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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEGUNDA-FEIRA 11 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3952

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

hojemacau

ORÇAMENTO

Um ano às escuras

INSTITUTO CULTURAL CHEFE DO EXECUTIVO DEMARCA-SE DE NOMEAÇÃO

Ontem, o Chefe do Executivo fez questão de dizer que nada tinha a ver com a nomeação de Cecília Tse para a presidência do Instituto Cultural, passando a total responsabilidade da

LISTA NEGRA

RAEM afina legislação PÁGINA 7

escolha para os ombros de Alexis Tam. Porquê? A nova líder do IC transita dos Serviços de Turismo, onde era subdirectora. Mas o mistério existe.

KCNA/REUTERS

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SINGAPURA ACELERA GRANDE PLANO

Fascismos de sempre PUB

h VALÉRIO ROMÃO

BLOQUEIO MARÍTIMO É DECLARAÇÃO DE GUERRA ÚLTIMA

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Quem tem medo de Cecília Tse?

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2 grande plano

11.12.2017 segunda-feira

ESTUDO

O índice China Going Global Investment de 2017 do jornal The Economist mostra que os Estados Unidos deixaram de ser o principal foco de investimento estrangeiro de Pequim. Singapura passou a ocupar o primeiro lugar, enquanto Hong Kong ocupa o terceiro lugar do pódio, num ano em que o investimento no estrangeiro caiu cerca de 40 por cento, sendo expectável que volte a subir no futuro

O ANO DO ACERTO A

SINGAPURA ULTRAPASSA EUA A ATRAIR INVESTIMENTO CHINÊS

O longo dos últimos anos, a economia chinesa tem inundado uma multitude de mercados estrangeiros com investimentos milionários. Primeiro com empresas estatais a conquistarem sectores económicos estratégicos e a comprar dívida externa, mais tarde com o sector privado abrir os cordões à bolsa para comprar o que lhes aparecia à frente. Independentemente da ajuda, ou da coordenação de interesses privados com a cúpula de poder de Pequim, as empresas chinesas investiram fortemente em economias estrangeiras. Que o diga Portugal, o país da União Europeia com maior peso de investimento chinês no PIB local, chegando aos 3,3 por cento em 2011 duPUB

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Faz-se saber que no concurso público n.o 42/P/17 para a « Empreitada de Concepção e Remodelação do Bloco Operatório Periférico do Centro Hospitalar Conde de São Januário », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 46, II Série, de 15 de Novembro de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis no website dos S.S. (www. ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 30 de Novembro de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

rante os dias da total sangria de privatizações movidas pelo resgate financeiro à economia portuguesa. Ao dinheiro chinês estatal gasto nas privatizações da EDP e REN, juntaram-se os milhões privados para a aquisição da seguradora Fidelidade e de empresas do ramo da saúde como as unidades hospitalares da Luz Saúde. Já para não falar dos avultados investimentos na frágil banca portuguesa, com a aquisição da maioria do capital do BCP pelo grupo Fuson e da venda do BES Investimento e no BANIF. Seguindo as directivas de Xi Jinping, no ano passado o investimento externo em interesses estrangeiros bateu todos os records, ultrapassando os 200 mil milhões de dólares, depois de fortes incentivos de Pequim para aumentar a influência chinesa nos mercados internacionais. Uma tendência que se inverteu este ano, com uma queda considerável do investimento. Portugal passou do lugar 32 em 2015 para 48 na lista dos países onde a China injectou capital.

MONTANHA CHINESA

Entretanto, as aquisições de empresas e dívida abrandaram nos primeiros nove meses deste ano, com o Governo chinês a colocar água na fervura da sangria de capitais para fora do país que estava a colocar uma grande pressão sob o yuan. De acordo com o Ministro do Comércio chinês, o investimento no estrangeiro

Entretanto, as aquisições de empresas e dívida abrandaram nos primeiros nove meses deste ano, com o Governo chinês a colocar água na fervura da sangria de capitais para fora do país que estava a colocar uma grande pressão sob o yuan

em países abrangidos pelo projecto “Uma Faixa, Uma Rota” cresceu 18,2 por cento para 14,8 mil milhões de dólares em 2015. Em 2016, esse valor contraiu 2 por cento, para 14,5 mil milhões

No ano passado o investimento externo bateu todos os records, ultrapassando os 200 mil milhões de dólares, depois de fortes incentivos de Pequim para aumentar a influência chinesa nos mercados internacionais

de dólares. Entre, Janeiro e Setembro, os investimentos em países do projecto que recria a Rota da Sede caiu 13,7 por cento. No total, o investimento no estrangeiro caiu 40 por cento nos primeiros nove meses de 2017, de acordo com o China Going Global Investment. A política de estabilização cambial fez com que algumas aquisições de grande montante fossem travadas, como por exemplo os investimentos da gigante Dalian Wanda Group em imobiliário e entretenimento em países como os Estados Unidos. Outro dos factores de arrefecimento do investimento chinês no estrangeiro prende-se com algumas tensões que surgiram nas relações bilaterais e de comércio externo com países como os Estados Unidos, que perdeu o primeiro lugar da lista de investimentos, e a Índia, que caiu oito lugares. O caso indiano tem algum destaque no relatório do The Economist uma vez que é um dos países com melhores perspectivas de crescimento dentro do projecto “Uma Faixa, Uma Rota”. Além disso, os gigantes dos sectores da electrónica e comunicações Xiaomi e Huawei estabelecerem negócios bem sucedidos na Índia. Noutro prisma, perspectivas negras de desenvolvimento económico e problemáticas políticas domésticas motivaram o abrandamento do investimento chinês em


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países como o Brasil e o Reino Unido na sequência do Brexit. Este ano, Singapura passou a ser o primeiro destino estrangeiro do capital chinês, ultrapassando os Estados Unidos que caíram para segundo lugar. Hong Kong está em terceiro lugar, enquanto a Malásia (que subiu 16 lugares) e Austrália ocupam o quarto e quinto posto, respectivamente. Pode-se ler no relatório que “Malásia e Singapura destacam-se como países atractivos do projecto Uma Faixa, Uma Rota, providenciando bom ambiente para investimento, assim como oferecendo oportunidades e baixos níveis de risco”.

RECOLHER AS FICHAS

Um dos elefantes na sala financeira da segunda maior economia mundial é a enorme dívida acumulada desde o crise financeira global de 2007. Ao longo da década de grande crescimento económico chinês, Pequim acumulou uma quantidade considerável de dívida. Em particular a dívida empresarial, que no ano passado ascendeu a 234 por cento do PIB chinês, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional. Aliás, como resultado desta tendência, duas das mais influentes agências de classificação de risco de crédito, Moody’s e S&P, baixaram o rating da China. A descida dos investimentos chineses também se ficou a dever à política

Entre, Janeiro e Setembro, os investimentos em países do projecto que recria a Rota da Sede caiu 13,7 por cento. No total, o investimento no estrangeiro caiu 40 por cento nos primeiros meses de 2017 de Pequim para prosseguir uma campanha de aquisições estrangeiras com maior racionalidade. Em primeiro lugar, o Governo de Xi Jinping proibiu investimentos nas indústrias do jogo e sexo. Os sectores do imobiliário, hotelaria, cinema e desporto passaram a ser sujeitos a restrições impostas pelo Conselho de Estado chinês, em contrapartida encorajou-

O relatório indica que a queda de investimento deve ver temporária, mantendo-se o desejo de conquistar novos mercados e adquirir marcas, patentes e tecnologia

-se o investimento em países do projecto “Uma Faixa, Uma Rota”. Ao mesmo tempo, Pequim apontou como um dos objectivos para as companhias nacionais o investimento global em tecnologias de ponta, como carros eléctricos, tecnologia financeira e energias renováveis. Nesse aspecto importa referir que os gigantes Tencent e Alibaba têm investido bastante em start-ups espalhadas pela Ásia inteira.

NOVAS ESTRELAS

Desde o último índice China Going Global Investment, de 2015, ficou demonstrado que apesar do investimento chinês dar primazia à estabilidade de mercados já desenvolvidos, este ano os países em desenvolvimento foram os que registaram maiores subidas de investimento, principalmente aqueles inseridos no projecto “Uma Faixa, Uma Rota”. Daí as ascensões meteóricas no ranking de países como a Malásia, Cazaquistão, Tailândia e Irão. O relatório elaborado pela equipa do The Economist aponta 2017 como um ano de acerto, principalmente tendo em conta o fortalecimento de supervisão e regulamentos aos investimentos estrangeiros. Assim sendo, o relatório indica que esta queda de investimento deve ver temporária, mantendo-se o desejo de conquistar novos mercados e adquirir marcas, patentes e tecnologia.

Dan Wang, analista chinês que participou na elaboração do índice, refere que “ainda é uma altura excitante para observar a expansão internacional da economia chinesa”. No entanto, o analista adverte que “as PUB

empresas precisam ser mais selectivas quanto às regiões e Estados onde investem”. O caso do Japão é também de assinalar. Apesar da queda de sexto lugar no ranking para 14º, as relações diplomáticas entre Pequim

e Tóquio têm melhorado, apesar de destabilizações episódicas. Ainda assim, uma sondagem do ano passado mostrava que apenas 11,3 por cento dos japoneses têm uma visão positiva da China. Mas há sobretudo uma razão estrutural para a posição do Japão na lista de países que mais captam investimento chinês. Pode-se ler no relatório que “os Estados Unidos e Japão mantém as suas posições no ranking devido às oportunidades de aquisição de tecnologia e marcas que oferecem às empresas chinesas, através de fusões e aquisições”. Por outro lado, países como a “Índia e o Irão são mercados de desenvolvimento económico acelerado nos quais as empresas chinesas têm boas chances de serem competitivas”. Apesar de Hong Kong estar entre as três regiões que mais investimento chinês conseguem captar, Macau não entra na lista do The Economist. João Luz

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11.12.2017 segunda-feira

INTERPELAÇÃO ELLA LEI PREOCUPADA COM COMPRA DE BLUE CARDS

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PESAR dos dados estatísticos demonstrarem a queda de entradas ilegais no território, de permanência sem autorização e dos trabalhadores não residentes (TNR), Ella Lei não está satisfeita. A deputada oriunda da família política da FAOM interpelou o Governo para prestar atenção a casos de compra de títulos de

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emprestado. A deputada acrescentou que a Polícia de Segurança Pública revelou um caso de um estabelecimento de jogos electrónicos que comprou blue card para três indivíduos do Interior da China, após prestar falsas declarações às autoridades para obter vaga de TNR. Ella Lei suspeita que devem haver mais casos deste género, o

INSTITUTO CULTURAL CECÍLIA TSE É A NOVA PRESIDENTE

Do turismo para a cultura

Cecília Tse deixou a Direcção dos Serviços de Turismo para assumir a presidência do Instituto Cultural. Leung Hio Ming, até agora presidente do IC, deixa o cargo, após ter sido envolvido no caso das contratações ilegais, que já tinha levado à saída de Ung Vai Meng TIAGO ALÂNTARA

ECÍLIA Tse, esposa de Lam Hin San, director dos Serviços para osAssuntos de Tráfego (DSAT), foi a escolhida para nova presidente do Instituto Cultural (IC). A ascensão da até agora vice-presidente dos Serviços de Turismo surge após a demissão do ex-presidente do IC Leung Hio Ming e do ex-vice-presidente Chan Peng Fai, ambos envolvidos no relatório Comissariado contra a Corrupção (CCAC) sobre a contratação ilegal de trabalhadores. Leung e Chan são as vítimas mais recentes do escândalo sobre contratações ilegais com recurso a contratos de prestação de serviços, que já tinha levado à demissão do também ex-presidente Guilherme Ung Vai Meng, agora aposentado. Além de subdirectora da DST, Cecília Tse desempenhava as funções inerentes a esse cargo, nomeadamente como de membro do Fundo do Turismo, Gabinete de Gestão de Crises do Turismo e Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau. A nova presidente do IC domina ainda o português.

identificação de TNR que têm como finalidade a entrada no território. Ella Lei recorda que este ano a Polícia Judiciária (PJ) apanhou um grupo criminoso de agiotagem, que operava com uma companhia de logística para ocultar as actividades ilegais. O esquema incluía o pedido de vagas de TNR para colectar dinheiro

UM CASAL E SETE CASAS

Cecília Tse é esposa do actual director da DSAT, segundo o jornal Macau Concealers, e, na declaração de bens apresentada a 31 de Março do ano passado, afirmou ser proprietária de quatro casas, cinco lugares de estacionamento e uma loja. Por sua vez, o marido declarou, a 13 de Outubro deste ano, ser proprietário de um escritório, três casas, das quais duas foram herdadas, duas fábricas com estacionamento e ainda duas lojas, também herdadas. No total, o casal Cecilia Tse e Lam Hin San é proprietário de sete casas, cinco lugares de estacionamento, três lojas, duas fábricas com estacionamento e um escritório.

