogo está condicionada à existência de condições de segurança. O Benfica, no site oficial, diz que toda a informação sobre a bilhética será prestada durante o dia de segunda-feira.

Entretanto, as águias emitiram um comunicado, no site oficial, a esclarecer os adeptos sobre a razão do adiamento do “derby” e revelou que a cobertura apresenta pequenos danos provocados pelo mau tempo que afecta a zona. “As más condições climatéricas provocaram pequenos danos na cobertura do Estádio da Luz. Nesse sentido, a Liga Portugal, os dois clubes, a Protecção Civil, em sintonia com a equipa de arbitragem, decidiram o adiamento da partida. Mais informações, nomeadamente sobre nova data, serão comunicadas em breve.”

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Fornecimento de serviços de coordenação, produção e de execução da actividade “Celebração da chegada do Verão”, na Praia de Hác-Sá, a 1 de Maio Concurso Público no001/SCR/2014 Faz-se público que, nos termos da alínea 46 da deliberação n.º2/2014 do Conselho de Administração, de 10 de Janeiro de 2014, se encontra aberto concurso público para o Fornecimento de serviços de coordenação, produção e de execução da actividade “Celebração da chegada do Verão”, na Praia de Hác-Sá, a 1 de Maio. O limite máximo do valor global da prestação de serviços é de três milhões e quinhentas mil patacas (MOP3,500,000.00). O Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e a Tabela das Exigências Específicas encontram-se à disposição dos interessados no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM, sito na Avenida de Almeida Ribeiro, no 163, r/c, Macau, todos os dias úteis, durante as horas normais de expediente. As propostas deverão ser entregues até às 17:00 horas do dia 24 de Fevereiro de 2014 ( 2ª feira). O proponente ou o seu representante, deve entregar a proposta e os seus documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM. Com a proposta, deve o proponente apresentar uma caução provisória, no valor de sessenta mil patacas (MOP60,000.00), mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução a favor do IACM ou cheque bancário, entregue directamente na Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros/Tesouraria do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro, n.° 163, r/c. O IACM realizará a este respeito uma sessão de esclarecimento pelas 15:00 horas do dia 12 de Fevereiro de 2014 ( 4ª feira), no Centro de Formação deste Instituto, sito no 6.º andar do Edifício China Plaza. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á pelas 15:00 horas do dia 25 de Fevereiro de 2014 ( 3ª feira), no Centro de Formação deste Instituto, sito no 6.º andar do Edifício China Plaza. Macau, aos 23 de Janeiro de 2014. O Presidente, Substituto, do Conselho de Administração Vong Iao Lek WWW. IACM.GOV.MO


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Cineteatro

Pu Yi

JUSTIN AND THE KNIGHTS OF THE VALOUR [A] (FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Mauel Sicilia 16.00 THE LEGO MOVIE SALA 1

FROM VEGAS TO MACAU [C] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nicholas Tse 14.30, 16.15, 19.45, 21.30

JUSTIN AND THE KNIGHTS OF THE VALOUR [A] (FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Mauel Sicilia 18.00 SALA 2

JACK RYAN: SHADOW RECRUIT [C] Um filme de: Kenneth Branagh Com: Keira knightley, Kevin costner 14.00, 20.00, 21.50

O frio que subsiste Chegou o frio de inverno quando o calendário lunar nos avisa que já chegou a primavera. O tempo brinca sempre com o ser humano, uma vez que nas férias do Ano Novo Chinês todos pensavam que o verão já tinha chegado. Mas uma semana depois eis que o frio chegou. E agora está mesmo muito frio. Muitas pessoas ficam doentes e não apenas no corpo, mas na mente. “O frio chegou e já tinha arrumado toda a minha roupa de inverno. Já estou à espera da primavera, porque em Macau não é bem verão nem inverno. Já posso vestir camisolas de manga curta”, dizem. A chuva também pode causar alguma depressão às pessoas, e acho que a maioria gosta dos dias de sol. Aí, poderão dizer: “porque é que fica chuva durante a semana, o frio é chato e ainda mais com chuva!” As pessoas queixam-se vezes sem conta, mas nada vai mudar. Temos de aturar mais uma semana de frio e chuva, e esperar pelo sol e pelo bom tempo que há-de vir. Contudo, não estou optimista: aqui, o sol traz aquela humidade tão característica da primavera. Isso faz-me lembrar de como é a primavera em Portugal, especialmente nas cidades do sul. Mesmo tendo sol ou chuva o tempo não chateia tanto, porque não há humidade. Isso é o mais importante. Mas as saudades entram sempre em confronto com a realidade. Estamos em Macau e temos de nos habituar a este tempo Asiático. Apesar de ser um gato, prefiro viver num tempo bom, sem chuva e humidade. Fico mais activo e durmo menos. A única coisa que posso é ficar aqui na redacção com os colegas e dormir num ambiente quente. Não sou abandonado e tenho sempre comida. Isso significa não enfrentar este frio, o que é mesmo bom. Miau!

