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Agência Comercial Pico • 28721006

hojemacau Mop$10

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Director carlos morais josé • sexta-feira 11 de fevereiro de 2011 • ANO X • Nº 2307

opinião

tempo muito nublado min 12 max 17 humidade 55-95% • câmbios euro 11.06 baht 0.26 yuan 1.23

Pereira Coutinho

Jorge R. Simão

Carlos M. José

• P.15

• P.14

• P.13

TDM, ETAR, A bondade O tempo AIR MACAU da ciência que nos e o METRO hoje falta

Assembleia Legislativa | Meses seguidos sem trabalhar

Porta bem trancada São férias, feriados, participações em encontros nacionais e regionais, todos os pretextos são bons para encerrar a Assembleia Legislativa e suspender os trabalhos do mais importante órgão político de Macau. E se alguns deputados nada encontram de estranho ou indesejável nesta bizarra situação, outros começam a levantar a voz contra tanta inércia. O Hoje Macau foi ouvi-los. > Página 4

Ministério Público discrimina jornais portugueses O Ministério Público entregou o seu balanço anual à imprensa chinesa, desprezando os jornais portugueses, o que contraria a Lei Básica e a própria Ética. Fernando Gomes, do Conselho das Comunidades Portuguesas, e Paulo Azevedo, da Associação de Jornalistas, explicam como estas atitudes não devem acontecer e contrariam mesmo as ordens perfeitamente dadas por Pequim. > Página 6

Air Macau

mais demissões entre os pilotos • última

h

Hoje temos razões para ler este jornal

• oitava letra do alfabeto latino; • nalgumas línguas, perdeu o som, não é vogal nem consoante, habita o espaço do texto, com funções breves de sinalização; • por carácter e definição, a mais diacrítica de todas as letras; • letra de vocalização aspirada noutros linguajares, por vezes agressiva, doutras maneirista e suave, eventualmente arrebatadora; • a mais abstracta de todas as letras; • símbolo químico do hidrogénio, o mais primordial dos elementos; • Hermes, Homem, Honra, Hora e Hoje, escrevem-se com “H”;

• é um suplemento do Hoje Macau

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Miguel Gomes da Costa Júnior, professor da Umac

Acesso das crianças à internet tem de ser vigiado • CENTRAIS


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actual Desejo da classe média chinesa passa por andar de avião

Só quero voar para longe daqui Associação divulga vídeo de Chen Guangcheng Um vídeo do advogado e activista chinês Chen Guangcheng que está em prisão domiciliária desde a sua libertação da prisão em 2010 foi colocado online depois de filmado secretamente. O vídeo foi lançado pela China Aid Association, com sede nos Estados Unidos, na quinta-feira e a associação garantiu que as imagens foram entregues por “um amigo anónimo do Governo da China” que dizem estar aborrecidos com a forma como Chen Guangcheng e a sua família estão a ser tratados pelas autoridades. Chen Guangcheng é invisual, advogado autodidata e foi preso em 2006 depois de revelar abortos e esterilizações forçadas e outros abusos na comunidade rural do país. O nome de Chen Guangcheng foi mencionado por Hillari Clinton num discurso pouco antes da visita do presidente chinês Hu Jintao aos Estados Unidos em Janeiro.

Proibida distribuição de panfletos sobre Egipto As autoridades policiais do sudoeste da China impediram que militantes dos direitos humanos distribuíssem panfletos com informações sobre os protestos na Tunísia e no Egipto. Os grupos tentaram distribuir os panfletos na cidade de Guiyang, na província de Guizhou, mas foram impedidos contra argumentos de que “o momento era inapropriado” para essas acções. Um dissidente alertou ainda as agências noticiosas de que as autoridades ofereceram 3.000 yuans aos militantes, de forma a compensar os gastos de impressão dos panfletos.

Com mais tempo para actividades de lazer, famílias chinesas fazem mais compras em centros comerciais, jantam em restaurantes e viajam de avião

H

á duas coisas que a jovem chinesa Cui Yingjing, de 25 anos, não dispensa. A primeira é comprar roupas. “A minha última aquisição foi uma calça e uma camisola, que comprei no centro comercial por 400 yuans”. A segunda é viajar. Cui namora com um alemão, que trabalha em Xangai, e juntos costumam passear pela China e por países vizinhos, pelo menos duas vezes ao ano. “Agora, estou a poupar para comprar uma passagem aérea para Macau, que custa em torno de 600 yuans na Ctrip, o lugar mais barato para se comprar passagens aéreas.” Diferente dos seus pais, Cui – que prefere ser chamada de Poka, o nome que escolheu para o mundo ocidental – terminou o

ensino superior. Estudou finanças e agora trabalha numa empresa de consultoria internacional. Para se destacar, tenta ser a mais eficiente da equipa e, para isso, trabalha pelo menos dez horas por dia. Assim como a maioria dos jovens de sua idade, Poka não tem irmãos, já que o Governo chinês implementou, em 1978, a política de um único filho para as famílias. Sozinha, Poka é responsável pela maior parte da renda de casa. Graças a ela, a família Cui tem uma renda mensal de aproxima-

damente 15 mil yuans e faz parte da classe média chinesa. Os pais de Poka são reformados e vivem com uma pequena ajuda de custo do Governo e com uma poupança que juntaram quando trabalhavam. Habituados a poupar, educaram a filha a fazer o mesmo, e cerca de 20% da renda familiar é guardada. “Antes os meus pais deixavam o dinheiro em casa. Mas, como estudei finanças e conheço bem o sistema financeiro, agora colocamos numa aplicação bancária.”

Os Cui não têm carro e não consideram necessário ter um veículo próprio, uma vez que o transporte público de Xangai é bastante eficiente. Com autocarros e metro, gastam 1500 yuans por mês. “Quando saio muito tarde do trabalho, apanho um táxi. Como é muito longe, o trajecto custa em torno de 40 yuans”, diz Poka. A alimentação fica com 2300 yuans do bolo de rendimentos, já a contar com jantares fora de casa, que passaram a ser mais frequentes desde que Poka começou a trabalhar. “Antes não tínhamos tantos momentos de lazer. Hoje gostamos de ir mais a restaurantes pelo menos duas vezes por mês.” No dia-a-dia, os pais costumam distrair-se a limpar a casa, a passear por centros comerciais e a visitar amigos. Ocasionalmente, vão aos templos budistas. Todas as manhãs, sem excepção, vão ao parque mais próximo de casa para fazer tai-chi. “Divirto-me mais com os meus amigos, a ir ao cinema e a fazer compras”, diz Poka. Sempre que pode entra na loja da Lâncome, marca francesa de cosméticos. “Não é sempre que posso. Mas quando me sobra algum dinheiro, compro cremes para clarear a pele”, diz a jovem.

Política monetária e cambial da China é ineficaz, diz Fed

Tio Sam dá puxão de orelhas a Pequim O

presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, considerou ontem “ineficaz” a política cambial e monetária da China e pediu a valorização da moeda chinesa. Durante uma audição na

Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes, o líder da Reserva Federal (FED) declarou que o yuan está “subavaliado” e que “seria do interesse” da China e dos EUA que “reapreciassem a moeda”.

FALEcIMENTO

Leonel Zilhão Aires da Silva Barros Faleceu no passado dia 31 de Janeiro na sua terra natal, deixando os seus familiares, irmão, Mário Edmundo Barros e sobrinhos, Mário António Mendes Barros e Marina de Fátima Mendes Barros e ainda o sobrinho neto Clodoaldo Barros. A missa de corpo presente seguida de funeral celebra-se no próximo sábado dia 12 no Cemitério e Capela de S. Miguel Arcanjo. Paz à sua alma

Estimou que, “desta forma, ajudariam a resolver o problema da inflação”, em vez de terem “uma política ineficaz, tanto para eles como para nós [EUA]”, a qual “contribuiu para os fortes desequilíbrios, em termos de contas correntes, que se verificam no mundo”. “Passa-se algo que, de algum modo, é verdadeiramente surpreendente: eles têm um problema de inflação, o qual atacam, mas não aumentam o valor da sua moeda por isso reduzir a procura das suas exportações”, afirmou.

Acrescentou ainda que, “em vez disso, procuram reduzir a procura interna, aumentando as taxas de juro”. Isto é o que fazem habitualmente a Fed e bancos centrais de outros países desenvolvidos para lutar contra a inflação, mas Bernanke aconselha uma “estratégia melhor” aos chineses: “Deixem a procura interna ser o que ela é e as pessoas beneficiarem de um melhor nível de vida na China e reduzam as suas exportações com a aumento da taxa de câmbio do yuan.” Os confrontos entre a

China e os EUA sobre as questões relativas à sua política monetária e cambial são frequentes. Os norteamericanos acusam os chineses de serem responsáveis pelo colossal défice comercial dos EUA, devido à subvalorização do iuan, que favorece os produtos chineses nos mercados internacionais. A China, para quem a valorização do yuan deve ser vista como um processo de longo prazo, acusa, por sua vez, os EUA de terem pervertido o sistema monetário internacional e interroga-se sobre a predominância do dólar.


Foi há mais de dois anos que na Assembleia Legislativa comecei por alertar para os graves problemas em torno da TDM, enquanto meio de comunicação social de utilidade pública, cuja passagem a empresa totalmente pública agora se discute e prepara. Finalmente, o Governo decidiu agir, mas algumas das minhas preocupações persistem. José Pereira Coutinho, P.15

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Risco de cancro em Pequim cairia com controlo anti-poluição

“Chinese Trade Center” em vila do conde

Uma política muito perigosa

Invasão chinesa

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s controlos de poluição colocados em prática em Pequim durante os Jogos Olímpicos de 2008 reduziriam para metade o risco de cancros do pulmão na cidade, se fossem permanentes, segundo um estudo agora divulgado. Investigadores da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, e da Universidade de Pequim, na China, avaliaram a concentração de 17 compostos carcinogénicos e o correspondente risco de cancro, caso a população estivesse permanentemente exposta a estas substâncias. O estudo comparou a situação normal de Pequim com a que se verificou durante os Jogos Olímpicos, quando foram adoptadas medidas para conter a poluição atmosférica. Com o ar mais limpo, o risco de cancros reduzir-se-ia em 46 por cento, segundo o estudo, publicado na revista Environmental Health Perspectives. pub

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A área metropolitana de Pequim tem uma população de 22 milhões de habitantes. O número de automóveis está a crescer 13 por cento ao ano. A qualidade do ar é ainda comprometida pelas emissões das chaminés das centrais termo-eléctricas a carvão. Os compostos analisados no estudo – os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos – estão ligados à utilização de combustíveis fósseis,

especialmente em indústrias com tecnologias antigas, sem medidas adequadas anti-poluição. Segundo estimativas do Banco Mundial, a poluição do ar na China custa ao país 3,8 por cento do seu PIB. “Isto sem dúvida constitui uma preocupação sanitária que merece toda a atenção da China, do Governo e do público”, disse Yuling Jia, um dos autores do estudo, citado agência France Presse.

comunidade chinesa vai instalar-se, com lojas e armazéns, no projecto imobiliário Mindelo Park, a edificar nas antigas instalações da antiga fábrica Mindelo, em Vila do Conde, Portugal. Segundo o presidente da Liga dos Chineses em Portugal, a comunidade pretende estabelecer-se “não só com lojas, armazéns e restaurantes, mas também com uma unidade hoteleira”. “Vamos ter o que de melhor se faz na China e captar mais investimento chinês”, frisou Y Ping Show. Os produtos serão “de marca chinesa, com qualidade superior ao que se está habituado a ver em Portugal, mas vendidos a preços acessíveis”, explicou. Roupas, electrodomésticos e produtos electró-

nicos são algumas das áreas de mercado que pretendem desenvolver no Mindelo Park, à semelhança do que é feito em “França e Itália”. Com esta “pequena China”, também vocacionada para o turismo, os chineses pretendem “dar mais um passo para a integração, elevar a qualidade dos produtos comercializados e fomentar riqueza”, sublinhou o líder da Liga. O Mindelo Park, apresentado aos jornalistas em 2009, vai ocupar a área das antigas instalações da fábrica Mindelo que fechou portas há mais de 12 anos. A primeira fase do projecto arranca em Março, com a construção de infra-estruturas e mais de uma dezenas de empresas, que vão abrir ao público até Dezembro.


política

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AL | Comissões paradas, reclamações aos molhos

Filipa Queiroz

F

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

érias, feriados, negócios paralelos ou participação em assembleias regionais e nacionais fora de Macau. São motivos apontados para a ausência de legisladores na Assembleia Legislativa (AL) enquanto comissões ficam paradas e diplomas mantém-se em banho-maria. A última reunião plenária realizou-se no dia 12 de Dezembro de 2010 e há comissões paradas há quase ano e meio. Há quem reclame que os assuntos de Macau são deixados para segundo plano.