CHUI NEGA INTERFERÊNCIA

Ontem, à margem da Marcha de Caridade por Um Milhão, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, afirmou que não teve nada a ver com a escolha. O governante explicou “não ter sugerido nenhum nome e que esta opção

foi ponderada cautelosamente por Alexis Tam [secretário para os Assuntos Sociais e Cultura]”. Segundo o Chefe do Executivo, o nome de Cecília Tse “teve como base não só uma cautelosa ponderação como também as habilitações, experiência profissional e capacidade”. Ao rejeitar qualquer envolvimento com a decisão, o Chefe do Executivo voltou a assumir a mesma posição que tinha adoptado quando Raymond Tam foi nomeado por Raimundo do Rosário para liderar os Serviços de Meteorologia e Geofísicos. Também na altura, Chui Sai On fez questão de sublinhar que não tinha emitido qualquer opinião sobre a escolha. Quanto aos processos disciplinares que decorrem no âmbito das contratações ilegais no IC foi revelado que “foram finalizados”. Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, frisou, no mesmo evento, que “o processo ainda se encontra

em fase de recurso, pelo que o Fundo de Pensões irá aguardar o resultado final para analisar e adoptar as medidas necessárias”.

ELOGIOS À NOVA PRESIDENTE

Carlos Marreiros, arquitecto e ex-presidente do IC, diz reconhecer em Cecília Tse uma boa gestora com olho para as questões culturais. “Conheço-a, é uma gestora competente”, disse ao HM. “Julgo que na Direcção dos Serviços de Turismo tinha alguma relação com a parte cultural do turismo. Portanto não duvido das suas capacidades de gestão. Quanto ao futuro no IC, isso a Deus pertence.” Para Carlos Marreiros, a luta pela preservação do património “não será só uma luta que ela tem de defender”. “A população de Macau está muito atenta às questões da defesa do património e a prova é que a sociedade civil após 1999 tem vindo a envolver-se muito mais na defesa destes valores do que antes”, frisou.

Marreiros disse ainda que “saúda quem saiu”. “Não foi uma decisão tardia, porque saiu o relatório que falava de irregularidades administrativas. Não falava de questões de corrupção, nem de outra ordem”, adiantou. Francisco Vizeu Pinheiro, também arquitecto, deseja que a nova direcção de Cecília Tse preste “mais cuidado em relação à preservação do património e que não deixe apenas a fachada, o que tem vindo a acontecer com alguns edifícios. É o que está previsto um pouco para a Biblioteca Central”. Vizeu Pinheiro espera também que “muitos edifícios que estão a ser usados pelo IC possam ser usados pelo público”. “O edifício-mãe do IC poderia ser aberto ao público, e outros em São Lázaro, como é o caso da academia de música, que poderia ser transferido para um edifício mais moderno, com mais capacidade, e esse local poderia ser libertado para as pessoas que passam ali. [A zona de São Lázaro] tem muito pouca coisa de museu, de comida macaense. Penso que tem de se virar um pouco para a cidade e para a cultura, e sobretudo para a cultura portuguesa, que está um pouco de lado”, considerou. João Santos Filipe Andreia Sofia Silva (com V.N.) info@hojemacau.com.mo

que demonstra a insuficiência do Executivo nos processos de apreciação e fiscalização de pedidos. Para a deputada, a segurança da população e gestão da cidade correm risco com esta situação. Como tal, Ella Lei exige ao Governo melhorias no processo de apreciação dos pedidos para vagas de TNR, assim como a implementação de um mecanismo de cooperação interdepartamental para descobrir e combater os casos de compra de blue cards. Vitor Ng com J.L.

VEÍCULOS ELÉCTRICOS DEPUTADO FALA EM INEFICÁCIA DO GOVERNO

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deputado Leong Sun Iok escreveu uma interpelação escrita ao Governo onde fala da falta de eficácia do Governo na promoção dos veículos amigos do ambiente, apesar dos trabalhos de divulgação que têm sido realizados nos últimos anos. O deputado citou dados estatísticos que mostram que, até final de Outubro, existiam apenas 209 carros eléctricos a circular no território, número que ocupa menos de 0,1 por cento do total de veículos motorizados registados. Na visão de Leong Sun Iok, a pouca adesão a este tipo de veículos prende-se com a insuficiência na sua promoção, a falta de instalações complementares bem como a falta de lugares de carregamento de baterias. Como a maioria desses lugares de carregamento estão situados nos parques de estacionamento públicos, isso pode tornar-se um inconveniente para muitos condutores, lembrou Leong Sun Iok. O deputado, número dois de Ella Lei na Assembleia Legislativa e ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau, pediu ao Governo para explicar as razões que têm levado à pouca utilização de veículos verdes, exigindo a instalação de mais equipamentos nos edifícios para o carregamento de baterias. Por outro lado, Leong Sun Iok acha que a participação dos serviços públicos é essencial para incentivar a que mais pessoas usem veículos ecológicos. Nesse sentido, o deputado questiona o Executivo sobre as medidas de fomento deste tipo de veículos por parte dos serviços públicos. V.N.

Lei do Hino Trabalhos internos concluídos até final de Janeiro

A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, disse, à margem de um evento público, que “a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) encontra-se a finalizar os procedimentos legislativos da Lei do Hino Nacional da República Popular da China, onde já tem uma versão preliminar, e prevê finalizar os trabalhos internos até Janeiro do próximo ano”. Sónia Chan disse ainda que a DSAJ “tem mantido comunicação com os serviços da tutela dos assuntos sociais e cultura, Gabinete de Comunicação Social e Gabinete de Protocolo, Relações Públicas e Assuntos Externos, com vista a conhecer a situação real e as questões que surjam na aplicação das leis nacionais na RAEM”.


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segunda-feira 11.12.2017

ORÇAMENTO PARECER APONTA FALTA DE PREVISÕES MACROECONÓMICAS

Parecer da Comissão da Assembleia Legislativa, que analisa a lei do Orçamento de Macau para 2018, aponta a falta de previsões económicas a longo‑prazo. A proposta orçamental não prevê a taxa de inflação ou o crescimento económico previsto para o ano que se avizinha

TIAGO ALÂNTARA

Governo de vistas curtas

Não se refere, nos documentos do orçamento apresentados pelo Governo, quais os pressupostos económicos (previsões) que foram adoptados na elaboração do orçamento para 2018

A

falta de previsões macroeconómicas figura como uma das lacunas da proposta de lei do Orçamento de Macau para 2018 sinalizadas no parecer da comissão da Assembleia Legislativa (AL) que analisou o diploma aprovado na generalidade em Novembro. “Não se refere, nos documentos do orçamento apresentados pelo Governo, quais os pressupostos económicos (previsões) que foram adoptados na elaboração do orçamento para 2018. Por exemplo, a taxa do aumento económico ou a taxa de inflação para 2018, indicadores que estiveram em falta no decorrer da previsão económica”, refere o parecer da 2.ª Comissão Permanente da AL, datado de terça-feira. O documento refere que cada serviço, após a avaliação interna do

A

deputada Wong Kit Cheng defende que as empregadas domésticas devem estar excluídas da proposta do salário mínimo, à semelhança do que acontece em Hong Kong. Numa interpelação escrita entregue ao Governo, a deputada entende que nos últimos anos o número de famílias cujos pais trabalham fora de casa tem aumentado,

receitas de jogo, o número de visitantes ou o progresso das obras. O parecer elabora um pouco mais sobre o caso concreto das receitas da indústria do jogo, principal motor da economia de Macau, apontando que “o Governo não esclarece a forma aplicada na respectiva estimação”, pelo que “desconhece-se os indicadores utilizados e as próprias hipóteses inerentes às previsões sobre o crescimento da economia no próximo ano”. As receitas dos casinos “assumem um papel muitíssimo importante no que diz respeito à estabilidade financeira do Governo”, pelo que “a forma da sua estimação tem implicações relevantes nos orçamentos anuais” e “constituem mesmo factor decisivo com relação directa para a determinação do montante das despesas do Governo”, diz a comissão da AL.

COMISSÃO PERMANENTE DA AL

ano anterior, apresentou às Finanças o montante do seu orçamento para o próximo ano, “estando em falta uma base uniforme para a respectiva previsão, ou seja, qual foi a taxa do aumento económico em que se baseou a previsão”, quando, “para efeitos de uma avaliação racional, a elaboração do orçamento de cada serviço deve basear-se no mesmo pressuposto macroeconómico”. “A previsão intercalar é um instrumento para o planeamento financeiro. Apesar de o orçamento

ser de natureza anual, é indispensável, ao nível macroeconómico, a avaliação intercalar da previsão das receitas e despesas do Governo, no sentido de avaliar adequadamente a racionalidade do orçamento”, aponta o parecer. O documento realça ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) propõe a inclusão de previsões intercalares de três anos.

JOGO IMPREVISTO

“A previsão intercalar deve basear-se nos diversos pressupostos

relacionados com as receitas e despesas do Governo, uns com a economia (isto é, os pressupostos económicos gerais), por exemplo, as variações reais do Produto Interno Bruto (PIB) ou a taxa tendencial do Índice de Preços no Consumidor projectadas para os anos seguintes”, diz o documento. Em causa estão ainda “algumas actividades relacionadas com determinadas áreas do Governo”, refere aquela comissão permanente da AL, dando como exemplo as

Filhas de um patrão menor Wong Kit Cheng contra salário mínimo para empregadas domésticas

sendo necessário contratar um trabalhador doméstico. A deputada revelou que, de acordo com os dados estatísticos, há actualmente cerca de 24 mil empregadas domésticas. Com a proposta de lei sobre o salário míni-

mo universal em consulta pública, muitos patrões têm receios que a inclusão dos trabalhadores domésticos no diploma possa levar a que haja uma pressão económica. Wong Kit Cheng concorda com esta visão e lembra

que podem ocorrer impactos negativos que poderão pôr em causa a estabilidade do mercado laboral. Na visão da deputada, o Governo deve rever as leis para regulamentar o trabalho doméstico, de acordo com as

“Por isso, há que uniformizar as previsões, sobre o crescimento económico, adoptadas para estimar as receitas do jogo e as respectivas previsões utilizadas na estimação das despesas do Governo, ou seja, efectuar a estimação das receitas e das despesas com base no mesmo indicador de crescimento económico do próximo ano, como por exemplo, 7 por cento, conforme resulta das previsões do FMI”, insiste a comissão da AL. Elaborado o parecer, a proposta de lei do Orçamento de Macau para 2018 vai subir a plenário para ser votado na especialidade, não havendo ainda uma data para o efeito.

condições e o conteúdo de cada trabalho. No entanto, Wong Kit Cheng lamenta que, apesar de ter solicitado ao Governo essa revisão, nenhuma medida foi concretizada. Falando do caso de suspensão de contratação de trabalhadores domésticos das Filipinas em Hong Kong, que afectou as famílias, Wong Kit Cheng salientou a importância de melhorar

o regime de empregados domésticos em Macau, para que haja trabalhadores domésticos de diferentes nacionalidades no território e em número suficiente, de acordo com a procura. Na visão de Wong Kit Cheng, o Governo deveria ainda criar um novo departamento destinado a dar seguimento às questões ligadas aos trabalhadores domésticos.