SAVING MR.BANKS [B] Um filme de: John Lee Hancock Com: Tom Hanks, Emma Thompson, Colin Farrel, Paul Giamatti 17.45 SALA 3

THE LEGO MOVIE [A] (FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Phil Lord, Chris Miller 14.00, 20.00

THE BOOK THIEF [B] Um filme de: Brian Percival Com: Sophie Nelisse, Geoffrey Rush, Emily Watson 15.50, 21.50

THE LEGO MOVIE [3D] [A] (FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Phil Lord, Chris Miller 18.10

Porco ‘tarado’ vira caso de polícia • Um caso inusitado. Um porco ‘tarado’ foi responsável por movimentar quatro oficiais da polícia na pacata cidade de China, no Maine (EUA). A vizinha dos donos do porco ouviu tanto barulho para o lado da casa dos donos do porco que pensou estar ali a ser cometido algum crime. Foi então que chamou a polícia. Os próprios policias adiantaram que a vizinha lhes ligou pois ouviu gritos e chamou-os logo acreditando tratar-se de um caso de violência doméstica. Chegados ao local, porém, os agentes da autoridade verificaram que se tratava apenas de um porco muito excitado. Segundo o dono do animal, que recebeu amigavelmente os polícias, o porco estava excitado pelo fato de ter sido colocado num espaço com outras quatro porcas.

Cão da polícia é demitido por ser considerado preguiçoso OPHILIA BLEDSOE, EMBAIXADORA AUTOMÓVEL Ophilia ‘Latoya’ Bledsoe é uma das mais belas manequins afro-americanas, com origem porto-riquenha. Estamos a falar da maior embaixadora da indústria automóvel nos EUA. Amante de todos os desportos motorizados, Ophilia tem sido, nos últimos anos, a musa a mediática prova de 500 milhas de Indianápolis. Ela, mais que ninguém na região (é natural de Indiana) mantém a economia em movimento em Marion County. Em 2001, ganhou um concurso (não do melhor corpo), mas de melhor e mais belo cabelo. Ninguém dúvida, mas certamente que poderia entrar como candidata a vencer outras áreas corporais.

• Mais uma paródia norte-americana. Fred foi demitido da polícia de Gulfport (Mississippi, EUA). Não se trata de um policia humano, mas um cão. O K-9 foi afastado por se mostrar “preguiçoso” durante o serviço de patrulhamento e foi devolvido à K-9 Unlimited, dedicada à formação de cães policias, em Kaplan (Louisiana). A polícia de Gulfport havia contratado os serviços de Fred pelo equivalente a 90 mil patacas há dois anos atrás. Em serviço, Fred preferia ficar a brincar com latas de refrigerantes. ”Receberemos de volta parte do dinheiro quando devolvermos o cão”, disse o chefe de polícia Leonard Papania, de acordo com o “Sun Herald”. Mas se o cão não serviu para a polícia de Gulfport já o Gabinete do Xerife do Condado de Harrison manifestou interesse nele.

fonte da inveja

Finda a luta de classes, assistimos a lutas sem classe nenhuma.

João Corvo


OPINIÃO

hoje macau terça-feira 11.2.2014

Ricardo Jorge Pereira Antropólogo

Após a saída das autoridades portuguesas de Macau, em Dezembro de 1999, depois de 442 anos, os políticos de Macau – e os de Pequim – decidiram que a ‘herança’ deixada deveria ser preservada.