Sem plenário

Recuando um pouco até às sessões legislativas anteriores, em nenhuma se repetiu um período tão espaçado entre plenários na AL. Na quarta sessão da terceira legislatura, entre Setembro

Deputados aos papéis

A Assembleia Legislativa deve realizar a primeira reunião plenária em dois meses na próxima semana. Deputados queixam-se de falta de periodicidade e inoperância das comissões de 2008 e Outubro de 2009, apenas em Setembro não se realizou qualquer plenário, sendo que nos meses anterior e seguinte houve dois. Em Janeiro e Fevereiro fizeram-se seis. Já na primeira sessão legislativa, referente ao período de 2009/2010, num total de 38 plenários, cinco deles foram nos meses de Janeiro e Fevereiro não se verificando nenhum com zero registos. Actualmente, a AL não realiza um plenário desde o dia 15 de Dezembro, há quase dois meses.

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HM-1ª VEZ

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11-02-2011

Execução Ordinária n.º CV2-10-0074-CEO

Jason Chao, presidente da Associação Novo Macau, diz que “espera que o presidente [da AL, Lau Cheok Va] exerça o seu poder para resolver a situação” da lentidão das acções legislativas, que pode ser atribuída ao facto de “muitos legisladores trabalharem em ‘part-time’, terem os seus negócios e pertencerem ao Conselho Nacional”. José Pereira Coutinho, deputado eleito por sufrágio directo, diz que “devido a funções acessórias que exercem, os membros da AL têm tendência para remeter os assuntos de Macau para segundo plano”. “As comissões não funcionam”, reclama, salientando que a situação constitui uma problema grave, já que “é a pub

2º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A.. Executado: CHOU CHEONG KUAI, de sexo masculino, com última residência conhecida na Rua Fernão Mendes Pinto, nos 613-625, edf. Va Nam San Chun – Va Fat Un, 4º andar A, Taipa, Macau, ora ausente em parte incerta. *** Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando o executado, para no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar à exequente a quantia de sessenta mil trezentas e doze patacas e quarenta avos (MOP60.312,40) e legais acréscimos, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazendo, ser devolvido à exequente o direito de nomeação de bens à penhora, seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso sejam deduzidos embargos. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 2º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. Macau, aos 01 de Fevereiro de 2011. ***

partir das comissões que se trabalha”. Ambos referem o caso flagrante de duas comissões “paradas há anos”, nomeadamente a Comissão de Regimento e Mandatos e a de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública. De acordo com os registos oficiais, na sessão legislativa de 2009/2010 não houve qualquer reunião destas duas comissões, nem da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas. Desde a última sessão plenária, tiveram lugar na AL seis comissões permanentes, três delas versaram sobre a análise e discussão da proposta de lei da “Alteração ao Regulamento da Contribuição Predial Urbana”.

“Está tudo em banhomaria”, aponta Pereira Coutinho. Jason Chao diz que o desejo da Associação Novo Macau era “que a população pudesse eleger alguém que zelasse pelos seus interesses a tempo inteiro, já que não há lei que obrigue a isso”. Os democratas fizeram recentemente o pedido aos deputados da Assembleia Popular Nacional (APN) em Macau para aproveitarem a reunião com os membros do comité nacional na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e defender o sistema de um voto por eleitor em futuras eleições. Os democratas apoiam a viragem de Macau para a democracia, através da introdução do sufrágio universal na eleição do Chefe do Executivo e reformas estruturais na AL. Au Kam Sam, deputado eleito por sufrágio directo e membro da Novo Macau, diz que “as chamadas para plenário na AL não são adequadas” e que “dependem do presidente, que é quem tem a autoridade para o fazer” e compara a periodicidade dos plenários com o caso de Hong Kong, onde “são semanais” e “há mais espaço para assuntos sociais”. Au Kam Sam defende que os legisladores de Macau são “completamente passivos” e que as reuniões são “preenchidas apenas com propostas de lei e moções”.

Interpelando eu vou

As listas vão aumentando. Só em 2011, os deputados da AL já apresentaram 48

interpelações escritas sobre a acção governativa. Quatro são de Coutinho e outras quatro de Au Kam San. No lado das interpelações orais figuram nove desde o dia 1 de Janeiro os dois deputados são autores de uma cada. No caso das interpelações orais, o Governo tem o dever de responder pessoalmente aos deputados no Hemiciclo, e no caso das escritas deve responder pela mesma via. “É aí que está o maior problema, o Governo nunca responde de forma directa, transparente e aberta às questões”, defende Pereira Coutinho, que dirigiu esta semana uma interpelação sobre isso mesmo ao Executivo. O deputado acusa o Governo de “fugir às perguntas”. “É por isso que tenho cinco interpelações sobre o mesmo assunto”, diz. Ng Kwok Cheong também se queixou recentemente de já ir na quarta interpelação sem que o Governo convocasse uma reunião extraordinária. “É para entupir o corredor, como nas corridas, assim impede a ultrapassagem”, atira Pereira Coutinho. De acordo com o legislador, a próxima reunião plenária já está agendada para o dia 17, mas será dedicada aos novos diplomas. Há três propostas de lei admitidas na AL mas ainda não distribuídas às comissões. A saber, a “Alteração ao Regulamento do Imposto do Selo e à composição das Comissões de Revisão”, a “Actualização dos vencimentos e pensões dos trabalhadores da Administração Pública” e o “Regime do subsídio de invalidez e dos cuidados de saúde prestados em regime de gratuitidade aos portadores de deficiência”. As interpelações orais dos deputados vão ter de esperar, provavelmente, pelo final da reunião anual da APN. O maior acontecimento da agenda política da China, depois dos congressos quinquenais do Partido Comunista, está agendado para 5 de Março, em Pequim. O Hoje Macau tentou contactar outros deputados para obter comentários sobre o assunto, mas não foi possível obter quaisquer reacções devido ao facto de se encontrarem ausentes do território no momento.


Estacionamento vai aumentar 30% ainda este ano

Estacionar o carro vai ficar mais caro em Macau. A tendência começou a meio de 2010 e tende a agravar-se cada vez mais este ano, com os espaços de estacionamento privados a aumentarem em cerca de 30%. Segundo o jornal Ou Mun, as empresas responsáveis pela exploração deste sector e as agências imobiliárias acreditam que a taxa de inflação possa mesmo ultrapassar o crescimento de veículos que se tem sentido no território, onde o ano passado se registou quase 200 mil automóveis a circular. Depois das medidas do Governo para acalmar a subida dos preços do imobiliário serem consideradas barreiras aos investimentos na área, a sujeição ao aumento dos valores terá sido transportada para os espaços dos carros, que podem vir a ser mais caros em quatro a seis patacas.

O

Governo pediu explicações à Sociedade de Jogos de Macau (SJM) sobre a transferência de acções na família de Stanley Ho e vai aguardar pelo fim da disputa familiar para agir, disse ontem à agência Lusa fonte oficial. “Perante as notícias publicadas, o Governo enviou um ofício à Sociedade de Jogos de Macau, que explicou o sucedido, referindo que a situação não era clara, tendo, por isso, enviado uma carta à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) à qual não obteve ainda resposta”, explicou. Ao salientar que a “SJM aguarda as instruções da STDM” - a accionista maioritária, com 55,7% de participação através da subsidiária STDM – Investments Limited -, a mesma fonte referiu que o “Governo nada fará até a situação ficar clara e a disputa no seio da família de Stanley Ho se resolver”. Num e-mail enviado à Lusa, o gabinete do Secretário para a Economia e Finanças de Macau referiu que a “Direcção de Inspecção e Co-

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Governo aguarda pelo fim da disputa sobre a fortuna de Stanley Ho para agir

Venham de lá essas explicações ordenação de Jogos não recebeu até ao momento qualquer notificação da SJM sobre a transferência de acções, estando o desenvolvimento do caso a ser acompanhado de forma cautelosa”. A SJM está, segundo o contrato de concessão de jogo assinado em 2002, obrigada a “sujeitar a autorização do Governo a transmissão entre vivos, a qualquer título, da propriedade ou outro direito sobre participações sociais (…) quando estas correspondam, directa ou indirectamente, a um valor igual ou superior a 5% do capital social”. O director executivo da SJM, Ambrose So, disse recentemente que a disputa pela divisão da fortuna de Stanley Ho, de 89 anos, “não tem efeito sobre a administração e gestão da operadora de jogo, tratando-se apenas de uma questão de como as acções serão

redistribuídas entre a família”. Em causa está a redução da participação de 100% para 0,02% de Stanley Ho na empresa Lanceford – que controla grande parte da sua fortuna avaliada em 3000 milhões de dólares - e o

aumento de zero para 99,98% de participação da terceira mulher do magnata, Ina Cha, e dos cinco filhos da segunda mulher, Lucina Laam - Pansy, Daisy, Maisy, Josie e Lawrence. Com a transferência de acções pessoais do bilionário, a

Lanceford passou a deter 31,6% das acções na STDM - a empresa-mãe da SJM, que controla mais de 30 por cento do mercado de jogo de Macau -, sendo o maior accionista individual da empresa. A operação foi conduzida em Dezembro alegadamente contra a vontade de Stanley Ho, que já a classificou como “algo parecido a um roubo”, dizendo querer distribuir equitativamente a sua fortuna pela família, que abrange três mulheres e 16 filhos. O magnata interpôs em Janeiro uma providência cautelar no Tribunal Superior de Hong Kong para impedir que as acções sejam transaccionadas alegando apropriação “imprópria e/ou ilegal” da Lanceford e ameaçou esta semana tomar “medidas apropriadas” caso os familiares não lhe devolvam as acções e interesses naquela empresa.