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11.12.2017 segunda-feira

Rectificação da notificação edital (48/FGCL/2017)

Rectificação da notificação edital (49/FGCL/2017)

Nos de pedido: 36/2015, 37/2015, 38/2015, 39/2015, 40/2015, 41/2015, 35/2015, 34/2015, 33/2015, 30/2015, 31/2015, 32/2015, 29/2015, 28/2015, 26/2015, 23/2015, 24/2015, 25/2015, 1/2016, 17/2016, 18/2016, 20/2016, 21/2016, 42/2016, 43/2016, 37/2016, 6/2016, 55/2016, 14/2016, 15/2016

Em conformidade com a deliberação do Conselho Administrativo deste Fundo em 21 de Abril de 2017, notifica-se o devedor dos números de pedido acima referidos, “Grupo de Entretenimento Mitologia Grega (Macau) S.A.”, Avenida Padre Tomás Pereira nº 889, Taipa, Taipa, Macau, da rectificação para $2 135 589,40 (dois milhões, cento e trinta e cinco mil, quinhentas e oitenta e nove patacas e quarenta avos), referente ao montante total dos créditos pagos por este Fundo a trinta ex-trabalhadores (Mak Mei Tat, Tou Pou Hoi, Wong Iok Ieng, Wong Kin Cheng, Wu Ieok Leng, , Lo Mei Lai, Lam Liqiong, Leong Wa Wai, Leong Kuai Ieng, Iong Lai Ieng, Kou Pin Noi, Lei Sao Fong, Ho Sio Chan, Choi Kam Wun, Cheng Yung Mui, Chan Pui Chong, Choi Lai Ha, Chan Wai Hou, Iong Ngan Mui, Wan Chu Keong, Wong Sio Pok, Ng Sio Chan, Wong Lai Hang, Lam Chu Fun, Chan Fong Kam, Wong Iok Wa, Wong Lai Kun, Tam Sio Lek, Wong Pui Un e Chin Chi Son), em consequência dos juros de mora previstos na Lei n.º 10/2015 só se aplicarem a créditos laborais existentes depois de 1 de Janeiro de 2016. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado n 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o processo. os

5 de Dezembro de 2017

No de pedido: 369/2016

Em conformidade com a deliberação do Conselho Administrativo deste Fundo em 21 de Abril de 2017, notifica-se o devedor do número de pedido acima referido, “Cia.De Decoracao, Design E Eng.Hang Tak Lei (Inter.), Lda.”, com sede na Avenida da Concórdia, no 58, Edifício Vang Kei, bloco 2, 1º andar I, Macau, da rectificação para $12 266,70 (doze mil, duzentas e sessenta e seis patacas e setenta avos), referente ao montante total dos créditos pagos por este Fundo ao ex-trabalhador Chen Jinchun, em consequência dos juros de mora previstos na Lei n.º 10/2015 só se aplicarem a créditos laborais existentes depois de 1 de Janeiro de 2016. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o processo.

5 de Dezembro de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

MONTEPIO GERAL DE MACAU ASSEMBLEIA GERAL CONVOCATÓRIA

Rectificação da notificação edital (50/FGCL/2017) Nos de pedido: 218/2016, 378/2016

Em conformidade com a deliberação do Conselho Administrativo deste Fundo em 21 de Abril de 2017, notifica-se o devedor dos números de pedido acima referidos, “Companhia De Recursos Renovaveis Jia Yang Limitada”, com sede na Avenida de Venceslau de Morais, Edifício Industrial Kin Ip, R/C, A, Macau, da rectificação para $85 472,20 (oitenta e cinco mil, quatrocentas e setenta e duas patacas e vinte avos), referente ao montante total dos créditos pagos por este Fundo a dois ex-trabalhadores (Ma Kit Pui e Hong Sai Hong), em consequência dos juros de mora previstos na Lei n.º 10/2015 só se aplicarem a créditos laborais existentes depois de 1 de Janeiro de 2016. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado n 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o processo. os

5 de Dezembro de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Nos termos do Artº 34º, nº 1, al. b) dos Estatutos em vigor, convoco a Assembleia Geral Ordinária para reunir na sua Sede, sita na Avenida Doutor Mário Soares, nº 25, 3º andar (4º piso) do Edifício “Montepio”, no próximo dia 27 de Dezembro de 2017, pelas 17H15, com a seguinte ordem de trabalhos:

1º - Discussão e aprovação do Orçamento do Montepio Geral de Macau para 2018; e 2º - Outros assuntos de interesse da Associação.

No caso de não comparecer nesse dia e hora indicados, o número de associados mencionado no nº 1 do Artº 36º, considera-se desde já convocada nova reunião, que se realizará nos termos do seu nº 2 no mesmo local decorrida uma hora, com qualquer número de associados.

Montepio Geral de Macau, aos 17 de Novembro de 2017. A Presidente da Assembleia Geral, Rita Botelhos dos Santos


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segunda-feira 11.12.2017

OFFSHORES LIONEL LEONG DIZ QUE NOVA CONVENÇÃO SERÁ APLICADA “EM BREVE”

Resposta à Europa

O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, criticou ontem a decisão da União Europeia de incluir a RAEM na lista dos territórios que são considerados paraísos fiscais. O secretário espera ver aplicada uma nova convenção sobre esta matéria em breve

“I

com os serviços competentes da China interior, pelo que espera aplicar a mesma o mais breve possível”, referiu o secretário. “A partir daí a RAEM e os outros estados-membros da UE poderão proceder à troca de informações em matéria fiscal”, acrescentou. Lionel Leong lembrou que “regiões vizinhas, que também integraram listas semelhantes, foram retiradas da lista com sucesso após acompanhamento e aplicação das medidas”. “O Governo da RAEM

irá envidar todos os esforços para que tal aconteça”, reiterou. Negando que o território é uma jurisdição offshore, Lionel Leong explicou que o Governo “tem comunicado constantemente com organizações internacionais e com a UE sobre matéria fiscal para transmitir mais informações sobre Macau”.

IMAGEM AFECTADA

À margem da Marcha de Caridade por Um Milhão, o secretário frisou ainda que a inclusão de Macau na lista dos paraísos fiscais “afectou a

GCS

NCONSISTENTE com a realidade”, “unilateral e facciosa”. Estas foram as palavras utilizadas pelo Governo Central para comentar a recente decisão da União Europeia (UE) de incluir Macau na lista dos territórios que pouco cooperam em termos de partilha de informações fiscais e que são paraísos fiscais. O Governo da RAEM também não concorda com a decisão da UE. Ontem, à margem da Marcha de Caridade por Um Milhão, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, considerou a decisão “unilateral e parcial”, que “não corresponde à realidade do território. Citado por um comunicado oficial, o secretário adiantou que “quando se estende e se aplica a Convenção Multilateral sobreAssistência Mútua Administrativa em Matéria Fiscal a questão fica resolvida”. Lionel Leong disse também esperar que este diploma seja aplicado no território “em breve”. A UE está atenta “à calendarização para saber quando será a aplicação da referida convenção em Macau”, além de que “o Governo mantém uma comunicação estreita

Lionel Leong, secretário para a Economia e Finanças “O Governo mantém uma comunicação estreita com os serviços competentes da China interior, pelo que espera aplicar a mesma [Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Fiscal] o mais breve possível.”

imagem internacional” do território, sendo que o Governo “irá esclarecer a situação, ao mesmo tempo que dará conhecimento dos trabalhos em causa junto da população”. Adecisão de incluir ou não países e regiões nesta lista parte do Conselho Europeu da UE, composto pelos 28 estados-membros, que depois é validada pela Comissão Europeia. O secretário foi também confrontado com os resultados do último relatório do Grupo Ásia/Pacífico contra o Branqueamento de Capitais (APG), que criticou a ausência de um sistema de declaração transfronteiriça em Macau, que considerou uma falha de segurança. Este grupo considerou que Macau está particularmente exposto ao crime de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo devido à circulação de fundos externos, ao crime organizado regional, aos movimentos transfronteiriços e à corrupção. Lionel Leong lembrou que a RAEM “obteve resultados bastante satisfatórios na avaliação do referido relatório, e que inclusive é considerada a melhor na Ásia Pacífico”. Contudo, é esperado que, com a entrada em vigor da nova lei contra o branqueamento de capitais, possam existir mais acusações nesta matéria por parte das autoridades judiciais. “Com a aprovação da revisão da lei em causa, pela Assembleia Legislativa, os crimes precedentes e de acusação de branqueamento de capitais serão separados, o que irá elevar a taxa de acusação”, rematou Lionel Leong. A.S.S.

NOVO REGULAMENTO DA CONSTRUÇÃO URBANA QUASE CONCLUÍDO

A

secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, garantiu ontem que a alteração do Regulamento Geral da Construção Urbana “está prestes a ser finalizada”, sendo que “os serviços competentes têm dedicado um grande volume de trabalho a este assunto”. “A revisão do referido regulamento representa um dos trabalhos de revisão legal de grande importância para o Governo, pelo que os serviços da área irão intensificar a comunicação e a coordenação com os serviços competentes”, adiantou a secretária. Sónia Chan explicou ainda que, depois da proposta de revisão estar concluída, “não será necessário alterar a actual e não oficial versão chinesa do regulamento”. A ausência de uma tradução oficial deste diploma de português para chinês, datado de 1963, foi apontada pelo director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Li Canfeng. A secretária para a Administração e Justiça referiu ainda que, no que diz respeito à revisão geral das versões chinesas e portuguesas das leis, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça irá necessitar de “algum tempo” para concluir esse trabalho, “devido à limitação de recursos humanos e dada a complexidade das tarefas”.

PSP AGENTES CONDENADOS POR CORRUPÇÃO PASSIVA E ABUSO DE PODER

ACREDITAÇÃO ALUNOS DE SERVIÇO SOCIAL DO IPM REUNIRAM COM DEPUTADO

T

D

RÊS agentes da PSP de Macau viram confirmadas pelo Tribunal de Última Instância as penas de prisão de 18, 11 e nove anos por corrupção passiva, abuso de poder e violação de segredo. O caso, conhecido em Janeiro do ano passado, envolveu seis agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública, todos condenados no Tribunal Judicial de Base a penas que iam de um ano e nove meses de cadeia a 15 anos. Todos os arguidos recorreram para o Tribunal de Segunda Instância (TSI) que agravou as penas a quatro dos envolvidos. Destes quatro, três levaram o caso ao Tribunal de Última Instância (TUI), que confirmou as

condenações. Outros três arguidos recorreram apenas ao TSI, e destes um viu a pena agravada de 11 anos para 12 anos e seis meses, e os outros dois ficaram com as penas inalteradas, de quatro anos e de um ano e nove meses, respectivamente. Os agentes foram acusados designadamente de auxiliar “pessoas que estavam interditas de entrar na Região [Administrativa Especial], para entrarem e saírem ilegalmente de Macau, e abrigar aquelas pessoas na permanência no território, recebendo “custas para a passagem” e “custas por protecção», além de cancelarem e atrasarem ilicitamente a «instauração de processos de interdição de entrada» na Região.

E acordo com o Jornal do Cidadão, um grupo de estudantes do curso de Serviço Social do Instituto Politécnico de Macau (IPM) encontrou-se com o deputado Leong Sun Iok para apresentarem dúvidas sobre o regime de acreditação profissional e inscrição para assistentes sociais, actualmente em análise na especialidade na Assembleia Legislativa (AL). Relativamente ao Conselho Profissional dos Assistentes Sociais, os estudantes reconheceram a sua importância, mas apontaram que existem falhas na sua composição, conside-

rando que o sistema proposto pelo Governo pode levar a que os “que não são profissionais liderem [o processo de acreditação] dos assistentes sociais profissionais”. Além disso, e uma vez que não foi clarificado na proposta de lei o conceito de “área de serviço social”, os estudantes preocupam-se que os membros, assim como o Conselho Profissional dos Assistentes Sociais, sejam pouco reconhecidos pela sociedade. Os estudantes lembraram ainda que a proposta não esclarece as competências do

presidente do Conselho Profissional dos Assistentes Sociais, esperando que esta e outras questões sejam abordadas nas próximas reuniões da 2ª comissão permanente da AL, onde o diploma está a ser discutido. Citado pelo mesmo jornal, o deputado Leong Sun Iok disse que o Governo deve prestar mais esclarecimentos sobre o diploma para que se evitem situações de especulação. O deputado propõe que seja implementado um sistema de revisão, para que a lei possa ser revista periodicamente, de acordo com o futuro da profissão.


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11.12.2017 segunda-feira

ANÚNCIO [N.º 159/2017]

ANÚNCIO [N.º 160/2017]

Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

Nome

N.º do Boletim de candidatura

CHEANG CHI SAN LEI U MAN FU CHAK NIN LEONG KA CHON CHEONG KENG WAN HOI WAI CHON KUAN CHENG LAM TONG FONG HUANG SHUAI

82201307893 82201323176 82201320305 82201307998 82201307114 82201338883 82201328901 82201332608 82201302979

Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH (junto da Escola Primária LusoChinesa do Bairro Norte), sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, antes do dia 8 de Janeiro de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 4 de Dezembro de 2017 O Presidente, Arnaldo Santos

Nome

N.º do Boletim de candidatura

LOK CHI KUAN

81201314708

WONG CHENG CHUN

81201313002

HO LAO MEI

81201308024

WONG TENG FUI

81201303517

Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH (junto da Escola Primária LusoChinesa do Bairro Norte), sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, antes do dia 8 de Janeiro de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 4 de Dezembro de 2017 O Presidente, Arnaldo Santos


sociedade 9

segunda-feira 11.12.2017

De saída da Universidade de Macau, Wei Zhao garante que actuou dentro dos limites da lei e alerta o governo para a falta de competitividade do território na atracção de quadros qualificados

UM WEI ZHAO GARANTE QUE CUMPRIU A LEI NO PROCESSO DE SAÍDA

O bom cidadão

Se por um lado, Wei Zhao confessou estar agradado por ter testemunhado o desenvolvimento rápido da UM, por outro lado, admitiu sentir alguma mágoa na hora de sair. Quando lhe foi pedido que explicasse melhor esse sentimento, Wei afirmou ser algo que não consegue transmitir por palavras. A construção da UM como uma das melhores universidades a nível mundial foi a meta que Wei Zhao definiu, quando tomou posse. Em jeito de balanço, o reitor considerou que o mais importante está conseguido e deu como exemplo a vontade dos estudantes locais se quererem inscrever e estudar na UM.