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ONFIRMOU-ME, há poucas semanas, através da rede social Facebook, uma colaboradora da Casa de Portugal em Macau, a justeza do facto de que as autoridades políticas de Macau têm, desde 20 de Dezembro de 1999 (data da criação da Região Administrativa Especial do antigo território ocupado pelos portugueses), acarinhado, protegido e estimulado a sua herança lusófona. - É muito verdade, escrevia. Mas, a que se deve tal conduta? Há que recordar, desde já, que, com a saída do aparelho burocrático português de Macau, este voltou a tornar-se, oficialmente, pelo menos, parte integrante da naçãochinesa. Como descreveria, anos mais tarde, o arquitecto Carlos Marreiros, um território chinês administrado por portugueses passa para um território chinês administrado por chineses. Ora, a República Popular da China decidiu ‘capitalizar’ ao máximo esta reintegração em, sobretudo, dois planos que, sendo distintos, se complementam e completam. Capitalização essa que, segundo o advogado Miguel de Senna Fernandes, estaria já definida muito antes da chegada daquela data: isto, para Macau teria já sido pensado há bastante tempo, mesmo muito antes da transferência da soberania porque as coisas não acontecem assim por acaso…, explicou, numa entrevista televisiva. Os chineses não têm estratégia de curto prazo, acrescentou. Efectivamente, o já oficialmente designado (mas ainda antes de tomar posse) chefe do executivo de Macau, Edmund Ho Hau Wa, apressara-se a garantir que a presença portuguesa não seria, pura e simplesmente, “apagada” do passado do território. Ao invés, ela contribuiria, também, para o desenvolvimento da economia do território e, portanto, para o desenvolvimento integrado de Macau. Era este o primeiro plano. Sendo Macau, entre as 22 províncias, as 5 regiões autónomas, os 4 municípios directamente dependentes do governo central e

TIAGO ALCÂNTARA

A identidade lusófona de Macau

Tal particularidade lusófona tem permitido à Região Administrativa Especial de Macau e, pois, à República Popular da China, a ‘aproximação’, em diversos domínios como o económico, o cultural, o social ou o desportivo, a regiões e a países do globo que tiveram uma mais vincada relação histórica com Portugal a outra região administrativa (Hong Kong, seu vizinho no delta do rio das Pérolas) que compõem o esquema político da China e os mais de 1300 milhões de seres humanos que a habitam, pouco compreendido e, de acordo com alguns estudiosos versados no império do meio, pouco conhecido mesmo dentro do próprio país, restava às autoridades políticas de Pequim instarem as suas homólogas de Macau ao aproveitamento de uma parcela da sua identidade como forma de diferenciação e especificidade. E se, até há poucas décadas, fruto de migrações de zonas mais ou menos próximas, poucos, de entre o meio milhão de residentes em Macau, daí eram naturais, o que implicava um menor interesse e uma menor participação na condução dos destinos da vida quotidiana do território, hoje, pelo contrário, continuamos a assistir a uma mudança progressiva deste cenário o que tem levado a que os próprios cidadãos de Macau assumam como benéfico, perante si mesmos e perante os chineses de todas as outras partes da China, a preservação da memória, material e imaterial. Como quem diz: “nós, os de Macau, somos diferentes de vocês, compatriotas chineses, porque temos aqui, também, as ruínas da igreja de S. Paulo, a calçada portuguesa, a azulejaria, a língua portuguesa…”. Havendo que se lhes juntar, nas palavras do arquitecto Pereira Chan, a tolerância, o humanismo e a convivência pacífica.

Assim, não por acaso (porque, como chegou a registar o jornalista José Pedro Castanheira, os turistas formavam um impressionante mar de gente que exprimia ruidosamente a sua curiosidade, a sua admiração e o seu encanto perante uma arquitectura nunca vista), o número de turistas em Macau tem-se aproximado, nos últimos anos, dos 30 milhões e gerou, em 2012, nas contas da Organização Mundial de Turismo, mais de 30 mil milhões de euros. No plano externo, a lógica tem sido semelhante. Tal particularidade lusófona tem permitido à Região Administrativa Especial de Macau e, pois, à República Popular da China, a ‘aproximação’, em diversos domínios como o económico, o cultural, o social ou o desportivo, a regiões e a países do globo que tiveram uma mais vincada relação histórica com Portugal. Isto é, ao Brasil, aos países africanos de língua oficial portuguesa e a Timor-Leste. Por isso, eventos vários como o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (ou, muito simplesmente, o “Fórum Macau”), o Fórum China-América latina, a Festa da Lusofonia, a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, o festival literário de Macau Rota das Letras ou os Jogos da Lusofonia, cuja importância – simbólica e palpável – tem vindo, paulatinamente, a crescer, continuam a lembrar,