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sociedade Discriminação | Ministério Público sem traduções

Não ouviram Wen Jiabao? A batalha não é nova, mas também nunca conhece um fim. Ontem, mais uma vez, os meios de comunicação em língua portuguesa não tiveram acesso à informação do balanço anual das actividades do Ministério Público (MP) ao mesmo tempo que os chineses, só porque a tradutora do organismo estava de folga e não havia mais ninguém para passar a informação para português. Um capítulo que se repete dia após dia em vários departamentos públicos

Gonçalo Lobo Pinheiro

A

glp@hojemacau.com.mo

imprensa portuguesa foi excluída ontem do acesso à informação igualitário do balanço anual das actividades do Ministério Público (MP) em 2010. Os órgãos de comunicação chineses receberam no início da tarde de ontem a notícia, que rapidamente se difundiu na rádio e na televisão (ver caixa). A desculpa apresentada pelo MP foi a mesma que se ouve há anos: não há tradutores suficientes. Depois de muita insistência do Hoje Macau, o documento foi enviado à redacção às 22h20. O Hoje Macau tentou saber junto do MP o porquê desta situação e a assessoria respondeu dizendo que a tradução não estaria pronta devido ao excesso de trabalho. “O gabinete esteve muito ocupado durante o dia e o tradutor de serviço esteve de folga, pelo que foi necessário pedir ajuda a um tradutor de outro departamento”, disse a assessoria do MP. Ainda mais insólito foi o que veio a seguir. Segundo o MP, além da versão chinesa, estaria a sair a versão em inglês que, posteriormente, foi endereçada ao nosso jornal às 20h16 (ver caixa abaixo com a notícia). “Não pode acontecer. Isso é um lapso que demonstra um grande descuido. O MP, entidade que zela a ordem e o cumprimento das leis, tem de dar o exemplo”, afirmou

Fernando Gomes ao Hoje Macau. O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas lembrou os avisos do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que referiu, em Novembro durante o Fórum Macau, que o português é uma língua importante para o futuro de Macau e da China. “Esqueceram-se por completo dos avisos de quem manda. A Lei Básica de Macau diz que as línguas oficiais do território são o chinês e o português. Onde estão as dúvidas? Não se pode lançar nada para o domínio público que não esteja nas duas línguas, muito menos vindo de um organismo oficial”, criticou Gomes. Quem também não entende esta situação é Paulo Azevedo, presidente da Associação da Imprensa de Língua Portuguesa e Inglesa de Macau. Para o responsável, esta situação é “desagradável” e só vem confirmar “a falta de estruturas” no aparelho oficial do território. “Se calhar temos de lhes dar a ler a Lei Básica”, ironizou Azevedo. “Wen Jiabao já reiterou que o português é importante e se os tribunais não seguem a lei é, no mínimo, caricato e triste”, acrescentou. Paulo Azevedo deixa ainda no ar um desejo para os próximos tempos: “Esperemos que haja um reforço de todos os organismos administrativos em envidar esforços

para criar as condições necessárias tanto para o português como para o chinês, que são as duas línguas oficiais”. O Gabinete de Comunicação Social (GCS) referiu ao Hoje Macau que esse era um assunto que não lhes “dizia respeito directamente” e salvaguardou que todos os comunicados do Executivo “são lançados em versão bilingue como a lei obriga”. No entanto, reconhece que há falhas. “Por vezes, pode acontece outros departamentos não terem tradutores suficientes e enviam os documentos apenas em chinês”. Coisa que o GCS descarta por completo a sua responsabilidade, pois diz não ter como controlar a situação. Todos os

Paulo Azevedo, presidente da Associação da Imprensa de Língua Portuguesa e Inglesa de Macau | Esta situação é “desagradável” e só vem confirmar “a falta de estruturas” no aparelho oficial do território. “Se calhar temos de lhes dar a ler a Lei Básica”

dias notícias dos vários serviços do Governo são difundidas através do organismo apenas na versão chinesa, tendo a sua respectiva tradução para português, às vezes, um atraso de 24 horas. Adesculpa da falta de tradutores estende-se por todos os organismos. O Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP) e a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), por exemplo, estiveram envolvidos recentemente num desses casos que o GCS afirma acontecerem de “quando em vez”. O serviço de ocorrências disponibilizado, via mensagem escrita de telemóvel, pela PSP só existe em chinês e a polícia, através da sua assessoria, afirmou não ter pessoas disponíveis para as traduções. Assim sendo, os média portugueses ficam excluídos de receber qualquer tipo de informação sobre acidentes de trânsito ou crimes por uma ineficiência dos próprios serviços oficiais. Já o DSPA, que divulgou terçafeira alguns dados para a imprensa chinesa, esquecendo-se da portuguesa, explicou ao nosso jornal que não têm meios de divulgação na hora para as línguas portuguesa e inglesa. Resultado: os dados estatísticos só ontem chegaram à nossa redacção, com mais de dois dias de atraso.

Vai tudo para a gaveta Foram 10.691 os processos crimes arquivados no ano passado pelo Ministério Público. Segundo os dados pedidos ao gabinete pelo Hoje Macau, desde há vários anos que a tendência para o arquivamento de processos pelo MP tem sido superior a 10 mil, mas apesar disso os números do ano passado mostram uma diminuição em 9%, relativamente a 2009. Só os casos criminais, tais como danos à propriedade, crimes contra a integridade física e crime contra a segurança pública, é que apresentaram uma queda no território. Inversamente, os crimes de drogas associadas, crime organizado, lavagem de dinheiro, privação da liberdade individual, crimes contra funcionários públicos e obstrução da justiça têm registado um aumento. Por exemplo, em

comparação com o ano de 2009, houve um aumento de 15% no número de crimes de quadrilhas organizadas, 10% em crimes relacionados com drogas e 23% na lavagem de dinheiro, na sua maioria relacionados com casinos e criminalidade transfronteiriça. Também os números de crimes contra funcionários públicos e obstrução da justiça registaram um aumento de 31% e 41% respectivamente. As estatísticas mostram que os crimes ligados à informática subiram no ritmo mais rápido entre todos os processos criminais arquivados no ano passado, que inclui o acesso ilegal a dados de computador. Se em 2009, o Ministério Público arquivou 17 crimes ligados à informática, já o ano passado foram 43 os processos autuados.

COMENTÁRIO Carlos Morais José info@hojemacau.com.mo

Em boa verdade, como profissionais, os jornalistas portugueses não podem deixar de se sentir lesados pelas atitudes constantes de certos sectores da sociedade de Macau. É o que se passa quando os organismos oficiais informam primeiro os nossos colegas chineses, obliterando-nos o direito à informação atempada, uma das pedras basilares do jornalismo de ontem, de hoje e de sempre. Hoje estamos perante um caso mas quantas vezes se repete esta situação, com prejuízo para nós e para os nossos leitores, que assim se vêm sonegados de informação crucial e, portanto, arredados de participação cívica neste acolhedor Macau? O que nós desejamos é desempenhar o nosso papel e respeito por parte das entidades oficiais. Respeito pela língua portuguesa que é, até ver, uma das línguas oficiais da RAEM e uma das salvaguardas da sua diferença e utilidade para a República Popular da China. Para nós, o caso afigurase mais grave quando nos deparamos com um acto cometido pelo Ministério Público, instituição pela qual temos grande respeito e reverência, como defensor do povo e, em geral, garante de justiça para toda a população. É um órgão independente do governo que, também por isso, nos surge como o esteio do estado de direito e do primado da lei. Ou seja, isto dói-nos. É tempo de todas as instituições públicas meterem nas suas duras cabeças que o Português é para ser utilizado, que se trata de uma mais-valia para Macau e para a China e que não o fazer é, basicamente, antipatriótico. Isto é, trata-se do tipo de atitude que queremos ver erradicado daqui para todos em conjunto podermos servir melhor os interesses da RAEM. Quem está connosco? Há alguém aí contra nós?


Apreendida carne contrabandeada destinada a restaurantes

sexta-feira 11.2.2011

Os Serviços Alfandegários de Macau apreenderam 30 quilos de carne de vaca e porco, contrabandeados através das Portas do Cerco. Segundo o comunicado das autoridades, a carne terá sido transportada por várias pessoas desde Zhuhai. Carregados com sacos plásticos, os homens cruzaram a fronteira e depositaram a encomenda na rua junto à fronteira, no Istmo de Ferreira do Amaral, local que serviu de ponto de entrega para, minutos mais tarde, a carne ser recolhida por um homem de motociclo. O cidadão local, que foi apanhado pelas autoridades da alfândega com os 30 quilos de carne fresca, disse ter sido contratado por um amigo para recolher os sacos e depositá-los junto a uma casa de banho pública no Jardim Triangular, na Areia Preta, alegadamente para serem novamente recolhidos por outra pessoa.

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Tratamento de resíduos alimentares de escolas e hotéis levanta preocupações

Os riscos de andar a brincar com o lixo quaisquer serviços de consultoria ou directrizes para referência antes de pedir à empresa que realizasse a avaliação do impacte ambiental das máquinas. Agora, a questão que se coloca é: qual será o impacte da própria experiência da DSPA? Ieong Peng Chong, encarregado de uma empresa que planeia reciclar restos de comida em fertilizantes, disse ao canal de televisão chinês da TDM na terça-feira que a saúde pública podia ser posta em risco de contaminação se a DSPA não fosse capaz de controlar a fermentação dos resíduos orgânicos. Sem apoio do

Kahon Chan

O

kahon.chan@hojemacau.com.mo

Governo tem planos para começar a recolher e “tratar” os resíduos alimentares em escolas e hotéis ainda este ano, mas a abordagem e as medidas preventivas para evitar a contaminação durante o transporte e fermentação permanecem um mistério. A indústria exige ao Governo que dê apoio efectivo às empresas e que esteja atento aos erros perigosos no tratamento dos resíduos. A DSPA pretende começar a cooperar com escolas e hotéis locais para recolher os restos de comida para posterior tratamento ainda este ano, mas ainda não terá definido como irá fazer isso exactamente. Num artigo publicado na edição de terça-feira do jornal “Ou Mun”, é mencionado apenas que o organismo quer “criar pontos de tratamento experimentais para os resíduos”, “partilhar experiências sobre a gestão de resíduos com a indústria”, “perceber como classificar diferentes tipos de restos”, “promover a cultura da gestão dos resíduos” e que há “várias instalações” disponíveis para reduzir o volume dos lixos orgânicos e transformá-los em adubo. A DSPA irá também subsidiar a compra pelos restaurantes de equipamento para gestão de restos com apoio técnico através do fundo de poupança de energia. Ironicamente, o deputado da Assembleia Legislativa (AL) Chan Meng Kam apresentou uma interpelação a 20 de Janeiro para revelar o exemplo de um negócio que estava a ser dificultado pela DSPA relativo à importação de maquinaria para converter lixos orgânicos em fertilizantes, com a DSPA a não fornecer ao importador

Governo, nomeadamente na recolha obrigatória e reciclagem dos restos de comida, o responsável considera que o experimento não deverá funcionar como mais do que uma campanha publicitária. Vong Man Hung, directora em funções da DSPA, respondeu à TDM que o Governo iria focar-se na educação para convencer o público a reciclar os seus resíduos. A responsável disse que se uma empresa tivesse uma grande ideia que cumprisse com as exigências legais – não existentes no entendimento da empresas – o Governo iria dar um apoio generoso.

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Anúncio HM-2ª VEZ

11-02-2011

PROCESSO: Divórcio Litigioso

CV1-10-0036-CDL

AUTORA: WONG MEI SAN, casada, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Macau e residente em Macau.------RÉU: IONG TAT KEONG, casado, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Macau, ora ausente em parte incerta.----------------------------------------------------- FAZ-SE SABER que pelo 1.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da RAEM correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando o réu IONG TAT KEONG, acima identificado, para no prazo de TRINTA DIAS, findo o dos éditos, contestar, querendo, a Acção de Divórcio supra referenciada, na qual pede a Autora que seja decretado o divórcio entre ela e o réu, declarando-se dissolvido o casamento, tudo como melhor consta da petição inicial cujo duplicado se encontra nesta Secretaria à sua disposição, ficando o mesmo advertido que é obrigatória a constituição de mandatário judicial – Art. 74º do C.P.C.M..---------Aos 09 de Fevereiro de 2011.

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1º Juízo Cível

[N.º 4/2011] Para os devidos efeitos, vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares da lista de candidatos a habitação social abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

Nome Hoi Sio Seng Ma Pui Kio Choi Wai Kit

N.º do boletim de candidatura 5013053 5017370 5017574

Após as verificações deste Instituto, notamos que os elementos dos agregados familiares de candidatos a habitação social acima mencionados são elementos que figurem nos boletins de candidatura de outros agregados familiares, aos quais este Instituto já tenha autorizado a aquisição de habitação construída em regime de contratos de desenvolvimento para a habitação nos termos do Decreto-Lei n.º 13/93/M, de 12 de Abril. De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, devem apresentar, por escrito, as suas contestações e todas as provas testemunhais, materiais, documentais ou as demais provas, no prazo de 10 dias, a contar da data de publicação do presente anúncio. Se não apresentarem as contestações no prazo fixado ou as mesmas não forem aceites por este Instituto, as respectivas candidaturas serão excluídas da lista geral de espera por IH, nos termos da alínea 2) do artigo 11.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009. No caso de dúvidas, poderão dirigir-se ao IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102. Ilha Verde, Macau, durante as horas de expediente, ou contactar Sr. Wong através o tel. n.º 2859 4875 (Ext. 216), para consulta do processo.