O

reitor da Universidade de Macau Wei Zhao garante que cumpriu a lei no âmbito da sua saída para a Universidade Americana de Sharjah. As declarações sobre a polémica relacionada com o não cumprimento de um período de nojo de seis meses foi deixada numa entrevista publicada pelo jornal Ou Mun. Quando focou o assunto pelo qual está a ser investigado, Zhao sublinhou que “cumprir as leis é a obrigação mais básica dos cidadãos” e que “vai de certeza pôr esta obrigação na prática”. Por outro lado, o reitor, que deixa o cargo a 8 de Janeiro, defendeu que o seu sucessor, Yonghua Song, devia chegar antes do início do seu

GUERRA DE TALENTOS Quando focou o assunto pelo qual está a ser investigado, Zhao sublinhou que “cumprir as leis é a obrigação mais básica dos cidadãos”

mandato a bem do “interesse geral” da universidade. Sobre o percurso de nove anos à frente da UM, que considerou cheio de mudanças, Wei Zhao explicou que não consegue seleccionar o momento

mais marcante. Já em relação os momentos mais baixos, frisou que “só um idiota é que se sente sempre feliz, sem pensar nos seus arrependimentos”. Porém, não mencionou casos negativos concretos.

Sobre o objectivo da UM formar um futuro Chefe do Executivo, Wei Zhao pediu confiança à população, sublinhando que sem essa meta a “existência da UM será insignificativa”. Wei reconheceu também que ao longo do percurso procurou sempre ir ao encontro das necessidades dos estudantes e da sociedade. Face ao futuro, antes da tomada de posse na universidade para onde

vai, o reitor espera poder descansar. “Nos últimos nove anos, as férias que gozei não chegaram a totalizar mais de 30 dias. Se calhar é por causa das minhas limitações, mas sempre fiz o maior esforço em prol do desenvolvimento da UM, e agradeço o prazer que tive ao servir o ensino superior de Macau”, apontou. O reitor disse também que apesar de no passado ter defendido que os preços elevados do imobiliário são um dos grandes desafios para atrair talentos do exterior, que esse não é o maior obstáculo que da UM enfrenta, neste momento. Nesse sentido, Wei Zhao alertou para o facto da concorrência pelos quadros qualificados estar a ficar cada vez mais intensa, apontando para as instituições de ensino superior do Continente. Se no passado as universidades do Interior da China apresentavam falta de competitividade, agora, diz, esse cenário está muito diferente. Ao mesmo tempo, Wei Zhao considerou que Macau e Hong Kong apresentam competitividade para atraírem talentos estável, mas que não vai além de um nível médio. Como tal sugere que se comece por reconhecer este facto e que se coopere com as políticas do Governo, no âmbitos de melhorar as condições sociais.

SIDA MACAU QUER CHEGAR AOS 90 POR CENTO DE DIAGNÓSTICOS ATÉ 2020

VACAS LOUCAS REGISTADO CASO SUSPEITO EM MACAU

A

F

Comissão de Luta contra a Sida reuniu na passada quinta-feira, tendo sido apresentados os últimos dados relativos a esta doença. Segundo um comunicado oficial, o director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, garantiu que até 2020 Macau pretende atingir as metas 90-90-90 da ONU. Significa isto que, até essa data, “90 por cento das pessoas infectadas devem estar diagnosticadas”. Dessas, “90 por cento devem estar em tratamento, e, neste grupo, 90 por cento devem ter uma carga viral indetectável, não podendo, assim, infectar terceiros”. Lei Chin Ion adiantou ainda que “no próximo ano deve ser

reforçado o trabalho de divulgação relativo à prevenção da SIDA na comunidade, reduzindo o número de casos através do aperfeiçoamento dos serviços de acompanhamento de indivíduos infectados”. Leong Iek Hou, secretário-geral da Comissão de Luta Contra a Sida, apresentou os últimos dados sobre esta matéria, tendo referido que, entre Janeiro e Outubro, foram registados 16 casos de residentes locais que foram declarados infectados com VIH em Macau. Destes, a infecção em nove casos ocorreu por via heterossexual, em sete casos via homossexual.

“Em geral, os casos de infecção dos residentes locais são originados principalmente por contactos heterossexuais. No entanto, o número de casos de contacto homossexual ou bissexual nos últimos anos tem registado uma tendência de aumento”, adiantou a responsável. Já Lei Lai Peng, chefe da divisão de Tratamento da Toxicodependência e Reabilitação do Instituto de Acção Social, disse que os serviços de manutenção de metadona “têm revelado bons resultados, com uma taxa de presença dos doentes de 87 por cento”. Nos primeiros nove meses do ano foram recolhidas 14.258 seringas.

OI detectado no Centro Hospitalar Conde de São Januário um caso suspeito de infecção por doença das vacas loucas, também conhecida como a doença de Creutzfeldt–Jakob. Segundo um comunicado dos Serviços de Saúde (SS), a mulher, de 60 anos e natural de Macau, está internada “em estado grave”, não existindo, até ao momento, quaisquer novidades sobre o caso, apurou o HM junto dos Serviços de Saúde. Segundo um comunicado oficial, em Outubro a paciente “manifestou, durante uma estadia nos Estados Unidos, sintomas de hemiparesia, tendo manifestado também espasmos musculares, diminuição da força muscular dos membros, dificuldade de fala, entre outros, que gradualmente foram agravados”.

Vítor Ng

info@hojemacau.com.mo

A doente foi internada no São Januário na quinta-feira, depois de ter recorrido a assistência médica nos Estados Unidos, em Zhongshan, no interior da China e Hong Kong, sem que a sua situação clínica tenha apresentado melhorias. “A paciente não tem história familiar das doenças semelhantes, nem foi submetida a transfusões de sangue ou intervenção cirúrgica. De acordo com a história de contactos, história familiar, manifestações clínicas e Electroencefalograma (EEG), entre outros exames, a probabilidade de ter sido contraída a doença de Creutzfeldt–Jakob esporádica é muito elevada”, apontam os SS no mesmo comunicado. Em Macau foi relatado um caso de doença de Creutzfeldt–Jakob esporádica em 2012.


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11.12.2017 segunda-feira

O jornalista e a contra-cultura

LUIZ CARLOS MACIEL (1938-2017)

P

RINCIPAL ensaísta e pensador da contracultura no Brasil, o jornalista, director teatral e argumentista Luiz Carlos Maciel morreu sábado passado, aos 79 anos, de uma doença pulmonar obstrutiva crónica. O ensaísmo de Maciel articulou a contracultura brasileira com escritores e agitadores internacionais, anti ou extra-académicos, e contribuiu para torná-la mais consciente de si própria, ao informar sobre ideias insurgentes e movimentos de vanguarda dos anos 60 e 70. O espírito da contra-cultura manifestou-se em Maciel ainda na faculdade de Filosofia, em Porto Alegre, onde nasceu em 15 de Março de 1938. Aproximou-se do existencialismo de Sartre e do teatro do absurdo, encenando “À espera de Godot”, de Samuel Beckett. Autor do ensaio “Sartre, Vida e Obra” (1967), Maciel destacaria a relevância do filósofo francês na sua transição para a vida adulta, por despertá-lo para a liberdade e a responsabilidade. Confiante na profecia do amigo Glauber Rocha de que a Bahia lideraria uma revolução cultural, decidiu mudar-se para Salvador e assumir uma cadeira de professor da Escola de Teatro, em 1959. Em 1960, com uma bolsa da Fundação Rockefeller, Maciel partiu para o Carnegie Institute of Technology, em Pittsburgh,

nos Estados Unidos. O mergulho na vida americana enriqueceu o repertório de autores e tendências comportamentais da futura e legendária coluna

“Underground” no semanário humorístico “Pasquim”, do qual tornou-se um dos fundadores a convite do jornalista Tarso de Castro.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA NEGROS ANOS • Zhang Jie A obra-prima da escritora que verteu numa epopeia sublime a história da China no século XX Para atingir o seu objectivo de poder e impedir a modernização, o comunismo maoista violou os sentimentos mais sagrados, estruturantes, da cultura da China, lançando os filhos contra os pais, impondo a toda a sociedade uma violentíssima convulsão. Estes são os negros anos descritos por Zhang Jie. Violência dilacerante cuja lembrança ainda hoje ensombra o coração da China, mas que não conseguiu desintegrar a textura intima da irredutível humanidade do povo chinês.

Entre 1969 e 1972, Maciel era o recordista de cartas da redacção e passou a ser chamado de “guru da contra-cultura”, um epíteto aceito

a contragosto e fortalecido depois do texto “Conselhos a mim mesmo”, em que recomendava: “1. Escuta o canto do ser. Ele tem mais de mil vozes. Olha a dança do ser. Ela tem mais de mil passos”. Na “Underground”, e também em artigos para a grande imprensa, Maciel apresentou o budismo-zen de Alan Watts, os testes com LSD do escritor americano Ken Kesey, Timothy Leary e os benefícios terapêuticos das experiências psicadélicas, os Hell’s Angels, “Eros e Civilização” de Herbert Marcuse, a acção política do poeta beat Allen Ginsberg e o Gay Liberation Front da Califórnia (em confronto com Ginsberg). Mais: o hipster segundo Norman Mailer, o Living Theatre, o romancista alemão Hermann Hesse, os Panteras Negras, Wilhelm Reich e a revolução sexual, Carlos Castaneda e os ensinamentos do bruxo Don Juan, as interpretações histórico-psicanalíticas de Norman O. Brown. Assimilou gírias e comentou as religiões orientais, o rock, o jazz, a antipsiquiatria, a anti-universidade, a liberação sexual, o feminismo de Yoko Ono, a erva e o movimento hippie, além de fazer perfis de artistas como Bob Dylan, Jimi Hendrix, Richie Havens, Santana e Janis Joplin. Antecipou-se em décadas às campanhas nacionais contra

políticas repressivas a consumidores de drogas. Em oposição ao machismo confesso de outros membros do “Pasquim”, simpatizava com os gays, os hippies, as feministas e os tropicalistas. Perto de embarcar para o exílio em Londres, em 1969, o compositor Caetano Veloso recebeu de Maciel a tarefa de enviar artigos para o semanário, uma colaboração bem-vinda para quebrar o gelo político em torno do grupo baiano.