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segundo alguns, nos nossos dias, também, como o comentador Pedro Cid dizia, há dias, numa rádio, que Portugal é uma mais-valia no mundo. Assim saiba Portugal – e saibamos nós, portugueses – cuidar tais sementes que, em Macau e noutros lados, têm germinado com uma força incrível até porque nem sempre (quase nunca?) foram aqueles a deitarem-nas na terra… Sem falsos moralismos ou bacocos sentimentos neo-coloniais. Por tudo o que foi já escrito, não cremos que reduzir tais fluxos, de gente, de vontades e de dinheiro, ao jogo seja exacto e academicamente honesto. Nem que apelidar Macau de “gigantesco casino” (apesar de existir um destes locais de jogo por cada quilómetro quadrado do território) como, não raras vezes, leio sobre Macau, seja a melhor descrição que se pode utilizar para o descrever: não escondendo que o jogo tem, em Macau, uma fortíssima presença económica e social (com receitas que já ultrapassam em 5 vezes as dos casinos da norte-americana Las Vegas) e que, assim, condiciona, em maior ou menor grau, o panorama cultural e desportivo que se vive, por estes dias, no território, não restringe a realização das actividades mencionadas (e muitas outras). Bem pelo contrário, fomenta-as e projecta-as. No interior da China e para além das suas fronteiras. Tudo parece, pois, apontar para o realismo da meta traçada por Pequim de transformar o delta do rio das Pérolas na zona mais dinâmica da Ásia até 2020. Ainda que admita que alguns, por esse mundo fora, não se tenham, ainda, dado conta do que é – e, sequer, onde se localiza – Macau… - Where the hell is this Macau? [onde é que fica isto, Macau?], perguntava, há meses atrás, o líder da banda britânica de música, Rolling Stones, Mick Jagger que dará, no próximo mês de Março, um concerto no território.

MARCHA DE LISBOA EM MACAU

O artigo oitavo do acordo de cooperação na área da educação e da cultura entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau, assinado em Lisboa em Junho de 2001, estipulava que cada um dos signatários convidaria instituições culturais da “outra parte” para participar em eventos por si organizados – como fotográficos ou musicais, por exemplo – de forma a promover um maior e melhor conhecimento recíproco das respectivas culturas e tradições. Assim, a marcha lisboeta (tradição alfacinha que decorre, anualmente, durante as festas da cidade, em Junho) representada pelo bairro de Alfama, vencedora, em 2013, do desfile realizado em Lisboa, actuou nas cerimónias, em Macau, de celebração no novo ano chinês do cavalo.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau terça-feira 11.2.2014

Irão Ameaças aos EUA continuam

Adensa-se o clima de tensão entre as hostes iranianas no que concerne à relação com os Estados Unidos, desta feita com uma ameaça directa de um ataque a um navio norteamericano. “Quando num confronto naval com um navio norte-americano este afundar e levar consigo cinco mil pessoas para o fundo do mar, aí vão compreender o nosso poder”, disse o contra-almirante Ali Fadavi, citado pela agência Fars. Fadavi, que comanda a Força Naval do Corpo de Guardiões da Revolução do Irão, revelou ainda que “não há nenhum lugar onde [os norte-americanos] se possam esconder”, adianta a agência EFE. Esta ameaça segue-se às declarações do almirante Afshin Rezayee Haddad, que, citado pela agência noticiosa Fars, fez saber que “a Armada iraniana está-se a aproximar dos limites marítimos dos Estados Unidos”, alegando que esse movimento “leva uma mensagem”. Haddad, que comanda a Frota Norte da Armada do Irão no mar Cáspio, assegurou que embarcações de guerra iranianas têm ordens para rumar aos Estados Unidos e se posicionarem na sua fronteira marítima.

por Stephff

ALPINA

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA PROPOSTA SERÁ ENTREGUE EM “CURTO PRAZO”

Governo pretende ver “reforçado poder público” RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

A Clima Obama e Hollande pedem “acordo ambicioso”

Os Presidentes Barack Obama e François Hollande defendem um acordo ambicioso sobre o clima, num documento publicado ontem nos jornais Washington Post e Le Monde. “Enquanto preparamos a conferência sobre o clima, a realizar em Paris no próximo ano, continuamos a apelar a todos os países para que se associem ao nosso objectivo de um acordo mundial ambicioso para a redução das emissões de gases com efeito de estufa através de medidas concretas”, escrevem Barack Obama e François Hollande num texto publicado nas páginas de Internet, no dia que o presidente francês visita os Estados Unidos.