O Presidente,

Tam Kuong Man 2 de Fevereiro de 2011


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entrevista António Falcão | bloomland.cn

Miguel Gomes da Costa Júnior, pro

“Atenção, qualqu intencionada pod

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“O pedófilo, por exemplo, não vai dizer que tem 40 ou 50 anos, vai dizer ao jovem ou à criança que tem 16, 17 ou 18, depende, para se aproximar dela. É muito fácil alguém mal intencionado entrar nessas salas ou no FB dizendo que tem essa idade, falar de bandas apreciadas por jovens ou adolescentes, criando imagem falsa. Para essas pessoas é muito fácil falarem de assuntos que os mais novos, as potenciais vítimas, podem e querem ouvir”

académico, professor de Informática na Faculdade de Ciências e Tecnologia na Universidade de Macau, e também de Economia, Gestão e Comportamento Organizacional. Nasceu em Hong Kong, cresceu e estudou no Brasil, vive há 15 anos em Macau. Repetidamente premiado pela sua atitude como docente, Miguel Gomes da Costa Júnior é autor de várias palestras. Ultimamente, tem dirigido as suas comunicações junto de pais, professores e alunos, de modo separado, no sentido de alertar para os perigos da Internet, designadamente no forma de utilização das chamadas redes sociais. É hábito dizer que a Internet é uma rede mundial de computadores. Alguém já veio rectificar: “É uma rede mundial de pessoas que usam computadores”. Esta semana, dia 8, assinalou-se internacionalmente o Dia Mundial da Internet Segura. Nada melhor do que falar com um especialista. Os pais não correm o risco de serem acusados de atentar contra a privacidade dos filhos, no caso de vigiarem o uso que estes fazem da Internet? Os pais podem facilitar um pouco, cada encarregado de educação tem a sua forma de ver, mas o que não devem é perder o contacto com os filhos, a conversa é muito importante. As conversas nas salas de bate papo ou nas redes sociais, com outras pessoas também ganharam importância. Abrir uma conta no Facebook pode ser boa alternativa, principalmente quando os chamados predadores, estou a referir-me aos pedófilos, quando vêem adultos na lista de amigos, a tendência é terem mais cuidado. Quantos alunos não bloqueiam o acesso dos pais? Para estarem fazendo o que querem, correndo riscos de fazerem errado? Sabemos que é possível ter acesso a muitas actividades nessas páginas, através de amigos em comum. Pais e professores unidos num género de processo educativo? Sem dúvida. Pais e escolas têm de

ficar mais envolvidas entre si. Por exemplo, perder algum tempinho e sentar o lado dos jovens junto ao computador. Acontece que há pais completamente desconhecedores ou quase do que é o fenómeno Internet e dos seus perigos. Nestes casos, são os professores que devem aparecer mais activamente? Também é verdade que existem pais distantes dessa realidade. Complementarmente devem ser os professores a preencher essa carência. Se a sociedade, por exemplo a de Macau, está em movimento lento na percepção destas coisas, lógico que devem os professores intervir mais activamente. Falando com mais pormenor dos tais riscos das redes sociais. Colocarmos lá muita informação a nosso respeito. Temos de evitar dar pormenores sobre vários aspectos da nossa vida. Há muitos países que levam o uso da Internet muito a sério, a ponto de fazerem campanhas no sentido de evitar-se a colocação aberta de muitas fotos dos filhos, com os nomes e vária outra informação. No caso de um adulto, ele tem mais protecção. De qualquer jeito, dividir tudo com todo o mundo, os nossos jantares, as fotos das nossas festas, quando foi, onde foi, com quem estivemos, isso pode ser muito perigoso. Sem esquecer que também há empresas que, discretamente, fazem pesquisa em redes sociais, vendo o perfil dos seus funcionários, ou candidatos, o que eles lá colocam, o que dizem, as fotos que podem não dar uma imagem muito positiva... Então, será que convém colocar tanto de nós próprios nessas redes, partilhando a nossa vida com amigos, mas também com desconhecidos e, quem sabe, com gente que não interessa? O que faz muitos utilizadores das redes sociais exporem-se tanto? Isso não é da minha área, é mais, talvez, a de sociologia. Estamos perdendo aquele tradicional contacto entre vizinhos, amigos da rua, do bairro. Vivemos


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com Helder Fernando

ofessor na Universidade de Macau

uer pessoa mal de estar online” demasiado o dia a dia do trabalho, convivemos com os nossos colegas talvez mais tempo do que com a nossa família. Então, o facto de muitas pessoas se exporem demasiado nas redes sociais, é uma forma de tentar conhecer mais e mais gente, de mostrar quão atraente essa pessoa é ou imagina que é, e também de tentar fazer novas amizades. Riscos também nas salas de bate papo... Lógico. Atenção sobre desconhecidos. O pedófilo, por exemplo, não vai dizer que tem 40 ou 50 anos, vai dizer ao jovem ou à criança que tem 16, 17 ou 18, depende, para se aproximar dela. É muito fácil alguém mal intencionado entrar nessas salas ou no FB dizendo que tem essa idade, falar de bandas apreciadas por jovens ou adolescentes, criando imagem falsa. Para essas pessoas é muito fácil falarem de assuntos que os mais novos,

as potenciais vítimas, podem e querem ouvir. Perigo do tal “cyberbullyng”? Há muitos exemplos disso. E também o caso de escrever matéria sobre pessoas. Em Macau já aconteceu pelo menos um caso conhecido, num site em chinês. Tiveram que identificar o autor e ele teve de pedir desculpas. Acusar sem ter provas dá nisso, mesmo na Internet. Quando se tem uma página na Internet, ela deve estar protegida o melhor que for possível. Quer dizer que quando os pais julgam estar descansados por saberem onde está o filho, neste caso junto ao computador, na Internet, noutra divisão da casa, até jogando online com outras pessoas, não há assim tantos motivos para descanso? Esses jogos online, inclusive com desconhecidos, permitem que se converse com outras pessoas. Nessas oportunidades, qualquer

pessoa mal intencionada pode estar online, fazendo amizades através do jogo, e de lá passar para um MSN, Facebook... o bom e o mau depende de como cada pessoa usa a Internet. Dividirmos ideias é excelente, utilizar formas pacíficas de nos entendermos é muito bom. No meu caso, passei grande parte da minha vida no Brasil e boa parte em Macau. Pois tenho amigos que conheço fisicamente e com os quais necessito muitas vezes de comunicar e eles comigo. Essa facilidade de poder adicionálos para melhor trocarmos informações é muito bom. Tal como no mundo dos negócios, do marketing, divulgação dos produtos, tal como lermos ou ouvirmos as notícias, visitando

“Temos de evitar dar pormenores sobre vários aspectos da nossa vida. Há muitos países que levam o uso da Internet muito a sério, a ponto de fazerem campanhas no sentido de evitar-se a colocação aberta de muitas fotos dos filhos, com os nomes e vária outra informação. No caso de um adulto, ele tem mais protecção”

museus, bibliotecas, vendo e ouvindo os artistas de que gostamos e descobrindo outros, alguns deles que não tiveram oportunidade de mostrar os seus trabalhos mas que através da Internet podem ser apreciados, tanta coisa... Imaginemos a situação de um pai passar pelo computador do filho e verificar que no ecrã estão imagens eróticas. Fazer o quê? Escândalo familiar, repressão ou fingir que não viu? Um ponto delicado, esse. A reacção depende de como cada família interpreta os valores. Algumas são mais tradicionais, talvez aí o escândalo seja a solução. Outras são mais liberais e tentam sentar e discutir com os menores aquele tipo de curiosidade, pois a curiosidade é inerente ao ser humano desde que nascemos. Alguns anos atrás, se queríamos ver fotografias procurávamos uma revista, se fosse filme tínhamos de adquirir não só o filme como o próprio aparelho leitor. Hoje, a Internet tem tudo, temos acesso a tudo de forma rápido. Portanto, cada vez mais cuidado é o que não me canso de aconselhar. Daí pensar que o diálogo ainda é a melhor solução. Há outros perigos, como a utilização dos cartões de crédito na Internet, também a existência de páginas falsificadas muito semelhantes às verdadeiras. Sim, as pessoas também têm de estar conscientes disso. O maior problema está relacionado com os “cookies”. Por exemplo, quando criamos uma conta num site de um jornal, ele automaticamente coloca um “cookie” para facilitar de cada vez que queremos ter acesso ao jornal. Agora imaginemos que algum “hacker” pretender ter acesso aos nossos dados. Toda a vez que ligamos a Internet ele pode pegar as informações que estamos digitando. Seja os números dos cartões de crédito seja outros documentos. Hoje em dia as empresas bancárias já criaram formas mais seguras de modo a evitar esse tipo de roubo, entre outras os “netcard” com um limite de crédito, e as pessoas são agora mais cuidadosas. Com a segurança na Internet como álibi, isso é o novo “Big Brother”? Eu acho que o monitoramento já existe. Não esqueçamos que a Internet surgiu de um desenvolvimento militar. Portanto, as formas de controlo existe, mas pelo facto de estar sendo tão rápido o crescimento, isso tem deixado esses órgãos

9 reguladores um pouco atrasados. Este impacto provocou algum período de anarquia, ou então foi propositado, tipo “vamos deixá-los usar as ferramentas”. Dou um exemplo talvez menor: Lembro-me em minha casa de o primeiro telefone ser com fio. Usávamos, como todo o mundo, o telefone para comunicar. Depois, as pessoas passaram a falar horas, a seguir veio as brincadeiras pelo telefone. Tudo isso começou a provocar congestionamento, as companhias avisavam para não demorar longo tempo com chamadas, até instalarem controlos e descobrindo os autores de muitas brincadeiras. Penso que o mesmo se passa ou passará no caso da utilização da Internet, a regulação, a monitorização, o controlo. Em muitos países são criadas leis específicas e duras. O tal “Big Brother” infelizmente vai acontecer de alguma forma. Se hoje alguém insiste em colocar na Internet, por exemplo, como se faz uma bomba caseira, é natural que o autor disso seja detectado e tirado do ar. O controlo já existe, só não sabemos o quanto é controlado. Formas radicais? Penso que para não ficar radical, devemos preocuparmo-nos com a educação. Até que ponto Internet alterou a sua vida? Como ferramenta de trabalho, sim. Como ferramenta de comunicação, de interacção com as pessoas, muito. No caso do trabalho, tudo é muito mais rápido no campo da pesquisa, investigação, não é necessário recorrer tanto a livros como antigamente, apesar do cuidado que devemos ter no acesso às fontes. A Internet veio mesmo para alterar o mundo? Sim, a Internet não é uma moda, não é algo que chegou e vai passar. A Internet é uma nova ferramenta para os jovens e para todos, uma impressionante ferramenta de dados. Por isso é importante que esteja incorporada nas nossas vidas com diálogo, com interacção como um apoio, uma ferramenta boa, não como algo que tenhamos muito medo de utilizar. Aproveitar bem a Internet pode ser maravilhoso, mesmo para além de um preciso auxiliar no trabalho ou no entretenimento, descobrirmos amigos que não víamos ou dos quais não sabíamos há anos é muito bom. Tem muito lado positivo a utilização da Internet, embora convenha também salientar a parte negativa, pois faz parte da educação.