NOVA CONSCIÊNCIA

Os ensaios contra-culturais de Maciel saltaram dos jornais para duas colectâneas populares nos anos 70: “Nova Consciência” (1972) e “A Morte Organizada” (1975), complementados adiante pelo volume “Negócio Seguinte” (1978). A tensão entre cultura e contracultura, poder e anti-poder, liberdade e repressão, atravessa o seu pensamento. “Nunca ninguém defendeu teses irracionalistas em estilo tão calmamente lógico”, definiu Caetano Veloso. No livro “Geração em Transe - Memórias do Tempo do Tropicalismo” (1996), repassou a convivência com os três artistas que julgava centrais na contracultura brasileira: Glauber, José Celso Martinez Corrêa e Caetano. Dizia-se polímata ou homem sem especialização. Chegou

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

NÃO HÁ PALAVRAS • Zhang Jie Não Há Palavras para exprimir a força de um sentimento que arrasta consigo a alma e muitas vezes a seca ao ponto de a tornar para sempre árida; ou que, pelo contrário, a enche ao ponto de extravasar, apagando a razão. Esse amor inexprimível está aqui, nas páginas deste romance: homens e mulheres à mercê dos sentimentos, que vivem as suas vidas unidos e separados por vicissitudes e paixões - tendo como fundo um país imenso, antiquíssimo, de civilização rica e complexa, que mudou com inaudita rapidez e violência no breve espaço de um século. Trata-se de um fresco memorável que remete para a grandeza de Doutor Jivago, de Boris Pasternak: leve e poderoso, surpreende a cada página – um mosaico de histórias individuais e colectivas, reconstituído, reconstruído e oferecido à memória e ao futuro.


eventos 11

segunda-feira 11.12.2017

a dirigir o filme “Society em Baby-Doll”, em 1965. Nos anos 80, enraizou-se na actividade de argumentista na Rede Globo, integrando a equipe do “Globo Repórter”. “O Sol da Liberdade”, a sua última colectânea, revisitou a vanguarda do Tropicalismo, filósofos como Heráclito, Nietzsche e Heidegger, o escritor americano de ficção científica Philip K. Dick e o filme “Matrix” (1999). Limitado pelo enfisema pulmonar, que se agravou este ano, Maciel sentava-se em posição de lótus, no gabinete, e passava os dias ouvindo Duke Ellington, o ídolo maior. Buscou em vão o raro LP “The Duke In São Paulo”, um concerto gravado em 1968 no Teatro Municipal, jamais encontrado. Sofreu com a perda de um pedaço de sua coleção de discos de jazz na última mudança de apartamento, mas pacificou-se ao lembrar de uma lição de Norman O. Brown: é preciso saber despedir-se para sempre. Nos últimos anos, publicava seus textos no Facebook e continuava a ler e discutir os mestres Heidegger, Sartre, Castaneda e Philip K. Dick. PUB

Descontente com o impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão da direita ao poder —com ela, a caretice, sua velha inimiga—, Maciel lamentou, em casa, duas semanas antes da internação hospitalar: “Conseguiram transformar o Brasil no país mais chato do mundo”. Em seu último ensaio, “Memórias do Futuro” (inédito), pensado como introdução a um livro imaginário, o ensaísta defendeu um ponto de vista utópico: “A questão que nos confronta, hoje, é a necessidade de novas lembranças do futuro, de informação sobre nosso destino através de um processo semelhante ao que operou nos anos 60”. Maciel deixa a viúva, Maria Cláudia, actriz, com quem estava casado desde 1976, os filhos Lúcia Maria e Roberto (do primeiro casamento com Yonne), quatro netos, 13 livros e oito gatos baptizados com nomes de filósofos pré-socráticos. Arriscava-se à futurologia ao prever a manchete da sua morte: “Morre Luiz Carlos Maciel, o guru da contracultura.” In Folha de São Paulo (adaptado)

T

RINTA e três obras originais que ilustram a diversidade e criatividade das artes visuais em Macau vão estar patentes no Clube Militar até ao próximo dia 6 de Janeiro. O objectivo desta exposição é reunir “um conjunto amplo de artistas e suas obras que seja representativo da vitalidade e a criatividade da comunidade artística local”, indicou a APAC Associação de Promoção de Actividades Culturais, que organizou este Salão de Artistas de Macau. Ao HM, José Duarte, responsável pela associação, explicou que a ideia é mostrar um pouco do que se faz em Macau em termos de arte.

A arte de várias gerações Salão de Artistas de Macau apresenta 33 obras originais

“São artistas de várias gerações, com várias abordagens de pintura e várias técnicas, é esse o objectivo desta exposição. A ideia é, no fim do ano, juntar

“A ideia é, no fim do ano, juntar artistas cujo elemento comum é o facto de serem de Macau e mostrar um pouco a diversidade e a vitalidade da pintura e do desenho em Macau.” JOSÉ DUARTE ORGANIZADOR DA EXPOSIÇÃO

artistas cujo elemento comum é o facto de serem de Macau e mostrar um pouco a diversidade e a vitalidade da pintura e do desenho em Macau.” Artistas como Denis Murell, o consagrado Konstantin Bessmertny ou José Drummond, que também tem uma outra exposição patente na Livraria Portuguesa, intitulada “Ao meu coração um peso de ferro”, participam nesta iniciativa. Estão também incluídos nomes como o do designer Vítor Marreiros e Alexandre Marreiros, arquitecto e artista. “Temos o Denis Murell, que este ano é o decano, e depois temos duas jovens nascidas em 1985. Não tem a pretensão de ser a mostra de toda a arte que se faz em Macau. São apenas 33 artistas com obras recentes”, adiantou José Duarte.

A “cada artista” foi pedido que escolhesse um único “trabalho recente e significativo” para integrar este Salão, que apresenta 33 artistas de renome e jovens artistas emergentes, com mais de 50 anos a separar os mais velhos dos mais jovens, acrescentou a APAC. A exposição pretende também assinalar o 18.º aniversário do estabelecimento da RAEM, acrescentou a organização. Esta mostra é a terceira da série anual intitulada “Pontes de Encontro”, promovida pelo Clube Militar de Macau, e que incluiu em Junho uma exposição de pintores portugueses, e em Outubro uma apresentação de 27 obras de nove pintores lusófonos. A.S.S.


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11.12.2017 segunda-feira

“PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO NECESSITAM DE UMA VOZ”, DEFENDE XI JINPING

Um fórum sobre direitos humanos em Pequim relembra a posição da China.

NEWSWEEK

Os direitos possíveis

“A

comunidade internacional deve respeitar e reflectir a vontade das pessoas dos países em desenvolvimento à medida que os direitos humanos são formulados”, disse o presidente Xi Jinping, acrescentando que o estabelecimento de direitos humanos em todo o mundo não pode ser alcançado sem os esforços conjuntos dos países em desenvolvimento. Os comentários de Xi foram feitos numa mensagem de congratulações ao Fórum Sul-Sul dos Direitos Humanos, inaugurado em Pequim na quinta-feira. O fórum de dois dias foi convocado pela primeira vez e centrou-se no estabelecimento dos direitos humanos para os cidadãos dos países em desenvolvimento. Mais de 300 delegados, provenientes de mais de 70 países e organizações internacionais, participaram do fórum, sob a temática “Construindo uma Comunidade de Futuro Compartilhado para os Seres Humanos: Novas Oportunidades para o Desenvolvimento dos Direitos Humanos Sul-Sul”. “Os direitos humanos podem e devem ser promovidos à luz das condições nacionais específicas e das necessidades dos povos”, reforçou Xi, apelando aos países em desenvolvimento que defendam a universalidade e as especificidades dos direitos humanos e aumentem constantemente o nível de protecção dos mesmos. A mensagem de Xi dizia ainda que, “seguindo uma filosofia de desenvolvimento centrada nas pessoas, o Partido Comunista da China e o governo chinês sempre colocaram

Um jornal de Jilin, província chinesa que faz fronteira com a Coreia do Norte, publicou esta semana instruções sobre como proceder em caso de acidente nuclear, ilustrando o crescente receio da população face aos testes de Pyongyang. China e Coreia do Norte partilham uma fronteira com 1.420 quilómetros de extensão. Na edição de quinta-feira, o Jilin Daily publicou uma página inteira com instruções detalhadas e ilustradas com desenhos a explicar o que fazer em caso de um acidente ou ataque nuclear. Imagens das instruções foram rapidamente partilhadas nas redes sociais chinesas, levando o jornal a explicar em editorial que se “tratou apenas de um programa de rotina de formação em defesa nacional e segurança pública” e que as pessoas não lhe devem conferir segundas interpretações. No mesmo dia, um jornal oficial do Partido Comunista Chinês escreveu em editorial que as preocupações em Jilin são “compreensíveis”, mas ressalvou que não há motivos para tal. “A [Coreia] do Sul, Japão ou mesmo os Estados Unidos, deviam estar mais preocupados sobre possíveis ataques”, escreveu o Global Times.

Oito mortos em incêndio

Oito pessoas morreram, no sábado, na sequência de um incêndio que deflagrou numa pequena comunidade de Gongping, na província de Guangdong, no sul da China, informaram as autoridades locais. As causas do incêndio, que demorou duas horas a ser extinto, estão a ser investigadas. Uma pessoa morreu no local e outra a caminho do hospital, para onde foram transportadas as restantes seis vítimas que sucumbiram posteriormente aos ferimentos, indicou a agência de notícias chinesa Xinhua. No final de Novembro, um incêndio num edifício do sul de Pequim causou 19 mortos. Poucos dias depois, outro fogo, num prédio da cidade de Tianjin, fez dez vítimas. Os recentes incidentes levaram o governo chinês a lançar uma inspecção-geral para analisar as medidas anti-incêndios nos imóveis da capital e dos seus subúrbios. A medida levou ao despejo de milhares de pessoas, a maioria migrantes indocumentados procedentes de zonas rurais da China.

os interesses do povo acima de tudo e trabalharam arduamente para ir de encontro aos desejos das pessoas por uma vida melhor e melhorar o respeito e a protecção dos direitos fundamentais do povo chinês”. O plano de desenvolvimento delineado no 19º Congresso Nacional do PCC dará um forte impulso ao desenvolvimento dos direitos humanos na China e acarretará “novas e maiores contribuições para o progresso da humanidade”, reiterou Xi. A mensagem foi lida por Huang Kunming, membro do Comité Central do PCC, na cerimónia de abertura do fórum. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, que também discursou durante a cerimónia de abertura, disse que as práticas da China revelam que há mais formas de proteger os direitos humanos e

que a China respeita outros países na escolha dos seus próprios caminhos de desenvolvimento e formas de protecção dos direitos humanos. Yldiz Deborah Pollack-Beighle, ministra dos Negócios Estrangeiros do Suriname, disse que o pensamento sobre a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade reflecte a aspiração da maioria dos países e vai de encontro aos interesses comuns da comunidade internacional. Os direitos humanos não devem ser politizados e discutidos de forma conflituosa, reforçou, acrescentando que o fórum “reúne um grupo de países e especialistas de mentalidade semelhante num momento importante para a nova era dos direitos humanos”.

PRESIDENTE ALTA QUALIDADE DEVE GUIAR A ECONOMIA

A

Jornal explica o que fazer em caso de acidente nuclear

China deve implementar novos conceitos e concentrar-se em novas metas no seu trabalho económico no próximo ano, disse Xi Jinping, secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC). Xi fez o comentário num simpósio com representantes de partidos não comunistas e pessoas sem afiliação partidária. “A característica essencial da economia na actual fase é que ela está em um período de transição de uma fase de rápido crescimento para uma fase do desenvolvimento de alta qualidade.” “Desde agora até o futuro próximo,

o desenvolvimento de alta qualidade é o requisito fundamental na determinação das ideias de desenvolvimento, formulação de políticas económicas e implementação de medidas de macrocontrole.” Alcançar o desenvolvimento de alta qualidade é imperativo para que a China mantenha o desenvolvimento sustentável e saudável da economia e sociedade, segundo Xi. Também é imperativo para se adaptar à transformação da principal contradição enfrentada pela sociedade e construir completamente um país socialista moderno, concluiu.

Paris Vice-primeiro-ministro na cimeira do clima

O vice-primeiro-ministro chinês, Ma Kai, viajará para França na próxima terça-feira para assistir à Cimeira Um Planeta, evento destinado a discutir o financiamento para o combate às mudanças climáticas. A convite do presidente francês, Emmanuel Macron, do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, Ma assistirá à cimeira a 12 de Dezembro em Paris como enviado especial do presidente chinês, Xi Jinping. Ma pronunciará um discurso na tarde de 12 de Dezembro numa reunião de alto nível, em que o vice-primeiro-ministro reiterará o apoio da China ao Acordo de Paris e a sua disposição em se envolver na cooperação internacional para enfrentar a mudança climática. Ma também explicará a postura da China sobre o financiamento para o clima e mostrará os actos chineses no desenvolvimento de finanças verdes e na busca de uma transição para uma economia com baixa emissão de carbono.