Colômbia Jornalistas que cobrem processo com FARC espiados

cartoon A TROMPA

S promessas já se fazem há muito. Porém, o Governo recusa-se a avançar com uma data sobre a entrega da “Lei de prevenção e correcção da violência doméstica” à Assembleia Legislativa, depois de passar pelas mãos do Conselho Executivo. O Instituto de Acção Social (IAS) disse ao HM que “está a proceder de formar activa à revisão final do texto da proposta de lei” para que possa ser “entregue a curto prazo à entidade competente”. Sem calendário em mãos sobre o processo legislativo do diploma, o organismo tutelado por Iong Kong Io disse que se procedeu a uma “melhoria do texto da referida proposta

de lei”, por exemplo, no que toca ao reforço sobre a intervenção do poder público. No entanto, o IAS não exemplificou de que formas. “Foram consideradas, nomeadamente, as características do comportamento da violência doméstica, tendo sido devidamente adaptadas as disposições para o apuramento das responsabilidades criminais, bem como aprofundado o conteúdo relativo às medidas de protecção, na esperança de que possa ser reforçada a intervenção por parte do poder público nos casos de violência doméstica e seja dada protecção às vítimas, prevenindo-se a repetição da violência doméstica”, explica uma resposta enviada pelo IAS ao HM. O organismo fez saber ainda que, nestas alterações, “foi subli-

nhada a criação do mecanismo regular e de cooperação, a fim de que através da cooperação entre os diversos Serviços e instituições pertinentes, os casos de violência doméstica possam ser tratados por diferentes vias”. Recorde-se que o IAS deu a conhecer, em Setembro passado, que não haveria nova consulta pública sobre a proposta de lei que defende a violência doméstica como crime semi-público, ainda que várias vozes na sociedade (incluindo, deputados, associações e organizações não-governamentais) digam que esta é matéria para crime público. À data, o IAS acrescentou ainda que, de acordo com o Código Penal, não eram poucos os crimes envolvidos em violência doméstica que caem na definição de crime público, no caso ofensas a menores ou ofensas graves. No entanto, as ofensas leves manter-se-ão dependentes da vontade e queixa da vítima. Também responsável sobre os trabalhos relativos a este diploma, o director dos Serviços para os Assuntos de Justiça, André Cheong, disse em Novembro último que o processo legislativo da proposta de lei já estaria na fase final e seria apresentado em breve.

Os jornalistas, colombianos e estrangeiros, que acompanham o diálogo de paz do Governo com a guerrilha das FARC foram espiados pelo exército colombiano, que chegou a interceptar mais de 2 600 correios electrónicos. A notícia é avançada pela estação de televisão Univisón, que refere uma investigação levada a cabo pelo jornalista colombiano Gerardo Reyes e pelo venezuelano Casto Ocando, onde estes descobriram que “piratas da inteligência militar colombiana” acederam às comunicações entre jornalistas e porta-vozes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em Cuba. Os e-mails interceptados, a que a Univision teve acesso, “incluem mais de 2 600 comunicações entre Hermes Aguilar e Bernardo Salcedo ambos porta-vozes das FARC em Cuba - com jornalistas de agências de notícias internacionais como a AP, Reuters, Notimex, Prensa Latina, Efe, DPA, e AFP”. “As mensagens de correio electrónico incluem pedidos de entrevista e informação em geral aos membros das FARC que tomam parte da delegação das conversações de paz em Cuba”, informou ainda a Univisión.

Índia Homem com “cauda” é considerado um deus hindu

Chandre Oraon, indiano de 35 anos, está a ser tratado como um deus em Alipurduar, Índia, depois de ter deixado crescer, na parte mais em baixo das costas, uma cauda. Os pelos naquela zona atingem quase 37 centímetros, com a comunidade local a considerar que Chandre é a encarnação do deus-macaco hindu Hanuman. Chandre alegou à emissora Barcroft TV que tem a cauda desde que nasceu. Mas não é só devido à cauda inusitada que Chandre é considerado um ser divino. O homem recolhe folhas para chã de árvores altas e trepaas como um macaco, dando força à teoria popular que o diviniza. Monika Lakda, uma mulher que o procurou, diz ter sido tocada pela divindade de Chandre. A mulher explicou que atravessou parte da Índia para lhe pedir ajuda devido ao facto de o sobrinho ter uma febre que os medicamentos não curaram. “Vim ter com Chandre e a criança melhorou logo a seguir”, disse Monika à Barcroft TV.


Hoje Macau 11 FEV 2014 #3027