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cultura

Albergue SCM convida a falar sobre motivação Uma visita ao interior da mente e como funcionamos em relação à motivação e ao desejo. É a proposta do Albergue SCM. Amanhã, o psicólogo macaense Henrique Ngan apresenta um seminário sobre “Motivação” e as várias teorias sobre mecanismo psicológicos associados a determinados comportamentos humanos. Galeria da Livraria Portuguesa recebe exposição de pintura Depois das Casas Museu da Taipa, em 2007, é a vez da Galeria da Livraria Portuguesa receber a exposição de Joaquim Baltazar. “A viagem”, patente de 11 de Fevereiro a 4 de Março, convida o público a perder-se no poder da cor e dos contrastes das formas, utilizados pelo artista nas suas telas. Joaquim Baltazar, de 57 anos, estudou na Escola Superior de Belas Artes em Lisboa e está representado no Núcleo de Arte Moderna da Madeira, Museus de Portimão e Óbidos e na Arte da Caixa Geral de Depósitos. Com mais de 50 exposições, desde 1985, Joaquim Baltazar esta também presente em colecções privadas na Península Ibérica, França, Alemanha, Japão e Estados Unidos. Livros a baixo preço São cerca de 500 obras escritas em Língua Portuguesa e podem ser compradas a 20 patacas. Na cave da Livraria Portuguesa podem encontrar-se livros para todos os gostos, de ficção científica, a westerns e romances. Livros de autores como Louis L’Amour, autor de “How the West was won” e Philip K. Dick, autor de “Blade Runner”, que viram as suas obras serem adaptadas ao cinema, estão disponíveis em tradução portuguesa. Entre outras, as colecções da Argonauta, editora brasileira com mais de duas dezenas de prémios literários e da D. Quixote podem também ser encontradas, em conjunto com obras que podem mesmo estar já indisponíveis em Portugal, pela sua raridade de coleccionador.

Filha de Stanley Ho é candidata a “Melhor Actriz”

Josie, uma surpresa

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osie Ho, filha do magnata do jogo Stanley Ho, é uma das cinco candidatas a “Melhor Actriz” dos Prémios de Cinema de Hong Kong, depois de ter sido distinguida no Sitges, Festival de Cinema Fantástico da Catalunha. Josie Ho, 36 anos, filha de Stanley Ho e de Lucina Laam, a segunda mulher do magnata, está nomeada na categoria de “Melhor Atriz” dos Prémios de Cinema de Hong Kong, que serão anunciados a 17 de Abril, pelo seu papel no ‘thriller’ “Dream Home”. A actriz, que também já lançou alguns álbuns de música ‘pop’, desempenha o papel de Cheng Li-sheung, pub

uma mulher que quer comprar o apartamento ao lado daquele onde vive e que, para isso, mata alguns estranhos para que os seus espíritos invadam a casa, fazendo baixar o seu valor de mercado. Josie Ho, juntamente com os seus quatro irmãos – Pansy, Daisy, Maisy e Lawrence –, a sua mãe e a madrasta Ina Chan, terceira mulher de Stanley Ho, são alvo de uma ação legal interposta pelo magnata por apropriação “imprópria e/ou ilegal” da empresa Lanceford, que controla a maior parte da fortuna do império Ho.

A providência cautelar, que também abrange o banqueiro Patrick Huen (um dos administradores da Lanceford), foi apresentada no Tribunal Superior de Hong Kong no final de Janeiro em nome do magnata e visa impedir que as acções da Lanceford sejam transaccionadas. A transferência das acções foi alegadamente feita em Dezembro contra a vontade de Stanley Ho, que se referiu à operação como “algo parecido a um roubo” e diz querer distribuir equitativamente a sua fortuna pela família, que abrange três mulheres e 16 filhos vivos.

O advogado de Stanley Ho, Gordan Oldham, disse esta terça-feira que o magnata não recebeu até ao momento qualquer proposta formal da sua família no sentido de lhe devolver as ações e interesses na Lanceford e que tomará as medidas que considerar apropriadas para inverter a situação, sem especificar. Josie Ho escreveu recentemente num blogue que “este novo ano está a ser excitante”: “Estou a ser processada. Há desafios na vida. De qualquer modo, pai, tu sempre serás aquele que eu mais respeito. Consigo aguentar isto. Se eu não for para o Inferno, quem irá?”, acrescentou. Stanley Ho, 89 anos, detém um império estimado em 3000 milhões de dólares e permanece em convalescença desde o Verão de 2009, quando sofreu uma queda em casa que obrigou a um internamento hospitalar por mais de sete meses. Desde então, raramente é visto em público.

Concertos de Bob Dylan anunciados para Abril na China

Será que é desta? Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo

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epois de no ano passado a notícia da proibição pelo governo chinês para a realização do concerto de Bob Dylan ter deixado milhares de fãs desolados, a notícia de que os concertos poderão acontecer este ano está de novo a criar furor entre a comunidade online. A notícia foi avançada pela revista ISIS que se dedica unicamente ao trabalho do famoso músico norte-americano. E dali até aos blogues e páginas pessoais foi um caminho curto. Are times changing? Sem ser oficialmente confirmada pelo Governo chinês, a informação de que Bob Dylan só poderia dar concertos se não cantasse alguns dos seus maiores sucessos, encheu páginas de jornais no ano passado. Curiosamente o concerto estava marcado exactamente para as mesmas datas que come-

çaram a ser anunciadas este ano, ou seja, nos primeiros dias de Abril. Na página oficial de Dylan há uma tournée anunciada para a Austrália a começar no próximo dia 15 de Abril. E não há referências à China nem antes nem depois desta data. Porém, a vontade de muitos de ver ao vivo pelo menos uma vez na vida o mito que é Dylan, hoje com 70 anos, continua a garantir que é a sério o que foi anunciado pela revista ISIS. As datas para a China referem concertos em Pequim, Xangai e Hong Kong, a 6, 8 e 12 de Abril. Apesar da confirmação não se encontrar em lado oficial, a informação continua a passar de jornais para blogues e de blogues para jornais. E já há quem ande a perguntar em Pequim onde é que se compram bilhetes. Uma resposta que ninguém tem. A acontecer, Dylan estará no Estádio dos Trabalhadores a 6 de Abril. Por enquanto é só um desejo e sem certezas.


[f]utilidades Cineteatro | PUB

[ ] Cinema

Sala 1

SALA 3

(Falado em cantonense) Um filme de: Chung Shu Kai, Eric Tsang Com: Tony Leung, Sandra Ng, Eric Tsang 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

(Falado em cantonense) Um filme de: Byron Howard, Nathan Greno Com: Mandy Moore, Donna Murphy, Zachary Levi 14.30, 16.30, 19.30

I love hong kong [B] Preço: Mop50.00

Sala 3

Um filme de: Michael Gondry Com: Seth Rogen, Jay Chou 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

(Falado em putonghua/cantonense, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Benny Chang Com: Andy Lau, Nicholas Tse, Jackie Chan 21.15

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-GIRBAO. BABO. 2-ONU. TUMULAR. 3-LE. PISOS. UE. 4-ARRIBANTE. S. 5-CAPAR. UROS. 6-TIBAR. CAMBA. 7-SAAR. ERRAR. 8-E. ZOMBEIRAO. 9-TM. TARSO. NT. 10-SITARIO. UTA. 11-ELAR. OLIVEO. VERTICAIS: 1-GOLA. TSETSE. 2-INERCIA. MIL. 3-RU. RABAZ. AT. 4-B. PIPAROTAR. 5-ATIBAR. MAR. 6-OUSAR. EBRIO. 7-MON. CRESOL. 8-BUSTUARIO. I. 9-AL. ERMAR. UV. 10- BAU. OBRANTE. 11-ORESSA. OTAO.

solução do problema do dia anterior

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Gerbão e urgebão. Baba. 2-Nações unidas. Relativo ao túmulo. 3-Lhe. Terrenos. União Europeia. 4-Que arriba. Enxofre. 5-Cortar, inutilizar, os órgãos da reprodução animal. Raça indígena da América do Sul, ramo dos Aruaques. 6-Amornar. Peça curva das rodas os carros. 7-Antigamente, sarar. Desencontrarse de. 8-Tipo emotivo segundo a classificação de Heymans-Le Senne. Zombador. 9-Túlio. A última parte do pé dos insectos. Novo Testamento. 10-Pequena porção de géneros alimentícios. Um estado dos EUA. 11-Prender-se com elos, segurar-se com as gavinhas. Relativo à oliveira. VERTICAIS: 1-Parte do vestuário, junto ao pescoço ou em volta dele. Espécie de mosca venenosa do interior da África meridional. 2-Preguiça. Muitos, em quantidade indeterminada. 3-Indicativa do ruído de árvore frondosa, ao cair. Que tira com violência. Designativa de suspensão, interrupção. 4-Letra que ocupa o segundo lugar no alfabeto português. Dar piparotes em. 5-Enfraquecer. Oceano. 6-Atrever-se a. Sedento. 7-Elemento de origem grega que significa só, unidade. Fenol homologo de hidrate fenilo. 8-Gladiador que combatia em volta das fogueiras em que se queimavam os mortos. Em numeração romana, significa um. 9- Designativo de semelhança, relação ou causa. Tornar ermo, deserto. Ultravioleta. 10-Caixa. Que obra. 11-Aragem, viração. Moeda grega.

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição

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(ao resolver-lo, deixe 15 quadros em branco)

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The Green Hornet [b] Preço: Mop50.00

sexta-feira 11.2.2011

[Tele]visão www.macaucabletv.com

TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 19:00 Ásia Global (Repetição) 19:30 Ganância 20:25 Acontecimentos Históricos 20:35 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 22:00 A Muralha 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 National Treasures: Book of Secrets (O Tesouro 2: Livro dos Segredos) 01:30 Telejornal (Repetição) 02:05 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Três Andamentos 15:00 Magazine Venezuela Contacto 15:30 Com Ciência 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Portugueses Pelo Mundo 17:45 30 Minutos 18:15 Operação Triunfo IV 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Magazine Venezuela Contacto 22:30 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Taking Stocks 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Tinga Tinga Tales 16:30 ZingZillas 17:00 Olivia 17:30 Ben 10 Ultimate Alien 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 FIFA World Basketball 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 Rhodes Across Italy 21:30 Season Of Love: Pride and Prejudice 22:30 Marketplace 22:35 Season Of Love: Pride and Prejudice 00:05 World Market Update 00:10 News Roundup 00:25 Earth Live 00:30 Dolce Vita 00:55 Late Late Show: Borat Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan 02:25 The Pulse 02:50 European Art At The MET 03:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 Atlantic Coast Conference Basketball North Carolina vs. Duke 15:00 Total Rugby 2011 15:30 2010 Women’s Billiards U.S. Open Championship 16:30 Cardiff Half Marathon 17:30 Australian Iron Woman 18:30 Castrol Football Crazy 19:00 ABL game 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Planet Speed 2010/11

20:30 Total Rugby 2011 21:00 Grand American Series 22:00 Sportscenter Asia 22:30 Airsports World Series 23:00 Total Rugby 2011 23:30 Sportscenter Asia

STAR SPORTS 31 13:00 Planet Speed 2010/11 13:30 Total Rugby 2011 14:00 2nd Asian Beach Games Muscat 2010-Beach Sepaktakraw 16:00 Hot Water 2010/11 17:00 Full Throttle 2010/2011 17:30 Spirit Of Yachting Series 2010 18:00 Sports Max 2010/11 19:00 Asean Basketball League 2010/11 (If Nec) Chang Thailand Slammers vs. Singapore Slingers 21:00 Football Asia 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 (LIVE) V8 Supercars Championship Series 2011-Races STAR MOVIES 40 11:50 The Keeper 13:30 Bride Wars 15:05 F.I.S.T. 17:20 The Princess And The Frog 19:10 Bewitched 21:00 Bad Boys 22:45 In The Line Of Fire HBO 41 13:00 Sherlock Holmes 15:10 Crossroads 17:00 Monsters Vs. Aliens 18:45 Did You Hear About The Morgans? 20:35 The Making Of Fast & Furious 21:00 Fast & Furious 23:00 Jaws: The Revenge 00:40 Sherlock Holmes CINEMAX 42 12:00 The Fourth War 13:30 Severed Ties 15:00 Play Misty For Me 16:45 Get Smart 18:30 The Wild Life 20:00 Death Race 21:45 Epad On Max 97 22:00 A Bridge Too Far