Aviação União Europeia e China assinam dois acordos

A União Europeia (UE) e a China assinaram dois acordos para facilitar o intercâmbio de produtos aeronáuticos e agilizar as ligações entre os dois territórios, informou a Comissão Europeia. “A China é um parceiro chave na aviação para a União Europeia e aprofundar mais os nossos vínculos é uma prioridade”, afirmou a comissária europeia dos Transportes, a eslovena Violetta Bulc. O primeiro dos textos, chamado de Acordo Bilateral de Segurança na Aviação Civil (BASA, na sigla em inglês), eliminará “a duplicação desnecessária das actividades de avaliação e certificação de produtos aeronáuticos por parte das autoridades de aviação civil, de forma a reduzir os custos para o sector”. Quanto ao Acordo Horizontal de Aviação, pressupõe o reconhecimento pela China do “principio de designação” comunitária, pelo que qualquer companhia aérea europeia pode voar para a China a partir de qualquer Estado-membro da UE com acordos bilaterais com Pequim em matéria de aviação. Actualmente, apenas as companhias “detidas e controladas por um determinado Estado-membro ou seus nacionais podem voar entre esse Estado-membro e a China”. Bruxelas e Pequim assinarão oficialmente os dois acordos o “mais rápido possível”, respeitando os respectivos procedimentos internos, informou a Comissão Europeia, segundo a qual a aviação emprega mais de 360.000 pessoas e gerou um volume de negócios de 150.000 milhões de euros em 2015.


china 13

segunda-feira 11.12.2017

Preconceitos de Turnbull

A

China acusou o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, de minar a confiança mútua entre os dois países, depois de este ter acusado potências estrangeiras de tentar influenciar o processo político do seu país. O primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, disse esta semana que o seu Governo vai actualizar as leis relativas à espionagem e traição e proibir donativos a organizações políticas australianas por estrangeiros, visando evitar interferências na política interna australiana. O anúncio surge numa altura em que os EUA estão a investigar a alegada interferência da Rússia nas suas eleições e de crescentes preocupações quanto ao dinheiro e influência chineses na política australiana. “As potências estrangeiras estão a exercer tentativas sem precedentes e cada vez mais sofisticadas de influência no processo político, aqui e no

BUSINESS INSIDER AUSTRALIA

China acusa líder australiano de minar confiança mútua

exterior”, disse Turnbull aos jornalistas. O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros afirmou que os comentários de Turnbull “estão cheios de preconceito contra a China” e envenenaram as relações entre Pequim e Camberra. A China é o maior parceiro comercial da Austrália e a

principal fonte de donativos estrangeiros para entidades políticas do país. A lei australiana não distingue doadores da Austrália ou de países estrangeiros. Na semana passada, o Governo de Camberra pediu o afastamento do senador da oposição australiana Sam Dastyari por este

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NOTIFICAÇÃO EDITAL N.° 96 / 2017

(Solicitação de Comparência do Empregador)

Nos termos das alíneas b) e c) do n.° 1 do artigo 6.° do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.° e n.° 2 do artigo 72.° do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o representante legal da sociedade “Companhia de Wa Ko Lda.”, proprietário da “ESTABELECIMENTO DE COMIDAS BUDDY”, sita na Rua do General Ivens Ferraz n.º 255, Edifício Wai Choi Garden, R/C, Loja G, em Macau, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.° andar, Macau, a fim de prestar auto de declarações relativas ao processo n.° 1551/2017, proveniente da YANZHEN, ZHONG XIAOMING e ZHONG DAOGUANG relativamente às matérias dos indemnização rescisória e compensação do trabalho extraordinário. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais - Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 15 de Novembro de 2017. O Chefe do Departamento, Lai Kin Lon

ter solicitado donativos a um empresário chinês, uma acção que passará a ser crime caso a proposta de Turnbull avance. Segundo a nova legislação, passa a ser considerado crime actuar em benefício de uma entidade estrangeira, de forma a influenciar um processo político ou governamental. Uma outra lei vai proibir donativos estrangeiros a entidades políticas australianas. Dastyari solicitou donativos ao empresário chinês Huang Xiangmo para cobrir despesas pessoais. Numa conferência de imprensa, organizada apenas para jornalistas chineses, o senador australiano deturpou a política australiana para as reclamações territoriais de Pequim no Mar do Sul da China. O Governo australiano defende ainda o afastamento de Dastyari, por ter dado a Huang conselhos contra-espionagem, quando no ano passado disse ao empresário que deixasse o telemóvel dentro da sua mansão em Sidney enquanto iam lá fora falar.

Inflação fixou-se em 1,7%

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) da China desacelerou mais do que o esperado, crescendo 1,7% em termos anuais homólogos em Novembro, anunciou o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês. O IPC, principal indicador da inflação, subiu 1,7% em termos anuais homólogos, menos duas décimas comparativamente a Outubro, ficando abaixo da previsão de 1,8%. Trata-se do décimo mês consecutivo que o IPC da segunda economia mundial cresce a uma taxa inferior a 2%, sinalizando uma inflação mais ligeira do que a meta definida por Pequim de manter essa taxa em torno dos 3% no final do corrente ano. Sheng Guoqing, do Gabinete Nacional de Estatísticas da China, atribuiu o abrandamento do IPC a uma queda nos preços dos alimentos que se revestem de um grande peso no cálculo do indicador da inflação. Os preços dos alimentos diminuíram 1,1% em Novembro, em termos anuais, mais 0,7 pontos percentuais comparativamente ao declínio registado em Outubro. Os preços da carne de porco, por exemplo, caíram 9%, travando a subida do IPC em 0,25 pontos percentuais. Em termos mensais, os preços dos alimentos diminuíram 0,5%, com os da carne de porco ou dos legumes frescos a caírem devido ao excesso de oferta. Em contrapartida, os preços da carne de vaca, borrego, ovos ou fruta aumentaram graças ao impulso de uma crescente procura. Os preços de outras componentes do cabaz excluindo alimentos subiram em Novembro tanto em termos anuais como mensais. O Gabinete Nacional de Estatísticas da China também publicou hoje o Índice de Preços ao Produtor referente a Novembro. O principal indicador da inflação no sector grossista, subiu 5,8% em termos anuais, mas ficou abaixo do crescimento de 6,9% registado em Outubro.


14

h

11.12.2017 segunda-feira

certo dia a penumbra disse à sombra: és por vezes inquieta por demais

SHEN HAO

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Hua Zhu»

Discurso sobre a Pintura

Wen Bi (hao, Zheng Lao, mais conhecido por Wen Zhengming, 1470-1559) escrevia as suas inscrições na pintura de modo muito claro e preciso. Shen Zhou (1427-1509) em idade mais avançada escreveu inscrições num estilo grosso e imprudente que invadia o espaço da pintura e assim estragava algumas partes maravilhosas. Ele foi imitado por Shen Shun (Boyang, zi Taofu, 1485-1544) e outros. Em cada pintura há um lugar adequado para uma inscrição dedicatória; se não se acertar com esse lugar a composição perde-se. Copiar e Esboçar. A cópia de velhos mestres não deve ser feita com os originais

à frente; a cópia deve ser feita na alma. Devemos concentrar-nos na ideia do trabalho sem o menor desvio, sem o menor grão de pó. O facto de ficar ou não ficar parecido é algo que não depende de qualquer deliberação. Sun (Qianli, zi Guoting, 646691) e Yu (Shinan, 558-638)1; os dois herdaram o estilo de escrita de Wang Xizhi (303-61) e no entanto eram muito diferentes. Li (Kongtong) e He (Dafu)2; ambos imitaram a poesia de Du Fu (712-770), e no entanto eram diferentes entre si. Outros homens viram abrir-se-lhes os olhos ao observar dançarinos de espadas3 ou acrobatas caminhando sobre potes de barro.

1 - Dois famosos calígrafos e poetas da era pré-Tang (618-906). 2 - Dois poetas da dinastia Ming (1368-1644). 3 - Alusão a uma história da biografia de Wu Daozi (Daoxuan, 680-760), quando o general Pei Min que fazendo o luto pela morte de sua mãe lhe pediu para pintar uma morada celeste. Wu respondeu-lhe que o seu pincel estava há muito por usar mas se este protagonizasse uma das suas famosas danças de espadas talvez a veemência e a fúria do acto o estimulasse a penetrar o mistério da «descida aos infernos». E foi assim que depois de observar a dança, pintou uma das suas famosas pinturas de oitenta e sete deuses habitando a morada celeste. Note-se que noutra das lendas associadas a Wu Daozi se conta que tendo ele sido enviado a Sichuan para fazer uma pintura do rio Jialing, de lá regressou sem ter feito um único esboço, porém num único dia pintou de memória os trezentos li do seu curso. O feito corrobora, não a sua capacidade de memorizar mas o processo que Shen Hao refere; «a cópia deve ser feita na alma». A propósito de Wu, Zhang Yanyuan escreveu: «Tendo pleno controlo do seu espírito, ele concentrava-se no Um e assim trabalhava em harmonia com o Criador.» (Lidai Minghua Ji, Livro II, citado por Pierre Ryckmans, op. cit. p. 118)


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 11.12.2017

A

GORA são os quadros. Não aqueles capazes de causar controvérsia e que, de modo mais ou menos feliz, fazem luz sobre as contradições da contemporaneidade. São obras perfeitamente integradas no cânone da história da arte ocidental e, por vezes, tão discretas e inofensivas que sobre elas recai unicamente a atenção dos especialistas. À partida, não há muito para dizer sobre Egon Schiele que já não tenha sido dito. E, ainda assim, consegue ser notícia, por razões que lhe são alheias e que configuram um quadro de puritanismo revisitado a que Schiele teria provavelmente respondido com muito mais ousadia do que aquela que a censura lhe descobre agora. Reformulemos: não é de censura em sentido canónico de que se trata; não é um programa de estado ou sancionado por uma autoridade central com o intuito mais ou menos explícito de moldar a sociedade em função de um determinado programa político. É uma coisa muito mais anónima, volátil e caprichosa, disseminada em grande parte pelas redes sociais, posta em prática por activistas de sofá e ratificado por uma ou mais minorias que reclamam dores próprias ou alheias como pretexto e fundamento para a tomada de uma posição moral. E tudo se resume a isto: o mundo ideal é um lugar de onde toda a possibilidade de afectação negativa deve ser eliminada. O disparate desta tese pode ser visto de dois ângulos distintos. Em primeiro lugar, se pensarmos num mundo como uma imensa sala de estar cuja climatização

o ofício dos ossos Valério Romão

Escondam o Courbet, eles vêm aí depende das definições escolhidas para o ar condicionado, é fácil percebermos que será não somente impossível regular todos os parâmetros de forma a satisfazer toda a gente como a constante afinação milimétrica exige da sociedade a imposição de uma vigilância neurótica. Por outra parte, a tese referida parte do pressuposto ingenuamente epicurista segundo o qual tudo quanto é desagradável ou inquietante é moralmente condenável e pernicioso.

Uma das características mais interessantes de uma obra de arte, a de ser desafiante e perturbadora, deixa de ser uma vantagem para a compreensão deste ou de outro tempo e desta ou de outras culturas para passar a ser uma obsolescência agressora que reduz a obra de arte a um insulto sem mérito. Não é difícil imaginar no que se transformariam os museus acaso a curadoria das exposições fosse entregue aos activistas da higiene.

Apetece perguntar para que serviram guerras mundiais e cadafalsos quando o monstro, na verdade, aprendeu a caminhar incólume mesmo no meio de nós

Esta posição moral, de que os subscritores garantem o carácter justo, é tudo menos justa e tudo menos moral. É uma posição acrítica, sem qualquer fundamento teórico e absolutamente infantil. Rege-se pelo princípio da máxima subjectividade em duplo sentido: qualquer pessoa que se sinta afectada negativamente por qualquer coisa pode e deve exigir que a fonte desse desconforto seja eliminada ou escondida. Não visa uma ideia de uma sociedade mais equilibrada e madura – pois tal exige esforço e sacrifício – nem propõe qualquer alternativa que não seja a abolição – pois tal exige pensamento. Propõe banir coisas e, a reboque de tudo quanto as sociedades civilizadas lograram obter em termos de ganhos sociais – a abolição da escravatura, o sufrágio universal, o reconhecimento constitucional dos direitos de todos os cidadãos – o seu fim último, mesmo que o desconheça, é o de deitar fora o bebé com a água do banho. Veste progresso mas tresanda a retrocesso. Diz-se da liberdade mas age como o mais empedernido fascista. Por isso quando surgem notícias como a censura dos cartazes publicitários da exposição de Egon Schiele pela empresa de transportes públicos londrinos ou o mais recente caso de petição asinina – relativa a um quadro de Balthus (Thérèse Révant) – exigindo a remoção de uma obra constante da exposição permanente do MET, apetece perguntar para que serviram guerras mundiais e cadafalsos quando o monstro, na verdade, aprendeu a caminhar incólume mesmo no meio de nós.


16 desporto

11.12.2017 segunda-feira

A

LESSIO Piccini triunfou ontem na Taça de Macau em Karting, após ter dominado por completo a prova, levando 19:41.651 a percorrer as 25 voltas ao traçado de Coloane. Já o piloto de Macau João Afonso terminou a competição no 11.º, depois de ter arrancado de 22.º. Em Coloane, Piccini, de 20 anos, começou a ganhar a corrida logo na qualificação, quando alcançou a pole-position. Atrás de si ficou o experiente Ma Qinghua, que conta no currículo com vitórias no Mundial de Carros de Turismo e participações a Fórmula E. Antevia-se, por isso, uma luta animada entre os dois pilotos. No entanto, o golpe de teatro aconteceu ainda antes do arranque. Quando os pilotos se preparavam pela segunda vez para arrancarem para a corrida, Ma Qinghua teve problemas no seu karting e foi obrigado a abandonar, sem ter completado um volta cronometrada. Alessio Piccini ficou assim com o caminho totalmente livre para triunfar em Macau.

KARTING PICCINI DOMINOU TAÇA DE MACAU E DEU MEIA PISTA AO SEGUNDO CLASSIFICADO

Um arraso à transalpina

Piloto italiano venceu o Grande Prémio Internacional de Macau em Karting, com grande à vontade. João Afonso ficou no 11.º lugar na Taça de Macau e em 7.º na categoria X30 SR No final, o italiano de 20 anos ficou 22.146 à frente de Chan Kwok Ching, piloto de Hong Kong que foi segundo,

ou seja quase meia pista de distância. No último lugar do pódio terminou Chan Cheuk Hin, a 25.052 do primeiro. PUB

“Foi muito fácil, dentro do que são as corridas, que nunca são verdadeiramente fácil. O segundo qualificado teve um problema na partida e com isso a corrida ficou comprometida Estava à espera de ter tido uma luta animada com ele”, disse Alessio Piccini, no final da prova. O piloto reconheceu também que o facto de haver menos pilotos da Europa a competir em Macau, este ano, contribuiu para que a concorrência não tenha estado tão forte. Ao contrário do que tinha acontecido no ano passado, Macau ficou de fora do Campeonato FIA da Comissão Internacional de Karting, principal competição do karting mundial. “Acho que fiz a diferença em todas as partes do circuito, principalmente nas curvas rápidas e na chicane. A mina experiência na Eu-

ropa faz diferença, porque a verdade é que o karting tem crescido muito na Ásia, mas na Europa o nível ainda é superior”, admitiu.

FIM-DE-SEMANA COMPLICADO Por sua vez, João Afonso, de 48 anos, arrancou de 22.º para a corrida da Taça de Macau e acabou no 11.º lugar a uma volta do vencedor. No final, o local mostrou-se satisfeito com o resultado. “Não foi uma prova fácil. Arranquei do 22.º lugar e consegui chegar a 11.º, o

Não foi uma prova fácil. Arranquei do 22.º lugar e consegui chegar a 11.º, o que me deixa satisfeito JOÃO AFONSO PILOTO LOCAL

Futebol Norte-coreanos do Hwaepul SC possíveis adversários do Benfica

O Hwaepul SC, da Coreia do Norte, confirmou a inscrição na Taça AFC e é o possível adversário do Benfica de Macau, que estava por conhecer, para a fase de grupos da competição. A informação foi avançada ontem, pela AFC, depois do sorteio para a fase de grupos da competição. Para já, o Benfica de Macau vai ter pela frente, como adversários confirmados, o 25 de Abril FC, da Coreia do Norte e Hang Yuen FC, de Taiwan. A última equipa do grupo vai ser conhecida depois do play-off, que coloca frente-a-frente Erchim, da Mongólia, e Hwaepul da Coreia do Norte. Os encontros entre estas as formações estão agendados para 13 e 20 de Fevereiro.

que me deixa satisfeito. Ao fim de 15 voltas, os pneus estavam com demasiada aderência, ou seja colavam demasiado e isso não me permitiu andar mais rápido. Não foi a afinação correcta”, disse João Afonso. Além da Taça de Macau, Afonso competiu igualmente na classe X30 SR, que acabou com 7.º lugar, a 19.220 do primeiro, sendo o melhor piloto local na prova. O vencedor foi Eshan Pieris, do Sri Lank, que completou as 24 voltas ao traçado em 19:57.518. “Infelizmente não tive uma boa qualificação, parti em 9.º e só consegui fazer um 7.º lugar. Foi uma corrida com lutas agressivas porque à minha frente estavam pilotos asiáticos muito bons. Tentei fazer o meu melhor”, explicou João Afonso, no final. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


(f)utilidades 17

segunda-feira 11.12.2017

TEMPO

POUCO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

MIN

12

MAX

20

HUM

45-80%

EURO

9.45

BAHT

CONCERTO DUO BRAIN – CLARINET ENSEMBLE CONCERT Fundação Rui Cunha | Das 19h30 às 21h00

Sexta-feira WAT DE FUNK MINI-CONCERT Village Mall, Rua do Campo | 19h30 às 21h00

Sábado

Cineteatro

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 178

C I N E M A

UM FILME HOJE

SUDOKU

DE

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 177

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE MACAU (VER PROGRAMA PRÓPRIO) Cinemateca Paixão, Torre de Macau e Centro Cultural | Até 14/12 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

1.21

TRILHOS SOCIAIS

Amanhã

Diariamente

YUAN

PÊLO DO CÃO

LANÇAMENTO DO LIVRO “MACAU, CINCO SÉCULOS DE DIVERTIMENTO”, DE CÂNDIDO DO CARMO AZEVEDO Fundação Rui Cunha | Das 18h30 às 20h30

PICNIC COM CONCERTO DOS BLADEMARK Albergue SCM | Das 14h00 às 17h00 CONCERTO THE BEATBOMBERS – FESTIVAL THIS IS MY CITY Discoteca D2 | A partir das 00h00 CONCERTO “PAULO PEREIRA’S SAXEXPERIENCE” – FESTIVAL THIS IS MY CITY | WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | 19h00 às 20h00 CONCERTO FASLANE – FESTIVAL THIS IS MY CITY | WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | Das 21h00 às 00h00 “MO澳門 | HOW TO BECOME NOTHING CINE-CONCERT” – FESTIVAL THIS IS MY CITY | WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | Das 20h00 às 21h00 EXPOSIÇÃO “PEARL PAKMAP” – FESTIVAL THIS IS MY CITY” | WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | Das 17h30 às 19h30

0.24

Com tantas dimensões de isolamento social e clausura individual, qual é, afinal, o elemento que nos une enquanto espécie? Será a consciência de que somos finitos, ou a noção de que as nossas dores e alegrias são as mesmas? Talvez. Ainda assim, há outra coisa que nos une enquanto gladiadores existenciais – os trilhos de Coloane. Passo a explicar. Se andar pela Praia Grande a espalhar sorrisos de compreensão e a cumprimentar quem se cruza comigo serei visto como sociopata a necessitar urgentemente de supervisão médica. Algo visto como natural numa sociedade fortemente compartimentalizada em unidades sociais estanques que escudam o indivíduo do exterior, mas que também o blindam da espontaneidade. Os trilhos de Coloane não seguem esta regra. Há um entendimento comunitário entre quem palmilha as encostas verdes, algo que aproxima e leva a cumprimentos silvestres entre as vistas para o Mar do Sul da China. Trocam-se sorrisos que em qualquer outro contexto seriam interpretados como uma inaceitável invasão na esfera pessoal. Talvez a razão para estas manifestações sociais esteja no facto de, momentaneamente, nos sentirmos unidos numa trip de sobrevivência ao coração das trevas naturais. Talvez a submissão aos elementos forme um factor identitário que tudo congrega. Seja o que for, a montanha acrescenta um elemento de familiaridade que se desvanece imediatamente quando chegamos ao asfalto. Assim que piso o alcatrão reflicto no paradoxo do conceito de civilização. João Luz

“HEAD-ON” | FATIH AKIN

Esta obra-prima de Fatih Akin tem como foco narrativo a relação amorosa que se devolve entre duas personagens à beira do colapso. A mulher, Sibel, procura libertar-se das amarras de uma família conservadora depois de se tentar suicidar e encontra a solução quando conhece um toxicodependente mais velho, Cahit, com quem acaba por casar. “Head-On” tem um substrato de violência ao longo da narrativa. A banda sonora está a cargo do saxofonista Maceo Parker e de Alexander Hacke, baixista dos Einstürzende Neubauten. “Head-On” ganhou o urso de ouro do Festival de Internacional de Cinema de Berlim em 2004 e deu alguma projecção a Fatih Akin. João Luz

THE FOREIGNER SALA 1

MURDER ON THE ORIENT EXPRESS [B] Fime de: Kenneth Branagh Com: Penelope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Daisy Ridley, Josh Gad 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

THE FOREIGNER [C] Fime de: Martin Campbell Com: Jackie Chan, Pierce Brosnan 14.30, 16.45, 21.30

WONDER [B] Fime de: Stephen Chbosky Com: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay 19.15 SALA 3

TAKE ME TO THE MOON [B] [FALADO EM PUTONGHUA, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS] Fime de: Chun Yi Hsieh Com: Jasper Liu, Vivian Sung, Vera Yen, Chihtian Shih, Pipi Yao 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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18 opinião

11.12.2017 segunda-feira

O Segundo

T

ALVEZ esta reflexão pudesse começar com “era uma vez”. Porém, a história da China é demasiado longa e neste caso interessa-me revisitar o seu passado recente, quando por volta de 1977 Deng Xiaoping tornou ao poder, consolidando-o desta vez. O ex-estudante em França, agora solidamente sentado na cadeira do poder, trazia em si um olhar pragmático para a sua China. Para trás ficavam os dogmas e excessos da Revolução Cultural. Deng queria uma China moderna, passo a passo. Primeiro permitiu que os camponeses viessem vender os seus produtos nas cidades. Com o crédito alcançado por esse sucesso, o pragmatismo desenvolve-se. Uns anos mais, diria que “o socialismo não significa pobreza”. Isso recorda-me quando, ainda nos finais do anos 70, para chegar a Guangzhou, tive de atravessar de jangada quatro ou cinco braços de rio. Hoje a viagem faz-se de comboio rápido. Deng, fazendo uso de máximas chinesas, definiu as primeiras medidas de abertura interna que conduziriam à emergência de uma economia socialista de mercado. Nesse pragmatismo, em que o socialismo fica salvaguardado, afirmou que não lhe importava que um gato fosse branco ou preto, mas sim que caçasse ratos. Citam-se frases deste líder da abertura da R.P. da China. Premonitoriamente afirmou:”quando os nossos milhares de estudantes regressarem a casa, irão assistir à transformação do País”. Crítico, comentou que “os jovens quadros sobem de helicóptero. Precisam de subir passo a passo”. Afirmaria também “procura a verdade nos factos”. A China do século XIX trazia a todos os patriotas más recordações. Era preciso consolidar uma política de firmeza quanto ao território chinês. Deng Xiaoping formula a sua máxima de “Um País, dois Sistemas” com o intuito de, pacificamente e através de acordos, retomar os territórios de Hong Kong e de Macau, recebendo estes a classificação de “Segundo Sistema”. O intuito era de que, através de um fenómeno de capilaridade, e no período de meio século, o desenvolvimento das Regiões Administrativas Especiais pudesse contaminar o continente. Não foi porém preciso, porque o pragmatismo de Deng virou-se para o interior onde aos poucos nascia um mercado produtor e consumidor interno. Nas últimas décadas a prosperidade bateu à porta de muitos. Em 2002 a classe média era de apenas 3 por cento, mas uma década depois, em 2012, já correspondia a 31 por cento, ou seja, 420 milhões!!! Se as assimetrias ainda existem, não estarão esquecidas e a solução vem com a

emergência dos novos heróis, os milionários e bilionários chineses, homens como Wang Jianlin (31.3 mil milhões USD), Jack Ma (28.3 mil milhões USD) no topo de uma lista dos vinte mais ricos cuja mais baixa fortuna é de 6.3 mil milhões de USD. É assim que, com visão a longo prazo, uma característica do Primeiro Sistema, os milionários se tornam também nos motores de desenvolvimento do País, em sintonia com o Estado. Deng é já uma memória reverenciada. As novas lideranças seguem o trajecto. A afirmação política como potência

internacional é importante. Em 2008 as Olimpíadas são o cenário ideal para uma dessas afirmações. Zhang Yimou encena um espectáculo belíssimo de abertura que ficou na minha e terá ficado na memória de muitos. Os tempos de Li Ning já vão longe. A afirmação da R.P. da China é total. 51 medalhas de ouro, 21 de prata e 28 de bronze. A velocidade de transformação da China é enorme. A economia, nos anos 1990, tinha chegado a um crescimento inaudito de dois dígitos. O mundo assustava-se.