MGM CHANNEL 43 12:45 For Better or For Worse 14:15 Chains of Gold 16:00 Modern Girls 17:30 Kiss the Sky 19:15 Son Rise: A Miracle of Love 21:00 Women in Love 23:00 Malone 00:30 Audrey Rose DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Hurricane Window 14:00 River Monsters - Rift Valley Killers 15:00 Living Cities: Singapore 16:00 Ghost Lab 17:00 Dirty Jobs - Animal Barber 18:00 Factory Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 Living Cities: Singapore 20:00 Mythbusters - Dumpster Diving 21:00 Inside 22:00 I Almost Got Away With It 23:00 Most Evil - Unsolved Cases 00:00 Ghost Lab NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 ABOUT ASIA - Taipei Tower 14:00 42 Ways To Kill Hitler 15:00 Lockdown - Inmate To Ex-Con 16:00 The Known Universe 17:00 Riddles Of The Dead - Hilter’s Skull 18:00 Ancient Secrets - Witch Hunter’s Bible 19:00 True Stories - Through The Roof 20:00 ABOUT ASIA - Taipei Tower 21:00 Riddles Of The Dead - Hilter’s Skull 22:00 History’s Secrets - CIA Secret Experiments 23:00 Nat Geo Amazing! 00:00 Riddles Of The Dead - Nat Geo Amazing! ANIMAL PLANET 52 13:00 The Crocodile’s Element 14:00 Sea Eagles: Bird With The Golden Eye 15:00 Animal Planet Reveals Asia 16:00 Growing Up...Penguin 17:00 Animal Cops Phoenix - Born In An Alley 18:00 K9 Cops - Teamwork 19:00 Off The Leash 20:00 The Chimp’s Politics 21:00 Animal Planet Reveals Asia 22:00 Growing Up...Black Leopard 23:00 Animal Cops Phoenix - Deadly Diet 00:00 The Chimp’s Politics HISTORY CHANNEL 54 13:00 Evolve - Skin 14:00 Food Tech - Breakfast 15:00 Monster Quest - America’s Wolfman 16:00 Mysteryquest - Devil’s Island 17:00 Pawn Stars 18:00 Shockwave 19:00 Mega Disasters - Glacier Meltdown 20:00 Heroes Under Fire - Prison Siege 21:00 Samurai 23:00 North Korea, A Day In The Life 00:00 UFO Hunters - Code Red STAR WORLD 63 13:00 Junior MasterChef Australia 13:50 America’s Next Top Model 14:45 Accidentally On Purpose 15:00 Gary Unmarried 15:35 Ugly Betty 16:25 Private Practice 17:00 The Bachelorette 18:00 American Idol 19:00 Glee - Grilled Cheesus 20:00 American Idol 20:55 True Beauty 21:50 The Bachelorette 22:45 America’s Next Top Model 23:40 American Idol 00:35 Glee - Grilled Cheesus

(MCTV 52) Animal Planet 16:00 Growing Up...Penguin

Informação Macau Cable TV


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perfil

Joana Cambeses Souza | Artista circense e educadora de arte

A ciganinha e o circo Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

“Sou uma espécie de ciganinha e o circo é a minha eterna paixão”, disse esta baiana criada como gaúcha. Joana Cambeses Souza é brasileira, nascida em Salvador da Bahia, criada em Rio Grande do Sul e a viver em Macau desde 2007, com algumas interrupções pelo meio. “A minha mãe é baiana mas o meu pai, gaúcho, fez a cabeça dela e fomos todos para o sul do Brasil”. Desde muito nova que esteve envolvida num ambiente artístico porque a mãe era bailarina e actriz e o pai, fotógrafo. “A arte é a minha vida. Sempre esteve presente desde que eu era bem pequena quando ia aos teatros com a minha mãe, assistir aos Saltibancos em que ela fazia de gata.” A partir daí toda esta influência foi determinante para a sua carreira. Fotografia, teatro e flamenco. Tudo Joana experimentou. Mas apenas com 19 anos tomou contacto com o circo. “Só mais tarde é que me apaixonei pela arte circense. Fui morar para o Rio de Janeiro e estudei na Escola Nacional de Circo e nunca mais parei. Nunca parei de relacionar todas as minhas actividades com o circo.” A dança veio um pouco mais tarde como um complemento para arte do circo, porque dança, teatro, expressão corporal e a técnica em si estão um pouco relacionadas. “Parece que voltamos um pouco para os musicais da década de 30”. Mas 2007 foi o ano que chegou a Macau.

Trabalhava em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil, num grupo de dança e começou a receber e-mails vindos da China a convidar para fazer audições. “Achei aquilo muito estranho. Pensei: China jamais, é tão longe. E estes e-mails são de quem?”, questionou-se. Uma conversa posterior com a sua coreógrafa limpou-lhe a cabeça. Na altura, Joana conseguiu ver com mais nitidez o facto de ter de dar a volta ao mundo para prosseguir a sua carreira. “Isso é sério?”, questionou na altura. Mas era... Passados uns dias um responsável de um casino de Macau foi ao Brasil, de propósito, para realizar as tão faladas audições. Resultado: 16 pessoas foram contratadas para um espectáculo em Macau, entre elas Joana. “Comecei a trabalhar em Macau com esse grupo mas já sabia que tudo tinha um fim. Depois que o espectáculo acabou, fui viajar pela Europa, fiz mestrado de circo em Bruxelas e voltei ao Oriente onde fiz um contrato na Tailândia, de lá fui para Hong Kong onde conheci a ‘Made in Brasil’, que é uma companhia muito conhecida e voltei a Macau porque é um lugar bom, onde me sinto bem e há oportunidades. Aqui consigo desenvolver projectos. A Ásia está em expansão e isso tem de ser tomado em conta”, explicou Joana, uma ‘globetrotter’ do mundo. Agora assentou arraiais e por mais alguns anos aqui quer ficar. “Actualmente trabalho na área educacional, sou

educadora de arte. Desenvolvo um projecto com a escola portuguesa Costa Nunes, onde presto um serviço desenvolvendo trabalho de dança com as crianças”. Mas como se considera uma ‘freelance’ não descarta outros trabalhos. “Ministro aulas regulares de circo, faço alguns espectáculos de dança e tenho a minha própria empresa de circo. O mercado aqui em Macau ainda é reduzido, mas trabalho muito em Hong Kong e na China com coisas relacionadas à cultura brasileira, samba e percussão.” Joana Cambeses Souza considera Macau uma cidade muito pequena, mas isso até um ponto positivo quando fala do território a alguém. “Por ser pequeno, preserva ainda os hábitos de cumprimentar as pessoas na rua, que acho muito interessante. É uma cidade que é fácil de andar e onde se conhece muita gente. No geral, é fácil viver aqui, encontro muitas pessoas do mundo. Isso traz um toque muito interessante para a cidade. Essa mistura de chinês, português, a quantidade de estrangeiros que vêm para cá. Tenho pena de não ter mais amigos chineses, por não conhecer a cultura local mais a fundo. A comunidade estrangeira relaciona-se muito entre si e não se relaciona com os chineses.” E conta uma história peculiar acerca da sua relação com Macau, que começou há alguns atrás quando ainda estava por terras brasileiras. Culpado: Zeca Camargo,

apresentador da TV Globo. “Não conheço muito da história, sei que Macau e Portugal têm uma ligação de centenas de anos. Mas há uma coisa muito curiosa na minha ligação com Macau. Existe um programa no Brasil, intitulado “Volta ao Mundo”, apresentado pelo Zeca Camargo em que ele viajava por todos os lados e um dos programas parou em Macau. Assisti a esse programa que falava de uma ilha no sul da China em que as pessoas falavam português e aquilo chamou muito a atenção. Ver aquelas pessoas de olhinhos puxados a tocar e a cantar os fados e as modinhas portuguesas com aqueles instrumentos típicos de Portugal.” E não se acanha no que toca a conhecer o burgo. Conhece bem as ruas de Macau e todos os monumentos da cidade, bem como a Taipa e Coloane, onde gosta de ir. Realça o misto de culturas no território. “Gosto da calçada tipicamente portuguesa, que é a mesma que se vê em Copacabana, no Rio de Janeiro, ao lado de uma construção chinesa com aquelas luminárias super-extravagantes. Muito interessante. É uma mistura engraçada e peculiar.” Para Joana, “o futuro a Deus pertence”, mas no imediato quer aprender chinês, “o resto logo se vê”. Uma certeza já tem: “Aqui ou lá, o circo é uma paixão enlouquecida, uma coisa que não tem palavras. Sou apaixonada por este deslumbramento”.


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13 ed i t or i a l Carlos Morais José

A passagem do tempo O tempo passa e nós passamos com ele. Gastamo-nos neste esfregar constante contra os minutos e os segundos, na contemplação absurda da hora. Um dia surge atrás do outro e assim vamos assistindo impotentes ao escoar da nossa própria vida. Sendo assim as coisas, muito me surpreende que se demore tanto tempo a fazer qualquer trabalho ou a idealizar qualquer projecto, que se adie para amanhã ou para as calendas o que se pode e se deve fazer hoje. Se isto tem razão de ser quando nos consideramos individualmente, outra textura ganha quando pensamos em instituições, nomeadamente aquelas que se ocupam da coisa pública, como o governo, por exemplo. Uma das características mais irritantes num governo é a incapacidade de decisão. A segunda é o hábito de, geralmente, tomarem más decisões. E nisto o governo da RAEM parece tornar-se exímio. Na verdade, existem uma série de decisões estratégicas para a região que o governo tanto pondera que as coisas caem de podre, deixam de fazer sentido ou alteraram-se os dados da equação, tornando-se necessário repensar outra vez. Entretanto, não se faz nada e o inexorável tempo passa. No caso da TDM os factos não deixam dúvida. O Executivo deixou correr o marfim, até a situação se ter tornado insustentável para Manuel Gonçalves, que pediu a demissão. Ora houve tanto tempo para pensar e alterar as coisas na televisão! Quantas vezes foi expresso descontentamento por vários sectores em relação ao canal? Inúmeras. Mas foi-se chutando para canto e o jogo continuava... Agora estamos perante uma estação sem rei, sem roque, e sem estratégia. Mas a TDM é apenas a ponta de um iceberg bem maior. Outros projectos não avançam, não colhem, encontram sempre inúmeras dificuldades. Basicamente, ninguém aponta o dedo e grita que o rei vai nu. O desfile de inanidades continua. Um dos piores inimigos deste governo é a falta de sinceridade. Poucos dos seus membros têm coragem para dizerem realmente o que pensam e assim tudo se passa como se estivéssemos no melhor dos mundos. Criou-se na RAEM uma espécie de impotência que passa pelo receio de perder as alcavalas conseguidas, eventualmente de cair em desgraça. Por isso, mais vale mentir ao chefe, garantindo que a sua gravata é deslumbrante, quando o pedaço de pano é feito de um tecido horroroso. No limite, este medo que impera na

função pública é castrador das iniciativas que esta cidade precisa para entrar definitivamente no século XXI. Mas demora, demora muito. Um exemplo recorrente é o nosso péssimo serviço de internet. Ora o governo sabe disto há anos. Faz alguma coisa? Não. E a questão dos anteneiros? Esta já dá vontade de rir. Estes senhores e senhoras têm o governo agarrado pelos ditos cujos e gozam. Ameaçam interromper as emissões regulares e o governo, como se isto não fosse algo para levar a sério, ao invés de os prender por “interesse público” ou mesmo ameaça de “acto terrorista”, senta-se à mesa das eternas negociações. Este é o único governo do mundo que não tem mão nas emissões de televisão. Deixa-nos à mercê de uns merceeiros que não têm de se responsabilizar perante ninguém. E vai assobiando para o lado, como se não fosse nada com ele. Confessa a sua impotência para resolver o problema. Vergonhoso. O mesmo se poderia dizer de outros aspectos da vida local. A falta de atenção ao património, falta de incentivos culturais

ca rtoon por Steff

A falta de atenção ao património, falta de incentivos culturais para os mais novos, o caos dos transportes públicos, os elevadíssimos índices de poluição, o péssimo serviço público de saúde, a ausência de uma estratégia internacional para a cidade, o descontrolo na habitação, e muitos outros temas deveriam preocupar o governo. Mas não apenas preocupar, urge encontrar soluções

para os mais novos, o caos dos transportes públicos, os elevadíssimos índices de poluição, o péssimo serviço público de saúde, a ausência de uma estratégia internacional para a cidade, o descontrolo na habitação, e muitos outros temas deveriam preocupar o governo. Mas não apenas preocupar, urge encontrar soluções. Estas só poderão emergir se existir realmente trabalho, boa vontade e ousadia. O medo tolhe as almas, portanto, de gente retraída não se pode esperar grandes ideias. O governo tem de olhar para si próprio e mudar algo no seu regime de funcionamento. Assim o tempo passa, passa e tudo fica na mesma. Com um leve odor a podre. * É com muita honra que o Hoje Macau passa, de quinze em quinze dias, a publicar um artigo de opinião do deputado José Pereira Coutinho. A sua contribuição constituirá, sem dúvida, um acréscimo de qualidade às páginas deste jornal.

Berlusconi e a justiça


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opinião

14 p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão

Paradigma da ciência “There is probably no better way to explain what science means today, to account for its importance in society and culture. We do not expect science only to turn on the lights in our homes or keep our food fresh. We want it to answer our most profound questions. This is perhaps the only feature shared by the science of Tycho Brahe – who made all his observations with the naked eye – and the science of Markus. Everything else has changed, beginning with forms and sizes.” Science in Society Massimiano Bucchi

Q

uais os factores responsáveis pela enorme influência da ciência na imaginação do nosso tempo? Um dos factores principais foi a estreita relação existente entre ciência e desenvolvimento. Não podem ser entendidos isoladamente, tal como os estrategas explicaram na década de 1930, de que a solução para a prosperidade da Índia, além do empenho do povo, reside, nos tempos modernos, na eficaz associação de três factores que são a tecnologia, matérias-primas e capital. O primeiro é talvez o mais importante, visto que a criação e adopção de novas técnicas científicas, podem de facto ser responsáveis, por um deficit nos recursos e reduzir a necessidade de capital. Em termos genéricos, o desenvolvimento foi apenas o mais recente associado da ciência moderna no exercício da sua hegemonia política. No passado, a ciência uniu-se ao esclarecimento e às asserções milenares, antes de se aliar ao racismo, sexismo, imperialismo e colonialismo, e depois adaptar-se ao desenvolvimento, uma ideia na qual entroncam quase todas estas heranças. Se nos concentrarmos nos acontecimentos das últimas décadas, recordaremos que o desenvolvimento e a ciência percorreram esse período tão unidos como um cavalo à sua carroça. O desenvolvimento foi desejado pelas sociedades não ocidentais, pelo facto de estar associado à ciência. O que existia antes do desenvolvimento, ou como natureza pura, ou como meio de subsistência, não possuía a lógica, flexibilidade e a eficácia da ciência moderna. As pessoas, as sociedades e a própria natureza tinham ficado para trás devido à sua ausência. Os estrategas apuseram o rótulo de atrasados a regiões inteiras, só porque não tinham indústrias. A indústria continua a ser um símbolo concreto dos novos processos desenvolvidos pela ciência. O atraso veio a ser substituído pelo desenvolvimento, uma forma alegadamente melhor de organizar o homem e a natureza, com base nas conclusões da ciência actual. A ciência, por sua vez, era desejada porque viabilizava o cres-

cimento. Se fossem exploradas as capacidades que lhe estavam associadas, poder-se-ia atingir um desenvolvimento e uma riqueza sem limites. A ciência e o desenvolvimento reforçaram a necessidade um do outro; cada um legitimou o outro de uma forma circular. Se o desenvolvimento não tivesse uma relação especial com a ciência, não teria sido necessário substituir os meios de subsistência, nem adoptar o novo padrão que o desenvolvimento propunha. Todavia, a relação entre a ciência moderna e o desenvolvimento não era apenas de intimidade; era uma relação congénita. Esta relação remonta à época da Revolução Industrial, quando se criaram os primeiros laços entre ciência e indústrias. Algumas das principais leis da ciência nasceram da experiência industrial. Por exemplo, a segunda lei da termodinâmica resultou dos esforços feitos, para aperfeiçoar o funcionamento da máquina a vapor com o objectivo de fazer progredir a indústria. A Índia, por exemplo, produz vários tipos de açúcar. Os mais importantes são o açúcar branco e o “gur”. Os métodos utilizados na extracção e produção do açúcar branco, são superiores aos que permitem obter o “gur”. Não só a eficácia extractiva das grandes fábricas é maior como o armazenamento do produto, açúcar branco, é mais fácil. Pode ser transportado e armazenado, ou mal utilizado por razões de Estado. A poluição provocada pelas açucareiras é reconhecida, mas considera-se que se trata de um preço pequeno a pagar pelos benefícios do progresso. Por outro lado, o “gur” é produzido sobretudo em fornos abertos, recorrendo a resíduos agrícolas, madeira ou bagaço. A extracção do sumo da cana-de-açúcar não é tão elevada como nas grandes unidades industriais. O produto final também não se conserva tão bem, para além de um certo período. No entanto, o processo produtivo não gera poluição. O planeta e a atmosfera não são afectados. E, evidentemente, os lucros e a especulação com o “gur” não são tão fáceis. Contabilizando abertamente os dois processos, poderia parecer que o governo indiano estaria a agir em defesa do interesse público se apoiasse a substituição da produção de “gur” por açucareiras modernas. O desenvolvimento não está no açúcar branco. Foi o que aconteceu em países como a Índia, no período que se seguiu à independência. Apolítica de crédito concedida aos agricultores residentes nas imediações das grandes açucareiras estipulava que, se contraíssem empréstimos destinados à cultura da canade-açúcar junto das instituições financeiras governamentais, ficavam obrigados a vender o seu produto apenas às grandes refinarias.

Não podiam produzir “gur”. Funcionários especialmente designados pelo governo, os denominados “Comissários do Açúcar” controlavam essa actividade. Este autoritarismo ligado ao desenvolvimento sempre foi apoiado pelo Supremo Tribunal de Justiça da Índia. No entanto, a situação é diferente se procedermos a uma análise mais aprofundada da qualidade dos dois métodos e dos seus produtos finais. Constata-se então que a ciência moderna realça certas qualidades, excluindo outras, e que a adopção cega dos seus métodos pode levar a sobrevalorizar os valores errados. O açúcar branco é perigoso por vários motivos testados e provados ao longo dos anos. Os processos físicos envolvidos no metabolismo do açúcar branco acabam por desestabilizar a saúde dos consumidores. Além disso, o corpo humano, não precisa de açúcar branco em termos fisiológicos. Reconhece-se que o açúcar branco não passa, afinal, de um conjunto de calorias inúteis. O “gur”, por outro lado, é um alimento. Contém não só açúcar, como ferro, vitaminas e minerais importantes.

Se nos concentrarmos nos acontecimentos das últimas décadas, recordaremos que o desenvolvimento e a ciência percorreram esse período tão unidos como um cavalo à sua carroça. O desenvolvimento foi desejado pelas sociedades não ocidentais, pelo facto de estar associado à ciência Se compararmos os dos tipos de açúcar, o “gur” daria uma contribuição positiva para o bem-estar humano, ao contrário do açúcar branco. Contudo, não é evidente na comparação dos processos de fabrico puros e simples que produzem o açúcar branco e o “gur”, e, em qualquer caso, o critério desta comparação situa-se apenas no terreno específico e desfavorável da concepção que a ciência moderna tem da conversão energética. Admite-se apenas que a tecnologia utilizada na produção do açúcar branco, é mais eficiente que a tecnologia usada na produção do “gur”. Além disso, não faz parte do debate sobre a eficiência discutir se vale a pena produzir um produto que é nocivo para a saúde humana e que afecta o ambiente devido ao calor e aos efluentes libertados. A Índia a curto prazo irá ultrapassar o Brasil como maior produtor de açúcar do

mundo, face à decisão de muitos produtores brasileiros, destinarem uma parcela cada vez maior da sua produção para o etanol, e da previsão de desaceleração da indústria brasileira nos próximos anos em consequência da desaceleração do seu mercado interno. Tudo sem embargo de a indústria brasileira ter crescido 10,5 por cento em 2010, tendo sido a maior expansão desde 1986, mas em comparação com 2009, teve uma forte retracção de 7,4 por cento devido à crise internacional. Os países em desenvolvimento, onde se incluem os de economia emergente, como a Índia não pediam ao Ocidente a Lua, nem estavam ansiosos por lá ir, procuravam apenas conselhos, apoio e cooperação nos esforços a desenvolver, para que pudessem ultrapassar o nível de subsistência e ascender a uma vida mais próspera. O conhecimento científico, considerado acima das emoções, das castas, da comunidade, da língua e da religião, e transnacional tornou-se o instrumento principal e preferido de transformação acima do interesse de todos. Nunca o consenso foi tão grande entre os intelectuais de tantos países, quer fossem liberais, socialistas, comunistas, tiranos, adeptos do Mahatma Gandhi, conservadores e agitadores. Todos sucumbiram à tentação totalitária da ciência. Num país como a Índia, que teve quarenta anos de protecção estatal à ciência e a todas as suas obras não conseguiu durante esse tempo amparar a sua periclitante reputação. Em 1976, a falecida primeira-ministra Indira Ghandi transformou a propagação do espírito científico, num mundo dos deveres fundamentais dos cidadãos indianos e alterou a Constituição nesse sentido. Apesar disso, ainda subsiste um sentimento de crise na comunidade científica indiana, que se encontra em diversas situações, desfasada das preocupações essenciais da sociedade indiana. Esta sensação de fracasso quase impediu de forma irreversível que a Índia fosse empurrada para a camisa-de-forças que o projecto da ciência moderna lhe tinha preparado. As pessoas das sociedades não ocidentais até à década de 1980, não se limitavam a não colaborar nos seus principais desígnios, revelavam a não preocupação sequer com o Ocidente, nem com as suas invenções. Em muitos domínios, a não cooperação tornou-se agressiva. Pessoas, grupos e aldeias rejeitaram abertamente a modernização do desenvolvimento e obstinaram-se em manter o seu modo de vida e a sua interacção com a natureza e com as artes da subsistência. A revolta contra o desenvolvimento em varias áreas da Índia continua a existir e está condenada a ser, a outro nível, uma revolta contra a ciência moderna e contra a violência que pode simbolizar. Foi esta a visão do Mahatma Ghandi. É provável que venha a ser a visão daqueles que estiverem interessados em proteger os direitos naturais dos seres humanos e da natureza em todo o mundo.


Temos cada dia inúmeras oportunidades de pensar nos outros, ir ao seu encontro e ajudá-los. Não os

deixemos perder.

Padre Manuel teixeira [1912-2003]

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ca u sa s p ú b l i ca s Um olhar atento sobre a actualidade da RAEM

José Pereira Coutinho

TDM, ETAR, Air Macau e metro ligeiro

Quatro temas, quatro problemas Foi com gosto que aceitei o convite do Hoje Macau para participar nesta coluna periódica em que abordarei os temas mais importantes que surjam no quotidiano da Região. Tenho pautado a minha actividade política pela defesa intransigente dos interesses dos cidadãos e pela credibilização e transparência do sistema político da RAEM. O poder dos meios de comunicação social é fundamental, pois é através deles que mais facilmente se pode fazer chegar a informação e a verdade aos cidadãos, para que estes formem as suas convicções, pelo que é com este espírito de missão que encaro este desafio.