Aliás, a China actual tem mostrado, à semelhança do Renascimento dos Tang (618-904), uma ampla abertura ao exterior. É assim que, tal como Deng regressou de França, milhares de quadros foram estudar na Europa Ocidental, municiando-se, bebendo do Ocidente, imperativo para a globalização, muito provavelmente inteiramente apoiados pelo Estado Chinês. Mas se a excelência da apresentação e dos resultados olímpicos foram uma incontornável afirmação política que já vinha sendo preparada desde os tempos de Li Ning, cada vez com maior excelência, é fundamental


opinião 19

segunda-feira 11.12.2017

ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR

Renascimento

que Macau aprenda não apenas com a China mas com o mundo, sem medo, sem preconceitos, porque os quadros locais estão longe de terem capacidades e abertura ao mundo, que só poderão adquirir lá fora. Mas, mais do que isso, é importante que o Governo de Macau lhes suporte por inteiro estudos de especialização e de línguas estrangeiras no exterior, e que estes se integrem , sem se acolherem na companhia de colegas, o que seria refúgio indesejável. Os grandes projectos internos de arquitectura na China decorrem de concursos ou convites internacionais sem que se tenha de concessionar a arquitectos chineses, só porque sim. Que o digam Siza Vieira, arquitecto Português prémio Pritzker, com o seu edifício sobre a água na cidade de Huai’an, província de Jinan. Nunca a excelência, venha de onde vier, constitui um erro. Os líderes chineses sabem-no. O desenvolvimento da China está em todo o lado e faz empalidecer as R.A.Especiais. Com efeito, em Guangzhou, o Guangzhou Evergrande Taobao, verdadeiro gigante do futebol, assinou há anos com o Real Madrid um protocolo para se criar a maior academia de futebol do mundo, desporto tanto do agrado de Xi Jingping. E eis que, assim, em mais de 75 campos, se planeiam desde já as estrelas de amanhã, enquanto a importação de técnicos se faz descomplexadamente, porque um dos paradigmas do conhecimento é o reconhecimento das próprias limitações. A busca da excelência é total, e a Evergrande aliada à Tao Bao são um colosso financeiro. Trabalha-se, como se imagina, para o médio prazo. No campo das Artes, há uma cidade que me tocou profundamente. Trata-se da histórica cidade de Hangzhou, próxima de

Xangai, mas possuidora de uma Academia de Arte que mostra bem o nível de abertura cultural, cultura que se estende ao modus vivendi. E desta Academia, sediada numa cidade conhecida pelo seu lago ocidental, o Shi Wu, pela sua placidez, pela proibição das buzinas dos automóveis, respira-se um ambiente propício a tudo o que é reflexão, estudo, criação. Tê-la visitado, constituiu para mim uma experiência enriquecedora da existência de outros mundos que não precisam da nossa circunstância, e que produzem coisas brilhantes. E a cidadania é tudo isto, é a busca permanente da excelência que só existe com a abertura das mentes, com o recurso a quem sabe em alternativa à ignorância – esse não saber que não se sabe – independentemente da sua situação ou origem, para que se possam formular projectos credíveis para que a R.A.E.M. possa corresponder às expectativas que a Mãe Pátria tem, quando fala de diversificação, que não se fará nunca sem um suporte cultural, que urge ser dado aos quadros locais. E porque a expressão cultural e artística são o espelho da vida de uma sociedade, aqui se deixam alguns exemplos provenientes de Hangzhou.

UM OUTRO RENASCIMENTO

Sendo o homem uma circunstância, perceber-se-á que o ambiente envolvente é de extrema importância, condicionador ou potenciador do desenvolvimento humano. Mas para que tudo isto se realize com o nível de excelência que a R.P. da China nos habituou é preciso que se insira também no movimento integrador da Grande Baía traçado pelo Presidente Xi Jingping. Agora que o crescimento interno é uma realidade em

Nunca a excelência, venha de onde vier, constitui um erro. Os líderes chineses sabem-no contínua consolidação, Xi Jingping volta-se para o exterior, formulando pela política da Faixa e da Rota – a Faixa económica da Rota da Seda do século XXI – que propõe ao mundo em geral e aos países emergentes em particular, o usufruto da cooperação e do usufruto das vantagens da conectividade. Curiosamente Portugal, país dito periférico, mas o mais antigo da Europa, tem vindo a erguer-se através de grandes personalidades, desde António Damásio, neurocientista autor do “Erro de Descartes” e director do Brain and Creative Institute da Universidade da Califórnia até Horta Osório, o salvador do Lloyds Bank, ou o recém-falecido Belmiro de Azevedo, que estimulava os seus subordinados a terem as suas próprias empresas. Do primeiro Secretário-Geral das Nações Unidas unânimemente eleito, António Guterres, até ao Presidente da República Portuguesa que está em todo o lado, conferindo com a sua presença a atenção aos mais necessitados, enquanto o Ministro das Finanças Mário Centeno, recém-eleito Presidente do Eurogrupo por unanimidade à segunda volta. Há ainda Cristiano Ronaldo, cinco vezes o melhor jogador do mundo e José Mourinho, o treinador especial e tantos outros que brilham por vários continentes, e diversos campeões mundiais, além de artistas, de Júlio Pomar a Paula Rego, provenientes de um país pequeno que é o primeiro destino turístico da Europa. Por causa da memória portuguesa, Macau foi designado, como Plataforma para os

países Lusófonos. A grande China não tem complexos com a história de Macau. Os grandes líderes caracterizam-se pela visão ampla e assim, o legado da portugalidade em Macau, os seus elementos conjugadores deveriam ser ainda mais valorizados pela sua inimitável singularidade. É e será sempre através das capacidades de conjugação e articulação cultural que se procederá à transformação das mentalidades, sobretudo para quem precisa de substituír certezas por dúvidas. E a partir delas procurar a exigência em desfavor da ignorância, a excelência em alternativa à mediocridade. Todo o desenvolvimento requer um trajecto. E todo o trajecto um ideário, uma linha de pensamento coerente, fundamentada, a curto e médio-prazo, expressa com os pés bem assentes na terra. Numa cidade multi-milionária como a R.A.E.M., super-excedentária, apenas a excelência faz sentido, não a má tradução, por exemplo, para o termo “talentos”. É que qualquer tradutor (universalmente tradutore-traditore)precisa de vivenciar a cultura da língua que procura interpretar, porque é na interpretação que a tradução se clarifica. E sem verdadeira interpretação não há comunicação fiel. É assim que em todo este contexto, emerge a consciência de que a fantástica biblioteca do distrito cultural de Binhai, em Tianjin ameaça tornar-se uma vulgaridade na China, à medida que o País progride cultural e civilizacionalmente neste novo Renascimento. O meu receio porém é que, em certos lugares, a vulgaridade seja a pouca importância que certos protagonistas dão a bibliotecas, quanto mais à cultura ou a distritos culturais...


O bom senso é cor de auto-estrada: ajuda-nos a chegar mais depressa ao nosso objectivo mas não dá gozo nenhum atravessar. Carlos Morais José

A

empresa que detém a licença da clínica TaivexMalo recebeu na quinta-feira uma ordem de despejo do Venetian Macau, hotel-casino onde se encontram as instalações, que incluem o consultório dentário Malo. De acordo com a notícia avançada pelo ‘site’ do jornal Tribuna de Macau, a TaivexMalo tem 40 dias para abandonar as instalações. Em 24 de Novembro, os Serviços de Saúde de Macau anunciaram a suspensão da licença da TaivexMalo por seis meses, devido à prática ilegal de procriação médica assistida, tráfico e contrabando de medicamentos de oncologia e falta de condições de higiene e segurança. Além do encerramento das instalações, até 21 de Maio de 2018, foram aplicadas duas multas a quatro médicos e um enfermeiro, e outra à clínica. “A licença de um médico foi suspensa

por um período de 90 dias. Não houve nenhuma vítima resultante desta situação, no entanto não está excluída a possibilidade de uma sanção penal já que o caso foi remetido ao Ministério Público para acompanhamento”, de acordo com o comunicado divulgado então pelos Serviços de Saúde. Em declarações à Lusa, o presidente da Malo Clinic, Paulo Maló, tinha afirmado que a ordem de encerramento das instalações da empresa PHC-Pacific Health Care, que detém a licença da TaivexMalo, não abrangia a sua empresa, mas afectou na prática o funcionamento, uma vez que partilhavam o mesmo espaço. O empresário esclareceu que a Malo Clinic detém apenas em Macau a actividade ligada à medicina dentária e não está relacionada com outras áreas médicas, responsabilidade de outras entidades.

A

Coreia do Norte advertiu ontem que um bloqueio marítimo seria “uma declaração de guerra”, numa referência a uma das novas sanções que os Estados Unidos planeiam impor a Pyongyang após o recente lançamento de um míssil balístico. “As movimentações dos Estados Unidos para impor um bloqueio marítimo nunca podem ser toleradas, porque constituem uma clara violação da soberania e dignidade de um Estado independente”, diz um artigo de opinião publicado ontem no diário oficial Rodong Sinmun. Washington “tenta abertamente impor um bloqueio marítimo contra a RPDC [República Popular Democrática de Coreia, nome oficial do país] para estrangular a sua economia em tempos de paz”, algo que, realça o mesmo artigo, faz parte do plano que os Estados Unidos aplicam “há décadas” para “aumentar o isolamento” da Coreia do Norte. O artigo, também reproduzido pela agência de notícias estatal KCNA, assinala que os tratados internacionais estabelecem que o bloqueio económico de um país em tempos de paz configura “um acto ilegal” sendo, aliás, “considerado como invasão”. As novas sanções que Washington promove e as manobras aéreas levadas a cabo esta semana na península coreana – as maiores até à data – representam

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segunda-feira 11.12.2017

Pyongyang Bloqueio marítimo é “declaração de guerra”

IPOR Publicado “Guia de conversação vietnamita-português”

O Instituto Português do Oriente (IPOR) apresentou hoje o “Guia de conversação vietnamita-português” para responder ao crescente interesse pela língua portuguesa no Vietname. Além de noções básicas sobre língua portuguesa, o guia apresenta vocabulário, estruturas gramaticais próprias, sinalética e gestos e expressões não-verbais documentados com imagens, abordando temas como socialização, alojamentos, estudos, visitas, deslocações, sair e fazer compras, de acordo com um comunicado do IPOR. A cooperação desenvolvida entre o Vietname e o bloco lusófono aumentou o interesse pela língua portuguesa e actualmente 180 alunos frequentam o curso de licenciatura em português na Universidade de Hanói, que conta com a presença de um leitor de língua e cultura portuguesa da rede de ensino de português no estrangeiro. A apresentação da nova edição decorreu no âmbito do terceiro encontro de pontos de rede de ensino de português, a decorrer no IPOR até sexta-feira. O guia, editado pelo IPOR e que resulta da colaboração entre o instituto e a Universidade de Hanói, vai estar à venda em livrarias em Macau e na capital vietnamita, onde vai decorrer uma sessão de lançamento no início do próximo ano.

KCNA/REUTERS

VENETIAN CLÍNICA TAIVEXMALO RECEBE ORDEM DE DESPEJO

PALAVRA DO DIA

“abomináveis actos criminosos que visam empurrar a actual situação para uma fase de catastrófica e incontrolável de guerra”, sublinha Pyongyang. Neste sentido, o artigo adverte o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o “seu gangue”, de que “até o mais pequeno movimento para pôr em prática um bloqueio marítimo terá uma resposta imediata e implacável de autodefesa por parte da RPDC”.

O PIOR É O OUTRO MENINO

Entretanto, o secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Políticos terminou sábado a visita à Coreia do Norte, durante a qual ambas as partes acordaram “manter contactos de forma regular a vários níveis”, segundo os ‘media’norte-coreanos. Pouco depois de o emissário da ONU ter deixado hoje Pyongyang, com destino a Pequim, os ‘media’estatais norte-coreanos fizeram um balanço da visita de cinco dias, destacando

o “profundo entendimento” entre as partes, insistindo que a actual crise na península coreana figura como consequência da “hostilidade” dos Estados Unidos. Durante os encontros, a RPDC “clarificou a sua posição relativamente à salvaguarda da paz na península coreana e sobre a legitimidade das Nações Unidas”, escreveu a agência de notícias KCNA. Para Pyongyang, “a tensa situação na península é da inteira responsabilidade da política hostil dos Estados Unidos e das suas ameaças nucleares contra a RPDC”. Washington “revelou o seu esquema para executar um ataque nuclear preventivo de surpresa contra a RPDC, através dos maiores exercícios aéreos realizados até à data, envolvendo todo o tipo de bombardeiros estratégicos”, enfatizou o regime liderado por Kim Jong-un durante as reuniões com o norte-americano Jeffrey Feltman, segundo os ‘media’ norte-coreanos. A delegação da ONU, por seu lado, manifestou a intenção de “ajudar a reduzir as tensões na península da Coreia à luz da Carta das Nações Unidas, que estabelece a missão de manter a paz e da segurança internacionais”, ainda de acordo com a KCNA. Feltman protagonizou a primeira visita de um responsável de Assuntos Políticos da ONU à Coreia do Norte desde o seu antecessor, o também norte-americano Lynn Pascoe, em Fevereiro de 2010.

Hoje Macau 11 DEZ 2017 #3952  

N.º 3952 de 11 de DEZ de 2017

Hoje Macau 11 DEZ 2017 #3952  

N.º 3952 de 11 de DEZ de 2017

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