TDM

F

oi há mais de dois anos que na Assembleia Legislativa comecei por alertar para os graves problemas em torno da TDM, enquanto meio de comunicação social de utilidade pública, cuja passagem a empresa totalmente pública agora se discute e prepara. Finalmente, o Governo decidiu agir, mas algumas das minhas preocupações persistem. Ora, em termos financeiros, nada vai mudar, uma vez que desde de 2002 já era a RAEM que subsidiava quase na totalidade os serviços duma televisão que tem primado pela falta de conteúdos, pela programação repetitiva, ausência de debates políticos e pelo reduzido foco na informação. Agora, com a perspectiva da TDM passar na íntegra para a alçada da RAEM, tenho sinceras preocupações sobre o impacto que a administração pública terá na linha editorial da TDM e sobre que serviço público de televisão vai ser disponibilizado a partir de agora. Veremos uma renovação positiva deste serviço, com salvaguardas reais da independência e isenção da TDM perante o Governo no que toca a informação? Diminuirá a predilecção pela sistemática auscultação dos mesmos representantes do poderes tradicionais e estabelecidos? Ou será que vamos assistir à criação de um órgão de propaganda do Governo, que só informará o que for conveniente, omitindo a dura realidade dos problemas de Macau? E quanto aos funcionários da TDM, que têm feito o possível dentro do quadro de desgoverno geral da transmissora, vai o Governo reconhecer o esforço e dedicação destes funcionários e assegurar a manutenção e a contínua melhoria das suas condições de trabalho? Ficarei atento a este assunto e aos desenvolvimentos que se esperam para breve.

AMBIENTE: AS ETARs

O

impasse e o total caos a que se está assistir no concurso para a Modernização da ETAR de Macau é extremamente preocupante. No final do ano passado, interpelei o Governo sobre a situação lamentável do tratamento das águas em Macau e ainda não recebi qualquer resposta, apesar do prazo fixado por lei ao Governo já ter terminado há 3 meses! O Governo encontra-se em litígio com o antigo operador da ETAR da Taipa, devido a vários incumprimentos contratuais, designadamente o de não ter reabilitado uma das linhas de tratamento a que estava

contratualmente obrigado. Ora, dos dois concorrentes que permanecem a concurso, um deles é precisamente um dos antigos operadores da ETAR da Taipa e, obviamente, é inconcebível para mim que o GDI e a DSPA se preparem para adjudicar um contrato desta importância a uma entidade com qual mantém um litígio e precisamente por falta de qualidade dos serviços prestados! A não ser que – à boa maneira de Macau nos velhos tempos – se pretenda branquear os problemas anteriores através de assinatura de um novo contrato.

Com a perspectiva da TDM passar na íntegra para a alçada da RAEM, tenho sinceras preocupações sobre o impacto que a administração pública terá na linha editorial da TDM e sobre que serviço público de televisão vai ser disponibilizado a partir de agora Iremos assistir a mais uma delapidação e queda na qualidade das infra-estruturas sanitárias e suportar os custos financeiros e ambientais de adjudicações e contratos públicos sem critério? Agora que o processo se encontra novamente adiado em virtude de recursos de outros concorrentes, é importante que o Governo aproveite para reflectir e analisar as suas propostas com base em princípios de rigor técnico, premiando a proposta que melhor garante a modernização e eficiente operação da ETAR de Macau, sem cair nos erros do passado e pondo sempre em primeiro lugar e acima de tudo, os interesses da população.

AIR MACAU

T

al como no caso da TDM, por inúmeras vezes alertei o Governo, nos últimos anos, para os problemas que recentemente se agudizaram na Air Macau. A sua má imagem afecta profundamente a credibilidade da RAEM, que no sector da aviação internacional já se encontra muito danificada. Desde despedimento de pilotos muito experientes, deterioração das condições de trabalho, desrespeito pela lei laboral, atrasos e cancelamentos constantes, avarias

graves antes e durante os voos, a desobediência directa de ordens das torres de ATC e abandono dos passageiros à sua sorte durante horas, a Air Macau converteu-se num sinónimo de tudo o que é mau na aviação civil. A minha preocupação com este tema não é de hoje, embora o Presidente da Air Macau afirme que nem sabe quem eu sou. Pois ele pode não saber quem eu sou, mas eu, a RAEM e a comunidade da aviação internacional sabemos bem quem ele é e quem é a Air Macau, e pelos piores motivos! A somar a tudo isto, há anos que a Air Macau estrangula o mercado da aviação e lesa a RAEM com as suas práticas monopolistas, sendo ainda hoje uma companhia meramente regional, fazendo voos principalmente para o interior da China, deixando os cidadãos da RAEM dependentes de Hong Kong ou de Taiwan para viagens internacionais de longo e médio curso, tudo enquanto vai fechando as portas a outras companhias, a outras rotas e aos benefícios que tudo isso traria à RAEM. Em suma, a Air Macau não serve os interesses da RAEM, e portanto, não posso deixar de me indignar com a total apatia do Governo e da Autoridade para a Aviação Civil. Não podemos assistir tranquilamente ao nome de Macau ser arrastado pela lama no mundo da aviação internacional e à degradação de uma companhia sem quaisquer condições para operar e sem qualquer interesse em servir a RAEM. As potencialidades do aeroporto de Macau enquanto eixo de ligação aérea de toda a Ásia não estão a ser exploradas por causa da Air Macau e da passividade da RAEM em agir quanto a esta. Está na hora do Governo ser corajoso e explorar novas soluções, resgatar a concessão da Air Macau e lançar concursos públicos internacionais para a abertura de rotas e para criação de uma companhia aérea que verdadeiramente sirva Macau.

METRO LIGEIRO

U

m dos concorrentes requereu a suspensão de eficácia da adjudicação para defender os seus direitos e antecipa-se que o outro concorrente recorra também aos Tribunais, o que vem comprovar que as minhas preocupações tinham total fundamento. Assim, e apesar continuar extremamente preocupado com a falta de transparência deste concurso e com as condições de segurança na Ponte Sai Van, cabe agora à Justiça decidir e tenho confiança que esta seja cega, isenta e independente.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção António Falcão; Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Kahon Chan; Rodrigo de Matos Colaboradores Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Ó Julião, então e a TDM?

Polémica Ho atrapalha entrada de MGM na bolsa A MGM Macau, “joint-venture” da MGM Resorts International, está à espera de aprovação para passar a ser cotada na Bolsa de Valores de Hong Kong, numa Oferta Pública Inicial (IPO) que ascende a 800 milhões de dólares de Hong Kong no final deste mês, noticiou a agência Reuters. No entanto, analistas mostraram-se preocupados com a actual disputa dentro da família do magnata Stanley Ho, nomeadamente envolvendo a filha e co-proprietária Pansy Ho, acreditando que o conflito familiar pode repercutir-se em alguns “soluços” no processo de cotação da empresa em bolsa. A IPO da parceria em Macau entre a MGM Mirage e Pansy Ho, reconhecida como uma das mulheres de negócios mais bem sucedidas da Ásia, estava originalmente previsto para o segundo semestre de 2010, e fará da empresa a última das seis concessionárias de jogo de Macau a lançar uma oferta pública.

Divórcios superam casamentos Contrariando os territórios onde o casamento ainda continua a ser uma norma na sociedade, Macau tem apresentado um maior número de divórcios nos últimos anos. De acordo com dados da Direcção dos Serviços de Estatística, o ano de 2009 aumentou em 18,9% as situações de separação formal, colocando-se à frente dos casamentos realizados (9,3%). O desenvolvimento económico e cultural do território e a transformação dos comportamentos sociais, por exemplo o facto da mulher escolher seguir uma carreira pondo de lado a tradicional união familiar, são alguns dos factores que vão atrasando a propensão ao casamento. Dentro, como fora, Macau caminha para uma semelhança às sociedades consideradas modernas, onde o casamento deixou de ser encarado como compromisso. Já a luta constante dos casais homossexuais, que querem ver ser-lhes dada a oportunidade do matrimónio, prova a transformação do valor dado ao “dar o nó”.

Caro rato, a arte de roer está agora nas mãos do...

... coelho

!!!

Air Macau | Novas demissões na última quinzena

Mais asas que se soltam

Gonçalo Lobo Pinheiro

A

glp@hojemacau.com.mo

sangria continua. Mais cinco pilotos da Air Macau apresentaram a sua demissão nos últimos 15 dias. Segundo informações que chegaram ao Hoje Macau, três co-pilotos espanhóis e dois co-pilotos australianos, que chegaram a ser aprovados para serem comandantes, apresentaram a sua demissão por estarem contra a política de recursos humanos da companhia aérea do território. Desde Novembro que o nosso jornal tem escrito que a saída de pilotos da Air Macau é uma realidade. Os pilotos têm alertado que o conta-gotas não vai secar, pub

avizinhando-se mais demissões nos próximos tempos. Até agora são 15 os pilotos que abandonaram o cockpit da Air Macau. Cinco comandantes e dez co-pilotos. “Saíram estes mas se as coisas não mudam vão sair muitos mais. Há até pilotos que saíram, e porque gostam desta região, trabalham agora em companhias aéreas de Hong Kong”, revelou um ex-piloto. Do rol de pilotos demissionários constam quatro espanhóis, três australianos, dois portugueses, um chinês – completamente incompatibilizado, segundo contam os pilotos -, um brasileiro, um croata, um canadiano, um nepalês e um maldívio.

Os pilotos continuam a alertar que qualquer dia a companhia não tem recursos qualificados para pilotarem os aviões e voltam a lembrar a política de recursos humanos levada a cabo pela empresa. “A RAEM tem um grave problema que é a falta de profissionais qualificados. E nós, pilotos, somos pessoas qualificadas e com muitos anos de experiência. Tanto o Governo como a Air Macau não estão a ver bem a situação. Adivinha-se uma factura muito cara para a Air Macau”, reafirmou um dos pilotos. Neste momento urge outro problema: o da mão-de-obra pouco qualificada que passa rapidamente para o comando dos aviões. “A média normal é de cinco anos como co-pilotos para serem promovidos. No entanto, a Air Macau está a promover a todo o custo pessoal com 500 horas de voo, muitos sem experiência de Airbus que seguem directamente para o comando das aeronaves. Para ajudar à festa, o último comandante promovido na Air Macau “chumbou duas vezes no simulador”, confidenciou fonte próxima do processo.

sexta-feira 11.2.2011 www.hojemacau.com.mo

Assembleia Geral da TDM adiada Estava agendada para hoje a Assembleia Geral da Teledifusão de Macau (TDM), um encontro que envolveria mexidas ao nível dos órgãos sociais. Mas a reunião acabou por ser adiada sem data ainda prevista para se realizar, segundo confirmou uma fonte do organismo ao Hoje Macau. A grande expectativa do encontro de hoje recaía sobre o sucessor de Manuel Gonçalves, o administrador-delegado da empresa que cessará as suas funções no final deste mês. O Executivo ainda não lançou um nome do substituto, nem quis avançar se irá avançar para a constituição de uma comissão executiva ou se deixará a TDM a ser gerida conselho de administração.

Sexo Portuguesas são as mais satisfeitas Um estudo realizado em cinco países da Europa revela que 88% das mulheres portuguesas estão realizadas sexualmente e 81% têm relações pelo menos uma vez por semana. Um estudo feito pela consultora internacional Stategy One realizado junto de 2500 mulheres de países como Alemanha, Portugal, Áustria, Espanha e Suécia, todas com parceiro e relações estáveis, indica que em segundo lugar surgem as espanholas (75%), seguidas das austríacas (74%) em termos de satisfação. As portuguesas são líderes incontestáveis. Dois detidos por assaltos à mão armada Dois jovens de 29 anos, desempregados, foram detidos pela Polícia de Segurança Pública de Macau suspeitos de assalto à mão armada. Alegadamente os dois residentes terão furtado telemóveis a, pelo menos, quatro adolescentes, de idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos. Os assaltos eram efectuados com a ajuda de uma navalha. Na passada quarta-feira, Wu e Lai, foram surpreendidos em flagrante delito na zona do Iao Hon, enquanto tentavam tirar os telemóveis a dois irmãos, tendo um deles uma faca de 18 cm apontada ao corpo. Os acusados confessaram não só os crimes, como a venda dos aparelhos na China continental, por um valor total de 3000 yuans.

Hoje Macau • 2011.02.11 #2307  

Edição do jornal Hoje Macau de Sexta-feira • 11de Fevereiro de 2010 • ANO IX • Nº 2307